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PL & TRT Apresentam Sweet Home – A Novela

Tillie Cole


Staff Disponibilização — Soryu Tradução : Lucimar-Luz, Elaine Ayneliz, Elitana-Tatxinha, Talita Proleti, Cintia M Vila, Rhellda C., Rosely CB Revisão Inicial – Rose Delak Revisão Final e formatação –Lyli Cunha Leitura Final e formatação– Regina C. & Juuh Allves


Com vinte anos, Molly Shakespeare já sabia muito. Ela conhecia Descartes e Kant. Ela conhecia a Universidade de Oxford como a palma da mão. Ela sabia que aqueles que a amavam podiam abandoná-la. Ela sabia se virar sozinha. Mas quando Molly deixa o céu cinzento da Inglaterra para trás e começa uma nova vida na Universidade do Alabama, descobre que ainda tem muito a aprender, não sabia que um verão poderia ser tão quente, não sabia que os estudantes podiam ser tão intimidantes e certamente não sabia o quanto as pessoas do Alabama gostavam de futebol americano. Um encontro casual com o notório Quarterback1, Romeo Prince, a deixa incapaz de pensar em qualquer coisa além dos seus olhos chocolate, cabelos loiros escuros, e físico perfeito, Molly logo se dá conta que sua vida tranquila e solitária está a ponto de mudar, dramaticamente, para sempre.

1

Quarterback (QB) é uma posição do futebol americano. Jogadores de tal posição são membros da equipe ofensiva do time (do qual são líderes). Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Quarterback


EASINGTON, DURHAM, Inglaterra. - QUATORZE ANOS ATRÁS... – Molly, pode vir aqui, querida? Tenho algo para te dizer. Minha avó estava na sala da nossa pequena casa, sentada em sua velha poltrona marrom com a cabeça entre as mãos. Segui em frente e olhei ao redor do cômodo. Meu pai ainda não tinha voltado do bar. Desde que a horrível senhora que, às vezes, aparecia na televisão fechou as minas, no ano em que eu nasci, era lá que ele ficava. Vovó disse que ele ficou deprimido. Minha avó levantou a cabeça e sorriu melancolicamente. Ela tinha o sorriso mais amável que eu já tinha visto; poderia iluminar qualquer ambiente, com ele. Eu amava minha avó, muito. Enquanto me aproximava dela, dei conta que ela estava segurando uma velha foto da minha mamãe. Ela morreu quando eu nasci, e vovó e papai sempre se irritavam quando eu perguntava por ela, assim eu evitava falar qualquer coisa. Apesar disso, silenciosamente beijo a foto dela todas as noites, quando vou dormir. Vovó dizia que mamãe me via fazendo isto, lá do céu. – Venha aqui, minha pequena Molly-pops. Sente-se no meu colo – Disse, ela, acenando para que eu me aproximasse e colocando o portaretratos sobre o tapete vermelho. Deixei minha mochila cor de rosa no chão, me aproximei e pulei em seu colo. Cheirava a hortelã. Ela sempre cheirava a hortelã. Eu sabia que era para ocultar o cheiro dos cigarros que fumava escondida no beco. Toda


manhã eu me divertia quando ela se escondia lá, com seu avental roxo e bobes cor de rosa no cabelo cinza. Coloquei uma de minhas mãos em seu rosto. Ela parecia chateada. – O que aconteceu vovó? Ela pegou minha pequena mão entre as dela e me assustei por suas mãos estarem tão frias. Esfreguei-as entre as minhas e dei um beijo em seu rosto imaginando que ela fosse se sentir melhor. Ela dizia que meus doces beijos podiam fazer com que qualquer problema no mundo ficasse um pouquinho mais fácil. A sala estava muito tranquila. O único som vinha do crepitar da chaminé e o forte tic-tac do relógio de pêndulo na parede. Vovó sempre colocava músicas antigas e dançávamos em frente ao fogo. Entretanto, hoje não havia música... E a casa parecia triste e vazia. Fiquei olhando o relógio e vi que o ponteiro maior estava no doze e ponteiro menor no quatro. Esforcei-me para lembrar o que minha professora, a Sra. Clarke, nos dissera em aula. Meus olhos se fecharam com força enquanto eu tentava pensar. Quando os abri, eu fiquei boquiaberta Eram quatro horas. Sim! Quatro em ponto. Papai voltaria logo. Comecei a sair do colo da vovó, para correr para a porta e esperar que meu pai chegasse. Ele sempre me abraçava e me girava, antes de dizer que eu era igual a minha mãe, a garota mais bonita do mundo. Era minha parte favorita do dia. Saí dos joelhos de minha avó, mas ela agarrou meu braço. – O que foi vovó?

Papai vai chegar daqui a pouco.

Preciso do seu

abraço diário. – Vovó respirou profundamente e as lágrimas começaram a cair de seus olhos.


– Vovó, por que você está chorando?

Por favor, não fique triste.

Precisa de outro beijo? Isso fará você se sentir melhor? Vovó me esmagou contra seu peito e meus óculos quase caíram. Com o seu avental listrado contra meu rosto, me afastei um pouco para respirar. Ela me colocou de pé e caiu de joelhos, na minha frente. Seus olhos tristes estavam à mesma altura dos meus agora. – Molly, preciso contar uma coisa para você, uma coisa que deixará você muito, muito triste. Está entendo? – Sim, vovó. Tenho seis anos. Sou uma menina grande. Entendo muitas coisas. A senhora Clarke diz que sou a menina mais inteligente da minha sala, talvez da escola. Vovó sorriu para mim, entretanto seu sorriso não chegou aos olhos. Não era um sorriso completo. Papai dizia que os sorrisos completos só aparecem quando se está realmente feliz. Pois quando se está triste é impossível dar um sorriso completo. – Você é inteligente, querida, embora não sei a quem puxou. Chegará longe. Está destinada a deixar esta vida triste e fazer algo por você mesma. É o que sua mãe e seu pa... Papai iriam querer. – Ela suspirou e tirou um lenço de seu bolso. Ele era todo bordado, de rosas vermelhas. Nós tínhamos escolhido o tecido no mercado há duas semanas e fizemos um para ela e outro para mim. Vovó secou seu nariz vermelho com o lenço, enquanto olhava pela janela, depois seus olhos se fecharam e quando abriram ela voltou a me olhar. – Agora, Molly, você precisa respirar fundo, certo, como eu já lhe ensinei. Assenti e respirei fundo, por algumas vezes, inalando pelo nariz e soltando pela boca, lentamente. – Boa garota. – Ela me elogiou, esfregando meu rosto com o polegar.


– Vovó, onde está o papai? Está atrasado. Ele nunca chega tarde. – Ele sempre vinha para casa, me ver depois da escola. Sempre cheirava mal, a cerveja. Entretanto, ele sempre teve esse cheiro, não seria papai se cheirasse outra coisa. – Molly, aconteceu algo com papai hoje. – Disse-me ela, com uma voz trêmula. – Ele está doente? Vamos fazer um pouco de chá para quando ele chegar em casa? O chá faz com que todos se sintam melhor, não é vovó? Você sempre diz isso. – Disse–lhe, começando a sentir uma estranha sensação remoendo meu estômago, pela forma estranha a qual ela estava me olhando. Ela balançou a cabeça e seu lábio tremeu. – Não, querida. O chá não será necessário hoje. Deus decidiu levar seu pai para céu esta manhã, para ficar com os anjos. – Levantei minha cabeça e olhei para o teto. Sabia que Deus vivia lá em cima, no céu. Mas nunca pude vê-lo, por mais que eu tentasse. – Por que Deus levou papai para longe de nós? Somos más pessoas? Sou muita travessa? É por isso que Deus não quer que eu tenha uma mãe ou um pai? Minha avó me abraçou e enfiou o nariz no meu cabelo comprido e castanho. – Não Molly-pops, nunca, nunca pense isso. Deus sentia a tristeza de seu pai, por ter perdido sua mamãe tão cedo. E decidiu que já era hora deles voltarem a ficar juntos novamente. Ele sabia que você seria suficientemente corajosa e forte para viver sem os dois. – Pensei nisso enquanto chupava o polegar. Sempre chupava o dedo quando tinha medo ou me sentia nervosa. Vovó tirou meu cabelo do rosto.


– Quero que saiba que ninguém em todo o planeta lhe amava mais do que sua mamãe e seu papai. Quando mamãe morreu, papai não sabia o que fazer. Ele amava muito você, mas também sentia falta dela. Quando a senhora da televisão...

– Margaret Thatcher? – Interrompi-a. Tínhamos aprendido a respeito dela na escola. Muita gente da minha cidade não gostava dela. Chamavamna por nomes desagradáveis. Ele deixou um montão de gente triste. Vovó sorriu. – Sim, Margaret Thatcher. Quando a senhora Thatcher fechou as minas, seu papai ficou sem trabalho e isso o deixou muito infeliz. Papai tentou durante muito tempo ganhar dinheiro para comprar uma casa melhor, mas como ele tinha trabalhado nas minas durante toda a vida, ele não sabia fazer outra coisa. – Ela fechou seus olhos fortemente. – Hoje papai morreu querida. Foi para o céu e não vai voltar para nós novamente. Meus lábios começaram a tremer e senti as lágrimas chegarem. – Mas não quero que ele vá. Podemos pedir a Deus para trazê-lo de volta? O que vamos fazer sem ele? – Um forte sentimento se espalhou pelo meu peito e senti como se eu não pudesse respirar. Agarrei a mão da minha avó e minha voz ficou rouca. – Somos apenas nós duas agora, não é, vovó? Você é tudo que me resta. E se ele decidir levar você também? Não quero ficar sozinha. Tenho medo, vovó. – Um forte grito saiu da minha garganta. – Não quero ficar sozinha. – Molly. – vovó sussurrou enquanto me aconchegava e caíamos no chão, juntas, chorando em frente à chaminé. Meu pai se foi. Estava no céu. Ele nunca, nunca mais voltará.


Universidade do Alabama, Tuscaloosa, Estados Unidos da América Atualmente... Era uma tarde maldita! Ofeguei e respirei entrecortado enquanto corria através da extensão do campus da Universidade do Alabama, tentando com todas as minhas forças não cair de cara no chão. Minhas mãos estavam completamente cheias de cópias do planejamento do curso de filosofia que me mandaram fazer há mais de uma hora atrás, a primeira tarefa dos meus deveres como assistente técnica. A aula tinha literalmente começado, mas minha interminável maré de azar garantiu que a impressora da sala dos professores decidisse quebrar na metade das cópias, com um melódico canto de cisne, um patético assobio agudo e um espasmódico escapamento de fumaça mecânica. A sala de impressão ficava do outro lado da universidade, o que me levou a minha situação atual, correndo pelo gigantesco pátio com meus enormes Crocs laranja, nada esportivos, dignos de formação de endiabradas bolhas nos pés, nessa sauna de Tuscaloosa2, ou como dizem, apenas um dia de verão tipicamente quente. Tive um breve vislumbre da minha aparência no reflexo de uma porta de vidro... Não era bom.

2

Tuscaloosa , cidade no Alabama ( E . U . A .)


Absolutamente, não era nada bom. Meu cabelo castanho lembrava os pelos cacheados de um poodle em miniatura, o suor em meu nariz se acumulava em meus largos óculos de armação preta, edição padrão britânica de saúde nacional, como uma bomba Kamikaze sobre minha cara, meus shorts jeans e camiseta branca, faziam eu parecer uma aberração. Os permanentes céus nublados da Inglaterra eram bastante atrativos nestes momentos. Hoje nada parecia ir bem, a impressora quebrada foi a segunda das minhas desgraças, minhas amigas loucas me perseguindo esta manhã, foi a primeira.

– Toga, toga, toga... – Lexi cantava em voz alta, enquanto ela e Cass se sentavam em minha cama, rindo do meu desespero com minha toga improvisada, que praticamente mostrava todo o meu corpo, ela agitava os braços no ar com cada palavra, depois gritava como uma louca. – Estou horrível. – reclamei, tentando ajustar a tal toga em várias posições para cobrir minhas partes geralmente privadas. – Você está sexy! Seus seios são irreais, de tão perfeitos e redondos... – Cass tentou complementar, fingindo apertar meus seios, – Vou te falar, Molls, normalmente não sou fã de bocetas, mas eu poderia abrir uma exceção vendo você vestida assim! Merda, você tem curvas deliciosas, menina!


– Cass. – Repreendi-a severamente, girando os olhos. – Você precisa dizer essas coisas? – Ah, não quer que eu fale bobagem, querida? Está bem. Mas você virá esta noite, sem dar para trás. Não me faça te arrastar até lá... Porque é o que eu farei... Se tiver que fazer. –Mas... – Mas, uma merda! Prometemos a você uma vida universitária cheia de diversão, não uma repetição da porra de vida excêntrica que tinha na Inglaterra. A experiência completa começa esta noite. – Oxford não era tão ruim assim! E como isso pode ser chamado de experiência? Primeiro tenho que me unir a uma maldita irmandade, provar coquetéis com drogas e depois de me embebedar? – Isso podemos dar um jeito de pular, mas isso tudo implica principalmente em uma grande quantidade de homens, sexo, orgias, orgasmos... Oh, e experimentar o ponto G. Você sabe, coisas que se fazem em uma universidade. – Disse Cass com total sinceridade. – Vim à universidade para estudar, Cass, não para me prostituir para garotos bêbados de fraternidade! Ela gargalhou. – Você diz isso agora querida, não pensará em estudar quando seus tornozelos se envolverem ao redor do pescoço de algum garanhão e ele estiver no meio de suas pernas, fazendo cócegas no seu umbigo por dentro! Conhecendo Cass, essa era a única resposta que eu receberia, inclusive ela nem pensava em alguma outra. Fui para minha cadeira


reclinável marrom e me deixei cair na almofada fofa, com a cabeça entre minhas mãos. – Em que deixei vocês duas me colocarem? – Está se permitindo o melhor momento de sua vida. – Disse Lexi sabiamente. Levantei a cabeça e olhei através das mãos minhas duas presunçosas amigas, que me olhavam com diversão. – Vão me fazer ir nessa festa fodida, de verdade? Lexi desceu da cama e saltou sobre meu colo, jogando os braços finos ao redor do meu pescoço. – É obvio que faremos querida. É uma de nós agora! – Eu sorri, relutantemente. – É o que parece. Cass se uniu a nós na cadeira, me esmagando, até que gritei sob seu peso. – Tire a toga para que eu possa costurá-la, vá para a aula e quando voltar, poderemos deixar a diversão começar...

Dizem que coisas ruins nos acontecem em grupos de três.


Duas já foram. Só me faltava uma. Mantive meu vertiginoso ritmo, quase ao ponto de desmaiar, até as portas duplas do bloco de Humanas, procurando as salas de aula e fui direto para a sala da professora Ross, minha mente, implacavelmente, me provocava com duvidosas visões de togas, dançando e desfilando diante dos meus olhos. Muito perdida em minha confusão, não percebi o pequeno grupo de estudantes que virava à esquina. Mas, infelizmente, isso logo mudou quando a ruiva, super maquiada, bateu de frente comigo, aparentemente de propósito, fazendo com que a pilha de papéis caísse das minhas mãos e espalhasse por todo o chão de azulejos brancos. –

Oops...!

Olhe

por

onde

anda,

querida!

Falou

a

garota,

maliciosamente. – Talvez você precise de óculos com um grau maior? E esse foi o terceiro golpe de azar. Fiquei de joelhos, sem olhar para cima, quando ouvi a estridente risada zombadora, obviamente dirigida a mim. Imediatamente senti como se eu tivesse voltado ao Ensino Médio, quando a turminha popular da escola zombava dos nerds. Nunca falei com eles. Sempre ignorava as brincadeiras insolentes das pessoas sobre minhas roupas baratas, falta de dinheiro, ou quaisquer outras brincadeiras que atiravam em minha direção. Assim, eu simplesmente resmunguei em voz baixa e comecei a organizar e juntar os papéis em uma pilha desordenada.


A porta da sala de conferências se fechou, obviamente onde eles estavam indo e, na satisfação de me encontrar segura em minha própria companhia, xinguei: –

idiotas fodidos. – Acabei falando um pouco mais

forte do que pretendi e me encolhi quando minhas palavras ricochetearam até o fundo do amplo e cavernoso corredor. Não xingo com frequência, mas senti que dessa vez foi justificado, e me senti bastante catártica3. Inclusive também me senti no rico mundo do vocabulário Universitário, às vezes só a palavra "fodido" é suficiente. Peguei os papéis em meus braços, balancei cabeça e parei... Meus óculos malditos estavam caindo do meu rosto e ruidosamente ele golpeou o chão. Suspirei derrotada e decidi que eu realmente nem sequer deveria ter me incomodado em sair da cama esta manhã. Uma breve gargalhada soou atrás de mim, me fazendo pular e uma mão quente agarrou meu braço, me girando e deslizando os óculos em meu rosto. Abri e fechei os olhos várias vezes e quando minha visão ficou clara, encontrei-me de cara com um amplo peito, coberto por uma camiseta sem mangas, vermelha escura, onde se lia em letras brancas, "Crimson Tide Football". – Consegue ver agora? Segui o som da profunda voz com sotaque sulista e na minha frente estava um menino verdadeiramente bronzeado, com cabelo loiro escuro e comprido até a linha da mandíbula e olhos castanho escuros, emoldurado por cílios longos e pretos como tinta. Era muito mais alto que eu, talvez tivesse 1,83 m. Não pude evitar um suspiro. 3

Catártico - Catártica vem de Catarse. Que significa purificação espiritual por meio do emocional. http://www.dicionarioinformal.com.br/cat%C3%A1rtico/


Ele era lindo. Na realidade, era deslumbrante. Saí do meu estado de transe, apertei os papéis contra o peito e saí de frente à ele, eu precisava sair dali e recuperar certa compostura, ou talvez minha dignidade, apesar dela parecer ter fugido de mim nas últimas horas. Agarrando meu pulso, quando tentei passar por ele, o Sr. Crimson Tide Football perguntou: – Espere, está tudo bem? Tentei relaxar e não ser grosseira, afinal, ele tinha me ajudado, mas meus nervos estavam destroçados e o toque da sua mão calosa e áspera em minha pele só piorou as coisas. Decidi culpar esta incomum reação à desidratação, ou a um caso raro de Toga-fobia. Com os ombros caídos, respondi: – Estou bem. – Tem certeza? Soltei um longo suspiro e encontrei seus lindos olhos cor de chocolate, captando as manchas quase pretas ao redor de sua íris. – Alguma vez teve um desses dias em que tudo se transforma em um pesadelo sangrento? – Salientei as palavras, lentamente. Ele respirou fundo e me olhou com uma expressão divertida, seus lábios carnudos formaram um sorriso torcido e seu nariz, ligeiramente, se torceu, com o movimento.


– Na verdade, estou tendo um dia desses. – Então somos dois. – Não pude evitar esboçar um sorriso relutante, em troca. Apertei minha pilha de papéis e lhe disse: – Obrigada por me ajudar. Foi muito amável da sua parte. Ele cruzou seus grandes e bronzeados braços sobre o enorme peito e ficou ainda mais maravilhoso, o que me fez ter uma coceira nervosa. – Amável? Normalmente não é o que as pessoas pensam quando falam ao meu respeito – Com isso, ele se afastou, me deixando sozinha no amplo corredor. Dei a volta para ir para a aula e o garoto me olhou por cima do ombro, falando alguma coisa como: – Sou Rome. – Molly – Respondi rapidamente. Os dentes de Rome se arrastaram sobre seu lábio inferior enquanto ele assentia lentamente, me olhando dos pés a cabeça, com uma intensidade incomum e profunda. Logo, sem dizer uma palavra, ele entrou na sala de aula, de filosofia.

Depois de ter um momento para me recuperar, entrei na sala, onde automaticamente vários pares de olhos se fixaram em mim. Dei mais alguns passos para dentro, me sentindo um pouco como Bridget Jones, por minha desastrosa chegada. A professora Ross me olhou duramente. Fiz uma careta para ela, enquanto me aproximava da sua mesa, colocando o plano de aula do curso em cima e brinquei com meus dedos, na mais absoluta vergonha. Ela fez gestos para


que eu me aproximasse dela, no atril4. Fiz o que me pediu e levantei a cabeça para a classe, que olhavam a novata britânica fazendo um ridículo absoluto papel, isso sem a ajuda de ninguém A professora indicou em minha direção, com o aspecto de uma professora de internato, falando com seu elegante acento inglês de rainha, em seu traje de duas peças de tweed marrom5, cabelo cinza, com um coque francês apertado e pequenos e bonitos óculos focais. – Eu gostaria de lhes apresentar Molly. Assim como eu, ela é da Inglaterra e comprometeu-se a estudar seu mestrado nesta magnífica universidade e continuar a função de minha assistente de pesquisa, já que estou escrevendo para uma revista acadêmica e também me ajudará nessa turma. – Faz uns anos que conheço Molly e não posso pensar em ninguém melhor para experimentar este ano sabático nos Estados Unidos comigo. Todos vocês logo descobrirão, também, que ela é uma jovem excepcional. – A professora foi para o lado e sinalizou para eu falar com a turma. – Molly, por que não diz umas palavras a seus novos companheiros de aula? Respirei fundo e subi ao átrio, levantando os olhos com cautela.

4

Atril - Um atril ou leitoril é uma pequena estante, disposta em plano inclinado onde se coloca um livro aberto, para se poder ler de pé.

5

Casaco de lã.


– Olá todos. Como disse a professora Ross, mudei-me da Inglaterra para o Alabama para fazer mestrado em filosofia, com o intuito de iniciar o doutorado no próximo ano e alcançar meu objetivo final, me tornar professora. – Meus olhos percorreram as fileiras. Havia mais ou menos trinta pessoas na pequena sala de aula. – Eu sempre adorei filosofia da religião e estou feliz em estar aqui para ajudar à professora Ross nas conferências, seminários e tentar fazer o maravilhoso mundo da filosofia um pouquinho mais interessante para vocês! Ficarei encantada em responder qualquer pergunta sobre... – Eu tenho uma. Segui o som da voz que me cortou e me deparei com a ruiva do corredor... Que estava sentada justamente ao lado de Rome. – Por que demônios você quer ser professora de filosofia? Não acredita que esteja desperdiçando um pouco da sua vida? Estava acostumada com essa pergunta. – Por que não filosofia? Tudo na vida, na terra, pode ser questionado. Por quê? De que maneira? Como? Para mim, o mistério da vida e do universo é inspirador, a imensidão de perguntas sem respostas me atrai e eu adoro me inundar na trajetória acadêmica dos eruditos, tanto os antigos quanto os novos. Ela cuspiu uma risada. – Quantos anos você tem, querida? – É, é... Vinte. – Olhei nervosamente à turma e vi um monte de olhos arregalados, centrados em mim.


– Vinte?! E já está fazendo um mestrado? – Bem, sim. Entrei na universidade um ano mais jovem. Conclui o ensino médio adiantada, também. – Maldita seja, garota, tem que deixar de ser tão condenadamente séria e aprender a viver um pouco. A vida não é só estudar, é se divertir também. Precisa aliviar a tensão. – Ela sacudiu a cabeça, meio que incrédula, seu cabelo comprido movia-se perfeitamente. – Juro que nunca entenderei garotas como você. Vários estudantes se moveram, incômodos, em seus assentos com o comentário aparentemente sincero da garota. A ruiva parecia satisfeita de si mesma. Estou certa de que, em sua opinião, sua segunda tentativa de me destroçar teria funcionado. – A garotas como eu? – Perguntei aumentando ligeiramente minha voz. Um conjunto de dentes brancos, de aspecto caro, quase me cegou quando ela sorriu como uma bruxa. – CDFs, sabe-tudo, nerds... Aspirantes a professoras! Entrecerrei os olhos em resposta, tentando manter uma atitude profissional, agarrei a madeira do átrio diante de seu tom de merda, e rapidamente decidi que fosse para o diabo o profissionalismo. Ia brigar. Tinha tido um dia de merda até agora, esta noite ainda seria pior, assim decidi me comprometer plenamente a ter o último dia no inferno. – Acredito que o estudo e o conhecimento dão poder a uma pessoa, que o dinheiro, status ou o estilista que veste, não dão. – Disse–lhe com frieza.


– Sério? Realmente acredita nisso? – Óbvio que sim. Abrir sua mente a novas possibilidades e aprender como funcionam e em que acreditam outras culturas, dá as pessoas uma compreensão mais rica, mais completa da condição humana. A filosofia oferece respostas a uma série de perguntas. Por exemplo, por que algumas pessoas, sem nenhuma compaixão por outros, vivem com facilidade? Enquanto que outras, bem, são carinhosas, seres humanos honestos e recebem um golpe atrás de outro, mas de algum modo encontram a força interior para seguir adiante? Não acredita que se mais pessoas ocupassem seu tempo tomando consciência dos problemas da humanidade, então talvez o mundo fosse um lugar melhor? A garota sacudiu seu cabelo nervosamente e não respondeu a minha pergunta. Apenas apertou seus lábios vermelhos rubis, enquanto me olhava chateada. – É por isso que estudo ao invés de me embebedar todas as noites. O mundo merece ter gente que pense nos outros antes de si mesmos, que se esforçam para serem menos egoístas e superficiais. – Olhei-a e anunciei em voz pseudo-amigável: – Espero que eu tenha dado a você uma ideia do por que quero ser professora. É o que sou e, estou muito orgulhosa disso. – Porra! Shelly, precisa de nova educação! – Murmurou uma voz rude e masculina, fazendo com que o resto da sala saísse do pesado silêncio para grandes risadas. Minha cabeça girou, quando dei conta de que a voz vinha de Rome, que estava curvado em sua cadeira, os pés para cima e rindo, enquanto o resto da classe se unia a ele. Um profundo sentimento de satisfação se instalou em meu estômago.


A boca de Shelly se entreabriu e ela abruptamente pôs fim à conversa com um desdenhoso: – O que você disser! Boa sorte para se encaixar aqui, agindo dessa forma! – A professora Ross tocou meu ombro e sussurrou ao ouvido para que entregasse rapidamente o programa do curso, antes que a aula terminasse. Percebi que ela estava zangada pelo meu comportamento. Peguei rapidamente os papéis da mesa de carvalho e comecei a distribuí-los entre as filas de estudantes, enquanto a professora explicava como ia corrigir as provas, as normas e padrões de suas aulas.

Tinha

chegado à última fila de assentos e imediatamente vi Rome me olhando fixamente, com um brilho inexplicável em seus olhos. Ele abaixou a cabeça, em sinal de saudação e tinha os lábios retos. Dei-lhe um sorriso rápido. Shelly aproximou-se ainda mais dele, sem tirar os olhos dos meus. A julgar pela posição deles, pernas e braços encostados um no outro, ela e Rome eram obviamente muito “amigos”. Fui entregar a última folha para Shelly quando ela falou: – Bonitos sapatos, Molly. Todas as futuras professoras de filosofia tem um gosto tão fantástico pela moda? – Os estudantes riram nas minhas costas. Olhei para meus crocs, comparando-os com suas fantásticas e suponho caras sandálias de gladiador, e suspirei tristemente. Rome imediatamente afastou a perna da dela e cuspiu: – Já basta, Shel. Por que você tem que ser uma cadela fodida todo o tempo? – Seu comentário também silenciou o resto da sala, a atitude nãoreceberei-mais-merda fez com que a classe se encolhesse em seus assentos para evitar atenção indesejada. Shelly cruzou os braços e fez bico, como se estivesse mal humorada. Rome ignorou sua atitude mesquinha e levantou os olhos para mim.


– De verdade acredita no que acabou de dizer? – Qual parte? Ele se moveu de forma rápida em sua cadeira e passou os dedos entre seu cabelo loiro e desordenado. – Sobre a vida ser injusta. Que a filosofia nos dá respostas do por que algumas pessoas têm merda e outras não. – Absolutamente. – Respondi, com inquebrável certeza. Ele assentiu lentamente, mordendo o lábio inferior, parecendo quase impressionado. Saí dali apressada e me deixei cair na cadeira atrás da mesa de assistente da professora, num lado da sala. Mantive a cabeça baixa, enquanto a classe era dispensada. – Molly. Levantei a cabeça para encontrar a professora, em pé na minha frente, me olhando de forma nada feliz. – Importaria-se de me explicar o que aconteceu há pouco? Esteve muito fora de ética. – Suzy... – É professora Ross em aula Molly. O que aconteceu com você? Fazendo uma careta, tentei responder. – Sinto muito. Minha cabeça está dando voltas.


– Não respondeu minha pergunta. Quando encontrei seu olhar severo, pude ver em seus olhos envelhecidos, não só a decepção por minha falta de profissionalismo, mas também um pouco de preocupação. Suspirei. – Esse é apenas um dia ruim. Nada mais. Não acontecerá de novo. Suzy abaixou os braços, com a reprimenda ao meu comportamento esquecida. – Não deixe que pessoas como aquela jovem lhe afetem. Nunca procure desculpas pelo que é. Um sorriso se desenhou em minha cara. – Obrigada, professora. Lição aprendida. Ela só... Não sei... Aquilo era pessoal, por alguma razão. – Pude ver isso. Mas da próxima vez, ignore-a. Simplesmente ignore-a. Assenti, concordando. – Agora, por que não vai para casa? – Obrigada, professora. – Peguei minha bolsa de couro marrom, da parte posterior da cadeira e saí da sala. Rome estava no corredor, com os braços de uma garota loira e magra cruzados ao redor do pescoço dele, o peito da garota estava pressionado contra o vermelho de sua camisa de futebol, enquanto ele tentava afastá-la com uma expressão exasperada no rosto.


Fiquei imóvel, congelada, me sentindo incrivelmente incômoda pela situação. – Mas... Mas... Por que não? Nunca me negou isso! – Queixou-se a loira, enquanto a contra gosto soltava o pescoço de Rome, cruzava os braços e batia no salto no chão, em sinal de protesto. – As coisas mudam. – Declarou Rome, com firmeza e empurrando-a para trás. – Mudar? Você? Desde quando? – Maldição, justamente desde agora! Não preciso mais de você. Com um grito indignado, a loira foi embora e Rome passou as palmas da mão no rosto, parecendo muito nervoso. Ele se virou e encostou a testa na parede. Aproveitando sua distração, silenciosamente passei por ele, só respirando novamente quando passei despercebida e com êxito. Enquanto passava pela porta para o brilhante dia de verão, não pude evitar me sentir um pouco decepcionada por quem Rome era. Obviamente um dos meninos idiotas, um jogador... Aquele que quebra corações... Ele tem cada centímetro do típico menino mau. Com uma aparecia como aquela, não era exatamente surpreendente.


– Explique outra vez, por que demônios estou saindo com um pedaço de pano enrolado ao redor das minhas, quase expostas, tetas e bunda? – Perguntei um pouco mais alto do que o necessário, já que minhas amigas e eu estávamos indo para a temida noite de iniciação na irmandade de mulheres escolhidas. Lexi parou e segurou meu braço, para que a olhasse. – Porque eu, por fim serei uma animadora de torcida, maldito seja, e esta é a maneira mais fácil de entrar! A puta encarregada das animadoras corre por todas as irmandades, tenho a intenção de me juntar a ela e utilizála para meu próprio benefício. Durante três anos tentei entrar em uma irmandade e nada. Este é meu último ano para tentar, assim cale a boca e vamos! – Disse uma vez, e direi novamente. Somos muito velhas para esta merda! Estamos no último ano, na parte superior da nossa classe, por que iriam querer que nos uníssemos à fraternidade delas? – Por que... – Disse ela com um tom exasperado – Estão abaixo de suas cotas para alunos do segundo ciclo. É nossa chance! – O cenho dela se franziu e ela ficou impressionantemente branca.


Lexi estava parecendo uma autêntica romana, com sua figura excessivamente esbelta, seu cabelo preto de corte pixie6, maquiagem branca pura e delineador preto em seus olhos e lábios. Era a antítese absoluta de uma animadora estereotipada, mas tinha esse sonho louco de que um dia estaria na parte superior da pirâmide, em um jogo de futebol. Eu, sua companheira de quarto, tinha sido arrastada para apoiá-la. Bom, eu e Cass, a maior loira texana que já vi na vida, perto de cento e trinta e seis quilos, que escolhia quais meninos gostaria de devorar esta noite. Como sempre, Cass tinha colocado seu chapéu branco Stetson7 e botas pretas de cowboy de couro, junto com a requerida toga da irmandade, que parecia uma capa de travesseiro, cobrindo o corpo. Enquanto eu olhava nós três juntas, não pude evitar de pensar que não íamos exatamente nos encaixar

com as atléticas e formosas belezas

sulistas, que nos esperavam do outro lado da grande porta branca. Na primeira semana da minha estada aqui, semana de recrutamento, tínhamos sido incomodadas, em certo sentido, por uma morena muito persistente. As semanas de seleções tinham acabado e nos disseram que deveríamos vir essa noite para a iniciação oficial. Lexi viu isso como uma mensagem divina de seu Deus todo-poderoso amante das animadoras de torcida. Eu vi como um castigo cruel e incomum.

6

7

- Corte pixie – corte de cabelo Joãozinho.

-

Chapéu Stetson


Cass parou na nossa frente e nos perguntou: – O que está acontecendo, cadelas? Vamos entrar ou o que? Quero ver o gado de primeira qualidade que estão oferecendo. O taco da mamãe precisa de um bom recheio. – Ele deu uma palmada entre as pernas para deixar claro seu ponto. Quando cheguei há um mês, me alojei imediatamente em um apartamento no campus da universidade e o único quarto disponível era com estas duas garotas. Imediatamente eu as adorei, sem frescuras, sem poses, agradecidas e completamente orgulhosas de suas identidades. Tomaram–me sob suas asas sulistas e imediatamente nos unimos. Entretanto, na apresentação dessas belas damas, não me dei conta de que este lema de "todas por uma e uma por todas"' que tínhamos adotado, faria com que eu usasse algo em algodão do Wal-Mart, com valor zero, tudo para ajudar minha amiga emo a alcançar sua fantasia de pompons. Sempre tive uma vida solitária, em sessões de dezoito horas na biblioteca e jantar na cafeteria que tinha em Oxford para terminar vestida com um lençol, que dizem ser uma toga e que é para parecer com as roupas da antiga Roma. Não parecia. Nem de perto. Cass tirou um porta uísque de algum buraco oculto em sua toga apertada e tomou um longo gole. –Uou! Sente o calor, querida! – Ela falou, movendo-se para trás e batendo em sua coxa grossa. Passou a língua pelos dentes, lambeu as últimas gotas e passou o frasco para Lexi que depois de um gole, fez uma


dancinha, agitando os braços e me passou a bebida. Tomei um gole, hesitante e senti que meus olhos saíam de órbitas. –Oh meu Deus, Cass! Como você pode beber isso? – Cuspi enquanto passava

minhas

mãos

ao

longo

da

garganta,

tentando

acalmar

a

queimadura. Cass tinha transformado uma parte do seu banheiro em uma destilaria de uísque. Adorava essas coisas. – Está me zoando? É como beber leite materno e eu adoro o buzzzzzz... – Ela alargou a palavra e atuou como se a eletricidade atravessasse sua pele, depois tirou o cigarro de chiclete da sua bolsa escondida e o colocou no lábio inferior. Coloquei uma expressão neutra, entrelaçamos os braços e nos dirigimos às fossas de fogo do inferno. O vestíbulo da Delta, Épsilon, Omega... Beta... PI... Kappa, quem se importa? Era enorme. Uma escada de carvalho dominava a entrada da imponente mansão de tijolos vermelhos e os abajures de aranha que caíam do teto, pareciam pertencer ao palácio de Versailles. Acompanharam-nos, imediatamente, como gado para um quarto traseiro, numa expansão das irmãs da irmandade. A promessa de que logo nos reuniríamos com a esquiva presidente, foi recebida com um enxame de emoção. Surpreendeu-me a forma em que uma pessoa podia causar tal frenesi. As garotas da irmandade nos disseram para ficar quieta e com um dramático rufo de tambor, cortesia de uma irmã golpeando suas mãos sobre uma mesa, a presidenta saiu por uma série de portas duplas, com graves toques dramáticos para colocar a noite em movimento. Imediatamente fiquei tensa. Era Shelly, enormemente emperiquitada, reluzindo em um vestido amarelo muito justo e curto.


– Bem vindas, irmãs. Todos estão aqui esta noite para assistir à iniciação final desta respeitada irmandade de primeira classe. Nesta sala se encontra parte de uma seleta irmandade e de uma família, enquanto estejam aqui na universidade e para o resto de sua vida. – Ela começou a passear diante da multidão. – Esta noite é para se divertir. Mas, antes que comece a festa, decidimos lhes dar uma pequena tarefa... Para demonstrarem o quanto querem estar aqui. Um mal pressentimento encheu meu estômago, com o sorriso satisfeito em seu rosto. – A tarefa é muito rápida e fácil. – Disse ela enquanto se aproximava e parava ao lado de uma mesa coberta com um lençol preto. Com um risinho, ela puxou o lençol, mostrando a surpresa, embaixo do lençol haviam várias vendas para olhos. Shelly se pavoneou diante de cada uma de nós, seus olhos pequenos e brilhantes avaliaram cada uma de suas vítimas e eles tiveram um brilho extra, quando aterrissaram em mim. – Você. Molly. O que é isto? O que aconteceu com aquela que não curtia diversão? Humm? Talvez pense em se unir a uma irmandade de mulheres para que lhe ajudem a compreender melhor a condição humana, não é? Fechei

os

olhos

e

respirei

lentamente,

ignorando

as

olhadas

interrogativas de Cass e Lexi. Eu realmente não gostava dessa garota. Com um sorriso de vencedora e uma gargalhada, Shelly continuou.


– Para a tarefa de iniciação, utilizaremos as irmãs vinculadas a nossa fraternidade. Elas lhes vendarão e vocês terão que dar um beijo de língua em um irmão grego, adivinhando o alimento que este acabou de comer. Isso mostrará seu compromisso conosco e todas nós riremos disto. – Ela fez o anúncio, digno de shampoo para cabelo, ao resto das garotas da irmandade, todas riram em resposta. Sodomitas. Eu não gostava de como isso soava. Agarrei o braço de Lexi e me apoiei nela, estreitamente. – Pensei que havia dito que os trotes não eram permitidos, devido a um escândalo recente ou algo assim? Olhe essas vendas. Isto é para que sejamos completamente humilhadas, o que se certifica como um maldito trote! Não posso fazer isto, Lexi. Estou fora de jurisdição aqui. Lexi me lançou seus olhos pretos de filhotes de cachorrinho. – Por favor, Molls. Por mim? Não é exatamente um trote ruim, é só um beijo em um menino, pelo amor de Deus! Deixei cair minha cabeça e gemi. Era inútil lutar contra ela. Apenas choraria outra vez e me sentiria culpada. – Com certeza me deve uma!

– Caminhem para a mesa e coloquem uma venda nos olhos. As colocaremos em linha e os meninos se apresentarão diante de vocês. – Falou Shelly, se divertindo muito as nossas custas.


Fizemos o que ela mandou, depois de uns minutos, ouvi a porta se abrir e o som de vários pares de sapatos entrando na sala. Senti que alguém estava em pé, na minha frente e quase vomitei pelo fedor. Tinha um forte e pútrido cheiro corporal de licor. Asqueroso. – Quando eu as tocar no ombro, distinguirão, suponho, a comida corretamente, e estarão dentro, simples. – Informou Shelly com uma cadência alegre. Dei-me conta que estava no fim da fileira, porque quando fiz um gesto com a mão, ao meu lado, senti apenas o vazio. Seria a última oportunidade de sair. O som característico de línguas se juntando e garotas fazendo conjecturas encheram o lugar e um coro de garotas da irmandade emitindo risadas maliciosas, na metade do processo vinha de todas as direções. Podia sentir meu pulso acelerar, eu estava nervosa apreensiva e minhas mãos pararam de se mover, mostrando meu pânico crescente. O tempo parecia imóvel enquanto minha vez se aproximava. O menino da fraternidade cheirava... Mal. Mas eu faria isso por Lexi. Um ligeiro golpe nas costas indicou que era minha vez. Preparei-me e me inclinei para frente, só para sentir uma rajada de ar passar por minha cabeça e um grande estrondo vir de um lado, junto com uma risada masculina, que ecoou pelo lugar. – Mova-se, MacMillan. Acredito que está no meu lugar. – Ouvi uma voz rouca e sexy.


– Ah n...não B... Bale! Shelly disse... disse... – MacMillan arrastou as palavras, quase incoerente. – Não me importa o que ela disse. Vá procurar um maldito gole, desmaie por aí, ou algo assim. Entendeu? – Ameaça na voz desse "Bale" era inconfundível. – En... Entendido. Entendido, homem. Não tinha nem ideia do que estava acontecendo. Quem estaria brigando para me beijar. Este dia só ficava cada vez mais e mais estranho a cada segundo. – Espere! Mac tem que... – Gritou Shelly. – Cale a boca, Shel. – Seu tom não deixou lugar para discussão e Shelly ficou em silêncio. Eu estava ocupada mastigando meu polegar, um hábito nervoso que adoto em situações incômodas, enquanto o menino novo da fraternidade movia-se para perto de mim, cheirando deliciosamente melhor que a pessoa anterior, cheirava verão, sabão e hortelã. Era familiar. Reconfortante. Atraente. Uma mão grande e calosa tirou meu polegar da boca e o colocou sobre uma cintura firme. Meus dedos se arrastaram ao longo do tecido parecido com o algodão que cobria seu torso, identificando as dobras de músculo duro e o abdômen definido embaixo. Ter os olhos vendados definitivamente era um despertar sensorial; eu cheirava, sentia e ouvia muito mais. Um par de mãos agarrou os dois lados do meu rosto e pude sentir o momento em que ele começou a se mover para mim, só para acariciar, de repente, meus lábios, de leve, nos dele.


Sem aviso prévio, meu captor soltou um gemido de frustração, deixando cair toda sua doçura e sua ansiosa língua, úmida, invadiu minha boca, em um duelo contra a minha, lutando pelo controle. Entreguei-lhe o controle com muito prazer. Não havia outra opção. Nunca havia sentido nada igual. A cada segundo que passava, o beijo ficava mais frenético, mais intenso e pude identificar a hortelã e provar claramente seu sabor fresco. Pude provar tudo de sua boca, cada canto e ao longo da superfície de seus carnudos lábios. De repente, rompi minha luxúria e me lembrei onde eu estava, em uma sala cheia de gente e antes que me perdesse por completo em suas carícias, coloquei meus pensamentos sob controle e a contra gosto quebrei a conexão. Tirei minha língua, primeiro, suas mãos continuavam fixas em cada lado do meu rosto. Meus lábios deslizaram dos dele, mas lambi ao longo de sua boca para saboreá-lo uma última vez, ganhando um grunhido de satisfação. Tentei recuperar o fôlego e então me dei conta de que pela primeira vez a sala estava absolutamente em silêncio. As mãos do meu captor apertaram uma das minhas bochechas, de uma forma dominante e inflexível, seu quente e doce hálito espalhou-se pelo meu rosto e eu ofeguei, levianamente. Limpando a garganta anunciei em voz baixa: –É hortelã. O sabor de sua boca é...


Minha resposta foi interrompida por um gemido baixo e os lábios do garoto da fraternidade mergulharam novamente nos meus, com muito mais entusiasmo que antes, sua língua imediatamente voou de volta para minha boca. Um cabelo suave, com aroma de madeira e bosque fez cócegas no meu nariz, enquanto ele se pressionava contra mim, quase até o ponto de dor em seu rosto. Ele gemeu com cada golpe de sua língua e entrou profundamente como se devorasse a melhor sobremesa do mundo, eu não podia fazer outra coisa além de corresponder. Minhas mãos subiram e envolveram o seu suave cabelo comprido eu dei um leve puxão, ganhando um grunhido duro e malvado enquanto nos atávamos um ao outro, nos aproximando ainda mais. Não tinha nem ideia de quanto tempo nos beijamos, mas pensei que meu coração saltaria para fora do peito, quanto mais o tempo passava. Ele controlava, eu obedecia, e ambos nos deleitamos nos braços um do outro. No momento em que senti uma de suas mãos se mover para o meu pescoço, alguém bateu em meu ombro e a mão que sustentava meu rosto afrouxou. – Basta! Que demônios, Rome? Solte-a, agora! – chiou Shelly, sua voz soava notavelmente como pregos riscando um quadro negro. Meus olhos foram desvendados e quando o manto da escuridão caiu, Rome estava na minha frente, as pontas de nossos narizes quase se tocando. Estava vestido com a mesma roupa de antes, e ignorava Shelly que dava um ataque no nosso lado e me olhava com uma expressão de ódio, flagrante. – Olá, Mol. – Disse ele com a voz áspera, olhando-me todo o tempo nos olhos e nos meus lábios inchados, eu fazia exatamente o mesmo.


– Escute, você... – Sussurrei, incapaz de encontrar outra palavra em meu cansado cérebro. Rome se inclinou uma vez mais, enquanto a gravidade nos puxava, e meu queixo instintivamente se inclinou em resposta. Shelly segurou o braço de Rome e ele retrocedeu vários metros para trás, mas mesmo assim, não rompeu nosso pequeno e estranho concurso de olhares. – Ouça! – Gritou ela bruscamente e deu uma tapa no rosto dele, com uma força considerável. Isso chamou a atenção e ganhou uns chiados de surpresa de todos na sala. Deixando cair suas do meu rosto, Rome agarrou seu pulso, com suavidade, mas com firmeza e falou com os dentes apertados e uma careta terrível em seu rosto. – Merda, não me bata! Nunca. Nem uma só vez. Os olhos de Shelly se abriram diante de sua dura e ameaçadora advertência, enquanto os outros na sala me olhavam como se eu fosse um experimento científico que tinha dado errado. – Era hortelã. – Soltei. Shelly virou o pescoço para me olhar. – Rome tinha sabor de hortelã. Isso era o que queria, certo, para esta tarefa ridícula de iniciação? – Inclusive para meus ouvidos, minhas palavras soavam bem frias, enquanto eu olhava para Shelly, tratando dissipar a atmosfera crepitante que tinha descido sobre o ambiente. O olhar irado de Rome se centrou no meu e por um momento perdi o fôlego. Nunca ninguém tinha feito eu me sentir assim antes e comecei a entrar em pânico por minha desconhecida atração por ele.


Sua boca se apertou em uma linha dura e suas fossas nasais se dilataram como se pudesse cheirar minha intensa atração. – Ela tem razão. Acabei de mascar um chiclete. Tirando seu braço do forte aperto de Shelly, Rome a empurrou para trás, rapidamente deu a volta e saiu da sala, batendo a porta, com muita força. Depois de vários segundos de tensão, o resto das garotas da fraternidade fizeram o mesmo, ficando apenas as meninas da iniciação, que me olhavam com sorrisos impressionados e expressões de assombro. Lexi e Cass vieram para perto de mim, a emoção irradiava de seus amplos sorrisos. Lexi pegou minha mão e falou: – Molly, sabe quem era? – Sim, era Rome. Conheci-o hoje, está em minha sala de ética e filosofia. Cass bufou. – Claro que sim, é Rome, mas ele é mais que um estudante, Molls. –Ah é? – Respondi, confusa. Lexi se inclinou. – Molly, ele é um estudante sênior e, para que saiba, completamente inalcançável. É distante, com todo seu mau humor e escuridão, mas o mais importante, é um puto jogador titular dos Tide!


–As estatísticas oficiais, dizem que ele tem seus 1,83m e cento e seis quilos de músculos sólidos! – Acrescentou Cass com excitação. – Ele é um o quê? Como assim? Cass retrocedeu e pôs as mãos em seu volumoso peito como se acabasse de amaldiçoar a Batata. – É o capitão e estrela dos Crimson Tide. – OH! – Dei-me conta do que estava escrito em sua camisa. – É uma equipe de Futebol americano, certo? – Certo? CERTO? Não têm Futebol americano na Inglaterra? –Sim, mas jogamos com uma bola redonda. E chamam apenas de Futebol. Também temos rugby, cricket, tênis. Não jogamos futebol americano, ao menos não de forma profissional. – Doce menino Jesus... Não posso imaginar a vida sem futebol americano. Sem portas traseiras, arquibancadas ou cachorros quentes. A vida seria insuportável. – Fui criada por minha avó em um pequeno povoado mineiro ao norte da Inglaterra. Sua ideia de diversão era tecer cachecóis e jogar xadrez. Logo fui para Oxford, onde estudei vinte e quatro horas, sete dias da semana para minha licenciatura. Desculpem se o Futebol americano não foi uma parte muito importante da minha vida! – Tratei de brincar, mas senti a familiar ansiedade começar a se enroscar em mim, apenas com a menção da minha antiga vida. Engasguei-me antes de me afligir. Lexi agitou a mão com desdém.


– Está bem, vamos lhe dar umas dicas. Romeo Prince é o capitão titular da equipe de Futebol americano do Tide e definitivamente vai rumo à NFL no fim do ano. Esperava-se que ele fosse a um intercâmbio de jogadores, já por duas vezes, mas por alguma razão decidiu ficar e terminar a universidade antes de ir ao grande momento. Você, Molly Shakespeare, acaba de se fazer pública com o garoto mais desejado do campus. Um tipo que nunca se compromete com ninguém. Um tipo que assusta outros tipos, e pelo que as garotas contam com muito gosto, renunciariam um pulmão por ele. – Sim, cadela sortuda! – Adicionou Cass, com um golpe suave em meu braço. Minha cara pálida deve ter-lhes dado a entender que eu continuava sem entender o verdadeiro impacto do que acabava de acontecer. Cass virou teatralmente seus olhos. – Deixe-me dizer de outra maneira para que possa compreender. Você é a Kate Middleton, que acabou de beijar ao Príncipe William da Universidade do Alabama e, possivelmente, de todo o circuito de Futebol americano. Por fim entendi a situação. – Assim, Rome é uma espécie de grande astro por aqui? – Seus enormes

sorrisos

me

ensinaram

que

essa

frase

fora

subestimada,

enormemente. – Romeo Prince. É um pouco intenso, não? – Disse em voz baixa, recordando seu sabor único, marcado, com as mãos possessivas sobre meu rosto e seus profundos grunhidos de satisfação.


– Intensamente fodível! Vai querer vê-lo no campo de futebol... Cristo, isso é algo que ninguém pode deixar de ver! Ele perde a calma, muito facilmente, fala merda para qualquer um que cruzar seu caminho. Mas as garotas gostam dessa coisa de mau humor e ele é incrivelmente sexy de bermuda, com aquelas umas pernas magníficas e bronzeadas. Merda, quase tenho um orgasmo, apenas pensando nele! – Faço uma careta pela crueldade de Cass e ela se limita a sacudir a cabeça diante de mim. – Mas ele não se cansava de você, garota! Pensei que ia rasgar sua roupa aí mesmo, no meio da sala! Esteve a ponto de decapitar Mac quando ele ia beijá-la. Quando ele o empurrou para o chão, o olhar assassino no rosto dele deu um medo da porra. Senti calafrios! – Ela estendeu braço e o esfregou para demonstrar o que dizia. Minhas sobrancelhas se enrugaram enquanto absorvia o que ela havia dito. – Romeo Prince – murmurei. Ele tinha me beijado com tanto desespero, com tanta necessidade crua, agitando um desconhecido desejo no lugar mais profundo dentro de mim. – Romeo e Shakespeare! Quão hilariante é isso? – Disse Cass, emocionada, o que fez com que sua toga quase caísse e se rasgasse mais do que já estava. – Meu Deus! Supõe-se que deve ser assim! – Lexi riu, pondo sua pequena mão sobre sua boca. Shelly escolheu esse momento para aparecer na minha frente, com seus olhos azuis monótonos, cravados nos meus. – Saia desta casa imediatamente... Porca! – Ela falou, orvalhando minha cara com sua saliva, enquanto o fazia.


Tirei meus óculos e limpei o líquido neles com a barra da minha toga. – Com muito prazer. Não preciso disso de toda a forma. Vir até aqui foi um grande equívoco. Cass, Lexi, sinto muito, mas isto de que todas sejam irmãs em um festival de amor, não é para mim. Nos veremos em casa. Precisava me afastar dessa garota horrível e parar de tentar ser algo que eu não era. Tinha tentado por minha amiga e isso era a única coisa que importava. Tinha apenas que esquecer este dia. Pela manhã, tudo voltaria ao normal. Cass assobiou com seus dedos, chamando a atenção de todos. – Ela está dentro, Shelly. Deu um beijo em um menino e adivinhou o que tinha comido. Não me ponha a provar isso, todo mundo foi testemunha. Cristo! Vendaram os olhos de Molls, pelo amor de Deus! Não foi como se ela tivesse ido atrás dele. – Depois disso, ela cruzou os braços sobre o peito com um olhar ameaçador em seu rosto. A dura fachada de Shelly caiu por um momento. Não podia culpá-la, caso eu tivesse que cruzar com a ira de Cass, também estremeceria. – Ela não tinha a intenção de lhe dar um beijo! Supõe-se que eu quis isso?

Shelly

gritou

para

suas

companheiras

de

irmandade,

que

simplesmente a olharam com indiferença. – Acredito que descobrirá que ele a beijou... Duas vezes – Anunciou uma bonita morena que piscou um olho para mim, enquanto vinha em minha direção, no fundo da sala. Ela colocou sua mão em meu ombro.


– Ela está dentro. Não a impugne ou perderá, Shelly. – Disse ela com um sorriso satisfeito em seu bonito rosto. – A culpa é sua por fazer promessas como essa todos os anos, só para que você e suas lacaias possam chutá-las. Desta vez isso se voltou contra você. É uma pena. – Continuou a morena. Shelly se afastou de mim, mas não sem antes cravar o dedo em meu peito. – Mantenha-se longe dele ou haverá problemas, me ouviu? Você não tem nem ideia de com quem está se metendo, nem uma maldita ideia! – Ela saiu da sala e fechou a porta. Um silêncio sepulcral se seguiu. A morena se dirigiu às irmãs. – Felicitações! Todas vocês são agora parte desta fantástica irmandade, que sorte! Os barris estão no pátio. Aproveitem. As novas irmãs saíram da sala com sorrisos felizes, deixando Lexi, Cass e eu com a morena de pernas longas. Ela usava um vestido vermelho, curto, de verão e tinha a pele bronzeada, cabelo longo e escuro até a metade das costas e os olhos de castanho escuro. Era impressionante. Parecia uma supermodelo, realmente linda. Ela se aproximou de mim e se apresentou, com um grande sorriso. – Desculpe-me por Shelly. O poder sempre lhe sobe em eventos como este e estou totalmente farta de sua muito acalorada demonstração pública de afeto pelo meu primo. – Primo? – Falei.


Ela começou a rir. – Sim, Rome é meu primo, na verdade ele é mais como um irmão. Sou Ally Prince. Shelly quer ser sua namorada desde que tínhamos dez anos de idade. Apenas ignore. Como eu faço. – Ela parecia muito possessiva sobre ele. – Ally soltou uma gargalhada. – Não sei a razão. Nunca estiveram juntos oficialmente. Só ficaram juntos algumas vezes no passado, embora Shelly nunca tenda a notar que terminou. Rome não é exatamente o tipo monógamo, só lhe dá atenção porque o pai dela e o de Rome são sócios, nos negócios. Ela é exatamente o que os pais dele escolheriam para sua futura esposa. Todos os tipos com dinheiro se pegam por aqui. Os amigos da família deles já agem como se eles estivessem comprometidos. Meu coração caiu um pouco, com essa migalha de informação. Ele estava destinado a comprometer-se com ela? Ally estendeu a mão para tocar meu ombro, com uma expressão divertida. – Nunca o vi reagir assim antes, garota. Tampouco Shelly. Por isso, ela foi tão vaca. Inclusive me pareceu que ele estava excitado, sou prima dele e não tenho gosto por incesto, para sua informação! – Brincou. Ally uniu meu braço com o dela. – Vamos tomar uma cerveja. Posso dizer que você e eu seremos boas amigas, Srta. Molly, inclusive se for apenas para vê-la torturar Shelly. Além disso, designarei você e suas amigas para um dos quartos aqui na casa. Temos uns poucos quartos disponíveis, mas se vocês se mudarem, Shelly


estarรก zangada constantemente e isso farรก com que meu ano seja muito mais emocionante.


Duas horas mais tarde, encontrava–me sentada em uma mesa de piquenique num exuberante jardim com Cass, Lexi, e Ally. Lexi estava tentando agradar Ally o máximo possível, sabendo muito bem que Ally tinha sido titular da equipe das animadoras de torcida do time universitário, assim estava tentando tirar dela informações a respeito das provas e o que estavam procurando nas novas meninas. Cass estava muito ocupada fazendo carinho em um enorme jogador do Tide (assim ela me informou) que se encontrava à direita, com seu traje completo de vaqueiro, enquanto apreciava seu 8Moonshine

de contrabando.

A falta de conversa que implicava minha participação permitia-me divagar sobre meu único interesse atual: Romeo. Eu não o vi mais depois do beijo. Pelo menos, não o tinha visto na festa, assim supus que ele tinha ido para casa. Infelizmente, tive que admitir para mim mesma que estava um pouco decepcionada com sua ausência. Ele conseguiu entrar sob minha pele com seu jeito estranho de me tratar e eu não podia tirar aquele beijo da minha cabeça. Tudo isso me fez pensar em coisas que não faziam parte do meu comportamento habitual, coisas que implicavam nudez, camas e muito suor. Concentrei-me novamente na conversa e consternada, ouvia as garotas mudarem de temas, desde animadoras de torcida a seus antecedentes familiares. Decidi que este era o momento perfeito para eu fazer uma pausa rápida. – Ally, onde é o banheiro? – Perguntei, abruptamente. – Pode usar o meu querida. É no andar de cima, terceira porta à direita. – Ela tirou uma chave da bolsa e a colocou na minha mão. – Eu o 8

Moonshine - Tipo de bebida alcoólica destilada


mantenho trancado, não quero que o pessoal use meu quarto para transar, em festas como esta. – Bem pensado. Obrigada. Volto logo. Caminhei pelo pátio e fui até a escada principal, subindo rapidamente os três lances, tentando ignorar os gemidos e respirações ofegantes que emanavam de portas fechadas. Ally tinha razão em manter a porta trancada à chave. Parecia que havia uma matilha de lobos no cio em todos os níveis. Cheguei à porta correta e girei a chave na fechadura, entrei e a fechei atrás de mim, trancando-a, por medida de segurança. Não queria sair e dar de cara com um show de sexo explícito de universitários afoitos na cama. O quarto era bonito. As paredes eram brancas, lençóis vermelhos cobriam uma cama enorme, tamanho extragrande, havia também uma escrivaninha grande e antiga em um canto. Mas o verdadeiro destaque do cômodo era a sacada com cortinas de tecido fino vermelho que fluíam com a brisa suave do verão sobre as portas abertas e as luzes das estrelas que brilhavam contra os fios de linho no tecido. Neguei-me a acreditar que diante de tudo aquilo ela ainda fizesse questão

de

morar

na

casa

dos

pais.

Algumas

pessoas

jamais

experimentaram tanto luxo em toda sua vida. Meu pai e minha avó sempre viveram em uma casa de quatro cômodos minúsculos. Imagino o quanto custaria viver ali. Esse pensamento me despertou, e comecei a procurar o banheiro, como pretendia. Cheguei ao outro lado do quarto quando uma voz rouca vinda da varanda falou: – Ah... É você! Sobressaltei-me e segurei a respiração no peito, meu coração acelerou, pelo susto. Apoiei-me na coluna da cama quando o dono da voz entrou no quarto escuro.


Romeo. Levantei a cabeça e o vi me olhar fixamente, obviamente surpreso com minha presença. – Este cômodo está fora dos limites, Mol. – Disse ele secamente enquanto tomava um gole de cerveja, numa garrafa marrom. Mol! Adorei como sua língua se enrolava ao falar meu nome. Nunca ninguém me chamara de Mol, mas a expressão de seu rosto me fez querer pedir uma mudança de nome. Endireitei-me, nervosa, sua voz rouca dificultava minha respiração e concentração, então levantei a chave no resplendor da luz da lua. – Sei disso. Ally me deu a chave para usar o banheiro. Ele lambeu os lábios e sem dizer uma palavra, voltou para varanda, sozinho e com os pés descalços. Observei-o por alguns instantes, depois fui em direção ao banheiro. Fiz minhas necessidades rapidamente e me olhei no espelho, obrigando-me a recuperar a compostura. Peguei emprestada a escova de Ally no balcão da pia e escovei meus cabelos encaracolados, ajeitei-o em um nó na parte superior de minha cabeça para conter a massa de cachos castanhos. Vi sua pasta de dentes e pus um pouco em meu dedo, e esfreguei sobre os meus dentes e finalmente, endireitei minhas roupas, ajeitando a blusa sobre meus seios e ao redor de minhas curvas traseiras. A tatuagem do quadril não era visível, para minha satisfação, então alisei minhas sobrancelhas, belisquei as bochechas com os dedos e deixei a segurança do banheiro. Vagarosamente abri a porta e fui em direção a saída, na ponta dos pés. Estava quase na porta quando Romeu disse secamente: – Mol?


Fiquei imóvel, no ato. – Sim? – Poderia ficar um pouco aqui... Comigo? – Sua voz soou tensa, como se lutasse contra sua razão ao me pedir isso. Bem, na verdade aquilo desafiava a razão dos dois. Não confiava em mim mesma quando ele estava por perto. – Mol? – Sim... Tudo bem. Quando entrei na varanda, vi Romeo sentado em uma cadeira branca em torno de uma mesa de jardim, olhando para baixo através das grades da sacada, que dava para o jardim, atrás da casa da irmandade, com uma expressão de aborrecimento em seu rosto. Puxei uma cadeira e me sentei, tentando ver o que tinha chamado sua atenção. Romeo parecia não ter se dado conta da minha presença até que deslizou uma garrafa de Bud em minha direção e bebeu um gole da sua, encostado na cadeira e enredado em seus próprios pensamentos. Examinei a varanda à frente, olhando a bela decoração com plantas vicejantes em vasos de barro e quando virei em direção a Romeo, encontrei toda a atenção de seu olhar intenso, castanho e escuro. Notei um pequeno sorriso em seus lábios carnudos, pela primeira vez, desde que aceitei lhe fazer companhia. Tomei um gole da minha bebida só para fazer algo com as mãos. Ele permaneceu em silêncio e apoiou a cabeça no braço que estava no braço da cadeira. – Desde quando usa óculos? – Perguntou ele, apenas para iniciar uma conversa.


– Acho que desde os três anos. Mais ou menos. Minha visão sempre foi uma droga. – Respondi e ele se virou, com um olhar perdido, uma vez mais na multidão abaixo de nós. Uma garrafa explodiu no andar de baixo e ele observou através das grades para ver o que estava acontecendo. – Há muito barulho lá embaixo. – Murmurou, prosaicamente. – Sim. Bem, você deveria andar pelos corredores. Parece que estamos em um bordel. Não pensei que a vida universitária fosse tão... Ardente. Ele riu baixo e levantou sua garrafa em minha direção, em um brinde fingido. – Bem-vinda à vida grega. Sorri e também levantei a garrafa, logo a abaixei e bebi um gole interminável, tentando sobreviver ao ataque guerrilheiro de nervos que se aproximava de meu corpo. Coloquei a garrafa sobre a mesa quando Romeo arqueou uma sobrancelha. – Eu gosto de cerveja. – Expliquei, fracamente. – Posso ver. – Respondeu ele com um sorriso divertido. Corei e apoiei meu queixo na mão. – Então, por que está aqui... Escondendo-se? Romeo encolheu os ombros. – Não me sinto animado essa noite. – Sério! – Suspirei. – O Sr. Estrela do Campo não quer se misturar aos torcedores?


Sua atitude mudou; de divertido a irritado em um instante e ele começou a rasgar a etiqueta de sua garrafa Bud, com frustração. – Bom, até que não levou muito tempo. Quem lhe disse quem sou? – Lexi e Cass. – Quem? – Minhas companheiras de quarto, disseram-me depois que... Humm, depois... Você sabe. – Depois que nos beijamos? – Ele disse sem rodeios ou vergonha. Fixei meus olhos no chão de cerâmica vermelha. – Hum... Sim. – Então, o que disseram a meu respeito? – Que você era Romeo Prince, o quarterback extraordinário do Crimson Wave e que era o Príncipe William do Futebol Americano Universitário, blá, blá, blá... Romeo parou de destruir o rótulo da cerveja e pôs a palma da mão sobre a boca, para abafar o riso. Franzi os lábios com desgosto. – O que foi? – Do Tide. – Hein? – É Crimson Tide. Não Wave. Encolhi os ombros e desprezei sua correção.


– Que seja. É tudo farinha do mesmo saco. – Bom, é melhor que sua opinião fique só entre nós. Por aqui as farinhas não se misturam. Por aqui é... Tudo. Vida e morte. – Ele suspirou e voltou ao rótulo. Bebi um gole a mais e anunciei: – Então, você se chama ou não Romeo? Seus olhos castanhos congelaram. Inclinei a cabeça, arqueando minhas sobrancelhas. – Ah...Ah! Você é Romeo. Fui informada por gente confiável. Ele franziu o cenho, sua expressão ficou rígida. – Ninguém me chama assim, Mol. – Ah, mas também ninguém me chama de "Mol". – Repliquei e meus olhos se abriram diante da audácia inusitada. Isto me valeu um olhar de surpresa. – Touché, Molly... – Ele calou-se, esperando que lhe dissesse meu sobrenome, com um sorriso no rosto. – Molly Shakespeare. Romeo se aproximou mais, sua boca em uma linha reta. – Como? – Shakespeare. Molly Shakespeare. O desconforto era evidente em sua expressão intimidadora. – Está tirando uma da minha cara?


– Não, Romeo, meu nome de família é Shakespeare. Juro! Ele ficou quieto por um momento antes de jogar a cabeça para trás, enquanto

soltava

uma

gargalhada.

Sua

camisa

vermelha

levantou

ligeiramente, mostrando a linha de seu abdome bronzeado. – Isso parece estranho, sabe, nossos nomes e... – Comecei a falar, nervosa antes dele me cortar. – Sério? Muitas coisas estranhas estão acontecendo desde que lhe conheci hoje de manhã. Não entendo o que significa tudo isto ainda. – Ele franziu o cenho e sacudiu a cabeça. – Bom, então as coisas vão complicar, meu amigo, porque meu segundo nome, Romeo, é Julieta. – Soltei, tamborilando meus dedos sobre a mesa de vidro. A bebida de Romeo parou no ar e sua língua ficou parada entre os dentes. – Não acredito! – Sim, meu pai pensou que seria um elogio ao nosso sobrenome familiar. Romeo jogou a cabeça para o lado, fitando-me com uma expressão curiosa. – Sem dúvida, um grande elogio. – Sim, mas ao mesmo tempo é um pouco embaraçoso. – Bem, Shakespeare. Talvez agora queira me chamar de maneira diferente, não? Agora que sabe que sou Romeo "Bala9" Prince? – Bala? – Meu nariz franziu pela confusão. Estendendo a mão para frente ele, disse: 9

Referência a Bala de arma de fogo – Projétil – Rapidez.


– Sim. É meu apelido nos campos de futebol americano. Meu braço, entende? Continuei sem compreender. – O braço que uso para lançar... Minha expressão não mudou. Romeo indicou a si mesmo. – Quarterback... Os quarterbacks atiram a bola...

No futebol

americano... Aos outros jogadores... Eles controlam o jogo. – Se você o diz. – Disse-lhe com um sorriso e um dar de ombros. – Nossa você realmente não sabe nada de futebol americano, hein? Realmente. Ele parecia pasmo. Podia se ver isso em sua expressão. – Não. E sem ofender, tampouco desejo saber. Isso não me interessa. Eu e os esportes não nos misturamos. Com um som agudo vindo do piso vermelho, Romeo moveu sua cadeira e a mesa para ficar mais perto de mim e se inclinou para me encarar. – Eu gosto que você não saiba nada de futebol americano. Será uma mudança bem-vinda, conversar com alguém a respeito de algo que não seja a nova blitz10 ou a nova formação. – Como? – Adoro que não tenha nem ideia do que estou falando. – Refletiu ele. – Estou feliz por você estar aqui.

10

Blitz: É uma manobra defensiva de um time na qual é ordenado aos apoiadores que cruzem a linha


Enquanto Romeo alcançava o recipiente de cervejas, parecendo ainda mais malvado, ele retirou a tampa de outra garrafa, usando a borda da mesa, e a entregou para mim, fez a mesma coisa quando pegou uma para ele, antes de pôr suas pernas em minha direção e seus pés nus tocarem os meus. Com este simples toque, senti como se tivessem me roubado todo ar dos pulmões. – Então, Shakespeare, o que me diz? Suponho que você seja uma CDF, que está interessada em ser assistente da professora Ross. De fato, você deve ser fantástica para que ela a tenha te arrastado até o Alabama. Movi-me com desconforto e fiquei olhando a mesa. – É, algo assim. – Você não gosta de falar do quanto é boa na escola, não é? –Ele perguntou, intrigado. – Na verdade, não. Acho embaraçoso, falar sobre ser bom em algo. Qualquer pessoa que gosta desse tipo de atenção me parece estranha. – Então, isso é algo que temos em comum. – Ele parecia feliz... Surpreso. Coloquei minha mão sobre a dele e sussurrei: – Hum, isso e os nossos nomes épicos, da dramaturgia. O calor subiu rapidamente pelo meu braço, de novo, e ao ver minha reação, ele sorriu com cumplicidade. – Isso também. – Romeo? Romeo? Alguém viu Romeo? Onde ele está?


Shelley. Romeo gemeu e pôs a cabeça entre as mãos. Acabei minha cerveja e me levantei da cadeira, minha ansiedade apareceu, de repente. Tinha que sair dali. Romeo levantou rapidamente a cabeça, com o rosto aflito. – Vai a algum lugar? – Ele assumiu uma atitude ofensiva, como um quarterback em campo, obstruindo uma tentativa de passe. Inclinei-me sobre a grade da sacada, vendo Lexi, Cass, e Ally conversando e rindo, estendidas na grama. Deveria estar com elas e não com Romeo. Shelly cambaleava pela grama, talvez a procura de Romeo e parecia um desastre ambulante. Apontei para o pátio. – O que está esperando? Pela aparência dela, está bêbada. – Eu não estou esperando nada! Ela só deseja atenção. Dormirá com algum outro cara. Colocando minha cadeira no mesmo lugar ele ordenou: – Sente-se Shakespeare, e tome outra cerveja com seu trágico personagem mais célebre. Você ainda não quer me deixar. Os olhos de Romeo demandavam que eu obedecesse, girando meus olhos acintosamente, peguei outra Bud e me sentei. – Se eu não parar de beber logo, serei eu a cambalear pela grama. Quer que eu grite por você, também? Romeo lambeu seu lábio inferior e involuntariamente imitei sua ação. – Você parece mais tentadora a cada segundo.


Não sabia o que dizer em resposta. Ao ver minha inquietação, ele mudou de assunto, claramente emocionado. – Então, decidiu se unir a uma fraternidade? – Sim, e Ally quer que me mude para a casa principal, com Lexi e Cass, é obvio. Não é exatamente o que eu planejava, mas estou me esforçando para me enturmar na vida universitária. Ele sorriu. – Você e Ally estiveram conversando? – Sim. Depois do... Antes de eu vir... Depois do... Humm... – Do beijo. – Ele falou, mais uma vez, porém, desta vez, com os olhos ligeiramente entrecerrados e em tom rouco, enquanto observava minha boca. – Sim. Bem, Shelly me mandou dar o fora, Ally me defendeu, e basicamente disse a Shelly que quem deveria sair era ela. Romeo deslizou os dedos por seu cabelo loiro escuro, rindo em voz baixa. – Ela não é exatamente a maior fã da Shell. Vai ser uma boa amiga para você por aqui. É minha prima e, minha melhor amiga. Portanto, tenho a chave deste quarto e gosto de ficar aqui quando as coisas esquentam. – Ele usou seu polegar para assinalar por cima de seu ombro, em direção a porta. – Ela parece ser amigável. – Pode confiar, ela é a melhor. – Inclinando–se para trás, ele pôs as mãos atrás da cabeça. – Então, Shakespeare, é de que lugar da Inglaterra? Não se atreva a dizer que é Stratfordupon–Avon ou me atiro da primeira ponte que vir.


– Não, nem de longe. Sou de Durham. – Respondi, com uma risadinha. Ele mordeu o lábio inferior, parecendo estar pensando. – Não, nunca ouvi falar deste lugar. – Já ouviu falar de Billy Elliot? – Perguntei, tentando lhe dar uma referência. – O filme sobre os bailarinos? Sorri. – Isso. Bom, sou da mesma região em que foi feito este filme. – Sério? – Podia vê-lo imaginando a cidade. As fileiras de pequenas casas encostadas na rua, o dia cinzento e a pobreza relativa em comparação a este estilo de vida. Os olhos escuros de Romeo baixaram à mesa. Coloquei minha mão sobre a dele e ele estremeceu com o contato inesperado. – Ok. Sei que sou pobre. Não tem que se sentir mal por isso. – Eu... Não estava... – Ele gaguejou timidamente e virou a mão na minha, nossas palmas se encontraram e ele olhou nossas mãos fixamente, com curiosidade. Lutei para me acalmar. – Sim, estava pensando isso. Tudo bem. Sei que venho de um lugar que não é exatamente glamoroso, mas tenho orgulho dele, de qualquer maneira. É o lugar onde cresci e eu o adoro apesar de sua reputação, embora eu não esteja mais lá. – Sua família mora lá?


Família. Senti uma dor aguda atravessar meu coração com a palavra e tossi para ocultar meu pânico. Em silêncio, roguei a um poder superior que me deixasse enterrar essa dor no mais fundo do meu ser, antes que eu perdesse o controle diante de Romeo. Ele tocou minhas costas e a ansiedade começou a se esvair, a ameaça retrocedeu ante a força do contato. – Você está bem? Ficou pálida. – Perguntou Romeo, inclinando-se para frente e esfregando minhas costas. Juntei as mãos para deter minha agitação e levantei o olhar, para o seu belo rosto. – Sim, obrigada. – Respondi um pouco perdida a respeito de por que o pânico se esvaíra com seu gesto simples. Observando-me com preocupação e inclinando o queixo, ele insistiu na pergunta. Respirei fundo, para me fortalecer. – Não, não tenho família. A expressão de seu rosto não tinha preço. Se não fosse tão trágica, a situação seria divertida. – Merda, é órfã? – Veja, não tenho mais família. Mas não estou certa se um adulto pode ser classificado como órfão. – Sua mãe? – Morreu me dando a luz. – Pai? – Morreu quando eu tinha seis anos.


– Não tem avós, tias ou tios? – Uma, uma avó. – E? – Morreu quando eu tinha quatorze. – Mas então, onde... – Lares adotivos. – E isso é tudo? Vive sozinha... Tem vinte anos, não? – Sim. – Por sua conta durante seis anos? – Bom, fui para a universidade, tive alguns amigos lá e a professora Ross me ofereceu o cargo de assistente no meu primeiro ano e cuidou de mim, quando soube que eu não tinha mais família. Mas permaneci sozinha por muito tempo. Foi... Difícil. Ele se moveu involuntariamente para perto de mim, como se eu fosse a gravidade o atraindo à terra. Foi algo doce. Sentia-me bem, vendo como ele se importava comigo, era estranhamente relaxante deixá-lo entrar em meio à tantos anos sozinha e me esquivando. E ele não era qualquer um. Era o bad boy da Universidade. Felicitei-me. Apenas por diversão eu deixaria um tipo que arrebenta corações entrar. Passei a mão por seu antebraço. – Não quero ser grosseira, mas esta conversa está me desanimando, Romeo. Morte e Budweiser nunca deveriam estar na mesma conversa.


Ele assentiu e o tenso silêncio encheu o ar, mais uma vez. A mão dele permaneceu nas minhas costas e ele sutilmente começou a movê-la, aumentando a pressão. – E, como estão você e Shelly? – Mudando de assunto. – Bom, tem que haver uma razão para que ela ficasse tão zangada com nosso beijo. Mesmo sendo só pela iniciação. – Somos... Complicados. – Ele respondeu, hesitante. – Isso parece uma maneira de escapar da conversa. – Não, não é uma maneira de escapulir. Ela vive me cercando desde o sexto ano. Nossas famílias estão nos pressionando para que haja um compromisso. Sabe como é, para proteger os investimentos, manter o dinheiro da companhia na família. Nossos pais são sócios nos negócios. Ela nem sequer me agrada é um grande espinho na bunda. – Mas? Você vai prosseguir com isto? Com o compromisso, quero dizer. Fico surpresa que se conforme com alguém que não quer. Ou inclusive que assuma um compromisso, bom isso se os rumores estão certos. Romeo deixou escapar um longo e constante suspiro. – Malditos rumores. Olhe, as garotas se jogam sobre mim. O que me oferecem, eu pego. Por que não pegaria? Não tenho namorada, nunca tive um compromisso sério. O sexo me ajuda a acalmar, assim, não fico tão irritado o tempo todo e mostro às pessoas que definitivamente não estou com Shelly. Não vou pedir desculpas por isso. Eu gosto de foder, muito e nunca a mesma garota duas vezes. Estou certa que minha boca abriu e o queixo caiu, ao ouvir sua grosseria. Mas, ao que pareceu, ele ignorou minha reação horrorizada.


– Meus pais têm um plano formado. Esperam que eu me forme, me case com Shelly, assuma o negócio da família e viva o puto sonho americano. – Então, não vai querer jogar futebol americano profissionalmente? Ouvi dizer por ai que você tem talento e que é um jogador extraordinário. Seu rosto se iluminou. – Sim, sim quero jogar. Eu adoro. É tão natural para mim quanto respirar. A pressa, a camaradagem, o rugido da multidão. No dia do jogo, fazer

um

touchdown

é

perfeito.

Meus

pais

não

apoiam

a

ideia.

Simplesmente... Porra, não importa... Eu apenas odeio que minha vida seja ditada por meus pais, isso é tudo. – Faça o que quiser. Que os outros vão à merda. Romeo levantou a cabeça e me deu um sorriso triste. – É mais fácil dizer do que fazer. – Não pode viver sua vida pelos outros, Romeo. Tem que seguir seus desejos, alcançar seus sonhos, da forma que desejar. Seja feliz, então seus pais certamente ficarão felizes e se não ficarem, vão superar com o tempo. Não viva com alguém que você não gosta. Tem que encontrar uma garota a qual não possa resistir, alguém que realmente deseje acima de qualquer outra pessoa. Alguém com quem possa se conectar. – Igual a você, Mol? Uma garota como você? – Você nem sequer me conhece. – Sussurrei, com os olhos abertos, enquanto ele se movia em minha direção. Ele levantou a mão e seu dedo indicador acariciou meu rosto, fazendome tremer. – Bastou apenas Romeo lançar um olhar a Julieta e seu destino foi selado. Talvez eu seja igual a ele e talvez você seja como ela.


Sua mão caiu sobre meu joelho e ele acariciou minha coxa nua, sua língua rosada passou ao longo de seu lábio inferior. Se nós dois nos inclinássemos apenas... Um... Pouco... Mais... Nós... Poderíamos... A maçaneta da porta do quarto de Ally começou a fazer barulho e uma voz aguda interrompeu nosso momento. – Romeo? Romeo? Abra! Sei que está aí! Shelly. Mais uma vez. – Merda! – Gritou Romeo, ficando de pé e jogando a garrafa de cerveja vazia no cesto de papel. Levantei-me bruscamente, raiva corria por minhas veias, pela interrupção. – Essa garota! – Reclamei e tive que me segurar na grade da varanda, para me acalmar. Com grande atenção, Romeo observou minha reação do outro lado da sacada. Ele fechou os punhos, enquanto olhávamos com necessidade evidente. – Tenho que ir, Romeo. – Disse em voz baixa, enquanto fechava os olhos

para

manter

a

compostura.

Romeo

ficou

ali,

me

olhando,

silenciosamente. Eu não podia dizer o que ele estava pensando e sua falta de resposta me enfureceu. – Fique com ela. Provavelmente isso é o melhor. – Falei com mais firmeza desta vez. Ele suspirou e descansou às mãos na parte de trás do pescoço. – Mol... – Ele parou o que ia dizer e entendi isso como uma deixa para eu sair de cena. Aquilo tudo era apenas Romeo querendo foder a Julieta!


Quando passei ao lado dele, ele agarrou minha mão e me puxou contra o seu peito. Colidi com seus músculos, com força e o contato me tirou a respiração. Romeo colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. – Eu gostei de conversar com você, Shakespeare. Foi diferente... – Ele parecia tão desconcertado quanto eu me sentia, o espaço entre suas sobrancelhas ficou franzido, enquanto ele agarrava meu braço, segurandome firmemente contra seu corpo duro. Suspirei. – Também gostei, Romeo. Mas nossa pequena conversa parece ter chegado ao fim. Imagino que provavelmente isso seja o melhor para todos. Libertei-me de seu aperto e abri a porta com relutância. Shelly passou por mim, bêbada e cambaleante; ignorando-me completamente ela saltou de maneira descuidada nos braços de Romeo, envolvendo as pernas ao redor da cintura dele. – Quero você, Romeo. Foda-me, aqui e agora. Sacudi a cabeça. Shelly levou os lábios aos dele e começou a mover os quadris contra a pélvis dele. Romeo deu um grunhido de surpresa, agarrando os braços dela. Segurei a respiração durante o que me pareceu uma eternidade e cheia de uma raiva, viva, deixei-os sozinhos. Estava muito zangada. Por ele tinha sido tão atencioso e sincero comigo para depois quase foder outra garota diante dos meus olhos. Supus que sua reputação de mulherengo era merecida. Eu não deveria, ingenuamente, ter pensado que ele havia sentido a mesma conexão estranha e intensa que eu. Cass e Lexi me avisaram e eu fui uma tola por ter baixado a guarda. Apesar de ter me sentido muito bem ao lado dele.


Caminhei de volta para minhas amigas e desabei sobre o banco de madeira, notando que Cass estava aconchegada nos braços do rapaz enorme, de antes. – E quem é esta pequena e linda senhorita? Há algo aqui que deixa às garotas tão belas e eu não sei? – Perguntou ele, olhando teatralmente ao redor, me fazendo rir e me tirando do estado atormentado em que me encontrava. – Sou Molly. Você? – Gostei dele imediatamente: grande, gentil, rosto rosado e olhos brilhantes. – Sou Jimmy-Dom Smith, mocinha. E é um prazer conhecê-la. – Ele inclinou seu chapéu de vaqueiro e voltou a beijar Cass, enquanto ria. Ally puxou–me para seu lado. – Onde você esteve? – Com Romeo, em seu quarto. Ele tem uma chave, sabia? Ela bateu palmas, levemente, seus olhos se arregalaram e um sorriso brilhante iluminou seu rosto. – E? – Não aconteceu nada. Apenas conversamos e bebemos algumas cervejas. – Respondi apressadamente, parando seu entusiasmo. – O safado te beijou outra vez? – Ela estava praticamente saltando em sua cadeira. Eu neguei, com incredulidade. – Não. Ele só me deu aquele beijo pela iniciação, Ally. – Não acredito. Levantei minha mão, interrompendo-a.


– Shelly o encontrou em seu quarto. Eles estão lá agora. Talvez você tenha que trocar os lençóis depois do que presenciei lá. Ela deixou a cabeça cair sobre a mesa. – O que? Por que Romeo iria fazer isso depois de todos estes anos? Pensei... – Ela me deu um rápido olhar. – O que? Pensou o que? Ela me estudou, mordendo o lábio, contemplativamente e logo se limitou a agitar a cabeça. – Nada, obviamente foi um engano. Estreitei os olhos e vi Lexi apontando uma garota, que estava dando a volta por trás. – Quer outra bebida? – Perguntou Ally, suspirando de decepção. – Claro! – Respondi. Também vou aproveitar a noite e tentar não pensar no Príncipe do Alabama fodendo a Srta. Animadora de torcida, impressionante, naquele lindo quarto.


– Seja clara e concisa, solte a fala pelo seu diafragma não pela garganta, ah, e respire profundamente. Conhece bem o tema, dará tudo certo. Assenti, enquanto a professora Ross me informava sobre o seminário que eu estava a ponto de dar. Ela estivera ocupada com a discussão do desenho da revista acadêmica que estava escrevendo, assim me pediu que liderasse o grupo de discussão de hoje. – Agora, se não me engano, o time de futebol americano ainda está fora, por isso não deverá ter mais que quatorze pessoas na sala. Estiquei minhas costas, para aliviar a tensão. – Está bem. Acho que estou preparada. – Amontoei minhas anotações em uma pilha e secretamente observei os estudantes começarem a encher a sala de seminários, através do escritório da professora. Suzy estava ao meu lado, se divertindo com meu comportamento ridículo. – Então, fiquei sabendo que mudou de casa? – Sim. Mudei-me para uma fraternidade, a mesma de Cass e Lexi. Ela pôs o braço sobre meu ombro. – Alegro-me por você, Molly. E então, o que achou do lugar? Deixei escapar uma gargalhada.


– É incrível. Há uma cama enorme, paredes brancas e tem uma sacada... Uma sacada absolutamente divina! – Ah, sério?! Parece ser bem diferente de Oxford, não? – Não... Só um pouco. – Virei-me para ela. – Lembra quando você assumiu uma turma para percorrer a Itália? Suzi assentiu com entusiasmo. – Hum... Hum. – Bom, a sacada parece com a que visitamos em Verona, é igualzinha a da casa de Julieta. Mal posso acreditar que há pessoas que vivem assim na universidade! É uma loucura. Mas agora oficialmente lhe digo, é uma sacada digna de Romeu e Julieta. Suzi riu, pondo suas frágeis mãos sobre meus ombros. – Aproveite garota. Você merece isso. Caminhei até o ar condicionado e baixei a temperatura, antes que eu derretesse. O pequeno escritório parecia um forno já que estávamos no verão, portanto, eu usava calças tipo pescador e uma blusa branca de mangas largas, de linho. Inclusive troquei meus Crocs alaranjados, favoritos, por sapatos brancos só para completar o traje geral e talvez também para incomodar Shelly, só um pouco, com meu aparente sentido de moda extravagante. Meu cabelo, como de costume, estava preso em um desordenado coque alto e meus óculos estavam firmemente no lugar. Chequei a sala de palestras mais uma vez e não demorou muito tempo para que os assentos estivessem quase cheios. Shelly entrou com seu séquito de cabeças ocas e, surpreendentemente, Romeo apareceu um segundo atrás do grupo, conversando com Ally. Amaldiçoei intimamente; o time devia ter retornado. Como se conduzir uma palestra não fosse


estressante o suficiente, desempenhar meu trabalho e lidar com Romeo e meus problemas reprimidos, afetaria, gravemente, meus nervos. Olhei pela fresta da porta do escritório quando ele entrou na sala e seus olhos, imediatamente, procuraram meu escritório, TA3, na parte dianteira. Ao ver que estava vazio, seus ombros se afundaram e sua cabeça se inclinou. Isso só me deixou mais enfurecida. Por que ficar triste com minha ausência quando a garota pela qual tinha me desprezado estava sentada na última fila, esperando com impaciência sua chegada e atenção? Disse a mim mesma para me concentrar na palestra e o ignorasse. Pegando minhas anotações, saí do escritório e Romeo virou a cabeça em minha direção, quando sentiu o movimento. Ele usava jeans e uma camiseta sem mangas, preta, seu cabelo estava, como sempre, no estilo sexy despenteado e um sorriso tranquilo apareceu em seu rosto quando ele se deu conta de quem saia. Ele

passou

por

mim

e

inclinou

o

queixo

para

baixo,

me

cumprimentando com um breve, "Shakespeare". Logo subiu as escadas para sentar-se em seu lugar habitual. Shelly tentou segurar a mão dele, mas ele a libertou de seu agarre, com um olhar duro e ela cruzou os braços fazendo uma careta. Sorri um pouco diante da cena, mas me recompus quando a professora Ross entrou na sala e com um gesto de mão, me mandou começar. Aproximei-me do púlpito e inspirei profundamente. – Olá, a todos. A professora Ross me pediu que conduzisse o seminário de hoje sobre Introdução ao Utilitarismo então lhes darei algumas informações breves sobre os principais argumentos, antes de explorar alguns exemplos para a discussão. – Desisti do púlpito, me aproximei da mesa e coloquei minhas anotações em cima dela. Conhecia este tópico como a palma da mão.


– Em termos simples, a ideia do Utilitarismo é a teoria de que as ações de um indivíduo são apoiadas no fato de que nós, como humanos, procuramos ativamente agradar o outro ao tomarmos decisões. Portanto, este argumento é visto como o foco hedonista à ética; fazemos coisas para nos sentir bem, impulsionados pela busca de prazer. Jeremy Bentham propôs que os seres humanos funcionam com um princípio de prazer-dor, quer dizer, que procuramos prazer e evitamos a dor, a todo custo. Examinei os estudantes para me assegurar que estavam prestando atenção. Até aqui tudo bem. – Bentham acreditava que este princípio poderia ser adaptado à sociedade como um todo e que funcionaria melhor se operasse em um sistema que considerasse o bem-estar abrangendo o maior número de pessoas. Isto é evidente em muitos setores da sociedade, mas um bom exemplo disso é a forma como se vota em uma democracia. O voto da maioria beneficia à maioria. Portanto, a maioria nessa sociedade seria feliz, quer dizer, sentiria prazer com o resultado, criando uma sociedade mais ativa. Ouvi uma tosse e alguém se moveu ruidosamente em seu assento. Meus olhos se dirigiram na direção da perturbação e vi Romeo inclinandose para frente, sua atenção estava concentrada em mim. Ele estava com o queixo apoiado nas duas mãos. Meu medidor de desconforto interno estava soando, mas reuni minha determinação e comecei uma vez mais, tentando ignorá-lo. – Onde estava? Ah, sim. Hoje vamos discutir o conceito do princípio de prazer-dor e se os humanos realmente funcionam desta maneira. Eu, de minha parte, tendo a estar de acordo com a maior parte desta teoria... – Sério?


Virei minha cabeça com brutalidade para encontrar à classe olhando boquiaberta na direção à Romeo. Deduzi pela reação geral que ele não era um participante habitual. – Perdão? Ele girou o lápis entre seus dedos, me cravando um olhar arrogante. – Fiquei surpreso que esteja de acordo com Bentham. Podia sentir minha face arder. – Sim, eu concordo com ele. – Humm! – Ele deixou o tema e colocou o lápis entre os dentes, focando sua atenção em Ally, que lhe tinha dado uma cotovelada nas costelas e lhe fez um gesto para que se calasse. Minha irritação aumentou. Ações bruscas sempre tinham esse efeito sobre mim. Tentei prosseguir de modo profissional, sempre tento ser profissional, mas hoje algo dentro de mim estava começando a se agitar. Romeo Prince estava realmente me afetando. – Tudo bem, Romeo? – Perguntei, sabendo que o estava provocando, ao usar seu primeiro nome. Seu olhar endureceu e ele afastou o lápis da boca e passou a segurálo na mão. – Acredito que seja absurdamente idealista pensar de tal maneira, Shakespeare e para alguém com sua inteligência, fico francamente surpreso de que isso saía de sua boca. Meus dentes involuntariamente trincaram. Então lhe expliquei com mais detalhes minhas razões, quando ele me interrompeu, mais uma vez.


– Quero dizer, olhe a analogia quanto ao voto: maior bem-estar para o maior número de pessoas. Mencionou como é considerado bom para a sociedade, quando a maioria das pessoas estaria contente com o resultado, mas tudo o que vejo não é como diz. E se a "maioria" vota mal por serem pessoas más ou com más intenções, se a minoria são pessoas inocentes e boas, serão postas em perigo pelo fato de que são superados em número? O que acontece se a pessoa na qual votou tem motivos ocultos e se retrata do que disse ou o que iria fazer? – Ele respirou fundo e prosseguiu. – Veja Hitler. Foi eleito pelo voto democrático e por um momento, ele foi o que era correto para a maioria das pessoas que estava vivendo na pobreza e sem esperança. Contudo, olhe como terminou aquilo tudo... Eu só estou dizendo que embora pareça bom em teoria, na prática realmente não dá resultado, concorda? Honestamente, acreditei que se um animal selvagem surgisse na sala, subitamente, não causaria mais espanto, a sala estava silenciosa. Romeo parecia mais que satisfeito com seu pequeno discurso e senti que os cabelos de minha nuca se arrepiavam. Instintivamente me movi para as escadas, me assegurando de que ele não poderia fugir de mim. Seus comentários mal intencionados não ficariam sem resposta. Levantei meu dedo no ar. – Primeiramente, faça-me o favor de deixar que eu termine meus argumentos antes de me interromper rudemente.

Segundo, minha

concordância com essa teoria é de que os indivíduos vivem, em muitos casos, pelo prazer sobre a dor, ao menos a maioria. Certamente você está de acordo com isso, Sr. Quarterback Fantástico. Seria mais prudente de sua parte não tomar decisões baseadas em sua ilustre carreira esportista, aliás, algo que lhe dá prazer, não? As cabeças dos estudantes foram de um lado ao outro, como se estivessem vendo uma partida de tênis.


– Tem razão, moça, mas também o faço pelos espectadores, pelos meus companheiros de time. Eles encontram alegria no futebol americano, bem diferente de algumas pessoas. – É mesmo? – Sim, no Alabama, Shakespeare, o futebol americano é o maior prazer

que

existe;

jogando,

observando,

ou

treinando.

Eu

treino

arduamente, portanto, tenho êxito, beneficia tanto a mim quanto aos outros. Você parece ser a única pessoa que não gosta. – Viu, acabou de provar que tenho razão. No Alabama, o maior bem para o maior número de pessoas é o futebol americano, já que dá prazer a maioria da população. – Respondi, com dignidade. Ele passou a mão pelo queixo, sem barbear. – Neste sentido, pode ter razão, mas não é sempre assim, tão simples. Cruzei os braços, ansiosa para escutar sua resposta. – Vamos, prossiga. – Você diz que os indivíduos fazem as coisas por prazer e para evitar a dor, coisas que não gostam? Assenti. – Sim. – Mas muitas pessoas fazem coisas que causam dor ou desagrado a si mesmo, para satisfazer as necessidades e desejos de outras pessoas. Supus que ele se referia ao seu relacionamento estranho com Shelly, que no momento, tinha o cenho franzido diante do nosso debate.


– Ah, neste caso não estou certa de que cause tanto sofrimento, já que está concordando em fazer coisas que outros desejam, não acha? Romeo segurou o lápis entre as mãos e grunhiu entre dentes: – Seja clara, Shakespeare. Aonde quer chegar? Eu não podia me deter, já que tinha começado. A raiva que senti dele, durante dias, estava escapando para fora de mim. – Então, vamos usar o sexo, como exemplo. Uma das duas pessoas que toma parte no ato pode querer mais, emocionalmente e a segunda pessoa pode ser indiferente aos seus sentimentos, mas cede em última instância, e faz sexo para fazer a primeira pessoa feliz. Entretanto; aqui é onde está a ironia; a segunda pessoa continua infeliz ainda que goze sexualmente, portanto, na realidade a segunda pessoa não tem dor ou sofrimento. Ou estou enganada? – Dirigi-me resoluta em sua direção. O lápis se partiu em suas mãos. – Hum, que tal uma pessoa decidir que seria uma boa ideia beijar um estranho, apenas por sentir uma inexplicável atração, mas logo depois disso, decide que foi um maldito engano. Que depois de falar de coisas pessoais pela primeira vez com alguém diferente, alguém novo, pense: "Talvez eu possa confiar nesta pessoa para que conheça meu verdadeiro eu?" Então se dá conta de que fez algo estúpido, algo que nunca deveria ter acontecido, que isso seria uma grande decepção! – Ele lançou as partes do lápis ao chão e passou as mãos pelo cabelo, agressivamente. Murmúrios soaram por toda a sala. Nossos olhares travaram, ambos respirando agitadamente pelo esforço emocional da discussão, sem que nenhum dos dois soubesse o que deveria fazer a seguir. A falta de experiência com uma emoção tão crua era uma sensação nova, para os dois.


A professora Ross nos interrompeu com uma tosse. Voltei-me para o relógio na parede, notando que a conferência estava quase terminando. – Na próxima palestra analisaremos as notas pessoais de Bentham. A leitura essencial está no esquema do curso. Aula terminada. Corri de volta para a segurança do meu escritório, lutando contra um ataque repentino de náusea. Eu estava mais confusa do que na primeira vez que li Friedrich Nietzsche, em alemão, original. A professora Ross se aproximou abanando a mão. – Bom. Isso foi diferente, Molly. Na verdade não teve nada a ver com o tema que tínhamos a explanar, foi inapropriado, mas estou certa que despertou o interesse da turma, ver vocês se degladiando. Gostaria de conversar? O calor de vocês, argumentando, foi eletrizante como uma tormenta do verão. – Não, não quero conversar. – Recolhi meus livros em uma mão. – Sinto muito. Apenas vou recolher minhas coisas e ir à biblioteca. Tenho que estudar. Tenho uma data de entrega. Seus lábios franziram. – Tudo bem, mas já sabe onde estou se precisar. Evitei seu olhar. – Obrigada. – Aliviada que a sala de conferências estivesse vazia, abandonei a sala. Atravessei a porta correndo e Romeo cruzou meu caminho, colocando-se na minha frente e tão perto, que compartilhávamos o mesmo ar. – Que merda foi aquilo? – Ele estava furioso.


– Você foi rude e grosseiro. – Acusei, verificando se estávamos sozinhos. – Estava debatendo ideias. Não é esse o objetivo da Filosofia? Você tornou a coisa pessoal. – Você também o fez! Fulminamos um ao outro com os olhos; num embate de vontades; a ansiedade propagando-se como fogo pelo meu corpo. Romeo rompeu o silêncio primeiro. – Por que expôs a confidência que fiz a você na outra noite? O que lhe contei foi em confiança. Falei coisas que jamais disse a ninguém, e me jogou isso na cara publicamente, apenas para defender suas ideias? Soltei uma gargalhada. – Confidências! Toda a universidade sabe que usa as garotas apenas para ter satisfação sexual, o que, sinceramente, me dá nojo. Confiança! Você disse que não gostava de Shelly, no entanto, fez sexo com ela, depois de ter parecido tão sincero e honesto comigo. Onde está sua moral? Ah, presumo que não pôde resistir as umas pernas abertas? Ele soltou um riso, carente de humor e avançou na minha direção. Mantive-me firme, dando a impressão de confiança. E obrigou-me a retroceder, até um canto escuro, isolado. – Por que se importa com quem fodo? O que você tem a ver com isso? Fitei-o, permanecendo em silencio durante vários segundos, antes de gemer: – Você não significa nada para mim.


Romeo zombou, zangado e socou a palma contra a parede acima da minha cabeça. – Está mentindo. Senti meu estômago revirar e apertei meus livros. – Não estou mentindo. Não me interessa com quem você fode, como tão eloquentemente fala! Romeo moveu seu rosto, um centímetro mais perto do meu. – Pensa que sou tolo! Não acredito! Empurrei seu peito com a mão; ele nem se moveu. – Querida, não acredito em você! Diga-me por que você se importa e não minta! – Disse ele. Ele tinha bloqueado, por completo, qualquer saída e lancei um gemido exasperado. – Ah! Importo-me, porque você me beijou! Beijou-me como se não tivesse outra opção, maldito seja! Eu não vou ser um brinquedo, quando confiei em você. Nunca faço isso e agora lembro-me exatamente do porquê! Seu peito firme roçou dolorosamente meus seios e seus lábios se separaram, ofegando ar quente. – Para sua informação, Shelly e eu não fodemos naquela noite. Na verdade, disse-lhe que não queria mais nada com ela. O que você me disse tinha sentido... Sobre viver minha própria vida. Conseguiu chegar ao meu coração. Você... Afetou-me. Entenda isto claramente... Você não vai ser o brinquedo de ninguém, Shakespeare. Posso andar fodendo por aí, mas não vou brincar com seus sentimentos. – Abri a boca para falar quando ele pressionou o dedo indicador sobre meus lábios, seus olhos estavam tensos em sinal de advertência. – Você é valente, Shakespeare, em falar comigo


desse jeito. Eu não... tolero essa rebeldia de ninguém. O pessoal por aqui sabe que não deve me enfrentar. São inteligentes em me deixar em paz. Afastei sua mão, com um golpe, entrecerrando os olhos. – Está me ameaçando? Romeo sorriu sombriamente e não pude me decidir se lhe dava um murro na cara ou rendia meu corpo a seu controle e via o que aconteceria a seguir. – Não estou ameaçando, Shakespeare, é mais um conselho. Acho você e essa boca, verdadeiramente excitante. Mas estou mais interessado em lhe ensinar a mantê-la fechada. Meu coração se sobressaltou e calor se espalhou entre minhas coxas. Lutei contra minha reação traidora, com tudo o que tinha. – Guarde esse tipo de conversa para Shelly. – Disse que não tenho mais nada com ela! – Pois não é isso que ela esteve espalhando por ai. – Não deveria se importar com ela. Pensei que fosse diferente, Mol. Por que trazer Shelly à tona ou o futebol americano, depois de tudo que contei a você? – Ele parecia realmente decepcionado comigo. A culpa e as dúvidas doeram em meu peito e esfreguei minha têmpora. – Olhe, eu simplesmente estou mal humorada. Não deveria tê-lo atacado daquela maneira e me desculpo por ter traído sua confiança. Foi errado da minha parte. Estava chateada com você, na verdade há dias quero esganá-lo. Não sei como agir perto de você. Fico... Confusa.


Recorremos novamente ao silêncio. Romeo continuava me olhando carrancudo, como se fosse me quebrar em duas, com as próprias mãos e continuou me mantendo encurralada. Tentei passar por ele, para sair dali, mas ele me agarrou pelo braço, com sua mão enorme. – Aonde você pensa que vai? Espirei lentamente. – Sair daqui. O que houve entre nós ou o que quer que isso seja acaba aqui e agora. Tentei passar por ele uma segunda vez e ele grunhiu: – Você está me deixando louco, Shakespeare! – Ele envolveu a mão livre ao redor de minha nuca e puxou-me para frente, até seus lábios encontrarem os meus, sem prévio aviso. Não foi nada gentil. Ele tomava o que queria, sem pensar em mim, e eu adorei, amei vê-lo assumir o controle total e dominar meu corpo. Deixei meus livros caírem no chão junto com as persistentes inibições e minhas mãos não foram capazes de fazer qualquer outra coisa, exceto agarrá-lo. Gemendo, ele me apertou em seus braços e me empurrou contra a parede, espremendo minhas costas contra o cimento duro, deixando-me sentir sua ereção contra meu ventre. Sua língua lutou com a minha e extraiu toda minha necessidade latente com cada chicotada molhada. Com um suspiro exasperado ele rompeu o beijo, sua pele bronzeada fervia sob minhas mãos. – O que é isso, Mol? Por que não consigo tirá-la da minha cabeça? Você está impregnada em minha mente e não sei como lidar com isso. – Sério? – Perguntei com voz áspera.


Seus olhos arregalados se fixaram nos meus. – Penso em você a cada minuto do dia. Romeo deu um passo atrás, me dando um espaço necessário, ainda assim sua presença sufocante. Eu tinha que sair dali; não podia pensar com clareza. Inclinei-me para recolher meus livros e quando me endireitei, Romeo estava de pé, com as mãos atrás da cabeça e havia uma fome desenfreada em seus olhos escuros. Lambeu o lábio inferior muito lentamente e desejei mais que tudo ser aquela carne em sua boca. – Não sei o que fazer com você. Você está me confundindo e eu não gosto disso. Nunca senti algo assim por uma garota. – Ele inclinou a cabeça para o lado, avaliando-me. – Mas não acredito que você seja simplesmente uma garota. Pensei isso no momento em que a vi toda nervosa no corredor, do primeiro dia de aula. Cristo! Não fui capaz de ver nada, exceto você, desde que nos beijamos na maldita iniciação. Uma chama escura alimentava seus olhos negros e quase me fez gemer de desejo. Então, nessa hora eu faria o que melhor sabia fazer quando uma situação se tornava estranha. Fugir. – T... Tenho que ir à biblioteca. – Disse apressadamente, gaguejando, nervosa e pus-me a correr para a saída. Estava tremendo, confusa e zangada, mas incrivelmente excitada. Estava preocupada com minha aparente afeição desenfreada. Acima de tudo, o que tinha passado entre nós dois, era o que mais me incomodava. Quando eu estava abrindo as portas para sair, arrisquei-me olhar para trás. Grande engano.


Romeo permanecia em pé, no centro do corredor, fitando-me, com os braços cruzados e tenso. Baixei o trinco quando sua voz dura me imobilizou. – Isto está longe de terminar, Shakespeare... Longe de terminar! Entrei em pânico novamente, ante a imediata onda de luxúria que crescia dentro de mim e acelerei o passo, decidindo evitar a biblioteca e ir diretamente para casa. Estava a ponto de desabar e precisava do santuário de meu quarto. Ele não dormiu com Shelly. Isso era tudo em que eu pensava e não pude evitar sentir uma onda de felicidade se apoderando do meu coração, pela primeira vez, em anos.


Fiquei acordada durante quatro horas, vendo as sombras dos pinheiros dançarem no teto. Esta seria a quinta noite consecutiva. Estava com insônia, frustrada e muito confusa que não conseguia pensar com clareza, não conseguia dormir e francamente, não eu não estava funcionando bem. A causa: Romeo "Bala" Prince. O quarterback esteve fora outra vez, durante toda a semana com o time dos Tide em Arkansas. Ele tinha partido imediatamente, após nossa pequena "briga" no corredor. E eu estava completamente nervosa por saber que nos encontraríamos em breve. Não ajudou ter visto fotos de outros membros do time beijando várias garotas em clubes noturnos de fama duvidosa e festas de fraternidades, depois que se foram, tudo isso foi publicado no Facebook, para que todo mundo pudesse ver o time. Quando penso em Romeo fazendo a mesma coisa, sinto náuseas. Desistindo de dormir, joguei minha colcha de lado e entrei no banheiro. Um banho, era isso que eu precisava, deixei que a água quente chamasse o sono. Não funcionou. Deixei minha cabeça cair contra a cerâmica fria e suspirei. Não sabia o que ia fazer quando o visse de novo. Ally disse que o time devia voltar hoje, assim eu tinha decidido me esconder no lugar onde um super-star dos esportes sem dúvida não estaria: a biblioteca. Em trinta minutos, eu estava vestida, recolhido meus livros e cruzado o gramado do pátio, tomando o sol da manhã. Sete da manhã era o momento perfeito para caminhar pelo meio-fio principal, cercado de


árvores. Era isolado e me dava a oportunidade de pensar, relaxar e recarregar. Estava na metade do caminho, pelo atalho, quando o som de uma discussão acalorada me chamou a atenção. A princípio, tudo o que vi foi um Bentley estacionado e um homem de meia idade, alto, de pé em frente a um carro prateado. Diante dele estava Romeo, gritando furiosamente. Desviei e me escondi atrás de uma grande árvore. Observei a briga do meu esconderijo. Pude ver que Romeo estava furioso, as mãos fechadas e sua postura projetando fúria. O outro homem vestia um terno escuro e seus braços se agitavam, com ira, em frente ao rosto de Romeo, enquanto este gritava uma enxurrada de ofensas horríveis. Ele se afastou, fechou a mão e eu fui testemunha de como Romeo recebeu o potente golpe no rosto, a cabeça dele sacudiu, com a força do soco. Mas ele não revidou, apenas parecia ter ficado calmo. – Oh! Por Deus! – Sussurrei para mim mesma. Procurei ajuda, freneticamente, ao redor, mas só estava eu... E eles, ali. Antes que eu tivesse a oportunidade de correr para chamar o segurança do campus, o homem de terno entrou no Bentley e se afastou com um chiar de pneus. Vi quando Romeo, cheio de raiva, foi até uma árvore muito grande e socou o tronco várias vezes, explodindo em fortes grunhidos antes de desabar no chão, com a cabeça entre as mãos. Apoiei-me contra a casca áspera da árvore, tentando pensar o que exatamente eu acabei de presenciar. Debati comigo mesma sobre o que fazer. Romeo acabou de ser agredido. Jogando um olhar ao redor do grande carvalho, fiquei observando sua

figura

triste,

durante

vários

minutos,

sufocando

toda

sua

magnificência sulista no sangue e na dor. Doía-me o coração, e antes que


meu cérebro pudesse realmente registrar o que eu estava fazendo, meus pés caminhavam, automaticamente, na direção dele. Ele não ouviu eu me aproximar, mas abaixei diante dele, meu short preto, ficando sujo com o barro seco do verão. Tranquilamente, tirei uma garrafa de água e meu velho lenço rosa da minha mochila. Diante do som de meu sussurro, Romeo me olhou, com a boca jorrando sangue, os dentes brancos e perfeitos estavam perdidos no líquido viscoso e escarlate. – Romeo... – Sussurrei, enquanto lutava para conter as lágrimas. Ele não falou, só me olhou, aturdido. Abri a garrafa de água Evian e levantei sua mão manchada de sangue. Derramei um pouco de água sobre os dedos frouxos e maltratados, limpando os cortes profundos cheios de casca de árvore e sujeira. Sequei sua pele ferida com meu lenço. Ele nem sequer se alterou. – Dói? – Perguntei em voz baixa. Ele negou com a cabeça. Quando sua mão estava limpa, coloquei-me na frente dele e me ajoelhei entre suas pernas curvadas. Levei o lenço limpo aos seus lábios e retirei o excesso de sangue, encontrando uma grande ferida aberta no canto de seu lábio superior. Apliquei um pouco de pressão e meu olhar se fixou nele. Seus olhos castanhos penetraram nos meus, através da barreira dos meus óculos e vi o conflito e a desolação neles. Quando seu lábio deixou de sangrar, entreguei-lhe a garrafa de água. – Enxágue a boca, Romeo. Esse sangue não vai lhe fazer bem. –Ele pegou a garrafa e enxaguou a boca, alheio, fazendo tudo o que eu lhe pedia. Juntei-me a ele, compartilhando o encosto da grande árvore. Não disse nada. Não queria correr o risco de fazê-lo se sentir pior. Simplesmente não queria que ele estivesse sozinho. Finalmente ele relaxou sua postura rígida e olhou para longe. Já não podia suportar sua tristeza e ao ver que ele precisava de consolo, peguei


sua mão boa e a entrelacei na minha. Ele virou a cabeça, olhou nossos dedos entrelaçados e sutilmente inclinou seu ombro para mais perto de mim. Sabia que tínhamos problemas para resolver, sobre tudo depois de nossa... Do que aconteceu no corredor, mas neste momento, só conseguia pensar em lhe dar apoio, da forma que pudesse. Depois do que pareceu uma eternidade, Romeo falou: – Olá, Mol. – Oi. _ Quanto você viu? Apoiei a cabeça em seu ombro, para controlar seu ligeiro tremor. – O suficiente. Sua cabeça caiu contra a árvore e ele fechou os olhos, fortemente. – Quem era o homem no Bentley? – Meu pai. Levantei a cabeça, surpresa. – Seu pai? Ele deixou cair à cabeça, de novo, evitando contato visual. Não estava certa se era pela vergonha ou tristeza extrema. O silêncio retornou. – Você está bem? Ele se esticou e girou a cabeça em minha direção, com angústia em seus olhos.


– Não. – Quer conversar? Ele negou, firmemente, com a cabeça. – Ele... Ele faz muito isso? Encolhendo os ombros, ele respondeu: – Já não tem muitas oportunidades de fazer. Estava zangado com algo que eu devia ter feito. Chamou-me aqui e... Bom, você viu o resto. Sentei-me em frente a ele. – O que você fez de tão ruim para que ele o tratasse dessa maneira? – Dinheiro, decepção, por eu não ser o filho obediente. O de sempre. Entretanto, ele nunca tinha chegado tão longe em público. Nunca o vi tão zangado. – Mas ele é seu pai! Como ele se atreve a tratá-lo dessa maneira? O que você fez para merecer ser agredido tão selvagemente? Com a boca fechada, ele não disse nada em resposta. Dei-me conta de que ele não falaria, seus lábios estavam fechados firmemente, ele estava se negando a falar. Segurei sua mão outra vez e ele se apoderou da minha, assegurando-se que eu não poderia me soltar. Parecia tão perdido, sua habitual máscara de rapaz rude estava caída, sua fraqueza era nítida. Precisava mudar de assunto, voltar a selar gradualmente a cicatriz. – Como foi o jogo em Arkansas? Uma pequena chama de alívio cruzou sua face, pela mudança de assunto.


– Ganhamos. Embora sem minha ajuda. – Jogou mal? Ele lambeu os lábios, onde havia o corte e pegou um galho no chão, quebrando-o em pedaços, com a mão machucada. – O jogo foi um pesadelo. – Bom, isso só prova que você é humano. – Nunca tive um mal começo de temporada em toda minha vida. Este é meu último ano, preciso estar na mira dos olheiros e tudo está indo por água abaixo. – Sabe qual é o problema? -

Não

consigo

completar

nenhum

dos

meus

passes.

Estou

decepcionando o time e os torcedores. Meus pais não aceitam meu rompimento com a Shelly, o que você acabou de presenciar é a insistência do meu pai sobre essa questão. A safada está sendo mais ardilosa do que o normal e estou constantemente brigando com ela. Minha cabeça está dispersa, não consigo dormir ou me concentrar, além do mais, estou pensando em certa mocinha inglesa que me mantém acordado toda a noite. Toda noite ela invade meus sonhos. Ele levou nossas mãos a sua face, sem barbear, e as roçou ao longo da pele áspera. – Ah, eu sei como é isso. – Falei em voz baixa, olhando-o quando meus dedos roçaram sua boca. Eu estava completamente sem ar pela sua confissão. – Pensei em nosso último encontro sem parar, enquanto estive fora. A voz de Romeo era quase inaudível, como se ele admitisse ter cometido um pecado capital. Parecia nervoso e esta não era uma emoção


que eu tinha visto nele antes. Acho que o fato de estar, realmente, gostando de uma garota era completamente novo para o rei do sexo sem sentido. – Sim. Eu também. Foi... Diferente ter a cabeça sempre ocupada com um certo bombom do Alabama e se recusar a querer esses pensamentos. Descartes ou Kant. Ele me deu uma pequena joelhada, com a diversão iluminando seus olhos apagados. – Acha que sou um bombom? Corei e lhe dei uma cotovelada nas costas. – Então? Jogando–me um olhar por baixo de suas pestanas largas, ele esboçou um sorriso. – Aonde ia a esta hora da manhã quando viu este bombom recebendo uma surra? – Romeo. – Responda a maldita pergunta, Shakespeare. Balancei a cabeça. O Romeo rude começava a despertar de seu sonho. – À biblioteca. Tenho umas anotações que precisava reescrever para a professora Ross. Ela tem um escritório lá onde posso trabalhar sem ser incomodada. Vi... O que aconteceu e pensei que você precisava mais de mim do que o apaixonante mundo acadêmico neste momento. Com uma palmada na minha perna, ele se levantou, com nossas mãos ainda unidas, firmemente.


– Vamos. – Aonde? – A biblioteca. Vou ajudá-la. Não podemos decepcionar o mundo acadêmico agora, certo? – Romeo... Tem certeza que você n��o quer ir para casa ou fazer outra coisa? Nós poderíamos conversar mais se quiser. Você é quem decide. Perdendo seu tom jovial, o autoritário apareceu. – Não. Vamos à biblioteca. Eu vou ajudá-la com as anotações. – Ele não era uma pessoa com a qual se brincava. Não estava longe de quebrar e eu podia sentir a agressividade latente, esperando com impaciência uma oportunidade para saltar à superfície. Ele precisava de distração e pensei que o melhor era levá-lo comigo para salvar alguém de encontrar o punho de Romeo, quando ele finalmente perdesse os estribos. – Vai me ajudar com a filosofia? Um trejeito mal-humorado se formou em seus lábios. – Ouça, só porque sou esportista não quer dizer que eu seja estúpido. – Ele passou os braços ao redor de meus ombros. – Para sua informação, sou um expert nessa área. Se bobear, sou até capaz de lhe ensinar uma ou duas coisas. Afastando-se de mim, ele levou um dedo até o rosto, dando a entender que estava perdido em seus pensamentos. – Por exemplo, Immanuel Kant foi um verdadeiro maricas que poucas vezes estava estável. Um enorme sorriso se estendeu em meu rosto e por fim soltei uma gargalhada.


– Heidegger, Heidegger era um mendigo bêbado que poderia pensar debaixo da mesa. Ele caminhou diante de mim, muito senhor de si. – Ah, Aristóteles era um bode beberrão e Hobbes tinha tesão por seu assistente. – Ele fez uma reverência, de brincadeira, para que eu continuasse. – E René Descarte foi um bêbado. Bebo, logo existo. Cobri um sorriso com a mão, me sentindo linda e feliz e, Romeo, com um sorriso impressionante, levantou a mão para o alto, com a palma aberta, então eu levantei a minha e batemos as mãos, com gosto. – Então, é um fã dos Monty Python? – Perguntei-lhe, ainda rindo. – Bom, não se pode estudar filosofia e não estiver familiarizado com os filósofos da canção do Bruce. – Estou de acordo, mas nunca o imaginei como um fanático da comédia britânica. Ele soltou um grunhido. – É Python. – Tão simples assim. – Viu, uma vez que a surpreendi com meus conhecimentos em filosofia, estou certo de que posso fazer isso de novo. Fiz um gesto desdenhoso. – Isso é o que você pensa, tem vinte e um anos. Eu tenho só vinte anos e já estou fazendo um Mestrado. Duvido que haja algo que possa me


ensinar, super-star. Esta é minha especialidade. – Em um instante, Romeo me tinha presa contra o peito e capturou minha orelha, entre seus dentes. – Talvez não na filosofia, mas posso lhe assegurar que posso lhe ensinar coisas surpreendentes, Mol, em minha área de especialização. – E qual seria essa área? – Perguntei sem fôlego. Ele pressionou seus lábios, persistentes, na pulsação furiosa em minha garganta. – Muitas... Mais prazerosas que trabalho e estudo. Paralisei e ele me soltou e voltou a andar, puxando-me para acompanhá-lo. – Vamos, Mega Cérebro, vamos às suas pesquisas para tirar as vulgaridades de sua mente suja. Romeo ficou comigo na biblioteca durante horas, me ajudando a escrever argumentos e contra-argumentos para o meu trabalho. Para ser justa, estava muito bem informado sobre o tema. Ele parecia diferente quando nos separamos, de algum modo mais aliviado, tranquilo e, eu também. Gostei de estar em sua companhia, embora fosse ocasionalmente abrupto e um pouco aterrorizante. Mas, infelizmente, isso significava que eu havia voltado a pensar nele, constantemente. Tive que ir à biblioteca de novo, no dia seguinte, fui diretamente à porta do escritório e encontrei Romeo com as pernas apoiadas sobre a mesa, braços atrás da cabeça e um sorriso no rosto. – Já era hora, Shakespeare. Já escrevi sua maldita tese enquanto te esperava.


– O que você está fazendo aqui? – Perguntei com um sorriso radiante, fiquei feliz por seu lábio parecer menos inchado e os nódulos dos dedos estarem enfaixados. Tirando as pernas de cima da mesa, ele ficou diante de mim. – Estou aqui para assistir à assistente. Ponha-me para trabalhar. Coloquei meus livros sobre a mesa e as mãos nos quadris. – Diga-me, como entrou aqui? Esta sala está sempre trancada. Romeo encolheu os ombros, displicentemente. – Tenho uma admiradora secreta na biblioteca. Ela abriu para mim, depois de uma bela conversa. – A Sra. Rose? Ela tem quase noventa anos! – Mais continua caçando. – Brincou ele, piscando para mim. Não pude deixar de rir. – Humm... humm! E por que quer me ajudar a escrever minha tese? Ele perdeu seu sorriso brincalhão e cruzou os braços defensivamente. O mesmo brilho de vulnerabilidade que vi espreitar em sua face ontem, apareceu, alterando suas belas feições. – Você não me quer aqui? Eu saio se estiver atrapalhando. Não fico onde não me querem. Caminhei até ele e toquei seu rosto carrancudo com as mãos. – Ouça, eu não disse isso. Estou apenas surpresa pelo fato de você querer ficar aqui comigo. É... Agradável estar com você, em qualquer lugar e momento. Ele inclinou a cabeça e deu um beijo na palma de minha mão.


– Eu gosto de estar com você também, Mol. Sinto-me bem quando estou contigo. Além disso, devo isso a você, pelo que fez por mim ontem. – Não me deve nada. Seu dedo acariciou meu rosto e quase caí no chão. – Mas ficarei com você. – E as suas aulas? – Fico com você. Estou ficando um pouco "viciado". Engoli em seco. – Viciado? – Sim. Por você e no que me faz sentir. Corei e brinquei com a correia de minha bolsa. – Bem... É melhor trabalhar, então. Ele fez uma reverência e sentou-se na minha frente, com um enorme sorriso complacente.

Algum tempo depois, um espetacular e interminável suspiro soou, me sobressaltando. – Precisamos de um descanso. – Falou Romeo ao entrar pela porta, segurando dois copos de café, grandes e com um olhar de desaprovação no rosto.


Como não tinha notado sua saída, tive que concordar que um descanso provavelmente era necessário. Estiquei-me em minha cadeira e esfreguei os meus olhos cansados. – Há quanto tempo estamos aqui? Deixando-se cair na cadeira, ele colocou o café e um saco marrom, que tinha pães de queijo, em cima da escrivaninha. – Já são quase seis horas. Meus olhos se abriram. – Oh. Merda. – Sim, merda. Tomei um gole do café, fechei os olhos e gemi em voz alta, de prazer, enquanto o familiar efeito da cafeína energizante fluía como ópio em minhas veias. Uma cadeira raspou o piso de vinil e ouvi Romeo saltar, amaldiçoando. Abri meus olhos para vê-lo sacudindo o café da camiseta cinza, agora molhada. – Tudo bem? Ele assentiu secamente. – Simplesmente... Não faça esse tipo de som comigo por perto, Mol. Retorci-me quando notei sua expressão fumegante, enquanto ele observava meu peito subir e descer em reação as suas palavras. Ele voltou a se sentar e comemos em um tenso e crepitante silêncio. Romeo se esticou. – Você já deve estar quase terminando agora. Nunca vi ninguém trabalhar tão duro em algo. Você sem dúvidas vai ser uma boa professora.


Encolhi os ombros. – Eu adoro estudar. Mantém minha mente ocupada. Movendo a cabeça em interrogação, ele perguntou: – Por que? – Evita que eu fique pensando em outras coisas. – Que coisas? Comecei a bater, repetidamente, a parte superior de minha caneta, na mesa. – Coisas ruins... Coisas inquietantes... Coisas do meu passado. Ele segurou minha mão. – Estudar faz para você o mesmo que você me faz? Engoli em seco, sem saber como responder a tal declaração. – É sério. Você está me fazendo sentir algo, Mol. – Eu... O que? Você... – Voltei minha atenção para a mesa e o ouvi, enquanto ria da minha reação. Então tirei um pedaço do meu pãozinho e atirei em seu peito. Romeo o pegou no ar e colocou na boca, mexendo as sobrancelhas. Não pude conter minha risada. – Então, como se sente hoje? – Perguntei, quando a pesada atmosfera se dissipou. – Melhor. Esta linda garota me ajudou a atravessar uma situação difícil. – Que garota? Como ela é? – Brinquei. Ele fingiu pensar.


– Morena, traseiro gostoso, muito sexy e tipo bibliotecária, com aqueles óculos. Meu estômago revirou. – Certo. Mas sério, você está bem? Desfazendo o sorriso, ele disse em voz baixa: – Chegando lá. Um dia de cada vez. – Deixei-o com seus pensamentos e bebi meu café, lendo, mais uma vez minhas anotações. Rapidamente me distraí, enquanto Romeo se levantava lentamente de sua cadeira e caminhava em minha direção, com as pálpebras pesadas e lábios entreabertos. Agarrei os braços da minha cadeira, quando ele pôs uma mão na estante atrás de mim e a outra sobre a mesa, me encurralando e, lentamente se inclinou para frente. Fechei os olhos enquanto sua boca vinha em direção a minha. – Romeo, que... Sua língua saiu e ele lambeu, lentamente, o canto de meu lábio. Fiquei completamente imóvel. – Tinha espuma de café na sua boca. – Sua voz era rouca e tensa. Murchei. – Oh, eu... Abaixando a cabeça, novamente, ele emoldurou minha cabeça entre as mãos e se apossou dos meus lábios. Rendi-me a ele e gemi, quando me segurou com firmeza pelos cabelos, inclinando-me para trás, para aprofundar ainda mais o beijo. Depois de vários segundos, ele finalmente rompeu o beijo.


– E então? – Murmurei, olhando fixamente seus olhos selvagens e o toque de umidade em seus lábios. Ele pressionou a testa contra a minha. – Bom, agora eu só queria beijá–la. Ele ajoelhou-se na minha frente, assim estava à altura dos meus olhos e suas mãos faziam círculos em minhas coxas. – Venha assistir meu jogo este fim de semana? – Tenho que estudar.

– Respondi automaticamente. Seu olhar de

decepção me cortou. – É só por algumas horas, Mol. – Sei, mas me pagam para ajudar a professora e me orgulho de manter tudo preparado para as atividades. Preciso do meu salário para sobreviver, Romeo. Viver na casa da irmandade é caro. Estarei aqui no sábado, quando a partida começar. Assentindo, ele suspirou. – Está bem, eu não gosto, mas entendo. Acariciei seu rosto. – Por favor, não se decepcione. Os esportes não são meu forte. Não tenho nem ideia de como o futebol americano funciona ou o que faz um quarterback, lembra? Inclinando-se ao meu toque, ele disse: – Tudo bem, Mol. Isso não é novidade para mim, nunca tenho ninguém para me apoiar. – Romeo...


Ele se levantou. – Tenho treino. Melhor ir. Estendi minha mão e acariciei seu rosto. – Vou ficar aqui um pouco mais. Vejo você depois, está bem? – Sentime muito mal por decepcioná-lo. Ele parecia estar tão bem ontem, parecia feliz. Agora tínhamos voltado ao ponto de partida, de novo. Romeo abaixou a cabeça, procurando meus olhos, logo se virou bruscamente e saiu da sala, deixando-me congelada na minha cadeira. Durante as duas horas seguintes fiquei olhando os nós da mesa de carvalho e me perguntando o que estava havendo entre Romeo "Bala" Prince e eu? Enquanto recolhia minhas coisas para sair, um bilhete debaixo da porta me chamou a atenção.

Meu Romeo? Bem... Que merda.


– Ah, vamos Romeo! Ponha sua cabeça no jogo! – Ally estava de pé, agitando as mãos, assim como Cass e qualquer outra das cem mil pessoas que estavam no estádio, bem, todas menos eu. Literalmente eu, não tinha ideia do que estava acontecendo. Tinha decidido ir ao jogo. Ally tinha uma entrada extra e tinha tentado me convencer a usá-la, desde o começo da temporada, mas eu sempre recusava. Desta vez, entretanto, não pude tirar da cabeça o olhar de dor no rosto de Romeo quando lhe disse que não iria, isso me derrubou e assim, eu me encontrava sentada, no meu primeiro jogo dos Tide. – Que merda. – Alguém gritou. Eu tinha me tornado a garota romântica e obcecada que nunca pensei que seria e suas doces palavras tinham me levado ao limite. – Romeo! Que demônios? Argh! – Gritou Ally mais uma vez. Estávamos sentados na área de alunos, no nível inferior do estádio BryantDenny, assistindo ao jogo do Tide contra a Universidade de Auburn, um dos seus maiores rivais, e aparentemente Romeo não estava jogando bem a terceira temporada, pois estava fora de seu desempenho habitual. Olhei para o telão gigante e vi um close dele afrouxando a cinta de queixo11 e xingando como um marinheiro, golpeando o punho contra o chão e empurrando os jogadores para fora de seu caminho, obviamente, insatisfeito com o que acabava de acontecer.

11

Cinta de queixo: Cinta do capacete do futebol americano que passa por debaixo do queixo


Toda a postura de menino mau que ele estava mostrando no campo era muito sexy, assim como a maneira como seu uniforme mostrava sua forma física impressionante , bem isto deveria até ser ilegal. Ally tinha a cabeça entre as mãos e olhava cuidadosamente através dos espaços de seus dedos, com cara de desespero. Cass, que acabava de comer

seu

terceiro

cachorro

quente

estava

sacudindo

a

cabeça,

desapontada. As animadoras de torcida começaram suas acrobacias e vi como Lexi levantava as pernas com prazer. Tinha estreado na equipe das animadoras com grande sucesso, com seu solo e o seu triplo salto mortal na competição de primavera... Era uma gótica feliz. Aproveitei esse tempo para desfrutar da atmosfera do ambiente. O estádio dos Crimson Tide era imenso. A atmosfera estava elétrica e eu rapidamente percebi por que Romeo era tão conhecido em todo o Campus e francamente, em todo o Alabama. No momento em que ele saiu do túnel, seu rosto e suas estatísticas foram transmitidas no telão gigante. Enquanto ele e sua equipe saltavam para o campo, cem mil espectadores gritaram, com todo pulmão "Roll Tide!"12 com o acompanhamento de cornetas e o trovão dos tambores. Isto estava além de tudo do que eu já tinha visto antes. Cada vez que Romeo lançava a bola, os fãs continham a respiração, quase rezando e infelizmente, até agora, ele não tinha concluído com êxito nenhum de seus passes. Cass me disse em termos muito claros que isto não era uma coisa boa. De volta ao campo um Romeo irritado arrastou seu corpo por trás do banco onde o treinador começou a gritar em sua cara, batendo sua mão contra uma prancheta para enfatizar seu ponto. Eu tive uma vontade súbita de saltar para fora do meu lugar e tirar o homem de perto dele. 12

Roll Tide: grito de guerra da Universidade de Alabama, usam-no para empurrar sua equipe de futebol. Seria um "arrase Tide", "esmaga-os Tide", algo assim.


Encarei Ally. – Por que ele está sendo repreendido? O que? Ele perdeu uns passes... Será que é realmente tão ruim? – Sim é ruim. Romeo não pode se dar ao luxo de perder todas estas jogadas, Mol. Ele é um sênior e é considerado o melhor quarterback e com certeza ele é quem tem a melhor chance de ganhar as preliminares. Todos os olhos estão nele. Além disso, se o Tide

vencer o campeonato nacional

novamente este ano, precisaremos dele cento e dez por cento. Atualmente, ele não está atuando nem vinte por cento bem. Nunca vimos ele assim tão mal. Simplesmente não entendo. – Ela parecia desnorteada. A multidão começou a aplaudir novamente e quando eu olhei, Romeo estava correndo de volta para o campo, colocando seu capacete no lugar. Como de costume, o sol estava radiante na Tuscaloosa e o estádio com teto aberto estava muito quente. Eu estava usando um vestido curto de linho branco sem mangas e botas de cowboy marrom, que iam até o meio das panturrilhas, presente que Ally me deu, gentilmente, por ir à partida. Ela havia me dito sem rodeios, que eu deveria me adaptar e adotar a atitude atrevida do sul. Também tinha honrado esta ocasião com uma maquiagem leve e me dei conta que na realidade eu gostei do look country. – Vou tomar uma Coca–cola light. Vocês querem alguma coisa? – Perguntei, gritando acima do barulho e dos aplausos e golpeando longe um mosquito com a mão, pois precisava de uma pausa do calor intenso no estádio. Ally negou com a cabeça, muito absorta na partida, e Cass enfiou a mão no bolso e tirou uma nota de vinte. – Um saco de batatas fritas e um refrigerante querida. Peguei o dinheiro e caminhei até a lateral do campo, onde estavam os vendedores, no interior do estádio. Dei apenas cerca de 10 passos, quando milhares de cabeça começaram a girar em câmera lenta, seguindo em minha direção e antes que eu tivesse a chance de sequer imaginar o porquê, a bola caiu no meio da multidão e dois homens começaram a brigar. Com o


alvoroço eles viraram bruscamente na minha direção e acertaram o meu nariz com um de seus cotovelos, cujo impacto me fez cair sobre meu traseiro. Para completar a resposta positiva, a multidão deixou escapar um coletivo "oooh" e os seguranças vieram e arrastaram os dois homens para longe. Minhas mãos instintivamente voaram para o meu nariz, que estava um pouco sensível, mas intacto e pelo que pude ver, não havia sangue. Meus óculos, entretanto, eram uma história diferente, se desmontaram em minhas mãos. Agarrei as peças enquanto as pessoas se apressaram em perguntar se estava tudo bem. Ouvi um homem gritando que ele era médico e se inclinou junto a mim rodeando meu rosto com as mãos. –Acho que o impacto da bola só quebrou meus óculos. – Falei ainda de cócoras, recebendo a ajuda do médico careca e baixinho para ficar de pé. Quando me levantei, a multidão começou a aplaudir, sustentei meus óculos quebrados no rosto, uma haste em cada mão e inspecionei o estádio, notando mortificada que minha estupidez tinha sido capturada pelo telão. – Prince! PRINCE! Onde você pensa que vai? – Gritou uma voz masculina com raiva e a pequena multidão em volta de mim começou a se afastar Eu coloquei a minha cabeça na direção da abertura, só para ver Romeo correndo em minha direção. A expressão em seu rosto era de horror absoluto, enquanto eu segurava meus óculos quebrados nos olhos. – Merda, Shakespeare! Eu sinto muito. Você está bem? – Ele perguntou, com a voz assustada. Ele deixou cair o capacete e segurou meu rosto com as mãos, inclinando minha cabeça, procurando lesões com seus grandes olhos marrons. – Romeo, estou bem. Os meus óculos me salvaram. Eles colocaram a vida em risco para salvar o meu nariz. Você não tem que pedir desculpas. Os dois bêbados idiotas que acertaram meu rosto são uns imbecis! – Levantei


partes da armação negra do meu rosto perdendo a visão por um segundo, antes dela retornar ao lugar Quando pude ver novamente, notei que Romeo esboçava um pequeno sorriso e balançava a cabeça. – Caramba tinha que ser você. De todos neste maldito estádio, você tinha que estar envolvida nisso. Eu já não me surpreendo de sempre estar onde preciso de você. Creio que há alguém tentando me dizer algo. Dei de ombros. – Eu estava indo buscar uma Coca-Cola. – Ele riu baixinho. – Durante minha jogada? Está bem, sinceramente não sabia o que estava acontecendo e estava com sede. Algumas meninas se inclinaram sobre o corrimão, gritando para Romeo – Nós te amamos, Bala! Leve-me para casa com você, querido! – Foda-me, Prince! Seu sorriso morreu com minha distração. Ele agarrou meu queixo, assim tive que me concentrar exclusivamente nele. – Você veio. – Vim. – Eu respondi com um sorriso. – Por que você mudou de ideia? – Conseguiu chegar ao meu coração. – Zombei, repetindo exatamente as palavras que ele usou na nossa acalorada conversa no corredor. Romeo deixou escapar uma gargalhada. – Senhora? Precisamos levá-la a ala médica para examiná-la, política do estádio, acompanhe-me, por favor. – O médico sustentou meu braço e tentou me levantar.


Romeo elevou a mão, num sinal para pararem, antes de inclinar-se ligeiramente e me olhar nos olhos. – Você tem certeza que está bem? – Estou bem. Agora, não tem uma partida para ganhar? Estou certa de que todas estas pessoas não vieram aqui hoje para nos ver namorar. – Sim, estava tentava tentando fazer isso antes de você decidir entrar em uma briga de bêbados. Estava seguindo o médico, quando ele, de repente, se inclinou, e deu um longo beijo nos meus lábios. Foi tenro e suave, diferente dos nossos momentos, muitas vezes frenéticos, impulsivos e desajeitados. Nós nos encaramos por um segundo a mais, antes de Romeo retornar ao campo, com determinação escrita em seu rosto. A multidão estava literalmente sem palavras, perguntando por que o quarterback, estrela do time estava tão interessado na jovem ferida. Na segurança da enfermaria, comecei a recuperar a compostura quando um súbito rugido entusiasmado pareceu sacudir os alicerces do estádio, me fazendo saltar do assento. – O que aconteceu? – Perguntei em pânico. O médico contemplou a pequena tela da TV no canto da enfermaria. – Maldição! – O que? – Bala acaba de golpear um receptor para um touchdown de quarenta jardas. – Isso é uma coisa boa, certo? O touchdown? Ele tirou sua atenção da televisão e me olhou, sem dúvida se perguntando se afinal eu tinha uma lesão na cabeça.


– Sim, isso é uma coisa muito boa, especialmente faltando apenas um quarto de tempo. Estamos ligados. Temos quinze minutos para levar o V. – O V? – A vitória. – Respondeu ele em um suspiro exasperado. – Certo. – Murmurei, decidindo que era melhor ficar calada. O médico desligou a TV para eliminar a distração, terminou o exame e me ajudou a usar a fita crepe para reunir as peças quebradas dos meus óculos, num ordinário trabalho de reparação, plenamente visível na ponta do nariz. Não era o último grito da moda, mas o que tinha que ser feito. Como diria minha avó: "o que tiver que ser, será." Voltei para o meu lugar, só para ouvir o apito final e a multidão delirar, com gritos de êxtase. Cass e Ally davam saltos e ao me ver, correram em minha direção, quase me derrubando. Equilibrei-me com força. Não me golpeariam duas vezes no mesmo dia. –Molly! Você está bem? Nós vimos você no telão. – Ally perguntou, alargando seus olhos escuros enquanto olhava atentamente meu rosto. – Querida, seus óculos! – Ela se inclinou para trás e freneticamente procurou por alguma marca visível. – Não posso acreditar que você levou um golpe no rosto, Molly Shakespeare, o membro mais recente do clube de luta. Foi incrivelmente hilariante. – Riu Cass, sustentando seu estômago como se estivesse sofrendo. De repente, ela perdeu o sorriso. – Onde está o meu refrigerante e a batata frita? – Não cheguei nem perto deles, Cass! Ela fez uma careta e cruzou os braços decepcionada. – Ganhamos? Ally passou um braço ao redor de meus ombros.


– Ganhar? Nós destroçamos eles completamente, querida. Depois que Romeo beijou você, retornou ao campo como se fosse outra pessoa e acertou cada passe, cada jogada. Foi um maldito JMV. Meus olhos se arregalaram. – Bem, isso é bom, certo? – O jogador mais valioso? Bom? Querida, a gente acredita que foi seu beijo que lhe deu a boa sorte necessária. Dei um passo para trás e olhei pra ela com ceticismo. – Por que isto daria sorte? – Resultou que o jogo deu um giro de cento e oitenta graus. – Ela sorriu e aplaudiu com entusiasmo. Cass colocou as mãos na minha cintura e me virou para o telão. – Veja isso! Maldito seja. Os caras que controlavam o telão tinham trabalhado duro na minha ausência.

Na edição da repetição, colocaram Romeo falhando uma série de

jogadas, em seguida, me colocaram caindo no chão após ser esmagada por dois idiotas que golpearam meu rosto com o cotovelo. Então apareceu Romeo correndo para fora do campo, ignorando o treinador e deixando boquiabertos seus companheiros de equipe, enquanto era focado capturando meu rosto entre as mãos e se inclinando para me dar um beijo. O segmento final mostrou seus três tiros vencedores, que eu tinha perdido por estar na enfermaria. Era demais. A batida do meu coração decolou em um ritmo febril e meu peito apertou. Eu odiava ser o centro das atenções e ser retransmitida para milhares de pessoas era mais do que eu podia digerir. Adicionando o beijo de Romeo, eu era um desastre de ansiedade. Eu realmente acreditava que nem todo mundo deveria ser o centro das atenções, especialmente eu.


Virei-me lentamente para o campo, onde Romeo estava dando entrevistas e surpresa... Shelly pulou como uma bala ao seu lado e beijou seu rosto, agindo como a namorada orgulhosa. Senti meu coração desabar, enquanto olhava Shelly e Romeo juntos, e uma coisa se fez evidentemente óbvia, eu estava fora da jogada. Tinha sido muito estúpida em vir aqui, pensando que poderia acontecer algo entre eu e Romeo. Ele era o menino mais popular do Campus, cobiçado por uma montanha de garotas agressivamente decididas e eu era uma rata de biblioteca, uma garota introvertida dolorosamente tímida. Romeo Prince deveria estar com alguém como Shelly. Alguém que se encaixava na perfeição de sua vida tão impressionantemente glamorosa. Virei para Ally e Cass, tentando esconder minhas emoções. – Eu estou indo para casa. Tenho que voltar a estudar. Verei vocês mais tarde. – Saí do estádio antes que elas pudessem protestar e para tentar uma e outra vez, esquecer a sensação dos lábios, maravilhosamente, suaves de Romeo contra meus. Citando o próprio Romeo: "É mais fácil dizê-lo que fazê-lo."


– Molls, traga seu suculento rabo inglês para cá! Estamos sendo destruídas e precisamos da quarta mosqueteira! – Sério, Cass, pela última vez, não, mas obrigada de qualquer forma. – Uma maldição em um sussurro alto soou através do alto-falante e eu tive que manter meu telefone longe do meu ouvido. Cass estava claramente em estado de embriaguez, devido ao maldito licor. – Molly? Molly! – Ally tinha pegado o telefone. – Estou aqui, Ally. – Tem certeza que não quer vir, querida? Eu não gosto que você esteja sozinha em seu quarto enquanto todos aqui estão se divertindo. – Sério, Ally, estou bem. Só estou cansada. Houve uma longa pausa, me permitindo escutar a banda do Zac e o forte falatório no fundo. – Esta bem, querida. Vejo você na parte da manhã, mas se mudar de ideia, me ligue. – Ok, chorona. Divirtam-se! Terminei a chamada e me deixei cair na cama, olhando e passando o polegar no fundo de tela, com uma flor de lótus rosa, num lago tranquilo. Quando cheguei em casa, tomei banho e vesti minha descolorida e velha camisola rosa, recusando os convites de ir a uma das festas que celebrariam o grande triunfo do futebol americano. Cass, Lexi, e Ally tinham decidido participar da festa da fraternidade de Romeo, do outro lado da rua e tinham tentado de todas as formas que eu


me unisse a elas. Precisava me afastar de todas as coisas relacionadas a Romeo Prince, assim utilizei todas minhas desculpas para não ir. Eu era inteligente o suficiente para saber que estava me apaixonando por ele e o batalhão de mariposas em meu estômago, o nervosismo no meu coração e os inumeráveis sonhos eróticos que estavam rondando meus sonhos, definitivamente me confirmaram isso. O tempo gasto a sós com Romeo na semana passada tinha elevado meus sentimentos a um nível mais alto e eu não sabia como lidar com o que sentíamos um pelo outro. Então, o meu plano, que não é exatamente digno da CIA, era simplesmente evitar ficar muito perto da estrela QB do Tide. Esse plano começou com efeito imediato. Mudei minha postura na cama e soltei meu cabelo comprido, sentindo-o através de minha coluna. Massageei meu couro cabeludo para aliviar a tensão pelo esforço de sustentar a massa de cachos durante todo o dia e me instalei sob o lençol púrpura, com um bom livro. Peguei minha cópia bem manuseada de Jane Eyre e alegremente instalei-me no mundo da velha Inglaterra do Sr. Rochester, me perdendo em suas páginas. Uma hora depois, quando eu estava completamente absorta e relaxada, ouvi o barulho de alguém batendo na porta. Olhei ao redor do quarto vazio e a única luz provinha do suave resplendor vermelho, do abajur, ao lado de minha cama. Comecei a me sentir nervosa, eu era a única irmã na casa. Quando escutei de novo, levantei-me rápido e fiquei de pé no meio do quarto, constatando que o barulho vinha da varanda. Aproximei-me e virei a fechadura com cautela, para ver que não havia nenhum estranho esperando do outro lado. Quando abri a porta, havia pedras caídas no chão de ladrilhos vermelhos. Dei um passo para frente, deixando que a brisa suave da noite me envolvesse e me inclinei para recolher uma pedra. Justo quando me levantei, outra aterrissou em meu ombro.


Respirei fundo e fui até a grade da sacada, me aventurando a dar uma olhada. A princípio tudo que vi foi à escuridão. Logo depois, apareceu uma figura. – Shakespeare? Não havia dúvida de quem era aquele sexy sotaque sulista. Romeo saiu das sombras para a luz suave da varanda. Seu enorme corpo delineado na luz fraca, parecia absolutamente lindo. Ele estava vestido como sempre, jeans desbotados e uma camiseta vermelha sem mangas dos Tide. Tratei de deter a intensa excitação do meu corpo. – Olá Molly. – Ele sussurrou com um sorriso tímido. – Olá. – Respondi tranquilamente. – O que você está fazendo aqui? – Vim ver você. – Você veio me ver? Por quê? – Fiquei realmente surpresa. Achei que ele estaria comemorando a vitória. Romeo deu de ombros e colocou as mãos nos bolsos, lançando um olhar tímido em minha direção. – Porque percebi que você não estava. – Ele deu um passo para frente e ficou mais fácil vê-lo. – E eu queria saber se você estava bem, depois do que aconteceu. E... Eu estive pensando em você durante toda a noite. – Não devia estar com a Shelly? – Por que demônios eu deveria estar com ela? Dei de ombros. – Ela estava com você depois da partida e vocês dois estavam confortáveis. Pensei que você quisesse celebrar com ela esta noite. Todo seu corpo ficou tenso.


– Vamos esclarecer isto agora e de uma vez por todas. Ela não significa nada para mim. Nunca vai significar. – Ele inclinou a cabeça para o lado enquanto me olhava – É por isso que você não foi à festa? Porque achou que eu estaria com aquela cadela? Fiz uma careta para toda aquela conversa. – Romeo, simplesmente não gosto da festa desta noite, isso é tudo. Vai e aproveite. Você não precisa saber como estou. – Não vou a lugar nenhum. Meu coração pulsava, rapidamente, enquanto eu olhava diretamente para ele, debaixo da minha varanda, me assegurando que não estava tendo nada com Shelly. Relaxei e percebi o quanto me afetou pensar nele com outra pessoa. Olhei por cima do corrimão e não pode controlar a risada imperceptível que escapou da minha garganta. Seus olhos cor de chocolate se estreitaram, ameaçadoramente. – O que é tão engraçado, Shakespeare? – Romeo veio a minha sacada para lutar por minha atenção. – Contive um grito e me abracei, esfregando meus próprios ombros. – “As paredes são altas e não podem ser escaladas; Você poderia encontrar a morte, tendo em conta quem és, se algum dos meus parentes te encontrar aqui... Vão te matar...” – Abaixei minhas pálpebras para lhe dar um efeito adicional. Um lado do lábio superior dele subiu enquanto ele lutava, sem êxito, para evitar um sorriso. – Como demônios você sabe isto de cor? – Porque li esse livro aproximadamente uma centena de vezes. É maravilhosamente trágico. – Soltei uma risada. – Um pouco como nós, não acha?


Romeo desapareceu da minha vista e detectei o som de um rangido. Corri até o canto da minha varanda para ver o que ele estava fazendo, e ali estava ele, escalando o engradado que percorria a parede. – Romeo, cuidado! O que está fazendo? Alcançando a peça frágil de madeira, ele olhou para cima, com um brilho brincalhão nos olhos. – Subindo para ver minha Julieta. Tropecei para trás. Ele estava subindo para me ver... Em meu quarto... Sozinho. Merda. Duas mãos agarraram o corrimão de pedra da grade da varanda e Romeo apareceu no topo, endireitando seus pés e tirando a poeira de suas mãos em seu jeans apertado. Quando ele me olhou, sua respiração parou e suas mãos congelaram nas coxas, parecendo fascinado diante da visão de mim em minha camisola. Olhando para baixo, estremeci interiormente pelo meu estado de exposição. Ergui a cabeça para explicar que já estava na cama quando ele apareceu, na minha frente. Seus grandes olhos escuros bebiam cada curva do meu corpo, sua larga língua rosada lambia seus lábios carnudos, enquanto seus olhos errantes deslizavam dos meus seios até meus quadris Romeo estendeu a mão e a correu pelos meus cabelos longos e ondulados. – Eu gosto do seu cabelo solto. – disse ele com a voz rouca, como se lhe doesse falar. Automaticamente fui mexer em meus cabelos, mas minha palma aterrissou em cima da mão dele. Ia retirá-la, quando seus dedos capturaram os meus e ele tocou meu cabelo, até as pontas, no final das minhas costas.


Quando olhei para baixo, nossas mãos já estavam entre nós seu polegar acariciava a palma da minha mão, provocando calafrios que passaram pelos meus braços, costas e atingia meu interior. Com a outra mão ele retirou, suavemente, meu cabelo do ombro e seu dedo indicador percorreu de cima a baixo a pele exposta, em um movimento hipnotizante. Meus olhos se fecharam e meus mamilos endureceram, roçando quase dolorosamente contra o leve tecido de algodão da minha camisola. – Romeo? Q.. O que você está fazendo? Seu hálito mentolado fazia cócegas na pele do meu rosto. – Não tenho certeza. Mas não quero parar. – Romeo, não acredito... – Abri os olhos e ouvi o som repentino de algumas irmãs da fraternidade bêbadas, que retornavam para casa, interrompendo nosso momento. Se elas se esforçassem o suficiente, seriam capazes de nos ver aqui, nos tocando, acariciando e a cada segundo mais perto um do outro. Ele

acariciou

meu

pescoço

e

minhas

costas

arquearam,

instintivamente, para frente rendendo-se a sua atenção. – Nós... Temos que parar. Rosnando, Romeo lambeu minha pele, agora bronzeada. – Não Mol. Eu me segurei por tempo suficiente, tentei levar as coisas com calma, mas não posso mais. Não vou seguir não significando nada para você, nunca mais. Quero você, desejo você para caralho... – Romeo. Isto não é uma boa ideia. Não posso fazer isso. – Claro que pode. – Disse ele com uma pitada de humor na voz, suas mãos vagaram até minha cintura. Eu empurrei seu peito com força. – Por Favor... Só... Espere um minuto. – Romeo recuou e piscou surpreso. – O que? – Perguntei-lhe reagindo a sua súbita quietude.


– Ninguém nunca me disse não antes. – Ele parecia completamente perdido. – Você está falando sério? – Sim, estou. – Isso... É... Patético. Ele voltou a se posicionar junto ao meu corpo, com um sorriso, seus dedos deslizaram pelos meus braços e se estabeleceram em meu quadril, agarrando o fino tecido. – Nunca falei tão sério. – Ele respirou fundo, visivelmente ocultando um brilho de nervosismo. – Não quer isto? Não me... Quer? – Romeo... Eu... – O que? – Perguntou ele, impaciente. Esfreguei minhas mãos pelo rosto. – É muito para assumir, sabe. – Sei. Ele deu um longo suspiro e um sorriso torto e arrogante apareceu em seu rosto. – Não sei o que você quer de mim. Você está me confundindo e eu não estou acostumado com isso. – Lentamente encurtando a distância, ele envolveu os braços ao redor da minha cintura e sussurrou: – Então me deixe te mostrar o que quero. Deixe de brigar tanto contra isto. Tentei romper seu aperto. – Não, Romeo, é só... Só... – Quero estar com você. – Ele pressionou, com seus grandes olhos castanhos quase suplicantes. – Vamos, Mol. Preciso de você. Diga que me entende. Diga-me que está tão a fim de mim quanto estou de você. Fechei os olhos e senti suas mãos se movendo para a parte inferior das minhas costas, meu corpo tremeu em resposta. Era ótimo. Não houve resposta, nenhum debate interno prolongado, eu ia fazer isso.


– Vem para dentro. – Disse a ele, com a voz rouca e mesclada de nostalgia. Romeo pressionou a testa contra a minha e suspirou de alívio. – Porra. Sim. Segurando sua mão, levei-o da sacada e em silêncio fechei a porta. Quando dava a volta na fechadura, senti um calor em minhas costas, e Romeo envolveu seus braços ao redor de minha cintura, suas mãos massageavam meu estômago através do fino tecido, enquanto ele se inclinava e pressionava um suave beijo bem debaixo da minha orelha. Seus dedos suaves deslizaram até meus quadris me puxando até sua virilha, que endureceu em resposta ao meu contato. Virei em seus braços e no momento em que o enfrentei, seus lábios encontraram seu lar, contra os meus. No início, seus movimentos eram suaves, quase roçando minha boca, parecia me saborear. Minhas mãos seguraram seus cabelos, puxando-o para mais perto. Sua língua explorou meus lábios e entrou em minha boca, acariciando a minha com doces e tórridas carícias. Estava perdida por ele. Soube

nesse

momento

que

as

coisas

tinham

mudado

categoricamente para mim, que eu não ia voltar para meu estado pré-Romeo. Meu corpo queria o que ele oferecia e meu coração não me permitiria resistir. Romeo me retorcia em seus braços e, sem romper nosso beijo, empurrou-me para trás, até que minhas pernas golpearam a cama. Ele me deitou sobre ela e seu corpo duro aterrissou contra o meu. Fortes gemidos de aprovação me incitaram a continuar, então segui seu entusiasmo com tudo que eu tinha. Minhas mãos se moveram de seu cabelo até a barra de sua camisa e meus dedos riscaram círculos em suas costas, enquanto ele gemia em minha boca. O grunhido vibrava contra nossas línguas. Sua mão acariciou minha


cintura e seguiu para baixo. Seus dedos largos e experientes acariciavam minha coxa, muito ligeiramente e sua boca se separou da minha. O olhar de Romeo caiu sobre mim e senti sua mão viajando ao norte, passando pela parte interior da minha camisola. Imediatamente detive sua mão e ele congelou, seus olhos procuraram os meus, rapidamente. – E... Eu não posso. Estamos indo muito rápido. – Sussurrei e desviei o olhar, envergonhada. Ele suspirou e retirou sua mão da minha camisola, logo segurou meu queixo entre os dedos. – Não faça isso. – Ele falou com firmeza. – Fazer o que? – Sentir-se mal por parar. Nunca se sinta mal por isso. Quando eu tiver você, você estará se retorcendo de necessidade, rogando que eu te foda. Nunca se sinta mal por parar. Quando se entregar para mim, estará tão molhada que não poderá suportar. – Quando eu me entregar a você? – Perguntei, ligeiramente incomodada com sua hipótese de que eu seria incapaz de resistir a seus encantos, mas ao mesmo tempo muito acesa. – Sim. Quando você se entregar a mim. – Respondeu ele, com conhecimento. Minha boca se abriu. – Está muito seguro. Eu poderia te rejeitar. Ele encolheu os ombros com desdém e arrastou o dedo indicador ao redor de meu joelho. – Vamos ver. Nós dois sabemos que digo a verdade e, estou contando os dias para eu estar dentro de você e te fazer gozar... Uma e outra vez. – Ele lambeu os lábios e a umidade fez com que eles brilhassem. – Estou realmente contando os minutos... Lutei para pensar, mas não pude evitar colocar sua boca na minha o desejo superava a lógica.


Com um grunhido frustrado ele me empurrou sobre o colchão. – Não deveria tê-la pressionado. Você não está pronta – Você não me pressionou. É só... É só que... Eu... Não sou muito experiente... E eu... – Seus olhos se arregalaram e ele chegou um pouco para trás. – Merda, você é virgem? Baixei a barra de minha camisola e me ajoelhei. Seus olhos surpresos nunca deixaram os meus, enquanto eu colocava meu cabelo atrás da orelha. – Não, não sou virgem, mas não sou muito experiente em toda a arte... De seduzir. Só dormi com uma pessoa e apenas uma vez, no ano passado. – Falei precipitadamente. Com uma pitada de possessividade e os músculos tensos, ele perguntou: – Quando isso aconteceu? – Quando eu estava em Oxford. Oliver e eu... – Oliver? – Perguntou com frieza. – Sim, Oliver Bartholomew. Ele perdeu a irritação e lutou contra um sorriso. Entrecerrei meus olhos. – O que foi? – Oliver Bartholomew? Muito... Britânico. – Ele é britânico! Como eu! Pare de provocar! Virei e cruzei os braços. Ele me arrastou para trás, me fazendo olhar para ele, incapaz de esconder sua diversão. – Está bem, está bem. Sinto muito. – Desdobrei meus braços, incapaz de permanecer chateada e segurei sua mão na minha. – Então, Oliver, era seu namorado?


– Sim. Bem assim eu supus. Eu tentei tê-lo como meu namorado em todos os sentidos. – Tentou? – Sim. Eu... Realmente não sou muito próxima das pessoas. Tentei, mas no final, simplesmente não pude. Nós estávamos saindo a alguns meses, como namorados, éramos companheiros de estudos, esse tipo de coisas e decidi dar o passo seguinte, acabar com essa história de virgem de uma vez. Ele queria muito. Eu era indiferente. Assim pensei, por que não? Olly era doce para mim e eu gostava dele. O sexo, nem tanto. Ele retrocedeu, horrorizado, soltando minha mão. – O que? Você não gosta do sexo? Corei, envergonhada, tirando os fios soltos de algodão da minha camisola. – Não foi como eu esperava. Foi incômodo, torpe... Romeo deslizou um dedo pelo meu braço, olhando a reação da minha pele ao seu contato. – Olly, simplesmente não fez como deveria. Uma segunda onda de arrepios se espalhou ao longo de minha pele exposta. Ele percebeu minha reação traidora e sorriu com cumplicidade. – Imagino que comigo Shakespeare, seria incrível. Nunca quis tanto algo em minha maldita vida, quero provar, sentir você... Ouvi-la gritar meu nome. – Romeo... – Antes que as coisas fossem muito longe, coloquei um pouco de espaço entre nós. Ele estendeu a mão e segurou meu braço. – Vou parar, mas não vou esconder o fato que te desejo, muito, Shakespeare. Realmente não vou esconder. Gemi, golpeando teatralmente o travesseiro na minha cabeça e ouvi a risada gutural de Romeo, ao meu lado. Ele colocou o travesseiro para baixo,

expondo

meus

olhos

e

levantando

interrogativamente, pelo meu estranho comportamento.

uma

sobrancelha


– Precisamos encontrar algo para fazer, Romeo. Eu realmente preciso me distrair agora. Ele sorriu largamente, mostrando seus dentes brilhantes. – Você tirou meu chão, Shakespeare. Não sou eu quem deveria dizer isso? Eu ri. – Provavelmente, mas estou a ponto de saltar sobre seus ossos e acho que esta noite estou meio tarada. Eu não gostaria de ir de quase virgem a vadia, depois de uma noite em sua maldita companhia. Romeo jogou a cabeça para trás, soltando uma gargalhada e eu me uni a ele, incapaz de resistir. Ele segurou minha mão e a envolveu entre as dele. – O que devemos fazer então, quase virgem, para que não se renda, e salte sobre meus ossos? Embora, seja muito tentador para mim deixar que você faça exatamente isso. Golpeei-lhe o peito, me divertindo. – Tenho a coisa perfeita, se estiver no clima. – Romeo bateu em minha bunda enquanto eu levantava da cama. Balancei a cabeça em recriminação e inseri um DVD no meu player. Subindo de novo na cama, coloquei um casto beijo nos seus lábios e senteime, descansando contra a cabeceira da cama, com borboletas esvoaçantes no estômago. O filme começou e Romeo cutucou meu ombro, havia alegria em seus olhos chocolate. – A vida do Brian dos Monty Python? – É Python. Ele levantou o braço e o colocou ao redor de meus ombros. – Como não posso estar dentro de você agora, suponho que Python é um substituto bem aceitável. Engolindo a saliva, encontrei seu olhar, detectando a luxúria descarada em seus olhos. – B... Bem... Bom.


Ele pôs-se a rir da minha gagueira. Saindo da cama e endireitando minha camisola, apontei para Romeo e lhe ordenei: – Não se mexa. Irei procurar uns aperitivos.


– Ele não é o Messias, é um menino muito travesso! – Romeu riu de minha imitação e pegou o resto das pipocas. Agarrei a tigela de suas mãos e o olhei boquiaberta. – Ei, menos, está destinado a ser um atleta! Você comeu tudo! Ele moveu as sobrancelhas e flexionou os braços musculosos. – Sou uma maldita máquina, Shakespeare. As pipocas não são páreas para mim! Levantei minhas mãos. – Sinto muito, esqueci que estava falando com o Bala. As mãos do Romeo saíram disparadas, agarrando meus pulsos e ameaçando: – Não. – Com um tom áspero. Eu não parei, supondo que era uma brincadeira e me arrastei para mais perto de seu corpo exposto. –

Allaaabbbaaammmmaaa!

Levantem-se

para

receber

seu

quarterback local, Romeo... "Bala"... Prince! – Imitei o rugido da multidão e comecei a cantar sua canção. – Há uma bala em sua pistola. Há fogo em seu coração. Moverá todas as montanhas que se interponham em seu caminho... Ele me puxou para frente e aterrissei contra seu torso, meu nariz quase nivelado contra o dele. – Pare com isso Shakespeare. Porra! Franzi o cenho ante seu estado de ânimo e tirei meus pulsos de sua mão, me sentando. – Estou brincando. Não tem que ficar todo malhumorado comigo.


Romeo de repente olhou para fora da janela. – Eu sei, sinto muito, mas eu odeio toda essa merda. Não sabe o quanto. Não quero ser o Bala para você. Você é a primeira pessoa que não se viu afetada pela fama de um jogador de futebol americano. – Ele me olhou uma vez mais e acariciou minha bochecha. – Para você... Quero ser apenas o Romeo. Meu estômago revirou e me inclinei para lhe dar um beijo suave no rosto. – Não estou afetada por sua fama de jogador de futebol, não de tudo, mas não posso negar que realmente foi muito bom ver você jogar hoje. Não fica nervoso com toda aquela gente? – Não mais. Este é meu quarto ano com os Tide. No entanto, tem sido a pior temporada até agora. Bem, até hoje. Os sons de garrafas se quebrando ecoaram por todo o quarto. Arrastei-me até ele e coloquei a cabeça em seu peito, amando o que existia entre nós... Bem... Era natural. Feliz Romeo pegou uma mecha do meu cabelo e o enrolou ao redor do dedo, só para soltá-lo e fazer o mesmo novamente. – Sério, JMV? – Perguntei em voz baixa, depois de uns minutos, desfrutando do pequeno oásis tranquilo que tínhamos criado em meu quarto púrpura e branco. – Sim. Uma loucura considerando que não marquei na primeira metade do jogo. – Ele falou desviando os olhos dos meus. Parecia nervoso. – As fãs e a equipe estão me pressionando, dizendo que "aquilo" foi por sua culpa. Que você é meu amuleto da sorte. Você me deu um beijo doce e tudo melhorou. Eu congelei e minha respiração parou, suas palavras me atingiram, forte. Eu podia sentir o meu coração parar e um formigamento devorar meu braço. Dei uma tapa no meu peito e tomei umas respirações fundas, tentando fazer essa sensação estranha desaparecer. Concentrei-me na minha respiração e lembrei-me do conselho da vovó: Respire pelo nariz por cinco segundos e lentamente inspire pela boca.


Alarmado,

Romeo

levantou

a

cabeça,

seu

rosto

refletia

preocupação. – O quê foi? Qual é o problema? O que eu disse? Ele pegou minha mão. Eu fechei os olhos e mais uma vez a ameaça de um ataque de ansiedade pareceu passar, apenas com seu toque. Romeo tirou o cabelo suado da minha testa. – O que há de errado, Mol? Fale para mim. – Sinto muito, é que isso era algo que minha avó costumava dizer. Ouvir você falar a mesma coisa me levou de volta à aqueles dias. Entrei em pânico. Só... Fiquei surpresa quando você disse isso. De todas as maneiras que você poderia ter dito, você usou as mesmas palavras que ela usava. Sua mão ficou no meu cabelo, massageando a parte traseira de meu pescoço. – O que ela dizia? O que eu disse? – Que eu tinha beijos doces. – Sorri fracamente ante a lembrança agridoce. – Vovó dizia que um beijo doce meu faria com que qualquer problema ficasse um pouco mais fácil. Um sorriso íntimo se desenhou no rosto do Romeo. – Acredito que ela poderia estar certa. Deve ter sido uma mulher sábia, porque isso foi exatamente o que fez por mim essa noite, na partida. Meus olhos se encheram de lágrimas ao pensar na mulher que me criou, a parte que faltava do meu coração. – Era, sim. Ela era tudo para mim. Estávamos acostumadas a dizer que éramos as engrenagens de uma máquina. Quando morreu, metade de minha alma foi com ela. Eu não gosto muito de pensar no meu passado... Mata-me recordar tudo que eu perdi. Lutei contra as lágrimas, enquanto Romeo ficou em silêncio, simplesmente deixando que minha tristeza passasse. Depois de um tempo, me recostei no travesseiro e ouvi risos e diversão lá fora. Romeu ficou ao meu lado, olhando nossas mãos unidas, enquanto brincava com meus dedos.


– Então, você deixou a sua própria festa? – Tentei mudar de assunto. – Você não estava lá. – Ele respondeu imediatamente. Nem sequer pensou na resposta. Virei-me para ele, admirando as três pequenas sardas na ponta do seu nariz. – Significo muito para você? – É sério que você não sabe o quanto significa para mim? Neguei e, ele rapidamente me prendeu contra a cama, debaixo dele. – Eu gosto do jeito que você está comigo. Eu gosto de ficar com você. Eu sinto como se eu pudesse lhe dizer tudo o que tenho em minha alma negra do caralho. Você me faz sentir... Bem... Já sabe... Você me entende? – Ele inclinou a cabeça para frente, timidamente. Sorri com sua resposta tímida. – Eu entendo, Romeo. Seus lábios se curvaram em um sorriso. – Só espero que tudo o que eu diga a você não seja usado contra mim em uma conferência pública. Fazendo uma careta, liberei uma mão e penteei seu cabelo comprido e loiro com meus dedos, sua cabeça se inclinou com meu toque. – Sinto muito por isso. Foi muito ruim da minha parte. Mas naquela noite na sacada, eu pensei que tínhamos uma conexão e quando Shelly pulou em seus braços, fiquei com tanta raiva... Senti-me... Traída. Sei que é estúpido. Romeo passou os dedos pelo meu rosto. – Não é estúpido. Eu senti uma conexão entre nós também. Fiquei surpreso com Shel. Em um momento você e eu estávamos conversando, rindo e no seguinte ela estava entrando pela porta e me atacando. Vi seu rosto quando saiu e isso fez com que finalmente me desse conta que eu tinha terminado, oficialmente, com ela e com todas as outras. Disse a ela que tínhamos terminado e que suas súplicas e maquinações com meus pais não mudariam isso.


– Terminado com todas? Todas as garotas? Ele me deu um beijo na ponta do nariz. – Não estive com ninguém desde o dia que te conheci. Pela primeira vez em minha vida, quero estar com apenas uma pessoa. Quero estar com você. É tudo novo para mim. O inferno congelou, oficialmente e, estou cruzando o lado escuro da monogamia. Eu ri. – Sério? – Sério. – O que acontecerá com o plano de compromisso de seus pais para você e Shelly? Não vão gostar que esteja comigo, agora. Seus lábios se curvaram em desgosto e sua expressão ficou obscura. – Que se fodam. Não me importo. – Mas... – Disse que se fodam, Mol, não quero falar disso. Movi um fio de cabelo solto de seu rosto, imaginando a razão dele estar tão hostil. – Pode me dizer que tipo de negócio seus pais tem com os de Shelly? Por que a pressão para se casarem? Sua boca se apertou e ele girou os olhos em derrota. – Petróleo. Meu pai está no ramo do petróleo. Possui uma petrolífera. – Então... Você é... – Rico?

– Ele concluiu minha pergunta, com um sorriso sem

humor. – Bom... Sim. – Meu pai é rico. Sua empresa é responsável por uma grande quantidade de postos de trabalho em Bama. – Romeo puxou minha mão até seu peito. – Não me importa com dinheiro, Mol. Eu estou doente e cansado deles tentarem ditar minha vida.


Dei-lhe um beijo no rosto e me aconcheguei contra ele. – Shelly deve estar magoada, por tê-la deixado, de uma vez por todas. Ele passou a palma da mão sobre o rosto. – É como se ela vivesse em seu próprio mundo. Digo a ela que não somos nada um do outro, ela concorda e me diz para ter um tempo para pensar nisso, para reconsiderar. Asseguro-lhe de novo que terminei completamente com seus jogos e ela me dá uns tapinhas no braço e fala que entende a pressão sob a qual estou, e que portanto sabe que não estou pensando com clareza. Como posso estar do lado de alguém tão louca? Não pude evitar e de uma risada – Não sei. – Romeo franziu os lábios, reprimindo uma risada. – O que foi? – Perguntei, ao me dar conta que ele estava estudando meu rosto. Tocando a fita que unia meus óculos, ele falou: – Lindo estilo, Shakespeare. Tendência própria? – Sim, bem, é meu único par. É isso ou estar tão cega como um morcego. Estou tentando sobreviver com todo o assunto da lamentável elegância, até pagarem meu salário. – Oh, está sobrevivendo, claro. Está sobrevivendo muito bem. – O volume da festa lá fora aumentou repentinamente e a voz profunda de Luke Bryan surgiu através do aparelho de som, com uma contagem de decibéis ensurdecedores. Romeo e eu nos levantamos para verificar o que estava acontecendo, da sacada e, nos deparamos com uma multidão de estudantes bêbados dançando e se beijando, vigorosamente. Uma respiração quente correu pela minha orelha e um arrepio intenso percorreu minhas costas. Romeo colocou seu queixo em meu ombro, seus olhos estavam fixos na cena abaixo de nos. Mas me aconchegou na armadilha de seus braços bronzeados e fortes. – Vai ser muito difícil descer sua sacada sem ser visto por essas pessoas. – Meus olhos se arregalaram e meu pulso acelerou. – As pessoas vão falar, Romeo. – Ele salpicou beijos em meu ombro nu e notei que desde


que ele tinha chegou aqui, hoje à noite, ele estava sempre me tocando, de alguma forma – Então deixe-as falar. Eu não me importo. – Mas eu sim. Não quero que pensem que sou apenas mais uma de suas vadias. Eu não sou assim. – Seus braços flexionaram, indicando sua ira. – Não vão se atrever a pensar essa merda. Vou me certificar disso. – Você vai? Seu braço volumoso serpenteou ao redor de minha cintura, me aproximando de seu peito, sua boca parou ao redor do meu ouvido. – Não se confunda com as outras, Mol. Você é muito, muito mais. Convencerei, com gosto, qualquer um que pense o contrário. – Por que sou mais? Eu não entendo. – Só sei que você é. De alguma forma você dá paz ao meu mundo completamente fodido. Você me laçou, ninguém fez isso antes. É simples assim. Uma explosão de pura felicidade atingiu meu coração e acariciei seu rosto com meu nariz. –Você... Pode ficar aqui se quiser. Mas... Só para dormir, para não ter que responder às perguntas das pessoas. Os dentes do Romeo roçaram meu pescoço, mordiscando minha pele e ele gemeu. – Caralho, eu gostaria disso, Mol, provavelmente muito. Agarrando minha mão e caminhando para trás, Romeo me levou para o quarto. Fechei as cortinas roxas e me movi nervosamente para a cama, observando-o, enquanto cruzava os braços ao redor da cintura e puxava a camisa sobre cabeça, revelando um grande "A" tatuado em preto no seu músculo peitoral esquerdo. Reconheci-o como o sinal de Alabama futebol. Senti aquecer entre minhas pernas, enquanto admirava sua pele bronzeada e seus músculos ondulantes. Sua segunda tatuagem era uma


bonita escrita que corria por suas costelas, do lado direito, mas muito complexa para ler a distância. Ofeguei quando suas mãos foram para o botão da parte superior de seu jeans, destacando seu estômago duro e um definido V. O material pesado caiu no chão e Romeo caminhou em minha direção, usando apenas com sua cueca boxer preta - boxer estava escrito no cós- que destacavam a grossa musculatura de suas coxas e o fato de que ele estava bastante entusiasmado com nossa proximidade. Uma terceira tatuagem jazia em seu quadril, numa posição quase igual a minha. A inscrição dizia UM DIA. Minha curiosidade despertou. Romeo chegou ao lado da minha cama e puxou o lençol lilás, fazendo com que eu apertasse minhas coxas, por pura necessidade. Ele subiu e seu aroma me atingiu como uma tonelada de tijolos: sensual, doce e sexy. Deitei-me de costas, olhando para o teto, sem saber o que fazer. Seus braços se enroscaram ao redor da minha cintura me puxando em sua direção. Senti sua pele quente contra as minhas costas e o movimento de seus quadris, em câmera lenta, me fez gemer em voz alta. Romeo colocou sua cabeça debaixo de minha orelha. – Temos que tentar dormir ou as coisas vão ficar fora de controle. Meu auto-controle é limitado. – Está bem. – Respondi sem fôlego e pus meus óculos sobre o criado mudo, perto de mim. – Boa noite, Shakespeare. – Ele murmurou enquanto sua mão subia e descia pelo meu estômago. – Boa noite, Romeo. Ele ofegava em meu cabelo, o que fez com que eu ficasse ainda mais acesa. – Na verdade, eu gosto do som do meu nome em seus lábios, algo que nunca pensei que iria acontecer. Acredito que é o sotaque inglês. Soa muito apropriado. Ninguém me chama de Romeo, jamais me chamaram


de Romeo. Não permito. Mas, estranhamente, eu gosto quando você me chama assim. Tentei virar, mas seus braços se apertaram como uma barra de ferro em torno de mim, então decidi beijar nossas mãos entrelaçadas, recitando: – “O que há com um nome? Até as flores tem nome e com qualquer outro nome você ainda seria doce; Assim como é Romeo, aonde o chamam Romeo.” Romeo exalou um assobio agudo e seus quadris ondularam entre minhas coxas. – Não... Por favor... – Por que não permite que lhe chamem pelo seu nome? – Perguntei hesitante e empurrando para trás, contra seus movimentos. – É uma longa história. – Temos tempo. – Agora não. – Disse com firmeza, me apertando em seus braços e roçando a língua contra minha pele, enquanto chegava cada vez mais perto de mim. Lutei contra minha necessidade, aquietando seus quadris com as mãos e trocando a assunto, rapidamente, para um tema mais seguro, ignorando seu suspiro de protesto. – O que diz a tatuagem em suas costas? – A maior conquista não consiste em nunca cair, mas sim em levantar a cada vez que cair. É de Vince Lombardi. Aquelas palavras falaram comigo, como se elas estivessem associadas diretamente com minha vida. Fechei os olhos e vi as palavras inspiradoras fluírem através de minha cabeça, como um mantra. – É lindo. Este filósofo Vince Lombardi deve ser bom. Por que eu nunca ouvi falar dele?


Ele riu e puxou, de brincadeira, as extremidades do meu cabelo – E agora o que foi? – Perguntei, exasperada. – Ele era um treinador de futebol americano. Um muito famoso treinador de futebol americano. – Oh. Eu realmente preciso me atualizar sobre tudo relacionado ao futebol americano. Sua mão apertou ao redor de minha cintura. – Eu gostaria que não o fizesse. Não está impressionada pelo alvoroço que vem comigo por jogar futebol americano e quero que nunca fique. É melhor se não souber a fundo o que isso significa, para as pessoas por aqui. – Quer dizer que realmente não quer que eu chame você de Bala? – Brinquei. – Merda, não. –Como quiser. – Durma, Mol – Ele falou, com os dentes cerrados. – Ou terminaremos fazendo algo que me deixará incrivelmente feliz. Tive que morder o lábio para não gemer e aceitar de bom grado o que tínhamos ameaçado a fazer mais cedo. – Só mais uma pergunta, então eu vou. – Ele suspirou. – Apenas mais uma. Você esta tentando a sorte. – Por que “um dia”? Ele ficou rígido. Passei um dedo por cima de sua mão e ele relaxou, pressionando um beijo na parte superior de minhas costas. – Por que sairei deste lugar, um dia. Serei eu mesmo, um dia. Farei o que eu quiser... Um dia. – Disse ele com a voz tão baixa que tive que me esforçar para ouvi-lo. Lágrimas encheram meus olhos diante da sua resposta sombria. – Sempre foram ruins para você?


– Essa é uma segunda pergunta, Shakespeare. Estive de acordo com uma. Agora, durma. – Dei-me por vencida e me acomodei em seus braços fortes. Depois de cinco minutos de pensamentos preocupados, eu falei: – Romeo? Não quero que saibam a respeito de nós, ainda. Quero manter nossa relação para nós mesmos. Ele retirou os braços da minha cintura e rolou lentamente, se sentando na beirada da cama e deixando cair a cabeça entre as mãos – Entendo. Está envergonhada por estar comigo. O Bala, o agressivo, o que busca putas. QB... Não sou bom material para namorado, não é? Mas bom para uma foda em segredo... Estendi a mão, agarrando seu braço e acariciando suas costas. – O que? Não! Eu... Estou nervosa! – Nervosa por quê? – Ele se virou para me olhar e parecia preocupado. – Olhe, não sou como as meninas que você fica normalmente. Não pareço uma super modelo, ou sou linda, polida e perfeita de todos os ângulos. – Peguei um brilho de diversão em seus olhos. – Por favor, podemos esperar um pouco mais, antes que todo o Campus saiba? Pelo meu bem? Vou ter que fazer alguns ajustes para estar contigo. Só preciso de um pouco de tempo. Ele pressionou o peito contra o meu e seus lábios estavam em linha reta. – Quero mostrar para todo mundo que estou com você, agora. Não vou esconder e não dou a mínima para o que os outros pensam. Quanto ao meu passado, não é isso que eu quero de você. Eu quero mais... Ainda não entendeu isso a estas alturas? Cristo! Continue sem mudar nada. – Por favor. Só por um tempo. Você é Romeo Prince... Sua reputação me assusta um pouco. Vamos ficar com isso somente entre nós? Apenas por um tempo e ver como vai ser, sem ninguém interferir.


Por fim ele soltou um forte suspiro irritado e sacudiu a cabeça. – Porra, Mol! – Por favor. – Muito bem! Vamos manter o maldito segredo. Eu não gosto dessa merda, mas eu vou fazer isso por você, mesmo que a ideia de estarmos juntos seja um segredo me faça querer dar um murro na cara de alguém. Estalei a língua e sacudi a cabeça em desaprovação. – E agora o que? – Queixou-se. – Você, amaldiçoa muitíssimo. Tem que usar a palavra com M e P em cada frase que diz? – Merda, sim, porra. – Respondeu ele, com um sorriso satisfeito, me empurrando contra a cama e pressionando beijos por todo meu rosto. Eu gritei e segurei sua mão, detendo o assalto e envolvendo-as em minha cintura, forçando-o a enroscá-las nas minhas costas. – E, por fim, você não vai bater em ninguém. Eu lhe dou paz, lembra? – Durma! Faça o que lhe digo apenas uma vez, pelo bem de ambos – Disse ela rigidamente e eu fechei os olhos, com uma sensação de segurança, ao estar envolta em seu abraço forte.


Caminhei para a cafeteria depois da aula de ética que assisti, sentia-me um pouco cansada, até esgotada, por ter dormido pouco nas últimas noites, devido à frequentes visitas de Romeo. Não posso evitar o sorriso em meus lábios quando lembro o quanto ele foi terno e gentil comigo, como nunca me pressionou, além do que eu estava disposta a dar. Foi tão lindo quando me disse que eu era diferente de qualquer outra garota que ele tinha conhecido. Na verdade foi maravilhoso. Estava quase na porta, perdida em meus pensamentos, quando vi Romeo do lado de fora, ao telefone. Sorri e caminhei para cumprimentá-lo. Até que vi seu rosto alterado, uma mão na testa e lábios franzidos, de raiva, enquanto falava bruscamente com a pessoa na linha, usando poucas palavras e grunhidos mordazes. Sem notar minha presença, ele terminou a ligação e caminhou para o interior do prédio, mas antes, deu um chute na lata de lixo com um ruidoso: uff! E praticamente marchou através das portas, os estudantes se afastaram do caminho, pressentindo o perigo e visando a auto preservação. Ao entrar na cafeteria, me reuni com uns amigos e discretamente observei Romeo, que caminhava pelo lugar com passos largos e pesados. Ele puxou uma cadeira e sentou-se com o time de futebol americano, fungando e com o rosto transtornado pela ira. – Mm.... Bolo de carne. Ammmmmoo bolo de carne!

– Cass

chamou minha atenção, enquanto mexia na comida com grande energia, Ally e Lexi estavam falando sobre o clube que aparentemente iríamos, no sábado à noite.


– Você virá, Molls? Certo? – Perguntou-me Ally enquanto pegava meu sanduíche na bolsa. – É claro. – Respondi. Nunca fui a um clube noturno antes e sem dúvida, seria uma experiência interessante. Cass estava oficialmente "em uma relação estável" com o adorável Jimmy-Don e ele a levaria para dançar depois do jogo. Nós três iríamos acompanhá-la e a noite faríamos algo. A conversa mudou para a escolha do que vestir e penteados, então aproveitei a oportunidade para dar outro olhar furtivo a Romeo, que pareceu estar me observando fixamente. Ele me cumprimentou com uma sutil inclinação de seu queixo. Segurei-me à cadeira, para evitar caminhar até ele e lhe perguntar se estava tudo bem. O boato sobre sua separação, oficial, com Shelly havia se espalhado, assim algumas garotas já estavam fazendo suas jogadas ao quarterback, mais do que o normal e minha paciência estava no limite com cada batida de cílios ou chicotadas de rabo-de-cavalo que ultrapassava a movimentação normal. Ally parecia ter percebido minha frustração e franziu o cenho, olhando entre Romeo e eu, enquanto mordia seus palitos de cenoura. Decidi simplesmente evitar seu escrutínio detalhado. Romeo se esquivou de um bando de garotas, com uma negativa de cabeça ou um cumprimento desinteressado com a mão. Isso me fez imensamente feliz, mas os olhares suspeitos de seus companheiros de equipe por seu distanciamento do grupo e das belas garotas, competindo por sua atenção me fez ver que não poderíamos ocultar nosso relacionamento por muito tempo. De qualquer forma eu não acreditava que sua paciência ou minha calma durariam muito. Depois de uns quinze minutos, Shelly entrou na cafeteria com sua característica voz alta e risada irritante. Ao ver-me, adquiriu uma fúria e me encarou fixamente, com puro ódio transformando em seu rosto falso.


O lugar ficou em silêncio. – Deus, Molly! Se eu for obrigada a ver você caminhando a minha volta com esses malditos óculos colados com fita adesiva um dia a mais que seja, vou gritar! Não tem outro par? – Ela esticou a mão e antes que eu percebesse, arrancou os óculos do meu rosto e os jogou atrás dela, no chão, provocando um estrondoso ruído no ambiente silenciosa. Tentei me levantar para enfrentá-la, mas à medida que comecei o movimento, ela pressionou meu ombro, fazendo com que eu voltasse a me sentar. – Sente-se quietinha quando eu estiver falando com você, criatura! – Ela inclinou-se em direção ao meu rosto. – O que há? Mamãe e papai não têm dinheiro? Pobre, Molly! Apesar dos meus esforços, cada uma de suas palavras me açoitou como um chicote venenoso, sua maldade me acertou com precisão. Queria me defender, queria me agarrar as minhas crenças, porém suas palavras me paralisaram, revelando todo o medo que eu sentia. – Basta! – Um rugido furioso ecoou através da cafeteria. – Afastese dela. Quantos anos você tem, vinte e um ou doze? – Passadas pesadas se aproximaram e uma mão tocou meu ombro e deslizou os óculos sobre meu nariz. Inclinei minha cabeça e Romeo estava de pé, atrás de mim, furioso com Shelly, que agora estava pálida como um cadáver, quando se deu conta das mãos dele tocando meu corpo. – Tire suas mãos dela! – Disse ela furiosa. Romeo se dirigiu a ela com um sorriso zombeteiro. – Coloque na sua cabeça, não estamos mais juntos, nunca mais estaremos. Já é hora de acabar com esta merda. – Ele dirigiu sua atenção a todos os estudantes, estendendo os braços, amplamente. – Apesar das


merdas que essa cabeça dura possa estar cuspindo, saibam que não tenho nada a ver com ela, nunca tivemos nada e tudo o que ela diz é mentira! Lexi e Cass estavam me olhando boquiabertas e em choque, desviando os olhares entre mim e Romeo, de Romeo a Shelly e de volta para mim. Ally tinha os braços cruzados sobre o peito e satisfação exalava por cada um de seus poros. Romeo inclinou a cabeça e sussurrou, com a voz tensa: – Você está bem? – Assenti, mas mantive a cabeça baixa pela vergonha.

Ele agarrou minha mão, levantando-me da cadeira. A simples

ação provocou burburinhos e rumores entre nossos colegas de classe e a discussão sobre o estranho comportamento dele explodiu no salão. – Pegue sua bolsa, Shakespeare. Precisamos de ar. Peguei a minha bolsa marrom com franjas e tratei de seguir o ritmo de seus passos, enquanto ele saía feito como um foguete pelas portas, fazendo com que elas se chocassem contra a parede e deixando uma perplexa e desconcertada Shelly de pé e sozinha com sua birra. Caminhamos

com

passos

pesados

e

apressados

pelo

estacionamento, eu estava quase correndo para seguir seu ritmo. – Romeo, pare. Para onde vamos? – Perguntei, tentando manter minha respiração sob controle. Paramos ao lado de uma enorme caminhonete Dodge nova e preta, ele abriu a porta do lado do passageiro e disse: – Entre. – Ele ordenou-me, com rispidez. Pulei no banco e ele fechou a porta. Romeo sentou no lado do motorista e ligou o motor. A música metálica soou através dos alto-falantes,


ele acelerou e saímos disparados do estacionamento. Não sabia o que dizer, nunca tinha visto alguém tão furioso. Depois de duas canções, com muita percussão e roucos chiados, Romeo começou a relaxar o aperto das suas mãos sobre o volante. – Tem certeza que você está bem? – Perguntou ele, com voz cansada. – Sim. Um pouco envergonhada, mas estou bem. – Como ela se atreve a falar assim com você? É uma cadela! Por que perdi tanto tempo com ela? – Ele amaldiçoou, enquanto golpeava o punho no painel do carro. – Tirou as palavras da minha boca. Seus lábios se curvaram em um divertido e relutante sorriso. Passamos por dentro e fora de várias ruas, apoiei minha cabeça contra a janela, enquanto a cidade passava como um vulto e tentei apagar de minha memória as maliciosas e certeiras palavras de Shelly. Paramos fora do centro comercial da Universidade. Levantei minha cabeça da janela e quando me virei, Romeo estava apoiado em sua mão, me olhando. – Mol, sinto muito sobre o que ela disse de seus pais. Não posso imaginar como você se sentiu. – Seus olhos castanhos estavam cheios de dor. Aproximei-me e coloquei minha mão em seu joelho. – Você não tem nada pelo que pedir desculpas. Ele cobriu minha mão com a dele.


– Tenho sim. Ela estava lhe humilhando porque viu meu interesse em você. O viu desde o nosso primeiro beijo. Você é o inimigo agora Mol, e não posso expressar o quanto me sinto mal por isso. Coloquei você nesta situação e ela está tratando de fazer da sua vida um inferno. Não consegui evitar sorrir, por suas palavras preocupadas e me aproximei do seu banco para descansar minha cabeça em seu ombro. Ele suspirou e passou o braço ao redor do meu pescoço. Percorri meu olhar, com admiração, pela sua camiseta simples, sem mangas, desta vez azul, suas calças desbotadas e botas de vaqueiro marrons, desgastadas. Ele ostentava esse estilo como ninguém mais, um autêntico garoto vaqueiro. Depois de uns minutos em um agradável e sossegado silêncio em seus braços, ergui minha cabeça e perguntei: – Romeo, com quem você falava ao telefone, antes de entrar na cafeteria? – Ele fincou tenso e soltou uma lenta, porém firme respiração. – Você me viu? – Sim. – Realmente não quero falar sobre isso. Suspirei decepcionada. – Tudo bem. Só me responda uma coisa. Era algo relacionado com seus pais? Seu braço enrijeceu ao redor dos meus ombros e ficamos em um absoluto silêncio. Passaram-se vários segundos antes que ele respondesse, muito baixo. – Sim.


Decidi guardar minhas perguntas para outro momento, quando ele não estivesse tão zangado. Podia ver que lhe havia custado muito revelar esse pouco de informação. Endireitei-me, confusa, pelo lugar em que estávamos. – Por que estamos aqui? Romeo abriu a porta, segurou minha mão e me puxou para a rua quente. – Vamos comprar uns óculos novos. Venha! Parei e me afastei de seus braços. – Romeo, não tenho condições de comprar, ainda. Seu olhar duro se estreitou e suas narinas se alargaram. – Eu comprarei. Agora. Vamos! – Ele tentou me arrastar. Permaneci rígida. – Romeo, não sou uma obra de caridade. Comprarei meus próprios e malditos óculos quando tiver juntado dinheiro suficiente. Você não me comprará nada. Não permitirei. Ser pobre não me envergonha. Aceitar dinheiro por piedade, sim! Ele puxou-me com brutalidade até seu peito e me abraçando. – Molly, maldita seja, não me venha com essa. Indiretamente fui eu que quebrei os malditos óculos, com meu passado de merda. Fui eu quem tirou Shelly do sério demonstrando a todos que eu gostava de você. Fui eu que permiti que o ego dela crescesse tolerando-a nos últimos três anos. Comprarei óculos novos e você deixará, não tem outra escolha. Isto não é uma questão de vergonha, trato de proteger o que é meu. – Sua voz severa não admitia discussão.


Normalmente teria me incomodado se alguém me desse ordens de tal forma, mas sua atitude alfa tomou o controle, sua atitude de “não querer rodeios” me deixou sob uma onda de luxúria, sem censura, ali mesmo onde eu estava parada. Suas mãos ásperas percorreram minhas costas até agarrar meus cabelos e inclinar minha cabeça para que encontrasse seu olhar decidido. – Entendeu? Rendida, suspirei derrotada. – Entendi. Colocando um cálido beijo em minha cabeça, ele agarrou minha mão com firmeza e me puxou para dentro do grande complexo. – Somente incline sua cabeça para trás e abra bem... Sim, assim... E... Como estão? – O oftalmologista perguntou enquanto eu piscava os olhos rapidamente para expulsar o excesso de colírio. O mundo voltava a ser normal. – Sim, acredito que está bom. O que você acha? – Aproximei-me do espelho e pela primeira vez em muitos anos, vi a mim mesma com claridade e sem as grandes armações me bloqueando a vista. – Você está linda. – Disse o oftalmologista docemente e com entusiasmo. – Meus olhos... – Sussurrei enquanto registrava cada detalhe da minha íris marrom brilhante, com manchinhas douradas, justamente como meu pai sempre dizia que eram. Nunca as tinha visto assim, tão brilhantes, sem nenhum obstáculo no meio, eu alcancei meu reflexo, passando a mão pelo espelho.


Romeo havia dito ao oftalmologista quando chegamos para só me oferecer o melhor e deixou seu cartão de crédito dourado sobre o balcão, em grande parte para ignorar meus protestos. Decidimos pelas lentes de contato, e não pude acreditar no quanto elas mudaram minha aparência. – Bem, agora você tem lentes de contato e os óculos de tartaruga Chanel para quando não quiser usar as lentes. Tudo está pago Srta. Shakespeare, assim, você já pode ir. Recolhi a sacola que o doutor me entregou e acariciei meu rosto. Sorri e entrei na sala de espera. Romeo estava sentado em uma cadeira acolchoada, curvado e vendo alguma futilidade na televisão. Quando percebeu o movimento ao seu lado ele olhou para cima e voltou o olhar novamente para a televisão, para então girar rapidamente a cabeça e piscar algumas vezes. A expressão de assombro em seu rosto dizia tudo. Pouco a pouco ele se levantou da cadeira, engolindo seco. Brinquei com as alças da sacola branca e abaixei minha cabeça. Suas botas marrons gastas pararam diante de mim e seu dedo levantou meu queixo, para encará-lo. O olhei para ele e seus lábios carnudos, ligeiramente separados, sorriram para mim, enquanto ele dava um suspiro. – Você está linda, Mol. Ruborizei-me e baixei o olhar. Seu dedo levantou meu queixo, novamente. – Não. Não se esconda de mim. Você tem olhos impressionantes. E nesse momento estou um pouco deslumbrado. – Obrigada. – Agradeci com suavidade, com calor subindo pela minha face. Ele puxou-me para si e segurou minha mão.


– Vamos. – Aonde vamos agora? – Perguntei com um sorriso, enquanto ele rapidamente me tirava da loja e me arrastava atrás dele. – Quero lhe mostrar um lugar... E precisamos chegar rápido.


Ele dirigiu durante uns trinta minutos e eu não tinha nem ideia de onde estamos indo. Nunca fui boa em me localizar, assim decidi recostar e desfrutar da paisagem. Campos e campos de vibrantes verdes e amarelos passavam a toda pressa, campos de milho e de trigo dominavam a vista. O céu azul se estendia por quilômetros e nuvens brancas e esponjosas percorriam preguiçosamente o entardecer. Era impressionante. Romeo tinha posto a mão sobre meu joelho, quando entramos na caminhonete, no entanto, teve que retirá-la, mas eu sentia seu olhar cair sobre mim, de vez em quando e, me perguntei no que ele estaria pensando. Esperava que fosse só em coisas boas. Ele ligou a seta de alerta e desviou da via principal, entrando em uma longa estrada. – Já estamos quase lá. – Ele falou. – Onde é esse lá? – É só um lugar que eu gosto de ir, para ficar sozinho. Romeo desviou bruscamente à esquerda e entrou numa estrada de cascalho, cheia de buracos. Tínhamos percorrido uns dois quilômetros quando um enorme riacho de águas azuis cristalinas, rodeado de árvores altas e flores de cores vivas surgiu a minha frente. Era simplesmente maravilhoso. – Meu Deus Romeo, é incrível. – Falei, apaixonada pela cena a minha frente.


Acariciando minha perna, ele estacionou a caminhonete atrás de um grande carvalho, abriu sua porta, correu para o outro lado e abriu a minha. Saltei e segurei a mão que ele me oferecia. Caminhamos ao som do fluir das águas. À beira do riacho ele me puxou para que sentasse junto a ele em um lugar onde o capim era macio. Os pássaros e os grilos cantavam no alto das copas das árvores e o ar era quente e tranquilo. Não estava acreditando que jamais havia sentido tanta paz. Romeo estava me olhando, admirar o entorno, com uma expressão satisfeita. – Bom, agora sério, tem que me dizer onde estamos. Possivelmente é o lugar mais bonito na terra. – É o riacho da parte de trás da casa dos meus pais. – A casa dos seus pais? Ele assentiu secamente, endurecendo a mandíbula. Virei minha cabeça, me dando conta de hectares e hectares de exuberante terra. Virando-me para Romeo, perguntei-lhe: – Eles são donos de tudo isto? Ele se deitou no chão e passou as mãos pelo meu rosto, murmurando: – É uma fazenda, Mol. Acalmei-me. – Uma fazenda? Seus pais são donos de uma fazenda? – Olhei ao redor em busca da casa. Ela estava quase fora da vista. Ele apoiou-se em um dos braços e ficou girando um capim seco entre os dedos.


– Relaxe, eles nem sequer saberão que estamos aqui. Venho aqui sempre, Mol. É o lugar onde me afasto de tudo. Relaxei um pouco e suspirei, sacudindo a cabeça. – O que? – Perguntou Romeo com o cenho franzido. – Isto. Você. Uma fazenda. Somos de mundos completamente diferentes. – Fiz um gesto para os campos ondulados de algodão brancorosado, comparando em minha cabeça com a estreita e empoeirada rua da casa em que passei a infância. Romeo alcançou minha mão estendida e a levou a seus lábios quentes. – Não se trata de mim, acredite. Se soubesse... Tudo isto pertence aos meus pais, não a mim. Eu sou apenas eu e você, é apenas você, Romeo e Molly Julieta. – Ele inclinou a cabeça para um lado. – Venha aqui. – Disseme segurando meu braço. Deitei com a barriga para baixo e firmei meu ombro em meus antebraços. Romeo me olhou. – Não posso acreditar no quanto está linda com essas lentes. Seus olhos são da cor do ouro mais raro... Estou me segurando com todas as minhas forças para não tocá-la do jeito que quero. Ruborizei-me e levei meu polegar aos lábios. Ele observava cada movimento meu. – Pode me tocar se quiser. – Disse-lhe, nervosa. Seus olhos escuros brilharam com luxúria e suas pálpebras ficaram pesadas. – Não brinque com fogo, Shakespeare. Seria muito para uma bonita garota inglesa enfrentar.


– O que posso dizer... Sou uma pessoa que gosta de se arriscar. – Mol... – Ele ameaçou em um meio protesto. Arrastei-me lentamente pela grama seca, até que metade do meu corpo estava em cima dele. Seus olhos ficaram selvagens quando me aproximei. – Mol... – Sua ameaça foi mais forte esta vez. Entretanto, não parei. Sentia–me audaciosa. Meio que escalei seu corpo e olhei diretamente para baixo, encontrando as piscinas de seus olhos escuros. Sentia que minhas fortes correntes de autocontrole se quebravam e livremente me deixavam cair no misterioso e perigoso Romeo. Suas habilidosas mãos se moveram suavemente ao longo das minhas pernas nuas, até a barra do meu vestido verde, avançando devagar, até chegar à minha calcinha. As mãos ásperas de Romeo percorriam minhas pernas

de

cima

a

baixo,

ganhando

altura

com

cada

movimento.

Hesitantemente, me inclinei para baixo roçando meus lábios contra os dele. Romeo me permitiu impor meu ritmo, enquanto eu mordia levemente sua boca e passava a ponta da língua sobre seu lábio inferior. Sabia que estava colocando a prova seu autocontrole, ao ver até onde Romeo me deixaria ir. Ele gemeu e puxou as minhas coxas, separandoas um pouco e aproximando-se cada vez mais do meu sexo. Apertei minha boca na dele, porém não como ele queria, eu o torturei com carícias lentas. E ele me deixou brincar, jogar e seduzi-lo. Sentindo-me mais valente, pus minha mão em seu peito e Romeo estremeceu diante do contato. Minhas mãos começaram a perambular, em um primeiro momento, em círculos lentos. Então deixei que meus dedos deslizassem através de sua camiseta, toquei seus abdominais e parei na


cintura de sua calça jeans, meu dedo deslizou debaixo do cós, roçando sua pele sensível. Em um abrir e fechar de olhos, as mãos de Romeo se moveram até a parte superior de minhas coxas, ele apertou o interior delas e com um grunhido feroz, colocou minhas pernas abertas sobre ele, com meu sexo apoiado diretamente contra seu membro. Minha boca se separou da dele e lutei para recuperar o fôlego. Os olhos do Romeo eram selvagens, sua íris negra erradicou o marrom chocolate e imediatamente soube que tinha desatado seu desejo interior, rompendo todo seu autocontrole. Mãos cálidas passearam ao redor de meu pescoço e a suave boca de Romeo esmagou a minha. Sua língua me atacou através da barreira dos meus lábios, enchendo minha boca com seu sabor de hortelã e me deixei levar. Entreguei-me por completo. Estava completamente capturada e nesse momento, não o teria desejado de outra maneira. Suas mãos subiram até meu cabelo para logo descer pelo meu pescoço e peitos, que se encontravam sem sutiã. Continuando, a mão de Romeo capturou meu sensível mamilo e massageou a carne dura, meus quadris balançaram para frente e para trás, em reação. Sua língua se envolveu ao redor da minha e seus gemidos de desejo se tornaram mais desesperados. Com uma carícia áspera, a mão de Romeo deixou meu peito e aterrissou no fundo de meu vestido curto, escorregando até a borda da minha calcinha de algodão preta. Eu estava quase louca de desejo e ele sorriu quando voltou e estudou meus luxuriosos olhos dourados. – Romeo... – Gemi e fechei os olhos em sinal de frustração. Necessitava dele. – Mol... Eu... Eu...


Meus olhos se abriram e viram os dele. – Por favor... – Supliquei-lhe, desesperada em senti-lo me tocar, realmente me tocar. – Mol... Deus... Está me fazendo ficar louco... – Percebi que ele estava tratando de se controlar. – Romeo... agora! – Praticamente gritei. Seus dedos afastaram o tecido da minha calcinha para um lado, correram ao longo de minha vagina, e quando ele esmagou seus lábios nos meus, imediatamente empurrou seu comprido dedo médio dentro de mim, acariciando-me suavemente. Meu fôlego falhava, com cada avanço. – Não volte a me dizer o que fazer. – Romeo dobrou seus dedos, empurrando para frente, o que me fez convulsionar. – Ouviu? – Sim. Sim. – Respondi rapidamente. Adorei a forma com que ele me controlava e ronronava com satisfação, a cada pedido ou ordem, mais parecia ordem. Irresistíveis sensações finalmente romperam todas as minhas defesas. Coloquei meu braço esquerdo ao redor de seu pescoço enquanto ele me marcava com sua mão ansiosa e palpitante. Precisava satisfazê-lo também. Eu queria, assim me abaixei para desabotoar o botão de suas calças jeans e abri o zíper com uma sugestiva mordida nos lábios. Romeo ficou gelado. – Mol, não, não... – Deixe-me cuidar de você. Vou dar o que precisa. Por favor... – Os olhos chocolate de Romeo se fecharam, quando segurei seu grande e cálido membro em minha mão e o acariciei, suavemente. Exalando fortemente com cada movimento. Nossos movimentos se incrementaram, enquanto ambos procurávamos a liberação eu me movia em seu colo, quando a deliciosa


tensão começou a construir-se dentro de mim. Sem pensar, pressionei minha frente contra a dele enquanto ele acrescentava outro dedo dentro de mim. – Ah, Romeo... Eu... – Não tinha palavras. Os quadris fortes de Romeo empurravam furiosamente em minha mão. – Goze Mol... Maldita seja, goze. – Ele grunhiu e com um golpe final, pôs a boca contra a minha, consumindo meus gemidos. Sua mão não se deteve até conseguir a última gota de prazer do meu corpo, que se contorcia furiosamente contra ele. Eu continuei acariciando-o e com um grunhido gutural, ele inclinou os quadris para um lado e gozou, em longas e duras rajadas, sobre o capim. Enquanto diminuíamos progressivamente nossos movimentos, envolvi ambos os braços ao redor de seu pescoço e nossas respirações se mesclavam no pequeno espaço, com a mão de Romeo ainda pressionando intimamente contra mim. Seus dedos acariciavam tranquilamente, ao longo do meu sexo e choraminguei contra seu rosto, enquanto ele mordia a lateral do meu pescoço. Levantei a cabeça e me inclinei para trás, para poder olhar em seus olhos castanhos. – Escute, Mol. – Disse ele com a voz rouca seu peito ainda estava errático por ter gozado. Ruborizei-me. – Escute, você. – Disse a ele. – Você está bem? – Perguntou-me procurando algo em meus olhos. Não sabia o que, então baixei o olhar e respondi.


– Mais que bem. – Olhe para mim. – Ele ordenou, com severidade. Cedi, com impaciência. – Você gostou disso? Gostou da forma que falei com você? Como dei ordens? – Ele parecia nervoso, de mau humor, como se esperasse que estivesse zangada. Eu gostei. Eu tinha pouca experiência com sexo, mas a forma como ele me deu ordens, despertou algo dentro de mim. Fez com que eu me sentisse libertada, em um nível que desconhecia. – Mol, você gostou... Não? – A vulnerabilidade afetava sua voz, geralmente áspera. – Eu gostei, Romeo. Não sabia se gostaria... Como isso... Mas... Creio que nós dois sabemos que gostei, muito. Um pequeno sorriso transformou seu rosto, normalmente severo, então ele segurou minha mão e a passou na lateral de suas costelas. – Estão todas aí? Franzi o cenho. – O que? – Minhas costelas. Falta uma? Deslizei a mão para cima e para baixo. – Bem, eu acredito que você perdeu um parafuso. Você acredita que perdeu uma costela? Ele exalou um pequeno sorriso.


– Só pensei que Deus pegou uma das minhas quando fez você. – Apesar de estar brincando, suas palavras me fizeram derreter por dentro. – Romeo... Às vezes você é muito doce, sabia? Ele piscou os olhos. – Só com você. Beijei a palma de sua mão, refletindo sobre o que acabou de acontecer. Fiquei confusa, por me sentir tão bem com suas ordens, demandas, instruções; mas não queria nada, além de exatamente aquilo. Eu poderia renunciar ao controle com Romeo, porém não queria aprofundar-me em territórios mais escuros. – O que está pensando? – Romeo apertou minhas bochechas. Mordi minha unha. – Quando você diz que gosta de mandar, até que ponto tem a necessidade de dominar? Ele riu entre dentes. – Não sou um sádico, assim pode tirar essa expressão de seu rosto lindo. Eu gosto de ter controle... Não sei... Sou assim. Há algumas coisas bastante

ruins

em

minha

vida,

as

quais

eu

não

tenho

controle.

Simplesmente preciso ter segurança do que estou fazendo. Sou um bom quarterback, porque eu gosto de comandar e executar o jogo planejado. É o mesmo com o sexo. Tinha sentido, ele precisava controlar. Não de uma maneira desonesta, mas sim como uma necessidade para sua saúde mental. – Eu gostei da forma como você assumiu o controle. Estou tão acostumada a ter que ser independente e auto-suficiente, a sempre ter que


tomar as decisões. Eu odeio isso. Mas vê-lo tomar a frente... Foi tão libertador, me entregar e lhe deixar com as rédeas. Uma estranha expressão surgiu em seu rosto, à ferocidade dela me assustou o suficiente para eu perder o equilíbrio. Mas Romeo me manteve firme em seus braços. – Agora você é minha, Mol. Já sabe, não é? Nunca tive ninguém que me respondesse como você parece responder, cada movimento, beijo, carícia, e a entrega total de você mesma... É minha e amo isso. Seus dedos, ainda contra o meu sexo, tomaram velocidade. Solucei e mordi a unha do meu polegar, para me conter. – Sim, sou sua. Romeo pegou meu polegar em sua mão. – Você vai me enlouquecer com esse movimento, Mol. Prefiro pôr um algo mais satisfatório aí se precisa de algo para brincar. Dei um pequeno grito de assombro. – Eu... Eu... – Com o tempo. Ainda não. – Assegurou-me ele, um pouco divertido. Revirei meus olhos. – Romeo... Sua mão... – Vou satisfazê-la, novamente. Quero ver você se soltar. Quero vêla derreter em meus braços e isso vai me deixar muito feliz, Mol. Entendido? Vou controlar todos os seus desejos. – Ele falou entre dentes, enquanto seus dedos afundaram, profundamente, dentro de mim.


– Sim... Sim... E assim ele fez. Executou cada nota à perfeição. Estremeci quando deixei escapar um grito e desabei sobre seu peito. Permanecemos imóveis durante muito tempo até que ele finalmente tirou as mãos do meu interior, fechou o zíper de suas calças e me levou para descansar em seu colo. Fechei os olhos e cochilei contra seu peito quente, desfrutando da sensação de suas suaves carícias em minha face, totalmente esgotada. Despertei lentamente à medida que Romeo me girava suavemente entre suas pernas, pondo minhas costas contra seu peito. – O sol está se pondo. Pensei que você gostaria de vê-lo, comigo. Uma onda de felicidade brotou em meu coração. – Eu gostaria, muito. O céu estava em um vermelho sangue e os raios de sol projetavam um colorido, de tons rosados fazendo a grande esfera reduzir-se em meio ao círculo de cores, atenuando o grande riacho em um resplendor de ouro ardente. O hálito de Romeo aqueceu meu ouvido. – Fale pra mim da sua família, Mol. – Estremeci e os fragmentos de pânico apunhalaram meu peito. Enrijeci tentando encontrar algum tipo de alívio. Romeo, ao sentir minha reação, segurou minha mão e me envolveu em um abraço. Seu abraço era quente e seguro. – Diga-me, Mol. Fale-me da sua família. Por que você está tão cheia de dor?


Respirei, me fortalecendo e vi os últimos resquícios rebeldes de sol sendo arrastados até o horizonte. – Realmente não sei por onde começar. – Pelo princípio. Quero conhecer você, tudo, por dentro e por fora. – A reverência em sua voz me fez tremer. – Está bem. Coloquei-me em uma posição cômoda, com a cabeça apoiada em seu peito, ouvindo o ruído baixo e reconfortante do seu coração. – Minha mãe morreu quando eu nasci. Eu era única filha. Morreu por complicações. – Apertei meus olhos, me concentrando no abraço de Romeo e os abri de novo, para olhar as tranquilas águas do riacho, deixei que o silêncio da superfície me acalmasse. – Tenho uma foto. Pareço com ela. – Ela era muito bonita, então? – Disse ele, enquanto beijava meu ombro nu. Desabrochei por suas palavras e me aconcheguei ainda mais, contra ele. – Meu pai não tinha família, exceto minha avó. Ela também vivia conosco. Quando tinha seis anos, meu pai morreu, também. – Peguei um longo capim, e o coloquei entre os dedos. – Recordo como se fosse ontem. Cheguei em casa da escola e minha avó estava triste e sentei-me na sala principal. Ela me disse que meu pai tinha ido para o céu. – Neguei com a cabeça, rindo melancolicamente. – Nesse momento pensei que tinham me castigado por ser uma menina má. Logo ficou claro que ele não tinha morrido de uma enfermidade ou porque Deus estava me castigando, mas, porque ele levantou como de costume, me viu, a sua garotinha, entrando pela porta da escola, voltou para casa, entrou no banheiro e cortou os pulsos, com uma lâmina de barbear. Romeo silenciosamente exalou, seu fôlego quente faz cócegas na minha nuca.


– Merda, baby. Não imaginei que... Sinto muito. A força de sua compaixão me permitiu falar desse dia, em profundidade, pela primeira vez na história. – Nunca soube como administrar o que meu pai fez. Entendo que não podia viver sem minha mãe, mas ele tinha a mim. Eu precisava dele. Por que não podia ser forte, por mim? Pela minha avó? Ele disse em sua carta de suicídio que algum dia eu entenderia, mas não entendo como um pai pode deixar sua filha sozinha. Senti que ficava cada vez mais chateada, a amargura gotejava, com cada lembrança. Romeo seguia sendo um apoio, forte e silencioso. – A salvação de toda esta fodida situação, suponho, foi que sempre fui inteligente. Quando tinha sete anos, meu professor me admitiu para as provas do

138

MENSA. E quando entrei, soube que tinha um coeficiente

intelectual muito alto e assim foi como enfrentei as coisas, estudando e adquirindo conhecimentos. Obcequei-me com a religião e a filosofia, tratando de encontrar uma razão para a morte de meu pai e porque coisas ruins aconteciam às

pessoas boas. Nunca recebi a resposta que estava

procurando. Então, justo quando estava começando a controlar minha vida, minha avó foi diagnosticada com câncer e durante três lentos meses, cuidei dela, enquanto se debilitava, a cada dia, só para morrer, finalmente, em meus braços. Éramos as duas em nossa pequena casa, sem ninguém a quem recorrer. Respirei profundamente e vi como cada pássaro retornava a seu ninho, perto do riacho, preparando-se para a noite. – Então o que? – Romeo pressionou.

13

8 MENSA: maior e mais antiga sociedade de QI altos.


– Puseram-me em um lar de adoção, depois que ela morreu. Por sorte, foi com uma família agradável e perto da minha casa. Eles não eram muito carinhosos e claramente, estavam naquilo pelo dinheiro, mas era seguro e suponho que isso era tudo o que se pode pedir. Achei a vida difícil de enfrentar sozinha e me afastei de todo mundo, para evitar ser ainda mais machucada. Sentia-me cada vez mais sozinha, porém apenas... Segui adiante. Uma vez mais, meus estudos me mantiveram concentrada e eu sabia que ele era minha passagem para me afastar daquela casa e de todas as lembranças que me rondavam, em minha cidade natal. Simplesmente tinha que me afastar. Romeo deu um beijo suave em meu ombro nu. – Quando tinha dezessete anos, passei nas provas e fui à universidade, um ano mais jovem e me ofereceram um lugar avançado em Oxford. Quando me formei, vim para cá. Irei viver em outro lugar para fazer meu doutorado. Romeo lançou um profundo suspiro. – É assim que você foge? Fiquei tensa e tratei de me afastar, me distanciar de ser criticada por minha estratégia de vida. Romeo apenas me abraçou, com mais força ainda. – Não lute. Responda a minha pergunta. – Não tem ideia do que foi minha vida! Não tem direito de me julgar! – Sua voz ficou imperativamente baixa. – Não estou julgando. Mas você foge dos seus problemas, não? – E o que? Não tenho um lar, nem família. Por que não fugir?


– Isso pode ter sido o correto antes, mas agora tem gente que se preocupa com você, realmente se preocupa com você. Não deixarei que fuja de mim. As lágrimas encobriram minha visão. As palavras de Romeo eram um grande consolo e eu morria de vontade acreditar nelas. – Não vou permitir que fuja de mim. – Reiterou com firmeza. Algo dentro de mim se rompeu, então eu gritei e chorei pela primeira vez em anos, colocando a cabeça entre as mãos. Romeo acariciou meu cabelo, negando-se a me soltar da segurança de seus braços, porque isso é o que era: minha segurança... Minha paz. Quando todas as minhas lágrimas foram derramadas ele me perguntou: – Por que fugiu de Oxford para cá? Suspirei derrotada e decidi ser honesta. – Oliver queria mais de mim. Ele ficou para fazer seu doutorado e quis dar um passo a mais. Eu não queria, ele não sabia nada sobre mim. Nunca disse a ele. Depois que fomos para cama, sabia que não podia fazer aquilo outra vez. Pensei que ter intimidade com ele me ajudaria a me aproximar dele, que derrubaria meus muros, mas tudo o que senti foi uma constrangedora decepção. Pensei que eu seria incapaz de estar assim, perto de outra pessoa novamente. Afinal eu me assustei. Fugi. Simples. Ele despertou e eu tinha ido. Não falei com ele depois disso. Os grilos cantavam mais forte ao cair da noite e o vasto manto de estrelas começou a brilhar no céu. – Isso foi até que conheci você. Agora estou perto de você. Deixei que entrasse. Talvez eu não esteja tão machucada quanto pensava.


Escutei sua respiração forte. – Você não é a única que enlouquece quando os tempos ficam difíceis, baby, mas a partir de agora, não vou deixar que fuja para nenhum lugar, se eu não estiver fugindo com você. Virei minha cabeça e acariciei, suavemente, sua boca contra a minha. Quando nos separamos, envolvi seu rosto e lhe pedi: – Me fale de você. Os olhos de Romeo se cobriram de gelo, ele encolheu os ombros e olhou para o outro lado, só havia silêncio negativo, em seu corpo rígido. Uma brisa fria de repente rompeu no ar da noite e um arrepio se arrastou pelos meus braços e pernas nuas. Romeo percebeu. – Temos que ir. Abracei-o com força. – Eu não quero ir ainda. Quero saber de você. – Ele inclinou a cabeça, desconcertado. – Não quero te soltar, também. Mas está tarde e já está fazendo frio. Vamos, baby. É hora de terminar a noite. Romeo me ajudou a ficar em pé e segurou minha mão, enquanto caminhávamos de volta para a caminhonete, sem mais comentários sobre seu passado. Uma vez que já estávamos dentro do carro rumo a casa, me dei conta que Romeo estava perdido em seus pensamentos. Aproximei-me e apertei sua mão livre. – Você está bem? Parece a milhas de distância.


Ele suspirou, como se estivesse nervoso. Eu nunca o vi tão distante quanto agora. – Sim. Não fiquei convencida. – Tem certeza? Não parece. Seus dedos agarraram os meus, enquanto seus olhos me olhavam com incerteza. – Romeo, o que foi? – Pressionei. De repente, ele confessou: – Não sabia, antes desta tarde, o que era se sentir querido... Querido, apenas pelo que eu sou. Suas palavras me golpearam, mais forte que uma rocha de granito acertando meu peito e eu quase chorei por ele. – Por que me quer, Mol? Estou tentando descobrir isso. Aproximei-me mais e beijei sua mão. – Simplesmente quero. – Isso é o que não entendo. Por que me quer sem motivo? Nunca ninguém fez isso antes. Estou irritado durante vinte e quatro horas, os sete dias da semana; sou possessivo e não sou bom com compromissos, onde está o atrativo? – Então eu sou a primeira pessoa que quer apenas você, sem nada em troca? Por que um ser humano quer a outro? Meu corpo o reconhece como algo que é bom para mim. Minha mente o reconhece como alguém que


é correto para mim e minha alma o reconhece como alguém que está destinado à mim. Um sorriso tímido apareceu em seus lábios e seus tensos ombros se relaxaram. – Estamos profundamente fodidos, não é, Shakespeare? – Disse ele com a voz baixa, seu corpo, agora, estava tranquilo irradiando felicidade. Uma sensação de alegria se apoderou de nós dois. – Acredito que isso é um eufemismo. – Venha aqui. – Ele envolveu o braço ao redor do meu ombro e me beijou suavemente, enquanto as luzes da cidade passavam a nosso lado. Romeo me deixou na porta principal da casa da irmandade e eu corri para as escadas, me alegrando que a casa estava tranquila e a porta da sala de televisão estava bem fechada. Tomei uma longa ducha quente e joguei minha cabeça para trás, deixando que a água golpeasse meus cabelos e minha pele. Sentia-me diferente. Não poderia descrever como. Apenas... Diferente em um nível molecular. Minha mão desviou para o meu estômago, recordei a sensação da mão dele dentro de mim e afoguei um gemido. Tinha sido tão severo e forte, comandando a música dos nossos movimentos e criando uma sinfonia com nossos gritos e gemidos. Nunca havia sentido algo assim antes. Saí da ducha antes que minhas pernas cedessem diante das lembranças. Sequei-me, vesti uma camisola púrpura e me acomodei na cama. Em questão de minutos as pequenas batidas começaram.


Afastei minhas mantas e corri para a varanda, olhando para baixo. Romeo sorriu para mim e escalou a grade, quase saltando em meus braços ele sorriu com admiração diante da minha escolha de roupa para dormir. – Voltei à casa da fraternidade e imediatamente me perguntei o que você estaria fazendo. Decidi deixar de me perguntar e vim averiguar. – A única coisa que você quer é ficar aqui outra vez, não é? Planeja fazer disso um hábito? – Oh, pode contar com isso, querida. Depois de hoje tenho direito a certos privilégios. – Sério, e quais são? – Saberá em seu devido tempo, Shakespeare. Agora proponho que seu lindo traseiro se meta na cama e em meus braços. Caminhei até o quarto e timidamente olhei por cima do ombro. – Não me lembro de Romeo sendo tão insistente com Julieta! Ele arqueou as sobrancelhas, de maneira significativa. – E olhe o que aconteceu. Meu sistema é melhor, menos morte, mais orgasmos. Tratei fingir surpresa, mas não pude deixar de rir. – Você. Cama. Agora. – Apontou ele, enquanto se desfazia da sua roupa, deixando apenas a cueca boxer preta, cobrindo seu corpo tonificado. Ainda estava rindo, depois de sua instrução, quando ele saltou atrás de mim. Imediatamente troquei o pequeno sorriso, por gemidos quando seus dedos correram diretamente para debaixo da minha camisola e começaram acariciar meu centro.


– Agora sobre os privilÊgios...


Despertei e me espreguicei, flexionando os músculos tensos das minhas costas. Apalpei ao meu lado, procurando por Romeo. Nada.

Ele

tinha ido. Por costume, fui pegar os óculos no criado mudo, esquecendo que já não precisava deles. Sentei e franzi o cenho, diante da ausência de Romeo, ele nunca havia me deixado sem um adeus. Os lençóis estavam frios e desordenados onde tinha ele dormido, porém em cima do travesseiro havia um bilhete. Peguei e comecei a ler:

Enterrei minha cabeça no travesseiro, sorrindo, quando uma batida soou em minha porta. Abri e lá estava Ally, com os braços cruzados sobre o peito, uma expressão "não se meta comigo" em sua cara e uma sobrancelha levantada, de maneira impressionante. Ela passou por mim, fechando a porta e, se sentando na beirada da minha cama desfeita.


– Assim... Quer me dizer por que vi Romeo descendo da sua varanda esta manhã? – Sua voz era enganosamente tranquila. Caminhei até ela, brincando com minhas mãos e quando cheguei até a cama, me deixei cair ao seu lado, olhando, sem ver, minhas paredes brancas. – Ele passou a noite comigo. – Imaginei isso. Há quanto tempo isso está acontecendo? – O que? Passar a noite ou ver-nos um ao outro? Ela sacudiu a cabeça, surpresa. – Bom, as coisas definitivamente progrediram mais do que pensei. Imaginava que alguma coisa estava acontecendo, pela forma que ele sempre a olha e por que você sempre fica vermelha em resposta e óbvio, pelos beijos na iniciação. Certo? Assenti com a cabeça, mordendo a unha de meu polegar, nervosa. – Então, estão oficialmente juntos? – Sim. Seus olhos castanhos brilharam e sorrindo amplamente ela me deu um empurrão no ombro. – Meu primo em uma relação de verdade! Nunca pensei que veria esse dia, mas estou muito feliz. – Ally tocou meu joelho, logo inclinou a cabeça, me examinando. – Onde estão seus óculos, querida? Coloquei meu cabelo atrás da orelha. – Tenho lentes de contato agora. Seu rosto se iluminou.


– Romeo fez isso? Para que Shelly não possa te humilhar outra vez? – Sim. – Muito bom. Romeo mostrando afeto e compaixão por uma garota! – Ela riu, incrédula. Baixei a cabeça, envergonhada. – Ele foi muito doce comigo. Com minhas palavras, seus olhos quase saíram de órbita. – Meu primo e a palavra doce não pertencem à mesma frase, mas novamente, ele foi totalmente diferente com você, desde o primeiro dia. A princípio fiquei assustada, porém agora, estou adorando! Você é boa para ele, garota. Ally ficou de pé e se dirigiu à porta, mas antes de sair, se virou e voltou a falar, com uma expressão séria. – Molls, você precisa entender que Romeo pode ser um homem bastante complexo. Teve que aguentar muita coisa dos seus pais nos últimos anos e isso o golpeou muito forte. Tem que lhe dar tempo e perdoá-lo se ele ficar muito prepotente. Vejo como é que age ao seu redor e posso te dizer que, para ele, você é diferente. Acredito que se ambos seguirem adiante com esta relação, você é exatamente a pessoa que pode quebrá-lo por completo, se as coisas não derem certo. Seja paciente, preocupe-se com ele, proteja-o com carinho... Ele merece. E ela se foi, sem dizer mais nada. O dia resultou ser caloroso, assim no almoço, Cass, Lexi, Ally, Jimmy-Dom e eu, decidimos nos sentar na grama, do extenso pátio interno.


Parecia que todo mundo havia pensado a mesma coisa, o lugar estava lotado. – Então Jimmy-Dom, me fale sobre você. – Pedi, enquanto descansávamos em um círculo improvisado na grama recém cortada. Eu adorava aquele cheiro da grama. Recordava-me as manhãs de verão, quando eu era pequena e acordava para ver meu pai podando nosso pequeno jardim. Sorri por dentro. Era uma das poucas lembranças felizes que eu tinha da minha juventude. – Bom, sou um texano de Houston e jogo de tackle 14 ofensivo, para os Tide. Tenho vinte e um anos e quando eu me formar em Ciências Ambientais, voltarei para Houston e trabalharei no rancho de gado do meu pai. – Não quer jogar futebol profissionalmente? – Eu adoraria, mas a NFL, não vai me recrutar e já joguei o suficiente. Vou voltar para casa, conseguir um pouco de gado e espero que esta pequena potranca esteja por perto. – Disse ele, enquanto se agarrava a Cass, beijando seu rosto. Ally tocou meu braço e quando levantei os olhos, Romeo estava vindo em nossa direção, vestido jeans, botas marrons, camiseta sem mangas, vermelha e, óculos espelhados, estilo aviador da RayBan. A sua esquerda havia um homem alto, moreno, muito tatuado, usando roupa preta folgada e correntes penduradas no cinto, era bonito, mas parecia meio assustador. A direita, o oposto, um garoto muito americano, com cabelo loiro platinado, olhos azuis, pele bronzeada e completamente formal. Olhei ao redor e vi que as meninas olhavam para Romeo, abertamente, enquanto ele caminhava. Com certeza, ele chamava a atenção das garota. 14

tackle* ofensivo= defensive tackle ( posição no futebol americano)


– Olá, Bala, Austin, Reece. O que fazem por aqui? – Jimmy-Dom perguntou, enquanto olhava para Romeo e batia na mão dos outros meninos, num tipo de saudação. Romeo fixou seus olhos em mim e sorriu. – Só vim ver minha garota. – Todos congelaram. Romeo deu um passo em minha direção e se sentou, me puxando para seu colo e abaixando o rosto para me dá um beijo, mas não um selinho, foi um beijo que disse a todos que eu era dele. Ele me possuiu com aquele beijo e me submeti, de todo coração. Depois de me beijar absolutamente sem sentido. Romeo afastou o rosto do meu e acariciou meu lábio inferior com o polegar. – Como você está, baby? Lutei para recuperar o fôlego. – Estou bem. Maravilhosamente bem, na verdade. – Bom, suponho que isso responde a minha pergunta sobre ele gostar de você. – Disse Cass, me tirando da minha névoa, induzida por Romeo. – Ontem na cafeteria, pensei que alguma coisa não estava se encaixando. Todos sabem que Bala não tem relacionamentos sérios, assim pensei que ele estava sendo estranhamente agradável. Mas as lentes de contato e Molls desaparecendo durante horas... Isso faz total sentido agora! Romeo deu um beijo em minha testa e respondeu: – Isto é diferente. Estamos juntos, como casal, não é verdade, Shakespeare? – Ele esboçou um pequeno sorriso para mim. Supus que manter nosso relacionamento em segredo, já não era uma opção e ele parecia não se arrepender da "divulgação" improvisada de nossa relação.


– Sim. Estamos juntos. – Falei em voz baixa e pulei em seu colo, sentando entre suas pernas e ele mais que depressa envolveu os braços ao redor de minha cintura. Observei nosso pequeno grupo de amigos, que estava nos olhando, inseguros por estarem vendo o que estava diante deles. Romeo apontou em direção aos seus amigos, um por um. – Estes são Austin e Reece. – Austin Carrillo, receptor titular e Reece Todd, o QB suplente, não há necessidade de se apresentarem meninos. A reputação dos jogadores do Tide fala por si mesmo. – Cass sorriu, um pouco emocionada pelas novas incorporações ao nosso grupo. Lexi, que estivera olhando boquiaberta para Austin, levantou sua mão diminuta. – Ehh... Não é que eu não esteja feliz, mas quando isto aconteceu e por que não ouvi nenhuma maldita palavra a respeito disso? – Ela me olhou zangada. Fiz uma careta ao ver sua expressão chateada. – Há duas semanas. Só queríamos manter segredo, por um tempo. – Não posso acreditar que estão juntos! Não é que haja algo ruim nisso, mas não posso acreditar. Molly, a tímida super cérebro, com o quarteback dos Tide, coisas estranhas acontecem, suponho! – Bom, acreditem, ela é toda minha, incluindo seu super cérebro. – Declarou Romeo com orgulho, arqueando alegremente as sobrancelhas e dando batidinhas na minha cabeça, fazendo com que seus companheiros de time sacudissem a cabeça, em estado de choque, por seu estranho comportamento.


– Oh céus, sim! Acredito que isso é incrível, querida! – Gritou Cass. – Obrigada, Cass. Nosso pequeno círculo feliz conversou durante a maior parte do tempo, nossos amigos estavam se acostumando a nos ver como um autêntico casal. Romeo e eu tratamos de bloquear os olhares e brincadeiras dos outros estudantes, enquanto ficamos ali, sentados e abraçados um ao outro. Os olhares ameaçadores de Romeo e sua reputação de menino mal, mantiveram a maior parte dos comentários, claramente sarcásticos, fora do alcance dos nossos ouvidos. Tínhamos ignorado com êxito os murmúrios incessantes, pelo menos estávamos tendo êxito, até que um membro da equipe de basquete passou por nós, com seus amigos, rindo ao nos ver juntos. Romeo endureceu seus músculos, imediatamente, preparando-se para o confronto. O alto e desajeitado jogador de basquete de cabelos castanhos parou diante, com a mão boca, segurando uma risada. – Que droga, Bala, se eu não estivesse vendo, não acreditaria! Você renunciou a todas as bocetas do Campus por isso? Diga-me, ela, ao menos, chupa bem seu pau? Antes que eu tivesse a oportunidade de me sentir ofendida por suas calúnias, Romeo se levantou e derrubou o garoto no chão, nossos amigos freneticamente correram em sua direção. Os estudantes se apressaram para onde eles estavam, agora rolando no chão, formando um amplo círculo ao redor de Romeo e o jogador de basquete, para ver a confusão de perto. Jimmy-Dom, ao me ver levantar, agarrou meu braço, enquanto eu tentava correr em direção a Romeo.


– Deixe que eles resolvam isso, querida. Deixe que ele faça isso na maneira dele. Sacudi meu braço. – Não! Não quero que ele brigue. Tira ele dali! – Virei-me para Austin e Reece. – Detenha-o! – Quer estar com Romeo, querida? Então se acostume a isto. Acontece o tempo todo. Fiquei olhando Jimmy-Dom e Reece, assombrada, pois Austin tinha se unido a crescente multidão. – Ele é seu amigo. Detenha-o, antes que ele se machuque! Reece pôs a mão em meu ombro. – Bala não será o que sairá ferido, Molly. Não é como se ele não tivesse brigado antes. E não se ofenda, mas não vou me aproximar de Bala, enquanto ele estiver assim. Eu gosto da minha cabeça firmemente sobre meus ombros, obrigado! – Ohm! Muito bem! Farei isso eu mesma! – Abri caminho entre o círculo e vi que Romeo estava montado sobre o jogador de basquete, claramente sem nenhum arranhão, mas a gola da camisa do rapaz estava nas mãos dele, enquanto o esmagava contra o chão. – Porra, não se atreva nunca a falar de Mol assim novamente. Entendeu, imbecil? O garoto debaixo dele sorriu, com sangue gotejando de seu lábio e uma contusão florescente se formando em seu rosto. Ele estava adorando provocar Romeo. – Essa nerd, é uma merda de se olhar, mas claramente fode bem já que domou seu rabo. Ela fode bem? Como uma puta experiente?


Romeo grunhiu ferozmente, sua louca ira tinha tomado o controle e então ele ergueu o punho para trás. Um amigo do jogador de basquete tentou saltar sobre Romeo, mas Austin se jogou na frente dele e segurou seus braços para trás. Pelo menos um de seus amigos estava ajudando-o. Quando o punho de Romeo fez uma pausa, suspenso no ar, agarrei seu pulso e a cabeça dele se voltou bruscamente para mim, com os olhos escuros e selvagem. A multidão retrocedeu com cautela. – Romeo, não. – Supliquei. – Merda, saia daqui, Mol. – Molly! Que demônios? – Cass estava atrás de mim, me puxando para fora do perigo, Lexi e Ally se aproximaram, com expressões suplicantes. Encontrei o olhar de Romeo novamente, enquanto afastava as mãos de Cass do meu braço. – Romeo, pare. Agora. Você é melhor que isto! – Sim, Romeo, pare. Escuta sua garota. – Falou o cara que estava apanhando. Questionei silenciosamente a estupidez do homem no chão, que obviamente desejava morrer. Apertando os dentes, Romeo se inclinou até o ouvido dele. – Tem sorte de não ganhar um buraco em seu maldito crânio, mas não vou fazer diante de minha garota! Romeo se levantou bruscamente e me envolveu em seus braços, seu coração pulsava como um tambor. Agarrei sua camisa com uma mão e com a outra esfreguei a tensão de suas costas. Senti Romeo virar e gritar por cima de meu ombro.


– Vá à merda, Michael e saia da minha vista antes que eu mude de opinião e acabe com você! Os amigos de Michael o levantaram do chão e o arrastaram para longe. O círculo de espectadores se dissolveu com cara de decepção, agora que o show tinha chegado a um anticlímax. Romeo beijou a parte superior de minha cabeça, suspirando. – Deveria tê-lo surrado mais, depois do que disse. Entrei na frente dele e segurei seus palpitantes bíceps. – Não, não deveria. Que sentido isso teria? Nós dois sabíamos que assumir uma relação "oficial" ia causar algum falatório. – Sim, mas ele merecia isso, há muito tempo, baby. O maldito merecia uma boa surra. – Por que ele foi tão hostil com você? – Romeo ficou quieto e inclinei seu queixo para olhar a seus apreensivos olhos. Sua expressão preocupada me fez franzir o cenho. – O que? – Eu... – O que?

– Pressionei quando Romeo me olhou com uma

expressão ansiosa, obviamente debatendo se deveria ser honesto ou não. – Apenas cuspa, Romeo. – Fui para cama com a garota dele, faz uns meses. Meu estômago se encolheu e me afastei de seu abraço.


– Agora que você está zangada comigo, vou chutar totalmente a bunda dele, agora mesmo! – Disse ele, virando-se para correr atrás de Michael, que estava indo embora. Agarrei seu braço com força. – Deixe o rapaz. – Ele me olhou com receio. – Está zangada, não é? Coloquei as mãos em meus quadris. – Bom, não estou exatamente dando cambalhotas por ouvir que você transou com a namorada dele, certo? Romeo inclinou a cabeça em sinal de advertência ao meu tom de voz. – Vou deixar isto passar, já que está claramente chateada e suponho que com razão. – Seu mau humor me fez sorrir e, eu sacudi a cabeça com exasperação. Costumava achar sua atitude intimidante, mas nesse momento achei seu mau humor obstinado, divertido... E realmente muito fofo. – Ouviu o que ele disse de você? – Continuou Romeo, ignorando minha diversão. – Sim, mas não me importo. Nunca me importei com o que os outros pensam de mim. – Ele jogou a cabeça para trás, tentando seriamente acalmar os nervos. – Venha, sente-se aqui comigo um pouco mais. – Falei, puxando-o pela mão. Romeo passou a mão pelo rosto. – Mol, me permita pôr esse filho da puta em seu devido lugar de uma vez por todas? Isso enviará uma mensagem a todos os outros, para que nos deixem em paz. Há muitos outros idiotas que irritei e, que desfrutarão em nos incomodar, por estarmos juntos.


Neguei com a cabeça, mostrando que eu não me importava. Com um gesto torcido de lábios, ele colocou o braço ao redor de meu pescoço e deu um beijo na minha cabeça. – Porra, Mol, vou ganhar uma nova reputação: Romeo Prince, novo membro dos Bundões Maltratados! Nossos amigos tinham retornado a nosso antigo lugar na grama, porém Romeo e eu sentamos debaixo de uma árvore a uns metros à esquerda,

na

sombra,

longe

da

atenção

do

resto

dos

estudantes.

Conversamos a respeito de coisas cotidianas e finalmente Romeo acalmou seu temperamento, me segurando firmemente em seus braços. Quando levantamos para ir para a aula de filosofia, uma sombra se projetou sobre nosso calmo refúgio, debaixo das árvores, como uma tormenta que arruína um dia brilhante e ensolarado. Shelly, a rainha das putas, estava ali para oferecer seus cumprimentos, pairando em cima de nós, com a expressão cheia de fúria. – Que demônios é isto? Romeo gemeu e me aconchegou em seu abraço protetor. – Ahh, vá à merda, Shell. Já tive briga suficiente, com imbecis, por um dia! – Está de verdade com ela? – Ela me olhou como se tivesse sentindo um cheiro desagradável. – Sim, estou de verdade com ela. – Ele baixou a cabeça e para provar o fato capturou meus lábios em um beijo abrasador. Não tive outra opção a não ser envolver minhas mãos ao redor do seu pescoço para não deixá-la com dúvidas. – Sabe que ele não ficará com você, não é, querida? – Ela falou, fazendo com que rompêssemos o beijo.


– E por quê? – Porque a mamãe e o papai de Prince não aceitarão uma puta, caçadora de fortunas, como companheira de seu filho e eles podem ser muito persuasivos. Eles querem a mim e me terão, pode contar com isso. – Ela sorriu como se tivesse Romeo envolto em seu dedo mindinho. – Engraçado, uma “puta caçadora de fortunas”, isso foi exatamente o que Romeo disse sobre você. – Respondi. – Você não é nada! A não ser uma peça de pura... – Cale a boca e desapareça, antes que eu faça algo de que me arrependa. – Advertiu Romeo com um tom sem sentido. Ela riu com condescendência. – Vou dar a vocês um mês e logo veremos o que seus pais farão. Você estará de volta aos meus braços a qualquer momento. Sua mãe vai ter um enfarte quando souber! – Nunca a tocaria de novo e não ficaria com você ainda que fosse a última pessoa na terra. Você é uma cadela vingativa e amargurada. Quanto aos meus pais, estou aprendendo rapidamente que não me importo com o que eles digam. Quero a Mol e ela me quer. Fim da discussão. Nada do que você ou meus pais disserem fará diferença, ou mudará isso. Agora nos deixe em paz, caralho! – Ele se virou dirigiu-se ao resto dos estudantes, que mais uma vez estavam ao redor. – Isso se aplica a todos. Deixem-nos em paz ou brigarão comigo! A próxima pessoa que interferir ou inclusive respirar mal em nossa direção, não serei tão compreensivo com ela! Suspirei e fechei os olhos. Incomodava-me a violência. Shelly alisou seus cabelos e, ao ver centenas de olhos observando com nervosismo a cena, se afastou. Vi quando ela pegou seu iPhone rosa, e não precisava ser um gênio para adivinhar para quem estava ligando.


Romeo inclinou a cabeça em meu ouvido e disse: – Não leve a ameaça em consideração, ok? O que eu disse, foram apenas palavras, não as confunda com a verdade. Sentei-me no outro lado da árvore, caindo abatida no chão. Não pude evitar meu mal-estar pelo que eu havia dito e odiei Shelly. Apenas umas horas depois de anunciar que estávamos juntos já tinham uma grande quantidade de problemas em nosso caminho. Não podia deixar de me perguntar se os pais do Romeo pensariam que eu estava com ele pelo dinheiro. Tratariam de fazer com que ele me deixasse para ficar com Shelly? Romeo em silêncio se abaixou diante de mim e pressionou seu peito contra o meu. –Você ficou muito calada, Shakespeare. Eu não gosto disso. Forcei um sorriso. – Estou bem, querido. Não se preocupe. Meus amigos foram até nós e nos olharam com ansiedade, comprovando que estávamos bem. Sorri, garantindo que estava tudo bem. Romeo me olhou com ceticismo pela última, vez antes de anunciar: – Vou te levar à um encontro no sábado, depois do jogo. Um encontro de verdade. Não mais às escondidas. Já é hora de mostrar a todos que você é minha. Nossos amigos sorriram diante de seu evidente carinho comigo, mas neguei com a cabeça. – O que? – Disse Romeo enquanto enrijecia os ombros, pensando que estava lhe rejeitando. Pus minha mão em seu braço e apertei, suavemente.


– Já aceitei ir dançar com essas pessoas, querido. – Fiz um gesto, indicando meus amigos. Observei que seus ombros relaxaram. – Então levarei você para dançar com seus amigos. Iremos todos. – Ele afirmou, pondo fim à conversa, de uma vez por todas. – Está bem, será divertido. – Falei um pouco mais tranquila, mas rapidamente perdi meu sorriso. – Oh, só tenho vinte anos. Eles não me deixarão entrar, certo? Jimmy-Dom tirou o chapéu e disse: – Tire uma foto esta noite e lhe conseguirei uma identidade falsa, de acordo, docinho? Conheço algumas pessoas por estas bandas. – Está bem. Romeo pegou minha mão, me levantou e entrelaçou seus dedos nos meus. – Tudo vai ficar bem. Mas aqui, você sabe como dançar um

15Texas

two–step9? – Humm... Não. – respondi, sem saber sequer o que era um Texas two-step. Risadas ressoaram ao meu redor, e Cass gritou: – Este sábado vai ser realmente divertido!

15

9"Texas two-step". Consiste em um baile de dois passos rápidos e dois passos lentos.


– E quanto a isso? – Tem bolas nos mamilos, pelo amor de Deus. Cass deu de ombros, pondo o ridículo laço negro em uma prateleira e se moveu para a próxima linha de lingerie. – E quanto a este, então? Olhei minha boa amiga texana e fiquei boquiaberta, Ally e Lexi romperam em um ataque de risadas atrás de mim. – Calcinhas sem a parte do meio? Por Deus, Cass! Eu quero ficar linda, não parecendo uma prostituta! Ela jogou as calcinhas na prateleira, resmungando em voz baixa. – Tive destas em rosa Pink e verde néon e não sou uma maldita prostituta! Jimmy-Dom as adora, fácil acesso, em qualquer lugar, em qualquer momento! São práticas! Cai sentada na cadeira de veludo vermelho na loja de lingerie, luxuosamente decorada e pus minha cabeça entre minhas mãos. Lexi se sentou ao meu lado e me bateu com o ombro. – Está tudo bem, Molls? Deslizando minhas mãos pelo rosto, virei para olhá-la. – O que tem de errado com minha roupa íntima? Estou certa de que quando eu finalmente dormir com o Romeo, ele não se importará exatamente com o que eu estava usando antes. – Provavelmente. Mas de qualquer maneira, aproveite garota. Escolha algo que te deixe confortável. Possivelmente uma camisola ou algo para


depois. – Sorriu ela, com seus olhos brilhando. – Você quer se sentir sexy, não? Suspirei. – Sim, claro. – E quanto a este, querida? – Ally sustentou um robe de seda preto, meio curto, para que eu visse. – Tem uma camisola combinando. É sexy, sem ser... Bom...

– Ela apontou para Cass, que estava pressionando um

espartilho sem prendedor contra o peito e assentindo, em aprovação. – Bom, francamente... Levantei-me e Ally me deu o conjunto para que eu o examinasse. Era lindo - suave e delicado - e se eu ia ficar um pouco mais sexy. Isto funcionaria bem. Eu balancei a cabeça e sorri. – Eu gosto. Vou levar. – Estes também – Disse Lexi, enquanto me dava três conjuntos de lingerie preta, para combinar: um tomara que caia, um normal de seda e um outro de cetim. Peguei as peças e fui pagar. Cass caminhou ao meu lado, pulando e balançando umas algemas fofas, cor de rosa, uma garrafa grande de lubrificante e uma lata de tinta de chocolate, comestível e em aerossol. – Eu vou ficar com estes. A diferença entre eu e a santa aqui, é que eu gosto de meu sexo selvagem e indomável. Dez minutos depois, todas nós estávamos felizes pelas compras, rindo e nos divertindo pela rua, quando Cass parou no meio da calçada, fazendo com que eu batesse em suas costas. Ela virou-se para mim, de repente, com cara de pânico. – Ouça, eu... Eu preciso voltar. Esqueci algo.


– O que, garota? O que você esqueceu? – Gemeu Lexi. – Estamos indo comer. – Os olhos de Cass aumentaram. – Preciso... Preciso... – Ela estalou os dedos, triunfante. – De camisinhas. Eu preciso ir à farmácia para comprar camisinhas. Vou precisar muito delas. – Ela levantou as algemas e lata de tinta, enxugando a testa. – Jimmy-Dom e eu nos acabamos com o estoque ontem à noite. Foi um excelente momento! Olhei para Lexi e Ally, que também estavam surpresas com o rompante de Cass. Enquanto eu me virava novamente para Cass, ela estava sacudindo a cabeça repetidamente e olhando para Ally, sugerindo que ela visse algo sobre seu ombro. Virei novamente para a Ally, que estava congelada no lugar, mastigando o lábio. Cass agarrou meu braço, com um enorme sorriso falso em seu rosto. – Vamos. Todas sabem o quanto eu gosto de minhas festas diárias. Em primeiro lugar segurança, amigas! Puxei meu braço e joguei as minhas sacolas de compras no chão. – Que há de errado com você? Ally e Cass tentaram parecer confusas por minha pergunta. Lexi estava olhando boquiaberta sobre meu ombro com uma expressão consternada, Ally lhe deu uma cotovelada e Lexi me enfrentou, plantando um enorme sorriso em seu rosto. Algo não estava encaixando. Quando fui me virar Cass segurou meu braço. – Molly! – O QUE?! – Gritei frustrada. O rosto redondo de Cass se suavizou com o meu desabafo. – Vamos para casa. Por favor, vamos.


Os meus nervos se alvoroçaram ao redor do meu estômago. Minhas amigas estavam me escondendo algo, algo que eu precisava ver. Lentamente me virei e meu coração ficou em pedacinhos quando vi o que as deixou tão nervosas. Romeo estava sentado em um luxuoso terraço de um restaurante com Shelly e outras duas mulheres. Todo o ar desapareceu de meus pulmões. A mão da Ally envolveu ao redor de meu ombro, me apertando, em apoio. – Molly, a mulher de cabelo loiro é a mãe do Romeo e a ruiva a mãe da Shelly, a Senhora Blair. As duas são realmente um par de corvos. Assenti lentamente, olhando a cena. Shelly sentada ao lado de Romeo, justamente ao lado dele, o braço dela estava pressionado contra o dele e a mão em seu peito. As duas mulheres mais velhas sorriam para eles com deleite, enquanto bebiam vinho. E eu... Eu lutava contra das náuseas. – Ele esteve mentindo pra mim. – Falei quando a devastação tomou o controle total dos meus sentidos. – Apenas... Olha converse com ele depois. – Falou Cass. – Não! Quero ver. Quero ter certeza que isso realmente está acontecendo. – Por que, Molly? Não faça isso com você. – Lexi parou na minha frente. Tentando bloquear minha visão. Consegui movê-la gentilmente para o lado. – Porque eu quero me lembrar de como estou me sentindo, apenas no caso de, estupidamente, eu deixar alguém entrar em minha vida outra vez. Os olhos de Ally se estreitaram. – Não acredito que isto seja o que parece! Ele não a enganaria, Molls. Especialmente com ela. Você é tudo o que ele quer!


– Obviamente não. Todas nós congelamos no lugar, olhando a história avançar, como se tratasse do lançamento de um grande filme, quando Shelly se inclinou e beijou a bochecha de Romeo, em resposta a algo que ele falou. Aparentemente, foi algo muito divertido, se os sorrisos fossem uma indicação. Cass cruzou os braços sobre seu grande peito. – Shelly está toda em cima dele, mas ele não está prestando atenção, nem um pouco. De fato, ele parece miserável. Inacreditavelmente Ally poderia ter razão? Ele até parecia incômodo, mas nesse momento, tudo que eu via era uma bruma vermelha que bloqueava a minha visão e um alvo de néon justamente no meio da cabeça da Shelly. Virei-me para ir embora, quando as lágrimas arderam meus olhos. – Vou para casa. Não consigo mais ver isto. Duas coisas aconteceram de uma só vez. Cass e Lexi ficaram diante de mim, bloqueando meu caminho, como uns guarda-costas e Ally começou a correr, cruzando a rua e indo diretamente para o restaurante. – O que ela está fazendo? – Perguntei, em um tom agudo, com meu coração pulsando ainda mais, enquanto ela se aproximava do restaurante. A senhora Prince foi a primeira a notar Ally, quando ela parou na calçada, do outro lado da mesa, com os braços cruzados e batendo os pés. A mulher parecia totalmente desgostosa e também cruzou os braços, diante da descarada intromissão de sua sobrinha. Não pude escutar o que estavam dizendo, mas pela expressão deles indicou que Ally tinha revelado minha presença. As expressões foram variadas. A senhora Prince entrecerrou os olhos e tinha um olhar duro


quando se concentrou em mim. A senhora Blaire estava simplesmente perplexa. Shelly se equilibrou sobre o braço do Romeo, com um sorriso satisfeito nos lábios escarlate e Romeo empalideceu, tirando agressivamente o braço de Shelly de cima dele e pulando da sua cadeira. Nossos olhares se encontraram. Aparentemente eu não podia fugir e Romeo, parecia que começou a fazer perguntas para Ally. Sua expressão se contorceu e ele colocou a cabeça entre as mãos. Ele parecia ferido, mas eu não ia me aproximar dele. Nesse momento ele poderia ir para o inferno que eu não estaria nem aí. – Cass, vou pegar um táxi. Cass e Lexi suspiraram e Cass chutou a parede de tijolo mais próxima, antes de pôr as mãos em meus ombros. – Está tudo bem, querida. Faça o que tem que fazer. Encontraremos você em casa. Melhor esperarmos Ally, suponho que ela não queira ficar sozinha. Peguei minhas sacolas de compras e fui pegar um táxi. – Molly! – A voz tensa do Romeo fez com que eu cravasse minhas botas de cowboy no lugar. Olhei sutilmente para trás e vi Romeo, que estava usando uma camiseta preta, justa e jeans. Ele me olhava apavorado, do terraço do restaurante, com o corpo pressionado contra as cercas brancas. A senhora Prince riu ameaçadoramente e se inclinou para sussurrar algo no ouvido de Romeo. Ele empalideceu e deixou o ombro cair, derrotado. Presenciei, de primeira mão, o poder que aquela mãe exercia sobre o filho, justamente como o ataque de seu pai, cerca de umas semanas atrás - eles o estavam controlando-o, como um boneco de marionete. Romeo travou a mandíbula e a senhora Prince levantou o dedo do meio, num gesto mal educado, em minha direção, atrás das costas dele.


Só faltava a gargalhada obrigatória da bruxa má. Ally levantou as mãos, muito frustrada e eu tomei isso como um sinal para ir e procurar um táxi. Corri pela rua, balançando a mão para um táxi que se aproximava e agradeci a Deus quando ele começou a parar. – Romeo, não se atreva! – Gritou à senhora Prince, com uma voz autoritária quando escutei o som do chiado de rodas e buzinas atrás de mim. Antes que o táxi parasse totalmente, abri a porta traseira e entrei. O motorista alarmado franziu o cenho para mim, pelo espelho retrovisor. – Pra onde? – UA, Universidade Row. Inclinei-me para trás, no banco do carro e fechei meus olhos, quando de repente uns punhos golpearam a janela. – Molly, baby, escute... – Romeo estava na porta, correndo ao redor do táxi, puxando freneticamente a porta e batendo no teto. Virei à cabeça para longe de sua expressão preocupada, fechando os olhos. – Baby, eu posso explicar. Porra, Mol, pare! Cruzei os braços ao redor do estômago, tremendo de ódio. O motorista virou para mim, muito confuso. – Precisa que eu pare? – Suspirei, enquanto Romeo desaparecia da minha vista e apertei o cinto de segurança. – Não, preciso que me leve para casa. Que me leve pra longe dele... O mais rápido possível. Enquanto eu entrava em casa e chegava ao meu quarto, minha roupa nova se esparramou pelo chão, como resultado de atirar as sacolas com fúria, então me deixei cair na cama.


Isto é o que sentimos ao ter o coração partido. Assim que nos sentimos. Tinha passado tanto tempo desde que experimentei minhas emoções, que já não recordava a dor. Meu telefone tocou outra vez. Estava tocando sem parar. Eu sabia que era Romeo. E provavelmente estava correndo até aqui para se explicar. Explicar como mentiu sobre ir ao ginásio esta tarde e, em vez disso levou sua

elegante

prometida

para

almoçar,

enquanto

ela

manuseava,

alegremente, seu peito para o deleite de sua ditatorial mãe e futura sogra. Eu não conseguia entender como ele podia deixá-la fazer isso. Depois de tudo que disse dela. Fiquei olhando minhas cortinas brancas, balançando com a brisa e de repente me sentei. Ele tentaria subir pela minha sacada. Deslizei da cama e fechei as portas. Sempre as deixava abertas para ele, mas esta noite não. Eu simplesmente não podia. Retornei para minha cama e fechei os olhos. Vinte minutos depois, escutei um barulho na grade. Dez segundos depois disso, fortes pisadas nos ladrilhos e cinco segundos depois, as portas da sacada vibraram. Era Romeo tentando entrar. –Mol! Abra a porra da porta. Sei que você está aí! Cobri minha cabeça com o travesseiro, enquanto ele continuava a bater nas portas de madeira, até que de repente, parou. Sentei-me lentamente, me arrastando até o final da cama, para olhar por baixo das portas, nenhum movimento... Nada. Voltei para o travesseiro e enterrei minha cabeça debaixo dele. – Que demônios? Não pode simplesmente entrar aí... – Tinha alguém falando no corredor.


– Molly! Molly! Cuidado... A porta do quarto abriu, de repente, com um ruidoso "creck" quando Romeo entrou. Cait, minha irmã da fraternidade, apareceu atrás dele, ofegando e com o cabelo castanho claro balançando sobre o rosto. –Tentei detê-lo, mas ele não me ouviu. Quer que chame a segurança? – Olhei para o Romeo, que tinha uma expressão feroz nos olhos. – Nem. Sequer. Pense. Nisso. – Ameaçou ele, enfatizando cada palavra. Virei para Cait e balancei a cabeça, num gesto negativo. Cait se aproximou e olhou Romeo de perto. – Tem certeza? – Sim. Obrigada Cait. Ela curvou os lábios para ele, com desgosto; ela não era fã do sexo oposto. – Grite se precisar de mim. – E fechou a porta. Romeo a trancou, nos prendendo dentro do quarto. – Apenas vá embora, Romeo. Não tenho nada para conversar com você. Ele aproximou-se da cama e pôs as mãos no colchão, ao meu lado. – Bom, eu tenho algo a dizer! – O que? Que você tem mentido e me enganado este tempo todo, quando dizia que estava treinando no ginásio e na realidade queria dizer que estava vendo sua querida mãe e aquela puta? Ele sentou de repente, com os punhos fechados. – Na verdade, isso não foi o que aconteceu! – Dá no mesmo. Não me importo. Saia. – Deitei de volta, olhando a parede branca.


Ele agarrou meus antebraços e me puxou contra seu peito. – Minha mãe me pediu para que a encontrasse hoje, para um almoço. Algum Instituto de Caridade, para crianças, pediu um pulôver do Tide, autografado, para um leilão. Fui lá, entregar o maldito pulôver e quando cheguei, Shelly e a senhora Blair estavam com ela, no restaurante. Respirei fundo, enquanto tentava me liberar de seu aperto, mas ele ficou de joelhos no chão, me puxou para a beirada da cama e se posicionou entre as minhas pernas. – Elas me bombardearam de perguntas. Shelly lhes contou sobre você e começaram a falar sobre quão irresponsável eu era e toda a merda de sempre. Minha mãe se inclinou para mim e me disse que se não rompesse com você, ela se asseguraria de fazer com que isso acontecesse. Eu não podia deixar que isso acontecesse, não podia deixá-la chegar perto de você. Ele olhou-me brevemente antes de encarar o chão. – Meus pais... Eles... Escute baby, eles me tratam realmente mal, não mereço ser tratado dessa forma por eles, mas é assim que é e, sou seu fodido filho! Não poderia deixar que ela a incomodasse da mesma forma que faz comigo, assim inventei uma mentira sobre você, disse que foi só um passatempo e que era apenas uma amiga. Shelly é tão estúpida que nem sequer se deu conta que eu estava mentindo. Fiquei almoçando para apaziguar minha mãe. De nenhuma maneira eu deixaria que algo acontecesse a você. Teriam que passar por mim primeiro. A mãe dele tinha planejado essa nojeira? Planejou uma emboscada, para que terminássemos? Um montão de perguntas quase saiu dos meus lábios: por que o tratam tão mal? O que fizeram a ele ao longo dos anos? Mas fiquei em silêncio. Estava vibrando, de raiva e não tinha coração para pressioná-lo.


– Por que mentiu e disse que iria ao ginásio? Por que não foi honesto comigo? Ele falou com os dentes apertados. – Fui honesto, juro. Ela me ligou quando terminei o treino. Meu plano era apenas deixar o pulôver e sair, não queria almoçar com ela. – Mas Shelly estava lhe tocando. Ela o beijou e, você deixou! Como pôde fazer isso? Romeo atirou a cabeça para trás e gemeu. – Porque não queria que meus pais fossem até você!

Tive que seguir a corrente... Para protegê–la.

Você não entende como eles são! São poderosos, Mol. Por aqui são incrivelmente poderosos. Aproximando-se, Romeo gentilmente segurou meu rosto entre as mãos. – Deus, amor. Eu nunca faria nada para perdê–la. Acredite quando digo que eu me sentei ali e suportei aquele maldito bate-papo para protegêla. Que Shelly vá para o inferno, não suporto aquela cadela! – Ele ficou de pé e parou diante de mim, sinceridade gotejava dele, em cada ação. – Não importa, agora é obvio. Franzi o cenho. – O quê? Ele parou e soltou uma risada sem humor. – Porque eu disse a minha mãe que de uma vez por todas esquece o fodido casamento arranjado, Blair/Prince, quando corri atrás de você. Um brilho de esperança atingiu meu peito. – Você fez isso? Ele se aproximou de mim e me forçou a deitar sobre as minhas costas. – Mm hmm. Disse a ela que não me casaria com Shelly, porque estava com você. Que esquecesse essa merda de casamento, porque eu


estava com você. Além disso, corri pela rua atrás de seu táxi, gritando e batendo na lataria dele, que certamente ficou amassada. Estendi a mão, agarrei seu cabelo e o levei até meus lábios, só rompendo o contato para dizer: – Você tem que me dizer estas coisas que acontecem com seus pais. Assim não poderei duvidar de você. Sou difícil de confiar em alguém, mas estou aprendendo a confiar em você. Por favor... Confie em mim. Romeo roçou seu queixo sem barbear ao longo de minha garganta, inalando meu cheiro. – Céus... Está à salva comigo e eu teria contado tudo o que tinha acontecido quando chegasse aqui. Não esperava vê-la. Deus!! me despedaçou ver sua reação do outro lado da rua. E depois você fugiu, depois de me prometer que nunca fugiria de mim. Seus quadris pressionaram os meus e senti sua grande e dura ereção entre minhas pernas. Tive que morder a língua para evitar gemer. – Confio em você. Apenas fiquei mal. Ela o beijou. Não... Eu não gostei daquilo. Precisei me afastar. Romeo continuou se movendo contra mim, meus olhos giravam de prazer. – Nunca a enganaria, Shakespeare. Você é muito importante para mim. Eu disse que nunca a enganaria e eu não gosto que duvidem de mim. Uma nervosa excitação surgiu em mim, com seu habitual tom brusco. – Está bem. – Apertei o lençol enquanto ele pressionava sua ereção, mais forte, contra mim e senti essa deliciosa sensação construindo na base da minha coluna. Olhei nos olhos brilhantes de Romeo. – Romeo. – Murmurei, enquanto ele se movia e começava a ajoelharse, novamente, aos pés da cama. – O que... –Shh...


A mão dele deslizou sobre minhas coxas nuas e debaixo do meu vestido. Minha respiração ficou presa na garganta, quando ele agarrou a borda da minha calcinha e lentamente a puxou para baixo. Minha cabeça caiu contra o travesseiro, quando ele jogou minha roupa de íntima no chão e se acomodou para levantar meu vestido, até minha cintura. Puxei um lado do vestido e assegurei-me que minha tatuagem estivesse coberta. – Vou prová-la querida. Você vai gozar na minha boca. – Ah... Deus! – Sussurrei, quando de repente levantei as costas do colchão, quando a boca de Romeo caiu sobre minha parte mais íntima. – Eu amo apenas você, Mol. Você entende? – Disse ele, quando sua língua aumentou a velocidade. – Sim! Eu entendo! – Falei meio mole, incapaz de me concentrar em qualquer coisa. – Porra, você é tão bonita. Ele não parou, até que gozei e ofegava descontroladamente, enquanto segurava seu cabelo loiro escuro com força, só soltando-o, quando suas ações se tornaram muito, para eu suportar. Romeo ficou de joelhos por um tempo, endireitando meu vestido e me acariciando com os olhos, depois, me arrumou confortavelmente na cama, deitou ao meu lado e me envolveu, apertadamente, em seus braços. Sabia que eu estava mais tranquila, depois de ter recuperado um pouco do controle e ter me saciado sexualmente. Uma vez que voltei a respirar normalmente, virei-me em seus braços e percorri seu rosto com a palma da mão. – Deus Romeo! Você me deixa tão confusa. Nunca sei se estou indo ou vindo com você.


– Sempre vindo, eu espero. – Disse ele, maliciosamente e franzindo os lábios. Dei um soco brincalhão em suas costelas e vi seu sorriso desaparecer, lentamente. – Eu não tenho certeza se você entendeu o significado do que fiz hoje, indo atrás de você e deixando minha mãe, daquele

jeito.

Eu

não

entendia,

mas

compreendi

que

por

seu

comportamento agitado, era algo grande. Romeo segurou meu rosto e a dor era evidente em seus olhos. Alisei seu cabelo do rosto e tentei entender o que havendo com ele. – O que foi, querido? Ele engoliu em seco e olhou através das portas da minha varanda, antes de fixar sua atenção em mim, novamente e, com um sussurro penetrante me dizer: – Nunca me deixe. Senti que meu coração perdeu o ritmo em resposta a sua súplica desesperada – Ouça, o que significa tudo isto? Romeo escorregou pela cama e pressionou a testa no calor do meu estômago, envolvendo os braços, apertadamente, ao redor de minha cintura. – Simplesmente eu não posso acreditar que tenho você em minha vida. Você faz tudo ficar melhor e não quero perdê-la. Passei meus dedos pelo seu cabelo, preocupada com seu estranho comportamento. – Não vou deixar você. – Quase fez isso hoje. Você apenas fugiu, sem me ouvir. – Foi um mal-entendido. – Engoli nervosamente. – Na verdade, Romeo, quantos problemas seus pais vão nos causar? Estremeci ao recordar a cara de desgosto da mãe dele e o gesto enojado de seu dedo. Hoje, com toda certeza, eu podia dizer que ela não ia deixar que nossa relação continuasse e as emoções erráticas de Romeo, estavam me deixando realmente confusa e preocupada.


– Eu não sei. Não vou deixar você chegar perto deles para que corra o risco de descobrir. Eu vou protegê–la, não importa o quê aconteça. Expliquei para todas as suas amigas, o que aconteceu. Elas entenderam, mas Cass me deu um soco no estômago e me chamou de estúpido e cabeça de merda. Jimmy-Don ficou preocupado com isso. Aquela menina é assustadora. Eu ri e guiei sua boca do meu estômago para os meus lábios antes de apoiar minha cabeça ao lado da dele, no suave travesseiro. – O que sua mãe sussurrou em seu ouvido quando ela me viu? – Ele empalideceu e imediatamente esmagou a boca contra a minha e falou grudado em meus lábios. – Cale a bola, Shakespeare. Eu terminei com essa história e preciso mostrar, outra vez, o quanto sinto mal por ferir seus sentimentos. O mestre da reflexão falou outra vez.


Sábado chegou e quando abri meus olhos, ao invés de Romeo ao meu lado, em seu travesseiro estava descansando um pulôver dos Crimson Tide, feminino, vermelho, com o número sete na parte de trás e o nome PRINCE sobre ele, em letras brancas e grandes. Passei minhas mãos pela estampa e virei o pulôver para frente. O número estava ali, também e no canto superior do lado esquerdo havia um trevo de quatro folhas, bordado no tecido. Com um bilhete preso na gola.

O estádio estava cheio. Era um mar de camisetas vermelhas e brancas. Grupos de estudantes pintaram o peito de vermelho com letras brancas com R-O-L-L-T-I-D-Ê. No lado do time visitante, as camisetas azuis marinhas e brancas dominavam os degraus. Cass, Ally e eu compramos Coca Cola e salgadinhos, dos vendedores nas escadas e caminhamos para nossos lugares. Logo que passamos os


degraus, as pessoas começaram a aplaudir. Nós três olhamos confusas para o telão e lá estava eu, sendo seguida pela câmera, com trevos de quatro folhas espalhados ao redor do meu rosto, criando uma guirlanda. Tropecei diante da imagem, Cass e Ally começaram a gritar. – OH meu Deus, Molly, você ficou famosa! – Cass gritou surpresa, enquanto saudava a câmera e jogava um beijo. Ela estava com seu típico chapéu Stetson, jeans, uma camiseta do Jimmy-Dom e obviamente, desfrutando de toda a atenção. Corri até os assentos, cobrindo meu rosto com o copo de refrigerante, totalmente envergonhada e gemendo em voz baixa. – OH meu Deus! OH meu Deus! OH meu Deus! Tentei ignorar as vaias e assobios dirigidos a mim. Ally e Cass se sentaram ao meu lado, rindo e aplaudindo, junto com todos os outros. Estava grata por ter permitido que me passassem mais maquiagem do que o habitual e tinha certeza que minha juba castanha estava pelo menos presa, em um coque desordenado. Depois de alguns minutos da torturante recepção dos torcedores, que também incluiu a turma de animadoras de torcida na minha frente, agitando seus pompons, com exceção de Shelly, que franziu o cenho e se negou a me reconhecer nas apresentações. Cass gritou, gritou e me puxou, até fazer eu me levantar e dançar a música que bombardeava o sistema de som. Quando um telão mostrou os aspectos mais destacados de Romeo jogando no Planet Perfect, "O bala", não pude deixar de pular e rir junto com minha louca amiga texana, enquanto o ambiente animado contagiava, previamente, à partida. A música mudou quando as imagens da linha de partida apareceram no telão.

A imagem de Romeo apareceu por último e suas estatísticas

vieram acompanhadas pelo rugido ensurdecedor da multidão.


O locutor pegou o microfone enquanto as animadoras de torcida se apressavam ao longo da linha próxima ao túnel do campo. –

Alabama,

levante-se

para

o

grande

Crimmsssooonnn

Tiiiddddddeeeeeeee... A arquibancada explodiu em gritos e pulos, e o estádio balançou seus alicerces com a energia. Austin e Jimmy-Dom lideravam o time, agitando as mãos e saudando a multidão.

Olhei, procurando Romeo, freneticamente. Ele vinha ligeiramente atrás dos outros, saiu, agitando seu capacete nas mãos e a câmera seguiu todos os seus movimentos. Ao chegar ao campo, parecia que cada torcedor começou a gritar. "Beijo, beijo, beijo, beijo". Gritaram várias vezes até, que tudo que eu conseguia ouvir era isso. Ally agarrou minha mão, enquanto o rosto feliz de Romeo procurava de norte a sul nas arquibancadas e com um gesto de mão, ele partiu alegremente em direção aos nossos assentos. Quando ele chegou ao final do campo, nossos olhares se encontraram e ele dobrou o dedo indicador, me chamando para ir até ele. A multidão simplesmente aumentou o volume dos gritos, diante da brincadeira arrogante. Meus pés pareciam fixos no chão, o temor me paralisou. Senti uma mão em minhas costas, era Cass me empurrando para frente, obrigando-me a mover. – Vamos, garota. Não o faça esperar diante de toda esta gente! Lancei lhe um olhar assassino por cima do ombro e ela agitou a mão, me dando tchau.


Olhei o campo uma vez mais e vi Romeo, somente há alguns metros de distância, com uma expressão faminta e as mãos nos quadris, esperando para ver minha reação. – Eu posso fazer isto, eu posso fazer isto. – Repetia isso para mim mesma, enquanto minhas botas me levavam adiante. Quando cheguei à beira do campo, Romeo agarrou minha mão e me puxou contra o peito dele, sua outra mão segurou minha nuca. A multidão perdeu o controle. Pressionando meu corpo contra o dele, ele não me deixou outra opção senão focar minha atenção exclusivamente nele, deixando os gritos ensurdecedores do estádio desvanecer ao fundo. – Olá, Mol. – Olá, você. – Vai me dar um beijo? – Se isso é o que você quer. – Definitivamente sim. – Ele inclinou a cabeça e me beijou apaixonadamente e antes de recuar, piscar um dos olhos e voltar ao campo, me deixando imóvel, como uma idiota aturdida e sedenta de amor. Por um momento, pensei que não podia caminhar, mas me virei e levantei a cabeça, para enfrentar os gritos. Eu praticamente corri de volta ao meu assento. Ally e Cass riam do meu constrangimento e ficamos quietas, já que o jogo logo começaria. Romeo estava jogando incrivelmente. Ao menos parecia isso e pelas cotoveladas e gritos de Ally e Cass, eu tinha razão. No meio da partida, lideravam com doze pontos de vantagem e todos estavam certos de que seria uma vitória fulminante.


Estava

sentada

em

meu

assento,

simplesmente

observando

a

atmosfera eletrizante, quando notei Ally me olhando. – O que foi? Ela inclinou a cabeça, me avaliando. Isso fez-me sentir inquieta. – Sabe, em todo este tempo, nunca a vi com os cabelos soltos. É muito comprido? – Sim, chega a minha cintura. Por que? Seus olhos brilhavam, com malícia. – Vamos para casa imediatamente depois da partida. – Está bem... – Senhorita Molly, esta noite você se tornará uma mulher muito sexy. – Disse ela, entusiasmada. – Não acredito que eu possa ser classificada como sexy, Ally. – Tinha certeza que minha amiga começava a ter sintomas de insolação. – Isso é porque nunca lhe ensinaram a se arrumar. Mas minha amiga, vamos resolver isso esta noite. Usamos o mesmo número, assim pode usar um dos meus vestidos. Um que vá enlouquecer Romeo, totalmente. – O que acha disso, Molls? Imagine ter o Bala ofegando entre suas pernas! – Acrescentou Cass, querendo animar ainda mais a situação. Jogando a cabeça para trás, gemi em voz alta. – De maneira nenhuma. Acha que estamos em um filme de adolescentes de mau gosto ou algo assim? Os olhos castanhos de Ally mostravam irritação.


– Minha capacidade de deixar alguém sexy é inigualável. Vamos fazer isso e pronto. Fiquei olhando Ally e abaixei minha cabeça. – Ah, merda! Realmente estou muito intrigada de ver como você vai ajeitar toda essa cabeleira. – Falei, gesticulando para a montanha de cabelos na minha cabeça. Ela voltou a sorrir e dançou sobre seu assento. – Duvide de mim o quanto quiser, mas Romeo vai ficar louco quando vê-la. Diga a ele que se encontrarão as nove e nem um minuto antes. – Então é melhor você dizer isso a ele. Nem quero saber como fará isso! O jogo chegou ao final e nós ganhamos. Romeu deu as entrevistas habituais depois da partida, e Austin foi considerado o "Jogador Mais Habilidoso", o que fez Lexi dar pulos de alegria. Permaneci sentada, esperando que a multidão se acalmasse.

Com

uma palmada nas costas de seus companheiros de time, Romeo chegou correndo e quando me alcançou, levantou-me e girou, fazendo os homens zombarem e as mulheres soltarem um "ah". Passei os braços ao redor de seu pescoço e sussurrei: – Muito bem, querido. Estou muito orgulhosa de você. – Obrigado. – Disse ele com voz rouca, cheia de emoção e deu um beijo leve nos meus lábios. Quando me colocou no chão, Ally se aproximou e o abraçou, felicitando-o. Romeo segurou minha mão. – Você poderia ficar por aqui um pouco mais? Voltarei logo e a levarei para jantar, antes de irmos ao clube.


– Ela não pode. Vou levá-la para casa, agora. – Informou Ally com um sorriso travesso. O olhar que Romeo lhe lançou, deveria tê-la amedrontado, mas ela simplesmente deu um tapinha em seu braço e disse: – Não fique chateado comigo, Romeo. Ela será toda sua durante a noite. Seus olhos se estreitaram, ameaçadoramente. – Não a quero longe de mim, fim da discussão. Coloquei minhas mãos em seu rosto. – Fique com os rapazes e depois vá me pegar em casa, às nove. Por favor... – Está bem. Mas vou estar lá as nove em ponto e será melhor que esteja pronta. – Grunhiu e me deu um beijo ardente, antes de me abraçar forte e retornar para o campo, de mau humor. Suspirei. – Genial, agora ele está zangado comigo. Ally deu de ombros. – Ele vai superar. – É melhor que tenha razão.


O que achou? – Perguntou Ally, enquanto desvendava meus olhos em frente ao espelho de corpo inteiro. – Não pode ser! – Sussurrei, enquanto olhava a garota no espelho, juntos às outras garotas, rindo ao fundo. – Realmente, Molls, quem é essa moça! – Brincou Cass, estalando sua língua sugestivamente. – Eu disse que era boa nisso. – Ally afirmou, com ares superiores. – É boa mesmo. – Respondi ainda impressionada com a visão. Ally certamente tinha pelo que se orgulhar. Nem eu reconhecia a garota na minha frente. Tinha o cabelo longo e com cachos domados, alguns presos no alto da cabeça, enquanto outros caiam em cascata sobre meu ombro e costas. Fios levemente dourados se misturavam ao cabelo escuro, dando um toque de luz, o rosto estava iluminado, por um bronzeado encantador. A sombra esfumaçada deixava os olhos castanhos, misteriosos e para completar o corpo era uma figura esbelta, em um vestido preto justo, sem alças e curto, combinando com as botas pretas, finalizando o look. Meu olhar, fixo no espelho, foi rompido por uma batida brusca na porta e Cait entrando no quarto. – Ouça Ally, Romeo e os rapazes estão esperando lá embaixo. – Cait piscou surpresa. – Molly... Quase não a reconheci. Está linda, querida. – Obrigada, Cait. – Respondi ruborizada. Fomos até a escada e vi Romeo no fundo, usando uma camisa xadrez de vermelho, com as mangas dobradas e jeans escuro; estava espetacular. Austin, que estava vestido todo de preto, como lhe era habitual, nos viu primeiro. Notei seus olhos se arregalarem ao dar-se conta de quem era à garota atrás das outras. Romeo estava brincando com Jimmy-Dom,


enquanto casualmente se apoiava na porta e Reece começou a cutucar seu braço. Romeo virou a cabeça para ele, franzindo o cenho, aborrecido, mas Reece ignorou seu olhar severo e gesticulou em minha direção. Enquanto Romeo levantava os olhos, quase ri de sua reação. Ele saltou da parede e correu até o pé da escada. Enquanto o assistia dar cada passo, cresceu minha confiança e se a expressão fascinada no rosto dele era algum indício, diria que o plano de Ally tinha funcionado. Quando cheguei ao último degrau, estávamos quase na mesma altura. Coloquei o polegar entre os dentes, enquanto me retorcia sob a silenciosa atenção de todos. Lentamente, as mãos de Romeo se estenderam para frente, agarrando meu traseiro e ele me puxou contra seu duro corpo. Faíscas de desejo voaram de seus olhos castanhos, quentes. Soube nesse instante que esta noite seria uma prova para nosso controle. Minhas entranhas se queixaram, quase dolorosamente, ansiando pela luxúria sexual; um calor abrasador se espalhou por meu corpo. As mãos ásperas e errantes de Romeo e o volume em seu jeans, contra minha pélvis, me dizia que ele estava sentindo a mesma coisa e também estava lutando por manter a compostura. Romeo se inclinou, beijou meus lábios suavemente, jogou as mechas de cabelo atrás de meu pescoço, e sussurrou: – Por Deus, Mol. Está pondo a prova meu autocontrole, estando tão linda assim. Como demônios espera que eu termine essa noite? Vou acabar arrebentando os caras, por estarem fascinados por você. – Só quero você, amor. Sabe disso. – Assegurei-lhe e vi como a tranquilidade voltou ao seu rosto. Fiquei ao seu lado, entrelaçando sua mão na minha. – Vamos. Estou ansiosa para que me ensine o tal passo duplo.


Romeu soltou uma gargalhada, enquanto passava o braço ao redor de meu pescoço. – Que se dane o passe duplo. Quero colocá-la entre os meus braços e dançar lento, a noite toda.


O Clube Flux estava lotado com os torcedores dos Tide que tinham estado no jogo. Assim que chegamos, Romeo foi abordado com elogios, apertos de mãos e felicitações. Ele agarrou-me firmemente, com o braço ao redor de meu ombro e minha cabeça contra o vão de seu pescoço. Nosso grupo foi acomodado no canto mais visado do clube, um benefício por estarmos na companhia de Romeo Prince. Estávamos nos dirigindo para lá quando um estudante bêbado, usando um pulôver dos Tide, me agarrou pelo braço e me puxou contra seu peito suado. – Olha só o belo amuleto da sorte do Bala! Benzinho você está salvando a temporada! Merece um grande beijo de agradecimento! O sujeito foi imediatamente empurrado para longe de mim e Romeo o agarrou pela gola da camiseta. – O que você pensa que está fazendo? O fã dos Tide empalideceu, instantaneamente e, levantou as mãos em sinal de rendição. – Bala... Eu... Eu só estava expressando minha gratidão. – Então agradeça de longe. Toque nela outra vez e conhecerá o inferno. Entendeu? – Sim, sim, entendi homem. Eu... Sinto muito...


Romeo o soltou e o fã assustado, imediatamente se misturou a multidão. Quando Romeo se virou para mim, eu o olhava com os braços cruzados e o cenho franzido, zangada. – Querida... – Ele tentou me acalmar, avançando pouco a pouco. Levantei a mão, fazendo um gesto para que se calasse e parasse ali mesmo. – Não precisava fazer isso, Romeo! Por que ser tão agressivo com o pobre homem! Os lábios grossos de Romeo franziram em uma careta. – Mas ele a tocou. – Não precisava ameaçá-lo. – Você é minha e ele a tocou. Não gostei disso. – Céus, Romeo! Esse tipo de atitude é insensata. Ele deixou escapar um longo suspiro. – Estraguei tudo outra vez, não é? Ele parecia perdido. Caminhei para ele e passei meus braços ao redor de seu pescoço. – Sim, outra vez. Seu lábio se torceu em um sorriso enquanto sua mão descia até meu traseiro. – Estou perdoado? Minha respiração voltou ao normal e coloquei sua testa na minha.


– Sou sua. Ok. A expressão de tranquilidade dominou seu rosto e ele assentiu secamente, antes de me roubar um beijo voraz. Dirigimo-nos a uma mesa reservada e nos unimos aos nossos amigos. Em minutos, uma garçonete loira chegou para anotar nossos pedidos. Desde que ela chegou, não tirou seus olhos verdes de Romeo. Ele já esperava por isso. Atraía as pessoas, fosse por sua boa aparência ou por ser uma celebridade do esporte. Mas esta garota agia diferente, olhava-o como se o conhecesse... Intimamente. Várias garrafas de cerveja depois e vendo a aparente ignorância de Romeo em relação à garçonete, relaxei e finalmente fui capaz de dar uma boa olhada no clube. A massa de corpos se movimentando e os casais dançando, com entusiasmo, ao redor da pista faziam a cena divertida. Chegaram nossas bebidas e uma vez mais, a garçonete parou diante de Romeo e desta vez soube que minhas suspeitas eram justificadas. Ele a ignorou, ela sentiu-se provocada e bloqueou nossa linha de visão com seus seios exagerados, de silicone, dizendo: – Olá, Bala. Como vai? Minhas sobrancelhas imediatamente se juntaram. Olhei Romeo, que estava completamente em silêncio. – Já fizemos os pedidos. – Ele replicou, friamente. A loira peituda, com um vestido preto obscenamente curto, inclinou-se sobre a mesa, evidenciando ainda mais seu decote e ignorando o desagrado dele. – Não nos encontramos mais depois da noite que passamos juntos.


Estiquei-me e Romeo me apertou ainda mais contra seu peito, antecipando corretamente o que estava prestes a acontecer, diante da cena incômoda. Era fugir ou agir com a fúria intensa que corria em meu corpo. – Realmente, você não pensou que eu voltaria a procurá–la. Direi isso outra vez... Já fizemos os pedidos. – Ele inclinou-se ligeiramente para frente. – Mas talvez eu deva ser mais claro... Esqueça-me. O rosto da garota se fechou e ela disparou: – Bem, ouvi por ai que você era mulherengo, mas depois daquela noite achei que você não valia uma boa trepada. – Ela olhou-me por cima do ombro e riu. – E essa ai também deve ser a mesma coisa. Ela deve foder pior do que esse vestido de merda que usa. – Ela levantou-se bruscamente, balançando suas curvas e caminhando através da multidão. Meus punhos estavam fechados, as pontas das minhas unhas cravando a pele das minhas mãos. Ally olhou Romeo e balançou a cabeça, em desaprovação. Não me atrevi a olhar para a ninguém mais. Incomodada libertei meus braços. Romeo tentou me agarrar com mais força, mas resisti. – Solte-me, vou ao banheiro. – Resmunguei. Romeo se adiantou, seu rosto estava fechado e fulminante. – Não se atreva a fugir, não depois de tudo que eu lhe disse. Silenciei-o com o olhar, o que foi recebido com uma forte contração em sua boca. Ele não estava acostumado a tal tratamento e eu sabia que isso o incomodava. – Vou ao banheiro! – Insisti e vi sua expressão congelar. Seus olhos se entrecerraram com meu tom brusco, sacudi meu cabelo com desdém e sem me importar, me afastei.


Ouvi Ally gritar: – Espere, Molly! Mas não me detive. Quase alcancei o banheiro quando alguém agarrou minha mão com força e me puxou para trás. Calmamente permaneci imóvel, Romeo aumentou a pressão de suas mãos em meus braços, com o olhar furioso. Soltando um grunhido zangado, ele me soltou e depois voltou a agarrar minha mão, arrastando-me pelo corredor vazio, testando várias portas para ver se encontrava alguma destrancada. Quando uma se abriu, um depósito, ele empurrou-me para dentro, acendeu a luz, travou a porta e se virou para mim, colocando as duas mãos no quadril. – Aconteceu uma única vez. No ano passado. Nunca mais a vi. Não precisa ficar zangada e certamente não quero que fuja de mim. Olhei-o com raiva. – Oh, perdão por não apreciar suas façanhas exibidas por suas putas, na minha frente! As narinas de Romeo se alargaram e ele aproximou o rosto do meu. – Quer saber tudo sobre meu passado sexual? Quer todos os detalhes sórdidos? Muito bem! Trepei com um monte de garotas, nas posições mais diferentes e em lugares inusitados. Elas se atiravam em cima de mim e eu lhes dei o que queriam e, amaram, cada trepada. Antes que eu percebesse, dei um tapa em seu rosto, com força, o som se amplificou pela pequena acústica do cômodo. O sangue rugiu em minhas veias, meu peito doía e Romeo pareceu surpreso.


– Sente-se melhor agora? Conseguiu por sua raiva para fora? – Ele perguntou, massageando a bochecha. Lágrimas inundaram meus olhos. Não queria bater nele, mas ninguém antes conseguiu provocar tal reação em mim. Estava tremendo com a súbita onda de adrenalina. Deus, o que eu fiz? Eu não queria bater nele eu não era como seu pai. Arrependimento tomou conta de mim. Romeo se inclinou contra a parede oposta, baixando a cabeça, parecendo ter superado minha agressão. – Elas transaram com o Bala. Apenas treparam com o Bala! Minha respiração se deteve, com a dor. Mas eu estava muito chateada. – Maravilhoso, Romeo. Maravilhoso mesmo. É isso o que pretende fazer comigo?

Foder-me como o grande Bala Prince e depois seguiremos

adiante? Romeo me fez encará-lo e colocou minhas costas contra as prateleiras de aço, frias e, me prendeu ali com seus braços. – Quero que me ouça, Shakespeare. Sim, nós vamos trepar, foder, mas também vamos fazer amor. Coisa que nunca fiz antes. Vou possuir cada pequena parte de sua alma e nunca vou deixar que se afaste de mim. Farei com que grite meu nome muitas e muitas vezes, até que ele esteja permanentemente gravado em sua garganta. Você não vai ser apenas uma transa fácil para mim, Mol... Você vai ser minha salvação! Engoli em seco quando ele fixou o olhar no meu. – Você fará amor comigo, com Romeo, não com o patético alter ego do jogador de futebol. Só você terá o meu verdadeiro eu, tudo de mim, sempre e para sempre. Isso ficou claro? Ele fechou os olhos e colocou a testa contra a minha.


– Cristo, Mol! Nunca senti isto antes. Se soubesse que você estaria me esperando, nunca teria feito sexo com essas garotas. Mas não posso mudar o que já foi feito. Desnorteada, me apoiei contra o metal rígido. – É tão complicado, não acha? Sua família obviamente me odeia, Shelly não recuará, você enlouquece quando alguém sequer olha para mim, e estas... garotas que estiveram em seu passado não parecem dispostas a perdê-lo. Tenho meus próprios problemas, Romeo, sabe disto e se juntarmos aos seus... Parece... Como vamos fazer nosso relacionamento funcionar sob todo este estresse? O pânico alterou seus traços. – Não. Não faça isso! – Fazer o que? – Não nos dê por perdidos. Não fuja quando as coisas ficarem difíceis. – Ele agarrou meu queixo. – Lutaremos contra os nossos problemas do passado. Eu posso e vou aprender a controlar meu ciúme. Lutaremos contra minha família. Ignoraremos a tudo e a todos. Vamos superar! Não se atreva a renunciar ao que sentimos, Shakespeare. Maldição! Não se atreva! – Romeo... Seus olhos negros pareciam desesperados. –Não! Não deixarei você fugir. Sei que sou ruim para você, de muitas formas, mas você me mudou. Você me mudou! Não pode ver isso? Vai enfrentar isto comigo. Diga! Por favor, amor, diga que enfrentará isso comigo. Neguei, pronta para discutir, ele colocou os braços na minha cintura, até me manter cativa, contra seu corpo alto e musculoso.


– Diga, Mol. – Romeo, eu... – Gemi Ele golpeou a parede atrás das prateleiras, fazendo as caixas caírem, com força, no chão. – Não vai fugir. ENTENDEU? – SIM! MALDIÇÃO! ENTENDI! – Gritei, empurrando seu peito. Apesar da dureza em suas palavras, podia sentir o medo pulsando em seu corpo, com o pensamento de me perder. Suas mãos agarraram minha nuca. – Está nisto comigo? – Ele perguntou, procurando meus olhos. Suspirei e enganchei minha perna sobre seu quadril, lutando para me aproximar mais. – Estou nisso. As pupilas de Romeo se dilataram e o rubor se propagou em seu rosto sério. – Céus, a desejo tanto. Tudo em você me deixa duro para caralho. Inclinei para frente e beijei um ponto abaixo de sua orelha. Recuei lentamente, pegando sua mão, levantei meu vestido e, a coloquei sobre minha boceta. – Mol... Cristo. – Ele gemeu, enquanto seus dedos deslizavam ao longo de meu centro. – Está me matando. Minha língua rodeou o lóbulo de sua orelha. – Eu gosto quando você fica mandão, quando reafirma sua autoridade. Excita-me.


– Humm... E eu gosto quando se submete. Me... Acalma. Preciso de você. Maldição, para mim você é perfeita. Linda, sexy e tem um corpo que faria o maior dos escultores chorar. Os dedos de Romeo começaram a me explorar e perdi toda a prudência. Ele envolveu a mão nos meus longos cabelos e me abraçou fortemente, enquanto seus dedos entravam em mim, tornando impossível eu me mexer. Gemi alto e seu olhar escureceu. – Não haverá ninguém mais. Pela primeira vez, tenho o que eu quero, o que necessito. Tenho o controle total e eu adoro. Você gosta também, não é verdade? Você adora... A familiar onda de necessidade devastadora começou a passar por minhas pernas e minha respiração ofegante encheu cada canto do cômodo. Agarrei-me aos seus ombros e respondi: – Sim, eu adoro. Adoro! Seu sorriso zombeteiro me excitou. Seus dedos se moviam em mim com uma velocidade endiabrada. Minhas mãos alcançaram seus jeans e ele rugiu. – Solte-me! Agora não se trata de mim. Não me tocará a menos que eu diga o contrário. Obedeci e quando um terceiro dedo entrou em mim, atirei minha cabeça para trás gritando e gozando. Meu peito pesava com a sensação. Agarrei

os

cabelos

de

Romeo,

esmagando

seus

lábios

nos

meus,

transmitindo minha completa aceitação de quem ele era, de quem eu era e do que seríamos juntos. O ritmo da música na pista de dança interrompeu a tranquilidade de nosso pequeno espaço, podia sentir a bateria e o baixo passando através do


peito de Romeo para o meu. Romeo tirou sua mão de dentro da minha calcinha e me beijou suavemente, pouco a pouco e amorosamente, ao contrário do que houvera feito, alguns minutos antes. – Estamos bem? – Ele sussurrou contra minha boca, seus olhos eram vigilantes e assustados mesmo. Beijei sua testa e sorri, provocando um brilho luminoso em seus olhos. – Quero você, Romeo. Deu-me algo que eu nem sequer sabia que necessitava. – Embora eu tenha agido de maneira nada agradável durante anos? Mesmo eu te colocando em situações difíceis? Mesmo eu sendo um cara cheio de problemas? Passei minhas mãos por seus braços. – Não posso fingir que estou bem com isso, mas se formos fiéis um ao outro, lutarei para superar tudo que vier com você. – Estamos juntos. Nem sequer vejo as outras garotas agora, desde o nosso primeiro beijo. – Parecia ser quase doloroso admitir essas palavras. – Romeo? Seus dedos acariciaram minha face e ele olhava cada movimento que eu fazia. –Mmm? – Estamos bem? É assim que vamos agradar, um ao outro? Você me ordenando como um sargento e eu obedecendo a suas ordens, como um soldado? Ele sorriu maliciosamente com minha preocupação.


– Humm... Pois é assim que será. – Assenti timidamente e me afastei dele, lentamente. Romeo tinha uma expressão feliz no rosto. – E você gosta, Mol? Gosta que eu a comande? Meus olhos giraram, o calor abrasador ameaçava me incendiar só com a ideia dele me dar ordens. – Se... Depois for a minha vez. – Então estamos combinados. De fato, não há duas pessoas neste mundo que se encaixem melhor que nós. Preencheremos um grande vazio emocional que nós dois temos, ou melhor, tínhamos. Soltei uma gargalhada. – Fatídicos amantes desventurados? Ele sorriu outra vez. Foi quase um sorriso completo, um sorriso que eu nunca tinha visto nele antes, despreocupado e livre. – Acho que precisamos parar de citar essa maldita obra, Shakespeare. Sinto que somos a mais nova versão de Romeo e Julieta. Não pude evitar uma gargalhada, com Romeo se unindo a mim. Arrumei meu vestido e segurei sua mão. – Agora, vamos dançar. – Ficarei louco dançando com você. Suas curvas são perigosas, baby. Esfreguei-me contra ele, sentindo o volume duro em seus jeans. – Nem pense que terminarei a noite assim, Romeo. Quero que pense no que faremos assim que deixarmos este clube. Mas viemos aqui para dançar e


quero dançar. Mostrarei para suas conquistas do passado que agora você é meu e que devem se afastar do meu homem. Ele me empurrou para trás, levantando-me do chão, então envolvi minhas pernas ao redor da cintura dele. – Diga isso outra vez. – Ordenou ele com severidade, seu jeito brincalhão desapareceu completamente e o Romeo sombrio levantou a cabeça. – Dizer o que? – O que acabou de dizer. – O que, que você é meu? – Sim. – Disse com a voz áspera, enquanto se esfregava entre minhas pernas. – Você é meu agora. Sem condições. Assim como eu sou apenas sua. Ele grunhiu e me empurrou contra a parede. Não o deteria de tomar o que ele precisava e pela expressão em seu rosto, tampouco ele. Poderia me entregar ao meu amado em um armário e honestamente, não me importaria. Romeo tocou a frente de seu jeans, desabotoando e baixando o zíper, quando a maldita porta começou a vibrar. – Ei, quem está aí? Abram já essa porta. – Gritou uma voz masculina do corredor. – NÃO! – Romeo rugiu através dos dentes cerrados, suas mãos agarrando minha cintura, quase dolorosamente. – Abram ou trarei o segurança!


A cabeça de Romeo caiu em meu ombro e abafei meu riso em seus cabelos. Desci as pernas, levantei seu zíper e me movi para fora de seu alcance, entrelaçando sua mão na minha. – Vamos querido. Vamos dançar. Assentindo bruscamente, ele acariciou meu rosto. – Vamos mostrar a todos que estamos juntos. Que nos pertencemos um ao outro. É hora de ser valente, baby. E deixar as coisas claras. Um sorriso lento surgiu em meu rosto, uma sensação de calor se espalhou em meu peito. Era hora de pôr essa crença em prática. Romeo abriu a porta e o jovem gerente do bar deu um passo para trás, com uma aparência severa no rosto. Atravessamos a multidão e voltamos à mesa reservada. Nossos amigos estavam na pista de dança, assim pegamos nossas cervejas e esfriamos nossos hormônios ardentes com álcool. Vi a garçonete petulante e fiz gestos para chamar a atenção dela. Romeo me olhou cuidadosamente enquanto ela se aproximava. Cada músculo de seu corpo estava preparado para intervir. Sentei em seu colo e o deixei me abraçar, orgulhosamente. Os olhos pequenos e brilhantes da garçonete pousaram em nós e ela murmurou algo em voz baixa, antes de plantar um sorriso falso na face. – Posso ajudá-los? Olhei atentamente para Romeo, que pôs um sorriso confuso diante da minha aparente confiança. Nossa pequena discussão quente no armário tinha

aliviado

meu

ciúme,

afinal,

se

um

casal

podia

arrefecer

temperamento um do outro, não podia haver rivais, nem ameaças.

o


– Tomaremos uma rodada de tequila, e... – Arrastei os dedos pelo abdômen de Romeo até suas calças, seu quadril levantou contra meu traseiro, em reação. – O que mais, amor? Os olhos de Romeo brilhavam com luxúria, sem restrição e com a voz rouca ele falou: – Que tal pedir mais cerveja para todos, doçura. Lancei um olhar fulminante à garçonete. – Entendeu tudo? – A garota assentiu bruscamente e se virou, revirando os olhos. Zanguei-me. – Ah, mais uma coisa. – Gritei enquanto a garota se afastava. Ela parou e se virou, sem disfarçar a irritação que escapava de seu olhar malicioso. Dei um sorriso brilhante. – Agora ele é meu. Diga a qualquer outra puta que, “ele não está disponível”. A garçonete dirigiu a Romeo um olhar furioso e logo se misturou com a multidão. Meu coração pulsava, em um ritmo endiabrado. Romeo me fez virar, mordendo meu pescoço, em êxtase e maníaco. – Que tal encontrarmos outro armário... Isso foi tão erótico, baby – Grunhiu. – Fui valente o suficientemente para você? – Perguntei. Ele se esfregou em mim, grunhindo:


– Valente como ninguém mais! Amo esta nova você. – Não é nova. Só estava adormecida. – Então a acorde de uma vez por todas, querida! Cass chegou aplaudindo alegremente, ao lado de Jimmy-Dom. – Moly Shakespeare! Nunca a escutei falar assim com ninguém. Amei! – Acho que peguei isso de você! – Ah, da próxima vez diga o que pensa a Shelly. A cadela precisa de uma boa dose da nova Molly desbocada! – Ela inclinou-se e beijou minha cabeça, como uma mãe orgulhosa. Cinco minutos depois, dançávamos na pista mais próxima a nossa mesa. Enquanto estávamos lá, tocaram Save A Horse (Jogue a rede ao Cowboy) de Big & Rich's, e os olhos de Romeo dançavam com brincadeira, enquanto me pressionava contra ele, girando no ritmo da música. Cass e Jimmy-Dom dançavam espetacularmente, a multidão lhes oferecia espaço, e Austin fazia Lexi saltar em suas costas, como um cavalo, enquanto o coro cantava. Com o passar da noite e a cada gole de tequila, minhas inibições sumiam e Romeo aproveitou para tomar vantagem, apertando meu traseiro, roçando a língua na minha pele e sussurrando frases excitantes em meu ouvido. Dançamos por mais de duas horas e disfarçadamente nos movemos para um canto do clube, nos isolando da constante atenção das pessoas. Romeo estava apoiado contra a parede e eu dançava ao redor dele, contra ele e sobre ele. Senti sua ereção pressionando contra minhas coxas nuas e foi nesse momento que tomei uma decisão. Aconcheguei-me contra ele, enquanto começava a tocar How Country Feels de Randy Houser e envolvi meus braços ao redor de seu pescoço. Vi quando um sorriso se estampou


em sua face enquanto ele alternava os movimentos ao redor de minha cintura. – Você está bem? Neguei e fiz cara de amuo. Suas sobrancelhas se franziram e a adorável linha em seu cenho apareceu. – Por que está brava? Passei meus dedos por seu cabelo comprido e a boca em sua orelha. – Quero ir para casa. – Não se sente bem? Algo a desagradou? Suspirei e assenti. – O que houve? – Pressionou-me, com sua dura atitude protetora subindo à superfície. E era exatamente o que eu queria que acontecesse. – Quero que me leve para casa e para a cama. Ele passou a língua sobre o lábio inferior e seu rosto tinha uma expressão confusa. – Está cansada? Ainda é cedo. Neguei e continuei. – Quero que me leve para a cama... Quero você dentro de mim... Quero fazer amor com você. Diante dessas palavras, ele se sobressaltou. Seus olhos iluminaram, com excitação instantânea. Sua pélvis dura golpeou a minha enquanto ele me empurrava, ainda mais, contra a parede.


– Está falando sério? – Mortalmente. Suavizando seu tom, ele murmurou: – Não quero fazer nada sem que você esteja preparada. Esteve bebendo. Não quero que se arrependa disso amanhã. –

Não

estou

tão

bêbada

para

que

esteja

confundindo

meus

sentimentos. Amo e desejo você, Romeo, sem arrependimentos. – Então suplique. Notando minha reação confusa, ele murmurou, com um timbre grave. – Avisei que só a possuiria quando me suplicasse, quando me quisesse como ninguém mais. Se tiver certeza do que sente, terá que me provar. Terá que suplicar. Lembrei de suas palavras e estremeci. Ele realmente me excita. Seu jogo prévio, verbal, me levava com êxito a seu jogo. – Romeo Prince, quero que me leve para a cama, quero que me dispa lentamente e que me faça completamente sua. Por favor, Romeo, faça amor comigo... Esta noite. Por um momento fugaz, pensei que ele me possuiria ali mesmo, contra a parede. Até que lançou outra ordem. – Vá e pegue sua bolsa. Esperarei lá fora. Não demore muito. Ele deu a volta, desaparecendo entre a multidão e pude ver suas mãos tencionarem, em frustração, enquanto abria, agressivamente, passagem entre as pessoas, até a saída.


Fui até a mesa, quase que em estado de sonho, peguei nossas coisas, desculpei-me com nossos amigos e me dirigi à saída. Assim que atravessei as portas, Romeo com os olhos cheios de luxúria e como um predador esperando a presa, me pegou em seus braços. Ele inclinou-se sobre mim, beijou suavemente meu pescoço, agarrou minha mão e sem dizer uma palavra fez sinal para o táxi. Sentamos no assento de trás, com nossas coxas esfregando uma contra a outra, a tensão entre nós era evidente. Até o senhor de meia idade e cabelos acinzentados, se moveu desconfortavelmente em seu assento, olhando repetidamente pelo espelho retrovisor, provavelmente preocupado de que estivéssemos a ponto de perder o controle, ali mesmo. Não conseguia ficar quieta ante a expectativa e a mão de Romeo agarrou meu joelho, que estava tendo espasmos. – Calma. Arrisquei um olhar de soslaio para o grande volume que empurrava contra o zíper de seu jeans. Tentei me aproximar dele, para lhe roubar um beijo ou tocá-lo. Queria apaziguar meu corpo faminto, por um pouco mais de tempo. Romeo viu minha inquietação e se inclinou sobre minha orelha. – Decida agora se quer que nos prendam por atentado violento ao pudor, porque se você chegar um milímetro mais perto, vou possuí-la aqui e agora, não estou para brincadeiras. Você escolhe, Shakespeare. Encolhi-me contra a porta, baixando o vidro para deixar entrar um pouco de ar, tentando focar minha mente e me perguntando o que estava havendo comigo.


Uma eternidade depois, o táxi parou em frente a minha irmandade, finalmente saímos à rua tranquila e Romeo disse: – Você entra sozinha, eu irei pela sacada. Seja rápida, baby. Estou falando sério. Não me provoque agora.


Logo que entrei em casa, Romeo estava contra mim, sua respiração, atingia minha cálida pele, com uma mescla de hortelã e cerveja, refrescando minha ruborizada e quente musculatura. – Vá para a cama e tire suas botas. – Sua voz era tensa e severa. Minhas pernas se moveram para frente como se estivessem perfeitamente sincronizadas com suas ordens. Cheguei à cama e tirei as botas. – Dê a volta e me olhe. Fiz o que ele disse, tremendo, em um embriagante coquetel de apreensão e emoção. Romeo ficou apoiado contra a parede, o resplendor da lua mostrava seu lindo rosto, observando minha silhueta, enquanto eu aguardava ansiosamente suas instruções. – Tire o vestido... Lentamente. Levantei o vestido, suavemente, sobre minha cabeça e depois o deixei cair no chão. Estava usando apenas meu sutiã tomara que caia e calcinha de seda, novos. Romeo caminhou decididamente até mim e começou a girar em volta do meu corpo, praticamente nu, com um sorriso satisfeito no rosto. Ele deteve os olhos avaliadores na parte superior do meu quadril e percorreu um dedo ao longo das linhas da minha pequena tatuagem. Seu olhar atordoado encontrou o meu. – Tatuagem? É isso Shakespeare? Você sempre me surpreende. Nunca me permitiu ver isso antes. – Imediatamente, ele caiu de joelhos e estudou a


escrita, com o rosto nivelado com meu estômago, seu hálito quente atingia minha pele, me fazendo suspirar. Romeo acariciou a tatuagem com o dedo e minha ansiedade começou a vir à tona, com a lembrança da origem daquela frase. Minhas pernas cambalearam e minha visão começou a ficar turva. Romeo levantou a mão e segurou a minha firmemente, sem desviar seu olhar da escrita. O pânico imediatamente se foi, apenas com seu toque. – És para mim, como o alimento para a vida, ou a chuva amena para o solo, no tórrido verão. – Murmurou ele, enquanto lia a frase em voz alta e pressionava um beijo em meu quadril saliente. Ele levantou o olhar e perguntou: – O que significa isto, querida? Por que estas palavras têm um lugar preferencial neste lindo corpo? – Toques leves como pluma, continuaram riscando o lugar tatuado. Passei as mãos por seu cabelo e ele segurou minha bunda, firmemente, na dobra do seu braço livre, me segurando perto dele. – É de William Shakespeare, um de seus sonetos de amor, o número setenta e cinco. – Confessei-lhe, lutando para reprimir um gemido, quando seus dedos afundaram na união das minhas coxas. Seus olhos se abriram. – Mas, por que ele é tão importante, para ficar marcado em sua pele, para sempre? Meus olhos se encheram de lágrimas e mordi o lábio, para evitar desmoronar. Seu forte aperto em meus quadris se intensificou e ele lambeu minha pele abaixo do umbigo, até meu sexo. – Diga-me, Mol. Não vou pedir duas vezes. Eu estou com você, não a deixarei entrar em pânico. – É... É apenas uma frase que eu gosto. Isso é tudo. – Respondi evasivamente. Os olhos escuros do Romeo se estreitaram.


– Sei que essa não é a história completa, baby, mas você pode me contá-la mais tarde. – Soltei uma respiração pesada, que nem sequer sabia que estava segurando. Romeo se levantou. Eu engoli com força quando suas mãos tocaram meu ombro e desceram por minhas costas. Meu coração pulsava com força quando alcançou o fecho do meu sutiã. Instintivamente me aproximei dele e agarrei sua camisa xadrez, numa tentativa de manter meus pés estáveis. Senti meu sutiã ser aberto e cair do meu peito, revelando meus seios redondos ao seu olhar aquecido. Desviei meus olhos, para o seu peito, incapaz de suportar o constrangimento por estar nua. As mãos de Romeo pressionaram a pele nua das minhas costas e subiram, quando ele juntou meu cabelo numa mão e puxou minha cabeça, fazendo-me levantar o queixo. Meus olhos estavam fechados, mas mesmo assim, eu podia sentir seu olhar penetrante. – Abra. Neguei com minha cabeça, insegura de poder enfrentar a intensidade que irradiava entre nós, o ar quase rangia, com estática sexual. Ele apertou a mão e a pressão cresceu na parte superior do meu couro cabeludo. – Abra. Os. Olhos. Não vou pedir outra vez. Respirei com calma e levantei minhas pálpebras pesadas. Romeo se inclinou, pressionou um forte beijo em meus lábios e deslizou os dedos ao longo da minha clavícula, até segurar meu seio esquerdo na mão. Deixei escapar um gemido e, sua língua mergulhou na minha boca, em movimentos circulares, enquanto sua palma roçava meu mamilo, uma e outra vez, lançando uma necessidade elétrica ao meu sexo.


Romeo se afastou dos meus lábios, provavelmente inchados, com um suspiro, então ele me pegou nos braços e colocou-me no meio da cama. Escarranchado em cima das minhas coxas, Romeo apertou os picos do meu peito, com seus dedos e quase entrei em erupção com a sensação, minhas costas se arquearam. O corpo grande, musculoso dele pairou sobre mim, enquanto ele se livrava da camisa, arrancando os botões e deixando apenas seu jeans desbotado, que pendia em torno de sua cintura. – Você é linda, baby. E está toda disposta para mim. É toda minha. Eu me contorci quando ele se inclinou sobre mim e tomou minha boca, em uma saudação devastadora. Sua língua parecia um chicote, e aliviava apenas para lamber minha garganta e chupar ao redor do meu peito.

Minhas

costas

se

arqueavam

e

meu

quadril

levantava,

instintivamente, contra o colchão, procurando mais contato, procurando algo que nem eu sabia o que era. Ele colocou a mão dentro da minha calcinha e seus dedos trabalharam furiosamente em meu centro. Agarrei seu cabelo e puxei os fios dourados, precisava dele ainda mais perto de mim. Grunhindo com meu tratamento rude, ele se levantou bruscamente, agarrou minhas pernas e posicionou sua ereção contra o meu centro. Romeo tirou minha calcinha em segundos e eu tremi... De desejo. Eu nunca tinha estado tão à vista e tão aberta e, ele viu a aflição, no meu rosto. Inclinando-se, ele acariciou o cabelo da minha testa. – Vou fazer amor com você, agora. Eu vou mostrar-lhe o que você significa para mim, o quanto te desejo e te provar que você é minha. Está entendendo, baby? – Sim, entendi, Romeo.


Senti seu corpo se arrepiar, ao som das minhas palavras e aproveitei para espalhar beijos por seu peito e pescoço. Ele soltou grunhido e me empurrou para trás, me colocando sobre os travesseiros, com fulgor em seus olhos. Romeo foi até o fim da cama, abriu seus jeans e deixou a calça pesada cair ao chão. Colocou as mãos em sua cueca preta e eu mordi o lábio, enquanto acompanhava seus movimentos. Apreciei a vista de seu delicioso corpo, em toda sua nua perfeição. Senti meu sexo latejar apenas com a visão dele nu. Engatinhando sobre a cama, Romeo posicionou-se contra o meu corpo, com sua grande ereção, descansando, provocadoramente, em minha coxa. Ele colocou uma mão embaixo da minha cabeça e usou a outra para levantar meu joelho e dobrá-lo, seus dedos vagaram até minha boceta, apenas para ter certeza que eu estava preparada. Eu nunca tinha estado tão pronta para algo, em toda minha vida. Romeo se afastou de mim e ele pegou sua calça. – Romeo, o que... – Camisinha. – disse ele, me olhando por cima do ombro. Toquei o braço dele, detendo seu movimento. – Estou tomando pílula. Para controlar a menstruação. – Baby... – Grunhiu. – Por favor... Quero apenas você, nada no meio. Em um segundo, ele estava, novamente, sobre mim, sua expressão era brutal e selvagem. Ele agarrou meu quadril e eu fiquei sem fôlego, quando o senti em minha entrada. Em um momento de ternura, ele me beijou, com


uma delicada carícia. Logo após, pressionando sua testa contra a minha, ele apertou a mandíbula e empurrou para frente, em um movimento rápido. Movi meu corpo debaixo dele, ante a repentina sensação de plenitude, mas o grande corpo do Romeo me manteve no lugar, assegurando-se que não me afastaria. Seus fortes braços estavam um de cada lado, na lateral do meu corpo, descansando contra o colchão, enquanto ele se movia dentro de mim. Arrastei minhas unhas ao longo de suas costas e finquei meus dentes em sua pele exposta, no ombro, para evitar gritar de prazer. – Romeo... Deus... Não posso suportar... É muito... Levantando a cabeça ele roçou um beijo na ponta do meu nariz. – Sim Baby, você pode aguentar. E você vai adorar. Trata-se de nós; assim é como devemos estar, sempre. Ele retirou seu pênis de mim e se deteve, apenas enquanto falava comigo. – Agora vou fazer você gritar meu nome. – Meus olhos arregalaram, em antecipação e Romeo entrou em mim, forte, direto e rude. – Céus isso é incrível! Apertei meus olhos e minhas unhas se enterraram na pele de suas costas. – Romeo! Seus quadris moviam-se para frente e para trás, num movimento rítmico e constante, eu envolvi as pernas se ao redor de sua cintura e entrelacei as mãos em seu pescoço. Ele alcançou minhas mãos e as uniu nas dele, usando a posição para aumentar a velocidade e força, enquanto martelava dentro de mim, roubando meu coração. Gemidos me escapavam, involuntariamente, enquanto uma insuportável pressão crescia na parte inferior das minhas costas.


O peito do Romeo se separou do meu e suas pernas se abriram, para ele ganhar mais tração, me obrigando a também a abrir mais as pernas. – Segure meus braços. – Ele ordenou. Liberando nossas mãos, Romeo se apoderou da cabeceira da cama de madeira e mergulhei meus dedos ao redor de seus amplos bíceps, enquanto ele usava sua força para golpear, ainda mais forte, dentro de mim uma e outra vez. – Você gosta baby? Você gosta assim, forte? – Perguntou. Meus dedos se curvaram. – Sim. Sim... – Labaredas de desejo atingiram ao longo de minha pele e minhas coxas se contraíram. – Deixe vir, Mol. Deixe vir, agora. – Ordenou ele, quando seus dedos ficaram brancos, pela força que ele estava aplicando na cabeceira da cama, a qual danificou a pintura em minha parede. Fechei meus olhos, enquanto meu corpo zumbia, com êxtase e, com um grito, eu gozei. Os fortes grunhidos de Romeo aumentaram, o que me fez abrir os olhos. Ainda bem que o fiz, porque a imagem diante de mim era incrivelmente linda, ele estava com a boca aberta, olhos apertados, pele brilhando e ele gemia... O calor de Romeo se estendeu dentro de mim e seu torso caiu, rudemente, contra meu peito, quando ele também gozou. Nossas respirações estavam rápidas e eu me segurei, firmemente, em seus ombros. Quando ele finalmente se levantou, a tranquila serenidade em seu rosto me deixou sem fôlego, passei a mão sobre sua testa úmida e sorri. – Olá, Mol. – Olá, você.


Fui premiada com um sorriso, um sorriso completo, que me nocauteou, de tão deslumbrante que era. Perguntei-me como era possível que alguém tão lindo e atraente existisse... E me quisesse. Afundando a cabeça em minha garganta, ele começou a mordiscar minha pele úmida. – Você é tudo o que eu pensei que nunca poderia ter. Fazer amor foi... Você sabe... Incrível... – Ele enterrou a cabeça em meu ombro, incapaz de completar a frase. Arqueei meu pescoço, lhe dando acesso completo e acariciei seu cabelo, delicadamente. – Romeo... Foi... Lindo. Seus lábios úmidos se arrastaram por minha garganta, pela minha boca, levemente mordiscando meus lábios e chupando a ponta da minha língua, enquanto ele suavemente saia de mim. Estremeci-me e contive o fôlego. Romeo levantou a cabeça para estudar minha reação. – Dói? Hesitantemente, juntei minhas pernas e estremeci. – Sim. Eu disse a você que não tinha muita experiência com tudo isto. Eu era praticamente virgem. Você definitivamente deixou sua marca! Sorrindo, ele colocou a cabeça em meu estômago, me surpreendendo com seu afeto e, seus dedos deslizaram, lentamente, ao longo da união entre minhas coxas. – Lamento que esteja doendo, baby, mas não vou mentir. Gosto que se sinta completamente fodida por mim.


Revirei os olhos.

– Fico contente que você esteja tão feliz consigo

mesmo. Ele levantou a cabeça, com meu óbvio sarcasmo, entrecerrando os olhos. – Oh, você não tem ideia Shakespeare. Espere até, ver o que tenho mais guardado para você. Estremeci com suas palavras e o brilho, familiar, em sua expressão me disse que ele estava satisfeito, com minha fome recíproca. Depois de uns minutos, Romeo sentou-se ao meu lado, me puxou contra o seu peito e começou a brincar com meu cabelo. – Diga-me algo que você nunca disse a alguém. Eu fiquei tensa e ele entrelaçou sua mão livre na minha, de forma preventiva, já me implorando para falar. – Como o que? Ele deu de ombros. – Tanto faz. Apenas algo que ninguém mais saiba. Algum segredo profundo, ou medo que você tenha. Olhei em seus olhos esperançados e corajosamente decidi fazer o que ele pedia. Compartilharia com ele o que mais me doía. – Sinto tanta solidão, que às vezes penso que isso me matará, literalmente. A devastação envolveu seus traços e ele se virou sobre mim, urgentemente, pressionando sua boca em meus lábios, em minhas bochechas e em minha testa. – Molly, baby, está rompendo meu maldito coração.


Sutilmente limpei uma lágrima. – É verdade e eu nunca disse isso a ninguém, até agora... Até você. Pra mim, é a coisa mais difícil. É incrível o quão alto o silêncio pode gritar com você, sem descanso, lembrando-lhe que está completamente sozinha no mundo. Romeo lambeu o lábio inferior, ansiosamente e, seus olhos começaram a brilhar. – Posso dizer algo? Assenti timidamente. Ele arrastou o dedo por minha bochecha, mas quase

como

se

para

ganhar

força,

em

vez

de

conforto.

Estou

desesperadamente sozinho, também. Não pude evitar. As lágrimas fluíram dos meus olhos e, Romeo escondeu o rosto em meu pescoço, respirando através de nossa dor combinada. Segurando-nos, como se fôssemos o salva-vidas um do outro. Pude provar o sabor do sal, gotejando em meus lábios e depois de vários minutos, Romeo levantou a cabeça e com uma tranquila calma, secou seus próprios olhos. – Não temos que continuar nos sentindo sozinhos, baby. Eu tenho você e você a tem a mim. – Isto é uma loucura, Romeo. Faz muito pouco tempo que nos conhecemos, entretanto, me sinto como se o conhecesse desde sempre. Um sorriso apareceu em seus lábios. –

Somos

uns

desventurados,

Shakespeare.

Fatídicos

amantes

desventurados. Temos toda a vida para chegarmos a conhecer a diferença entre nossos homônimos. Garantirei que tenhamos o nosso "felizes para sempre".


Toquei se rosto e o guiei aos meus lábios. Ele deixou que eu o conduzisse, por um momento, antes de se afastar e provocativamente mover o dedo em frente a meu rosto, assinalando para eu não empurrar seus limites controladores. Com um giro repentino, Romeo deitou de costas e coloquei meu braço em cima de seu estômago, minha cabeça ficou confortavelmente em seu peito. – Mmmm... – Refleti. – O que foi, baby? – Perguntou ele, acariciando meu cabelo. – Estou vendo como é incrível escutar outro batimento cardíaco, além do meu. – Mol... – Shhh... Só que... Deixe–me ouvir. Isso faz com que eu me sinta incrivelmente... Completa. – Suas maravilhosas mãos apertaram minha cabeça, com força, contra seu peito e eu relaxei, ouvindo o ritmo cardíaco induzido por seu coração. Depois de vários minutos de silêncio, Romeo perguntou: – Essa citação em seu quadril me fale sobre ela. – Fiquei tensa e Romeo me segurou com mais força. – Eu estou com você, baby. – Meu... – Falei, com a voz embargada pela emoção. – Meu pai a citou em sua nota de suicídio. Eu costumava dizer isso para mim, todas as noites na hora de dormir e, eu quis deixá-lo gravado, apenas para nunca esquecer. Escutei Romeo suspirar em silêncio, com simpatia, e logo depois ele perguntou: – Você sabe de cor?


Assenti contra sua pele cálida e nua. – Sim. Está verdadeiramente escrito em meu corpo, mas ainda tenho o bilhete. Ele se moveu ligeiramente. – Sério? Apoiei-me

sobre

o

cotovelo,

contemplando

seu

comportamento

nervoso. Pude ver que ele não tinha nem ideia do que dizer em resposta. – Você gostaria de lê-lo? Ele parecia, surpreendentemente, assustado. – Por que você quer que eu leia? – Porque ninguém mais além de minha avó e eu o lemos. Gostaria de compartilhar isso com você. Sinto que quero deixá-lo entrar, mais e mais, a cada dia. Talvez ele possa te ajudar a entender algumas coisas... Sobre mim. – Está bem. – Ele concordou, com os olhos arregalados. Levantei-me lentamente da cama e fui até meu armário. Peguei a caixa de carvalho, antiga, que estava escondida na prateleira de cima e, me virei para Romeo, que estava admirando, descaradamente, a vista do meu corpo nu. Balancei a cabeça e ri. – Você é incorrigível. – Apenas para que você saiba. Vou fazer amor com você, novamente, esta noite. Estou viciado em Shakespeare. Totalmente viciado. Os tremores habituais no meu estômago apareceram e tentei meu melhor para caminhar decentemente de volta para ele. Enrolei-me em seu calor corporal, abri a caixa e tirei a desgastada, peça amarelada de papel, protegida por um plástico e, com mãos tremulas, o entreguei a Romeo, que começou a lê-la, para si mesmo.


O silêncio reinou fortemente e decidi lhe dar um pouco de espaço. Saí da cama, vesti meu robe de seda, recém–adquirido, até o joelho e fui até a sacada, onde inalei ar fresco, enquanto as árvores ao redor, se agitavam levemente com a brisa da noite. Não importa onde eu estivesse, ler a carta sempre doía e não pude deixar de recitar cada palavra, na minha cabeça: Minha pequena Molly-pops, Esta é a carta mais difícil que tive que escrever. Primeiro, quero que saiba que a amei mais do que qualquer pai já amou sua pequena menina. Você é a luz de meus olhos e, a melhor coisa que fiz, em toda minha vida. Sei que isto é muito, para que entenda agora, mas o fará, com o tempo. Quero explicar por que a deixei e quero que você saiba que não foi porque você fez algo de errado. Amei muitas pessoas em minha vida, mas a maneira que amei sua mãe é além de algo que eu possa explicar. O dia que você nasceu foi o mais triste e o mais feliz da minha vida. O mais feliz, porque a tive, mas o mais triste, por que perdi à outra metade da minha alma. Eu estava destroçado, Molly e ninguém, exceto Deus poderia me consertar. Um dia, minha doce menina, algum homem de sorte aparecerá e te ajudará a entender o significado do amor. Você vai se apaixonar e verá o que é deixar seu coração aos cuidados de alguém e voluntariamente o oferecerá sua alma e, ele a terá, completamente. Assegure-se que ele mereça o tesouro que é seu coração e faça tudo o que puder para proteger o que têm, juntos. No futuro, quando for maior e mais sábia, poderá olhar para trás, para minha partida e, ter perguntas, inseguranças, poderá me culpar por abandoná-la em uma idade tão jovem, mais infelizmente,


para isso, não posso oferecer nada que lhe dê paz. As pessoas podem dizer que fui egoísta por deixá-la para trás, mas acredito que eu seria mais egoísta em deixá-la viver com um meio pai. Desde que sua mãe morreu, vivi uma triste e solitária vida, você e a avó foram à única luz em minha escuridão. Quero que saiba que estou em paz agora e no lugar mais feliz que posso imaginar, nos braços de sua mãe, para toda a eternidade. Viva a vida ao máximo, minha querida menina, e um dia quando Deus assim desejar, estarei esperando-a nas portas do paraíso, para que uma vez mais salte em meus braços, para eu girá-la ao redor; dizer quão bonita é, e lhe apresentar sua mãe... Que se parece tanto com você. "És para mim, como o alimento para a vida, ou a chuva amena para o solo, no tórrido verão”. William Shakespeare. Amo você. Papai x Sabia que Romeo tinha terminado a carta quando o senti o calor de seu corpo, atrás de mim, ultrapassando a barreira fina da seda. Colocando beijos suaves em minha nuca, ele cuidadosamente me girou em seus braços e silenciosamente me pegou em seus braços. Sua expressão era ilegível, quando envolvi meus braços ao redor de seu pescoço, sustentando fortemente nossa nova e profunda intimidade. Sem palavras Romeo me colocou em cima de uma mesa branca, no canto da sacada e desfez o laço do meu robe; o material se abriu, expondo meu corpo. Ele se abaixou e seus suaves beijos tocaram do meu tornozelo até minha coxa, antes dele envolvê-las frouxamente ao redor de sua cintura. Pairando sobre mim, Romeo me puxou para frente, demasiadamente lento e, fez amor comigo. Ele movia-se dentro de mim, gentilmente. Com nossos


corpos

colados

e

mãos

entrelaçadas,

nós

dois

gozamos,

enquanto

suspirávamos silenciosamente na calmaria da noite. Carinhosamente, Romeo acariciou minha bochecha, com as costas dos dedos. – Obrigado por me mostrar a carta, baby. Obrigado por me confiar seu passado. Após beijar minhas três sardas favoritas na ponta de seu nariz e a pequena cicatriz branca em seu queixo, eu falei: – Leve–me para a cama, Romeo. Fazendo o que pedi, ele me pegou nos braços, novamente e colocou-me debaixo dos cobertores, como se eu não pesasse mais que uma pluma, depois ele se deitou ao meu lado, aconchegou-me em seu peito e caímos em um feliz e satisfeito sono. Naquele apaixonada.

momento

eu

estava

completa

e

irremediavelmente


Salvei as alterações finais no meu arquivo do Word com um animado clique no botão esquerdo do mouse. Tinha finalmente acabado a última parte da pesquisa para o artigo da professora Ross. Estava feliz, pois tinha concluído mais uma etapa. Agora eu poderia passar meu tempo livre com Romeo e não acorrentada à mesa da biblioteca. Sentei-me na cadeira da minha sacada, para fazer uma pausa, muito necessária e respirei o ar úmido da Tuscaloosa, quando ouvi um som delator na grade. Romeo apareceu no parapeito da varanda, com uma expressão taciturna, logo me senti triste, por ele. Ele caminhou direto para mim e tomando meu rosto entre suas mãos, roubou-me um comprido e sensual beijo. Enquanto rompia o beijo, vi que seus olhos ardiam. Eu estava sem fôlego, mas ele simplesmente sentou-se na cadeira branca livre e sorriu, de maneira forçada. – Ainda trabalhando duro, pelo visto. – Sim, a professora Ross me disse, esta manhã, que temos uma longa pausa antes de apresentar nosso trabalho em Oxford. Vamos daqui a dois meses. É uma corrida contra o relógio a partir de agora, até que tudo fique terminado. Pelo menos terminei minha parte. Romeo se inclinou para frente, em seu assento, com a boca tensa. – Você vai à Inglaterra daqui uns meses? Sabe isso desde quando? Apertei minha caneta entre os dedos e o olhei nos olhos, com cautela.


– Desde Sempre. Vou assistir a apresentação. Isso vai me ajudar muito, na hora de escolher onde tentarei fazer o meu

16PHD11.

Caso o

trabalho seja bem recebido poderei escolher, onde farei o Doutorado. – Inclinei a cabeça quando perguntei: – Por quê? Ele bateu as costas na cadeira. – Não quero que me deixe. Sentirei muitas saudades, além disso, o final do campeonato é mais ou menos daqui a dois meses. Eu preciso de você na arquibancada, me vendo jogar. Você tem que estar lá, para eu ir bem... O beijo de boa sorte se lembra? Não vai querer que milhares de torcedores do Mad Tide se zanguem com você não é. Movi minha cabeça com exasperação e levantei para sentar em seu colo, ele envolveu os braços, fortemente, ao redor de minha cintura, roçando o nariz em minha mandíbula. – Voltarei a tempo. Nunca perderia a final do campeonato, se os Tide chegarem a isso. Não posso me interpor entre as pessoas do Bama17 e seu futebol não é certo? Ele beliscou meu traseiro. – Oh! Chegaremos lá, baby. Não há dúvida a respeito disso e você estará sentada nos degraus, me apoiando e gritando meu nome... Antes, durante e depois da partida. Abaixei a cabeça e beijei seus lábios macios, entre risadas. Quando me endireitei ele voltou a adquirir uma expressão taciturna. Acariciei seu rosto sem barbear. – O que está errado? 16

11 PhD: Doutorado em Filosofia

17

Bama: Faz referência à forma em que as pessoas de Alabama falam o nome de sua cidade.


Ele suspirou profundamente e pediu: – Adivinhe... – Seus pais? – Bingo! – E agora o que foi? – Perguntei, temendo a resposta. – Querem conhecê-la. Convidaram-nos para jantar, amanhã à noite. Aparentemente estão reconsiderando suas táticas. Recuei, em estado de choque. – Sério? Nunca pensei que queriam me conhecer... Jamais. – Eu tampouco. Afastei-me dele, mediante seu tom abrupto e indignado. – Ouça! Não é minha intenção ferir seus sentimentos, mas eles não estão contentes conosco, Mol. Não há nada estranho em ficarmos surpresos e preocupados. Aconcheguei-me ao seu peito novamente. – Sei... – Vou lhes dizer que não. Levantei e percebi que estava tremendo. – Não! De jeito nenhum. Mostraremos a eles o quão bem estamos juntos. Ver-nos juntos, talvez os ajude a compreender. Ele deu-me um olhar de incredulidade total. – Não vão entender e não quero que a ataquem. Enfrentei isso durante anos, não vou vê-los tratá-la da mesma forma. Viu meu pai em ação. Ele não tolera a desobediência. Minha mãe é vingativa e cruel. Por que quereria conhecer, oficialmente, umas pessoas como estas?


– Porque quero fechar esta lacuna entre vocês, pelo seu bem. – Sua expressão se suavizou e ele beijou o dorso da minha mão. Tirei o cabelo do seu rosto. – Alguma vez me contará a verdadeira história entre seus pais e você? Com suas imperfeições e tudo? Ele puxou a cabeça para trás e me olhou, resmungando. – Não vamos por esse caminho. Estou terrivelmente decepcionado com eles. Os mínimos detalhes, não importam. – Você sabe tudo sobre mim... Meu pai, minha vida. Deixe-me conhecê-lo. – Protestei. Ele acariciou meu braços e colocou a cabeça no meu ombro. – Eu sei. Mas... Apenas deixe isso de fora. Por favor. Deixei de insistir, quando ele me olhou e percebi que seus olhos estavam nublados. Ele suspirou longamente antes de voltar a falar. – Ultimamente eles estão piores. Tem alguma coisa acontecendo, mas não tenho ideia do que é. Sempre me pressionaram para me casar com Shelly, de todas as formas que puderam, mas agora, é como se eles estivessem mais desesperados que nunca, para que esse casamento aconteça. Até hoje meu pai nunca tinha se mostrado tão insistente. Definitivamente tem algo acontecendo. Simplesmente não consigo descobrir o que é. Eles começaram a me ligar durante vinte e quatro horas os sete dias da semana. – Ele enrugou a testa, absorto em seus pensamentos. – Quero ir. Ele gemeu, dramaticamente. – Vai ser um inferno, não se dá conta disso? Conscientemente, não posso colocar você nessa situação. Sei que não


falo muito do meu passado, mas eles não são boas pessoas, Mol. Conheço-os muito bem. Sou produto deles, apesar de tudo. – Nunca mais volte a falar assim. Você não é abusivo ou cruel. É amável e incrivelmente cuidadoso, principalmente comigo. Ligue para eles e diga que aceitamos o convite. Ele se levantou, me envolvendo em seus braços e me levou até a cama, colocando-me no meio dela, depois tirou sua camiseta cinza, sem mangas. – Iremos, mas você precisa se despir e me mostrar o porquê eu conscientemente deixaria você entrar na toca do leão. – Eu ia me despir para você a qualquer momento e de boa vontade, estava apenas procurando uma desculpa. – Sua calça jeans caiu no chão e eu suspirei, ruidosamente, deleitando-me com seu delicioso corpo nu. – Não está nua, Shakespeare. Dispa-se ou lamentará. – Ele ameaçou. Segui as instruções, tirei o vestido por cima da cabeça e em seguida senti a boca dele se fechar sobre meu seio. – Iremos, mas cancele suas atividades, pelo resto do dia. Precisarei de uma grande quantidade de persuasão para me convencer de que isto não é um maldito desastre a ponto de acontecer... Talvez eu precise da noite e da manhã seguinte também. Duas horas depois, quando Romeo foi para o treino, o qual ele não queria ir e eu praticamente o obriguei, bati na porta da Ally. – Sim? – Ally, sou eu, posso entrar? A porta abriu, revelando o belo rosto de Ally e, na sua cama estavam Cass e Léxis. Balançando a mão, enquanto entrava.


– Ouça! O que é tudo isto? Por que não fui convidada? – Perguntei, em tom de brincadeira, mas um pouco a séria. Nosso quarteto era quase inseparável, eu adorava ter tão boas amigas agora. Reais e autênticas amigas, mas estava um pouco ofendida por terem me excluído desta reunião. Cass se ajoelhou na cama e ficou escarranchada sobre a almofada, jogou a cabeça para trás e começou a balançar os quadris. – Ahhh...! Romeo... Agh...! Porra...! Eu... Eu... ROMEO! Léxis correu e se posicionou atrás dela, batendo-a na bunda, e empurrando para frente, imitando a posição de cachorrinho. –Você gosta Mol? Diga-me que você gosta! – Merda... SIM! – Gritou Léxis. Coloquei minhas mãos no rosto para esconder minha mortificação absoluta e, elas caíram deitadas na cama, em um ataque de risadas. Cass falou primeiro. – Batemos na sua porta, querida, mas depois dos grunhidos que ouvimos de vocês, pensamos que devíamos deixá-los em paz. Porra, parecia um puto sexo quente! Ally pôs seus braços ao redor do meu pescoço e beijou minha cabeça. – Esqueça essas duas, mas só para que saiba, as paredes deste lugar são realmente finas e apesar de eu ser sua amiga, Romeo é meu primo e não quero voltar a escutá-lo fazer esse tipo de coisas! Léxis teve outro ataque de riso, rolando sobre a cama e segurando o estômago. Pensei em sair correndo. Quando me virei para a porta, Cass pulou da cama, jogou-me sobre o ombro e me deixou cair sobre muitas almofadas na cama.


– Estamos brincando com você, Mol. Todas nós estamos tendo sexo... Mas parece que você está tendo ainda mais que nós. – Ela piscou os olhos e colocou o dedo na boca, imitando uma pose sexy. – Por favor, podemos não falar disto? – Sussurrei, enquanto mordia o lábio até o ponto de saborear o sangue. – Deixem a menina em paz, garotas. – Ally se sentou aos pés da cama. Cass e Léxis se atiraram ao meu lado. – O que há de novo, ninfomaníaca? – Cass perguntou e estalou cadenciadamente, a língua entre os dentes. E não pude deixar de sorrir. Dei um tapa no braço dela e me virei para Ally. – Os pais do Romeo nos convidaram para jantar, amanhã. Querem me conhecer... Oficialmente. Ally esfregou a testa, com cara de desolação total. – Merda! Não era a reação que eu queria. – Romeo não quer que eu vá, mas acredito que devemos ir, você não acha? Pode melhorar a relação entre nós. – Não acredito nisso. – Enfatizou ela. – Mol, eles não são boa gente, viu um pouco do que são capazes. Faça um favor para si mesma e retroceda. Não vá. Seja feliz com Romeo, sem a interferência deles. – Jimmy-Dom, me disse que eles são dois desalmados e malditos. Romeo e você estão bem. Não arruíne isso. – Disse Cass, com uma expressão séria e batendo suavemente na minha mão. – Terei que conhecê-los algum dia. Por que não agora?


Ally desceu da cama e começou a caminhar de um lado ao outro. – Porque os convidou a irem lá, e farão de tudo para que você saia correndo. – Ela aproximou-se de mim. – O que eu vou dizer vai ficar dentro desse quarto, certo? – Ally olhou fixamente para Cass e Léxis e, elas assentiram, em acordo. Ela apertou a têmpora e seu rosto se transformou com uma expressão de profunda angústia. – Eu nunca quis que você soubesse disso por mim. Acho que não devo ser a pessoa a lhe dizer isso, mas sinto que posso ajudá-la a decidir o que é melhor para você, quando se trata de conhecer os famosos magnatas Prince. Respirei fundo. – Sabe? Jamais conheci uns pais que pudessem odiar seus filhos. Os pais são feitos para idolatrar os filhos, mas os pais de Romeo não são assim. Eles o odeiam, furiosamente. Ele nunca faz nada bom, aos olhos deles. – Quando era pequeno, se ele fizesse algo tolo, como sujar a roupa, ou algo que os desgostasse de alguma estúpida maneira, seu pai ficava completamente louco com ele, batia-o com um cinturão e o mandava para o quarto, de castigo. Batiam nele. Muito. Era castigado durante semanas e semanas... Era um pequeno menino isolado. E sempre diziam que não gostavam dele, até que ele pareceu ficar entorpecido e cada vez mais introvertido. Meu pai nunca se perdoou pelo que Romeo teve que passar. Nenhum de nós sabe o quão longe isso foi. – Meus pais e eu nos mudamos para Birmingham, quando eu era muito pequena, portanto só o víamos ocasionalmente, mas em cada visita ele parecia pior. De toda forma, isso durou até pouco antes dele entrar na Universidade. Mas eles ainda mantêm as garras sobre ele. Ele não consegue se liberar. Ele teve uma vida difícil e, se ele não se casar com a maldita Shally Blair... Bom, é isso. – Ela se interrompeu com os olhos marejados.


Retomando a compostura, ela segurou minha mão e rogou. – Você, Molly Shakespeare, é uma grande pedra no caminho deles. Este jantar, garanto a você, não é para conhecê–la. Se eu estiver certa, é uma forma de tirar você da vida deles... Permanentemente. São ruins, más pessoas. Não vá, prometa-me isso. Não deixe Romeo passar por isso. Ele precisa de você, mais do que você parece perceber. Respirei profundamente, refletindo. Flashes de seu pai, lhe batendo duramente no rosto, dançava em minha cabeça e as palavras de Ally flutuavam dentro de mim. Tentei abandonar esses pensamentos. Talvez os pais de Romeo entendessem que queremos ficar juntos e isso tornaria a vida dele melhor. Eu tentaria isso, por ele. Inalei forte e me dirigi a Ally. – Eles não vão me assustar. Cass golpeou minhas costas, em apoio. – Muito bem, garota! Dê umas porradas, nesses bastardos ricos do caralho. Ally me olhou séria, ignorando Cass. – Espero que esteja certa disso, porque sei que mataria Romeo perder você, garota. – Ele não me perderá, ele significa muito para mim. Com o lábio tremendo, Ally disse: – Molly, por favor... Não vá. Eu estou te implorando. – Não! Tenho que ir. Tenho que tentar... Por ele. Para que eles, finalmente, possam deixar toda essa merda com a Shelly para trás e, nos deixar ficar juntos e em paz. Eles são como uma nuvem negra, constante sobre nossas cabeças, esperando para nos golpear. Sei que Romeo pensa nisso constantemente... Isto tem que acabar. – Gritei. Ela assentiu passivamente, abriu seu armário e começou a escavar em uma grande quantidade de vestidos de grife.


– Bom, se insisti em passar por este campo minado, devemos nos assegurar, pelo menos, de que se vista adequadamente. Daremos a eles a menor munição possível, contra você.


Romeo não disse nenhuma palavra, desde que entrei no carro. Estava assustadoramente silencioso, durante todo o trajeto até a casa de seus pais. Movendo-me no banco, deixei minha perna descansar sobre ele e apoiei minha cabeça em seu ombro, enquanto olhava, fixamente, seu rosto sombrio. Ele me deu um triste sorriso e um beijo em meu cabelo, enquanto agarrou, firmemente, minha coxa nua. Ally e as meninas tinham me ajudado com a roupa e maquiagem. Estava usando um vestido Valentino, preto, com manga três quartos, preto, acima do joelho e sapatos de saltos, também preto. Meu cabelo escuro estava encaracolado e solto com apenas umas presilhas na lateral, para completar eu estava usando brincos de diamante. Romeo usava calça preta e camisa branca, botão. Eu nunca o tinha visto tão formal e ele parecia tão incômodo quanto eu me sentia. – Quero que me escute, certo? – Ele falou, enfaticamente. Concordei e dei-lhe toda minha atenção. –

Eles provavelmente se meterão com tudo o que

puderem,

violentamente. Não se deixe afetar pelo que eles disserem. Eu vou protegê-la. Caso você precise ir embora, por qualquer razão, iremos, sem hesitar. Mas me prometa que não permitirá que firam seus sentimentos. – Sua voz tinha uma nota de desespero e seus olhos nublaram, com uma emoção indescritível e desconhecida. – Eu prometo. – Então por que tenho a sensação que estou a ponto de lhe perder? – Eu não podia suportar aquele olhar triste.


– Pare com isso. Romeo não hesitou em frear e as rodas derraparam sobre o cascalho grosso quando parou, abruptamente, no canto da estrada. Movi-me até ficar escarranchada sobre seu colo e penteei seu espesso cabelo loiro com meus dedos. – Não me perderá. Ele não parecia convencido. – Não posso te perder, Mol. Você significa muito para mim. Sabia? Percebe o que sinto por você? O quanto preciso de você? Pois é exatamente assim. Sei que não falo muito sobre os meus sentimentos, mas... Mas... Eu... Eu... – Shh...

Não precisa fazer isto. – O amor me golpeou como um

meteorito se espalhando na superfície da terra e tive que morder o lábio para evitar vacilar em seus braços. Seus olhos tinham uma tristeza sufocante, que pareceu envolver a caminhonete. – Romeo, você me deu uma razão para ser feliz. Não estive feliz, em um longo tempo. Devolveu-me à vida. Sabia? – Eles não são boas pessoas, baby. Sei que você não acredita em mim, mas esta noite é muito possível que não se trate de outra coisa senão afirmar o poder deles sobre mim. Sempre se trata disso. – A cabeça dele, caiu em meu peito. – Eles nunca vão me deixar ir, nunca vão me deixar ser feliz com você. Eles vão fazer alguma coisa; sempre fazem algo para arruinar minha vida. – Seu corpo estremeceu e tentou me tirar de seu colo. – Vamos para casa. Não precisamos fazer essa merda. Descansei minhas mãos em seus ombros e apertei, com toda a minha força. – Vamos fazer exatamente o que viemos fazer. Romeo envolveu os braços ao redor de minha cintura e ficamos em silêncio, abraçados, tranquilos e acalmando nossos frenéticos nervos. Finalmente, ele levantou a cabeça e colocou sua pétrea e arrogante fachada,


que quase escondeu, com êxito, o menino perdido, em ebulição, sob aquela superfície linda e forte. Quase. Inclinei-me para frente, beijei-o docemente e me deleitei no aroma que desprendia dele. Com um abraço final, voltei ao meu banco, suspirando, e Romeo ligou o motor. Ele voltou a dirigir pela tranquila estrada rural e eu ri, sem humor. – O que? – Perguntou ele, rigidamente. – Sou a ingênua Julieta Capuleto, arriscando tudo para jantar com o Montecchio. – Ele levantou o olhar e fez um gesto de desespero. – Julieta não foi tão tola, para correr esse risco. Apenas escaparam e se casaram... O que foi um excelente plano. – Mas em minha versão, Julieta decidiu que esta reunião com seu inimigo mortal ajudará vossa causa. – Logo veremos se está certa, mas quero salientar desde agora que esta parece ser uma ideia estúpida. Odiava vê-lo tão apreensivo. Ele limpou a garganta. – Entretanto, uma coisa é indiscutivelmente a mesma. – E o que seria? – O que eu sinto por você é o mesmo que Montecchio sentia pela Julieta. – Ele entrelaçou os dedos nos meus. – Eu daria tudo por você, também. Apoiei a cabeça em seu ombro, enquanto olhava através do para-brisa, como o sol descia sob o céu. Respirei profundamente e sorri satisfeita. Nada do que seus pais pudessem dizer ou fazer me afugentaria. Nada.


Romeo e eu subimos os degraus da enorme casa, com colunas brancas. Nossas mãos permaneciam entrelaçadas. A minha tremia, mas ele não disse nada. Apenas manteve seu aperto. Chegamos à porta e ele se virou para mim. – Em primeiro lugar, você está linda, querida. – Obrigada. – Em segundo lugar, lembre-se o que eu disse. Não deixe que eles a machuquem. Não importa o quê digam ou façam. Fiz uma cruz sobre meu coração, com o dedo e justamente quando ele ia tocar a companhia, abriram a porta, aparecendo uma ultra glamorosa Romeo, sua mãe, na casa dos cinquenta e tantos anos, sacudindo seu cabelo loiro, e usando uma jaqueta vermelha e extravagante colar de pérolas. Ela estava com um copo de uísque, extragrande e o forte cheiro, quase me fez vomitar. O Sr. Prince se virou e foi para algum lugar. Seus lábios, vermelhos rubi, se curvaram em uma cruel careta, enquanto ela olhava Romeo, fixamente e, ignorava completamente minha presença. – Você está atrasado. – Mãe. É sempre um prazer. A senhora Prince fez outra careta, ela era boa nisso. – É uma vergonha que eu não possa dizer o mesmo sobre você.


Ela deu a volta e, obviamente muito bêbada, tropeçou nos pés instáveis, na entrada em forma de arco, a sua esquerda. Romeo respirou devagar e fechou os olhos. Eu poderia dizer que este tipo de comportamento não era novidade para ele. Sua reação dizia tudo. Quando ele me olhou, eu sorri, para tranquilizá-lo, mas não pude evitar ranger os dentes. Estava furiosa. Seguimos na direção a mãe dele e quando nos viramos para um enorme salão, decorado em branco e negro, o Sr. Prince encontrava-se de pé, junto às brasas de uma grande lareira. Obviamente nos esperando, ele vestia um terno cinza, que se ajustava a ele perfeitamente. Senti-me imediatamente incômoda, na companhia dele. A senhora Prince se uniu a seu marido e o pai do Romeo se endireitou, colocando as mãos nos bolsos, quase zombeteiro. Não houve nenhuma saudação, nenhum abraço caloroso, apenas uma frieza que me fez "tremer", da cabeça aos pés. O Sr. Prince moveu o queixo em direção a Romeo. – Deixou-nos esperando, quando o convidamos para jantar. Isso não é aceitável. Romeo se moveu, incômodo. – Pensei que daria tempo de ir ao treino. Mas não funcionou. Voltei aqui assim que pude. O Sr. Prince parecia ofendido. – Bem, sorte nossa. – Ele falou com sarcasmo. – Não sei por que continua perdendo seu tempo com todas essas tolices de futebol. Ambos sabemos que você não vai continuar com isso. Meus olhos se fixaram em Romeo, pela informação surpresa, mas o endurecimento de sua mandíbula e sua falta de resposta, foram os únicos indícios que as palavras de seu pai, o tinha impactado, de algum jeito.


A Sra. Prince fez soar uma campainha, antes que Romeo pudesse responder e, gesticulou para o luxuoso sofá de cor bronze. – Por que não nos sentamos, todos? – Disse ela, arrastando as palavras. Romeo e eu nos sentamos, inexpressivamente, no sofá, a mão dele agarrava a minha com força, negando-se a me soltar. Uns minutos mais tarde, uma empregada, usando um uniforme monocromático em branco e preto, caminhou para dentro do salão. – Bollinger18 para os quatro. Ordenou a Sra. Prince, com um olhar afiado a sua demanda. A empregada curvou-se e saiu da sala. O Sr. e Sra. Prince se sentaram em outro sofá, de frente para nós. – Então, Molly, certo? – A Sra. Prince perguntou, sem rodeios. Assenti. –Sim. Seu lábio superior se enrugou com o que parecia outra careta. – O que a trouxe ao Alabama? – Bem, a princípio vim terminar meu mestrado, na Universidade. – E como conheceu Romeo? Virei-me para Romeo e sorri. Ele me lançou um olhar, do canto do olho e apertou minha mão. – Nos conhecemos no primeiro dia de aula.

18

13 Bollinger: É uma marca de champanha francês.


Romeo sorriu e se inclinou para frente, pressionando um beijo suave na minha cabeça. – Porra, o melhor dia da minha vida. – Bom, isso não é... Doce? – Disse a Sra. Prince, destilando hipocrisia em cada palavra. Romeo e eu rompemos nosso olhar e voltamos nossa atenção para os pais dele, cujos respectivos cenhos franzidos mostravam que eles não estavam impressionados, com nossa pequena amostra de afeto. A empregada voltou ao salão, rompendo o incômodo momento, trazendo nossas bebidas e entregando a cada um de nós uma taça. Tomei um gole rapidamente, quando percebi que não haveria brinde e a Sra. Prince terminou sua taça em um único e comprido gole, voltando a encher a taça com uísque escocês, da grande garrafa na mesa, diante dela. – Então Molly, suponho que é consciente dos planos do Romeo para depois da universidade, certo? – Perguntou a Sra. Prince. – Com o futebol? – Respondi ligeiramente confusa pelo tom estranho em sua voz. Os pais do Romeo riram, alto e adotaram uma expressão condescendente. – Absolutamente não! Estamos falando do dever dele em assumir os negócios da família. – Arremeteu o Sr. Prince, com frieza. – Papai! – Falou Romeo. – Ela precisa saber Romeo. – Continuou ele com um sorriso zombador. Pude ver que tramava algo. – Precisa saber que não terá tempo para continuar seu estilo de vida, como jogador. – Deixe-a fora disso! – Romeo falou, desta vez com muito mais força. – Não continuarei discutindo isto com você esta noite.


O rosto do Sr. Prince ficou vermelho, pela reprimenda de Romeo e a tensão tornou-se sufocante, quando pai e filho ficaram se olhando, fixamente. Limpei minha garganta. – Posso usar seu banheiro, por favor? Precisava de um pouco de espaço, precisava de um momento para me tranquilizar e me preparar para o resto da noite. Romeo me observou, com um olhar de preocupado, só assim rompendo o olhar com seu pai. – Vou lhe mostrar onde fica, querida. Levantamos e fomos saímos do salão, sem olhar para trás e deixando seus pais murmurando um com o outro, no sofá. Quando entramos no amplo corredor, congelei. – Incrível! – Cuspiu Romeo, parecendo bufar. Shelly estava chegando, usando um apertado vestido preto, saltos vertiginosamente altos e um ardiloso sorriso no rosto. Romeo respirou pesadamente. – Que demônios você está fazendo aqui? Shelly deu um pequeno giro e parou diante de nós. – Romeo, querido. Sua mãe me convidou para vê-lo esta noite. Meu estômago se encolheu e a decepção se apoderou de mim. Eles estavam brincando comigo, era tudo um jogo, uma cilada. Como Romeo previu. Assistimos Shelly passear pelo salão e receber uma acolhedora boas vindas dos Princes e, rapidamente os três voltaram a atenção para nós. A mãe de Romeo estava de pé, orgulhosamente, atrás de Shelly com um sorriso cruel no rosto excessivamente maquiado, todos os falsos elogios tinham desaparecido.


Romeo deu um passo adiante, com todos os músculos tensionados, sob sua camisa. – Como se atreve a nos fazer isto?! – Fazer o que? Shelly é da família e Molly precisava saber de algumas coisas que podem afetar sua pequena... Relação. – Disse o Sr. Prince, com a voz tranquila. Romeo retrocedeu. – Não comece com esta merda de novo e trate Molly com um pouco de respeito! O Sr. Prince exagerou uma régia reverência para mim, com um sorriso zombador em seus lábios. – Vossa Majestade, como está à rainha? – Shelly e a mãe do Romeo riram e meu couro cabeludo começou a formigar, pela humilhação. – Nos convidou para jantar para conhecê-la, por quê? – A dor envolvia cada nota na voz do Romeo. – Era tudo mentira? Seu plano era atacá-la, assim que ela atravessasse a maldita porta? O Sr. Prince grunhiu. – Por que iríamos querer ver uma puta caçadora de fortunas e entretê-la durante o jantar? Ela provavelmente briga para utilizar os talheres, de tão pobre que é. Shel nos contou muitas coisas sobre sua namorada. Não retrocedi e tentei não parecer afetada. Mas não tinha certeza se estava funcionando. O Sr. Prince riu do meu silêncio. – Esta noite é uma intervenção. Tínhamos que conseguir que trouxesse sua nova guloseima, de alguma forma, até nós, um convite para jantar pareceu o melhor. Assim, agora que está aqui e temos sua atenção, você vai fazer o que eu digo e acabar com essa farsa. Envie sua vagabunda britânica de volta para onde ela veio e de preferência para o outro lado do Atlântico.


Romeo deu um passo para frente. – Você nos convidou aqui para nos separar? Cristo, isto é excessivo, inclusive para você! A mãe dele riu e sua bebida completamente cheia, salpicou sobre a borda do copo. – Molly precisa saber que seu plano não vai funcionar. – Ela encontrou meu olhar. – Deixe-o em paz. Não tem nem ideia de onde está se metendo não é? Shelly está comprometida com Romeo e ninguém conseguirá impedir o casamento deles. É um acordo de anos. – Seu olhar frio era mais que assustador. – Sempre consigo o que quero querido. Simplesmente lembre-se disso. – Não estou comprometido com ela e nunca estarei! Coloquem a fortuna de vocês onde bem entenderem; não quero nada que tenha a ver com ela! Romeo agarrou minha mão e me puxou em direção a porta. Observei que sua mãe, furiosa, vinha atrás de nós e quando Romeo se virou para ver o que tinha chamado minha atenção, ela levantou a mão e lhe deu um tapa no rosto. O barulho do contato de pele com pele, me deu vontade gritar e cobrir a boca. – Você, é um menino insolente! Atreve-se a falar assim conosco depois de tudo que lhe demos? Você é a pior coisa que já aconteceu nesta família, pedaço de merda ingrato! Nunca fez nada direito! Sempre arruinou as coisas e esta é a pior coisa que você trouxe até nós, até hoje. – Ela gritou, apontando o dedo para o meu rosto . – Retire o que disse. – Romeo falou através dos dentes apertados, enquanto entrava na minha frente e me protegia, com seu corpo. A Sra. Prince levou as cuidadas unhas vermelhas à boca e aspirou. – Ou o que, Romeo? Vai bater em sua mamãe? Vai espancar uma mulher?


– Basta! – O pai de Romeo gritou bruscamente, impondo silêncio. Ele caminhou para frente e colocou a mão no colarinho da camisa de Romeo, puxando-o para perto. Romeo permitiu que ele fizesse isso e adotou um olhar vazio. – Fale outra vez assim com sua mãe e acabarei com você. Não vou discutir mais este assunto. Esqueça essa maldita garota e enfrente o que está acontecendo. Seu maldito propósito nesta vida é fazer o que falamos e cumprir com seu dever como um Prince! Assim faça-o! E deixe de ser um idiota teimoso! – A voz do home era profunda e sinistra, exigindo obediência absoluta de Romeo. O pai dele o jogou para mim e tive que me segurar, para que ambos não caíssemos no chão. Romeo se endireitou e pôs as mãos em meu rosto, comprovando que eu estava bem. E eu não estava. Não acredito que alguém estivesse bem depois de ser atacado de uma maneira tão desagradável. Ele viu minha dor refletida nos meus olhos e com um gemido, envolveu-me firmemente em um abraço. Ele parecia seriamente ferido e preocupado. E enfrentou os pais. – Estou cansado de todos vocês. Escolho a Molly. – Prefiro não estar nessa merda de vida que vocês vivem. Jesus Cristo! O que mais vocês podem fazer para mim? Vocês são as piores pessoas que eu já conheci. Sou seu único filho e vocês não me suportam. – Ele deu alguns passos para frente, implorando a seus pais que escutassem. – Alguma vez já me quiseram? Alguma vez na vida sentiram algo por mim? O Sr. e a Sra. Prince se entreolharam e caíram na risada que ecoou pelo cômodo. Eu estava convencida que eu simplesmente tinha presenciado a personificação da maldade.


Seu pai se adiantou. – Como alguém pode amar você? Como pode alguém amar a uma pedra em seu sapato? Você é uma grande decepção. Mas cumprirá com seu dever para com esta família, custe o que custar. Encontraremos uma maneira de fazer você ver a razão, grave minhas palavras. Shelly se encolheu no sofá, incapaz de esconder seu desconforto com toda a cena. Ao menos, ela não parecia tão vingativa quanto os pais dele e sim um peão desorientado, no esquema daqueles loucos Romeo apertou minha mão e eu quase gritei, com o aperto de seus dedos ao redor de meus. – Vamos. A maior decepção de sua vida está indo. Para sempre. Romeo me puxou contra ele, me arrisquei olhar por cima do ombro e vi a raiva desenfreada nas faces de seus pais. – Volte aqui, menino! Isto não terminou! – Gritou Sr. Prince. Romeo não parou e tive a sensação que tínhamos avivado uma chama muito perigosa. Passamos depressa pelas portas e Romeo me levou até a caminhonete. Ele abriu a porta e praticamente me jogou dentro dela, então deu a volta, pulou ao meu lado e acelerou em direção a estrada. Senti um líquido gotejar sobre minhas mãos, que estavam no meu colo e quando levantei a mão tremula, encontrei lágrimas, mescladas com rímel preto que derramavam dos meus olhos, de forma incontrolável. Romeo irradiava tensão. Ele nem se quer me olhou, nenhuma vez, assim, lentamente, me afundei no suave couro negro, enquanto o desespero tomava conta. – Romeo... – Sussurrei.


– Agora não. Deus! Fique quieta... – Ele parecia prestes a cuspir fogo, literalmente. Então eu retrocedi e me aconcheguei contra a janela, longe da sua ira. Ele tinha me advertido; Ally tinha me advertido. E eu não escutei, ignorei a verdade. Vi seu pai atacando-o, mas nunca imaginei que a situação fosse tão ruim e que eles fossem tão monstruosos. E Romeu suportou anos de crueldade e violência, não consigo imaginar tudo que ele passou. Meu ombro estava pressionado, com força, contra a porta do carro, quando Romeo virou à direita e me dei conta que estávamos indo em direção ao rio. Eu apenas queria ir para casa. Queria esquecer essa noite e decidir o que fazer daqui para frente. As tranquilas águas do rio apareceram à vista, quase prateadas no crepúsculo escuro, e fiquei surpresa quando ele não parou o carro. Seguimos um pouco adiante, por uma estradinha, por entre os campos de algodão, até que chegamos a uma pequena cabana, de troncos de madeira escura e um telhado em forma de triangulo. A caminhonete derrapou até frear e Romeo mais que depressa pulou do carro e correu até cabana, acendendo uma luz suave. Ao longe, perdi o barulho de seus passos e logo após ouvi o barulho de algo sendo quebrado e arremessado. Fiquei imóvel no Dodge. Não queria entrar lá. Pela primeira vez, o arrebatamento de Romeo me assustou. Não acreditava que ele me faria mal, mas eu não queria estar perto dele agora. Nunca o vi tão imprevisível quanto agora. Minha cabeça caiu, derrotada, contra o vidro frio da janela e olhei as milhares de estrelas no céu escuro. A imensidão do universo sempre fazia com que eu me sentisse pequena. Mas essa noite não foi assim. Eu sabia que não importava o tamanho do nosso problema, pois ele sempre estava no grande esquema chamado destino, mais eu não conseguia parar de pensar


no que aconteceu, minutos antes. Era o destino de Romeo conviver com aquelas pessoas? É o meu estar aqui? Por Deus, eu nunca tinha visto nada igual! Os Princes odiavam Romeo. Seus pais realmente o odiavam e pareciam quase orgulhosos desse fato. Ele foi espancado, ameaçado e verbalmente humilhado. Como ele lutou com isso durante toda a vida? Pode ser que eu tenha passado por uma época difícil com a perda de minha família, mas eu conheci o amor, o amor incondicional. Nunca fui maltratada. Para Romeo a vida deve ter sido um absoluto inferno. Senti-me culpada ao lembrar as inúmeras vezes que ele me ajudou, ao dizer-me que eu era valente e forte, quando me persuadiu a sair da minha zona de conforto. Quando na realidade era minha força que o inspirava. Ele precisa de apoio. De muito apoio. Conforme o tempo passou, a noite predominou estranhamente silenciosa. Eu sabia que eu, para consolá-lo, teria que mostrar-lhe que eu não tinha me rendido e, finalmente lhe dizer que eu o amo. Muito.


Eu sabia que ele tinha me ouvido entrar, pela tensão de suas costas. Fechei a porta e quando me virei, Romeo estava em pé e imóvel, o ressentimento e a tristeza distorciam seu lindo rosto. – Nunca deveríamos ter ido lá. – Ele gritou. Sobressaltei-me com o grito e a intensidade de suas palavras. – Eu avisei a você! Avisei que não estavam felizes com nosso relacionamento, mas você não me ouviu. Disse-me que tudo ia correr bem; que ao nos verem juntos perceberiam o que significamos um para o outro. Mas não, não foi isso que aconteceu! Você não acreditou em mim. Porra Mol, eles já tinham lhe condenado, sem nem te conhecer! A forma como lhe trataram... Deixei que ele desabafasse. Não disse nada, mas mantive minha cabeça erguida e lhe permiti extravasar toda a raiva. Ele caminhou em minha direção, com passos firmes e parou a pouco menos de um metro de distância. – Disse-lhe que me odiavam, e que odiariam você também. Eles lhe magoaram, causaram dor e agora eu vou perdê-la. Vai me deixar, não é? – Romeo... – Eu deveria ter parado eles... Deveria ter feito alguma coisa! Eu sabia do que eram capazes e pensei que poderia controlar a situação. Mas vi sua expressão, Mol... Você não se sentiu segura e protegida. Maldição! Estendi minha mão, para acalmá-lo. – Não me importa o que disseram sobre mim, mas me importa o que estão fazendo com você. Por que o tratam assim, parecem odiá-lo, por que


Romeo? Tem que haver alguma razão. Eles são cruéis. Que pais odeiam seu único filho, sem haver um motivo?

Envolvi meus braços ao redor da

cintura, me sentindo deprimida e triste. – Como sua mãe, pode tratar o único filho desta forma, ofender, bater... Por quê? Romeo passou os dedos pelo cabelo, de forma agressiva. Pude perceber que ele estava se debatendo sobre o que me dizer. Depois de um momento, ele deus uns passos para frente e agarrou meu ombro, com desespero. – Porque não sou filho deles!

– Ele gritou tão alto que senti um

zumbido nos ouvidos. – O... O que? – Por que... Não... Sou... Filho... Dela. Você não queria saber por que me odeiam tanto. Pois bem, essa é a razão. – Não... – Sussurrei em voz baixa. Ele me soltou, esfregou o rosto, com as mãos tremulas e começou a caminhar de um lado ao outro, sobre um velho e desgastado tapete amarelo. – Ela é estéril. A maldita cadela é estéril. A única coisa que ela precisava para ser a esposa perfeita, era a capacidade de procriar e a maldita não podia engravidar, não podia dar ao grande magnata do petróleo, o que ele mais queria “o príncipe do Alabama”, um herdeiro. – Oh meu Deus! Romeo... – Não queriam adotar, porque isso seria uma humilhação, certo? Eles não podiam contratar uma barriga de aluguel e arriscar que toda


Tuscaloosa soubesse que ela não podia ter filhos. Mas, bem, o destino decidiu intervir bem a tempo. Meu coração se quebrava a cada instante, enquanto eu ouvia o desabafo e a confissão de Romeo. Eu não conseguia falar. Sentia-me incapaz de fazer outra coisa além de observá-lo descarregar anos de mágoa, reprimida. – Certo dia, uma das muitas prostitutas do meu papai, apareceu na porta dele, grávida de um filho que ela não queria. Ela estava disposta a entregá-lo ao pai biológico, quando nascesse... Por um bom preço. Meu coração quase parou. – Sim, Mol. O filho que ela carregava era eu. Meu pai conseguiu um exame de paternidade, confidencial e teve a confirmação que o filho era dele. Assim, ele teria um maldito herdeiro para sua fortuna. A cadela que me gerou impôs uma condição. Tinham que conservar o nome que ela tinha dado. Ela queria poder ditar as ordens ao seu cliente mais frequente, provavelmente estava com muita raiva, porque nunca mais seria nada para ele. Meu nome seria um lembrete de onde eu vim e minha mãe aparentemente desprezava meu pai, e me desprezava também, apenas por existir. – Romeo. – Sussurrei o nome dado pela verdadeira mãe dele. – Sim Romeo. – Ele coçou o queixo sem barbear. – Então agora você já sabe de tudo. Sou o filho ilegítimo de uma cadela com meu pai, que é um pedaço de merda. Mas eles precisavam de mim, não é? Eles precisavam ter filhos, um herdeiro. Minha chegada concedeu-lhes isso. O maior interesse do meu pai era manter seus bens na família. Eles pagaram à prostituta, para ela guardar segredo sobre mim. Logo meus pais desapareceram, durante um ano, você sabe, viagens, cruzeiros e quando voltaram, tinham um bebê... E, é obvio que todos acreditaram nas mentiras contadas pelo grande multimilionário.


Parecendo mais tranquilo, Romeo se apoiou no encosto do sofá e jogou a cabeça para trás. – Minha maldita mãe me odeia. Sou a lembrança viva das traições do meu pai. Mas essa não é a única razão pela qual eles agem dessa maneira. Esperavam um menino obediente, dócil e que quando lhe dissessem para pular, ele perguntaria de qual altura. Mas não sou esse tipo de filho, certo? Acabei sendo extremamente bom nos esportes e tenho meus próprios pensamentos e sonhos... O que é inaceitável para um Prince. – Como sou capaz de agir assim? Como sou capaz de querer alguma coisa

para

mim,

quando

me

acolheram

tão

desinteressadamente?

Acolheram-me sim, mas também me lembravam a cada minuto, de cada maldito dia, que eu fui comprado. Espancavam-me até eu não poder sequer segurar uma bola de futebol e muito menos jogar... Se você está ferido, não pode jogar certo? Então meu pai fazia isso com frequência, me espancava até eu quase não poder andar. Uma tradição semanal entre pai e filho. – N... Ninguém lhe ajudou? Ninguém descobriu o que faziam com você? – Perguntei, com a garganta apertada. Ele

riu

sombriamente.

Quem

iria

enfrentar

um

poderoso

multimilionário e lhe perguntar por que seu filho se encolhia de dor cada vez que alguém o tocava? Deixei escapar um soluço e tentei colocar um pouco de ar nos meus pulmões, que pareciam secos. Todo o personagem durão de Romeo estava se desintegrando diante dos meus olhos. – Então, para piorar as coisas, seu fracassado filho que esperava entrar no Projeto da Liga Nacional de Futebol da NFL, por duas vezes foi obrigado a dizer não e sacrificar seus sonhos, por medo do que aconteceria se contrariasse seu pai, a esse ponto e de que alguma pessoa descobrisse que na realidade o Sr. Prince, não era um alegre e orgulhoso pai. Afinal o segredo tinha que estar muito bem guardado! Além disso, eu era mais


jovem, inseguro e não tinha por quem lutar. Mas agora chega, não vou sacrificar mais nada. Romeo estava na minha frente. Ele parecia derrotado e humilhado. – Agora você já sabe de tudo Mol. É por isso que meus pais me odeiam e estar com você acaba de adicionar mais um item na enorme montanha de decepção que seu maldito filho lhes causou. Eu dei um passo para frente, com cautela e endireitei a gola da sua camisa, com as mãos trêmulas. – É por isso que todo mundo o chama de Rome e não Romeo... Por isso você odeia esse nome, ele te faz lembrar do passado. – Eu falei e era uma apenas uma constatação. Ele observou todas minhas ações e palavras, com olhos tímidos.

Sim, minha mãe biológica disse que se eles não conservassem o nome Romeo, ela iria aos meios de comunicação e divulgaria toda história. Como eles não queriam que isso acontecesse... Aceitaram, embora a contra gosto. E a fizeram assinar alguns contratos, que garantiam que ela ficaria em silêncio. – Ele riu sem humor. – Que maldito nome é Romeo para o filho prezado da família mais rica do Alabama? Meus pais sempre me chamaram de Rome, em público, mas em particular, sempre foi Romeo. Usavam o nome como um xingamento. Romeo, filho da prostituta, Romeo o desagradável presente que não pode ser devolvido. Eles nunca, jamais me deixaram esquecer isso. Dei-lhe vários beijos carinhosos na garganta. – Onde está, sua mãe biológica? – Provavelmente voltou para buraco de onde saiu. – Romeo, eu...


Observei sua expressão tensa, quando eu dei um passo para trás. – Você vai me deixar? Eu sabia que iria perdê-la. Eu sabia. Quem suportaria meus pais de merda? Eu não valho a pena considerando tudo que eles vão lhe fazer passar se continuarmos juntos, certo? Derrota dominava seus traços e ele se deixou cair no velho sofá marrom, que estava em frente a uma lareira, imunda e apagada. As lágrimas corriam pelo seu rosto e seus ombros largos estremeceram, pela força de seus intensos soluços. Nunca o tinha visto dessa forma. Isto quase me matou. Juntei-me a ele no sofá e o envolvi em meus braços, enquanto ele chorava com a cabeça em meu colo. Chorei com ele. Chorei pelo menino que não conheceu o amor. Chorei pelo menino que tinha perdido sua infância, e chorei pelo homem que tinha muito a oferecer ao mundo, mas que tinha sido freado pelas inflexíveis ataduras de seus pais abusivos e manipuladores. Quando ele controlou os soluços, envolvi seu rosto em minhas mãos e o obriguei a me olhar. – Romeo... – Eu te amo... Eu te amo. – Ele sussurrou, uma e outra vez, com os olhos arregalados e frenéticos, as pontas dos seus dedos tocaram minhas bochechas úmidas. – Q... Que? – Meu coração acelerou. Romeo ficou de joelhos no sofá e me colocou contra o peito. – Eu te amo... Eu te amo acima de tudo nessa terra e muito mais do eu imaginei ser possível amar.


Eu me inclinei contra ele, apoiando meu peito no dele e com nossos corações pulsando em um ritmo enlouquecido, eu admiti: – Eu te amo, também, querido. Eu te amo muito, também. Seus olhos angustiados se arregalaram. – Baby, você me ama? Mesmo depois... – Não vou à parte nenhuma. Vim aqui lhe dizer isso. Estava na caminhonete lhe dando um tempo, quando percebi que eu tinha que estar aqui com você, não importa o que digam, nunca vou deixá-lo. – Mas meus pais... – Sim, seus pais esta noite foram horríveis, mas jamais me afastaram de você, ou me impediram de amá-lo. Somos os amantes infelizes, Romeo, lembra? Pais intrometidos fazem parte do pacote. – Pisquei um olho em brincadeira. Um

sorriso

vacilante

apareceu,

lentamente,

em

seus

lábios

machucados, mas logo depois seu rosto se transformou em uma carranca. – Sinto-me exposto agora, como se alguém houvesse rasgado meu peito e tudo que se vê é um coração partido, que foi remendado e agora tem cicatrizes, irregulares. Abri sua camisa, botão por botão e beijei onde ficava seu coração. Ele soltou um gemido. Então, eu novamente pressionei meus lábios contra sua pele quente e bronzeada. – Ninguém nunca soube como eles realmente são, por trás das portas fechadas. Nunca falei nada a ninguém. O que houve essa noite foi uma grande pedra atravessando a fortaleza de cristal deles. Pude ver o pânico nos olhos do meu pai. O que aconteceu hoje, poderia destruir cada coisa pela qual eles trabalharam tão duro.


Segui o contorno da tatuagem em suas costelas. – Apesar de ter sido horrível, me alegro de ter estado lá e ficar sabendo o que você realmente enfrenta. Nós não podemos apagar os segredos e as más lembranças de nosso passado, mas podemos construir o próximo capítulo de nossas vidas, nós dois, juntos. Lágrimas silenciosas caíam por suas bochechas. – Mol... – Shh... – Coloquei beijos ao longo de seu esterno, sobre seu peito, lambi seus músculos rígidos e os vales profundos. Abri a camisa dele completamente e desabotoei a parte superior de sua calça. Atrevi-me a olhar para Romeo, seus olhos estavam queimando, brilhando loucamente enquanto ele olhava meu ato sedutor. Seu olhar era selvagem. O zíper abriu com facilidade, então baixei sua calça, junto com a boxer e o acariciei ao longo de suas coxas. Eu estava quase sufocada. Vê-lo nu, diante de mim, me deixou com água na boca. Aproximei-me lentamente e lambi todo o comprimento de sua ereção, a cabeça dele caiu para trás e ele soltou um grunhido. E aquilo foi todo o incentivo que precisava. Coloquei seu pênis, bonito, longo e grosso em minha boca, ele levantou o quadril e colocou a mão na parte de trás da minha cabeça, enquanto movia rapidamente a pélvis para frente e para trás. Eu me senti poderosa. Estava no comando e amando sua submissão. – Porra, Mol. Sua boca!

– Ele sussurrou e eu fiz um som de

satisfação, ao senti-lo aumentar o ritmo das estocadas. Agarrei firme o cós da calça dele e rapidamente a desci por suas pernas musculosas e a joguei no chão, então tirei a boca da ereção e dele e distribui uma grande quantidade de beijos úmidos em suas coxas e panturrilhas, depois afundei seu pênis em minha boca, novamente, com os dentes roçando sua pele,


levemente, da base até a ponta. Ele gemeu e ficou imóvel, um segundo depois, envolveu meu cabelo na mão. E Romeo Prince voltou ao normal. – Levante-se. – Ele ordenou, energicamente. Imediatamente me levantei e o observei, enquanto tirava, rapidamente, a camisa e se posicionou em frente a mim, nu, excitado e emitindo absoluto poder. Agarrando meus ombros, Romeo me virou, num movimento rápido, puxou o zíper do meu vestido, tirou-o do meu corpo e o jogou junto a sua calça e camisa. Uma de suas mãos, rapidamente, abriu meu sutiã, enquanto a outra desamarrou os laços na lateral da minha calcinha preta. Todo o material sedoso cobrindo minhas partes íntimas caiu ao chão. Suavemente, junto com todas as feridas e dor da noite. Com um grunhido rouco, Romeo me levou de volta para o sofá e me, deitou nele, enquanto se movia entre minhas pernas. – Eu não lhe mandei me fazer um boquete, Shakespeare. Sabe que precisava pedir permissão primeiro, não é? – Seus olhos se estreitaram e eu soube o que ele precisava. Ele precisava recuperar o controle, depois que seus pais tão brutalmente tiraram seu orgulho. Então fiz um gesto com a cabeça, concordando com ele. – Então agora é minha vez. – Ele falou e fechou a boca faminta sobre minha boceta, sua língua fazia círculos e ele me sugava com a boca. O prazer que senti foi tão intenso e comecei a tremer, incontrolavelmente. – Agarre meu cabelo. Fiz o que me ordenou, enquanto minha pele estremecia de prazer. – Puxe! E estou falando sério! Puxei com força, conseguindo um grunhido de satisfação. Não demorou muito para ele me fazer gozar e eu continuei puxando seu cabelo, enquanto me desfazia contra sua boca.


Suas cálidas mãos percorreram meu corpo quente, até a cintura e Romeo utilizou sua força para me virar sobre meu estômago. Assim meu peito ficou rente ao encosto do sofá e o grande corpo de Romeo pairava atrás de mim. Ele agarrou meu cabelo, girou minha cabeça e me beijou, numa profunda fome e abandono, permitindo-me provar a mim mesma em sua língua. A coxa dele se moveu entre minhas pernas, as separando e com um forte golpe, ele entrou em mim, completamente. Eu estava sendo esmagada contra o material do sofá, com o corpo imobilizado, enquanto ele se movia rapidamente dentro e fora de mim, cada impulso do seu pau me arrancava um forte gemido. Romeo orquestrava nossa maneira de fazer amor, exatamente como ele considerava apropriado... Forte, voraz, mas cheio de amor incondicional. – Diga que me ama. – Ele ordenou, com um gemido Revirei os olhos, enquanto mordia o lábio. – Eu te amo. Te amo muito. – Ele gemeu fortemente e me fodeu ainda mais forte. Soube naquele instante que nenhum de nós iria durar muito tempo. – Diga que nunca vai me deixar. Eu não podia falar através do desejo inebriante, minhas mãos apertaram a velha manta creme, que agora repousava ao meu lado. Ele parou os movimentos e eu tentei me mover, queria mais prazer, estava quase gozando. Mas Romeo permaneceu imóvel e me segurando. Não me deixando fazer um único movimento sequer. Seu hálito mentolado roçou minha orelha, quando ele apoiou o peito contra as minhas costas. – Faça o que eu digo ou então não darei o que você quer e o que eu sei que precisa de mim.


– Romeo! Pare! – Protestei, meio que desesperada. Sua risada zombeteira fez com que minha pele formigasse. – Faça o que mandei. Entendeu? – Ele falou com os dentes apertados e puxando meu cabelo. – Ah! – Choraminguei bruscamente e completamente frustrada. Meu corpo não aceitava a interrupção. Dei uma olhada rapidamente por cima do ombro e vi que sua mandíbula estava tensa. Ele não ia ceder. Abaixei a testa contra o sofá, derrotada. – Sim, droga, eu entendi. Sem aviso, ele empurrou seu pau contra mim e murmurou – Você me entende, baby. Você é a única que alguma vez já me entendeu. Ele não parou dessa vez e seu ritmo estava ainda mais rápido e forte, do que antes. – Diga que nunca me deixará. – Nunca o deixarei! Deixando escapar um profundo gemido, ele agarrou meus seios e esfregou a ponta dos mamilos entre os dedos. – Nunca fugirá. – Nunca vou fugir! – Promete isso? – Prometo isso! – Dei um grito agudo, quando sua mão desceu e ele começou a massagear meu clitóris


– Romeo... Eu... Ah! – O orgasmo me atravessou como um raio, me desfazendo em milhões de pedaços, me deixando lânguida e débil. Romeo sugou a pele do meu ombro, me marcando como dele, antes de investir em mim mais duas vezes e me encher com seu gozo quente. Deixei-me cair sobre o encosto do sofá, enquanto ele passava o nariz, preguiçosamente, para cima e para baixo do meu pescoço. – Amo você baby. – Ele sussurrou e me puxou contra o seu peito, protetoramente, enquanto recuperávamos o fôlego. Romeo Prince era um caleidoscópio humano. Falava como se odiasse o mundo, mas a adoração e o amor estavam impregnados nele e eu não podia imaginá-lo sendo de outra forma. Ficamos satisfeitos e imóveis durante vários minutos, antes que estremecesse pelo frio da noite, que entrava pelas frestas das envelhecidas paredes de madeira. – Você está com frio baby? – Ele perguntou baixinho. – Um pouco. Com um último beijo em minha têmpora, Romeo se afastou e acendeu o fogo, com uma caixa de fósforos que estava sobre a lareira. Recostei-me no sofá, completamente exausta e observei seu corpo nu, perfeito, bronzeado e suado, pela atividade amorosa. Fiquei maravilhada com a forma em que seus músculos rígidos endureciam e flexionavam com cada movimento que ele fazia. Romeo caminhou em minha direção e viu meu olhar fixo nele. Ele levantou as mãos, deu um giro de trezentos e sessenta graus e colocou um sorriso arrogante no rosto. – Entre para o meu templo baby. E louve aos meus pés.


Eu joguei uma almofada vermelha, que cheirava a mofo, em sua cabeça, ele se esquivou rapidamente e fingiu ficar zangado. Então continuou se aproximando de mim, lentamente. – Pequena Molly Shakespeare, não sabe que não se deve mexer com um animal selvagem? – Suponho que você é o animal selvagem, neste cenário? Ele franziu os lábios, a pequena ferida feita por sua mãe estava imponente sobre sua pele macia. – OH, você não tem nem ideia... Sou realmente selvagem. Pairando sobre mim, Romeo desceu seu corpo sobre meu, que estava exausto e vi seu olhar perder o véu de escuridão e resplandecer de luz. Eu puxei seu pescoço e lhe dei um beijo leve, o calor de seu corpo imediatamente me esquentou. Afastando-se momentaneamente, Romeo pegou a manta creme, cheia de manchas, sobre o sofá e a colocou sobre nós, me envolvendo em seus braços, enquanto traçava sua tatuagem do Alabama, com meu dedo. – Está tudo bem, querido? – Perguntei em voz baixa. Os rígidos músculos se esticaram, por um instante, antes que com voz rouca, ele respondesse: – Ficará. Eu tenho você. Descansei meu queixo em seu peito, observando seus olhos escuros e notando a tristeza que os embargava. – Eu escolhi você. A tristeza se desvaneceu e a felicidade floresceu, com um sorriso de satisfação em seus lábios. – E o faria de novo, sem duvidar.


Corei – Seus pais alguma vez foram agradáveis com você? – Ele negou e levantou o queixo para olhar o teto, estava lutando contra as duras lembranças, eu tinha certeza. Segurei sua mão na minha. Sempre funcionava quando ele fazia isso comigo. Ele voltou a me olhar e deu um pequeno sorriso. – Alguma vez foi feliz? Negando com a cabeça, ele sussurrou: – Não. – É agora? – Completamente. Finalmente sei o que é amar e ser amado. Mas estou com muito medo que isso termine. Meus pais não se darão por vencidos tão facilmente. – Mas eu vou ficar com você. – Jura isso? – Juro. Eu amo você. Sou sua. Romeo levou minha mão à boca e beijou cada dedo. – E agora? Futebol? Grandeza? Dominar o mundo? Ele encolheu os ombros. – Eu acho. – O que você quer Romeo? O que mais deseja na vida? – Você. – Não, sério, amor, o que você quer? Eu já sou sua, para que você me possua. – Ele suspirou e abaixou o olhar. – Só você, baby. Ter você é como estar em casa.


Agarrei-lhe a cintura e afundei a cabeça em seu pescoço. – Você me tem. Tudo de mim, por todo o tempo que quiser. – Sério? Tenho você para sempre? Porque praticamente acabei de me distanciar da única família que eu tinha. – Romeo, você é minha família. Você e meus amigos loucos são a razão de eu ainda ser feliz e sorrir. Como pode não saber isso? – Porque não posso acreditar que é verdade. – Somos de verdade, você e eu, Romeo. Apertando-me contra seu corpo ele perguntou: – Mas, o que acontecerá se algum time me chamar? O que acontecerá se você for para uma universidade do outro lado do país? Ou inclusive fora dos Estados Unidos? Você nunca fala de um futuro comigo e me preocupo com isso todo o maldito tempo. Agora que eu tenho você, não posso imaginar deixá-la ir embora. Beijei seus lábios e acariciei sua língua com a minha. – Resolveremos tudo isso, na medida em que as coisas acontecerem, não vamos sofrer de véspera. A verdade era que eu ainda não tinha pensado sobre meu próprio futuro. Ele moveu o quadril e senti sua ereção se alojar entre as minhas pernas. – Mmm... Está bem, por enquanto vamos fazer com que as coisas funcionem, sem muita preocupação com o futuro. – Romeo. – Fique aqui comigo esta noite, diante do fogo. – Como assim? O que é este lugar?


– Era a casa dos escravos. – Meus olhos arregalaram. – O que?! – Soltei uma gargalhada. – Acalme-se, baby. Ela passou por uma reforma, ou pelo menos foi limpa, um pouco. Eu vinha muito aqui quando as coisas ficavam muito ruins em casa. Meus pais nunca vieram atrás de mim. De algum jeito, essa cabana é como se fosse minha verdadeira casa. Ele balançou o quadril contra o meu e senti sua ereção ficar ainda mais dura. – Então sim, vou passar a noite. – Empurrei meu quadril de encontro ao dele. – Posso ter o controle? Apenas esta vez? Ele balançou a cabeça, lentamente, negando. O Romeo controlador estava definitivamente de volta. – Não. Mas boa tentativa, Shakespeare. De repente, ele me virou, de bruços e, seu peso pressionando meu corpo nu, me fez gemer. Com uma mordida brincalhona na orelha, fui posta de joelhos. – Não se preocupe querida, eu vou cuidar de você.


TRÊS MESES DEPOIS...

Era uma segunda feira e eu estava no escritório da Professora Ross. – Sairemos para Oxford na última sexta-feira do mês, daqui uns vinte e poucos dias, mais ou menos e poderemos ficar lá uma semana ou duas. Temos que nos apresentar à Universidade e depois terminar de editar, escrever e concluir todo o material divertido da tese, antes de o apresentarmos. Depois vamos rezar para que seja aprovado. – Tudo bem, irei para Inglaterra, mas precisarei voltar, aqui tem meus estudos e... Um enorme sorriso iluminou o rosto enrugado de Suzy.

– Precisa

voltar para o seu jovem cavalheiro esportista, certo? Ouvi dizer que você é o amuleto da sorte dele. Ruborizei e baixei a cabeça. – Sim, provavelmente ficarei lá apenas uma semana. Isso se não tiver nenhum problema. É que os Tide estão praticamente nas finais e se ganharem, estarão no BCS... Em duas semanas... Saí disparada da minha cadeira, corri para o cesto de papéis e vomitei tudo que havia no meu estômago. Suzy apareceu atrás de mim e esfregou minhas costas, com suaves movimentos circulares. Peguei um lenço que ela me ofereceu e limpei a boca, sentando-me em uma cadeira e colocando a cabeça entre as pernas. – Ugf, eu estou me sentindo mal. Suzy me olhou preocupada. – Está acontecendo alguma coisa? Parece que você não esteve bem durante as duas últimas semanas.


– Acredito que sim. Estive vomitando nos últimos dias. Deve ser uma virose ou alguma coisa que comi. Acho que o frango que comi há uns dias estava estranho. Provavelmente é isso. – Você trabalha muito, Molly. Use o resto do dia para dormir e descansar, certo? Amanhã, fecharemos tudo que ainda precisa ser feito e o trabalho ficará perfeito. – Não vou discutir com isso. Obrigada. Suzy me ajudou a levantar e imediatamente me senti enjoada e tonta. – Há alguém que eu possa chamar? Seus amigos? Ou talvez seu jovem amigo? – Neguei com a cabeça e me inclinei na mesa, para apoio. – Não, vou A... – Outra onda de náusea atravessou meu estômago e eu praticamente mergulhei no chão e agarrei o cesto de papéis, bem a tempo. – Molly! – Suzy disse, com a mão no peito. Coloquei a mão no meu bolso, peguei meu celular e lhe entreguei, sem levantar a cabeça do cesto de papel. – Pode ligar para Cass, por favor? Sei que ela está tendo aula perto deste bloco. Ela pode vir me buscar. – Claro que ligo. Estou preocupada com você. Está muito pálida. Respirei exageradamente pelo nariz e me recostei contra a parede fria, buscando apoio e fechando os olhos. Genial! – Garota! Você está parecendo o Grouch da Vila Sésamo. – Abri meus olhos – Nossa, retiro o que disse! Você está simplesmente péssima! Forcei um sorriso. – Olá, Cass!


Ela se agachou e me apoiou com seus braços.

– Ainda está com

náusea? Franzi a testa. – Ela vem e volta. Por isso é melhor chegarmos em casa rápido, antes que ela retorne. – Nisso estamos de acordo garota. Minha caminhonete está lá fora. Cass ligou para Lexi e Ally e elas estavam no meu quarto quando cheguei, equipadas com o Advil, Alka-Seltzer, Pepto-Bismol, e compressas quentes e frias. Não pude deixar de rir, com seus esforços. Lexi se aproximou e me abraçou. – Você está bem, Molly? – É só uma virose, meninas. Não é para tanto. – Caminhei até minha cama e me deitei, já me sentindo melhor, por estar em casa. – Deixei uma mensagem no telefone do Rome. – Informou Ally. – Não precisava ter feito isso. Ele terá treino, o dia todo. – Então ouvirá a mensagem quando acabar o treino. – Ela pegou uma compressa fria e a colocou sobre minha testa, havia outras três empilhadas na cama, perto de mim. – Então, que filme vamos ver? – Perguntou Lexi. – Vou dormir. – Falei, apertando os dedos em minhas palpitantes têmporas e fechando os olhos. – Bom, nós vamos ficar aqui, para o caso de precisar de alguma coisa, por isso teremos que escolher um para nós. – Cass começou a revisar os DVDs, que estavam numa cesta aos pés de minha cama. – Certo, obrigada, meninas. – Apoiei-me contra os travesseiros e inalei profundamente, tentando atenuar as náuseas.


Ally se apoiou em seus cotovelos, ao meu lado, com seus inquietos olhos espanhóis. Porra, eu conhecia aquele olhar. – E agora o que foi? – Perguntei. – Shelly está falando merda, mais uma vez. Tinha que ser. – O que ela está dizendo agora? – Que está passando todo o tempo livre com a mãe e o pai do Rome e, que passará o Natal com eles... E com o Rome.... – É mentira. Ele nem sequer falou com nenhum deles desde a briga que houve no maldito jantar, há uns meses. Vamos passar o Natal juntos, eu e ele, aqui, sem drama familiar. Apenas nós, para o caso dele precisar sair para o campeonato nacional, na Califórnia Ally pôs a mão sobre a minha.

– Meus pais me pediram para

perguntar se vocês gostariam de ir a nossa casa, em Birmingham para o natal? – Sério? – Mm-hmm. Reunirão a família no Natal e eles gostam de Rome como a um filho e sentem como se já a conhecessem, por tudo que lhes contei sobre você. Meus pais desprezam a família de Rome e querem lhe mostrar que nem todos os Princes, em Bama, são uns estúpidos. Engoli seco. – Nós adoraríamos Ally, obrigada. Faz tanto tempo que tive uma verdadeira família no Natal. Ela emitiu um grande sorriso e aplaudiu alegremente. – Ótimo, irei avisá-los, imediatamente. Puxei a colcha e deslizei minhas pernas até a borda da cama para ir ao banheiro.


– Sente-se mal novamente, Molls? – Perguntou Cass, se apoiando no chão para levantar-se e me ajudar. – Mmm? Não, na realidade, me sinto ótima. Na verdade, estou morrendo de fome, estou tão faminta que eu comeria um cavalo! Dei a volta para entrar no banheiro quando Cass gritou: – Se eu não a conhecesse, diria que está grávida! Num minuto atrás vomitando e no outro, está faminta. Era exatamente assim que minha irmã ficava, quando engravidou. As três riram quando Cass assobiou como uma loba, ao ver a cena de luta e o torso nu do Tom Hardy, no filme que escolheram. Perturbada, pelo intenso pânico que se apoderou de mim, agarrei a porta do banheiro para manter o equilíbrio. Não. Não podia ser. Virei-me lentamente, com as mãos tremendo e as coloquei na boca. Lexi foi a primeira a notar meu comportamento estranho e levantou da cama. Ela colocou os braços ao meu redor. Eu não conseguia me mover. Estava paralisada, pelo medo. – O que aconteceu querida? Está se sentindo mal? Fraca? Meus olhos foram se fechando, quando tentei lembrar qual foi a última vez que fiquei menstruada. Foi na noite da partida contra Texas A&M. Romeo ficou zangado, porque não fizemos sexo para comemorar e tivemos que improvisar. Cass e Ally se sentaram aos pés da cama, com os olhos fixos em mim e apreensivas. – Quantas semanas se passaram desde a partida do Tide contra o Texas A&M? – Perguntei, com um pouco de pânico na voz.


Elas me olhavam como se eu tivesse perdido a cabeça, completamente. – Quantas? – Gritei, freneticamente. Ally agarrou seu iPhone e abriu o aplicativo do calendário.

– Tem

cinco semanas. O jogo foi a cinco semanas. – Ela saiu correndo. Minhas pernas desmoronaram e eu desabei no chão. Oh meu Deus! Cass, Lexi, e Ally se reuniram ao meu redor, com os olhos arregalados e lançavam olhares perplexos umas às outras, enquanto eu ficava no meio delas, tendo uma crise, total. – Molly, o que está acontecendo? Está nos assustando! Isto é um dos episódios de ansiedade que você disse que podia ter? – Eu não conseguia falar. – Como podemos ajudar? Deveríamos procurar o Rome? Olhei para Lexi, sem vê-la e sussurrei: – Estou atrasada. Minhas três amigas franziram o cenho e Cass perguntou: – Atrasada para o quê, querida? – Não, estou atrasada! Meu período mensal está atrasado! O silêncio encheu o quarto e três bocas se abriram. Levantei-me, incapaz de ficar parada. Eu não podia estar grávida. Eu tomava pílula... Que podia falhar... E tinha feito sexo sem parar durante os últimos meses... Merda! Comecei a caminhar. – Estou com uma semana, uma semana de atraso! Como não percebi? Deveria ter vindo há dias. Estive tão estressada com a Universidade, o projeto e o futebol, merda! Nunca me atraso. Sou como um relógio! Nunca deixei de tomar nenhuma pílula. Eu tomei antibióticos para sinusite, mais foi há mais de dois meses atrás.


No mês passado... Contive o fôlego. Mês passado, eu quase não menstruei, o fluxo foi muito pequeno. Pensei que era por conta do estresse, mas o que... E se... Coloquei as mãos sobre a barriga e as deslizei de cima a baixo, estupidamente pensando que ela estaria maior se realmente estivesse grávida. Mas não. Estava plana. Mas é obvio estaria. Se eu estivesse grávida estaria de um mês, ou no máximo, dois meses. Olhei para minhas amigas, que estavam como estátuas de pedra ao meu lado. – E se eu estiver grávida? Deixei escapar um forte soluço e me joguei na cama, franzindo o cenho, observando o céu azul pela porta da sacada, tentando clarear meus pensamentos e dando folga a meu interruptor de emergência... A situação era muito estresse. Mas não o apagaria desta vez. Eu estava grávida, eu sabia que estava. A garota sem família ia ser mãe... Aos vinte anos. Ia ter um filho com alguém muito semelhante a ela, se duvidar, ainda mais danificado emocionalmente... Cuja família o odiava e o queria fora de suas vidas... Enquanto minhas lágrimas caiam, escutei a porta ser aberta e fechada. Lexi e Cass se sentaram a meu lado e cada uma segurou uma mão minha, tentando passar algum tipo de conforto. – Ally foi comprar um teste de gravidez. Retornará em dez minutos. – Disse Lexi com calma. Teste de gravidez. Dez minutos. Em pouco mais de dez minutos eu saberia a verdade. Assenti, atordoada.


– Aconteça o que acontecer vamos sair desta, Molly, eu juro. Não está sozinha e Rome a ama mais que tudo. Ele a apoiará até o final. Não fique deprimida; confie nas pessoas que a amam. Romeo. Romeo, o cara que tem mais problemas familiares que eu. Romeo que está destinado a grandes coisas. Romeo, que sem dúvida não será feliz com um bebê. Um bebê. Um bebê indefeso, em minha barriga. Eu me senti mal, outra vez. Corri paro o banheiro, fechei a porta e as náuseas atormentaram meu estômago vazio. Depois que o enjoo passou, fiquei de pé e observei meu reflexo no espelho. Meus olhos estavam vermelhos, das convulsões incessantes e, eu tinha uma aparência horrível. Inclinei a cabeça para trás, tirei minhas lentes de contato, coloquei meus óculos Chanel de tartaruga marinha e prendi meu cabelo em um desarrumado coque alto, eu parecia a Molly, pré–Romeo, pré–sexo, pré– possível gravidez. Minhas bochechas estavam pálidas e meus lábios estavam brancos, do susto. Fui até meu espelho de corpo inteiro, levantei a camiseta e olhei minha barriga, como se isso pudesse me revelar uma gravidez ou não. Mas parecia tudo normal. Abri a torneira de água fria, e joguei água no rosto, até que a pele esteve sensível ao tato, e quando abri a porta, Ally estava sentada na cama e segurando um saco plástico, da farmácia. Estendi a mão, mas ela me puxou até ela e me abraçou, com força. – Vai ficar tudo bem. – Disse ela, com uma voz tranquila. Automaticamente peguei a bolsa e voltei para o banheiro, fechando a porta. Levei vinte minutos para poder fazer o teste e então deixei o


desagradável palito branco sobre a cômoda, enquanto eu caminhava de um lado para o outro, no quarto, esperando o resultado. Após os cinco minutos, Cass pigarreou?

– Quer que eu olhe? Não

posso ficar aqui parada e não saber o que está acontecendo. Fechei meus olhos e com um suspiro resignado, assenti e olhei Cass pegando o palito. Ela estava de costas para mim e emitiu não qualquer sinal revelador. Nem ombros encurvados, suspiros de surpresa ou alívio, nada. Quando ela se virou seu rosto estava pálido. Ela olhou em meus olhos, deu uns passos em minha direção e lentamente minha mão e sussurrou: – Você está grávida, querida. Deu positivo. Então, o tempo parou, o mundo deixou de girar e meu coração parou de bater. Eu fiquei ali de pé, com as pernas tremendo e sem ter ideia do que fazer. O que se faz quando você sabe que tem uma pessoa crescendo dentro de você? Uma que está chegando dez anos, mais cedo? Uma que foi totalmente não planejada? Não fui muito longe. Minhas pernas cederam enquanto eu atravessava meu tapete de pele de ovelha e as comportas de ansiedade se abriram. Eu não conseguia respirar, sentia-me asfixiada. Três pares, reconfortantes, de braços

me

abraçaram

e

eu

ouvi

palavras

tranquilizadoras

sendo

sussurradas. Elas estavam tentando me acalmar. – O que vou fazer? – Chorei no cabelo de alguém. Ally acariciou minha cabeça, com os olhos cheios de lágrimas. – Não sei querida. Levantei a cabeça bruscamente.

– Não poderei tê-lo e não sei se

consigo fazer isso. Romeo tem que jogar futebol, para se afastar de seus pais. E se supõe que eu tenho que me concentrar em me tornar uma professora. Não posso fazer isso. Não posso ser mãe. – Um medo absoluto percorreu minha espinha dorsal. – Uma mãe. Não posso ser mãe. Nunca


tive uma. Como vou ser se nem sequer sei o que isso significa? Ninguém me ensinou isso! Cass me calou. – Molly, se acalme. Está ficando muito tensa. Não é bom para você e com certeza não conseguirá nada ficando assim. Eu chorei, alto e desabei no chão, pondo a cabeça no colo de Cass e foi nesse momento que ouvi um barulho lá de fora e uns passos na sacada. – Mol? Mol! O que está acontecendo com ela? Alguém se levantou. – Rome, acalme-se, ok? – Era Ally. – Não! O que aconteceu com ela? Mol? – A voz do Romeo era urgente. – Ela está doente? Por que não me responde? Recebi sua mensagem e vim direto para cá. – Não. Ela está... É... – Foi Shelly? Essa cadela tem... – Não, não tem nada haver com Shelly. – Então. O que esta acontecendo? Pelo amor de Deus, saia da minha frente! Cass e Lexi saiam. – Romeo me levantou nos braços, levou-me para a cama, sentou-se comigo e protetoramente, me abraçou. Ele segurou minha bochecha, me obrigando a olhá-lo. Então, secou minhas lágrimas e notei que seu lindo rosto estava angustiado, triste e preocupado. Ele inclinou-se para frente e beijou duas lágrimas perdidas. – Baby, o que aconteceu? – Não conseguia falar, então apenas o olhei, tentando me antecipar a sua reação. Ele virou, bruscamente, a cabeça e gritou: – Alguém me diga o que está acontecendo!


– Rome, Molly tem algo a lhe dizer. Vamos sair, assim lhes daremos um pouco de privacidade. – Disse Ally calmamente. Cada uma das minhas amigas se aproximou e me beijou na bochecha, antes de sair do quarto. Endireitei minha postura, ainda tremendo, por causa da crise de ansiedade. Quando a porta se fechou, Romeo me puxou para cima dele e me encarou. – Baby, por favor. Diga-me o que está acontecendo. Está me assustando. Curvei-me para frente e o beijei meigamente. – Amo muito você Romeo. – Eu também te amo. – Respondeu ele, enquanto eu acariciava seu rosto confuso. – Mol... – Estive me sentindo mal há alguns dias. – Confessei, interrompendo o que ele ia dizer. Seus olhos se entrecerraram. – Por que não me disse isso? – Por que somente hoje descobri o que era. – E... O que aconteceu? – Ele pressionou, laconicamente, perdendo sua paciência. – Eu estou... Eu estou... – Deus! Você o que, Mol? – Estou grávida – Falei em forma de um sussurro, mais sabia que ele tinha ouvido, pois ele ficou imóvel, sem uma gota de cor em seu rosto bronzeado e seus dedos cavaram em minha pele.


– Está grávida? – Ele olhou para minha barriga, depois novamente para o meu rosto e perguntou novamente, com mais urgência. – Está grávida? As lágrimas nublavam meus olhos, mas me concentrei em retê-las. – Sim, estou grávida, Romeo. Estou esperando um bebê seu. Ele encostou as costas na cabeceira da cama, colocou as mãos na cabeça e fechou os olhos. Olhei-o como um falcão, tentando descobrir o que ele estava sentindo. Depois de uns minutos, de sufocante silêncio, pensei que qualquer coisa que ele fosse dizer, com certeza não seria nada bom. Então me antecipei. –

Vou

marcar

uma

consulta,

com

um

médico.

Vou

tira-lo,

imediatamente. Os olhos escuros se abriram de repente e desilusão refletia em seus olhos chocolate. – Mataria nosso bebê? Naquele momento a raiva se sobrepôs ao medo. – Não fique todo poderoso comigo agora! Não preciso escutar nenhuma lição de moral de merda! Estou tentando fazer o melhor, para nós dois.

Vou lidar com

qualquer coisa que eu tenha que fazer. Se isso significa fazer um aborto, então é justamente isso que vou fazer. Isso não significa que vou ficar feliz em fazê-lo! Apenas nesse momento é o melhor e vou lidar com isso. O pânico cresceu em seus olhos.

– Então não faça isso baby, por

favor, não tire nosso bebê. Não acredito que você queira fazer essa merda... – Você não sabe o que eu quero! Romeo se inclinou para frente, segurou meu rosto entre as mãos e colocou beijos suaves e úmidos nos meus lábios. – Bom, eu sei.


– Mas... Você... – Meu Deus! fiquei surpreso! Ainda estou surpreso, mas nosso bebê está aí. Nos o fizemos, juntos. – Sem deixar de me olhar, ele me colocou no chão, de pé, levantou minha camiseta branca, abriu o cós da minha calça jeans e beijou, ternamente, toda minha barriga. – E ele só irá sair daqui quando for à hora certa. Prometa-me isso. Tenho sentimentos muito fortes sobre isto, Mol. Por favor, não destrua nosso anjo de Deus. Minhas lágrimas caíam em cascatas. – Prometa-me que eu também terei direito de decidir sobre isso. Não faça um aborto, por favor. Respirei pesadamente, meus sentimentos estavam uma bagunça. – Eu prometo. – Ele me colocou em seu colo e pressionou a boca na minha. Envolvi meus braços ao redor de seu pescoço e em segundos se tirou minha calça e a calcinha. Romeo se afastou e rapidamente tirou a própria calça, então, lentamente, deslizou para dentro de mim, sem nunca separar a boca da minha. – Romeo... – Sussurrei, impotente e agarrando seus ombros. – Eu amo você Mol. Chorei quando ele fez amor comigo, devagar e com cuidado, mostrando-me,

sem

palavras,

que

estávamos

juntos

nisto.

Seus

movimentos eram intensos, ternos e de alguma forma, exatamente o que precisávamos, pois gozamos rápido e juntos. Nossos corpos estavam em sincronia, mais que nunca. Languidamente acariciei as omoplatas de suas costas. – Esta foi a primeira vez que você fez amor, suave. Senti-me tão diferente. – Apertei minha testa na dele. – E adorei.


A mão de Romeo acariciou meu estômago. – Está carregando uma carga muito preciosa agora baby. Tenho que ter mais cuidado com você... Com ambos. Ele colocou a cabeça na curva do meu pescoço e simplesmente nos abraçamos, até que ele levantou meu rosto e sorrindo, beijou minha bochecha. – Você está parecendo minha velha Mol, com estes óculos e o cabelo assim. A garota que há meses atrás, eu vi de joelhos, com sapatos laranja néon e amaldiçoando, com esse sotaque sexy, no bloco de Humanas. Naquele momento eu soube, sem sombra de dúvida, que um dia, você seria minha. – Ele desfez meu coque e adquiriu uma expressão facial totalmente adorável. – Um dia. – Falei, acariciando a tatuagem em seu quadril e seus olhos brilharam, em resposta. – Sempre me perguntei se algum dia eu teria uma família, se alguma vez eu estaria feliz com alguém... E comigo mesmo, para ter um filho. Minhas entranhas se retorceram com sua dor e respirei apavorada, pensando sobre a enormidade de nossa situação. – Romeo, eu não acredito que eu possa ser mãe. Não tivemos famílias normais. Não temos nem ideia de como é estar em uma família normal! Como podemos pensar em ter um filho? Somos muito jovens... O que temos para oferecer a um bebê? Ele suspirou.

– Algo que nós nunca tivemos. Escute uma coisa,

juntos, nós podemos fazer isso. Juntos, nós vamos conseguir. Juntos, podemos ser bons pais. – Mas o futebol... – E o que? Vou apresentar o projeto em abril e você virá comigo, com nosso filho ou filha. Você ainda pode fazer seu doutorado e alcançar seus sonhos. Podemos ter tudo. Mas, por favor... Não desista do nosso filho, nosso primeiro filho.


– Romeo... – Gemi. Ele colocou um dedo sobre minha boca, me silenciando. – Eu poderia ter sido assassinado, mas minha mãe biológica não fez isso. Ela escolheu me ter. Estou aqui, porque ela me escolheu, embora na realidade não me quisesse. Sim, minha família manteve as aparências, mas eu os superei e tudo isso me levou até você. Minha menina inglesa inteligente, a garota que me salvou. A garota que me ensinou a amar. Passei a mão sobre seu rosto afetado. – Seus pais pensarão que fiz isso de propósito, para prendê-lo. Ele apertou os lábios e sua expressão endureceu. – Não me importo com o que eles pensarão. Na verdade não tenho nenhuma intenção de falar sobre isso com eles. Eu estava falando sério quando fomos à casa deles naquela noite. Eu escolhi você. Você é minha vida agora; você é meu tudo. Você e nosso bebê. Agarrei-me ao meu namorado até que minhas lágrimas de medo, susto e imenso amor desaparecerem. Quando Romeo se afastou, ele nos despiu completamente, colocou-me sob as cobertas e envolveu o braço ao redor da minha cintura, sussurrando palavras doces, amorosas e acariciando o lugar onde estava nosso bebê.


– Está nervoso? – Perguntei enquanto enrolava meu cabelo ao redor do dedo. Romeo fingiu roer as unhas e logo apertou meu joelho, sorrindo. – Estou sentindo uma mistura de nervosismo e emoção. – Ele me puxou para perto dele, com o braço que estava, firmemente, ao redor dos meus ombros. – Logo vamos ver nosso bebê. – Sussurrou emocionado. Romeo agarrou minha mão, com força. Eu sabia que ele estava mais ansioso do que parecia, mas fingia uma atitude despreocupada para me acalmar. Os últimos dias foram... Pouco menos que surrealistas. Demorou alguns dias para nos acostumarmos com a ideia de que íamos ter um bebê. Íamos ter um bebê! Romeo

insistia

em

falar

exatamente

dessa

forma.

Em

cada

oportunidade me recordava que estava nisto cem por cento e era um esforço em equipe. Minhas amigas, depois que se darem conta que eu não ia ter uma grande crise por causa do bebê, se emocionaram por nós. De qualquer forma, estavam, compreensivelmente, preocupadas e prometeram manter a notícia em segredo, pelo menos até minha barriga começar a crescer. Eu também dei a notícia à professora Ross e, dizer que ela ficou chocada seria um eufemismo, contudo ela foi de grande ajuda e estava tentando me ajudar a descobrir uma maneira de continuar meus estudos acadêmicos, depois do nascimento do bebê. E também iria manter segredo. De repente a vida ficou uma loucura, mas estar grávida não era tão aterrador como tinha pensado, a princípio. Agendamos uma consulta com o obstetra e ginecologista e, por causa das complicações que minha mãe teve gravidez, que ao final causou sua morte, pensei fazer uma revisão completa, imediatamente. Romeo recorreu


rapidamente as suas economias e escolheu o melhor médico e melhor opção de pré-natal. Romeo e eu estávamos sentados na sala de espera, rodeada de mulheres com uma gravidez avançada e inquietas crianças de todas as idades, gritando e engatinhando aos nossos pés, isso foi o suficiente para deixar nós dois aterrorizados e pelos olhares divertidos nas caras dos outros pais, nosso medo era evidente. Eu estava rindo de Romeo, que estava olhando fixamente um pequeno menino, que estava fazendo uma grande pirraça e sussurrando: "Jesus" em voz baixa, quando ouvi meu nome. – Molly Shakespeare? – Chamou uma jovem enfermeira, gordinha. Levantei a mão. – Sim, aqui. Ela sorriu amavelmente. – Se puder me seguir por aqui, por favor, o doutor lhe atenderá agora. Inalei, olhei para Romeo e fiz uma careta. Ele riu e deu um tapinha em minha perna. – Vamos, Shakespeare. Nada a temer. – Sim, claro, faz cinco segundos que você estava disposto a se jogar da janela para escapar dos gritos com grandes decibéis daquele menino. – Simplesmente fiquei impressionado com a persistência dele. Mas se ele fosse meu, aquilo não aconteceria. Será fácil. Eu ri próximo ao ouvido dele. – Está sonhando se acredita nisso, mas ao menos vai ter uma experiência menos difícil após o nascimento. E ainda, não será você que terá que colocar uma melancia para fora, através de um buraco do tamanho de uma moeda.


Pondo a mão sobre o coração, ele disse: – Se eu pudesse eu faria isso por você, baby. – Tá! Claro que faria. Apertando minha bunda, Romeo ordenou: – Entra aí futura mamãe e deixa de atraso. Ele segurou minha mão e seguimos a enfermeira, para dentro de um típico consultório médico: mesa, maca e poltronas para os pacientes. A enfermeira me entregou uma bata azul. – Ponha isto querida, o médico já a verá. – Ela saiu do quarto e eu caminhei até um espaço onde tinha uma cortina para eu fechar. Romeo me seguiu e eu coloquei a mão em seu peito, parando-o. – Hei, onde você pensa que vai? Apoiando as mãos nas minhas costas, começou a me empurrar para frente. – Vou com você. Tirei as mãos dele de mim. – Volte para lá! Que vergonha! Vão pensar que estamos fazendo alguma coisa! A exuberante boca de Romeo se aproximou do meu ouvido, e ele acariciou minha cintura, suficientemente sedutor para eu soltar um pequeno gemido. – Entra aí, Shakespeare. Cale-se e deixe-me despi-la. Meus olhos fecharam involuntariamente, sua atitude me deixou extremamente excitada. Também, a gravidez parecia ter esse efeito em mim. Tínhamos feito sexo em mais lugares e posições do que podia me recordar, só nos últimos dias. Romeo fechou a cortina e começou a tirar minha jaqueta e calça jeans, havia luxúria em seus olhos. Quando eu estava nua diante dele, ele me deu um beijo suave nos lábios, no pescoço e finalmente na barriga, antes de se endireitar e me ajudar a colocar a bata.


– Os próximos meses serão um grande pesadelo, não é? – Brinquei enquanto contornava seus lábios com o dedo. Ele encolheu os ombros e colocou meu dedo na boca. – Só quero me assegurar que tudo esteja bem, com você e com o bebê. Beijei-o castamente, abri a cortina e vi o médico de meia idade, sentado e esperando por nós, com um sorriso divertido no rosto. O bom doutor, pelo menos, tentou ocultar sua diversão quando fiquei vermelha. Pois ele apenas ficou de pé e estendeu a mão. – Deve ser Molly. Sou o Dr. Adams. – Prazer em conhecê-lo, doutor Adams. Este é meu noivo, Romeo. Romeo lhe estendeu a mão e o rosto do médico se iluminou. – Prazer em conhecê-lo, Bala. Sou um grande torcedor, sócio. – O médico me olhou de novo. – E reconheço seu rosto, senhorita Shakespeare. O amuleto da sorte que vai ajudar o Bala, aqui, a nos dar o campeonato, outra vez. É óbvio, futebol. Estávamos em Alabama afinal. Romeo passou os braços por cima do meu ombro. – Com certeza que ela vai. Obrigado, Doutor. – Alguma noticia sobre as contratações dos jogadores? Seattle Seahawks estão acabados, nessa temporada. Seu quarterback se viu obrigado a deixar de jogar, antes de terminar o contrato por causa de uma lesão e você seria um bom nome e sinônimo de vitória segura para a equipe. Romeo me olhou pelo canto do olho, a apreensão era evidente em seu rosto. – Sei tanto quanto o Senhor, mas pelo que ouvi dos meus treinadores, Seattle é uma grande possibilidade para mim. Franzi o cenho. Seattle era uma possibilidade? Como assim ele nem sequer tinha mencionado isso para mim. – Por favor, sente-se. – Doutor Adams fez um gesto para eu que o seguisse, interrompendo meus pensamentos. Deixei-me cair na maca e Romeo se sentou a meu lado, na cadeira, segurando minha mão.


O médico analisou minha ficha. – Certo. Está grávida? – Pude ver um brilho de surpresa em seus olhos azuis. Sim, Romeo "Bala" Prince tinha engravidado uma garota. Oh, que original. – Sim. Fiz o teste e deu positivo. De fato, fiz quatro, de diferentes marcas, todos disseram que estou totalmente grávida. O doutor Adams levantou a sobrancelha, esboçando um sorriso tipicamente britânico, Romeo apertou os lábios para evitar rir junto com ele. – Está bem. Bom, vamos fazer uns testes hoje e uma ultrassonografia para ver quão avançado está à gestação. Acredita que está de um mês aproximadamente? – Se meus cálculos estiverem corretos, sim. Mas tive um período menstrual muito curto, no mês passado, assim não estou muito certa. – É normal sangrar um pouco no começo de uma gravidez. Vamos começar, certo? A enfermeira tirou meu sangue, verificou meus sinais vitais, peso, etc... E finalmente, estávamos preparados para a ecografia. Levantei minha bata e o médico pegou algo parecido com uma varinha, numa máquina que parecia assustadora. – Isto pode ser incômodo, mas vai nos ajudar a ter uma ideia melhor de quanto tempo é a gestação. Temos que fazer uma ultrassonografia transvaginal, porque ainda está nas primeiras semanas. Olhei para Romeo e fiz uma careta. Ele assentiu, oferecendo apoio, e me derreti ao observar como ele estava na ponta da cadeira e me olhando, com, expectativa. Dei um aperto em sua mão e ele beijou a minha com um pequeno sorriso ansioso. – Está bem, vamos conhecer o bebê de vocês. O doutor Adams introduziu a varinha plástica e estremeci com a incômoda sensação. Que foi esquecida rapidamente no minuto em que uma imagem granulada apareceu numa tela ao nosso lado. Ao princípio era imprecisa, nublada, até que ele moveu habilmente o dispositivo e ouvimos o maravilhoso ritmo de um pequeno coração,


pulsando. Algo apareceu rapidamente no monitor e ali estava, nosso bebê, comodamente em meu ventre, quase do tamanho de uma ervilha. Qualquer temor se dissipou com cada bombeamento rítmico do pequeno batimento do coração do meu bebê e Romeo apertou os lábios, com força, enquanto uma lágrima caía lentamente de seu olho. Levantei meu dedo polegar e a sequei suavemente, amando o quanto ele queria este filho... Para nós. Nesse momento, me converti em mãe e pelo olhar assombrado no lindo rosto do Romeo ele converteu-se em pai. O doutor Adams ajustou a máquina e sorriu. – Tudo parece perfeitamente bem e mede como se estivesse... De... Ah... Umas oito semanas. Oito semanas. O doutor Adams pressionou um botão, uma cópia saiu de uma impressora e ele nos entregou um pequeno pedaço de papel retangular que continha a imagem do nosso pequeno anjo. Essa era a palavra carinhosa que Romeo vinha chamando nosso pequeno filho ou filha. Olhei-a fixamente. Não podia deixar de olhar a pequena imagem em preto e branco. Romeo se inclinou e me beijou na cabeça, sem dizer uma palavra. Ele estava realmente emocionado. – Pode se vestir agora, Molly e nos veremos de novo daqui a dois meses a menos que tenha algum problema dos quais já conversamos. Se tiver, venha imediatamente. – Poderemos saber o sexo, então? – Perguntei rapidamente. – Acredito que sim. – O doutor Adams se levantou e apertou nossas mãos, uma vez mais, batendo nas costas de Romeo. – Felicidades, filho, o verei no Campeonato da SEC na Georgia e Roll Tide. Romeo deu-lhe um abraço, no estilo dele, meio de longe. – Roll Tide. E com isso, o médico saiu do consultório. O silêncio se estendeu entre nós enquanto assimilávamos o que acabava de acontecer. Entreguei a imagem a Romeo e desci minhas pernas da maca. Ele se aproximou de mim, ajudou-me a descer e me apertou contra o peito, com força. – Romeo o que...?


– Obrigado, Mol. Simplesmente... Obrigado...


– Oh meu Anjo. Isso me assusta até a morte! É melhor que não seja tão difícil assim quando finalmente chegar a hora de você nascer. – Falei com meu bebê, enquanto acariciava minha barriga. Decidi ser proativa e ler tudo sobre gravidez, só que essa pequena ideia simplesmente me deixou louca. Literalmente louca. Definitivamente eu ia ter pesadelos sobre fórceps e pós-parto. Então joguei meu exemplar de “O Que Esperar Quando Está Esperando” sobre a mesa, como se ele tivesse alguma doença contagiosa, que comia sua carne e fui para a sacada, em busca de ar fresco, lá apoiei-me na grade e fiquei admirando verde da grama e o claro azul do céu de inverno. As coisas se acalmaram desde que terminei minha tese de Mestrado e as provas finais de Filosofia do último semestre foram corrigidas. Na realidade eu estava passando quase todo o tempo com Romeo e não tinha

sido

menos que

perfeito.

Muitas

coisas

aconteceram.

Romeo

praticamente se mudou para o meu quarto, mas continuava subindo pela sacada, como meu Romeo Montecchio pessoal, o que deixava a população feminina verde de inveja. A equipe de futebol Crimson Tide ganhou o jogo final contra LSU e foram para a Divisão do Campeonato SEC, e eram os favoritos para conquistar o campeonato nacional e inclusive o mais incrível ainda, Romeo Prince, o amor de minha vida, recentemente tinha sido classificado

como

o

quarterback

número

um

do

país.

Eu

estava

incrivelmente orgulhosa dele e sempre que eu dizia isso ele se encolhia, todo envergonhado. Oh, e agora eu já estava em paz com o fato de ser mãe. Eu realmente ia ser mãe.


Balancei a cabeça com um sorriso incrédulo, por eu estar tão bem com isso, até que Ally apareceu, sem fôlego e com seus olhos arregalados. – Molly, Romeo acabou de ter uma briga no treino. Ele praticamente matou Chris Porter. – Quem é Chris Porter? – Um receptor dos Tide e novo amigo de foda da Shelly. Coloquei minhas botas marrons e minha jaqueta preta de inverno. – Onde ele está? – Ally praticamente pulou para fora do quarto, obviamente com muita pressa. – Ele perdeu a razão e agora está destruindo o ginásio. Precisa ir vê-lo. É a única que pode acalmá-lo. Saí correndo pela porta e pelas escadas. – O que aconteceu? O que houve para que ele se zangasse tanto? – Perguntei enquanto nos apressávamos e saíamos para a rangente e fria brisa do inverno do Alabama. Ela levantou as mãos. – Não tenho a menor ideia. Cass ligou para que eu viesse te buscar. Seu telefone estava caindo direto na caixa postal. – Desliguei o telefone para poder me concentrar na minha leitura. Comecei a correr em direção ao ginásio, quando Ally puxou meu braço e me empurrou em direção a seu Mustang vermelho. – Vou levar você. Será mais rápido. Entramos no carro e eu ansiosamente comecei a roer as unhas, me perguntando

o

que

o

incomodou

tanto.

Ele

tinha

estado

melhor

ultimamente, menos agressivo, menos zangado. De repente fiquei paralisada. – Você acha que alguém disse algo sobre o bebê? Que tenham descoberto, de alguma maneira?


Os olhos do Ally se enrugaram, enquanto ela acelerava em direção ao ginásio. – Não. Quem faria isso? Todos que sabem não diriam nada a ninguém. Cass nem sequer contou a Jimmy-Dom. Suspirei e massageei meu cenho. – Sei. Onde estão Cass e Lexi? – No ginásio. Cass estava esperando Jimmy-Dom lá, para irem comer quando Romeo ficou louco. Lexi estava com ela. Aparentemente, Austin e Jimmy-Dom tentaram acalmá–lo, mas não tiveram sorte. O treinador já tinha ido embora, assim o colocaram lá e trancaram a porta, para que ele descarregasse a raiva. Ele está realmente enlouquecido, nem seus amigos escaparam de sua ira. Olhei o relógio do carro e cada minuto parecia uma eternidade, enquanto tentávamos chegar, o mais rápido possível, onde Romeo estava. Quando chegamos, uma multidão se amontoava fora do ginásio e todos os olhos caíram sobre mim, enquanto eu descia do carro e corria até JimmyDom, Lexi e Cass. – Graças a Deus que você está aqui! – Falou Jimmy-Dom, porém seu habitual rosto sorridente estava coberto de pânico. Segurei os braços de Cass. – Onde ele está? O que aconteceu? Sua expressão estava perplexa. – Como se eu soubesse. Austin me contou que o treinador disse algo a Rome, em particular e ele começou a gritar e agir como um louco, e quando Chris Porter fez uma estúpida brincadeira sobre alguma coisa, ele voou nele e começou a golpeá–lo. A equipe teve que tirá-lo de cima de Poter, que já estava apagado. Aparentemente foi chocante. Respirei fundo, lutando contra as náuseas. – Jimmy-Dom, onde no ginásio ele está?


Pegando minha mão, ele me guiou entre a multidão de estudantes que estava sussurrando e me olhando passar. Atravessamos a porta dupla da entrada e corremos pelo corredor, até encontrar Austin, com seus braços completamente tatuados cruzados sobre seu peito e apoiado contra a porta, fechada. Quando escutou nossos passos, ele levantou sua cabeça e suspirou aliviado. – Obrigado, Molly. – Ele está aí dentro? – Apontei à porta. Austin assentiu. – Ele não está muito bem, Molls. Tome cuidado. Dei um tapinha em seu braço, meio que para consolá-lo e abri a porta. Bolas de futebol, colchonetes e pesos de musculação estavam espalhadas por todo chão, a sala de musculação e ergometria estava praticamente em ruínas. Romeo tinha destruído quase tudo e estava sentado num banco, molhado de suor, sem camisa, usando apenas um short preto de treino e tinha a cabeça entre as mãos. A porta fez barulho ao ser fechada e ele levantou a cabeça. Quando viu que era eu, ele se apoiou contra a parede, soltou um longo grunhido, colocou as mãos atrás da cabeça e olhou para o teto. Hesitantemente me aproximei. Quando eu estava a poucos metros dele, ele grunhiu: – Adivinha quem será o anfitrião do maldito jantar da Divisão do Campeonato SEC, dois dias após voltarmos do jogo na Geórgia? Eu quase desabei. – Oh não, querido... – É uma maldita brincadeira! Nunca se importaram com o futebol, durante toda minha vida e agora, de repente, se oferecem como anfitriões do maior jantar do ano... Na fazenda! É uma armadilha para nós, Mol!


Estiquei os braços e ele se afastou do meu abraço, notei que ele estava com medo de me tocar. E isso doeu. Notei sangue nos nódulos dos seus dedos, um corte no lábio e um hematoma no olho esquerdo. – Romeo, precisa se acalmar! Metade da Universidade está lá fora, você bateu em seu companheiro... – Ele mereceu. Começou a cuspir merda sobre você... Sobre mim! Ele estava querendo morrer no minuto que abriu a estúpida boca! – Não me importa o que ele disse sobre mim. Olhe como está reagindo! Está fora de si! Ele zombou de mim, com uma risada sombria. – Meus pais prepararam outra armadilha. Lembra a última vez, o jeito que nos atacaram? Simplesmente desta vez é uma armadilha mais elaborada. Sabiam que não voltaria lá por vontade própria. O treinador concordou. Eles já convidaram o governador, o prefeito e outros milhões de figurões que alegremente aceitaram o convite. Eles se encarregaram de garantir que a universidade não pudesse negar o pedido! Caralho! – Ele levantou e chutou uma bola, que voou pela sala e atingiu uma esteira. Sentei no banco onde ele estava, para ficar fora de seu caminho, quando ele começou a caminhar furiosamente pela sala. – Não vamos participar do jantar. Em nenhuma hipótese iremos lá, principalmente na sua condição. Suspirei, tomando coragem. – Você tem que ir, Romeo. Você e eu sabemos que você vai receber o MVP esta temporada. Os Tide provavelmente irão ao campeonato BCS, e este jantar é para preparar a sua equipe para isso. Se fizer você se sentir melhor, ficarei em casa.


– Não! – Ele gritou. – De nenhuma maneira! Por que você não estaria lá comigo? A universidade não podia ter aceitado isso. Conheço-os, Mol. Alguma coisa está acontecendo, simplesmente não sei o que é, e não os terei destruindo minha família. Superei seus jogos mentais. Sua expressão mudou, de zangado para ferido, quando ele veio em minha direção, caiu de joelhos e descansou a cabeça sobre minhas pernas, com os braços em volta da minha cintura. – Se souberem do nosso pequeno anjo, só Deus sabe o que farão. Não posso perder vocês dois. Ele pressionou um beijo sobre minha barriga e massageei sua cabeça. – Romeo, eu entendo porque está assim, mas é uma festa, com milhares de pessoas ao redor. Não farão nada em público. Eles não irão fazer algo para se envergonharem. Ficarei ao seu lado toda a noite. Não terão oportunidade de ficarem sozinhos comigo. E você me protegerá. Sei que o fará. Enquanto ele levantava o rosto, ligeiramente mais calmo, tirei do bolso meu pequeno lenço rosa e ligeiramente toquei seu lábio, limpando uma pequena gota de sangue. Romeo segurou meu pulso o beijou. – Eu não poderia viver comigo mesmo se eles lhe machucarem ou a nosso pequeno Anjo, querida. Segurei seu rosto entre as mãos, com meus dedos ao redor de suas orelhas. – Nada vai acontecer. As lágrimas nublaram seus formosos olhos cor de chocolate. – Por que eles sempre têm que interferir? Estávamos indo tão bem. Você está saudável, nosso bebê está forte e está claro que os Tides ganharam o último jogo e irão para

o

campeonato

nacional.

Mas

eles

aparecem,

conspirando,

incomodando e arruinando minha vida, de novo. Eu estou dizendo, tudo isto é uma jogada. Eles estão planejando algo grande.


– São pessoas poderosa, Romeo. A festa vai acontecer na casa deles. Mas temos que ir. Você precisa ser um líder para sua equipe. – Ele assentiu e baixou o olhar. – Eu entendo porque isso te deixou tão furioso. Ele lambeu o lábio cortado. – O treinador sabe sobre nossa relação com meus pais e veio me avisar. Ele tentou transferir para outro lugar, mas a decisão veio de cima. Eu estou realmente assustado. Levantei seus dedos feridos e os limpei com o lenço. – Eu não gosto quando você perde o controle. Precisa ser melhor que isto, Romeo. Não quero ter que me preocupar com seu temperamento, principalmente quando nosso pequeno chegar. Seu lábio se enrugou em um sorriso presunçoso. – O que? – Amo você. – Isso não vai tirá-lo da minha lista negra! Olhe o estado deste lugar, olhe como você está! – Eu disse de maneira firme e com o dedo apontado para seu peito e meu desejo, instantaneamente se acendeu, quando eu lentamente descia o dedo pela pequena linha de cabelos que continuava após o cós de seu short. Romeo se aproximou mais, pressionando suas coxas grossas contra as minhas. – Quero te foder agora e muito selvagem. Levantei meus pesados olhos. – Não aqui. E não até que me prometa que não voltará a agir assim outra vez.


Suas pupilas se dilataram até quase cobrir a formosa íris chocolate, brilhante de seus olhos. – Estou todo aceso e preciso descarregar da única maneira que posso. Tentei ignorá-lo. – Estou falando sério, não me ignore. Meu filho não crescerá com um pai que não consegue se controlar quando as coisas vão mal. Ele assentiu e eu soube que ele entendia perfeitamente o que eu estava falando, mais precisava ouvir isso dele. – Entendeu-me, não é? – Perguntei. – Entendi. E isso termina agora. Não serei como meu pai com nosso Anjo. Prometo isso. Sua expressão de luxúria voltou e ele se inclinou contra mim, beijando meu pescoço e ao redor de minha orelha. – Iremos à cabana. Vou te despir e você vai fazer tudo que eu disser, até que nenhum dos dois possa ficar de pé. Entendeu? Minha cabeça caiu sobre seu ombro. – Sim! Entendi! – Era fácil aceitar tudo que ele dizia, especialmente quando ele estava em seu estado de Romeo-Alfa. Sua necessidade de controle era evidente e meu corpo traiçoeiro respondia a cada palavra que saía de sua habilidosa boca. Ele se afastou, com um sorriso presunçoso, pois sabia que me tinha onde queria. De repente seu sorriso se foi. – Vou me assegurar de que esteja protegida na festa, baby. – Sei que o fará. – Estiquei minha mão. Ele a segurou e se sentou ao meu

lado

no

banco,

logo

me

colocando

em

seu

colo

e

respirou

tranquilamente meu perfume, enquanto eu passava meus dedos em seus


longos cabelos loiros. – É um déjà vu, você ferido, sangrando e eu o limpando. Mas não façamos disto algo permanente, certo? Romeo deu uma risada. – Última vez, prometo. Vou mudar. Você não precisará limpar meus desastres. Promessa de escoteiro. – Você nunca foi um escoteiro, Romeo. – Eu ri. – Juntei-me a eles... Levantei a cabeça, surpresa. – Sério? – Mm-hmm... Mas me expulsaram por eu brigar. Virei meus olhos. – Por que isso não me surpreende? – Ele mordeu o lóbulo da minha orelha e grunhiu quando a porta se abriu. Levantei a cabeça e Ally estava lá, olhando com os olhos arregalados. Fiz-lhe um sinal com minha mão, para ela se aproximar. Cass, Lexi, Austin e Jimmy-Dom entraram logo depois, fechando a porta, indo a nossa direção e se sentando no chão de madeira do ginásio, na nossa frente. Quando Romeo percebeu que tínhamos companhia, apoiei minha cabeça em seu ombro e entrelacei a mão dele na minha, sabia que aquilo o relaxava. – Está tudo bem. Rome? – Perguntou Ally brandamente. Ele negou com a cabeça. – Meus pais manipularam a universidade para serem os anfitriões do jantar, na fazenda, uns dias após o Campeonato SEC. – Merda! – Amaldiçoou Ally, e os outros suspiraram. Todos eles sabiam como seus pais eram. Romeo beijou minha testa e olhou para Austin e Jimmy-Dom.


– Preciso que me ajudem a mantê-los longe da Mol. – Faremos isso, Bala. – Não precisa pedir outra vez. Será feito. Romeo me olhou, me pedindo permissão para lhes contar sobre o bebê. E eu assenti. Eles eram seus amigos, deveriam saber o que aconteceu para deixá-lo naquele estado. Romeo acariciou minha barriga. – Rapazes, fiquei tão louco.... Porque estamos grávidos. Olhei nervosamente para Austin e Jimmy-Dom e notei a surpresa em seus rostos. – Ninguém sabe além de nós, tem apenas alguns meses, mas meus pais não sabem e não os quero por perto, causando estresse a ela ou ao bebê. Austin ficou de pé, surpreso e bateu na mão de Romeo. – Felicidades, Bala. E saiba que pode contar conosco. Vocês dois são importantes para nós. Jimmy-Dom fez o mesmo e riu. – Puta merda, Bala! Não basta não ter mais encontros com nenhuma outra mulher. Mas arrumou sua primeira namorada, tornando-a invejada por toda a população feminina e a engravidou também? Está me matando, homem! Matando! – Logo ele me levantou nos braços e me girou pelo ginásio. Quando ele me colocou no chão, segurei a barriga. – Jimmy-Dom, se fizer isso mais uma vez, vou vomitar! Continuo tendo problemas com os vômitos matutinos, praticamente todos os malditos dias!


Ele sorriu. – Sinto muito, querida! – Agachando-se, ele beijou minha mão. – Felicidades por seu pequeno bebê. Será uma magnífica e sexy mamãe! – Obrigada... Eu acho... Os braços do Romeo me rodearam por trás. – Ela não é apenas minha primeira namorada, cara, ela é a razão pela qual respiro. Lexi e Ally disseram ahhh, enquanto olhavam Romeo me puxava contra ele, já Cass fingia enfiar o dedo na garganta. Jimmy-Dom tirou seu chapéu de cowboy e se abanou, gritando: – Está me matando, homem! Matando! Romeo bateu em suas costas, rindo de suas palhaçadas. – Então vamos nessa. Preciso me afastar de toda esta merda. Veremosnos amanhã. Romeo segurou minha mão e caminhamos em direção à porta. – Romeo, você está sem camisa. – Queixei-me, quase tropeçando enquanto olhava seu corpo escultural. Ele simplesmente encolheu os ombros. – Decidi ficar nu dentro de quarenta minutos por no mínimo doze horas, assim qual é o problema? – Genial. Tem ideia de quantas pessoas estão lá fora? Quantas garotas? – Que se fodam. Sou seu. Vamos.


CAMPEONATO DA SEC, GEORGIA DOME, GEORGIA. – Não posso sair por aí com isso! – Gritei enquanto Cass e Ally tentavam me empurrar para nossos assentos. O estádio de setenta mil lugares estava transbordando e o ruído era ensurdecedor, sob o telhado fechado. Cass colocou as mãos sobre meus ombros e me olhou feio, me advertindo. – Se não beijar o Bala quando ele aparecer, não será apenas os pais dele que estarão querendo vingança. Queremos vencer os Gators! Você deve isso aos torcedores! Arrastei meus dedos pelo rosto e Ally os segurou. – Passei horas te maquiando. Não estrague meu trabalho! Meu cabelo estava solto, ondulado, cheio de produtos especiais e minha maquiagem era perfeita. Tinha posto meu pulôver com o número sete de Romeu e minhas botas de cowboy, mas estava bastante convencida que tudo era uma perda de tempo, enquanto o medo me mantinha imóvel. Os Tide ocupavam a primeira posição, mas estavam jogando com os Gators da Flórida, para decidir quem passaria para o Campeonato Nacional, contra Notre Dame na Califórnia no próximo mês. Sentei-me e engoli saliva, ante o enorme número de torcedores vestidos de vermelho e logo os telões mostraram a trajetória bem-sucedida dos Tide no campeonato. Eu não podia deixar de me derreter por Romeo, estivesse ele mal-humorado, amaldiçoando por um erro ou saltando alegremente por seus arremessos certeiros, que apareciam no telão.


Logo olhei para cima. – Oh meu Deus! H�� câmaras que voam! Não posso fazer isso. Vou me sentir mal outra vez. Com uma decidida inclinação de cabeça entre elas, Cass e Ally seguraram cada uma, um braço meu e me levantaram. Vi as animadoras de torcida correr para os túneis de suas respectivas equipes e soube que os meninos seriam anunciados em breve. Cravei meu calcanhar não chão e Ally gemeu, enquanto tirava uma pequena nota do bolso. – Romeo imaginou que você faria isto, tendo em conta que esteve praticamente muda desde que descemos do avião, ele me deu isto, como último recurso. Imbecil. Mas eu adorava seus bilhetes. Desdobrei-o e li:


Suspirei e coloquei o bilhete em meu bolso, para levá-lo para casa e guardálo junto aos todos os outros, na minha caixa de lembranças secreta. Quando olhei minhas amigas, eles tinham enormes sorrisos no rosto. – Boa jogada, Romeo, boa jogada. – Murmurei para mim mesma. E acenei com a cabeça justamente quando as apresentações começaram a soar através dos alto-falantes. – Mostrem-me o caminho, traidoras! Elas riram da minha resistência, voltaram a vincular seus braços nos meus, e caminhamos até os nossos assentos, próximos ao campo. Como se os torcedores dos Tide já não gritassem suficientemente alto, uma imagem minha no telão, os deixou loucos. O barulho era ensurdecedor. Sentei e tentei ignorar os ensurdecedores dos gritos ao meu redor. Os torcedores estavam eufóricos e a cacofonia da música da banda acresceu à loucura. A pirotecnia soava e Alabama foi anunciado, seguido dos Flórida Gators. Os jogadores entraram no campo, colorindo-o de vermelho, branco e azul. Esfreguei as mãos, nervosa. Sabia que centraria em Romeo. Era o seu primeiro projeto potencial e isso vinha com alguma publicidade exagerada. Na verdade ele tinha tido uma grande quantidade de estúpida publicidade nas duas últimas semanas - entrevistas, imprensa, televisão. Eu normalmente estava oculta na parte de trás em algum lugar, fora de vista. Vi os enormes telões, meticulosamente seguindo a parte posterior da equipe e segurando seu capacete estava Romeo. A multidão começou a pisar forte nos degraus e agitarem-se quando ele apareceu e logo os cantos começaram, os aficionados dos Gators vaiaram em resposta. "Beijo, beijo, beijo, beijo..." Romeo saiu da fila de jogadores e correu para mim. Cass se abaixou e bateu em minhas bochechas, carinhosamente. – Hora do show, mamãe!


Não podia afastar a vista do meu namorado, quando ele parou na lateral do campo e torceu aquele maldito dedo para mim, exibindo um faminto e arrogante sorriso. Fiquei de pé, tremendo e tentando ignorar os flashes das câmaras e a orquestra de aplausos e vaias. Segurei a mão de um administrador local, enquanto ele me guiava até Romeo. Parei em frente a ele, que observava minha aparência impecável. – Olá, Mol. – Olá, você. – Vai me dar um beijo? – Se isso é o que você quer. – Definitivamente sim. Nunca mudávamos o roteiro, nos assegurando que as superstições de Romeo se mantivessem em todas as partidas. Ele caminhou até onde eu estava até que sua deliciosa boca se encontrasse com a minha, eu sussurrei: – Boa jogada com o bilhete, bastardo! Ele riu entre dentes, contra meus lábios, colocou a língua na minha boca e nos beijamos, suavemente. Agarrei seu cabelo, deixando o mundo real à deriva e ele agarrou minha bunda, me levantando e eu enrolei as pernas em sua cintura. A multidão parecia desfrutar da cena. Gemi em sua boca e ele rompeu o beijo, com um grunhido. Pressionando a cabeça contra a minha ele falou as palavras que mais gosto de ouvir. – Amo você. Acariciei lhe a bochecha. – Eu também te amo. Ele me colocou no chão e sutilmente deslizou uma mão ao longo da minha barriga, com os olhos marejando. – Vou jogar para vocês dois.


Então ele se virou e correu para o campo, e como sempre, eu tremi todo o caminho de volta até meu lugar, absolutamente apaixonada por meu quarterback.

Isso tinha sido há dois dias. Os Tide ganharam o Campeonato da SEC e a noite que tanto temíamos chegou muito rápido. Romeo apareceu pela minha sacada, no início da tarde e não foi embora. Seu nível de ansiedade estava altíssimo e para ajudar o meu também. O código de vestimenta para a noite era a cor branca, por isso eu tinha colocado um amplo vestido branco de cintura império, para ocultar a ligeira elevação na minha barriga, e uma sandália baixa, chapeada. Romeo vestia um traje branco, com a gravata vermelha requerida pelos Tide. Ele estava deitado, enquanto me observava rodar pelo quarto, passando um batom rosa claro, colocando brincos prateados e terminando de me arrumar. Quando terminei, aproximei-me da cama e brandamente sentei escarranchada sobre suas pernas, ele logo agarrou minha bunda. Ele me olhava com tanto amor que aquilo me rompeu o coração, seu medo refletia naqueles olhos, como um farol. – Está linda, baby. Estar grávida definitivamente lhe cai bem.


Eu alisei sua gravata vermelha. – Está muito bonito também. – Ele inclinou o queixo para um beijo e eu abaixei a cabeça e encontrei seus lábios. Depois descansei minha testa na dele. – Você está bem? – Eu estarei, quando esta noite terminar e eu nunca mais ter que ver aquelas pessoas novamente. Mal posso esperar para ir a Birmingham com você, para o Natal e ficar longe do veneno deles. – Lembre, é apenas uma noite. – Eu sei. Ele soltou minha bunda, sua mão começou a levantar meu vestido e ele sedutoramente tocou minhas coxas. – Romeo... – Adverti. Os olhos dele brilhavam, enquanto com uma mão ele desfez o botão, abaixou o zíper de sua calça e liberou sua ereção. Fechei os olhos quando ele empurrou minha calcinha para o lado e correu seu pau longo de meu centro quente e úmido e, num movimento rápido, ele estava dentro de mim. – Monte-me. – Ele ordenou com a voz tensa. Movi para que meus joelhos pudessem me equilibrar no colchão e Romeo se esticou, olhando enquanto eu movia, brandamente, meus quadris para cima e para baixo, criando um ritmo profundo e sensual. Ele nunca tinha me dado o controle total, nunca. Desde o início do nosso relacionamento ele sempre teve o controle ao fazermos amor e eu me distraí, pensando em porque ele estava fazendo isto neste momento. Inclinei-me para frente e coloquei minhas mãos sobre seu amplo peito, me perdendo no prazer. – Você é tão linda, baby – Disse ele, com uma voz rouca, seus olhos cor de cacau transmitiam seus sentimentos de apreensão.


Mordi o lábio e joguei a cabeça para trás. – Romeo – Estou aqui, Mol. Só... Apenas tome o controle. Mostre-me o quanto você me quer. – Eu quero você. Mais do que você pode imaginar. Ele agarrou minhas coxas nuas e lambeu seu lábio inferior. – Por que está fazendo isso? – Perguntei, ofegante. – O que? – Eu... Em cima... Controlando, por quê? – Porque eu queria saber o que você acha quando lhe dou tudo de mim, por completo. É minha proprietária, possui minha alma e coração. Só queria mostrar-lhe o quanto você significa para mim, da única maneira que eu sei fazer. Pressionei meu peito contra o dele, acariciei seus lábios com a língua, e aumentei a velocidade dos movimentos do meu quadril, suas bonitas palavras me incentivaram e me levaram ao limite. Romeo ofegou e levantou o quadril para encontrar-se com o meu, a força de nossa união, deixava nossos movimentos mais rápidos, a cada segundo. – Romeo... Romeo... – Gritei, quando meu estômago apertou e meu orgasmo surgiu. Fixei meus olhos pesados nele e vi amor, ternura e adoração quando ele deu um último impulso e gozou em mim. Ele fechou os olhos, sorriu, soltou o aperto em minha coxa e exalou, enquanto eu sentia seu coração bater contra o meu.


Seu dedo percorreu minhas costas e eu sorri contra seu pescoço. – Nunca senti nada parecido, baby. – Sussurrou Romeo. – Foi perfeito. Levantei a cabeça, dei uma olhada no relógio e deixei minha cabeça cair na curva de seu pescoço. – Agora iremos chegar tarde. – Não me importa. Eles podem esperar. – Vamos lá, é melhor sairmos logo. – Sai de cima dele e corri para o banheiro, para me limpar. Quando saí, Romeo estava me esperando contra a parede, com o cabelo alvoroçado e sexy. – Última oportunidade para voltar atrás. – Disse ele esperançoso. Eu apenas peguei minha carteira prateada e lhe estendi a mão. – Vamos, Romeo, vamos pelo futebol. – Brinquei, forçando meu sotaque inglês. Com um intermitente sorriso relutante da parte dele, nos saímos.


– Uau! Realmente se superaram. – Falei, enquanto saíamos do Dodge. As luzes de Natal brilhavam em torno da grande mansão branca e atravessamos a soleira até o grande salão, ambos hiper conscientes e em busca de seus pais. De mãos dadas, caminhamos até o pátio na parte de trás da casa, onde uma impressionante tenda branca quase tão opulenta quanto o salão estava repleta dos jogadores dos Tide, todos de branco. Havia um quarteto de corda ao lado, elegantemente tocando – Canon em R maior do Pachelbel. Cass, Lexi e Ally nos viram primeiro, através da multidão e fizeram gestos para que nos aproximássemos de sua mesa, num canto mais afastado. Um garçom com smoking passou e nos ofereceu uma taça de champanhe. Entre brincadeiras, Romeo pegou uma enquanto eu rejeitei educadamente e tomei suco de laranja. Hoje eu gostaria muito de poder beber álcool, para adormecer o estresse da noite. Caminhei com as garotas, cumprimentando as pessoas que passavam por nós e em questão de minutos, Austin e Jimmy-Dom estavam ao meu redor, um de cada lado, aí me dei conta que eles estavam levando a história de custódia pessoal bem a sério. Romeo sussurrou algo para Ally, enquanto eu conversava com Cass, que, de repente, empalideceu e inclinou o queixo para trás de mim. Olhamos para trás e os pais de Romeo estavam se aproximando de nós, com grandes sorrisos falsos. Atrás deles estava Shelly, caminhando majestosamente entre a flor e nata da sociedade Tuscaloosa, em um vestido branco e justo, o cabelo comprido, reto e vermelho, caia até seus grandes peitos.


Romeo se posicionou atrás de mim e agarrou minha mão com tanta força que quase restringiu o fluxo de sangue aos meus dedos. Sua mãe, que como de costume, cheirava a álcool, jogou os braços na direção de seu filho. – Romeo, querido! Parabéns pela sua grande vitória. – Ela envolveu os braços ao redor de seu corpo rígido, beijou sua bochecha no ar e se moveu para perto de mim, o endurecimento de sua boca demonstrou seu desgosto por minha presença. – Molly! Que prazer vê-la novamente, está impressionante! – Ela praticamente cantou as palavras, enquanto tentava me abraçar, eu nem me movo. – Como você está? Fiquei em silêncio. Ela não receberia exibicionismo de mim diante de seus convidados. – Está tudo bem, mamãe. – Respondeu Romeo, brandamente. Joseph Prince se adiantou e ofereceu a mão a Romeo. – Filho. – Papai. Ele assentiu para mim, em sinal de saudação. – Molly. Dei-lhe um gesto firme. O ar que nos rodeava pareceu parar, enquanto ficamos imóveis e tentamos manter um ar de alegre cortesia em benefício dos outros. Dei-me conta que os Prince ignoraram nossos amigos e quando Ally, sua sobrinha, tentou dizer olá, a ignoraram também. Pelo olhar divertido em seu rosto, ela não se incomodou nenhum um pouco.


Shelly deu um passo adiante, com um sorriso brilhante e foi abraçar Romeo, que deu um passo atrás e lhe lançou um olhar de incredulidade. – Sem falsidades, Shelly. – Falou ele, com ferocidade. Ela fez uma careta e se juntou a mãe dele, que estava claramente zangada com o rechaço em público de menino de ouro. Logo eles se viraram e se foram, sem dizer mais nada. – Menos mal! Foi muito estranho? – Falou Cass, já sentada e fazendo com que o tenso silêncio se rompesse. Puxei Romeo para o lado. – Está bem, querido? Ele me deu um suave beijo na bochecha. – Sim, não posso suportar tanta falsidade. E que demônios deu em Shelly? – Sinceramente não sei. Ficaremos aqui, apenas por umas horas. Superaremos. Suas sobrancelhas se arquearam. – Famosas últimas palavras, Shakespeare. Famosas. Últimas. Palavras. Ao jantar pareceu monótono. Foi previsivelmente ostentoso e em sua maior parte desnecessariamente pomposo, mas nos sentamos com nossos amigos e tentamos tirar proveito da companhia um do outro. Os discursos foram terríveis. Quando Kathryn Prince falou de seu amado filho; que estava muito orgulhosa de seus feitos no futebol e tinha muita esperança em sua carreira na NFL, praticamente tive que segurar Romeo, para ele não virar a mesa e enlouquecer de novo. Agarrei seu braço, inclinei-me até seu ouvido e tentei acalmá-lo, dizendo-lhe o quanto o amava e outra vez com a mão colocava sua mão contra minha barriga. Pareceu funcionar.


As mesas foram limpas e todos se moveram para a pista de dança central. Romeo, ao escutar os primeiros acordes do Lynyrd Skynrd de "Sweet Home Alabama", levantou-se e me puxou. – Vamos, Shakespeare. Todo verdadeiro cidadão da Bama tem que dançar isto, como um rito de passagem. Eu ri, enquanto ele envolvia os braços ao meu redor e se movia sedutoramente pela pista de dança, cantando a letra em meu ouvido, muito fora de tom. Centenas de olhos nos observavam, enquanto dançávamos com sorrisos felizes no rosto. Romeo me fez girar em seus braços e me colocou junto ao seu corpo, para me dar um beijo espetacular, que foi recebido com aplausos.

Bala e seu amuleto da sorte eram centro das atenções,

novamente. Por desgraça, também vi Kathryn Prince nos olhando e balançandose instavelmente, provavelmente pela quantidade de álcool que ingeriu. Ela fez uma careta, porque estávamos desfilando nossa relação na frente de todos os seus convidados e não pude evitar de dar um sorriso. Sabia que isso alimentaria sua raiva, mas ela não podia fazer nada na frente dessas pessoas. Romeo se asseguraria disso. Quando a música chegou ao fim, o treinador dos Tide se aproximou, batendo nas costas de Romeo e lhe pedindo que fosse falar de futebol, com algumas pessoas importantes. Romeo se abaixou, para falar no meu ouvido. – Estarei de volta assim que eu puder. Fique com alguém, certo? – Certo. – Serei rápido. – Ele beijou minha mão e caminhou até um grupo de homens, que lhe esperavam.


Fiquei com meus amigos durante mais de uma hora e Romeo não apareceu. Bebi alguns sucos de laranja e tive que ir ao banheiro de novo, pela enésima vez essa noite. Levantei e Jimm-Dom se levantou também. – Jimmy-Dom, vou ao banheiro... Outra vez. Posso fazer isso por conta própria. Honestamente, fique aqui com Cass, divirta-se, enfim. – Não. Vamos com você, querida. Está presa a mim. Apertei seu braço em sinal de agradecimento e gritei para as meninas: – Vou ao banheiro. Digam isso a Romeo se ele voltar antes de mim. – Então entrei na casa, em busca de um banheiro. Tinha acabado de passar pela grande escada central quando Cait se aproximou de mim, com um pedaço de papel. – Ouça, Molly, me disseram para lhe entregar isso. Um bilhete. Revirei os olhos e o abri.


Rapidamente usei o banheiro e quando saí, mostrei o bilhete a JimmyDom. Ele sorriu e balançou a cabeça. – O que acontece com vocês dois? Vamos, te levarei até lá e a deixarei. Abracei-o, dei-lhe um sorriso de agradecimento e caminhamos pela casa cheia, para encontrar a biblioteca. Jimmy-Dom fez o que disse, deixoume na porta e se foi. Entrei sozinha na enorme biblioteca antiga e fechei a porta atrás de mim. Imediatamente as prateleiras e prateleiras de livros, do chão ao teto, com várias escadas de rodas ao longo do cômodo para se ter acesso aos volumes mais altos, me fascinou. Aquilo parecia o céu, o céu de um rato de biblioteca. Poderia passar horas em um lugar como este, perdida nas páginas, que nos transportava a outros mundos, outras vidas, fazendo-nos esquecer a realidade, durante um tempo. Minha nerd interior começou a dar cambalhotas de tanta emoção. Analisei o cômodo com uma grande lareira de pedra e sofás de couro, procurando Romeo; mas parecia completamente vazio. Ele estaria tramando alguma coisa? Sorri com entusiasmo e cantei: – Romeo, Romeo, onde você está, Romeo? – Não houve resposta. – Romeo? Nada. – Romeo, você está aqui? – De repente senti um frio na espinha, seria uma armadilha? Mas o bilhete... Pensando com calma a letra estava um pouco diferente, mais ele poderia ter escrito com pressa. Eu não estava com um bom pressentimento. Ouvi o trinco da porta, atrás de mim e quando me virei, Shelly e Kathryn Prince, estavam lá, de pé na entrada da biblioteca e sorrindo de forma maliciosa.


Meu frio na espinha se transformou em terror. Kathryn cambaleou para frente, excessivamente ébria e parecia ter sangue nos olhos. – Bom, olá Molly. Encontramo-nos novamente. Dei uns passos até o final de uma mesa de madeira, criando alguma distancia entre nós. – O que acha que está fazendo? – Olhei primeiro Kathryn e logo para Shelly, que parecia nervosa e ainda estava na porta. – Recebeu o bilhete? Meu pressentimento se confirmou. Elas me enganaram e eu caí como uma ratinha na armadilha. – Shelly, me contou sobre os repugnantes e bregas bilhetes que você e Romeo trocam, ela esteve observando-os, assim eu soube como te tirar da proteção de seus amigos. Rodeamos a mesa, como combatentes numa arena. – Estive fazendo uma investigação, senhorita Shakespeare do Durham, Inglaterra. Ela viu minha expressão de choque e riu com malícia. – Mmm... Sim, foi uma descoberta muito interessante. Inclinei o queixo, tentando demonstrar que ela não me perturbava. Mas era justamente o contrário. – Vamos ver... – Ela levou um dedo à boca, enquanto fingia pensar. – Pobreza, classe trabalhadora, vivendo no que se pode descrever como nada mais que um casebre. Mamãe morre de parto e a deixa aos cuidados de um pai mineiro, alcoólatra, que, quando você era apenas uma menina... – Ela


sorri, mostrando seus dentes muito brancos. – Decidiu que não valia à pena viver por você, então cortou os pulsos, na banheira. – Ela bateu as mãos sobre a mesa de madeira. – Estou perto, Molly? Está entendendo? Entende que não pertence a nenhum lugar perto da minha família? As lágrimas se amontoaram em meus olhos, mas me mantive firme, imóvel. Dei uma olhada em Shelly, que aparentemente vigiava a porta. Ela parecia surpresa. Era possível que ela não soubesse que esse pequeno batepapo de intimidação se converteria em destroçar minha vida? Kathryn ficou a apenas alguns metros de distância; ela tomou vantagem da minha paralisação. – Balanço rápido, oito anos depois a avó descobre um câncer avançado no pulmão, por causa do fumo, então a pequena Molly tem que cuidar de si mesma, até que oops! A avó também morre, deixando Molly sozinha, então ela é jogada em um lar adotivo. Esfreguei o peito enquanto lutava para respirar, meus pulmões pareceram parar de funcionar, pela dor que suas palavras causara. Minhas pernas se debilitaram, estavam muito fracas para me mover e quando ela se aproximou, seu pútrido hálito de uísque quase me fez vomitar. – Mas esse não é o fim, não é? Molly volta a afundar em ansiedade e depressão e necessita de ajuda, terapia... Um montão de terapia. Mas não funciona. Assim ela pensa em um plano, casar-se com um homem rico! Ela é inteligente e manipuladora, por isso foge de Oxford para tentar pegar algum idiota rico, que caia em seus encantos. Não é assim, querida? Neguei, sacudindo a cabeça. – Nunca faria isso! Deixe de inventar coisas! A ira envolveu seu rosto. – Inventar? O nome Oliver Bartolomeu soa familiar para você? Saiu com ele, não é verdade? O filho de um conde? Então quando isso não funcionou, veio para cá e cravou suas garras em Romeo, na primeira


oportunidade que teve, sua puta caça fortunas! Sabia que ele era rico e o convenceu a ficar com você, não foi? Mas ele esta destinado a ficar com ela! – Ela apontou para Shelly, que agora andava de um lado para o outro, parecendo cada vez mais angustiada. – Oliver e eu fomos amigos. Saímos um tempo, mas depois não quis mais nada com ele. Ele também ajudava nas pesquisas acadêmicas, trabalhamos juntos, foi só isso. Era um bom amigo e doce. Não diga que o que tínhamos era sórdido ou premeditado, porque não era. O fato que ele era rico não significava nada para mim! Ela agarrou meu queixo e puxou minha cabeça para perto de seu rosto. – Assim como não lhe importa que Romeo também seja rico? Dê-me um tempo! Ele não deveria estar com você, sua puta! Tem que deixá-lo para que ele possa cumprir seu dever com esta família e deixar de ser um fracassado, ao menos uma vez na vida! Ou do contrário vai se arrepender! Minha ansiedade se desvaneceu quando o impulso de defender Romeo foi mais forte. Ela ia me bater, mais segurei sua mão. – Arrepender-me como? Ele tem sonhos, sabia? Ele quer jogar futebol... Ele vai jogar futebol profissionalmente e não há nada que você possa fazer para impedi-lo. Você sabe o quão talentoso ele é? Que é considerado o melhor jogador de todas as Universidades? Ele me ama e eu o amo e nada do que você fizer vai nos destruir! – Inclinei-me e lhe disse em voz baixa, para que só ela pudesse ouvir. – Eu sei tudo. Ele me contou tudo sobre você, senhora Prince, sua infância, as surras... Tudo. E me refiro a tudo. Não terá poder sobre ele nunca mais. Você tem ideia do que fez à ele? Tem ideia de como ele luta para conter a ira por ter passado anos ouvindo que não era desejado e sim um inútil? Caminhei ao redor da mesa, deixando-a imóvel, sem palavras e me apressei em direção à porta, onde Shelly inteligentemente saiu da frente para me deixar passar.


Enquanto me aproximava da porta, ouvi um chiado forte e unhas afiadas cravaram no meu braço e me girou. As costas das mãos curvadas de Kathryn se aproximou do meu rosto, me batendo e me desequilibrando. Ela me deu um forte empurrão, fazendo com que minha barriga acertasse a borda da mesa de mogno, com muita força. A princípio fiquei aturdida e meus movimentos lentos. Tentei ficar de pé, mas uma dor aguda e muito forte, parecendo pontadas, surgiu na minha barriga, então pensando apenas no meu filho, eu gritei, o mais alto que eu pude. Minha visão estava imprecisa, enquanto umas dores insuportáveis atormentavam meu corpo; desabei-me no chão, tentando agarrar em alguma coisa, para ajudar aliviar as pontadas. Levantei a cabeça para pedir ajuda e vi Shelly, ofegando, com as mãos sobre sua boca e olhando em minha direção com horror. Olhei para baixo e meu vestido branco estava coberto de sangue. Um tsunami de dor se apoderou de mim; eu soluçava enquanto uns espasmos agônicos esfaqueavam minha coluna vertebral, estômago e pernas, impedindo-me de me mover. Coloquei uma mão entre as pernas e quando a tirei eu vi sangue. Minha visão embaçou e ao ver minha angústia Shelly saiu correndo da biblioteca, gritando Romeo. Arrastei-me até a borda da mesa e tentei levantar, mas as convulsões eram insuportáveis. – Está grávida? – Kathryn chiou. – Pequena cadela! – Ela bateu em meu rosto outra vez, ainda mais forte que a primeira vez, a força do golpe me jogou no chão. Sem forças, apoiei a bochecha no tapete, encolhi as pernas no peito e tentei respirar, através da dor. Senti um movimento na porta da biblioteca e quando levantei a cabeça, várias pessoas me olhavam, alarmados.


– Saiam do meu caminho! SAIAM! – Ouvi a profunda voz de Romeo, quando ele entrou na sala. A expressão atormentada em seu rosto quase fez com que meu machucado coração se rompesse completamente. – Mol! Porra! Querida, estou aqui! Estou aqui. – Romeo caiu no chão junto a mim, com as mãos tremendo, tentando descobrir o que fazer. Ele não podia fazer nada, eu tampouco. Olhei-o, mas as lágrimas nublavam minha visão. – Romeo, nosso bebê, nosso bebê... Estou perdendo nosso bebê. Ajude-me... Por favor. – Chorei, de uma maneira incontrolável. Um grito de angústia saiu de seu peito. – Alguém chame o 911. Ela está perdendo o nosso bebê! – Já estão a caminho, cara. Logo estarão aqui. – Reconheci o acento texano do Jimmy-Dom. Observei aturdida à medida que mais e mais pessoas entravam na biblioteca e quando virei a minha cabeça, Cass, Lexi, Ally, Austin, Reece, e Jimmy-Dom me olhavam, consternados. As garotas tinham os braços ao redor uma da outra e choravam abertamente enquanto olhava eu me contorcer de dor, coberta pelo próprio sangue. Romeo se aproximou de mim, me puxando suavemente para o seu colo e me segurou firmemente nos braços, me balançando para frente e para trás, com a bochecha úmida sobre minha cabeça. – Shh, querida, sinto muito. Sinto muito. Estou muito, muito triste. Queria poder fazer alguma coisa. Levantei a mão e meu sangue deixou grossos rastros em sua bochecha. – Acredito que nosso bebê se foi. Sinto muita dor. Nosso bebê se foi... – Um chiado agudo brotou de minha garganta quando outro espasmo se apoderou de meu ventre.


Lágrimas caiam dos olhos de Romeo e aquilo me doeu ainda mais. Minha visão embaçou enquanto eu tentava registrar as pessoas ao redor, com as cabeças baixas, olhando a cena, alguns apenas olhando e outros orando a Deus por ajuda. – Onde está a maldita ambulância?! Ela está grávida, maldita seja... Está grávida... Nosso pequeno anjo... – Romeo gritou, angustiado. Ele roçou minha bochecha com o polegar e seus olhos se arregalaram. Ele inclinou a cabeça até meu ouvido. – Baby? Por que seu lábio está sangrando? Que demônios aconteceu com você? Olhei-o fixamente, mas ele parecia desfocado e distante. Sentia-me desconectada do meu corpo, como se estivesse flutuando e vendo aquele horror acontecer. Sentia-me cada vez mais sonolenta e minha energia se esgotava com cada jorro de sangue que saía entre minhas coxas. – Mol! – Ele implorou , me apertando contra ele como se pudesse deter meu desvanecimento. – Mol! Fique comigo. Mol! – Sua... Mãe a empurrou e ela caiu contra a mesa. Não... Não sabíamos que ela estava grávida... Só estávamos tentando assustá-la. As coisas saíram do controle... Reconheci a voz carregada de culpa de Shelly. Romeo se esticou, a fúria possuiu seu corpo e ele rugiu. – Onde ela está? – Ela saiu pelas portas laterais. – Informou Shelly, em tom de desculpa. Rome se moveu, seus fortes braços tentaram me soltar, mas agarreime a ele com toda a força que eu tinha. Sentia-me estranhamente só e queria Romeo junto a mim, me segurando. – Por favor... Não me deixe... –


Sussurrei, meu coração doía ao ver seus lindos olhos escuros cheios de lágrimas. Uma vez que Romeo voltou a me aconchegar em seus braços, parei de segurá-lo e a dor diminuiu, rápido, como se meu corpo estivesse me dizendo que nosso Anjinho dizia um resistente adeus. – Baby, sinto muito... Nosso Anjo... Nosso Anjo... O formoso rosto ferido de Romeo foi à última coisa que vi, enquanto meus olhos perdiam a visão e eu me rendia à escuridão.


A princípio tudo que ouvi foi o som do monitor cardíaco perfeitamente sincronizado. Bip-pausa-bip-pausa-bip. Minha garganta estava totalmente seca e a cada vez que eu engolia era como se lascas de madeira estivessem rasgando o tecido muscular. Movi minhas pernas ligeiramente, me encolhendo de dor, enquanto meu ventre se contraía. Abri meus olhos, um pouco e me deparei com um teto claro e tubos fluorescentes. Um televisor estava ligado, mais sem som, num canto e cadeiras de plástico de todas as cores rodeavam minha cama. Levantei meu braço para encontrá-lo enganchado a uma intravenosa. Algo quente sustentava minha outra mão. Girei minha cabeça à direita e ali estava ele, meu Romeo, dormindo, suas duas mãos seguravam a minha. Ele estava sentado em uma posição nada confortável, em uma cadeira de plástico vermelha, sua cabeça descansava na beirada do meu colchão, próxima a mim. A boca dele estava um pouco aberta, enquanto roncava, ligeiramente, uma mecha de seu comprido cabelo cor areia se movia com cada respiração. Ele era lindo. Enquanto eu olhava fixamente para o meu namorado, tentei lembrar o porquê eu estava aqui. Pequenas imagens em preto e branco foram invadindo, aleatoriamente, minha mente; uma biblioteca, dor, gritos, sangue... A mãe do Romeo... Nosso bebê... Coloquei minha mão sobre a barriga, enquanto um alarmante frio se infiltrava por cada uma de minhas células. Tentei puxar minha outra mão e a senti ser apertada. Girei a cabeça procurando ver o que estava me impedindo de levantar a mão e encontrei Romeo me observando, com os


olhos inchados, confuso, a parte branca estava avermelhada e seu olhar chocolate estava carregado de tristeza. Senti-me literalmente paralisada. – Romeo? Nós... Nós... O... – Eu não conseguia dizer as palavras em voz alta. Pois falá-las tornaria tudo real e eu não queria acreditar no que tinha acontecido. A mandíbula de Romeo ficou tensa e lágrimas começaram a cair dos seus lindos olhos, correndo pelo seu rosto sem barbear e no lençol branco, de algodão. Observei-o enquanto ele soluçava, de forma involuntária, e lentamente assentiu, me olhando com atenção e agarrando minha mão. Aproximei-me mais, colocando nossas mãos unidas no meu peito e liberei a angústia contida dentro de mim. Fortes soluços me invadiram e Romeo cobriu meu corpo com o dele, como se ele pudesse me proteger, fisicamente, da minha intensa agonia. Tínhamos perdido nosso bebê. Eu não ia ser mãe. – Sinto muito... Tudo é minha culpa. – Girei a cabeça, soluçando e secando as lágrimas. – P... Por que você se culpa? Você não fez nada errado. Romeo sacudiu a cabeça. Cheguei para o lado e puxei, ligeiramente, a mão dele, para que ele se deitasse junto a mim. Tão rápido quanto possível, Romeo subiu no fino colchão e colocou a cabeça junto a minha, no pequeno travesseiro branco. Nossas mãos estavam entrelaçadas, como se fossem uma. Romeo levou nossas mãos aos lábios, colocou a minha sobre sua boca e a beijou e acariciou. – Matei nosso bebê, Mol. Não a protegi. Decepcionei você.


Eu estava tão emocionada que quase não conseguia falar. Romeo, a estrela de futebol. O homem sempre implacável e cheio de energia estava se desmoronando. – Não havia nada que pudesse ter sido feito. Ele fechou os olhos com força. – Eu não deveria ter deixado você sozinha, nunca, nem por um segundo. Sabia que meus pais iam tentar alguma coisa. Não deveríamos ter ido. Devia ter concordado que você ficasse em casa, onde ambos estariam a salvo. Agora... – Ele apoiou a cabeça na minha e suas lágrimas continuavam caindo, enquanto ele falava. Deixei que ele desabafasse e quando ele se acalmou, com muita tristeza eu voltei a falar. – Romeo, meu coração está destroçado. Justo quando acreditei que nada

mais

poderia

me

machucar,

recebo

uma

apunhalada

dessa,

diretamente no coração. O que fizemos de errado, para que a vida fizesse isso conosco? Tenho a sensação de que perco todos que amo: minha mãe, meu pai, minha avó e agora nosso bebê. Não posso suportar mais dor. É muito para eu lutar... Simplesmente não posso mais. Tremendo, Romeo me apertou contra o peito. – Não sei por que lhe tiraram sua família, baby, mas sei que está arrasada. Porém a culpa pelo que aconteceu com nosso filho, foi da minha mãe. Shelly contou tudo para Ally, sobre o falso bilhete, as acusações. Eu já tive o suficiente deles. Eles são um veneno para nós, Mol, um veneno. Você é tudo

que

me

resta...

Não

fuja

do

que

sentimos

um

pelo

outro.

Simplesmente... Não fuja. Tudo o que eu sentia era dormência, meu corpo ignorou a dor e voltou ao modo auto-proteção, o qual Romeo havia eliminado meses atrás. Ele distribuía beijos, desesperados e suaves por todo meu rosto.


– O que aconteceu comigo? Não me lembro de quase nada. Romeo brincava com pulseira de identificação do hospital que estava em meu pulso, enquanto parecia reviver o trauma da noite anterior. – Os paramédicos chegaram e trouxeram você para cá. Vim com você. Nossos amigos ainda estão no andar de baixo, não arredaram o pé daqui. Você está aqui há mais ou menos vinte e quatro horas. O impacto que você teve quando bateu a barriga na mesa, causou uma hemorragia interna. Precisou de uma cirurgia. Concentrei minha atenção no teto, contando os pequenos painéis brancos com indiferente fascinação. – Ainda poderei ter filhos? Romeo afastou, suavemente, meu cabelo do rosto, enquanto segurava, firmemente, meu corpo inerte em seus braços. – Sim, foi à primeira coisa que perguntei, baby. Eu não... Não sabia se você iria querer grávida logo, ou se deveríamos tentar novamente, quando você estiver melhor. Mais eu perguntei. A única coisa que quero é que seja feliz, da maneira que você quiser. Fiquei rígida e ele me apertou com mais força. – Sinto muito, Mol. Eu não deveria ter falado sobre isso. É muito cedo, muito recente, me perdoe. Simplesmente me perdoe por tudo. Eu a amo tanto e nosso Anjo nos deixou tão felizes... Ele nos transformou em uma verdadeira família. E agora nós o perdemos. Eu... Estou com medo de perder você também. Isso foi tudo que pensei enquanto você dormia. Tentei relaxar, enquanto sentia o singular aroma de hortelã e sabonete, de Romeo. Mas eu não consegui dizer nada. Sabia que ele precisava de uma resposta, que eu lhe prometesse que ia ficar ao seu lado, que tudo ia ficar bem, mas não podia dar nenhuma resposta a ele. Não


queria pensar. Não queria estar aqui, sem meu filho, em uma cama de hospital e com meu namorado despedaçado. Agarrando sua camiseta vermelha dos Tide, segurei-a entre os dedos, enquanto atravessávamos, em silêncio, várias ondas de dor, até que restou apenas o silêncio, vazio. Meus amigos vieram me ver, ofereceram suas mais sinceras condolências e falaram besteira, fazendo o melhor possível para me distrair. Ele nem precisariam se incomodar. Pois eu não senti nada... E nem uma vez respondi. Romeo, sentado ou deitado ao meu lado, na cama, ignorou os olhares estranhos que recebeu dos médicos, mas não se afastou, nem mesmo quando as enfermeiras passavam pelo quarto apenas para ver o devoto namorado se negando a sair de perto da namorada. Logo perceberam que a regra "horas de visita" não significava nada para o quarteback dos Crimson Tide e finalmente lhe permitiram ficar todas as noites em minha cama. Esse era o poder do futebol em Alabama. Romeo tentou falar comigo, algumas vezes, mas não respondi. Eu dormi... Muito, e quando não dormia, deitava ao seu lado em um estado de coma, auto-imposto. Era como se eu fosse um zumbi. Depois de dias me recuperando no hospital, o médico disse que eu teria alta, na manhã seguinte. Romeo imediatamente começou a embalar minhas coisas, numa bolsa que Ally havia trazido e ele não conseguia esconder seu alívio, por estarmos indo para casa. Casa. Em nenhum lugar eu me sentia em casa. A Inglaterra tinha as lembranças da família que perdi. Alabama agora, tinha a lembrança da perda do meu bebê. Em nenhum lugar eu me sentia em casa.


A professora Ross telefonou, para expressar seu pesar por minha perda. Ela iria para Oxford essa noite, para a conferência. Ela e Romeo decidiram que era melhor que eu não viajasse. Romeo me contou isso com cautela, esperando que eu protestasse e insistisse em apresentar minha parte do artigo, devido ao fato de eu ter trabalhado nele durante quase um ano. Eu simplesmente dei de ombros e voltei a dormir. Normalmente eu teria protestado. Mas naquele momento eu não pude reunir força suficiente para me preocupar. Romeo suspirava derrotado, a cada vez que me separava dele, fechando-me em mim mesma. Ele me observava, sempre estava me observando e seguia todos os meus movimentos. Ele podia ver que eu estava me afastando da dor. Eu sabia que ele estava fazendo o mesmo, porque se ele se permitisse sentir, eu não estava segura de poder sobreviver à avalanche de dor que ele colocaria para fora. Ele continuou repetindo que me amava e como sempre, suplicou que eu não o deixasse. Não prometi nada. Quando minha bolsa estava pronta e fechada, o telefone de Romeo tocou. Virei-me para ele e o observei, esfregar entre as sobrancelhas. – O que foi? – Perguntei. – Era o treinador. Precisa que eu vá a uma festa de caridade, no estádio, esta noite. Perdi várias entrevistas e eventos e, ele precisa do quarteback lá, para mostrar que estou com a equipe, até o campeonato. Ele se aproximou de mim, rapidamente. – Mas eu não posso deixar você assim. – Sim, você pode. Estou cansada de qualquer maneira. Preciso dormir. Grunhindo alto e exasperado, de forma agressiva ele deu um soco na parede.


– Pelo amor de Deus, Mol! Como pode estar cansada? Você dormiu durante dias, não fez nada durante dias! Entendo que foi operada, mas os médicos disseram que você deveria estar se sentindo melhor. Mas não, você está desfrutando da auto-piedade, Shakespeare. Você precisa se recuperar! Tentei ser paciente, mas já chega! Eu também perdi meu bebê, não foi só você que o perdeu, mas estou aqui, ao seu lado, enquanto você meu excluiu e está agindo como se eu fosse um maldito estranho para você. Eu era o pai, pelo amor de Deus! Mas eu não posso fazer isso sozinho. Tenho muito no que pensar e me preocupar; você desse jeito, desligada do mundo, dar o campeonato ao time... As esperanças de todo um estado estão sobre mim. Preciso que me ajude, Mol, não que se afogue em sua própria maldita miséria. Quem está me apoiando? Diga-me? Estou sofrendo também! Observei-o enquanto a antiga raiva que o atormentava, quando nos conhecemos, o invadia. Ele olhou nos meus olhos, fixamente e zangado ele se aproximou da cama, depois me levantou e pressionou seus lábios contra os meus. Não lhe devolvi o beijo e ele deitou de volta, quase grunhindo de frustração. – Pelo amor de Deus! Por favor. Por favor. Não faça isso, você está começando a me assustar. Você precisa começar a trabalhar isso e enfrentar o que aconteceu. Simplesmente me virei e olhei fixamente para o nada. – Não suporta sequer me olhar? Entrecerrei os olhos, virei minha cabeça rapidamente para encará-lo e zangada, eu gritei: – Ok! Estou olhando para você! Agora me diga, Romeo, como que você gostaria que eu trabalhasse com isso? Com o fato de que sua mãe matou o meu bebê?


Romeo deu uns passos para trás, como se tivesse sido golpeado e me respondeu com os dentes apertados: – Nosso bebê, nunca se esqueça disso. Estive com você em todos os momentos, até o final... Continuo aqui. Ainda estou aqui porra, tratando te tirar desse buraco ao qual você se enfiou! Dei de ombros com indiferença e lhe dei as costas, pesar e culpa começou a me invadir, mas os afastei, para muito, muito longe. Não podia me permitir sentir, não agora. – Sabe o que? Dane-se! Estou indo embora! – Romeo saiu pesaroso pela porta e observei enquanto ele caminhava apressadamente pelo corredor, com as costas rígidas de tensão. Exalei lentamente e fechei os olhos, desejando não acordar nunca.

Um jornal foi jogado contra a mesinha de cabeceira, me acordando. Uma muito bêbada Kathryn Prince estava ao pé, ao lado da minha cama, com a porta do meu quarto particular, fechada e as persianas baixadas. Eu estava sem saída. – O que você está fazendo aqui? – Perguntei zangada e me sentei rapidamente, para me apoiar contra os travesseiros. Ela sorriu e cambaleou até a cadeira, deixando-se cair sentada, ao meu lado, dali eu conseguia sentir o cheiro de uísque. Estava completamente desalinhada, seu perfeito cabelo loiro estava bagunçado, havia escuras olheiras em volta dos seus olhos e seu batom vermelho estava um pouco borrado. Inclinando-se, ela apontou o dedo magro para mim e seu rosto adquiriu uma expressão cruel.


– Você nos arruinou, pequena puta. Observei-a sem expressão, enquanto lutava contra a ansiedade paralisante que começava a formar em meu peito. – Você arruinou a si mesma. Assassinou nosso bebê! Seu neto! – Essa abominação nunca deveria ter sido concebida. Era a escória igual à mãe! Senti-me como se tivessem me crucificando. Meu bebê não era escória. Ele era perfeito e amado. A senhora Prince empurrou o jornal em minha direção. – Leia. O editor não é um grande fã do meu marido e nos enviou uma cópia antecipada. Um pequeno presente por termos o processado, há alguns anos atrás. Estendi a mão e tremendo peguei o jornal. – Oh, Meu deus. O que é isto? – Excelente leitura, não é? Na capa havia uma foto minha, na noite do jantar, em uma maca, do lado de fora da casa, sendo transportada à ambulância, meu vestido branco estava manchado de sangue, havia uma máscara de oxigênio em meu rosto e Romeo estava segurando minha mão, com uma expressão desconsolada e também coberto de sangue. A imagem ao lado mostrava ao Sr. Prince, usando um terno, do lado de fora dos escritórios Prince Oil. O título dizia: "A NOIVA DO QUARTEBACK, ESTRELA DO TIDE, SOFRE UM ABORTO EM MEIO A UM ESCÂNDALO DE LAVAGEM DE DINHEIRO NA PRINCE OIL."


Senti uma pressão no peito e levantei o braço, esfregando meu peito, tentando diminuir a dolorosa pressão. Mais não adiantou. A imagem... Minha imagem perdendo meu bebê... A dor me consumia de dentro para fora. E eu não podia fazer. Eu não podia aceitar a realidade da visão, a expressão destroçada de Romeo enquanto segurava minha mão. Escutei uma risada malvada e Kathryn se inclinou sobre mim. – Por essa expressão em seu rosto pode ter valido apena! – Ela afastouse. – Você destruiu minha família, sua maldita cadela. Agora suma daqui. Deixe o Alabama e não volte nunca mais. Que nada fique perdido por aqui. Romeo não irá querer você depois disto, depois de arruinar nossa reputação e destruir o negócio da família dele. E se pensar em ficar, irei me assegurar de afundá-la comigo e que Deus me ajude, pois não sei do que serei capaz de fazer! Os Princes serão motivo de piada por todo o Alabama graças a você... – É por isso que estava pressionando ele para casar com Shelly? Queria o dinheiro do pai dela, precisavam de uma conexão legal antes que descobrissem o que tinham feito. – De repente tudo começou a fazer sentido. Romeo tinha razão ao suspeitar deles. – Era o que o bastardo e promíscuo do meu marido tinha que fazer e ele teria feito se Romeo não tivesse conhecido você! Agora todo mundo sabe, é um escândalo. Meu marido foi detido. Perdemos tudo por sua culpa! Tudo! – Não. Perderam tudo por vocês mesmo! – Falei bruscamente. Ergueu levantou a mão e deu um forte soco no meu estômago, me fazendo gritar de dor. Freneticamente, procurei o botão de emergência ao lado da cama, mas a senhora Prince colocou as mãos em volta do meu pescoço e começou a me estrangular, mais e mais enquanto eu pressionava desesperadamente e repetidamente o botão.


Senti uma dor aguda e minha visão ficou turva, quando uma das enfermeiras entrou no quarto. – Ajude-me... Por favor. – Pedi, com a voz rouca. A enfermeira gritou no corredor, pelos seguranças, eles logo apareceram e arrastaram Kathryn de cima de mim, imobilizando seus braços atrás das costas. Tossi e respirei profundamente, várias vezes, enquanto os seguranças a levavam para longe. Ela esperneava e gritava em seu estado de embriaguez. – Destruirei você se permanecer aqui, afundaremos ambas! Não tenho nada a perder! Coloquei a cabeça entre as mãos. Os acontecimentos dos últimos dias estavam quase me sufocando e a implacável dor estava me destroçando de dentro para fora. Eu não podia mais ficar aqui. Precisava me afastar de toda a dor e tristeza. – Querida, você está bem? Levantei os olhos e uma jovem e gordinha enfermeira estava na minha cama, abraçando-me. Eu assenti. –Tem certeza? – Sim. – Querida, a polícia está a caminho. – Levantei-me da cama. – Não, não! Não mais! Não posso... A enfermeira segurou meu braço e falou com voz tranquilizadora. – Essa mulher a agrediu, Molly. Você precisa denunciar o que ela fez. – Deixei meu corpo cair contra a enfermeira. Ela estava certa e essa seria a última coisa que faria por Romeo. Ajudaria ele a ficar livre dos seus pais e


me asseguraria de não manchar, ainda mais, a reputação dele. Seus pais haviam se rebaixado, muito e eu ajudaria a dar o empurrão final. Romeo finalmente seria livre deles. –Está bem. – concordei. – Boa garota. Você quer que eu chame Romeo? – Fingi um sorriso e sacudi a cabeça, negando. – Não, por favor, não. Ele está numa festa de caridade, no estádio e não quero interrompê-lo. O time e os torcedores precisam dele. Apertando meu braço, ela falou com admiração: – Você é uma boa pessoa, senhorita Shakespeare, uma boa pessoa. Ela saiu do quarto e após um momento, a polícia chegou. Dei minha declaração, para falar a verdade, contei tudo, cada pequeno detalhes e senti como se minha alma estivesse se rompendo, a cada detalhe, a cada frase. Quando a polícia se foi, peguei meu telefone e fiz uma ligação. – Molly, está tudo bem? – Professora, a senhora já foi para o aeroporto? – Estou no táxi, indo para lá, por quê? – Minha passagem ainda está disponível? – Bom, sim... Mas, Molly você não está bem. – Estou bem. O médico me deu alta. Poderia vir me buscar no hospital? – Agora? – Sim, agora. – Falei rapidamente, impaciente. Houve uma longa pausa e um suspiro descontente.


– Estarei aí em quinze minutos. – Estarei esperando. – Desliguei o telefone, respirei fundo e tirei o acesso de soro da minha mão. Juntei algumas coisas que Romeo não tinha colocado na bolsa, estremecendo-me diante da quase imperceptível dor em minha barriga, então, vesti uma calça jeans e uma camiseta e peguei minha bolsa. Saí no corredor vazio e caminhei até a porta principal, exatamente quando o táxi de Suzy parava. Eu rapidamente entrei no carro e ela me olhou com ceticismo. – Está fugindo de novo, não é, Molly? – Não posso ficar aqui agora. – Falei em um sussurro. Então saímos do estacionamento do hospital rumo à estrada. – Romeo não sabe, não é? – Quando ele ficar sabendo, vou estar a quarenta mil pés de altura. Ele estará melhor sem mim. – Ela se virou para mim, com evidente decepção em seu rosto. – Não, não estará, Molly! Não pode... – Professora... Por favor, eu simplesmente não posso ficar... Tenho que ir! Ela passou os dedos na testa, marcada pela idade e perguntou: – Está com seu passaporte? – Na minha bolsa. Por sorte precisei dele no hospital. Então voltamos para Oxford. No caminho do aeroporto para a Universidade, apoiei a cabeça no banco do taxi e observei os amarelos campos de trigo, que passavam rapidamente. Lágrimas caíam dos meus olhos, enquanto eu me lembrava de


Romeo. Por um momento, duvidei da minha decisão, mas quando me lembrei das imagens no jornal, todas as dúvidas desapareceram. Eu não podia ficar lá. Precisava fugir.


UNIVERSIDADE DE OXFORD, Inglaterra. – Em nome da senhorita Shakespeare e meu, obrigada pela presença. – A professora Ross se juntou a mim, no canto do palco, enquanto umas trezentas pessoas aplaudiam vigorosamente nossa apresentação. Com certeza satisfeitos. Cumprimentamos o reitor e educadamente pedi licença e saí da sufocante sala de conferências, eu precisava de um pouco de ar fresco. Cheguei ao pátio aberto e o frio invernal golpeou meu rosto, me dando uma sacudida necessária, para eu despertar. Levantei meu rosto para o céu e grandes e delicados flocos de neve tocaram minha pele fria. Isso me fez sentir viva... Bem, semi-viva. Eu ainda estava dormente. Coloquei minhas luvas de couro, preto e examinei o campus vazio. A neve branca coroava as altas e elaboradas torres e telhados dos edifícios antigos, fundindo-se em um maravilhoso inverno e dando um ambiente Dickensiano à prestigiosa universidade. Eu adorava Oxford no inverno; era um dos lugares mais belos do mundo. Era minha Meca, meu Santo Graal, ou ao menos costumava ser. Agora eu me sentia como uma impostora. Um vagabundo perdido, longe, muito longe de casa. A maioria dos estudantes estava fora, devido às férias de Natal e eu tinha passado o Natal sozinha, em meu quarto, com uma grande taça de vinho e tentando não pensar em como teria sido essa data na casa de Ally, em Birmingham, com Romeo e... Nosso bebê. Quando Suzy e eu chegamos a Oxford, nos disseram que nossos anfitriões tiveram que atrasar nossa apresentação, que seria em uma


conferência, por uma semana, o que por mim foi bom. A equipe de arqueólogos do Campus havia encontrado restos do que pensavam ser uma antiga tumba real e o enfoque inicial foi dado para que pudessem transmitir os resultados da descoberta à imprensa. Eu, particularmente, estava contente. Precisava de tempo para pôr minhas ideias em ordem. Eu sentia saudades de Romeo. Sentia tanta saudade que às vezes pensei que ia morrer, de tanto que meu peito doía. Havia duas semanas que estávamos na Inglaterra e eu ainda evitava meu telefone e principalmente a caixa postal. Amava-o muito, mas não podia voltar. Todo mundo sabia que eu tinha sofrido um aborto e eu não podia enfrentar todas aquelas pessoas me olhando com piedade e se compadecendo. Respirando tranquilamente, caminhei até a Câmara Radcliffe, a biblioteca mais incrível e que armazenava milhares de livros na área da minha especialização. Quando eu mergulhava nos livros a dor parecia ir embora e eu pensava menos em Romeo, enquanto estudava. Era mais uma fuga. A neve rangia como folhas torradas sob minhas pesadas botas de inverno e eu fechei meu grosso e acolchoado agasalho preto, protegendo meu peito do frio. Eu estava quase na porta da biblioteca quando escutei alguém chamar meu nome: – Molly? Molly Shakespeare? É você? Olhei por cima do ombro e encontrei o rosto surpreso de Oliver Bartolomé. Encolhi-me internamente, ante o desconforto do encontro surpresa. – Olá, Olly, quanto tempo. Seu rosto se iluminou e com um grande sorriso ele veio em minha direção e me deu rápido e rígido abraço.


– Meu Deus, Molly, quase não a reconheci. Onde estão seus óculos? Seu cabelo... Está completamente diferente... No bom sentido. – Ele gaguejou nervosamente enquanto avaliava minha aparência, com seus brilhantes olhos azul safira. – Obrigada. Estou usando lentes de contato e minha amiga americana, deu um jeito no meu cabelo... E em todo o resto. – Fiz um gesto para o meu corpo. – Bom, ela fez um excelente trabalho. Está linda. Mas certamente, você sempre foi bonita. Dei um sorriso falso. Aquilo não significava nada para mim, eu só me importava quando Romeo me chamava de linda, quando dizia isso do fundo do coração. Uma corrente de lembranças veio à tona e eu contive a respiração e tentei mantê-las escondidas. – Você gostaria de tomar um café? – Oliver interrompeu minha tortura interior. Levantei o olhar para ele e seu rosto estava muito esperançoso. Pobre Oliver. A última vez que me viu, tinha tirado minha virgindade e na manhã seguinte eu fugi, e realmente naquela época pensei nunca mais voltar. Ele não merecia que eu o tratasse daquela forma. – Molly? Café? Olhei para a biblioteca e de novo para ele. Tentada a dizer não. – Só para colocarmos a conversa em dia, eu juro. – Ele puxou a manga de meu casaco e abaixou o olhar. – Senti a sua falta. – Tudo bem. – Cedi e apareceu um amplo sorriso no rosto dele. Ele ficou ao meu lado enquanto caminhávamos, em um silêncio amigável em direção a cafeteria.


Quinze minutos mais tarde estávamos sentados ao lado janela

na

cafeteria do campus, Oliver havia pedido um chá preto para ele e um capuccino para mim. Enquanto o observava, percebi que ele era realmente um homem encantador. Muito amável e despretensioso. Eu nunca havia lhe dado crédito por isso, durante o pouco tempo que saímos juntos, se é que aquilo poderia ser chamado sair. Ele não me conhecia, mas isso era totalmente culpa minha. Nunca permiti que ele entrasse. Oliver se sentou na minha frente, com um cachecol da equipe de remo de Oxford enrolado no pescoço e um suéter de cachemire, vermelho, que caia bem em seu corpo magro e contrastava com o cabelo castanho. – Então Molly, como é viver nos Estados Unidos? E por que está de volta? Brinquei com minha xícara de capuccino. – Os Estados Unidos é... Bom...

É diferente. Continuei ajudando a

professora Ross com o trabalho de filosofia e acabamos de apresentar o trabalho escrito na conferência. – Ele levantou as sobrancelhas. – E? – O trabalho foi muito bem recebido. Vai ser publicado no próximo mês, na revista de filosofia da Oxford Press, espero. Ele sorriu, um sorriso dentuço. – Estou muito orgulhoso de você. Aos vinte anos e já publicando artigos. Perfeito para uma futura professora. Sempre acreditei em você. – Obrigada. – Tomei um gole de meu capuccino e tentei manter a conversa, num ritmo agradável. – Porque está no Campus? Não deveria estar em sua casa de campo desfrutando das festas de Natal e esbarrando com a realeza?


Ele riu. – Deveria, mas sou parte da equipe de arqueólogos que encontrou os restos reais. Minha mãe não está muito satisfeita. Ela pensa que estou desperdiçando minha vida desenterrando ossos velhos. No entanto foi tudo muito incrível. Agora estou na metade do meu primeiro ano de Doutorado e não poderia me imaginar fazendo outra coisa. Sorri diante de seu sotaque inglês, super elegante. Eu costumava brincar com ele por isso, eu lhe dizia que ele me fazia lembrar o príncipe William e pelo jeito brincalhão que ele cerrou os olhos, ele sabia que era exatamente isso que eu estava pensando agora. – Então, onde vai fazer o Doutorado? Vai voltar aos Estados Unidos ou continuará aqui? Encolhi os ombros e olhei pela janela, observando um estudante correr para escapar da neve que caía. – Estava pensando nos Estados Unidos, mas... Não sei agora. Oliver inclinou a cabeça, pensativo e respirou decepcionado. – Lá não foi o que você esperava? – Era o que eu esperava? Não. Foi uma mudança de vida? Sim. É que não tenho certeza se tudo aquilo é para mim. É completamente diferente de viver aqui, aqui me parece seguro. O silêncio reinou. Podia sentir seus olhos fixos em mim, enquanto eu encarava a xícara. Já era hora de um pedido de desculpa. – Oliver? Ele cruzou as mãos sobre a borda da mesa e vi um ligeiro tremor em seus dedos.


– Sim. Inclinei–me para frente e coloquei uma mão sobre a dele. – Devo-lhe um pedido de desculpa, embora atrasado. Ele virou a cabeça e olhou pela janela. – Por que você me deixou daquele jeito? Fui tão mal namorado para você?... E justo depois... Do que fizemos? O que fiz de errado? Um nó se formou em minha garganta. – Nada. Você não foi um mal namorado, foi encantador comigo. Eu que agi de forma errada, Olly. Encarando-me,

mais

uma

vez

ele

disse:

Você

feriu

meus

sentimentos, quando se foi. Ouvi alguns de seus companheiros de classe comentar que você tinha se juntado à professora Ross no Alabama e, eu não podia acreditar no que ouvia. Você planejou tudo durante meses e nunca me disse que se mudaria para

outro

país,

para fazer

seu Mestrado.

Simplesmente se levantou e foi embora, depois de termos compartilhado tanta intimidade, sem razão ou explicação... Achei que você tinha sido cruel. – Sim eu fui muito cruel. E completamente egoísta. Você merecia um tratamento melhor. Realmente sinto muito pelo que fiz, Olly. Seus lábios se separaram, quando ele inalou. – Molly... Levantei a mão, para impedi-lo de falar. – Se você tiver algum tempo, eu realmente gostaria que você me deixasse falar um pouco sobre mim, sobre o meu passado. Talvez isso lhe ajude a entender por que sou como sou. Sinto que lhe devo isso.


Soltando um suspiro de alívio, ele sorriu. – Nada me daria mais prazer. – Durante as horas seguintes, finalmente compartilhei meu passado com ele, absolutamente tudo, até minha repentina partida, depois que fizemos amor. Quando terminei, Olly se recostou na cadeira, com os olhos arregalados e soltou uma baforada de ar, acumulada, pelos lábios. – Céus, Molly! Eu não tinha nem ideia disso tudo. Sorri laconicamente, me sentindo melhor, mais leve. Finalmente compartilhar algo sobre mim mesma tinha sido realmente terapêutico. – Você merecia saber. Só lamento ter demorado tanto. Poderia haver economizado muita dor. Oliver colocou o cotovelo sobre a mesa, apoiou a cabeça na mão e me olhou fixamente, lendo algo dentro da minha expressão. – Quem é ele? – Quem é quem? – O homem por quem está apaixonada. – Eu não... Ele estendeu a mão e suavemente segurou a minha. – Sabe o quanto eu gostaria que pensasse em mim? Que precisasse de mim, tão desesperadamente? – O que? Ele baixou o olhar.


– Eu a amava , Molly Shakespeare, mas você nunca me amou. Tentei entrar em seu coração, mas falhei. Queria que compartilhasse seus problemas, seu passado, mas não me deixou entrar. Não me amava o suficiente. Eu não era o homem para você. Agora entendo. – Ele continuou me encarando e vi compaixão em seus olhos azuis. – Quem quer que ele seja, tem que ser especial. Hoje você é uma pessoa totalmente diferente daquela que me deixou, não é mais aquela menina tímida e introvertida que uma vez conheci. Está mais forte... É outra. Coloquei a cabeça entre as mãos e comecei a chorar. Ouvi Oliver sair de sua cadeira, sentar-se a meu lado e me envolver em seus braços. Aquilo me fez bem, me senti amparada, mas eu sentia saudades de Romeo; seus braços eram maiores, mais protetores. O peito do Romeo era mais amplo e, embora Oliver cheirasse bem, a alguma loção de barbear cara, não era sabonete ou hortelã. Oliver não era meu Romeo. – Shh, Molly. Não chore. Nada é tão mal que não possa ser consertado. – Levantei a cabeça. – Foi muito mal. Passamos por muitas coisas... E... E... Eu fugi... Outra vez, como fugi de você. Odeio a mim mesma por ter partido, mas naquele momento eu simplesmente não podia ficar. – Shh... Acalme-se, Molly. Mas eu não conseguia me acalmar. Finalmente me permiti sentir e o pesar fluiu para fora de mim com a força de um gêiser. – Perdemos algo que amávamos muitíssimo, foi tirado de nós e eu o deixei sozinho, para que lidasse com tudo isso por sua conta. Em breve ele terá o jogo mais importante de sua vida e tudo que faço é sentir saudades e pensar nele, mas principalmente vejo que estraguei tudo. O abandonei


quando ele mais precisava de mim. Como posso voltar depois de fazer tudo isso com ele? – Que jogo? – Ele joga futebol americano. – Oh, claro. É bom jogador? Não pude evitar sorri. – Sim, o melhor. Oliver sacudiu a cabeça, surpreso. – Molly Shakespeare com um jogador de futebol americano? Bom, não esperava isso. Não é polo ou cricket, mas eu sou um grande defensor de que todos os esportistas são bons homens. Seu homem provavelmente também é. Soquei seu braço magro, de brincadeira. – Ele não é só um jogador de futebol. É a pessoa mais valente e mais carinhosa que conheci. Entende-me como ninguém. É meu companheiro de alma, é meu tudo. – Molly, a namorada de um jogador de futebol. – Oliver sacudiu a cabeça, sorrindo com incredulidade. – É diferente de tudo que você já viu na vida, Olly. Todo o estado adora o time, o veneram. O estádio tem uma capacidade para mais de cem mil pessoas. É uma loucura. As partidas são televisionadas. São patrocinados por marcas internacionais e eu acabei me apaixonando pelo jogador mais venerado de todo o país. Oliver segurou minha mão, brandamente e olhou diretamente nos meus olhos.


– Bom, a pergunta é, Molly, por que demônios você está sentada nesta maldita cafeteria comigo, em vez de estar com sua alma gêmea e super estrela no Alabama? Segurei seu o olhar enquanto suas palavras sacudiam meu cérebro. Por que demônios eu estava aqui? Pulei da cadeira. – Olly... – Vai, Molly. Eu entendo. – Ele ficou de pé, como um verdadeiro cavalheiro inglês e me beijou em ambas as bochechas. – Você me deixou vazio quando se foi, sem nenhuma palavra, mas agora me dou conta que você nunca foi minha, para eu mantê-la ao meu lado. Seu novo rapaz é muito afortunado por ter você. – Não, eu que tenho sorte em ter Romeo. – Romeo? – Sim, o nome dele é Romeo Prince. Oliver coçou a testa e começou a rir. – Bom, Senhorita Molly Julieta Shakespeare, isso é muito ameaçador. Mas seria melhor você ir encontrar seu Romeo, o mais breve possível. Se não me falha a memória, ele tem o costume de meter-se em um montão de problemas na sua ausência. Sorri com a brincadeira e dei um beijo agradecido em sua face suave. – Adeus, Oliver. Obrigado por... Tudo. – Eu que te agradeço, Molly. Boa sorte com sua nova vida nos Estados Unidos.


Com uma nova determinação, corri ate a casa de convidados, da Universidade, tão rápido quanto minhas pernas conseguiam me levar. Cheguei ao meu quarto e comecei a jogar minhas coisas na bolsa de viagem. Tinha empacotado quase tudo, quando ouvi uma leve batida na porta. – Posso entrar, Molly? Era Suzy. Deixei que ela entrasse e ela me olhou em pânico, quando viu meu armário vazio. – Está indo embora outra vez? E agora para onde vai, Molly? Isto tem que acabar... – Vou voltar. – Interrompi lhe. Seu cenho suavizou e uma pitada de esperança aluminou seus leitosos olhos cinza. – Voltar exatamente para onde? – Alabama. Oh, na realidade... – Confirmei a data no calendário na parede. – Vou para Pasadena, Califórnia, Estádio Rose Bowl. Um enorme sorriso estampou seu rosto. – Molly, Graças a Deus. O que a fez mudar de opinião? – Um velho amigo me fez ver o quanto eu sinto falta e o quanto amo Romeo. Ele precisa de mim e eu simplesmente irei até ele. Tenho que voltar e concertar as coisas. – Joguei minhas mãos. – Vai ser difícil voltar, depois de... Depois de... Você sabe, mas tenho que voltar, por ele.


Suzy se adiantou e agarrou minha mão. – Molly, quero dizer-lhe umas coisas, rapidamente antes que vá. – Está bem. – Respondi, olhando meu relógio, com impaciência. Um sorriso maternal saiu de seus lábios. – Você me lembra muito a mim mesma, sabe. Ama a filosofia, quer ser professora e teve uma vida difícil. Sentei-me na cama, nervosa ante a direção na qual a conversa se dirigia. – Meu pai morreu na guerra, Molly. Sabia disso? – Não. – Respondi, realmente surpreendida. – Atiraram nele na França. Eu era muito pequena quando aconteceu, mas isso me marcou, afetou-me, assim como a morte de seu pai lhe deixou marcada. Os anos passaram e finalmente cheguei a um acordo com minha vida. Quando vim para Oxford, um passo gigante para uma garota, naqueles tempos. Então conheci Richard. Ele era tão arrumado e bonito, depois do nosso primeiro toque eu estava loucamente apaixonada por ele. Casamos seis meses depois. Você tinha isso com o senhor Prince. Observei-a na sala de conferências e vi suas mudanças, imediatamente e não só a mudança na aparência.

Brinquei

com

minhas

mãos

e

ouvi

Suzy

respirar

tranquilamente. – Perdi cinco bebês em minha vida, Molly. Fiquei sem fôlego e cobri minha boca. Ela se inclinou e me deu uns tapinhas no joelho. – Sem lágrimas. Sou um osso velho e duro de roer. – Segurei a mão dela e apertei, em apoio. Suzy ficou olhando nossas mãos, com o olhar perdido.


– Eu nunca consegui levar uma gravidez até o fim e, depois do quinto aborto espontâneo, eu nem sequer podia mais engravidar. Finalmente Richard e eu chegamos a um acordo com nosso destino e juntos, vivemos uma vida maravilhosa. – Suzy, eu... – Shh, menina. Não compartilhei isto para ganhar sua compaixão. De fato, é justamente o contrário. Você suportou muita coisa em sua curta vida, mas estas coisas lhe fazem ser quem você é, lhe dá força e também lhe conduz ao seu destino. Nem sempre pode correr. Limpei meus olhos, expulsando a umidade. – Eu só quero um lugar o qual eu possa chamá-lo de lar. Mas onde quer que eu vá, parece que só consigo tristeza. – Molly, um lar não é um lugar. Não é um país ou um povo ou um edifício ou uma propriedade. Um lar é estar com a outra metade da sua alma, com a pessoa que compartilha sua dor e a ajuda a carregar a dor da perda. O lar é estar com a pessoa que ao longo da vida nunca se dá por vencida com você e lhe traz a felicidade eterna. Esse, querida Molly, é seu lar, doce lar e acredito que nós duas sabemos que encontrou a um jovem muito simpático que poderia ser essa pessoa. Não renuncie a isto, Molly, inclusive quando as coisas estiverem difíceis, simplesmente não o deixe ir. Pulei da cama e a abracei com força. Depois de vários segundos, ela me deu uns tapinhas nas costas e se moveu. – Agora, senhorita, nada de sentimentalismos. Somos britânicas. Não há necessidade de excesso de afeto. Ri e peguei minhas coisas. Quando fui em direção a porta Suzy estava segurando as chaves de seu carro.


– Vem, Molly, vou lhe mostrar como uma velha aposentada chega ao aeroporto de Heathrow em um tempo recorde.

Sentei-me na sala de embarque e ansiosamente peguei meu telefone. Fiquei olhando o retângulo preto, com um nó na garganta. Sabia que ia estar cheio de mensagens, mensagens de dano e dor. Finalmente expulsei meu medo, liguei–o e uma inundação de mensagens de texto e de voz, inundou a tela. A primeira me fez chorar, instantaneamente, apenas em ouvir o sotaque rude de Bama do Romeo, que encheu meus ouvidos: "Molly! Onde você está querida? Sinto muito pelo que disse e por tê-la deixado sozinha. Acabei de ouvir da enfermeira o que minha mãe fez,

meu Deus, Mol, eles

disseram que ela lhe atacou... Outra vez! Por favor, me diga onde está... Você deixou o hospital sem dizer nada a ninguém. Não encontro você em nenhum lugar." Uma nova mensagem de voz, veio imediatamente: "Mol." Sua voz estava embargada "Há uma história no jornal, fala de nós... Da perda de nosso Anjo. Cristo, Mol, sua foto está lá, isso partiu meu coração e você não está aqui. Minha mãe foi presa por


agressão e meu pai foi detido por lavagem de dinheiro. Por favor, me ligue, me diga onde está. Tudo está uma droga. Estou enlouquecendo sem você. Amo você. Volta para mim." Minhas lágrimas pingavam nos meus joelhos. Então outra mensagem chegou. "Molly, sou eu, Ally. É Natal. Romeo está aqui comigo e meus amigos.

Ele

não

está

bem.

Está

completamente

desconsolado, ele ou não fala, ou se zanga, ou sai de casa. Por favor, dê notícias. Ele está se culpando por tudo. Ligue para ele. Está dizendo que tudo é culpa dele!" E outra... "Molls, sou eu, Cass. É melhor que esteja de volta para o campeonato, garota, ou vou atrás de você e vou chutar seu magro traseiro inglês! Os torcedores estão horrorizados depois da história no jornal e Romeo não consegue fazer um único lançamento nos treinos. Deixe de sentir pena de você mesma! Corrija o problema, garota. Volte aqui, para ontem!" Sorri ligeiramente, diante do habitual tom ameaçador de Cass. Passei a hora seguinte escutando as mensagens de Romeo, umas com angustia, ira ou desolação completa e de todos meus amigos mandaram mensagem, tentando me convencer a voltar. A última mensagem de voz foi esta manhã. Apertei o botão para escutar. "Olá, querida, sou eu. Estou em Pasadena agora, para o jogo de amanhã e queria te ligar... Outra vez. Suponho que o fato de você não retornar minhas ligações, significa que não vai voltar para casa. Sei que está em Oxford. A Professora Ross me enviou um e–mail. Só quero que saiba que a amo e isso


nunca vai mudar. Preciso de você, baby. Preciso de você aqui comigo. Você é minha família, meu tudo. Você é meu lar." Lar. Eu era o lar dele, seu doce lar. Com uma determinação inigualável apaguei todas as mensagens e enviei dois textos. “Ally, não diga nada a Romeo, para o caso de não conseguir chegar a tempo, mas estou a caminho de Pasadena. Preciso que me consiga um ingresso para o jogo. Ligarei para você quando aterrissar... Sinto muito por tudo, mas estou voltando, por ele. Logo estarei aí. XX” O seguinte foi muito mais simples. “Romeo, Amo você. Não desisti de nós. Você é meu lar também. XX” Desliguei o telefone e fui para a porta de embarque. Pela primeira vez em minha vida, eu estava correndo para algo e não me afastando.


– Quanto tempo falta para começar o jogo? – Vinte minutos. – Chegaremos a tempo? – Tudo depende do trânsito. Sentada no banco de trás do táxi, enviei uma mensagem a Ally. EU: Quase estou aí. O trânsito está horrível. Como ele está? ALLY: Se apresse, Molls. Os torcedores e cinegrafistas continuam procurando por você. Cass e eu estamos sendo questionadas, pelo seu sumiço. Romeo não está bem. Parece estar te procurando enquanto se aquece para o jogo e pela expressão no rosto dele, está convencido que você não vem. Merda, isso não era bom. – Estamos perto? Os nós dos dedos do taxista ficaram brancos, no volante, pelas minhas perguntas. – Olhe, senhorita. Ali está o estádio. E pode ver o trânsito por você mesma. Estiquei o pescoço e vi o grande e imponente estádio, no final da rua, mas o trânsito congestionado. Eu tinha que chegar lá. Eu poderia correr... Joguei o dinheiro ao condutor, pulei do táxi e comecei a correr em direção ao estádio Rose Bowl. As pessoas assobiavam e uivavam enquanto


eu corria com minhas botas de vaqueiro marrom e vestido de renda branco, de verão, mas os ignorei. Meu cabelo estava solto e todos os cachos controlados e eu até havia me maquiado. Tinha utilizado o tempo no avião de maneira inteligente. E deixar minha bagagem no guarda volumes do aeroporto, tinha sido uma grande ideia. Quando eu consegui ouvi o barulho estridente da multidão, peguei meu telefone. EU: Chegando. Encontre-me na entrada com o bilhete. ALLY: A caminho. Quase chegando! Quando cheguei à entrada, subi os degraus de dois em dois e logo que terminei de subir Ally apareceu correndo, usando short jeans e uma camiseta dos Tide. Seu sorriso de alívio quase me fez chorar, quando ela agarrou minha mãos. – Molls, lhe abraçarei depois. Agora você precisa chegar lá em cima e rápido. Tome isto! – Ele me deu minha camiseta e o ingresso. Ela havia trazido minha camiseta da sorte. Não tinha duvidado que eu chegaria. Não tinha duvidado de mim. Vesti a camiseta sobre o vestido, dei um nó na barra e Ally me puxou para dentro do estádio, balançando nossos ingressos para o guarda, enquanto corríamos. Corremos por dentro e fora dos corredores, subimos vários lances de escada e passamos por uma multidão de pessoas até finalmente termos acesso a descida para a planta baixa do estádio, então saímos do túnel e vi uma enorme bandeira americana, do tamanho do estádio, cobrindo o campo. O hino nacional estava chegando ao fim e alguma estrela pop cantava apaixonadamente, a pleno pulmão. A multidão rugia de emoção e patriotismo. Parei diante da visão da cerimônia, mas Ally continuou me puxando, fazendo com que eu a seguisse.


Vi a forma corpulenta de Cass, então soube que ali era os nossos lugares, justamente atrás das placas de publicidade. Ela assobiou e acenou com a mão em nossa direção. Gritos aliviados soaram, quando os torcedores dos Tide começaram a notar minha chegada. Sabia que se eu olhasse para cima, minha imagem estaria nos telões, assim mantive a cabeça firmemente para baixo. Enquanto

eu

passava

pelos

torcedores,

algumas

pessoas

apresentaram suas condolências por minha perda, tirando seus bonés em um gesto simpático, me dando tapinhas nas costas e me dizendo para permanecer forte. Vacilei. Ally virou para mim com uma expressão triste. – Foi uma grande notícia, querida, mas todos estão aqui para desejar– lhe o melhor. Não precisa se sentir envergonhada. As pessoas estão com náuseas pelo que os pais de Romeo fizeram. Mas elas amam vocês. Engoli seco me ruborizando e levantei a mão, em agradecimento a bondade dos desconhecidos. Corremos para Cass, que, como sempre, estava usando seu chapéu Stetson, calças jeans, camisa "Smith" e botas. Ela me abraçou, beijou minha bochecha e me sentou ao lado dela. – Muito bom ter você de volta, garota. Deixarei passar desta vez devido às circunstâncias, mas fuja assim novamente e me transformarei em uma louca. Tenho o título de melhor agarradora de porcos de todo o Texas e não tenho medo de usar minhas loucas habilidades de imobilização em você! Esfreguei seu braço. – Estou ciente, Cass. Ela piscou e seus olhos brilharam quando ela voltou a falar.


– Senti sua falta, garota. – Também senti saudades. – Ela me deu uma cotovelada de brincadeira. – Cortem a reunião, garotas. Aí vêm eles. Pelo telão, vi quando os times se reunirem em seus respectivos vestuários. Os Tide, vestidos de vermelho e branco, foram os que apareceram primeiro. Meu peito pulsava, enquanto um por um os jogadores saíam do túnel. Sabia que Romeo seria o último e quando o vi, pensei que ia desmaiar. Bastou um olhar em seu rosto e para uma inundação de lembranças vir a tona; toques, beijos, lágrimas, sorrisos, fazer amor, sexo forte, tudo em tecnicolor. Ele era meu lar. Romeo chegou ao campo e me dei conta da leve apatia em seu correr, a leve inclinação de cabeça e a saudação não tão entusiasmada com seu capacete, à multidão. Meu coração chorava por todo sofrimento que eu tinha lhe imposto. Tinha deixado-o sozinho quando me suplicou que eu não fugisse. Os torcedores dos Tide começaram seu canto, enquanto Romeo se dirigia a um lado do campo e o telão só mostrava a imagem dele. Beijo, beijo, beijo, beijo... Meu quarterback empalideceu. Ele pensava que eu não estava aqui. Pensava que eu estava defraudando seus torcedores. Pensava que ia ser humilhado, por minha ausência.


Cass e Ally, ambas se inclinaram e deram beijos tranquilizadores em minhas bochechas e eu o vi ficar quieto, sem nem sequer olhar em minha direção. – Ele não sabe que estou aqui. – Sussurrei. Ally e Cass se entreolharam, com expressões preocupadas em seus rostos. Cass cuspiu o tabaco que estava mastigando, subiu em seu assento, e animou à multidão gritando e sacudindo os braços. Os torcedores lhe acompanharam. O aumento no nível de decibéis era ensurdecedor e muitos da equipe dos Tide olhavam em nossa direção, os cinegrafistas puseram sua atenção em mim. Vi Austin dar uma olhada no telão e correr, a toda velocidade, até onde estava Romeo, que por sua vez estava com a cabeça baixa e fazendo caso omisso, do rugido da multidão. Austin o sacudiu de seu estupor e apontou para minha imagem no telão. Foi como se o tempo tivesse parado. O mesmo acontecia com nossos movimentos que estavam à meia velocidade. Aproximei-me até a borda da arquibancada, passando na frente das pessoas e esperei. Romeo levantou a cabeça após as palavras de Austin, virou-se e seu olhar escuro foi diretamente em mim. Ele me olhou fixamente, mas não se moveu e eu, retornei o olhar. A tensão se espessou e os torcedores se calaram, num silêncio arrepiante. “Sinto muito. Amo você. Pisei na bola. Estou com saudade.” Somente com meus olhos, tentei lhe dizer tudo, mas não senti nada em troca. Romeo caminhou lentamente em minha direção e quanto mais se aproximava, mais nervosa eu ficava. Devorei cada milímetro de seu rosto, seus olhos chocolate, seus sensuais lábios carnudos, seu comprido cabelo loiro e seu enorme e perfeito corpo bronzeado. Meu corpo zumbia em antecipação, reconhecendo Romeo.


Ele era meu. A madeira das placas de publicidade estava arranhando minhas coxas nuas, pela pressão que eu fazia contra a madeira. Meu corpo desejava desesperadamente estar com ele, para que ele me abraçasse. Romeo deixou cair o capacete enquanto se aproximava. Dei-me conta que as duas equipes estavam nos observavam. De primeira mão, os Tide tinham sido testemunhas da perda do nosso bebê e claramente, sabiam que eu o tinha deixado sozinho. Pelos sorrisos nos rostos dos torcedores, o alívio por minha volta era enorme. Primeiro senti seu cheiro, hortelã e sabonete, à deriva na brisa. E então quando ele chegou a minha frente, levantou seu olhar através dos longos cílios negros e inalou. – Olá, Mol. – Olá, você. – Vai me dar um beijo? – Se isso é o que você quer. Ele fechou os olhos por um momento e depois os abriu. – Definitivamente, com toda certeza, sim. – Ele se aproximou e com uma força incrível me levantou por cima da barreira enquanto seus lábios úmidos se chocavam com os meus. Envolvi meus braços ao redor de seu pescoço, minhas pernas ao redor de sua cintura e lhe devolvi o beijo. Sua língua deslizou contra a minha, chupando e acariciando, enquanto ele gemia em minha boca. Estávamos compartilhando tudo com apenas um beijo, nossa perda e nossa dor. E o mais importante, nosso amor. Rompendo o beijo ele pressionou a testa contra a minha.


– Você está realmente aqui? – perguntou ele com a voz rouca. – Querido, sinto muito por ter ido embora. Naquele momento eu não achei poderia enfrentar as coisas, mas... Amo você. Amo muito, muito. Por favor, me perdoe. Por favor... Ele colocou a cabeça na lateral do meu pescoço e caímos ao chão, ele imediatamente me colocou no colo dele. Abraçamo-nos com força e a multidão em completo silêncio assistia nosso momento de contentamento, pelos grandes telões. – Voltou por mim? Para sempre? – Perguntou ele contra meu pescoço. E eu acariciei as mechas de cabelo em sua nuca. – Pela primeira vez, meu amor, estou retornando por algo, por você... Meu Romeo. Ele levantou a cabeça e me encarou com seus olhos inchados. Neles li o perdão e o amor incondicional, que rapidamente foram substituídos pelo olhar de uma fera enjaulada. Ele tinha agido tranquilidade e agora precisava tomar o controle, novamente. – Nunca vai fugir novamente. Está entendendo? – Entendi. Ele segurou meu rosto entre as mãos. – Me deixou sozinho durante semanas, sem nenhuma palavra, nenhuma explicação. Sabe o quão zangado estou com você por isso? – Sei. – Respondo com a voz baixa e com pesar. A paixão alagou seus olhos e ele declarou. – Vou ganhar este jogo. Depois vou marcá-la como minha, de uma vez por todas. Parece que fui muito indulgente com você, Shakespeare.


Possivelmente não entendeu bem que é minha e como tal nunca pode, veja bem, nunca em hipótese alguma deve me deixar inclusive se estiver com o coração ferido. Porque se você está machucada baby, pode apostar que eu também estarei, muito, muitíssimo ferido. Romeo se levantou, comigo ainda em seus braços. O público e os jogadores aplaudiram e ele me apertou em seus braços. – Bom se você não voltasse eu iria te buscar. E já que está aqui volte para o seu lugar. Agora. Tenho um título de campeão para levar para casa. Logo me ocuparei com você. E francamente, não sei por qual estou mais emocionado e ansioso. Meu estômago dava voltas, enquanto eu segurava seu rosto e colocava um rápido beijo em seus lábios. – Vá com tudo, querido. Piscando os olhos, ele me colocou de volta atrás das placas publicitárias e eu me virei, indo para o meu lugar. Cass gritava, com a mão no ar e Ally secava os olhos. E Romeo voltou para o seu lugar, no campo. – Merda, Molls, Bama vai coroá–la rainha quando obtivermos esta vitória! Esse tipo de coisa é surreal. O que foi que ele disse? Ruborizei-me e abaixei a cabeça. – Não... Muita coisa. Ally e Cass riram, por meu rosto está vermelho, o árbitro apitou sinalizando o começo do jogo e todos se puseram a assistir. E torcer.


Durante mais de três horas vimos como o Alabama marcou, rapidamente seguido pelo Notredame. Alabama agora tinha a equipe jogando ofensivamente no campo e contando os segundo no relógio para levá-los à vitória se Romeo completasse a última fase com êxito. Eu tentava não olhar enquanto os jogadores ocupavam suas posições, mas não podia deixar de olhar através das pequenas lacunas em minhas mãos e dedos enquanto eu tentava cobrir os olhos. A bola foi para Romeo e ele deu três passos, em busca de um jogador livre. Austin foi bloqueado imediatamente por dois defensores e Chris Porter não conseguia se livrar da abundante defesa de Notredame. Voltei minha atenção para Cass, que estava gritando o mais alto que podia. Ally tinha a mão sobre a boca. Grandes defensores estavam se aproximando de Romeo, eu gritei, mas ele encontrou uma forma de desviar para a esquerda, logo para à direita e ao ver um pequeno espaço, partiu correndo, a toda velocidade, empurrando suas fortes pernas para frente. – Vai, Bala. Vai! – Gritou Cass, enquanto Romeo corria pelo campo. Meu coração se agitou, enquanto os jogadores do Tide pararam e começaram a pular e gritar, incentivando–o. Apenas os Bloqueadores estavam fazendo sua função, bloqueando e proporcionando a Romeo o espaço que ele precisava para atravessar o campo e todos deram as mãos enquanto ele cruzava a zona final, marcando um touchdown no último instante. O estádio explodiu quando os jogadores do Alabama juntamente com os treinadores correram em direção a Romeo, que se livrou do capacete, puxou a gola camiseta, acariciou o peito e depois beijou a mão e a levantou para o céu, em um ato de adoração. Paralisei-me e vi a repetição no telão.


– Oh... – Gritei e me deixei cair no meu assento. Ally se deu conta e se sentou a meu lado, esfregando minhas costas. – Ele fez a tatuagem quando você se foi, assim o bebê de vocês nunca será esquecido. Assenti enquanto as lágrimas se amontoavam em meus olhos. Eram asas de anjo. – Para seu Anjo perdido. Grandes gotas corriam por minha face. – Deixei-o sozinho. Ele estava sofrendo muito, mas eu fugi. Sou uma cadela. A mão de Ally esfregou minhas costas. – Não se renda querida. Você está de volta e estava sofrendo muito também. Ninguém a culpa. Cass segurou meu braço e me puxou para cima, havia simpatia em seu olhar azul. –

Nada

de

lágrimas,

garota.

Acabamos

de

ganhar

um

puta

Campeonato Nacional! – Assenti, respirei fundo e aplaudi, juntamente com a multidão, até que minhas mãos ficaram dormentes. Observei com orgulho enquanto a equipe subia ao palco e era coroada, a Campeã Nacional do BCS. Um apresentador se dirigiu ao palco e apresentou o treinador à comissão da BCS, que presenteou o treinador com o troféu de cristal e em seguida foi para perto de Romeo. O belo rosto do meu namorado


rapidamente apareceu na tela gigante. Ele tinha sido agraciado com o 19MVP.

O apresentador foi entrevistá-lo. – Bala, como se sente em ser o MVP no Campeonato Nacional do BCS? A multidão rugiu e Romeo estampou o rosto com seu devastador e impressionante sorriso. – É um sonho realizado. Quando eu era criança, sempre sonhei em jogar com os Tide e não posso acreditar que acabamos de ganhar o campeonato nacional, de novo. Romeo baixou a cabeça, parecendo tímido diante toda a atenção. A expressão do apresentador ficou séria e ele colocou a mão sobre o ombro de Romeo. O rosto dele endureceu em resposta ao gesto. – Agora, Bala, todos aqui o amamos... – O apresentador fez um gesto para o estádio e a multidão começou a bater os pés nos degraus, afirmando aquelas palavras. – E não é nenhum segredo que passou por um mau momento em sua vida pessoal no decorrer das últimas semanas. Cass e Ally seguraram minhas mãos, uma de cada lado e vários torcedores a minha volta tocaram minhas costas. Tive que respirar lentamente, para não ter um ataque de ansiedade pela atenção não desejada. Romeo cruzou os braços sobre seu peito e seu olhar estava fixo no chão. Sorri quando Reece, Jimmy-Dom, e Austin foram para perto dele, apoiando–o. O apresentador fez um gesto pedindo silêncio á multidão. MVP (Most Valuable Partier) – O jogador com mais habilidade, que mais contribui para a sua equipe. Usado principalmente em esportes e jogos de vídeo. 19


– Só queríamos perguntar, como você está? Romeo limpou sua garganta. – Melhor, obrigado. – Não deu mais detalhes. – O apoio dos torcedores a você e sua namorada foi comovente. Há algo que gostaria de falar? Rapidamente olhei para Ally e perguntei. – O apoio foi reconfortante? Ela apertou minha mão e respondeu: – Incrível querida. Assenti, tentando conter minhas emoções. – Eu... Eu... – Romeo passou a mão pelo rosto, incapaz de falar e Jimmy-Dom passou o braço ao redor de seus ombros, sussurrando algo em seu ouvido. – Bala? – O apresentador pressionou por uma resposta, com simpatia em sua voz. Romeo respirou e levantando sua cabeça. – Não sei como agradecer a todos pelo apoio. Realmente estou impressionado. Alabama tem os melhores torcedores do mundo. A multidão explodiu uma vez mais. – Só uma coisa mais, Bala. – Pediu o apresentador. Romeo assentiu secamente. Dei-me conta de quão incomodado ele estava ao ser entrevistado publicamente. – De verdade crê que a sua sorte mudou este ano, depois do agora famoso beijo de sua namorada não só nesse, mas em vários jogos atrás? Cass deu uma cotovelada no meu braço e fez ruídos de beijos para mim. Ruborizei-me e ri.


Romeo sorriu, um sorriso estonteante e completo e olhou para mim, através da distância do campo. – Nossa, sim. Toda minha vida mudou com esses beijos, homem. Toda minha vida mudou no momento em que a conheci. Austin, Reece e Jimmy-Dom se atiraram sobre Romeo, rindo e o apresentador se virou para outra câmera, balançando a cabeça e rindo. – Damas e cavalheiros, levantem-se para saudar seus campeões, o Alabbammmaaaa Crriiimmmssooonnnn Tiiiidddddddeeeeeeee!!! Correntes de confete caíram do teto e os primeiros acordes de "Sweet Home Alabama" invadiram o estádio. Os torcedores dançavam e celebravam nas arquibancadas. Os jogadores cumprimentavam um ao outro, abraçandose e rindo. E vi hordas de jornalistas indo em direção a Romeo. Senti-me completamente esmagada por todo aquele dia e Cass, me vendo sentar me entregou seu frasco de bebida destilada, ilegalmente no estádio. – Toma um gole, sabe que precisa de um, garota! – Agarrei o frasco fazendo-a girar os olhos e tomei um pequeno gole. Sim, e como da primeira vez que experimentei também não gostei. Lexi chegou correndo onde estávamos com os pompons nas mãos. – Molly! Você voltou! – Gritou ela, enquanto eu entregava o frasco de bebida a Cass, então me inclinei sobre os pôsteres publicitários e lhe dei um abraço. – Como você está querida? – Perguntou ela, hesitante. – Melhor, obrigada. Feliz por estar de volta.


De repente os torcedores começaram a gritar ainda mais alto e quando levantei a cabeça, vi que Romeo estava correndo em minha direção e como sempre, a câmera estava seguindo-o, durante todo o caminho. Quando Romeo chegou às arquibancadas ele me pegou e levantou-me em seus braços. – Ganhamos, baby! – Estou tão orgulhosa de você! – Exclamei enquanto lhe beijava, suavemente. – Preciso ficar a sós com você. Agora. – Falou ele, em um tom muito sério, no meu ouvido. – Não tem que ficar com a equipe? – Perguntei enquanto ele corria para a saída do túnel dos jogadores, fazendo caso omisso de qualquer pessoa que se interpunha em nosso caminho. Colocando a boca no meu ouvido, Romeo sussurrou. – Quer dar-lhes um show? Porque neste momento tudo que posso pensar é em estar dentro de você e não importa onde estivermos, nos próximos trinta minutos, é o que vai acontecer. – Então precisamos ir... Agora. – Concordei. – Alegro-me que finalmente estejamos na mesma maldita página.


Romeo não falou nada, enquanto íamos para o hotel e eu estava desesperada para que ele dissesse algo... Qualquer coisa. Queria que ele gritasse, se zangasse ou falasse o quando tinha ficado triste, pois seu silêncio era uma tortura lenta e dolorosa. Depois que chegamos ao hotel, entramos num elevador, incrivelmente lento e finalmente chegamos ao quarto, que tinha uma enorme cama com dossel coberta por edredom e lençóis brancos, de cetim. Meus cabelos se arrepiaram. Eu podia sentir Romeo pairando sobre minhas costas, senti que ele ainda estava suado do jogo, quando ele passou o dedo por toda minha coluna, até o final da minha cintura. Tínhamos saído tão rápido, que ele nem sequer se incomodou em tirar o uniforme e sendo o uniforme meio intimidador, duro e tosco fazia com que a tensão entre nós fosse ainda pior. Afastando meus longos cabelos do ombro, Romeo lambeu ao longo da minha pele exposta. Imediatamente me senti quente. Ele tirou a minha camisa do Tide e desfez os laços do meu vestido, fazendo-o cair nos meus pés. Eu estava sem sutiã, então fiquei apenas de calcinha. Seu familiar hálito de hortelã formou redemoinhos sobre minha pele quente, enquanto eu apoiava a cabeça no oco de seu ombro e seus dedos acariciaram meus braços até que ele os entrelaçou nos meus. Inclinei a cabeça em direção aos lábios dele e ele lambeu meus lábios. Gemi e fechei os olhos.


A boca de Romeo se abriu contra a minha e ele brincava com minha língua, enquanto eu provava a dele, suavemente. Suas mãos ásperas acariciaram minhas costas e depois agarraram meus peitos, dei um passo para longe dele, já sem fôlego. – Não vai fugir de mim novamente, não é, Shakespeare? – Ele me puxou para perto e apertou meus seios, com mais força. – Não é? – Insistiu ele. – Não, nunca mais. – Respondi e arqueei minhas costas contra seu peito. Romeo trocou sua tortura por uma massagem relaxante e mordiscou o lóbulo da minha orelha. – Senti saudades. Eu não gostei da ideia de que você nunca voltaria. Prometi a mim mesmo que se você voltasse, me asseguraria que seria para sempre. Eu adorava a maneira com ele mudava de controlador a sensível em um piscar de olhos. Ele apertou minha bunda, depois colocou a mão entre as minhas pernas, arredou minha calcinha para o lado e sentindo meu calor, ele aspirou uma baforada de ar. – Jesus Cristo, baby. Você sempre está pronta para mim. A sensação de seus dedos afundando-se dentro de mim, me obrigou a jogar a cabeça para trás e gemer, me agarrando ao seu cabelo comprido para manter o equilíbrio. – Vou fazer você gozar, Mol – Disse ele, quando seu polegar tocou minhas terminações nervosas.


– Merda! – Gritei, quando meus quadris começaram a se mover por vontade própria, minha bunda estava pressionada contra sua virilha. Ele mordiscava meu ombro, enquanto me perdia nas sensações de euforia. – Amo você, baby. Pode sentir o quanto? – Eu também amo você! Os dedos de Romeo ficaram insanos, cruéis e inflexíveis. – Então, por que você me deixou? – Porque eu... Fui fraca, estava com medo e não pude suportar tudo que estava acontecendo. Pensei que você ficaria melhor sem mim. Ele colocou um terceiro dedo dentro de mim e eu dei um grito. – Nunca estarei melhor sem você. Pensou que eu poderia suportar a dor da sua ausência? Porra! Pensou que eu não iria morrer a cada dia que você estivesse longe de mim? Você acha que eu fiquei melhor quando me afastou? – Ele moveu os dedos sem piedade. – Você pensa que não doeu quando voltei ao hospital e você tinha sumido? Sem um bilhete, sem nenhum telefonema, nada? Pensa que não doeu quando meu escândalo familiar e fotos da minha noiva, sangrando, estavam em todas as malditas notícias? Lágrimas de arrependimento correram pelo meu rosto, enquanto eu arranhava seu antebraço. – Romeo, sinto muito.


Ele mordeu meu ombro, com força e com uma última imersão de seus dedos, ele sussurrou. – Goze agora, Mol. E eu gozei. Uns pontos pretos embaçaram minha visão, enquanto eu me apoiava no corpo dele para ficar de pé. Ele trouxe-me de volta a terra lentamente, beijando meu pescoço. Então, retirou a mão do meio das minhas pernas e com um puxão, rasgou minha calcinhas de renda, dividindo-a em duas e jogou os pedaços no chão. Eu estava nua, saciada, tremendo e tão excitada que parecia que minha pele estava em brasas. – Vire-se. Fiz o que ele instruiu e vi suas narinas dilatarem. Ele puxou a camiseta sobre a cabeça e vi seu tronco bronzeado e brilhando, sob a luz que vinha da rua através da janela. Minha atenção imediatamente se concentrou nas grandes asas de um anjo, lindamente intrincadas e tatuadas, orgulhosamente, no centro do seu peito. Timidamente, passei a ponta dos dedos sobre as linhas, depois me inclinei e rocei meus lábios trêmulos sobre elas, adorando seu significado. Quando levantei a cabeça, Romeo estava lambendo os lábios e seus olhos estavam cheios de emoção.


– Sei que nosso Anjo já não está aqui na terra conosco, mas lá do céu eu queria que ele visse que o amávamos muito... Mesmo não tendo sido planejado... Ele foi muito querido... Muito. Dei um sorriso choroso e ele me beijou. – Amei. Ela é perfeita. – Sussurrei contra sua boca. Ele deu um passo para trás e voltou a falar, – Não sou o mais espiritual dos homens, Mol. Não vou à igreja e Deus sabe que pequei, mas realmente acredito que nosso Anjo está em algum lugar melhor que aqui... Com sua família. Acredito nisso com todo meu coração. Um soluço me escapou e ele enrolou a mão ao redor do meu pescoço, sustentou-me contra seu peito. Depois de vários minutos, dei um beijo sobre seu coração e me afastei. – Amo você Romeo. – E eu a você, baby. Ele voltou a me abraçar, e por vários minutos ficamos ali, só nós dois, respirando e nos curando, juntos. As mãos ásperas de Romeo desceram pelos meus braços e ele me afastou. – Agora... – Seu rosto se endureceu. – Desamarre. – Ele acenou para baixo, para os cordões de sua calça. Meu coração acelerou sob sua ordem, mas desatei o nó, puxando levemente os cordões, com meus dedos roçando sua ereção.


Ele observou cada um dos meus movimentos e sua mandíbula esculpida foi ficando tensa, a cada toque meu, quase involuntário. Desamarrei todos os nós e esperei a próxima ordem. – Puxe a calça para baixo e fique de joelhos. Agarrei o cós da calça, juntamente com a cueca e a desci por suas pernas musculosas. Sua ereção se liberou contra minha bochecha e nariz, mas tentei ignorá-la e continuei despindo-o, até jogar a roupa sobre o tapete. Quando levantei a cabeça encontrei com seu olhar, selvagem, sobre mim. – Agora, me chupe até eu mandar você parar. A saliva se amontoou na minha boca e eu me arrastei para frente, lambendo lentamente seu pau. Romeo suspirou em resposta. Meus lábios o devoraram e eu não parei, apenas levei-o até o fundo de minha garganta. – Porra! – Ele gritou, agarrando meu cabelo, enquanto empurrava o quadril para trás e para frente, colocando todo seu pau em minha boca. Levantei os olhos e gemi quando ele jogou a cabeça para trás e lambeu o lábio inferior. Animada, peguei o ritmo, girando a língua ao redor da ponta, seus quadris moviam-se rápido, quando agarrei suas coxas para ter mais tração. – Porra, Mol, sua boca... – Ele grunhiu tirando seu pau da minha boca. – Suba na cama. – Fiquei em pé, me arrastei até o centro da cama e me deitei de costas. Ele separou minhas pernas com as mãos, dobrou meus joelhos e colocou a boca sobre meu sexo, que pulsava e latejava. – Ahh! Romeo...


Ele moveu a boca furiosamente, sua língua me enchia e ele me chupava. Eu não ia aguentar por muito tempo, meus dedos estavam agarrando, firmemente, seu cabelo. Levantando a cabeça bruscamente, ele ordenou. – Segure a cabeceira da cama, com as duas mãos. Fiz o que ele instruiu. – Não as mova. Romeo mergulhou entre minhas pernas e cravei as unhas na madeira grossa, sem fôlego e gemendo, com cada lambida e mordida. –Romeo... Romeo... Vou gozar! – E eu desmoronei, agarrando a cabeceira, enquanto Romeo bebia em mim. Ele soltou minhas pernas e elas caíram mole, sobre o colchão, mas ele rapidamente as segurou e abriu, uma vez mais e eu abri os olhos, justamente quando ele entrou em mim com uma forte estocada. – Ahh! – Eu gritei, incapaz de aguentar mais. Era muito. Larguei a cabeceira e ele retrucou. – Eu disse NÃO mova as mãos! Meus braços se congelaram e ele utilizou seu férreo controle sobre minhas coxas, para ancorar suas investidas. – Vai me deixar de novo? – Não! Não, não, não...


– E por quê? – Porque amo você. Os olhos excitados de Romeo escureceram e ele bombeou em mim, agressivamente. – Resposta errada. Meus dedos estavam com câimbra, da força que eu fazia na cabeceira e eu gritei: – Porque sou sua. Porque pertenço a você. Porque você é meu! Com os olhos arregalados ele caiu para frente, mantendo o peso sobre os braços e colocou a boca na minha, sussurrando. – Exatamente, porque é minha. Pertence a mim. Senti seu pau crescendo ainda mais dentro de mim, sabia que ele estava quase gozando e meu estômago se apertou, em antecipação. – Caralho, está tão apertada! Vou gozar com você. Você está me apertando com muita força, querida. Joguei a cabeça para trás e com um impulso final, nós dois rugimos, envolvi meus braços ao redor das suas costas quando senti seu último espasmo dentro de mim. Estávamos ensopados de suor e nos abraçando. E quando Romeo levantou a cabeça vi o brilho límpido de seus olhos. – Amo você. – Disse ele, acariciando suavemente meu rosto.


– Eu também amo você. Nunca me perdoarei por tê-lo deixado. – Romeo esboçou um sorriso de alívio. – Acredito nisso. Mas já está feito. Tenho você de volta e não vou deixar você fugir novamente, nem que eu tenha que prendê-la numa maldita cama. Mas não vamos mais falar disso, nunca mais. Não posso continuar pensando em todas as coisas ruins que nos aconteceu. Preciso de coisas boas. Preciso que as coisas fiquem bem. – Ele alisou suas mechas de cabelo molhadas para trás. – Quando voltarmos para Bama, você vai morar comigo. – Tudo bem. Ele levantou as sobrancelhas. – Tudo bem? Eu esperava ter que convencê-la. Não vai dizer que somos muito jovens, que é muito cedo, nem qualquer outra desculpa idiota? – Não, meu lar é com você. Agora eu sei disso. Eu finalmente entendi. – Porra! Finalmente! – Ele suspirou e entrelaçou nossos dedos. – Colocaram minha mãe em liberdade. Mas ela vai continuar respondendo ao processo. Ela tinha alguma conexão no tribunal e a tiraram de lá. Meu pai está livre, sob fiança, mas vai cumprir uma pena grave, quando acabar todo o procedimento e ele for julgado. Falei com ele e seu advogado e combinamos em não nos ver, nunca mais. Já não tínhamos nenhuma relação familiar e vai continuar assim. Não se pode salvar algo que nunca existiu. Eles têm uma ordem de restrição judicial, proibindo-os de chegar perto de você. Eles também queriam me deserdar, não que eu me importasse, mas não fizeram isso. Também, perderam quase tudo que


tinham. Eu sempre tive boas economias e umas propriedades em meu nome. Herança do meu avô paterno é claro. Não temos com que nos preocupar. – Romeo, sinto muito. – Não sinta. Eu precisava de garantias de que eles não nos incomodariam novamente, principalmente a você. Agora temos a ordem de restrição. Eles só queriam que eu casasse com Shelly para conseguir o dinheiro do pai dela. E isso também acabou, oficialmente. Passei o polegar sobre a palma da mão dele. Ele viu o gesto e deu um sorriso satisfeito. – É curioso, mas no final me sinto livre. – Ele deitou de lado e me colocou na frente dele, compartilhando o mesmo travesseiro. – Finalmente somos livres para ficarmos juntos, sem obstáculos. – E Shelly? – Ela não se aproximará de nós novamente. Cass se assegurou disso. – Ele falou rindo. Franzi o cenho. – O que você quer dizer? – Cass a deixou como merda e literalmente quebrou o nariz dela. Eu gostaria que você tivesse estado lá para ver! – Não! Não posso acreditar. – Eu precisava abraçar essa garota, muito forte, quando a visse novamente.


Não pude deixar de rir e beijar suas mãos. Ele perdeu seu sorriso e colocou a palma da mão na minha barriga. – Fiz sexo muito rude com você? Ainda dói, baby? Neguei com a cabeça, tristemente. – Não mais. Ao menos não fisicamente. Os lindos olhos castanhos escuros de Romeo me olharam com simpatia. Ele entendeu. – Você vai querer outros bebês? Engoli minhas emoções emergentes. Tinha chegado o momento de deixar meus problemas no passado. Já era hora de seguir em frente. – Um dia eu gostaria de ser mãe. Mas não agora. Nós dois temos sonhos, somos jovens e temos muito a fazer ainda. Vamos ter filhos Romeo, mas quando decidirmos que é a hora, pelo menos planejo assim. A partir de agora tomarei cuidado com qualquer antibiótico. – Concordo. E sempre teremos nosso pequeno Anjo no céu. Inclinei-me para frente e beijei levemente as grandes asas tatuadas. – Assim, Sr. quarterback super estrela... Provavelmente você será o primeiro para o draft20 em alguns meses, especialmente depois de seu touchdown da vitória, não é?

Draft da NFL. O Draft da NFL é um evento anual em que os 32 times da National Football League escolhem novos jogadores elegíveis vindo do futebol americano universitário. É a forma mais comum de recrutamento de jogadores da NFL. Fonte: pt.wikipedia.org/wiki/Draft_da_NFL 20


Ele enrolou uma mecha do meu cabelo ao redor do dedo. – Sim, eu suponho. – Cospe logo. Ele soltou um longo suspiro. – Vamos para onde eu for recrutado. Não há escolha. Meu doutorado. Ele estava preocupado com meu doutorado e meio desconfortável voltou a falar. – Olha, vamos aguardar, eu realmente não tenho nada certo, nem você, então não vamos nos preocupar com nada disso, certo? Não sabemos o que acontecerá amanhã. Vamos aproveitar para sermos nós por um tempo, sem mais drama. Assenti com a cabeça e sorri. – Além disso, tenho uma nova filosofia para tudo. Acredito que devemos adotá-la. Ele me olhou com expectativa. Ok, vamos lá, é o seguinte: – Algumas coisas na vida são ruins. E realmente podem deixar você louco. Outras coisas só nos faz xingar e amaldiçoar. Quando a vida está uma merda, não se queixe, dê um assobio, isto vai ajudar que as coisas fiquem melhores. E sempre tente olhar o lado brilhante da vida... Romeo levantou uma sobrancelha, assobiou e depois deu uma gargalhada.


– Monty Python, Shakespeare? Essa é sua nova filosofia? Dei de ombros. – É Python. Ele riu de maneira livre, sem restrições e repetiu: – É Python. Olhei à hora. – Ainda é cedo. Quer sair e encontrar seus companheiros de equipe? Ir jantar? Enfim... O que quer fazer? Ele acariciou minha bunda e eu não pude deixar de gargalhar. – Quero você. Não terminei com você ainda, Shakespeare. Temos semanas de sexo perdido para compensar. – Sua voz adquiriu um timbre profundo, enquanto ele derramava toda sua doçura. – Agora fique de pé do lado da cama, agarre seus tornozelos e se prepare para gozar pelo menos mais três vezes.


RADIO CITY MUSIC HALL, Nova Iorque. O DRAFT DA NFL O comissário da NFL entrou no palco e ficou em frente ao microfone. Romeo inclinou-se para frente, apertou minha mão e a levou a boca, pressionando seus lábios suaves contra nossos dedos unidos. Encostei-me o mais perto dele que pude, ele possivelmente estava com os olhos fechados, enquanto colocava a cabeça contra a minha. O silêncio era asfixiante. – O primeiro selecionado... Para a próxima temporada da NFL... Para Seattle 238 Seahawks... É... O quarterback... Romeo Prince... De... Alabama Crimson Tide! Estávamos atrás do palco na sala de espera, assistindo tudo por uma pequena televisão. Na nossa mesa privada estavam todos os nossos amigos e eu os imaginava pulando, gritando e aplaudindo, celebrando a conquista de Romeo. Romeo se inclinou, me levantou e beijando-me apaixonadamente. Enquanto me afastava, pude ver em seus olhos que uma pequena parte dele nunca se deixou realmente acreditar que este momento chegaria. Colocando seu rosto entre as mãos, abaixei sua cabeça e sussurrei: – Querido, você conseguiu. – Romeo não disse nada em resposta. Aparentemente não conseguia falar. Ele ainda estava em choque. Um assistente imediatamente chegou para levá-lo ao palco e vi em outra televisão, colocada na parede em cima de nós, quando uma câmera o seguiu pelo corredor. Romeo estava muito bonito, em um terno preto e camisa


branca. Para combinarmos, eu usava calças skinny pretas de cintura alta e uma blusa de seda preta. Quando Romeo chegou ao final do longo corredor, entregaram-lhe um boné azul marinho e verde limão dos Seahawks, que ele imediatamente o colocou em seu cabelo loiro escuro e caminhou até o palco, para receber os aplausos e gritos da platéia. Romeo imediatamente apertou a mão do apresentador, com um pequeno sorriso torto no rosto. Eu ri de como ele parecia distante e metido para qualquer um. Mas para mim, ele tinha a perfeita imagem de menino mau, escuro e inalcançável. Se os gritos femininos fossem uma indicação, eu diria que ele já tinha um fã clube esperando-o. Houve uma tempestade de flashes, quando ele orgulhosamente levantou sua camiseta dos Seahawks, mostrando o número sete e nome PRINCE atrás. Tive que limpar as lágrimas de felicidade dos meus olhos uma e outra vez, enquanto o observava ser o centro das atenções e finalmente conseguir tudo o que queria e merecia. Depois de uma breve entrevista, ele saiu do palco para falar com a imprensa que estava esperando-o. Ally, Lexi, e Cass se sentaram comigo no pequeno sofá. – Então Mol, vai para Seattle? – Perguntou Ally, com um olhar de felicidade e medo no rosto. Toda a atenção tinha estado em Romeo e no draft, durante os últimos meses. Nossos amigos sabiam que eu ia fazer meu doutorado, mas ninguém, nem sequer Romeo, sabia onde eu tinha sido aceita. Tinha que contar a ele primeiro.


– Estou muito contente por ele. É o que ele sempre sonhou. – Falei, evitando de propósito a pergunta. Cass girou os olhos. – Corta a onda, Molls! Você vai com ele? Você não disse uma maldita coisa sobre o próximo ano e nós todos queremos saber! Olhei ao redor da mesa e encontrei seis pares de olhos, bem atentos e focados em mim, as queixas em voz alta de Cass obtiveram a atenção de Austin, Reece, e Jimmy-Dom, que estavam sentados na nossa frente. Retorci-me em meu assento, tentando escapar da atenção indesejada. – É a noite de Romeo. Não se trata de mim. Seis

amigos

abatidos

se

afundaram

em

seus

assentos,

com

exasperação. Eu tinha que falar com Romeo primeiro. Romeo voltou para a sala depois de uns trinta minutos e corri para os braços dele, que me estavam abertos, me esperando. Beijei todo o rosto dele, murmurando: – Amo você, amo você, amo você. Meu novo quarterback do Seattle me apertou em um abraço forte e logo me empurrou para trás, para olhar nos meus olhos. Havia felicidade em sua expressão, mas eu podia ver a tensão em seus olhos ansiosos. –O que? O que foi? – Perguntei em pânico. Romeo falou para os meninos que precisávamos de um minuto e me levou a um canto escuro da sala, completamente fora de vista.

Ali ele


acariciou meu cabelo e puxou alegremente a ponta do boné azul marinho dos Seahawks. Pegando minha mão, ele tirou o boné e passou a mão por seu cabelo bagunçado. – Estou feliz, baby. Mas não posso fazer isso sem você. Seattle. Vou para Seattle. Você se inscreveu para Harvard, Yale e Stanford, pelo que eu sei. Você foi tão reservada com tudo isso que estou ficando louco. Poderíamos ficar em diferentes partes do país, pelo que sei e preciso de você comigo. Eu não acredito que posso fazer isto sem você. – Romeo... Ele me silenciou com um dedo em meus lábios. – Estou simplesmente me sentindo muito dividido, porque sei que você deixaria tudo por mim. Mas também quero que seus sonhos se realizem. Não sei como ter ambos, você e o futebol. Segurei sua mão e beijei cada dedo. – Romeo, estive fugindo dos meus problemas durante toda a minha vida, sem nunca voltar, mas você é a primeira pessoa para quem voltei. Isso significa muito para mim. Você me tirou da escuridão. – Abaixei sua mão e a pressionei em minha barriga. – E me deu esperança. Espero que algum dia eu seja uma boa mãe... Quando for o momento certo e se eu tiver uma família... Será com você. Umidade brilhou em seus olhos chocolate e pressionei um beijo suave na tatuagem de asas de anjo, que tomou o lugar de honra sobre seu coração.


– Você me disse uma vez que um dia queria se afastar, que um dia queria ser você mesmo e que um dia conseguiria tudo o que queria. Romeo assentiu lentamente. – Mas o que quero é você. Tudo o que quero é você. Você é meu "um dia”. Alcancei meu bolso traseiro e tirei uma carta, a expressão de Romeo mostrava confusão, então anunciei: – Seu "um dia" está finalmente aqui. Agarrando a carta das minhas mãos, ele a abriu e eu observei como a palavra “aceita” e “Universidade de Washington, Seattle”, saltaram da página. Suas mãos quase destroçaram o papel e ele levantou a cabeça, seu olhar perplexo penetrava o meu. – Você... Acaso... O que? Peguei a carta das mãos dele coloquei-a, novamente, no bolso e segurei seu rosto entre as mãos. – Também me inscrevi para Seattle. Quando o Dr. Adams, um tempo atrás, mencionou que havia uma possibilidade de você ir para lá, investiguei a forma como o draft funcionava e calculei as possibilidades para Seattle. Não quis lhe contar isso, para o caso de não funcionar. Mas simplesmente valeu a pena. Vou para Seattle com você, querido. Está diante da mais nova estudante de Doutorado em filosofia. Enviei meu e-mail de confirmação faz uns vinte e cinco minutos.


Romeo sorriu amplamente, um sorriso completo, um dos que meu pai daria e chocou seus lábios nos meus. Quando ele finalmente se afastou, sua intensa expressão estava completamente séria e ele me empurrou contra a parede. Conhecia esse olhar, seu selvagem lado possessivo estava arranhando a superfície. Romeo me olhou fixamente durante vários segundos e de repente disse: – Case comigo. Tropecei em meus saltos agulha, em choque. – Q.. O que??? – As mãos de Romeo se estenderam sobre meu rosto, me possuindo, me rogando, me desejando. – Case comigo. Case comigo amanhã, esta noite, assim que pudermos. Apenas... Case comigo, Shakespeare. Deixe que eu lhe faça oficialmente minha. – Mas... Mas... Seus moveu os braços e me enjaulou contra a parede. – Amo você. Amo você mais que tudo. Não posso e não ficarei sem você, nunca mais. Quero lhe dar tudo o que eu puder. Quero lhe dar felicidade... Quero um dia lhe dar filhos. Ele deixou a cabeça cair contra a minha, sussurrando: – Case comigo. Fique comigo. Tenha um para sempre... Comigo.


Perdi a capacidade de respirar por causa da necessidade desesperada em seu olhar e não havia absolutamente nenhuma duvida em minha mente. Romeo era para mim. Romeo era para mim o que meu pai tinha sido para minha mãe. Romeo era a alma que se entrelaçou à minha... Romeo Prince era meu lar doce lar. – Sim! – Anunciei e sua boca abriu levemente, em alívio. – Diga isso outra vez. – Exigiu ele. – Sim. É obvio que me casarei com você! Romeo se equilibrou sobre mim, seus suaves lábios selaram o voto da nossa união e eu me derreti sob seu toque. Íamos nos casar e amaríamos um ao outro mais do que alguém já amou outra pessoa nesse mundo. Amantes desventurados. Não pude evitar o pensamento e uma risada que escapou dos meus lábios. – Do que você está rindo agora, Shakespeare? – Romeo perguntou, pura felicidade irradiava de seu grande sorriso. Coloquei minha mão sobre seu coração e olhei nos olhos do amor da minha vida. – Que os dois amantes desafortunados da nossa história, encontraram uma maneira de estarem juntos, contra todas as possibilidades, todos os obstáculos e finalmente conseguiram seus felizes para sempre.


Romeo me olhava com adoração e segurando meu rosto ele murmurou: – Nunca, jamais, existiu uma história tão verdadeira sobre a conquista do amor, como esta. A de Molly Julieta e seu Romeo.

Fim


– Mamãe – Levantei-me imediatamente ao ver seu nome refletido na tela do meu iPhone. – Venha jantar esta noite. – Ela ordenou. Apertei a mandíbula por seu tom mal humorado. – Sinto muito, estou ocupado. – Retruquei. – Então, se desocupe! Os Blair virão, e deve estar aqui para que possamos discutir o compromisso de casamento, os detalhes e concretizar isso, de uma vez por todas. – Tenho treino. O treinador exigiu um two-a-days21. – Ouvi apenas silêncio no outro lado da linha. – Virá esta noite, Romeo. – Ela finalmente falou, suas palavras destilavam veneno. Parei imediatamente, justo no caminho para o bloco de Humanas. Eu já estava atrasado para a maldita aula de introdução, devido a uma reunião de equipe e agora a cadela chiava em meu ouvido sobre este maldito compromisso e me chamava de bastardo, usando esse nome... De novo. Podia sentir minha tolerância por sua atitude a ponto de explodir. Beliscando a ponta do nariz, concentrei-me na relaxante sensação do sol de verão ardente, golpeando minhas costas, me acalmando. Não funcionou, maldição. Nada ajudava.

Two-a-days: Quando uma equipe pratica 2 vezes em um dia, geralmente terminam ao início do outono. 21


– Olha, tenho treino. Não vou poder ir. Apertei o botão de desligar, coloquei o telefone no bolso da calça e segui para dentro do edifício, tentando deixar que o jorro de ar frio, do arcondicionado esfriasse a infernal e maldita ira habitual que me queimava de dentro para fora. Meu sangue parecia magma fundido e bombeando através dos meus músculos, numa força imparável. Mas a abracei e dei-lhe boas vindas, inclusive a ira, era um aviso constante de que eu tinha que me afastar dessa gente desprezível. Atravessei o segundo conjunto de portas abertas, escutando a madeira bater contra a parede e saí pelos corredores vazios, a pressão construía-se em meu peito com cada passo ao pensamento de ficar preso a Shelly. Fodida Shelly Blair. Cristo, fiquei com ela duas vezes no Ensino Médio e estupidamente, uma vez no primeiro ano, agora ela atua como se fôssemos companheiros de alma, apaixonados. Nem sequer sei se tenho capacidade de amar alguém. Acho que isso desapareceu de mim, há muito tempo. Meu telefone vibrou de novo. Não olhei, sabia que seria meu pai exigindo que eu fosse. Mamãe tinha chamado o peixe gordo. Maldito imbecil. Se eu atendesse ele diria que minha recusa em comparecer ao maldito jantar é inaceitável, então me ameaçaria, me chantagearia e diria o quanto ele e mamãe me odeiam. Seria o de sempre. O mesmo de sempre.


Dobrei a esquina, com os punhos fechados, com a ideia de ter que me sentar ao lado do Shel durante há próxima meia hora, em uma sala de aula e sem uma maneira de sair do aperto de suas largas garras. Eu estava muito zangado. Simplesmente não podia me sentar ao lado daquela cadela, enquanto ela tocava meus braços e esfregava minha perna, com a esperança de me deixar duro o suficiente para ceder e a foder depois da aula. Isso. Nunca. Aconteceria. Nenhuma vez mais. Meu pau ficava inerte só de olhá-la. Ela pensa que é sexy, com o cabelo comprido, tetas de plástico, e falsos lábios vermelhos. Mas tudo que vejo é uma maldita mantis religiosa22. Continuei andando com a cabeça encurvada, para a sala de aula quando a ouvi. A maldita risada da Shelly. A risada que soava como milhares de gatos sendo estrangulados... Lentamente, dolorosamente, um por um. Não me orgulhei do que fiz a seguir. O Bala Prince, o quarterback dos Crimson Tide, virou à direita e se escondeu atrás de uma escada, ocultando-se da atenção de Shelly. Esmaguei minhas costas contra a parede branca e fria quando um movimento rápido me chamou a atenção. Uma garota segurando muitos papéis apareceu na esquina, murmurando para si mesma e olhando o relógio, todos os seus cachos castanhos estavam empilhados no alto da cabeça, grossos óculos pretos e os sapatos mais brilhantes que eu já vi, completavam a imagem. Os sapatos eram laranja néon... Cristo.

22

- Louva a Deus. Inseto em que é comum após o acasalamento à fêmea devorar o macho.


Não podia deixar de sorrir diante da visão. Quase toquei meus lábios só para comprovar que o sorriso realmente estava ali. Qual foi a última vez que eu sorri? Quer dizer, quando foi à última vez que sorri por algo que não fosse olhar algum imbecil que eu tinha nocauteado, cair no chão? Sacudi a cabeça com incredulidade, quando me arrisquei a dar uma olhada ao redor. Vi Shelly colocar seus olhos pequenos e brilhantes na garota com um sorriso malévolo e ela se virou e disse alguma coisa aos seus amigos. Endireitei a postura, de repente me senti protetor com a nervosa morena. Eu não conseguia parar de olhar. Ela parecia tão trágica com seu cabelo maluco, óculos de lentes grossas e correndo pelo corredor, com sapatos de plástico, rangendo contra o chão em mosaico, a cada passo apressado. Eu estava muito preocupado, envolvido na cena e me dei conta muito tarde, que Shell estava tramando algo, vi quando ela cutucou a garota ao passar, fazendo com que todos seus papéis caíssem no chão. A fúria me possuiu. Shell sempre tinha sido uma cadela, sem coração, mas ver que ela fez isso com uma garota inocente me deixou com muita raiva. Shelly disse alguma coisa para a menina, no chão - não pude ouvir o que foi - mas a menina morena nunca levantou os olhos, sempre manteve a cabeça baixa, ignorando o que eu imaginava ser um insulto malicioso. Por que eu me importava, se nunca me importei com nada além de mim? Culpei os muitos golpes na cabeça, durante o futebol.


Dei um passo fora do meu esconderijo e fui em direção a Shell, para dizer que deixasse a garota em paz, mas já era muito tarde. Ele já tinha ido para a aula. Quando me aproximei, a morena abaixou para recolher os papéis que tinham caído e eu quase gemi em voz alta, meu pau endureceu na hora Caralho. Que bunda. Que bunda e que curvas perfeitas. Rapidamente arrumei minha ereção na calça e tentei pensar em algo que me esfriasse. Jimmy-Dom de biquíni, Jimmy-Dom de calcinha. Na realidade... Dei um sorriso zombador... Shelly chupando meu pau... Sim, isso acabava com meu tesão, na hora. Passando as mãos pelo cabelo, caminhei até a garota, evitando olhar sua bunda e aquelas longas pernas, que eram muito irreais, me senti tentando tocá-las e envolvê-las ao redor da minha cintura. Porra, meu pau endureceu de novo. Abri a boca para ver se ela precisava de ajuda, justo antes que ela cuspisse: – Fodidos bastardos! – Ela amaldiçoou para si mesma e ficou de pé, seus óculos caíram no chão, no processo, parando justo ao lado dos meus pés. O tempo parou.


De onde era esse sotaque? Inglês, talvez? Fosse o que fosse era a coisa mais sexy que eu já tinha ouvido em toda minha miserável vida. Antes que eu pudesse evitar uma gargalhada saiu da minha garganta, ao ouvir suas doces maldições. Ela parou, quando me ouviu atrás dela. Ela estava com a cabeça encurvada, as costas tensa e o suspiro que ela soltou dizia tudo. Derrota. Agachei-me, recolhi seus óculos e segurei seu braço, fazendo-a virar para mim. Merda. Ela tinha grandes olhos marrons, carnudos e suculentos lábios rosa, a pele ligeiramente bronzeada e um suave rubor em suas bochechas, era realmente incrível. Eu tinha que dizer algo para não parecer algum horripilante inseto estranho, farejando o aroma de baunilha da sua pele. Quem é esta boneca? – Pode ver agora? – Sussurrei. Minha voz, inclusive para mim, soava rude. Bom, Rome. Grunha para ela. Seus olhos se estreitaram e ela os levantou. Assim, com os lábios entreabertos e os olhos atrás dos enormes quadrados ela estudou todas as partes do meu rosto. E aqui vem, o momento em que ela percebe quem sou eu, o fodido Rome "Bala" Prince. Aí eu ficaria zangado e diria uma idiotice.


Apenas mais um dia normal. Ela me olhava, como no início... E depois... Nada. Segurando

os

papéis

ela

começou

a

ir

embora.

Nenhum

reconhecimento, nenhuma paquera, apenas... Se afastar o mais longe possível de mim. Isso... Perguntei-me por um momento se ela não sabia quem eu era. Mas... Não, era impossível ela não saber, estávamos em Bama. Ela estava na UA. Cada filho da puta conhecia minha cara, eu gostasse ou não. Sem me dar conta, agarrei sua mão. – Está tudo bem? Ela não levantou o olhar. – Estou bem Não parecia isso. Mas até sem contato de olhos. Sem reconhecimento. – Tem certeza? – Pressionei novamente, sem absolutamente nenhuma ideia do por que. Vi em seus ombros que ela estava farta do dia. E seus longos cílios negros tremularam sobre suas bochechas, seus doces olhos se fixaram nos meus. Deixei escapar um suspiro e não consegui me mover.


– Já teve um desses dias em que tudo se transforma em um pesadelo sangrento? Inglesa. Porra! Era sexy. Aquele sotaque e sua expressão aberta me fizeram dizer: – Na verdade, estou tendo um. Seus olhos tensos se suavizaram e ela suspirou. – Então somos dois. – Seus lábios se torceram em um sorriso e ela começou a rir. Meu coração fez algo que nunca tinha feito antes. Sentiu. Sentiu algo... Indescritível. – Obrigada por vir me ajudar. Foi muito amável da sua parte. Esse sentimento me trouxe para a realidade. Amável? Não acredito. Seus olhos me observaram, esperando pacientemente uma resposta. – Amável. Normalmente não é o que as pessoas pensam quando falam ao meu respeito. – Vi como seus lábios se separaram ligeiramente, enquanto ela aspirava uma baforada de ar, surpreendida. Eu tinha que sair dali, ficar longe dela e deixar de atuar como um maldito brega estupefato. Caminhei sem olhar para trás, me dando conta de que era a maldita conversa mais longa que eu já tinha tido com alguém em muito tempo... E não tinha nada a ver com o maldito príncipe de Bama ou a próxima grande estrela do futebol.


Havia algo diferente nela, algo... Interessante. Como se não lhe importasse uma merda o que pensassem dela e não estava apanhada na parafernália de futebol. Quase como se fossem um órgão independente, minhas botas abruptamente pararam e olhei por cima do ombro. Ela ainda estava em pé, no mesmo lugar, logo ela se virou e encontrou com meus olhos. – Sou Rome. – Falei, quase involuntariamente as palavras saíram da minha boca. Seus longos cílios revoaram para baixo, tocando os cristais de seus óculos e quando se levantaram um tímido sorriso transformou seu rosto. – Molly. Assenti e percorri a língua pelos lábios, observando-a dos pés a cabeça e logo fui para a sala de aula. Molly. A pequena inglesa Molly. Merda. Ali estava meu coração geralmente negro e endurecido, atrevendo-se a sentir algo novo.


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Tillie cole sweet home 01 doce lar