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edição 0, de quarta, 01 de fevereiro de 2012

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Distribuição online e gratuita. Favor não encarcerar nossos leitores, sopa.

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Ou: A opinião aqui contida reflete a do jornal, mas não necessariamente a de quem trabalha nele... a afirmação de que, no Brasil pelo menos, dar início e se manter após através da arte de contar histórias é um feito de nível épico. Por isso este veículo foi feito: para reunir escritos de autores de todo o território, unidos ao trabalho de ilustradores, dubladores e outros profissionais com muito a mostrar, para criar uma nova experiência de leitura de romances por capítulos, um por edição, de diversos autores e gêneros. Ah, e sabemos que você, caro(a) leitor(a) mito, não tem essas frescuras de reclamar de textos grandes. Aqui o negócio é narrativa profunda e hardcore, não Pokémon. Sabemos que alguém tão ponta-firme quanto você há de compreender.

EDITORIAL

Escritor, músico, ator e professor. Sabe o que estas profissões tem em comum? O fato delas não serem profissões. Pois é. Basta dizer para qualquer pessoa que não seja um autor, um docente, um ator ou um músico que você é uma destas coisas e a próxima pergunta que vai ouvir é “Legal, mas você não tem um trabalho?”. Não! Eu me ralo doze horas por dia escrevendo porque eu gosto de ser vagabundo, de pastar feito um cabrito e ver gente criando igrejas Maradonianas e chamando Pelé de “Rei” enquanto sou tocado de bares por carregar livros de RPG, aquelas coisas do capeta... Enfim. É séria, contudo,

AL IROTIDE


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Expediente .............P. 4

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A Lenda de Lil’Pro, cap. 1...P. 20

Avarítia, cap. 1.............P. 6

Fator Gênese, cap. 1........P. 6

Devaneios Póstumos, cap. 1..................P. 6

Crôn Ou: As opiniões aqui contidas são de total responsabilidade de seus respectivos autores e não refletem necessariamente a opinião do veículo. Vazio - Gustavo Perandré Quem sou eu, senão um livre viajante, impulsionado pelo desejo de meu espírito curioso e inquieto? Vago por entre essa multidão de rostos tristes, de olhos chorosos e contentados a seguir a linha de um destino inexistente. Parecem ter se esquecido de como caminhar com os próprios pés, movidos inconscientemente por uma filosofia hipócrita. São espectros de um moralismo vão,

de intelecto domesticado, alienados por uma cultura narcisista, escondendo-se atrás de máscaras distorcidas e interpretando papéis em um teatro de marionetes. Sufocados em sua arrogância, parecem ter se esquecido o sabor do vento, já não se dão o prazer de sentir o chão com os pés descalços, a beleza em sorrir e se apaixonar sem medo, de serem sinceros consigo mesmos e enxer-

gar o sentido da simplicidade. Então, continuo caminhando por entre a multidão de rostos triste, seguindo a direção contrária do fluxo mórbido, rindo da sina deste povo que dá tanto valor às aparências que se perde em seus próprios mundos fictícios, mentindo para si mesmo que a perfeição parece ter algo de interessante. 2012


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4 Rafael Peccioli Moreno

(Expreme que cabe!)

-Chefinal (AKA “Editor-chefe”) contosdeulthima@ wordpress.com Era uma vez um cabrito. Um cabrito muitoOptas as veles utenihicium quam rae voloriae audae illendita que omniminus. Ment debis de et fugiasp iduciti atecabo ratur? Maxime sanda cor sus magnatemod eturion num

Rafael Peccioli Moreno -Chefinal (AKA “Editor-chefe”) contosdeulthima@wordpress.com Era uma vez um cabrito. Um cabrito muitoOptas as veles utenihicium quam rae voloriae audae illendita que omminus. Ment debis de et fugiasp iduciti atecabo ratur? Maxime sanda cor sus magnatemod

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Rafael Peccioli Moreno -Chefinal (AKA “Editor-chefe”) contosdeulthima@wordpress. com Era uma vez um cabrito. Um cabrito muitoOptas as veles utenihicium quam rae voloriae audae illendita que omminus. Ment debis de et fugiasp iduciti atecabo ratur? Maxime sanda cor sus.


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(Páginas superlotadas assim dão até desânimo...)

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Rafael Peccioli Moreno -Chefinal (AKA “Editor-chefe”) contosdeulthima@wordpress.com

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Créditos Foto 1: Nome Sobrenome Foto 2: Nome Sobrenome Foto 3: Nome Sobrenome Foto 4: Nome Sobrenome Foto 5: Nome Sobrenome

Era uma vez um cabrito. Um cabrito muitoOptas as veles utenihicium quam rae voloriae audae illendita que omniminus. Ment debis de et fugiasp iduciti atecabo ratur? Maxime sanda cor sus magnatemod eturion sedipie nditium alias re, num

Rafael Peccioli Moreno -Chefinal (AKA “Editorchefe”) contosdeulthima@wordpress.com Era uma vez um cabrito. Um cabrito muitoOptas as veles utenihicium quam rae voloriae audae illendita que ommus. Ment debis de et fugiasp iduciti atecabo ratur? Maxime sanda cor sus magnate iyviggobbo viuuy. Buvbouiviuyviuyv vj.


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CAPÍTULO I - NERO Escrito por: GUSTAVO PERANDRÉ

Ilustração por: NOME SOBRENOME

Retrospectiva Este é o primeiro capítulo, seria palhaçada ter algo para dizer na box “retrospectiva” logo agora. Não concorda? Ela servirá nas edições futuras, no entanto, porque ninguém é obrigado a lembrar de tudo sempre...

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rio. Tudo o que o cientista podia sentir, no meio daquela imensa planície, era o vento gélido e cortante, que assoviava em seus ouvidos o prelúdio dos eventos que se seguiriam. Ele tinha medo, como todo mortal, e a ansiedade se tornava quase palpável através de seus olhos negros, vibrantes. Nero sabia que nenhum ser vivente jamais ousara pisar onde ele se encontrava agora. Por um segundo, ele cogitou voltar atrás, desistir de seu ideal e retornar ao conforto de sua lareira mais uma vez, mas sabia que tudo pelo que ele deveria passar era meramente parte de um plano muito maior. Se desistisse de fazer o que acreditava ser o certo, então toda sua filosofia estaria arruinada. Lentamente, o cientista fechou seus olhos. Agora ele podia sentir o vento ainda mais forte, agitando com

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violência o sobretudo escuro que lhe cobria o corpo esbelto. Ele ajeitou os óculos e meteu as mãos nos bolsos da calça, como um vício expressivo inconsciente. Ao reabrir os olhos, ele teve uma visão do que sabia ser inevitável: Nero estava no topo de um monte e abaixo, na larga campina onde estivera anteriormente, se desenrolava uma batalha sem pre cedentes. Um imenso exército de máquinas confrontava os senhores daquelas terras, que defendiam seu

mundo com a magia que lhe fora concedida pela Deusa Criadora, invocando em seu auxílio forças que existiam desde o início dos tempos e criaturas que habitavam os pesadelos dos homens desde a antiguidade. Enquanto as máquinas de guerra alvejavam seus inimigos com projéteis explosivos, de poder inacreditável, seus oponentes faziam chover uma saraivada de meteoros e relâmpagos no campo de batalha. Era algo, sem dúvida, espetacular. O sangue de Nero fervia de excitação e ele tinha fé que seu exército resistiria aos celestiais. Pela segunda vez, ele fechou os olhos, abrindo os ouvidos para o som incessante da batalha, se deliciando com o urro de agonia de uma criatura divina sendo abatida. De súbito, o silêncio lhe cercou por completo e quando percebeu onde se encontrava, seu coração deu um salto. Era um cômodo completamente branco, decorado com uma mobília belamente esculpida. Um aroma suave pairava no ar, como um véu invisível e inebriante. Próxima à janela, uma linda mulher observava com curiosidade o astuto cientista, seus olhos negros mais profundos que o próprio universo. Nero reconheceu a mulher à sua frente, pois era ela a razão de sua vinda até aquele lugar tão distante, o motivo da guerra que se desenrolava fora daquele quarto silencioso.

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Helyna, a Deusa que criara tudo que era ou não conhecido pelos homens e pelos celestiais. Sua majestade era tamanha que Nero sentiu vontade de se prostrar perante sua criadora e clamar o perdão por seus atos narcisistas. - Faça o que você veio fazer – disse a Deusa, sua voz vibrando no coração do cientista, encorajando-o. Em um instante, a expressão de Nero se alterou completamente. Seu cenho se tornou duro e seus olhos negros miraram os da deidade com furor, como se por anos houvesse esperado para estar em sua presença, em um misto de admiração e revolta. Quando abriu os olhos, Nero viu o teto de seu quarto. Sua respiração estava muito acelerada e o suor lhe escorria pelo rosto. Ele sentou em sua cama e deu uma espiada no relógio de parede – não que as horas lhe importassem, mas em uma tentativa vã de distrair sua mente. As lembranças lhe tomavam os sonhos todas as noites, como uma maldição, mas ele pensara que já havia se acostumado ao seu fardo, até que este começasse a ficar ainda mais pesado, roubando aos poucos sua sanidade. Ele procurou os óculos, tateando a escrivaninha ao lado de seu leito, e os levou ao rosto. Caminhou até as janelas do quarto e abriu uma fresta na cortina, para admirar o sol

que nascia ao longe, aquecendo as terras de Arsin, o país mais desenvolvido entre as nações humanas daquele tempo. Nero era o cientista mais famoso em Arsin e talvez muito além de seus territórios. Responsável por uma verdadeira revolução tecnológica no campo da inteligência artificial, ele era visto por muitos como um gênio e assim era respeitado, como um homem culto, versado nas ciências exatas e esperança do mundo por um futuro melhor. Mas a humanidade conhecia apenas um lado da face do gênio. Sobre a escrivaninha, Nero viu um tomo bastante grosso, de capa escura. Tomando o livro pelas mãos, começou a folheá-lo lentamente, apreciando as ilustrações e os textos escritos à mão, sobre as páginas já amareladas. Ele sabia que ali estava contida toda a história da criação do mundo, um livro raro, que conseguira, a muitos anos, das mãos de um gatuno que sequer sabia o valor do que carregava. Porém, o conhecimento obtido com a leitura dos escritos não era tão diferente do que seu mentor lhe transmitira. No instante seguinte, Nero se viu em um imenso salão, iluminado pelo fogo de uma lareira, tornando visível o recinto, tão familiar. Sentado em uma cadeira próxima ao fogo estava um homem muito velho, seu rosto demonstrava preocupação


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e ele parecia transmitir uma aura de sabedoria admirável. - Ora, vejam – disse o ancião, notando a presença da criança –, se não é o pequeno Nero. A criança caminhou a passos curtos até a lareira, intimidada pela presença do sábio. O garoto não disse nada, contentando-se em desviar o olhar para o fogo e permanecer em silêncio. - Elia me contou que você invadiu a biblioteca. Pela nona vez neste mês – disse o homem, deixando escapar um riso abafado pelas longas barbas brancas. – Você confirma isso? - Eu não invadi lugar nenhum - respondeu a criança, com rispidez, devido ao nervosismo. Quando lembrou com quem estava sendo rude, se apressou em concluir, com a cabeça abaixada –, senhor. Mas o ancião não parecia estar irritado com o garoto, pelo contrário, Nero poderia jurar que ele estava se divertindo com a situação. O homem apoiou uma das mãos sobre o ombro do pequeno e se curvou para olharlhe nos olhos. - Não estou aqui para castigálo, pois essa, definitivamente, não é minha função. Mas diga-me, se não foi uma invasão, como chama o que fez há alguns minutos, quando Elia, o bibliotecário de Arsin, lhe viu folheando alguns tomos antigos no

Legenda violentíssim fundo da Grande Biblioteca, munido de uma lanterna e um rolo de pergaminho e tinta que estava usando para anotações? O garoto permaneceu mudo e o ancião sentiu que o ombro do pequeno tremia, mesmo estando ele tão perto da lareira. - Eu estava só estudando - o


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sábio. Agnes Dinar, arquimago e embaixador oficial de Arsin. Não seria fácil enganar o ancião e o garoto já havia descartado a possibilidade no momento em que foi posto em sua presença. - Porque os livros que eu estava lendo são perigosos – respondeu o garoto. - E porque acha isso? – perguntou Dinar, simulando uma expressão de curiosidade. - Conhecimento proibido – arriscou. – Sobre os deuses. - Os clérigos não poderiam lhe informar tudo o que você precisasse saber sobre os deuses, meu rapaz? - Não é o fanatismo que eu procuro, mas a verdade – respondeu a criança, enrubescendo -, senhor. Dinar sorriu. A curiosidade do garoto lhe era nostálgica. - Conte-me, o que seus estudos lhe revelaram ao longo dessas nove visitas que fez à seção proibida da Grande Biblioteca? O menino surpreendeu-se com a pergunta e mirou os olhos do mago, que o encaravam com evidente interesse. - E-eu – gaguejou, tentando escolher as palavras – não descobri nada de mais, só algumas coisas sobre Helyna e a criação do mundo, juro que não fiz nada com intenções de machucar ninguém!

ma da imagem e talz garoto respondeu, sua voz quase inaudível. - E porque acha que Elia o trouxe até mim? Nero levantou a cabeça com calma, ainda um pouco hesitante. Ele sabia que a pessoa a sua frente era um dos homens mais influentes de seu país e certamente o mais


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- Acalme-se – disse Dinar, num tom amigável, tentando se aproximar da criança. – Porque não mostra o que traz debaixo da camisa? Nero sentiu o sangue gelar. Lentamente, ele levantou a camisa de linho surrada, descobrindo um punhado de folhas soltas, obviamente escritas às pressas. O garoto entregou os escritos ao mago, que os analisou por um instante, curioso. Após ler a última das folhas, Dinar devolveu-as ao menino, que pareceu intrigado. - Vai me deixar ir embora com isso? – perguntou Nero, apanhando os escritos – Não vai apreender minhas anotações? - De que valeria apreender algo que você já decorou, meu jovem? – disse o ancião, sorrindo. – Além disso, minha proposta é justamente não deixá-lo ir embora – concluiu, fazendo o sorriso dissolver em um instante. Nero ficou confuso e sentiu o medo lhe invadir novamente. - Hahahaha – gargalhou Dinar, divertindo-se com a expressão assustada do menino, bagunçando os cabelos desgrenhados da criança. – Só estou brincando, pequenino! O Grande Mago se levantou de sua cadeira, fazendo com que Nero se afastasse alguns passos, intimidado pela altura do homem. Dinar vestia um longo manto negro, adornado em fios de ouro, que compunham

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desenhos complexos no tecido. Sua barba e cabelos compridos, muito brancos, transpareciam o peso da idade, mas seus olhos ainda traziam viva a chama de sua vontade. - No início – começou o ancião, apontando o fogo na lareira, que se contorceu –, havia Luz e Trevas. Atraídas uma pela outra, ambas tornaram-se um só ser, que o universo chamou de Helyna. – o fogo simulou a forma de uma mulher, de cabelos muito longos e os olhos de Nero saltaram em admiração. Era como um teatro de sombras, mas os atores eram as chamas que o mago controlava com o dedo indicador, como se regesse uma orquestra. - De sua essência, Helyna deu origem aos Quatro Pilares, as deidades menores que sustentavam o mundo e vigiavam suas criações: Tash, deus da terra, da perseverança e imutabilidade. Akhar, patrono do fogo, da coragem


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de povoar a Terra e adorar os Pilares, o que manteve a força das deidades. Sendo assim, o Homem tornou-se dependente dos deuses, pois deles vinha sua magia e sopro de vida. Mas não é só isso que nos contam suas anotações, não é mesmo, Nero? O teatro de chamas cessara e o menino voltou a olhar para a imponente figura do sábio. - Os homens foram enganados – sussurrou o garoto –, eles não são totalmente dependentes dos deuses. Existe o Fator Gênese, uma força que permitiu ao homem achar um meio de manifestar a magia por seu próprio esforço e compreender o mundo sem o auxílio divino. - Então, o homem deu origem a sua própria criação: a ciência – continuo Dinar, complementando. – Mas o Fator Gênese só existe graças à essência de Helyna que habita o corpo dos homens, a alma. Ainda assim, você não diria que os humanos estão fadados a obedecer, ao menos, a deusa? Nero pareceu perder o receio, o mago estava conversando com ele como se realmente se interessasse por sua opinião, como um amigo de longa data que lhe pergunta sobre as novidades e quer discutir um assunto que têm em comum. - Discordo – disse o menino, dessa vez de forma audível. – Helyna concedeu a alma, o que permitiu à

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e da traição. Hyrail, representante do vento, da gentileza e da fúria. E Nariel, regente da água, da calma e da pureza. – o mago fez uma pausa e encarou Nero. – É isso que os clérigos nos contam, não é mesmo? O garoto assentiu, sem desviar os olhos das chamas. - Os Quatro Pilares de Helyna sustentaram a Terra por milênios e permaneciam adorando a deusa incessantemente em todas as suas ações e criações – continuou Dinar. - Mas os deuses não tinham quem lhes adorassem e sua influência no mundo começou a diminuir gradualmente. Em sua sabedoria, Helyna sabia o que era necessário e decidiu gerar uma criatura que se assemelhasse a ela própria. O novo ser foi criado de sua cabeça, herdando a essência divina e o domínio sobre a matéria. A ele, foi dado o nome de Homem, e lhe foi incumbida à tarefa

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humanidade gerar sua própria criação, sim. Mas tudo só foi possível pelo próprio esforço do homem em superar seus limites. - Ah, o espírito incansável – exclamou Dinar –, a ganância que move os homens na busca pela apoteose. Apoteose. Tornar-se divino. Era mesmo esta a busca do homem, desde a antiguidade. A ânsia por ser reconhecido, a sede insaciável pelo conhecimento, o sentimento de superioridade que alimenta o ego. - Mas isso é, de fato, natural – continuou o mago. – Criado da essência de Helyna, o homem herdou seus sentimentos bons e ruins, o que inclui a ganância. O que acha que aconteceria aos homens se eles se opusessem aos deuses? - Não sei – respondeu o garoto, sinceramente –, talvez isso iniciasse uma guerra. - Hahaha – gargalhou o mago novamente, aparentemente se deliciando com cada manifestação de coragem do menino – uma guerra entre a deusa e sua criação... Seria tão irônico! - Mas, isso é impossível – disse o garoto, convicto –, não há como alcançar a Grande

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Morada, o domínio divino. Ninguém sabe onde fica a entrada e os livros dizem que ela pode nem sequer existir. Dinar se conteve em apenas sorrir e se abaixou, para ficar na mesma altura que Nero. O garoto não recuou, seu medo se tornara rapidamente em admiração e ele via naquele momento uma chance única de aprender tudo o que ele sempre procurara nos livros e não encontrara. - Não posso te levar até a morada, pequenino. Mas posso te deixar em frente ao portão de entrada.

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De súbito, Nero voltara para o quarto em sua casa, o sol continuava nascendo lá fora, agora iluminando os altos prédios que se levantavam como esquadrões pelas ruas. Ele fechou o livro leu o nome do autor, em relevo, na capa escura. Agnes Dinar. - O senhor teria orgulho de mim se soubesse o que fiz, mestre – refletiu Nero, tocando cada uma das palavras em relevo com os dedos. – E se surpreenderia se soubesse onde quero chegar.


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CAPÍTULO I Escrito por: BRUNO “ARUKI” IOVANCE

Ilustração por: NOME SOBRENOME

Legenda violentíssima da imagem e talz Retrospectiva Como este é o primeiro capítulo, a gente nã tem nada para rever. Por isso vamos tacar Loreem Ipsum aqui. Te vejo na próxima edição. To maximus doluptassit re essuntium cus maioriatem aut aut eum, Cea aut vidi.


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vermelhas, seu corpo é coberto por um vestido dourado que realça seus olhos e em suas mãos vários anéis adornam seus dedos, completando sua beleza natural. -Ele é um sábio homem, saberá o que decidir - Um jovem com olhos negros como a noite, seu cabelo vermelho parecia ter vida imitando a chama do fogo, trajado com uma armadura prateada escondida por um manto de couro, diz com um olhar de preocupação. – Você sabe que se estivermos certos, eles... Liriis, a linda jovem, o interrompe com um doce beijo, passando as mãos pelo manto de couro, até que uma delas segura firmemente a do homem à sua frente. O beijo durou poucos segundos, mas foi o suficiente para fazer o guerreiro ficar sem reação. -Arie, eu sei o que pode acontecer e como princesa eu preciso salvar o Reino dos Celtas! – Suavemente ela tira o colar que estava usando e entrega ao guerreiro. – Apenas este objeto, fará meu pai acreditar em você. – O beija mais uma vez, se despedindo. Arie coloca o colar em seu pescoço e o esconde por dentro da armadura, vestindo em seguida seu elmo de chifres enormes e envergados para trás, que cobre toda sua cabeça e seu rosto – Quem poderia dizer que um Viking fosse tão importante...

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ássaros sobrevoam um vasto campo em direção a uma floresta de imensas árvores, adentrando-a e seguindo diretamente por um caminho, como se já soubessem aonde iriam. Ao chegarem a seu destino, pousaram nas ramas de uma pequena árvore, parecendo escutar a conversa de um jovem casal. -Meu pai acabou de ir... –Diz a linda jovem de pele clara, cabelos negros e longos até a cintura, de olhos dourados e penetrantes. Em sua cabeça está uma tiara de flores vermelhas, seu corpo é coberto por um vestido dourado que realça seus olhos e em suas mãos vários anéis adornam seus dedos, completando sua beleza natural. -Ele é um sábio homem, saberá o que decidir - Um jovem com olhos negros como a noite, seu cabelo vermelho parecia ter vida imitando a chama do fogo, trajado com uma armadura Pássaros sobrevoam um vasto campo em direção a uma floresta de imensas árvores, adentrando-a e seguindo diretamente por um caminho, como se já soubessem aonde iriam. Ao chegarem a seu destino, pousaram nas ramas de uma pequena árvore, parecendo escutar a conversa de um jovem casal. -Meu pai acabou de ir... –Diz a linda jovem de pele clara, cabelos negros e longos até a cintura, de olhos dourados e penetrantes. Em sua cabeça está uma tiara de flores

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Liriis sorri, e ao ver seu amado partir deixa uma lágrima escorrer pelo seu belo rosto, monta em seu cavalo e começa a cavalgar para outra direção. Instantes depois, os dois pássaros saem do ramo e pousam na terra... -Eu não sei o que acabou de acontecer aqui, mas não foi apenas um encontro de dois amantes! – Ao fim da metamorfose dois homens completamente nus começam a conversar, virados de costas um para o outro. Enquanto conversavam, faziam movimentos para distensionar os músculos, devido ao esforço de ficar muito tempo na mesma posição. -Concordo, mas você tem certeza de que eles não perceberam que estávamos aqui? – Questionou preocupado o maior deles. -Tenho, eu não aprendi esta magia neste reino, o único problema são as roupas, não acha? – Um deles fica cabisbaixo. -Concordo com você, mas você quer se transformar em um animal e continuar com suas rou- pas? – Diz o maior. - Então vamos. – “Se eu soubesse que seria tão interessante teria seguido a princesa há mais tempo” - E já relaxamos o suficiente, em casa nós tentaremos entender o que aconteceu! Voltando à forma de pássaros, voam para fora da floresta... Muito distante desta floresta, em um castelo... Sete homens e uma mulher estavam reunidos ao redor de uma enorme mesa. Existia apenas um lugar desocupado e todos esperavam a fala do homem que solicitou essa reunião. -Venho comunicar ao conselho que está ocorrendo uma série de assassinatos em meu

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reino. - Diz o homem de roupa vermelha e que não aparentava ser um guerreiro. -Está dizendo, indiretamente, que algum de nós tem relação com este ato, Sr Scio Scimus? (pronuncia: shon shimus) – Suavemente um velho oriental questiona aquele que aparenta ser o mais jovem no local. -Sim, meu povo está morrendo! – O jovem se levanta. – Irei descobrir, cedo ou tarde e irei me vingar, nem que eu tenha que enfrentar desertos para isso... – Seus olhos se jogam na direção da única mulher presente e um punhal se move apontando para a mesma. A mulher que estava coberta por jóias e acessórios de ouro em formatos de Ankh, olha para o seu acusador, de forma sarcástica. -Se fosse necessário, você não iria durar dois dias em meu deserto... - Delicadamente ela se levanta, um dos acessórios Ankh impede o que seria uma bela visão, ficando na frente de sua curta saia. A sinuosa mulher anda graciosamente na direção do jovem governante e, acariciando seu rosto, fala com voz suave. – Existe algo que falta em você, talvez seja experiência, afinal, se fosse de meu anseio invadir um reino, começaria matando o líder, mas não se preocupe, vocês Romanos não me interessam. O jovem, trajado de vermelho e branco, parece não acreditar em tais palavras, que o fizeram ficar em silêncio. -Vou me retirar, tenho compromissos mais importantes e não gostaria de ser alvo de especulações. – A linda mulher se retira do local. Ali presentes ainda se encontram um índio sem camisa e um cocar que caia sobre o seu corpo, um cavaleiro de armadura e longos cabe-

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a esperar o termino da reunião. Após a Reunião, o jovem Romano e o cavaleiro de armadura começam a conversar afastados de todos. -Não sei mais o que fazer, você possui maior experiência em liderança, sua família sempre liderou o Reino Celta. – Diz o jovem com um

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los castanhos, um homem que possuía mais acessórios de ouro que a mulher, um velho careca com uma pequena jóia em sua testa e um manto que cobria seu corpo, e um negro alto e bastante musculoso, com mais de dois metros de altura. Alguns segundos de silêncio tomaram conta da reunião, enquanto to-

Legenda violentíssim dos os outros componentes refletiam sobre o último diálogo proferido naquele recinto. -Respeito a sua dor... – O homem de armadura se aproxima e coloca a mão sobre o ombro do jovem, e continua. – Mas seja paciente. -Obrigado... – Respondeu o jovem Romano angustiado, que ficou

olhar de admiração. -Sim meu amigo, e está pensando em fazer o que? – O cavaleiro pega um enorme copo e enche de cerveja. -Poderia mandar algumas das minhas melhores tropas aprenderem com seus homens, pois juntos estaremos preparados para qualquer


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infortúnio, afinal, se estão me atacando, o que os impede de invadir seu reino? – Sua voz demonstrava cansaço, realmente parecia ser a única alternativa para os Romanos. -É cedo demais para formarmos uma aliança, jovem amigo. – Responde fazendo um gesto de brinde e logo em seguida bebendo.

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No reino dos Celtas... Artix, o líder dos Celtas, chega a seu Reino, sozinho, apenas na companhia de seu cavalo. Foram quase dois dias de viagem e está aflito para descansar. Seu reino era envolto por imensas montanhas, toda a superfície da estrada é coberta por grama e de

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ma da imagem e talz – Agradeço a oferta, quando for necessário lhe cobrarei essa proposta. -Obrigado, Artix... – Um sorriso aliviado toma conta daquele jovem. – Você não se arrependerá! -Eu nunca me arrependo. – O cavaleiro Celta, Artix, deixa o jovem e caminha para fora do castelo.

longe é possível avistar varias construções feitas de pedras e vários castelos grandiosos tornam o local rico em detalhes. Seus moradores utilizam diversificados tipos de vestimentas, onde os civis utilizam mantos e capas e os guerreiros armaduras rústicas e enormes armas. Eles pareciam sorrir sempre, a ligação


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que possuem com a natureza beira a perfeição. Ao perceber a presença do seu líder todos os habitantes o cumprimentam feliz, sua presença sempre parecia motivo de festa e como um bom líder respondia a todos com um aceno de cabeça. Aumentou a velocidade desejando chegar o mais breve possível até sua residência que se encontrava ao lado de uma praça, pois precisava relaxar e saciar sua fome. Era uma simples residência, onde ele passava os dias, pois seu verdadeiro lar se localiza em um castelo que dava para se ver mesmo em grandes distancias no norte da cidade, mas decidiu passar vários dias nesta casa para ficar mais próximo de seu povo. Estava no meio do caminho quando foi abordado por um grande homem, um tanto assustador. -Senhor, nós temos que nos preparar para a guerra! – O tempo parecia ter parado e a alegria das pessoas foi transformada em olhares aterrorizados. -Por que deveríamos se não existe motivo algum para isso? – Artix, descendo de seu cavalo, a- pressado, caminha com passos firmes até ficar de frente com o homem, ambos com

postura imponente. -Todas as manhãs, Liriis sai para cavalgar, mas hoje, apenas seu cavalo retornou e estava muito aflito. Com o cavalo encontrei uma pequena carta... – O enorme morador entrega a carta, com tristeza em seu olhar. “O que faria um guerreiro tão forte demonstrar tamanha fraqueza?” Foi a pergunta que se formou na mente de Artix, que o fez temer pelo pior, antes de começar a ler a carta. “Pai, não sei dizer o dia exato em que irá ler esta carta, mas esteja preparado para o pior. Se estiver lendo-a significa que talvez eu esteja morta, mas eu imploro como último pedido, não permita que o Reino Celta caia. De sua amada filha. Liriis.” Ao término da carta teve certeza do pior e com um sentimento de desespero misturado ao de revolta, Artix se vira na direção de um dos seus guerreiros, trajados com armaduras rústicas e com sua voz imponente, ordena: -Corra o mais rápido que conseguir e vá ao Reino dos Romanos. Diga ao líder deles que aceito a oferta, pois a situação tomou rumos apocalípticos.


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CAPÍTULO I Escrito por: LOUIS CIURLIM

Ilustração por: NOME SOBRENOME

Onde estou agora é com certeza um local onde você, meu caro leitor, não gostaria de passar as férias mas sinto muito em informar que em algum momento, quando você menos esperar, vai vir passar algum tempo por aqui. Até me arrisco em dizer que vai gostar tanto que irá passar a “eternidade” por aqui e nunca mais irá sair... nem que queira. Sejam bem vindos ao Submundo... chamado por alguns de “inferno”, mas prefiro chamar de “Casa” atualmente. Doce lar das almas, de todas, sem exceção. Aconselho você a abandonar suas crenças religiosas, políticas e culturais. Deixe seus julgamentos morais, baseados em conceitos sem o menor Legenda violentíssim sentido por aqui, de lado. Meu nome?... não importa no momento, o que importa é na realidade por aqui é se aceitar nessa nova condição como eu me aceitei... Estou morto. Não lembro ao certo como vim parar aqui, não lembro quando ou a razão de estar aqui, mas é inegável que eu espe-


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Retrospectiva Em uma terra magiciosa, um pterodáctil e um dragão se enfrentavam e...! Não... Este é o primeiro capítulo, não há nada a rever. Exceto quando os dinossauros e os dragões lutavam!... Não.

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rava que aqui fosse um lugar pior. Aqui é tudo cinza ou negro, nada tem cheiro, nada tem gosto. Porém assumo que estou levemente agradado em estar aqui, não tem barulhos do dia-a-dia, não tem a poluição que agredia meus pulmões e, melhor de tudo, não tem pessoas desagradáveis te dizendo o que fazer, quando fazer e por qual motivo fazer. A verdadeira liberdade que eu sempre sonhei em vida, só alcancei aqui. Aqui não tem pressa, ninguém tem relógio, pois não há razão para se importar com o tempo... Talvez por que não haja tempo aqui. Diziam para mim que aqui seria o lar dos sete pecados capitais, que estranho, pois não ma da imagem e talz vejo nenhum sinal de inveja aqui já que todos são iguais, exatamente iguais, quando chegam aqui. A gula é desnecessária por que nem me alimentar estou precisando. A avareza é algo sem sentido por aqui, já que dinheiro e bens materiais de nada servem aos que, agora, residem aqui. A ira talvez seja um sentimento constante


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em alguns por aqui, mas longe de isso ser um pecado, é natural ficar irritado ao perceber que você aproveitou tão pouco a vida, se importando em alcançar metas, para no fim de tudo acabar desta forma... sem nada. A vaidade é uma característica dos tolos, já que o jovem mais belo de tempos atrás, agora, aqui, é só mais um espectro vagando sem rumo. A luxúria sim, ocorre costumeiramen- te, aliás, os prazeres sexuais e carnais são os únicos que continuam teoricamente sendo mantidos depois de que você faz a passagem... o único prazer que realmente sentimos aqui, como um incentivo a praticar atos libidinosos quando não há nada de mais interessante a se fazer. Por fim, a preguiça... bom eu me limito a dizer que estou com preguiça de comentar sobre ela nesse breve relato. Escrevo esse texto com o sangue do mais impuro anjo caído, na tentativa de registrar as informações desse local para um dia avisar aos meus amigos que ainda não vieram para cá, para que aproveitem a vida e esqueçam suas responsabilidades. Porém sei que esse texto nunca chegará ao mundo dos vivos. Se um dia alLegenda violentíssim guém, vivo, ler essas palavras, peço que não as divulgue pois o prazer de ver que o submundo não é tão ruim quanto aparenta é um dos poucos que você terá com um tempo. É pacato aqui, aliás, muito tranqüilo, sendo um ótimo local para se passar a eternidade. Todos aqui se tratam muito bem mesmo que alguns ainda carreguem alguns vícios dos tempos de vivo... os políticos sempre me estendem a mão


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quando me vêem, alguns não gostam de ser tocados, outros desviam o olhar quando percebem serem observados, tem até alguns que curiosamente somente conversam olhando em seus olhos, como se tentassem enxergar sua alma... talvez ainda não perceberam que aqui não há espaço para mentiras e que não podemos esconder nossos mais íntimos defeitos de nossas almas. Perguntam-me o que eu fazia antes de morrer... eu respondo prontamente como se me orgulhasse da minha vida de vivo. Eu era um estudante de Direito, trabalhava no centro da cidade, tinha muitos amigos mas poucos ao qual a nomenclatura “amigo” se aplica de fato. Meus pais eram separados e eu vivia com minha mãe. Curioso que meu pai era um alcoólatra, pior que isso, ele era SOMENTE um alcoólatra e nada mais que isso e por essa razão todos o criticavam. Minha mãe era um exemplo, advogada bem conceituada pela cidade, todos que ela tinha “amizade” se orgulhavam dela, um exemplo a ser seguido. Sempre tive vergonha de meu pai e orgulho de me dizer “filho da minha mãe” pelo que ela reprema da imagem e talz sentava... Grande erro meu.

O meu pai morreu dias antes de mim e está ao meu lado nesse momento, pediu infinitas desculpas e percebi em sua alma algo que não vi em nenhuma das outras que estão por aqui. Já minha mãe não foi ao meu enterro, creio eu que ela tinha muitas coisas mais importantes para fazer.


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Como eu morri? Alguns falam de suicídio e outros dizem que foi uma morte “Passional”, baseada na paixão. A verdade é que eu tinha uma namorada, não era uma das

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mais belas que vi em vida, mas a mais bela alma que conheci. Em uma tarde vazia, eu a aguardava na estação de trem. Ela iria sair do colégio e eu do trabalho como em todas as tardes. Eu a aguardava, pois naquele dia eu a iria pedir em casamento. Eu encarava a aliança que comprei com meu “justo salário”, não era tão bonita e brilhante como a que eu queria comprar, mas naquele pequeno objeto estava todos os sentimentos que eu nutria por ela... Eu sabia que ela entenderia já que ela nunca ligou para o lado material das coisas. Tanto é que ela todas as tardes chegava com a mesma blusa, a calça jeans rasgada no joelho esquerdo, o cabelo amarrado... Em seu pescoço o colar que dei no primeiro dia que a conheci. Eu estava ali, sentado em um dos bancos, a estação lotada no horário de pico... E então vi uma senhora, muito idosa, em pé ao meu lado e prontamente me levantei por educação... Sou sincero de que eu não levantaria em situações normais, só fiz aquela boa ação porque naquele dia eu estava feliz. A senhora me olhou e sorriu, se sentou, eu retribui o sorriso. Distraído nem vi um senhor que passava por mim e me esbarrava. Perdi o equilíbrio e cai. A queda em si não doeu em nada, tanto é Legenda violentíssim que me levantei rapidamente e pedi


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ma da imagem e talz

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desculpas ao senhor... mas a dor maior foi ver a aliança que eu daria para minha namorada cair de minhas mãos e rolar alguns metros pela estação até cair no trilho do trem. Eu comecei a correr desesperado até a borda do trilho para ver se eu conseguiria pegar o anel antes que o trem passasse... não pensei muito e pulei. As pessoas gritavam dizendo para eu sair dali... eu não escutava. Peguei a aliança e já corria para tentar sair do trilho mas nunca fui muito atlético, estava de roupa social e meu sapato prendeu no trilho.. MALDITO SAPATO SOCIAL!... o som do trem se aproximando e as pessoas gritando será algo que sempre ficará em minha cabeça, um dos piores sons que ouvi em vida. Talvez por isso que eu valorize o silêncio que paira aqui no submundo. Olhei para as pessoas enquanto eu tentava retirar rapidamente o sapato e logo vi que lá estava ela, me olhava com seus olhos castanhos... chorava desesperada. Ela tentaria pular para me salvar se as pessoas da estação não a segurassem a impedindo de saltar. Decidi fechar os olhos enquanto o som do trem se aproximava e então simplesmente aguardei... Talvez ela dissesse não para mim naquele dia... talvez ela se recusasse a casar comigo... mas naquela aliança estava boa parte de mim. Quando abri os olhos eu estava aqui e não me arrependo de nada a não ser de ajudar uma idosa, estar de sapato social e de não ser um cara atlético... no fim... nada importa.”


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A LENDA EM CON

D

ST


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DE LIL’PR O

TRUÇÃO ...

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