Page 1

Ano II - Nº 3

Junho 2009

Jornal da Escola Secundária/3 de Amato Lusitano

Editorial Salpicos de politiké e politikós Da Terra ao Espaço Astronomia

Porque é que a política também é para nós? Respondo com uma frase vulgarmente utilizada, mas que é profundamente verdadeira: todos os nossos actos são actos políticos. Aprender é talvez o primeiro acto político significativo dos nossos alunos. Por isso, inquestionavelmente a política é também para eles – os jovens. Ora, a escola é um espaço privilegiado de experiências de sociabilização, de partilhas de modos de viver, além das aprendizagens dos conteúdos programáticos. Com efeito, conjugando os curricula com os projectos educativos das escolas é sempre possível desenvolver um sem número de actividades que conciliam os objectivos de cada disciplina com toda uma vivência de situações interdisciplinares no sentido de proporcionar ao aluno uma melhor integração no meio social que o envolve. Para que tudo isso seja orientado de maneira favorável ao desenvolvimento equilibrado do indivíduo, é fundamental a intervenção do professor, porque educar é, também e obviamente, um acto político que consiste na implementação de um conjunto de princípios e objectivos que futuramente constituem os alicerces de uma vida cívica activa. É desta interacção que nasce a realização do professor e a real formação de um aluno responsável, participante, com princípios de honestidade e solidariedade e, portanto, mais rico como ser humano.

Pág. 2

da imaginação

crónicas... traços... escritas... Pág. 7

A política pertence-nos. Nós...somos eles!

da opinião

Os jovens e a política Pág. 11

das Viagens

Salpicos das visitas de estudo

João Belém

Pág. 12 e 13

Com o apoio do

Jornal Reconquista

Escola S/3 de Amato Lusitano Av. Pedro Álvares Cabral 085-6000 Castelo Branco Tel. 272339280 Fax. 272329776 E-mail: ce@esal.edu.pt www.esal.edu.pt


Da Terra ao Espaço

“O que sabemos não é muito, o que não sabemos é imenso”

do nosso propósito … Em mais uma edição do Esalpicos, fica a minha paixão pela astronomia e um apelo para para que não a vejam como uma ciência aborrecida. Se pensarmos um bocadinho, muitos dos seus ensinamentos estão presentes na nossa vida quotidiana e influencia o nosso dia-a-dia. Para informações, críticas ou comentários, podem enviar as vossas mensagens para o endereço: luismsdias@live.com.pt Luís Dias, 12ºD

Ficha Técnica

A astronomia é uma das ciências mais antigas. Perguntas como “que horas são?”, “que dia é hoje?”, “ que idade tenho?” são vulgares hoje em dia, no entanto, nos primórdios da civilização, questões como estas levaram o homem a olhar para o céu em busca de uma resposta. Com o desenvolvimento tecnológico também a astronomia evoluiu, passando a desempenhar papéis importantíssimos em inúmeras actividades como a agricultura e a navegação, aliás, se não fosse esta ciência, muito provavelmente os portugueses nunca teriam embarcado para os Descobrimentos. Nestes últimos anos, a astronomia é das áreas que mais tem evoluído, o que se deve sobretudo à grande revolução tecnológica que estamos a atravessar. Mas porque é que não lhe é dado o protago-

nismo de antigamente? Porque é que é ignorada? Já sabemos que horas são, basta olhar para os relógios. Sabemos em que dia estamos e em que dia calha o nosso aniversário, basta olhar para o calendário. Sabemos as marés e as fases da lua, basta consultar as informações dos media. Para quê perder tempo com insignificâncias galácticas ou com novas tolices se já temos a resposta a essas perguntas? Para quê saber quantos planetas tem o sistema solar? Para quê saber de que são feitas as estrelas? Para quê saber se há vida fora do nosso sistema? A resposta é simples: somos mais do que a data do nosso aniversário, do que um banho na praia em maré-alta, do que o tempo contado em minutos. Somos pó de estrelas. É nas estrelas que se formam grande

parte dos átomos de que somos feitos. Seria lógico, então, que voltássemos a vê-la com outros olhos e a conceder-lhe o merecido respeito. A atracção que sinto pela astronomia é tão grande que parece ter nascido comigo. Gostaria de vos passar um pouco desta paixão. Portanto, peço-vos apenas que levantem a cabeça e contemplem por uns instantes, uns míseros segundos, o esplendoroso céu nocturno, sintam o pulsar de cada estrela e de certeza absoluta que o bichinho da astronomia vos vai picar e vai originar uma sede insaciável de curiosidade. Tal como Laplace disse: “O que sabemos não é muito. O que não sabemos é imenso”. Luís Dias, 12ºD

Viagem ao Sistema Solar

Direcção Prof. Conceição Neves Prof. Etelvina Maria Prof. Hélder Rodrigues Prof. Hermínia Pombo Prof.Raquel Afonso Prof. Rui Duarte Francisco Belo, 12ºE Colaboradores Ana Belo, APEE Prof. Ana Maria Pires Prof. Álvaro Esapadanal Prof. Américo Silva Prof. Eugénia Andrade Prof. Graça Ramos Prof. João Belém Prof. Jorge Garcia Prof. Luís Ascensão Prof. Maria Manuel Nogueira Prof. Natércia Belo Prof. Otília Duarte Ana Cardoso, 10ºP Ana Judite, 9ºA Ana Marques, 10ºE Ana Ramos, 11ºB Diogo Pires, 11ºN Filipa Domingos, 10ºF Gustavo Eduardo, 12ºB Iolanda Vaz, 10ºF Joana Amaral, 12ºB Joana Peres, 10ºF João Antunes, 10ºP João Barata, 12ºB João Leitão, 7ºA Helena Nunes, 11ºB Inês Gouveia, 11ºB Leila Dias, 10ºP Luís Dias, 12ºD Marco Garrido, 7ºA Margarida Fernandes, 10ºE Margarida Santos, 10ºF Margarida Vilela, 11º E Mariana Afonso, 12ºB Marília Robalo, 10ºM Nádia Antunes, 10ºP Patrícia Rodrigues, 10ºE Rafael Cardoso, 10ºP Rogério Fernandes, 10ºP Ruben Almeida, 10ºP Rui Lourenço, 10ºP Telma Tavares, 10ºF Tiago Frade, 10ºP Vãnia Marques, 10ºM

vações do sol no Laboratório de Heliofísica, onde foi também possível ver os espectros de emissão de alguns elementos químicos. Na parte exterior, fizemos uma pequena grande viagem pelo nosso sistema solar e galáxia, representados por modelos esquemáticos. Seguidamente, fomos a Constância para recuperar energias com um belo lanche e um descanso merecido no belíssimo parque de merendas da vila. Mais tarde, no Centro Comercial de Torres Novas aproveitámos para fazer algumas compras e jantar já que nos esperavam mais actividades no Parque de Astronomia. Depois de termos a barriga cheia e as mochilas com uns quilinhos extra, voltámos ao autocarro e fomos novamente para o Centro de Ciência Viva onde iríamos efectuar uma das partes mais apelativas da visita: as observações nocturnas. Começámos por ver a Lua através de uns binóculos. Este planeta secundário, onde muitos

No dia 8 de Maio de 2009, às 14:15h, após uma contagem decrescente, embarcámos numa viagem que nos levou a “dar uma volta” pelo Sistema Solar e arredores sem sequer sairmos de Portugal. A visita, no âmbito da disciplina de Filosofia e dirigida às turmas B, D, e F do 11º ano, foi organizada pelas professoras Graça Dias e Quitéria Mateus e levou-nos a Constância, ao Parque de Astronomia do Centro de Ciência Viva para melhor conhecermos alguns conceitos relacionados com Astronomia e com o conhecimento científico em geral. Ao chegarmos ao Parque, demos conta que o céu estava um pouco nublado o que mais tarde nos dificultou um pouco as observações da superfície solar no Laboratório de Heliofísica, mas mesmo assim, tivemos muita sorte pois houve algumas abertas e pudemos ver aquilo que queríamos. Fomos divididos em 2 grupos e enquanto a um era mostrada a parte exterior do parque, o outro foi fazer obser-

alunos “se encontram” durante as aulas, provocou praticamente em todos um fascínio autêntico, pela sua beleza e pelos pormenores observados através dos binóculos e do telescópio. Mas mais fascinante ainda foi ver o planeta Saturno e os seus maravilhosos anéis e luas, que apesar de não estar na sua melhor fase, se viam perfeitamente. Após todos terem passado pelas 3 zonas de observação, foi feita uma explicação acerca do céu nocturno com a ajuda de um laser incrível que parecia que chegava às estrelas. Vimos constelações, estrelas e mesmo planetas! Tudo isto conseguiu captar a nossa atenção. Tivemos ainda uma sessão no planetário onde pudemos observar com mais detalhe todas as estrelas e constelações que tínhamos já visto no exterior. Depois da sessão, voltámos ao autocarro e regressámos a Castelo Branco. Em suma, esta viagem foi verdadeiramente interessante não só pela parte do convívio entre alunos e professores, mas também pela magnífica oportunidade de podermos observar mais de perto todos aqueles astros que inspiraram poetas, cientistas, o Homem moderno e primitivo e que nesse momento nos inspiraram a nós. Toda esta “viagem” pelo Sistema Solar, galáxia e Universo fez-nos também tirar uma grande conclusão de tudo o que vimos e ouvimos: por mais pequenas que sejam as estrelas, nós Homens não somos nada, apenas um ponto minúsculo nesse infinito que é o nosso Universo. Inês Gouveia, 11º B

2


Salpicos da ESAL

IV Encontro da Ciência e do Conhecimento Quando no ano lectivo de 20022003, a propósito do plano anual de actividades, o então assessor do Conselho Executivo Rui Duarte propôs que a escola organizasse um evento temático sobre ciência, estava longe de imaginar que a ideia seria posta em prática com tanto sucesso e que passados seis anos, continuaria a concretizar-se. Com efeito, dessa ideia inicial nasceu o que se chamou o 1º Encontro da Ciência e do Conhecimento da Cidade de Castelo Branco. Pretendia-se organizar um evento destinado não só à escola, mas também à comunidade e convidar personalidades de referência sobre diversos temas de interesse científico. Este 1º Encontro foi agendado para 8 de Maio de 2003 e integrado nas comemorações dos 40 anos do edifício da Escola. O tema escolhido na altura foi o “Desenvolvimento Regional” e participou, para além de outros oradores, o então deputado eleito pelo distrito de Castelo Branco José Sócrates. A avaliação positiva que foi feita a

das como Carlos Fiolhais e Jaime Carvalho da Silva, respectivamente professores de física e de matemática na Universidade de Coimbra; Costa Alves, meteorologista e Pedro Miranda do Centro de Geofísica da Universidade de Lisboa, só para referir alguns. Este ano, realizou-se o 4º Encon-

este primeiro encontro não permitiu que o mesmo se extinguisse. Assim, de dois em dois anos, no mês de Maio, a escola tem organizado os seus “Encontros da Ciência e do Conhecimento”. Assim aconteceu, a 12 de Maio de 2005 e a 24 de Maio de 2007. Passaram por aqui oradores de áreas tão diversifica-

tro, que decorreu a 20 e 21 de Maio com um variado leque de temas no programa desde a filosofia, ecologia, geofísica, sismologia e astronomia até à economia e a sua relação com a educação. Como refere o folheto informativo deste encontro “ a ciência e o conhecimento também são um prazer”. Não posso estar mais de acordo com esta expressão, sobretudo depois de ter assistido à última conferência proferida pela professora Fátima Barros, ex-aluna da ESAL e actual directora da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica, que nos demonstrou de forma inequívoca que “ existe, de facto, uma relação entre mais educação e qualificação e maior e melhor crescimento económico!” É a convicção desta certeza que nos move, enquanto escola, na organização deste e de outros eventos, pelo que estaremos atentos a Maio de 2011, data provável para a realização do 5º Encontro da Ciência e do Conhecimento. Otília Duarte

Intercâmbio com o IES Javier García Téllez de Cáceres

Espanha vem à ESAL

2009, ano de Darwin No âmbito das comemorações dos 200 anos do nascimento de Charles Darwin e dos 150 anos da publicação da sua obra Sobre a Origem das Espécies através da Selecção Natural, decorreu, na nossa escola, no dia 19 de Março, uma palestra subordinada ao tema “Darwin e a Evolução”. Este evento, organizado pelo grupo disciplinar de Biologia e Geologia, em colaboração com os colegas de grupo da Escola E.B.2/ 3 João Roiz, teve como público alvo a comunidade escolar em geral, e os alunos do 11º ano do curso de Ciências e Tecnologias em particular, cujo tema faz parte integrante do currículo destes cursos. O orador convidado foi o Doutor Jorge Paiva que cativou a atenção de todos com a sua formação e experiência de vida, expondo com eloquência, todo o percurso histórico que envolveu a vida e

A nossa escola foi anfitriã, no dia 13 de Maio, de mais um encontro com o Instituto de Estudos Secundários Javier García Téllez da vizinha cidade de Cáceres e que se insere na tradição de 24 anos de intercâmbios entre as duas escolas secundárias. Com efeito, esta relação de amizade remonta à década de 80, altura em que a primeira delegação da ESAL se deslocou a Espanha, em Março de 1984, com a intenção de iniciar um intercâmbio cultural. Participar em actividades culturais e desportivas, fomentando as relações de amizade entre as escolas dos dois países e partilhar saberes e experiências educativas foram alguns dos objectivos delineados e cumpridos nesta iniciativa. A sessão de abertura, com a

obra do fundador da revolucionária teoria da Evolução, que abalou a Ciência, a Política e a Teologia, alterando de vez a nossa concepção do mundo. Considerado o “Copérnico da Biologia”, Charles Darwin foi um “Contra-Corrente”, que acabou por renunciar ao criacionismo (fixismo), em consequência das inúmeras observações que realizou durante a viagem de cinco anos, a bordo do Beagle. Convicto de que o evolucionismo não é uma teoria mas sim um fenómeno natural, que pode ser comprovado por vários ramos da Ciência, o doutor Jorge Paiva foi referindo curiosidades interessantes que nos ajudaram a compreender melhor a complexidade desta fascinante temática, que faz parte da história mundial. Eugénia Andrade

3

apresentação de um diaporama “Era uma vez a ESAL...” marcou o início de um programa lúdico e cultural de elevado nível, não só pela riqueza das actividades, mas também pela excelente organização, que permitiu a simultaneidade perfeita de eventos tão diferentes entre si. As equipas, previamente constituídas, integraram sempre elementos das duas nacionalidades, permitindo o convívio franco e são que se desejava para este dia. Torna-se difícil destacar um momento; todavia, o sarau, que se seguiu à visita ao Museu Cargaleiro, foi ímpar pela criatividade, beleza e emotividade que suscitou na audiência. No próximo ano, os 25 anos prometem, em Cáceres!


Salpicos da ESAL Festival Internacional de Robótica 2009 em Castelo Branco

Robots é connosco Eram oito da manhã de Sábado e já boa parte do grupo de alunos e professores da Amato que integram o Grupo de Robótica se encontrava junto ao portão de entrada da escola. Após a abertura dos portões, todos se dirigiram às oficinas para verificar o funcionamento dos robots que tinham vindo a desenvolver, desde o início do ano lectivo, com o objectivo de participar no Festival Nacional de Robótica 2009 que ia decorrer, nesse fim-de-semana, 9 e 10 de Maio, em Castelo Branco. Foram 8 as máquinas construídas por oito alunos da ESAL e dois alunos do Agrupamento de Escolas Cidade de Castelo Branco, com o imprescindível e inestimável apoio dos Professores José Rodrigues e Mário Lopes. A competição iniciou-se ainda durante a manhã. Cinco robots que se agrupavam na equipa “Alice” foram desenvolvidos de modo a participar na categoria de “Dança Júnior”. A concepção dos robots esteve a cargo dos alunos Gabriel Batista, Paulo Jorge, Ricardo Pires, Tiago Martins e Tiago Pinto do 12º ano do Curso profissional de Mecatrónica que contaram com a estreita colaboração das Professoras de Arte e Design, Conceição Morão, Mª João Serrasqueiro e Natividade Domingues. Estas máquinas compunham um quadro relativo à conhecida história infantil “Alice no País das Maravilhas”. A sua actuação foi de destaque e a qualidade do design da Alice e das quatros cartas que a acompanhavam foi devidamente valorizada pelo júri e pelo público entusiasmado. Ao obter o 11º lugar a nível nacional, a satisfação foi a nota dominante, referindo o Tiago Martins que “é importante a escola aderir a estas iniciativas de modo a que a experiência possa permitir melhorar este resultado na próxima edição do festival”.Da mesma turma,

a todas as exigências bem como a necessidade de se proceder a alterações e ajustamentos contínuos, o Prof. José Rodrigues afirmava, em tom de brincadeira, que “estes até avariam só com o olhar”. Nesta prova, também a participação foi positiva, apesar de só ter obtido o 35.º lugar. Por fim, já durante a tarde, a equipa “Vida” participou na categoria “Dança Infantil”. Miguel Duarte e Pedro Neves, alunos da Escola Cidade de Castelo Branco, construí-

os alunos Luís Figueiredo, André Costa e Bruno Barata atarefaramse na preparação do robot com que participaram no concurso de “Busca e Salvamento”. Nesta prova, os aparelhos tiveram de percorrer um trajecto sinuoso, com subidas e descidas, vários obs-táculos e parar quando encontra-ram marcações correspondentes a vítimas humanas, assinaladas por meio de luzes. Neste tipo de prova, todos os pormenores contaram e, sendo grande a dificuldade em responder

Rui Duarte

Psicóloga vem à escola

O diabo veste Prada À semelhança dos anos transactos, o grupo de Filosofia promoveu o Concurso de criação de um texto filosófico subordinado ao tema “(Des) Encanto do Belo”. Este concurso tem sempre como ponto de partida o visionamento de um filme, tendo, este ano, a escolha recaído em “O Diabo veste Prada” de David Frankel, uma adaptação do best-seller com o mesmo título da autora norte-americana Lauren Weisberger. Esta actividade contou com o envolvimento das turmas do 10º e 11º anos dos Cursos CientíficoHumanísticos e Tecnológico. O concurso teve como objec-

ram nas oficinas da ESAL, em estreita colaboração com o Prof. Jorge Penalva, dois robots que dançaramsem qualquer problema técnico, evoluindo de forma coordenada e ritmada de acordo com a música escolhida. A qualidade do desempenho deixou algum sabor a frustração quando foi classificada com o 13.º lugar nacional. No entanto, após conversa com o júri, ficou claro que, para o ano, se deverá apostar mais fortemente no cenário, na interacção entre os membros da equipa e os robots e valorizar ainda mais o impacto visual. Muito satisfeitos, os concorrentes garantiram, pela voz do Miguel, que, “se os professores a isso estiverem dispostos, em 2010, faremos muito melhor”. Tendo a escola apenas participado anteriormente em 2007 no festival que decorreu em Paderne, no Algarve, apenas com um robot de busca e salvamento, o Professor Mário Lopes considerou que “foram excedidas as expectativas, tendo em conta que estivemos a concorrer com instituições com muitos e melhores recursos técnicos”. A grande disponibilidade e predisposição dos alunos para este tipo de desafios foi confirmada, por sua vez, pelo Professor José Rodrigues: “na verdade, as aulas em que os robots foram desenvolvidos foram, porventura, as aulas em que estes estiveram mais concentrados”. Para o ano, o trabalho interdisciplinar, que permitiu a qualidade com que a escola participou neste desafio, será potenciado de modo a se fazer ainda mais e melhor, o que permitirá à escola afirmar-se como tendo um dos melhores grupos de robótica ao nível das escolas secundárias portuguesas.

tivos incentivar o gosto pela criação literária e filosófica, alertar para a importância da expressão escrita na vida escolar e activa e fazer da disciplina de Filosofia um espaço atractivo de debate e divulgação. Os vencedores desta edição foram, no 10º ano, Sebastião Rafael Cavaco, Ana João Pinto Santos, e Rodolfo Veríssimo Ferro, todos da turma H, que conquistaram o 1º, 2º e 3º lugar respectivamente. No 11º ano, o primeiro prémio foi atribuído à aluna Cíntia Lopes, da turma D, o segundo a Mariana Batista Picado, do 11º A, e o terceiro a Catarina Silva, do 11º B. Luís Ascensão

No dia 6 de Março, a ESAL recebeu a visita de uma psicóloga, que dinamizou duas sessões com as turmas de Psicologia. Pretendeu-se dar oportunidade aos alunos de passarem da dimensão teórica e de investigação dos conteúdos curriculares para uma dimensão prática e interventiva da Psicologia. A Psicóloga Clínica, Margarida Roque, ex-aluna desta escola, falounos sobre a sua experiência pessoal, o modo como realiza a sua actividade profissional, as razões da opção pelo curso de Psicologia e as principais expectativas que tinha bem como o grau de satisfação ob-

4

tido. Mostrou-se atenta e disponível para as inúmeras perguntas dos alunos. Explicitou o papel interventivo do Psicólogo ao nível da prevenção, da remediação e da promoção e referiu-se ainda ao que faz numa consulta e quem é que a procura mais. Alguns dos problemas abordados fazem-nos pensar na importância de um Gabinete de Apoio ao aluno na escola, com a presença de um Psicólogo, no sentido da detecção atempada de problemas e intervenção na respectiva resolução de modo a contribuir para uma melhoria do aproveitamento escolar. Américo Silva


Itinerário do Museu Francisco Tavares Proença Júnior em Língua Gestual Portuguesa

Salpicos da ESAL

A ESAL adopta um museu em Caldas da Rainha, e que reuniu diversas personalidades entre as quais a Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e a DirectoraGeral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, Joana Brocardo. Os trabalhos premiados integram uma exposição inaugurada nessa ocasião. Com esta participação, pretendeu-se desenvolver um projecto que, por um lado, correspondesse aos propósitos do concurso e, por outro, contribuísse para reforçar competências, essencialmente nas duas disciplinas que, dada a sua natureza transversal, mais concorrem para o desenvolvimento dos alunos – Português e Língua Gestual Portuguesa. A elaboração dos textos, em oficina de escrita, e a tradução para LGP permitiram a consecução desse objectivo e em simultâneo possibilitaram o conhecimento do património cultural subjacente ao museu em questão, sensibilizando para a sua conservação, protecção e valorização. Os vídeos (2 partes) encontramse disponíveis nos endereços: http://www.youtube.com/ watch?v = m c 0 R 9 S W E 9 g Y; h t t p : / / w w w . youtube.com/watch?v= Glkp6JsLlvM

A equipa responsável pelo projecto depois de receber o prémio

O Museu Francisco Tavares Proença Júnior já dispõe de um suporte digital que facilitará a visita a utentes com deficiência auditiva. Trata-se de um vídeo com uma visita guiada em língua gestual portuguesa, protagonizado pela Marília Robalo, pela Vânia Marques e pelo Fábio Antunes, alunos da Escola Amato Lusitano. O trabalho foi apresentado ao concurso A minha escola adopta: um museu, um palácio, um monumento… promovido conjuntamente pela

DGIDC, Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular do Ministério da Educação, pelo IMC, Instituto dos Museus e da Conservação do Ministério da Cultura, e pelo IGESPAR, Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico do Ministério da Cultura, e valeu-lhe o prémio vídeo da categoria Ensino Especial. A entrega do prémio decorreu no dia 18 de Maio, Dia Internacional dos Museus, numa cerimónia realizada no Museu de José Malhoa,

Jorge Garcia

Estou muito “Gostei de todo o feliz trabalho desenvolvido, desde a preparação dos textos em Português e L.G.P., à visita ao museu e às filmagens. Este trabalho permitiu-me também ficar a conhecer melhor a história e cultura de Castelo Branco. Estou feliz e orgulhosa com o resultado… todos os nossos professores e colegas nos deram os parabéns.” Vânia Marques

Estou projecto muito contente “Com este fiquei a conhecer melhor o museu e desenvolvi as minhas capacidades em LGP e Português. Claro que ganhar o prémio foi importante, porque trabalhámos e esforçámo-nos bastante. Sinto-me muito feliz!”

Marília Robalo

Equipa ProfEsalVida organiza sarau cultural

“Um Dia pela Vida”

No passado dia 8, em mais “Um Dia Pela Vida”, programa da Liga portuguesa Contra o Cancro, decorreu um Sarau cultural organizado pela Equipa de Pais da Esal (Teresa Fraústo, Américo Silva, Juvenália Silva, Alda Mendes, Jorge Mendes, Fernanda Vale, Umbelina Lourenço e Ana Belo) e pela Junta de Freguesia de Castelo Branco. Uma noite inolvidável, na Casa do Arco do Bispo! Mais de uma centena de pessoas se juntou, num gesto de solidariedade que mostra o bom coração dos albicastrenses. De salientar a presença de muitos professores da ESAL, que num apoio

inequívoco à equipa de Pais da nossa escola, mostraram a boa relação existente entre todos. O Presidente da Junta de Freguesia fez o acolhimento, com a simpatia que lhe é peculiar. Seguiu-se o testemunho de vida de Alda Mendes, docente da Escola Superior de Saúde, que é uma vencedora na luta contra o cancro. A Sessão continuou com a apresentação do livro de poesia “Seiva de Mim” de Ana Belo. Américo Silva, docente da ESAL, fez uma dissertação sobre a obra que, só o filósofo que é, permitiu uma tão grande profundidade de análise que encantou todos os presentes. Seguiram-se momentos de declamação de poemas da autora, pelas vozes de Paula Lisboa, Belarmina Filipe, Maria Celeste Paixão e Maria de Lurdes Barata. Esta última, declamou, também, Natália Correia, José Régio, Manuel Alegre, António Salvado … Momento de rara beleza, em que a mulher se fundia na voz e a voz era pura poesia! As declamações foram acompanhadas por Cidália e João Paulo, no órgão e flauta, terminando com a “Avé Maria” de Gounoud. Em mais um momento musical, ouvimos a voz, lindíssima, de uma

aluna da ESAL, Mariana Picado do 11º A, acompanhada ao piano pelo seu irmão Saul. Já na segunda parte do evento, actuou o “jovem” Quarteto de Clarinetes da OTA que acompanhou a degustação de “Doces e Vinho do Porto”. O Sarau terminou quando a capitã da equipa, Juvenália Silva, procedeu ao sorteio de uma tela, pintada pela autora do livro. No rescaldo do acontecimento, ficou a certeza de uma noite memorável, de enorme beleza e muitas sensibilidades! Ana Belo

ProfEsalVida em actividade No âmbito do programa “Um dia pela vida” em curso na nossa cidade, a equipa da Escola Secundária de Amato Lusitano ProfEsalVida - desenvolveu, no mês de Março, duas actividades. No dia 14, foi levada a cabo a actividade “Muda de Vida com os Sabores e Sons da Esal”, integrada no almoço de homenagem aos professores e funcionários que se jubilaram este ano lectivo. Após o farto almoço, actuou o coro – “Sons da ESAL” – a fim de angariar fundos para a Liga Portuguesa Contra o Cancro. Nos dias 17 e 18, foi realizada a actividade “Em Troca de um BemMe-Quer – Um donativo para a Vida” que consistiu na oferta de um malmequer e de um poema às pessoas que quiseram dar o seu contributo para a LPCC. Esta iniciativa teve muita adesão, não só junto da comunidade escolar como dos visitantes da nossa escola e dos transeuntes da avenida Pedro Álvares Cabral. O nosso reconhecimento e votos de boa saúde para todos. A equipa ProfEsalVida

5


Salpicos da ESAL

Dias das Línguas

PISA 2009 avalia alunos da ESAL Realizou-se, no passado dia 8 de Maio na nossa escola, a avaliação PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes). A ESAL foi uma das escolas seleccionadas para representar Portugal neste programa, sendo Ana Maria Pires a professora responsável pelo projecto na Escola. O Centro Nacional do Projecto (GAVE) escolheu, aleatoriamente, uma amostra de 40 alunos de 15 anos da lista por nós enviada para responder ao teste. Os participantes, do 9º e 10ºanos, responderam a um teste cognitivo que avalia a literacia em Leitura, Matemática e Ciências e a um questionário sobre seu histórico de vida. Este programa, criado em 1997 representa o compromisso dos governos dos países membros da OCDE de monitorizar os resultados

Natércia Belo

Tal como vem sendo habitual, o Departamento de Línguas da ESAL dinamizou nos dias 21, 22 e 23 de Abril a actividade a que chamou “Os Dias das Línguas”. Esta actividade, integrada no plano de actividades da escola, teve como objectivo estimular o gosto pelas línguas, bem como proporcionar a todos os participantes momentos de convívio e aplicação prática de aprendizagens decorrentes da frequência das línguas leccionadas na nossa escola, Português, Francês e Inglês. Do programa constavam iniciativas diversas, tais como concursos de produção de textos nas três línguas, projecção de filmes, jogos de equipas. Por outro lado, nestes dias, foram servidas no refeitório ementas típicas dos países representados nesta actividade. Assim, pratos como “feijoada”, “coq au vin” ou “meatloaf” fizeram parte da ementa escolar, dando a todos a possibilidade de saborear os sabores dos diferentes países. Para além da adesão individual de alunos e professores aos concursos “O meu paraíso” e “Autoretrato”, a participação colectiva foi particularmente activa na manhã do dia 22, durante a realização do

dos sistemas educativos em termos de realizações dos estudantes numa estrutura internacional comum. A avaliação é realizada em ciclos de três anos e o plano estratégico em vigor estende-se até 2015. O PISA 2009 é o 4º ciclo deste programa, sendo realizado em 68 países do OCDE. Em Portugal, 215 escolas e cerca de 8000 alunos participam neste projecto. O PISA combina a avaliação de áreas cognitivas específicas com informações sobre o background familiar dos estudantes, as suas abordagens à aprendizagem, entre outras. Assim, os resultados fornecem indicadores acerca do perfil geral do conhecimento e das competências dos estudantes e ao mesmo tempo mostram como essas competências estão relacionadas com variáveis demográficas, sociais, económicas e educativas importantes. Esta avaliação padronizada focaliza-se em estudantes de 15 anos de idade e procura avaliar o que conseguem fazer com o que aprenderam e até que ponto estão preparados para enfrentar os desafios da sua vida futura. O grupo etário escolhido, que se encontra habitualmente a concluir a escolaridade obrigatória, fornece um indicador útil do desempenho dos sistemas educativos, permitindo aos políticos responsáveis comparar os seus sistemas com os dos outros países. Ana Maria Pires

Área de Projecto desenvolve estudo no âmbito do programa ENEAS

Vivemos numa cidade com qualidade ambiental No âmbito do programa ENEAS, dois dos protocolos implementados na nossa escola dizem respeito à medição do pH da água da chuva e dos níveis de ozono troposférico. De Novembro de 2008 a Abril deste ano, procedeu-se à medição dos valores de pH da precipitação, com o intuito de averiguar se a chuva em Castelo Branco apresentava ou não um cariz ácido. Paralelamente, foram sendo registados os valores de precipitação para posterior comparação com os valores de outros anos constantes da normal climatológica, cedida pelo Instituto de Meteorologia de Castelo Branco, refrente a um período de 25 anos (de 1961 a 1986). Comparando o volume de precipitação recolhido com os valores que constavam na normal climatológica, concluímos

que este foi um ano escasso em precipitação. Com efeito, segundo esses valores deveríamos ter alcançado um número próximo de 652,2 mm e só foi obtido um total de precipitação de 339,82 mm. No que concerne ao estudo do pH da água da chuva, geralmente, este varia entre 5 e 6 devido à acidificação normal causada pelo dióxido de carbono existente no ar. As chamadas chuvas ácidas têm, por norma, um pH inferior a 5, podendo em casos extremos atingir valores inferiores a 2. Assim, os valores por nós obtidos neste domínio são sem dúvida bastante positivos, uma vez que a média foi de 6,12. Desta forma, pudemos concluir que a chuva em Castelo Branco não apresenta um cariz ácido. No mês de Março, foi realizado o protocolo que visava medir os níveis

de ozono troposférico. Os valores de ozono troposférico, expressos em partes por bilião (ppb), variaram entre 16 (no dia 16 de Março de 2009) e 36 (no dia 26 de Março de 2009). Tendo em conta alguns limiares como os de informação da população, que acontece quando é atingido as 180ppb, e o de alerta da população, quando é atingido o valor de 360ppb, podemos facilmente verificar que os níveis que obtivemos são bastante bons, uma vez que estão bem distantes destes dois limiares. Concluímos assim que Castelo Branco é um modelo e um exemplo a ter em conta pela comunidade portuguesa no que respeita à qualidade ambiental. Mariana Afonso e Joana Amaral, 12ºB

6

tema “Ça y est, on joue avec le français!/Have fun! Let English run./ Agora é de vez! Como vai o português?” Organizados em equipas, os alunos realizaram as tarefas que lhes eram propostas, sob a orientação dos professores de línguas que, em diferentes postos, iam aferindo as pontuações de cada grupo. No último dia, viveu-se uma tarde particularmente animada. No refeitório, actuaram diversos artistas da Esal que, cantando ou tocando, revelaram os seus dotes, ao mesmo tempo que iam sendo entregues os prémios aos vencedores dos vários concursos. Como é habitual, viveu-se com particular entusiasmo o momento em que se anunciaram os vencedores do concurso de receitas, que ganharam imediatamente o direito a participar no próximo intercâmbio com a escola de Cáceres que irá realizar-se na vizinha Espanha, no próximo ano lectivo. As iguarias resultantes desta competição acompanharam o tradicional Five o’clock Tea , terminando esta iniciativa num ambiente festivo e de saudável convívio. Conceição Neves

Peddy-paper das ciências No dia 22 de Maio, realizou-se o peddy-paper “Maratona das Ciências”, promovido por professores de Física e Química e Matemática, tendo como objectivo principal fomentar, de um modo lúdico e atractivo para os alunos, a educação em Ciência, pela Ciência e sobre Ciência. Participaram cerca de 150 alunos, desde o 9º ao 12º anos, organizados em equipas de 3 elementos que, após descobrirem os locais indicados no guião, tiveram de responder a questões relacionadas com aquelas disciplinas, utilizando o menor tempo possível. O 1º lugar foi para a equipa composta por Margarida Vilela, Pamela Cóias e Rita Sousa, do 11º E; o 2º lugar coube a Rui Freire do 11ºF, Luís Curto e Pedro Alves do 12ºF; e o 3º a Rute Soares, Mariana Bispo e Inês Matias, do 12ºD. Atribuíu-se ainda uma menção honrosa à melhor equipa do 3º ciclo, constituída por alunos do 9ºA, Ana Catarina, Fernando e Ricardo. Foi uma manhã diferente e divertida e esperamos, numa próxima edição, envolver mais disciplinas. Graça Ramos


Sílvia Silva, 10ºH

da imaginação

Hoje, és tu que mandas Batem-lhe à porta, levanta-se e vai abrir. Por reflexo mas sem curiosidade porque, nos dias evoluídos e civilizados que correm, quando batem à porta, soa uma campainha e “não é chuva nem é gente”… está a cair publicidade. Desta vez não. O silêncio é tão profundamente absoluto que sabe que nunca ouviu um silêncio assim. Por vício de associação, pensa que deve ser parecido com um que teriam escutado as santas antes de lhes aparecer o anjo Gabriel: um “não som” aureolado de mistério e de abismal circunstância. Ora, na caixa do correio, a redoute não lhe quer nada, o jumbo não tem promoções, os bancos têm os envios dos extractos atrasados, os bruxos interromperam os seus cantares de panaceias ridículas… No fundo do cubo, há uma carta para ele, uma carta quase assustada, com cara de caso como a de alguém que traz recado de má notícia. Como, por via dos internéticos correi-ails, tão práticos, tão rápidos, tão tudo, há muito que já ninguém lhe escreve desta maneira formal e com envelope de distinto papel, suspende o gesto porque estamos em século de bombas minúsculas e de “antraxes” letais. Reconsidera. Não. É um homem tão insignificante que não justifica tais pormenores físicos e químicos. Pega na carta, fecha a porta, arrasta as pantufas do conforto até

crónicas... traços... escritas... Palavras De Por Aí Destaque-se que, em questões de matéria política, não é entendível que haja outra alternativa senão uma posição de razoabilidade e bom senso já que o estado da nação, o estado das coisas e o estado dos homens deviam enquadrar, em si, posições só consentâneas com a verdade dos factos e com a justiça social. Porém, como já toda a gente sabe, os indicadores e a competitividade e os combates e as crises trazem consigo partidarizações aproveitamentos políticos e julgamentos antecipados. Ora, refere-se , muitas vezes e bem, que, do ponto de vista da democracia, o investimento deve centrar-se nos problemas gravíssimos do país. Age-se, frequentemente e mal, no sentido da irresponsabilidade política. E, quando tudo vale, matam-se os valores alegremente e defendem-se, sem pudor, as inverdades formais, a fuga de capitais e outras coisas que tais. Etelvina Maria

Se pudesse transformar o mundo... Se pudesse transformar o mundo… a guerra não existiria, não haveria pobreza, destruição ou morte; os conflitos seriam resolvidos unicamente pelo diálogo e todas as decisões seriam votadas por todos os países do mundo para se chegar a um consenso. Se pudesse transformar o mundo… os ricos não seriam ricos e os pobres não seriam pobres, todos seriam unicamente pessoas com os mesmos direitos e as mesmas condições de vida; todas as crianças e todos os idosos teriam um lar onde se pudessem aconchegar junto de sua família. Se pudesse transformar o mundo… os verdadeiros bandidos estariam do lado certo das grades. Se pudesse transformar o mundo... não haveria poluição, todas as pessoas limpariam o que sujam e, caso não o fizessem, seriam severamente punidas. Se eu mandasse… daria educação gratuita a todos, crianças, adultos e idosos, porque sem se saber ler, escrever e contar não se é nada. Se pudesse transformar o mundo, tudo seria diferente e melhor. O que eu gostava de mandar no mundo! Diogo Pires, 11ºN

à barra da cozinha, acomoda-se à ternura do sol filtrada pelos vidros duplos e térmicos da janela. Ri-se sozinho, sentindo-se personagem de romance porque lhe veio à ideia que poderia ser a missiva de uma senhora que tinha a mania de escrever cartas nas “intermitências da morte”. Se assim for, ficar-lhe-á a pena de não poder vir a ler o novo livro de Saramago. Abre a carta, escassa de palavras: “Hoje, és tu que mandas”. Vai para o sofá. Sem agitação, sem as compreensíveis pressas que todos sentimos quando o tempo urge. Hoje, és tu que mandas. Vai à varanda e rega as sardinheiras. Senta-se ao sol e abre o livro que estava a ler. Gosta de ler, mas já não lê jornais. O mundo endoidou, a sua raça embebedou-se perigosamente de poder, a realidade é tão indescritivelmente desumana que não vale a pena actualizar-se porque já não há remédio. E agora é que lhe davam o poder? Só se o fizessem divino e pudesse começar tudo de novo. E, mesmo sabendo que iria continuar a leitura interrompida com o toque de campainha sem tentar endireitar tal mundo, não resistiu a imaginar: Primeiro, os Adões e as Evas podiam comer as maçãs que quisessem porque é para isso que as macieiras dão fruto… Etelvina Maria

Se eu mandasse... Se eu mandasse, Portugal daria uma volta de 360 graus. E, como verão, quando digo 360º, não me enganei. Antes de mais, a minha primeira medida seria transformar em períodos lectivos as férias grandes, as férias de Natal, as férias da Páscoa e até a semaninha de descanso do Carnaval. E, se há quem ache pouco, fique sabendo que, para além disto, trataria também de duplicar os impostos de todos os portugueses. Ainda não chega? Então poderia aumentar também o horário de trabalho de todos os funcionários públicos em, digamos, umas quatro horas por dia. Melhor, duplicá-lo-ia! Tudo isto seria muito mau, eu sei, mas saibam que a volta de 360 graus de que falei ainda não está completa. Será que extinguiria mesmo todas as férias com uma semana ou mais, tornando-as em períodos de trabalho? Sim. E em contrapartida, o resto do ano seria o período de descanso. E não nos podemos esquecer dos feriados mais

7

importantes como o Natal ou a Páscoa. Todos eles seriam antecedidos, ainda, de uma interrupção de sete dias para não levar os trabalhadores portugueses à exaustão. E será que duplicaria os impostos de todos os portugueses? Sim, mas, para compensar isso, poderia quadruplicar os ordenados de todos eles. Justo, não? E quando digo que o horário de trabalho seria o dobro do actual, estou apenas a referir-me aos meses de Janeiro, Abril e Outubro. Mas esperem! Eu já decidi que em todos eles estaríamos de férias e, se as contas não me falham, o dobro de zero horas de trabalho são zero horas de trabalho! Perfeito, então. Depois de tudo isto, podemos dizer que, se eu mandasse, estaríamos em férias todo o ano. E a troco de quê, perguntam vocês? De uma economia miserável. Mas isso não é nada que não tenhamos já, não é verdade? João Barata,12º B


Reportagem Novo ciclo de intervenção urbana

Polis XXI avança em Castelo Branco Recentemente, a Câmara Municipal de Castelo Branco viu aprovada a sua candidatura ao novo Programa Polis XXI pelo que é tempo de fazer um balanço à 1ª fase do Programa Polis , iniciado em 2000

O Programa Polis foi criado com o objectivo de melhorar a qualidade de vida nas cidades, requalificando-as urbanística e ambientalmente, transformando-as no sentido de as tornar locais multifuncionais mais atractivos e potenciadores de uma maior cultura, turismo e lazer. As acções desenvolvidas por este programa estenderam-se a praticamente todo o país, destacando-se as cidades de: Albufeira, Aveiro, Beja, Bragança, Cacém, Castelo Branco, Coimbra, Costa da Caparica, Covilhã, Guarda, Leiria, Matosinhos, Porto, Viana do Castelo, Vila do Conde, Vila nova de Gaia, Vila Real e Viseu. No caso concreto de Castelo Branco, este programa teve como prioridades, nas palavras de Joaquim Morão, Presidente da Câmara Municipal, “a reabilitação urbana da cidade, a criação de novos espaços públicos e pedonais, a ordenação do trânsito e do estacionamento”. Neste momento, de entre as principais obras desenvolvidas, Joaquim Morão destaca “a reabilitação do Centro Cívico/Devesa, com a construção da Nova Biblioteca Municipal e do Cybercentro, e a criação de uma enorme praça com um espaço pedonal em torno do qual se instalou uma importante zona comercial”, comentando que esta intervenção fez com que a Devesa voltasse a ser “o coração da Cidade, o verdadeiro centro cívico onde os albicastrenses e os visitantes se encontram e reúnem”. Faz referência ainda ao Parque da Cidade “no qual foram preservados e valorizados os elementos de interesse paisagístico e patrimonial, nomeadamente a Mata dos Loureiros (cuja plantação foi reforçada), a Porta de Roma e a Pérgola, com reinstalação da Horta Ajardinada” e ao Jardim do Paço, “classificado como Monumento Nacional, alvo de uma profunda e

Novas instalações da Biblioteca Municipal

O arrelvamento do Passeio Público, uma medida refrescante cuidada acção de manutenção e de reposição de elementos de acordo com a traça original”. Para fazer face aos problemas do trânsito e do estacionamento, foram construídos ou estão em fase de finalização seis parques de estacionamento subterrâneos, que determinaram a reabilitação das áreas à superfície, transformadas em praças para os peões, locais de convívio e lazer, assim como inúmeros parques de estacionamento a céu aberto, de utilização gratuita, estrategicamente disseminados pela malha urbana, de forma a servirem zonas residenciais, comerciais e terminais de transportes públicos, como é o caso da Estação de Caminhos de Ferro. Em curso está a requalificação do Castelo e do Miradouro de S. Gens e a Praça Académica e prevê-se para breve a construção do Centro de Cultura Contemporânea “cuja

candidatura foi já aprovada no âmbito do QREN com um valor de comparticipação que ascende a cerca de seis milhões de euros” adianta o Presidente da Câmara Municipal. Segundo a opinião de alguns cidadãos auscultados, o Programa Polis “tornou a cidade mais moderna, mais atraente e mais desenvolvida”, “a qualidade de vida da nossa cidade foi melhorada com a criação dos parques de estacionamento subterrâneos e o aumento do espaço pedonal”, sendo consensual a importância da requalificação do Centro Cívico. Estes aspectos positivos foram também realçados por Rui Alves, Professor de Planeamento e Ordenamento do Território da Escola Superior de Tecnologia do Instituto Politécnico de Castelo Branco, que salientou “uma evidente melhoria da paisagem urbana, a maior centralidade conferida à zona da Devesa, embora

8

esta ainda se revele insuficiente, e o aumento de espaço público”. Como aspectos menos positivos, o mesmo professor refere as poucas zonas de sombra, a fraca presença do elemento água e o excesso de pedra em algumas zonas, o que provoca um aumento de temperatura, opinião também partilhada pelos cidadãos entrevistados. Um aspecto que considerou negativo prende-se com o aumento das distâncias na circulação motorizada da cidade. Por seu lado, Joaquim Morão refere que foram feitos “arranjos paisagísticos à superfície, com plantação de largas dezenas de árvores, a criação de uma grande superfície relvada, instalação de lagos e atomizadores, construídos na sequência da realização de um Estudo de Conforto Ambiental da Devesa (realizado por um especialista da Universidade de Sevilha), de acordo com o qual a utilização destes atomizadores ou micro pulverizadores provoca uma descida da temperatura ambiente na Praça de cerca de 5 graus”. De referir que, já este ano, o arrelvamento do passeio público contribuiu também para dar mais frescura ao Centro Cívico, medida aplaudida pela população entrevistada. Assim, podemos afirmar que o balanço é francamente positivo. Os objectivos do Polis foram cumpridos. Com efeito, este programa marcou o nascimento de uma nova cidade e, tal como considera o arquitecto Marçal Grilo, “Castelo Branco já é uma referência nacional em termos de requalificação”. Quanto a perspectivas futuras, esta requalificação irá prosseguir no âmbito de um novo ciclo deste programa – O Polis XXI. Com efeito, já no início deste ano, a Câmara de Castelo Branco viu aprovada a sua candidatura a este novo programa que irá ter a duração de dois anos e que foi apresentada sob o nome RE:Generar, subdividindo-se em quatro âmbitos: RE:Habitar; RE:Qualificar; RE:Vitalizar e RE:Dinamizar. De acordo com a informação divulgada, serão lançadas novas obras como a nova Avenida Nuno Álvares, o Centro Coordenador de Transportes, localizado na zona da estação e área envolvente, o Museu do Brinquedo, o Pavilhão Multiusos com capacidade para quatro mil pessoas, novas unidades hoteleiras e o Centro de Cultura Contemporânea que irá incluir uma pista de gelo, um auditório e salas de exposições e de projecções. Margarida Vilela,11ºE


Reportagem

O espaço polis ao sabor da história A função defensiva ditou a génese de Castelo Branco no primeiro quartel do século XIII. A Serra da Cardosa, pelas suas características topográficas, permitia que os Templários pudessem manter sob vigilância todo o território envolvente. Assim, às características do “sítio”, há que adicionar a valorização da posição, contexto que, desde cedo, contribuiu para o engrandecimento de um pólo de circulação de gentes e mercadorias. Em 1230, já existia a fortificação que, após séculos de abandono, incúria e reconstrução pouco avisada, hoje apenas podemos imaginar. Relativamente à cerca de muralhas que envolvia o casario, a origem da sua construção ainda é objecto de discussão pelos estudiosos. Enquanto alguns consideram que este perímetro amuralhado terá sido erguido pelos templários aquando da edificação do castelo, outros opinam que a cerca apenas surgiu após uma visita do Rei D. Dinis, em 1285. Duas das principais portas da muralha eram a Porta do Espírito Santo, que dava entrada para a Rua de Santa Maria e a Porta Norte, que dava acesso à Rua dos Ferreiros. A articulação entre estas ruas de circulação fazia-se na Praça Velha. Nesta altura, a Igreja de São Miguel já existia. Entre este templo e o Convento da Graça, cuja igreja foi mandada edificar em 1519, estruturou-se um largo (S. João) onde se poderão ter efectuado

Perspectiva da zona da Devesa em 1996 sino que chamava os habitantes, após os duros dias de trabalho, para dentro das muralhas antes de as portas serem fechadas. Numa fase posterior ao séc. XVI, devido ao incremento demográfico foram abertas novas portas. Uma delas foi o Postiguinho de Valadares que permitia a circulação entre a Rua do Peleteiros e o Largo da Igreja de S.Miguel. A expansão da malha urbana para o exterior da muralha e o valor simbólico e religioso da “Sé” ditaram a estruturação de um largo onde, já em pleno séc. XX, foi colocado o monumento a Vaz Preto, desviado do local original (frente à Câmara Municipal) onde a imensidão do espaço o desvalorizava. Face à extrema facilidade com que a 1ª invasão francesa, comandada por Junot, entrou em Castelo Branco, foi aqui localizada

A mesma perspectiva da zona da Devesa na actualidade uma pequena força militar para a qual se construíram algumas infraestruturas. Este quartel ergueu-se, em 1814, na encosta que da Devesa leva ao Barrocal e que envolvia a Capela da Srª da Piedade. A ladear o quartel, em 1863, já existia o Palácio Fevereiro, que em pleno século XX deu lugar ao edifício onde hoje se situa uma instituição bancária. Em consequência da forte influência francesa no urbanismo português, também aqui se construiu um “passeio público”, espaço que se desenhou em frente do quartel. Tal como em outras localidades, este “passeio” rapidamente integrou a vida social da

Largo da Devesa - início do séc.XX - com destaque para o Palácio Fevereiro muitas feiras medievais. Entre a Capela de S. Marcos, a Capela do Espírito Santo e a Capela de S. Gregório (actualmente denominada Srª da Piedade) desenhou-se um vasto largo – a Devesa. Espaço de utilização comunitária que servia de pasto ao gado local e de pernoita aos grandes rebanhos que, a partir do Alentejo, efectuavam migrações transumantes, tendo como destino as vertentes da Estrela. No cimo da torre defensiva onde hoje se situa o relógio, terá existido um pequeno

cidade, desempenhando a função espaço de “convívio e diversão” da gente mais endinheirada. Durante o século XX, eram frequentes os espectáculos de música que aí se realizavam. Diversas provas documentais atestam que é, no terreiro entre estas construções que, em pleno século XIX, se realizavam as principais feiras. O processo institucional de destruição das muralhas começou em 1821. Após o pedido de um capitão, de que a história não mancha o nome, para retirar pedra de modo a construir uma casa, a Câmara informa o Rei que “acha

Largo da Devesa na actualidade, distinguindo-se o edifício que veio ocupar o lugar do Palácio Fevereiro

9

justo o deferimento do requerimento, com tanto que a pedra não seja tirada das muralhas ocupadas pelos particulares, sendo conveniente que “se consuma em obras que tenhão por fim augmentar a cidade”. Em 1835, não fazendo já sentido as muralhas defensivas, o Ministério da Guerra dá autorização para “se apearem os arcos das muralhas da cidade e ser empregada a pedra em obras de manifesta utilidade pública”. Pouco tempo depois, acrescenta-se que “se proceda à venda da telha e dos madeiramentos do castelo”. Esta degradação da herança histórica da cidade, autorizada oficialmente, manteve-se até aos nossos dias. Vejamos, por exemplo, a demolição de casas quinhentistas, a construção de espaços escolares junto ao Castelo e, mais recentemente, na Rua dos Ferreiros, o levantamento do novo edifício dos correios, completamente desenquadrado do casco histórico. Felizmente, a necessidade de se preservar a memória urbana parece estar a aumentar, evidenciando-se um esforço de preservação e valorização do património nas intervenções municipais.

Rui Duarte


Testemunhos

Quando fui político A professora Maria Manuel Nogueira e o Presidente do Conselho Executivo, João Belém, falam-nos sobre a sua passagem pelos meandros da política.

- Qual a medida em que se empenhou que considera mais relevante? - Foi o combate aos incêndios.

- Professora Maria Manuel, o que a levou a ingressar na política? - Bom, penso que todos os dias fazemos as nossas incursões na política, designadamente quando opinamos sobre as diversas maneiras de dirigir o Estado; e fazêmo-lo quer sendo aluno, quer sendo professor… entre outras situações que todos nós conhecemos do dia a dia. Votar, por exemplo, é um acto político. Creio que não houve “aquele dia” ou “aquele motivo”. - Que cargos desempenhou? - O primeiro cargo político foi o de vereadora da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão, desde 86 até final de 93. Mais recentemente, o de Governadora Civil do distrito de Castelo Branco.

- Que recordações guarda do tempo em que intervinha mais regularmente? - Como tive oportunidade de dizer a um grupo de colegas vossos que na altura visitou o Governo Civil, ser governador civil é ser representante do Governo no distrito e “sindicalista” do distrito junto do Governo. Assim sendo, há um conjunto de instituições a coordenar, a auscultar, um conjunto de preocupações, de reclamações a ouvir por forma a poder cumprir a missão. As recordações que guardo - aliás,de um modo geral agradáveissão as deste contacto constante. São recordações de satisfação quando alcançava o que se pretendia, de insatisfação quando assim não acontecia. Como em tudo, na vida! Se me é permitida uma sugestão, olhem com bons olhos um futuro desempenho de cargos políticos porque à política faz sempre falta o encontro de diversas maneiras de ver o mundo e, portanto, o encontro de diferentes gerações é muito desejável. Não receiem a política porque ela não é a intriga ou a defesa de interesses mesquinhos; sobretudo, não pode ser! Preparem-se!

- O cargo que me deu mais satisfação foi o de Director Regional Adjunto da Educação, pois foi aquele em que me senti mais útil, mais interveniente, numa perspectiva de ajudar e de resolver problemas, relativamente à Educação. Considero assim como mais relevantes todas as medidas tomadas neste âmbito.

- Professor João Belém, o que o levou a ingressar na política? - Para mim, actuar politicamente é resolver os problemas das pessoas e procurar melhorar as suas condições de vida e foi precisamente essa a directriz que me levou a enveredar pelo caminho da política. - Que cargos desempenhou? - A nível político desempenhei vários. Fui deputado na Assembleia da República, integrando a Comissão de Educação na altura. Depois, como estou filiado no PSD, assumi cargos distritais de direcção do partido. Além disso, desempenhei também funções na Direcção Regional da Educação. - Qual a medida em que se empenhou que considera mais relevante?

- Que recordações guarda do tempo em que intervinha mais regularmente? - Recordações boas e más. O mundo da política é um mundo complicado, é um mundo em que é difícil ser-se coerente e, por isso, resolvi já há muito tempo abandoná-lo. Por vezes, confrontamo-nos com o dilema de sermos coerentes connosco próprios e seguir uma linha de acção consequente, isto é, dizermos umas coisas e agirmos também de acordo com o que defendemos. Torna-se uma das situações mais difíceis de gerir. Por eu não concordar com muitas coisas, resolvi, atempadamente e em boa hora, abandonar a politica activa. Se eu não o fizesse, teria que me violentar em relação aos princípios que advogo como essenciais e daí as opções tomadas. Ana Marques, Margarida Fernandes e Patrícia Rodrigues, 10ºE Margarida Santos, Telma Tavares e Joana Peres, 10ºF

Que pensam os jovens da política? Na actualidade política verificase uma grande instabilidade. Os partidos discordam uns dos outros, não se respeitam mutuamente e é muito por culpa desta “desorganização” que poucas pessoas se interessam por política e muito concretamente a camada mais jovem. Se, quando existe um problema, por exemplo a crise económica que agora enfrentamos, os partidos se juntassem para resolver seriamente e em conjunto as dificuldades, a população acreditaria mais nos políticos, favorecendo-se, assim, uma maior participação na cidadania. No entanto, e muito pelo contrário, constata-se que os partidos em vez de se unirem, se confrontam constantemente. Estas atitudes vão minando a credibilidade da classe política e levam a um descontentamento generalizado do povo português. Rúben Almeida e Rui Lourenço, 10º P

Tem-se constatado que, nos dias de hoje, os jovens se interessam muito pouco pela nossa actualidade política. Este desinteresse é resultante da falta de medidas do governo que incentivem os jovens a uma intervenção activa. Com efeito, alguns estudos realizados revelam que os jovens entre os 15 e 19 anos de idade mostram pouco interesse pela política, pois são menos sensíveis a este tipo de informação divulgada pelos meios de comunicação do que o resto da população em geral. Pensamos que os políticos não procuram chegar aos jovens, não cativam a sua atenção. Não há iniciativas de aproximação a esta camada da sociedade. As juventudes partidárias integram geralmente filhos de filiados nos partidos e não desenvolvem esforços para, localmente, atrair outros elementos que pudessem dar o seu contributo.

Por outro lado, na escola não se ensina política, discute-se pouco esta temática, e os jornais e as televisões fornecem informação política de difícil entendimento. Esta situação poderia ser reversível se o governo fizesse um esforço para captar mais a atenção dos jovens. Poderia usar os meios de comunicação social como forma de divulgação de informação e torná-la linguisticamente acessível. Poderia também criar programas onde os jovens pudessem intervir de forma activa, fomentando-se assim um maior contacto entre estes e os políticos. Em suma, consideramos que a política é uma questão distante dos jovens. A classe política pouco faz para os cativar e os próprios jovens são levados a pensar que este assunto diz respeito apenas aos adultos.

Tem-se verificado que os jovens portugueses se envolvem pouco politicamente. Uma das medidas do governo para impedir o afastamento dos jovens da política poderia ser por exemplo o incentivo ao voto, desenvolvendo campanhas sobre a importância deste dever cívico direccionadas para esta faixa da população. Por outro lado, as listas partidárias deveriam integrar mais jovens candidatos a deputados para que a juventude se identificasse mais facilmente com os seus políticos. Outra medida para nos cativar poderia passar pela elaboração de leis mais favoráveis aos jovens como por exemplo, bolsas de estudo para apoiar o ensino superior e outras medidas concretas que ajudassem o início de uma vida independente.

João Antunes e Rafael Cardoso, 10ºP

Rogério Fernandes e Tiago Frade, 10ºP

10


Álvaro Espadanal

Opinião

O que faria para qualificar a nossa cidade? Embora, na minha opinião, a nossa cidade esteja em boas mãos com um presidente atento e responsável, se eu tivesse poder para tal, mudaria cinco aspectos: em primeiro lugar, tentaria atrair duas ou três grandes empresas, numa tentativa de aumentar o número de postos de trabalho; em segundo lugar, tentaria incentivar os estudantes para a responsabilidade e para a participação através da criação de centros de actividades onde poderiam encontrar ajuda para os estudos e um espaço para a sociabilização com a prática de passatempos que preenchessem os seus momentos de ócio; faria ainda ligeiras alterações nos horários dos autocarros. Noutro plano, viraria a minha atenção para o aumento de vigilância policial nas ruas de modo a diminuir a criminalidade e, por último, instalaria “hotspots” pela cidade, ou seja, criaria lugares onde estivesse disponível Internet wireless grátis, possibilitando a utilização de computadores portáteis. Gustavo Eduardo, 12ºB

Considero que Castelo Branco é um excelente local para se viver, uma vez que se m a n t é m bastante seguro quando comparado com outros locais do país. Além disso, tem uma qualidade ambiental muito aprazível já que os espaços verdes são bastantes. No entanto, a verdade é que a nossa cidade perde um pouco por não termos ao nosso dispor mais variedade cultural. De facto, a diversidade cultural encontra-se cada vez mais centralizada nas grandes cidades e penso que é precisamente por essa razão que a maior parte dos estudantes, após a conclusão do secundário, optam pelas instituições de ensino superior das grandes metrópoles. Concluídos os cursos, acabam por aí se fixar. Reparo também que, cada vez mais, o centro da nossa cidade começa a perder a sua essência. Os locais mais procurados passaram a ser as superfícies comerciais localizadas na periferia. Por isso mesmo, julgo que seria fulcral, para dar uma nova dinâmica à cidade, criar novos espaços de interesse e

utilizar os já existentes de forma mais eficaz, por exemplo, o Cine Teatro poderia, a meu ver, ser melhor aproveitado e apresentar uma maior variedade de espectáculos e exposições. Julgo que a cidade beneficiaria bastante com a descentralização das zonas de lazer, também muitas delas na periferia, e com uma melhor gestão dos espaços existentes. Mariana Afonso, 12º B

Penso que o falta na nossa cidade são e s p a ç o s desportivos . Podíamos assim encontrar os amigos sem ser preciso irmos para os cafés. Se eu mandasse, mandaria construir um parque de desportos radicais com pistas especiais e rampas, onde se pudesse praticar skateboarding, bicicleta e patins em linha e que tivesse também uma parte coberta para os dias de chuva. Marco Garrido, 7ºA

Adoro andar de bicicleta e todo o tipo de desportos relacionados com bikes. Gostava muito de iniciar a prática de Downhill ou Downtown porque já tive uma experiência em Lisboa e fiquei fã deste desporto. A nossa cidade não tem nada do género e era uma maneira de ficar melhorada. A colina do Castelo daria uma boa pista de Downtown. As ruas estreitas e as escarias são perfeitas para a prática deste desporto. Só teriam de ser fechadas ao trânsito quando houvesse treinos ou competições. O Monte de S. Martinho é um bom local para se praticar Downhill, mas tinham que se criar trilhos próprios com saltos. Já temos uma pista de motocross que poderia ser também utilizada para os treinos, já que os saltos precisam de ser muito treinados assim como se deve treinar a resistência. De certeza que teríamos muitos adeptos. João Leitão, 7ºA

Jovens não rima com política Ao falarmos de política, as opiniões dividem-se. Há quem goste, quem seja militante de um partido e há aqueles que pouco ou nada se interessam pelo assunto, não chegando sequer a conhecer os ideais partidários, abstendo-se muitas vezes das votações. A meu ver, a minha geração é mais desligada das questões políticas, pois nunca sentiu o que as gerações mais velhas já sentiram, como é o caso do Antigo Regime. Desta forma, não conseguimos dar o devido valor ao direito de voto que hoje em dia temos. Ora, o exercício de voto, no domínio da política, é de extrema importância, uma vez que permite a mudança ou a manutenção daqueles que se encontram no poder. No fundo, permite-nos escolher quem queremos que nos governe.

Considero que, hoje em dia, a política está extremamente descredibilizada aos olhos dos jovens. As campanhas eleitorais

não passam de críticas mútuas entre os partidos, deixando para segundo plano o que realmente importa: os ideais de quem faz a

política e as soluções para os problemas que afectam a sociedade actual. Assim, torna-se urgente que participemos mais activamente na vida política pois somos nós que podemos provocar uma viragem no panorama actual. No entanto, uma maior intervenção dos jovens depende também daqueles que fazem a política. Acabar com o clima de descrença faria com que os jovens se interessassem mais pelo tema e se envolvessem na verdadeira política. Esta envolvência traria sem dúvida créditos para ambas as partes, uma vez que a juventude teria de volta um país com o qual se identificava e para o qual tinha colaborado.

Natércia Belo

Mariana Afonso, 12ºB

11


No âmbito da Biologia e Geologia

das viagens Na Semana Internacional do Cérebro

Ver mais do que os olhos podem ver

No dia 18 de Março, as turmas B e E do 12º ano foram até Coimbra numa visita de estudo no âmbito da disciplina de Biologia. A visita esteve integrada na “Semana Internacional do Cérebro”, semana essa onde foi possível a visita a laboratórios de investigação em neurociências da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Enquanto a turma B visitou o Instituto Biomédico de Investigação da Luz e da Imagem (IBILI) da Universidade de Coimbra, o 12º E deslocou-se ao Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra. No IBILI, o programa tinha como tema “Ver mais do que os olhos podem ver”, visando o aprofundamento dos conhecimentos sobre a anatomia e a função do olho. Através de uma pequena apresentação teórica e de várias actividades experimentais, ficou-se a saber um pouco mais sobre este órgão. No domínio das actividades laboratoriais, foi possível dissecar um olho, vendo quais os constituintes do mesmo, fazer a coloração das camadas da retina para posterior visualização ao microscópio e observar

como se realizam electrorretinogramas, um exame que visa medir as respostas fisiológicas da retina à luz e que, no caso daquele que foi visualizado, foi feito com o recurso a ratos albinos. Neste Instituto, segundo o que nos foi dito pelos investigadores, trabalha-se maioritariamente no domínio da optometria e da diabetes. No Centro de Neurociências e Biologia Celular, os alunos aprenderam mais sobre as células estaminais. Sob o tema “Neurónios Novos em Cérebros Velhos”, ficaram a saber que se estão a fazer estudos no sentido de, através de células estaminais, se produzirem novos neurónios ou oligodendrócitos, conforme o necessário. Dado que o cérebro adulto consegue produzir novas células cerebrais em algumas zonas específicas, os investigadores pretendem, com auxílio a esta capacidade, gerar novos neurónios e oligodendrócitos e curar doenças neurológicas. Esta é sem dúvida uma investigação importante dado que se estima que 30% da população mundial sofra de problemas neurológicos. Mariana Afonso, 12º B

Visita ao GeoparK NaturTejo

Os alunos das turmas A, B, C, D e E do 11º ano, num total de cinquenta e dois, visitaram, no dia 23 de Abril, o Geopark Naturtejo em Vila Velha de Ródão, no âmbito da disciplina de Biologia e Geologia. Foram acompanhados pelas professoras Eugénia Andrade, Graça Dias e Sandra Braçais. Os objectivos principais desta saída de campo consistiram em incentivar os alunos para a aprendizagem das geociências, sensibilizá-los para a protecção do património Natural e Cultural, incrementar a literacia científica e promover o convívio. A partida deu-se em frente à Escola Secundária Amato Lusitano por volta das 8h30m. O dia anunciava-se auspicioso... O local de chegada foi o cais de Vila Velha de Ródão, onde Maria Catana, monitora do Geopark, fez uma pequena introdução para que os visitantes se familiarizassem com o Geopark e as suas actividades. De seguida, os alunos foram divididos em grupos. Um deles iria visitar o Centro Municipal de Cultura e Desenvolvimento, outro iria saborear uma viagem de barco pelo rio Tejo e, por fim, o terceiro grupo iria esperar a sua vez no parque de merendas do cais. Na viagem de barco, pudemos observar de muito perto aspectos relacionados com a geologia, a fauna e a flora do local. Na sala de

Arqueologia do CMCD, a geóloga Joana Rodrigues, também colaboradora do Geopark, referiu alguns conceitos previamente aprendidos na viagem de barco, e contactámos também com mais alguns termos científicos. O museu é bastante didáctico e está organizado de uma forma interessante. Depois do almoço, saboreado nas sombras do parque junto ao cais, seguimos para a Casa de Artes e Cultura do Tejo, com o objectivo de observar dois troncos fósseis. Conversámos acerca da sua idade e preservação, debaixo de um sol escaldante, visto que os troncos se situavam no jardim. De seguida, visitámos duas exposições, o edifício e também a Biblioteca. A hora da partida aproximavase. Ainda tivemos tempo de tirar algumas fotografias de grupo, para mais tarde recordarmos aquele momento. O dia cumpriu o que tinha anunciado de manhã. Os objectivos da saída de campo foram atingidos, não ocorreram percalços, sendo o balanço verdadeiramente positivo. A minha parte favorita foi a viagem que fizemos de barco. Foi fascinante! Para além dos aspectos geológicos, o que mais me despertou a atenção foi a fauna e flora que, naquele lugar, parecem dar as mãos e unir-se numa total harmonia. Helena Nunes, 11º B

Participação no Equamat e visita ao Visionário Visitámos ainda cinco exposições interactivas denominadas Terra, Matéria, Universo, Vida e Informação, tendo havido ainda tempo para um peddy-paper. No final deste dia cheio de actividades, regressámos à nossa cidade e, apesar do cansaço acumulado, os participantes mantiveram-se entusiasmados. No dia seguinte as aulas estavam à nossa espera! Ana Judite, 9ºA

No dia 28 de Abril, eu e mais alguns alunos do 3ºCiclo, participámos numa actividade inserida no projecto Plano da Matemática desta Escola, o EquaMat, que se realizou na Universidade de Aveiro. Chegámos cerca das 11 horas e iniciámos a competição hora e meia depois, devido às inúmeras escolas participantes. Realizada a actividade, seguimos para o Visionarium em Santa Maria da Feira onde assistimos ao filme “A Vida”.

12


ESAL na 7ª edição do Mat12 À semelhança de anos anteriores, alguns alunos da nossa escola participaram na competição nacional “Mat12” inserida no Projecto Matemática Ensino (PmatE), dinamizado pela Universidade de Aveiro ao longo destes últimos 20 anos. Deste modo, no dia 30 de Abril, acompanhado pela Professora Hermínia Pombo e pelo Professor Pedro Silva, um grupo de cerca de 50 alunos do 10º e do 11º ano, viajou até à referida Universidade a fim de realizar a prova. Esta era constituída por vinte níveis com duas vidas por nível e teve a duração de 30 minutos. Para esta competição foram treinados os seguintes conteúdos: Potências, Equações, Casos notáveis, Geometria Analítica, Geometria no plano e no espaço, Generalidades sobre funções, Inequações, Derivadas, Sucessões, Radicais, Teoria dos conjuntos e Trigonometria. Após o almoço, foram-nos distribuídos panfletos e dadas algumas informações acerca do funcionamento da Universidade, bem como das diferentes iniciativas que a mesma anualmente organiza. Seguidamente participámos noutras actividades lúdicas que decorriam no campus da Universidade. À tarde, dirigimo-nos à Fábrica Centro Ciência Viva, onde tivemos a possibilidade de visitar a exposição interactiva “Mãos na massa”, composta por inúmeros módulos relativos aos mais diversos fenómenos e descobertas científicas. Ainda nesse local, aprendemos a fazer a nossa própria pasta de dentes e foramnos dadas a conhecer algumas noções básicas sobre os diferentes sensores e mecanismos usados na construção de um robot. Para além disso, na sala dos jogos matemáticos do centro, pudemos pôr a nossa estratégia e racio-cínio matemático à prova en-quanto experimentávamos os seguintes jogos: “Hex”, “Ouri”, “Semáforo”, “Amazonas”, “Go” e “Pontos e quadrados”. Depois de um sossegado lanche à beira-mar, visitámos o Museu Marítimo de Ílhavo que conta com diferentes colecções relativas à temática marinha e, em especial, à pesca do bacalhau. Este museu encontra-se dividido em quatro exposições permanentes, nomeadamente a Sala da Faina Maior/Capitão Francisco Marques, a Sala da Ria, a Sala dos Mares e a Sala das Conchas. Foi um dia repleto de actividades interessantes que certamente gostaríamos de poder repetir. Margarida Vilela, 11ºE

das viagens

Livro de Isabel Stilwell inspira visita a Óbidos

No dia 13 de Março de 2009, as turmas A, B, D e F do 11º Ano fizeram uma visita muito especial ao

Mosteiro da Batalha e a Óbidos, no âmbito da disciplina de Inglês. Os objectivos consistiam em compreender a origem da mais antiga aliança entre dois países assim como aspectos culturais da obra “Filipa de Lencastre, a Rainha que Mudou Portugal”, de Isabel Stilwell, relacionando a história e culturas portuguesa e britânica. Começámos por visitar o Mosteiro da Batalha, local vastamente referido ao longo da obra. Aí, apreciámos a grandiosidade deste monumento e a beleza do seu interior. Naturalmente, a nossa curiosidade dirigiu-se, particularmente, para os túmulos de D. Filipa de Lencastre e D. João I, bem como os dos seus filhos, a Ínclita Geração. Seguidamente, dirigimo-nos a Óbidos, local onde nos esperava uma visita guiada cujo título era Rainhas e Outras Senhoras.

Foi destacado a importância do Castelo, doado a D. Filipa por D. João I que, conforme a tradição iniciada por D. Dinis, constituía o presente de casamento de todas as rainhas de Portugal. O passeio pela vila foi absolutamente mágico! Sentimos bem de perto o esplendor e o encanto desta terra cheia de História. A visita à Feira do Chocolate, que decorria naquela data, foi o culminar do programa de um dia fabuloso. Em nossa opinião, esta visita foi simultaneamente divertida, enriquecedora e doce. Divertimo-nos, aprendemos e compreendemos que, afinal, não foi justo termos resmungado quando a professora nos propôs ler um livro com 499 páginas! Vale sempre a pena ler livros. Ana Ramos e Helena Nunes, 11º B

No Museu da Presidência e Assembleia da República No dia 7 de Maio de 2009, deslocámo-nos a Lisboa a fim de visitar o Museu da Presidência e a Assembleia da República. Chegámos e esperava-nos uma curta caminhada a pé até ao Museu onde, à nossa espera, estava um guia que nos orientou na visita. Logo à entrada, despertou-nos a atenção um relógio de bolso em ouro, parado nas 2 horas. Ficámos a saber que pertenceu ao Tenente Mendes Cabeçadas e que aquela marcação se referia às 14 horas do dia 4 de Outubro de 1910, hora em que o proprietário deu ordem de ataque à residência oficial do Rei D. Manuel II, o Palácio das Necessidades, iniciando-se a revolução que deu origem à República, a 5 de Outubro de 1910. Mais à frente, estavam representados os três símbolos da República: a bandeira de Portugal, o Hino Nacional e o Presidente. Foinos dado a conhecer que, na Primeira República, Manuel de Arriaga foi o primeiro presidente eleito, que José António de Almeida foi o único que cumpriu o mandato e que Sidónio Pais foi assassinado. Durante os 48 anos do Estado Novo, conheceram-se três Presidentes: Óscar Carmona, Craveiro Lopes e Américo Tomás. Os Presidentes da República que se seguiram foram António de Spínola, Costa Gomes, o General Ramalho

Eanes, Mário Soares, e Jorge Sampaio. Todos estes têm um retrato no Museu da Presidência, estando também já reservado um lugar para o actual presidente, Aníbal Cavaco Silva. Ainda no Museu, foram-nos mostradas as condecorações que o Presidente pode atribuir: a condecoração da Ordem de Santiago e Espada, da Ordem de Cristo, da Ordem de Avis, da Ordem do Infante D. Henrique, da Ordem da Liberdade, da Ordem de Mérito e, aquela que mais se destaca por ser a mais alta das condecorações, a Ordem de Torre e Espada. Já na Assembleia da República, entrámos nas galerias da sala do plenário e assistimos a uma sessão,

13

orientada pelo vice-presidente Dr. Manuel Alegre. Entre outras, as questões agendadas para aquele dia eram os problemas da agricultura, as quotas leiteiras, a crise económica, o desemprego e a necessidade de um orçamento rectificativo. Assistimos ao momento em que se discutiu uma proposta de lei do PCP sobre o reforço da Acção Social Escolar no Ensino Superior. Durante a intervenção dos vários partidos, a deputada Ana Drago do Bloco de Esquerda disse uma frase que nos ficou no ouvido” Jamais perverter as palavras do adversário, para ter razão”. Ana Cardoso, Leila Dias e Nádia Antunes 10ºP


iblioteca

da biblioteca A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafón

Ler Poesia

Experiência de leitura por Rodolfo Ferro, 10ºH

A Sombra do Vento é um livro sobre outro livro, cuja história nos transporta para uma Barcelona da primeira metade do século XX. A narrativa inicia-se numa manhã de 1945, quando um pequeno rapaz de nome Daniel Sempere é conduzido pelo pai a um lugar oculto e misterioso da antiga Barcelona do pós-guerra: o Cemitério dos Livros Esquecidos. É aí que escolhe o primeiro livro que viria a ler e que se tornaria na obra da sua vida: A Sombra do Vento, de Julián Carax. Depois de o ler, de uma assentada, numa noite, Daniel apercebe-se que muito pouco se conhece acerca do seu autor. Sabe-se que todos os seus livros acabavam por ser queimados por alguém que dava pelo nome de Laín Coubert – curiosamente o nome da personagem que interpreta o diabo no livro de Carax - e, sabe-se ainda, que o autor de A Sombra do Vento morrera, poucos dias antes de se casar com uma idosa, num duelo, em Paris, cidade onde de noite traba-

lhava num bar de alterne e, de dia, escrevia os seus fracassados romances. Movido pelo misticismo que rodeava Julián Carax, Daniel inicia uma investigação com o fim de descobrir o que lhe acontecera, investigação essa que o leva a apaixonar-se e, consequentemente, a viver o seu primeiro desgosto de amor. Os anos passam, Daniel cresce, e a investigação acaba por esquecida por entre as sombras de uma Barcelona que tenta recuperar de uma penosa guerra civil. Apenas, depois de Daniel e o pai acolherem na sua livraria um exmendigo e foragido à polícia, de nome Fermin Romero de Torres - que se revela numa das personagens mais importantes e interessantes do livro -, é que este último e Daniel reiniciam a investigação esquecida. Através do contacto com amigos de Carax e pessoas que estavam, de certa forma, ligadas à história do misterioso autor, Daniel apercebe-

se que o que acabava de encontrar era, acima de tudo, um grande romance de amor que se tinha perdido ao longo dos tempos e que constituía o reflexo da sua própria paixão. Histórias de tempos diferentes que se entrelaçam num relato em que o suspense, o mistério, o amor, a amizade e o ódio culminam num final verdadeiramente surpreendente e impossível de esquecer. Daniel movido por uma onda de descobertas e de adrenalina tenta fazer com que o final do seu caso pessoal seja um pouco mais feliz do que o de Carax. Haverá maneira de reverter uma história que já tinha sido escrita e cujo ponto final já fora colocado? Mais de dez milhões de pessoas em todo o Mundo encontraram a resposta à questão que o fenomenal autor espanhol desenvolve num relato por demais absorvente e impossível de esquecer. Tu podes ser o próximo... basta leres!

Dentro das várias actividades promotoras da leitura dinamizadas pela Biblioteca, escolar foi realizada uma sessão de poesia com o objectivo de promover o gosto pela leitura expressiva, despertar o prazer de ler e divulgar autores e obras recomendadas pelo PNL. A sessão apresentou a forma de concurso de declamação e foi dirigida aos alunos do 3º ciclo. Os poemas foram previamente escolhidos e preparados durante as aulas de Língua Portuguesa. Numa primeira fase, foram seleccionados cinco alunos dentro de cada turma. Na sessão, realizada na véspera do Dia da Poesia, os participantes prestaram provas de leitura expressiva. Os critérios de selecção basearam-se na postura, projecção da voz, dicção, expressividade e ritmo. Os vencedores foram João Silva do 9ºB e Rita Ferreira do 8ºA. Raquel Afonso

Autores portugueses Troca de leituras no Dia Mundial do Livro em destaque No dia 22 de Maio, a biblioteca assinalou o Dia do Autor Português com a dinamização do concurso Montra de Autores que consistiu na apresentação de escritores portugueses e integrou duas categorias: apresentação oral e apresentação em Powerpoint. Numa sessão realizada na biblioteca, os alunos participantes apresentaram alguns autores da literatura portuguesa e sugeriram leituras. Os vencedores da 1ª categoria – apresentação oral - foram Ana João Santos, Gabriela Barroso e Hugo Rogrigues do 10ºH. Na

segunda categoria – PowerPoint –, foram premiados as alunas Inês Eusébio do 10ºG e Mariana Santos do 10ºH. As apresentações em PowerPoint serão disponibilizadas na página da BE dedicada à leitura http:// navegar. na. leitura. googlepages. com. A celebração do dia 22 de Maio foi proposta em 1982 pelo maestro Nóbrega e Sousa, membro da direcção da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) e, a partir desta altura, consagrou-se esta data como o “Dia do Autor Português”, celebrando-se a efeméride com diversas manifestações culturais.

14

No dia 23 de Abril, assinalou-se o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, instituído pela UNESCO com o objectivo de promover a leitura, edição e a protecção da propriedade intelectual através de direitos de autor, incentivando a todos, e em particular os jovens, a descobrir o prazer da leitura. Esta é uma data simbólica para a literatura mundial: morreram neste dia e no mesmo ano de 1616, Cervantes, Shakespeare e Inca Garcilaso de la Vega. É também a data de nascimento ou de morte de outros proeminentes autores como Maurice Druon, K. Laxness, Vladimir Nabokov, Josep Pla e Manuel Mejía Vallejo. A nossa escola assinalou este dia com a actividade – Troca de leituras - uma sessão de apresentação de experiências de leitura pelos alunos do 10ºH. Após a escolha e preparação de uma obra, cada aluno apresentou a sua sugestão, numa comunicação de cerca de 10 minutos. As melhores apresentações foram premiadas e os vencedores foram: Sebastião Cavaco,

Sílvia Silva e Ana Santos. Ao nível do terceiro ciclo, as turmas do 8ºano participaram no encontro com a escritora Luísa Fortes da Cunha, viajando com a conhecida personagem dos seus livros - a fada Teodora - até ao mundo da magia. Este encontro foi organizado pelo Lar Especializado de Infância e Juventude Casa da Tapada da Renda a quem agradecemos a oportunidade de contactar de perto com mais um escritor. RA


15


MURAL DO eSALPICOS

“Politiké” - política em geral

Só jogar com os dados que nos dão, Só à espera de ver o que acontece.

É entrar nos círculos que alguém tece, É caminho certo para a servidão.

“Politikós” - dos cidadãos

Haja o que houver, há que brotar do chão De manhã, à tarde e quando anoitece,

Numa escolha que só nos enaltece. Dê por onde der, dar opinião!

Texto: Hélder Rodrigues Fotografias: Filipa Domingos e Iolanda Vaz, 10ºF

eSalpicos 3 2008-2009  

Jornal da Escola Secundária/3 de Amato Lusitano

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you