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DOSSIER PROJETUAL DESENHO E TECNOLOGIA

mestrado em design 1ยบ ano. ano letivo 2012|13


ÍNDICE introdução

fase 1 | constatação

7 estruturas inspiradoras/referências 10 o conceito

fase 2 | interpretação

13 os esboços 16 os ensaios tridimensionais

fase 3 | proposta final 19 20 22 24 26 28

o desenho técnico o ensaio 3D a maquete final o material a logística conclusão


INTRODUÇÃO O seguinte exercício projetual tem como objetivo central a formulação de um pensamento baseado na criação de uma estrutura modular que, por sua vez, será o mote para o desenvolvimento de uma cobertura destinada, neste caso, para o jardim da zona subterrânea da Universidade de Aveiro. Tendo em conta a existência de um vasto leque de referências nesta área, o desafio consistiu em introduzir uma mais valia a nível conceptual e/ou produtivo, quer a par de novos materiais ou mesmo através de novas soluções construtivas.


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REFERÊNCIAS | ESTRUTURAS INSPIRADORAS Deve-se salientar que o exercício projetual baseou-se na criação de uma estrutura modular orgânica e, neste sentido, as nossas referências foram buscar inspiração formal em modelos da natureza como o cogumelo (Amanita Muscaria), pelo seu formato de resguardo, e o bacalhau da floresta Amazónica (Arapaia Gigas), pela sua geometria ritmada e variante estética. No entanto, a pinha foi o elemento que serviu de inspiração para o desenvolvimento de todo o processo criativo, pelo modo como as escamas se sobrepõem parcialmente como as escamas dos peixes em torno de um formato cónico, cilíndrico ou ovoide de maneira ritmicamente harmoniosa. Por outro lado, foram também contemplados alguns projetos de design com que nos indentificámos pelo sentido de ritmo, dada pela repetição de elementos geométricos dispostos segundo uma posição pré-concebida ou mesmo de forma aleatória, como é o caso do projeto Clouds.


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1 | Voussoir Cloud, Iwamottoscot 2 | Clouds, Ronan and Erwan Bouroullec 3 | Hyposurface, Mark goulthorpe 4 | Woodentextile surface, Elisa Strozyk 5 | Amanita Muscaria (cogumelo) 6 | Arapaia Gigas (bacalhau da Amaz贸nia) 7 | Estr贸bilo (pinha)

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MATERIAL ALTERNATIVO

SISTEMA ENCAIXE

O CONCEITO O conceito consiste na adoção de um material alternativo - o feltro - que, apesar de possuir um vasto leque de propriedades, é ainda pouco explorado nesta área. Por ser um material facilmente moldável, pode adquirir diferentes conformações e adaptar-se a diversos espaços graças à sua versatilidade formal. O método de produção, consistirá essencialmente em três passos: a conformação das peças, o corte e a vincagem e, por último, a dobragem das mesmas. A isto soma-se os pormenores de encaixe que facilitam a logística, uma vez que os módulos são transportados abertos, estes são montados no próprio espaço destinado à estrutura. O sistema em velcro, além de facilitar o ato da montagem, faz com que o módulo se feche sobre si próprio e que se agregue entre os restantes de maneira eficaz, tornando a estrutura ainda mais resistente.

LOGÍSTICA


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OS ESBOÇOS


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| A presente maquete foi elaborada durante a fase inicial do exercício de projeto, onde foram feitas algumas experimentações acerca da viabilidade do módulo e a maneira como este se comportava segundo estrutura. É de salientar a presença dos elementos de reforço entre os espaços inferiores do módulo que, apesar de conferir alguma estabilidade a tornavam muito complexa em termos de produção.

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DESENHO TÉCNICO


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1 | Estrutura total 2 | Sustentação horizontal 3 | Sustentação vertical 4 | Módulo

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| A nova maquete foi realizada já com o novo material escolhido e segundo as novas mudanças estruturais implementadas no módulo. As colunas de sustentação em madeira adquirem uma nova posição pois, par além de surportar o peso da estrutura na vertical, fazem tensão na horizontal conformando e trancando a curvatura da mesma. A maquete foi feita à escala 1-16 e foi pensada para ter 6m de altura na realidade por 12x12m de largura, ficando acima do nível do muro que ladeia o jardim das catacumbas.


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O MATERIAL O feltro natural, tem ganho notoriedade pelo vasto leque de vantagens que oferece. A lã é um recurso que possui alguma expressão no território português pelo seu valor tradicional ligado sobretudo à vertente têxtil e artesanal. A indústria de feltros em Portugal dedica-se essencialmente ao feltro sintético para aplicação em equipamentos construtivos no entanto, a nível da aplicação do feltro natural destacam-se sobretudo a Burel Factory, que revitalizou o valor das nossas riquezas tradicionais reinventando-as de forma dinâmica e inovadora, e a Fepsa que, por sua vez, dedica-se ao fabrico e comercialização de feltros de pêlo e de lã para a indústria de chapéus. Embora a aplicação do feltro natural em estruturas construtivas não seja muito explorada, destaca-se o projeto Clouds, dos designers Ronan and Erwan Bouroullec, que baseia-se num tecido modular construído através de várias peças em feltro e utilizado para divisão de ambientes como isolamento acústico ou simplesmente como escultura.

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1 | Pastora, com Capuchinha em Burel 2 | Clouds, Ronan and Erwan Bouroullec 3 | Burel Factory, banco tertúlia 4 | Fepsa, chapéus 5 | Pastores, com Cobertor de Papa

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| O feltro natural, consegue adaptar-se perfeitamente às intempéries, na medida em que possui uma elevada capacidade impermeável que pode ser ainda acelerada através de aditivos químicos. Por outro lado e, estando no seu estado puro, o feltro natural é hidrófilo (absorve a humidade), hidrofóbico (repele a água) e ignífugo, funcionando como retardador do alastramento das chamas. É também um ótimo isolante acústico e resistente à eletricidade estática. Graças à sua maleabilidade, o feltro poderá ser facilmente moldado, dando origem a uma grande versatilidade de formas.


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A LOGÍSTICA As peças podem ser facilmente empilhadas e transportadas devido ao facto de possuirem um sistema de encaixe à base de velcro que, por sua vez, permite uma rápida montagem dos módulos. Desta forma, será possível contrair uma melhor gestão do espaço dentro da transportadora, graças a uma maior economia de materiais e à maleabilidade do próprio módulo. Por outro lado e, uma vez que a largura máxima de qualquer veículo pesado é de 2,55m, as peças foram desenhadas com 2x2m, de modo a adaptar-se facilmente ao espaço.

o módulo multiplicado por 4 conjuntos de 9 peças (dimensão real) 12/6 = 2 metros (ideal para transporte)

12 m

12 m

| O sistema em velcro é aplicado tanto nas faces periféricas do módulo, para que seja possível este ser montado sobre si, como nas faces interiores, para que consigam agregar-se entre si. No entanto, deve-se salientar ainda que é necessário a aplicação de pequenos cortes para que certos módulos encaixem, ou seja: os módulos centrais precisam de 2 cortes, os das filas principais apenas de 1 corte e os terminais não necessitam de nenhum.


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CONCLUSÃO Este projeto permitiu clarificar alguns conceitos ligados à relação que o artefato possui com o espaço e de que forma podemos apresentar um pensamento lógico ligado à realidade. Ou seja, tanto no processo experimental como na fase final, tivemos que nos debater com questões que nos permitiram ver de outra perspetiva a viabilidade do projeto no contexto real, assim como a pertinência dos materiais utilizados e a aplicação de novas soluções construtivas. No fundo, o objetivo deste exercicio permitiu incutir um pensamento crítico acerca do método projetual que, por sua vez, terá que nos acompanhar ao longo do nosso caminho profissional.


Daniela Cruz | 50457 Juliana Moreira | 50535 Raphaella Rocha | 51345 Mestrado em Design 1Âş ano Ano letivo 2012|13 Desenho e Tecnologia

universidade de aveiro de DeCA|ua| departamento comunicação e arte



Dossier Projetual