Issuu on Google+

CONHEÇA MELHOR

Beleza

múltipla As dálias são tão diferentes umas das outras que compõem jardins e arranjos florais muito dinâmicos POR GABI BASTOS FOTOS VALERIO ROMAHN

48


F

ormatos, cores e tamanhos das flores variam tanto que, às vezes, nem parece que estamos falando da mesma espécie. Essa é uma das principais características das dálias (Dahlia hybrid), herbáceas que contam com mais de 50 mil variedades registradas no Royal Botanical Gardens, de Kew Gardens, na Inglaterra, instituição onde é catalogada a maioria das plantas do mundo. Essa diversidade de beleza rendeu fama à dália a ponto de estar presente em canteiros de quatro continentes. Outra vantagem: como estão disponíveis em portes de 25 cm a 2,4 m de altura, as dálias podem render canteiros muito atrativos mesmo sem a companhia de outras espécies. Um bom exemplo é o jardim aqui mostrado, que abriga a coleção de dálias da artista plástica Raquel Taraborelli. “Como as dálias apresentam floradas sucessivas, também é possível colher algumas para compor arranjos florais”, conta Raquel. No espaço, a jardinista bordou os canteiros de dálias com renques de buxinhos (Buxus sempervirens) (1) e, entre os pedriscos que revestem o piso, plantou velocino-de-ouro (Thymophylla tenuiloba 'Sunshine') (2).

1

2

49


CONHEÇA MELHOR

Florada curiosa

A

s inflorescências das dálias surgem na primavera e no verão e, curiosamente, são formadas pelo conjunto de dois tipos de flores. As flores responsáveis pela reprodução são pequenas tubulares e compõem o aglomerado que parece ser o miolo amarelo da flor. As outras, chamadas de liguladas periféricas, são estéreis, posicionam-se ao redor desse aglomerado – chamado de capítulo – e, em geral, apresentam uma única pétala.

Diferentes formatos e quantidades de pétalas das inflorescências proporcionam uma aparência única a cada variedade de dália. As inflorescências podem medir entre 5 cm e 30 cm de diâmetro e se destacam acima da folhagem. Quando deixam de brotar, as folhas perecem e a planta entra em estado vegetativo, a fim de poupar energia durante o inverno. Não se preocupe, pois a folhagem ressurge na primavera, anunciando mais uma bela florada.

As dálias são formadas por

50


milhares de variedades com formatos, cores e tamanhos diferentes. Essa ĂŠ uma das caracterĂ­sticas que tornam a planta tĂŁo especial

51


1

2

Dália-bola: inflorescências parecidas com pompons

Dália-simples: tem poucas pétalas e miolo aparente

A

s dálias são divididas em grupos de acordo com o formato das inflorescências. As que apresentam poucas pétalas e mostram claramente o miolo são chamadas de dálias-simples (1). As com grande quantidade de pétalas tubulares, formando uma espécie de pompom, são conhecidas como dálias-bola (2). Já as que têm pétalas longas e miolo reduzido, classificadas como dália-cacto (3). Ao todo são dez categorias, conforme mostra o quadro à direita. Essas nomenclaturas foram criadas para facilitar a identificação, a multiplicação e a troca de variedades pela The American Dahlia Society (Sociedade

Americana de Dálias). A instituição é a principal referência sobre o assunto e reúne mais de 70 sociedades independentes, localizadas em países como Canadá, França, Nova Zelândia e África do Sul, entre outros. No Brasil, ainda não existem sociedades do tipo, mas o site da The American Dahlia Society (www.dahlia.org) traz dicas de como elas são criadas. Além de promover a troca de informações e de variedades de dálias, os membros recebem quatro boletins anuais sobre a planta e têm acesso a artigos que ajudam a criar novos híbridos e a cuidar deles.

Dois belos exemplos de dálias-cacto. Nessa categoria, as plantas têm pétalas longas e miolo pequeno

3

52

3

Aydano Roriz

Coleção organizada


Simples: podem ser singelas ou semidobradas, com pétalas que mostram claramente o miolo.

Pompom: têm flores pequenas e pétalas curtas em forma de taça. Dispõem-se de maneira regular.

Decorativa: têm inflorescências com pétalas curtas e largas, distribuídas de maneira arredondada.

Cacto: chamadas de crisandálias, têm pétalas alongadas, estreitas, formando um tubo pontiagudo.

Semicacto: semelhantes ao tipo cacto, mas com a base das pétalas mais larga e plana.

Colarete: capítulos são formados por dois tipos de pétalas. As maiores, externas, e as menores, intermediárias.

Anêmona: flores dobradas e de pétalas lisas que circundam um grupo de pétalas menores e tubulares.

Lírio-d’água: flores dobradas, com pétalas largas, lisas ou com margens.

Bola: pétalas tubulares que formam uma flor perfeitamente arredondada.

Miscelânea: são todas as variedades que não se enquadram em nenhum outro grupo citado.

Os colecionadores da planta dividiram as dálias em grupos de acordo com o formato da flor. Essa planta em destaque faz parte do grupo anêmona

Ilustração: Robson Carvalho

CATEGORIAS EM QUE AS DÁLIAS SÃO AGRUPADAS


CONHEÇA MELHOR

Devido a sua rusticidade, as dálias são cultivadas em várias partes do mundo. No paisagismo, podem ser utilizadas para colorir cantinhos aconchegantes, como foi feito nesse jardim

54

Natureza no 288


No mundo e nos jardins

F

lor-símbolo do México, a dália foi levada para a Europa pelo diretor do Jardim Botânico de Madri (Espanha), Vicente Cervantes, que se encantou pela beleza de suas flores, no século 18. Como a espécie é subtropical e se adapta muito bem ao clima temperado, não demorou para ela chegar a outras cidades europeias, onde começou a ser hibridada e a ganhar o mundo. No Brasil, a herbácea

chegou pelas mãos dos imigrantes holandeses e fez muito sucesso durante os anos 1960 e 1970, depois caiu em desuso. Hoje, devido à busca por espécies diferenciadas, paisagistas e jardinistas voltaram a utilizar a planta para alegrar os jardins. Isoladas ou em maciços, as dálias funcionam como um ponto de atração visual do paisagismo. A planta também pode ser mantida em vasos desde que em local com boa luminosidade.

55


CONHEÇA MELHOR

Como cuidar das dálias

Eduardo Tarran

T

A beleza das flores é garantida com solo fértil, úmido e espaçamento adequado entre as plantas

ípica de clima subtropical e resistente ao tropical de altitude, a herbácea deve ser cultivada sob sol pleno e em solo arenoso, acrescido de esterco de curral bem curtido dez dias antes do plantio. “Durante esse tempo, enquanto a terra absorve os nutrientes, é aconselhável colocar as raízes da herbácea em local com boa luminosidade para ajudá-las a despertar do estado vegetativo”, diz Raquel Taraborelli. Os detalhes desse processo estão no quadro à direita. Feito isso, abra covas de 50 cm x 50 cm, distanciadas 1 m umas das outras, e enterre três tubérculos em cada uma, a 5 cm ou 10 cm de profundidade. Molhe bem o solo e cubra com grama seca ou pínus tratado para ajudar a manter a umidade. Regue a cada dois ou três dias com pouca água para as raízes não apodrecerem. Com esses poucos cuidados, a folhagem se forma em cerca de um mês, e as primeiras hastes florais aparecem entre 60 e 90 dias. “Para suportarem o peso das flores, as hastes devem ser tutoradas com bastões de ferro ou de madeira”, explica a jardinista. As dálias são perenes, mas, em regiões muito frias, é aconselhável desenterrar os tubérculos no inverno e mantê-los limpos, em local sombreado, fresco e longe de umidade, como uma caixa, até a primavera, quando devem ser replantadas. Em regiões um pouco mais quentes, é possível manter a planta no solo. Nesse caso, a dica é podar a folhagem no inverno a fim de que a dália poupe energia para a época de floração.


Raízes tuberosas e multiplicação As dálias apresentam raízes tuberosas, parecidas com batatas, que têm a função de acumular nutrientes. Todos os anos, durante o ciclo de vida da planta, novos tubérculos surgem ao redor dos antigos. Dividir esse tipo de raiz em partes após a florada é a maneira mais adequada e fácil de multiplicar as dálias. Veja como proceder:

DO JARDIM PARA A TELA DE PINTURA E MESA

A

No inverno, quando a dália perecer, desenterre toda a planta (A) e, com uma faca afiada, separe os tubérculos que compõem sua raiz, deixando um pedaço do rizoma principal em cada um (B). Daí, é só plantar na primavera para ter ainda mais flores no jardim. A planta também se multiplica por estaquia e por sementes. Porém, nesse último caso, não há garantia das mudas nascerem com as mesmas características da planta-mãe.

Eduardo Tarran

B

Eduardo Tarran

A

paixonada por plantas, a artista plástica Raquel Taraborelli planejou seu jardim para que servisse de cenário para pintar seus quadros impressionistas. Inspirou-se nos jardins da região de Provence, na França, para escolher as espécies e distribuí-las pelos canteiros. A coleção de dálias, que não para de crescer, começou quando um amigo a presenteou com um exemplar trazido do sul do Brasil. Hoje ela tem mais de 30 variedades, o que permite aproveitar as flores para compor arranjos florais para pintá-los ou para decorar a mesa de granito que fica abaixo de uma mangueira. Para conhecer mais obras da artista, visite o site www.raqueltaraborelli.com.

57


Beleza Múltipla - Revista Natureza - Raquel Taraborelli - Pintor, Artista Impressionista