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mistério, de onde nascem os filhos? parece que nascem do amor de camas lençóis lutas de travesseiros já ouvi dizer que nascem de cobras cascavéis a borbulhar os sinos das caudas amedrontadas muitos vão dizer que nascem da burocracia estatal da memória de velhas fotografias esmaecidas mas outros ainda insistem na possibilidade de nascerem da terra cuidados e talhados na lei natural dos encontros


são paulo um dia estará sob o mar, ondas quebrando e a rebentação das ruas modificando, modificando um dia São Paulo será outra caciques de índios tomando conta de empresas gringos mendigos os símbolos serão outros seremos caiaques caiçaras deslizando no asfalto alucinógeno são Paulo, brisa futura em uma manifestação daqui a cem anos as agruras estranhamente as mesmas


anzol de estrelas no teu ombro, amor flor de lótus espiralada nos teus olhos tatuagem de retinas claras e adocicadas no sabor desta manhã o xamã do céu azul vem nos dizer boa-noite


noites ĂĄridas no recinto estrela renda no firmamento chapado de zinco todo derretimento das calotas polares serĂĄ puro divertimento se no ocaso chover no cĂŠu da boca relampejar de vermelho ver tecido o sulco das lĂ­nguas em polvorosa


tateio na pele fina do poema uma palavra vermelha no escuro do quarto o apuro do tato queima a pele morena do verso e deste fogo tátil elucubro a substância enigmática das cartas de amor


o efeito da tua mandíbula na minha tez é confortável beijar os ossos aliciar a calma é liquefazer o espírito em movimentos rápidos das mãos circundando o desejo redondo


o amor é supremo na tradução dos jeitos, traquejos todo o seu beijo revela a posição superior dos astros os travesseiros são nuvens de poeira estelar em que deito meus sonhos de você constelação de desejos intergalácticos


atol de pedras redondas arrecifes de mares noturnos mistÊrio nos sonhos desta madrugada em alto-mar a navegação Ê lenta o sopro do vento constrói no dorso do poema todo um continente azul


vasto oceano equidistante te navegar dentre cachalotes ondas acachapantes ĂŠ tarefa fĂĄcil pra quem te singra hĂĄ tempos o firmamento chapado de sangue


céu de almíscar dourado amálgama de letra vermelha arabesco tecido na prata do verso – palavra que pulveriza a imagem


10 poemas de rafael magalhães