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AILTON CRUZ

CINEMA. O diretor Beto Brant gosta da estrada. O ímpeto que o levou a fazer um mochilão pelo Nordeste antes de ingressar na faculdade de Cinema, na década de 1980, é o mesmo que o impulsiona a desbravar o Brasil em nome da Sétima Arte. Resultado de mais uma colaboração com o escritor Marçal Aquino e o produtor Renato Ciasca, o novo longa do cineasta que é um dos mais ousados realizadores do país é Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios, que exibe uma atuação aclamada da atriz Camila Pitanga. De passagem por Maceió para lançar o filme, Brant conversou com a Gazeta. Numa entrevista descontraída, ele falou de sua carreira, de ideias e de inspirações. É o que você confere nesta edição Brant não poupa elogios à atuação de Camila Pitanga em Eu Receberia...: “Fui buscar uma atriz que para mim era um mito”

DIVULGAÇÃO DIVU D IVU VULGA V LGAÇ GAÇ A Ã ÃO O

Biógrafo disseca a trajetória de Bob Dylan por meio de 4 de seus shows. B10

Domingo 01/07/2012

OBSERVAR,

VERBO TRANSITIVO RAMIRO RIBEIRO REPÓRTER

O prazer de colocar a mochila nas costas e desbravar. Conhecer novos lugares. Deslocar-se para observar outro ponto de vista, um jeito diferente do seu de encarar a vida. Aos 16 anos de idade, o cineasta Beto Brant resolveu sair de São Paulo rumo ao Nordeste. No passeio pelo litoral, a lembrança de Maceió e da praia do Francês. Trinta anos depois, a satisfação de viajar e explorar diferentes pedaços do Brasil transparece em sua filmografia, cujo título mais recente é Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios, que tem na bacia do rio Tapajós, na amazônia paraense, e nas disputas agrárias entre ribeirinhos e madeireiros seus cenários físico e político. “Para mim, o cinema tem esse tipo de deslocamento que acho precioso. Se deslocar para compreender. Lugares, códigos... O cinema passa a ser um pretexto para viajar mesmo, para conhecer. Sou geminiano, tenho essa coisa de estar aberto e ter curiosidade. Acho fundamental no cinema ter curiosidade pelo ser humano”, afirma o paulista de Jundiaí que, em suas andanças cinematográficas, ambientou histórias em regiões tão distintas quanto a fronteira entre o Brasil e o Paraguai, em Os Matadores; o interior de Minas Gerais, em Ação entre Amigos, e Porto Alegre, em Cão sem Dono. Dessa vez, o que o levou à floresta amazônica foi o livro de mesmo nome do escritor Marçal Aquino, parceiro de longa data nas adaptações de obras literárias para a tela grande, outra de suas marcas. O círculo de colaboradores fixos se completa com o produtor e codiretor Renato Ciasca, colega da faculdade de Cinema da FAAP, turma de 1982. Com Eu Receberia..., o trio atinge o

ápice da vertente temática que permeia sua filmografia pelo menos desde Crime Delicado(2005): as relações amorosas mais intensas, que flertam com o risco, protagonizadas por personagens que possuem uma visão artística do mundo. Tudo isso em contraste com as crônicas sobre a violência dos primeiros anos, entre Os Matadores e O Invasor. A veia estradeira também fala mais alto na hora de lançar o filme. Depois de passar por mostras e festivais em cidades como Rio de Janeiro, Recife, Porto Velho, Rio Branco e João Pessoa, Brant voltou a Maceió no começo de junho para exibir o longa na edição comemorativa de cinco anos do Corujão. Numa conversa descontraída com a Gazeta, o cineasta falou com entusiasmo de sua obra mais recente, de suas parcerias criativas e de seus colegas de geração e também sobre o futuro do mercado audiovisual brasileiro. “A gente segue fazendo porque o desejo de fazer cinema é muito grande. Jogamos o jogo possível, tentando caminhos”, diz ele. Leia na entrevista a seguir.

Gazeta. Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios e seu filme anterior, O Amor Segundo B. Schianberg, podem ser considerados filmes-irmãos, por partirem da mesma fonte literária e trabalharem o tema das relações amorosas radicais, enfoque também presente em Cão sem Dono, de 2007... Beto Brant. Antes fiz três filmes que retratavam a violência. Um na fronteira Brasil-Paraguai, Os Matadores, depois Ação entre Amigos, que tem o viés histórico da violência política, e O Invasor, que é a tensão social dentro de uma grande cidade. A partir daí comecei a fazer filmes em que os protagonistas são artistas, ou pelo menos têm uma percepção de mundo artística. Na

BETO BRANT CINEASTA

“Foi difícil programar o lançamento do filme. Ficamos com muitas cópias ociosas, porque não tinha como competir. Por isso que eventos como o Corujão são legais. No cinema de shopping o público está mais interessado no divertimento fácil e ligeiro. O cinema se tornou uma atividade muito elitista. Nos anos 1970, um ingresso era o mesmo que uma passagem de ônibus. Hoje você compra muitas passagens de ônibus com o preço de uma sessão”

história do Marçal, originalmente, existia esse personagem do Schianberg, que na edição final do livro ele acabou tirando, cortou a história. Mas o personagem é o mesmo que participa de Eu Receberia... Não chega a ser complexo, mas é intrincado.

Eu Receberia... foi apontado como seu filme de maior potencial popular e vem justamente depois de Schianberg, um experimento mais radical na sua carreira. Como é estar nos dois lados da gangorra, e em qual deles você se sente mais à vontade? O Schianberg é muito mais experimental, uma discussão de relacionamento e afetos para um público potencialmente menor. Mas passou na televisão. Não sei quantas pessoas de fato, mas deu quase dois pontos de audiência. Teve mais público que Eu Receberia... por enquanto, que fez 40 mil espectadores com um mês em cartaz, mas um mês em que dois blockbusters ficaram com dois terços do circuito brasileiro. Para o mercado exibidor, essa não é hora de cumprir cota, é hora de ganhar dinheiro. Foi difícil programar o lançamento do filme. Ficamos com muitas cópias ociosas, porque não tinha como competir. Por isso que eventos como o Corujão são legais. No cinema de shopping o público está mais interessado no divertimento fácil e ligeiro. O cinema se tornou uma atividade muito elitista. Nos anos 1970, um ingresso era o mesmo que uma passagem de ônibus. Hoje você compra muitas passagens de ônibus com o preço de uma sessão. Voltando ao filme, agora ele vai passar na TV a cabo, vai para o vídeo, tem uma longa carreira ainda pela frente. E quantas cópias ele teve? 32. Foi seu maior lançamento até agora?

Foi. Mas o maior público foi com O Invasor. Foi lançado com poucas cópias, mas num momento bom. Era um filme de baixo orçamento. Acho Eu Receberia... um filme potente. Tem uma perspectiva muito emocional e também certos riscos de linguagem. É sensorial, mas ao mesmo tempo conta uma história, não é um filme hermético.

A atuação de Camila Pitanga é o ponto alto do filme. Como surgiu o convite e como foi dirigi-la? Esse livro já está na oitava reimpressão, já é cultuado, tem seus fãs. E essa personagem feminina central, a Lavínia, é uma pessoa de temperamento muito instável. Toda atriz é fascinada por interpretar um personagem que tenha um percurso tão turbulento e cheio de nuances. E eu fui buscar uma atriz que para mim era um mito. Uma atriz que está no auge da carreira, na melhor fase da beleza, da maturidade. Pedi para que lesse o livro e fizemos uma entrevista. Vi que ia ser bom jogar com ela, porque traria coisas da personagem que eu mesmo estava tateando. Ela fez uma proposta de interpretação da Lavínia num momento de desequilíbrio psíquico muito interessante. E é uma atriz que nasceu no set de filmagem, cresceu junto do pai (o ator Antonio Pitanga). Trata o cinema como um lugar sagrado, de relevância e capacidade de expressão. No contexto do filme existem questões ambientais do interior do Pará. O filme se passa em torno disso e a Camila é uma militante, atua em ONGs há muito tempo. A Lavínia do livro não é engajada nisso, no projeto do marido, mas no filme eu mudei porque vi que tinha isso nela. Até para encontrar um sentido maior na encruzilhada que ela vive entre os dois homens. Quando a convidei para fazer o filme, dis-

se: “Veja Eu te Amo, Sonia Braga no auge da carreira... Veja onde ela chegou”. Foi um filme muito inspirador, porque essa é a questão fundamental... O erotismo, a paixão, a entrega amorosa.

Como você chegou às escolhas do Gustavo e do Zécarlos Machado, atores com quem já trabalhou antes? O Gustavo tinha feito o filme anterior e, além de ser ator, é também artista plástico, gosta de pintar. Propus que ele aprendesse a fotografar, já que o personagem é fotógrafo. Dei uma máquina e um computador na mão dele e ele começou a aprender. O personagem do livro é mais intelectualizado, mais velho, um sujeito já ferido. No filme não só fizemos do Cauby um cara puro como tiramos o lado intelectualizado, e colocamos um cara mais sensorial, mais da imagem. Essa é a conquista dele, se relacionar com o mundo com magia. E é isso que ele oferece para a Lavínia, viver o momento intensamente. Já o Zécarlos é um cara da palavra, do teatro. Ele se exaure na compreensão do sentido do texto. E o personagem é um pastor, um cara que tem o dom da palavra, da oratória. O pastor que construímos também é diferente do livro. Tem todo um sincretismo entre a teologia da libertação e o Santo Daime, não é mais o evangélico do livro.

Como foi o processo de pesquisas para as locações no interior do Pará? Teve uns dois anos de pesquisa. Fomos para lá em definitivo em março, e filmamos em agosto do ano passado. Foram quatro meses de pré-produção, mais três meses filmando. Entre as filmagens no Pará e no Rio dei um tempo para a Camila se preparar e se modificar fisicamente para essa fase, que é um flashback. ‡ Continua nas págs. B2 e B5


B 2 Caderno B

GAZETA DE ALAGOAS, 01 de julho de 2012, Domingo

CONTINUAÇÃO DA PÁG. B1. Na segunda parte da entrevista, Beto Brant fala de sua relação pessoal e criativa com o produtor e diretor Renato Ciasca e com o escritor e roteirista Marçal Aquino

NAS PARCERIAS, UMA ‘AÇÃO ENTRE AMIGOS’ “Os filmes que faço com meus amigos têm uma linguagem. A gente não quer só contar uma história”, pontua o cineasta RAMIRO RIBEIRO REPÓRTER

Gazeta. Como é sua relação com a crítica? Beto Brant. Minha relação com a crítica é muito boa. Depois de sete filmes você tem algumas pessoas que não entram de fato no tipo de cinema que você faz, e escrevem do lado de fora, sem conseguir se conectar ao filme e sua linguagem. Geralmente esse é um texto que fico menos curioso para ler. Mas tem outros de que faço questão de saber a opinião. O Luiz Zanin Oricchio, de O Estado de S.Paulo, é um deles, o melhor crítico do país. O crítico é um cara que está numa posição privilegiada, que compartilha uma reflexão. E a ideia é mesmo entrar dentro do filme, revelar algumas percepções que estão ali e compartilhar com o público. Quando leio um texto sobre um filme é isso que procuro, um diálogo. Não alguém que feche o cami-

nho, que traga um veredicto “de fora”. E os filmes que faço com meus amigos têm uma linguagem. A gente não quer só contar uma história – a gente quer expressar nossa linguagem, causar sinestesia, mexer com a sonoridade do filme, com as cores. Geralmente o crítico precisa estar a fim do filme, senão, “não entra”.

Seus filmes partem de argumentos literários, ou seja, de outras obras. Você já teve vontade de filmar um roteiro original? Não é uma coisa que eu descarto. Acho que a gente vai amadurecendo e a nossa mente vai ficando mais complexa, com capacidade de perceber alguma coisa mais singular, autêntica. Mas ao mesmo tempo não é uma coisa que me cause ansiedade.

fim do negócio já estava na hora. Tenho uma parceria longa com o Marçal Aquino. Mesmo os filmes que não foram adaptações de livros dele ele participou do roteiro comigo. Mas qualquer livro que não se passe hoje para mim é muito complexo. Fazer filme com produção de arte de época é um esforço de produção que me dá uma certa preguiça. O embate direto com a realidade, por mais que o filme não seja realista, mas filmar a partir da observação e do deslocamento é um caminho mais prazeroso.

Tem um livro especial que gostaria de filmar? Não tenho. Fiz quatro filmes nos últimos seis anos. Pretendo daqui a um mês ou dois estar absolutamente sem projeto, sentirme um pouco à deriva para assim saber para onde vou. Quero começar do zero de novo.

Como funcionam suas parcerias com o diretor e produtor Renato Ciasca e com o escritor Marçal Aquino? Diria que é uma espécie de ação entre amigos? Sou amigo do Renato desde a faculdade. A melhor coisa que encontrei lá foi meu parceiro de cinema. Nesses filmes que fizemos fora de São Paulo, como estávamos construindo juntos desde a pesquisa, a viagem e o roteiro, então o convidei para dirigir, para estar comigo na hora da construção de cada plano. É muita amizade. Nos conhecemos há 25 anos.

Então não há uma obra predileta que você pensa em filmar um dia? Não. Acho que se tivesse a

E com o Marçal, como vocês se conheceram? Acho que foi em 1990. Li uma resenha de um livro

dele, As Fomes de Setembro, guardei o texto no bolso e fiquei procurando o livro. Me interessei em rodar um curta, liguei pra ele e ali começou uma amizade. Não consegui fazer o curta na época. Sempre vou à casa dele tomar um café, bater um papo. De repente ele me chama: “Dá uma olhadinha no que escrevi”. Aí lê um, dois, três capítulos do livro que está escrevendo. Tenho esse privilégio de acompanhar o processo criativo de um grande escritor. E ao mesmo tempo não temos nenhum tipo de vaidade do tipo “Ah, isso não estava no meu livro ou o meu filme é melhor que o livro”. Ele não questiona os caminhos da interpretação, e eu também não intervenho no seu processo criativo. Ele é muito parceiro, muito amigo. Percebo nele um orgulho de ver suas histórias na tela grande.

Ele costuma ir ao set de filmagem? Eu convido sempre. E fico muito alegre quando ele vai. Mas, às vezes, ele está envolvido num trabalho, com prazos, e acaba não indo. No Cão sem Dono ele foi. No Pará, não. Mas ele gosta de ir e é muito bem recebido. Uma coisa legal nesse filme é que toda cena que a gente ia rodar os atores liam o trecho do livro referente ao episódio do roteiro enquanto esperavam a preparação do set. A literatura sempre foi um fonte de inspiração pa-

FOTOS: HÉLIO MONTEIRO/DIVULGAÇÃO

PARCEIROS DE TELA – No alto, Marçal Aquino numa das sessões de divulgação de Eu Receberia as Piores Notícias de seus Lindos Lábios; acima, os amigos Ciasca e Brant

ra a construção da cena.

Seus filmes ‘passeiam’ por várias regiões do país. Porto Alegre, a fronteira Brasil-Paraguai, o interior de Minas, agora o Pará. É uma forma de buscar um certo arejamento narrativo, de impregnar-se com as sensações de um novo local que não o do seu dia a dia? Para mim, o cinema tem esse tipo de deslocamento que acho precioso. Se deslocar para compreender. Lugares, códigos... O cinema passa a ser um pretexto para viajar mesmo, para conhecer. Sou geminiano, tenho essa coisa de estar

aberto e ter curiosidade. Acho fundamental no cinema ter curiosidade pelo ser humano. Nesse sentido, fiz um filme com os gaúchos, uma gente cheia de orgulho, não é? Fiz um filme em Porto Alegre, outro no Pará, que também tem um povo orgulhoso, que vive um renascimento cultural, um movimento artístico muito forte, como o que viveu Pernambuco há 15 anos. Momento esquentado até pela questão do plebiscito sobre a separação do Estado, no ano passado. A minha turma lá de Santarém adoraria que isso tivesse acontecido.


Caderno B 3 B

CINEMA: FORA DO CIRCUITO III PANORAMA SESI – MOSTRA DE CINEMA INTERNACIONAL Com 12 filmes na programação, a mostra que faz um ‘passeio’ pela cinematografia mundial ganha nova edição no Cine Sesi. Entre os dias 06 e 12 de julho, o público poderá conferir alguns dos longas-metragens mais representativos da produção audiovisual contemporânea, a exemplo de A Dançarina e o Ladrão, de Fe r n a n d o Tr u e b a , A s Flores de Kirkuk, de Fariborz Kamkari, e O Vendedor, de Sébastien Pilote. A lista completa dos filmes pode ser consultada no site do Centro Cultural Sesi (www.centroculturalsesi.com.br).

Fundação Pierre Chalita. Pç. Manoel Duarte, 77, Jaraguá. Abertura: no dia 05 de julho, às 19h. Entrada franca. Mais informações: 3336-6380 e 9982-9436.

6º FESTIVAL DE INVERNO DO PALATO Aberta no dia 21 de junho, a temporada de inverno já deixou o clima da capital bem mais ameno. E para aproveitar a estação, nada melhor que comes e bebes para lá de especiais, não é mesmo? Com uma programação que inclui cursos, degustações e muita música de qualidade, o Palato inicia nesta quinta-feira (05) a 6ª edição de seu Festival de Inverno – tendo como palco o café do recéminaugurado Palato Farol, a abertura contará com uma apresentação intimista do saxofonista Derico, do Sexteto do Jô. Palato Farol. Av. Fernandes Lima, 583, Farol. Abertura: no dia 05 de julho, às 20h. Preços: R$ 360 (mesa para 4, com direito a tábua de frios, pães, água, refrige-

TV PAGA A&E 23h00

MGM Chico Buarque – Meu Caro Amigo

AXN 21h00

rante e uma garrafa de vinho) e R$ 240 (mesa para 2, com os mesmos serviços inclusos). Mais informações: 2121-7575.

SHOWS & MUSICAIS

VISH/MIL E UMA NOITES Balada number one da turma descolada de Maceió, a Vish está de volta – e dessa vez num clima oriental. Atração no dia 06 de julho na Loop Lounge Club, a nova edição da festa traz em seu line-up os DJs Phellipe Cine Sesi. Centro Cultural W. (SP) e Marcelo Alk Sesi. Av. Dr. Antônio Gouveia, 1113, Pajuçara. De 06 (CE), além dos disc-jóqueis locais Die Moma 12 de julho, em horários bergs, Marcsheep, David diversos. Ingressos: R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia); pas- Andrade e Kaká Marisaporte diário – R$ 18 (innho. Para animar o púteira) e R$ 9 (meia). Mais blico, dança do ventre, informações: 3235-5191. correio elegante e ‘J asmines’ e ‘Aladins’ distribuindo bebidas. Que tal?

CULTURA & GASTRONOMIA

DIVULGAÇÃO

Domingo, 01 de julho de 2012, GAZETA DE ALAGOAS

Loop Lounge Club. Av. Eng. P. B. Nogueira, 320, Stella Maris. No dia 06 de julho, a partir das 23h. Ingressos: R$ 20 (antecipados). Mais informações: 9985-2159.

22º FESTIVAL DE INVERNO DE GARANHUNS Acabou o suspense: a programação oficial da 22ª edição do Festival de Inverno de Garanhuns acaba de ser divulgada pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e pela Secretaria de Cultura do Estado. Este ano o festival acontece entre os dias 12 e 21 de julho, com atrações como Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Zélia Duncan, Roberta Sá, Lirinha, Lulu Santos e Erasmo Carlos, entre outros nomes da música nacional. Como não poderia deixar de ser, o grande home-

nageado desta edição é Luiz Gonzaga, o sanfoneiro nascido no município pernambucano de Exu que em dezembro completaria 100 anos. Garanhuns-PE. A 170km de Maceió. De 12 a 21 de julho. Mais informações: www.fig.com.br.

ARTES PLÁSTICAS EXPOSIÇÃO DE ARTE NAÏF Reunindo obras de inspiração naïf de autoria dos artistas plásticos Tânia de Maya Pedrosa, Gustavo Lima, Lula Nogueira, Lys Carvalho e Beta Basto, a coletiva que será aberta no dia 05 de julho na Fundação Pierre Chalita tem curadoria da própria Beta Basto e montagem assinada pela d u p l a Pe r s i v a l d o F igueirôa e Chico Simas. Nos trabalhos que compõem a mostra, cenas do cotidiano popular em pinceladas que emulam a ingenuidade dos pintores cuja produção não segue padrões acadêmicos ou escolas artísticas.

DIVERSÃO & ENTRETENIMENTO OS TRÊS PORQUINHOS Há mais de dez anos rodando os palcos do País, o espetáculo infantil que tem dramaturgia da Duetus Promoções será apresentado no dia 08 de julho no Teatro Deodoro, com sessão às 16h. Com um novo direcionamento para a história, a montagem narra as aventuras dos porquinhos numa floresta encantada onde os sonhos se confundem com a realidade. Nesse mundo, eles precisam se unir devido à constante ameaça do malvado Lobo Mau, mas o vilão da trama é, na verdade, um dos irmãos, que se disfarça para ensinar os outros a enfrentar o medo. Teatro Deodoro. Pç. Mal. Deodoro, s/n, Centro. No dia 08 de julho, às 16h. Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). Pontos de venda: lojas To You (Maceió Shopping e Ponta Verde). Mais informações: 3034-0930 e 8825-2808.

08h30

10h30

Motociclismo – Mundial de Superbike – SBK 1 – Etapa Espanha – Ao vivo Automobilismo – DTM – Etapa Norisring – Ao vivo Motociclismo – Mundial de Superbike – SBK 2 – Etapa Espanha – Ao vivo

13h00 21h15 22h00

09h00 15h45 18h30

14h00 16h25 21h00

19h55

15h30 19h55 22h00

Robin Hood A Vila Caça às Bruxas

TC CULT 15h45 17h30

Pre-Olímpico Fem. de Basquete – Últimas Vagas para Londres 2012 – Ao vivo

O Céu por Testemunha Círculo do Medo

TELECINE ACTION

ESPN BRASIL 11h55

Troféu Brasil de Atletismo – Ao vivo Eurocopa 2012 – Final – Ao vivo Campeonato Brasileiro – Grêmio x AtléticoMG – Ao vivo

TCM 15h40

Esquinas Larica Total – Torta de Limão É Tudo Verdade – Acácio O Mistério do Samba Faixa Musical – Edgard Scandurra – Ao Vivo

Os Esquadrões do Holocausto Pregadores Mirins Tabu Brasil

SPORTV

CANAL BRASIL 13h00 13h30

Amistad O Jardineiro Fiel

NATIONAL GEOGRAPHIC A Guerra de Hart

BANDSPORTS 07h00

19h15 22h00

22h00 23h45

Cinzas do Passado Redux Alien – O Oitavo Passageiro Morangos Silvestres Os Deuses Devem Estar Loucos

TC FUN EUROCHANNEL 20h00

Roma Fantástica

15h15 18h30

A Festa do Garfield Deu a Louca nos Bichos

FILM & ARTS 18h00

Caravaggio

TC PIPOCA 20h00

Kung Fu Panda 2

FOX 17h00 18h30

Música!

Integrante do Sexteto do Jô, o saxofonista Derico faz apresentação intimista na abertura da 6ª edição do Festival de Inverno do Palato, na próxima quinta-feira

Noivas em Guerra Bee Movie – A História de uma Abelha

TC PREMIUM 18h00

TC TOUCH 22h00

GNT 17h00

Água para Elefantes

Pompeia – A Fúria dos Deuses

Preciosa – Uma História de Esperança

THC HBO 19h13 23h05

18h00 Larry Crowne – O Amor Está de Volta O Turista

19h00

O Universo Submarino O Universo

TNT MAX 20h15

16h55 Besouro

Van Helsing – O Caçador de Monstros

MAX PRIME 22h00

Um Parto de Viagem

WARNER 16h10

A Lenda do Zorro

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EM CARTAZ

PROGRAMAÇÃO ATÉ 05/07. HORÁRIOS FORNECIDOS PELOS CINEMAS; KINOPLEX (WWW.KINOPLEX.COM.BR); 4003-7043 (CENTERPLEX); 3317-4834 (CINE LUMIÈRE); 3235-5191 (CINE SESI)

A ERA DO GELO 4 Kinoplex (dub., 14h, 16h10, 18h20, 20h30); Centerplex (dub., 13h10, somente sáb. e dom.; 15h10, 17h10, 19h10); Cine Lumière (dub., 13h20, 15h15, 17h10, 19h10, 21h15) – Livre

EM VERSÃO 3D Kinoplex (dub., 13h, 15h10, 17h20, 19h30, 21h40); Centerplex (dub., 14h, 16h10, 18h20, 20h40) – Livre Sinopse: a bordo de um iceberg flutuante, Manny, Diego e Sid embarcam numa nova aventura. Entre piratas e criaturas marinhas, nessa jornada eles vão enfrentar mil perigos.

AS NEVES DO KILIMANJARO Cine Sesi (17h, exceto seg.) – 14 anos Sinopse: Michel e MarieClarie vivem felizes há mais de 30 anos, mesmo depois dele ter perdido o emprego. O grande choque do casal vem da descoberta que um de seus amigos, que foi de-

mitido junto com Michel, planejou um violento assalto contra eles.

E AÍ, COMEU? Kinoplex (nacional, 14h10, 15h, 16h20, 17h10, 18h30, 19h20, 20h40, 21h30); Centerplex (nacional, 14h20, 16h30, 18h50, 21h20); Cine Lumière (nacional, 21h25) – 14 anos Sinopse: Fernando, Honório e Fonsinho são três amigos de infância que, diante da ‘nova mulher’, tentam entender o papel do homem no mundo atual.

MADAGASCAR 3 – OS PROCURADOS Kinoplex (dub., 17h); Centerplex (dub., 13h, somente sáb. e dom.; 15h15, 17h20); Cine Lumière (dub., 13h30, 15h30, 17h30, 19h30) – Livre

tentando entender quem é e como se tornou essa pessoa. Em sua jornada para encontrar todas as peças do seu passado, ele descobre um segredo de seu pai – e isso vai definir seu destino como Homem-Aranha.

PROMETHEUS Centerplex (dub., 21h10) – 14 anos

EM VERSÃO 3D

EM VERSÃO 3D

Kinoplex (dub., 14h20); Centerplex (dub., 14h10, 16h20) – Livre Sinopse: na nova aventura dessa turma animal, Alex, o leão, Martin, a zebra, Gloria, a fêmea de hipopótamo, e Melman, a girafa, estão de passagem pela Europa, onde viverão altas confusões.

Centerplex (dub., 18h30; 21h15, exceto ter., qua. e qui.) – 14 anos Sinopse: uma equipe de exploradores descobre novos indícios sobre as origens da humanidade na Terra, o que os leva a uma aventura impressionante – e perigosa – pelas regiões mais sombrias do universo.

O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA 3D

SHAME

Kinoplex (dub., 18h40, somente ter., qua. e qui.; leg., 21h30, somente ter., qua. e qui); Centerplex (dub., 21h15, somente ter., qua. e qui.) – 10 anos Sinopse: como a maioria dos adolescentes, Peter está

Cine Sesi (leg., 18h50, exceto seg.) – 18 anos Sinopse: Brandon é um homem bem-sucedido que mora sozinho em Nova York. Sua rotina de viciado em sexo é profundamente abalada quando sua irmã Sissy

ANDRÉ AZEVEDO/DIVULGAÇÃO

aparece de surpresa, querendo ir morar com ele.

PONTAL DA BARRA Um dos bairros mais tradicionais de Maceió, no Pontal pode-se encontrar peças de filé, renda de bilro e renascença, em geral vendidas na casa das próprias rendeiras. A cerca de 20 minutos do Centro de Maceió. Os estabelecimentos funcionam em horário comercial. Mais informações: 3315-5700, com a Secretaria de Estado do Turismo (Setur).

PARA ROMA COM AMOR Kinoplex (leg., 14h40, 19h, 21h20) – 12 anos Sinopse: italianos e estrangeiros (interpretados por grandes astros e atores pouco conhecidos do público americano) vivem encontros e desencontros amorosos rodeados pelas belas paisagens de Roma. No longa, Woody Allen dá sequência à sua ‘excursão’ pelas grandes capitais europeias.

ROTEIRO CULTURAL

SOMBRAS DA NOITE Kinoplex (leg., 16h20; 18h50, 21h10, exceto ter., qua. e qui); Centerplex (leg., 19h15, 21h40) – 14 anos Sinopse: a rotina da estranha família Collins muda radicalmente quando Barnabas desperta de seu caixão. Mal suspeitam eles que Barnabas é um dos seus antepassados mais distantes, um vampiro de 175 anos que acorda sedento por sangue e morto de saudades de seu antigo amor, Josette.

UM MÉTODO PERIGOSO Cine Sesi (leg., 15h, somente dom.; 20h50, exceto seg.) – 14 anos Sinopse: o filme do diretor David Cronenberg narra a conturbada e polêmica relação entre os pais da psicanálise, Carl Jung e Sigmund Freud, e seu envolvimento com a paciente russa Sabina Spielrein, que também viria a se tornar psicanalista.


B 4 Caderno erno B TV ABERTA

GAZETA DE ALAGOAS, 01 de julho de 2012, Domingo

FOTOS: DIVULGAÇÃO

CRUZA DAS

TEMPERATURA MÁXIMA Sátira ao universo dos quadrinhos, Super-Herói – O Filme é garantia de diversão

TV GAZETA CANAL 7 05h45 06h45 06h55 07h25 08h00 08h55 09h30 12h35 13h10 13h55

15h30 17h45 20h45 23h05

00h08

Santa Missa Sagrado Gazeta Rural Pequenas Empresas Globo Rural Auto Esporte Esporte Espetacular Aventuras do Didi Os Caras de Pau Temperatura Máxima: Super-Herói – O Filme Futebol 2012 – Eurocopa Domingão do Faustão Fantástico São João do Nordeste Festival de Quadrilha (Compacto) Domingo Maior: U.S. Marshals – Os Federais

TV PAJUÇARA CANAL 11 06h00 06h30 08h20 09h00 10h00 11h00 11h30 12h00 12h15 16h30 20h15 21h00 23h15 00h00

Nosso Tempo Desenhos Bíblicos Record Kids Ponto de Luz Alagoas Dá Sorte Informativo Cesmac Pajuçara 360º Record Kids Tudo é Possível Programa do Gugu A Fazenda Domingo Espetacular Repórter Record Assuntos Confidenciais

10h15 10h30 11h00 11h15 11h30 12h00 12h30 12h45 13h00 13h30 13h45 14h00 14h30 15h00 16h00 17h00 18h00 18h30 19h00 20h00 21h00 22h30 23h00 00h45 01h45 03h00

TV ALAGOAS CANAL 5 06h00 06h30 07h30 08h00 08h30 09h00 11h00 15h00 19h00 19h55 20h00

TV EDUCATIVA CANAL 3 06h30 07h00 08h00 09h00

Sustentáculos Palavras de Vida Santa Missa Viola Minha Viola

Curta Criança Janela Janelinha Escola pra Cachorro Os Pezinhos Mágicos de Franny A Turma do Pererê ABZ do Ziraldo Tromba Trem Carrapatos e Catapultas A Turma do Pererê Catalendas Cocoricó Dango Balango TV Piá Stadium Os Protetores do Planeta Ver TV De Lá Pra Cá Cara e Coroa Papo de Mãe Conexão Roberto D’Ávila EsportVisão Curta TV Cine Ibermedia DocTV IV EsportVisão De Lá Pra Cá

00h00 01h00 02h00 03h00

Aventura Selvagem Pesca Alternativa Brasil Caminhoneiro A Grande Ideia Vrum Igreja Mundial Domingo Legal Eliana Roda a Roda Jequiti Sorteio da Tele Sena Programa Silvio Santos De Frente com Gabi O Mentalista Alvo Humano Agentes Secretos

DOMINGO MAIOR Muita ação com Tommy Lee Jones em U.S. Marshals – Os Federais

NO RÁDIO GAZETA AM 1.260 KHz 05h00 06h00 06h10 09h00 13h00 20h00

Notícias da manhã – 1ª parte Despertar com Deus Notícias da manhã – 2ª parte Hoje é dia de praia Jornada esportiva Notícias da noite

GAZETA FM 94.1 MHz 01h00 05h00 06h00 07h00 09h00 10h00 11h00 16h00 20h00 22h00

Show da madrugada Forró da manhã Como é grande o meu amor por você Bom dia Gazeta Swing da Gazeta Alagoas dá sorte Swing da Gazeta Gazeta pediu tocou Gazeta toca tudo Love is love

NO ASTRAL

BÁRBARA ABRAMO

Celebração da deusa assíria Atargatis. Lua cheia em Capricórnio: 03/07

ÁRIES. Triângulo harmonio-

LIBRA. Ajustes positivos

so entre signos de fogo anuncia um domingo favorável e movimentado para você. As energias da emoção agem em conjunto com as forças da renovação. Você está expressivo e desenvolto no amor, divirta-se!

entre emoção e razão! Você assumiu responsabilidades novas? Dará conta direitinho de tudo isso já na segundafeira. Um novo ciclo começa então e há amigos com quem contar. Boas surpresas amorosas e financeiras.

TOURO. Mentalidade empreendedora e bom uso de seus talentos e capacidades mostram que seu caminho será vitorioso nesta primeira semana de julho. Vá se preparando. Um feliz encontro com amigos ou amor colore seu domingo.

ESCORPIÃO. Uma boa ideia

GÊMEOS. O mês começa

SAGITÁRIO. Lua em seu signo sinaliza um dia para cuidar mais de si e ouvir suas necessidades. Você pode ficar mais oscilante, inquieto e necessitar de movimento, ação e contato social. Desenvoltura energiza amor e amizades. Visão ampla.

com um pique sociável, a vontade de conhecer algo mais da vida e certa inquietude também. Viajar, andar por aí, conhecer novas trilhas e percursos para o corpo e a alma são boas opções para hoje. Oscilações de humor.

CÂNCER. Tensão astral ainda perdura e hoje bate no organismo, como um pedido de socorro por causa do estresse anterior. Pegue leve neste domingo, expresse-se pelas artes e sintase melhor. Alimentação controlada ajuda a manter o pique.

para você aplicar no trabalho pode surgir hoje, anote. Inspiração sobre planos e metas que lhe são caros também. Aprendizado rápido e contato com pessoas interessantes. Mantenha as finanças sob controle.

CAPRICÓRNIO.

Para você, a tormenta astral continua, mas hoje mais leve, ou pelo menos em segundo plano. Lampejos espirituais e inspirações devem ser seguidos – entradas e partidas, caminhos novos. Sem medo de ousar, capricorniano!

LEÃO. Bom domingo para

AQUÁRIO. Planetas armam

você, que conta com a vibração harmoniosa da Lua em Sagitário enviando mais afeto e imaginação. Viagens e encontros sociais positivos. Revigorante mesmo será a troca intelectual com alguém, fique de olho.

cenário especial para você se doar para os amigos e aqueles a quem ama, de modo inteiro e generoso. Aproveite a energia fluida da Lua em Sagitário para exercitar a versatilidade. Alongue seu corpo e sua mente.

VIRGEM. Pensamento em

PEIXES. Cena astral favore-

casa e na família, em busca de vínculos que sustentem nos momentos de necessidade. Consciência crescente de que, para cuidar de seus planos, você não pode se submeter aos imperativos de um parceiro intimidador.

ce inspirações ótimas para você seguir nos meses adiante. Finalmente, você já pode pensar em um clima mais ameno à vista. Marte está se despedindo de Virgem, sinal de menos fricções e críticas do parceiro.


Caderno B 5 B

Domingo, 01 de julho de 2012, GAZETA DE ALAGOAS

CONTINUAÇÃO DA PÁG. B1. Na última parte da entrevista, Beto Brant fala das condições de produção existentes hoje no país e comenta sua primeira experiência com filmagem digital

“A GENTE LANÇA O FILME JÁ DEVENDO MUITO” Ao lado de Renato Ciasca, o diretor está produzindo o novo filme do pernambucano Lírio Ferreira, Sangue Azul RAMIRO RIBEIRO REPÓRTER

Gazeta. Você já filmou no formato digital? Qual a sua opinião sobre o fim da fabricação da película? Beto Brant. Esse filme é o último que fiz em película. Usamos Super 35mm. Acabei de filmar um curta que fará parte de um filme coletivo, um projeto do Leon Cakoff, e já foi com uma Canon 7D.

Gostou da experiência? Gostei. Quero ver agora na tela. No vídeo está bonito. Acho que é a tendência. A tecnologia tem que nos servir. Ela proporciona facilitações muito grandes. Você sabe exatamente que imagem está fazendo. O equipamento é leve, a equipe é menor, são muitas vantagens para se abrir mão. Cada vez tem menos desvantagens, que seriam

A filmografia de Beto Brant Curtas 1986 Aurora 1987 Dov’è Meneguetti 1993 Jó

Longas 1996 Os Matadores 1997 Ação entre Amigos 2002 O Invasor 2005 Crime Delicado 2006 Cão sem Dono 2010 O Amor Segundo B. Schianberg 2011 Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios

a qualidade fotográfica da imagem, o tipo de cor, de grão. Isso tudo acaba virando uma nostalgia, como sempre foi na história do cinema. Quando apareceu o som, “Ah, o cinema mudo era mais mágico”. É o que acontece hoje com o 3D. O último filme do Wim Wenders, Pina, é lindo de ver. Precisa ser em 3D? Não precisa, mas é uma experiência bacana.

Você se enxerga como integrante de uma geração? Se sim, como a classificaria? Há traços em comum que uniriam esse grupo? Acho que sim. Tem uma geração que estava fazendo filme no meio dos anos 1990, depois do hiato em que filme nenhum foi produzido e só depois foi começando a Retomada. Essa geração era Lírio Ferreira, Carla Camurati, Tata Amaral. O Cláudio Assis, que é um dos grandes amigos meus no cinema, talvez o maior. Essa é a minha geração. Estou produzindo o próximo filme do Lírio, Sangue Azul, junto com o Renato. Vai ser filmado em Fernando de Noronha, entre outubro e novembro. Quando terminei a faculdade, em 1987, fiz meu primeiro curta e viajei pelos festivais. Conheci o Lírio e o Cláudio nessa época. Agora independentemente de geração, também tenho amigos e gosto do cinema de gente como o Gustavo Spolidoro, de Porto Alegre, que foi produtor executivo no Cão sem Dono, e tem uma carreira brilhante lá; e o José Eduardo Belmonte, de Brasília, que agora está fazendo seus filmes em São Paulo e no Rio. Tem também uma turma de Minas bacana, Helvécio Ratton e o pessoal que fez o Girimunho, um grande filme. Surgiu a expressão – ou movimento – Novíssimo

Cinema Brasileiro. É muito bonito, um cinema humanista, dos pequenos gestos. Difere da minha geração, um pouco mais ideológica, porque tivemos o eco de vir após uma geração que foi muito ideológica. Isso não quer dizer que seja melhor ou pior; apenas vejo esse traço de diferença. Tenho visto muitos filmes dessa nova geração: Girimunho, Sudoeste, Histórias que Só Existem Quando Lembradas, ao mesmo tempo em que tenho visto uma Helena Ignez fazer um Luz nas Trevas em que ela vai lá e mantém o espírito de O Bandido da Luz Vermelha, anárquico e divertido.

É uma pergunta complicada. Sei que existe um debate grande sobre a burocratização da Ancine, mas esse é um assunto de que não tenho domínio, o Renato está mais ligado nisso do que eu. Mas a dificuldade é muito grande. Terminei esse filme sem a captação de recursos concluída; a perspectiva de ganhar dinheiro é muito remota. A gente lança o filme já devendo muito. Só as empresas estatais que investem em cinema, as empresas privadas não, se sentem ameaçadas. Que empresa vai investir num filme que trata de um Brasil mais autêntico, sincrético e verdadeiro?

Qual o seu método para dirigir atores? Já chegou a utilizar preparadores de elenco nessa tarefa? Nunca trabalhei com preparador. Uma das coisas mais saborosas de dirigir um filme é o contato que você tem com o ator, a construção do personagem. Procuro escalar um ator que sei que vai contribuir com isso, que tenha o que dizer, uma sensibilidade especial na leitura do personagem. Procuro ensaiar na locação, nos horários em que as cenas acontecem. A filmagem sempre é o último ensaio, nunca é a repetição de uma coisa consolidada. Temos que chegar para filmar com a mesma inquietação do ensaio. Sempre procurei fazer do set um lugar de invenção. Tem que ser bom. Não gosto do set burocratizado, como se fosse mais uma tarefa a ser cumprida. É um plano a ser construído, inventado.

Como é produzir ‘cinema independente’ no Brasil, nessas condições? O Estado abriu mão de gerir a cultura, repassou para a iniciativa privada, através da ferramenta do incentivo. Mas ela só investe naquilo que é inofensivo para o status quo. Nada que seja muito inquieto ou ideológico. Outro fator é o problema sério de distribuição. O cinema está muito elitista, a operação comercial do cinema ficou muito cara, o que causa uma restrição muito forte de público. Hoje o cinema é uma casa de espetáculos. O cara que gosta de cinema vai ter de ver DVD, vídeo, internet. Tem país da América Latina, como a Venezuela, em que o Chávez cobriu o país com pequenas salas digitais nas periferias e cidades pequenas. É lógico que provavelmente deve ter uma censura ideológica, mas como difusão é uma ótima ideia, uma prática possível aqui no Brasil. Senão vai morrer mesmo. Daqui a 20 anos vai virar um negócio como um concerto de ópera. E agora, com o 3D, ficou

A que você atribui a queda de bilheteria das produções nacionais no primeiro semestre? Como lida com as expectativas de alcance de público dos seus filmes?

FOTOS: DIVULGAÇÃO

TENSÃO E RISCO - No alto, Paulo Miklos em O Invasor; no centro, Crime Delicado, de 2005; acima, Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios, rodado no Pará

ainda mais caro. A gente segue fazendo porque o desejo de fazer cinema é muito grande. Jogamos o jogo possível, tentando caminhos.

não gosto muito de falar sobre referências.

Qual o cinema que te atrai? O que tem sinceridade, disposição do cineasta, sensibilidade. O filme que proponha uma experiência sensorial.

É verdade? Por quê? Acho que reduz. Está ali, o meu contato com o cinema é direto com a observação, não é referente a outros filmes. Mas estou muito curioso para ver o filme do Cláudio Assis, Febre do Rato. Tenho ouvido maravilhas.

Quais os últimos filmes que te marcaram? O fato é que acabo vendo muito filme em festival, é a chance que tenho de ver mais filmes. Gosto do cinema espanhol, do mexicano. Gosto muito do filme México Insurgente, do Paul Leduc. E o cinema argentino e chileno. Violeta Foi para o Céu, do meu amigo Andrés Wood, que venceu o último Cine Ceará. Mas

Que outras fontes artísticas te inspiram? Vou sempre a shows. São Paulo tem um cardápio, uma vida noturna muito intensa. Tem muita gente fazendo música, teatro experimental, o Sesc, que abre as portas para gente do Brasil inteiro. Não sou daqueles que só gosta de cinema. Estou aberto para outras áreas. Artes plásticas, fotografia.


+CULTURA

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GAZETA DE ALAGOAS, 01 de julho de 2012, Domingo

MUSICAL

CONCERTO

Comédia narra vida de vedete

Henrique Annes é Information Branca de Neve atração no IHGAL Society no Recife no Gustavo Leite

Com texto de Artur Xexéo e direção de Jacqueline Laurence, a comédia musical A Garota do Biquíni Vermelho será apresentada nos dias 06, 07 e 08 de julho em Maceió, no Teatro Deodoro. O espetáculo, que tem a atriz global Monique Alfradique como protagonista, narra a história de umas das principais vedetes do teatro de revista, a atriz e comediante Sonia Mamede. O elenco traz ainda os atores Karin Roepke, Tatiani Pasquali, Roger Gobeth, Marcelo Varzea e Nedira Campos. As sessões têm preços populares – R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada).

Uma das mais importantes iniciativas culturais desenvolvidas em Maceió, o Projeto Concerto aos Domingos ganha nova etapa neste domingo (1º): na programação, o violonista e compositor pernambucano Henrique Annes, que já integrou a Orquestra Armorial de Câmara de Pernambuco. Com início marcado (pontualmente) para as 10h, no programa Annes executará clássicos de nomes como Heitor Villa-Lobos e Mario Parodi, além de peças de sua autoria. A entrada é franca. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 8836-0048.

TURNÊ

Formado por Paul Robb, Kurt Larson e James Cassidy, o trio Information Society desembarca no Brasil esta semana para uma série de oito shows. Com sucessos como Think e What’s on Your Mind no repertório, a banda de tecnopop fará sua primeira apresentação nesta sextafeira (06), em Petrolina (PE). No outro dia, se apresenta em Brasília. Na sequência, segue para Juiz de Fora (13), Rio de Janeiro (14), Curitiba (17), São Paulo (19) e Recife (20). A turnê termina em Taubaté, interior de São Paulo, no dia 21. Os ingressos vão de R$ 50 a R$ 200.

ENTRETENIMENTO

Megaprodução que reedita o conto de fadas dos Irmãos Grimm, Branca de Neve e os Sete Anões tem apresentação nos dias 28 e 29 de julho em Maceió, no Teatro Gustavo Leite. A montagem que já levou cerca de 100 mil pessoas ao teatro em nove cidades brasileiras conta com pirotecnia, ilusionismo, telões em 3D, recursos de gelo seco e perfume exalado em cena (o chamado 4D) e é uma adaptação de Billy Bond e Lilio Alonso para o musical Uma História de Amor. Grandiosa, em sua equipe a peça conta com 50 profissionais, entre técnicos e atores.

DIVULGAÇÃO

CLÁSSICO Branca de Neve e os Sete Anões é atração nos dias 28 e 29 de julho em Maceió


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Domingo, 01 de julho de 2012, GAZETA DE ALAGOAS

LITERATURA. Prêmio Nobel de 2008 alegou problemas de saúde; espanhol Enrique Vila-Matas preencherá espaço na programação

J.M.G. LE CLÉZIO CANCELA PARTICIPAÇÃO NA FLIP AGÊNCIA O GLOBO

Rio de Janeiro, RJ – A organização da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip ) noticiou na última sexta-feira (29) uma importante baixa na escalação de sua 10ª edição. O escritor J.M.G. Le Clézio, vencedor do Nobel de Literatura de 2008, cancelou sua participação no evento alegando proble-

mas de saúde. Le Clézio participaria da penúltima mesa de sábado, dia 07 de julho, às 19h30, na Tenda dos Autores. Agora, no mesmo horário, será realizada uma conferência do autor espanhol Enrique Vila-Matas, intitulada Música para Malogrados. Quem adquiriu ingressos para a mesa de Le Clézio poderá entrar livremente no novo evento.

Villa-Matas também participa da segunda mesa da Flip, intitulada Apenas Literatura, na quinta-feira, dia 05, às 15h, ao lado de Alejandro Zambra. Um dos primeiros nomes confirmados para as comemorações de dez anos da Flip, Le Clézio confirmou sua vinda ao Brasil em outubro de 2011. Segundo a organização do evento, desde

então o escritor manteve contato regular com a Flip e com a Cosac Naify, sua editora no Brasil. Em comunicado, o autor, de 71 anos, pediu desculpas e disse sentir muito pelo cancelamento. Le Clézio é autor de mais de 40 livros, entre eles Deserto, A Quarentena, Peixe Dourado, O Africano e Refrão da Fome, todos publicados no Brasil. ‡

+CULTURA AÇÃO JUDICIAL

João Gilberto quer ‘barrar’ livro

O músico João Gilberto estuda entrar na Justiça contra a editora Cosac Naify para tentar proibir a comercialização de um livro recém-lançado do qual é tema. “João disse que foram publicadas algumas reportagens desnecessárias sobre ele no livro. E ele ainda foi publicado sem a sua autorização”, disse Marcos Meira, um dos advogados que representam o músico. Ele disse que as considerações feitas por João Gilberto antes da publicação não foram levadas em conta pela edi-

tora. Meira não soube afirmar, no entanto, que informações publicadas em João Gilberto (R$ 215, 512 págs.), lançado neste mês, o incomodaram. Organizado por Walter Garcia, professor do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, o livro reúne entrevistas, documentos, reportagens, ensaios e fotografias. Parte do material estava fora de circulação. Segundo Meira, uma notificação extrajudicial foi enviada à editora para barrar o lançamento. Por isso, a ação judicial está sob estudo agora. Procurada, a editora informou que ainda não recebeu a notificação extrajudicial e que não irá comentar o caso.


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GAZETA DE ALAGOAS, 01 de julho de 2012, Domingo

felipecamelo@gazetaweb.com

FOTOS: FELIPE CAMELO

Roninho Vasco, preparando músculos e mente, lança (com o irmão Ralph Vasco), agora em julho, na Jatiúca, ‘Time’, com ambientação de Bia Vasco, e ‘Life’, de Inês Amorim, ambos projetos de Mariano Teixeira. D+

CENTRO DE TREINAMENTO Depois da Noruega, o Japão mandou delegação para visitar Alagoas, na última 4ª, 27, com membros do Comitê Organizador Local da Fifa. Vieram avaliar os estádios e serviços turísticos. Na Copa, devem circular pelo Brasil uns 600 mil estrangeiros + 3 milhões de brasileiros, totalizando 7,8 milhões de viagens domésticas. Poderemos ser As Praias da Copa.

Conheço Marcos Fireman desde o Marista e sempre foi avesso a badalações, fotos... Discreto todo, continua ficando sem graça quando percebe 1 máquina por perto. Aqui, encarando treinamento com a top personal Waleska Tenório

1º, 2ª, 3º Dia 1º de julho, meu Deus, já estamos na 2ª metade do ano. E exatamente hoje completo meu 3º mês aqui nesta Gazeta. Confesso que a ficha ainda não caiu, estou realizando 1 sonho. Sempre quis vir trabalhar aqui. Continuo recebendo parabéns pela contratação e agradeço o apoio dos anunciantes que publicam nesta pagina, e também da direção desta casa, que me dá total liberdade. A repercussão tem sido positiva e operante. Obrigadíssimo!!! INAFIANÇÁVEL Acredito que 1 dos piores crimes é a pedofilia, é imperdoável. Abusar de 1 criança é provocar 1 bola de neve. Está comprovado, a maioria das vítimas acaba transtornada, provocando outras vítimas. E aí, 1 monte de gente vítima das outras. E, na última 5ª, 28, bomba na net. “Uma das vozes mais conhecidas do rádio, o humorista Mução foi preso pela Polícia Federal em Fortaleza, investigado na Operação Dirty-Net, de combate à pornografia infantil na internet. As informações iniciais dão conta de que policiais verificaram o conteúdo de computadores na casa do radialista. Foram obtidas provas suficientes através do cruzamento de informações e e-mails”. Se culpado, merece cadeia braba.

PARADISE PARTY A ‘label party’, famosa pelo ‘after hours’ aos domingos de manhã, retorna a São Paulo no próximo dia 15, em novo formato, das 2 da tarde às 10 da noite. Nesta, o DJ Cosmo Baker, de NY, é a atração principal. Tem 70% do espaço ao ar livre, como 1 festa no jardim, e contará, inclusive, com bicicletário gratuito para incentivar o público a deixar o carro em casa. Bem que podia rolar por aqui também.

Laurinha Amaral embarca em um mês para curso de flores na Holanda. De lá, aproveita para relax em Londres e Ibiza. Estilosa como a mãe, Eva, usando e abusando das saias de crochê assinadas por Sofia Accioly, que tem feito tanto sucesso com suas criações que já está instalando loja própria. E Laurinha como outdoor

EM 90 SEGUNDOS “Novo lançamento da Universo dos Livros ensina a usar a linguagem corporal e o diálogo para transmitir imagem positiva; como tirar vantagem do corpo, mente, voz e imaginação para maximizar o potencial dos relacionamentos, seja na arte dos negócios ou na vida social? A receita está em Como convencer alguém em 90 segundos, de Nicholas Boothman”. Jornalista Sandra Tacla indicando. + no www.universodoslivros.com.br.


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Domingo, 01 de julho de 2012, GAZETA DE ALAGOAS

EDILSON OMENA/CORTESIA

ROMEU DE LOUREIRO emsociedade@gazetaweb.com

EDILSON OMENA/CORTESIA

Troféu do Ialas Criado pelo historiador Romeu de Mello Loureiro (sócio efetivo do Ihgal e sócio fundador da Academia Alagoana de Cultura) como entidade voltada ao estudo do ambiente social alagoano – especialmente as alterações havidas na composição das chamadas elites estratégicas locais, o Instituto Alagoano do Ambiente Social (Ialas) promoverá, dia 12 de setembro, no Espaço Pierre Chalita, uma solenidade, cercada de pompa e divulgação, nas mídias eletrônica e impressa, para entregar a pessoas que se vêm distinguindo nas respectivas áreas de atuação o Troféu Laureados das Alagoas (concebido pelo designer André Estevam, a partir das coroas greco-romanas de louros).

Comandante André Pereira Meire, que festejará seu aniversário amanhã, clicado em evento deste colunista

CLAUDEMIR MOTA/ CORTESIA

FESTA JUNINA DE ARROMBA “De arromba” a festa junina acontecida, quinta-feira, na 20ª CSM. Antes da quadrilha (à antiga), houve um casamento matuto (com Lourdes e o general Valter Costa de noivos), celebrado pelo “padre” Lino Fonseca (da Abin-AL) e que foi tumultuado pela intromissão de um “caso” gay do noivo e uma sua “rapariga” com duas filhas. Um excelente conjunto de forró pé-de-serra embalou os comes e bebes madrugada adentro.

A socialite Mary Lucy de Mello Loureiro Lima, que festeja idade nova hoje, clicada em evento deste colunista

CONCERTO NO IHGAL Hoje, às 10 horas (em ponto!), no salão nobre do Ihgal, recital do renomado violonista pernambucano Henrique Annes – que executará peças de sua autoria, de Tórroba, Mário Parodi, Oscar Rosati e Villa-Lobos. Com entrada franca (como sempre).

FESTA DOS PEDROS Não teve a mesma sorte a Festa dos Pedros, do Iate Clube Pajussara. Todas as mesas ocupadas, aconteceu o inimaginável: a banda Forró da Gente, “importada” de Caruaru, recusou-se a tocar forró. Diante da pista de dança vazia e dos protestos veementes, o comodoro Moacyr de Albuquerque mandou acender as luzes do salão, dispensou a banda e apelou para o cantor Brinquinho, que subiu ao palco e salvou o restante da noite. IN MEMORIAM As tradicionais famílias Barbosa e Pinto Guedes de Paiva convidando para a missa de 7º dia do falecimento (no Rio de Janeiro) de d. Yolanda Barbosa de Paiva, legendária anfitriã de nossa sociedade: amanhã, às 17h30, na Matriz de S. Pedro (P. V.).

NA RESIDÊNCIA OFICIAL O capitão dos Portos de Alagoas, comandante André Pereira Meire, e senhora (nascida Polyanna Lamas) abrirão os portões da residência oficial da Capitania (ali, na Ponta Verde) amanhã, a partir das 20 horas, para um cocktail-souper em comemoração a mais um aniversário do anfitrião e, também, como despedida do casal, que mudará para Brasília após a passagem do cargo, marcada para a manhã da quarta-feira, em presença do vice-almirante Bernardo Pierantoni Gambôa, novo comandante do 3º Distrito Naval.

D. Hermê Quintella Brandão, que completará noventa anos amanhã, clicada em evento deste colunista Festejando idade nova, hoje, em família, a soci∫alite Mary Lucy de Mello Loureiro Lima. Outros festejados aniversariantes deste dia: ∫o médico Leonel Montenegro, o agropecuarista

Vitório Manoel Malta Marques e o empresário Marco Antônio Fireman. Entre os aniversariantes de amanhã, d. Hermê Quintella Brandão, cercada de homenagens.

EDILSON OMENA/CORTESIA

Tenentecoronel Aldemir José Cardozo Nunes, chefe da 20ª CSM, clicado em evento deste colunista


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GAZETA DE ALAGOAS, 01 de julho de 2012, Domingo

LIVROS & IDEIAS ARREDORES VIDA BOA PERFIL. Justo quando todo mundo achava que não havia nada mais a ser dito sobre o cantor e compositor mais cultuado dos nossos tempos, surge A Balada de Bob Dylan. Escrito a partir de um ponto de vista original pelo poeta, dramaturgo e biógrafo Daniel Epstein, o livro conta, a partir de quatro concertos cruciais de Dylan, como o astro se reinventou diversas vezes ao longo da carreira REPRODUÇÃO

OUTRAS VOZES ADRIANA FERREIRA SILVA FOLHAPRESS

São Paulo, SP – Daniel Mark Epstein tinha 15 anos quando assistiu ao seu primeiro show de Bob Dylan, em 14 de dezembro de 1963, no teatro da Universidade George Washington. Epstein se lembra de cada detalhe daquela noite. Ele recorda o momento em que “o jovem de aparência frágil e cabelos castanhos desgrenhados entrou no auditório pelo lado esquerdo do palco, arranhando seu violão”, a maneira como interpretou as letras, os acordes com os quais Dylan iniciou cada canção, o modo como se revezava entre a gaita e o violão, e as reações da plateia. “Tomei notas imediatamente após o concerto”, contou Epstein à reportagem. “Meu amigo e eu tocamos cada uma das músicas que ouvimos, nota por

Dylan num show em Chicago, em 1965: concertos são o foco do livro de Epstein

DANIEL MARK EPSTEIN DRAMATURGO, POETA E BIÓGRAFO

“Sou contemporâneo de Dylan e tive acesso às pessoas com as quais ele trabalhou, como [o poeta] Allen Ginsberg. Além disso, meu conhecimento sobre poesia e folk me permitiu entender muitas coisas sobre Dylan que nenhum outro biógrafo pode ou irá entender” nota. Esta era a maneira como os músicos de folk aprendiam naquele tempo”, observou. A paixão do norte-americano Epstein, 64, pelo folk não o tornou famoso

2011, alguns dias após Bob Dylan completar 70 anos e desancar, em seu site, os muitos autores que se atreveram a devassar sua vida em biografias não autorizadas (leia texto nesta página). “Sei que ele aprovou o meu livro porque permitiu que eu citasse trechos inteiros de suas letras”, afirma Epstein. Para o autor, apesar da profusão de textos sobre Dylan, o seu era necessário. “Esta é uma obra que só poderia ter sido escrita por alguém que viu e conheceu as pessoas que eu conheci, nos últimos 50 anos”, diz ele. “Sou contemporâneo de Dylan e tive acesso às pessoas com as quais ele trabalhou, como [o poeta] Allen Ginsberg. Além disso, meu conhecimento sobre poesia e folk me permitiu entender muitas coisas sobre Dylan que nenhum outro biógrafo pode ou irá entender”.

VIDA E CANÇÕES DERAM ORIGEM A MUITOS VOLUMES

O OUTONO DA IDADE MÉDIA ∫ Autor: Johan Huizinga ∫ Editora: Cosac Naify ∫ Preço: R$ 159 (656 págs.)

THALES DE MENEZES

O MAPA E O TERRITÓRIO ∫ Autor: Michel Houellebecq ∫ Editora: Record ∫ Preço: R$ 49,90 (400 págs.)

FOLHAPRESS

POESIA COMPLETA ∫ Autor: Jorge Cooper ∫ Editora: Cepal ∫ Preço: R$ 35 (406 págs.)

RICARDO LÊDO/ARQUIVO GA

A BELEZA SALVARÁ O MUNDO ∫ Autor: Tzvetan Todorov ∫ Editora: Difel ∫ Preço: R$ 45 (352 págs.)

Fernando Fiúza, poeta “O Outono da Idade Média, de Johan Huizinga. Além de graficamente belíssimo, o texto é saboroso e nos mostra o quanto nós, nordestinos, e em particular, alagoanos, ainda somos medievais em certas coisas. O Mapa e o Território, de Michel Houellebecq, o melhor escritor francês vivo: o romance é ambientado no mundo das artes plásticas, onde são discutidos os limites entre realidade e representação. A Beleza Salvará o Mundo, do crítico búlgaro de expressão francesa Tzvetan Todorov, um estudo das cartas de Wilde, Rilke e Tsvetaeva, os últimos mártires da busca do belo antes da danação modernista. Poesia Completa, de Jorge Cooper, um dos mais elegantes poetas da língua portuguesa.”

como Dylan. Mas seu conhecimento sobre o estilo, aliado à habilidade para descrever com lirismo cenas como esta, o ajudou a compor A Balada de Bob Dylan – Um Retrato Musical, que acaba de sair no Brasil pela Zahar. O livro traça um perfil do cantor a partir de quatro shows marcantes. “Escolhi concertos que pontuam os diversos dramas vividos por Dylan”, afirma o autor. “Eles foram o ponto de partida para que eu explorasse as décadas que precederam a música que estava ouvindo”, diz. “Dividi o livro em quatro partes, como uma balada, que é composta em estrofes de quatro versos”. Dramaturgo, poeta premiado e autor de biografias de Abraham Lincoln e Nat King Cole, entre outros, Epstein levou 25 anos pensando em como elaborar o trabalho. O lançamento ocorreu em

minha estante

LUIS FERNANDO VERISSIMO

São Paulo, SP – Entre inúmeras biografias, No Direction Home: a Vida e a Música de Bob Dylan, de Robert Shelton (Larousse do Brasil, 768 págs., R$ 99), costuma ser apontada como a melhor. Shelton é o escritor que mais teve intimidade com Dylan, desde os primeiros tempos nos bares de Nova York até sua turnê atual. Anthony Scaduto foi o último biógrafo a conseguir alguma atenção direta do cantor. Mas seu livro Bob Dylan, editado em 2001, é difícil de encontrar até em sebos americanos. A obra é merecidamente incensada pelos fãs. Traz entrevistas de Dylan em um período confuso, falando muito de religião.

escrito por Greil Marcus (Companhia das Letras, 256 págs., R$ 45). Quem poderia dar a versão definitiva da história não ajuda. Crônicas Volume 1 (Planeta, esgotado) seria a primeira parte de uma trilogia autobiográfica de Dylan, lançada em 2005. Mas ele fez um amontoado de textos delirantes, destinados só a quem é muito fã. ‡

Serviço Título: A Balada de Bob Dylan – Um Retrato Musical Autor: Daniel Mark Epstein Tradução: Thiago Lins Editora: Zahar Preço: R$ 59,90 (524 págs.)

ANÁLISE As canções de Dylan já renderam volumes de análise. Os mais conceituados são Revolution in the Air: 1957-1973 e Still on the Road: 1974-2006, de Clinton Heylin, autor de outra boa biografia do cantor, Behind the Shades. A canção mais icônica de Dylan mereceu um livro só para ela: Like a Rolling Stone,

“Quem gosta mesmo de futebol geralmente gosta desde pequeno, e tem time. É um apaixonado, e um apaixonado não ‘aprecia’. Se envolve”

APRECIADORES E APAIXONADOS

Pouca gente “aprecia” futebol como se fosse uma obra de arte. “Apreciar” significa distanciamento, um prazer puramente estético, sem outro tipo de envolvimento. Quem gosta mesmo de futebol geralmente gosta desde pequeno, e tem time. É um apaixonado, e um apaixonado não “aprecia”. Um apaixonado se envolve. E vendo esses jogos da Eurocopa me ocorreu que o sentimento mais apaixonado, portanto menos estético e mais genuíno, que se pode

ter em relação ao futebol bem jogado – é o ressentimento. Um apreciador do futebol se encanta com uma trama do time espanhol que vem sendo costurada lá de traz, no famoso toque-toque do Barcelona transformado em estilo nacional, e que quase sempre acaba com um atacante concluindo dentro da pequena área. Um apaixonado – principalmente se o seu time não estiver bem – se sente afrontado pela trama perfeita. Seu pensamento é: se eles podem, por que o

meu time não pode? Rancor e inveja são os sentimentos mais verdadeiros de um apaixonado por futebol vendo o bom futebol dos outros. Quanto melhor o futebol sendo visto, maior a revolta. Onde estão o Xavi e o Iniesta do meu time? Por que um Schweinsteiger e um Pirlo estão brilhando lá e não aqui no meu meio-campo? O toque-toque da Espanha não funcionou contra Portugal, o que nos encheu de alegria. De certa maneira, o fracasso de grandes ti-

mes desagrava a mediocridade do nosso. Se Portugal pode parar a Espanha, é porque a perfeição não existe e ainda temos esperança. A Alemanha que perdeu para a Itália na quinta-feira lembrou a Alemanha da Copa da África do Sul, quando pintou como o grande time do torneio num jogo e deu vexame no outro. A grande imagem do jogo Alemanha e Itália – e nisto o apreciador e o apaixonado podem concordar – foi a do Balotelli depois de marcar o segundo

gol italiano. Vítima costumeira de insultos racistas, Balotelli arrancou a camiseta e ficou parado, uma estátua dele mesmo numa pose de guerreiro africano, ostentando desafiadoramente a sua negritude e seu orgulho até ser quase derrubado pelos companheiros no festejo do gol. No meio da semana houve o empate do Corinthians com o Boca em Buenos Aires e um episódio que nos consola, já que só o futebol brasileiro é capaz de produzi-lo.

Um tal de Romarinho, recém-contratado pelo Corinthians, e que já fizera dois gols no Palmeiras no domingo anterior, entrou quase no fim do jogo, fez o gol do empate na sua primeira jogada e transformou-se num desses fenômenos instantâneos que nos redimem. Já é um herói, já deve estar tratando dos seus primeiros contratos publicitários e terá um grande futuro. Infelizmente no Corinthians, e não no nosso time. Danação!

Observar, verbo transitivo  

Entrevista com o diretor Beto Brant

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