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Design Editorial é para os fortes! O objetivo geral do design, em qualquer uma das suas diversas variações, geralmente consiste na organização e composição de ideias. O material com que se trabalha são elementos visuais, funcionais ou conceituais que, muitas vezes, partem do próprio designer ou de uma necessidade específica. Ou seja, o briefing. É sob este aspecto, origem e propósitos das ideias, que o design editorial se diferencia. O designer editorial possui a tarefa de apresentar para o mundo ideias criadas não por ele próprio e sim por uma variedade de outros profissionais como artistas, fotógrafos, escritores e jornalistas. Enquanto esses profissionais têm a tarefa de pesquisar e elaborar uma unidade de informação, a preocupação do designer é elaborar um conjunto dessas informações de forma clara, agradável e atrativa para o leitor, sem distorcer ou prejudicar de qualquer forma o seu conteúdo original. Trata-se de uma tarefa nobre e de muita responsabilidade, que pode ser comparada com a curadoria de uma exposição. Esta Edição Especial da Revista Inventa consiste de uma parceria entre os Editores da Revista, as Professoras da disciplina de Projeto Visual II e os alunos do 2º ano do curso de Design Projeto Visual da Universidade Positivo. Neste projeto, realizado durante o segundo bimestre de 2014, os alunos puderam desenvolver o design editorial de uma revista. O planejamento gráfico para um novo layout, o grid, a composição, a paleta de cores, as tipografias adotadas aos estilos de parágrafo, as imagens, a produção fotográfica, as horas em frente ao computador, a espera em sala para orientação com as professoras, cada linha órfã, cada ajuste na diagramação, testes de impressão, entre tantas outras especificidades fizeram parte da rotina destes alunos. Assim, como professoras, esperamos que os alunos tenham experimentado neste projeto uma pequena parte desta área do design que, por vezes, carece de profissionais especializados. Também esperamos que nossos alunos possam contar com este projeto como mais um artefato de importância para seus portfólios. Esperamos que os Editores da Revista Inventa e aos demais leitores apreciem este trabalho sob um novo ponto de vista e sob uma nova maneira de contar suas histórias, informações e imagens nas página que se seguem. Boa leitura. Boa apreciação visual. Professoras Eliza Sawada e Michelle Aguiar Design Projeto Visual | Universidade Positivo

- ESPECIAL Produtores

Mariana Marcondes Michele Farran Rafael Schorr

Colunistas e colaboradores Rafael Camargo João Paulo Esmanhoto Andrea Greca Krueger Simone Terra Julio Sampaio Nelson Smythe Jr. João Pedro Rimenzoski

Fontes

Myriad Pro Helvetica Neue

Capa

Mariana Marcondes

Ilustração

Mariana Marcondes Diagramação Rafael Schorr

Conceito

Michele Farran


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Talvez o primeiro com a ideia tenha sido Tehching Hsieh,em 1978. Tinha sob o seu domínio o tempo,

e para isso foi necessária a paciência e o rigor que aprendera durante um treinamento de três anos no exército de Taiwan. Com 10 mil dólares, doados pela mãe (Não seja um criminoso, foi a única exigência), construiu em seu loft na TriBeCa uma cela de pouco menos de 10 metros quadrados, e a decorou com uma pequena cama, uma pia e um balde. No dia 28 de setembro de 1978 datilografou com seu limitado ingês: “Não deverei conversar, ler, escrever, escutar rádio ou ver televisão, até que eu me liberte no dia 29 de Setembro de 1979”. A única ajuda seria um amigo compatriota que limparia seus resíduos e tiraria uma foto por dia, todos os dias. Hoje, em alguns minutos pode-se acompanhar a exposição do trabalho que foi chamado de The Cage Piece. O artista Hsieh (pronuncia-se Shei) começou sem cabelos, terminou cabeludo. Sua expressão também está indelével nas fotografias. Um ano preso com nada, a não ser seus pensamentos, pode mesmo alterar o olhar de um rosto. E o interessante da exposição, que esteve no MoMA, em Nova York, de janeiro a maio de 2009, é justamente observar a distorção do tempo. Moldado em uma sala de exposições o ano da vida do artista, que não perdeu tempo e no ano seguinte, 1980, iniciou um segundo experimento: durante um ano, bateu um cartão no ponto todas as horas, registrou tudo e fez um filme que também esteve exposto recentemente em Nova York, desta vez, no Guggenhein.

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Hsieh fez isso tudo mais de 20 anos antes da tecnologia digital ter permitido possível trabalho de Noah Kalina. Ainda estudante de artes visuais, com 19 anos, Noah começou a tirar um auto-retrato por dia. Não sabia muito bem o que faria com o material, mas a ideia logo veio a cabeça depois de ter visto um experimento similar no YouTube. Em menos de quatro horas já havia baixado suas 2.356 fotos no Windows Movie Maker e feito um vídeo de três minutos, dos seis últimos anos da sua vida. O sucesso deste projeto, denominado Everyday, foi enorme. Pouco depois de seu lançamento, Noah já estava dando palestras mundo afora sobre uma nova área na fotografia, o portraiture, que correu o mundo na mão de novos aspirantes a retratistas, produzindo verdadeiros daguerreótipos do século XXI. Hoje, com uma rápida passada pelo Orkut, Facebook ou MySpace, já se vê o como são estilizados os novos auto-retratos. A câmera, num ângulo inclinado, e a luz preenchendo e contornando quase sempre de uma maneira diferente. Autoretratos em formatos que não eram comuns antes, com o filme. Detalhes das vantagens tecnológicas à parte, fazer registro diariamente parece ter despertado vontade em muita gente e basta acessar qualquer um dos links de relacionamentos para se impressionar. Existe ainda o site Daily MugShot, onde milhares de pessoas levam o registro diário religiosamente a sério e outras milhares acabam desistindo (ou esquecendo) logo após a primeira semana. A proposta do www.dailymugshot.com é ajudar os interessados a acompanhar suas transformações ao longo dos anos. Gratuito e bastante simples: o usuário tira uma foto por dia através da webcam (ou câmera digital), as imagens já vão para o site, e depois de um tempo já se pode assistir ao vídeo produzido automaticamente e compartilhar a evolução (sua, do seu bebê ou até mesmo do animal de estimação) nos mil e outros sites de relacionamentos que não param de surgir. Divertido? Com certeza. Difícil é encontrar na web registros diários dignos de serem expostos mundo afora.

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SEM DÚVIDA, O PAPEL RECICLADO É MENOS IMPACTANTE DO QUE O PAPEL VIRGEM.

MAS APENAS NO QUESITO AMBIENTAL. Inventa

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Todos acompanharam a manifestação dos supermercados em busca dos “bioplásticos” em 2007, certo? Substituir o plástico vindo do petróleo por outro produzido a partir de plantas parecia (e parece!) ser uma ótima solução para essa questão ambiental. Mas essa questão também não é tão simples assim. As sacolas oxi-biodegradáveis não são a solução, mas sim uma etapa para fazer a sociedade pensar no consumo. Lei em Curitiba desde agosto de 2007, o uso dos “bioplásticos” geram, entre os problemas, o aumento da emissão de gases causadores do efeito estufa em ambientes de aterros sanitários. Também é comum o uso de corantes tóxicos na composição desses plásticos, o que, depois da decomposição, gera poluição em terrenos e rios próximos ao local. Entre as soluções do produto: a possibilidade de decomposição 66 vezes mais rápida que a do plástico vindo do petróleo e a movimentação da sociedade a favor das questões ambientais. Independente de ser oxi-biodegradável ou não, a questão principal é o consumo de sacolas plásticas, para o qual a solução ideal seria a abolição e substituição das mesmas por sacolas retornáveis, de tecido. No site da Fundaverde – organização não governamental focada em projetos de cunho ecológico – os dados assustam: o mundo consome 1 milhão de sacos plásticos por minuto, o que significa quase 1,5 bilhão por dia e mais de 500 bilhões por ano. Só no Brasil, os supermercados distribuem, a cada mês, 1 bilhão de sacos plásticos. Você deve lembrar também que muitos comerciantes utilizaram toda essa questão das sacolas oxi-biodegradável como um selo de “empresa amiga do meio ambiente”. Essa forma de ação é chamada no marketing de greenwashing, e as sacolas são só um exemplo. GREENWASHING É ENFATIZAR

A lógica é clara: a empresa supervaloriza uma ocasião ecológica que, geralmente, é benéfica para ela em termos de custo (e que, no caso das sacolas plásticas, era lei) e divulga isso como sendo uma atitude responsável. O consumidor, por sua vez, querendo tirar o peso do consumo da sua consciência, compra sem questionar a qualidade e procedência dos produtos “verdes” e adere ao movimento. Vale ressaltar que toda essa manifestação verde-amarelada não ocorreu, necessariamente, de má fé. Especialistas indicam que houve uma cobrança grande da sociedade antes das PEQUENAS AÇÕES DITAS empresas estarem preparadas para agir SUSTENTÁVEIS PARA PROMOVER A sustentavelmente, e o marketing, por sua vez, apressado, tomou partido e levantou a bandeira EMPRESA, SENDO QUE, NA sem ter base na produção. REALIDADE, A MAIOR PARTE DE SUAS Vendo o quanto estavam pressionadas, as empresas valeram-se de pequenos feitos para AÇÕES E PRODUÇÕES É DANOSA AO mostrar preocupação com a escassez de MEIO AMBIENTE E À SOCIEDADE. recursos, com as gerações futuras. Revendo esse histórico, entendem-se os resultados das pesquisas que mostram que, atualmente, o consumidor está desconfiado e sem interesse a respeito das empresas sustentáveis. Agora, o jeito é reverter o quadro e buscar, novamente, a confiança dos consumidores. Acesse www.greenwashingindex.com e veja como os consumidores estão avaliando as propagandas.

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Não é Natal, Páscoa, nem Dia das Crianças, mas o rapaz está lá, fazendo trabalho voluntário com meninos de rua, vestindo sua camiseta de marca produzida com fibra de bambu. No pulso, um relógio com tecnologia de ponta, e no saldo bancário, muito dinheiro. Segundo o vocabulário atual, esse rapaz é um scuppie. Ricos, bem-sucedidos, consumistas e preocupados com o futuro do mundo. Consumistas e preocupados com o futuro do mundo? Isso mesmo. Dizem os scuppies que essa aparente contradição é possível. Misto de hippie com yuppie, o scuppie – socially conscious upwardly-mobile person, algo como pessoa em ascensão financeira e consciente socialmente – é um movimento cheio de adeptos e que já tem, inclusive, manual. O termo, criado por Chuck Failla, empresário do setor financeiro de Nova York, gerou adeptos: os scuppies carregam o ideal de salvar o mundo sem abrir mão do estilo e do conforto da vida moderna. Alvo de muitas críticas, o movimento procura colocar no mesmo patamar a preocupação com o meio ambiente e o luxo, tentando zerar a equação entre benefício e dano. Um exemplo? Angelina Jolie e Brad Pitt. Quem é contra define o movimento como superficial e acredita que o cotidiano de um scuppie é tão perverso e vermelho quanto o de qualquer indústria de extração. “Criadores de novo nicho de mercado” podem dizer alguns; “compradores compulsivos do falso verde”. A verdade é que, sim, eles são um novo nicho de mercado. E esse nicho cresce a cada dia. Se eles são bons para o mundo? Não se sabe. Mas que eles estão se preparando para distinguir o falso do verdadeiro, estão. Saiba mais em www.scuppie.com

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behance.net/rafaelschorr


Revista Inventa Edição Especial  

Proposta de conceito e layout para a edição especial da Revista Inventa.

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