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SUMÁRIO ANO 32 NO 7 JUNHO DE 2016

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[ COMENTE ] Elogios, comentários e notícias das redes sociais.

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[ VITRINE ] Marca nacional de papel de parede cresce ao investir em estampas assinadas por reconhecidos designers; revestimento cimentício para a piscina; cubas de bordas finíssimas; cobogós hexagonais; pendentes de visual metálico; torneira sustentável; e acabamentos para a parede.

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[ CENÁRIO ] Uma seleção de projetos e produtos que homenageiam a chegada do inverno; mostra sobre o paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994) em museu de Nova York; relógio assinado pelo arquiteto polonês Daniel Libeskind para a marca italiana Alessi; jardins árabes; e móveis criados por arquitetos.

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[ VIVER ] Paredão de escalada surpreende ao tomar

a fachada da casa; e um loft adaptado para a terceira idade.

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PEDRA, TIJOLO E CÉU Materiais rústicos e tons de azul dão ar provençal ao refúgio de fim de semana no interior de São Paulo.

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ASCENSÃO COMPLETA Nas montanhas de Campos do Jordão,

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NO TEMPO PRESENTE Reforma traz claridade e amplia

SP, casa de concreto é dotada de amplo belvedere.

a área de convivência no sobrado paulistano dos anos 50.

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IDEIAS DE CASA COR Piso, parede e forro: 17 soluções de acabamento exibidas na mostra de arquitetura e design de interiores em São Paulo.

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BLOCOS COLORIDOS Tons sólidos marcam estruturas

e funções no apartamento paulistano de 65 m2.

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COZINHAS DA MODA As tendências para esse ambiente vistas na feira internacional Eurocucina, evento bienal dentro do Salão do Móvel de Milão, na Itália.

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LANCES DA VIDA Geminado dos dois lados, sobradinho em São Paulo foi totalmente restaurado, ganhando aberturas para se encher de luz natural e ventilação.

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ENTRE ÁRVORES Com estrutura rústica de madeira, gazebo de lazer na serra fluminense se confunde com a paisagem.

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A MADEIRA CERTA PARA SUA CASA Caminhos para escolher

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a espécie correta sem deixar a sustentabilidade de lado.

96 [ SUA OBRA ] Um raio X da Casa Aqua, moradia

sustentável e portátil montada dentro da Casa Cor São Paulo.

104 [ ENDEREÇOS ] O contato de marcas, fornecedores,

lojas e profissionais citados nesta edição.

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106 [ CRÔNICA ] O arquiteto Gustavo Calazans

escreve sobre partilhar o espaço que habitamos.

[ CAPA CACÁ BRATKE (FOTO) E EMERSON CAÇÃO (TRATAMENTO DE IMAGEM) ] JUNHO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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CARTA AO LEITOR

UM CONVITE AO ACOLHIMENTO Os meses passam e as nossas reportagens mudam de cenário. Agora é a vez das idílicas paisagens naturais do campo e da montanha

aconchego raro de encontrar. Atmosfera igualmente calorosa aparece em Ascenção completa (pág. 42), proposta na montanha que alia lareira e piso de demolição à plasticidade do concreto armado. Para arrematar, incluímos um anexo de lazer perfeito para curtir o frio – mesa de jogos e forno de pizza incluídos –, erguido com toras e tramas naturais, apresentado em Entre árvores (pág. 86). E, como não cansamos de insistir no consumo de matéria-prima sustentável e de origem legal, abordamos mais uma vez o tema em A madeira certa para sua casa (pág. 92). Entrou no clima? Espero que sim. Caso contrário, Ideias de Casa Cor (pág. 58) reúne 17 soluções criativas para forros, paredes, pisos e divisórias. Muitas delas, com certeza, serão perfeitas para deixar sua morada bem-vestida, faça chuva ou faça sol.

JOANA L. BARACUHY EDITORA-CHEFE

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO JUNHO 2016

MARTÍN GURFEIN

E

nfim as temperaturas baixaram aqui em São Paulo, o calorão deu lugar a um friozinho gostoso. E nós, já prevendo o suceder das estações, tratamos de tirar as roupas de lã do armário e colocar na pauta as reportagens típicas do outono/inverno. Nesta época do ano, a editora visual Deborah Apsan costuma voltar à redação trazendo material fotográfico de primeira qualidade, que vamos prontamente examinar. A diferença é imediata. Como não se encantar com a luz suave, o horizonte azulzinho? Dois projetos escolhidos para esta edição incorporam muito disso – e algo mais. Poucas vezes vi o termo refúgio tão bem empregado como para a casa da matéria Pedra, tijolo e céu (pág. 32). A construção rústica, com telhado simples e um quê provençal sugere um


DIRETOR-SUPERINTENDENTE Edgardo Martolio DIRETORES CORPORATIVOS Marketing: Luis Fernando Maluf Editorial: Claudio Gurmindo (Núcleo Celebridades) e Pablo de la Fuente (Núcleos Novos Leitores e Mensais) Publicidade: Luciana Jordão Circulação: Marciliano Silva Jr. Internet e Mídia Digital: Alan Fontevecchia Operações: Osmar Lara Jurídico e RH: Wardi Awada DIRETORES EXECUTIVOS TI: Cícero Brandão Arte: André Luiz Pereira da Silva DIRETORES Publicidade: Maria Rosária Pires (Núcleo Novos Leitores) Escritório Rio de Janeiro: Claudio Uchoa (Editorial) Arte: Juliana Cuttin (Núcleos Negócios, Bem-Estar, Casa & Mulher) e Kika Gianesi (Núcleo Novos Leitores) GERÊNCIAS Circulação: Luciana Romano (Assinaturas) Marketing Publicitário e Eventos: Mariana Kotait Eventos: Walacy Prado Administração, Finanças e Controle: Marina Bonagura Tecnologia Digital: Nicholas Serrano EDITOR DE IMAGEM Fotografia: César Alves (RJ)

(Lançada em 1984) Editora-Chefe: Joana Lehmann Baracuhy Editora: Silvia Gomez; Editora-Assistente: Lara Muniz; Editora Visual: Deborah Apsan; Repórter: Marília Medrado; Estagiária: Elena Caldini; Editora de Arte: Andrea Liguori; Designer: Gabriela Graná; Revisora: Bianca Albert; Publicidade: Katia Honório e Silzer Draghi (Executivos de Negócios) ÁREAS COMPARTILHADAS FOTOGRAFIA: Priscilla Vaccari (Editora), Rogério Pallatta (SP), Cadu Pilotto e Fabrizia Granatieri (RJ); Amanda Loureiro, Mariana Sardinha, Ramiro Pereira, Samantha Ribeiro e Tainara Passos (Assistentes); CIRCULAÇÃO: Pablo Barreto; MARKETING PUBLICITÁRIO E EVENTOS: Gustavo Mendes (Editor de Arte), Adriana Trujillo (Editora Assistente), Luciana Souza (Designer) e Murilo Bosi (Analista de Marketing); MARKETING: Caroline Ryna, Fernando Almeida, Nilton Vieira, Natalie Fonzar (Apoio) e Bianca Gurgel (Designer); TI: Carlos Almeida, Dirceu Bueno, Ricardo Jota e Victor Fontes (Assistentes); LOGÍSTICA: Anicley Lima, Daniel Ferreira e Ivo Santos; RECURSOS HUMANOS: Renê Santos (Consultor); ADMINISTRAÇÃO, FINANÇAS E CONTROLE: Alessandro Silva e Arthur Matsuzaki (Analistas), Manoel Leandro (Consultor); PROCESSOS: Henrique Pereira e Fernanda Wassermann; DEDOC: Marco Vianna; PREPRESS: Alexandre de Sousa, André Uva, Dorival Coelho, Emerson Luis Cação, Rodrigo Figuerola e Rogerio Veiga INTERNET E MÍDIA DIGITAL EDITOR: Ademir Correa; PUBLICIDADE VIRTUAL: Fernanda Neves (Gerente), Bruna Oliveira, Deborah Burmeister e Thays Panar (Executivas); PLANEJAMENTO: Roberta Covre (Gerente) e Anne Muriel (Analista); MARKETING DIGITAL: Victor Calazans (Analista) REDAÇÃO E CORRESPONDÊNCIA SÃO PAULO: Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 1400, 13º andar, conjs. 131/132, Jardim Paulista, CEP 04543000, SP, Brasil, tel.: (11) 2197-2000, fax: (11) 3086-4738; RIO DE JANEIRO: Torre Rio-Sul, Rua Lauro Müller, 116, conjunto 3105, 31º andar, CEP 22290-160, RJ, Brasil, tel.: (21) 2113-2200, fax: (21) 2543-1657; ESCRITÓRIO COMERCIAL BRASÍLIA: Edifício Le Quartier Bureau, SHN Quadra 1 Bloco A, S/N, 12ª andar - Sala 1209, Cep: 70701-010, Brasília, DF, Brasil, Tel: (61) 3536-5138 / (61) 3536-5139, e-mail: carasbrasilia@caras.com.br ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO 351 (ISSN 0104-1908), ano 32, nº 7, é uma publicação mensal da EDITORA CARAS. Edições anteriores: Ligue para 0800-777 3022 ou solicite ao seu jornaleiro pelo preço da última edição em bancas mais despesa de remessa; sujeito a disponibilidade de estoque. Distribuída em todo o país pela Dinap S.A. Distribuidora Nacional de Publicações, São Paulo. ARQUITETURA & CONTRUÇÃO não admite publicidade redacional. SERVIÇO AO ASSINANTE Grande São Paulo: (11) 5087-2112 - Demais localidades: 0800-775 2112 / www.abrilsac.com PARA ASSINAR Grande São Paulo: (11) 3347-2121 - Demais localidades: 0800-775 2828 /www.assineabril.com.br IMPRESSA NA GRÁFICA ABRIL: Av. Otaviano Alves de Lima, 4400, CEP: 02909-900, Freguesia do Ó, São Paulo, SP

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COMENTE facebook.com/arquiteturaeconstrucao

[ NO INSTAGRAM ] Com soluções ecológias, o projeto da última capa rendeu comentários

Estou amando essa edição. Fico fascinado por sustentabilidade. Adorei.

ATENDIMENTO AO LEITOR Endereço: Av. Presidente Juscelino

@herbertpinheiro

Kubitschek, 1400, 13o andar, CEP

A capa está lindíssima.

04543-000, São Paulo, SP

@architectureliving

E-mail: revistaaec@maisleitor.com.br

Sensacional!

PARA ASSINAR

@blogarrumadissimo

Telefone: (11) 3347-2121, Grande São Paulo. De outras localidades, ligue de graça: 0800-7752828, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h. Aos sábados, das 9h às 16h Fax: (11) 5087-2100

[ NO FACEBOOK ] Elogios para a edição de maio

Tudo em perfeita harmonia. Realmente encantadora! Lucas Roberto Terneiro

Muito interessante. Adilson Rodrigues

A minha revista acabou de chegar, estou apaixonada. Camila Rosa

Vários projetos e ideias práticas. Leticia Meira

Amei a capa. Carina Farias

Térreo transformado

E-mail: abril.sac@abril.com.br Site: www.assineabril.com.br

Desenho híbrido

Na pág. 52, entrevistamos profissionais que extrapolam a prancheta para criar objetos e móveis

DÚVIDAS SOBRE SUA ASSINATURA, RECLAMAÇÕES E ALTERAÇÕES DE ENDEREÇO

Estou no 5º período e, quando me imagino projetando, inevitável não pensar no mobiliário! Paixão...

Telefone: (11) 5087-2112, Grande São Paulo. De outras localidades, ligue de graça: 0800-7752112, de segunda a

Leandro Lanusse, estudante de arquitetura

sexta-feira, das 8h às 22h

Muito interessante, @revistaaec!

Fax: (11) 5087-2100

@renatomedeirosarquitetura

E-mail: abril.sac@abril.com.br

Excelente!

Site: www.abrilsac.com

@balloonlatam

Matéria legal sobre arquitetos que fazem design. Obrigado, ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO.

EDIÇÕES ANTERIORES Telefone: 0800-7773022,

Rodrigo Ohtake, arquiteto, autor da cadeira de balanço abaixo

de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17h30 PARA ANUNCIAR Telefone: (11) 2197-2011/2059/2121 E-mail: publicidade@editoracaras.com.br

Thais Aquino, arquiteta do DT Estudio, que assina a reforma do sobrado mostrado na pág. 70

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO JUNHO 2016

VENDA DE CONTEÚDO Para direitos de reprodução dos FOTO: DIVULGAÇÃO

“Adoramos as fotos e a matéria. Elas resumem muito bem a nossa forma de trabalhar”

textos e imagens publicados em ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO, acesse www.abrilconteudo.com.br


COMENTE [ ONLINE ]

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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Experimente ler a A&C no tablet

Minha adorável varanda

Mostre como você desfruta desse espaço em seu apê Estamos preparando uma grande reportagem sobre varandas de apartamento para a nossa próxima edição. Se você soube aproveitar o seu terraço de um jeito diferente, compartilhe conosco no Instagram usando as hashtags #minhavarandaespecial e #revistaaec. As fotos mais inspiradoras farão parte de uma galeria em nosso site!

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É fácil conferir as matérias da revista na tela do tablet. Mire a câmera do aparelho, que deve ter um leitor de QR Code instalado, no código acima. O da direita é para quem usa sistema Android; e o da esquerda, para usuários iOS. Você será redirecionado para a loja virtual. Dali, é só baixar o aplicativo gratuitamente, abri-lo e escolher a edição que deseja adquirir. Preencha os dados necessários, confirme a compra e boa leitura!

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Clara arquitetura

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO JUNHO 2016

FOTOS: 1. ALAIN BRUGIER 2. PEDRO NAPOLITANO

Pet seguiu tudo de pertinho

Gostou da casa mostrada na pág. 52? No dia das fotos para a reportagem, o cachorro Asterix acompanhou nossa equipe ao longo do trabalho, tornando o processo mais leve e divertido. Confira uma galeria exclusiva com imagens dele escondido (é muita fofura!), incrementada com cliques extras de outros detalhes da residência. Está lá em: bit.ly/revistaaec.


VITRINE POR JOANA L. BARACUHY

O novo papel de parede

Estampas criadas por artistas e designers reinventam o mais prático embelezador de ambientes REPORTAGEM VISUAL ELENA CALDINI TEXTO MARÍLIA MEDRADO FOTOS ZÉ GABRIEL

AS ESTAMPAS (ACIMA) FAZEM PARTE DO MATERIAL DE PESQUISA PARA UMA NOVA COLEÇÃO, QUE DEVE SER LANÇADA EM BREVE. NESTA FOTO (DA ESQ. PARA A DIR.),, GUILHERME, FÁBIO E RAFAEL TRINDADE, SÓCIOS NA BRANCO.

As máquinas e as bobinas sempre fizeram parte da rotina dos irmãos Rafael e Guilherme Trindade, que cresceram brincando no galpão da Bobinex – fundada pelo avô deles, é atualmente o maior fabricante do segmento na América Latina. Com a nova geração surgiu também a marca Branco, de papéis e painéis de parede, comandada pelos dois jovens e por Fábio Trindade, o pai deles (entre os rapazes, na foto). A empresa, parte do grupo da família, debutou no mercado em agosto de 2015. Com a meta de atualizar o poder transformador do revestimento, as oito coleções lançadas desde então levam a assinatura de nomes consagrados nas artes plásticas. “Eles tiveram autonomia total. A ideia é fazer um produto com design interessante e preço justo, sem abrir mão da qualidade”, diz Guilherme. São cerca de 200 modelos, encontrados no site www.brancopapeldeparede.com.br e em lojas físicas.

NO ALTO, A MISTURA DOS PIGMENTOS E TINTAS. NO SETOR DE PRODUÇÃO (FOTO ACIMA), ALINHAM-SE OS INÚMEROS CILINDROS EMPREGADOS NA IMPRESSÃO DAS ESTAMPAS. NESTA FOTO, UM PEDAÇO DO PAINEL BARROQUE BEGE, ESTAMPA DE CALU FONTES. O REVESTIMENTO VEM EM SEIS TIRAS DE O,53 X 2,90 M E SAI POR R$ 830 NO E-COMMERCE DA MARCA.

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FOTOS DE DIVULGAÇÃO DOS PROFISSIONAIS QUE ASSINAM AS COLEÇÕES DA BRANCO. AO LADO, LABORATÓRIO DE DESENVOLVIMENTO DE ESTAMPAS E TESTES PARA IMPRESSÃO E QUALIDADE.

ACIMA, MÁQUINA DE IMPRESSÃO EM ATIVIDADE E, À DIR., TESTE DE UMA ESTAMPA DA PRÓXIMA COLEÇÃO DA BRANCO, ASSINADA PELOS DESIGNERS ATTILIO BASCHERA E GREGORIO KRAMER. NESTA FOTO, MOSTRUÁRIO COM UM PEDAÇO DO PAPEL MARACATU ROSA, DE JOANA LIRA, VENDIDO NO SITE POR R$ 415 (TRÊS FAIXAS DE 0,53 X 2,90 M).

XXXXXXX 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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VITRINE

Geometria espacial

NAS PAREDES, O EFEITO DE LUZ E SOMBRA VARIA CONFORME A PAGINAÇÃO.

Placas cimentícias inspiradas na volumetria das pirâmides do Egito Traços retos e o jogo de relevos – áreas proeminentes e outras mais rasas se alternam na superfície da peça – desenham este revestimento para parede, item da linha Cemento. O modelo Triângulo (35 x 70 cm e até 4,6 cm de espessura) vai bem tanto em interiores quanto em fachadas. A colocação pode ser feita com junta seca (modo no qual o rejunte não aparece), e em áreas externas recomenda-se passar hidrofugante. Encontrado na cor bianco, beige, grigio e concreto, sai por R$ 290 o m². Da Nina Martinelli. (M.M.)

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O DESIGN ROBUSTO É SUAVIZADO PELA FORMA DELGADA DO VOLANTE.

Pegada ecológica

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Torneira duplamente sustentável: contribui para a economia de água e energia

Suave é a parede Delicadeza dá o tom em cerâmica decorativa

O cuidado com o meio ambiente pauta toda a linha Lift, composta de monocomandos para lavatório (como o exemplar de bica alta da foto) e cozinha, além de ducha higiênica e acabamentos para chuveiro e registro. Dotados da tecnologia ColdStart, os volantes dos equipamentos sempre acionam inicialmente a água fria, diferentemente dos metais sanitários tradicionais, que dão vazão à água morna nessa posição. O detalhe faz diferença: o sistema de aquecimento de água da casa só é ligado quando necessário, economizando energia elétrica ou gás. Da Docol, R$ 562.

NA COR NUDE MATE, A PLACA EXIBE SUPERFÍCIE ACETINADA. AS BORDAS SIMULAM UM BISOTADO.

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO JUNHO 2016

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Em tons esmaecidos e com estampas florais, o revestimento da Série Tule imprime um toque sutil em cozinhas e banheiros. A peça de 90,2 x 30 cm imita um trio de azulejos antigos de 15 x 15 cm – a dimensão três vezes maior facilita a aplicação. Para melhorar, as juntas de 1 mm (viável porque as bordas são retificadas) permitem criar painéis com efeito de continuidade. Da Roca Cerâmica, R$ 88,43 a unidade. (M.M.)


PARA USO SEPARADO OU EM CONJUNTO, CADA PEÇA TEM REFLETOR COM 15 CM DE DIÂMETRO E 20 CM DE ALTURA

Nobreza suspensa

O brilho, o apelo elegante e as tonalidades características de diferentes metais resplandecem em coleção de pendentes com desenho assinado Se, por um lado, a própria luz é capaz de levar vida a um lugar, por outro, os equipamentos adotados na tarefa de iluminar podem emprestar personalidade ao espaço. Ideal para realçar ambientes como salas de estar, jantar e quartos, o pendente Agogô não foge ao estilo próprio da designer Cristiana Bertolucci, reconhecida pela autoria de delicados modelos decorativos. O lustre recém-lançado é produzido com materiais refinados – latão, cobre ou alu-

mínio – e apresenta traço contemporâneo. Seu refletor é oferecido em algumas versões: o exemplar de latão pode ser encontrado na opção polida, escovada ou envelhecida, e custa R$ 1 115. De cobre, polido ou escovado, sai por R$ 1 173. Os de alumínio são os mais acessíveis: o escovado vale R$ 949 e o pintado (de branco ou de preto), R$ 759. Todos funcionam com lâmpadas incandescentes E27 de até 40 W, mini-twist de 11 W ou led bulbo de 5 W. (M.M.)

JUNHO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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VITRINE

A praia vai à piscina

Acabamento granulado lembra a areia Graças à presença de cristais de quartzo na mistura, os revestimentos cimentícios da Linha Cristal Color conferem uma textura única aos tanques. O toque é aveludado e o visual, marmorizado. Antiderrapante e atérmico, o material deve ser aplicado no local, acompanhando perfeitamente curvas e formatos orgânicos e viabilizando as famosas bordas rasas que simulam a beira-mar. Disponível em dez tonalidades, o m² custa R$ 180, execução à parte. Da Cristal Pool. (M.M.)

NA OPÇÃO DIAMANTE, AGREGADOS DE QUARTZO AZUL E PRETO DEIXAM A ÁGUA COM ASPECTO CRISTALINO. PROJETO DA ARQUITETA CAROLINA JARDIM.

_._._._._._._._._._._._._._._._ FOTOS: DIVULGAÇÃO

Design minimalista

Com tecnologia exclusiva, cubas se adaptam a banheiros de todos os tamanhos Bordas fininhas definem os modelos da Coleção Esquadro. Isso é possível devido ao Duramatt, material empregado com exclusividade pelo seu fabricante, a Sabbia. Trata-se de uma superfície sólida resistente e com acabamento acetinado, adotada apenas nos produtos super

premium da marca. Em quatro tamanhos, os lavatórios de apoio cabem em ambientes de diversas metragens. As opções vão do Esquadro 25 (41 x 25 cm, R$ 1 100), na foto, ao Esquadro 80 (80 x 45 cm, R$ 2,5 mil), cuja lateral ampla ainda permite apoiar sabonetes e acessórios. (M.M.)

COMBINAÇÕES INUSITADAS PODEM SER FEITAS COM OS BLOCOS, ENCONTRADOS EM 12 CORES.

Efeito colmeia

Módulos hexagonais compõem divisórias vazadas geométricas

A TAMPA DA VÁLVULA É PRODUZIDA NO MESMO MATERIAL DAS CUBAS.

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO JUNHO 2016

Invenção pernambucana, o cobogó surge, de tempos em tempos, em versão repaginada. Estes blocos sextavados de louça são exemplo disso. Resistentes e com o design inspirado nas moradas das abelhas – daí o nome Favo –, as peças aliam segurança e plasticidade. Disponíveis com o miolo aberto ou vedado, permitem dosar os trechos de luz e sombra dos projetos onde são empregados. Da Elemento V, medem 13 x 16 x 7 cm. Na Ibiza Acabamentos, em São Paulo, têm preço sob consulta. (M.M.)


CENÁRIO POR SILVIA GOMEZ

[ RADAR ]

PODE VIR QUENTE

Tradição e vanguarda, bem temperadas, aquecem o inverno com design contemporâneo REPORTAGEM VISUAL E TEXTO LIÈGE COPSTEIN

Desde que o mundo é mundo, mesmo em tempo de aquecimento global, o inverno refaz o guarda-roupa a cada ano. Se, por um lado, o vestuário incorpora tecnologias modernas para buscar calor e aconchego, abandonando as soluções pesadas, por outro, presta homenagem à expertise do passado em peças poéticas. É o caso das cobertas assinadas pela no-

rueguesa Kristine Five Melvaer, cuja lã pura passa da cardagem industrial ao tingimento artesanal. “Gosto de criar laços emocionais entre os objetos e as pessoas”, revela a designer. Já para o estúdio Patkau Architects, as linhas arrojadas do chalé (abaixo) nas montanhas têm atributo extra: escoar a neve do telhado para pontos específicos do entorno acidentado.

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FOTOS: 1. JAMES DOW 2. DIVULGAÇÃO

CABANA GEOMÉTRICA Este refúgio de 450 m2 no Canadá, desenhado pelo Patkau Architects, escapa da mesmice ao aliar o ipê importado da América do Sul ao aço e ao vidro, numa escultura audaciosa em homenagem ao esporte dos moradores, o esqui.

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO JUNHO 2016

CONFORTO EM CAMADAS Sobre o encosto curvo de faia, o corpo de feltro de lã finaliza a cadeira Felt (75 x 80 x 90 cm), da designer Begüm Cânâ Özgür. A partir de US$ 1,8 mil.

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BEM AMARRADA Na almofada Knot (30 x 30 cm), invenção da designer Ragnheiður Ösp Sigurðardóttir para a marca Design House Stockholm, um tubo de malha de tricô de lã forma o confortável emaranhado. Por € 99 na Mohd.


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PELE TRIPLA Três camadas giratórias de feltro vazado permitem dosar a luz do pendente Loos (24,5 x 46,7 cm), de Luca Nichetto para a Zero. Por £ 145 na Dark Light Design.

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PONTO DE LUZ Vidro soprado e aço compõem o porta-velas Kaasa (11,5 x 14 cm), de Ilkka Suppanen para a Iittala. A cúpula que protege a chama foi inspirada nos antigos faróis da Finlândia. Por £ 75 na Skandium. 2

GOLA ALTA Graças à roupinha de neoprene, a jarra com filtro (14 x 19,5 cm) da Tools Design para a marca Eva Solo mantém até 1 litro de bebida quente. De vidro borossilicato e aço inoxidável, sai por US$ 94 na Amazon.

CALOR AQUI DENTRO Na sauna panorâmica de 80 m2 do Juvet Landscape Hotel, na Noruega, o visual dos painéis cimentícios foi aquecido com um toque de vermelho. Projeto do escritório Jensen & Skodvin Architects.

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TUDO NO LUGAR Também de feltro, o cesto Restore (23 x 35 x 48 cm), de Mika Tolvanen para a Muuto, é flexível e forte o suficiente para armazenar lenha para a lareira. Por US$ 99 na Design Within Reach.

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PARA SE AQUECER Kristine Five Melvaer criou a linha de mantas de lã Mikkel (1,3 x 2 m) para a Roros Tweed utilizando estampas que aludem à escola Bauhaus. A partir de € 220 com o fabricante.

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CENÁRIO

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BURLE MARX PARA O MUNDO A obra de Roberto Burle Marx (1909-1994), nossa maior referência no paisagismo, ganha exposição em Nova York Uma das figuras centrais do modernismo brasileiro, o artista múltiplo foi revolucionário ao valorizar, a partir dos anos 30, plantas nativas para seus jardins, pensados como telas abstratas. Sua rica produção estará resumida em 140 trabalhos – desenhos, maquetes, pinturas e fotos – na mostra Roberto Burle Marx: Brazilian Modernist, em cartaz até 18 de setembro no Jewish Museum, em Nova York. De lá, ela segue para Berlim e depois chega ao Rio de Janeiro. Criações de herdeiros contemporâneos de seu legado complementam a exibição, entre eles nomes como o do venezuelano Juan Araujo e o da carioca Beatriz Milhazes.

COPACABANA A calçada mais famosa do Rio de Janeiro foi reformulada por Burle Marx nos anos 70, ganhando maior largura.

ABSTRAÇÃO NO ALTO Projeto para a laje do edifício do Banco Safra, dos anos 80, em São Paulo. 2

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO JUNHO 2016

IMAGENS: 1. BURLE MARX LANDSCAPE DESIGN STUDIO 2. LEONARDO FINOTTI

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CENÁRIO

BEM NA HORA

Feito de aço, o Time Maze é fabricado nas versões vermelha, preta e prateada.

Arquiteto polonês Daniel Libeskind cria relógio para a marca italiana Alessi

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Conhecida por objetos e utilitários que se tornaram icônicos, a Alessi sempre investiu no desenho de qualidade ao convidar nomes reconhecidos para desenvolver seus produtos, como Alessandro Mendini e Philippe Starck. O último lançamento – o relógio Time Maze – tem os traços surpreendentes de Daniel Libeskind, radicado nos Estados Unidos. “O tempo não é circular: ele vira bruscamente para marcar o inesperado, como o próprio relógio”, define o arquiteto. Para traduzir o conceito, a peça de aço pode ser pendurada em qualquer orientação.

OLHAR CONCEITUAL Um dos mais esperados eventos de arquitetura do mundo, o Serpentine Pavilion, em Londres, abre as portas este mês Apesar da investida sempre experimental, o Serpentine Pavilion também busca levar a discussão da prática contemporânea a um público maior exibindo obras construídas, não apenas maquetes e plantas. Este ano, além da estrutura principal assinada

pelo estúdio dinamarquês Bjarke Ingels Group (BIG), os espaços do Hyde Park e do Kensington Gardens receberão quatro refúgios de veraneio compactos concebidos pelos arquitetos Kunlé Adeyemi, Barkow Leibinger, Yona Friedman e Asif Khan. Até 9 de outubro. 2

Na capa, a sede da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), de 1975.

Na proposta do Bjarke Ingels Group (BIG), um zíper parece abrir as paredes do pavilhão de 300 m2.

A FORÇA DO CONCRETO

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO JUNHO 2016

Com ensaios fotográficos de profissionais como Nelson Kon e Joana França, a publicação escrita por Luis Espallargas Gimenez reúne a obra do arquiteto de 82 anos, que já trabalhou como assistente de Vilanova Artigas (1915-1985) e foi professor na Universidade de São Paulo (USP) e na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Identificado com a chamada escola paulista, assina prédios de estrutura marcante, aparente, como o Edifício Acal, dos anos 70, em São Paulo. Da Romano Guerra Editora, por R$ 130.

IMAGENS: 1. DIVULGAÇÃO 2. NELSON KON

Livro avalia a trajetória do arquiteto Pedro Paulo de Melo Saraiva


FOTOS: 1. THIERRY RAMBAUD 2. CORTESIA BARJEEL ART FOUNDATION, SHARJAH 3. DIVULGAÇÃO

CENÁRIO

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DUPLA VOCAÇÃO No último mês, as marcas Marcenaria Baraúna e Tok&Stok lançaram peças instigantes, algumas delas assinadas por aquitetos conhecidos também pelo bom design, como você vê na seleção abaixo

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TRANÇADA A Tok&Stok convidou profissionais de renome para a coleção Mestres da Marcenaria, com madeiras certificadas. Carlos Motta é o autor da cadeira Cm-9, de cumaru e couro, com 46 x 55 x 80 cm. Vale R$ 1 790.

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JARDINS DO ORIENTE Vai até 25 de setembro a mostra Jardins D’Orient – De l’Alhambra au Taj Mahal, no Instituto do Mundo Árabe, em Paris. Além de pinturas, maquetes, documentos históricos e fotos, a exibição extrapola os limites internos do museu, tomando sua esplanada de 2 mil m2 com uma instalação verde 1. EM VASOS O francês Michel Péna assina o paisagismo temporário da instalação no exterior do emblemático edifício projetado pelo arquiteto Jean Nouvel. Ela finaliza o trajeto dos visitantes com uma interpretação contemporânea das influências orientais, traduzidas pela vegetação abundante e pela presença de água, caminhos e sombreados. 26

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2. NA PINTURA Presente na exposição, a obra Scène dans le Parc, da egípcia Marguerite Nakhla, é de 1940. Nela, figuram as imponentes palmeiras que, nos jardins orientais, muitas vezes apareciam plantadas ao redor dos famosos oásis, extensões de água criadas para socorrer a região de perfil desértico, a Mesopotâmia.

CIRCULARES André Vainer se apropria de elementos da construção civil para criar luminárias como a Fusquinha, de PVC com pintura automotiva. Dimensões: 30 x 31,5 cm. Por R$ 595, na Marcenaria Baraúna.

RETILÍNEO Completando 20 anos de carreira, Paulo Alves assina o banco Guido, de eucalipto de áreas de reflorestamento. Também na Tok&Stok, mede 48 x 61,5 x 145 cm e custa R$ 1 925.

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VIVER POR SILVIA GOMEZ

Um passo acima

Atração do condomínio no interior de São Paulo, esta casa pode ser escalada por seus moradores REPORTAGEM VISUAL MAYRA NAVARRO TEXTO MARÍLIA MEDRADO FOTOS EVELYN MÜLLER

O inusitado paredão do imóvel em Bragança Paulista, SP, evidencia o espírito jovem de seus proprietários, um casal com dois filhos. Com leves diferenças de nível na superfície e agarras de dimensões variadas – apoio para mãos e pés – a fachada de 10 m de largura oferece diversos graus de dificuldade para aqueles que se aventuram ao longo de seus 8,5 m de altura. “A cor da tinta acrílica fosca (Coral, ref. Caverna Escura, 40YY 08/107) foi escolhida para não deixar visíveis as marcas de sapato. Já o acabamento liso evita que as pessoas se machuquem caso escorreguem”, explica o arquiteto Vicente Seminari Filho, autor do projeto ao lado de Rodrigo Schmidt Seminari, ambos do escritório Seminari Arquitetura e Engenharia. 28

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SUBIDA SEGURA Firmes, as agarras de resina (San Agarras) foram chumbadas na estrutura mista de concreto armado e blocos estruturais. A execução da obra é do engenheiro Renan Schmidt Seminari.

VISÃO DO ALTO Fechada com este painel de correr metálico (e recheio isolante de lã de rocha), a abertura dá acesso à laje, que funciona como um mirante e permite acompanhar a brincadeira. DESCENDO! Além da escada junto ao hall, chega-se ao térreo também pelo tubo de 7 m de altura. Feito de aço galvanizado, ganhou pintura de esmalte preto fosco.


VIVER

Em nova fase

Na capital mineira, aposentado ganhou um loft no espaço onde trabalhou a vida toda TEXTO LUCILA VIGNERON VILLAÇA

Quando completou 90 anos, em 2013, Henrique Fernando Tetzl, o vovô Henricão, como é chamado pela família, já vinha sentindo dificuldades para subir escadas havia algum tempo. Por isso, teve de deixar a casa onde morava, cujo acesso se dava por vários degraus. Depois de alugá-la, contou com os arquitetos da Meius Arquitetura para transformar sua garagem-oficina, local onde passou décadas consertando eletrodomésticos. No espaço sem uso, surgiu um loft de 60 m2. O térreo da nova residência concentra o essencial ao dia a dia: cozinha, quarto, sala e banheiro. No mezanino, uma área de convívio com sofás-camas acomoda os cuidadores que ficam para dormir.

O mezanino de 24 m2 tem até uma varandinha com horta, passatempo do morador. Quem olha a fachada (à esq., na foto acima) não imagina o que há dentro. Pelo gradil, se insinuam as trepadeiras plantadas por Henrique.

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FOTOS: IZABEL DINIZ /DIVULGAÇÃO

A cozinha aproveita o canto embaixo da escada (externa), a qual leva à casa onde Henrique vivia, agora alugada. Esse volume foi realçado pela pintura amarela. A cama (acima), ganha certa privacidade com as cortinas.


A cobertura em duas åguas com telhas cerâmicas sugere a silhueta da típica casinha de campo dos sonhos, levemente contrariada pelas empenas laterais retas de pedra moledo, que parecem conter o volume central.


PEDRA, TIJOLO E CÉU

Dos azuis e dos materiais rústicos ao desenho arquetípico: uma memória provençal contagia esta casa de fim de semana erguida num condomínio em Porto Feliz, no interior de São Paulo POR DEBORAH APSAN (VISUAL) E SILVIA GOMEZ (TEXTO) PROJETO REGINA STRUMPF E ROGÉRIO GURGEL/RSRG ARQUITETOS FOTOS CACÁ BRATKE


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construções ficassem casa de 2 contidas entre as qua375 m fitro empenas de pedra, cou pronque exibem todas a ta no ano mesma altura”, expassado, mas, por plica Rogério Gurgel. alguma razão, parece E ssa s for m a s estar ali há muito temnasceram naturalpo. “Mesmo antes da m e nt e d i a nt e d o chegada dos móveis, ter reno pla no, de ela já tinha bastante 2,5 mil m2. “Não previda”, afirma a arquiteta Regina Strumpf, cisamos forçar a imautora do projeto ao laplantação, pois os do de Rogério Gurgel, recuos obrigatórios do a mbos sócios no condomínio, de 6 m RSRG A rquitetos. nas laterais e 10 m na O trecho central de ligação entre os blocos da morada dá visão para o exterior graças Essa sensação absfrente, guiaram o poàs placas de vidro emolduradas em perfis de ferro de apenas 3 cm de espessura. trata talvez possa ser sicionamento claro e explicada pela escolha dos materiais rústicos que revestem fa- convidativo da residência, com pátios ao redor”, conta Regina. chada, paredes e pisos: pedra bruta, tijolo de obras antigas e maNo interior, a clareza se repete na distribuição dos amdeira de demolição. Junto das janelas e portas pintadas de azul bientes: área íntima de um lado, espaço social do outro. Neste e do ferro presente em delgadas esquadrias, os acabamentos último, sala e cozinha aparecem abertas para o exterior, dianbebem na referência provençal, o único pedido do proprietário. te da piscina. Janelas baixas instaladas de ambos os lados ga“No entanto, não moramos na Provença e tampouco queríamos ratem a ventilação cruzada, medida contra o calor caracterísdesenhar um caixote. Fizemos então uma leitura conceitual do tico da região, no interior de São Paulo. “Só há ar condicionado estilo, usando dois corpos de concreto moldado e blocos cerâmi- nos quartos. As paredes grossas de pedra, com 30 cm de escos ligados por um elemento de transição, uma espécie de passa- pessura, também ajudam termicamente”, lembra Rogério. Lá rela envidraçada”, afirma Regina. Com telhado em duas águas, fora, os pergolados de aço corten, cobertura de vidro e forro de os dois volumes – um deles tem até chaminé – evocam a ima- palha completam o clima do fim de semana ideal, oferecendo gem do típico refúgio a sombra com o jeito no campo. Como confrancês da Provença traponto, além do corcom a qual tanto soredor central de linhas nhavam os moradoretas, contribuiu o deres, em avarandados talhamento da fachaque parecem estar da. “Queríamos que as ali há muito tempo.

“AS REFERÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS DO PROJETO ATUALIZAM O VISUAL ARQUETÍPICO DA CASA DE CAMPO” REGINA STRUMPF, ARQUITETA

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Acima: esta foto revela a intenção do projeto de dividir a casa em dois volumes – o dos quartos (à esq.) e o social (à dir.) –, conectados pelo pavilhão envidraçado. As fachadas alternam pedra moledo e tijolos de demolição. Abaixo: da entrada, a visão atravessa até os fundos da cozinha, exemplo da clareza oferecida pela planta. NO HALL, POLTRONA DA SECRETS DE FAMILLE.

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1. À frente da cozinha, a varanda é sombreada pelo pergolado de aço corten (HF Esquadrias Metálicas) fechado com vidro e coberto de palha (Fellicia). 2. Na sala de estar, o pé-direito alcança 5 m de altura no trecho mais alto do forro de madeira (Brasil Telhas), com tesouras aparentes. 3. O pátio parece uma continuação do estar, separado pela abertura de 2,30 x 4,70 m com painéis de vidro em esquadrias de ferro. LUMINÁRIAS E ALMOFADAS DA ENTREPOSTO E DA LUHOME E TAPETE DA BY KAMY. NA MESA DE JANTAR, CADEIRAS DA SECRETS DE FAMILLE.

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O azul (Suvinil, ref. D076) da porta de madeira surge também no piso de ladrilhos hidráulicos da cozinha (Dalle Piagge, ref. Azul Ultramar). Na parede, pastilhas da Jatobá. MESA DA SECRETS DE FAMILLE.

“CRIAMOS JANELAS COM PEITORIL BAIXO, DE 45 CM DE ALTURA, PENSANDO NAS CRIANÇAS PULANDO DE UM LADO AO OUTRO” REGINA STRUMPF, ARQUITETA


Acordar olhando para a paisagem é a proposta do quarto do casal. Também pintada de azul (Suvinil, ref. D076), a porta exterior de 2,35 x 3,18 m corre em trilhos de ferro aparentes. MANTA E ALMOFADA DA LUHOME.

DISPOSIÇÃO EM DOIS BLOCOS A planta faz um L ao redor do pátio com piscina, com ambientes privilegiando sempre a visão para o exterior

LAVAND. 4,75 x 1,55 m

QUARTO

4,75 x 3,15 m

QUARTO

4,75 x 3 m

QUARTO

4,75 x 3 m

QUARTO

6,10 x 4,30 m

SALAS DE ESTAR E DE JANTAR

N

5,90 x 9 m

COZINHA

4,50 x 4,45 m

SALA DE TV

CAMPOY ESTÚDIO

4,50 x 4,45 m

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ÁREA: 375 M2; CÁLCULO ESTRUTURAL: ESCRITÓRIO TÉCNICO CÉSAR PEREIRA LOPES; CONSTRUÇÃO: MANTRA ENGENHARIA; LUMINOTÉCNICA: LUMINI; SERRALHERIA: HF ESQUADRIAS METÁLICAS; MARCENARIA: MARCENARIA PIMENTEL; PAISAGISMO: DANIELA MALZONI E RENATA VILLAR


Tons de azul também surgem no piso do banheiro, que tem patchwork de nove estampas diferentes de ladrilho hidráulico (Dalle Piagge). Pastilhas da Jatobá nas paredes e bancada de Silestone. BANCO DA SECRETS DE FAMILLE.

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No bloco dos quartos, a fachada teve a superfície texturizada na obra e depois pintada (Suvinil, ref. A163), em vez dos tijolinhos de demolição. A piscina exibe pastilhas de 5 x 5 cm (Jatobá, ref. Verde Antilhas, JD 4706). 40

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“O CHARME DA CASA NÃO ESTÁ EM SUA COMPLEXIDADE, MAS EM SEU JEITO SIMPLES” REGINA STRUMPF, ARQUITETA

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ASCENSÃO

O arquiteto posicionou o refúgio a 90 graus, na borda de um platô desenhado na obra, para garantir privacidade, acesso fácil (a rua fica logo atrás), boa insolação e a melhor vista do vale à frente. Um profissional da região, experiente em terraplenagem, trouxe terra dos fundos para a frente do lote, até o nível desejado.

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COMPLETA

Postada no alto de um monte e dotada de um amplo belvedere, a casa inteira de concreto sugere um feito: nas montanhas de Campos do Jordão, SP, a pureza do ar inspira a mais elevada arquitetura POR DEBORAH APSAN (VISUAL) E JOANA L. BARACUHY (TEXTO) PROJETO ABPA/ANDRE BECKER PENNEWAERT FOTOS VICTOR AFFARO

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A lareira generosa (1 m de boca) consegue aquecer toda a sala. No alto, um detalhe: todas as luminárias (Lumini) de teto foram posicionadas antes da concretagem da laje.

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om clima agradavelmente frio, seco, e níveis terapêu- ra fosse realizada. Ao planejar a distribuição dos espaços, Andre ticos de oxigênio e ozônio no ar, Campos do Jordão, na previu que a casa seria vedada nos fundos, onde há construções Serra da Mantiqueira, atrai visitantes desde o século mais altas, e vazada na frente, diante da vista. “A proposta era XIX. A estância climática a cerca de 1 600 m de altitu- integrar, mas, por se tratar de uma região de frio, eu precisava de exibe cenário de cartão-postal, marcado por picos e espinhaços encontrar o equilíbrio entre aberto e fechado, transparência e e, naturalmente, se firmou como um destino turístico de inverno. aconchego”, resume. Atendendo a uma vontade expressa do dono, Na história do proprietário deste refúgio, um detalhe a mais ficou definido que o corpo seria todo de concreto moldado no local. interferiu na escolha do lugar perfeito para curtir as férias em O arquiteto ainda imaginou o conjunto com três blocos robustos baixas temperaturas. Para ficar perto de amigos que haviam se arrematados embaixo por vidro e, em cima, por madeira, em busca de viabilidade e de um cerestabelecido nos arredores, o to apelo escultórico. A partir daí, jovem executivo comprou o terera preciso pôr a mão na massa. reno com 65 m de frente num Um empreiteiro conhecido condomínio onde boa parte da pelo capricho em obras do gêvegetação nativa manteve-se nero foi contratado e se revelou preservada e todos os lotes osum ótimo aliado. “Essa técnica, tentam uma pequena floresta. ANDRE BECKER, ARQUITETO em que o cimento compõe ao Na área eleita por ele, não só mesmo tempo a estrutura e o existia mata adiante como também nas laterais, ao redor de um trecho central limpo mas revestimento, e as paredes são moldadas com fôrmas e em etaacidentado. O visual, as companhias e o frio estavam ga- pas, não aceita improviso”, explica Andre, imbuído também do rantidos. Restava apenas a pergunta: como construir ali? acompanhamento dos trabalhos. Um ano e meio depois, quando Conhecido de longa data do cliente, o arquiteto Andre Becker o serviço estava perto de terminar, uma surpresa garantiu a insPennewaert, de São Paulo, topou o desafio. Estudou o caso até che- piração final. O cliente encomendou uma capela, prontamente gar à primeira decisão impactante para o projeto, a implantação. viabilizada pelo profissional. “Procurei inspiração em exemplaJuntos, os moços optaram por localizar a edificação na clareira res minimalistas e busquei sintonia com a construção principal. existente, medida viável desde que alguma movimentação de ter- O meu desenho mais simples se revelou o mais interessante.”

“PROCUREI O EQUILÍBRIO ENTRE TRANSPARÊNCIA E ACONCHEGO”

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1. Para esquentar o ambiente, a madeira de demolição (Getuba) forra o piso. A luz incide no material e reflete, parecendo alterar o tom cinza reinante. 2. Toda de cimento, a cozinha conta com apoio extra no corredor. 3. É ali que estão dois armários, com portas tingidas de verde para espelhar o tom da paisagem, revestidas de laminado do tipo Formica. 2

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Como não poderia deixar de ser, a escada também foi realizada no canteiro de obras. Para erguer cada parede, duas fôrmas entravam em cena: concretava-se a primeira, sempre com os conduítes e as tubulações dentro, depois a seguinte, em cima. Bem-feita, a emenda não aparece.

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Protegida de indiscrições pelo enorme bloco da caixa d’água, a suíte principal conta com um terraço, mirante mais do que privilegiado. Para barrar o vento gelado, as portas de alumínio (Camillo Serralheria) são da melhor linha do fabricante, garantia de isolamento.

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“ESSA TÉCNICA EM QUE AS PAREDES SÃO MOLDADAS COM FÔRMAS E EM ETAPAS NÃO ACEITA IMPROVISO” ANDRE BECKER ARQUITETO

De cima a baixo veem-se as marcas das tábuas de 15 cm usadas nos moldes do concreto, estrutural em certos trechos e fechamento, apenas, em outros. Presentes do lado de fora nas esquadrias do tipo camarão, as ripas de madeira também aparecem no interior, inclusive revestindo as paredes. 48

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À esq.: a capela resume-se a 20 m2 com caixilhos envidraçados no entorno (que também amparam a laje, engastada no morro) e um pilar alto, a torre do sino – eixo que desenha uma cruz. À dir.: o desenho das duas construções se assemelha. Ambas reverenciam o belo panorama à frente.

ABRIR, FECHAR E APOIAR No térreo, três blocos de aspecto maciço dão sustentação e contorno à casa: o volume da cozinha, o da escada e o da lareira. Contêm pilares que seguram o cubo da suíte principal, inteiramente armado, no andar de cima. Os banheiros se valem da iluminação zenital (no teto) N

TÉRREO: 185 M2

SUPERIOR: 155 M2 BANH.

ÁREA DE SERV.

1,50 x 2,50 m

3 x 2,50 m

QUARTO

3,10 x 6 m

BANH.

1,80 x 1,80 m

COZINHA 3 x 5,50 m

QUARTO

2,70 x 6 m

BANH.

1,80 x 1,80 m

QUARTO

SALA DE JANTAR

2,70 x 6 m

3,50 x 5,50 m

VARANDA

SALA ÍNTIMA

3,50 x 9,50 m

2,70 X 5,50 m

SALA DE ESTAR 4 x 5,50 m

QUARTO

4,50 x 6,50 m

TERRAÇO 1,80 x 7 m

ILUSTRAÇÕES: CAMPOY ESTÚDIO

BANHEIRO

2,50 x 2,50 m

ÁREA: 340 M2; CONSTRUÇÃO: EMÍLIO FARAH; CÁLCULO ESTRUTURAL: BENEDICTIS ENGENHARIA; INSTALAÇÕES ELÉTRICAS E HIDRÁULICAS: SANDRETEC LUMINOTÉCNICA: FRANCO ASSOCIADOS LIGHTING DESIGN.

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Um banco de madeira faz as vezes de guarda-corpo. Para que não atrapalhe a visão de quem relaxa na hidromassagem, o deck diante da Jacuzzi fica num patamar mais baixo. Repare: no canto superior da casa, está a varandinha da suíte principal; ao fundo, na foto, a capela.

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“A CASA TRANSFORMA PESO EM LEVEZA AO CRIAR UM ÂNGULO DE 90 GRAUS SUSPENSO” ANDRE BECKER ARQUITETO

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NO TEMPO PRESENTE

Do sobrado escuro e compartimentado, pouca coisa sobrou. Graças a uma reforma bem pensada, a casa paulistana de 1957 amplia a área de convivência e chega plena e renovada à maturidade POR DEBORAH APSAN (VISUAL) E LARA MUNIZ (TEXTO) PROJETO HSU ARQUITETURA FOTOS PEDRO NAPOLITANO

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Redesenhada, a edícula ganhou um trecho com pé-direito duplo, perfeito para dar lugar à biblioteca. No mezanino, o morador acomodou uma miniacademia, que frequenta assiduamente. Lá fora, o jardim com piso de fulgê é espaço concorrido – o favorito de Asterix, o border collie.

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“A CASA GANHOU INTEGRAÇÃO DE UMA PONTA À OUTRA E MAIS ESPAÇO DE LAZER” FELIPE HSU ARQUITETO

A caixa de freijó oculta a passagem para o segundo andar e assume outras funções: é painel para embutir a TV, aparador para a sala de jantar e vitrine para a adega do morador.

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s melhores romances despertam a partir de uma fagulha. Na história de amor entre esta casa paulistana e seu morador, um tímido administrador de empresas, os janelões da fachada acenderam o sentimento. “Manter as esquadrias foi um dos pedidos mais sensíveis que ouvi do proprietário. E não dava para discordar – elas são mesmo marcantes na identidade do imóvel”, avalia o arquiteto Felipe Hsu, responsável pela grande reforma ao longo de oito meses de trabalho.

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Recuperar a personalidade da construção, aliás, era a mais importante missão da obra. Depois de várias intervenções anteriores, ela carecia de uma mudança derradeira que unificasse sua linguagem. “Ao repensar o projeto, identificamos um trecho nobre desperdiçado na lateral. Alocar ali um jardim vertical generoso devolveu a vocação social do espaço. E os jantares feitos no ambiente vizinho ganharam uma paisagem e tanto”, brinca Felipe, que contou com a equipe do escritório Oficina2Mais para implementar o pa-

redão verde. Entre as outras alterações que atualizaram a residência, estão o novo ponto da porta de entrada (de frente para um minijardim, com acesso mais fácil à garagem), alguns rasgos em locais estratégicos para iluminar o interior e a revalorização da edícula. Esta última merece detalhamento à parte. Antes aproveitado apenas como auxiliar da parte de serviços, o volume de 44 m 2 conquistou amplitude com uma mudança na sua estrutura: a abertura de um vão com pé-direito duplo, convertido em biblioteca. O mezanino acomodou aparelhos de ginástica. “Ter os esquipamentos para me exercitar poupa um tempo precioso da rotina. Isso só se tornou possível com a reforma, a qual trouxe uma liberdade ainda maior do que eu esperava”, conta o morador, que cresceu em uma casa ampla, mas se sentia um tanto confinado em seu endereço anterior, um apartamento. “Pude até ter um cachorro, o Asterix, algo inviável antes. A obra concedeu o bônus de permitir a companhia dele”, comemora. No dia das fotos, Asterix acompanhou nossa equipe ao longo do trabalho, tornando o processo mais leve e divertido. Quer a prova? Veja as imagens dele escondido no jardim na reportagem exclusiva em nosso site, incrementada com cliques extras de outros pormenores da morada. Visite: bit.ly/revistaaec


Acima: da entrada até a edícula, a vista corre livre pela casa. Um trabalho de restauração devolveu a beleza do travertino do piso, agora protegido com resina hidrofugante. Abaixo: a sala de estar manteve os tijolos pintados. A textura marcante se repete no segundo piso, criando unidade visual. O projeto de iluminação prevê a criação de diversos cenários. SOFÁS E MESA DE JANTAR DA CARBONO, TAPETE DA NANI CHINELLATO.

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Sobre o muro da entrada, bandejas de chapa metálica (mesmo material do passa-cartas e do puxador) abrigam as heras, que pendem sobre o portão de freijó.

EM DESTAQUE, A ÁREA SOCIAL Exuberante, o grande jardim vertical deu nova vida à lateral da casa, agora dedicada à convivência. Em dias de festa, a sala de jantar se integra ao local, repleto de espécies tropicais DEMOLIDO ÁREA: 330 M2; ENGE-

CONSTRUÍDO

NHARIA: EPSON; PAISAGISMO: OFICINA2MAIS;

SUÍTE

3,50 x 5,10 m

ILUMINAÇÃO: LUMINI QUARTO

N

SUÍTE

5 x 6,25 m

3,50 x 5,70 m

BANHEIRO 2 x 4,15 m

CLOSET

ACADEMIA

2 x 4,90 m

3,15 x 6,25 m

PRIMEIRO PAVIMENTO: 160 m2

BIBLIOTECA SALA DE TV 5,90 x 6,20 m

SALA DE ESTAR 3,50 x 5,30 m

SALA DE JANTAR 3,55 x 4,50 m

COZINHA

3,50 x 4,15 m

LAV.

1,85 x 3 m

TÉRREO: 170 m2

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ILUSTRAÇÕES: CAMPOY ESTÚDIO

6,25 x 4,35 m


Acima: na cabeceira assinada pelo arquiteto, uma trama de linho (Nani Chinellato) combina-se com ripas de cumaru, mesma madeira do piso. O mármore piguês é a atração do banheiro, espaço que valoriza o branco. Abaixo: recuperadas, as janelas do piso ao teto abrem-se para o verde da vizinhança. Um guarda-corpo metálico cuida da proteção.

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Ideias de CASA COR

Visitamos a 30ª edição da mostra paulistana em busca de inspiração para divisórias, forros, paredes e pisos. Surpreenda-se com 17 projetos selecionados pela beleza e originalidade POR DEBORAH APSAN, ELENA CALDINI (VISUAL) E LARA MUNIZ (TEXTO) FOTOS PAULO SANTOS


YURI SERÓDIO / DIVULGAÇÃO

No jardim elaborado pelo arquiteto e paisagista Alex Hanazaki, a estrutura metálica sustenta lâminas de porcelanato com tecnologia autolimpante e propriedades que purificam o ar (Eliane Revestimentos). A instalação grandiosa direciona o passeio pelo espaço de mais de 450 m².


FOTO: DIVULGAÇÃO

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PAINÉIS QUE HIPNOTIZAM 1. Diante do paredão de concreto, o arquiteto Maicon Antoniolli dispôs um painel com ripas de compensado naval apoiado em barrotes de pínus. Mantidas aparentes, as bordas exibem as camadas do material, fosco graças ao uso de uma resina à base d’água. 2. Chapas de titânio (N.Didini) cobrem a estrutura de madeira laminada colada erguida por Otto Felix logo na entrada da mostra. De acordo com a incidência de luz, a cor do metal se aproxima mais do preto ou dos tons acinzentados. 3. Quando observada de frente, a treliça de madeira que recebe os visitantes no espaço da arquiteta Marina Linhares age como um véu; na vista lateral, a inclinação das ripas consegue um efeito capaz de criar uma trama fechada, escondendo o lado oposto.


A disposição em zigue-zague traz sensação de movimento à parede de mármore branco paraná – favorito do arquiteto – no ambiente assinado por Guilherme Torres. Execução da Michelangelo Mármores. A bancada de Corian (Studio Vitty) esconder a pia e uma lava-louças futurista.


Chapas de alumínio perfuradas e pintadas num tom rosa-acobreado revestem as paredes e delineiam o forro do projeto idealizado por Leo Romano. A textura faz um convite à experimentação: pontos aplicados nas laterais do ambiente revelam mensagens em braile.


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TETOS EM DESTAQUE 1. A disposição das ripas de madeira cria um desenho geométrico na antessala de Roberto Migotto, criando impressão de movimento e volume e chamando atenção para o generoso pé-direito do local. O material aparece ainda no painel vertical com detalhe iluminado, instalado na parede contígua. 2. No vagão de trem transformado em loft pelo arquiteto Leo Shehtman, lâminas de madeira retroiluminadas acompanham a cobertura, ressaltando as medidas enxutas e o traçado sinuoso do espaço enquanto ajudam a compor o clima acolhedor. 3. O mesmo freijó que dá forma à estante – lavado e com veios casados na montagem – ocupa o teto do ambiente projetado pelo arquiteto Alexandre Dal Fabbro. Execução da Marvelar.


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PAREDES COM TEXTURA 1. Para simular o efeito de réguas de concreto moldado in loco, o arquiteto Pedro Lázaro aplicou a textura italiana Archi-Concreto (i Colori) em faixas de 5 cm de largura que alternam baixo e alto-relevo. 2. Baseado numa criação de Le Corbusier, o papel de parede emborrachado (à venda na Orlean) eleito pela dupla Olegário de Sá e Gil Cioni emoldura as obras de arte que pontuam o espaço e acompanha a lareira (6 m de comprimento). 3. Disposta no formato espinha de peixe (retângulos em ângulo de 45°), a madeira com efeito queimado e veios proeminentes veste a proposta de Moacir Schmitt Jr. e Salvio Moraes Jr., inspirada no clima luxuoso das construções europeias.


Ao valorizar a imperfeição do descascado original das paredes, o arquiteto Osvaldo Tenório expôs a beleza da arquitetura bruta. Na parte inferior, um lambri coberto com papel de parede esconde fitas de led que evidenciam o encontro de texturas.


Tingido no tom de esmeralda em homenagem ao mar de Angra dos Reis, o piso de tauari disposto na paginação espinha de peixe é o destaque do ambiente de Fabio Basani e Tulio Xenofonte, do Urbano Studio.


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PISOS MARCANTES 1. Inspirada pelas grades e janelas do Jockey Club de São Paulo, onde acontece a Casa Cor, a equipe do escritório carioca Yamagata Arquitetura – Paloma Yamagata, Aldi Flosi e Bruno Rangel – criou um ladrilho hidráulico minimalista (execução da Ladrilhos Petrópolis) para o piso de sua ambientação. 2. A delicadeza da madeira clara, representada aqui pelo maple canadense (Kapor Pisos) avança do chão até a cabeceira no quarto de Nildo José. A solução, que dispensa rodapés, serve para trazer amplitude visual. 3. Com ares de alta-costura, as arquitetas Barbara Gomes e Giulliana Savioli, nomes do Studio 011, costuraram retalhos de mármores no piso e nas paredes de um dos banheiros da mostra, modelando uma paginação exclusiva e elegante.


Blocos coloridos

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO JUNHO 2016


No projeto de reforma deste apartamento de 65 m2 em São Paulo, os tons sólidos não apenas enfeitam mas sobretudo ajudam a setorizar o espaço e a marcar funções e estruturas POR SILVIA GOMEZ (TEXTO) PROJETO STUCHI & LEITE FOTOS MAÍRA ACAYABA

A sala foi ampliada com a inclusão de parte da cozinha. O laminado vermelho (Formica, ref. L 138 Vinho) cobre toda a superfície ao fundo, unificando visualmente as portas de entrada, do lavabo e dos armários de louça. Piso de cumaru (Indusparquet). MESA DE JANTAR DO FERNANDO JAEGER; CADEIRAS, POLTRONA E SOFÁ DO ESTUDIOBOLA E MESINHA LATERIAL DA DECAMERON.

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Chumbado na parede, o móvel de concreto de apenas 4 cm de espessura percorre todo o estar, servindo de aparador baixo (40 cm de altura) e apoio para bar e laptop (72 cm de altura). Dali, ele muda de direção para virar a bancada da cozinha (92 cm de altura). Luminária da Reka.

O

apartamento num prédio dos anos 80 em São Paulo tinha uma planta banal, quase inexpressiva: a sala retangular isolada da cozinha contígua e dois dormitórios separados por um banheiro central. Lá no fundo, a área de serviço generosa – com lavanderia, banheiro e outro pequeno quarto – parecia desproporcional em relação à metragem total do imóvel, de 65 m2. Pior do que isso, suas paredes bloqueavam uma segunda fonte de luz natural – a janelinha superior (na foto da pág. à dir.), que poderia melhorar a claridade necessária à ala social. “O estar, trecho mais nobre, acabava ficando escuro por causa de sua grande profundidade”, explica a arquiteta Fabiana Stuchi, autora do projeto ao lado de Carlos Leite, ambos sócios no escritório paulistano Stuchi & Leite. Mais do que pôr divisórias abaixo, a obra concentrou-se em reposicionar os principais usos, mais bem acomodados ao dia a dia da moradora, uma jovem executiva. “Ela não tinha exigências quanto à distribuição, o que nos deu liberdade para pensar um novo programa, com direito a um peque-

no lavabo na entrada, disfarçado pelo grande painel vermelho, que segue até a lavanderia camuflando portas, armários e até o aparelho de ar condicionado”, detalha Fabiana. Tons fortes como esse aparecem em diversos pontos, numa linguagem que se propõe a enfatizar estruturas e identificar funções. “Por isso, prefiro usar a cor em blocos, não em grandes extensões de parede.” A mesma lógica de continuidade surge em outra solução: a faixa de concreto que vai da TV à área de serviço, servindo ora como aparador e escrivaninha, ora como estante e bancada ao adotar variadas alturas ao longo dos espaços agora abertos. Tal integração, no entanto, não perturba a porção íntima, onde o quarto menor virou um closet interligado ao dormitório maior. Mantido entre os dois cômodos, o banheiro viu seu interior ampliado ao deixar a cuba do lado de fora, no corredor à frente. Mais uma vez aqui, a luminosidade precisou ser multiplicada. “Com a porta de vidro aramado fosco, mantém-se a privacidade do local do chuveiro sem perder luz”, complementa Fabiana.

“APESAR DE INTEGRADO, O APARTAMENTO AGORA DIVIDE MUITO CLARAMENTE O QUE É PRIVADO E O QUE É SOCIAL” FABIANA STUCHI ARQUITETA

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Depois de aberta e reposicionada na planta, a cozinha, visível da entrada, ganhou revestimento de azulejos (Lurca) e armários de laminado colorido da Formica: vermelho (ref. L 138 Vinho), cinza (ref. LN 80 Fendi) e mostarda (ref. L 523 Novo Cromo Real), mesmo tom do piso de ladrilho hidráulico hexagonal de 15 x 15 cm (Dalle Piagge).

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À esq.: continuidade da cozinha, a lavanderia ocupou o espaço do antigo quartinho de serviço. À dir.: observe o recorte do painel revestido de laminado vermelho, que corre num trilho preso no teto para esconder o ar-condicionado, disfarçado pelo módulo ripado azul.

ARRANJO CONTEMPORÂNEO

BANHEIRO

1,65 x 1,75 m

CLOSET

2,90 x 3,20 m

QUARTO

COZINHA 3 x 2,85 m

ÁREA DE SERVIÇO

2,90 x 3,25 m

3 x 1,50 m

SALAS DE ESTAR E DE JANTAR

LAV.

3x9m

Á RE A: 65 M 2 ; A R Q UI T E T O S C OL A B OR A D ORE S: DANIEL A MELLO, DANILO BOCCHINI, FR ANCISCO C O STA RDI, T H AYSE P OR T UG A L; OBR A: ST U CHI SOLUÇÕES DE ENGENHARIA; MARCENARIA: COMERCIAL AILSON MOURA; LUMINOTÉCNICA: REKA

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1,80 x 1,30 m

DEMOLIDO CONSTRUÍDO

ILUSTRAÇÕES: CAMPOY ESTÚDIO

A cozinha perdeu divisórias e parte de seu espaço foi incorporada ao estar, assumindo uma configuração aberta. Entre os dois quartos, estabeleceu-se nova conexão, já que um deles virou closet

UM MÓVEL, MUITAS FUNÇÕES Moldada na obra, a estrutura de concreto armado percorre toda a área social do apartamento. Suas medidas vão mudando para que assuma diferentes usos: 44 cm de profundidade na sala e 60 cm na cozinha e na área de serviço, quando se torna bancada. Na versão mais alta, a 1,70 m do piso, serve de prateleira para livros e objetos. E em diversos pontos ampara gabinetes (cinza) e armários suspensos (vermelhos e amarelos).


O quarto da moradora ganhou feições de suíte com a incorporação do banheiro, fechado pela porta translúcida de correr de vidro aramado. A fim de ampliá-lo internamente, o projeto transferiu a pia para fora. Com 30 x 45 x 210 cm, a bancada é revestida de porcelanato (coleção Concretíssyma, da Portobello).

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Cozinhas da moda

As cores escuras, as formas quase nada arredondadas e as bancadas como verdadeiros monólitos são alguns pontos em comum entre as cinco principais tendências da Eurocucina, feira que acontece a cada dois anos no Salão do Móvel de Milão. Confira a seguir alguns lançamentos da mostra de cozinhas e inspire-se numa seleção de produtos com o mesmo apelo visual de cada proposta POR DAN BRUNINI

AMBIENTE DE ESTAR

Com acabamentos nobres e tons sóbrios, as cozinhas transformadas em área social vêm ganhando força a cada ano Mais do que tendência, a área de cocção com status de living ou vista como extensão dele já é uma realidade. “A comida se tornou ótima desculpa para todos se reunirem em torno do fogo”, afirma Christian Kadow, da Mekal. O mobiliário, que deixou de ser exclu74

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sivo de um ou do outro ambiente, virou híbrido. “Os armários e bancadas se mimetizam com as peças da sala, criando um elo entre os dois espaços”, explica a arquiteta Denise Barretto. A estética limpa e focada no essencial esconde quase tudo, de pias a eletrodomésticos.


O visual elegante dos móveis da coleção Unit, da italiana Cesar, favorece a integração com a área social da casa. Eles mesclam estrutura de alumínio pintado com acabamentos de madeiras nobres, como o noce canaletto laca e o grigio amani marble.

METALIZADO NA PAREDE Disponível em sete cores, entre elas, bronze, cobre e prata, a pastilha de vidro Form Glass (em telas de 31,5 x 31,7 cm), da Cerâmica Portinari, aposta no formato hexagonal. Serve para paredes internas e vale R$ 85,90 a unidade.

FOTOS: DIVULGAÇÃO

MINIESTANTE Perfeito para organizar vários acessórios, o nicho de madeira da S.C.A exibe o acabamento laminate quattra tabacco. As dimensões são de 25 x 38,6 x 55 cm. Preço: a partir de R$ 650.

Objeto de DESEJO CHÁ DA TARDE Com base giratória e conexão elétrica em toda a sua extensão, a chaleira Icona Vintage 127 V, da De’Longhi, comporta até 1,7 litro. Desliga automaticamente quando a água começa a ferver. Sai por R$ 499 na loja Lavelli.

CAMADA RELUZENTE O brilho não passa despercebido na torneira de parede Twin, equipada com filtro, agora também disponível no acabamento Red Gold (dourado avermelhado). Ainda sem preço definido, o modelo da Deca estará nas lojas em julho deste ano. JUNHO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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INDUSTRIAL SOFT

Sem parafusos nem ferragens em evidência, o mobiliário desse estilo ficou mais leve, com toque artesanal Nichos abertos, coifas penduradas por cabos de aço e aramados aparentes para facilitar a vida do gourmet são alguns detalhes da atmosfera industrial, com elementos típicos de fábricas. Mas este ano foi possível notar que a cozinha ganhou um as-

pecto de oficina de comida, com tampos marcados por acabamentos feitos à mão. “Eles ficaram mais refinados e a bancada virou o lugar perfeito para exercitamos um hobby. O ambiente se tornou um laboratório de culinária”, analisa Christian.

A linguagem informal e descolada marca o modelo K-Lab, da empresa italiana Ernestomeda. As peças principais são de alumínio, mas há ainda uma bancada de mármore calacata e portas da madeira carvalho.

NEM PARECE COIFA Confeccionada com o aço inox AISI 304, a peça Turim Especial (0,7 x 3 x 4,5 m), da Pulsar, vem com o duto decorativo pintado de preto fosco. As hastes completam a fixação no teto. Inclui ainda painel de comando digital, luminária de led e baixo nível de ruído (58 dBA). Vale R$ 29,8 mil.

Objeto de DESEJO CHAMA DE LUXO Múltiplas funções estão reunidas no fogão industrial BZVGCC536-4G, da Viking Concept. Os queimadores contam ainda com um sistema exclusivo de acendimento que mantém a chama suave e não permite a fervura dos alimentos. Sai por R$ 63,5 mil. 76

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FLEXIBILIDADE TOTAL Com controle de volume e temperatura da água, o monocomando Gourmet Valkyrie Flute, da Codda Metais, é de liga de cobre e zinco. Nos acabamentos cromado ou níquel escovado, tem bica alta e que gira 360 graus. Preço: R$ 1 315 (versão cromada).


GEOMETRIA RETILÍNEA

A fusão da bancada com a mesa de refeições trouxe formas acentuadas e elegância ao ambiente marcados, dividindo a área de trabalho do lugar das refeições com funcionalidade. “Vi o predomínio de linhas retas e peças extremamente leves, fazendo com que o mobiliário parecesse flutuar”, explica a arquiteta capixaba Vivian Coser.

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Pensada como espaço de convivência, a cozinha precisa receber amigos e convidados com toda pompa. Mas não bastava incluir uma mesa comum para reunir todos perto do fogão. Entrou em cena a sobreposição de volumes e planos bem

Ao lançar a cozinha Opera, a italiana Snaidero quis evidenciar a simplicidade das formas. A ilha central com portas de alumínio pintadas à mão compõe a combinação perfeita com o balcão de madeira.

DESIGN DISCRETO A coifa de ilha Narcisse Plus (39,7 x 65,5 x 85 cm), da Falmec, é de aço inox e vidro temperado preto. Tem motor com quatro velocidades, iluminação halógena, comando digital com timer e funciona como exaustor ou depurador. À venda na Center Garbin por R$ 7 299.

PACOTE COMPLETO O Kit Morgana 60 FX, da Tramontina, inclui cuba de inox (48,5 x 68,5 cm) com acabamento acetinado, misturador monocomando (não aparece na foto), tábua de madeira, cesto coador e dosador de sabão. A partir de R$ 1 999.

ACESSÓRIO PRÁTICO Com porta-pratos, porta-talheres e outros acessórios, a calha de aço inox (14 x 19 cm), da Xteel, resiste à oxidação e à corrosão. Ela é comercializada pela Exs com preço a partir de R$ 1 590, conforme o comprimento e a quantidade de itens embutidos.

Objeto DESEJde O APOSTA NA MOBILIDADE Pensado para organizar as bebidas e outros apetrechos, o carrinho Wave tem rodinhas que permitem levá-lo para todos os cantos. Com design de Luia Mantelli para a empresa Drio, ele é feito de freijó e tem bandejas de carvalho ebanizado com fundo de espelho bronze. Mede 50 x 73 x 90 cm e é vendido por R$ 5 852 na loja HomeDesign. JUNHO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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MATERIAIS EM SINTONIA

Pouco comuns nas bancadas, o aço tubular e o mármore se aliam a vários outros acabamentos Se por um lado as propostas estão minimalistas, por outro vê-se uma rica mistura de materiais, quebrando a seriedade dos monoblocos formados por bancadas e mesas. “Madeira, pedra, metal e vidro trazem texturas e convidam ao toque”, comenta a arquiteta

Patrícia Cillo, da Figoli-Ravecca. Para a arquiteta Luciana Degani, o contraponto entre os acabamentos também foi explorado. “Elementos tecnológicos como o aço provocam belo contraste ao lado das pedras de veios marcados e visual fóssil, primitivo”, conta.

Na cozinha Doga, da italiana Polarislife, o mármore carrara e a madeira se fundem para compor a bancada apoiada sobre pés tubulares metálicos. Ao fundo, as portas são recolhidas quando é preciso usar micro-ondas, forno e outros acessórios.

PARA DEIXAR À VISTA Corpo de alumínio, parte superior pintada em tom forte e bowl de aço inox de 5 litros dão forma à batedeira Vermillion Red kMix, da Kenwood, com avançado controle de velocidade e 500 W de potência – própria para fazer até massas pesadas. Na Utilplast, por R$ 2 399.

Objeto de DESEJO

ALVURA Com porta de vidro branco e alumínio escovado, a dupla de refrigeradores Ora-Ito, da Gorenje, entre outras vantagens, conta com uma das maiores gavetas para frutas. Cada geladeira (0,60 x 0,64 x 1,85 m) pode ser vendida separadamente e custa R$ 14 990. 78

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PITADA DE COR O verde-azulado é uma das novas tonalidades do misturador monocomando de mesa Doc, da Docol. Ele tem duas opções de jato: o arejado, para economia de água; e a ducha, que oferece maior pressão na hora de lavar os alimentos. Preço sob consulta.


A VEZ DO AÇO INOX

Frequentemente limitado à bancada, ele predominou também em móveis, coifas e frontões Luciana. Ainda há a vantagem ligada à sustentabilidade. “Hoje, o aço inox novo já leva 60% de componentes de reúso. Além disso, é uma das poucas matérias-primas que não perdem propriedades físicas quando recicladas”, explica Christian, da Mekal.

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Sinônimo de praticidade, o acabamento apareceu como elemento único, compondo tampo, frontão, coifa, móveis e até revestindo paredes. “Ele tem baixíssima porosidade, é muito resistente, durável e fácil de limpar”, enumera a arquiteta

PONTOS DE METAL Para revestir paredes internas, o mosaico de alumínio, mármore travertino e vidro decorado (em placas de 30 x 30 cm), da Ritallio, recebe o nome de Argento Decor 15. Na Mosarte & Co, cada peça sai por R$ 79,35. Feita de aço inox AISI 304, a cozinha Ego, da italiana Abimis, apresenta portas niveladas com cantos arredondados totalmente integradas ao corpo do móvel. Suas dobradiças invisíveis contribuem para o visual elegante da peça.

Objeto DESEJde O

PRA LÁ E PRA CÁ Compacto e fácil de ser levado de um lado a outro, o Smart Kit é uma estação móvel de aço inox (60 x 70 x 90 cm) customizada de acordo com o desejo do cliente. A peça reúne pia, gavetão e traz fendas que servem para engatar porta-talheres, faqueiros e até nichos para plantas. Na bancada, podem ser incluídos cooktops e cubas. Da Mekal, a partir de R$ 14 387.

MAIS DE UMA FUNÇÃO É de inox acetinado a cuba dupla de embutir Funzionale (22,7 x 45 x 92 cm), da Debacco. Inclui nicho auxiliar para lixeira, escorredor aramado, dosador de detergente, cesto e válvula. Custa R$ 1 667 na Condec.

EM MÓDULOS Pensando em cozinhas de todos os tamanhos, a italiana Jokodomus lançou o sistema componível formado por peças independentes (60,4 x 69,2 x 95 cm). Com rodízios, elas se juntam para integrar uma bancada única. JUNHO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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A escada feita pelo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo com madeira curvada passou por restauro e agora vale como uma escultura que une os três andares. Um trecho do piso do térreo foi serrado para unir visualmente os pavimentos e deixar a claridade chegar à cozinha e à sala, embaixo. Restou o corredor lateral, que conduz da entrada ao estúdio da proprietária. 80

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LANCES DA VIDA

Numa jogada de sorte, o destino mostrou ao casal – uma atriz e um arquiteto – o sobrado de 3,41 m de largura. Coube a eles valorizar cada centímetro do potencial do imóvel POR MAYRA NAVARRO (VISUAL) E JOANA L. BARACUHY (TEXTO) PROJETO ODVO ARQUITETURA E URBANISMO FOTOS LAURO ROCHA

acolhimento. E assim a Gi me convenceu de que valia a pena. Nosso plano era encontrar Fizemos o projeto com a ajuda um terreno e construir, mas vida equipe do meu escritório e de mos que seria quase impossível muitos amigos, até iniciarmos conseguir isso com a grana que o trabalho – uma investigação. tínhamos e nos bairros preferiO engenheiro descobriu que dos. Passamos então a procurar o projeto acumulava três amimóveis para reformar, em ponpliações: nos anos 50, 70 e 80. tos interessantes: com clima de Ou seja, a cada etapa da nossa cidade pequena e perto do meobra surgia algo imprevisto, trô. Ao visitar um apartamento forçando uma revisão de plana Vila Mariana, notamos este nos. Nos adaptamos, sem deisobrado, perto do Parque da xar de abrir bastante as fachaAclimação. O quarteirão inteidas para o entorno. Queríamos ro tem lotes de 15 m de frente e, poder ocupar plenamente o no meio dele, quatro casas geespaço: ter bichos, tocar insminadas – esta era uma delas. trumentos, dançar, ensaiar... Ligamos para o celular da placa O principal era mesmo gade vende-se no próprio sábado à rantir a saúde no local, com a noite, falamos com o proprietápresença de muita luz natural rio e começamos a negociação. e ar fresco, daí tanta demoliInicialmente a construção não ção. Nos 363 dias de empreichamou a minha atenção: típica ‘casa de vovó’ remodelada, Quando o clima permite, as delgadas portas de ferro do ti- tada fomos descobrindo como com laje e portão alto na gara- po camarão (NGS Serralheria) são recolhidas, ampliando proceder sem descaracterizar gem à frente. Mas passei a me a abertura. A medida deixou a cozinha, embaixo, gosto- o original nem estourar o orçasa. É ali que Gisele e Victor se sentam para bater papo. mento. Restauramos os itens interessar por causa da Gi, minha mulher, que captou o alto-astral do lugar. Era tudo compar- antigos que valiam a pena e ressaltamos as intervenções por timentado, estreito e, sem aberturas dos dois lados, com venti- meio de elementos contemporâneos, como as vigas metálicas, lação e iluminação críticas. Dava para sentir o cheiro de mofo. o cimentado. A decisão mais inusitada talvez tenha sido derHavia um banheirão, área de serviço enorme e estar compacto. rubar parte do piso da entrada para duplicar o pé-direito da Mas notamos ali algo digno de resgate. Para começar, uma es- cozinha, instalada no patamar inferior. Valeu muito. Numa cada maravilhosa. Estava recém-pintada, dentro de uma caixa cidade como São Paulo, o vão sob o enorme caixilho aberto nos de alvenaria, mas era central, bem posicionada. Silenciosa, com concede sentar à mesa e apreciar a lua cheia, por exemplo. três andares e repleta de madeira, a casa trazia uma sensação de VICTOR OLIVEIRA CASTRO, ARQUITETO E MORADOR JUNHO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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AS BOAS IDEIAS DESTE PROJETO

AÇO NO APOIO Pilares e vigas metálicas entraram no lugar das paredes removidas, pois a casa é de alvenaria estrutural. Pintadas de preto, evidenciam a alteração.

HISTÓRIA À VISTA Descascar as paredes imprimiu textura e aconchego aos interiores e expôs não só os tijolos mas as reformas anteriores, com suas vergas e cintas de concreto armado.

BASE PRÁTICA Econômico e funcional, o cimento queimado feito na obra cobre todos os trechos onde o piso antigo foi retirado. 82

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FACHO CONTÍNUO A luminária cruza o térreo e parece alongar o espaço. Invenção do arquiteto, leva perfis metálicos industriais que pendem do teto, com fitas de led dentro e proteção antiofuscamento.

DESENHO EM EVIDÊNCIA As paredes estruturais não podiam ser rasgadas para embutir as tubulações, mantidas aparentes. Temeroso de um resultado grosseiro, Victor planejou minuciosamente seu traçado, os pontos das caixinhas e conexões.

ALIADO DISCRETO Engastado delicadamente na madeira, o guarda-corpo novo não imita o antigo, muito pelo contrário. Os diferentes se somam em nome de um resultado singular.

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3,41 m

À esq.: mesmo estreitas, as fachadas eram a única opção para levar luz e ar ao interior, já que o telhado não foi alterado. À dir.: nos fundos, a abertura ampla (esquadria de alumínio da Gilbox) que clareia a suíte do casal, toma boa parte do banheiro. MALA ANTIGA DA AMOREIRA, ROUPA DE CAMA DA TROUSSEAU E VASOS DA SELVVVA.

FLUXO LIVRE, ESPAÇOS AREJADOS

QUARTO

SUÍTE

3,40 x 4,80 m

N

ILUSTRAÇÕES: CAMPOY ESTÚDIO

A área social fica no andar de baixo, que ganhou respiro com a abertura sobre a cozinha e o jardinzinho nos fundos; o térreo concentra o estúdio; em cima, estão os quartos – tudo muito pouco fragmentado

3,40 x 5,80 m

DEMOLIDO CONSTRUÍDO SUPERIOR: 50 m2

HALL

3,40 x 1,50 m

ATELIÊ

3,40 x 7,25 m

TÉRREO: 50 m2

ÁREA: 150 M2; ARQUITETOS: VICTOR OLIVEIRA CASTRO E OMAR MOHAMAD DALANK; ARQUITETOS COLABORADORES: BEATRIZ MUSARRA, GABRIELI AZEVEDO, MARCELL ALENCAR, MARIANE BANIN E VINICIUS NASSAR; ESTRUTURA: CARLOS NEGRI; GERENCIAMENTO: ODVO ARQUITETURA E URBANISMO; CONSTRUÇÃO: EDGARD AMBROSIO DOS SANTOS; PAISAGISMO: DIAS + RIBEIRO ARQUITETURA; LUMINOTÉCNICA: ACENDA PROJETO DE ILUMINAÇÃO; LUMINÁRIAS: REKA E LEMCA.

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COZINHA

3,40 x 3,50 m

SALA DE ESTAR 3,40 x 7,25 m

JARDIM

3,40 x 2,90 m

INFERIOR: 50 m2


“COMO OS ACABAMENTOS SÃO SIMPLES, CUIDEI DO DETALHAMENTO E DA EXECUÇÃO. FAZ TODA A DIFERENÇA” VICTOR OLIVEIRA CASTRO ARQUITETO E MORADOR

Na sala da lareira (desenhada por Victor) antes ficava a lavanderia. Hoje, o espaço exibe piso de cimento, lavabo de concreto, e se integra ao quintal forrado de paralelepípedos, numa solução chamosa e permeável. Os tacos (e também os assoalhos) de peroba-rosa foram recuperados. SOFÁ, MESA DE CENTRO E POLTRONA DA CARBONO, BALANÇO DA BUTZKE, TAPETE DA SISART, VASOS DE BARRO DA AMOREIRA.

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Entre árvores Posicionado em uma clareira já existente no terreno e cercado de pedras e vegetação, este gazebo de lazer na serra fluminense foi construído de forma rústica com materiais simples como madeira, cimento e vidro

POR SIMONE RAITZIK PROJETO IN/EX ARQUITETURA FOTOS ANDRE NAZARETH

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Suspensa, a casa se abre para a paisagem, emoldurada por varandas na frente (2 m largura) e na lateral (4 m). “A estrutura aparente é de eucalipto reflorestado, material que reforça o tom rústico da construção”, explica a arquiteta Renata Bartolomeu, autora do projeto. O guarda-corpo repete a madeira, com peças roliças de 8 cm e 10 cm compradas na Eukaliptus Madeiras Ecológicas.

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Acima: troncos de eucalipto (30 cm) estruturam o gazebo e sustentam a cobertura da varanda, que tem telhas onduladas de polietileno sobre ripas de pínus (3 x 2 cm, espaçadas a cada 3,5 cm), o que garante farta entrada de luz natural. No piso, deck de pínus autoclavado tratado com Osmocolor Stain (Montana). Abaixo: na parte coberta, o forro exibe trama artesanal de taquara. Toras de eucalipto (20 cm) cortadas ao meio revestem as paredes de alvenaria junto às janelas.

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P

in/ex arquitetura, para avaliar róximo às bordas do as possibilidades do entorno. Parque Nacional da O desafio era um só: erguer um Serra dos Órgãos, espaço amplo e aberto, com ese m Te r e s ó p o l i s , trutura totalmente integrada RJ, este condomínio no alto Uma peça de eucalipto cortada ao meio e instalaao verde. E tudo isso sem cortar de uma montanha repouda a 50 cm de altura virou este banco baixo, também com função de guarda-corpo na varanda. árvores. “Escolhemos posiciosa imerso na vegetação nanar o gazebo em uma clareira tiva , insta lado entre rios de águas cristalinas. Foi aqui, no meio de trepadeiras jas- já existente, onde havia uma casinha de boneca feita pelo anmim, pés de frutas cítricas e mangueiras centenárias, que tigo proprietário, colocada abaixo. Percebemos que seria imo produtor Augusto Casé e a empresária Daniela Vignoli portante desenhar uma base suspensa, pois, quando chove, encontraram a casa dos sonhos para fugir do turbilhão um forte volume de água desce pelo terreno”, explica Renata. Já definir o partido estético foi simples: para Daniela da cidade grande e desfrutar dos fins de semana entre os amigos e a família. “É um lugar especial – perto e, ao mes- e Augusto, quanto mais rústico, melhor. “Resolvemos deimo tempo, longe de tudo, perfeito para sair da rotina e fa- xar pilares e caibros de eucalipto aparentes, com forros zer uma imersão completa na natureza”, reflete Daniela. de madeira e fibra natural no teto, além do deck de pínus Após comprar a propriedade, há dois anos, sentiram tratado quimicamente em autoclave. O cimento pigmenfalta de uma área de lazer com jogos e direito a uma cozinha tado em tom terroso cobre a alvenaria, complementada voltada para a paisagem. “A casa em si era bacana e já esta- por painéis de vidro. Com as varandas generosas cercando va pronta, só realizamos ajustes, trocando alguns revesti- o corpo principal, a sensação é de estar, literalmente, em mentos. Mas faltava um ponto de encontro atraente do lado uma morada suspensa na árvore”, reflete Renata. A arde fora, em meio à mata, algo confortável e convidativo sem quiteta optou ainda por dividir a planta em duas porções perder de vista o toque rústico”, conta Daniela, uma apaixo- bem definidas: um terraço de estar com fornos de pizza e nada por decoração. Amadurecendo a ideia aos poucos, o casal à lenha; e o salão de jogos e suas mesas de bilhar e de pinpesquisou a melhor localização, o estilo de construção e con- gue-pongue, no interior. “Agora esse local é dos mais disvocou a arquiteta Renata Bartolomeu, do escritório carioca putados. O dia começa e termina aqui”, resume Daniela.

“TRABALHAMOS COM MATERIAIS LOCAIS, DE SIMPLES MANUSEIO E FÁCEIS DE ENCONTRAR NA SERRA” RENATA BARTOLOMEU, ARQUITETA JUNHO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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O cimento pigmentado de amarelo recobre a alvenaria da cozinha, que inclui forno de pizza e churrasqueira. “A massa foi feita na obra, de forma simples e artesanal”, aponta o engenheiro responsável, Fred Braga, da Ampla Projetos e Construções.

MOLDURA DE VARANDAS Com uma planta clara e sem mistérios, o gazebo tem estrutura de pilares de madeira aparentes e fundação e laje de concreto na área dos jogos e no trecho da cozinha ÁREA: 99 M2; CONSTRUSALA DE JOGOS 7x7m

VARANDA/COZINHA

ÇÃO: A MPL A PR O JETO S E C O N S T R U Ç Õ ES

9x4m

VARANDA 2x7m

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CAMPOY ESTÚDIO

N


Para vencer o desnível de quase 1 m que separa a casa do terreno, a escada foi montada com peças de eucalipto (de 28 a 30 cm de diâmetro) cortadas ao meio e apoiadas em uma tora inclinada, para sustentação.

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A MADEIRA CERTA PARA SUA CASA

A diversidade de espécies e a variedade de usos pedem cuidados próprios. Mas o caminho para essa escolha começa no combate ao produto de origem ilegal POR GIULIANA CAPELLO

Em tempos de novos revestimentos com tecnologias que prometem resistir a quase tudo, muita gente se pergunta se vale a pena apostar na madeira. A resposta dos especialistas soa como um coro: sim – e muito. Desde que seja obtida de florestas com estratégia de manejo em prol do equilíbrio ambiental da área ao longo do tempo, ela é hoje aliada da sustentabilidade: gasta pouca energia no processamento, combate o aquecimento global ao sequestrar carbono da atmosfera e tem ótima durabilidade, quando escolhida e aplicada corretamente. “Durante décadas, o maior mercado (as regiões Sul

e Sudeste) explorou as matas nativas de peroba-rosa e pinho-do-paraná para a construção civil”, conta a pesquisadora Maria José Casimiro Miranda, do Laboratório de Árvores, Madeiras e Móveis, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT-SP). Com o esgotamento das reservas locais, a Amazônia virou o principal alvo, o que torna a opção do consumidor fundamental na luta contra o desmatamento. Comprar bem, no fim das contas, é exigir comprovação de origem legal e saber tirar proveito da biodiversidade para adequar uma espécie nova ao tipo de utilização.

PRINCIPAIS USOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL De natureza versátil, a madeira pode ser empregada em todas as etapas da obra. Com os critérios corretos de adequação, ela não fica atrás de nenhum outro material COBERTURA Metade da madeira retirada da Amazônia para consumo no Estado de São Paulo segue para a estrutura de telhados residenciais e de pequenas edificações na forma de peças serradas, como vigas, caibros, pranchas e tábuas.

FUNÇÃO TEMPORÁRIA 33% da madeira amazônica consumida em São Paulo é convertida em andaimes e fôrmas para concreto, descartados após pouco tempo, principalmente nos empreendimentos verticalizados.

ILUSTRAÇÃO: JULIA SOUTO

ESTRUTURA Em algumas regiões do país, especialmente no Sul, ainda é comum ver toras compondo o esqueleto das casas.

DECORAÇÃO Painéis, lambris, guarnições, forros e assoalhos são outros destinos quando a matéria-prima passa por diversos processos de beneficiamento até chegar ao mercado. 92

ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO JUNHO 2016

ABERTURAS Portas, caixilhos e venezianas desse material encontram adeptos mesmo concorrendo com alumínio, ferro e PVC.


SEGREDOS DE ORIGEM Apesar da grande oferta, a diversidade à venda é pequena, o que põe em risco a sustentabilidade. Empresas desse setor devem ter um plano de manejo aprovado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)

Florestas plantadas

Produzem extensas áreas de monocultura que fornecem matéria-prima (especialmente eucalipto, pínus e teca) para a indústria de madeira serrada e de painéis.

Até 80% da madeira extraída da Amazônia é ilegal

Florestas nativas

Sofrem com a retirada de alguns poucos tipos preferidos pelo mercado, embora tenham grande potencial para o manejo de árvores alternativas.

Segundo estimativas, entre 43% e 80% da produção madeireira na região vem de áreas desmatadas ou exploradas de forma predatória. Cerca de 80% do volume total é destinado ao

LISTA DE PRECAUÇÕES Na hora de comprar, observe alguns cuidados para fugir de problemas e não macular a consciência

SEM DESMATAMENTO Peça ao lojista o Documento de Origem Florestal (DOF), fornecido pelo Ibama, ou o documento do órgão estadual do meio ambiente. Eles atestam a origem do produto.

SEM DESPERDÍCIO Procure sempre adequar o projeto arquitetônico às medidas mais comuns dos itens disponíveis no mercado, evitando excesso de cortes, resíduos e emendas desnecessárias.

SEM MESMICE Opte por espécies menos conhecidas (mas com desempenho adequado à sua demanda) para diminuir a pressão na natureza e tornar a atividade mais ecológica.

SEM CONFUSÃO Atenção às dimensões comerciais e medidas vistas nas lojas. É comum também haver divergências em relação aos nomes, como caibro ou pontalete e tábua estreita ou sarrafo.

Demolições

Edificações antigas e reformas oferecem peças para reaproveitamento. Outra opção são os dormentes de ferrovias e postes e cruzetas da rede elétrica.

consumo interno, ou seja, a chance de uma empresa que negocie lotes vindos da Amazônia adquirir um produto de origem ilegal e desrespeitosa é muito grande, ainda que involuntariamente.

Meta: certificação Para quem quiser ir além da legalidade, é possível adquirir madeira com selo florestal, uma ferramenta voluntária utilizada por algumas empresas e comunidades para atestar a extração respeitosa dentro de um esquema de manejo sustentável. No Brasil, temos o Sistema de Certificação Florestal Brasileiro do Inmetro (Cerflor) e o carimbo criado pelo Conselho Brasileiro de Manejo Florestal (FSC Brasil), que aparecem atualmente em mais de 6,2 milhões de hectares, sendo a maior parte (cerca de 80%) de áreas plantadas com eucalipto, pínus e teca. “Hoje, apenas 8% dos consumidores brasileiros sabem o que está por trás do FSC, e há um potencial enorme de trechos nativos a serem incluídos, se considerarmos que menos de 1% da Amazônia ostenta o documento”, diz Aline Tristão, diretora executiva do FSC Brasil.

JUNHO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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ATENÇÃO AOS NOMES POPULARES Nossa biodiversidade e as culturas regionais podem gerar confusão na hora de comprar a madeira NÃO LEVE GATO POR LEBRE “Peça sempre o nome popular associado ao científico, em vez de somente o comercial. Assim, você evita enganos que podem culminar na compra de uma espécie não indicada para o uso que se quer dar na obra”, ensina a pesquisadora Maria José Casimiro Miranda, do Laboratório de Árvores, Madeiras e Móveis do IPT-SP. Em São Paulo, por exemplo, encontramos como cedrinho 15 tipos diferentes de madeira. Além disso, dependendo da região do país, o cedrinho aparece com outros apelidos (bruteiro, cambará, cachimbo-de-jabuti, quaruba-vermelha, quarubatinga, entre outros), o que aumenta o risco de aquisição duvidosa.

CONSULTE NA INTERNET O download é gratuito Vale a pena conhecer dois trabalhos disponíveis no site do IPT, de São Paulo, instituto coordenador dos títulos redigidos em parceria com entidades do setor. O manual Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil (http://www.ipt.br/publicacoes/3.htm) explica o mercado, aponta desafios e traz uma lista detalhada de espécies alternativas para diferentes propósitos. Já o Catálogo de Madeiras Brasileiras para Construção Civil (http://www.ipt.br/ centros_tecnologicos/CT-FLORESTA) reúne a classificação geral de aplicações da madeira e fichas com as principais características de 20 árvores, a fim de expandir as opções do leitor. 94

ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO JUNHO 2016

QUESTÃO DE DESEMPENHO Faça uma lista de opções que têm características e níveis de comportamento compatíveis com a função pretendida. Para tanto, consumidores e profissionais podem se valer da consulta de duas publicações disponíveis na internet (veja abaixo). É comum encontrar madeiras diferentes agrupadas nas lojas com o mesmo nome popular. Isso ocorre, em geral, quando elas podem ser empregadas para o mesmo fim. Tal prática é boa se feita com critérios e com o conhecimento do cliente, pois colabora para a aceitação das espécies alternativas e para a redução da demanda por aquelas exploradas de maneira insustentável.

19

cambarás Esse número representa a diversidade de espécies disponíveis na cidade de São Paulo com o mesmo nome popular: cambará. Antes de levar, cheque também a designação científica e se as características estão ajustadas à sua necessidade.

Sobre normas técnicas Para construções mais complicadas, a NBR 7190 (Projeto de estruturas de madeiras), da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), define classes de resistência para variadas madeiras e traz uma série de processos de seleção do material.

EM BUSCA DE ALTERNATIVAS Há vida além da peroba, da imbuia ou do pinho-do-paraná

1

2

NA COBERTURA Diante da exaustão das florestas de peroba-rosa e de pinho-do-paraná no Sul e no Sudeste, o IPT listou 25 nomes com desempenho equivalente em estruturas de telhado. Entre eles, estão: muiracatiara, eucalipto, itaúba e angelim-pedra.

PARA DESCARTE Andaimes, fôrmas de concreto e escoramentos podem ser compostos de tábuas e pontaletes de, pelo menos, 18 espécies (entre elas, cambará e cedrinho) indicadas para substituir o pinho-do-paraná, preferido por décadas para tais fins.

3

4

HORA DE DECORAR Há 16 versões para entrar no lugar da imbuia em pontos como forro, lambri e em painéis, quando se deseja tirar proveito das cores e dos desenhos naturais da superfície. Estão na lista bacuri, curupixá, freijó, louro-canela, pau-amarelo, entre outras.

POR ONDE VOCÊ PISA Quando a referência é a peroba-rosa em peças serradas e beneficiadas, 16 madeiras são indicadas como boas opções para tábuas corridas, tacos e parquetes. Exemplos? Angico-preto, garapa, goiabão, maçaranduba, uxi, pau-roxo e timborana.


Pequeno guia de manutenção

A durabilidade depende de alguns cuidados básicos de proteção contra intempéries, umidade e pragas. Mas, em nome da saúde e do meio ambiente, não exagere nos produtos

ESCOLHA BEM

APLICAÇÃO SEGURA

Prefira princípios ativos ambientalmente amigáveis. Solventes orgânicos presentes em tintas e vernizes emitem vapores que podem provocar alergias e doenças respiratórias.

Siga corretamente as instruções dos fabricantes (apresentadas nas embalagens) sobre condições de armazenamento e manuseio durante a aplicação, o que pode incluir o uso de luvas, máscara etc.

SUPERFÍCIE TRATADA

Peças que receberam soluções químicas antes de chegar à obra, caso do eucalipto autoclavado, podem precisar de algum cuidado extra, principalmente quando destinadas a áreas externas.

LONGE DE PRAGAS

Se a madeira não apresenta sinais de ataques de cupins e brocas, não é necessário aplicar proteções consideradas pesadas. De modo geral, selar a superfície com algum tipo de resina, cera ou verniz é suficiente.

Madeira verde, não!

É como são conhecidas aquelas com alto teor de umidade, as quais devem ser evitadas em pisos, esquadrias e revestimentos. Se colocadas antes de atingir um ponto de equilíbrio, variável de acordo com a espécie e a umidade relativa do ar no local, a tendência é que a oscilação de água faça o material empenar em dias secos e inchar em períodos chuvosos. “Sempre que a estabilidade dimensional for importante, avalie o ambiente e, se possível, verifique in loco com a ajuda de um medidor elétrico”, diz Maria José Casimiro Miranda, do IPT.

Livre de cupins

Das 300 espécies desses insetos no Brasil, apenas 30 oferecem algum risco. As demais exercem papel importante no meio ambiente, reciclando matéria orgânica (celulose) na natureza. “Se não houver registro de cupim no local onde será aplicada a madeira, não há por que se preocupar”, afirma o biólogo e pesquisador do IPT de São Paulo, Gonzalo Lopez, que recomenda intervir com camadas protetoras apenas nas peças encaixadas em locais difíceis de inspecionar periodicamente, como uma viga entre paredes ou itens instalados atrás de um lambri, por exemplo.

NO TEMPO CERTO

Produtos industrializados, em geral, vêm com indicação de frequência de aplicação. Ceras vegetais e de abelhas, opções naturais, devem ser repetidas sempre que a madeira perder o brilho.

AJUDA TÉCNICA

Em caso de dúvidas, procure profissionais especializados. Além de empresas que vendem produtos e serviços, vale a pena pedir diagnósticos a laboratórios de universidades e associações de classe.

“A MADEIRA LEGAL TEM BAIXO CONSUMO DE ENERGIA NO PROCESSAMENTO E É UMA ALTERNATIVA ECOLÓGICA A MATERIAIS COMO METAIS, PLÁSTICOS E CIMENTO” MARIA JOSÉ CASIMIRO MIRANDA PESQUISADORA DO LABORATÓRIO DE ÁRVORES, MADEIRAS E MÓVEIS DO IPT DE SÃO PAULO

JUNHO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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SUA OBRA

SUA OBRA POR LARA MUNIZ

Sustentável e Foram oito anos de experiências até que a Casa Aqua se materializasse neste modelo de moradia erguido e mantido sem desperdícios. Confira a seguir os detalhes da proposta PROJETO E ILUSTRAÇÕES MINDLIN LOEB + DOTTO ARQUITETURA

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO JUNHO 2016

ANDRÉ PINHEIRO

PORTÁTIL


CONSTRUÇÃO PODE SER DESMONTADA E LEVADA PARA NOVO ENDEREÇO O exemplo é um produto pronto: ao fim da Casa Cor São Paulo, mostra onde está instalado, ele será vendido para seu primeiro morador

Uma casa capaz de gerar tantos créditos de carbono quanto uma floresta de 500 m2 está montada em plena Casa Cor São Paulo, em cartaz até 10 de julho no Jockey Club. O projeto – que também pode ser chamado de produto – foi idealizado pela Inovatech Engenharia, consultoria especializada no desenvolvimento de estratégias sustentáveis para a construção civil. “Nossa intenção é provar que existe uma maneira interessante de conciliar ecologia e moradia de forma a popularizar conceitos ainda aparentemente distantes para o público não especializado no assunto”, conta Luiz Henrique Ferreira, diretor da empresa. A proposta é resultado de oito anos de estudo do escritório paulistano Mindlin Loeb +

Dotto Arquitetura e reúne em 50 m2 uma série de soluções focadas na mais pura inteligência construtiva. “O sistema foi pensado para eliminar qualquer descarte ou entulho na obra. Todos os componentes são reutilizáveis ou recicláveis, e a residência pode ser movida de um lugar para outro quando houver necessidade”, detalha o arquiteto Rodrigo Mindlin Loeb, um dos responsáveis pela inovação. Autônomo na produção de energia elétrica, o abrigo toma partido de um esquema modular, viabilizando futuras ampliações. Podemos chamar de casa pré-fabricada? “Sem dúvida. O protótipo custou cerca de R$ 400 mil. Se houver fabricação em escala, esse valor tem chances de cair”, avalia Rodrigo.

OLHO NOS DETALHES Sistema modular agiliza a implantação sobre a fundação do tipo radier COBERTURA FUNCIONAL

ENERGIA EÓLICA

A turbina instalada no jardim gera eletricidade para os usos domésticos e para a estação criada especialmente para abastecer carros elétricos.

Telhas metálicas do tipo sanduíche, com propriedades termoacústicas, cobrem a parte principal da casa. Sobre elas, placas coletoras captam energia solar para aquecer a água.

INSTALAÇÃO PRÁTICA

Os módulos das áreas molhadas – cozinha e banheiro – chegam prontos para serem conectados à rede hidráulica (veja detalhes na pág.99).

OPÇÃO RECICLADA

Sintetizada a partir de embalagens descartadas e resíduos de celulose, a matéria-prima das escadas e do deck externo é a madeira plástica (Allpex), de fácil manutenção.

COLETA PLUVIAL

Reaproveitar a água da chuva foi uma das primeiras decisões do projeto. As cisternas da Waterbox dão conta de armazenar o volume para uso não potável.

ACESSIBILIDADE

As medidas necessárias à circulação segura e confortável de cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida foram obedecidas. O cuidado se repete internamente, entre a mobília. JUNHO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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SUA OBRA TODOS OS RECURSOS SUSTENTÁVEIS ENCONTRAM-SE AQUI

Do led à estação meteorológica sincronizada com a automação, casa se vira sozinha Se resumir em 50 m2 todas as boas ideias que podem ser aplicadas na construção civil residencial já era um desafio, imagine a dedicação necessária para abraçar essa causa e ainda torná-la portátil. “Num projeto como esse, gastar tempo na etapa de planejamento equivale a poupar dores de cabeça na hora da montagem. Quanto mais detalhadas as peças forem para a execução, mais exato fica o resultado”, explica o arquiteto

Rodrigo Mindlin Loeb. Os cuidados são incontáveis. Um bom exemplo é a miniestação meteorológica instalada sobre a cozinha. Discreta, ela conversa com o sistema de automação e alerta quando há necessidade de regar as plantas do jardim com a água captada da chuva e armazenada nas cisternas suspensas. Tudo está sincrozinado e atende às demandas locais da melhor forma, como uma casa inteligente deve ser capaz de fazer.

ANDRÉ PINHEIRO

Por dentro, a casa dispõe de conforto com verve ecológica: o concreto dá estabilidade térmica e evita condicionadores de ar. No piso, réguas vinílicas de encaixe (Duratex) dispensam cola na instalação.

DISTRIBUIÇÃO PRÁTICA

COZINHA

A passarela central setoriza a área social à direita, mantendo quarto e banheiro à esquerda. Nos fundos, há o deck com jardim.

CAMPOY ESTÚDIO

SALA DE ESTAR

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ÁREA: 50 M2; PROJETO: MINDLIN LOEB + DOTTO

QUARTO

BANH.

ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO JUNHO 2016

ARQUITETURA; SISTEMA CONSTRUTIVO: KRONAN; MÓDULOS DE COZINHA E BANHEIRO: TECNOBANHO; AUTOMAÇÃO: AZ ENERGY; ESQUADRIAS DE PVC: EBL; ILUMINAÇÃO: BRILIA; PAISAGISMO: DANIELA SEDO; SISTEMA DE IRRIGAÇÃO: REGATEC; JARDIM SUSPENSO: TEC GARDEN; COLETA PLUVIAL: ACQUASAVE E BELLACALHA.

Casa pronta em menos de três meses O primeiro modelo construído custa cerca de R$ 400 mil (sem a decoração) ETAPAS

TEMPO

projeto

20 DIAS

pré-produção

40 DIAS

logística

10 DIAS

montagem

12 DIAS


POR DENTRO DA ESTRUTURA MODULAR Cozinha e banheiro chegam prontos, faltando apenas fazer as conexões hidráulicas. Quarto e sala dispensam ajustes COZINHA

BANHEIRO

4 4 5

1

1

2

2 3 3

1. A estrutura das áreas molhadas foi desenvolvida pela Tecnobagno, especializada em pré-fabricados feitos com steel frame, concreto armado e drywall. 2. Para criar um colchão de ar que promova conforto témico e acústico, fachadas ventiladas de material cimentício (Solarium) dão acabamento ao lado externo do módulo. 3. Esquadrias de PVC da EBL cuidam da vedação da casa. 4. Jardins autoirrigáveis da (TecGarden, da Remaster) servem de base para as plantas sobre a cobertura da cozinha e do banheiro. 5. Também modulares, as cisternas plásticas armazenam a água coletada da chuva, destinada depois à rega das plantas e à limpeza do deck, por exemplo.

QUARTO E SALA

4

1

2

3

1. Detalhadas ainda na fase de projeto, as placas de concreto da Kronan chegam ao canteiro já prontas e são içadas a seus locais definitivos com a ajuda de um guindaste de pequeno porte. 2. Fachadas ventiladas derivadas do porcelanato com tecnologia Cleantec (Eliane Técnica), capaz de purificar o ar graças a um sistema semelhante à fotossíntese, finalizam o fechamento dos módulos secos. 3. As mesmas esquadrias de PVC da EBL são utilizadas aqui. 4. O vão interno é vencido com lajes de concreto leves, cobertas depois com telhas termoacústicas e placas solares. JUNHO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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Abimis - www.abimis.com Acenda Projeto de Iluminação tel. (11) 3434-6721, São Paulo; www.acenda.com.br AcquaSave - tel. (48) 3238-0024, Florianópolis; www.acquasave.com.br Alessi - www.alessi.com Alex Hanazaki - tel. (11) 3061-3420, São Paulo; www.alexhanazaki.com.br Alexandre Dal Fabbro - tel. (11) 3285-3832, São Paulo; www.alexandredalfabbro.com Allpex - tel. (11) 5071-7575, São Paulo; www.madeiraplastica.allpex.com.br Amazon - www.amazon.com Amoreira - tel. 3032-5346, São Paulo; www.amoreira.com.br Ampla Projetos e Construções tel. (24) 2222-3146, Petrópolis, RJ; www.construcoes-ampla.com.br Andre Becker Pennewaert/ABPA tel. (11) 2369-5692, São Paulo; www.andrebeckerarquitetura.com.br André Vainer - tel. (11) 3814-8655, São Paulo; www.andrevainerarquitetos.com.br Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) - www.abnt.org.br Az Energy - tel. (11) 2615-9015, São Paulo; www.azenergy.com.br Begüm Cânâ Özgür www.begumcanaozgur.com BellaCalha - tel. (48) 3238-0024, Florianópolis; www.bellacalha.com.br Benedictis Engenharia tel. (11) 3832-4210, São Paulo Branco - www.brancopapeldeparede.com.br Brasil Telhas - tel. (11) 4584-5638, Jundiaí, SP; www.brasiltelhas.com.br Brilia - tel. (11) 5180-5570, São Paulo; www.brilia.com Burle Marx - www.burlemarx.com.br Butzke - tel. (47) 3312-4000, Timbó, SC; www.butzke.com.br By Kamy - www.bykamy.com Camillo Serralheria tel. (11) 5678-7866, São Paulo; www.camilloserralheria.com Carbono - tel. (11) 3815-1699, São Paulo; www.carbonodesign.com.br Carlos Motta tel. (11) 3032-4127, São Paulo; www.carlosmotta.com.br Carlos Negri - tel. (11) 3673-3678, São Paulo Center Garbin - tel. (11) 3675-8564, São Paulo; www.centergarbin.com.br Cerâmica Portinari - tel. 0800-7017801; www.ceramicaportinari.com.br Cesar - www.cesar.it Codda Metais - tel. (11) 3564-0800, São Paulo; www.coddametais.com.br

Comercial Ailson Moura - tel. (11) 3992-3949, São Paulo; comercial.ailson@gmail.com Condec - www.condec.com.br Conselho Brasileiro de Manejo Florestal (FSC Brasil) - tel. (11) 3884-4482, São Paulo; www.br.fsc.org Coral - tel. 08000-117711; www.coral.com.br Corian - www.dupont.com.br Cristal Pool - tel. (11) 4382-4101, Barueri, SP; www.cristalpool.com.br Cristiana Bertolucci Estúdio tel. (11) 3097-8566, São Paulo; www.cristianabertolucci.com.br Dalle Piagge - www.dallepiagge.com.br Daniel Libeskind - www.libeskind.com Daniela Malzoni - tel. (11) 99678-1214, São Paulo Daniela Sedo - tel. (11) 5505-3088, São Paulo; www.danielasedo.com.br Dark Light Design www.darklightdesign.com De’Longhi - www.delonghi.com/pt-br Debacco - www.debacco.com.br Deca - tel. (11) 3088-2744, São Paulo; www.deca.com.br Decameron - www.decamerondesign.com.br Denise Barretto - tel. (11) 3078-6963, São Paulo; www.denisebarretto.com.br Design House Stockholm www.designhousestockholm.com Design Within Reach - www.dwr.com Dias + Ribeiro Arquitetura tel. 5093-3045, São Paulo; www.diasribeiroarq.com.br Docol - tel. 0800-474333; www.docol.com.br Drio - www.drio.ind.br Duratex - tel. 0800-0557474; www.duratex-madeira.com.br EBL - tel. (11) 4704-0002, Embu das Artes, SP; www.ebldobrasil.com.br Edgard Ambrosio dos Santos tel. (11) 95779-9949, São Paulo Elemento V - tel. (41) 4118-0110, Campo Largo, PR; www.elementov.org Eliane Revestimentos tel. 4004-2971 (capitais) e 0300-7897771 (demais localidades); www.eliane.com.br Eliane Técnica www.eliane.com/engenharia Emílio Farah - tel. (12) 3663-3733, Campos do Jordão, SP Entreposto - www.entreposto.com.br Epson Engenharia e Empreendimentos tel. (11) 3886-2000, São Paulo; www.epsoneng.com.br Ernestomeda -www.ernestomeda.it

Escritório Técnico César Pereira Lopes tel. (11) 3289-6288, São Paulo; etcpl@terra.com.br estudiobola - www.estudiobola.com Eukaliptus Madeiras Ecológicas www.eukaliptus.com.br Eva Solo - www.evasolo.com Exs - tel. (41) 3082-7374, Curitiba Falmec - tel. (11) 3083-7055, São Paulo; www.falmec.com.br Fellicia - www.fellicia.com.br Fernando Jaeger www.fernandojaeger.com.br Figoli-Ravecca - tel. (11) 3045-3226, São Paulo; www.figoli-ravecca.com.br Formica - tel. 0800-0193230; www.formica.com.br Franco Associados Lighting Design tel. (11) 3064-4194, São Paulo Getuba - tel. (12) 3883-2455, Caraguatatuba, SP; www.getuba.com.br Gilbox Esquadrias tel. (11) 99796-9409, São Paulo; www.gilboxesquadrias.com.br Gorenje - tel. (11) 2364-3733, São Paulo; www.gorenjedobrasil.com.br Guilherme Torres - tel. (11) 2872-8620, São Paulo; www.guilhermetorres.com.br Gustavo Calazans - tel. (11) 3662-3934, São Paulo; www.gustavocalazans.com.br HF Esquadrias Metálicas tel. (11) 4486-1902, Mairiporã, SP; www.hfesquadrias.com.br HomeDesign - tel. (71) 3503-5959, Salvador; www.homedesign.com.br Hsu Arquitetura - tel. (11) 2361-5030, São Paulo; www.hsu.com.br i Colori - tel. (31) 99952-2442, Belo Horizonte Ibiza Acabamentos - tel. (11) 3061-2780, São Paulo; www.ibizaacabamentos.com.br Ilkka Suppanen - www.suppanen.com in/ex arquitetura - tel. (21) 3435-5083, Rio de Janeiro; www.in-ex.arq.br Indusparquet www.indusparquet.rtrk.com.br Inmetro - www.inmetro.gov.br Inovatech Engenharia - (11) 3031-1201, São Paulo; www.inovatech.eng.br Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) - www.ibama.gov.br Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT/ SP) tel. (11) 3767-4408, São Paulo; www.ipt.org.br Instituto do Mundo Árabe www.imarabe.org

ATENÇÃO: QUANDO LIGAR PARA OUTRA CIDADE, LEMBRE-SE DE DISCAR 0 (ZERO) E O CÓDIGO DA OPERADORA ESCOLHIDA ANTES DO NÚMERO DO TELEFONE.

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO JUNHO 2016


Integrated Field (IF) www.integratedfield.com Iittala - www.iittala.com Jatobá - www.jatoba.com.br Jensen & Skodvin Architects - www.jsa.no Jokodomus - www.jokodomus.com Juvet Landscape Hotel - www.juvet.com Kapor Pisos - tel. (11) 3093-2010, São Paulo; www.kapor.com.br Kenwood - www.kenwood.com/br Kristine Five Melvær www.kristinefivemelvaer.com Kronan - www.kronan.com.br Ladrilhos Petrópolis - tel. (24) 2221-4874, Petrópolis, RJ; www.ladrilhospetropolis.com.br Lavelli - www.lavelli.com.br Lemca - tel. (11) 2827-0606, São Paulo; www.lemca.com.br Leo Romano - tel. (62) 3086-1965, Goiânia; www.leoromano.com.br Leo Shehtman - tel. (11) 3022-6822, São Paulo; www.leoshehtman.com.br Luca Nichetto - www.nichettostudio.com Luciana Degani tel. (11) 99288-4744, São Paulo Luhome - www.luhome.com.br Lumini - tel. (11) 3898-0222, São Paulo; www.lumini.com.br Lurca - www.lurca.com.br Maicon Antoniolli - tel. (11) 5083-0320, São Paulo; www.antoniolli.arq.br Mantra Engenharia - tel. (11) 3074-7674, São Paulo; www.mantraengenharia.com.br Marcenaria Baraúna - tel. (11) 3813-3972, São Paulo; www.barauna.com.br Marcenaria Pimentel - tel. (11) 4161-0677, Barueri, SP; www.marcenariapimentel.com.br Marina Linhares - tel. (11) 3050-0660, São Paulo; www.marinalinhares.com.br Marvelar - tel. (11) 3857-5043, São Paulo; www.marvelar.com.br Meius Arquitetura tel. (31) 2551-0108, Belo Horizonte; www.meiusarquitetura.com.br Mekal - tel. (11) 5641-7248, São Paulo; www.mekal.com.br Michelangelo Mármores tel. (41) 3021-6000, Curitiba; www.michelangelo.com.br Mika Tolvanen - www.mikatolvanen.com Mindlin Loeb + Dotto Arquitetura tel. (11) 2503-8092, São Paulo; www.rodrigomindlinloeb.arq.br Moacir Schmitt Jr. e Salvio Moraes Jr. www.casadesigninteriores.com.br

Mohd - www.shop.mohd.it Montana - www.montana.com.br Mosarte & Co - tel. (11) 3081-2826, São Paulo; www.mosarte.com.br Muuto - www.muuto.com N.Didini - tel. (11) 3835-9539, Itapecerica da Serra, SP; www.ndidini.com.br Nani Chinellato - www.nanichinellato.com.br NGS Serralheria - tel. (11) 94022-2969, Guarulhos, SP Nildo José - tel. (11) 98358-1543, São Paulo; www.nildojose.com Nina Martinelli - tel. (19) 3673-1015, Tambaú, SP; www.ninamartinelli.com.br Oficina2Mais - tel. (11) 2501-4932, São Paulo; www.oficina2mais.arq.br Olegário de Sá e Gilberto Cioni tel. (11) 3044-4542, São Paulo; www.saecioni.com.br Osvaldo Tenório - tel. (11) 2362-1793, São Paulo; osvaldotenorio@uol.com.br Otto Felix - tel. (19) 3298-6678, Campinas, SP; www.ottofelix.com.br Patkau Architects - www.patkau.ca Paulo Alves - tel. (11) 3032-4281, São Paulo; www.pauloalves.com.br Pedro Lázaro - tel. (31) 3285-5950, Belo Horizonte; www.pedrolazaro.com.br Pedro Paulo de Melo Saraiva www.ppms.com.br Polarislife - www.polarislife.it Portobello - www.portobello.com.br Pulsar - tel. (11) 3848-9130, São Paulo; www.coifaspulsar.com.br Ragnheidur Ösp Sigurdardóttir/Umemi - www.umemi.com Regatec - tel. (11) 3648-5040, Osasco, SP; www.regatec.com.br Regina Strumpf e Rogério Gurgel/RSRG Arquitetos - tel. (11) 2769- 5475, São Paulo; www.rsrg.com.br Reka Iluminação - tel. (11) 3093-8177, São Paulo; www.reka.com.br Remaster - tel. (11) 5591-5594, São Paulo; www.remaster.com.br Renata Villar - tel. (11) 2809-8973, São Paulo; www.renatavillar.com.br Roberto Migotto tel. (11) 2344-4490, São Paulo; www.robertomigotto.com.br Roca Cerâmica - tel. (11) 3061-5266, São Paulo; www.rocaceramica.com.br Romano Guerra Editora www.vitruvius.com.br Roros Tweed - www.rorostweed.com

S.C.A - tel. (54) 2102-1444, Bento Gonçalves, RS; www.sca.com.br Sabbia - tel. (48) 3263-7070, Tijucas, SC; www.sabbia.com.br San Agarras - tel. (11) 3903-5606, São Paulo, www.agarras.com.br Sandretec - tel. (11) 4426-7595, Santo André, SP Secrets de Famille www.secretsdefamille.com.br Selvvva - tel. (11) 3129-3486, São Paulo; selvva.com Seminari Arquitetura e Engenharia tel. (11) 4034-3456, Bragança Paulista, SP; www.seminari.com.br Serpentine Pavilion www.serpentinegalleries.org Silestone - br.silestone.com Sisart Tapetes - tel. (11) 3088-7439, São Paulo; www.sisarttapetes.com.br Skandium - www.skandium.com Snaidero - www.snaidero.it Solarium - tel. 0800-7744747; www.solariumrevestimentos.com.br Stuchi & Leite - tel. (11) 2589-8018, São Paulo; www.stuchileite.com Stuchi Soluções de Engenharia tel. (11) 2589-8019, São Paulo Studio 011 - tel. (11) 2372-8448, São Paulo; www.studio011arquitetura.com.br Studio Vitty - tel. (11) 5051-7010, São Paulo; www.studiovitty.com.br Suvinil - www.suvinil.com.br Tecnobanho - tel. (11) 3078-8704, São Paulo; www.tecnobanho.com.br The Jewish Museum www.thejewishmuseum.org Tok & Stok - www.tokstok.com.br Tramontina - www.tramontina.com.br Trousseau - tel. (11) 3103-3443, São Paulo; www.trousseau.com.br Urbano Studio - tel. (11) 3083-5070, São Paulo; www.urbanostudio.com.br Utilplast - tel. (11) 3031-4422, São Paulo; www.utilplast.com.br Victor Oliveira Castro/ ODVO Arquitetura e Urbanismo - tel. (11) 3237-4948, São Paulo; www.odvo.com.br Viking Concept - www.vikingrange.com.br Vivian Coser - tel. (27) 3224-0391, Vitória; www.viviancoser.com.br Yamagata Arquitetura - tel. (21) 3603-2430, Rio de Janeiro; www.yamagataarquitetura.com.br Zero - www.zerolighting.com

JUNHO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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CRÔNICA

COABITAR A afeição pelo espaço que nos circunda

tempo, esses domínios inMora r é u ma rela çã o de vadiriam o corredor, a sala, a mor. D esde a prot eç ã o a cozinha. Aquela era a miuterina, cujos limites nos nha casa. E eu, um aprendiz fa zem começa r a entenPOR GUSTAVO CALAZANS* ILUSTRAÇÃO MARIA EUGENIA em jogos aparentemente der quem somos, o lugar ingênuos de como me aproque habitamos, para além de mero continente, será sempre parte constituinte priar da concretude da vida. Li outro dia uma definida pessoa na qual vamos nos tornando. Nasci de fór- ção peculiar. “Morar: v.t.i. habitar; morada em algum ceps. Logo de saída, deu para entender que minha re- lugar, partilhar a mesma habitação, enraizar-se. Etm. lação com as paredes protetoras que me separavam do latim morare: demorar-se, entreter-se, obrar com do mundo não seria um exemplo de desapego. Exer- lentidão.” Sim, obrar com lentidão. Trata-se mesmo cício de equilíbrio entre encontrar conforto dentro de uma obra vagarosa, praticamente tarefa infinita. Como muitos, desejei um lugar só meu. Cheguei de muros e, ao mesmo tempo, saber quando é hora de rompê-los para buscar horizontes mais amplos, onde a ele cedo, antes dos 30 anos de idade. Ali me demooutros conceitos de acolhimento se descortinassem. rei prazerosamente, como se estabelecesse a capital Vivi em algumas casas, não muitas. A pouca in- daquele império. Mas sonho bom se renova. Agora tetimidade com a ideia de mudar nunca representou de- nho outro, despertado pela consciência da solidão e da safio diante da minha profunda parceria com o morar. vulnerabilidade dos reinados. A comodidade do porNo lugar da mudança, prefiro a “morança”. Isso talvez to seguro e individual foi substituída pela urgência porque eu sempre tenha acreditado na construção vaga- de coabitar. Me vejo abandonando a torre de controle rosa dessa relação, como um conquistador diante de um em busca da convivência afável com tantos outros, no imenso e desconhecido território. Tomei tamanho gosto compartilhar de espaços comuns, nossos, para que alpela brincadeira que me vi arquiteto – diria que não só go em mim se aproprie da descrição: “Partilhar a mespor vocação mas por constituição ontológica. Lembro de ma habitação”. Sim, morar segue sendo uma relação de me deitar no chão do quarto e imaginar vastos impérios amor. De um amor infantil e possessivo, em que nos comse espalhando pelas manchas deixadas pelos movimen- preendemos pelo que temos; ou de um sentimento nutrido tos feitos sobre a superfície do carpete felpudo. Com o pelo outro, pelo diferente, estabelecido nessa coexistência.

*Gustavo Calazans é arquiteto. Seus projetos procuram expressar a essência e a verdade de cada morador. 106

ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO JUNHO 2016


Arquitetura & construção – junho 2016  
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