Issuu on Google+


Índice O Segredo do Casamento do Príncipe Rico Capítulo Um Capítulo Dois Capítulo Três Capítulo Quatro Capítulo Cinco Capítulo Seis OUTRA HISTÓRIA QUE TALVEZ VOCÊ APRECIE A Amante Roubada do Sheik Capítulo Um Capítulo Dois Capítulo Três Capítulo Quatro Capítulo Cinco Capítulo Seis Capítulo Sete Capítulo Oito Capítulo Nove Capítulo Dez Capítulo Onze Capítulo Doze


O Segredo do Casamento do Príncipe Rico Por Sophia Lynn

Todos os Direitos Reservados. Copyright 2015-2016 Sophia Lynn.

CLIQUE AQUI

para se inscrever na nossa newsletter e obter atualizações EXCLUSIVAS sobre todas as ofertas, prévias secretas e novos lançamentos!


Capítulo Um Cidade de Nova Iorque, Agora Marnie congelou, o que foi muito constrangedor, dado o fato de que ela estava perto da bandeja de queijo no fundo da livraria. Ela queria ter certeza de que conseguiria pegar um pouco de queijo e algumas uvas antes do resto da multidão perceber que havia comida de graça, e ela achou que estava indo muito bem, até que se virou e viu o homem de cabelos escuros que estava mais perto da frente da sala. Realmente, não pode ser ele, pode? Ela disse a si mesma que era tolice. Não tinha como ser Philip, não mesmo, mas quanto mais tempo ela observava, mais ela reconhecia a maneira que aquele homem ficava de pé, a inclinação da cabeça, até mesmo a maneira como ele passava os dedos pelo cabelo espesso e escuro enquanto falava. Cassie deu uma cotovelada nas costelas dela. "Marnie, você realmente precisa se afastar e deixar que outra pessoa- oh, olá, isso é bom, não é?" Sua melhor amiga ofereceu ao objeto de observação de Marnie um olhar apreciativo, mas quando ela olhou para Marnie, ficou claro que Marnie não estava apenas apreciando um belo homem. "Olha, eu sei que você não tem saído há um tempo, mas, sério, estamos em Nova Iorque. Existem muitos homens mais bonitos por aí, embora eu tenha que admitir, esse em que você está de olho é bastante impressionante. Como assim?" Marnie se recuperou o suficiente para se afastar da mesa. Sem pensar no que estava fazendo, ela se enfiou atrás de uma estante de livros de viagem. Ela era baixa, e a estante a escondeu muito bem, mas ainda assim ela teve que resistir ao impulso de se agachar. "Eu sei que há homens mais bonitos por aí, mas este é um que eu conheço." Quando Cassie


pareceu ainda um pouco confusa, Marnie se retraiu. "Eu o conheço intimamente." "Nossa, é uma daquelas situações, né? Bem, o que você quer fazer? Quer que eu comece a falar em voz alta sobre política para que você possa fazer sua fuga?" Marnie mordeu o lábio. Se ela quisesse ser prática e sensata, não haveria nada mais inteligente do que aceitar a oferta de Cassie. Cassie era uma boa amiga, e a única coisa que ela gostava mais do que curtir com seus amigos era causar um estardalhaço. No entanto... Era Philip. Algumas pessoas entram em sua vida e escrevem suas iniciais nela. Com o tempo, suas iniciais podem se desgastar ou erodir por completo. Quando se tratava de Philip, ele não tinha apenas colocado suas iniciais. Ele tinha esculpido seu nome completo nela, e, em alguns dias, parecia que as letras tinham sido gravadas ontem. "Eu não sei," ela disse, mas então ele se virou para ela. Se ela tinha alguma dúvida de que não era Philip, os olhos quase negros daquele homem teriam rapidamente eliminado essas dúvidas. Ela nunca tinha conhecido ninguém com olhos tão escuros, e, como sempre, foi uma luta para evitar se afogar neles. No momento em que ele a viu, ele começou a cortar pelo meio da multidão para chegar até ela, e Cassie ficou tensa. "Então, qual é o plano? Dou um rodo nele para que você possa sair pela saída de incêndio?" "Não há nenhum plano," Marnie disse fracamente; mas então, qual era a novidade? Quando se tratava de Philip, nunca houve. *** Cidade de Nova Iorque, Seis Anos Atrás Marnie estava cuidando de sua própria vida, mas se ela fosse honesta consigo mesma, isso nunca tinha salvo ninguém. Ela era tão cautelosa e desconfiada quanto qualquer nova-iorquino, mas a verdade é que você simplesmente não poderia ficar em guarda o tempo todo. Naquele dia


de primavera, ela não tinha nada em sua mente mais prioritário que descer a rua até o café para escrever um pouco. Seu pequeno laptop foi guardado firmemente na sua sacola, seguro contra roubo, mas, aparentemente, ela deixara a carteira no bolso da frente aberto. O ladrão viu, e, aparentemente, era bom demais para deixar passar. Em outro mundo, o ladrão furtaria uma carteira facilmente, ela amaldiçoaria sua distração, e Philip Demarier continuaria andando. Ela não vivia nesse mundo, no entanto. O ladrão arrancou a carteira de sua bolsa, mas, de alguma forma, no último minuto, o braço dele se enroscou na alça. Marnie foi deslocada com um forte puxão e, graças a anos de treinamento em artes marciais, ela se virou e ficou com os punhos para cima para se defender e também para fazer qualquer um que a ameaçasse se sentir muito, muito arrependido. Naquela altura, o ladrão não queria nada mais do que fugir, mas de alguma forma ele tinha ficado ainda mais emaranhado na alça. Marnie, que não estava inteiramente certa sobre o que estava acontecendo, puxou de volta, tornando as coisas piores, e, neste momento, ela ainda não fazia ideia se ele queria sua carteira. Ambos estavam gritando um para o outro, dispostos a ceder sequer um centímetro, e foi quando Philip interveio. Na visão de Marnie, um homem alto e imponente chegou e agarrou a alça com uma mão, enquanto agarrava o braço do ladrão com a outra. Com um movimento surpreendentemente hábil, ele os separou, e quando o ladrão tentou se fundir à multidão, Philip o chacoalhou apenas o suficiente para fazê-lo parar. "O que diabos está acontecendo?" Marnie falou atrapalhada, o que, em retrospecto, não era a coisa mais charmosa que ela já tinha dito a um homem bonito. "Este homem estava tentando te furtar," Philip respondeu com um leve tom de humor em sua voz. "Se ajuda, eu não estava tentando fazer nada, apenas te socorrer. Socorrê-la, e não a ele, se há alguma confusão." Um policial havia sido encontrado com uma rapidez surpreendente, e então era apenas


Marnie e Philip, de pé no meio da calçada, enquanto as pessoas se aglomeravam ao redor deles. "Ah, vamos sair do centro da calçada, as pessoas estão tentando andar," disse ela. Sem pensar no que estava fazendo, ela enganchou seu braço no dele e puxou-o para a pequena área protegida ao lado de um edifício. Agora que ela estava se acalmando, ela se surpreendeu ao ver o quão verdadeiramente bonito seu salvador era. Ele se elevava sobre seu um metro e meio, e seu cabelo e olhos pretos combinavam-se para lhe causar uma atração irresistível. Seu rosto era severo, mas seus lábios eram sensuais. Quando sorriu, ele causou um arrepio na espinha dela. "Você está bem?" ele perguntou, e sua voz era como chocolate - rica e escura. "Eu estou bem, obrigada pelo suporte," disse ela. Agora que havia acabado, ela estava um pouco trêmula, mas ela não tinha certeza se isso tinha mais a ver com o roubo ou com o homem que a havia ajudado. Ela bateu em sua bolsa e se assustou quando percebeu que não conseguia encontrar sua carteira, objeto de toda essa confusão. "Oh Deus, eu acho que perdi..." Marnie piscou quando ele entregou sua carteira. "Eu a vi cair no chão, e percebi que a última coisa que você iria querer fazer era vasculhar debaixo dos pés da multidão para encontrá-la." "Sim, essa é uma boa maneira de ser atropelada," disse ela com tristeza, pegando a carteira com ele. "Eu estive em tumultos que eram mais calmos do que as calçadas de Manhattan," disse ele com um leve sorriso, e ela percebeu que, embora seu Inglês fosse perfeito, havia uma certa nitidez às suas palavras que a fez pensar na Suíça e na Alemanha. "Você já esteve em tantos tumultos assim?" ela perguntou. Ela se questionou se soava como uma idiota. Com vinte anos de idade, ela tinha tido um namorado ou outro, mas ela sempre pareceu cair


em relacionamentos, em vez de fazê-los acontecer com um certo planejamento. Ela era baixa, seus cabelos pretos caindo livres até os ombros, e cheia de curvas, mas a maioria das pessoas provavelmente diria que seus pontos fortes eram seus olhos azuis escuros. Marnie sabia que ela não era nem de longe feia, mas, na verdade, ela não era do tipo que atraía homens bonitos pela rua. Ele deu de ombros. "Eu corri com os touros em Pamplona. Isso é o mais próximo que eu quero chegar." Parecia uma história ou um mito, mas ele o disse como se fosse tão normal quanto ir até o Brooklyn para comer uma boa massa. Os olhos de Marnie se arregalaram, e, de repente, seu fascínio era mais profundo do que simplesmente pela aparência ele. "Uau, parece incrível," disse ela. "Olha, você tem um tempo? Eu adoraria perguntar-lhe sobre tudo isso, e eu poderia comprar um pouco de comida para compensar. Ah, e para agradecer pela ajuda também, é claro..." Ela gaguejou e travou, seu rosto um pouco vermelho com seu próprio entusiasmo, mas ele riu. Pelo menos ele parecia pensar que pequenas nova-iorquinas bocudas eram divertidas. "Bem, isso parece divertido," ele disse, "mas eu tenho que dizer que gostaria de saber com quem estou falando." A questão implícita a pegou de surpresa, e ela riu um pouco. "Sou Marnie Drake," disse ela. "Prometo que não mordo." "Bem, eu sou Philip Demarier, e eu não mordo a menos que eu seja muito claramente solicitado a fazê-lo." Ele mostrou os dentes brancos e brilhantes para ela, fazendo-a rir um pouco ao estremecer com a ideia. A cada momento que passava, ela gostava mais e mais deste homem. "Tudo bem, para o Ruffio, e eu vou te comprar o maior pastel dinamarquês de queijo e morango que eles tiverem!" Ela era uma escritora. Era sua vocação tanto quanto ela queria que fosse uma carreira, e


embora ela não soubesse muito, sabia que quanto mais informações tivesse sobre o mundo ao seu redor, melhor seu trabalho seria. Ela não era a melhor; ela não era nem mesmo muito boa ainda, mas sabia que se continuasse persistindo, um dia ela veria seu nome nas livrarias. "Por que você esteve em Pamplona? Que tipo de preparação você teve para correr com os touros? Ficou com medo?" As perguntas saíram correndo de sua boca assim que se sentou na pequena cabine, e Philip riu dela. "Eu estava em Pamplona porque minha família estava visitando lá. A preparação que eu tive foi beber um pouco mais da conta, e não, eu não estava nem de perto tão assustado quanto deveria." Ela estava lutando para lidar com a ideia de correr com animais tão grandes e perigosos quanto touros com nada para prepará-lo senão um pouco de álcool, quando Philip a surpreendeu. "Por que você está me fazendo essas perguntas? Você é uma estudante aqui? Você se esmera em roubar homens inocentes das ruas para obter informações sobre eles?" "Eu me formei no início deste ano, e não, eu nunca peguei um homem na rua para lhe perguntar sobre touros e Espanha antes," disse ela. "E quanto ao motivo de eu estar fazendo estas perguntas, sou uma escritora." Philip parecia impressionado, mas depois ele fez a pergunta que todos faziam. "Ah? Li alguma coisa que você tenha escrito?" "Não, a menos que você tenha lido alguns editoriais universitários muito pequenos no ano passado," ela teve que admitir. "Ah, então você realmente é...?" Ela se arrepiou um pouco com isso. "Eu realmente sou uma escritora," disse Marnie, seu queixo erguido. "É o que eu faço sempre que eu não estou dormindo, trabalhando, ou, de outra forma, ocupada. Atualmente, estou ganhando a minha renda trabalhando em uma copiadora, mas, na verdade, sou uma escritora."


Ela já recebera todos os tipos de respostas ao falar isso. Algumas pessoas riam educadamente e mudavam de assunto. Outros tentaram discutir com ela. Para sua surpresa, Philip não fez nenhum dos dois. Em vez disso, ele pareceu surpreendentemente pensativo. "Você parece uma mulher que sabe quem é," disse ele. "Isso por si só é muito impressionante." A comida deles chegou em seguida, oferecendo uma distração bem-vinda, e ao longo das próximas horas ela o questionou sobre sua vida, que parecia tê-lo levado ao redor de todo o globo. Depois disso, ela ficou relutantemente pensando que deveria deixá-lo ir quando ele sugeriu uma caminhada para ver uma galeria que acabara de abrir para uma exibição naquela noite. Marnie estava grata por ter usado seu vestido azul sem manchas naquele dia, e concordou alegremente. A partir dali, os próximos meses haviam passado como a primeira bobina de um filme de romance. Ele morava em uma cobertura no centro de Manhattan, e ela compartilhava seu apartamento no décimo primeiro andar com duas companheiras de quarto. Ele usava Armani quando se vestia para sair, e as roupas dela cabiam em duas malas. De alguma forma, eles estavam encantados um com o outro, e Marnie enxergava estrelas até que ele soltou uma bomba. "Espere aí- príncipe? Tipo um príncipe mesmo, de um país?" "Dá para ser o príncipe de qualquer outra coisa?" Philip perguntou, mas ela não estava com disposição para brincadeiras. Suas colegas de quarto estavam fora da cidade para um concerto, e eles aproveitaram a oportunidade para fazer amor no apartamento dela. Agora ela ficara na defensiva, afastando-se. Sua mente ainda estava girando. "Por que você não me contou?" Marnie perguntou. De alguma forma, ele sentiu como se o homem que se deitava em sua cama era diferente daquele que a havia tocado tão amorosamente antes. Ela odiava isso. Ele deu de ombros e ela ficou satisfeita ao ver que ele parecia um pouco envergonhado


consigo mesmo. "Porque não é algo que se traz à tona imediatamente." Então ele balançou a cabeça. "Não. Eu quero ser honesto com você. Eu sempre quero ser honesto com você, Marnie. Porque eu queria que você me visse como quem eu sou, sem o título, sem a história. Ser o Príncipe de Navarra coloriu todos os aspectos da minha vida, ou pelo menos colorira, até que eu conheci você. Eu queria ...manter daquele jeito por um tempo." Ela entendeu. Ela queria não ter entendido, mas o fez. Ela foi se sentar ao lado dele novamente, mas ela se manteve rigidamente separada. "Tudo bem," ela disse suavemente. "Diga-me o que isso significa para nós." Ele começou a dizer algo sobre aquilo não significar nada para eles, mas ela o interrompeu com um gesto brusco. "Eu estou perdidamente apaixonada por você," disse ela, e quando ela se virou para ele, seus olhos azuis estavam cheios de lágrimas. Ela não tinha dito a palavra amor ainda, e quando ela havia pensado sobre isso, nunca foi assim. "O que isso significa para aquilo?" Philip parecia chocado, e então ele a tomou em seus braços. Ela desejava ter força para lutar contra ele, mas então, ela se sentia muito bem, bem demais. Ela permitiu que ele a segurasse, e quando ela sentiu o leve tremor que corria pelo corpo dele, ela se confortou. Ele não estava tão longe dela. Este não era o jogo de um mauricinho. "Santo Deus, eu também te amo," ele sussurrou. "Mas ...você precisa entender. Eu sou o filho mais velho, herdeiro do meu pai. Existem ...expectativas. Eu não posso jogá-las de lado." Marnie assentiu, engolindo o nó que aparecera em sua garganta. "Então você entende que esta é a última vez que podemos fazer isso," ela disse suavemente. Por um momento, pareceu que Philip fosse discutir, mas então ele viu o olhar no rosto dela e recuou. Ela o amava. Não havia dúvida sobre isso na mente dela. No entanto, ela se conhecia e sabia qual era seu próprio valor. Ela sabia o que queria. Mesmo com um homem que ela amava como Philip - e, de fato, ela o amava com todo seu coração - ela não podia permitir que fosse


usada desta forma. Era como se seu coração tivesse rasgado em dois quando ele finalmente a deixou. Ele se levantou, e Marnie ficou de costas para conforme ele se vestia. Era, de certa forma, muito íntimo vê-lo fazer isso. Quando eles dormiram juntos pela primeira vez, na manhã seguinte, ela ficou olhando para ele se vestindo e abotoando tão rápida e ansiosamente quanto ela lhe havia assistido despir-se. Agora, ela não podia suportar olhar para ele. Quando ele estava completamente vestido, ele ficou de pé atrás dela por um minuto inteiro antes de suspirar. "Adeus, Marnie. Eu ...lamento muito por te machucar. Eu gostaria de não o ter feito." Ela passou o resto da semana em uma depressão profunda, e na seguinte, em uma raiva rubra. Depois disso ...bem, ela tinha outras coisas com que se preocupar e uma grande decisão para tomar. No final, um mês depois, o telefone a informou de que havia uma menção de Philip Demarier nas notícias, e era sobre o seu regresso ao seu país de origem após um tempo prolongado nos Estados Unidos. Naquele momento, ainda que seu coração se contorcesse quando pensava nele, ela estava aliviada. *** Agora Se Marnie fosse totalmente honesta consigo mesma, admitiria que pensava em Philip muito mais frequentemente do que a maioria das pessoas pensava sobre seus antigos amores. Isso provavelmente não era saudável, mas, para seu consolo, não era como se ela estivesse olhando para trás com amargura. Havia alguma melancolia ali, mas ela certamente podia dizer que deixou tudo aquilo no passado. Havia alguma tristeza ali, mas certamente aquilo era natural? Ela não se lamentou, ela não entrou em colapso, e até há cinco minutos atrás, ela pensava que os únicos sentimentos que ela tinha por Philip eram coisas suaves, doces e nostálgicas. Então, em uma noite ventosa de outubro, ele a viu do outro lado da sala em uma leitura de


poesias e ela percebeu que aquilo tudo era mentira. Quando eles se olharam, todas as emoções que eles tinham compartilhado vieram à tona, e ela se sentiu exatamente como aquela deslumbrada moça de 20 anos de idade. "Marnie?" ele perguntou, e até mesmo a maneira como ele pronunciou o nome dela fez sua barriga revirar. "Não pode ser você, pode?" "É claro que pode," ela disse, surpreendendo a si mesma. "Sou nascida e criada em Nova Iorque. Você é o único que está fora de lugar, Sua Alteza." Ele teve a graça de se retrair com o comentário, mas ela percebeu, pela ligeira curva do sorriso dele, que ele tinha gostado. Agora que Marnie estava tão perto dele, podia ver que ele não era mais o jovem que fora. Ele era um ano mais velho que ela quando eles se conheceram, e agora ela podia ver que ele era meio que um menino há seis anos atrás. Ele tinha a mesma altura, mas seus ombros agora estavam mais largos, e ele estava mais parrudo. Com mais rugas no rosto, ele parecia mais duro, mas para Marnie, isso só o tornava mais bonito. "Você está bem?" ele perguntou, e Marnie percebeu o quão ridículo era eles estarem nessa conversa fiada logo após o final de uma leitura de poesias verdadeiramente terrível. "Não me pergunte algo assim," Marnie disse desafiadoramente. "Pergunte-me algo real." Os olhos escuros de Philip se estreitaram, e ela lembrou com uma pontada que ele nunca havia, em todo seu tempo juntos, recuado de um desafio, nem por uma vez. "Você faz um bom juízo sobre mim?" ele perguntou, quase formalmente. "Eu deveria simplesmente dizer que foi bom vê-la e ir embora antes que você decida rodar a baiana comigo?" Sua pergunta fê-la rir, e ela balançou a cabeça. "Eu faço bom juízo de você," disse ela. "Mesmo que não tenhamos... sim, eu faço bom juízo de você e você não está em perigo de presenciar um estardalhaço, pelo menos não da minha parte." O sorriso de Philip era tão brilhante quanto ela lembrava. "Bom," disse ele, aproximando-se. "Então talvez você saia e jante comigo. Eu sinto que temos um monte de assuntos para colocar em


dia." Por um momento, ela tinha vinte anos de novo, e não havia nada no mundo que ela quisesse mais do que sair com um homem que a fazia se sentir da maneira que Philip sempre fez. Então ela caiu na real, e ela sabia que era uma impossibilidade. Ela começou a procurar uma desculpa, mas, em seguida, Cassie, a maravilhosa Cassie que esteve em silêncio durante toda esta louca interação, entrou em cena. "Desculpe, eu tenho certeza que Marnie adoraria, mas esta noite ela prometeu que me levaria para casa em segurança." Philip olhou assustado, mas assentiu. "Isso é... muito bom da parte dela," disse ele. "Marnie... foi um prazer vê-la. Aqui, pegue o meu cartão. Se você quiser me ver novamente, é só ligar, certo?" Ela pegou o cartão dele com mãos que pareciam estar congeladas em gelo, e concordou. Naquele momento, o proprietário de uma das empresas de imprensa locais abordou Philip, e Cassie e Marnie fizeram sua fuga. "Obrigada," Marnie disse enquanto caminhavam pela rua. "Aquilo estava ficando no mínimo estranho." "Sem problemas. Eu faria isso por você novamente, mas sério, o que está acontecendo entre você e o Sr. Meio Europeu? Aquilo foi muito intenso." Marnie respirou fundo e começou a contar para sua amiga tudo sobre sua história com Philip, mas sua mente já estava pulando para seu próprio apartamento e a pessoa que estava esperando por ela lá. Quando ela tinha saído esta noite para a leitura de poesias, tudo estava tão simples. Agora, nada estava. *** Quando Philip conseguiu se desvencilhar de um editor particularmente bajulador, ficou desapontado ao ver que Marnie tinha ido embora. Na verdade, ele não tinha sido enganado pela


amiga dela. Ele havia frequentado eventos públicos suficientes para saber quando uma mulher estava livrando uma amiga de uma situação tida como problemática, e ele não teve ressentimentos. No entanto, quando ele pensou sobre aquilo, ele teve que admitir que sentiu uma pontada por Marnie ter se deixado levar. Quando ele a viu, ele fora transportado de volta para aquele verão que havia passado em Nova Iorque. Para ser honesto consigo mesmo, foi aquilo que o colocara no caminho que o levou de volta a Nova Iorque nesta semana. Há menos de duas semanas atrás, ele saiu de um jantar com a família real de Svarta e voltou-se para seus pais com descrença. "Vocês não podem estar falando sério," ele disse, e seu pai franziu a testa. "Ela é uma mulher perfeitamente graciosa," Alexander retumbou. "Ela é atraente. O que mais você quer?" "Eu quero muito mais," ele disparou de volta. "Se for para eu me casar, eu certamente não estou interessado em uma pequena vaca plácida." "Fale baixo," sua mãe cochichou. "Ela foi perfeitamente educada e gentil com você, e a última coisa que você deveria estar fazendo é ferir os sentimentos de sua futura esposa." "Futura-? Mãe, pai, não. Eu tenho muito respeito por vocês, mas eu não vou me casar com Johanna. De jeito nenhum." Alexander se aproximou de seu filho e, por um momento, Philip se perguntou se eles iriam realmente chegar às vias de fato. O homem mais velho ainda era forte e vigoroso, mas Philip não deixava por menos, em comparação. O príncipe estreitou os olhos, mas seu pai só chegou perto dele, olhos frios como aço gelado. "Você foi criado para servir este país," disse ele. "E desde quando você era uma criança, você sabe que parte de servir o país seria casar com uma mulher adequada e ter um herdeiro para o trono. Este não é um dever de que você possa abdicar e ainda permanecer como príncipe." Philip encontrou o olhar de seu pai, sem vacilar. "Você acha que você vai me assustar me deserdando?"


"Você é um homem adulto, e geralmente, eu o respeito tanto quanto gosto de você. Eu não o ameaçaria, mas eu vou lhe dizer isto." Alexander fez uma pausa, como se as palavras que ele iria dizer fossem demasiado pesadas para ele. "Não estou ameaçando você," ele disse solenemente. "Eu não vou forçá-lo ou tentar puni-lo. Você é um homem, e a única coisa que vou dizer é que suas ações contribuem para um resultado inevitável. Se você se recusar a fazer o seu dever, se você não vai assumir as responsabilidades que têm sido parte integrante dos deveres de cada herdeiro masculino dos Demarier, vou deserdá-lo. Você deixará de ser um príncipe. Você não será mais o meu herdeiro." Philip congelou. Seu pai já insinuara que Philip poderia ser deserdado antes, mas ele nunca tinha feito isso tão bruscamente. A primeira emoção de Philip foi uma dor vazia de que ele podia ser tão facilmente expulso de sua própria família, e, em seguida, foi seguida por uma raiva crua e vermelha. Ele não podia confiar em si mesmo naquele momento. Se ele tivesse continuado, ele poderia ter dito algo que ele não queria dizer, algo que fosse ainda mais desastroso do que uma deserdação pudesse ser. Em vez disso, ele olhou para seus pais, inclinou-se bruscamente, girou sobre os calcanhares e foi embora. Eles provavelmente pensaram que ele iria para a sua própria casa para ficar amuado por lá, ou até mesmo que ele sairia pela capital para espairecer. Em vez disso, ele foi direto para seu apartamento, arrumou as malas, e reservou um bilhete. Menos de cinco horas depois, ele estava em um avião com destino a Nova Iorque. Nova Iorque sempre foi uma espécie de terra prometida para ele. Era um lugar onde ele poderia desaparecer no tumulto, onde os caixas e garçonetes esfregavam cotovelos tantas vezes com estrelas e políticos que simplesmente não valia mais a pena mencionar. Foi em Nova Iorque que ele conheceu o primeiro grande amor de sua vida, e embora ele soubesse que o tempo tinha passado e o mundo tinha girado, ele estaria mentido se dissesse que não nutria nenhuma esperança de vê-la.


Ele apareceu em Nova Iorque e passou algum tempo nos pontos quentes antes de começar a desejar algo mais revigorante. A leitura de poesias estava terrível, no entanto, e ele estava começando a pensar sobre ir embora quando a avistou do outro lado da sala. Seu cérebro pôde não saber como ele reagiria, mas seu coração tinha suas próprias ideias. Seu coração batia com uma espécie de reconhecimento que o fazia pulsar, e ele mal podia conter a vontade de chegar lá e tentar recomeçar de onde haviam parado. Ela tinha mudado, ele percebeu quando se aproximou. Ela ainda era baixa, com cabelos negros como os seus e aqueles enormes olhos azuis. Ela estava com um pouco mais de curvas também, mas isso só a fazia parecer mais mulher para ele. Ele a viu, e seu primeiro instinto ainda era plantar um beijo suave em seus lábios carnudos. Ele se conteve, no entanto, e quando ela pareceu um pouco frenética, ele a deixou partir. Philip acordou no dia após a leitura sentindo-se mais contemplativo que antes. Quando verificou as notícias de sua terra natal, ele fez uma careta ao ver que seus pais tinham revelado que ele estava em uma viagem a Nova Iorque com fins empresariais e familiares. Ele supôs que dizer à imprensa que ele estava fugindo de um futuro casamento maçante pra caramba estava fora de questão. Ele folheou as páginas sociais e, em seguida, com sentimentos de surpresa e destino, ele reconheceu o nome de Marnie. Marnie Drake está com tudo e sairá hoje à noite para promover o seu terceiro romance, O Vento que nos Sustenta. A autora prodígio dará uma palestra na Livraria Sandhill, em Manhattan, às 7 horas desta noite e assinará seu novo romance logo depois. Philip debateu consigo mesmo por um tempo, e então ele cedeu. Se Marnie não quisesse vêlo, ele receberia um livro assinado por uma antiga paixão que tinha se transformado na promessa que era quando eles se conheceram. Se ela quisesse... O coração de Philip bateu um pouco mais rápido. Ele disse a si mesmo que tinha de se lembrar da sua posição e da dela. Se ela não quisesse vê-lo, ele ficaria bem com isso e seguiria


em frente. Apesar disso, algo nele que parecia estar dormindo durante seis anos estava acordando, e ele nĂŁo tinha ideia do que aconteceria agora.


Capítulo Dois A Livraria Sandhill era um edifício antigo lindo com prateleiras de mogno antigo e um lustre de cristal de verdade pendurado bem alto no teto. Ela cobria dois andares de livros antigos e novos, e quando Philip chegou, já estava enchendo de fãs ansiosos. Na verdade, ele teve que correr para pegar o livro de Marnie, e quando o folheou, ficou surpreso ao ver o quanto dela transparecia através de sua escrita. Havia algo indefinivelmente inerente à Marnie naquilo, e ele sentiu-se ainda mais próximo a ela. Philip decidiu que ele não queria se sentar na frente, onde ela poderia ser distraída por ver uma antiga paixão. Em vez disso, ele se sentou na parte de trás, onde os últimos retardatários foram preenchendo. Estava mais escuro lá, e ele se sentou esperando que Marnie aparecesse. Sentada apenas um assento de distância dele estava uma menina que não devia ter mais do que cinco anos. Ela era uma fadinha, vestida com um vestido verde e fitas douradas em seus cabelos. Com seu cabelo escuro e físico magro, ela o lembrava de alguns dos filhos de seus primos. Philip se perguntou que pais trariam uma criança para um evento adulto como aquele, mas a menina parecia estar contente desenhando em seu bloco grande de papel reciclado, fazendo grandes linhas pretas com seu giz de cera. Quando sentiu os olhos dele sobre ela, a menina olhou para cima, e para sua surpresa, ele viu que os olhos dela eram tão escuros quanto tinta escura. Entre os olhos escuros e a pele pálida, ela poderia facilmente se passar por filha de um de seus parentes. Ela parecia extremamente desinteressada nele, o que era estranhamente hilário. "Olá," disse ele suavemente. "Oi," ela disse timidamente. "Eu estou desenhando uma montanha." Ele supôs que as marcas no papel poderiam ser uma montanha. "Ah, eu consigo vê-la. É uma montanha muito bonita."


"É para minha mãe," disse ela, quase agressiva. "Ela gosta muito de montanhas." "Bem, como ela é sortuda por você desenhá-las para ela," disse Philip, mas se a menina caiu em sua bajulação, ela não deu nenhum sinal. "Algum dia vamos viver nas montanhas," disse ela com uma carranca profunda. Ela hesitou por um momento e começou a desenhar um quadrado em sua montanha. Ele se perguntou se era uma casa. "Ah, sério? E o que vocês vão fazer lá?" "Eu vou desenhar. E minha mãe vai escrever." A mente de Philip estava começando a traçar algumas linhas, mas logos as luzes caíram, e Marnie apareceu. Vestida em um vestido verde com detalhes dourados, ela realmente parecia a escritora boêmia que era, e sua aparência foi recebida com fortes aplausos. A menina sentada ao lado dele perdeu toda pretensão de desdém e suspirou, ajuntando as mãos com entusiasmo. "Essa é a minha mãe!" ela sussurrou para ele, mas ele tinha chegado àquela conclusão por si próprio. Philip estava certo de que o discurso de Marnie fora fascinante. Certamente, havia vários membros do público que estavam impressionados. No entanto, ele mal conseguiu ouvir o que ela estava dizendo através do tumulto de pensamentos em sua própria mente. Ele pensou sobre a rapidez com que ele e Marnie tinham terminado, e ele pensou sobre como a menina sentada ao lado dele parecia. Havia coincidências na vida, pensou ele, mas ele não tinha certeza se acreditava nelas. A prova estava lá, e ele não deixaria esta noite até que chegasse ao fundo disto. Após o discurso de Marnie, as pessoas se levantaram para chegar ao redor dela antes que ela começasse a assinar. A menina correu no meio da multidão para embrulhar-se em torno do quadril da mãe. Marnie sorriu, satisfeita por ver sua filha, e ela descansou a mão na cabeça escura de sua filha enquanto continuava a falar com as pessoas ao seu redor. Philip se posicionou perto do final da fila, seu livro agarrado fortemente em sua mão.


Conforme a fila progredia no que parecia ser um ritmo de caracol, ele tentava se concentrar e se acalmar. Não era vantajoso se precipitar. Ele se assustou quando um funcionário da livraria lhe ofereceu um Post-it. "O que é isso?" ele perguntou com uma careta. "Ah, é só escrever seu nome nele," o funcionário disse a ele. "Ele diz à Srta. Drake para quem assinar o livro. É mais simples do que fazer cada um dizê-lo na hora. Anote para quem você deseja que o livro seja assinado e cole o bilhete na contracapa." Philip hesitou por um momento, rabiscou uma única palavra sobre o bilhete, e o grudou no livro. Ele manteve sua mente tão calma e neutra quanto pôde. No entanto, quando ele chegou à frente da fila, finalmente, ele pôde ver que Marnie parecia exausta. Ela sorriu para ele sem sequer vê-lo, e quando ela pegou o livro dele, ele conseguiu ver que as mãos dela tremiam. "Obrigada por apoiar o meu trabalho," disse ela tão alegremente quanto pôde, "Eu realmente aprecio..." Ela olhou para o Post-it e seu rosto pálido ficou ainda mais pálido. Ela não disse a palavra que foi escrita na nota, mas ele a viu pronunciando. Papai? Ela olhou para ele, finalmente o vendo. Ele não tinha certeza do que ele esperava. Talvez ela se sentisse culpada, ou talvez ela ficasse furiosa. Talvez ela fosse brigar com ele ali mesmo, ou talvez ela lhe desse um gelo. Em vez disso, ela olhou ao redor, e depois rabiscou algo no livro. Ela entregou-o de volta para ele com toda a discrição de um espião experiente. "Obrigada por ler," disse ela, e foi só porque ele a conhecia tão bem que ele conseguia dizer que seu sorriso era totalmente falso. Ele esperou até que saísse da fila para abrir o livro e, ao lê-lo, ele franziu a testa. Venha me encontrar no DiMartino, no final da rua, em uma hora. Vou lhe dizer o que você precisa saber.


Foi assinado Marnie Drake, e, por um momento, ele correu o polegar sobre a assinatura, como se estivesse tocando o lábio inferior dela, deliciosamente carnudo. O que quer que ele estava esperando desta noite, não era isso, mas mais uma vez, Marnie sempre foi assim. Apesar da gravidade da situação, ele sorriu. *** No momento em que as assinaturas terminaram, Marnie correu de volta para onde Cassie estava sentada com Victoria, na parte de trás. Cassie, que estava junto para dar apoio moral, uma vez que ela podia obter a assinatura de Marnie quando quisesse, estava mostrando à menina de cabelos escuros como dobrar um cisne a partir de pedaços de papel de caderno. "... e olhe, quando você o abrir assim, as asas batem!" Cassie olhou para Marnie, levantando uma sobrancelha. "Alguém fez graça no palco das assinaturas? Será que precisamos fazer a gerência banir alguém vitaliciamente de novo?" "Não, nada disso, mas Cassie, por favor, você poderia levar Victoria para a sua casa? Eu vou pegá-la antes da meia-noite, eu juro, mas eu realmente preciso de ajuda..." Cassie piscou com o desespero de Marnie, mas ela não concordou de imediato. "Será que isso tem a ver com Sua Alteza Real que nós vimos ontem?" Victoria, cujos ouvidos eram muito mais atentos do que Marnie imaginava, alertou-se com as palavras de Cassie. "Alteza Real? Como um príncipe?" Marnie estremeceu um pouco, mas assentiu. "Exatamente como um príncipe, menina inteligente. A mamãe tem apenas algumas coisas que ela precisa resolver, isso é tudo..." Cassie assentiu. "Sim, eu posso levá-la esta noite, mas eu realmente preciso que você apareça para pegá-la à meia-noite. Eu farei o turno da manhã amanhã." Marnie assentiu com alívio. "Muito obrigada, eu te devo uma."


"Sem problemas. Apenas certifique-se de me dizer o que aconteceu hoje à noite." Marnie virou-se para Victoria, que a estava olhando com olhos desconfiados. A transição para o jardim de infância não tinha sido fácil para ela, e ela respondeu a isto sendo ainda mais pegajosa quando não estava na escola. Ela estava um pouco melhor, mas ainda havia dias em que ela respondia a qualquer desvio em sua rotina com um colapso. "Querida, eu sei que eu disse que iríamos para casa após a livraria, mas há algumas coisas que eu preciso fazer. Cassie vai levá-la à sua casa, e então eu vou buscá-la depois que você estiver adormecida, certo? Você vai acordar em sua própria cama de manhã, do jeito que você gosta." As sobrancelhas escuras de Victoria se juntaram, e Marnie estava com medo que um verdadeiro acesso de raiva estivesse a caminho quando Cassie, abençoada Cassie, interveio. "Vamos voltar comigo, garota. Eu vou pegar um pouco da minha argila e podemos fazer animais." Victoria se iluminou com isso. O apartamento de Cassie era uma mistura de materiais de arte, e brincar com alguns deles era sempre um prazer. "O que você diz para Cassie, Victoria?" "Obrigada, Cassie," disse ela respeitosamente, e então ela abraçou a mãe ferozmente. "Mas venha me pegar logo, está bem, mamãe?" Como sempre, Marnie podia sentir seu coração derreter. Desde que sua filha nasceu, sempre teve esse efeito sobre ela. "Eu vou, eu prometo, querida. Vá em frente, você e Cassie devem partir." Uma vez sozinha, Marnie precisava lidar com seus pensamentos girando, o que não era muito melhor. Para ser honesta consigo mesma, ela sempre suspeitou que esse dia chegaria, embora ela nunca tivesse pensado exatamente como ele aconteceria. Ela disse a si mesma que ela não tinha nada de que se envergonhar, ajeitou os ombros, e saiu. O DiMartino era um agradável café que ficava aberto a noite toda, e estava relativamente


pacífico, uma vez que ainda não tinha sido inundado pela multidão pós-bar ainda. Ela conseguiu localizar Philip sentado numa escondida alcova perto da parte de trás, e, tomando uma respiração profunda, ela foi se sentar à mesa com ele. Pela primeira vez, ela olhou para ele e ela não estava sobrecarregada com o passado que eles compartilhavam. Em vez disso, quando ela olhou para ele, Marnie viu um homem com olhos negros frios que era imprevisível e que poderia trazer um dano muito real para sua pequena família. "Ela é minha?" A questão foi proferida sem rodeios, e ela supôs que isso era justo. Se eles estivessem lá por qualquer outra razão, eles poderiam ter começado de alguma outra maneira, mas no momento, aquilo era a única coisa importante. Ela respirou fundo e lhe disse a verdade. "Sim. Ela é." Por um momento, o silêncio entre eles era tão grosso quanto uma névoa de inverno. Ela esperou para ver se ele iria gritar, se ele simplesmente andaria em linha reta para fora do restaurante. Marnie não tinha ideia de como Philip reagiria, e ela finalmente admitiu para si mesma que, devaneios à parte, este era agora um homem adulto cujas ações ela não podia prever. "Quando foi que você descobriu?" "Demorou um mês depois que você foi embora para eu começar a suspeitar," disse Marnie. "Depois disso, eu fiquei em negação por duas semanas, e depois Cassie me fez realizar um teste. Foi positivo." Por um momento, ela viu uma série de emoções voarem no rosto de Philip, muito rápidas para ela ver. Então ele olhou para ela, uma expressão rígida. Algo nela recuou diante disso. Ele não era seu pai ou seu chefe. Ele não era alguém que tivesse algum grau de autoridade sobre ela, e ele não tinha o direito de agir como se o fizesse. "Jesus, Marnie. Por que diabos você não me contou?" "Porque você me abandonou," ela sussurrou, e nessa única exclamação, havia todo o ácido


que ela achava que tinha sido colocado de lado e resolvido. Ele parecia atordoado, e ela continuou. "Porque você tinha acabado de dizer que não havia lugar para mim em sua vida alta e poderosa, e que você estava indo para casa para ser o príncipe perfeito em seu próprio país. Desculpe-me se eu achei que, se não havia lugar para mim, não haveria lugar para a bebê também!" Philip parecia picado com as palavras acusatórias dela, mas ele se recompôs. "Um bebê muda tudo. Você deveria ter entrado em contato comigo..." "Eu tentei," disse ela em voz mais baixa. "Eu... estava tão assustada depois que descobri. Eu não queria, e eu nem mesmo queria contar à Cassie que iria, mas depois que descobri, eu tentei ligar para seu número. Ele foi desligado, suponho, porque você tinha voltado para casa. Quebrei a cabeça por uma maneira de contatá-lo, mas em toda parte eu me deparava com protocolos do palácio..." Philip agora parecia chocado. "Eles são destinados a evitar que o público nos assedie," disse ele. "Há camadas de segurança que só podem ser violadas por minha família ou se eu der certos códigos, certos números de telefone..." "Nenhum dos quais você me deu," disse ela. Eles ficaram em silêncio por um momento e, sem pensar, Marnie alcançou o café quente que fumegava intocado na frente de Philip. Foi um gesto automático, uma relíquia de seu antigo relacionamento. Ele levantou uma sobrancelha quando ela fez isso, mas ele não protestou. "Eu não sabia o que fazer depois disso, mas percebi que se eu forçasse muito a barra, eu começaria a dar vida a rumores e desconfortos. Eu não queria passar por isso, e, naquele ponto, eu estava começando a pensar em mim como uma mãe. Eu não queria fazer minha filha passar por aquilo também." "Uma hora eu saberia?" ele perguntou em voz baixa. Ele parecia subjugado agora, e ela estava grata. Ela não podia imaginar estar em seu lugar, percebendo que tinha uma filha há mais


da metade de uma década após o fato. "Eu decidi que eu iria tirar de letra," ela disse com um encolher de ombros."Eu não posso prever o futuro. Pode ser que em algum momento eu te contasse. Talvez quando Victoria fosse adulta e pudesse pensar com sua própria mente sobre as coisas, ela quisesse procurá-lo." "E onde ela pensa que seu pai está?" Philip perguntou. Marnie suspirou. "Ela é só uma menina agora. Neste ponto, ela sabe que algumas famílias têm dois pais, e que algumas famílias têm um, e que algumas pessoas vivem com apenas um dos pais, e algumas pessoas vivem com cômodos inteiros cheios de famílias extensas. É bom o suficiente para ela por enquanto. Ela não pediu mais informações." Philip acenou com a cabeça, mas ela não tinha certeza se ele concordava com suas declarações ou se ele podia prever aonde aquilo iria chegar. "Ela é minha filha," disse Philip, e, para Marnie, era como se ele estivesse entrando em acordo com a ideia. Era justo. Seu mundo tinha mudado drasticamente ao longo das últimas horas. "Ela é," Marnie concordou. "Ela tem que voltar para Navarra." No espaço de meio segundo, Marnie passou de sentindo-se calma e até simpática com Philip a imponentemente raivosa. "Perdão?" ela perguntou, aparentemente tranquila. "É evidente. Ela deve ir para Navarra. Ela é uma princesa da linhagem Demarier, e-" "Não," Marnie disse, cortante, e seu tom era tão afiado que fez Philip olhar para cima, assustado. "O último nome dela é Drake. Quando ela nasceu, a certidão de nascimento cita apenas um dos pais, e sou eu. Ela é uma garota saudável e feliz, e ela não precisa ser arrancada de tudo o que ela conhece e ser transportada pelo mar para estranhos." Philip começou a protestar, mas ela se levantou, seus olhos brilhantes de raiva. "Não. Você participou ao fazê-la, e, por isso, eu agradeço. Ela é uma garota maravilhosa, e, todos os dias, sou grata por ser sua mãe. Entretanto, você não é o pai dela. Acordei de hora em hora durante os


primeiros seis meses após o nascimento dela, pois ela tinha cólicas. Segurei-a quando ela caiu e tive de ver seu joelho suturado no atendimento de emergência. Eu sou sua mãe dela e, por Deus, não vou deixar você levá-la de mim." Marnie olhou para Philip, encontrando seu olhar com uma determinação de aço. "Você tem uma escolha, Philip. Você pode voltar para Navarra e fingir que isso nunca aconteceu. Ou você pode ficar e conhecer sua filha. Mas acredite em mim quando eu digo que será do meu jeito." Ela rabiscou seu número em um pedaço de papel e colocou-o na frente dele. "Você já me disse que eu não era boa o suficiente para o seu mundo. Você não terá a chance de dizer à minha filha a mesma coisa." Com isso, ela se virou e caminhou até a entrada. Seu coração batia como se ela tivesse corrido ao redor de toda a cidade, e ela podia sentir um calor elevado e vermelho em suas bochechas. Quando ela estava no frio da noite, indo para a estação de metrô, ela se perguntou se tinha tomado a decisão certa. Ela era uma escritora que estava ganhando alguma popularidade, e dinheiro não vinha sendo um problema há anos, mas Philip era um príncipe que poderia alavancar muito mais poder do que ela. No final, porém, sacudindo a cabeça, ela teve que admitir que ela não poderia ter feito mais nada. Quando ela conhecera Philip, ela sabia que era uma escritora. As coisas eram diferentes agora. Ela era uma escritora e uma mãe, e ela nunca deixaria sua menina ser tomada dela *** Philip ficou sentado no café por muito tempo depois que Marnie tinha partido. Ele ignorou os olhares curiosos das pessoas ao seu redor e pegou o pedaço de papel. "Isso... poderia ter ido melhor," ele murmurou para si mesmo. Ele também percebeu que ele poderia ter ido pior. Marnie tinha deixado a porta aberta para ele entrar. Ele teria de entrar à maneira dela, mas isso não era uma surpresa. Em Navarra,


havia uma longa tradição de direitos das mães, em que era a mãe que definia as regras relativas às crianças. A maior responsabilidade era a dela, então era dela o maior poder quando se tratava de crianças. No entanto, a grande injustiça de não poder estar lá para apoiar sua filha o atingiu profundamente. Ele podia protestar tanto quanto quisesse que ele gostaria de ter sido um verdadeiro pai para Victoria, mas o fato é que ele não tinha sido. Através de uma combinação de sua própria negligência e os protocolos que cercam sua família, ele tinha ido embora, intocável como se estivesse na lua. Até onde ele podia ver, Marnie tinha criado uma linda filha, que por um acaso era dele. Se ele tivesse aparecido e ela estivesse com um filho pequeno, loiro com olhos cinzentos, um filho de outro amante, ele estaria feliz por ela. Ele teria ficado impressionado que ela tivesse criado uma criança enquanto começava sua carreira de escritora, e ele gostaria de conhecer a criança porque, afinal de contas, ele era uma parte de uma mulher que ele já amara muito. Uma vez? Isso era algo em que Philip não estava preparado para pensar. Ele pensou que o tempo teria fraquejado sua reação à Marnie, mas, aparentemente, não era bem assim. Em vez disso, quando ele a viu, ele foi levado de volta para o tempo de seis anos atrás, quando era difícil passar uma hora sem pensar nela. Em outra circunstância, aquilo poderia ter sido agradável e até mesmo prazeroso. Agora, quando havia a Victoria entre eles, ele não poderia correr esse risco. Philip sabia o que seus pais gostariam que ele fizesse. Eles gostariam que ele se reunisse com advogados, uns que quase certamente seriam capazes de trabalhar com processos de paternidade e de imigração para retornar Victoria à terra natal de seu pai. Não importa o que Marnie tentasse, não haveria nenhuma maneira de ela lutar. Ele não podia fazer isso, não com Marnie, nem com ninguém. Em vez disso, ele afastaria seus pais um pouco mais, e em seguida... bem, então ele iria conhecer sua filha.


Capítulo Três O dia seguinte foi reservado para Victoria e Marnie. A campanha publicitária para o seu livro mais recente havia sido intensa, e, na maior parte do tempo, Victoria tinha sido deixada para brincar por conta própria enquanto Marnie trabalhava. Foi bom por um tempo. Victoria era uma criança quieta, quase reservada, que podia inventar mundos inteiros sozinha, coisas cintilantes com uma lógica que estava mais próxima do país das maravilhas do que do mundo real. No entanto, ela também era ferozmente ligada à sua mãe, e o tempo separadas tinha sido difícil para ambas. Mãe e filha se levantaram bem cedo, e Victoria apareceu na porta do quarto de Marnie, um raro sorriso largo no rosto. "Você se esqueceu, mamãe? Nós vamos passar o dia juntas." Marnie sorriu de volta. "Claro que não, querida. Estou de pé, e estou pronta para passar o dia com a minha garota favorita. O que você acha que devemos fazer hoje?" "Eu quero ir ao parque," Victoria disse prontamente. "E, em seguida, tomar um sorvete na loja vermelha." "Você esteve, obviamente, pensando sobre isso por um tempo," Marnie brincou. "É bom Eu respeito pessoas que têm planos. Mas sorvete é um doce, e não uma refeição. Aonde devemos ir para conseguir um verdadeiro almoço?" Victoria franziu a testa ferozmente, pensando. Marnie tinha decidido desde o início que Victoria deveria ter muita liberdade, ao passo que compreendia que a liberdade vinha com responsabilidade. Até agora, parecia estar funcionando. "Loja?" ela perguntou. "Podemos pegar saladas." Ou melhor, Marnie poderia pegar uma salada e, em seguida, Victoria poderia escolher o que ela quisesse.


"Parece uma ideia fantástica," disse Marnie. "Vamos tomar café e então poderemos sair, tudo bem?" Elas estavam no metrô, Victoria assistindo pela janela com olhos ávidos, quando o telefone de Marnie tocou. Poderia ter sido Cassie, ou seu agente ou qualquer número de pessoas, mas ela sabia desde o primeiro momento em que ela o pegou quem seria. Quero conhecer Victoria. Quero conhecer você novamente. Eu estou estudando sua agenda e suas regras. Diga-me o lugar e o horário, e eu estarei lá. Marnie respirou fundo várias vezes. Lá estava. Talvez uma pequena parte dela desejava que ele tivesse decidido ficar longe. Daquele modo, nada mudaria e a vida poderia continuar como sempre. Ainda assim, ela havia dito a Victoria apenas há alguns meses que mudança era bom, e que a mudança entre ficar em casa e ir para a escola iria levar a grandes coisas. "Victoria, eu preciso de sua atenção agora." Victoria, que sabia que sua mãe só usava aquelas palavras quando estava falando sério, virou-se para vê-la com aqueles olhos negros líquidos. Às vezes era difícil, no início, lembrar-se de Philip com tanta frequência. Agora, ela olhava para elas e só via sua filha. "Tudo bem, Victoria, você se lembra do homem que estava sentado ao seu lado na loja na noite passada? Ele falou com você um pouco?" "Sim..." "Bem, ele é... um velho amigo meu. Um amigo muito bom que eu não via desde antes de você nascer. Ele está na cidade novamente pela primeira vez em anos, e ele quer me ver e conhecer você." Victoria concordou, processando tudo isso com seu jeito sério. Às vezes, Marnie se perguntava se sua filha seria uma escritora também. Ela pensava em tudo com aquela mesma seriedade. "Agora, eu quero que você entenda que você pode dizer não, mas pensei que poderia ser divertido convidá-lo para nos acompanhar hoje no parque."


Victoria pensou por um momento, e Marnie se perguntou o que Victoria diria. Se Victoria dissesse que não, ela iria armar uma outra reunião, mas para ser honesta consigo mesma... ela realmente queria que a filha dela - filha deles - dissesse que sim. "Eu acho que você deve convidá-lo," ela disse, finalmente. "Eu gostei dele." "Gostou?" Marnie perguntou, surpresa. Ela tinha ouvido de Victoria que ela havia falado com o estranho de cabelos escuros, mas ela não ouvira mais do que isso. "Sim," Victoria disse decisivamente. "Ele falou comigo como se eu fosse real." Real era a palavra que Victoria usava para ser levado a sério. Por volta dos três anos de idade, ela tinha aprendido a desprezar a conversa de bebê, e sempre que Marnie se esquecia disso, ela a encarava. Como uma menina adorável, havia uma abundância de estranhos que falava com ela como se ela não fosse real, e isso era uma fonte constante de irritação. "Eu estou contente que ele tenha falado com você como se você fosse real," disse Marnie, estranhamente satisfeita apesar de tudo. Havia muitos adultos que, não querendo aceitar que Victoria tinha certas necessidades e preferências, persistiam em usar a conversa de bebê com ela, e Marnie percebera que a maioria daqueles adultos não eram pessoas que ela queria ao seu redor, muito menos de sua filha. "Ele falou." Victoria proclamou. Com a conversa aparentemente acabada, ela se voltou para a janela, e coube a Marnie escrever de volta para Philip. Depois de respirar fundo, ela mandou uma mensagem a ele com a localização do parque aonde elas iriam, e, depois de um momento de hesitação, ela acrescentou: estou ansiosa para vê-lo lá. Para falar a verdade, ela estava mais do que apenas ansiosa. Quando Marnie olhou para Victoria, seu coração doeu com o quanto ela amava a filha. No entanto, velhos sentimentos que ela pensou que haviam desaparecido para sempre foram atiçados em relação a Philip, Philip que ela sabia que poderia facilmente destruir a vida inteira pela qual havia trabalhado tão duro. Enquanto seguiam em direção ao parque, Marnie orou para que o que acontecesse em


seguida não fizesse mal para a sua pequena família. *** O dia estava brilhante, excepcionalmente quente para a primavera, e no momento em que Victoria foi autorizada, ela correu para os arbustos, inspecionando as folhas novas e os lírios-deum-dia que desabrochavam. Em algum momento, ela provavelmente iria querer brincar nos equipamentos, mas desde que nasceu, ela sempre ficara muito mais impressionada com as flores e arbustos do que com os equipamentos de playground. Marnie se esticou um pouco, aproveitando o sol. Ela tentava sair frequentemente quando estava escrevendo, levando Victoria com ela para a pequena bodega da esquina e mantendo-se ativa, mas o fim de um livro sempre era difícil para ela. Agora que as coisas estavam um pouco mais lentas, ela poderia gastar um tempo e começar a se divertir novamente. "Ela é animada," disse uma voz familiar atrás dela, e Marnie virou-se para ver Philip. Ele ainda era tão bonito que poderia tirar seu fôlego. Ele usava uma jaqueta leve e um cachecol, e, em suas mãos, ele segurava uma bandeja de papelão com copos de papel. "Ela esteve," disse Marnie, engolindo para se livrar da boca seca. "Ela esteve enfurnada durante todo o inverno, e esta é a primeira vez que ela realmente sai para brincar." Ele franziu a testa um pouco com isso. "Ela não sair muito no inverno?" Marnie sorriu um pouco. "Você já está criticando minhas competências maternas? Tenho de dizer, não é uma boa maneira de começar." Para seu crédito, Philip pareceu assustado e escandalizado. "Nada disso! Eu conversei com ela, e ela parece ser uma criança animada e inteligente. Tudo o que tenho é a minha própria infância para basear as coisas fora. Navarra é muito mais temperada que Nova Iorque, por isso fomos capazes de brincar fora tanto quanto quisemos." "Nós, os nova-iorquinos, inventamos formas de lidar com o mau tempo," disse Marnie com um leve sorriso. "Há um playground fechado que frequentamos, e eu a visto bem e levo comigo para a loja, que, acredite em mim, em um inverno de Nova Iorque, é bastante cansativo. São para nós?"


Philip olhou para baixo, quase que surpreso por ainda estar segurando as bebidas. "São... Acho que não queria vir de mãos vazias..." De repente, ela percebeu que ele estava nervoso. O pensamento era surpreendente. O tempo todo durante o qual ela o conhecera, Philip sempre foi convencido, seguro de si. No entanto, agora ele estava em águas desconhecidas, e ele tinha pavor de dar um passo em falso. Isso a fez se aproximar ele de uma forma que não esperava. "Acalme-se," disse ela, impulsivamente tocando sua mão. "Victoria e eu podemos ser difíceis de se impressionar, mas somos muito tranquilas. Sinceramente... estou contente por você ter vindo." "Você está?" ele perguntou. "Do jeito que você falou comigo no DiMartino, pensei que você teria ficado feliz em me ver dar as costas." "Ser mãe significa que você às vezes tem que traçar umas linhas bastante grandes," disse Marnie com um encolher de ombros. "Eu quero ter certeza de que Victoria tenha apenas pessoas em sua vida que sejam gentis e atenciosas. Se você veio para aparecer, fazer um barulho, talvez despejar alguns presentes nela e desaparecer... bem, isso não é algo que seria bom para ela. Se você está aqui para realmente conhecê-la, aí é diferente." Philip assentiu compreensivamente. "Sim. Eu quero conhecê-la. Podemos... isto é, eu não quero interrompê-la enquanto ela está brincando..." Marnie riu. "Você é novo nisso," disse ela com carinho. "Ela é fácil. Se interrompê-la enquanto ela está brincando, ela pode fazer um pouco de beicinho, mas acho que o suco irá consertar. Victoria, venha aqui!" Apesar de sua aprovação anterior, Victoria se aproximou de Philip com cautela. Marnie não se surpreendeu. Victoria era uma menina quieta, e alguns estranhos confundiam isso com timidez. A verdade era que Victoria era bastante destemida, levando tudo em consideração. Ela só era exuberante em torno de pessoas que ela conhecia bem. "Querida, este é Philip, meu velho amigo. Ele é um bom homem, e ele gostaria de passar um tempo com a gente hoje."


"Olá, Philip. Prazer em conhecê-lo," Victoria disse respeitosamente. Philip pareceu um pouco surpreso quando a menina lhe ofereceu a mão, mas ele a pegou. Quando ele a tocou, Marnie pôde ver passar algo em seu rosto - alegria, temor e terror absoluto, tudo misturado. Ela supôs que tinha se sentido de forma semelhante ao tomar Victoria em seus braços pela primeira vez. "O prazer é meu, Victoria," disse ele. "Eu estou... bem. Eu trouxe um pouco de suco." "Que tipo?" Victoria perguntou com ceticismo, e Philip riu. "Bem, eu não sei de que vocês gostam, mas eu tenho maçã-limão, banana-morango e manga-pitaia. De qual destes você gosta mais?" Victoria parecia indecisa, e Philip congelou. Marnie decidiu intervir e ajudar. "Querida, você sabe que você gosta de banana e morango, então por que você não toma este? Você pode dar um gole do nosso, e se todos estiverem de acordo, podemos negociar, que tal?" Victoria decidiu que era aceitável, e Philip lançou-lhe um olhar agradecido. Marnie não pôde deixar de sorrir um pouco com a forma como Philip observava a menina beber seu suco. Ele parecia como se nunca tivesse visto nada tão interessante ou brilhante em sua vida, e apesar de suas suspeitas, suas dúvidas e seus medos, ela se sentiu ainda mais próxima dele. Quando Victoria terminou sua bebida, ela deu o copo para a mãe e começou a correr de volta para o playground. "Espere aí, o que você disse?" Victoria parecia um pouco culpada, e olhou para Philip. "Obrigada pelo suco e você pode me desculpar?" Ela disse tudo em um só fôlego. Ele parecia menos surpreso desta vez e assentiu. "Se estiver tudo bem com a sua mãe." "Boa resposta," Marnie disse secamente. "Vá em frente e brinque, querida. Eu só ficarei sentada com Philip por um tempo." Philip pareceu um pouco assolado enquanto ela corria sem olhar para trás. "Como você faz isso?" ele perguntou em voz baixa enquanto se deslocavam para se sentar com seu suco.


"Você vai ter que ser um pouco mais específico do que isso," disse ela ironicamente. "Como é que você a deixa correr quando ela tem o seu coração em suas mãos?" Marnie estava preparada com uma observação petulante, mas a pergunta a pegou bem no peito. Havia algo ali que era tão parecido com o que ela tinha atravessado naqueles primeiros dias iniciais que ela impulsivamente se estendeu para tocar a mão de Philip. "Você precisa," disse ela, olhando através do playground para sua filha. Enquanto ambos observavam, Victoria ignorou as outras crianças e subiu até o topo da torre de brinquedo, seus olhos olhando para o perfeito céu azul. Ela parecia arrebatada, inteiramente contida em seu próprio mundo. "Quando ela nasceu, eu não conseguia ficar longe dela. Eu usei vários acessórios para bebês, em que você meio que prende o bebê pendurado para levá-lo aonde for, e, por um tempo, o único momento em que me sentia sã e salva era quando eu podia senti-la contra mim, ouvir sua respiração e sentir seu coração bater." "O que mudou?" Philip perguntou, seus olhos ainda em Victoria. Marnie riu. "O fato que eu tinha uma vida que eu queria viver, e o fato que eu percebi que criar Victoria como um pequeno polvo apegado não era bom para nós duas. A primeira vez em que a deixei correr para passear ao redor do playground, eu me senti como você agora. Meu coração fugiu sem mim. Como pai, você tem que entregar várias coisas ao destino. Coisas terríveis podem acontecer. Na maior parte das vezes, felizmente, elas não acontecem. Imagino que sua infância foi um pouco diferente?" Philip pensou por um momento. "Meus pais eram muito ocupados," disse ele. "Eles carregam uma grande responsabilidade como Rei e Rainha de Navarra. Eu fui, em grande parte, criado por babás; no entanto, naturalmente conheci meus pais também. Eu me lembro de não ter ficado sozinho com muita frequência, e do quanto eu queria ficar, às vezes." Inesperadamente, Marnie se viu desejosa por Philip de uma maneira que ela nunca tinha esperado. O caso deles, não importa o quão apaixonado, havia sido muito curto. Eles realmente


nunca tinham chegado a conhecer os detalhes por trás de suas vidas; eles estavam muito ocupados com a diversão e as coisas que eles poderiam fazer-se sentir. Agora que ela conhecia que o homem um pouco melhor, ela podia ver o menino ferido que também vivia dentro dele, e algo sobre aquilo ressoou nela. Isso a tornou mais cuidadosamente aberta a compartilhar sua filha com ele, com a visão do que havia acontecido com Philip após meia década. "A infância que Victoria tem não é, de forma alguma, convencional," Marnie disse, pensativa. "Ela é a filha de uma escritora. Ela obtém histórias sobre tudo e, graças a todos os meus amigos, ela recebe lições sobre quase tudo que seu pequeno coração deseja. Você deveria ouvi-la falar francês. Ela pode não ser uma princesa, mas ela é feliz." "Eu posso ver isso," Philip disse suavemente. "Mas o negócio e que ela também é uma princesa." Marnie ficou tensa ante o tom das palavras dele, mas ele não pressionou. No momento, ele parecia contente em ver sua filha que nem sabia que ela era o que era. Finalmente, ele se virou para Marnie. "Obrigado por me deixar vir," disse ele tranquilamente. "Eu queria muito vê-la." "E agora que você a viu?" Marnie perguntou. Embora ela não tivesse dado nenhum sinal, o coração dela bateu um pouco mais rápido. Era possível que Philip simplesmente ficasse feliz de ver Victoria, e, com a consciência apaziguada, pudesse simplesmente embarcar de volta em seu avião e voar para a Europa novamente. Isso sinceramente seria a resposta mais segura e previsível. No entanto, havia uma parte dela que queria chorar para que ele ficasse. Ela descartou isso como sendo a parte dela que ainda era uma jovem apaixonada por ele, mas era um sentimento forte. "Eu quero continuar fazendo isso," disse ele. "Cristo, soa terrível porque eu não estive aqui por toda a vida dela, mas eu quero mesmo ser uma parte de sua vida. Quero conhecê-la, e sei que a única maneira de eu fazê-lo é com a sua permissão. Então, por favor… Marnie, podemos fazer isso?"


Marnie estava dividida. Por um lado, ela poderia ter, uma vez, amado esse homem, mas ela não o conhecia tão bem quanto deveria. Sua revelação principesca lhe ensinou isso. Por outro lado, ela queria ver o que aconteceria. "Qual é o seu jogo, afinal?" ela perguntou, e quando ele pareceu perplexo, ela esclareceu. "Qual é o seu plano? Se você só quer vir e fazer o papel de papai divertido do fim de semana antes de voar de volta para Navarra e depois não dar notícias de novo nos próximos dez anos, eu vou dizer não, obrigada. Crianças precisam de estabilidade em suas vidas." Philip já estava balançando a cabeça. "Não, eu entendo isso, e você está certa; Victoria merece mais do que isso. Eu... para ser perfeitamente honesto com você, eu tenho responsabilidades esperando por mim de volta em Navarra. No entanto, no momento em que eu vi Victoria, soube que ela era uma responsabilidade também, ainda que eu a desconhecesse por metade de uma década. Eu a vejo, e quero fazer a coisa certa por ela. Não tenho a certeza o que isso implica agora, mas eu quero descobrir." Marnie ficou em silêncio por um momento. Ela viu sua filha cautelosamente se envolver com outra garota antes de abrir um pequeno sorriso cauteloso. A outra menina, menor, com dois tufos naturais adoráveis em seus cabelos, sorriu muito mais amplamente, agarrou a mão de Victoria, e a arrastou para o balanço de pneu. "Boa resposta," ela disse, finalmente. "Certo. Nenhum de nós sabe aonde esta coisa vai parar, mas queremos que continue, pelo menos por enquanto. Parece bom para mim." "E o que é que faremos sobre isso?" Para surpresa de Marnie, Philip levantou suas mãos, que, de alguma forma, acabaram ficando entrelaçadas. Ela havia tocado a mão dele para confortá-lo, mas eles começaram a segurar as mãos como se nunca tivessem parado. Marnie corou ligeiramente. De repente, ela o notou de uma maneira que não fizera anteriormente, há alguns momentos; estava ciente do calor do corpo dele e a forma como seus olhos negros a observavam com uma avidez intensa.


"O que... o que você quer dizer?" Ela perguntou, hesitante. Philip levantou uma sobrancelha. "Acho que você sabe," ele divagou. "Ou você não estava olhando para mim como se eu fosse algo particularmente bom de comer quando estávamos na leitura de poesias?" Ela sabia exatamente de que ele estava falando, e, para ser honesta, ela não tinha ideia do que fazer sobre isso. Seria melhor para Victoria, ela pensou, se ela pudesse manter sua mente em equilíbrio, tomando decisões sem o stress adicional de sua atração por Philip. Por outro lado, ela podia sentir aquela fome que ela sempre tivera em relação a ele se revirando e surgindo novamente. "Eu estava," ela admitiu. "Eu… Não sei o que fazer sobre isso Nós poderíamos ignorar, eu acho..." Ela fez um pequeno som de surpresa quando ele se aproximou, sua mão subindo para tocar o rosto dela. Por uma fração de segundo, ele esfregou a bola de seu polegar sobre sua bochecha suavemente antes de se inclinar para beijá-la. No momento em que ela sentiu seus lábios nos dela, algo em Marnie cedeu. Desde que ela o vira, esteve lutando contra seus próprios instintos. Ela estava tentando ficar equilibrada e consciente de seus arredores, e se manteve na defensiva. Agora ela sabia o porquê. Foi porque, por todos os anos em que estiveram separados, ela não fora menos vulnerável a ele do que tinha sido na primeira vez em que se conheceram. Ela podia sentir o calor e a necessidade por ele surgirem tal como acontecia antes, e Marnie percebeu que estes sentimentos por ele nunca tinham sido resolvidos. No tumulto depois que ele partiu, e, como Victoria nasceu, aqueles sentimentos simplesmente tinham sido colocados de lado, e agora eles rugiam, poderosos como nunca. Ela estava completamente perdida no beijo até que a língua dele roçou seu lábio inferior. Então, juntando a força que ela não sabia que tinha, ela se afastou. Ela estava distantemente surpresa de ver que o dia ainda estava claro e que as pessoas ainda estavam caminhando e


correndo pelo parque. Quando Philip a tinha beijado, parecia que ele tinha mudado tudo. "Não," ela disse, e então quando ele olhou como se ele fosse argumentar, ela levantou a mão. "Não na frente de Victoria," Marnie disse claramente. "Ela entende muitas coisas, mas ela também acredita que... que intimidade física desse tipo é algo que você reserva para alguém com quem você se importa. Vendo-nos assim... Eu acho que iria apenas confundi-la." Por um único momento solitário, Philip parecia chocado e magoado. Então ele sacudiu o sentimento para concordar com ela. "Eu gostaria de pensar que eu me importo com você," ele disse suavemente. "Eu tenho pensado em você... tantas vezes desde que eu parti. Durante este último ano, sinto que pensei em você todos dias. Mas você não me contou como você se sente, e eu entendo..." "Eu não sei como me sinto," ela deixou escapar, e Philip olhou para ela com surpresa. "De verdade," ela continuou. "Você tem que entender, Philip. O que se passou entre nós mudou a minha vida. Lembro-me de você como um incrível interlúdio na minha vida que levou a uma das coisas mais maravilhosas dela. Sem você, eu não teria tido Victoria, e às vezes eu olho para ela e parece que meu coração vai desmoronar de tanto que eu a amo. "No entanto... isso significa que eu não sei como me sinto sobre você, não mesmo. Você pode entender isso? Você acha que você pode manter a distância, pelo menos na frente de Victoria, enquanto nós seguimos em frente?" Por um momento, parecia que ele queria discutir com ela. Durante a sua longa separação, ela se perguntou se ele pensava nela. Agora ela sabia que ele pensava. "Eu posso concordar com isso," disse ele com um aceno. Ela estava se preparando para assentir, ainda que houvesse um pouco de decepção ali, quando a mão dele se comprimiu em torno de suas costas, puxando-a para um abraço apertado. "Ela não está olhando agora," Philip sussurrou baixinho. Seu grito suave foi silenciado quando a boca dele desceu sobre a dela e, em vez de protestar, ela viu suas mãos se deslocando para agarrá-lo e trazê-lo mais perto. Mesmo se sua mente não soubesse o que pensar sobre ele e suas intenções, seu corpo se lembrava dele com uma


clareza que era quase chocante. Ela se lembrou o quão forte ele era, e quão poderosamente que ele fora construído. Lembrou-se da maneira como os lábios dele deslizavam sobre os dela, e se lembrou como era bom sentir a língua dele em sua boca, sugando nela levemente. Eles estavam em público, por isso não foi terrivelmente íntimo, mas com aquele único beijo, ele a lembrou por que ela tinha se apaixonado por ele daquela maneira. Ele recordou-lhe o quão bom havia sido entre eles e como eles acendiam as chamas um do outro antigamente. Finalmente, ela o empurrou, consciente de que seus lábios estavam vermelhos e suas bochechas estavam coradas. "Entendido," disse ela, olhando em volta. Ninguém parecia interessado neles, nem um pouco, de modo que ela achava que havia sido menos explícito do que pareceu para ela. "Você está realmente bem com isso?" Philip perguntou. "Comigo aqui com Victoria, e com você?" Marnie assentiu imediatamente. "Acredite em mim quando eu digo que eu realmente não titubeio com Victoria. Se algo está me fazendo pensar duas vezes ou me preocupar em como vai afetá-la... eu não deixo que isso aconteça. Eu te conheço. Eu me importava muito com você." Ele inclinou a cabeça para um lado. "Importava, pretérito?" Ela se obrigou a assentir. "Eu não te conheço, não para valer," disse ela, embora seu corpo e seu coração alegassem que o conhecia muito bem. "Eu me lembro de quem você era. Eu olho para você agora, e vejo um homem que só quer o bem para a minha filha. É isso que importa. Para mim agora? Bem, isso vai levar algum tempo." Philip concordou, e foi então que Victoria chegou. Ela estava um pouco suja, um pouco encardida e inteiramente graciosa quando levantou as mãos fechadas para Philip e Marnie verem. "Olha," ela exigiu. "Olha só!" "A última vez que ela fez isso, estava segurando um percevejo," Marnie comentou, mas quando se inclinou para ver, Victoria abriu as mãos para revelar um besouro dourado do tamanho de uma joaninha.


"Lindo besouro," Philip comentou, e Victoria deu um pequeno sorriso tímido para ele. Ela estava mais acostumada com pessoas gritando ou dizendo-lhe para jogar seus insetos fora, e Marnie já podia sentir sua filha se aproximando de Philip. "Posso ficar com ele?" Victoria perguntou esperançosamente, e Marnie sacudiu a cabeça. "Não, ele vai ser mais feliz aqui onde ele pode ir para onde quiser," disse ela. "Mas e se encontrarmos a melhor flor para deixá-lo antes de sairmos para comer alguma coisa?" Victoria gostou da ideia, e, juntos, os três encontraram um belo vaso de amores-perfeitos, aonde Victoria poderia colocar sua nova amiga. Eles mutuamente decidiram que um dia tão bom pedia deliciosos hambúrgueres, e que, como havia uma excelente hamburgueria há apenas alguns quarteirões de distância, era hora de almoçar. Se Victoria se perguntou por que Philip fora almoçar com eles e insistira em pagar pelo almoço, ela não disse. Ela ainda não havia superado sua timidez com ele, mas, mais de uma vez, Marnie a pegou olhando para Philip com franca curiosidade. Ela se perguntou se sua filha sentia que havia algo diferente sobre Philip. Marnie não tinha namorado desde que ela nasceu, mas ela tinha alguns amigos do sexo masculino e colegas. Com eles, Victoria era educada, mas mais reservada. Aqui, dentro de um curto período de tempo após encontrar Philip, ela já estava com a guarda mais baixa, mais viva e animada. Isso não significa nada, Marnie disse a si mesma. Ela provavelmente apenas está imitando o quão relaxada estou com ele. Era um bom pensamento, mas enquanto comiam seus hambúrgueres, Marnie não pôde deixar de notar que era mais do que isso. Victoria preferiu sentar mais perto de sua mãe, mas ela estendeu a mão para compartilhar suas batatas fritas com Philip, algo que ela só fazia com Marnie e Cassie. Vendo-los juntos, não se poderia negar que seus olhos escuros eram quase do mesmo tom. Marnie se perguntou que outras semelhanças eles descobririam conforme passassem mais tempo juntos.


Depois do almoço, eles saíram pela calçada para ver uma das carruagens puxadas a cavalo da cidade descarregar seus passageiros na rua. Levou apenas um breve olhar melancólico e suspiro de Victoria para que Philip já estivesse caminhando pela rua, acenando para a carruagem. Antes de Marnie saber bem o que estava acontecendo, eles estavam tomando o passeio turístico da área, Philip de um lado, Marnie de outro, e Victoria ensanduichada entre eles e olhando para tudo. "Eu tenho que admitir, isso é legal," disse Marnie. "Eu nasci e cresci aqui, e eu nunca pensei que algo tão turístico pudesse ser uma boa ideia..." Philip piscou para ela. "Bem, eles dizem para fazer o estranho familiar e o familiar, estranho. Tudo o que sei é que Victoria pareceu estar curiosa. Na minha terra natal, às vezes, para os festivais históricos, as damas nobres são carregadas em liteiras de verdade, sobre os ombros de homens fortes." "Liteiras?" perguntou Victoria com confusão. "Tipo lixo?" Philip, em seguida, teve de explicar as liteiras carregadas por humanos, e como algumas pessoas eram consideradas tão importantes que eram levantadas tão alto quanto possível pelas pessoas abaixo. "Isso soa como algo que você gostaria de experimentar?" Marnie brincou. "Certamente a carruagem e o cavalo não são suficientes?" Victoria deu à ideia a séria consideração que era devida antes de balançar a cabeça com firmeza. "Eu acho que prefiro a carruagem e o cavalo," disse ela com firmeza. "Eu gosto muito do cavalo." "Bem, aí está," disse Marnie com um sorriso. "Minha filha marca um ponto para a igualdade de direitos para todas as pessoas..." Philip bufou. "Ela não descobriu o quão confortável uma liteira é," disse ele altivamente. "Você já andou em uma?"


"Não, só minha mãe, e, por algum motivo, ela não vai ceder e quer que seja sua única maneira de viajar..." Quando o cocheiro veio para conduzi-los para baixo, ele abriu um largo sorriso para eles. "Família pequena e bonita que você tem, senhor," disse ele, e Marnie achou que Philip fosse negar. Em vez disso, ele deu de ombros com um leve sorriso. "Ambas são lindas," disse ele. Ele disse que tão suavemente que Marnie mal conseguiu ouvir. Ela pôde sentir seu rosto corar com o elogio dele. Quando estiveram juntos, ele a chamava de bonita, ele certamente a chamava de gostosa, mas linda era um adjetivo de que ela não conseguia se lembrar. Ela sabia que ela tinha mudado, mas, aparentemente, ele também tinha. "Mamãe, por que seu rosto está todo vermelho?" perguntou Victoria, sua voz preocupada, e Marnie se virou de modo que Philip não pudesse ver o quão fortemente ela estava corando. "Apenas me sentindo um pouco quente, querida; eu estou bem. Ah, olhe, há uma máquina de fazer doces naquela vitrine, vamos olhar?" O dia passou em um borrão, mas Marnie sempre se lembraria de algumas sensações específicas, alguns momentos maravilhosos. Houve o momento em que Victoria solenemente explicou a fotossíntese para Philip, embora ele tivesse de ajudá-la a pronunciar a palavra. Houve o momento em que Philip bateu uma foto dela e Victoria, de mãos dadas e acariciando um cão de grande porte. Houve o olhar de surpresa e paz no rosto de Philip quando ouviram, distante, uma bateria de aço tocando e Victoria começou a dançar ao brilhante ritmo. Finalmente, porém, o dia tinha de acabar. Victoria estava cansada e começando a ficar malhumorada; por isso, quando chegaram em casa, Marnie a mandou pegar suas coisas para o banho. "Nós duas tomamos banho, e depois ficamos o resto da noite de pijama," explicou Marnie. "Nós fazemos isto tão frequentemente quanto possível, faz ir para a cama muito mais facilmente." Ambos podiam ouvir a água correndo e, depois, Victoria gritando sobre como ela estava


indo se banhar agora. Marnie não tinha percebido quanto espaço Victoria havia tomado naquele dia. Agora que ela estava longe, parecia que havia muito ar na sala. Agora havia apenas ela e Philip. "Foi um dia incrível," Philip disse suavemente, suas mãos nos bolsos. Por alguma razão, aquilo a consolou. Se as mãos dele estavam nos bolsos, não poderiam alcançá-la, não poderiam trazê-la para perto. Ela não tinha certeza do que ela faria se ele a trouxesse. "Foi um dia muito bom," disse Marnie. "Eu espero que você não tenha a ideia errada. Nem todo dia é tão bom assim. Há vários momentos em que ela ou eu estou mal-humorada. Há dias em que ela perde a paciência e tem de ficar de castigo, ou quando uma ou ambas ficam doentes..." Philip riu um pouco. "Eu posso ser um príncipe, mas eu sei um pouco sobre a vida real," disse ele com um sorriso. "Eu sei que nem todos os dias são bons, mas hoje... bem, algo sobre hoje foi perfeito." Quando ela penou nisso, viu que ele estava certo. Não fora um dia sem contratempos, mas eram três pessoas juntas, compartilhando e cuidando umas das outras. Em resumo, foi perfeito, de sua própria maneira. Ela percebeu que ele estava se aproximando, e, depois de um momento, ele tirou as mãos dos bolsos. Marnie sabia que ela deveria recuar, dizer para ele se afastar. Mas não importa o quão ruim ela soubesse que aquela ideia era, seu corpo não parecia concordar, nem seu coração poderia. A cada passo que ele tomava em direção a ela, seu corpo só queria que ele chegasse mais perto. Quando ele enlaçou os braços ao redor dela, ela viu os braços dele descansando em torno de sua cintura estreita. "Você sabe que ficou ainda mais linda desde que eu parti?" ele perguntou, olhando para ela. "Você me chamou de linda antes," ela murmurou, sem saber o que ela estava dizendo. "Você... nunca fez isso antes." "Então eu era um idiota quando estivemos juntos," disse ele com firmeza. "Quando eu olho


para você, eu vejo uma mulher que será linda por toda a sua vida. Você era linda quando tomou sua primeira respiração e seus primeiros passos. Você será linda quando estiver velha e precisar de uma bengala para caminhar por aí. Você é linda agora mesmo." "Por que você está falando isso?" Marnie perguntou. Tudo o que ela queria era respirar o cheiro bom e limpo dele, ficar o mais próxima a ele quanto pudesse. "Porque eu nunca disse isso antes, e porque uma mulher como você merece ouvir que é linda. E sentir." Ela abriu a boca para perguntar o que ele queria dizer, e a boca dele desceu sobre a dela. O beijo que compartilharam antes foi delicioso, mas era uma coisa furtiva, rápida e ligeira. Este; ah, este fora aquele pelo qual ela sentia como se estivesse esperando há anos. Levou seu tempo, com cuidado para acordar todos e cada um de seus nervos. Quando a língua dele pressionou entre seus lábios, ela se entregou a ele, deixando-o explorar sua boca da maneira que ele preferisse. Era e não era como o que eles tiveram juntos antes. O corpo dela conhecia o dele, só que não. A única coisa de que ela tinha certeza que não tinha mudado era que ela o queria como uma mulher morrendo de sede quer água. De alguma forma, eles acabaram meio que deitados no pequeno sofá dela, seu grande corpo a pressionando contra as almofadas. Quando ele se levantou sobre ela, ele bloqueou a luz fraca de sua lâmpada. Marnie podia sentir o quão forte ele era, e ela se apertou contra ele até que pudesse sentir a excitação dele também. "Lembro-me de você," ela se encontrou sussurrando. "Eu me lembro de você," ele respondeu. Quando ele se inclinou para beijá-la desta vez, ele começou na orelha dela, mordiscando em torno da borda até ela choramingar. Quando ele tomou entre seus dentes o lóbulo da orelha dela, ela parou de gritar, mas por pouco. A pequena dor só fez da doçura da língua e dos lábios dele mais intensa. Suas mãos percorriam o corpo dela, deslizando sobre suas curvas com a facilidade da familiaridade. Seu vestido fino mal parecia que estava lá, e, em seguida, a mão dele estava


deslizando ao longo de sua coxa nua... "Certo, estou saindo agora!" Victoria gritou do banheiro, e, por um momento, tanto Marnie quanto Philip congelaram. O pensamento de ser pego no flagra era, simultaneamente, hilário e frustrante, e, felizmente, os dois decidiram rir disso. "Muito bem, querida. Vá vestir o seu pijama." "Certo!" Marnie pressionou contra o ombro de Philip, e, depois de um momento, ele se sentou com um suspiro. "Então é isso que é ser um pai," brincou ele, e ela balançou a cabeça com uma risadinha. "Realmente, esta é a versão fácil. Mas foi provavelmente bom que ela os tenha interrompido. Quero dizer... não sei você, mas eu realmente não estou certa de aonde chegaremos com isso..." "Ah, eu tenho uma boa ideia," Philip brincou, mas ele balançou assentiu. "Você não está errada. Há muita coisa acontecendo, e se nós formos fazer as melhores escolhas para nós e para Victoria, bem, não deveríamos apressar as coisas." "Isso soa correto..." "O que?" perguntou Victoria, que tinha chegado com seu pijama de coelho. "Nada para se preocupar, querida," Marnie disse carinhosamente. "Mas você chegou bem a tempo de dizer boa noite para o Philip, que está de saída." Era aquilo um lampejo de decepção no rosto de sua filha? Parecia muito cedo para Victoria se apegar. "Adeus," ela disse, escondendo seu rosto na coxa da mãe. Philip parecia desejar dizer mais, mas ele só assentiu. "Foi maravilhoso passar o dia com vocês duas," ele disse suavemente. "Obrigado por me acompanhar." Marnie estendeu a mão para tocar o cabelo escuro de sua filha. Ele ainda estava encharcado, e, dali a pouco, iria enxugá-lo para ela um pouco melhor. "Não se preocupe, Victoria; Philip voltará. Ele está na cidade por um tempo, por isso vamos


vê-lo em breve." Victoria olhou para cima, olhos escuros desconfiados. "É sério?" ela perguntou. "Sim," Philip respondeu. Por um momento, pareceu que Victoria correria para lhe dar um abraço. Então ela recompôs as boas maneiras e se agarrou um pouco mais fortemente à mãe. "Sim, essa é a nossa dica de que é hora de encerrarmos," disse Marnie com um suspiro. "Alguém está ficando um pouco cansada demais para ficar acordada." Philip suspirou, um suave som arrependido, mas ele balançou a cabeça. "Eu definitivamente estarei de volta," disse ele. "Mas, por agora, boa noite, e espero que você tenha bons sonhos, Victoria." Ele esperou por um momento, mas Victoria só ficou agarrada à perna de Marnie. "Boa noite, Marnie." "Boa noite, Philip." Por um momento louco, ela pensou que iria se inclinar e beijá-lo. Teria sido ridículo. Teria sido um monte de coisas para explicar de uma só vez e demais para caber nesse dia. Em vez disso, ela pensou nisso, imaginou o toque macio dos lábios dele e a suavidade de sua mão ao passá-la pela sua bochecha. Então, ele acenou com a cabeça, e a porta se fechou atrás dele. Depois de um momento, ela trancou a porta e a travou, virando-se para sua filha pequena. "Você teve um bom dia, bebê?" Ela perguntou suavemente. "Sim," disse Victoria, retraindo-se um pouco. "Cansada agora, no entanto." "Certo, bem, por que não aquecemos um pouco de sopa e aproveitamos um tempo de silêncio, que tal? Parece bom? " Victoria concordou, e Marnie deu um suspiro silencioso de alívio. Tempo de silêncio era um tempo que passavam juntas, sem a necessidade de palavras ou interrupções, e era um de seus momentos favoritos para ficar com sua filha. No entanto, hoje, mais do que ser apenas uma


conexão silenciosa e forte entre elas, havia uma sensação de recuperação e consideração enquanto ela esquentava a sopa delas. Sua mente estava cheia de tudo o que tinha acontecido, e no fundo de tudo estava Philip. Ela nunca esperou que ele voltasse à sua vida, e ela certamente nunca esperou que ele voltasse assim. No entanto, agora ele havia voltado, e seu coração batia mais rápido só de pensar nisso. Ela não era mais uma garota teimosa, no entanto. Ela não podia ser aquela graduada imprudente se atirando no homem que ela queria com tanta facilidade. Ela era uma adulta agora, com todas as responsabilidades de uma adulta. Ela tinha uma filha para cuidar. Ainda assim, quando ela estava recostada com Victoria esparramado-se sobre a outra extremidade do sofá, ela se perguntou como seria ter uma terceira pessoa lá, um homem com cabelos e olhos negros que olhava para ela e sua filha como se elas fossem os seres mais preciosos da terra... *** O motorista de táxi foi misericordiosamente silencioso enquanto conduzia Philip de volta para seu quarto de hotel. Philip estava tão distraído que nem mesmo sabia se conseguiria ter respondido ao homem. Aquela era minha filha. O pensamento ecoou em sua mente uma e outra vez, como um sino que não parava de soar. A realidade daquilo era inevitável de uma forma que não tinha sido antes. Era uma coisa ver a menina na livraria; outra coisa era vê-la e saber com certeza. Não... não a pequena. Victoria. Uma pequena pessoa por si própria, uma que era metade dele. Era algo com que seu cérebro ainda lutava. Ele não podia acreditar que ela era uma parte dele, e, naquele momento, não importa o que mais acontecesse, ele sabia que ela sempre seria. Não importa o que acontecesse entre ele e Marnie, uma parte de seu coração sempre pertenceria a Victoria. Era exaltante. Era aterrorizante.


E Marnie... Ele não estava mentindo quando disse que tinha pensado nela muitas vezes. Conforme o tempo se passara e Philip assumira mais das tarefas que para ele foram estabelecidas por sua família, seus pensamentos muitas vezes se voltaram para o tempo que passara em Nova Iorque, e Marnie era parte disso. Às vezes, ele se perguntava se ele a havia associado com um tempo de liberdade em sua vida, quando ele tinha menos responsabilidades e podia fazer o que quisesse. Ao vê-la novamente, entretanto, havia percebido que não era bem o caso. Ela havia se transformado de uma menina promissora para uma mulher poderosa. Quando ele soube que ela era uma escritora, ele não se surpreendeu ao perceber o quão boa ela era. Quando ela olhou para ele com aquele pequeno sorriso em seu rosto, os olhos levemente estreitos como se ela estivesse preparada para ver através dele, ele sentiu seu coração bater mais rápido. Ela era magnífica, e, independentemente do que pudesse acontecer, ele queria ela também. No entanto, como as últimas semanas haviam-lhe ensinado, o que ele queria e o que ele podia ter eram duas coisas diferentes. Com um estremecimento de ponderação, ele ligou seu celular para ver várias mensagens de sua família lá. Eles vinham tanto de sua mãe quanto seu pai, e elas eram como ele esperava. Eles estavam decepcionados com ele e as escolhas que tinha feito. Eles estavam furiosos por ele ter saído quando as coisas estavam indo tão bem com a princesa. Eles estavam-lhe dando cobertura agora, mas eles não iriam fazê-lo para sempre. Por um momento, ele estava meio que tentado a lhes dizer sobre a sua neta, de chocar e horrorizá-los com evidência de seu jeito selvagem, mas sabia que isso seria injusto tanto com Victoria quanto Marnie. Ele conhecia bem seus pais, e no momento em que soubessem sobre Victoria, eles entrariam em ação. Talvez tentassem pagar para Marnie, algo que ele sabia que iria chocar e ofendê-la, ou talvez feitos mais escuros ocorreriam. Não, Philip sabia que ele tinha que mantê-las próximas ao seu peito, pelo menos por um tempo curto. Tudo que sabia neste exato momento era que Victoria segurava seu coração em suas


mãos pequenas e ele estava começando a suspeitar que a mãe dela também. Ainda totalmente vestido, deitou-se na grande cama do hotel, pela primeira vez pensando no quão vazia ela era. Desde que voltou para Navarra, ele teve vários casos, todos breves, todos pueris. De repente, ele se perguntou se Marnie tinha tido o mesmo luxo. Teria sua cama ficado vazia assim depois que Victoria nasceu? Como ela tinha sobrevivido? Ele não sabia muito sobre pais solteiros, quanto mais pais solteiros nos Estados Unidos, mas, pela primeira vez, ele se perguntou como era difícil, como ela estava sozinha. Impulsivamente, ele enviou-lhe um texto. Como você fez isso? Sua resposta foi rápida e quase imediata. Como é que eu faço o que? Criar uma filha por conta própria. Houve uma pausa mais longa enquanto ela digitava sua resposta. Ele podia imaginá-los descansando juntos agora, esparramados no sofá e descansando depois de seu longo dia. Não pela primeira vez, ele desejou que estivesse com elas. Eu não o fiz sozinha, não mesmo. Cassie estava lá, e eu tenho um monte de amigos que me ajudaram. Às vezes era difícil, e mais do que uma vez eu pensei que não seria capaz de passar por isso, mas ei, adivinhe, eu ainda estou aqui e Victoria também. Depois disso, eu acho que o resto é lucro. Ele riu um pouco de sua resposta, mas ele pôde sentir a solidão por trás dela, também. Acho que você está fazendo um grande trabalho. Ela é maravilhosa. Obrigada! Acho que ela é bem fantástica também! Ele fez uma pausa. Era bom, incrível mesmo, poder falar com Marnie. Ela sempre teve uma espécie de senso comum direto que nunca permitiu que ele ficasse muito cheio de si, que divagasse muito profundamente em si mesmo. Durante sua vida, ele tivera muitas pessoas que o acomodavam e lhe diziam exatamente o que ele queria ouvir. Com Marnie, ele nunca teve de se preocupar com isso. Mesmo quando eles estavam no seu mais apaixonado e imprudente momento, ela sempre


esteve disposta a pisar no freio e conversar sobre as coisas. Que bela rainha ela seria, ele pensou ociosamente, mas então ele se afastou do pensamento. Não havia nenhuma como sua família aceitar uma romancista sem nenhum histórico como sua esposa, mesmo que ela fosse a pessoa que tinha dado à luz sua neta. Obrigado novamente por um dia incrível, ele digitou a ela. De verdade. Eu nunca tive um dia como esse. Houve uma longa pausa, seguida pelas elipses que lhe diziam que ela estava escrevendo. Eu gostaria de mais dias como este também. Ela esteve digitando por muito mais tempo do que aquelas palavras deveriam ter tomado. De repente, Philip ficou muito curioso sobre o que ela tinha digitado e depois apagado. Philip deitou-se na cama e se perguntou como seria passar mais dias com Marnie e Victoria.


Capítulo Quatro "Bem, eu certamente não esperava que ficasse assim," Philip pensou, olhando para a bagunça de tinta que cobria o jornal. "Geralmente não fica do jeito que você espera," disse Marnie, que tinha uma mancha inexplicavelmente adorável de tinta verde no alto da bochecha. "O bom é que tudo isso é facilmente lavado." Sábado chegou frio e chuvoso, com Marnie cansada de seu trabalho editorial e Victoria irritadiça da escola. Em vez de saírem para ver um museu, como haviam planejado, optaram por um dia dentro de casa, e, claro, os materiais de arte tinham chegado. Se Philip fosse questionado, ele teria dito que havia uma quantidade limitada de bagunça que três pessoas poderiam fazer com apenas alguns potes de tinta e papel de embrulho. No entanto, a lógica aparentemente não dizia nada para uma garota determinada de cinco anos de idade que estava totalmente preocupada com a ideia de envolver sua mãe em cada marca e pincelada. Era algo calmante para assistir, mas ele não tinha percebido que estava apenas assistindo até Victoria virar-se para ele. "Você não está desenhando nada," disse ela em tom acusador. Ele olhou para o papel relativamente limpo na frente dele. "Acho que eu não sou um artista muito bom," ele começou, mas Victoria pareceu ainda mais teimosa. "Minha mãe e Cassie dizem que qualquer um pode ser artístico," ela disse com um beicinho. "Você só precisa tentar. Aí, você vai fazer a arte que só você pode fazer!" Philip não tinha certeza sobre aquilo, mas o olhar no rosto de Marnie era francamente malicioso. "Ah, bem, talvez Philip não tenha tido as vantagens que você teve, querida..."


Victoria fez uma careta diante daquilo conforme Marnie continuava. "Parece-me que ele precisa de alguém para ajudá-lo," ela continuou. "Por que você não vai ajudá-lo?" Victoria se iluminou com aquilo, e, antes de Philip conseguir descobrir o que estava acontecendo, ela se arrastou até se encostar ao seu lado. Para sua surpresa, Victoria dobrou sua pequena mão sobre a dele, manchando-a de tinta quando ela o fez. "Victoria, o que você está-?" Ele apenas olhou em choque conforme ela tomava sua mão e a levava de forma decisiva para um dos pequenos potes de tinta. Ele estava simplesmente chocado demais para fazer algo que não se sentar lá conforme ela arrastava seus dedos - agora cobertos de tinta - para o papel na frente dele. "Olhe, veja, agora você mesmo pode fazê-lo," disse ela com todo o magnetismo de um mestre pintor para um estudante infeliz. "Agora você não precisa se preocupar muito se você é bom o suficiente!" "Acho que não," Philip meditou. "Marnie, estas tintas são laváveis em água, não é?" "Claro, eu não daria nada que manchasse para Victoria..." As palavras mal saíram da boca dela quando Philip estendeu a mão e apertou sua palma sobre o ombro dela, deixando uma grossa impressão azul sobre o tecido ali. Conforme ela gritava de indignação, ele ria. "Eu chamo isso de mídia mista," ele disse para Victoria gravemente. "Isso é o que acontece quando você usa vários tipos diferentes de materiais. Veja, eu usei tinta, o tecido da camisa de sua mãe, e, claro, sua mãe." Victoria caiu na gargalhada, e, em seguida, Philip teve de se defender de dois ataques. De um lado estava Victoria, alegremente banhando-o com a tinta aguada. Do outro lado estava Marnie, que estava fazendo, em grande parte, a mesma coisa, mas com um grau de sucesso maior. Conforme a chuva caía do lado de fora, os três ficaram quentes e secos no apartamento,


embora certamente, no final, eles teriam ficado similarmente sujos se tivessem acabado saindo para pular em poças d'água. Quando ele se levantou para ir buscar toalhas de papel para limpeza, ele fez uma pausa para se olhar no espelho. Ele parecia um desastre, coberto de manchas vermelhas, verdes, amarelas e azuis. Parecia algum tipo de projeto de arte moderna que havia dado muito, muito errado. E ele percebeu, então, que ele nunca tinha sido tão feliz. Quando ele olhou para si mesmo no espelho, ele viu um homem que estava extremamente contente em passar seu sábado com uma mulher e uma menina com quem ele estava passando a se importar imensamente. Philip sabia que ele poderia reunir uma dúzia de pessoas para ver todas as festas de Nova Iorque, e se a América não conseguisse dar uma excelente festa, ele estava preparado para ir até os Emirados Árabes Unidos e Navarra para descobrir se eles poderiam dar uma melhor. Ele balançou a cabeça, secando as mãos. Philip não sabia o que o futuro traria, mas sabia, sem sombra de dúvidas, que ele olharia para trás até esta época e sorriria, não importa o que viesse depois. Do lado de fora do banheiro, ele podia ouvir Marnie e Victoria rindo baixinho. Não lhe ocorreu que elas soavam bem claramente até que fosse tarde demais. A porta se abriu, e, revelados por trás dela, estavam dois sorrisos, quatro mãos cheias de tinta, e uma gargalhada que ele pensava que iria amar para sempre. Conforme elas derrubaram-no suavemente no chão, ele começou a rir, e foi um dos momentos mais revigorantes de sua vida. *** Por um momento, Marnie se perguntou se eles tinham ido longe demais. Foi só tardiamente que ela se lembrou de quanto dinheiro as roupas de Philip custavam, e como ele era ligado a elas. Claro, ela pensou isso logo antes da bola de canhão que era sua filha atingir Philip com força total, suas pequenas mãos tamborilando em cima dele para transferir o máximo possível de cor para Philip.


Para alívio de Marnie, no entanto, Philip apenas gritava de alegria, caindo de volta para o solo e permitindo que Victoria subisse em cima dele. Marnie se perguntou mais uma vez o que era sua filha via neste homem. Talvez ela estivesse se apegando no fato de que ele era alguém gentil e confiável, mas Marnie não achava que fosse isso. Às vezes, tarde da noite, ela se perguntava se Victoria suspeitava que Philip era seu pai. Realmente não havia como Victoria saber. Finalmente, quando Victoria fora arrancada de Philip e enviada de volta ao seu papel e tintas, Marnie puxou Philip de lado. "Eu sinto muito por isso," disse ela, e ele só sorriu, um pouco triste. "Bem, a única coisa pela qual eu sinto muito é eu não ter visto um ataque tão óbvio chegando," disse ele. "Da próxima vez, talvez você seja a única com tinta vermelha em toda a sua camisa." "Não mesmo," Marnie disse com um sorriso, mas ela continuou. "Sério agora. Nem sequer me ocorreu..." "Tratar-me como um estranho?" Philip perguntou gentilmente. Marnie olhou para ele, surpresa. “Como assim?” Ele suspirou, olhando pelo corredor até onde Victoria ainda estava brincando livremente, antes de voltar para ela. "Eu amo passar tempo com você e Victoria, eu realmente amo. Às vezes... às vezes parece que você está mantendo a distância de mim. Você me trata como se eu fosse algum tipo de dignitário estrangeiro..." "O que, para falar a verdade, você é," ela apontou, e Philip sorriu um pouco, concordando. "Tudo bem, você me trata como se eu fosse alguém que vai vir e desaprovar tudo o que você faz. Pelo que eu vi? Não há nada a reprovar. Tudo o que há aqui é uma família feliz que se ama." Ele parou por um momento, e quando ele falou, em seguida, suas palavras saíram de forma


espavorida, como se ele quisesse colocar tudo para fora de uma só vez. "Esta é uma família da qual eu quero fazer parte." Ela olhou para ele, sua boca repentinamente seca. “Como assim?” ela conseguiu dizer. Ele deu de ombros, e ela achou que ele nunca tinha parecido tão impotente ou frustrado. "Eu não sei. Tudo o que sei é que eu me importo com você e Victoria. Eu quero que vocês duas tenham o melhor, e eu quero ser aquele que dará isso a vocês." "Nós não somos mais namorados," ela disse suavemente. "Acabou." O olhar que ele deu a ela de repente estava cheio de fogo. "Não, não acabou," ele respondeu. "Eu não acredito nisso." "Já se passaram seis anos desde que eu te vi pela última vez, até mais do que isso," disse ela. "Eu entendo que você se importa com Victoria, mas eu acho que você está deixando seus sentimentos sobre ela se misturarem-" De repente, ela se viu presa à parede do corredor, sua boca tomada por um beijo profundo que ameaçou arrancar seu coração de suas amarras. Ela se esquecera do fato que sua filha estava brincando não muito longe. Ela se esquecera do fato que este homem era aquele com quem ela tivera uma história conflituosa. Ela esquecera tudo, exceto a sensação de seus lábios nos dela. Philip foi quem se afastou primeiro. "Não faça isso," ele sussurrou, sua voz fazendo cócegas na orelha dela. Ela estremeceu com a sensação antes de responder. “O que? O que não devo fazer?" "Não me diga que meus sentimentos estejam conflituosos ou confusos. Não me diga que não estou sentindo o que eu sei que estou sentindo." Ele fez uma pausa. "Você sempre pode me dizer o que você está sentindo. Dizer-me que você não pode lidar com o quão intenso eu sou, ou que eu não sou uma boa influência sobre Victoria. Diga-me que você não me quer ou que você nem mesmo gosta de mim. Eu sou um adulto, e eu posso lidar com isso. Nunca tenha medo de me dizer essas coisas. Mas, Marnie, nunca me diga o que eu sinto. Eu sei o que sinto por você, e é real. Acredite em mim."


Ela poderia ter dito qualquer variedade de coisas aqui. Ela poderia ter dito a ele que um homem que não estivera em sua vida durante seis anos não poderia lhe dizer o que sentir, ou que ele tinha descoberto sobre sua filha há menos de um mês, e que os sentimentos poderiam mudar. Em vez disso, quando Marnie olhou dentro de si, ela percebeu que conhecia este homem. Ela o conhecia melhor do que ela conhecia qualquer outra pessoa, e agora, ela sabia que ele estava dizendo a verdade. "Tudo bem," ela disse suavemente. "Eu acredito em você." Ela foi recompensada por um sorriso largo que parecia o sol saindo depois de um dia nublado. "Obrigado," disse ele, dando um beijo na testa dela. Ela não sabia o que dizer naquele momento. Em vez disso, ela só se afastou um pouco. "Nós devemos... ir ver o que a pequena monstra está aprontando," disse ela. "Ela esteve em silêncio por muito tempo, eu não confio nela..." Philip sorriu. "Tudo bem," disse ele, e, impulsivamente, ela apertou sua mão enquanto caminhavam pelo corredor. Assim que é ter um parceiro, ela pensou. Alguém que possa compartilhar os bons momentos com você, assim como os maus. Ela olhou para Philip, que tinha ido se sentar com Victoria novamente, desta vez alertando-a para manter suas mãos no lugar. Mas será que este parceiro quer ficar? *** Algo sobre aquela sessão de pintura de dia chuvoso tinha mudado as coisas. Ela não sabia bem o que havia alterado as coisas, se fora sua conversa no corredor, ou Victoria ficando mais relaxada perto de Philip ou até mesmo alguma qualidade mágica sobre a própria pintura, mas eles pareciam ter ficado mais juntos. Anteriormente, ela fora quem decidia o que iriam fazer, e Philip parecera feliz com aquilo.


Agora ele estava propondo coisas tão frequentemente quanto ela, e, geralmente, ele pagava pelas coisas e cuidava de tudo. Para uma mãe solteira que sempre teve que fazer malabarismos com sua carreira e uma bebê, e, em seguida, uma criança em seu colo, ter alguém para assumir de vez em quando era uma coisa maravilhosa e exótica. Philip entrou no espaço que elas abriram para ele com facilidade, e, embora ela ainda o chamasse de Philip, Marnie podia sentir sua filha inteligente se preparando para a conversa sobre o que Philip era para elas. Quando isso aconteceu, Marnie ainda não sabia o que ia dizer. Seus próprios sentimentos por Philip ainda eram tão selvagens e indomados quanto quando ela ainda era quase uma menina. Ela não podia pensar nele ou olhar para ele sem desejá-lo. Às vezes, quando ele tocava a lombar dela ou seu ombro, ela sentia um formigamento, como se ele tivesse dado um leve choque. Depois do que ele tinha dito no corredor, ele parecia satisfeito em deixar o resto por conta dela. Tudo que ela sabia era que aquele lindo homem estava causando uma distração nela, e ela não sabia quanto tempo mais ela poderia aguentar. Marnie ainda se sentia como se ela tivesse, de alguma forma, escorregado em uma outra dimensão. Tinha sido apenas ela e Victoria por tanto tempo que a imagem de Philip carregando sua filha pequena para o diminuto apartamento parecia algo que era completamente fora de sua realidade. No entanto, não importava o quão inacreditável parecesse, ele estava mesmo fazendo isso. Após o seu nervosismo inicial, ele agora carregava Victoria como se ele tivesse feito isso em todas as noites de sua vida. A menina estava exausta, seu rosto pressionado contra o ombro dele, sua mão macia ainda de alguma forma segurando o bicho preguiça de pelúcia que ela quis no zoológico. Ela murmurou um protesto sonolento quando Philip a descarregou. Ela piscou sonolenta, como se assustada com a forma como ela havia chegado em casa, e Marnie riu. "Certo. Escove os dentes e vista o pijama, é hora de dormir." Victoria fez apenas um protesto simbólico, o que Marnie considerou uma vitória. Ela observou


como sua filha obedientemente escovava os dentes e, em seguida, vestia sua camisola amarela favorita. Isso a fez se sentir como uma princesa, ela sussurrou, fazendo Philip sorrir. Quando ela se deitou na cama, ela deu um beijo de boa noite em sua mãe, mas, em seguida, mordeu o lábio. "O que foi, querida?" Marnie perguntou. "Hum, eu quero um beijo de Philip também..." "Bem, isso é com o Philip..." Marnie disse, mas Philip se aproximou. "Claro. Qualquer coisa para uma princesa." Ela riu quando ele deu um beijo em sua testa, e depois Marnie se levantou. "Tudo bem, querida, é hora de dormir." Victoria murmurou algo que poderia ter sido uma negação, mas seus olhos já estavam carregados, se fechando. Com um sorriso, Marnie arrebanhou Philip para fora do quarto, fechando a porta atrás dela. "Bem, foi um dia agitado," ela disse, e Philip concordou com a cabeça. "Como diabos você fazia isso quando você era sozinha?" Marnie deu de ombros. Aqueles eram dias negros às vezes, quando ela se esforçava para manter sua filha e si própria alimentada com o salário de uma trabalhadora de escritório, antes de seu livro vender e ela começar a ver mais dinheiro entrando. "Bem, eu serei honesta, houve muito choro e um monte de fazer valer cada dólar," ela admitiu. "Mas não foi de todo ruim. Eu tinha muitos amigos que queriam ajudar. Eles davam roupas e suprimentos, conselhos muitos bons, e faziam papel de babás." Um olhar escuro passou pelo rosto de Philip, e ela pôde imaginar o porquê. A infância dele tinha sido privilegiada; uma em que passar necessidades nunca tinha sido um pensamento de verdade, muito menos uma preocupação. Ela se preparou para um ataque, mas ele só assentiu. "Você está fazendo um trabalho incrível, Marnie," disse ele. "É claro que isso não significa que eu não tenha meus vícios. Venha. Aquele cachorro quente no zoológico não me encheu. Deixe-me apresentar-lhe o prazer culpado de uma quesadilla


noturna." Ela não lhe disse que ela tinha feito quesadillas para ela e Victoria porque era a coisa mais barata que ambas amavam. Ainda assim, aquecer a tortilla e derreter o queijo produzia um delicioso lanche, e quando ela colocou um no prato e serviu Philip, ela pôde ver que ele apreciava seus encantos também. "Mmm. Quando se trata de prazeres culpados, há piores." "Na verdade, eu tenho um monte de prazeres culpados," ela disse com uma risada suave. "Ah, sério? Conte-me mais." Havia algo vagamente desafiador sobre o olhar dele, e Marnie percebeu com um arrepio de prazer que ele estava muito perto dela. Seus olhos negros estavam fixos nela, como se todas as respostas do mundo pudessem ser encontradas no rosto dela, e ela lembrou o que isso significava. A que poderia levar. Ela respirou fundo, consciente de que seu coração estava batendo mais rápido do que antes, que seus lábios estavam secos. "Bem, eu amo chocolate, especialmente o com sal marinho, porque faz com que o sabor do chocolate fique ainda mais doce. E eu sou louca por documentários, especialmente aqueles que falam sobre conspirações alienígenas." Philip bufou, chegando um pouco mais perto dela. Sempre houve uma espécie de magnetismo entre eles, mas, agora, era tão intenso que ela quase podia senti-lo. "Não foi muito impressionante, Marnie. Vamos lá, tente novamente." "Bebidas de café ridiculamente açucaradas. Balas de goma. Esses almoços semiprontos que, supostamente, são para crianças, mas que eu escondo na minha bolsa para um rango rápido quando estou na rua." Havia menos de trinta centímetros de espaço separando-os agora. Marnie sabia intimamente que, se ela o empurrasse, Philip recuaria. Ela sabia que ele não iria se aproximar a menos que ela quisesse.


Havia tantas razões para não o deixar chegar mais perto. Havia tantas razões para ser cautelosa com o homem que a tinha deixado há seis anos e agora aparecera de novo, bonito como nunca, e duas vezes mais charmoso. "O que mais? ele perguntou, sua voz baixa e suave. Marnie engoliu. "Noites de verão na praia. Pirulitos. Príncipes que deveriam ter juízo." "Bem, eu posso ajudá-la com uma dessas alternativas..." Antes que ela pudesse responder, a boca dele desceu sobre a dela, suas mãos se firmando no balcão atrás dela de modo que seus braços a prendessem, aprisionando-a. Por um momento, ela simplesmente aproveitou a sensação da boca dele, o quão quentes e mornos seus lábios estavam, e há quanto tempo ela não sentia o tipo de paixão que estava lambendo seu corpo. Fazia muito tempo, e Philip sempre foi muito, muito bom. Quando ela colocou os braços ao redor do corpo dele, puxando-o ainda mais perto, ele se afastou com um sorriso. "O que você quer, garota linda?" ele sussurrou. "Diga-me o que você quer, e deixe-me dá-lo a você." Ela perdeu o fôlego, tremendo à beira do precipício. Ela sabia que se estivesse pensando com clareza, se fosse tão cuidadosa quanto tinha jurado que sempre seria, ela teria recebido o beijo e se afastado. Um beijo, isto era um lapso aceitável, um prazer culpado. Mais do que isso... mais do que isso seria cortejar o desastre. Ela começou a dizer-lhe que isso era suficiente, que não poderiam fazer aquilo, mas, em seguida, ele estendeu a mão para dobrar uma mecha de cabelo escuro atrás da orelha dela. O toque suave de seus dedos ao longo da pele sensível de sua orelha a fez estremecer, e, em seguida, ela simplesmente não conseguia ficar longe dele. "Você," ela disse, sua voz grave e rouca. "Você. Você é o que eu quero..." A risada de Philip era suave e profunda, mas não havia nada jocoso nela. Em vez disso, havia alívio ali e uma necessidade e uma fome que eram tão profundas e duradouras quanto as dela.


"Linda Marnie," ele suspirou, puxando-a para um abraço profundo. Desta vez, ele a deixou sentir a crua necessidade que tinha por ela pela maneira como ele tremeu um pouco quando a beijou. Fazia tanto tempo que ela se sentia quase bêbada dele, como se ela não pudesse se saciar com a maneira como o toque da pele dele a fazia se sentir. Quando ele puxou sua camisa para revelar sua barriga e seus seios, ela hesitou por um momento. Seu corpo tinha mudado desde que ele a havia tocado assim da última vez, e pelo que as revistas de fofocas diziam, ele era um homem bem acostumado com supermodelos e atrizes. Como é que o corpo de uma mãe solteira se compararia? Ela não precisava ter se preocupado. Ele a tocou com a mesma reverência e paixão das quais ela se lembrava há seis anos, e, assim como antes, o fogo que sempre estivera acumulado entre eles rugiu para a vida. Ela não conseguia se saciar de sua boca na dele, ou do modo como sua mão hábil deslizava ao longo de sua pele, colocando-a em chamas. Ele era e não era o menino de que ela se lembrava. Havia algo mais certo sobre ele agora, algo muito mais assertivo. Ele só parou de beijá-la quando suas bocas estavam vermelhas e um pouco cruas, afastando-se com um sorriso. "Eu vou fazer você se sentir bem tão, Marnie..." Antes que ela pudesse responder àquilo, ele passou os braços em volta dela e levantou-a sobre o balcão. Agora ela estava olhando para baixo e para ele, e ela nunca acreditou que fosse possível se afogar nos olhos de uma outra pessoa antes, mas olhando dentro de seus olhos negros, ela agora acreditava. Ele ajuntou a saia dela em torno de sua cintura, dando-se todo o espaço de que precisava para tocar em suas macias coxas nuas. Por um momento, ele simplesmente acariciou suas pernas, fazendo-a se contorcer de necessidade e desejo. Ele se colocou entre as pernas dela, fazendo-a abri-las um pouco mais largas conforme seus dedos encontravam sua mais macia carne. Por alguns momentos, ele simplesmente a acariciou através da camada frágil de sua calcinha. A sensação, abafada pelo pano, só a deixou mais necessitada. Quando ele colocou a fina camada de tecido


de lado para tocar sua carne diretamente, ela gemeu de necessidade, agarrando-se a seus ombros. "Diga que você me quer," ele sussurrou com a voz rouca. "Diga-me que você quer isso tanto quanto eu." "Eu quero," ela gemeu. "Eu tenho te desejado... te desejado tanto, todas as noites..." Ele estremeceu com as palavras dela, mas seus dedos pressionaram contra sua carne, corajosos e verdadeiros ao ritmo estabelecido por seus corpos. Instintivamente, ela colocou suas pernas travadas em torno da cintura dele, puxando-o para mais perto. Ela pensou que morreria se não conseguisse ficar mais perto dele. Marnie pôde sentir seu corpo se tensionar quando o prazer começou a ficar mais e mais intenso. Era como se eles de fato não tivessem passado nenhum momento distantes, e sempre tivessem conhecido tão bem os corpos um do outro. Philip foi implacável, forçando o calor nela mais e mais até que ela pensou que explodiria em chamas. Em vez disso, o prazer nela se tornou mais e mais intenso até que explodiu através de seu corpo. No último momento, ela lembrou que Victoria estava dormindo a apenas algumas paredes finas de distância. Ela escondeu o rosto no ombro de Philip, abafando seus gritos em sua camisa. De alguma forma, seu orgasmo foi ainda mais intenso por ter de ficar em silêncio. Agarrou-se a Philip com toda a força de seus membros, e quando ela finalmente se afastou, sorriu para ele. "Eu devo parecer toda bagunçada," ela murmurou, sua voz tão áspera quanto se estivesse gritando. Ele tirou os cabelos para longe do rosto dela, sorrindo. "Não," ele disse. "Você está linda. Você sempre está." "E para uma fala tão doce quanto essa, você deve ser recompensado," ela ronronou. A respiração de Philip ofegou quando a mão dela escorregou entre eles, agarrando seu pênis suavemente através de suas calças. Ele soltou a respiração com uma suave risada. "Hmm, eu estava, bem, contente em deixar as coisas como elas estão, mas... mas vou admitir


que eu estive pensando sobre você fazendo exatamente isso já faz um tempo..." Com um sorriso malicioso, Marnie pulou do balcão, deixando suas roupas caírem de volta. "Venha para a cama, Philip," ela disse suavemente. Seu olhar se afiou quando ela o levou para seu quarto, fechando e trancando a porta firmemente atrás dela. Ela pegou suas roupas, mas Philip a interrompeu. "Aqui, deixe-me..." Ela ficou parada, mordendo o lábio ligeiramente enquanto ele tirava a sua roupa. Lembrouse de que quando estavam juntos mal podiam esperar para tirar a roupa. Havia algo terno aqui que ela nem percebera que faltava quando eles eram jovens, algo que brilhava como um diamante. Quando ela ficou nua na frente dele, ele se inclinou e beijou-a profundamente. "Você é tão amável…" Havia uma admiração brilhante ali que era difícil para ela encarar. Em vez disso, ela desviou o olhar e puxou a roupa dele. "Tire essa roupa. Acho que você esteve vestido por muito tempo..." Ele se despiu, mais econômica e rapidamente do que ele havia tirado a roupa dela, mas ela ainda estava em transe. O corpo que ele revelou era a perfeição atlética, magro e musculoso com uma graça puro-sangue. Assim como ela tinha amadurecido, ele também tinha, e ela não tinha certeza se já tinha visto um homem tão atraente. "Venha aqui," ela sussurrou, sua voz dolorida de desejo, e eles caíram juntos na cama. Quando ela estava em seus braços, parecia que o tempo realmente não passava. Ela se lembrou de como beijá-lo, como segurá-lo, como tocá-lo, e os gemidos dele lhe disseram que ela tinha lembrado direito. "Preservativos na mesa de cabeceira," disse ela, respirando mais dificilmente. Quando ele as alcançou, lançou um olhar bem-humorado para a caixa nova e lacrada. "Você tinha expectativas para esta noite?" ele brincou, e ela riu dele.


"Um cavalheiro pode não querer presumir, mas uma dama deve sempre agir em seus próprios interesses," disse ela altivamente. Rapidamente, Marnie rolou de costas, puxando-o para cima dela. O peso de seu corpo se parecia como o paraíso sobre ela, e quando ela sentiu a ponta grossa de seu pênis em sua entrada, ela gemeu de necessidade. Ele entrou nela lentamente, com uma série de golpes lentos, cada um adentrando mais profundamente. Ela pensou que ele a deixaria louca de desejo. "Por favor, por favor, dê-me mais do que isso," ela sussurrou. "Eu preciso de você, por favor..." A voz de Philip estava dura de desejo, áspera pelo esforço. "Eu não quero feri-la," disse ele. "Essa é a última coisa que eu quero..." "Você não vai me machucar," ela disse com certeza absoluta. "Você não pode. Você não vai. Eu te conheço." Era como se suas palavras o tivessem libertado. Ele afundou nela ao máximo antes de voltar até a metade do caminho, para depois enfiar nela novamente. Ela choramingou de necessidade, jogando suas pernas ao redor das dele para tentar trazê-lo mais perto. Ele estabeleceu um ritmo duro e punitivo, que ressoou nela. Isso despertava a parte primitiva dela que ela havia há muito tempo esquecido, a mulher que ela tinha sido; aquela que, antigamente, ficava contente em fazer amor o dia todo e dormir depois. Quando o ritmo de Philip se tornou mais errático e ainda mais forte, ela sabia que ele estava perto. Ela apertou as pernas ao redor da cintura dele, necessitando estar o mais perto dele possível. Quando ele finalmente estremeceu em uma parada, seu rosto enterrado no pescoço dela e seu poderoso corpo tremendo com sua descarga, Marnie poderia ter chorado de tão bom que tinha sido. "Perfeita, você é perfeita," ele sussurrou no ouvido dela, e, naquele momento, ela se sentiu tão perfeita quanto ele a dissera.


Ela nunca quis que o momento acabasse, mas, finalmente, ele teve que se afastar. Ela observou através de olhos cheios de prazer ele se levantando, deslizando em sua cueca boxer para se dirigir até o banheiro. Quando ele voltou, ele a descartou novamente, escorregando para a cama com ela antes de repentinamente parecer preocupado. "O que é?" Marnie perguntou, alarmada. Será que ele se arrependeu do que tinham feito? Será que ele simplesmente achara que ela era pouco atraente e só agora percebera? "Nada, eu espero," disse ele. "Marnie, será um problema eu dormir aqui? Serei honesto, não tem nada que eu queira mais do que ficar. Podemos nos levantar na hora que quisermos, tomar café da manhã, talvez caminhar até o parque de novo... mas seria estranho para Victoria me ver?" Marnie mordeu o lábio. Uma parte dela poderia ter amaldiçoado a ideia de precisar chutar seu amante para fora da cama, mas a maior parte, a parte dela que era mãe de Victoria e sempre seria, perguntou-se se sua filha deveria encontrar Philip lá quando acordasse. Ela mordeu o lábio, mas finalmente fez sua decisão. "Eu acho que você deve ficar," disse ela com firmeza. "Victoria sabe o quão importante você é para mim, e ela já dormiu uma fez na casa de uma amiga. Ela sabe que dormir na casa de um amigo é algo reservado para amigos com quem você se importa muito, muito mesmo." "Ah, eu sou um amigo com quem você se importa muito, muito mesmo?" Philip brincou, e ela bateu-lhe levemente com um travesseiro. "Você sabe que você é." A pergunta pairou entre eles. Suas palavras, embora verdadeiras, não poderiam pintar o quadro inteiro. Havia algo entre eles que não poderia ser definido como apenas amizade, mas Marnie ainda se lembrava como tinha sido descobrir quem ele realmente era. Ele lhe dissera, anos atrás, que não havia futuro para uma pequena americana sem nome e o príncipe de Navarra, e ela sabia que nada havia mudado. Ela apagou a luz, e se aconchegaram no escuro, o braço dele sobre o quadril dela, e a cabeça dela encostando em baixo do queixo dele.


Mais cedo do que Marnie pensava ser possível, ela adormecera, e quando ela sonhou, sonhou com uma grande casa em que nunca tinha estado antes, e Philip e Victoria lá para fazê-la feliz. *** Muito tempo depois de Marnie adormecer, Philip ainda se encontrava acordado. Ele não sabia o que estava errado com ele. Ele tinha acabado de fazer um sexo esmagadoramente apaixonado com a mãe de sua filha, a mulher que o fascinara e atraíra como nenhuma outra. Agora ela dormia em seus braços como se os últimos seis anos não tivessem sido nada mais do que um sonho escuro sem ele. Ainda assim... Ela o havia chamado de amigo, um com quem ela se importava muito, mas ainda assim apenas um amigo. Ele se perguntou o que aconteceria com esse amigo quando ela ficasse ocupada. Quando ela quisesse sair, quando ela conhecesse alguém que pudesse ser mais do que um amigo para ela. Ele se encolheu com o pensamento. Philip sabia que Marnie era uma bela mulher linda e apaixonada, que chamava a atenção não importa onde ela estivesse e que sempre tornava uma sala mais animada simplesmente caminhando nela. Para falar a verdade, ele também era parte do problema. Sua situação não tinha mudado desde que eles se separaram. Ele ainda era o príncipe de Navarra. Ele não podia oferecer a ela o casamento que ela merecia, nem mesmo com Victoria na jogada. Philip sempre foi um homem de ação. Quando ele via algo que queria, ele pegava, mas, neste caso, o que ele queria não estava lá para ser pego. Quase como se em resposta a seus pensamentos distraídos, seu celular tocou. Quando olhou para ele, percebeu que era sua mãe. Para sua surpresa, havia uma imagem anexada à mensagem. Ele apertou os olhos para vê-la no escuro, mas quando ele a abriu, seus olhos se arregalaram.


Alguém tinha, aparentemente, reconhecido ele no jardim zoológico. A foto mostrava ele, Marnie e Victoria, todos vestindo as roupas que tinham usado hoje. Marnie estava com a mão enfiada no braço dele enquanto Victoria estava em suas costas para ter uma visão melhor das preguiças. Só de ver a imagem ele sorriu, mas depois lembrou o que ela representava. O que está fazendo? Quem é essa mulher e sua criança? O jornalista que nos enviou esta imagem quis nos dar um primeiro vislumbre antes que ele a vendesse para os tabloides. Se ele pegou você, alguém o fará também. Philip, isso não é motivo de riso. O que é que você fez? Mesmo que seus pais fossem frustrantes e irritantes às vezes, sua mãe, neste caso, estava correta. Ela estava certa, seria apenas uma questão de tempo até que alguém desse a notícia, e, em seguida, as vidas de Marnie e Victoria seriam colocadas sob um microscópio. Se elas não tivessem a proteção que ele tinha, elas seriam simplesmente inundadas. Ele pensou em Marnie gritando com um paparazzo, que lhe deu um sorriso rápido, mas ele pensou em Victoria, a silenciosa Victoria, que poderia nunca mais ter uma ida tranquila para a escola. O plano chegou rapidamente. Ele era um homem de meios, e agora, ele estava disposto a deixar seu dinheiro trabalhar para ele. Ele saiu para a sala de estar, fez algumas ligações, acalmou alguns egos, e cuidou das coisas da melhor maneira que sabia. Quando ele subiu para a cama quarenta minutos depois, Marnie murmurou uma pergunta suave sobre onde ele tinha estado. "Fazendo planos," ele murmurou, dando um beijo na cabeça dela. "Volte a dormir, vai ter uma surpresa para você de manhã, uma que eu acho que você vai adorar." Marnie, que nunca esteve realmente acordada, para começar, murmurou algo que soou como concordância, virando para voltar a dormir. Philip sabia que tinha feito tudo o que podia, mas ainda assim o sono lhe escapava. Ele faria tudo o que pudesse para manter Marnie e Victoria ao seu lado. Eles eram uma família. Elas eram sua família. Ele finalmente adormeceu por volta do amanhecer, seus pensamentos cheios de sonhos impossíveis.


Capítulo Cinco Marnie ficou surpresa ao descobrir sua cama vazia e vozes vindo da cozinha. Curiosa e talvez um pouco alarmada, ela vestiu sua camisola e caminhou pelo corredor para descobrir o que estava acontecendo. Philip estava cozinhando no fogão, e Marnie parou um momento para pensar sobre o quão bonito ele estava vestindo apenas seu jeans do dia anterior e uma camiseta. Seus cabelos estavam adoravelmente amarrotados, e ela resistiu à vontade de torná-los ainda piores correndo os dedos através deles. Victoria estava sentada com os pés enrolados nos degraus de uma cadeira de cozinha, observando Philip ansiosamente. "Agora, minha própria mãe nunca me deixaria ter tudo isso tão frequentemente. Ela dizia que era muito rico para crianças. Eu não sei por que um ovo pochê seria muito mais rico do que um ovo mexido, mas realmente só fazia o ovo se parecer mais com uma regalia." Ele se virou, e Marnie observava despercebida do corredor enquanto ele colocava um ovo em um dos copos do jogo de chá de Victoria. "Como faço para comê-lo?" Victoria perguntou duvidosamente, e Philip puxou uma faca do escorredor de pratos. Com um movimento suave, ele removeu o topo do ovo, deixando o resto para ela comer com uma colher pequena. Victoria deu uma pequena mordida e, sob o olhar de Marnie, ela sorriu. "Obrigada, Philip," disse ela, e Philip sorriu como se alguém tivesse lhe entregado as chaves para um carro esportivo novo. "Acha que você consegue fazer mais um desses para mim?" Marnie perguntou, entrando na cozinha. Philip sorriu para ela também. "Eu acho que posso. Sente-se, e eu vou cuidar disso."


Ainda sonolenta e um pouco deliciosamente dolorida da noite que haviam passado juntos, Marnie sentou-se à mesa da sua humilde e pequena cozinha e viu como o príncipe de Navarra preparava dois ovos perfeitos em suas cascas para ela. Ele veio para se sentar com dois ovos para ele, assim como fatias de maçã que ele colocara em cada um dos seus pratos. "Como é que Philip ainda está aqui?" perguntou Victoria. "Tivemos uma festa do pijama, como a que você teve com Shelley, lembra?" Marnie ofereceu. Ela achava que era melhor, em geral, simplesmente responder às perguntas que eram feitas ao invés de tentar adicionar mais informações que pudessem simplesmente confundir as coisas. Uma criança mais velha poderia ter exigido mais informações, mas Victoria pareceu satisfeita com essa explicação. "Você vai ficar mais tempo hoje, Philip?" ela perguntou objetivamente. "Quando eu estava na casa de Shelley, nós nos levantamos bem de manhã para fazer pinturas, mas nós não conseguimos terminar porque eu tinha de ir para casa muito cedo." "Na verdade, essa é uma pergunta muito boa," Philip disse, voltando-se para Marnie. "Vocês duas têm planos para hoje?" Marnie piscou. "Na verdade, não. Nada que não possa ser adiado. Eu estava pensando em ir para a biblioteca, mas os nossos livros não são chegarão tão cedo. Caso contrário, nós só iríamos fazer algumas tarefas e ter um dia de descanso..." Philip concordou. "Então, você se importa se eu assumir por hoje? Eu... posso ter feito alguns planos." Marnie se perguntou se ela deveria estar mais nervosa ou irritada com aquela ideia. Ela sempre se orgulhou de ser muito independente, uma mulher extremamente autônoma e dedicada à ideia de ter certeza que ninguém dissesse a ela o que fazer. No entanto, quando Philip disse que tinha algumas ideias, ela ficou mais do que feliz em deixá-lo assumir. "Claro," ela disse finalmente. "Se esses planos demorarem um pouco e você ainda estiver por perto, nós podemos jantar naquele lugar grego que queríamos tentar."


Philip sorriu, e ela se perguntou como uma coisa tão simples podia parecer como se o sol tivesse saído depois de uma tempestade. "Obrigado," disse ele. "Eu acho que você vai gostar do que eu tenho reservado..." A manhã avançou tranquilamente, com Marnie e Philip se revezando no chuveiro antes de Marnie banhar Victoria. Ela estava apenas ajudando Victoria a se vestir quando houve uma batida na porta. "Eu atendo," Philip declarou. "Saia quando você puder..." Engraçado, Marnie pensou. Ela se perguntou que tipo de surpresa Philip tinha reservado para elas. "Mamãe, quem é?" perguntou Victoria, segurando sua mão um pouco mais apertado. Marnie olhou para baixo. Victoria, às vezes, podia ficar um pouco nervosa com pessoas invadindo seu espaço. Neste momento, ela parecia calma o suficiente, mas havia definitivamente um nervosismo nela, o que significava que poderia ser fácil para ela entrar em colapso. "Bem, eu não tenho certeza, querida, mas é alguém que Philip gosta e confia. Vamos confiar na palavra dele e supor que seja alguém bom, certo?" Victoria parecia um pouco mais calma com a ideia, e Marnie conseguiu vesti-la em sua camiseta e bermuda azuis favoritas em apenas uma questão de minutos. Quando saíram para a sala, Marnie ficou surpresa ao ver que tinha uma mulher com o que parecia ser uma pequena prateleira de vestidos lá, tudo feito sob medida para uma menina da idade de Victoria. "É esta a lindinha?" a mulher sorriu. "Venha até aqui, querida, e vamos vesti-la." Victoria olhou para sua mãe, nervosa, e Marnie olhou para Philip. “O que é que está acontecendo?” ela perguntou com uma careta. "Bem, nós sairemos para uma expedição hoje, então eu pensei que seria bom ter Victoria bem vestida." Marnie ia começar a dizer que não havia nada de errado com a roupa de Victoria, mas ela pensou que poderia parecer rude.


"Certo. Victoria, por que você não vai com a agradável senhora com as roupas. Se você não gostar de alguma coisa, você não tem que usá-la, certo?" Victoria balançou a cabeça e se aproximou da mulher relutantemente quando Marnie virouse para Philip, baixando a voz. "O que está acontecendo? Vou apontar que você está vestindo a roupa da noite anterior, e tudo o que tenho são trajes profissionais. Se nós estivermos indo para algum lugar que exija algo um pouco mais sofisticado..." Philip acenou para afastar os temores dela, e ela se lembrou mais uma vez quantos problemas o dinheiro podia resolber. "Eu pedi para enviarem umas roupas," disse ele alegremente. "E alguém está vindo com peças de vestuário para você também, não se preocupe. Tenho tudo arranjado." Outra mulher poderia ter ficado encantada. Marnie sabia que ela deveria ter ficado. Ela tinha acabado pensar há pouco sobre como era bom sentir que Philip estava assumindo algumas coisas. No entanto, ela não esperava se sentir tão nervosa quando ele tomara a liderança tanto assim. Na maioria das vezes, era fácil esquecer que Philip era um príncipe. Ele era surpreendentemente humilde, ele era grato quando ela fazia coisas para ele, e ele era notavelmente pé no chão. Sua súbita importação de roupas para ela e Victoria pareceu como se estivesse recebendo uma prévia sobre o mundo em que ele normalmente vivia, e era um lugar estranho e desconhecido. Victoria estava em dúvida entre um vestido azul ou verde com um encorajamento gentil da mulher, quando houve outra batida na porta. Desta vez foi a vez de Marnie, e ela piscou com a vasta seleção. "Com seu cabelo escuro e pele pálida, você pode usar quase qualquer coisa," disse a nova mulher. O nome dela era Bree, e ela tinha a intenção de vestir Marnie com esmero, inclusive com sapatos e bolsa. Marnie lançou um olhar desesperado para Philip, mas, no momento, Philip parecia muito satisfeito consigo mesmo para registrar qualquer preocupação. Marnie disse a si mesma que


estava sendo tola, e ela entregou-se a Bree. No final, Victoria estava usando um vestido azul feita do algodão egípcio mais macio. Parecia simples, mas simplesmente da maneira como parecia e se movia, Marnie pôde dizer que era extremamente caro. "É para eu ficar com ele?" ela perguntou, hesitante. Marnie começou a dizer-lhe que era um empréstimo quando Philip assentiu. "Definitivamente," disse ele com um sorriso largo. "Gire para nós, você está tão linda hoje..." Com um riso suave, Victoria girou, e Marnie lutou contra suas reservas. Sua filha estava feliz, e isso era o que importava. Para ela, Bree insistiu que um vestido leve e curto, tingido com uma variedade de tons de cinza e azul era a melhor opção. Quando ela olhou para si mesma no espelho, ela ficou surpresa ao ver o quão bem lhe caíra a coloração e quão azul que ele tornara seus olhos. "Perfeito, perfeito para você," balbuciou Bree. Quando Philip saiu do quarto, vestido impecavelmente em um terno da cor do carvão que provavelmente custou mais de seis meses da renda dela, ele assobiou para ela com apreciação. "Você está maravilhosa," disse ele, vindo para dar um beijo em sua bochecha. Marnie olhou para Victoria, que estava brincando com seu tablet e pareceu não notar. "Obrigada, mas talvez disfarce um pouco? Victoria..." Philip pareceu um pouco encomodado, mas assentiu. “Certo. Mas se estivermos todos prontos, podemos sair agora." "Planos?" perguntou Victoria, que parecia ter recuperado seu equilíbrio. "Sim," disse ele encorajadoramente. "Uma porção deles!" O primeiro lugar para o qual ele as levou foi um spa exclusivo no centro de Manhattan. Victoria estava encantada com o playground fechado e saiu sem olhar para trás sequer por um momento, enquanto Marnie foi conduzida a uma linda sala pequena onde a música suave estava sendo tocada.


Logo antes de eles a levarem embora, ela olhou para Philip, que estava olhando alguns tratamentos que lhe eram oferecidos. "Será que eu me vesti para ser esfregada?" ela perguntou meio que desesperadamente, e ele sorriu. "Confie em mim, você vai adorar isso." Ela confiou. Nunca houve muito tempo para ela ser mimada em sua vida. No caros spa sem nome, ela foi massageada e depois levada para uma manicure e pedicure conforme alguém cobria seu rosto com uma máscara de algas marinhas. Quando estava finalizado, algumas horas mais tarde, ela estava relaxada como nunca. Quando ela desceu para o saguão, Philip estava parecendo tão relaxado quanto ela, e Victoria estava conversando com ele alegremente sobre o que ela tinha feito no playground. "Podemos voltar em breve?" ela perguntou. "Quero brincar na casa de fadas um pouco mais!" Bem quando Marnie estava dizendo a ela que aquela fora apenas uma regalia, Philip concordou. "Nós podemos voltar sempre que quiser," Philip disse, "mas agora, há algumas outras coisas para nós fazermos..." Aquilo era apenas o começo. Philip levou-os a uma escola de balé, onde uma professora severa avaliou Victoria e ensinou-lhe alguns passos básicos, e, em seguida, a uma escola independente, onde Victoria foi apresentada a todos os diferentes tipos de arte. Bem quando elas estavam ficando cansadas, Philip as levou para um tradicional salão de chá russo onde eles foram servidos por uma mulher sorridente com um sotaque forte e chá preto ainda mais forte. Philip mostrou a Victoria como beber com geleia, o que a fez sorrir. Durante todo o dia, Marnie pisou em ovos. Metade do tempo, ela estava adorando a visão de sua filha aprendendo e crescendo tanto na frente de seus olhos. Na outra metade do tempo, ela ficou imaginando o que podia fazer para manter isso. Durante o dia, ela também percebeu que Philip estava dizendo mais vezes do que pedindo, algo que estava lenta mas seguramente


atiçando-a de uma forma que era difícil de definir. Finalmente, no entanto, eles acabaram de volta ao seu apartamento, que, apesar do fato de que era longe de ser tão extravagante, era pelo menos familiar e seguro. Victoria, em meio a gemidos de que ela não estava cansada, foi enviada para seu quarto para um cochilo, e, quando ela estava respirando profundamente e uniformemente poucos momentos depois, Marnie foi finalmente capaz de voltar-se para Philip. "Uau, que dia," ela disse, e Philip, que estava estirado no sofá, olhou para ela. "Você não parece feliz com isso," ele observou, e, com um suspiro, ela deixou-se cair no sofá ao lado dele. Tão naturalmente quanto se tivessem estado fazendo isso há anos, ele colocou o braço por cima do ombro dela, e ela chegou mais perto. "Eu deveria estar. Eu vou soar como a cadela mais ingrata do mundo, mas, honestamente, eu não sei o que pensar. Obrigada por hoje, mas a verdade é que por minha conta? Eu não poderia nos dar ao luxo de fazer isso mais de uma vez por ano, e olhe lá. Eu… eu adorei ver Victoria tão feliz e tão emocionada, mas eu sei que não vai durar..." "Esse foi exatamente o ponto de hoje," ele disse suavemente, recostando-se para olhar para ela. "Pode durar." Ela piscou para ele. "O que você está dizendo?" "Isso é algo em que eu tenho pensado por algum tempo," disse ele. "Eu me importo com ambas. Muito. Mais do que nunca. Hoje... hoje era para ser uma amostra do que eu posso oferecer a Victoria. Ela é uma menina brilhante, e eu não estou dizendo isso só porque ela é minha. Se você e Victoria voltarem para Navarra comigo, esta poderia ser a sua vida real, uma que você viva comigo." Marnie olhou para ele duramente. Não havia nenhum traço de engano ou falta de sinceridade nele. "Como o que?" ela perguntou, e ela se perguntou se ela o viu recuar. "Não seria como minha filha," disse ele. "Ela teria tudo do melhor, seria dada a ela a melhor educação. Ela poderia se tornar minha protegida, uma prima distante. Algo parecido. Isso acontece


com frequência." Marnie era suficientemente uma leitora e fã de história para saber sobre acordos como esse. Seu estômago estava ficando cada vez mais frio, e ela puxou sua mão para longe dele. "E o que eu seria?" Philip olhou para ela, e, naquele momento, ela não pôde ler sua expressão. "Nós poderíamos ficar juntos," disse ele. "Não no palácio, é claro. Alguma sutileza e alguns cuidados seriam necessários, especialmente depois de eu me casar." "Se casar…? Oh meu Deus, você está realmente me propondo o que eu acho que você está me propondo?" Ele se encolheu bem levemente, mas foi o suficiente para ela descobrir que ela tinha batido na cabeça do prego. "Meus pais têm feito pressão sobre mim para que eu case," disse ele. "A razão pela qual estou em Nova Iorque é porque eu não conseguia lidar com isso. Então eu vi você, e descobri sobre Victoria, e agora tudo foi virado de cabeça para baixo. Se eu me casar, vou ter todo o poder e dinheiro para fazer exatamente o que eu quero, e Marnie, o que eu quero é dar o mundo para você e para Victoria." "Mantendo-nos em uma pequena casa em algum lugar do interior," Marnie atirou de volta. "Tornando-nos o seu pequeno segredo sujo..." Philip parecia chocado. "Marnie... Eu nunca consideraria vocês meu pequeno segredo sujo. Realmente, não é disso que se trata..." De repente, ela estava com tanta raiva que poderia ter cuspido nele. "Ah? Sério, príncipe Philip? Por que você não me diz de que você chamaria isso, hein? De que seus historiadores chamam quando mulheres como eu amavam homens como você?" Droga, droga, droga. Ela não tinha a intenção de usar essa palavra. Ela não tinha a intenção de revelar tanto sobre si mesma, mas o estrago estava feito. Não tinha como voltar atrás, então ela só continuou diante.


"Eu acho que você não entende o que eu estou oferecendo ou o que você está rejeitando," disse Philip, uma escuridão tomando conta de seu rosto. "Eu posso dar tanto a vocês duas, e você está rejeitando isso por causa de algo incrivelmente pequeno, algo que não deveria importar nem um pouco..." "Sabe como é criar uma menina?" Marnie perguntou, sua voz estridente. Philip pareceu momentaneamente confuso. “Como assim?” "O mundo é aterrorizante para meninas, Philip. Não importa o quão inteligente, esperto ou bondoso você seja. As pessoas olham para meninas, e mais cedo do que você queira acreditar, elas percebem que elas só prestam para uma coisa." "Ela tem cinco anos!" Philip exclamou, e Marnie ofereceu-lhe um sorriso duro. "Nunca ouviu seus primos conversarem? E a sua mãe? Acredite em mim quando digo que a pressão para que as meninas cresçam rápido está bem ali, e nem sequer é tão difícil de ver. "Todos os dias, eu luto com o mundo para proteger Victoria, para certificar que ela entende que vale muito mais. Muito mais do que os idiotas no metrô queiram dela ou o que seu chefe possa implicar algum dia." Philip olhou de forma aflita para as palavras dela, mas ela continuou. Isso era algo que tinha de ouvir. Ele tinha de entender isso. "Você saberia isso se você estivesse comigo, criando-a. Eu entendo que você não sabia. O que eu não estou convencida é se isso teria feito alguma diferença." "Marnie, você não está sendo justa." "Ser justa é ser aberta com as pessoas que se preocupam com você e com quem você se preocupa," disse ela com a voz um pouco mais suave. "Ser justa é reconhecer aqueles que você ama e te apoiam." Houve uma pausa, e quando ela continuou, sua voz estava mais suave, mais triste. "Como é que vai ser quando você de fato se casar?" ela perguntou. "Eu sei que você vai. Você se preocupa muito com a sua família para não casar, e com o seu país também. Quando isso acontece, você vai


ter uma mulher em sua vida que está ao seu lado. Você vai ter filhos com ela. Depois disso, o que eu digo a Victoria quando ela perguntar por que somos sempre menores do que a sua outra família? O que eu digo a mim mesma?" Philip pegou a mão dela, mas ela puxou-a. Não havia raiva naquele gesto, nada além de cansaço e dor. "Eu não deixaria isso acontecer," disse ele, mas Marnie sacudiu a cabeça. "Você não vê, Philip? Você está planejando isso. Você quer nos colocar em algum local remoto, onde pode nós ter sempre que quiser. Pode ser uma prisão muito bonita, mas ainda é uma prisão." Ela pôde ver o momento em que a verdade de suas palavras atingiu Philip. Ele pôde ver como aconteceria, e, para seu crédito, ele pareceu desconfortável. Marnie, por sua vez, nunca tinha se sentido tão cansada em sua vida. "Eu quero dar a Victoria o que há de melhor," disse ele. "A você também." Por alguma razão, aquele pensamento a fez sorrir um pouco. "Esse é o problema com você, Philip," disse ela gentilmente. "Você nunca pensou muito sobre si próprio também. O melhor é você mesmo. Não é sobre o que seu dinheiro pode comprar, e nem sobre todas as aulas de que você pode se certificar que ela frequente, ou quais spas eu visite. É você. Isso é tudo o que queremos, e é a única coisa que você não pode dar." Philip ficou em silêncio por um tempo muito longo. Ele ficou sentado na penumbra da sala como se ele fosse um homem transformado em pedra. Marnie estava calma em seu exterior, mas, debaixo de sua aparência fria estava um turbilhão de emoções, raiva, tristeza e muito mais que não poderiam se acalmar, não se acalmariam. "Eu entendo," disse ele. "Eu compreendo." Quando ele se levantou, Marnie sentiu como se seu coração estivesse se rasgando em dois, arrebentando como papel pesado. Ela conteve o impulso de se aproximar dele, pois ela não aguentaria fazê-lo e ser rejeitada. A oferta dele fora feita de coração, mas se isso era tudo o que


ele poderia lhes dar, ela não o teria. Ela sabia aonde isso conduziria, a uma vida vazia e que iria fazê-la se tornar pequena e amarga. Ela olhou para ele. Por um momento, a mão dele pairou ao lado do cabelo dela, como se quisesse tocá-la uma última vez. Pela segunda vez em sua vida, ela percebeu que ele nunca iria tocá-la novamente. Ela tinha se enganado na primeira vez, mas ela não se equivocaria pela segunda vez. "Sinto muito, Marnie. Fale para Victoria que eu sinto muito também." Ela queria dizer a ele que ele deveria falar para Victoria ele mesmo, mas ela não podia suportar a ideia. Se ela, uma mulher adulta, sentia como se seu mundo estivesse balançando para frente e para trás em suas amarras, como é que uma pequena criança lidaria com isso? Ela não podia fazer isso com sua filha. Ele se levantou e saiu. De repente, Marnie estava sozinha em seu apartamento. Deveria ter sido um sentimento familiar, mas, de alguma forma, ao longo das últimas semanas ela havia se tornado desacostumada com isso. Havia um silêncio ecoando onde uma vez ela tivera Philip para preenchê-lo, e mesmo quando eles estiveram simplesmente descansando depois de um longo dia, havia o sentimento de outra pessoa no mundo, alguém que se importava. Não era real, ela tentou dizer a si mesma. Foi apenas temporário. Ele estava se fazendo de pai e marido. Ele não iria realmente ficar. Isso foi o que ela tentou dizer a si mesma, mas em outro lugar em sua mente estava a dura compreensão de que ele estava sendo completamente verdadeiro. Ela balançou a cabeça, tentando sacudir o sentimento. Ela não era amante de ninguém, e ela se recusava a deixar que alguém considerasse Victoria a bastarda de Philip. Marnie sabia que ela tinha que ser forte, tanto para o seu próprio bem quanto para o de sua filha. Ela tinha sido por muito tempo antes Philip aparecer, mas agora parecia impossível. Desde que ela tinha se tornado uma mãe solteira, ela desenvolveu uma imagem de si mesma como


uma fortaleza de pedra, impenetrável e poderosa o suficiente para proteger sua filha de cada possível ameaça ou mal. Agora ela se sentia tão frágil quanto vidro. Eu preciso ser forte, pensou ela uma e outra vez, mas, de alguma forma, seu coração não quis ouvir. Ela começou a chorar, e o melhor que ela podia fazer era manter a calma para que sua filha não ouvisse e se preocupasse. *** Na corrida de táxi de volta para o hotel, Philip se sentiu dormente. Ele sentiu como se tudo o que estava vendo e sentindo fosse removido. Tudo estava distante e estranho, e uma parte dele estava convencida de que a última hora não havia sido nada mais do que um sonho particularmente mau. Ele não tinha falado com Marnie. Ela não tinha dito a ele que ele estava, essencialmente, fazendo dela sua prostituta. Ele ainda podia ver a mulher mais linda do mundo e a filha que eles tinham feito juntos. Só quando chegou no quarto do hotel com a porta atrás dele fechada que ele começou a sentir alguma coisa, e, por baixo daquela dormência, estava a raiva. Não era raiva dirigida a Marnie ou a si mesmo. Era uma raiva pelo mundo por ser do jeito que era, e para forçar as pessoas nos papéis que não lhes convinham. Ele perderia Marnie uma segunda vez, e pela mesma maldita razão, e, de repente, a fúria o quebrou em pedaços. Antes que ele soubesse o que estava fazendo, havia um abajur em suas mãos e ele o atirou pela sala, onde ele colidiu com a lareira. Em seguida, uma tigela de cerâmica, e depois, uma cadeira. No momento em que Philip terminara, o quarto estava destruído, mas não havia calma nele. Ele percebeu agora que a raiva estava apenas escondendo algo muito diferente, e no fundo de tudo estava a tristeza. A raiva fazia sentido, mas a dor era algo com que ele tinha de conviver. Não importa como ou porque, mas ele tinha perdido. Ele tinha perdido Marnie, e ele tinha perdido Victoria. Menos de um mês depois de descobrir a família que ele nunca nem soube que desejava, ele a estava


perdendo, e a dor que aquilo causou foi tão intensa que ele não tinha certeza de que ele iria sobreviver. As lágrimas ardiam em seus olhos, e ele as limpou com raiva. Marnie, em um momento gloriosamente descuidado, havia dito que o amava. Tolo que ele era, ele não disse de volta para ela. Agora Philip se perguntava se teria feito alguma diferença. Se ela soubesse que ele sofrera com a ideia de estarem juntos, mas legalmente separados ao mesmo tempo, teria ela mudado de ideia? Philip sabia que não tinha importância. Uma das coisas que ele sempre respeitara sobre Marnie era o fato de que ela era incrivelmente decisiva. Ela se conhecia, e ela sabia o que podia e não podia suportar. Se ela não pudesse suportar o arranjo que ele tinha proposto, ela não iria concordar com ele, não importava o quanto ela o amasse. Finalmente, Philip despencou em uma pequena poltrona, o último pedaço de móvel sem danos em seu quarto. Com um gesto quase descuidado, ele ligou para sua mãe. "Philip! Voce recebeu a mensagem! O que está fazendo? O que está acontecendo aí-?" "Eu estou bem, mãe," disse ele friamente. "Estou voltando para casa. Irei me casar. Para mim já chega." Para sua surpresa, sua mãe não cantou sobre sua vitória como seu pai poderia ter feito. Em vez disso, houve um silêncio no outro lado da linha enquanto ela considerava o que deveria tê-lo alterado para fazê-lo soar daquela maneira. "Vai ser melhor, você vai ver," disse ela. "Desde que você nasceu, eu soube que você teria um destino grandioso pela frente. Agora que você está disposto a se entregar a ele, não há fim para o bem que pode fazer." Ele sabia do que ela estava falando. Navarra era um país rico, que tinha uma grande influência em todo o mundo. Tanto em casa quanto no exterior, havia muitos bens sociais diferentes que ele poderia fazer.


Quando ele pensava em fazer o bem e cuidar das coisas, no entanto, o que ele pensava era em uma menina de cabelos escuros e olhos negros, olhando para ele conforme ele observava as pinturas. Ele pensou sobre ela solenemente pegando sua mão e certificando-se de que ele saberia como desenhar. Em seguida, ele a viu voando em direção a ele, suas mãos cheias de tinta e os olhos gargalhando. Esse era o bem que ele queria fazer. Com Victoria e Marnie longe, no entanto, parecia que não havia nada mais que valesse o seu tempo. Ele sabia que não era verdade. Ele tinha uma vida antes delas, e ele teria uma vida depois. Ele só não tinha certeza de que era uma vida que valesse a pena ter.


Capítulo Seis No dia seguinte, Marnie acordou com uma profunda pulsação em sua cabeça e uma sensação como se seu coração tivesse sido rasgado em pedaços e, em seguida, ajuntado novamente. Por um momento feliz, ela achou que estivesse doente e se perguntou se Philip se deitaria com ela um pouco mais. Então ela acordou um pouco mais e desejou que não tivesse se perguntado. O problema de ser uma mãe, ela pensou, era que a vida nunca se congelaria por causa de sua dor. Mesmo que ela sentisse como se quisesse deitar-se e nunca mais acordar novamente, ela ainda tinha que ir acordar Victoria de um sono profundo e aprontá-la para a escola. Ela tinha que preparar o café da manhã, verificar os e-mails de seu editor, e olhar para os programas de verão que estavam sendo oferecidos no distrito. Quando ela viu que eles ofereciam balé e algumas aulas de arte, ela fez uma careta. Elas seriam adequadas, e, independentemente da apreciação de Victoria, mas a partir da perspectiva de um adulto, ela sabia que elas estariam longe de ser tão boas quanto o que Philip poderia proporcionar. Agora que ela tinha dormido, Marnie percebeu que ela não estava mais com raiva, não mesmo. Ela poderia ter tentado ficar com raiva, porque pelo menos era melhor do que se sentir triste, mas ela sabia que não era mais real. Ela não estava com raiva de Philip por não ser o homem ou a relação de que ela precisava, mas ela estava triste com isso. Ela estava com dor, e ela tinha que se lembrar de que essa era a realidade. Caso contrário, ela arriscava transformar aquilo em uma mancha escura em seu interior, uma que poderia crescer e envenenar tudo em sua volta. "Mamãe, mamãe, olha." Ela olhou para longe dos ovos que estava fazendo para ver Victoria segurando uma pintura. Com o coração apertado, Marnie viu que mostrava três figuras, uma alta, uma de tamanho


médio, e um pequena. Todas as três tinham cabelos bem escuros que Victoria tinha, obviamente, criado a partir de uma pressão muito forte em seu giz de cera preto, e, enquanto duas das figuras tinham olhos negros, a média tinha olhos azuis como ela mesma. "É um presente para Philip," Victoria declarou. "Eu fiz isso para que ele possa ver o quão importante ele é." Ela tinha feito a mesma coisa para Cassie e alguns dos outros amigos da família, mas ela nunca tinha os desenhado com ela e Marnie antes. Qualquer esperança que Marnie tivesse sobre simplesmente deixar as coisas passarem por si próprias atrofiou. "Victoria, vá se sentar por favor? Estou terminando o café da manhã." Victoria fez uma careta. "Eu ainda não terminei de mostrar a minha pintura," ela protestou. "Victoria, agora," Marnie disse severamente. Com um olhar ferido, Victoria foi se sentar à mesa, mas a pintura foi deixada apontando para o lado dela na mesa. Ficou claro que ela queria dizer mais para sua mãe sobre a imagem, mas Marnie não achou que conseguiria lidar com aquilo. É como um Band-Aid, ela pensou. Era muito melhor simplesmente arrancá-lo, chorar, e, depois, voltar para a normalidade... "Victoria, essa é uma pintura muito bacana, mas eu tenho que te dizer uma coisa," ela disse ao levar os pratos à mesa. Victoria, que sempre tinha sido extremamente sensível quando se tratava dos sentimentos de sua mãe, começou a ficar ansiosa antes de que qualquer coisa tivesse sido dita. "O que é? Qual é o problema?" "Philip é um bom amigo nosso, mas... mas ele não virá mais por um tempo, certo?" Para a consternação de Marnie, os olhos escuros de Victoria se alargaram. "Por que?" ela perguntou, sua voz tão alta quanto a de um pássaro ferido. "Por que? O que eu fiz?" Marnie engasgou como se alguém tivesse dado um soco em sua garganta. "Nada! Nada, querida, eu juro para você! Este não é um castigo ou qualquer coisa assim, eu juro! Você não fez


nada de errado!" "Se eu não fiz nada de errado, por que ele foi embora?" Victoria exigiu. Marnie mordeu o lábio. Ela podia sentir o mundo se deslocando em baixo dela. Victoria era jovem, mas ela não era jovem o bastante a ponto de simplesmente esquecer alguns traumas. Seu coração doía por sua filha precisar aprender esta lição tão cedo. "Ele se foi porque os adultos às vezes têm de ir, querida," disse ela tão delicadamente quanto pôde. "É apenas algo que acontece..." "Será que Philip não gosta mais de nós?" ela perguntou em voz baixa, e Marnie se aproximou e abraçou sua pequena filha bem apertado. "Não, querida, eu prometo, ele gosta muito de nós. Ele só... não pode ficar mais conosco." Marnie não tinha certeza de que fora aquilo que finalmente fizera a ficha de sua filha cair, mas, depois disso, grandes e grossas lágrimas começaram a rolar pelo rosto de Victoria. Ela chorou silenciosamente e colocou a testa na mesa. Tudo que Marnie podia fazer era confortar sua filha conforme ela parecia chorar muito mais lágrimas que seu pequeno corpo pudesse suportar. Durante todo o sofrimento de Victoria, o coração de Marnie estava chorando também. Finalmente, porém, ela teve que recuar, e até as lágrimas de Victoria secaram, embora ela ainda estivesse com os olhos vermelhos e pálidos quando sua mãe se levantou. "Não há problema em se sentir triste quando alguém parte," disse Marnie. "Mesmo que seja apenas por pouco tempo, ou se você souber que vai ver esta pessoa novamente. Mas ainda temos coisas para fazer e trabalhar, certo? Vá em frente e prepare-se para a escola." Por um momento, Victoria pareceu como se fosse simplesmente continuar sentada à mesa, mas, em seguida, com um pequeno aceno de cabeça, ela se levantou para se vestir. Apesar de têlo feito devagar como uma tartaruga, ela conseguiu se preparar a tempo de pegar grupo que iria levá-la para a escola. Ela é dura, ela vai ficar bem, Marnie pensou. E eu também. Ou, pelo menos, foi o que ela pensou, até que a escola a ligou.


*** No hospital, mais tarde naquele dia, o médico explicou a ela, mas, apesar de suas amáveis palavras, Marnie só conseguia pensar que sua filha tinha adoecido de tristeza. "Bem, as crianças podem ser tanto incrivelmente duronas quanto extremamente delicadas ao mesmo tempo," disse ele. "Se ela tivesse uma perturbação emocional, a doença que estava contida definitivamente poderia avançar." "Mas ela vai ficar bem, certo?" perguntou Marnie. "Quero dizer, ela vai se curar? Eu posso levá-la para casa?" O fato de que o médico não lhe dissera sim imediatamente fez os nervos dela se remexerem. "Nós gostaríamos de mantê-la durante a noite para observação. Vamos ver como as coisas ficam de manhã." Com isso, o médico foi chamado, e Marnie foi deixada sozinha no corredor do hospital. Eles tinham dado a Victoria um sedativo para ajudá-la a descansar e se recuperar, e Marnie entrou para se sentar ao lado dela. Sua bela e amada filha parecia tão pálida e aquilo fê-la sentir como se seu próprio coração tivesse parado. "Eu sinto muito, bebê. Eu sinto muito..." Ela segurou a mão de sua filha com uma mão, enquanto, com a outra, ela enviava uma mensagem. Por favor. Venha. *** Philip chegou ao hospital em menos de meia hora, um feito impressionante dado o fato de que ele estava no aeroporto. Quando a mensagem chegou, ele fizera seu piloto atracar o avião novamente, e chamou um táxi que o levou para o hospital tão rapidamente quanto fosse possível cortar Manhattan.


Ele encontrou o quarto depois de várias de orientações frustrantes, e ele não começou a relaxar até abrir a porta e encontrar Marnie dentro, sentada ao lado de uma Victoria dolorosamente paralisada. "Marnie, o que aconteceu?" Marnie não olhou para ele conforme explicava o que havia ocorrido. Ela manteve os olhos no rosto de Victoria enquanto lhe dizia o que o médico falou. Victoria provavelmente ficaria bem, mas por desencargo eles queriam mantê-la sob observação durante a noite. Ela provavelmente poderia ir para casa amanhã. Ela não precisava falar para ele sobre seus medos. Ele entendeu muito bem ao sentar do outro lado de Victoria, segurando a mão dela. Uma vez, suas pálpebras, tão frágeis quanto cascas de ovos, vibraram, e ele achou que ela tinha olhado para ele. Em seguida, os sedativos assumiram novamente, e ela foi caiu em um sono profundo. "Desculpe-me, mas o horário de visita acabou, e vocês vão ter de sair," disse a enfermeira, e o coração de Philip doeu com o quão alarmada Marnie parecia. "Não posso simplesmente ficar?" ela pediu. "Eu vou ficar quieta, eu nem mesmo precisarei de uma cama..." "Sinto muito, mas as regras hospitalares a impedem, a menos que o paciente esteja afetado mais gravemente. Você pode voltar às sete em ponto de amanhã." Quando ficou claro que nenhuma quantidade de persuasão iria convencer a enfermeira, Marnie pareceu desmoronar dentro de si mesma. Ela permitiu que Philip a pegasse pelo cotovelo e conduzisse para fora do hospital. Philip pensou que talvez ele devesse ter se contido, ter sido mais cauteloso com uma mulher que tinha tão recentemente decidido que não havia como eles ficarem juntos. Então ele viu o quão impotente e perdida ela parecia, e ele sabia que ele tinha de ajudar. "Posso te levar para casa?" ele perguntou. "O que posso fazer para ajudá-la?" Marnie olhou para ele, concentrando-se sobre ele no que pareceu ser a primeira vez desde


que ele chegara ao hospital. Por um momento, ele pensou que ela iria afastá-lo, mas, em seguida, ela tomou sua mão, segurando-a com força. "Por favor," disse ela. Era tudo, mas era o suficiente. Philip se perguntou se ele estava apenas se machucando no longo prazo, mas, no final, era Marnie, e ele a tinha amado durante anos. Ele a guiou para o táxi, e depois pelo corredor até o apartamento dela. Quando ficaram sozinhos, ele a colocou no sofá, deixando-a sozinha apenas o tempo suficiente para preparar um pouco de chá quente, doce e ferozmente forte. "Eu quero ajudar," ele disse suavemente, chegando a sentar ao lado dela. "Eu… Eu não sei o que vai me permitir fazer. No fim das contas, ela é sua filha e você sabe de que ela mais precisa. Mas qualquer coisa de que ela precisar será dela. Eu sei que você pode ajudá-la, mas tenho dinheiro, posso falar com os médicos..." "Eles dizem que ela vai ficar bem," Marnie disse finalmente. "Eles dizem que foi apenas um pouco de gripe que ficou fora de controle. Ela ficou... tão chateada quando percebeu que você tinha ido embora. A professora disse que ela simplesmente começou a chorar e não conseguia parar até que tombou. Desta vez, ela estava bem." Philip franziu a testa, não gostando daquilo. "Desta vez? Marnie, o que você-?" Ela não esperou as palavras saírem da boca dele. Em vez disso, movendo-se mais rápido e com mais confiança do que ele a vira usar desde que tinha chegado, ela torceu no sofá em direção a ele, colocou os braços ao redor de seus ombros e puxou-o para um beijo profundo. Por apenas alguns minutos, ele deixou-se levar pelo beijo, porque era Marnie, e cada pedaço dele ansiava por ela. Ele desejava senti-la, a doçura de seus lábios, o calor de seu corpo, a pequena gemida que ela dava quando aprofundava o beijo ainda mais. Era doce, incrivelmente doce, mas, em seguida, Philip se forçou a recuar. Ele nunca havia, em sua vida, se aproveitado de uma mulher. Ele morreria antes de fazer isso. Naquele momento, ele não tinha certeza de que aquilo era o que Marnie realmente desejava. "Marnie... Marnie, por favor, fale comigo. Você teve um dia incrivelmente longo e duro. Tudo


ficará bem, sabe? Vai ficar tudo bem, Victoria ficará bem..." Marnie balançou a cabeça. "Não se trata de Victoria," ela disse, sua voz rouca. "Neste momento, Victoria está com as pessoas que mais podem ajudá-la. Dói que não seja eu, mas tudo bem. Eu compreendo. Trata-se de mim. Trata-se de nós, e o que somos um para o outro e o que podemos ser..." "Marnie..." "Toque-me," ela sussurrou, olhando para ele. Os olhos dela o fizeram pensar em profundos lagos do mais puro azul, tão gelados e límpidos que seria possível enxergar os pensamentos dela flutuando. "Por favor. Beije-me. Faça amor comigo. Preciso sentir alguma outra coisa agora. Por favor, Philip ..." Ele era um homem forte, mas sabia que não podia resistir a ela. Ele nunca conseguiria, para ser honesto consigo mesmo. Ele hesitou por um momento, e, depois, com o clamor de seu corpo e seu coração passando por cima de todo o resto, ele cedeu e começou a beijá-la. *** Marnie se sentiu fora de si mesma desde que o médico lhe disse que Victoria ficaria bem. Ela se sentiu como se estivesse flutuando, como se ela fosse irreal, e a única coisa que a fez se sentir melhor foi quando ela tocou Philip. Quando ele a pegou pelo braço para guiá-la para o táxi, ela começou a acordar, e o que tinha acordado dentro dela era uma fome por Philip que nunca poderia ser saciada. Ela olhou para ele em seu pequeno apartamento, e ela chegou a duas decisões. A primeira era muito grande, muito dolorosa para ela sequer considerar totalmente ali mesmo. Ela teria que lidar com isso mais tarde, e, possivelmente, para o resto de sua vida. A segunda era que ela precisava tocá-lo. O beijo deles começou doce e lentamente, mas então pareceu que não havia espaço para nada no mundo, exceto eles. Ela percebeu quando ele se atrapalhou com as roupas dela, e se contorceu para sair do vestido que, de repente, pareceu muito apertado, muito restritivo. Quando


ela ficou pelada, ele fez uma pausa para beijar sua pele nua, mas ela não quis saber. Ela precisava dele pelado também, e ela não parou enquanto ele não se levantou para remover suas roupas com movimentos crus e rápidos. No momento em que ele estava nu, ela estendeu a mão para ele novamente, deitado-se no sofá e arrastando-o para cima dela. "Marnie, Marnie, você promete que isto é certo? Que isso é o que você quer?" "Sim," ela disse, e nunca houve uma declaração tão verdadeira na história do mundo. Naquele momento, aquele homem, aquilo era o que ela sempre quis. Sua boca caiu sobre a dela, e as suas línguas se entrelaçaram, lutando por um domínio pelo qual ambos ansiavam. Ela podia sentir o corpo dele, tão diferente do dela, pesado e áspero com cabelo e absolutamente delicioso, pressionando sobre ela; ela podia sentir o quão duro ele era em comparação com sua própria suavidade. Seu pênis já estava duro e rijo, pressionado contra sua coxa. Com um xingamento murmurado, Marnie estendeu a mão entre seus corpos para embrulhar os dedos em torno do membro dele, fazendo-o gemer de necessidade. "Eu… Eu não vou aguentar por muito tempo se você continuar assim," ele rosnou, e ela lhe lançou um olhar brilhante. "Eu não preciso que dure muito tempo," ela murmurou, sua voz áspera de necessidade. "Eu preciso de você. Eu preciso disso rápido. Eu preciso muito disso, por favor, Philip..." Ele gemeu, enterrando o rosto no pescoço dela enquanto tremia. Ela sabia que ele estava à beira da loucura, e era aquilo que ela queria. Ela queria que ele estivesse tão louco de desejo quanto ela, tão infectado com o fogo da necessidade quanto ela. Ela sussurrou em seu ouvido, seus lábios tocando o lóbulo dele, e ela disse-lhe de tudo o que ela queria que ele fizesse com ela, tudo o que ela faria para ele. Ela era uma escritora, afinal de contas, e as palavras sempre foram sua arma, sua salvação. Ela disse a ele sobre o que ela queria fazer com a língua e os dentes, e o quão molhada ela estava por ele. "Eu preciso de você," disse ela. "Assim como eu preciso respirar. Eu quero você, eu imploro


por você, eu preciso de você dentro de mim, Philip, por favor..." Com um rugido mal abafado, ele separou as pernas dela e, em seguida, jogou-as sobre os ombros. Suas mãos abraçaram seu traseiro nu, trazendo o corpo dela até mesmo quando ele lhe enfiou profundamente. Ele a encheu com um único golpe, o calor entre eles tão líquido e rápido quanto fogo. Suas mãos fortes a seguraram firmemente enquanto ele enfiava dentro dela uma e outra vez, e ela se esticou para trás para segurar o braço do sofá enquanto ele a possuía. Seu prazer foi misturado com a intensidade de suas emoções. Ela sentiu como se ela fosse o centro de uma tempestade, o único lugar aonde todo o poder se concentraria. A tensão dentro dela cresceu e cresceu, mas depois ele puxou uma mão, trazendo-a para frente para descansá-la no topo de sua fenda molhada. "Philip-" "Droga, Marnie, não vou queimar sozinho..." Suas palavras ásperas fizeram o calor dentro dela flamejar mais e mais quente, e, em seguida, seus dedos estavam deslizando contra a carne sensível de seu clitóris. De repente, ela não estava no controle de seus próprios membros. Ela estava tremendo, chorando sem parar conforme seu clímax se derramava sobre ela. Mesmo com ela tremendo de necessidade e prazer, ele manteve seus dedos lá, deixando-a curtir até ficar mole. Só então ele tomou ritmo, colidindo contra ela como uma onda na costa. Ela sentiu o poder da necessidade dele por ela, e ela se agarrou a ele, como se ele fosse o único porto seguro em uma tempestade de sua própria confecção. Quando ele congelou, derramando-se dentro dela, ela fechou os olhos, entregando-se inteiramente ao êxtase de estar com ele. Eu te amo, ela pensou. Eu te amo tanto... *** "Eu quero que você a leve." Marnie disse suavemente. Ele se mexeu um pouco, grogue e cansado demais para entender o que ela estava dizendo. "O que?"


"Eu quero... Eu quero que ela tenha tudo o que você prometeu a ela. Tudo do melhor. Os melhores médicos, as melhores escolas. Eu aprendi hoje que não importa o quão cuidadosa eu seja, não importa quanto cuidado eu tome... Philip, eu não posso protegê-la, e eu sei que você pode." Ela se deitada de lado, de costas para ele. Ele percebeu, no entanto, pelo tremor da voz dela, que ela estava chorando. "Marnie..." "É a verdade. Eu sempre pensei que o trabalho de uma mãe era fazer o que era melhor para seu filho. Eu vejo o que é, agora, e é você. Não eu, neste meu pequeno apartamento, mas você. Você pode fazer dela uma... uma princesa, e..." "Eu também poderia fazer dela uma princesa fazendo de você minha rainha," disse ele suavemente. Marnie ficou quieta. "Eu não entendo," disse ela finalmente. "Cansei de jogar," disse ele, sua voz crescendo em firmeza e força a cada momento que passava. "Isso é o que eu estava fazendo antes. Eu fiz todas as partes divertidas de ser um pai, e pensei que isso era tudo o que eu era capaz de fazer. Quando você me ligou, Deus do céu. Eu senti como se eu estivesse sendo esfaqueado através do coração com uma lança de aço. Eu nunca tive tanto medo antes. E... Eu estava bem. Pensei claramente. Eu queria o melhor para ela e para você, e eu estava planejando cuidar disso. Eu acho que sou finalmente digno de ser pai dela... e talvez isso signifique que eu seja finalmente digno de ser seu marido." Ela se sentou na cama para olhar para ele. Seus olhos estavam vermelhos, seu cabelo era um ninho de ratos, e ela olhou como se ela pudesse ser derrubada com uma pena. Philip pensou que ela nunca tinha parecido mais linda. "Philip?" "Case-se comigo," disse ele. "Eu não ligo para o que o meu pai ou mãe diz. Eu não me importo com o que é certo ou adequado. Eventualmente, eles vão superar isso, e vamos ser uma família em Navarra. Talvez precisemos passar algum tempo em Nova Iorque fincando os pés no


chão, e eu possa conseguir um emprego, ou talvez nós façamos algo completamente diferente. "O importante para mim, Marnie, agora, é que nós somos uma família. Uma família de verdade. Eu quero ser o pai de Victoria. Eu quero ser seu marido. E... Marnie, eu te amo. Eu sempre amei você, e quando penso nos anos sem você... eu nunca parei de te amar. Você quer se casar comigo? Por um momento ela ficou imóvel como uma estátua, os olhos arregalados e tão brilhantes quanto estrelas. Então, para a surpresa dele, ela escondeu o rosto entre as mãos, e o único som que ele pôde ouvir era um soluço. Philip sentiu um momento de puro pânico. Ele tinha falado de coração, mas e se não fosse bom o suficiente? E se ela achasse que ele não poderia mudar? Será que ela não o queria? Teria ele a machucado com palavras de alguma forma descuidadas? "Marnie..." Com uma força e velocidade que o surpreenderam, ela estendeu a mão para ele, puxandoo para perto. Surpreso, ele passou os braços ao redor dela enquanto ela tremia. Ele percebeu que ela estava dizendo alguma coisa, dizendo repetidamente, e ele inclinou a cabeça para ouvir. "Eu amo você," disse ela. "Eu te amo, eu te amo, eu te amo..." Philip soltou um suspiro que ele não sabia que estava segurando, segurando-a ainda mais apertado e beijando-a no alto de sua escura cabeça. "Então você vai?" Ela olhou para ele, seus olhos brilhando. "Sim," disse ela, sua voz tão suave quanto veludo. "Eu te amo, e eu quero estar com você para sempre. Eu, você e Victoria seremos sempre uma família, e será perfeito." "Nós podemos dizer a ela quando nós a levarmos amanhã para casa," Philip prometeu. "Você acha que ela vai gostar da ideia de ser a menina das flores no nosso casamento?" Marnie riu. "Se a sua saída a colocou no hospital, dizê-la que ela vai ficar com você e que você é o pai dela vai mandá-la para a lua!"


*** Quatro Meses Depois "Isso," disse Doreen, tocando as brilhantes flores de diamantes no cabelo de Marnie. "Perfeito." "Eu não me sinto perfeita," Marnie admitiu para sua futura madrasta. "Eu sinto que tropeçarei e me afogarei em baixo de vinte quilos de seda e enfeites..." Os últimos quatro meses não tinham sido fáceis, mas para a surpresa de Marnie, Doreen tinha sido sua vigorosa protetora durante todo este tempo. O alvoroço quando Philip chegou em casa com uma esposa romancista e uma filha de cinco anos de idade tinha sido imenso, mas Doreen, ao ver uma mal-humorada e cansada Victoria, decidira que moveria o céu e a terra por sua neta. Doreen tinha sido quem facilitou o caminho para Philip e Marnie, suavizando o coração de Alexander antes que eles o vissem. Rapidamente, o casamento foi planejado, e agora Marnie estava na câmara nupcial de Santo Ignacnio, a igreja ancestral onde todos os Demariers tinham sido casados por duzentos anos. "Você é linda, e você vai ficar bem," Doreen disse com firmeza. "Agora, eu preciso ir para a minha posição. Você precisa de mais alguma coisa?" Para ter escapado há quatro meses? Mas ela certamente não poderia dizer isso. Em vez disso, Marnie esperou por sua sugestão musical, suas mãos trêmulas escondidas por seu buquê. Ela sabia que Doreen iria se certificar de que Victoria soubesse para onde ir. Ela sabia que estaria esperando por ela no final do corredor. A orquestra - havia uma orquestra em seu casamento! - esteve tocando durante a festa de casamento no palco, e, depois de uma breve pausa, iniciou sua marcha nupcial. Ela poderia ter se preocupado com a cerimônia, mas com o homem no final do corredor, nunca. Ela saiu da câmara nupcial para o corredor, e quando ela olhou para a frente, para o altar, ela não conseguiu parar um enorme sorriso de passar pelo seu rosto. No final do corredor estava sua filha e o homem que ela sabia que ela amaria até o dia em


que morresse. No final do corredor estava o seu futuro. Quando ela finalmente tomou seu lugar no altar, Victoria, nervosa com todos os olhos sobre ela, tomou sua mão com força, fazendo com que Marnie sorrisse. Ela virou-se para Philip segurando a mão de sua filha, e, quando ela viu seus olhos negros se iluminarem com amor a ambas, ela sabia que tinha encontrado uma história de amor muito melhor do que qualquer uma que ela pudesse escrever.

FIM

CLIQUE AQUI

para se inscrever na nossa newsletter e obter atualizações EXCLUSIVAS sobre todas as ofertas, prévias secretas e novos lançamentos!


OUTRA HISTÓRIA QUE TALVEZ VOCÊ APRECIE A Amante Roubada do Sheik Por Ella Brooke & Jessica Brooke

Livro bônus completo incluído!

CLIQUE AQUI

para se inscrever na nossa newsletter e receber atualizações EXCLUSIVAS de todas as ofertas, prévias especiais e novos lançamentos!


A Amante Roubada do Sheik Por Ella Brooke & Jessica Brooke

Todos os Direitos Reservados. Copyright 2015 Ella & Jessica Brooke

CLIQUE AQUI

para se inscrever na nossa newsletter e receber atualizações EXCLUSIVAS de todas as ofertas, prévias especiais e novos lançamentos!


Capítulo Um Amy Monroe sorriu para o cartão postal que sua irmã, Alexis, havia enviado. Há mais ou menos dois anos, sua irmã havia sido raptada pelo Xeique Farzad Yassin e agora ela era xeica. A foto que ela tinha enviado era de si mesma com o filho, Farid, brincando nos amplos jardins do palácio. Era uma imagem adorável e, mesmo que a princípio Amy não tivesse ficado empolgada com o novo rumo da vida da irmã, agora ela estava contente. Não era possível fingir aquele nível de felicidade e, além disso, Farid era basicamente a criança mais fofa que ela jamais havia conhecido. Parte dela estava sentindo ciúmes enormes da irmã por ela ter encontrado alguém – mesmo que da maneira menos convencional possível. Sim, uma parte de Amy também se preocupava que Alexis tivesse basicamente arruinado sua carreira em direito em troca de romance, mas, ao mesmo tempo, ela nunca tinha visto a irmã sorrir tanto. Suspirando, ela largou o cartão postal e as demais fotos e se dirigiu para seu armário. Fuçando lá dentro, ela puxou um dos onipresentes conjuntos de calça e camisa preta e passou as mãos por seus cabelos negros, curtos e picados. A cor não era natural e ultimamente ela se sentia tentada a fazer umas mechas azuis escuras ou roxas. Ela trabalhava numa cafeteria no campus da Universidade de Boston e mudar a cor provavelmente a faria se sentir mais como parte da contracultura do campus do que o contrário. Colocando uma faixa para segurar seu cabelo curto para trás, Amy agarrou sua bolsa e saiu correndo pela porta. A noite seria longa: hoje ela trabalhava no último turno e fechava à uma da manhã. Sendo um negócio familiar, o Café Lem’s tinha se desdobrado para conseguir uma licença para vender álcool. Poder colocar conhaque no café – como os irlandeses – assim como ter uma lista de bandas universitárias locais que tocavam lá, garantiam que eles sempre fechassem tarde. Amy preferia assim. Era melhor do que se levantar antes do sol, especialmente nos invernos intermináveis de Boston.


Teoricamente, depois de se formar ela tinha vindo pra cá para tentar um mestrado em belas artes, em escrita criativa. Ela largou o curso em pouco tempo e descobriu que, mesmo tendo muitas ambições, no momento a única coisa apropriada para sua atitude e seu tédio era preparar café e bolinhos. Não era exatamente o que ela achava que estaria fazendo aos vinte e três anos. Diabos, considerando que duas meninas do seu círculo de amizades (sem brincadeira!) eram literalmente rainhas de seus próprios países, ela realmente parecia uma preguiçosa. Não que ela fosse uma, exatamente, mas ela se sentia de fato uma fracassada, como se ela não tivesse a menor ideia do que fazer da vida ou mesmo do que queria. Claramente, não era servir café batizado com álcool para graduandos, mas era o melhor que ela podia fazer por enquanto. O fim do seu turno estava se aproximando. Era uma quinta feira, o que significava que hoje não tinha nenhuma banda, que eram exclusivas de sexta e sábado à noite. Além disso, o semestre estava apenas começando. As pessoas ainda não estavam desesperadas o suficiente para estarem digitando seus trabalhos às pressas depois da sexta xícara de café. Elas estariam. Quando as provas finais chegavam, conseguir um bom assento próximo a uma tomada no Café Lem’s era um esporte violento. Ainda assim, a noite estava calma e, à exceção de dois clientes regulares que estavam ao fundo lendo romances russos do tamanho de pesos de portas, ela estava sozinha quando começou a esfregar a pia e a máquina de cappuccino. Pelo menos, era o que ela pensava. Quando faltavam vinte minutos para a hora de fechar, o homem mais lindo que ela jamais tinha visto entrou na loja. Ele era alto, mais de um metro e oitenta, com ombros largos e a pele morena. Seus olhos eram de um impressionante e profundo verde jade, e ele tinha uma barba curta. O único pequeno “defeito” em seus traços era uma cicatriz por cima da sobrancelha esquerda; mas sério, ela tinha certeza que, para uma garota ávida, ele conseguiria dar um jeito naquilo. Era só contar a estória da “cicatriz de guerra” e ele ficaria ainda mais charmoso do que antes. Diabos, só os olhos dele já eram o suficiente para Amy se perder dentro.


“Como posso ajudá-lo?” ela perguntou. “Dvar,” ele disse, sorrindo para ela e lendo seu crachá. “E você é Amy.” “Bom, nós sabemos que você sabe ler, ótimo. Então você pode escolher o que quiser.” “E se o que eu quiser for você?” Ela corou e revirou os olhos. Ela não saía com um homem há muito tempo. Não que ela não fosse atraente. Francamente, desde que ela havia feito patinação no gelo (não muito bem, mas ainda assim), quando era menina, Amy sempre gostava de manter seu corpo em dia. Então ela era magra, mas também baixa. Amy mal tinha um metro e cinquenta e sete, se é que tanto, e era muito magrela. Ela nunca tinha sido o tipo de mulher que deixava as pessoas de queixo caído quando entrava em algum lugar. Isso nunca acontecia. No entanto, da maneira que Dvar olhava para ela, bem... Ele parecia um homem que tinha se arrastado pelo deserto e encontrado um oásis. Era um pouco demais, mas ela gostava, Amy admitiu para si mesma enquanto varria a franja para trás da orelha. “Isso não está no cardápio, mas nós temos um ‘explosão mocha’ e alguns brownies que sobraram. E as pessoas adoram nosso pão de sementes.” Dvar suprimiu o riso. “Sério?” “Todo mundo aqui é um estudante universitário tentando ser vegano, macrobiótico ou algo do tipo, então não é tão incomum assim.” “Eu acho que prefiro algo com mais substância,” ele disse, sua voz como um ronronado profundo. “O que você tem pra mim?” “Nós temos um ótimo cappuccino com Bailey’s. Vou fazer um pra você,” ela disse, já vaporizando o leite. Amy não conseguiu não corar sob o escrutínio do homem. Sério, ela tinha visto modelos de cueca menos atraentes. Será que esse era o trabalho dele? Talvez ele fosse algum modelo de Nova Iorque que, seja lá porque, tinha decidido que era hora de visitar Boston – porque quem não gostava de montes e mais montes de neve, e lixo que sequer podia ser recolhido. Deus, se ela


tivesse que usar uma pá para liberar seu carro mais uma vez – não que ela o usasse com frequência, mas ainda assim – ela ia enlouquecer. Dvar sorriu para Amy enquanto ela terminava de fazer a bebida. Depois ele estendeu a mão para pegar a xícara, e era óbvio que ele estava enrolando de propósito. Ele não tinha se enganado quando seus dedos passaram pelos dela ao pegar a bebida. “Foi um prazer ser servido por tal beldade.” Amy corou novamente e empurrou suas franjas picadas para longe dos olhos. Deus, agora ela desejava ter deixado o cabelo com seu tom natural de castanho e com um corte que pelo menos lembrasse cachos. Caramba, tinha muito tempo desde a última vez que um homem – muito menos um homem tão bonito assim – tinha prestado atenção nela. Ela nem sempre sentia que tinha a melhor isca. “Então pode agradecer com uma boa gorjeta. Uma garota tem que sobreviver.” Ele sorriu, e foi o sorriso mais luminoso que ela jamais havia visto. De repente, pareceu que sua teoria sobre ele ser um modelo de verdade não estava assim tão errada. Dvar tirou uma nota de vinte dólares do bolso de sua jaqueta com a mão livre e colocou-a na jarra de gorjetas. “Eu não me preocuparia com isso, Amy.” “Obrigada, mas por mais gentil que você seja, vinte dólares não vão manter o lobos longe da porta por muito tempo.” Ele assentiu e deu um passo para trás, e ela quis reclamar um pouco pela perda de contato e proximidade física. “Ainda assim, cuidado com esses lobos. Você nunca sabe aonde vai encontrálos.” Com isso, o Sr. Alto, Bonito e Sensual saiu pela porta, deixando Amy com sua vida sem graça. Suspirando, ela terminou de limpar a cozinha e depois pegou o esfregão e o balde. Ainda havia muita limpeza pela frente. *** Boston estava gelada.


Isso não era novidade, eles estavam no meio da maior e mais forte onda de frio que a cidade jamais havia visto. Todo fim de semana parecia receber uma nova nevasca, e todo mundo estava falando sobre o recorde de queda de neve e como em breve esse seria, literalmente, o inverno com mais neve de todos os tempos. Enquanto seus dentes batiam em sua caminhada de volta para o apartamento, Amy apertou o casaco com mais firmeza em volta do corpo. Ela havia deixado os malditos protetores de orelha na cafeteria e se arrependia de ter cometido um erro tão bobo. Agora suas orelhas estavam como cubos de gelo e havia no mínimo mais quatro quarteirões para andar. Ela também não estava indo lá muito rápido. Os montes de neve estavam altos em suas panturrilhas e ela sentia que afundava, não importa quão leve e ligeira ela tentasse ser em suas botas. Argh, ela precisava de férias. Bom, sua irmã tinha oferecido para recebê-la em uma visita, e o sol do deserto tinha que ser melhor que aquela lama sem fim. Sacudindo a cabeça, ela tirou o celular e começou a digitar os longos códigos internacionais que a conectavam a Alexis. Ela não tinha terminado quando ouviu passos atrás de si. Amy se virou para olhar e franziu as sobrancelhas. Havia uns quatro caras atrás dela, e todos tinham uma complexão morena. Alguns tinham barbas grossas e pretas, ou mesmo grisalhas, e pareciam estrangeiros, um pouco como os homens que ela tinha visto na cerimônia de casamento de sua irmã. Isso era um pouco estranho. Franzindo as sobrancelhas apologeticamente, ela se moveu para a beira da calçada ocupada. “Sinto muito. Aqui estou eu, tomando todo o espaço na rua. Não foi muito legal da minha parte. Quer saber, podem passar e eu me preocupo com telefonemas mais tarde.” Os homens sequer se mexeram. Ao invés disso, apenas continuaram olhando para ela como ela fosse um bife gratuito numa fila de buffet. Colocando o telefone de volta no bolso, Amy tentou ficar calma. Ela assentiu e voltou para o meio da calçada. “Bom, então eu vou na frente. De novo, me desculpem por ter tomado tanto


espaço, a culpa foi minha” ela terminou, saindo num passo muito mais apressado do que antes, mas não era exatamente uma corrida descarada. Ela temia que, se fizesse isso, eles a perseguiriam. Mesmo assim, quando ela saiu, eles também começaram a andar atrás dela, seus passos firmes e medidos de acordo com os dela. Ao passar por uma barbearia cujas janelas eram revestidas de filme, Amy estremeceu por razões que não tinham nada a ver com o frio. Os quatro homens mal estavam a quinze centímetros dela agora e seguindo-a passo a passo. Segurando sua bolsa mais perto do corpo, ela decidiu que tentar ignorá-los não ia ajudar. Eles claramente queriam algo dela, e ela estava morrendo de medo do que poderia ser. Ela podia adivinhar, e seu estômago se revirava só de imaginar. Havia apenas dois quarteirões (cheios de neve) até seu apartamento. Inspirando profundamente e torcendo para que tudo desse certo, ela disparou. Seus pulmões queimaram e ela desejou que não fosse quase uma e meia da manhã. Deus, como ela queria ser mais rápida, como ela queria não sentir sua vantagem diminuindo com cada passo que dava. No primeiro quarteirão os homens estavam logo nos seus calcanhares, tão perto que um deles agarrou a alça da bolsa de Amy. Ela puxou a bolsa, mas a alça se arrebentou e ela largou tudo pra trás. Ela substituiria os malditos cartões de crédito depois, desde que ela não se tornasse uma estatística criminal hoje. O segundo quarteirão não foi tão fácil. Ela estava a uma distância considerável de seu prédio quando escorregou em um enorme trecho de gelo. Amy caiu com força, vendo estrelas à sua frente, e foi invadida pela tontura ao bater a cabeça no concreto. Quatro pares de mãos estavam sobre ela e ela se contorceu, chutando e gritando com qualquer tentativa de toque. Mas não foi o suficiente. O homem mais alto, com quase um metro e noventa e cinco de altura e uma enorme barba grisalha, finalmente conseguiu pregar os braços dela por trás das costas. “Me solte!” ela gritou. Arqueando o pescoço, ela olhou em volta, mas a rua estava vazia. “Me deixem em paz e eu não conto pra ninguém, eu juro.”


O homem maior balançou a cabeça e enfiou algo escuro, como um capuz, sobre o rosto de Amy, e ela não conseguiu ver mais nada além do tecido negro. “Não, Senhorita Monroe, isso não vai funcionar. Afinal, nós temos que trazer a nova xeica para o nosso mestre.” Isso foi tudo que ela ouviu. Depois dessa declaração ameaçadora, algo afiado mordeu sua pele atrás da orelha e tudo virou escuridão.


Capítulo Dois O Xeique Dvar Yassin da Jardânia certamente tinha coisas melhores a fazer. Isso não era mentira, de certa forma. Seus primos, Farzad e Munir, ambos de nações vizinhas, estavam interessados em montar uma frente organizada contra os mercenários e o exército do Leban. Era hora de acabar com eles e com a turba que eles instigavam, de uma vez por todas. Dvar não podia se opor a isso. Afinal, aquela nação beligerante causava mais do que a sua cota de problemas para a Jardânia, especialmente com suas agressões na fronteira leste. Eles estavam corrompendo grupos revoltosos dentro das próprias fronteiras da Jardânia e coisas terríveis estavam acontecendo – atrocidades que ele nunca poderia ter imaginado dentro do seu reino. Ele tinha participado de uma longa reunião de três dias com seus primos na semana anterior. Parecia que uma guerra era inevitável a essa altura. Dvar apenas esperava que os Estados Unidos ficassem do seu lado. Afinal, a esposa de seu primo Munir, Emma, era a filha de um poderoso senador. Qualquer coisa que ajudasse, pois os problemas estavam chegando em todas as terras governadas pela dinastia Yassin, e a situação só piorava. Mas ele não podia passar a vida trancado na sala de guerra, e ele confiava em seus primos para lidarem com a questão pelo menos por mais uma semana, o quanto fosse necessário para consolidar os acordos que ele precisava colocar em prática. Talvez – tá certo, talvez não, definitivamente – Dvar estivesse morrendo de inveja de seus primos. Ambos tinham encontrado noivas incríveis e atraentes ao sequestrarem mulheres americanas. Farzad parecia particularmente feliz com Alexis Monroe e, francamente, tendo espiado sua pequena e bela irmã na cerimônia de casamento há muitos meses, Dvar conseguia entender por quê. A família inteira era mais do que impressionante. Ele havia se apaixonado pela irmã mais nova, Amy, mesmo à distância.


É por isso que, um belo dia, ele se viu sentando em uma mesa no meio da quadra principal da Universidade de Boston, observando a garota. Ele queria entendê-la um pouco antes de levá-la de volta com ele para a Jardânia. Até então, ele sabia que ela passava a maior parte do tempo sozinha. Mesmo tendo largado sua pós-graduação, ela com frequência estava no campus, passando o tempo na quadra e observando pessoas, ou, mais provavelmente, trancada na biblioteca. Ela era uma intelectual. Julgando por seu cabelo tingido e piercings – eles nunca serviriam para uma xeica de verdade – isso o surpreendeu um pouco. O vocabulário dela era ríspido o suficiente, e ele tinha comprovado isso por si mesmo no casamento. Amy não havia medido palavras com Farzad, especialmente no que dizia respeito aos métodos de sedução de seu primo. Ainda assim, esse lado mais quieto e pensativo surpreendeu e deleitou Dvar. Havia algo naquela pensativa observadora de pessoas que podia ser cultivado, manipulado e encorajado até levá-la a ter o tipo de elegância e pensamento cuidadoso que destacavam uma verdadeira xeica. Ela se moveu um pouco e olhou por cima do ombro, e ele levantou o jornal para cobrir o rosto. Algumas vezes desde que ele havia começado sua vigília, ela quase o havia pego no flagra, quase o viu olhando para ela. Amy era também esperta, ciente dos seus arredores. É claro, Dvar havia servido e liderado seu próprio exército por muitos anos. Também não era fácil surpreendêlo. “Maravilha,” ele disse para si mesmo. “Ela vai se sair muito bem.” *** Hakim, seu emissário de mais confiança, entrou nos alojamentos privados do jatinho particular. Apertada nos braços do velho homem estava a pequena trouxa praguejante pela qual Dvar estivera esperando. “Meu xeique, nós estamos com a Senhorita Monroe, como foi pedido. Nós já estamos voando e estaremos na Jardânia dentro de dez horas.” Ele sorriu e apontou para a garota. “Muito bem, agora nos deixe.” “Ela é um pouco difícil, meu senhor.” Ele riu, genuinamente tocado com a preocupação de Hakim. Mesmo que a espoleta estivesse


xingando pelos cotovelos e tentando chutar tudo que estivesse ao alcance, ela ainda assim mal tinha um metro e meio, e provavelmente pesava uns quarenta quilos, no máximo “Acho que dou conta dela.” “Ela conseguiu machucar o Asaad, senhor.” “Então talvez ela prefira jogos diferentes,” ele disse, assentindo para Hakim. “Agora, por favor, vá.” Hakim hesitou só por um instante antes de fazer uma reverência e se retirar para a ala principal do jato. O capuz ainda estava sobre a cabeça da garota e suas mãos estavam amarradas atrás das costas. Dvar aproveitou a situação para fechar a porta, garantindo que esta estivesse trancada. “Agora,” ele disse, circundando Amy e passando a mão pelas clavículas dela. Eles tinham tirado o casaco dela antes de amarrá-la, o que significava que a mesma adorável camiseta preta – aquela que se esticava convidativamente sobre seus seios bem formados – era o que ele via agora. Ele podia até sentir a pele dela, macia como manteiga cremosa. “Você está a seis mil metros de altura. Você não poderia escapar nem que tentasse, e eu não recomendo que você tente sair desse cômodo. Eu jogo sujo, Senhorita Monroe.” Ela arfou e ele a viu se encolher mesmo por baixo do capuz preto que estava sob sua cabeça. “Por que você está fazendo isso?” Ele deu de ombros e puxou o pano preto do rosto dela. Olhos inteligentes e agudos, azuis como cristal cortado, o encararam de volta. Amy piscou mais algumas vezes, como se estivesse tentando juntar suas forças. “Eu te conheço, não? E não só da cafeteria.” Ele assentiu. “Você tinha muito mais raiva e foco no meu primo Farzad, e na sua percepção de como ele havia tratado sua irmã.” Ela o encarou de queixo caído, e ele podia ver o fogo queimando através daquelas assombrosas profundezas cor de safira. “Você o que? Você está de brincadeira? Eu não curto essa palhaçada de princesa árabe. Eu quero ir pra casa!” Ela se atirou para frente e tentou chutá-lo.


Dvar tinha que admitir – a menina era rápida. Ele pulou de lado, mal escapando, e depois se esgueirou para trás dela. Empurrando-a para a cama, ela rolou-a de bruços e prendeu-a entre seu corpo e o colchão. “Isso não foi legal, espoleta.” Ela se sacudiu embaixo dele, mas ele tinha quarenta e cinco quilos de músculo sobre ela, e ela não tinha a menor chance de movê-lo. “Sai de cima de mim, caramba!” Ele sorriu e beijou a garganta dela, deixando sua língua hesitar e banhar o ponto onde o pulso dela batia. “Não, isso é para depois, minha xeica. Mas isso não significa que a gente não possa se divertir um pouquinho aqui. Você nunca quis fazer parte do Mile High Club1?” Ela ficou imóvel como uma estátua por baixo dele. “Eu quero ir pra casa. Eu não quero ser uma rainha como minha irmã, e eu certamente não pedi pra isso acontecer.” “Não, eu não acho que você pediu,” ele disse. “Agora, eu vou me levantar, e você não vai se mexer dessa cama. Se você fizer isso, não vai gostar das consequências.” Ela concordou embaixo dele. “Você não vai me machucar, vai?” “Há jogos que eu prefiro, espoleta, mas nada disso é relevante aqui ou agora. Eu não vou te jogar na cama de novo se você não fugir nem tentar me chutar. Não é uma troca justa? Eu vou ser educado desde que você também seja.” “Eu não sei o que ‘educado’ significa pra você em seja lá qual inferno de deserto onde você nasceu, mas para mim significa que você não sequestra mulheres que estão voltando do trabalho e as maltrata!” ela disse. Ele ficou de pé e sorriu para ela, enquanto ela rolava de costas. “Bom, espoleta, cada família tem seus costumes. Os homens Yassin sabem o que querem. Nós vemos o que queremos e depois vamos lá e pegamos. Você era algo que eu simplesmente tinha que ter desde o momento em que eu te vi.” “Bom, eu não posso dizer que o sentimento é mútuo, seu babaca.”


Ele deu de ombros. “Nós precisamos arrumar coisas melhores pra fazer com essa sua boca, Amy.” “Eu acho que tenho muita coisa pra dizer pra você. Eu já te mandei pro inferno?” Ele deu uma risadinha. Não é à toa que seu primo tinha ficado tão encantado pela irmã dela, Alexis. Era tanta vivacidade, tanta intensidade... Um desafio maior do que qualquer uma das mulheres do seu harém. Era definitivamente uma distração digna para tirar sua mente da guerra e do caos. Dvar riu profundamente mais uma vez e se inclinou sobre ela. Ele não caiu sobre a cama ou colocou seu peso sobre Amy, apenas se abaixou para poder beijar seus lábios. Amy fechou os lábios com força e não se mexeu embaixo dele. Isso não duraria muito, não se ele pudesse fazer algo a respeito. Finalmente, ele estendeu uma mão e apalpou o seio dela. A pele era macia e flexível sob seu toque, e natural também. Ela era pequena e magrela, mas ele adorava a sensação do delicado seio dela em sua mão. Através do fino tecido da blusa e do sutiã dela, ele já conseguia sentir o mamilo endurecendo. Dvar passou seu polegar ali e ela estremeceu, o mamilo instantaneamente enrijecendo sob seus cuidados. Ele aproximou a boca da orelha dela. “Nem pense em me morder.” “Eu não pensei,” ela disse, mas seu tom de voz era fraco e vacilante. Ela tinha pensado sim. Mais uma vez, ela se mostrou uma lutadora, uma qualidade excelente para uma xeica, para uma futura mãe da linhagem Yassin. “Eu não gosto disso.” “Seu mamilo está duro sob o meu toque,” ele disse, enfatizando seu argumento ao esfregar o mamilo dela com um movimento circular, curtindo a sensação em sua mão. “Você está respirando de forma entrecortada. Diabos, até suas pupilas estão se dilatando. Você está mais excitada do que gostaria de admitir.” Ele enfatizou seu argumento beijando-a nos lábios, deixando que seus dentes mordiscassem a macia pele dela. Ele não a fez sangrar ou qualquer coisa do tipo, mas ele gostava da sensação do lábio dela, tão macio e vulnerável entre os seus dentes. Amy inspirou profundamente e estremeceu embaixo dele. Suas pálpebras se agitaram e ela o avaliou, os olhos semiabertos, sua expressão faminta apesar da raiva.


Ele sorriu novamente e beijou-a, descendo pelo pescoço dela em direção à sua clavícula. Ele passou os dentes sobre os ombros dela, curtindo a maneira como ela estremecia sob seus toques. Sua mão ainda estava massageando o seio dela, e ele mal podia esperar para sentir o calor dela em volta de sua ereção, para se sentir em casa ao enterrar sua carne dentro dela. Mas isso demoraria um pouco, era melhor deixar que as coisas se estendessem. Não seria divertido se ele tomasse tudo de uma vez. Afinal, paciência não era uma das virtudes? Ainda assim, talvez um pouquinho mais de diversão não fosse fazer mal. Ele beijou os lábios dela uma última vez e até deixou sua língua invadir a boca dela, se enroscando na dela e lutando para dominá-la. Mesmo assim, ela se contorceu e lutou por baixo dele, como se Amy não fosse se render a sequer um beijo de livre e espontânea vontade. Ótimo, ela era tão motivada e cabeça dura quanto ele. Isso seria uma competição de vontades, e ele mal podia esperar para vencer. Enquanto a beijava, ele esfregou sua ereção contra os quadris dela, prometendo muito mais quando eles chegassem em casa, na Jardânia. Se levantando, ele sorriu para ela. “Eu te vejo em breve, espoleta, e da próxima vez que eu te ver...” “Você vai me deixar ir, seu babaca egoísta?” ela exigiu. “Não, nós vamos brincar de verdade.”

1

Gíria aplicada a pessoas que já mantiveram relações sexuais em um avião em voo.


Capítulo Três Não havia muito que ela pudesse fazer para ficar confortável. Pelo menos ela tinha se livrado do capuz preto – que fedia a óleo de patchouli, fumaça de cigarro e alguma outra coisa. Amy achava que era suor. Deus, quantas outras vítimas ou almas assustadas e sequestradas tinham sido forçadas a usar aquele negócio? Ainda assim, ela manobrou até ficar sentada e se inclinou na cabeceira de ébano. Num avião? Sério? É claro que, se você é um xeique e tem bilhões de dólares, porque não desperdiçá-los? Soltando um suspiro profundo e vacilante, ela tentou não chorar. Não era o estilo dela. Ela era muito mais a favor de gritar com as pessoas, dizendo a elas exatamente o que pensava. Diabos, chutar certos xeiques sabe-tudo na virilha parecia uma ótima ideia. Ela congelou, pensando na maneira como ele havia se esfregado nela, a ereção rígida dele contra o seu cerne. Amy estremeceu e disse a si mesma que o que ela sentia não importava, o que importava era que Dvar a havia sequestrado, a roubado de sua vida, e ia esperar certas coisas dela. E ainda assim, uma parte dela não estava tão chateada. Ela estava desesperadamente entediada e indiferente com sua humilde vida em Boston. Diabos, ela estava congelando seu maldito traseiro naquele lugar. Talvez ela não tivesse planejado ser salva do inverno sendo sequestrada e enviada para o Oriente Médio, no deserto escaldante, mas qualquer coisa tinha que ser melhor que a desolação à qual ela estivera se agarrando. A sensação do membro dele, tão duro e pronto contra o corpo dela, era uma memória provocadora, assim como a sensação do polegar dele, gentil, mas forte em seu mamilo direito. Deus, ela não podia mentir para si mesma, não completamente, e ela não podia contar uma estória bonita para si mesma dizendo que não se sentia atraída por Dvar de forma alguma. Ela o havia


achado absurdamente bonito desde o momento em que ele tinha entrado na cafeteria. Só o cheiro dele e a sensação do corpo dele pressionado contra o seu já faziam com que seus fluidos começassem a jorrar. O que diabos estava errado com ela? É claro, aquelas incríveis maçãs do rosto, os olhos verdes como jade, e os ombros largos colocariam qualquer mulher heterossexual de joelhos. Nessa bagunça toda, essa era a parte que mais a deixava com raiva. Tudo que Dvar precisava ter feito era pedir, e ela teria viajado com ele, teria estado interessada nele. Agora ela achava que ele a via como uma espécie de brinquedo. Ele a havia adquirido e agora ele esperava que ela se comportasse, obedecesse, e fosse a sua xeica perfeita. Até parece. Ela não ia se curvar para ninguém, nem para um homem tão sexy e, até agora, tão talentoso quanto Dvar. Ela estava sentada lá, ruminando sobre quais seriam as suas chances de fuga se ela simplesmente saísse correndo na pista de pouso do aeroporto, quando a porta se abriu e ela se encolheu. À sua frente estava o homem alto e de cabelos grisalhos que a havia segurado com mais força. Era Hakim, não era? O homem tinha uma bandeja carregada de amendoins, alguns sanduíches e refrigerante. Ele fez uma pequena reverência e colocou a bandeja na cama do lado direito dela. “Xeica Amy, você precisa comer.” Ela revirou os olhos e se inclinou para frente. “Minhas mãos estão um pouco amarradas aqui. Hakim, certo?” Ele se curvou novamente. “Sim, minha xeica. Esse é o meu nome. Bom, então, esse é um problema. Eu não tenho permissão para te soltar. Você pode escapar, mesmo que isso seja tanto inútil quanto tolo.” “Sim, eu ouvi. Eu não ia despressurizar a cabine ou algo do tipo a mais de seis mil metros de


altura.” “E não seria apropriado que a xeica enfiasse a cara na comida,” ele disse, franzindo as sobrancelhas acanhadamente. “Eu vou chamar meu mestre. Ele pode ser capaz de atender às suas necessidades.” Ela corou, pensando na maneira come ele quase havia atendido às suas necessidades alguns momentos antes. “Claro, eu não quero morrer de fome. Quer dizer, eu não acho que isso vai acontecer, mas eu estou faminta, Hakim.” Ele sorriu. “Eu acho que cabe ao Dvar cuidar disso.” Antes que ela pudesse contestar, o homem tinha ido embora. Ela ficou lá piscando, como se ele estivesse escondendo sua verdadeira velocidade. Considerando que Hakim havia sido enviado para capturá-la, Amy de repente se perguntou se haveria algum motivo pra ele ser o encarregado de realizar favores “sujos” para o xeique. Provavelmente ele era um dos funcionários mais bem treinados de Dvar – outro motivo pelo qual ela não tinha a menor chance de escapar. Mesmo que ela conseguisse se livrar das amarras apertadas em seus pulsos e passar, desarmada, pela guarda de três ou quatro homens enormes, bom, eles estavam mais que certos. Não é como se ela tivesse um paraquedas extra ou o desejo suicida de despencar milhares de metros até o oceano (será que tinha tubarões?) embaixo. Então tudo que ela tinha agora eram câimbras nos braços e uma bandeja cheia de sanduíches que ela não podia comer. Ah, e um xeique que era incrivelmente gostoso, mas que a queria à disposição dele. Até parece. Falando nele, Dvar esgueirou-se de volta para o cômodo. Mais uma vez, era como se todo o ar tivesse saído do corpo de Amy. Ela nunca tinha visto alguém tão bonito em pessoa antes – os ângulos acentuados do seu rosto e suas maçãs altas, os lábios apertados, e, como sempre, aqueles brilhantes olhos cor de jade que pareciam ver e absorver tudo em volta dele. O xeique era observador acima de tudo, isso Amy conseguia sentir em seus próprios ossos. “Eu fiquei com fome,” ela disse, empinando o queixo desafiadoramente. Era um gesto fútil


quando ela estava amarrada e não podia machucar sequer um maldito gatinho, mas a fazia se sentir melhor. Ninguém ia levá-la sem uma briga. Se isso ia acontecer com alguns chutes bem colocados ou com farpas verbais, não importava. Ela não pertencia ao harém de ninguém. Dvar assentiu e se sentou do outro lado da cama. A bandeja balançou, mas nada caiu, mesmo com o deslocamento de peso. O xeique sorriu para ela e passou uma mão por seus cabelos. Amy ficou parada, mas, francamente, gostou demais da proximidade dele para tentar afastar a cabeça. Ela não estava com vontade de negá-lo acesso. Além disso, se ela o chateasse, ela ia passar as próximas dez horas até o Oriente Médio sem nada no estômago e ela não tinha exatamente comido muito durante seu turno. Por enquanto, entrar no jogo parecia ser a melhor estratégia. Mãos grandes e estranhamente calosas – talvez nem todos os xeiques levassem vidas fáceis de luxo – acariciaram seu cabelo e depois tocaram sua bochecha. Ela estremeceu com aquele toque e, certamente, não podia ser a sua garganta que estava choramingando. Diabos, ela nunca tinha choramingado na vida. Amy se recusou a admitir que estivesse fazendo aquilo agora. “Como eu disse, estou com fome. Então, oh grande e poderoso soberano, o que você vai fazer a respeito?” “O que você quer que eu faça, espoleta?” “Estou com sede,” ela disse. O sorriso dele se alargou e ela tinha certeza que aquela mesma expressão tinha feito outras mulheres caírem de joelhos na frente dele. Suplicantes. Ele abriu o refrigerante e deu um longo gole. Amy lambeu os lábios enquanto o pomo de adão dele subia e descia em sua garganta. Diabos, ela era tão patética que só a visão de algumas gotas daquele líquido cor de âmbar pingando da barba e do bigode dele faziam com que sua umidade aumentasse. Ótimo, ela ainda estava morrendo de sede, e agora nos dois sentidos. Dvar se inclinou e a beijou. Foi um beijo longo e duradouro, carregado com mais gentileza do que ela tinha imaginado que ele fosse capaz. Suas ações anteriores tinham sido famintas e


ávidas, ações gananciosas que procuravam apenas tomar e dominar. Agora? Agora ele estava carinhosamente se banhando na língua dela, envolvendo-a com a dele. Ela quase deu risadinhas com as cócegas que os pelos faciais dele faziam. A língua e os lábios dele estavam doces, com o sabor do refrigerante, e ainda um pouquinho frios. “Está com menos sede agora?” ele perguntou, com o sorriso maliciosamente largo. Ela bufou. “Não exatamente, Casanova. Eu gostaria de um pouco de refrigerante pra mim!” Ele assentiu, tomou outro gole e se inclinou na direção dela. Amy viu aonde aquilo estava indo e cutucou-o com o ombro. “Boa tentativa. Eu não sou um passarinho.” Ele engoliu e deu de ombros. “Mas você é minha prisioneira. E eu já brinquei disso antes.” “Ai, eca, essa não é uma brincadeira da qual eu vou participar tão cedo, mesmo com meus braços amarrados atrás de mim,” ela argumentou. Ele assentiu e depois abriu o outro refrigerante, um só pra ela. Ela definitivamente apreciou aquela concessão. Ele encostou a borda na boca dela e deixou que o líquido entornasse para dentro. Ela deu goles gananciosos e, apesar de seus melhores esforços, o refrigerante cobriu sua pele, deixando-a doce e pegajosa. Mesmo assim, ela não bebia nada há horas e o líquido gelado era tudo que ela esperava, aplacando pelo menos uma das sedes que queimava seu corpo. Dvar puxou a lata de refrigerante de volta e colocou-a na mesa ao lado dele, perto da outra lata. “Eu acho que você derramou um pouco, espoleta.” “Eu não posso exatamente me limpar,” ela disse, passando a língua pelos cantos da boca e esperando que isso fosse o suficiente. Ele se inclinou para frente e começou a ajudá-la com a situação, lambendo os cantos da sua boca, a ponta do seu queixo, e indo parar no topo da sua camisa. Algumas gotas tinham descido até sua clavícula exposta e Dvar lambeu a pele ali langorosamente. Ela se esticou o máximo que conseguia, o tempo todo lamentando as malditas algemas em seus pulsos. De repente ela queria muito tocá-lo, sentir a espiral de músculos que, ela sabia, estavam por baixo do terno dele – do contrário, a roupa não cairia tão bem – ou o cabelo grosso e escuro no topo da cabeça dele.


“Você ainda está com sede?” ele perguntou, finalmente, e ela sentiu falta do contato entre sua pele e a talentosa – e possivelmente demoníaca – língua dele. Ela balançou a cabeça. “Mas ainda estou morrendo de fome. O que você pretende fazer a respeito disso, meu senhor?” Os olhos dele se estreitaram. “Não fale desse jeito.” “Ah, me desculpe,” ela disse. “Quero dizer, ‘meu senhooor.’ Eu não devo enunciar tudo, mestre?” “Você é insolente,” ele disse, com o tom de voz baixo e ameaçador. Ele segurou o queixo dela com o polegar e o indicador da mão direita. Ela então percebeu quão maior do que ela ele era (não que isso fosse difícil), e muito mais forte. Amy não conseguia mexer a cabeça, nem mesmo um centímetro, não importa o quanto ela tentasse. “Agora,” Dvar disse. “Tente novamente. Me peça comida com o respeito que o seu xeique merece.” “Meu xeique,” ela disse, batendo os cílios timidamente. “Eu adoraria que você me desse alguns amendoins e sanduíches. Seria possível? Seria muito trabalho?” “Melhor, mas não está ótimo,” ele disse. “Mas nós temos tempo para transformá-la na reverente xeica que você precisa ser.” “‘Reverente?’ Você não está colocando o carro na frente dos bois?” ela perguntou. “Nunca,” ele disse, soltando o queixo dela e pegando o sanduíche. O cheiro era quase divino para ela, que estava tão faminta, com toques de manteiga de amendoim e mel, se ela não estava enganada. Dvar pegou o sanduíche em suas enormes mãos, fazendo-o parecer minúsculo. Se ela não estivesse vendo com os próprios olhos, teria pensado que eram aperitivos. Mas não eram. Sem querer, Amy corou ao pensar quão grandes deviam ser outras partes do corpo dele. Ela empurrou esse pensamento para longe. Ela era uma prisioneira, caramba. Ela não ia cair nessa. Seu plano era simples: esperar o avião aterrissar, correr para a luz do dia na pista de pouso, e arrumar uma maneira de ligar para sua irmã e pedir pra ela chamar ajuda.


Simples, fácil. Então porque é que ela já estava fantasiando a respeito de ficar aqui e deixar que as mãos grandes e, aham, outras coisas fizessem o que quisessem com ela? Ele estendeu a mão e interrompeu os pensamentos dela. Ele levou um pedaço partido de sanduíche até a boca dela e ela deu uma mordida – e talvez, só um pouquinho, ela lambeu os lábios e gemeu mais do que seria apropriado. Claro, o sanduíche era bom e ajudava sim a aplacar as chamas da fome rugindo dentro dela, mas não era exatamente um néctar dos deuses. No entanto, ela gostava de provocar Dvar, tentando-o. Ela podia vê-lo se contorcendo em seu assento, o contorno da ereção dele se endurecendo através do tecido das suas calças. Os olhos dele se estreitaram, direcionando uma atenção bem focada nela, as pupilas se dilatando dentro dos círculos cor de jade. “Isso é incrível,” ela ronronou, lambendo os lábios novamente e rindo dele, que partia o próximo pedaço ansiosamente. Dvar levou a porção até a boca dela novamente e ela deu uma mordida ávida, deixando seus dentes passarem – não morder, não exatamente – pelo indicador dele. “Cuidado, espoleta.” Ela engoliu e deu de ombros. “Você sabe que tem uma expressão americana, ‘essa gatinha tem garras’?” “Não estou familiarizado, não.” “Bem, eu prometo que não só tenho garras, mas também uns dentes bem fortes. Você talvez queira ser bonzinho comigo.” Ele assentiu e deu outro pedaço pra ela. O primeiro sanduíche já estava pela metade, e ela não tinha certeza se estava aliviada ou decepcionada. Tudo que Amy sabia era que a atenção e os esforços do xeique a deixavam confusa. Parte dela estava com medo e frustrada, e só queria ir para casa o mais cedo possível. No entanto, uma parte mais profunda e atávica dela, algo primal e estranho para sua mente racional – bem, ela já estava dolorosamente molhada –, queria que ele fosse mais longe.


Perceber isso a chocou, mas aquilo também a excitava. Deus, o que estava acontecendo com ela? Será que ela tinha ficado completamente maluca? “Você está bem?” ele perguntou, as profundezas cor de jade se colorindo de preocupação. Ela o avaliou especulativamente. “Você sequer se preocupa com o meu desconforto? Você fez, tipo, quatro caras me sequestrarem, minhas mãos estão amarradas, e eu estou com medo do que vai acontecer se eu tiver que ir ao banheiro.” “A copiloto é mulher; ela pode te ajudar.” “Que alívio,” ela replicou. “Eu sou só uma posse pra você e nós dois sabemos disso.” “Você é mais que isso,” ele disse silenciosamente antes de colocar o sanduíche de volta na bandeja e pegar tudo para levar para a parte principal do avião, longe do quarto privado dela. “Descanse dessa vez, Amy. Quanto mais você dormir, mais rapidamente nós chegaremos ao nosso destino.” “E à minha escravidão sexual, mal posso esperar!” Ele franziu a sobrancelha e entortou a cabeça. Deus, será que ela era tão transparente com sua luxúria quanto ele? Era óbvio que ele a queria. Diabos, até um cego perceberia. Será que ele via que pelo menos parte do seu corpo traidor também ansiava por ele? “Eu acho que você me quer mais do que demonstra, Amy. Agora, bons sonhos.” Ela revirou os olhos depois que a porta foi fechada e tentou se acomodar no colchão embaixo dela. Seus braços já estavam entorpecidos graças à falta de circulação, como se um milhão de formigas estivessem picando-os. Assim mesmo, ela se viu caindo em um sono irregular. Ela não foi atormentada por pesadelos de sequestro e tortura; Amy sabia que nada tão drástico quanto barras ou afogamento simulado estava em seu futuro. Não. Ao invés disso, ela sonhou com penetrantes olhos cor de jade que olhavam para ela por entre suas pernas, e com a fome que queimava dentro deles.


Capítulo Quatro Havia pirâmides imensas do lado de fora da janela. Havia pirâmides. O cérebro dela não estava processando isso. Há menos de vinte e quatro horas ela estivera presa no inverno mais frio jamais registrado em Boston, e agora Amy estava na suíte real do hotel Mena House no Cairo, Egito, olhando sobre o campo de golfe e diretamente para as pirâmides. Você sabe, o Rei Tutancâmon, maldições, e múmias antigas? Sim, essas pirâmides. Elas eram imensas, tão impressionantes que Amy se sentia insignificante ao lado delas, como se não houvesse nada nela que importasse em comparação com algo que havia durado séculos. O quarto também era maravilhoso – uma enorme cabeceira circular folheada a ouro de verdade que fazia até a cama king size parecer pequena, o rico tapete oriental em tons de bronze e vermelho, e a mobília antiga feita das mais finas sedas. Dizia-se que o Mena House vinha hospedando celebridades e reis por gerações. Amy acreditava. O check in tinha sido interessante. Ela tinha sentido uma vontade desesperada de correr no instante em que a haviam retirado do avião. Pra falar a verdade, ela tinha feito isso, mas então Hakim – e ela devia chamá-lo de o maldito Flash1 – a havia agarrado e empurrado com força mais do que suficiente para dentro da limusine. Ela tinha esperado aterrissar na Jardânia, para começar plenamente sua vida estranha e um novo capítulo como a rainha de uma terra completamente estrangeira. A última coisa que ela esperava ver eram os sinais indicando que ela havia chegado ao Egito. Amy se perguntou se talvez um dos primos de Dvar estava atualmente visitando o reino da Jardânia. Talvez o seu novo xeique não quisesse enfrentar o escrutínio da família. Talvez ele quisesse encantá-la com um passeio pelo mais velho país do Velho Mundo. Ou, diabos, talvez ele quisesse sua própria distração antes de retornar para suas obrigações governantes. Amy não podia ter certeza.


No saguão do Mena House, Hakim a havia segurado firmemente, com uma arma enterrada discretamente em suas costelas. Tentar pedir ajuda teria sido suicida e uma idiotice absurda, então Amy manteve a boca fechada. Agora ela era uma imitação fajuta de Julia Roberts em Uma Linda Mulher, olhando para uma cidade que ela nunca tinha visto exceto em livros de fotografia, e com o luxo da melhor suíte do hotel empilhado sobre ela. Ela não tinha palavras. Mas Dvar parecia ter. Ele caminhou até ela e passou um braço por cima de seu ombro. Ela tencionou os músculos com o contato inesperado, mas ele cheirava tão bem, a cúrcuma e almíscar, e ela não conseguia não se sentir atraída por ele também. “É lindo, não é?” Ela concordou. “Eu não fazia ideia. Eu sabia que elas eram grandes, mas eu não... como é que dá pra sequer imaginar?” “Não dá. Eu tinha sete anos a primeira vez que meu pai me trouxe aqui a negócios. Foi incrível.” Ele se virou e sorriu para ela. “É sempre incrível.” Amy engoliu em seco. Ele era muito mais alto do que ela, provavelmente uns quarenta centímetros a mais, então não era como se eles estivessem se encarando olho no olho. Diabos, estava mais pra olho no peito largo e forte, mas ele estava olhando para baixo, para ela, com aqueles encantadores olhos verdes, e ela se sentia caindo novamente. Ela se sacudiu. “Eu preciso de um banho ou algo do tipo. Estou coberta tanto do sal de rocha2 de Boston quanto de areia do Cairo e isso é uma loucura.” “Eles têm chuveiros,” ele disse, a voz como um ronronado. “Vou pedir para entregarem algumas roupas aqui. Você é bonita demais para ficar vestida de barista3.” “Você conhece a palavra?” ela perguntou, um pouco surpresa. “Eu mesmo estudei nos Estados Unidos, um tempo em Harvard. Não seja idiota. Além do mais, quem você acha que inventou o café?” ele observou, se direcionando para a porta. “Aliás, antes que você tenha ideias, o quarto tem três andares de altura e eu duvido que amarrar os lençóis uns


nos outros vá te levar muito longe. Além disso, Hakim e Nasir estão posicionados em ambos os lados da porta. O telefone não funciona. Eu pedi que a recepção o desconectasse para mim porque não quero ser perturbado.” Ela franziu as sobrancelhas. “Você está falando sério?” “Muito, Senhorita Monroe. Você é minha agora, e você nunca vai escapar de mim – jamais,” ele disse, batendo a porta atrás de si ao sair para o saguão principal. Amy suspirou e testou o telefone, só pra ter certeza. A equipe dele tinha confiscado seu celular há muito tempo. Fiel à palavra dele, o telefone sequer conectou. Estava completamente silencioso, não havia nem o maldito tom de discagem. Indo até a varanda, ela avaliou a queda. Mesmo que ela soubesse como amarrar os lençóis uns nos outros, ainda era alto demais. Além disso, ela tinha uma política de não basear suas decisões de vida em coisas que tinha visto nos desenhos do Patolino e do Pernalonga, mesmo porque elas raramente funcionavam, mesmo pra eles. Ótimo, até agora todos os seus brilhantes planos ou tentativas de fuga tinham sido completamente frustrados ou acabado como fracassos totais. Que pena que ela não era o MacGyver4. Diabos, ela até aceitaria ser a versão paródia: McGruber. Amy não era inventiva o suficiente pra isso. Pelo amor de Deus, ela era uma ex-estudante e uma barista temporária endividada. Ela não tinha a menor esperança de descobrir uma maneira de escapar. Não é como se ela fosse uma das garotas nos filmes de James Bond. Dando de ombros, ela agarrou as fofas toalhas brancas dispostas para ela e foi para o banheiro. Era tão lindo quanto o resto do quarto, com paredes de mármore e um chuveiro duplo com duchas a vapor. Tudo brilhava, decorado com o que também pareciam ser folhas de ouro, e ela presumiu que tudo era feito com aquela aparência só porque qualquer outra coisa seria tão cara e esbanjadora que não daria nem pra imaginar. Estendendo a mão, ela ligou a água numa temperatura pouco abaixo de escaldante e tirou sua roupa imunda. Quando os menores fiapos de vapor começaram a encher o chuveiro, ela entrou. Depois de


tanto tempo amarrada, a água era como o paraíso, as gotas quentes caindo sobre seus braços ainda formigantes e entorpecidos. Havia marcas, arranhões e linhas vermelhas no local onde as algemas haviam mordido sua pele. Não havia cortes e ela esperava que, em algumas horas, ninguém poderia mais ver. As coisas poderiam ter sido piores. Diabos, ela ainda estava morrendo de medo de que as coisas ficassem muito piores. Como era aquela expressão sobre nenhum porão no inferno? Ela pensou que era onde estava atualmente. Mas o inferno tinha trajes bonitos, o homem mais sexy que ela jamais tinha visto, e chuveiros de luxo. Era melhor do que as ideias de forquilha e pés de bode que ela tivera antes. Não havia lagos de fogo aqui, apenas o constante pulsar do chuveiro enquanto a água varria sobre ela, lavando as dores e o medo do dia para longe. Amy suspirou e inclinou a cabeça contra o mármore. A sensação era fria, um contraste com o calor de sua pele ou o calor se acumulando em suas vísceras. Deus, o que diabos ela faria? Ela se virou para alcançar o xampu e deu um pulo pra trás. Dvar estava lá. Nu, em toda sua glória. Ele devia ter entrado de fininho enquanto ela deixava toda a sujeira se desprender dela. Ela lambeu os lábios ao vê-lo. Mesmo enquanto seu coração batia selvagemente, mesmo ao estender os braços para cobrir seus seios e esconder sua própria nudez, ela ainda assim não conseguia tirar os olhos dele. Ele era muito maior do que ela poderia ter imaginado, com relação à largura. O terno tinha escondido tanto do que havia por baixo... Ele tinha ombros largos, um porte de jogador de futebol americano, ou seja lá qual fosse o equivalente estrangeiro. Rúgbi, não era? Ele tinha uma constituição tão poderosa, como se ele sozinho pudesse ter construído aquelas malditas pirâmides lá fora. Seu peito era perfeitamente esculpido, como o Davi de mármore de Michelangelo. Ela engoliu com força enquanto a água escoava pelo torso dele e corria em fios sobre as linhas de seu abdômen, um tanquinho, e ela se perguntou se o homem vivia em uma academia.


Governantes não eram pra ser homens ocupados, em teoria? Ela sabia que o presidente americano não se parecia nada com isso. Bom, talvez fosse alguma estratégia para manter a Jardânia feliz. Talvez as mulheres ganhassem um bilhete de loteria de vez em quando para dar uma espiada nos “bens” do xeique. Fazia tanto sentido quanto qualquer outra coisa que ele tinha feito nas últimas vinte e quatro horas. Dizer que ela tinha caído no buraco do coelho5 era tão pouco em comparação ao que de fato estava acontecendo que não tinha mais graça. Ainda assim, a água continuou descendo, para o “caminho da felicidade” de pelos que levavam aos cachos negros sobre a virilha dele. Seu membro saltava daquele tufo de cabelos, duro e de dar água na boca. Amy tinha tido a sua cota de amantes na faculdade, mas ela nunca tinha visto ninguém tão grande. Não eram proporções cômicas ou pornográficas, mas o xeique certamente não tinha nenhum motivo para sentir vergonha. Aquilo certamente explicava sua atitude arrogante. “Eu... isso é privado,” ela disse, finalmente encontrando sua voz, mesmo que soasse pequena e miúda até para seus próprios ouvidos. “É mesmo?” ele perguntou, dando um passo à frente e chegando perto o suficiente para que seu membro se movesse e tocasse a barriga dela. Ela estremeceu com aquela intimidade, mas não necessariamente odiou o contato. “Você tem que aprender, espoleta, que nada é privado de mim – não mais.” Ele chegou mais perto, seu membro quente e duro entre eles enquanto ele acariciava a bochecha dela. “Você é minha.” *** Dvar não sabia muito bem o que estava fazendo. Seu plano original tinha sido encontrar um traje apropriado para sua nova xeica e lhe dar espaço para que ela pudesse digerir os eventos do dia. E então ele recuperou o bom senso. Ele não precisava que Amy Monroe “concordasse” com nada. Não havia espaço para barganha aqui,


sem negociações. Ele não era um bobo, tolo e sentimental como seus primos. Ele era o rei e principal general da Jardânia, e ele teria Amy na hora que quisesse. Agora, ele a queria molhada e de joelhos. Então ele mandou Hakim buscar as roupas e voltou para o chuveiro. Amy estava tão fora de si que Dvar e encontrou inclinada na parede de mármore, o azulejo frio pressionando sua testa. Ele adorou observar aquilo, era um prazer desvalorizado. Tomar o que ele queria era sua prioridade, claro, mas era possível aprender tanto – especialmente sobre uma amante – apenas observando as pessoas quando elas eram si mesmas. Ela empurrou seu cabelo picado da testa, e ele pensou que daria ordens para que ela deixasse aquele maldito cabelo crescer. Ela não era régia o suficiente ainda, não tinha a aparência de uma xeica. Ele tinha visto as longas madeixas da irmã dela e, sim, Amy ficaria perfeita com uma juba de cachos negros e naturais caindo pelas costas. Ainda assim, o resto dela era maravilhoso – a silhueta frágil, os seios pequenos, mas empinados e com mamilos rosa escuro, e as pernas longas e esguias. O tempo de ficar olhando tinha acabado. Ele entrou e se divertiu com a maneira como ela o examinava. Ele se perguntou se ela estaria molhada só por causa do chuveiro, se ela se sentia excitada pela mera visão dele como ele se sentia excitado por ela. Ela estava respirando com dificuldade e ele estava hipnotizado pelos macios montes de carne no peito dela, pela maneira como eles subiam com cada inspiração. Ela era dele, e era hora de ensiná-la isso. Depois das palavras gaguejantes dela, ele cruzou o banheiro e pressionou sua ereção contra ela. Ah sim, era hora de começar pra valer. “Então, espoleta, o que você acha que eu vou fazer com você?” ele perguntou, pressionando seu pênis na pele macia e tentadora da barriga dela. “Como você acha que eu vou te tomar?” Amy engoliu em seco e seus olhos se lançaram pelo cômodo, e ele se perguntou se ela estava avaliando suas chances de fuga.


Ele estendeu os braços e prendeu as duas mãos dela contra o frio mármore do chuveiro. “Você não pode sair, não dessa vez. Eu controlo tudo, então estou só perguntando o que você acha que vai acontecer. Nós vamos trepar como animais? Será que eu devo de tomar, como dizem os americanos, de ‘cachorrinho’? Você já experimentou sexo anal? Será que eu devo te dar uma experiência completamente nova nesse sentido?” Ele sorriu. “Você é tão pequena, então talvez eu apenas te levante e te faça me cavalgar, suas pernas enroladas na minha cintura enquanto eu mergulho profundamente no seu cerne. O que você quer, Amy? Do que você precisa?” Ela lutou contra a pressão dele, mas ele apenas apertou os pulsos dela ainda mais com os dedos, provavelmente com força o suficiente para deixar marcas, mas ele não se importava. Ele tinha que fazer isso, ele precisava que ela entendesse e aceitasse o papel de xeica, e a primeira regra era que ela sempre estava disponível para seu xeique. Ela vivia para servir as necessidades dele e as de mais ninguém. Não hoje. Nem nunca mais. “Eu quero que você me solte.” “Não, espoleta,” ele disse, sua ereção se esfregando nela agora. “Você não quer.” Ele manobrou um pouco até que apenas uma de suas enormes mãos estivesse segurando ambos os pulsos dela. Com a mão direita, ele passou os dedos vagarosamente pelos seios dela, depois por sua barriga até o macio tufo de cabelos escuros no vértice de suas coxas. Eles eram tão delicados... Ele se perguntou quais outras surpresas macias o aguardavam quando ele explorasse sua espoleta. Experimentando, ele entrou com os dedos entre as coxas dela. Amy as fechou com força e o encarou, seus olhos azuis, tão parecidos com geleiras, encarando-o com uma rebelião fogosa. Ele só pressionou-a com mais força, deixando sua ereção falar por ele. “Deixe-me entrar, espoleta. É muito mais fácil assim.”


“Eu...” Ele forçou as coxas dela a se abrirem e sentiu a umidade ali, sentiu os fluidos dela se acumulando sobre ele, e soube que não havia a menor possibilidade de aquilo tudo ser apenas água do chuveiro. Ah sim, ela estava tão excitada quanto ele. Caramba, considerando as rápidas inspirações com as quais ela estava lutando, Amy estava mais do que ávida pelo que ia acontecer com ela. Ele correu os dedos pela escorregadia pele dela e depois pelas macias dobras de seu cerne. A sensação era de veludo em suas mãos, mais uma vez surpreendentemente macio e tenro. Amy estremeceu e suas pernas pareceram ceder por baixo dela por um momento. Ela só não caiu na frente dele porque as imensas mãos de Dvar a estavam segurando. Isso seria pra mais tarde. Ele teria muito tempo para colocá-la de joelhos, a língua maliciosa e brincalhona dela lambendo a cabeça de sua ereção. Agora? Agora ele só queria senti-la e fazê-la gritar de prazer, fazê-la se esquecer completamente dos Estados Unidos. “Você está tão molhada e pronta, espoleta. Você está pronta pra quê?” Ela ainda estava encarando-o, mas parte dela parecia esperta o suficiente para entender o que ele queria. “Você, eu quero você.” Ele assentiu. “Pode estar certa disso. Você vai resistir?” ele perguntou, mexendo a mão pelas dobras dela até o sensível feixe de nervos aninhado no meio. Ele pressionou o polegar ali, movendo-o em círculos grosseiros, e ela soltou um gemido que penetrou diretamente na parte mais primitiva do cérebro dele. O seu membro se contraiu por conta própria, e ele estava tão desesperado que simplesmente precisava estar dentro dela. Dvar não disse nada, mas se moveu novamente, passando os braços pela cintura dela e se sentindo aliviado quando ela não tentou bater nele ou arranhá-lo com suas mãos, que agora estavam livres. Ele a levantou como se ela não pesasse nada – e, francamente, o peso dela era mesmo negligenciável. As pernas dela se enrolaram na cintura dele, e ele deixou sua ereção escorregar para dentro dela. Ela estava apertada a princípio, e era óbvio, mesmo que ela


provavelmente não fosse virgem – quem era, hoje em dia – que fazia um tempo que ela não transava. A cabeça dele estava entrando quando ela sibilou. “Você está bem?” Ela assentiu e franziu as sobrancelhas. “É só maior do que o normal.” Ele deu uma risadinha e começou a beijar a garganta dela, deixando-a se acostumar com tudo. Ele desceu beijando seus ombros até a base da garganta dela, perto da clavícula. Ele passou a língua pela base do pescoço dela e depois subiu para mordiscar seus lábios, mordendo-os ocasionalmente, curtindo a sensação da pele delicadamente presa entre seus dentes. Ela gemeu e o membro dele se contraiu novamente, entrando com mais facilidade dentro dela por causa de seus fluidos, que escoavam cada vez mais. Centímetro por centímetro, ele escorregou para dentro dela, sentindo seu calor e pressão, o canal dela tão apertado, quase como se estivesse massageando-o enquanto ele empurrava sua ereção para o fundo do cerne dela. Finalmente, ela estava em posição e ele sentiu como se até suas bolas estivessem dentro dela. Dvar sorriu para os brilhantes olhos azuis dela. “Parece que nós temos o encaixe perfeito, espoleta.” Ele moveu os quadris tentativamente e ela enterrou as unhas nas costas dele, arranhando-o com a perfeita mistura entre prazer e dor. “Agora, quais são as palavras mágicas?” Ela franziu a sobrancelha para ele. “Abracadabra?” Ele moveu os quadris só um pouquinho, provocando tanto ela quanto ele mesmo. Foi preciso ter mais autocontrole do que ele se imaginava capaz. Ele queria saqueá-la desesperadamente, se sentir gozar fundo dentro dela com uma urgência e necessidade animal. Ainda assim, isso era um jogo. Ele queria que ela pedisse, implorasse. Ele ia quebrar seu sarcasmo e sua desobediência mesmo que ele morresse de desejo ali mesmo. “Droga! Que tal ‘abre-te sésamo’?” Ele a empurrou de leve e riu enquanto ela gemia e estremecia sob os esforços dele. “Eu acho que algo já está definitivamente aberto, espoleta.” “Argh, por favor, então!”


“Por favor, o que?” ele provocou, deixando sua voz ficar baixa e rouca, como um ronronar. “Por favor, me coma, Dvar.” “Não, esse não é o meu título, e você sabe disso.” Ela se esfregou nele, mas ele sabia que aquela tentativa patética de gerar fricção não saciaria as coisas por muito tempo. “Por favor, meu xeique, por favor!” Ele assentiu, não mais precisando ensiná-la uma lição ou provocá-la. Ele começou de verdade, seus quadris encontrando seu próprio ritmo frenético contra os dela. Ele empurrou para dentro dela, seu membro enclausurado no cerne dela, sentindo seus músculos começarem a ondular e se mover em volta dele. Os fluidos dela estavam escoando livremente agora, facilitando os movimentos deles. As unhas dela se enterraram na pele dele, seus seios macios e flexíveis contra o peito dele. Amy levou os lábios até o ombro dele e sentiu seu gosto ali, beijando-o, passando a língua, até raspando os dentes na pele sensível. O pênis dele deu um espasmo de excitação e aquilo o fez se mover com mais força e fervor. Ela estava gemendo acima dele, segurando-o como se a sua própria vida dependesse disso, como se ele fosse um maldito touro em um daqueles rodeios americanos. Diabos, talvez ele fosse. Então ele sentiu: os espasmos em seus testículos, a tensão na boca do estômago. Ele gozou, atirando sua semente dentro dela, sentindo seu sêmen se misturar com os fluidos dela e com a água do chuveiro, agora fria. Mas ele manteve o ritmo da melhor forma possível mesmo ao continuar gozando – ela ainda não tinha sentido o mesmo alívio. Ele era o chefe e podia ser insensível, mas ele ainda era um xeique que tentava agradar. Ele passou a mão entre seus corpos e tocou o clitóris dela mesmo enquanto ela enrolava as pernas mais estreitamente entorno de sua cintura. Dedos ágeis, ainda que calosos, esfregaram desenhos semicirculares ali, enquanto os quadris dele se elevavam para encontrar os dela. Era escorregadio e bagunçado e quase violento, mas a paixão voava livre e solta entre eles. Ele estava adorando.


Ela finalmente gozou, gritando o nome dele e uma coleção de xingamentos que o impressionou. Ele não a tinha visto gritar assim sequer com seus guardas, e ele pensou que ontem ela tinha chamado eles de tudo que era possível. Amy se acalmou e finalmente caiu para frente no ombro dele. Até ele estava cansado, extenuado a tal ponto que ele sabia que teria que largá-la o mais rapidamente possível. Ele beijou as pálpebras fechadas dela. “Bem vinda ao Oriente Médio, minha xeica. Bem vinda ao lar.”

1

Super-herói da DC Comics que combate o crime usando sua velocidade sobre-humana.

2

Mineral utilizado para derreter gelo e neve.

3

Pessoa que prepara e serve bebidas que têm o café-expresso como base.

4

Personagem de uma série americana de ação e aventura que resolvia problemas complexos ao criar coisas a partir de objetos

comuns. 5

Referência ao livro “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carrol.


Capítulo Cinco Depois daquilo, Amy foi deixada para finalmente terminar seu banho. Espera, o que era aquilo, exatamente? Bem, ela sabia o que aquilo era: aquilo era o sexo mais incrível que ela jamais havia experimentado. Isso não era mistério. A parte que era tão estranha pra ela, tão inesperada, era que ela tinha se submetido a tudo sem questionar, ela tinha sido perfeitamente complacente. Tá bom, talvez não completamente. Dvar era muito maior do que ela, com a constituição de um quarterback1americano, e ela claramente não teria sido capaz de obrigá-lo a fazer nada que ele não quisesse. Afinal, o homem tinha segurado ambos os seus braços com uma única mão enorme. As únicas escolhas reais que lhe haviam sido oferecidas no chuveiro eram as posições. Ainda assim, talvez ela pudesse ter lutado mais. Ela não se casaria com esse homem, não seria a maldita xeica dele, ou escrava de prazer, ou seja lá o que mais ele estivesse imaginando que ia acontecer. É claro, mesmo enquanto terminava de se esfregar, deixando a água escorregar entre suas coxas, Amy conseguia sentir o calor se espalhando em sua barriga, o desenrolar agradável de conforto e saciedade. Seu cerne ainda estava formigando e, francamente, ela sabia que grande parte dela gostaria de nada mais do que ficar aqui – bem, eventualmente na terra dele, a Jardânia – e ser a rainha dele. O homem sabia como levá-la às alturas do prazer, mais do que qualquer um dos seus colegas desastrados. Nossa, ele era como um maldito deus grego enviado diretamente pra ela. Mas ele não tinha pedido, diabos; ele tinha apenas carregado ela para outro mundo, alheio a quaisquer planos de vida que ela pudesse ter. Tá certo, seu maior plano parecia envolver um monte de firulas ao servir café, mas a questão não era essa. Ela não era Alexis; ela não era sua irmã, facilmente levada ou enganada até ter síndrome de Estocolmo2. Ela não ia simplesmente cair na cama com esse xeique, não importa quão surreal o orgasmo tivesse sido.


Suspirando, ela pulou pra fora do chuveiro e se secou. Com cuidado, ela vestiu o grosso roupão felpudo. Não havia motivo para pensar que Dvar não estava lá fora esperando por ela, e ela não queria dar a ele a impressão errada de que queria uma segunda rodada. Tá certo, ela queria, mas ela não precisava que ele soubesse disso. Força de vontade, era disso que ela precisava. Ela precisava de força de vontade o suficiente para aguentar isso tudo até que pudesse chamar a atenção da irmã, ou da Interpol3, ou alguma coisa do gênero. Quando ela passou para o quarto principal, ela revirou os olhos. Seus instintos estavam certos e Dvar estava deitado no suntuoso colchão, examinando-a com uma fome feral. Pelo menos ele estava vestido com um simples par de calças de linho e uma camisa branca de abotoar, também de tecido leve. Ela franziu as sobrancelhas. “O que?” “Eu esperava, sei lá, robes e um turbante, talvez?” “Eu prefiro me vestir como os ocidentais às vezes. Eu fui educado nos Estados Unidos, espoleta, e eu achei que ia facilitar as coisas pra você.” Ela bufou. “Porque a sua escolha de guarda-roupa me faz sentir tão melhor a respeito de ser uma escrava sexual.” “Você será a xeica, uma rainha. Você é muito mais do que uma adição qualquer ao meu harém.” “Você tem um?” “Ah, sim, mas talvez eu aposente a maioria delas. Você é uma transa bastante irresistível, Srta. Monroe.” Ela engoliu em seco e empurrou sua própria fome e necessidade dele para longe. “Muito bem, vista qualquer coisa. E eu, o que devo vestir?” Ele sorriu e apontou para o pé da cama. Havia uma diáfana cobertura cor de rosa, como algodão doce. Não era grossa e pesada como as burcas escuras que ela tinha visto no noticiário


ou mesmo visitando o reino de sua irmã, mas ainda cobriria bastante seu corpo. Franzindo a sobrancelha, ela caminhou até a roupa e pegou-a. O caftan rosa era transparente. “Eu não posso sair assim.” “Ah, essa não é a única coisa para você,” ele disse, mexendo nos lençóis e revelando uma roupa de duas peças. Um conjunto lilás com calças de gênio (ela se lembrou de vídeos do rapper M.C. Hammer) e uma bandoleira com cristais de verdade e braceletes dependurados. “Eu resolvi ser criativo em um dos mercados aqui perto. É um clichê e tanto, mas tantas garotas americanas sempre quiseram ser aquela princesa no filme da Disney... pensei que você podia me divertir.” “Quer dizer que mesmo fora da Jardânia você quer que eu faça o papel da garota sem noção do harém.” Ela olhou para a cama e cruzou os braços sobre o peito. “Eu não vou usar isso de forma alguma, não tem a menor possibilidade.” Ele deu de ombros. “Então você vai ver as pirâmides de Giza no seu mais fino roupão de banho, ou nua. Não me incomoda. Quente como é nesse maldito lugar, talvez você esteja certa de ir nua. Mas eu não acho que você ia gostar muito, espoleta. Você parece ser modesta demais pra isso, apesar de gritar muito.” “Você não pode estar falando sério! Eu não posso sair por aí vestida que nem a Princesa Jasmim.” “Ah, você pode e você vai, então pode se aprontar,” ele disse, pulando da cama e saindo do quarto. Amy sacudiu a cabeça e começou a se enfiar naquela roupa infernal. Se ela ia ficar presa aqui, então ela pelo menos precisava de alguma roupa, mesmo que essa não deixasse nada em aberto para a imaginação. *** Dvar sorriu para Amy quando ela tomou seu braço estendido. Atrás deles, Hakim e Nasir ficavam de guarda. “Você está magnífica.” A mão dele traçou o contorno da barriga dela, sua estreita cintura estava magnificamente


emoldurada pelo cós dourado das calças. Ela era muito mais bonita do que qualquer mulher que ele jamais havia visto, mais ainda por conta daquele temperamento fogoso que ele mal podia esperar para domar. Talvez ele estivesse com sorte nesse departamento. Ela eventualmente colocou as roupas, afinal. Já era alguma coisa. “Eu sinto que saí diretamente de As 1001 Noites.” “Então você pode ser a minha Sherazade pessoal. Quais estórias você vai me contar essa noite, minha querida?” “O conto do xeique que não entendia que ele não estava no controle de tudo,” ela soltou. Ele riu. “Isso não vai me interessar muito. Eu prefiro ouvir as suas fantasias mais obscuras, Srta. Monroe.” As bochechas pálidas dela coraram com um lindo tom de escarlate que destacava suas belas maçãs do rosto. Ah, era divertido jogar com essa aqui. Isso o surpreendeu. Durante suas observações, ele tinha percebido que ela era muito áspera com a maioria das pessoas que a incomodavam, mesmo no trabalho. Caramba, ela tinha passado a maior parte de seu tempo juntos insultando ou ofendendo (bem inutilmente) seus homens. Havia um lado mais meigo e frágil ali, e ele queria explorá-lo também. Diabos, quem ele achava que estava enganando? Ele queria explorar qualquer coisa que Amy tivesse a oferecer. “Será que também preciso te lembrar,” ele disse, “que Hakim e Nasir são muito bons no que fazem. Eles são guardas excelentes e os melhores atiradores da Jardânia. Se você sequer pensar em fugir ou alertar alguém, eles vão atirar.” “Você está falando sério?” Ele balançou a cabeça. “Espoleta, são balas de borracha para controle de multidões ou um taser4 em um dos casos. Então você pode escolher seu veneno. Só não tente bancar a heroína. Não há nada além de luxo e sexo fenomenal aqui. A maioria das mulheres mataria para estar no seu


lugar,” ele sorriu para ela enquanto eles pegavam o elevador para a limusine que os aguardava. “Afinal, eu sou um dos solteirões mais ricos e cobiçados do mundo.” “Bem, talvez eu não queira nada com o dinheiro de petróleo dos Yassin,” ela disse, sua mandíbula apertada. As portas se fecharam e ele tentou ignorar a maneira como Hakim chegou mais perto dele. Dvar estava quase certo que, apesar do tom de voz e das palavras duras, Amy não começaria a chutar ou fazer qualquer coisa que pudesse machucá-los. Quase. “Então eu acho que você já está bastante apegada ao sexo.” “Você é um porco.” “Você gosta,” ele disse simplesmente. A descida no elevador foi curta, assim como a ininterrupta transição para a limusine. Hakim e Nasir se sentaram na frente, e ele tomou o banco de trás com Amy. “Você fez bem,” ele disse. “Veja, se você apenas ficar em silêncio e permitir que tudo corra normalmente, então você vai curtir o estilo e as maravilhas do Cairo. A cidade inteira está à sua disposição. Você pode ter o que quiser, sabe, você só precisa pedir.” Ela o encarou, empurrando a franja picada para trás da orelha. “Será que você tem um celular? Eu adoraria um.” “Não, e você sabe que nenhuma comunicação vai acontecer por um tempo durante o período de adaptação.” “Isso é um eufemismo,” ela bufou. “Não podemos estar tão longe das pirâmides. Eu consigo vê-las na nossa varanda.” “É verdade,” ele disse, colocando um braço em volta do ombro dela. Amy ficou tensa, mas ele observou enquanto ela olhava para Nasir, que a encarava de perto. Ele era um guarda-costas muito bom, no final das contas. Ela então relaxou, e talvez a ideia estivesse finalmente entrando na sua cabeça dura, a ideia de que não havia mais necessidade de lutar contra isso, de que a vida dela estava destinada a isso.


“É legal, pelo menos,” ela murmurou enquanto a limusine saltitava pela poeirenta estrada desértica que os levava ao principal caminho de areia até as pirâmides. Eles teriam que tomar camelos para atravessar a areia grossa, mas eles ainda tinham alguns minutos no carro. “Eu nunca andei de limusine antes.” “Eu pensei que tinha, com a sua irmã.” “Eu não visitei a Alexis muitas vezes. Eu nunca estive numa limusine antes. Eu nunca fiz o tipo ‘garota de luxo’ antes.” “Sério?” Ela bufou. “Você sequer conversou com seu primo Farzad sobre qualquer coisa a respeito da nossa família? Meu pai se separou da minha mãe quando eu tinha uns oito anos e nós passamos aperto com tudo. Alexis fez um monte de empréstimos para pagar a escola de direito. Não importa agora, mas nós tivemos muitos jantares de comida congelada quanto éramos crianças e Natais com meias e calcinhas úteis de presente porque não sobrava nenhum dinheiro para brinquedos.” “Ah.” “Exatamente, e agora eu sou barista, então eu me viro, mas eu não frequento bailes de gala ou ando em carros enormes, sabe?” Ele assentiu e não conseguiu encontrar as palavras que queria. Ele tinha ficado intrigado pela beleza e determinação de Amy nas poucas vezes em que a tinha espiado ao visitar o palácio do primo. Ele tinha ficado mais encantando e certo de que a queria quando ele e sua equipe a tinham perseguido durante a semana anterior, em Boston. Ainda assim, uma vez que a irmã de Amy era uma advogada licenciada, ele sempre tinha presumido que a família dela tinha dinheiro. Francamente, o fato de a infância dela soar dura e solitária o deixou extremamente chocado. “Eu sinto muito que o seu pai-” “Meu pai,” ela cortou, “é um grande babaca. Ele sequer foi ao casamento da Alexis porque a nova esposa dele não estava a fim de viajar. Ele teve uma crise de meia idade, fugiu pra sei lá onde, e de vez em quando envia um cartão de aniversário – geralmente no dia errado. Ele foi, e


ainda é, um baita idiota.” “Ainda assim, eu ia dizer que eu entendo as dores de se crescer sem pai.” Ela franziu a sobrancelha. “O que?” “Meu pai foi morto em uma batalha quando eu tinha apenas doze anos. Ele era um general, como eu, e levava a sério suas obrigações para com o povo da Jardânia. Alguns xeiques apenas bolam estratégias, mas ele achava que era seu dever fazer tudo que pudesse durante a batalha para proteger seus cidadãos. Um daqueles malditos vira-latas do Leban atirou nele.” “Eu sinto muito.” “Foi a algum tempo atrás, bastante tempo,” ele disse, suspirando. Mesmo então, a mão dele foi para o bolso das calças. Para qualquer lugar que fosse, ele carregava a medalha mais prezada de seu pai. A lua crescente prateada era um símbolo do seu alto ranque no exército antes de sua morte, como era costume na Jardânia. Aquele objeto colocava os pés de Dvar no chão, o ligava a um pai que estava se esvaindo de sua memória. As lembranças tinham se desbotado depois de quase duas décadas, é claro, mas ele também temia ver seu pai apenas através dos olhos ingênuos de um jovem menino. Ele não se lembrava do homem como ele tinha sido, e Dvar apenas desejava que eles tivessem tido tempo para todas as conversas que pais e filhos deviam ter, que ele tivesse orientações para o trono. Havia dias em que ele não tinha a menor ideia do que estava fazendo. Tá certo, quase todos os dias. Ele sempre sentia que seu pai teria sabido, que seu pai teria feito tudo de uma maneira muito melhor. “Você é xeique desde os doze anos?” Ele assentiu. “De certa forma. O título é meu desde aquela época, mas um conselho de generais governou o país até eu fazer vinte e um. Eu não teria tido a menor ideia do que fazer. Mas pelos últimos onze anos sim, eu estive oficialmente no comando da Jardânia e trabalhei para mantê-la a salvo. Às vezes parece quase impossível. Mas chega de assuntos deprimentes, Srta.


Monroe. Me diga: o que você acha de limusines?” Ela sorriu para ele. “O couro é a coisa mais macia e incrível que eu jamais toquei. Eu queria ter dinheiro pra andar numa dessas o tempo todo.” Ele deu uma risadinha enquanto a limusine parava no estacionamento e pulou pra fora. Dando a volta rapidamente, ele abriu a porta dela antes mesmo que Hakim pudesse fazê-lo, afinal, Dvar sabia ser um cavalheiro com algumas coisas. O queixo dela caiu com a oferta, e ele teria de se lembrar de demonstrar cavalheirismo com mais frequência. Ela certamente gostava daquilo. “Amy, sua carruagem a aguarda.” Ela avaliou o camelo e sua modesta manta. Bom, não era exatamente uma sela, mas ia ter funcionar. Talvez “montar” fosse o melhor eufemismo. “Você só pode estar brincando.” *** “Uau,” ela disse. Ele adorava observá-la. Não era estranho? Com a maioria de seu harém, ele precisava sentir enquanto elas o tocavam, sentir suas carícias e seu desejo. Ele desesperadamente queria isso de Amy também, mas ele ficava igualmente contente em observá-la, em ver a felicidade e a intensa curiosidade se espalharem por seu rosto. Ah, diabos. Dvar podia ser completamente honesto a respeito de tudo. Às vezes ele era um amante totalmente egoísta. Com Amy, no entanto, ele já se via prometendo a dar a ela qualquer prazer que pudesse, contanto que ele pudesse ver o brilho em seus olhos cor de safira, o espanto em seu olhar. Ele assentiu e pegou a mão dela. Eles estavam entrando no profundo túnel de uma das pirâmides em direção à câmara interior. Ele já tinha ido lá mais de uma vez e sabia que havia riquezas e joias. Por outro lado, não havia mais o mofo tóxico – do tipo que havia contaminado os participantes da escavação original de Carter5 em busca de Tutancâmon – nem maldições tolas. Mas Dvar conseguia entender que, para os não iniciados, estar dentro de túneis e cavernas que tinham estado fechados e escondidos por milhares de anos era, de certa forma, incompreensível.


Amy definitivamente parecia intrigada por isso tudo enquanto agarrava a mão dele com força e levantava sua lanterna. “Isso é incrível!” ela exclamou, inspirando profundamente para se estabilizar. O guia havia parado e estava explicando como se comportar dentro da tumba quando. Eles estavam em uma parte do túnel que - até ele podia ver na opaca luz – estava prestes a se abrir extensamente. “Eu também nunca viajei muito; só pra ver Alexis ou meu sobrinho, Farid, obviamente.” “Isso é só o começo, espoleta,” ele disse, passando a mão pela delicada pele de porcelana do pescoço dela e se deleitando com a maneira como ela tremeu sob seu toque. “É o que você diz e uau!” ela disse, enquanto eles entravam, em fila, na câmara da tumba. A única coisa que havia lá agora era o sarcófago com a tampa removida. Geralmente isso não era parte do tour, mas ele havia pago uma grande quantia para que ela pudesse ver o interior por um momento, ver a múmia lá dentro. Caso não permanecesse bem protegida, a múmia nunca duraria exposta ao ar aberto. Mas regras existiam para serem quebradas com a quantidade certa de influência – ele sempre havia acreditado nisso. Amy circundou o enorme caixão de pedra, os hieróglifos e as luminosas pinturas de Anubis6 ainda visíveis nele. Lá dentro, o corpo encolhido não era exatamente uma visão que inspirava assombro, mas ainda assim ela se inclinou pra frente o máximo que o guia permitiu. Era como se todo o seu corpo estivesse vibrando enquanto ela pulava pra cima e para baixo nas pontas dos pés. Se ele soubesse que apelar para o gosto dela por história a teria feito relaxar tanto, ele teria feito isso muito antes. “Há quanto tempo ele está aqui?” “Ramsés III foi colocado na tumba por volta de três mil anos antes de Cristo,” o guia explicou. Ela sacudiu a cabeça. “Cinco mil anos? Isso é impressionante, eu não consigo nem imaginar. Que viagem.” Ele sorriu e caminhou para frente, puxando-a para perto dele. “Ora, ora, quem diria que


você ficaria tão entusiasmada com homens mortos?” Ela bufou e, talvez ela não tivesse sequer percebido, mas a Srta. Monroe estava claramente se aconchegando nele. Ah sim, aquelas defesas – aquela maldita teimosia – estavam se esvanecendo rapidamente. “É simplesmente surreal. Eu só tinha visto isso na televisão ou em livros do colégio. É como se tudo que eu vi numa revista National Geographic estivesse de fato aqui e é muito mais vívido e interessante do que Boston.” “Muitas coisas são,” ele disse, puxando-a para seu peito. “Venha, se você ficou tão animada com uma múmia, imagine então o que você vai sentir ao ver os tesouros.” *** Era um país diferente e uma cultura diferente, mas Amy estava convencida de que, talvez, algumas coisas permaneciam constantes nas terras desérticas. Afinal, enquanto andava pelo museu, avaliando todos os artefatos da tumba do Rei Tutancâmon em exposição, ela estava convencida de que, fosse um rei egípcio de milênios atrás ou um atual barão do petróleo, o amor pela riqueza ostensiva era o mesmo. Aqui, tudo era feito de ouro. Havia cadeiras, estátuas de águia e de pantera, emblemas do cajado do pastor. Tudo de ouro. Era quase o suficiente para fazer uma garota desdenhar o toque de Midas7. Mas isso não era tudo. A coleção também era mais do que completa. Ela passou por um mostrador de vidro e ficou impressionada com os vasos canopos. Pelo menos esse era o nome escrito na etiquetazinha. Olhando mais de perto, ela fez uma careta. Esses simples vasos de pedra decorados com tampas douradas que representavam uma variedade de seres – de chacais a macacos a falcões – continham o que havia sobrado dos órgãos secos extraídos do antigo menino rei. “Hum, então isso é tudo que sobra no final?” Dvar riu atrás dela. Estranhamente, ela estava começando a amar aquele som. Ela gostava do ribombar rico que saía do peito dele, ainda mais quando ele estava próximo à orelha dela,


com seu hálito fazendo cócegas e provocando-a. Um calor se espalhou pela barriga dela e de repente sua calcinha pareceu terrivelmente molhada. Deus, o xeique era sexo ambulante, não era? Ela fechou os olhos e respirou profundamente algumas vezes. Amy não estava interessada em ser paparicada ou em ganhar passeios VIP. Não era o que ela queria. Ela queria ir para casa, de volta para sua vida entediante em um apartamento minúsculo onde nada interessante jamais acontecia. Ela queria sua liberdade e suas escolhas. Não importava que, só de voltar para os Estados Unidos, ela teria que voltar para sua vida de servir café; não muito. O que importava era que ele não ia fazer escolhas por ela, soltando decretos que mudariam a estrutura da vida dela para sempre. Isso já tinha acontecido com ela antes. O pai dela tinha feito isso. Um belo dia ele se levantou e foi embora. Ela não permitiria aquilo novamente, nunca mais. Dvar riu novamente e o clitóris dela latejou. Desesperadamente, Amy tentou esmagar qualquer luxúria que pudesse surgir dentro dela. “Às vezes sim, mas considerando que estamos aqui vendo três salas cobertas com as riquezas com as quais ele foi enterrado, além de um sarcófago e tanto, eu não acho que foi tão ruim.” “Eu só quis dizer que, no final das contas, tudo o que sobrou de Tutancâmon cabe em mais ou menos quatro vasos e está enrolado em bandagens num caixão grande e chique,” ela disse, franzindo a sobrancelha pra Dvar. Ele deu de ombros. “É um caixão folheado a ouro e é um dos tesouros mais famosos do mundo. Ser conhecido, esse é um objetivo. Ele pode ter morrido com apenas dezoito anos e não ter feito muitas coisas importantes na vida, mas o que importa é ser lembrado pela história.” Ela franziu a sobrancelha. “Seu pai tem monumentos em homenagem a ele?” Ele assentiu e pareceu ficar mais ereto com aquela pergunta. “Tem um pilar de mármore para ele nos jardins. O pai era mais do que impressionante. Ele está em todos os livros de história da Jardânia, assim como meu avô e meu bisavô, todos grandes líderes.”


“Até agora você fez o que?” ela perguntou, seu tom de voz endurecendo. Tinha que ser assim. Se ela se permitisse, ela se apaixonaria por Dvar e nunca mais teria seu livre arbítrio ou sua liberdade novamente. “Sequestrou uma garota e esperou que seus primos o ajudassem a resolver a crise com a invasão do Leban?” “É uma situação política espinhosa. Há rumores de que eles têm armas nucleares. O que você sugere que façamos? Nós temos que pensar nas coisas direito, e eu não sou só um sequestrador de mulheres. Talvez isso ainda te surpreenda, mas as meninas do harém estão lá como convidadas e algumas delas imploraram para ser incluídas. Elas sabem o que significa.” “E o que significa?” ela exigiu, circundando-o com as mãos nos quadris e o queixo empinado na direção dele. “O que elas poderiam querer com uma vida dessas?” “É uma oportunidade. Um estipêndio é enviado às famílias delas e nada falta às minhas meninas. É algo que muitas desejariam ter.” Ele estava se aproximando e ela o estapeou com força na bochecha. “Então elas são suas putas? Bem literalmente! Eu não sou assim, e eu não vou ser sua puta. Pode esquecer. Só porque eu não sou rica e cresci na pobreza... Eu tenho mais respeito próprio do que isso.” Ele esfregou o maxilar e a agarrou grosseiramente pelo cotovelo. O coração dela pulou para a garganta e ela percebeu que tinha ido longe demais. Hakim e Nasir já estavam correndo em sua direção, as mãos entrando nos bolsos dos casacos. Dvar balançou a cabeça. “Não, a Srta. Monroe e eu tenho uma conta para acertar. Venha comigo, espoleta. Disciplina nunca foi tão importante.” Com isso, ele a arrastou para fora da sala em direção a um pequeno corredor lateral do museu. Era escuro e mofado, e ela imaginou que o lugar era às vezes usado como depósito improvisado, especialmente por causa das caixas de papelão espalhadas em volta dela. “Isso não foi inteligente,” ele disse. Ele apertou os dentes e seus olhos cor de jade queimaram com fogo. “Você não faz seu xeique de bobo.” “Você não é meu xeique,” ela cuspiu de volta, incapaz de se curvar completamente perante


a ele. Teria sido uma jogada mais esperta se ela implorasse por proteção ou perdão ou qualquer outra coisa. Ela nunca tinha sido uma garota tão esperta. As mulheres da família Monroe sempre falavam o que pensavam. “Você é meu maldito sequestrador, e eu nunca vou me esquecer disso.” Ele assentiu e empurrou-a contra a parede. As mãos dela bateram de palmas abertas na parede. “Então você precisa ser punida.” “O que? Aqui?” “É um tour privado e ninguém vai ousar nos interromper. Você sabe que Hakim e Nasir vão garantir que isso não aconteça.” “Eu vou gritar,” ela disse. “Ninguém vai vir,” ele disse com toda a certeza, sua voz soando com uma clareza de ferro. “Você pertence a mim agora, espoleta, e eu serei respeitado,” ele disse. Dvar reforçou seu argumento manobrando a mão direita por baixo do tecido do caftan dela e depois alcançando o cós de suas calças de harém. “Eu acho que você precisa entender que eu controlo tudo na sua vida agora, eu controlo quando você sente prazer e quando você sente dor.” “Eu...” Dvar sequer a avisou, ele apenas se inclinou para frente e ela podia sentir a ereção dele pressionando contra as suas costas, enquanto as mãos dele passavam por seus pelos púbicos e alcançavam suas dobras. Apesar da pressão em seu corpo e da ira na voz dele, ele era gentil em seu toque, seus dedos traçando padrões delicados pela pele macia ali. Ela já estava molhada, tinha estado desde que ele tinha sussurrado em seu ouvido, tão perto dela. Foi muito fácil para ele escorregar os dedos pela superfície, provocando-a e atormentando-a de uma maneira bem diferente. Ela estremeceu e tentou se afastar da parede. Ele a pressionou com mais força e ela sentiu a força dos músculos do peito dele enquanto ele se inclinava sobre ela, prendendo-a sob seu peso. “Por favor.” “Não. Você está tão pronta, você está tão molhada, Srta. Monroe,” ele ronronou na orelha


dela. Por um momento, ele capturou o lóbulo da orelha dela entre seus dentes. Dvar brincou com ele, roçando contra ele enquanto seus dedos exploravam os profundos entalhes das dobras dela. Ele soltou a orelha dela e, apesar do medo que fazia seu coração bater depressa, ela gemeu com a perda de contato. Deus, parecia que o coração dela ia explodir do peito. Ela estava morrendo de medo, e ainda assim ela mesma conseguia admitir, com muita clareza, que nunca tinha estado tão excitada em toda a sua vida. Esse homem poderoso e dominante – diabos, esse deus vivo – a queria, e ela também o queria desesperadamente. “Então faça alguma coisa a respeito, caralho,” ela cuspiu, seu corpo ainda tremendo sob o dele. “Eu vou fazer,” ele prometeu. Ao dizer isso, dois dedos grossos escorregaram para dentro do canal dela, movendo facilmente para dentro e para fora, escorregadios com os fluidos dela. O polegar ligeiramente caloso dele encontrou o botão de prazer dela. A princípio ele apenas deixou o dedo ali e se concentrou em mergulhar os outros dedos nela. Os músculos dela se contraíram deliciosamente em seu cerne, e ela saboreou a sensação dos dedos dele, tão grossos e satisfatórios, em sua parte mais interna. “Preciso de mais,” ela disse, arfando. “Posso dar um jeito, espoleta,” ele disse. Ela o sentiu pressioná-la com mais força, seus quadris flexionando um pouco no ritmo dos fortes movimentos de sua mão. Os nervos dela formigaram como se estivessem pegando fogo, como se tudo estivesse queimando dentro dela ao mesmo tempo. Então ele começou a esfregar seu nó de nervos com um toque áspero. Ela se agarrou contra ele e sentiu suas pernas cedendo embaixo de si. O fogo estava crescendo através dela como se fosse uma chama de alarme máximo. Seus músculos estavam estremecendo por baixo dela, e ela teria caído se os quadris poderosos de Dvar não estivessem mantendo-a pregada na parede.


A mão dele estava se movendo rápida e furiosamente agora, e ela fechou os olhos, sobrecarregada pelas sensações, todas elas – havia o cheiro dele, de almíscar com um leve toque de cúrcuma; o corpo dele, pesado e denso, empurrando contra ela; e a umidade fluindo de seu cerne. Era muita coisa ao mesmo tempo, e o fogo florescendo através dela como se cada toque dos dedos dele fosse o mesmo que jogar gasolina em uma grande pira incandescente. Finalmente, os dedos dele entraram fundo no centro dela e ela gozou, faíscas crepitando por todo o seu corpo, luzes explodindo por trás de seus olhos. Ela afrouxou nos braços dele mesmo enquanto ele esfregava os quadris nela mais uma vez, a ereção dele bem óbvia contra as suas costas. “Você é minha agora, espoleta, diga.” “Vá para o inferno.” Ele riu e se afastou. Ela quase tropeçou – afinal, suas pernas pareciam gelatina – mas conseguiu ajustar suas calças e seu caftan. Sua calcinha estava encharcada, mas ela ia ter que aguentar até que tivesse permissão para trocá-la. Ela estava prestes a se virar para encará-lo quando ele a surpreendeu, empurrando-a e prendendo-a novamente na parede. Sem pedir, ele deu dois tapas fortes e doloridos em seu bumbum. Aquilo com certeza deixaria marcas, e seria difícil se sentar pelos próximos dias. Ela mordeu o lábio e tentou segurar as lágrimas que ameaçavam se acumular em seus olhos. “Minha,” ele praticamente rosnou, “você sabe disso agora.” Com isso, ele se foi, deixando ela para se recompor, uma tarefa na qual Amy parecia estar falhando rapidamente.

1

Posição ofensiva do futebol americano.

2

Distúrbio no qual uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo sentimento de

amor ou amizade perante o seu agressor.


3

Organização internacional de polícia criminal.

4

Arma de eletrochoque.

5

Howard Carter, arqueólogo e egiptólogo britânico.

6

Deus egípcio antigo dos mortos e moribundos, sempre representado com cabeça de chacal. Era sempre associado com

a mumificação e a vida após a morte na mitologia egípcia. 7

Personagem da mitologia grega que tinha o dom de transformar tudo o que tocava em ouro.


Capítulo Seis “Ela ainda é insolente, meu senhor,” Hakim disse. Dvar assentiu e deu um gole em sua bebida, uma dose dupla de bourbon, no bar do Mena House. “Ela é mesmo, mas acho que ela está começando a aprender.” “Há meninas melhores, se você me permite dizer,” Hakim respondeu, passando a mão por sua barba grisalha. “No harém tem um monte de garotas que são lindas e obedientes, que entendem os costumes da Jardânia e que ficariam felizes em honrá-lo como você merece.” “Essa é uma maneira de criticar minha escolha de xeica?” ele perguntou. “Não, meu senhor, mas é uma maneira de dizer que você sempre dificulta as coisas para si mesmo, mais do que é absolutamente necessário. Isso é algo que você quer fazer? Você realmente quer ser rejeitado e insultado?” “Eu não acho que os insultos são verdadeiros. Eles parecem ser mais um passatempo do que qualquer outra coisa para ela. Eu entendo a necessidade de rebelião. A princípio eu também não aceitei bem a academia militar e o treinamento. Se ser um pouco ríspida a ajuda a se ajustar à sua nova vida e me dá uma desculpa para espancar aquele delicioso bumbum dela, então quem sou eu para discutir?” “Ainda assim, há tantas outras coisas na sua mente – os rebeldes, a guerra fermentando com o Leban – talvez uma consorte mais agradável seria mais fácil, sobrecarregaria menos sua mente.” “Eu acho que a briga é exatamente o que eu estou precisando, meu velho amigo,” ele disse enquanto terminava sua bebida. “Ela é tudo que eu sempre quis em uma mulher.” “Ela não é da Jardânia.” “E eu sabia que você se agarraria a isso. Eu imaginei que esse era o argumento. Por enquanto, ter noivas americanas não incomoda nenhum dos meus primos. Talvez elas sejam feitas de um material mais resistente do que muitos de nós imaginávamos. Eu acho que, estranhamente, o


desafio alivia minhas preocupações por um tempo. Se ela fosse muito dócil, não haveria desafio, e o medo de o Leban ter bombas atômicas roeria minha alma.” “Muito bem, mas e se ela nunca relaxar? E se ela sempre o odiar?” Ele deu uma risadinha ao pedir mais uma dose dupla para o barman. “Ora, Hakim, é essa a sua maneira de dizer que está preocupado comigo? Não se preocupe. Eu sou feito de um material mais resistente, e algumas caras feias e birras da Srta. Monroe não vão me desencorajar em absoluto.” “Ainda assim, é difícil ser rejeitado com tanta frequência.” Ele bufou e deu um gole em sua nova bebida. “Me dê um pouco de crédito. Eu consigo derreter a resistência da maioria das mulheres.” Hakim levantou uma sobrancelha. “Não estou questionado sua proeza, meu xeique, mas meramente lembrando-o que fazer uma mulher gozar algumas vezes não é a mesma coisa que construir um compromisso para a vida toda. Você não pode esperar manter sua xeica na mira de uma arma ou de um taser para sempre. Eventualmente, ela terá que se adaptar aos rigores da vida no palácio e fazer o que se espera dela como esposa do chefe de estado. Eu não duvido da sua habilidade de dar-lhe prazeres carnais, mas eu me preocupo sim com vocês alcançando a conexão correta.” “O amor é um conto de fadas, algo para crianças.” “Seus pais certamente não pensavam assim. Mesmo com o harém, Danae era a preferida dele e todos sabiam disso.” “Ah, acredite em mim,” ele disse, dando outro gole e se inclinando contra o balcão do bar, “Amy é muito mais do que a minha preferida agora.” “É claro, meu xeique, mas agora você tem que garantir que ela sinta o mesmo, sem pressão.” “Não, nenhuma – apenas o futuro da linhagem real e da legitimidade do meu reino. Por que eu deveria me preocupar com isso?” Dvar bufou, colocando o copo vazio no balcão e se levantando. “Falando nisso, eu prometi encontrá-la no restaurante, então acho melhor irmos


andando, para quando o Nasir a trouxer. Não acha?” Hakim estendeu a mão e segurou o braço de Dvar. Se qualquer outro homem de sua guarda tivesse feito isso, teria sido executado, mas Hakim era seu guarda-costas pessoal desde que Dvar era criança, e o velho homem tinha assumido uma posição de mentor para ele depois da morte repentina de seu pai. Talvez isso o tivesse tornado mais familiar do que ele deveria ser, mais petulante, mas Dvar não podia voltar atrás agora. Na maior parte do tempo, ele não queria voltar atrás. Exceto quando o velho homem o estava assediando, agindo de forma paternalista e condescendente. “Meu xeique, apenas tenha cuidado. Faça isso do jeito certo.” “Eu sempre faço, Hakim,” ele disse, finalmente se afastando e ajeitando sua lapela. “Vamos?” *** Ele tinha tomado providências para que parte da sua equipe se juntasse a eles no Cairo. Uma das suas mulheres preferidas do harém (ela tinha feito parte do harém de seu pai e era mentora das meninas, ela não dormia com ele) agora estava aqui, com uma seleção de roupas e joias para sua futura esposa. Phedre era sábia e confiável. Ela também tinha um ótimo gosto para moda. Ele não tinha a menor dúvida de que Amy estaria resplandecente quando entrasse. Dvar se agitava em sua cadeira e reajustava o assento. A sala de jantar Khan El Khalili do Mena House era primorosa. Parecia mais um pátio coberto do que qualquer outra coisa. Então, mesmo havendo um teto sobre as mesas, não havia paredes confinando-as. Ao invés disso, havia cortinas de miçanga preta caindo do dossel até o chão de azulejos embaixo. Através delas, mesmo ao entardecer, podia-se ver as imensas pirâmides. A impressionante maravilha do mundo antigo estava lá, pronta para receber olhares mesmo enquanto eles comiam. Ele esperava que Amy gostasse disso, ela tinha ficado arrebatada com tudo até agora. Falando naquela garota diabólica, ele não conseguiu segurar um largo e, sim, ávido sorriso quando ela atravessou a multidão no restaurante. Ela não estava vestida em nada excessivamente


árabe ou exclusivo da cultura dele. Dessa vez, Phedre havia escolhido o clássico vestidinho preto. Era um modelo justo de cetim que abraçava bem as curvas discretas dela. O corte era alto nas coxas e tinha um decote de coração. Ficava fabuloso, combinando com o grande colar de ouro e ametista no pescoço dela. Seus olhos estavam delineados artisticamente com bastante kohl1, o que os fazia brilhar como as mais raras e belas safiras. “Me desculpe. Aparentemente eu ganhei uma transformação de Barbie e ninguém me contou.” Ele deu uma risadinha ao se levantar e puxar a cadeira para ela. “Essa é uma das vantagens.” Ela contorceu o rosto levemente ao se sentar, soltando um silvo de dor, e o coração dele se encheu de uma aflição profunda quando ele percebeu que talvez tivesse batido nela com mais força do que era necessário. Ele teria que dar um jeito nisso depois do jantar. Era a coisa certa a se fazer. Ela era sua xeica e era seu dever proteger e cuidar dela da melhor maneira possível, mesmo que ela precisasse aprender seu lugar. Amy ainda precisava da segurança dos seus braços no final do dia. “Então eu fui a Princesa Jasmim e agora eu me sinto um pouco como a Barbie,” ela disse novamente, gesticulando para a grande joia em seu pescoço. “Será que eu quero saber do que você vai me vestir da próxima vez?” “Eu tenho tantas ideias, Srta. Monroe.” “Se elas envolvem couro, nós vamos ter muitos problemas,” ela disse, e enquanto ela falava seu nariz se enrugava da maneira mais deliciosa e convidativa. Era quase adorável. “Eu não vou ser nenhuma amante de fetiche.” Ele riu enquanto o garçom servia a champanhe e o pão sírio para eles. Havia também húmus e uma coleção de azeitonas e outros aperitivos frios para eles começarem. Ele havia feito o pedido dela com antecedência – hamam mahshi – e estava curioso para ver como ela ia reagir.


Ele se viu rindo tanto com ela, e não era apenas o choque com sua atitude americana, ou sua insistência em desafiá-lo a todo momento. As coisas eram fáceis com ela. Francamente, com as coisas graves que estavam acontecendo em seu país, ele sentia que havia anos desde a última vez que tinha rido tanto. Era bom para sua alma ser tão livre, tão leve. Estendendo a mão, ele serviu champanhe para ela e fez o mesmo para si. “Ainda assim, você está notável essa noite. Você devia aceitar os elogios que consegue receber, espoleta.” Ela suspirou e balançou a cabeça. “Você só está me amaciando para transar de novo.” “Não,” ele disse, sua voz honesta enquanto ele pegava um pedaço de pão sírio e passava no húmus. “Eu acho que você precisa de mais amor e carinho do que isso.” “O que você sabe sobre isso? Meu bumbum está mais do que machucado. Eu não consigo vê-lo muito bem, mas a sensação é como se ele estivesse pegando fogo.” “Talvez ele possa se igualar à maneira que eu te faço sentir por dentro também,” ele respondeu, sorrindo ao colocar o pão na boca. “Por dentro, eu concordo que sou quente de outra maneira,” ela disse, corando, e ele adorou aquela onda vermelha em suas bochechas pálidas. “Sério, qual é?” “Eu estou com fome, você está com fome, então nós comemos.” “Não foi o que eu quis dizer.” “Mas é a resposta lógica perfeita para essa pergunta. Você quer que eu te tranque no seu quarto e te traga pão e bolachas? Talvez uma garrafa d´água?” “Eu sou uma prisioneira,” ela ressaltou. “Por mais legal que Phedre seja, ela estava lá parcialmente como seus olhos e ouvidos. Da mesma forma, eu dou um passo pra fora da porta e lá está Nasir e seu taser. Então eu não entendo porque você está sendo tão legal comigo. Eu estou aqui quer queira quer não.” “Não tem por que tratá-la como uma prisioneira.” Olhos azuis chamejaram perigosamente. “Eu sou uma prisioneira, então você não está me


tratando como nada.” “O que eu quero dizer é que me importo muito com você; eu não a teria escolhido se não me importasse, então porque você simplesmente não aceita que quero fazer coisas legais para você? Eu te levei em um tour VIP pelas descobertas arqueológicas mais incríveis que o homem já fez. Eu tenho algo planejado para depois do jantar – não é sexual, então nem precisa começar – e você não faz ideia do que mais eu tenho na manga.” “Eventualmente você vai me enfiar numa torre na Jardânia, então de que importa o que você me mostrar agora?” “Você acha que sua irmã é uma prisioneira do meu primo Farzad?” “Não, mas ela quer estar lá. Ela voltou de livre e espontânea vontade depois que descobriu que estava grávida. Eu não quero que essa seja a minha vida. Eu só quero ir pra casa. Era uma vida modesta e bastante ruinzinha, mas era minha e eu a criei completamente sozinha.” “Ser independente é importante para você, não é?” “Não seria para qualquer um?” ela retrucou, enfiando um pouco de pão e húmus na boca. “É extremamente importante para mim. Qualquer outra coisa pode ser perdida a qualquer momento. Se eu depender das pessoas, elas podem foder com a minha vida, ou ir embora, ou morrer.” Ele fez uma pausa e esfregou a mão pela curta barba. “Sim, eu consigo ver como isso seria difícil. Doeu por anos depois que meu pai se foi.” “Como se respirar fosse uma tarefa,” ela completou, e era quase como se ela estivesse lendo os pensamentos dele. Sinistro. “Sim, mas nós sobrevivemos. Você não pode passar a vida inteira sozinha, lutando apenas por si mesma. E uma família?” “Mamãe é ótima, e Alexis e meu sobrinho Farid também são incríveis. Nós não fomos sempre próximas, mas Alexis e eu estamos nos entendendo ultimamente, e eu não preciso ser mantida como escrava sexual de um xeique para me sentir preenchida. Pare de se achar.”


Ele suspirou. Ela quase havia cedido. A hesitação dela em se conectar e a dor que ela sentia com a traição de seu pai era real. Aquilo era algo que ela claramente não compartilhava com todo mundo, e explicava porque ela parecia estar se fechando em uma concha, parecia estar tentando ignorar todas as tentativas que ele fazia de envolvê-la. “É claro que o sexo é parte disso, Amy, mas vamos dizer que eu também me importo com você. Eu e minha equipe te observamos por uma semana, e você estava se afogando. Não era nada mais do que uma monotonia de zumbi: servir o próximo cliente, descansar, e pagar o aluguel.” “É temporário,” ela se defendeu, mesmo que tivesse desviado os olhos, abaixando-os para suas mãos. “Eu só tenho que descobrir o que fazer, agora que não vou mais cursar o mestrado em belas artes.” “O que é isso?” “Teria sido um mestrado em escrita criativa,” ela admitiu. “E qual foi o seu curso na graduação?” “Qual foi o seu?” “Administração, depois que eu passei pelo serviço militar na Jardânia. Eu tinha que aprender a governar um país tanto do campo de batalha quanto da sala de reuniões. Isso não era negociável. Agora, o que você era antes de tentar a escrita criativa?” Ela suspirou e continuou focada principalmente em suas próprias mãos. “Na verdade, eu estudei história, com especialização nas Cruzadas. Era algo que eu realmente amava na Universidade Americana. Eu acho, não sei, já que fiz algumas matérias de inglês... eu nem sei. Eu queria escrever um romance histórico de ficção sobre as guerras.” Ele franziu as sobrancelhas. Interessante. Então Amy sabia mais do que demonstrava sobre a história de pelo menos parte do mundo árabe. “O livro teria sido sobre o que?” “Por que você se importa? Eu era péssima, então eu larguei.” “Talvez você não fosse péssima. Talvez você fosse apenas muito crítica consigo mesma, da


mesma maneira que é comigo.” Ela segurou um sorriso e voltou a olhar pra ele. Ainda bem que um pouco de alegria tinha voltado àqueles olhos. “Você é o pior de todos. Eu tenho o bumbum machucado pra provar isso,” ela concluiu. “De qualquer forma, era tão autoindulgente e tolo.” “Vamos ver.” “Ia ser sobre uma garota tipo a Joana D’Arc, uma menina que finge ser um cavaleiro de verdade para lutar nas Cruzadas, e então ela é capturada pelo general inimigo.” Ele riu e ficou aliviado quando o garçom trouxe seus pratos e os colocou na mesa. “Então eu poderia contribuir com a pesquisa. Afinal, eu tenho a minha cota de antiguidades árabes pelo palácio. Ele existe há mil anos e está na minha linhagem familiar há quase trezentos.” “Impressionante,” ela disse, e depois franziu as sobrancelhas para o prato. “O que é isso? Parecem três pintinhos com risoto.” “É uma mistura de trigo com cebolinha e outras ervas. Na verdade é pombo recheado, hamam mahshi. É uma iguaria aqui, e é extraordinariamente macio. Eu prometo que você vai gostar.” Ela deu de ombros. “Bom, já que estamos no Cairo, né?” Amy examinou a carne mais uma vez antes de pegá-la com os dedos e trazê-la à boca. “Não sei se quero fazer isso.” “Não seja uma, er, franga,” ele disse, tirando com a cara dela. Para encorajá-la, Dvar colocou um pedaço da carne branca na boca. Estava úmida e deliciosa, como sempre. “Viu? Eu sobrevivi. Você não está com medo de fazer algo que eu acabei de fazer, está, espoleta? Você não está tentando me mostrar que esse grande xeique malvado não pode te dar ordens?” Com os olhos azuis queimando, ela enfiou um enorme pedaço na boca. Foram necessários alguns goles de água e até um de champanhe, assim como algumas mastigadas concentradas antes que ela conseguisse engolir um naco daquele tamanho. Depois de mais alguns goles, ela conseguiu respirar normalmente de novo. Ela também não parecia mais com um esquilo, com as bochechas cheias de comida.


“O veredito, Srta. Monroe?” “Pra falar a verdade, isso foi muito bom. É muito mais suculento do que qualquer frango que eu jamais comi.” “Bom, não é exatamente o mercado de Boston, então não seja tão plebeia. Seria excelente de qualquer forma, os chefs aqui são fabulosos.” “Eu tenho um pressentimento que aqui tem o melhor de tudo, estou certa, Dvar?” Ele assentiu e estendeu a mão, pegando a mão esquerda dela na sua e apertando-a de leve. Ele ficou feliz que ela o deixou fazer aquilo, mas ele teria feito de qualquer maneira. “Você não tem ideia de quão certa está.” *** O mercado de Khan El-Khalili era diferente de qualquer lugar que Amy jamais havia conhecido. Ela já tinha experimentado tanta vertigem nas últimas trinta e seis horas, das ruas cheias de neve e sal de Boston para a multidão de corpos se empurrando em volta dela no calor. Ela tinha trocado de roupa, vestindo uma simples calça jeans e uma camisa preta, mas, por causa da insistência de Dvar, havia colocado o caftan rosa por cima para ficar mais modesta. Não era exatamente um pedido, não quando o taser estava por perto, mas ela estava feliz com as roupas confortáveis por baixo. O mercado era na verdade uma série de velhos prédios de pedra, completos com minaretes e parapeitos intricados. Havia mercadores por todos os lados, mesmo à noite – eles usavam holofotes e lanternas para encorajar os compradores. Em alguns casos, os estandes eram simples cobertores estendidos no chão, com sacos de ervas ou temperos em cima. Mulheres com robes longos e rústicos, e com as bochechas marcadas com fuligem e cinzas, tentavam conseguir os melhores preços para seus artigos. Alguns dos estandes eram enormes e impressionantes. Os olhos dela se escancararam quando eles pararam no vendedor de candelabros. Eles não se pareciam nada com modelos de cristal do mundo ocidental. Ao invés disso, eles eram feitos de lindos globos de vidro soprado que brilhavam como planetas ou estrelas na noite. Alguns eram ainda mais


detalhados, com apenas uma fonte luz e com o topo do globo coberto por grades de metal. Eles faziam-na lembrar das velhas lâmpadas a gás em filmes de época, mas eles não eram de alumínio ou algo simples. Não. Eles eram esculpidos com desenhos geométricos fascinantes, e ás vezes tinham brilhantes tons de azul. Havia também estandes com mais roupas e objetos que a faziam pensar em Sherazade ou na Princesa Jasmim. Havia bandoleiras e calças de gênio em tons de carmesim vivo, verde neon, ou nos azuis mais claros. No entanto, as roupas tinham um tecido fino que passava por cima da barriga e do colo, mas ainda transparente para permitir que a bandoleira de joias por baixo pudesse brilhar e ser o centro das atenções. Tudo também tinha um cheiro tão diferente. Na verdade, o mais correto seria dizer que tudo tinha um cheiro, ponto. Ela nunca tinha percebido o quão higienizado e artificial era o mundo do shopping, tão hermeticamente fechado. Aqui? Aqui ela sentia o cheiro de carne cozinhando com páprica em um estande de comida de rua, misturado com o almíscar e o suor de dezenas de corpos e um toque de açafrão e lavanda que vinha de uma banca de temperos. Não havia oito minutos que eles tinham passado pela seção de carnes do mercado e o cheiro tinha sido pungente, opressor, e alguns dos cortes pareciam ter passado um pouco da data. Era um arranjo real, vivo, e ela estava chocada com o quanto amava tudo aquilo. Depois de meses à deriva, sem saber qual seria seu próximo passo, se sentir tão conectada com o pulso da humanidade que crescia entorno dela era completamente diferente. Dvar estava sorrindo largamente com isso, e talvez ela não devesse mostrar seu encantamento no rosto com tanta evidência. Por outro lado, quantas vezes ela havia estudado isso? Com qual frequência ela tinha lido estórias sobre locais longínquos e mercados de beduínos? Com qual frequência ela tinha ouvido falar das maravilhas e dos esplendores do Oriente Médio e suas rotas de comércio? Talvez, parte daquilo fosse realmente o que estava faltando no seu projeto, na sua obra prima. Ela tinha a teoria – toda a história sobre as Cruzadas e as duas culturas envolvidas – que, por quatro anos, havia sido atulhada em seu cérebro, mas ela não tinha um


quadro de referência de verdade. Ela nunca tinha sentido o cheiro do suor de cem corpos se esfregando no mercado. Ela nunca tinha visto o esplendor de tanta prata fulgurante na pequena loja onde eles haviam parado. Todas as joias estavam expostas, mas um homem vigilante com seu próprio taser no quadril os observava de seu banquinho. Dvar parou e apontou para a ampla gama de itens. “Você pode escolher o que quiser, espoleta. Apenas uma coisa, então escolha sabiamente.” Ela revirou os olhos. “Ainda está tentando me comprar?” As palavras eram duras, mas o tom era brincalhão quando ela entortou o canto direito da boca em um meio sorriso. Ele deu de ombros. “Estou honrando minha xeica. Escolha o que desejar, meu amor.” Ela ficou um pouco surpresa com o carinho. Ela não achava que Dvar pudesse estar falando sério. Pra falar a verdade, ele mal a conhecia. Ainda assim, a maneira como ele tinha falado “amor” havia sido gentil, e tinha feito seus joelhos fraquejarem. Deus, o que estava acontecendo com ela? Será que ela sequer queria tentar ligar para a irmã e pedir ajuda assim que encontrasse um telefone? Amy não tinha mais tanta certeza. Ainda assim, ela ofereceu um sorriso doce, se recuperando rapidamente do choque das revelações dele. O mercado tinha grandes pulseiras de prata filigrana com lindas gemas de turquesa, jade e ametista no centro. Havia cruzes cópticas que terminavam com desenhos semelhantes a estrelas e picos em cada lado, algumas adornadas com miçangas amarelas e vermelhas também. Os colares eram peças enormes, às vezes com dois ou três centímetros de espessura, e compostos de fileiras alternadas de prata e grossas miçangas turquesa. Eles eram feitos para ecoar os padrões das joias de Tutancâmon, mesmo que não fossem reais. Até alguns dos pingentes ecoavam a herança daquela terra antiga, com falcões e escaravelhos de jaspe vermelha. Ainda assim, nada daquilo era exatamente o que ela estava procurando. Enquanto o seu... Espera, qual era a palavra? Seu sequestrador? Amante? Ah, foda-se. Enquanto Dvar estava


olhando simples pingentes de prata que tinham um estilo muito mais ocidental e bem mais discreto, a atenção dela finalmente foi atraída para um pingente longo que terminava em um grande olho aberto. Um destaque com algum tipo de pedra azul tinha sido adicionado para dar a impressão de que o olho via tudo, ao mesmo tempo em e moldurava o olho com um pouco de seu próprio kohl. “O que é aquilo?” ela perguntou, apontando para o pingente. Tanto o vendedor, o homenzinho loquaz e rotundo, quanto Dvar a encararam. O homem ficou ávido, se aproximando dela e falando em um árabe rápido. Dvar franziu as sobrancelhas e olhou para o colar como se ele fosse tão espalhafatoso quanto um objeto feito para enganar turistas. Ele passou as mãos pelo metal e pelo contorno dourado, aquele estranho metal azul em volta do olho. “É um olho mal. Você sabe o que é isso?” “Não.” “É um amuleto geralmente dado a crianças pequenas para afastar espíritos malignos, mas é também usado por adultos que o escolhem como uma maneira de manter a má sorte longe. É tudo baseado em contos da carochinha e superstições. Você não gostaria de algo menos gauche? Como eu disse, você pode escolher qualquer coisa aqui ou, diabos, a gente pode ir a um dos vendedores de ouro também.” Ela balançou a cabeça. “Não, tem algo de especial nele.” E como isso, Amy o pegou e prendeu o fecho em volta do pescoço. O pingente se dependurava longamente e o olho balançava embaixo, entre seus seios e por cima das joias de ametista que ela ainda não havia tirado. Dvar balançou a cabeça ao colocar a mão do bolso e tirar de lá as coloridas notas estrangeiras. Ele disse algo concisa e rapidamente em árabe, antes de passar o braço envolta dos ombros dela e guiá-la até a banca de kebabs, aquela que estava cozinhando a carne com o cheiro incrível e que fazia cócegas em seu nariz com toques de páprica. Talvez um pombo fosse pequeno demais para segurar sua fome até o dia seguinte; seu estômago já estava roncando.


Ele franziu as sobrancelhas para o olho azul aninhado no peito dela. “Você realmente acha que precisa de boa sorte?” Ela assentiu. “Eu fui sequestrada por um xeique nefário, afinal; um homem que faz o que bem quer comigo em museus públicos. Eu nuca sei contra o que terei de lutar.” Ele sorriu enquanto os dois passavam por um beco estreito e depois escorregou a mão por baixo do caftan e da camisa dela. Mãos ásperas estavam sobre o seu seio direito, apalpando, e ela parou, gemendo um pouco. Era a sensação mais incrível que jamais havia sentido. O toque dele, mesmo algo tão básico, a deixava selvagem e desejosa, fazia com que seus ossos se transformassem em gelatina e seus músculos fraquejassem. Ela o queria. Ela o queria desde o momento que o tinha visto na cafeteria, com os olhos de jade brilhando para ela e aquela barba curta, mas, de alguma forma, iminentemente lambível. Ainda assim, isso aqui não era a ala privada de um museu e ela não estava pronta para ser presa – mesmo com o dinheiro dele – e enfiada em uma prisão estrangeira por atentado ao pudor. Se inclinado na direção dele, ela o beijou na bochecha. “Isso fica pra depois,” ela sussurrou. “Vamos achar comida agora.” “Você realmente está com fome é de comida?” ele ronronou, a voz dele naquele ribombar profundo que fazia um calor subir pelo abdômen dela e seu cerne mais interno se contrair de necessidade. “Não, nunca, Dvar. Me leve de volta para o Mena House. Eu acho que você me prometeu um cuidado especial,” ela disse, sua voz mais ofegante do que nunca. Diabos, ela era uma Monroe, afinal, não era? *** Ela estava estendida, nua, diante dele. Não era mais um choque. Ele a tinha visto por completo no chuveiro naquela manhã e a tinha devastado. No entanto, algo estava diferente dessa vez, algo muito mais delicado e vulnerável. Os lençóis de seda eram divinos contra a pele dela,


especialmente o tecido dolorido de seu bumbum. A enorme cabeceira dourada brilhava sob a fraca luz da lua. Ela adorava. O luar causava um jogo intrincado de luz refletida e sombras que brincavam nas maçãs do rosto de Dvar, fazendo com que elas se elevassem ainda mais e parecessem mais pronunciadas. Era como se ele tivesse sido esculpido em mármore, moldado pelas mãos mais experientes. Ela tinha pensando isso da primeira vez que o havia visto e não conseguia refrear sua mente de fazer comparações com o David de Michelangelo, mesmo que Dvar fosse muito mais bem dotado. Ainda assim, ele era perfeito; como se Deus – ou o destino, ou o universo – o tivesse criado como um projeto especial para superar todos os outros homens que existiam. Missão cumprida. Afinal, ela não queria nada mais do que lamber cada pedacinho dele, passar sua língua pelas ondulações de seu abdômen. Diabos, ela queria contar cada um de seus músculos. Era possível ter um tanquinho de dez? Ela podia se perder no corpo dele, no estreito corte de seus quadris ou na maneira que os pelos desciam do seu osso púbico para o tufo de cabelo grosso e escuro sobre seu membro. Mas não estava certo. Aquilo tudo a incomodava. Ela estava se apaixonando por ele. Ela percebia que estava genuinamente curtindo a companhia dele, gostando das piadas que ele fazia, simpatizando com suas próprias perdas e responsabilidades. Ela conseguia até admitir que, de certa forma, era divertido ser a Cinderela dele, permitindo que ele a banhasse de presentes e viagens. Ela podia chegar a amar isso. Não era como se ela nunca fosse ver a irmã ou o sobrinho. Diabos, ela os veria até mais sendo a rainha de uma nação vizinha e aliada do que morando em outro continente. Farzad e Dvar eram primos próximos, então é claro que a família dela aprovaria. Era só que... Esse não era seu plano, ou suas regras, e ela não queria abrir mão daquele


controle. O melhor que ela podia fazer era tirar as roupas voluntariamente e esperar para ver o que ele ia fazer com a babosa que tinha nas mãos, o que a palavra “cuidado” significava pra ele. Dvar engatinhou sobre as mãos e os joelhos pela cama monstruosa. Suas mãos seguravam um pedaço de pano e a garrafa de babosa, mas mesmo se movendo daquela maneira estranha, ele era a encarnação da graciosidade. Ela tinha vislumbres de uma pantera ou algum outro predador poderoso perseguindo-a pela seda, e o colchão embaixo dela já estava úmido com seus próprios fluidos. Ele parou então e colocou a garrafa e o pano na mesa de cabeceira ao lado dela. Então ele passou por cima dela, deixando que sua ereção se movesse à sua frente e tocasse a pele sensível de sua barriga, até entrando um pouquinho em seu umbigo. Ela deu uma risadinha e se contorceu enquanto ele reajustava sua posição e sentava ao lado dela. A babosa estava de volta nas mãos dele e ele esfregou uma na outra, espalhando a pomada verde. “Você nunca devia usar roupas,” ele disse. “Você fica incrível sem elas. Como se você tivesse sido feita para ficar nua, sem brincadeira.” “Eu acho que você está brincando um bocado, meu senhooor,” ela disse, esticando o título mais uma vez como já havia feito antes. Ela sabia que aquilo o irritava, mas Amy estava começando a entender que, mesmo com toda aquela conversa rude, Dvar parecia gostar quando ela retrucava. O homem era um paradoxo. “Eu sei que eu não sou uma gostosona. Eu sou um pouco magrela demais, antes de qualquer coisa.” “Você é radiante,” ele disse, e havia uma reverência em seu tom de voz que novamente a confundiu, assim como quando ele a havia chamado de seu “amor.” Talvez ela fosse (ou estivesse começando a ser) mais importante pra ele do que até ele imaginava. “Agora,” ele comandou, sua voz profunda e retumbante, “vire de bruços.” “O que você vai fazer se eu me recusar?” ela provocou. “Sua mão já está coberta – as


duas, pra falar a verdade. Você não pode me agarrar agora, Dvar.” “Estou mandando, minha rainha.” Ela suprimiu o riso e rolou de barriga para baixo, assobiando um pouco ao sentir a frieza das mãos dele. Ele as estava passando pelas nádegas dela, esfregando a babosa nas marcas machucadas que as próprias mãos dele haviam deixado mais cedo. “Você está bem vermelha aqui, caramba.” “Dá pra ver as enormes silhuetas vermelhas das suas mãos?” ela perguntou, seu tom se elevando de forma mais dura. Quando ele tinha feito aquilo, ela tinha se assustado e lágrimas subiram aos seus olhos. Ela sabia muito bem que havia um preço a se pagar por desobedecê-lo, por tentar ser ela mesma, ser dona do próprio nariz. Ela simplesmente não tinha o menor interesse em ter medo daquilo. Ela sofreria as consequências uma dúzia de vezes antes de se transformar em uma donzela murcha, caramba. “Não,” ele disse, seu próprio tom de voz duro como diamante, mesmo enquanto ele continuava seus cuidados. As grandes mãos dele causavam uma sensação incrível no bumbum dela, massageando-o com o maior carinho e atenção. Enquanto os pontos onde ela havia apanhado ainda queimavam, eles agora tinham voltado ao normal pela refrescante babosa. “Só está um pouco marcado, mas você vai estar bem pela manhã. Além disso,” ele disse, se inclinando para provocar o lóbulo da orelha dela novamente, “se eu não tivesse te batido, então você não teria isso agora.” Ele ressaltou seu argumento limpando uma das mãos nos lençóis e depois movendo-a para baixo dos quadris de Amy para tocar seus pelos púbicos. “Ora. Você não pode me dizer que isso não vale à pena. Eu estou aqui agora, minha xeica, e eu estou pronto para reverenciar seu corpo. Tudo que você tem que fazer é me dizer o que você quer que eu faça.” Ela estremeceu sob o toque dele, mas então, de repente, rolou de costas para olhá-lo, para encará-lo nos olhos. Aquelas profundezas cor de jade quase brilhavam como esmeraldas à luz da lua. Ela perdeu o fôlego. Caramba. Isso seria mais fácil se ele não fosse tão bonito. “Apenas deite


comigo. Eu só quero que você me abrace.” Ele assentiu e limpou as duas mãos nos lençóis. Dvar deitou no colchão ao lado dela e abriu os braços. Ela se aconchegou, seu traseiro contra os quadris dele, enquanto a ereção dele pressionava contra ela. O membro dele se contraiu um pouco e ela não era boba: ela sabia que ele com certeza queria mais, que tinha um tempinho desde o banho e que ele não tinha gozado no museu, como ela. Mas era disso que ela precisava – da intimidade. Ela aninhou o queixo no ombro dele e bocejou. “Obrigada. Eu me sinto melhor.” Ele beijou a testa dela e assentiu, a cabeça dele apoiada na dela. “Qualquer coisa por você, espoleta.” Ela então adormeceu, acreditando que a maior parte disso era verdade.

1

Cosmético a base de galena moída e outros ingredientes, usado como rímel principalmente pelas mulheres do Oriente

Médio, norte da África, África subsaariana e sul da Ásia.


Capítulo Sete A mão dela era macia e quente na dele enquanto os dois encaravam a grande porta francesa que ia do chão ao teto e os separava da varanda do palácio. Era o amplo estrado de onde ele fazia seus discursos e suas promessas para seu povo. Agora era hora de fazer mais uma. Algo havia mudado na noite anterior no Cairo; algo tinha acalmado Amy e ela não o olhava mais com fúria. Ela tinha parado de examinar telefones e atendentes de balcão com melancolia. Era mais do que isso, até. Era diferente pra ele também. Ele sempre tinha sido um homem que podia tomar ou largar suas mulheres. Enquanto o harém tinha seus prazeres, particularmente com Kamala – que era adorável e tinha uma língua tão incrível e delicada – mesmo então, ele nunca sentia que essas mulheres o afetavam. Ele tinha escolhido Amy porque ela o interessava, porque ela era linda e feroz, mas ela estava destinada a ser, como ele havia dito a Hakim, nada mais que uma distração. Uma rainha, sim, mas ele não estava esperando um amor profundo até a alma. Apenas dois dias haviam se passado com ela. Ele ainda não ia dizer que era exatamente isso que estava sentindo. Mas era algo. Ele nunca tinha dormido tão bem quanto ao segurá-la em seus braços. Os pesadelos que o haviam atormentado desde a morte de seu pai não tinham incomodado na noite anterior. E na manhã seguinte ele não podia ter prazer maior do que assistir os raios dourados do sol nascente brincarem sobre os cabelos negros e a pele pálida dela. Ela estava se tornando mais do que um desejo ou uma obsessão para ele, e ele queria desesperadamente que seu povo entendesse isso. Mais do que seus sentimentos ou os de seu povo, no entanto, ele esperava que ela também estivesse mudando. Ele esperava que ela também quisesse fazer isso dar certo, ao invés de estar apenas aguardando o momento certo para tentar escapar. Ele não podia ter certeza, mas o


contentamento naquelas profundezas cor de safira tinha parecido tão real e tranquilizador naquela manhã. Ele não acreditava que ela pudesse esconder aquilo, que ela tivesse aquele tipo de habilidade. Ele se agarrava a isso porque queria sua rainha a seu lado, tão comprometida com tudo quanto ele era. “Estamos esperando? Pensei que as câmeras e os conselheiros do governo e o resto todo estivessem aqui esperando por nós,” ela disse com a voz hesitante. Ele estendeu a mão e empurrou o cabelo dela do rosto. Às vezes suas franjas negras, pontudas e bagunçadas, caíam em seus olhos. O cabelereiro real teria que dar um jeito de consertar aquilo. Os olhos dela eram profundos como o oceano e nunca deviam ser escondidos do mundo. Eles eram tão régios quanto ela viria a ser. “Você não tem nada a temer. Meu povo vai te amar. Eles viram o quanto Omai e as outras terras se deram bem com suas noivas americanas. Eles sabem que você vai servi-los bem.” Ela assentiu. “É muita gente. Eu nunca esperei ser o tipo de pessoa que atrai multidões.” “Confie em mim, espoleta, você parece o tipo de mulher que pode fazer isso e lançar dez mil navios,” ele respondeu, beijando-a na bochecha. “Você está pronta, não está, Srta. Monroe?” Ela suspirou e baixou os olhos para os azulejos do chão do palácio, aparentemente hipnotizada pelos padrões geométricos e pelos intricados triângulos azuis e dourados ali. “Você não quer dizer ‘Xeica Yassin?’” “Você não é oficial ainda, mas vai ser, e será glorioso.” Ela suspirou e olhou para ele, mas mesmo ele não conseguia deixar de reparar no olhar lacrimoso dela. “Apenas me prometa que eu não vou me perder, que você não vai me dispensar quando eu deixar de ser novidade, e eu vejo aonde essa aventura vai me levar.” Ele se segurou para não dar um largo sorriso. Essa era a melhor notícia que ele tinha escutado em meses, especialmente com os perigos que ameaçavam sua nação, que estava a um passo da guerra. “Bem, eu suponho que tentar – e parar de insistir que eu sou seu maldito sequestrador – seja um começo.”


“Não é? Não deixe isso tudo lhe subir à cabeça, Dvar.” “Eu nunca deixo,” ele disse, pegando o braço dela no seu e guiando-a para a varanda. A multidão era de centenas abaixo dele, todos os seus súditos leais em seus robes e burcas mais finos, todos eles aplaudindo no instante em que ele e Amy alcançaram a balaustrada. Ele pegou a mão dela com a sua e levantou ambas sob suas cabeças, como se eles fossem os vencedores de uma corrida. Talvez, se isso desse certo, essa seria uma vitória ainda maior: encontrar amor e consolo um no outro em um mundo tão difícil. Beijando Amy nos lábios, ele soltou sua mão e caminhou até o pódio. Ele havia preparado uma curta declaração, afinal ele precisava fazer com que seus súditos compreendessem a alegria que ele tinha trazido para eles. Falando em árabe, ele disse: “Meu povo, a Jardânia sempre foi uma nação forte, uma nação orgulhosa.” Os aplausos da multidão e os próprios olhos da sua espoleta concentrando-se nele com tanta atenção encorajaram Dvar a continuar. “Nós somos um feixe de esperança e progresso para nossos vizinhos, uma terra que vem mantendo a paz desde os sacrifícios de meu pai. Nós sempre resistimos e, mesmo com as coisas ficando difíceis mais uma vez, eu trouxe um grande presente dos Estados Unidos. Essa é Amy Monroe, futura Xeica Yassin da Jardânia e, um dia, a mãe dos meus filhos, do próximo xeique. Acolham-na com o mesmo calor com o qual vocês me acolheram depois da morte de meu pai, acolham-na em nosso rebanho.” Ele sorriu e desceu do pódio, andando da direção de Amy e trazendo-a de volta para ficar ao lado dele como a rainha que ela era. “Sua Xeica!” A multidão rugiu, aplaudindo ruidosamente abaixo deles. Alguns dos homens removeram seus turbantes e abanaram-nos no ar em sinal de aceitação, tentando disfarçar seu entusiasmo. Ao lado dele, o rosto de Amy era tão expressivo: o queixo dela estava caído e seus brilhantes olhos azuis reluziam no sol do final da tarde. Ela devia estar tão impressionada quanto ele, especialmente com o calor de seu povo se estendendo até ela.


Dvar se inclinou e deu um longo beijo nela, sua língua se enroscando com a dela. Se afastando, ele sorriu para ela, cutucando-a levemente com sua barba bem aparada. “Bem vinda ao lar, espoleta.” *** Amy ficou aliviada quando as festividades da tarde acabaram. Ela presumiu que, logo depois de sua recepção surpreendentemente calorosa, ela seria levada diretamente para o quarto que compartilharia com o xeique. No entanto, Dvar tinha franzido a sobrancelha de forma apologética e disse que tinha uma conferência por telefone com seus primos sobre a crescente crise do Leban. Phedre a levaria para os quartos do harém e faria o possível para acomodá-la com uma roupa apropriada para a noite. Phedre também a apresentaria para o resto do harém. Ele estava com tanta pressa que ela sequer teve a chance de perguntar sobre isso. Ela seria mais uma dentre tantas? Mesmo que ela fosse a rainha e a pretensa mãe de seus futuros filhos um dia, ela teria que competir por atenção num mar de mulheres núbeis vestidas em caftans minúsculos e calças de gênio? Ela simplesmente não sabia e aquilo a aterrorizava. Ainda assim, ela sorriu enquanto a mulher mais velha a guiava pelos corredores longos e sinuosos que levavam aos quartos do harém. Phedre era adorável, mesmo que seu cabelo tivesse ficado quase completamente grisalho na velhice. Era um cabelo longo, que descia pelas suas costas até os quadris em uma trança longa e grossa. O nariz dela era agudo e ligeiramente adunco, e seus olhos castanhos eram calorosos e gentis. “Então,” Amy disse, surpresa ao perceber que não estava mais tentando lutar contra aquilo. Ela não pensava mais em se virar e sair correndo para salvar sua vida e sua liberdade, ela não olhava mais ao redor procurando um telefone ou outro meio de comunicação. Certamente, sua irmã Alexis a veria no noticiário em breve, de qualquer forma. Ainda assim, depois da noite anterior e da segurança que ela havia sentido ao dormir nos braços de Dvar, ela não queria fugir. Adicionando a isso as estimas calorosas daquele povo e a beleza tanto da Jardânia quanto do


palácio, então era como um conto de fadas. Mas grande parte dela não acreditava nisso. Ela sabia que não ia durar. Afinal, Amy não era esse tipo de garota. Coisas felizes não aconteciam com ela. Ela era a garota abandonada e sozinha, a garota que enrolava e que não tinha um plano de vida. Ainda assim, ela podia seguir com o fluxo. Ela podia tentar. Mesmo que durasse só um pouco, mesmo que fosse uma glória efêmera como no filme A Lenda dos Beijos Perdidos, ela ia tentar. Ela se permitiria ser feliz, mesmo se apenas por um tempo. Afinal, uma voz fria e fina lhe disse, se enrolando no aperto de suas vísceras, você nunca teve planos ou um futuro de verdade pra início de conversa. Phedre percebeu que Amy tinha se perdido em pensamentos e se voltou para encará-la, seus grandes olhos castanhos repletos de preocupação. “Então o que? Minha xeica, se você me permite, você parece preocupada. Eu não entendo como isso pode ser. Todos estão encantados com a sua presença aqui. Pra ser sincera, faz anos que não vejo Dvar sorrir assim.” “Ele está sempre brincando comigo. Ele é tão jovial que eu não posso acreditar que ele seja reservado.” “Ele é assim com você,” ela ressaltou. “Conosco, minha xeica, ele é muito mais reservado. Eu vejo como ele sorri com você, e eu fico feliz que ele tenha isso. Eu tentei ajudá-lo e confortá-lo o máximo que pude desde que seus pais se foram.” “A mãe dele?” “Ela morreu alguns depois do pai dele, basicamente definhou...” “Puxa vida,” Amy disse, e as duas recomeçaram a andar. “Mas eu não entendo.” “Não?” “Não, quero dizer, claramente ela deve ter amado o pai dele, eu imagino, se você diz que ela morreu por causa de um coração partido.” “Sim, basicamente,” a outra mulher disse virando à direita. Talvez fosse bom que Amy não estivesse tentando fugir. Afinal, mesmo que ela escapasse, ela nunca conseguiria achar o caminho


pelas passagens labirínticas do palácio. “Mas porque você duvidaria disso?” Amy corou, sentindo o sangue correr rapidamente por suas bochechas. ���Bom, ele ainda visitava o harém, não visitava?” Se Phedre sentia alguma vergonha por fazer parte daquilo, ela não disse nada a respeito. “Sim, mas isso é diferente. O xeique e eu ocasionalmente tínhamos relações físicas, até a sua morte, mas era só isso. Ele amava sua rainha, mas precisava de alívio de outras maneiras.” “Mas isso não é amor! Nos Estados Unidos nós nunca fazemos isso.” “Não existem casos ou casamentos abertos ou poliamor?” “Ora vamos, isso não é a mesma coisa. Você fala de um casamento de verdade, mas aí ele pode dar um pulo do outro lado do corredor, onde tem um punhado de beldades, e escolher qualquer uma que quiser, como se estivesse num maldito buffet!” Phedre riu. “Eu entendo porque Dvar se diverte tanto com você. Você tem um fogo tão forte correndo por dentro... Você não entende nada dos nossos costumes, mas você acha que sabe. Se essa raiva é a respeito do seu xeique e do que você teme que Dvar faça, até onde eu saiba, ele ainda não decidiu como vão ser seus arranjos.” “Então isso me faz sentir tão melhor. Ele me roubou da minha casa, e eu sinceramente estou intrigada demais com o que ele tem a oferecer para dizer não completamente; mas, ao mesmo tempo, como ele pode dizer que eu sou importante quanto ele tem dúzias de mulheres babando atrás dele toda noite?” “Isso é algo que vocês vão ter que resolver juntos,” Phedre disse, fazendo uma última virada. Elas pararam na frente de uma porta enorme, que tinha pelo menos quatro metros de altura e era entalhada na madeira mais densa. A porta era folheada a ouro e Amy de repente sentiu que precisava falar a senha correta para poder ter uma consulta particular com o Mágico de Oz. “Uau, eu vim parar nas 1001 Noites de verdade, ou no mundo ideal do Aladim? Eu... nossa!” Phedre sorriu. Era um gesto de esfinge que não disfarçava seus verdadeiros sentimentos, não de verdade. “Agora você entende porque as mulheres largam suas famílias e vêm pra cá tão


jovens e esperançosas. Quarenta anos atrás, eu me senti como você quando vi com meus próprios olhos. É surreal e maravilhoso.” Ela estendeu a mão e abriu as grandes portas com um empurrão. “Benvinda ao harém, minha xeica.” Amy arfou ao ver o enorme teto em arco. Era cheio de mosaicos, e teria caído muito bem em uma mesquita ou nas antigas torres que ela tinha visto no Cairo. As sedas mais brilhantes estavam penduradas no teto, criando um lindo dossel para um espaço tão grande quanto vários campos de futebol. De um lado havia uma série de penteadeiras antigas, todas feitas de mármore branco e enormes espelhos. Do outro havia uma coleção de travesseiros macios, também feitos de sedas e cetins tão brilhantes quanto um arco-íris. Finalmente, havia uma coleção de camas – de solteiro, mas ainda assim adoráveis –, cada uma com seus próprios postes e também dosséis. Devia haver duas dúzias delas espalhadas por um dos lados do quarto, e agora ela sabia que havia vinte e três mulheres (Phedre era obviamente como uma mãe para Dvar) competindo com ela. Vinte e três mulheres que poderiam um dia dar prazer a ele caso ela não conseguisse. E mesmo que ela o conhecesse há apenas dois dias, sua garganta queimou e seus olhos se encheram de lágrimas. Ela era pequena e leve, uma menina pálida com um cabelo que ela mesma tinha tingido e cortado em nome da experimentação dos vinte e poucos anos. Ela não podia competir com essas beldades exóticas e roliças, com curvas que se estendiam por dias e seios tão bem ressaltados pelas sedas que elas usavam. Amy era sem graça, afinal, e não havia nada que ela pudesse fazer para vencer contra essas mulheres. Quando ele quisesse vir aqui, ele viria. Uma mão gentil estava em seu ombro e os olhos escuros de Phedre a observaram repletos de ansiedade. “Você está bem, minha xeica?” Ela assentiu. “Eu simplesmente não fazia ideia de que as coisas aqui eram tão intrincadas, tão bonitas.” Amy tinha tentado dar a entender que estava falando apenas dos arranjos, mas ela estava bastante certa de que não havia enganado Phedre, e enxugar os olhos não tinha ajudado


muito a esconder seus verdadeiros sentimentos. Uma garota alta, que não podia ter mais de dezenove ou vinte anos e que era, no mínimo, uma cabeça mais alta que Amy, se aproximou a passos largos. Ela tinha um peito amplo e largo que mal cabia dentro de sua bandoleira. Seu rosto em forma de coração era marcado por um nariz estranhamente aquilino e olhos frios e cinzentos que a encararam de cima. “Sim, nós somos lindas, não somos, rainha?” a voz da garota estava revestida de desprezo. Amy se ergueu o mais alto que conseguia (está certo, não era muito) e colocou as mãos nos quadris. “Quem é você?” “Meu nome é Kamala, minha rainha, e eu sou a favorita do harém. Eu fui treinada como acrobata em minha juventude e o xeique sempre favoreceu minha flexibilidade.” Ela sibilou essa última palavra, e Amy suprimiu o impulso – aquele desejo intenso – de estapear a outra mulher. Isso talvez enfurecesse Dvar, mas, pior ainda, talvez fizesse com que os outros tivessem pena daquela vadia. Isso não podia acontecer. “Então, como posso ajudá-la, minha rainha? Você precisa de um vestido melhor? Ou talvez você queira ajuda com essas pontas duplas?” Ela balançou a cabeça e enrolou as mãos em punhos ao lado do corpo. “Na verdade, eu tenho Phedra, que com certeza pode me ajudar.” Com isso, ela caminhou para as penteadeiras e esperou que a mulher mais velha se juntasse a ela. Quando Amy falou novamente, suas palavras saíram rápida e furiosamente, e ela não conseguiu manter sua voz tão uniforme quanto gostaria. “Quem é ela? Não é possível que ela seja a preferida de Dvar. Não é possível. Ela é fria e cruel e parece uma maldita cobra, até eu consigo sentir.” Phedre balançou a cabeça. “Ela é certamente a favorita, e ela não mentiu a respeito de seus, como ela disse, talentos.” Seus ombros caíram e ela se sentiu grata pela gentileza de Phedre, feliz pela outra mulher que a abraçava e ninava. “Ela é a favorita?” “Ela era antes de você chegar, e ela não é feliz. Ignore o que ela diz. Há um ditado aqui que diz ‘apenas corações envenenados podem criar palavras tão venenosas’. É ciúmes, minha


querida, então não preste atenção.” Amy suspirou e olhou para seu pálido reflexo no espelho. Ela parecia cansada e exaurida do estresse e das viagens dos últimos dias. Havia grandes olheiras cinzentas abaixo de seus olhos, e ela não se parecia nada com a outra garota, com sua pele morena e seus olhos lindamente delineados. “Talvez isso não vá durar sequer o tempo de uma piscada.” “Ou você devia confiar em mim,” Phedre disse, pegando um pente e algumas embalagens de maquiagem. “Kamala era sem graça quando chegou aqui, e eu a ajudei a descobrir como melhor utilizar seus dotes femininos. É assim que as coisas são, e eu vou te treinar.” “Por quê? Não é inevitável, já que Kamala é a favorita?” “Ela é uma valentona e é cruel com todas as meninas aqui. Não tem nada que eu gostaria mais do que vê-la humilhada e mandada embora,” ela continuou, pegando um brilhante pente de prata encravado com rubis e diamantes. O pente tinha o formato de um falcão e Amy sorriu, se lembrando de sua recente viagem ao Cairo. “Minha rainha, quando eu terminar com você, nenhuma mulher chegará aos seus pés. Será minha honra e meu prazer.”


Capítulo Oito O jardim estava disposto com tudo que ele podia imaginar. Na noite seguinte, depois de um longo dia de reuniões, Dvar tinha preparado tudo para um piquenique perfeito com sua rainha. O próprio jardim era um lugar ideal. Ele continha adoráveis gavinhas dependuradas de madressilva e hera. Havia lindas estátuas de querubins e anjos feitas de mármore. Ressaltando tudo aquilo havia uma fonte central que se iluminava à noite e mudava de cores continuamente, do azul para o rosa para o lilás e de volta para o azul. No entanto, o destaque principal era a miríade de arbustos de rosas. Eles tinham feito parte da coleção premiada de sua mãe. Cada um tinha uma coleção diferente de flores e ele estava cercado de explosões de pétalas vermelho sangue, laranja e brancas. Algumas eram roxas ou até escuras, quase pretas, especialmente à luz da lua. Para o jantar, ele tinha arrumado algo simples, apenas alguns pães sírios e tâmaras. A carne era pernil de cordeiro, fácil de colocar entre o pão e fazer um sanduíche para levar à boca. Quando Amy entrou no jardim, ele precisou de todas as suas forças para não comê-la ali mesmo. Ela estava usando uma roupa que ele tinha comprado pra ela pessoalmente no mercado: calças de harém vermelhas que combinavam com uma bandoleira cravada de rubis e diamantes. Havia uma fina camada de tecido que cobria sua barriga, tecnicamente cobrindo aquela área, mas ele conseguia ver a linda extensão de pele branca por baixo da roupa facilmente. Ele ficou intrigado e deleitado com o botão azul safira no umbigo dela. Julgando por aquilo e pelos barretes e presilhas no cabelo dela – o longo cabelo dela – ele presumiu que Phedre tinha ajudado com as suas escolhas de moda e com as extensões adicionadas ao seu visual. Ele aprovava. Diabos, julgando pela maneira como seu pênis endureceu e pressionou contra o tecido de suas calças, ele tinha certeza, definitivamente, que ele inteirinho mais do que aprovava.


Os largos contornos de kohl nos olhos dela, os cílios longos e luminosos em volta de suas profundezas cor de safira, e os lábios dela que estavam vermelhos como sangue complementavam o look ainda mais. Ele mal podia esperar para ter aqueles lábios enrolados na sua ereção. O toque final era a simples corrente de prata descendo pelo pescoço dela, com seu cintilante amuleto azul, o olho mal, encaixado cuidadosamente entre seus seios. Ele finalmente ficou de pé, torcendo para que ela não notasse o quão entusiasmado ele estava em vê-la. Ela tinha passado a noite anterior com o harém uma vez que a sessão de planejamento dele tinha se estendido, e um dia sem ela parecia tempo demais. Era como se ele tivesse corrido uma maratona e pudesse finalmente – só agora, depois de vinte e seis milhas – beber a bendita água em volta dele. Dvar lhe deu um abraço apertado enquanto sorria. “Minha xeica, você está adorável. Verdadeiramente quente, como uma espoleta deveria ser.” Ela elevou os olhos para ele e ele percebeu aquele delicioso rubor cobrindo as pálidas bochechas dela. “Que bom que você gosta. Eu... esse lugar inteiro é incrível. Eu sinto que cada cômodo é mais lindo que o anterior.” Ele riu ao guiá-la para o cobertor. Atrás deles, a fonte se ascendeu com a luz roxa, complementando o brilho nos olhos dela magnificamente. “Você viu tão pouco. Quando as coisas se acalmarem, eu mal posso esperar para te levar aos estábulos, para que você possa ver como os meus cavalos árabes premiados são lindos. Meu tio criou muitos, e eu aprendi o hábito com meu primo, Munir. Você vai gostar deles.” “Eu, ah, não sei montar,” ela disse, olhando para baixo e se assentando no cobertor. “Isso não vai ser um problema, vai?” Ele sorriu. “Eu acho que não. Afinal, espoleta, eu tenho a sensação de que há poucas coisas que você não consiga dominar. Você certamente conquistou os corações do meu povo e o meu.” Ela assentiu e ele observou a garganta dela se movendo quando ela engoliu em seco. “Eu acho.” Franzindo a sobrancelha, ele abriu a cesta e colocou a comida no cobertor. Ele também


pegou um champanhe e serviu uma taça para ela. “Você parece preocupada. Qual é o problema, Amy?” Ela piscou e ele percebeu que devia ser porque ele tinha usado o nome dela. Agora parecia errado provocá-la com Srta. Monroe – afinal, logo era pertenceria a ele legalmente, uma vez que a cerimônia fosse arranjada. Ela seria Xeica Yassin e seu nome antigo não cabia mais aqui entre eles. “Não é nada.” Ele deu um gole na sua própria bebida, se divertindo com as cócegas que as bolhas faziam no seu nariz. “Você não está com fome? É uma refeição simples, e eu prometo que guardei o pombo para outra noite.” Ele gesticulou para o cordeiro, que estava bem assado e praticamente caindo do osso. “Você não tem nada contra isso, certo?” Ela riu um pouco, parte do seu brio e do seu bom humor usual retornando. “Não é isso. E só pra você ficar sabendo, eu dei conta do pombo muito bem. Eu comi um completamente sozinha e foi a carne mais suculenta que eu jamais experimentei.” Ele sorriu e se aproximou dela. “Há outras coisas ainda mais suculentas para a sua boca, eu prometo.” Ela deu uma risadinha. “Eu acho que percebi isso.” Amy bebericou sua bebida e depois comeu alguns pedaços de pão sírio. “É só que conhecer o harém foi mais surpreendente do que eu poderia ter imaginado. Elas são tão lindas e eu não sei... eu nem sei quanto tempo isso vai durar.” Abaixando sua bebida, ele estendeu a mão e acariciou a bochecha dela. “Eu não peço a qualquer uma para ser minha esposa e me ajudar a liderar meus súditos. Isso aqui é pra valer.” “E eu estou disposta a ver aonde isso vai dar. Eu não tinha nada mais acontecendo em casa e os últimos dias têm sido pra lá de incríveis, mas eu sei que nada dura para sempre. Meus pais não duraram.” As narinas dele se dilataram e ele balançou a cabeça. “Eu não sou assim.” “Você tem vinte e três mulheres a menos de setenta metros daqui, todas dispostas e capazes


de servi-lo em todas as suas necessidades. Aquela Kamala não tentou esconder nada, de forma alguma.” Dvar levou aquilo em consideração. Havia coisas que ele adorava fazer com Kamala, ou pelo menos havia adorado. Aquela menina estava sempre disposta a tentar de tudo e ela era tão flexível, graciosa e ávida. Ele ia sentir falta daquilo, mas ele nunca teria previsto que sua noiva americana teria tanta aversão a um harém, considerando que arranjos abertos eram melhores do que o divórcio. Pegando ambas as mãos dela com a sua, ele as apertou com força. “Te incomoda tanto assim? O que eu e Kamala temos? Eu nunca a considerei como uma igual.” “Então talvez eu seja apenas um número divertido de judô verbal e uma reprodutora, se é que nós vamos chegar a isso.” “Não, não é isso de forma alguma.” “Então podemos tentar só nós dois? Podemos construir alguma coisa antes? Eu sei que um harém é tradição, e você teve anos pra aproveitar todas as vantagens dele, mas é muito importante pra mim que eu seja a única mulher a quem você recorre. Parece justo?” Ele inspirou profundamente e sentiu seu maxilar se apertando. Quando ele falou, sua voz estava baixa e deliberada. “Você não vai colocar limites no nosso relacionamento. Eu estou no comando, espoleta, e eu achei que você sabia disso.” “Você sabe que a minha irmã vai me visitar em breve. Nós acabamos de aparecer no noticiário da Al Jazira1 e eu sei que a Alexis vai ligar para checar como eu estou. Mesmo que você não me deixe atender, ela e Farzad estarão aqui em breve para ver com os próprios olhos. Se você não tentar fazer de mim uma prioridade, eu vou embora com eles. Eu juro. Dê um ano, e se não for o suficiente, se você ainda precisar de Kamala ou do resto do harém, então nós veremos.” “Você ainda está colocando condições.” “Não me importa. Eu vou te largar se você mantiver o harém.”


“É tradição.” Os olhos dela estavam queimando com fogo azul. “Se você me quer, então você tem que me mostrar.” Ah, ele ia mostrar a ela... Dvar empurrou toda a comida para fora do cobertor, não se importando se alguma coisa fosse parar na fonte ou em meio aos arbustos de rosas. Ele agarrou Amy e ela tentou se afastar, mas ela pertencia a ele, caramba, e ele tinha sido absurdamente paciente ao esperar tanto, não pulando em cima dela no segundo em que ela tinha entrado no jardim. Ela se contorceu por baixo dele, mas ele a segurou, prendeu os pulsos dela acima da cabeça e a segurou ali. Os quadris dele estavam se esfregando nos dela, e quando ela parou de se mexer ele soube que ela tinha sentido a sua ereção se aninhando nela; que ela tinha sentido a paixão se agitando dentro dele. Ele se inclinou para baixo e raspou os dentes pela pele do pescoço dela, e Amy estremeceu e gemeu embaixo dele. Ela não estava mais lutando ativamente para se livrar dele. Ele raspou novamente, dessa vez traçando seu caminho para a depressão na clavícula dela. Sua longa língua arqueou para fora e ele começou a lamber a pele macia ali, sentindo o gosto dela, aquele sabor de oleandro e especiarias, de verão ameno e de um frescor verde. Ela era divina. E ela era dele. Só dele. “Agora, estamos seguindo as regras de quem?” ele perguntou. Ela o encarou enquanto ele segurava seus pulsos. “Minhas.” Ele se esfregou nela quase dolorosamente, sua ereção provocando o cerne dela através do tecido de suas roupas. “Não. Regras de quem, espoleta? Você sabe quais. Diga!” ele enfatizou seu argumento sugando o ombro dela com força, deixando um chupão, a pele dela ficando roxa sob os lábios dele. “Diga!” Ela choramingou, seus olhos azuis encobertos por pálpebras pesadas. “Suas regras, Dvar.


Somente suas.” Ele passou a mão por baixo do tecido da bandoleira e encontrou o mamilo direito dela. Ele podia imaginar aquele pico rosa escuro embaixo da sua mão. Ele massageou o seio dela e pressionou os dedos contra o mamilo, fazendo com que ele se elevasse, pontudo. Amy gritou e se agarrou nele, mas não com desespero – com necessidade. Era puro e animalesco, e ele também não conseguia segurar seu desejo. O tempo que eles levaram para se livrar de suas roupas pareceu eterno. Mas logo ela estava deitada na frente dele, nua da cintura pra baixo, seus lindos cachos escuros como uma floresta convidativa na frente dele. Ele se inclinou e beijou o vértice das coxas dela, enquanto suas mãos brincavam e agarravam os seios dela. Voltando a se sentar, ele sorriu para ela. “Você pertence a quem?” “Você, só você,” ela disse, estendendo a mão e escorregando seus dedos delicados e habilidosos pela ereção dele. “Eu preciso de você dentro de mim, Dvar, por favor.” Ele obedeceu. Tempo demais havia se passado desde aquele banho, afinal. Ele se posicionou por cima dela e escorregou seu membro pelas macias dobras dela. Ele sibilou ao sentir o calor e aquele maravilho encaixe apertado que parecia massagear sua ereção enquanto ele entrava, centímetro por centímetro. Era um encaixe incrível, como se ela tivesse sido feita para ele. Os quadris dele se mexiam por conta própria, sua paixão atávica se espalhando por ele. Ele tentou ir devagar, fazer amor com ela, mas foi mais rápido do que isso, cheio de fome e urgência. Para ela a sensação era fantástica, e ele deixou uma mão descer para os quadris dela e apertá-los enquanto a outra tocava o clitóris. Amy sibilou e afundou as unhas o melhor que podia nas escápulas dele, por baixo da camisa. Ele gostava daquela pontada de dor, da insinuação de algo mais no aperto dela. Ela balançou com ele, suas pernas enroladas em sua cintura. O ritmo entre eles aumentou e ele sentiu suas bolas se contraírem em antecipação. Ela se inclinou para cima e o beijou, a língua dela se enrolando com a dele. Era agora.


Ele gozou então, entornando dentro dela, sentindo as espirais de prazer se lançarem através de seu corpo até ele desabar no cobertor abaixo. Ela ficou deitada ao lado dele, gritando com o próprio prazer e estremecendo ao seu lado. Eventualmente, depois que os dois haviam terminado, ele a pegou nos braços e a abraçou com força. Beijando o topo da cabeça dela e desviando por pouco do pente de falcão que ela usava - aquele cujos rubis contrastavam com seus cabelos, fazendo-os brilhar como ébano –, Dvar falou. “Eu te amo.” Ai, Alá, aquilo realmente tinha saído da sua boca? Ele piscou alertado, assim como ela, como se um balde de água gelada tivesse sido jogado sobre eles. Era muito difícil de acreditar, de entender. Ele amava apenas sua família. Sim, ele tinha se divertido com mulheres, ou ficado encantado com seus talentos, mas essa saciedade era completamente diferente e muito mais real. Olhos azuis, grandes e assustados, o encararam. Amy mordeu o lábio e hesitou antes de falar. “Eu não compreendo.” “Eu te amo, e você está certa, não há mais ninguém. Não vai acontecer mais nada com o harém, nunca mais.” “Eu…” Ele a beijou novamente, mas ela ainda estava embaixo dele. Se afastando, ele passou uma mão pelo cabelo dela. Era tão macio e sedoso ao toque, e ele teria que recompensar Phedre muito bem pela transformação que ela tinha feito. “Diga algo.” “Eu gosto de você e eu vou tentar. Eu fico muito agradecida que você concorde a respeito do harém, mas isso é tudo que eu tenho a oferecer agora.” Ele assentiu e a puxou para perto, sentindo seu corpo magro e rijo contra o seu. Não era tudo que ele queria, mas teria que ser o suficiente por enquanto porque ele não ia deixar sua espoleta ir. Nunca.


1

Maior emissora de televisão jornalística do Catar e a mais importante rede de televisão do mundo árabe.


Capítulo Nove Seis semanas depois Dvar franziu a sobrancelha para seu primo Farzad através da ligação no Skype. “Essa informação sobre as forças do Leban é precisa?” Seu primo suspirou e passou uma mão pelo cabelo escuro e rebelde. “Sim, meus melhores espiões a revisaram, e não há a menor sombra de dúvida sobre o que está acontecendo. Eles estão se mobilizando e logo estarão na sua fronteira leste como um enxame, se aliando com os rebeldes. Eu lhe enviarei tropas em breve, e eu e Alexis visitaremos na semana que vem para ajudar a colocar as coisas no lugar. Minha esposa talvez esteja um pouco irritada por você ter monopolizado a irmã dela por tanto tempo.” “Eu não monopolizei nada,” ele disse, sorrindo para o primo. “Eu tenho estado ocupado e Amy também queria curtir o período de lua de mel.” “Posso dizer que você é um grande imitador por ter pego sua própria noiva americana?” Dvar riu, longamente e com vontade. “Então você também é, já que seguiu os passos de Munir. Mas essas mulheres americanas, elas são uma coisa, não são?” “Elas são difíceis, mas elas valem à pena.” Dvar assentiu. “Eu concordo plenamente, mas você acha que nós damos conta do exército do Leban? Se a informação de Munir estiver correta, então talvez eles tenham recursos nucleares também.” “Primo, em três séculos, você já viu alguém foder com o Império Yassin?” Ele deu de ombros. “Eu retiro o que disse. Eu só queria…” “Eu também sinto falta do meu tio e do meu pai. Eu entendo,” Farzad ecoou. “Então nos vemos em uma semana, e vamos fazer todos os que nos desafiam se arrependerem.”


“Parece um bom plano.” “Seria um bom plano apenas se tivesse alguns passos mais detalhados,” Dvar disse, taciturno. “Nesse momento, tudo o que eu tenho é ‘dar uma surra no Leban’, mas não tenho um mapa de como de fato chegar lá.” “Então fique aliviado que há duas cabeças e talvez a ajuda daquelas fogosas irmãs Monroe.” “Sério, você permite que uma mulher planeje com você?” “Eu conheço bem a minha mulher. Te vejo no domingo,” seu primo respondeu, deixando a ligação cair. Dvar suspirou e beliscou o osso do nariz com os dedos. Sua cabeça estava latejando e suas palmas suavam. Tudo parecia mais possível com o apoio e as piadas de seu primo, mas na fria luz do dia e na extensão solitária da sua sala de reuniões, as coisas eram mais opressivas. Ele não podia deixar oito milhões de pessoas sofrerem por causa da crueldade do Leban, mas ele não era o líder que seu pai tinha sido. Mesmo então, da última vez que o Leban havia invadido, eles tinham perdido seu rei. Ele balançou a cabeça, preocupado com o que seria feito da sua terra. Além disso, ele tinha mais a perder a essa altura. Não havia apenas o seu reino ou o seu povo, com o qual ele se preocupava muito, mas também Amy, que ainda estava resistindo a alguns dos arranjos, mas que logo seria oficialmente sua xeica. Faltava apenas um mês para o casamento, já que tantos dignitários e outras coisas tinham de ser trazidos para o evento. Ele mal podia esperar pelo dia que ela seria dele oficialmente, quando o seu anel estaria no dedo dela e o mulá os uniria frente a Alá e a todos os demais. “Senhor,” Hakim disse, entrando na sala. “Eu trouxe o almoço. Tem algo mais que eu possa fazer para ajudá-lo?” Ele assentiu e considerou a oferta. “Eu vou comer.” “Isso seria uma novidade. Você parece ter perdido o apetite.”


“Essa guerra que se aproxima – acaba com a digestão de qualquer um.” “Então você precisa das suas forças,” Hakim retrucou. “O que pode te ajudar a relaxar?” Ele sorriu. “A espoleta é boa pra isso.” “Você não pode transar o tempo todo, meu xeique, mas talvez um longo dia com ela fosse bom. Talvez você possa finalmente mostrar os estábulos e os cavalos para ela hoje.” “Você é brilhante! Eu sabia que tinha um bom motivo pra te manter por perto,” Dvar retrucou. “Eu achei que era por causa da minha belíssima aparência, meu xeique.” “Dificilmente,” ele disse, se levantando. “Eu volto em breve.” Com isso, ele se apressou pelos corredores. Levou um tempo para chegar à ala onde ficava o harém. Às vezes, mesmo com suas preocupações a respeito das outras mulheres, Amy se confortava passando o tempo com Phedre. Ele passou pelas portas duplas e ignorou a multidão de mulheres se aglomerando à sua volta. Elas sentiam falta dele, mas a essa altura da sua vida, ele não sentia falta delas. Ele era especialmente cuidadoso em relação à Kamala, e seus olhos se estreitaram quando ela se aproximou dele. Ela não manteve a distância respeitosa das outras. Ao invés disso, ela se inclinou contra ele, pressionando seus seios contra o peito dele de uma maneira óbvia e desesperada. “Nós sentimos sua falta.” “Eu não duvido,” ele disse, colocando as mãos nos ombros dela e empurrando-a para longe. Ela tropeçou um pouco e uma carranca dura marcou seu rosto por um instante antes que ela conseguisse recuperar sua pose. “Se você jamais precisar de qualquer coisa, meu senhor, então você sabe onde me achar.” “Eu sei onde você esteve pelas últimas seis semanas, Kamala. Não é como se eu pudesse me esquecer.” Algumas das outras garotas deram risadinhas, e ele ficou satisfeito quando as bochechas dela enrubesceram de vergonha e raiva. Ela girou sobre os calcanhares e correu para o outro lado do cômodo.


Kamala ainda falou por cima do ombro ao se retirar. “Você vai me querer eventualmente, Dvar. Um leopardo nunca muda suas manchas.” Enrolando as mãos em punhos ao lado do corpo, ele a ignorou. Ele nunca voltaria para ela, não importa o que suas mãos e língua pudessem oferecer. Ele estava apaixonado e adorava sua futura esposa. Kamala podia apodrecer no inferno se dependesse dele, mesmo que os quadris dela fossem tão convidativos enquanto ela rebolava pra longe. Dvar se esgueirou pelo grupo até encontrar Amy perto das penteadeiras. Ela parecia estranhamente pálida, mesmo para uma americana, e ele se perguntou se ela tinha dormido mal na noite anterior. Ele estendeu o braço e agarrou seus ombros, e ela pulou nos braços dele. O que diabos está acontecendo? “Você está bem, espoleta?” Ela assentiu e olhou para ele. Ela estava suada também. “Sim, que surpresa. Pensei que você estava conversando com Farzad.” “Eu estava. Ele e a família estarão aqui em uma semana. Sua irmã tem reclamado. Talvez nós estejamos sendo amorosos demais.” Ela corou e mordeu o lábio, sua mão desviando um pouco em direção aos quadris. Aquele era um convite que ele adoraria aceitar, mas só depois que eles cavalgassem. “Eu adoraria vê-la. Eu acho que nós estivemos meio ocupados ultimamente...” Ele se inclinou e beijou-a, já endurecendo ao sentir o gosto dela em sua língua. “Estivemos mesmo, espoleta. Falando em estar ocupado, eu estava me perguntando se você gostaria de ir cavalgar comigo?” “Eu não sei se tenho coordenação suficiente para isso.” “Você consegue. Eu vou preparar a égua mais velha e gentil para você, ou pensar em uma alternativa. Eu tenho mais algumas coisas para fazer com meus generais.” “Sem boas novas de Farzad, então?” “Nenhuma,” ele disse, frustrado. “Mas vai haver. Nós vamos dar um jeito.”


“Ótimo. Eu mesma estava indo para o mercado. Eu... Phedre e eu íamos ver joias.” “Você pode ter acesso às joias da coroa se quiser.” “Mas eu estou com vontade de tomar um ar,” ela acrescentou, com o tom ainda hesitante. “Tem alguma coisa errada?” “Não,” ela disse, beijando-o novamente. “E não, não tem nada a ver com te deixar. Eu prometi tentar, e você tem sido maravilhoso.” “Sim, eu tenho. Nunca houve reclamações.” Ela revirou aqueles seus olhos azuis como gelo. “Não deixe que as coisas subam à sua cabeça, Casanova.” Ele colocou os quadris contra as costas dela. “Ah, outras coisas sempre ‘sobem’ por você, querida.” Amy riu e o beijou mais uma vez. “Nós estaremos de volta as três, e aí podemos ir cavalgar, mesmo tendo certeza que vou cair.” “Ótimo,” ele respondeu, acariciando a bochecha dela. E ele não tinha apenas imaginado que ela estava suada, não quando a sua mão tinha voltado escorregadia. “Você tem certeza que está bem? Você não está com febre, está?” “Não, só animada e agitada nessa temperatura quente, você sabe como é.” Ele assentiu e voltou apressadamente para o escritório, preocupado que ela estivesse escondendo algo dele, mas ele simplesmente não tinha certeza do que. *** Amy não estava se sentindo bem ultimamente. Ela não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas ela se sentia exausta quase o tempo todo. Talvez fosse apenas um ajuste dos invernos gelados e enjoativos de Boston para as temperaturas quentes e abafadas que chegavam a cinquenta e um graus Celsius nas terras desérticas que a cercavam. Ainda assim, depois de uma noite incrível com Dvar – e todas as noites eram incríveis – ela se encontrou esgotada e exausta como nunca.


Mancando um pouco para o quarto do harém, ela se sentou em um macio travesseiro laranja e acenou para Phedre. A mulher mais velha estava resplandecente naquele dia, vestindo um caftan cor de berinjela cravejado com cristais Swarovski. “Minha xeica, como posso ajudá-la hoje?” “Você pode me dizer se há algum médico que eu possa ver.” “Há um médico real.” “Eu digo na cidade. Eu não me sinto bem, mas não quero preocupar Dvar se for apenas uma insolação.” “Se você achasse que era apenas uma insolação, então você não estaria pedindo um médico particular só pra você.” “A guerra está se aproximando, e se for alguma coisa séria eu vou contar pra ele, mas, do contrário, a mente dele precisa estar clara para planejar.” Phedre mordeu o lábio inferior e considerou-a. “Pode ser, mas eu devo aconselhá-la a não manter segredos em um relacionamento, minha xeica.” “Eu só preciso saber por que estou tão cansada e...” ela parou então, sentindo a náusea subir através dela, e saiu correndo para o banheiro. Amy chegou lá bem em tempo de vomitar várias vezes na cabine fechada. Ela regurgitou até sua garganta começar a arder, até os músculos do seu peito ficarem doloridos com o esforço. Cansada, ela deixou sua cabeça pesar na porcelana fria e começou a chorar. Quase dois meses haviam se passado desde a sua última menstruação. Por um tempo, ela sequer tinha pensado que essa irregularidade era um sinal de que algo estava errado. Ela tinha passado por situações muito estressantes, jogada em um ambiente novo. Além disso, no passado, quando ela tinha sido patinadora, isso acontecia o tempo todo. Ela era tão magra que não tinha regularidade nenhuma, mas isso? Isso explicava tudo – a exaustão, a náusea, e a maneira como ela se sentia mal. Ai, Deus.


Ela não estava pronta. Ela sequer tinha certeza de que ia ficar aqui, de que Dvar conseguiria manter sua promessa a longo prazo para fazer dela a número um do harém. Mesmo com um filho, não havia garantia de que ela não terminaria como sua mãe: abandonada e jogada fora como lixo. O filho dela seria o herdeiro, mas ela não. Eles mal tinham começado a se conhecer, e era inevitável que o Leban e a Jardânia entrassem em guerra. Meu Deus, o que eu vou fazer? Braços cuidadosos e macios envolveram-na; ela enterrou o rosto no ombro de Phedre e chorou, deixando as lágrimas fluírem. A outra mulher balançou-a, acalmando-a e tentando ajudar Amy a estancar as lágrimas. “Eu conheço alguém. Nós vamos assim que você tiver forças.” Ela assentiu e seguiu Phedre para as penteadeiras. Ela precisava começar seu dia. Afinal, ela podia estar errada, mas Amy não achava isso. *** “Sabe,” Kamala ronronou, se sentando ao lado dela frente aos espelhos. “Você parece ainda mais pálida do que de costume. Isso é muito impressionante para uma americana como você.” Ela examinou a garota ao seu lado. Sua blusa, se é que aquele fino pedaço de seda podia ser chamado disso, tinha um decote generoso demais. Era quase pornográfico. “Bom, deve ser o que Dvar prefere,” ela disse friamente. “Você sabe que é só um interesse temporário, que ele só está fazendo o que os primos fizeram.” Kamala chegou mais perto dela. “Ele nunca permanecerá fiel a você. Ele nunca desejará um mestiço como próximo xeique herdeiro.” Amy a estapeou com força, feliz em ver o vergão já inchando no rosto da outra menina. “Meu sobrinho, Farid, é o herdeiro de Omai e ele é meio americano. É um ponto forte, não uma fraqueza.”


Kamala esfregou a bochecha. “Aproveite enquanto está no topo, sua vadia americana. Não vai durar muito.” Amy assistiu enquanto ela saía correndo e sorriu para si mesma. Era o único raio de luz em um dia completamente horrível. *** “Bem, minha querida, o exame de sangue veio positivo,” o médico disse. Ele era um homenzinho encarquilhado, com uma longa barba branca e ombros ligeiramente encurvados. Amy não sabia de onde Phedre o conhecia, mas ela estava contente por isso. Ele tinha maneiras excelentes, e foram apenas a sua doce gentileza e as mãos de Phedre segurando as suas que mantiveram os pés de Amy no chão. Fora isso, a cabeça dela estava girando e ela estava nauseada de uma maneira que, ela suspeitava, não tinha nada a ver com os enjoos matinais da gravidez. “O que eu faço agora?” ela perguntou. “Nós gostaríamos de fazer um ultrassom rápido agora, só pra ver como as coisas estão,” ele disse. “O feto vai ser pequenininho, pouco diferenciado, mas vamos só checar pra ver como ele está.” Ela assentiu e sua garganta estava seca demais para falar, para dizer qualquer coisa. Depois que ele saiu da sala, ela tirou o xale e a blusa. Deitando-se na mesa de exame, Amy descansou a cabeça no travesseiro. Então ela inspirou profundamente, lembrando a si mesma para não surtar ou hiperventilar. No mínimo, isso devia ser terrível para o bebê. As mãos de Phedre não haviam largado as suas, e ela as agarrou com tanta força que quase temeu estar machucando a outra mulher. Naquele momento, a velha amante do harém era sua única conexão com a realidade e a sanidade. “Shh, minha xeica, vai dar tudo certo.” “Eu só... eu ainda nem sei se Dvar me quer. Eu nem sei se ele vai voltar para Kamala ou se eu vou ficar. Tem dias que tudo que eu quero é ir para casa. E tem outros que ele me abraça


apertado e é o êxtase mais incrível que eu jamais conheci.” “Apenas descanse e considere os fatos. Aí você pode tomar suas decisões.” “Mesmo se eu não tiver ideias claras a respeito do que isso seja?” Phedre suspirou, mas não pôde dizer mais nada uma vez que o velho médico entrou pela porta com uma máquina de ultrassom, desajeitada e que parecia ter sido feita na década de 80. Ele montou-a e depois passou gel por sua ponta arredondada. “Agora, Srta. Monroe, isso vai ser bastante frio,” ele disse. Ela sibilou um pouco com a mordida gelada do gel e então, espontaneamente, virou o rosto para o monitor. Ainda não havia muito para se ver. A imagem era incrivelmente embaçada e, novamente, a máquina era consideravelmente velha. No entanto, ela podia distinguir a curvatura redonda do pequeno corpo em desenvolvimento e a grande cabeça. Pequenos olhos negros estavam começando a se formar. Seu filho. Não, é nosso filho; do Dvar e meu. Há algo realmente nos unindo, pelo menos eu espero. Lágrimas subiram aos seus olhos e ela sentiu-as correndo por suas bochechas. Aquela era a imagem mais linda que ela jamais tinha visto.


Capítulo Dez O cavalo era enorme. Ele era alto – ficava acima até da grande silhueta de Dvar –, e ela observou enquanto o monstro gigante chutava com suas patas traseiras. Sua crina escura esvoaçava e ele relinchou alto ao lado dela. Ele tinha uma sela, que ela notou ser grande e parecida com algo saído de um antigo filme de bangue-bangue. Pelo menos parecia grande o suficiente para uma cavalgada confortável, mesmo que ela estivesse morrendo de medo de ser jogada longe. Ela tinha prometido que ia montar, e agora não podia desistir. Não devia afetar nada. Dvar prometeu que ela não ia cair, que ele ia encontrar o cavalo mais calmo e ágil para ela montar. Encarando esse gigante, ela tinha a sensação de que isso não era verdade, nem um pouco. O árabe diante dela podia até ser maravilhoso, mas ela não tinha certeza de que ele era muito amigável. Estendendo a mão, ela deu um pulo quando ele relinchou de novo. Ao lado dela, Dvar riu e acariciou o ombro do cavalo. “Esse é o Tornado, e ele é o cavalo mais bem treinado do nosso estábulo. Eu mesmo o domei quando ele ainda era um potro e tinha acabado de ser castrado.” Ela se encolheu um pouco, mas finalmente tocou a bochecha dele. Era macio como veludo sob suas mãos. O cavalo soltou o ar pelo nariz e Amy, mesmo assustada como estava e com o coração ainda martelando, não conseguiu segurar um sorriso. “Ele é lindo, mas você jura que ele não é louco? Eu não sei se topo montar sozinha.” Sem perceber, ela passou a mão por cima da barriga. Talvez ela não fosse exatamente montar sozinha. “Você não vai. Eu decidi fazer um evento em grupo hoje. Depois eu te ensino na velha égua por si mesma, mas hoje eu estou no controle,” ele disse, oferecendo suas mãos com os dedos


entrelaçados para ajudá-la a subir no cavalo. Amy examinou o monstro mais uma vez e pisou nãos mãos dele. Ela confiava nele para a maioria das coisas, afinal; confiava no julgamento dele. Ela só não confiava nele plenamente no que dizia respeito a seu coração, e isso era muito mais complicado agora que ela tinha o filho deles dentro dela, agora que os riscos eram mais altos do que nunca. Ela levantou a perna e passou por cima do cavalo. Logo ela sentiu uma brisa por trás de suas costas e o cavalo se moveu um pouco sob o peso de Dvar. Braços fortes e capazes a envolveram pela cintura e depois passaram por baixo para pegar as rédeas. Ele estalou a língua uma vez e bateu os calcanhares com força na barriga do cavalo. E lá foram eles, trotando pela areia. *** Talvez ele tivesse outros motivos. Sim, ele queria ensiná-la a montar. Os árabes eram uma raça fabulosa, uma das raças mais valorizadas do mundo, e eles eram incríveis de cavalgar. Ele queria que sua xeica os amasse tanto quanto ele amava, que ela sentisse a liberdade da fuga. Eles trotaram juntos pela areia, a poeira em torvelinhos atrás deles. Ele adorava a maneira como o cabelo dela, ainda comprido com as extensões, esvoaçava atrás dela, uma cortina rica e escura de ébano que esvoaçava no nariz dele. Hoje ela cheirava a baunilha e romã. A vantagem – e motivo oculto – disso era que ele adorava sentir seus quadris contra os dela. Toda vez que o cavalo se movia, seus quadris impulsionavam para frente, caindo ritmicamente com a marcha poderosa do animal. Isso permitia que ele empurrasse sua extensão contra os quadris de sua amante, sua xeica, e era ainda mais incrível do que a velocidade e o poder embaixo dele. Depois de um longo trote, ele fez com que Tornado diminuísse a velocidade para um passo lento, e então inclinou para frente e beijou o pescoço de Amy. “Eu pensei que, depois de meia hora, você ia gostar de um descanso. Como você se sente?”


“Eu acho que minhas pernas parecem gelatina, e eu também tenho bastante certeza, meu senhooor, que minha bunda vai estar cheia de roxos mais tarde.” “Você sabe que isso foi só um trote, certo? Nós não estávamos galopando pelos campos, nem correndo.” “Não importa. Eu sou uma garota da cidade, nascida e criada, e não é como se eu tivesse prática. É uma experiência completamente diferente, sair fazendo ‘tum, tum, tum,’” ela bufou. Amy reforçou seu argumento olhando por cima do ombro, os olhos azuis cheios de alegria. “Foi um pouco demais. Sabe, você definitivamente me deve uma massagem com babosa essa noite.” Ele se inclinou e beijou o pescoço dela. “Isso é mais do que possível, espoleta. O prazer será todo meu. Quem disse que eu não arranjei essa coisa toda só pra te namorar?” Ela sorriu e empurrou as costas contra ele com a maior força que conseguia. “Eu acho que você fez isso sim. Você com certeza parece entusiasmado o suficiente.” A voz dela se tornou um ronronado baixo quando ela disse isso, fazendo o sangue bombear furiosamente pelas veias dele. As coisas que essa mulher fazia com ele. “Bom, você definitivamente parece melhor,” ele disse enquanto davam mais uma volta pelo ringue. “Você parece mais animada. Você estava tão suada essa manhã, eu fiquei realmente preocupado.” Ele enrugou a sobrancelha e perguntou. “Você se divertiu no mercado?” Os olhos dela estavam fixos no percurso à frente dele, mas ele sentiu o corpo dela congelar contra o seu. “Hein?” “O mercado? Você e Phedre foram comprar joias, como você disse, certo? Eu sei que Hakim as levou e as assistiu do mercado. Você gostou?” “Eu não achei nada,” ela disse depois de uma longa pausa, “que fosse tão maravilhoso ou útil, eu espero, como o meu amuleto de proteção contra o olho mal.” Ele revirou os olhos. “É um pingente tão simples, não é verdadeiramente digno da minha rainha. Você não gostaria de outra coisa? Minha mãe tem o mais lindo colar de diamantes no cofre.”


Os ombros de Amy caíram. “Significa o suficiente para mim que ele vai me proteger e trazer sorte à nossa família.” “Nossa família?” “Sim, você sabe, você e eu, mas também, ah, minha irmã, Farzad, e Farid, e todo mundo, com a chegada da guerra. Francamente, eu acho que nós vamos precisar de toda sorte que conseguirmos. Quem diabos rejeita sorte?” “Eu nunca tive superstições em alta conta,” ele disse, agarrando as rédeas com mais força. “Eu sempre gostei de pensar que eu faço a minha própria sorte. Meu pai sempre dizia que fatalismo é inútil.” “Então isso é estúpido. Eu não sou a Poliana, mas eu acredito que às vezes o destino – ou a sorte, ou o universo, pode escolher seu eufemismo – pode estar cuidando de nós, também; nós podemos contar com eles.” Ele bufou e cutucou o pescoço dela com o nariz. “Agora, espoleta, só falta você me dizer que existem anjos da guarda e santos, ou seja lá no que vocês cristãos acreditam, olhando por todos nós.” “Coloque mais desprezo nessa frase,” ela disparou. Ele puxou as rédeas e o cavalo parou. Agarrando os ombros dela, ele a girou para que ela o encarasse. “Só existe a sorte que nós fazemos. Eu não caio nas vicissitudes de nada mais.” “Então,” ela disse, seus olhos cor de safira soltando faíscas enquanto sua mão direita brincava com a corrente do seu colar. “Você está sendo um babaca e um idiota teimoso. Que surpresa! Às vezes não tem problema pedir um pouco de ajuda.” “E eu não acredito num homem por trás da cortina. Aliás-” ele começou. Então o cavalo soltou um guincho assustador e deu ré. O movimento imediatamente o jogou na areia. Horrorizado, Dvar assistiu enquanto Amy girava e agarrava a crina com as mãos. Ela gritou, soltando um guincho de furar os ouvidos, enquanto o cavalo disparava pelo percurso. Ele não foi longe antes de dar ré mais uma vez e colapsar. Dessa vez ela foi lançada e bateu com


força nas grades do circuito. Ele começou a se levantar, mas parou instantaneamente ao ver as familiares e terríveis espirais de escamas pretas e marrons. Era a víbora palestina, a mais mortal de todas as víboras da Jardânia, uma cobra com veneno o suficiente para derrubar um cavalo de corrida em menos de um minuto. Respirando o mais devagar possível e se movendo em passos curtos e leves, Dvar alcançou o coldre em seu quadril e pegou a arma que carregava consigo, sua pistola de serviço preferida, do seu treinamento militar. Em tempos de guerra e intriga, era tolice não andar com ela, e o xeique ficou tão aliviado de tê-la agora. Ele a puxou rapidamente e soltou a trava de segurança. A víbora cheirou o ar com a língua, tão enrolada em si mesma que ele sabia o que aquela postura significava. Ela então deu o bote e ele mirou, puxando o gatilho. O animal estourou com o choque da bala, e suas duas metades caíram na areia diante de Dvar. Passando rapidamente pela bagunça, ele correu para o acidente. Ele olhou para Tornado e era óbvio que o cavalo estava morto. O peito do animal não se movia nem um pouquinho, e seus olhos já estavam vidrados com o puxão da morte. As moscas, de alguma forma, pareciam sentir isso, e vieram descendo do céu. Ele passou por isso tudo e se encaminhou para o seu amor. Ela estava respirando, com inspirações lentas e superficiais, mas já era alguma coisa. Ele podia das um jeito. Se ela tivesse se machucado tanto que tivesse morrido... Não, ele nunca pensaria nisso. Ele não tinha a menor vontade de viver com uma dor tão dilacerante, ser separado dela dessa maneira. Se ajoelhando, Dvar a pegou em seus braços. Havia um corte feio em sua têmpora direita. Sangue jorrava abundantemente da ferida, se emaranhando no cabelo dela e marcando sua pele de porcelana.


“Espoleta! Você está bem?” ele pegou o braço dela e sentiu o pulso, fraco e entrecortado, e ele imaginou que ela ainda estivesse em choque. Ele a sacudiu com mais força, desesperado para despertá-la. Ela precisava recobrar a consciência. Se ela entrasse em choque completamente, ela talvez nunca saísse dele. “Amy!” Ela piscou para ele, claramente aturdida, e seus olhos azuis estavam obscurecidos pela confusão e pelo medo. Foi o suficiente para fazer o coração dele bater com tanta força contra o peito que ele podia imaginar seu esterno quebrando por causa da pressão crescendo dentro dele. Ele esfregou a bochecha dela e ignorou a maneira como sua mão voltou coberta de sangue pegajoso. “Amy, você consegue me ouvir?” Ela gemeu e então seus olhos reviraram para trás. Em pânico, ele a pegou em seus braços e rapidamente a carregou como uma noiva para o cocho. Pingando água no rosto dela, pelo menos ele conseguiu limpar as pegajosas sardas vermelhas do rosto dela. Depois de molhá-la algumas vezes, ela se sentou e cuspiu, seus olhos ainda fora de foco, mas ela parecia mais acordada do que antes. Pelo menos, dessa vez, ela falou. “Dvar? O que… minha cabeça dói tanto.” “Eu sei, e eu vou te levar para os estábulos. Eles podem nos ajudar.” “Estábulos? Eu não me lembro do que estávamos fazendo,” ela disse, procurando em volta selvagemente com os olhos, virando a cabeça até ver o enorme corcel morto atrás dela. “Ai, meu Deus!” “Não pense nisso,” ele disse, apertando-a com mais força. “Você está bem. Nós estamos bem, e vamos te levar ao médico. Não foi uma queda tão feia.” “Dói tanto, e eu estou preocupada com o bebê,” ela disse, explodindo em lágrimas e se enrolando no ombro dele. As mãos dele congelaram, e por um momento Dvar ficou chocado demais para processar o que estava acontecendo.


Um bebê? Ela está grávida? Desde quando, caralho? Ele empurrou a raiva e o choque para longe de sua mente, agarrou-a novamente e correu para os estábulos. Sua xeica e seu filho precisavam de um médico. E precisavam agora. *** Tudo era um borrão de luz, som e cor. Pelo menos, era o que Dvar sentia. O mundo era plano e agudo ao mesmo tempo, e enquanto esperava sentado na ala privada do hospital, ele não conseguia pensar em nada mais que em sua xeica e seu filho. Há quanto tempo ela estava grávida? Não podia ser muito. Afinal, não dava pra perceber ainda e eles só se conheciam há sete semanas. Mas uma queda? Será que isso ia matar a criança? Será que ia machucar Amy permanentemente? Será que ele conseguiria viver se eles perdessem a criança? Ele não tinha certeza. Ele não tinha certeza de nada. Afinal, como é que alguém podia ficar tão apegado a algo que sequer sabia que existia? Normalmente, ele a teria abrigado em uma ala segura do palácio, mas ele não podia. As instalações no hospital local, em Ahmud, eram de última geração, parte da Universidade de Pesquisa da Jardânia. Ele queria que todos os especialistas disponíveis estivessem presentes para esse caso, e ele estava ao telefone na maldita sala de espera contatando alguns dos melhores obstetras americanos, colocando-os em espera caso Amy e o bebê precisassem deles também. Finalmente, depois do que pareceu uma eternidade, um dos médicos saiu e tossiu para ele. “Meu xeique, eu posso atualizá-lo com relação à situação de sua noiva.” Ele olhou para cima e sua garganta estava seca como se a poeira do deserto a estivesse cobrindo completamente. “O que está acontecendo?” “Meu xeique, a queda resultou em uma concussão leve para a xeica. Nós aconselhamos que ela passe a noite aqui, sob observação, mas tanto ela quanto o bebê ficarão bem. Nós apenas achamos que cavalgadas e outras atividades extenuantes devem ser evitadas pelos próximos sete meses, mais ou menos.”


“Há quanto tempo ela está grávida?” “Aproximadamente seis semanas. Parabéns, meu xeique,” o médico concluiu, fazendo uma reverência eficiente. “Que a linhagem dos Yassin continue a crescer e prosperar com a nova vida crescendo dentro dela. Agora, se você vier comigo, você poderá ver os dois.” “Obrigado, doutor, e considere dobrado o seu orçamento para esse ano.” “Meu xeique, é muita generosidade, mas nós apenas fizemos o que teríamos feito para qualquer paciente.” Ele assentiu ao ser conduzido para o quarto. “Então espero que vocês continuem fazendo.” “Nós faremos. Agora, só alguns minutos – sua xeica precisa descansar e recuperar as forças,” o médico disse, sorrindo para ele. Dvar assentiu bruscamente e andou vagarosamente para a cadeira ao lado esquerdo de Amy. Hesitante, com medo de que ela o estivesse rejeitando e de que fosse por isso que ela havia escondido a gravidez, ele estendeu o braço e pegou a mão dela. Em sua ansiedade, ele tinha certeza de que estava agarrando com mais força do que deveria, com mais força do que seria considerado educado. Ele só não queria que ela fosse embora. Ele podia ordenar aquilo, é claro, e ela ficaria, mas ele queria que ela ficasse por vontade própria. Porque ela o amava, como ele amava ela. “Precisamos conversar, espoleta.” Ela suspirou e seus olhos estavam repletos de lágrimas; gotas frias e úmidas caindo do gelo de seus orbes azuis. “Eu sei. Eu só descobri sobre o bebê essa tarde. Phedre e eu fomos a um médico depois que eu vomitei e percebi que não tinha menstruado. Eu tinha pensado que era por causa da mudança de ambiente.” “Mas você sabia quando fomos cavalgar essa tarde. Por que não me contou?” Ela engoliu em seco e olhou para baixo, para suas mãos unidas. “Foi tão repentino, e eu não pensei que a cavalgada fosse ser perigosa ou difícil. Como é que eu ia saber que cobras iam surgir do nada?”


“Você devia sabre que andar a cavalo e fetos não são compatíveis.” “Eu só estava chocada. Eu não tinha certeza do que fazer ou do que eu queria.” “A Jardânia não tem as mesmas regras que os Estados Unidos,” ele disse asperamente. “Nós não ‘nos livramos’ de problemas sem mais nem menos.” “Eu nunca faria isso!” ela gritou, seus olhos azuis agora queimando de raiva. “Eu só estava com medo de te contar. Eu não quero que você nos rejeite.” “Você será minha xeica em uma cerimônia em alguns meses. Por que eu rejeitaria vocês?” “Porque eu não... eu sou só eu, e você sempre pode mudar de ideia.” Ele balançou a cabeça e colocou a mão sobre a barriga dela, sobre a criança crescendo entre eles. “Eu nunca te mandaria embora. Diabos, se você se lembra bem, eu viajei um mundo de distância para trazê-la para o meu próprio mundo. Mesmo considerando o nosso primeiro fim de semana juntos, toda a paixão que nós compartilhamos, eu nunca te quis tanto quanto agora. Eu não sei como você pode duvidar disso.” Ela fungou e esfregou os olhos. “Eu agradeço por isso, mesmo. Eu sinto muito que escondi minha gravidez, e eu não farei nada que coloque nossa criança em risco novamente. Ela é tão importante para mim quanto para você.” “Não parece, ainda.” “Eu pensei que a cavalgada ia ser com uma égua velha e tranquila. Eu não achei que fosse ser complicado.” “Então eu agradeço a sua cautela, Amy,” ele disse, se inclinando e beijando-a longa e demoradamente, e ele adorou o gosto da sua língua sobre a dela. Ela era voraz em seus beijos, gananciosa a faminta, e ele gostou muito daquilo. Ele só se preocupava que não fosse o suficiente, e aquela preocupação ainda o atormentava quando ele saiu do quarto para dar à sua futura esposa e seu filho o descanso que eles tanto precisavam.


Capítulo Onze Não havia nada mais reconfortante do que sentir os braços de sua irmã em volta dela. Amy relaxou no abraço de Alexis. Elas se pareciam, de certa forma: tinham os mesmos traços acentuados e aquilinos, os mesmos olhos cortantes, e o cabelo escuro. Amy tingia o seu num tom artificial de preto monocromático – ou, mais precisamente, tinha tingido, até que Phedre e as extensões a tinham transformado. Agora as únicas grandes diferenças entre Amy e sua irmã mais velha eram a estatura e a cor. Ela ainda estava pálida e exaurida dos repetitivos invernos de Boston, enquanto sua irmã tinha se bronzeado graças aos muitos anos vivendo sob o sol de Omai. Ela também era mais redonda, cheia de curvas macias por causa da gravidez de seu filho, Farid, que agora estava fazendo um ano. Falando no homenzinho em questão, seu sobrinho pulou na cama, apesar dos protestos de Alexis, e sentou no colo de Amy. Aqueles enormes olhos verdes – aquela perturbadora cor de jade – deviam ser a marca registrada da dinastia Yassin porque eles lembravam-na de Dvar. Amy lutou contra as lágrimas. Ela tinha estragado tudo. Além de ter que competir com as outras mulheres do harém, mais bonitas, ela agora tinha que superar o fato de que havia arruinado a confiança do seu noivo. Farid não falava ainda, ele era muito pequeno, mas ele choramingou um pouco e acariciou a bochecha dela. Ela suspirou e beijou o topo da cabeça do sobrinho. Deus, em menos de oito meses ela teria seu próprio filho – se era menino ou menina ninguém sabia ainda – e ela teria que cuidar dele. Jesus, sete semanas atrás ela mal estava sobrevivendo como barista. Mesmo com os recursos do seu futuro marido, e Phedre, e as outras mulheres em volta para ajudá-la, como ela poderia estar pronta? “Amy, nós soubemos que o bebê está bem. Como está a sua cabeça?” Ela suspirou e esfregou-a, sentindo as bandagens com pesar. “Ainda dói quando eu encosto


e eu me sinto tonta. No entanto, depois de passar a noite aqui, o médico tem certeza que não tem nada errado comigo. Não há nenhum hematoma subdural ou qualquer coisa perigosa.” Sua irmã suspirou de alívio e abraçou tanto ela quanto Farid. “Fico tão feliz. Você não faz ideia de como eu estava preocupada. Farzad… todos nós entramos no avião o mais rápido possível e ainda assim pareceu uma eternidade até chegar aqui. Eu não conseguiria descansar até ter você nos meus braços.” “Para ver com os próprios olhos? Eu sou uma garota Monroe. Nós somos duronas.” “Exatamente, e eu nem estou aqui para dizer ‘eu avisei.’” “Sobre cavalgar e gravidez? Porque eu não contei isso pra você, mas eu provei definitivamente que essa é uma péssima ideia, com certeza.” “Não, eu quero dizer, você tinha muito a dizer quando eu engravidei durante o curso de direito.” Ela suspirou. “Talvez esses xeiques Yassin realmente cheguem de fininho, você nunca sabe. Eu só... eu tenho medo dele não se importar de verdade.” “Por que você pensaria isso? Você devia ter ouvido ele no telefone com Farzad. Ele estava em pânico que você e o bebê pudessem ter se machucado. Definitivamente, você é a única coisa na qual ele tem pensado nos últimos dois dias.” Ela assentiu e acariciou o cabelo lustroso e escuro do sobrinho. “Mas talvez ele só se importe porque agora eu lhe dei um herdeiro. Talvez essa seja a única coisa que importa pra ele.” “Por que você pensaria isso? Deus, eu vi os olhos de Dvar quando chegamos aqui. Ele estava desolado e isso foi depois dele descobrir que vocês dois estavam bem. Eu acho que ele só estava preocupado que algo terrível pudesse ter acontecido com você.” “Bem, claro por que... eu simplesmente não sou uma menina de harém, tá bom? Você não entende. Tem uma mulher aqui que mal é uma mulher, talvez dezenove anos, se tanto, e ela era a favorita de Dvar e ele não prometeu que nunca vai visitar o harém. Agora eu vou ser uma bagunça gorda e grávida, e quão mais fácil não vai ser para ele voltar para alguém mais jovem,


núbil, e da própria cultura dele? Quero dizer, em comparação com Kamala eu podia muito bem ser comida de cachorro.” Os olhos de sua irmã se estreitaram. “Eu também me senti assim. Uma das mulheres do harém de Farzad tentou seduzi-lo e eu fiquei com a impressão errada. Isso me custou uns bons meses solitários, grávida e passando dificuldades em casa. Não valeu à pena. Se você está realmente preocupada com o harém, então você precisa fazê-lo entender isso. Mas eu encontrei o Dvar mais de uma vez. Eu não necessariamente aprovo o plano dele de roubar minha irmã.” “Como se essa também não fosse uma marca registrada dos Yassin.” “Verdade, mas ele não vai voltar para uma garota do harém. Se essa Kamala fosse tão ótima, então ela seria a próxima xeica, e ele estaria feliz com o herdeiro que ela estaria carregando. Você não perde pra ela.” “Eu sinto isso. Eu sou baixinha e pálida e tão comum, e ele ainda não prometeu que nunca mais vai amar outra garota de harém. Eu não sei mais o que estou fazendo,” Amy disse, as lágrimas se formando em seus olhos. Desde que ela havia descoberto que estava grávida, ela sentia que a única coisa que fazia era chorar. Nem era por causa das mudanças hormonais. Era o medo de que sua família, que mal havia começado, pudesse ser destruída tão facilmente pelas curvas matadoras e pelos olhos sedutoras de Kamala. “Eu nem sei mais o que eu sinto.” “Então você precisa conversar com ele e encontrar um pouco de paz nisso tudo porque ele te ama e eu vejo isso, mesmo que você não veja,” sua irmã insistiu, beijando-a na bochecha. *** “Você parece um morto-vivo,” Farzad disse, entregando uma xícara de chá pra ele. Dvar pegou-a e tomou o líquido avidamente, apenas ligeiramente irritado quando algumas gotas caíram em sua barba curta. “Obrigado, é o que trinta e seis horas sem dormir fazem com você. Eu também me sinto como um morto-vivo, então essa é uma vantagem.” “Então se prepare para se sentir pior ainda. O exército do Leban está se mobilizando na minha fronteira e na sua. Na próxima semana, eles vão lanças uma guerra em duas frentes. Eu já


tenho o compromisso do primo Munir e do exército americano. Nós estamos preparando nossas próprias forças para uma guerra em solo e logo será hora de atacar.” “Então eu irei para as linhas de frente, mesmo com a minha noiva grávida. Entendi.” “Você pode dar um pulo em casa, mas é hora de acabar com essa batalha de uma vez por todas. Eu estou cansado da intriga e dos rebeldes. Estou cansado de tudo isso. Nós precisamos acorrentar esses cachorros do Leban, eliminar cada um deles.” “Eu concordo. Eu só... eu perdi meu pai para a guerra, e eu me preocupo. Eu não quero deixar meu filho ou filha dessa maneira também.” “Nós temos quatro nações poderosas enfrentando o Leban. Em alguns abençoados meses, isso tudo terá terminado e nós teremos a vitória que precisamos tão desesperadamente.” “Eu espero que sim, meu primo, e eu espero que o custo não seja alto demais,” ele disse, olhando para o quarto onde sua querida espoleta estava, se recuperando e se consolando com sua irmã. “Essas são todas as boas novas? Por favor, me diga que não há nada mais grave no horizonte do que uma guerra aberta.” “Se pelo menos fosse só isso,” Farzad disse, se levantando e caminhando de um lado para o outro. “O que?” Ele suspirou. “Meus informantes, assim como a CIA, indicam que há um espião em sua própria casa, primo, que alguém na sua equipe – um de seus melhores amigos – deve estar vazando informações para o Leban.” “Isso é impossível.” Ele suspirou e levantou as mãos, as palmas abertas. “É de mau gosto atirar no mensageiro. Eu só quis dizer que você deve ter cuidado e trabalhar com mais afinco. Tudo é possível, e você tem que se acostumar com o fato de que há uma cobra no seu seio, alguém se escondendo no seu meio que quer prejudicar não apenas a Jardânia, mas muito provavelmente sua família.” “Então, mesmo parecendo impossível, eu vou começar a investigar isso,” ele disse, fechando


os punhos ao lado do corpo. “Nada vai machucar minha família. Nada.” *** Seis meses e meio depois... “Você tem que continuar comendo, espoleta,” ele disse, entregando a ela a salada fresca e o frango que o médico havia recomendado. Amy tinha desenvolvido diabetes gestacional e tinha de ser alimentada regularmente para não entrar em hiperglicemia e para que o bebê não entrasse em coma por causa do excesso de açúcar no sangue. Eles ainda não tinham perguntado pelo sexo. Ele queria muito saber, mas ela era tradicional e tinha insistido que seria muito mais divertido se fosse uma surpresa. Mas não saber estava matando Dvar, e era também um sentimento agridoce, de certa forma. Ele nem devia estar pensando nisso, mas ele estava extremamente preocupado que a criança pudesse morrer. O bebê era grande demais e com certeza nasceria prematuramente – talvez uma semana ou duas – graças à diabetes. Mas era mais que isso. Se ele perdesse sua criança, se os pulmões dela não funcionassem por causa da doença, se qualquer coisa desse errado... Bom, Dvar só queria saber o maldito sexo de uma vez. Amy mastigou seu filé de frango fracamente e até mordeu a maçã que tinha sido dada a ela. “Eu sei, mas é tão difícil...” Ele se inclinou e beijou a testa dela enquanto afastava o cabelo da sua pele suada. “Eu sei, mas quanto mais você comer, melhor você vai ficar – é pelo bem do bebê e pelo seu. Só falta mais um mês e o Dr. Rashid tem certeza que você vai aguentar.” Sua esposa fez uma carranca e se voltou para a comida. Fazê-la comer era sempre uma luta. Se ele estivesse num clima mais brincalhão, ele teria chamado aquilo de “a luta eterna”, mas ele nunca brincava, hoje em dia. Ainda assim, ela tentava muito, independentemente de quão doente ou exausta estivesse. É só que o cabelo de sua espoleta estava murcho e sem graça, seus olhos sempre pesados de sono, e sua respiração entrecortada. Com frequência, ela também ficava tonta. Era uma luta montanha acima, mas ela havia lutado como uma leoa por mais de seis meses.


Ele sabia que ela aguentava continuar, ou, pelo menos, ele esperava que ela aguentasse. Ela finalmente terminou a salada, mesmo que houvesse mais folhas verdes no prato do que ele gostaria. “Viu, eu comi tudo, como prometido.” “Quase. Você sabe que eu tenho que ir embora daqui a alguns dias, de volta para o front. E eu não quero.” Ela pegou a mão dele e colocou-a sobre sua barriga, que mesmo agora não estava nem de perto tão redonda quanto ele gostaria, não com a doença dela e sua dificuldade em se alimentar. “Nós não nos importamos. Nós sabemos que você é necessário.” “Meu pai também era,” ele disse, apertando o maxilar. Ela suspirou e beijou-o de forma casta. Ele sentia falta dessa parte do relacionamento deles. Agora eram apenas suaves beijos roubados e longas noites apenas abraçando-a, esperando que ela continuasse respirando até o alvorecer. Ele sentia falta da avidez física de seus primeiros dias, mas não o suficiente para voltar para o harém. Essa mulher, a única que ele amava, estava fazendo tanto para trazer o filho deles para o mundo. Como ele poderia não amá-la por isso? Nenhuma criança como Kamala ou qualquer outra mulher do harém poderia sequer sonhar em se comparar a isso. “Você não é o seu pai. Você vai voltar para casa, para nós. Eu tenho toda a fé do mundo em você,” ela disse, seu tom de voz calmo e claro. “Você acha isso, mas toda vez que eu estou lá, eu só quero estar aqui. Eu preciso acabar com aqueles bastardos do Leban ao leste, mas eu só quero abraçar minha esposa e meu filho, como estou fazendo agora,” ele disse, apertando-a com força em seus braços para reforçar seu argumento. “Eu voltarei o mais rápido que puder, amor, e depois disso eu não vou embora até ele ou ela chegar.” “Parece ótimo,” ela respondeu, chiando um pouco e mordendo o lábio inferior. “O que foi?” ele perguntou, bem familiarizado com os humores e as expressões de sua espoleta depois de tantos meses.


“Nada.” “Tem alguma coisa sim. Eu vou perguntar a Phedre. Ela é mais honesta que você.” “Você quer dizer,” Amy replicou, apertando os lábios, “que ela está mais disposta a te contar tudo.” “Minha espiã mais leal... Então, porque você está chateada? É porque Kamala entrou aqui atrás de Phedre como um maldito cachorrinho?” Amy balançou a cabeça muito forçadamente para parecer sincera. “Não, de forma alguma.” “Eu acho que é.” “Tá bom, eu fico cansada com o ar mandão que ela joga pra cima de mim. Às vezes, mesmo com tudo que nós passamos, eu tenho medo de você me mandar embora ou me manter como uma reprodutora, e apenas amar as meninas do harém. Elas são mais bonitas e são do Oriente Médio e sabem tudo da sua cultura, e eu estou tendo dificuldades de aprender tudo como se estivesse na escola.” Ele suspirou. “Você é a mãe do meu filho.” “Mas eu sou mais que isso. Eu te amo, e eu espero que você me ame também depois de tanto tempo juntos, mas eu tenho medo de estar errada.” Dvar deu uma risadinha e continuou rindo com mais força quando ela deu um soco fraco no ombro dele. “Não, continue fazendo isso.” “Eu estou abrindo minha alma e todas as minhas inseguranças para você, e você está rindo?” “Estou rindo porque é ridículo. Eu nunca te deixaria, e, francamente, agora que eu descobri que Kamala está te incomodando tanto, eu vou mandá-la de volta para as terras dos beduínos. Ela não cabe aqui.” Ele se inclinou e beijou-a, deixando sua língua dançar e massagear a dela. “Ela nunca vai caber aqui. A única mulher que eu quero é você.” “Mas por causa do bebê-” “Eu sempre quis você,” ele enfatizou, beijando-a novamente. “Agora descanse para poder comer a próxima rodada. Você sabe que o Dr. Rashid te colocou num cronograma rígido.”


“Eu sei. Se eu perder, pode ser um desastre para o açúcar dele e o meu,” ela disse, agarrando a barriga. “Eu farei qualquer coisa para protegê-lo, eu prometo.” “E é por isso que eu te amo,” ele disse, saindo do quarto e indo de encontro ao Dr. Rashid, que o esperava. Ele era um homem jovem, só um pouco mais velho que Dvar, mas era também um prodígio. Ele tinha entrado na universidade aos dezenove anos e trabalhava em Londres como um dos melhores especialistas em cuidado neonatal intensivo e gravidez de risco. Ele tinha sido trazido especificamente para atender a xeica vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, desde que o diagnóstico de diabetes tinha aparecido no terceiro mês de gravidez. Ele tinha descendência muçulmana, mas tinha sido criado por uma mãe britânica, então ele mantinha o rosto completamente barbeado, o que o fazia parecer ainda mais jovem. “Como ela está realmente?” ele perguntou. “Meu xeique, o bebê está tão grande que espero que ela entre em trabalho de parto a qualquer minuto, mesmo com um mês de antecedência. Você precisa atrasar sua visita às linhas de frente.” “Considere feito. E os pulmões do bebê?” “Serão bons o suficiente. Ele ou ela talvez precisará de tubos e de uma incubadora pelo primeiro mês ou dois de vida, mas tudo dará certo. Apenas não a deixe.” Ele olhou para o quarto de sua xeica. “Acredite em mim, nada me faria deixá-la.” *** Ela acordou com o sol do final da tarde infiltrando pelas grossas cortinas atrás dela. Piscando ao acordar, ela viu Hakim, facilmente distinguível por seu cabelo grisalho e sua altura, segurando uma bandeja carregada de frutas e verduras, assim como salmão fresco para o jantar. “Não precisava. Eu tenho certeza que Phedre podia ter feito isso.” “Minha xeica, é claro que eu preciso.” Ela franziu a sobrancelha, mas se sentou da melhor maneira possível. “Não tem problema, e


eu imagino que você tenha que examinar um monte de informações e reuniões e planos para a linha de frente.” Ele assentiu, mas puxou um pano e ela franziu a sobrancelha. Não era o estilo dele, andar por aí carregando lenços. “Eu tenho uma missão mais urgente, Amy.” Ela piscou. Ele nunca tinha chamado ela disso antes. Tinha sido “Srta. Monroe” até o casamento, e agora era sempre em deferência ao seu título de xeica. “O que está acontecendo?” “É só que o general do Leban quer conhecê-la,” ele bufou, colocando uma mão sobre a boca dela antes que ela pudesse gritar e enfiando o pano sobre seu rosto. Ela sentiu um cheiro cortante e enjoativo que queimou seu nariz. Depois nada além de escuridão.


Capítulo Doze “Ah, Xeica Yassin, é um prazer conhecer você.” A voz que assaltou seus ouvidos era dura e fria; como algo revestindo tudo em sua mente turva. Amy se sentou da melhor maneira possível, mas sibilou quando amarras morderam seus braços, algemas que a mantinham presa nas armações de ferro da cama, e com os braços e pernas abertos – mas vestida, graças a Deus. Sua garganta estava seca e sua visão nadava. Ela não tinha certeza de quando havia comido pela última vez e aquilo a assustava. Se ela não comesse, a hiperglicemia a dominaria. Pior ainda, seu bebê poderia entrar em coma por estar com níveis inapropriados de açúcar no sangue. “Quem é você?” “Eu sou o general das forças do Leban. Seu marido e os primos dele estão dizimando meus homens e nós estamos perdendo; eu posso ver a maré virando, a não ser que eu jogue uma boa mão.” “Eu não… o que?” ela piscou. “A última coisa que eu me lembro é do Hakim entrando com a comida e com clorofórmio, e o que diabos está acontecendo?” “Hakim tem sido um agente duplo muito leal. Eu não queria recorrer a isso,” ele disse, acariciando uma barba espessa e imunda que estava emaranhada de poeira. “Mas recorri. Seu marido tem uma escolha. Ele pode se render ao Leban e recuperar a esposa e o filho, ou ele pode receber a sua cabeça numa caixa.” “Você não pode fazer isso! Eu não importo, mas nossa criança sim. Por favor, eu tenho diabetes e se eu não comer, o bebê vai morrer de qualquer forma.” “Então,” ele disse, seus dentes amarelos brilhando na luz, “vamos esperar, xeica, que seu marido responda rápido,” ele disse, batendo a porta do quarto atrás de si, e ela já podia ouvir o clique da fechadura.


Ela se inclinou contra a cabeceira e usou todas as suas forças para tentar escapar, quase arrancando os ombros das articulações com seus esforços. Nada aconteceu. Gemendo, ela relaxou de volta no colchão. Desse jeito ela não podia nem alcançar seu filho, não podia nem reconfortá-lo. “Seu pai virá, meu bem. Você vai ver,” e ela tentou ignorar o tom oco e fraco de sua voz. Sim, Dvar viria, mas será que seria tarde demais?” *** “Onde ela está?” ele exigiu, correndo pela extensão da sua sala de guerra até Hakim. Ele tinha chegado uma hora antes para alimentar sua amada e ela tinha sumido. Ele também havia encontrado Phedre desacordada no corredor. Ela disse que Hakim havia feito aquilo, que ele tinha empurrado a rainha para seus subordinados e ela não tinha a menor ideia de onde Amy estava agora. Agora ele tinha as lapelas do robe de Hakim entre suas mãos e estava pressionando o outro homem com força contra a parede de mármore do palácio. Algo estalou e ele deu um sorriso largo, um sorriso feral, feliz com a dor. Ele estava sofrendo, então Hakim, o traidor, precisava sofrer também. “Onde está a minha esposa?” Hakim, alguém que ele tinha acreditado ser um amigo confiável, rosnou para ele. A expressão era tão estranha no rosto de seu assim chamado velho amigo que ele mal a reconheceu. “Eu passei todos esses anos sendo o ‘motoboy’ de uma criança fraca, alguém que só trouxe vergonha para seu pai. Você pode fazer o que ele teria feito e salvar seu país, ser um herói, ou você pode trocar a Jardânia, entregá-la para controle total do Leban. Você quer aquela vadia americana ou você quer o seu povo?” “O que?” “O general Hassad está com ela, e ele vai deixá-la passando fome até você se render a ele. Então faça sua escolha.” Ele examinou o outro homem, aquele que ele tinha visto como uma figura paterna desde que


seu próprio pai havia perecido nessas guerras intermináveis. Fechando o punho, ele deu um soco forte em Hakim, curtindo o estalo do osso ao quebrar o nariz do traidor. Seu punho voltou salpicado de sangue. “Minha escolha é minha família. Agora, vamos ao Hassad. Ele vai se arrepender de tudo isso.” Talvez não fosse a escolha que seu pai faria, tentar salvar sua família, mas era o que importava para ele, caramba, e ele não ia perdê-los agora. Puxando seu telefone, ele ligou para os dois primos e soltou uma rápida série de ordens. Eles iam levar a briga para o Leban e acabar com essa guerra e com esse tumulto de uma vez por todas. *** Ele entrou facilmente pelas portas do palácio de Hassad. Seus homens e seus primos estavam enfrentando o exército, até as forças armadas dos Estados Unidos estavam com eles. Ele se sentia como um caubói daqueles filmes de bangue-bangue que seu pai tanto gostava. Havia guardas perseguindo-o, mas pegar sua pistola nove milímetros e atirar nos lacaios foi um trabalho rápido. Correndo pelas escadas do palácio, ele procurou pelo quarto mais bem vigiado e encontrou-o rapidamente. Havia dez homens em volta. Ele se escondeu atrás de uma pilastra e jogou uma granada, contando até dez até que ela explodisse e espalhasse a guarda por toda parte. Dvar passou por cima dos pedaços de corpos e entrou correndo no quarto. Ele teve vontade de vomitar ao ver Amy, pálida e abatida, desmaiada na cama. Ela estava respirando, mas lenta e irregularmente. Pairando sobre ele estava Hassad, com sua barba emaranhada e um cigarro entre os dentes. “Ora, ora, Dvar, você é um tolo. Eu pensei que você se encontraria comigo diplomaticamente, cederia às minhas demandas. Ao seu redor, seus homens estão morrendo e as vidas de seus primos estão em risco. Você acha que pode ter sua rainha de volta? Já se passaram dois dias e eu não a alimentei, nem sequer lhe dei água. Você acha que seu fedelho sequer está vivo?” “Solte-a, Hassad. Abra as algemas e eu te levarei a julgamento.” “Eu acho que não,” Hassad disse, sua mão direita se aproximando da pistola em seu quadril.


Dvar foi mais rápido, deixando sua arma ressoar com um tiro retumbante que ecoou pelo quarto. O buraco era estranhamente limpo, atravessando o torso do general, e uma bagunça sangrenta já se espalhava por seu robe branco e seu peito. Ele começou a gorgolejar sangue e caiu de joelhos. Dvar correu para a cama, e só se permitiu tempo o suficiente para chutar o general agilmente nas costelas, apressando sua jornada para o inferno. Era mais do que satisfatório vê-lo desmoronar no chão e nunca mais se mexer. Estendendo a mão, ele acariciou o rosto de sua amada. “Amy, por favor, estou aqui.” Ela piscou para ele e falou com um sussurro, chiando pesadamente. “O bebê, eu não sinto mais os chutes... estou com tanto medo.” Ele assentiu e beijou-a. “Não se preocupe, amor, ele está salvo agora. Eu prometo.” E isso foi tudo que ele teve tempo de dizer antes que ela desmaiasse novamente, e ele começou a procurar a chave. *** Quando ela acordou, estava gritando. A dor dos últimos dias era demais. Amy se sentou ereta, radiante que as visões de seu marido salvando-a não tinham sido apenas alucinações. Ela olhou para baixo e encarou sua barriga reta. O que diabos... Em pânico, ela passou a mão no abdômen e estremeceu. Ela não sentiu nada. Estava lisa e muito menor do que ela lembrava. Ela não conseguia sentir seu bebê chutando ou se movendo. Ele tinha morrido? Pelo amor de Deus, o que estava acontecendo? Ela ficou de pé, se sentindo vacilar, mas persistiu mesmo quando foi assaltada por uma vertigem. Ao chegar à porta do quarto, tanto Dvar quanto Phedre correram até ela. Cada um a segurou por baixo de um dos braços, apoiando-a e mantendo-a ereta.


“Onde está o bebê? Eu... ele morreu?” Phedre riu. “Não, está tudo bem. Você estava tão doente que logo que voltou para o palácio o Dr. Rashid te anestesiou e fez uma cesariana de emergência. Você esteve apagada por alguns dias desde então, mas o bebê está na ala especial, numa incubadora. Os pulmões estão bem, mas ele precisa de descanso e comida.” “O que... o coma doeu?” ela perguntou. Phedre então a entregou completamente para Dvar e ela relaxou no abraço do marido. “Eu acho que você precisa ver esse milagre por si mesma, minha xeica.” Ela olhou para Dvar, para aqueles olhos de jade que pareciam dominar o mundo inteiro e o coração dela. “O bebê está bem?” “Nosso filho, Hamzah, está bem. Nosso leãozinho é forte. Ele não entrou em coma, e ele só precisa de mais alguns dias como prematuro, mas ele está bem. Forte como a mãe dele.” Lágrimas subiram aos seus olhos e ela beijou Dvar, curtindo o gosto dele e o almíscar que era tanto dele quanto do seu perfume caro. O cárcere com o general tinha parecido eterno, mesmo que tivessem sido apenas alguns dias de pânico. Agora eles estavam seguros, e estavam juntos. Tudo o mais era pequeno e sem importância. Eles tinham um ao outro. Ao entrarem no berçário, ela começou a chorar abertamente, radiante ao ver seu pequeno e lindo filho, o cabelo escuro já espesso em sua cabecinha. Estendendo a mão, ela o acariciou através das janelas da incubadora, ao mesmo tempo se inclinando contra o marido. “Ele é perfeito.” “Ele é.” “E eu o amo.” Dvar suspirou e beijou-a. Era um beijo que prometia muito mais por vir à noite, muito mais coisas que fariam seus olhos revirarem e a deixariam sem fôlego. “E eu amo vocês dois, minha xeica. Bem vinda ao lar.”


FIM

CLIQUE AQUI

para se inscrever na nossa newsletter e receber atualizações EXCLUSIVAS de todas as ofertas, prévias especiais e novos lançamentos!


Sophia lynn o segredo do casamento do príncipe rico (oficial)