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Gazeta de Alagoas

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| QUARTA-FEIRA, 14 DE OUTUBRO DE 2009 | Divulgação

Fotografia em still do documentário Areias que Falam, de Arilene Castro: atração na mostra

O CINEMA ALAGOANO PEDE PASSAGEM Se é fato que as adversidades são muitas, também é verdade que a expressão humana tem força suficiente para vingar, apesar dos pesares. É claro que a produção audiovisual alagoana ainda engatinha diante de cinematografias de outras regiões do País, mas não dá mais para fechar os olhos para o número de títulos que foram finalizados por aqui nesta década. Com 28 produções locais em sua programação, a I Mostra Sururu de Cinema Alagoano é a chance do grande público – enfim – conhecer esse trabalho. Sim, nós fazemos cinema | RAMIRO RIBEIRO Repórter

A palavra é expansão. Embora ainda longe do ideal, tanto em termos de ritmo e mesmo no que diz respeito à qualidade, pode-se afirmar que a produção audiovisual alagoana passa por um momento nunca visto anteriormente – a cada ano, surgem novas obras e novos realizadores. Com o objetivo de solidificar essas ações e potencializar esse movimento, a Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas de Alagoas (ABD&C/AL) realiza, de amanhã até o próximo dia 23, a primeira edição da Mostra Sururu de Cinema Alagoano. Uma boa oportunidade para quem quer ficar por dentro do que vem sendo produzido em Alagoas nesta década. E, acredite, não é pouco. É a chance da produção alagoana, recente e crescente, finalmente ser vista e discutida por um grande público, já que o escoamento de seus títulos continua problemático. Muito é feito e pouco é visto, o que dá espaço para clichês do tipo “Alagoas não faz cinema”. A mostra pretende reverberar o movimento cinematográfico local. O documentarista Werner Salles, que fará a estreia de seu O Homem, O Rio e O Penedo na programação, resume as intenções da equipe que organiza as atividades. “A mostra tem o objetivo de apresentar um panorama. Pela dificuldade que todos têm, individualmente, de veicular seus trabalhos, a sensação que temos é a de que Alagoas não tem uma produção. Mas isso é desmentido pela quantidade de filmes que serão exibidos. Temos uma produção que, bem ou mal, é real. Existe. Precisa ser vista, discutida, ampliada”, observa ele. Além da presença de diretores cujos trabalhos já obtiveram algum reconhecimento, como no caso de Celso Brandão – que exibe o seu Ponto das Ervas, de 1978, e é tema de um documentário –, Hermano Figueiredo, Pedro da Rocha e do próprio Werner, é notável o número de realizadores “neófitos” na programação. Uma nova geração que não espera pe-

lo “apoio do poder público” ou por editais e aprende na prática. Serão exibidos títulos de Larissa Lisboa, Alice Jardim, Henrique Oliveira, Rafhael Barbosa e Gabriel Duarte, a maioria iniciados no ambiente acadêmico da universidade, muitas vezes sem a estrutura adequada. Diretora do curta Contos de Película, Larissa vê a oportunidade com alegria. “Como apreciadora e realizadora, estou fascinada com a Mostra Sururu, pois poderei ver filmes sobre os quais até pouco tempo só podia ter notícia em minhas pesquisas e nas do professor Elinaldo Barros. Sem falar que poderei exibir os meus [filmes] também”, diz ela. Em seus nove dias de duração, a mostra vai exibir 21 documentários, quatro obras de ficção e três animações, estas últimas do diretor estreante Weber Bagetti. Entre as atrações, vale destacar o curta de estreia da diretora Regina Célia Barbosa, O DJ do Agreste, que recebeu o prêmio de melhor filme do júri popular na competição nacional da nona edição do Goiânia Mostra Curtas. Realizada no Cine Sesi Pajuçara, na Faculdade Integrada Tiradentes (Fits) e na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em sessões com entrada franca, a mostra será encerrada no Calçadão do Centro de Maceió, no dia 23, com os filmes Desalmada e Atrevida e História Brasileira da Infâmia – Parte Um. Com planos de se tornar um evento anual, a mostra nasce com ares de evento pontual e necessário, retratando a diversidade audiovisual alagoana em seus diversos olhares. Que reverbere.

Fotos: divulgação/Reprodução

PROGRAMAÇÃO DO CINE SESI PAJUÇARA QUINTA-FEIRA, 15/10 20h30 Abertura 21h00 Imagem Peninsular de Lêdo Ivo (Werner Salles, 2004, 55 min., doc.) 22h00 Coquetel com cachaça e caldinho de sururu SEXTA-FEIRA, 16/10 A partir das 18h ›› Conversa de Pescador (Pablo Gomes, 2007, 25 min., doc.) ›› Contos de Película (Larissa Lisboa, 2009, 16 min., doc.) ›› Futuro (Gabriel Duarte, 2009, 20 min., ficção) SÁBADO, 17/10 A partir das 18h ›› Uma Linha (Weber Bagetti, 2008, 5 min., animação) ›› Celso Brandão (Alice Jardim e Larissa Lisboa, 2008, 20 min., doc.) ›› Lamentos (Henrique Oliveira, 2009, 5 min., ficção) ›› O DJ do Agreste (Regina Célia Barbosa, 2009, 19 min., doc.)

SERVIÇO O quê: I Mostra Sururu de Cinema Alagoano Onde e quando: no Cine Sesi Pajuçara, na Fits, na Ufal e no Calçadão do Centro de Maceió, de amanhã até o dia 23 de outubro, em horários variados Aberto ao público Informações: www.nucleozero.com.br/sururu

De cima para baixo, frames dos documentários História Brasileira da Infâmia – Parte Um e Imagem Peninsular de Lêdo Ivo, de Werner Salles, e da animação Uma Linha, de Weber Bagetti

DOMINGO, 18/10 A partir das 18h ›› !? (Weber Bagetti, 2008, 7 min., animação) ›› Haikai (Weber Bagetti, 2009, 3 min., animação) ›› Anda, Zé Pequeno, Anda (Kátia Regina Sena e Cássia Rejane Sena, 2008, 15 min., doc.) ›› Nas Margens (Súrya Namaskar e Tamires Pedrosa, 2008, 12 min., doc.) ›› Iraque – Terra da Esperança (Douglas Nogueira, 2008, 12 min., doc.) * A programação completa da mostra pode ser consultada no site nucleozero.com.br/sururu


O cinema alagoano pede passagem