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Gazeta de Alagoas

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| SEXTA-FEIRA, 30 DE OUTUBRO DE 2009 | Divulgação

Som e

Nando Reis no palco num dos shows de lançamento de Drês: “Fazer turnê é muito estimulante”

fúria Drês, a palavra usada por Nando Reis para dar nome a seu oitavo disco solo, não existe no dicionário. É uma mistura de “Dri” (apelido de sua ex-namorada, a publicitária Adriana Lotaif) com “três”. A relação de Nando com Adriana inspirou algumas das 12 faixas inéditas que compõem o repertório do álbum, cujas canções ele apresenta amanhã no Luau da Villa, evento que abre a temporada de festas da Villa Niquim, na Barra de São Miguel. Mas se engana quem pensa que o compositor apelou ao romantismo de tons cafonas para exorcizar seus “fantasmas” – ao turbinar essa história com o peso das guitarras, Nando elaborou uma nova leva de sucessos assobiáveis, como não poderia deixar de ser em se tratando de um autêntico baladeiro | RAMIRO RIBEIRO Repórter

Ele não sabe precisar com exatidão, mas imagina que amanhã será a terceira vez que tocará em Alagoas junto com sua banda, Os Infernais. Agora com o show do disco Drês, lançado em junho deste ano, Nando Reis se apresenta neste sábado no Luau da Villa, evento que abre a temporada de festas de verão da Barra de São Miguel, cidade-balneário localizada no litoral sul do Estado, a cerca de 30km de Maceió. Mas se o repertório traz algumas novidades, o que não deve ter mudado é a habitual empolgação do músico sobre o palco. “Gosto muito desse disco, acho-o perfeito para tocar ao vivo. Lançar disco novo é sempre uma delícia e fazer turnê é muito estimulante. O público pode esperar tudo. Tocaremos muitas músicas novas”, diz ele. As faixas presentes em Drês seguem o estilo dos discos anteriores, A Letra A (2003) e Sim e Não (2006), cujas letras eram carregadas de intimidades e reminiscências da vida pessoal do artista. Só que canções como a faixa título, Hi, Dri, e Mosaico Abstrato, deixam transparecer uma faceta mais “roqueira” – o que, segundo Nando, foi intencional. “Sempre quis ter uma banda que passasse essa sonoridade meio

anos 70. Produzido por mim e pelo Carlos Pontual, esse disco buscava aproximar mais o som do estúdio ao que a gente faz no palco. E naturalmente, depois de um disco gravado na praia, só com violões [o álbum Luau MTV, de 2007], eu queria fazer uma coisa mais pesada”. A banda Os Infernais é formada por Felipe Cambraia (baixo), Diogo Garneiro (bateria) e Alex Valey (teclados), além de Carlos Pontual nas guitarras. Na tarde da última quarta-feira (25), Nando Reis bateu um papo por telefone com a Gazeta. Na conversa, falou da expectativa para o show e também de parcerias, do documentário Titãs – A Vida até Parece uma Festa, sobre os Titãs, e – são-paulino notório que é – de futebol e do seu time do coração. Confira.

‘Gosto de ser um band leader’, diz ele Gazeta – Esta é a terceira vez que você toca em Maceió? O que o público pode esperar? Nando Reis – Acho que sim.

Não lembro muito bem de datas, mas pode ser sim. Tá uma delícia fazer essa turnê. Gosto muito desse disco, acho-o perfeito para tocar ao vivo. Tem um cenário lindo, com projeções para cada música. Lançar disco novo é sempre uma delícia e fazer turnê é muito estimulante. O público pode esperar tudo. Adoro fazer show.

E como tem sido a recepção às músicas novas?

Tem sido muito boa. Dosamos as músicas de acordo com o espaço, horário, às vezes em festivais tocamos menos músicas novas. Acho que em Maceió teremos muitas.

SERVIÇO O quê: Luau da Villa, com show do cantor e compositor Nando Reis; abertura com a banda $ifrão Onde e quando: na Villa Niquim, na cidade-balneário de Barra de São Miguel, amanhã (31), a partir das 22h Ingressos: R$ 60 (meia/VIP) e R$ 30 (meia/pista) Informações: 3325-5872

Este é o terceiro disco de inéditas com Os Infernais em sete anos. Não dá para imaginar o “artista solo Nando Reis”. Sempre vem à mente a imagem da banda, a integração no palco. A busca dessa vibração é intencional?

Totalmente. Fico feliz que você

diga isso. A minha maior preocupação depois que eu saí dos Titãs era perder aquela relação de cumplicidade, de amizade que se tem numa banda. Isso é fundamental para como o show vai soar. Eu sou um homem de banda, gosto de ser um band leader. Não é à toa que assino os discos como Nando Reis e os Infernais. A gente faz os arranjos juntos e em cima do palco somos de fato uma banda e não um artista solo com músicos contratados.

e pelo Carlos Pontual, buscava aproximar mais o som do estúdio ao que a gente faz no palco. E naturalmente, depois do Luau MTV, um disco gravado na praia, só com violões, eu queria fazer uma coisa mais pesada.

Seu show é muito elogiado, às vezes mais do que os discos. O palco é imprescindível para você? Sua performance nele lembra Neil Young. Há uma sonoridade anos 70 que transparece nos covers que rolam nas apresentações. A crítica apontou Drês como seu disco mais rock até então. Concorda?

É verdade. Tenho cada vez menos trabalhado com outras pessoas. Mas não é nenhuma restrição, é mais uma contingência natural da minha vida. O Erasmo não é só irrecusável. Além de uma honra, é o parceiro do Roberto em músicas das mais importantes da história da música brasileira. Quando ele me ligou e fez o convite, me senti muito honrado, foi um barato. A gente não sentou junto, mas tabelamos. Ele mandou as melodias, eu fazia as letras e mandava trechos para ver se ele curtia e tal. Foram conversas incríveis pelo telefone. Fizemos duas canções juntos. |RR

É uma opinião pertinente. Esse é o tipo de som que gosto, por tudo. Tenho 46 anos de idade e adoro o som dos anos 70. Sempre quis ter uma banda com essa sonoridade. A formação da banda é essa: baixo, bateria, teclado e guitarra. Esse disco especialmente, produzido por mim

No disco há a participação da Ana Cañas; Erasmo Carlos gravou composições suas no disco Rock and Roll. Ao mesmo tempo, é fato que você tem composto cada vez menos em parceria. Por quê?

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Som e Fúria  

Entrevista com o cantor e compositor Nando Reis.