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Heroísmo

sente,

mas

nunca

raciocina, e, portanto, está sempre certo. — Ralph Waldo Emerson


SINOPSE O novo romance emocional e inesquecível, best-seller do New York Times do autor da série On Dublin Street. O pai de Alexa Holland era seu herói até a chocante descoberta de que ela e sua mãe não eram sua única família. Desde então, Alexa tem trabalhado para mandar sua vida em uma direção diferente e fazer sua própria identidade longe de seus segredos terríveis. Mas quando ela conhece um homem que está tão danificado pelos erros de seu pai, Alexa deve ajudá-lo. Caine Carraway não quer ter nada a ver com os esforços de resgate de Alexa, mas não é tão fácil afastá-la. Determinado a fazê-la odiá-lo, ele força sua paciência e espera que ela vá embora. Mas suas ações apenas os juntam e, apesar das divergencias, eles começam um caso intenso e explosivo. Só que Caine sabe que ele nunca poderá ser o cavaleiro branco que Alexa sempre desejou. E quando eles estão no precipício do perigo, ele descobre que ele fará de tudo para proteger qualquer um deles de ser ferido novamente...


Capítulo 1 Boston, Massachusetts

Isso não estava acontecendo. Isso não poderia estar acontecendo. Eu enrolei minhas mãos em punhos para impedi-las de tremer quando fiz o meu caminho através do corredor para a sala de estar do apartamento de cobertura. Ele tem teto alto como de uma catedral e uma parede de janelas que dava para uma enorme varanda. A água do porto brilhava sob o sol. Um belo edifício com um cenário lindo e eu não podia apreciar nada disso porque estava muito focada em encontrá-lo. Meu coração parou ao vê-lo do lado de fora na varanda. Caine Carraway. "Alexa!" Minha cabeça se voltou da direção de Caine para a área da cozinha, onde o meu patrão, Benito, estava cercado por dois laptops e vários outros equipamentos para a sessão de fotos. Este seria o momento em que sorriria em saudação e me posicionaria onde ele precisava de mim. Em vez disso eu olhei de volta para Caine. O suco de laranja que tinha bebido naquela manhã revirou-se desagradavelmente no meu estômago.


"Alexa!" Benito de repente estava na minha frente, franzindo a testa e olhando para mim. "Oi," eu disse, sem interesse. "Onde você me quer?" Benito inclinou a cabeça para o lado, olhando para mim de uma forma que era quase cômica. Eu era alta em meus 1,75 metros. Ele tinha apenas 1,68 metros. Mas o que lhe faltava em altura, ele compensava com personalidade. "Por favor," ele me deu um longo suspiro de sofrimento, "me diga que eu tenho a minha Alexa normal de volta. Eu não posso lidar com a Alexa do desastroso dia das mães. Hoje eu estou fotografando Caine Carraway para a revista Mogul Top Self-Made Men Under Forty.1 Caine é para a capa." Ele lançou um olhar por cima do ombro para o referido modelo de capa. "Uma escolha óbvia." Ele levantou uma sobrancelha para mim. "Hoje é uma sessão importante. No caso de você não saber, Caine Carraway é um dos solteiros mais cobiçados de Boston. Ele é o CEO de Carraway–" "Financial Holdings," eu disse suavemente. "Eu sei." "Bom. Você também deve saber que ele é terrivelmente rico e incrivelmente influente. Ele também é um homem muito ocupado e um homem difícil de agradar, então eu tenho que ter essa sessão bem feita e rápido." Minha atenção se desviou de Benito para o homem que tinha iniciado com êxito um banco privado imediatamente após se formar na faculdade. De lá, ele eventualmente expandiu sua 1

Algo como homens brilhantes antes dos 40


empresa, construindo um portfólio de negócios diversificado, envolvendo

tudo,

desde

bancos

corporativos

a

hipotecas

residenciais, companhias de seguros, fundos de investimento, negociação de valores mobiliários, gestão de ativos, e assim por diante. Agora, o próprio Caine era o CEO de uma grande empresa de participações que foi a base de um conselho administrativo de empresários ricos e influentes. Segundo relatos, Caine tinha conseguido tudo isso através de uma determinação implacável, ambição, sede de poder e olhos de águia em sua organização. No momento, Caine estava ocupado falando em seu telefone com alguém, quando Marie, uma bela assistente, alisou as linhas de seu terno. O terno marinho de grife cabia em seu corpo com perfeição. Caine era alto, pelo menos 1,90, ombros largos, e visivelmente em forma. Ele tinha um perfil forte, com as maçãs do rosto afiadas e nariz curvado, o cabelo, que ele impacientemente empurrava a mão de Marie para longe, era grosso e tão escuro como o meu. Apesar de estarem firmemente apertados, eu sabia por outras fotografias, que ele tinha uma boca sensual. Definitivamente era o modelo da capa. E definitivamente não era um homem que se contraria. Engoli o nó que se formou em minha garganta. Que irônico ele estar lá, bem na minha frente, depois de toda a feiura que a morte recente e súbita da minha mãe tinha trazido à tona... e ele era uma parte da feiura.


Há seis anos que eu trabalho como assistente pessoal para Benito

um dos fotógrafos mais bem sucedidos e

temperamentais da cidade. Claro, Benito nunca foi melodramático com os clientes, apenas com seus empregados. No entanto, trabalhando com ele por um longo tempo eu deveria me sentir segura depois de todos esses anos. Mas não. Estritamente falando, eu costumava sentir como se estivesse segura no emprego. Mas perder a minha mãe há três meses, tinha feito com que problemas familiares viessem à tona e revelado algumas verdades duras que eu frequentemente desejava não ter sabido ber. Eu continuei com o trabalho, colocando uma cara brava. No entanto, não é possível ser tão forte quando você perde um parente, e, infelizmente, eu tive um colapso emocional durante uma sessão de fotos para uma das principais revistas femininas. Foi uma sessão de fotos para o Dia das Mães. Benito tinha tentado entender, mas eu poderia dizer que ele estava chateado. Em vez de me demitir, ele me disse para sair em umas muito necessárias férias. Assim, algumas semanas depois, aqui estava eu com um bronzeado cortesia do poderoso sol havaiano, e após a minha chegada esta manhã, eu não tinha ideia do que era a sessão de fotos ou para quem. Eu tinha recebido um e-mail de Benito com o endereço da sessão, sem qualquer outra informação. Eu era a sua Assistente pessoal e eu não tinha ideia do que o seu mais recente trabalho requeria – isso não soava bem para mim.


Então eu estava bronzeada, mas não tinha tirado minha mãe da cabeça, e agora estava muito preocupada que o trabalho pelo qual eu suei nos últimos 6 anos estivesse indo descarga abaixo de um banheiro muito caro dessa cobertura. Hoje tinha que sair tudo certo. Minha ansiedade aumentou dez vezes quando eu saí do elevador e vi as pessoas que zumbiam em torno do corredor e nas portas duplas abertas do apartamento. Havia mais pessoas na sessão do que o habitual, o que sugeria que estávamos fotografando alguém particularmente importante. Eu estava em pânico, então, quando a nossa estagiária, Sofie, retransmitiu para mim que a pessoa que estávamos fotografando não era outra senão Caine Carraway, todo o meu corpo reagiu ao seu nome e eu comecei a tremer. Eu não tinha parado de tremer desde então. Caine de repente olhou atentamente para mim como se sentisse meu olhar sobre ele. Olhamos um para o outro, e me esforcei para segurar minhas emoções, e quando ele finalmente quebrou o contato visual, foi apenas para poder viajar sobre o meu corpo. Benito acreditava que se vestir casualmente ao redor de celebridades impressionava-os fazendo com que ele e seus empregados não se intimidassem porque estávamos no nível da celebridade. Ele acreditava que essa atitude fazia seus clientes respeitá-lo mais. Eu pensei que era besteira superficial, mas isso significava que eu tinha que usar o que eu gostava, então eu não iria contra essa opinião. Em muitas vezes optava por tudo o que era mais confortável. Hoje, era short e uma camiseta.


A maneira que Caine Carraway estava olhando para mim agora... era como se eu estivesse nua. Arrepios passaram ao longo dos meus braços e outro percorreu minha espinha. "Alexa," Benito estalou. "Sinto muito," eu me desculpei, tentando não pensar no olhar quente de Caine ou na dor ardente que estava se formando no meu peito. Meu chefe sacudiu a cabeça com impaciência. "Está tudo bem, está tudo bem. Apenas... aqui, pegue o BlackBerry de volta." Ele bateu o dispositivo na minha mão. Eu tinha dado a ele antes de partir para férias para que ele ficasse temporariamente com ele. O mundo de Benito estava naquele BlackBerry. Nele tinha todos os seus contatos de negócios, e-mails, seu calendário de trabalho... tudo nele. Eu vi o ícone de e-mail, já tinha quinze emails para ler esta manhã. "Organizei todo mundo pela primeira vez antes de começar a trabalhar. Estamos fotografando na varanda com o porto como pano de fundo. Então, dentro na área de estar. É um pouco mais escuro lá, então posicione-se lá." A partir daí eu entrei em piloto automático. Eu sabia do meu trabalho dentro e fora, e essa foi a única razão pela qual eu consegui fazer tudo com competência, porque minha mente não estava no trabalho. Eu mal conseguia tirar os olhos dele, instruindo os rapazes para organizar a câmera e laptop de Benito na varanda. A equipe de iluminação ficou na sala de estar para mais tarde. Caine Carraway.


Eu sabia mais sobre ele do que eu deveria, porque nos últimos meses, se eu ouvisse seu nome ou o visse na imprensa eu prestava atenção. Chame de curiosidade mórbida. Órfão aos treze anos e colocado no sistema, Caine derrotou as probabilidades e se formou no ensino médio como orador oficial e continuou seus estudos na Wharton Business School com uma bolsa de estudos. Ele mal se formou na faculdade, quando começou a erguer o banco que levaria à Carraway Financial Holdings. Aos vinte e nove anos ele era um dos empresários mais bem-sucedidos em Boston. Agora, aos trinta e três anos ele era temido e respeitado por seus colegas, acolhido pelo grupo da alta sociedade de Boston, e um dos solteiros mais cobiçados da cidade. Embora ele fosse imensamente privado, as colunas

sociais

o

fotografavam

sempre

que

podiam,

principalmente em eventos glamourosos. Ele era visto com mulheres bonitas o tempo todo, que raramente eram fotografadas com ele depois de alguns meses. E pra mim, isso tudo se resumia a sozinho, solitário e isolado. A dor no meu peito se intensificou. "Alexa, venha conhecer o Sr. Carraway." Senti minha respiração aumentar exponencialmente e me virei de Scott, o nosso técnico de iluminação, para encontrar Benito de pé ao lado de Caine. Tentando

controlar

minhas

emoções,

eu

caminhei

lentamente até os dois, minhas bochechas queimando sob o calor do olhar negro de Caine. Em uma inspeção mais de perto, pude


ver que seus olhos eram na verdade um profundo marrom escuro. Seu rosto era uma máscara perfeitamente em branco, mas seus olhos estavam mais expressivos. Eu tremi novamente quando eles correram sobre mim. "Senhor Carraway, esta é a minha AP2, Alexa–" "Prazer em conhecê-lo." Eu cortei o meu chefe antes que pudesse dizer meu sobrenome. "Se você precisar de alguma coisa, me chame." E antes que Benito ou Caine pudessem responder, eu rapidamente corri para o outro lado da sala. Scott estava olhando por cima do meu ombro, e quando seus olhos voltaram para mim, eles me informaram que Benito não estava satisfeito com o meu comportamento. "O que há com você?" Disse Scott. Dei de ombros para o meu colega, não sei como explicar porque eu estava agindo como uma adolescente. Seria uma longa explicação. Muito longa. E também pessoal. Porque o que acontecia comigo era que apenas três meses atrás eu tinha descoberto que meu pai era o culpado por destruir a infância de Caine. Agora, ele estava bem ali na minha frente. Quando

ouvi

Benito

me

chamando,

virei-me

para

encontrá-lo de cara feia para mim e gesticulando para que eu fosse á varanda. A sessão estava começando. De pé atrás de Benito, olhando para as fotos no laptop, e olhando delas para o verdadeiro homem em frente a mim, eu era capaz de estudar com segurança Caine. Ele não sorriu em 2

Assistente pessoal.


nenhum momento. Ele olhou pensativo para a câmera e Benito não se atreveu a pedir-lhe para mudar sua fisionomia. Apenas o orientando a virar a cabeça e corpo desta ou daquela maneira, mas isso foi o tão corajoso quanto Benito foi com o cara. "Ele tem essa típica expressão séria," Sofie murmurou em meu ouvido quando ela me entregou o café. "Se eu não estivesse feliz no meu relacionamento eu tentaria colocar um sorriso em seu rosto bonito. Você é solteira. Deveria ir até lá. Eu definitivamente acho que você poderia colocar um sorriso em seu rosto." Eu cobri a palidez com um sorriso. "Eu acho que seria necessário uma ginasta e sua irmã gêmea para fazer isso, baby." Olhamos uma para a outra, sem conseguir manter a risada que borbulhava entre nós. Foi um alívio rir em tais circunstâncias intensas. Infelizmente o nosso riso chamou a atenção de Caine. Nós sabíamos disso porque tudo corria tranqüilamente até que eu me virei para encontrá-lo olhando com curiosidade para mim, enquanto Benito... Bem, ele parecia estar tentando fritar a minha bunda e da Sofie com o calor de seu olhar furioso. Sofie fugiu rapidamente. "Vamos

fazer

uma

pausa."

Benito

suspirou

e

se

aproximou do laptop. "Você tem agido estranha toda a manhã," disse ele em voz baixa. "Eu estou perdendo alguma coisa?" "Não." Eu olhei para ele, tentando não falar a verdade. "Café?" Ele balançou a cabeça, não mais com raiva, apenas um pouco decepcionado. O que era pior.


Eu sabiamente corri de volta para o apartamento e me dirigi ao banheiro. Eu pensei que um pouco de água fria no meu rosto pudesse me fazer bem. Minhas mãos tremiam quando eu as coloquei sob a água da torneira. "Merda," eu sussurrei. Eu estava uma bagunça. Mais uma vez. Já era o suficiente. Meu trabalho não iria sobreviver a mais um desabafo público. Claro, era uma situação ruim, mas eu precisava me recompor e agir como uma profissional. Decidida a fazê-lo, eu saí do banheiro com os ombros erguidos e quase derrubei uma xicara de café. A xícara de café que estava em uma mão grande que pertencia a Caine. Olhando

para

ele,

fiquei

impressionada

e

muda.

Principalmente porque minha pulsação estava tão rápida que era difícil me concentrar em qualquer outra coisa, quanto mais palavras. Caine levantou uma sobrancelha e empurrou o café na minha direção. Peguei-o,

completamente

incapaz

de

manter

a

perplexidade do meu rosto. "Uma oferta de paz," disse ele, e eu tremi novamente ao som de sua voz profunda e sofisticada. "Parece que eu lhe assusto por algum motivo absurdo." Nossos olhos se encontraram, e meu pulso acelerou por uma razão completamente diferente agora. "O que eles estão dizendo sobre mim nos dias de hoje?"


Por um momento eu esqueci tudo, e fiquei apenas perdida em seus belos olhos. "Muito," eu respondi baixinho. "Eles estão dizendo um monte de coisas sobre você nos dias de hoje." Ele sorriu, mostrando que eu estava errada, ele não precisava de uma ginasta e sua irmã gêmea para colocar um sorriso no seu rosto. "Bem, estou em desvantagem. Você me conhece, mas eu não a conheço." Ele deu um passo para frente e de repente me senti esmagada e deliciosamente cercada por ele. Oh Deus, oh Deus, oh Deus. "Não há muito para dizer." Caine baixou a cabeça, seus olhos escuros enviando um calor líquido que eu sentia entre as minhas pernas. "De alguma forma eu duvido disso." Seus olhos pestanejaram para os meus lábios antes de se voltar para os meus. "Eu quero saber mais, Alexa." "Um..." O velho clichê "Tenha cuidado com o que deseja" de repente flutuou pela minha mente. Ele parecia confundir o fato que eu estava completamente uma

bagunça

devido

ao

pânico,

por

deliberadamente

ser

enigmática, porque ele advertiu, "Eu não terminarei esta sessão até que me diga algo sobre si mesma. Tempo é dinheiro." Ele sorriu. "Tem que manter o chefe feliz." Ele estava referindo a si mesmo ou Benito? Eu olhei para ele, sentindo minhas palmas ficarem úmidas conforme o meu ritmo cardíaco aumentava, acelerando pelos segundos de silencio que se estendia entre nós. E foi então quando isso aconteceu. Esgotada e abalada pelo seu repentino aparecimento na minha vida logo após ter acabado de descobrir


que ele era o menino que tinha sido a vítima do vilão do meu pai, eu entrei em colapso. "Eu conheço você," eu deixei escapar. "Não, eu quero dizer..." Eu dei um passo para frente, movendo-nos mais para o fundo do corredor, onde tinhamos mais privacidade. A xícara de café tremeu em minhas mãos. "Meu nome é Alexa Holland." Choque passou por ele. Testemunhar

isso

foi

horrível.

Todo

o

seu

corpo

estremeceu como se eu tivesse batido nele, e o poderoso empresário visivelmente empalideceu diante de mim. Eu continuei. "Meu pai é Alistair Holland. Eu sei que ele teve um caso com sua mãe e eu sei como isso terminou. Estou tão–" A mão de Caine cortou o ar entre nós, em um gesto para me silenciar. Fúria tinha substituído o choque. Suas narinas se dilataram. "Eu pararia se eu fosse você." Suas palavras eram uma ameaça gutural. Eu não podia. "Eu acabei de descobrir. Eu não tinha ideia até poucos meses atrás, que era você. Eu nem mesmo–" "Eu disse para parar." Ele deu um passo para frente, empurrando-me contra a parede. "Eu não quero ouvir isso." "Por favor, escute–" "Você está brincando comigo?" Ele bateu a mão contra a parede acima da minha cabeça e eu vi através do sofisticado cavalheiro implacável que todos viam a transformação para um


homem que era muito menos polido e muito mais perigoso do que qualquer um imaginava. "Seu pai seduziu minha mãe e depois de apresentá-la às drogas, deixou-a em overdose em um quarto de hotel, porque tentar salvá-la significava assistir sua preciosa herança sumir." Seu rosto estava tão perto do meu agora, que eu sentia o sopro quente de sua respiração em meus lábios. "Ele destruiu a minha família. Eu não quero nada dele ou de você. Eu certamente não quero respirar o mesmo ar que qualquer um de vocês." Ele abruptamente se afastou da parede e caminhou para fora do corredor. A maioria das mulheres, provavelmente estaria em lágrimas depois de um ataque verbal assim. Eu não. Crescendo, eu assisti minha mãe sucumbir às lágrimas em todas as discussões que ela teve, e eu odiava isso. Quando ela estava com raiva, ela chorava, quando tudo o que ela realmente queria era gritar. Então, eu nunca chorava quando eu estava com raiva. E eu estava muito chateada com o meu pai distante por me colocar em uma posição onde eu iria ser pintada com o mesmo pincel asqueroso que ele. As

últimas

palavras

de

Caine

penetraram

pensamentos. "Oh, merda." Eu corri para fora do corredor. Caine estava falando com Benito na cozinha.

meus


Meu estômago se revirou quando Benito se encolheu com o que quer que Caine disse. Ele olhou para mim, perplexo, antes de se virar para responder ao outro homem. Caine olhava ameaçadoramente e virou-se abruptamente procurando no espaço por alguém. Seus olhos se encontraram com um jovem vestido em um terno elegante. "Ethan, eu quero um fotógrafo diferente." Sua voz soava por toda a sala para que todos o ouvissem e os fez parar o que estavam fazendo. "Ou eu não faço a capa." Ethan assentiu militantemente. "Certo, senhor." Eu estava horrorizada; meus olhos voaram para Benito, cuja boca caiu aberta em igualdade de horror. Caine não ficou por tempo suficiente para testemunhar. Ele já estava caminhando na minha direção, e passando por mim para se dirigir a saída, ele nem sequer olhou para mim. Senti-me mal. O tom de Benito era tranquilo, surpreendentemente calmo. Já suas palavras não eram. "Que porra você fez?"

Minha amiga Rachel mudou a criança inquieta nos braços de um lado para o outro do seu colo. "Só se passaram cinco horas. Acalme-se. Seu chefe vai chamá-la para esclarecer todo esse mal entendido."


Eu olhei para a sua filha, Maisy, com crescente preocupação. "O rosto de Maisy deveria estar roxo assim?" Rachel franziu a testa para a mudança de assunto e olhou para a filha. "Maisy, para de prender a respiração." Maisy olhava para ela, teimosa. "Uh... ela ainda está segurando a respiração." Por que Rachel não estava tão preocupada com isso como eu estava, eu não sabia. Rachel fez uma careta. "Você não vai ganhar um brinquedo se você continuar prendendo sua respiração." Maisy deixou escapar comicamente um longo suspiro e depois sorriu para mim. "Ela é um capetinha," murmurei baixinho, olhando para ela com cautela. "Diga-me algo que não sei." Rachel deu de ombros. "Aparentemente eu também usei o antigo truque de prender a respiração pra conseguir o que queria na idade dela.” Olhei para meu almoço meio comido. "Podemos sair e ir para um passeio pelos jardins, se ela estiver ficando inquieta." "Nós não terminamos de acalmar você." Rachel acenou para um garçom que passava. "Mais dois refrigerantes diet e um suco de laranja, por favor." Eu não discuti. De todos os meus amigos, Rachel era a mais persistente e autoritária. Esse era provavelmente o porquê ela era a única deles que eu ainda via regularmente.


Havia quatro de nós, as amigas próximas da faculdade: eu, Rachel, Viv e Maggie. De nós quatro, eu era a única que não se casou e não tinha filhos. Entre elas, ao todo eram quatro crianças. Eu tinha perdido contato com Viv e Maggie ao longo dos anos, e agora eu só via Rachel algumas vezes. Eu estava tão ocupada com o trabalho e socializando com os colegas, que eu nunca me incomodei em fazer novas amizades além das antigas ou fora da miha carreira. Se esse pressentimento horrível que eu tinha se tornasse verdade, se Benito me demitisse, eu estava olhando para um futuro muito sombrio sem dinheiro, sem apartamento bonito, e sem vida social. "Talvez você devesse ter pedido uma vodka para mim," eu resmunguei. Rachel soltou um suspiro. "Benito não vai demiti-la. Não depois de todo seu trabalho duro. Certo, bebê?" Ela balançou a filha em seu joelho. Maisy riu para mim e balançou a cabeça, seus cachos escuros voando para o rosto da mãe. "Ótimo, até mesmo uma criança de três anos de idade, sabe que eu estou fodida." Rachel fez uma careta. "Você não pode dizer fodida na frente de uma criança, Lex." Nossas bebidas chegaram e ela a minha empurrou na minha direção. "Agora se acalme para que possamos falar de mim por um tempo."


Sorri um sorriso verdadeiro pela primeira vez em uma semana. "Só se você me disser mais uma vez que eu não vou ser demitida." "Lex, você não vai ser demitida."

"Alexa, você está demitida!" Meu estômago caiu logo no início da mensagem de correio de voz irada que Benito tinha me deixado. "Eu não sei o que diabos aconteceu esta manhã, mas acabou. E não é só comigo. Oh não! Sabe o que você me custou hoje? Você irritou Caine Carraway tão mal que eu perdi Mogul e duas outras revistas da mesma empresa de mídia! Minha reputação está em jogo aqui. Depois de tudo o que eu trabalhei para isso! Bem..." Sua voz baixou, o que era ainda mais assustador do que a gritaria. "Considere-se fodida, porque eu vou ter certeza de que você nunca trabalhe nesta indústria de novo." Eu belisquei a ponta do meu nariz segurando as lágrimas em um soluço. Isso era ruim. Isso era tão, tão ruim.


Capitulo 02 Eu olhava obstinadamente para o meu telefone enquanto bebia um enorme copo de vinho tinto. "Não." Meu avô suspirou alto, fazendo com que o alto-falante crepitasse, "Pela primeira vez coloque o seu orgulho de lado e deixe-me ajudá-la. Ou você quer se mudar desse apartamento que você ama tanto?" Não, eu não queria. Eu trabalhei duro para ser capaz de pagar para alugar um lugar como o meu apartamento de um quarto em Back Bay. Era bonito, com seus tetos altos e janelas altas que davam vista para a rua arborizada. Eu amava a localização. Era uns vinte minutos a pé da minha parte favorita da cidade – o Public Garden, Newbury Street, Charles Street... A localização era tudo, mas o fato de que meu apartamento era bonito e aconchegante foi a cereja no topo de um bolo muito agradável. Era o tipo de lugar que eu sempre quis, e eu tinha a esperança de que um dia eu teria poupado o suficiente para comprá-lo ou um no mesmo bairro. Os bens materiais não significavam absolutamente nada. Eu sabia. Mas eu realmente precisava do meu apartamento bonito agora. Era um conforto. Eu precisava dele princípios?

o suficiente

para vender meus


Infelizmente não. "Eu não estou pegando o seu dinheiro, vovô." Eu sabia que não era culpa de Edward Holland, mas a fortuna de diamante que ele tinha herdado de sua família e se expandiu com investimentos sábios que diversificou seu portfólio de negócios, foi exatamente o que contaminou meu pai. Eu não queria estar perto de algo tão tóxico. "Então eu vou ter uma conversa com Benito." Eu pensei sobre o fato de que meu avô tinha mantido sua relação comigo secreta do resto de sua família. Ninguém fora da família sabia que Alexa Holland era uma Holland – Meu pai tinha conseguido manter a indiscrição com a minha mãe, que levou ao meu nascimento, de sua família, exceto de seu pai – E vovô certamente não tinha confessado a eles que tinha estendido a mão para mim quando eu tinha vinte e um anos e estava sozinha em Boston. Eu entendi que isso teria causado drama e irritação a ele por revelar a verdade, mas eu não podia dizer que não doeu. Às vezes parecia que ele tinha vergonha de mim. Gostando ou não, porém, ele era tudo que eu tinha agora eu o amava. Engoli meu ressentimento. "Você não pode," eu disse. "Benito tem uma boca grande. Ele vai dizer a todos quem eu sou." "Então, o que? Você vai encontrar outro emprego... e fazer o quê?” Qualquer outro trabalho viria com um grande corte de pagamento. Como assistente pessoal executiva de um fotógrafo de sucesso, eu fiz um bom rendimento. Mais que o dobro de uma


assistente pessoal padrão. Tomei um gole do meu vinho, olhando para todas as minhas coisas bonitas na minha linda casa. "Eu nem sequer pude pedir desculpas," eu murmurei. "O quê?" "Eu nem sequer pude pedir desculpas," eu repeti. "Ele explodiu na minha cara e, em seguida, arruinou a minha vida." Eu gemi. "Nem sequer diga isso. Eu reconheço a ironia nisso. Minha família arruinou a dele... olho por olho." Vovô limpou a garganta. "Você não arruinou a vida dele. Mas você pegou-o desprevenido.” Culpa me inundava. "Verdade." "E eu já disse a você que minhas tentativas no passado falharam. Não é o nosso papel pedir desculpas." "Eu sei disso." Eu sabia disso. E não estava desapontada, porque eu não pude me desculpar pelos pecados de meu pai. Eu estava desapontada porque naquele momento, quando Caine percebeu quem eu era, eu vi uma dor em seus olhos que era tão familiar para mim. Vendo a dor que estava claramente ainda crua para ele, eu senti uma súbita sensação esmagadora de afinidade com ele. Nós dois eramos parte de um legado trágico. Eu nunca tinha sido capaz de falar sobre isso com ninguém por causa do segredo de tudo isso. Por anos eu tinha sido deixada para suportar o fardo da verdade sozinha. Então, três meses atrás a minha mãe morreu e toda a merda veio rastejando até a superfície, e durante um discurso no telefone com o meu avô, ele finalmente deixou escapar o nome da criança que tinha sido injustiçada.


Caine Carraway. A única outra pessoa, além de meus pais e avô, que conhecia a verdade. A única pessoa que poderia entender. Eu não poderia explicar a ligação que eu senti com ele. Eu só sabia que era possível que eu fosse a única pessoa que podia entender a sua dor, e... eu descobri que eu queria estar lá para ele de alguma forma. Não fazia sentido. Eu mal o conhecia. Eu sabia disso. Mas eu não podia evitar sentir tudo isso. Foi angustiante então tê-lo olhoando para mim como se eu fosse parte do problema. Como... se eu fosse a culpada. Eu odiava a idéia de que ele poderia pensar isso de mim, e eu não queria que essa fosse a última vez que nos falamos. Eu não queria ser parte de uma memória ruim. "Eu deveria ir lá e me desculpar por emboscá-lo. Enquanto eu estiver lá eu poderia pedi-lhe para corrigir isso. Uma chamada para Benito e ele poderia fazer isso ir embora." "Alexa, eu não acho que isso seja inteligente." Talvez não. Mas eu estava desesperada para ter o meu emprego de volta e para mudar a opinião de Caine a meu respeito. "Desde que minha mãe... Eu só... Eu preciso dele para me ouvir, e não vejo nenhum mal em pedir-lhe para ligar para Benito enquanto eu estiver lá." "Isso soa muito com o que você precisa e não o que ele precisa." Eu empurrei essa verdade de lado e racionalizei "Você já se encontrou com Caine Carraway? Eu não acho que esse homem sabe o que ele precisa."


A recepcionista estava olhando para mim como se eu fosse ridícula. "Você quer ver o Sr. Carraway da Carraway Financial Holdings, sem um agendamento?" Eu sabia que não seria fácil entrar no enorme edifício com suas paredes cor-de-granito construído na International Place e esperar ser escoltada diretamente para o escritório de Caine. Ainda assim, a recepcionista me tratou como se eu estivesse pedindo para ver o presidente. "Sim." Eu controlei meu instinto natural para devolver sua pergunta com sarcasmo. Ela não parecia como se fosse responder bem a isso. Ela suspirou. "Um momento por favor." Olhei para o segurança que estava manejando os detectores de metais situados antes dos elevadores. Carraway Financial Holdings dividia o edifício com outra empresa, o que significava que havia câmeras de segurança em todos os lugares. Não importa o que eu tentasse aqui, eu ia ser pega. Era apenas uma questão de tempo. Eu estava bem em ser pega... desde que fosse depois de ver Caine. Me esgueirei para longe da recepção, enquanto a recepcionista franzia a testa para susas unhas. Embora seu foco estivesse em outro lugar eu fingi um olhar de indiferença e comecei a caminhar para os detectores.


"ID3". O segurança estendeu a mão para me impedir de ir mais longe. Eu olhei para seu rosto barbudo e notei o estado de alerta em seus olhos. Ô sorte maldita. Eu não poderia ter um segurança clichê desatento? Eu sorri inocentemente. "A senhora na recepção me disse que eles estão sem ID para visitantes. Ela me disse para subir." Ele estreitou os olhos em suspeita. Fiz um gesto para ela. "Pergunte a ela." Ele bufou e olhou para recepção. Percebi imediatamente que ele iria gritar a pergunta para ela para não ter que se deslocar de seu posto. Era a minha única oportunidade. Deslizei por ele e corri pelos detectores ouvindo-o gritar quando eu estava entrando correndo no elevador que me levaria para o andar de Caine. As portas fecharam quando o pé do segurança apareceu a minha vista. "Você enlouqueceu," eu murmurei para mim mesma enquanto o elevador subia. "Você realmente enlouqueceu. Você deveria ter aceitado a terapia quando lhe foi oferecida." Ouvi um bufo a minha direita. Eu dividia o elevador com um cara que sorriu para mim como se eu fosse hilária. "Isso não funciona para algumas pessoas," disse ele. Eu estava confusa. "O quê?"

3

Identificação


"Terapia," explicou ele. "Funciona para alguns, para outros não." Eu olhei seu terno elegante e relógio caro. Ele era bonito, com perfeito cabelo castanho claro e olhos azuis vibrantes, e eu poderia dizer com apenas um olhar que, juntamente com o terno de grife que ele usava, ele vestia confiança. Ele também era vagamente familiar. "Isso funcionou para você?" Ele deu de ombros, seu sorriso perverso. "Minha terapeuta funcionou para mim." Eu ri. "Bem, pelo menos você ganhou alguma coisa com isso." Seu sorriso se alargou e ele acenou para os botões do elevador. "Carraway Financial Holdings?" Eu balancei a cabeça e meu estômago se revirou nervosamente com a idéia de vê-lo novamente. "Eu preciso falar com o CEO." "Caine?" As sobrancelhas do rapaz levantaram-se antes de seu olhar vagar por mim. "Devo atacar você e deixar que a segurança lhe pegue?" "Senhor Carraway provavelmente gostaria disso, mas ele precisa ouvir o que tenho a dizer." "Uh... quem é você?" Eu atirei-lhe um olhar desconfiado. "Uh... quem é você?" "Um amigo. Eu vim almoçar com ele." As portas do elevador se abriram. "Quando eu o tiver eu lhe dou meu primogênito se você me deixar ter os primeiros 5 minutos disso."


Ele saiu e eu o segui. Seu olhar estava me avaliando. Eu esperei, meus olhos correndo nervosamente para a recepcionista, que parecia muito preocupada com a minha aparição repentina. "Eu vou lhe dar isso." O rapaz do elevador chamou a minha atenção de volta para ele, diversão atando suas palavras. "Os detectores não soaram, e está claro que você não está carregando

uma

arma."

Ele

apontou

para

o

meu

short

customizado e camiseta. "Então, eu vou levá-la para ver Caine. Mas" – ele me cortou antes que eu pudesse dar-lhe meu agradecimento aluviado – "eu vou acompanhá-la. Estou curioso para saber como Caine conhece alguém como você." Ele colocou a mão levemente na parte inferior das minhas costas e começou a me guiar em direção a recepção. Eu enruguei meu nariz, não tendo certeza se ele acabou de me insultar ou elogiar. "Alguém como eu?" "Senhor Lexington." A recepcionista saltou de

sua

cadeira, sua voz alta com pânico. "Acredito que essa mulher acabou de se esquivar da segurança." "Está tudo bem, Dean." O cara, que agora eu reconhecia das colunas sociais como Henry Lexington, o filho de Randall Lexington, um dos parceiros de negócios de Caine, afastou as preocupações da recepcionista. "Avise Caine que nós estamos a caminho." Perplexa, eu deixei Lexington me levar por um corredor de escritórios. Perto do final do corredor, o espaço se abriu e uma mesa de vidro tão elegante quanto a recepção que tínhamos


passado antes, estava posicionada ao lado de duas grandes portas duplas. Uma placa de bronze na porta declarava que o escritório pertencia a Caine Carraway, CEO. Não

havia

janelas

nesse

lado

do

escritório,

proporcionando a Caine completa privacidade. O jovem que eu tinha visto na sessão de fotos se levantou de trás da mesa de vidro quando nos aproximamos. Seus olhos correram por mim e então se arregalaram com reconhecimento. "Uh, Sr. Lexington–" "Estou sendo esperado." Lexington lançou-lhe um sorriso gentil que definitivamente funcionava para ele e estendeu a mão para a porta. "Mas–" O assistente foi cortado quando Lexington me levou para dentro do enorme escritório de Caine. Enquanto não havia janelas atrás de nós, havia uma parede delas à nossa frente e ao longo do lado direito do escritório. Luz corria pelo espaço moderno, mas esparsamente decorado. Eu

mal

notei

qualquer

coisa,

porque

meu

olhar

concentrou-se em Caine. Ele parecia igualmente enfurecido e perplexo com a minha presença enquanto ele levantava detrás de uma gigante mesa antiga. Havia outra reviravolta na minha barriga, um pouco menor do que a última. Embora eu já tivesse testemunhado isso, o poder da sua presença continuava me surpreendendo.


"Henry, que porra é essa?" As

sobrancelhas

de

Lexington

aumentaram

consideravelmente com a reação de Caine a minha presença. Ele olhou para mim e sorriu. "Sério, quem é você?" "Saia." Nossas cabeças olharam na direção de Caine. É claro que ele estava falando comigo. "Não." Eu dei um passo em direção a ele, apesar da ameaça que emanava dele. "Nós precisamos conversar." O músculo em sua mandíbula flexionando com a minha recusa em ser intimidada. Interiormente eu estava muito intimidada, mas ele não precisava saber disso. "Estou ocupado." "O Senhor Lexington teve a gentileza de me oferecer cinco minutos de seu tempo de almoço com você.” Caine lhe lançou um olhar furioso. "Ele ofereceu?" Henry sorriu. "Eu sou um cavalheiro dessa forma." "Henry, saia," disse Caine, as palavras calmas, mas enérgicas. "Bem, eu fiz–" "Agora." Claramente Henry sabia algo que eu não sabia, porque ao contrário de mim, ele não parecia temer Caine. "Claro." Ele riu e


então piscou para mim de uma forma que funcionava ainda mais do que o sorriso afável. "Boa sorte." Eu esperei até que a porta se fechasse atrás de Henry antes de respirar profundamente e me preparar para interagir com Caine. Notei que seus olhos tremeluziam rapidamente passando de minhas pernas para o meu rosto. Eu tremia sob o olhar de príncipe das trevas dele. "Em dois segundos você estará seguindo ele para fora daquela porta." Você consegue fazer isso. Faça com que ele a ouça, Lex. "Jogue-me para fora e eu vou voltar mais rápido do que um bumerangue." "Eu ouso dizer que um bumerangue não se sairá muito bem contra uma porta trancada, senhorita Holland". "Tranque a porta e eu vou encontrar outras formas mais criativas para atormentá-lo. Não tenho mais nada a perder neste momento." Caine soltou um suspiro irritado. "Você tem um minuto. Use-o com sabedoria." Deus, ele realmente era um filho da puta arrogante. Eu afastei a minha irritação, lembrando-me quem ele era e o que tinha passado. "Duas coisas. Em primeiro lugar, eu perdi meu emprego." Sua resposta a isso foi dar de ombros e relaxar contra sua mesa. Ele cruzou os braços sobre o peito e, em seguida, um tornozelo sobre o outro e me lançou um despreocupado "Então?"


"Então... é por causa do que aconteceu na sessão." "Então eu sugiro que você aja de forma mais profissional no futuro. Agora eu tenho um almoço para ir..." Ele fez um gesto para a porta. "Olha." Eu levantei minhas mãos em algo semelhante a rendição. "Eu peço desculpas. Essa é a segunda coisa. Eu sinceramente me desculpo–" "Fodidamente diga isso e eu irei lhe expulsar," ele avisou. "Por emboscar você," eu me apressei para terminar. Ele relaxou um pouco. "Eu não deveria ter feito isso. Eu não tinha ideia de que estávamos fazendo uma sessão de fotos com você. Eu apareci no set e você estava lá e eu estava em uma posição estranha e agi emocionalmente e isso foi realmente injusto com você." Caine mal piscou para minhas divagações. "Então, eu sinto muito," eu terminei. "Tudo bem." Ele se levantou, seus olhos se movendo sobre o meu ombro, não escondendo sua impaciência. Eu leveu esse ‘tudo bem’ como uma aceitação do meu pedido de desculpas e segui em frente novamente. "Mas a punição não se encaixa no crime." Eu fui tratada com outro suspiro pesado dele. "Diga-me mais uma vez por que eu deveria me importar se a filha do homem que deu à minha mãe a cocaína que a matou não tem mais um trabalho." Eu vacilei. "As ações de meu pai não são minhas."


"O mesmo sangue corre em suas veias." Qualquer esperança que eu tinha de lutar contra minha irritação com sua arrogância saiu voando pela janela. "Oh? Então você é viciado em cocaína?" Eu lamentei as palavras assim que saíram da minha boca. "Saia." As palavras foram ditas com fúria mal controlada. "Tudo bem, tudo bem," eu me apressei para desarmar a bomba. "Isso foi uma coisa de merda a dizer. Eu realmente sinto muito. Mas você está presumindo saber quem eu sou por causa de quem é meu pai, e isso é uma merda também." Não houve resposta. Cautelosamente

eu

dei

um

passo

em

direção

ao

empresário pensativo. "Olha, você não apenas me fez ser demitida. Meu chefe perdeu Mogul e dois outros clientes por causa de sua ira. Isso significa que o meu patrão me colocou na lista negra. Eu não vou conseguir outro emprego na indústria de novo a menos que você corrija isso. Apenas... deixe Benito fazer a sessão. Por favor." Um

silêncio

pesado

caiu

entre

nós

enquanto

encarávamos um ao outro. Eu tinha certeza (ou pelo menos esperava) que Caine estava em silêncio porque ele estava considerando meu pedido. O silêncio, no entanto, só me deu ainda mais chance de mergulhar mais ainda em sua acidentada beleza sombria. Era possível que ele estovesse ficando mais bonito? Isso era um problema para mim.


Minha mãe sempre foi atropelada pela aparência do meu pai e se sentia inferior a ele, como se ela fosse a única com sorte de estar com ele e não o contrário. Eu odiava isso e não precisava de um terapeuta para me dizer que essa era a razão pra eu ter encontros com caras atraentes, mas não tão atraentes a ponto de me intimidarem. Mais importante, os meus ex-namorados (e não era como se houvesse muitos), todos deixaram claro que achavam, enquanto me namoravam, que eu era muito pra eles. Eu não buscava isso porque eu precisava me sentir mais atraente do que o meu parceiro. Era porque eu não queria me sentir inferior. Não como minha mãe. Era por isso que a minha reação à Caine era uma anomalia. Eu podia admitir quando um cara era quente. Mas eu nunca fui atraída por caras quente, porque eu desliguei meu cérebro para não disparar todas as químicas que fariam ser atraída por caras quentes. Com Caine, embora... bem, meus pensamentos se tornaram indecentes desde o momento em que nos conhecemos (se eu fosse honesta, talvez até antes disso) e eu podia sentir a minha pele formigando com a consciência de sua presença feroz. "Não." Não? "O que quer dizer com não?" Ele arqueou uma sobrancelha para mim. "É uma das palavras mais utilizadas no idioma Inglês, Senhorita Holland. Chocante que alguém que não entende o seu significado estaria desempregada."


Ignorei seu sarcasmo e joguei meu cabelo sobre meu ombro com o que eu esperava que fosse um ar de rebeldia. "Eu não vou aceitar um não como resposta." Os olhos já escuros de Caine escureceram com irritação quando ele disse com uma calma ameaçadora, "Você vai aceitar e vai sair antes que eu, pessoalmente, a tire do meu escritório." Eu tremi novamente com o pensamento dele colocando essas grandes mãos em qualquer lugar próximo a mim. Eu rapidamente ignorei esse pensamento e respondi, "Por favor, seja justo." O ar em torno dele engrossou com raiva. "Justo?" Ele disse, com a voz rouca. "Que parte de você estar aqui é justo? Eu vou pedir a você para sair mais uma vez, e se você não fizer isso eu vou tirá-la a força." Fechei os olhos, incapaz de ver a dor nos dele sem querer machucar o meu próprio pai. Porque meu pai era um homem fraco e irresponsável, Caine Carraway tinha perdido tudo, e apesar de todo o "tudo" que ele tinha em torno dele agora, eu não estava convencida pelo o que eu tinha visto até agora, que ele realmente tinha tudo. "Eu vou", eu sussurrei. Quando abri meus olhos ele estava olhando friamente para mim. Meu estômago afundou ao perceber que era isso. Sua opinião sobre mim não havia mudado, e eu ainda estava sem emprego. "Eu realmente sinto muito. Eu só... Eu só estou sem saída." E eu quis dizer isso de muitas formas. Eu agarrei a maçaneta da porta de seu escritório e comecei a puxá-la quando seu suspiro irritado me parou.


"Vou ligar para o seu chefe e dizer-lhe para aceitá-la de volta." Alívio passou por mim enquanto eu me virava para olhar pra ele, espantada, "Sério?" Ele me deu as costas. "Sim, mas eu vou mudar de ideia se você não sair do meu escritório nos próximos cinco segundos." Eu saí do escritório em três segundos. Eu não consegui tudo o que eu vim buscar, o que foi provavelmente o porque enquanto eu dirigia para casa meu alívio era gradualmente superado pelo meu desapontamento. Ocorreu-me que eu desejava que Caine pudesse ver o que eu via – que éramos iguais em alguns aspectos. E eu não queria ser alguém que ele odiava. No entanto, ficou claro que Caine precisava que eu o deixasse em paz. E eu o deixaria. Mesmo se isso fosse a ultima coisa que eu quisesse fazer.


Capitulo 03 O último dia e meio lastimando ao redor do meu apartamento

tinha

sido

torturante.

Com

nada

além

de

preocupação e tempo em minhas mãos, eu comecei a reviver algumas lembranças muito ruins, inclusive aquele dia fatídico, há sete anos, quando eu descobri a verdade sobre meu pai e como ele não era um pai ausente que desistiu de sua carreira no lava jato a fim de nos ver todos os dias. Não, era uma desculpa para um homem

que

abandonou

sua

primeira

família

e

não

se

responsabilizou pela mulher que teve uma overdose em sua presença. Isso me levou a pensar sobre a minha relação com a minha mãe e sobre como as coisas eram uma merda antes dela morrer. Eu não queria lembrar nenhuma dessas coisas, então passei a maior parte do tempo olhando mais e mais as minhas contas, tentando descobrir uma maneira de esticar as economias que eu tinha. Eu poderia dar um jeito, vivendo no meu apartamento sem um emprego bem remunerado por seis meses. Isto significava que desistir eventualmente do apartamento era inevitável. Contabilidade era tão deprimente. Eu descansava, as pernas balançando no braço da minha grande poltrona confortável, que provavelmente não se encaixava no tipo de apartamento que eu teria que me mudar caso Benito não me contratasse de volta, tomando um gole da minha Cherry


Coke enquanto Bing Crosby cantava "Brother, Can you spare a Dime?4" nos alto falantes. "Você canta! Bing." Eu levantei a minha taça no ar, num gesto de solidariedade e quase derramei meu refrigerante quando o som muito mais alto de Bruce Springsteen cantando "Johnny 99", soou explodindo do meu celular. Então, eu gostava de uma trilha sonora relevante para a minha vida. Com o coração acelerado, esperando que o nome que eu veria na tela seria Benito, eu rolei para fora da cadeira, caindo com força, de joelhos, sufocando um palavrão, e derramando Cherry Coke na madeira. Quase batendo meu nariz contra a parede, fiquei de pé pegando o telefone que zumbia no meu balcão da cozinha. Eu fiz uma careta para o número na tela. Eu não o reconhecia. Desanimada, eu atendi com um tom pateticamente triste, "Olá." "Olá, aqui é Ethan Rogers chamando de escritório do Sr. Carraway. Estou falando com a senhorita Alexa Holland?” Meu pulso acelerou selvagemente. "Sim." Eu segurei minha respiração. "Senhor Carraway solicita que você compareça a uma reunião com ele em seu escritório amanhã ao meio-dia."

4

“Irmão, pode você poupar uma moeda de dez centavos?”


Uma reunião com Caine? O que diabos– "Ele disse por quê?" "Não, senhorita Holland, ele não disse. Posso dizer-lhe que você vai estar disponível amanhã ao meio-dia?" Por que, oh, por que, depois de todos os seus protestos Caine queria me ver de novo? O que tinha acontecido desde que eu invadi seu escritório? Meu estômago fez aquele movimento nervoso novamente. "Um..." Benito tinha dito sim ou não? Ou isso era sobre outra coisa? O que Caine queria de mim? Isso importava? Ele queria me ver de novo, e essa era uma oportunidade para mudar sua idéia sobre mim. "Claro. Eu estarei lá."

Ethan me levou até o escritório de Caine na tarde seguinte e fiquei surpresa ao encontrá-lo não atrás de sua mesa, mas de pé em frente as janelas que iam do chão ao teto, olhando fixamente para fora sobre High Street e Avenida Atlântica até o porto mais além. Com ele de costas para mim, eu roubei esse momento para apreciar plenamente Caine Carraway sem ele saber. Então, sim, eu não conseguia ver o rosto dele, que era a melhor parte, mas ele parado de pé, com as mãos nos bolsos da calça, pernas apoiadas, ombros relaxados, a vista era deliciosa o suficiente para


mim. Sua altura, aqueles ombros largos, e não vamos esquecer aquela bunda. Era uma bela bunda poderosa. Quando os segundos passaram sem uma resposta dele, comecei a me sentir como uma nerd do ensino médio, na espera que o capitão do time de futebol prestasse atenção nela. Eu não gostava disso nem de perto do quanto eu gostava da visão de sua bunda. "Você me chamou?" Caine virou ligeiramente a cabeça de perfil. "Sim." "E eu suponho que havia uma razão?" Ele me encarou e senti o resplendor da atração de seus olhos tomarem conta de mim. "Você supôs certo." Ele suspirou e caminhou

até

sua

mesa,

seu

olhar

caindo

sobre

mim

especulativamente. "Você possui um terninho, saltos?" Seu escrutínio moveu-se para meu rosto. "Maquiagem?" Eu olhei para as minhas roupas. Eu estava usando jeans e um suéter, e não, eu não estava usando maquiagem. Eu tinha uma boa pele. Eu tinha herdado a pele morena da minha mãe, apesar das malditas sardas polvilhando através do meu nariz. Eu raramente usava base ou blush, e por meus olhos serem tão claros e meus cílios tão escuros, eu só usava rímel quando me arrumava para alguma ocasião. Eu sabia que não era fascinante, mas eu parecia com a minha mãe – eu tinha suas maçãs do rosto, olhos azulesverdeados, e cabelo escuro – e minha mãe tinha sido muito


bonita. Ninguém jamais me olhou e considerou a minha falta de maquiagem com desdém antes. Eu fiz uma carranca. "Pergunta estranha." Caine relaxou contra sua mesa, na mesma pose que tinha usado a última vez que estive em seu escritório. E ele estava apertando os lábios e me inspecionando. Eu senti como se estivesse sendo julgada e considerada carente, o que era um insulto normalmente, mas de alguma forma ainda pior vindo de um cara como ele. Idiota sexy. "Eu não consegui mudar a mente de Benito," Caine me informou. "Aquele pequeno bastardo pode guardar rancor." Se eu não estivesse tão desanimada com suas notícias eu teria rido. "Mas–" "Então, eu pensei sobre isso," disse ele, me cortando "e você pode tentar trabalhar para mim. Você vai precisar investir em alguma roupa apropriada, no entanto." Hum... o quê? Ele acabou de...? "Sinto muito. O quê?” "Benito me informou que isso o chateia, mas ele simplesmente não pode tê-la de volta, depois de fazê-lo perder grandes clientes por causa do seu comportamento. Você é a maior decepção de seus trinta anos, e antes que você enlouqueça, você foi a melhor assistente pessoal que ele já teve. A decepção com seu comportamento no set, e cito-o, quebrou seu coração." "Oh sim, ele soa devastado."


"Apesar de seu talento para o melodrama, parece que ele tem altos padrões e ele levou-me a acreditar que antes de você agir como uma pessoa insana, você era inteligente, eficiente e trabalhadora." "Pessoa insana?" Essa palavra tinha sido usada como um adjetivo para me descrever duas vezes agora. Ele me ignorou. "Eu preciso de uma assistente pessoal. Ethan é temporário e minha AP anterior decidiu não retornar da licença maternidade. Eu tenho uma vaga e estou oferecendo-a a você." Pasma. Não havia outra palavra para descrever como eu estava me sentindo. Como este homem que não queria me ver nunca mais podia me oferecer um trabalho que significava que eu estaria na sua cara? Muito. "Mas... Eu pensei que você não me queria por perto." Caine estreitou os olhos. "Eu preciso de uma AP que irá cumprir todos os meus desejos e demandas imediatamente. Isso não é fácil de encontrar – a maioria das pessoas tem vida social. Você, no entanto, está desesperada e do jeito que eu vejo isso, você me deve." Voltei a realidade com sua lembrança do passado. "Então, o que... você consegue algum tipo de vigança cavando minha morte prematura?"


"Algo parecido com isso." Ele sorriu. "Vai ser uma sepultura confortável, apesar de tudo." Ele me disse o salário e eu quase desmaiei. Minha boca se abriu em um suspiro. "Para um trabalho de AP? Você está falando sério?" Eu conseguiria manter meu apartamento. Eu ficaria com o meu carro. Foda-se... eu seria capaz de economizar dinheiro suficiente para pagar meu próprio apartamento. Os olhos de Caine brilharam triunfantes com a minha emoção óbvia. "Como eu disse, isso vem com um preço." Seu sorriso era mau e de repente me senti um pouco sem fôlego. "Eu sou um homem difícil de agradar. E também sou um homem muito ocupado. Você vai fazer o que eu quero, quando eu quero e não vou ser sempre agradável sobre isso. De fato, considerando seu sobrenome, você pode praticamente garantir que eu não serei agradável." Meu coração bateu forte "Então você está dizendo que você pretende fazer a minha vida miserável?" "Se você equiparar trabalho duro com a miséria." Ele me olhou assim como eu o olhava, e aquele sorrisinho condenável arqueou de sua boca bonita novamente. "Então... o quão desesperada você está?" Eu olhei para ele, este homem que segurava um escudo blindado tão elevado na esperança de que nada iria penetrar. Mas chame isso de intuição ou pensamento otimismo, eu acreditava que eu podia ver através desse escudo dele – como se eu pudesse sentir a emoção que ele tanto lutava para esconder. E essa


emoção era raiva. Ele estava com raiva de mim, seja por causa do meu pai ou a minha súbita intrusão em sua vida, e este trabalho... este trabalho era sua maneira de tomar de volta o controle, de me fazer pagar por tirar seu equilíbrio. Se eu aceitasse isso, eu não tinha dúvida de que ele ia fazer o seu melhor para testar o limite da minha paciência. Eu era uma pessoa muito paciente normalmente. De jeito nenhum eu poderia ter trabalhado com alguém como Benito se não fosse. Mas eu não me sentia como eu mesma ao redor de Caine. De modo nenhum. Eu estava na defensiva, com medo e vulnerável. Seria um risco enorme me colocar em seu controle. No entanto, eu sabia que era um risco que eu aceitaria. E não apenas porque ele estava me oferecendo mais dinheiro do que eu jamais iria receber em qualquer outro lugar, nem porque esse trabalho seria ótimo para meu currículo. Eu aceitaria esse risco, porque eu queria que ele visse que eu não era nada parecida com o meu pai. Eu queria que Caine visse que de alguma forma eu era como ele. Eu projetei meu queixo desafiadoramente. "Eu trabalhei com Benito durante seis anos. Você não me assusta." Você me aterroriza. Caine colocou aquela sua máscara intimidante e deslizou para fora de sua mesa. Eu segurei minha respiração, minha pele formigando enquanto ele rodeava a sala. Eu tive que inclinar a cabeça para trás para encontrar o seu olhar quando ele parou a centímetros de mim.


Ele cheirava muito, muito bem. "Vamos ver," ele murmurou. Senti aquele murmúrio entre as minhas pernas. Oh porra. Eu estiquei a minha mão. "Eu aceito o trabalho." Os olhos de Caine foram para minha mão. Eu tentei não tremer enquanto eu esperava-o decidir se queria ou não me tocar. Engolindo minha miséria em sua relutância, eu mantive meu olhar firme. Por fim, ele estendeu a mão e deslizou sua mão grande nas minhas. O atrito da pele mais áspera da palma da sua mão contra a pele macia da minha, enviou faíscas pelo meu braço, e excitação apertou meus músculos, incluindo os meus dedos. Surpresa queimou em ambos os olhos. Abruptamente, Caine arrancou sua mão da minha e virou as costas para mim. "Você começa segunda-feira," disse ele, suas palavras rudes quando refez o caminho para a sua mesa. "Às seis e meia. Ethan lhe dará as indicações de meu horário matinal." Ainda abalada com a eletricidade que tinha acabado de passar entre nós, eu disse com a voz rouca, "Seis e meia?" Caine olhou por cima do ombro para mim arrastando alguns papéis em sua mesa. "Isso é um problema?" "É cedo."


"É." Seu tom não admitia recusa. Seis e meia, então. "Eu estarei aqui." "E se vista adequadamente." Eu me irritei, mas assenti. "E faça algo em seu cabelo." Eu fiz uma careta e toquei uma mecha dele. "O que você quer dizer?" Eu usava o meu cabelo longo com uma leve onda nele. Não havia nada de errado com o meu cabelo. Irritado, Caine se virou para mim. "Isto não é uma casa noturna. Espero que o seu cabelo e roupas estejam elegantes, mas conservadoras. A imagem é importante, e de agora em diante você representa esta empresa. Cabelo e roupas desleixados não refletem a imagem dela." Elegante mas conservador? Cabelo e roupas desleixados? Eu o comtemplei e o quão pomposo ele podia ser. Você é bem severo, não é? Ele me encarou como se tivesse lido minha mente. "Amanhã você vai receber os contratos de trabalho. Uma vez que você os assine, eu serei seu chefe." Quando eu não respondi, ele disse, "Isso significa que você age da maneira que eu quiser. Isso significa que você deve deixar de lado essas atitudes e as perguntas." "Devo arquivar as perguntas junto a ‘personalidade’?" Caine não parecia divertido. Na verdade, o olhar em seu rosto beirava o predatório. "Isso seria sábio." Engoli em seco, de repente, me perguntando por que eu achei que era inteligente cutucar o tigre. "Anotado". Eu já podia


dizer que este arranjo entre nós não ia ser fácil, mas eu só tinha que lembrar o meu objetivo aqui. "Eu acho que vou vê-lo segundafeira, Caine." Ele abaixou-se em sua cadeira, sem olhar para mim. "Ethan irá lhe fornecer todas as informações que você precisa antes de sair." "Ótimo." "Oh, e, Alexa?" Eu congelei, mas meu pulso acelerou. Ele nunca disse o meu nome antes. Isso soou agradável em seus lábios. Muito, muito bom. "Sim?" Eu sussurrei. "A partir de agora você vai se referir a mim como Sr. Carraway e só Sr. Carraway." Ouch. Fale sobre me colocar no meu lugar. "Claro." Dei mais um passo em direção à porta. "E uma outra coisa." Desta vez eu parei com seu tom escuro, perigoso. "Você nunca mencionará o seu pai ou a minha mãe, nunca mais." Meu coração se apertou com a dor que eu ouvi na sua voz. Com um aceno de cabeça cuidadoso, eu saí de seu escritório, e apesar do jeito que ele tirou meu equilíbrio, eu estava mais determinada do que nunca de que esta era a decisão certa. De alguma forma, este era o lugar onde eu deveria estar.


Capítulo 4 A água quente escorria em cima de mim e eu esperava que isso me acordasse. Até agora, nada. Na verdade, eu estava tão cansada que eu não podia sequer encontrar a energia para o primeiro dia no emprego tenso. Lavei o condicionador do meu cabelo e saí do chuveiro. Café. Eu precisava de café. Eu gemi e encostei na parede fria de azulejos do meu banheiro e fechei os olhos. Devo ter cochilado, porque a próxima coisa que eu sabia era que estava voltando a realidade pelos sons de "Working Man" do Rush estridentes do meu celular. Levei um minuto para perceber que eu tinha colocado isso como meu ringtone na noite anterior. Sonolenta, eu fiz o meu caminho para o quarto e peguei o celular em cima da mesa de cabeceira. "Alô?" "Eu só estou verificando se você conseguiu sair da cama," a voz de Caine retumbou para baixo da linha. Era como uma dose dupla de expresso, fluindo através do meu sangue e me acordando.


"É claro que eu consegui," eu disse, orgulhosa por parecer disperta. "Eu estarei no escritório às seis e meia em ponto." "Eu gostaria de um latte macchiato descafeinado na minha mesa quando eu entrar." Uh... Eu olhei para o relógio. Eu não tinha considerado o tempo de comprar café. "Ok, mas eu provavelmente vou chegar um pouco mais tarde, então." "Não." A voz de Caine de repente baixou em advertência. "Você vai colocar sua bunda no escritório às seis e meia com um latte ou não se incomode em vir." Ele desligou. Eu suspirei e joguei meu telefone na cama. Caine tinha me avisado que ele praticamente seria um idiota, então eu não podia ser surpreendida por isso. Eu também não tinha tempo para ficar irritada. Se eu fosse comprar o seu maldito latte e chegar no escritório na hora certa, eu teria que renunciar a secar o cabelo. Corri em volta do meu quarto como uma pessoa frenética. Eu rapidamente passei o secador de cabelo um par de vezes e, em seguida, enrolei-o em um nó francês organizado. O tempo todo que eu me vestia eu fazia careta, e não era só por causa do meu cansaço irritadiço. Era por causa das meias que eu tinha que puxar, e a saia-lápis preta apertada que eu estava vestindo. Rachel tinha me acompanhado em uma viagem de compras em Newbury Street naquele fim de semana para que eu pudesse encontrar roupa "apropriada" para o meu novo trabalho. Nós mal tínhamos andado duas quadras e eu já tinha gasto uma pequena fortuna em ternos e blusas elegantes e caras para que eu pudesse encaixar-me na imagem de um empregado


da Carraway Financial Holdings. Isto significava que eu estava indo para o trabalho, naquela maldita saia lápis apertada com uma blusa de seda azul escondida dentro dela, uma jaqueta peplum preta para combinar com a saia e saltos pretos Prada de dez centímetros que eu já tinha, mas raramente usava. Eu até mesmo coloquei um pouco de rímel. Olhei para o meu reflexo no espelho de corpo inteiro e acenei com a cabeça. Elegante mas conservador. Enruguei meu nariz. Eu sentoa falta dos meus shorts e chinelos. Não havia mais tempo para olhar para o meu reflexo. Eu tinha um café para comprar! Pulei no meu Miata azul brilhante, voei pelas ruas, e cheguei na International Place em menos de quinze minutos. Depois de estacionar na garagem subterrânea do nosso prédio, eu corri deselegantemente em meus Pradas para a cafeteria na esquina, já que a do pátio do nosso prédio ainda não tinha aberto. Quando cheguei à cafeteria, eu estava surpresa com a falta de fila. E então eu percebi que nem todo mundo era um empresário obcecado que começa a trabalhar às seis e meia da porra da manhã! Olhei para o meu relógio. Eu estava quinze minutos adiantadado. Todo aquele pânico por nada. Uma vez que eu tinha o latte de Caine e meu próprio expresso

duplo,

eu

caminhei

para

dentro

do

prédio,

me

preparando mentalmente para ser empurrada aos limites por meu


novo chefe inflexível. Mostrei o ID que Ethan havia criado para mim na sexta-feira para o segurança e pulei no elevador até a Carraway Financial Holdings. Não havia ninguém no escritório, exceto uma faixineira. A sensação de quietude no lugar iniciou esse nervosismo do primeiro dia que eu estava esperando. Peguei a chave que Ethan também havia me dado e abri o escritório de Caine. Era impecável, não tinha uma única coisa fora do lugar. Era meio frio na verdade, e embora houvesse algumas plantas lá, não havia nada de pessoal. Nenhuma fotografia, nada. Havia uma pintura do horizonte de Boston que era muito legal, mas

era

a

única

coisa

no

escritório

que

tinha

alguma

personalidade ou cor. Coloquei seu latte cuidadosamente sobre a mesa e olhei para o grande sofá em forma de L ao lado da janela. Isso precisava de almofadas. Olhando sofá com aparência desconfortável enquanto eu passava, eu decidi que uma capa não seria mal também. Eu finalmente me permiti relaxar um pouco quando me estabeleci na minha mesa de vidro fora de seu escritório. Eu olhei para ela e fiz uma careta. Não haveria sequer uma revista tablóide escondida embaixo dessa coisa, então, não suposto que eu lesse, hein? Caine era tão sem graça. Até mesmo seus móveis me impediam de me divertir. Iniciando meu computador, eu tomei um gole de meu café expresso e suspirei de alívio. Café.


Às vezes eu pensava que isso poderia ser melhor do que sexo. De acordo com Rachel, eu não sabia o que era sexo bom, por isso, aparentemente, eu não era qualificada para fazer essa comparação. Eu só estava sentada à mesa há poucos minutos quando ouvi passos se aproximarem. Eu olhei para cima, meu estômago dando pulos novamente, quando Caine apareceu na curva. Nesta manhã, ele estava vestindo um terno cinza cintilante que encaixava nele com perfeição e carregando uma pasta de couro preta. A abotoadura de ouro branco piscou em seu pulso quando ele estendeu a mão para endireitar a fina gravata azul escura que não precisava ser endireitada. Ele parou em minha mesa com uma sobrancelha levantada. Era realmente espantoso que algum homem pudesse parecer tão bem a essa hora da manhã, ou em qualquer momento, na verdade. "Você conseguiu." "Sim, senhor," eu disse despreocupadamente. "E seu latte está em sua mesa." Caine me deu um aceno curto, seus olhos caindo para o meu corpo. "Levante-se." Eu tentei não me ofender com a ordem e, lentamente, me levantei. Ele acenou com a mão para o chão na frente dele e eu entendi que queria que eu fosse até lá. Embora o sangue aquecesse minhas bochechas, eu fingi que não estava afetada por


essa exigência humilhante, porque eu poderia dizer por aquele brilho nos olhos dele, que ele queria me chatear. Uma vez que eu estava em pé na frente dele para a inspeção, o rosto de Caine permaneceu em branco enquanto ele apreciava minha aparência. Ele fez um movimento circular com o dedo indicador e eu girei lentamente para ele. Você não pode matar o seu chefe no primeiro dia, você não pode matar o seu chefe no primeiro dia, você não pode matar o seu chefe, ponto... Eu permaneci exteriormente impassível quando parei, voltando-me para encará-lo. Ele me deu outro aceno curto. "Você conseguiu." Você já terminou de me fazer sentir como um poodle valorizado? Isso era o que eu realmente queria dizer. Em vez disso, eu disse, "Posso fazer alguma coisa para você?" "Eu vou enviar-lhe um e-mail com o que eu preciso. Ethan passou suas obrigações a respeito de chamadas e etc.?” Olhei por cima do ombro para ele enquanto ele estava esperando parado na porta de seu escritório para uma resposta. "Sim, ele fez." "Ótimo. Se há algo que você realmente não saiba a resposta, pergunte, mas, por favor, esgote todas as outras vias possíveis, usando o bom senso e um pouco de inteligência." Essa declaração arrogante foi finalizada pelo bater de porta de seu escritório. "Oh merda," eu murmurei, e sentei de volta na minha cadeira, estendendo a mão para o meu café expresso.


Eu tinha um pressentimento de que este seria um longo dia. E, conforme os e-mails começaram a chegar de Caine, eu não estava errada. As tarefas que ele queria que eu fizesse variavam de marcar reuniões, organizar almoços de negócios, arrumar as salas de conferência, correio, responder e-mails em seu nome, incluindo do trabalho e pessoal, ligar para verificar quando sua roupa estaria pronta para retirada na lavanderia a seco, cancelar o almoço com Phoebe Billingham (a mulher que eu sabia pelas colunas sociais que ele estava atualmente namorando), e correr para o mercado para comprar comida. Aparentemente, ele estava sem leite e granola. Cada exigência foi feita com impaciência. Era apenas o primeiro dia e eu queria ensinar boas maneiras a Caine Carraway. Não foi até por volta das quatro horas, quando um de seus advogados da empresa estava deixando seu escritório e eu ouvi Caine gritar, "Obrigado, Arnold," que eu percebi que o meu chefe tinha boas maneiras. Ele só não achava que valia a pena usá-las comigo. Fazer com que Caine me visse por quem eu realmente era, era mais difícil do que eu tinha pensado. Eu ia ter que passar por cima de sua arrogância intransponível e perverso senso de justiça no que dizia a me respeito, se alguma vez eu fosse convencê-lo de que realmente não éramos tão diferentes.


Fiquei de boca aberta com o apartamento de Caine. Oh meu... A cobertura. Caine tinha uma cobertura na Arlington Street. Como em seu escritório, havia janelas do chão ao teto em todos os lugares, dando-lhe incríveis vistas da cidade. O apartamento era plano e espaçoso com uma cozinha deslumbrante decorada em preto-ebranco como uma ilha no meio. Bancos de couro branco alinhavam-se na frente da ilha. Couro branco. Em uma cozinha. É evidente que o homem ou não comia aqui ou era o cara mais limpo do mundo inteiro. À minha esquerda estava uma plataforma elevada onde uma elegante mesa de jantar com oito lugares e cadeiras foram colocados de forma que as pessoas pudessem desfrutar da vista. Em frente à cozinha estava uma área de leitura, e para além tinha um enorme sofá preto que dava para uma parede onde havia uma enorme televisão plana pendurada. Uma escada em espiral me levava até os quartos. Levantando meu queixo do chão, eu cuidadosamente caminhei até a escada e fui pelo curto corredor estreito até o primeiro quarto à esquerda. Caine me disse que era o quarto principal e eu deveria deixar lá a lavagem a seco que eu tinha buscado para ele. Senti uma onda de calor com a visão da cama de Caine. Isso definitivamente era uma cama.


Enorme, em madeira escura, masculina, com quatro pilares. Oposto a cama haviam duas portas. Depois de uma rápida espiada no interior de ambas, eu descobri um closet dos meus sonhos e um banheiro em mármore italiano. A melhor parte da suíte master, no entanto, era o caminho que levava até a janela de vidro que corria ao longo da parte de trás do quarto. A porta de correr abria para uma pequena varanda com terraço, onde Caine poderia apreciar a vista sobre Beacon Hill e além em privacidade. Cuidadosamente eu coloquei a lavagem a seco em sua cama e fiz meu caminho de volta para fora do quarto. Eu queria ser intrometida e olhar profundamente ao redor, mas eu tinha que estar de volta ao escritório com a salada que tinha encomendado em sua delicatessen favorita. Eu notei, no entanto, enquanto andava através de seu espaço privado, que mais uma vez não havia nada excessivamente pessoal em seu apartamento. Não havia fotos dele ou de amigos... nada que mostrasse quaisquer laços pessoais com ninguém. Talvez isso fosse normal para um solteiro, mas eu não podia deixar de sentir um pontada de culpa novamente porque, dentre tudo, Caine não tinha fotografias de sua família. Franzindo a testa, saí de seu apartamento, tranquei, e virei-me quase colidindo com uma pequena mulher idosa com uma túnica fúcsia vibrante. Ela encarou-me com as mãos nos quadris, com os cabelos tingidos de preto arrumados em uma


colméia elegante. Aqueles estreitos olhos azuis brilhantes dela eram enquadrados por cílios liberalmente revestidos com rímel, e seus lábios, que eram surpreendentemente cheios para uma mulher que imaginei estar em seus setenta anos, estavam pintados de um vermelho vivo. "Quem diabos é você?" Ela perguntou em um forte sotaque do Sul de Boston. Eu pisquei surpresa. "Uh..." "Bem? Você tem cinco segundos para me dizer antes que eu chame a segurança." "Sou Alexa Holland." Eu coloquei minha mão para fora. "Nova assistente pessoal do senhor Carraway." Foi a vez dela piscar como uma coruja. Lentamente, seu olhar vagou por cima de mim, um sorriso esticando aqueles lábios juvenis dela. "Então você é Alexa, hein? Oh, eu ouvi tudo sobre você." Ela ouviu? "Você ouviu?" "Mmm-hmm.

Quando

Caine

me

disse

que

tinha

contratado a prole daquele bastardo que destruiu sua família, eu tinha certeza de que ele estava cometendo um grande erro." Ela riu quando ela me inspecionou. "Agora eu entendo." "Uh..." Eu não. "Eu sou a Sra Flanagan. Eu moro na outra cobertura." Ela apontou para o corredor passando o elevador. "Venha tomar um chá. Vamos conversar."


Por mais curiosa que eu estivesse para conversar com a extravagante Sra Flanagan, que claramente conhecia Caine suficientemente bem para saber a sua história, eu tinha que estar de volta ao escritório. Eu não pude evitar fazer uma careta de desapontamento. "Sinto muito. Eu adoraria, mas eu tenho que pegar a salada do Sr. Carraway." Os olhos da Sra Flanagan brilharam. "Oh, não se preocupe, querida. Caine está colocando o seu ritmo, hein? Você diga à ele que falei que você não deve trabalhar muito duro. Se você não conseguir dormir o suficiente, não vai envelhecer bem. Eu sei. Olhe para mim. Durmo sólidas oito horas, todas as noites, e tenho feito isso durante os últimos 50 anos. Eu sou uma prova viva do poder do sono da beleza." Ela acenou com o dedo na frente do meu nariz. "Você tem beleza natural. Não deixe que a falta de sono desperdice isso." Comecei a

rir,

completamente

encantada

por

esta

personagem na minha frente. "Vou me esforçar para conseguir dormir oito horas, se isso significa que eu estarei tão bem quanto você na sua idade.” "Oh, eu gosto de você." Sra Flanagan riu. "Quando você voltar, eu e você definitivamente precisamos nos sentar com um pouco de chá e bolos. Falando nisso, diga a Caine que estou fazendo a sua favorita – torta de creme de banana – assim, é melhor ele passar por aqui hoje à noite." Caine gostava de torta de creme de banana? Eu olhei para o saco na minha mão que carregava sua salada. Há três dias que eu trabalhava para ele e, até agora, tinha descoberto que o homem era um fanático por saúde. Ele ia para academia todas as


manhãs antes do trabalho e só comia legumes cozidos no vapor, sopa e salada. Torta de Creme de Banana era um lado totalmente diferente dele. Eu sorri. "Definitivamente vou dizer a ele." Dean, da recepção principal, lançou-me um sorriso simpático quando o cumprimentei, "Hey, Dean!" Embora eu não tenha tido a chance de me misturar com muitos dos outros funcionários de Caine, e duvidava que iria algum dia com o calendário que ele me deu, Dean tinha parado por algumas vezes para falar comigo. Ele era doce e amigável, e honestamente, ter ao menos uma pessoa que me tratasse como um ser humano, me ajudava a passar o dia. Fui em direção ao escritório de Caine tentando recuperar o fôlego, quando parei na minha mesa para organizar a sua comida no prato em uma bandeja. Eu liguei para o seu escritório para que ele soubesse que eu tinha a sua salada. Ele me disse para entrar e eu caminhei para dentro, felizmente não mais ofegante, para encontra-lo estabelecido em seu sofá com um tornozelo apoiado no joelho oposto enquanto ele franzia a testa para a papelada em suas mãos. Aproximei-me com a bandeja e Caine olhou para mim. Eu rapidamente tirei o meu olhar de seus antebraços. Suas mangas estavam arregaçadas, exibindo sus braços bronzeados. O filho da puta tinha que ter algum tipo de defeito físico. Eu iria encontrar isso. Eu iria.


"Você

está

atrasada."

Ele

franziu

os

lábios

em

aborrecimento. Por outro lado, falhas de personalidade... oh, eu já encontrei muitas daquelas. "Desculpe, Sr. Carraway," eu murmurei, colocando a bandeja sobre a mesa de café em frente a ele. "Eu estou atrasada graças a Sra Flanagan." Eu me endireitei, observando sua reação. E eu consegui. A desconfiança tinha se apoderado dele. Se eu pudesse, eu teria erguido o punho em triunfo. "Ela queria que eu lhe dissesse que ela fez sua favorita – torta de creme de banana." Eu sorri com uma doce inocência falsa. "Você deve parar hoje á noite para ter um pedaço." A irratação que irradiava dele, teria reprimido qualquer pessoa normal – ou pelo menos limparia o sorriso estupido de provocação do seu rosto. Mas eu nunca disse que era normal. Não, eu estava gostando de seu desconforto óbvio, porque isso significava que eu tinha encontrado algo real sobre ele, e estava ansiosa para aprender mais sobre a encantadora Sra. Flanagan. "Saia do meu escritório, Alexa." Ao rosnar do comando, eu decidi que era sábio sufocar minha risada e fazer exatamente isso. O olhar de Caine queimou nas minhas costas o tempo todo.


Na manhã seguinte... Eu me deparei com Caine marchando em direção a minha mesa, sua aparência escura e sombria. Eu estava tão ocupada olhando para seu rosto que não percebi o que estava em sua mão até que fez barulho em cima da minha mesa. Olhei em confusão para o Tupperware. Dentro dele eu pude ver um pedaço de torta. Eu olhei para Caine com interrogação. Ele

estava

claramente

chateado

e

extremamente

desconfortável. "Sra. Flanagan insistiu que você tivesse um pedaço de torta," disse ele, com os dentes cerrados. Abri minha boca, mas ele me cortou com um forte "não". Com isso, ele abriu a porta do seu escritório e bateu-a atrás de si. Caine se importava o suficiente com sua vizinha idosa, para seguir suas instruções, apesar do fato de que quase o matava fazer isso. Eu abri o Tupperware e enfiei um dedo lambendo o creme doce dele, e sorri me recostando na cadeira. "Obrigada, Sra. Flanagan." E não apenas pela torta.


Capítulo 5 Saí da sala de conferência enquanto um estagiário arrastava para dentro uma bandeja enfeitada com folhados que eu havia comprado. Era sexta-feira de manhã e eu tinha sobrevivido quase uma semana inteira trabalhando como AP de Caine. Ele tinha uma conferência em 15 minutos e ele queria que eu me certificasse de que a sala foi arrumada. Sorri para a secretária da CFO5 de Caine, Verity, enquanto passava. A CFO, Srta. Fenton, era assustadora. Ela era um pouco robótica – toda fria e eficiente e superinteligente. Não havia nada de maternal sobre ela, e foi por isso que fiquei surpresa ao descobrir que a razão pela qual ela era uma das pessoas mais ocupadas que eu já conheci, era porque ela também era uma esposa e mãe de dois filhos. Basta dizer que tínhamos falado menos de cinco palavras uma para a outra. Eu conhecia Verity um pouco melhor. Ela era amigável e tínhamos conseguido conversar por breves minutos, quando eu estava na fotocopiadora, mas Caine me mantia executando um serviço após o outro, então ainda não tinha chegado a conhecer qualquer um dos meus colegas muito bem. Metade do dia de ontem eu passei correndo ao redor de Boston tentando encontrar uma boneca de um filme da Disney para a filha de algum juiz com quem Caine socializava. O cara 5

CFO – Chief Financial officer – No caso, secretária chefe do financeiro da empresa.


estava no meio de um grande caso e não tinha tempo para comprar um presente de aniversário para sua filha, então Caine tinha oferecido os meus serviços. A boneca que a menina queria não era fácil de encontrar. Na verdade, era tão difícil que eu a encontrei nesta pequena loja independente de brinquedos que deveria ter sido esmagada pela economia atual. No momento que voltei para o escritório, eu estava uma bagunça suada e Caine estava chateado que eu tinha demorado tanto tempo. Eu queria dizer a ele que talvez ele não deva emprestar sua AP, mas de alguma forma eu segurei a minha língua. Eu ainda não estava tão certa de que Caine não iria me demitir à menor provocação. Ele não era um homem com quem se brinca. Quatro dias e meio trabalhando para ele. Parecia mais tempo. Quando voltei para a minha mesa meu telefone começou a tocar. Era uma ligação interna. Caine. "Senhor?" Eu perguntei ligando o viva-voz. "Eu preciso que você faça uma reserva para dois no Menton para esta noite às oito. Além disso, tenha uma dúzia de rosas

vermelhas

entregues

a

Phoebe

Billingham,

Harvard

University Press, Cambridge. Eu as quero entregues esta tarde." Phoebe Billingham. Inteligente. Linda. Sofisticada. Rica. Ela era uma editora para Harvard University Press e uma queridinha da sociedade. Ela realmente era perfeita para ele. Eu ignorei a queimação no meu peito. "É claro. O que você gostaria de dizer no cartão?" "O cartão?"


"Nas flores." "De Caine." Eu enruguei meu nariz, a romântica em mim lamentando em indignação. "É isso?" Caine, aparentemente, estava namorando Phoebe por oito semanas, o que era um longo tempo no mundo de Caine. Eu não estava surpresa, no entanto. Phoebe tinha tudo, e ela tinha o potencial para fazê-lo feliz. No final do dia, Caine merecia nada menos. Ele precisava avançar para mantê-la interessada. "Sim," respondeu ele, a palavra afiada com impaciência. "Você não acha que poderia ser um pouco mais romântico?" "Estou enviando-lhe uma dúzia de rosas vermelhas e levando-a para jantar em um bom restaurante. Isso não é romântico?” "Sim." Era um pouco genérico, mas tanto faz. "Mas o cartão poderia ser um pouco mais pessoal." "Eu não faço pessoal." Ele desligou. Respirando fundo, eu desliguei o telefone e contemplei a nota que eu tinha feito para as rosas. Eu sabia que seria ofensivo da minha parte me intrometer, mas às vezes você tinha que ser um pouco insolente para fazer o bem. Eu sorri para mim e peguei o telefone para encomendar as flores. Eu cerrei os dentes, canalizando o meu lado mais paciente possível enquanto eu tentava discutir as alterações à


lista de custos que a designer de interiores que Caine havia contratado o havia enviado. Ele a contratou para reformar a casa de veraneio que ele tinha acabado de comprar em Nantucket. A semana estava quase acabando e teria sido muito melhor se eu pudesse tê-la terminado em alta – não discutindo com uma arrogante bruxa designer. "Eu não vejo qual é o problema," disse ela com essa voz nasal que, junto com sua atitude ruim, me fez querer dar um soco nela. Eu abstive-me de soca-la verbalmente. "O problema é que você enviou uma nova lista de custos para esta remodelação e é quinze mil dólares a mais do que o original que o Sr. Carraway assinou." "Estilo leva dinheiro, querida." "Essa é a questão. Eu estou analisando as listas e não consigo ver aonde esse extra de quinze mil vai..." Eu de repente percebi que não estava sozinha e olhei para a minha direita para ver que Caine tinha saído de seu escritório e estava de pé próximo a mim, com os olhos brilhando em aborrecimento. Lancei-lhe um olhar desconfiado, mas continuei a pechinchar com a irritante do outro lado da linha. De repente a grande mão de Caine apareceu e ele apertou o botão de mudo no telefone. O movimento espasmódico sugeriu que eu estava certa sobre ele estar irritado, e olhei para ele perguntando o que diabos eu tinha feito. "Eu posso pagar um extra de quinze mil. Saia do telefone. Agora."


Eu exclamei. "Só porque você é cheio de grana não significa que você deve deixar as pessoas se aproveitarem." Eu bati no botão de mudo. "Não, eu ainda estou aqui," eu respondi o tagarelar frenético dela. "Onde eu estava...? Ah, sim, a menos que você queira que se espalhe que você é uma idiota incompetente tentando ferrar seus clientes, eu sugiro que você siga o orçamento original." "Bem, eu... Como... Eu nunca –" "Okay, então." Eu desliguei e olhei para o meu chefe irado. "Por que há uma veia estalando para fora em sua testa?" "O que diabos você colocou naquele cartão?" "Cartão?" Eu disse inocentemente. O semblante zangado de Caine transformou-se para assassino. "Acabei de receber um telefonema de Phoebe. Ela me agradeceu as flores, disse que o meu cartão foi tão doce, e que ela estava ansiosa para me ver em breve também." Então eu sabia que mudar a mensagem no cartão com as flores foi atrevimento meu, mas não achei que seria tão grande coisa. Aparentemente, era. Caine parecia estar excessivamente irritado e eu tinha que admitir que isso me fez mais do que um pouco nervosa. "Bem... Eu só pensei... Bem, eu pensei que era mais adequado assinar o cartão com um cortejo de algum tipo." Eu sorri para ele, esperançosa. "Alexa," ele alertou. "Você sabe que pode me chamar de Lexie." Caine realmente rosnou.


"Tudo bem," eu me apressei a explicar: "Eu escrevi 'Phoebe, estou ansioso para vê-la esta noite, Caine.’ E" – Eu quase fechei os olhos em preparação para sua reação – "Eu posso ter colocado um beijinho no fim." O ar em torno dele pareceu inchar com aborrecimento. "O quê?" "Um X6. Você sabe... um beijo..." Eu parei, desejando que eu estivesse de volta no Havaí com um mojito. Abruptamente Caine colocou as mãos sobre os braços da minha cadeira e empurrou-a contra a mesa quando ele se inclinou para nivelar o rosto com o meu. Ele estava tão perto que eu poderia realmente ver a coloração chocolate em seus olhos que os impediam de ser inteiramente pretos, e sua boca... sua boca estava a um centímetro da minha. Prendi a respiração com o choque de seu movimento repentino e sua proximidade. "Primeiro de tudo," disse ele com os dentes cerrados, seu olhar duro segurando o meu em seu poder, "eu pareço um homem que alguma vez colocaria um beijo no final de uma mensagem?" Eu não tive que contemplar a questão por muito tempo. "Na verdade, não." "Na verdade, não." Ele acenou com a cabeça, e empurrou para mais perto, sua respiração abanando meus lábios e fazendome engolir um suspiro. "Em segundo lugar, se você alguma vez se intrometer na minha vida pessoal novamente, eu vou aniquilar você. Entendido?" 6

X é uma forma carinhosa de escrever beijos.


"B-bem, aniquilar – isso é bastante claro," eu gaguejei, "Então – então, sim." Seus olhos piscaram. "Alexa." Eu lutei contra minha reação física a ele a fim de tentar uma explicação. "Eu só estava tentando ajudar. Eu pensei que seria mais romântico. Sinto muito. Eu não vou fazer isso de novo." "Você

não

estava

ajudando,"

Caine

assobiou.

"Ao

contrário da crença popular, eu dou a mínima para as mulheres que eu namoro. Isso significa que eu não quero machucá-las. E uma maneira de eu evitar isso é nunca fazer uma mulher sentir como se ela tivesse mais de mim do que ela realmente tem, porque inevitavelmente isso não vai funcionar e eu não quero ser o bastardo que a enganou. O que você fez com Phoebe vai me fazer esse bastardo." Isso era meio que honroso de uma forma fodida. "Mas por que as coisas vão acabar?" Eu sussurrei, confusa. "Phoebe Billingham é perfeita para você." Algo brilhou em seu rosto e, em seguida, ele paralisou assustadoramente. Prendi a respiração enquanto olhávamos nos olhos um do outro. Ele estava tão perto. O idiota sexy cheirava deliciosamente bem. Por um momento eu esqueci onde estava e quem eu era. Quem eu era para ele. Meus olhos caíram para sua boca. Estava bem ali. Bem ali. Excitação

passou

por

mim

e

olhei

para

cima

rapidamente, com medo que ele pegasse um vislumbre do meu


desejo, mas para minha surpresa, encontrei seus treinados olhos em meus lábios. Eles se separaram sob seu olhar. O olhar de Caine voltou para o meu. O formigamento entre as minhas pernas aumentou com o calor dele. "Não faça isso de novo," ele disse baixinho, sua voz rouca. "Novas táticas de intimidação, Caine?" Caine se afastou de mim com a interrupção e puxei um pouco de ar muito necessário. De pé atrás de nós estava Henry Lexington. Ele olhou para trás e para frente entre nós, sorrindo. "Henry." Caine acenou para ele, parecendo perfeitamente composto. Eu não estava. Eu cruzei as pernas, desejando que o calor do meu corpo fosse embora. Eu simplesmente sabia que se eu tocasse minhas bochechas eu queimaria meus dedos. "Eu pensei que tínhamos planos para o almoço," Henry murmurou, e seus olhos corriam entre Caine e mim. "Nós temos. Deixe-me apenas pegar meu casaco." Ele desapareceu em seu escritório e Henry se aproximou da minha mesa. Ele sorriu para mim. "Nós nos encontramos de novo." Eu sorri, ainda tentando livrar-me do momento intenso com Caine. "Eu acho que tecnicamente eu tenho que agradecer a


você pelo trabalho. Se você não tivesse arranjado para eu ver Sr. Carraway, eu não estaria aqui." "Isso é certo." Os olhos azuis de Henry brilharam com bom humor quando ele se inclinou na minha mesa com flerte escrito sobre todo ele. "Então, de uma forma você me deve. Eu gosto muito de ter uma mulher bonita em dívida comigo." "Você tem um monte desses?" "Apenas um deles é interessante." Ele inclinou a cabeça, curioso. "Você é um mistério. Caine não vai me dizer de onde você veio ou como ele conhece você. Naturalmente estou intrigado." Eu tinha certeza que ele estava, e eu também tinha certeza de que a última coisa que eu jamais faria era revelar uma parte da história trágica de Caine, e, francamente, eu estava amarrada nisso de uma forma que me deprimia. "Nós nos conhecemos em Hollywood." Henry levantou uma sobrancelha. "Hollywood?" "Mmm-hmm.

Boulevard."

Eu

suspirei

em

exagero,

inclinando meu queixo na palma da minha mão em retrospecção sonhadora. "Oh, aqueles foram dias difíceis. Eu era uma prostituta humilde em busca de um cavaleiro branco, e ele era um bilionário rico que não sabia manusear uma alavanca. Mostrei-lhe como e o resto é história." Henry fez uma carranca. "O quê?" "É a trama de Uma Linda Mulher," disse Caine secamente. Ele se se encostou à porta de seu escritório com algo semelhante a diversão em seu rosto. Ele afastou-se do batente e fez um gesto


para Henry segui-lo. "Eu mencionei que a minha nova AP é uma espertinha?" Henry riu e eu não pude deixar de sorrir para ele quando levou a minha provocação bem-humorada na brincadeira. Ele me lançou um olhar apreciativo sobre seu ombro enquanto eles se afastavam. "Até nos encontrarmos de novo." Eu balancei a cabeça e dei-lhe um pequeno aceno, um gesto que Caine pegou quando ele olhou para mim. Ele fez uma careta. "Lembre-se do que eu disse. Sem intromissão.” Simples assim, a vibe positiva do momento evaporou. "Claro." Eu joguei a ele o que eu esperava que parecesse um sorriso genuíno, mas isso ainda o fez balançar a cabeça em aborrecimento. "Como você sabe a trama de Uma Linda Mulher?" Eu ouvi Henry perguntar em diversão. "Lembra-se de Sarah Byrne?" Caine respondeu. "A relação recorde de cinco meses. É claro." "Ela tinha uma coisa por Richard Gere. Eu paguei o preço." Eles desapareceram na esquina conforme Henry ria. Eu estava sorrindo junto com ele. Às vezes, quando Caine lembrava de ser um cara normal, ele era mais atraente do que nunca. "Carraway

Financial

Holdings,

escritório

do

Sr.

Carraway," eu atendi, esperançosamente pela última vez naquele dia. Eram quase cinco e meia. Caine não costumava me deixar


sair até sete, mas eu estava esperançosa que eu pudesse arrancar a minha bunda de lá cedo, já que era sexta-feira e ele tinha uma reserva para jantar. "Oh, bem, eu peguei alguém," disse uma voz agradável na linha. "Eu sou Barbara Kenilworth da Fundação O'Keefe. Estou ligando para o Sr. Carraway." "Sr. Carraway está indisponível no momento," disse eu, que era o que deveria dizer a todos, a menos que Caine me dissesse

que

estava

esperando

um

telefonema

de

alguém

específico. "Posso anotar um recado?" "Oh. Bem, sim. Eu queria deixar o Sr. Carraway ciente de que algumas senhoras em outras comissões de caridade e eu incluída, notamos sua generosidade e o nomeamos para um prêmio na Gala da Sociedade Filantrópica de Boston que ocorrerá no próximo outono." Sua voz baixou como se ela estivesse confessando algo para mim. "Dois dos meus amigos e eu estávamos

no

almoço

algumas

semanas

e,

bem,

nós

descobrimos por acaso o quão generoso Sr. Carraway tem sido, e ele nunca pediu qualquer reconhecimento. Bem, nós pensamos que tais esforços humanitários devem ser trazidos à tona." "De fato," eu murmurei absolutamente tonta com esta notícia. Caine era assim tão generoso para as organizações de caridade? "Então você vai informá-lo para mim?" "Eu irei." "Oh, você é tão querida. Tchau."


Eu desliguei, confusa. Eu não tinha lido em qualquer lugar que Caine era um filantropo. O que foi aquilo? Liguei para seu escritório. "Sim?" Ele respondeu quase que imediatamente. "Você tem um minuto?" "É importante?" "Eu acho que sim." "Então, simplesmente você me interrompeu quando estou ocupado por causa de um 'eu acho que sim’." Ele desligou e eu me apressei em seu escritório, apesar do pouco acolhedor ‘vá em frente’. Caine estava sentado atrás de sua mesa, me observando. Normalmente, ele tinha algum tipo de olhar vazio ou chateado em seu rosto quando me encarava. Para minha consternação, parecia que ele estava cauteloso comigo. Meu único palpite era que sua súbita estranheza tinha a ver com o momento quente que tivemos mais cedo naquela tarde. Não necessitando de um lembrete disso quando estava perto dele, joguei o pensamento longe e fui adiante. Eu disse a ele tudo sobre Barbara Kenilworth. Sua reação foi soltar uma torrente de palavrões. "Por que você está aborrecido?" Eu bufei. "Isso é maravilhoso. O que você faz é maravilhoso.” "Alexa," ele bufou de volta. "Eu tenho uma reputação de ser um osso duro de roer, um bastardo cruel. E você sabe o quê? Eu consigo bastante adicional nos negócios por causa disso.


Minhas doações são sempre baseadas em condição de anonimato. Eu

faço

fundações

assinarem

um

maldito

acordo

de

confidencialidade." Ele levantou-se agora, e apontou para a porta. "Então você telefone de volta para Srta. Kenilworth e informe-a de que, se ela não retratar essa nomeação e parar de espalhar rumores de minha filantropia por toda fodida Boston, eu vou rasgar-lhe um novo anus via ação judicial." Eu pisquei surpresa em seu discurso. "Uau. Isso realmente me faz sentir melhor.” Suas sobrancelhas se juntaram. "Como?" "Bem, em

comparação

com

o que

a

pobre

Srta.

Kenilworth estará enfrentando se ela perturbar você, você é um príncipe absoluto para mim. Eu não tive essas ameaças de rasgar anus." E então aconteceu o impossível. Os lábios de Caine se contraíram e esse lábio contraído foi seguido por um baixo soar de riso conforme ele balançou a cabeça relaxado, e sentou-se. Alegria brilhava em seus olhos quando ele olhou para mim. "Basta fazer a chamada, Alexa," ele murmurou, seu tom na verdade suave pela primeira vez. Eu lutei para não sorrir em euforia total. "Eu farei isso." Virei-me e caminhei de volta para minha mesa, com um sorriso triunfante no meu rosto.


Capítulo 6 Sol irradiou pela livraria/cafeteria em Brighton, e, o seu calor no meu rosto, o delicioso café na minha mão e o fato de que eu não estava no trabalho, significava que estava me sentindo muito bem. Isso foi até o meu avô começar debater as suas preocupações, mais uma vez, sobre Caine e como era uma ideia extremamente ruim para mim, eu estar trabalhando para ele. Este era o nosso lugar. A livraria/cafeteria, eu quero dizer. Foi este pacato lugarzinho que eu o encontrei quando minha amiga Viv estava alugando um apartamento em Brighton e sugeri como o lugar em que vovô e eu poderíamos nos encontrar sem nos preocupar em esbarrar em alguém que o conhecia e deixaria vazar que ele estava encontrando com uma jovem bonita em segredo. Se isso acontecesse, sua família, também conhecida como sua esposa (a avó que eu nunca conheci), e seu neto, Matthew, e sua esposa, Celia (meu meio-irmão, e minha cunhada, a quem eu também nunca conheci), fariam perguntas e, em seguida, eles descobriam que vovô estava em contato com a ovelha negra da família, a filha ilegítima e tudo viraria um inferno. Ou pelo menos essa era a maneira como ele fez isso soar. Honestamente sua família soava muito exigente, e tendo vivido com meu pai por nove anos, eu sabia que a minha avaliação provavelmente estava certa.


Eu realmente não queria conhecê-los. Suspirei e relaxei de volta em meu assento. "Vovô, o trabalho não é tão ruim, eu prometo. Poderia ser pior. Caine fez soar como se ele fosse ser o inferno na terra. Mas aqui estou eu, desfrutando de algum tempo livre com o meu avô." Vovô sorriu um sorriso que não chegou a atingir os seus lindos olhos cinza-claro. Eram os mesmos olhos do meu pai. Tudo sobre o meu pai era como Vovô. Ambos eram classicamente bonitos e de aparência distinta. Eles também eram muito altos e de ombros largos. Eles eram o tipo de homens que você prestava atenção quando entravam em uma sala. Uma vez que você começava a conhecer o meu pai, aquela sensação de poder em torno dele lentamente se dissipava. Mas não com o vovô. Eu tinha a sensação de que você não queria ficar no lado ruim do meu avô. Ele era como o Clint Eastwood da alta sociedade – não importa quantos anos ele tinha, você ainda não gostaria de se meter com ele. "Eu

conheço

você,

querida."

Ele

me

estudou

cuidadosamente. "Você está à procura de algo fora disso, e estou preocupado que você não vai encontrá-lo." "Talvez." Eu dei de ombros e, em seguida, me surpreendi por admitir, "Estou admirada com ele." "Caine?" "Sim. Ele não deixou isso destruí-lo. A tragédia que ele sofreu o fez determinado. Agora ele tem mais sucesso e riqueza e poder do que o homem que ajudou a tirar tudo dele. Ele nunca usou sua dor privada. Ninguém sabe sobre isso; ele apenas tentou


colocar isso atrás dele e fazer a sua vida melhor. Não é culpa dele se ele vai procurar todas as coisas erradas. Ainda assim, é a atitude

por

trás

de

suas

ações

que

eu

respeito.

Estou

impressionada. Ele superou muita coisa." No total, o que Caine superou foi drama familiar, traição, morte e suicídio. Do que eu tinha juntado do meu pai e avô, Caine tinha treze anos, vivia em South Boston com sua mãe, que era uma vendedora de uma loja em Beacon Hill, e seu pai, que era um trabalhador da construção civil. Sua mãe – seu nome era Grace – conheceu o meu pai quando ele foi comprar um presente para sua então esposa. Pelo jeito que ele disse isso, Grace era uma jovem mãe entediada que sentia como se sua vida estivesse passando por ela. Foi fácil seduzi-la com sua cultura e dinheiro e charme. Eles começaram um caso e ele a colocou em uma cena selvagem. Ela ficou viciada em cocaína e uma noite, em algum quarto de hotel vagabundo, ela teve uma overdose enquanto ele estava no banho. Em vez de ajudar Grace, meu pai entrou em pânico e fugiu de lá. Grace morreu. Meu pai usou seu dinheiro e influência para cobrir as coisas e certificar-se de que o nome Holland não fosse arrastado para um escândalo e que ele não fosse acusado por posse de drogas ou, pior, homicídio culposo. O pai de Caine, Eric, não deixou isso passar, no entanto, e meu pai teve que lhe dizer a verdade sobre o seu caso com a esposa de Eric e sua parte em sua morte. Ele olhou ao redor do apartamento vagabundo que pai e filho estavam vivendo e ofereceu a Eric um monte de dinheiro apenas para deixar a coisa toda pra trás. Eric aceitou o dinheiro. E três meses após a overdose de Grace, Eric doou todo o dinheiro para a caridade e, alguns dias depois, entrou na casa de seu vizinho, um homem que


era um policial, e pegou a arma do policial, colocou-a em sua própria boca, e puxou o gatilho. Caine foi colocado no sistema. Uma casa de meninos primeiro e um par de internatos depois disso. Meu pai, o bastardo fraco, foi rejeitado por meu avô quando ele descobriu a cadeia de eventos, e sua primeira esposa divorciou-se dele uma vez que ele estava sem recursos. Naquele ano, em vez de vir para a sua visita anual para me ver e foder a minha mãe, ele mentiu e disse que não poderia viver mais sem a gente. Ele então viveu às custas da minha mãe durante anos até seu colapso nervoso quando eu tinha vinte e um anos. Eu não sabia o que ele estava fazendo, agora que a mamãe tinha morrido. A última vez que o vi foi no enterro dela, e quando ele tentou falar comigo levou tudo dentro de mim para não cuspir na cara dele. Talvez se ele tivesse sido o herói que eu sempre achei que ele era quando criança, talvez se ele tivesse se esforçado para se tornar um homem, um provedor, um pai decente, eu teria sido capaz de perdoá-lo. Mas ele era um mentiroso e um preguiçoso, e ele tinha a minha mãe tão amarrada em nós que ela não podia ver quem ele realmente era. Eu a perdi por causa dele. Então não. Eu nunca iria perdoá-lo. "Lexie." Meu avô me tirou dos pensamentos sombrios. "Eu não quero você se apaixonando por Caine Carraway. É muito perigoso para você. Você vai se machucar. E se ele lhe machucar"


– sua voz baixou para um aviso sussurrado – "Eu vou ter que matá-lo." Eu me inclinei para frente e acariciei a mão de meu avô em tranquilização. "Eu não estou lá para me apaixonar por ele. Eu só estou tentando estar lá para ele de alguma forma. Eu o entendo – mesmo que ele não perceba isso, eu realmente o entendo. Eu gostaria de ser sua amiga se ele me deixar. Mas... seria bom para ele se apaixonar por alguém. Talvez a mulher que ele está atualmente namorando – Phoebe Billingham." Vovô pareceu surpreso. "A filha de Grant?" Eu afirmei com a cabeça. "Ele definitivamente poderia fazer pior. Isso poderia ser um bom par." "Isso é o que eu estou pensando." Mentirosa, mentirosa, mentirosa. Franzi a testa para o meu subconsciente ciumento. "Mas ele não é muito romântico ao redor dela. Estou tentando empurrá-lo na direção certa." "Você não empurra um homem como Carraway a qualquer lugar," Vovô advertiu. Meu telefone de repente começou a vibrar em cima da mesa. Eu me inclinei para frente para dar uma olhada no identificador de chamadas e franzi a testa. Era Caine. Em um sábado. "Oh Carraway?”

homem," Eu

gemi, e

peguei o telefone.

"Sr.


"Eu preciso que você venha no escritório com o almoço. Estamos chegando ao fim do acordo com a Companhia de Seguros Moorhouse, por isso estamos trabalhando horas extras. Eu tenho um monte de pessoas famintas aqui. Vamos precisar –" "Cai – Sr. Carraway, é sábado." Seus

tons

sarcásticos

retumbaram

na

linha,

"Observadora". Ele então passou a recitar uma lista de sanduíches e bebidas. "Mas..." Eu encarei tristemente o meu café. "É sábado." "Venha para o escritório, Alexa." Ele desligou. Olhei miseravelmente para o meu avô, que tinha o seu "eu avisei" estampado. "Então, talvez ele esteja tentando me matar," eu resmunguei quando me levantei para sair.

As últimas semanas tinham sido em grande parte as mesmas responsabilidades e cronograma esmagador como na minha primeira semana na Carraway Financial Holdings. Caine tinha a intenção de arruinar a minha vida social. Poderia ter valido a pena se eu tivesse visto alguns sinais da pessoa que ele escondia atrás de sua conduta profissional. Mas, com exceção de descobrir que ele era um fã do Red Sox e um portador do bilhete de nível EMC da temporada, e que Henry era o seu amigo mais próximo da faculdade (e eu não sabia se isso ainda contava muito quando se tratava de Caine), e que ele


gostava de rock dos anos sessenta/setenta tipo Led Zeppelin e Grateful Dead, eu aprendi pouca coisa mais. Eu só sabia sobre suas inclinações musicais porque ele deixou o seu iPod em sua mesa quando entrou no escritório diretamente da academia. Havia um banheiro com chuveiro à parte de seu escritório, e enquanto ele estava lá eu dei uma olhada em suas seleções de música. Fiquei surpresa para dizer o mínimo. Eu tinha que admitir que gostava que ele pudesse me surpreender. Eu estava refletindo sobre isso quando na verdade deveria estar escolhendo o papel de parede para o maior quarto de hóspedes em sua casa de veraneio. Eu fui sacodida fora dessas reflexões quando ele me ligou. Eu apertei o viva voz. "Sim, Sr. Carraway." "Venha aqui." Mordi minha língua para que eu não fizesse um comentário sarcástico sobre a sua falta de boas maneiras e avancei em seu escritório. "Como posso ajudar?" Caine estava empoleirado em sua mesa, os braços cruzados sobre o peito, pernas longas esticadas, tornozelos cruzados também. Ele parecia pensativo. Alguns segundos se passaram. Finalmente, ele suspirou. "Eu preciso de você para ir à Tiffany em Copley Place. Compre um colar no meu cartão de crédito. Escolha-o simples, elegante, e certifique-se que haja um diamante nele. E então, preciso que você o entregue pessoalmente


a Phoebe Billingham. Você vai informá-la que apreciei meu tempo com ela e que eu desejo a ela tudo de melhor no futuro.” Uma onda estranha de alívio e decepção tomou conta de mim. Afastei o alívio e fiquei com a decepção porque era muito menos complicado. "Mas... o que aconteceu?" Eu choraminguei, jogando minhas mãos para cima, exasperada. "Ela é perfeita." Caine olhou para mim como se tivesse crescido duas cabeças em mim. "Não é da sua conta o que aconteceu. Apenas faça isso.” Fiquei indignada. Realmente indignada. Eu lutei para repreendê-lo o mais educadamente possível. "Isso não seria algo que você mesmo deveria fazer?" Ele se levantou abruptamente e levou tudo dentro de mim para manter meu queixo erguido em desafio à sua súbita mudança de comportamento. Sua expressão era dura, suas palavras curtas. "Se eu fizer isso eu mesmo, sugeriria a ela mais do que eu gostaria de sugerir. Desta forma, ela recebe a mensagem alta e clara e vai, além disso, fazê-la se sentir melhor que se livrou de mim, um cara que nem sequer se preocupou em terminar as coisas com ela por si mesmo." "Você é simplesmente...", eu gaguejava. "Eu sou simplesmente?" Ele zombou, quase me incitando a fazer alguma coisa para prejudicar meu emprego. Eu estendi minha mão com a palma para cima, em resposta. "Cartão." Satisfeito, Caine puxou a carteira.


Quase uma hora e meia mais tarde, eu estava na porta do escritório de Phoebe Billingham, uma porta que desejei que estivesse

fechada

pela

privacidade,

considerando

que

seu

escritório era um plano aberto compartilhado por muitos. Phoebe era de estatura média, mas nada mais era médio sobre ela. Ela tinha lindos, enormes olhos castanhos, pele pálida cremosa, lábios carnudos e um nariz bonito. Ela também era magra de uma forma que se ela fosse mais alta ela poderia ter sido uma modelo. Roupas simplesmente se moldavam perfeitamente ao seu corpo. Além do quão linda ela era, era claramente uma mulher inteligente, e quando me apresentei, ela foi só sorrisos simpáticos e feliz em me conhecer. Agora

aqueles olhos

castanhos

estavam

cheios de

lágrimas de raiva enquanto ela olhava para o colar. Eu queria morrer. Eu queria que o chão me engolisse e apenas me sufocasse para que pudesse escapar dessa situação. Phoebe fechou a caixa de Tiffany e olhou para mim. Algo que eu não gostei penetrou em seu olhar magoado quando ela passou esses olhos pelo meu corpo e de volta para o meu rosto. Ela desdenhou. "Oh, eu compreendo perfeitamente esta situação," disse ela, sua voz ecoando para o escritório de plano aberto. Houve um silêncio no ar, conforme as pessoas mais próximas de nós ouviam a raiva amarga nessas palavras. "Faça-me um favor." Ela empurrou o colar em mim. "Diga ao seu chefe para não enviar uma prostituta para fazer o trabalho de um homem."


Houve um silêncio absoluto atrás de mim. Minhas bochechas queimaram com indignação ao insulto. Levou tudo dentro de mim para segurar a minha humilhação e me agarrar a minha compaixão. Severamente tomei a caixa dela e saí de lá com a minha cabeça erguida, apesar da atenção indesejável focada em mim. Quarenta minutos mais tarde estourei pelo prédio e direto até o escritório de Caine sem bater. Eu tropecei em uma parada quando vi a Srta. Fenton e ele sentados um em frente ao outro nos sofás perto da janela. Caine não estava feliz com minha interrupção. Ele soltou um suspiro de exasperação. "Linda, volte para o seu escritório. Eu estarei lá em um segundo para continuar a nossa discussão." Srta. Fenton franziu a testa para a minha falta de etiqueta quando ela passou, mas eu não dava a mínima para isso. Eu tive 40 minutos para cozinhar minha raiva. "O que diabos você pensa que está fazendo?" Caine retrucou, levantando-se e caminhando até mim para fazer sua coisa intimidante "Eu sou maior e mais alto e mais assustador do que você." Mas eu estava muito puta para ser intimidada. Eu joguei a caixa de joias com o colar nele, e ele piscou surpreso antes de alguma forma conseguir pegar a maldita coisa. "Não se atreva a me obrigar a fazer isso de novo." Ele ficou tenso, de repente, alerta. "O que aconteceu?"


"Bem, todo o escritório da Harvard University Press agora acha que sou uma prostituta." A mandíbula de Caine cerrou e seu rosto ficou sombrio instantaneamente. "O quê?" Eu balancei a cabeça para o fato de que para um homem inteligente ele poderia ser muito estúpido. "O que você achou que aconteceria quando me enviou, uma mulher, para dar o fora em sua namorada? Phoebe disse-me para dizer-lhe – e eu poderia acrescentar o quão infantil tudo isto é – para não enviar uma prostituta para fazer o trabalho de um homem." Seus olhos escuros incendiaram. "Ela chamou-lhe de prostituta?" "Isso é o que estou dizendo." Caine marchou até sua mesa e pegou o telefone. Poucos segundos depois, ele rosnou nele, "Eu recebi a mensagem que você deu a Alexa... Sim, bem, o seu método de entrega foi mais merda que o meu." Se fosse possível, ele parecia ainda mais irritado com o que quer que seja que ela tinha dito. "Devido a isso você pode dizer adeus àquela sua posição dos sonhos no Conselho de Diretores do Instituto de Arte... Oh, eu posso e vou." Ele desligou e jogou seu telefone em cima da mesa com irritação. Fiquei ali, sem saber o que fazer ou como reagir ao fato de que ele estava chateado em meu nome. Caine ergueu seu olhar pensativo para mim, mas começou pelos meus pés e lentamente trabalhou seu caminho até o meu corpo de modo que, no momento em que chegou aos meus


olhos, eu senti como se eu fosse sair da minha pele. "Eu não acho" ele murmurou. O quê? Ele estava apenas agora, se dando conta que eu era uma mulher, se posso dizer por mim mesma, que era atraente? Então, eu não era brilhante como Phoebe Billingham, mas eu ainda era uma funcionária de boa aparência que ele enviou para dar o fora nela. Nada bom. "Isso não vai acontecer de novo." Ok, isso foi o mais perto de um pedido de desculpas que eu iria conseguir vindo dele. E foi mais do que eu esperava. Eu concordei e nós seguramos o olhar um do outro até que comecei a sentir como se todo o ar estivesse saindo da sala. Eu tirei meus olhos dos dele e imediatamente senti que podia respirar de novo. "Você gostaria de um café?" Eu perguntei, minha maneira de dizer que eu aceito o seu não pedido de desculpas. "Sim." Ele abaixou-se em sua cadeira de escritório, não encontrando meus olhos. "E mande Linda voltar."


Capítulo 7 A geladeira de Caine me deprimiu. Isso realmente, realmente me deprimiu. Principalmente porque estaria quase vazia se não fosse por uma caixa de leite, uma caixa de OJ 7, e três ovos. E eu tinha acabado de colocar o OJ e o leite lá a seu pedido. Eu fechei a porta e olhei ao redor da cozinha bonita. Era um sábado, o quarto consecutivo que Caine havia arruinado ao me pedir para fazer algum serviço que ele poderia fazer por si mesmo, se não estivesse tentando me irritar deliberadamente. No passado, se Caine estivesse sem mantimentos ele teria contado com sua faxineira, Donna, para obter isso. Ela visitava duas vezes por semana e era muito bem paga por seus serviços extras. No entanto, desde que cheguei, fiquei com o serviço de supermercado. Disse que era para que ele pudesse parar de incomodar Donna, mas eu sabia que era realmente apenas para que pudesse começar a me incomodar. Eu passei a maior parte da tarde levando suas roupas na lavagem

a

seco,

pegando

a

lavagem

a

seco,

recebendo

mantimentos, e escolhendo um presente para o septuagésimo sétimo aniversário da Sra. Flanagan.

7

OJ: Orange Juice – suco de laranja


Eu comprei-lhe este lindo quimono verde-esmeralda e azul safira que encontrei em uma pequena boutique na Charles Street, e o tinha deixado em sua cama junto com sua lavagem a seco. Eu também tinha deixado papel do embrulho, laço, e fita adesiva.

Ele

iria

malditamente

embrulhar

o

presente

de

aniversário da Sra. Flanagan por si mesmo. O que me levava a ficar correndo por aí fazendo toda essa porcaria pessoal para o meu chefe, era que ele era um cara ocupado e, geralmente, estava no escritório. Mas quando ele me ligou hoje, eu podia ouvir Henry no fundo perguntando-lhe quando iriam para academia. Ele não estava sequer ocupado e estava me obrigando a fazer sua porcaria para ele! Era oficial. Caine Carraway era um sádico. Encostada ao balcão, eu observei tudo. A cobertura era como algo tirado de uma revista de design de interiores – deslumbrante, sim, mas nenhuma personalidade tinha sido injetada nisso ainda. Fiquei tentada a bisbilhotar e encontrar fotografias pras as quais poderia comprar quadros, em seguida, apenas colocá-las em exposição e ver o que Caine faria. Talvez daqui a um mês. Isso ainda parecia muito cedo. Meu foco foi atraído para uma mancha colorida na mesa de café na área de TV. Curiosa, vagueei e levantei uma sobrancelha para o estojo de DVD que Caine tinha deixado de fora. Quando peguei, vi que era um filme estrangeiro com base nos eventos que aconteceram durante os anos oitenta em Berlim. Hmm. Olhei para o armário debaixo da televisão. Abrir um gabinete não era exatamente bisbilhar. Muito.


Eu o abri e descobri algo novo sobre Caine. De um lado, ele tinha um monte de filmes de ação, e, no outro lado, estavam todos os filmes estrangeiros. Filmes de ação e filmes estrangeiros. Huh. Sorrindo,

levantei-me,

acrescentando

esta

nova

informação para o inventário que inconscientemente comecei a compilar sobre o meu chefe. Ok, era hora de eu cair fora de seu apartamento enquanto estava à frente do jogo. Havia ainda algumas horas restantes da tarde. Eu tinha certeza de que poderia fazer alguma leitura. Quero dizer, não era como se eu tivesse quaisquer outros planos, já que o meu círculo social tinha diminuído muito desde que perdi meu emprego com Benito. Não que eu me importasse. Não. Eu saí do apartamento e tranquei-o. Ok, eu me importava. Fazendo um leve beicinho, eu caminhei em direção ao elevador e apertei o botão para descer. Eu saltei com um som atrás de mim e olhei por cima do ombro para encontrar a Sra. Flanagan de pé em sua entrada vestindo uma túnica laranja translucida. Ela estava sorrindo brilhantemente. "Alexa, eu estou tão feliz que eu peguei você. Venha para o chá.”


"Uh..." Ir para casa para um apartamento vazio ou ter uma conversa com uma senhora engraçada que parecia saber bastante sobre Caine? "Claro, soa muito bom." Sra. Flanagan sorriu e deu um passo para o lado para me deixar passar. Eu fui imediatamente atingida com o quão diferente sua cobertura era em comparação com a de Caine. Ela estava cheia de mobiliário tradicional caro, que provavelmente iria durar centenas de anos. Fotografias desordenadas em cada espaço, pinturas a óleo em todas as paredes, e ela tinha um tapete Aubusson grosso ocupando a maior parte do espaço na sala principal. O layout era como o de Caine exceto que a cozinha da Sra. Flanagan era mais estilo francês do que elegante e moderno, e havia uma parede divisória entre a cozinha e a área de estar que dava uma ilusão deles sendo dois cômodos separados. "Wow." Eu sorri para ela. "Isso é incrível." E era. Eu podia ver toda a sua vida no lugar. Minha atenção foi atraída por uma foto em preto-e-branco de uma bela mulher com o olhar perdido na distância. Parecia uma imagem de uma velha atriz de Hollywood. "Essa é você?" Sra. Flanagan balançou a cabeça, sorrindo. "Eu fui Maria em West Side Story8 na Broadway." "Sério?" Ela assentiu com a cabeça. "Mudei-me de Boston para Nova York quando tinha quatorze anos para trabalhar na Broadway. Conheci meu marido, Nicky, depois de um show numa noite. Ele era um rico industrialista de Boston. Nós nos casamos quando eu tinha vinte e três anos." Ela apontou para uma foto 8

West side story: Amor, sublime amor no Brasil – é um musical baseado em Romeu e Julieta.


dela em um belo vestido de noiva em pé ao lado de um homem jovem e bonito. "Apaixonados até que ele morreu 10 anos atrás. Ainda apaixonada." Ela sorriu tristemente. "Felizmente foi o suficiente, porque, infelizmente, os bebês simplesmente não estavam destinados para nós." "Sinto muito, Sra. Flanagan." "Não sinta, querida. Tive uma vida linda. Eu ainda tenho." Ela sorriu e começou a me levar em direção a sua mesa de jantar. "Sente-se, sente-se." Uma vez que ela tinha o chá preparado, voltou a sentarse à mesa comigo – a mesa agora carregada de biscoitos e bolos. Eu me servi de ambos. "Então." Sra. Flanagan serviu o chá na linda xícara de porcelana que colocou na minha frente. "Você estava fazendo serviços para Caine novamente?" Eu bufei. "Quando não estou?" "Tsk. Aquele menino." Ela balançou a cabeça, os olhos brilhando com humor e afeto. "Ele certamente vai fazer de tudo para lhe chatear." Eu bufei uma risada. "E eu aposto que você pensa que é merecido." "Bem, você o emboscou em uma sessão de fotos e mais uma vez em seu escritório." Minhas suspeitas estavam corretas: Caine contava tudo à velha senhora! Intrigada, me inclinei para frente. "Como é que você e Caine se tornaram amigos?"


"Caine, não é?" Ela me deu um sorriso insolente. "Sr. Carraway," Eu me corrigi, segurando seu olhar firme e recusando-me a desistir. Ela gargalhou. "Você pode chamá-lo de Caine, querida. Ele não é um Deus.” "Você acha que poderia dizer isso a ele? Porque eu acho que ele não sabe." Sra.

Flanagan

jogou

a

cabeça

para

trás

numa

gargalhada. "Oh, Caine estava certo. Você é uma espertinha." Eu enruguei meu nariz. "Eu não posso evitar. Ele traz isso à tona em mim." "Bem, eu posso ver como isso pode acontecer, com ele tentando lhe chatear cada chance que tem, mesmo que diga que não esteja." Ela balançou a cabeça. "Eu não sei o que fazer com esse menino." "Eu posso aguentar," eu assegurei-lhe. "Eu posso." "Você pode?" Ela levantou uma sobrancelha. "Porque eu acho que você não pode. Eu sequer acho que Caine percebeu isso ainda." "É sobre a nossa história. Sobre meu pai e sua mãe." De repente eu estava desconfiada. "Eu pensei que você sabia de tudo isso." "Oh, eu sei tudo sobre isso, e sei que não é culpa sua, por isso tire isso da sua cabeça agora." "Eu sei que não é culpa minha, mas entendo porque é difícil para Caine me separar disso," eu admiti. "Ele já passou por


tanta coisa por causa do meu pai e o que ele fez para destruir a família de Caine. Acho que isso me faria sentir melhor se pudesse ver Caine feliz. Ele merece ser feliz, mesmo quando está sendo uma rabugenta, implacável, irredutível dor na bunda." Eu tomei um gole de chá. "Você conheceu Phoebe?" Sra. Flanagan parecia divertida com a pergunta. "Ah não. Eu nunca conheci nenhuma das amigas de Caine. Mas Caine me contou sobre ela.” "Ela era perfeita para ele. Ele simplesmente deu o fora nela," Eu bufei. "Eu não entendo aquele homem." "Bem, pelo que eu soube, ela era toda errada para ele." Chocada e intrigada, me inclinei para frente. "O que você ouviu?" Ela riu da minha curiosidade. "Phoebe era intimidada por ele. Ela minimizou sua inteligência em torno dele. O deixou maluco." Ela se inclinou para frente, seus olhos perfurando os meus com uma ferocidade que eu não entendi muito bem. "O que Caine precisa é de uma mulher que não é facilmente intimidada, persistente, e praticamente force seu caminho em sua vida. Foi assim que comecei a minha amizade com ele. Eu não iria deixá-lo ter um não como resposta, e agora aquele menino é a coisa mais próxima que tenho de um neto e sou a coisa mais próxima que ele tem de uma avó." Inquietação moveu-se através de mim. "Talvez ele não queira que nos falemos, então. Especialmente sobre coisas particulares."


"Não é por isso que você está aqui?" Ela me deu um olhar compreensivo. "Você está cavando por algum motivo. Caso contrário, você não estaria gastando sua tarde de sábado com a excêntrica vizinha do seu chefe." Eu dei-lhe um sorriso triste. "Talvez eu não tenha mais nenhum lugar para estar." Sra. Flanagan parecia preocupada. "Ok, se isso é verdade, por que você não tem outro lugar para estar?" "Meu círculo social diminuiu quando perdi meu antigo emprego. Minhas amigas da faculdade todas têm filhos agora e..." Eu dei de ombros. "Você sabe como é." "Alexa, você é linda, jovem e engraçada. Você tanto deve ser capaz de iniciar amizades com outras mulheres encantadoras como ter um homem em seu braço mostrando-lhe um bom tempo no fim de semana." Um homem no meu braço. Certo. "Eu não tive um desses em 18 meses e não estive sequer interessada em procurar desde que minha mãe morreu." Ela estendeu a mão sobre a mesa e cobriu a minha com a dela. "Sinto muito por sua perda, querida. Caine me disse sobre isso depois que ele pesquisou sobre você." Que diabos? "Caine pesquisou sobre mim?" "Sim. Após a sessão de fotos. Descobriu que sua mãe tinha acabado de morrer. Acidente de barco, não foi? Como você está lidando com tudo isso? Você está bem? Deve ser duro tentar lidar com a perda dela, agora que você está tendo que lidar com Caine.”


Para minha surpresa, tudo fluiu dentro de mim com a verdadeira compaixão da Sra. Flanagan. Era como se ela realmente quisesse saber, e acho que não tinha percebido até aquele momento, o quanto eu precisava de alguém que se importasse. "Você sabe que não tenho sido capaz de falar sobre isso, porque ninguém sabe a verdade sobre o que meu pai fez. O único que sabe é vovô, e ele raramente fala sobre isso. Ele não quer." Ela apertou minha mão. "Bem, eu sei a verdade. Você pode me dizer.” Eu sorri agradecida e coloquei minha outra mão sobre a dela. "Obrigado, Sra. Flanagan." Ela sorriu encorajando. "Eu acho que..." Eu exalei. "Tem sido difícil por causa de todo o ressentimento que carregava da minha mãe." Eu comecei a dizer a Sra. Flanagan tudo sobre o quanto eu sentia como meu pai sendo meu herói, porém ausente, quando criança, e como me agarrei a isso durante o tempo que pude e quando não pude mais eu apenas fingia. "Mas ele jogou isso para o inferno quando nos contou toda a verdade. Era Ação de Graças. Eu estava em casa vindo da faculdade. Ele sentou-nos, e chorou quando nos contou sobre a mãe de Caine. E todos os seus segredos vieram a tona por causa disso. Eu descobri que eu era ilegítima, que ele tinha uma esposa e filho que eu não sabia nada a respeito, que a minha mãe era apenas a sua amante até que ele não tinha outro lugar para ir depois que seu pai o renegou. Eu fiquei com nojo, traída, envergonhada. Mamãe ficou apenas quieta. É claro que ela sabia tudo sobre a outra família, mas não sabia nada sobre a mãe de


Caine, ou como ele a tinha deixado morrer, ou até mesmo como isso era a verdadeira razão que ele tinha voltado para ela. Perguntei a minha mãe o que ia fazer, se ela o deixaria por causa disso, e ela me disse que não sabia. Ela estava abalada e eu tinha esperança de que talvez seria o suficiente para fazê-la vê-lo por quem ele realmente era. Minha mãe passou toda a minha vida dando àquele homem tudo o que ele queria, e ele nunca tentou uma vez dar algo de volta. Eu não podia mais fingir que isso não era verdade. Então, depois de um tempo, quando percebi que ele se sentia culpado, mas não arrependido, eu disse a ele que eu não o perdoava. Eu voltei para a faculdade... e, infelizmente, a mamãe voltou para ele." Eu olhei para cima de nossas mãos, lágrimas ardendo nos meus olhos conforme a dor familiar arranhava minhas entranhas. "Ela o colocou antes de mim a partir daquele momento. Sempre seria minha culpa que havíamos rompido. Nunca dele. Eu a vi apenas um par de vezes ao longo dos últimos anos, e havia esse muro entre nós que não conseguíamos romper." Eu enxuguei as lágrimas que deslizavam por minhas bochechas. "E então um dia ela saiu no barco de sua amiga e uma tempestade se abateu e foi isso. Ela caiu no mar e no momento em que eles encontraram o corpo dela, estava morta. Ela se foi e eu nunca fiz isso direito. Mas nem ela." E isso dói. "Oh, querida," Sra. Flanagan suspirou. "Eu sinto muito." "Eu... eu fico lembrando quando era criança e éramos apenas nós duas. Ela era o meu mundo, você sabe. Eu nunca amei ninguém do jeito que eu a amava na época. E agora estou tão malditamente chateada com ela. E acho que quando entrei


naquela sessão de fotos semanas atrás e vi Caine, foi uma oportunidade para concentrar em algo, qualquer coisa, além do fato de que a minha mãe está morta e o sentimento mais poderoso que tenho por ela é raiva. Eu só estou com medo de que o perdão e aceitação podem nunca vir." Sem outra palavra, a Sra. Flanagan levantou-se de sua cadeira e deu a volta para me puxar em seus braços, e pela primeira

vez

desde

que

a

mamãe

morreu,

eu

real

e

verdadeiramente deixei tudo sair. Um monte de lenços de papel e mais duas xícaras de chá mais tarde, eu sorri agradecida à Sra. Flanagan. "Isto vai soar estranho, mas muito obrigada." "Pelo o que, querida?" "Por ouvir." Eu dei de ombros. "Eu me sinto mais leve de alguma forma, como se isso ajudasse apenas a admitir a minha raiva em voz alta. Eu tentei falar com o vovô sobre isso há um tempo, mas ele só ficou tão bravo e, em seguida, deixou escapar o nome de Caine e todo o resto foi empurrado para o lado com a revelação." "Sinto muito que você não teve um bom ombro para chorar na época." Sra. Flanagan na verdade parecia chateada com isso. "Mas você pode vir a mim a qualquer momento, querida. Todo mundo precisa de alguém.” "Totalmente verdade. Fico feliz que Caine tem você." Curiosidade brilhou em seu olhar. "Você realmente quer que ele seja feliz, não é?"


O jeito que ela perguntou me fez cautelosa, como se a minha resposta tivesse mais significado do que eu queria. Finalmente, porém, eu assenti. "Bom. Talvez com duas de nós no trabalho vamos ter isso feito." Ela olhou para o relógio. "Oh, olhe para isso, é hora do jantar. E eu conheço o número de um ótimo chinês. Junte-se à mim? Eu tenho vinho." Eu ri. "Eu adoraria isso." "Fabuloso." Ela se levantou. "Oh, e, Alexa?" "Sim." "Você está autorizada a ficar com raiva de sua mãe, querida." Antes que eu pudesse engolir o repentino nó na minha garganta a tempo suficiente para agradecê-la, a Sra. Flanagan se afastou, a túnica esvoaçando atrás dela, para o corredor. Ouvi-a no telefone antes dela aparecer menos de um minuto depois segurando seu celular e um menu. Ela empurrou o menu para mim. "Escolha o que você quer. Caine já me disse o que vai querer.” Um... "Caine?" "Sim."

Ela

sorriu

maliciosamente.

"Ele

acabou

de

terminar um jogo de squash na academia e está com fome, então ele vai se juntar a nós." Eu não tinha um bom pressentimento sobre isso. Apertei os olhos para Sra. Flanagan. "Ele não sabe que eu estou aqui, não é?"


"Não." Ela apontou para o menu. "Agora escolha." Olhando para o menu, me perguntei se deveria escolher algo com amendoins nisso e, então, fingir uma alergia a amendoim para que pudesse escapar da situação que agora me encontrava. Então, novamente... Seria uma chance de ver Caine interagir com a Sra. Flanagan. Eu suspirei e decidi enfrentar sua ira, a fim de aplacar a minha curiosidade. "Eu vou ter a carne de porco moo shu, e você um pouco menos casamenteira." Entreguei-lhe o menu e ela começou gargalhar. "Sra. Flanagan," eu avisei, "você sabe que, com a nossa história, isso nunca vai acontecer." "Me chame de Effie, querida. E sim, eu pensei isso também, sobre a história de vocês, eu quero dizer," ela admitiu, "mas você e Caine não entendem que isso tem tudo a ver. Ele acha que entende isso e você acha que você entende isso, mas na verdade isso não é o porque." Eu olhei em silêncio para ela. "Isso não faz sentido." "Isso fez sentido para mim." Pânico transformou-se em nervosismo vibrando no meu estômago. "Por favor, não faça isso." Effie bateu no meu ombro para me tranquilizar. "Eu nunca faria nada para deixar qualquer um de vocês se sentir desconfortável ou chateado, mas pelo que eu aprendi com vocês, vocês dois estão dançando em torno de si e não aprenderam nada sobre o outro, isso significa alguma coisa. Um pouco de tempo juntos fora do trabalho vai fazer bem a ambos." "Ele é muito assustador," eu apontei.


Ela bufou. "Para você, talvez. Para mim, ele é um doce, doce menino." Meu queixo quase caiu no duplo uso desse adjetivo. "Doce? Caine? Não, eu não penso assim." Ela sorriu quase presunçosamente consigo mesma. "Você vai ver." No minuto em que ouvi a porta de Effie abrir, meu pulso parou por um segundo, e quando ele reiniciou-se, de repente estava a cem quilômetros por hora. Effie sorriu para mim e olhou por cima do meu ombro, conforme passos pesados caminhavam para a sala principal do hall. Eles de repente pararam. "Effie?" Huh, então não era apenas o meu nome com quem Caine usava esse tom de aviso. Olhei por cima do ombro para ele e dei-lhe um pequeno aceno. "Ei, chefe." Eu estava tão feliz que soltei as palavras antes que absorvesse sua aparência, porque a minha boca ficou seca e meu cérebro parou de processar as palavras reais. Caine estava vestindo uma camisa branca que esculpia seu corpo. Eu podia ver a força esplendida de seus ombros e braços. Para piorar a situação, ele estava usando jeans desbotado azul que pendia sobre seus quadris na maneira mais deliciosa. Caine Carraway em um terno de negócios era lindo. Caine Carraway fora de um terno era sexy como o inferno.


Ele também parecia humano e normal para mim pela primeira vez. Ou ele pareceria se parasse de fazer cara feia para mim. "Caine, venha e sente-se. Alexa está se juntando a nós para o jantar." Ele olhou de Effie para mim e depois de volta para Effie. "É mesmo?" Ele murmurou. A campainha da recepção soou no apartamento antes que alguém pudesse dizer qualquer outra coisa. "Isso é o jantar," disse Effie. "Eu vou buscá-lo." Caine se afastou, tensão endurecendo seus ombros. Assim que ele saiu, eu disse a Effie, "Ele não está feliz." A mulher mais velha apenas sorriu para mim. Caine voltou com a comida, e sem dizer uma palavra, ele caminhou até a cozinha e me surpreendeu por colocar a comida nos pratos e servi-la para nós. Effie não parecia nada chocada com isso. Conforme ele adivinhou corretamente que a carne de porco moo shu era minha e colocava o prato em frente a mim, ele deve ter sentido a queimação do meu olhar questionador porque ele perguntou em voz baixa, "O quê?" "Você acabou de fazer algo por mim. Eu. Uma outra pessoa."


A carranca familiar voltou ao seu rosto. "Coloquei a comida em um prato. Cale a boca e coma." Ele se sentou e começou a cavar o seu próprio frango agridoce e arroz. "Caine, seja bom para Alexa," disse Effie "ou você não vai ganhar um pedaço da torta de limão e merengue que fiz mais cedo." "Há torta de limão?" Caine e eu perguntamos ao mesmo tempo. Nós lançamos um olhar de desagrado para o outro. Effie riu. De repente, minha carne de porco moo shu tornou-se muito interessante para mim. "Como foi seu dia?" Effie perguntou a Caine. Sua resposta foi me dar um olhar cauteloso quando levantou outra colherada de arroz em sua boca. Eu quase revirei os olhos. Nunca conheci uma pessoa tão preocupada com a sua privacidade, e tão preocupada em manterme no meu lugar. "Neste momento, eu não sou sua AP. Você pode até fingir que eu sou humana." Caine olhou para Effie, mas apontou o garfo para mim. "Está vendo? Espertinha." "Eu acho que ela é hilária." Effie ergueu o copo de água para mim e sorri em agradecimento. "Você

acha,"

resmungou

Caine

desta

forma

adoravelmente infantil que causou um pouco de vibração no meu peito.


Para me livrar da sensação, eu apenas lembrei do começo do meu dia. "Bem, se você não vai falar sobre o seu dia, obviamente, muito ocupado, eu vou falar sobre o meu e como meu chefe me teve correndo por toda Boston fazendo serviços pessoais para ele no sábado." Mais uma vez Caine me surpreendeu substituindo um olhar furioso por um sorriso debochado. "Parece que você precisa arranjar uma vida social para você." "Não vejo nenhum ponto nisso, considerando que você só vai se esforçar para arruiná-la." Os olhos dele viraram para mim e eu vi diversão brilhando neles. A vibração desceu para minha barriga e, em seguida, mais baixo ainda. Oh garoto. Esperando que minha atração não fosse óbvia, olhei culposamente para Effie, que estava olhando para nós dois com algo semelhante a deleite em seu rosto. Droga. Sentindo meu escrutínio, Effie escondeu a expressão e dirigiu-se a Caine. "Eu vou ter que chamar esse carpinteiro idiota – a grade do meu closet desceu novamente." "Não." Caine balançou a cabeça. "Ele é claramente incompetente. Eu vou dar uma olhada nisso depois do jantar.” O quê? Eu pisquei rapidamente. "Você acabou... Você concerta essas coisas de casa?" "Quando necessário."


"E você é bom nisso?" Sua resposta foi parar de comer e olhar por cima da mesa para mim com nenhum pouco de maldade brilhando em seus olhos. "Eu sempre fui bom com as minhas mãos." Minha respiração ficou presa. Calor e arrepios de excitação percorreram o meu núcleo. Eu estava presa em seu olhar e a única maneira que sabia que seria capaz de respirar novamente era escapando. De alguma forma eu forcei meus olhos para baixo para o meu prato e expirei. "Eu não tenho resposta para isso," eu disse, perplexa. Quando ele não respondeu, olhei de volta para ele. Caine estava sorrindo. "Você está tendo um dia de folga?" Ele devia conhecer o efeito que poderia ter sobre uma mulher quando ele fazia a coisa toda ardente. Idiota sexy. "Estou apenas cansada depois de todos os serviços que fiz ao redor da cidade hoje." "Se

isso

lhe

cansa

precisamos

aumentar

a

sua

resistência. Você deveria ter ido a academia comigo e Henry." Eu enruguei meu nariz. "Hum, não. A academia e eu nos separamos há muito tempo. Estou em um relacionamento com o Pilates e estamos muito felizes juntos." "Dança," disse Effie, "agora, isso é exercício e é divertido. Eu nunca senti atração em sentar em academias fedorentas levantando pesos." "Ouça, ouça," eu murmurei. "E depois, claro, há sexo. Muito e muito sexo."


O garfo de Caine caiu no seu prato. Ele parecia vagamente doente. O bufo que eu estava tentando segurar borbulhou fora de mim e, em seguida, Effie começou a cacarejar com o riso. Era contagiante. Eu não consegui evitar me juntar a ela. Caine

olhou

para

ela

e

para

mim,

seus

lábios

comprimidos juntos. Finalmente ele estabeleceu sua irritação em mim. "Eu vou comer toda a torta de limão e merengue," ele alertou. O pensamento cortou meu riso. "Você não pode. Effie não vai deixar." "Cristo." Ele balançou a cabeça. "Vocês estão na base do primeiro nome? Eu estou fodido." Effie riu, enxugando lágrimas dos cantos dos olhos. "Deixe-me buscar essa torta." Seus olhos seguiram-na conforme ela desaparecia na cozinha e, em seguida, ele voltou sua atenção para mim. Se inclinou sobre a mesa e baixou a voz. "Olha, eu não tenho certeza se gosto de você passar o tempo com Effie. Ela é como uma família para mim. Eu não quero a minha vida empresarial misturada com a minha pessoal." Alguns podem me chamar estúpida por me tornar vulnerável a Caine, mas tinha acabado de ter uma das melhores tardes em um tempo muito longo, e isso foi por causa de Effie. Eu não queria perder isso bem quando tinha encontrado. "Eu realmente gosto dela," eu disse em voz baixa. "Eu posso falar com ela."


As sobrancelhas de Caine se uniram, mas não em aborrecimento. Havia curiosidade nele. Finalmente, ele me fez sentir menos estúpida sobre a minha honestidade. "Ok. Só não conversem sobre mim." Eu sorri e

cruzei meus dedos debaixo da mesa.

"Combinado." No momento em que terminamos a mais deliciosa torta de limão e merengue que eu já provei na minha vida, Caine levantou-se para limpar a mesa e carregar a máquina de lavar louça; eu perdi a conta das vezes que ele me surpreendeu naquela noite. "Effie, você está sem detergente para a máquina de lavar louça," Caine gritou para nós. E foi seguido por, alguns segundos mais tarde, "E leite. E ovos." "Eu usei o último na torta," ela gritou de volta antes de tomar um gole de chá fresco que tinha fervido. "Eu vou passar amanhã de manhã e comprar alguns. Você precisa de mais alguma coisa?” Meu queixo praticamente bateu na mesa. Effie riu de mim. "Eu estou no clima para uma omelete amanhã. Você pode me arrumar um pouco de queijo, pimentões vermelhos e verdes, e cebolinhas?” "Apenas escreva o que você precisa e vou comprar," disse ele, vagando de volta para nós. Eu estava engasgada com as minhas palavras.


Caine deu uma olhada para mim e seus olhos brilharam com malícia. Levantei-me abruptamente. "Eu vou sair agora." Antes de cometer homicídio! Ele sorriu maldosamente conforme Effie se levantou, ainda rindo. "Foi adorável ter você, Lexie. Você com certeza é divertida." Ignorando o diabo, eu olhei para o meu anjo gracioso. "Obrigado, Effie. Eu tive um tempo maravilhoso. Espero que possamos fazer isso novamente algum dia." "Oh, querida, você passe por aqui sempre que quiser." Ela

contornou

a

mesa

e

me

envolveu

em

um

abraço

surpreendentemente forte. "Eu vou levá-la até o seu carro," disse Caine enquanto Effie se afastava. "Você não precisa," eu disse, ainda chateada com ele por me mandar fazer a merda que era perfeitamente capaz de fazer por si mesmo e claramente estava acostumado a fazer. "Alexa." Ele usou o velho tom de aviso familiar. "Você sabia qual era o trabalho quando você o aceitou." E não é que era verdade? Eu exalei pesadamente, tentando deixar ir a minha indignação. Eu balancei a cabeça e, em seguida, dei a Effie um pequeno aceno, peguei minha bolsa, e segui Caine até a porta.


Ficamos em silêncio conforme entramos no elevador. Caine apertou o botão para o estacionamento subterrâneo. "Eu vi o quimono," disse ele à medida que nos aproximávamos do nível da garagem. "É perfeito para Effie." Sim, eu definitivamente perdi a conta das vezes que ele me surpreendeu esta noite. "Isso foi quase um ‘bom trabalho’?” Nós saímos do elevador para o frescor da garagem. Caine me lançou um olhar de repreensão enquanto me levava para o meu carro. "Não arruíne isso sendo uma espertinha." Eu sorri. "Eu não acho que é possível arruinar um quase 'bom trabalho.’ Um bom trabalho, sim, e não um quase." Paramos no carro e Caine soltou um suspiro cansado. "Ok. Você fez um bom trabalho." Ele me nivelou com aquele pesado olhar escuro dele. "Você está fazendo um bom trabalho." E lá foi ele, chocando-me novamente. Um sorriso cutucou meus lábios. Havia todo um outro lado de Caine, que Effie Flanagan, uma atriz da Broadway de setenta e sete anos de idade, trouxe à tona. Ele estava relaxado, era engraçado, e poderia até mesmo ser... sim... doce. Assim como Effie disse. Um aspecto cauteloso tinha entrado nos olhos de Caine, como se estivesse esperando por mim para dizer algo atrevido que iria irritá-lo. "Obrigada."


A desconfiança desapareceu e ele me deu um pequeno aceno de reconhecimento que era muito mais quente do que deveria ter sido. "É melhor eu voltar para Effie. Eu prometi consertar aquela grade." "Então você prometeu." Eu sorri e abri a porta do carro. "Boa noite, Alexa." "Boa noite, Sr. Carraway." Caine respondeu com um sorriso rígido e, em seguida, lentamente recuou e se afastou. Entrei no meu carro e dirigi para fora de lá, me perguntando por que diabos eu não podia deixar isso pra lá, porque eu tinha que empurrar o meu caminho em sua vida, apenas para que não tivesse que lidar com a minha própria. Eu não tinha mais certeza sobre nada. A única coisa que eu estava começando a prever era que se, por algum milagre, encontrasse uma maneira de fazer Caine ver quem eu realmente era, tinha quase certeza que não ia sair disso ilesa.


Capítulo 8 Minha previsão começou se tornar realidade quase que imediatamente. Essa segunda-feira quando voltei ao trabalho, Caine estava de volta ao seu habitual jeito charmoso, curto e frio. Era como se sábado nunca tivesse acontecido. Eu tinha que admitir que isso doía. E eu realmente não queria me sentir desse jeito. Ele tornou mais fácil transformar a dor em irritação quando se queixou de que seu café com leite era com leite de soja (que definitivamente não era) e me disse que eu precisava parar de grampear os papéis juntos e aprender a usar um clipe de papel. Ok, eu iria aprender a usar um clipe de papel, mas só depois que usasse o grampeador uma última vez para calá-lo permanentemente. Sim, eu disse isso! "O quê disse?" Caine estalou. Foi quando me dei conta que deixei a segunda metade da conversa comigo mesma escorregar para fora da minha boca. "Uh..." Fiquei olhando para ele, tentando pensar rápido. "Que você está certo." Eu estendi a mão e agarrei a papelada dele. "Eu só vou retirar os grampos para você." Eu pensei que era um péssimo começo de dia. No entanto, não foi até à hora do almoço, quando as coisas realmente começaram a ir mal.


Eu estava no meio de digitar minhas notas rabiscadas das reuniões de Caine naquela manhã, quando ouvi Henry chamar o meu nome. Ele estava caminhando pelo corredor em direção a mim e quando parou, ele empoleirou-se na borda da minha mesa e me deu um leve sorriso. "Boa tarde, linda." Ao longo das últimas semanas, eu comecei a gostar de Henry. Ele era o oposto de Caine. Ele era todo simpático, paquerador e descontraído. Henry trabalhava para o banco offshore9 de seu pai, viajava muito, e em geral, parecia aproveitar a vida muito mais do que Caine fazia. Ele escorria charme e contentamento, e eu tinha que admitir que ele fazia muito para acalmar o meu orgulho e auto-estima feridos relacionados a Caine. Eu relaxei de volta na minha cadeira e sorri para ele, contente em vê-lo. "Boa tarde, bonito. Como foi o seu final de semana?" "Não tão interessante quanto o seu. Ouvi dizer que você jantou com a rainha". Eu ri. "Effie? Sim, ela é incrível." Henry jogou a cabeça para trás numa gargalhada. "Effie? Sra. Flanagan permitiu-lhe chamá-la pelo seu primeiro nome. Tenho certeza de que Caine estava encantado com isso." Revirei os olhos. "Qual é o problema?" "Acredite ou não, a Sra. Flanagan é um osso duro de roer. Ela e eu não estamos em uma base do primeiro nome e ela 9

Offshore é um termo da língua inglesa cujo significado literal é “afastado da costa”. Em termos financeiros, é designada por offshore uma empresa que tem a sua contabilidade num país distinto daquele (s) onde exerce a sua atividade.


passou os últimos cinco anos me negando o acesso a sua comida." Ele fez beicinho comicamente. "Eu não sou um grande fã de rejeição." Divertida, eu estalei. "Deve haver uma razão para a sua rejeição." "Ela diz que eu sou um mulherengo, e até eu sossegar e agir como um homem de verdade ela não quer nada a ver comigo." "Isso não é justo. Acho que Sr. Carraway é tão mulherengo quanto você." "Obrigado!" Ele concordou com a cabeça. "Esse é exatamente o meu argumento." Ele se inclinou mais perto. "Talvez você pudesse falar algo bom, já que ela está tem um carinho por você." "Eu vou fazer o meu melhor." Henry sorriu e se levantou. "Eu já lhe disse recentemente o quanto estou feliz que Caine contratou você?" "Não, mas seria útil se você disser isso a ele." Eu apertei o botão de chamada para o escritório de Caine. "O quê?" Ele resmungou no alto-falante, e Henry sorriu para minha careta em resposta. "Senhor Lexington está aqui para vê-lo." "Mande-o entrar." Fiz um gesto para a porta. "Sua Majestade o aguarda." Ele assentiu com a cabeça. "Obrigado, linda."


A pesada porta se fechou atrás dele e ainda assim eu ouvi Henry perguntar, "Alguém de mau humor?" O viva-voz. Caine tinha deixado ligado. Eu abri minha boca para dizer-lhe quando ele retornou com "Eu não me lembro a última vez que estive de bom humor. Oh, bem... os dias préAlexa." Minha boca fechou, minha pele esquentou e formigou com mágoa, constrangimento e aborrecimento. Era uma coisa ele ser ranzinza e me insultar cara a cara, mas falar de mim com outras pessoas, isso não é legal. "Oh, bem, você deve ser um idiota, então," Henry respondeu alegremente. "Eu a acho maravilhosa. Na verdade, acho Alexa tão deliciosa que eu estou convidando-a para o baile de aniversário dos Andersons no sábado." Eu apertei a mão sobre minha boca para abafar o meu suspiro. Caine tinha-me feito organizar compromissos para que ele pudesse obter um novo smoking para a festa dos Andersons. Richard Anderson era um magnata da mídia bem conhecido. Ele e sua esposa, Cerise, eram líderes da sociedade de Boston. Cerise estava em cada conselho de administração para instituições de caridade e artes na cidade. Era seu quadragésimo aniversário de casamento no sábado e eles estavam dando uma festa digna da realeza. Todos que eram ‘alguém’ em Boston, tinham sido convidados. Henry queria me levar como seu encontro? "Nem sequer pense sobre isso," Caine latiu.


"Isso é porque ela é uma AP? Você acha que ela está abaixo de nós? Porque eu tenho que dizer, considerando a sua origem humilde, isso é bem baixo pra você dizer." Foi bem baixo da parte dele. Diga-lhe, Henry! "Não é isso." A voz de Caine parecia apertada, tensa. "É porque você não pode manter o seu pau em suas calças. Eu não vou ter você e esse seu pau perambulante em qualquer lugar perto de Lexie." Eu afundei na minha cadeira. Lexie? Lexie? Que diabos? Eu ouvi Henry limpar sua garganta. "Você parece com ciúmes..." Ele estava com ciúmes? Minha barriga capotou com esse pensamento. "Eu não estou com ciúmes." Caine parecia que estava zombando com o pensamento. "Apesar de sua boca espertinha, ela é a melhor AP que eu já tive. Eu não vou tê-lo assediando-a porque você gosta de suas pernas." Melhor AP? Melhor AP? "Não apenas suas pernas. Estou bastante impressionado com todo o pacote. Ela é linda, engraçada, inteligente. Eu não


ficaria entediado durante toda a noite. De qualquer forma, você está levando Marina Lansbury. Eu não estou indo como um segura velas juvenil." Marina Lansbury? Minha barriga virou novamente, desta vez a sensação desagradável. "Henry, você é um Lexington. Você pode convidar qualquer mulher em Boston para ser seu encontro e ela vai dizer sim. Você não está pedindo a Lexie para sair com a gente. Isso é cruzar a linha." Como, por exemplo... me chamar de "Lexie" pelas minhas costas? O que era aquilo? "Oh, pare de ser um pé no saco, Caine." Eu estava realmente começando a gostar de Henry cada vez mais. "Merda, Henry, certamente você pode conseguir melhor do que Lexie." Isso doeu. Eu pisquei de volta a picada de lágrimas e desliguei o alto-falante. Isso era o que eu recebia por espionar. A queimação em meu peito não sumia e tive que realmente lutar para conter a vontade de chorar. Eu não podia acreditar o quanto isso doia. Eu era uma idiota. Caine nunca ia me ver como algo mais do que a filha de Alistair Holland.


A porta do escritório se abriu e Henry e Caine saíram. Evitei os olhos de Caine, mas dei a Henry o que esperava não ser um sorriso tremulo. Henry levou meu sorriso como um convite e empoleirouse em cima da minha mesa novamente. Eu atirei um olhar para Caine, que estava atrás dele, esperando impacientemente. Mais do que impaciente. Se ele pudesse ter esfolado Henry com os olhos, ele teria. "Alexa". Henry chamou a minha atenção de volta para ele. "Tenho certeza de que sabe tudo sobre o baile de aniversários dos Andersons no sábado. Eu sei que é um pouco tarde para pedir, mas eu ficaria honrado se você dizesse sim para ser meu par na festa." Eu nem sequer tive que pensar sobre isso. Dei-lhe um dos meus sorrisos galanteadores, o que fez seus olhos dançarem. "Sim. Eu adoraria." Caine foi embora e Henry olhou por cima do ombro para assistir a partida de seu amigo. "Tudo bem?" Eu disse inocentemente. Henry me deu um sorriso tranquilizador. "Tudo está maravilhoso. Se você me der seu endereço, eu vou pegá-la às oito." Eu levei o fato de que Caine me deu um aceno de reconhecimento quando retornou do almoço como uma coisa boa, por isso, no final da tarde, me atrevi a ser ousada. Estávamos voltando de uma reunião de negócios com o CEO de uma empresa de investimento em ascensão.


Estávamos em silêncio no carro, enquanto voltávamos para o escritório. Pretendia

quebrá-lo…

ou

fazê-lo

pior.

Era

algo

imprevisível. “Eu gostaria que eu pudesse sair para o almoço amanhã um pouco mais tarde, para que eu possa comprar um vestido para o baile dos Andersons no sábado.” Eu assisti como Caine endureceu e então olhou para mim com uma imperiosidade enfurecedora. "Um almoço tardio? Para um vestido?" "Já é hora de gastar parte do dinheiro que ganho correndo por aí atrás de você." Eu sorri docemente. Seus olhos correram pelo meu corpo e ele tomou o seu tempo me devorando na subida. Corei, me contorcendo. "Então?" Ele desviou o olhar, voltando seu olhar para fora da janela, para a cidade que passava por nós. "Mude a reunião com Peter da Supervisão de Risco amanhã, e eu vou acompanhá-la." O quê? Não. Ele estava brincando, certo? "Você está brincando?" "Não." Ele cuspiu a palavra com impaciência. "Você ainda estará representando a mim e a minha companhia no sábado. Eu tenho que ter certeza que você não se vista... inadequadamente.” Meu sangue começou a aquecer. "Inapropriadamente?" Eu disse com os dentes cerrados.


"Eu não tenho que olhar em seu guarda-roupa para saber que está cheio de shorts e regatas que mostram muito decote." Ugh! "Não vamos esquecer as roupas elegantes de trabalho nas quais você faz eu me apertar diariamente," eu soltei, esquecendo que estava falando com meu chefe. Ele olhou para mim. "Eles são as únicas coisas apropriadas em seu guarda-roupa. Você fez o meu ponto para mim. Vou levá-la ao para comprar o vestido." O inferno que vai! "Sem ofensa, senhor, mas eu não vou comprar um vestido com você. É suposto ser divertido, e tenho certeza que você entende que ter o meu patrão junto, prejudica a diversão." Caine suspirou e ajeitou as abotoaduras em seu paletó. "Compras nunca são divertidas." "Olha, você..." Eu não podia sequer encontrar uma palavra perfeita o suficiente para descrever a sua idiotice. "Eu sou uma mulher inteligente e só porque eu gosto de roupas confortáveis, não significa que não sei como me vestir em um evento formal." "Alexa." Ele franziu os lábios. "Isto não é um baile de formatura. Esta é uma festa da sociedade de Boston." Joguei-lhe um olhar de repuksa, me sentindo triunfante quando ele se encolheu. O carro se aproximava de uma parada na garagem e eu abri a porta. Antes que eu saísse, lembrei-me de suas palavras para Henry anteriormente. Eu me virei para ele. "Você sabe, eu entendi quando aceitei este trabalho que você não


iria fazer as coisas fáceis pra mim, mas em nenhum momento de todo trabalho duro eu realmente tive aversão de você. Até hoje." Eu balancei a cabeça, decepcionada com ele, muito mais do que jamais pensei que poderia estar. "Você é do Sul. E agora você faz parte da alta sociedade. Mas em vez de abraçar de onde você veio e misturar isso com onde você está — algo que lhe dá uma perspectiva melhor do que todos eles — você se transformou neste elitista esnobe." Eu me atirei para fora do carro antes que ele pudesse responder e marchei até o escritório sem ele. Então sentei na minha mesa estufando em minha indignação. Dez minutos depois, ouvi seus passos no corredor. Quando ele virou o corredor e se dirigiu para mim, eu preparei-me para ser demitida. Sua sombra caiu sobre mim quando ele parou na minha mesa e me forcei a olhar para ele. O rosto de Caine estava cuidadosamente em branco. "Você pode ter a hora extra amanhã. Sozinha." Chocada que ele não tinha chutado minha bunda, mas ainda magoada por sua percepção de mim, eu balancei a cabeça e voltei minha atenção para a tela do meu computador. Ele pairou por alguns segundos a mais, mas eu não podia olhar para ele. Eventualmente, ele se afastou, batendo a porta do escritório atrás dele. Bastaria dizer que as coisas entre o meu chefe e eu foram mais do que um pouco frias para o resto da semana. Ele até


diminuiu a minha quantidade de trabalho ao redor, porque assim ele não seria obrigado a interagir muito comigo. Recusei-me a ficar chateada por isso, no entanto. Então, ele não me queria lá na festa elegante com seu povo chique. Ele pensava que eu estava abaixo dele. Decidi não dar a mínima. Pelo menos... bem, eu tentei me convencer a não dar mínima. Eu não fui muito bem sucedida nisso, embora Henry tenha ajudado um pouco. Ele enviou flores para o escritório na sexta-feira, e o cartão dizia que estava ansioso para passar o sábado à noite comigo. Foi a primeira vez que um cara tinha feito isso para mim, e eu tive que admitir que receber flores era muito mais romântico do que eu esperava. Além disso, realmente me fazia mais alegre o quão Caine ficava irritado toda vez que passava pela minha mesa e via as flores. Se eu não soubesse que era impossível, eu teria suspeitado que ele estava com ciúmes. Quando

sábado

à

noite

chegou,

minha

rebeldia

presunçosa tinha sido esmagada por meus nervos. Eu estive em algumas festas freqüentadas por celebridades quando trabalhava para Benito, mas nada como este evento. Um evento da sociedade era um patamar totalmente diferente. Era uma arena social complexa, e muito mais intimidadora do que qualquer coisa que eu estava acostumada. Então, quando Caine fez o comentário sobre baile de formatura, ele não foi muito longe. Havia também o fato de que eu gostava de Henry, mas eu não estava atraída por ele. Culpa se apoderou de mim por usá-lo


para irritar meu chefe. Um chefe que lamentava a minha presença no baile. Para dominar os meus nervos, eu me concentrei em minha melhor aparência. Meu vestido era lindo e eu parecia ótima, mesmo que fosse eu dizendo para mim mesma porque não havia ninguém por perto para me dar o impulso de confiança. Isso me deprimia. Então, eu fiquei na frente do meu espelho, tirei uma selfie, e enviei para Rachel. Um minuto depois, ela mandou uma mensagem de volta: OMG10, eu transaria com você!!! Viu. Isso me fez sentir melhor. Olhando pela minha janela, via a rua arborizada e bebia um copo de vinho. Prendi a respiração, tentando acalmar os nervos. Eu quase consegui até a limusine preta estacionar em frente e Henry sair e caminhar rapidamente até meu alpendre. A campainha tocou e deixei-o entrar no prédio. Esperei alguns segundos depois que ele bateu na minha porta, antes de pegar a echarpe e a pequena bolsa que combinava com o meu vestido. Quando abri a porta, os lábios de Henry se separaram em surpresa. Seu olhar vagou sobre mim lentamente, absorvendo tudo, e quando finalmente voltou para o meu rosto, havia um calor em seus olhos que me fez sentir tanto ansiosa como lisonjeada. "Uau." Ele balançou a cabeça, sorrindo como se estivesse atordoado. "Você parece... Uau." 10

OMG – Oh my God – Oh meu deus!


O "uau" foi para o incrivelmente fantástico vestido verde oliva que eu tinha encontrado por uma barganha na prateleira de liquidação de uma pequena boutique na Charles Street. O material era uma seda vibrante que era maravilhosa contra a minha pele no ar do verão abafado de Boston. Era frente única, deixando meus ombros e costas nus e tinha uma fenda até o joelho no lado direito do vestido. No geral, não era recatado, não era conservador, mas ainda era elegante e sexy como o inferno. Ia irritar Caine e eu iria adorar cada minuto. Eu tinha marcado horário no cabeleireiro, naquela tarde, e depois de experimentar diferentes penteados, decidimos ir com um coque elegante, deixando algumas mechas onduladas soltas. "Obrigada." Eu peguei o braço oferecido de Henry. "Você está muito bonito." E ele estava, em seu elegante smoking impecavelmente ajustado. Ele sorriu para mim. "Se eu pareço bem é porque eu tenho você nos meus braços." Eu ri e balancei a cabeça. "Você sabe, o seu charme só tem um efeito muito superficial em mim." Henry riu. "Isso funciona para mim." A Mansão dos Andersons era em Weston e logo que a limusine entrou para a fila de carros na garagem circular maciça, meus nervos começaram a se multiplicar por cem. A mansão de tijolos vermelhos com a sua decoração branca era a maior casa que eu já vi na vida real. Parecia nos engolir, lançando-nos na


sombra quando o motorista abriu a porta e Henry ajudou-me a sair. Ele acariciou minha mão, parecendo sentir meus nervos. "É apenas uma casa." "Que engoliu dez outras casas," eu disse. Henry riu. "Venha. Eu tenho visto você colocar um sorriso sereno quando Caine está testando sua paciência, então sei que você pode forçar isso melhor que ninguém. Você apenas tem que fingir que pertence aqui. É como Caine faz isso, e ninguém nunca o questiona." Havia verdade nisso e realmente ajudou a acalmar os nervos. Eu dei-lhe um sorriso agradecido. "Obrigado." "Pronta para encantá-los?" Ele estendeu o braço. "Vamos fazer isso." Fomos recebidos por grandes homens de terno preto, usando fone de ouvido, nas gigantes portas duplas de entrada. Henry entregou o convite e os homens acenaram para passarmos. Eu tentei não engolir em seco enquanto nós caminhamos por uma grande entrada de forma oval, que parecia ter sido construída inteiramente de mármore. Nós seguimos os convidados para baixo em um pequeno grupo de escadas que ao final nos levava a uma enorme área de entrada. Portas de correr de grandes dimensões tinham sido abertas à nossa direita, levando diretamente a um salão de baile. Um salão de baile real.


"Alguém deveria dizer-lhes que têm um salão de festas em sua casa e que é cerca de metade do comprimento de toda a mansão." O corpo de Henry sacudiu com diversão quando me levou para a sala gigantesca. "Eu acho que eles já sabem sobre isso." "Verdade. É meio que como ter o Godzilla vivendo com você. Não tem como você não notá-lo." Eu olhei para o alto teto arqueado e os lustres que pendiam impressionantes a partir dele. Mesas compridas envoltas em toalhas de mesa ouro pálido estavam alinhadas com aperitivos e taças de champanhe. Uma fonte champanhe estabelecia-se orgulhosamente no meio da mesa de centro. O salão foi decorado com elegância simples, mas em todos os lugares parecia brilhar. Músicos clássicos estavam sentados muito, muito atrás, no outro extremo da sala, onde quatro conjuntos de portas francesas levavam para o jardim. "Ou, neste caso, arrumá-lo em ouro branco e prata, e preenchê-lo com garrafas de quinhentos dólares de champa..." Eu parei quando percebi que

alguns dos convidados elegantemente vestidos

estavam olhando para nós. "Suas unhas estão cortando meu braço." "Porque as pessoas estão olhando," eu sussurrei, e meu pulso pegou velocidade. "Isso é porque — e estou me esforçando muito para não soar como um idiota pretensioso — você está comigo, um Lexington, e o mais importante, você está deslumbrante e estão todos se perguntando onde lhe encontrei."


Eu olhei para ele com desconfiança. "É melhor você não dizer-lhes Hollywood Boulevard." Ele riu. "Droga, estragou minha diversão, por que não?" Relaxando em seu bom humor, deixei o meu olhar derivar por cima do seu ombro, e o que (ou quem, na verdade) eu vi, me fez endurecer com surpresa. Intranqüilidade rapidamente substituiu a surpresa. Meu avô estava aqui. Com a minha avó. Merda! Por que eu não pensei? Eu estava tão cansada esta semana e tão presa em minha própria porcaria, que não tinha falado com vovô e eu completamente, estupidamente, tão, tão estupidamente, esqueci que estes eram seu pessoal. É claro que ele estaria em um dos maiores eventos da sociedade do ano. Oh Deus. Onde estava o meu cérebro? Oh sim, Caine transformou-o em mingau. "Alexa". Henry cutucou minha mão, puxando meu foco de volta para ele. Ele estava franzindo a testa. "Você está bem?" "Uh, sim–" "Henry, Alexa," a voz de Caine interrompeu. Ele parou de pé apenas alguns metros de nós. Mesmo através do meu pânico eu ainda sentia o impacto dele. Ele usava um smoking de corte semelhante ao que Henry estava usando, mas o efeito que teve sobre mim foi totalmente diferente. Meu olhar vagou sobre sua


beleza escandalosa, e o desejo dentro de mim me sobrecarregou e deprimiu. Quando nossos olhos se encontraram, ele não entregou nada. Não houve "Uau" dele. Tanto para um vestido caro. "Esta é Marina Lansbury". Caine colocou sua mão nas costas da morena que estava com ele. Ela era tão alta quanto eu, mas com mais curvas de uma forma que era sedutora e sexy. Alguns podem dizer que sem maquiagem Marina era quase normal, mas o corpo dela, naquele vestido preto que a abraçava toda, fazia você esquecer tudo sobre isso. Ela parecia incrível. "Marina, você se lembra de Henry Lexington." Ela sorriu educadamente e estendeu a mão para apertar a de Henry. Quando eu apertei suaa mão, seu olhar era avaliador de forma competitiva que ela simplesmente não conseguia esconder. Eu fiz uma careta mentalmente. Claramente ela era uma dessas mulheres — o tipo que via outras mulheres como concorrentes não importa o que. Esses tipos de mulheres eram exaustivas. Eu pensei que tinha deixado isso para trás na faculdade. "E esta é a minha AP, Alexa Hol–" "Hall." Eu cortei rapidamente Caine, erguendo a minha mão. Marina relutantemente apertou.


Eu ignorei o olhar interrogativo de Caine. Eu não poderia me apresentar hoje à noite como um Holland. Todo o inferno iria vir a tona para o vovô. Eu não tinha pensado sobre isso. "Bem." Caine pressionou suavemente Marina para a esquerda. "Só queria dizer olá. Nós estamos indo pegar uma bebida. Falaremos mais tarde." Uma vez que eles estavam fora do alcance da voz, Henry suspirou. "Não é como se ele desaparecesse com seu encontro assim. Ele geralmente fica perto de mim. Ele gosta de me manter por perto para acalmar as coisas quando as pessoas ricas dizem coisas que o irritam." Eu levantei uma sobrancelha. "Isso realmente acontece?" Henry balançou a cabeça. "Caine não tem a paciência para a ignorância e vaidade." "Sim, bem, ele tem um jeito engraçado de mostrar isso." Henry tocou a minha parte inferior das costas e começamos a caminhar em direção ao champanhe. "Você tem o hábito de trazer para fora o seu pior lado." Ele sorriu para mim. "Acho isso muito divertido." Eu ri, balançando minha cabeça em seu absurdo. "Você precisa crescer, Henry." "E por que eu faria isso?" As horas passaram e Henry me encantou e divertiu. Ele me apresentou para as pessoas e elas estavam realmente interessadas por saber que eu era AP de Caine. Ninguém olhou ou


falou mal de mim, e usei a minha experiência de anos lidando com celebridades no trabalho para conversar com eles como se não estivesse intimidada. Eu fui legal, devidamente espirituosa, mas inofensiva, e bem acompanhada de Henry, que todos pareciam amar. Henry

estava

convencido

de

que

Caine

estava

deliberadamente nos evitando, o que despertou sua suspeita. Ele só não conseguia entender o que Caine, tão abjetamente desaprovava sobre mim. Eu não estava prestes a esclarecê-lo. Depois de voltar da suíte das senhoras (sim, suíte), eu só tinha dado alguns passos para dentro do salão de baile quando vi meu avô e avó andando em direção a mim. Eu parei, sem saber o que fazer. Vovô estava no meio da conversa com a minha avó quando ele olhou casualmente e, em seguida, congelou quando seus olhos se encontraram com os meus. Eles se aproximaram. Prendi a respiração. "Eu não sei o que tinha naquele canapé, Edward, mas meu estômago está instável," eu ouvi minha avó reclamar quando eles se aproximaram. "Adele," Vovô disse, cansado, olhos ainda em mim, "você comeu isso há apenas 15 minutos atrás. Eu duvido que já tenha feito algum efeito." "Eu sei o que falo. Um conhaque o relaxará.”


"Eu

tenho

certeza

que

vai,"

ele

respondeu

sarcasticamente, arrastando seu olhar do meu. "Dick está em seu escritório se escondendo. Ele vai ter algum." Eles caminharam direto por mim, seu ombro quase tocando o meu. Eu olhei atrás dele, meu peito ardendo com mágoa, embora eu entendesse porque ele tinha que fingir que não me conhecia. Eu entendia. Realmente. Mas foda-se, isso me matou. Eu pisquei de volta a picada de lágrimas e virei-me apenas para fazer uma parada abrupta. Caine estava diante de mim, olhando para mim em questionamento. "Agora eu entendo por que você se apresentou como Hall. Eu acho que você esqueceu de mencionar que não fala com o resto do Hollands." Eu me mexi desconfortavelmente, olhando em volta para me certificar de que não havia ninguém perto o suficiente para ouvir. "Eu falo com o meu avô, mas ele não pode me reconhecer publicamente. Ninguém na família sabe que ele e eu estamos em contato. Isso causaria problemas." Caine olhou por mim para onde meus avós tinham partido. "Ainda assim, outra razão pela qual você não deveria estar aqui." Sua rejeição em cima da do meu avô foi demais. Dei um passo em direção a ele e vi algo cintilando em seu olhar. Eu queria


chiar, e insultá-lo e fazê-lo se sentir tão mau como me senti ali... mas quando olhei aqueles olhos escuros, eu caí com a decepção. Eu balancei a cabeça, as palavras me falharam, e passei por ele, apressando-me para o lado de Henry. "Você está bem?" Henry franziu a testa quando cheguei a ele. Minhas bochechas estavam vermelhas de raiva e orgulho ferido. "Eu estou bem." "Você quer tomar um pouco de ar?" Não, eu não iria sair do salão de baile por causa da insensibilidade e determinação de Caine em me fazer sentir indesejável. "Vamos apenas dançar, ok?" Henry me levou para a pista de dança e habilmente me manobrou em uma dança lenta. Ele me segurou perto, mas não muito perto, e eu sabia, sem dúvida, que Henry e eu éramos apenas amigos. Quando um cara dançava com você e lhe segurava, você deveria sentir os formigamentos, borboletas na barriga e estar toda derretida. Eu apenas me sentia confortável com Henry. Eu acho que isso era bom em sua própria maneira. "Ele passou a maior parte da noite carrancudo e ignorando

seu

encontro,"

Henry

murmurou,

de

repente,

obviamente falando de Caine. "A última vez que vi Marina, ela estava flertando com o governador Cox." Eu enruguei meu nariz. "Ele não é casado?" E oh, por que, alguém flertaria com o governador Cox quando Caine Carraway era seu encontro?


"Sim, mas sua esposa está flertando com Mitchell Montgomery." "O cara do papel higiênico?" "O primeiro e único. Embora tenhamos um nome diferente para ele em nosso círculo." "E isso seria?" "Cuzão." Eu explodi rindo do apelido hilariamente infantil. "Quão apropriado." Henry sorriu. "O que falta em termos de sofisticação compensa em entretenimento." Inclinei-me para ele, rindo mais. "Desculpe interromper." De repente Caine estava lá, elevando-se sobre nós dois. Ele estava irritado e bastante impaciente. "Eu preciso de Alexa." "Para quê?" Minha diversão momentânea tinha ido embora. "Era Arnold. Ele tem um colega em Sydney no telefone, e é importante eu atender esta teleconferência. Nós precisamos chegar ao escritório." "Nós?" Eu balancei minha cabeça. "Você realmente precisa de mim para isso?" Ele inclinou sua cabeça em direção a minha, nuvens negras carregadas em seus olhos. "Eu vou precisar de café e assistência para qualquer outra coisa que possa ser necessária esta noite. Isso é o que eu lhe pago para fazer. Para me ajudar."


Eu não podia acreditar! Ele estava brincando comigo com essa porcaria? Voltei a olhar para Henry para me desculpar, apenas para descobrir que ele estava usando este estranho, pequeno sorriso triunfante no rosto. Ele rapidamente suavizou sua expressão. "Sinto muito ter que deixar você," eu disse, olhando para ele em confusão. Ele me confundiu ainda mais, dando de ombros com indiferença. "Quando o trabalho chama você tem que ir." Decidi ignorar a sua estranheza por enquanto. Eu só poderia lidar com um homem enigmático por vez. "Obrigado pela compreensão." Eu beijei seu rosto suave. "E por uma noite encantadora." Ele deu um aperto leve no meu quadril. "Você é muito bem-vinda, linda. Obrigado por aumentar a elegância do lugar." Eu ri, mas minha diversão teve uma morte rápida quando Caine, impaciente, girou e atravessou a pista de dança. Juntei minha própria paciência desgastada antes de correr atrás dele.


Capítulo 9 A atmosfera entre nós estava carregada, para dizer o mínimo, enquanto o motorista nos levava de volta para Boston, ao distrito financeiro. Caine,

obviamente,

não

estava

com

humor

para

conversar e eu definitivamente não estava também depois da maneira como ele tinha me tratado esta semana inteira. Seu comportamento

tinha

ido

de

mandão

arrogante

para

extremamente ofensivo. Caminhamos para o escritório sem dizer uma palavra um ao outro. Eu tentei acompanhar seus passos longos, mas eu estava lutando com meu salto e vestido. Eu parei do lado de fora do escritório de Caine. O andar inteiro estava vazio. Sem Arnold. Ninguém. Caine destrancou a porta, acendendo as luzes enquanto caminhava para dentro de seu escritório. Eu o segui. Ele virou e me olhou inexpressivamente. "Parece que eu perdi isso. Vou levá-la para casa." Uh... o quê? Eu segurei minha mão para cima, com a palma voltada para fora para detê-lo. Fiz um gesto ao redor da


sala, mostrando minha agitação. "Onde está o Arnold? Onde está essa teleconferência?" Ele deu de ombros. "Obviamente, eu perdi e Arnold se foi." "Sem ligar para você?" Perguntei incrédula. Ele deu de ombros novamente. "Deixe-me lhe levá-la para casa." "Vvocê mentiu? Você mentiu para me tirar da festa?" "Eu não minto," Caine disse, soando ofendido. "Eu manipulo. É como eu fiquei rico. Agora, deixe-me levá-la para casa." Não. Nós não estávamos indo em qualquer lugar até que chegasse a fundo disto. Parecia que eu tinha fogo no meu sangue, de tanta raiva que estava dele. De repente, eu não me importava se fosse demitida. "Você mentiu para me tirar de uma festa e ficar longe do meu encontro. Você é assim tão pretencioso?" "Não foi isso," ele estalou, seus olhos faiscaram com sua ira. "Eu não queria você lá e deixei isso bem claro. Quando eu quero algo de certa forma, eu consigo. Pensei que também já tinha deixado bem claro isso.” "Seu filho da puta!" Eu gritei, perdendo a paciência. "Durante toda a semana, você me fez sentir como se eu não fosse nada, senão uma inútil. E agora essa porcaria!" "Que diabos você está falando?" "À tarde de segunda-feira. Henry entrou em seu escritório e você esqueceu de desligar o viva-voz."


O ar ao seu redor estalava perigosamente. "Você estava escutando?" Eu corei. "Eu ia lhe dizer, mas então eu ouvi... Henry começou a falar sobre mim e é natural apenas ouvir uma conversa sobre si mesmo," eu argumentei. "E você foi além de me insultar." Sua expressão clareou. "É por isso que você disse sim a Henry? Para me irritar?" "Eu disse sim porque ele foi lisonjeiro. E sim, eu tenho que admitir que tive alguma satisfação em irritá-lo, desde que você deixou tão claro que acha que estou abaixo de você." Suas narinas alargaram. "Mentira." Pisquei rapidamente com a negação. "Sério? Você tem me tratado mal durante toda a semana. Para não falar como você estava hoje à noite! Você não é um homem estúpido, Caine, então você sabia que eu estava ferida quando meu avô escolheu ignorarme, e você só enfiou a faca mais fundo. Você nunca vai me ver por mim mesma, não é?" Eu apertei minhas mãos em punhos. "Você só irá me ferir e humilhar. Você está determinado a fazer-me pagar pelo que ele lhe fez." Minha raiva aumentou com o seu silêncio. "Não é isso!" Eu gritei. De repente minhas costas bateram na parede atrás de mim quando Caine me moveu para lá, me enjaulando enquanto me apertava contra ela, suas mãos pressionadas contra a parede acima da minha cabeça. Seus olhos brilhavam de emoção. "Não acho que você está abaixo de mim," ele assobiu.


A surpresa de encontrar-me enjaulada por ele tinha derrubado minha atitude alguns níveis. "Então por que você foi cruel?" Eu sussurrei. Remorso cintilou nos olhos dele. "Eu não queria... Só não queria você lá. Com ele." E as surpresas continuavam chegando. Prendi a respiração e em seguida, exalei lentamente. Não é possível... Acho que não, mas... Observei o aspecto de seu olhar escuro que insinuava outra emoção além de raiva. "Você está com ciúme?" O músculo na mandíbula de Caine flexionou. Meu coração começou a bater contra as minhas costelas e eu não conseguia controlar minha respiração acelerada. Com nossos olhos trancados, nossos corpos se tocando, o calor ardente em torno de nós inflamando, eu esqueci onde estávamos. Esqueci tudo, menos ele. "Cain-" Ele esmagou sua boca na minha, engolindo meu suspiro de choque e excitação. Seu perfume, o calor de sua pele, seu gosto, quente e penetrante... tudo me envolveu quando ele agarrou a parte de trás do meu pescoço com uma mão e deslizou a outra para baixo do meu estômago... descendo pelo meu quadril e sob minha coxa. Percebendo sua intenção, eu o beijei de volta mais duro e me agarrei a ele, meus dedos cavando em suas costas, quando ele puxou minha coxa para que ele pudesse pressionar mais profundo entre as minhas pernas. Meus lábios se separaram em um gemido


de luxúria e triunfo. Caine rosnou. O som causou uma onda de excitação em meu ventre e empurrei em sua direção. Sua mão apertou em volta do meu pescoço e ele gemeu de novo, a vibração do mesmo causando mais calor disparando através de mim, endurecendo meus mamilos, fundindo-se pela minha barriga e explodindo entre as minhas pernas, numa explosão de arrepios de necessidade. Seu beijo ficou mais exigente, ansioso, beijos viciantes que confudiam minha cabeça e me transportavam inteiramente com ele para outro lugar. Estávamos ofegantes e puxando a boca um do outro como se não tivéssemos o suficiente. Caine me esmagou com mais força contra a parede, sua ereção moendo contra mim. Minha barriga apertou novamente, e ocorreu-me, que nunca fiquei na minha vida tão excitada assim, apenas por beijar alguém. Era ele. Deslizei minhas mãos em suas costas e sobre os seus ombros,

afundando

meus

dedos

no

seu

cabelo,

pedindo,

silenciosamente, por mais, mais forte, mais profundo… por tudo. Dele. Caine soltou meu pescoço, apenas para trilhar os dedos ao longo da minha clavícula. Quando passou as pontas dos dedos lentamente sobre a seda do meu vestido, tremores desceram por minha espinha, dando-me arrepios e fazendo meus mamilos ainda mais duros contra o tecido do meu vestido. Seu polegar roçou levemente sobre meu peito e se deteve sobre a prova de minha excitação.


Ele quebrou o beijo, puxando para trás apenas um centímetro para olhar nos meus olhos. Seus cílios estavam pesados com a luxúria confoeme ele me estudava. Segurei seu olhar aquecido, meus lábios inchados e ardentes, todo o meu corpo tenso com a necessidade. Caine, lentamente, baixou minha perna e por alguns segundos horríveis, me perguntei se seria só isso. "Tire o vestido." Sua voz estava grossa com a necessidade, mas ainda havia autoridade nele — mandão. Acontece que na ocasião certa, o Caine mandão era realmente muito, muito quente e nada irritante. Lentamente, eu me afastei dele, e ainda segurando seu olhar, cheguei por trás do meu pescoço para o fecho de cristal do vestido. Caine deu alguns passos para trás, permitindo que uma brisa fresca passasse por mim. Eu tinha me despido para namorados antes. Não era algo que alguma vez eu tenha sido tímida, porque ao contrário da maioria das minhas amigas, eu realmente não tinha qualquer inibição com meu corpo. Mas era diferente estando de pé, na frente de Caine, me preparando para ficar nua para ele. Por alguma razão, não parecia que eu estava só tirando um vestido. Parecia que eu estava deixando-o me ver nua. E havia uma diferença. Eu hesitei, meus dedos atraálhando-se sobre o fecho.


Caine percebeu. E sua resposta foi arrancar a gravata do seu pescoço. Olhei-o quando ele removeu-a e logo começou a tirar seu paletó dos ombros. Quando ele começou a desabotoar sua camisa, ele disse em uma voz baixa, profunda, que me fez soltar o fecho, "Eu fantasio sobre foder você neste escritório umas cem vezes por dia." Sua confissão me deixou sem fôlego. Eu me perguntava se ele estava atraído por mim, mas nunca pensei que iria admitir ou agir sobre isso. Mas só de saber que ele estava atraído por mim como eu estava por ele... bem, isso me fez corajosa novamente. Eu puxei a frente única do vestido para baixo e vi os olhos de Caine crescerem incrivelmente escuros com calor, quando revelei os seios para ele. Meus mamilos enrrugaram sob o toque de ar fresco, e ganhando a minha confiança, eu puxei para baixo o vestido e deslizei fora dele. Levantei-o do chão e coloquei sobre o encosto do sofá. O olhar de Caine devorava cada centímetro de mim. Eu estava apenas com minhas jóias, calcinha e meus saltos. Enrolei meus dedos em minha calcinha. "Pare". Caine deu um passo em minha direção e eu deixei o meu próprio olhar devorá-lo. Sua camisa estava completamente desabotoada, revelando um pedaço de sua pele bronzeada e abdomen duro. "Deixe-a. Sente-se na minha mesa." Ele se afastou, deixando-me o caminho livre.


Ele podia ouvir como eu estava sem fôlego quando perguntei, "Você é mandão assim com todas as suas mulheres?" Caine sorriu, um sorriso perverso que fez meu coração palpitar. "Não, você só trás à tona isso em mim." Eu sorri de volta. "Você está dizendo que você tem prazer em me dar ordens?" "Assim como você tem prazer em ser uma espertinha. Agora sente na minha mesa e afaste as pernas." Meu corpo inteiro queimou com antecipação e soltei uma respiração ofegante. Os olhos de Caine brilhavam com a minha resposta. Endireitei meus ombros, e andei em direção a sua mesa, meus seios saltando com o movimento, e eu estava mais do que satisfeita comigo mesma sobre o fato de que a excitação de Caine estava se esforçando para se libertar de seu zíper. Passei por ele e abaixei minha bunda em sua mesa. Eu tremi com o contato frio contra a minha pele quando me sentei sobre ela e espalhei minhas pernas. O ar na sala era quase crepitava quando Caine se aproximou de mim. As pontas dos seus dedos passando por cima das minhas coxas quando ele se estabeleceu entre as minhas pernas e se inclinou para roçar seus lábios nos meus. Agarrei-me a cintura dele e capturei sua boca de novo antes que ele pudesse se afastar. Logo o beijo estava fora de controle, selvagem e apressado, enquanto eu empurrava sua camisa para fora do


caminho e alisava as mãos sobre cada ondulação e músculo duro em seu torso, e ele me tocava em todos os lugares. De repente Caine se afastou, ofegante. "Não, não assim," ele murmurou contra a minha boca. "Não, não assim o que?" Eu disse, confusa ao ser subitamente arrancada de seus lábios. Deus, o homem podia beijar como ninguém. "Eu quero a sua língua de volta." "E você terá." Ele se afastou apenas para tirar sua camisa, impaciente. Fiquei ainda mais excitada com a visão dele seminu e excitado. Seus ombros fortes, bíceps musculosos e duros, sua barriga de tanquinho esculpida... Tudo o que ele precisava era uma gota de suor descendo por aquele abdomem e seria um anúncio de refrigerante diet. Eu lambi os meus lábios e Caine gemeu. "Você sabe o quão sexy você é?" Uma queimação, exatamente o oposto da queimação que tinha estado picando o meu peito durante toda a semana, inflamou-se perto do meu coração. "Eu sei agora," respondi-lhe suavemente. Porque eu sabia. Nunca me senti mais sexy em toda minha vida do que naquele momento sob o olhar desejoso e ardente de Caine Carraway. Eu nunca me senti tão desejada. E de um homem que pensei que nunca iria me querer.


Hoje à noite estava me surpreendendo em mais de um sentido. Caine se abaixou até o chão e enrolou suas mãos atrás de meus joelhos, me puxando suavemente, até que minha bunda estava praticamente pendurada para fora da mesa. Minha cabeça caiu para trás em um gemido quando ele começou pressionando suaves beijos provocantes, ao longo do interior da minha coxa direita. Eu saltei com o toque de sua boca contra meu sexo. Ele soprou a contra renda da minha calcinha e eu estremeci. "Está ensopada". Caine enrolou um dedo em torno da calcinha, roçando meus lábios. "Vamos nos livrar disto." "Uh-huh." Eu mal era coerente. De repente, a calcinha tinha saído e Caine estava separando minhas coxas novamente. "Você é tão fodidamente bonita," ele disse com reverência, sua respiração soprando contra mim. "Por favor." Eu deslizei meus dedos em seu cabelo, olhando para ele em tormento. "Por favor." Seus olhos brilharam para mim. "Você me quer?" Ele precisava perguntar? "Desde o momento que vi você," eu admiti. Aqueles olhos inflamaram-se com triunfo e então sua boca estava finalmente em mim.


"Oh Deus," Eu choraminguei, inclinando-me para trás em minhas mãos enquanto ele me lambia. Sua língua passando rapidamente e atormentando meu clitóris. "Caine, por favor." Eu podia sentir a construção do orgasmo, os músculos das minhas coxas tremendo e apertando. E, então, ele empurrou dois dedos dentro de mim. Ele chupou e lambeu e deslizou seus dedos dentro e fora de mim. Eu estava na borda do penhasco. Endureci e então gozei, gritando seu nome, com meus músculos internos apertando em torno de seus dedos em um clímax duro. Caine se levantou, apenas para se inclinar em mim, envolvendo os braços em volta da minha cintura para que pudesse me unir a ele. Eu levantei minhas pernas em torno de seus quadris e agarrei-me a ele enquanto ele me beijava, sua língua se movendo contra a minha em rápidas pinceladas duras — o beijo estava tão desesperado que era quase punitivo. Eu amei. Amei o gosto dele e meu em sua língua. Caine quebrou o beijo, trilhando seus lábios quentes na minha nuca. Eu arqueei minhas costas, antecipando suas necessidades, e empurrei meus seios para sua reivindicação. Reivindicação essa que ele fez. Rapidamente a languidez do meu clímax foi dizimada pelo calor que se espalhou em mim novamente. Ele segurou e acariciou e beijou meus seios, dando atenção a cada centímetro deles. E então envolveu sua boca em volta do meu mamilo e


puxou, sugou, e lambeu até que ficou tão inchado que estava extremamente sensível. Ele mudou-se para o outro até que minhas pernas estavam subindo seus quadris e eu estava me contorcendo contra sua ereção, desesperada para que ele me tomasse. "Caine," Eu implorei. "Goze dentro de mim." Ele me beijou, uma mão sob a minha bunda me moendo contra sua ereção enquanto ele a esfregava entre as minhas pernas, a fricção do material de sua calça contra meu sexo, me levou ao clímax novamente. Eu engasguei contra seu beijo, quando sua outra mão se mudou para o meu cabelo, seus dedos arrancando as presilhas que prendiam-o no lugar. Alguns segundos depois eles caíam em volta dos meus ombros e a mão de Cane se foi. Eu ouvi um zíper se abrindo, em seguida, ele estava quente, latejante e duro contra mim. Caine relutantemente tirou os lábios dos meus e ofegava contra a minha boca. "Você está tomando pílula, certo?" A pergunta era quase suplicante. Eu balancei a cabeça e olhei para baixo, sentindo um súbito fogo lamber-me dos pés e passando por todo o meu corpo, com a visão dele. Era grande. Era grosso. Lambi meus lábios. "Porra, Lexie," Caine respirou contra a minha boca. Beijei-o, sacudindo minha língua contra seus lábios. Peguei o sedoso calor dele em minhas mãos e apertei. Caine me


beijou mais forte, arfando e arqueando, enquanto eu acariciavalhe com uma mão e cavava os dedos em sua bunda com a outra, incitando-o a mim. Guiei sua ponta para minha entrada e alisei minha mão pelo seu estômago rígido. Com os nossos lábios ainda se tocando, nossos olhos se encontraram e se mantiveram. Caine agarrou meus quadris e empurrou para dentro. Meus olhos se fecharam na queimação satisfatória que rapidamente

evaporou

sob

o

alívio

de

ser

completamente

preenchida. "Lexie, abra os olhos," Caine exigiu com voz rouca. Abri meus olhos e segurei seu olhar feroz. "Mantenha seus olhos abertos." Ele empurrou mais profundo.

"Foda-se,"

ele

sussurrou,

"mantenha

seus

olhos

abertos." Ele inclinou-se mais para os meus quadris enquanto deslizava dentro e fora de mim lentamente. Eu tremia contra ele enquanto lhe dava prazer em tomar seu tempo, e como antes, eu não conseguia me lembrar de alguma vez ter me sentido mais nua. Ele estava segurando meu olhar, exigindo que eu o visse enquanto golpeava dentro de mim. Isso intensificou qualquer que fosse essa conexão entre nós.

Não havia como negar que isso

erámos nós – ele dentro de mim. "Você é tão incrível," ele grunhiu contra os meus lábios.


Movi-me

contra

seus

impulsos,

com

meu

coração

disparado fora de todo controle. "Assim como você." "Lexie". Seu aperto aumento, seus olhos brilhando nos meus. "Lexie." "Caine," Eu soluçava enquanto ele empurrava para trás no ângulo certo, escovando meu clitóris com seus movimentos. "Foda-se." Ele começou a bombear com mais força, mais rápido. Meu clímax começou a se construir de novo e eu estava tremendo contra ele em pequenos empurrões. "Goze para mim, Lexie," ordenou Caine, sua voz rouca de desejo. "Goze em mim." Essa tão suave, difícil demanda, foi um gatilho. Eu gritei o seu nome, meus dedos cavando em sua pele enquanto eu apertava em torno de seu pau, e perdi seu olhar quando meus olhos praticamente rolaram na parte de trás da minha cabeça. Quando

gozei

em

torno

dele,

Caine

segurou-me

aumentando seu ritmo. Poucos segundos depois, seu rosto pressionou contra o meu pescoço, ele endureceu e gemeu meu nome. Seus quadris se sacudiram contra o meu e senti o lançamento de seu clímax dentro de mim. Agarrei-me a ele enquanto tentávamos recuperar o fôlego. Minha pele estava escorregadia contra a sua, os meus seios esmagados contra o seu peito, e estávamos tão próximos um do


outro quanto podíamos. Apertei minhas coxas em torno de seus quadris, deleitando-me neste delicioso pós orgasmo. Então... seus

músculos ficaram tensos sob minhas

mãos. Inquietação se apoderou de mim. Chame de intuição, chame do que quiser, eu só sabia que não ia gostar do que aconteceria em seguida.


Capítulo 10 Apenas

alguns

segundos

antes,

Caine

estava

determinado a manter contato visual. Agora ele estava evitando isso. Ele retirou-se suavemente de dentro mim, agarrou alguns lenços de papel de sua mesa, limpando-se, e colocou as calças novamente. Tudo isso enquanto eu estava lá, sentada nua em cima da mesa, observando-o colocar a parede de volta entre nós. Meu estômago estava apertado. "Caine?" Em vez de me responder, ele passou a mão pelo cabelo enquanto olhava ao redor da sala procurando sua camisa. Ele a encontrou e colocou-a. "Algo está errado?", eu disse. Claramente havia algo errado. Um minuto nós parecíamos adolescentes sedentos de luxúria, e agora, ele nem sequer olhava para mim. "Caine." Finalmente

ele

levantou

o

olhar

enquanto

estava

abotoando a camisa. Ele era cuidadoso enquanto olhava para qualquer, evitando meu rosto. Cruzei minha perna sobre a outra e me recostei em minhas mãos, empurrando os meus seios para fora em desafio. Isso o distraiu instantaneamente. Ele apertou a mandíbula enquanto seu olhar vagava sobre mim. "Bem?"


Com os olhos brilhando, ele olhou para mim. "Isso foi um erro." Mesmo que eu soubesse que isso estava chegando, ainda doía como o inferno. "Um erro?" "Sim. Nós cruzamos a linha." "Entendo. Estamos de volta a isso de novo." Eu olhei para ele com decepção, mas me recusava a ceder. Nós não sairíamos deste escritório até que eu tivesse removido o pau de seu rabo, algo que aparentemente só o sexo poderia fazer. Bem, se eu tivesse que fazer, eu faria. Meus olhos observaram avidamente seu belo rosto. Não era como se fosse um sacrifício ou qualquer coisa assim. Eu sorri para o calor em seus olhos. Pelo menos eu sabia que ele me queria fisicamente. Isso tornou mais fácil para continuar fingindo que estava completamente confortável sentada de pernas cruzadas e nua em sua mesa. "Nós deveríamos conversar." "Você," ele retrucou, estendendo a mão para pegar o meu vestido do sofá, "deveria se vestir." Ele estendeu-o para mim. Eu o peguei dele, mas não tinha nenhuma intenção de realmente me vestir, enquanto minha nudez fazia o bastante para deixa-lo

fora

de

equilíbrio.

desafiadoramente um para o outro. "Alexa, se vista."

Nós

nos

entreolhamos


Não mais Lexie para mim, hein? Outra dor aguda cortou em meu peito. Escondi isso dele. "Estamos de volta a Alexa, eu vejo." Aparentemente Caine estava farto de estar impaciente e agora estava se tornando irritado. "Olha, nós estávamos atraídos um pelo outro, nós tiramos isso de nossos sistemas e agora temos de voltar a ser patrão e empregada. E a partir deste ponto estamos mantendo isso estritamente profissional —" ele parou para fazer uma careta quando descruzei minhas pernas só para cruzá-las novamente na direção oposta. Ele desviou o olhar. "Relação estritamente profissional," ele finalizou com sua voz grossa. "Agora, vista-se." Percebendo que eu não ia conseguir nada com ele até que admiticssee uma coisa, eu escorreguei graciosamente para fora da mesa. "Eu preciso me limpar." Sem olhar para mim, ele apontou para o banheiro fora de seu escritório. "Você sabe onde fica." Encolhendo os ombros com tanta confiança quanto eu poderia reunir, caminhei até o banheiro, meu vestido pendurado à direita da minha mão, e eu estava satisfeita de sentir a queimadção de seu olhar nas minhas costas enquanto eu saía. A verdade era que meu coração estava disparado enquanto eu me limpava e deslizava em meu vestido novamente. Eu tinha deixado minha calcinha no escritório, mas eu estava muito abalada para voltar lá por ela. Enquanto olhava para o espelho, vendo minhas bochechas coradas e os olhos brilhantes e cabelos pós-sexo, eu fui inundada com a sensação de estar com


Caine de novo. Eu ainda podia sentir o cheiro dele. Prová-lo. Sentilo. Eu acabei de ter o melhor sexo da minha vida com um homem com que compartilhei a química dos deuses. O que aconteceu entre nós não foi médio ou comum. Foi extraordinário. E ele estava agindo como se não significasse nada. A dor no meu estômago se intensificou e quando olhei para trás no espelho, eu podia ver minhas bochechas coradas. Nunca me senti assim sobre qualquer homem. Isto era luxúria. Isso era o que todos esses livros e filmes sempre falavam. Isso não foi uma atração sexual que eu tinha sentido por outros homens. Isso doi desejo completo. No entanto — eu fechei os olhos, lembrando-me da forma como ele segurou o meu olhar quando se moveu dentro de mim — isso poderia ser mais entre nós.

Se tentássemos, quem sabe o

quanto extraordinária poderia se tornar? Mais assustada do que jamais estive na minha vida, eu joguei meus ombros para trás com determinação e caminhei para o escritório para enfrentar Caine. Ele estava vestindo sua jaqueta e vi seu alívio quando notou que eu tinha colocado meu vestido novamente. Minha barriga revirou ao vê-lo todo amarrotado e sexy. Por que, oh, por que, de todos os homens no mundo, Caine Carraway tinha que ser o único a me fazer sentir desse jeito? Eu parei a alguns passos dele e ele estreitou seu olhar, como se sentisse o que estava por vir.


"Você está com medo de me deixar entrar." Ele me lançou um olhar de advertência. "Alexa." Eu segui em frente. "Mas eu sei de uma coisa que todas aquelas outras mulheres que tentaram e falharam com você não sabem. Eu sei que você é um bom homem. Real de uma maneira que elas nunca tiveram a chance de ver. Eu sei disso porque eu vi isso quando você estava com Effie. Eu vi quem você realmente é. E vejo quem você é porque... nós não somos tão diferentes, você e eu. Nós dois merecemos a felicidade." Por um momento, Caine apenas olhou para mim e uma pequena bolha de esperança flutuava dentro de mim. Quando ele deu um passo para trás, extremamente cuidadoso, essa pequena bolha estorou. "Felicidade? Isso vindo da filha do cara que destruiu a minha família?" Todo o ar saiu da sala. Era como se ele tivesse me dado um soco no peito. E ele não tinha terminado. "Eu não sei o que é isso que você está tentando fazer, mas você e eu não somos iguais." Ele deu outro passo para longe de mim. "E eu não sirvo para você. Não sou seu cavaleiro branco. Sou apenas o cara que queria foder você." Eu vacilei sob a picada de suas palavras. Palavras que me humilharam. Eu idiotamente me permiti ser vulnerável com um homem que já tinha provado que não tinha escrúpulos de ferir meus sentimentos. Meu Deus, eu era tãoa estúpida, idiota estúpida. Pior. Eu era... uma espécie de masoquista!


Era minha mãe. Tentei guardar meus sentimentos para mim, assim ele não poderia ver como me cortou em fatias. No entanto, eu sabia que era tarde demais, quando ele disse o meu nome em um tom suave, cheio de remorsos. Ele tinha culpa e arrependimento escrito em seu rosto. "Sinto muito," ele sussurrou. "Eu não quis dizer... Eu não devia ter dito isso." Ele passou as mãos pelo seu cabelo, parecendo chocado por ter dito isso, e frustrado com o meu efeito sobre ele. "Eu apenas não sou o cara que você está procurando. Eu nunca serei esse homem. Confie em mim." Como eu pude permitir-me esquecer quem eu era para ele? Isso era o que eu tinha feito aqui. Oh Deus. Ele deve ter se sentido terrível por fazer sexo comigo. Uma Holland. Cautelosamente eu olhei para ele. Ele queria me lavar para fora dele? Esquecer o que aconteceu? Eu chupei uma respiração com o pensamento doloroso. Ele suspirou. "Vamos deixar isto para trás e voltar a ser o chefe pé-no-saco e a AP espertinha." Olhei para ele, perplexa com a sugestão. Ele realmente achou que eu podia ficar perto dele depois disso? Não. Eu estava feita. O que minha família fez para a sua o havia danificado. A conexão que eu senti entre nós... eu não sabia se era algo real ou apenas algo que eu tinha imaginado por causa da minha vida solitária, mas eu sabia que Caine estava determinado a nunca sentir essa conexão.


"Eu não deveria ter vindo para lhe ajudar," eu disse. "Você está certo. Isso tudo foi um erro. Você pode considerar isso como meu aviso prévio. Ao término de duas semanas, você nunca vai ter que me ver de novo." Eu conhecia Caine bem o suficiente para saber que a emoção que brilhou em seus olhos e que ele tentou tão duro disfarçar, era raiva. Eu não sabia como interpretar essa reação, porém, e, sinceramente, eu estava saturada, mortificada, e completamente feita com toda a confusão que tínhamos feito. Eu não queria analisar um lampejo de emoção dele. "Vou chamar um táxi." "Não." Ele balançou a cabeça. "Eu vou pedir ao motorista que lhe deixe em casa." Eu não queria gastar mais vinte minutos presa em um carro com ele. "Eu disse que vou chamar um táxi." Caine estava visivelmente chateado quando deu um passo ameaçador em direção a mim. "Pelas próximas duas semanas você ainda é minha empregada. Se eu digo que vou levála para casa, eu fodidamente vou lhe levar pra casa e ponto final." Foi o passeio de carro mais silencioso e desconfortável na história dos passeios de carro. Depois de tomar banho e tirar o cheiro dele do meu corpo, subi na cama, abracei meu travesseiro como uma criança de cinco anos de idade, e em seguida, chorei tudo que podia. O sol estava começando a filtrar através de minhas cortinas quando, finalmente, adormeci.


Foi com os olhos encrostados de lágrimas que acordei apenas algumas horas mais tarde, ao som de Gloria Gaynor "I Will Survive." Eu tinha mudado meu ringtone antes de me deitar. "Hum, alô," eu disse em meu edredom depois de pegar o telefone da minha mesa de cabeceira. "Lexie?" Ao som da voz de vovô eu gemi e empurrei-me para cima em uma posição sentada. "Bom dia." "Você soa como o inferno." "Sem comentários." "Olha, eu estou ligando para pedir desculpas por ontem à noite. Eu gostaria que você tivesse me dito que iria para o aniversário de Dick e Cerise. Se eu soubesse, teria tido uma desculpa para não ir, então eu não teria que colocá-la naquela posição. Cristo," disse ele pesarosamente, "o olhar em seu rosto, querida, bem, isso me fez... Eu me senti como uma merda a noite toda." Senti uma pontada de remorso por meus pensamentos ressentidos quando ele me ignorou. Eu entendi a situação. Eu não poderia começar a fingir que não, sempre que me convinha. "Está tudo bem, vovô. Eu entendo. Eu mesmo me apresentei como Alexa Hall toda a noite para que as pessoas não fizessem perguntas." "Eu sei." Havia um sorriso em sua voz. "Você fez uma boa impressão. Você estava muito bonita. Eu só queria que essa família não estivesse cheio de rainhas do drama maliciosas. Se


elas fossem mais compreensivas, isso poderia ser aberto para todos.

De

qualquer

forma,

espero

que

você

não

tenha

desaparecido por causa de mim." Eu corei com a verdadeira razão. "Uh, não. Caine tinha uma coisa de trabalho." Meu avô ficou em silêncio por alguns segundos. "Você dormiu com ele, não foi?" "Como—" Eu levantei a minha boca do meu edredom. "Como diabos você sabe disso?" "Porque ele ignorou seu par durante toda a noite enquanto rondava ao redor da sala como um gato selvagem caçando minha neta. Eu pensei em um ponto que ele poderia realmente matar Henry Lexington." Um arrepio percorreu-me com o pensamento do ciúme de Caine. "Ele estava me olhando a noite toda?" "Do que você acha que todo mundo estava falando?" "Oh meu Deus," eu murmurei quando a realidade me bateu. Lembrei-me do estranho sorriso triunfante no rosto de Henry quando Caine interrompeu nossa dança. "Henry sabia. Ele pediu-me para ser o seu par na festa para irritar Caine." "Isso soa como um Lexington." A voz de vovô abaixou. "Então, isso foi parte do plano?" "Eu não estou certa de que estou à vontade para discutir isso com o meu avô." "Eu não tenho certeza se estou confortável com a minha neta namorando um conhecido mulherengo."


A dor da noite passada voltou. "Não se preocupe com isso. Nem mesmo qualifica-se como um encontro. Foi uma única vez." "Eu vou matá-lo," Vovô imediatamente rosnou pelo telefone. Havia

muita

chance

que

ele

pudesse

realmente

considerar algo estúpido assim. Eu coloquei minha voz severa. "Você não vai fazer nada. O erro foi meu. Eu estupidamente esqueci queem eu era para ele e achei que havia algo ali que não existia... Eu dei a ele meu aviso prévio de duas semanas." Vovô deu um suspiro. "Lexie, eu sinto muito." "Não sinta. Eu fiz isso comigo mesma." "Bem, você certifique-se que ele lhe dê uma boa recomendação." Eu sorri tristemente. "Eu vou." Eu olhei para o relógio. Era cedo ainda, o que significava muitas horas para matar. "Por enquanto, vou comprar algo para me fazer sentir melhor antes de começar a procurar um emprego." "Ok. Você me chame se precisar, querida." Por alguma razão isso me fez chorar. O pensamento do quão estúpida eu me senti depois de me abrir para Caine e ser rejeitada. Mas eu também me senti meio livre. Nas últimas semanas, eu tive essa nossa atração pairando sobre mim e subconscientemente eu sabia que eu estava fantasiando isso em minha cabeça em algo mais do que era.


Agora, porém, eu tinha minhas respostas e poderia seguir em frente. Ser honesta tinha sido assustador e doía, mas pelo menos eu não era uma covarde. Era hora de me manter vivendo dessa maneira. Prendi a respiração, soltei o ar, e, em seguida, disse algo que eu nunca disse a um homem desde que eu tinha 14 anos de idade e finalmente percebi a verdade sobre meu pai. "Eu lhe amo, vovô." Um silêncio chocado ecoou pela linha. E então veio sua quente, rouca resposta, "Eu também lhe amo, Lexie."


Capítulo 11 Eu sabia que as coisas não iriam retornar ao estado de normalidade pelas próximas duas semanas quando eu cheguei atrasada ao escritório na segunda-feira. Uma bagunça confusa, eu corri para o trabalho depois de ter desligado meu despertador e voltado dormir, e fiquei desapontada com a visão de Caine sentado atrás de sua mesa. A mesa em que tivemos sexo. Eu corei, lembrando de cada segundo em detalhes vívidos. Eu poderia dizer que Caine sabia exatamente o que eu estava pensando, e ele se mexeu desconfortável quando entregueilhe seu latte. O fato de que ele não chamou minha atenção por eu estar atrasada dizia tudo. Eu saí de seu escritório o mais rápido possível, e nós passamos as próximas horas evitando o contato um com o outro. Eu sabia que não conseguríamos escapar com isso durante toda as duas semanas de aviso, mas eu podia dizer que nós dois tentaríamos o nosso melhor. "Você está pensativa."


Girei minha cabeça deixando de ler o e-mail e olhei para o belo rosto de Henry em surpresa. "Henry? O que você está fazendo aqui?" Ele sorriu. "É segunda-feira. Hora do almoço. O de sempre." "Já é esta hora?" "Você realmente estava muito concentrada, hein?" Eu sorri fracamente. "Fazendo o meu melhor." Henry se sentou na ponta da minha mesa. "Eu também queria veruficá-la depois que Caine a tirou da festa na noite de sábado." "Eu estou bem." Ele franziu a testa. “Este, bem foi o que soou menos ‘bem’ que alguém já me disse.” Em vez de responder, liguei para Caine. "Sim?" Mesmo esse sim, foi perguntado calmamente, cautelosamente. Olhei furiosa para o telefone. Eu nunca pensei que eu veria o dia que eu desejaria o mau humor e a impaciencia de Caine. "Sr. Lexington está aqui para vê-lo." "Mande-o entrar." Felizmente, Henry parecia mais divertido do que chateado com a minha óbvia dispensa. Ele me lançou um olhar e entrou no escritório de Caine. A partir daquele momento eu não conseguia pensar em trabalho. Eu não conseguia pensar em nada, exceto sobre o que eles estavam falando. Caine iria dizer a Henry que eu


transei com ele? E como Henry iria reagir? Depois de deduzir que Henry ou estava brincando de casamenteiro ou apenas zoando com seu amigo pedindo-me para sair com ele, eu não achava que Henry seria também afetado pela notícia da minha escapada sexual com seu amigo. Ou Caine não disse nada, ou Henry não estava chateado, porque quando ele saiu do escritório com meu chefe, ele estava rindo de alguma coisa. O meu olhar mudou-se para Caine, que parou olhando para mim e fez uma careta. "Eu vou sair para o almoço. Se houver alguma coisa urgente, encaminhe-o para o meu celular." Por que ele estava me dizendo algo que eu já sabia? "Eu sei como fazer meu trabalho, senhor," eu disse, sorrindo com os dentes cerrados. "Eu disse que você não sabia?" Eu vi as sobrancelhas de Henry unirem-se enquanto ele observava a nossa interação. "Bem, quando você me instrui a fazer algo que já sei, você está insinuando que não sei fazer o meu trabalho." Eu dei de ombros, cruzando os braços sobre o peito. "Você vai ser tão sensível assim pelas próximas duas semanas? Porque eu gostaria de me preparar." "Oh, por que você não —" "Crianças, crianças." Henry entrou em cena entre nós. "O que está acontecendo aqui? Eu pensei que depois de sábado —”


"Você pensou o quê?" Caine e eu retrucamos em uníssono, e depois nos encaramos. Parecia que ambos suspeitávamos que Henry brincou com a gente. Henry

pelo

menos

teve

a

decência

de

parecer

envergonhado. "Nada," ele mentiu com um encolher de ombros. "Eu só estou me perguntando por que há toda essa hostilidade extra entre vocês." Caine me lançou um olhar de advertência, e eu soube imediatamente que Caine não havia dito uma palavra a Henry sobre o que tinha acontecido entre nós e ele não queria que eu mencionasse isso também. Ele se dirigiu a Henry. "Alexa pediu demissão esta manhã. Ela entregou seu aviso de duas semanas." "Por quê?" Henry pareceu genuinamente chocado com a notícia. Oh, ótimo. Então, eu era o cara mau. Eu pigarreei. "Vamos dizer que o ambiente de trabalho tornou-se insuportável.” "O quê? Não." Ele me deu um sorriso encantador como se fosse mudar a minha mente. "Tem que haver algo que possamos fazer." "Não." Eu me levantei e peguei minha bolsa. "Não tenho tempo. Eu vou sair para o almoço." "Não enquanto eu estiver fora para o almoço", Caine me lembrou. "Você pode ter o seu almoço em sua mesa. Como sempre." "Estou com vontade de comer agora. Fora daqui."


"Você vai comer em sua mesa quando for a sua pausa para o almoço." Apertei os olhos. "Eu acabei de decidir que este é meu horário de almoço e vou usá-lo lá fora." Ele deu um passo em minha direção, olhos afiados com aviso. "Se você começar a agir como uma criança, eu vou fazer das próximas duas semanas uma miséria absoluta para você." Suspirei e disse, infundindo o tédio em minha voz, "Isso é antes ou depois de você soprar e bufar e derrubar a minha casa?" E enquanto ele olhava para mim sem palavras, eu passei por ele e um Henry rindo. Caminhei direto para a saída com um balanço triunfante em meus quadris. Primeiro round para mim. Após refletir, enquanto estava sentada em um café sozinha e mosdicava um sanduíche que eu realmente não queria comer porque me sentia mal, eu decidi que eu estava agindo como uma criança. Ok, então Caine tinha me machucado e continuou a me machucar, agindo como se nada tivesse acontecido entre nós, mas eu era uma mulher adulta e sabia onde estava me metendo quando permiti que Caine Carraway tivesse seu mau caminho comigo. Nós dois éramos culpados por isso, e as próximas duas semanas passariam muito mais rápido se eu fingisse ser educada. Então essa era a minha intenção. Honestamente.


No entanto, quando Caine retornou do almoço, ele estava de mau humor. Eu iria prometer-lhe que seria gentil com ele a partir de agora, mas ele nem sequer me deu uma chance de falar antes de bater a porta de seu escritório. Meu humor despencou com o seu cerca de meia hora mais tarde quando o telefone tocou. “Carraway

Financial

Holdings,

escritório

do

Sr.

Carraway." "Aqui é Marina Lansbury para Caine." Sua voz rouca e impaciente me fez endurecer. "Passe a ligação." A queimação de ciúme irradiava para fora do meu peito, e minhas bochechas coraram. "Só um segundo," eu consegui dizer. Coloquei-a em espera e chamei Caine sem sequer uma pequena apreensão. "O quê?" Ele retrucou. Ok, então talvez eu não sentisse falta dp seu mau humor impaciente depois de tudo. "Eu tenho Marina Lansbury na linha para você." “Passe-a.” Meu pulso começou a acelerar. Passe-a? Por quê? Por que ele iria falar com ela durante o horário de trabalho? "Alexa?"


"Só um segundo," eu cuspi, e, em seguida, passei a ligação para ele. Pelos próximos minutos eu olhei para o telefone. Ele ia seriamente sair com aquela loba esnobe? Balancei minha cabeça, exasperada. "Não é da sua conta," sussurrei para mim mesma acaloradamente. "Alexa," a voz de Caine crepitava no viva-voz. "Venha ao meu escritório, por favor." Me preparando, eu levantei e caminhei calmamente para dentro. Ele estava sentado atrás de sua mesa, lendo algo em seu computador. Notando minha presença, ele simplesmente me deu um rápido olhar antes de voltar para a tela. "Você chamou?" "Eu preciso de você para reservar uma mesa para dois no Menton, as oito, amanhã à noite. Eu ouvi rumores de que eles podem estar completamente lotados, por isso, se você não conseguir no Menton, está aqui uma lista de alternativas aceitáveis". Ele empurrou um bloco de notas para mim. Aquela queimação voltou com uma vingança e fitei-o incredulamente. Ele queria que eu marcasse um encontro para ele? Ele estava de gozação comigo? "Alexa?"

Caine

finalmente

olhou

para

mim,

suas

sobrancelhas se curvaram em questionamente. Eu dei-lhe um lento sorriso doce enquanto colocava minhas mãos em sua mesa e me inclinava para que nossos rostos estivessem apenas alguns centímetros distantes. Seus olhos se estreitaram com minha proximidade, mas ele se manteve firme.


"Você sabe o quê, Sr. Carraway?" Eu disse com uma doçura falsa. "Você pode reservar a sua própria mesa." A raiva acendeu em seus olhos quando eu me afastei e girei sobre os calcanhares. Dane-se o que ele poderia pensar, por mais que tolerasse sua porcaria como uma funcionária aplicada, eu não era uma mulher que ele podia destratar. “A mesa é para mim e Jack Pendergast. Você sabe, o presidente da Atwater Venture Capital.” Oh. Eu parei. Oh, merda. Eu timidamente olhei por cima do meu ombro. "Oops?" Para minha surpresa Caine sorriu. "Mesmo eu, não seria tão bastardo a ponto de lhe pedir para marcar um encontro para mim, dois dias depois que nós..." Seus olhos foram para o topo da sua mesa. "Tivemos sexo nessa mesa?" Eu terminei solícita. O músculo na mandíbula de Caine flexionou quando ele assentiu. Eu suspirei, sentindo-me tola por exagerar. Ainda assim... qualquer um poderia ter cometido o mesmo erro. Não era como se Caine fosse conhecido por ser o Sr. Sensível ao meu redor. "Bem, eu suponho que é bom saber que eu não transei com um completo idiota." E com essa observação eu saí de seu escritório.


Ok. Talvez eu não estivesse farta de estar irritada com ele. Meu viva-voz estalou. "Alexa." Revirei os olhos. "O quê?" "Por que você não vai até a cafeteria e me pega um latte? Não volte até que você tenha se acalmado." Eu cerrei meus dentes e comecei a contar até dez. "Alexa?" "Você é extremamente condescendente." "E você é extremamente irritante. Agora vá." Suspirei, sentindo como se minha pele estivesse muito tensa, como se minhas emoções estavissem sendo esmagadas e sufocadas e, então, no seu desespero para respirar e ser ouvida, elas estavam fazendo-me agir como uma pessoa louca. Por alguma razão, eu me encontrei admitindo, "Eu normalmente não sou assim." "Eu sei," disse ele. "Vamos apenas tentar passar as próximas duas semanas. Ok?" E foi aí que eu percebi porque eu estava agindo como uma mulher desprezada. Não era apenas porque nós tivemos sexo e ele estava agindo como se não significasse nada. Era porque ele parecia completamente bem com o fato de que, dentro de duas semanas, nó nunca nos veríamos outra vez. "Sim," eu disse, tentando silenciar a tristeza em minhas palavras. "Eu posso fazer isso."


À noite, enquanto mudava meu ringtone para "Hit the Road Jack," de Ray Charles, me ocorreu que deixar Caine, significava perder Effie. Justo quando acabei de encontrá-la. Isso só intensificou minhas emoções, e apesar de meus esforços, eu mal dormi naquela noite. Enquanto eu estava deitada na cama nas primeiras horas da manhã, eu me recusei a ser aquela triste pessoa insone por causa de um homem. Se eu não conseguia dormir, então eu tiraria a minha bunda da cama. Depois de tomar banho, procurei em meu guarda-roupa pela roupa que gritava eu sou uma mulher poderosa. Decidi por minha saia lápis preta mais apertada, meu plataforma preto Prada de 10 centímetros, e uma blusa de seda cor de pêssego apertada sem mangas. Deixei alguns botões abertos, insinuando meu decote. Eu completei isso usando meu cabelo puxando para trás em um rabo de cavalo alto, que fazia meus olhos parecerem felinos e exóticos. Apliquei até mesmo um leve toque de maquiagem. Assenti

para

o

meu

reflexo.

Às

vezes

as

roupas

conservadoras podiam ser sexys. Eu queria Caine Carraway desequilibrado como eu estava. Ele admitiu que fantasiou em me foder em seu escritório, e sim, nós já tínhamos realizado essa pequena fantasia, mas não havia nenhum mal em tentar empurrar seus botões. Apenas no caso. Quando cheguei ao escritório, eu estava mais do que meia hora adiantada que o normal. Para minha surpresa, a porta do escritório de Caine estava destrancada. Eu só estava refletindo sobre isso e o que poderia ter feito Caine tão distraído para deixar


o seu escritório aberto, quando vageui dentro e de repente me detive. As luzes estavam acesas e haviam roupas espalhadas em seu sofá. Que barulho foi esse? Olhei para a porta do banheiro e meus olhos se arregalaram quando ela se abriu. Vapor corria quando Caine apareceu. Vestindo apenas uma toalha em torno de sua cintura. Puta merda. Caine congelou ao me ver. Nossos olhos se encontraram. Eu sabia que se deixasse cair meu olhar, eu veria pequenas gotas de água escorrendo em seu abdômen duro. Por que ele tinha que ser tão bonito? "Você chegou cedo," ele queixou-se. Ele se mexeu desconfortavelmente e uma onda de satisfação rolou sobre mim. Então, ele não estava completamente indiferente com o pensamento de estar praticamente nu em uma sala

sozinho

comigo.

Eu

decidi

atiçar

as

chamas.

Muito

deliberadamente eu deixei meus olhos vagarem sobre ele. Eu queria lambê-lo. Desejo passou por mim. Quando meus olhos se voltaram para os seus, eu fiquei satisfeita em encontrar neles um calor como resposta.


"Você chegou cedo também." Minha voz estava rouca dos meus pensamentos perversos. Ele pegou meu tom de voz e seus olhos caíram para minha boca. Sentindo-me

presunçosa,

eu

dei-lhe

as

costas

e

deliberadamente me inclinei sobre sua mesa para que eu pudesse colocar seu latte perto do seu computador. "Seu café," eu disse, sentindo o calor de seu olhar chamuscando minha bunda. Sem olhar para trás, eu me afastei da mesa e me dirigi para a porta. "Alexa," ele disse em advertência. Me virei, meus olhos girando com falsa inocência. Mas não consegui mantê-lo quando vi que ele estava excitado sob a toalha. Meu ventre vibrou em resposta, seguido por uma explosão de formigamento entre as minhas pernas. "Pare com isso," ele exigiu. "Eu não estou fazendo nada. Além do mais...” Eu sorri maliciosamente, o meu olhar caindo explicitamente para sua ereção. "Eu estou fora de seu sistema, certo?" Caine me lançou um olhar obsceno, mas não disse nada. O que ele poderia dizer? Tendo o atormentado com sucesso, eu sorri e o deixei sozinho em seu escritório. Assim que fechei a porta atrás de mim, eu afundei contra ela. Minhas pernas tremiam. Eu tinha que me recompor. Isso me levou um tempo, considerando que passei os próximos 30 minutos fantasiando um final diferente para a cena –


o que consistia principalmente com Caine me fodendo com força contra a porta de seu escritório. Eu querio que o aviso prévio de duas semanas acabasse. Agora. Talvez eu deveria ter saído. Mas então... ele saberia que tinha realmente me afetado, e tinha que sair dessa situação com pelo menos um pouco do meu orgulho intacto. "Alexa, venha ao meu escritório, por favor," a voz de Caine veio do viva-voz algumas horas mais tarde. Talvez ele fosse me pedir para sair. Dessa forma, eu poderia sair dessa sem parecer como se eu fosse a única que tinha desistido. Eu suspirei. Eu achava que era um pensamento ilusório, e assim que entrei em seu escritório eu sabia que eu estava certa. "Você quer que a gente faça o quê?" Eu resmunguei, incrédula. "Viagem de negócios," ele repetiu impacientemente. "Seattle. Esta quinta-feira. Eu normalmente não iria, mas eles pediram para falar comigo pessoalmente. E preciso de você comigo." "Você acha, que nós dois, indo juntos em uma viagem de negócios é sábio?" Caine respondeu com um olhar frio. "Eu não sou um adolescente, Alexa. O que quer que você pense que ganhou esta manhã, você está errada. Nenhuma mulher me tem nas mãos pelo


meu pau. Eu prometo que posso manter as mãos longe de você, se é isso que você está perguntando." Novamente, por que eu estava atraída por este idiota? Eu fiz uma careta. Ele não sabia, mas ele tinha acabado de tornar muito mais fácil para eu me afastar dele no final das duas semanas. "Você pode lidar com isso?" "Oh, confie em mim," eu disse, "estar em torno de você agora é como uma ducha fria constante." Seus lábios beliscaram com aborrecimento. "Já lhe enviei por e-mail os detalhes. Eu preciso que você organize os vôos e acomodações." "Combinado." Saí andando calmamente e igualmente calma, eu me acomodei de volta no meu lugar. Foi quando a calma me deixou. Seattle? Com Caine? Em um hotel? Ou eu iria matá-lo ou fodê-lo novamente. "Foda-se." "Alexa, o alto-falante está ligado," a voz divertida de Caine soou na minha mesa. Oh, merda. Um de nós, definitivamente não voltaria de Seattle em uma única peça.


Capítulo 12 Caine pegou leve comigo nos próximos dias. Ele não me fez ficar por aí fazendo porcarias de serviços pessoais. Era a sua maneira de estender a mão em uma trégua e ofereci-lhe a minha mão em retorno, contendo minhas respostas espertinhas aos seus pedidos. Isso não significava que não estava lutando contra um caleidoscópio de borboletas que voavam na minha barriga na quinta-feira de manhã. Eu mal dormi e fiquei tropeçando em meu apartamento tentando me certificar de que tinha tudo que precisava na minha bolsa para uma noite. Eu estava apenas tomando em grandes goles uma caneca de café, quando vi um carro preto na rua parar do lado de fora do meu prédio. Minha caneca bateu no balcão enquanto eu observava o motorista abrir a porta de trás para o passageiro. Caine saiu e olhou para o prédio com um semblante pensativo. Olhei para ele avidamente. Ele tinha a barba sem fazer de poucos dias, e isso parecia bom nele. Assim como parecia o terno de quatro mil dólares de Savile Row que ele havia encomendado junto com uma série de outros, enquanto estava em Londres. Era um ajuste fino. Era elegante. Era pura classe. E o homem que usava parecia pura


classe também. Às vezes, quando ele não estava sendo um idiota, ele ainda era pura classe. Eu tirei meu olhar dele, quando ele começou a fazer o seu caminho até a varanda da frente. Minha mala estava no sofá arreganhada. Artigos de higiene pessoal. Eu precisava de meus artigos de higiene pessoal. A minha campainha tocou e, por um momento confuso fiquei ali pensando como na terra Caine tinha entrado no edifício. Corri para a porta e a abri com a pergunta no meu rosto. "Seu

vizinho

me

deixou

entrar,"

ele

explicou

imediatamente. Eu fiz uma careta com a falta de pensamento em segurança do meu vizinho. "Você poderia ser um assassino em série." Ele deu de ombros e um passo para frente, obrigando-me a afastar e deixá-lo entrar. "Eu acho que não pareço como um." "Foi a Evelyn quem deixou você entrar, certo?" Ela era uma mulher solteira trabalhadora como eu, exceto que era louca por homens e tinha todo o fim de semana um homem diferente esgueirando-se em seu apartamento. "Jovem, e loira?" Eu balancei a cabeça em consternação. "Ela vai me assassinar em meu sono um dia desses." Caine apenas balançou a cabeça distraidamente e caminhou para o centro da sala de estar. Ele olhou ao redor, analisando absolutamente tudo.


"Eu vou, fazer uh... espere apenas um momento." Eu desapareci no banheiro, pegando minha bolsa de produtos de higiene pessoal e meu carregador de telefone celular do lado da minha cama. Quando voltei para a sala de estar, Caine estava em pé na frente de uma das minhas janelas. Enfiei minhas coisas na minha mala e fechei-a. Enquanto fazia isso, Caine virou e seus olhos viajaram do teto até abaixo e, em seguida, para a cozinha. Confusa por sua curiosidade, eu disse, "O que foi?" Ele olhou para mim. "Este é o lugar onde você vive." Eu não podia entender o seu tom ou o que ele queria dizer com a declaração, então eu apenas suspirei e peguei minha mala. "Eu estou pronta para ir." Caine se dirigiu para mim e estendeu a mão para a mala. "O que você está fazendo?" Eu puxei-a de volta. "Eu posso levar a minha própria mala.” "Você tem que, pelo menos, permitir a minha pretensão de ser um cavalheiro." Colocou sua grande mão em volta da alça da mala e gentilmente a puxou tirando do meu controle. Seguindo-o para fora, eu resmunguei, "Eu espero que você não vá fingir cavalheirismo toda a viagem." "E por que não?" "Bem, eu já construi uma resistência para a sua falta de cavalheirismo. Meu sistema imunológico não consegue lidar com a sua polidez. Eu poderia entrar em choque e morrer." Não era inteiramente verdade. Em público, ele era um cavalheiro em cada


centímetro. Em particular, não tanto. Fechei meu apartamento e encontrei Caine sorrindo atrás de mim. Parei surpresa com o humor em seus olhos. “Falta de cavalheirismo?" Ele brincou. "Desafio você a dizer isso cinco vezes rápido." Eu olhei para ele com cautela. "Falo sério. Pare com isso." Sua resposta foi dar de ombros e me levar para o carro em silêncio. E parecia que ele estava determinado a conceder o meu pedido. O passeio de carro até o aeroporto estava estranho e silencioso e eu realmente só queria ser capaz de colocar mais do que uns metros de espaço entre nós. Quando chegamos ao aeroporto, eu disse a Caine, "Eu vou encontrá-lo do outro lado." Suas sobrancelhas se juntaram. "O que você está falando?" Entreguei-lhe o cartão de embarque que tinha imprimido. "Você está voando de primeira classe. Isso significa que você passa pela segurança da primeira classe e espera na sala da primeira classe." "E onde você está?" Ele perguntou, pegando meu cartão de embarque da minha mão. "Econômica? Você está brincando?" Ele bufou com impaciência, e pegou minha mala. Antes que pudesse dizer uma palavra, ele se afastou. "O que você está fazendo?" Corri para alcançá-lo em meus saltos me sentido estúpida enquanto ele marchava para a pista rápida do check in e direto para a atendente.


"Precisamos atualizar o bilhete da minha funcionária para a primeira classe. Isso é possível?” Ele deslizou meu cartão de embarque através da mesa para ela. "O que você está fazendo?" Eu repeti. "Eu não preciso de um assento de primeira classe. Eu nunca me sentei na primeira classe com Benito." "Isso é porque o seu ex-patrão é um bastardo pão duro. Meus funcionários não se sentam em assentos baratos." Ele me lançou um olhar que disse, Agora, cale a boca. Uma vez que o meu bilhete foi atualizado, Caine me conduziu sucintamente em direção a sala da primeira classe. Ele largou nossas malas no bar. "Eu preciso de uma bebida. Você quer uma bebida?" Eu definitivamente precisava de uma bebida. "Uma mimosa, por favor." Escorreguei em um banquinho ao lado dele e esperamos em um silêncio desconfortável enquanto o barman preparava a minha bebida e pegava um chope para Caine. Uma cerveja. Isso não era o que eu estava esperando em tudo. Por algum motivo louco o fato de que Caine estava bebendo uma cerveja, fantasiado em seu terno na sala da primeira classe, me fez sorrir. Sentindo o meu olhar, ele olhou para mim. "O quê?" Olhei para longe e levantei meu copo aos lábios. "Nada," eu murmurei.


"Lexie?" Eu saltei surpresa ao ouvir meu nome sendo chamado detrás de mim e girei em meu banco. Meus olhos se moveram para o corpo alto, ajustado e elegantemente vestido a alguns metros de mim, até que pararam no belo rosto familiar de Antoine Faucheux. "Oh meu Deus, Antoine." Eu saí do banco para abraçá-lo e senti seus braços fortes envolverem-se em torno de mim. Ele me deu um aperto e me beijou uma vez nas duas faces. Seus olhos castanhos escuros brilhavam alegremente sobre os meus. Antoine era o modelo masculino do Le Bon Marche, em Paris. Nós tínhamos nos conhecido há quatro anos por causa do meu trabalho com Benito. Nos encontramos principalmente enquanto estava em Paris com Benito, mas a última vez que o vi, ele estava em Nova York, quando veio para a semana de moda. Ele até me fez uma proposta a primeira vez que saímos, mas eu estava em um relacionamento no momento, e na próxima vez que nos encontramos, ele estava em um relacionamento, e assim por diante.

Foi

uma

pena.

Definitivamente,

uma

oportunidade

perdida. Ele lançou um olhar por cima do meu ombro e fiquei tensa, lembrando-me que tínhamos uma audiência. Voltei a olhar para Caine, cuja aparência dura não induzia exatamente uma pessoa ser amigável, mas minha mãe me criou para ser bem educada, então... "Antoine, este é meu chefe, Caine Carraway. Sr. Carraway, este é um amigo meu, Antoine Faucheux." Antoine estendeu a mão com um sorriso educado. "É um prazer conhecê-lo," disse ele com seu sotaque lindo.


Caine olhou para sua mão, e, por um momento me preocupei que ele não iria corresponder ao cumprimento. Eu dei um suspiro de alívio quando ele o fez. Antoine imediatamente focou em mim. "É tão bom ver você. Estou aqui visitando um amigo e me encontrei com Benito. Fiquei chocado quando ele me disse que demitiu você. Que idiota." Ele inclinou a cabeça e me deu seu olhar sexy de pálpebras baixa que eu gostava tanto. "Eu nunca vi ninguém antecipar as necessidades de alguém do jeito que você fazia com Benito. Você sabe, ele está tendo um tempo terrível sem você." Eu sorri, sentindo-me orgulhosa. "Bom." Antoine riu e, em seguida, disparou outro olhar atrás de mim para Caine. "Parece que você está indo bem." Era o que parecia mesmo, e eu não tinha a intenção de contar a verdade para Antoine. Em vez disso, dei-lhe um sorriso evasivo e encolhi os ombros. "Bem" – ele fez um pequeno beicinho e teria parecido ridículo em qualquer homem, mas não nele – "Eu tenho que pegar meu vôo para Paris. Foi uma viagem curta desta vez, mas na próxima vez que eu estiver em Boston, ou até mesmo em New York, nós devemos nos ver." Ele baixou sua voz e me deu um olhar compreensivo. "Noelle e eu terminamos e ouvi dizer que você não está vendo ninguém, não é?" Oh, merda. Um calor subiu por trás de mim e eu sabia que Caine tinha ouvido e interpretado o comentário de Antoine. Não era como se isso fosse difícil de entender.


Eu nunca pensei que fosse querer fugir desse sanduíche de meninos quentes, onde eu parecia ser o recheio, mas se o chão se abrisse na minha frente, eu teria mergulhado direto no buraco para escapar do completamente terrível constrangimento. "Verdade," eu murmurei. "E, claro, se você alguma vez estiver em Paris..." Ele se inclinou e me beijou no rosto novamente, desta vez mais lentamente. Sua mão repousava em minha cintura. "O novo emprego lhe fez bem. Você está linda.” E se tivéssemos tido este encontro há algumas semanas, eu seria uma massa em suas mãos francesas sexys como o pecado. Infelizmente a minha mente estava confusa o suficiente pelo empresário mal humorado, cujo olhar estava queimando buracos no meu crânio. "Obrigada," eu respondi. "Eu espero vê-lo em breve." Antoine sorriu e depois deu a Caine um aceno de reconhecimento antes de sair. Eu me dei um tempo antes de voltar para o banco ao lado de Caine e sua expressão agourenta. Prendi a respiração e esperei. Bem quando eu estava começando a pensar que ele não ia comentar e eu podia relaxar, ele terminou sua cerveja e fez uma carranca para mim. "Eu presumo que você percebeu que ele quer transar com você."


Eu enruguei meu nariz em desgosto a sua grosseria. "Você realmente levou a minha palavra a sério para não fingir ser um cavalheiro, hein?" Ele me ignorou. "A questão é, você quer transar com ele?" Ah não. Ele não podia ficar com raiva ou ciúmes. E, sim, ok, talvez eu sentisse um pouco de emoção sobre mim com a ideia de que ele estava com ciúmes de Antoine, mas, ao mesmo tempo era injusto e confuso! Caine já havia deixado claro que o que ele teve de mim na noite de sábado era tudo o que ele estava disposto a ter. Ele não ia mexer com a minha cabeça agora. Minha resposta a ele foi deslizar para fora do banco com a minha bebida. Eu passei casualmente para o outro lado da sala, tanto quanto eu poderia me afastar dele, e estabeleci-me em uma cadeira com a minha mimosa e uma revista. Eu estava feliz que tivemos um corredor entre nós na primeira classe, porque eu estava mais propensa a socar Caine do que falar com ele. Seis horas depois, quando o avião pousou em Seattle, eu estava muito mais calma e realmente consegui ser civilizada com ele, quando nós fizemos o nosso caminho para fora do aeroporto para encontrar o nosso motorista esperando por nós. Nós fucaríamos no Fremont Olympic e eu tentei não ficar boquiaberta quando o hotel apareceu. Eu tinha ficado em hotéis agradáveis antes, mas Benito preferia hotéis extremamente modernos. O Fairmont era antiquadamente bonito com seu teto alto e grande escadaria dupla no final do salão da recepção. Com poltronas confortáveis e sofás tradicionais caros espalhados pelo hall, e um lustre de cristal gigante pendurado no teto, lançando luz sobre toda a madeira castanha reluzente.


"Check-in em nome de Carraway," disse Caine enquanto cumprimentava à jovem atrás da mesa. Ela sorriu e começou a digitar no computador dela. "Sr. Caine Carraway e Sra. Alexa Holland. Nós reservamos para você uma suíte executiva de luxo, e um quarto padrão do Fairmont para Sra. Holland. Caine exalou cansadamente e me lançou um olhar descontente. "De novo?" Eu sabia o que ele queria dizer, sem ter que perguntar. "Eu sou a sua AP. Estou perfeitamente feliz com um quarto padrão." Ele me ignorou. "Você pode atualizar o quarto do Fairmont para uma suíte?" A menina fez uma verificação rápida e deu a Caine um sorriso murcho apologético. "Nós só temos um quarto de luxo disponível." "Isso vai servir." Depois que nós fizemos o check in e estávamos andando em direção ao elevador, eu disse: "Você realmente não tinha que fazer isso." "Eu

não

estou

me

repetindo,"

ele

murmurou

impacientemente. "Certo, as aparências," eu murmurei de volta. Caine me acompanhou até meu quarto, mesmo que o seu fosse alguns andares acima do meu. Uma vez dentro do meu perfeitamente adorável quarto de luxo, eu me virei para encará-lo. Ele abaixou a minha mala no chão perto do gabinete da televisão.


"O jantar com Farrah Rochdale e Lewis Sheen é no restaurante do hotel," eu o lembrei. "Às sete horas." Ele me deu um aceno apertado e começou a recuar para fora da sala. "Eu virei buscá-la às seis e cinqüenta." Poucos segundos depois, ele foi embora e eu podia respirar corretamente de novo. Afundei na cama bonita e arranquei meus sapatos. Enquanto olhava para a porta, um sentimento de melancolia começou a me derrubar. Eu lutei para mantê-lo na baía. Eu só tinha que passar pelo jantar esta noite e, então, amanhã estaríamos no avião de volta para Boston. Era mais seguro de alguma forma, em Boston. Eu poderia me segurar. Aqui, em lugares próximos a ele, eu era constantemente lembrada da possibilidade entre nós, e a teimosiaa de Caine se recusava a ver o que poderia ter sido. Pontualmente às seis cinqüenta, eu abri a porta do meu quarto para Caine e tive que olhar rapidamente para meus pés para esconder a minha reação à sua aparência. Ele estava barbeado e tão quente quanto estava com a barba por fazer, vestido com um terno cinza claro sob-medida de três peças. "Pronta?" Eu balancei a cabeça fechando a porta atrás de mim, e o segui quando ele começou a caminhar pelo corredor. Ele não fez nenhum comentário sobre a minha aparência e tentei não deixar que isso doesse. É claro que não adiantou. Eu tinha me vestido cuidadosamente em um vestido preto simples, mas sexy. Ele tinha uma gola alta, sem mangas, e


vinha a alguns centímetros acima do meu joelho. Ele também abraçava meu corpo como uma segunda pele. Eu tinha calçado meus Louboutins, que obtive gratuitamente em uma see são de fotos para uma revista há alguns anos atrás. Pela primeira vez, deixei meu cabelo solto e ondulado. Este não era o estilo preferido de Caine, mas eu estava me sentindo rebelde. No restaurante, fomos levados para uma mesa onde uma mulher de trinta e pouco anos e seu colega de quarenta e poucos anos estavam. Farrah Rochdale era a CEO da Rochdale Financial Management, e Lewis Sheen era o seu CFO. A empresa havia iniciado duas gerações antes, mas quando finalmente chegou nas mãos de Farrah, ela estava lutando para atrair novos clientes, apesar de ter ajudado algumas das empresas para um mais rápido crescimento no país no passado. A empresa de Caine apareceu para salvar a empresa que eles acreditavam que poderia ir bem novamente. Eles trouxeram Rochdale sob sua aba e injetaram dinheiro e influência no negócio. Agora estava prosperando como um dos principais grupos de gestão financeira da Costa Oeste, como parte de Carraway Holdings. No entanto, Farrah tinha solicitado uma reunião cara a cara com Caine para discutir algo de importância que afetaria a empresa. Eu não sabia o que esperar da reunião ou o que estava acontecendo. Eu só sabia que não tinha esperado Farrah Rochdale ser tão jovem ou atraente. Ela e Lewis levantaram-se com a nossa aproximação e notei o quão alta ela era. Seu cabelo ruivo foi torcido em um nó elegante e ela estava vestida com um vestido lilás envolvente lindo que exibia sua figura fenomenal.


Farrah adiantou-se para receber um beijo familiar na bochecha de Caine, antes dele oferecer sua mão para seu CFO. "Esta é a minha AP, Alexa," ele me apresentou, e eu apertei a mão de Farrah primeiro, sentindo a queimação de sua curiosidade sobre o meu rosto. Com muito alívio eu soltei sua mão e me virei para Lewis. Ele sorriu e pegou a minha mão, mas em vez de sacudi-la, ele trouxe aos lábios em um antigo gesto que achei encantador. "Vamos nos sentar?" Caine puxou minha cadeira e Lewis gentilmente soltou minha mão. Não fiquei surpresa com o gesto cavalheiresco de Caine. Nós estávamos em público e uma das muitas coisas que Caine fazia por pura classe era sempre puxar minha cadeira em reuniões de negócios. Além disso, ele esperou até que estivesse sentada antes dele se sentar, e se eu me levantasse para sair por qualquer motivo ele sempre se levantava também. Lewis seguiu o exemplo com cadeira de sua CEO, e uma vez que Farrah e eu estávamos sentadas, os homens se estabeleceram ao nosso lado. Sentei-me em frente a Farrah e tive Caine à minha esquerda e Lewis à minha direita, e eu podia sentir o olhar de Farrah em mim enquanto eu olhava para o meu menu. Foi só depois que tínhamos ordenados os pedidos que Caine relaxou em sua cadeira e perguntou a Farrah, "Então, qual é o problema?" Ela soltou um suspiro pesado. "Eu quero me demitir." Caine franziu a testa. "Por que diabos você quer isso?"


"Caine." Farrah sentou para frente, seu tom sugerindo familiaridade entre eles, "Você sabe que eu nunca quis assumir a companhia de minha família." Eu encontrei-me examinando a resposta de Caine para ela e senti uma queimação desconfortável no peito em sua própria familiaridade com ela. "E ainda assim você lutou tanto por isso?" Havia definitivamente algo lá entre eles. Eu não poderia colocar me meter nisso, mas eu simplesmente sabia. Estava na forma como eles se entreolhavam. Em seus tons suaves. Ela sorriu. "Eu não queria a empresa, mas também não queria que o legado de meu avô morresse. Meu próprio pai trabalhou até quase morrer precocemente pela empresa. Eu não podia simplesmente deixar tudo ir para o nada. Mas agora é hora de eu seguir em frente." Caine ficou em silêncio sobre esta declaração. As entradas chegaram antes que ele pudesse dizer qualquer coisa e nós tínhamos apenas começado a comer quando ele parou. "Você percebe que o meu conselho de administração terá fortes opiniões sobre quem será seu sucessor?" Farrah recompensou-o com um sorriso íntimo e engoli seco um pedaço de ciúme na minha garganta. Sim. Eles definitivamente tinham estado juntos. "Sim, é por isso que eu lhe trouxe aqui. A empresa é chamada Carraway Financial Holdings. Você tem uma forte influência, e eu sei que você vai tomar a minha recomendação com carinho."


Caine não entregava nada. Ele lançou um olhar para Lewis Sheen. "Você quer que Lewis assuma." Farrah sorriu para seu CFO. "Ele conhece a empresa melhor do que ninguém. Ele sabe onde estávamos e para onde estamos indo." "E eu me importo com o que acontece com a empresa," acrescentou Lewis. "O que é um bem raro em um empregado da empresa moderna." Caine olhou para ele alguns momentos. "Eu concordo." Farrah e Lewis pareceram desinflar com alívio. "Obrigado, Caine." "Não me agradeça ainda. Eu não posso fazer muito." Ela sorriu agradecida para ele. "Eu sei exatamente o que você é capaz." Eu tentei agir normalmente depois disso, mas era difícil. Minha pele parecia que estava pegando fogo e eu só queria estar em qualquer outro lugar, exceto sentada naquela mesa com Caine e sua ex-amante. Eles discutiram a eventual tomada de posisção de Lewis por um tempo até que a conversa se voltou para o que Farrah pretendia fazer, e, enquanto ela disse a Caine sobre a oferta de emprego que tinha recebido no departamento financeiro de uma grande linha de moda em Nova York, Lewis tentou envolver-me em uma conversa. Eu tentei o meu melhor para me concentrar, mas era difícil quando eu queria a estar tão longe da mesa quanto possível.


Depois que nós tínhamos acabado de comer, e Caine, Farrah, e eu tinhamos encomendado cafés, Lewis se levantou. "Peço desculpas, mas prometi a minha esposa que chegaria em casa hoje à noite não tão tarde." Ele sorriu para mim. "Foi um prazer conhecê-la, Alexa." Ele estendeu a mão para Caine. "Como sempre, um prazer, Sr. Carraway. Muito obrigado por ter tempo para se encontrar conosco, e para apreciar o que posso trazer para a empresa." Ele acenou para Farrah. "Nós nos falaremos em breve." Dissemos-lhe adeus e eu afundei ainda mais na minha cadeira, desejando que eu tivesse uma desculpa para sair também. Eu não quero ser a empata foda nesta situação. No entanto, Farrah parecia ter esquecido a minha existência. Não acho que foi deliberado. Acho que ela estava apenas a vontade com Caine. Ela monopolizou a conversa, transformando-a em pessoal quando trouxe à tona uma série de jantares que eles foram juntos. Embora Caine como de costume fosse difícil de ler, ele parecia ligeiramente mais relaxado ao redor dela e eu quase a odiava por isso. A única coisa que me fez observá-la acariciar seu braço e rir sobre os bons e velhos tempos juntos foi o fato de que ela não fez Caine rir, e ele raramente sorriu. Isso teria me matado se ela conseguisse essa façanha. O flerte, porém, foi o suficiente para fazer alguns danos sérios. A verdade era que eu nem sabia por que estava lá em primeiro lugar. Caine não precisava de mim aqui para isso e ele certamente não precisava de mim lá para testemunhá-lo flertar com uma mulher que era, obviamente, uma antiga amante.


Eu não queria vê-los reacender alguma coisa. Meu estômago estava enjoado. Eu queria uma bebida forte, bem longe deles. Eu me levantei bruscamente e um Caine desnorteado ficou de pé também. "Vocês vão me desculpar, mas acho que vou encerrar a noite." Ele franziu a testa, mas acenou com a cabeça. Eu acenei para Farrah. "Foi um prazer conhecê-la." Mentira! Ela concedeu-me um sorriso vago. "Você também." Sem poupar a Caine outro olhar, eu saí do restaurante e me dirigi através do hotel para o bar. Encontrei um banquinho vazio no bare me sentei. O jovem bartender sorriu para mim. "O que posso trazer, madame?" Ugh, quando me tornei uma "madame"? Só mais uma coisa que a bebida iria me ajudar a esquecer. "Glenlivet11 puro." O barman nem sequer piscou em minha ordem e ele estava de volta alguns segundos depois com a bebida. Eu tomei um gole, deixando o calor do scotch descer na minha garganta e espalhar-se em meu peito. Imediatamente me senti um pouco mais relaxada. Por um tempo me sentei lá, cuidando do meu scotch e brincando com meu celular. Rachel tinha me enviado uma foto de

11

Marca de wiskey


Maisy sentada nas costas de seu marido Jeff. Jeff estava de bruços no chão, e suas mãos foram amarradas atrás das costas. Sua filha me preocupa, eu mandei uma mensagem em troca. Poucos segundos depois meu celular tocou. Eu sei, certo? É hilário. Eu fiz uma careta e empurrei meu telefone na minha bolsa. Para Rachel, Maisy era hilariante. Para o resto de nós ela era uma criança demônio. "Posso pagar-lhe outro?" Surpresa com a proximidade da voz, senti meu corpo dar um pequeno salto. Um jovem rapaz de terno estava deslizando para o banco ao meu lado. Olhei-o, me sentindo um pouco tonta. Ele era atraente e havia um lampejo de bom humor em seus olhos que eu gostava. Que diabos? "Você pode." Ele sorriu. "O que vai querer?" Eu disse a ele, e seu sorriso se alargou. "Scotch?" Eu sorri com tristeza. "Estou afogando minhas mágoas." O cara acenou para o barman e pediu dois uísques. Quando voltou a sua atenção para mim, ele disse, "Por que é que uma coisa bonita como você está se afogando em suas mágoas?" Eu fiz uma careta. Ele riu. "O quê?"


"Coisa bonita? Sério?" "Eu apenas digo como eu a vejo." Ele estendeu a mão. "Eu sou Barry." Peguei a mão dele. "Alexa." "Então, Alexa, eu vou perguntar de novo... por que você está afogando suas mágoas?" Envolvendo a minha mão em torno do copo de uísque que o barman colocou na minha frente, inclinei minha cabeça em um gesto tímido. "Adivinha." "Humm... problemas com a carreira?" Eu bati meus dedos e apontei para ele. "Bingo." Barry sorriu e se inclinou mais perto. "Bem, por que não vemos

quanto

tempo

levo

para

fazer

você

esquecer

seus

problemas?" "Claro!? Eu não tenho nada a perder. Dê o seu melhor, Barry." E ele fez. Nós conversamos sobre música e filmes, e argumentei com fervor em favor dos Red Sox, enquanto ele argumentava sobre os Mariners, e fizemos isso com um jeito sugestivo de flerte que acalmou as feridas da minha vaidade feminina. Não discutimos nada grave e por um tempo foi maravilhoso conversar, relaxar e ser admirada. Eu não sabia por quanto tempo estávamos sentados lá, mas meu segundo scotch estava quase acabando e eu estava


pensando que era hora de outro, quando Barry de repente deslizou sua mão ao longo da minha coxa. "Por que não levamos isso para o seu quarto?" Olhando para sua mão na minha perna, eu tinha que admitir que houve uma parte de mim que realmente pensou sobre isso. Eu queria esquecer o que sentia ao ter Caine em volta de mim, e com certeza o velho ditado era verdade – a melhor maneira de esquecer alguém era ficar com outro alguém. Com o scotch quente no meu sangue, isso de repente soou como um conselho muito bom. "Ou melhor ainda, por que você não tira a sua mão antes que eu a quebre?" A respiração saiu do meu corpo com a voz ameaçadora. Eu olhei para Caine, que se elevava sobre nós, seu olhar escuro queimando Barry. Barry corou e começou num tropeço a sair de seu banco. "Desculpe," ele murmurou. Ele saiu correndo antes que eu pudesse fazer algo para detê-lo. Não que eu quisesse agora – não havia nada menos atraente do que um gato medroso. Embora... vendo o olhar no rosto de Caine, eu podia imaginar que muitos homens iriam achalo intimidante. "O que é que foi isso?" Os músculos estavam trabalhando horas extras em sua mandíbula cerrada. Demorou alguns segundos para ele conseguir pronunciar as palavras, "Isso foi eu impedindo você de cometer um erro por embriaguez. Um erro que você vai se arrepender de manhã." Sua mão quente enrolou no meu cotovelo e ele


gentilmente me guiou para fora do banco. "Vamos eu vou levá-la para o seu quarto." Eu puxei meu braço do seu domínio, enfurecida por sua prepotência. "O quê? Você acabou de me ignorar enquanto flertava com Farrah Rochdale, e agora você vem estragar a minha diversão? A feição de Caine endureceu, mas ele não respondeu. Em vez disso, ele agarrou meu cotovelo novamente e começou a dar passos largos através do bar. Não havia nada que eu pudesse fazer. Se eu tentasse detê-lo, ia acabar fazendo uma cena, e apesar do que ele pensava, eu estava atordoada, não bêbada. Ele me forçou para dentro do elevador. "Eu não estava ignorando-a. Você estava me ignorando." O elevador começou a subir. "Ah, sim, claro. Que estúpido da minha parte. Eu era a única culpada quando você estava flertando com outra mulher bem na minha frente alguns dias depois que tivemos sexo." "Não que isso seja da sua conta, mas Farrah e eu somos apenas velhos amigos. Eu nunca misturo negócios com prazer." Eu atirei-lhe um olhar. "Eu sei por experiência própria que não é verdade." A cor apareceu no alto de suas maçãs do rosto. "Geral–" A parada abrupta do elevador e a abertura das portas o cortaram. Corri para fora, esperando que ele não me seguisse.


Não tive essa sorte. Caine me alcançou e agarrou meu braço novamente. "Eu sou perfeitamente capaz de chegar ao meu quarto." Em vez de me ouvir, ele tirou a minha bolsa da minha mão e pegou dentro dela a chave do quarto. "Eu não estou bêbada," eu insisti. "Então isso foi uma decis��o sóbria de flertar com aquele idiota?" Ele perguntou, sua voz firme, quando paramos na minha porta. Eu bufei e esperei por ele para abrir. Para meu espanto, ele entrou em primeiro, segurando a porta aberta para mim. "Você pode sair." Eu olhei para ele e caminhei para dentro. Abaixei-me para puxar os meus sapatos, girando e quase caindo quando ouvi a porta atrás de mim. Caine estava me observando. "Pode sair," eu repeti. Ele só olhou para mim desse jeito intensa e esmagador dele. "O quê?" Eu cuspi. "O que é agora?" "Me desculpe se eu lhe magooei esta noite," disse ele, e por alguma razão seu pedido de desculpas só acendeu as chamas da minha raiva. "Você não merece isso." Se foi o álcool ou um acúmulo de tensão das últimas semanas

por

ignorar

nossa

química,

meu

auto-controle


escorregou. A mágoa e fúria explodiram fora de mim. "Você sabe o que? Você está certo. Eu mereço mais. Eu merecia mais toda a minha vida, mas eu nunca consegui. Nem minha mãe." Eu deixei toda minha dor sair para ele e ele ficou parado ali, congelado por minhas palavras. "Mas minha mãe se recusou a pedir mais. Eu não vou cometer o mesmo erro. A partir do momento em que meu pai me disse o que ele fez à sua mãe, à sua família, eu o cortei da minha vida." Eu assisti como esta informação fez os olhos de brilharem, presos no meu rosto. "Eu costumava pensar que ele era uma espécie de herói," eu sussurrei. "Algum tipo de príncipe de conto de fadas que vinha no meu aniversário e me regava com presentes e fazia a minha mãe realmente feliz. Então, de repente ele estava lá o tempo todo. Eu pensei que ele tinha finalmente vindo para nos salvar. E eu não parei de pensar nele assim até ser uma adolescente, até que estava velha o suficiente para ver o quão mimado e preguiçoso ele era. Como ele fazia minha mãe chorar mais do que ele a fazia rir. Mas eu fingia." Eu dei um riso amargo enquanto me lembrava do jeito que enfiava a cabeça na areia. "Eu continuei fingindo até sete anos atrás, quando ele confessou seus pecados. Eu o odiei pelo o que ele fez com sua mãe. Eu o odiei por mentir para mim todos esses anos, por ter uma família que eu não sabia nada sobre, por ter vindo para nós porque éramos tudo que lhe tinha sobrado, seu único recurso. Eu saí de casa. Mas eu não podia deixar isso ir até que soubesse de tudo. Então eu voltei e perguntei ao meu pai o nome da sua mãe, o seu nome, mas ele não quis me dizer. Eu decidi que não tinha necessidade de saber o seu nome. Eu só precisava que meu pai se desculpasse com você, para provar que ele realmente estava arrependido e que tudo o que ele estava passando não era apenas


sobre ele, mas sobre as pessoas que ele machucou. Mas ele se recusou. Então eu lhe disse que não queria ter nada a ver com ele nunca mais, e eu nunca mais voltei. Eu perdi minha mãe por causa dele. Ela se recusou a afastar-se dele e me culpava por essa rachadura. Agora eu não posso consertar a relação que eu ajudei a quebrar, porque ela está morta, ela se foi... E tudo o que me sobrou neste mundo é um avô que está muito envergonhado para me reconhecer e um chefe que se diverte me tratando como merda." Minha voz endureceu. "Bem, não mais. Eu já estou feita com este jogo. Porque eu não sou o meu pai e eu nunca iria ferir as pessoas do jeito que ele fez. Eu queria que você visse isso. Eu queria que você me visse. Para ver... para ver que eu compreendia. Eu nunca mereci o seu desprezo. E eu não vou aturar mais isso." Fiz um gesto para porta, cansada de tudo. "Basta sair, Caine." “Lexie...” Eu estava zangada demais para ver a mudança em sua expressão, para ouvir a suavidade quando ele disse meu nome. "Caine, saia." "Lexie, eu nunca soube de nada disso." "Porque você nunca se preocupou em perguntar!" Eu gritei. "E agora não importa. Quando voltarmos para Boston, eu estou feita. Foda-se as duas semanas. Isso acabou." Eu me virei, afastando-me dele, indo em direção ao banheiro, esperando que quando eu saísse de lá ele tivesse ido embora. Mas eu não nem tive a chance. Ouvi passos rápidos atrás de mim segundos antes de ser puxada e esmagada contra ele.


Ele

sussurrou

meu

nome

antes

que

mergulhasse e seus lรกbios abaterem sobre os meus.

sua

cabeรงa


Capítulo 13 Eu o beijei de volta. A verdade era que, mesmo quando ele me irritava eu o queria. E isso me deixava ainda mais irritada. Minhas emoções alimentavam o beijo enquanto eu envolvi meus braços em volta do seu pescoço e enrolei meus dedos em seus cabelos. Nossas línguas se acariciavam em desespero, quando Caine sentiu o calor da minha raiva, e então pegou fogo. Seus polegares roçaram meu rosto, parecendo apagar faixas invisíveis de lágrimas. Eu empurrei a sua jaqueta e ele deixou cair os braços para que pudesse retirá-la. Nós não quebramos o beijo, nossas bocas puxando a do outro. Caine começou a me mover de volta em direção a cama e os nossos lábios não se soltaram até que ele me levantou e me deixou cair sobre minhas costas no centro do colchão. Olhei para ele, ofegante, todo o meu corpo em chamas. Ele me manteve presa em seu olhar enquanto desabotoava seu colete e camisa. Como pode ser que a um momento atrás, eu estava pronta para deixar este homem de uma vez por todas, e agora


tudo o que conseguia pensar era tê-lo dentro de mim? "Isso é loucura," eu sussurrei. "O que nós estamos fazendo?" Ele puxou a camisa e jogou-a para trás. Ele, então, imediatamente procurou o zíper lateral no meu vestido. "Tendo o que nós dois queremos." Ele puxou o zíper para baixo e eu tremi. "Não importa que esteja bêbada?" Caine

sorriu

e

pegou

a

barra

do

meu

vestido.

Lentamente, ele empurrou para cima passando por minhas coxas, por cima da minha barriga, meus seios, e levantei meus braços acima da minha cabeça para que ele pudesse retirá-lo. Seus olhos me devoravam enquanto eu estava deitada sob ele no meu sutiã de renda preta e calcinha. O meu olhar caiu para a grossa ereção esticando o tecido de suas calças. Quando olhei para cima, nossos olhos se encontraram. "Um minuto atrás você estava apenas tonta, não bêbada," ele me lembrou, diversão envolvendo suas palavras. Eu levantei uma sobrancelha. "Tonta ou bêbada, um cavalheiro não tomaria vantagem." "Bem, você está com sorte." Ele roçou seus dedos sobre minha barriga, seus olhos seguindo seus dedos enquanto eles se arrastavam ao longo da borda da minha calcinha. Meu estômago se ondulou e seu olhar ficou preto com o calor. "Nós dois sabemos que não sou nenhum cavalheiro."


Meus mamilos endireceram contra meu sutiã com a excitação sombria em sua voz. "Eu pensei que eu estava fora do seu sistema." Sua mão achatou a minha barriga e ele alisou-a para cima lentamente, rumo entre os meus seios. "E ambos sabemos que isso era uma mentira." Ele soltou o fecho frontal do meu sutiã e o tirou. O ar frio correu meus sobre seios e eles incharam sob o seu escrutínio. Minha respiração engatou enquanto ele acariciavaos suavemente, seus polegares roçando meus mamilos. Caine segurou o meu olhar enquanto ele suavemente, lentamente, tortuosamente, brincava com meus seios. "Você é tão fodidamente bonita." Eu acho que parei de respirar. "Eu não consigo parar de pensar em estar dentro de você." Ele se inclinou, sua ereção empurrando insistentemente contra a minha barriga, e os seus lábios sussurraram sobre os meus, "É como um paraíso dentro de você." Suas feições eram tensas quando ele pertou os meus seios. "Eu quase quero puni-la um pouquinho por me fazer sentir desse jeito." Chupei o ar enquanto lutava por algum equilíbrio. "E eu que pensava que uma mulher não poderia dominá-lo pelo seu pau," eu tentei provocá-lo, mas as minhas palavras estavam roucas com a necessidade. Ele deslizou seu corpo para baixo, empurrando minhas coxas abertas, e empurrou seu pênis contra mim. Eu gemi, sentindo uma onda de calor subir em meu estômago de dentro das


minhas pernas. "Nenhuma mulher pode," ele afirmou. "Mas você certamente tem o hábito de fazer-me sentir como um adolescente que espia o vestiário das meninas." Eu ri roucamente e Caine sorriu. Ele pressionou contra mim novamente. "Eu gosto disso." "Gosta de que?" Em resposta, ele me beijou e eu envolvi meus braços em torno de seu pescoço, tentando atraí-lo mais perto. Seus lábios se moveram para baixo em meu queixo, arrastando-se em carícias suaves ao longo de minha garganta e seios. Por mais que quisesse sua boca em cima de mim, eu estava desesperada para explorá-lo. Eu queria tocar e beijar cada centímetro de Caine por um longo tempo, mas desde que eu o vi em nada mais que uma toalha no início da semana, eu sonhava em tê-lo a minha mercê. Empurrei para cima, jogando todo o meu peso na manobra, e o virei de costas. Ele olhou para mim, suas sobrancelhas juntas. Eu o montei, esfregando contra sua ereção, enquanto trilhava meus dedos levemente para baixo em seu abdômen. Seu estômago se apertou sob o meu toque, e havia um pulsar de urgência entre as minhas pernas. Pelo menos no sexo nós estávamos igualmente no poder um do outro. Isso igualou o campo de jogo, e eu tinha que admitir que isso me excitava. "Você teve o seu tempo na última vez. Agora é a minha vez." Os olhos de Caine brilharam e ele apertou meus quadris em suas mãos. "Fique à vontade, querida." Querida.


Eu gostava disso. Eu o beijei, molhado e profundo, quando empurrei meus quadris contra sua ereção. Ele tentou assumir o beijo, seu punho apertando o meu cabelo, mas afastei-me de seus lábios e comecei a beijar meu caminho para baixo em sua garganta. Eu me aninhei contra ele, inalando o cheiro de seu perfume que eu tanto amava. Enquanto meus lábios viajavam pelo seu peito, suas mãos estavam ne acariciando – minhas costas, meus seios, meus lados, meu estômago, e deslizando para envolver e apertar a minha bunda. Eu lambi seu mamilo e senti seu pau estremecer contra meu estômago. Escondendo meu sorriso triunfante, eu o lambia e acariciava. Quando o senti estremecer impaciente, minha boca continuou sua trajetória, saboreando cada centímetro de seu estômago esculpido. Me afastei para desabotoar suas calças. Cada músculo de Caine estava tenso quando me arrastei para fora da cama para arrancar suas calças. Eu estava de pé, tomando um momento para observá-lo em sua cueca boxer. Ele parecia como um modelo de cueca faminto por sexo e esparramado sobre minha cama. Meus mamilos se apertaram. "Foda-se," Caine sussurrou, olhando para mim com algo semelhante a veneração em seu rosto.


Ele não teve que dizer nada. Seus olhos disseram tudo. Ele tinha um jeito de me fazer sentir como a mulher mais sexy do mundo. Antes que eu pudesse fazer o meu próximo passo, Caine enfiou os dedos em sua cueca boxer e empurrou-a para baixo, sua ereção saltando. Eu assumi, puxando-a para fora e a descartando no chão. Ofegante agora, eu me arrastei de volta para a cama, e sobre o seu corpo, parando em seu pau. Sem uma palavra, abaixei minha cabeça e levei-o em minha boca. Seu gemido exultante ecoou pelo quarto. Eu envolvi a minha mão ao redor da base de seu pau duro e agarrei-o enquanto o chupava. Encontrei o meu ritmo rapidamente, ficando cada vez mais excitada enquanto o prazer de Caine se intensificava. Seu peito arfava, suas coxas tencionavam enquanto seus quadris bombeavam para cima, empurrando seu pau dentro e fora da minha boca. "Lexie," ele suspirou, e apertei minhas coxas juntas, desesperada para o meu próprio alívio. "Pare." Seus dedos tocaram meu braço. "Lexie." Mas eu não podia. Eu queria que ele perdesse o controle completamente. Eu precisava disso. De repente, eu fui empurrada para cima e sobre ele, então eu estava montada nele.


"Você teve a sua vez," ele rosnou, mergulhando os dedos dentro da minha calcinha. Seus olhos brilharam. "Tão molhada." Eu pressionei para baixo em seus dedos enquanto eles deslizavam facilmente dentro do meu calor escorregadio. "Eu estava animada em fazer você perder esse seu controle rígido," eu admiti, minhas palavras macias. "É mesmo?" Ele aumentou os golpes de seus dedos dentro de mim, me empurrando em direção ao clímax. Eu estava tão excitada que não iria demorar muito tempo para chegar lá. "Funciona nos dois sentidos... Vou fazer você perder o controle primeiro." Eu removi seus dedos e empurrei a minha calcinha, inclinando-me para que pudesse deslizar para baixo em minhas pernas. Depois que ela saiu, eu montei nele novamente e envolvi minhas mãos ao redor de seu pau, trazendo-o para o meu centro. "Eu aceito o desafio," eu engoli em seco quando o movi para dentro de mim. Minha cabeça caiu para trás, fechando meus olhos enquanto saboreava a sensação dele me enchendo. Ele agarrou meus quadris, seus dedos mordendo a minha pele, e meus olhos se abriram ao seu toque. Nossos olhares se encontraram quando comecei a montá-lo. Todo o meu foco estava sobre ele, em nós, em nosso prazer. Não havia mais nada, além de seus olhos fixos nos meus, a sensação de sua pele quente em minhas mãos, suas mãos segurando meus quadris, me guiando para cima e para baixo dele,


os sons das minhas arfadas, seus gemidos, o cheiro de sexo no ar... A tensão enrolava mais e mais dentro de mim e não havia nada na minha mente, apenas buscar o êxtase. Meu ritmo mudou e montei-o com mais força. "Lexie," Caine engasgou, seu aperto quase machucando agora. "Porra, Lexie." "Sim, sim, sim–" A respiração saiu de mim quando me vi, sem a menor cerimônia, capotando sobre minhas costas. Caine prendeu as minhas mãos ao lado da minha cabeça e puxou para fora de mim. "O que você está fazendo?" Eu gemi de frustração, pressionando minhas coxas contra seus quadris na esperança de atraí-lo de volta para mim. Ele roçou sua boca sobre a minha, sacudindo sua língua provocativamente contra os meus lábios. Ele pressionou beijos doces ao longo da minha mandíbula no meu ouvido e sussurrou, "Só lembrando-lhe quem é p chefe." Minha frustração se transformou em indignação e tentei puxar minhas mãos livres. "Você está brincando comigo?" Seu corpo tremeu contra o meu e quando ele levantou a cabeça, vi que ele estava rindo. Apertei os olhos e tentei em vão afrouxar seu aperto em minhas mãos. "Você realmente é um maníaco por controle." "Tudo isso faz parte do meu charme." Ele me beijou, desta vez tentando empurrar para dentro, mas eu prendi meus


lábios fechados, furiosa com ele. Aparentemente eu não apreciava queimação de um clímax irrealizado. "Lexie," ele murmurou, seu tom de persuasão, "abra sua boca." Eu balancei a cabeça com firmeza. Caine sorriu e se afastou. "Você realmente é a mulher mais teimosa que já conheci." Ele moveu seus quadris, trazendo sua ereção de volta contra o meu centro molhado. Engoli em seco em um suspiro de prazer. "Isso me faz querer domar você sem nenhuma esperança de sucesso." Então me penetrou e me vi sorrindo. "Você gosta de mim teimosa, hein?" Ele soltou uma das minhas mãos para que ele pudesse mexer entre as minhas pernas. Eu gemia enquanto seu polegar pressionava meu clitóris inchado. "Eu não a queria de nenhuma outra forma, Alexa Holland." Eu

engasguei

com

o

uso

do

meu

sobrenome,

o

reconhecimento flagrante de quem eu era. O som do meu choque foi engolido pelo seu beijo apaixonado profundo que me dizia que ele não se importava mais com quem era a minha família. Ele me queria. A mim. Eu enrolei meus dedos em seus cabelos, beijando-o de volta com tudo que tinha, mas quando seu polegar continuou a circular meu clitóris, eu só conseguia me concentrar no prazer se construindo no meu núcleo. Caine assumiu o beijo, enquanto suspirava e ofegava e murmurava seu nome em sua boca enquanto meus quadris empurravam contra seu toque.


Meus dedos se apertaram em seu cabelo. "Caine," e eungoli em seco, e minhas coxas tremeram. Mais um empurrão. Seu polegar deslizou sobre de mim e me levou direto para a borda. Quando todo o meu corpo foi tomado pelo poderoso orgasmo, Caine pegou a minha mão livre e prendeu novamente. Eu gritei quando ele bateu dentro de mim, meus músculos internos se apertaram em torno dele, enquanto ele empurrava profundamente. "Lexie," ele gemeu, seus olhos brilhando de satisfação. Eu ecoei essa satisfação, o meu corpo parecendo líquido e lânguido sob o seu enquanto ele se movia dentro de mim. Ele bombeou mais forte em mim, seus dedos entrelaçados com os meus me segurando para baixo, então eu estava completamente à sua mercê. Para minha surpresa, comecei a sentir a pressão crescendo dentro de mim de novo, uma queimadura de prazer e dor. Eu movi meus quadris contra seus impulsos e coloquei-o em chamas. Ele soltou minhas mãos e ficou de joelhos, segurando minhas coxas, abrindo-as mais amplo. E então ele bateu dentro de mim. Eu podia sentir seu pênis beijando meu útero. "Leve-me, Lexie," ele rosnou, suas palavras guturais, quebradas. Eu não podia fazer nada, além disso.


E foi incrível vê-lo bombeando os quadris, os músculos de seu pescoço com suas veias e os seus dentes cerrados. Seu clímax rasgando através dele. "Cristo". O peito arfava e ele soltou seu aperto, deixando hematomas nas minhas coxas, para desabar sobre mim. Seu corpo se derreteu contra o meu quando colocou o rosto na curva do meu pescoço. Os nossos peitos se moviam um contra o outro enquanto tentávamos recuperar nosso fôlego, e a mão quente de Caine passeava pelo meu lado esquerdo e depois enrolou em volta da minha coxa. Ele gentilmente me puxou sobre ele e entendi o que ele estava pedindo. Eu envolvi minhas pernas em volta de sua cintura e meus braços em torno de seu corpo e o segurei para mim por um longo tempo.


Capítulo 14 Talvez fosse a luz fluindo pelas cortinas que não tinham sido fechadas direito, ou talvez fosse apenas aquele lugar no meu subconsciente, que eu podia sentir o calor de seu olhar no meu rosto. O que quer que fosse o que me acordou, me fez descobrir Caine deitado ao meu lado, com a cabeça apoiada na mão e seus olhos em mim. Ele estava me observando dormir. Memórias da noite passada me inundaram. Após nossa primeira rodada, nós derivamos em um sono por um tempinho, mas acordei no meio da noite para encontrá-lo ao meu lado e o instiguei para uma segunda rodada energética. Saciados, tínhamos adormecido logo após isso. Foi o melhor sono do mundo, após o sexo mais maravilhoso de todos, mas agora estávamos acordados à luz do dia. Eu não sabia o que significava Caine ter ficado na cama comigo até de manhã. Eu não sabia o que significava ele ter me veisto dormir. Meu estômago virou quando percebi que eu estava prestes a descobrir com certeza. "Hey," eu o cumprimentei, minha voz suave e incerta.


Caine estendeu sua mão e acariciou seu polegar ao longo da minha bochecha. "Hey." O fato de que ele não estava fugindo pela porta sugeriu que isso poderia vir a ser um bom dia, afinal. Mas eu queria saber com certeza. "Você parece pensativo." "Eu estive deitado aqui pensando sobre a maneira como lhe tratei." Ele franziu a testa. "Eu não gosto de sentir culpa, Lexie. Eu tento evitá-la." Seu semblante perturbado me fez bufar. "Você tem seus momentos." "Eu fiz você trabalhar duro." "Verdade". Seus olhos ficaram pretos. "Eu a coloquei em uma posição de merda com Phoebe." "Também é verdade." "Eu estava lhe insultando, porque eu não queria admitir que estava atraído por você." Uau. Ok. Eu não tinha esperado que ele fosse livremente admitir isso. O fato de que ele pudesse se desculpar fez a sensação quente, piegas no meu peito se expandir. "E agora?" Eu prendi minha respiração, na esperança de uma resposta positiva. Os olhos de Caine mergulharam para seguir seus dedos quando eles acariaram toda minha clavícula e para baixo sobre os meus seios. Eu tremi sob seu toque e ele olhou para o meu rosto. "Eu julguei quem sua família é contra você quando eu não


deveria. Você não pode escolher de onde você vem. Assim como eu não posso." Olhei para ele, aliviada por ele finalmente perceber a verdade nisso. Seus lábios se curvaram nos cantos neste sorriso sexy. "Você sabe que é a única que se atreve a gritar comigo. Eu não tenho certeza se gosto disso." Eu o avaliei e a excitação divertida em sua expressão. Eu sorri. "Eu não acho que você odeia isso." Em vez de sorrir para minha resposta, Caine ficou subitamente sério. "Você estava certa na noite passada, você sabe. Você merece mais. É por isso que... Eu tenho algo que preciso lhe dizer.” Meu estômago caiu. "Você tem?" "Eu não quero feri-la, mas você precisa saber a verdade sobre seu pai e avô." O olhar em seus olhos me disseram que eu não ia gostar de saber o que quer que ele tivesse para me dizer. "Caine...," eu sussurrei. "Edward foi aqule que pagou o meu pai. Não Alistair. Seu avô deu a meu pai o dinheiro sujo para manter a morte da minha mãe e o envolvimento do seu pai nisso em silêncio." Eu senti como se a cama tivesse desaparecido debaixo de mim e eu tivesse acabado de me chocar contra o chão. Duro. Olhei para Caine enquanto eu tentava processar o que ele tinha acabado de me dizer.


Meu avô, a única pessoa que pensei que poderia confiar, era uma parte da feia história da família. Ele tentou encobrir os pecados de meu pai? Por quê? Não foi pelo meu pai, obviamente, porque ele o tinha deserdado. Foi para proteger o nome Holland. Para proteger o seu lugar na sociedade. Senti-me mal. Se vovô era capaz disso... Então que tipo de homem ele era realmente? Memórias de suas palavras suaves, sua ternura me inundaram. O homem que eu conhecia estava tão em desacordo com o homem que Caine estava me dizendo que ele era. E se vovô era aquele que tinha pagado Eric, então isso significava que meu pai não era tão terrível quanto eu pensava. Ele ainda era terrível... mas ele não foi o único catalisador para o suicídio de Eric. Oh Meu Deus. "Você tem certeza? Como você sabe?" Os olhos de Caine estavam duros. "Porque eu estava lá quando ele fez isso." "Oh meu Deus." Meu peito doía tanto. "Lexie?" Eu olhei nos olhos preocupados de Caine e percebi uma coisa. Caine tinha acabado de me dizer a última coisa que eu queria ouvir... Se tivesse sido qualquer outra pessoa, se eles tivessem mantido isso de mim e depois soltado em um momento que eu estivesse vulnerável, eu poderia ter mantido isso contra eles. Mas não Caine. Na verdade, a minha preocupação não era só por mim, mas também por ele, e foi então quando eu percebi que o que eu sentia por ele era real. "Você deve odiá-los tanto."


"O ódio está dando-lhes muito poder." Naquele momento sua força tomou conta de mim, e a mágoa, a dor que eu estava sentindo por sua revelação foi diminuída um pouco pelo fato de que ele estava aqui comigo, e o olhar em seus olhos era afetuoso. "Você é a única coisa real em minha vida agora," eu disse sobre a realização súbita. "Você deve saber que eu não quero deixar isso de lado." Ele passou as pontas dos seus dedos na minha bochecha e diss,: "Eu não sou o cara que você está procurando, Lexie. Eu nunca vou ser esse cara." Essa esperança que eu estava sentindo desprendeu-se do meu peito e caiu no meu estômago, causando uma enxurrada de ondulações nervosas. "O que você está dizendo?" Remorso nublou seu olhar. "Você está procurando algo especial, mesmo que você não vá admitir isso. E eu? Eu não posso me comprometer, não posso mudar, e não posso ter o para sempre. Isso apenas não está em mim." Ele acariciou meu braço com os nós dos dedos e lá estava o ronronar aquecido de um rosnado no fundo de sua garganta enquanto ele continuava. "Mas eu não quero que isso acabe agora ainda. Nós gostamos um do outro. Nós queremos um ao outro." Eu olhei para ele, surpresa. Eu pensei que estávamos prestes a discutir a minha partida de sua vida, não– "E o sexo é..." Ele sorriu maliciosamente. "Eu não sei quanto a você, mas eu realmente gostaria de explorar isso um pouco mais."


Meu corpo formigou apenas com o pensamento disso, mas eu não sabia como responder. Eu já sabia que estava emocionalmente envolvida com Caine. Sexo não seria o suficiente para mim. Seria? "Eu sou egoísta o suficiente para pedir mais tempo com você, Alexa. Poderíamos aproveitar isto juntos pelo tempo que for bom, e então poderíamos ir embora quando for a hora de acabar com isso – nenhum dano, nenhuma falta." Olhando para o seu rosto bonito, e me perguntava como na terra eu poderia responder a tal sugestão. Quando Caine olhou para mim, eu percebi o calor em seu olhar, enquanto ele esperava pela minha resposta. Ele nunca tinha me olhado daquele jeito antes. Havia algo naquele olhar. Algo... mais. Não. Era uma idéia perigosa. Ainda assim... não valia a pena tentar? O pior podia acontecer, é claro. Eu poderia me apaixonar por ele e ele ainda poderia querer se afastar de mim, no final de tudo. Mas Effie disse que Caine precisava de uma mulher que fosse determinada e persistente. Eu não tinha esperança de mudar a forma como ele se sentia sobre mim, sobre nós, se eu não estivesse lá para fazê-lo. Ele disse que ele era egoísta, mas eu tinha visto um outro lado dele com Effie. Caine poderia ser um doce, bom rapaz. Ele só não percebia isso.


Senti-me culpada antes mesmo de abrir minha boca, porque eu sabia que estava prestes a concordar em ter um caso, quando na verdade, eu estava buscando mais. "Ok." Eu dei-lhe um sorriso trêmulo que fortaleceu sob seu sorriso de resposta. E quando ele me beijou, eu tentei acalmar a minha culpa. Afinal de contas, a minha pequena mentira foi contada para um bem maior. Tudo iria dar certo no final se Caine e eu encontrássemos a felicidade que estavamos procurando. Ou era o que esperava. Um minuto estávamos nos beijando e no próximo Caine estava de pé e fora da cama se vestindo. Inclinei-me em meus cotovelos, observando os músculos em seus braços flexionarem enquanto ele puxava suas calças. Ele olhou para mim quando estendeu a mão para sua camisa. Obviamente, notando a confusão no meu rosto, ele explicou, "Temos um voo para pegar. Eu preciso de um banho." Certo. "Eu também." Eu assisti em decepção quando ele abotoou a camisa, escondendo seu lindo abdômen de mim. "Nós poderíamos tomar banho juntos, poupar-nos algum tempo." Ele me lançou um olhar. "De alguma forma, acho que não vamos poupar tempo fazendo isso." Eu sorri com o pensamento. "Sim, provavelmente não." Com um suspiro, balancei as pernas para fora da cama. "Tudo bem. Eu lhe encontrarei no saguão em uma hora."


Caine assentiu, pegou sua jaqueta, e se dirigiu para a porta. Olhei para ele, mais do que um pouco perplexa que ele estava me deixando sem me dar um beijo. Claro, eu tinha acabado de concordar em ter um caso sem compromisso com ele, então imaginei que não deveria me prender a pequenas coisas bobas importantes, como afeto. Não que Caine me parecesse o tipo. E eu apostaria todo o meu dinheiro que ele não gostava de demonstrar algum afeto em publico também. De repente, um pensamento passou pela minha cabeça. "Caine." Sua mão estava na porta quando ele olhou para mim. "Sim?" "Talvez devêssemos manter o que está acontecendo aqui entre nós em segredo." Ele franziu a testa. "Por quê?" "Porque você não é exatamente discreto e eu não quero que alguém em Boston descubra quem eu sou, porque, então, o resto dos Hollands irá descobrir quem eu sou. Eu não quero isso." "Você não quer dizer que seu avô não quer isso?" Eu vacilei com a menção de vovô. Eu sabia que, após a revelação de Caine sobre ele, isso não deveria me importar, mas não era tão fácil. Eu não podia simplesmente virar as minhas emoções. Apenas 15 minutos atrás eu amava e confiava em Edward Holland. Eu fiquei chocada com a verdade sobre ele, mas


eu também estava confusa a respeito de como deveria me sentir sobre ele agora. Baixei meu olhar e dei de ombros. "Mesma coisa." "É?" Saltei da cama e peguei o roupão que estava sobre a cadeira próxima. Caine me olhou com grande interesse quando o puxei para cobrir a minha nudez. "Olha," eu disse, "Eu não sei o que fazer sobre o meu avô agora, mas sei que não quero ter nada a ver com o resto da família. Se isso significa manter quem eu sou em segredo, então tudo bem. Você pode fazer isso por mim?" Ele contemplou o pedido por um momento e então me deu um aceno afiado. "Bem. Vamos mantê-lo em segredo." "Obrigada." Eu sorri agradecida e podia jurar que os olhos de Caine se aqueceram em resposta. "Eu provavelmente vou acabar contando a Effie, no entanto," disse ele, com um ar de inevitabilidade cansado. "Essa mulher é como um cão de caça quando se trata de farejar segredos." Eu ri e acenei com a cabeça. "Tudo bem." Caine me deu um pequeno sorriso em troca, apenas o mais ínfimo movimento de lábio, e isso me aquecia. E então ele se foi. Meu sorriso de resposta caiu de meus lábios e olhei atrás dele, perdida. Eu já queria mais dele e nós estávamos apenas há cinco minutos em nossa aventura casual.


Assim que desembarcamos em Boston, o motorista nos levou para o escritório em vez de casa. Caine tinha uma reunião com o conselho de administração que não podia perder. Eu descobri rapidamente que tudo entre nós era o mesmo de antes, exceto que não era. Embora a nossa relação de trabalho tivesse o mesmo ritmo eficiente, as coisas estavam definitivamente

mais

agradáveis

entre

nós.

Caine

era

naturalmente muito abrupto em seu jeito, mas a impaciência malhumorada comigo tinha ido embora. Em seguida, havia a tensão entre nós. Ela sempre esteve lá. Mas agora estava realmente intensificando-se – o ar entre nós engrossou com sagacidade e excitante química elétrica. Fizemos um bom trabalho de ignorarmos isso em público. No avião nós almoçamos e discutimos negócios, e quando voltamos para o escritório cada um fingiu que não havíamos feito sexo com o outro. Eu fazia meu trabalho enquanto Caine se reunia com o conselho de administração. De vez em quando, eu me via perdida pensando em meu avô e sua traição. Eu empurrava esses pensamentos feios de lado, substituindo-os por lembranças da noite anterior e da aventura absolutamente sensual que meu chefe me levou. Eu sorri. Meu chefe. Isso era meio impróprio. Sorri ainda mais forte.


Eu nunca tinha feito nada impróprio antes. Eu ri baixinho para mim mesma. "O que é engraçado?" Olhei para cima, pega de surpresa com a aparição repentina de Caine. Ele se aproximou da minha mesa, os olhos brilhando com humor. Eu me virei para encará-lo da minha cadeira e sorri de volta. "Eu poderia lhe dizer, mas não vou." Invadindo meu espaço pessoal, ele parou para que seus joelhos estivessem quase tocando minhas pernas e eu tive que arquear o pescoço para olhar em seu o rosto. Seus olhos caíram sobre

os

meus

antes

de

perambularem

para

baixo.

Eles

demoraram um pouco mais do que o apropriado nas minhas pernas, antes de viajar para cima. "Eu vou ficar aqui esta noite até um pouco mais tarde, mas você deve ir para casa. Eu vou ter o meu motorista para levá-la." Isto era diferente também. Normalmente Caine tinha prazer em cortar o meu tempo pessoal. "Tem certeza que você não precisa de mim?" Suas combustão

pálpebras

lenta

baixaram

inconsciente

que

ligeiramente enviou

uma

em onda

uma de

formigamento entre as minhas pernas. "Não agora. Mas vou passar em seu apartamento quando terminar aqui." "Meu apartamento?" "Mmm." Ele colocou as mãos nos braços da cadeira e se inclinou para mim, então nossas bocas estavam a cerca de um centímetro de distância. Seu hálito quente sussurrou em meus


lábios. "Vou mandar uma mensagem quando estiver no meu caminho." Todo o meu corpo se apertou com o pensamento do que ele faria para mim uma vez que estivesse no meu apartamento. Eu parecia um pouco sem fôlego quando respondi, "Você não deveria esperar ser convidado primeiro?" Seus olhos se estreitaram. "Lexie, eu posso ir para o seu apartamento está noite para que eu possa foder seus miolos?" Luxúria fluiu em meu baixo ventre. Eu levantei meu olhar de sua boca para seus olhos com um sorriso agradável em meus lábios. "Eu suponho que estaria tudo bem." Foi quando ele sorriu para mim – um sorriso completo que fez meu coração vibrar e me transformou em uma poça de mingau quente. Eu ainda estava olhando para a porta do seu escritório maravilhada minutos depois que ele desapareceu dentro dela. O sol derramava através das minhas janelas, iluminando Caine quando ele se sentou na minha mesa de café da manhã, tomando seu café e lendo o jornal de sábado. Tentei manter minha atenção sobre a omelete que estava fazendo para nós, mas eu descobri que era facilmente distraída pelo fato de que Caine estava sentado, à vontade no meu apartamento, à espera do café da manhã. Na noite anterior, eu tinha esperado com essas malditas borboletas no meu estômago, por Caine para terminar seu trabalho e vir para mim. Matei o tempo chamando Rachel e


atualizando-a da situação. Ela achou que era excitante e anunciou que queria absolutamente todos os detalhes para que pudesse viver indiretamnte através de mim. Vovô me ligou não muito tempo após a minha conversa com Rach. Pensei que quando falasse com ele, eu seria capaz de confrontá-lo sobre o dinheiro sujo que ele tinha oferecido ao pai de Caine. Mas as palavras

ficaram

presas

na

minha

garganta,

dolorosas

e

resistentes. Eu disse a mim mesma que quando finalmente o visse pessoalmente, a gente discutiria o assunto. Não era uma conversa que eu podia simplesmente iniciar por telefone. No entanto, a verdade é que... eu estava com medo. Eu queria que vovô tivesse uma razão que fizesse sentido para o que ele fez, mas eu sabia que não existia. Eu sabia que nenhuma razão seria boa o suficiente, e eu não estava pronta para enfrentar a realidade de que ele não era o homem que eu achava que ele era. Então, quando ele me perguntou se eu tinha encontrado um novo trabalho, eu lhe disse que eu e Caine tínhamos resolvido isso e eu permaneceria trabalhando como funcionária. De alguma forma, vovô leu nas entrelinhas e ele não estava feliz. Mas isso não me incomodava como teria me incomodado ontem. Quem ele era para ficar desapontado comigo, depois de tudo? Após o telefonema com o meu avô, empurrei-o para o fundo da minha mente, em favor de analizar essa coisa com Caine. Pensei e repensei se eu estava fazendo a coisa certa. Fui e voltei pegando meu celular para ligar para Caine e dizer-lhe para não vir. Mas eu não podia fazer isso. Eu não podia fazer isso, porque eu não estava pronta para desistir dele.


Pouco antes da meia-noite, eu deixei Caine entrar no meu prédio e abri a porta para ele. Eu estava usando uma minúscula camisola de seda e calcinha combinando. O cansaço na parte de trás de seus olhos desapareceu quando ele me olhou. Ele entrou no apartamento, chutou a porta atrás de si, me pressionou contra a parede, e deslizou suas mãos até a minha cintura. Seus lábios roçaram os meus. "Eu estava errado. Isto é o que você deve vestir para trabalhar." Meu riso foi engolido por seu profundo beijo quente. O sexo desta vez tinha sido mais lento, inebriante, com Caine tomando seu tempo para conhecer o meu corpo e me permitindo conhecer o seu. Tínhamos apenas derivado para o sono algumas horas antes do amanhecer, mas Caine era um madrugador. Em todos os sentidos. E isso significava que eu estava

acordada

cedo

também,

embora

eu

não

estivesse

reclamando. Um orgasmo era uma boa maneira de dizer Olá para o dia. E agora lá estava eu. Fazendo-lhe o café da manhã na minha cozinha como se fizessemos isso o tempo todo. Eu coloquei a sua omelete para baixo na frente dele e deslizei para o banco à sua frente para comr a minha. "Obrigado," ele disse, antes de cortar um pedaço. "Disponha." Comemos em silêncio e percebi que Caine parecia perfeitamente feliz por permanecermos quietos.


Eu fiz uma careta. De repente, o cenário todo não me parecia algo casual. Quando Caine disse que queria que isto fosse um caso, ele literalmente quis dizer sexo. Apenas sexo. E o ocasional café da manhã tranqüilo, obviamente. Hmm. Eu queria conhecê-lo melhor, mas como é que ei ia atraílo a conversas que realmente significavam alguma coisa? Bem, primeiro você precisa fazê-lo falar. Sobre qualquer coisa. "Por que meu apartamento?" Eu disparei. Quando Caine ergueu os olhos do jornal, confusão franzia sua testa. "O quê?" "Por que você veio a mim? Eu poderia ter ido até você. É por causa de Effie?" "Não." Caine balançou a cabeça e voltou para o seu jornal. "Eu apenas gosto do seu apartamento." Surpresa, eu fiquei quieta por um instante. Olhei em volta do meu apartamento, tentando descobrir o que sobre ele que Caine gostava. Não poderia ser mais diferente do seu lugar. "Por quê?" Eu disse. Ele deu de ombros e continuou comendo. Ele franziu a testa para algo que lia e virou a página. Ok, isso não era uma resposta, e parecia que eu não iria obter uma.


Decidi não empurrá-lo e me agarrei o fato de que ele admitiu que gostava do meu apartamento como uma pontuação para o dia. Ficamos em silêncio, até que tínhamos terminado o café da manhã, e quando acabou, Caine me agradeceu novamente, inclinou-se sobre o balcão para me beijar, e depois saiu. Não houve arranjos para passar o dia juntos, nenhuma palavra de nos encontrarmos à noite. Nada. Fiquei olhando melancolicamente para nossos pratos vazios. Mas pelo menos, eu tive um beijo de despedida desta vez.


Capítulo 15 Sexo seguido pelo café da manhã tranqüilo, prenunciou o que estava por vir. Sábado à noite Caine não veio até a minha casa. Ele ligou no dia seguinte e perguntou se eu estava em casa, que ele viria naquela noite. E ele veio. Tivemos sexo alucinante na minha sala e, em seguida, ele foi embora. De segunda a quinta-feira essa era praticamente a nossa vida. Trabalhávamos juntos sob o pretexto de profissionalismo completo. Eu ia para casa por volta das seis e meia e Caine vinha em torno de 22:30. Fodíamos, e então ele voltava para o seu apartamento. Não havia nada de romântico nisso. Sim, era quente e com o passar do tempo, só parecia ficar mais quente, mas as paredes de Caine ainda eram altas e impenetráveis e eu não tinha idéia de como derrubá-las. Eu estava falhando miseravelmente. Mas, então, aconteceram duas coisas que me deram uma centelha de esperança. A primeira foi que Caine tinha um baile de gala sobre arte para participar na sexta-feira à noite, que estava sendo organizado pela esposa de um dos seus conselheiros administrativos. Assim que eu providenciei para um de seus


smokings ser passado, eu entrei em desespero, me preocupando sobre quem ele convidaria para ir com ele. Eu não poderia comparecer

porque

tínhamos

decidido

manter

nosso

relacionamento privado. No entanto, nós também não havíamos discutido se íamos ser exclusivos durante o nosso caso. Então, quando Caine me disse que estava indo sozinho ao evento, eu estava mais do que satisfeita. Ainda assim, eu gostaria de ter tido a coragem de perguntar a ele sobre a exclusividade, para que pudesse saber com certeza de uma forma ou de outra. Chegou a sexta-feira e então a segunda coisa aconteceu para me dar minha resposta... A sala de impressão estava prestes a testemunhar a força de minha raiva causada pela impressora. Eu passei os últimos 25 minutos brincando com a tela do computador digital na maldita coisa, tentando descobrir por que diabos não estava imprimindo. "Argh!" Eu bati do lado da coisa. "O que há de errado com você?" "Isso é apenas um palpite, mas estou imaginando que seja porque a senhora está abusando dela fisicamente." Reconhecendo a voz, vi Henry com o canto dos meus olhos. Ele estava encostado no batente da porta, sorrindo para mim. "Eu devo avisá-lo que estou bem perto de cometer ‘impressoricídio’12, e se isso não me acalmar, estou seguindo em frente para homicídio. Na pessoa mais próxima."

12

Homicídio de impressora


Henry

riu

e

ignorou

o

meu

aviso,

caminhando

casualmente dentro da sala. "Deixe-me dar uma olhada." Eu dei um passo para trás, duvidosa. "Eu não tenho certeza que há alguma lógica." "Estou ofendido," disse ele, não parecendo nem um pouco quando se inclinou para olhar para a tela. "Você acha que um Lexington não precisa saber dessas coisas provinciais como consertar uma impressora com defeito?" "Bem, sim." Ele riu e começou a mover a tela. Ele apertou um botão e de repente a impressora zumbiu à vida. Meu queixo quase caiu no chão. "Como fez – mas como...?" Henry pegou a minha carta, impressa. Entregou-me com uma quantia não muito pequena de presunção. "Parece que você está prestes a chorar." Eu peguei os documentos dele e acenei com a cabeça. "Eu sinto que poderia. Estive aqui por 25 minutos. Eles foram os mais longos 25 minutos da minha vida. E então você vem e passa dois segundos com a coisa, e apenas a conserta. Voilá. Como se não fosse nada." "Oh, pobre bebê." Henry riu e colocou o braço em volta do meu ombro, me levando para fora da sala em direção a minha mesa. "Você deveria ter me chamado." "Como eu ia saber que Henry Lexington é fluente em impressora?"


"Ah, bem, há um monte de coisas sobre mim que você pode aprender se você der uma oportunidade." Revirei

os

olhos

em

sua

paquera,

mais

do

que

acostumada com isso agora. "Onde você estava?" Caine saiu da porta de seu escritório,

parando-nos

em

nossos

caminhos.

Desagrado

registrado em seu rosto quando viu os braços de Henry em volta de mim. Eu gentilmente me livrei das garras do seu amigo. "A impressora não estava funcionando." Eu balancei a carta para ele. "Por 30 minutos?" Ele retrucou. Fiz uma careta para seu tom de voz. Pensei que tínhamos deixado no passado esse tipo de tratamento. "Sim," eu respondi de volta. "Durante trinta minutos. Eu não conheço impressoras. Felizmente Henry veio e consertou." Os olhos de Caine se estreitaram quando oscilaram de volta para seu amigo, que estava nos observando com cuidado. "Oh, ele consertou?" Henry levantou uma sobrancelha para o tom predatório. "Você tem algum problema com isso?" Em vez de responder a sua pergunta, Caine continuou a encará-lo. "Eu vou lhe encontrar no saguão." Eles se encararam por alguns segundos e, em seguida, Henry me disse, "É sempre um prazer, Lexie."


Eu sorri para ele, recusando-me a ser intimidada pelo temperamento de Caine. "Henry," eu murmurei, e dei-lhe um pequeno sorriso enquanto ele saía. "Meu escritório," Caine rosnou. "Agora." Fiz uma carranca pela suas costas, segui-o para dentro e fechei a porta. "Qual é o seu problema?" Ele se virou, seu rosto como pedra. "O meu problema? O meu problema?" "Bem, o meu é que eu não tenho problema de audição," eu bufei. "Não há necessidade de repetir-se." "Alexa," ele alertou. "Não me venha com ‘Alexa’." Minhas mãos voaram para os meus quadris. "Eu estava fazendo o meu trabalho, cuidando da minha vida, quando de repente me vi arremessada de volta para o passado, onde meu chefe me tratava como se fosse um lixo sob o seu sapato." "E eu saio do meu escritório para saber por que minha AP não atendia meus telefonemas, para descobrir que era porque ela estava muito ocupada flertando com o meu melhor amigo, que estava com as mãos em cima dela." Eu gelei ao perceber que Caine estava com ciúmes. Exultação correu através de mim e levou todo o meu auto-controle para não sorrir em triunfo. Caine ainda estava com ciúmes de Henry e eu? Mesmo que

não houvesse nada

acontecendo entre nós. Isso tinha que significar alguma coisa,


certo? Uma pessoa não era ciumenta e possessiva sobre alguém que não se preocupava. Certo? "Não há nada entre mim e Henry," eu assegurei a ele. "Ele flerta. Mas é sempre sem sentido." Caine olhou fixamente. "Você não precisa flertar de volta." "Eu não estava." "Você estava. E eu não quero que você faça isso de novo." Eu dei um passo hesitante em direção a ele. "Eu nunca faria nada para incentivar o seu melhor amigo, Caine. Você deve saber disso." Arrependimento

instantaneamente

brilhou

em

seus

olhos. "Sinto muito. Eu sei que você não faria..." Ele deu de ombros. "É só que... Eu só... Não com Henry, ok?" Percebendo o quanto era importante para ele ouvir as palavras, eu assenti. "Eu não vou flertar com Henry. Eu prometo." Parecendo totalmente desconfortável com a coisa toda agora, Caine me deu um aceno de cabeça agudo e pegou o telefone, evitando o contato visual. "É melhor eu ir encontrá-lo." Apanhar

Caine

em

um

momento

vulnerável

foi

surpreendente, mas ele me deu essa esperança sobre nosso caso confuso affair sem amarras. Eu também achei que era uma oportunidade para esclarecer algumas coisas. "Caine?" "Humm?" "Eu sei que isso é apenas sexo..."


Ele endureceu com a mudança repentina na conversa e olhou por cima do ombro para mim. "Alexa–" "Mas talvez devêssemos discutir se esse caso é exclusivo ou não." "Exclusivo." Sua voz era concisa, como se ele estivesse chateado só por eu perguntar. E, em seguida, pareceu ocorrer-lhe que ele respondeu a pergunta emocionalmente. "Eu vou vê-la depois do almoço," ele murmurou, e passou por mim. Pulei ao som da sua porta batendo e fechando atrás dele. Como eu deveria interpretar isso? Por um lado, sua possessividade aparente poderia ser interpretada como um passo a frente para ele admitir que tinha sentimentos por mim. Por outro lado, ele correu para fora daqui como se eu tivesse sugerido que usássemos um frasco de sangue de cada um em torno de nossos pescoços. Ter um caso com Caine Carraway não era apenas um desgaste fisicamente delicioso, mas também, um não tão delicioso, desgaste emocional. Naquela noite, minhas incertezas venceram. Caine não veio para mim depois do baile de gala. Na verdade, não tive notícias dele naquela noite ou na manhã seguinte. Eu não tinha um bom pressentimento sobre isso. "Vá vê-lo." Effie gesticulou para porta de Caine. Eu fiz uma careta. "Ele vai ficar puto comigo por simplesmente ter aparecido aqui."


E por "aparecer", eu quis dizer que era sábado à tarde e decidi que estava feita sobre jogar isso da maneira de Caine. Nós não estávamos chegando a lugar nenhum, jogando por suas regras, então decidi começar a agir como uma mulher adulta. Se eu quisesse ver Caine, não havia nada que me impedisse de ir vêlo. Eu não tinha que aguardar por sua programação. Não mesmo. Mas toda essa coisa de agir como uma mulher adulta me abandonou quando cheguei ao edifício e de repente temia que Caine imediatamente me rejeitasse por ter ido até a cobertura. Então, eu tinha chamado Effie e explicado a situação. Como Caine tinha me avisado, Effie sabia que estávamos tendo um caso. Ela também era inteligente o suficiente para saber que eu estava buscando por mais e ela também gostava de mim o suficiente para me querer com Caine. Effie estava do meu lado. Era um pequeno conforto, mas, no entanto... Effie suspirou para a minha performace nada inspiradora de ‘uma mulher em uma missão para ganhar o seu homem’. "Você não sabe disso. Agora bata na maldita porta antes que eu faça isso por você." Percebendo que ela faria exatamente isso, eu apertei a campainha. Assim quando fiz, Effie correu de volta para sua cobertura. Ela certamente poderia se mover rápido para uma velha senhora. Eu ainda estava olhando para ela com diversão quando a porta de Caine se abriu.


Minha cabeça virou para frente e meu olhar passou por cima dele. Ele estava com a barba por fazer, despenteado, e vestindo uma camiseta preta Def Leppard e calça jeans bem ajustada. Yum. "Hey." Eu dei a ele um pequeno aceno. Em troca, ele franziu a testa para mim, mas se afastou para me deixar entrar. "O que você está fazendo aqui?" Seu tom era definitivamente nada de boas-vindas. Imaginei uma dúzia de folhas metálicas da armadura voando pela sala se ajustando em volta do meu corpo como o Homem de Ferro. Eu ia precisar de toda a proteção que pudesse para me defender contra a picada de uma possível rejeição de Caine. E considerando o seu tom, a rejeição estava se tornando mais e mais uma possibilidade. "Eu apenas pensei em passar por aqui." Eu dei de ombros. O meu olhar mudou-se para a sua mesa de café da manhã. Ela estava coberta de papelada. Ele tinha estado trabalhando. "E você nunca pensou em ligar primeiro?" Ele ficou na minha frente apoiado em suas pernas com os braços cruzados sobre o peito. Sim, não havia absolutamente nada sobre ele que dissesse bem-vinda. Eu tentei não vacilar. "Está tudo bem você ir para o meu lugar sem aviso prévio, mas não está ok eu fazer a mesma coisa?"


"Não quando você está aqui à procura de alguma coisa." Seus olhos se estreitaram. "O quê? Você não ouviu de mim, então simplesmente presumiu o pior. Você achou que se viesse aqui sem aviso prévio, me pegaria fodendo com outra pessoa?" Meus olhos se arregalaram com a acusação. Isso pareceu vir do nada. "Desculpe-me?" Eu bufei. "Primeiro de tudo, se tivesse sido minha intenção, eu teria vindo sem aviso prévio de manhã, quando teria uma melhor chance de pegar você fodendo com outra pessoa. E em segundo lugar, não coloque qualquer merda de ciúme, perseguição e estranhezas que outras mulheres fizeram para você, sobre mim. Eu vim para o café ou sexo. Possivelmente ambos. Agora não estou com disposição para qualquer um." Eu lhe lancei um olhar de nojo e fiz meu caminho passando por ele. Caine enrolou uma mão em volta do meu braço, me parando. Olhei para ele com cautela. "Eu não quero ser um bastardo, ok? Estou apenas ocupado hoje." Ele acenou com a cabeça na direção de seu trabalho. Puxei suavemente meu braço, mas Caine não iria me liberar. Ele me puxou para mais perto, seus olhos mais quentes. "Eu realmente quero transar com você e lhe fazer um café depois, mas infelizmente tenho que acabar esse trabalho hoje. À noite, no entanto..." Perversidade brilhou em seus olhos. "Eu podia ir para o seu apartamento."


Embora meu corpo instantaneamente tenha derretido con a sua sugestão, eu encontrei uma pequena satisfação em ser capaz de recusá-lo. "Eu não posso hoje à noite. Fiz planos com uma antiga colega de trabalho." E eu não estava mentindo apenas para ser impertinente. Sofie tinha perdido seu estágio com Benito e me chamou procurando a simpatia de alguém que entendesse. Eu tinha me oferecido para levá-la a um passeio pela cidade para ter sua mente fora disso por algumas horas. "Nós vamos dançar." O aperto de Caine aumentou imperceptivelmente. "Em uma boate?" Eu gentilmente me livrei do seu aperto, não entendendo por que o fato de que estava indo dançar era um motivo de preocupação. "Possivelmente várias." Caine deu um passo longe de mim. Ele estava se fechando. Suspirei pesadamente. Esta visita não tinha saído como planejado. "Então, nós vamos conversar amanhã?" "Claro." Ele estava se virando, prestes a voltar à sua papelada, completamente pronto para esquecer a minha presença, quando o impulso de puxá-lo para fora qualquer que fosse essa parede que ele acabou de construir tomou conta de mim. Eu coloquei uma mão em seu braço e subi na ponta dos pés para dar um beijo suave no canto de sua boca. Quando me afastei, sorri do seu rosto, agora confuso. "Tchau, Caine."


Antes que eu pudesse me afastar, ele me puxou contra ele. Deixei escapar um pequeno suspiro de surpresa segundos antes de sua boca bater na minha. Ele passou os braços apertados em volta de mim e me beijou com uma paixão, que me injetou calor líquido em meu sangue. Devolvi o beijo profundamente, segurando-o com força. Ele me esmagava tão apertado quanto podia, fazendo-me ficar mais quente e úmida. Eu podia sentir seu pau duro cavando em mim. Minha pele corou com uma nova onda de calor. Quando Caine finalmente ergueu os lábios dos meus e gentilmente me liberou, eu estava muito perdida em uma névoa cheia de luxúria para falar qualquer coisa. O beijo tinha vindo do nada. "Nos falamos mais tarde," disse Caine, suas palavras grossas com a excitação. "Mais tarde," eu resmunguei, alisando meu cabelo com os dedos trêmulos. Satisfação brilhava em seus olhos.

A garçonete colocou outro mojito na minha frente e me deu um sorriso maroto. "Este veio do loiro bonito de terno azulmarinho ali no bar." Ela assentiu com a cabeça na direção do bar.


Olhei por cima e avistei um cara bonito no referido terno azul-marinho. Assim que o meu olhar o acertou, ele sorriu e ergueu o copo para mim. "Ooh, ele é bonito," disse Sofie, cutucando meu cotovelo com a dela. Empurrei a bebida para a garçonete. "Desculpe. Mas, você pode levar isso de volta?" Ela sorriu e retirou o mojito de nossa mesa. "Entendi." "O que você está fazendo?" Sofie estreitou os olhos para mim quando a garçonete se afastou. "Você acabou de dispensar esse cara bonito. Por quê? Pensei que você não transava, tipo, há um ano e meio." Eu fiz uma careta para esse cálculo, contando quando foi a última vez que eu estive em uma relacionamento. Para minha surpresa, descobri que Sofie estava certa. Antes de Caine, o último cara que tinha transado foi meu namorado Pete. Tínhamos namorado por apenas três meses, e o relacionamento fracassou naturalmente, porque nenhum de nós dois estávamos a fim disso. Mas sim, isso foi ha 18 meses atrás. A última vez que fiz sexo, no entanto, era, obviamente, uma história totalmente diferente. Bebi o mojito que eu mesma paguei, e evitei os olhos de Sofie, inocentemente fingindo inspecionar o bar. Estávamos no Brick & Mortar em Cambridge, e como sempre estava lotado. "Foi há um ano e meio atrás, certo?" Sofie parecia suspeitar.


"Mmm-hmm." Ela agarrou meu braço, obrigando-me a olhar para ela. "Oh meu Deus. Com quem você está transando? Você tem que me dizer! Levará totalmente minha mente longe do fato de que eu acabei de perder o meu estágio. Por favor, por favor, por favor!" "Tudo bem, tudo bem," eu bufei. "Eu conheci alguém no trabalho, mas não posso lhe dizer o nome dele porque há essa regra de que funcionários não podem confraternizar-se, e além disso, você sabe, não é sério. É apenas sexo." Os olhos de Sofie ficaram enormes. "Eu nunca fiz sexo casual antes. É intenso?" Eu não sabia responder, porque não havia nada de casual no sexo com Caine, apesar de seus protestos silenciosos que o que havia entre nós, era o epítome do casual. "Uh, com certeza." "Uau. Ficar comprometida jovem é uma coisa boa, mas ao mesmo tempo sinto que estou perdendo algumas coisas." Ela levantou a mão e olhou para seu anel de noivado simples, mas bonito. Eu peguei a mão dela e dei-lhe um aperto. "Confie em mim, você não está perdendo." Ela sorriu. "Então, você não pode nem mesmo me dar uma pista de quem é?" "Não."


Suas sobrancelhas se uniram em concentração. "A única pessoa que sei que trabalha lá é o próprio homem, Caine Carraway, mas sei que não é ele, porque ele meio que lhe odeia." Eu vacilei na observação, mas de alguma forma consegui dar um pequeno sorriso. "Sim, ele me odeia." "Então você realmente vai dispensar caras quentes durante toda a noite, porque está tendo uma aventura casual com alguém? Quero dizer..." Sofie olhou em volta. "Vou me casar, mas ainda gostaria de dançar com alguém. Dançar está bem, desde que o cara não fique me apalpando." Eu sorri. "Ok, você encontra dois caras, que não queiram nos apalpar, para dançar.” Abracei Sofie e disse adeus no táxi, mas ela não tinha acabado. "Eu me diverti muito!" Ela gritou. "Senti tanto sua falta, Lex. Temos que fazer isso mais vezes. Tipo muito mais. Porque eu lhe amo, Lexie." Sorri para sua afeição bêbada. "Eu também lhe amo, baby." Alivio me inundou quando seu noivo, Joe, abriu a porta do motorista. Enquanto eu estava um pouco alegre, Sofie estava totalmente bêbada. Eu tinha esquecido o quanto ela era fraca para bebida. Depois que nós tínhamos dançado a noite toda, por alguns bares em Cambridge, mudando de parceiros de dança quando ficavam muito ‘grudentos’, eu coloquei Sofie em um táxi e o motorista a deixou primeiro, mesmo ela morando em Southie.


Minha preocupação era que teria que levá-la a seu apartamento, mas Joe obviamente tinha mantido um olho em nós. "Joe!" Sofie choramingou, todo o seu rosto se iluminando para o alto, ruivo bonito. "Eu amo você, Joe". "Eu também lhe amo, Sofie. Eu vou lhe amar ainda mais se você conseguir manter isso.” Ele estendeu a mão para ela, ajudando-a sair, atirando-me um sorriso. "Obrigado por trazê-la para casa, Alexa. O que devo a você pelo táxi?" Eu balancei minha cabeça. "Este é por minha conta." Ele sorriu agradecido. "Será nosso na próxima vez, ok?" "Claro." "Tchau." "Boa Noite". "Tchau, Lexie!" Sofie gritou, e eu ri quando Joe tentou, sem sucesso, faze-la calar-se e a levou para dentro de casa. Conforme o motorista dirigia de volta para a minha casa, eu contemplava o instruindo como chegar na Arlington Street. Ainda estava bem acordada, e Caine tinha sugerido de nos encontrarmos hoje à noite. Mordi meu lábio, pensando sobre isso. Eventualmente, eu decidi contra isso, desejando que pudesse ser mais fácil entre nós, que pudéssemos confiar um no outro o suficiente para não sentirmos tão inseguros. Até onde sei, Caine nem sequer se sentia assim. Eu provavelmente estava projetando a minha neurose em cima dele.


Ele

tinha

estado

tão

ocupado

naquele

dia

que

provavelmente havia desmaiado, cercado por papéis. Decidi que ele ficaria ainda menos divertido do que antes, se eu aparecesse sem avisar novamente. Por isso, foi um choque, quando saí do táxi e encontrei Caine sentado no meu alpendre. Olhei para ele quando o taxista se afastou, surpresa em ver Caine sentado lá com um suéter e calça jeans e o celular oscilando entre suas mãos. Ele parecia um cara normal. Um cara comum muito quente, obviamente, mas se foi a imagem do impressionante empresário intimidante. Agora, Caine era apenas um cara esperando por sua namorada. Exceto... Eu não era realmente sua namorada. "Você se divertiu?" Ele perguntou em voz baixa no silêncio da madrugada. "Eu dancei um pouco," eu respondi, com minha voz suave. Ele balançou a cabeça e desviou o olhar, observanto a distância. "Sozinha?" Olhei para seu perfil bonito, tentando descobrir o que estava acontecendo aqui. "Não," eu admiti. Depois de alguns segundos, ele olhou para mim. "Posso entrar no seu apartamento?" Em resposta, caminhei em direção a ele, meus saltos clicando alto na calçada. Caine se levantou quando me aproximei e estendeu a mão para que o ajudasse a levantar-se do alpendre.


Eu enrolei meus dedos em torno dos dele, tremendo com o toque de pele contra pele. Ficamos em silêncio enquanto entrávamos no edifício, subíamos as escadas para o primeiro andar e caminhávamos para o meu apartamento. Tranquei a porta atrás de nós, e estávamos ainda em silêncio, enquanto eu jogava minha bolsa no sofá e tirava os sapatos. Ainda não havíamos dito nada entre nós, quando Caine estendeu a mão para mim. O único ruído que encheu o meu apartamento foi o farfalhar das roupas, a arfar das respirações contra os lábios, e nossos gemidos, quando Caine me tomou com força no chão da minha sala de estar. Estávamos tão desesperados para ter um ao outro, que não conseguimos nem mesmo chegar no sofá, e ao quarto menos ainda. Estava chegando ao clímax quando ele fixou minhas mãos acima da minha cabeça e parou de empurrar dentro de mim. "Caine?" Engoli em seco, a primeira palavra falada entre nós desde a varanda. Fúria apertava seu rosto, juntamente com seu orgasmo iminente. Algo primal brilhou em seu olhar, algo emocionante, mas aterrorizante que eu nunca tinha visto antes. "Diga que você é minha. Bem aqui, agora, você é minha," ele rosnou. Eu empurrei meus quadris contra os dele, desesperada para ele começar a mover-se novamente. Eu estava tão perto. Muito, muito perto. Eu solucei, "Caine".


"Diga." Ele deslizou quase todo o caminho para fora de mim. "Diga que você é minha." "Eu sou sua, eu sou sua," eu concordei, mal consciente do que estava concordando. "Por Favor." Ele esmagou sua boca sobre a minha e começou a bombear com mais força em mim. Não foi até bem depois, depois que chegamos ao clímax juntos, depois que ele me pegou e levou para a cama, e depois que acordei nas primeiras horas da manhã só para ver que ele tinha me deixado, que percebi o que Caine tinha me pedido. E se ele não tivesse fugido de mim e ignorado a minha ligação algumas horas mais tarde, eu teria dito que seu pedido de homem das cavernas foi um ponto de virada. Talvez ainda fosse. Ou talvez, em vez disso, isso o tivesse feito correr com medo.


Capítulo 16 Eu não tive notícias de Caine durante o Domingo inteiro. Talvez fossem os sinais confusos – a merda de "Eu quero você, eu não quero você" – ou o fato de que estava no meu período, a verdade era que eu estava me sentindo muito emocional sobre o nosso "relacionamento". Até evitei os telefonemas de Rachel e definitivamente, evitei as chamadas do meu avô. Sabia que se eu atendesse, eu soltaria minhas acusações contra ele, e eu ainda estava cautelosa com as conseqüências desse confronto. Até que eu organizasse meus sentimentos sobre o seu papel na morte do pai de Caine, eu não podia falar com ele. Em vez disso, eu fiz o que tenho sido boa boa em fazer desde que descobri a verdade – empurrei isso para o fundo da minha mente. Em vez disso, pensei sobre Caine, e me perguntei se era besteira e possivelmente perigoso para o meu coração, continuar a vê-lo, quando até agora, ele não me mostrou nenhum sinal de querer aprofundar nossa conexão. No momento em que cheguei ao trabalho na segundafeira, meus sentimentos estavam feridos. Mais uma vez. Eu não tinha certeza se continuaria com essa coisa entre nós. Nunca pensei que fosse uma pessoa particularmente sensível, mas eu suspeitava que Caine tinha um jeito de ficar sob a minha pele. Eu não sabia o que esperar dele quando cheguei ao escritório, e o que consegui foi um Caine sendo o habitual. Ele não


estava frio ou impaciente, mas também não estava muito caloroso. Ele foi profissional e cordial. Apenas poucas palavras. Eu, por outro lado... Bem, eu estava distante. Não era como se eu tivesse qualquer intenção de ir para o trabalho e, deliberadamente, construir uma parede óbvia entre nós. Isso só aconteceu naturalmente. Entrei em seu escritório, olhei para seu rosto bonito, e senti esta horrível melancolia me oprimindo. A única maneira de não me sentir daquele jeito, era ter o mínimo de interação possível com ele, até que tivesse minhas emoções sob controle. "Aqui estão as fotocópias que você precisava," eu disse depois de bater à porta de Caine. Ele acenou para que eu entrasse. "Obrigado." Coloquei-as em sua mesa, sentindo seus olhos no meu rosto. "Você precisa de mais alguma coisa?" "Posso

ter

outro

café?"

Ele

disse,

perguntando

tranquilamente. "Claro." Comecei a sair, mas ele me parou, chamando meu nome. "Sim?" Eu me virei para encará-lo. Caine me encarou, seu humor parecendo pensativo. "Você teve um bom Domingo?" Fiquei surpresa com a pergunta. E honestamente, não gostei. Era uma pergunta que me lembrava que eu tinha acordado sozinha, garantindo, assim, que o resto do meu domingo fosse


uma porcaria total. Não havia nada como um cara fugindo de você depois do sexo para diminuir a sua confiança. "Foi bem." "Você fez algo de bom?" Chorei como uma garotinha idiota quando acordei sozinha, e então passei o resto do dia encolhida no sofá, me sentindo inchada, gorda e cansada, como é normal no primeiro dia do meu período. Também comi uma tonelada de chocolate. Mas essa parte foi boa. "Eu fiz." Me movi para sair e ele chamou o meu nome novamente. Olhei para ele, exalando calma e paciência. "Sim?" "Então, o que você fez?" "Eu relaxei. Deixe-me pegar o café para você." Voltando com o café, Caine me interrompeu novamente enrolando a mão no meu pulso quando coloquei o café em sua mesa. Ele parecia preocupado. "Está tudo bem, Lexie?" Seus dedos se fecharam em um aperto. "Está tudo bem." Eu dei de ombros e gentilmente tirei minha mão de seu aperto. "Você me diria se fosse o contrário?" "Claro." E com aquela mentira deslavada eu saí, mas podia sentir Caine me olhando o tempo todo. Quando voltei para a minha mesa, suspirei, soltando todo o ar que estava segurando em sua presença. Foi muito fácil de evitar Caine depois disso, porque ele estava ocupado com um par de chamadas em conferência. Eu


estava lotada de trabalho, o que tirou a minha mente de como estava me sentindo. Parte de mim sentia-se mais no controle estando longe de Caine, mas havia outra parte que queria que meu período acabasse para poder voltar a ser mais racional e descontraída. Eu tinha que ficar me lembrando que, por mais que Caine tivesse falado que isso era apenas sexo, eu concordei com ele. Apenas sexo significava distância emocional e eu precisava me acostumar com isso. Por pelo menos uma hora eu não estava realmente pensando sobre a situação entre mim e Caine, mas tudo isso mudou quando a segurança chamou para anunciar que Darcy Hale tinha chegado e esperava para ver meu chefe. Eu nunca tinha ouvido falar dela, mas quando chequei com Caine, ele reconheceu o nome e disse-me para deixá-la subir. Quando a loira alta, elegante andou pelo corredor em direção a mim, levou tudo de mim para não estreitar os olhos com desconfiança. Tudo nela era sofisticado, desde sua calça de alfaiataria cinza e camisa de seda creme, aos elegantes óculos escuros Gucci no topo de sua cabeça. Seu cabelo loiro estava preso esticado em um rabo de cavalo elegante que destacava sua estrutura óssea acentuada. Ela parecia uma modelo. Eu tinha quase certeza de que ela era uma modelo. Ela me deu um sorriso frio quando se aproximou da minha mesa. "Darcy Hale para Caine Carraway." "Claro." Eu dei-lhe um sorriso tenso e senti meu estômago apertar desagradavelmente. "Um momento." Depois que


eu liguei para Caine, disse a ela que ele a atenderia em alguns momentos. "Tudo bem." Ela encolheu os ombros com elegância. "Eu estava apenas passando e pensei em aparecer, então eu teria entendido se ele não pudesse me ver." Ela me deu um sorriso malicioso. "Parece que causei uma boa impressão, no entanto." Eu queria arrancar seu rabo de cavalo como uma criança de cinco anos de idade. "E você conheceu Sr. Carraway...?" "Na sexta-feira no jantar de gala de arte. Meu pai é o presidente

de

uma

empresa

de

investimento

que

está

orgulhosamente sob a bandeira Carraway Holdings." Ela sorriu e desta

vez

foi

surpreendentemente

maliciosa.

"Tivemos

um

completo acordo." E o que diabos isso significava? Caine saiu de seu escritório para saudar Darcy com uma suavidade cavalheiresca que eu não gostei. Eu desviei o olhar, ao vê-lo olhando em minha direção alguns momentos antes de fechar a porta atrás dele e Darcy. Eu bufei para a tela do meu computador. Ele não tinha dito antes de sair para esse maldito evento que éramos exclusivos? O que diabos estava acontecendo? E a que acorodo exatamente ele chegou com aquela mulher felina que mal parecia ter saído das fraldas? Ela aparentava ter cerca de dezoito anos! Para meu alívio Darcy deixou o prédio apenas dez minutos depois. Eu só não estava muito aliviada, porque ela


parecia muito satisfeita para o meu gosto quando saiu. Ela apenas tinha

virado

a

esquina,

na

parte

superior

do

corredor,

desaparecendo da minha vista, quando Caine me chamou em seu escritório. De alguma forma eu consegui permanecer perfeitamente serena. "Sim?" Perguntei, parando na porta. O rosto de Caine instantaneamente escureceu. "Pelo amor de Deus, entre no escritório." Eu queria jogar algo nele, mas decidi que ele não merecia qualquer tipo de paixão de mim se ele estava brincando com aquela loira pelas minhas costas. Eu dei alguns passos em sua sala. "Feche a porta e venha aqui." Fiz o que ele disse, mas por algum motivo isso o deixou ainda mais furioso. "O que há de errado com você?" Ele retrucou. Eu fiz uma careta. "Não há nada de errado comigo." "Mentira." Ele se levantou abruptamente, contornando sua mesa. Eu me preparei quando ele veio em minha direção. "Você foi fria comigo durante toda a manhã." "Estou cansada, isso é tudo." Ele se inclinou para mim e sussurrou: "Mais mentira." "Pare de dizer mentira," eu rosnei. Luz brilhou em seus olhos. "Aí está ela."


"O quê? Você está tentando me irritar pra eu reagir a você agora? Você está entediado?" "Eu estou puto." Ele enrolou o braço em volta da minha cintura e puxou-me contra ele, ignorando minhas tentativas de me afastar. "Você está agindo de forma estranha e eu quero saber por quê." Parei de lutar e olhei-o diretamente nos olhos. "Eu estou bem." Seus lábios se apertaram quando olhou para mim por alguns segundos. Seu olhar estava procurando, como se ele pudesse encontrar as respostas de que precisava apenas olhando duro o suficiente. "Eu diria que foi por causa de Darcy Hale, mas você estava agindo diferente antes mesmo dela chegar aqui." "Ela disse que vocês dois tiveram, e cito, um acordo completo na sexta-feira." Eu inclinei minha cabeça para o lado. "Isso deve ter sido uma ótima reunião, para que ela arrastasse sua bunda magra por todo o caminho até aqui para vê-lo." Caine desfez a carranca, para sorrir de uma forma muito arrogante que me incomodou o suficiente para reiniciar minhas tentativas de sair de seus braços. Ele facilmente me dominou e venceu. "Eu dei-lhe o meu tempo por causa de quem seu pai é. Eu não posso insultá-la completamente. Mas acredite em mim, sua bunda magra não causa nada em mim. Nem o seu narcisismo também. De toda maneira" – suas mãos deslizaram pelas minhas costas até o meu traseiro nada magro – "Eu estou muito distraído, tendo você em abundância."


Você tem certeza sobre isso? Isso não estava tão claro na manhã de domingo. Minha dúvida deve ter aparecido em meu rosto, porque Caine deu um beijo em meu queixo antes de passar a boca em meu ouvido. "Na verdade, eu estou no clima para um pequeno aperitivo." Ele pressionou preguiçosamente doces beijos em minha garganta e, em seguida, de novo até que chegou a minha outra orelha. "Eu quero você nua agora e quero minha boca em você." Ele se inclinou para trás para ler o meu rosto. Seus olhos estavam incandescentes com desejo. "Você quer a minha boca em você?" Eu realmente queria sua boca em mim. "Não podemos. Meu período chegou ontem." Para minha surpresa Caine deixou seu desapontamento aparecer. Ele apertou minha cintura. "Isso é uma pena. Mas acho que vamos ter algo para ansiar até...?" "O fim da semana." Eu tentei me livrar de seu abraço, mas Caine não estava deixando. Ele me parou, me dando um aperto suave. "Você vai me dizer o que está acontecendo com você? Eu não gosto disso." Sua voz tinha baixado perigosamente. O quê? Eu deveria ter medo? "Sério? O Sr. Distante não gosta de distância?" Seus braços instantaneamente cairam e ele recuou. "Você está jogando comigo?" "Não." Eu suspirei e joguei minhas mãos no ar. "Eu não sei o que estou fazendo. Eu vim esta manhã, dei uma olhada em


você, e decidi que seria muito bom colocar um pouco de distância entre nós porque..." Ele franziu a testa, chegando perto novamente. "Por quê?" "Por que..." Basta dizer isso. Seja honesta.Ou pelo menos um pouco honesta. "Eu não sei onde estou com você. Você não pode ter as duas coisas, Caine. Você não pode estar distante de mim, fugir porque o sexo foi um pouco intenso, ignorar-me, em seguida, ficar chateado comigo quando reajo." Ele desviou o olhar. "É apenas sexo, Lexie," disse ele com os dentes cerrados. "Eu sei disso." Cara, como sei disso. "Mas isso não significa que não possamos reagir da maneira que queremos, ser quem

somos...

Eu

sinto

que

você

está

constantemente

empurrando e puxando porque você está desconfortável com a forma como as coisas, às vezes, se intensificam entre nós." Eu andei até ele timidamente. "Eu só quero que você seja você. Sem pressão. E eu vou ser eu. Eu sinto que você está se esforçando para provar que isto é apenas sexo, mas está fazendo isso ainda mais complicado. Eu quero descomplicar isso." "Como?" Eu dei uma bufada de riso resignado. "Por alguma razão eu gosto de você, Caine. Eu gostaria muito, que quando não estivermos

fazendo

sexo,

pudéssemos

ser

amigos.

Sem

expectativas, eu prometo." Apenas esperança. Ele ergueu as sobrancelhas, parecendo adoravelmente confuso. "Amigos?"


"Mmm." Eu sorri. "Você sabe... amigos." "Com benefícios?" "Exatamente." Depois de alguns segundos de silêncio, Caine finalmente me deu um aceno hesitante. "Amigos." Eu sorri. "Eu devo avisá-lo, porém, que sou uma espertinha para os meus amigos." "Oh, bem, então eu acho que nós temos sido amigos desde que você atrevessou pela primeira vez a minha porta." Ao contornar a mesa para sua cadeira, ele me deu um sorriso que fez o meu coração disparar. Todo o meu ser iluminou-se à transformação repentina de Caine. Antes, ele estava tenso por causa do meu estado de espírito, mas agora ele estava relaxado de uma maneira que eu raramente vi. Sim. Sem expectativas... mas Deus, eu tinha muita esperança.


Capítulo 17 "Qual é a sua cor favorita?" Eu ouvi o farfalhar do movimento de Caine contra o meu travesseiro enquanto ele virava a cabeça para olhar para mim. "Minha o quê?" Disse ele, confuso. Depois de alguns dias sem sexo e uma quntidade enorme de antecipação, eu tinha dado a Caine o passe livre para a diversão na quinta-feira de manhã. Ele apareceu no meu apartamento poucas horas depois do trabalho e transamos como se não tivéssemos nos vistos pelos últimos anos. Relaxada, deitei ao lado dele na minha cama, meus braços acima de minha cabeça em satisfação pós-coito, e decidi que era hora de começar a coisa de nos conhecer melhor. “Qual é a sua cor favorita?" Eu repeti. "Qual é a sua cor favorita?" Eu olhei para ele e vi que sua boca estava inclinada nos cantos em diversão. Eu gostava deste lado dele, esse lado de menino brincalhão que revelava para mim às vezes. "Roxo. Agora a sua?" "Eu não tenho uma cor favorita." Eu fiz uma careta. "Todo mundo tem uma cor favorita." "Eu não."


"Você deve ter pelo menos uma cor que você prefere mais do que as outras cores." Ele resmungou. "Isso não seria a mesma coisa que ter uma cor favorita?" Eu parei e repensei isso na minha cabeça. Ri ao perceber que ele estava certo. Caine soltou um riso, mas eu não estava pronta para deixá-lo escapar. Rolei para o lado encarando-o, descansando minha cabeça em minha mão. "Ok, deixe a sua mente em branco." Seu olhar se moveu sobre o meu peito nu. "Não consigo, estou receoso." Revirei os olhos. "Experimente." "Ok." Ele deu um suspiro longo de sofrimento. "O que agora?" "Qual é a primeira cor que vem à sua mente?" "Amarelo," Caine deixou escapar, e logo em seguida fez uma careta, por algum motivo desconhecido. "Amarelo?" Eu sorri. "Isso é definitivamente uma cor surpreendente, mas vamos ficar com ela. Sua cor favorita é amarelo. Qual seu filme favorito? E não diga que você não tem um, porque vi sua coleção de DVD. " Caine levantou uma sobrancelha. "Alguém andou me bisbilhotando?" "Não." Ele arqueou suas sombrancelhas.


"Tudo bem," eu bufei. "Eu bisbilhotei em seu armário de DVD." Para minha surpresa ele não disse mais nada sobre isso. Em vez disso, ele falou, "Os Sete Samurais." Tentei disfarçar meu choque que ele tinha oferecido a resposta tão facilmente. "É sobre o quê?" Eu assisti, fascinada, enquanto Caine mudou-se para o seu lado, então ficamos de frente para o outro. Havia interesse e um brilho em seus olhos. "É um filme japonês feito nos anos cinquenta e é sobre sete samurais azarados que são contratados por uma aldeia rural pobre para defendê-los contra saqueadores. As cenas de batalhas são algumas das melhores da história do cinema – por sua vez, só... É fantástico. É real, no entanto – tem coragem e sentimento. É um grande filme." Eu escovei meus dedos ao longo de seu antebraço. "Você tem esse filme?" "Eu tenho." "Talvez possamos vê-lo algum dia." O olhar de Caine percorreu meu rosto. "Acho que você vai gostar." Tomei isso como um sim para assistirmos o filme juntos e escondi um sorriso. "Banda favorita?" "Você não me disse qual o seu filme favorito." "Isso é fácil. E o Vento Levou. Embora eu pudesse dar um tapa na Scarlett sendo boba na maior parte do filme. Quero dizer, quem iria escolher Ashley ao invés de Rhett?"


Percebendo que queria uma resposta real, Caine deu de ombros. "Eu não sei dizer." "Ninguém, com certeza. Ashley é um romântico molenga e Rhett é sombrio, desafiador, todo homem. Não há competição. Scarlett era uma idiota." Os lábios de Caine se contrairam. "Uma idiota?" "Sim! Seria como se eu escolhesse ter Dean nesta cama, em vez de você." Sua diversão desapareceu. "Quem é Dean?" Engasguei com uma risada. "Dean. Seu recepcionista principal. Você sabe, o cara que fica naquela grande mesa de vidro e direciona as pessoas para onde ir." "Oh,

aquele

Dean."

Caine

pareceu

adoravelmente

confuso. "Eu achava que ele era gay." "Meu ponto é exatamente esse." "Ashley não era gay," Caine argumentou. "Ele era um cavalheiro." "Dane-se o que ele era, ele era chato e covarde." Eu caí sobre minhas costas. "As mulheres são atraídas por homens que podem assumir o comando de uma situação." "Nem todas as mulheres." Olhei para ele. "Falando por experiência, não é?" Ele suspirou. "Eu tenho sido conhecido por intimidar algumas mulheres." "Você? Intimidante?" Eu provoquei. "Não."


Caine riu e estendeu a mão para mim, deslizando um braço sobre minha barriga para que pudesse me puxar para ele. "E algumas mulheres precisam aprender a ser mais intimidadas por mim." Eu ri, passando os braços ao redor dele enquanto ele rolova para que ficasse apoiado em cima de mim. "Isso não vai acontecer." Ele

balançou

a

cabeça,

me

contemplando.

"Estou

percebendo isso." "Eu acho que você gosta." Em vez de responder de forma afirmativa, Caine passou os polegares em minhas bochechas. "Banda favorita?" Eu sorri, feliz por ele estar tão bem em compartilhar, mesmo que fosse apenas coisas triviais. "The Killers." "Ótima escolha." Eu aqueci sob sua aprovação. "Você?" "Led Zeppelin." Eu passei meus dedos sobre suas costas musculosas de um jeito preguiçoso, de uma forma tão familiar que me senti bem demais. "Cidade favorita fora de Boston?" "Sydney. Você?" "Praga." Caine acalmou sob o meu toque. "Uma escolha muito agradável."


"Eu realmente quero visitar Budapeste, no entanto. Todos os lugares que visitei foi com Benito, e nenhum deles foram os lugares que eu queria ver." "Já estive em Budapeste." Ele inclinou a cabeça para escovar suavemente seus lábios contra os meus. "Você adoraria." Eu amei isso. Adorava que ele já não estava lutando para manter quem ele era de mim. Agora nós éramos dois amigos que queriam conhecer um ao outro. Enquanto estávamos nus. "Por que você gosta do meu apartamento?" Eu soltei de repente. Caine

me

estudou

por

um

momento,

parecendo

memorizar todos os aspectos do meu rosto. "Porque ele tem charme. Não há modismo – é atemporal, com uma beleza simples. Bastante como sua dona." Seu elogio infiltrou em mim, aquecendo até as pontas dos meus dedos. "Eu acho que essa é a coisa mais agradável que alguém já me disse," eu sussurrei. Caine sorriu. "Você acha que essa é a coisa mais agradável que alguém já disse para você?" "Sim." "Veja. Sem modismo. Beleza simples." Apertei os olhos, pensativa. "Você secretamente gosta das minhas camisetas e shorts curtos, não é?" Ele sorriu em resposta, antes de engolir o riso em um beijo profundo e alucinante.


O meu maior problema com o nosso relacionamento, seria chegar a um acordo onde, mesmo que Caine me permitisse esses pequenos momentos de intimidade, ele não tinha a intenção de mudar de idéia sobre o que estávamos fazendo juntos. Eu tinha desenvolvido um mau hábito de renovar minhas esperanças, apenas para Caine me lembrar que esta ainda era uma situação amigos-com-benefícios. Apenas um dia depois de termos passado a manhã rindo, conversando e brincando, fui trazida de volta à terra, com um solavanco. Esses momentos me fizeram sentir próxima dele, mas no dia seguinte tudo voltou a ser como era antes. Eu não culpava Caine. Ele não sabia que eu ficava mudando as regras na minha cabeça. Eu estava frustrada, no entanto, pela minha falta de progresso e precisava me reorganizar, para encontrar uma outra maneira de chegar até ele, e até agora eu não consegui nada. Nós não fizemos planos para nos encontrar naquele fim de semana e considerei passar na casa de Effie para ter sua perspectiva única, até um telefonema de Rachel na sexta-feira à tarde. Caine estava almoçando fora e eu estava em minha mesa, mordiscando uma salada. Não estava exatamente com o melhor dos apetites nos últimos dias. "Lexie, vamos lá," Rachel bufou em seu aborrecimento. Eu tinha acabado de dizer a ela sobre a minha tentativa frustrada de me aproximar de Caine. "Talvez seja a hora de deixar este cara antes de se machucar."


Eu ignorei isso. "Eu tenho tentado chegar a uma nova tática, mas percebi uma coisa esta manhã. Sem mais táticas. Talvez honestidade funcione melhor." "De jeito nenhum." Eu podia senti-la revirando os olhos. "A menos que você queira que as coisas definitivamente acabem entre vocês... e eu não sou exatamente avessa a isso." "Você precisa se decidir. Você acha que eu transar com meu chefe é sexy ou estúpido? Escolha um." Ela continuou na dúvida entre os dois, o que não era bom quando havia a necessidade de um conselho. "Agora é idiotice. Eu acho que é temp – Maisy, Ted não é um brinquedo!" Ela amaldiçoou, e ouvi o telefone cair. Um minuto depois, ela estava de volta ofegante "Desculpe por isso." "Quem é Ted e eu gostaria de saber o que esta criança capeta estava fazendo com ele?" "Você sabe que vou começar a tomar os seus comentários sobre a minha filha a sério um destes dias." "Eu gostaria que você fizesse." Rachel bufou. "Ted é o nosso cachorrinho." Meus olhos se arregalaram de horror. "Você deu a essa criança um filhote de cachorrinho?" "Ele a ama. É tão adorável." Eu estava com cem por cento de certeza de que o pobre cachorrinho não amava Maisy. Estava certa de que o coitado do cachorrino morria de medo de Maisy. "O que ela estava fazendo


com ele? E cuidado com o que você diz, porque não tenho medo de chamar a Proteção dos Animais para você." "Oh, pare com isso. Ela estava apenas abraçando-o um pouco forte demais. Eu estava lá. Estou mantendo um olho nela. Você não confia em mim?" Um... "Eu vi o que você deixa essa criança fazer com o seu marido." "Mas isso é apenas Jeff. Eu nunca deixaria Maisy machucar um animal. Não que ela queira... Ela é apenas excessivamente eufórica. Eu tenho meu olho em Ted, no entanto. Você não se preoc – hey, você mudou de assunto," Rachel retrucou. "Dispense o chefe perdedor." Meu silêncio a fez suspirar pesadamente. "Rach–" "Ok, tanto faz, mas pelo menos me prometa que vai manter a noite de sábado livre, porque tenho um bilhete extra para o jogo do Red Sox e esses bilhetes são fodidamente demais. Jeff os conseguiu no trabalho. Escuta só isso, campo quarenta e três, fileira quatro, atrás do placar maldito." Eu mordi meu lábio inferior, pensando. Aqueles eram grandes lugares, mas havia todas as chances de Caine estar naquele jogo. Ele não podia ir em todos, mas ele tentava e com o jogo de sábado contra os Yankees, havia uma enorme chance de que ele estivesse lá. "Eu não ouvi o 'com certeza' que estava esperando. Vamos lá," Rachel implorou. "Nós não saímos há tempos e sim, Jeff vai estar lá, mas nós temos uma babá, então Maisy não vai."


Isso fez adoçar a ideia um pouco mais. E mesmo se Caine estivesse lá, seria em nível muito acima e não há maneira que ele me identificaria em uma multidão de milhares de pessoas. Espera. Se ele me visse, e daí? Eu tinha permissão para ir a um jogo. Ele não podia me dizer o que fazer no meu tempo livre. "Não vá por esse caminho," Eu me alertei. "Qual caminho? Qual caminho que estou indo?" "Não é você, Rach. E sim, eu vou para o jogo." "Yay! Ok, Jeff e eu vamos encontrá-la na entrada às seis e meia. Não coma antes do jogo. Tenho a intenção de comprar grandes quantidades de besteiras e cerveja e você vai se juntar a mim para que eu não me sinta tão mal com isso." Eu sorri, de repente me sentindo muito melhor, agora que tinha planos concretos para o fim de semana que não envolviam Caine. "Os cachorros quentes são por minha conta." Havia uma mistura de culpa e malícia nos olhos de Rachel enquanto eu caminhava em direção a ela e Jeff. Eles estavam fora da entrada para Fenway Park e eles não estavam sozinhos. Esmagando minha irritação com eles, consegui um sorriso de Olá quando me aproximei. Os olhos de Rachel se arregalaram e eu peguei sua mensagem silenciosa Por favor, não me mate. Mas eu queria. Eu realmente, realmente queria.


Eles haviam trazido um outro cara com eles. Um encontro. Para mim. Eu não me preocupei em dizer a Caine quais eram meus planos para o fim de semana, porque ele não tinha perguntado. Depois que tinha conseguido desligar o telefone com Rachel, Caine voltou do almoço e pousou o seu traseiro na ponta da minha mesa. "Como

está?"

Disse

ele,

parecendo

genuinamente

interessado. "Tudo bem." Inclinei a cabeça para o lado e sorri. "E você?" Seu olhar esquentou pela primeira vez em dias. "Eu estou bem." Ele olhou para longe. "Estive muito ocupado e sei que nós não tivemos..." Eu coloquei minha mão sobre sua coxa. "Não se preocupe com isso. Eu sabia ao entrar nisso que você é um cara muito ocupado." "Certo."

Seus

dedos

roçaram

a

minha

mão

que

descansava intimamente nele. "Eu não sei quando vou estar livre... talvez Domingo?" Dei de ombros, como se não me machucasse estar tão longe na sua lista de prioridades. "Chame-me quando você estiver livre e vamos ver se estou também, e partimos daí." Caine sorriu. "Você está sendo muito agradável."


Eu apertei sua coxa. "Eu só estou dando a você o que você quer." Ele franziu a testa, sugerindo que não gostou da minha resposta, mas, eventualmente, acenou com a cabeça. Ele lançou um olhar por cima do ombro para garantir que o caminho estava livre e, em seguida, se inclinou para pressionar um beijo suave nos meus lábios. Seu beijo suave de repente ficou mais forte e ele agarrou a minha nuca enquanto sua língua deslizava em minha boca. O beijo inflamou em algo faminto e excitante, e me levou um momento para lembrar onde estávamos. Afastei-me, ofegante. Passando a mão pelo cabelo, parecendo consternado pelo beijo, Caine se levantou, me deu um meio sorriso desconcertado, e desapareceu em seu escritório. Olhei para sua porta fechada, me perguntando quando eu havia me tornado uma atriz tão boa. A realidade era que eu não deveria me sentir mal por me permitir ser enganada com um encontro às cegas, mas quando apertei a mão do colega de trabalho de Jeff, Charlie, senti como se estivesse fazendo algo errado permitindo isso acontecer. Caine e eu tínhamos concordado em ser exclusivos. Charlie era alto e bonito do tipo vizinho da porta ao lado, que o fazia realmente atraente. Ele tinha um grande sorriso e se eu não estivesse atualmente tentando conquistar o coração de Caine Carraway, teria ficado feliz em me arranjar com Charlie. Os caras passaram pela segurança em primeiro lugar e Rachel se agarrou ao meu braço quando seguimos atrás deles. "Por favor, não fique com raiva de mim," ela sussurrou. "Charlie


lhe viu na foto de casamento sobre a mesa de Jeff e perguntou sobre você. Jeff não sabe nada sobre o Chefe doido, e quando ele sugeriu, eu pensei que poderia ser bom para você." Eu continuei sorrindo porque Charlie estava me jogando olhares por cima do ombro de vez em quando, mas eu estava chateada. "Você não pode tomar essas decisões. Caine está provavelmente neste jogo." "E daí?" Ela retrucou. Eu desviei o olhar, absorvendo à vista de todos os fornecedores embaixo das arquibancadas, e inalando o cheiro de fast food, pipoca, e cerveja. As pessoas sentavam em bancos fora das barracas dos vendedores, comendo e rindo. Não havia nada como a atmosfera no Fenway, e percebi que uma das razões que eu amava vir aqui, era que me dava aquele sentimento que família era suposto dar – aquele aconchego, aquela união. Era um lugar doce para estar em noite de jogo. "Voce está brava." "Sim", eu admiti. "Caine e eu podemos ser–" "Nada. Você e Caine não são nada." "Não é verdade." Eu fiz uma carranca. "Nós somos exclusivos." Ela suspirou. "Olha, mesmo que ele esteja aqui, pense nisso, são pelo menos vinte mil outras pessoas. Tenho certeza de que não há uma mínima chance dele lhe ver, considerando que provavelmente está em um nível muito acima." Minha expressão confirmou sua suspeita.


"Bom. Agora que isso está fora do caminho, venha e deixe Charlie comprar-lhe uma cerveja e um cachorro quente." Sob protesto silencioso eu fui com ela. Charlie me deu um sorriso bonito e acenou para o fornecedor mais próximo de cachorro-quente. "Posso lhe pagar o jantar?" Culpa bateu através de mim. Isso soava tanto como um encontro. Eu não poderia mesmo fingir que não era. Má, Lexie, má, má, Lexie. Olhei por cima do meu ombro, certa de que a qualquer momento Caine iria aparecer e fazer-me sentir ainda pior. "Você sabe o quê?" Eu dei a Charlie um sorriso amigável (não haveria paquera ou encorajamento da paquera!) "Por que nós não apenas pegamos nossos lugares? Os caras das barracas correm para cima e para baixo nas arquibancadas a cada poucos minutos. Nós podemos pegá-los depois então." "Soa como um plano." Começamos a caminhar de volta do jeito que viemos, virando à direita embaixo das arquibancadas em direção ao nosso lugar. Rachel e Jeff se acomodaram, dando espaço para Charlie e eu. Eu poderia ter socado os dois. "Então... Rachel diz que você é um assistente pessoal?" Ele enfiou as mãos nos bolsos e me jogou um sorriso de adulação. Havia algo em sua maneira que sugeria que ele estava nervoso. Ótimo. Eu me sentia ainda pior.


"Uh, sim." Eu não estava entrando nessa. "O que você faz?" Jeff trabalha em publicidade, mas sabia de ouvir-lhe que havia um monte de diferentes postos de trabalho na agência. "Estou no departamento de artes." "Oh isso é ótimo. Eu sempre quis ter gastado mais tempo em artes na escola. Eu gostava de desenhar, mas isso é tão longe quanto minhas habilidades vão." "Você é criativa?" Eu pensei sobre isso. "Eu não acho que seja criativa. Organizada. Muito organizada. E acho que tenho um bom olho. Você sabe, eu sempre quis ser uma planejadora de eventos e combinar os dois." Ele deu de ombros. "Então, por que não?" "Por que não o quê?" "É uma planejadora de eventos." Eu ri. "Como se fosse tão simples assim." "Tudo o que você tem a fazer é conseguir um grande cliente para dar-lhe um começo, e uma referência brilhante poderia alavancar com a sua empresa." Eu olhei para ele, incrédula. "Eu não acho que é assim tão fácil." Charlie sorriu. "Eu acho que você não sabe se é assim tão fácil. Você nunca tentou dar uma chance." "Porque eu sou um assistente pessoal. Eu organizo as coisas para uma pessoa."


"Caine Carraway." Ele balançou a cabeça e só de ouvir o nome enviou outro golpe de culpa esfaqueando meu intestino. "Se você pode organizar a vida de alguém tão proeminente quanto Carraway, você pode organizar uma festa ou duas." "Acabamos de nos conhecer e você já está me dando conselhos sobre a carreira. Como isso aconteceu?" "Desculpe." Ele me lançou um olhar tímido e jogou seu cabelo castanho sedoso de seus olhos azuis. Tão bonitinho. Era realmente uma pena que não nos conhecemos meses atrás. "Eu tenho uma tendência a fazer isso. Eu deveria ter sido um conselheiro orientador." "Está tudo bem," eu garanti a ele. "Estou acostumada a receber conselhos sobre a minha carreira." Ou, pelo menos, eu era acostumada a ouvir tudo isso de vovô e Rachel até que comecei a trabalhar com Caine. O olhar de Charlie questionou

o meu enigmático

comentário, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Rachel saltou entre nós como uma adolescente animada. "Por aqui!" Eu ri e joguei a Jeff uma olhada. Ele deu de ombros. "Ela fica assim quando nós temos uma babá." Ele sorriu e caminhou atrás dela até a parede de concreto iluminada pela luz dos stands na arquibancada. "Depois de você." Charlie fez um gesto. Pisquei contra o sol de fim de tarde, e em seguida vi Rach e Jeff à esquerda em direção aos lugares. Eu não esperei por Charlie para sentar depois deles. Eu queria ser clara da forma


mais diplomática e menos cruel possível que esse encontro era uma impossibilidade. Quando eu me sentei ao lado de Jeff, eu ignorei a visão de um grupo de pessoas recebendo sua foto tirada com o mascote do Red Sox, Wally o Monstro Verde, e esperei por Charlie para tomar seu assento ao meu lado. Ele se sentou, sorriu para mim, e percorreu seus olhos pelas minhas pernas. Eu estava usando uma camiseta feminina do Red Sox e um short jeans. Praticamente todo o meu corpo estava corando pelo tempo que ele levou para me conferir. E foi aí que eu decidi que a forma menos cruel seria a forma mais honesta. Inclinei-me para ele e Charlie sorriu e abaixou a cabeça em minha direção para que pudesse me ouvir sobre a multidão e o cara falando no microfone a respeito de uma fundação de caridade. "Eu não sabia sobre essa noite." Ele franziu a testa. "Sobre mim?" "Sim. Rach não me disse." Eu podia sentir Jeff enrijecer ao meu lado quando ele ouviu. Charlie fez uma careta. "Isso é um problema?" Eu dei-lhe um olhar de desculpas. "Eu meio que estou vendo alguém... Quero dizer, é... Eu não sei como estamos, mas..." Ele levantou a mão e me deu um sorriso desapontado. "Entendi. Realmente, não é nenhum problema." "Sinto muito."


"Você

não

tem

nada

para

se

desculpar," ele

me

assegurou. Eu sorri agradecida para ele. Um cara aparentemente tão doce. O que diabos eu estava fazendo? "Você ainda tem que me deixar comprar-lhe algo para comer, no entanto. Sem implicações?" "Você sabe o que...? Acho que devemos fazer Rachel pagar por isso." "Eu concordo," Jeff falou ao meu lado, e olhei para ele para ver que ele não estava feliz. Aparentemente, Rachel não tinha dito a Jeff que eu não sabia sobre o encontro também. "Eu não poderia," Charlie insistiu. "Minha mãe me mataria se deixasse uma mulher comprar seu próprio jantar." Eu ri. "Isso não está um pouco fora de moda?" "Provavelmente." Ele sorriu. "Mas ela é terrível, então eu faço o que ela diz." Eu o cutuquei com meu braço. "Ok, então, vou querer um cachorro-quente, por favor." "Cachorro-quente!

Cachorro-quente!

Adquira

os

seus

cachorros-quentes!" Um cara corpulento com camisa amarela de um dos fornecedores gritou atrás de nós, pulando para baixo com a bandeja de cachorro quente acima de sua cabeça. Nós caimos na gargalhada. "Bem na hora," disse Charlie, e ergueu a mão para chamar a atenção do cara quando ele se virou na parte inferior dos bancos. Dois cachorros-quentes e uma cerveja gelada depois, estávamos com 30 minutos de jogo e os Red Sox estavam


dominando isso. A atmosfera elétrica do parque lotado cresceu em mim e como sempre me fez esquecer até mesmo os momentos lentos do jogo. "Eu tenho que ter uma daquelas camisas!" Rachel debruçou sobre Jeff para bater no meu joelho. "As réplicas das camisas de baseball." "Por que você não tenta a loja do time?" "Eu quero um modelo feminino. Meus seios vão se perder em um modelo masculino." Eu não me lembrava de ver um estilo feminino da camisa na loja. "On-line?" Sugeri. Em vez de responder, Rachel olhou por cima do meu ombro e levantou as sobrancelhas. Eu olhei para trás para ver o que a tinha distraído. Um homem mais velho bem construído em uma camisa vermelha de Segurança do parque estava olhando para mim com este semblante em branco profundamente perturbador. "Alexa Holland?" Ignorei o olhar curioso de Charlie no meu rosto e me perguntei o que diabos eu tinha feito de errado. "Hum... sim," Eu estava quase com medo de admitir. "Senhor Carraway solicita a sua presença na sala da área VIP." Puta Merda... Eu empalideci. Como diabos ele tinha me visto nesta multidão?


Como se pudesse ler minha mente, o segurança apontou por trás de mim. Eu olhei por cima do meu ombro. A sala de Caine estava bem acima de mim. Claro que estava. Eu suspirei. "Você não tem que ir, Lex," Rachel gritou acima do barulho. Atirei-lhe um olhar. "Sim, eu tenho." Se ele tivesse me visto com Charlie, eu só podia imaginar o que ele estava pensando. Depois de dizer-lhes que eu os encontraria mais tarde, eu segui o cara da segurança fora da arquibancada. Imaginei que tipo de recepção estava prestes a receber, e o que me incomodaria mais – Caine não acreditar em mim ou sua indiferença. Assim que o segurança abriu a porta para a sala de Caine, fiquei surpresa ao ver que Caine não estava sozinho. Effie e Henry estavam lá, entre outros rostos conhecidos do trabalho. Effie veio correndo para me abraçar, e a culpa que estava sentindo dissipou sob a minha raiva. Ele convidou todas essas pessoas para assistir ao jogo e ele não tinha me convidado. Não até que ele tinha me visto lá com outra pessoa. "Você está quente, garota." Effie sorriu para mim. Eu sorri, empurrando a minha ira de volta para baixo. "Assim como você." Ela fez um barulho "pfft" para mim enquanto Henry veio para dizer olá. Ele parecia diferente vestindo sua camisa dos Red


Sox e jeans. Mais acessível. Lindo. "Eu tenho torta de creme de banana," anunciou ele, e eu ri. Eu tinha falado com Effie para aliviar com Henry. Effie revirou os olhos, mas estava sorrindo quando engatou a conversa com um casal de idosos. Pessoas

que

me

reconheceram

acenaram

e

sorri

educadamente de volta, deixando Henry ao meu lado perto de Caine. Ele estava em pé na varanda, de costas para mim, enquanto observava o jogo. Ele parecia solitário ali, mesmo cercado por tantas pessoas. Minha raiva se afastou. Ele gostava desta forma. Ele gostava de ficar sozinho, mesmo com tantos outros ao seu redor. Mas eu estava começando a pensar que ele era incapaz de ficar sozinho em torno de mim... e percebi então que era por isso que ele nunca tinha me convidado para assistir o jogo. Até que ele tinha me visto lá. Com outra pessoa. "Melhor ir dizer oi para o chefe," Henry piscou para mim. Apesar de Caine não ter contado a ninguém sobre nosso relacionamento, eu sabia que Henry tinha suspeitas muito concretas de que alguma coisa estava acontecendo entre nós. Assim como Effie, ele era a coisa mais próxima que Caine tinha como família. E ele era um homem inteligente. Ele conhecia Caine bem o suficiente para notar mudanças em sua programação, seu comportamento e sua atitude comigo.


Sentindo borboletas vibrando em minha barriga, eu saí para a varanda fiquei ao lado de Caine, mantendo alguns centímetros de espaço entre nós. Olhei para seu perfil, odiando o modo como essas borboletas ficaram loucas apenas com a simples visão de seu rosto. "Hey". "Quem são eles?" Eu vacilei na frieza de seu tom. "Amigos. Uma amiga da faculdade, seu marido e seu colega de trabalho." "Você não achou que era importante mencionar que estaria no jogo de hoje à noite?" Suas palavras eram tranquilas, mas eu podia sentir a tensão que emanava dele, e minha própria frustração e irritação começou a construir de novo. "Você não me disse que estava vindo para o jogo." "Eu tenho ingressos para a temporada toda. Você sabe disso." "Você

nem

sempre

vem

ao

jogo,"

eu

argumentei

suavemente. "Eu não me importo que você veio para o jogo." Ele finalmente olhou para mim, com raiva em seus olhos escuros. "Eu me importo com o cara que estava todo em cima de você." Eu deveria ter ficado emocionada por seu ciúme, mas não estava. Não mais. Eu estava cansada dessa incerteza entre nós. "Rachel arranjou um encontro ás cegas e não me disse. Eu disselhe imediatamente que estou... saindo com alguém." "Eu não acho que ele recebeu o memorando."


"E você pode dizer isso daqui de cima?" Caine, de repente se inclinou para mim, claramente esquecendo de onde estávamos e que tínhamos uma audiência. "Eu vi que você não estava fazendo muito para dissuadi-lo." Olhei incisivamente sobre o meu ombro, silenciosamente lembrando-lhe de onde estávamos. Ele se afastou, sua mandíbula apertada, enquanto ele olhava para a frente novamente. Eu me movi perto o suficiente para ele me ouvir sem ninguém escutar. "Eu não estava encorajando-o, e honestamente toda essa besteira possessiva está me irritando." Caine me lançou um olhar cortante, mas me recusei a ser intimidada. "Eu não sou o único que fica com ciúmes," ele me lembrou. "Não, você não é. E você sabe por que estamos agindo como loucos? Porque você não está disposto a dar uma chance de verdade a toda a parte de 'amigos' do nosso negócio. Há desconfiança entre nós, porque você continua erguendo este muro." Eu olhei por cima do meu ombro novamente, checando novamente se ninguém estava por perto. Meu olhar voltou a encontrar o seu. Sem mais jogos. Sem mais táticas. Honestidade. Era tudo o que me restava. "Isto não é apenas sexo, Caine. Isto é um caso." Eu segurei minha mão no ar para parar o seu protesto. "Eu não estou sugerindo permanência. Estou sugerindo você admitir que há uma diferença no que estamos fazendo aqui. Nós não somos duas pessoas que só fazem sexo de vez em quando. Há sentimentos aqui se queremos admiti-los ou não. Eu não estou


pedindo o para sempre. Estou pedindo para você parar de me afastar. Estou lhe pedindo para ser real comigo por qualquer que seja o tempo que isso durar." Seus olhos brilhavam. "E se eu não fizer?" Meus joelhos tremeram. "Então acho que nós deveríamos acabar com isso." Ele exalou e desviou o olhar novamente. Tempo para ser ainda mais corajosa. "Eu não quero acabar com isso. E não acho que você queira também." "E o que lhe faz pensar isso?" Ele falou languidamente, e eu quase acreditei na sua indiferença. Quase. "Nós não stamos fartos um do outro ainda." Depois de alguns segundos Caine olhou para mim novamente e vi fogo e desejo em seus olhos. "Não, não estamos." Nós nos encaramos por alguns momentos e o fogo do desejo começou a surgir abaixo em minha barriga. "Então, o que exatamente você sugere, Lexie?" Eu sorri lentamente. "Passe o dia comigo." Ele piscou surpreso "Passar o dia com você?" "Em qualquer lugar que eu escolher. Passe o dia comigo e apenas seja meu amigo por algumas horas. Depois prometo foder até lhe deixar fora de órbita." Eu sorri. Caine considerou a minha sugestão e depois riu, antes de voltar a olhar o jogo. "Combinado."


Capítulo 18 Meus pés afundavam na areia e uma suave brisa do mar refrescava meu rosto contra o sol quente do verão. "Era isso que você tinha em mente?" Caine quebrou o silêncio, me jogando um pequeno sorriso. Eu retornei aquele sorriso. "Talvez." Fiel à sua palavra, Caine tinha me dado o Domingo. Todo o Domingo. Para sermos amigos. Para sair. Eu tinha escolhido Good Harbor Beach em Rockport como o nosso destino para passear. Embora Caine tivesse ficado surpreso com a minha escolha, acho que ele estava secretamente satisfeito. Ele era dono de um Vanquish Volante azul escuro que ele só dirigia ao redor da cidade quando não precisava de seu motorista da empresa, o que não era frequente. Good Harbor ficava um pouco mais de uma hora de distância, o que lhe deu a desculpa para esticar as linhas do brilhoso Aston Martin. Eu tinha que admitir que era divertido vê-lo acelerar. Quando chegamos, Caine estacionou perto da praia, inconxciente dos homens e mulheres que estavam babando em cima de seu carro quando saímos dele. Ele estava muito concentrado em mim. Eu acho que ele estava tentando entender o que eu realmente queria dele.


Em pé na praia, seus sapatos e meias penduradas em uma mão, enquanto seu outro braço descansava levemente em volta da minha cintura, ele disse, "Porque Good Harbor?" Eu

estremeci

com

a

pergunta,

sentindo

a

brisa

refrescando meu corpo ainda mais enquanto deslizava por meus braços. "Eu gosto daqui. A única férias que me lembro de ter quando era só mamãe e eu foi aqui." Eu olhei para a água, a dor atravessando em mim com as memórias. Era engraçado, mas pela primeira vez, eu recebi a dor em vez da frustação angustiada que me destruia quando me lembrava de minha vida com minha mãe quando adulta. "Naquela época, todo o meu mundo girava em torno dela." Eu olhei para ele, querendo saber como ele reagiria se eu mencionasse o meu pai. Decidindo que hoje era o dia para empurrar todos os limites, eu pisei no pântano que era a nossa história compartilhada. "Meu pai visitava no meu aniversário todos os anos e ficava alguns dias. Eu achava que não havia ninguém como ele, e minha mãe ajudou a criar essa ideia. Ela encheu a minha cabeça com todas estas noções românticas sobre ele. Ele era como um personagem de conto de fadas, um alívio da vida real. Minha mãe... bem, ela era a coisa séria. Toda a minha felicidade dependia dela. Nós não tínhamos muito, mas isso não importava, porque ela me fazia sentir segura e amada. Tivemos mais do que deveriamos, apesar de tudo." "Seu pai?" Caine deduziu. Eu olhei para ele, procurando em seu rosto por uma reação à nossa conversa. Ele parecia contemplativo, não agitado como eu meio que esperava que ele fosse ficar. "Sim. Ele dava dinheiro para minha mãe."


"E Good Harbor? Sua mãe vivia em Connecticut. Acho que é mais do que coincidência que sua única férias com ela foi em Good Harbor... perto de seu pai. " Eu sorri com tristeza. "Ela cresceu em Boston, por isso este lugar lhe era familiar, mas... sim, meu pai apareceu no final de nossas férias. Antes dele aparecer, minha mãe e eu passamos todos os dias na praia." Eu sorri. "Foi o paraíso. Nós nos divertíamos e só passeávamos. Minha mãe nunca falou comigo como se eu fosse uma criança, você sabe. Ela tinha conversas reais comigo. Seus pais morreram quando ela era um bebê e sua tia a criou em Boston. Ela me contou esta história sobre quando ela era uma garotinha. Um verão a sua tia a levou para Good Harbor. Minha mãe me disse que sua tia teve que levá-la para casa e ela se recusava a voltar. Quando perguntei por que, ela disse que havia um garotinho lá e ele continuava espetando uma vara em uma gaivota ferida. Minha mãe ficou muito chateada e por isso a sua tia perguntou ao menino por que ele estava atormentando o pássaro. E ele disse que uma gaivota tinha descido e pegado seu último pedaço de massa frita no dia anterior. Ele encontrou este ferido e decidiu que só poderia ser a tal gaivota ofensiva. Assim, enquanto ela estava ferida, aquela era a vingança do garotinho. Minha mãe disse para o menino que ele deveria perdoar e deixar a pobre criatura sozinha, e sua resposta foi espétá-la ainda mais forte. Minha mãe começou a chorar e sua tia a levou embora. Mamãe se recusou a voltar para a praia. Eu nem sei por que ela me contou essa história... mas lembro-me que me incomodou por um tempo." Eu pisquei de volta o inicío das lágrimas. "Agora eu não consigo tirar isso da minha cabeça."


Nós caminhamos ao longo da costa em silêncio por alguns segundos e, em seguida, o calor da pele de Caine encontrou a frieza da minha quando ele entrelaçou nossos dedos e apertou minha mão na sua. Eu não disse uma palavra para reconhecer o gesto. Eu só segurei. "Ela era uma pessoa doce," eu disse. "Uma boa pessoa. Mas em torno do meu pai, ela mudava. Nossa férias em Good Harbor terminou abruptamente depois que meu pai apareceu. Tudo estava bem no primeiro dia – mais do que bem, era emocionante como sempre. Mas no dia seguinte, ele de repente desapareceu e minha mãe não parava de chorar. Ela arrumou-nos e encerrou as férias. Isso foi meio que um tema com o passar dos anos." "Você a perdoou? Por abandonar você por ele?" "Eu não sei. Ela deixou de ser a mãe que eu tinha quando criança. Ela o colocou antes de mim." "Ela era humana. Ela tinha defeitos, Lexie. Isso não significa que ela não lhe amou." Ele apertou minha mão. "Talvez você devesse parar de cutucar aquela gaivota." Meu passo hesitou. Caine sorriu gentilmente. "Ela se foi. Está feito. A única que você está machucando aqui é você, baby." Pisquei mais lágrimas e apertei a mão dele em troca. "Como você ficou tão sábio?" Eu dei uma risada meio corajosa de provocação. "Eu sempre fui muito sábio." Ele me puxou suavemente de volta ao ritmo com ele. "Minha mãe era igual com meu pai."


Levou cada grama de auto-controle que eu não tinha para não mostrar surpresa por ele mencionar sua mãe. Até onde eu sabia, este era um assunto completamente intocável. Eu me mantive absolutamente tranquila, esperando que ele continuasse. "Minha mãe era uma pessoa diferente em volta do meu pai," ele admitiu sombriamente. "Era como se ela estivesse tentando ser quem ela achava que ele queria que ela fosse." Timidamente, eu perguntei, "O que ela fez... as escolhas que ela fez... lhe chocaram?" "Sim."

Ele

olhou

para

a

água

enquanto

nós

caminhávamos e estudei seu perfil, à procura de qualquer sinal de que ele estava chateado. Mas ele parecia perfeitamente calmo. "Eu era apenas um garoto. Eu não tinha idéia que ela era assim egoísta. Foi exatamente como você com sua mãe. Você pensou que ela era uma super heroína, certo? Até que você cresceu. Para mim... Só aconteceu de ter a verdade me acertando um pouco jovem." Ele olhou para mim. "Você quer saber como passei por isso?" Prendi a respiração e assenti. Eu estava paralisada. Temerosa. Agradecida. Caine estava confiando em mim. "Eu me concentrei em todas as coisas boas. Porque as pessoas não são apenas uma coisa. Sua mãe não era apenas fraca e egoísta e nem a minha. Sua mãe não era infeliz o tempo todo e nem a minha. Houve momentos em que minha mãe estava mais viva do que qualquer um que já conheci. Ela era obcecada com a cor amarela. Usava-a quase todos os dias, mesmo que fosse


apenas uma fita em seu cabelo. E ela tinha uma tonelada de fitas amarelas." Ele sorriu suavemente, seu olhar reflexivo. "Ela as mantinha em uma caixinha barata de jóias que ganhei em uma feira de escola. E ela fazia de tudo um evento. Mesmo no café da manhã de Domingo. Ela tinha esse vestido amarelo... como um vestido dos anos 50. Papai e eu levantávamos de manhã e lá estava ela, com aquele vestido, sorrindo enquanto fazia assados para o café da manhã. Não ovos e bacon, nada disso. Era bolos e doces e muffins. Porque eu e meu pai tínhamos uma queda por doces." Eu lutei contra as lágrimas com o pensamento da infância feliz de Caine com uma mãe que parecia animada e carinhosa. "Meu pai estava sempre dizendo como ela era bonita. Como eu tinha a mais bela mãe do mundo. E deveria me sentir orgulhoso andando na rua com ela, que deveria me sentir orgulhoso quando ela me levava até a escola, porque tinha a mais bela mãe do mundo. E ela me amava," disse ele, seus olhos agora cheios de dor quando olhou para mim. "Levou um tempo depois de tudo para eu lembrar que, apesar de tudo, ela me amava. Era sempre tudo sobre mim quando era pequeno. Mas olhando para trás, eu percebi que ela segurava partes de si mesma ao redor do meu pai. Eram apenas pequenas coisas. Como ela costumava cantar o tempo todo quando ele não estava lá, mas não cantava em torno dele. Ela era mais tranqüila. Anulava tudo por causa dele, até mesmo as coisas que eu a tinha visto lidar sozinha, entender por si mesma. E foi porque ele precisava dela sendo assim, ele precisava se sentir necessário. Mas quando ela estava comigo, ela tomava o controle. Ela sabia o que estávamos fazendo,


para onde estávamos indo. E ela queria muito para mim. Isso é o que ei me lembro mais. Ela me dizia quase todos os dias o quanto ela queria que eu tivesse tudo. Tudo o que ela nunca teve." Ele me deu um sorriso triste que causou uma dor no meu peito, próximo ao meu coração. "Ela me deu o nome de um cara de um romance. Ela disse que seu nome fazia soar como alguém, e queria que eu fosse alguém quando crescesse." "É por isso que você trabalhou tão duro para ser alguém?" Ele não me respondeu. Em vez disso, ele disse, "Talvez você precisa lembrar-se do melhor em sua mãe para perdoá-la, para seguir em frente." "Como você faz isso?" Desde que nós já entramos no território que nunca pensei que entraríamos, eu decidi continuar a ser corajosa. "Quero dizer, você está, obviamente, ainda furioso e implacável sobre o que a minha família – meu pai, meu avô – fez a sua família. Mas você parece em paz com o que sua mãe fez." Ele franziu a testa. "Eu não estou em paz com isso. Você não pode estar em paz com algo desse tipo, assim como eu nunca vou estar em paz com o fato de que meu pai tirou a própria vida sabendo que iria me deixar sem ninguém. Mas eu tenho que considerar tudo o que ambos estavam passando no momento, e tenho que encontrar de alguma forma uma maneira de seguir em frente, sabendo que eu não era o suficiente para salvar qualquer um deles de seus erros. Então eu me lembro das coisas boas e na maioria dos dias consigo passar por isso. Não todos os dias, mas a maioria dos dias. Eu não acredito que você possa tomar uma decisão firme para apenas perdoar. Às vezes, o perdão pode ser


ganho de volta, mas não há ninguém ao redor para ganhar isso de mim. Então, é sobre tentar todos os dias estar bem, deixar isso ir. É preciso trabalho. Há dias em que é impossível fazer isso, e uma dessas vezes foi o dia em que você entrou naquele set. Fiquei chateado porque você estava tentando se desculpar por algo que um simples 'desculpa' não pode desfazer. É fodido, mas é verdade." Eu balancei a cabeça, em compreensão. "Então você quer perdoar seus pais?" "Honestamente?" "Sim." "Eu realmente quero." "Mas..." Eu puxei sua mão, necessitando de saber – talvez esperando que ele tivesse as respostas para me ajudar. "Depois de tudo o que tomaram de você. Por quê?" Caine parou e me encarou. Havia um aspecto duro em seu olhar que não gostei. "Eu quero perdoá-los, por que... Eu sei como é fácil cair em um caminho que você nunca quis tomar. Eu sei o que é ter feito coisas que não me orgulho." "Eu não acredito nisso. Você nunca poderia ter feito as coisas vergonhosas que eles fizeram." Com isso Caine fez uma careta e começou a se afastar novamente, desta vez já não segurando a minha mão. Sem entender a reação dele, eu me apressei para apanhá-lo. "Você acha que devo perdoar o meu pai e meu avô?"


"Eu não sei isso também ," disse ele em voz baixa. "Eu só sei que esse tipo de amargura pode comer você de dentro para fora." Ele se suavizou. "Você tem muita vida pela frente para deixar isso acontecer." Sorri, sentindo uma esmagadora quantidade de emoção por ele surgir dentro de mim. "Você me impressiona. Você sabe disso, certo?" Ao que parece, de alguma forma, de todos os assuntos difíceis que tínhamos acabado de falar, essa foi a coisa errada a dizer. Um silêncio desconfortável instalou-se entre nós. E eu empurrei. "Você não acha que você é incrível?" Ele me olhou com severidade. "Não. E não quero que você ache também." "Caine–" "Não se trata de lhe afastar," ele interrompeu, com raiva em seus olhos. "É sobre ter certeza que você não comece a ver algo em mim que não existe." Ele balançou a cabeça e desviou o olhar. "Você queria a amizade entre nós? Bem, a verdade é que você é minha amiga, Lexie. E não gosto de decepcionar meus amigos. Então não finja que sou um homem que não sou." O que Caine não percebia era que ele não poderia me decepcionar. Nós tivemos um começo difícil, uma história mais do que complicada, mas eu ainda estava de pé ao seu lado, e eu queria manter-me ao seu lado, porque eu não achava que ele sequer percebia o quão bom homem ele era.


Toda a minha vida temi de cometer o mesmo erro que minha mãe – de me apaixonar por um homem que não era digno, sem sequer perceber que estava desperdiçando meu coração com ele. Por causa desse medo, eu nunca tinha realmente me deixado apaixonar. Mas Caine Carraway não era Alistair Holland. Caine era ambicioso e trabalhador. Ele era forte, teimoso e cruel, mas também era essa contradição. Ele poderia ser gentil, compassivo e generoso. E, mesmo que eu não o entendesse as vezes, mesmo se eu não concordasse com ele de vez em quando, eu nunca, nunca iria me decepcionar com ele. No entanto, eu o conhecia bem o suficiente para reconhecer o olhar em seus olhos. Esse brilho obstinado. Então, pela primeira vez, eu deixei passar. "Eu vou comprar um sorvete para você." Eu estendi a mão para ele. Caine me deu um olhar duvidoso. Eu sorri e lhe encorajei a pegar minha mão. "Você nunca provou sorvete como o do Luigi." Suspirando, Caine entrelaçou seus dedos nos meus. "Alguma vez você realmente cresceu, Lexie?" Eu atirei-lhe um olhar atrevido. "Eu cresci em todos os lugares que importam." Como sempre, o triunfo correu por mim ao ouvir o som de sua risada como resposta.


Capítulo 19 O que aconteceu entre Caine e eu em seguida me pegou de surpresa. Havia definitivamente uma intimidade entre nós que não tinha estado lá antes, mas em vez de nos relaxar, um novo tipo de tensão surgiu entre nós. Havia um desespero nas nossas ações – o sexo entre nós tornou-se quase um vício, uma obsessão. Era selvagem e apaixonado como se estivessemos sufocando essa tensão que não podia ser dominada. "Você tem certeza que é uma boa idéia eu estar lá amanhã à noite?" Eu estava sentada na mesa de Caine, minhas pernas cruzadas nos tornozelos. Havia uma possibilidade que eu estivesse sentada sobre papéis importantes, mas Caine não havia dito uma palavra. Ele estava muito ocupado olhando para minhas pernas. "Caine?" Seu olhar vagou pelo meu corpo e tremi com o calor em seus olhos. "Eu disse a você, esta festa é na maior parte sobre negócios. Nós estaremos lá para esbarrarmos com clientes e potenciais clientes. Ninguém vai questionar o fato de que eu trouxe minha AP." De repente, ele sorriu e foi perversamente sexy. "Embora eles possam questionar meus motivos em contratar uma com a sua aparência." "Henry já está desconfiado."


Ele deu de ombros. "Henry não sabe de nada." Hmm, eu não tinha tanta certeza. "E o que acontece com o meu nome?" "Nós já apresentanos você como Alexa Hall na última festa." "E

você

não

acha

que

alguém

eventualmente

vai

descobrir que esse não é o meu nome? Todos na empresa sabem meu sobrenome, Caine." "Tudo bem." Ele suspirou. "Nós apenas não vamos mencionar o seu sobrenome. Vamos apresentá-la como Alexa. Não quero ser um idiota ou qualquer coisa, mas ninguém lá vai realmente se importar qual é o sobrenome da minha AP." Filho da puta arrogante. "Ouch" Ele deslizou sua mão ao longo do interior da minha coxa em um gesto reconfortante que apenas me excitou. "A verdade é que

essas

pessoas,

meu

pessoal,

eles

são

cheios

de

si,

egocêntricos, e tudo o que importa é quem tem mais influência." "O que não inclui as APs." A expressão dele me deu a resposta. "Você sabe, eu estava pensando em uma mudança de carreira. Como... mudar para o negócio de gestão de eventos..." Caine sorriu suavemente. "Você seria boa nisso." Alívio correu através de mim. "Você realmente acha isso?" Ele assentiu com a cabeça. "Eu sei que sim. Mas dê-me um aviso prévio." Seus dedos se moveram mais para cima da minha coxa e sua voz engrossou. "Você é a melhor AP que eu já tive. Vai levar tempo para substituí-la."


Quando ele me tocou deixei minha cabeça cair para trás e saboreei a agitação física de estar com ele, mas em algum lugar no fundo da minha mente as palavras dele se contorceram em algo feio. Algo real que eu não queria enfrentar. Caine eventialmente me substituiria.

Eu deveria ter sabido que ir à festa com Caine era uma má idéia. A única pessoa que eu conhecia lá era Henry, e ele levou uma acompanhante e estava muito mais interessado em seduzi-la do que fazer qualquer coisa para promover "amizade" com outros empresários na festa. A festa foi organizada pelo guru dos investimentos Brendan Ulster e sua esposa, Lacey. Caine disse que em seu círculo se revezavam para fazer esses tipos de festanças ao longo do ano, e este ano foi organizada sob o pretexto de um aquecimento nos imóveis, e os Ulsters tinham acabado de comprar um apartamento no último andar no Common do outro lado de Caine em Beacon Street. O lugar era bonito. As pessoas... bem, nem tanto. Entre os homens, Caine era o homem de verdade, o tipo de cara que os outros homens se inspiram e admiram. Entre as mulheres, Caine era uma presa ilusória. Se os homens não


estavam tentando envolver Caine em conversas de negócios, eles estavam tentando me envolver em flertes. Era cansativo rechaçálos, minha irritação aumentando à medida que muitos deles olhavam para mim como se fosse presa fácil. Eu era, claro, apenas a AP. E eu tive a nítida impressão de que eles achavam que eu era o tipo de mulher que faria qualquer coisa para estar perto de um homem poderoso. Eles não eram a única razão pela qual eu estava irritada. A noite tinha começado bem – Caine era atencioso e engraçado enquanto fazia observações secas sobre algumas das pessoas pretenciosas que conhecemos. No entanto, quando a noite avançou, ele começou a me tratar com uma indiferença familiar que estava me deixando louca. Eu não tinha idéia do que tinha acontecido no espaço de uma hora, mas estava esperando a minha hora até o final da festa para deixá-lo ver isso. "Você tem estado visivelmente ausente da sociedade ultimamente, Caine," uma mulher cujo nome eu não conseguia me

lembrar

ronronou

para

ele

enquanto

me

bloqueava,

insinuando-se entre nós. Ela correu uma unha perfeitamente bem cuidada ao longo de seu ombro e pressionou os seios contra seu braço. "Há rumores de que você está escondendo algum tipo de namorico proibido." Namorico proibido? Revirei os olhos. Quem fala assim? Caine liberou-se dela e desviou o olhar em tédio. "Há sempre rumores, Kitty." Ela

ajeitou

o

cabelo,

indiferença de Caine com ela.

parecendo

perturbada

pela


“Verdade" Ela deu de ombros. "As pessoas falam. Bem..." Ela olhou para ele um momento, esperando que ele lhe desse um pouco de atenção. Quando ele não o fez, ela finalmente olhou para mim

interrogativamente.

Eu

simplesmente

levantei

uma

sobrancelha para ela. Ela soltar uma pequena bufada. "Bem, se vocês me dão licença..." E escorregou para longe de nós, sua figura elegante embrulhada bem apertada em um vestido dourado pálido. "As mulheres por aqui certamente gostam de você," Eu apontei secamente, desejando não sentir a onda de ciúmes na minha barriga. Eu nunca tinha sido uma mulher ciumenta até Caine, e eu particularmente não gosto que ele provocava esse aspecto da minha personalidade. Eu fiz o meu melhor para manter isso em segredo, usando o humor para esconder. Caine não respondeu. "Você sabe, você pode enganá-los, mas não me engana." Ele lançou um olhar para mim com o canto do olho, e eu podia dizer que ele sentiu a corrente escura do meu humor. "É mesmo?" Ele murmurou. "Mmm. Todos eles sussurram nas suas costas que você é perigoso, cruel, excitante, rindo como idiotas alegres. Mas eu sei de algo que eles não sabem." Virando

totalmente

de

frente

para

mim,

Caine

praticamente me desafiou, "E o que é isso?" Melancolia enrolou em volta do meu coração como um punho de ferro. "Você parece perigoso, porque você é perigoso. Você anda entre eles como um tigre mal-humorado, e todos eles


são apenas presas fáceis em suas patas. Eles estão tão ocupados olhando para você, suspirando sobre o quão bonito você é, que não têm idéia de que você está a meros segundos de comê-los. Que você vau apenas mastigar e cuspir-los." Eu olhei para longe, tomando um gole da minha bebida e desejando que minhas mãos não tremessem enquanto fazia isso. A tensão que havíamos sentido entre nós durante toda a semana parecia se expandir para essa coisa sufocante que se envolveu em torno de nós, fechando todos os outros fora. Finalmente eu encontrei a coragem para olhar para ele. Ele estava olhando para a multidão, aparentemente entediado. Apenas o aperto de sua mandíbula denunciou de sua irritação. Um cavalheiro de expressão sombria acenou para ele do outro lado da sala e Caine ergueu a bebida em reconhecimento. "Quem é esse?" Eu disse curiosamente, tentando tirar o foco do mau humor entre nós. "Leonard Kipling. Um gigante farmacêutico." "Você conhece todo mundo, não é? Eu não acredito que Kipling seja o tipo de homem que você gostaria como parceiro." "Ele é poderoso. Eu não descarto qualquer um com seu tipo de influência. Quem sabe onde o futuro pode me levar, ou se virá um dia em que conhcê-lo vai beneficiar-nos?" Eu olhei para o estranho, notando que por trás de sua expressão sombria, estava realmente um belo rosto de um homem conservado. Ele parecia estar em seus quarenta e tantos anos. Um


número

grande

de

mulheres

estava

atirando-lhe

olhares

sedutores. "Ele é casado?" "Divorciado," Caine respondeu, seu tom frio afetado de tédio. "Por quê? Pensando em pedir-lhe para me substituir quando pararmos de transar?" Essa ofensiva sugestão me acertou em cheio.

Eu

paralisei, chocada com essa dolorosa insinuação. Eu não conseguia nem olhar para ele. Era verdade que no início de nossa amizade, Caine tinha sido rude às vezes, mas ele nunca tinha sido abertamente desrespeitoso. Ele nunca procurou ser deliberadamente cruel. Apenas uma vez... quando ele estava na defensiva. Mas nunca desde então. E nunca fez parecer que era tão barato o que estávamos fazendo... Nunca tinha me feito sentir tão insignificante. "Alexa..." ele murmurou. Eu levemente me esgueirei para longe dele, tomando um longo gole de meu champanhe. Felizmente mais pessoas que eu não conhecia vieram falar com Caine e ele estava distraído enquanto eu tentava recuperar o controle das minhas emoções. A fim de continuar a seu lado pelo resto da noite, eu desliguei minhas emoções. Fui educada com todos, até mesmo com ele, mas estava friamente distante. Curiosamente, senti que minha indiferença causou uma certa intriga entre alguns dos convidados. Como se eu me importasse.


Eu não me importava em nada com eles. Queria estar longe deles e longe deste homem ao meu lado, que era de repente um estranho insensível. "Parece que perdi o meu encontro," disse Henry quando se aproximou de nós, e o mais recente bando de admiradores em torno do meu patrão partiu. "Já procurou no bar?" Disse Caine. "Sim." Henry sorriu para ele, imperturbável por sua zombaria. "E antes que você pergunte, também tentei o banheiro." Ele lançou um olhar para mim e franziu a testa instantaneamente. "Está tudo bem, Lexie?" "Eu estou bem," eu murmurei, antes de terminar minha champanhe. Eu tinha estado bbericando isso por uma hora. "Outro copo?" Perguntou Caine, e eu estava satisfeita ao notar incerteza em sua pergunta. "Não, obrigada," eu respondi, cheia de polidez recatada. "Sou só eu ou está mais frio do lado de cá da sala?" Henry arqueou uma sobrancelha para Caine. "Não, é apenas você." O olhar de Caine queimava em mim enquanto eu diligentemente evitava isso. "Ok, então. Bem... já que eu não estou interrompendo qualquer conversa cintilante aqui, Caine, eu estava falando com Kipling mais cedo. Ele mencionou alguns negócios que podem lhe interessar". "Mostre o caminho..." Eu notei-lhe começando a seguir Henry com o canto do meu olho e depois parar. "Alexa, você vem?"


Eu ainda não olhei para ele. Eu não conseguia. "Sim. Eu só preciso usar o banheiro." A tensão entre nós subiu para novos níveis, enquanto ele esperava eu olhar para ele. Eu não olhei. Finalmente Caine disse, "Nós estaremos logo ali." Ao observá-lo ir embora, deixei a dor que eu estava segurando dentro de mim soltar-se. Eu estava farta. Eu não deixaria nenhum homem falar comigo do jeito que ele fez. Toda vez que eu pensava que nós estávamos indo para algum lugar, ele me provava o contrário, e minha frustração com os altos e baixos na nossa relação estava em ponto de ebulição. Era hora de sair antes que eu deixasse a minha raiva explodir em público. Em vez de ir ao banheiro, eu fui para a saída, minha respiração pesada em meus ouvidos enquanto tentava controlar a dor e a fúria. Isso significava que eu não ouvi os passos atrás de mim enquanto marchava pelo estreito corredor em direção à porta da frente. Uma mão forte agarrou meu braço e eu soltei um grito suave quando me vi empurrada em uma alcova em frente à porta da frente. Eu emputtei de volta quando a colônia de Caine formigou em meu nariz e detectei quando ele se inclinou para mim. Ele apoiou as mãos na parede em ambos os lados da minha cabeça, me encurralando. "Saia do meu caminho." "Lexie–"


Eu olhei para ele. "Eu disse saia da porra do meu caminho." Caine amaldiçoou. "Lexie," disse ele, sua voz rouca, "Eu sinto muito." Não querendo voltar em minha decisão, olhei por cima do seu ombro, evitando seu escuro olhar líquido. "Eu estou cansada e você tem uma festa para voltar." "Não faça isso," ele rosnou, pressionando seus dedos contra o meu queixo e gentilmente forçando meu olhar de volta para o seu. "Eu fodi tudo... mas não me exclua." Depois de seu comportamento esta noite ele tinha a audácia de me pedir isso? "Você está brincando comigo?" Ele fechou os olhos brevemente, e havia remorso estampado em todo seu rosto. "Jesus, Lex, eu nunca deveria ter dito o que disse. Assim que as palavras saíram da minha boca..." Ele abaixou a cabeça e me encontrei olhando em seus olhos. "Você é a última pessoa no mundo que quero machucar." Minha boca tremia de emoção e eu lutava contra as lágrimas. "Então por quê?" Caine olhou para os seus pés e quando alguns segundos se passaram sem uma resposta, eu bufei em aborrecimento e empurrei seu peito. "Saia do meu caminho." "Não." Ele levantou a cabeça, os olhos aquecidos. "Eu fodi tudo e estou pedindo desculpas. Vamos deixar por isso mesmo." A raiva rolou nas minhas entranhas. "Saia. Do. Meu. Caminho."


Sua mandíbula se apertou. "Lexie–" "Se você disser meu nome mais uma vez eu vou fazer um escândalo. Basta sair do meu caminho, Sr. Carraway." Ele estreitou os olhos. "Alexa–" "Por quê?" Eu me afastei da parede, pressionando meu corpo contra o dele, virando o jogo contra ele, o encurralando. "Por quê? O que aconteceu? Nós estávamos bem quando chegamos aqui e de repente você começou a agir como se eu fosse o inimigo novamente. Ou pior... como se eu fosse uma prostituta Holland que você pode passar para outra pessoa quando você ficar entediado–" "Errado." Ele me empurrou de volta para a parede, suas feições duras, as suas palavras guturais com sentimento. "Eu sou um canalha ciumento que assistiu hoemem após homem flertar com você e eu não posso suportar a idéia de você estar com um deles. Eu disse algo que não queria dizer por causa disso." Seu peito arfava com a emoção. Eu puxei uma respiração com sua confissão. Olhamos um para o outro com o silêncio engrossando entre nós. "Tudo bem," eu sussurrei. "Mas nunca mais fale assim comigo novamente." Eu vi uma pitada de alívio escapar dele com a minha resposta. "Eu não vou," ele prometeu suavemente. "Sinto muito. Eu não sou..." Ele balançou a cabeça, aparentemente tão frustrado com seus sentimentos como eu estava com os meus próprios.


E foi aí quando eu percebi que o problema era entre nós, de onde a tensão surgia, onde a animosidade tinha um lugar para apodrecer e crescer... Amizade, intimidade – não nos fez menos incertos por causa da natureza temporária do nosso relacionamento. Outros casais, casais normais, poderiam admitir como eles realmente se sentiam... mas admitir algo a mais do que nós já tínhamos revelado, significava preparar-nos para uma queda ainda maior. E, ainda assim... eu não podia evitar. As palavras simplesmente saíram de mim. "Eu só quero você, você sabe disso." O peito de Caine estremeceu debaixo da minha mão e então de repente eu estava nos seus braços. Seu beijo não era gentil ou apologético. Era selvagem. Seus lábios fortemente pressionados contra os meus, sua língua lambendo e acariciando a minha em um beijo profundo e molhado que senti entre as minhas pernas. Agarrei-me a ele, beijando-o de volta com a mesma paixão, meus dedos emaranhados em seu cabelo enquanto eu mordiscava seus lábios. Ele gemeu em minha boca e me empurrou com força contra a parede– Uma garganta limpou atrás de nós, e congelamos. Lentamente, Caine quebrou nosso beijo, mas manteve seus braços de forma protetora em torno de mim emquanto nós dois olhamos por cima do seu ombro. Henry estava sorrindo para nós. "Eu acho que vocês estão reconciliando-se depois de uma briga de amantes? Estou certo? Eu estou certo, não estou?"


Eu mantive a minha boca fechada para me impedir de rir do seu humor infantil. Caine, no entanto, tinha ficado tenso contra mim. "Você fala uma palavra disso e eu vou arrancar a porra da sua cabeça." Havia uma sugestão de seu velho sotaque sulista nas palavras. Henry riu, mas teve o bom senso de concordar. Ele apontou para sua própria boca. "Minha boca é um túmulo." Sua risada arrastou-se atrás dele enquanto ele voltava para a festa. Caine relaxou contra mim, os olhos ainda preenchidos com o calor. "Deixe-me levá-la de volta para a minha casa." Ele alisou sua mão sobre meu quadril. "Deixe eu desculpar-me adequadamente." "E quanto a Kipling?" "Você é mais importante." Sua confissão foi tão baixa que se eu não tivesse escutado não teria acreditado. Mas escutei. E Deus me ajude, mas eu queria acreditar nele. A esperança floresceu por todo o meu corpo. Caine pode não admitir o que eu tinha admitido com palavras, mas sua reação foi toda a confirmação que eu precisava. Ele só queria a mim também. "Então é melhor irmos agora, porque você tem um monte de desculpas a pedir." Olhei para cama luxuosa de Caine com sua masculina armação de madeira e os quatro majestosos pilares. Eu já tinha


visto

esta

cama

em

várias

ocasiões

quando

fui

em

seu

apartamento para deixar sua lavagem a seco. Eu tinha fantasiado sobre como seria deitar-me sobre ela e ter o corpo de Caine por cima do meu. Até agora, isso tinha permanecido na fantasia. Nós nunca ficamos no apartamento de Caine. Nosso caso até

este

ponto

ocorria

sempre

no

meu

apartamento

(e,

ocasionalmente, no escritório). Por alguma razão, uma vibração de nervos acordou na minha barriga enquanto eu estava de pé em seu quarto. Tivemos sexo mais vezes do que eu podia contar, mas conforme o seu calor pressionava contra as minhas costas, suas pontas dos dedos se mechiam levemente sobre meu braço nu e sua respiração sussurrava em toda a volta do meu pescoço, tudo isso parecia novo e ainda mais excitante. O tecido do meu vestido apertou em meu peito por um momento no puxão suave dele. Caine abaixou lentamente o zíper. Meus

seios

incharam

e

meus

mamilos

culminaram

com

antecipação. Eu cobri suas mãos com as minhas quando, juntos, removemos meu vestido. Saí dele, sentindo um arrepio enquanto estava em nada além de lingerie e salto alto. Caine agarrou meus quadris, gentilmente me puxando para trás contra ele para que eu pudesse sentir o comprimento duro e rígido de sua excitação contra minha bunda. Ele afastou meu cabelo de um lado do meu pescoço, e seus lábios quentes roçaram meu ouvido. "Você está me deixando


louco," ele confessou, e as palavras provocaram um gemido de prazer em mim enquanto eu empurrava minha bunda contra sua ereção. "Nunca é o suficiente... nunca é suficiente..." Ele arrastou beijos leves no meu pescoço. "Caine."

O

desejo

despontava

através

de

mim,

rapidamente umidecendo entre as minhas pernas. Suas mãos voltaram para os meus quadris, e ar frio passou entre nós, quando ele recuou um pouco para permiti-lhe um espaço para explorar. E ele explorou. Com traços leves ele me memorizou com seu toque. Era como uma massagem erótica, a gentileza tentadora de suas mãos apenas aumentando minha expectativa e excitação. Seu calor acendeu contra as minhas costas, sua ereção cutucando minha bunda de novo quando ele tirou meu sutiã e segurou meus seios nus em suas mãos. Eu suspirei, descansando minha cabeça em seu ombro, e arqueei em seu toque. Ondas de desejo ondulavam na minha barriga enquanto ele brincava com meus seios, contornando e amassando-os, acariciando e beliscando meus mamilos deixandoos como botões duros. Eu me esfregava em seu toque, seu nome caindo dos meus lábios em sussurros sem fôlego enquanto ele bombeava seus quadris no ritmo dos meus movimentos. "Sua boca," ele rosnou no meu ouvido. Virei minha cabeça com seu pedido e os meus lábios encontraram os seus instantaneamente. Envolvendo o meu braço em volta do seu pescoço, abri minha boca, convidando sua língua


a entrar. Ele beijou-me com um profundo e lento abandono. Engoli em seco quando ele beliscou os meus mamilos, causando uma nova onda de luxúria através do meu ventre. Seu grunhido de satisfação retumbou em minha boca e ele escorregou sua mão do meu peito pelo meu estômago e sobre minha calcinha. Ele esfregou os dedos sobre ela, e me segurou com força quando descobriu que estava encharcada com a minha excitação. Ele se afastou do nosso beijo, seus olhos pesados com seu próprio desejo. Ele pressionou seus dedos contra o meu clitóris, fazendo com que a renda da minha calcinha fizesse um delicioso atrito contra ele. "Oh Deus." Eu coloquei minha mão sobre a dele, guiando-o. "Tão bonita," disse ele, observando meu rosto enquanto seus dedos se moviam sob a calcinha. Meus quadris se empurraram contra ele ao sentir seu polegar diretamente no meu clitóris. "Caine," Eu solucei, meus quadris se movendo contra seu toque. Meus olhos se fecharam quando a pressão dentro de mim começou a construir. "Olhe para mim," ele ordenou. Abri os olhos e olhei para ele em transe. De repente, eu despedacei. "Caine!" Eu gritei baixinho. O piso saiu de meus pés, quando Caine me levantou em seus braços e me levou para sua cama. Meus músculos lânguidos


cederam aos seus desejos e quando ele me deitou na cama eu caí para trás contra as cobertas, os meus braços acima da minha cabeça, ofegante com minha satisfação. De alguma forma, eu encontrei forças para inclinar meus quadris para cima quando Caine começou a tirar minha calcinha. Ele a jogou no chão ao lado do resto das minhas roupas e, em seguida, enrolou as mãos em torno de meus tornozelos. Seus polegares acariciavam minha pele enquanto olhávamos um para o outro em silêncio poderoso. Deixei cair meu olhar para a enorme ereção lutando contra o tecido da sua calça Armani, e inconscientemente lambi meus lábios. Seus dedos sensualmente acariciaram meus tornozelos antes de tomar um caminho agradável e sedutor até minhas panturrilhas. Quando chegou em meus joelhos, ele pressionou para baixo e, em seguida, para fora, forçando minhas pernas a abrirem. Eu me senti terrivelmente envergonhada enquanto estava deitada aberta para seu escrutínio. Para nenhum outro homem eu me deixei ser tão vulnerável. Mas para Caine eu era sexy, pecadora... sedutora. Mudei um pouco, empurrando os meus seios para fora. Seus olhos sedentos enquanto suas mãos tocavam de leve o interior das minhas coxas. "Alguma vez será o suficiente?", Ele disse, sua voz cheia de fome.


"Eu não sei." Eu suspirei em êxtase quando ele acariciou meus seios, seus polegares arrastando sobre meus mamilos sensíveis. "Você alguma vez quer que seja?" Ele se inclinou para baixo, seu cheiro familiar causando outro aperto de desejo na minha barriga. Seus lábios roçaram sobre os meus e ele se afastou para sussurrar, "eu gastaria minhas últimas horas dentro de você, se eu pudesse." Emoção rompeu o desejo e eu fechei os olhos para conter a esmagadora sensação de euforia que se movia através de mim. Como se ele também sentisse e não sabia como lidar com isso, Caine me beijou, esse beijo muito mais intenso do que o último. Ele só soltou a minha boca para beijar minha garganta e o meu peito. Minhas coxas apertaram contra seus quadris quando seus lábios se fecharam em torno do meu mamilo. Ele chupou profundo, forte, uma dor prazerosa correndo através de mim quando ele se moveu contra mim. Como tinha feito com suas mãos, ele começou a tocar meus seios com sua boca quente até que eu estava à beira de me desfazer de novo. "Caine," Eu implorei, meus dedos cavando em suas costas. "Tire a roupa." Ele olhou para cima, seu olhar escuro. "Ainda não." E foi então que ele se moveu mais para baixo. Seus lábios percorreram minha barriga e por entre minhas pernas. Eu derreti no colchão em antecipação quando ele esfregousua boca contra meu sexo. Ele lambeu meu clitóris, pressionou sua língua para


baixo sobre ele, e a sensação soprou através de mim. "Oh Deus!" Eu arquiei de volta na cama, minhas coxas tremendo. Essa espiral estava desabrochando até que a tensão dentro de mim cresceu mais tensa, mais elétrica, gritando por libertação– "Sim!", eu gritei alto quando a tensão atingiu seu ápice. Luzes brilharam em meus olhos quando gozei de forma forte e esmagadora. Enquanto eu estava deitada ofegando, calor percorria meus membros das pontas dos dedos das mãos aos pés. Eu vagamente senti a cama se mexer. Quando finalmente pude erguer meus olhos, vi Caine se despir rapidamente. Havia uma ferocidade, um desejo cru nele que me emocionou. Olhei para ele com admiração. Os homens que tinham vindo antes dele sempre me fizeram sentir atraente... mas nenhum deles jamais me fez sentir necessária. Vital. Não como Caine. Como se ele não me tivesse neste exato momento, o mundo desabaria à sua volta. Ele colocou um joelho na cama, seu pau grosso e pulsante entre suas pernas. Suas mãos enrolaram atrás dos meus joelhos, e soltei um leve miado de surpresa quando ele me puxou bruscamente para perto dele. Dobrando meus quadris, segurando apertado as minhas coxas, ele segurou minhas pernas abertas, ajoelhou-se entre elas e olhou para mim. Minha respiração gaguejou no calor dele empurrando contra mim. Facilitado por minha excitação, ele empurrou para


dentro de mim, seus cílios piscavam enquanto meus músculos internos apertavam em torno de seu comprimento. Com uma ternura que fez o ar sair dos meus pulmões, Caine pegou seu ritmo. Ele se observou deslizar dentro de mim e seu peito subia e descia em respirações superficiais conforme sua excitação aumentava. Seu domínio sobre as minhas pernas de repente apertou e ele se apoiou nos joelhos. Caine começou a bater dentro e fora de mim com estocadas duras e fortes, mais profundas, que se arrastavam pelo meu clitóris e me levaram mais uma vez. "Goze para mim Lexie," ele exigiu, fodendo-me mais forte agora, seus dentes cerrados juntos enquanto segurava seu próprio clímax no limite. "Goze comigo. Porra, você é tão boa..." As palavras dele sumiram quando o clímax começou a levá-lo, e vendo a necessidade em seu rosto, foi a última quebra chocante contra a crescente pressão dentro de mim. Eu me inclinei e meus músculos internos ondularam em torno dele. "Jesus." Seus olhos se arregalaram quando sentiu o forte aperto do meu orgasmo nele, e ele congelou por um segundo antes que seus quadris se sacudissem contra mim em uma longa liberação. Minhas pernas se chocaram com a cama, quando ele as soltou e desmoronou em cima de mim. De alguma forma, eu encontrei forças para envolver meus braços em torno dele e segurá-lo perto. O pulsar de seu pênis dentro de mim e um tremor de pós-excitação moveu através de mim. "Uau," eu sussurrei, ainda imaginando o olhar em seu rosto quando ele gozou.


Este foi o mais intenso que ele teve comigo e foi a coisa mais sexy que já vi. Sorri satisfeita, sentindo-me orgulhosa. "Sim." Ele exalou lentamente, saindo de mim, mas me segurando,

assim

quando

ele

rolou

de

costas,

eu estava

pressionada contra o seu lado e minha cabeça repousava sobre o peito. "Então, isso foi muito intenso," eu sussurrei. Caine desenhou círculos em meu braço com as pontas dos dedos. "Sim," ele repetiu, soando atordoado. Eu ri baixinho. "Nós dois estávamos muito excitados." "Sim," ele repetiu novamente. "Eu não acho que esta seja uma noite que vou esquecer tão cedo." Um segundo depois, eu estava deitada de costas. Caine se inclinava sobre mim e me olhava com determinação. "Não, fodidamente não," ele disse roucamente. "E ainda não acabou." Meus olhos se arregalaram. "Eu não sei se posso aguentar muito mais." Ele me beijou suavemente, o gesto em desacordo com sua promessa áspera. "Eu não vou parar até termos um ao outro em todas as formas possíveis."


Capítulo 20 Uma luz incômoda picava em minhas pálpebras, me despertando. Eu gemi, virando minha cabeça no travasseiro que era muito mais macio que o meu. Onde eu estava? A noite anterior de repente me bateu, imagem após imagem, memória após memória, e meus olhos se abriram subtamente. O nevoeiro se dissipa deles quando percebo que estou no quarto de Caine. Meu cabelo farfalhou no travesseiro enquanto eu virava para olhá-lo. Ele estava deitado de barriga para baixo, de frente para mim em seu sono. Um pequeno suspiro de felicidade me escapou com a visão de seu rosto. Ele parecia tão calmo e relaxado. Um sorriso puxou meus lábios. Na verdade, ele estava exausto. Fiel

à

sua

promessa,

Caine

tinha-nos

mantidos

acordados praticamente toda a noite e tinha me dado um recorde de seis orgasmos. Eu estava exausta. Eu estava – olhei sobre ele para o rádio relógio – acordada muito cedo.


Nós só tínhamos adormecido há poucas horas. Meu instinto foi o de rolar para Caine e voltar a dormir enrolada ao lado dele. No entanto, eu não tinha certeza se era sábio – Caine e eu não acordamos juntos muitas vezes. Se o fazíamos, Caine nos colocava pra fora da cama rapidamente, porque ele tinha trabalho a fazer. A maioria das vezes, porém, eu acordava e Caine havia ido embora. Seria tão mais fácil deixar meus medos me aflingirem e sair desta cama e do apartamento dele. Mas então nós estaríamos de volta onde estávamos antes, e depois de todos os altos e baixos que tínhamos enfrentado para chegar a este ponto, seria uma vergonha deixar um pouco de medo foder isso tudo. Então, ao invés de rastejar para fora da cama de Caine e tratá-lo com seu próprio remédio, eu deslizei para ele. Eu deslizei meu braço sobre suas costas, descansando minha cabeça em seu ombro, e fechei os olhos. "Lexie." A voz profunda retumbou no meu ouvido, fez seu caminho para minha consciência, e gentilmente me acordou. "Baby," Caine sussurrou. Eu sorri. Não era o carinho mais original do mundo, mas eu tinha que admitir que um sentimento de emoção disparava através de mim toda vez que ele me chamava de "baby". Ele riu. "Eu posso ver aquele seu sorriso, então eu sei que você está acordada."


Com lentidão preguiçosa, eu abri meus olhos. O rosto de Caine pairava sobre o meu, a diversão visível nas pequenas rugas ao redor dos seus olhos. "Bom Dia." Eu gemi. "Por que, já é de manhã? Nós só fomos dormir algumas horas atrás." Seus lábios se contraíram em minha rabugice. "Estou bem ciente." Fechei os olhos para a sua satisfação masculina. "Você pode bater no peito com orgulho presunçoso depois. Por agora, deixe-me dormir." "Eu deixaria." Ele apertou minha cintura. "Mas Effie está lá embaixo e ela está fazendo nosso café da manhã." "O quê?" Eu me levantei rapidamente e Caine retrocedeu no tempo exato antes de minha testa bater contra a sua. Eu notei que ele estava vestindo uma camisa e calças de moletom. "Há quanto tempo você está acordado?" "Desde que Effie entrou no apartamento e eu tive que agir rapidamente para impedi-la de entrar aqui." Eu empalideci com o pensamento. "Ela tem uma chave." Ele bufou. "Essa é Effie – o que você acha?" "Eu acho que ela tem uma chave e uma sobressalente," eu murmurei. Os olhos de Caine brilhavam de alegria e minha rabugice dissipou com a visão. "Eu pensei que você amava Effie."


"Eu amo." Eu esfreguei o sono dos meus olhos. "Eu a amaria mais, porém, se ela me deixasse dormir mais algumas horas..." "Seu café da manhã fará o cansaço valer a pena," ele prometeu, e agarrou a minha mão para me puxar gentilmente. Eu me retraí e ele parou imediatamente. "Você está bem? Eu machuquei você?" Não exatamente. Eu deslizei suavemente para fora da cama. "Estou me sentindo um pouco dolorida, é tudo." Ele franziu a testa, compreendendo. "Oh." Sentindo onde seus pensamentos tinham ido, dei um tapinha em seu braço tranqüilizando-o quando passei por ele. "Valeu a pena cada pontada, acredite em mim." Seu braço disparou, deslizando ao redor da minha cintura para me parar. Eu olhei para ele em questionamento. "Você tem certeza que está bem? Eu posso ter me deixado levar um pouco ontem à noite." Eu sorri. Eu ainda podia sentir o pulsar entre as minhas pernas como um lembrete. "Eu sei. Eu estava lá. E confie em mim... você pode se deixar levar assim comigo a qualquer momento." As mãos de Caine se apertaram em minha cintura. "Ontem à noite foi incrível," eu insisti. A tensão escapou dele e um sorriso puxou seus lábios. "Sim, foi," ele concordou, sua voz profunda com satisfação.


"As duas crianças estão descendo para o café ou o quê?" Effie gritou lá de baixo. Meus olhos se arregalaram. "Ela tem um belo par de pulmões para uma senhota." Caine bateu em seu ouvido. "Ela também tem uma audição sobre-humana, então cuidado com os comentárias sobre ‘senhora’." "Certo." Eu apertei meus lábios e olhei ao redor do quarto para minhas roupas descartadas. Um pensamento incômodo me bateu. "Não tenho nada adequado para vestir." Em resposta Caine foi para seu Closet. Ele voltou em poucos segundos e empurrou uma camisa Red Sox para mim. Olhei para isso, horrorizada. "Uma camisa. Você quer que eu use uma camisa." Com um bufar impaciente, Caine enrolou a camisa e, em seguida, não muito gentilmente, colocou-a sobre a minha cabeça. "É apenas Effie." Irritada, eu empurrei meus braços nas mangas e puxei-a para baixo sobre o meu corpo. Como sou alta, ela só atingiu o topo das minhas coxas. Eu atirei-lhe um olhar. "Você está brincando comigo?" Ele cruzou os braços sobre o peito, aparentemente satisfeito consigo mesmo. "É muito sexy." Ignorando a emoção familiar que disparou por mim em seu olhar apreciativo, eu retruquei: "Sim, e seria bom se eu


estivesse tomando café da manhã só com você. Mas não estou. Estou tomando café da manhã com sua pseudo avó." "E ela é a pessoa menos maternal que eu conheço." "Não é verdade," eu argumentei. "Ela assa e cozinha." "Bem, se essa é a qualificação, cada chef masculino top na cidade é uma avó." Ele deu de ombros e passou por mim. "Vamos, estou morrendo de fome." "Você não tem um par de calças de moletom que poderia me emprestar?" Ele olhou por cima do ombro para mim, seus olhos avidamente vagando sobre minhas pernas. "Não." Não havia nenhuma maneira maldita que eu iria para o café com Effie semi-nua! Sabendo exatamente qual era o seu jogo, eu coloquei minhas mãos na minha cintura e inclinei meu quadril. "Você realmente quer arriscar ficar excitado na companhia de Effie?" Ele parou com um gemido e me encarou levantando de modo arrogante sua sobrancelha direita. "Eu sou um homem crescido, Lexie. Mesmo sendo tão linda como você é, eu acho que posso controlar a minha libido por algumas horas." Eu bati com o dedo no meu queixo em retrospcção debochada. "Tenho certeza que já ouvi isso em algum lugar antes..." "Lex–" "Mas se você tem certeza que vai ficar bem..." Dei de ombros e me abaixei na grande poltrona no canto do quarto. Eu


lentamente cruzei minhas pernas e a camisa subiu ao topo das minhas coxas, quase ao nível da virilha. "Quero dizer, é apenas um pouco de pele. E se eu tiver que me abaixar" – Eu levantei para demonstrar e a camisa subiu, revelando a minha bunda e a calcinha – "isso certamente não vai lembrá-lo do jeito que você me inclinou sobre a sua cama na noite passada e fez seu caminho–" "Tudo bem," Caine estalou, revelando um rubor em suas maçãs do rosto. "Vou encontrar algum maldito moletom." Eu sorri enquanto ele dava as costas indo para o Closet. "Sábia decisão, Sr. Carraway." "Lexie, é bom ver você, querida," Effie me cumprimentou calorosamente enquanto eu caminhava em direção a ela vestindo a camisa Red Sox e uma calça de moletom que estava amarrada na cintura com uma das gravatas de Caine. Ela colocou seus braços fortes em volta de mim, me envolvendo em seu doce aroma familiar de baunilha e açúcar. "Bom ver você também." Eu a abracei de volta e dei um passo para trás, meus olhos indo automaticamente para a mesa de jantar. Ela estava coberta com alimentos. Havia panquecas, xarope de bordo, ovos, bacon, muffins... Minha barriga de repente fez um estrondo de fome. "Effie, isso parece incrível como sempre." Caine beijou sua bochecha flácida e logo em seguida se estabeleceu à mesa. Quando ele sentou-se na extremidade da mesa, eu dei a Effie um sorriso divertido. "Eu acho que eu deveria aprender a cozinhar."


Ela sorriu de volta para mim. "De alguma forma, acho que você está indo muito bem sem isso, mas se você quiser uma professora, eu poderia mostrar-lhe algumas das minhas receitas." "Eu adoraria isso." A segui até a mesa e sentamos ambas ao lado de Caine, uma diante da outra. Sentindo-me de repente faminta, eu comi com tanto entusiasmo quanto Caine fez. As panquecas de Effie praticamente derreteram na minha boca, elas eram tão fofas, seu bacon estava crocante e cheio de sabor, e seus ovos estavam exatamente como eu gostava deles. Mergulhei minha torrada na gema de ovo. "Seu marido deve ter sido um homem muito feliz, Effie." Ela engoliu um pedaço de bacon e acenou com a cabeça, seus olhos brilhando. "Oh, muito. Tivemos uma boa vida juntos. Uma ótima vida." "Vocês se conheceram no teatro, certo?" "Há mais do que isso." Ela sorriu misteriosamente. Fiquei curiosa, mas não queria me intrometer onde não era bem-vinda. "Isso soa intrigante." Todo o rosto de Effie se iluminou. "Você quer ouvir?" "Uh, sim." Caine riu com o deleite de Effie quando ela se inclinou sobre seu prato e começou sua história. "Era 1960 e eu estava prestes a completar vinte e três anos. Estava encenando Maria no West Side Story. Eu também estava completamente apaixonada pelo meu diretor imbecil, Albert Reis. É claro que não achava que ele era um idiota na época." Ela me deu um sorriso de menina. "Eu estava afundada na minha paixão, mas Reis não estava


interessado. Então, uma noite depois do show, quando este bonito, rico industrial da minha cidade natal, estava parado em meu camarim para me cumprimentar, eu concordei em ir a um encontro com ele. Nicky era divertido e doce, e foi um verdadeiro cavalheiro comigo, mas não lhe dei valor. Eu o mantive por um fio, enquanto esperava que o enigmático e artístico Reis finalmente fosse me dar alguma atenção. Esqueci que Nicky havia ficado rico por uma razão. Ele era inteligente e perceptivo – meu Nicky. Ele percebeu que estava apaixonada por Reis e terminou comigo." Ela pareceu tímida quando se lembrou do momento. "Ele estava realmente com raiva de mim. Disse-me para ir para o inferno. Fiquei abalada por isso. Não queria machucá-lo... mas eu não percebi até que ele voltou para Boston e estava em todos os jornais da sociedade ao redor como um mulherengo, que eu estava abalada porque realmente tinha sentimentos por ele." Meu café da manhã foi esquecido, eu descansei meu queixo na minha mão e sussurrei, "Então, o que você fez?" "Descobri quando era sua próxima viagem a Nova York e o encurralei em seu restaurante favorito. Disse-lhe que queria-o de volta." "Isso foi corajoso." "Talvez. Mas também foi infrutífero. Nicky me disse que ele não era um brinquedo que eu poderia simplesmente deixar de lado e, em seguida, pegá-lo de volta de outra menina." "Oh Deus."


"Exatamente. Eu tive que dar duro para tê-lo de volta. Tive certeza de estar em todos os mesmos locais que ele e o fiz saber que estava lá por ele." Eu sorri. "Você o pressionou." Effie me surpreendeu por balançar a cabeça enquanto esmaecia com pesar. "Eu realmente o machuquei. Ele havia se apaixonado por mim, você vê, e eu quebrei seu coração. Eu tinha perdido a sua confiança. Ele não tinha certeza de minha afeição mais, e o fato de que eu era uma malditamente boa atriz não o ajudava a acreditar em mim quando disse que era de verdade. Além disso... Eu nunca fui muito boa em me fazer vulnerável. Assim, ele duvidava da minha sinceridade. De qualquer forma, ele começou a namorar uma garota em particular, e, bem... isso doeu. Muito. Eles estavam juntos há apenas algumas semanas, mas todo mundo ficava me dizendo o quão sério era. Uma noite nós estávamos na mesma festa e rumores chegaram aos meus ouvidos de que ele estava pensando em propor a esta menina. Bem, eu não consegui esconder o que sentia. Estava tão acostumada a ser capaz de sorrir mesmo quando estava triste, mas não ali. Tive que sair de lá. Nossos amigos e conhecidos perceberam o que estava acontecendo e foi um espetáculo para eles, você sabe. Nick soube da minha reação e estava preocupado o suficiente para vir atrás de mim." Ela revirou os olhos, como se estivesse zombando do drama passado entre ela e seu falecido marido. "Encontrando-me em torrentes de lágrimas, finalmente conseguiu acreditar em mim quando disse a ele que o amava." Seu sorriso era mau. "É claro que a reação apaixonada dele, significava que tínhamos que nos casar, se você entende o que digo."


Caine gemeu ao meu lado. "Effie, um macaco iria saber o que

você

quer

dizer.

Nenhuma

conversa

sobre

sexo.

É

perturbador." Ela apenas riu. "De qualquer forma, a moral da minha história é que às vezes você tem que deixar-se ser vulnerável mesmo quando é a coisa mais assustadora do mundo. Você pode colher os frutos – eu posso lhe dizer isso." Seu olhar aguçado em direção a Caine não passou despercebido, e ele se armou. Eu me contorci desconfortávelmente. Eu sabia que o conselho de Effie era bem-intencionado, mas havia tempo e lugar para empurrar os limites entre mim e Caine, e muito em pouco tempo o teria correndo na direção oposta. Decidida a fingir que perdi seu ponto, empurrei meu prato para trás. Estes cafés da manhã eram o único tempo real que eu imaginava que Caine tinha para gastar com Effie, especialmente agora comigo ocupando o pouco tempo livre que ele tinha. Decidi dar-lhes privacidade. "Bem, estou satisfeita. Vou tomar um banho." Effie sorriu agradecida para mim e a própria expressão de Caine era calorosa, quase afetuosa. Levou tudo de mim para me conter de acariciar seu rosto quando passei por ele. Devagar, Lexie. Devagar mas firme, eu me lembrei. Quando eu vagava de volta para baixo depois do meu banho, a mesa estava limpa e Effie estava longe de ser vista. Caine se aproximou de mim e eu parei ao ver o olhar predatório em seu olho. "Onde está Effie?"


"Ela tinha uma reunião do clube do livro para ir. Ela me disse para dizer-lhe que irá vê-la em breve." "Ok..." A palavra morreu em meus lábios quando Caine parou na minha frente e desceu a mão sobre minha camisa Red Sox indo em direção a sua gravata. Ele desamarrou e as calças de moletom instantaneamente começaram a deslizar para baixo dos meus quadris. Com satisfação gravada em suas feições, Caine deslizou as calças para baixo em minhas pernas e, em seguida, abaixou-se para retirá-las. Olhei para ele, confusa, enquanto ele voltava. "A camisa fica melhor assim," ele explicou. Suas

ações

sugeriram

que

eu

estaria

ficando

no

apartamento naquele dia. "Você não está ocupado?" "Provavelmente, mas vamos fingir que não." Encantada, sorri para ele. "Então, você quer relaxar? Como as pessoas normais?" "Nenhum de nós nunca vai ser normal, mas certamente podemos descansar." "O que você quer fazer?" "Eu não sei." Ele olhou ao redor de seu apartamento. "Eu nunca... relaxei antes." "Hmm." Sentindo que precisava tomar o controle da situação, passei por ele e olhei por cima para a TV no canto. "Nós poderíamos assistir a um filme." Isso era algo que os casais normais faziam. Na verdade, isso parecia tão normal que eu tinha borboletas de excitação vibrando em torno na minha barriga.


Em resposta Caine atravessou a sala e abriu seu gabinete de DVD. "O que você gostaria de assistir?" Eu fiz o meu caminho até lá e abaixei ao lado dele. De olho nos filmes, me senti oprimida não só pelas escolhas, mas pelo fato de que isso estava acontecendo. Eu estava passando o dia com Caine, vestida apenas com uma camisa, e ele estava me colocando acima do trabalho, assim como tinha feito na noite passada. Certamente isso era enorme. Mordi o lábio para conter a minha tontura e comecei a olhar através de seus filmes estrangeiros. Depois de selecionar um sobre a Segunda Guerra Mundial, Caine configurou o filme e, em seguida, deixou-se cair no sofá. Meu instinto inicial era olhar hesitante para ele, porque nunca tinha realmente feito um gesto de afeto casual antes. Mas eu estava insegura. Decidi que tinha superado isso esta manhã e manteria assim. Decisão tomada, eu me enrolei de lado na frente dele e relaxei quando seu braço serpenteou em volta da minha cintura para me puxar para mais perto. Durante os primeiros 15 minutos do filme, achei difícil me concentrar em qualquer coisa além do fato de que estava no sofá

assistindo

a

um

filme

abraçada

com

Caine.

Minha

consciência dele foi agravada ainda mais que o habitual – seu corpo duramente pressionado perto do meu, a sua respiração e o ligeiro aumento e queda constante de seu peito contra as minhas


costas, o cheiro fresco e limpo de sua pele com um toque de sua colônia... Eventualmente, no entanto, eu relaxei completamente e permiti me concentrar no filme. Estava gostando da história e aconchegada na situação, mas estava começando a perceber onde a trama estava indo e como acabaria. Um pouco familiarizada com filmes estrangeiros, sabia que eles poderiam ser mais sexualmente explícitos e me perguntava como lidaria em assistir uma cena de sexo

com

Caine,

quando

nós

dois

ainda

estávamos

tão

hiperconscientes um do outro. Certamente, uma cena de sexo começou e prendi minha respiração nos atos altamente sensuais que se desdobravam diante de nós. Caine tensionou ligeiramente atrás de mim enquanto os gritos de prazer encheram a sala quando o herói pôs a boca entre as pernas da heroína. Ondas de desejo moveram através de mim, atirando formigamentos entre as minhas próprias pernas. Meus mamilos endureceram quando eu assistia o ato sexual na tela, enquanto estava cercada por Caine. Lentamente, peguei sua mão que descansava no meu quadril e coloquei para baixo sobre a minha coxa e sob a camisa. Sua respiração engatou atrás de mim enquanto eu guiava seus dedos por baixo da minha calcinha; durante todo o tempo, meus olhos estavam grudados na tela. Sua ereção estava pressionada contra mim. "Eu pensei que você estivesse dolorida," ele sussurrou, as palavras pesadas com a luxúria.


"É um tipo bom de dor," eu consegui sussurrar de volta. Em resposta Caine esfregou os dedos sobre o meu clitóris. Nossa

respiração

ficou

mais

alta,

mais

rápida,

e

enquanto o casal na tela fodia, o toque mágico de Caine me levou em direção ao orgasmo. Eu gritei, gozando em torno de seus dedos quando o cara na tela penetrou a heroína. Abruptamente, me deparei deitada de costas enquanto Caine fixou-se em cima de mim e arrancou minha calcinha com necessidade.

Engoli

em

seco,

emocionada

com

a

luxúria

endurecendo suas características, e uma onda renovada de desejo tomou conta de mim quando ele empurrou para baixo sua calça de moletom, o suficiente para se libertar. E então ele estava dentro de mim, empurrando para dentro de mim com uma profunda necessidade que combinava com a minha, enquanto eu levantava meus quadris contra seus impulsos. Deitada debaixo dele, meus dedos cavavam sua linda bunda enquanto ele se movia dentro de mim. Admirava esta loucura entre nós, e me perguntava se essa nossa necessidade nunca iria se acalmar. Com um grito de satisfação, Caine estremeceu contra mim, quando ele gozou. Envolvi minhas pernas em volta de sua cintura, meus braços ao redor de suas costas, e senti que a sua camisa estava úmida do esforço. Ele acariciou minha nuca, pressionando beijos suaves enquanto sua respiração voltava ao normal. Quando ele se


afastou, foi só para olhar para mim e ele não fez nenhum movimento para se remover. Seu olhar se moveu sobre o meu rosto,

avaliando-me.

sempre."

Suas

"Talvez

palavras

pudéssemos

eram

ficar

resmungadas

assim e

para

soavam

profundamente satisfeitas. Elas fizeram os meus músculos internos apertar seu pênis e vi que ele sentiu isso, pela vibração de seus cílios escuros e a suavização de sua boca. "Eu não acho que nós poderíamos ter muita interação com outras pessoas se ficarmos assim." Pensando bem... "Porém, não é realmente uma má ideia." Caine estava se divertindo. "Eu definitivamente gosto do som disso. Apesar de que precisaríamos comer. Eu não me sinto à vontade para pedir a Effie para nos trazer comida enquanto estamos assim." Eu ri. "Sim, isso não vai acontecer. Poderíamos pedir a minha amiga Rachel. Nada a perturba." "Eu tenho certeza que isso a perturbaria." "Ah, não, realmente não perturbaria. Rachel não tem censura. Esta é uma mulher que uma vez chamou uma criança de dez anos de idade de imbecil. Na cara dele. Na frente de sua mãe." Caine deu uma gargalhada. "Uma criança de dez anos de idade?" "Para ser justa, ele estava agindo como um idiota." Sacudindo em diversão, Caine passou os braços em volta de mim para que, quando ele se mudasse de volta para o lado que


estava, me levasse junto. "Rachel está a procura de um emprego? Estou sempre aberto para a contratação de pessoas sem papas na língua." "Eu sei." Pressionei meu rosto em seu peito quente. "Você me contratou." Sua mão deslizou por cima do meu traseiro nu e me apertou

suavemente.

"Eu

tinha

outros

motivos

para

lhe

contratar." Surpresa, eu arqueei meu pescoço para que pudesse olhar em seus olhos. "Você está dizendo que me contratou porque estava atraído por mim?" "Eu não pensava assim naquela época," ele admitiu, parecendo infantilmente pesaroso. "Mas, olhando para trás, sim. Quando você entrou no estúdio de fotografias – antes que você me dissesse quem era e toda essa merda – eu dei uma olhada em você e decidi que ia fode-la." Eu ri e bati em seu peito de brincadeira. "Que romântico você. E presunçoso." Ele deu de ombros, sorrindo provocante. "Presunçoso, hein?" Eu pensei no fato de que ele ainda estava dentro de mim e suspirei em derrota. "Você é tão arrogante." "O sujo falando do mal lavado." Chocada que ele pensava assim, eu sussurrei, "Eu não sou arrogante."


"Baby, você não deixaria ninguém chegar perto de você, e não estou falando apenas rapazes. Estou falando de amigos e família, também. Você coloca um valor elevado em sua amizade e em seu corpo. E você deveria." "Auto-estima não é arrogância." Ele me olhou contemplativamente. "Você é boa na cama?" Depois da noite passada, ele ainda tinha que perguntar? "Uh... sim." Ele sorriu. "Você é boa em seu trabalho?" "Claro que sim." "Se você quisesse um homem, você acha que ele iria transar com você?" Eu pensei sobre isso, sobre a minha história com os homens, e como (com a exceção de Caine) eu era a única que tomava a dianteira. "Provavelmente. Nem todos." "Mas a maioria." Eu dei de ombros. "Está vendo? Arrogante." "Confiante," eu argumentei, mas podia ver onde ele queria chegar. "Ok. Então, você é confiante... com um toque de arrogância." Surpresa, eu olhava para o teto, pensativa. "Eu nunca pensei em mim como arrogante antes." Os dedos de Caine escovaram pelo meu queixo, trazendo o meu olhar de volta ao seu. "A arrogância pode ser ofensiva quando não se é bom. Mas se você é bom em alguma coisa e sabe


disso, então é falsidade e uma perda de tempo fingir que você não é." Encontrei-me sorrindo em sua lógica. "Sabe, algumas pessoas são boas em alguma coisa e não percebem o quanto são bons nisso. Chama-se ser humilde e modesto". Ele balançou a cabeça, sorrindo enquanto me empurrava sobre as minhas costas. "Eu não sou nenhuma dessas coisas. Parece chato." Meu riso em resposta foi pego entre seus lábios famintos.


Capítulo 21 A visão de Henry empoleirado na minha mesa me fez hesitar um pouco quando voltei da sala de cópias. Eu sabia, mesmo antes de notar o curioso sorriso dele, que ele queria saber o que estava acontecendo entre Caine e eu. Mas não dependia de mim discutir a vida pessoal do meu chefe com seus amigos (mesmo acontecendo de ser eu a sua vida pessoal), e depois de passar um dia absolutamente incrível com Caine ontem, eu não queria estragar a intimidade recémconquistada entre nós. Desacelerei e parei na frente de Henry dando-lhe um olhar compreensivo. "Senhor Lexington." Ele sorriu. "Lexie." Ele inclinou a cabeça para o lado, pensando. "Você sabe, se tivesse sido esperta sobre isso e escolhido esse cara," – ele apontou para si mesmo – "seu nome poderia, eventualmente, ter sido Lexie Lexington." Eu bufei. "E tudo o que eu precisaria eram botas de cowboy, um coração quebrado e eu seria uma cantora de música country." As sobrancelhas de Henry se juntaram. "Hum. Você está certa." Ele riu. "E uma muito bonita, a propósito." "Henry, pare de flertar comigo."


"Eu só estou esperando para ver se o Sr. Carraway virá arrebentando as portas para me dizer para ficar longe de você. Ele é terrivelmente possessivo com sua AP." Suspirando, empurrei-o da minha mesa. "Por que você não para com a brincadeira e apenas diz o que você quer dizer?" Ele me olhou com cuidado. "Caine é um bom amigo. Eu sabia que algo estava acontecendo entre vocês dois desde o início, e, embora ele nunca tenha sido um cara aberto, ele estava estranhamente cauteloso sobre você. E eu não estava brincando sobre a coisa toda de possessivo. Você não tem idéia de quantas vezes ele foi ríspido comigo quando eu mencionei quão atraente você é. Não foi nenhuma surpresa para mim encontrar vocês dois se agarrando no sábado à noite." Cruzei os braços sobre o peito. "Eu não acheu que isso seria uma surpresa para você. Eu sabia que você estava ciente na noite do baile nos Andersons. Realmente, Henry, você devia considerar sair do ramo bancário e pensar em partir para o ramo de casamenteiro." Ele sorriu. "Então vocês dois estão juntos. Nenhuma surpresa. Para ninguém. Você deve saber que a maior parte do seu pessoal tem especulado sobre vocês dois desde o início." Desconfortável com o pensamento, eu fiz uma careta. "Você não disse a ninguém, não é?" "Não." Ele deu um passo em minha direção. "O que me leva ao ponto. Por que isso é um segredo? Eu conheço Caine bem o suficiente, para saber que ele estaria se fodendo para o fato de


alguém saber que estava dormindo com sua AP, de modo que essa não é a razão para o segredo." E lá estava. A pergunta que eu tinha visto queimando em seus olhos no momento em que o vi empoleirado na minha mesa. "Henry, se Caine quiser dizer-lhe, ele vai. Pergunte e veja o que acontece. O que você não vai fazer é me perguntar sobre isso. Eu nunca vou trair a confiança dele." Henry me estudou por um momento, todo o humor e provocação

o

deixando.

"Você

se

preocupa

com

ele,"

ele

murmurou. Eu não respondi. Não havia necessidade. Eu tinha notado há tempos atrás, que Henry Lexington era mais perspicaz do que deixava transparecer. "Lexie," disse ele, em voz baixa, embaraçado "Caine não é... Não importa o que ele sente por você... não espere..." Meu coração estava batendo descompassado em meu peito. "Não espere o quê?" "Só..." Ele estendeu a mão para apertar meu ombro em um gesto reconfortante. "Você é uma boa pessoa, e estou feliz que você o tenha a sua volta... mas eu não quero que você se machuque." Um

mal-estar

tomou

conta

de

mim,

e

lutei

desesperadamente para empurrá-lo de volta. As opiniões de Henry eram com base no que ele sabia sobre Caine, mas ele não sabia como seu amigo agia em torno de mim. Ele não sabia que este fim de semana foi um grande avanço para nós dois.


Me agarrei à essa confiança, deixando-a se interpor sobre a incerteza. "Eu não vou," eu prometi.

"Eu ainda não tenho certeza que é uma boa idéia sermos vistos juntos aqui." Olhei com cautela ao nosso redor. Era uma tarde quente de quinta-feira. Caine e eu fomos a Beacon Hill para um brunch. E para minha surpresa, ele sugeriu que ficássemos por aqui durante nossa hora de almoço, e fizemos um passeio pelos jardins públicos. Caminhamos sobre a ponte, observando guias turísticos pedalando nos barcos de cisne. "Eu acho que enquanto não começarmos a apalpar-nos, ficaremos bem," disse Caine. Meus olhos voaram para seu rosto com a irritação em suas

palavras.

aborrecimento

Com estava

certeza, na

o

contração

sinal dos

revelador

de

seu

músculos

de

sua

mandíbula. Fazia quase uma semana desde a festa, e nunca me senti mais próxima de Caine. No entanto, este foi o primeiro sinal que tinha me ele mostrado, que esconder nosso relacionamento o incomodava. Mantive o meu silêncio, sem saber como lidar com a questão, uma vez que não havia nada que pudéssemos fazer sobre isso. É claro, eu sabia que não podíamos continuar assim para sempre, mas até que eu tivesse algum sinal certo de Caine, da


permanência da nossa relação, eu não via sentido em ter a dor de cabeça de descobrir como lidar com a família do meu pai. Só de pensar nisso minha cabeça já doía. Suspirei e dei um passo fora do caminho, a grama fazendo cócegas nas partes expostas dos meus pés enquanto vagava até a beira do lago para ver os patos e gansos. Um esquilo, completamente despreocupado com a minha presença, disparou por meus pés e correu até uma árvore próxima de salgueiro-chorão. Inclinei meu rosto para o sol e fechei os olhos. Poucos

segundos

depois,

senti

o

braço

de

Caine

escovando o meu. "O que você está pensando?" Ele disse. "Como pacífico é aqui. Como é descomplicado." Eu abri meus olhos para encontrar seu olhar curioso. "As pessoas exercitam-se, as pessoas se bronzeiam, as pessoas fazem yoga, passeiam, dormem, relaxam. As preocupações ficam do lado de fora, na rua. Elas as pegam de volta assim que saem daqui." "E com o que você está preocupada?" Honestamente, tudo, eu pensei. Você, eu, meu avô, meu trabalho. Nada disso era sólido ou seguro. Nada disso era permanente. Nem eu e Caine, e certamente não era a minha posição em sua companhia, porque se nós terminássemos, então a minha carreira terminaria. E meu avô... Meu relacionamento com ele era tão incerto quanto era secreto. Eu poderia deixar Boston e seria como se nossos dias juntos nunca tivessem acontecido.


Tentei afastar a melancolia súbita, perguntando como poderia passar de estar muito feliz a muito assustada, dentro de um período de cinco minutos. Dei a Caine um pequeno sorriso. "Nada." Seu olhar aguçou, como se ele não acreditasse em mim. Ele virou-se para mim e assim quando o fez, senti um baque molhado em minha cabeça. Meus olhos se arregalaram quando Caine voou para o meu cabelo. "Não," eu disse em negação. Seus lábios contrairam. "Sim." Horrorizada, dei uma risada histérica. "Por favor, digame... que um pássaro não fez cocô na minha cabeça." Caine deu uma gargalhada. "Caine!" Eu o assisti em sua diversão, e se não fosse pelo mau cheiro do cocô do pássaro no meu cabelo, eu teria ficado encantada ao vê-lo rir. No entanto, isso não era divertido! Fiz uma careta, levantando a mão para o meu cabelo, mas com medo de tocá-lo para descobrir onde a confusão estava. "Não é engraçado." Eu dei um tapa em seu braço, o que só o fez rir mais ainda. "Você escolheu agora para ser imaturo? Tenho merda de pássaro no meu cabelo!" "Pare com isso," ele respirou, enxugando as lágrimas do riso em seus olhos. Ele engasgou com sua alegria, dando um passo em minha direção. "Continue dizendo isso e não vou ser capaz de parar de rir." "Não é engraçado." Eu enruguei meu nariz. "É nojento."


Ele sorriu, seu olhar indo para a bagunça na minha cabeça. "Você estava tão séria e então..." "Cocô de pássaro," eu terminei. Ele engasgou novamente, e levantei a mão em sinal de advertência. "Nem tente. Eu tenho que voltar para o escritório. Eu não posso ir com –" Eu parei de falar, não querendo que ativar seu lado cômico usando novamente a frase merda de pássaro. De repente, o humor disso me bateu. Caine Carraway riu como um colegial sobre cocô de pássaros. Quem iria acreditar? Enquanto ele observava os meus lábios se contraírem, o comportamento de Caine aqueceu com ternura. "Nós vamos até meu apartamento..." Ele olhou ao redor, seu olhar preso em algo. "Por enquanto..." Confusa, eu o assisti voltar ao longo do caminho e parar em um banco onde duas adolescentes estavam sentadas. Ele disse algo para elas e, em seguida, puxou a carteira. Eu vi quando ele entregou-lhes dinheiro e em troca, elas lhe entregaram suas garrafas de água. Calor inundou o meu peito enquanto Caine voltava para mim. "Quanto isso custou?" Eu olhei para as garrafas. "Dez dólares." Ele deu de ombros. "Mas elas vão servir para lavá-la, então você não tem que caminhar para o meu apartamento com merda pássaro em seu cabelo." "Meu herói."


Ele me lançou um olhar de aviso que nada fez para dissipar minha secreta vertigem. "Só abaixe sua cabeça." Fiz o que ele disse, sorrindo o tempo todo enquanto ele, com muito cuidado, despejou a água no meu cabelo e suavemente limpou o cocô de pássaro. Poucos minutos depois, ele apertou o excesso de água do meu cabelo e aliviou minha cabeça para trás. Em agradecimento, cavei na minha bolsa e tirei o mini gel para as mãos que guardava lá. "Obrigado." Ele o tomou, esfregando o material em suas mãos. "Não, eu é que agradeço." Olhei para cima em seu prédio, visível em Arlington. "Temos tempo para que eu me lave?" "Nós vamos fazer dar tempo. Não é todo dia que minha AP fica embostiada." Nossos olhos se encontraram e o calor inundou todo o meu corpo agora que estávamos sorrindo um para o outro. E assim de repente... todas as minhas preocupações anteriores foram esmagadas novamente pela volta da minha esperança. Normalmente, quando eu andava a pé na calçada arborizada de tijolos vermelhos da Charles Street, eu estava na minha área. Era a minha rua favorita em Boston, com suas lamparinas pitorescas, lojas de antiguidades, restaurantes e boutiques. Havia esse frescor no ar, muito parecido com os cheiros de jardins, era como passear em um pequeno oásis de vida dentro da cidade.


No entanto, a calma que geralmente sentia quando andava na Charles Street tinha ido embora. Duas semanas se passaram desde o fim de semana que passei com Caine, e embora ele parecesse ter parado de erguer mais paredes entre nós, ele também parecia não querer mais nos manter em segredo. Algo que eu não tinha concordado. Olhei ao redor da rua agitada, porque o nosso lindo verão estava ainda forte e era um sábado. Este era também o bairro de Caine, o que significava que estávamos mais propensos a esbarrar em alguém que conhecíamos. Alguém que poderia se perguntar o que Caine estava fazendo vestido de jeans e uma camisa vagando pela rua com sua AP do lado. Eu, também, não estava vestida para o trabalho, usando meus shorts, regata e chinelos. Foi idéia de Caine passar o dia fazendo compras. Era o aniversário da mãe de Henry na próxima semana e ele precisava comprar-lhe algo. Não foi minha ideia acompanhá-lo, mas quando Caine queria algo, ele poderia ser bastante persuasivo... com a sua boca. E ok, sua língua. Eu me contorci, lembrando de seu método de persuasão na cama esta manhã. Eu realmente precisava de um pouco de força de vontade. Me perguntei se isso teria à venda na Charles Street. "Se alguém nos vir, deixe-os ver." Caine suspirou, obviamente irritado. Claramente minha ansiedade não passou despercebida. "Nós estamos jogando um jogo perigoso aqui," eu argumentei.


"Sério?" Ele parou para olhar para baixo na janela do porão de uma loja onde havia roupas de senhoras em exibição. "Eu pensei que nós estávamos andando por porra de uma rua." Oh, ele estava xingando. Ele estava puto. "Caine–" "Isso ficaria bem em você." Ele mudou de assunto, empurrando o queixo em direção ao vestido azul-petróleo. Ele tinha um corte conservador, com um material que adere ao corpo. Elegante, mas sexy. "No entanto, não ficaria bem no meu extrato do cartão de crédito." Em resposta, Caine deslizou sua mão na minha, me fazendo olhar em volta rapidamente para ver se alguém estava olhando. Ele não pareceu notar minha cautela, porque ele estava muito ocupado me levando para as escadas da boutique. "O que você está fazendo?" Eu disse. "Você vai experimentar o vestido." Eu fiz uma careta, confusa com suas ações. Ele estava apenas tentando ignorar o argumento de que estava prestes a ferver entre nós? "Não, eu não vou." A vendedora esbelta se aproximou de nós com um brilho em seus olhos escuros quando viu Caine. Algumas semanas atrás, uma jovem com jeito de modelo, com as maçãs do rosto esculpidas, uma perfeita pele sedosa cor de café, causaria uma onde de possessividade em mim. Agora não. Claro, eu ainda sentia um arrepio percorrer através de mim por saber que era a única


que tinha acabado de sair da cama com ele, mas o ciúme que tinha vindo com falta de tranquilidade foi silenciado por hora. Era gerenciável. E eu percebi que Caine não tinha sido um homem das cavernas em relação a mim nessas últimas semanas também. Progresso. Então, quando ele apontou para o vestido e disse, "Tamanho seis," Eu ri dele. Trinta segundos depois, me encontrei em um pequeno provador. Girei a etiqueta do vestido e empaquei com o preço. Sim,

não

havia

nenhuma

maneira

que

estivesse

comprando este vestido maldito, não importa o quão bem ele vestiria em mim. Eu bufei e tirei a minha blusa. "Você parece tão familiar para mim," eu ouvi a vendedora dizer a Caine. Eu praticamente revirei os olhos para o ronronar em suas palavras. Caine não respondeu. Eu sorri. Segurança. A palavra me fez relaxar quando pensei sobre isso. Eu não sentiria essa segurança se eu não tivesse certeza dos sentimentos de Caine por mim. Embora não tivéssemos discutido os pontos do nosso caso, também não havia tido nenhuma


menção de que isso estivesse chegando ao fim. Não queríamos que isso acabesse. Eu não queria que isso acabesse. Nunca. Eu congelei meio vestida. Eu estava apaixonada por ele. "Você trabalha por aqui?" A vendedora tentou novamente. "Por perto," disse ele, e então a cortina de privacidade se moveu um pouco, me sacudindo para fora da minha realização sem fôlego. "Voce terminou?" Procurei

parecer

normal,

e

não

oprimida

pelo

reconhecimento dos meus sentimentos que alteravam a vida. Limpei minha garganta. "A menos que o vestido deva ser usado com meus seios de fora, não." "Espertinha," ele murmurou, mas eu podia ouvir sua diversão. Quando acabei de me vestir, Caine deslizou para dentro do provador, ocupando muito espaço. Eu olhei para o seu rosto, de repente impaciente pelo momento certo para lhe dizer como me sentia. Eu nunca estive apaixonada antes. Quando era a hora certa para dizer isso? Caine estava muito ocupado verificando-me com o vestido para deduzir que meus pensamentos tinham ficado lentos. "Você está linda." Fiquei embevecida com prazer e alisei o material do lindo vestido com as minhas mãos. "Obrigada."


Ele estendeu as mãos para mim, passando-as para baixo da minha cintura até que se estabeleceram em meus quadris. Ele me deu um pequeno puxão até que eu estava pressionada contra ele. "Você está comprando este vestido." Corri minhas mãos por seus braços e gentilmente afasteilhe para longe de qualquer fantasia que ele estava criando sobre mim neste vestido. "Não, eu não estou. O preço... é extorsão." "Quem disse que é você que está pagando?" Ele fez um movimento em direção a cortina, mas eu seguri ele. "Caine, não." Eu balancei a cabeça com firmeza. "Você não está–" Ele deu de ombros para fora do meu alcance, com um aumento imperioso de sua sobrancelha direita e, em seguida, desapareceu do provador. "Caine," eu assobiei. Xingando baixinho, comecei a remover o vestido quando o ouvi dizer à vendedora, "Vamos levá-lo." Eu bufei e dei de ombros pegando minhas roupas. No momento em que saí do vestiário, já era tarde demais. Ele havia comprado o vestido. Mantive o silêncio enquanto caminhávamos para fora da loja, meu novo vestido dentro da sacola de papel pendurada em meu pulso, mas logo que estávamos de volta no nível da rua, eu parei. Caine olhou para mim e suspirou quando viu o meu rosto. "O quê?" "Por que você fez isso quando pedi para você não fazer?"


"Porque você ficou bem nele e eu quis comprá-lo para você." Ele suspirou novamente. "Lexie, eu nunca lhe comprei nada antes." "E?" "E, na semana passada, você me comprou um filme e um livro só porque você pensou que eu poderia gostar deles." Eu ainda estava confusa. "E?" "Então na semana anterior, você me comprou um monte de almofadas e merdas que não preciso, para o meu apartamento e para o meu escritório." Sorri. Eu tinha feito isso. Finalmente me senti confiante de que poderia introduzir um pouco de "aconchego" em sua vida. "Isso

soa

menos

como

um

presente,

e

mais

como

um

aborrecimento." Caine deu uma bufada de riso. "Verdade. Mas ainda era um presente. E você fez isso apenas porque sim. O vestido? É apenas porque sim." Seus olhos de repente pegaram fogo e eu derreti sob eles. "E porque eu gostaria de foder você nele." Um

delicioso

arrepio

ondulou

sobre

mim

com

o

pensamento. "Portanto, é um presente para nós dois?" "Sim. Um que espero continuar dando." Eu ri e me inclinei para ele, esquecendo completamente de onde estávamos. "Alexa?" A voz familiar me parou. Meu pulso correu quando virei para enfrentar o meu avô.


Embora nós tínhamos nos falado ao telefone, não nos víamos há semanas. A revelação da história de Caine me impediu de organizar um tête-à-tête com o meu avô. Não muito tempo atrás, eu gostaria de ter isso. Mas depois de descobrir a verdade, eu temia o encontro com o vovô. Então deixei de lado de novo novamente. Eu suspeitava que meu avô estava culpando a minha relação com Caine como a causa de minha distância com ele. Isso só tinha aumentado a sua desaprovação. Ao ver a expressão no rosto do meu avô, quando seu olhar correu de mim para Caine, eu sabia que a desaprovação não tinha diminuído. Eu sempre pensei que seus sentimentos nasceram da preocupação, mas agora eu estava questionando tudo. Vovô estava realmente preocupado comigo ou estava apenas preocupado que de alguma forma a minha proximidade com Caine iria libertar os segredos que nós tínhamos enterrado? "Vov–" A palavra foi cortada abruptamente com o aparecimento súbito de minha avó quando ela veio caminhando para fora da joalheria ao nosso lado. Tentei esconder a minha reação, fingindo o tempo todo que meu coração não estava batendo disparado no meu peito. O rosto de Adele Holland insinuava o que devia ter sido sua beleza jovial. Seu estilo e cabelo loiro cinza perfeitamente penteados e olhos azuis claros, ainda eram muito atraentes. Ela olhou para o marido e depois para mim e fez uma careta em confusão. Caine surgiu atrás de mim, puxando seu olhar, e foi quando a compreensão empalideceu suas feições. É claro que ela sabia quem era Caine. Eu vi como ela supôs que ele era a razão para a tensão estranha no ar.


"Edward?", Ela sussurrou, parecendo ansiosa e com medo, diferente da Senhora autoritária que todo mundo dizia que ela era. "Bem, nós deveríamos ir." Vovô limpou a garganta e nos deu um aceno brusco. "Sr. Carraway, senhorita." Ele pegou o braço de minha avó e passou com ela por nós. Olhei para o local que ele estava parado, e ignorei a dor que passou através de mim. Isso sempre despertava esse pequeno sussuro traiçoeiro que me provocava. Não era amada o suficiente pelo seu pai, sua mãe, seu avô... ou por Caine. Eu me senti sozinha. Sozinha, mal amada, e sem ninguém para confiar. "Alexa?" Olhei

para

Caine

e

vi

que

seus

olhos

estavam

sombreados com raiva. Ao vê-lo, sacudi o meu mal-estar e dei-lhe um sorriso falso. Isso só o deixou mais furioso. Sem uma palavra, ele começou a andar pela rua no sentido oposto que meus avós tinham tomado. Fui depois dele, os meus passos mais lentos. E, em seguida, abruptamente Caine virou e marchou de volta para mim. Com determinação, ele me puxou bruscamente para ele e esmagou sua boca sobre a minha. Eu fiz um barulho de surpresa no fundo da minha garganta antes de meus instintos assumirem. Eu não pude deixar de me afundar em seu beijo.


Quando ele finalmente me afastou, nós dois estávamos respirando com dificuldade. Caine alisou seu polegar sobre meu rosto, seus olhos ainda escuros com paixão e raiva. "Eu não ligo a mínima para quem tenha visto isso." Minha resposta foi envolver meus braços em torno dele, e para o meu prazer, Caine me segurou com força. De pé lá Charles Street, sendo abraçada por ele, eu estava engasgada pela emoção. Não só tinha entendido que eu amava Caine como também eu finalmente entendi por que ele odiava nos manter em segredo. Ele sabia o que sua revelação sobre o meu avô tinha feito para mim, e sabia o que fazia para mim o meu avô não conseguir me reconhecer em público. E acho que ele sabia que eu estava questionando o amor do vovô por mim. E Caine não queria ser o cara que me tratou do mesmo jeito. Ele não tinha vergonha de estar comigo, de me conhecer, de me querer em sua vida. Meus braços se apertaram em torno dele. Talvez, Deus, apenas talvez... Eu não era a única que se apaixonou.


Capítulo 22 "Você está linda. Deixe-me tirar uma foto de vocês dois juntos." Effie levantou seu iPhone e começou a tirar fotos antes que Caine ou eu pudéssemos protestar. Risos borbulhavam dos meus lábios quando olhei para Caine. Ele estava usando a expressão "Eu estou paciente só porque é Effie". Ultimamente ele usava muito essa expressão para sua vizinha. "Você acha que ela pensa que estamos indo para o baile?" Eu murmurei, provocando-o. Ele me lançou um olhar. "Faça-a parar." "Caine, pare de fazer cara feia," Effie o repreendeu do outro lado da sala. Eu suspirei, agarrada o braço dele e sorri para a câmera. Effie estava rindo tão forte que eu duvidava que qualquer uma dessas fotos não iriam sair tremidas. "Vocês são doidas." Caine desembaraçou-se da minha mão, atirando-nos um olhar de advertência que nós duas ficamos sem entender. Eu acho que secretamente ele gostava da gente o provocando. "Eu vou ligar para pedir o carro." Ele saiu da sala, com os ombros tensionados. Ok, então talvez esta noite ele não estivesse gostando da provocação.


Estávamos ambos vestindo traje formal – Caine em seu belo smoking preto Ralph Lauren, e eu estava usando um vestido de Jenny Packham, que cometi o erro de mostrar a Effie há duas semanas, que, em seguida, mostrou-o a Caine, que então comprou para mim. Tentei argumentar com ele sobre isso. Eu não queria que ele pensasse que eu precisava ou esperava que ele me comprasse presentes caros. No entanto, como já havia passado por algo semelhante com os voos e a situação do hotel em Seattle, Caine não discutiu sobre dinheiro. Ele me disse o que tinha que dizer e, em seguida, assunto encerrado. O que era seriamente irritante. Mas dessa vez não tanto, quando um belo vestido apareceu na minha porta. Então me mate, às vezes eu podia ser superficial. Eu tinha

trabalhado

com

um

fotógrafo

da

mídia

por

anos,

principalmente na moda. Eu tinha sido exposta às mais belas peças de roupas já desenhadas e tinha uma real apreciação da arte nelas. Nós estavamos falando sobre um Jenny Packham. O vestido verde pálido tinha uma qualidade atemporal – sua silhueta elegante era uma combinação perfeita para o meu físico e altura. Tinha delicados enfeites prata e cristal salpicados em forma de cinturão ao redor da minha cintura, um decote cavado que de alguma forma ainda conseguiu ser elegante, e ao final do comprimento do vestido, o tecido foi granulado com detalhes em prata.


Eu me sentia como uma princesa. Caine, no entanto, não estava agindo como um cavaleiro branco hoje à noite. Nossas últimas semanas juntos foram espetaculares. Um turbilhão de paixão, intimidade, risos... eu nunca estive mais feliz. E pensei que Caine se sentia da mesma maneira, mas ele estava ranzinza esta noite, e me perguntei se era por causa da nossa discussão mais cedo. Hoje à noite nós iremos participar do evento de caridade de Vanessa Van Hay Delaney em prol da doença de Alzheimer. Ele foi organizado por Michelle e Edgar Delaney, os filhos de Vanessa Delaney, uma mulher que tinha sido um pilar da sociedade de Boston por mais de cinqüenta anos, e foi diagnosticada com Alzheimer. Ela faleceu alguns anos depois de seu diagnóstico, e desde então, a cada ano, os Delaneys fazem um evento beneficente para o fundo de pesquisa na cura da doença de Alzheimer. Só foi convidada a elite de Boston para partilhar da sua filantropia, e era uma das poucas causas que Caine não se importava que alguém soubesse que ele tinha doado dinheiro em caridade, porque qualquer pessoa com poder ou influência na cidade, estava lá fazendo a mesma coisa. Sua reputação permaneceria intacta. Este era o primeiro evento que estaria participando como seu “encontro”, e ambos havíamos discutido como as pessoas iriam especular. Não tínhamos a intenção de anunciar que eu era sua namorada real, especialmente com a existência de pessoas da mídia no evento, mas eu tinha certeza que ira atiçar a curiosidade estando ao lado de Caine. Eu tinha pedido para não confirmarmos


a nossa relação até que eu tivesse uma chance de botar tudo para fora com o meu avô. Na verdade, não eu nem queria participar do evento, mas Caine foi ficando cada vez mais frustrado com esse segredo. Isso o fazia sentir como se estivéssemos fazendo algo para se envergonhar. Então, eu concordei em ir com ele sob a condição de que eu estava lá como sua Assistente Pessoal até que eu tivesse uma chance de enfrentar o meu avô e depois avisá-lo que havia uma possibilidade de sua família descobrir sobre mim. Caine não ficou feliz com o acordo, mas ele concordou com isso. Agora eu tinha que saber o motivo de seu mau humor. Ele foi tão insistente sobre eu ir ao evento com ele. Mas agora ele estava agindo como se preferisse que eu não fosse. "Hmm." Effie empurrou o iPhone de volta para o bolso de seu quimono. "Alguém está mal humorado esta noite." Eu fiz uma careta. "Sorte minha." Ela riu. "Ele vai ficar bem. Apenas prometa-lhe um bom tempo quando vocês voltarem da festa, e isso irá animá-lo." "Eca, Effie, ele é como se fosse seu neto." "Ele é um homem. Um homem é um homem." Balancei a cabeça em sua atitude mente aberta, e me perguntei como ela havia sobrevivido aos anos cinqüenta quando adolescente. "Vamos," Caine chamou do corredor. Effie e eu saímos da cobertura atrás dele e ele deu a Effie um beijo na bochecha. "Boa noite, Effie."


"Boa noite, querido." Ela bateu-lhe carinhosamente no rosto. "Divirta-se, belo. Se você não fizer isso, quando tem a mulher mais linda do salão em seu braço, então há algo errado com você." Ele lhe deu um pequeno sorriso, quase cansado e acenou com a cabeça em sua direção. Eu a abracei e a acompanhamos pelo corredor até sua cobertura. Quando entramos no elevador, ela me deu uma piscada de sua porta. Sorri, mas logo fiquei séria com o olhar questionador que Caine atirou em mim. As portas do elevador se fecharam. "Qual o motivo da piscadela?" Ele disse. "Oh, Effie pensou que eu iria melhorar seu humor, assegurando-lhe

que

teria

algo

aguardando

você

quando

voltássemos da festa." Ele gemeu. "Conselho sobre sexo de Effie. Isso é errado." "Isso é o que eu disse." Dei de ombros com indiferença. "Mas eu também estou um passo à frente dela, então eu não precisava do conselho." Caine levantou uma sobrancelha. "Ah, é?" Dei a ele um lento sorriso perverso. "Eu não estou usando calcinha." As portas do elevador se abriram antes que ele pudesse esconder a surpresa em seu rosto, e eu ri em triunfo quando passei por ele e saí para a garagem, onde um motorista estava esperando por nós. "Eu poderia lhe matar."


Eu sorri, satisfeita. "Você tem dois minutos para pensar em qualquer coisa além de mim." Caine me deu um olhar ardente. "Difícil de fazer quando você está sentada ao meu lado sem calcinha." Estávamos no carro e a poucos minutos da casa dos Delaneys. Sentindo pena dele, eu tentei ajudar. "Pasta de grão de bico. Comédia romântica. Aquele som tipo mantra que Linda fazia o tempo todo –" "Não é assim que isso funciona. Você deveria me fazer pensar em coisas que não me deixassem excitado, e não em coisas que em termos gerais eu não gosto." "Simmmm. Você está temperamental esta noite." Eu suspirei. "Bem. Então pense em Henry e Effie fazendo um doce, doce amor." O rosto de Caine congelou quando o carro deu uma parada. "Isso foi apsimplesmente maldoso.” "Mas funcionou, certo?" "O inferno sim, funcionou. Agora vou ficar perturbado durante o resto da noite." A casa dos Delaneys era muito parecida com a mansão dos Andersons – uma riqueza que intimida. No entanto, pelo menos eu já tinha sobrevivido ao choque quando estive na dos Andersons, e conforme Caine me levava para dentro com uma mão nas minhas costas, gentilmente me guiando, eu não me sintia tão desconfortável como da última vez. Talvez fosse porque Caine estava comigo agora, e eu nunca me senti tão segura como me sentia quando estava com ele.


"Alexa, mais bonita do que nunca", disse Henry quando se aproximou de nós no salão principal. Mesas de jantares elegantes foram postas ao redor da sala. Do outro lado, havia um palco. O que parecia ser uma pequena orquestra foi montada à esquerda, e havia uma pista de dança na frente do palco. Henry tirou o meu olhar do esplendor geral do salão de festas para ele e sua voluptuosa e de alguma forma familiar, acompanhante ruiva. "Henry," eu murmurei enquanto ele beijava minhas duas faces. Sua mão repousava em minha cintura quando fez isso, mas eu sabia que não havia nada no gesto. No entanto, quando virei, podia ver as nuvens de raiva se reunindo nos olhos de Caine. As últimas semanas provaram que a minha teoria estava correta, e Caine estava visivelmente mais descontraído quando eu estava em torno de outros homens. Henry era um assunto completamente diferente. O homem tinha um flerte natural, e eu entendia que ele não queria dizer nada com isso. Mas seu flerte comigo incomodava Caine. Sua risada comigo incomodava Caine. Seu toque em mim incomodava Caine, e sua presença em qualquer lugar perto de mim incomodava Caine. E isso me incomodava. Henry era o melhor amigo de Caine. Eu não queria causar problemas entre os dois. Tinha a suspeita de que o problema existia antes mesmo que eu entrasse em cena. Havia uma história por trás da estranheza de Caine e eu estava mais do


que curiosa para descobrir qual era. Só não tinha encontrado o momento certo para falar ainda. Travando o olhar no rosto de Caine, Henry praticamente revirou os olhos e recuou. Ele colocou seu braço em volta de sua acompanhante e a trouxe para frente. "Caine, Lexie, esta é Nadia Ray. Ela é a garota do tempo local." Reconhecimento me bateu. Nadia Ray causou uma grande comoção há alguns meses, quando apareceu em nossas televisões. A audiência da WCVB tinha subido desde que ela entrou para a equipe de meteorologia. "É bom conhecer você," eu disse, enquanto Caine deu-lhe um aceno de cabeça em saudação. Ela sorriu um pouco nervosa, e me perguntei se ela estava se sentindo como um peixe fora d'água. Conhecia esse sentimento muito bem. "Este lugar é uma loucura, não é?" Eu disse, arregalando meus olhos com humor. Nadia deu uma bufada de riso aliviado. "Não é com o que estou acostumada." "Eu te entendo." Balancei a cabeça, examinando a sala. Meus olhos caíram sobre um garçom que estava servindo aperitivos. "Mas os minis rolos de caranguejo nestas coisas são de morrer." "Longe de serem tão bons quanto os rolos de caranguejo que comíamos na pequena delicatessen no campus da Wharton." Henry fechou os olhos em exagerada reflexão bem-aventurada. "Oh, aqueles foram dias ótimos." Eu sorri. "Rolos de caranguejo. Isso é o que você mais se lembra sobre a faculdade de negócios?"


"Eu não disse isso." Seus olhos se abriram quando ele sorriu. "As mulheres também foram muito memoráveis." "Oh, então estes foram os caranguejos13 que você lembrou?" Ele bufou. "Eu não era tão ruim. Tudo bem... Eu era bem ruim." "Como você aguentou ele? Ou você era ainda pior do que ele?" Eu disse a Caine. Caine não se juntou à nossa provocação. Na verdade, ele estava mais desconfortável do que nunca. E eu sabia o porquê. Suspirei, exasperada. "Caine nunca fala sobre Wharton. É como se ele tivesse apagado sua existência." Henry ficou sério quando ele e Caine trocaram um olhar escuro que eu não entendi. Intranqüilidade moveu através de mim, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Caine chegou antes. "Nós vamos lhe arranjar um rolo de caranguejo em um minuto," disse Caine, retornando para a nossa conversa anterior. "Primeiro temos que ir até lá e cumprimentar os Delaneys." Ele já estava me levando naquela direção antes que eu pudesse protestar. Eu atirei a Nadia e Henry um sorriso de desculpas por cima do meu ombro e, em seguida, sussurrei, "Isso foi rude." Seus dedos se enroscaram em meu vestido. "Desculpe?"

13

Crabs em inglês significa carangueijo e também é como se chama a DST Chato/ piolho púbico. No caso Lexie faz uma brincadeira dizendo que Henry se lembra das mulheres por causa da doença.


"Eu acho que teria sido legal ficarmos com eles um pouco mais. Nadia claramente não está confortável aqui, e desde que eu sei o que ela está sentindo, teria sido agradável passar um tempo com ela.” "Estamos aqui a negócios." "Pensei que estávamos aqui, porque é um evento de caridade." "Estamos aqui porque se os Delaneys o convida para um evento, você vai. Eles são donos de um terço dos imóveis em Boston, Filadélfia, e quase todos de Providence. Isso é um monte de dinheiro, e estou no ramo que se ganha dinheiro, então não irei ignorá-los. Então, sim, estamos a negócio." Eu estava dura contra ele enquanto nos aproximávamos do anfitrião e anfitriã. "Eu gostaria de saber o que está errado com você esta noite." Caine não respondeu. E apenas colocou uma máscara educada e me apresentou as pessoas que olhavam para mim especulativamente e depois voltavam sua atenção para outro lugar. Suspirei interiormente, meus olhos em busca de um garçom. Eu precisava de uma bebida para sobreviver a esta multidão e o Sr. Mal humorado. Enquanto Caine estava ocupado conversando com um de seus diretores, o pai de Henry e um cara de investimentos que nunca vi antes, eu consegui sutilmente ir para longe do grupo


para poder resgatar Nadia, que Henry havia abandonado ao lado da entrada para o salão de baile por algum motivo. "Parece que você precisa disso," eu disse quando me aproximei e lhe ofereci uma taça de champanhe. Nadia sorriu agradecida, um sorriso lindo que, junto com sua aparência, tinha feito um longo caminho para torná-la a garota do tempo mais popular da história de Massachusetts. "Obrigada. Henry foi puxado por uma atiradinha da sociedade e realmente não houve maneira educada para ele escapar." "Henry é presa fácil por esses lados." Eu sorri com simpatia. "As mulheres que cresceram em seus círculos, pensam nele como sendo delas." "Estou vendo isso." "Honestamente, acho que elas o entediam," Eu a tranquilizei. "Bem, sou de Beacon Falls, Connecticut, que tem um povo um pouco diferente. Definitivamente nada de entendiante." Ela sorriu secamente. Fiquei de boca aberta. "Eu sou de Chester." "De jeito nenhum." Ela riu. "Nós crescemos, tipo... o quê? Uma hora distante da outra?" "É um mundo pequeno." A partir daí, nos lançamos em uma conversa, falando sobre crescer em Connecticut, sobre a faculdade, sobre Boston, e os nossos lugares favoritos na cidade. O que eu gostava era que ela não me perguntava sobre a minha relação com Caine, assim


como eu não mencionava sobre a dela com Henry. Nadia nem sequer comentou quando a impressionante Phoebe Billingham flutuou com uma roupa de alta costura da Chanel e me lançou um olhar que teria derrubado um leão da montanha. Isso foi estranho. O que não estava estranho, era a conversa com Nadia. Nós ficamos amigas, e na minha mente, eu já estava xingando Henry por me apresentar à ela, sabendo que a nossa amizade provavelmente não iria durar, dada a sua reputação com as mulheres. Nadia e eu poderíamos ter conversado a noite toda, e tinha certeza que teríamos, se Henry não tivesse voltado para reivindicar a sua acompanhante. "Desculpe-me interromper, senhoras." Henry estendeu a mão e gentilmente puxou Nadia em direção a ele. "Meu pai está finalmente livre dos figurões e quero apresentá-la à ele." Nadia empalideceu. "Seu pai?" Ela me lançou um olhar suplicante, mas não havia nada que eu pudesse fazer, a não ser oferecer-lhe um sorriso forçado, enquanto Henry a arrastava para longe. "Finalmente," resmungou uma voz familiar atrás de mim e uma mão envolveu meu pulso e me empurrou para trás. Saí para o corredor para enfrentar o meu avô que estava muito ansioso. "Vovô?" Olhei ao redor, mas o corredor estava quase vazio, apenas ocupado por funcionários e seguranças. Sem dizer uma palavra vovô girou sobre os calcanhares e começou a andar. Hesitei por um momento, sem saber se deveria


segui-lo. Essa dor aguda da traição esfaqueado em meu peito enquanto observava sua partida. Foi quando percebi que estava farta de viver com a incerteza do que eu sentia por ele. Apressei-me a segui-lo, mantendo-me espremida no canto e caminhando por um corredor muito estreito. Ele parou em frente a grandes portas de correr e as abriu. "Entre," ele disse em voz baixa, entrando rapidamente. Eu me encontrei em uma biblioteca bonita. Livros cobriam as paredes esculpidas em prateleiras de madeira escura. Uma mesa igualmente deslumbrante estava no canto com uma poltrona de couro vinho por trás dela. Um sofá com cashmere espalhado elegantemente sobre ele ficava diante de um grande lareira. As portas se fecharam atrás de mim. Vestido com um

smoking soberbamente

cortado e

ostentando uma nova e muito distinta barba curta, Edward Holland parecia um cavalheiro respeitável. Eu não tinha mais tanta certeza de que isso não era apenas uma fachada. Ele fez uma careta para mim em desaprovação. "Sua avó e eu chegamos a apenas quinze minutos atrás e alguém já especulou à nossa frente sobre o seu relacionamento com Caine. Que diabos você pensou vindo aqui como sua acompanhante?" Minhas bochechas queimaram. Eu me senti como uma criança

repreendida.

"Nós

não

dissemos

acompanhante." "Oh, bem, isso faz ficar melhor, então."

que

sou

sua


"Não." Eu balancei a cabeça teimosamente. "Obviamente, agora não é o momento para discutir isso, mas temos de falar sobre o assunto. Caine não está mais confortável escondendo a nossa relação e nem eu. Para estar com ele, vou ter que fazer parte desta comunidade, e as pessoas vão questionar a minha conexão

com

os

Hollands.

Nós

não

temos

que

decidir

imediatamente se iremos mentir para todos ou não... mas é hora de você parar de mentir para sua esposa." "Eu nunca quis que você fizesse parte disso. Eu não queria que essas pessoas, o meu povo, lhe machucassem." Ele olhou para mim com preocupação. "Você e Caine estão a sério, então?" "Sim." Eu dei um passo em direção a ele. "Sei que isto é grande e sei que você vai precisar de tempo para pensar sobre isso e se preparar. Eu apenas queria que você soubesse que, da forma como as coisas estão progredindo, pode ser que não demore que perguntas sejam feitas e eu gostaria de saber como respondê-las. Eu acredito que você vai ter que discutir isso com a minha avó antes de tomar uma decisão." Ele passou a mão pelo cabelo curto. "Esta vai ser uma confusão maldita," ele murmurou baixinho. Todo esse segredo só para que ele não tivesse que lidar com esse drama. Então soltei. "Eu sei, sabe. Ele me disse." Vovô fez uma careta. "Do que você está falando?" Por mais que odiasse reconhecer que a única família que me restava tinha feito algo terrível, as ações do vovô com Eric


eram desprezíveis, e eu precisava saber por que ele fez isso. Eu encontrei

a

coragem

para

perguntar

algo

que

tinha

me

atormentado nas últimas semanas. "Por que você fez isso?" Eu disse, minhas palavras suaves, hesitantes. "Por que você deu cobertura?" O entendimento suavizou as feições do vovô antes do pesar escurecer seus olhos. "Eu estava protegendo a minha família," disse ele baixinho, sua expressão derrotada sugerindo que ele sabia o quão fraca era essa desculpa. "Foi só depois, quando descobri que o pai de Caine tinha... Bem, a culpa e a vergonha... Eu não podia me livrar delas. A única maneira que sabia que poderia aliviar era fazer o mesmo tipo de justiça para Caine. Minha única maneira de fazer isso sem ferir o resto da família foi deserdar e renegar o meu filho. Fazê-lo perder o seu dinheiro e status." Vovô balançou a cabeça. "Isso feriu Alistair mais do que qualquer outra coisa." "Por que você não me contou sobre o seu envolvimento e o pagamento?" "Porque eu não queria que você olhasse para mim do jeito que você está olhando agora." "Eu não sei de que outra forma olhar para você. Eu não sei mais se posso acreditar em você. Honestamente, não sei nem mesmo se você me ama." "Alexa, é claro –" Eu passei por ele, deslizando e abrindo as portas, o interrompendo, porque, de repente, eu sabia que não estava pronta para ouvir sua resposta. Eu não estava pronta para


acreditar nisso. "Eu tenho que voltar antes que Caine se pergunte onde estou." Avançando em direção ao salão de festas, quis que meu ritmo cardíaco abrandasse, mas não abrandou. Minhas mãos tremiam quando voltei, e isso tinha tudo a ver com a estranha sensação de mau agouro que tinha vindo sobre mim. Nunca me ocorreu, até eu enfrentar meu avô, que havia uma grande possibilidade que eu teria que abrir mão do vovô uma vez que a verdade viesse à tona. Eu não sabia como perdoá-lo ainda... E mesmo se eu perdoasse, eu não podia imaginar que sua família iria querer que ele tivesse alguma coisa a ver comigo. E eu estava começando a pensar, que talvez a razão de toda a ideia de revelar a verdade o chatear, era porque ele sabia que teria que escolher... Eu parei, olhando aturdida ao redor da sala. ...E ele iria escolhê-los ao invés de mim. Como sempre, eu seria a segunda opção. Precisando de Caine, eu percorri o salão procurando por ele, mas não conseguia encontrá-lo. "Ele saiu do salão com Regina Mason." Olhei por cima do meu ombro para Phoebe, que estava com um braço em volta de sua cintura, enquanto casualmente tomava um gole de champanhe. Eu esperava ver rancor em seus olhos, mas para minha surpresa havia somente uma simpatia com má vontade. Endureci com a simpatia. "Saiu?"


Ela assentiu com a cabeça para onde eu tinha acabado de entrar. Eu decidi não mencionar que isso era ligeiramente constrangedor para ela estar perseguindo Caine, mas ao invés disso agradeci e voltei para o corredor. Eles estavam longe de serem vistos, o que significava que teria que procurá-los. Decidi começar verificando os quartos à direita do grande hall de entrada. Meu coração estava batendo mais rápido agora por um motivo diferente. Pare. Você está sendo boba. Caine nunca... Haverá uma explicação racional. Ouvindo murmúrios retumbantes de uma voz masculina ao fundo do corredor, eu caminhei tranquilamente ao longo dele, tentando acalmar meus tremores. Quando me aproximei de uma porta reconheci a voz grossa de Caine. Mas não reconheci a voz feminina. "Depois

de

todos

esses

anos,

é

realmente

muito

decepcionante," disse ela quando me aproximei. Parei na porta e olhei através da abertura estreita para o que parecia uma sala de estar aconchegante. Todo o ar de meus pulmões pareceu sair. Caine estava de pé junto à janela e uma mulher atraente estava pressionada contra ele. Ele segurava-a pelos braços, enquanto ela acariciava seu peito com a ponta dos dedos. "Regina," ele murmurou.


Incerteza me congelou enquanto esperava para ver como esta situação iria se desdobrar. "Você está realmente dizendo não para mim?" Ela fez beicinho com seus lábios melhorados cirurgicamente. Meus olhos se estreitaram em seu rosto estranhamente suave. Esta mulher era muito mais velha do que eu pensava. Quem diabos era ela? Tire suas mãos de cima dele! Eu me preparei para entrar. Caine

empurrou-a

suavemente,

mas

suas

feições

estavam duras. Pela primeira vez percebi como ele era hostil. Extremamente. "Eu realmente estou." Ela levantou uma sobrancelha para ele enquanto ela alisava seu cabelo para trás de seu rosto. "Você sabe que isso é muito arriscado." Ele fez carranca perigosamente. "Não brinque comigo, Regina. Vou arruinar você." Como se de repente percebesse com quem ela estava lidando, Regina deu-lhe um sorriso tenso. "Não há necessidade de ficar raivoso, Caine." Assistindo o musculo flexionar na mandíbula de Caine, eu decidi que já era o suficiente. Eu não sabia quem esta mulher era ou o que estava acontecendo, mas eu não estava deixando-os seguir com essa aconchegante discussão. Empurrei a porta aberta e os dois olharam ao redor com um rápido grirar de suas cabeças. Os olhos de Caine se estreitaram em mim. Regina sorriu presunçosamente.


Encontrei seu olhar presunçoso dando-lhe o meu de aço. "Se você nos der licença," eu disse com toda a imperiosidade que pude reunir. Tomando a dica, ela se moveu para que passasse por mim, seu lindo vestido de safira sibilava em torno de suas pernas enquanto ela se mexia. Ela me deu um sorriso malicioso, um que estava apertado mais por limitações físicas do que por emoção. A porta se fechou atrás dela e olhei para Caine em questionamento. "O que foi isso?" Em vez de me responder, ele me encarou com indignação. "Você estava fodidamente me espionando?" Eu vacilei na maldade de seu tom. "Não, eu não estava. Tive uma briga com meu avô e precisei de você. Phoebe me disse que você tinha vindo para cá." Pensei

que

minha

explicação

iria

esfriar

seu

temperamento, mas para minha surpresa a sua fúria parecia apenas estar aumentando. Muito além do que a situação justificava. Eu o vi andar no chão como um touro atormentado, surpresa que fumaça não estava saindo de suas narinas. Esse mal-estar que estava sentindo, se transformou em pavor, um peso na boca do estômago. "Caine, o que está acontecendo?" Eu disse calmamente. "Quem era ela?" "Não foi nada." Ele parou de repente e vi acontecer. Eu o vi se fechando, fechando-me para fora. "Vamos voltar para a festa." "Não" Tropecei em frente da porta, bloqueando a saída. "Você vai me dizer o que estava acontecendo aqui."


"Não é da sua conta, Alexa." "Veja, é aí onde você está errado. Eu tenho certeza que você gostaria de saber se eu estivesse trancada em um quarto com um cara enquanto ele me segurava em seus braços." Seus olhos escuros brilharam. "Você está interpretando mal a situação, e não tenho tempo nem paciência para lidar com o seu ciúme injustificado esta noite." Ultraje queimou em meu sangue. "Não se atreva a falar assim comigo. O que diabos está errado com você? Você está agindo como um bastardo arrogante a noite toda. " "Bastardo arrogante." Ele zombou. "Não é muito refinado, Alexa." "Não." Eu cerrei os dentes. "Não aja assim. Por Favor." Algo no meu rosto o fez amolecer ligeiramente. "Não aqui," ele disse finalmente. "Este não é o momento nem o lugar. Vamos só voltar para a festa." "Mais tarde, então?" "Lexie." Ele se aproximou de mim e passou a mão em meu braço. Incerta do que ele estava fazendo, eu simplesmente permiti que ele me puxasse gentilmente para a frente. Para o meu aborrecimento, ele me liberou apenas para que ele pudesse sair pela porta. A sensação horrível de mau agouro estava de volta.


Capítulo 23 Minhas unhas perfuravam as palmas das minhas mãos quando o motorista guiou o carro em direção a minha rua. "Meu apartamento?" Eu sussurrei. Não houve resposta de Caine. Eu chupei um enorme fôlego, tentando aliviar o aperto comprimindo meu peito. Depois de horas de conversa tensa eu deveria ter ficado aliviada pelo silêncio. Uma pessoa pode acreditar que o silêncio suga menos energia do que a comunicação forçada, mas a tensão irradiando de Caine sugeria que ele estava exercendo um grande controle para permanecer calado. O jantar de caridade tinha passado em um borrão de falsas sutilezas e discussões banais, que entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Cantores e dançarinos tinham nos entretido e ainda assim, eu mal podia me lembrar da bonita pirueta da bailarina. Eu tinha ignorado os olhares preocupados de Henry e Nadia, enquanto Caine ficou sentado ao meu lado apenas engajando uma conversa comigo quando estimulado. Ninguém parecia

notar

sua

tensão,

porque

ele

era

universalmente

conhecido por ela, mas Henry estava ciente de que havia algo errado com seu amigo. Eu estava mais do que ciente.


Sua atitude me fez sentir como se a minha pele estivesse pegando fogo. Queimava e coçava enquanto tentava desgrudar-se de mim – ir embora desta noite que descia em espiral para o inferno. De alguma forma, eu sabia o que estava por vir. Meus instintos estavam gritando para que eu encontrasse alguma maneira de transformar tudo ao meu redor. E então havia aquela pequena parte de mim que esperava que meu instinto estivesse errado. No entanto, assim que o motorista de Caine virou para baixo na minha rua, em vez de nos levar para o seu apartamento, eu perdi a esperança. "Caine?" Olhei para ele enquanto o carro parava, e me perguntava por que essa pessoa com o semblante friamente em branco tinha voltado depois de todas estas semanas. Eu não gostava dele. Preferia muito mais o homem que tinha quebrado sua fachada gelada. Onde ele estava? E por que, depois daquela estranha interação com aquela mulher Regina, ele tinha desaparecido? "Eu vou levá-la para cima," disse Caine em um tom monótono. O motorista abriu a minha porta e saí, murmurando os meus agradecimentos. Esperei, tremendo no ar frio da manhã. Em vez de parar ao meu lado, Caine marchou direto por mim e tomou a varanda dois degraus de cada vez.


Agora tremendo mais do que antes, me movi tão rápido quanto podia nos meus calcanhares e vestido. Lutando contra a onda de náusea que rapidamente movia-se dentro de mim. "Chaves?" Ele estendeu a mão para mim. Olhei para ele. Ainda em branco. Ainda frio. Olhando para longe, cavei minha bolsa e tirei as chaves. Elas foram arrancadas da minha mão antes que eu pudesse dizer ou fazer qualquer coisa, e Caine nos deixar entrar no meu prédio. Segui-o para o andar de cima, meus saltos batendo irritantemente alto na escada. Qualquer ruído em face ao seu silencio sereno parecia desagradável, mesmo porque eu estava tão hiperconsciente que, para ele, isso era insuportável. Este era um homem que queria finalizar comigo o mais rápido e discretamente possível. Minha dignidade guerreou com a minha indignação. Cheguei a minha porta e vi que Caine a tinha aberto, mas ainda estava de pé no meu corredor. Ele fez um gesto para eu entrar. Revoltada, estreitei meus olhos. "Você primeiro." Ainda

em

branco.

Ainda

frio.

"Estou

cansado.

Conversamos depois." "Primeiro você ou vou segui-lo de volta para fora." "Não seja infantil." Novamente monótono.


No início sua reação exagerada, sua fúria, tinham me chateado. Agora daria qualquer coisa para tê-lo de volta. "Você primeiro," eu insisti. Com um longo suspiro de sofrimento, Caine entrou no apartamento. Reforçando-me para o que estava por vir, eu exalei trêmula e o segui. Fechei a porta silenciosamente atrás de mim e caminhei até minha sala de estar. Caine ficou olhando para fora da janela, lembrando-me da primeira vez que tinha estado no meu apartamento. Dor apertou em meu peito. O silêncio entre nós era insuportável. Parecia pesado, frio e perigoso. Era como se eu batesse meu punho contra o ar na minha frente, isso quebraria e rasgaria minha pele. Soltei uma respiração irregular. Caine escutou e olhou para mim. A luz da lua iluminava seu rosto, permitindo-me ver que a sua expressão não mudou. "Quem era ela?" Eu disse. Ele se virou. "Não importa." "Eu acho que importa. Se esta conversa está indo onde eu acho que vai, isso importa muito." "E onde você acha que isso vai dar?" "Ah não. Não estou fazendo isso tão fácil para você. Se você quiser fazê-lo, vai fazê-lo sozinho." "O acordo era que isso iria acabar." "Acho que passamos desse acordo há um tempo." "Desde quando?"


"Não. Não finja que você não está tão envolvido nisto como estou." "Nós não estamos envolvidos, Lexie. Isto foi apenas... Foi um caso. Conforme combinado. E agora acabou." Mesmo que eu soubesse o que estava chegando, nada me preparou para esse sentimento de perda. Meus joelhos na verdade se dobraram, e me agarrei no encosto alto da minha poltrona por suporte. Minha reação causou o primeiro lampejo de emoção no rosto de Caine desde o Delaney’s. "Não foi só um caso," eu sussurrei. "É claro que foi." Monótono. Mais uma vez. Era como ouvir alguém arranhar um isopor. Cerrei os dentes em reação. "Porque é que o Sr. Frio Carraway está volta?" Eu perguntei em voz alta, encolhendo-me na amargura que ouvi em minha voz. "Que segredos que você está escondendo? Eles devem ser grandes para trazer esse cara de volta. Pensei que tinha me livrado dele semanas atrás." "Eu não sei do que você está falando. Sou apenas um homem." "Não, você não é." Eu balancei a cabeça com firmeza e dei um passo em direção a ele. "Eu não me apaixonei pelo homem que conheci em uma sessão de fotos. Ou o homem que foi meu chefe por semanas." "Alex–"


"Eu me apaixonei por Caine Carraway. Me apaixonei pelo homem que brinca comigo, ri comigo, me escuta e respeita. Um homem que me acorda todas as manhãs, fazendo amor comigo e então me dá um beijo de boa noite todas as noites após foder toda minha energia – como se ele nunca tivesse o suficiente. Nenhum homem jamais foi tão profundo dentro de mim como este homem, em todos os sentidos. E por causa disso, quando ele olha para mim, ele me vê como ninguém nunca viu antes. Aquele primeiro homem me julgou, me maltratou. Caine Carraway não o fez. Ele me fez sentir segura pela primeira vez em toda a minha vida. Eu quero ele de volta. Eu o amo. Eu quero ele de volta," eu implorei. Ele não olhava para mim. Ele estava de lado, olhando para a minha cozinha. "Caine?" Quando ele finalmente encontrou o meu olhar seus olhos estavam brilhando com as emoções, tudo tão carregado, que eu sabia

que

ele

estava

em

conflito.

Ele

estava

com

raiva,

consternado, desesperado, e ele sentia-se culpado, tudo em igual medida. "Você não me ama." Ele balançou a cabeça. Sua voz soava como uma lixa raspando contra a pedra. "Você não pode porque não sabe quem eu sou. Eu realmente nunca a deixei saber." Olhamos um para o outro, tensão puxando entre nós, como se cada um de nós estivesse segurando o fim de um longo pedaço de corda de piano. Mais um puxão e...


"Mentiroso," Eu falei finalmente, sentindo um vulcão de maldade em erupção na boca do meu estômago. "Você não tem que me dar duas semanas de aviso prévio. Basta dar-me alguns dias para encontrar um substituto e vou liberá-la de seu contrato." "Covarde." Sua expressão entorpeceu novamente e ele começou vir em minha direção. "Eu não vou ficar por aqui para isso." O cheiro de sua colônia envolveu em mim quando ele passou e juntamente com o calor do seu corpo fui inundada com as memórias de nosso tempo juntos. Nunca senti dor assim na minha vida. "Isto é certo," eu disse, as palavras soando tão vazia quanto Caine. "Não me escolher. Não esperava nada menos que isso." Ele hesitou por um momento, seus ombros curvando-se um pouco. Dei um passo hesitante em direção a ele e sussurrei, "Eu espero que os seus segredos o mantenham aquecido durante a noite." E então, simples assim, ele eliminou qualquer emoção que estava sentindo e saiu do meu apartamento pela última vez. No

escuro,

tropecei

em

descrença

até

meu

sofá,

momentaneamente dormente. Ouvi o som de seu carro se afastando da minha rua, indo embora. Um soluço profundo subiu da minha barriga para persegui-lo.


Capítulo 24 "Você tem quatro novas mensagens." Fiquei olhando friamente minha secretária eletrônica. Se dependesse de mim, estaria ignorando a pequena bastarda, mas a luz vermelha piscando sobre ela iluminava o escuro do meu quarto, quando desliguei a luz. Se eu queria fingir que ia dormir um pouco hoje à noite, eu teria que ouvir as mensagens ou excluílas para terminar com o pisca-pisca. Não tinha sido um bom dia. Meu rosto estava inchado. Eu não tinha comido nada. Bebi dois copos de vinho e então vomitei, e como não tinha comido nada era apenas um líquido vermelho que voltou, o que me fez querer vomitar novamente. Meu celular tinha tocado, o som de Alanis Morissette de "You Oughta Know" inundando meu apartamento pelo menos uma dúzia de vezes, então eu coloquei no silencioso. Isso não funcionou, porque as pessoas passaram a ligar para o telefone fixo e deixar mensagens na secretária eletrônica. Se ouvisse as mensagens, não tinha nenhuma dúvida que elas me fariam sentir pior. E ainda descobri que pior do que a dor de ver o homem que eu amava ir, era a cruel e enjoativa dor daquela coisinha


chamada esperança. Ela agarrou-se a mim. Sussurrava em meu ouvido. Ainda há tempo. Ele poderia mudar de idéia. Quando você chegar ao trabalho amanhã ele vai dar uma olhada em você e vai lhe querer de volta. Eu odiava essa esperança. Odiava me sentir tão fraca e quebrada por ele. Como se sem ele, sem essa esperança, eu nunca, nunca seria a mesma novamente. Odiava que ele tinha esse poder sobre mim. E odiava que essa esperança estúpida tinha me feito pensar que talvez uma das quatro mensagens fosse de Caine. Ele poderia ter chamado falando que mudou de idéia. Suspirando com impaciência em minha lástima, eu apertei um dedo no botão para ouvir minhas mensagens. "Você recebeu uma mensagem hoje as nove horas e sete... Lexie sou eu," a voz profunda do meu avô retumbou na sala. "Eu odeio a maneira como nos deixamos ontem à noite, querida. Me liga. Precisamos conversar..." Ao ouvir as opções de resposta da voz irritante, deletei a mensagem, necessitanto estar entorpecida pela dor que ele me causou também. "Você recebeu uma mensagem hoje às 10 horas e 44... Lexie. É Effie. O que aconteceu? Caine não me deixou entrar em seu apartamento esta manhã. Ele estava um merdinha arrogante e ele nunca é assim comigo. Ele me disse que está trocando as fechaduras. O que está acontecendo? Me ligue imediatamente."


A dor em meu peito se intensificou com o pânico na voz de Effie. Caine estava afastando-a também. Apertei meus olhos, esfregando o pulsar de dor por trás deles. No que foi que me meti na noite passada? Que segredo ele estava escondendo que tinha que fechar-se pra todos? Suspirei e apertei o botão novamente. "Você recebeu uma mensagem hoje, às duas horas e vinte... Ei sou eu," Rachel me cumprimentou. "Só estou ligando para ver como foi o baile noite passada. Eu ainda não posso acreditar que você participou de um baile. Espera. Era uma baile? Ou um jantar de gala? Ou você apenas o chama de festa? Também que diferença faz, alguém cuja cabeça não está na sua bunda realmente se importa com isso? Você usou a Jenny Packham, sua cadela da sorte? Por favor, me diga que aquele Neanderthal quente não o rasgou fora de seu corpo e arruinou um vestido de três mil dólares. Pensando bem, não me diga nada. Se o meu ciúme aumentar um nível, vou ter que acabar com nossa amizade. De qualquer

forma,

linda,

me

ligue.

Eu

quero

os

deliciosos

detalhes..." Lágrimas entupiram minha garganta e eu teimosamente as reprimi. Eu chorei lágrimas suficientes hoje para encher um poço muito fundo. Já chega. Eu tinha que começar um aperto em mim para que pudesse enfrentar Caine amanhã com alguma dignidade maldita. Apoiando-me, apertei o botão de novo... um pouco sem fôlego, com antecipação.


"Você recebeu uma mensagem hoje às três horas e dois... Lexie." A voz de Effie frustrou minha esperança de que ouviria Caine. "Eu apenas queria que você soubesse que Caine se acalmou e apareceu para me ver... Ele me contou o que aconteceu querida. Eu sinto muito. Eu não posso lhe dizer o quanto lamento. Tentei conversar com ele, mas eu... eu acho que ele está escondendo alguma coisa. Apenas... não desista dele. Quando ele veio todo Sr. Frio pra cima de mim, eu sabia que ele estava sentindo coisas mais profundas do que o habitual. É a sua maneira de lidar. Por favor, não desista dele... " O ardor afiado familiar no meu nariz declarou a chegada das minhas lágrimas antes que eu pudesse detê-las. O som de Effie me implorando para ajudar alguém que amamos me matou. Porque eu queria... Deus, eu queria s isso significasse que Caine voltaria para mim... Mas... ele não tinha deixado uma mensagem. Havia essa enorme parte de mim que estava ferida além do reparo... uma grande parte que estava tão cansada de ficar em último lugar para as pessoas que eu amava. Uma grande parte estava cansada de fazer tudo pra ajudar. E eu percebi, que mais do que qualquer coisa agora, eu precisava cuidar de mim. Minha vida inteira foi pro espaço... por causa dele. Eu tinha um coração para curar e uma carreira para corrigir. Eu não sabia se tinha em mim o bastante ainda, para lutar mais um pouco por Caine.


Capítulo 25 A expressão no rosto de Caine quando se aproximou da minha mesa na manhã seguinte, rasgou quaisquer vestígios de esperança que estava segurando. Embora ele não estivesse frio, ele foi cuidadosamente educado. Levantei-me de trás de minha mesa quando ele veio e parou, e houve uma parte de mim que sentiu prazer com a visão dos círculos escuros sob seus olhos. Suas feições pareciam machucadas pelo cansaço. Ele ainda era bonito, mas agora de uma forma desleixada e eu desejei que não fosse tão atraente. Era bom saber que ele foi afetado pelo nosso rompimento. No entanto, pude ver na forma como cuidadosamente acenou em saudação para mim, que nada mudou. "Eu estive em contato com uma agência. Eles estão enviando um temporário na quarta-feira”. Pânico se apossou de mim. Tínhamos somente hoje e amanhã juntos. Isso me fez reagir sem pensar. "Seja o que for que você está escondendo, não vai mudar o que sinto por você." Último esforço. Ele me olhou diretamente nos olhos. "Desculpe-me, eu lhe machuquei. Eu sei que fiz. Mas está acabado agora." Ele deu


um passo para trás. "É claro que vou fazer com que você receba um mês de salário e você pode me usar como referência." "Diga-me que você não me ama," eu disse baixinho enquanto ele caminhava até sua sala. Ele congelou em sua porta e, em seguida, alguns segundos depois, olhou por cima do ombro para mim. "Eu não amo." Caí em minha cadeira enquanto ele bateu a porta de seu escritório. A esperança abalada, me cortando em tiras. Então, é exatamente assim que me sinto. "Sua programação está no meu computador, assim como todos os seus contatos e notas de reuniões recentes que são relevantes para as questões que ainda estão em andamento." Eu coloquei um pendrive em sua mesa. "Coloquei todos aqui para você, porque será melhor para o seu novo AP começar com novas informações. Se ele ou ela tiver estas notas, só irá confundir, e isso poderia ser inconveniente para você. Mantive minha agenda de tarefas diárias, juntamente com as instruções, bem como as suas preferências pessoais. Há de tudo, desde padrão de e-mail à como pedir por sua limpeza a seco favorita. " Olhei para cima do meu bloco de notas e encarei um Caine contemplativo. "Obrigado, Alexa. Isso é extremamente útil." A polidez cuidadosa entre nós me fez querer gritar, mas de alguma forma eu consegui frear esse instinto, juntamente com


a minha inclinação para ser uma espertinha. Eu queria acabar as coisas entre nós com dignidade. Não com impertinência ou sarcasmo. "Sem problema." Ele olhou para os papéis em sua mesa. "Você tem perspectivas de um emprego? Eu posso colocar você em contato com a agência de trabalho temporário que uso." "Não, obrigada," disse baixinho. "Eu acho que vou tirar algum tempo para reavaliar minha carreira." "Isso soa como um plano." Eu só consegui me impedir de revirar os olhos. Como pude ter relações sexuais com este homem em sua mesa (mais de uma vez), e agora estávamos agindo como dois completos estranhos? Essa dor horrível parecia ter fixado residência em cada parte do meu corpo e ameaçou dominar-me. Apertei-a. "Temos uma reunião com Jeremy Ruger em 40 minutos," o lembrei. Seu olhar ficou aguçado. "Ruger é detestável. Você não tem que ir para isso." Eu sabia que Ruger era antipático. Ele também era o CEO da Winton Investments, uma empresa que deixou de ser um peixe pequeno para se transformar em um grande operador no distrito financeiro nos últimos dois anos, desde que Ruger assumiu o controle das finanças da empresa. Quando Linda, CFO de Caine, lhe surpreendeu ao anunciar que estava grávida novamente, e ela e seu marido


tinham decidido que ela demoraria algum tempo a retornar para ficar com as crianças para que ele pudesse trabalhar, Caine começou sua busca por um novo CFO. Nós tinhamos conhecido Ruger na festa da noite de sábado, ele poderia ser um gênio financeiro, mas era também um cafajeste, que passou a maior parte da noite perseguindo a equipe de garçonetes. Eu não tinha que ir à reunião. A verdade é que provavelmente nunca precisei ir em mais da metade dos almoços e reuniões que Caine participou. Mas eu suspeitava, assim como seus colegas, que também sempre tinham alguém com eles, que ele me levava para relaxar a atmosfera. Ele sempre dizia que as pessoas relaxadas eram mais propícias à persuasão. "Eu

sempre

fui

com

você,"

eu

o

lembrei.

"E

honestamente, quero estar a par deste assunto. Eu tenho que ver o que há de tão especial sobre esse cara, que você aturaria até suas piadas grosseiras." Pensei que Caine protestaria por eu querer estar lá, porque isso significaria mais tempo gasto na minha presença, mas ele não o fez. Estávamos saindo do prédio para o almoço bem na hora do rush, e uma vez que o encontro era em um restaurante na Rua do Congresso, nós estávamos andando até lá. Entre a multidão, seria mais fácil fingir que era normal não estarmos conversando. Não começou bem. Nós cumprimentamos os colegas que estavam se arrumando para sair para o almoço e conversávamos enquanto

aguardávamos

para

o

elevador.

Quando

Caine


desajeitadamente me guiou para a caixa populosa, vacilei ao sentir sua mão nas minhas costas. Ele deve ter sentido minha tensão, porque a tirou rapidamente, como se tivesse acabado de queimá-la em fogo invisível. Ficamos juntos, nossos corpos se tocando, porque não havia nenhuma maneira de evitar, e cerrei os dentes contra a tensão entre nós. Caine e eu praticamente saltamos para sair de lá quando as portas do elevador se abriram e nós recusamos a olhar um para o outro. Tomando a saída principal, Caine segurou a porta aberta para mim e murmurei meus agradecimentos, saindo para o dia triste. Saí para a calçada movimentada em frente o nosso edifício e percebi que estava sozinha. Caine permanecia na porta, falando com alguém que eu não conhecia. Era uma grande empresa – eu não podia conhecer absolutamente todo mundo que trabalhava ali. Alguém bateu no meu ombro e eu tropecei para trás, tentando sair do caminho do tráfego de pedestres. Olhei para Caine, vi que ele estava em seu caminho vindo até mim, e saí para a calçada principal novamente. O borrão de um corpo vestido de preto escovou contra mim. Uma queimadura agonizante

e afiada rasgou meu

intestino, e a dor irradiou ao longo de cada nervo do meu corpo. Atordoada, fui incapaz de processar qualquer coisa, que não fosse essa dor. "Alexa?"


Reconheci a voz e pisquei, a visão fora de foco do rosto preocupado de Caine aparecendo diante de mim. Junto com a dor, de repente percebi o líquido quente vazando da minha barriga. Olhei para baixo, minhas mãos tremendo, enquanto procuravam o problema. Senti o sangue antes de vê-lo. "Lex – o que..." Ouvi a voz de Caine. Minhas pernas fraquejaram, minha visão embaçou. "Lexie!" Seu rosto em pânico piscava dentro e fora da escuridão. "Precisamos de uma ambulância! Chamem 911!" A escuridão me afogou. "Lexie, baby, aguente firme. Porra, aguente firme." Para quê? Pensei antes de flutuar para longe da agonia em direção à calmaria.


Capítulo 26 Havia pressão em torno das minhas pernas. Eu não conseguia movê-las e parecia que eu estava sufocando - estava quente demais, precisava de ar. Me mexi e os lençóis ao meu redor começaram a ceder. "Hey, hey," uma voz profunda, calmante disse ao meu ouvido, "Cuidado." Caine? O sinal sonoro a distância, de repente ficou mais alto, e forcei meus olhos abertos. Pisquei contra a claridade do ambiente desconhecido. Eu estava em uma cama. Uma muito menor do que a minha. Ao pé dela estava meu avô. "Vovô?" Eu resmunguei, e depois apertei minha língua contra o céu da boca. Estava tão seca. As mãos do vovô enrolaram em volta do meu pé. Ele parecia cansado. Desarrumado. Nem parecia ele mesmo. "Você vai ficar bem, querida." "Lexie." Mudei a minha cabeça para o lado e encontrei Caine sentado na cabeceira. Ele segurou minha mão entre as suas e


estava encostado tão perto, que seu rosto estava a centímetros do meu. Ele parecia exausto também. Eu estava confusa. "O que está acontecendo?" Caine franziu a testa. "Você não lembra? Você está no hospital." Hospital? Eu fiz uma careta e olhei para cima, atrás de mim para a origem do sinal sonoro. Vi os monitores e o gotejamento do soro que perfurava em meu braço e finalmente compreendi que estava em uma cama de hospital. "Hospital?" Eu repeti. As memórias voltaram em uma avalanche de imagens. A mancha escura. A dor. O sangue. Acordar na maca, enquanto estava sendo levada para o pronto-socorro. O rosto ansioso de Caine. Sua camisa coberta do meu sangue. Sua recusa de largar minha mão enquanto os paramédicos tentavam me acalmar. A visão do médico correndo em minha direção era a última coisa que eu lembrava. O sinal sonoro na máquina acelerou com o meu ritmo cardíaco. "É melhor eu ir dizer ao médico que ela está acordada," Vovô disse antes de desaparecer para fora da sala privada. Quando ele passou pela porta eu notei o cara enorme em uma camiseta e jeans apertado do lado de fora com as mãos atrás das costas, alerta para o mundo ao seu redor. Uma arma estava presa às suas costas. Ele estava armado?


Entendendo apenas o básico do que tinha acontecido comigo, senti medo e pânico começando a rastejar dentro de mim. Olhei novamente para Caine, cujo aperto em minha mão tinha aumentado. "Alguém me apunhalou." Lembrei-me do borrão do corpo que me atingiu antes que a dor me batesse no intestino. Por quê? Por que alguém iria me atacar? Ódio ardia nos olhos de Caine quando ele respondeu densamente, "Sim. Eu nem sequer vi isso acontecer. Quando cheguei a você, você olhou para mim com aquele olhar estranho, dor refletida em seu rosto. Seus olhos não estavam focados. Você estava pálida. E então, olhei para baixo e vi o sangue se espalhando pela sua camisa. Você desmaiou. A trouxemos para cá e você acordou um pouco na sala de emergência, mas, em seguida, estava fora novamente. Um cirurgião chegou e ele achava que nada de importante havia sido atingido. Ele lhe levou para a sala de exames pra uma avaliação. Felizmente ele estava certo. A faca não atingiu nenhum órgão ou grandes artérias. Eles a costuraram e agora nós estamos em um quarto privado. Disseram que você vai ter que ficar no hospital por alguns dias." Tudo isso, claro, foi muito bom ouvir, considerando o fato de que alguém tinha colocado uma faca na minha barriga... mas eu estava mais interessada no que Caine não estava dizendo. "Por que alguém faria isso?", eu tentei me levantar, mas senti uma queimadura afiada no meu estômago e comecei a gritar de dor. "Jesus, Lexie," Caine repreendeu, "você só foi esfaqueada. Tente não se mover."


Olhei para ele. "Eu esqueci a minha ferida, está bem?" Eu estremeci com o fantasma da dor. "Não vou fazer de novo tão cedo." "Alexa, você está acordada." Olhei para o som da voz, suave e vi que pertencia a um jovem de aparência agradável. "Eu sou o seu cirurgião, Dr. Fredericks." Ele parecia tão jovem, que me preocupei com o fato de que ele havia examinado minha ferida. "Hey." Ele sorriu para a minha saudação e chegou mais perto, seguido por meu avô. "Quando você chegou ao pronto socorro, eu levei-a até a sala de exames para explorar seus ferimentos e me certificar de que não havia grandes danos..." Ouvi quando ele repetiu praticamente tudo o que Caine já havia me dito. "Então, estou bem?" Eu disse quando ele terminou. "Sim.

Você

vai

ficar

bem.

Eu

recomendo

que

mantenhamos você no hospital em observação por alguns dias, apenas para certificar de que você está lutando contra qualquer infecção possível, e então nós podemos enviá-la para casa. Você vai passar por um tempo de recuperação de quatro a seis semanas. A enfermeira virá em breve para lhe falar sobre antibióticos para a dor, e sobre a maneira como deve ser feito o curativo." Ele olhou entre mim e Caine, obviamente, tirando suas próprias conclusões quando disse, "Estou feliz que você tem alguém para lhe ajudar. Por mais que eu queira que você delicadamente se exercite durante toda a sua recuperação, a


primeira semana é difícil. Você vai precisar de alguém para ajudála a se locomover." Baixei meu olhar no equívoco do médico, e me perguntei como diabos eu estaria lidando por conta própria, pelas próximas seis semanas. "Obrigada, Doutor." "De nada. Nós demos-lhe algo para a dor, mas se você precisar de alguma coisa é só usar o botão de chamada. Angela, sua enfermeira, virá em breve." A porta se fechou atrás dele e puxei a minha mão do aperto de Caine. "Agora que isso já acabou, será que um dos dois gostaria de me dizer por que há um cara enorme protegendo a entrada do quarto? Estou imaginando que tem algo a ver com meu esfaqueamento, mas eu já estive errada no passado em situações como essa. Oh espere. Eu nunca estive numa situação como essa antes." "Lexie." O aviso de Caine apenas me irritou mais. "Não." "Eu estou pedindo para você manter a calma para que eu fodidamente não perca a minha," ele retrucou, levantando-se da cadeira agitado. "Por favor, Alexa," Vovô disse suavemente. "Demorou muito para acalmá-lo enquanto você estava inconciente." Culpa me picou. Olhei de maneira incisiva para Caine. Ele estava preocupado comigo também. "Desculpe. Eu só... meio que quero saber tudo o que vocês sabem e eu realmente não sei."


Caine trocou um olhar com o meu avô, em seguida, sentou-se ao meu lado. "Olhamos as filmagens de câmeras de segurança em frente ao prédio, e tenho amigos no departamento de

polícia,

por

isso

as

coisas

estão

sendo

averiguadas

rapidamente. Eles olharam as filmagens das câmeras de tráfego na área. Ambos mostram que você foi abordada por um homem vestindo um capuz preto e jeans. Ele encosta em você, faz uma pausa por um momento, e depois corre para longe como se tudo o que ele fez, foi tropeçar em você. Ele manteve sua capa o tempo todo. Nós o seguimos usando as câmeras de trânsito, mas o perdemos no Faneuil Hall. A polícia está procurando por ele, mas não há pistas até agora." "Nós vamos investigar se alguém tem algo contra Caine," Vovô falou. "Mas também precisamos saber se há alguém em seu passado que pode ter algo contra você." Eu estava paralisada em descrença. "Não. Não consigo pensar em ninguém. Ninguém que... isso foi... Você acha que isso foi premeditado?" Fiquei indignada de muitas formas. "Por que..." A dureza nos olhos de Caine se dissipou e ele pegou minha mão na sua novamente. "Eu não sei. Mas eu prometo que vou fazer de tudo para descobrir. Por enquanto tenho a segurança privada guardando o seu quarto de hospital, e quando você for liberada, eu vou levá-la de volta para o meu apartamento, onde você pode estar protegida." Horror me atormentou. "Você está dizendo... você está dizendo que essa pessoa poderia tentar me machucar de novo?" Seu silêncio era resposta suficiente.


De repente, me senti sufocada pelo meu medo de uma forma que nunca tinha sentido antes. Me senti caçada, presa, só pela idéia de que alguma pessoa estava lá fora, à espera de sua próxima oportunidade para me atacar. Eu nunca tinha temido caminhar para fora da minha porta, saindo na minha rua antes, mas agora, o próprio pensamento de estar em qualquer lugar aberto, me causou este terror até os ossos. Meu peito ofegava, enquanto tentava recuperar o fôlego. Eu não conseguia respirar. Não consigo respirar. Pontos pretos salpicavam minha visão e minha pele sentia-se repentinamente úmida e muito apertada. "Lexie." A mão de Caine apertou a minha enquanto sua outra alisava meu cabelo para fora do meu rosto. "Respire fundo, Lex." Ele tomou uma respiração profunda e expirou devagar. Concentrei-me no seu rosto e comecei a imitá-lo. O pânico começou a diminuir seu aperto de morte em mim. Meus membros estavam moles, e eu estava mais exausta do que nunca. "Por que isso está acontecendo?" Eu sussurrei enquanto fechava os olhos. Poucos

segundos

depois,

lábios

quentes

estavam

pressionados contra a minha testa. "Eu não vou deixar nada acontecer com você." Eu relaxei um pouco mais cm a promessa de Caine e senti a escuridão do sono me alcançar.


"Eu vou ter que dizer tudo a Adele," eu ouvi a voz do meu avô na distância. "Gostaria de ajudar de qualquer maneira que puder. Eu não quero deixar Alexa lidar com isso sozinha.” "Ela não está sozinha. Ela tem a mim," disse Caine. Sua voz soava muito mais fria agora. "Sim, mas por quanto tempo?" "Não se atreva... Você não tem o direito de sequer estar aqui. Eu vou cuidar de Lex. Você apenas volte e mantenha a paz em sua família, Edward. Lexie sabe onde estão as suas prioridades. Seria hipócrita mudar de idéia agora.” "Isso vindo de você? Eu vi você na noite de sábado e posso ver o jeito que ela está com você agora. Você a deixou." "Eu nunca deixei de ser amigo dela. Agora, a última coisa que ela precisa é de nós dois discutindo, e, francamente, só há um Holland nesta sala que eu posso lidar, então por que você não faz o que vcoê é bom e sai, e deixe-me cuidar dela." "Ela é minha neta, minha família. Eu estou indo para casa para contar Adele sobre ela, e vou trazê-la para o hospital para ver sua neta, e por Deus, ninguém, inclusive você e seus guardas costas, vão ficar no nosso caminho." Eu tentei ficar acordada para ouvir a resposta de Caine, mas a escuridão era muito aconchegante e convidativa...


Capítulo 27 O hospital mandou Caine embora. Eles tinham uma rigorosa política de hora de visita e embora ele tivesse de alguma forma conseguido persuadi-los a manter os dois seguranças corpulentos parados fora da minha porta, o hospital não abriria uma exceção para que ele ficasse. O fato de que tínhamos terminado tinha temporariamente se apagado da minha mente e não eu queria que ele saísse. Quando acordei, meu avô tinha ido embora e a polícia estava esperando para falar comigo. Caine se sentou ao meu lado o tempo todo, enquanto contei o que conseguia lembrar. Nada disso foi muito útil, pois eu não tinha visto o rosto do rapaz. "Ele cheirava um pouco," eu me lembrei. "Como suor forte." Os policiais saíram com rostos sombrios e a mão de Caine estava segurando a minha tão forte que tive que pedir-lhe para aliviar. Eu sabia que meu ataque tinha o abalado, e tive que admitir que isso levou embora um pouco da dor de sua rejeição. Ele não me amava, mas pelo menos se importava comigo, e isso era o suficiente agora. Porque certo, eu estava com medo, e ele era a única coisa que me fazia sentir segura. Eu não queria que ele saísse. Eu poderia dizer que ele não queria me deixar.


Então, mesmo que eu não achasse que devia isso a ele, eu dei-lhe um sorriso tranquilizador e disse-lhe que estava bem. "Estou cansada de qualquer maneira. Vou ficar apenas dormindo. E você tem Stallone e Schwarzenegger parados do lado de fora da minha porta.” "Eu estarei de volta na parte da manhã." Ele deu de ombros, relutantemente, e se inclinou, como se para dar um beijo em minha testa. Ele hesitou e, em vez de encostar a boca na minha cabeça, ele se inclinou mais um pouco e roçou os lábios nos meus. "Descanse um pouco." Atordoada, balancei a cabeça e o vi sair, o tempo todo perguntando o que diabos isso tinha significado. Na manhã seguinte, acordei antes da hora da visita cheia de dores. Angela, minha enfermeira, me deu Percocet e me disse para parar de me movimentar tanto assim que a dor diminuiria. Eu não conseguia evitar. Tive cerca de três horas de sono. Eu tinha acordado a cada pequeno ruído e, em seguida, tinha quase sufocado, quando, subconscientemente, prendi a respiração enquanto tentava ouvir sobre o som do sangue correndo por meus ouvidos. Até me lembrar de que comandava meu corpo e então cochilei novamente, apenas para ser acordada pela dor aguda e a queimação na minha barriga. Sono agitado não anda de mãos dadas com um ferimento a faca.


Caine apareceu pela manhã no horário de visitas e veio trazendo bolos e café. Ele esgueirou-os para mim, e jurei que, se ele quisesse, eu teria me casado com ele ali mesmo. "Obrigada." Eu lhe dei um leve sorriso em sinal de gratidão. "Você dormiu bem?" "Bem. E você?" "Bem." Nós dois estávamos mentindo. Ele parecia exausto e eu só podia imaginar que eu parecia uma merda. "Eu tenho algumas coisas que preciso fazer, mas Effie disse que vem aqui esta tarde. Liguei para Rachel para dizer o que aconteceu. Ela disse que estaria aqui em breve. Voltarei aqui novamente esta noite.” "Obrigada," eu repeti. "Você realmente não tem que cuidar de mim, você sabe." Ele olhou instantaneamente irritado. "Não que eu não seja grata," eu me aprreseu para garantir a ele. "Há uma possibilidade de que a pessoa que fez isso à você, fez para chegar até mim." Ele se levantou abruptamente e começou a encolher em sua jaqueta. "Estou a caminho para chegar ao fundo da questão." Tudo que eu estava pensando era quem possivelmente era o culpado. Eu sabia que meu pai era capaz de algumas coisas de merda, e que misturado com a forma como eu o tinha tratado


nos últimos sete anos, além de não saber o que a morte da minha mãe poderia ter feito para ele... mas isso era ridículo. Empurrei o pensamento longe, imediatamente perturbada por ter sequer considerado. Me atormentando por ter considerado isso. Então, eu tentava desesperadamente pensar em quem mais poderia ter sido. E embora odiasse pensar que Caine estava certo, algo me ocorreu. "E quanto àquela mulher que você estava falando no sábado à noite? Ela parecia estar ameaçando você.” Caine franziu a testa. "Tenho quase certeza de que não era ela, mas estou investigando-a." "Devemos dizer à polícia sobre isso." "Não," ele retrucou. Eu empalideci, sentindo a suspeita feia que senti no sábado, voltar com toda força no meu estômago. "Por que não?" "Apenas... confie em mim. Por favor." Ele me olhou fixamente até que balancei confirmando um acordo incerto. "Eu estou fazendo tudo ao meu alcance para descobrir o que e quem esta por trás de seu ataque, se era aleatório ou tem algo a ver comigo. Eu não vou parar até descobrir a verdade. Você pode acreditar nisso.” "Então você está cuidando de mim por culpa?" "Eu estou cuidando de você, porque é a coisa certa a fazer." Eu estreitei meu olhar sobre ele. Ele tinha voltado a ser todo o "pré-esfaqueada Alexa" comigo. "Uau, isso me faz sentir tão especial."


Caine

suspirou.

"A

espertinha

está

de

volta,"

ele

murmurou. "Alguém está se sentindo melhor." "Sim, algum misterioso assaltante fez um corte na minha barriga. Estou positivamente alegre.” Ele me lançou um olhar escuro. Eu bufei, "Você está autorizado a se preocupar comigo, você sabe. Não vou tomar sua preocupação como uma confissão de amor.” Nos encaramos por alguns segundos e, em seguida, Caine gradualmente se suavizou. "Desculpe. Estou sendo um idiota. É claro que estou preocupado. Estou cuidando de você, porque estou preocupado, não por outra razão.” Fiquei grata pela sua admissão, e garanti a ele, mesmo que machucasse meu coração por fazer isso. "Como sua amiga, e nada mais, eu aprecio isso e entendo o porquê disto. Não estou esperando que nada mude porque fui esfaqueada no estômago." "Quer parar de dizer isso?" Ele cerrou os dentes. "Eu continuo vendo isso cada vez que você diz." "Desculpe." Ele suspirou de novo, mas seus lábios estavam enrolados nos cantos, então eu sabia que ele não estava mais irritado, "Eu voltarei hoje à noite.” Assim que ele saiu pela porta, eu caí contra meus travesseiros e senti as lágrimas queimarem meus olhos. Eu odiava admitir isso para mim, mas a verdade era que, depois de seu comportamento ontem, eu deixei a esperança esgueirar-se de


novo. Eu esperava que a sua ternura, seu afeto, sua reação irada com o que tinha acontecido para mim, significava que ele finalmente percebeu como se sentia sobre mim. Deus, eu era uma idiota. "Quando

Caine

ligou

eu

fiquei

estupidamente

preocupada." Rachel caiu na cama ao meu lado. "E então saí da minha porta e vi isso." Ela bateu o tablóide no meu joelho. Uma fotografia de Caine e eu ocupava a metade inferior da primeira página com a manchete AP de Carraway atacada do lado de fora da Carraway Financial Holdings. "Oh meu Deus." "Oh, isso fica ainda pior." Eu puxei o jornal para cima e comecei a ler em voz alta, “Ontem à tarde, os trabalhadores do distrito financeiro ficaram horrorizados durante o almoço na hora do rush ao testemunharem a assistente de Caine Carraway, Alexa Holland, sair em uma ambulância. Apesar de não haver testemunha real para o evento em si, desde então tem sido relatado que a senhorita Holland, que está na foto acima com o Sr. Carraway em uma festa beneficente da doença de Alzheimer no Delaney´s na noite de sábado, foi brutalmente esfaqueada do lado de fora do Two International Place. Senhorita Holland está em recuperação, enquanto a polícia procura o autor do crime.” “Não está claro se a senhorita Holland foi vítima de um ataque direcionado, ou estava simplesmente no lugar errado, na hora errada, mas o que está claro é que o Sr. Carraway, de Carraway Financial Holdings, não está medindo esforços a fim de


fazer justiça para sua empregada. Uma fonte relata que ele contratou segurança privada para vigiar a Senhorita Holland enquanto ela está no hospital, e que ele está trabalhando em conjunto com a polícia para rastrear o culpado. Perguntas estão sendo feitas não só sobre a natureza da relação entre a bela AP e o rico CEO, mas também do misterioso segredo que gira em torno da família da Senhorita Holland. Nosso investigador relata que a senhorita Holland é na verdade a filha de Alistair Holl...” Eu parei, sugando uma respiração. "Vá em frente," Rachel pediu. "'... A filha de Alistair Holland, o filho do herdeiro do Diamante e empresário Edward Holland, que ficou famoso por misteriosamente deserdar seu primogênito há quase vinte anos. Alistair Holland divorciou de sua esposa, Patricia Estelle Holland, deixando para trás seu filho, Matthew, ao mesmo tempo, ele passou a estabelecer-se em Connecticut, onde se casou com Julie Brown, a mãe de sua filha, Alexa Holland. Edward Holland e sua família não reconheceram publicamente à senhorita Holland, apesar do fato de que ela tem sido residente de Boston, nos últimos sete anos. Edward Holland não estava disponível para comentar o assunto." Eu olhei para Rachel, que estava me observando com algo semelhante a dor em seu rosto. "Rach," eu sussurrei. "Olhe. Eu não quero tirar o fato de você ter sido esfaqueada e estou realmente assustada e chateada por você agora, mas eu não posso acreditar que você não me disse quem sua família é. Quer dizer, eu sabia que seu pai era um bastardo, mas não sabia que ele também era o filho de uma das famílias mais antigas e ricas de Boston.”


"Não foi..." Eu me preocupava, pensando se meu avô tinha chegado a minha avó com a notícia antes dos tablóides. Lembrei-me que ele tinha dito para Caine antes de eu adormecer, e seu voto feroz estreitou um pouco o caminho para acalmar a dor que ele havia me causado. Nem todas. Eu ainda não sabia como perdoá-lo, mas isso significava algo, que ele estava finalmente olhando para mim e não o nome da família. Estava esperando por ele aparecer com a minha avó quando Rachel apareceu. Esta notícia de primeira página significava que ele não viria? "Esse lado da minha família... Há um monte de sentimentos amargos lá, e o fato é que meu pai teve um caso com a minha mãe e a manteve afastada por anos. Quando meu avô o deserdou, sua esposa divorciou-se dele e ele veio rastejando para nós. Eu nunca soube de nada disso até sete anos atrás.” "Espera..." Rachel franziu a testa. "Por que seu avô o deserdou?" Eu suspirei com a pergunta, pensando em uma resposta. "Essa não é a minha história para contar, Rach." Felizmente ela se conformou com essa. "Então... você está dizendo que não disse a qualquer um deles que esteve em Boston este tempo todo." "Meu avô sabe," eu admiti timidamente. "Nós passamos um tempo juntos em segredo." "Uau." Ela me lançou um olhar simpático. "Sua vida é realmente complicada." "Oh, você não tem idéia."


Ela pegou minha mão e deu-lhe um aperto. "Eu quero que você saiba que estou aqui para você. Entendo por que você não podia falar sobre nada disso, mas agora você pode. Ninguém deveria ter que lidar com essa merda sozinha. Eu lhe amo, Lex. Eu tive um ataque cardíaco quando Caine me ligou para dizer o que tinha acontecido com você. Você é a minha família. Ok?” Meu nariz ardeu com as lágrimas. Desta vez, boas lágrimas. "Obrigado, Rach. Também lhe amo.” Rachel ficou um pouco mais, me distraindo do status atual assustador da minha vida, fofocando sobre seus vizinhos e as crianças dos vizinhos. Embora tenha sido um pouco injusto dela reclamar sobre qualquer outra pessoa ou crianças terríveis, considerando Maisy, eu deixei-a balbuciar em causa. A sua própria maneira, Rachel era quase reconfortante. Ela trouxe a normalidade para mim naquele quarto de hospital, e era justamente o que eu precisava. Minha amiga tinha acabado de sair quando meu avô apareceu. Sozinho. Olhei além dele com expectativa, mas a porta do meu quarto se fechou atrás dele. Vovô caminhou ao meu lado, pegou minha mão e apertou-a. "Eu disse a Adele ontem à noite, querida, mas ela é... Ela precisa de tempo. E com as notícias publicadas nos jornais...”. Eu tentei puxar minha mão livre. "Entendi." Vovô segurou minha mão. "O que você não entende é que eu lhe amo e sempre vou lhe amar. Eu cometi um erro, Alexa, um erro terrível que me arrependi desde aquela noite. Tentei em


minha própria maneira ver isso direito, mas nunca pode ser feito direito. Sinto muito. Desculpe-me, lhe machuquei e sei que você se sente traída. Mas mais do que qualquer coisa, sinto muito por este meu ato horrível que fez você questionar o amor que tenho por você." As lágrimas ardiam nos meus olhos. "Eu me sinto muito sozinha." "Nunca pense assim. Levei muito tempo, mas estou aqui agora. Você não está sozinha." "Não é tão simples assim." "Vai levar tempo. Eu posso esperar.” E ele começou a espera naquele momento, enquanto eu sentava em silêncio e começava o processo de tentar perdoá-lo. Um pouco mais tarde, assim quando Vovô e eu tínhamos começado a falar um pouco, Angela veio me averiguar. Ela fez uma careta de volta para Don, um dos meus homens de segurança, quando a porta se fechou atrás dela. "Eles realmente são detestáveis," ela me disse. "Eu tenho um frenético rapaz baixinho aí fora, afirmando ser um amigo seu. Diz que seu nome é Benito.” Santo inferno. Gostaria de saber se por ser esfaqueada era garantido-me perdão. "Mande-o entrar." Angela abriu a minha porta do quarto. "Ele pode entrar, idiota," ela virou-se para Don ao passar por ele.


Eu ri e logo em seguida fiz uma careta de dor pela minha ferida. Imaginei que o riso estava fora por um tempo, então. Benito marchou para o quarto e parou com a visão de mim. Era como assisti-lo bater em uma parede de tijolos. Ele ficou pálido e seus olhos grandes quando viu a cena diante dele. "Oh, meu Deus." Ele correu para o meu lado e pegou minha mão. "Alexa... tive que vir assim que eu ouvi." Eu dei-lhe um sorriso um tanto confuso. "É bom ver você, Benito." O que você está fazendo aqui? Ele olhou para o meu avô, as sobrancelhas levantadas. Eu não queria entrar no mérito disso com Benito. Vovô limpou a garganta e se levantou. "Eu vou deixar você ter privacidade com seu amigo." Ele se abaixou e deu um beijo doce na minha cabeça. "Vou estar de volta amanhã." Eu balancei a cabeça com cuidado e vi-o sair. Tive que admitir que senti um certo alívio com a decisão de tentar consertar as coisas entre nós. Benito apertou minha mão. "Edward Holland é o seu avô?" "Nós não estamos discutindo isso. Não mesmo." Eu o avisei. Ele soltou a minha mão para puxar a cadeira ao lado da cama, os pés gritando pelo chão de uma forma que nem sequer parecia incomodá-lo. Eu cerrei os dentes contra o ruído e esperei que ele explicasse sua presença.


"Eu

me

sinto

simplesmente

horrível,"

ele

lançou,

gesticulando freneticamente. "Você não estaria nessa cama de hospital se eu não tivesse demitido você." Eu bufei. "E você chegou a esta conclusão... como?" "Estava trabalhando em um ensaio em Nova York ontem. Você estaria comigo, nem de longe perto do Internacional Place.” Ah. Eu entendi agora. Ele estava sob a impressão de que este não foi um ataque direcionado. Eu, no entanto, ainda estava convencida de que poderia ter sido agredida por causa de misteriosos segredos de Caine. "Nós não sabemos disso," eu assegurei a ele. "Não temos certeza do que está acontecendo aqui." "Tudo o que sei é que sou um merda por demití-la. Fui torturado com culpa toda a manhã. E vim para pedir desculpas.” A verdade é que não me arrependia de Benito ter me demitido. O que ele fez realmente mudou minha vida. Ok, então agora não era para o melhor, mas os meses que precederam o ataque tinham sido os mais incríveis da minha vida. E, embora as coisas

fossem

uma

merda

agora,

pelo

menos

eu

estava

reavaliando o meu futuro. Se Benito não tivesse me demitido, eu ainda estaria trabalhando ao lado dele, existindo no perímetro da carreira de outra pessoa. "Você não tem que fazer isso." "Deixe-me," ele retrucou impaciente. "Tudo bem," Eu suspirei. "Desculpas aceitas." Ele estreitou os olhos. "Você poderia ser um pouco mais graciosa sobre isso."


Eu levantei uma sobrancelha em resposta. "Certo." Ele fez uma careta, seus olhos caindo para o meu estômago. "Como é que está?" Suas mãos se agitaram sobre a área como se tivesse medo que a qualquer minuto eu estaria prestes a a me tornar a subtenente Ripley14. "Gerindo." "O quê?" Ele apertou os olhos em confusão. "Nada," eu murmurei. "Senti falta do seu senso de humor estranho, Alexa." Ele acariciou minha mão condescendente. Sinceramente eu não acho que eu tinha um senso de humor estranho – era Benito que não tinha qualquer tipo de senso de humor. "Havia outra razão para eu vir lhe ver." "Oh?" Por favor, não me ofereca o meu emprego de volta. Seria muito difícil dizer não, e eu sabia que a melhor coisa para mim era começar de novo. "Antoine Faucheux me ligou há alguns dias." Interesse despertado, pedi-lhe para ir em frente. "Aparentemente, sua irmã, Renée, está à procura de uma nova planejadora de eventos em sua empresa de gestão de eventos. Em Paris. É uma empresa muito bem sucedida – lida com casamentos, festas de lançamento da sociedade... Antoine vai sugerir-lhe à sua irmã, e me chamou para perguntar-me se já havia passado tempo suficiente para eu ter lhe perdoado, a ponto de escrever-lhe uma referência brilhante.” 14

Personagem do filme Allien.


Eu olhei em silêncio para ele, processando. Um emprego. Em Paris. Em gestão de eventos? Isto era real? Benito fez uma careta. "Você não está dizendo nada." "Eu estou tentando colocar minha cabeça no lugar. Você acabou de me dizer que alguém pode me oferecer meu emprego dos sonhos, um dia após que um psicopata enfiou uma faca em mim. É tudo um pouco esmagador." "Claro, querida." Ele acariciou minha mão novamente, desta vez olhando para mim como se estivesse preocupado que eu estivesse prestes a começar a gritar para a enfermeira Ratched15. Eu tinha esquecido como exagerado Benito poderia ser. "Você vai me dar uma referência?" "Que tipo de monstro eu seria se não fizesse?" "Isso é um sim, certo?" Ele revirou os olhos. "Sim." "Wow." Isso mudava tudo. Eu poderia começar de novo em Paris. Não teria que lidar com a mais que provável rejeição da minha avó e o resto da reação dos Holland pela minha presença em sua cidade. Eu estaria fazendo algo que sempre quis fazer. Estaria vivendo em Paris! Poderia escapar de qualquer que seja o inferno que estava acontecendo com essa coisa do agressor. Mas a parte mais atraente de aceitar um emprego em Paris?

15

Personagem fictício de um filme americano antigo.


Eu não teria que me preocupar com acidentalmente esbarrar em Caine mais. Eu poderia levar meu coração partido para outro continente. De alguma forma, isso era reconfortante. Talvez em Paris tivesse uma chance de realmente seguir em frente. Considerando que, se eu ficasse em Boston, tudo iria me lembrar dele. "E quanto a isso?" Eu apontei para a minha barriga. "O médico diz que o tempo de recuperação varia de quatro a seis semanas." "Bem, tenho certeza que você pode resolver com a irmã de Antoine." Eu sorri com sinceridade. "Benito, muito obrigada." Ele sorriu. "Eu estou perdoado?" Eu ri. "Você está perdoado.”


Capítulo 28 Eu estava sendo torturada. O familiar e delicioso aroma da colônia de Caine causava cócegas no meu nariz, e em outros lugares menos inocentes. Meus braços estavam em volta do seu pescoço enquanto ele me carregava, segurando-me perto de seu corpo duro. Fiquei olhando melancolicamente em seus lábios que pairavam perto do meu rosto, e lutei contra a vontade de beijá-lo. "Você sabe, com todo o seu dinheiro, você poderia ter instalado um elevador dentro de seu apartamento para que não tivesse que me carregar até lá em cima," resmunguei, apenas brincando, enquanto ele me deitava em sua cama de hóspedes. Suas mãos repousavam na cama ao lado dos meus ombros enquanto ele pairava em cima de mim. Suas sobrancelhas se juntaram enquanto ele estudava meu rosto. "Eu machuquei você?" Todo o caminho do hospital para o apartamento de Caine não tinha sido o processo mais confortável, mas não, ele não tinha me machucado. Pelo menos não fisicamente. "Não," eu murmurei, e desviei o olhar. Caine suspirou. "Você ainda está com raiva de mim?"


Sim, mas agora por um motivo diferente. Eu olhei para ele. Por que ele não havia se afastado? Afaste-se! "Sim." "Eu estou tentando protegê-la." Ele se afastou e suspirei de alívio. "Eu poderia ter ficado com Rach. Ela ofereceu.” "E lidar com uma criança louca de quatro anos de idade, que não teria nenhuma consideração para o fato de que você está ferida? Essa é uma maneira de garantir que seus pontos estourem.” Como eu não podia discutir com isso, continuei olhando furiosamente. Ele sorriu para mim. "Eu nunca teria imaginado que você seria uma paciente irritada." "Oh, estou feliz que isso diverte você." Eu gemi enquanto tentava ficar sentada e Caine correu para me ajudar. O parei, elevando a palma da mão para afastá-lo. Eu tinha tido o suficiente de ser maltratada pelo homem que já não estava autorizada a tocar. Enquanto estava no hospital, alguém tinha equipado o quarto de hóspedes de Caine para mim. Ele sempre foi um bom quarto, mas agora havia uma televisão e um leitor de DVD em frente à cama, e uma estante de livros empilhada com livros e revistas no canto. Um e-Reader e um laptop na mesa de cabeceira, juntamente com... agulhas de tricô? Olhei para elas por um segundo e, em seguida, levantei uma sobrancelha para Caine. Divertindo-se, ele explicou, "Effie diz que tricô acalma a alma.”


"Eu pareço como uma tricoteira?" "Não, mas parece como se você estivesse em um estado agitado." "Oh, ótimo, eu sou esfaqueada e você fica engraçadinho." Ele

me

lançou

um

olhar.

"Sério,"

ele

murmurou,

aproximando-se para afofar meu travesseiro como a babá perfeita, "que bicho te mordeu desde que deixou o hospital?" "Você." Eu tirei a mão dele dos meus travesseiros. "Você, você, você". Ele realmente não podia e ver que isso era difícil para mim? "É ruim o suficiente que tenho que estar aqui para me recuperar. Talvez você pudesse apenas me ajudar um pouco saindo daqui.” Ele parecia atordoado com o meu desabafo... até que lentamente assisti a compreensão refletindo em seus rosto. Ele afastou-se da cama. "Eu tenho que estar aqui para ajudá-la, Lex. Não há nada o que possa ser feito sobre isso.” Eu balancei a cabeça e desviei o olhar, sentindo-me totalmente vulnerável agora que ele sabia exatamente o quanto estar perto dele me afetava. "Mas Effie vai estar aqui bastante?" "Sim." "Bom." "Acho que você não quer assistir a um filme comigo, então?" Uma dor apertou meu peito enquanto me lembrava da nossa primeira noite de filme juntos. "Talvez pudéssemos ficar assim para sempre...”.


Eu empurrei a memória de suas palavras fora de minha cabeça e peguei o laptop. "Não esta noite." Tomando a dica, Caine virou-se para sair. Ele parou na porta. "Posso fazer algo antes de deixa-la sozinha à noite?" Deixar-me sozinha à noite? O pânico deve ter ficado transparente no meu rosto, porque ele suavizou. "Eu quis dizer sozinha nesta quarto. Eu vou estar no final corredor.” O pensamento dele deitado ao fundo do corredor me encheu ainda mais de frustração. Amaldiçoei meus sentimentos complicados. Eu queria, mas não queria, que ele estivesse lá. Quanta diversão. "Um copo de água." Ele me deu um aceno de cabeça, parecendo satisfeito por ter uma tarefa. "Eu trago já." Com sua partida eu exalei lentamente. Eu podia ouvir Effie na minha cabeça, pedindo-me para não desistir de Caine, pedindo-me para continuar pressionando e empurrando-o até que ele finalmente me revelasse os seus segredos. Agora eu simplesmente estava com muito raiva. Eu sabia que minha raiva era por conta do ataque que me deixou assustada. Eu odiava que aquilo me tinha me feito sentir como uma vítima. Esse sentimento foi se infiltrando em todos os aspectos da minha vida, e de alguma forma, parecia uma traição a mim mesma – uma fraqueza mais do que uma força – lutar por Caine, quando ele era tão resistente.


"Se eu não sair deste quarto em breve, eu vou gritar." Effie me deu um olhar de advertência. "Grite e eu não vou assar mais bolos para você." "Bom. Eu estou engordando.” "Pfft." Ela passou os olhos em cima de mim. "Você tem comido como um pássaro desde que você chegou aqui. A única razão pela qual não está desaparecendo diante dos meus olhos são os meus bolos.” "Effie," eu gemia como uma criança. "Eu preciso de ar fresco. Pelo menos me deixe sair para a varanda.” Para ser justa, eu tinha estado enfiada no quarto de hóspedes de Caine durante toda a última semana. Effie estava ao redor do apartamento enquanto Caine estava no trabalho. Eu apreciava sua ajuda mais do que eu poderia dizer. Ela estava lá para se certificar de que tomava banho tranquilamente. Ela me ajudou a mudar o meu curativo diário e provou-se mais uma vez bastante ágil e forte para uma velha senhora. Effie também era uma grande babá, porque ela me acompanhava, mas ela também saía sozinha, dando-nos um pouco de espaço. Além de Effie, eu tinha tido a faxineira de Caine, Donna como companhia nas duas vezes que ela veio trabalhar. Foi a primeira vez que a conheci, e estava

mais

do

que

um

pouco

desconfortável

com

as

circunstâncias. Junto com Effie e Donna, eu tinha tido Rachel e Sofie que vieram me visitar algumas vezes. Assim como Henry e Nadia. Eles me divertiram, mesmo sem querer. Fiquei fascinada testemunhando a interação entre Henry e ela. Ele constantemente


a observava – afetuoso de uma forma que nunca tinha o visto fazer antes. Quanto a Nadia, ela estava clara e realmente na nele. Eu tinha meus dedos cruzados para os dois, porque eu realmente gostei de Nadia, e eu me aproximei de Henry ao longo dos últimos meses. Alguém tinha que ter um felizes para sempre no final de tudo isso. Quanto ao vovô, ele ligou. Obviamente, seria injusto perguntar a Caine se meu avô poderia me visitar em seu apartamento, por isso, apenas conversávamos um pouco pelo telefone. Vovô ainda estava lidando com as conseqüências da descoberta de sua família de que eu estava em Boston e que ele estava me vendo pelas suas costas o tempo todo. Aparentemente, havia uma série de discussões, mas nenhum deles chegou a uma conclusão. Eu acho que essa foi a sua maneira educada de evitar me dizer que o resto da família, incluindo a minha avó, não queria ter nada a ver comigo. Isso doeu. Muito. Junto com a rejeição de Caine, praticamente poderia ameaçar trazer a grande depressão do século XXI. Mas eu tinha outras coisas para me preocupar. Por exemplo, o fato de que ainda não havia pistas sobre meu agressor. "Você está sendo uma paciente terrível. Você sabe que para sua própria segurança, não podemos deixá-la ir à varanda," Effie resmungou. Eu zombei: "Estamos Deus sabe a quantos andares. Certamente Caine não acha que o meu atacante pode chager a mim na varanda. Quero dizer, ele teria que ter uma arma com mira.”


Effie empalideceu com o pensamento. Meu coração batia forte em meu peito. "Não. Caine não acredita que há sequer uma possibilidade remota. Certo? Quero dizer... isso é... isso é loucura.” "Querida, é um pouco de exagero, e Caine sabe disso. Mas agora ele está paranóico sobre a sua segurança. Você não o viu quando chegou em casa do hospital naquela primeira noite. Ele estava destruído. Então, você tem que dar crédito a ele." "Destruído?" Eu sussurrei, meu coração batendo rápido por uma razão diferente agora. "Eu lhe disse para continuar lutando por uma razão, Lexie. Você realmente acha que um homem como Caine permite que alguém se infiltre completamente em sua vida tanto quanto você fez, apenas porque se preocupa com você?" Era a sua vez de zombar de mim. "Não. Os sentimentos tem que ser um pouco mais do que isso.” "Ele permite que você se meta na vida dele," eu argumentei. Ela sorriu. "Porque ele me ama." "Ele não me ama." "Não. Ele é descontrolada e loucamente louco por você. Há uma diferença." "Não," eu implorei. "Ele me disse, na minha cara, que ele não me ama. Eu não preciso de uma falsa esperança de você.” Effie fez uma careta. "Não, você precisa de um chute no traseiro. Eu lhe disse para empurrá-lo.”


"E eu lhe disse que ainda estou muito chateada para fazer qualquer outra coisa além de apenas estar chateada." "Você precisa superar isso. É um jeito ser de ser.” Apertei meus olhos em indignação. "Tente superar esse tipo de raiva. Alguém me colocou nessa cama, alguém que não foi encontrado ainda. Estou sentada neste apartamento sentindo-me como um animal caçado. E o tempo todo estou sendo cuidada por uma pessoa que eu amo mais do que já amei alguém e ele me rejeitou. Por favor, diga-me como não ficar com raiva e irei fazê-lo." Effie se inclinou para frente, seus olhos gentis. "Você dizer a si mesma que está com raiva, amargurada e sentindo-se perseguida, é dar ao bastardo que lhe machucou mais poder. Você tem que expulsá-lo dos seus pensamentos, e se concentrar em ficar segura e melhorar, e forçar Caine a perceber que ele não pode viver sem você. Em vez de empurrá-lo para longe – sim, ele me disse que você quase não o deixa chegar perto – você tem que mostrar para ele, gastar todo o seu tempo de recuperação com ele, lembrando-lhe exatamente o que está perdendo se permitir que você vá embora. E só quando você o tiver onde quer, você vai para matá-lo e obrigá-lo a dar-lhe as respostas que você merece.” Eu deixei os conselhos de Effie pairarem sobre mim, afundando em minha consciência. Ficamos em silêncio por cerca de dez minutos enquanto eu processava o que ela havia dito. Ela começou a folhear uma revista de fofocas como se não tivesse dito algo com tamanha profundidade e que eu desesperadamente necessitava.


Finalmente, eu disse, minhas palavras suaves, "Como você ficou tão sábia, Effie?” "Eu

tenho

sobrevido

77

anos

neste

planeta,"

ela

respondeu ironicamente, "e fazendo as escolhas certas, eu até consegui viver a maior parte deles.” O som das vozes de Caine e Effie viham em direção ao meu quarto e me preparei. Esforcei-me para ouvir o que eles estavam dizendo, sem sorte. Eu, entretanto, ouvi o barulho da porta da frente fechar e prendi a respiração. Durante os últimos cinco dias, quando Caine voltou do trabalho, a primeira coisa que ele fez foi vir olhar como eu estava. Normalmente eu reclamava que estava entediada, mas bem; então ele se oferecia para conseguir alguma coisa, para que lhe desse uma missão; ele iria completar a missão, e depois me deixava. Depois de ter repassado o conselho de Effie mais e mais na minha cabeça, eu decididamente empurrei a raiva amarga que estava desesperada para tomar conta de mim para um lado, e escalei o meu caminho de volta para o meu espírito de luta. Meu pulso acelerou ao ouvir o som dos passos de Caine subindo as escadas. Quanto mais alto esses passos soavam, o meu coração batia mais forte. De repente, ele estava na minha porta parecendo muito cansado. Como sempre, uma pontada dolorida preencheu o meu peito com a visão dele. "Oi," eu disse. Ele me deu um sorriso cansado. "Oi. Como foi hoje?” Eu dei de ombros. "Chato. Como foi o seu dia?”


Seu rosto escureceu. "Nada ainda." "Você vai encontrá-lo." Os olhos de Caine queimaram com surpresa que rapidamente se transformou em gratidão. "Posso lhe pegar alguma coisa?" Eu tomei uma respiração profunda. Aqui vai. "Como você se sentiria sobre relaxar comigo? Poderíamos pedir comida. Assistir um filme.” Ele hesitou. "Oh, se você tem trabalho, eu entendo totalmente." Eu sorri meu caminho através da decepção. "Não." Ele balançou a cabeça. "Isso pode esperar. Relaxar com você parece ótimo. O que você gostaria de pedir?" Eu escondi meu sorriso de satisfação e dei de ombros. "Você escolhe. O filme também.” Não muito tempo depois Caine estava estendido na cama ao meu lado. Ele tinha mudado seu terno e agora estava vestindo uma camiseta. Caixas de comida chinesa estavam espalhadas pelo meio da cama entre nós, e estávamos assistindo a um filme antigo de Jean-Claude Van Damme. "Agora, está vendo?" Eu apontei para a tela com os meus pauzinhos.

"Se

você

pudesse

fazer

aquilo,

você

poderia

possivelmente dominar o mundo." Caine deu uma bufada de riso. "O quê? Eu estou assim tão perto disso? Só preciso aprender a pular caixas quebradas e aterrissar no balcão naquela posição?”


"Sim!" Eu insisti. "Então, dominação total do mundo viria a seguir." "Então prepare-se, mundo, aqui vou eu." Eu ri. "Você não pode rachar caixas." Ele me lançou um olhar insultado. "Eu posso fazer qualquer coisa que colocar minha mente, baby." Fingindo não estar empolgada com o retorno do carinho, eu balancei a cabeça em diversão. "Você sabe, a sua falta de confiança é realmente muito constrangedora. Você deve trabalhar nisso.” Caine apenas sorriu e cavou um pouco da minha porção de carene de porco moo shu. Eu o avaliei de maneira sutil. Effie estava certa. Eu podia fazer isso. Era tudo uma questão de sutileza. Eu perturbaria o inferno fora de Caine durante a próxima semana. Eu estava ficando um pouco melhor agora. O médico tinha dito que deveria me levantar – fazer exercícios leves, ele disse – e eu estava saindo para o térreo muito mais. Caine estava ficando cada vez mais frustrado quando ele e a polícia se viram em um beco sem saída na busca pelo meu atacante. Eu sabia que querer estar lá para mimestava prejudicando seu trabalho também. A falta de noites até tarde no escritório e a falta de viagens de negócios significava que alguma outra pessoa estava


fazendo isso no lugar dele, e sabia o suficiente, que ele era um maníaco por controle, e devia odiar isso. Isso significava que, quando ele voltava para casa todas as noites, ele usava seu humor negro como uma blindagem negra em torno dele. Ele só começava a relaxar uma vez que estava fora de seu terno e ficando comigo para assistir a filmes. Nós assistimos a um monte de filmes e conversamos bastante. No entanto, nós nunca conversamos sobre qualquer coisa séria. Eu não sabia se a falta de gravidade em nossas conversas era o que estava impedindo o meu ataque em Caine, mas tanto quanto eu podia ver, apesar da nossa proximidade, ele ainda não estava mais perto de me deixar entrar. Pensei que talvez eu estivesse sendo muito furtiva, por isso, uma noite enquanto estávamos assistindo a um filme de Brad Pitt sobre Jesse James, decidi abandonar a sutileza e ir para o ataque. Caine estava sentado na posição vertical, suas longas pernas esticadas à sua frente na mesa de café. Deitei na outra ponta do sofá com minhas pernas sobre seu colo. Estudei seu perfil enquanto ele assistia ao filme e, se eu não estivesse ferida, o ataque implicaria em uma abordagem muito mais física. Ser verbalmente direta teria que servir. "Você pode lidar com isso? Eu soltei, significando se ele podia lidar com apenas amizade entre nós. Caine se virou para mim e sabia que ele ouviu alguma coisa na minha voz que o tinha alertado para o que quis dizer. Todo o seu corpo ficou tenso. "Alexa."


Eu sorri com tristeza. "Eu sou sempre 'Alexa' quando você não está feliz comigo." "Não é verdade." Seus olhos brilharam e meu corpo corou. Oh sim. Às vezes, eu era "Alexa" na cama. "Falando de..." Ele olhou de volta para a tela. "Não estrague isso. Fora dessas paredes, a vida é uma merda agora. Isso aqui... é a única coisa que eu tenho. Não arruíne isso.” Eu hesitei, querendo dar-lhe o que ele queria desde que ele estava cuidando de mim. Mas eu não podia. "Isso aqui... não é real." "Besteira," ele retrucou, olhando para mim. Ele parecia genuinamente ofendido por minha avaliação da nossa amizade. "É a única coisa real –" Ele xingou e cortou suas palavras antes de voltar seu olhar para a televisão. "Se isso fosse real, não haveria segredos entre nós." A resposta de Caine foi remover suavemente minhas pernas de seu colo e atravessar a vasta sala. Ele desapareceu no andar de cima e ao mesmo tempo o meu estômago revirou com ansiedade. Quando ele voltou 30 minutos depois, ele estava vestido com uma camisa e calça, seu cabelo recém-lavado e escovado. "Eu vou sair," ele falou por cima do ombro antes de pegar as chaves do carro. A porta se fechou atrás dele.


Fechei os olhos e o movimento pressionou as lágrimas que estavam enchendo-os. Elas deslizaram sobre as minhas bochechas e enterrei meu rosto no sofá para que pudesse abafar meus soluços. Um minuto mais tarde, me assustei com o toque suave no meu ombro e olhei para fora sob o meu cabelo para encontrar Effie lá. Ela estava sentada no sofá, olhando para mim com compaixão. "Caine me pediu para vir ficar com você, enquanto ele está fora." Virei-me com cuidado para que pudesse descansar minha cabeça em seu colo e só chorei mais, odiando que o desgraçado tinha o poder de me machucar tanto.


Capítulo 29 "Bem, tudo parece normal. Nenhum sinal de infecção,” disse Liz. Olhei para minha enfermeira, um pouco atordoada. Eu estava me sentindo assim desde que deixei o apartamento pela primeira vez escoltada por Caine, Arnie e Sly. "Tomei o Keflex como prescrito," eu murmurei. "Ok. Agora que você retirou os pontos, tente não esquecer sobre a lesão. Você ainda tem no mínimo duas semanas para se curar completamente.” "Eu não acho que vou esquecer isso tão cedo." Ela me deu um sorriso simpático. "Eu não acho que você vai. Já encontraram o cara?” "Não." Me levantei e Liz me amparou. "Estou pronta para seguir com a minha vida, mas com essa sombra sobre mim...”. Ela

segurou

o

meu

braço.

"Espero

que

ele

seja

encontrado em breve, querida." Eu sorri agradecida e ela me levou para a sala de espera, onde Caine estava falando baixinho em seu telefone enquanto Arnie e Sly estavam parados junto a porta. Seus nomes verdadeiros eram Griff e Don, mas eles gostaram dos apelidos que eu tinha dado a eles.


Caine nos viu e rapidamente encerrou a sua conversa. Ele deslizou seu telefone no bolso e caminhou até nós. Ele deteve o olhar sobre Liz. "Está tudo bem?" "Os pontos foram retirados. Nenhuma infecção. Lexie está no caminho da recuperação.” "Ótimo." Eu dei a ele um olhar aguçado. "Agora eu posso ir para casa." Ele franziu a testa. "Se por 'casa' você quer dizer minha casa, então sim, você pode ir para casa." "Caine–" "Nenhum argumento." Ele colocou o braço em volta da minha cintura, agradeceu a Liz, e começamos a andar para a saída. Olhei por cima do meu ombro para dar a Liz um sorriso agradecido. O tempo inteiro eu tentei ignorar o corpo de Caine pressionado contra o meu. Eu conseguia andar sozinha muito bem, mas eu não queria causar uma cena no hospital dizendo-lhe para se afastar. Depois que ele desapareceu na noite passada, Effie me ajudou a subir para o quarto e me deitar. Nenhuma palavra foi necessária. Acho que até agora ela estava chateada com Caine e entendeu que tinha chegado ao fim da minha luta. Quando ouvi que ele chegou de seu passeio um pouco mais tarde, eu meio que esperava que ele viesse para o meu quarto. Para dizer o quê, eu não sabia. Alguma coisa. Qualquer coisa. No entanto, ele não o fez, e foi quando decidi que era hora de finalmente deixá-lo ir. Deitei na cama naquela noite pensando em todas as coisas que eu


precisava resolver na minha vida que não giravam em torno de Caine. Resolver a crise em que se encontrava a minha carreira parecia ser o primeiro passo. A irmã de Antoine, Renée, tinha estado em contacto e me deu estas duas semanas para avaliar sua oferta antes que ela oferecesse a outra pessoa. Antoine me mandou alguns e-mails ao longo dos últimos 14 dias, cada um deles falando sobre as delícias e os benefícios de viver em Paris. Eu tinha que admitir que durante a última semana eu coloquei em minha mente que se eu puder fazer Caine confiar em mim, então eu ficaria em Boston. Isso teria significado procurar um novo trabalho de qualquer maneira, porque não havia nenhuma maneira que continuasse como sua AP se fossemos ter um relacionamento sério. Agora, no entanto, encontrei-me considerando a oferta de Renée. Antes mesmo de pensar em Paris, porém, eu tinha que lidar com o meu pai. Havia muitas questões não resolvidas. Não conseguia tirar da minha cabeça que eu sequer contemplei que ele poderia me machucar. No entanto, o pensamento de que a pessoa por trás do meu ataque poderia ter sido ele havia passado pela minha mente, mesmo que brevemente. É claro que depois de alguma reflexão, estava um pouco horrorizada comigo mesma por ter pensado isso. Na verdade, mais do que horrorizada – estava assustada em perceber que nunca ia conseguir um novo começo, aonde quer que fosse, até que encontrasse algum tipo de encerramento com o meu pai. Eu tinha que falar com ele, e pedi a Deus que quando fizesse, ele me ajudasse a entender melhor suas


ações. Se ele pudesse, então eu seria capaz de perdoar a minha mãe por escolher a ele em vez de mim. Afinal, as feridas causadas em mim pelas escolhas feitas pela minha mãe estavam no centro dos meus problemas. Como poderia deixar isso para trás e seguir em frente em Paris, se eu não entrasse em acordo com essa mágoa, essa rejeição? Eu não conseguiria. Eu iria levá-la comigo. "Você está quieta. Você está com dor?” Caine perguntou assim que estávamos acomodados no carro. "Estou

com

um

desconforto,

mas estou bem. Eu

realmente gostaria que você me deixasse voltar para o meu próprio apartamento, apesar de tudo.” Ele suspirou. "Não até que o agressor seja encontrado." "E se nós não o encontrarmos?" "Nós vamos atravessar essa ponte quando chegarmos lá." “Eu estou lhe avisando que vai ser uma ponte de corda podre com uma grande placa que diz ‘cruze pelo seu próprio risco’.” Caine não disse nada. Olhei para ele, e ele estava olhando para fora de sua janela do passageiro, usando o fantasma de um sorriso divertido. Estava na ponta da minha língua para dizer, "Você vai sentir falta da minha língua afiada" Mas eu sabia a resposta – ou mais provavelmente a falta dela – que seria pior do que os pontos que tinha acabado de remover. Viajamos de volta para o apartamento de Caine em silêncio. Arnie e Sly nos acompanharam até o apartamento me


deixando, uma vez que estava acomodada no interior. Eu estava cansada de segurança. A falta de quaisquer pistas sobre meu agressor me fez suspeitar que tivesse sido esfaqueada por algum psicopata aleatório na rua. A segurança e a fortaleza do apartamento me pareciam um exagero. "Eu tenho que voltar ao trabalho, mas Effie virá em breve," disse Caine. "Effie não precisa mais ficar aqui." Tirei meus sapatos, levantando a mão para deter Caine, que vinha para me ajudar. "Eu posso me virar sozinha agora. Tenho certeza que ela tem coisas melhores para fazer do que ajudá-lo a manter-me prisioneira." "É só por um pouco mais de tempo, Lexie." "Como você se sentiria?" Fiz uma carranca, encostada na parede para me apoiar. "Isso não estaria te matando?" Em vez de me responder – não que ele precisasse, porque eu sabia que isso estaria matando-o – Caine lembrou-me de chamá-lo se precisasse dele e então se foi. Eu não o chamei, porque eu estava determinada a nunca mais precisar desse belo filho da puta. Talvez, em minha

frustração,

me

movimentei pelo

apartamento naquela noite mais do que deveria. Agora que estava firme na minha decisão de ir ver meu pai, antes de aceitar a oferta de Renée, queria fazê-lo o mais rápido possível. Eu tinha feito minha escolha e queria começar a viver, por muitas razões, incluindo o fato de que isso me distraía de pensar em ir embora e deixar Caine para trás. Sempre que pensei no fato de não


conseguir vê-lo todos os dias, medo e desolação se apoderaram de mim. Qualquer coisa era melhor do que esse sentimento. Para não sentir isso, passei o resto do dia e o início da noite, em planejamento. Enviei um e-mail a Renée em vez de ligar – o fuso horário de seis horas significava que era tarde em Paris. Eu tinha meus dedos cruzados sobre ouvir algo de volta dela pela manhã. Depois, tinha começado a caçada por um apartamento. Sentindo-me fora da minha praia, enviei um e-mail a Antoine pedindo ajuda e recebi uma resposta entusiasmada dizendo que ele ia começar a procurar na parte da manhã. Eu tinha andado bastante, antes de ir para a cama cedo para evitar Caine. A caminhada e o nervosismo eram os culpados por eu acordar no meio da noite com dor. Gemendo com a minha própria estupidez, levantei-me e me dirigi lenta e silenciosamente para o andar de baixo, onde tinha deixado meu Percocet. Cheguei ao balcão da cozinha, onde era certo que tinha deixado os comprimidos. Mas eu estava sem sorte. Para meu aborrecimento, passei os próximos cinco minutos abrindo armários e gavetas, agravando a dor no meu estômago. Mais uma vez sem sorte. Olhei em frustração ao redor da sala com iluminação suave, tentando pensar onde diabos eu tinha colocado as pílulas. Meus olhos pousaram sobre a mesa lateral perto da área de jantar. Eu nunca usei porque combinava com a mesa de jantar exatamente e mais parecia uma obra de arte do que uma peça útil de móveis, mas me perguntei se talvez Effie tinha colocado minhas pílulas lá, quando esteve aqui depois que


Caine saiu. Assim que ela apareceu, eu disse a ela em frustração que apreciava o tempo que ela dedicou a mim, mas não precisava de uma babá por mais tempo. Aparentemente, ela concordou, porque depois que ela me fez o café e ficou enrolando um pouco, ela foi embora. Eu bufei. Eu amava Effie, mas toda vez que ela aparecia sempre havia algo que não eu conseguia encontrar, por ela ter trocado de lugar. Eu não conseguia entender como alguém com um apartamento tão organizado como o dela, poderia ser tão obsecada em desorganizar o de Caine. Abri a gaveta da mesa lateral e empurrei algumas coisas. Não. Sem pílulas. Eu praticamente rosnei. Eu estava prestes a fechar a gaveta, quando algo brilhante chamou minha atenção. A percepção de que era um monte de fotografias me fez parar. Caine não tem fotos em exposição. Eu nunca tinha visto nenhuma escondida. Até agora. Curiosa, retirei a pequena pilha de fotos e as segurei sob a luz. A derrota e a decepção que estava sentindo sobre Caine de repente atingiram níveis totalmente novos de complexidade. Cada foto era minha. Havia seis delas e me lembrei que foram tiradas em seu telefone. Duas eu mesma tinha tirado. Selfies de nós deitados na cama. Uma delas era de mim deitada com minha cabeça contra a dele, sorrindo para a câmera enquanto ele olhava para a lente com um olhar ardente perdido


em pensamentos. Outra era de mim segurando a câmera para o alto, enquanto o beijava. As outras quatro eram fotografias que Caine tinha tirado de mim. Em uma eu estava deitada em sua cama de bruços, com o lençol cobrindo apenas a metade inferior do meu corpo. Era uma fotografia simples, mas sensual, porque embora eu estivesse escondendo todos os meus bons pedaços, eu estava olhando para a câmera com um olhar em meu rosto que eu nunca tinha visto antes. Ele estava cheio de desejo. Por Caine. Pisquei as lágrimas que, de repente ardiam em meus olhos. As outras duas imagens eram de mim em Quincy Market, uma semana antes de ser atacada. E a última era de mim em pé na porta da suíte de Caine. Eu só usava uma camiseta dele. Os ombros eram largos, por isso estava caindo, revelando muita pele. Caine tinha feito uma piada sobre como ele nunca tinha imaginado que essa camiseta poderia ser tão sexy. Em resposta, eu tinha me virado e feito uma pose, fazendo um beicinho ridículo, meu cabelo selvagem ao redor do meu rosto. Chorando muito agora, empurrei as fotografias de volta na gaveta onde ela as tinha escondido. Chutei

o

aparador

e

imediatamente

senti

uma

queimadura afiada de dor através do meu abdômen. As lágrimas vieram mais rápido e tropecei até o corredor, de repente desesperada para encontrar as minhas pílulas e ter algo para fazer, algo para me concentrar.


Eu as encontrei na mesa do telefone, e assim eu estava de volta à estaca zero com nada mais para contemplar, a não ser as malditas fotos. Na tentativa de ver através da minha visão embaçada e todo o tempo tentando suavizar os sons do meu choro, eu corri para a cozinha e me atrapalhei com um copo que peguei no armário. "Lexie?" A interrogação na voz de Caine veio até mim. Eu endureci, empurrando o copo sob a torneira. "Ei, ei," ele disse suavemente, seu calor bateu em minhas costas enquanto ele alcançou além de mim para pegar o copo. Com a outra mão, ele pegou o remédio, me aprisionando nele. "Você está com dor?" "Eu estou bem." Ele ficou em silêncio por um momento. E então, "Você não está bem. Você está chorando.” "Eu disse que estou bem. Só preciso tomar o Prcocet." Peguei a mão dele e tentei arrancar o frasco dele. "Me dê isto." "Lex, deixe-me ajudá-la." "Eu não preciso de sua ajuda." Eu não precisava ser salva por um homem que não poderia nem mesmo se salvar. "Lex–" "Eu disse que não preciso da sua ajuda!"


De repente, suas mãos estavam em meus braços e ele gentilmente me virou para encará-lo. Eu resisti, contorcendo contra seu domínio com tanta ferocidade quanto o meu corpo ferido permitia. "Lexie pare," ele bufou em confusão. Eu não podia parar agora que minhas emoções tinham sido desencadeadas sobre ele. Tudo o que podia ver eram aquelas fotografias. Tudo o que eu podia ouvir era a sua negação do que ele sentia por mim. Sua rejeição. Suas mentiras. "Fique longe de mim!" Eu gritei, lutando duro agora. Seu domínio sobre mim apertou. "Lexie, pare com isso." Mas eu não faria. Eu não podia. Toda dor que havia sentido nas últimas semanas veio a tona como violência. Eu estava gritando e chorando e batendo meus punhos contra seu peito. "Pare com isso – você vai se machucar," eu o ouvi rosnar. Ele não me impediu. Seu aperto sobre mim começou a me machucar e ele me deu uma sacudida suave. "Pare com isso," ele ordenou com voz rouca. "Lexie, pare." E então ele estava me beijando. Duro. Desesperado. Atordoada, eu parei de lutar. Eu deixei ele me beijar, suas mãos movendo-se de meus braços para o meu cabelo, me segurando para ele como se ele me beijasse porque precisava daquilo mais do que precisava respirar.


Finalmente meu cérebro voltou a funcionar e eu congelei, meus lábios já não se moviam contra os dele. Caine sentiu minha relutância e seu beijo suavizou. Ele roçou sua boca uma vez, duas vezes, sobre a minha antes de se afastar. Olhamos um para o outro, igualmente confusos com o que tinha acabado de acontecer. "Estou indo embora," foram às primeiras palavras que saíram da minha boca. "Não do apartamento. Quero dizer, sim, do apartamento, mas mais do que isso. Você se lembra de Antoine Faucheux? Apresentei-o a você no aeroporto.” Os dedos de Caine apertavam meus braços. Eu não achava que ele sequer tinha percebido. "Eu me lembro," disse ele, com a voz rouca. "Sua irmã me ofereceu um emprego em sua empresa de gestão de eventos em Paris. Eu aceitei a oferta hoje. Vou partir em quatro semanas." Por um momento ele procurou meu rosto como se tentando discernir a minha seriedade. Eventualmente suas mãos caíram de meus braços e ele deu um passo para trás. "É por isso que você estava chorando?" Raiva queimava em mim pior do que a dor que senti antes. "Eu acabei de lh dizer que estou deixando Boston e é essa a sua reação?" Sua mandíbula se apertou quando ele olhou para mim. Uma reação um pouco melhor do que sua pergunta anterior sem graça.


"Não, não é por isso que eu estava chorando," eu respondi de qualquer maneira. "Eu achei as fotos." Confuso, ele deu de ombros. "Que fotos?" "As que você tem de mim, de nós, na mesa ao lado." Sua resposta foi dar mais alguns passos cautelosos para trás. Novas

lágrimas

surgiram

em

meus

olhos.

"Estou

deixando você. Então, a única coisa que você terá de mim são aquelas malditas fotografias." A fachada fria tomou conta do seu rosto. Eu entendi agora. Era exatamente como Effie disse. Caine nunca foi mais frio e distante do que quando ele estava determinado a esconder o que realmente estava sentindo. "Eu não vou ficar aqui e ter a mesma discussão com você mais e mais. O que vou dizer é que quando eu sair por aquela porta, estou saindo daqui lhe odiando por me deixar ir embora quando a verdade é... a verdade é que você me ama. Eu sei que você ama, mesmo se você negar. E se fosse comigo, Caine, eu não seria capaz de suportar a idéia de você me odiar, não importa o quão distante estamos, e eu vou odiar você, se você não parar de mentir. Então ou você me diz do que é que você está escondendo ou você não faz, mas você deve saber que eu, definitivamente, nunca vou perdoá-lo se você não fizer." Eu engoli minhas lágrimas. "E estou muito cansada de todo o conceito de imperdoável." Esperei o que pareceu uma eternidade para Caine me responder. Quando o fez não tinha certeza se me sentia aliviada


ou preocupada. Seus olhos duros, ele acenou com a cabeça. "Tudo bem, você quer a verdade, vou lhe dizer a verdade, mas tome os comprimidos primeiro." "Eu posso fazer isso," eu disse, não gostando do tom frágil e mordaz que ele estava usando. Uma vez que eu tinha engolido as pílulas e estava sentada no sofá, no outro extremo da sala, Caine ficou andando por um tempo, de um lado para o outro na minha frente. "Você vai se sentar?" Meu coração começou a bater em sua ansiedade crescente. Oh Deus, o que ele está escondendo? Em vez de sentar, ele parou para me enfrentar. Meu estômago estava doente. Quando Caine encontrou meu olhar, esse sentimento piorou. Ele parecia irritado, e não sabia se era por causa de mim ou de si mesmo. "Caine," eu sussurrei. "Eu não sou o cara para você, Lex," disse ele, e eu sabia que ele realmente acreditava nisso. Eu estava aborrecida. "Com certeza essa é uma decisão que cabe a mim." "Não, essa é a minha decisão." Olhamos um para o outro, enquanto engoli de volta uma resposta enfurecida.


Caine cruzou os braços sobre o peito. "Só Henry e as pessoas envolvidas sabem sobre isso do meu passado. Eu trabalhei duro para me certificar de que permanecesse enterrado.” Oh merda, oh Deus, oh inferno, oh foda... "Na escola, eu estava trabalhando como garçom em um restaurante chique em Society Hill. Eu tinha chegado em Wharton por conta de uma bolsa, mas estava vivendo na maior moradia estudantil em Philly e ainda precisava de dinheiro. Eu precisava de dinheiro para sobreviver, mas também precisava de dinheiro para investir. Conheci Henry na faculdade e ele tinha conexões. Ele me arranjou o trabalho no restaurante. Ele pagava melhor do que a maioria... Enquanto eu estava lá, fui abordado por essa mulher mais velha. Uma mulher mais velha e rica. " Se fosse possível, eu acho que o meu coração parou por um momento. O olhar de Caine perfurou em mim com algum tipo de determinação torcida. "Ela me ofereceu um monte de dinheiro." "Oh meu Deus," eu sussurrei, não acreditando no que ele estava dizendo. Se tivesse feito uma aposta sobre o que o seu segredo era, eu teria perdido muita grana. "Você fez isso? Você fez sexo com ela por dinheiro?” Ele deu um breve aceno de cabeça, tão tenso que ele parecia prestes a quebrar. "O jeito que ela fez parecer, foi perfeito – eu era um homem de Wharton, e não algum ignorante da rua, mas também era pobre e ambicioso. Ela fez as perguntas certas, trabalhou nisso, sabia o que estava fazendo, sabia que eu poderia deixá-la me manipular. E eu fiz. Eu pensei que inferno? É só ela."


O entendimento me atingiu com força. Meu estômago deu um nó. "Mas não foi, não é?" Ele balançou a cabeça. "Eu era o tipo de excitação que uma dona de casa entediada estava procurando. Ela disse a uma amiga em quem confiava, e antes que eu notasse, não precisava mais do emprego de garçom. Eu tinha uma clientela." Ele falou a palavra amargamente. "Era perfeito. Não havia chance dos outros saberem, porque nenhuma destas mulheres podiam se dar ao luxo das pessoas descobrirem que estavam pagando um estudante universitário para fazer sexo. Eu fiz dinheiro suficiente em nove meses para investir. E investi sabiamente e vi um enorme retorno. A partir daí, investi mais e assim por diante." "Um retorno grande o suficiente para iniciar o banco." Caine finalmente olhou para mim, parecendo me desafiar a odiá-lo. "Henry me viu com uma das minhas clientes e descobriu a coisa toda. Ele é o único que sabe o quão baixo eu fui para conseguir o que queria." "É por isso que você fica estranho quando pergunto sobre Wharton. Por isso que você me odeia em torno de Henry, por que ele é o único que poderia me dizer a verdade?" "Isso e ele consegue me irritar por flertar com você o tempo todo." Eu ignorei isso, estava atordoada, me recuperando da sua revelação. "Aquela mulher na festa dos Delaneys... ela era uma delas, não era?"


"Sim," ele admitiu sua expressão ainda depreciativa. "Ela é da Filadélfia. Eu raramente cruzo com as mulheres daquele tempo em minha vida, mas sabia que ela estariat lá–" "É por isso que você estava com aquele humor o dia todo e na festa..." Levantei-me lentamente e ele me olhou com cautela. "É por isso que você terminou comigo." "Nunca poderia funcionar entre nós." "Por causa disso?" "Lexie, eu praticamente vendi minha alma para chegar onde estou hoje. Sou um bastardo egoísta... e você..." Seus olhos caíram sobre o meu rosto. "Você já perdeu tudo para manter sua alma intacta." "Caine." Eu não podia dizer nada por um minuto. Eu estava sufocada pela emoção. Ele abruptamente começou a se afastar. "Não vá," eu gritei. Ele parou, virando um pouco para olhar para mim. "Eu te amo," eu disse através das minhas lágrimas. "Eu te amo tanto. Nada muda isso. Nada.” Ele bufou em descrença. "Nem mesmo o fato de que era um prostituto?" Eu vacilei com a palavra. Não era uma verdade fácil de engolir, e se eu não o conhecesse, e não soubesse como tinha sido a vida dele desde o início, talvez eu não tivesse sido capaz de ver o quadro geral. Mas eu podia. Eu não culpava Caine pelo o que


tinha acontecido. Eu as culpava. "Elas usaram você," eu argumentei. Essa afirmação pareceu irritar Caine ainda mais. "Não, elas usaram você,", eu repeti. "Sim, você as usou, mas elas usaram você também. Você era apenas uma criança." "Eu parei de ser um garoto aos treze, Lexie." "Você era apenas uma criança para elas. E você era criança, você querendo admitir ou não, e você estava machucado. Você fez o que tinha que fazer porque tinha ambição de ser alguém. Então fez algo que tem vergonha agora... mas você chegou onde está. Eu gostaria que isso fosse diferente? Sim. Eu desejo que esse não fosse o seu passado. Tenho certeza, que agora você também. Mas não podemos mudá-lo. Isso foi há anos. Você não é a mesma pessoa agora. Nós apenas temos que deixá-lo onde ele pertence. No passado." "Não é parte do passado," ele rosnou, parecendo furioso com o meu entendimento. "É quem eu sou – é o que eu sou capaz! Eu uso todos os meios para conseguir o que quero e não dou a mínima para quem eu machuque no processo.” "Não." Eu balancei a cabeça, não acreditando por um segundo. "Não é quem você é. Não comigo." Estendi a mão para ele, meus dedos acariciando seu cabelo até que enrolei minha mão ao redor da nuca dele, tentando atraí-lo mais perto. "Você está mentindo para si mesmo. Você está afirmando isso como uma maneira de manter-me afastada. Mas é tarde demais. Eu estou dentro. Você me ama." Eu sorri suavemente quando ele fechou os olhos e apertou os dentes com minhas palavras. "Você me ama,"


eu repeti, "e você nunca vai me machucar. E eu nunca vou lhe machucar. Nunca vou lhe usar como elas fizeram, como todos fizeram. Porque eu quero você. Só você." Eu pressionei minha testa contra a sua mandíbula segurando ele apertado. "Ninguém nunca vai lhe entender como eu entendo. Você é tão diferente comigo, baby. Você cuida de mim. Você me faz sentir segura. Você não é quem você pensa que é. Você não me disse uma vez que as pessoas não são apenas uma coisa? Você é muito mais para mim do que qualquer coisa que você possa ter feito no passado." "Lexie," ele disse, sua voz gutural, "Eu disse isso para acordá-la. Um homem como eu não é capaz de ser um cavaleiro branco de merda." Seus dedos tiraram minha mão de seu pescoço e ele gentilmente me colocou a distância. Eu senti a raiva ferver dentro de mim. "Eu não estou à procura de um herói!" Ele se encolheu com a emoção estampada em minhas palavras. "Eu nunca pedi por isso." Eu balancei minhas mãos enrolando em punhos ao meu lado. "Eu só queria você, porque, apesar do que você poderia pensar, eu vejo você. E não, você não é nenhum cavaleiro branco de merda, mas você é o que eu quero." Quando ele não disse nada, senti todo o meu corpo esfriar. "Eu não vou ficar," eu o avisei. "Não vou tentar lutar mais por você. É isso. Se você for embora, acabou. E mais, eu sempre, sempre vou culpá-lo por isso. Por arruinar-nos.”


O silêncio do apartamento em torno de nós parecia estender-se, expandir e engrossar como um monstro no escuro. Por um tempo, só ficamos lá encarando um ao outro enquanto o monstro destruia qualquer chance de conexão que poderia nos impedir de ficarmos distante para sempre. Finalmente Caine arrancou seu olhar do meu e virou as costas para mim. Saí da sala, tentando suturar a ferida aberta no meu peito com o resto da minha força mental e emocional. Fui até o quarto de hóspedes, a ferida temporariamente fechada. Estava determinada em fazê-la ficar selada apenas o tempo suficiente para conseguir ir embora de Boston.


Capítulo 30 Caine, Depois da noite passada eu tenho certeza que você entende por que não posso mais ficar aqui. Por um tempo, eu me apeguei a esperança de que, se pudesse levá-lo a se abrir para mim, para me contar seus segredos, então tudo daria certo para nós. Desde que você está determinado a nos manter separad, eu estou determinada a seguir em frente com a minha vida. Estou indo para Connecticut agora para ver o meu pai. O ataque trouxe de volta muitas dessas questões, e eu preciso tentar resolvê-las antes de sair para Paris. Quero agradecer a você por ter cuidado de mim nessas últimas semanas, e quero que você saiba que aprecio tudo que você fez para tentar encontrar o idiota que fez isso. Eu realmente acredito que ele se perdeu ao vento, mas isso não importa agora já que não estarei ao redor por muito tempo para a sua possível reaparição. Quando eu voltar para Boston, vou voar para Paris assim que possível, para olhar lugares para alugar, etc. Embora eu realmente seja grata pelo que você fez, eu apreciaria se você ficasse longe quando eu voltar para Boston. Não quero vê-lo novamente. Eu quero um novo começo. Você me deve isso. Espero que você encontre a paz. Espero que você encontre a felicidade. Lexie


Parada de pé do lado de fora, no gramado da minha casa de infância, eu ainda carregava comigo aquela estranha mistura de medo e resolução. Eu não sabia o que me esperava. Só sabia que se eu queria seguir em frente com a minha vida, eu tinha que falar com ele. Sair de Boston tinha sido fácil. Sair do prédio de Caine, nem tanto. Após a sua saída para o trabalho naquela manhã, escrevi-lhe uma nota de despedida, e fui para a recepção. Arnie e Sly estavam esperando por mim. Eles tentaram me deter, mas quando os lembrei de que sso era ilegal, eles me deixaram ir. Levei 20 minutos discutindo com eles quando perceberam que eu falava sério, quando disse que ia chamar a polícia. Me senti mal, desde que ele estavam me protegendo nas últimas semanas, mas uma vez que tinha tomado esta decisão, ninguém, e eu quis dizer ninguém, estaria no meu caminho. Ainda assim, enquanto fiz o meu caminho para a estação de ônibus, não conseguia afastar a paranóia que tinha vindo

como

resultado

de

meu

ataque.

Eu

encontrei-me

constantemente olhando por cima do meu ombro e imaginando o olhar fixo de alguém queimando na parte de trás do meu pescoço. Isso, e o fato de que a viagem de ônibus não foi muito divertida para o meu corpo ferido e fez com que não estivesse na melhor forma física pelo tempo que cheguei à casa dos meus pais. Nossa casa era muito modesta. Minha mãe a comprou com seu pagamento de professora, quando éramos apenas nós


duas. Meu pai não tinha contribuído muito ao longo dos anos, pulando de um emprego para o outro. Era uma casa terrea, com dois quartos, um alpendre coberto de madeira que estava assentado sobre a pequena varanda. A madeira cinza, pintada recentemente, foi imitada na porta da garagem anexa, um corrimão na varanda, e na entrada. A casa foi construída de tijolo pitoresco claro. Não era muito, mas era bem conservado. Até mesmo o gramado tinha sido recém-cortado. Claramente meu pai era mais capaz de cuidar de si mesmo do que ele jamais foi no passado. Eu levantei a mão para arrumar o cabelo que estava soprando no meu rosto e fiquei surpresa ao descobrir que estava tremendo. Empurrando isso pra longe, respirei fundo para tentar aliviar a pressão sobre o meu peito. Parecia que ele estava se fechando em mim. "Vamos, Alexa." De alguma forma, caminhei até a varanda e podia ouvir a televisão ligada lá dentro. Toquei a campainha. O barulho da televisão silenciou e ouvi passos vindos em direção à porta. Eu ia ficar doente. Por alguma razão havia uma pontada dolorosa na minha ferida. A porta se abriu e um homem alto de boa aparência estava diante de mim. Ele era magro com ombros largos, e ele tinha uma cabeça cheia de cabelo preto salpicado generosamente com cinza que contrastava fortemente com seus olhos cinzentos


brilhantes. Ele lembrava muito Edward Holland. Mesmo em roupas baratas, ele parecia irradiar um sentido de classe e dinheiro. Seus traços aliviaram com o choque. "Alexa?" Meus lábios estavam dormentes. De alguma forma eu consegui forçar, "Oi, papai.” "O que você está fazendo aqui?" Ele deu um passo para trás, permitindo-me entrar na pequena sala de estar. Uma porta fechada no lado esquerdo da sala levava para a cozinha. A cozinha levava para um quintal que era enorme em comparação com a casa. Uma outra porta em frente à da entrada principal, dava para um pequeno corredor, que levava para dois pequenos quartos de casal e um banheiro social. Olhei ao redor, atingida por uma onda de memórias. O mobiliário era o mesmo depois de todos esses anos. Fotos de nós como uma família ainda penduradas nas paredes. "Lexie?" Nossos olhos se encontraram. Eu não esperava encontrar a nossa casa... Bem, ainda como a nossa casa. Eu tinha construído essa imagem na minha cabeça do lugar sendo despojado, estéril, apagado por tudo o que ele era. Mas não. Mamãe estava em todos os lugares aqui. Isto tinha momentaneamente me distraído, mas vendo a confusão cautelosa em seu rosto, eu me perguntava se qualquer emoção que ele já mostrou foi realmente real. Ele apontou para o sofá. "Sente-se, Lexie." "Eu prefiro ficar em pé."


"Do que se trata? Eu não vi você desde o funeral de sua mãe e acho que isso é o máximo que você falou comigo em sete anos. O que está acontecendo?" "Eu fui atacada," eu soltei. Meu pai empalideceu. "Atacada?" Eu balancei a cabeça. "Estava saindo do trabalho e um cara me esfaqueou. Ele estava vestindo um capuz e não vi o rosto dele... Nós não o pegamos, mas a polícia está investigando o caso e acho que o ataque pode ter sido premeditado." "Esfaqueada?" Ele tropeçou em direção a mim, com as mãos chegando incertas. Eu vacilei para trás de seu toque e ele congelou. "Quando?" Ele sussurrou. "Algumas semanas atrás." "Algumas semanas atrás? Você não deveria estar em casa se recuperando?" "Eu tinha que lhe ver." "O que era tão urgente–" "A polícia me perguntou se havia alguém na minha vida que tinha um rancor contra mim." Realização se fez em meu pai com o impacto de um chute no estômago. Ele caiu para baixo em sua poltrona e olhou para mim com horror. "Você acha que eu tenho algo a ver com isso?" Eu anulei a culpa a sua reação agitada em mim. "Não. Mas por um breve momento eu achei. Eu perguntava a mim


mesma o que a minha partida fez com a mamãe e o seu relacionamento. Por um momento, pensei sobre o homem que foi capaz de deixar uma mulher morrer e me perguntava se culpar sua filha desleal para o seu próprio bem-estar, poderia torná-lo instável." "Isso é –" "Absurdo, eu sei." Suspirei e me sentei exausta no sofá. "Mas estive deitada em uma cama nestas últimas semanas e não consiguia tirar isso da minha cabeça, que este pensamento sequer passou por ela. Estive protegida e mimada no apartamento de um amigo, com medo do que estava lá fora, mas ainda mais com medo do quão confusa estou sobre você. Então tinha que vir vê-lo." Fez-se silêncio entre nós. Finalmente meu pai limpou a garganta. Sua voz estava grossa. "Eu não sou esse monstro que você fez em sua cabeça." "Não?" Lágrimas ardiam nos meus olhos. "Como você pode deixar uma mulher que tinha um garotinho para cuidar... Como você pode deixá-la morrer? Eu não poderia fazer isso. Eu não poderia viver comigo mesma todos esses anos." Seus próprios olhos estavam brilhantes de lágrimas e eu estava surpresa que ele manteve contato visual comigo. Quando no erro, ou mentindo, ou sendo evasivo, meu pai tinha o hábito de olhar para o chão, ou em qualquer lugar, exceto nos meus olhos. "Eu estava em uma espécie de negação que eu não sabia que existia, Lexie. Lidei com isto desta maneira, porque eu desliguei. Não me permiti pensar nela como a mulher vibrante que ela tinha sido, uma solitária mulher confusa, bonita, que amava o filho dela


mais do que qualquer coisa neste mundo. Mas como eu, ela era fraca e ela podia ser egoísta. Passaram-se muitos anos até que ela começou a me assombrar. Eu não sei o que aconteceu, eu só sei que

as desculpas que

dei para mim

mesmo,

as

razões,

queimaram-se em cinzas na minha boca. Eu não conseguia parar de ver seu rosto. Foi quando tive meu surto, quando eu disse a você e sua mãe. " "Então você sente remorso? Mas não o suficiente para pedir desculpas ao homem que perdeu sua mãe e seu pai em poucos meses um do outro?" Meu pai olhou para o lado, seus dedos afundando em sua poltrona. "Pedir desculpas? Que raio de desculpas que poderia dar-lhe agora? Não aquela que teria importância. Deixei uma mulher morrer, porque estava com medo e eu era fraco." Ele olhou para mim. "Você tem que entrar em acordo com o homem que sou, Alexa. Eu tive que fazer. Não sou um homem perfeito. Longe disso. Eu nunca vou ser. Sou um homem fraco e por um longo tempo eu fui mimado." Lágrimas pingavam em meu queixo. "Diga-me uma coisa. Você amava a minha mãe? A mim?" Sua boca tremia. "Eu amava. Eu amo. Eu só... não nasci para ser um marido e um pai. Eu não sou construído dessa forma." Era a triste verdade terrível, mas lá estava ela. Não havia solução mágica para encontrar um pai que iria cuidar de mim sempre que precisasse dele, cujo amor incondicional iria acalmar a rejeição dos outros, cujo amor por mim sempre excederia seu amor por si mesmo.


Meu pai nunca seria esse tipo de pai. No

entanto,

havia

uma

pequena

satisfação

em

testemunhar a mudança nele desde a última vez que tínhamos falado há sete anos. Havia uma autoconsciência nele que não existia antes, e ele me deu algo para pelo menos saber que ele estava plenamente consciente de suas deficiências. Não foi o suficiente para aliviar a dor, e ele ainda não me deu um pai, ou trouxe a família de Caine de volta para ele. Perguntei-me então, se aquele pequeno buraco dentro de mim nunca iria embora, ou se eu teria que acabar me acostumando com isso, e esperar que um dia eu encontre alguém que iria me distrair do que estava faltando, dando-me um amor que o eclipsou. "Posso lhe servir um chá? Café?" Meu pai perguntou incerto. Sentindo mais dor no meu estômago, eu assenti. "Chá, por favor. E um copo de água. Eu preciso tomar alguns Percocet." De alguma forma, ele se absteve de me dar um olhar de repreensão, percebendo que qualquer advertência paterna não seria bem-vinda dele. A porta no fundo da sala se fechou atrás dele, quando ele desapareceu na cozinha. De repente, exausta, provavelmente devido a um mergulho de adrenalina, eu vasculhei minha bolsa pelo meu telefone. Eu fiz uma careta, enquanto acendia a tela aberta e descobri que tinha dez chamadas não atendidas de Caine. Ele não tinha visto a minha nota?


Suspirei ainda mais exausta com o pensamento de lidar com a sua teimosia. O homem estava muito feliz em me ver sair de sua vida para sempre, contanto que eu tivesse me curado fisicamente primeiro! Idiota. Eu joguei meu celular de volta na bolsa e caí no sofá. Um barulho alto seguido de um baque pesado me fez ficar atenta. "Pai? Você está bem?" Nada. Eu ouvi meu pulso começar acelerar. "Pai?" Eu disse mais alto e levantei cautelosamente, para não dar um puxão em minha lesão. "Pai, você está bem?" Fiz o meu caminho para a porta e a abri apenas para congelar com a visão de meu pai esparramado no chão da cozinha. Eu me movi correndo para ele, só para ser puxada de volta para o sólido calor de um corpo rígido. Braços fortes apertaram ao redor do meu peito. Metal prata passou pela minha visão. Terror e adrenalina passaram por mim e, sem sequer pensar empurrei para trás com toda a minha força, batendo o nosso atacante nos armários atrás de mim. Um grunhido masculino de dor soou e seu aperto afrouxou o suficiente para eu correr longe dele. Meus pés escorregaram no piso de cerâmica quando abri a porta para a sala de estar. Eu me impulsionei para entrar no sala,

apenas

me

pegando

na

mesa

ao

lado.

Fotografias


emolduradas

colidiram

com

vaso

favorito

da

minha

mãe,

quebrando o vidro atrás de mim enquanto corria para a porta da frente. Eu fui parada drasticamente a um metro dela. Dor trouxe lágrimas aos meus olhos, quando ele agarrou o meu cabelo, me puxando para trás. Puxei, gritando em agonia com a pressão no meu couro cabeludo enquanto tentava quebrar seu agarre. Mas já era tarde demais e ele apertou o braço em volta da minha cintura. Cada gota de medo que senti ao longo das últimas semanas fundiu dentro de mim, se transformando de algo frio em fúria. Eu gritei em indignação, puxando meu braço para fora e, em seguida, batendo o cotovelo para o alto atrás de mim. Eu conectei e ouvi um uivo satisfatório de dor enquanto eu me lançava em direção à porta. Não foi o suficiente. Mãos agarraram meu casaco, me arrastando para trás. Eu chutei e gritei, empurrando meus cotovelos para trás, mas ele tomou os golpes, e com uma força que me dominou, ele me atirou ao chão. Choque correu através de mim quando um rosto encapuzado entrou em exibição. Duros olhos escuros cintilavam para mim. Olhos que eu não reconhecia em um rosto que estava envolto por uma máscara de esqui preta. Tudo o que podia ver eram os olhos e os lábios pálidos finos. O nada do seu rosto, o vazio em seu olhar, era aterrorizante.


Eu lutei mais. Senti o gotejar de sangue quente, seguido pelo ferrão queimando de um corte no meu braço. Ele tinha me cortado enquanto lutava com ele. "Sua puta estúpida," sua voz profunda assobiou. Ele soltou um dos meus braços para dirigir o punho para baixo em meu rosto. Fogo se espalhou por todo o meu rosto, picando meu nariz e olhos, me aturdindo momentaneamente. Pisquei o excesso de lágrimas fora, tentando concentrar-me longe da dor para o homem. Eu vi o brilho de metal novamente, desta vez baixando lentamente em minha garganta. "Falhei da última vez. Estúpido, acertando o intestino. Muitas variáveis." Eu não poderia empurrar, ou dar de ombros, por medo que a faca cortasse minha pele. "Quem é você?" Eu tentei pará-lo para que eu pudesse pensar. Pense, Lex, pense, pense, PENSE! "Não teria seria mais fácil uma arma?" Eu chie, surpresa com meus pensamentos e perguntas. Mais do que tudo, mais do que quem ele era ou por que estava fazendo isso, eu não conseguia parar de pensar sobre o fato de que, se ele tivesse usado uma arma desde o início, ele provavelmente teria me matado já.


Lexie, pare! Eu gritei para mim mesma, me sentindo insana. Eu precisava sair dessa, não refletir sobre as razões de meu agressor pela escolha de arma! Os olhos frios do cara de repente brilharam com a emoção. "As pistolas são para os fracos." Ele pressionou para baixo com a lâmina. Um estrondo atrás dele fez a sua cabeça girar em direção à porta da frente. Quando seu rosto inclinou para cima, um enorme punho apareceu, batendo para baixo e empurrando sua cabeça para trás com tanta força que sangue de seu nariz espirrou no meu rosto. Seu peso foi arrancado de cima de mim, e a faca caiu no chão por seu aperto enfraquecido. Incrédula, eu lutava para me levantar, minha mão chegando na minha garganta para sentir o pequeno corte que ele tinha feito... Mas o meu olhar estava no tornado que tinha acabado de entrar na minha casa de infância. Caine. Fúria,

diferente

de

qualquer

coisa

que

eu

tinha

testemunhado antes, emanava de todos os poros do corpo de Caine, enquanto ele agarrava meu agressor pela frente de seu capuz e o erguia tirando seus pés do chão. Ele o bateu contra a parede de fotos tão duro, que sacudiu as fotografias dos ganchos. O agressor empurrou Caine, escorando-o do outro lado da mandíbula. Peguei a faca e tentei ficar de pé.


Olhei para Caine, ignorando a dor no meu estômago, pronta para ajudar se ele precisasse de mim. O punho da faca praticamente derretendo em volta do meu aperto com o calor das minhas emoções. Caine lançou outro soco, desta vez no estômago do agressor, e ele ficou sem fôlego. Quando a cabeça do agressor curvou, Caine levou seu joelho para cima e forçou o nariz do cara para se conectar com ele. Eu ouvi um estalo e a som agonizante que causou. De lá, assisti com horror, Caine bater no homem. Ele deu vários socos nele, até que não poderia mais ficar em pé, e uma vez que ele estava no chão, arrancou a máscara, revelando o rosto ensanguentado de um estranho. Caine lhe deu um soco. E depois outro. E outro. "Caine," eu sussurrei, querendo que ele parasse. "Caine pare!" Corri até ele e sem pensar em sua reação, coloquei a mão em seu ombro. Meu toque o deteve, no entanto, e ele olhou para mim. As lágrimas saltaram aos meus olhos com o medo gritante que vi misturando-se com a sua fúria. Por mim. "Ele está incapacitado," eu disse suavemente. Caine se voltou para o homem que estava fazendo borbulhantes, sufocados ruídos na parte de trás de sua garganta.


Ele tossiu, e seus lábios separaram levemente, e uma bolha de sangue apareceu entre eles. "Quem é você?" Perguntou Caine. Ele gemeu e balançou a cabeça. Eu segurei a faca para Caine. Ele pegou e inverteu o jogo contra o filho da puta. Caine apertou-a contra a garganta e repetiu: "Quem diabos é você?" Quando não obteve resposta Caine pressionou com mais força e sangue começou a colorir a borda da lâmina. "Eu não acho que você percebe o quanto eu quero lhe matar. E eu vou. É chamado de autodefesa e tenho muito dinheiro para os advogados figurões fazerem o júri ver isso do meu jeito." Nada ainda. Caine se abaixou seu nariz quase tocando o homem. "Você tocou a minha mulher," disse ele, sua voz gutural com sua raiva. "Estou ansioso para lhe mandar direto para o inferno, seu pedaço de merda. Eu não estou blefando." "O.k. –" O agressor tossiu, levantando um braço que caiu mole antes que estivesse mesmo alguns centímetros do chão. "Matt... hew... Hall... Holland. Me... Contratou." Meus joelhos se dobraram e Caine se virou a tempo de assistir eu cair no chão, com choque em seus olhos pela revelação. "Lex!" Ele soltou o agressor e veio para mim enquanto eu engatinhava tentando recuperar o fôlego. Sua mão deslizou pelo meu cabelo se enrolando ao redor da minha nuca. "Baby..."


Meu meio-irmão? Alguém que eu nunca sequer conheci tinha contratado alguém para me matar? Náusea subiu dentro de mim. Eu empurrei Caine para longe a tempo, enquanto vomitava a bile no piso de madeira envernizada de minha mãe. Meu cabelo foi puxado para trás do meu rosto e o calor de Caine me envolveu. Eu empurrei minha cabeça ao perceber que a sua atenção não estava em nosso agressor. Nós olhamos para o criminoso ensanguentado para ver que ele tinha lutado até uma posição sentada, mas ele estava olhando, através de seu único olho que não estava completamente fechado, em direção à porta da cozinha. Em uníssono Caine e eu giramos para seguir seu olhar. Meu pai estava na porta, o sangue escorrendo pela testa, e ele tinha uma espingarda apontada para o nosso agressor. "Não se preocupe," disse ele com a voz rouca. "Esse desgraçado não vai a lugar nenhum." Garantido que meu pai tinha o controle das coisas, Caine timidamente tocou no meu braço. "Lex, você está sangrando. Você precisa de uma ambulância." Ele enrolou o braço em volta de mim protetoramente e inclinei minha cabeça em seu ombro. "Estou bem. Vamos chamar a polícia para vir e prender este pedaço de merda. Mas eles podem querer enviar uma ambulância para ele." Eu olhei para ele para ver que seus olhos ainda estavam treinados sobre meu pai. Eu zombei do medo que


eu via nele. Apenas um valentĂŁo com uma faca brilhante. "Eu aposto que vocĂŞ estĂĄ repensando essa arma agora, hein?"


Capítulo 31 No Valley, um hospital local, eles deram pontos no meu braço, com Caine e meu pai pairando sobre mim. Meu pai tinha uma concussão menor, mas tirando isso, e por estar um pouco abalado, ele estava bem. Tanto ele quanto Caine estavam ignorando o elefante gigante no quarto e me usando como desculpa para fazer isso. "Eu estou bem," assegurei-lhes pela centésima vez. Eu tinha um corte no meu braço, um nariz e olho inchado, e meu estômago estava queimando, mas nada disso importava em relação ao meu estado emocional. A polícia tinha tomado nossos depoimentos. Caine estava ali em sua camisa manchada de sangue e nos disse que ele pegou um avião para Chester logo que viu o meu bilhete e foi por isso que tinha chegado tão pouco tempo depois de mim. Dissemos a eles tudo sobre o meu ataque anterior, e os oficiais contataram o DP de Boston para verificar a nossa história. Fomos informados que teríamos de esperar um pouco mais, e isso se transformou em longas horas. Eu estava desesperada para ir para minha casa, em Boston. Eu nunca tinha sentido tal cansaço, e queria um lugar tranquilo para que pudesse processar a violência e o absurdo aterrorizante do que tinha acontecido comigo. Embora houvesse momentos que pensei sobre Caine estando em um mesmo quarto com meu pai e este lhe pedindo desculpas e de alguma forma tudo se resolvesse magicamente, a


realidade era muito diferente. Uma onda de protecionismo por Caine aumentou dentro de mim. Eu não queria que ele tivesse que estar na mesma sala com o homem que destruiu sua família. Foi difícil, porém, porque eu também estava grata ao meu pai por estar lá hoje e por estar no comando de uma maneira que nunca tinha visto antes. Nesse momento, ele me lembrou muito do vovô. "Senhorita

Holland?"

Os

policiais

que

nos

haviam

questionado, sargento Garry e o sargento Tailor, chamaram da sala privada, assim que saí da ala de emergência. "Olá." Eu balancei a cabeça, cansada em saudação. "Você está bem?" Perguntou Garry. Ele era um grande brutamonte, com traços rígidos e olhos bondosos. Seu parceiro, ao contrário, era apenas uns centímetros mais alto do que eu, magro e usava um olhar permanente de desconfiança. "Sim."

Tentei

controlar

a

impaciência

que

estava

sentindo. "Ele confessou, não foi?" "Oh, ele estava desesperado para falar," Tailor respondeu. "Quer fazer um acordo." "Então?" Garry deu mais um passo em minha direção, compaixão estampado em seu rosto. "O nome do agressor é Vernon Holts. Ele tem uma ficha de um quilômetro de comprimento desde pequenos furtos à agressão. Durante uma busca em sua casa, eles encontraram uma coleção de armas em massa." Ele me deu um olhar aguçado. "Facas, espadas... qualquer coisa com lâmina." "É uma surpresa," eu murmurei.


A mão de Caine deslizou para as minhas. "Ele disse que foi contratado para matá-la por um tal de Matthew Holland. Holt afirma que este homem é o seu meioirmão." "Ele é." Eu tentei envolver minha cabeça em torno da revelação. Era muito surreal. Como se estivesse do lado de fora, vendo um filme sobre mim. "Mas eu não entendo..." Eu procurei o rosto de Caine para obter respostas. "O artigo sobre mim saiu após o ataque. Como Matthew sabia sobre mim?" "Talvez ele tenha descoberto de alguma outra forma," Caine ponderou. "Isso ainda não explica por que ele queria me machucar." Olhei para o meu pai, que estava de pé silenciosamente no canto. "Você sabe por quê?" Ele balançou a cabeça, parecendo perdido. "Eu não tenho falado com Matthew em anos..." "A culpa é minha." A voz do meu avô me assustou, me fazendo pular. Meu coração começou a bater com a visão dele entrando na sala. "O que você está fazendo aqui?" Ele deu um passo em minha direção, e os oficiais o observavam com cautela. Ele estava pálido, sua expressão cruel. "Caine me chamou. Peguei o primeiro avião." Ele procurou ansiosamente meu rosto. "Por favor, me diga que você está bem." "Eu vou ficar bem," eu disse. "Agora, o que você quer dizer que a culpa é sua?"


"Eu mudei meu testamento." Seus ombros caíram com culpa e ele enfrentou os oficiais. "Eu sou Edward Holland. Sou avô de Alexa e Matthew." Ele voltou sua atenção para mim. "Era hora de fazer algo direito e nem sempre colocar a família Holland à frente de todo o resto. Eu estava orgulhoso de você... e me senti impotente por não ser capaz de cuidar de você como uma família deveria. Matthew nunca saberia o que é ter um dia árduo de trabalho caso morresse," disse ele com veneno. "Então, eu mudei meu testamento. Matthew teve todas as vantagens na vida entregue a ele e como resultado se tornou uma criança mimada. No caso da minha morte e da minha esposa, você ficaria com sessenta e cinco por cento dos nossos bens. Eu não sabia que Matthew tinha feito um acordo com o meu advogado, que incluía informar Matthew se eu mudasse a minha vontade. Descobri ontem, durante uma discussão de família... sobre Alexa. O bastardo deixou escapar." Horrorizada, eu não conseguia nem falar. "Senhor." Sargento Garry caminhou na direção do vovô. "Você está dizendo que o motivo por trás do ataque de Matthew Holland à sua neta é uma disputa de herança?" "Uma disputa de herança." Eu ri amargamente. "Ele contratou um pistoleiro para me matar por causa de dinheiro." Olhei para o meu pai. "Dinheiro. É tão fodidamente tóxico." "Vernon Holts não é um assassino de aluguel," Tailor nos informou. Olhei para ele em confusão. "Ele afirma que conheceu Holland em um bar numa noite, e ele se gabou para Holland sobre seus crimes de assalto e sua habilidade com facas. Holland ofereceu a Holts cem mil para matá-la."


"Mas Holland não fez qualquer investigação sobre esse cara." Garry balançou a cabeça em desgosto. "A ficha de Holts mostra que ele teve três ordens de restrição contra ele nos últimos seis anos após assediar mulheres. Conversando com ele..." Seus olhos estavam sérios em mim. "Ele admite que Holland pediu-lhe para parar após o primeiro ataque ter falhado. Holts recusou. Parece que o dinheiro tornou-se secundário comparado na atração de sua presa." "Ele ficou obcecado por Alexa," a voz de Caine rosnou de cima de mim. "Nós acreditamos que sim." Tailor assentiu. "Holts tem estado muito próximo. Ele admite ter seguido Alexa do hospital para o apartamento do Sr. Carraway e vigiar a propriedade desde então. Com a declaração dele e de seu avô, o DP de Boston deve ser capaz de obter um mandado para prender Matthew Holland enquanto eles investigam." "Se eles vão encontrar provas suficientes contra ele para fundamentar as alegações do Holts é outra coisa," acrescentou Caine, impaciente. Gelei com o pensamento, percebendo o que queria dizer. "Matthew fica impune se não conseguirem encontrar provas materiais para prenderem ele?" "É possível," disse Garry, sua voz cheia de pesar. "No entanto, Holts admitiu-se culpado. Estamos transferindo-o para Boston, e os oficiais sobre o caso vão assumir." Eu balancei a cabeça, atordoada. "Obrigado pela ajuda."


Quando eles foram embora, Caine contornou a cama para agarrar meus braços. "Alexa, tudo vai dar certo." Eu zombei. "Como? É como assistir a um filme de merda, enquanto estou presa à cadeira e o controle remoto está totalmente do outro lado da sala." Me inclinei para ele um pouco. "Meu meio-irmão contratou um ex-vigarista louco para me matar. Você sabe quão insano é isso?" "Sim, eu sei." Seus olhos brilhavam com raiva. "Eu conheço o quanto as pessoas estão dispostas a ir longe por dinheiro. Tenho sido uma vítima disso, e fui uma vítima por isso. Você está em um quarto com duas outras pessoas que também foram." "É por isso que eu não queria isso," eu disse com minha voz rouca. "Alexa, eu sinto muito," disse meu avô. Olhei por cima do ombro de Caine para ele. "Eu sei que você nunca quis dizer nada... Sei que você estava apenas tentando compensar... mas me tire de seu testamento imediatamente. Prometa-me." Lágrimas brilharam em seus olhos, ele assentiu com a cabeça. "Eu sinto muito, eu causei isso." "Não." Eu balancei a cabeça. "Nem pense nisso." "Ela está certa," disse Caine. "Você teve as melhores intenções em seu coração. Matthew e Holts são os únicos culpados aqui."


Eu poderia dizer que o vovô não estava muito convencido, e a culpa ainda visível em seus olhos, mas ele balançou a cabeça com gratidão a Caine. "Os pecados do pai," meu pai, de repente disse na sua voz calma, assombrada. Todos nós olhamos para ele. Ele parecia destruído. "Alguns de nós estão destinados a repetir os erros dos nossos pais." "Alistair," vovô disse rispidamente. "Você cometeu seus erros, grandes merdas, mas você nunca, deliberadamente, tentou fazer algo tão–" "Uma mulher morreu de qualquer maneira." Os músculos da mandíbula de Caine se contraíram, enquanto ele olhava para o meu pai como se ele estivesse olhando para o inferno. "Caine," eu sussurrei incerta, meu coração partido por ele. "Eu não vou pedir desculpas." Meu pai encontrou o olhar duro de Caine. "Porque sei que não é o que você quer de mim. O que você quer nunca poderei dar. Eu... eu desejaria que pudesse." O silêncio como resposta era tão afiado e doloroso que quase não conseguia respirar nele. Então... Caine deu a meu pai um pequeno aceno quase imperceptível.


Meu pai, à beira das lágrimas, olhou para mim. "Vou deixar vocês dois sozinhos, mas imagino que vamos nos ver em breve. Eu sinto muito que isso aconteceu com você, Alexa." De alguma forma, eu consegui falar em torno do sentimento estrangulado em minha garganta. "Obrigada por estar lá hoje." Ele me deu um sorriso triste. "Sua mãe teria me matado se eu deixasse algo acontecer com você." "Sério?" Ele

pareceu

surpreso

com

a

incerteza

na

minha

pergunta. "Sim. Você sabe que ela sentiu sua falta todos os dias." As lágrimas rolaram pelo meu rosto antes que pudesse detê-las e enterrei meu queixo no meu ombro, na tentativa de esconder a minha reação. Caine, no entanto, não perdeu isso. Seus braços fortes se fecharam em volta de mim, me puxando para tão perto que não tinha opção, senão envolver meus braços em torno dele. Enterrando meu rosto em seu peito, eu deixei os soluços subirem do meu peito, e chorei por tudo. Por Caine, pelos nossos pais, por Matthew e o agressor Vernon, e pela percepção de que às vezes o amor realmente poderia estar muito quebrado para corrigir, e que você não poderia ter um feliz para sempre com todos. Mas, enquanto Caine beijava meu cabelo e sussurrava suaves palavras amáveis em meus ouvidos, eu estava amenizada pelo conhecimento de que eu não precisava de um feliz para sempre com todo mundo... Apenas com uma pessoa. "Eu te amo," botei pra fora contra o seu peito quente.


Em resposta, Caine gentilmente me afastou apenas o suficiente para que pudesse olhar para o meu rosto. Eu estava manchada de lágrimas, com a cara inchada, e esgotada. Eu estava uma bagunça. Mas ele olhou para mim como se fosse à única no quarto, e como se eu fosse a coisa mais linda que ele já tinha visto. Sua voz estava rouca enquanto ele confessou, "Eu também te amo.” Meus braços se apertaram em reflexo ao redor dele, e uma renovada determinação pulsava em minhas veias. "Vamos para casa para que possamos descansar. Nós temos um par de bastardos para lidar, e que precisam de uma lição de boas maneiras." Diversão ondulou os cantos da boca de Caine. "Aqui está ela," ele murmurou com satisfação.


Capítulo 32 Parecia que tinham se passado horas antes de sermos autorizados a ir para casa. Uma vez que pusemos os pés em Boston, fomos empurrados até a delegacia de polícia, onde tivemos que responder a todas as mesmas perguntas mais uma vez. No momento em que um táxi nos deixou no apartamento de Caine, eu estava morta. Caine praticamente me carregou para sua cama no andar de cima. Quando eu desabei nela, ele cansado, mas pacientemente começou a tirar minhas botas e jeans. Consegui tirar a minha jaqueta e jogá-la no chão, enquanto Caine puxava as cobertas para que pudesse deslizar sob minhas pernas. A última coisa que eu me lembrava era de Caine ficando ao meu lado e gentilmente me puxando para seus braços. Na manhã seguinte, a luz do sol espreitou através das cortinas e me acordou. Eu estava esparramada em Caine, inconscientemente, sem me importar com a minha lesão, minha cabeça descansando em seu peito nu. Meu braço estava em volta do seu peito e ombro, e seus dedos estavam desenhando pequenos círculos suaves no meu bíceps direito. "Você está acordado," eu disse, as palavras saindo roucas.


Sua outra mão deslizou pelas minhas costas até o meu quadril. "Sim." Levantei-me de cima dele o suficiente para olhar para ele, e o avaliei cuidadosamente. Tendo ouvido isso em sua voz, não fiquei surpresa ao ver a cautela em sua expressão. Meu estômago revirou inquieto. "Por favor, não." Ele apertou meu quadril, entendendo sem ter que perguntar. "Eu não vou. Só quero ter certeza de que você saiba exatamente no que está se metendo aqui comigo." "Estou conseguindo o que mereço," eu disse, e quis dizer cada palavra. "E você também." Caine se moveu lentamente, me aliviando em minhas costas para que ele pudesse apoiar-se sobre mim. Seu olhar se moveu sobre o meu rosto, e todos os sentimentos que ele tinha por mim brilhava em seus olhos. Isso mexeu tanto comigo, que fiquei sem fôlego. "Você não entende?" Ele disse, sua voz rouca de emoção. "Eu nunca conheci alguém como você antes. Não há ninguém como você. Eu continuo esperando não me sentir assim, porque há momentos em que não posso suportar isso. Me importar tanto. Preocupo-me tanto com você, com o seu dia a dia, mesmo antes do ataque. Eu te amo pra caralho. E às vezes... Sinto-me consumido por isso. Griff e Don me ligaram assim que você deixou o prédio ontem, e eu senti isso. Esse pânico. Como o pânico que senti quando você desmaiou nos meus braços e vi o sangue. Senti como se estivesse sendo dilacerado. Eu não saberia como sobreviver se algo acontecesse com você."


"Caine," eu sussurrei, oprimida por sua confissão, mas aliviada também. Fiquei aliviada ao saber que eu não era a única aqui que sentia tão profundamente, tão fortemente. "Voltei para o apartamento, e vi seu bilhete, então liguei para todo mundo que pensei que poderia me ajudar a conseguir um voo privado para Connecticut, porque eu estava aterrorizado com o que podia acontecer com você. Mas também porque" – a sua voz ficou ainda mais rouca – "quando você me pediu para ficar longe de você em seu bilhete, eu finalmente percebi. Você quis dizer isso. Você não tentaria mais. E eu ficaria sem chances, e percebi que a noite anterior seria a última vez que veria você. E eu não poderia... O tempo todo no avião... fiquei pensando se pudesse chegar até você, eu diria a você que lhe amava e conseguiria ficar com você. Eu sou tão egoísta." "Você não é egoísta." "Eu sou... e todas as manhãs vou acordar me sentindo assim." "Assim como?" "Como se eu estivesse traindo de alguma forma. Como se eu tivesse lhe roubado alguma coisa." Estendi a mão para suavizar suas linhas de expressão. "Não vamos mais falar como se você não me merecesse." "Mas eu não mereço." Não precisava ser um psicólogo para perceber que os temores de Caine sobre sua autoestima veio de abandono, a sua vergonha com o que a sua ambição o levou a fazer, e as mulheres que o tinham usado. Ele era uma mistura complexa de confiança


e inseguranças. Eu não sabia se ele podia trabalhar por essas inseguranças, mas ia fazer o meu melhor para ajudá-lo a tentar. "Eu também não quero cometer os mesmos erros que meu pai cometeu." "O que você quer dizer?" "Ele amava a minha mãe além de qualquer outra coisa. Ele a amava pra caramba, que ele tinha a envolvido e protegido em seu mundo. Ele a amava tanto que não podia além do fato que a mulher que ele amava estava desesperada para ser livre. Ela queria mais. Ela queria se aventurar." Luz raiou. Finalmente cheguei ao verdadeiro cerne do seu problema. Colocando seu rosto em minhas mãos, eu derramei cada gota de sentimento no que eu estava prestes a dizer para que ele nunca duvidasse das minhas palavras. "Eu não sou sua mãe. Não estou querendo outra coisa na vida. Eu não estou procurando por mais. Não estou procurando uma grande aventura. Eu não estou procurando, porque eu já achei. Você é o meu mais. Você é a minha grande aventura." Caine olhou para mim com admiração. "Eu não posso acreditar que depois de tudo que a fiz passar, você ainda esteja aqui." "Você veio para mim," eu sussurrei, tentando não ser embargada novamente. "Mesmo que isso significasse se encontrar com o meu pai, você me seguiu para me proteger. Isso significa tudo para mim. Você salvou minha vida."


Seus próprios olhos estavam brilhantes de emoção e sua voz estava rouca quando ele prometeu, "Eu sempre vou lhe proteger." "Não é justo," eu respirei pesadamente contra o amor e desejo agora pulsando através de meu corpo. "Não podemos ter sexo ainda até que esta ferida estúpida esteja curada, e eu realmente sinto que este é um daqueles momentos em que o sexo intenso é aplicável." "A antecipação é tudo." Ele riu, relaxando suas costas e me puxando para o seu lado. "Aquelas primeiras semanas trabalhando com você, foram as melhores preliminares da minha vida. No momento em que tive você nua na minha mesa, estava mais duro do que já estive." Eu ri. "Aquele foi realmente um muito bom sexo." "Foi." "Vou sentir falta dessa mesa." Caine ficou tenso. "O que você quer dizer?" Eu o acalmei, acariciando a minha mão sobre o seu abdômen.

"Se

nós

estamos

em

um

relacionamento

sério,

comprometido agora, não há nenhuma maneira que estarei trabalhando para você. Vou ter de encontrar outro emprego." "Mas não mais em Paris?" Dei um doce beijo em sua barriga. "Não há mais Paris." Eu suspirei. "Tenho alguns e-mails para enviar." "Nós dois temos muito o que fazer... então vamos aproveitar os próximos trinta minutos de paz e tranquilidade."


Eu me aconcheguei nele. "Agora, posso fazer isso muito feliz." Dizer que a família Holland foi destruída pela prisão de Matthew Holland era um eufemismo. Meus advogados de defesa estavam tentando construir um caso contra o meu meio-irmão, enquanto ele estava em liberdade sob fiança. Ele tinha sido socorrido pela família de sua mãe. Todos eles acreditavam firmemente em seus lamentos de negação, mas o meu avô, embora se recusando a comentar na mídia, tinha tomado o meu lado e o cortou para fora de sua vida e testamento. Minha avó era um osso mais difícil de quebrar. Vovô disse que ela acreditou nele quando disse que Matthew havia subornado o advogado de vovô para saber sobre as alterações de seu testamento, mas ela não conseguia decidir se acreditava que ele era capaz de algo tão desprezível como tentar me assassinar. O júri foi com ela até que encontrasse provas concretas contra Matthew. Infelizmente não havia nenhuma prova concreta ainda para ligá-lo ao caso, mas a polícia estava trabalhando nisso. Ele não tinha pagado Holts em dinheiro, mas em joias, então, eles estavam tentando ligar as peças que foram penhoradas por Holts, à Matthew ou alguém ligado a ele. Eu realmente acreditava que Matthew Holland era um idiota mimado que estava vivendo até agora em sua própria terra da fantasia, na qual ele impetuosamente contratou um homem para se livrar da pessoa que estava em seu caminho para tirar-lhe toda a riqueza dos seus sonhos. Eu me perguntava se ele nunca tinha pensado em mim como um ser humano, até que o ataque de


Holts deu errado, e depois foi forçado a parar e ver o que ele tinha feito. Estúpido, ingênuo e ligeiramente apavorado, ele tinha perdido o controle de Holts e todo o esquema. Eu não achava que teria nada com que se preocupar em relação a minha segurança futura em torno de Matthew. Holts, no entanto,

era um negócio completamente

diferente. Me senti muito mais segura sabendo que Vernon Holts estava na prisão e, se meus advogados tinham algo a dizer sobre isso, ficaria lá por um longo tempo. Esse conhecimento permitiume concentrar e começar a colocar os pedaços da minha nova vida juntos. Entrei em contato com Renée e Antoine para dizer-lhes que não aceitaria o trabalho. Pedi desculpas por incomodá-los, e eles foram incrivelmente compreensíveis sobre toda a coisa. Eu fui à procura de um emprego em Boston, como gestora de eventos. As últimas semanas não tinham trazido nada que soava atraente financeiramente, e estava começando a me perguntar se esta mudança de carreira significava partir do zero novamente. Passado três semanas, Caine sugeriu a mesma coisa que Charlie me falou no jogo dos Red Sox – que eu deveria começar a minha própria empresa de planejamento de eventos. A ideia de criar minha própria empresa, no entanto, não me animava como animava a Caine. Tudo que eu podia imaginar era constantemente trazendo meu trabalho para casa, e eu não queria isso. Eu entendia o que era ter o trabalho derramado na vida pessoal, mas não queria que todo o meu mundo girasse em torno de meu negócio. Isso não era eu. E eu não podia nem imaginar Caine e eu


sem tempo para nos vermos, se tivessemos que dirigir nossas próprias empresas. Quando disse isso, ele foi rápido a concordar que eu deveria procurar me juntar a companhia de outra pessoa. Para me ajudar com isso, ele estava usando suas próprias conexões, para ver se havia algumas posições abertas na indústria. Enquanto isso, ele manteve sua oferta sobre a mesa, para eu continuar a trabalhar com ele se não conseguisse encontrar nada. O que não tinha sido em cima da mesa, foi o sexo. Na sexta semana de minha recuperação, embora sob o peso do estresse do processo contra Matthew e Holts, e encontrar um

novo

emprego,

eu

estava

me

sentindo

muito

melhor

fisicamente. Algo que eu continuava tentando explicar a Caine. Mesmo ele insistindo que eu ficasse em seu apartamento durante toda a minha recuperação, ele ainda era muito cuidadoso comigo. Fui tratada com deliciosos beijos e carícias suaves, mas nada mais. Após o beijo, ele me liberava e sussurrava, "Em breve," no meu ouvido. Bem, eu estava ficando cansada do "em breve." Queria agora. Quando tentava empurrar o assunto, ele ficava severo comigo e me dizia para ser paciente, que era importante fazer uma recuperação completa. Claro que Caine deveria ter percebido que dizer o que fazer para mim, fora do escritório, não era uma boa ideia. Minha resposta foi voltar para o meu apartamento e me estabelecer lá. Tive que admitir que sentia falta do meu lugar. Eu amava a casa


de Caine, mas apenas porque era onde ele estava, e amava a sua vista. Nada superava a vista. Ou o fato de que Effie estava apenas no final do corredor. Mas o meu apartamentor era um lar também. E estava recuperada, então era hora de voltar pra casa. Mandei uma mensagem para Caine enquanto ele estava no trabalho. Só queria que você soubesse que fui para o meu apartamento. É hora de voltar para o ritmo das coisas. Obrigada por tudo, Colega de Quarto. Te amo. Meia hora mais tarde, ele respondeu. Eu já lhe disse ultimamente como você é teimosa? Ok. Estarei lá depois do trabalho. Ele só não pode ficar longe. Eu sorri, atordoada com sua resposta, e me perguntei se esse sentimento jamais iria embora. Eu estava menos risonha quando ele apareceu tarde naquela noite, exausto por um dia de viagem a Nova York, e caiu na minha cama. Fiquei olhando para ele sentindo um misto de ternura e de desapontamento. Hoje à noite era para ser à noite em que finalmente faríamos sexo depois de todas estas semanas. Eu não sabia quanto à Caine, mas eu estava além de frustrada. Ele parecia tão cansado, apesar de tudo. Eu acariciava seu cabelo para trás de seu rosto e me perguntava se poderíamos manter o nosso padrão em torno de sua carreira. Fizemos um bom trabalho em achar tempo um para o outro – Caine fazia um trabalho maravilhoso certificando-se em passar um tempo comigo,


apesar de sua agenda lotada. Eu tinha meus dedos cruzados pra que nunca perdêssemos essa consideração um com o outro. E o sexo... Bem, a gente só treria que ser criativo. Eu sorri em antecipação enquanto caminhava para o meu lado da cama e programei meu alarme bem baixinho para que ele me acordasse, mas não a Caine. Tinha um plano muito mais prazeroso para acordá-lo... Nu da cabeça aos pés, eu montei Caine enquanto ele ainda estava na terra dos sonhos. Era início da manhã, o sol tinha acabado de apontar, e eu pretendia fazer algo mais do que dizer Bom Dia. Eu sorri para mim mesma, o desejo formigando entre as minhas pernas, enquanto empurrava suavemente a bainha da camiseta de Caine até revelar o seu abdômen. Eu acariciava sua pele levemente com a ponta dos dedos e observava seu abdômen. Empurrei a camiseta para cima, tanto quanto podia e inclinei para lamber seu mamilo. De lá, lambi o outro, raspando meus dentes levemente sobre eles, antes de me mudar para baixo, roçando meus lábios sobre sua pele, inalando o cheiro familiar dele, provando-o. Seu pau cresceu duro contra a minha bunda. Bingo. Olhando para ele, vi que seus olhos ainda estavam fechados, mas a cor foi crescendo em seu rosto e ele estava se movendo um pouco inquieto embaixo de mim. Sentindo-me travessa e má, esfreguei minha bunda sobre sua ereção enquanto me movia para baixo, e tive que apertar os olhos fechados contra a luxúria que passou por mim ao sentir sua


ereção entre minhas pernas. Eu lutei por paciência, resistindo à vontade de acordá-lo, puxar para baixo sua calça do pijama, e o deslizar para dentro de mim. Em vez disso, puxei para baixo as calças e cuecas para que seu pênis saltasse livre. Levei-o em minha boca, ficando cada vez mais molhada com os gemidos que saiam dele. Por alguns segundos eu brinquei com ele, correndo minha língua para baixo na parte inferior antes de lambê-lo ao redor da ponta sensível. Caine começou a empurrar os quadris para cima, forçando-o mais para dentro da minha boca. Eu chupei duro. "Lexie," ouvi seu suspiro surpreso, e olhei para ele por debaixo dos meus cílios. Caine estava acordado agora e lutando contra mim. "Lex." Ele despertou de seu sono, sua voz era tão excitante. "Baby..." Eu continuei a sugá-lo enquanto meu punho bombeava a base de sua ereção. Sua respiração tornou-se irregular, suas coxas estavam rígidas, e eu sabia que ele estava perto. Levei-o quase até a borda e em seguida liberei antes que chegasse lá. "Lexie," ele gemeu, sua cabeça se jogando de volta no travesseiro, "você está tentando me matar?" "Absolutamente não." Eu sorri enquanto me abaixei para tirar sua calça. Ele ajudou e então rapidamente tirou a camiseta enquanto eu rastejava de volta para cima do seu corpo. "Tem certeza de que você está pronta para isso?" Seus olhos estavam na cicatriz rosa do meu estômago. Não era enorme, mas estava lá. Lembrando-nos. Os braços de Caine vieram ao meu


redor, me puxando contra seu peito. Suas mãos acariciavam minhas costas nuas, com os olhos cheios de desejo e ternura. "Podemos esperar." Balancei a cabeça e me inclinei para roçar meus lábios nos dele. "Estou cansada de esperar." Beijei-o com todo o amor feroz e necessitado que tinha dentro de mim. Minha língua dançou com a sua em um beijo profundo e viciante, enquanto nos apertávamos um contra o outro. Caine quebrou o beijo para seguir seu caminho com a boca em meu pescoço. Minha respiração ofegante, meus quadris empurrando contra seu pênis enquanto beijava o seu caminho até os meus seios. Quando ele passou os lábios em volta do meu mamilo, eu perdi todo o controle. Eu fiquei de joelhos, coloquei minha mão em torno dele, e o guiei a minha entrada. Abaixei-me sobre ele e nós ofegávamos enquanto ele deslizava dentro de mim. A espessura esmagadora dele me tirou o fôlego por um momento e nós dois nos detemos até que meu corpo se adaptasse e pudesse aceitá-lo. Suspirei quando me puxei para cima dele um pouco e recuei. Prazer me percorreu. Caine agarrou a parte de trás da minha cabeça e puxou minha boca de volta a sua, beijando-me com uma voracidade que infiltrou em mim – eu não podia obter o suficiente dele. Comecei a montá-lo duro. "Devagar, baby," ele tentou persuadir por meio de um gemido, aparentemente, ainda preocupado com a minha lesão.


"Não," eu ofeguei, meus braços apertados ao redor de seus ombros enquanto fodia ele com todo o desespero que tinha estado dentro de mim por semanas. Nós dois gozamos rápido e duro, o pulsar doloroso do meu clímax em torno de seu pênis, trouxe seu próprio orgasmo. Entrei em colapso em seus braços, meu rosto enterrado em seu pescoço. Eu de alguma forma consegui mover minhas pernas lânguidas para que enrolassem confortavelmente em torno de seus quadris enquanto estava sentada em seu colo. Ele se contorceu dentro de mim no movimento e eu sorri. "Segunda rodada?" Ele beijou meu ombro. "Vou precisar de um minuto," disse ele, sua voz cheia de humor. "E, em seguida, a segunda rodada?" Caine sacudiu com o riso. "Sim. E, em seguida, a segunda rodada." Ele gentilmente enfiou os dedos pelo meu cabelo para apertar a minha nuca. Trouxe a minha cabeça para trás e olhei para seu rosto bonito, com meu olhar de pálpebras baixa de satisfação. Algo brilhou em seus olhos ao ver os meus. "Foda-se, sim, segunda rodada," disse ele, "mas desta vez eu estou no comando." Não muito tempo depois Caine me segurou para baixo, minhas mãos ao lado da minha cabeça enquanto ele deslizava dentro de mim, e foi tudo com tanta ternura, que trouxe lágrimas aos meus olhos. Ele segurou o meu olhar quando empurrou gentilmente, tomando seu tempo para atiçar a chama. Foi intenso e comovente e muito mais do que tínhamos tido antes. Agora eu


sabia enquanto ele olhava para o meu rosto, enquanto fazia amor comigo... Eu sabia o que estava por trás de seus olhos. Sabia, porque enquanto ele me empurrou lentamente em direção clímax, ele me disse. "Eu amo você, Lex," ele disse, sua voz áspera com paixão. "Eu amo tanto você, baby." As lágrimas escaparam antes que eu pudesse detê-las. "Eu também te amo." Ele soltou uma das minhas mãos para esfregar o polegar sobre meu rosto onde a mancha da lagrima correu. A visão de minhas lágrimas pareceu atiçar as chamas de urgência dentro dele e ele começou a bombear em mim mais rápido. "Oh Deus." Eu queria tocá-lo, mas Caine sabia que seu controle sobre mim, aumentava o meu prazer. "Baby!" Meus gritos encheram o quarto, combinando com seus gemidos enquanto ele me fodia mais duro. A tensão dentro de mim estalou e gritei quando um orgasmo impressionante rasgou através de mim. Logo em seguida do meu orgasmo, os quadris de Caine acalmaram e depois empurrou mais uma vez, quando seu próprio clímax estourou. Eu acariciava suas maravilhosas costas calmamente. "Eu nunca estive tão feliz," eu sussurrei, com um pouco de medo disto. Caine deve ter sentido meu medo, porque ele beijou meu pescoço, apertou seus braços em mim, e disse, "Eu também não. Mas vamos nos acostumar com isso."


"Promete?" Ele levantou a cabeça para encontrar o meu olhar. "Não, porque pensando bem, não quero me acostumar com isso. Se você se acostumar com isto–" "Você se esquece de ser grato por isso," eu terminei. Ele balançou a cabeça lentamente. "Sim." Pensei sobre as dificuldades do começo de nossas vidas, é claro mais da vida de Caine do que da minha. E pensei sobre nossas últimas semanas árduas, mais minha do que de Caine. Esfreguei meu polegar sobre seu lábio inferior. "Eu não acho que vamos esquecer de agradecer." "Não. Eu suponho que não vamos." Mais tarde naquele dia, enquanto Caine estava no trabalho, recebi um telefonema do meu pai. Não foi a conversa mais fácil, e não tinha certeza se alguma vez seria fácil entre nós. Meu pai estaria na minha vida durante o meu caso contra Matthew e Holts no tribunal, porque ele era, obviamente, uma testemunha muito importante. Mas não houve promessas de qualquer um de nós que haveria um futuro nas cartas. Honestamente, parecia quase impossível com Caine entre nós. Eu tinha que me perguntar, mesmo se eu quisesse meu pai de volta na minha vida, eu tentaria dar um lugar para ele? Ou eu escolheria Caine à ele? Eu não tinha certeza do que seria a resposta, mas estava atordoada e um pouco desconcertada com a pequena voz dentro de mim que sussurrava que eu sempre escolheria Caine.


E então percebi que não era bem verdade. Eu

acho

que

escolheria

Caine

sempre...

Mas

se

tivéssemos filhos, eles sempre viriam em primeiro lugar. Eu também conhecia o suficiente o homem que amava para saber que ele se sentiria da mesma maneira. Mesmo que muitos adultos não o tenham levado em consideração quando ele era criança. Nas últimas semanas, Caine havia mencionado "nossos filhos," desta forma improvisada que me fez sorrir – como se filhos comigo fosse um fato óbvio agora que ele tinha admitido que me amava. Ele nunca colocaria uma criança em uma situação como a que ele tinha passado. Nem eu. Essa constatação me fez pensar em minha mãe. Isso me fez pensar sobre o que Caine tinha dito para mim todos esses meses atrás, em Good Harbor Beach. Então, eu me sentei para ter uma última conversa com a minha mãe, na esperança de me libertar de algumas daquelas mágoas.


Capítulo 33 Querida Mãe, A maior lição que você me ensinou é que as ações e escolhas dos pais ressoam na vida de seus filhos, as vezes os afetando de uma forma que nunca deveria. Desejo que a sua maior lição para mim pudesse ser mais positiva, porque a verdade é que essa era quem você era – uma mulher otimista, afetuosa e doce. Mas você também era fraca. E eu tenho que perdoá-la por sua fraqueza, porque no final do dia todos nós temos nossas fraquezas. Eu queria lhe dizer que você me machucou quando escolheu o meu pai à mim. Eu queria dizer a você que nunca vou entender como você poderia amá-lo tão profundamente quando ele nunca poderia amar alguém tanto quanto amava a si mesmo. E eu queria lhe dizer que percebo agora que nunca esteve ao meu alcance entender. Sinto muito por colocá-la em uma posição onde você tivesse que escolher entre nós. Você não pode evitar quem você ama. Assistir você desperdiçar seu doce coração com meu pai me paralisou. Durante muito tempo evitei deliberadamente jamais sentir por alguém o que você sentia por ele. Devido a isso, às vezes eu sentia que havia dias que eu estava apenas sentada vendo a vida passar por mim. O inferno de tudo isso foi que nunca sequer ocorreu-me baixar minha guarda e me arriscar.


Até Caine aparecer. E não havia escolha para mim. Assim como eu agora percebo que não houve, provavelmente, nenhuma escolha para você. Eu lhe perdoo por amar o meu pai. Eu até lhe perdoo por amá-lo mais do que a mim. Mas eu nunca vou esquecer. A maior lição que ensinarei a meus filhos não será a mesma que você me ensinou. Não vai ser a lição que os pais de Caine lhe ensinaram também. Eu não sei o que vai ser ainda. Só sei que nunca haverá um dia que os meus filhos não saibam, que não há ninguém neste mundo que possam contar mais, do que comigo. Eu não quero fazer você se sentir culpada, mãe. Eu só precisava finalmente dizer-lhe como me sinto para que eu possa seguir em frente. O passado é passado e estou deixando ir toda a raiva que vem com ele. Estou tentando chegar a essa coisa chamada paz, e estou esperando que onde quer que você esteja, você possa achar paz também, sabendo que estou deixando a feiura do passado ir, e sabendo que não importa o que, eu lhe amei. E eu sei que você me amava. Adeus, mamãe. Sua, Lexie


Epílogo "Você sabe, eu acho que nós precisamos retirar a proibição de tomar banho juntos," Caine resmungou enquanto descia as escadas e entrava na cozinha. Suspirei e estendi a caneca de café antes de voltar minha atenção para as notas que tinha espalhados por todo o balcão da cozinha. "Havia uma razão para a proibição. Era chamado ‘estar atrasado para o trabalho," eu murmurei distraidamente. A caneca foi removida da minha mão e estreitei os olhos na lista de boutiques que Nadia tinha mencionado, imaginando como diabos iria visitá-las todas em um dia. "Eu não me importo." "Você não se importa com o que?" Eu puxei o mapa de Boston que eu tinha imprimido. Eu tinha usado o computador para colocar as boutiques no mapa para que pudesse trabalhar a rota mais eficiente para visitar todas elas. "Chegar atrasado." "Você é o chefe," o lembrei. "Você pode fazer o que você gosta. Eu tenho uma chefe que não estava feliz com minha desculpa de atraso." "É por isso que Bree precisa transar." "Caine." Olhei para ele em advertência.


Ele apontou para o meu rosto. "Ah, lá está ela." Confusa, eu franzi meu nariz. "Eu estava me perguntando se você algum momento olharia para cima dessa coisa." Ele bateu na pasta enorme na minha frente. "Um ‘bom dia’ seria ótimo." Eu estremeci. "Desculpe. Só estou sentindo muita pressão com este." Inclinei minha cabeça para o lado e dei-lhe um sorriso suave, gracioso. "E o meu bom dia esta manhã na cama não o satisfez o suficiente?" Me referi ao fato de tê-lo acordado com minha boca. Caine se inclinou sobre o balcão fazendo com que nossos narizes estivessem praticamente se tocando. "Esta manhã foi muito boa, mas eu teria gostado mais se quando descesse para obter o meu café da manhã minha esposa olhasse para mim. Talvez até mesmo me jogar um beijo ou dois." Eu sorri e levantei minha mão esquerda para envolver em seu rosto, os três diamantes no meu anel de noivado brilhavam ao lado da minha aliança de casamento. "Eu nunca quis negligenciar você." Rocei meus lábios sobre o seu, em tom de desculpa. "E prometo, quando Nadia retornar da terra de Bridezilla16 você me terá de volta." Caine pressionou sua boca na minha, seu beijo mais duro, profundo. Eu gemi e derreti nele, desejando com todo meu coração que o casamento de Nadia já tivesse acabado.

16

Noiva neurótica


Nadia

tinha

atingido

o

topo

e

agora

era

uma

apresentadora de um programa de culinária mais assistido de Boston. Na verdade, muita coisa mudou nesses 30 meses, desde que o meu mundo virou de cabeça para baixo e Caine finalmente admitiu que me amava. Não muito tempo depois que comecei à procura de um novo emprego, fui abordada por uma amiga de Henry, Bree Stanton, uma socialite que se tornou uma mulher de carreira profissional trabalhando sua bunda para criar a empresa de gestão de eventos mais elitizada de Boston. Ela me ofereceu um emprego como planejadora de eventos e me apaixonei com a posição quase que instantaneamente. Conseguimos muitos dos maiores eventos do calendário social, incluindo casamentos. E o casamento de Nadia Ray era um grande evento, não só por causa de seu status de celebridade, mas porque ela tinha conseguido domar o indomável Henry e receber uma proposta. Um Lexington se casando era um grande negócio. Um Lexington se casando com a apresentadora predileta da TV de Boston, era um negócio ainda maior. Eu não posso dizer que fiquei surpresa que Henry propôs a Nadia. Tinha visto uma diferença na maneira como ele interagiu com ela desde o início. Apesar de sua fama local, Nadia tinha os pés no chão, era divertida, e uma amiga real. Eu estava na nuvens por Henry e eu estava muito feliz por mim, porque isso significava que eu conseguia manter Nadia na minha vida também. Significou também que Nadia veio a mim para organizar o casamento. Bree estava em êxtase, e eu tinha a promessa de um bônus muito bom se fizesse o casamento sem nenhum problema.


Então, tive a felicidade dos meus amigos e um bônus adorável motivando-me a fazer este dia exatamente do jeito que a Nadia queria. Desde que Henry havia proposto a ela, ela tinha se transformado nesta mulher louca que eu mal reconhecia. Eu podia perdoá-la pela loucura. Minha experiência em planejamento de casamento nos últimos dois anos e meio tinha mostrado que a maioria das noivas (não todas, embora), transformavam-se em versões hiperativas de si mesmas. Eu tinha toda a confiança que Nadia voltaria ao normal após a sua partida para sua lua de mel. Felizmente eu não tive a oportunidade de me tornar uma daquelas noivas, porque Caine e eu não tívemos um enorme casamento.

Convidamos

nossos

amigos

mais

próximos

e

familiares – Effie, Henry, Nadia, Rachel e Jeff – para testemunhar o nosso casamento muito pequeno, muito particular na (agora nossa) casa de veraneio de Caine em Nantucket. Eu não convidei o meu avô, mesmo que o quisesse lá, porque era injusto com Caine. Então, fiquei chocada ao descobrir vovô lá na manhã do casamento, pronto para me levar até o altar. Caine tinha me surpreendido, convidando-o para mim, e isso me fez amar o meu marido um milhão de vezes mais do que já amava. Três meses após o meu ataque, Caine me pediu para morar com ele. Na verdade, foram apenas algumas semanas depois. Isto levou três meses para eu concordar. Era mais sobre finalmente desistir do meu lindo apartamento aconchegante do que não querer viver com Caine. Nós estávamos vivendo juntos de qualquer maneira. Se eu não passasse a noite em sua casa, ele estava na minha. Finalmente, ele se cansou do vai-e-vem e a falta de permanência. Um mês depois ele propôs casamento, e dois meses depois nos casamos.


Seu apartamento, agora era nosso apartamento – estava quase irreconhecível. Foram-se os bancos de cozinha de couro branco e o esquema de cores preto austero. Em seu lugar, tinha um mobiliário confortável e de gênero neutro com almofadas não tão neutras e algumas espalhadas sobre eles para imitar o aconchego do meu antigo apartamento. Caine nem sequer disse uma palavra. Para ser honesta, acho que ele mal notou. Ele estava acostumado a meu estilo agora, e não era um cara que estava interessado em decoração de interiores. "Eu não me lembro de você ficar louca quando foi o nosso casamento." Caine fez uma careta olhando para a pasta enorme cheia de preparativos do casamento de Nadia. "Isso é porque eu não estava. Além disso, o casamento de Henry e Nadia é para cento e cinquenta convidados. Nós tivemos seis." "Eu achei o nosso melhor," ele murmurou, tomando seu café. "Eu também." Eu ri de sua petulância, mas realmente não poderia culpá-lo. O casamento de Henry e Nadia parecia estar tomando conta da minha vida no momento. "Se eles não fossem nossos amigos..." Ele olhou para a pasta novamente. "Você não pode queimá-la," eu disse. Caine sorriu para mim. "Saia da minha cabeça."


"Eu não quero." Foi a minha vez de resmungar. "Eu quero mergulhar em sua cabeça e levá-lo para a cama e ter meu mau caminho com você." Empurrei o mapa longe de mim. "Em vez disso, eu passarei o dia pulando de uma boutique de noiva para a próxima, na tentativa de encontrar os vestidos de dama de honra perfeito, porque Nadia tornou-se obcecada com a utilização de designs locais." Apertei os meus olhos em frustração. "Ela não é nem mesmo de Boston." Seus lábios tremeram. "É por isso que você não deve trabalhar com os amigos." "Nós dois dávamos certo." "Nós éramos amantes. Nó nunca fomos amigos." Para fazer o seu ponto ele se levantou para colocar a sua caneca na pia e quando passou por mim deu um beijo ao lado do meu pescoço. Três anos depois, ele ainda fazia meus dedos formigarem. "Isso não é verdade. Você é meu melhor amigo." Em resposta Caine passou os braços em volta da minha cintura e me puxou de volta contra o seu peito. "Você é a minha também, baby. É por isso que estou pedindo para você colocar a pasta da desgraça de lado esta noite, para que possamos sair para uma boa refeição e passar algum tempo juntos." Não havia nada nesse mundo que gostaria de fazer mais. "Não podemos. Vamos jantar com Nadia e Henry." Meu marido colocou sua testa em meu ombro e gemeu. "Essa coisa de ‘tempo com os amigos' está demais"


Eu tremia de tanto rir. "Fizemos esses planos há muito tempo. Nós iremos para a abertura desse novo restaurante, Smoke." "Oh, isso parece apetitoso," ele comentou secamente quando puxou o banquinho ao meu lado para que os nossos joelhos se tocassem. "A abertura do restaurante. Isso significa que a mídia vai estar lá." Ele parecia cansado só de pensar nisso e eu entendia. A partir do momento que Caine e eu passamos a morar juntos, os tablóides da sociedade enlouqueceram. Era ainda pior quando erámos vistos fora de casa com nossos amigos. Caine, Henry, Nadia, e eu juntos éramos transformados em evento e os fotógrafos enlouqueciam tentando tirar fotos de todos nós. Claro, era uma história suculenta que Nadia estava namorando um Lexington. Era uma história ainda mais suculenta que a ovelha negra da família Holland (que seria eu) acusou seu meio-irmão de tentar matá-la, e agora estava namorando um dos homens mais ricos de Boston. Ah, sim, isso era boa matéria para os tabloides. Não era tão bom para a minha família. Para seu crédito, o vovô tinha ficado comigo ao longo de todo o calvário. Talvez parte disso fosse para corrigir seu envolvimento em encobrir a morte da mãe de Caine, mas eu sabia que era um momento difícil para ele, porque minha avó o tinha deixado. O relacionamento deles permaneceu tenso e distante até audiência de Matthews, onde foi decidido que tínhamos provas suficientes contra o meu meio-irmão para ir a julgamento. Minha


avó começou a cair em si em seguida, e ela e meu avô trabalharam em remendar as coisas. Ela ainda se recusava a me encontrar, mas eu não preciso dela na minha vida. Se sua rejeição doía um pouco, eu só tinha que me lembrar que eu estava acostumada a isso, e aprendi há algum tempo a apenas desejar as pessoas em minha vida que se importassem. O caso de Vernon Holts e de Matthews foi a julgamento há sete meses. Holts foi condenado por três acusações de agressão e uma acusação de tentativa de homicídio. Seis semanas mais tarde, ele foi condenado há 28 anos em uma prisão de segurança máxima. Matthew foi aconselhado por seu advogado para se declarar culpado, porque as provas contra ele eram significativas. Não só tínhamos o depoimento de Holts, mas havia também as joias que Holts havia penhorado. Cada peça levava à família Hollands e a da esposa de Matthew. Eram peças caras – peças que foram guardadas no cofre dos Hollands, onde apenas os membros da família tinham acesso ao código. Houve testemunhos de funcionários do meu avô que viram Matthew remover as joias. Mas o verdadeiro ferrão foi que ele estupidamente confessou o crime para seu sogro, quando Holts ficou fora de controle. Por qualquer motivo, se era para proteger sua filha e neto de seu genro estupido, ou o seu senso de justiça, o sogro de Matthew veio a publico como testemunha no meu caso. Matthew foi condenado por conspiração e por tentar cometer assassinato, e foi condenado há um mês, por 20 anos, uma sentença reduzida porque ele se declarou culpado. Eu estava feliz por isso ter finalmente acabado.


E como prometido, vovô tinha me tirado de seu testamento. Quanto a meu pai e eu, assim como suspeitava, perdemos o contato uma vez que o julgamento terminou. Eu pretendia enviar um cartão em seu aniversário e Natal a cada ano, de modo que ele soubesse que estava em meus pensamentos... Mas eu não podia forjar um relacionamento com ele. Tão triste como era, às vezes, havia realmente muito dano entre as pessoas. Às vezes, erámos melhores distantes do que juntos. Meu pai parecia ser um homem melhor por conta própria. Issoe não era o conto de fadas, mas era real. E estava tudo bem. Eu dei ao meu marido um sorriso adulado. "Faça isso hoje à noite e prometo que amanhã sou toda sua." "O dia todo?" Ele levantou uma sobrancelha. Eu levantei minha sobrancelha direita de volta para ele. "Você está livre durante todo o dia de amanhã?" "Vou fazer-me livre." Ele acariciou o meu joelho e tremi com o calor em seus olhos. "Estou farto de rapidinhas. Quero tomar meu tempo." "Bem, é melhor você desligar seu telefone. Caso contrário, Rick vai nos incomodar durante todo o dia." Rick era um jovem com pós-graduação em negócios que Caine havia contratado para ser seu AP. Sim, ele era melhor do que muita mulher jovem e atraente para trabalhar estreitamente com o meu marido, mas


apenas superficialmente. Ele era um gigante pau no cu, e farejava com altivez quando eu surpreendia Caine com um almoço improvisado. Aparentemente eu era, e cito, uma distração. "Eu não gosto de seu AP." Caine sorriu. "Ele é bom em seu trabalho." "Ele é um pé no saco." "Isso é bom em seu trabalho." "Ele não gosta muito de mim." "Bom," disse ele, sua voz rouca quando enfiou a mão debaixo da minha saia. "Se ele gostasse de você eu teria que demiti-lo." Eu parei sua mão antes que pudesse chegar ao seu destino. "Se você começar, nós não vamos parar," eu sussurrei já quente e incomodada. Ele tirou a mão e colocou no meu rosto para que pudesse pressionar um beijo carinhoso em meus lábios. Seu semblante ficou sério de repente quando olhou nos meus olhos. "Durante muito tempo a minha empresa era o que me levantava toda manhã. Era o que me motivava a cada segundo de cada dia. Desde o momento em que você começou a trabalhar para mim, você é o que me faz levantar toda manhã. Você é o que me motiva a cada segundo de cada dia. E eu ainda quero mais de você. Amanhã o dia é todo nosso, porque quero falar com você sobre algo." Meu pulso vibrou. "Sobre o que?" Ele me beijou e depois me liberou. "Amanhã a gente fala."


"Não, senhor." Eu agarrei o braço dele e o puxei de volta para baixo em seu banquinho. "Você não pode simplesmente dizer algo assim e depois achar que vou ser capaz de passar um dia inteiro sem saber o que diabos você está falando." Ele suspirou. "Eu prefiro ter tempo para conversar. Nós dois temos que estar no trabalho" – ele olhou para o relógio e franziu as sobrancelhas – "cinco minutos atrás." "Caine," eu adverti, "você me diga agora ou vou pensar o pior." "Não é ruim." Ele descansou uma mão reconfortante no meu joelho. "Baby, não é nada de mau. Eu só... Eu evitei falar sobre isso porque você tem estado tão ocupada, mas estou começando a perceber que você vai estar ocupada até o casamento e ainda tem quatro longos meses." Sorri com curiosidade para a consternação em seu rosto. "O que é isso?" "Eu quero um filho." Eu congelei com seu anúncio abrupto. "Eu quero um filho nosso." Ele segurou minhas mãos, procurando o meu rosto enquanto tentava ler a minha reação. "Eu quero tentar ter um bebê com você." A súbita onda de emoção em sua declaração tomou conta de mim. Qualquer resposta ficou estrangulada na minha garganta enquanto lutava para conter as lágrimas. "Lexie?"


No ano passado eu tinha ponderado a ideia de ter um bebê com Caine, até que a ponderação tornou-se mais insistente, até que se tornou um desejo. Com nossos horários eu não sabia como

trazer

isso

a

tona.

De

volta

ao

início

do

nosso

relacionamento, Caine tinha mencionado os filhos de forma improvisada, mas nós nunca realmente discutimos isso, então eu não sabia quando isso se tornaria uma opção. Nós tínhamos passado por tanta coisa nos últimos meses com o julgamento, que simplesmente não pareceu ser o momento certo. Então suas palavras naquela manhã foram tudo para mim. Isso significava que Caine e eu, se Deus quiser, finalmente teríamos uma família. "Isso é real?" Eu sorri, derrubando lágrimas pelo meu rosto. Caine me puxou para os meus pés e passou os braços em volta de mim. Ele beijou as lágrimas e me segurou firme. "Baby é real." Era tão real. Finalmente. Eu tinha o que sempre quis. E Caine... Ele tinha o que ele sempre necessitou.