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GAZETA DE ALAGOAS, 16 de março de 2012, Sexta-feira

VIDA BOA LIVROS & IDEIAS ARREDORES ENOGASTRONOMIA. Nunca é tarde para aprender. De origem milenar, o vinho costuma enfeitiçar quem se aventura por seus sabores. Nesta edição, a Gazeta mostra que é possível render-se a seus encantos. Que tal começar pela adega?

O SONHO DA ADEGA PRÓPRIA

FOTOS: RICARDO LÊDO

RAMIRO RIBEIRO REPÓRTER

“O bom vinho independe de seu preço. Ouça quem sabe, aprenda com quem conhece, mas, principalmente, beba. Descubra. Só assim você vai encontrar aquele que será o grande vinho para você”. É provável que você se espante com a simplicidade desse conselho, mas ao contrário do que se pensa é possível sim desmistificar a aura que cerca o vinho, talvez a bebida mais cultuada ao longo dos séculos. Autor da dica que abre esta reportagem, o médico Arnon Campos, que iniciou sua jornada pelos domínios de Baco há dez anos, é ele próprio um exemplo de que nessa seara não é preciso usar de afetação. “Eu decidi investir na qualidade, ao invés da quantidade”, diz ele, enaltecendo a característica socializadora da bebida que desfruta de tratamento especial em sua casa – a

sala na qual os vinhos são armazenados e consumidos reproduz a atmosfera dos clubes de jazz norteamericanos da década de 1950, com pôsteres de discos, fotos de artistas e iluminação intimista. Como não poderia deixar de ser, a adega da marca Art des Caves, empresa pioneira num mercado que se populariza em ritmo acelerado no País, é a peça-chave nesse cenário. O equipamento tem capacidade para 70 garrafas, e costuma permanecer numa temperatura que varia entre 14°C e 16°C. Nas paredes do pequeno cômodo, as tampas das caixas de madeira nas quais os vinhos são transportados dão o arremate de descontração e charme. Ao lado do amigo e também enófilo Sérgio Craveiro, Arnon propaga a valorização dos bons momentos regados a exemplares de uma boa safra, acompanhados por boa comida e boas companhias.

O médico Arnon Campos exibe um exemplar de sua adega: despojamento em torno da bebida que seduz

O tempo do vinho Saiba qual o prazo máximo para guardar os diferentes tipos da bebida em sua adega

1 ano Beaujolais nouveau ou primeur

ÁLBUM Espécie de consultor da Gazeta nesta reportagem, o médico Arnon Campos recebeu nossa equipe com toda a gentileza: ao lado do enófilo Sérgio Craveiro (abaixo, à direita), ele deu dicas valiosas de como desfrutar dos encantos do vinho

Para começo de conversa, aposte no básico. As adegas climatizadas são um ótimo início para quem não dispõe de muito espaço nem de orçamento para uma tradicional, feita sob medida. As refrigeradas podem perfeitamente encontrar seu lugar na cozinha – desde que longe do fogão. Procure os modelos mais estáveis e silenciosos, com iluminação interna e prateleiras deslizantes para uma melhor visualização dos rótulos. A temperatura média deve ficar sempre por volta dos 15°C. Quanto à capacidade do equipamento, o seu consumo determinará. Na internet, é possível encontrar modelos para oito garrafas a partir de R$ 340. As maiores, que comportam de 50 a 90 garrafas, variam entre R$ 3 e R$ 8 mil. Esse tipo de adega raramente apresenta defeitos. Anual, sua manutenção consiste na limpeza do sistema de refrigeração, serviço cujo valor gira entre R$ 200 e R$ 300. RR ‡

APRENDER E DESFRUTAR

+PALADAR

Clube do bom gosto Reduto da boa cozinha italiana em Maceió, o restaurante Maria Antonieta também merece destaque pela sua seleção de vinhos. Sob a batuta do sommelier Orlan Barros, formado pela Sociedade Brasileira de Sommeliers, a adega da casa conta com mais de 200 rótulos de diferentes tipos e nacionalidades. E a boa nova é a reedição da Confraria do Vinho, espé-

cie de reunião de apreciadores da bebida que foi interrompida em fins do ano passado. Os novos encontros, que acontecerão mensalmente, começam já na próxima semana, com turmas às segundas, terças e sábados. O valor da ‘aula’ inaugural custa R$ 75 e as inscrições podem ser feitas por telefone. Temáticos, os encontros serão iniciados com uma introdu-

SOCIEDADE DO SABOR Maria Antonieta volta a ser palco da Confraria do Vinho

Beaujolais genéricos, vinhos verdes portugueses, alguns tintos brasileiros e a maioria dos brancos nacionais

Das que acomodam oito garrafas às que armazenam mais de seis dezenas delas, as adegas disponíveis no mercado se encaixam em qualquer orçamento. Confira

3 anos Rosados, espumantes nacionais, a maioria dos tintos brasileiros e alguns tintos e brancos europeus (Valpolicella, Chianti comum, Frascati, Lambrusco)

4 anos Grande parte dos brancos europeus e os melhores tintos brasileiros Dynasty ∫ 8 garrafas R$ 379

7 anos Maioria dos bons tintos europeus, os melhores nacionais e champagnes não safrados

∫ 24 garrafas R$ 799

10 anos FOTOS: DIVULGAÇÃO

E VAMOS ÀS DICAS

2 anos

Para todos os bolsos

LG ∫ 41 garrafas R$ 2.199

∫ 65 garrafas R$ 3.599 Onde adquirir: submarino.com.br

ção ao mundo do vinho e as diferenças entre beber ROBSON LIMA/ARQUIVO GA e degustar. Na programação, os mais novos enófilos também irão aprender como harmonizar o vinho com diferentes tipos de pratos, além de conhecer quais são as regiões produtoras, geograficaSERVIÇO mente divididas em Velho Mundo (ItáMARIA ANTONIETA lia, França, PorInformações: tugal, Espanha) e 3202-8828 Novo Mundo (Are 9647-4931 gentina, Chile, Austrália, África do Sul).

Champagnes datados e grandes brancos europeus (Auslese, Alsace, Bourgogne, Rioja)

15 anos Grandes tintos europeus (Bordeaux, Bourgogne, Rioja e Douro)

50 anos ou mais Vinhos fortificados (Porto, Madeira, Jerez) e safras excepcionais de grandes rótulos da Europa

Democrático, o evento pretende atrair, além dos fãs de carteirinha da bebida, todos aqueles curiosos que desejam se iniciar nessa ‘arte’. “Teremos gente que está na universidade e senhores que já viajaram o mundo todo e são amantes do vinho. Médicos, juízes, autoridades, estudantes. Todos podem participar da confraria. É aberto para todos, de todas as classes sociais. Basta querer aprender sobre o vinho”, convida o sommelier Orlan.


O sonho da adega própria  

Dicas e histórias para quem quer se aventurar no 'mondovino'

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