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Textos do Módulo Informática – Ciclo Intermediário Leituras Recomendadas e Textos da Biblioteca Leituras Recomendadas

Módulo Informática – Ciclo Intermediário: O Uso da Informática na Prática Pedagógica ETAPA 1 O processo ensino-aprendizagem O processo ensino-aprendizagem se caracteriza pela combinação de atividades do professor e dos alunos. ETAPA 2 Recursos Didáticos Designamos os recursos didáticos como "auxiliares" para o trabalho do professor. ETAPA 3 O computador como recurso didático A utilização das tecnologias de informação e comunicação (TICs) trazem uma enorme contribuição para a prática escolar. Bom Trabalho!!!

Leituras Recomendadas Etapa 1 Sejam Bem Vindos!!! Esta etapa inicial tem como objetivo analisar o conceito e identificar os componentes do processo ensino-aprendizagem, em uma perspectiva sistêmica. O processo ensino-aprendizagem se caracteriza pela combinação de atividades do professor e dos alunos. A direção eficaz desse processo depende do trabalho sistematizado do professor que, tanto no planejamento como no desenvolvimento das aulas conjuga objetivos, conteúdos, métodos, recursos didáticos e avaliação e formas organizativas do ensino. Assim, nesta etapa serão discutidos o conceito do processo ensino-aprendizagem e seus componentes (objetivo, conteúdo, método, recursos didáticos, avaliação e a relação professor-aluno). Esperamos que você tenha nesta etapa, uma ótima oportunidade de fazer uma reflexão acerca do nosso objeto de trabalho, o processo ensino-aprendizagem. Bom Trabalho!!!

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O Processo Ensino-Aprendizagem

Para Fernández (1998), as reflexões sobre o estado atual do processo ensinoaprendizagem nos permite identificar um movimento de idéias de diferentes correntes teóricas sobre a profundidade do binômio ensino e aprendizagem. Entre os fatores que estão provocando esse movimento podemos apontar as contribuições da Psicologia atual em relação à aprendizagem, que nos leva a repensar nossa prática educativa, buscando uma conceptualização do processo ensinoaprendizagem. As contribuições da teoria construtivista de Piaget, sobre a construção do conhecimento e os mecanismos de influência educativa têm chamado a atenção para os processos individuais, que têm lugar em um contexto interpessoal e que procuram analisar como os alunos aprendem, estabelecendo uma estreita relação com os processos de ensino em que estão conectados. Os mecanismos de influência educativa têm um lugar no processo de ensinoaprendizagem, como um processo onde não se centra atenção em um dos aspectos que o compreendem, mas em todos os envolvidos. Se analisarmos a situação atual da prática educativa em nossas escolas identificaremos problemas como: a grande ênfase dada a memorização, pouca preocupação com o desenvolvimento de habilidades para reflexão crítica e auto-crítica dos conhecimento que aprende; as ações ainda são centradas nos professores que determinam o quê e como deve ser aprendido e a separação entre educação e instrução. A solução para tais problemas está no aprofundamento de como os educandos aprendem e como o processo de ensinar pode conduzir à aprendizagem. O processo de ensino-aprendizagem tem sido historicamente caracterizado de formas diferentes (vide abaixo), que vão desde a ênfase no papel do professor como transmissor de conhecimento, até as concepções atuais que concebem o processo de ensino-aprendizagem com um todo integrado que destaca o papel do educando. Nesse último enfoque, considera-se a integração do cognitivo e do afetivo, do instrutivo e do educativo como requisitos psicológicos e pedagógicos essenciais. A concepção defendida aqui é que o processo de ensino-aprendizagem é uma integração dialética entre o instrutivo e o educativo que tem como propósito essencial contribuir para a formação integral da personalidade do aluno. O instrutivo é um processo de formar homens capazes e inteligentes. Entendendo por homem inteligente quando, diante de uma situação problema ele seja capaz de enfrentar e resolver os problemas, de buscar soluções para resolver as situações. Ele tem que desenvolver sua inteligência e isso só será possível se ele for formado mediante a utilização de atividades lógicas. O educativo se logra com a formação de valores, sentimentos que identificam o homem como ser social, compreendendo o desenvolvimento de convicções, vontade e outros elementos da esfera volitiva e afetiva que junto com a cognitiva permitem falar de um processo de ensinoaprendizagem que tem por fim a formação multilateral da personalidade do homem.

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A eficácia do processo de ensino-aprendizagem está na resposta em que este dá à apropriação do conhecimentos, ao desenvolvimento intelectual e físico do estudante, à formação de sentimentos, qualidades e valores, que alcancem os objetivos gerais e específicos propostos em cada nível de ensino de diferentes instituições,conduzindo a uma posição transformadora, que promova as ações coletivas, a solidariedade e o viver em comunidade. A concepção de que o processo de ensino-aprendizagem é uma unidade dialética entre a instrução e a educação está associada à idéia de que igual característica existe entre ensinar e aprender. Esta relação nos remete a uma concepção de que o processo de ensino-aprendizagem tem uma estrutura e um funcionamento sistêmico, isto é, está composto por elementos estreitamente interrelacionados.

Todo ato educativo obedece determinados fins e propósitos de desenvolvimento social e econômico e em conseqüência responde a determinados interesses sociais, sustentam-se em uma filosofia da educação, adere a concepções epistemológicas específicas, leva em conta os interesses institucionais e, depende, em grande parte, das características, interesses e possibilidades dos sujeitos participantes, alunos,

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professores, comunidades escolares e demais fatores do processo. A visão tradicional do processo ensino-aprendizagem é que ele é um processo neutro, transparente, afastado da conjuntura de poder, história e contexto social. O processo ensinoaprendizagem deve ser compreendido como uma política cultural, isto é, como um empreendimento pedagógico que considera com seriedade as relações de raça, classe, gênero e poder na produção e legitimação do significado e experiência. Tradicionalmente este processo tem reproduzido as relações capitalistas de produção e ideologias legitimadoras dominantes ao ignorarem importantes questões referentes às relações entre conhecimento x poder e cultura x política. O produto do processo ensino-aprendizagem é o conhecimento. Partindo desse princípio, concebe-se que o conhecimento é uma construção social, assim torna-se necessário examinar a constelação de interesses econômicos, políticos e sociais que as diferentes formas de conhecer podem refletir. Para que o processo ensino-aprendizagem possa gerar possibilidades de emancipação é necessário que os professores compreendam a razão de ser dos problemas que enfrentam e assuma um papel de sujeito na organização desse processo. As influências sócio-político-econômicas, exercem sua ação inclusive nos pequenos atos que ocorrem na sala de aula, ainda que não sejam conscientes. Ao selecionar algum destes componentes para aprofundar deve-se levar em conta a unidade, os vínculos e os nexos com os outros componentes. O componente é uma propriedade ou atributo de um sistema que o caracteriza; não é uma parte do sistema e sim uma propriedade do mesmo, uma propriedade do processo docente-educativo como um todo. Identificamos como componente do processo de ensino-aprendizagem:       

Aluno - devem responder a pergunta: "quem?" Professor Problema – elemento que é determinado a partir da necessidade do aprendiz. Objetivo – deve responder a pergunta: "Para que ensinar?" Conteúdo - deve responder a pergunta: "O que aprender?" Métodos - deve responder a pergunta: "Como desenvolver o processo?" Recursos- deve responder a pergunta: "Com o quê?"

Avaliação é o elemento regulador, sua realização oferece informação sobre a qualidade do processo de ensino aprendizagem, sobre a efetitividade dos outros componentes e das necessidades de ajuste, modificações que o sistema deve usufruir.

Fig.1- Relação entre diferentes componentes do processo ensino-aprendizagem FONTE - FERNÁNDEZ. Fátima Addine, 1998. p.23

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A integração de todos os componentes forma o sistema, neste caso o processo de ensino-aprendizagem. As reflexões sobre o caráter sistêmico dos componentes do processo de ensino-aprendizagem e suas relações são importantes em função do caráter bilateral da comunicação entre professor-aluno; aluno-aluno, grupo-professor, professor-professor. Referências Bibliográficas CAPRA, Fritjof – A teia da vida. São Paulo: Cultrix, 1996. D’AMBRÓSIO, Ubiratan. Educação para uma sociedade em transição. Campinas, SP: Papirus, 1999 FERNÁNDEZ. Fátima Addine. Didática y optimización del processo de enseñanzaaprendizaje. IN: Instituto Pedagógico Latinoamericano y Caribeño – La Havana – Cuba, 1998

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Tendências Pedagógicas Tradicional

Tecnicista

Progressista

A educação deve visar o desenvolvimento cognitivo dos alunos

A educação deve ser planejada, controlada e avaliada cientificamente, sua função é produzir mudanças comportamentais relativamente permanente e socialmente desejáveis, seja pela instalação de novos comportamentos, seja pela modificação dos já existentes, formando assim indivíduos eficientes no desempenho de papéis diferenciados e necessários ao bom funcionamento do sistema social

A educação se relaciona dialeticamente com a sociedade. Apesar de estar vinculada aos determinantes históricosociais, ela também poderá constituir-se em um instrumento importante no processo de transferência social. A função da educação é elevar o nível de consciência do educando a respeito da realidade social que o cerca, a fim de capacitá-lo a atuar no sentido de sua emancipação social, econômica, política e cultural

O processo ensinoaprendizagem tem como objetivo a transmissão do acervo cultural, envolvendo trabalho árduo, perseverança, aplicação e disciplina. Concepção do Através do esforço Processo próprio se alcança o ensinosucesso, sendo, portanto aprendizagem as diferenças individuais o fator que determina as diferentes posições assumidas pelos indivíduos na sociedade

O processo ensinoaprendizagem tem como objetivo orientar e incentivar o aluno na constituição do conhecimento, tendo em vista o desenvolvimento de sua inteligência e, conseqüentemente, a formação da personalidade. As situações de ensinoaprendizagem devem partir das necessidades e interesses do educando.

O processo ensinoaprendizagem consiste num arranjo de contingências de reforço que possibilitam ou aumentam a probabilidade de ocorrência de uma resposta desejada. Deve ser organizado de forma sistemática e controlada, a fim de que a aprendizagem, traduzida como uma atividade manifesta do comportamento, ocorra com eficácia e eficiência

O processo ensinoaprendizagem é situado, ou seja, acontece numa cultura específica, com pessoas concretas, que pertencem a uma classe social definida

É responsável pelo ato de transmitir conhecimentos clássicos, enciclopédicos, em forma de conceitos, verdade.

Deixa de ser o centro das atividades e passa ser o facilitador, aquele que orienta, incentiva e controla a aprendizagem, caminhando junto com seus alunos

O professor passa a exercer a posição de administrador, ou daquele que vai executar os planejamentos

O professor deve ser um guia-orientador do processo educativo. Seu papel é o de elemento mediador entre a prática social vivida pelo aluno e o saber socialmente significativo que ele deverá dominar, a fim de se tornar um força ativa na transferência das estruturas sociais

Ser passivo, sempre pronto para receber conhecimentos, memorizá-los, para, conseqüentemente, serem dogmatizados.

Sujeito da aprendizagem, passa exercer o papel de investigados, lhe é concedido o poder de ação dentro de seus interesses, ou seja, ele passa a ter liberdade de escolha

A aluno passa a ser uma matéria prima a ser transformada

Sujeito histórico inserido em uma realidade social concreta

Concepção de educação

A educação deve ser comprometida com a cultura. Sua função é transmitir e preservar o patrimônio cultural, preparando intelectual e moralmente os alunos a fim de que possam desempenhar os papeis que lhes são conferidos pela sociedade

Professor

Aluno

Escolanovista

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Leituras Recomendadas Etapa 2

Sejam Bem Vindos!!! Esta segunda etapa tem como objetivo analisar o conceito de recursos didáticos e discutir as contribuições dos mesmos para o processo ensino-aprendizagem. Tradicionalmente, designamos os recursos didáticos como "auxiliares" para o trabalho do professor. Chamar os recursos didáticos de "auxiliares" não seria de todo acertado, já que eles são componentes de um processo sistêmico e dele não podem separar-se. O sentido da utilização dos recursos didáticos pode tomar a amplitude que se deseja porque, certamente, tudo o que contribui para o processo ensino-aprendizagem é um meio para o fim. Devemos entender que os recursos didáticos servem para o professor, para o trabalho independente do aluno, para os seminários ou aulas práticas, para a busca, exercitação ou problematização. Servem ao professor, ao aluno, para aprender ou controlar o aprendido. Assim, nesta etapa será discutido o conceito de recursos didáticos, bem como as contribuições dos mesmos para o processo ensino-aprrendizagem do ponto de vista fisiológico, psicológico, pedagógico. Bom Trabalho!!!

Recursos Didáticos 1- Recursos Didáticos: Tradicionalmente, designamos os recursos didáticos como "auxiliares" para o trabalho do professor. Chamar os recursos didáticos de "auxiliares" não seria de todo acertado, já que eles são componentes de um processo sistêmico e dele não podem separar-se. O sentido da utilização dos recursos didáticos pode tomar a amplitude que se deseja porque, certamente, tudo o que contribui para o processo ensino-aprendizagem é um meio para o fim. Por este motivo, insistimos muito, no presente texto, que com a utilização dos recursos didáticos, levando em conta a concepção restringida que o utilizamos, não serão resolvidos muitos dos problemas do ensino em nenhum país, se não forem acompanhados de uma adequada utilização de outros elementos, desde a organização escolar até o papel do professor e da postura pedagógica que tem. Desde o ponto de vista da Teoria da Comunicação, os recursos didáticos são o canal através do qual se transmitem as mensagens docentes, são o sustento material das mensagens no contexto da aula. Quando nos referimos aos métodos didáticos, devemos entender também que os recursos didáticos servem para a exposição do professor, para o trabalho independente do aluno, para os seminários ou aulas práticas, para a busca, exercitação ou problematização. Servem ao professor, ao aluno, para aprender ou controlar o aprendido.

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2-Os Recursos didáticos do Ponto de Vista Fisiológico: A argumentação fisiológica do papel do conhecimento visual no processo de ensinoaprendizagem se baseia na Teoria de Pavlov. Segundo esta teoria, o vínculo entre a imagem e a palavra desempenha um papel muito importante no desenvolvimento do pensamento humano. A correlação harmoniosa dos sistemas de sinalização depende diretamente da qualidade do ensino. O papel da atividade prática no processo do conhecimento pode ser também explicado à luz das teorias pavlovianas, como K. TOMASCHEVSKI, assinala: (...) A grande quantidade de reações nervosas durante as atividades práticas deixam no cérebro, especialmente no "aparato motor" (Pavlov), seus "rastros". As células nervosas estimuladas são finalmente reunidas em um sistema dinâmico de enlaces nervosos. Este sistema, uma vez formado, pode provocar o desejo de repetir a mesma atividade pela qual foi desenvolvido a princípio. Assim, chegamos aos fundamentos fisiológicos da habilidade e destreza. O adequado equilíbrio entre as palavras e as imagens facilita os processos de desenvolvimento do pensamento em geral e em particular no processo. Pedagogos e psicólogos chamam atenção para o fato de que, sem sensações, percepções e representações, o pensamento não se desenvolve. É necessário considerar, como afirma L.S. Vigostky (1982), "(...) a relação entre pensamento e palavras não é um fato e sim um processo, um contínuo ir e vir do pensamento à palavra e da palavra ao pensamento(...)" Este procedimento supõe um amplo processo no indivíduo, que o leva a interrelacionar as coisas que lhe são explicadas com as experiências prévias, ricas e numerosas, que ele possui e que em determinadas ocasiões o leva a formular significados e a dar conotações diferentes ao que era pretendido pelo emissor. 3-Os Recursos didáticos do Ponto de Vista Psicológico Para muitos autores contemporâneos a função emocional dos recursos didáticos na criação de motivação é tão elevada, que os mesmos são mais valorizados por este aspecto do que pela sua capacidade comunicativa e pedagógica. Dentro da aprendizagem humana, a maior interpretação com o mundo exterior se dá através do órgão visual, do mecanismo senso - percentual da vista, por isso, o emprego dos recursos didáticos e em especial dos recursos visuais facilita o ótimo aproveitamento de nossos mecanismos sensoriais. Segundo CASTRO (1986), os resultados experimentais das pesquisas realizadas em diversas partes do mundo, coincidem em destacar que o conhecimento do mundo exterior é atingindo nesta proporção aproximada:

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GRÁFICO 1: Órgãos do sentido e a captação do mundo exterior Fonte: CASTRO (1986) O mesmo autor afirma também, que com os recursos didáticos se obtém uma maior retenção na memória dos conhecimentos aprendidos. Ao comparar a retenção na memória, ao cabo dos três dias (72 horas), de um mesmo conceito aprendido por diferentes vias, os estudantes podiam recordar: 10% do que leram; 20% do que escutaram; 30% do que viram; 50% do que viram e escutaram; 70% do que discutiram; 90% do que explicaram e realizaram praticamente. Sem pretender dar a estes resultados a categoria de absolutos, podemos constatar o valor das atividades práticas no processo de construção do conhecimento, o valor dos seminários como fonte de intercâmbio de idéias que permitem fazer mais fácil a integração e a memorização em contraposição à pobreza da leitura mecânica, às vezes utilizada como única via na preparação para um exame por parte de alguns estudantes. A intensidade dos estímulos e sua significação subjetiva para o indivíduo tornam mais prolongadas na memória as coisas aprendidas, como também aumentam a motivação pelo ensino e pela disciplina, em particular. Por outro lado, os recursos didáticos podem criar interesse pelo conhecimento desde o momento em que mostram aplicações, na vida social e científica, das leis e fenômenos estudados na classe, e sua influência para o indivíduo. Os recursos contribuem, pois, para a seguridade individual do aluno, para a reafirmação pessoal na capacidade de aprender e a criação de incentivos que ativem a aprendizagem, na medida em que o estudante participa mais ativamente e com diferentes mecanismos sensoriais. Os conhecimentos adquiridos acerca de um objeto ou fenômeno mediante os recursos didáticos estimulam os alunos a comparar, diferenciar, descrever, concluir dedutivamente, avaliar criticamente os resultados do pensamento próprio e do pensamento dos outros, conduzem ao reconhecimento do essencial e outras generalizações que representam verdadeiros trabalhos de abstração. Outro aspecto psicologicamente importante é o fator emocional da apropriação dos conhecimentos. Este aspecto emocional pode ser manifestado de várias maneiras, por exemplo, quando o aluno sente a satisfação e alegria de haver “descoberto” algo de interessante sozinho. Também, quando se empregam recursos mais completos, como

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o computador, por exemplo, com suas cores, som, o ambiente comunicativo que se cria, proporcionam um componente emocional agradável e duradouro à aprendizagem. Este recurso contribui também, para reforçar o espírito de coletividade no trabalho científico e em sua vida pessoal, quando reconhecem que o trabalho coletivo é uma fonte essencial de criação social. A concentração da atenção dos estudantes tem muito a ver com a metodologia do professor, bem como o procedimento utilizado para a comunicação oral ou por sua capacidade para observar nos estudantes as mais significativas amostras de cansaço e esgotamento, a partir das quais, introduz elementos relevantes ou muda a atividade para facilitar a concentração sucessiva sobre o material de estudo. Nesta tarefa, os recursos podem ajudar consideravelmente, porque proporcionam em si mesmos, mudanças de atividades (visual, auditiva, prática, etc.) uma vez que são mais atrativas que a exposição oral pura, por proporcionarem estímulos mais intensos. 4- Os Recursos didáticos do Ponto de Vista Pedagógico Provavelmente, o primeiro pedagogo que fez referência aberta a necessidade dos recursos didáticos no processo docente foi J.A. Comenio, que em seu oitavo fundamento na obra Didática Magna, expressava, "(...) Para aprender tudo com maior facilidade devem utilizar-se quanto mais sentidos se possa... Por exemplo: Devem ir juntos sempre o ouvido com a vista e a língua com as mãos (...) Esta posição manifestada por Comenio enfatiza a força dos recursos didáticos para intensificar o processo docente, por que sua utilização ajuda os estudantes aprenderem mais e racionalizarem o tempo necessário à aprendizagem. Um experimento realizado na URSS pelo especialista P.F. Jamov, que avaliou o tempo necessário para a assimilação das qualidades essenciais de um objeto concluiu:

GRÁFICO 2 - Tempo necessário para a assimilação das qualidades essenciais de um objeto Fonte: P. F. JAMOV (1971) Se interpretarmos cuidadosamente estes dados, vemos que, à medida em que se empregaram os recursos mais objetivos e concretos, o tempo necessário para

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compreender e assimilar suas qualidades essenciais diminuía consideravelmente até sete vezes. Desta maneira, necessitou-se de muito menos tempo para explicar os conceitos mostrando qualquer um dos elementos visuais do que se tivesse optado por apresentá-los verbalmente. A exposição oral é a mais usada entre os professores, mas não é a mais rápida nem a mais completa; é certamente a mais fácil, porque não demanda preparação, nem local e recurso, porém o conteúdo ensinado torna-se pobre e pouco eficaz. Os recursos didáticos permitem elevar a efetividade do sistema escolar, garantindo uma docência de mais qualidade, com melhores resultados, permitem racionalizar os esforços do professor e do aluno. A objetivação dos conhecimentos e o uso apropriado dos mesmos proporcionam melhores rendimentos na assimilação e tornam mais produtivo o trabalho do professor. Para Klingberg, o trabalho com recursos didáticos estimula a auto - atividade criadora e ajuda na formação de valiosas propriedades do caráter, tais como a autonomia, iniciativa, responsabilidade, etc. Os recursos audiovisuais causam grande efeito emocional sobre os alunos, o trabalho com o computador, por exemplo, com suas palavras, imagens, som, onde o aluno realiza suas próprias ações, ajuda o aluno a avaliar criticamente sua conduta. Segundo Piaget e Vygotsky (1996), o conhecimento não procede apenas da experiência única dos objetos e nem de uma programação inata do sujeito, mas são resultados tanto da relação reciproca do sujeito com seu meio, quanto das articulações e desarticulações do sujeito com seu objeto. Dessas interações surgem construções cognitivas sucessivas, capazes de produzir novas estruturas em um processo contínuo e incessante. Referências CARVALHO, M. G.. Piaget e Vygotsky: As contribuições do interacionismo. In: Dois Pontos (Ver) N.º 24 - Pág. 26/27 - Belo Horizonte: Pitágoras, 1996. CASTRO, V. G. Teoria y Prática de Los Médios de Enseñanza. La Habana: Pueblo y Educación, 1986. COMENIO, J.: Didactica Magna. Editorial Pueblo y Educacional, Ciudad de La Habana, 1983 KLINGBERG, L.: Introducción a la didáctica general. Editora Pueblo e Educación, Ciudad de La Habana, 1978. JAMOV P.F.: Los Medios Técnicos de Instrucción y su empleo en el proceso de enseñanza. Tesis para la obtención del grado de Candidato a Doctor en Pedagogia Militar, Moscú, 1971 TOMASCHEVSKY, K.: DIDÁCTICA GENERAL. Editora de Libros para la Educación Ciudad de la Habana, 1978 VYGOTSKY, L.S.: Pensamento e Linguagem - São Paulo: Martins Fontes, 1982

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Leituras Recomendadas Etapa 3 Sejam Bem Vindos!!! Estudos demonstram que a utilização das tecnologias de informação e comunicação (TICs), como ferramenta, traz uma enorme contribuição para a prática escolar, em qualquer nível de ensino. Essa utilização apresenta múltiplas possibilidades que poderão ser realizadas segundo uma determinada concepção de educação que perpassa qualquer atividade escolar. O objetivo desta terceira etapa é, portanto, discutir alguns aspectos relevantes sobre a questão da utilização das TICs na educação, especificamente o computador, como recurso didático no processo ensinoaprendizagem. Bom Trabalho!!!

O computador como recurso didático A aprendizagem humana é um fenômeno complexo e está intrinsecamente relacionada com a associação de conhecimentos já adquiridos com os novos conhecimentos. A partir das contribuições de teóricos como Piaget, Vygotsky, Paulo Freire sobre a importância do processo de interação, foi possível encontrar argumentos fortes para superar a visão behaviorista de que a aprendizagem é simplesmente mudança de comportamento. Segundo uma perspectiva epistemológica Piagetiana, a aprendizagem é uma das formas de aquisição de conhecimentos, que pode gerar uma construção de conhecimento ou não. O que diferencia esta forma das outras é a abordagem dialética defendida por esta teoria, ou seja, a construção do conhecimento só pode ser concebido distintamente da aprendizagem, “se a analise dos processos cognitivos se der a partir de uma visão dinâmica, e de uma visão da realidade como uma rede de relações que envolve esses processos” (Martins, 2000:5). E isto só é possível a partir da idéia de interação de Piaget que defende que a compreensão do que ocorre, quando o ser humano adquire conhecimentos, deve ser buscada nos instrumentos de mediação entre sujeito que conhece e o objeto a ser conhecido. Assim, nesta perspectiva , a ação é o ponto de partida para a aquisição do conhecimento, uma vez que não conhecemos o que está fora de nós, mas porque agimos sobre o que nos rodeia. Quando o sujeito que conhece age sobre um objeto a ser conhecido, este objeto, no mínimo, oferece uma resistência a tal ação, exercendo uma ação sobre o sujeito. Assim toda ação se torna uma interação. “É uma ação que se dá entre dois pólos (o sujeito e o objeto). Deste modo, o conhecimento, segundo Piaget, é fruto de uma ação concomitante do sujeito que conhece e do objeto a ser conhecido” Martins (2000:5). Constituindo-se em uma relação dialética, num processo contínuo de transformações. O resultado do conhecimento é fruto tanto do sujeito como do objeto e que é distinto do que o sujeito já conhecia e do que o objeto é, mas contém elementos dos dois. O processo de construção do conhecimento passa a ser resultante de um processo interativo que provoca modificações, que podem ser interpretadas como um processo de desenvolvimento.

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A teoria de Vygotsky segue a linha Histórico-Social ou Histórico-Cultural, que considera que o desenvolvimento da criança é definitivamente um produto da influência e combinação de fatores orgânicos pessoais (internos) e de variáveis proporcionadas pelo ambiente em que ela vive, isto é, o desenvolvimento cognitivo ocorre dentro de um determinado contexto social. O sujeito e sua colaboração/interação com o ambiente e com seus pares é que constrói seu próprio conhecimento. Os estudos de Vygotsky destacam a linguagem culturalmente desenvolvida, atribuindo um grande valor intelectual à interação entre pares, reconhecendo que pode existir uma discrepância entre a solução individual e a forma social de se resolver um problema. Neste, ponto esses estudos, contrastam com a visão de Piaget que, por sua vez, apresenta a criança como construtora individual de seu próprio conhecimento, que expressa, através da linguagem, sua compreensão interna, desenvolvida sem a intervenção de fatores sociais externos. A zona de desenvolvimento proximal, defendida por Vygotsky, pode ser entendida com a diferença entre o desenvolvimento real da criança, determinado por sua capacidade independente e atual para a solução de problema e o nível mais alto de desenvolvimento potencial determinado por sua habilidade na solução de problemas com assistência de um adulto ou em colaboração com seu pares. Um ambiente de trabalho constituído por computadores é diferente e apresenta oportunidades para que esta colaboração aconteça. O ambiente computacional proporciona um cenário para uma mudança qualitativa nas zonas de desenvolvimento proximal do aluno. A colaboração pressupõe uma tarefa mútua na qual os parceiros trabalham em conjunto para produzir algo que nenhum deles poderia ter produzido individualmente. Dentro de um ambiente computacional, a interação entre pares, permeada pela linguagem (humana e da máquina), potencializa o desempenho intelectual porque força os indivíduos a reconhecer e coordenar perspectivas conflitantes de um problema, construindo um novo conhecimento a partir de seu nível de competência que está sendo desenvolvido dentro e sob a influência de um determinado contexto histórico-cultural. Levando em consideração o conceito de zona de desenvolvimento proximal, a escola deve sempre oferecer desafios variados ao aluno, pois o seu desenvolvimento real não é estático, mensurável nem universal; está sempre em processo dinâmico em direção ao desenvolvimento das potencialidades individuais através da colaboração entre pares e dentro de um contexto que permita a construção de conhecimentos. O uso do computador na Educação Para D’Ambrósio (1999:5), Educação é ação. Um princípio básico é que toda ação inteligente se realiza mediante estratégias que são definidas a partir de informações da realidade. Portanto, a prática educativa, como ação, também estará ancorada em estratégias que permitem atingir as grandes metas da educação. As estratégias, por sua vez, estão apoiadas em ferramentas, recursos que viabilizam sua realização. Mais do que nunca os professores estão recorrendo à tecnologia. Ao contrário do senso comum de que informática facilita o processo de ensinoaprendizagem, o computador dificulta o processo, podendo enriquecer ambientes de aprendizagem, onde o aluno, interagindo com os objetos desse ambiente, tem chance de construir o seu conhecimento. O conhecimento não é passado para o aluno; ele não é mais instruído, ensinado, mas construtor do seu próprio conhecimento. Assim o paradigma instrucionista vai sendo substituído pelo paradigma construcionista onde a

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ênfase está na aprendizagem, na construção do conhecimento ao invés de estar no ensino, na instrução. Segundo Valente (1998), o computador tem sido usado na educação como máquina de ensinar que consiste na informatização dos métodos de ensino tradicionais; o professor implementa no computador uma série de informações, que devem ser passadas ao aluno na forma de um tutorial, exercício e prática ou jogo. Desta forma o computador não contribui para a construção do conhecimento pois a informação não é processada, mas simplesmente memorizada. A abordagem denominada por Papert de construcionismo, permite que o aprendiz possa construir seu conhecimento através do computador. Segundo essa concepção, a construção do conhecimento só acontece quando o aluno constrói um objeto de seu interesse, um texto, um programa, etc. Para Valente (1998), a diferença entre a teoria de Piaget e o construcionismo de Papert é que o conhecimento é construído através do computador, o computador é utilizado como uma ferramenta de aprendizagem. Na noção de construcionismo de Papert existem duas idéias que contribuem para que esse tipo de construção do conhecimento seja diferente do construtivismo de Piaget. Primeiro, o aprendiz constrói alguma coisa ou seja, é o aprendizado por meio do fazer, do "colocar a mão na massa". Segundo, o fato de o aprendiz estar construindo algo do seu interesse e para o qual ele está bastante motivado. O envolvimento afetivo torna a aprendizagem mais significativa. (Valente, 1998:2) Nesta perspectiva, Papert propõe a realização do ciclo descrição – execução – reflexão – depuração – descrição, que é de extrema importância na aquisição de novos conhecimentos. Segundo Valente (1998), diante de uma situação problema, o aprendiz tem que utilizar toda sua estrutura cognitiva para descrever para o computador os passos para a resolução do problema, utilizando uma linguagem de programação. A descrição da resolução do problema vai ser executada pelo computador. Essa execução fornece um “feedback” somente daquilo que foi solicitado à máquina. O aprendiz deverá refletir sobre o que foi produzido pelo computador; se os resultados não corresponderem ao desejado, o aprendiz tem que buscar novas informações para incorporá-las ao programa e repetir a operação.

FIG. 1 – Ciclo descrição – execução – reflexão – depuração – descrição Fonte: PAPERT (1994)

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Com a realização desse ciclo, o aprendiz tem a oportunidade de encontrar e corrigir seus próprios erros e o professor, entender o que o aprendiz está fazendo e pensando. Portanto, o processo de achar e corrigir o erro constitui uma oportunidade única para o aluno aprender sobre um determinado conceito envolvido na solução de um problema ou sobre estratégias de resolução de problemas. A realização do ciclo descrição – execução – reflexão – depuração – descrição não acontece simplesmente colocando o aprendiz diante do computador. A interação aluno – computador precisa ser mediada por um profissional – agente de aprendizagem – que tenha conhecimento do significado do processo de aprender por intermédio da construção de conhecimento, para que ele possa entender as idéias do aprendiz e como atuar no processo de construção do conhecimento para intervir apropriadamente na situação, de modo a auxiliá-lo nesse processo. A guisa de conclusão A introdução das TIC na educação, segundo uma concepção construcionista, tem provocado o questionamento dos métodos e práticas educacionais uma vez que as mesmas devem ser utilizadas como catalisadores de uma mudança do paradigma educacional. Um paradigma que promova a aprendizagem ao invés do ensino, que coloque no centro do processo o aprendiz, que possibilite ao professor refletir sobre sua prática e entender que a aprendizagem não é um processo de transferência de conhecimento, mas de construção do conhecimento, que se efetiva através do engajamento intelectual do aprendiz como um todo. Tais reflexões devem levar a um redimensionamento de sua prática, passando de uma prática fundamentada no paradigma instrucionista para o construcionista. A utilização das TIC na educação não deve estar associada a um modismo ou à necessidade de se estar atualizado com as inovações tecnológicas. Esses argumentos servem para maquiar a utilização do potencial pedagógico do computador na educação, pois não contribuem para o desenvolvimento intelectual do aluno. Seu objetivo deve ser o de mediar a expressão do pensamento do aprendiz, favorecendo os aprendizados personalizados e o aprendizado cooperativo em rede. Uma sala de aula equipada com computadores, TV, vídeo, aberta e livre ao diálogo, pode se transformar em uma oficina de trabalho, a partir do momento em que os estudantes forem desafiados a buscarem soluções para os problemas em colaboração entre os pares e com as facilidade disponíveis pelas TIC. Isto pode fazer com que os estudantes ganhem mais confiança para criarem livremente, sem medo de errar. Assim a sala de aula pode gerar uma grande equipe para produção e troca de idéias, um ambiente diferente do da sala de aula convencional, onde a fala e a projeção do pensamento passam a ter papel fundamental no processo de criação e na aplicação dos conteúdos adquiridos formalmente. A colaboração se torna visível e constante, vinda naturalmente, do parceiro sentado junto, frente ao computador, dos professores que seguem a criação na tela e até mesmo dos outros companheiros em volta que, apesar de estarem entretidos em suas criações, prestam atenção ao que acontece em volta. Segundo Lucena (1998), o trabalho cooperativo proposto por Vygotsky, é ainda muito pouco entendido no Brasil, pelo fato da colaboração requerer um ambiente de trabalho que é muito distante da organização comumente adotada nas salas de aula brasileiras. Ao finalizar, não poderia deixar de apontar que, como educadores não podemos nos esquecer e nem ignorar a existência dos componentes afetivos, sociais, biológicos que complexificam ainda mais a relação de ensino e aprendizagem e da rede de relações que são estabelecidas na escola, que fazem parte de um processo interminável e difícil

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de ser controlado. Assim, numa perspectiva dialética freiriana, cabe ao educador (que é também educando) e o educando (também educador) participarem ativamente da discussão e do processo de inserção das TIC na educação, no sentido de ampliar as discussões e fazer com que as mesmas possam ser utilizadas a serviço do processo de construção do conhecimento. Referências bibliográficas: D’AMBRÖSIO, U. Educação para uma sociedade em transição. Campinas, SP: Papirus, 1999 FIORENTINI, L. M. ; MORAES, R. A .Curso UniRede de Formação em EAD. Módulo 1. In: UniRede. Disponível em <http://nead.ufpr.br/uni/modulo1/intro_unid_1.html> Data de acesso: 29/01/2002 LUCENA, M. Teoria Histórico-Sócio-Cultural de Vygostky e sua aplicação na área de tecnologia educacional. In: Tecnologia Educacional. Ano XXVI – N° 141 vol. 26 Abr/Mai/Jun – 1998. p. 49 - 53 MARTINS, O. B.; POLAK, Y. N. S. (org) Fundamentos e políticas de educação e seus reflexos na educação a distância. In: Curso de Formação em Educação a Distância. UniRede. Brasília: s.e. s.d PAPERT, S. A máquina das crianças: repensando a escola na era da informática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994 TV na escola e os desafios de hoje: projeto de Curso de Extensão para professores do Ensino Fundamental da Rede Pública UniRede e Seed/MEC/ Corrdenação de Leda Maria Rangero Fiorentini. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2000. VALENTE, J. A. Porquê o computador na educação. In: ProInfo. Disponível em <http://www.proinfo.gov.br/testosie/prf_txtie9.htm > Acesso: 20/10/99

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Módulo Informática - Intermediário  

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