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MixTape

Número 1 >> Dezembro de 2011

O novo queridinho do Brasil Stand-up comedy O universo dos humoristas de palco pg 5 en m o h :O a g n e 47 r g a p v l s A ra e m Luis â c das s á r t por

Darren Hayes: A voz do Saven Garden pg 30


Expediente Projeto gráfico: Alessandra Bueno Diagramação, redação, fotografia, revisão e produção editorial: Alessandra Bueno, Analine Molinário, Laila Carvalho e Ramon Cesar Contato: revistamixtape@hotmail.com Telefone: (21) 8269-9497

MixTape


Editorial Começo. Palavra pequena, mas com um grande significado. Começar quer dizer dar início, criar sem saber de onde e se dará certo. Por em prática o que se sonha e, com isso, colocar em risco, perder o que nem tem. Porém, o começo não é só medo, é expectativa, é acreditar em um projeto. É poder ver seus planos criando as próprias pernas e se encaminhando, de preferência, em direção ao sucesso. Começar é inovar, é permitir mudanças, criar novas formas de ver o que é velho. Talvez um dos grandes problemas do começo seja isso: a novidade. Pode parecer muito bom, mas boa parte do mundo tem medo do novo. É arriscado, por isso é mais fácil se manter ao antigo, na segurança do obsoleto, onde todos os caminhos já são conhecidos. Para os que ousam a novidade, a coragem é mais que necessária, é essencial. A MixTape começa, trazendo a novidade para quem gosta do melhor da música, cinema, séries, teatro e tecnologia. A fidelização, a credibilidade, a confiança virá com o tempo. Afinal, ele é o melhor remédio para a neofobia. A preocupação de um veículo de comunicação deve ser a satisfação do seu público, de atender as necessidades e desejos dos que o consomem. Porém, quando este ainda não foi formado, como agradá-lo? Como saber o que espera e pretende ver ao comprar uma revista? Daí surge outra coisa que rodeia nosso trabalho: conhecer e arriscar. Nessa edição, trazemos o que tem de novo no humor: o stand-up comedy nacional. Há muito, o país tem nomes de peso em fazer rir, como Chico Anísio, Jô Soares e Luis Fernando Guimarães. A nova geração vem com tudo, inovando o humor e apostando na solidão no palco como forma de sucesso. E tem dado certo. Nomes como Rafinha Bastos, Warley Santana e Maurício Meirelles tem iniciado, aqui no Brasil, o formato já conhecido lá fora. Não é fácil levar a muitos o que todos querem, sem deixar faltar ou falar o que não deve. Missão difícil, mas não impossível. A MixTape é assim: ousada, divertida, inovadora, conteudista, sem deixar de ser dinâmica. O principal objetivo é realizar um sonho, é ver nossa meta alcançada, é sentir o prazer de fazer o que gostamos e, através disso, levar aos leitores aquilo que lhes satisfazem também. O momento de inovar é agora. Os principais temas da revista trazem novidades do que acontece no mundo cultural, diretamente pra você. Com um mundo todo renovando seus modos de pensar, agir, entreter e comunicar, você não pode ficar fora dessa. Bom começo, boa novidade e boa leitura.

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Mix N’Cena

Stand-Up Comedy O novo queridinho do Brasil

Mix Literária

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O dia D No meio do caminho havia uma pedra que permanecerá lá eternamente O Brasil visto com outros olhos Livros que contam a real história tupiniquim ganham as prateleiras

Mix Cine

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Lucas Salgado O crítico fala da vida, da profissão e Oscar O Mundo de Star Wars Conselho Jedi Rio de Janeiro fala sobre os fãs da saga Herois Produtoras investem nos clássicos dos quadrinhos A volta dos anos 80 Francisco de Paula comenta sobre “Areias Escaldantes”

Mix Música Bandas de Garagem Sonhos embalados por melodias A Fórmula do Reality O Brasil e os reality shows musicais Sucesso de YouTube Os músicos “www”

o d ú nte

Co

Mix Tec Pirataria - Infectados Vinil O retorno dos bolachões 3D Relançamentos em 3D

Mix

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Perfil de Luis Alvarenga Fotojornalista do jornal Extra em um bate papo com a equipe da Mix Tape A arte da dança A dança como facilitadora de sonhos

Mix Série “Supernatural is Life” O maior blog criado por admiradores de Supernatural


MIX N’ C E N A

Stand-up Comedy, o estilo de humor que consagrou Marcos Castro, Maurício Meirelles, Rogério Morgado e Warley Santana no cenário da comédia brasileira.

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izem que rir é o melhor remédio. Aceitando essa afirmação, muitas pessoas trabalham para fazer os outros rirem. A comédia é uma forma de entretenimento que cada vez mais atrai público para bares, casas de shows e teatros por todo o país. Centenas de fãs lotam esses ambientes para se descontraírem por alguns minutos. Ao dar uma voltinha pela rua, cenas engraçadas podem acontecer com você ou com quem passa por perto. Que tal ao caminhar pelo ponto de ônibus, você quase levar uma pancada de uma porta de banheiro químico? Ou, conversando com amigos, senta na tinta fresca e faz com que todos sujem suas roupas, pois ninguém prestou atenção ao aviso? Ou ainda, andar por uma rua meio deserta e começar a chover granizo. Você corre, corre pensando que vai morrer devido às pedras, e quando chega no dia seguinte ao trabalho, todos acham que você apanhou na rua, devido os hematomas que você tem no rosto e

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Por Analine Molinário

no corpo? Situações como essas se fazem engraçadas se forem vistas ao vivo, ou se quem as estiver contando, utilizar de meios gestuais ou oscilações na voz para fazer quem ouvir, gargalhar. São casos como esses, que os humoristas do stand-up comedy utilizam nos palcos. Nesta categoria de humor, o artista se apresenta sozinho, com texto próprio utilizando principalmente situações de seu cotidiano. O “humor de cara limpa” é um gênero da comédia com grande aceitação do público brasileiro e tem contribuído para a afirmação que abre essa reportagem. É uma forma de comédia em que o humorista não usa fantasias, músicas ou textos clichês. Essa nova forma de fazer teatro é oriunda dos Estados Unidos e tem em Jô Soares e Chico Anysio seus precursores. Porém, só surge com força no Brasil na década de 2000, com o primeiro grupo, o “Comédia em Pé”, em 2005, na cidade do Rio de Janeiro, com Fábio Porchat, Claudio


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O novo queridinho do Brasil

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Fonte: marcuscastro.com.br

Torres Gonzaga, Paulo Carvalho e Fernando do quadro “Quem chega lá”, do programa Dom Caruso. Inspirados pelo “Comédia em Pé’, são ingão do Faustão, da Rede Globo. Sua iniciação criados na cidade de São Paulo, o no stand-up surgiu em 2007, com Clube da “Comédia Stand-up” a participação (2005) e o “Comédia ao Vivo” “Hoje felizmente tenho do dia “em que papai pagou um (2008). mico gigante”. a missão de levar um Felizmente o resultado foi bem pouco de alegria para bacana. Eles me chamaram de Grandes talentos do o público que vai me novo, fiz outra apresentação Stand-up Comedy legal e depois disso o Fernando assistir” Caruso me deu a ideia de juntar O novo gênero de humor revela inúmeros talentos: Rafinha Bastos, Oscar Filho e Marcelo Mansfield, do “Clube da Comédia”; Dani Calabresa, Marcelo Adnet, Luiz França e Fabio Rabin, do “Comédia ao Vivo”. Além destes nomes, outros humoristas estão sendo descobertos após participações em grupos reconhecidos: Marcos Castro, Maurício Meirelles, Rogério Morgado e Warley Santana são exemplos dos novos nomes do humor brasileiro.

Marcos Castro: Dos números ao riso Marcos Castro, mestre em matemática pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), humorista de stand-up comedy, finalista em 2008

Mestre em Matemática, Castro opta por carreira no humor. 6


MIX com outros humoristas iniciantes e fazer um grupo. no “Mico Aberto” espaço que o “Co média em Pé” concede a iniciantes no gênero. Foram cinco minutos que mudaram sua vida. - Eu participei imaginando que seria apenas uma história para contar para os meus filhos, do dia “em que papai pagou um mico gigante”. Felizmente o resultado foi bem bacana. Eles me chamaram de novo, fiz outra apresentação legal e depois disso o Fernando Caruso me deu a ideia de juntar com outros humoristas iniciantes e fazer um grupo. Tudo deu certo e hoje felizmente tenho a missão de levar um pouco de alegria para o público que vai me assistir. Com o conselho de Fernando Caruso, ele cria o “Sindicato da Comédia”. A experiência no palco pôde ser vista em 2008 na TV, ao participar do programa “Domingão do Faustão”, oportunidade que ele acredita que foi importante em sua carreira. - A televisão ainda tem um impacto muito forte em termos de público e também em termos de credibilidade: muitas pessoas e até empresas ainda a veem como uma espécie de selo de qualidade. Para muitos o cara não precisa ser bom apenas, precisa ter aparecido na TV. Mesmo tendo participado em 2008, muitas pessoas me reconhecem pela apresentação no programa. Castro iniciou sua carreira humorística e mesmo assim não desistiu de estudar.

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Marcos Castro em uma situação inusitada em seu show - Estava fazendo meu solo no Rio de Janeiro e as pessoas estavam rindo muito, de um jeito até estranho. Passados quarenta minutos de show, uma pessoa na plateia toma coragem e avisa que meu zíper estava aberto desde o momento em que pisei no palco. Na hora que ela falou a plateia foi ao delírio, num misto de euforia, alívio e até vergonha alheia por mim. Na hora eu fiquei extremamente envergonhado (acho que poucas pessoas não ficariam), mas fiz dez minutos de piadas sobre minha calça. Depois disso terminei o show, afinal nada ficaria mais engraçado do que aquilo naquele dia.

Em meio a criar piadas, fazer apresentações, viajar para outras cidades com o grupo, ainda teve que dispor de ter tempo para o mestrado em matemática. - Como as minhas aulas eram na parte da manhã e tarde e os meus shows na parte da noite, não foi muito difícil conciliar no dia a dia, salvo quando precisava viajar - aí nesse caso eu faltava algumas aulas e corria atrás depois. Além disso, eu sempre tive um bom relacionamento com meus professores e colegas. Todos queriam que eu me formasse, não só para eu seguir meu sonho de ter um diploma, mas também porque o curso perde pontos quando um aluno não se forma – responde. O humorista tem seu trabalho reconhecido pelo público. Simpático, e em meio a viagens e a criação de material para os shows, consegue manter uma relação de proximidade com os fãs, principalmente via Twitter. Em meio à correria de sua profissão, ele respondeu por e-mail a entrevista para a MixTape. - Eu tento sempre responder, mas às vezes é impossível. Gosto muito do carinho dos fãs, afinal é graças a eles que eu posso fazer meu trabalho. A gente sempre espera que com o tempo o número de pessoas que gostem do nosso trabalho aumente, mas não imaginei que em pouco tempo já tivesse tanta gente me seguindo nas redes sociais. Fico muito feliz por isso – revela. Fonte: asteroid.art.br

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Marcos Castro: o mestre dos números e do riso 7


MIX Maurício Meirelles: o mais novo “homem de preto” do CQC

Fonte: blogdostandup.wordpress.com

Maurício Meirelles é formado em publicidade e propaganda, mas seu interesse em trabalhar com humor já vinha da época de faculdade. Como humorista, trabalhou no programa “Legendários” da Rede Record e em agosto deste ano, participou de testes na Rede Bandeirantes, sendo recém contratado para a equipe de reportagem do “Custe o que Custar” (CQC).

O mais novo homem de preto do CQC

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A entrevista realizada por e-mail foi feita com muito humor. Quando questionado sobre o apoio que recebeu de sua família para deixar a carreira de publicitário, ele responde: - Recebi o apoio dos meus pais no dia que eles receberam o meu apoio financeiro. Brincadeira, sempre rolou apoio e independência para eu fazer aquilo que gosto. Não estava feliz em publicidade e propaganda, então a transição foi fácil. Trabalhava menos, ganhava quase igual e tava menos gordo. Sobre a parte mais difícil do trabalho de humorista, Meirelles comenta: - É quando não te levam a sério em alguns momentos. Se me declaro “Admiro pra alguém, a pessoa acha todos os que em três segundos vai surgir um gorila pulando humoristas e a gente vai dar risada. que estão Já sobre como fazer rir... levando - A fórmula da risada eu não faço ideia. Mas se o nosso alguém descobrir, entrega movimento pra Dilma - brinca. adiante” O humorista entende que os conhecimentos do período de faculdade o auxilia na criação do material para os shows. - A minha formação em publicidade e propaganda me ajuda pela velocidade que tenho em escrever e o critério rigoroso. Nada para um publicitário é bom o bastante. A minha inspiração vem de trabalhar muito. Por ter paixão pelo stand-up, ele considera o tipo de humor fácil de ser feito. - Atualmente estou em cartaz como Mestre de Cerimônias com a “Cia Barbixas de Humor”, no espetáculo de improvisação “Improvável”. É uma experiência bem legal. Já fiz muitos esquetes, mas paixão mesmo é stand-up. Dizem que é a mais difícil, mas pra mim é a mais fácil. Não sei se seria capaz de fazer outros estilos de humor. Meirelles que foi roteirista do programa “Legendários” da Rede Record comenta como surgiu o convite para participar do humorístico. - O Mion (Marcos Mion) estava procurando a

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equipe. O Danilo Gentili foi um dos procurados e, consequentemente, me indicou para roteiro. Já havíamos trabalhado juntos por bastante tempo em shows. O Mion me assistiu, gostou e contratou. Essa é a versão oficial. Mas sempre gosto de inventar uma versão dizendo que o Mion me contratou após perder uma aposta – responde com piada. Sobre como a participação no programa o ajudou em sua carreira, ele afirma que foi pela visibilidade, prestígio, aprendizado e experiência em TV. E completa, com brincadeira: - Ah, e deu sanduíche de atum também. Mas, o humorista que durante toda a entrevista respondeu com muito bom humor, quando perguntado sobre seu trabalho deixa de lado o ar piadista e comenta: - Humor é uma profissão. E que ocupa muito tempo quando você tem objetivos. Ser humorista não é só subir no palco. É escrever um texto, fazer, reescrever, errar, mudar, reescrever, fazer. É pensar num texto para o mercado coorporativo, ir à reunião, pensar em livro, produtos, conteúdo, filmar, editar. É um emprego como qualquer outro, basta ter disciplina. O mais novo integrante do CQC revela que muitos dos grandes nomes do stand-up brasileiro são menos conhecidos, mas que são importantes para o reconhecimento do gênero humorístico. - Admiro todos os humoristas que estão levando o nosso movimento adiante. Não vou citar nomes dos consagrados, pois isso não ia mudar em nada. Eles continuarão ricos. Falarei aqui nome dos próximos tops que irão surgir: Murilo Gun, Marcos Castro, Nigel Goodman, Zé Neves, Mhel Marrer e Patrick Maia. Olho neles – finaliza Maurício.

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Maurício Meirelles comenta a situação mais marcante e a mais engraçada de sua carreira como humorista Mais marcante: show na Virada Cultural 2011 para 12 mil pessoas. Mais engraçada: show em bar em 2007 para 12 pessoas. 9

Fonte: Arquivo pessoal. do humorista.

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Rogério Morgado começou no stand-up através do amigo Danilo Gentili

Rogério Morgado: o humorista amigo de Danilo Gentili Morgado, radialista e finalista do concurso para Oitavo Elemento do “Custe o que custar” da TV Bandeirantes, conheceu Danilo Gentili através de seu blog, o Danilo Zero. Os dois tornaram-se amigos após conferirem um o blog do outro e foi Gentili que incentivou Romo, como é conhecido no meio humorístico, a iniciar no stand-up - O Danilo já conhecia meus textos de um blog que escrevia e quando me viu no rádio me convidou para se apresentar com ele no “Comédia Ao Vivo”, show que ele criou em São Paulo – afirmou Morgado. Após ir às apresentações do amigo, sentiu-se seguro para escrever seu texto e se iniciar no gênero.


MIX bém integrante do “Custe o que Custar”, Rafin- Fui me preparando, escrevia os textos no formato de stand-up mesmo, assistia todas as apreha Bastos. sentações do Danilo para ver como era format- Participar do CQC foi muito bom pra mim e ada cada piada e contei com sua ajuda para me ajudou a alavancar minha carreira. Comecei direcionar no texto que havia escrito – comenta a viajar para outros estados e hoje conheço o humorista. quase todo o Brasil. Morgado ganhou grande visibilidade na mídia Já minha participação no programa “A Liga” após participar do CQC. Na época do concurso, também deu visibilidade, principalmente para teve que conviver com críticas de vários telmais pessoas saberem que existe um comedi espectadores que afirmavam que estava sendo ante que trabalha a um bom tempo. – conclui ajudado por integrantes do programa. Morgado. - Consegui ser um dos “Assistia todas as apresentações O humorista após esfinalistas por mérito mesmo. O Danilo do Danilo para ver como era for- sas participações bem sucedidas conseguiu cogitou de levar meu matada cada piada e contei com colocar seu nome do DVD para a produtora e sua ajuda para me direcionar no mercado da comédia. eu não quis justamente Em setembro deste para não dar margem a texto que havia escrito”. ano, se apresentou em críticas. Foi bem difícil Buenos Aires, na Arter que ler coisas sem gentina. fundamento, tanto que eu nem lia mais para não - Conheci alguns comediantes de Buenos Aires me aborrecer. Queria me concentrar em fazer e fui me apresentar em dois shows fazendo o melhor para que não houvesse comentários o texto todo em castelhano. Foi muito bom e de parte alguma – comentou - Fiquei mais legal sentir o nervosismo igual ao quando me aliviado ao receber uma matéria de um jornal apresentei pela primeira vez. Sinto o mesmo com uma entrevista do Diego Barredo (diretor hoje em dia. do programa) falando sobre isso e inclusive me Ele, que mora em Uberlândia, se mudou de elogiando. Sobre ser amigo do Danilo, não sei se São Paulo em 2010 e, por e-mail, comenta se isso me atrapalhou, não sei se o programa queria a mudança da capital paulista para a cidade uma mulher desde o início, não sei de nada. mineira influenciou em seus trabalhos: Apesar de ter que conviver com as críticas e ter - A verdade é que a única coisa que mudou é confiança para passar pelo processo para a esque não posso fazer show de última hora como colha do Oitavo Elemento, ele entende que sua acontece sempre. Tenho que me programar participação deu maior visibilidade de seu trapara me apresentar por lá (São Paulo). balho. Tanto que participou de outro programa da emissora, “A Liga”, comandado pelo tam Sobre os grandes nomes do humor brasileiro, ele foi categórico.

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E quando o humorista é quem não consegue parar de rir? - Uma vez fui fazer uma piada na qual falo sobre o Agnaldo Timóteo e fui imitá-lo. A imitação ficou tão estranha que eu comecei a rir e não parei. Tive um ataque de riso de tão bizarra que foi minha encenação. Ri por cerca de uns dois minutos sem parar que é tempo demais no palco. O público ria de me ver rindo e ficando vermelho e começou a me aplaudir. Como não dava mais para continuar o show, agradeci e saí. 10


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- Não vou falar nomes famosos. O Danilo não precisa ser citado aqui, pra mim ele está em outro patamar. Vamos lá, vou citar alguns que acho realmente bons, que fazem me fazer rir demais: Nigel Goodman, do Rio, Daniel Duncan, de Brasília, Murilo Couto, de Belém e Léo Lins, do Rio que agora estão no programa do Danilo. Esses caras me fazem rir demais. Morgado não cita Danilo Gentili por um motivo: considera-o um irmão. - Hoje posso dizer que o Danilo é o irmão que eu não tenho. Nunca tive problema algum por ele ser famoso. Ele é um grande orgulho pra mim. O problema é que aparecem algumas garotas querendo chegar até ele, mas já aprendi lidar com isso e hoje cobro R$300 para apresentá-lo para alguém - brinca o humorista.

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Foto: Domínio Público

Warley Santana: o homem de múltiplos talentos Warley Santanta é humorista, ator e tradutor. Participou do “Custe o que custar” (CQC) da TV Bandeirantes, em 2008, fazendo o papel de assessor de imagem para o fictício “Em Foco”, quadro do programa que deixava políticos na berlinda. Ficou conhecido como o “Oitavo Elemento”,

“Acho que tenho muitos amigos. A palavra fã soa muito forte para mim”

Warley Santana: ex CQC, humorista, ator e tradutor 11

mas não participou do elenco nos anos seguintes. Em 2010, integrou a equipe de “O Formigueiro” comandado por Marco Luque. O convite de fazer um teste para tornar-se um homem de preto (forma como os repórteres são chamados) se deu após um diretor do programa assisti-lo no teatro. Santana comenta sua participação no programa: - A minha participação no CQC não mudou muita coisa, fiquei mais conhecido. Fora isso a carreira continuou na mesma correria de sempre. O interesse de começar no stand-up veio com a convivência com outros integrantes do humorístico. - Já era ator e com o CQC começaram a surgir os convites dos amigos. Esperei até ter um texto que acreditava ser apresentável e desde então não parei mais – afirma. Ele acredita que o formato stand-up comedy durará bastante tempo no Brasil se estabelecendo como uma linguagem de humor, mas com mudanças no formato de hoje. Além de humorista, é ator, trabalhando há dez anos em comerciais publicitários, além de fazer curtas. Seu currículo possui vários trabalhos realizados no exterior. Quando questionado como é o mercado de trabalho fora do país, responde: - A impressão que eu tenho é que o mercado ex


terno é mais estabelecido, onde as posições são mais definidas, o casting é feito com mais cuidado. Eles sabem muito bem o que querem antes de começar o trabalho, pelo menos essa é a impressão que eu tive nos poucos trabalhos que fiz fora. O humorista e ator também é tradutor intérprete. Recentemente traduziu o livro da Editora Ediouro: “Espero que sirvam cerveja no inferno”, de Tucker Max. Porém, Santana está cada vez mais focado na carreira de ator e define o trabalho preferido. - Sempre o último. Agora estou nos cinemas em todo o Brasil com o “Filme dos Espíritos”, faço o papel de um maquiador de defuntos, o Augusto, um papel mais cômico em um filme bem dramático. Foi um desafio que eu gostei de ter tido. Sou muito crítico com meu trabalho e fiquei feliz com o resultado. Para a entrevista, Santana que estava na Europa a trabalho, conseguiu um tempo em sua agenda cheia e respondeu a MixTape por e-mail. Mas, apesar de ter viajado para mais de 20 países a trabalho, ele é simples e mantém um bom relacionamento com quem admira e acompanha seus trabalhos. Não gosta de chamá-los de fãs, mas de amigos. - Acho que tenho muitos amigos. A palavra fã soa muito forte para mim. São pessoas que apreciam algum trabalho que eu fiz. Por isso, faço questão de conversar com todo mundo, e é um prazer de verdade, sem demagogia, além de ouvir todas as críticas também.

As melhores experiências do ator, tradutor e humorista Warley Santana Foram várias em vários momentos diferentes. Muitas mesmo. Gravar um comercial mundial com o Ronaldo em Madrid foi importante, como também trabalhar com a CNN na visita do presidente Bill Clinton ao Brasil. Adorei fazer a formiguinha Jura no Formigueiro, ou fazer stand-up para muita gente no Citibank Hall lotado. Agora tenho me apresentando com Seu Antenor, como ventríloquo. Tem muita coisa legal rolando sempre, sou muito grato por tudo – finaliza.

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Riso em outras áreas: Jornalista que faz rir

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Nelito Fernandes é um jornalista diferente, bem-humorado. Não que os outros profissionais de comunicação sejam sérios, mas ele utiliza o seu lado cômico para dar leveza em seus textos. Começou na extinta Rádio Relógio, como estagiário e passou pela Rádio Tupi, Jornal O Comércio, O Globo e Extra. Após sua saída do jornal, entrou na TV Globo e foi roteirista do “Domingão do Faustão”, “Escolinha do Professor Raimundo” e “Casseta e Planeta”. Atualmente, escreve para o site “Sensacionalista”, trabalha na Revista Época e tem uma coluna no site do veículo. Nela, utiliza assuntos do cotidiano, mas com ar engraçado. Por telefone, diretamente da redação da Época, ele conversou com a MixTape. - Na coluna que tenho no site, eu sigo a mesma ideia do “Sensacionalista”, utilizo uma falsa notícia, com tom crítico, mas fica claro para o leitor que é humor. O jornalista contou que sempre em suas matérias sérias, procurava levar para o lado mais leve, mais engraçado. E foi no Extra que desenvolveu um ar mais cômico. - Acredito que comecei a desenvolver esse lado de escrever matérias mais leves como repórter do Extra, por ser um jornal popular, que possui uma linguagem irreverente. Lá eu era apoiado, mas entendo que tem matérias e matérias. Não dá para ser engraçado com qualquer assunto e depende também da temática do veículo. Acredito que o jornalismo em geral, não vai caminhar para esse lado, como faço na coluna. Fernandes revela que sempre foi um admirador do riso. - Eu sempre fui um consumidor de humor. Já participei de quadro em rádio que era mais cômico, mas acho que é inerente a mim, é natural – conclui. 12


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Fininho Barreto, de Salvador, é um estudante de jornalismo atípico: não revela seu nome e trabalha com stand-up nas noites de sua cidade. Do bairro Cajazeiras, um dos mais distantes do centro nas palavras do próprio humorista, ele iniciou o ano de 2011 com um novo sonho: fazer as pessoas rirem nas noites de quinta e sábado. E conseguiu. Junto com Aman Costa, Lucas Carasek e Tiago Banha foi criado, o “Comédia de Novo” que está em sua quarta temporada. O jovem estudante de jornalismo conta que seu interesse por humor surgiu quando ainda era criança e viu no stand-up comedy uma oportunidade de mostrar seu talento. - Desde criança gostava de rir e fazer os outros rirem. Sempre assisti a vários números de humor no Youtube. Hoje, adoro programas de jornalismo mesclados com humor, tipo o CQC (na Band) e o Transalouca (na Transamérica) e quando o primeiro foi ao ar, vi que vários do elenco faziam stand-up comedy. Inspirado por esses programas, Fininho Barreto começou a usar os aprendizados no curso de jornalismo e investigou quem fazia stand-up em Salvador. Assim, no início de 2010, através do twitter, conheceu Lucas Carasek que já estava atuando no estilo de humor há uns meses. Com Tiago Banha e Aman Costa integrando o elenco, o “Comédia de Novo” foi criado e termina no dia 17/12/2011 sua temporada 4ª temporada no Alfafa Café & Bistrô. O humorista revela por e-mail à MixTape quais assuntos aborda em seu show. - Os números para stand-up comedy são construídos através de análises do dia a dia do comediante. No meu caso, por exemplo, começo falando sobre Cajazeiras, o porquê me chamam de Fininho, além de observações sobre música, jornalismo, dentre outras coisas que estou envolvido. Às vezes a inspiração para o texto vem de conversas com amigos, ou um bate papo informal, através de assuntos que vejo circulando na internet, ou até mesmo notícias do cotidiano. Assim como no pagode que qualquer coisa é motivo pra fazer “músi 13

ca”, na comédia stand-up qualquer fato é motivo de piada – responde ressaltando que a comparação com o pagode está presente no seu texto sobre música. E como fica o curso de jornalismo, já que Fininho inicia uma carreira bem sucedida no stand-up? Ele, que se inspira em Fábio Porchat, do “Comédia em Pé”, e em Jim Carrey, afirma que pretende unir as duas paixões. - Adoro comédia e adoro jornalismo. Um programa que mescle os dois, para mim é o néctar dos deuses. Estudo comunicação e desde já trabalho nas duas áreas para futuramente poder exercer uma função que possa uni-las. Tanto em rádio, como em TV, revista ou impresso, humor sempre faz bem, por isso tento agrupar as duas áreas na minha vida. Seja escrevendo para fazer os outros rirem, ou para cumprir suas obrigações enquanto estudante, Fininho está construindo seu espaço nas noites de Salvador. Através de seu grupo, pretende fazer o estilo stand-up comedy se tornar popular em sua cidade, como já acontece no Rio de Janeiro e São Paulo com os grupos citados na abertura dessa reportagem. Arquivo pessoal de Fininho

C E N A

Escrever para fazer os outros rirem ou para informar?

Fininho Barreto, aspirante a jornalista e humorista


MIX L I T E R Á R I A

O Brasil visto com outros olhos

Livros contam fatos da história brasileira que não são ensinadas nas escolas e outros misturam história real com ficção Por Alessandra Bueno

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história do Brasil nunca foi tão contada depois dos 500 anos do país, seja através de publicações didáticas, românticas e outras mais. Em meio a uma enorme pilha de livros que abordam esse tema – alguns recuperam personagens e episódios perdidos ou esquecidos – pode-se encontrar um verdadeiro achado: “Terra Papagalli”, escrito pelos jornalistas e escritores José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta. Lançado bem antes da modinha dos 500 anos – em 1997 – o livro narra as aventuras e histórias de Cosme Fernandes, mais conhecido por Bacharel da Cananéia, um ladrão condenado e despachado para o Novo Mundo, o Brasil. Você nem imagina o que é, certo? Não se desespere. Nem os autores sabem e segundo eles existem poucos registros de sua vida no Brasil. Um dos poucos dados que se sabe é que sua maior façanha foi 14


MIX vender 800 escravos índios de uma vez só. Ninguém faz ideia de como Cosme Fernandes armazenava tantos homens, mas de uma coisa todos sabem, para os padrões da época significava se dar bem. “Terra Papagalli” é uma baderna ou encontramos no subtítulo: "narração para preguiçosos leitores da luxuriosa, irada, soberba, invejável, cobiçada e gulosa história do primeiro rei do Brasil". Muito bem escrita, a narrativa realística consegue fazer os leitores se questionarem se a história que acabou de ler não é a real ao invés da que se conhece e estuda. Isto porque utiliza a linguagem do século 16 com uma pitada de ironia, que misturam cenas de humor a fatos históricos. Um dos pontos mais interessantes é a composição do livro, estruturado em forma de carta do Bacharel ao Conde de Ourique ou autores combinaram formatos de livros da época: os diários de navegação, os dicionários e os bestiários. Os diários de navegação de Cosme esculacham Cabral revelando que ele era um marinheiro de primeira viagem, fala de fura-buchos a bordo, delírios e crenças de que uma hora as caravelas iam "entornar" pois grande parte tripulação acreditava que o mundo era plano. Se os diários de navegação relatam o dia a dia de Cosme, no dicionário o Bacharel da Cananéia faz um glossário básico da língua tupiniquim, misturando termos verdadeiros e que todos conhecemos como jururu (estou triste) ou debochados como nhenhenhém (falar, falar, falar). Já os bestiários como um catálogo da fauna ou seres (você escolhe) como a ostra — "uma pedra que se abre por sua própria vontade" — e outras criaturas como minotauras, maritacas, sucuris. Enquanto “Terra Papagalli” mistura fatos históricos e reais, o livro do jornalista Leandro Narloch, “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil” – lançado em 2010 – nada tem de ficção. Em seu blog, Narloch conta o que o motivou a pesquisar sobre o assunto foram os fatos que os livros de história desconheciam: “A história que aprendi na escola não tinha indivíduos, pessoas, não tinha ações imprevisíveis, era somente uma repetição de lugares comuns. Quisemos (com os guias) mostrar as virtudes dos considerados vilões e os erros dos mocinhos. Combater uma história esquemática onde tudo é explicado pela luta de classes”. Resultado de muito tempo de pesquisa, em seu livro Narloch revela histórias do nosso país que a maioria nem tem ideia. Como a real origem de símbolos nacionais como o samba e a feijoada. Além da real história de personalidades como Santos Drummond, Aleijadinho e Machado de Assis. Apesar de verídico e trazer as fontes de pesquisa, Narloch vem sendo taxado de mentiroso por seus livros, afinal, não é fácil desconstruir mitos e conceitos criados errônea. Livros como “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil” e “Terra Papagalli”, totalmente verídicos ou parcialmente, são sempre um verdadeiro deleite para os curiosos de plantão.

Banco de Imagens

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L I T E R Á R I A


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Carlos Drummond de Andrade ganha dia no calendário cultural brasileiro em sua homenagem Por Laila Carvalho

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dia D. Decisivo na Segunda Guerra Mundial, o famoso seis de junho de 1944. Do combate a dengue, onde os brasileiros se mobilizam para prevenir epidemias da doença. Dia importante, quando as decisões são tomadas. Inúmeras definições para uma só frase. Porém, a partir de 2011, ela ganhará um novo significado: o dia de Drummond de Andrade. Idealizado pelo Instituto Moreira Salles (IMS), 31 de outubro será inserido no calendário cultural do país como o dia de comemoração ao grande literário brasileiro. Segundo o instituto, a data foi inspirada no Bloomsday, que acontece todo 16 de junho, quando boa parte do mundo comemora a vida e a obra de James Joyce, famoso escritor irlandês, autor de “Ulisses”. Até então, o Bloomsday era a única do calendário dedicado a um livro ou autor. O Dia D foi criado para relembrar a obra de Carlos Drummond de Andrade. Aproveitando a ocasião em que o poeta completaria 109 anos, o IMS decidiu homenageá-lo com um dia dedicado a ele. A intenção é incentivar todos que apreciam o legado de Drummond a ajudarem a divulgar tudo que ele deixou de bom e, com isso, mostrar a quem não tinha conhecimento a grandiosidade do grande escritor brasileiro. Contudo, a comemoração não ocorreu apenas dentro do instituto que abriga o acervo do poeta.

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Fonte: www.horizonte.unam.mx/brasil/drummimg

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No meio do caminho havia uma pedra que permanecerá lá eternamente

O escritor Carlos Drummond de Andrade


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Drummond acreditava que, poucos anos após a sua morte, seus escritos cairiam no esquecimento, pois não se considerava um grande autor. Porém, hoje é possível ver que ele estava errado. Apesar de novo, o Dia D teve adesão nacional e promete ser mais uma data comemorativa no cenário cultural brasileiro. Todos os anos a programação ficará disponível no site www.diadrummond.ims.uol. com.br, criado especificadamente para a ocasião. Além disso, a página disponibiliza trechos de suas obras e vida.

L I T E R Á R I A

Fonte:polyedros.blogspot.com

Segundo os organizadores, houve uma mobilização de admiradores, tanto famosos como desconhecidos, para a divulgação e programação devárias manifestações em todo o país.

Estátua em homenagem a Drummond, na praia de Copacabana,RJ

“Ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho ímpar.” (Carlos Drummond de Andrade) O poeta nasceu em Itabira do Mato Dentro - MG, em 31 de outubro de 1902. De uma família de fazendeiros em decadência, começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas, que acolhia os adeptos locais do movimento modernista mineiro. Como a família insistia para que ele obtivesse um diploma, formou-se em farmácia, e chegou a exercer a profissão. Fundou “A Revista” com outros escritores e, apesar do pouco tempo de duração, teve grande relevância na vida profissional de Drummond de Andrade. Foi funcionário público e cronista no Correio da Manhã e no Jornal do Brasil. Ele faleceu no Rio de Janeiro, no dia 17 de agosto de 1987, poucos dias após a morte de sua filha única, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade.

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MIX Mix Entrevista: Lucas Salgado

O crítico fala sobre a profissão, as apostas para o Oscar de melhor filme e o cinema brasileiro

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algado é formado em direito e desde pequeno tinha grande interesse por cinema. Percebendo ser mais que um hobby, decidiu investir nessa área, cursando Jornalismo. Atualmente, trabalha no site especializado em cinema, o “Adoro Cinema” além de ser o coordenador de comunicação do “Festival CineMúsica de Conservatória”. A entrevista para a MixTape teve que ser feita por e-mail já que Salgado estava participando da cobertura do Festival de Cinema do Rio de Janeiro, um dos maiores do Brasil. A mesma paixão de Salgado é dividida por muitos espectadores, pois o cinema é uma forma de expressão que faz pensar, diverte e entretém. Com seus diversos gêneros, ele se reinventa com novas tecnologias, com lindas histórias sendo contadas, outras não muito boas, mas há quem veja. Tem aqueles que assistem por prazer, enquanto que, os cinéfilos assistem cada lançamento e procuram sites ou revistas especializados para ter mais informações sobre a qualidade técnica, atuações e se o enredo foi bem construído e amarrado. Desde a criança até ao idoso, o cinema atende a todos. Com o objetivo de agradar cinéfilos e o público em geral, a MixTape entrevistou o crítico Lucas Salgado que dá dicas para quem sonha em ser cineasta, avalia o cinema brasileiro, comenta quem mereceu um Oscar e não levou e revela suas apostas para o próximo de melhor filme. MixTape - Quando surgiu seu interesse pelo cinema e como descobriu que seria sua profissão? Lucas Salgado - A paixão sempre existiu e em 1996 criei com dois primos um site dedicado ao cinema, o “cinemaCAFRI”. Desde então já escrevia um pouco sobre os filmes, mas sempre de maneira pouco profissional. A verdade é que via esta paixão como um hobby. Somente no início dos anos 2000, com o “cinemaCAFRI”.

Foto: Arquivo pessoal

Por Analine Molinário

Lucas Salgado

Já se chamando “Confraria de Cinema” que comecei a perceber que se tratava mais que um hobby, mas de uma alternativa real de trabalho. Como estava no meio do curso de direito, resolvi concluir o mesmo. Acho que poderia ser um bom advogado, mas seria mais um em milhões. Por isso, resolvi ingressar no curso de jornalismo para aprimorar o que já vinha fazendo há muitos anos. MixTape - Você acredita que o Brasil está mais perto de ganhar um Oscar? Lucas Salgado - Não sei se o Brasil está perto de ganhar o Oscar. A verdade é que provavelmente já merecia ter ganhado um e não aconteceu. Mas isso não é algo que precisa preocupar quem lida com cinema no Brasil. É uma fixação que só é prejudicial, tanto no que diz respeito à análise crítica quanto com relação à produção cinematográfica em si. O cinema brasileiro vive um ótimo momento. Está longe do ideal, mas não podemos negar que temos uma das cinematografias mais ricas do mundo. 18


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Por exemplo, hoje estão em cartaz filmes como “A Alegria”, “Rock Brasília”, “Capitão da Areia”, ‘A Casa de Sandro” e “Família Vende Tudo”. Independente da qualidade individual de cada um temos que comemorar a diversidade de produções.

MixTape - Você acredita que o cinema nacional está avançando na produção de filmes de ação após sucessos como “Tropa de Elite” e “Assalto ao Banco Central”? Lucas Salgado - O avanço existe, mas deve ser acompanhado de um cuidado. Na pergunta mesmo, temos um exemplo de um bom filme de ação, no caso “Tropa de Elite”, e de um péssimo. Não adianta pensar só na ação e esquecer-se do roteiro e da importância da narrativa. MixTape - Você acha que 2011 é o ano dos “É inaceitável que heróis? Dos lançamentos, qual você acha Alfred Hitchcock nunca que foi melhor? tenha recebido um Clint Eastwood, Woody AlOscar” Lucas Salgado - Não posso dizer que 2011 len, Paul Thomas Anderson, foi o ano que contou com o maior número Terrence Malick, Lars Von de adaptações dos quadrinhos, mas sem dúvTrier, Roman Polanski, Steven ida foram várias. Dentre esses filmes o meu Spielberg são outros diretores preferido foi “X-Men: Primeira Classe”, que que gosto, isso sem falar nos brasileiros, Walter também pode ser considerada uma das surSalles, Eduardo Coutinho e Fernando Meirelles. presas do ano. Com certeza estou esquecendo outros nomes, mas estes aí estão entre os meus favoritos. MixTape - Até o momento, qual o melhor filme que você viu e que acredita que poderia MixTape - Você acha que algum ator ou atriz ganhar uma estatueta na premiação do Oscar? merecia ganhar um Oscar e não levou? Lucas Salgado - Acho que os filmes favoritos ao Lucas Salgado - São vários os grandes atores Oscar ainda não entraram em cartaz então fica que nunca levaram um Oscar. Os que mais me difícil fazer qualquer aposta. Produções como revoltam são Charles Chaplin, Peter O`Toole e “Hugo”, “J.Edgar”, “O Artista” e ”Histórias CruRita Hayworth. As injustiças também foram muizadas” estão dentre as mais comentadas, mas tas dentre os diretores. É inaceitável que Alfred ainda não estrearam no Brasil. Gosto muito de Hitchcock nunca tenha recebido um Oscar. “A Árvore da Vida” e de “Meia Noite em Paris”, MixTape - Saindo de Hollywood, onde mais se mas acho que não devem ter muitas chances. faz bons filmes? MixTape - Dos cineastas atuais, qual seu Lucas Salgado - Parece patriotismo, mas hoje o preferido? Brasil possui uma das mais ricas cinematograLucas Salgado - Difícil falar em um favorito. fias do mundo. É claro que são produzidas muiGosto muito do Martin Scorsese, pois é um ditas bombas, mas também tem muita coisa legal retor que é apaixonado por cinema e não se saindo. O cinema argentino é muito bom, assim prende a um só tipo de filme. Faz desde docucomo o sul coreano. mentários musicais a suspenses, passando agora por filmes infantis. 19


MIX A Europa sempre foi fonte de um bom cinema e isso continua acontecendo, em especial em países como França e Inglaterra. Índia e China estão entre os países que mais produzem no mundo, mas seus longas são ainda muito voltados para o público interno. O bom do cinema é que bons filmes podem vir de qualquer lugar. Um dos melhores filmes que vi este ano, “A Separação”, foi produzido no Irã. MixTape - Para quem sonha em ser crítico de cinema. O mercado de trabalho brasileiro tem espaço para novos críticos? Se você fosse dar um conselho para alguém que sonha em seguir essa carreira, qual seria? Lucas Salgado - Acho que o mercado existe sim. A Internet ajuda muito para isso, pois cria um espaço vasto para quem quer discutir cinema. Mas também é preciso ter cuidado de achar que só porque uma pessoa escreve sobre cinema em seu blog que isso faz dela um crítico. O melhor conselho é veja muitos filmes e não tenha preconceitos de gêneros e nacionalidades. Mas também é importante a disposição de buscar na doutrina ou através de cursos uma base teórica para embasar seu texto. Vários críticos renomados dão cursos de “Linguagem Cinematográfica” e, ao menos nos grandes centros, é possível encontrar espaços culturais que ofereçam oficinas e cursos teóricos. MixTape - Como fazer um bom texto crítico? Qual sua dica para quem tem dificuldades para escrever? Lucas Salgado - A dica é assistir muitos filmes, ler muito sobre cinema e escrever. Não tenho vergonha de meus primeiros textos, mas se leio algo que escrevi no início dos anos 2000 percebo claramente que tinha maiores limitações.

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A questão é escrever e escrever muito. Com o tempo o texto vai melhorando. É claro que o cuidado com a língua portuguesa e a clareza do texto é algo que deve ter em foco desde o início. MixTape - Um crítico de cinema pode ter um gênero de filme preferido? Lucas Salgado - Não dá para ser crítico e ter preconceito com gêneros. Tenho que assistir a todos os tipos de filme. Uma ótima comédia romântica vale tanto quanto um ótimo drama, assim como para um ótimo documentário. MixTape - O cinema é um mercado para a classe média? Em sua opinião, como aproximar o cinema e seus festivais (como o Festival de Cinema do Rio) do público com menos poder aquisitivo? Ou você acredita que não seria viável? Lugar Salgado - Essa é uma questão complicada. Não só no Festival do Rio, mas o cinema em geral é caro. Acho que financeiramente acaba sendo voltado para a classe média mesmo, o que é uma pena. Em grandes centros como o Rio de Janeiro e São Paulo já têm surgido algumas alternativas boas, como salas populares, mas ainda estamos longe do ideal. Com relação aos festivais, é importante o cinéfilo ficar atento a programação de centros culturais, que oferecem uma programação ótima a preços bem mais em conta.

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Que a força esteja com você!

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Por Analine Molinário

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á muito tempo em uma galáxia muito, muito distante... Jedis, Sith, Darth Vader, força, C-3PO, R2-D2, Mestre Yoda e Naboo. Se ao ler essas palavras, nenhuma delas fez sentido algum, é sinal de que a força não está presente em você, jovem padawan. Em contrapartida, todos esses termos fazem parte do vocabulário do grupo de fãs do Conselho Jedi Rio de Janeiro. Você, leitor da MixTape, acabou de entrar em um universo de ficção, em que robôs, naves e outros planetas tornam-se parte de seu cotidiano. Estamos falando de Star Wars, um dos maiores sucessos do cinema. O primeiro, “Star Wars: uma nova esperança”, dos seis criados por George Lucas, estreou em 1977, em plena Guerra Fria e foi seguido de “Star Wars: O Império Contra-Ataca” (1980) e “Star Wars: O Retorno de Jedi” (1983). Carregados de traços do período, o então projeto do diretor atraiu o público e se tornou um achado do seu tempo. Efeitos especiais, uma linguagem diferenciada em um mundo de magiafez da saga um sucesso. Dezesseis anos após a trilogia inicial, é lançada uma nova com “Star Wars: a Ameaça Fantasma” (1999), “Star Wars: Ataque dos Clones” (2002) e “Star Wars: a Vingança dos Sith” (2005), que contam o início da história fazendo dos primeiros filmes produzidos sequência desses. Ao influenciar gerações, a saga espalha fãs por toda nossa galáxia, os quais se empenham em fazer da série, discutida e não esquecida, por todos aqueles que por um motivo ou outro, a tem como a preferida. Henrique Granado, um dos fundadores do Conselho Jedi Rio de Janeiro, grupo criado por fãs dos filmes, foi entrevistado por e-mail pela MixTape e conta tudo sobre o universo de ficção que muitas vezes é trazido para a nossa realidade.

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Darth Vader, personagem principal da saga

DomĂ­nio PĂşblico

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Arquivo: Conselho Jedi Rio de Janeiro

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Integrantes em JediCon

Uma reunião de fãs da força O Conselho Jedi Rio de Janeiro foi criado em 1997, depois de três fãs, Brian Moura, Bruno Faulhaber e Philippe Maia, em uma lista de discussão sobre os filmes, decidirem formar um grupo que reunisse outros fãs. Em 1999, eles decidem criar um site para divulgar os encontros do Conselho e manter os fãs atualizados. Nesse mesmo ano estreia o novo filme da saga e outros Conselhos são criados em Minas Gerais e São Paulo, o que viabilizou a produção de eventos nacionais, as Jedicons, 23

reunindo admiradores de Star Wars de todo o Brasil. Ela é organizada anualmente pelo Conselho do respectivo estado e possui várias atividades, como palestras, coreografias de lutas, atrações musicais, apresentação de vídeos e lojas que vendem produtos dos filmes. Para Henrique Granado, que participa desde o início, as Jedicons remetem aos grandes acontecimentos realizados por quem gosta de ficção. - Elas são feitas nos moldes das

grandes convenções de quadrinhos e cinema, porém com foco exclusivo em Star Wars. Um prato cheio pra quem é fã. E por que, a saga abriga tantas pessoas que viajam de um ponto a outro para se reunirem e discutirem sobre a ficção? - Na minha opinião, “Star Wars” tem uma combinação de fatores que encantam todas as gerações, desde seu lançamento, em 1977. O principal é a magia do filme em nos transportar a um mundo


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Arquivo: Conselho Jedi Rio de Janeiro

de fantasia onde tudo parece real, palpável, mesmo com tantos alienígenas, naves e poderes sobrenaturais. Nada parece falso, e isso, principalmente nos anos 70, foi um salto astronômico em relação à qualidade dos filmes de ficção científica. Outro fator importante é a atemporalidade, pois consegue transmitir a mesma sensação para crianças e adultos hoje – responde Granado. Toda essa paixão pode levar algumas pessoas a se tornarem fanáticas, querendo que a realidade imite a ficção. Granado, embora colecione muitos produtos, como réplicas de naves, sabres de luz, personagens, livros, pôsteres e até uma roupa de Jedi, não se considera um aficionado. - Não sei se me considero fanático. Fanatismo geralmente implica na pessoa só pensar ou só falar naquilo, e definitivamente não é o caso. Acho que tenho um hobby, assim como possuo outros. Conheço pessoas que realmente respiram “Star Wars” 24 horas por dia e, pra mim, fanatismo é isso. Não condeno nem estimulo,

mas particularmente, prefiro equilibrar mais as coisas da vida. Sou apaixonado por cinema, fantasia e ficção em geral, então há vários filmes e livros que adoro tanto (ou quase) quanto “Star Wars”. Vivendo sob a ótica ou admirando uma ficção que não existe, o fato é que muitos envolvidos com essas reuniões de fãs fazem amizades e tem naqueles momentos de uma falsa realidade, seja com o uso de roupas, armas de brinquedos e linguagem específica, um momento de conhecer mais pessoas e se sentirem imersos em um mundo admirado. - O que mais fiz nesses 12 anos em que participo do Conselho Jedi, foram amigos. Pra mim, é o que justifica a existência do Conselho, uma vez que a internet já proporciona aos fãs uma infinidade de informações e novidades sobre a saga. A única coisa que ela não acomoda é este contato caloroso entre veteranos e novos entusiastas, e é aí que entram os encontros do Conselho Jedi.

Henrique Granado e Brian Moura, organizadores do Conselho Jedi Rio de Janeiro

Para saber mais sobre o Conselho Jedi Rio de Janeiro acesse: Site: www.jedirio.com.br Facebook: www.facebook.com/jedirio

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O Ano dos Herois Produtoras investem nos clássicos dos quadrinhos

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istórias de mocinhos com super poderes, que salvam a humanidade todos os dias sem receber nada em troca fazem sucesso no imaginário infantil e adulto. Pensando nisso, a indústria cinematográfica esse ano, investiu nos herois, dando vida a alguns deles Mas nem sempre as histórias são seguidas a risca. “Thor”, estreado em março, por exemplo, foge um pouco do que é contado nos quadrinhos. Pelo menos é o que muitos fãs acharam. Pelos blogs de cinema, o público reclamou das adaptações, afirmando que alguns personagens não foram bem representados e outros sequer apareceram. O ser mítico capaz de controlar trovões e tempestades foi interpretado pelo ator Chris Hemsworth, o George Kirk, de “StarTrek”, de 2009. 25

Por Laila Carvalho

Outros heróis que ganharam vida nas telonas foram “Lanterna Verde” e “X-Men: Primeira Classe”, ambos em junho desse ano. O homem do anel, protagonizado por Ryan Reynolds, foi um dos longas mais aguardados da Warner, em parceria com a DC Comics -A história do Lanterna te leva a fantasiar muita coisa, fico pensando no que faria com os poderes que ele tem. Por isso, os efeitos especiais do filme são muito bons, cumpre bem o papel. Já o enredo é um pouco chato, do nada ele ganha o poder, sem ter uma lógica ou uma boa narrativa – conta Jhonatan Bueno, estudante de Administração e fã do heroi. Já a continuação de X-Men relata a juventude de Cyclope, Jean Grey e outros mutantes.


A franquia de grande sucesso apostou no recomeço, já que o último filme lançado, “X-Men Origins: Wolverine” também foi um prelúdio dos três primeiros longas da saga. O mais recente a chegar aos cinemas foi “Capitão América – O Primeiro Vingador”, produzido pela Marvel e Paramount. O longa tem Chris Evans – o Tocha Humana, de “O Quarteto Fantástico” no papel principal. Conta a história do menino franzino, que em plena Segunda Guerra Mundial tem a oportunidade de defender seu país e, com a ajuda de experiências científicas, ganha força e habilidades surpreendentes, o que garante a vitória aos Estados Unidos. O sucesso rendeu, na primeira semana, o equivalente a US$ 65,8 milhões em bilheteria, somente nos Estados Unidos e bateu “Harry Potter – As Relíquias da Morte 2”, com US$ 48,1 milhões. Especula-se que outras duas sequências do filme já estejam em planejamento. Dentre os que ficaram para 2012 estão “Os Vingadores”, “Homem-Aranha 4”, e “Batman 3”. Christian Bale continuará por baixo da máscara do morcego mais temido pelos criminosos. A sequência da franquia que detém a quarta maior bilheteria da história do cinema tem previsão de estréia para julho do ano que vem. No mesmo mês, outro super-herói aparecerá nas telonas. “Homem-Aranha 4”, vai mostrar a vida de Peter Parker na adolescência, porém não contará com Tobey Maguire no papel do aracnídeo. O nome cogitado para substituí-lo é de Michael Cera, de “Juno”. Já “Os Vingadores”, tem um dilema de elenco. Muitos dos integrantes da equipe não estarão no filme, incluindo o Tocha Humana, interpretado por Chris Evans, o mesmo que vive o Capitão América. Downey Jr. e Chris Hemsworth como o Homem de Ferro e Thor, além de Samuel L. Jackson, o Nick Fury,estão gravando. Scarlett Johansson vai repetir seu papel de Viúva Negra. Já Don Cheadle não foi confirmado para o longa. Em entrevista ao site UOL, o ator afirma que crê na possibilidade de sua personagem aparecer, mas que o futuro é incerto. “Eu fiz o Máquina de Guerra em ‘Homem de Ferro 2’ e ele faz parte da mesma família de personagens que os outros vingadores. Por essa razão, é claro que podemos esperar que ele apareça no filme, mas não fui chamado.

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Então, posso apenas dizer que eu não sei”. A previsão de estréia é para maio de 2012. Do HQ ao cinema, os heróis estão em alta e prometem continuar com tudo. Kilber Moreira, estudante de jornalismo, diz esperar um filme de alto nível. -De acordo com os últimos que fizeram, dos herois em solo, espero que seja muito bom. O enredo não é o preferido dos fãs, mas como ele foca a personalidade dos integrantes e conta com um elenco brilhante, a expectativa é grande. Para ele, a produtora errou ao escolher o vilão da história, Loki, o Deus da Trapaça, descendente dos gigantes de gelo e adotado por Odin, pai de Thor. - Os Vingadores têm seus próprios vilões, não tinha porque usar o de um herói específico. O estudante, que acompanha a história nos quadrinhos desde a infância, afirma que a Marvel saiu na frente ao gravar o longa. A DC Comics, produtora de “A Liga da Justiça” não realizou a versão cinematográfica da história, apesar do apelo dos fãs. O outro trunfo dos Vingadores é que reúne heróis distintos e, no final de cada filme solo lançado a pouco, tem cenas que os ligam. 26


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Nem tão perdida assim... Francisco de Paula, diretor de “Areias Escaldantes”, comenta sobre o retorno do cinema da década de 80 e a influência do rock nas produções da época Por Analine Molinário e Ramon Cesar

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ostalgia para uns, cultura para muitos! 80, nasce no Brasil, o que, até alguns anos atrás, De uma forma ou de outra, ela está não passava de mero fracasso cinematográfide volta! Quem a trouxe? O cinema! co. Como se não bastasse as dificuldades na Da Jovem Guarda para os dias de hoje, as produção por falta de recursos e a má-fama do produções da chamada “Década cinema brasileiro devido ao Perdida” retornam, despertando “Não aceito verba que se chamava de “pornoo interesse, desde apreciadores pública. Num país chanchada” (produções brasido bom filme até pesquisadores. A leiras eram fortemente maronde não temos equipe MixTape esteve na mostra cadas pela vulgaridade), a “Cinema Rock & Roll – Filmes saúde nem educação comédia Areias Escaldantes (AE) brasileiros da Jovem Guarda aos dias de hoje”, promovida pelo de qualidade, quem foi assolada por severas críticas. Centro Cultural Banco do Brasil quiser fazer cinema Nomes como Regina Casé, Luiz Fernando Guimarães, Diogo Vile(CCBB) no final de setembro e que se vire!” la no elenco e uma trilha sonora início de outubro deste ano, que composta por Titãs, Lobão, Ultraje discutiu a influência do gênero a Rigor, entre outros, embalam a musical rock na cinematografia brasileira da trama que relata a história de um grupo de terépoca e o retorno dessas produções a partir roristas comandados por uma entidade secrede 1995. Na ocasião, entre quase 20 obras, foi ta. Eles agiam na imaginária província de Kali e exibido o filme “Areias Escaldantes”, do diretor eram combatidos por uma polícia de elite, que Francisco de Paula, que esteve no evento e obedecia a uma hierarquia por estatura. É em integrou um debate sobre seu filme. meio a um clima frio e denso que a gangue vive Em meio aos conturbados anos da década de suas mais inusitadas situações. 27


MIX Paulistano de Santos, Francisco de Paula mora, Além das fortes críticas e a rejeição da atualmente na cidade do Rio de Janeiro e estuEmbrafilmes (Empresa Brasileira de Filmes), o dou cinema na França e em Cuba. Produtor de descaso às produções nacionais foi um fator três longas e 10 curtas ao longo de sua carreira, que o impulsionou a levar sua produção para Francisco comenta sobre o proalém das fronteiras. cesso de produção de AE e sua “O filme caiu na rede - Fui convidado para um festival filosofia de trabalho. e isso foi bom. O que na Itália, quando a Embrafilmes - Fizemos o filme com um orça- nos salvou foi isso”. mandou um comunicado dizendo mento baixíssimo, enquanto as que o filme não representava o Francisco de Paula produções brasileiras eram uma Brasil. Fui inclusive detido. O AE fortuna. Não aceito verba públitambém foi sucesso em Portugal. ca. Num país onde não temos saúde nem educatria fonográfica. Assim sendo, Areias Escaldanção de qualidade, quem quiser fazer cinema que tes é marcado pela música, ou melhor, pelo se vire! - comenta o diretor - Cheguei a ser detirock. A mostra Cinema Rock & Roll contou aindo duas vezes e chamado a depor sob acusação da com a presença do jornalista e pesquisador de tráfico ou lavagem de dinheiro, já que não Pedro Curi, que, baseado no contexto da época, tínhamos provedores de recursos. O filme, produzido no ano de 1985 com um mês de filmagem e apenas duas horas de negativo, O filme foi bastante desapegado a um roteiro e gravado Foi justamente em meados dos anos 80 que o com muitos improvisos. cinema nacional passa por um processo bastan- A princípio, Areias Escaldantes não seria uma te conturbado, quando as inovações tecnológicomédia. As coisas iam acontecendo e a gente cas já utilizadas em Hollywood fizeram com que ia adaptando ao que podíamos - esclarece. o padrão audiovisual se tornasse demasiadamente inferior, o que distanciou os brasileiros das produções. - Na época em que eu comecei você não fazia amigos e nem arrumava namorada indo ao cinema - relata descontraído o cineasta.

Francisco de Paula comenta sua obra Areias Escaldantes

A trilha

O cinema possui uma forte relação com a indús explicou que o rock era utilizado pelo cinema como forma de atrair público. - Existe um outro lado muito ligado ao rock quando vemos palavras como ousadia, posicionamento, engajamento; uma forma de você se manifestar. Trata-se de um filme feito durante a ditadura e essa música estava muito ligada a uma forma de contracultura. Os anos 80 foi uma época forte para a questão do rock nacional - enfatiza Curi. A direção musical do filme ficou por conta de Lobão e Francisco de Paula esclarece o porquê dos fortes traços musicais. - Os Titãs e o Ultraje a Rigor eram da gravadora Warner. Quando fui pedir os direitos de uso para o filme, não tinha dinheiro. Então, disseram que eu podia levar as músicas que eu queria dos Titãs desde que levasse também as do Ultraje, até então desconhecidas. Por isso temos trilha praticamente durante todo o desenrolar da história.

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Os Titãs participam do filme em algumas cenas e, como Lobão, trabalharam de graça, conforme destacou o diretor.

A volta dos anos 80

Como já dito anteriormente, Areias Escaldantes foi um filme não valorizado no seu tempo. A crítica foi dura. O mundo vivia o medo do comunismo. O enredo da história que trazia terroristas, não agradou em um país que estava sob ditadura. A única saída para Francisco de Paula foi levar sua obra para a Europa. Depois... A ditadura no Brasil se foi, a Guerra Fria acabou, o Muro de Berlim foi derrubado. Um presidente brasileiro sofreu impeachment e o país foi do cruzeiro ao real. Anos se passaram. Eis que se inicia o século XXI, o tempo do saudosismo, com a presença marcante da memória da década de 80. E o “Areias Escaldantes”? Ele se popularizou pela sua exibição na TV, como no Canal Brasil. - Do final da década de 90 pra cá há um “ressurgimento” do filme, um resgate. Hoje temos acesso à informação muito rápido. Eu recebo e-mail de pessoas perguntando onde compram o filme. Não existe DVD original. Eu mesmo pirateio e mando para as pessoas. O filme caiu na rede e isso foi bom. O que nos salvou foi isso - comenta.

De mal vista, a produção se tornou cult

Cult vem de cultuar, principalmente algo relacionado à cultura popular. É um fenômeno dividido por um grupo de pessoas. Esse tipo de filme está longe das grandes bilheterias. Para os fãs, o “menos” é mais. O público é menor, mais seleto, que entende a produção como lugares de fala, analisando suas narrativas ou trilha sonora. Justamente por tudo isso, há o resgate de memórias. Voltar ao passado, nos dias de hoje, se dá pelo processo de rememoração e como estudou Paul Ricoeur, filósofo francês, o processo de memória significa para o sujeito uma busca pelo que passou, um sentimento de pertencimento a um grupo social que traz as experiências daquele tempo. Para quem viveu aquele momento, relembrar é sentir novamente as práticas vividas. Os que não viveram a época admirada, ao cultuá-la tornam-se mais próximos, como se fizessem parte do período que tanto contemplam. Areias Escaldantes se tornou cult por apresentar elementos surrealistas, uma história audaciosa, além de sua trilha sonora, recheada com canções do rock nacional irreverente de Lobão, Ultraje a Rigor, Cazuza e Titãs.

Outros filmes que se tornaram cult: -Amorosas (1968) de Walter Hugo Khouri -As Sete Vampiras (1986) de Ivan Cardoso -Bebel, Garota Propaganda (1967), de Maurice Capovilla -Bete Balanço (1984) de Lael Rodrigues -Cidade Oculta (1986) de Chico Botelho -Corações a Mil (1983) de Jom Azulay -De Vento em Popa (1957) de Carlos Manga -Geração Bendita – É isso aí bicho (1971) de Carlos Bini -Juventude e Ternura (1968) de Aurélio Teixeira -Minha Sogra é da Polícia (1958), de Aluizio T. de Carvalho

Pesquisador Pedro comenta o retorno dos anos 80. 29


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Darren Hayes A voz do Savage Garden Por Alessandra Bueno

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esde o lançamento do último trabalho de Darren Hayes, o álbum duplo “This Delicate Thing We’ve Made”, o mundo da música mudou. Carreiras foram e viram, cantores como Adam Lambert surgiram e a Rihanna passou por vários estilos de cortes e cores de cabelo. Enquanto tudo isso acontecia, Hayes produzia seu quarto álbum solo, “Secret Codes and Battleships”, lançado no último 24 de outubro. Ainda é muito comum duas reações ocorrerem quando o nome Darren Hayes é mencionado: 1ª: A pessoa não percebe de quem se está falando até que se diga que ele era o vocalista da banda Savage Garden. 2ª: Ela continua sem saber quem é. Com dois álbuns de sucesso com o Savage Garden, três álbuns solos e 26 milhões de vendas em 16 anos de carreira , Hayes se tornou um dos principais cantores e compositores da cena musical australiana. 30

E em 2011, quatro anos após seu disco duplo, o Secret Codes and Battleships, é o primeiro álbum feito para o mainstream, ou seja, com teor mais comercial. Mas o caminho até os dias de hoje foi longo. O garoto de Brisbane que amava Star Wars e Michael Jackson, sempre soube o que iria ser, mesmo depois de recusar uma das principais escolas de teatro da Austrália para ficar com a namorada. Em entrevista a Electro Queer o cantor conta: “Ela me largou quatro meses depois. Provavelmente foi o melhor, desde que me descobri gay”. Ele se interessou pelo jornalismo e foi professor da pré-escola, mas ao responder ao anúncio de jornal de Daniel Jones em 93 e formar o Savage Garden, Hayes deixou tudo isso para trás para ganhar o mundo. Infelizmente a banda acabou em meados dos anos 2000 e cantor seguiu sozinho. “No final de tudo isso, eu tinha escrito canções que as pessoas realmente pareciam adorar” - Comentou o cantor em entrevistas as redes de TV na época.

Foto: Ellis Parrinder

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A faixa de encerramento The Pressure, comemora não só o fim de uma estrada do cantor, mas todas as maravilhas do seu trabalho desde Spin e o início de sua renovação musical. Afinal, como Hayes observa: “é fácil ser estranho, não há disciplina e é um pouco fora da lei”.

A nova fase: O Secret Codes and Battleships O quarto álbum do cantor é muito mais que um álbum pop, “é sobre todas as coisas que nós não dizemos e deveríamos dizer”. Explora as provações e angústias emocionais de um relacionamento e o que podemos fazer para manter junto de nós nossos entes queridos e pessoas mais próximas. Com a ajuda da tecnologia, Hayes contou através de vídeos a imprensa como foi o processo de gravação entre outras coisas. Confira:

Foto: Stephane Sednaoui

Em 2002 foi lançado o Spin, seu primeiro trabalho solo produzido pelo brasileiro Walter Afanasieff e que seguia o mesmo estilo pop do Savage Garden. Dois anos depois, Hayes lançou o The Tension and The Spark, um soco no estômago de todos que acreditavam que ele era apenas um ícone pop. Marcado por uma vertente mais eletrônica, o trabalho é escuro, com certa raiva, mas traz afirmações de vida incríveis. “Ele (The Tension and The Spark) salvou a minha vida. Foi um álbum sobre como superar a depressão. Consequentemente, foi muito difícil de fazer”, conta o cantor. Em 2007, o This Delicate Thing We’ve Made foi seu primeiro trabalho pelo seu selo independente Powdered Sugar. Com influências da música eletrônica experimental de cantores como Kraftwerk, Kate Bush e do pop dos anos 80 de Prince, Eurythmics e Peter Gabriel. O álbum duplo é uma viagem no tempo, inspirado e imperfeito, com sons inusitados com o de uma turbina de avião e cães latindo. “Eu sabia disso, mesmo quando eu estava gravando”, admite Hayes, “mas é um álbum que eu tinha que fazer para chegar onde estou agora.”

Savage Garden: Daniel Jones e Darren Hayes

O estilo experimental do seu terceiro álbum inspirou Hayes a produzir junto com Robert Conley o excêntrico disco do We Are Smug, um projeto paralelo dos dois. O trabalho não foi lançado oficialmente mas os fãs puderam baixar de graça. Como o próprio Hayes afirma, foi um Black álbum de sua carreira. Tudo por não seguir tanto “Ele (The Tension and no estilo, quanto nas letras o tipo de música que The Spark) salvou a sempre fez e que o consagrou. minha vida” Foto: Ellis Parrinder

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“É fácil ser estranho, não há disciplina e é um pouco fora da lei”

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MIX Mix Tape – Qual é a ideia do novo álbum? Qual a diferença? Darren Hayes – O Secret codes and Battleships é sobre todas as coisas que nós não dizemos e deveríamos dizer. Sobre as coisas mais simples da minha vida, amor, amizade e as minhas conexões. Uma coisa diferente deste trabalho é o titulo. Ele é mais do que um álbum pop, ele é sobre as relações, emoções. Outro ponto inusitado é a diversidade de contribuições como produtores, músicos e compositores. Em quinze anos de carreira, no estúdio sempre houve três ou quatro pessoas, desta vez havia cerca de oito ou nove gravando comigo.

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Mix Tape – Por trás de suas músicas sempre há algo a mais, pode falar de algumas? Como Blackout The Sun, Taken by The Sea, Don’t Give Up. Darren Hayes - Blackout The Sun é a canção que realmente define o som do álbum. Possui um incrível arranjo feito pelo Mattius Bylund que trabalhou com o ABBA. Para gravar a canção me lembrei do dia que o Michael Jackson morreu e pensei, vou usar a emoção que senti nesse dia para interpretá-la. Taken by the sea é realmente uma canção muito especial para mim porque foi a primeira que foi escrita para o álbum. Eu a vejo como o primeiro capítulo de uma história,é uma canção literalmente sobre quando caímos no chão e de como nos sentimos. É sobre alguém que costumava ter o controle de tudo em sua vida e por algum confia em alguém para pegar a direção da sua vida e, não sei por que há uma parte na música que recapitula como me sentia num ponto da minha vida. Bom ela é uma introdução ao álbum e é importante, aliás tudo nele é importante, até o título. Dont Give up é uma canção que escrevi com Steve Robson e é quase o primeiro single do álbum. Eu adoro esta canção. Foi de onde o titulo do disco veio, há uma linha na música que fala ‘Secret codes and battleships’. Ela me faz chorar para ser honesto, há um ponto onde fala das pessoas que estão desesperadamente tentando continuar juntas quando todo mundo em volta está se separando. Eu adoro a música e acho que ela é realmente especial, calma e forte, sobretudo na primeira vez que se ouve. Acho que quanto mais você ouve, mais poderosa ela se torna.

Foto: Ellis Parrinder

Mix Tape – Você fez um show aqui no Brasil com o Savage Garden, gostaria de fazer outro? Darren Hayes – Acredite, todos os países em que estive gostaria de voltar. Brasil, Alemanha, México, todos. Originalmente de Brisbane - Austrália, Hayes mora a sete anos em Londres onde vive com seu marido, o animador Richard Cullen, "Ah, e o nosso lindo cão e todas as minhas porcarias do Star Wars!. Não se pode esquecer de toda tralha do Star Wars!" -Como ele brinca em entrevista a Tom Magazine. Atualmente o cantor está promovendo seu álbum na Austrália e Reino Unido com uma série de shows com a Secret Tour. O Secret Codes and Battleships, assim como os demais álbuns do cantor pode ser encontrado no iTunes e à venda no site americano Amazon. 33


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Foro: piacapdevile.com

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Os músicos “www” Da internet para as paradas de sucesso Por Ramon Cesar

Hoje anônimos, amanhã estrelas da música cercados por fãs histéricos. Da era mp3 à internet e às redes sociais tem sido assim. Fazer sucesso nunca antes foi tão fácil. Sem qualquer grande segredo, grupos de amigos músicos se juntam, fazem um som, lançam na rede e divulgam. Se o barulho for bom, as fronteiras do ciberespaço podem ser ultrapassadas. Um exemplo recente e bem interessante sobre isso é o d’A Banda mais Bonita da Cidade. Bastou uma “oração” para o fenômeno contagiar os internautas. Mas, não estamos falando de uma oração comum. Trata-se da música que consagrou o grupo. O clip “Oração” já ultrapassou a marca das 8 milhões de visualizações no YouTube. Após o sucesso, A Banda Mais Bonita da Cidade gravou o primeiro disco, financiado pelos próprios fãs, que foram também os responsáveis pelo repertório do álbum. As doações foram como os votos. As músicas que receberam mais doações foram as gravadas. Mais de 900 fãs de todo Brasil e partes do mundo doaram. O arrecadado ultrapassou a marca dos R$ 50.000 e o álbum já foi disponibilizado pela própria banda para download na internet. Entre outros revelados na vibe, destacam-se também...

Katy Perry: Com o primeiro álbum gravado em 2005, a cantora ganhou prêmios como, Grammy, MTV além de ter sido considerada a mulher mais sexy do mundo em 2010 pela revista Maxim. Foto: wp.clicrbs.com

Justin Bieber: Em 2007, suas apresentações cover na internet foram vistas por Scooter Braun. Através dele, Bieber assinou seu primeiro contato com uma gravadora, onde começou sua carreira.

Foto: nerddogueto.com

Cansei de ser Sexy: Formada em 2003, a banda se destacou após criar um fo-

tolog e aparecerem na Folha de São Paulo. Uma das músicas do grupo integrou a trilha do reality-show The Simple Life, estrelado por Paris Hilton. Foto: wp.clicrbs.com

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ó, ré, mi, fa, só, la, si. Há muito tempo a música não é lembrada por suas notas, mas sim, por seus intérpretes: John Lennon e Paul McCartney, dos Beatles, Foo Fighters, AC/DC, Led Zeppelin, entre outros. Há quem diga que algumas músicas expressam os sentimentos mais profundos. Outras são formas apenas de entreter, ou de envolver as pessoas em um momento único, diferenciado. Para muitos, ela representa uma forma de vida. Já outros a tem como um alicerce estando presentes nos momentos felizes e tristes, no dia a dia. Porém, pode ser sonho e também muito trabalho. Como exemplo, temos as bandas de garagem, ou artistas solos que escrevem letras, criam melodias, gravam e se mostram, principalmente na Internet. A maioria quer ser reconhecida, já outra parte espera a oportunidade de fazer o que mais gosta. Pensando na diversidade de talentos que batalham por um espaço no cenário musical, a MixTape entrevistou jovens bandas que vêm trilhando seu caminho em Volta Redonda, cidade do estado do Rio de Janeiro.

Juventude musical Uma banda de amigos. Adolescentes de classe média se reúnem em torno de um gosto em comum: o rock alternativo. Para a “Kings of Black Cocade”, a oportunidade de fazerem apresentações tem sido um desafio gratificante e um possível sonho em seguirem carreira musical.

Foto: Arquivo Pessoal da banda

Sonhos embalados por melodias

M Ú S Por Analine Molinário I C A

“Kings of Black Cocade” em apresentação

Victor Lampert, de 16 anos, vocalista do grupo conta à MixTape, por e-mail, essa experiência. - Fizemos três shows em um evento realizado na cidade. O futuro é incerto e estamos todos bem com isso. Esperamos que nossa banda se profissionalize, pois estaremos fazendo o que mais gostamos. Mas, independente do que aconteça esperamos continuar amigos. Não é fácil manter uma banda, é preciso conviver bem com os seus companheiros. E enquanto continuar dando certo, vamos aproveitar ao máximo.

Kings of Black Cocade Vocalista: Victor Lampert, 16 anos Baixista: Iago Sant’anna, 16 anos Guitarristas base: Pedro Coelho, 16 anos Guitarrista solo: Alessandro Júnior, 16 anos Bateria: Thiago Almeida, 20 anos Influências: Avenged Sevenfold, Foo Fighters, Nirvana 35


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Outro grupo da cidade, o “InabituaL”, tem uma composição bem diferente: um estudante de história, um professor de música, um estudante de engenharia mecânica e um professor de educação física que ensina parkour. A banda de rock tem em seus ideais um pensamento político-social e reflexivo, ou seja, os integrantes pretendem com a sua música conscientizar as pessoas. O baterista da banda, Jeffei Estevão, por email comentou sobre a filosofia da “InabituaL”. - Em uma sociedade onde a competição, exploração, perda de valores, do humanismo e consumismo exagerado estão ditando regras e são latentes como forma de vida, acreditamos ser necessária uma visão crítica-reflexiva para que possamos enxergar caminhos alternativos a fim de melhorarmos. E a música tem esse poder de conscientização e formação de opinião, então utilizamos isso ao nosso favor – afirma. Embora os integrantes da banda tenham carreiras distintas, todos compartilham um mesmo sonho: seguir carreira musical. - Todos nós queremos viver de música, pois ela é muito real e intensa em nossas vidas. São seis anos de grupo e estamos caminhando para conquistar mais espaço – comenta Estevão.

InabituaL Vocalista: Eduardo Henrique Baixista: Jhon Cruz Guitarrista: Duílio Ferronato Bateria: Jeffei Estevão Influências: - Apesar de tocarmos rock, costumamos dizer que nossa maior influência é a música! Seja qual estilo seguimento. Música sem rótulos. Talvez esse seja um lema no qual nos baseamos muito! - comenta Estevão

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Foto: Arquivo Pessoal da Banda

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Banda “Inabitual” e amigos

Na trilha do reconhecimento Os jovens da “Kings of Black Cocade” e da “InabituaL” sonham em conseguir um espaço na música. Mas, uma banda de Volta Redonda já tem o seu garantido, pelo menos nas noites da cidade: é a “Madame Zero”. O grupo comandado pela vocalista Camilla Nobre foi um dos cinco finalistas do prêmio multishow desse ano e já participou do quadro “Quem sabe faz ao vivo”, do TV Garagem do Faustão. O objetivo agora é fazer que suas canções sejam mais conhecidas. - Nossa pretensão é que o maior número de pessoas escute nossa música e se identifique com o nosso trabalho. Nós queremos trabalhar cada vez mais para mostrar o nosso som – afirma Camilla, por e-mail. Com as participações mencionadas e embalando o som das noites fluminenses, “Madame Zero” já reúne grandes admiradores. - Os fãs são muito importantes em nossa caminhada. São eles que vão aos nossos shows, escutam nosso trabalho e nos ajudam pedindo nossa música nas rádios e nas campanhas


MIX Madame Zero Vocalista: Camilla Nobre Baixista: Lenny Santos Guitarrista: Diogo Noyma Influências: Cada um tem as suas. O que acontece é um encontro dessas influências, que vão desde Beatles até Gonzagão. Têm muitas coisas boas sendo feitas na região, vários exemplos – comenta Camilla.

Foto: Arquivo Pessoal da banda

que a banda participa, como por exemplo, a do prêmio multishow – comenta a vocalista.

Banda “Madame Zero”

Um dos cantores, atualmente, com maior sucesso na região, é Jorge Guilherme, (JG) que emplacou sua música na novela Ti-ti-ti, da Rede Globo. Há oito anos seguindo carreira solo, o músico de comenta sobre o que é melhor em sua profissão. - O principal é gente. É uma palavra forte. O mais importante é ganhar as pessoas por onde passamos com o som, letras e dando atenção. Tenho contato diário com todos que se permitem porque gosto da situação de estar ouvindo e absorvendo opiniões. As redes sociais são meu maior instrumento nisso. São como planilhas diárias para mim e o trabalho.

Por ser mais experiente na área musical, ele arrisca conselhos para os iniciantes. - Se tiver amor vai ser feliz sempre. Música é entrega. É o caminho mais curto para entrar na vida das pessoas e estar perto de Deus. É realeza e requer talento, boa cultura e informação. Jorge Guilherme é um apaixonado pelo que faz. Ele conta à MixTape, por e-mail, como descobriu que deveria seguir a carreira de músico. - Eu entendi que deveria fazer música quando tive condição de dizer para mim mesmo o que era felicidade. O cantor que teve a música “Vestígios” tocada na novela global diz como sua canção fez parte da trama. - Quando o diretor Jorge Fernando veio a Volta Redonda com sua peça “Boom”, eu aproveitei a oportunidade e por ter muito carinho por ele, lhe entreguei meu CD e uma camisa. Dois anos depois, seu sobrinho, Marcelo Barros, que se tornou fã do meu trabalho, mostrou meu álbum e os dois ouviram todas as canções. Como o Jorge Fernando gostou do disco e encontrou em “Vestígios” o tema de um personagem, ele me ligou para dizer que a música estaria na novela, sendo a segunda mais tocada.

Jorge Guilherme Vocalista: Jorge Guilherme Influências: Todos os artistas com muita personalidade como Freddie Mercury, Cazuza, Ian Astbury (The Cult), Elis Regina, Tim Maia. Estilo: pop rock nacional e internacional

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Foto: Arquivo Pessoal do Cantor

MIX M Ú S I C A “Música é entrega. É o caminho mais curto para entrar na vida das pessoas e estar perto de Deus”

Jorge Guilherme

Por mais que compartilhem o estilo rock, os talentos musicais de Volta Redonda apresentam filosofias e histórias diferentes, mas todos pretendem viver de música. Eles entendem como é difícil seguir nessa carreira, contudo acreditam que com muito trabalho, é possível garantir seu espaço. O futuro, como disse o jovem Victor Lampert é duvidoso, porém cada banda insiste em seu sonho com a música. Se vão conseguir o grande público, ninguém sabe, entretanto cada grupo já tem fãs e amigos que torcem e acompanham o início do trabalho e o sucesso de cada um. 38


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A fórmula do reality O Brasil e os reality shows musicais

Por Alessandra Bueno

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quantidade de programas com a intenção de revelar novos talentos musicais é impressionante. O início dessa febre foi com o programa britânico “Pop Idol”, que revelou artistas como Will Young e Michele McManus. Apesar de ter durado apenas duas temporadas, foi tempo suficiente para espalhar sua fórmula para diversos países. Hoje, nesse gênero, os mais conhecidos são o britânico “X-Factor” – que foi com[o] uma espécie de substituto do “Pop Idol” - o “The Voice” e o mais popular, o “American Idol” que espalhou versões pelos quatro cantos do mundo. Por ser o mais conhecido, o American Idol já revelou talentos dos mais diversos estilos e conhecidos não só nos EUA, mas em todo o globo, como Kelly Clarkson, Adam Lambert, Carrie Underwood, Jordin Sparks e outros mais. Mas não só a versão americana revelou novidades, a versão australiana já revelou o cantor Guy Sebastian, enquanto a sueca a cantora Agnes Carlsson.

Mas e quanto ao Brasil? Claro que o país não ficou de fora e possui sua versão, entretanto, em comparação com as demais é a que menor evidência e divulgação têm dentro do próprio país. Não só o programa, mais principalmente os cantores. Enquanto a vencedora da primeira edição americana, Kelly Clarkson, já vendeu mais de 20 milhões de cópias em todo mundo com seus quatro álbuns. E o que dizer de Jennifer Hudson? Mesmo eliminada na terceira temporada, chegou ao sucesso estrelando o filme Dreamgirls e conquistando um Oscar e um Globo de Ouro. Enquanto isso o Ídolos, como é conhecido por aqui, nunca revelou uma estrela. Os vencedores como Leandro Lopes, Rafael Barreto e Saulo Roston em pouco tempo caíram no esquecimento dos telespectadores do programa, do ouvinte das rádios e principalmente da mídia. O Ídolos possui os mesmos elementos do Pop Idol e do American Idol, mas o que acontece por aqui que a audiência e o estrelato dos cantores revelados não chegam nem aos pés dos seus “irmãos”? 39


MIX A resposta não é tão simples Quando as audições para o programa começam, vemos uma multidão de pessoas cantando os mais diversos estilos como samba, xaxado, sertanejo, funk sempre do mesmo jeito. Claro que isso não pode definir o fracasso ou o sucesso de um programa, entretanto, por aqui o que mais se vê durante as audições televisionadas são os estereótipos e o jeito escachado de se cantar, tentando chegar ao sucesso nem que para isso seja preciso ser ridículo em rede nacional. Diferente do nacional, as demais versões priorizam e transmitem realmente as audições, sem escrachamentos e afins. É possível encontrar na maioria das vezes candidatos que conhecem clássicos de vários estilos e épocas e não apenas algumas novidades musicais. Provavelmente isso é fruto do investimento em música que muito dos países que possuem uma versão bem sucedida do reality tem. Sem contar que, investir-se em educação musical é muito mais prático e acessível nestes países do que no Brasil. Aliás, um dos grandes problemas do país é a falta de investimento em educação de todos os tipos. Além disso, as versões internacionais possuem um investimento muito grande. Contam com colaboradores de grande porte que vão desde gravadoras grandes como Zomba Records, Columbia Music e outras, forte publicidade e jurados extremamente profissionais. Não que os jurados brasileiros não sejam. Afinal, todos os que passaram pela bancada do programa possuem um currículo invejável. Entretanto, seus comentários não indicam ao participante um caminho ou direção que seja. Muitas vezes são comentários do tipo: “Você não foi bem hoje, precisa se superar, você desafinou naquela nota ou você se atrapalhou na entrada da canção”. Deixando tudo lost in the space, muito vago. No final, todos estes fatores contribuem para que o programa não cumpra o que se propõe a fazer. A falta de investimento na estrutura do reality, de publicidade e de educação musical contribuem para que o programa não vingue por aqui.

A direita Adam Lambert, segundo colocado da edição de 2009 e a esquerda Kriss Allen vencedor da edição

Mas, talvez o maior e principal problema seja o cenário musical brasileiro. Afinal é complicado para o iniciante competir com cantores de peso com longos anos de estrada. Sobretudo em um país onde os estilos musicais mais cultuados são o sertanejo, o funk, o pagode e o samba. O músico do interior de São Paulo, Lucas Gilardino, comenta: “com certeza o Brasil está repleto de Withney Houstons, Michael Jacksons, Tons Jobins e Elis Reiginas da vida, resta a indústria fonográfica conseguir revelar um talento desse porte e de estilos sejam diferentes ou até mesmo trabalhar de forma melhor nos possíveis talentos que possam surgir nas futuras edições do reality”.

Fonte: American Idol.com

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Juizes do American Idol 40


MIX O retorno dos bolachões Mercado fonográfico aposta nos discos de vinil em plena era do download Por Laila Carvalho

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les estão de volta. Assim como na moda, aonde as tendências vão e voltam, o mundo da música trouxe o bom e velho disco de vinil para as prateleiras. Desde 2005, o saudoso bolachão ganhou espaço nas principais lojas musicas do mundo. Com toques de modernidade e tecnologia, o retorno foi muito bem visto aos amantes de boa música. Algumas fábricas na Europa voltaram a fabricar o vinil e, para ser possível a execução, foi necessário a produção do aparelho compatível, o velho toca-disco. A Sony, por exemplo, produz uma vitrola hightech, a ELP. Em vez de agulha, o que transforma as faixas em som é um leitor a laser. A empresa inglesa Vestax criou um aparelho que transforma o áudio de arquivos digitais MP3 em discos de vinil. Ao contrário dos anos 70 e 80, os LPs não são produzidos massivamente, mas de forma quase artesanal. Os que acreditam que no vinil o som seja mais limpo, natural e sem chiados são os principais interessados na regravação de sucessos no suporte mais que amado pelos audiófilos, pessoas apaixonadas por música. Os modelos antigos, raridades no mercado, são disputados e vendidos a preços altíssimos. Uma boa coleção dos amantes dos bolachões viraram moeda de valor. É o caso do primeiro Bob Dylan, na edição americana, ou das primeiras gravações dos Beatles, que chegam a custar US$ 15 mil a unidade. Existem várias especulações sobre o motivo do ressurgimento do vinil. O lucro, com toda certeza, não deve ser ignorado. É um mercado com grande retorno comercial, afinal, o disco fez parte da vida de muitos, se tornou objeto de desejo pelo valor afetivo, sentimental. Essa tese se comprova com os números de vendas nos últimos anos no Brasil e no mundo. Nos Estados Unidos, a venda de vinis cresceu 89% de 2007 a 2008, totalizando 1,8 milhões de

Foto Natalia Nis

bolachões vendidos. Enquanto isso, segundo a Associação da Indústria Fonográfica da América (RIAA, na sigla em inglês), o consumo de CDs caiu 17,5% durante o mesmo período. No Brasil, a volta do vinil também se mostra forte e o maior indício foi o reativamento, em janeiro, da Polysom, última fábrica de vinis do país e que havia sido fechada em outubro de 2007. Localizada em Belford Roxo, município do Rio de Janeiro, a empresa foi comprada pela Deckdisc, em 2009, e recebe pedidos de encomenda de todos os tipos e tamanhos. Em entrevista ao Viva o Vinil, site da MTV, Rafa Ramos, um dos donos da loja, falou sobre as expectativas do novo projeto. Segundo o Official Charts Company, cerca de 240 mil vinis já foram vendidos em 2011, ultrapassando a marca de 234 mil de 2010. Caso as vendas continuem nesse ritmo, o consumo pode chegar a 300 mil pela primeira vez desde 2005, quando mais 351 mil discos foram comprados. Apesar de ser muito difícil ver alguém comprar um cd, já que todas as faixas estão disponíveis na internet, parece que os LPs vieram para ficar. 41

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Investimento alto

É bom preparar os bolsos, pois os bolachões históricos podem custar bem caro. Segundo o site The Audio Philes, clássicos como Bob Dylan, Elvis Presley, entre outros são os discos mais caros da história, custando, cada um cerca de 25 mil dólares. No Brasil, “Paêbirú”, de Lula Cortês e Zé Ramalho é o vinil com preço mais elevado. Custando cerca de 4 mil reais, a história da produção do disco será contada no documentário Nas Paredes da Pedra Encantada, de Cristiano Bastos. Porém o título de vinil mais caro do mundo vai para “Double Fantasy” do John Lennon com Yoko Ono. A cópia em questão foi vendida por 525 mil dólares e trata-se do disco autografado por Lennon para Mark David Chapman, que, horas depois assassinou o cantor enquanto ia para sua casa. A cópia foi usada como prova do assassinato pois continha as impressões digitais do réu, além das pessoas que testemunharam o autógrafo.

Será mesmo um retorno? Apesar das pesquisas comprovarem um aumento considerável na venda de vinis, há quem acredite que isso não passa de modinha. Edson Gastaldo, professor de Jornalismo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, dono de uma coleção com mais de 500 bolachões, acredita que, mesmo com o boom das vendas, não se trata de um retorno. - Não é a volta do vinil. Como uma ação de mercado, não darei juízo de valor sobre ela. Mas a intenção é vender para os DJs, pois é melhor para manuseá-lo. Se prestar atenção, os discos regravados são de músicas que tocam nas pistas de dança. 42

Veja a lista dos dez vinis mais vendidos em 2011: 1. Radiohead – 'The Kings Of Limbs' 2. Adele – '21' 3. Beady Eye – 'Different Gear, Still Speeding' 4. Arctic Monkeys – 'Suck It And See' 5. PJ Harvey – 'Let England Shake' 6. Bon Iver – 'Bon Iver' 7. Alex Turner – 'Submarine OST' 8. Kate Bush – 'Director's Cut' 9. Elbow – 'Build A Rocket Boys!' 10. Nirvana – 'Nevermind' (Fonte: Official Charts Company)

Fora isso, um ou outro saudosista irá adquirir. Não vai acabar, mas também não é um retorno – afirma. A coleção pessoal é fruto da época em que o vinil era um dos únicos dispositivos de distribuição de áudio. Com o advento do cd, Gastaldo optou pela novidade por considerá-la melhor. - Tem quem diga que o vinil é superior, tem mais qualidade. Eu não acho. O cd dura mais, não tem que ficar virando ou gastando agulha, além de não ter chiado. Não sou saudosista, só guardo os meus vinis por ter coisas raras e que gosto. Mas comprar, não faço isso há mais de 30 anos – conclui.


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Relançamentos em 3D: um sucesso de bilheteria Formato tridimensional invade as telas dos cinemas e traz clássicos de volta Arquivo pessoal

Por Laila Carvalho

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s filmes em 3D viraram moda no mundo afora. A maioria dos longas lançados esse ano foram no formato tridimensional. Apesar do custo mais elevado, os produtores têm investido na tecnologia, pois envolve o espectador com o enredo passado na telona. Principalmente para os filmes de ação, o recurso se tornou um aliado na aproximação filme da realidade. Mas o público que está ganhando mai atenção nessa novidade é o infantil. Grande parte dos longas destinados a eles já foram pensados com essa tecnologia, como “Enrolados” e “Alice no País das Maravilhas”, ambos em 2011. No ano anterior, “Sherk Para Sempre”, “A Era do Gelo 3”, entre outras animações arrebentaram as bilheterias no país e no mundo.

Por isso, algumas das maiores produtoras cinematográficas do mundo apostaram no relançamento de sucessos no formato 3D. Os estúdios da Walt Disney lançaram, em setembro desse ano, o clássico de animação “O Rei Leão”, de 1994, o que custou menos que 10 milhões de dólares para ser convertido ao formato tridimensional. O retorno foi tão grande que, apenas nos Estados Unidos, foi arrecadado o equivalente a 80 milhões de dólares em bilheteria nas duas primeiras semanas. Pelo visto, a Disney não pretende parar por aí. O presidente dos estúdios Disney, Alan Bergman, afirmou através de sua assessoria de imprensa que a iniciativa é interessante porque resgata sentimentos dos que já acompanharam o filme na sua infância. 43

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- Como a maioria dos fãs, acho que a quantidade de versões diferentes dos mesmos filmes está se tornando uma relação de amor e ódio.Ao mesmo tempo em que todos irão ao cinema assistir esta nova versão, tenho certeza que a boa parte, inclusive eu, preferiria ver os esforços para lançar novos filmes e séries de qualidade. Acho que a Lucasfilm já conquistou um novo público de fãs, e não perderia nada lançando também algo novo voltado para o público que já curte a saga fielmente há mais de 30 anos. Mas, como fãs, não perdemos nenhum lançamento – conta Granado. Os longasmetragens tridimensionais é uma tendência que está sendo vista em todo lugar. Poucos filmes ainda resistem e são lançados no formato tradicional. Se é uma boa idéia ou não o relançamento de clássicos é muito cedo para falar. Porém, as produtoras já perceberam que, apesar de mais caro, é um mercado lucrativo, com retorno considerável. Aprontem os óculos, a pipoca e bom filme!

Harry Potter pode ganhar formato 3D Para os fãs que acreditavam no fim da saga, eis uma boa notícia. Não é uma nova aventura do menino bruxo, mas a Warner tem planos de relançar todos os filmes em 3D. O produtor da franquia, David Heyman disse que há a possibilidade de ganharem a versão tridimensional. O longa “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1” seria lançado, inicialmente em 3D, mas o produtor voltou atrás na decisão. Agora, com o fim da série, ele aposta no relançamento para não deixar a saga, com milhões de fãs no mundo inteiro, morrer. “Não houve negociações concretas sobre lançar a série toda em 3D, mas o estúdio relutará em deixar isso morrer. É só uma questão de tempo”, afirmou o produtor em uma entrevista à MTV americana. O jeito é esperar e torcer.

Banco de Imagens

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Além de permitir aos que não tiveram a oportunidade de vê-lo no cinema no passado a se emocionar com eles, em um formato diferente do que estão acostumados. Por isso já estão previstas as estréias de outros clássicos como “A Bela e a Fera” (1991) e “Procurando Nemo” (2003), já para janeiro e setembro de 2012, respectivamente. . Já a nova versão de “Monstros S.A.”, lançado em 2001, chegará aos cinemas em junho de 2013 e “A Pequena Sereia”, tem data prevista para setembro do mesmo ano. O sucesso de “O Rei Leão” impulsionou outras produções veteranas a reaparecerem nas telonas na versão 3D. Um dos primeiros será “Titanic”, previsto para 2012, ano em que se completa 100 anos da tragédia contada no filme. Os estúdios 20th Century Fox e a Paramount Pictures já anunciaram o investimento de 18 milhões de dólares para converter o romance, lançado em 1997 no formato. As séries de filmes como “Shrek” também ganharão a nova versão, a partir do ano que vem. Segundo a DreamsWorks, a empresa trabalha com um projeto do relançamento dos três primeiros filmes em 3D, assim como o último, “Shrek Para Sempre”. Já os produtores de “Star Wars” prometem a saga inteira em 3D, a começar por “Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma” já em 2012. Um dos criadores do Conselho Jedi, organização que reúne fãs da ficção, Henrique Granado, acredita que muitos assistirão a novidade, mas não estão muito contentes com isso.

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Infectados! Mercados fonográfico e audiovisual sofrem com o crescimento do download e pesquisas revelam dados assustadores sobre a pirataria Por Ramon Cesar

Século XXI, 2011, avanço tecnológico a todo vapor e o modo de viver das pessoas sendo constantemente moldado por ele. Essa tem sido a realidade dos tempos pós-modernos. E como não dizer que o consumo musical e audiovisual faz parte disso? As pessoas conversam sobre música, opinam sobre cinema, se interessam por artistas e acessam meios de comunicação que abordam os temas. Trata-se de um comportamento emblemático na sociedade atual e que tem sofrido mudanças drásticas. Em tempos onde tudo se cria e tudo se compartilha, esse tipo de consumo virou alvo de sérias discussões e pontos de vista, principalmente quando se fala em direitos autorais e práticas de circulação. Afinal, de que se trata? Anualmente, a dupla movimenta bilhões no Brasil. No setor fonográfico, 65 % do mercado estão tomados por eles, o que já ocasionou, nos últimos anos, uma perda de mais de 80 mil empregos formais e uma queda superior a 50 % do faturamento no setor. Mais de 3,5 mil pontos de venda legalizados foram fechados e R$ 500 milhões em impostos deixam de ser arrecadados anualmente por causa deles. Juntamente com os lojistas e com o Estado, estão os artistas, que já reduziram em mais de 50 % os lançamentos de produtos.* No setor audiovisual, quase 60 % dos DVDs comercializados não são originais e as perdas mundiais com isso ultrapassam a marca dos US$6 bilhões (cerca de R$102 bilhões). No Brasil, os prejuízos no PIB ultrapassam os R$3 bilhões anualmente. Isso significa uma redução de quase R$1 bilhão na arrecadação de impostos e a não geração de quase 100 mil empregos. Exato! Eles se chamam pirataria e download!*

A origem Com o surgimento do CD e DVD, o compartilhamento se tornou muito mais prático e com mais qualidade.

Por volta dos anos 70, as pessoas compartilhavam música, por exemplo, por cassete e isso não representava grandes problemas ao mercado. Mas essa realidade mudou a partir da década de 80, quando as coisas começavam a se tornar mais fáceis. É aí, então, que a pirataria toma força e cresce, chegando a ser constituída como crime por lei no Artigo 184 do Código Penal, que prevê pena de multa ou até quatro anos de prisão. Apesar disso, ela não deixou de existir. O fato é que, nem todos a veem como crime. Com o avanço da internet e do formato MP3, o download tem se sobressaído e tomado grandes proporções a ponto de a indústria m o v e r campanhas de combate. Baixar músicas e filmes hoje é prática consolidada, a ponto de produtores se renderem e disponibilizarem seus trabalhos para download até mesmo gratuito em suas páginas. Entre os principais tipos de download está o chamado P2P (person-to-person), efetuado por compartilhamento de dados. 45

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De acordo com pesquisas, a troca de arquivos pela rede P2P já representa metade de todo tráfego de dados da internet e os arquivos de música e vídeo são responsáveis por 70 % de tudo isso. Vale ressaltar o surgimento do download pago, que, nos últimos anos teve um crescimento bastante significativo. Uma pesquisa feita recentemente pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (sigla em inglês IFPI) revelou que, de 2007 para 2008, a quantidade de downloads pagos quase triplicou no Brasil. Mas, esses números se ofuscam diante dos mais de 90 % que, pelo que dizem as pesquisas, não recolhem direitos autorais.

O Combate O crime contra os direitos autorais vem sendo intensamente combatido. No Rio de Janeiro, por exemplo, já existe uma delegacia especializada e outros estados planejam aderir à ideia. Recentemente foi criada a “Associação Antipirataria de Cinema e Música” (APCM), uma união da Associação de Defesa da Propriedade Intelectual (Adepi) e a Associação Protetora dos Direitos Intelectuais Fonográficos (APDIF). Seu objetivo é proteger os direitos autorais, buscando proporcionar um mercado mais ético e oferecer meios para a realização de ações que visem combater a pirataria. Além de buscas e

apreensões, a Associação realiza também seminários e treinamentos para agentes públicos. Em sua página na Internet, a APCM divulga periodicamente estatísticas de suas ações e dos avanços no combate à pirataria. No ano passado, 25.596.836 CDs e DVDs piratas foram retirados de circulação através do projeto. A APCM possui também um setor específico de combate à pirataria na internet, que monitora sites de conteúdo sem proteção à propriedade intelectual. Também em 2010, foram 1.329.142 solicitações de retiradas de links, disponibilizados por torrents (P2P), blogs, redes sociais e outros. Os adeptos de tais práticas preferem crer que, apesar de se tratar de uma ação desviante, é por uma boa causa, visto que, os altos custos de produtos originais bloqueiam o acesso à cultura. O que fazer? Com o fim da pirataria, aqueles que não possuem condições de adquirirem produtos originais, talvez, não tenham mais acesso à cultura. Se ela continua, uma série de danos à sociedade serão gerados. Leis que preveem isenção de impostos para CDs e DVDs já foram aprovadas e, o que se vê são poucos resultados. Dados como os citados no texto revelam aspectos positivos das ações de combate, mas, as discussões sobre violação de direitos autorais e práticas de circulação ainda não chegaram a um fim. Esta é mais uma.

CDs e DVDs: Seria o fim?

Ao que tudo indica, sim e, em pouco tempo! Fontes consultadas pelo site americano Side-Line afirmam que, até o fim de 2012, grandes gravadoras devem abolir de vez a produção de CDs, devido às fortes baixas no mercado. O posto do formato será tomado pelo download pago e pelo streaming (serviços de informação multimídia) como o iTunes (e a loja virtual do google lançado no último *data de novembro). O CD ficaria restrito às edições especiais para colecionadores. Sendo tais especulações verídicas, é bom que as lojas especializadas se preparem e tratem de providenciar novos investimentos. E por falar em novos investimentos, as locadoras de filme que se cuidem! Está chegando com toda força o streaming de locação de filmes “NetFlix”. Pagando-se uma taxa mensal, o serviço disponibiliza aos usuários um acervo de filmes e programas de TV online. Além de possuir contrato com grandes estúdios, como Hollywood, fabricantes de televisores já prometem modelos com conectividade à internet e que oferecem os serviços NetFlix. É valido ressaltar que, os fabricantes de computadores também acompanham o fluxo e preveem o fim dos leitores de CDs e DVDs.

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Foto: Ramon Cesar

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O homem por trås das câmeras

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Luis Alvarenga, fotojornalista do Jornal Extra (RJ) conta sua trajetória e revela o que forma o bom profissional Por Analine Molinário e Laila Carvalho

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ual o momento certo para uma bela foto? Aproveitando as oportunidades Como se determina o instante perfeito que surgem para disparar o flash? Quando se vive no mundo da fotografia, essas questões são mais Ao terminar o segundo grau, em 1991, o início que importantes, são essenciais. Luis Alvarenga, de sua carreira fotográfica bateu em sua porta. repórter fotográfico do Jornal Extra (RJ) sabe Ou melhor, na porta ao lado. Roberto Bruno, bem como lidar com isso. Ao contar sua história fotógrafo do Jornal Fluminense procurava o à MixTape, na redação do Extra, ele demonstrou vizinho de Alvarenga, mas encontrou o jovem, em seus 18 anos e lhe propôs uma vaga no o ser humano que existe por trás das lentes. Seu início nos jornais começou cedo, mais setor administrativo do jornal. A oportunidade precisamente no seu primeiro dia de vida, de trabalhar como office-boy no tablóide o em julho de 1972. Virou celebridade por ser o aproximou do campo que hoje é a sua vida. bebê mais pesado da maternidade do Hospital Concomitante à formação em Educação Física, Luis Alvarenga trabalhava no jornal e percebeu Getúlio Vargas, na Penha, a possibilidade de estar RJ. A história foi contada “Talvez por ter sido criado próximo do esporte por pelo Última Hora, jornal outro meio, a fotografia. por mulheres, tenho carioca de grande Bem diferente do que é sucesso entre os anos 50 uma vida inclinada à atualmente, a foto era e 70, e o menino de 55 e custava centímetros e 5.350 Kg sensibilidade, me preocupo trabalhada ficar pronta. Além de ganhou seus 15 minutos muito com as questões disparar o obturador, de fama. tinha o processo de sociais” Como muitos brasileiros, revelação. E isso era o mais o pequeno Alvarenga não para o jovem carioca. teve uma infância fácil. Criado pela mãe e avó, apaixonante as necessidades batiam a porta e ajudaram a Com seis meses de trabalho, a oportunidade de ingressar no fotojornalismo lhe foi concedida. construir o seu caráter. - Talvez por ter sido criado por mulheres, tenho Com a ajuda de Pauty Araújo, o homem que o uma vida inclinada à sensibilidade, me preocupo apresentou a área, ele passou a estagiar nos laboratórios e em 1992 teve o primeiro contato muito com as questões sociais - diz o fotógrafo. com os produtos químicos que realizavam a faceta especialidade. Tinha a experiência do Madureira da revelação. Com seu fiel escudeiro, o livro e das peladas nas quadras de São Gonçalo. Mas a “Tudo sobre Fotografia”, de Michael Busselle, vida lhe reservara outro modo de ver o esporte, o mais novo integrante da equipe do jornal por ângulos que ele mesmo definiria. se empenhou para aprender o novo desafio. 48


A dedicação foi tão grande que a graduação em Educação Física começou a ficar de lado. Com o trabalho de office-boy e o estágio logo após o expediente, não sobrava tempo para os estudos, que acabou sendo abandonado de vez. No enterro da mãe do ex-presidente Itamar Franco, sua primeira grande cobertura jornalística, mostrou toda a competência e seriedade com que tratava seu trabalho. Apesar de não ser uma tarefa fácil para um iniciante, a matéria foi confiada ao novato por seus superiores o considerarem capaz de fazer. Como resultado, ganhou a primeira página do Jornal “O Fluminense”. O amor pelas câmeras não demorou a chegar. Sempre que podia, pegava as máquinas emprestadas para clicar aquilo que tinha vontade, o que considerava incrível ou

“Não fotografo para ser melhor que ninguém, apenas para ser melhor que eu mesmo”

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importante. Vibrou ao ver sua primeira foto, que retratava a disputa de cabo de guerra entre atletas, em Niterói, publicada na coluna de esportes do Jornal “O Fluminense”. Com apenas 23 anos foi chamado pelo colega de profissão, Rogério Reis, para trabalhar no Jornal do Brasil. Esse foi o impulso para fazer do garoto um profissional respeitado. Em pouco tempo, a vida de Luis Alvarenga foi se consolidando no trabalho e, passo a passo, construiu o repórter fotográfico premiado e reconhecido que é hoje. - Não fotografo para ser melhor que ninguém, apenas para ser melhor que eu mesmo – declara.

A vida fora das redações Atualmente, é editor substituto do Jornal Extra (RJ), mas afirma que isso não o impede de ir às ruas. Casado e pai de dois filhos, Lucas, de 15 e Maria, de oito anos, o repórter fotográfico se define como chefe de família, amante da música, comprometido com causas sociais, educação dos filhos, amigo dos amigos, sendo fiel a eles e aos seus princípios. Se considera determinado, focado, alguém que sabe o que quer. Para ele, essas características são essenciais a um fotógrafo. Determinação para correr atrás do difícil, foco para ter um bom resultado do trabalho, e saber o quer alcançar com a foto, sendo apaixonado por isso. Foto: Ateliê Derossi

Falta de verba faz com que crianças fiquem sem alimentos em creche de Belford Roxo Baixada Fluminense Luis Alvarenga 49

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A fotografia é muito mais que um conjunto de pixels formando uma imagem. Alvarenga vê no trabalho uma forma de mudar o mundo. Não no sentido utópico e sonhador, mas trazer a reflexão para aqueles que apreciam o que ele faz. Por esse motivo, vê na fotografia de pessoas uma emoção especial. Não que cobrir eventos e retratar paisagens seja menos prazeroso, mas contar através de imagens a vida, dor, felicidade, sofrimento, necessidade, êxtase, entre tantos outros sentimentos captados por um clique, faz do seu ambiente de trabalho um lugar de mudanças. Momentos difíceis? Muitos. Ele sofre junto com o fotografado em alguns de seus trabalhos. Para ele, fotografar crianças com fome ou em estado de miséria – seja ela financeira ou emocional – é a parte mais difícil de ser feita. Como separar o ser humano que existe dentro do profissional que não deve interferir no que acontece? A necessidade de fazer algo por um mundo melhor o incomoda a fazer muito mais do que contar o que se passa por meio de uma fotogravura. Isso não é só um dilema para ele, outros fotógrafos encaram isso e muitos não reagem bem– como o caso do fotógrafo de guerra, Kevin Carter, que se suicidou após questionarem sobre qual atitude

Trabalho recompensado Um bom profissional não é feito pelo que ele diz de si, mas do que é dito sobre ele. Ver o currículo dele e por que trabalha com o Altayr! Como reconhecimento de seu trabalho, já foi indicado para várias premiações, entre elas o Prêmio Esso e o Embratel, além de ganhar por oito vezes prêmios internos do Extra. Alvarenga sempre está envolvido nas questões sociais e participa de atividades como palestras para os jovens do Complexo do Alemão, aulas no SESC São Gonçalo, além de ser fundador e presidente da Sociedade Gonçalence. O menino de família pobre oriundo da Zona Norte do Rio de Janeiro não se deixou levar pela grandeza, mas se volta a ajudar aqueles que se encontram como um dia ele esteve. Sua humildade e simplicidade são a chave do sucesso. - Sou adepto da frase: ‘Quanto menos, mais’.

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Foto: Ramon Cesar

Luis Alvarenga na redação do Extra

“A fotografia me deu tanta coisa bacana que pode dar para outras pessoas” Quanto menos você for, mais elegante vai parecer - conta Alvarenga. Ajudar as pessoas, no fim é isso que realmente importa. O fotógrafo deixa claro que é o que rege sua maneira de agir, inclusive em seu trabalho. Para ele, a sorte que o alcançou pode – e deve – ser retribuída a quem precisar. Sem cobranças, apenas fazendo sua parte para um mundo melhor. Ao ser perguntado sobre como faz para ajudar as pessoas, o profissional foi deixado de lado e abriu espaço para um ser humano que, emocionado falou: - A fotografia me deu tanta coisa bacana que pode dar para outras pessoas. E é isso que eu quero.


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Experiência do fotógrafo no Haiti

Foto: Arquivo pessoal do fotógrafo

Experiência no Haiti Alvarenga teve a oportunidade de visitar o Haiti, nação situada na América Central, em 2008. Lá, as experiências vividas por ele foram, como o próprio define, emocionantes. Crianças sem pais, casas destruídas, pessoas sem condições de vida digna são encontradas em cada esquina no país. Passou pouco mais que uma semana, mas voltou com histórias surpreendentes. - No Haiti não tem terça, quarta, quinta e sexta. Todo dia é segunda-feira. Todo dia é difícil conta. A viagem, realizada por um convite do Extra, reuniu um acervo de relatos em imagens sobre a realidade do país mais pobre da América e que por um motivo ou outro é ignorado por boa parte do mundo. A intenção não era sair clicando o que daria uma boa foto, Alvarenga buscou sempre permitir que a sua sensibilidade lhe revelasse o que valia a pena ser mostrado.

“No Haiti não tem terça, quarta, quinta e sexta. Todo dia é segunda-feira.”

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Exemplos que geram mudanças

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A fotografia mudou muito a vida de Luis Alvarenga, mas ele pode ver que, por sua influência como fotorjornalista, pessoas próximas dele também foram transformadas. Em entrevista a Mix Tape, ele contou a história de seu primo, S., que havia se envolvido com drogas. Seu tio, pai do menino, teve grande importância na vida do fotógrafo, pois, além de assumir a figura de pai, o ajudou a comprar a primeira máquina fotográfica, ainda quando office-boy do Jornal O Fluminense. Alvarenga se sentia responsável pelo primo e, já que queria mudar o mundo, por que não começar pela sua família? Devido ao seu trabalho, ele conseguiu incentivar o jovem a participar de um curso de fotografia, em Niterói, onde ele aprendeu todas as bases do fotojornalismo. S. ficou tão empolgado com a novidade que pedia constantemente o material de Alvarenga para fazer suas próprias fotos. Mesmo com a desconfiança da família que temia a possibilidade do jovem vender as máquinas por drogas, o fotógrafo não se importou. Assim como um dia tinha ganhado um voto de confiança do seu tio, ele retribuía com o primo. E o plano deu certo. S. fez o curso, se livrou das drogas e hoje trabalha no Jornal São Gonçalo. Para ele, essa foi a maior vitória conquistada até hoje. Mas ele quer mais. - Se eu consegui ajudar o S., consigo com outras pessoas também.

– Eu só consigo ser Luis Alvarenga se eu continuar no nível que cheguei – afirma. Manter é não deixar seu ego te atrapalhar. – Ego: uma palavrinha pequena, com duas vogais, uma consoante, mas que pode derrubar você – comenta. A humildade deve estar sempre em primeiro plano, não é bom tirar o foco dela. E para continuar onde alcançou, Alvarenga será o repórter fotográfico do Jornal Extra em Londres, na cobertura dos Jogos Olímpicos de 2012.

“Eu só consigo ser Luis Alvarenga se eu continuar no nível que cheguei”

Foto: Ramon Cesar

O dia a dia Não existe uma fórmula exata para ser um bom profissional. Contudo, para quem quer seguir a área de fotografia, o integrante da 1ª equipe de fotojornalistas do Rio deixa suas dicas, partindo da frase: “Aspirantes anseiam, profissionais trabalham.” Ou seja, sonhos custam esforço, força de vontade. A principal característica é ser determinado no que quer. A repetição transforma um sonho em um trabalho eficiente. Para ele, hoje é mais fácil ser fotógrafo, porém os assuntos estão mais difíceis de acontecer. O dia a dia não é fácil. Correr atrás do que mostrar, levando em consideração o que os outros querem ver. Mas com um pouquinho de olhar e sensibilidade tudo é possível. Quando se chega ao auge, tem que se manter no topo. Ele acha isso o mais difícil. 52

Alvarennga, no grupo dos melhores fotojornalistas do Rio de Janeiro


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Foto: Ateliê Derossi

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Foto finalista do Prêmio Esso - Tiroteiro entre policiais e traficantes da favela da Maré - Luis Alvarenga

“A vida de fotógrafo é inesperada. Você vai do ‘tiroteio à moda’.“ Ao fotografar o consumo de drogas dentro do cemitério do Catumbi, Alvarenga e outros colegas de trabalho foram vistos pelos criminosos. Sem pena, eles abriram fogo contra os fotógrafos, que fugiam apavorados, rolando pelas escadarias. Além disso, em companhia da jornalista do Extra, Cristiane Venâncio, cobriu, em 2001, a revolta em Bangu I, presídio do Rio de Janeiro. Como o jornal estava iniciando, ambos estavam com sede de notícias e não mediam consequências para alcançar seus objetivos. A repórter entrou na prisão, em plena rebelião, comandada por Fernandinho Beira-Mar, um dos traficantes mais perigosos do estado. É comum na vida do fotógrafo, após viver a tensão de fotografar uma cena de violência, ter que ir a estúdio fazer ensaio de moda. Por isso, Alvarenga descreve que “a vida de fotógrafo é inesperada. Você vai do ‘tiroteio à moda’”. Arquivo: Extra Online

Book Fotográfico Bruna Linzmeyer - Luis Alvarenga 53


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Outra situação comentada pelo fotojornalista foi o caso que envolveu Bruno Souza, goleiro do Flamengo, ele foi o único a registrar a cena da prisão, o que significa muito para um repórter fotográfico. O jogador é acusado de seqüestrar e matar a ex-noiva, Elisa Samúdio, no fim de 2010. Luis Alvarenga, o garoto sonhador que hoje tem seus objetivos realizados e que vibra com cada foto sua publicada como da primeira que saiu no Jornal O Fluminense, merece estar no time dos melhores fotojornalistas do Rio de Janeiro. Além de talentoso e ter o olhar fotográfico apurado, ele é simples, humilde, sonhador.Não espera que suas conquistas sejam só suas, mas sim, com elas incentivar outros tantos jovens a conseguirem seus objetivos. O menino mais pesado do Hospital Getúlio Vargas que teve seus 15 minutos de fama ao nascer, hoje é um conhecido fotógrafo, com uma paixão pela música, uma dedicação por causas sociais, um profissional respeitado pelos colegas, um pai dedicado, um exemplo de ser humano.

Alvarenga por Cristiane Venâncio O amigo dos amigos faz admiradores por onde passa. Cristiane Venâncio, a jornalista que o acompanhou na cobertura da revolta em Bangu 1,em 11 de setembro de 2002, é só elogios para o antigo colega de profissão. Hoje, professora de Jornalismo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), ela caracteriza Alvarenga como alguém incansável e persistente para conseguir a melhor foto. - O trabalho dele é excelente em dois sentidos: primeiro, pela qualidade das fotos em si, o seu olhar surpreendente para o fato jornalístico; segundo, porque é uma excelente pessoa, sempre com bom humor, de convivência fácil – conta. Foto:Arquivo Pessoal

Alvarenga por Altayr Derossi Através de uma ligação cheia de ruídos nasceu uma amizade duradoura. Alvarenga e Altayr Derossi, professor de Fotojornalismo da UFRRJ, trabalham juntos no Ateliê de Fotografia Derossi desde XXX. Eles se conheceram através do fotógrafo Rogério Teles e se tornaram grandes amigos. Para o docente, o que mais caracteriza Alvarenga é a humildade. - Sem sombra de dúvida, ele é um dos melhores profissionais que conheço e um ótimo professor. Um cara simples, boa gente, que só procura fazer o bem. Tem um caráter ímpar – enfatiza. Foto: Laila Carvalho

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Dance para se divertir, dance para se expressar, dance para começar a sonhar M Foto: Arquivo do grupo

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sociedade tem na dança uma das manifestações artísticas mais antigas. Desde os povos pré-históricos com suas pinturas nas paredes, há sinais de que ela já existia. Passados séculos, no Renascimento, período de grandes transformações artísticas, sociais e culturais, a dança passa a ser mais acessível às classes menos favorecidas, e com isso se popularizam ritmos antes exclusivos das elites. Hoje, podemos dizer que ela expressa os sentimentos mais profundos: alegria, tristeza, raiva, fúria, liberdade. Quando se dança, nada mais importa, apenas os passos que seguem a melodia. Das clássicas às populares, ela está presente em cada cultura, e participa de momentos únicos: a dança do baile de 15 anos, da festa de formatura, do casamento, das comemorações de fim de ano, das reuniões familiares, da saída com os amigos, entre outras atividades. Para culturas indígenas, dança é ritual, é pedido por colheitas melhores, é religiosidade, é agradecimento. Dança representa também trabalho, muito trabalho. Das companhias de dança às apresentações teatrais, ela se faz presente, emocionando, alegrando, fazendo pensar. São vários estilos: ballet, ballroom, bolero, capoeira, can can, cha-cha-cha, contemporânea, contra-dança, country, flamenco, foxtrot, funk, jazz, mambo, merengue, religiosas, sacra, rumba, salsa, samba, swing, tango, valsa, entre outras. Algumas são para todos, outras ainda tem como público as classes mais abastadas. “Dançando para não dançar” Danças como o balé clássico ainda são destinadas principalmente para famílias de classe média. Para esse tipo de dança tem-se o ethos de dançarinos magros e bonitos, como se a fisionomia interferisse no talento apresentado no palco.

Por Analine Molinário e Laila Carvalho

Em ensaio, dançarinas se preparam para apresentação

A bailarina Thereza Aguilar que estudou em Staatliche Ballettschule Berlin, na Antiga Alemanha Oriental e em Havana, no Balé de Camaguey e no Balé Nacional de Cuba, retorna ao Brasil em 1995 percebendo que o balé continuava elitizado. Sendo totalmente contra isso, ela cria no Rio de Janeiro o “Dançando para não dançar”, que tem com o objetivo principal trazer maior perspectiva de vida a crianças e adolescentes de comunidades carentes. No total, são atendidas 13 favelas: Cantagalo, Pavão-Pavãozinho, Rocinha, Mangueira, Chapéu-Mangueira, Babilônia, Macacos, Tuíuti, Jacarezinho, Salgueiro, Dona Marta, Oswaldo Cruz e Borel. O projeto tem espaço próprio para atender crianças, de ambos os sexos, entre 7 e 14 anos. Porém, as aulas não se limitam ao prédio, localizado no centro da cidade do Rio de Janeiro. Aulas são ministradas dentro das comunidades, o que permite a muitos a oportunidade de participar. “No Brasil a dança clássica é uma profissão elitizada. Sempre foi e não deixou de ser. O Dançando veio para iniciar um processo de popularização dessa arte, restrita as classes mais abastadas. Hoje, no Rio de Janeiro, milhares de pessoas já assistiram a pelo menos um dos muitos espetáculos produzidos pelo projeto em locais públicos” - comenta Thereza. 55

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MIX O “Dançando para não dançar” já exportou Além do incentivo a dança, o projeto concede vários alunos para as melhores escolas de dança: aos participantes a chance de conhecer out Staatliche Ballettschule Berlin, Cia. Deborah ros meios de cultura, lazer e conhecimento. Com Colker, Balé Nacional de Cuba, entre outras. Além ajuda de alguns parceiros e patrocinadores, disso, fez turnê por algumas cidades brasileiras: os alunos ganham ingressos para irem ao Salvador, Rio das Ostras, Paraty e Macaé. Em cinema, teatro e apresentações musicais. novembro, o projeto foi agraciado com uma Com isso, há uma inclusão de outras medalha de Honra ao Mérito, do Ministério da formas culturais por intermédio da dança. Cultura, pelas mãos da presidenta Dilma Rousseff. O “Dançando para não Dançar” atende Para a coordenadora e crianças especiais - com idealizadora, Thereza Aguilar, a “A dança para mim é um Síndrome de Down - além de dança tem um poder especial. grande mecanismo de auxiliar alunos e familiares - A dança para mim é um grande transformação social. É a com consultas médicas, mecanismo de transformação odontológicas, psicológicas, social. É a minha vida e a minha vida e a mudança aulas de informática, inglês, mudança de vida no meu país. de vida no meu país” espanhol e reforço escolar. Samara Pereira da Silva, de 19 anos, da Comunidade “A Dança pode representar o que respiro” Pavão-Pavãozinho iniciou no projeto aos sete Paulistana de Campinas/SP, a estudante anos e hoje, além de ser monitora, tem uma de comunicação social com habilitação em bolsa de estudo na UniverCidade onde cursa jornalismo, Mariana Dias, é a autora da frase dança, estando no 1º período, através de uma acima. Ela começou no balé aos seis anos, parceria entre a instituição e o Dançando. através de um projeto social, em sua cidade Também faz inglês no curso Brasas, mais natal. Permaneceu no projeto até 2009 e foi uma oportunidade que teve através do balé. através dele que se tornou professora. Em - Minha referência na dança é a Ana Botafogo, que 2010, sua vida se modificou. Mudou para o é madrinha do projeto. Me inspiro muito nelapara Rio de Janeiro e foi estudar na Universidade executar os passos no palco - revela Samara. Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), em Seropédica, município da Baixada Fluminense.

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Foto: Arquivo do grupo

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A coordenadora do projeto Thereza Aguilar e, ao fundo, a madrinha do projeto, bailarina Ana Botafogo.

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Foto: Letícia Santos

No primeiro ano de faculdade, Mariana não - Para mim significa muita coisa. Dependendo dançou. Depois, descobriu a Companhia do dia pode significar a maior alegria, o maior de Dança da Rural e assim, continuou sorriso. Em outros, pode significar choro, sua trajetória nos palcos, agora cariocas. desespero. É contraditório, efêmero. A dança sempre representou pra mim a vida. E em - Depois que eu passei para Rural pensei que alguns casos, pode representar o ar que respiro. não teria mais a oportunidade de dançar. Descobrir a companhia foi uma alegria muito grande. Fiquei muito feliz em saber que poderia No Balé ou no Samba: dançando e unir as duas paixões [jornalismo e dança] como derrubando obstáculos sempre quis. É muito bom poder representar Dizem que “quem canta seus males espanta”. Para a Universidade dançando – conta Mariana. Viviane Brandão Costa, uma das alunas especiais Para ser um bom dançarino é preciso muito do “Dançando para não dançar”, o mesmo vale mais dedicação do que talento. Deve se para a dança. A doce Vivi, de 34 anos, contou a praticar cada coreografia repetidamente para MixTape a importância do projeto em sua vida. se alcançar a beleza que a dança expressa. -Gosto de tudo aqui, aprendo muita coisa, - Para dançar não basta ser bom, é mas só venho às sextas. Não gosto necessário gostar do que se faz. Eu quando minha mãe não me traz, aprendi nas intermináveis aulas não gosto de faltar– comenta Vivi. de dança que o esforço é mui A coordenadora, Thereza “A dança sempre to importante em tudo – comenta.A estudante de representou pra mim a Aguilar, conta que, dentre as alunas com necessidades jornalismo revela a MixTape o vida”. especiais, Vivi é a mais animada que a dança representa para ela: e esperta. Além de dançar balé, a moça faz parte da ala mirim do Grêmio Recreativo da Caprichosos de Pilares, no Rio de Janeiro. No ritmo mais animado, Vivi diz que se solta e que, por isso, já foi Rainha da Bateria mirim e passista. O samba é a bateria, eu sou a bateria, saio todo ano na avenida e é muito bom. Minha família é grande, todos os meus primos vão me ver - revela a bailarina. Os planos para o Carnaval do próximo ano já estão na ponta da língua da passista mais que especial. Esse ano já começaram os ensaios, quero ser a Musa da Caprichosos, mas essa é mais difícil de ganhar. Mesmo assim eu vou tentar – completa. Essa e outras histórias de vida enchem os corredores do “Dançando para não dançar”. Casos de sucesso, de superação, de confiança e empenho. Atrás das cortinas dos palcos, existem histórias que valem a pena serem contadas. Vivi é apenas uma delas. A bailarina, passista e rainha de bateria sonha com um futuro, um futuro dançando, seja qual ritmo for. Mariana se apresenta em mostra

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MIX S É R I E O maior blog criado por admiradores de Supernatural

O famoso carro, a baby de Dean Winchester

“Supernatural is life”, o site que informa notícias do céu e do inferno Sobre a série:

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televisão apresenta um cardápio de seriados com temáticas nos mais variados sabores. Respeitando a afirmação de que há gosto para tudo, os roteiristas se empenham em criar séries de ação, drama, comédia, suspense e até assuntos sobrenaturais. Supernatural ou Sobrenatural como é conhecida aqui no Brasil é uma série que aborda os assuntos “do outro mundo”. De anjos a demônios, ela é um dos maiores sucessos atualmente na televisão, não só lá fora, como também aqui. Em sua 7ª temporada, o seriado estrelado por Jensen Ackles, no papel de Dean Winchester e Jared Padalecki, interpretando Sam Winchester, conta a história de dois irmãos que foram criados por John Winchester, pai dos meninos, caçando fantasmas, monstros e demônios. Os garotos foram imersos nesse mundo que todos

Por Analine Molinário e Laila Carvalho

fogem e em meio a forças maiores, se tornaram os melhores caçadores dos Estados Unidos. Só para se ter ideia de como os rapazes ficaram bons em caçar criaturas monstruosas, eles impediram o Apocalipse! Tudo isso a bordo do Impala 1967 de Dean, apelidado carinhosamente de baby, o automóvel que abre essa reportagem. Apesar de toda essa temática assustadora para muitos, Supernatural é baseada principalmente no amor entre os dois irmãos, no sacrifício que Dean e Sam fizeram para proteger a família acima do bem e do mal. Por tudo isso, a série tem uma grande quantidade de fãs que se dedicam diariamente para informar os mais apaixonados pelas histórias dos irmãos Winchester. Por isso, a MixTape entrevistou por e-mail, o maior portal feito por fãs da série no Brasil, o “Supernatural is life”.

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Foto: Divulgação Warner

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Polly Sandonai respondeu a MixTape como o “Supernatural is life” se tornou referência para os interessados no seriado. - A divulgação do blog aconteceu em uma época em que Supernatural estava sendo ameaçada de ser cancelada. Tínhamos dúvidas quanto ao seu futuro, mas mesmo assim, postávamos notícias, sempre relacionadas a isso. Como eu tinha a maior comunidade no Orkut sobre o seriado, ao ingressar na equipe do site, tive a mesma determinação com que organizava a comunidade e muitos membros de lá acabaram frequentando o blog, o que ajudou em sua divulgação – e declara - Manter tantos internautas acessando tem relação com a credibilidade das notícias traduzidas e divulgadas sempre em primeira mão, ou seja, a rapidez com que buscamos postar novidades. A fisioterapeuta que ocupa boa parte de seu tempo procurando informações sobre a história dos irmãos Winchester, fez muitos amigos através do blog. Foto: Divulgação Warner

Sam Winchester (Jared Padalecki)

O blog Há quatro anos no ar, o “Supernatural is life” reúne notícias, entrevistas e vídeos demonstrativos e se preocupa em divulgar apenas a série, não colocando fofocas sobre atores, diretores e roteiristas. Os criadores do site, além de vasculharem a rede para colocar informações atualizadas sobre a série, ainda traduzem as notícias, episódios e entrevistas para deixar os aficionados em Supernatural em dia. Polly Sandonai, fisioterapeuta e uma das criadores do blog, explicou como é o processo de coleta das notícias. - Conseguir material é uma constante busca. No começo foi complicado, mas com o tempo você aprende onde, como e quando pegar as informações. Quando se começa a criar experiência, formam-se “laços” virtuais para se procura as notícias em primeira mão, sabendo se são ou não confiáveis. Sites especializados em séries internacionais tornam-se mais difíceis de alimentá-los e divulgálos. 59

Dean Winchester (Jensen Ackeles)


Foto: Divulgação Warner

MIX S É R I E Os irmãos Winchester em cena

Polly Sandonai conta que nunca fez alguma loucura pela série e se considera uma fã dedicada. Entende que, apesar de importante, Supernatural não pode ser primordial em sua vida. Sobre os fanáticos, ela prefere não criticar, e vê como uma forma diferente de demonstrar carinho. - Nós adoramos o seriado, sabemos um monte de coisas sobre ele, mas isso não domina nossas vidas. Não é saudável. Mas quem faz loucuras, e se sentem bem, qual o problema? – completa. O “Supernatural is Life” reúne centenas de fãs fora do mundo virtual também. A equipe do blog organiza encontros em diversos pontos como Porto Alegre, São Paulo, Recife e Goiânia para ter contato com os aficionados espalhados pelo país.

Print de “Supernatural is life”

- Acho que ao longo dos anos Supernatural se tornou algo meio como uma “necessidade”, um hábito. É uma série que influenciou minha vida. E fiz muitos amigos. Eu e os outros criadores formamos uma família, temos uma amizade verdadeira. E por que esse carinho tão especial pela série? -Porque é Supernatural. Sério, é um seriado comdestacam os valores familiares. É algo inusitado e com certeza é o que prende o telespectador. Embora os protagonistas sejam caçadores de monstros, no fundo são apenas irmãos que foram jogados no meio de uma bagunça dos infernos (literalmente) e que tentam permanecer juntos como uma família. Esse lado fraternal é algo apaixonante, junto com a ação das caçadas, e claro por ter uma equipe impressionante. Acho que é isso. Eu não sei explicar de outro modo. - Porque é Supernatural. Sério, é um seriado com um diferencial: no meio de tantos monstros, se destacam os valores familiares. É algo inusitado e com certeza é o que prende o telespectador. Embora os protagonistas sejam caçadores de monstros, no fundo são apenas irmãos que foram jogados no meio de uma bagunça dos infernos, literalmente, e que tentam permanecer juntos, como uma família. Esse lado fraternal é algo apaixonante, junto com a ação das caçadas, e claro por ter uma equipe impressionante. Acho que é isso. Eu não sei explicar de outro modo.

A Equipe do “Supernatural is Life” é formada por um grupo variado, de três estados brasileiros, São Paulo, Goiás e Rio de Janeiro e diversas formações. Clarice Hubert – professora de inglês, tradutora e intérprete Cristhian Duarte – estudante Gabi Calhau – estudante universitária e secretária

Nathan Drake – ciência da computação Polly Zandonai – fisioterapeuta Vicki Araujo – jornalista, atriz, cantora, professora de inglês

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A bela jogada de marketing do cinema nacional

Sucessos são transformados em séries e atinge um público ainda maior

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Por Laila Carvalho

mesmo conteúdo em formatos tecnológicos diferentes. Essa parece ser a nova aposta das produtoras de filme brasileiras. A adaptação de peças e séries para as telonas já era comum, mas o efeito contrário é inovador, pelo menos no Brasil. Essa troca de figurinhas revela a aproximação do cinema e televisão. Não é à toa que a maior emissora do país também emplacou as 10 maiores bilheterias dos últimos anos. Uma série de sucesso na TV pode render grandes lucros aos produtores caso amplie seu alcance no cinema e vice-versa. Se alguém paga um ingresso para assistir uma comédia ou drama, por que não ligariam seus televisores e manteriam o ibope lá no alto para ver o desdobramento de um filme? Tem quem veja essa ação como uma maneira de difundir o cinema brasileiro. Afinal, apesar de ser um grande meio de entretenimento, parte considerável da população não tem acesso aos filmes enquanto estão em cartaz.

A televisão atinge mais pessoas, populariza conteúdos e, por isso, a adaptação dos sucessos é bem positiva. Muito mais que uma questão de mudança de formatos, a aposta é interessante, principalmente no Brasil que culturalmente idolatra o que é externo, enquanto o nacional é ignorado. Lá fora essa técnica é utilizada há muito tempo. Um exemplo clássico é a série americanaM*A*S*H, desenvolvida por Larry Gelbart e adaptada do longa-metragem MASH, já em 1972. O filme, por sua vez, foi uma adaptação do romance “MASH: A Novel About Three Army Doctors”, do escritor Richard Hooker. A série, que cobria um conflito de três anos militares, durou 251 episódios e rendeu onze temporadas. Outros grandes sucessos como “As Patricinhas de Beverly Hills” também ganharam um novo formato para as telinhas. No Brasil, o compartilhamento entre cinema e televisão não é novidade. O longa “Caramuru - A invenção do Brasil”, de 2001, foi o primeiro a ser exibido na TV e depois nos cinemas. Na época, o diretor Guel Arraes afirmava que não via mais tanta diferença entre as duas plataformas. O filme terminou sendo um sucesso na telona, com mais de dois milhões de espectadores. Dois anos antes, a peça clássica Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, foi produzida para a TV e depois também chegou aos cinemas. A aposta da Globo Filmes agora é outra: transformar filmes em séries, seja em formato de microsséries ou adaptações mais ousadas. “O Bem Amado” e “Chico Xavier”, dois sucessos da produtora brasileira foram divididos em capítulos e transmitidos em cadeia nacional. Já “A Mulher Invisível”, “Ó Pai, Ó” e “Divã” ganharam novo formato, inspiradas no longa, mas com vida e enredo próprio. O sucesso foi tanto que o seriado “A Mulher Invisível” já ganhou a segunda temporada. Essa relação promete se tornar mais comum e intensa. Ambos os lados se enriquecem, se completam. Quem não viu no cinema, vê um pouco na televisão. Quem já viu, continua acompanhando. Dessa forma, os espectadores agradecem.

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Um Time de Vencedores

Um amistoso da Seleção Brasileira Masculina de Vôlei

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m grande vitorioso considera que “sucesso é o resultado da soma de talento e determinação”*. Eu concordo plenamente com essa frase, até porque foi dita por um homem que mudou a história de um esporte brasileiro: Bernardinho. Sou apaixonada por voleibol e como toda fã, tinha um grande sonho: ver a Seleção Brasileira Masculina que eu tanto admiro ao vivo. E realizei. No dia 28 de agosto deste ano eu estive com amigos no Maracanãzinho no Rio de Janeiro para ver o amistoso para o Sul-Americano, Brasil e Alemanha. Era só um amistoso, porém, para mim, parecia como final de Olimpíadas. Meu coração estava acelerado, meus olhos observavam tudo para me fazer acreditar que aquele tão esperado momento, de ver um jogo da Seleção, com atletas que eu admirava desde minha infância, era verdade. Os jogadores conversando em quadra, Bernardinho gritando e xingando, explosivo como sempre, querendo jogadas perfeitas. Olhava admirada para a torcida, que lindamente gritava: Brasil, Brasil! Quase me faltam palavras para expressar o sentimento de felicidade que tive naquele dia de agosto. Por alguns momentos esqueci preocupações, tristezas e tudo que poderia me incomodar. Eu estava presenciando um momento que sempre sonhei: ver de perto aqueles homens que me fizeram apaixonar pelo esporte. O Brasil foi vitorioso: 3x1. E a Alemanha? Bem, os jogadores se assustaram um pouco com o carinho da torcida, mas sabiam que embora fosse um amistoso, seria muito difícil derrotar a equipe brasileira. E o Brasil continua invicto no Sul-Americano garantindo o primeiro lugar na competição. Segundo dados disponíveis no site da Confederação Brasileira de Vôlei, o Brasil foi campeão em todos os anos que participou, desde 1951. O que eu mais admiro é a superação dos jogadores. Como esquecer Nalbert em 2004 que com o ombro machucado, não jogou a Liga Mundial, (Brasil foi campeão) mas se esforçou 62

Por Analine Molinário

ao máximo para estar nas Olimpíadas? E todas as vezes que o jogo estava quase perdido, os jogadores se reuniam na quadra e com garra, muita garra, burlavam as suas dificuldades e venciam a partida? E nas derrotas, como no Pan-Americano de 2003, que o Brasil tinha uma equipe superior a da Venezuela e mesmo assim perdeu? Como esquecer seus rostos expressando derrota e tristeza por não terem dado tudo de si, e um ano depois, imbatíveis vencerem a Itália e conquistarem o ouro Olímpico em Atenas, com a participação de Nalbert que se recuperou e auxiliou a equipe na busca do título? Superação é a palavra que define os jogadores que passaram e os que estão na “era Bernardinho”. Quando vejo os seis jogadores em quadra, não observo ali, apenas a execução de um esporte. Vejo perseverança, garra, humildade, esforço e acima de tudo, dedicação. Ganhando ou perdendo, o que importa é que naquele momento cada jogador fez o que podia, ou se não, aprendeu com aquela derrota valores importantes para sua vida. Por tudo isso um amistoso não teve a sensação de ser apenas um amistoso, porque aprendi, crescendo com a seleção que vi amadurecer, que não importa o time do outro lado da rede, naquele momento o que realmente tem valor é dar o melhor de si, é valorizar a oportunidade de estar ali. *Transformando Suor em Ouro - Bernardinho


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Relatos de um amante do gospel

Da Oceania para as Américas, Darlene Zschach e sua trupe fazem história no Rio de Janeiro Por Ramon Cesar

11 de junho de 2011, Rio de Janeiro, Brasil. Os portões seriam abertos às 16h e, já no início da tarde uma fila de incansáveis admiradores se formava na entrada da Praça da Apoteose. O que os movia era, nada menos que, a apresentação da banda australiana de música gospel Hillsong Music. Lá estava eu, entre os incansáveis, prestes a vivenciar um momento histórico na minha vida. Conheci o grupo há alguns anos através de uma emissora evangélica de televisão, que sempre exibia seus clipes, me apaixonei e, desde então acompanho. Mas que bandinha gospel é essa? Apesar do expressivo crescimento do gênero no Brasil nos últimos anos, Hillsong é pouco conhecida fora do meio evangélico. Mas, dentro, os fieis sabem muito bem do que eu estou falando. Fundada em 1992 por músicos da igreja Hillsong Church, em Sidney, a banda é a mais influente do mundo no gospel.

Com versões de seus 20 álbuns cantadas em todo o planeta, a banda coleciona importantes prêmios, como o Dove Awards, a mais importante premiação da música cristã mundial. O último lançamento da banda, “God is Able” (2011), ficou à frente de nomes como Lady Gaga em vendas na Austrália, de acordo com o Aria Top 50. Não apenas pela importância enquanto o maior grupo gospel do mundo, mas também, musicalmente falando, já que, como costumo dizer, sou um aspirante a músico. Desde os 11 anos de idade (hoje 19) sou baterista. Creio que música é um constante aprendizado e também que não exista um ponto máximo a se alcançar. Posso afirmar que Hillsong é uma das minhas principais influências. O grupo se apresentou no evento anual “Gospel Power Festval”, de organização da Comunidade Evangélica Internacional da Zona Sul (CEIZS), que, a cada dois anos, traz a banda australiana ao Brasil. As programações, com entrada franca, tiveram início por volta das 17h com a apresentação de grandes nomes brasileiros, como Fernandinho e Aline Barros, que levantaram a multidão. Mas, o meu coração, junto com os de outros milhares que lotaram o Sambódramo naquele sábado, bateu ainda mais forte quando, nos leds, um vídeo de abertura e uma contagem regressiva antecederam a entrada do eletrizante guitarrista do grupo, Samuel Knock, que levou a massa ao delírio num instrumental de abertura. Em seguida, ao som do sucesso “Take It All”, a vocalista e líder do grupo Darlene Zschech entra no palco. Quem, como eu, estava em uma das arquibancadas, pôde sentir o chão tremer. O grupo tocou suas mais conhecidas composições, entre elas, os hits “Hosanna”, “Might to Save” e “Break Free”. A multidão, em uníssono, acompanhou, canção por canção. Todos, num único sentimento, talvez inexplicável. Para um apreciador da boa musica gospel, se deparar com a oportunidade de ver, ao vivo e a cores, Hillsong Music, é diagnóstico para altos níveis de adrenalina correndo no sangue. E já pode vir o próximo!

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Seção Música GOSPEL - Livres para Adorar: “Mais um Dia”

Em meio ao crescente cenário da música gospel, destaca-se o recente grupo Livres para Adorar, formado em 2005 e liderado por Juliano Son. Como muitos outros, o Livres, como é chamado pelos admiradores, surgiu com o objetivo de reverter os lucros a instituições sociais. Nesse caso, os recursos são destinados a um grupo de combate à prostituição infantil no Nepal. Com um estilo único e inovador que vem conquistando o público desde 2005, o grupo lançou neste ano seu 5º álbum, intitulado “Mais um Dia”. Produzido por Ruben di Souza e gravado em São Paulo, após um ano de pré-produção, o CD confirma o amadurecimento musical do Livres. Para completar o excelente trabalho, ele foi mixado por F. Reid Shippen, ganhador de seis Grammy’s americanos, e masterizado por Ted Jensen, no Sterling Sound,em Nova York.

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INTERNACIONAL - Olly Murs: “In Case You Didn’t Know”

Em um mundo onde a cena musical inglesa tenta desesperadamente ser como a americana que anda com tudo e revelando talentos sem igual, encontramos Olly Murs. Azarão da sétima temporada do X-Factor,Olly terminou em segundo lugar, desbancou o vencedor e se o mais novo queridinho do Britpop. Lançado no último 25 de novembro seu segundo trabalho, o “In Case You Didn’t Know” soa um pouco menos reggee e ska-pop e mais soul do que seu disco anterior que leva seu nome. Segundo o cantor "In Case You Didn't Know" é um clássico, com pouco de pugilismo, com influências a lá Eminem e Vanilla Ice. Mas em seu novo disco de Olly mostra um outro truque da manga, as duas baladas "This song is About You” e a faixa de encerramento “I Need You Now”, que mostram porque Olly está no topo das paradas e do iTunes UK, além de ser o queridinho britânico.

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INTERNACIONAL - Jarle Bernhoft: Solidary Breaks

Todos os olhos dos apaixonados por música na maior parte do tempo estão voltados para o que os americanos produzem, esquecendo o que outros países revelam. A prova disso é Jarle Bernhoft, o norueguês é dono de uma voz e estilo inconfundível. Conhecido por tocar quase todos os Jarle Bernhoft instrumentos de suas músicas nas gravações, Bernhoft está na estrada desde 2008, mas parece que só após aparecer no programa da americana Ellen Degeneres e lançar seu terceiro disco o rapaz chamou atenção de muita gente. Solidary Breaks soa como uma mistura de Jamiroquai e Jamie Cullum, destaque para as músicas C’mon Talk onde Bernhoft toca todos os instrumentos e faz todos os backing vocals e Choices, uma de suas faixas mais conhecidas. Com um timbre de voz que aos brasileiros soa ainda que vagamente como Ed Motta, o músico norueguês tem todo potencial para se tornar parte do quadro de músicos famosos da Noruega como o grupo A-HA.

Seção Literária A Farsa “A Farsa” de 2008, cujo autor é Christopher Reich é uma ficção americana divulgada no Brasil pela Editora Sextante. O livro conta a estória de Jonathan Ranson, médico e um apaixonado por alpinismo que sai com sua esposa Emma, para os Alpes Suíços. Após essa viagem, a vida dos personagens sofre uma grande transformação. A MixTape indica, que você, querido leitor, embarque nessa ficção e desfrute de momentos de suspense, aventura e muitas surpresas. E já deixamos registrado: a sequência de “A Farsa” é “A Vingança”.

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Seção Série Banco de Imagens

THE BIG BANG THEORY - A série “The Big Bang Theory” conta as peripécias dos geek Sheldon Cooper (Jim Parsons) Leonard Hofstadter (Johnny Mark Galecki), Rajesh Wolowitz (Kunal Nayyar) e Howard Koothrappali (Simon Maxwell Helberg). Os meninos viciados em Star Wars, Star Trek, O Senhor dos Anéis, Hallo e outros, desfrutam suas horas vagas colecionando personagens dos filmes, fazendo competições dos jogos, comprando HQ’s e montando experimentos científicos de suas áreas acadêmicas. Eles trabalham no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e tem como vizinha a aspirante a atriz Penny (Kaley Christine Cuoco). O seriado ainda diverte e tem nesta 5ª temporada a atriz Mayim Hoya Bialik no elenco. Como Amy, a não-namorada-amiga de Cooper, ela traz um ar novo para a série, colocando o protagonista em situações inusitadas, além de dar a produção um ar feminino, que antes era restrita à Penny. Para quem tem simpatia por alguma das atividades nerds, ou simplesmente gosta de rir, vale conferir The Big Bang Theory. Canal Warner, terças de 20h:30m às 21h:00m

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Elenco inicial da série

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