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Segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

EmmanuelPinheiro/EM/D.A Press/29/08/2006

informe especial

o curso da água

Empresas, órgãos públicos, ONGs e estudantes apontam caminhos para preservar nosso bem mais precioso


álvaro duarte/EM/D.A Press/01/05/2008

Excelentes práticas

A cada ano, no Prêmio Furnas Ouro Azul, percebe-se um maior comprometimento de organizações públicas, privadas e do terceiro setor, além de estudantes e professores, com a preservação do bem natural mais precioso do planeta: a água. A sétima edição do evento, no entanto, surpreendeu. Não apenas pela qualidade técnica e pelo alto engajamento dos responsáveis pelos projetos, característica comum dos inscritos, desde 2002. O que chamou mesmo a atenção foi o enfoque das iniciativas. Com grande amadurecimento, as propostas são voltadas, mais que em outros anos, para o envolvimento de comunidades em questões ambientais, por meio de variadas práticas de conscientização, para estratégias que permitam o melhor aproveitamento dos recursos hídricos em processos industriais e para a justificada preocupação com uma das principais bacias hidrográficas do país, a do São Francisco. Em uma análise temática da premiação deste ano, esquecendo-se a divisão convencional por categorias de concorrentes – empresas privadas e públicas, comunidade, estudantes de nível superior e médio e destaques estaduais de Minas, Rio e Distrito Federal –, verifica-se que, dos 23 agraciados, nada menos que nove propõem diagnósticos, mapeamentos e estratégias de proteção de nascentes e de regiões onde elas se encontram. Em praticamente todos os casos, os projetos vêm acompanhados de atividades de educação ambiental e do esforço pela adesão de populações locais. Das propostas vencedoras, quatro estão diretamente ligadas à bacia do Velho Chico e outras quatro tratam de métodos inteligentes e sustentáveis para a reutilização da água em processos produtivos industriais. Há ainda projetos sobre tratamento de esgotos (1), coleta seletiva de lixo (1), estudos técnicos para melhorar a captação pluvial em regiões secas (1) e para desinfecção da água para consumo (1), além de duas propostas de instalação de viveiros de mudas para paisagismo, recomposição de matas ciliares e educação ambiental. Neste caderno, o leitor encontra o resumo dessas experiências vencedoras, cuja principal missão parece ser a de se multiplicar. 2

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Qualidade e amadurecimento de projetos sobre proteção e uso racional da água marcam o Ouro Azul 2008


informe especial

Múltiplos benefícios de, por meio de atividades de educação ambiental, para a utilização mais consciente da água. O projeto de redução no uso da chamada água nova foi desenvolvido a partir de técnicas e ações de melhoria aplicadas pelo Sistema de Gestão da Votorantim Metais. Para os dados iniciais do projeto, foram elaborados levantamentos e gráficos do consumo de água nas instalações industriais, no período de setembro de 2003 a abril de 2005, tendo como média diária de consumo 1.178 m3/dia. A partir dos levantamentos de ações de curto, médio e longo prazo, foi elaborado o plano de ação. A empresa programou uma série de modificações em suas instalações, buscando a queda no consumo e a recirculação de parte do efluente gerado. Os fatores que

possibilitaram o aumento da taxa de recirculação de água para uso industrial reduziram o uso do insumo e permitiram a reutilização em um patamar de 100% do efluente na produção. As medidas implantadas deram excelentes resultados financeiros: houve diminuição média de 80% na captação de água nova pela empresa. Com essa redução, a VM de Morro Agudo também economizou energia elétrica, empregada no bombeamento de água: o ganho total foi de R$ 47 mil. Mais importante, no entanto, foi que uma maior quantidade de água do Ribeirão Escurinho, que abastece a região, ficou à disposição da comunidade do entorno e que houve registro de sensível diminuição da poluição ambiental, com níveis menores de água na barragem de rejeitos do processo industrial. Votorantim Metais/Divulgação

O projeto Redução da captação de água na Votorantim Metais, aplicado na unidade Morro Agudo da empresa (VM-MA), em Paracatu, a 490 quilômetros de Belo Horizonte, foi o campeão da categoria Empresa Privada do 7º Prêmio Furnas Ouro Azul não apenas por gerar economia significativa nas contas da empresa. O projeto também representou um grande avanço na luta pela preservação dos recursos hídricos e do meio ambiente. Por meio de adequações no processo produtivo, a unidade conseguiu melhorar indicadores nos resultados de captação de água do Ribeirão Escurinho, pertencente à sub-bacia hidrográfica do Rio Paracatu. Além de contribuir com a diminuição dos níveis de consumo interno, a empresa também garantiu a conscientização ambiental dos seus colaboradores e até da comunida-

Equipe da Votorantim desenvolveu projeto de economia de água na Unidade de Morro Agudo (MG)

categoria

Empresa de metais em Paracatu (MG) reduz consumo de água e poluição

empresa privada

lugar

Nome Redução da captação de água na Votorantim Metais Zinco - Unidade Morro Agudo Responsável Votorantim Metais Zinco Unidade Morro Agudo Local Paracatu (MG)

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João Bosco Rodrigues/UHE Risoleta Neves/Divulgação

informe especial

categoria

empresa privada

lugar

Usina da Zona da Mata não mede esforços para preservar mananciais

Nome Rio Doce de bem com a Terra - Mapeamento, descrição e propostas de recuperação das nascentes do município de Rio Doce/MG Responsável Consórcio Candonga UHE Risoleta Neves Local Rio Doce (MG)

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Proteção no berço

Aluno de escola municipal de Rio Doce atua na limpeza de uma das muitas nascentes da região

A instalação de uma usina hidrelétrica requer, além de estudos técnicos e de viabilidade econômica, pesquisas detalhadas sobre os impactos ambientais e sociais do empreendimento e sobre a situação dos recursos naturais, principalmente a água, em sua área de atuação. A partir desses levantamentos, devem ser adotadas estratégias para reduzir tais impactos e, mais que isso, fazer com que a unidade se integre de maneira equilibrada ao ecossistema e à vida das populações vizinhas, com benefícios para todos. Controlada pelo Consórcio Candonga, a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, em Rio Doce, na Zona da Mata mineira, a 220 quilômetros de Belo Horizonte, é um bom exemplo disso. Desde a inauguração, em 2004, a unidade promove ações voltadas para a educação ambiental e a preservação da natureza em seu entorno. Este ano, graças a um projeto de proteção das nascentes que acabam abastecendo o principal rio da região, o Doce, foi a segunda colocada no 7º Prêmio Furnas Ouro Azul, na categoria Empresa Privada. O projeto Rio Doce de bem com a Terra – Mapeamento, descrição e propostas de recuperação das nascentes do município de Rio Doce surgiu em 2007, em uma reunião entre representantes da usina, da prefeitura da cidade, da comunidade e da Emater, na qual foram discutidas as ações do ano seguinte. Um cortejo promovido na cidade com a participação de alunos e professores da Escola Municipal Coronel João José, com o objetivo de anunciar o projeto e conscientizar os moradores, deu início às atividades. A programação prosseguiu com visitas de parte dos 480 alunos da escola a algumas nascentes da região, a poços artesianos e a Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) e de Água (ETAs). Eles ajudaram a limpar e a mapear o berço de rios e córregos, com uso do geoprocessamento, e a sensibilizar produtores rurais, donos das terras, a cercar e proteger esses locais. Gincanas ecológicas e um seminário de educação ambiental também fizeram parte das ações, que estão a pleno vapor e devem trazer novidades, em 2008.


Studio Cerri/Fiat/Divulgação

informe especial

Compromisso com o planeta A água torna-se um recurso a cada dia mais escasso e valioso. O Brasil, que detém 15% da água doce do planeta, já começa a enfrentar problemas de abastecimento, mesmo em regiões que passam longe da seca. O uso desse bem natural na indústria também merece atenção e muitas empresas, conhecedoras de seu importante papel na sobrevivência do planeta, desenvolvem programas para a reutilização de água em seus processos produtivos. Essa preocupação valeu à Fiat Automóveis, de Betim, Grande BH, o terceiro lugar no 7º Prêmio Furnas Ouro Azul, na categoria Empresa Privada. O projeto Gestão de Recursos Hídricos, integrante

do Sistema de Gestão Ambiental (SGA) da montadora – que também integra ações para economia de energia elétrica, de combustíveis e de outros vetores energéticos, além de reciclagem e minimização de resíduos – consiste na ação de diversos equipamentos, como uma estação biológica de tratamento, e procedimentos para a redução no consumo de água da empresa. Desde 1997, quando o sistema foi instalado, o índice de recirculação de água nas instalações da Fiat, em setores como pintura, mecânica, prensa, montagem/ acabamento e funilaria, passou de 60% para 92%, o que significa a economia de 1,5 milhão de m³ / ano de água. Em valo-

Reaproveitamento de recursos hídricos dá prêmio a montadora res, isso representa uma economia anual de aproximadamente US$ 4,2 milhões. Ao todo, a Fiat investiu mais de US$ 20 milhões na construção de estações de tratamento de efluentes líquidos. Em dez anos de existência do sistema de recirculação de água da Fiat, foi possível alcançar uma economia de recursos hídricos suficiente para abastecer uma cidade de 200 mil habitantes durante um ano. Para a empresa, que pretende expandir o sistema por meio de um novo processo de filtração, baseado em nanotecnologia, medidas assim não representam apenas ganhos materiais, mas também o compromisso do grupo Fiat com a sustentabilidade, com a natureza e com o homem.

categoria

Estação biológica de tratamento da Fiat, em Betim, permite reutilização da água nos processos industriais

empresa privada

lugar

Nome Gestão de recursos hídricos na Fiat Automóveis S/A Responsável Fiat Automóveis S/A Local Betim (MG)

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4º Bicampeã

Nome Reciclagem e reaproveitamento dos recursos hídricos numa Central Dosadora de Concreto em Brasília (DF) Responsável Supermix Concreto S/A

em reciclagem

Mais uma unidade de empresa de concreto ganha reconhecimento Uma verdadeira obsessão com a reciclagem de água em seus processos levou a Supermix Concreto S/A a merecer, mais uma vez, reconhecimento nacional por meio do Prêmio Furnas Ouro Azul. No ano passado, a experiência premiada foi a de uma central dosadora de cimento de Belo Horizonte. Nesta sétima edição do prêmio, a vencedora, que obteve o quarto lugar na categoria Empresa Privada, foi uma central semelhante da empresa, mas em Brasília. O projeto Reciclagem e reaproveitamento dos recursos hídricos da Supermix na capital federal tem, como diferencial, o fato de ser executado em uma região que sofre com longos períodos de seca e que não conta com grande quantidade de água no

subsolo. Com base nisso, a unidade da empresa montou também ali o processo para reutilização de recursos hídricos, baseado em decantação. No setor de dosagem de concreto, foram instaladas canaletas que direcionam a água para equipamentos nos quais é tratada, tornando-se apta a voltar ao ciclo de produção. Atualmente, para atender à demanda da unidade brasiliense, são necessários 77 m³ / dia, o que totaliza 2 mil m³ / mês. Com o sistema de reaproveitamento, há o reuso de 50% da água, o que equivale a 1 mil m³ por mês e a 38 m³ por dia. A economia global de consumo, segundo a empresa, é de 24%, diariamente. Desde 1998, a Supermix, que atua em 22 estados, trabalha para instalar projetos

semelhantes de reutilização de água em toda sua rede, formada por 85 unidades. O projeto da central MIX I, de Belo Horizonte, campeão do Prêmio Furnas Ouro Azul na categoria Empresa Privada, em 2006, é considerado um dos mais completos e modelo para as demais unidades, já que também dá destinação ecologicamente correta aos resíduos sólidos oriundos do processo de decantação. Em Brasília, segundo a direção da Supermix, os resíduos continuam sendo despejados no Aterro Sanitário do Distrito Federal. A intenção é que o problema seja solucionado em 2009, com a aquisição de um reciclador de concreto semelhante ao que funciona na MIX I, na capital mineira. Supermix/Divulgação

categoria

empresa privada

lugar

informe especial

Local Brasília (DF)

Unidade da Supermix, em Brasília, reaproveita água em região que não tem o recurso em abundância

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informe especial

categoria

Envolvimento de empregados amplia economia em fábrica mineira A modificação de padrões de comportamento em qualquer grande empresa deve passar pela conscientização e pelo envolvimento direto dos funcionários. Foi com essa prerrogativa que a direção da fábrica da Mercedes-Benz em Juiz de Fora, na Zona da Mata, encarou o desafio de eliminar o desperdício e reduzir significativamente o consumo de água na unidade. O projeto que integra as ações nesse sentido, denominado Água na Mercedes-Benz do Brasil é assunto sério, conquistou o quinto lugar na categoria Empresa Privada do 7º Prêmio Furnas Ouro Azul. Iniciadas em 2006, as medidas incluíram, primeiramente, a troca de 11 hidrômetros na planta da montadora e a instalação de mais três desses equipamentos. Os novos aparelhos contêm sistemas de leitura digital e correspondem a 21 pontos de medição. Depois da troca dos hidrômetros, foi qualificada, entre os colaboradores, uma equipe de "leituristas", responsáveis pela verificação diária dos níveis de consumo e lançamento dos dados em uma tabela de cálculo. Com metas traçadas para cada setor da fábrica, problemas foram sendo desvelados e soluções, encontradas. Parte

dessas soluções foram sugeridas pelos próprios funcionários, por meio do Banco de idéias da montadora. Bom exemplo é o de um colaborador da linha de produção, que propôs a substituição das torneiras comuns dos banheiros por equipamentos com acionamento hidromecânico, mais econômicos. Em 2007, a empresa iniciou o processo de leitura automatizada dos hidrômetros, conectados a um sistema denominado CCK, que monitora o consumo, armazena os dados e gera gráficos e tabelas para análise. Graças a um conjunto de iniciativas, entre as quais também se destacam inspeções e correções na rede subterrânea de água da montadora, fóruns para discussão interna sobre metas de consumo e até parcerias externas – caso da Prefeitura de Juiz de Fora, que desenvolve com a MercedesBenz o projeto Jovens Jardineiros, de capacitação de 20 adolescentes carentes para cuidar dos jardins da fábrica –, os resultados foram animadores. O contrato de demanda de água entre a empresa e a Companhia de Saneamento Municipal de Juiz de Fora (Cesama) foi alterado de 17 mil m³ / mês para 14 mil m³ / mês e a tendência é que esse volume continue caindo.

lugar

empresa privada

Daimler/Divulgação

Mudança de atitude

Nome Água na Mercedes-Benz do Brasil é assunto sério Responsável Mercedes-Benz do Brasil Local Juiz De Fora (MG)

Funcionário da Mercedes-Benz em Juiz de Fora, na Zona da Mata, monitora indicadores de consumo de água

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Demsur/Pref. de Muriaé/Divulgação

informe especial

categoria

empresa Pública

lugar

Nome Tratamento de esgoto da cidade de Muriaé Responsável Departamento Municipal de Saneamento Urbano (Demsur) de Muriaé Local Muriaé (MG)

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ETE Safira é uma das três unidades de tratamento de esgoto construídas em Muriaé, desde 1999

Projeto de mais vida

Município mineiro avança para tratar 100% do esgoto residencial Com cerca de 96 mil habitantes, o município de Muriaé, na Zona da Mata mineira, caminha a passos largos para atingir uma meta comum e, em alguns casos, bem distante para centenas de cidades brasileiras: ter 100% de seu esgoto doméstico tratado, garantindo maior qualidade de vida da população e dos corpos hídricos que a abastecem. O projeto para concretizar esse sonho, iniciado em 1999, com a construção de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) no distrito de Vermelho, um dos 11 do município, foi o grande vencedor da categoria Empresa Pública do 7º Prêmio Furnas Ouro Azul. Denominado Tratamento de esgoto da cidade de Muriaé, o projeto, implantado pelo Departamento Municipal de Saneamento Urbano (Demsur), evoluiu nos

últimos anos, com a construção de outras duas ETEs. Em fevereiro de 2009, mais uma dessas unidades, que começou a ser erguida em novembro do ano passado, entrará em operação: a ETE Dornelas, habilitada, como as demais, pelo Programa de Despoluição de Bacias Hidrográficas (Prodes), da Agência nacional de Águas (ANA). Com a obra concluída, segundo o Demsur, 50% do esgoto de Muriaé terá tratamento adequado. Essas unidades, fruto de um amplo estudo sobre a melhor estratégia para o tratamento de esgoto na cidade – o sistema será descentralizado, tendo como base micro-bacias da região –, foram feitas com recursos do próprio município e do Comitê para Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Ceivap), oriundos do pagamento pelo uso

dos recursos hídricos do rio, do qual o Muriaé é afluente. O objetivo do Demsur, agora, é dar prosseguimento à construção de ETEs em locais estratégicos. Além de uma unidade no distrito de Pirapanema, já iniciada e com conclusão prevista para o primeiro semestre de 2009, também será construída a ETE principal do sistema de tratamento de esgotos. Quando estiver pronta, 100% do esgoto da cidade será tratado. Durante todo esse processo, que envolve ainda um grande projeto social – são feitas diversas reuniões com as comunidades próximas às obras, para esclarecer dúvidas e obter o aval dos moradores – o Demsur teve um importante reconhecimento: Muriaé foi o primeiro município do país a cumprir todas as metas exigidas pelo Prodes para a construção de ETEs.


informe especial

ticipativos envolvendo pelo menos 1,5 mil agricultores; o resgate de cerca de R$ 2,1 milhões referentes ao passivo ambiental na região; a realização de 13 Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) e considerável melhora de oferta hídrica no Norte de Minas. Um dos segredos do sucesso das ações, segundo a Emater-MG, foi o exaustivo, mas bem-sucedido, trabalho de conscientização da população dos municípios envolvidos. Centenas de moradores foram convencidos de que todos são responsáveis pelo futuro das águas da região e de que deveriam participar ativamente do trabalho de manejo, recuperação e preservação desses mananciais, o que conferiu ao projeto a característica da autogestão.

empresa pública

e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), segundo colocado na categoria Empresa Pública do 7º Prêmio Furnas Ouro Azul. As iniciativas, que contam com parceiros de peso, como instituições de ensino, ONGs e o Ministério Público, incluem desde programas itinerantes de educação ambiental até obras físicas visando à recarga hídrica das fontes subterrâneas, em uma área formada por 20 municípios e habitada por 1,5 mil famílias. Os resultados do projeto têm sido surpreendentes: houve a construção de 4.840 bacias de captação de água de enxurradas; o armazenamento de 387 mil metros cúbicos de água por ciclo chuvoso; a promoção de atividades de educação ambiental e diagnósticos par-

categoria

Décadas de exploração por atividades agropecuárias e pela monocultura do eucalipto, incentivada por políticas públicas como melhor alternativa para o Norte de Minas Gerais, a partir da década de 1960, acabaram contribuindo para a acelerada destruição da vegetação nativa e para a deterioração do solo local. Cortado em parte considerável pelo São Francisco, o Norte mineiro abriga, porém, grande concentração de nascentes e veredas, alimentadoras do Rio da Integração Nacional, que precisam ser revigoradas e racionalmente utilizadas para garantir a sustentabilidade na região. Esse é o pressuposto do projeto Plantando água com consciência ambiental na Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, da Empresa de Assistência Técnica

lugar

Rio da Integração Nacional é alvo de mobilização no Norte de Minas

Emater-MG/Divulgação

Velho Chico renovado

Nome Plantando água com consciência ambiental na Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco Responsável Emater-MG Local Belo Horizonte (MG)

Educadores ambientais circularam por municípios nortemineiros, realizando trabalhos de conscientização

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3º Antes que coagule

informe especial

Nome Rio das Pedras: Sangue da nossa terra, parte da nossa vida Responsável Emater-MG

Tido como sangue da terra, rio merece atenção especial de vizinhos Outro projeto coordenado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) no Norte de Minas, e relativo à conservação de água e ao uso racional de recursos naturais, conquistou o terceiro lugar no 7º Prêmio Furnas Ouro Azul. Denominado Rio das Pedras: Sangue da nossa terra, parte da nossa vida, título escolhido em uma gincana ecológica, vencida pela estudante de 8ª série do ensino médio Josimara da Mata, o projeto compreende uma série de ações de educação e revitalização ambiental, com foco no Rio das Pedras, afluente do Verde Grande, um dos principais da região. Segundo o escritório da Emater-MG em Glaucilância, cidade de 2,8 mil habi-

tantes, a 450 quilômetros de Belo Horizonte e integrante do chamado polígono da seca, o primeiro passo do projeto foi promover, junto aos moradores do município e da vizinhança, uma grande conscientização sobre o meio ambiente, sem esquecer os aspectos sociais do manejo de recursos naturais. Entre as atividades executadas, definidas em encontros com a as famílias de pequenos produtores da região, tiveram destaque ações para a revitalização de córregos da bacia do Rio da Pedras, o plantio de 15 mil mudas de espécies nativas para reflorestar áreas degradadas, a coleta e reciclagem de cinco toneladas de lixo em locais próximos a mananciais. Também foram construídas 605 bacias de captação de água pluvial, além de 20 quilômetros de terraços –

cortes e aterros para controle de escoamento de chuva – e de 15 quilômetros de cercas para a proteção de matas ciliares e topos de morro. O projeto, que promoveu ainda a capacitação de professores e estudantes e deu subsídios técnicos para melhor aproveitamento dos recursos naturais a pequenos agricultores, contou com a parceria de entidades públicas e privadas para sua realização: a fábrica de cimento Lafarge, de Montes Claros, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), o Instituto Estadual de Florestas (IEF), o Instituto de Desenvolvimento do Nordeste (Idene) e a Articulação do Semi-Árido brasileiro (ASA). Emater/Divulgação

empresa Pública

categoria

lugar

Local Glaucilância (MG)

Crianças participam de projeto de revitalização do Rio das Pedras, em Glaucilândia (MG)

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lugar

categoria

empresa Pública

Taquinho/Foto Silva

informe especial

Funcionários da Itaurb separam lixo em Itabira, uma das cinco cidades brasileiras com 100% de coleta seletiva

Retrato feliz na parede O sistema de coleta seletiva de lixo de Itabira, a 104 quilômetros de Belo Horizonte, coloca o município, mais conhecido por ser terra natal do poeta Carlos Drummond de Andrade e berço da Vale, em posição de destaque nacional. A cidade é uma das cinco do país a contar com o recolhimento de 100% dos resíduos domiciliares para reciclagem. O trabalho, resumido no projeto Coleta seletiva, a experiência de Itabira, foi implantado há 16 anos e rendeu aos itabirenses o quarto lugar no 7º Prêmio Furnas Ouro Azul na categoria Empresa Pública. A coleta de lixo no município, sob responsabilidade da Empresa de Desenvolvimento Urbano de Itabira (Itaurb), é pare-

Berço do poeta Drummond se destaca também pelo cuidado com o lixo

cida com o procedimento clássico. Os veículos coletores percorrem as residências em dias e horários específicos e levam os resíduos para um centro de triagem, onde funcionários da Itaurb fazem, com a ajuda de correias transportadoras, a separação de materiais como alumínio e outros metais, papel e plástico, que representam 40% do lixo doméstico. Depois disso, o lixo é colocado em recipientes e conduzido a um depósito, no qual são confeccionados fardos para comercialização – os materiais são vendidos para indústrias de reciclagem, economizando recursos naturais e aumentando a vida útil do aterro sanitário. Desde o início da coleta seletiva até

o segundo semestre deste ano, período em que foram reciclados 12,8 mil toneladas de lixo, a Itaurb mantém um movimentado Centro de Educação Ambiental (CEA). No CEA, são realizadas palestras e oficinas, proporcionando treinamento e conscientização para a sociedade. Ao longo do ano, as atividades do centro atingem mais de 7 mil pessoas. O trabalho de conscientização enfatiza a limpeza urbana, a importância da coleta seletiva para o meio ambiente e o compromisso de cada um em assumir sua parcela de responsabilidade na preservação do planeta, com benefícios significativos para a saúde da população e para a redução dos níveis de poluição.

Nome Coleta seletiva Experiência de Itabira Responsável Empresa de Desenvolvimento Urbano de Itabira (Itaurb) Local Itabira (MG)

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Ione Lamounier/Divulgação

informe especial

categoria

empresa PÚBLICA

lugar

Nome Revitalização da microbacia do Córrego da Velha Luz (MG) - Um gole de água para o Velho Chico Responsável Sala Verde Pau-Terra Prefeitura Municipal de Luz Local Luz (MG)

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Estudantes de Luz, no Centro-Oeste de Minas, fazem plantio de mudas de espécies nativas perto do Córrego da Velha

Um gole de futuro

Projeto municipal ajuda a salvar córrego da bacia do São Francisco O projeto de revitalização do Córrego da Velha, afluente do São Francisco, na região Centro-Oeste de Minas, deu à Prefeitura de Luz, a 188 quilômetros de Belo Horizonte, o quinto lugar do 7º Prêmio Furnas Ouro Azul, na categoria Empresa Pública. O projeto, também chamado de Um gole de água para o Velho Chico, foi coordenado pela Sala Verde Pau-Terra, de Luz, um dos muitos centros de educação ambiental espalhados pelo país com apoio do Ministério do Meio Ambiente e vinculados a entidades públicas, privadas e do terceiro setor. Durante 18 meses, entre 2006 e 2007, os organizadores promoveram um intenso trabalho de recuperação ao longo do Córrego

da Velha, melhorando consideravelmente a qualidade e a quantidade da água que abastece a cidade de Luz, além de reduzir o índice de assoreamento no córrego. O programa incluiu o plantio de 40 mil mudas de árvores nativas, com a participação de alunos e proprietários de terras nas margens do rio, a construção de 144 barraginhas, que ajudam a evitar a erosão e a estocar água para os períodos secos, e o cercamento de nascentes para recuperação da vegetação ciliar, além de inúmeras atividades de educação ambiental com estudantes de escolas públicas e privadas e produtores rurais. Os resultados do projeto, que recebeu investimentos de R$390 mil, obtidos por

meio de convênio entre a prefeitura e a Agência Nacional das Águas (ANA), superaram em muito as metas estabelecidas e mereceram elogios do órgão federal. No caso das áreas de terraceamento em nível, a previsão do convênio era de que as intervenções fossem feitas em 240 hectares, mas foram atingidos 437 hectares, e o número de barraginhas construídas foi 20% superior ao fixado. O dado mais surpreendente, no entanto, diz respeito ao número de estudantes que participaram das atividades, como palestras, trabalhos de campo, coleta de sementes, visitas, preparação de mudas no viveiro e plantio: eram esperados 200, mas foram envolvidos mais de 1 mil.


informe especial

Cultura do cuidado

lugar

Diagnósticos sobre qualidade das águas de rios da Baixada Fluminense integram projeto da Onda Verde

Comunidade

dades de conservação, além de apoiar a recuperação da qualidade das águas com vistas à melhoria da qualidade de vida das populações ribeirinhas dos municípios beneficiados. No caso, a região escolhida foi a Baixada Fluminense, onde são produzidos diariamente 400 milhões de litros de água cristalina nas nascentes da Reserva Biológica do Tinguá, em Nova Iguaçu, enquanto a população sofre com o desabastecimento. O Cuidando das águas, que conta com um Centro de Educação Ambiental e um gigantesco viveiro de mudas de espécies nativas da mata atlântica, inclui ações variadas. Entre elas, se destacam a capacitação ambiental de 500 educadores da rede pública da Baixada Fluminense e de produtores rurais; a mobilização de 10 mil

estudantes em projetos ambientais; a formação de um grupo de trabalho denominado Guardiões das águas; a realização de completos diagnósticos de cinco rios da região e de propriedades produtoras de água; e o reflorestamento, com espécies nativas, de 10 hectares em áreas degradadas no entorno de cursos d'água. Outra iniciativa de sucesso foi a implantação do programa Coleta seletiva solidária, em maio de 2007. Com patrocínio da Petrobras e parcerias com a Prefeitura de Paracambi, a Associação de Moradores do Tinguá e a comunidade local, a Onda Verde passou a orientar a população e a fazer a coleta de resíduos residenciais em 700 casas. O óleo de cozinha usado também é recolhido para reaproveitamento.

Nome Cuidando das águas Responsável Entidade ambientalista Onda Verde Onda Verde/Divulgação

De uma área de 1,2 milhão de quilômetros quadrados, correspondente a 15% do território nacional, a mata atlântica foi reduzida, ao longo de anos de exploração predatória, a apenas 95 mil quilômetros quadrados, 7% do tamanho original. Para salvar o que ainda resta desse ecossistema, que já foi considerado a segunda maior floresta tropical da América do Sul, a entidade ambientalista Onda Verde, de Paracambi, no Rio de Janeiro, desenvolveu, entre outros projetos, o Cuidando das águas – Estratégias para a conservação dos recursos hídricos. A iniciativa foi a campeã na categoria Comunidade do 7º Prêmio Furnas Ouro Azul. O projeto tem por objetivo desenvolver a cultura do cuidado, a preservação e a recuperação da mata atlântica em uni-

categoria

Entidade fluminense preserva mata atlântica com apoio da comunidade

Local Paracambi (RJ)

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2º Trabalho recompensado

informe especial

Nome Influência da cobertura vegetal atlântica sobre as condições hídricas da RPPN Fazenda Bulcão Responsável Instituto Terra Local Aimorés (MG)

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Ações de ONG em fazenda mineira dão esperança a nascentes, córregos e rios

A luta pela conservação da mata atlântica transcende a garantia da biodiversidade da fauna e da flora da floresta. Também significa assegurar e aumentar a quantidade e a qualidade da água de nascentes, córregos e rios presentes nesse tipo de cobertura vegetal, vitais para o país e para o planeta. A partir dessa visão, a organização não-governamental Instituto Terra, fundada em 1999 na Fazenda Bulcão, em Aimorés, Leste de Minas, por Lélia Salgado e pelo fotógrafo Sebastião Salgado, ganhou o segundo lugar no 7º Prêmio Furnas Ouro Azul, na categoria Comunidade. O projeto, denominado Influência da cobertura vegetal atlântica sobre as condições hídricas da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda Bulcão, consistiu em um amplo estudo sobre o impacto do reflorestamento de mais de 600 hectares da fazenda, realizado pelo Instituo Terra com espécies nativas, sobre mananciais de água da região. O estudo adotou como metodologia a medição das vazões de água em dez locais diferentes. Esses pontos foram distribuídos nas bacias dos córregos Bulcão e Constância, que nascem na fazenda. Além da vazão, foi verificada a qualidade física, química e biológica da água. As medições foram realizadas entre 2006 e 2007, sete e oito anos, respectivamente, após o início do processo de reflorestamento na fazenda. E as conclusões do monitoramento foram um estímulo a outros projetos de recuperação ambiental. O restabelecimento da cobertura vegetal na RPPN teve influência direta e positiva sobre a qualidade, quantidade e disponibilidade das águas.

Estudo do Instituto Terra, em Aimorés (MG), comprovou que reflorestamento melhora qualidade das águas Em relação à qualidade, a melhora se traduz no fato de que, das oito nascentes estudadas, cinco já não apresentam presença de coliformes fecais. Mesmo assim, observa-se que, sem

nenhum tratamento, a qualidade da água dos córregos ainda não se enquadra nos padrões de potabilidade. Isso significa que muito ainda precisa e vai ser feito.

Instituto Terra/Divulgação

Comunidade

categoria

lugar


informe especial

Comunidade

categoria

Um projeto que alia, além da preservação da natureza, trabalhos importantes de inclusão social e profissional de crianças e jovens e a transformação dos moradores de toda uma cidade em agentes multiplicadores das causas ambientais. Esse é o resumo do Viveiro de mudas nas escolas, desenvolvido em Nova Lima, na Grande BH, pela organização nãogovernamental Verdenovo e que conquistou o terceiro lugar na categoria Comunidade, no 7º Prêmio Furnas Ouro Azul. O viveiro de mudas é um laboratório para produção de mudas de espécies nativas e ornamentais, destinadas à preservação ambiental e ao paisagismo da cidade. As mudas são usadas na recuperação de praças, de áreas de lazer, no replantio de áreas desmatadas, em matas ciliares e na arborização dos bairros nova-limenses. O piloto está sendo desenvolvido na Escola Municipal Áurea Lima Taveira, numa área cedida pela Prefeitura de Nova Lima, e sua capacidade de produção, inicialmente, é de 100 mil mudas/ano, com a possibilidade de expansão a 500 mil/ano. As atividades têm a participação de internos da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) e de jovens encaminhados pelo Programa Vida Nova, do governo federal, além de voluntários de nível técnico e superior. Em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Nova Lima, o projeto pretende instalar pequenos viveiros portáteis em outras escolas públicas da cidade, com capacidade de produção aproximada de 15 mil mudas/ano, também destinadas ao paisagismo local. Os organizadores do Viveiro de Mudas, que também desenvolvem, entre outras, ações nas áreas de inclusão digital, capacitação tecnológica, formação profissional e educação ambiental, pretendem ampliar o projeto. A idéia é fazer com que a experiência de Nova Lima seja reproduzida em outras cidades mineiras, estendendo ao maior número possível de pessoas os conceitos básicos de cidadania e de qualidade de vida articulados pela iniciativa.

lugar

Projeto de cultivo de plantas em Nova Lima pode ser expandido ONG VERDENOVO/DIVULGAÇÃO

Sementes da mudança

Nome Viveiro de mudas nas escolas Responsável ONG Verdenovo Rio das Velhas Local Nova Lima (MG)

Laboratório ambiental em escola de Nova Lima, onde são produzidas mudas para projetos de paisagismo

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4º lugar

informe especial

Pesca de boas idéias

Nome Profissionalização de jovens educadores ambientais Responsável Consórcio dos Municípios do Lago de Três Marias (Comlago) Local Três Marias (MG)

A capacitação de jovens, provenientes de famílias de pescadores, para que adquiram conhecimento sobre boas práticas ambientais e, ao mesmo tempo, se qualifiquem para o mercado de trabalho é o principal objetivo do projeto classificado em quarto lugar na categoria Comunidades, do 7º Prêmio Furnas Ouro Azul. A iniciativa é conduzida pelo Consórcio dos Municípios do Lago de Três Marias (Comlago), em parceria com as prefeituras das 12 cidades que integram a entidade e apoio de associações e empresas que atuam na região, como a Federação dos Pescadores Artesanais de Minas Gerais e a Votorantim Metais. Vinte e oito jovens com idades entre 18 e 24 anos formaram a primeira turma do Projeto de profissionalização de jovens

educadores ambientais, em outubro de 2007. Foram diplomados no primeiro semestre deste ano e, em julho, teve início a segunda turma, com mais 14 jovens que, agora em dezembro, recebem os diplomas. A expectativa dos responsáveis é renovar o projeto por, pelo menos, mais um ano. O programa de treinamento é coordenado pela equipe técnica do Comlago e por um educador especializado. Além de aulas teóricas, os jovens participam de estágios em órgãos ambientais do fórum regional da Agenda 21 – plano de ações definido pelos participantes da conferência ECO-92, realizada no Brasil, em 1992, e que deve ser adotado global, nacional e localmente.

Durante o curso, os alunos, selecionados por critérios que incluem o grau de parentesco com pescadores (só se aceitam filhos e netos desses trabalhadores), a conclusão do ensino médio e a apresentação de um projeto de trabalho, recebem instruções sobre conceitos e práticas de gestão ambiental. Eles também assumem o compromisso de atuar como agentes multiplicadores do que aprendem junto às comunidades pesqueiras. Além desses benefícios, os jovens produziram durante as aulas materiais que servirão para desenvolver futuras atividades de cunho econômico e sócio-ambiental na região, como documentários e planos de ação. Elisangela Vitorino/Divulgação

COMUNIDADE

categoria

Consórcio de Três Marias qualifica filhos e netos de pescadores

Filhos ou netos de pescadores, jovens da região de Três Marias são capacitados a lidar com o meio ambiente

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Maria do Carmo Fontes/Divulgação

informe especial

Carinho contagiante

Moradores de distrito do Leste de Minas abraçam causas ecológicas O Projeto Água Viva – Preservação e recuperação das nascentes, eleito na quinta posição na categoria Comunidades do 7º Prêmio Furnas Ouro Azul, mobilizou, a partir de março de 2007, a maioria dos moradores do pequeno distrito de Dom Corrêa, em Manhuaçu, a 290 quilômetros de Belo Horizonte, região Leste de Minas. A comunidade, formada por 390 famílias de pequenos agricultores, abraçou a idéia de cuidar com carinho das nascentes da região, que alimentam o Córrego Vista Alegre/Gavião. Um grupo de jovens da localidade se envolveu ainda mais diretamente com a proposta e assumiu as atividades de campo. Fruto de uma parceria entre o Conselho Pastoral Comunitário (CPC), a Associação dos Produtores Rurais do Córrego

Vista Alegre/Gavião, o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS), a Associação de Mulheres, a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Manhuaçu e a Emater-MG, o projeto obteve resultados altamente satisfatórios. Cinco nascentes foram protegidas e recuperadas pelos proprietários das terras onde se encontram e outras duas, que apresentavam sinais de degradação ambiental, foram revitalizadas, garantindo o abastecimento de água na comunidade. O trabalho de conscientização desenvolvido pelos integrantes do projeto também fez com que donos de lavouras de café, nas quais havia nascentes, desativassem as áreas para facilitar a recuperação dos manaciais. As atividades incluí-

ram ainda a construção de caixas de captação de água da chuva, coleta de lixo na comunidade e nas proximidades dos cursos d'água, realização de eventos de educação ambiental, redução no uso de agrotóxicos pelos produtores, fortalecimento do associativismo e implantação de hortas e culturas de milho e feijão de forma sustentável. O projeto foi considerado modelo e comprovou, segundo os responsáveis, que o sistema participativo é a melhor alternativa para a mudança de comportamentos em comunidades próximas a rios e nascentes. Atualmente, os feitos do Água Viva estão sendo divulgados em outros distritos rurais de Manhuaçu e demais cidades da região, para servir de inspiração a trabalhos semelhantes.

COMUNIDADE

Nascentes passaram a ser protegidas em distrito de Manhuaçu graças ao envolvimento dos moradores

categoria

lugar

Nome Projeto Água Viva Preservação e recuperação de nascentes Responsável Grupo de Jovens de Vista Alegre / Gavião Local Manhuaçu (MG)

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Suely Del Grossi/Divulgação

informe especial

categoria

Estudante Nível Superior

lugar

Nome Agricultura familiar e recursos hídricos: Um projeto para conservação da Micro-Bacia do Córrego do Marimbondo ResponsáveIS Hérica Leonel de Paula Ramos Oliveira, Letícia Michelotto e Suely Regina Del Grossi (orientadora) Local Uberlândia (MG)

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Universitárias vão diagnosticar microbacia, em Uberlândia, e propor soluções para degradação

Saber aplicado

Estudantes colocam em prática aprendizado ambiental no Triângulo Uma das funções cruciais das universidades é interferir em questões sociais, culturais, econômicas e ambientais da sociedade, realizando estudos, propondo ações e promovendo inovação e qualificação em todos os setores da atividade humana. Aliada à preocupação com o uso de recursos naturais, no Triângulo Mineiro, a consciência desse papel levou um grupo de pesquisadores da Faculdade Católica e da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) a desenvolver a proposta Agricultura Familiar e Recursos Hídricos: Um projeto para conservação da MicroBacia do Córrego do Marimbondo. O projeto foi o vencedor da categoria Estudante de Nível Superior do 7º Prêmio Furnas Ouro Azul.

Orientado pela professora Suely Regina Del Grossi e executado pelas alunas Hérica Leonel de Paula Ramos Oliveira, do curso de geografia da Católica, e Letícia Michelotto, estudante de economia da UFU, o projeto consiste em fazer o zoneamento agroecológico da bacia hidrográfica do Marimbondo, na Zona Rural de Uberlândia, e transformar esse estudo em ferramenta para sugerir ações que visem à recuperação dos recursos hídricos na região. Para que tais ações sejam eficazes, porém, o trabalho prevê amplo envolvimento da comunidade, formada por produtores rurais, trabalhadores do campo e suas famílias, em todas as etapas. Um primeiro e importante passo

foi dado, já que os próprios produtores chamaram a Católica para contribuir com soluções possíveis para reverter a degradação ambiental e, assim, melhorar a produtividade de suas lavouras. Além disso, a pesquisa pretende articular o diagnóstico ambiental com ações educativas que mostrem a complexidade do ambiente natural, assim como suas potencialidades e fragilidades. Entre as metas estabelecidas para o projeto, que deve ser concluído em 2011, estão, além da elaboração do diagnóstico sobre a micro-bacia do Marimbondo, a recuperação de áreas de preservação da região, a promoção de atividades de educação ambiental e a implementação de ações para proteção do solo e o aproveitamento de águas pluviais.


informe especial

categoria

Alunos de faculdade buscam soluções para córrego que atravessa Salinas (MG) O desmatamento, as queimadas e a ocupação irregular de áreas vizinhas a cursos d'água causam enormes danos ambientais. Desprotegido de vegetação, o solo sofre o processo de erosão e, como resultado, há o carreamento de resíduos e o assoreamento de rios e córregos. Sem contar os malefícios do lançamento de lixo e esgotos não tratados, que agridem ainda mais as águas. O segundo colocado na categoria Estudante de Nível Superior vem do Norte de MInas e cuida dessas e de outras questões. Trata-se do projeto Conservação e recuperação do Rio Ribeirão do município de Sali-

lugar

nas, dos alunos Ivonete Madureira Izidoro e Cleone Pereira de Souza, da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Unidade Salinas, e orientado pelo engenheiro agrônomo Herlys de Araújo Prates. Para recuperar e conservar as águas do córrego Ribeirão, que nasce em Novo Horizonte (MG) e cruza o território de Salinas, os universitários realizaram oficinas de diagnóstico participativo com as comunidades rurais. Depois disso, propuseram diversas ações para amenizar os impactos ambientais gerados pela ação do homem, todas com envolvimento dos moradores da região.

Salvar o Rio Ribeirão é a motivação de estudantes da Unopar, no Norte de Minas

categoria

Nome

Uso de recarga artíficial de aquíferos para a sustentabilidade dos sistemas de abastecimento de água em condomínios do Distrito Federal

Estudante Nível Superior

ResponsáveIS

Márcia Pantoja Tereza Gaspar e José Eloi Guimarães Campos (orientador)

Local

Brasília (DF)

Caixas matam sede

O terceiro lugar na categoria Estudante de Nível Superior, no 7º Prêmio Furnas Ouro Azul, ficou com o projeto Uso de recarga artíficial de aqüíferos para a sustentabilidade dos sistemas de abastecimento de água em condomínios do Distrito Federal. Elaborado pelos estudantes André Luiz de Moura Cadamuro e Márcia

lugar

Estudante Nível Superior

Herlys Prates/Divulgação

Socorro ao Ribeirão

Pantoja Tereza César e pelo professor José Elói Guimarães Campos, da Universidade de Brasília (UnB), o projeto propõe compensações para a redução do volume de infiltração de água no solo, provocada pela impermeabilização decorrente da ocupação de grandes áreas por construções.

A recarga artificial é feita por meio de calhas nas coberturas das residências, que colhem a água das chuvas e a conduzem até pequenas caixas no chão, preenchidas com cascalho. Essas caixas, distantes das residências, permitem, por sua vez, que a água se infiltre e atinja aqüíferos subterrâneos.

Nome Conservação e recuperação do Rio Ribeirão no município de Salinas Responsáveis Ivonete Madureira Izidoro, Cleone Pereira de Souza e Herlys de Araújo Prates (orientador) Local Salinas (MG)

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categoria

Nível Médio/Técnico

lugar

Nome Projeto Curupira Responsáveis Thaís Aparecida Costa da Silva e Isolina Maura da Silva Lopes (orientadora) Local Cachoeira de Minas (MG)

Mãos à obra de novo

Estimulados pelos professores, alunos da Escola Estadual Cônego José Eugênio de Faria, de Cachoeira de Minas, no Sul do estado, resolveram deixar as salas de aula e colocar em prática, em fevereiro de 2007, um projeto de campo que planejava uma série de ações para proteger o meio ambiente e promover a sustentabilidade social e econômica no município. A iniciativa valeu a eles o primeiro lugar do Prêmio Furnas Ouro Azul de 2006, na categoria Estudante de Nível Médio. Agora, os alunos de Cachoeira de Minas repetem a dose: são bicampeões, desta vez com o Projeto Curupira.

lugar

O projeto, orientado pela professora Isolina Maura da Silva Lopes, prevê a criação de um mini-viveiro de mudas na Apae da cidade, onde há 25 alunos, com o objetivo de facilitar a inserção social de crianças, jovens e adultos atendidos pela entidade. Segundo os responsáveis, as mudas produzidas no viveiro, a partir de mais de 15 mil sementes colhidas pelos alunos da escola estadual, serão plantadas às margens do Rio Sapucaí-Mirim, ajudando a recompor grandes áreas devastadas nas imediações do curso d'água.

Projeto desenvolvido no Sul de Minas é premiado mais uma vez Thais Costa/Divulgação

informe especial

Estudantes de Cachoeira de Minas visitam viveiro da Cemig em Itutinga, onde se inspiram para montar o seu

categoria

Nível Médio/Técnico

Arte educativa

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O segundo lugar na categoria Estudante de Nível Médio do 7º Prêmio Furnas Ouro Azul ficou com um projeto composto de peça de teatro, musicais e outras atividades artísticas, focadas na conscientização de moradores do Distrito Federal sobre a importância da Área de Relevante

Interesse Ecológico Parque Juscelino Kubitschek (ARIE JK). O projeto Tapu (Todos os seres vivos, Alguma água, Pouca consciência e Um só planeta) foi elaborado por alunos do Centro de Ensino Médio EIT – Cemeit, de Brasília, sob a orientação do professor Fabrício Manuel

Nome

Projeto Tapu - Todos os seres vivos, alguma água, pouca consciência e um só planeta

ResponsáveIS

Romualdo Silva Soares e Fabrício Manoel de Jesus

Local

Brasília (DF)

de Jesus. Segundo os estudantes, o Tapu teve como inspiração a necessidade de preservação dos córregos Cortado e Taguatinga, que contribuem com o abastecimento de água das cidades satélites de Taguatinga, Ceilândia e Samambaia, as mais populosas do DF.


O consumo de água contaminada por protozoários e outros agentes patológicos representa um grande problema de saúde pública em todo o mundo, principalmente nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. No Brasil, estima-se que, por ano, 4 milhões de episódios de diarréia provocada pela ingestão de microorganismos estejam associados à morte dos pacientes, sobretudo crianças de 0 a 5 anos. Medidas de fácil execução, desde que divulgadas e ensinadas por quem entende do assunto, podem ajudar a reduzir os números. Essa é a idéia central do projeto campeão da categoria Destaque Estadual, Minas Gerais, do 7º Prêmio Furnas Ouro Azul: Construção de filtros lentos de areia como uma barreira sanitária para protozoários, seguido de desinfecção química com derivado clorado. O trabalho, desenvolvido pelo professor e doutor Jorge Antônio Barros de Macedo, do Instituto Vianna Júnior, de Juiz de Fora, prevê a realização de oficinas com duração de cinco dias, com distribuição de material didático, para professores de escolas públicas, funcionários de prefeituras, líderes comunitários e produtores rurais. Os primeiros alunos levariam a técnica para um número ainda maior de pessoas, difundindo um método relativamente simples de aumentar a saúde e a qualidade de vida de suas comunidades, principalmente as que não contam com tratamento adequado dos recursos hídricos. O processo consiste em fazer com que, antes de ser consumida, a água passe por recipientes extras de areia e pedregulhos, para eliminação parcial de microorganismos. Em segui-

Combate a doenças ligadas à água ganha reforço na Zona da Mata

Destaque Estadual

Barreira sanitária

MG categoria

informe especial

Nome Construção de filtros lentos de areia como uma barreira sanitária para protozoários, seguido de desinfecção química com derivado clorado

Divulgação

Responsável Instituto Vianna Júnior

da, o líquido ainda seria tratado com agentes químicos, derivados de cloro e sob condições de segurança biológica, o que garantiria desinfecção praticamente total. De acordo com o responsável pelo projeto, os maiores alvos desse tipo de filtragem, barreira sanitária eficaz para a eliminação da contaminação não apenas de pessoas, mas também de animais, são os protozoários Cryptosporidium e Giárdia.

Local Juiz de Fora (MG) Esquema de filtro lento de areia semelhante ao proposto pelo Instituto Viana Júnior, de Juiz de Fora Segunda-feira, 22 de dezembro de 2008 ● 21


Destaque Estadual

categoria

RJ Dose

Nome Educação ambiental - O futuro do planeta Responsável ONG Projeto Água Local Petrópolis (RJ)

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Reprodução

informe especial

dupla Entidade que se dedica à educação ambiental volta a ser reconhecida

Depois de ser escolhida como quinta colocada no Prêmio Furnas Ouro Azul de 2007, na categoria Empresa Privada – a inscrição foi feita em nome da Carbografite Industrial de Soldas Ltda –, a organização não-governamental Projeto Água, de Petrópolis (RJ), tem novo motivo para comemorar. Na edição deste ano, a entidade foi eleita Destaque Estadual, Rio de Janeiro. O projeto premiado chama-se Educação ambiental – O futuro do planeta, um conjunto de atividades voltadas para alunos das redes pública e particular de ensino de Petrópolis, com foco no Programa de Reflorestamento da organização. Segundo os responsáveis, por meio de visitas programadas e em grupo à Fazenda Projeto Água, mantida pela ONG, os estudantes podem observar in loco práticas corretas de plantio e manutenção de hortas, jardins e florestas. Também entram em contato com a água pura de nascentes, recebem explicações sobre a importância da conservação desses mananciais e passeiam, acompanhados de monitores, pelas áreas reflorestadas e pelas que ainda passarão por esse processo. As visitas, feitas nos turnos da manhã e da tarde, incluem ainda atividades de lazer, como jogos de vôlei e futebol. A fazenda está inserida na Serra do Mar e seus corpos hídricos integram a bacia do Rio Paraíba do Sul. A propriedade, de 210 mil metros quadrados, metade deles destinada exclusivamente ao reflorestamento, com uso de mudas de

plantas nativas, tem 32 nascentes e quatro lagos artificiais, além de um natural. A infra-estrutura para projetos de educação ambiental oferece um centro de estudos, biblioteca, salas de leitura e de apresentações e laboratórios para pesquisas na área. Além do Programa de Reflorestamento, a Projeto Água mantém diversos outros projetos ligados à preservação ambiental e ao uso racional da água, com destaque para o Água é vida, de

Cartilha da ONG Projeto Água, de Petrópolis (RJ), conscientiza sobre importância do recurso natural educação ambiental, o Água para todos, que divulga informações sobre economia de recursos hídricos, e o Reciclar/ Reutilizar, de sensibilização de comunidades sobre coleta seletiva de resíduos sólidos. Ao todo, calcula-se que os programas atinjam 30 mil pessoas.


DF categoria

Destaque Estadual

Ibram/Divulgação

informe especial

Adote essa idéia

Dezenas de nascentes do Distrito Federal são adotadas por voluntários em programa que é modelo no país

Iniciativas para preservação da água dependem do voluntariado O programa Adote uma nascente, gerenciado pelo Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Distrito Federal (Ibram), também foi vencedor da categoria Destaque Estadual do 7º Prêmio Furnas Ouro Azul. Escolhido por sua importância para a capital do país e cidades vizinhas, o programa visa a promover a melhoria da qualidade e da disponibilidade da água em uma região que sofre não apenas com a falta de chuvas e de fontes subterrâneas, mas também com riscos constantes de degradação ambiental. Como o nome diz, o Adote uma nascente concentra esforços na proteção de matas ciliares e da biodiversidade no entorno de mananciais por meio da participação voluntária de pessoas físicas,

jurídicas e de comunidades nos processos de gestão ambiental. Atualmente, o programa conta com 152 nascentes adotadas, abrangendo todo o DF. Outras 54 nascentes estão sendo analisadas e 42 ainda aguardam vistoria técnica para poderem ser adotadas. O programa oferece a qualquer pessoa o direito de adotar uma nascente. Alguns procedimentos, no entanto, devem ser seguidos à risca: primeiro, o interessado preenche um cadastro de adesão, no Ibram; depois, entrega cópias de seus documentos pessoais (CPF, RG ou CNPJ, no caso de empresas); o passo seguinte é agendar e fazer uma visita técnica à nascente escolhida, junto com a equipe do programa.

Nessa etapa, são feitas pesquisas sobre a qualidade da água, a flora no entorno da nascente e a delimitação da Área de Preservação Permanente (APP). Um parecer técnico dirá se a adoção é ou não recomendável. Em caso positivo, o voluntário recebe orientações sobre as medidas de recuperação e preservação da nascente das quais deverá participar. Só a partir daí, é emitido o certificado de adoção. O programa conta, atualmente, com uma equipe multidisciplinar para acompanhar todos os processos, formada por quatro biólogos, um engenheiro florestal, dois geógrafos, uma médica veterinária e uma estagiária, estudante de engenharia florestal.

Nome Programa Adote uma nascente Responsável Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Distrito Federal (Ibram) Local Brasília (DF)

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Marcos Vieira/EM/D.A Press/10/12/2008

informe especial

Agraciados exibem com orgulho os troféus, que comprovam o compromisso de entidades públicas e privadas, ONGs, estudantes e professores com a defesa da água e do meio ambiente

Em constante evolução quantidade e amadurecimento de projetos são destaques na premiação de 2008 A cerimônia de entrega de troféus aos 23 vencedores do 7º Prêmio Furnas Ouro Azul, na noite de 10 de dezembro, no Imperador Recepções e Eventos, em Belo Horizonte, foi marcada por uma certeza: a de que, em sua sétima edição, o evento tem desempenhado papel cada vez mais importante na disseminação de conceitos e práticas de preservação ambiental, sobretudo dos recursos hídricos. Segundo o presidente de Furnas – empresa patrocinadora do evento em parceria com os Diários Associados –, Cláudio Nardalutti Filho, o balanço dos projetos, inscritos ao longo dos últimos sete anos, comprova que a sociedade brasileira amadureceu em relação a essas questões. "Os números apontam que estamos no caminho certo. Em 2002, no primeiro evento, tivemos apenas oito inscrições. Hoje, passados sete anos, recebemos 24

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cem projetos para análise. E todos continham boas idéias, grande comprometimento dos realizadores e alto nível técnico", disse o presidente, que entregou os prêmios ao primeiro colocado da categoria Empresa Pública, o Departamento Municipal de Saneamento Urbano (Demsur) de Muriaé (MG), e ao vencedor da categoria Destaque Minas Gerais, o Instituto Vianna Júnior, de Juiz de Fora (MG). Para o diretor-geral do Estado de Minas, Édison Zenóbio, o Prêmio Furnas Ouro Azul tem sido um grande estímulo para a proteção dos recursos hídricos. "Esse concurso que fazemos em parceria com Furnas é tão significativo que deveria existir em várias regiões", afirmou. Zenóbio também confirmou a continuidade da premiação, no ano que vem, e lembrou que o estado crítico da água em todo o mundo – segundo dados da Organização das Nações Unidas

(ONU), a falta desse recurso afeta 1 bilhão de pessoas no planeta e pode atingir, em 20 anos, dois terços da população global – reforça o compromisso. "A preocupação com a água não é brasileira. Trata-se de um inquietante alarme para toda a humanidade", ressaltou. O diretor-executivo do Estado de Minas, Geraldo Teixeira da Costa Neto, que também participou da entrega dos prêmios, destacou a qualidade dos projetos concorrentes em 2008. Ele disse que a excelência das propostas, independentemente do resultado, é sinal de que a sociedade brasileira, particularmente em Minas, no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, origens dos inscritos, evoluiu significativamente desde o início do século. "A visão sobre os problemas ambientais e sobre o uso racional da água se modificou nos últimos anos. E para melhor", afirmou.


Caderno Ouro Azul 2008