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Salvador, agosto de 2009. Trabalho sobre psicogeografia, utilizando a tĂŠcnica da Deriva, para a disciplina Cartografias Urbanas, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Salvador - UNIFACS. Professor Marcos Rodrigues Alunos: Ana Carolina Lima Pablo Uberti Rafael Rodamilans Rebeca Trindade ThaĂ­s Vaz


Índice 1. Introdução................................................4 2. Método.....................................................5 3. Deslocamento..........................................6 . 4. Conclusão .............................................13


1. Introdução Deriva é uma técnica situacionista de passagem rápida por ambiências variadas. Seu conceito está ligado ao reconhecimento de efeitos de natureza psicogeográfica e à afirmação de um comportamento lúdico-construtivo, o oposto às tradicionais noções de viagem e passeio. Nela, uma ou mais pessoas, rejeitam os motivos de se deslocar e agir que costumam ter para entregar-se às solicitações do terreno e das pessoas que ali vão encontrar. Os acasos da Deriva são diferentes dos do passeio, e os primeiros atrativos psicogeográficos descobertos correm risco de fixar o sugeito ou grupo derivante em torno de novos eixos habituais, para os quais tudo os leva constantemente. Como os homens não veem nada diante de si Recife que não o seu próprio rosto (Marx), a Deriva torna-se mais proveitosa quando feita em um pequeno grupo de pessoas, de igual nível de conciência, cujas observações serão discutidas e levarão à conclusões objetivas.

Capa do livro: Apologia da Deriva, escritos situacionistas sobre a cidade, organizado por Paola B. Jacques


2. Método Neste trabalho, o grupo composto por cinco estudantes de Arquitetura escolheu um ponto pré-determinado, em frente ao Mercado Modelo, no bairro do Comércio, obedecendo as delimitações geográficas determinadas pelo Professor e se propôs a caminhar utilizando a técnica da Deriva. A direção do primeiro deslocamento foi decidida ligando o ponto de encontro com o ponto onde foi avistado o primeiro Coco-verde (orientação nordeste). Os outros rumos tomados pelo grupo foram decididos a cada novo momento de partida, e serão descritos à seguir, e contextualizados mais adiante na descrição do deslocamento.


3. Deslocamento Demos início à Deriva em um dia ensolarado, com poucas núvens no céu. Eram 12:30 quando finalmente conseguimos seguir o primeiro rumo partindo do ponto em que estávamos e seguindo a direção do primeiro coco que avistamos. (Sentido Nordeste) Atravessamos a rua - fora da faixa para pedestres - e pegamos a Rua Portugal, uma rua comercial, com muitos carros estacionados (Zona Azul), calçada de pedra portuguesa esburacada e lixo na calçada disputando espaço com pedestres. Decidimos parar com apenas dez minutos de caminhada para almoçarmos no restaurante e lanchonete San Filé, onde ficamos por 40 minutos.


3. Deslocamento Saímos da lanchonete às 13:20 e dobramos a direita, seguindo a mesma direção anterior. Caminhamos por mais quinze minutos e paramos na esquina da Rua Conselheiro Dantas, com a R. Francisco Gonçalves, onde fica o Plano Inclinado.

Estação telefonica grafitada - R. Conselheiro Dantas. Plano inclinado Goncalves Dias - liga o comercio à Praca da Se, unindo o bairro de Santo Antônio Além do Carmo (em frente à Cruz do Paschoal) ao


3. Deslocamento A partir desta esquina, decidimos seguir o primeiro carro preto que passou. Seguimos pela R. Conselheiro Dantas Rua - tranqüila, ventilada, calçada suja, pouco esburacada de pedra portuguesa, e bueiros abertos. Percebemos também várias goteiras dos condicionadores de ar dos edifícios. Dobramos à esquerda na R. da Polônia e logo à esquerda na R Miguel Calmon, passando pela Praça Riachoelo, e o prédio da Associação Comercial da Bahia até parar no Largo do Cais do Ouro. Na Rua Miguel Calmon, sentimos um odor desagradável, e constatamos também a existência de vários moradores de rua.


3. Deslocamento No Largo do Cais do Ouro, fizemos uma parada de dez minutos. Percebemos que é um local arborizado, de micro-clima agradável. Apesar de não está em bom estado de conservação, existe um grande fluxo de pessoas, principalmente trabalhadores locais, utilizando o espaço como ambiente de descanço em horário de almoço. Além disto, existe no local uma longa linha de parada de ônibus, onde concentra um grande número de pessoas. O calçamento é com pedras portuquesas, com alguns buracos, e existem alguns moradores de rua. Nas proximidades do Largo, existe o Mercado do Ouro, fundado no ano de 1879, recebeu esse nome devido ao local, que era conhecido como cais do Ouro. Nessa época, o mar vinha próximo ao fundo do mercado. O que ainda leva as pessoas a freqüentar o Mercado do Ouro são os restaurantes. A comida, caseira e barata atrai pessoas de todos os lugares . O mais famoso é o Filé do Juarez.


3. Deslocamento Partindo do Largo do Ouro, decidimos seguir a direção da revoada de pombos, pássaro comum neste bairro, e entramos na Rua da Espanha. Passamos pelo museu no cacau até que os pombos seguiram em direção ao mar. Então optamos por dobrar a esquerda (seguindo a Rua da França) e admirar os painéis da codeba. As paredes do porto cheira a urina, devido ao péssimo hábito das pessoas o utilisarem como mictório, mas também pelo fato de nao termos no local tais equipamentos urbanos.


3. Deslocamento Chegamos a Praça da Inglaterra, onde ficamos por quinze minutos. Inaugurada em março de 2008, com 1.476 m², a praça ganhou um projeto paisagístico de acordo com o original elaborado pelo arquiteto Assis Reis. Como ela fica em área onde estão monumentos tombados, a reforma teve que obedecer ao projeto do arquiteto e as determinações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A praça é adotada pela Faculdade Salvador, instituição que custeou as obras. Em frente a ela fica a unidade que já foi Correio Central de Salvador, unidade de correios e telégrafos.


3. Deslocamento Finalmente, decidimos seguir um homem com duas crianças vestidas de capoeiristas que passaram por nós ainda na Rua da França. Caminhamos a esquerda conforme o sentido da rua, passando pelo Terminal Marítimo e o Centro Náutico da Bahia. Chegamos atrás do Mercado Modelo, onde existe a tradicional roda de capoeira. Neste local, vimos as estruturas de madeira do Mercado Modelo, algumas baianas de acarajé, e moradores de rua. O ambiente não nos causou boa impressão, considerando que é um ponto turístico da cidade. Constatamos um outro evento característico de nossa cidade, que é o estacionamento em locais proibidos. Uma sinalização de proibido estacionar encoberta com uma caixa de papelão pelos guardadores de carro.


4. Conclusão A técnica Deriva nos faz tomar rumos que normalmente não tomaríamos, nos levando a fugir de nossos roteiros habituais e percebendo assim, uma cidade antes não conhecida, ou conhecida superficialmente. Com este trabalho, tivemos a oportunidade de olhar um trecho de um Bairro importante de nossa cidade com olhos atentos e críticos como assim deve ser os de estudantes de Arquitetura e Urbanismo. Atentos para as obras e seus significados, atentos para as pessoas que usam o espaço, atentos para seus problemas, para em fim, estimular o raciocínio em busca de soluções.

Deriva no Cais do Porto  

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