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Disponibilizado: Eva e Liz Tradução: Maria Luiza Pré-Revisão e Revisão Inicial: Andrea Revisão Final: Tatiane, Karoline Leitura Final: Eva Bold Formatação: Niquevenen


"Nós nos conhecemos em um pesadelo. Em meio a um mundo onde o tempo não tinha poder sobre a razão. Nós nos apaixonamos. Tudo de forma inevitável. Mas, então, acordei. E tudo estava acabado..."

RUIN & RULE

Ela é uma mulher quebrada. Seu passado, presente e futuro estão tão intrincados, assim como as mentiras que ela viveu durante os últimos oito anos. Desesperada para obter a verdade, ela deve se aproximar do único homem que pode também ser o seu maior inimigo... Ele é o presidente do Pure Corruption MC. Um motociclista sem coração que não se importa em fazer os outros pagarem. Ele não aceita regras, não obedece a ninguém, e vive apenas para se vingar daqueles que o enganaram. E agora ele é o dono dela, corpo e alma. Pode uma mulher atormentada pelo mistério, se apaixonar pelo homem que se recusa a encarar a verdade? E pode um homem mergulhado em escuridão renunciar a sua busca por vingança e finalmente encontrar a redenção?


Para aqueles que estiveram comigo desde o início. Vocês sabem quem vocês são.


Prólogo Nós nos conhecemos em um pesadelo. No meio de um mundo onde o tempo não tinha poder sobre rima, razão, ou conexão. Nós nos encontramos. Nós nos encaramos. Nós nos conhecemos. Não houve distorção do mundo exterior. Sem certo ou errado. Sem confusão ou batalhas de corações e mentes. Só nós. Em nosso mundo de sonhos e silêncio. Esse pesadelo se tornou a nossa casa. Imaginando fantasmas, elevando fantasias. Entrelaçados em nossa realidade alegremente inclinada. Nós nos apaixonamos. Naqueles segundos fugazes de nosso pesadelo, vivemos uma eternidade. Mas, então, acordei. E tudo estava acabado.


Capítulo um Eu

sempre acreditei que a vida iria conceder recompensas para

aqueles mais dignos. Eu era fodidamente ingênua. A vida não os recompensa, arruína. Estraga os mais merecedores e leva tudo. Leva tudo ao mesmo tempo, assistindo qualquer restante de bondade na podridão para odiar. — Kill

Escuridão. Esse era o meu mundo agora. Literal e fisicamente. A parte de trás do meu crânio estava ferida de ser nocauteada. Meus pulsos e ombros doíam por estar deitada de costas, com as mãos atadas atrás de mim. Nada foi quebrado, pelo menos eu não sinto, mas tudo estava machucado. A confusão recuou, levando para longe a desorientação, me fazendo tentar esclarecer o que foi que aconteceu. Mas não havia luz. Meus olhos piscavam na escuridão sem fim da máscara amarrada em volta da minha cabeça. Ansiedade torcia meu estômago por ter um dom tão fundamental tirado de mim. Eu não me movi, mas, mentalmente cataloguei meu corpo das pontas dos meus dedos dos pés até o último fio de cabelo na cabeça. Minha mandíbula e língua doíam pelo trapo sujo na minha boca e pelo meu nariz passava apenas um fio raso de oxigênio, o suficiente para me manter viva. Medo tentou agarrar seu caminho através da minha mente, mas, eu o empurrei. Eu deliberadamente suprimi o pânico, a fim de avaliar a minha situação, em vez de me perder no terror. O medo nunca ajuda, só prejudica.


Meus sentidos voltaram, se arrastando timidamente, como se tivessem medo de que quem tinha me sequestrado notasse seu retorno. Som: o grito de freios, o rangido de um veículo parando. Toque: a pele do meu antebraço direito dói, pulsando com uma mistura de dor e aspereza. Queimada talvez? Cheiro: Legumes úmidos podres e adstringentes, aroma penetrante de medo, mas, não era o meu. Era deles. Não era só eu sendo sequestrada. Meu coração estava atordoado, cheio em seu terror. Isso fez minha respiração acelerar e minhas pernas coçarem para correr. Me forçando a ignorar o mundo exterior, me concentrei. Agarrando minha força interior, onde a calma era uma necessidade e não um luxo. Eu me recusei a me perder em uma névoa de lágrimas. O desespero era uma maldição e eu não iria sucumbir, porque eu tinha toda a intenção de estar preparada para o que poderia acontecer a seguir. Eu odiava as fungadas e os soluços abafados de outras pessoas em volta de mim. Sua tristeza puxou meu coração, me fazendo lutar com a minha própria preservação, substituindo com a preocupação deles. Primeiro eu tenho que passar por isso, então me preocupar com eles depois. Eu não acho que isso era um fragmento oportunista simples. Quem quer que tenha me sequestrado, tinha planejado isso. O palpite ficou mais forte enquanto eu procurava por quaisquer vestígios de álcool ou cheiro de cigarros. E se eu estivesse em uma festa? Boate? Nada. Eu não tinha sido estúpida ou imprudente. Eu acho que… Nenhum indício ou pista de onde eu tinha estado ou o que eu estava fazendo quando eles me pegaram.


Eu me contorço, tentando me afastar do mau cheiro. Meu pulso amarrado protesta pelas picadas quando a corda em torno deles roem minha carne como mordidas. As minhas costelas berram, juntamente com a minha cabeça. Não houve folga em minhas restrições. Eu parei de tentar me mover, preservando minha energia. Tentei engolir. Nenhuma saliva. Tentei falar. Nenhuma voz. Eu tentei lembrar o que aconteceu. Tentei me lembrar... Pânico. Nada. Não me lembro. — Levante cadela —, disse um homem. Houve um chute nas minhas costelas. —Não vou dizer mais uma vez. Obedeça. Eu congelei enquanto minha mente me arremessa do presente para o passado. — Vou sentir tantas saudades, — ela lamentou, me abraçando mais apertado. — Eu não estou morrendo, você sabe. — Eu tentei me soltar, olhando por cima do ombro para a chamada final para meu voo. Eu odiava estar atrasada para qualquer coisa. E muito menos a minha única chance de escapar e descobrir a verdade de uma vez por todas. — Me ligue no momento em que chegar lá. — Prometo. — Eu desenhei uma cruz por cima do meu coração... A memória se despedaça quando o meu corpo uma vez na horizontal de repente fica na vertical de uma só vez.


Quem era aquela garota? Por que eu não tenho nenhuma lembrança dela? — Eu disse para se levantar cadela. — O homem respirou fundo no meu ouvido, enviando uma lufada de ar em cima de mim. A venda tampou minha vista, mas deixou meu nariz lamentavelmente desprotegido. Infelizmente. Meu captor me empurrou para frente. O chão era firme debaixo dos meus pés. A dor entrelaçada com a minha confusão desapareceu, me deixando fria. Minhas pernas tropeçam na direção que ele queria que eu fosse. Eu odiava tropeçar na escuridão, sem saber de onde vim e para onde eu estava sendo conduzida. Não houve sons de conforto ou risadinhas abafadas. Isto não era um baile de máscaras. Isso era real. Isso é real. Meu coração bateu mais forte, o medo escorregando sobre minhas defesas. Mas o causador do terror permaneceu uma incógnita. Escorregadio como um peixe, correndo na periferia da minha mente. Ele estava lá, mas passageiro, me mantendo lúcida e forte. Eu estava grata por isso. Grata porque eu mantinha a dignidade que me restava me mantendo forte mesmo de frente a terrores desconhecidos à espreita do outro lado da minha venda. Sussurros e gemidos de outras mulheres se tornaram mais altos quando os homens lhes ordenavam para seguir o mesmo caminho pelo qual eu andava. De qualquer corredor da morte ou da salvação, eu não tinha escolha, apenas seguir meu caminho para frente, deixando meu passado esquecido para trás. Eu desejei que alguns trechos voltassem. Eu implorei por uma fenda de luz no meu passado, para que eu pudesse dar sentido a este mundo horrível em que eu tinha despertado. Mas minha mente estava fechada para mim. Uma fortaleza me retendo de tudo o que eu queria saber.


— Mova-se. — Um punho arremessado na parte de trás da minha cabeça me mandou andar para frente. Eu não parei novamente. Meus pés descalços foram atravessando... madeira? Pés descalços? Onde estão meus sapatos? O conhecimento dessa perda me torce o estômago. De onde eu vim? Como é que eu acabei aqui? Qual é o meu nome? Não foi o terror do futuro desconhecido que roubou a minha falsa calma. Foi o medo de perder o meu próprio eu. Eles tinham roubado tudo. Meus triunfos, minhas ofensas, minhas realizações e fracassos. Como eu poderia lidar com este novo mundo se eu não sabia quais habilidades eu tinha para ficar viva? Como eu poderia esperar derrotar meu inimigo quando minha mente tinha se revoltado e me bloqueado? Quem sou eu? Eu é quem tinha me excluído... Era impensável. — Mais rápido, cadela. — Algo frio foi entalado contra a minha espinha, me empurrando para frente. Com minhas mãos atrás das minhas costas, eu me arrastei mais rápido, caminhando pelo chão fazendo o melhor que pude para evitar quedas ou tropeços. — Desça. — O homem agarrou meus pulsos amarrados, me dando algo para me encostar quando os dedos dos pés passavam pelo pequeno espaço diante de mim. — Mais uma vez. Obedeci. — Último. Eu consegui descer a pequena escada sem cair de cara no chão. Meu rosto.


Como eu pareço? Um ruído de raspagem alto soou na minha frente. Eu recuei para trás, batendo contra uma forma feminina. A mulher atrás de mim gritou o primeiro outro som verbal. — Mova-se. — A pressão na minha lombar voltou, e eu obedeci. Avançando para frente até que o ar abafado de vegetais velhos foi substituído por... cobre e metal... sangue? Por que... por que isso é tão familiar? Engoli em seco quando minha mente caiu em outra memória. — Eu não acho que posso fazer isso. — Eu saí correndo, vomitando no lixo na sala de aula. O mau cheiro único de sangue coalhando meu estômago. — Não pense demais. O que você está fazendo para o animal não vai fazê-lo sangrar. O que você está fazendo é para tornar ele vivo. — Meu professor sacudiu a cabeça, esperando que eu lavasse a minha boca e voltasse, com o rosto branco e enjoado para a operação em andamento. Meu coração estava estilhaçado como um pedaço de vidro quebrado, refletindo a compaixão e responsabilidade que eu sentia por uma criatura tão inocente. Este pequeno filhote de cachorro que tinha sido despejado em um saco plástico para morrer após ser baleado com balas de arma de chumbinho. Ele iria sobreviver só se eu dominar as habilidades para conter a hemorragia interna e abraçar a vocação que fui chamada para fazer. Inalando o cheiro de sangue, o deixo invadir minhas narinas, minha garganta, e impregnando minha alma. Eu bebi sua essência acobreada. Eu me encharco com o cheiro da força de vida da criatura até que isso já não me afeta mais. Pegando um bisturi, eu disse: — Eu estou pronta. — Puta merda! — O homem me guia para frente, de repente algo bateu na base da minha espinha. A dor dura me empurrou para frente e eu tropecei. — Wire traga reforços. Esse filho da mãe começou uma guerra! O vento do movimento dos corpos dos homens me invadiram por trás. A escuridão em que eu vivia de repente ganhava vida com o som.


Balas voavam, se espetando nos lados de metal do veículo que eu tinha acabado de sair. Zunidos e ricochetes ecoaram no meu ouvido. Maldições rugiram. Gemidos de dor passavam como uma brisa. Alguém agarrou meu braço, me balançando para o lado. — Abaixe-se! — A inércia de seu arremesso me deixou fora do equilíbrio. Com meus punhos amarrados juntos, eu não tinha nada para me segurar, nenhuma maneira de me proteger da queda. Eu caí. Meu estômago se abateu quando caí fora de uma pequena plataforma e bati contra o chão. Sujeira, grama úmida, e as folhas mofadas substituindo o cheiro de sangue, cortando a nitidez enjoativa de metal derramado. Minha boca se abriu, ofegando de dor. Lâminas de grama fazendo cócegas nos meus lábios enquanto minha bochecha estava presa na lama molhada. Meu ombro gritou com agonia, mas eu ignorei a nova lesão. Minha mente se agarrou à memória desbloqueada. A lembrança fugaz de minha profissão. Eu sou uma veterinária. O sentido de regresso à casa e segurança que esse pequeno trecho me trouxe foram inestimáveis. Minha alma rosnou por mais, de repente, voraz por falta de informação. Eu pulei direto da desastrada incerteza da fome por mais. Diga-me! Mostre-me. Quem sou eu? Eu procurei dentro de mim por mais pistas. Mas era como tentar se agarrar a um sonho fugaz, desaparecendo mais e mais rápido quanto mais eu perseguia. Eu não conseguia me lembrar de nada sobre medicina ou como curar. Tudo que eu sabia era que eu tinha sido treinada para abraçar o cheiro de sangue. Eu não tinha medo dele. Eu não desmaio ou sofro de enjoo com a visão do que derrama de uma ferida aberta. Esse pequeno conhecimento era suficiente para acalmar meus nervosismo e focar no mundo exterior novamente.


Gritos de batalha. Homens gritando. Homens rosnando. As batidas densas de punhos em carne e o horrível som de tiros. Eu não conseguia entender. E se eu tivesse caído através do tempo e entrado em uma dimensão alternativa? Outro corpo caiu em cima do meu. Eu gritei sem fôlego com um puxão afiado de um cotovelo nas minhas costelas. A figura rolou para longe, chorando baixinho. Mulher. Por que não estou chorando? Eu mais uma vez procuro o medo. Não era natural não ter medo. Eu tinha acordado sozinha, sequestrada, e jogada no meio de uma guerra, mas eu não estava ofegante ou em pânico. Minha calma era como uma droga, escorrendo sobre mim, silenciando a dureza afiada da minha situação. Era suportável se eu abraçasse a coragem e o conhecimento de que eu era forte. Minhas mãos se fecharam gratas pelos pensamento. Eu não sabia quem eu era, mas, isso não importava, porque a pessoa que eu era nesse momento importava mais. Eu tive que permanecer assim, para que eu pudesse passar por tudo o que estava prestes a acontecer. Tudo que eu tinha era instinto, força, tranquilidade e racionalidade. Todo o resto tinha sido tomado. — Parem de lutar, seus fodidos idiotas! O rugido alto retumbou como um terremoto, silenciando a luta de uma só vez. Quem quer que tenha falado tinha poder. Imenso poder. Poder colossal. Um calafrio correu sobre minha pele. — O que aconteceu? Você perdeu sua maldita cabeça? —, um homem gritou. Um som de uma rápida briga veio, então o aroma fresco de terra cultivada penetrou meu nariz.


— Está feito. Jogue para baixo suas armas e se dobre na porra de seu joelho. — O mesmo som retumbou. O peso de seu comando me empurrou com mais força contra o solo úmido. — Eu não vou me ajoelhar, seu imbecil. Você não é meu Prez1! — Eu sou. Tenho sido nos últimos quatro anos. — Você não é. Você é a cadela dele. Não pense que o poder é seu. Outros socos e pontapés abafados com a luta. Isso terminou rapidamente com um gemido doloroso. A voz de terremoto veio novamente. — Abra os fodidos olhos maldito. Veja o escolhido a dedo para me matar e assumir o clube, ele está morto. Você já parou para pensar que Wallstreet me fez Prez por uma fodida razão? Outro gemido. — Eu sou o escolhido. Eu sou o único que conhece os segredos da família, absorveu o legado, e ganhou o caminho para o poder. Você não sabe de nada. Ninguém sabe. Então se ajoelhe e respeite. Outro tremor correu pelas minhas costas. Silêncio por um tempo, nada além do patinar de botas e respiração pesada. Em seguida, uma maldição mal murmurada. — Você morrerá. De uma forma ou de outra, não vamos aceitar um traidor como Prez. Nós somos os Corrupts, droga. Ter um traidor nos governando é a porra de uma piada. — Eu sou o traidor? O homem que obedece a seu líder? Que orienta em seu lugar? Eu sou o traidor quando é você quem tenta e reunir os meus irmãos em uma guerra? — A batida pesada de um punho conectado com carne. — Não, eu não sou. Você é. Minha mente correu, sugando ruídos e formando conclusões selvagens do que acontecia em minha frente. Esta era a Terceira Guerra Mundial? Este era o apocalipse da vida e eu não conseguia me lembrar? Não importa o quanto eu tento juntar as peças do quebra cabeça, nada disso fazia sentido.

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Presidente do clube de motoqueiros.


O ar era espesso com antecipação. Eu não sabia quantos homens estavam diante de mim. Eu não sabia quantos corpos estavam espalhados pelo chão, ou como tal violência poderia ser permitida no mundo que eu conhecia. Mas, eu sabia que o cessar fogo era frágil e a qualquer momento ele iria explodir. A única ameaça deslizou pela grama como uma cobra. — Eu vou matar você, filho da puta. Marque minhas palavras. Os verdadeiros Corrupts estão apenas esperando para tirá-lo para fora. As batidas de pé suaves de alguém grande vibraram através do solo. — Os Corrupts não existem por quatro malditos anos. No momento em que eu tomei o meu lugar, tem sido Pure Corruption desde então. E você não é suficientemente puro para este clube, porra. Você está acabado. Eu vacilei quando a explosão sulfúrica de uma arma rasgou o ar. Houve um estrondo quando um corpo caiu sem vida na grama. Um sopro suave de uma alma escapando. Um assassinato. Um assassinato foi cometido logo atrás de mim. A necessidade inerente de nutrir e curar essa parte de mim era tão firme quanto a batida do meu coração chorou com pesar. A morte era algo contra o que eu tinha lutado em uma base diária, mas, agora eu estava desarmada. Eu odiava que uma vida tinha sido roubada diante de mim. Que eu não tinha sido capaz de impedir. Eu sou uma testemunha. Ainda que eu não tivesse visto nada. Eu tinha sido testemunha de uma briga, mas, não vi nada. Não conhecia ninguém. Eu nunca seria capaz de dizer quem atirou em quem, ou quem estava certo e quem estava errado. Minhas mãos tremiam, embora eu conseguisse ficar estranhamente calma. Eu estou em choque? E se eu estivesse, como é que eu me curo?


A mulher ao meu lado está enrolada em uma bola, seus joelhos cavando ao meu lado. Minha primeira reação foi de repelir o toque e me afastar. Eu não sabia quem era amigo ou inimigo. Mas, uma segunda reação veio rápido; o desejo de partilhar a minha calma, para que ela soubesse que não importava o que acontecesse, ela não estaria sozinha. Enfrentaríamos o mesmo futuro, não importa quão sombrio fosse. Vozes em cascata vinham sobre nós, sussurros, principalmente, falando rapidamente as ordens. Cada som era intensificado. Ter minha visão roubada fez meu corpo procurar outras maneiras de encontrar pistas. — Livre-se dos corpos antes do amanhecer. — Nós vamos voltar e nos certificar de que estamos cobertos. — Envie para fora a palavra de ordem. Acabou. O Prez ganhou, sem anarquia hoje. Cada voz era diferente, mas, meus ouvidos se contraíram apenas para uma: o som de terremoto que deixou minha pele tremendo como areia movediça. Ele não tinha falado desde que ele condenou alguém à morte e puxou o gatilho. Cada segundo de não ouvir ele fazia meu batimento cardíaco aumentar. Eu não estava com medo. Eu deveria estar. Eu devia estar imóvel, com medo. Mas, ele invocou algo em mim, algo primal. Assim como eu sabia que eu era do sexo feminino e uma veterinária, eu sabia que sua voz significava algo. Cada pedaço de mim ficou tensa, esperando que ele falasse. Era errado ansiar pela voz de um assassino, mas, era a única coisa que eu queria. Necessitava. Eu preciso saber quem ele é. O barulho de lama respingando contra as botas aumentava à medida que se aproximam. A mulher gemeu, mas, eu mudei meu queixo em direção ao som, desejando que meus olhos estivessem descobertos. Eu queria ver. Eu queria testemunhar o massacre atrás de mim. Porque era uma carnificina. O cheiro de morte confirma. Era mórbido querer


ver essa destruição, mas, sem a minha visão, tudo isso parecia um pesadelo terrível. Nada foi aterrado, completamente absurdo e muito estranho. Eu precisava de uma prova de que isso era real. Eu precisava de provas concretas de que eu não era louca. Que o meu corpo estava intacto, mesmo que minha mente não estivesse. Eu respirei fundo quando dedos quentes tocaram minha bochecha, inclinando meu rosto para cima e para fora da lama. Mãos fortes acariciaram a parte de trás do meu crânio, atrapalhadas com minha venda. A antecipação de finalmente conseguir o meu desejo de ver me fez ficar quieta e cooperativa em sua posse. Eu não disse uma palavra ou fiz um movimento. Eu só esperava. E respirava. E ouvia. A respiração do homem era pesada e baixa, intercalada com uma captura rápida de dor. Seus dedos eram rápidos e seguros, mas, incapazes de esconder a pequena bola de agonia. Ele está machucado. A pressão da venda é subitamente liberada, trocando a escuridão opaca por um novo tipo de melancolia. Céu noturno. Luar. Estrelas acima. Âncoras de um mundo que eu conhecia, mas, sem o reconhecimento da propriedade industrial envolta em escuridão onde o sangue brilhava, prata e preto, e cadáveres espalhados no campo. Eu estou viva. Eu consigo ver. A alegria de ter meus olhos libertos entrou e saiu como chamas de um cometa. Então minha vida terminou quando nossos olhares se conectaram. Verde com verde. Eu tenho olhos verdes.


Caindo e caindo em um espiral, mais profundo e mais profundo em suas garras. Minha vida, passado, presente e futuro perdeu todo o propósito no segundo em que olhei a sua alma. O medo que tinha me faltado bateu em meu coração. Eu tremia. Eu tremia. Algo gritou lá no fundo, como um conhecimento milenar. Cada parte de mim se arqueou para ele, então se esquivou de terror. Ele. Um pesadelo veio à vida. Um pesadelo que eu queria viver. Se a vida fosse uma tapeçaria, já com nós e linha, então ele era a tesoura que me cortou livre. Ele me arrancou, me roubou, mudou toda a profecia do que eu estava destinada a ser. Mandíbula comprida e cabelo escuro, emaranhado e suado, emolduravam um queixo quadrado, nariz reto e lábios carnudos. A barba de alguns dias mantinha resquícios de guerra, riscada de sujeira e sangue. Mas, foram seus olhos que atiraram uma seta em meu trêmulo coração, espalhando sua raiva esmeralda. Ele congelou seu corpo se curvando em direção ao meu. A formação de bolhas de esperança cintilou em suas feições. Sua boca se abriu e um amor tão dolorosamente profundo brilhou em seu olhar. — O que... — A perna se esticou, fazendo ele se ajoelhar ao meu lado. Suas mãos tremiam quando ele segurou meu rosto, seus dedos cavando dolorosamente em minhas bochechas. — Não é... Meu coração disparou. Sim. — Você me conhece —, eu sussurrei. No momento em que a minha voz vibrou em torno de nós, nuvens de tempestade rolaram a luz do sol em seu rosto, escurecendo a esperança e substituindo por puro ódio.


Ele mudou, de me olhar como se eu fosse seu anjo, para careta como se eu fosse um diabo desprezível. Estremeci com a mudança, a frieza e dureza. Ele respirava com dificuldade, seu peito subindo e descendo. Seus lábios se separaram, um comando estrondoso caindo de sua boca para os meus ouvidos. — Se levante. Você é minha agora. Quando não me movi, sua mão pousou no meu lado. Seu toque foi bloqueado por roupas, mas, eu o senti em todos os lugares. Ele acariciou minha alma, fez cócegas no meu coração, e acariciou cada célula com os dedos que me desprezavam. Eu não podia sugar uma respiração adequada. Com um empurrão brusco, ele me virou, e com uma lâmina afiada cortou minhas amarras. Com potência e sem esforço, tão emocionante e assustador, ele me colocou em pé. Eu não balancei. Eu não chorei. Ele apenas puxou a mordaça repugnante da minha boca e me olhou em silêncio. Olhei para seus brilhantes olhos verdes, compreendendo algo que não deveria entender. Este era ele. Meu pesadelo.


Capítulo dois Eu não podia acreditar, porra. Eu não acredito. Era uma mentira. Uma horrível, terrível mentira para minar tudo o que eu tinha feito, que tinha me arruinado uma vez. O momento em que ela olhou nos meus olhos, eu queria tanto acreditar. Acreditar no impossível. Mas, essa ingenuidade tinha sido tirada de mim. Eu não iria me apaixonar por ela novamente. — Kill

— Leve-as daqui. Não temos a noite toda. A porta na parte de trás do caminhão foi aberta novamente. Pisquei grata que meus olhos não estivessem cobertos desta vez e tudo era visível. Com firme determinação, me concentrei sobre a próxima fase da minha vida desconhecida. O novo destino não era um campo ou uma propriedade industrial ofensiva. Era uma grande garagem de estacionamento com luzes halógenas2 baixas penduradas e fileiras de motocicletas. Poucos carros robustos descansado em direção ao fundo da sala cavernosa, mas havia mais motos do que eu poderia contar. Minha mente pula de volta para a viagem até aqui. Não levou muito tempo. Depois que o homem de olhos verdes que tinha devorado minha alma havia soltado meus pulsos, ele me pegou e me colocou de volta na

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plataforma do caminhão. Ele tinha grunhido de dor, sua camisa preta rasgada e molhada com sangue, brilhando na noite. O cheiro de sangue pairava em torno dele, bombeando quente de algum ferimento que ele tentou esconder. Ele se saiu bem em manter sua agonia escondida. Eu tentei encontrar onde a ferida se originava, mas, era impossível na escuridão do interior do caminhão. Ele também escondeu sua reação anterior de mim. Seus olhos estavam fechados, me observando como um perfeito desconhecido. O que quer que tenha acontecido entre nós se foi. Mas, isso tinha acontecido. Eu não tinha certeza de qualquer outra coisa, apenas que o vislumbre entre nós era mais profundo, mais verdadeiro, mais real do que qualquer coisa que eu tinha experimentado. O conhecimento disso era uma batida constante em meus ossos, um ritmo incessante exigindo que eu descobrisse mais. Ele me conhecia. Eu o conhecia. Disso eu estava certa. Eu preciso dele sozinho. Eu preciso saber. No momento em que eu fui recarregada no caminhão, as outras mulheres que haviam sido atiradas ao chão foram transportadas a bordo também, suas vendas se foram, pulsos libertados. Eu não me incomodei em ficar olhando ou avaliando minhas companheiras. Tudo dentro de mim estava voltado para dentro, me concentrando em minha própria situação, a minha falta de memória, e meu conhecimento inabalável de que eu tinha algo a ver com o líder dessa bagunça. Tão egoísta quanto era, eu não tinha tempo para as outras. Ainda não. O homem de olhos verdes não se juntou a nós. Em vez disso, ele tinha rosnado ordens para os três homens que pairavam em torno de nós como cães em um rebanho de ovelhas, e fecharam a porta com um estrondo forte. Escuridão.


Meu coração ficou entalado na minha garganta por mais uma vez perder a visão. Sem luz, ou lugares, ou refrescos para viagens. As mulheres ficaram em silêncio, mesmo que tivéssemos o poder de falar novamente. Grupos formados, se arrastando mais perto na escuridão. Uma tentou segurar minha mão, oferecendo consolo. Sacudi longe dela, preferindo ficar sozinha, me segurando no lado do veículo e prestando atenção para a fluência do caminhão pesado. Contei as curvas que tomamos. Eu desenhei um mapa dentro da minha cabeça. Não que isso fizesse alguma diferença. Eu nunca iria encontrar o meu caminho de casa. Onde é a minha casa? Exatamente. Mesmo se eu ficasse livre, eu não tinha ideia para onde correr, a quem recorrer para obter ajuda. Eu era um mistério, droga e, por enquanto, eu estava em um lugar onde nada disso importava. Pisquei e me forcei de volta para o presente e a garagem cheia de motos e carros robustos. — Movam-se cadelas. — Um novo homem com um cavanhaque apareceu, mastigando alto um pedaço de chiclete. As mulheres se embaralharam de frente para a luz, se encolhendo para longe da mão estendida do homem de jaqueta de couro marrom. Cinco. Cinco mulheres, eu contei quando todas elas desceram do veículo para o novo mundo onde quer que seja em que estávamos. — Você. — O homem apontou em minha direção. — Você é surda? — Ele estendeu a mão, levantando uma sobrancelha. — Venha aqui. Apertei os olhos, me movendo para frente e colocando minha mão com firmeza na sua. — Não, eu não sou surda. — Saltando para baixo a pequena distância, eu me desenrosquei dos seus dedos no momento em que toquei o concreto.


O som da minha voz me assustou. Eu tenho um sotaque. Eu não tinha notado antes, no campo. Os homens ao meu redor falam em um tom americano. Curto, mas, com um ligeiro sotaque. Falei com uma diferença sutil... soando vagamente elegante com consoantes e vogais cortadas e desenhadas. — Leve-as para dentro. Temos uma porrada de trabalho ainda para fazer. Este carregamento de drogas não era esperado até amanhã, e eu quero elas trancadas antes de outra merda bater na porra do ventilador. A voz veio de outro homem em uma jaqueta de couro marrom idêntica. Ele tinha cabelo preto, cortado em um ligeiro moicano. O grande emblema costurado na parte de trás de sua jaqueta representava um antigo ábaco, com um crânio pegando fogo e uma cascata de moedas sendo vomitadas de sua boca. O lema PURO NOS PENSAMENTOS E NA VINGANÇA. CORROMPIDO EM TODAS AS COISAS QUE IMPORTAM, rodeavam a imagem. Um moto clube. O suor escorria entre meus ombros, deslizando pela minha espinha como um derretimento glacial. O medo que tinha me faltado entrou em mim como agulhas do inferno. Uma dor de cabeça pressionava minhas têmporas enquanto eu tentava entender o meu súbito horror. Por que o terror me afeta agora, mas, não quando eu tinha sido sequestrada? O que poderia ser pior do que ser sequestrada e traficada? Eles podem ser. Esperei por uma memória de outro trecho de verdade. Mas nada veio. Eu tremi, passando os braços em volta da minha cintura. Eu fiz a varredura da garagem, procurando por ele, o terremoto de olhos verdes que enviou o meu sangue fluindo e correndo para meu coração. Algo dentro de mim o reconheceu. Ele me reconheceu. De qualquer ficção ou realidade, eu precisava vê-lo novamente. Eu precisava questioná-lo ao olhar fixamente em seus olhos, em busca da verdade. Mas ele estava longe de ser visto.


Três homens nos cercaram, observando as outras mulheres mais próximas. — Movam-se cadelas. É hora da sua festa de boas-vindas. — Com olhares estreitados, eles nos conduziram para frente. Perguntas passaram pela minha cabeça. Quem eram eles? O que estávamos fazendo aqui? O que eles pretendem fazer? Curiosidade queimava, mas, eu não expressei as minhas perguntas. Eu fiquei em silêncio. — O silêncio é a munição, querida. Não desista antes de ter certeza dos fatos e saber que você pode ganhar. A memória fugaz não deu nenhuma sugestão de quem me dissesse, ou de quem eu era, e de onde eu vinha. Senti como se eu ainda estivesse com os olhos vendados, perdidos para tudo, mesmo que meus olhos estivessem desimpedidos. Saindo da garagem, eu segui a trilha de meninas através de uma porta grossa e por um corredor cinza estreito. Os homens não nos tocaram, eles não sacaram as armas ou levantaram os punhos. Houve uma calma sobre eles que se transferiu para nós como suas vítimas. As mulheres tremiam, um engate ocasional na sua respiração enquanto elas choravam baixinho, mas ninguém gritou ou fez qualquer coisa para quebrar a trégua frágil. O corredor curvo levava a uma grande sala com alguns sofás espalhados, um grande tapete vermelho, enormes imagens mostrando uma mistura eclética de capas de revistas ampliadas, e prateleiras que tocavam as paredes com cada garrafa de licor e de álcool que se possa imaginar. O chão nu era gasto, madeira acetinada, com marca ocasional de... balas? A elegante sala não era nada como eu imaginava. Eu pensei que um moto clube teria lixo espalhado, material de leitura descartado, e outra desordem relacionada a gangues. A higiene no local era impecável.


Quem são essas pessoas? Dois dos homens se viraram para nos encarar, inclinando a cabeça. — Fiquem em uma fila. As mulheres ficaram embaralhadas, em pé atrás uma da outra rapidamente. — Não gosto disso. Maldição, uma fila! — O mais velho dos dois que tinha cabelo loiro claro agarrou a segunda mulher, puxando ela para frente. Repetindo o mesmo com a terceira e a quarta, ele organizou as cinco mulheres até que todas elas estavam ombro a ombro. Eu não esperei para ser maltratada. Me mudei para a posição sem me ser dito. Mas em vez de ir triste para o final da pequena fila, eu me espremi no centro. Endireitando minha coluna, eu mantive meu rosto em branco quando o homem de cabelos negros levantou uma sobrancelha. — Bem. Bom o suficiente, eu acho. Um arrepio correu pela minha espinha. O cabelo na parte de trás do meu pescoço se levantou e eu simplesmente sabia. Ele está aqui. Consciência era um pica-pau batendo pequenos buracos em minha alma quando inclinei a cabeça, olhando por cima do meu ombro. Caminhando mais alto do que a maioria de sua comitiva, ele se movimentava com uma graça perigosa. Uma guerra hipnotizante entre a massa de um lutador e elegância de um dançarino. Seu jeans preto e camiseta escondeu bem a poça de sangue. Ele tinha fechado até em cima a sua jaqueta marrom escura, escondendo ainda mais todo o ferimento que ele tinha sofrido na batalha. Se plantando diante de nós, ele encarou cada mulher. Os outros homens se desvaneceram atrás dele, seu exército de guerreiros de jaqueta de couro, todos espancados, machucados, sangrando, e cansados da guerra. Com quem eles estavam brigando? O que era esse lugar?


O homem nunca olhou para mim, ignorando a minha existência como se eu fosse invisível. Minha mente estava mais intrigada com a minha situação do que com a questão mais importante que eu continuava a ignorar. Eu não queria isso porque no momento em que terminasse, seria como coçar meu cérebro até que isto me deixasse louca. Por que não consigo me lembrar de nada? A pergunta deixou escapar um suspiro alto e feroz, cortando minha ignorância vacilante. O que aconteceu para me deixar assim? Ou talvez, não o que, mas, quem? Minha mão esquerda segurou a pele chamuscada do meu antebraço direito. Eu estremeci de dor da queimadura moderada. O que aconteceu comigo? O homem de olhos verdes congelou quando seu olhar caiu involuntariamente no meu. Sua atenção caiu para onde eu segurava meu braço. Sua energia feroz parecia chegar entre nós, me puxando mais fundo em seu feitiço. Eu vibrei com um desejo tão poderoso que cancelou minha situação atual e o medo dançando na periferia de meu cérebro. Quem é você? Quase como se ele ouvisse a minha pergunta, seus olhos ficaram presos no meu, mais uma vez, brilhando de emoção reprimida. Reconhecimento piscou, amor ardeu, e uma tristeza comovente, daquelas que apenas quem tinha amado e perdido poderia saber, gravado em seus olhos. Ele apertou a mandíbula, os ombros apreensivos com a tensão quanto mais ele me olhava. Independentemente do que aconteceu, ou o que seria de mim, eu sabia que isso era um indício. Uma pista vital. A peça fundamental que seria o catalisador para a minha ruína.


Meu coração bombeava e disparou sob sua análise cuidadosa. Meus lábios se separaram quando os dedos de consciência magnética nos chamaram mais e mais, apertando juntos. Suas narinas, como se provasse o ar, desvendou os meus segredos somente pelo cheiro. Eu esperei que ele falasse. Eu queria que ele me tocasse de novo, que segurasse meu rosto e mergulhasse em meus pensamentos bloqueados. Mas, ele ficou congelado, eriçado de raiva e ódio. Por favor, deixe que ele tenha respostas. Mesmo que ele tivesse, ele provavelmente nunca me diria. Eu poderia não sofrer um nível debilitante de terror, mas, eu não era uma idiota. Eu não preciso saber meu histórico para adivinhar que o cenário provável do meu novo futuro não iria acabar bem. Eu vou encontrar uma maneira de correr antes que isso aconteça. Minha mente correu, olhos fixos nos dele. Um duelo em silêncio se seguiu, cada um empunhando perguntas afiadas, tentando decifrar o outro sem uma palavra falada. Ele era tão distante quanto o pico do Everest com sua altura e olhar gelado ilegível. O choque e a paixão que ele tinha mostrado quando nos conhecemos estavam ausentes. Se foram. Nunca existiu. Quanto mais eu olhava, mais a sensação de familiaridade gaguejou empurrada mais para dentro, como o fogo verde em seus olhos queimando meus pensamentos. Não havia como negar que ele era bonito, assustador, e pulsando poder, apesar de sua lesão. Mas havia outra coisa lá... algo que ele escondeu tão bem... muito bem. A maneira como ele tão facilmente me ignora, me deixou debatendo com um medo pior do que qualquer outro que eu tinha sentido até agora. A ruptura de qualquer conexão me fez pulsar como se tivesse cortado um pedaço de mim. Minhas mãos fecham em punhos. Ser negada do pequeno pedaço de familiaridade que eu tinha encontrado nele reforçou a minha convicção de que eu faria qualquer coisa, absolutamente tudo, para obter as respostas que eu desejava.


Eu não ligava para o que eu tivesse que fazer. Eu não me importava com o que eu tivesse que tolerar. Eu queria descobrir a verdade. Eu ia descobrir. Os homens atrás dele estavam misturados desconfortavelmente. O cara de moicano preto limpou a garganta. — Ei, Prez? O homem da voz de terremoto endureceu, cerrando as mãos. Em vez de olhar para longe, a nossa conexão continuou amarrada e apertada como tentáculos que cruzam o espaço até que tivessem alguma forma, como uma malha, com um conhecimento intenso. Cada vez mais profundo, mais firme, mais exigente do que nunca. O frio nas minhas costas evoluiu para um tremor, uma réplica ondulando da minha espinha para minhas pernas. Algo avassalador e quente corria entre combinação de concorrência, atração e ameaças.

nós.

Uma

perigosa

Você me conhece. Ele trincou o maxilar, quase como se tivesse ouvido o meu pensamento. Eu não sei se eu deveria estar radiante com a intuição inabalável de que nós estávamos ligados, ou então petrificada por alguém do meu passado poder me tratar assim. Diga-me. Você é meu amante? Meu irmão? Meu inimigo ou amigo? Eu odiava estar chafurdando no nada, onde até mesmo a realidade não era crível sem a documentação de um passado que eu já não podia recordar.


A conexão atingiu um passo de febre, transformando a queimadura no meu braço em um inferno. Então... ele piscou. Esmagando o reconhecimento em pedacinhos e afastando o seu olhar do meu, ele quebrou a teia. Tudo o que eu pensei, que eu senti ou sabia desapareceram em um flash. O tremor me deixou, se dissolvendo no chão, me deixando vazia e mais sozinha do que antes. Qualquer lembrança ou realização em seu olhar desapareceu, substituído por raiva lívida. Ele já não estava intrigado ou atraído por mim, mas furioso e cheio de ódio. O que mudou? Como ele tinha me cortado com tanto sucesso? E como ele tinha feito isso tão completamente, que me fez duvidar que eu tivesse visto a dica de algo mais profundo? Está tudo na minha cabeça? Passando sua grande mão pelo cabelo, ele andava na frente da formação. Sua mão sangrenta e machucada abrindo e fechando em suas coxas, um espírito de violência em torno dele como uma aura. Batendo em um impasse de frente para nós, ele fungou alto. — Suponho que agora é o meu trabalho recebê-las. — Ele chutou o nada, moendo sua grande bota preta no assoalho. — Desculpe a desorganização. E ignorem a luta que viram. — Seus olhos pousaram sobre cada uma de nós, nos prendendo no concreto. — Meu nome é Arthur Killian, mas vocês e todos os outros irão me chamar de Kill. Vocês são uma transação, nada mais, nada menos. Meus olhos se arregalaram. O nome dele... Eu esperei que isso despertasse alguma memória. Nada. Um fluxo de homens, cinco ou seis, apareceram a partir do corredor, se movendo e se inclinando contra os sofás de couro. Eles pareciam como se


pertencessem a um escritório de advogados, os sofás e não aos homens; os homens pareciam como se tivessem nascidos montados em Harleys com cigarros em suas bocas e suas mentes na sarjeta. As mulheres ao meu lado estremeceram, esgueirando olhares para os recém-chegados. Eles estavam ensanguentados, alguns com roupas rasgadas, outros com lábios cortados e maçãs do rosto machucadas. Todos eles tinham uma predominância magra, imprevisível. Eu fiquei paralisada no local, observando, bebendo informações, e tentando ficar o mais imperceptível possível. Arthur Killian, a quem eu tinha colocado no centro do meu novo mundo por falta de uma âncora melhor, girou para enfrentá-los. — Vocês vão se comportar, ou eu tenho que chutar suas desculpas esfarrapadas, de novo? Os homens sorriram, cruzando os braços. — Entendemos. Você ainda é o Prez. Kill rosnou, — Vocês entendem, mas, vocês não sentem isso. Que pena. Está feito. Está feito por quatro malditos anos e ganhei isso honestamente porra. Vocês obedecerão às minhas regras. Se vocês não fizerem isso, vocês estarão mortos. Um homem nos seus trinta anos com um bigode pegajoso assentiu. — Conheço os seus motivos. Não posso dizer que estou chateado, mas, eu estou ciente do que você está dizendo. Wallstreet te testou muitas vezes. Vou confiar em seu julgamento, independentemente se você é um come merda de um Dagger. — Ei. Negócios do clube. Visitantes. — O moicano preto assentiu o queixo para nós. Kill fez uma careta, controlando sua raiva. — Você está certo. Calem a boca. Todos vocês. — Você está nos dizendo para calar a boca? Você exigiu que prometêssemos lealdade durante anos, e agora que estamos prestes a isso, você quer que a gente cale a boca? Kill trincou o maxilar, uma veia saltando em seu pescoço. — Tudo bem! Mas, vamos deixar uma coisa clara, eu não sou um Dagger. Não mais.


Eu vou ser o primeiro a levá-los para fora assim que pararem esta luta em casa e estiverem fodidamente do meu lado para uma mudança. Os caras se deslocaram, mas assentiram. Um murmurou: — Isso é o que estou tentando fazer. Você tem a minha arma. — Bom. — O 'Prez', que eu imagino que seja abreviação para presidente, assentiu. — Nós não somos mais foras da lei3 desleixados. Estamos fazendo bem essa merda. Eu já não comprovei que se vocês me seguirem, a visão de Wallstreet se tornará realidade e ninguém mais tem que morrer? Um homem com uma pequena moita de cabelo escuro e uma cabeça raspada nas laterais estalou, — Isso é tudo muito bom e magnífico para dizer porra, mas vocês dificilmente estão ouvindo! O Prez é feito para ser visto com seu exército... — Basta! — Kill rugiu. — O que eu faço em nome deste clube não é da sua maldita conta. — Ele se moveu para frente, com a cabeça inclinada ameaçadoramente. — Vocês são homens adultos. Eu não sou a porra da babá de vocês. — Empurrando um dedo na cara do bigode pegajoso, ele murmurou, — Você não gosta do dinheiro que eu te fiz? Bem, devolva. Bigode pegajoso trincou o maxilar. — Nós o ganhamos. Kill riu sombriamente. — Exatamente. Assim como eu ganhei a porra da sua obediência. O cabeça raspado rosnou, — Você acha que você ganhou? Você nunca vai ganhar. — Engraçado. Eu apenas fiz isso. — Kill levantou as mãos manchadas de sangue. — Destino, rapazes. Eu estou lhes dando até amanhã de manhã para arrumar suas coisas e saírem, se vocês quiserem sair. — Seu corpo ficou tenso, uma raiva terrível ondulando sobre seus músculos. — Mas, se vocês ficarem, tudo o que aconteceu esta noite está acabado. Terminado. — Chega de conversa do clube. — O moicano preto grunhiu. — Existe hora e lugar, senhores.

3

Aqui a autora usa a expressão “one - percenters” que designam os clubes fora da lei.


Meus olhos ficaram indo e vindo entre os homens assustadores e bonitos em suas jaquetas idênticas, com o presidente ensanguentado respirando com dificuldade pelo nariz. Para os ignorantes, ele parecia furioso. No controle, forte e vital. Para os conhecedores sobre a dor, o brilho em seus olhos não era de raiva, mas, agonia e tensão nas suas costas não eram de ferocidade e sim do que o levou a sangrar profusamente. Como eu conhecia sobre as nuances de dor e linguagem corporal, eu não sabia. Não era explicável ter toda a minha vida exterminada e só apenas algumas partes do meu passado lá... para ser usado sem pensar. Mas, era. Os olhos dos homens arrastaram para nós. Uma formação de mulheres desesperadas à espera de ouvir o nosso destino. Um inclinou a cabeça, com escárnio, — O que têm elas? Mulheres relutantes seriam uma visão malditamente mais divertida do que as prostitutas do clube espreitando em torno desse lugar. Não me importaria de ver alguma pele ao vivo. Pele? As mulheres de ambos os meus lados choramingaram, batendo as mãos trêmulas sobre suas bocas. Kill olhou para nós, antes de olhar de volta para seus homens. — Cinco são para negócios. Vocês já sabem que o comércio irá acontecer amanhã. — Tudo bem, a sexta pode ser nossa. Nos dê ela e vamos esquecer esta noite. — O cabeça raspado sorriu. Kill se moveu, investido em um movimento e depois uma paralisação. Seu rosto ficou branco quando a dor atou seu sistema, mas, ele não hesitou. Seu punho colidiu alto e duro com o rosto do homem. Ele caiu como um piano pesado, completo com um som estrondoso de chacoalhar os ossos. — Chega. Fora. — Kill sussurrou. — Eu estou cheio de sua merda. Você está fora. O homem o encarou, o nariz jorrando sangue. — Você não pode me expulsar. Eu fiz o juramento, filho da puta!


— Posso e acabo de fazer. Meu Clube. Minhas regras. Corta fora seu patch4. O homem rosnou, — Você é a porra de um homem morto, Killian. — Como se eu não tivesse ouvido isso antes. — Kill estalou os dedos. O moicano preto e o de cabelo loiro claro saíram correndo para o seu lado. — Tirem o seu colete. Livrem-se dele. — Com prazer. — Os homens pegaram o homem sangrando no chão, empurrando-o para a saída. — Você está morto. Todos vocês, você me ouviu? — O crânio raspado acenou com a mão, sem se importar com o sangue escorrendo de seu nariz. — Sim, sim. Olhe para nós, estamos petrificados, porra. — O moicano preto disse, empurrando ele com força. Os outros homens pararam descansando contra a parede, em pé. O bigode pegajoso andou para a frente, agarrando seu companheiro sangrando. — Nós o pegamos. — Seus olhos caíram sobre Kill. — Parece que o ceifeiro vem te pegar, Kill. Termine isso, — ele apontou para nós como se fôssemos alimentos derretendo que precisavam de uma geladeira. — Vamos nos encontrar na reunião em poucos dias. Killian bufou com seu peito subindo e descendo com uma mistura de testosterona e adrenalina. Ele finalmente concordou. — Bom. Hopper, Mo, fiquem aqui. Preciso de sua ajuda com as mulheres. Mantenham-nas seguras. O negócio é para estoque imaculado, sem marcação. Não preciso de qualquer reembolso sendo exigido. Minhas costas ficaram rígidas. Ele nos fez sentir como animais. Nós não éramos itens para vender ou ser utilizados. Medo rastejou lentamente mais espesso nas minhas veias. Meus olhos se estreitaram, procurando o pingo de verdade sob seu tom. Ele não era como os homens que fugiram de volta para a garagem. Sim, ele era áspero, alto, irritado, perigoso, e inteiramente envolvido com

É num pedaço de tecido, com uma inscrição do nome do clube e/ou símbolo que é preso no colete dos motoqueiros. 4


criminosos, mas, havia uma inteligência astuta e mente racional escondida naqueles olhos verdes. Ele era uma contradição ambulante. O mesmo que eu. Kill não disse uma palavra, apenas assentiu enquanto os caras foram expulsos, e ficamos em uma bolha estranhamente silenciosa de oito pessoas. Cinco mulheres, três homens. Se eu soubesse quem eu era, ou que habilidades eu possuía que não fosse ser veterinária, eu poderia ter sido tentada a negociar a liberdade ou a ajudar a criar uma forma de sair disto para as mulheres chorando ao meu lado. Apertei os lábios, procurando a esmagadora necessidade de correr, me esconder, mas isso ainda estava faltando. O fio de medo era a minha única sugestão de estar viva. E isso era pelo homem com os olhos verdes, em vez da situação terrível que eu enfrentei. Estou quebrada. Meu reflexo de luta ou fuga tinha sido arrancado junto com as minhas memórias. Estamos sendo vendidas. Kill passou as duas mãos pelos cabelos, se concentrando. Ele estremeceu, sibilando entre os dentes, e deixou cair seu braço direito imediatamente. Engolindo em seco, ele rosnou, — Vocês têm sorte de ouvir sobre negócios do clube. Ninguém fora dos nossos juramentos está a par do funcionamento interno. Mas, provavelmente é melhor que vocês vejam isso. Vocês podem acreditar na minha palavra quando digo que as coisas não estão... estáveis. Eu sou o único a manter isso intacto, assim mostrem algum respeito e acreditem em mim quando eu digo que vocês não querem me irritar. Sua voz aumentou em volume, o timbre ecoando extremamente rouco. — Esqueça o que vocês ouviram. Vocês não podem negociar com isso. Vocês não têm a sorte de saber isso. Vocês estão condenadas. Esqueça a sua antiga vida, porque vocês nunca vão vê-la novamente. A frieza em seu tom enviou pingentes de gelo brilhantes no ar.


Outro lodo de medo deslizou através do meu sangue. Uma menina fechou a mão sobre seus ouvidos, um pequeno grito em erupção saiu de sua boca. Kill fez uma careta, se encolhendo quando outra onda de agonia o agrediu. — Vocês provavelmente estão se perguntando por que estão aqui, quem somos, o que queremos. Se vocês forem espertas, vocês vão descobrir, mas, eu vou colocar isso em preto e branco de merda. Seus olhos pegam os meus, me afogando na grama verde musgo, e esmeralda. — Vocês são minhas. Nossas. Do Clube. Nós temos cada centímetro de vocês. Eu estou no poder, o que significa que a sua recepção já é uma porrada melhor do que ela teria sido há quatro anos, mas meu temperamento é curto. Sua voz baixou a um decibel que ecoou no meu coração. — A única coisa que vocês precisam lembrar, para tornar a sua estadia conosco parecendo com a porra do Ritz5, em vez de uma pena de prisão é me obedecer. Se eu lhes pedir para fazer alguma coisa, vocês sigam imediatamente e explicitamente. Vocês não fazem isso, e a minha cortesia vai acabar. E quando essa cortesia terminar, terá sido bom pra caralho. Uma sombra cruzou suas feições. Dor salpicando a testa com suor. Cerrando os dentes, ele engoliu antes de pedir, — Nuas. Todas vocês. Eu tenho que ter certeza que vocês não estão feridas. Os seus novos proprietários estão esperando a perfeição e não quero desapontá-los. Meu coração parou. — Não, por favor, — uma menina com longos cabelos loiros implorou. — Vamos. — Kill levantou a mão, como se fosse uma espada surgindo rápido e nítido. — O que eu acabei de dizer? Imediatamente e explicitamente. — Faça cadela. — O moicano preto veio para frente, as mãos em ondulação ao seu lado. A violência entrou na sala, com rajadas e sua ameaça expressa.

5

Hotel de luxo.


As meninas se contraíram e se mexeram, olhando uma para a outra para obter ajuda. Estranho, não olharam para mim, não buscaram a minha irmandade ou se espremeram mais perto para o conforto. Quanto mais tempo ficamos na linha, mais óbvio a minha exclusão era das mulheres manchadas de lágrimas, aterrorizadas. Por mais que eu quisesse respostas, talvez tenha sido uma bênção não saber quem eu era. Para não lembrar minha família, situação conjugal, ou quem eu nunca poderia ver novamente. Eu fui separada delas. Eu não podia determinar se isso, ser expulsa do grupo, me fez mais forte ou mais vulnerável. Um pequeno lance de dor picou meu coração. Eu realmente não pertencia a lugar nenhum, mesmo nesta vida horrível em que eu tinha sido lançada. Kill arrastou uma mão sobre o rosto, manchando um corte da testa e desenhando de vermelho-escuro sua bochecha. — Eu dei uma ordem. Não me testem tão cedo. Não essa noite. Seu olhar parou no meu. Desta vez não havia nada lá, nenhuma atração ou sussurro de conhecimento. Ele estava no comando e eu não era nada mais do que pele. Seus lábios estavam apertados quando ele deixou cair sua visão para os meus seios. Um comando não tão sutil para obedecer. Dispa-se. Olhando para baixo do meu corpo, eu abri o jeans desbotado em uma grande confusão com a camiseta branca e rosa na frente. Ambos com cheiro de fumaça, mas, não foram queimados como o meu braço. Eu não tinha sapatos, nem casaco. Eu não me lembro de comprar esses itens, ou onde eu tinha tomado banho e me vestido esta manhã. De certa forma, isso não fez diferença para eu querer estar vestida ou nua. Eles não oferecem proteção. Eles não eram armaduras contra acontecimentos do mal. Eles eram inúteis. Assim como as lágrimas eram inúteis e o terror era inútil. Eu não tinha necessidade de nada disso. Eu não sei como eu me pareço nua.


Meu coração retrocedeu em um ritmo curioso. Eu não tinha ideia se eu tinha sardas, ou flacidez, ou cicatrizes. Eu vivia na mente e no corpo de uma estranha. Talvez se eu olhasse, eu poderia saber? Poderia descobrir o meu dilema? Olhei de novo para os olhos verdes de meu pesadelo encarnado. Ele nunca desviou o olhar, sua mandíbula travada quando meus dedos traçaram o delicado rosa da minha camiseta. Eu respirei com minha pele formigando. Eu não podia negar que ele roubou tudo de mim com apenas um olhar. Mas ele também deu um pedaço de si mesmo em troca. Eu o li claramente, ou talvez eu só pensasse que eu fiz isso. Suas pernas estavam espalhadas, a postura ameaçadora, bem como para o equilíbrio para combater a dor com que ele vivia. Ele parecia ameaçador, mas, algo profundo em minha alma queria acreditar que ele não iria me machucar. Não seja estúpida. Inclinei meu queixo. Eu não era. Eu ia sair da minha maneira de ser racional e calma. Ser estúpida seria ignorar os meus instintos em funcionamento. Ele pretende vendê-la. Transformá-la em uma prostituta. Eu sabia. Mas, meu instinto dizia que ele não era um homem cruel. Ele era um assassino, sem dúvida. Ele viveu uma vida de crime por um longo tempo. Mas, ele também estava escondendo algo que dentro de mim eu conhecia. Eu não poderia explicar como eu sabia, mas, eu o havia encontrado. Há um tempo, eu o amei em um pesadelo muito pior do que este. Eu estive molhada por ele em outra realidade, tudo isso enquanto ele me adorava. Não era minha culpa que eu não podia separar esse fato da ficção, a verdade da fábula. Levantando uma sobrancelha, ele esperou. Eu esperei.


Nós dois esperamos para ver quem iria quebrar. Eu quebrei. Não por ele, mas, por mim. Eu queria saber quem eu era sob minhas roupas. Eu queria derramar o passado persistente e não tinha nenhuma razão para me agarrar às coisas que eu não poderia lembrar. Agarrando sua barra, eu puxei a camiseta sobre a minha cabeça. As meninas ao meu lado congelaram, me olhando com olhos do tamanho da lua. Minha pele dispersou arrepios quando Kill respirou. Sua inspiração enviou um aperto vibrando através do meu núcleo. Poder. Ele me concedeu poder sobre ele com aquele pequeno ruído de apreciação. O meu cabelo grosso caiu sobre meu ombro, balançando na minha linha de visão. Meu cabelo. Cabelo que eu não lembro. Eu toco nele, correndo uma onda suave através de meus dedos. Se era natural ou não, era um belo tom de castanho avermelhado e cereja. Um pigmento rico que falava de paixão e ondulado como o sangue. Eu sou uma ruiva. Meus olhos percorreram minha frente. Engoli em seco. — Eu sei o quanto você sempre quis uma. Eu queria ser o único a pagar por isso. Então você vai sempre se lembrar de mim. — Ele puxou um desenho no qual eu tinha trabalhado anos de seu bolso traseiro. — Eu sei o quanto isso significa para você. Eu pulei em seus braços, o abraçando. — Obrigado. Muito obrigado.


Me virei para o artista, puxando minha camiseta sobre a minha cabeça. Tomando o desenho, eu o pressionei em suas mãos, em seguida, abri minhas palmas na minha barriga nua e no peito. — Aqui. Pinte-me aqui. A memória terminou. A primeira pressão das lágrimas coçou os olhos. A tatuagem media meu lado inteiro, a minha caixa torácica, engolindo meu peito esquerdo completamente, e brincou com o desenho final pela minha clavícula. A tatuagem desapareceu abaixo na minha calça jeans. Meus braços não estavam cobertos, e eu não podia compreender a quantidade de horas que a peça teria tomado. Eu estava sem sutiã. Imaginei que o meu tamanho era um médio. Mesmo meu mamilo era tatuado. Meu coração resistiu quando um corpo que eu não me lembro de ter ofendido com tal experiência, tal vibração e tal pintura. Quem eu era para fazer uma coisa dessas? A tatuagem encapsulava algo puxando profundamente doloroso no meu coração. Isso significava alguma coisa. Isso significava tudo. Mas eu não conseguia lembrar o quê. O desenho era um mundo dentro de outro, dentro de um espelho, dentro de uma lagoa espelhada perfeita. Para a intrusa que eu me tornei, apreciei as linhas artesanais do empenamento e sombras. O detalhamento era excelente, bem como totalmente atraente. Mas, era mais do que isso. Assim, muito mais. O pulsar em minha alma sabia o que era, mas, nada irrompeu ou deixou-me adivinhar. Para mim, o perfeito estranho, não era nada mais do que uma pena bonita com flor miosótis azul-cobalto, palavras entrelaçadas com as videiras e as imagens entrelaçadas tão perfeitamente sincronizadas, eu não conseguia distingui-las. Mas foi o meu lado direito que fez meu coração bater de horror. Queimaduras.


Colorindo a pele firme e brilhante, enfeitando todo o meu lado direito, quase uma imagem espelhada da tatuagem linda na minha esquerda. Onde a beleza foi coberta, a feiura foi esticada. Esperei por alguma memória de ter estado em um incêndio. Afinal de contas, as cicatrizes deram a entender sobre um evento terrivelmente traumático no meu passado. Mas, nada. Nem um pingo de uma chama ou o cheiro de fumaça. Meus pulmões trabalharam duro para lidar com o espanto de minha forma estranha. Eu esperava uma reação visceral, ou pelo menos uma anomalia menor sobre a bizarrice do meu corpo. Mas a maldita calma nunca saiu, me mantendo sensata e clara. Eu não sabia quem eu era, mas logo... logo eu esperava que a história na minha pele fizesse sentido. A nova queimadura no meu braço ardeu com dor. Queimaduras velhas e novas. Existe algum significado nisso ou estou me segurando em palhas? Eu era uma moeda com dois lados: cicatrizes e estrelas, enxertos de pele e tatuagens. Impressionante e hediondo. Um farfalhar ocorreu à minha esquerda e à direita as outras mulheres pararam de se embasbacar com minha singularidade, se apressando a seguir o exemplo e obedecer. Minha atenção se desvaneceu de minhas cicatrizes, de volta para a minha tatuagem, absorvendo-a. — Qual é a sensação? Eu fiquei tensa, agarrando os dedos até suor e calor explodir em uma fogueira entre as nossas palmas bloqueadas. — Semelhante a chamas, dentes minúsculos picando interminavelmente. — Você pode suportar isso? Para ter tudo feito? Uma lágrima foi espremida do meu olho quando a agulha deslizou sobre uma costela óssea. A dor era indescritível. Horrível, o rasgar induzido mas... viciante também. Um tipo peculiar de agonia que acalmou a minha alma despedaçada. Eu quis a dor de fazer o que outras coisas não tinham conseguido.


Olhando primeiro para as minhas cicatrizes que carregavam o peso de meus pecados, então eu olhei para a minha pele virgem e murmurei: — Sim. Eu posso suportar. Porque eu tenho resistido a muito mais. As memórias piscaram iluminando como um relâmpago, apenas para desaparecer com a mesma rapidez. Não! Quem eu era? O que eu tinha vivido para justificar uma peça tão incrível de arte no corpo todo, na lembrança de... o quê? Eu estava tão envolvida na tatuagem, que eu não notei as mulheres se despindo diante de mim. Um tapa em meu rosto enviou meus olhos para cima, travando no meu pesadelo de olhos verdes. — E o resto. Você não terminou. Meu coração disparou por tê-lo tão perto. Ele cheirava a suor e sangue. Eu inalei duro, drogando-me com ele. Eu o conhecia de outro tempo e lugar ou isso era inteiramente falso? Como eu poderia descrever a sensação esmagadora de reconhecê-lo? Como posso sentir como se eu o tivesse amado e odiado, e o arruinado em outro momento? Quando eu não me movo ou falo, seus dedos grandes foram para a minha cintura. Sem tirar os olhos dos meus, ele desfez o botão e o zíper, antes de colocar as mãos nos meus quadris, puxando o jeans longe. Minha pele incendiou sob seu toque, num zig e zague em chamas. Sua mandíbula ficou presa, o rosto apertado. Ele não deu nenhuma sugestão de ser afetado pela minha presença ou por ter me tocado. Eu odiava a mentira que ele projetava. Eu queria o homem que tinha baixado a sua guarda no campo de batalha. O homem que olhou para mim como se eu fosse de valor inestimável e mal acreditava que eu tinha sido encontrada. Seus olhos acariciavam meu corpo, suas narinas dilatadas, quando o jeans ficou amassado nos meus tornozelos, mostrou o resto da minha tatuagem. Eu estava errada em pensar que terminava no meu osso ilíaco, continuava pelo lado esquerdo da minha nádega e coxa, todo o caminho até a minha perna para traçar ao redor do meu tornozelo e terminar no meu dedo mindinho. A tinta seguindo um caminho semelhante às cicatrizes à


direita para baixo da minha perna direita e para o meu pé. Eu parecia como se tivesse saído do fogo e ido em linha reta em uma cachoeira de cor, manchada por ambos, mudando-me para sempre. Eu fiquei nua diante dele, meu peito subindo e descendo. Minha pele viva e formigando sob sua inspeção. Parecia quem eu era, eu tinha uma aversão à roupa interior. Assim como eu estava sem sutiã, eu estava sem calcinha também. Ele não se moveu. Eu não podia me mover. Suas mãos repousaram sobre meus quadris, os dedos cavando duro em minha carne, como se ele me devorasse com o olhar. A conexão entre nós cantarolou, anulando a sala e os seus habitantes, nos colocando em uma bolha apertada de crepitação e luxúria. Eu te conheço. Como eu te conheço? Meu coração se agitou quando ficamos nos olhando por mais tempo. Vulnerabilidade propagava quente entre nós, sufocada pela confusão. Sua respiração se acelerou, seu corpo mais uma vez se curvando em direção ao meu, como se fios invisíveis nos unisse. — Kill. — A voz era distante. — Kill! Pelo amor de Deus, Prez! O homem que me segurava piscou se tirando da ligação entre nós. O calor em seu olhar se transformou em gelo, me fechando completamente. Recuando, ele limpou a garganta. — Merda. — Ele oscilou um pouco sobre seus pés. Eu gostava de pensar que era por causa de tudo o que existia entre nós, mas, um rastro de gotas vermelhas decorou a madeira nua abaixo dele. Seu sangue espirrou escuro em suas grandes botas de combate, parecendo lágrimas enferrujadas. Aumentando a sua distância de mim, ele cruzou os braços, se encolhendo. Seus olhos apertados com agonia, mas, ele era bom em esconder isso. — Jogue suas roupas fora, Grasshopper.


O homem com o moicano fez o que lhe foi dito, pegando a variedade de saias, calças e vestidos, misturando-os em uma bola e empurrando em um saco de lixo preto. Mantendo os olhos nos meus, Kill murmurou, — Vão ser dadas novas roupas a vocês assim que tiverem sido lavadas e inspecionadas. Mais lágrimas e gemidos. Mas não de mim. Eu estava firme na minha concentração. Trancada no chão com o conhecimento que o homem diante de mim podia parecer invencível, mas ele não era. Ele sangra. Assim como qualquer outro. Ele se machucou. Assim como os homens que ele tinha derrubado. Ele precisava de ajuda, e logo. — Assim que tiverem sido inspecionadas, vocês vão ser alimentadas, terão um quarto para dormir, e uma noite de descanso antes de seu verdadeiro destino ser determinado. Eu não me importo com quais são os seus nomes. Eu não me importo de onde vocês vieram. Para mim, vocês não são nada mais do que pele. Pele para vender, pele para o comércio. Lágrimas não vão salva-las, gritos só vão machucar. Então, me ouçam, mantenham a calma, e olhem para a sua estadia conosco como pequenas férias antes de sua nova realidade. A mulher com o longo cabelo loiro sussurrou: — Por favor... Isso não pode estar acontecendo. O que você quer? Kill mostrou os dentes, envolvendo seus braços apertados em torno de si. Foi projetado como agressão, mas eu vi a brancura da perda de sangue subindo em sua mandíbula. — Eu te disse, não é minha culpa se você não ouviu. E você não irá me ver novamente depois de hoje à noite. — Endireitando seus ombros, ele rosnou, — Mo, Grasshopper, leve-as para o abrigo para a noite. Eu posso confiar que vocês irão enviá-las aos seus destinos amanhã? Eu não tenho tempo para passar por isso com vocês. Você não tem tempo, porque você está sangrando. O homem de cabelo loiro claro assentiu. — Eu tenho os detalhes. Não se preocupe com nada. — Bom—, Kill suspirou.


Duas mulheres fungaram, as lágrimas arrastando por suas bochechas. Eu rapidamente digitalizei nosso triste grupo. Uma menina bonita asiática, duas loiras, uma ruiva e uma morena. Éramos todas semelhantes em altura, e curvas. Nós tínhamos sido escolhidas. Escolhidas a dedo para o que eles deveriam fazer com a gente. A vibração do medo cortou minha firmeza. Os olhos verdes pousaram em mim. A sensação de história, conexão, e rebelião veio de novo, grosso e rápido em nosso olhar fixo. De repente, ele tropeçou para a esquerda, balançando a cabeça, os olhos arregalados de espanto que o seu corpo desobedecesse a sua ordem para ficar em pé. Eu não estava surpresa. Eu estava estupefata que ele ainda estava de pé, ainda mais liderando e possuindo o respeito dos homens atrás dele. Estalando os dedos, Kill rosnou, — Estou saindo. Vou levar o sexto comércio comigo até que eu possa encontrar um comprador. Não confio nos irmãos depois do que aconteceu esta noite. Mo, o homem de cabelo loiro claro, franziu a testa. — Isso é sábio? Eu quero dizer... — É muito fodidamente sábio. — Aproximando-se para frente, Kill veio direto para mim. Dei um passo para trás, mas, isso não me fez nenhum bem. Agarrando meu cotovelo, ele rosnou por cima do ombro. — Dê-me algo para vesti-la. Imediatamente, uma grande camiseta preta com as palavras “A VINGANÇA É DOCE” na frente zarpou a partir do saco de Grasshopper, o motociclista de moicano preto. — Coloque isso. — Kill enrolou ela, jogando no meu estômago. Com as mãos trêmulas, eu balancei a camiseta até que encontrei o caminho certo e a puxei sobre a minha cabeça. Ela me serve como um vestido, roçando minhas coxas magras.


Kill assentiu. — Não é perfeito, mas, isso serve. Agarrando o meu pulso, ele me empurrou em direção ao corredor. — Eu vou chamar vocês amanhã. Lidem com esta merda. Sem outra palavra, ele me puxou para a garagem e para uma moto Triumph preta, que estava o aguardando. Jogando a perna para o lado, ele me puxou perto. — Suba. — Eu não gosto de moto. O pensamento veio de lugar nenhum. Por que eu não gosto de motos? Pela mesma razão que eu não gosto de moto clubes... os homens que existem neste mundo. Não fazia sentido. Se eu tivesse alguma coisa a ver com os clubes e a violência, gostaria de lembrar certamente? Afinal, eu me lembrei de minha profissão. Eu não teria ido para curar animais se eu tivesse vindo de um ambiente onde as mulheres eram subservientes e mais dos tipos que ficam em casa. Algo sobre esse pensamento não está certo. A coceira no meu cérebro não iria desistir, a mudança de um aborrecimento suave para um zero completo. — Isso não esta em negociação. Suba. — Kill se contorce e me iça sobre sua motocicleta. Suas mãos eram grandes, envolvendo minha cintura facilmente. Mais uma vez a percepção consciente e a intensidade dispararam através do meu sangue. No momento em que eu estava sentada atrás dele, ele me soltou, sibilando de dor. — Você está ferido —, eu murmurei. Ele balançou sua cabeça. — Superficialmente. Não pense que eu vou morrer e você estará livre, você vai esperar um longo tempo para que isso aconteça. Meu estômago fica às voltas com o meu coração com o pensamento dele morrer. Se ele morrer, as respostas morrem com ele. Mas se ele morre você está livre.


O pensamento de liberdade quase não me excita tanto quanto descobrir o enigma do meu cérebro amnésico. — Você precisa ver um médico. Você precisa ficar vivo por tempo suficiente para que eu conheça a verdade. Sua jaqueta de couro rangeu suavemente enquanto os músculos das costas ficaram tensos. — Não é da sua conta. Nossa conexão é da minha conta. Agarrando o guidão, ele apertou um botão que abriu uma pequena seção da grande porta da garagem. O frescor da noite flui, obscurecendo o cheiro de couro e gasolina. — Se você quiser ficar, é melhor você se agarrar a mim. A metáfora de suas palavras não me escapa. Se eu quisesse avançar nesta estranha existência assustadora, eu tinha que colocar minha fé no homem que segura minha vida em suas mãos malandras. Senão, eu ia cair. Não tenho nada a perder. Com essa certeza no coração, eu passei meus braços em torno de seu volume considerável. Seus músculos ficaram tensos sob meu aperto e, mais uma vez a consciência e o desejo torcidos entraram em percepção. Nós não dissemos uma palavra. Nós não precisamos. Nossos corpos cantarolam com mais profundidade do que as palavras jamais poderiam. Com um girar de pulso, meu pesadelo e sequestrador liga seu animal mecânico, e nós disparamos para frente no silêncio nítido do amanhecer.


Capítulo três Dor. Eu conhecia todas as facetas. Suportando a dor física, a emocional e agonia espiritual. A ferida no meu ombro pulsava como o fogo do inferno, mas não era nada como a confusão de dentro. Que porra era essa que eu estava fazendo trazendo esta mentirosa de volta para minha casa? E por que meu coração doía com a pior dor imaginável? — Kill

A terceira viagem em apenas algumas horas parou abruptamente quando Arthur Killian aliviou o acelerador, parando na frente de enormes portões negros. Parando a moto, suas grandes pernas nos mantiveram inclinados quando ele chegou a uma pedra falsa e socou um código. Instantaneamente o portão se dividiu em dois, rolando na vegetação rasteira grossa tocando a grande parede de pedra. Para ter uma propriedade como esta perto do litoral deve custar uma fortuna. Segurando seu colete de couro, eu perguntei — Onde estamos? — Na minha casa. Não é bem a resposta detalhada que eu estava esperando. Onde estamos no mundo? Por que não conseguia me lembrar de minha nacionalidade ou de onde vivi até algumas horas atrás? Por que eu sei que as flores em minha tatuagem eram miosótis, mas, não o meu nome? Eu não estava completamente sem noção, eu sabia como


falar e interagir. Me lembrei o básico da vida humana, mas, meu cérebro era seletivo, escondendo tudo o que eu queria saber. Kill acelerou, levando-nos da rua para a calçada de pedra. Ele dirigiu para a direita da mansão pintada de branco e com pilares. As luzes acima lançaram na propriedade um brilho quente, mascarando o branco estéril e fazendo parecer com um creme acolhedor. Haviam camadas imaculadas de flores fixas como soldados arregimentados sob as muitas janelas, e o pórtico em frente subia, mantendo a porta dupla seca em caso de clima instável. Outra porta da garagem rolou. A iluminação automática ligou quando nos dirigimos com um estrondo alto para o grande espaço. Varrendo a área, eu rapidamente observei que ninguém parecia viver aqui. Não haviam armários transbordando de pertences pessoais ou mesas de pingue-pongue ou equipamento de exercício, nem mesmo velho. A única coisa que a garagem alojava era um carro esporte preto e agora a Triumph preta com que tínhamos chegado. Meus ouvidos zuniram quando Kill desligou o motor trovejando e chutou para baixo o suporte. Ele olhou por cima do ombro. — Sai. Eu puxei o casaco mais apertado. — Eu não quero. Diga-me por que você me trouxe aqui. Diga-me como eu te conheço. — Eu não vou te dizer merda nenhuma a menos que você obedeça. Que parte do que eu disse no complexo você não entendeu? — A maior parte. Ele respirou fundo, um braço laçando em torno de seu peito com hemorragia. — Ou você é a pessoa mais estúpida que eu já conheci, ou você está quebrada de alguma forma. Engoli em seco. — Quebrada? O que te faz dizer isso? Eu pensei a mesma coisa. Onde estava o medo? O choque? O horror? — Você está olhando bem nos meus olhos. Você está se recusando a sair da minha moto, e você não parece compreender o que está acontecendo aqui.


Eu não queria mais ser lavada por circunstâncias que eu não entendia. Era hora de empurrar para cavar em busca de pistas. — O que está acontecendo? Por que você pareceu me conhecer... lá atrás? Seu corpo ficou duro como rocha com raiva. — Não faça isso. — Não fazer o quê? — Eu sabia o que ele queria dizer, mas, algo dentro de mim fez eu me rebelar. Eu não podia obter o controle sobre como drasticamente a minha vida tinha mudado, ou pelo menos eu achava que tinha mudado... Eu odiava estar no escuro. Eu odiava ter memórias me provocando ao olhar fixamente nos olhos de um assassino. Eu queria saber. Ele resmungou baixinho, passando a mão livre sobre o seu rosto. O brilho de dor não tinha diminuído, se qualquer coisa só se tornou pior. — Saia. Da. Minha. Moto —, ele sussurrou. O controle afiado em seu tom enviou um punhado de avisos pelas minhas costas. Cuidadosamente, eu obedeci. Balançando a perna por cima, eu odiava o quão nua eu estava debaixo da camiseta preta, e me afastei no momento em que meus pés tocaram o concreto. Pelo menos não estava frio esta noite. O calor úmido estava no piso poroso, aquecendo os meus dedos dos pés. Kill saiu de sua motocicleta, grunhindo de dor. Ele levantou seus traços ficando pálido em agonia. Girando o rosto para mim, ele rosnou — Para dentro. Eu não tenho paciência para mais um disparate. Eu olhei para ele, em seguida, olhei para a porta da garagem já fechada. Ele riu. — Você corre e eu vou colocar uma bala na sua cabeça tão rápido, que você vai acordar no céu sem nunca se lembrar do que aconteceu. Eu já tenho esse problema. No entanto, eu tinha acordado no inferno sem reflexo de medo do diabo. — Por que você me trouxe aqui? — Por que eu e nenhuma das outras meninas?


Ele suspirou pesadamente, apertando a testa acima de seu nariz. As pontas de seus dedos para a esquerda, sobre outra linha de sangue em seu rosto. Ele brilhava nas luzes da garagem. — Não me faça repetir. — Com um movimento rápido, ele chegou por trás e puxou uma arma livre de seu cós. Eu sabia que ela estava lá. Eu a tinha visto preta e brilhando como a morte enquanto ele se inclinava sobre o tanque de gasolina da moto e dirigiu até aqui. A cada quilômetro que nós viajamos, eu tinha brincado com a ideia de agarrá-la e mantê-la na sua têmpora. Mas todos os cenários de ameaça para um homem que era a única ligação me impedindo de ser atropelada terminaria mal. Eu preferia estar viva e não ser espalhada na estrada. E eu definitivamente preferia o elemento surpresa. Agir docilmente. Então, ele nunca esperaria o caos construído dentro de mim. Eu inclinei meus ombros. — Você não vai atirar em mim. — Por que não? Porque você me conhece. Não importa o quão veementemente que você negue. — Porque você mesmo disse, estou aqui para ser vendida. O que acontece quando o comprador não conseguir o que ele pagou? Era uma aposta, mas, eu decidi usar o valor do choque para obter uma reação dele. Eu queria gritar que havia algo entre nós. Para forçá-lo a reconhecê-lo, mas, ao mesmo tempo, eu não tinha nenhuma prova. Eu precisava ver a evidência disso antes que eu acreditasse totalmente em mim mesma. Ele inclinou a cabeça. — Você vai a sério me fazer acreditar que você se preocupa com o que acontece quando um traficante não entrega a pele ao seu comprador? Engoli em seco. — Não. Mas, eu me importo sobre a obtenção de respostas. Respostas que eu estou disposta a arriscar minha vida para conseguir.


Ele sorriu, acenando com a arma para eu ir em direção à porta que conduz presumivelmente para dentro de casa. — Você acha que eu vou responder às suas perguntas? Eu concordei indo em direção a casa e puxei a porta. Uma lufada de ar condicionado me cumprimentou. — Você vai, porque você vai me dever isso. Meus olhos caíram para a mancha de sangue se espalhando em seu peito. Sua deterioração tinha sido gradual, mas, não passou despercebido. Eu podia sentir sua tontura, a falta de força vazando como uma maré. Eu não poderia explicar, mais era uma dica de quem eu tinha sido antes deste pesadelo. Ele riu suavemente. — Eu vou lhe dever? Voltando à porta, eu apontei para o ensopado de sua camisa pingando debaixo de sua jaqueta de couro marrom. — Você está sangrando profusamente. Se você não parar de se mover e deitar-se, você vai desmaiar. — Abaixando a minha voz, eu acrescentei. — Eu posso ajudá-lo. Ele andou para frente. — Eu pareço como se eu estivesse fraco, porra? Eu cerrei os dentes, lutando contra a onda de medo vindo com ele atacando tão perto. Ele trouxe o cheiro de sangue e metal e o poder de um homem chateado. Sua mandíbula era forte e quadrada, o nariz nem muito grande nem muito longo. Tudo nele era simetricamente em proporção, tornando-o o criminoso mais bonito que eu já conheci. Você acha que já conheceu. Meu cérebro doeu. — Tudo o que sei é que você está ferido, e se você não se sentar em breve, você vai desmaiar e eu vou deixá-lo lá e escapar. Para onde? Você está quase completamente nua, sem identidade, sem dinheiro, o quão longe você pode fugir com nada?


Mas, nada disso importava, porque havia uma coisa que me mantinha viva. Uma coisa me impulsionando para frente, me dando força, me fazendo lutar e não dar lugar para o horror da minha situação. Respostas. Eu precisava delas mais do que eu precisava de ar. Eu precisava da verdade mais do que eu precisava de segurança, da liberdade, ou de resgate. As respostas eram a minha força motriz porque atualmente eu vivia em uma prisão pior do que qualquer uma que Arthur Killian poderia me prender dentro. Eu não era nada. Ninguém. Perdida. Sozinha. Órfã de todos os pensamentos. As respostas eram a chave e este homem as tinha. — Escape! —, ele bufou. — Foda-se, os policiais não vão te salvar. Eles são piores do que nós. A polícia vai ajudar. Você não fez nada errado. Eu fugiria se não houvesse alguma coisinha horrível cutucando meu cérebro cada vez que eu pensava em gritar por socorro e correr. Não havia nenhuma dúvida em minha mente que eu poderia correr rápido o suficiente para fazer o meu capturador incapaz de me perseguir, provocar o seu coração para bombear com mais força, para ele desmaiar. Seus olhos estavam nebulosos já preenchidos com dor. Não demoraria muito para fazêlo cair. Então por que não posso fazer isso? Porque o pensamento de entrar em um mundo onde não tenho ideia de onde eu pertenço assusta o inferno fora de mim. Passos de bebê. Meu mundo tinha encolhido neste homem, sua casa, e uma lesão que esperava ter habilidade para curar. Tudo mais... isso não tinha nenhum atrativo. Um policial gentilmente diria que não poderia me ajudar. Um psiquiatra não poderia me ajudar. Mas, este homem podia. Kill acenou com a arma. — Pare de falar e entre na casa.


Eu não recuo. Eu não recuo de sua raiva ou seu poder presunçoso. Quando não me movo, ele murmura, — A polícia é tão corrupta quanto nós. No minuto em que pegarem você, você estaria vivendo um pesadelo completamente diferente. Empurrando a arma na cintura, de repente ele me empurrou para frente em sua casa. — Você é só como um show de comédia de uma mulher. Apenas cale a boca e faça o que eu disse a você. Eu não revido. Em vez disso, eu o deixei me empurrar para o corredor que nos leva para dentro de um círculo na entrada com dois andares. A arquitetura da parede curva, telhado de vidro com cúpula e escadas circulares de madeira teriam sido espetaculares se não fosse pelo homem perigoso chiando de dor atrás de mim. Eu sussurrei — Você precisa se sentar. Eu acho que você só tem mais alguns minutos antes de desmaiar. — Cale-se. Meu coração deu um estranho salto aleatório. Parte de mim queria que ele caísse inconsciente. Eu escaparia e a liberdade viriam fácil, embrulhados para presente, se ele já não fosse um problema. Mas voltei para a única coisa que eu desejava desesperadamente. Respostas para o meu mundo vazio. A parte mais forte de mim não tinha nenhuma intenção de deixar este homem desmaiar e me deixando sem nada. Ele caminhou para a escada, respirando com dificuldade a cada movimento. Ele parou com um pé no primeiro degrau. Ele olhou para cima para o patamar, e um lampejo de raiva sombria cobriu suas feições. — Você não pode subir até lá. Você vai desmaiar. Quem sabe se você pode quebrar um osso ou dois, quando você cair. Ele me lançou um olhar cheio de ódio, segurando o corrimão. Seu corpo inteiro parecia como se quisesse desmantelar sua casa e queimar a escada. Ele deu outro passo, se arrastando com o auxílio do corrimão curvo. Sua jaqueta de couro rangeu quando ele respirava com dificuldade.


Eu me preparei para ele desmaiar. Eu não sabia se eu deveria ficar por perto para tentar pegá-lo ou evitá-lo, para deixá-lo falhar por conta própria. Eu não conseguia decidir, então eu só assisti. E esperei. Ele fez uma pausa, depois suspirou com raiva. Jogando um rápido olhar para mim, ele pisou de volta em suas grandes botas e agarrou meu pulso. — Não pense que você é mais esperta do que eu —, ele resmungou. Me arrastando silenciosamente para outra porta, ele chutou-a aberta para revelar uma enorme sala estéril com dourado suave nas paredes e quadros enormes pendurados em perfeita simetria. As luzes da casa estavam escondidas, por isso pareciam acender como que por mágica, sem lâmpadas discerníveis. Kill não me deu tempo para estudar as molduras, me arrastando sobre o chão nu, de azulejos brancos até a mesa em forma de feijão enorme com quatro grandes telas de computadores, todas ligadas entre si com dois teclados na frente deles. O zumbido suave de máquinas e brilho das telas era a única animação em toda a mansão. — Onde estão todos? — Eu perguntei quando ele me jogou em uma cadeira de escritório, fazendo as rodas da cadeira correr um pouco com o meu peso. Havia um vazio sobre a casa, um silêncio que não era possível que houvesse outras pessoas residindo dentro. Kill agarrou a outra única cadeira, sentando pesadamente. Sua mandíbula estava apertada, os olhos apertados contra a imensa dor que ele devia estar sentindo. — Eu vivo sozinho. — Agarrando a arma, ele a colocou alta e claramente sobre a mesa. — Não significa que você não está em perigo. Acredite em mim quando eu digo que o torna mais perigoso do que nunca para você. Eu balancei a cabeça, olhando brevemente no quadro de imagem se elevando sobre ele. Equações. Bilhões de equações matemáticas, todas rabiscadas e transcritas em uma incompatibilidade de escrita cursiva e de impressa. Sem cor. Apenas preto e branco.


À primeira vista, parecia que uma imagem podia existir nas equações ousadas, mas, era só uma ilusão de ótica. Kill grunhiu, — Pare de olhar por cima do ombro e preste atenção. Obedeci, olhando em seus olhos verdes vibrantes, sentindo mais uma vez a recordação de ligação... conexão... amor. Amor? Me bato afastando o pensamento. Eu não sabia o significado disso. Eu tinha esquecido as pessoas que eu uma vez amei. Eu tinha esquecido meus pais, todos os amantes, ou irmãos, ou amigos. Como eu poderia esquecê-los, mas, sentir como se eu amasse esse homem horrível e sangrando que tinha me sequestrado e queria me vender? Eu estou quebrada. Eu queria sacudir a mim mesma e ver se os fragmentos de minha alma tilintavam como xícara lascada. Eu precisava encontrar uma maneira de me colocar de volta junto novamente, e rápido. Kill respirou fundo quando uma nova onda de dor fez os seus punhos apertarem. — Você disse que você pode ajudar. Por quê? Eu descansei minhas mãos nas minhas coxas nuas, desejando que a camiseta me cobrisse mais. — Eu sou uma veterinária. Ou pelo menos eu era uma veterinária, ou treinava para ser uma... Independentemente disso, eu sei como conter o sangramento. Eu espero. Não, eu sabia. Algo dentro pulsava com o conhecimento de como curar, como costurar e cuidar. Ele levantou uma sobrancelha. — Quantos anos você tem? Você parece muito jovem para ter essa qualificação. — Sua cabeça estava inclinada, desmentindo a ânsia por trás de sua pergunta inocente. Se, para descobrir como ele me conhecia ou puramente descrente sobre as minhas habilidades? Eu não sei.


Acenei minha mão. — Você realmente precisa saber? Eu pensei que você disse que não se importava com quem nós somos ou quais são os nossos nomes. Me diga onde o seu kit de primeiros socorros está, e eu vou ajudá-lo. Eu queria respostas, mas, eu não queria mostrar a minha fraqueza, pedindo. Se eu não pedisse, quanto mais eu poderia aprender com seus erros e deslizes? Ele fechou sua mandíbula, deliberação brilhando em seus olhos. Finalmente, ele se sentou e com um gemido aflito deslizou sua jaqueta manchada de sangue de seus ombros. Engoli em seco, rolando para frente na minha cadeira. — Oh meu Deus. — A visão de sangue não me intimidou, mas, o conhecimento que ele estava ferido me cortou de uma maneira que eu não poderia descrever. Ele cerrou os dentes, olhando para a sua camiseta rasgada. — Ah, merda. Esperava que não fosse tão ruim assim. Tanto sangue. Ele oscilou um pouco, a cabeça curvada, antes dele murmurar: — Banheiro, para a direita. Debaixo da pia. — Eu... eu acho que... você precisa ir para o hospital. — A quantidade de sangue fez a ferida parecer viva. Ficar em torno de ambientes explosivos, dirigindo motos na calada da manhã, e me mantendo refém certamente não ajudou a situação. Ele olhou para cima, olhar de chama verde. — Não há malditos médicos. Vá buscar o... Seus olhos rolaram para trás, sua mandíbula se afrouxou, e ele caiu para frente. Fiquei em pé quando ele caiu da cadeira, plantando o rosto para baixo no azulejo branco. Corri para frente, agarrando seu bíceps frio, esperando que eu pudesse impedi-lo de se machucar ainda mais. Mas, não fez nenhum bem. Ele caiu em uma pilha de roupas pretas e sangue, sua barba do queixo em um comprimento que parece de alguns dias. Aqueles belos olhos que viveram na minha alma, aqueles olhos que me assombraram estavam fechados.


O zumbido dos computadores continuou, mas, o resto do mundo ficou em silêncio. Sem seus olhos verdes provocando meu coração, eu respirava com dificuldade, tentando decifrar tudo dentro de mim. Isso era uma piada cruel? Ser mantida refém por um homem que tinha os olhos de alguém que possuía o meu amor e alma? Por que eu não conseguia me lembrar? Meu estômago doía com dor... com dor por ter perdido algo que eu não conseguia lembrar. Doeu pior do que qualquer coisa que tinha acontecido desde que eu acordei. A respiração de Kill era superficial, mas, ele estava vivo. Seu braço estava estendido, o rosto pressionado contra o chão duro, o corpo torcido em um ângulo doloroso. Meu coração balançou, olhando para sua forma inconsciente. Eu vivo sozinho. Minha cabeça se levantou, o olhar preso para a saída. Essa era a minha chance. A única que eu tive antes da minha vida virar de um pesadelo para um show de horror. Corra. Fiquei ali, bloqueada no local quando cenários e conclusões horríveis encheram meu cérebro. Se eu corresse, eu estaria à mercê de médicos, testes e entrevistas. Se eu corresse eu estaria correndo de um desconhecido para tantos outros. Se eu não corresse, eu estaria destinada a um mundo onde eu não seria humana, mas, um brinquedo. Eu seria abusada e violada e tratada como lixo. Vendida. Eu não podia deixar isso acontecer. Mordendo meu lábio, eu cutuquei Kill com meu pé. Eu precisava ter certeza que ele estava frio antes de eu fazer a minha fuga. Ele não gemeu ou se contraiu. Completamente inconsciente.


A arma sinistra brilhou sob o clarão das telas de computador. Eu a peguei da mesa, chocada e um pouco horrorizada com o peso. Eu não sabia que modelo era ou quantas balas ela detinha, ou mesmo como disparar a maldita coisa, mas eu segurei a alça, descansando meu dedo no gatilho, oh tão perigoso. Arthur Killian não se mexeu. Eu deveria estar me sentindo poderosa mais segura com a arma carregada em minhas mãos, mas, não o fiz. Eu me senti exposta e uma farsa. Apenas vá. Eu fui na ponta dos pés em direção à saída, olhando por cima do meu ombro, temendo que ele acordasse. Parei na moldura da porta, respirando com dificuldade. Ele ainda não havia se movido. Meu coração trovejou em meus ouvidos. Esta era a minha chance de fugir e ser livre. Mas o pensamento de deixá-lo sangrar até o fim em seu chão e morrer sozinho, eu... A conexão que sofri penetra como punhos meu coração. E se você deixar a única pessoa que pode ser capaz de conceder-lhe respostas morrer? Eu passei a mão pelo meu cabelo, odiando a confusão dentro de mim. Eu não podia deixá-lo morrer. Eu endureci. Mas, ele não era um bom homem, por sua própria admissão. Girando para encará-lo, eu apontei a arma para sua cabeça. Eu poderia curá-lo, em seguida, ir embora? Eu era a única com a arma, ele faria o que eu exigisse. Mas, para onde eu iria? Eu ainda tinha a impossibilidade de ser sem-teto, sem roupas e sem nome. Talvez, eu devesse o levar para o hospital?


Mas, se eu fizesse isso, então eu só iria voltar, conduzida pela coceira de saber e estar na mesma situação que eu estava atualmente e sem poder de barganha. Kill gemeu, lutando para acordar. Seu braço estendido se esticou para empurrar-se de pé. Ele gritou, atirando-se de costas. Meu coração bateu mais forte. Seus olhos se abriram em confusão brilhante, mesmo a partir da distância entre nós. Então recordação bateu nele, e ele inclinou a cabeça para a porta. Ele congelou quando nossos olhos se encontraram, o cano da arma apontada para seu crânio. Parecia há uma eternidade que nos olhamos fixamente. O desafio em seus olhos. A ameaça. Isso dançou entre nós, entrelaçando com a minha rebelião e precisando de liberdade, não apenas dele, mas, desta realidade em branco em que eu tinha acordado dentro. Eu queria lembrar. Pergunte a ele. Exija. Kill riu, sua alegria ecoando com a dor. — Você é uma boa mentirosa, eu tenho que admitir. — Desculpe? — Toda aquela conversa sobre me curar? O que ia fazer? Pegar o kit médico e encontrar uma maneira de enfiar uma agulha no meu olho? — Ele se contorcia no chão, batendo a mão sobre a lesão em seu peito. — Eu sou um idiota total. Deveria ter mantido você no complexo. Deixando eles lidarem com você. Eu avancei para frente, apesar de mim mesma. — Por que não? Ele olhou com raiva. — Por que não o quê? — Por que você não me deixou lá? Você deixou todas as outras meninas lá. Foi porque você está tão intrigado comigo quanto eu estou com você? Ele rosnou, — Você acha que você está em uma posição para fazer perguntas?


A arma estava quente e amigável em minhas mãos, em vez da mão de um inimigo. Corri para frente, em pé do lado de fora há uma distância agarrando, mas, definitivamente na direção para atirar, mesmo tão inexperiente quanto eu era. — Eu acho que estou em uma posição perfeita para fazer perguntas. Kill sorriu. — Só até você estragar isso. Então eu vou ter de volta a porra da minha arma e você pensara que gostaria de ter apertado o gatilho quando teve a chance. Eu ignorei isso. Nivelando a arma em sua testa, eu disse: — Um novo acordo. Vou ajudar a curar você, se você responder a algumas das minhas perguntas. Se eu gostar de suas respostas, eu vou ficar. Não vou lutar, e eu vou lhe dar de volta sua arma. Ele franziu a testa. — Por que você iria ficar? Você sabe o que vai acontecer com você. Porque eu prefiro lidar com o diabo que eu conheço ao invés do que eu não conheço. — Eu não tenho que responder a isso. Não sou eu com uma arma apontada para a cabeça. — Não, mas, será em breve. —, ele murmurou baixinho. Eu o contornei, com cuidado para ficar fora do alcance e à distância. Seus olhos verdes me seguiram sem me perder de vista. Minha pele se arrepiou. Meu coração disparou. Quando ele olhava para mim desse jeito, como se eu fosse à única coisa que importava neste mundo, o vínculo dentro de mim era esticado e reforçado. Quem era ele? Ele jogou com o meu senso de força de vontade, meu bom senso. Tudo o que eu sabia que eu deveria fazer parecia fora de questão, até que eu descobrisse se nos conhecíamos. Não podia ser tudo da minha mente. Poderia? Você está disposta a desistir de liberdade, uma vida longa e feliz, porque você precisa de garantias que de alguma forma você o conhece?


Eu balancei minha cabeça. As perguntas estavam me afogando. Eu não conseguia me concentrar no que eu estava desistindo, apenas sobre o que eu esperava ganhar. — Você vai aceitar o meu negócio ou não? Ele fez uma careta. — Não parece que tenho uma porra de uma escolha, não é? Eu balancei a cabeça novamente, meu braço começando a doer com o peso da pistola, revólver, ou o que quer que seja que eu segurava. — Não. A não ser que você queira sangrar por todo o chão do escritório. Ele riu sem fôlego. — Isso daria à senhora da limpeza algo para falar. — Eu pensei que você tinha dito que morava sozinho? — Nervosismo atacou minhas pernas, me fazendo ir em direção à porta novamente. Ele revirou os olhos, estremecendo. — Eu moro. Ela vem duas vezes por semana. — E não há mais ninguém que possa nos interromper? — A menos que você queira dizer a reunião de negócios que eu tenho em poucos dias, então não. Nada. Você está segura para fodidamente me assassinar e fazer sua fuga, antes até do sol nascer. Eu ignorei isso e me movi para me sentar em uma das cadeiras de escritório. Descansando a arma no meu joelho, eu disse: — Tudo bem, primeira pergunta. Onde estamos? Ele gemeu. — A sério? O que você quer? Um mapa? Coordenadas? Estamos em minha casa. Eu te disse. Eu salto a arma na minha perna. — Não. Eu entendi essa parte. Onde estamos? Qual cidade? Que país? A sala ficou um silêncio mortal. Sua cabeça se ergueu, a pele branca como um fantasma. — O que? Engoli em seco. Eu não tinha percebido que, ao fazer essas perguntas básicas, isso iria mostrar a minha fraqueza em troca.


O que ele pode fazer? Então, o quê, você perdeu sua memória? Ele não quer saber sobre você de qualquer maneira. Não faz você qualquer presa mais vulnerável ou mais fácil. Eu poderia até ser mais forte porque os meus segredos estavam a salvo, não importava o quanto eu queria conhecê-los. Inclinei-me na cadeira, deixando minha cascata de cabelo vermelho por cima do meu ombro. As ondas eram grossas e terminavam um pouco desordenadas. — Me responda. Quanto mais tempo isso levar, menos são suas chances de eu realmente ser capaz de curá-lo sem um médico. Kill apertou a mandíbula. Finalmente, ele disse: — Florida Keys. — Revirando os olhos, acrescentou: — Você sabe. América? Eu congelo. América? Então, eu sou uma americana? Meu sotaque não soa como isso. Talvez eles tivessem me roubado de outro país e me trouxeram aqui? — E de onde foi que os seus homens me raptaram? — Nenhuma porra de pista. Eu não administro isso. Eles tinham ordens para trazer cinco meninas, eles voltaram com seis. — Ele deu de ombros, encolhendo-se. — Eu não pedi um relatório. Eu confio em meus rapazes, mesmo que eles não possam contar. — O que vai acontecer com as outras meninas? Ele estreitou os olhos. — Não tire toda a bondade de mim. Você está no comando agora. O minuto que você começar a fazer exigências comigo para deixá-las ir ou ter a porra da misericórdia, é onde tudo termina. Seus destinos foram selados meses atrás, antes mesmo que soubessem que estávamos chegando. Finja que você nunca as viu, porque isso é o melhor que você pode fazer pela sua pouca consciência. Eu aperto a arma com mais força, meu dedo acariciando o gatilho. — Bem. Nós vamos voltar a isso. Quanto tempo eu tenho antes de encontrar um comprador para mim? Suas narinas dilataram. — Você tem as perguntas mais estranhas, porra. O que houve com onde está seu telefone? Qual é o número a ser discado para a delegacia de polícia local'? — Ele lutou para se sentar, suas


pernas abertas na frente dele, o sangue quente e brilhante no chão branco de onde ele estava reclinado. — Você não se importa que você seja minha? Você não se importa que eu esteja prestes a vendê-la? Que porra você está fazendo aqui ainda, me fazendo perguntas que não têm nenhum sentido, porra? Ele apontou atrás dele. — Pare de agitar uma arma na minha cara, e saia. Você vai ter uma boa vantagem antes que eu possa sair do meu traseiro arrependido e persegui-la. Meus olhos voaram para a porta. A tentação disparou o meu sangue, o enviando adrenalina para minhas pernas. Levantei-me, apontando o cano para o seu peito. Ele sorriu friamente. — Lá vai você, uma reação normal. Corra de mim, querida. Esta é a sua única chance. Eu avancei para a porta, meu medo crescendo grosso e rápido quanto mais perto eu cheguei da saída. Não era medo de ir ou correr seminua pelas ruas, ou até mesmo de chamar a polícia para vir e me encontrar, era a ideia de sair com ainda mais mistérios espalhados atrás de mim. Plantando meus pés no ladrilho, reuni minha coragem dispersa. Pergunte a ele. A pergunta que você pretende responder. Meu coração tropeçou. Eu queria desesperadamente saber, mas desesperadamente não, ao mesmo tempo. Ambas as respostas ameaçavam me arruinar, apenas de maneiras diferentes. Kill me olhou. — O que diabos você ainda está fazendo aqui? — Ele apontou para a porta. — Vá, droga. Eu corri para frente, perdida em minha necessidade de saber, consumida pelo desejo de olhar em seus olhos quando lhe perguntasse. De pé sobre ele, eu rosnei, — Me diga uma coisa, e então eu vou decidir o que fazer com você. Salvar sua vida ou matá-lo. Ele sorriu. — Oh, melhor fazer uma boa pergunta então, vendo como minha vida está em jogo.


Nivelando a arma para sua testa, eu sussurrei, — Eu conheço você. Eu sei disso mais profundo e mais forte do que eu me conheço. Me diga a verdade. Como conhecemos um ao outro? Algo brilhou em seu olhar esmeralda. Algo que eu teria dado minha vida para decifrar, então o chão bateu por debaixo de mim e o azulejo bateu contra minha espinha. O boom da arma ricocheteou em torno de nós quando ela cuspiu sua bala mortal na parede. A arma preta deslizou, se escondendo debaixo da mesa e fora do alcance. Kill tinha me enfiado sob seu corpo encharcado de sangue, respirando com dificuldade e cheirando a cobre. Na minha necessidade de compreender que eu tinha estado muito perto. Agora eu estava presa. Agora eu estava condenada. Kill mostrou os dentes, parecendo selvagem, imprevisível, e quase insano. — Eu vou te dizer como nos conhecemos. — Sua cabeça inclinada, pressionando os lábios contra a minha orelha. — Eu sou seu pior pesadelo do caralho e agora eu tenho todo o poder. Engoli em seco. Eu sabia. Meu pesadelo. Ele disse isso para si mesmo.


Capítulo quatro Quem

era essa mulher? Esta trapaceira e impostora? Eu queria

torcer o seu pescoço por me machucar desse jeito, mas ao mesmo tempo, eu queria rasgar através de suas mentiras e ver. Ver o impossível. Acreditar no improvável. Ela me fez querer coisas que eu tinha jurado nunca mais querer. Ela me fez fraco. Ela me fez odiar. — Kill

— Me solte. — O que, para que possa me ameaçar com a arma de novo? Você quase espalhou meu cérebro em toda a minha casa. — Seu aperto se mudou do meu quadril para a minha garganta. — Nenhuma porra de chance. Eu olhei nos olhos dele. Não havia nenhum indício do que ele tinha pensado antes que ele me abordou no chão. Seu corpo estava imóvel, seu toque me aquecendo, bem como queimando minha pele com a proximidade. Meu coração esvaziou. Não seria possível esconder esse conhecimento de seus olhos. Não havia nenhuma maneira que ele poderia esconder o que sentia quando nos conhecemos, não quando estávamos colados. Não quando nossos corações trovejavam um contra o outro. Tristeza me paralizou.


— Você está sangrando em cima de mim —, eu murmurei, empurrando sem sucesso contra o seu grande peito forte. Ele riu. — Vou fazer muito mais do que isso antes de acabar. Meu coração se alojou na garganta. — Como é? Ele abaixou a cabeça, se esfregando no meu pescoço. — Eu não conheci ninguém como você antes. Você teve a chance de correr, mas, não fez. Você faz as mais estranhas perguntas, porra, e eu não posso negar que você me excita como o inferno. Eu não conheci ninguém como você antes... Ou ele era um artista brilhante ou um mestre da enganação. Ele recuou. — Por que eu deveria vendê-la quando eu quero provar eu mesmo? Afinal, a ordem foi por cinco meninas, e não seis. — Um sorriso frio se espalhou por seus lábios. — É quase como se você estivesse destinada a ser minha. Deve ser certo, será meu aniversário em algumas semanas, você é o meu presente por lidar com toda a merda na minha vida. Meu mundo parou. — Seu aniversário? Ele sorriu. — Primeiro de outubro. O mundo começou a girar só que desta vez na direção errada. — Você é de Libra? — Eu mal respirava. Ele congelou. Cada músculo em seu corpo se tencionou. Seus olhos se tornaram armas conforme ele mergulhou no meu olhar, na minha alma. Eu o senti no fundo, procurando, rasgando as minhas memórias esquecidas, se encontrando no caos da minha existência. — Você é de Libra. Eu olhei para o que isso significa, era bastante interessante. — Eu sorri para o rapaz que segurava meu coração. Ele sorriu. — Me deixe adivinhar. Eu sou um mala, tenho um temperamento feroz e inteligente pra caralho.


Eu ri, meu cabelo vermelho brilhando na luz do luar. — Não, você é diplomático. — Sim... certo. — Ele riu. — Você tem certeza disso, mesmo com a minha reputação? Eu virei para enfrentá-lo, traçando seu rosto com os dedos. — Você é gracioso. Ele bufou. — Em minha moto, talvez, mas, em nenhum outro lugar. — Pacífico. Ele riu. — Uma mentira maior ainda. Eu balancei a cabeça, seriedade em camadas na minha voz. — Você é tranquilo. Você luta pelo que você acredita. Você luta para proteger o que é seu, mas, em seu coração... você é amável e gentil e não é uma parte deste mundo. — Minha voz caiu para um sussurro. — O mesmo que eu. Ele endureceu. As palavras "eu te amo" dançaram em seus olhos. Nós não tínhamos dito isso ainda. Mas eu queria. Merda, como eu queria. Meus lábios se torceram em um sorriso. — Você também é um idealista. Ele balançou a cabeça, se escondendo atrás do amor e verdades não ditas. — Certo, tipo, eu concordo com isso. — Ele esfregou meu pescoço. — Isto tudo soa muito bem. Quaisquer características ruins que devo procurar? Eu suspirei, meus olhos trancando em seus lábios. Eu queria que ele me beijasse. Tanto. — Superficial e vão. Ele bufou dramaticamente. — Ah, então a perfeição termina aí. — Pressionando seu corpo contra o meu, ele murmurou, — Pena que eu concordo mais com esses. A volta ao passado terminou, me atirando contra o piso de ladrilho frio abaixo do homem furioso acima de mim. Eu não podia ver o garoto do meu passado. Ele tinha sido obscurecido como se por uma lente turva ou fotografia com defeito. O que era real? O que eu poderia acreditar?


— Por que diabos você está mencionando a astrologia? — Kill exigiu. Seus dedos enrolaram na minha garganta. Minha pele se arrepiou com o calor. Cada centímetro que ele tocou desencadeou uma fogueira debaixo da minha pele. — Você está fodendo comigo. Se você acha que eu vou deixar você brincar com os meus pensamentos... — Sua raiva atada com... era, terror? O olhar perdido em seus olhos ia e vinha. — Você não é nada para mim entendeu? Você não me conhece. Você não tem nenhum poder sobre mim. E você fodidamente não me importa, nem qualquer besteira que você está tentando arrancar. — Ele baixou os lábios na minha orelha, respirando duro. — Por que diabos você diz isso? Eu não podia responder. Meu coração acelerado roubou toda a capacidade de expressão. — Me responda, porra —, ele gritou. — Agora! Tudo o que ele disse, era uma mentira. Ele sentiu alguma coisa quando eu mencionei o seu aniversário. Ele reagiu a algo escondido no seu passado. Sua raiva era uma fachada, um muro terrível em torno da dor intensa, histórica brilhando em seus olhos. — Eu não estou brincando com você —, eu sussurrei. — Por favor, me diga o que você sabe. Ele recuou, seu sangue no rosto e selvagem. — Eu nunca vou te dizer nada, porque você não é ela, droga. É a porra de um truque. Um cruel, truque vicioso. Meu coração se abriu, derramando sua força de vida. Eu teria desistido de dez anos da minha vida só para ver o que ele esconde de mim. De repente, seu fogo apagou e ele se largou em cima de mim. Seus dedos soltaram em torno da minha garganta, e eu respirei avidamente. Ele desmaiou, o sussurro limitado em seus lábios. — Você não é ela. Você não é a minha sagitária.


Eu congelei, desejando que sua confissão sussurrada fosse despertar algo dentro de mim. Apertei os olhos, deixando seu peso de massa inconsciente me pressionasse com mais força contra os azulejos. Por favor, lembre-se. Meu cérebro doía, meus olhos machucava. Sagitário e Libra. Nada. Dor filtrou através de mim. Os vaga-lumes da verdade que eu tinha visto em seus olhos à nossa volta, dispersando mais e mais rápido a cada respiração irregular. Os quadris de Kill pressionado contra o meu, uma grande fivela de cinto cavando contra a minha carne tenra. Apesar de estar quase inconsciente e cheio de dor, sua forma masculina acordou a feminilidade latente dentro de mim. Eu não podia ignorar a masculinidade entre as minhas pernas. Ou o cheiro dele de ventos da meia-noite e oceano de debaixo da pele e sangue. Meus sentidos estavam vivos e ligados, bebendo dele. Eu torci e me contorci, tentando me libertar. Eu tinha que curá-lo, tinha que corrigir isso, antes de desaparecer para sempre. Porque uma coisa era certa, eu não ia a lugar nenhum. A volta ao passado tinha cimentado a minha decisão. Independentemente do meu futuro. Seu amor por alguém, por ela, só fortaleceu minha determinação para encher ele com perguntas até que eu tivesse respostas. Os olhos de Kill abriram vítreos e pesados. Seus quadris se contraíram, esfregando contra o meu. Mordi o lábio, odiando a forma como sua pequena ação enviou eletricidade iluminando minha corrente sanguínea. Ele levantou a cabeça lentamente, piscando e parecendo drogado. A névoa de sua lesão era grossa. Eu me preocupava que na próxima vez que ele desmaiasse, ele não iria acordar.


— Eu vou fazer um acordo —, eu sussurrei. Odiando como a minha voz tinha se tornado macia e maleável. Cada centímetro dele me tornou de vítima a seduzida contra a minha vontade. Meus dedos doíam para correr pelo seu cabelo grosso, longo. Meus mamilos estavam apertados para sentir seu peito pressionado firmemente contra o meu. Eu não deveria estar pensando em sexo. Mas era tudo no que eu podia me concentrar com o quão perto estávamos. Seus olhos se alargaram, me encharcando no musgo verde. — Você não está em posição para negociar. — Ele fez uma careta, seus dentes encaixando juntos em agonia. Mantendo minha voz baixa, eu murmurei, — Eu estou em uma posição perfeita para negociar. Se você não me deixar costurá-lo e levá-lo para a cama, você vai desmaiar de novo, e eu vou estar muito longe no momento em que você acordar. Eu não vou embora até que eu entenda. Sua sobrancelha arqueou, mesmo com a dor entrelaçando suas feições. — Você devia sair. É óbvio que não serei capaz de pará-la. — Ele suspirou, deixando cair a pretensão de motociclista com raiva. — Por que você ainda está aqui? — Você sabe porque —, eu respirei. Por favor, me diga o porquê. Ele balançou sua cabeça. — Você... — Ele parou, mudando sua mente e murmurando, — Espera um pouco, você disse que queria me levar para a cama? — Seus quadris flexionaram, me testando. Eu sabia que deveria agir com repulsa, horrorizada, e com raiva contra ele se aproveitando de mim, mas, eu... não podia. Eu não iria jogar. Eu tinha muito a perder e tudo a ganhar por ser tudo o que eu era. Eu não escondi o fato de que eu o acho intensamente atraente. Eu não ia tentar fingir que eu não o queria, tudo dele, incluindo todas as lembranças que ele mantinha escondido. Meu mundo tinha encolhido de familiares e amigos e uma carreira que eu não lembro, para ele. Apenas ele e eu. Aqui e agora. A verdade era o único caminho a seguir.


Eu nunca tirei os meus olhos dos dele. — Você está se concentrando na parte errada da conversa. Se você não me deixar ajudá-lo, você vai morrer. — E isso iria trabalhar em seu favor, então por que você se importa? — Eu te disse. Eu me importo porque eu tenho perguntas, tantas perguntas, e você é o único por perto para respondê-las. Ele sorriu, mas, seu rosto perdeu a sua energia, afrouxando mais uma vez. — Eu não tenho as respostas que precisa. — Eu acho que você tem. — E se eu tiver, mas, escolher nunca te dizer, o que acontece então? Fiz uma pausa, a confiança fixando-se em meus ossos. — Eu vou fazer você dizer. — Eu sorri suavemente. — Eu posso ser muito persuasiva. Eu acho. Uma sombra de partir o coração de desespero encheu seus olhos, apenas para desaparecer um segundo depois. — Alguém me disse uma vez que eu era extremamente teimoso. — Obviamente. Caso contrário, você poderia ter me deixado livre por agora e eu estaria curando você. Ele não sorriu, tensão atando seus músculos. — Quem é você? Tristeza arrastou do nada. — Eu estou esperando que você vá me dizer. Ele olhou para longe, raiva concedendo-lhe energia. Ele rolou de cima de mim como se ele não pudesse mais estar perto. Olhando para o teto, ele rosnou, — Tudo bem, me cure. Me sentei, pressionando a palma da mão contra as minhas costas doendo. Kill acrescentou: — Eu lhe dou minha palavra que eu vou ficar aqui e deixar você me picar com uma agulha maldita. Vou até permitir que você agite a arma na minha cara se isso faz você se sentir mais segura, mas, eu quero algo em troca.


Minhas sobrancelhas se ergueram. — Você quer mais do que sua vida? Isso é um pouco ganancioso, você não acha? Sua cabeça virou e seus olhos verdes trancaram com os meus. — Eu quero saber tudo sobre você. As cicatrizes. As tatuagens. Tudo. Não me importa quanto tempo leve. Não me importa o que eu tenha que fazer para você se lembrar. — O ar brilhou quando seu temperamento cresceu. — Mas eu vou te dizer isso, se você mentir para mim, eu vou te matar. Justo e fodidamente simples. Eu não sei se você está me sacaneando ou se isso é real, mas, independentemente disso, uma mentira, e está acabado. Ele levantou um dedo, apontando rudemente na minha cara. — Você nunca minta para mim. No momento em que você fizer isso, sua vida acabou, e isso —, ele acenou entre nós — tudo o que está acontecendo com a gente, este cessar fogo ridículo acabou. Vou vendê-la e nunca pensar em você novamente. Eu estou meio que sendo manipulado querida e você não quer me fazer o seu inimigo. Ele bateu a mão sobre sua ferida, seu corpo se curvou. — Você concorda com esses termos? Eu tremia de esperança. A ligação, a inexplicável ligação latejava. — Eu concordo. Mas só se você prometer nunca mais mentir para mim em troca. Ele fechou os olhos, a testa franzida de tristeza. — Às vezes as mentiras são a única coisa que nos mantém sãos. Eu não vou te fazer essa promessa. — Suas palavras eram finais. Absolutas. Eu odiava que ele pedia muito de mim, mas, eu nunca poderia obter o que eu precisava em troca. — E se eu não puder te contar a história. Se eu nunca lembrar? Ele deu de ombros sem jeito, sua mandíbula apertada. — Então você vai ter que ficar no escuro e eu vou me livrar de você. Não faça eu me arrepender de cada merda que eu já fiz. Minhas mãos ficaram apertadas. — Do que você se arrepende? — Era algo a ver com... a gente? — Por favor... você me conhece ou não? Ansiedade fez o meu coração pulsar de dor. — Por favor… Ele tossiu. — Vá pegar o kit médico. Eu não estou me sentindo... — O rosto dele desvaneceu.


Droga. Eu me levantei, eu o deixei no escritório e sua multiplicidade de telas de computador, e corri para o banheiro. Tentei duas portas, uma para uma sala de estar e outra para uma sala de TV, antes de encontrar o banheiro. Parecia estranho estar correndo descalça e sem roupa intima na casa de um homem que tinha me roubado de minha vida e que dirigia uma gangue de motociclistas. Todos os pensamentos de deixar ele tinham desaparecido. A porta da frente não me provocou, nem o telefone na base da escada. Nada poderia me dar o que eu precisava. Somente o homem grosseiro sangrando no chão. E se ele se recusar a me dizer? E se ele se cansar e me vender? Meus pensamentos exigiam algum raciocínio, mas, eu não poderia dar qualquer um. Eu só sabia que eu não podia sair. Ainda não. Esta pode ser a sua única chance. Você não pode confiar nele. Confiar nele era o preço que eu tinha que pagar. Ele disse que iria me manter até que eu pudesse dizer a ele a história da minha tatuagem e cicatrizes. Pode levar um dia para eu lembrar, ou um ano. Ele deseja me manter. Você espera. Afastando meus pensamentos, entrei no banheiro, onde um box envidraçado, chuveiro e pia individual me acolheram com mosaicos espumantes brancos. Não há espelho, o que me fez me perguntar como eu me parecia. Outra imagem de equações matemáticas penduradas nas paredes brancas.


Os computadores e quadros, ele era um gênio? Um gênio do mal que puxa as cordas do mundo através do uso de códigos? Abrindo o armário sobre a pia, eu achei o que eu estava procurando. Agarrando a caixa de plástico vermelho brilhante com a cruz branca, eu fiz o meu caminho de volta para o escritório. Kill estava deitado de costas, um braço jogado sobre os olhos, os lábios entreabertos. Ele não se moveu quando eu caí de joelhos ao lado dele e abri o casaco. Ele não se contorceu enquanto peguei a tesoura estéril e cortei sua camiseta arruinada fora. Eu empurrei a roupa sangrenta de seus ombros e seu braço caiu longe de seus olhos. Ele estava inconsciente novamente. Espero que continue assim para a próxima parte. Olhando para o estojo de primeiros socorros, selecionei algumas toalhas antissépticas, peguei uma agulha, e enfiei o fio de pontos médicos. O kit era bem equipado, mais do que o normal de todos. Por que ele tinha a necessidade de algo com a sua própria bateria e desfibriladores? Você realmente precisa de uma resposta para isso? Seu estilo de vida era obviamente perigoso. Ele segurou o respeito da maioria dos homens que voltaram para o complexo, mas, não todos. Ele tinha sido desafiado e ferido. Para viver em um mundo onde a vida era uma incerteza que exigia o uso de uma caixa de primeiros socorros médicos como esta de vez em quando. Limpando o peito de sangue, eu derramei uma quantidade razoável de Betadine6 em sua ferida para desinfetar, em seguida, tentei conter o sangramento da melhor maneira possível com o uso de gaze. Segurando-a para baixo com a pressão, eu rapidamente bati no seu peito com um algodão embebido em álcool, observando suas funções com cuidado para ver se ele acordava. Nada. 6

Betadine é indicado para o tratamento dos sintomas da Síndrome de Ménière, como vertigens, náuseas, vômitos, perda de audição e zumbido no ouvido e no tratamento da tontura causada pelo mal funcionamento do ouvido, em adultos e crianças.


Meu coração trovejou em meus ouvidos, mas, minha mão estava firme. A memória assumiu quando eu descansei de joelhos ao lado do peito nu de Arthur Killian e apertei as extremidades enrugadas de sua ferida. Imaginei que era de cinco a oito centímetros. Bastante profundo, feito por algo afiado, como um canivete ou um ponto irregular. Eu esperava que o músculo não estivesse rompido ou necessitaria de costura interna, porque tudo o que eu poderia fazer com os itens que eu tinha era costurar a camada exterior. Ele tem sorte que não foi sobre seu coração. A ferida estava no lado direito do peito, a cerca de um palmo de seu mamilo. Meus olhos deslizaram sobre seu corpo, nos músculos firmes, as sombras profundas que formavam um tanquinho de seis, o peito sem pelos, e a trilha feliz de pelos escuros desaparecendo em seus jeans. Ele tinha os músculos em V mais perfeitamente formados, me provocando com tudo o que era do sexo masculino. A fivela do cinto que tinha atolado em mim tinha o mesmo emblema de sua jaqueta, um ábaco e um crânio com uma cascata de moedas saindo de sua boca. Ele precisava de uma limpeza completa. Havia lama e sujeira em cima dele, para não mencionar o sangue seco. Respirando fundo, eu empurrei a agulha através de sua carne, costurando os dois lados juntos. Ele não vacilou. Sua respiração ficou rasa, mas, regular. Uma bênção, eu supunha. Perdi a noção do tempo enquanto eu costurava e atendia ao homem que eu deveria ter deixado sangrar e correr para longe. Salvei sua vida, tudo isso enquanto a minha estava na balança. Mas, eu fui recompensada com algo semelhante a paz. Serenidade. Em parte por fazer algo que, obviamente, tinha talento, eu também estava salvando alguém que poderia me salvar em troca. Eu sabia. Completamente. Ele tinha as respostas, eu só não sabia se ele iria compartilhá-las comigo.


Nos últimos pontos, Kill respirou duro, seus olhos queimaram arregalaram. — Ah, foda-me, isso dói. — Ele tossiu, tentando se afastar da agulha inserida no seu músculo. Eu cerrei os dentes, mantendo uma pressão firme em seu ombro. — Eu não acabei. Eu tenho um pouco mais para fazer. Fique parado. Ele me olhou com raiva. — Parece que você está me massacrando. Eu puxei a agulha, enfiando nele através da segunda parte de sua ferida. — Eu estou arrumando você. Não gema. Ele riu sombriamente. — Gemer? Senhora, você tem sorte que eu não esteja uivando. Eu mantive costurando enquanto ele mastigava o interior de sua bochecha e me permitia terminar. Com cada punção ele se contraia, seus músculos apertando e respiração presa. — Você foi ferido em outro lugar? Ele riu, em seguida, voltou a tossir. — Você está brincando, certo? Fizemos contato visual. Um pequeno sorriso enfeitou os meus lábios. — Eu quis dizer se há algo quebrado ou outros cortes graves que eu deva saber? Ele fez uma pausa, olhando em silêncio, como se não pudesse me entender em tudo. A suavidade em seu olhar enviou uma vibração de borboletas na minha barriga. — Não —, ele murmurou. — Nada que você possa corrigir. Eu respirei fundo, morrendo de vontade de perguntar o que o perturbava. Ele carregava algo profundo, algo que o manchou, pairando sobre sua cabeça como uma nuvem de trovão. Deixando cair o meu olhar, eu amarrei o ponto final e me sentei sobre os calcanhares. Sua testa pontilhada com suor, embora seu corpo estivesse gelado e muito branco. Ele não deveria estar no azulejo, mas, eu não seria capaz de movê-lo. Ele teria que ficar lá até que pudesse se mover.


— Fique aqui, — eu pedi, levantando com dificuldade. Ele fechou os olhos, um sorriso puxando sua boca. — Onde diabos eu estaria indo? Eu mal consigo ver direito. — Eu simplesmente cheguei à mesma conclusão. — Eu corri do quarto e voltei para o banheiro. Agarrando as toalhas de rosto e uma bacia em forma de concha sobre a pia, enchi a tigela com água morna, peguei todas as toalhas de banho do aquecedor de toalhas, e caminhei de volta para o escritório. No último segundo, eu larguei as toalhas e coloquei a água quente na entrada da sala, e corri para o andar de cima. Eu posso pagar por correr pelo corredor e olhar pelos vários quartos? Talvez, mas, eu tinha um objetivo, e sem segundas intenções. Indo para o quarto no fim do corredor, eu parei e entrei. Ele era o único onde parecia que viviam nele. A cama king-size não foi feita, as cobertas abstratas em preto-e-branco agrupadas de um lado. O cheiro de sabonete masculino e loção pós-barba misturado com mais de couro e oceano. Na ponta dos pés no quarto de Kill, olhei para ver se havia fotos ou itens pessoais. A casa era muito austera, faltando uma alma. Agarrando o cobertor grosso preto do final da cama, eu fiz o meu caminho para sair, mas, algo chamou minha atenção sobre uma mesa onde as moedas e um isqueiro descansava. Escondido contra a parede, parecendo como se ele tivesse sido manuseado muitas, muitas vezes, estava uma borracha. Meu coração se apertou com uma dor parasita através do meu sangue. — Eu não ligo para o que os traços são. Você poderia ser qualquer sinal da estrela e eu te amo. Ele suspirou profundamente, se aninhando em meu pescoço. — Eu vou ser alguém que você quer que eu seja, enquanto você continuar a me dar seu coração. Eu me afastei, afogando na adoração em seu olhar. — Para sempre. — Para sempre.


A borracha. Isso machuca. Isso dirigiu um pico profundo no meu coração, me fazendo chorar em impaciência. Os mistérios não resolvidos que eu queria com cada respiração minha saber agora. Nesse mesmo instante. Com dedos trêmulos, eu peguei a borracha, alisando a forma desaparecida das balanças de um signo de Libra7.

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Capítulo Cinco Eu

derivei em agonia, minha mente tocando memórias muito

inchadas com ódio e nojo de demorar muito tempo. Tudo dentro de mim cheirava com a necessidade de colher vingança. Era tudo que eu vivi, tudo o que eu comi, tudo o que eu respirava. Até ela. Até a impostora com olhos verdes. — Kill

O olhar de Kill abriu ao som da grande bacia tinindo no azulejo. Uma pequena onda de água quente espirrou no chão. Colocando as toalhas ao lado de sua cabeça, eu mantive o cobertor longe por agora para que ele não molhasse. Ele levantou uma sobrancelha. — O que exatamente você está fazendo? Meu coração ainda doía, minha mente desesperadamente tentando desbloquear o significado da borracha. Isso significava alguma coisa. A conexão, o flashback. Me recusei a encontrar seus olhos. — Limpando você. Você está coberto de sangue. É anti-higiênico. Então, se você pode se mover, você precisa ir para a cama para descansar; se não, eu vou te fazer uma cama aqui e eu vou te dar algo para comer. Ele olhou por um longo momento, seus olhos em guerra com espanto e incredulidade. — Você vai me limpar? — Ele engoliu em seco. — Você vai


me banhar, me alimentar, e ficar... mesmo que apenas algumas horas atrás meus irmãos tenham sequestrado você e você acordou no complexo do Pure? Ignorando a maior parte disso, eu perguntei — Pure? Ele franziu a testa, ainda incapaz de descobrir se eu era louca ou apenas incrivelmente estúpida. — O Pure Corruption. Meu MC. Você entende que eu sou o presidente? — Sua mão se moveu, pesada e um pouco instável para pressionar contra a minha têmpora. — Estou seriamente temendo por sua capacidade mental. Ignorando isso, também, perguntei: — Como você se tornou presidente? O mantenha falando. Cada palavra de seus lábios era como uma migalha de pão que conduzia a uma refeição que eu desesperadamente queria devorar. Ele respirou forte. — Não é da sua maldita conta. — Por que você mora sozinho e não com os seus irmãos? Não é um requisito para viver como uma família feliz? Ele rosnou, — Mais uma vez, não é da sua maldita conta. E eu sou a porra do presidente. Eu posso fazer o que quero, então pare de fazer perguntas. Eu balancei a cabeça, olhando para a fivela do cinto. — Certo. Tire suas calças fora se você não quer falar. Ele meio que riu, meio gemeu. — Você é a mulher mais estranha que eu já conheci. — Ele olhou para baixo, para sua frente sem camisa. Em vez de os sorrisos irônicos que ele estava dando, seriedade brilhava em seus olhos. Ele parecia mais jovem e mais velho, tudo ao mesmo tempo me dando um vislumbre de autenticidade abaixo do exterior áspero. — Você quer me levar para a cama e para fora das minhas calças? — As palavras fingiam ser joviais, mas, o tom... não era. Algo puxou no meu estômago, mais forte do que o puxão no meu coração. Meu couro cabeludo formigava com intensidade e a sala de teto alto com seus computadores zumbindo tranquilos ficaram cheios de consciência estagnada. Engoli em seco, amaldiçoando o salto em meu coração acelerado.


— Você poderia me deixar fazer? —, eu sussurrei. Kill respirou, seu estômago ondulando. Os pontos, crus e vermelhos em seu peitoral pareciam zangados contra a brancura da sua carne. A borda de uma tatuagem espiou a partir dos lados das suas costelas, insinuando um pedaço completo na parte de trás. — Eu vou descobrir quem você é, menina esquecida. E quando eu fizer isso, você não estará a salvo de mim. — Sua voz sussurrou ao meu redor, uma armadilha da qual eu duvidava que eu ficasse livre. — Estou contando com isso. E quando você descobrir quem eu sou, me diga. — Eu olhei em seus olhos, transmitindo o meu desejo. Desvendando a minha vida. Então eu não estaria trancada no escuro com uma conexão insondável. Minha mão foi provisoriamente para a fivela. Sem uma palavra, ele me empurrou, alcançando o cinto. Ele estremeceu, deixando seu braço direito cair para o lado dele. — Pensando bem, eu não posso fazer isso com uma só mão. Você vai ter que ajudar. Tomando uma respiração profunda, eu o ajudei a desfazer a fivela de prata pesada, então meus olhos bloquearam com os dele quando ele estalou o botão de cima e moveu a mão longe do zíper. Nós não falamos, mas, algo tão nítido e em sintonia pairou entre nós. Ele falou em verso sussurrado, em letras que mal reconheci. Kill limpou a garganta. Eu não me movi. Então, meus dedos se agitaram sobre a parte mais privada dele, agarrando seu zíper e puxando devagar, oh tão lentamente, para baixo. Ele cerrou os dentes. A calça jeans estava aberta, mostrando a cueca boxer cinza escuro. Ele arqueou seus quadris, me dando espaço para arranca-las para baixo. Meus olhos voaram rapidamente para a arma descansando debaixo da mesa. Eu poderia rastejar para ela dentro de segundos. Eu poderia segurá-la em sua cabeça enquanto eu ficava de pé e me afastava. Ele não iria morrer, não agora que eu obstruí o sangramento.


Eu não tinha necessidade de fazer perguntas. Eu tinha recebido tudo o que eu precisava saber. Mas eu não podia. Eu simplesmente não podia. O único som era o baque de seus pesados jeans enquanto os tirava das grandes pernas. Seus quadris caíram sobre os azulejos frios e meus olhos se prenderam em uma grande obra de arte encapsulando toda a sua perna esquerda. O desenho era das ondas quebrando com símbolos ocultos, equações e promessas escondidas na espuma. Uma menina, cujo cabelo vermelho fluía com a maré e desaparecia na sua cueca, sorria sensualmente, enquanto a cauda verde de sua sereia beijava seu joelho. O maldito signo de Libra estava lá, também, repetido várias vezes, mais um lembrete de algo que eu tinha esquecido. — Você não é nada como eu esperava ser um motociclista. — Você tinha expectativas? Isso é perigoso. Eu fiquei tensa, querendo traçar as belas cores em sua perna. — Independentemente disso, parece que temos algo em comum, — eu sussurrei. Ele respirava com dificuldade, chutando o material por seus pés. Seus olhos caíram para o meu lado coberto com a camiseta, quase como se ele pudesse ver a minha tatuagem por baixo do pano. — Parece que sim. Sua resposta enigmática fez meus mamilos enrijecerem. Algo inegável me chamou a ele. Algo que eu duvidava que eu jamais fosse capaz de entender. Eu empurrei. Agarrando a primeira toalha branca e fofa, eu bati seu quadril. — Erga-se. Vou colocar isso embaixo de você. Ele sorriu. — Se você está preocupada que eu deixe os azulejos molhados, não se preocupe. Fiz uma careta. — É para você. Você está congelando. Seu corpo teve o suficiente.


Ele congelou, seus olhos procuraram os meus, mais profundo, mais duro do que ninguém antes. — Quem é você? —, ele respirou novamente. — Por que diabos você se importa se eu estou desconfortável ou sangrando até a morte? — Você tem alguém para cuidar de você? —, eu odiava o pensamento de outra mulher ter estado perto dele. Estou com ciúmes. Ele nunca parou de olhar. — O que isso importa? — Por que é um mistério ser cuidado? Eu não posso deixá-lo morrer. — Qualquer outra garota teria puxado o gatilho no momento em que ela tivesse uma arma nas mãos. Eu perguntei: — Se eu não tivesse ajudado você, quem teria? Você vive sozinho. Aqueles homens no complexo pareciam estar metade do seu lado e metade não. Você tem um estojo de primeiros socorros abastecido com coisas que eu duvido que sejam legais, mas você está espantado que eu estivesse disposta a impedi-lo de morrer. Acho que a principal questão é: quem é você? Me diga. Ele não respondeu por um minuto, levantando seus quadris novamente para mim para eu espalhar a toalha debaixo dele. Sua boxer era tão apertada que não escondia o contorno muito óbvio de seu pênis grande, mas flácido. Seu tom de voz caiu para uma maldição. — Ninguém. — Ninguém? — Eu não sou ninguém. E ninguém me ajudou. No meu mundo você sobrevive ou você morre. Você não depende dos outros para ter certeza de fazer qualquer coisa. É a primeira porra de lição que se aprende. — A dor em sua voz entalhou em volta do meu coração, o apertando. — Isso não soa como uma lição divertida. Quem te ensinou isso? — Eu sussurrei, rastejando até os seus ombros e tocando sua lateral para ele se sentar, para que eu pudesse colocar outra toalha abaixo de seu torso.


Ele obedeceu, sem tirar os olhos dos meus. — Eu não sei por que estou cedendo a você, mas se você quer saber, foi meu pai. Pai. — Buttercup8, não vá longe. Eu só vou estar aqui um segundo. Sorri para o meu pai. Meu grande urso de pelúcia, um pai forte, que sucumbiu ao meu desejo e me apelidou de Buttercup depois do meu filme favorito de todos os tempos: A Princesa Prometida. O sol estava se pondo, o que mostrava a silhueta de seu grande corpo com um tom vermelho-alaranjado. A breve memória era desbotada. A voz de meu pai era alta em meus ouvidos como se tivesse literalmente acabado de falar, mas, eu não conseguia me lembrar como ele era, cheirava, ou mesmo se ele ainda estava vivo. Saudade e desespero causaram uma bola de lágrimas na minha garganta. Kill não tinha notado a minha viagem para o passado, seus olhos espremidos quando uma nova onda de dor cortou através dele. Ocupando minhas mãos, eu murmurei — O que aconteceu? Por que seu pai lhe ensinou uma lição tão brutal? Seu rosto caiu, qualquer calor que tinha mostrado desapareceu quando ele rosnou: — Nada aconteceu, porra. Não é da sua maldita conta. — Ele atacou, envolvendo seus dedos ao redor de meu pulso. Eu congelei. — Eu nunca deveria ter mencionado ele, porra. Não me faça mais perguntas, especialmente sobre ele. Entendeu? Meu coração se alojou na garganta. Eu balancei a cabeça. Seus dedos apertaram, cortando minha circulação até que pequenos batimentos cardíacos zumbiam em meus dedos, em seguida, ele soltou. Suspirando pesadamente, ele olhou pensativamente para o teto.

8

Buttercup, também conhecido como botão de ouro, é nome de uma flor.


Eu me ajoelhei ao lado dele, com medo, ansiosa, e acima de tudo, queimando com curiosidade. Não era apenas o meu passado que estava se apagando. Kill tinha feito a mesma coisa com o seu. Lentamente, eu coloquei minhas mãos na bacia de água morna, apertando a flanela livre do excesso de água. — Desculpe, — eu sussurrei. — Eu não queria incomodá-lo. — Eu balancei o pano e coloquei sobre o sangue seco em seu estômago. Seus olhos flamejaram com o calor. Ele olhou para cima, bloqueando nossos olhares. — Você é uma menina muito estranha. Menina. Não mulher. Porque naquele momento eu realmente queria que ele pensasse em mim como uma mulher? Ele tinha me visto nua. Ele tinha sido afetado, não tinha? Sua atenção cintilou entre as minhas pernas, onde a camiseta fez pouco para esconder a nudez. Ele gemeu baixinho, mascarando com a dor, mas algo dentro reagiu. Algo primal. Meus olhos foram para sua virilha. A flacidez tinha dado lugar a algo mais firme, seu pobre corpo privado de sangue fazendo uma tentativa para enviar suprimentos para o sul. Eu não deveria estar tão satisfeita, mas, um pequeno sorriso puxou em minha boca. — Pelo menos sabemos que você provavelmente vai sobreviver. Ele olhou para baixo, havia raiva em seus olhos, em seguida, diversão irônica a substitui. Ele deu um meio sorriso. — Acho que é uma boa notícia para todos. Timidez se apoderou de mim, e eu dobrei minha cabeça, esfregando o pano úmido sobre seu torso machucado e sujo, limpando ele lentamente. O silêncio caiu entre nós, mas, não foi estranho. Mais como repousante... pacífico.


Minutos se passaram enquanto eu transformei sua carne suja para limpeza rosa. Agitando o pano na tigela, eu o torci e lavei sua perna esquerda, estudando sua tatuagem de perto. Arthur pigarreou. — Você teve o seu quinhão de perguntas sobre mim. É a minha vez. Qual o seu nome? Minhas mãos se detiveram em sua rótula. Nome? Fechei os olhos, procurando profundamente dentro por algo. Uma dor de cabeça floresceu, me empurrando para trás, batendo a porta trancada na minha cara. Voltando a limpá-lo, eu sussurrei, — Eu não sei. — O que quer dizer com “você não sabe”? Dei de ombros. — Eu não me lembro de nada além de acordar na van antes que você tirasse minha venda. — Nada? — Sua voz era de surpresa, parte incrédula. — Eu pensei que você estava inventando essa merda. Eu balancei a cabeça, mais uma vez limpando o pano. A água era agora cinza e manchada de vermelho. — Eu gostaria, então eu poderia ter as respostas que eu preciso e entender o que eu ainda estou fazendo aqui. Kill apertou a mandíbula. — Acho que tem que agradecer a sua memória de merda por estar viva, então. Mudando para o outro lado de seu corpo, eu passei o material sobre sua perna direita, meus olhos nunca deixando sua tatuagem. Ela parecia velha. Pouco desbotada na cor, mas as linhas eram aguçadas e bem desenhadas. — O que isso significa? Ele respirou fundo, indo imediatamente na defensiva. — O que a sua quer dizer?


Sentei-me no meu calcanhar. — Eu acabei de dizer a você, eu não me lembro de nada. — Bem, o preço para conhecer a minha tatuagem está em me contar a história da sua. E desde que parece ser um preço que você não pode pagar... — Você está protegendo seu desenho? — Você não está? Nós fervilhamos. Meu peito subia e descia abaixo da camiseta. Os músculos de Arthur destacaram-se enquanto o sangue brilhou em torno de sua ferida. Finalmente, eu abaixei a cabeça, retomando a minha limpeza. — Bem. — Você tem um sotaque. Você lembra se você viveu no exterior? — ele disparou, dissipando a animosidade entre nós. Era estranho pensar que apenas uma hora atrás, tínhamos ameaçado matar um ao outro. Agora ele estava quase completamente nu e permitindo-me lavá-lo. Em alguns aspectos, mesmo que ele fosse negar, ele confiava em mim. E de certa forma eu não podia negar ou explicar, eu confiava nele. — Não —, eu murmurei, limpando a última da sujeira de seu peito. Lavei o pano, e pairei sobre seu rosto. — Posso? Ele ficou tenso, então balançou a cabeça lentamente. Com delicadeza infinita, eu pressionei o pano contra seu rosto, limpando a lama, sangue e sinais de batalha. Pequenos arranhões eram visíveis, agora a sujeira havia sido removida. Sua bochecha foi dividida ligeiramente por um soco no rosto, e um pequeno rasgo em sua orelha, que iria curar. Apesar da facada no ombro, ele parecia surpreendentemente intocado. Mordi o lábio, me concentrando enquanto eu limpava com cuidado abaixo de seus olhos e até a testa. Seu cabelo longo manchando os azulejos e a toalha abaixo.


— Eu preciso ser capaz de chamá-la de alguma coisa —, ele murmurou enquanto eu passava o pano sempre muito delicadamente ao longo de sua mandíbula. Olhei para cima, aprisionada pelo seu olhar verde. — Dê-me algo. Algo que você queira que eu te chame. Buttercup. Eu imediatamente descartei a ideia. Isso foi precioso com o meu pai. Se eu não pudesse me lembrar dele, isso seria a única coisa que eu teria. Eu não queria um homem que parecesse carinhoso e normal em um minuto, e no próximo, tirânico e monstruoso. Eu balancei minha cabeça. — Eu não tenho uma sugestão. Você escolhe. Ele riu. — Eu não sou exatamente imaginativo. Eu desviei o olhar, deixando cair o pano sujo na água e movendo-me para pegar outra toalha. Arthur se moveu repentinamente, agarrando minha cintura e me puxando para cima dele. Ele fez uma careta quando o meu corpo estava estendido no seu, peito a peito, quadris nos quadris. Eu me senti tão delicada e sem força, repousando sobre sua massa. Seus músculos estavam duros, sua pele aquecida abaixo de mim. Eu me contorci. Ele só me segurou mais apertado. — Você percebe que cada movimento que você faz me faz ter vislumbres de seu corpo, de lugares que deviam estar escondidos, está me deixando louco, porra. — Ele segurou a minha nuca, me trazendo para mais perto. — Você não está usando calcinha debaixo da minha camiseta, eu estou com uma concussão e privado de sangue, mas isso não para meus pensamentos sobre coisas que eu não devia pensar. Espere, sua camiseta? Eu parei de me mover. — Você está me culpando por fazer você se sentir desconfortável? Você me fez tirar tudo. Lembra?


Ele sorriu friamente. — Eu não disse nada sobre estar desconfortável. — Seu rosto endureceu. — Ter você na minha frente nua era uma coisa, têla brincando com fogo enquanto você se importa comigo é totalmente outra. Meus pulmões ficaram cheios. Seu braço estava em volta de minha cintura nos meus quadris, me pressionando firmemente contra ele. Eu engasguei com a dureza de sua ereção cavando em minha barriga. — Parece que meu corpo está recuperando o sangue perdido muito rapidamente. Eu não conseguia falar. — Era este o seu plano o tempo todo? Me fazer pensar que você se importava comigo, então eu iria deixá-la ir? Fora do que... decência? — Ele segurou meu queixo, seus olhos perfurando os meus. — Porque, se esse é o seu plano, menina esquecida, então você não me conhece. — Sua voz caiu para um sussurro mortal. — Eu não conheço a palavra ‘decente’. A vida bateu essa palavra esquecida por Deus para fora de mim, juntamente com o conhecimento do perdão, gentileza e do certo e errado. Eu tremi pela promessa que em seu tom pingava com emoção crua... a verdade. O que aconteceu em seu passado lhe tinha marcado tão certo como minhas queimaduras. — Eu não tinha um plano —, eu sussurrei. Ele se empurrou contra mim, machucando meu clitóris com a rigidez de seu membro. — Você ganhou, no entanto, não é, esquecida? Estou quase nu e em uma cama improvisada de toalhas. Não é isso que você queria? Minha respiração ficou presa em meus pulmões. — Minha intenção nunca foi dormir com você. — Besteira. — Desculpe? — Você me quer. Eu vi isso nos seus olhos no momento em que nos encontramos.


Raiva correu pelas minhas veias. — No momento em que nos conhecemos, você tirou uma venda dos meus olhos no meio de uma batalha e mortes. Sexo estava longe de minha mente. Ele balançou sua cabeça. — Isso não é o que quero dizer e você sabe disso. Apesar de tudo, a memória de suas mãos em meus quadris e a intensidade entre nós enquanto ele me despojava no complexo voltou. Calor inundou o meu núcleo. O medo veio espesso e rápido. E se eu for casada? Ou já pedida em casamento? Quem eu trairia se eu permitisse isso... isso me deixava irritada, um estranho danificado torcendo minhas intenções? Eu não sabia se eu estava sobre a proteção ou a minha experiência sexual. Eu não sei de nada. Lágrimas arrepiaram novamente e por alguma razão inexplicável Kill me deixou sair. Eu corri para longe, me levantando. Eu não conseguia parar meus olhos de se fixar para a ereção entre suas coxas. Ele sorriu, mas, foi triste, escondendo algo que eu não conseguia entender. — Você nunca vai me ouvir dizer isso de novo, de modo que deve ouvir de perto. Eu parei. Ele engoliu em seco, como se lhe doesse fisicamente expressar as palavras que devem ser sua segunda natureza. — Obrigado —, ele retrucou. — Obrigado por não me matar e correr. Obrigado por me costurar. — Respirando fundo, ele se ficou de pé e subiu cambaleando. Ele cambaleou, agarrando a cadeira de escritório quando ele caiu para frente. Mudei-me para pegá-lo. — Você não deveria estar de pé. Ainda não. Ele balançou sua cabeça. — Eu não vou passar a noite no chão da porra do meu escritório.


— Eu te trouxe um cobertor. Eu posso deixá-lo confortável. Ele balançou a cabeça, a testa franzida. — Sem chance. Se agarrando em mim, ele passou o braço em volta dos meus ombros, me usando como uma muleta. — Me leve para a cama, menina esquecida. Eu estou pronto para dar a este dia a porra do descanso.


Capítulo Seis Eu

tenho sido alimentado com mentiras toda minha vida. Eu me

tornei um mestre em sentir mentiras. E a mulher atualmente residindo na minha casa, a mulher que tinha me curado cheirava terrivelmente tóxica. Um perfume que me faz querer correr em um batimento cardíaco e, em seguida, fodê-la no próximo. Ela me fez encarar as coisas que eu já não era forte o suficiente para enfrentar. Ela me fez olhar a farsa do passado dela e ansiar. — Kill

— Não. Não! — “Não” não é uma palavra no meu vocabulário, pequena. — Mas deveria ser... — Eu não deveria ser nada. Especialmente a porra de uma babá para um traidor. O cheiro de fumaça penetrou sobre os meus sentidos como uma droga, a droga horrível, debilitante que me mergulha em terror branco e quente. O medo que eu nunca tinha compreendido apertou meu coração até que eu não conseguia respirar. Está obstruindo meus pulmões até que eu engasgo para obter ajuda. Em seguida, o crepitar e chamuscar de móveis queimando rugiu tão alto, tão assustadoramente alto. — Socorro!


A gargalhada fria era a única ajuda que recebi. — Queime menina. Queime. Eu fui acordada por grandes mãos me tirando do pesadelo, me despejando em uma realidade que prefiro não enfrentar. Uma realidade sobre a qual eu não tinha nenhum controle. — Pelo amor de Deus, mulher. — Kill se inclinou sobre mim, seus olhos verdes mergulhados nos meus. — Pare de gritar. Ele. Os olhos verdes do meu amante. Os olhos verdes do meu assassino. O passado me agarrou, me arrastando de volta para fumaça, chamas e dor. Eu gritei. As comportas das minhas lágrimas, medos e tensão das últimas horas vacilam, vomitando tudo em um gemido alto. Eu soluçava. Eu chorava. Eu estava totalmente desolada. E eu fiz isso sozinha. Eu era um oásis de luto quando Arthur Killian ficou lívido ao lado da minha cama. Lampejos de ontem voltaram, vibrando em torno de mim como flocos de neve de memória. Sequestrada. A ameaçada de ser vendida. Costurá-lo. O alívio de finalmente ter um chuveiro e me afundar em uma cama macia e quente. — Pelo amor de Deus, pare. — Kill sacudiu a cabeça. — Pare com isso, ou eu vou ter que amordaçar você, porra.


Parei imediatamente. Minhas lágrimas secaram como se nunca tivessem existido, e a minha respiração áspera recuou. Ele suspirou profundamente. — Muito melhor. — Seus belos olhos verdes estavam vermelhos e cansados, mas, seu rosto tinha um brilho saudável e sua barba comprida no queixo foi puxada para trás de seu rosto. Sua camiseta preta escondia a minha obra, mas ele manteve seu braço direito protegido por seu corpo. Olhei atrás dele, vendo no quarto onde eu dormi. As paredes brancas, cortinas diáfanas, e decoração indefinida que poderia ter sido de qualquer hotel em qualquer cidade em todo o mundo. Ele me trancou aqui. Depois de uma subida tortuosa até as escadas, ele me deixou sozinha neste quarto, e girou a chave. Ele me deixou cuidar dele, então me trancou como uma prisioneira. Levantando mais alto sob as mantas, eu olhei através do brilho quente do sol em cascata através da janela. — Você realmente deve usar uma tipoia até que os músculos não estejam tão doloridos. — Eu apontei para o braço duro. — Você não quer romper os pontos. Ele afastou-se da cama. — Você não é minha enfermeira por mais tempo. Levante-se. Temos negócios a tratar. — Negócios? Ele assentiu. — Você pode ter comprado algum tempo, me fazendo ser... ah sim, essa palavra que eu odeio... grato, mas eu tenho pessoas para lidar, coisas para organizar. — Agarrando as cobertas, ele tentou arranca-las de cima de mim, mas, eu me enrolei nelas e não as soltei. Ele fez uma careta. — Tenho merdas para ver, querida, e eu não vou deixar você aqui sozinha. Eu não confio em você, porra. Então você vai vir comigo. — Salvei sua vida na noite passada, mas, você não confia em mim? — Eu passei meus braços em torno de minhas pernas, abraçando o calor dos cobertores.


O que aconteceu com a conexão que se formou na noite passada? A trégua? Ele sorriu. — São as razões pelas quais você salvou minha vida ontem à noite que eu não confio em você. — Se movendo para a cômoda preta envernizada ao lado do banheiro, ele puxou uma gaveta e tirou algumas roupas. Calções e outra camiseta preta que dizia: “E A VINGANÇA SERÁ DOCE.” Eu olhei para ele. Ele parecia irritado e amargo, sem nenhum vestígio do homem que eu tinha vislumbrado, não importa quão brevemente, ontem à noite. Não havia como negar que ele tinha uma vingança contra alguém. — Coloque. Nós vamos pegar algumas roupas para você esta tarde. — Você está me vestindo agora? — Você quer andar nua? — Não. Ele andou até a porta. — Bom, coloque as merdas das roupas. De repente, ele mudou de rumo, batendo de volta para a cama. Ele já estava vestido com calças pretas, camiseta, e grandes botas de motoqueiro. Agarrando o fim das cobertas, ele puxou elas de cima de mim, me deixando exposta e com frio. — Ei! — Eu gritei quando ele me empurrou para as minhas costas, e puxou a barra da minha camiseta, expondo minha nudez abaixo. Seus olhos não fixaram na minha buceta ou seios, mas na tatuagem decorando toda a minha esquerda. Suas narinas dilataram enquanto seguia as cores para baixo no meu quadril e no perímetro da minha perna. Seu rosto escureceu, o olhar agitado com perguntas. — Você realmente não se lembra de nada sobre isso? — Ele cutucou o meu quadril, onde um spray da flor de miosótis azul-cobalto dança alegremente entre a sombra negra de fumaça por baixo. — Não. Ele cutucou minhas feias, queimaduras brilhantes. — E isto. Digame, você devia se lembrar de algo tão fodidamente traumático como ser queimada assim, tão ruim. Quem fez isso? O que aconteceu?


— Eu não sei como isso aconteceu. Queime menina. Queime. Eu tremi. Lutando com a borda de seu grande aperto que me cobriu. E se ele tivesse passado a noite pensando nela? Nesta misteriosa garota de quem eu pareço lembrá-lo? — Você tem certeza sobre isso? — Ele era alto, se elevando sobre mim. — E se alguém tentou matá-la à muitos anos? Teria que ser traumático o suficiente para bloqueá-lo? — Sua mandíbula mastigou as palavras, mais uma vez dizendo uma coisa enquanto mantém tanta coisa para trás. Sim. Não, eu não sei. Olhos verdes. Os olhos verdes tinham respostas para tudo. — O trauma que eu experimentei foi bloqueado por eu ter sido levada por seus homens. — Eu levantei meu braço, mostrando-lhe a pequena queimadura em baixo do meu antebraço. — Algo aconteceu ontem à noite. Eu fui queimada novamente. Talvez tenha desencadeado algo no meu cérebro, me causando essa amnésia. — Então diga. É sua última chance de dizer a verdade. — Ele se inclinou sobre mim, procurando o meu olhar. — Sua última chance de admitir que você está apenas fingindo. Eu já concordei em não vendê-la... por agora. Eu vou honrar isso por você ter me ajudado a noite passada. Diga-me a maldita verdade. — Sua postura deu a entender que ele acreditava plenamente que tudo isso foi um ato elaborado. Seus traços fortes eram ferozes e determinados para me fazer tropeçar. Eu balancei minha cabeça. — Estou dizendo a verdade. Eu realmente não me lembro de nada. Você não acha que eu gostaria de saber quem diabos eu sou? Para ser capaz de me lembrar da minha família, meu nome, meu propósito nesta vida? Ele se afastou, sorrindo friamente, nenhum traço de compreensão em seu rosto. — Então eu acho que o apelido de menina esquecida fica. — Ele levantou a mão, apontando para mim. — Eu vou saber quando você se


lembrar, querida. Vou ver isso nos seus olhos e quando eu fizer isso, então vamos discutir o seu futuro. Eu cerrei os dentes, odiando a sua presunção, o distanciamento frio que tinha substituído a pequena conexão que tínhamos sido capaz de construir na noite passada. Eu não tinha resposta. — Se vista. Estamos atrasados. Sem outra palavra, ele saiu do quarto, me deixando escorregar para os calções e camiseta que ele tinha deixado no final da cama. Prisão. Eu não sabia o que eu esperava quando Kill me arrastou de sua casa, me colocou na parte traseira de sua moto, e dirigiu ao longo de estradas movimentadas, sob o sol quente. Ideias de retornar para o complexo, ou ir ver um médico, o que provavelmente seria aconselhável, mesmo o conceito de um restaurante para comer não era exagero. Mas, prisão? Isso nunca passou pela minha cabeça. Kill estacionou a moto em um local de estacionamento designado e tomou de volta o capacete que ele gentilmente me deu. Ele tinha todas as maneiras dos cavalheiros, embrulhadas na dureza cruel de um criminoso. Sua jaqueta de couro marrom escondeu o blazer preto bem cortado que ele tinha deslizado sobre a camiseta e calça preta necessária. Parecia um negociador mau que tinha escapado do escritório para desempenhar o papel de gangster. Mas eu sabia a verdade. Não havia nenhuma encenação sobre isso. Ele alisou as mãos pelo seu cabelo longo, empurrando para trás para que ele parecesse com estilo, sem esforço e elegante com apenas um movimento. Eu odiava o quão capaz ele parecia. Sua pele tinha um bronzeado saudável, seus olhos verdes brilhantes com inteligência, e a sombra de sua barba aparada, mas não tosquiada. Até eu testemunhei a maneira dolorosa


que ele mudou, eu nunca teria imaginado que ele quase morreu pela perda de sangue na noite passada. — Por que estamos parando aqui? — Tentei proteger os olhos do sol. — Eu tenho que ir lá. — Por quê? Ele fez uma careta. — Você realmente acha que eu tenho que responder às suas perguntas? — Você quer que eu responda a sua. Ele bufou. — Bem. Meu chefe está lá dentro. — Ele olhou para o edifício alto, ameaçador, em seguida, de volta para mim. — Merda, eu completamente não pensei nisso. — Ele massageava a parte de trás do seu pescoço, me olhando com frieza. — Eu estou tão acostumado a vir aqui, eu não pensei sobre passes de visitante ou o que diabos eu faria com você. Minha pele se arrepiou com o pensamento de entrar em tal lugar. — Eu não quero ir com você. Ele riu. — Você e eu. Não há nenhuma maneira de eu estar desfilando você na frente de Wallstreet. Mesmo se eu pudesse colocá-la para dentro. — Wallstreet? Ele esmagou os lábios, em seguida, disparou. — Não é da sua... — Maldita conta. — Eu terminei para ele, tentando um pequeno sorriso, mesmo que eu me sentisse exposta e inteiramente vulnerável demais por estar fora da penitenciária do Estado da Flórida. Ontem eu pensei que não ter memória era uma força minha de concessão de bênçãos onde eu poderia ter estado catatônica com o terror. Mas agora... agora eu sentia como se esse estranho soubesse mais sobre mim do que eu jamais iria saber, que os meus segredos estavam flutuando ao redor, não reclamados, deriva mais e mais fora de alcance. Kill esfregou a mão no queixo, fazendo uma careta quando sua lesão se fez conhecida. Então seus olhos se iluminaram, e ele puxou um telefone


celular do bolso de trás. — Eu vou chamar uma babá. Que fique de olho em você. — Eu não vou cuidar de um maldito traidor. Eu sacudi a violência da sentença. Perguntas seguiram rapidamente. Quem era o traidor? Eu? O sonho era o meu passado ou apenas uma invenção da minha imaginação? Meus dedos fazem cócegas do meu lado enquanto eu sigo as queimaduras abaixo. Foi assim que aconteceu? Um incêndio em casa? Eu não podia suportar estar perto de outras pessoas. Kill era minha ligação. A resposta de olhos verdes que eu precisava manter perto. Eu não queria ninguém. Minha cabeça se levantou. — Espere! Eu vou ficar. Você tem a minha palavra que eu não vou fugir. Ele fez uma pausa, seu polegar pairando sobre a tela. — Eu não confio em você. — Você confia. Eu provei que você pode confiar em mim durante a noite. Ele balançou sua cabeça. — A noite passada e hoje são duas existências completamente diferentes, querida. Eu desço da moto. — Eu concordo. Mas você poderia me deixar amarrada à cama em sua casa. Por que não deixou? Sua mandíbula trabalhou com raiva. — Ao contrário do que você pensa de mim, eu só amarro as mulheres que querem que eu faça isso. — A forma como sua voz caiu, como se isso fosse uma mentira, enviou uma pequena ondulação através do meu estômago. — Eu não sei quanto tempo eu ficarei. Não posso arriscar. — E você acha que me colocar em público, onde eu poderia gritar e chamar a atenção, é uma alternativa melhor? Sua testa ficou franzida, seus olhos verdes em chamas. — Você está dizendo que você teria preferido ser acorrentada à cama, incapaz de se mover, sem comida, água ou um banheiro o dia inteiro?


Pisquei. — Não. — Lá vai você, então. De nada, por sinal. — Ele revirou os olhos. Um passo à frente, ele me arrebata com seu grande volume, me pressionando contra a sua moto. — Duas escolhas. Eu vou ser um cavalheiro e deixar você decidir o que você quer. Meu estômago deu uma cambalhota com a ferocidade de seu olhar. Minha pele se arrepiou e os meus dedos coçaram para tocá-lo, apenas para encontrar a prova de que eu o conhecia de algum modo pequeno, pequenino. Ele ergueu a mão, cobrindo meu rosto. A aspereza de seu polegar acariciava meu lábio inferior. Minha pele se arrepiou e pediu mais, mas, seu toque não era doce. Era quase vicioso com intensidade. — Duas escolhas. Número um, você continuará a ser a garota estranha que você é e ficar aqui, não mover a porra de um centímetro, e esperar até eu voltar. Oxigênio diminuiu para ter o seu polegar parado na minha garganta, pressionando no local muito delicado e extremamente vulnerável na base do meu pescoço. — E a opção dois? —, eu sussurrei. Sua voz baixou, raspando sobre a minha carne. — Opção dois só entra em vigor se você perder a cabeça e decidir contar à polícia o que está acontecendo aqui. — Ele inclinou a cabeça. — Você está se inclinando para essa opção em particular? Meus olhos se recusaram a se mover de seus lábios. Completa, curvados, de forma sensual demais para um homem que ainda cheirava a sangue e morte. — Não, na verdade —, eu respirei. E se eu estivesse eu não diria a você. Meu coração torce com a forma branca e assustadora que meu futuro era. O quão desconhecido. Cada decisão vinha com consequências que eu não saberia o resultado, ou mesmo como eu reagiria, até que viesse a acontecer. Me esforcei para outro desbloqueio, implorando à minha mente para ela ser gentil. Mas apenas a escuridão vazia retornava. O mundo em torno de nós fez uma pausa, desacelerando até que nada mais importava, apenas os nossos batimentos cardíacos e respiração. Arthur mexeu os dedos, acariciando minha clavícula. — Nesse caso, a opção dois não é necessária. — Ele se inclinou para mim, sussurrando em meu ouvido. — Eu não aprecio o pensamento de você amarrada como um porco,


engasgada nesses seus belos lábios, e jogada em uma lixeira, esperando por mim. Provavelmente, você iria morrer com a fumaça do lixo ou de calor. Meu coração disparou. — Você não faria isso. Ele riu. — Eu admito que a partir da breve interação que tivemos, eu lhe dei a impressão errada de mim. Você me viu fraco. — Ele cutucou a ponta do seu dedo indicador contra o meu rosto. — Você acredita que eu sou... qual era a palavra... decente. Eu respirei fundo. — Eu sei que você não é fraco. Ele sorriu duro. — Isso mesmo, menina esquecida. Eu não sou. E você faria bem em lembrar isso. Você não me quer como seu inimigo. — Algo em seu tom tinha me dado comichão na pele. Inimigo. Ele falou com experiência. — Você tem quantos? Sua sobrancelha arqueou. — O que? — Quantos inimigos? Ele me soltou, se afastando em retirada completamente. — Muitos para você entender. — Apontando para a sua moto, ele retrucou, — Fique. Eu estou te dando uma chance. Você corre e eu prometo que eu vou te encontrar. E quando te encontrar, eu não vou passar pela dificuldade de vendê-la. Eu vou ser o único a fazer da sua vida um inferno em vez disso. Sem outra palavra, ele girou e saiu em direção à prisão. Eu me reclinei contra a moto, me perguntando em que diabos eu tinha me metido. Ele desapareceu pela entrada de visitantes, me deixando livre, desimpedida, e completamente vestida em roupas masculinas largas no sol do meio-dia da Flórida. Corra. O desejo de sair era forte. Minhas pernas embaralhadas em seu próprio acordo, se afastando de sua motocicleta. Espere. Eu parei.


Olhando para a esquerda e para a direita, eu trouxe minhas mãos para cima, para confusão no meu cabelo vermelho. Eu não tinha intenção de lavar o meu cabelo no chuveiro na noite passada, por isso ele precisava de uma lavagem, meus dentes precisavam de uma escova, e eu precisava me lembrar. Uma dor de cabeça picou contra minhas têmporas quando me esforcei para lembrar quem eu era e de onde eu viera. O sol brilhava acima, queimando a pele dolorosamente de tudo o que me queimou na noite passada. Eu gemi um pouco, de exaustão. Eu não sabia o que estava fazendo com os riscos e perigos que enfrentei. Mas eu não podia ignorar a única coisa que eu tinha certeza. A única coisa que eu tinha para explorar, independentemente da minha segurança. Arthur Killian era a chave para encontrar minha memória. Eu não sei como eu sabia. Eu não queria questionar. Mas o meu coração era o líder, enquanto minha mente tirou um ano sabático indesejado. Eu suspirei, me movendo de volta para a Triumph. Eu ia ficar. Por bem ou por mal. Kill apareceu como uma mancha negra contra o edifício cinzento. Mesmo com pessoas perto, e a presença imponente de polícia, ele se destacou como um clarão iluminando a escuridão. Prendi a respiração quando ele olhou em direção a sua moto. Uma sombra cruzou o rosto, suas mãos fechadas em seus lados. Seus olhos corriam ao redor do estacionamento, procurando alguma coisa. Procurando por mim. Ele andou para frente, nenhum indício de lesão ou dor. Se movia como um homem mau, controlando sua fúria, em seguida, controlando seus sentimentos com uma indiferença assustadora. Ele era um mestre na disciplina, jogando fora as emoções indesejadas tão facilmente como a tranca de uma gaveta. Eu não me movi da minha pequena porção de sombra concedida pelo branco Land Rover contra o qual me sentei. Durante uma hora, eu estive sob o brilho do sol, mas, enquanto os segundos se transformaram em minutos e


o aperto do meu nariz me disse que eu estava queimando, eu tive que mudar de lugar. O pânico borbulhando no meu sangue quase me deixou louca enquanto eu procurava alguma sombra aparente. Eu não podia lembrar o que me queimou, ou como eu ganhei metade de um corpo com cicatrizes, mas meus instintos fizeram presença e eu odiava a própria ideia de estar chamuscando intencionalmente. Kill espreitava a sua motocicleta, seus lábios zombando quando ele murmurou um violento, — Foda-se. Duas horas eu tinha esperado por ele, e nesse tempo eu não tinha feito nada além de deixar a minha mente livre. Eu não tinha pensado ou forçado memórias a virem. Eu tinha olhado para a estrada e inventado histórias para os homens e mulheres indo e vindo à entrada de visitante da prisão. Isso tinha sido uma maneira de cura, não me forçando. Apenas sendo eu. Para saber como eu penso, como eu reajo. E eu gostaria que eu tivesse aprendido. Eu me importava. Eu não reviro os olhos para as mulheres escassamente vestidas, obviamente, vão ver seus amantes atrás das grades, ou faço cara feia para a aspersão de crianças que gritam e fazem birras quando suas mães os arrastam de volta para o carro. Eu estava feliz por eu não ter um temperamento ou falta de tolerância com os outros. Eu só tinha que esperar que eu gostasse do resto de mim quando eu conseguir lembrar. Kill se virou, carrancudo em torno do estacionamento. Eu queria esperar para ver o quão irado ele ficaria e quão rápido ele ia perder a paciência, mas, eu não o quero com raiva de mim. Eu precisava dele do meu lado. De pé, dei um passo das sombras e fui para a luz solar. Imediatamente, seu olhar apanhou o meu. A mesma reação que ele teve quando ele me viu no campo de batalha ardia, brilhante e verdadeiro. Meu coração pulou fora do meu peito, voando para ele. A aridez da verdade era uma coisa bonita, reforçando a minha loucura para ficar.


Ele não conseguia esconder o fervor por muito tempo. Simplesmente não era possível engolir algo tão poderoso e real. Seu rosto rearranjou a raiva dura, eu reconheci isso, e ele invadiu para frente. Cruzando a pequena distância em um piscar de olhos, ele agarrou meu cotovelo. — Onde diabos você estava? Eu apontei para a Land Rover. — Me certificando de não me transformar em um pedaço carbonizado de churrasco enquanto você me deixou na hora mais quente do dia, sem proteção do sol. Seus olhos dispararam para o céu, o sinal mais breve de culpa cruzando seu rosto. Ele fechou sua mandíbula, olhando para trás e para baixo. — Você me viu deixar a prisão, mas, você ficou escondida. Por quê? Tendo dúvidas? Eu me contorci em seu domínio. — Eu não estaria aqui agora se eu tivesse dúvidas, estaria? — Fiz uma careta. — Eu estaria muito longe, então me solte. Meus olhos se arregalaram quando ele obedeceu, me libertando com um pequeno empurrão. Ele resmungou, passando a mão sobre o rosto bonito. — Que diabos você está fazendo comigo? Primeiro você me faz dizer duas pequenas palavras que eu não disse a ninguém, nos últimos cinco anos, então você me faz pedir desculpas, porra. — Seus olhos se estreitaram. — O que, para o registro, não aconteceu durante os últimos nove anos da minha vida. Eu escondi meu sorriso triunfante. — Você não pediu desculpas, ainda não. Ele resmungou sob sua respiração. — Não me pressione, querida. Eu balancei a cabeça. — Certo. Bem, você se importa se sairmos deste calor do sol? — Me abracei desconfortável, tentando proteger meus braços do calor. Ele franziu o cenho, mas assentiu. Inclinando a cabeça em sua moto, ele ordenou — Suba. Vou levá-la em algum lugar legal.


Capítulo Sete Montar

era precioso para mim. O vento, as estradas abertas, o

conhecimento de que eu poderia ir onde eu quisesse e nunca mais voltar. Era exatamente o oposto da gaiola em que eu tinha vivido nos últimos anos da minha vida. Eu tive não só a liberdade roubada, mas, a esperança, bondade e decência. Eu não sabia mais quem eu tinha sido. Eu já não queria saber. Meu passado estava morto e eu fodidamente me recuso a desenterrar os horrores que eu tinha sofrido. Fui muito condenado e torturado. — Kill.

— Você vai vir? Kill passou a perna sobre sua moto e afivelou o capacete no guidão de sua enorme Triumph. Olhei ao redor do parque de estacionamento coberto. Tinha tetos baixos e muitos canos expostos. — Você me trouxe para um shopping? Ele se virou, mantendo seu braço direito empalado contra o seu lado. — Eu disse que iria te conseguir algumas roupas. Além disso, eu estou morrendo de fome. — Provavelmente porque o seu corpo está ocupado tentando se curar enquanto você está vagabundando em torno da cidade.


— Vagabundando? —, ele riu. — Palavra interessante. — Seguindo para frente, ele agarrou minha mão, me puxando em direção à entrada do shopping. — Para alguém que não se lembra, você tem um bom dicionário dentro do seu cérebro quebrado. Meus dedos apertaram os seus, formigando quentes. A sensação dele me tocando ressoou bem no meu núcleo. Eu cambaleei ao lado dele, sentindo muitas coisas ao mesmo tempo. Minha mão livre foi para a minha cintura, desejando que o cordão dos shorts folgado tivesse amarrado mais apertado. Eu tinha um sentimento que eu iria perdê-los e ter a minha parte de trás exposta. Quando entramos no shopping, percebi os sons de compradores ávidos, os cheiros de diferentes cozinhas, e a sensação do ar condicionado ligado em torno de nós. Isso me lembrou de outro tempo e lugar. — Você precisa de um guarda-roupa completamente novo. Você não pode ir para o exterior para aprender a cortar filhotes inocentes e estar vestida com um saco. Eu balancei minha cabeça. — O que acontece se eu gostar deste 'saco'? E se ele me lembra de um passado do qual eu estou indo para longe? — Não faça isso. Não se machuque mais do que você precisa. — Tomando meu braço, ele acrescentou: — Não há mais argumento... O flashback se apaga como o tempo de vida de uma borboleta, me deixando querendo mais. A multidão se abriu hesitante quando Kill e eu entramos no fluxo, nos movendo com a maré em direção à praça de alimentação. Kill não presta qualquer atenção, caminhando poderosamente com a cabeça erguida e mandíbula travada. Não era o guarda-roupa estranho que eu usava que trazia a atenção das pessoas, ou mesmo a altura e físico do homem rondando a meu lado. Era a jaqueta de couro pendurada sobre seus ombros. Era o lema gravado nela, “PURO NOS PENSAMENTOS E NA VINGANÇA. CORROMPIDO EM TODAS AS COISAS QUE IMPORTAM”, e o simbolismo do que ele representava.


Motociclista. Criminoso. Imprevisível. Puxando sua mão, eu sussurrei, — Eles estão olhando. Tem certeza de que deveríamos estar aqui? Kill olhou em volta. — Foda-se eles. Estou orgulhoso de usar este patch, eles são apenas ignorantes do nosso mundo. — Seus lábios tremeram. — Provavelmente pensando que eu sequestrei você. Uma pequena risada escapou. — Eles estariam certos. Ele diminui um olhar pensativo cintilando sob sua carranca. — Tanta coisa acontece debaixo dos nossos narizes. Mesmo que suspeitem a verdade, ninguém iria chamá-la. Sabe por quê? Eu respirei fundo, sentindo a importância do que ele estava dizendo como se isso fosse tudo o que eu precisava entender. — Não. — Porque é mais conveniente para eles acreditar no que lhes é dito, em vez de formar suas próprias opiniões. — Seus olhos nublam enquanto seus dedos se apertam dolorosamente os meus. — Inocência não importa quando a ignorância é o que as pessoas preferem. Lá, no shopping movimentado, segurando a mão de um presidente motociclista, eu avistei algo que eu não deveria ver. Kill carregava um peso por dentro. A traição tão profunda que ele viveu, respirou, quase morreu com ele, e tudo ao mesmo tempo apodreceu sua felicidade. — Sinto muito —, eu sussurrei, quebrando seu transe, trazendo ele de volta para mim. Seus lábios se apertaram e ele rosnou, andando rápido em direção aos pequenos restaurantes, cafés e cadeias de comida rápidas bem conhecidas. Ele não reconhece ou pergunta sobre o meu pedido de desculpas. Ele sabia. Ele simplesmente não queria admitir que eu tivesse visto através de suas mentiras.


Silenciosamente, ele me transportou dentro de um estabelecimento no estilo Velho Oeste, com cabeças de cavalo, esporas, e espingardas penduradas nas paredes. — Sente-se —, ele retrucou, me atirando em uma cabine de vinil preto. Se virando, indo para o bar. Ele fez o pedido rapidamente, então deslizou para dentro da cabine à minha frente sem sequer olhar nos meus olhos. Sentamos sem jeito, olhando para qualquer lugar, menos um para o outro. A decoração era uma boa distração, mas, eu não conseguia parar meus pensamentos de saltarem de volta para Kill com cada batimento cardíaco. Na noite passada eu estava tão certa que eu o conhecia. Tão cega na minha convicção de que eu lhe permiti me manter de entrar em um mundo onde eu não tinha nenhum dinheiro, nenhuma garantia de segurança, e nenhuma promessa de algum dia lembrar quem eu realmente era. Tudo pela pequena chance de que eu estivesse certa. Não faço ideia do que estou fazendo. Eu ainda não sei como eu pareço. Quem vive assim? Quem deriva na vida completamente em branco e não corre para o mundo tentando encontrar seu propósito? Felizmente, a comida não demorou muito para chegar; o cheiro de gordura e sal enche minha boca de água. O garçom colocou dois grandes pratos com hambúrgueres e batatas fritas maltratados com cerveja sobre a mesa. — Vocês querem alguma maionese? Molho? Kill sacudiu a cabeça. — Tudo bem, então. Desfrutem. — O garçom sorriu e nos deixou para comer. Uma vez que estávamos sozinhos, Kill foi pegar seu enorme hambúrguer carregado, mas, vaiou entre os dentes quando seu braço direito se recusou a fazer o que ele queria. Ele fez uma careta para o peito dele, odiando sua fraqueza.


— Eu deveria verificar para me certificar de que você não tenha uma infecção. Seus olhos corriam para os meus e eu acenei para os seus pontos. — Você não me deixou ver como ele parecia esta manhã. — Eu não conseguia ver nada com sua jaqueta grossa no caminho, mas, ele poderia ter estourado os pontos e estar sangrando novamente pelo que eu sabia. — Não se preocupe com isso —, ele rosnou, empurrando algumas batatas fritas em sua boca. — Eu fui capaz de conduzir uma moto. Eu sei muito bem que não tenho uma infecção. Apertei os lábios. — Se você sentir que vai desmaiar... Ele abaixou a cabeça, me encarando debaixo. Eu levantei a mão. — Bem. Vou deixá-lo cair. Mas é com você se certificar de que você não morra. Comendo outra batata frita, ele revirou os olhos. — Obrigado por me lembrar de que eu vivo ou morro por minha própria mão. O temperamento fez minha barriga enrolar, mas eu ignoro. Não havia nenhum ponto para esse argumento. Nenhum mesmo. Investigando a minha comida, eu não poderia adiar comer mais e agarro a faca afiada destinada a filés grossos de carne, em vez de hambúrgueres. Esfaqueando a lâmina no meio do delicioso hambúrguer, eu cortei-o ao meio. Kill ainda não tinha tocado o dele, mesmo que ele tivesse devorado a maioria de suas batatas fritas. Eu hesitei, olhando para a faca e de volta para a sua refeição. O que isso pode machucar? Ele precisava de ajuda, e eu não poderia estar perto e não ajudar. Eu chego do outro lado da mesa, perfuro seu hambúrguer, e o corto em dois pedaços fáceis de segurar. Ele congelou.


Relaxando em meu assento, eu desviei o olhar e foquei na minha comida, lhe dando algum espaço. O olhar em seus olhos verdes grita que ele queria me punir por qualquer outra razão que o faça se sentir fraco para se cuidar. Kill ainda não se moveu, olhando para sua comida. Eu queria gritar com ele para comê-la, eu não tinha envenenado a coisa, mas, porra, eu mantive meus lábios selados. Por um momento, pensei que ele iria jogá-lo fora só para provar um ponto. Mas, finalmente, ele pegou uma metade e trouxe à boca. Eu escondi meu sorriso, fingindo fascínio na minha própria carne e queijo. Sua mandíbula trabalha os músculos de seu pescoço fazendo minha barriga apertar quando ele engoliu. Tudo o que ele fez foi feito com o poder indiscutível. Ele tanto me assusta quanto me deixa excitada. Independentemente do meu futuro, eu estava feliz que eu tinha estado lá quando ele precisava de alguém. Se eu não tivesse sido sequestrada ou entregue a ele, ele estaria morto. Ele não teria procurado ajuda. Na verdade, ele parecia como se esperasse morrer mais cedo ou mais tarde. Ele tinha uma aura sobre ele que nublou e torceu com muitas coisas escuras e perigosas. Eu não vou deixar isso acontecer. Com minha promessa de enfermagem, comemos o resto da nossa refeição em silêncio.

— O que estamos fazendo aqui? —, perguntei, olhando para as meninas de olhos arregalados, e vendedoras de olho em Kill e em seu colete de couro. Seu olhar sustentou o interesse, medo e uma curiosidade que tinha minha barriga enrolando com possessividade. Eu o vi ferido e essa vulnerabilidade me pertencia. Não a elas. Eu odiava o pensamento de outras pensando que tinham esse direito.


— Comprando roupas. — Kill bateu na minha cabeça. — Você não está ficando pior, não é? Memória de curto prazo desaparecendo, também? A loja de departamento era de classe alta e mantinha roupas que eu não tenho que olhar para as etiquetas de preço para saber que eu não seria capaz de pagar, mesmo que eu soubesse quanto dinheiro eu tinha em meu nome. Nome. Engraçado, eu gostaria de saber isso também. Acenei para um rack de saias lindas penduradas. — Eu não tenho dinheiro. Kill imediatamente tirou um clipe de prata, e pegou cinco notas de cem dólares. Estendendo-as para mim, ele disse: — Pegue-as. Fiquei de boca aberta, olhando para as notas nítidas. — Você está me oferecendo quinhentos dólares? — Eu não podia impedir meu rosto de torcer com incredulidade. — Eu não posso aceitar. Sua sobrancelha arqueou. — Por que não? Eu não vou aturar você vestindo minhas roupas, e agora você está como uma criança brincando de se vestir de mauzão. — Ele sussurrou quase como uma reflexão tardia. — Parece fodidamente grande e não é a forma como uma mulher deve se vestir. Mulher. Ele tinha me chamado de mulher, uma vez de menina, como na noite passada. Em um movimento rápido, ele agarrou meu pulso e apertou meus ossos até que minha mão não teve escolha senão abrir. — Ai! Ele bateu o dinheiro em minha palma. Deixando ir, ele se afastou, mas, não foi rápido o suficiente. Fechei os dedos sobre ele. Ele parou de respirar.


Nossos olhos se encontraram e o resto do mundo desapareceu em um vácuo onde apenas o silêncio e expectativa permaneceram. Eu tremia com a conexão entre nós me esmurrando no coração. Seus dedos se contraíram sob os meus; seus lábios se separaram quando ele lutou contra tudo o que existia. Eu não conseguia desviar o olhar. Eu não podia fazer nada além de ceder ao poder das faíscas, me arqueando e me fazendo sentir viva, mesmo enquanto eu me sentia completamente vazia. Vazia de pensamentos, de memórias, de histórias que poderiam arruinar o que eu tinha encontrado no mais improvável dos lugares. Seu peito subia quando a atração profunda e o controle animalesco apareceram em seus olhos. Eu queria ficar sozinha com ele. Eu precisava ficar sozinha com ele. Ele pegou os dedos no meu, esmagando através da linha de competição que tínhamos construído. — Pegue o maldito dinheiro. — Seu rosto embranquecido, os cortes da noite passada se destacando brilhantemente. Dinheiro? Eu me esforcei para lembrar do que estávamos falando. Engolindo em seco, eu murmurei, — Se eu usá-lo, eu te pagarei de volta. Eu não queria lhe dever, não importa que fosse apenas uma coisa simples, eu não tinha intenção de estar em dívida. Ele sorriu meio frio, meio cheio de pena. — Claro que você vai. Você vai me pagar quando eu vendê-la. — Olhando ao redor da loja, ele se elevou sobre mim, baixando a voz em um sussurro, — Seu corpo vai me pagar mil vezes mais. Sua obediência vai me pagar de volta pelo pequeno investimento que eu estou fazendo com sua aparência. Meu coração despedaça. Meu estômago cai. Toda suavidade e atração desapareceram.


Me vender. Ele tinha sido deliberadamente cruel por me lembrar disso. Não que eu tivesse esquecido, mas, eu esperava que o tempo me concedesse misericórdia, isto seria... O que? Fazer ele se apaixonar por você? Baixei a cabeça, toda a felicidade em estar com ele se dissolvendo. Em seguida, a raiva pula nas minhas veias, concedendo uma terrível imprudência. Eu amassei o dinheiro e o joguei no seu rosto. Ele sacudiu em choque quando as notas se agitaram para baixo em suas pernas, pousando no tapete cinza. A expressão dele presa a isso, de pura raiva, as mãos cerrando a seu lado. — Pegue. Isso. Eu mantive minha posição. — Eu não vou comprar roupas apenas para que você possa me desfilar ao redor e obter um melhor preço para o seu investimento. — Eu odiava o tremor de dor na minha voz por saber que ele só me manteve por perto porque ele terminou com seis meninas em vez de cinco. Eu era a garantia. Um bônus. Eu não queria estar lá. Eu queria estar em um lugar tranquilo, para que eu pudesse descobrir a bagunça que era a minha vida. Peso caiu sobre meus ombros. — Você realmente não me conhece, não é? Ele ficou tenso, olhando ao redor da loja de novo, como se as pessoas estivessem espionando informações inestimáveis. — Eu lhe disse a verdade. — Você nunca me viu antes? Um lampejo de algo atravessou seu rosto. Eu me lanço sobre ele. — Ontem à noite, quando você tirou minha venda, você me reconheceu. Me diga que isso não foi coisa da minha cabeça. Ele trincou o maxilar. — Eu não tenho que lhe dizer nenhuma coisa maldita. — Por favor! — Eu disse, mais alto do que eu tinha planejado. — Por favor... por que você me olha como se eu fosse...


Um amante que tinha perdido e encontrado. Ele passou a mão sobre o rosto, os ombros tensos. — Você realmente quer saber? Sério, vai me pressionar aqui em uma loja de departamento, porra? Meu batimento cardíaco vibrava quando eu provei a verdade. — Sim. Eu realmente quero saber, mais do que qualquer coisa. Todo o seu comportamento era sombrio, parecendo como se tivesse saído da própria escuridão. — Você me faz lembrar dela. Toda vez que eu olho para você, eu a vejo. Você me apunhala no coração porra, toda vez que você olha para mim com esses olhos. Meu intestino torce cada vez que o sol pega seu cabelo vermelho. Mas, é uma mentira. Você não é ela. Você nunca poderia ser ela. Finalmente. A verdade. Meu corpo tremia na minha pressa para descobrir mais. — Mas, eu podia, você não vê? E se sou eu? Eu estou atraída por você, Arthur. Eu estou... — Não use o meu nome. — Seu rosto ficou negro. — E você não pode ser ela. É impossível. — Por quê? Me diga o porquê! Seu controle estalou e ele trovejou: — Porque ela está morta. Certo? Eu estive sobre sua lápide. Eu li o relatório de morte. Você. Não. É. Ela. Você é apenas uma porra de um lembrete terrível do que eu perdi. Ele me arruína, não com a voz perturbada ou a agonia em seus olhos, mas, com a realidade brutal afiada. Ali estava um homem se afogando por uma mulher que ele amava tão ferozmente, apenas para que ela morresse. Ele estava apaixonado por um fantasma. Eu passei meus braços em volta do meu peito, segurando meu coração sangrando. O que eu poderia dizer? Me desculpe se eu pareço com ela? Eu não sinto muito que eu pareço com ela?


Lamento que ela esteja morta? Me deixe tentar tomar o seu lugar? Nada iria funcionar quando eu tinha, com sucesso, afastado seu segredo mais escuro, o que ele manteve tão perto e vigiado. — Como? Como ela morreu? Seus olhos inflamaram e alargaram. — Eu não estou te dizendo merda nenhuma. Você não é ela. Você nunca vai ser ela. Você fala de forma diferente. Você está queimada e tatuada onde ela era pura, e quando eu realmente olho para você, algo está faltando. Uma palavra destruiu meu coração. — Falta... — Minha cabeça pendia pesada e abatida. Ele respirou fundo, seus pés calçados com botas deslocando no lugar, como se quisesse desaparecer. — Eu lhe disse para não me pressionar. Eu balancei a cabeça. A ignorância... de repente eu queria ela de volta. Ficamos ali, respirando duro, não me importando com as mulheres moendo seus carrinhos cheios de itens. Finalmente, depois do que pareceu uma eternidade, Kill se abaixou e recolheu o dinheiro amassado. De pé, ele murmurou, — Vá. Experimente alguma coisa. Eu vou esperar por você. Engoli em seco, depois balanço a cabeça. — Eu não estou no clima. Você escolhe. Eu só quero sair daqui. Ele riu, estava cheio de raiva. — Eu? Escolher roupa de mulheres? — Ele passou a mão pelo cabelo. — Não, de jeito nenhum, porra. Não vai acontecer. — Então eu acho que vou ficar com sua roupa até você se livrar de mim. Apenas me deixe ir para casa. Eu precisava de paz, tranquilidade e um espelho. Eu queria um reflexo para olhar nos meus olhos e ver o que estava faltando para que ele me despreze.


— Oh, pelo amor de Cristo. — Kill segurou meu pulso e me puxou passando prateleiras e cabides, em direção aos vestiários. Que diabos...? Pessoas olharam para cima das prateleiras, suas bocas ficando abertas. Mas ninguém nos parou. Ninguém interveio. Kill estava certo sobre as pessoas que ficam longe, mesmo se eles sabem que alguma coisa ruim está acontecendo debaixo de seus narizes. No segundo que entramos num trocador, ele bateu a porta, trancando-a, em seguida, me empurrou contra a parede. Seus dedos escavando na minha garganta. — Vamos esclarecer algumas coisas direito, não é? — Seu aroma de ventos oceânicos e couro me drogou. — Nunca se levante para mim em público. Nunca pense que você pode me dar ordens. Nunca ache que vou dar uma merda sobre você. Ele respirava com dificuldade, suor perolizou em sua testa. — E nunca finja que sou algo mais do que eu sou. Um homem que teve cada centímetro de suavidade interior estripada no dia em que me jogaram na prisão. No dia em que ela morreu. Eu não sou o homem que você pensa que eu sou querida. Não se esqueça disso. Prisão? Minhas pernas cederam, minhas mãos agarraram no pulso de Kill. — Por favor, me solte, — Eu engasguei. — Eu não posso respirar. Seus olhos se estreitaram, seus dedos apertando com mais força. — Ah, e outra coisa, nunca me pergunte sobre ela novamente. Eu não vou ser tão bom da próxima vez que você se meter no meu passado. Ele soltou. Me inclinei, sugando enormes golfadas de ar. Ele recuou, se pressionando contra a parede do vestiário. A pequena caixa era claustrofóbica, com um banco, uma cadeira e um espelho de corpo inteiro na parte de trás da porta. Um espelho! Eu cheguei ao meu reflexo como se ele fosse dissipar todos os meus problemas.


E não podia me mover enquanto bebia nas características da mulher em que minha alma morava dentro. Meus olhos: verdes, grandes e luminosos. Minhas bochechas: elas eram em forma de maçã e coradas. Os meus lábios: eles eram cheios e úmidos e, naturalmente, rosa. Minha figura: feminina com definição muscular e força. Meu cabelo: em cascata sobre os ombros em um motim de cereja e laranja queimado. Eu era muito... Eu me inclinei para frente, tocando a pele delicada sob os meus olhos. Sem rugas além de alguns sinais de maturidade. Eu diria que eu tinha vinte e poucos anos. — Reconhece a si mesma? — Arthur não tirava os olhos de mim, sua jaqueta de couro rangendo suavemente quando ele cruzou os braços. Eu balancei minha cabeça, meu cabelo vermelho ondulando sobre meus ombros, a estranha no espelho me copiando movimento por movimento. — Não —, eu sussurrei. — Não, eu não reconheço. E doeu pra caramba me ver, mas, não sentir amor, sem histórico, nada, mas, a raiva latente no cérebro tão danificado bloqueou tudo. Quem era a menina no espelho e por que eu a odeio? Porque está faltando algo nela. Uma batida soou na porta assustando nós dois. — Um, me desculpe. Só uma pessoa de cada vez no vestiário, por favor. — A voz de uma atendente feminina navegou através do verniz barato. Kill estalou em ação. Me empurrando para um lado, ele abriu a porta e jogou uma nota de cem dólares para a mulher com todo cabelo loiro pulverizado. — Esqueça as regras. Vá e pegue tudo o que é a última moda para uma menina desse tamanho. — Ele abriu a porta mais larga, apontando para mim como se eu fosse um fungo que cresce na parede. Bastardo.


Arrogante, bastardo egoísta. Eu deveria ter corrido quando tive a chance. Eu deveria ter fugido do parque de estacionamento na penitenciária do Estado da Flórida. Da próxima vez, gostaria de correr e nunca olhar para trás. Mas, eu não fiz e eu não vou. Porque eu sou uma idiota que anseia por respostas e mais tempo de vida. A menina estreitou seu olhar na minha figura. — Que tamanho de copo você é? —, ela perguntou, olhando para meu peito. Bati um braço sobre mim mesmo. — Tamanho M, — Kill respondeu. — Pelo menos esse é o meu palpite. — Ele piscou cruelmente. — Eu consegui vê-los em sua glória na noite passada, depois de tudo. Lágrimas começaram a encher meus olhos, mas, eu fecho minhas mãos. A atendente fez uma careta. Não importando se a menina não tivesse saído, Kill bateu a porta na cara dela. Ele estalou os dedos e deslizou sua jaqueta de seus ombros. Se a ação feriu seus pontos, ele não o mostra e volta a ser o presidente durão que trata todos os outros como lixo. Sentado na cadeira coberta de veludo, ele abriu as pernas para que eu tivesse que passar por cima dele se eu quisesse me mudar. Eu subo no banco, cruzando os braços. Dez minutos depois, a mulher voltou, me passando saias, jeans, camisetas e vestidos, juntamente com alguns conjuntos lindos de lingerie feminina. Eu os tirei dos cabides e ganchos. Kill mais uma vez empurrou a porta rudemente em seu rosto com um chute certeiro de sua cadeira. Olhando para mim, ele retrucou, — Os experimente. Então vamos sair daqui. Eu estou cheio de estar perto da sociedade que não tem a menor ideia sobre o mundo real.


— Mesmo o mundo real sendo o único com armas e penas de prisão e morte? — Eu me virei para longe, não querendo ver uma resposta. Reunindo um lindo vestido Maxi prata fora do gancho, eu mantive meu peito para a parede e longe dos olhares indiscretos de Kill. Puxando sua camiseta sobre a minha cabeça, eu rapidamente deslizo para o vestido. Uma vez que eu estou vestida, eu me inclino e tiro os calções ridiculamente grandes, escondendo minha modéstia. Kill resmungou baixinho. — Esperta. Eu o enfrento, escondendo meu sorriso vitorioso. Ele podia ter me visto nua uma vez, mas, eu não tinha a intenção de deixá-lo me ver novamente. Ele ainda estava apaixonado por ela. Ele não precisa ver outras mulheres em que algo faltava. — Será que isso passa na sua aprovação? — Minha pele queima com a raiva que turva desde o meu estômago até os meus membros. Ele mudou de posição na cadeira, os olhos caindo para o meu peito. — Ele esconde demais. Eu ignorei isso. Se encaixa bem, o tamanho era perfeito e o jogo de cor da minha pele clara também. Me virando para enfrentar a parede novamente, peguei um par de jeans skinny e subo abaixo do vestido. Junto o material para que ele pudesse ver o jeans e me viro. A mandíbula de Kill estava trancada, as pernas abertas. Não! De novo não. Eu odiava este homem. Eu lamento por ele. Então, por que a corrente de luta de repente mudou para intensidade? Um truque cruel de química enviou feromônios no ar forçando duas pessoas juntas que não queriam ter nada a ver um com o outro. Eu respirei enquanto meus olhos caíram involuntariamente para seu colo. Não havia como disfarçar a ereção rapidamente construída sob o aperto da calça jeans preta.


Seu longo cabelo escuro caía sobre um olho, obscurecendo a alucinante falta de seu olhar. — Porra, você me deixa louco com suas memórias quebradas e agressividade, mas, não posso negar que você tem uma bunda linda. Minhas bochechas coram quando meu sangue sobe acima alguns graus. — Que bom que você notou alguma coisa sobre mim —, eu murmurei de mau humor. Soltando o material do vestido, eu me virei para obter uma camiseta de paetês com um guarda-chuva tropical na frente. Ignore ele. Então, talvez, o que quer que isso fosse desapareceria. Puxando a camiseta longa na frente do vestido, virei-me para lhe mostrar. Ficou enrugada sobre o vestido, mas pelo menos desta maneira Kill não veria qualquer parte de mim. — Será que isso se encaixa nos seus critérios rigorosos? Ele cerrou os dentes. — Se você está tentando me irritar, isso está funcionando. Inclinei a cabeça, reunindo meu cabelo comprido e torcendo ele em um coque. — Eu não sei o que dizer. Seus quadris se contraíram um pouco. — Você sabe exatamente o que quero dizer. Alisei a camiseta. — Você diz que não me conhece, Killian, então como é que eu sei o que você quer dizer? Ele permaneceu em silêncio. Suspirando, eu pergunto. — O que você acha? Sim ou não? Você é a pessoa comprando. Suas narinas alargaram. — Você não quer saber o que eu penso. Meu estômago revirou. A maneira como ele me observava fez coisas horríveis para a minha pressão arterial. Uma dor intolerável construída entre as minhas pernas. Eu o odiava, mas queria ele, ao mesmo tempo. Parecia que minha mente estava fechada para mim, mas, os meus desejos não. Eu sabia o que me atraiu. Ele. Este homem taciturno, temperamental que amou uma garota


morta. Um homem que ia me vender. Me vender. Um homem que me nega a liberdade escondendo respostas em vez de corrente e chave. Me afastando, eu pulei quando Kill de repente, se levantou e agarrou o meu ombro. Ele reuniu meu cabelo, preso em um rabo de cavalo. — Tire o vestido. — Apontou com o braço ferido, ele assobiou de dor quando arrancou o sutiã e calcinha amarelo ouro fora do gancho e balançou-o na frente do meu rosto. — Tente isto. — Sua mão puxou meu cabelo. — E eu espero que você me enfrente enquanto você faz. Engoli em seco. Ele me soltou, voltando para a cadeira. Minhas mãos tremiam. Trêmula, eu coloquei a roupa de volta no gancho. Eu não faria, eu não podia me expor novamente. Meus olhos se fecharam quando ele murmurou, — Não me faça dizer de novo, menina esquecida. Eu quero ver você. Eu quero ver como as roupas que eu estou comprando se ajustam. Ele era um idiota, mas, foda-se se sua voz não toca através de minhas entranhas e me faz tremer. — Você não está sendo justo. Sua voz vibrava. — Eu não estou sendo justo? Você jogou quinhentos dólares na porra do meu rosto. Você me fez falar sobre coisas que eu não falei com ninguém. Você me fez sentir coisas que eu tentei esquecer. Tudo isso significa que você está completamente em dívida comigo. E você mesmo disse, essas roupas são minhas. Você é apenas o cabide conveniente que irá usá-las no momento. Me virei, lágrimas de raiva espelhando meus olhos. — Eu nunca vou estar em dívida. Nunca! — Temperamento sobe pela minha espinha. — Você é um idiota. — Eu sei. — Colocando um cotovelo na cadeira, ele segurou seu queixo e correu um dedo sobre o lábio inferior. — Agora tire. — Eu não devo nada a você. Ele acenou para o meu corpo. — Não vou falar de novo.


Eu recuei até que os ganchos pressionaram em meus ombros. — Eu posso recusar. Você não pode me obrigar. Ele sorriu lentamente. — Você poderia recusar. Mas, então você não teria nenhuma roupa. — Eu poderia andar nua. Posso imaginar que seria bastante inconveniente para você, seus chamados irmãos do complexo não fariam muito bem com padrões duplos. O que é que vai ser? Me deixar ter a minha dignidade, ou deixar seus irmãos me verem nua? Eu não me importava que o meu raciocínio fosse uma imprudente falta de bom senso. Eu estava cheia de ser cooperativa. Seu corpo inteiro vibrou com a tensão. Minha voz caiu para um sussurro rouco. — Os homens que lutaram contra você vão querer o que você tem. Eles vão me ver ao seu lado e se imaginar me fodendo. Me levando. Me possuindo. Você vai ter que... — Cale a boca! — O assento rangeu quando ele explodiu na posição vertical. — Não me odeie por apontar os fatos. Seus músculos se contraíram. — Você está me provocando. — Ele fez uma careta. — Você realmente não tem medo. — Não sou destemida. Apenas forte o suficiente para saber quando lutar. Você esqueceu isso. — Eu esqueci nada. — Seus olhos verdes rodaram com fumaça, cheio de dor e tortura. — Não esqueço nada. — Me deixe ir, — eu murmurei. — Isto foi um erro. Me dê as respostas que eu sei que você está escondendo e me deixe sair pela porta aqui e agora. Não vou apresentar queixa. Você nunca vai ter que ver ou ouvir falar de mim outra vez. Kill balançou a cabeça, seu olhar estreitando em suspeita. — O que você quer dizer sobre padrões duplos? As regras do clube. Não ser pego.


Não usar a mercadoria. E, acima de tudo, não ir contra a família. Você quebrou a última regra. Você e ele. Você é tão culpada quanto. Eu tropecei para frente quando o flashback terminou. — Oh meu Deus —, eu soluçava. Como eu sei disso? Eu não vim desta vida. Você não acredita nisso. Eu odiava a moto de Kill quando eu vi isso porque me lembrou de algo que eu não conseguia me lembrar. Houve um tempo que eu estava imersa nesta vida. Este mundo de motoqueiros e justiça, de arestas duras e perigo. Kill não se mexeu. — O que? O que você lembra? Não havia nenhuma razão para esconder dele, nenhum ponto ignorando o poder que a memória me deu. Eu sussurrei — Padrões duplos. As regras de um clube. Não ser pego. Não usar a mercadoria. E, acima de tudo, não ir contra a família. Ele agarrou meus ombros, me apertando com os dedos violentos. — Onde você ouviu isso? —, ele vibrava com raiva. — Quem diabos é você? —, ele gritou. Minha cabeça saltou sobre os meus ombros. — Eu não sei! — Eu chorei. Ventos, e o barulho áspero de chamas explodiu em meus ouvidos, a construção de um edifício até uma cacofonia existia dentro da minha cabeça. — Eu não sei! Kill girou em torno de mim, me batendo contra o espelho. A dor fez a minha boca disparar aberta. Seus lábios de repente caíram sobre os meus, roubando a minha dor, silenciando os barulhos dentro da minha cabeça. O que!? Eu congelo. Sua mão grande agarrou meus pulsos, prendendo-os acima da minha cabeça. Seu corpo pesado me imprensado com força contra a porta espelhada.


Meu corpo morto fica ávido, rugindo rumo ao seu toque mágico que acordou cada parte. O fogo que existia no meu interior, e as cicatrizes de minhas entranhas que tão verdadeiramente reflete-o no exterior. O que diabos ele estava fazendo? Eu me contorci, tentando me libertar. Mas seus dedos estavam apertados em torno de meus pulsos, me mantendo prisioneira. — Pare com isso —, ele rosnou. — Apenas um gosto. Apenas um... — Então, sua boca estava na minha novamente. Seu calor derramando na minha garganta. Sua língua disparou em minha boca e enviou uma convulsão de necessidade pelo meu corpo. Seu sabor, uau, o seu delicioso sabor escuro me fez instantaneamente bêbada dele. Meu coração foi estilhaçado. Meu núcleo latejava. Minha barriga apertou com o calor. Meus lábios se moviam sob os seus, incapaz de lutar contra a atração, a necessidade. Eu me entrego ao beijo, querendo agarrar seu cabelo e mantê-lo apertado. Eu queria beber dele. Eu queria morder. Eu queria senti-lo dentro de mim, batendo nos cadeados da minha mente e me livrando dos segredos. — Foda-se, — ele gemeu, dirigindo seus quadris nos meus, moendo a si mesmo como punição. Não havia para onde correr, não há maneira de esconder. Eu era sua naquele momento louco e feliz. — Mais, — eu implorei. Algo desbloqueou dentro dele e o beijo passou de selvagem para feroz. Eu gemi quando ele mordeu meu lábio inferior, lambendo, beijando, empurrando sua língua profundamente. Nossa delicadeza e controle se deteriorou, nos transformando em dois animais que lutam pelo controle. Eu arqueio minhas costas, me pressionando cada vez mais forte. Ele balançou os quadris, sua ereção como uma arma escaldante entre nós. Nós punimos um ao outro, mas, nossos corpos ansiavam por mais, mais, mais.


Eu derreti. Eu brilhava. Eu implorei. Ele me beijou tão duro que o espelho triturou contra as costas da minha cabeça, mas, eu não me importava. Tudo que eu queria era tê-lo perdendo o resto de seu controle rígido sobre si mesmo. Eu gemi quando ele me beijou mais profundamente, tirando sangue com seus dentes, cortando em meu lábio superior. O sabor metálico de sangue sombreava o beijo com sabor brutal, mas, ele não parou. Ele me beijou como se eu fosse a menina morta que ele tinha perdido e não conseguia parar as bolhas de amor em seu coração. Ele me beijou como se eu fosse tão infinitamente preciosa e desejada. Seu corpo me levou mais e mais até que umidade escorria da minha coxa e meus pensamentos se tornaram nada além de meu sexo se contorcendo de necessidade. Subi para me aproximar. Nossas cabeças se movendo quando o nosso beijo ficou frenético. Nossas pernas entrelaçadas quando nós montamos um ao outro. Nossos gemidos ecoaram quando nos demos mais para o prazer. Eu balancei ofegante quando meu núcleo pulsava para a parte dele envolta em seus jeans. Eu nunca tinha sido devorada deste jeito. Eu lembraria se eu tivesse sido. Em um beijo, Kill apagou todos os amantes do passado que eu poderia ter tido e carimbou sua marca absoluta em minha alma. Eu não me importava com o resto. Eu não me importava com as complicações entre nós. Tudo o que importava era me conectar com alguém em um nível visceral. Kill puxou para trás, seus olhos pretos e cheios de fogo. — Nós vamos sair. Eu balancei a cabeça, sem fôlego e ferida.


— Eu vou foder você. Engoli em seco e tremia. — Você é minha.


Capítulo Oito Porra. Eu a tinha beijado para ver. Para beber suas mentiras e provar a verdade. Eu tinha a beijado na esperança de pôr fim à dor das bolhas dentro do meu coração. Para admitir para mim mesmo que tudo o que me atraía para ela era falso. Não funcionou. Sua boca me intoxicou. Ela me fez querer ela mais do que ninguém. Isso era uma mentira. Havia alguém. Alguém em que eu não conseguia pensar sem querer rasgar meu peito. Alguém que eu trairia. Alguém que eu já estava traindo ao permitir que esta mulher deformasse minha mente. Eu tinha que jogar essa impostora a distância. Antes que fosse tarde demais. — Kill

Eu tinha vivido julgamentos que eu não conseguia lembrar.


Eu aprendi habilidades que eu não conseguia lembrar. Eu tinha vivido uma vida que já não existia. Mas eu sabia de uma coisa com absoluta certeza. Eu nunca tinha estado mais viva do que quando Kill segurou minha mão e marchou até sua moto. Eu nunca tinha estado mais consciente enquanto eu estava sentada atrás dele e passei meus braços ao redor da sua cintura musculosa. Eu nunca tinha estado tão disposta a jogar tudo fora por mais do que ele evocou no meu núcleo, em meu coração, em minha alma. O calor. O pulsar. A necessidade. Ele era um vício em minha mente dolorosamente privada. E eu estava petrificada. Não por causa da imprudência na qual eu pressionei meus seios contra suas costas, ou a ganância com que eu levei a sua boca quando ele parou em sua garagem. Nunca. Eu estava com medo de que nada mais importasse para mim. Nada mais do que o prazer egoísta de querer. E que era perigoso, um lugar perigoso para estar. Uma pista. Um espírito. Completamente vulnerável e aberta para a dor. Eu brinquei com a minha morte. Corri em direção a minha queda.


Capítulo Nove Como diabos eu poderia parar com isso? Eu não poderia parar com isso. Eu não queria parar com isso. Pela primeira vez na minha vida sem Deus, eu senti... senti algo em vez do ódio frio da vingança. Isso me deu força e ao mesmo tempo, fez-me fraco. Eu queria mais. Por isso, eu tive que parar. Antes que ela me destruísse, exatamente como todo o resto. — Kill

Olhamos um para o outro. Respirando duro e áspero, não me movo para fechar a distância entre nós. No momento em que tinha entrado em seu quarto, o que tinha saltado para além da razão como ímãs, passou de conexão a repulsa polar. Eu estava hesitante no meio de seu quarto, incapaz de controlar meu coração batendo como louco. Kill ficou apoiado contra a porta, suas mãos fechadas do seu lado, seu rosto era uma máscara de luxúria e confusão. Nesse segundo, eu era uma estudante. Temendo sobre ser ensinada como agradar um motoqueiro.


O quarto brilhou com tudo o que pairava entre nós. Um prisma de necessidade saltando com o sol de fim de tarde, o ar espesso com explicações não ditas. Eu tinha tantas perguntas. Mas, de alguma forma, sem palavras, concordamos em não dizer nada. Uma frase errada colocaria em risco tudo o que estava prestes a acontecer. Kill arrastou uma mão pelo cabelo desgrenhado. Que brilhava quase negro e sexy com o vento do passeio maníaco para casa de moto. Eu nunca tinha estado tão ansiosa para fazer algo tão errado. Eu estava prestes a cometer adultério? Será que a minha alma vai para o inferno por eu ser tão consumida por uma necessidade e uma necessidade incrivelmente egoísta? Os olhos verdes de Kill não desbloqueavam dos meus, pôs em marcha a minha ansiedade até que eu tremia. Ele fez um barulho meio perturbado, meio estrangulado na parte de trás de sua garganta quando ele se inclinou contra a porta, sua mão agarrou em punho como se ele não pudesse suportar deixar ir. Tentei adivinhar o que se passava em sua cabeça. Mas, eu tinha estado perdida no momento em que ele me beijou no vestiário. Isso tudo era ele, eu não estava no comando. Eu não queria estar no comando. Eu esperava que ele escorregasse e de alguma forma lançasse luz sobre tudo o que me provocou. — Vá para a cama —, ele ordena, seus dedos ficando brancos em torno da maçaneta. Eu endureço e avanço em direção ao grande colchão. Eu senti como se eu estivesse em um campo de batalha cheio de armadilhas. Um movimento errado e alguma coisa iria pular e me matar. Tentei engolir, mas, não tinha a lubrificação na minha garganta e tudo tinha sido drenado abaixo, pulsando entre as minhas pernas. Eu nunca estive tão excitada.


Você pensa. Eu não deveria estar fazendo isso! Você não vai parar. — Eu não vou dizer mais uma vez, querida. Suba na cama. — Sua voz era escura e grossa. Meus olhos caíram para seu jeans. Ele estava duro como rocha, exatamente como ele estava enquanto empurrava contra mim na loja. Deus me ajude. E se eu fosse virgem, não tomasse pílula, casada? Eu empurrei esses pensamentos, me movendo mais rápido para a cama. Quanto mais perto que eu chegava, Kill respirava mais pesado. Mordi o lábio quando a cama encostou contra minhas pernas. Instantaneamente, Kill se empurrou longe da porta, rondando em minha direção. Com um encolher de seus ombros poderosos, ele descartou seu colete de couro, deixando ele em uma poça contra o tapete de carvão vegetal. Em outro passo, ele se abaixou e puxou fora uma grande bota, depois a outra. Sua mandíbula se contraiu quando ele agarrou a bainha de sua camisa e tirou ela sobre a cabeça, sibilando entre os dentes quando seus pontos puxaram, mas, ele nunca parou, fechando a distância entre nós. Uma espiral de luxúria atravessou meu sistema quando eu fiquei de boca aberta com seus músculos, a suavidade da sua pele, e a trilha feliz escura desaparecendo em seus jeans. Sua cicatriz recém costurada parecia vermelha e inchada. Pânico me encheu com o pensamento de infecção. Meu coração disparou para abrandar a onda monstruosa de necessidade animalesca. — Eu deveria realmente verificar isso. Ele balançou a cabeça, seus olhos encapuzados. — Você está cuidando de algo muito mais importante. — Apenas um metro nos separa, o calor do corpo me chamuscando mesmo daquela distância. Meu estômago revirou, enviando faíscas através do meu corpo.


— Tire o vestido, — ele murmurou. Meus dedos roçaram o maxi prata que ele tinha me comprado na loja. Depois do nosso beijo, ele tinha tudo empacotado em uma pilha, me arrastando do vestiário, jogando algum dinheiro para a funcionária, e me roubando em sua moto. Com batimentos cardíacos acelerados, reuni o material em meus ombros e deslizei para fora do vestido macio. Ele ficou caído em torno dos meus tornozelos, me deixando exposta na lingerie amarelo ouro. Ele ficou tenso, seu estômago apertando assim que cada cume dele se destacou com perfeição masculina. — Cristo, você é linda. Um gemido foi construído em meu peito. Ele mal sussurrou, apenas respirou as palavras, mas, me fez sentir como a mulher mais poderosa viva. Ele não olhou para as minhas cicatrizes. Ele não viu a estranha mistura de beleza e feiura com tinta queimada. Ele só viu a mim. Eu não tenho nada faltando. — Amarelo combina com você. — Seus olhos foram sombreados com a dor. — Vamos lá... me deixe chamá-la assim, também. Eu balancei a cabeça, plantando meus punhos em meus quadris. — Não. Só ele pode me chamar assim. Você me chama de Sagitário. Meu pai me chama Buttercup, é assim que funciona. Ele se lançou sobre mim, envolvendo os braços em volta da minha cintura e me arrancando sem esforço do chão. — Mas você é minha luz do sol. Você brilha em amarelo. Eu quero... Eu gritei enquanto suas mãos estavam em mim e o resto do argumento do meu apelido foi dissolvido em favor dos beijos e cócegas. Pisquei, dissipando a memória. — Qual é a outra palavra para amarelo? —, eu respirei, querendo, esperando, rezando que ele pudesse tropeçar. E se a sepultura dessa menina que ainda tinha o coração dele fosse falsa? E se ela fosse eu?


Eu não me importava que eu falasse de maneira diferente ou que ele dissesse que a menina em seu passado não tinha medo ou tatuagem. As coisas mudam. A vida tomou a familiaridade e, muitas vezes nos transforma em estranhos. Havia muitas coincidências. Muitas peças de alocação juntas dentro da minha cabeça. Kill congelou, suas grandes mãos parando em seu cinto. — O quê? — Suas narinas e raiva brilhante e quente roubam a natureza erótica de seu olhar. Suas mãos caíram do cinto. — Explique o que diabos você quis dizer com isso. Não! Senti ele se retirar, sua alma balançando cada vez mais rápido fora de alcance. Eu pulei para longe da cama, correndo para o seu lado. Seus olhos apertaram e cada músculo de seu corpo ficou rígido. — Eu não quis dizer nada com isso. Me desculpa, esqueça o que eu disse. Ele respirava com dificuldade, seu peito subindo com uma inspiração pesada. Ele não disse uma palavra, procurando meus olhos. — Por favor, Killian. Eu quero que você me beije de novo. Me beije como você fez. Esqueça o passado. A intensidade entre nós acendeu de novo como um pavio fumegante. Eu me liberei. Eu tremi. Meu corpo não sabia se ele devia ser quente ou frio, envergonhado ou confiante. Ele não me tocou. Apenas observei. Finalmente, nunca quebrando o contato visual, ele desfez seu cinto grande e abriu o zíper de seu jeans com mãos firmes. Seus músculos peitorais se contraíram enquanto ele empurrou seus quadris e descartou o jeans com um empurrão.


Minha boca ficou seca. Eu não conseguia parar de olhar para as cicatrizes de prata de lesões anteriores, ou o vermelho brilhante que lhe deu uma razão para me deixar entrar em seu mundo muito particular. Eu estava sob nenhuma ilusão de que tinha sido concedido um passe exclusivo e um que eu não queria arruinar. — Tire o seu sutiã, — ele sussurrou. Sua mão foi para seu pau, envolvendo em torno da dureza insana visível em uma cueca boxer cinzenta. A mancha de umidade escureceu o material com sua excitação, e tudo que eu queria era ver o que ele me daria. Cada centímetro de mim estava hiper consciente, agravada por ele não estar me tocando. Ao me tornar nua, ele me obrigou a dar-lhe tudo o que eu era ao mesmo tempo em que está sendo exposto e em show. Minhas mãos desapareceram nas minhas costas. Meus dedos se atrapalharam no fecho. O sutiã de laço bonito desabotoou, cedendo dos meus ombros. Pegando os bojos, eu segurei eles por um momento contra a minha pele. Isso foi pior do que me despir no complexo, o que tinha sido um negócio. Seríamos mercadoria, estoque, isso... tudo sobre isso era puro sexo. E dominância. E antecipação louca. — Deixe cair, — Kill murmurou. Obedeci, deixando meus braços caírem para meus lados, observando a vibração do sutiã para o chão. De repente, seus dedos pressionaram contra meu queixo, guiando meus olhos para cima e para cima, até que me afogo em seu olhar verde. — Nunca olhe para longe de mim. Eu balancei a cabeça, incapaz de falar. — Tire minha cueca fora. Meu coração deixou de bater quando eu hesitantemente coloquei minhas mãos em seus quadris. Ele estremeceu sob o meu toque. Minha barriga deu cambalhotas quando ele chupou em seu lábio inferior um pouco duro. Eu amei que eu o afetasse.


Enganchando meus dedos no cós elástico, puxei lentamente. Sua cabeça caiu para trás quando o grande comprimento de sua ereção saltou livre. Eu não conseguia parar de olhar para ele. O enorme tamanho parecia crescer na espessura e comprimento abaixo da minha aparente inspeção, mais como uma espada do que um pedaço de anatomia. Oh, UAU. O cabelo vermelho da sereia que é varrido com a maré em sua tatuagem na perna, chega ao redor da base de seu pênis totalmente raspada. Sobre a parte superior de sua ereção, o cabelo em cascata diminui para baixo, a nudez das suas costas tingem com tinta perto de suas bolas. — Isso deve ter doído. Sua mandíbula aperta. — Doeu. — Por que ir tão perto de algo tão delicado? — Por que você buscou a mesma dor por tatuar o mamilo? Eu não tinha resposta para isso. — Pare de desviar. Qual foi o motivo? Ele abriu a boca, em seguida, fechou. Algo brilhou em seu rosto e ele sacudiu a cabeça. — Porque ela morreu em agonia. Eu queria ter essa parte para que ela soubesse que não estava sozinha. A queimadura lenta no meu estômago tornou-se calor em brasa. — Kill... Sua mão disparou. — Pare de falar. — Seus olhos verdes brilharam com ameaça. — Me prometa que sob nenhuma circunstância você vai me tocar a menos que eu deixe. — O que? Por quê? Ele agarrou meu cabelo, me segurando firme. — Porque eu disse. É por isso. Me mudando para trás, ele pressionou uma mão forte nas minhas costas, me derrubando em cima da cama. Se elevando sobre mim com sua ereção espetando orgulhosa e forte entre as pernas, ele se parecia com o deus do sexo e delírio.


Eu o amei nu. Eu amei o seu poder sem esforço e perigoso. — Se apoie em seus cotovelos. Eu quero ver você. Minha mente gaguejou como um aparelho de televisão com defeito, piscando com as memórias de um menino mais jovem com quadris mais estreitos e total inocência. Eu não podia distinguir entre o menino de olhos verdes que eu amava e esta besta de homem, de pé e nu diante de mim. Eles eram a mesma coisa? Por favor, os deixem ser os mesmos. — Abra suas pernas —, ele murmurou. Obedeci, meu coração apertado. Se ele era minha alma gêmea do passado, como eu poderia ter esquecido ele? Como eu poderia ter me afastado de um amor tão abrangente? Eu odiava pensar que eu o feri por qualquer rompimento com ele ou por desaparecer. Mas... eu não poderia tê-lo deixado. Ele pensou que sua namorada estava morta. Ele tinha provas. Sua crença era absoluta. Minha esperança se rasgou em pedacinhos. Eu não era ela. Não importa o quanto eu tentei forçar isso. Eu estava com saudades de casa, doente de amor, mas, acima de tudo, enlouquecida, por tudo que eu não sabia. — Onde quer que sua mente esteja, pare —, ele rosnou, com a mão cerrada em seu pau. Sua tatuagem colorida empurrou quando seus quadris foram travados no lugar. Toda a minha atenção tornou-se fixa em seu aperto severo. — Estou aqui. — É melhor estar. Eu travei o olhar com ele. — Não há outro lugar que eu preferiria estar do que aqui, com você. Ele bufou. — Então, maldita estranha. — Sua mão se moveu para cima e para baixo, com prazer, mas, se punindo com a pressão. Ele me olhou como se ele fosse sair a qualquer momento ou me atacar e me


arruinar para a vida toda. Ele era... indescritível. Como se ele fosse o único a não estar realmente aqui. Seu corpo estava, mas, sua mente estava com seu verdadeiro amor. O fantasma com que eu nunca seria capaz de competir. O pensamento me fez infinitamente triste. Não haveria nenhuma conexão se construindo, isto era apenas sexo. Eu tinha que manter isso em volta do meu coração, assim isso não me quebraria quando a hora dessa fantasia chegar ao fim. Seus olhos foram para os meus mamilos, um colorido e um natural. Seu ritmo aumentou e seu pau ficava cada vez mais duro. — Deus, eu quero rastejar dentro de você. — Seu olhar dançou sobre a minha pele, se levando em minha tatuagem. Seu estômago ondulava, tencionando quando minha calcinha toca os cabelos finos em suas coxas. Se curvando sobre mim, ele puxou meus quadris para deixar meus pés pressionados contra o chão, em seguida, derrubando os meus cotovelos para que eu deite de costas. Gritei enquanto sua boca quente e molhada capturou meu mamilo, sugando profundamente e deixando ele duro. Minhas mãos instantaneamente voam para seu cabelo, esmagando seu rosto contra o meu peito. Ele desembarcou de pé, quebrando meu aperto frágil em seu longo cabelo escuro. — O que acabei de fazer você prometer? Engoli em seco. Sem esperar pela minha resposta, ele balançou a cabeça e caminhou em direção ao seu armário. Voltando poucos segundos depois, ele estendeu uma gravata dourada. — Me dê suas mãos. Pisquei. Uma profusão de pensamentos passou pela minha cabeça, mas, eu me arrebato para o mais estranho. — Você é um presidente de uma gangue de motoqueiros, mas, você tem uma gravata? Seus lábios se torceram em um sorriso frio. — Há muita coisa que você não sabe sobre mim. Agora me dê as mãos. — Eu quero saber tudo que há para saber.


Ele fez uma careta. — Nós nunca conseguimos o que queremos. Aprenda a viver com a decepção. Em seguida, ele atacou. Sem esforço, ele apertou meus pulsos juntos e amarrou o material de seda em torno de mim. No segundo que eu estava presa, ele me puxou para o final da cama, me puxou para o final do colchão, e acariciou minha bunda. — Suba para o meio. Fique de quatro. Olhei por cima do meu ombro. Seu rosto era ilegível, bloqueando toda a luxúria ou pistas. Ele me queria, não havia nenhuma dúvida sobre isso, e eu o queria, a umidade entre minhas pernas era uma prova de o quanto eu o queria, mas, ele fechou uma parte de si mesmo, eu não perdi isso. A parte que eu tinha visto muito brevemente ontem à noite e no vestiário hoje. — Da próxima vez que eu lhe disser para fazer algo, você fará. Imediatamente, lembra? — Ele me bate, agarra minha cintura, e praticamente me joga na cama. Rastejar com pulsos amarrados não foi fácil, mas, eu fiz como ele pediu e me mudei para o centro da cama. Não havia nada vulnerável sobre este homem. Ele estava lá para tomar e não dar nada em troca. — Abra suas pernas —, Kill ordenou. A cama rangeu quando ele subiu atrás de mim, o calor de suas coxas nuas aquecendo meu traseiro. Eu tremo enquanto seus dedos se cravam em meus quadris, puxando a calcinha amarela. Lentamente, ele arrastou ela das minhas coxas, deixando presa nos joelhos sobre a colcha. Esperei para ver se ele iria me dizer para removê-las, mas, ele só me bate de novo, não é forte, mas, o suficiente para me manter muito obediente. O calor na minha pele assegurou que eu iria saltar para a sua próxima instrução. — Mais largo. Abri mais amplo, lutando contra o aperto das calcinhas envolvidas em torno de meus joelhos. A degradação de não ver o que estava fazendo e ser mantida no escuro sobre o que ele planejou, fez meu coração galopar como um cavalo selvagem.


Ele se inclinou para o lado da cama e com braços longos tirou um invólucro azul de sua mesa de cabeceira. Eu fiquei tensa. Ele ia me levar tão cedo? O que aconteceu com o homem apaixonado no vestiário? O que aconteceu com o seu toque ardente e beijos insanamente possessivos? Minha barriga apertou com o pensamento de ser usada assim. Kill coloca o preservativo no colchão ao lado do meu joelho. Sua respiração engatou e minha cabeça pendeu para frente com o seu toque pousando entre as minhas pernas. Ele acariciou minha buceta, indo do clitóris para a entrada. Não havia nada hesitante sobre seus dedos. Isto ainda não eram as preliminares era um meio para um fim. Mordi o lábio enquanto ele me acaricia de novo, arrastando os grandes dedos por minha umidade, umidade que ele tinha provocado quando ele me beijou tão malditamente apaixonadamente. O que era isso? Este ato impessoal cheirava a autopreservação de sua parte. Ele não me queria o encarando, tocando, dando qualquer dica de que eu tinha sentimentos por ele que não o sexual. Ele está protegendo a si mesmo. — Porra, você está tão pronta para mim. — Eu não sabia se isso era temor ou desgosto em sua voz. Minha mente estava intrigada com o que estava acontecendo, mas, meu coração estava revoltado. Eu não me inscrevi para ser usada como um brinquedo. Eu tinha concordado em deixá-lo se conectar comigo. A cada segundo essa conexão desaparecia mais, até que poderíamos ter sido estranhos e o dinheiro estaria prestes a trocar de mãos. Pare com isso. A palavra ecoou em meu cérebro. Você não pode. Meu cabelo ficou preso na minha garganta quando o meu corpo liberou. Eu tinha que passar por isso. Eu tinha que quebrar algo dentro do


seu coração se eu tinha alguma esperança de aprender mais. Talvez o sexo fosse a chave. Decidindo tomar o que fosse dessa liberação para nós dois e nada mais, eu murmurei, — Eu estava pronta para você no momento em que me beijou no vestiário. Ele fez um barulho em seu peito. — Sim, isso foi um erro da minha parte. — Um erro? —, minha voz ficou suave. — Um beijo nunca pode ser um erro. Eu amei. Ele rosnou baixo. — Eu não beijo. Eu tenho minhas razões. A tristeza em sua voz me deixou selvagem. Diga-me! De repente, ele inseriu um dedo dentro de mim, fazendo com que minhas costas se curvassem e minha pele arrepiasse. Oh Deus. Não houve borboletas ou faíscas. Seu toque era uma lança, rápido e veloz, construindo a necessidade em um instante. Ele se retirou, espalhando minha umidade em torno de meu clitóris, me acariciando com força, rápido e com precisão de especialista. Minhas pernas tremiam e meus braços queimaram com o constrangimento de ficar de quatro. Eu queria entrar em colapso por prazer. — Você já fez sexo antes? Lutei para entender a pergunta enquanto ele me tocava tão primorosamente. Quebrei a cabeça, tentando lembrar. Certamente, eu deveria lembrar algo assim, algo tão básico? Você nem sequer sabe a sua idade. Como você poderia saber se você teve relações sexuais quando o seu nome e data de nascimento são menos importantes que os amantes? Baixei a cabeça. — Eu não sei.


Kill grunhiu, movendo os dedos do meu clitóris e deslizando para trás dentro de mim. A deliciosa pressão e balanço de seu toque me atravessaram. Meus quadris se movendo em seu próprio acordo. — Deus, por favor... mais... — As palavras estavam se derramando da minha boca. Obedecendo, ele acrescentou outro dedo, me alongando com deliciosa dominância. Eu gritei quando ele afundou e contorceu seus dedos dentro de mim, espalhando intensidade através da minha vagina. Minhas pernas tentaram se fechar juntas, mas, ele pressionou na minha parte inferior das costas, mantendo minhas pernas separadas e à sua mercê. — Eu não acho que você é virgem. Você é apertada, mas dois dedos não devem lhe dar prazer. Eu balancei a cabeça, rangendo os dentes, desejando que isso não fosse tão bom, não quando ele estava me analisando como uma peça de equipamento em vez de uma mulher. — Por favor... — eu murmurei novamente, nem mesmo tendo certeza do que estava pedindo. Um abraço? Um beijo? Uma palavra amável? Kill levou os dedos com mais força, sua voz cheia de pecado. — Há algumas coisas que você deve saber sobre mim, querida. Ele esperava que eu ouvisse? Quando tudo que eu podia fazer era sentir. — Eu vou foder você. Eu vou foder você até que eu goze, e eu vou ser grato pela liberação. Mas eu nunca vou beijar você, falar com você, acariciar ou aconchegar. Eu não quero seus lábios em volta do meu pau. Eu não quero seus braços ao redor do meu pescoço. E eu certamente não quero o seu amor. — Ele trouxe seus dedos até o meu clitóris novamente, pressionando com força e quase cruelmente contra mim. Faíscas irromperam, meus mamilos latejavam. A pressão era boa. Boa demais. Do ritmo lento, para o mais rápido era alucinante, a sensação de ser odiada, tudo ao mesmo tempo sendo ligado, torcendo minha bússola moral até que eu não conseguia entender onde eu estava nesse novo mundo. — Você concorda com esses termos?


Eu respirei, estrelas surgindo atrás dos meus olhos. Um orgasmo se construía do nada e eu forcei minha buceta mais duro na sua mão. Ele engasgou, esfregando duro e rápido, a outra mão segurando meu quadril e esfregando seu pau duro contra a fenda da minha bunda. — Goze querida. Eu não vou esperar por você uma vez que eu estiver dentro de você. Isto será um meio rápido para um fim. Eu quero estar dentro de você, mas marque minhas palavras, isso não é fazer amor. Seu toque virou ainda mais brutal, e eu não tinha escolha, apenas me impulsionar para baixo da encosta escorregadia e saltar para o mundo inferior, onde fogos de artifício, sinfonias, e o quebrar das ondas de paixão inflamavam entre as minhas pernas. — Deus, oh Deus... merda! Meu eixo do corpo inteiro está desvendado em uma versão cataclísmica. Eu gemi alto, caindo dos meus cotovelos com o rosto plantado nos lençóis. O som vago do rasgar de papel alumínio veio, o grunhido irritado de Kill enquanto rolava o preservativo em seu comprimento, e em seguida a compressão dele me possuindo, me consumindo, a pressão de ser levada assim destruiu meus sentidos. Seu calor me sufocando. A longa intrusão, a espessura de seu pênis me esticando sem suavidade ou timidez. Ele me levou, como se eu sempre tivesse lhe pertencido. No instante em que se afundou dentro de mim, ele sussurrou, — Foda-se. O poder dessa pequena palavra, e a violenta reação que ele teve, o meu corpo ficou dolorido com a necessidade de se liberar. Mais uma vez. Estremecendo, sua mão apertou a base de si mesmo quando ele afundava cada vez mais longe. Centímetro por centímetro, ele embainhou a si mesmo até que eu não podia me mover sem sentir ele em todos os lugares. Sem aviso, ele puxou e bateu de volta dentro de mim. Um grunhido áspero explodiu de sua garganta enquanto ele se dirigia rápido e profundo. Meu coração explodiu com os sentimentos. Não havia nada doce sobre isso, mas, apesar de suas regras de não tocar, olhar, ou qualquer


ligação, ele não podia parar o modo sublime como nossos corpos se moviam. A sincronia perfeita de ritmo e pressão. No segundo que ele empurrou dentro, tínhamos sido presos juntos como dois seres em um lugar em que encontraram seu verdadeiro lar. Nenhuma palavra poderia dissipar a certeza disso. Gritei enquanto ele ia mais profundo. — Porra, você parece tão boa com o meu pau dentro de você. Meu estômago virou e eu agarrei o lençol para me impulsionar para trás, para satisfazer a sua velocidade. — Mais, — eu gemi. Decoro não existia no quarto. Civilidade e conversa não eram pontos discutíveis quando Kill se perdeu e me fodeu. Não havia nenhuma maneira de explicar a maneira frenética como ele agarrou o meu quadril, mergulhando no meu calor molhado como se ele tivesse nascido para me foder. Ele me fodeu como se eu fosse desaparecer. Ele me fodeu como se ele não pudesse suportar a si mesmo. Auto ódio escorria dele a cada estocada perfeitamente conduzida. — Porra. Por que você tem que me fazer sentir tão bem, caralho? — As maldições escorriam de seus lábios. Eu o apreciava em angústia, sabendo que ele devia estar sentindo alguma coisa e isso estava matando ele por ser infiel à memória de sua menina fantasma. Mas ele tinha que seguir em frente. Vou ajudá-lo a seguir em frente. Suas unhas cravaram em minha carne quando ele me trouxe de volta, me batendo contra ele enquanto empurrava mais e mais rápido. — Merda —, ele engasgou. — Maldição, você é incrível, porra. — Oh, baby, você é tão incrível. Eu sorri com os lábios apertados e olhei para o teto enquanto eu montei a dor de perder minha virgindade. Me recusei a olhar em seus olhos castanhos e doces.


Ele pressionou beijos de borboleta em toda a minha testa. — Eu estou tão feliz que estamos um com o outro pela primeira vez. É tão especial. Vou sempre me lembrar de você. Eu balancei a cabeça e o beijei de volta, mudando meus quadris e gemendo quando ele empurrou por alguns segundos depois e gozou. Eu acariciei as suas costas e beijei suas bochechas coradas, deitando silenciosamente abaixo dele. Todo o tempo eu gritei por dentro. Eu chorei com os olhos secos por outro. O flashback veio e se foi tão cheio de emoção e sofrimento, que eu engasguei com um soluço. Não pude conter a dor. O menino que tinha tomado a minha inocência tinha sido tão suave, tão amável, tão apaixonado por mim. No entanto, eu me senti interminavelmente presa. Aquele não era ele. Mas aqui... com um homem que não sabia se dirigir em mim com indiferença eu me senti imprudente... livre. Livre de um passado envolto no fundo do meu cérebro. Livre de decisões erradas. Eu estava liberta, tomada e possuída. Eu o amei. Meus lábios se separaram quando eu respirava com dificuldade, meus joelhos cavando os lençóis quando Killian balançou violentamente. Ele era o oposto de cuidadoso, o eclipse polar de gentil, mas, ele fez meu coração abrir suas asas atrofiadas e voar. — Sim —, eu gemi. — Não pare. Suas bolas quentes bateram contra o meu clitóris enquanto ele me montou mais duro e mais rápido do que eu pensava ser possível. — Cale a boca —, ele rosnou, batendo uma mão aberta contra a minha bunda. A punição enviou meu sangue arqueando a superfície da minha pele, fazendo com que tudo fosse uma bolha de intensidade. Eu queria mais. Eu queria estar viva.


— Arthur... — Olhei por cima do ombro. A imagem de seus olhos apertados e rosto corado de prazer enviou outro aperto através do meu núcleo. — Merda, você não aprende. — Sua mão grande desceu, apertando meu pescoço, forçando meu rosto e meus olhos para se concentrarem na parede lisa. — Meu nome não é seu para usar. Cale a boca enquanto eu te fodo. Por quê? Porque você não gosta de ser lembrado que você é humano? Um homem que precisa de companhia? Isso me comoveu em uma mistura de culpa e bem aventurança. Meu estômago torceu e provocou outro orgasmo enquanto ele se dirigia para cima, batendo o meu ponto G. Não deixando de lado meu pescoço, ele grunhiu enquanto empurrava uma e outra vez. Eu me contorci sob seu controle para olhar para ele. Eu queria ver este animal me consumindo. Mas seus dedos continuaram apertados ao redor da minha nuca, pressionando minha bochecha mais forte para a cama. — Não olhe. Não olhe para mim com esses olhos, porra. Meu coração se partiu enquanto sua voz falhou. A dor dentro dele, a miséria, era tudo embrulhado em raiva e fúria. Meus olhos vibraram com um pulsar no meu núcleo e me pegaram completamente de surpresa. Sim, ele era exigente e me despojava de dignidade, mas, ao mesmo tempo, ele me deu seu prazer. A ferocidade um pouco instável de Arthur Killian tornou ele uma criatura simplória. Ele me entregou completamente quando eu contorci meus quadris e derramei sob o sentimento de ser tomada. O calor de sua carne escaldando minhas coxas, a corrida de sua respiração fez cócegas na minha volta. Eu queria que ele gozasse. Eu queria a sua libertação. Eu queria ter esse poder.


Ele ofegava no tempo com seus impulsos. Sua mão no meu pescoço empurrou com mais força, me obrigando a tomar mais e mais. Meus olhos lacrimejaram enquanto ele me levou às alturas nunca exploradas. De repente, ele se inclinou sobre mim, pressionando seu corpo ao longo do comprimento do meu. Mal tive tempo para chupar uma respiração quando ele empurrou mais duro por trás, deslizando mais profundo e rápido. Eu estava muito excitada. Imersa durante sua violência. Sua mão grande mediu meu quadril, enquanto a mão na parte de trás do meu pescoço nunca parou de me agarrar. Ele meio que me estrangulou por trás enquanto ele me fodia forte, tão forte. Implacável e malditamente cruel. Ele foi o mais duro que eu já tinha tomado, pelo menos eu penso que era, mas, ele ainda tinha algo escondido. Ainda não me deu seu tudo. Eu empurrei meus quadris, encorajando ele a ir mais fundo. Eu queria gozar novamente. Eu queria ter seu prazer. Seu pau me acariciou até minha mente ficar cheia de faíscas. Seus dedos apertados em volta do meu pescoço e, em seguida ele gozou, jorrando dentro de mim, sua porra me lançando no esquecimento da mente. Seu corpo estremeceu quando as ondas do seu orgasmo arruinaram seu quadro. Ele gemeu longo e baixo, estremecendo quando a última ondulação o drenou seco. No momento em que ele terminou, ele se puxou fora e rolou para longe. Desabei em meu estômago, machucada, formigando, e lutando com a mistura de emoções apertando meu coração. Kill se inclinou sobre mim, desfez o laço em torno de meus pulsos em uma liberação rápida, e em seguida, desceu da cama. Nada foi dito. Nada foi mencionado. O silêncio era absoluto. E nós dois não tínhamos coragem de quebrálo. Deitei na escuridão artificial com uma dor latejante e insuportável entre as minhas pernas quando Kill caminhou nu para fora do quarto e não voltou.


Capítulo Dez Felicidade não era permitida no meu mundo. Eu não podia me dar ao luxo de pensar em suavidade, ou fraqueza ou saudade. Eu me machuquei mais do que qualquer outra vez que eu tinha sido infiel à sua memória. Pior do que em qualquer momento de necessidade sexual repugnante. Eu traí a mulher a quem eu pertenço. Eu queria uivar para a lua, amaldiçoar os deuses, e colher estragos em terra para o que eu tinha feito para nós. Eu estava tão malditamente sozinho, tão quebrado, porra, tão assustadoramente solitário. E eu nunca iria encontrar a paz até que eu estivesse com ela novamente. A morte era a minha salvação. Mas ainda não. Eu não poderia me juntar a minha amada até que eu tivesse cuidado de algumas coisas. Carnificina. Retorno. Vingança. — Kill


— Não, você entendeu errado de novo. — Ele se inclinou sobre mim e pegou o lápis dos meus dedos. Virando de cabeça para baixo, ele usou a borracha lá para apagar a equação. Uma vez que a minha resposta havia desaparecido, ele me passou o meu lápis. — Você precisa de uma borracha melhor. Você erra mais do que qualquer um que eu conheço. Eu faço beicinho, limpando as aparas de borracha da minha lição de casa. — Você poderia ser um pouco mais agradável sobre isso. Ele zombou. — Mais agradável? Você me pediu para ser duro com você. De que outra forma você irá obter as notas que você quer para ser uma veterinária? Olhei em seus olhos verdes. — Ainda assim, você não tem que esfregar o seu cérebro de gênio na minha cara. Me sinto estúpida ao seu lado. Suas bochechas ruborizaram. Esta tinha sido nossa primeira briga? Meu coração dói e eu me sento meio doente de pensar que não éramos tão perfeitos um para o outro como eu esperava. Então ele sorriu, me puxando em seus braços. — Eu posso ter um cérebro mais adaptado aos números do que você, mas, você... Um olhar seu... e eu sou o garoto mais estúpido vivo. Eu congelo. — Eu faço você ser estúpido? Ele me beijou, sempre muito suavemente. — Loucamente estúpido. Insanamente estúpido. Quer saber por quê? — Por quê? —, eu respirei em sua boca. — Porque quando você está por perto, eu nunca penso com a minha cabeça, eu só penso com o meu coração, e ele só sabe uma coisa: o quanto ele adora você. A luz do sol me roubou do sonho maravilhoso, empurrando de lado paixões adolescentes e me colocando de volta em um corpo que queima por excesso de uso sexual.


Meus músculos rangiam e gemiam como se eu fosse uma casa abandonada depois de resistir a um terremoto brutal. Me estiquei, chafurdando na tristeza de perder um menino que eu não sabia se era real. Eu ainda não o tinha visto. O sonho tinha sido nítido além da imprecisão deliberada em torno de sua imagem. Meu cérebro deve gostar de me provocar com esses trechos, mas, nunca me dando a pista toda. Kill não voltou depois da última noite e eu tinha passado em um minuto de terror e ódio para vitória no próximo. Ele tinha me tomado para que ele tivesse o poder. Mas, ele me deixou logo depois para que eu não fosse nada mais do que um corpo para usar. Eu precisava encontrar uma maneira de eliminar a raiva por sua autoproteção e explorar o que ele manteve escondido por baixo. Mas, primeiro, eu tinha que fazer o mesmo por mim. Me recusei a ser cega em um mundo com tantos segredos. Era hora da operação da quebra da amnésia. Olhando para o teto branco, fecho as minhas mãos. Respirando fundo, eu digo em voz alta: — Qual é seu nome? Fiz uma pausa. Esperando meu cérebro para pesquisar a bagunça, destrancar portas que eu não tinha chaves, e achar uma resposta. Esquecida era a única coisa que me veio. Mesmo sagitário não era forte, como eu de alguma forma sabia que ele tinha me chamado de Buttercup também. — Onde você mora? Eu esperei. E esperei. — Qual é o nome de sua melhor amiga? Corrine. Minha frequência cardíaca acelera. — Corrine.


Oh meu Deus, eu me lembrei dela. Pequena, o cabelo loiro curto, magra, enérgica. Ela estava estudando medicina veterinária comigo... Rosnei em frustração e saltei para a minha próxima pergunta. — Quantos anos você tem? Você é três anos e meio mais nova que ele. Ele pensava que era diferença demais. É por isso que ele se recusou a tomar a sua virgindade. Bati a mão sobre a minha boca. Eu quis que mais viesse. Nada, mais, só o vazio retorna. O som estridente de um toque entra pela porta aberta. Uma campainha? Um telefone? Ontem à noite, depois que eu voltei à vida sob o homem que segurou a minha própria existência em suas mãos, eu saudei a madrugada em uma cama vazia. Kill tinha ido e eu lutei contra o desejo de segui-lo. Eu queria ir atrás dele, mas, consegui me manter na cama, sua cama. Eu sabia que não seria sensato persegui-lo, não com o quão complexa suas emoções estavam. Eu não tinha o direito de me intrometer em seu coração. Mas, a curiosidade era uma necessidade insaciável. Deslizando dos lençóis quentes, eu envolvi um cobertor em torno de minha nudez e fui em busca dele. Pelo longo corredor, e subindo as escadas, achei Kill em seu escritório, a mesma sala onde ele quase morreu. O piso foi limpo e as toalhas e água ensanguentadas tinham ido. Será que a senhora da limpeza fez isso ou ele? O sol invadia a sala, desafiando as cortinas brancas, metade desenhadas para impedir o brilho nas telas de computador, e a grande obra de arte matemática apareceu cada vez mais alto, como se saísse do meu sonho. Ele te ajudou com o seu dever de casa. Quem quer que fosse o menino que era dono do meu coração, ele era inteligente, exatamente como este presidente de clube.


Kill se sentou no brilho do sol da manhã, com o peito nu brilhando de um banho recente. Ele ainda não tinha se vestido, mas, usava um par de cuecas boxer pretas. Sua perna tatuada estava escondida debaixo de sua mesa. Me debrucei contra a moldura da porta, observando os planos em sua volta, como a luz dourada o fazia parecer de outro mundo. As grandes cadeias de músculos alongados por sua espinha, ao mesmo tempo masculinos e graciosos. A enorme tatuagem era uma mancha em sua carne. O crânio e as moedas estavam lá, junto com a balança, mas parecia nublado. Como se tivesse sido desenhada sobre outro projeto, um projeto que se recusara a desaparecer sob a nova tinta. Eu preferia muito mais a tatuagem na perna. Ela tinha histórias para contar, boas histórias, até mesmo felizes. Uma delas à sua volta era mais do que uma frase, um estilo de vida que eu não entendia completamente. Meus olhos foram para a informação dançando nas telas de computador. — Veja isso, Buttercup? Abri os olhos, me virando para a televisão. Eu estava em seu colo, sonolenta e contente após o nosso dia de sol na praia. — Ver o que? Ele se inclinou para baixo, correndo as pontas dos dedos suaves pelo meu cabelo. — A bolsa. Isso é chamado de uma propagação de sementes. É como as pessoas fazem dinheiro com a troca. E esta plataforma particular, é a mais lucrativa que existe. Eu torço o nariz. Eu não poderia entender as cores cintilantes e linhas empurrando para baixo, depois para cima, em seguida, para baixo novamente. — O que é isso? — É o FX9. — Em Inglês, por favor, intelectual. — Eu o agarrei, sorrindo quando ele riu baixinho. Ninguém mais tinha que ouvi-lo rir. Isso era meu, e só meu. — É o mercado de moeda estrangeira e eu vou usá-lo para nos fazer uma fortuna. O flashback terminou.

9

Foreign Exchange = Câmbio.


O conhecimento foi resplandecente, cada pequeno vislumbre do meu passado, a construção de uma imagem, de fatias de história. Eu não tinha ideia do que o retrato grande revelaria, mas, eu tinha que confiar que meu cérebro iria trabalhar com isso, eventualmente. Ele negocia. Eu fiquei em silêncio na porta, tomando a intensa concentração de Kill quando ele se sentou na cadeira de espaldar alto do escritório e olhou para as quatro telas como se elas guardassem o sentido da vida. Gráficos, tabelas e diagramas circulares cobriam um computador, enquanto o outro segura avaliações como castiçais e relógios mundiais. Os outros dois estavam pretos, piscando números vermelhos e verdes, mudando rapidamente em colunas diferentes. Sua cabeça se move ligeiramente, reunindo informações de cada tela, os dedos traçando sobre o teclado, tomando decisões rápidas com base nas conclusões que ele alcançava. O quão rico ele é? O que ele está escondendo? Eu pulei com o som áspero de um telefone celular tocando ao lado de seu mouse. Ele pegou sem olhar longe das telas. — Kill. Eu não conseguia ouvir o autor da chamada, mas, Kill está endurecido novamente. Ele se endireitou, arrastando a mão pelo cabelo úmido. — Será que a primeira fase saiu bem? Silêncio enquanto o autor da chamada respondeu. — Isso é bom. Diga a Wallstreet que eu sou grato por sua visão. Parecia que ele estava certo sobre essa questão particular. Eu estou fodidamente feliz que tenha funcionado. — O tom de Kill era escuro, com um prazer sombrio. O que tinha sido feito? Quais os projetos que ele estava manipulando ao mesmo tempo que está comigo de babá?


Kill de repente ficou tenso. — Diga a ele que não é da sua maldita conta. Eu sufoco meu sorriso. Parecia que era a frase favorita dele. — Não, eu não me importo. Vendemos as cinco. Ele conseguiu o que queria, fazendo algo que o clube é contra. Por que diabos ele se preocupa com a sexta? Eu congelo. Pingentes de gelo se formam no meu sangue. Eu. Eles estão falando de mim. — Como diabos ele descobriu? — Ele se inclinou para frente, apoiando o cotovelo na mesa, e arrastando os dedos sobre seu rosto. — Não. Eu vou lidar com ele. Obrigado pela dica. Eu tenho a garota aqui. O autor da chamada falou. Kill respirou fundo. — Porra. Isso é treta. Eu disse que ia encontrar um comprador. Eu não... O autor da chamada o cortou. Kill dá um soco no topo da sua mesa. — Maldição, que diabos é o problema? O que é que ele quer com ela? Silêncio quando o interlocutor respondeu. — Não, eu não vou entregá-la. Vou levá-la eu mesmo. — Abrindo a gaveta de cima da escrivaninha, ele puxou uma arma. — Espere por mim, estou chegando. — Ele desligou. Oh Deus. Essa arma era para mim? Ele precisa me ameaçar? Eu desapareço no corredor, não querendo ser pega, mas, não estando disposta a deixá-lo fora da minha vista. Ele mentiu para mim. O que isso significa? Será que o acordo que tínhamos feito foi quebrado? Eu pensei que ele era o presidente. Por que ele estava se curvando às exigências de outros? Meu corpo tremia com a necessidade de correr para chegar o mais longe quanto possível das falsas promessas e motoqueiros complicados, mas, fiz uma pausa. Kill baixou a cabeça, massageando o pescoço com as duas mãos. Ele parecia cansado e carregando o peso de uma tristeza sem fim.


Não sinta pena dele. Não se atreva a sentir pena dele. Me aproximei mais das escadas, pronta para fugir de volta para o meu quarto e traçar uma fuga, mas, Kill se inclinou para um fundo e puxou abrindo com uma chave. Esgueirando sua mão, ele tirou um pequeno pedaço de papel. Eu não podia ver o que era. Uma fotografia? A lista de compras? Minha pele se arrepiou quando ele rosnou, — Eu terei minha vingança. Vou encontrar minha paz. Vou arruinar esses filhos da puta e espero em Deus que eu serei livre. As palavras eram como flechas, chovendo em torno de mim, e penetrando profundamente em minha alma. — Eu terei minha vingança. Vou encontrar minha paz. Vou arruinar esses filhos da puta e espero em Deus que eu serei livre. Cada folículo de cabelos ficaram em pé. As palavras não eram uma promessa ou uma oração. Elas eram uma obsessão. Um consumir, uma paixão obsessiva havia sequestrado toda a sua existência. Eu não poderia assistir mais enquanto Kill reverenciava, e colocava o item de volta na gaveta e pegava sua arma. — Está quase na hora —, ele murmurou. — Quase no momento de fazer-lhes o que fizeram comigo. — Seu tom de voz ecoou com a vingança e ódio. Viro o meu traseiro e corro.

Kill me encontrou meio vestida. Vestindo sua camiseta preta e o jeans de costume, ele sussurrou com energia. Eu tinha fugido e estava determinada a ser forte e brava quando ele viesse para mim com uma arma na mão e promessas quebradas arrastando atrás dele. Seguindo para o quarto que ele me deu na primeira noite, os olhos fixos no meu sutiã e saia jeans que eu apenas puxei sobre meus quadris. — O que você está fazendo aqui? Te deixei no meu quarto.


Eu o enfrentei, odiando o frio em seus olhos e as mentiras corrompendo o ar entre nós. Eu não podia olhar para ele sem exigir saber como ele poderia me foder, ao mesmo tempo sabendo que ele queria se livrar de mim em breve. Bem, já passou muito tempo. Muito tempo, para esperar até que eu pudesse dizer a história de minhas cicatrizes e tatuagem. — Este é o quarto em que você me trancou. Eu sinto muito por ter ocupado sua cama a noite toda. — Arrancando uma camiseta branca do saco da loja, eu murmurei, — Você, obviamente, não podia suportar a ideia de dormir ao meu lado, vendo como você nunca mais voltou. Ele caminhou na minha direção, plantando suas grandes mãos nos meus ombros e me empurrando para encará-lo. A arma que eu tinha visto em seu escritório tinha desaparecido. — Que diabos você está fazendo? Apertei os olhos. — O que eu estou fazendo? Eu poderia perguntar o mesmo sobre você! Seus lábios se abriram, então estalaram juntos. Raiva rolou de cima dele. — Nós fodemos. Não havia nada mais do que isso. Tão pessoal como... — Estranhos. Não se preocupe. Eu entendo. — Revirando os ombros, eu quebrei o seu aperto e me movo para o banheiro. A porta tinha uma tranca nela e eu tinha toda a intenção de usá-la. A maneira como meu corpo se agitou e a língua queria vomitar obscenidades, era melhor para nós dois termos alguma distância. Minha mão estendeu para a maçaneta da porta, mas, um braço se laçou em volta da minha cintura, me puxando contra músculos quentes e fortes. — Eu disse que você poderia sair? Eu disse que você poderia me vender? Eu respirava com dificuldade pelo nariz, engolindo minhas réplicas. — Me solte. — Não. Eu me contorci, desejando que eu fosse mais forte. Eu me distraio brevemente com a ideia de girar ao redor e dar joelhadas na virilha dele, mas, isso só iria deixá-lo furioso. Eu não tinha como ganhar. Deixando a luta esvair de meus membros, eu disse distraidamente, — Eu ouvi você.


Ele congelou. — Você estava me espionando? — Não. Eu fui para dizer bom dia... — E, para dizer o quanto eu gostei da noite passada mesmo que você tenha problemas. — Não fique surpresa. Você sabia o que seu destino implicava. Só porque meu pau esteve dentro de você não significa que você está livre. — Sua respiração se voltou dura quando seus dedos afastaram mechas vermelhas da gola para o meu pescoço. — Eu me permiti um gosto. Eu estou sendo transparente desde o início não... Eu ri, torcendo rapidamente em seus braços para olhar ferozmente em seus olhos verdes. — Você tem sido transparente? Merda, eu odiaria vêlo quando você está sendo obtuso. Você me fodeu. Eu entendo isso, e eu entendo que você está sofrendo por algo que eu não posso ajudar, mas, você disse que não faria isso. — Eu estou sofrendo? Que porra a faz dizer isso? — Seu rosto me encarou enquanto seus lábios se apertaram. Revirei os olhos. Sua ignorância ou pureza de espírito determinado não reconhece como fortemente que ele era ditado pelo seu passado, e que tinha ultrapassado meu limite dos limites. — Admita. Você está apaixonado por um fantasma, e você não pode tolerar o pensamento de cuidar de outra mulher. Você provou isso quando você me proibiu de tocá-lo, e até mesmo assistir você me foder. Você tem problemas, Arthur. — Não use o meu nome! — Suas mãos atacaram, agarrando o meu cabelo e me empurrando, andando para trás até que bati contra a parede. Nossos lábios estavam muito perto. Tudo que eu tinha que fazer era ficar na ponta dos pés e beijá-lo. Lambê-lo. Provocá-lo. Ver que gosto tinha a sua raiva por baixo de toda a culpa que ele carregava? Seu peito subia e descia contra o meu, esmagando meus seios cobertos de sutiã contra a sua camiseta. Sem uma palavra, o seu joelho cutucou o meu, espalhando as minhas pernas e descansando entre elas. Inconscientemente, ele balançou contra mim. Minha raiva foi torcida em algo que provocou um giro vermelho de paixão. — Que porra você está fazendo comigo? —, ele rosnou, seus olhos perfurando os meus. Meu coração fluindo como uma tempestade de neve,


brilhando com gelo e neve, mesmo enquanto derretia e disparava sangue quente para o meu núcleo. Eu honestamente não tinha resposta. — Eu tenho a mesma pergunta, — eu murmurei, paralisada em sua boca. Meus olhos ficaram pesados com o pensamento de sua língua se esgueirando com a minha. Ele parou de respirar enquanto o ar na sala ficou grosso de tensão. A mesma necessidade surgiu cruel e me consumindo, seus quadris foram de balançar a um impulso flagrante. Eu engoli o meu gemido quando sua ereção moeu em minha buceta. — Eu tenho que ir —, ele murmurou. — Negócios do clube. — Organizar a transação para se livrar de mim, você quer dizer. — Eu tentei duramente manter o medo longe da minha voz, mas, falhei. Ele mordeu o lábio, quase como se ele reagisse mais a minha vulnerabilidade do que a minha força. — Esse era o motivo, sim. Jogando tudo fora e usando cada truque para mudar sua mente, eu agarrei seus quadris, puxando-o com força contra mim. — Não faça isso. — Me levantando na ponta dos pés, eu o beijei. Ele respirou fundo, sua mão mergulhou para capturar meu queixo e me empurrar para longe de sua boca. Sua testa franzida enquanto estávamos nos olhando, sem respirar, sem falar, apenas olhando. Suas pupilas ficaram dilatadas quando o tempo passava e passava. Meus lábios formigavam para sentir o seu de novo e meus dedos ficaram enrolados em torno de seus quadris, querendo furar sua carne e causar-lhe dor. Fazer ele sentir para ver se eu poderia conseguir com isso, fazer ele pular fora da armadura de raiva que ele usava tão bem. Seu aperto não relaxou no meu queixo. Quem iria quebrar primeiro? Quem iria desviar o olhar ou admitir a derrota? Antes que eu pudesse decidir, a sua cabeça baixou e os seus lábios encontraram os meus em um beijo suave. Seus olhos permaneceram abertos e eu não pestanejei quando ele inclinou a boca para pressionar mais profundo. O beijo mudou de suavidade para uma dança erótica.


Lentamente, seus olhos foram encapuzados e eu permiti que os meus se fechassem. Cortando minha vista, mas, dando a concessão para todos os outros sentidos assumirem. Com um gemido, ele segurou meu rosto imóvel, os lábios firmes me exigindo que respondesse. Então eu fiz. Atirei-me no beijo. A ponta da minha língua procurou a entrada para sua boca e ele empurrou contra mim. Ele desistiu. Seu corpo caiu para frente, me esmagando contra a parede, e seus dedos caíram do meu queixo para minha garganta. Eu gemia enquanto seus lábios abertos arrastavam meu gosto em sua alma, compartilhando seu sabor em troca. Sua respiração era quente e com cheiro hortelã, o desejo negro que eu havia sentido no vestiário rodando com raiva sob sua contenção. Sua cabeça vira e seu coração está galopando contra o meu. — Fodase. — Ele derramou a maldição na minha garganta. Seu quadril se apertou contra mim, me prendendo contra a parede. Eu não conseguia parar minhas mãos de deslizarem em suas costas, adorando o volume e a tensão de seus músculos, para dar um puxão nas longas mechas de seu cabelo. Puxei, empurrando o pescoço para trás, deliberadamente tomando o beijo para um lugar mais apaixonado. — Foda-se! —, ele gemeu novamente quando minha língua duelou com a sua e nosso ritmo aumentou fora de controle. Nossa respiração e sanidade estala e a única coisa que eu conhecia eram suas mãos, lábios e danças escorregadias de línguas. — Eu quero você —, ele ofegava. — Eu quero você —, eu implorei. — Do meu jeito. É a única maneira de merda. Eu balancei a cabeça. — De qualquer maneira. Eu não me importo. Então eu estava sozinha, meus mamilos cortando o ar de repente frio e minha boca sem o seu calor.


Ele desapareceu do quarto. O único som era o barulho do meu batimento cardíaco e respiração dura. Em seguida, ele voltou, voltando com uma expressão dura e uma barra de extensão com algemas. Atacando para a cama, ele levantou uma sobrancelha. — Você me quer. Você me deixa fazer isso. Eu quero mergulhar dentro de você. Eu quero sentir você gozando ao redor do meu pau. Mas eu não quero nada em troca. Eu tremi quando luxúria deslizou pela minha espinha. Sua voz baixou enquanto acenava com a barra. — Eu não quero suas mãos me acariciando, ou seus olhos me observando. Eu não quero seus lábios na minha pele, ou o seu corpo contra o meu. Esta é a única maneira que eu vou foder você uma segunda vez. Me dê esse controle, e eu vou te dar o que quiser. À deriva em direção à cama, eu não conseguia tirar os olhos da barra. — Isso não é o que eu quero. Seus olhos queimando. Um olhar enigmático singular cintilou sobre sua face. Olhando para cima através dos meus cílios, eu sussurrei, — Eu quero tocar em você. Em toda parte. — Eu quero que você me toque. Em todos os lugares. —, disse ele, puxando sua camisa sobre a cabeça. Seu peito estava bem formado, músculos vigorosos criando um tesouro para os meus olhos. Ele tinha uma projeção de cabelo escuro que desaparece na sua calça jeans, transformando ele de menino para um homem. Meu estômago virou no temor e expectativa. — Em todos os lugares? —, perguntei com meus dedos doendo para obedecer. Ele sorriu suavemente. — Em toda parte. Não deixe um lugar intocado. Eu sou todo seu. — Sem tocar. — Kill rosnou, dissipando minha memória. Ele balançou a barra de afastamento. — É isso ou nada. Medo apertou meu coração. Ser impedida não poderia ser pior do que não me lembrar de nada. Minha mente tinha me prendido bem diante dele. E eu não estava com medo de ser capturada ou ferida. Eu já era sua


prisioneira, o que um par de algemas importa? Eu duvidava que eu tivesse qualquer temor verdadeiro, a menos que fosse do fogo. Mas, eu ainda testaria essa teoria. Eu não tenho medo dele, não dessa forma. Ele era um amante brutal, mas, ele não era um sádico. Ele tinha limites que eu podia confiar. Deixe. Deixe ele fazer isso para que você possa ganhar mais um dia ao seu lado. Inclinando meu queixo, eu ando à frente com as mãos fechadas. — Você pode me prender com uma condição. Seus lábios se contraíram em um meio sorriso. — Você não está em posição de fazer exigências. Chego atrás das costas e solto meu sutiã. Balançando ele em meu dedo, eu levantei uma sobrancelha. — Você me quer tanto quanto eu quero você. Não minta e negue isso. Seus olhos não podiam olhar para qualquer lugar, apenas para os meus seios. O tatuado ou natural, ele não parece se importar enquanto bebe na minha meia nudez. — Bem. Qual é a sua condição? — Sua ereção continuava pressionada contra sua calça jeans, e dor e irritação iluminou seu olhar. — Não me venda. Quem estava ao telefone? Não dê ouvidos. Me mantenha aqui. Com você. Como prometeu quando eu salvei a sua vida. Ele parou de respirar. — Você está usando seu corpo para negociar comigo? Você não tem nenhuma vergonha do caralho. Isso dói, mas eu ignorei a picada. — Eu estou pedindo por mais tempo. Eu estou pedindo o que você me deve. A vontade de dormir com você não é um pagamento, é tanto para meu prazer quanto é para o seu. Abrindo o zíper da minha saia, saí dela quando deslizou para o chão. — Eu só estou pedindo para você manter sua parte do acordo. Ele mordeu o lábio quando sua ereção saltou em suas calças. Seu estômago ficou tenso quando ele disse: — Você está fazendo isto soar como um contrato. Não havia regras. Sem condições.


Eu não respondi, enganchando meus dedos em cima da minha calcinha e balançando meus quadris em convite. — Você aceita? — Minha voz soa sedutora, e arrepios passam sobre a minha pele ao perceber o quão sexual eu havia me tornado. Será que eu tenho sido sempre confiante ou isto era novo? Era tão difícil saber quem eu era quando confrontada com uma situação como esta. Era apenas a sobrevivência me fazendo ter desejo pelo meu sequestrador, ou minha mente pingando e alimentando contos de um menino que possuía as mesmas características impossíveis de Arthur Killian? Ele engoliu em seco quando eu dou mais um passo, sua garganta se contraindo. Ele nunca tirou os olhos do meu núcleo coberto de lingerie, mas sua decisão brilhou verdadeira em suas profundezas. Segurando a barra, ele acenou com a cabeça uma vez. Fechei a distância entre nós, enrijecendo contra o calor de seu corpo e minha pele formigando por estar tão perto. — Onde você me quer? —, murmurei. — Deite-se de costas, — ele ordenou. Fiz o que ele pediu, sem vergonha do meu corpo seminu quando eu subi na cama e me arrastei para o centro. De alguma forma, minhas cicatrizes e tatuagem me deram um santuário. Elas me deram um lugar para me esconder, mesmo sendo tão incrivelmente vulnerável. Rolando sobre minhas costas, eu tentei controlar a minha respiração enquanto Kill fazia sua busca atrás de mim, de quatro. No tempo que eu tinha levado para estar na posição, ele tirou a camiseta e descartou sua calça jeans. Sua boxer preta não conseguia esconder a sua ereção massiva. Subindo sobre o meu corpo, ele montou em mim com poder. — Estenda seu braço, — ele sussurrou. Eu fiz como me foi dito, colocando meu pulso no punho macio e flexível. Com um olhar feroz, ele afivelou rapidamente, deslizando a barra de extensão por suas mãos até que meu braço estava esticado. — Levante eles.


Eu me estabeleci de volta para o colchão e coloquei os braços acima de mim. Kill me montou por cima, seu pau duro vindo a centímetros da minha boca. Ele parecia magnífico e rebelde com cabelos compridos e uma sereia sorrindo, seu sorriso secreto em sua perna. Minha respiração se voltou para sua cueca enquanto meu núcleo aperta. Eu poderia olhar para o seu corpo perfeito durante todo o dia e ainda querer mais. Eu queria lamber o V deliciosamente formado de seu estômago. Eu queria traçar as sombras dos músculos e imprensar beijos em suas coxas. Ele negou isso tanto a si mesmo quanto a mim, ao me amarrar. O toque era a maior coisa que um ser humano poderia aproveitar que fosse melhor do que o sexo. O toque poderia ser a coisa mais consoladora, pense em passar pela vida sem ser acariciado por outro? Meu coração se sentiu ferido por isso. — Você nunca deixa ninguém tocar em você? — Eu sussurrei enquanto ele amarrava meu outro pulso com uma braçadeira, travando a barra no centro para mantê-la contraída. A pressão de ser esticada se propaga pelos meus ombros. Era bom, por agora, mas, eu sabia que ia começar a doer muito rapidamente. Ele tinha apertado, então não havia espaço para me mover ou torcer. — Não —, ele retrucou. — Pare de falar. — Ele desceu da cama e desapareceu novamente. A próxima vez que ele voltou, ele segurava a gravata dourada. Ele obviamente não iria usá-la para ligar meus pulsos vendo como eu estava presa. Meus olhos. Ele quer vendar você. Pânico atou meu sangue com o pensamento de ficar no escuro novamente. — Você quer que eu te foda, é assim que vai ser. Você não me toca. Você não me vê. Você pega o que eu te dou e não pede mais nada. — Eu deixo você me conter, mas eu não quero estar com os olhos vendados. Kill riu, correndo os dedos ásperos no meu rosto. — Você ainda pensa que tem o poder de dizer não. — Curvando-se, ele sussurrou em meu


ouvido: — Eu dei a impressão errada. Você não pode me pedir coisas. Você me obedece e pede a Deus que me agrade. Você só está aqui porque eu quero que você esteja aqui, mas, sob meus malditos termos. Entendeu? Ele está mentindo, não só para mim, mas, para si mesmo. Sim, eu estava amarrada e prestes a ser fodida sob suas regras. Mas, só porque eu o beijei. Só porque eu queria isso. Meu coração batia mais forte por um homem tão profundamente enraizado em negação. Ele não podia sequer admitir para si mesmo que ele conheceu outra mulher que pudesse afetá-lo como a sua garota morta? Então, o que importa se eu pareço com ela? Eu era diferente de seu passado. Diferente do meu passado. O que estava acontecendo entre nós era exatamente isso, entre nós, não entre fantasmas e memórias. Se ele precisa acreditar em suas mentiras, deixe. Eu precisava fazê-lo me manter perto. Eu não me importava em jogar suas regras, a fim de fazer isso. Balançando a cabeça, eu sussurro — Certo. Eu vou fazer o que você quiser. Surpresa queimou em seus olhos, seguida por uma chama da luxúria. — Pode crer que você vai. Em um movimento rápido, ele se inclinou e apertou o laço em volta da minha visão. Seus dedos eram suaves quando ele amarrou a venda por trás da minha cabeça, apagando a luz suave do quarto. No mesmo instante, os meus outros sentidos ficaram confusos. Formigando com a sensibilidade extra e calor. Meus cílios foram esmagados sob a restrição, e eu engoli o meu pânico crescente quando ele apertou o nó na parte de trás da minha cabeça. Estremeci quando ele puxou acidentalmente no meu cabelo. — Por quê? —, eu respirei. Sem visão, meu corpo tornou-se um ponto focal. Meus seios estavam de repente mais pesados, meu núcleo de repente mais molhado. Meu coração zuniu mais rápido, enquanto a minha respiração desacelerou com a autopreservação. — Você sabe por que. Eu sei por quê. Eu só não acho que era a razão pela qual ele pensa.


As pontas dos seus dedos arrastam pelo meu estômago, seguindo meu umbigo e mergulhando em direção ao meu sexo. Fiquei tensa contra as algemas, meus dedos enrolando contra a sobrecarga de sensação. Queimando onde ele toca, eu tremi quando ele não o fez. Eu queria ser consumida. — A escuridão, a cegueira. Tudo é amplificado. Você me sente? — Sua respiração patinou sobre a minha pele, me fazendo tremer quando minha necessidade se transformou em uma besta exigindo mais. — Sim —, eu gemi quando seu toque seguiu a renda da minha calcinha, acariciando de leve sobre o meu clitóris. Me abaixei para fora da cama quando seu toque virou cócegas, traçando o interior da minha coxa e todo o caminho para o meu joelho. — Você está focada inteiramente em mim. Eu posso ver como você está molhada através de sua calcinha. Eu posso sentir o quanto você me quer. Eu gemi quando a cama mudou com seu peso. — Seus outros sentidos compensam o escuro. Você vai me querer mais. Você sente tudo o que faço a você dez vezes mais. Você nega isso? Eu me debati enquanto seu toque se arrastava sobre minha calcinha novamente. — Não. É verdade. — Talvez isso vá ajudar você a lembrar —, ele murmurou contra a minha boca. Eu me arqueio, procurando seus lábios. Um desespero enlouquecedor por um simples beijo me encheu. Mas ele se foi. — Eu sei como se sente ao ser roubado a visão. Eu conheço o pânico de quando os seus sentidos se tornam muito alertas. — Sua voz era hipnótica e perigosa, me drogando, me empurrando mais fundo em seu feitiço. — Cada cheiro, cada movimento, cada som. Você não pode controlálos. Eu me contorcia debaixo dele, meus dedos abrindo e fechando por nada, além do desejo e da necessidade de tocá-lo e fazê-lo sofrer tanto quanto eu.


Tudo o que ele disse era verdade. Eu podia sentir o cheiro almiscarado de sua excitação, e o cheiro penetrante e salgado de oceano e couro. Eu podia sentir cada movimento da cama, sentir seu peso como uma força física acima de mim, e podia ouvir a superficialidade da nossa respiração correspondente, o tique distante de um relógio, e a corrida dos meus batimentos cardíacos. Eu estava feliz que ele não pudesse ver dentro dos meus pensamentos, porque ele não gostaria do que mais ele me fazia sentir. União. Ao cobrir meus olhos, ele pediu ao meu corpo para alcança-lo e se conectar. Para formar conclusões apenas por seu toque e instinto. Ele forçou meu cérebro a desbloquear as coisas que ele não estava pronto para desbloquear. A sensação de conhecê-lo. De reconhecer seu cheiro e todo seu corpo caiu em cima de mim até que eu não podia suportá-lo. Lambendo meus lábios nervosamente, eu sussurrei, — Por favor, pare de me torturar. Ele riu. — Eu não vou te torturar. Não estou sequer te tocando. Você está fazendo isso para si mesma. Você está se molhando por conta própria. Você está almejando algo que eu ainda nem disse que eu vou te dar. Gemi em frustração. — Então, me toque. Me leve. Faça alguma coisa! — Acalme sua respiração. Não force —, ele murmurou contra a minha orelha. Meu queixo cerrou enquanto seus dedos enganchavam em volta da minha calcinha e puxavam para baixo. Eu tremi quando ele abriu as minhas pernas e a cama tremeu quando ele se atrapalhou com a cueca. De alguma forma, eu sabia que ele estava nu. Alguma parte de mim sabia sem o auxílio da visão. Eu também sabia que ele pairava sobre mim com o seu quente pau duro, apenas esperando para me reivindicar. — Quem é você? —, ele perguntou, quebrando a antecipação rapidamente enrolada. A pergunta me enviou de volta girando para trás na escuridão da amnésica. Em vez de forçar uma resposta que não me deixaria ficar eu sussurrei, — Eu poderia ser a pessoa que você precisa para salvar sua vida.


Kill recuou, a falta do calor do seu corpo ficou óbvia quando um pouco de frio bateu em meus mamilos. — O que faz você pensar que eu preciso ser poupado, porra? — Seu corpo inteiro vibrou com repugnância, trazendo à cama uma oscilação ansiosa. Vá com cuidado. Não empurre. Agora não. Ainda não. — Eu não. Mas, você faz. Abaixei para fora da cama quando ele de repente levantou meus quadris, posicionando meu corpo espalhado sobre seu colo. Minhas pernas abertas foram apertadas contra seus quadris enquanto seu pau se inclinava em minha entrada. Eu nunca tinha sido tomada assim antes. Não que eu me lembre. Mas, a estranheza de estar unida a ele apenas onde era essencial me deixou triste. Eu queria que seu peso me sufocasse. Eu queria a alegria de sentir seu coração galopante quando ele empurrou para dentro de mim. Mas, desta forma, tudo o que eu senti foi a invasão equilibrada de sua ereção e a prisão sem pressa dos meus quadris. Eu gostaria de poder tocá-lo. Todo mundo precisava tocar. Todo mundo precisava de um abraço de vez em quando. Meus braços doíam e filtravam um pouco de sua angústia e distância. Não era justo que ele levasse tanto de mim enquanto não me concedia nada. Eu queria saber. Eu queria entender se eu estava louca por sentir essa conexão com ele ou se eu estava realmente ouvindo o meu coração. — As chamas de bestas saíram para a festa. Nenhum sacerdote pode salvar o falecido, —sua voz chamuscada sussurrou sobre minha pele. Meu coração balançou a uma parada. — O quê? — Eu respirei, almejando seu toque, mas implorando para saber o que ele tinha dito. Ele puxou alguns recantos escuros de minha mente, sacudindo a porta que permanecia teimosamente fechada. Ele estava tão perto, se posicionando mais profundamente entre as minhas pernas abertas. Suas mãos capturando meus quadris, me curvando, trazendo o calor do corpo e as cócegas da respiração no meu ventre.


— Está tatuado em suas costelas —, disse ele em voz baixa, como se tivesse medo de abalar algo em minha mente. Eu já tinha percebido que eu devia ter estado em um incêndio e sobrevivi. Também fazia sentido que eu poderia ter perdido pessoas que eu amava nas chamas. Você está repleta com tatuagens sobre a perda, luxúria, e desgosto por uma razão. A prova estava ali, apenas esperando por mim para tirar as conclusões corretas. — O que significa isso? —, perguntou Ķill, sua tensão e animosidade misteriosamente desaparecidas. — Eu não me lembro. — Eu respirei enquanto seus dedos se moviam para o meu joelho, seu toque rastreando tatuagem após tatuagem enquanto a outra mão arrastou pelas minhas cicatrizes. Eu tremi. Sua voz veio novamente. — Nós nos conhecemos em um pesadelo, fomos amados em uma oração. Nós demos tudo até que ambos fomos postos nus. Eu me acordo, meu coração trovejando com uma conexão. Anote. Rápido. Subi para fora da cama, em busca de uma caneta para anotar o verso que tinha vindo para mim no meu sono. Meu caderno aumentou semana a semana com fragmentos que caíam do cofre que tornou-se minha mente, chovendo em terra seca, onde brotos de nova esperança apareceram. Minhas mãos tremiam enquanto eu escrevia. Minha mente cheia de uma alma gêmea que eu tinha perdido. O profundo sentimento de amor sufocava meu coração. Eu amei alguém que não era real. Eu tinha dado o meu coração para o menino em meus sonhos. O que significa tudo isso? O homem entre as minhas pernas era o meu pesadelo e eu era tão inepta em resolver meu quebra-cabeça como eu estava? Seria possível? O destino cruel. Amor cruel.


Não importa a verdade, eu não podia parar meu coração mal comportado de bater mais duro por Kill. Por Arthur. Ele se sentou. Seu toque foi para o meu pé, o capturando, elevando ele para inspeção. Eu congelei quando seus dedos traçaram um pequeno provérbio que ele tinha encontrado escondido no lado do arco do meu pé. Meus lábios se movem com os seus quando ele disse, — Eu amei e perdi. Ele amava e encontrou. Mas eles tinham a maior risada de todas. Sua voz falhou. Em seguida, a curiosidade pacífica se torce novamente para raiva. Ele resmungou: — Você se tatuou com bobagens. Bobagens que você nem se lembra. Eu balancei minha cabeça. — Não é um absurdo se um dia isso vai me levar à verdade. É essa a riqueza, não vê? — Não, eu não vejo. Eu não entendo nada disso. — Seu toque se tornou possessivo quando ele posicionou seu membro mais uma vez pela minha entrada. Mordi o lábio quando ele impulsionou-se para frente, me espalhando. — Chega de conversa —, ele gemeu quando ele deslizou seu comprimento delicioso dentro de mim, puxando-me mais alto para fora da cama e sobre os quadris. Ele se afundou mais e 'mais até que apenas meus ombros se mantiveram no colchão e meus quadris estavam totalmente montados no seu. Ele me provocava, pulsando, mas, não empurrando. — Eu odeio que você se pareça com ela —, ele murmurou. — Mas, eu não posso negar que você me faz sentir bem pra caralho. Eu tentei balançar, para encorajá-lo a empurrar, mas, a posição em que ele me colocou não era de controle completo. Eu não podia ver ou seduzir. Ele me trancou na escuridão sem energia. Claustrofobia me arranhou um pouco e eu me contorcia para a liberdade. Mas, em seguida, ele se mudou, dirigindo seus quadris para cima e todos os pensamentos de fuga explodiram de meus pensamentos.


Puxando quase todo o caminho para fora, ele entrou em mim novamente, gemendo baixinho. Minha boca se separou quando ele estendeu, em seguida, retirou-se, em seguida, encheu-me novamente. Me torturando tão certo como qualquer punição possível. Eu me arqueio, pressionando meus quadris mais forte no seu. Mas, não fez nenhum bem. Apesar da minha situação e completa subserviência a este homem, eu encontrei a paz sublime em tê-lo dentro de mim. Ele pertencia ali. Eu tinha sido feita para ele me encher. Não seja tão estúpida. Eu estava presa entre noções ridículas e a aridez da minha realidade enquanto ele se balançava com um ritmo de entorpecimento mental. Ali, na escuridão sem palavras ou preocupações, ele era o meu santuário. Sua dureza aumentou. Sua voz trovejava raiva em torno de meus ouvidos. — Me dê uma coisa verdadeira. Agora mesmo. Engoli em seco, toda a paixão nebulosa deixou meu sistema. Meu coração se encheu de medo. Tanta verdade escondida em tantos segredos. — Eu queria poder. Eu gostaria de poder fazer você acreditar no impossível. — Experimente. Engoli em seco quando ele penetrou mais profundo. — Você não quer ouvir o que tenho a dizer. Ele amaldiçoou debaixo de sua respiração, suas mãos segurando meus quadris. — Qual o seu nome? O meu nome? — Eu não sei. — Me diga —, ele ordenou, batendo mais forte, fazendo a minha boca abrir de prazer.


Meus olhos se abriram por trás da minha venda quando eu suspirei com um princípio de súplica. A necessidade concedeu-me a imprudência. — Por favor, Kill... me dê mais. Eu não sei o meu nome. Não me puna por algo que não posso controlar. Apenas me faça sua. Meu coração foi apreendido quando ele empurrou. Seu pau deslizou cada vez mais profundo, fazendo-nos ambos gemer. Ele pressionou para baixo em minha barriga, me mantendo presa. — Você nunca vai ser minha. Eu não quero que você seja minha. Dor salpicou de minha alma para o meu coração. Eu não quero você. Como este homem podia ser muito mais quebrado do que eu? Tão cego para uma vida onde ele não estava vivendo, simplesmente existindo? Esperando o quê? Uma desculpa? Algo para curar a agonia que tinha causada a ele. Mas, nada veio. Eu recorro a viver com perguntas. Eu esperava com toda a minha alma que eu fosse encontrar a verdade antes deste pesadelo terminar. Eu esperava que ele me usasse asperamente, me levando duro. Mas, ele apenas mantém sua mente entorpecida como rocha enquanto minha pele coçava para um contato. Ele me empurrou para longe dele, retirando o seu calor forte. Eu me senti vazia enquanto ele abriu a barra de extensão, permitindo que os meus braços se unissem. Lançando-me para a minha barriga, ele se apertou sobre mim. Eu suspirei de alívio tendo seu peso me cobrindo, então, engasgo em delírio quando ele deslizou profundamente dentro. Seu estômago pressionado contra a minha bunda toda vez que ele empurrava. Eu queria mais. Eu queria suas mãos em mim. Seus lábios nos meus. Era um desejo impossível.


Em seguida, um beijo suave e macio pousou no meu ombro como uma lâmina tão fugaz que eu não teria percebido se os meus sentidos não estivessem em sobrecarga com a consciência. Um único beijo plantado quase temerosamente na minha carne, com um toque tão amoroso, tão adorador, que um pequeno soluço irrompeu pela minha garganta. Eu não sei por que isso está tão mal. Eu não sei por que eu queria tanto chorar. Mas seu único ato de doçura me levou a quebrar. Eu precisava me lembrar. Eu precisava me lembrar dele, do menino, do meu passado e do futuro, assim o sofrimento iria encontrar outra pessoa para atormentar. Sua boca caiu sobre minha espinha, me fazendo arquear de volta, pressionando a minha carne em sua boca. Eu gemi quando ele passou um braço sob meu peito, me segurando mais forte. Sua língua rodou, me degustando com infinita delicadeza. Eu não conseguia respirar. Lágrimas escalavam meu rosto enquanto ele arrastou beijos do comprimento da minha espinha à minha nuca. Em seguida, o toque parou. A única sensação dele ainda estar lá era o sopro suave de sua respiração quando ele se aproximou, e seu pau continuou empurrando superficialmente e implacavelmente para dentro de mim. Eu gostaria de poder vê-lo. Eu gostaria de poder ler a história em seus olhos quando ele olhou para mim. Ele me tocou como um homem apaixonado. Ele me tocou como um homem que me conhecia. Que me adorava e me queria tanto quanto eu o queria. Era uma mentira. Me vendando, ele me manteve presa pior do que qualquer amnésia, quase como se ele quisesse entrar em suas memórias, mas, não me incluir. Egoísta. Um lampejo de ódio trabalhou seu caminho através da minha alma. Eu gemi quando de repente ele pegou o ritmo. A suavidade desapareceu sob um ataque de reivindicação. Dentro e fora.


Mais profundo e mais duro. Meu coração explodiu quando todos os sentidos foram realocados em meu núcleo. Cada traço de seu pau enviava um tremor ondulando através do meu corpo. Suas bolas apertadas, pressionando deliciosamente contra o meu clitóris. Com minhas pernas juntas e seu peso em cima de mim, meu orgasmo se construiu rápido, encontrando o atrito contra o colchão. Ele se ergueu, espetando mais profundamente. Mistérios foram engrossados entre nós enquanto nossos corações aceleravam. — Por favor... diga-me quem você é, — eu gemi, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto com a minha boca aberta em delírio. Ele não respondeu. Seu toque ficou rude, espalhando as minhas coxas, me mantendo à sua mercê. Minha perna virou para trás, corajosamente envolvendo em torno dele e se conectando com sua carne quente. Ele gelou, seu pau se contraindo para dentro. — Que porra você está fazendo? — Tentando lembrar —, eu respirei. Ele fez uma pausa. Esperei para ver se ele iria me afastar, mas, lentamente ele empurrou de novo, obedecendo à pressão da minha perna ao seu redor, ditando a velocidade e profundidade. Lançando sua força através de mim enquanto ele gemia, sua ereção crescia mais duramente, me esticando incrivelmente mais. A suavidade de sua pele enviou ondas de desejo em meu núcleo. Eu o queria. Tanto. Não era o suficiente tê-lo dentro de mim, eu queria seu coração. — Me toque, — eu implorei. — Me foda. Ele respirou fundo. Palavras pendiam não ditas entre nós. Eu esperava contra toda a esperança que ele iria expressá-las, mas, não o fez. Em vez disso, ele empurrou meu pé e sufocou meu corpo com o seu. Seu pau se dirigiu em minha buceta, quente e tentador. Eu me contorço debaixo dele, o acolhendo.


Então ele fez algo que eu nunca teria suspeitado. Ele prendeu meu cabelo com o punho, arqueando minha cabeça para me beijar. Os lábios dele desceram sobre os meus. Forte. Rápido. Molhado. E possessivo. Eu não conseguia respirar ou pensar enquanto sua língua invadiu meus lábios, tomando muito, dando, muito. Toda a minha atenção estava em seu beijo e eu gritei enquanto seus quadris empurraram forte, dirigindo seu pau rápido e profundo. Estrelas brilhavam atrás dos meus olhos. Eu rebolava debaixo dele, agredida por sua doçura e violência. Ternura e ódio. Ele beliscou em meus lábios, me mordendo, enquanto seu pau me levou mais e mais profundo. Ele engoliu meus gritos, me alimentando de seus gemidos. Não vendo ou sendo incapaz de tocá-lo, fazia tomar tudo... mais. Ele levou tudo o que eu tinha para dar. O orgasmo começou por trás de minhas memórias, escuro e à espreita como tudo na minha vida. Me montou com força, empurrando meu corpo para cima da cama. — Porra. Pegue. Eu não posso foder... Eu não tinha palavras para ele. Não dessa vez. Não quando eu queria permanecer com nada mais que o calor e centelhas de minha libertação se construindo. — Maldição, eu não posso. Eu... não deveria. Foda-se... Isso é errado, tão... errado porra. — Ele resmungou com cada impulso. Meus ouvidos se contraíram com o seu tormento. Isto era errado? O que, se conectar? Fazer um ao outro se sentir incrível? Eu não podia acreditar nisso. Eu não queria acreditar.


Inclinando meus quadris, eu nos dirigi para o auge sem retorno. — Não há nada de errado com isso —, eu gemi enquanto seu pau me acariciava e detonou a explosão no meu núcleo. Eu gozei com uma explosão, me apertando ao longo de seu comprimento com uma ferocidade que fez meus olhos lacrimejarem. Ele me seguiu, seu gemido tão alto, que partiu outro terremoto dentro de mim. O seu lançamento me fez sentir como uma bomba, uma granada, balas de poder, raiva e liberdade. Ele me fodia com abandono. Perdendo todos os pretextos, pois estamos gozando duro e longo. Nos jogando em cinza, onde não havia fantasmas ou memórias, só o nosso prazer.


Capítulo Onze Ela

olhou para mim como se entendesse. Ela viu diretamente em

minha alma e compreendeu. Ela nunca vai entender. Ela torceu minha mente. Eu a odiava por me oferecer uma segunda chance a cada piscar de seus olhos verdes. Ela me ofereceu o dom inestimável de esquecer e deixar ir. Meu coração queria pra caralho acreditar. Fazia tanto tempo que ninguém se importava. Mas isso era o que a fazia duplamente perigosa. As emoções eram o diabo e eu não tinha a intenção de cair em seus truques. Ver através dessas besteiras foi o que me fez passar por circunstâncias que deveriam ter me matado. Eu não podia me dar ao luxo de ouvir qualquer coisa, apenas os murmúrios sussurrados de ódio. Era tudo o que eu sabia. A única coisa que eu entendi após o que aconteceu. — Kill

Três dias se passaram. Depois que Kill me fodeu, ele tinha me deixado sem uma palavra, me deixando livre e saciada para fazer o que eu quisesse. Meia hora depois de


um dos melhores orgasmos da minha vida, a porta da frente bateu e a casa vazia se estabeleceu em torno de mim como um túmulo. Ele tinha ido. Para lidar com o negócio? Para responder à chamada de telefone? De qualquer maneira, ele tinha ido sozinho, e eu estava grata por isso. Alívio zumbia através do meu sangue, mas meus nervos estavam feridos com o que meu futuro significava. Esse primeiro dia tinha sido estranho. Eu tinha tomado banho, encontrado uma escova de dente para reposição em sua penteadeira, e me vestido com as roupas que ele tinha me comprado. Eu não sabia o que fazer, onde eu poderia ir, ou o que era esperado de mim. Então eu fiquei no meu quarto e fiz todas as perguntas que eu poderia pensar para tentar enganar o meu cérebro para ele me responder. Naquela noite, eu esperei por ele. Andei por sua casa até bem depois da meia-noite. Eu fiquei acordada até as duas horas, antes de finalmente sucumbir e dormir, e quando eu acordei, encontrei ele na frente de seus computadores, clicando loucamente sobre os mercados e negociações que eu nunca iria entender. Nós nos esbarramos na manhã seguinte na cozinha. Eu tinha invadido seus suprimentos para fazer um café da manhã de iogurte com frutas que tinha sido entregue um dia antes como uma oferta semanal de refeições saudáveis. Ele tinha congelado na porta e olhado para mim como se eu fosse uma estranha. Eu não tinha dito uma palavra, esperando que isso fosse lançar luz sobre seus problemas. Mas ele se virou e saiu, deixando a casa pela segunda vez. Eu poderia permanecer em sua casa por agora, mas eu não era estúpida em pensar que eu tivesse tempo ilimitado para me lembrar. Ao ouvir sua conversa por telefone confirmou que eu ainda seria vendida. Independentemente se Kill estava de acordo com essa decisão ou não.


Ele era o presidente do Pure Corruption, mas, obedecia a outro, o homem que eu supunha ser seu chefe, estava atualmente detido na penitenciária do Estado da Flórida. Eu não sei por que Kill tinha se inclinado para um crime tão horrível como o tráfico, mas, eu não estava delirante e pensando que eu poderia fazê-lo se importar. Não que eu tenha alcançado qualquer progresso. Kill me odiava e odiava a maneira que eu o fazia sentir. De qualquer maneira... Eu estava com os dias contados. No dia seguinte, ele saiu novamente. Sem me tocar, sem nenhuma explicação, ele agiu como se eu não estivesse ali. Nós éramos fantasmas na mesma casa, à deriva passando um pelo outro. Não houve menção de sexo, ou em quanto tempo ele iria se livrar de mim, mesmo suas dúvidas sobre as minhas memórias e tatuagens nunca vieram. Ele se retirou para si mesmo, se tornando pensativo e calmo e então, extremamente grosseiro, eu parei de lhe fazer a mais simples das perguntas e o evitava. Uma rotina improvável surgiu simples e fácil como se estivéssemos seguindo algum plano cuidadosamente roteirizado. Arthur saía na parte da manhã para seus negócios. Para ir para onde, eu não sabia. Eu gostava de ficar na cama até que eu tinha certeza que ele tinha ido, e então caminhava para o escritório dele e olhava para as equações na parede. Algo sobre elas puxava meu cérebro. Zombando de mim com respostas que eu não podia ver. Eu bisbilhotei em seu guarda-roupa, procurando alguma lembrança preciosa que pudesse me mostrar uma ligação para o meu passado, ou o seu. Eu dei uma volta em torno de sua casa... em busca de algo, qualquer coisa. Ele não parecia preocupado em me deixar sozinha por tanto tempo. Ele era tão confiante que eu gostaria de ficar? Ficar por quê? Ele não me deu nada. Minuto a minuto, meu mundo caiu para a pequena circunferência de sua casa. E em sua casa, eu me senti segura e vigiada. Ambos confortável e instável.


Eu tentei usar seus computadores, mas, eles eram protegidos por senha. Eu tentei ir para uma caminhada, mas, o portão estava com código criptografado. Tentei encontrar um ponto fraco no exterior do imóvel, mas, era uma fortaleza. Todas as ruas bloqueadas me fizeram ter uma coceira pela liberdade e comecei a procurar maneiras de fugir. À noite, quando ele voltava, eu parei de tentar falar com ele. Deixei a cama e desci as escadas no meio da noite para espioná-lo enquanto ele clicava furiosamente o mouse e colocava comércios nos gráficos piscando e pares de moedas estrangeiras. Quanto mais tempo nós não falamos, mais eu notei a nitidez em seus olhos verdes, a inteligência queimando, a intensidade brilhante e quase tão assustadora quanto a que o fez brilhar na noite em que ele se sentou em sua mesa e murmurou a mesma coisa uma e outra vez, enquanto olhava para uma imagem que eu não podia ver. — Eu terei minha vingança. Vou encontrar minha paz. Vou arruinar esses filhos da puta e espero em Deus que eu seja livre. Eu tentei descobrir o que a imagem era, mas a gaveta estava trancada sem chave para ser encontrada. O resto da sua casa não deu pistas quanto ao que vivia por trás de seu olhar verde impenetrável, e eu fiquei inquieta conforme mais minutos passavam e eu ficava no escuro. Preciso lembrar. Eu tentei. Merda, como eu tentei. Mas, todas as minhas tentativas foram em vão. Eu desisti de assediar o meu cérebro para respostas ou pistas. Eu fiquei presa e eu não me importava com nada, apenas em fugir. Eu não poderia ficar mais tempo na casa de um presidente motoqueiro que já não me notava. Eu não quero viver no mundo em branco do esquecimento mais. Eu tenho que sair.


Não havia nada para mim aqui. Arthur tinha deixado isso bem claro se afastando de mim, então sua consciência ficaria limpa quando ele me vendesse. Eu não queria um homem como esse, que poderia facilmente se afastar do que havia entre nós. Você merece mais. Eu concordei de todo o coração, então por que minha alma grita sempre que eu penso em sair pela porta e nunca mais voltar?


Capítulo Doze Eu era uma arma. Eu tinha sido aperfeiçoado pelo melhor, recebido as habilidades para vencer e um império para governar. Eu era um guerreiro. Um poder supremo tinha sido concedido a mim, a inteligência para ter sucesso, e aliados poderosos para fazer meus desejos se tornarem realidade. Eu era um rei. E os reis nunca se distraem com os mais fracos do que eles. — Kill

— Você está vindo comigo. Olhei para cima de onde eu estava sentada com as pernas cruzadas sobre a cama. Os únicos materiais de leitura na casa de Kill eram revistas especializadas, manifestos de empresas, e um livro chamado 'Você pensa como um gênio, você é um', que tinha jogos de mente, equações e um monte de testes muito técnicos que me mostraram na realidade que não, eu não era um gênio. Ontem à noite, quando Kill não voltou para casa até as três horas, eu achei uma fraqueza na cerca dos fundos. A parede de pedra era mais áspera


lá, menos perfeitamente construída, e tinha arestas o suficiente para apertar os dedos, ou subir o muro de prisão de três metros. Eu não sabia o que existia por trás da parede, e eu não tenho nada para levar além de algumas frutas da cozinha para me sustentar. O serviço de bufê que Kill encomenda é entregue somente no início da semana e era congelado, calorias contadas e saudáveis que nos mantinha vivos sem nenhuma bagunça ou a alegria de cozinhar. Infelizmente, outra encomenda não era prevista por mais alguns dias, e eu queria sair hoje à noite. Eu não poderia ficar nesta casa por mais um momento. Descansando o livro nos joelhos, eu pergunto friamente, — Para onde? Seus olhos se estreitaram pelo gelo da minha voz. — Para o Pure Corruption. É hora do nosso encontro semanal, e eu preciso levar você junto. Os irmãos querem discutir o seu futuro. Minha garganta fecha. Eu sabia que esse dia chegaria, eu só esperava que não fosse interferir com o meu plano de fuga. Minhas mãos cerram. — Você disse que não iria se livrar de mim até que você soube— Não importa o que eu disse. Eu estou cheio de ser sua babá e eu tenho um monte de merda no meu prato. Eu não vou cuidar de um traidor. Queime menina. Queime. Estremeci quando a voz vil ecoou na minha cabeça. Segurando a capa dura do livro, então eu não iria mostrar o meu medo, eu rebati, — O que você pretende fazer comigo? Ele endureceu sem se mover do seu lugar junto à porta. — O que é essa atitude de merda? Meus olhos se arregalaram. — Sério? Você tem coragem de me perguntar o que há com a minha atitude?


Ele andou para frente, crescendo mais e mais enquanto seu temperamento fervia. — Sim. Vou perguntar novamente. O que é essa porra de gelo, querida? Eu fechei o livro e o atirei na cabeça dele. Ele se abaixou, girando em torno a tempo de assistir a batida do volume pesado contra o tapete. Ele se virou para mim com olhos incrédulos e violentos. — Para que foi isso? — O que foi isso? — eu levantei da minha bunda, fiquei de joelhos e agarrei dois punhados de meu cabelo. — Vou lhe dizer o que foi. Eu o costurei. Você me levou para fazer compras. Você fez amor comigo há três noites, e então você apenas saiu da minha vida! Nenhuma explicação, nenhuma dica do que você quer dizer com isso. Você está me deixando louca, e eu sei que há algo que você não está me dizendo, um monte de coisas na verdade. Mas, você me leva tão longe que eu estou... eu estou... Kill abaixou a cabeça, olhando para cima através de seus cílios grossos. — Você está o quê? Desembucha. Deixei minhas mãos saírem do meu cabelo, me sentindo drenada e já não querendo lutar. — Cheia. Não estou mais perto de descobrir quem eu sou ou como eu conheço você, do que eu estava quando fui sequestrada, em primeiro lugar. — Revirando os ombros, eu murmurei, — Eu ouvi você no telefone. Você ainda vai me vender, por isso todo o resto... — Dei de ombros, minha voz deslizando em tristeza. — Acho que nada disso importa, porque quando eu tiver um dono que estiver me batendo sem sentido e me fodendo, eu vou ser grata por não lembrar de nada. Grata por sua frieza e que você não tenha nenhuma ligação com o meu passado, porque eu nunca vou ser essa pessoa novamente. O quarto engrossa com tensão. Arthur deu um passo em direção à cama, depois outro. Suas botas estavam em silêncio sobre o tapete grosso, ele tinha tirado o colete de couro, então tudo que ele usava era sua camiseta preta e jeans. — Ouça com atenção, Garota Esquecida. — Suas narinas alargaram quando ele disse, — Três dias atrás eu não fiz amor com você. Eu fodi você. Eu disse que não queria nada mais do que uma gozada. E foi isso que eu tive. Eu não tenho que me explicar para você e o que eu faço na minha vida


não é nenhuma preocupação sua. Eu tinha coisas para cuidar no clube, negócios que nunca serão discutidos com você ou qualquer outra mulher no meu mundo Meu coração cerrou e eu engoli em seco. — Você sempre soube o seu futuro e que eu poderia puni-la por espionar uma conversa pessoal. Na verdade, você já me irritou muito, eu acho que isso é exatamente o que eu vou fazer. Fiquei gelada. — O que? Ele fechou a distância até a cama, pressionando seus joelhos contra o colchão. Em um movimento terrivelmente rápido, ele agarrou meus quadris, me virou para as minhas costas, e passou os dedos fortes em torno de meus tornozelos. Em um impulso sem esforço, ele posicionou o meu corpo para a beira da cama. Ele sorriu. — Você está vestindo uma saia. Isso é bastante conveniente. Lutei, cavando minhas mãos na colcha, tentando fugir. — Não me toque. Sua mão direita desapareceu sob minha saia, acariciando o cetim entre as minhas pernas. Meus olhos quase reviraram pelo prazer repentino de seu toque. — Você quer que eu te toque. Admita. — Eu quero que você me diga quem você é. Ele balança a cabeça, seus dedos trabalhando contra o meu clitóris. — Eu não a conheço. — Me diga como ela morreu. No segundo que as palavras saíram da minha boca, eu queria leválas de volta, não apenas para minha segurança, mas, por causa da fragilidade dentro dos olhos de Kill. Seus dedos beliscaram meu clitóris com crueldade. — Eu lhe disse para nunca mais falar sobre ela.


Coragem passou por mim e eu perguntei: — Será que ela se queimou? Ela morreu em um incêndio? Será que ela, de alguma forma, fugiu de uma casa em chamas, onde ninguém viu, e lhe foi dada uma nova identidade, porque ela não se lembrava de nada? Porque se ela foi, em seguida, olhe para as minhas cicatrizes! Com um puxão cruel, ele arrancou minha tanga de cetim e empurrou a saia rosa em torno de meus quadris. — Se você continuar falando, você vai se machucar. Ele se atrapalhou com seu cinto, abrindo e soltando a braguilha. Seu pau se esticando contra o material fino de suas cuecas boxer. Eu não podia me mover quando ele puxou um preservativo do bolso e empurrou as boxers e o jeans, ambos até os joelhos. Outra coisa caiu de sua mão, batendo suavemente para o tapete. Tentei ver o que era, mas, Kill não me deu espaço para me movimentar. Ele não se importava em ficar nu diante de mim com sua tatuagem da sereia e seu cabelo acariciando ao redor de seu pau. Ele não se importava que o sinal da estrela de Libra tatuado nas ondas parecia brilhar e me provocar com memórias. E ele não se importava que uma lágrima escorresse tão cheia de confusão, necessidade, e loucura pelo meu rosto. Suas mãos tremiam quando ele rolou o preservativo em seu comprimento, embainhando sua grande ereção. Meu corpo foi aquecido e derretido, torcendo meu desejo de correr. — Como você sabe que ela se foi, Killian? —, eu sussurrei. — Por que você está tão certo de que ela está morta, quando eu sei de coisas que eu não posso explicar? Ele congelou com o punho da mão na base de seu pau. Eu não esperava uma resposta. Eu nunca esperei que a verdade fosse concedida apenas com uma frase. — Ela morreu devido a complicações na cirurgia. Ela nunca acordou. É indiscutível e verdadeiro, e cada vez que eu olho para você porra, me faz lembrar esse fato. Você está feliz agora? Eu inclinei meu quadril, convidando-o para me levar. — Não, eu não estou feliz que você esteja sofrendo.


Seu olhar brilhou com a dor, sua sobrancelha levantou-se, quase como se ele estivesse desconfiado da minha permissão. Eu balancei a cabeça suavemente, mordendo meu lábio enquanto ele abaixou os joelhos e se posicionou na minha entrada. Não houve necessidade de preliminares, meu corpo estava encharcado, querendo se conectar após três dias de terrível solidão. — Que cirurgia? —, eu sussurrei enquanto minha boca se abriu ao ser preenchida lentamente. Ele cerrou os dentes, afundando completamente dentro de mim. — Chega de conversa. Meu corpo ficou tenso depois relaxou quando seu longo comprimento me esticou. Eu não podia deixá-lo ir. — Você a viu, pelo menos? Por favor... Eu preciso saber. Seus olhos brilhavam com uma agonia tão profunda, que ofuscou completamente sua luxúria. Suspirando duro, ele empurrou, mas, seu coração não estava nisso, estava perdido para ele, arruinado por uma garota morta. — Eu vi as fotos. Eu li o relatório da polícia. Eu disse que ela estava em sua porra de sepultura. Ela se foi. Minhas costas se curvaram enquanto ele se dirigia ferozmente dentro de mim, abraçando sua raiva. Meu coração bate continuadamente e preciso. Eu queria esquecer a conversa mórbida e abraçar a sensação dele dentro de mim, mas, eu não podia deixá-lo ir. Eu tinha que correr atrás. Tinha que ser como um cão de caça. Era a única maneira que eu poderia encontrar a verdade. — Você fala como se você não tivesse chegado a dizer adeus. Por que você teve que ler relatórios da polícia? Vocês não estavam juntos até o fim? Seu rosto ficou escuro. Unhas perfuraram meus quadris. — Eu estava na porra da prisão. O silêncio encheu minha cabeça. O ruído branco e confuso. — O que... por quê? Ele riu, soando maníaco. Seus quadris como um pistão, me deixando cada vez mais alta em direção ao orgasmo mais estranho. Um entrelaçado


em descobrir a verdade de tudo isso enquanto nossos corpos devoravam um ao outro. — Fui traído. — Se curvando sobre mim, ele rosnou: — Mas isso não esconde meus pecados. Eu estava preso por assassinato querida. Como isso faz você se sentir? — Seus olhos verdes brilharam quando ele brutalmente empurrou em mim. Minha buceta latejava machucada. Eu não conseguia parar minha mão subindo e se colocando em sua bochecha, acariciando seu rosto áspero. — Você ainda está pagando por seus pecados. Ele bateu em minha mão. — Não me toque. Ele aumentou seu ritmo, rapidamente deixando o domínio da fala e com foco no final. Eu não estava pronta para quebrar o vínculo entre nós. Ainda não. Pergunte a ele. Faça a pergunta. Ciúme queimando em meu coração por este homem, se movendo atualmente em mim, ele ainda amava outra. Mas, a esperança brilhou também. Eu prendo toda a minha esperança dos últimos dias em uma resposta. Uma resposta que só ele poderia me dar, mas, eu me preocupei que ele nunca faria isso. Gritando enquanto ele plantou suas mãos em ambos os lados do meu corpo e dirigindo rápido e implacável, eu ofegava, — Me diga o nome dela. Qual era o nome da menina que você amava? O mundo deixou de se mover. Tudo gritou a uma parada. O pau de Kill se contraiu no meu interior quando ele apenas ficou ali como um iceberg. Ele agarrou minha garganta, eu assobiei, — Nunca me pergunte isso de novo. Você não é digna de seu nome. Então, sua mão se moveu da minha garganta para os meus olhos, se colocando pesadamente sobre minha visão. O mundo ficou escuro, mas, cada instinto atirando-me em hiper consciência.


Seus quadris empurrando mais duro, seu pau trazendo um calor e prazer. — Eu não suporto você olhando para mim com esses olhos. Eu não posso ficar olhando para você, enquanto eu estou te comendo. — Sua voz quebrou, mas, ele sufocou sua agonia com um rosnado. Seu ritmo aumentou, deixando o sexo para trás e batendo direto para punição. Eu não podia ver. Sua mão estava quente e pesada. Eu não conseguia respirar. Seu ritmo era muito rápido e profundo. Eu não poderia lutar. O prazer era muito intenso e forte. E eu não poderia parar a minha resposta à sua raiva pulsando entre as minhas pernas. Eu gozei. Duro, um longo espiral para baixo e para baixo, mais e mais escuro, me perdendo para o mundo lamacento, desolado de Arthur Killian. Com um rugido, ele jorrou para arruinando, tendo tudo o que eu sempre fui.

dentro,

enchendo-me,

me

O tempo passou. Eu não sabia quanto tempo tinha sido, cinco minutos ou uma hora, mas, Kill me desperta da minha névoa de sexo e sono quando ele tropeça no livro sobre o tapete. Ele estava completamente vestido e no controle novamente quando ele se inclinou para pegá-lo. Me apoiando em meus cotovelos, eu não me importava que minha saia estivesse agrupada e mostrando minha buceta muito usada e exposta. Tudo o que importava era a visão em preto envolta do homem que carregava tanta confusão por dentro. Eu não tenho medo dele. A súbita percepção de que eu não poderia temer alguém que lutou mais do que eu estava autorizada. Ele se virou para mim, agitando o livro. Ele levantou uma sobrancelha. — Você estava trabalhando em seu QI?


Eu sorri, me lembrando de uma questão matemática particularmente difícil. Eu poderia ter olhado para isso para o resto da minha vida, ou se me fosse dada a melhor calculadora do mundo, ainda assim nunca entenderia como resolvê-la. Eu nem sequer tento trabalhar com isso. Afinal de contas, ele não estava lá para corrigir meus erros e apagar minhas respostas incorretas. Eu grito mais alto, puxando para descer a minha saia. — Eu não sou boa em matemática. — A resposta é 984 ao quadrado. Minha boca estava aberta. — Você memorizou as respostas? Ele fez uma careta. — Você acha que eu estou enganado? Eu chamo ele para vir mais perto, olhando para a longa equação com o tipo de letra tão pequena que eu praticamente precisava de uma lupa. — Você levou dois segundos para descobrir isso. — Olhei para o seu olhar confiante. — Você já fez o problema antes, e se lembra de ouSeus lábios se torceram. — Ou o que? Eu sou um gênio? — Ele levantou uma sobrancelha. Eu não podia sentir se ele estava zombando de mim ou seriamente chateado com a minha descrença. — Você é um gênio? Ele jogou o livro na cama e cruzou os braços. — Há uma série de teorias sobre o que faz um gênio, mas, tecnicamente meu QI é 158 e um gênio é nada mais de cento e sessenta, então você poderia dizer... Estou perto. Eu balancei a cabeça, emocionada que ele estava falando comigo depois de três dias de silêncio. — Fascinante. Me diga o sentido da vida, oh ser inteligente. Sua boca se contorceu apesar de si mesmo. — Não há sentido na vida. Eu pensei de volta para o mantra que ele sussurrava todas as noites em seu escritório. Inclinando minha cabeça, eu murmurei, — Eu acho que você tem um sentido, um propósito. Você é impelido por ele e não vai descansar até que seja cumprido.


Ele deu um passo para trás, seu rosto ficando branco. Eu fico em pé, não querendo que ele saia quando eu estava perto de demolir para baixo uma de suas paredes. Algo suave e fresco cutucou contra meus dedos do pé. Olhei para baixo. Meus olhos caíram sobre a borracha Libra bem tratada. — Esta noite tem dever de casa? — Eu o deixo entrar, fechando a porta atrás dele. — Minha mãe e meu pai estão fora. Temos o lugar para nós. — Eu sussurrei, — Eu preciso de você. O corredor de entrada da casa que dividia com meus pais fica instantaneamente grosso com a tensão sexual. Com seus olhos verdes queimado, ele engoliu. — Eu... você sabe o quanto eu quero você, mas... você é muito jovem. — Eu faço catorze anos na próxima semana. E eu te conheço desde que nasci. — Eu fui abraçá-lo, mas, ele se moveu rapidamente fora de alcance. — Por favor, eu te amo. Quero a minha primeira vez. Ele suspirou profundamente. — Eu vou ser o seu primeiro. Mas espere um pouco mais. Eu não quero feri-la. — Sua mão desapareceu no bolso, retirando a borracha Libra novinha em folha que eu tinha dado a ele na semana passada. Ele me disse para obter uma borracha melhor. E eu queria lembrá-lo de todas as boas qualidades que ele possuía sendo um libriano. Segurando ela, ele murmurou, — Você me deu isso. É tudo que eu estou aceitando de você até que eu tenha certeza que eu nunca vou te perder. — Você nunca vai me perder. Tristeza além de seus dezessete anos brilhou em seu olhar. — Eu te perco cada vez que eu vou para casa sem você. O dia que eu fizer amor com você será o dia em que minha vida acabará. Meu coração se apertou. — Sobre? — Vai ser mais, porque eu vou dar-lhe a minha alma quando você me der o seu corpo, e eu nunca vou ser capaz de viver sem ele novamente.


Eu me desfaço em uma poça, pego a borracha e seguro no meu coração. — Eu... eu te dei isso. — Eu a segurei, com lágrimas escorrendo através dos meus olhos. — Eu te dei na noite em que eu te implorei para tirar minha virgindade. Kill tropeçou, suas pernas fraquejaram, e por um segundo eu pensei que ele ia desmaiar. Então havia raiva não diluída, uma raiva terrível encheu seu corpo. — Cale a boca! —, ele gritou. — Cale-se com os seus truques da mente e ilusões do caralho! — Não é um truque! Você tem que acreditar em mim! Ele caiu para frente, pegando a borracha dos meus dedos. Seu rosto estava lívido quando ele levantou o punho, como se para atacar. O seu cabelo do cumprimento da mandíbula caiu para frente em uma confusão incontrolável. — Não! — Eu me enrolei em uma pequena bola, protegendo a cabeça com os braços. — Eu me lembro de você. Me lembro de beijos roubados em um telhado sob a lua. Eu me lembro de você me ajudar com a minha lição de casa. Lembro dos dias passados nadando nus numa praia particular que encontramos. Me lembro do amor que eu sentia por você, o amor que nunca... Ele me chutou. A dor em minhas costelas rasgou minha confissão, me fechando. O calor se espalhou pelo meu lado, me lambendo como fogo, chamuscando a minha pele já cicatrizada. Chupei em uma respiração áspera, segurando meu lado. Meus olhos se voltaram para ele vidrados com tristeza e pesar. Kill se agachou sobre mim, fervendo com ferocidade. — Eu estou cheio de você jogando com a minha dor. Eu estou cheio de ser manipulado. Eu disse que tinha sido traído no meu passado, e eu não vou deixar uma puta torcer minhas memórias e me fazer acreditar em uma mentira odiosa. Você está rasgando a porra do meu coração para fora e eu não vou deixar você fazer isso mais!


— Não é uma mentira. Me diga como eu saberia essas coisas! Me diga como eu poderia ter essas memórias se não fosse verdade! Agarrando o meu cabelo, ele empurrou os meus olhos para olhar para ele. — Você é uma mentirosa e uma vigarista. Eles me disseram onde eles roubaram você. Eu sei quem você é, e essa merda de me amar me dá vontade de matá-la por você ter a coragem de me machucar assim. Me empurrando para longe, ele jogou a borracha no chão e saiu em direção à porta. — Terminei. Nunca mais quero vê-la novamente. Espalhe suas mentiras para algum outro lugar querida. Estamos acabados. Ele bateu a porta. O raspar de uma chave soou na fechadura. Ele me deixou na minha perdição.

Capítulo Treze Eu fui amado uma vez. Eu amei em troca. Me entreguei completamente, totalmente e sem limites. E eu recebi o seu amor de forma inequívoca. Possuir algo tão precioso me fez o homem mais rico vivo. Mas perder isso me fez afundar na miséria tão sombria e amaldiçoada, que eu não tinha chance de rastejar para fora da escuridão. Eu não queria. Eu não podia. Não havia nada além de dor deixada para mim. Agora eu não amava ninguém. Agora eu temia. Era o momento de fazê-la me temer.


Ela me empurrou longe demais e eu me recuso a deixar que ela me machuque mais. Então eu a feri primeiro. Eu a feri para continuar sobrevivendo. — Kill

A porta se abriu algumas horas mais tarde. Meus olhos dispararam para cima, esperando e temendo que Kill houvesse retornado para me machucar mais. Não que ele pudesse. Não era a contusão em minhas costelas que me machucava cada vez que eu respirava, mas a traição de pensar que eu o entendia. Eu pensei que ele estava quebrado... na necessidade de alguém com a verdade para cola-lo de volta junto novamente. Mas, ele me mostrou a dura realidade. Não havia alguém que não queria ver além da dor. Ele realmente acreditava que eu não era ela. Sua convicção era tão absoluta que me roubou da minha própria crença e me pediu desculpas para toda a agonia que eu tinha causado. Eu não sou ela. Ou eu sou? As perguntas correm ao redor e dentro da minha cabeça. Eu queria saber como as memórias de uma menina morta existiam no meu cérebro confuso, e eu sabia que a única maneira que isso poderia acontecer era se eu rompesse com Arthur e não Kill. Olhei para cima cautelosamente, tentando descobrir o que dizer. Eu sinto muito. Me dê uma chance para explicar.


Por favor, me ajude a entender. Mas, não era Kill quem tinha vindo para mim. De pé na porta, estava um irmão do Pure Corruption. Olhei para os olhos azuis do motociclista de cabelos negros, o de moicano chamado Grasshopper. Ele parecia mais jovem na luz solar do que ele parecia quando coberto de sangue da batalha. Seus lábios estavam cheios e definidos em um sorriso suave, mas firme, e ele tinha uma covinha bonita em sua bochecha direita. — Oi —, disse ele. Sua testa estava franzida enquanto dava um passo em minha direção. — Hum, você está bem? Fechei meus braços mais forte em torno de meus joelhos. Eu não tinha me mudado do tapete, encostada na cama, girando a borracha de Libra em meus dedos. Kill não estava pensando direito quando ele a jogou aos meus pés, era obviamente, um tesouro que pertence a ele. Eu desejei que fosse mágico: poderia torcê-lo de uma maneira e desvendar a verdade, girá-lo de outro e ter tudo perdido sendo encontrado. Mas, não importa o quanto eu a segurei, ela não me deu o que eu precisava. — Sim. — Corri a mão pelo meu cabelo, esperando que eu não parecesse como um caso de violência doméstica que estava chorando. Eu não estava chorando, me senti... dormente. Tremendo, triste e confusa. Os olhos de Grasshopper caíram para a minha perna nua debaixo da minha saia e a tatuagem colorida das flores, o pequeno unicórnio, e pétalas transformando permanentemente minha coxa, panturrilha, e dos pés. — Peça agradável. Deixei meus braços caírem de minha posição, atirando minha perna para fora e apoiando-a sobre o tapete. — É legal. Pena que eu não me lembre de por que eu a tenha feito, nem onde, nem mesmo a dor. Seus olhos se arregalaram quando ele se abaixou diante de mim. — Você não se lembra da dor? Ou é como a coisa do parto, onde eles dizem que a garota nunca se lembra de ter sido dividida em duas por uma porra de criança e, em seguida, um ano depois, faz tudo de novo?


Eu me encolhi, rindo desconfortavelmente. — Obrigado por pintar uma imagem tão linda dentro da minha cabeça. — Meus dedos traçaram uma equação estranha por cima do meu joelho, que desapareceu em uma linha escrita que eu não poderia ler a partir do ângulo que eu descansava. — Não é bem assim. Eu pareço ter esquecido um monte de coisas básicas. Grasshopper fungou, se empurrando na vertical para se elevar sobre mim. Estendendo a mão, ele disse: — Bem, você ainda está viva, então você sabe como comer, dormir e se comunicar. Isso é alguma coisa. Eu olhei para sua palma da mão aberta. Suspeita fluiu rapidamente no meu sangue. — Eu não quero ser rude, mas, por que você está aqui? Eu não vi nenhum dos homens do complexo desde aquela noite. Arthur disse que ele vivia sozinho. Grasshopper caiu na gargalhada, os olhos azuis brilhando. — Arthur? Foda, você o chama de Arthur? Não é à toa que ele está chateado. Eu não me movi. Algo frio deslizou pelas minhas costas. Tão agradável como Grasshopper parecia ser, eu não gostava da razão pela qual ele estava aqui, no quarto de seu chefe. — Desculpe meu erro. Kill. Prez Kill. Grasshopper assentiu, estendendo a mão de novo, balançando com um pouco de impaciência. — Sim, eu conheço o cara. Ele é um bom homem e para ele ter quebrado da forma como ele está, significa que você não é boa para sua saúde mocinha. Vamos, levante-se. Hora de ir. Eu empaco. — O que? Eu não quero ir. Grasshopper desistiu da pretensão de esperar para entregar-me mais ao seu controle, e agarrou meu cotovelo em seu lugar. Arrastando-me para os meus pés, ele notou a borracha nos meus dedos cerrados. — Merda, de onde você tirou isso? Eu a embalo para o meu peito. — Eu dei a ele. Há muito tempo atrás. A interação jovial, quase curiosa desapareceu de seus olhos. — Ah, eu entendo agora. — Seu rosto endureceu, sua personalidade esfriou. — Você está brincando com ele. Desculpe, mas, eu não tenho tempo para cadelas que tentam estragar um dos meus irmãos, especialmente o meu Prez.


Pegando meu pulso, ele forçou os meus dedos para a soltarem e jogou a borracha na cama. A mesma cama em que Arthur tinha me fodido, a mesma cama onde eu tinha visto o nível de sua dor. — Vamos. Você não vai machucá-lo mais. Você está acabada. — Ele caminhou em direção à porta, arrastando-me facilmente. Enfiei meus saltos no tapete, arranhando sua mão. — Não. Espere. Eu não posso ir. Eu tenho que ficar. Ele não disse nada, me expulsando para fora da sala e pelo corredor. — Você não entende. Eu o conheço. Eu posso serEle sacudiu a uma parada. — Ele fodeu você? Pisquei. — Isso não é da sua conta... — Vou tomar isso como um sim. Me responda três perguntas, se respondê-las bem, então eu vou deixá-la aqui e dizer a Kill para ser homem e resolver o problema com você cara-a-cara. Mas se você estiver errada, você vai vir comigo. Você nunca vai vê-lo novamente. E é melhor esperar em Deus, que o homem que comprou você tenha uma melhor tolerância para os mentirosos. Comprou? Eu já estava vendida? O mundo caiu. O corredor girou me enjoando. Kill disse a verdade quando ele saiu. Nunca mais quero vê-la novamente. Estamos terminados. Merda! Eu estava preparada para sair por causa do tratamento do silêncio horrível de Kill, mas, isso foi antes que eu tinha visto a verdade brilhando em seus olhos. Ele estava tão acostumado a ser ferido, tão acostumado a alimentar seu pesar e vivendo com um coração quebrado. Ele me odiava porque eu representava a esperança. Isso iria assustar qualquer um que amou alguém tanto quanto ele amou. — Vou responder às suas perguntas, só se você responder a uma para mim. — Por favor, saiba a resposta. Por favor, tenha estado perto o suficiente para que Kill lhe dissesse. — Qual era o nome de sua namorada morta?


Grasshopper congelou, e seus dedos apertaram em minha carne. — Como você sabe sobre ela? Porra, você é boa. Não me admira que ele tenha estado tão fodidamente estragado nos últimos dias. Se fosse comigo, eu a teria matado por trazer tudo isso de volta. — Trazendo o que de volta? Por favor, eu preciso saber! Ele me jogou para longe, correndo as mãos pelo cabelo, estragando a perfeição de seu moicano. — Bem! Você quer saber? Kill foi sentenciado a viver na prisão perpétua... Perpétua? — Eu sei, ele me disse que ele estava na cadeia quando ela morreu. Ele balançou a cabeça, sorrindo cruelmente. — Não quando ela morreu. Ele estava na cadeia porque ela morreu. — Ele me empurra contra a parede. — Você não entendeu? Ele foi preso pelo seu assassinato! Ele a matou. Meu coração não sabia se deveria dar-se ou explodir. — Isso não pode ser verdade! Ele me disse que ela morreu em cirurgia. — Lesões que ele lhe deu. Minha mente se transformou em um vórtice, girando cada vez mais rápido com horror. Chamas. A fumaça me desorientado, ignorando a minha mente de volta para o meu aniversário há duas semanas. Eu tinha catorze anos. Meus pais ofereceram um churrasco para todos. Homens em jaquetas de couro, mulheres que usam placas de seus amantes, e todos os filhos criados no estilo de vida vieram para celebrar o meu dia. Éramos como uma família. Uma família unida e feliz. Mas, agora eu rastejava ao longo do tapete que estava encharcado de sangue. Eu corri das chamas mais quentes do que qualquer churrasco e do lado direito do meu corpo ficou como grelhado, como um hambúrguer qualquer. A dor.


Era insuportável, mas, depois... isso desapareceu. Choque me deu energia para me manter rastejando e a asfixia de reviver o horror de ver que tinha sido derramado gasolina através da casa da minha família. Eu vi quem riscou o fósforo. Eu sabia. Eu não tinha escolha, apenas sobreviveria para que eles pagassem. — Tem alguém aí? — A voz crepitava com chamas. Minha garganta estava seca, os olhos cegos da fumaça. Eu não podia responder. Eu rastejei... Eu arrastei meu corpo queimado... Eu... rastejei... Eu fiquei em branco. Grasshopper me sacudiu. Meu pescoço saltou na minha coluna como uma boneca de pano quando pisquei o flashback horrível à distância. — Ele colocou fogo em minha casa? —, eu sussurrei, terror apertando meus pulmões. A minha alma foi fraturada em um bilhão de peças. O menino com os olhos verdes tentou me matar? Segurei na jaqueta de Grasshopper, odiando o crânio bordado derramando moedas no couro grosso. Algo sobre isso parecia errado... terrivelmente errado. — Por quê? —, eu implorei. — Por que ele tentou me matar? Nós amávamos um ao outro! Grasshopper recuou, tentando me empurrar longe dele. — Obtenha uma porra de controle, cadela. Não tenho a menor ideia do que está falando. — Sim, você tem! Me diga. Você tem que me dizer.


Cada músculo do meu corpo tremia, meu estômago enjoado, e as paredes do corredor se fechando cada vez mais rápido, me esmagando como uma lata até que a pressão na minha cabeça cresceu muito. Muito, de forma demasiada. Eu gritei, puxando meu cabelo, desejando que as memórias se soltassem e me dessem alívio. Mas, a pressão apenas continuou a aumentar, construindo, construindo até que cada folículo de cabelo machucasse meu crânio, até que meus olhos se sentiram muito grandes, até que minha língua estava muito inchada. Eu não podia ver. Eu não conseguia ouvir. Apenas o ritmo enlouquecido do meu coração maldito ecoou em meus ouvidos. — Por... — Eu sou arrastada. O acidente de tudo do meu passado me consumia e eu não poderia suportar isso por mais tempo. Eu deixo a sanidade. Eu sucumbo à escuridão silenciosamente brusca.

Nuvem de flocos de algodão e lã formam a minha festa de boasvindas-de-volta-a-vida. Eu bati em meus lábios, fazendo uma careta ao sentir o gosto horrível na boca. Meu nariz estava bloqueado e minha cabeça urrou de dor. Eu gemia quando a sensação voltou ao meu corpo. Estremeci quando eu toquei minhas costelas. Ele me chutou. Lágrimas quentes vieram aos meus olhos quando me lembrei do que tinha acontecido. Ele tinha sido desagradável desde que eu tinha chegado, mas aquele chute... Ele falou em alto volume. Eu duvidava que ele soubesse o quanto ele tinha me mostrado naquele breve momento. Sua raiva tinha sido desenfreada, desenfreada. Ele me chutou. Não a cama ou cadeira. Eu.


Porque eu era a única a machucá-lo. Eu era a única forçando-o a enfrentar coisas que só eu podia adivinhar. Ele levou muito por dentro, parecendo que ele estava se afogando a cada segundo. O chute me chocou, não porque tinha sido uma traição terrível de violência, mas porque era um grito de socorro. Minha visão cintilou quando os meus pensamentos se voltaram para o resto da tarde. Eu recuei, não estando pronta para passar para fora novamente a partir da sobrecarga de estresse e segredos. Esfregando os olhos, sentei-me. Meu coração caiu aos meus pés. Eu estava em uma cela. Uma cuba com uma pia, cozinha, banheiro e cama. Não havia janelas, imagens, ou carpete, e só tinha um caminho para entrar e sair que estava, sem dúvida, trancado. A lâmpada brilhante acima de mim era dura e no local penetrava um cheiro de medo e vômito. Onde estou? Em pé vacilante, eu fiz meu caminho até a porta pesada e bati. — Olá? Esperei por uma resposta. Eu continuo a esperar. Eu estava mais paciente do que eu já tinha estado. Nada. Ignorando a dor de cabeça fragmentando, me virei para investigar cada centímetro da pequena caixa. Eu olhei debaixo da cama, entre as molas e o colchão, ainda tento as torneiras para ver se havia algo que eu poderia desapertar e usar como uma arma. Assim como a minha batida. Não havia nada. Em seguida, as luzes se apagaram, me encharcando na escuridão.


Eu estava no meio da minha prisão e comecei a chorar.

Manhã. Grasshopper me acordou com o raspar de uma chave e o êxtase da abertura da porta. Ele carregava em uma xícara fumegante e um pouco de água. Eu não tinha dormido nada. Minha mente não queria cair de volta para os abismos de inconsciência. Em vez disso, eu repetia tudo o que eu tinha lembrado até agora. Corrine. Buttercup. Churrasco. Chamas. Eu tentei juntá-los como um brilho no escuro ou um quebra-cabeça só que as peças se recusavam a se fundir e não havia nada luminescente sobre elas. Eu ainda usava a saia rosa que Kill tinha empurrado até meus quadris para me foder, e o suéter cinza bonito que não tinha me mantido aquecida durante toda a noite. Os cobertores na cama cheiravam a perfume, e eu tinha vomitado com o pensamento de outras mulheres passarem a noite aqui, à espera de seu novo destino. Grasshopper colocou tudo sobre a mesa bamba ao lado da cama. — Você está bem? Eu suspirei, esfregando os braços e não fazendo contato visual. — O que você acha? Ele resmungou sob sua respiração. — Se você está sofrendo um pouquinho do que ele está, então eu diria que você está fodidamente bem. Rangi os dentes e não disse uma palavra.


O silêncio desconfortável reinando. Eu não faço nenhum movimento para quebrá-lo. Grasshopper saltou sobre a bola de meus sapatos. — Trouxe café da manhã. — Não quero isso. — Você tem que comer. — Não, eu não tenho. Ele se inclinou e capturou meu queixo, me fazendo olhar para ele. Seus olhos azuis estavam tensos, pequenas linhas de pena em torno deles. — Pare com isso. Seja boa e você pode vir ficar com a gente na sala. Você tem mais uma noite com a gente antes da entrega. Eu torci meu queixo por sua pressão, respirando com dificuldade. — Eu não quero comer. Eu não quero 'ficar' com bastardos do tráfico, e eu, certo como a merda, não quero falar com você. — Encurvando meus ombros, eu me enrolei em uma bola e fechei os olhos. — Me deixe em paz. Grasshopper estava sobre mim. O som de seus dentes rangendo era o único ruído. Suas narinas bufavam irritantemente enquanto ele deliberava fazendo Deus sabe o que. — Lembra das três perguntas que eu ia fazer? Na casa de Kill? A dor aguda se espalhou pelo meu corpo com seu nome. Eu não respondi. Ele bufou. — Olha, me dê as respostas e eu vou decidir se há qualquer mérito no comportamento de Kill... Se não... Eu vou falar com ele. Eu endureci, abrindo meus olhos e gritando. — Você é doente, você sabe disso? Ele fez uma careta. — Por que sou doente, por tentar ser bom para você? Eu não tenho que ser, você sabe. Eu poderia deixá-la sozinha até a venda ser feita. Deixá-la ir louca daqui, porra. — Ele cruzou os braços, seus olhos azuis penetrantes no meu. — A menos que você já seja louca, é claro. Então não importa. Me sentei, cuidando do fogo na minha barriga. — Pergunte. Então me deixe em paz. O que você está fazendo?


Tudo dentro de mim gritou para eu apertar os lábios e não jogar o seu joguinho horrível, mas, havia uma pequena parte de mim que ainda tinha esperanças de redenção. Grasshopper engoliu, tomando seu tempo para formar a primeira pergunta. — Quando ele te levou ele transou com você no estilo cachorrinho? Fiquei de boca aberta. — Esse é a pergunta mais repugnante, e curiosa que eu já... — Só responda, porra. Ele fez isso? Apertei os olhos. Me recusei a responder a uma pergunta tão invasiva, pessoal. Não importa, porém, o meu silêncio deu a resposta. Ele me levou de quatro uma vez. As outras vezes ele tinha estado diferente... Grasshopper suspirou, arrastando uma mão sobre o rosto. — Ele fez. Assim como ele sempre faz com as prostitutas do Clube ou qualquer outra mulher que desliza no caminho para sua cama. Meu coração torceu verde de inveja, podre de ciúmes de um homem que eu odiava. Que tinha me chutado... tirou tudo de mim... que tinha incendiado meu... Não era ele. Bati esse o pensamento há distância, mas, o fio de verdade trabalhou seu caminho passando minhas defesas e pegando um megafone para que eu não pudesse ignorá-lo. Não foi ele com o fósforo. Você sabe disso. Eu choro em minhas mãos. Não, não tinha sido ele quem incendiou a minha... Um homem com olhos verdes. Um homem mais velho com uma jaqueta de couro preta e um sorriso cruel. Olhos verdes. Olhos verdes.


Olhos verdes. — Próxima pergunta —, disse Grasshopper. — Será que ele amarrava suas mãos para que você não pudesse tocá-lo? Eu não conseguia parar a primavera de lágrimas brilhando a minha vergonha em resposta. Grasshopper assentiu. — Eu tomo isso como um sim. — Abaixando a voz, quase como se ele sentisse pena de mim, ele murmurou — Última pergunta. Eu já sabia o que seria. — Será que ele vendou você para que você não conseguisse olhar para ele? Eu não podia. Eu simplesmente não podia. Eu coloquei minhas mãos sobre meus olhos e me afasto, odiando os soluços que fervem no meu peito. Um pequeno grito derrama de meus lábios quando Grasshopper descansou uma mão pesada, reconfortante nas minhas costas e esfregou em círculos. — Três sins. Isso significa que, o que você acha que viu, o que você pensou que você sentiu, era tudo uma mentira. Ele continuou me acariciando, a suavidade de sua preocupação penetrando em meus ossos cansados. Eu respirei fundo, sussurrando asperamente, — Explique-me como eu sei sobre a borracha. Que ele comercializa no mercado de ações. Que ele é o rapaz mais gentil, mais doce que eu já conheci? O que eu amava? O silêncio era grosso, antes de Grasshopper responder: — Nós não podemos explicar o que acontece quando nossas mentes decidem sair de férias, porra. Quem diabos sabe como e por que ele cria mundos de fantasia. Você mesmo disse isso, você não se lembra de nada. Você está inventando. Você está criando mentiras que você acredita tão profundamente que para você elas são verdades, mas, para Kill... está fodidamente o matando. Ele parou de me acariciar e pôs-se a ranger o couro das botas. —Não leve isso pessoalmente. Ele é um idiota para todas as mulheres. Eu provavelmente não deveria dizer isso, mas, ele perdeu a virgindade no dia em


que saiu da prisão. Ele só fez isso porque o bastardo tinha vinte e quatro anos, nunca tinha estado com uma buceta, e era o presidente mais jovem a herdar o Clube. Ele precisava ser um homem e rápido. — Um brilho orgulhoso foi formado em seu olhar. — Eu mesmo trouxe a prostituta para ele. Eu fui o único que estava lá desde o início, ajudando-o a transformar este clube. Mordi o lábio, desejando que minha respiração ficasse em silêncio para ouvir cada palavra que este homem pudesse derramar. Ele balançou a cabeça, perdido em seus próprios pensamentos. —Ele a amarrou, com os olhos dela vendados, fodeu ela por trás. Até hoje, ele nunca fez isso de forma diferente. Ele me fodeu de frente para ele. Duas vezes. Meu coração torce em uma estranha combinação de desgosto e otimismo. — Por quê? —, eu respirei. — Por quê? —, ele levantou as sobrancelhas e riu. — Pensei que seria óbvio. Esperei, sem me mover. Ele suspirou e murmurou, — Porque ele não pode suportá-las por perto, porque os olhos não são os dela. Ele não pode ficar perto delas olhando para ele, porque ele acha que elas veem o que ele fez. E ele não suporta ser tocado mais que o necessário, como ele não pode, sob qualquer situação, receber conforto quando ele é a razão por que ela já não está mais próxima para ser amada. Meu coração se despedaça. Kill me confundiu totalmente. Mas eu tinha mais pena dele. — Como... como você sabe tudo isso? Grasshopper sorriu tristemente, movendo-se em direção à porta. — Como é que alguém sabe os segredos internos de um homem montado por demônios?


Mudei para os meus joelhos, implorando silenciosamente para ele terminar o seu enigma antes de me abandonar na solidão. Ele inclinou a cabeça. — Ao observar. Ao ouvir o que eles não dizem. Por andar ao lado deles quando eles desabam e voam para fora do complexo para visitar o túmulo de um cadáver. Por ser o único em quem ele confia. Ele abriu a porta, atravessando ela. — Espere! —, eu grito. Ele se virou, seus olhos resignados. — O que? Torci meus dedos, desejando que eu tivesse mais conhecimento. Desejo em cima de desejos que tudo isso fizesse sentido na minha mente o quanto fazia sentido implícito ao meu coração. Eu sofria por ele. — Por que você está me dizendo isso? Por que me mostra seus segredos, quando você acabou de provar que eu sou igual a todo o resto? Que eu não sou... ela? Ele levou um momento para responder. — Porque você nunca vai vêlo novamente. E espero que, saber o que o persegue, lhe dará o encerramento que você precisa. Para saber que você nunca teve uma chance. — Sua voz perdeu sua borda cavalheiresca, deslizando direto no gelo. — Eu disse isso a você para que você nunca mais tentasse arruiná-lo novamente, porque você não é nada para ele. Assim como todo o resto. Suas palavras me rasgam em pedaços e não havia ninguém que quisesse me costurar junto novamente. Ele bateu a porta. Ele me deixou sangrando com uma alma que foi costurada e se afastando com a dor sem fim. — Qual é o meu nome? Nada. — Qual é o meu nome? Silêncio.


— Qual é o meu nome? Vazio. Amaldiçoei em frustração. O palavrão devolvido ao redor da caixa preta com ninguém além de mim para ouvi-lo.

Catorze horas passaram desde que Grasshopper me alimentou com café da manhã e me esclareceu sobre seu presidente, um homem que ele obviamente amava. Seis horas tinham passado desde que outro irmão do Pure Corruption me trouxe o jantar de lasanha de micro-ondas e um refrigerante. Duzentos e dezessete vezes eu me fazia a mesma pergunta. Duzentos e dezessete vezes eu tinha chegado a nenhuma resposta. Era o suficiente para me levar à loucura. Desisti, deslizando para baixo na parede para me deitar de lado no colchão irregular. Meu inalar e exalar eram os únicos ruídos no meu mundo silencioso. Era tão chato quanto um gotejamento de torneira, ou um relógio ou um zumbido da mosca. Não há nenhuma maneira que eu vá dormir. Eu estava drenada, mas, não sonolenta. Chorosa, mas, não histérica. Eu tinha chegado tão longe sem perder a fé, eu só tinha que continuar, não importa o que o amanhã trouxesse. Cerrando minhas mãos, eu firmo elas sob a minha bochecha e começo tudo de novo. — Qual é o meu nome? Nada. — Qual é o meu nome? Silêncio. — Qual é o meu nome? Sarah.


Eu congelei, transformada em pedra. — Qual é o meu nome? —Eu sussurrei. Sarah. — Sarah! Droga, deixe a pobre gatinha10 sozinha. Eu sorri para Corrine, dobrando o gatinho preto e branco pequeno em minha jaqueta. — Gatinho, hein? Isso é uma piada de mau gosto, mesmo para você. Ela riu, seu cabelo curto loiro se agitando no vento do inverno. Vivendo na Inglaterra, era um privilégio estar em torno de monarcas, história e pedigree de famílias que poderiam traçar a sua linhagem de volta para a Idade da Pedra, mas, porra, o clima suga. Eu mudei para a Inglaterra para estudar a minha licenciatura. Eu tinha me mudado dos Estados Unidos. Eu me mudei porquê... Como sempre, o muro veio à tona, se fechando na minha cara. Eu suspirei tão acostumada a não me lembrar de nada antes do meu aniversário de quatorze anos que eu não me importava mais. Eu tive uma grande vida nova, um namorado que me adorava, e uma educação que me permitiu trabalhar com animais que apreciaram tudo o que fiz por eles. Eu estava vivendo o sonho. Então por que seu coração anseia por algo que você não se lembra? A questão era como uma assombração nunca me deixando sozinha. Corrine enrola seu braço no meu, unindo forças contra o gelo. Nós não morávamos longe, era um estúdio pitoresco que ambas mal podíamos pagar e que criava vários problemas sempre que uma de nós queria que nossos respectivos amantes passassem a noite. Viver sem me lembrar do meu passado ou família era duro, mas, de alguma forma, eu tinha feito isso. Os médicos disseram que eu poderia lembrar algum um dia. Mas à medida que os anos passavam, esse cenário se tornou cada vez mais improvável. Não havia nada que pudessem fazer pela Aqui ela faz uma brincadeira com a palavra pussy que significa tanto como vagina, quanto gatinho.


amnésia completa provocada por eu quase morrer. E eu estava além de grata que minhas outras funções cerebrais pareciam ser normais. Ninguém poderia explicar as queimaduras no meu corpo, ou como eu fui encontrada supostamente em uma vala de algum campo. Era tudo um mistério, para nunca mais ser resolvido. Em homenagem a um passado que eu já não conhecia, eu tinha coberto o lado espelhado com tudo o que eu poderia imaginar que eu gostava quando eu era uma garotinha. Eu fui louca, e paguei o preço na dor e agulhas, mas cada vez que eu olhava para a tatuagem, eu de alguma forma me sentia mais perto do meu passado. No entanto, havia um desígnio oculto que eu sabia que um dia iria desbloquear minha mente. Uma equação. Enterrados e obscurecidos, por isso o pedaço de verdade seria visto apenas por mim. Ninguém mais iria buscá-la. Ninguém iria me dar uma chave para resolvê-la. Era o meu objetivo final de saber. — Gostaria de um filme hoje à noite? — Claro —, eu disse, apertando meu nariz contra o pacote suave de pelo. Eu odiava ver animais abandonados. Eu, sozinha, mantinha um abrigo de animais que oferecia animais abandonados. Eu fiz isso porque eu era sem-teto de certa forma, também. — Bom. Estou pensando em algo sexy. Fantasiar assistindo algum homem nu com olhos azuis que ataca a heroína? Eu ri, apertando o braço. — Eu estou toda para isso, mas, o meu herói pode ter olhos verdes em vez disso? O passado desapareceu. Um sorriso floresceu no meu rosto. — Meu nome é Sarah, e eu estou começando a lembrar.


Capítulo Quatorze Trabalho veio em muitas formas. Muitas obsessões. Muitas metas. O meu não tinha desviado, uma vez que a minha vida tinha mudado para sempre. Eu tinha um plano. Eu estava trabalhando nele por oito longos anos. Cada contato, cada dólar, cada investimento era tudo para um resultado. E, finalmente, depois de todo esse tempo, eu podia sentir a liberdade da minha busca. Eu estava prestes a me tornar seu pior pesadelo do caralho e eles estavam completamente alheios. — Kill

— Bom dia, — Grasshopper disse, enfiando a cabeça pela porta. Me sentei, alongando e tentando esconder meu bocejo. Havia algo diferente dentro de mim, uma pequena fissura. Era como se a parede que represava tudo já não fosse tão forte, algo tinha feito pequenas fissuras doentes na fortaleza, permitindo lanças de luz a brilhar por elas. Me foi dito que eu nunca poderia me lembrar do meu passado antes do décimo quarto aniversário. Até uma semana atrás, eu não conseguia lembrar nada e vivia outra vida que eu estava apenas começando a lembrar, ainda que as memórias estivessem vindo rápido, elas eram enterradas tão profundamente, e eram lentas e pesadas, e tão insuportavelmente preciosas para ser vista depois de todo esse tempo.


— Eu estou aqui para levá-la ao banheiro. Você pode se refrescar. Eu tenho algumas roupas para você, e então você pode vir comer com os meninos. Pisquei, tentando firmar meu mundo de almoços com motoqueiros e tomar banho, antes de ser traficada para algum comprador desconhecido. Pergunte a ele. Eu me levantei, me sentindo grosseira e suja, mas, mais viva do que nunca. — A menina morta de Kill. Eu sei o nome dela. Por favor, esteja certo. Tem que estar certo. Grasshopper fez uma careta, seus olhos azuis escureceram. — Eu duvido disso. Sugando uma respiração, eu disse rapidamente, — Sarah. Seu nome era Sarah. — É Sarah. Eu avanço, correndo, — Eu não sei o meu último nome ainda, mas me lembrei! Você não vê? Diga-lhe o meu nome e ele vai entender. Ele saberá que eu estou dizendo a verdade! Eu borbulhava com entusiasmo e uma pitada de medo. O que ele faria quando soubesse que tudo o que eu disse era a verdade? Será que ele imploraria perdão por ter me chutado? Será que ele ficaria de joelhos e, na verdade, me abraçaria e me permitiria abraçá-lo de volta pela primeira vez desde a minha 'morte'? O rosto de Grasshopper foi para assustadoramente ilegível. Eu não poderia dizer se ele acreditou em mim ou queria me estrangular. Inclinando a cabeça, ele disse, — Entre no chuveiro e eu vou chamá-lo. Vou levá-la a se juntar a nós para o almoço antes de sair. Eu não consegui evitar. Lancei-me em sua estrutura revestida de couro e o abracei. — Obrigado. Ele endureceu. A mão dura encravada entre nós e levando-me para trás. Ele se recusou a fazer contato visual. — Eu não sou tão fodido quanto Kill é, mas, eu ainda não gosto de cadelas me abraçando. — Abrindo mais a porta, ele me fez um movimento completamente brusco. —Chuveiro. Então você pode dar a notícia ao meu Prez.


Trinta minutos mais tarde, entrei na mesma sala onde Kill tinha nos feito tirar a roupa e nos disse do nosso propósito. O piso tinha sido lavado de seu sangue e os sofás de couro foram preservados. O chuveiro tinha sido o céu, embora o sabão tivesse sido uma lavagem de corpo avassaladoramente masculino sem nenhum condicionador para o cabelo. Grasshopper tinha me dado uma roupa com um biquíni dourado com losangos e um vestido bronze envolvente. Teria sido perfeito para um dia de festa na praia ou piscina, mas, eu estava levemente estranha por estar vestindo algo tão... fantástico em um complexo de motociclista. — Você tem certeza que eu tenho que usar isso? — Eu puxo o material pela vigésima vez. Meu cabelo vermelho úmido pendurado pelas minhas costas, sem dúvida, virando em cachos induzido pela umidade. — Sim. São as ordens do Prez —, Grasshopper disse, cruzando o grande espaço e logo após vi a explosão de capas de revista na parede. — Deste jeito. Parei quando eu notei Kill em uma delas com escrita vermelha e a frase, motoqueiro bilionário ajuda a expor a corrupção no conselho local. Minha boca estava aberta, o meu coração pulsando duramente, e meu núcleo derretido na arrojada aparência jovial de Arthur Killian, em um terno nitidamente sexy. Ele usava uma gravata esmeralda que destacava seus olhos e eles brilhavam como kriptonita na capa de grandes dimensões brilhantes. Por que ele está nas revistas? Eu vou para a próxima. Kill estava sentado atrás de uma mesa de madeira, seu cotovelo apoiado na sua superfície, o dedo mindinho pressionado contra seu lábio inferior. A intensidade em seu olhar falou da sua inteligência e ferocidade. No fundo descansava a Triumph11, pintada em um preto fosco, parecendo malandro e do mal. Arrepios se espalham por meus braços enquanto eu li a descrição do artigo: Arthur "Kill" Killian faz jus ao seu nome pelo abate do mercado de moeda estrangeira e mostrando a Wall Street como se faz. Moto.


— O que você está olhando? — Grasshopper pisou atrás de mim, impaciência gravada em seu rosto. Eu apontei para outra capa, desta vez com uma fotografia do rosto de Kill segurando uma placa com a sua data de nascimento e uma confusão de cabelos longos, um olhar em seus olhos que dizia uma coisa: ele era um menino cuja alma tinha morrido e apenas vingança permaneceu. Ele fervia na imagem. Ele olhava como se ele fosse sair da página e assassinar aqueles que o enganaram. De traição à bilhões: a história da criança e do benfeitor que transformou uma vida de crimes no mais puro serviço à comunidade. Engoli em seco. — Isso foi quando o levaram? Eu me inclinei para frente, bebendo a imagem de Kill quando ele era mais jovem. Sua mandíbula era tão ampla, o nariz tão nítido, mas, não havia a borda brutal sobre ele ou o verniz de tolerância que ele usava agora. A fotografia do rosto era crua e visceral com o ódio e o desejo ardente de vingança. — Sim. Dezessete, cara de mau. Eu balancei minha cabeça. — Você disse que ele foi condenado à prisão perpétua. Como ele saiu tão cedo? Grasshopper bateu no nariz, em seguida, fingiu fechar seus lábios. — Isso é para nós sabermos e não para você. Não é da sua conta, mas, foi um dia fodidamente abençoado para todos quando ele assumiu os Corromp e nos fez Pure Corruption. Agarrando meu cotovelo, ele me levou longe das imagens impressionantes do garoto que eu amava e o homem que eu não conseguia entender e passando por outra porta. Bati a um impasse. A sala era nada sofisticada: paredes cinza com um ventilador de teto, chão polido, e janelas com vista para a parte de trás do complexo, mas, a grande mesa oval em que ficavam, doze ou mais caras era definitivamente a peça central da decoração. O mesmo ábaco, crânio, e cascata de moedas tinham sido fortemente gravados na mesa com o lema que eu estava começando a entender: PURO


NOS PENSAMENTOS E NA VINGANÇA. CORROMPIDO EM TODAS AS COISAS QUE IMPORTAM. Grasshopper puxou uma cadeira para mim. Aproximei-me mais, sem saber. — Gente, esta é Sarah. Eu tremia com a familiaridade e regresso à casa do meu nome. Eu rapidamente olho ao redor da sala, olhando para ele. Nada. Os homens variavam de vinte e poucos para quarenta e tantos anos, todos vestindo a jaqueta de couro marrom do MC Pure Corruption e todos à vontade uns com os outros, ao contrário da primeira noite que eu cheguei. — Ei —, diziam alguns, enquanto outros acenavam em saudação. Agarrei à frente do meu vestido de bronze, sentada desajeitadamente na cadeira fornecida. — Oi, — eu murmurei. Sentada reta. Apertei os olhos, inspecionando cada motoqueiro. Amigáveis olhos avelãs, azul e olhares verdes encontraram os meus. Cada homem se sentou confortavelmente em sua cadeira, com a certeza de sua posição e direito de estar ali. A familiaridade na sala de não escondia nada malévolo, e eu deixei o fluxo de tensão dos meus membros. Então meus olhos o encontraram. E o meu mundo ficou instantaneamente sombrio. Olhos castanhos, profundos e situados em uma cara que falava de beleza, mas, não conseguia disfarçar o mal em sua alma. Lábios finos, cabelos compridos amarrados em um rabo de cavalo gorduroso, e uma tatuagem de um jacaré em seu pescoço apontava do colarinho de seu patch de couro. Ele balançou a cabeça, os lábios enrolando nos cantos. Algo brilhou em suas mãos, chamando minha atenção. Um isqueiro.


A tensão que eu tinha vivido lançou um disparo direto de volta para os meus músculos dez vezes. Agarrando a borda da mesa, eu nunca desviei o olhar quando ele acendeu o isqueiro, liberando um pequeno pingo de chama laranja. Minha mente girou por trás da porta trancada, lançando-se em pânico contra a barreira da amnésica. Meus dedos foram involuntariamente para a queimadura fresca no meu antebraço, esfregando a cauterização dolorosa que tinha surgido do nada. Ele. Ele foi o mesmo que me queimou. Aquela noite. A noite, que eles me roubaram. Por mais que eu tentasse, não conseguia me lembrar de mais alguma coisa ou como eu vim a ser sequestrada, mas, eu sabia com a máxima convicção, que ele era o único a agraciar meu corpo com mais uma cicatriz. Era essa nova queimadura que tinha desencadeado mais um episódio de amnésia? O meu cérebro podia ser tão traumatizado pelo fogo que a mais ínfima das chamas em minha pele me fez virar para dentro e esconder-me? Meu coração disparou. Não eu estava lidando apenas com a lembrança de um passado, mas, parecia que eu tinha dois à desvendar. Um passado em que minha casa era a Inglaterra com Corrine e um namorado de olhos castanhos que eu não conseguia lembrar, e uma vida antes com uma... uma infância de motos, familiares e amante de olhos verdes que me ajudava nos deveres de casa. Será que eu vou saber a verdade? Eu pulei quando o cara de cabelo loiro claro, Mo, se esparrama na cadeira ao meu lado. Sua chegada estalou a consciência entre mim e o cara do isqueiro, quebrando todo o ataque de pânico que eu poderia ter tido. Mo sorriu. — Foi se hospedar com o patrão, né? — Ele assobiou. — Tipo, é uma grande honra ir para casa com o Prez, você sabe. O que você fez para acabar com isso?


Minhas narinas dilataram, o corpo ficou tenso, e eu me recusei a responder. Meus olhos deslizaram de volta para o idiota brincando com o isqueiro, mas, ele deixou cair sua atenção para a mesa, me impedindo de ler seus pensamentos. Grasshopper sentou à minha esquerda, franzindo o cenho para Mo. — Sempre foi apenas temporário, cara. Ela é a sexta venda se lembra? A porta se abriu atrás de mim e os aromas de gordura, queijo e salame encheram a sala. Os homens ao redor da mesa estalaram os lábios, observando as caixas de pizza enormes que foram depositadas em cima da mesa por um membro mais jovem sem colete. Não haviam muitos homens, doze, quinze, e a maioria deles pareciam abertos e amigáveis. Mas eu não poderia lançar a sensação horrível de jantar com o diabo com o cara do isqueiro à minha frente. Como ele me levou? Como tudo isso aconteceu? E de onde diabos eles me sequestraram se eu estive vivendo na Inglaterra? Não havia nenhuma maneira que poderia ter me contrabandeado internacionalmente. Poderiam? Mas, acima de tudo, qual era o ponto? Por que eu? Por que a menina que não conseguia se lembrar, mas, tinha alguma ligação inexplicável com seu chefe? O chefe que abateu uma rebelião na noite em que ela chegou. Tudo é sentido como um jogo de xadrez, onde todos sabiam as regras, menos eu. Eu era um peão. Sendo deslizada para esquerda e direita até que alguém desse um tapa no tabuleiro de xadrez e me matasse em cheque mate brutal. — Bout, porra, já era tempo de você chegar aqui, rapaz. Eu estava sucumbindo, fiquei malditamente com fome —, um motoqueiro rosnou, seu cavanhaque eriçado. Ele estendeu a mão e virou uma tampa, roubando um pedaço de pizza parecendo deliciosa. De repente eu estava grata por ter ficado na casa de Kill. Pelo menos ele pediu o envio de comida, mesmo saudável, se ele não cozinha. Eu duvidava que eu teria apreciado uma dieta de calorias controladas se eu tivesse sido uma convidada do complexo.


Mo se levantou, se inclinou sobre seus irmãos para encher um prato de papel com dois pedaços de pizza, em seguida, deslizou para baixo, para a mesa, para mim. Eu o peguei, incapaz de parar o rosnar no meu estômago. Margherita e Meat Lover's. Eu teria preferido Hawaiian, mas a dança de sabor no ar me deixou com água na boca. A sala ficou em silêncio enquanto os homens se serviram de pizza e alguém trouxe um cooler cheio de cerveja. Eu recusei à oferta e comi a minha comida enquanto olhava o resto deles. Meus olhos voltaram para o cara do isqueiro, desejando que eu entendesse. O resto dos homens pareciam perigosos com cicatrizes e piercings e o brilho feroz ocasional em seus olhos, mas, eles também eram... normais. Eles riam e brincavam, falando de coisas mundanas, enquanto comem conversando sobre a família, resmungando sobre mulheres, e as tarefas domésticas. Eu encontrei-me levemente perturbada por estar em torno deles como em uma vida cotidiana quando a sociedade já tinha os pintado com o pincel "foras da lei rebeldes." — Buttercup, coma seu espaguete. A reunião está chegando e você sabe que não pode estar aqui. Empurrei o espaguete indesejado ao redor do meu prato, de mau humor. Eu queria ouvir, afinal, eu era sua única filha e eu precisava saber como o Clube era executado, para que eu pudesse assumir quando ele se fosse. Mas, ele nunca parou de me lembrar de que as meninas não executam no Clube. Que as meninas permaneceram na periferia, protegidas pelos homens como o meu pai, que fez coisas más para manter a nossa forma de existência. — Mas, eu quero ouvir. Ele abaixou ao nível dos meus olhos. — Vá encontrar o seu amigo. Ele pode ajudá-la com sua lição de casa. — Não quero —, eu fiz beicinho. Eu tinha dez anos de idade e era péssimo que o menino que eu sempre observava, de repente, não queria ter nada comigo. Ele disse que estava cheio de crianças. Valentão.


Meu pai riu, bagunçando meu cabelo rebelde. — Ah, Buttercup, não odeie o menino. Marque minhas palavras, no minuto em que você tiver treze anos aquele garoto vai notá-la novamente. Um pequeno sorriso se espalhou em meus lábios. — Sério? Meu pai sorri seus olhos claros azul-esverdeado enrugando nos cantos. Seu cabelo ruivo era um pouco mais escuro do que o meu e eu tinha herdado as pequenas sardas no nariz da minha mãe, que era uma ruiva pura. — Verdade. Nenhum menino ou homem será capaz de resistir a você. E é por isso que eu vou estar pronto para matá-lo se ele tentar qualquer coisa. O flashback terminou, me escorregando de volta para o almoço e conversa tão suavemente como se estivesse me derretendo em um banho quente. Meu coração brilhava com amor. Por me lembrar de meu pai e seu rosto, sua voz era mais do que eu jamais esperava. Inacreditavelmente acarinhada. O alívio foi rápido e cheio de conteúdo. Eu finalmente ganhei uma parte do enigma concreto na minha busca por respostas. — Então, Sarah... o que Kill fez para mantê-la entretida em sua casa? Eu peguei uma mordida na minha pizza, deixando a conversa voltar a passar em torno de mim. Um dedo me cutucou no lado. Apertei os olhos. — O que? Grasshopper franziu a testa, apontando para um motoqueiro novo com o cabelo castanho puxado para trás em um visual de gel molhado. — Ele te fez uma pergunta. — Ele fez? O cara assentiu. — Sim, usou seu nome e tudo. A pizza escorregou dos meus dedos. Eu deveria ter saltado para a sua pergunta tão em sintonia com o nome que eu tinha acabado de me lembrar. Eu não deveria? Ignorando o frio escorrendo pelas minhas costas, eu perguntei: — Qual foi à pergunta? Desculpe.


Mo falou com a boca cheia de pizza. — Ele estava sendo um idiota. — Oh? Ele riu. — Ele queria saber o que Kill fez para mantê-la 'entretida'. — Ele balançou as sobrancelhas. Duas reações passaram através de mim. Uma, para corar e desviar o olhar. Dois, sorrir e jogar com eles em seu próprio jogo. Duas pessoas viveram dentro de mim. A menina que vivia no exterior e estudou muito, e a adolescente que tinha sido criada com homens assim como estes e uma confiança que vinha apenas de estar em torno da segurança e da família. Mantendo meus olhos decididamente no cara do isqueiro eu disse: — Se você quer saber, ele me levou para fazer compras, me trouxe almoço e respeitou os meus limites. — Eu mantive meu rosto inexpressivo. A resposta foi, para todos os efeitos, verdadeiramente vinda da mente de Sarah. Sarah é calma e séria. Meus olhos se arregalaram, meu cérebro apontando ainda outra reviravolta na minha jornada para me lembrar. Então, quem era a menina vivaz que amava o filho de um motoqueiro? Quem eu era quando eu beijei Kill tão descontroladamente no vestiário? Grasshopper gemeu. — Chato. Nos conte a essência. Eu já sei que ele te fodeu. — Pare com isso. — Eu me virei para olhar para ele. Uma ligação estranha tinha se formado entre nós, não amizade ou entendimento, apenas mútuo... respeito? Ou apenas uma trégua porque ambos sabíamos que eu estaria indo embora em poucas horas. — Você pode saber, mas, eu não quero que os outros... — Ah, abóbora. — Um homem com uma barriga grande riu. — Ele a manteve em sua casa. Sabemos que ele te fodeu. Então... compartilhe. Aborrecimento disputou com malícia. Os homens, excluindo o cara do isqueiro, me observavam com diversão, ansiosos e intrigados. Era tão bom estar perto de pessoas novamente. Eu tinha esquecido a facilidade de estar em um grupo, de rir com estranhos que lentamente se tornam amigos.


Amigos eram tudo o que eu poderia ganhar com a minha mente como uma peneira gigante. Eu não tinha família. Mas, eu sim. Meu coração inchou como um balão de ar quente. Pela primeira vez em anos, eu não estava sozinha. Eu vim de alguém. Eu pertencia a outro. E não é o menino dos meus sonhos. Ele não me queria. Minha coluna endireitou quando cansaço caiu sobre mim. Kill ainda não tinha aparecido. O que isso significa? Que ele ainda me despreza? Ainda está completamente em negação de que a mulher que ele tinha lamentado por anos, na verdade, nunca foi morta? Isso era mesmo possível? — Vamos, Sarah. Nos conte, o nosso Prez tem uma boa foda? — O cara com a barriga deu uma cotovelada no outro, piscando para mim. Eu me reclino na cadeira, desejando que eu tivesse um guardanapo para os meus dedos gordurosos. Abracei os lados da menina ainda escondida para mim. A menina chamada Buttercup. A menina que teria rido e brincado com os homens semelhantes a estes todos esses anos atrás. — Bem... o que você quer saber? Os homens bateram as mãos sobre a mesa. Seus baixos timbres e risos se reverberando ao redor da mesa. — Oh, você não devia ter dito isso, menina. — Nos conte a sujeira depravada. — Nos conte algo que vai fazer você se envergonhar. Minhas costas ficaram tensas, mas, eu sorri para os homens rudes e ásperos, não tendo medo deles, já que eu tinha sido criada por um irmão semelhante em algum outro tempo e lugar. Eu era tanto uma parte deste mundo, quanto qualquer outro, mais assim, de fato: o cheiro de gasolina e trovões de uma motocicleta era a canção de ninar no meu passado. Medo deslizou rapidamente. Então, por que, se você veio deste mundo, você teme tanto?


Meus dedos doíam para agarrar meu cabelo e agitar. As perguntas foram se acumulando e eu não tinha respostas para domá-las. Calmamente o cara do isqueiro se levantou, limpou a boca, bebeu o resto de sua cerveja, e caminhou ao redor da mesa para sair. Seus irmãos não olharam para cima, paralisados na espera por alguma fofoca de mim. Mas, eu não podia olhar em qualquer outro lugar. Abrindo a porta, ele olhou para trás, seus olhos castanhos bloqueados com os meus. Seus lábios se espalhando sobre os dentes, enviando um arrepio por cima do meu couro cabeludo. Seus olhos gritavam que ele não tinha terminado comigo. Tudo pelo que ele tinha me sequestrado ainda não tinha acontecido. Balançando os dedos condescendentes, ele saiu da sala, fechando a porta atrás de si. Meu coração estava carregado em volta do meu peito. Você precisa se lembrar. E rápido. Meu tempo tinha gritado que era o fim. Eu tinha sido vendida. Eu logo irei embora e nunca terei uma segunda chance. Eu tinha que lutar. Mo cutucou meu tornozelo debaixo da mesa. — Nos diga. É cruel fazer um homem esperar. — Sim, isso é chamado de bolas azuis; — o outro brincou. Risadas masculinas ondularam ao redor da sala. Respirando fundo, eu perguntei: — Você quer detalhes... — Isso aí! Grasshopper sorriu. — Um pequeno detalhe suculento. Vamos, entregue ele. Minha mente correu com tudo que Kill tinha feito, do jeito que ele me fez sentir, a vulnerabilidade e fragilidade que ele manteve escondido abaixo da rude grosseria. — Certo, um detalhe. Quando ele me levou para fazer compras, ele me empurrou contra a parede do vestiário e me beijou tão forte que seus dentes perfuraram meu lábio inferior.


Minha barriga vibrou recordando a paixão, a confusão, e acima de tudo, a necessidade. A risada morreu, os homens entreolharam-se com expressões estranhas em seus rostos. Mo finalmente murmurou, — Como se isso fosse possível, porra. Conte a história, mas, não minta sobre isso. Grasshopper lançou-me um olhar, enchendo o rosto cheio de pizza. Eu não poderia ler a mensagem em seus olhos. Uma mentira, por que ele me beijou? Por que era tão difícil de acreditar? Sim, se o que Grasshopper disse for certo. Amarrada, com os olhos vendados, sem o toque, a única maneira que Kill iria dormir com uma mulher. Eu perdi a faísca para interagir com eles, deixando minha alma afundar para baixo na escuridão esquecida dentro de mim. Não era de sua conta o que seu presidente fez comigo. Especialmente vendo como minhas respostas os perturbava. E eu queria acumular essas preciosas memórias, elas eram minha única iluminação no escuro. — Tente novamente, abóbora. Algo convincente desta vez —, o cara com a barriga disse, limpando a boca livre de migalhas de pizza. Cruzando minhas mãos debaixo da mesa, eu disse: — O que aconteceu na casa de Kill... — Não é da sua maldita conta. — Essa voz. Suave, mas, grave. Profunda e poderosa. Um terremoto em suas palavras invocando tremores ao redor da sala com força. Os cabelos finos na parte de trás do meu pescoço se arrepiaram com a eletricidade. Cada centímetro do meu corpo cantarolou. A sala ficou em silêncio. Dolorosamente tranquila. Eu girei na minha cadeira. Meu coração explodiu em faíscas e cometas.


O rosto de Kill estava fechado e com raiva, suas mãos em punhos de seus lados. Seus olhos estavam vermelhos e hematomas frescos marcavam seu rosto. Foi-se a raiva contida do presidente, substituída por um homem exposto, à procura de violência. — Eu confio em você para fazer uma coisa e é isso que eu encontro ao voltar, porra? Tudo sobre ele fervia de raiva, seu cabelo estava despenteado, e o aroma dos ventos, sal e couro era rosqueado com a nitidez de álcool. Onde ele estava? Ele estava lutando. Kill nunca olhou para mim. Em vez disso, ele dirigiu sua raiva para Grasshopper. — Vejo que você está me desobedecendo novamente e alimentando a maldita menina? Minhas costas ficam eriçadas. Eu queria gritar para ele falar comigo, mas, meus lábios ficaram firmemente colados. Grasshopper se levantou, limpando as mãos na calça jeans desbotada. — Ei, Prez. Minha culpa. Ela estava enfiada no quarto, sentada a um par de dias, é importante lhe dar um pouco de ar fresco, sabe? Os olhos de Mo ficaram fixos na parte de trás da minha cabeça, mas, eu nunca levei a minha atenção de Kill. Eu bebia dele, desde os nós de seus dedos sangrentos até a mancha de grama em seu jeans. Minha mente correu com todos os tipos de inversões do que ele tinha estado fazendo nos últimos dois dias. Eu senti sua falta. Eu queria cuidar de suas novas lesões, assim como eu tinha feito na primeira noite que eu cheguei. Eu queria ajudá-lo a corrigir o que o levou a esse tipo de comportamento destrutivo. Talvez ele não estivesse lutando? Talvez fosse autodefesa? Minha mente ignorava todos os novos horrores, pensando nele sendo ferido de forma maliciosa por outros. Inconscientemente, eu me inclinei para frente, atraída por ele, tão certa como uma maré para a lua. — Você está ferido. Suas narinas dilatam e a consciência de familiaridade entre nós surge como se nunca tivéssemos deixado de nos tocar, beijar ou foder. Era


espesso e desenfreado e esbarrado com questões. E forte. E tão, malditamente forte. Minha pele se arrepia com o calor e meu núcleo derrete sob seu exame detalhado. — Por que diabos você me chamou, Hopper? Você sabia qual era o plano. Você sabia por que eu quis assim. — Kill passou a mão pelo cabelo emaranhado, ainda se recusando a olhar para mim. — Você tem algo a verificar. Certificar-se de uma vez por todas, antes que sua chance se vá e que o que você acredita seja verdade. — Foda-se, cara. Eu lhe disse. — Kill dá um passo à frente, o quarto brilhando com violência. Os outros homens se levantam, o raspar suave de cadeiras e a corrida de respiração mista colocando todos na borda. — Você pode me amaldiçoar o quanto quiser Kill, mas, ouça ela. Uma última vez. Porra, eu juro. E então ela vai partir. Acabado. Kill empalideceu com o termo 'Acabado'. Os nós dos dedos esbranquiçados, apertados com mais força. No súbito cessar fogo, Grasshopper me puxou da minha cadeira. Eu tropecei em pé, movendo-me para ficar diante de Kill. Grasshopper não removeu seu aperto, os dedos queimando ao redor do meu cotovelo. Seu corpo bloqueando no local, se preparando. — Ela se lembrou do nome dela. A onda de emoção de Kill quase me afoga, em uma buffet variado de sentimentos que eu nunca tinha decifrado totalmente. Os olhos de Kill caíram para onde Grasshopper me tocou. Posse escura brilhou em seu rosto. Meu estômago se agita com borboletas. Eu quero que você me toque. Eu quero que você se lembre de mim. Então Kill cruzou os braços, fechando-me para fora, assim como o bloqueio em meu cérebro. — Você me trouxe de volta para mais mentiras? — Sua ira caiu sobre mim, seus olhos verdes ardendo como um fogo esmeralda. — Isso vai ser fodidamente interessante.


Engoli em seco. Um cheiro de álcool, mais uma vez se apoderou de meus sentidos. Ele estava bêbado? Ressaca? — Você é tão cego. Seus lábios se torceram em um sorriso de escárnio. — Eu sou cego porque eu não vou cair em um golpe? — Não. Você está cego pela dor e teimosia. Kill vacilou, mudando mais perto para o calor do corpo que se enroscou com o meu. — Você não sabe nada de teimosia. Deus, ele me incomoda. Sem persistência eu não estaria aqui agora. Eu já teria sido vendida, se eu não tivesse me oferecido para curá-lo e encontrado uma maneira de entrar em sua vida. Palavras de raiva eram como espuma na minha boca, que eu queria muito soltar. Mas a maneira dura de Kill manteve elas, o arquear de seus ombros e os músculos atados em seu pescoço eram sinais de um homem lutando, um homem na dor óssea de profundidade. Eu não podia chutá-lo quando ele já estava enrolado em torno do que restava do seu coração esfarrapado. Por amar um fantasma tão fortemente que o homem, literalmente, se matou com um desgosto que deveria ser romântico. Não era. Era apenas infinitamente, terminantemente triste. E sem sentido. Especialmente porque, eu acreditava que tinha o poder de aliviar o seu sofrimento. Grasshopper me empurrou para frente. — Você queria vê-lo. Eu o tenho aqui para você. Melhor dizer o seu nome, menina, para que todos possam seguir em frente. Pavor engrossa meu sangue. Por que isso soa tão ameaçador? Ele não deveria estar feliz que tudo o que eu disse era real? Kill já não tinha que viver com a culpa de pensar que ele me matou. Ele poderia ser feliz! — Diga a ele, — Grasshopper solicitou.


Eu não conseguia parar de olhar para Kill. Seus olhos verdes estavam gelados e cheios de desconfiança. — Bem? Estou aqui contra a minha porra de vontade. Diga-me, para que eu possa sair e colocar esse pesadelo atrás de mim. Pesadelos. Sonhos. Eu encontrei ele em meus sonhos e desperto com ele em meus pesadelos. Haveria um lugar para nós na vida real? Pare de enrolar e diga a ele. Cruzando minhas mãos, eu disse: — Eu me lembro de você do meu passado. Lembro-me do fogo e churrascos e borrachas de Libra. Lembro-me de lição de casa, TV e beijos roubados. Lembro-me de você, Arthur Killian. Eu me lembro de quando você era mais jovem e não quebrado. Meu nome é Sarah e eu sou sua. — Minha voz se quebrou, mas eu luto pelo mal estar de colocar meu coração a seus pés. — Lembro-me de você e eu preciso que você pare de fingir, antes que seja tarde demais. A sala desapareceu. Esqueci-me sobre os outros motociclistas. Eu ignorei o mundo inteiro quando Kill, bem devagar, descruzou os braços e fechou a pequena distância entre nós. Seu rosto era impenetrável, os olhos em branco, mandíbula apertada. Minha pele despertou, implorando por seu toque. Minha boca doía, pedindo seus lábios. — Você... — Sua voz era um silvo mortal. Meu corpo ficou tenso, lutando contra o desejo de fugir. Mo se levantou, de pé no meu outro lado, flanqueando a mim assim como Grasshopper. Ironicamente, eles estavam me protegendo contra o homem que eu amava. Pronto para me impedir de ser ferida pelo monstro deslizando rapidamente em fogo brando com raiva diante de nós. A estrutura de Kill tremia. Ele balançou sua cabeça. — Eu tenho que parar de fingir? —, ele sussurrou. A raiva reprimida em seu tom me aterrorizava.


Eu não poderia ajudá-lo. Dei um passo para trás. — Sim. Meu nome é Sarah. Você me conhece! Ele imitou o meu passo. — Deixe-me ver se entendi. Eu sou o único que precisa parar de fingir? — Seu olho brilhou e eu realmente temia-o tanto quanto sua alma havia desaparecido. Ele estava trancado e barricado e tão envolvido com a dor que ele não podia ver a verdade. Lágrimas feriam meus olhos. — Eu estou bem na sua frente. Por que você está fazendo isso?! Grasshopper disse: — Kill, não culpe a garota... — Não é culpa dela? — Kill rugiu. — Não é a porra de culpa dela que ela está rasgando meu coração para fora tudo de novo e tem a coragem de me dizer para parar de fingir? — Ele apontou um dedo na minha cara. - Eu nunca conheci alguém tão desprezível ou tão inteligente na manipulação, e conheci um monte de traidores, porra. Voltando seu terror completo sobre mim, ele rosnou, — Você é pior do que eles. Pelo menos eles me apunhalaram pelas costas e me deixaram para apodrecer. Você apenas continua me esfaqueando. Mais e mais e mais até que estou sangrando porra, a partir de cada fatia. Lágrimas brotaram, e, não querendo quebrar, meus cílios piscaram embaçando minha visão, fazendo o seu mergulho de raiva e confusão. — Eu não sei o que você quer que eu diga! Você tem que acreditar... — Eu não tenho que acreditar na porra de uma palavra que você diz. Você. Não. É. Ela! Você nunca vai ser ela. Você nunca vai me convencer de sua besteira. Meu corpo estava muito pesado. Eu queria entrar em colapso, mas, eu tinha que continuar lutando. Eu não podia desistir. — Sim. Eu sou! — Eu gritei. — Se você apenas ouvir o que eu estou... — Ela. Está. Morta! Assim como você vai estar se você não calar a boca! — Killian, — Grasshopper murmurou. — Cara, está tudo bem.


Kill virou a ferocidade ártica para seu segundo no comando. — Não, não está tudo bem. Eu quero que ela desapareça. Agora. Imediatamente, antes que eu faça algo estúpido. — Estúpido como acreditar em mim?! — Minha voz pareceu se encolher diante do seu furor. Kill se eleva mais e mais alto como se sugando a vida fora da sala. Sua voz se tornou o que se possa imaginar de pior chiado. — Eu nunca vou ser tão ingênuo, querida. E apenas para fodidamente encerrar, você não é ela. E agora eu sei com certeza. — Como? Como você sabe? Ele sorriu friamente, arrastando meus piores medos. — Você é uma mentirosa, Sarah. Desista. Está acabado. Lágrimas escorrem pelo meu rosto. — Eu não sou. Você está apenas em negação. Completa e absoluta negação de partir o seu coração. Não faça isso! Não me machuque desse jeito. Ele riu. Isso causou arrepios na minha espinha. Revirando os ombros, ele murmura, — Bem. Vou lhe dar uma chance. Uma chance final. Me diga... você está certa de que seu nome é Sarah? Eu respirava com dificuldade, com medo de sua pergunta. Por que ele queria que eu confirmasse? Isso tinha vindo para mim. Ele se encaixa. Eu tinha memórias de Corrine usá-lo. Ele era meu. Horror me fez adivinhar tudo, terror me fez perceber o quanto tudo tinha ido tão errado. Não se entregue. Lentamente, eu assenti. — Sim. Tenho certeza. Ele sorriu, os olhos planos e o rosto sem emoção. — Obrigado por cavar sua própria cova e provar a mentirosa que você é. Eu me enrolei em mim, não querendo ouvir mais nada. Não querendo ser submetida a sua crueldade outro segundo.


— Você está errada, Sarah. — Kill respirava. Rapidamente, ele agarrou minha garganta, me segurando apertado. Meu corpo pressionado contra o dele e por um segundo horrível eu pensei que ele queria me estrangular. Seus olhos penetraram minha alma e rasgou-a em pedaços. Com mais dor do que eu já tinha visto no rosto de um homem, ele apertou a testa com amargura contra a minha. — O nome dela não era Sarah. — Com os dedos tenros confusos, ele segurou meu queixo, garantindo que eu nunca desviasse o olhar quando ele entregou a sentença de esmagamento. — O nome dela era Cleo. E eu a matei.


Capítulo Quinze Alguns disseram que pecadores vão para o inferno e santos vão para o céu. Se isso era verdade, então eu tinha vivido nos últimos oito anos em enxofre e fogo. Meu coração ardia com mentiras e uma necessidade tão fodidamente profunda para acreditar em cada palavra que Sarah disse. Eu queria ter a força para deixar ir o meu ódio e simplesmente... desistir. Mas tudo o que fiz, todos os caminhos que segui, e todo propósito cheio de vingança que eu segui não eram para mim, mas, para ela. Eu devia vingança à sua memória. Eu devia a sua paz. Porque eu vi como ela morreu. Eu tinha testemunhado o fim. E ela estaria gritando no purgatório até que eu lhe desse justiça. De tomar a vida daqueles que levaram a nossa. Tudo o que eu queria, não era o suficiente para me fazer parar. — Kill

Cleo. O nome dela era Cleo.


Meu nome é Sarah. Cleo. Ele a matou. A dor de cabeça pressionando-me a acreditar em uma mentira fabricada, de minha própria criação nublou minha visão. Como é que eu tenho memórias que eu não poderia explicar? Como é que eu vivo um passado que não pode mesmo ser real? Cleo. Isso não lembra qualquer pista de esperança por dentro. Não puxa tópicos de um passado que eu pensei que fosse verdade. Eu recuo para mim mesmo, e não levanto os olhos enquanto a sala de jantar esvazia como as areias através de dedos abertos, deixando apenas Kill, Grasshopper, e eu. — Vou levá-la. — Grasshopper estendeu a mão para mim. Não lutei enquanto suas mãos pousaram sobre os meus ombros, puxando-me do esmagamento de Kill à espera de sua proposta. Tudo dentro de mim que tinha sido tão apaixonado e cru tinha desaparecido misteriosamente. Eu tinha sido consumida pelo buraco negro, caído através da cratera que meu pesadelo de terremoto havia criado. Eu tinha despencado na escuridão amnésica completamente. Eu estava acabada. — Você está bem, cara? — Grasshopper perguntou quando Kill permaneceu em silêncio e congelado. Ele mal respirava, as botas coladas no chão. Demorou um minuto para que ele respondesse. Limpando a garganta, Kill disse: — Eu estarei uma vez que ela se for. Eu vacilei, desejando que eu pudesse cair no chão e curar meu coração sangrando. — Bem... eu vou indo, então. Você apenas, hum, descanse. Eu estarei de volta em breve. — Grasshopper me guiou em direção à porta. Voltar sem mim. Suas vidas continuariam... sem mim.


Eu não olho para trás. Eu não podia olhar para trás. A porta se fechou atrás de nós e eu debruço sobre meu estômago roendo. A dor dentro de mim devorando-me. — Vai ficar tudo bem —, Grasshopper sussurrou. — Você verá. É o melhor para todos. Eu não tinha resposta. Eu duvidava que eu falasse novamente. Por que me preocupar quando isso só me trouxe mais desastre? Continuamos andando. Passando a primeira revista de Kill e sua fotografia de rosto. Passando para próxima dele parecendo parte empresário, parte senhor motociclista. A cada passo eu deixo pedaços de mim para trás, deixando um rastro de migalhas para ninguém seguir ou procurar a menina perdida dentro de mim. Eu o deixaria. E nunca mais voltaria. Minha única chance era sobre a vida que eu acreditava que era uma mentira. Eu já não confiava em mim. Eu não confiava em um cérebro que era tão inflexível e alimentou-me com essas ocorrências reais manchando minha sanidade até que eu sabia que tinha que estar louca. Pelo menos a minha imaginação se destacou. Seria o único lugar para onde eu poderia fugir quando o meu futuro na escravidão tornar-se muito. — Espere. — A voz de Kill soou. Grasshopper para, os dedos apertando meu cotovelo para me parar também. Eu não me viro, mas, minhas costas se arrepiaram quando Kill se moveu em direção a nós. — Esqueceu algo? — Perguntou Grasshopper.


Meus ouvidos ficaram tensos pela resposta de Kill, mesmo agora desejo em cima de desejo que ele tenha cometido um erro e finalmente percebeu isso. — Vou levá-la. O que? Deus, não. Por favor. Eu não poderia tê-lo me levando e entregandome a outra pessoa. Seria o epítome da insensibilidade. Ele já tinha a adaga no meu coração, ele não precisa manter um movimento de rotação. Grasshopper me deixa ir, afastando-se quando Kill tomou o seu lugar. — Você tem certeza? Eu quero dizer... — Tenho certeza. Eu preciso ver com os meus próprios olhos que ela se foi. Minhas terminações nervosas saltaram para a vida no momento em que seus dedos tocaram ao redor de meu pulso. Grasshopper bufou. — Você não confia em mim para fazer isso? Kill rosnou. — Sim, eu confio em você. Mas, eu preciso fazer isso. Eu preciso saber que eu nunca vou sofrer de novo. Sofrer? Que insensível cadela ele me fez soar. Eu tinha a intenção de curar o seu coração quebrado, não torná-lo pior. Eu tinha oferecido o meu amor, meu carinho e amizade. Como é que ele acha que meu objetivo era fazê-lo sofrer? — Eu entendo isso —, disse Grasshopper. — Vou ligar com antecedência e deixar que o comprador saiba que você mesmo chegará. — Bom. Obrigado. Constrangimento me envolve e os dedos de Kill apertam em torno de meu pulso. — Tudo bem, Sarah. Acho que isso é um adeus. — A voz de Grasshopper, relutantemente, me puxou do meu triste estupor.


Engoli em seco, mantendo a cabeça baixa e os olhos afastados. — Obrigado. Por tentar, pelo menos. Kill se encolheu. Eu esperava que ele ouvisse a reprimenda na minha voz dirigida a ele, por sua falta de crença ou decência de apenas me ouvir. Kill me arrastou para frente sem outra palavra. Passando a última capa da revista. Passando onde eu estive de pé e nua para ele. Através do complexo e para dentro da garagem. Cleo. O nome dela era Cleo. Parecia certo... mas errado. Eu poderia ter lembrado o nome errado? Tudo isso poderia ser desfeito se eu tivesse mais tempo para desembaraçar minhas memórias? — Por favor, Kill. Não faça isso. — Eu sussurrei enquanto ele me arrastou para um SUV preto. Kill trincou o maxilar, mas, não respondeu. Sua mão ficou trancada no meu pulso, com as pernas saltando acima do chão como se quisesse fazer uma corrida e correr para longe de mim. Meu coração gaguejou pelo ódio reverberando dele. Eu não lutei, não havia nenhum ponto. Mas, eu gostaria que ele parasse por um momento. Basta parar e... O que? Se expor a pena e negação por anos e se colocar em um lugar de agonia para tentar acreditar? Algo como isso levaria mais força do que qualquer coisa, e tanto quanto eu odiava, eu poderia entender sua relutância. Era mais fácil continuar vivendo uma mentira do que lidar com as consequências do que isso significaria se eu fosse Cleo. Existem tantas perguntas então... Como fomos separados? Por que ele acha que ele me matou? O que realmente aconteceu há tantos anos?


Eu estendi a mão, passando os dedos em torno de seu braço, onde ele me segurou. Ele não para ou olha para baixo. — Sinto muito, Arthur. Sinto muito pela dor que você está passando. Sinto muito por fazer você enfrentar coisas que você, obviamente, não é capaz. Mas, por favor, não faça isso. Deixar-me ir. Me liberte. Eu nunca vou voltar e você nunca vai ter de me ver de novo, mas, por favor. Por favor, não me venda. — Não use o meu nome. — Ele me puxou mais rápido, atingindo o SUV preto e abrir da porta de trás. Meu coração batia freneticamente. — Você tem que saber que eu não tive a intenção de te machucar! É tudo verdade dentro da minha mente. Tudo o que eu sinto por você, tudo o que aconteceu, é tudo real. Como é que é real? Será que minha mente roubou memórias de outra pessoa ou era tudo uma história contada para me impedir de ficar louca sem passado? Kill recusou-se a fazer contato visual. Agarrando-me na minha cintura revestida de bronze, ele me jogou no banco de trás do carro. Meus dentes chacoalharam quando ele socou a porta fechada, agitando o veículo inteiro. Dois segundos depois, ele subiu atrás do volante e pressionou a da porta da garagem. Torcendo a chave na ignição, o motor começou com um grunhido, então deslizou perfeitamente em marcha e explodiu a partir do repouso ao movimento. — Ah! — Eu deslizei descontroladamente no couro castanho intocado quando ele pisou fundo na aceleração, disparando da garagem para o sol da Flórida. Ele dirigia como um maldito louco, fazendo curvas muito rápidas, fazendo com que as rodas chiassem. Meu estômago bateu contra minhas entranhas. Náusea me fez suar enquanto eu tateava por um cinto de segurança. Será que ele não se importava?


Ele é um total... idiota. Um idiota pouco comunicativo que não quer encarar a verdade. — Kill... Ele passou a mão pelo cabelo, pressionando cada vez mais fundo no acelerador. — Não faça isso. Abracei meu peito, deslizando, mesmo com o cinto de segurança apertado quando ele resvalou em uma esquina. — Por favor... você tem que me escutar. Eu não fiz isso para te machucar! Eu honestamente acredito que eu o conheço. Eu não posso explicar isso... — Você não precisa explicar. Você terminou aqui. Você conseguiu me ver novamente e você fez a pior coisa para você mesma. — Como? Ele agarrou o volante, os nós dos dedos ficando brancos. — Eu lhe disse antes que você não iria ficar doce ou cuidar de mim. Eu lhe disse para não mentir para mim ou para tentar me tocar. No entanto, você fez todas essas coisas malditas. Você arrastou mais emoção para fora de mim em alguns dias mais do que ninguém foi capaz de fazer em anos e eu odeio você por isso. Não só por você me forçar a voltar e ouvir mais de suas mentiras, você acha que depois de tudo que você fez que eu não fosse deixar você ir? — Ele balançou a cabeça, rindo com tristeza. — Isso não é como os pecados funcionam, querida. Eles exigem pagamento. A porra de um pagamento, mesmo que eu pague. Ele acelerou passando placas de rua, dirigindo como um idiota imprudente. — Vingança? E daí? Sua cabeça gira, os olhos verdes trancando com os meus antes de voltar para a estrada. — Você não sabe porra nenhuma sobre vingança. Não gire outro conto. Eu estou cansado de suas mentiras. — Você está certo. Eu não sei sobre a vingança. Eu não tenho inimigos que eu possa lembrar. Mas, eu sei o que você quer dizer sobre isso. Que a realização de danos a outros, não prejudica só sua vítima pretendida, mas, a si mesmo também. Você acaba sendo ferido. Perdão...


— Perdão? —, ele gritou, socando o volante e fazendo a buzina estrondar. — Você ousa falar comigo sobre o perdão? Você não tem direito nenhum para tentar pregar como devo viver minha vida. Você não sabe absolutamente nada do que eles fizeram para mim. A ela. Para a porra do meu futuro. Eles me arruinaram! A agonia torcida em seu tom tornou meu coração uma coisa mutilada, inútil. Eu queria tirar sua dor e curá-lo. Eu queria que ele deixasse ir para isso não o apodrecer e matá-lo. Quanto mais tempo eu passava com ele, mais eu quis saber o que aconteceu com o menino simples, tipo o do meu passado. — Você não parece arruinado. Quer saber o que eu vejo quando eu olho para você? — Não. Cale-se. — Eu vejo um homem que é tão inteligente que eu posso imaginar ser cansativo viver dentro do seu cérebro. Você é rico, respeitado por ambos os lados, do governo e meios de comunicação. Você tem tudo. Uma veia pulsou perigosamente em seu pescoço quando ele balançou a cabeça, rindo baixinho. Parecia maníaco como a ponta de um vulcão que estava prestes a explodir de profundidades e chuva de lava fundida. — Tenho tudo? Eu tenho tudo isso? — Ele debruça sobre o volante. — Você entendeu tudo errado, Sarah. Eu não tenho nada. Porra, nada, porque eles levaram tudo. — Eu sei que você está sofrendo. E eu não vou tentar entender com o que você está lidando, mas, você não pode viver sua vida bloqueada de sentimento. Você vai desabar. Ele já fez isso. Eu temia por sua sanidade. Eu não tinha a intenção de pressioná-lo. Mas, esta seria a minha última oportunidade. Minha tentativa de despedida para fazê-lo quebrar e ouvir. Ele riu friamente. — Desabar? Querida, eu quebrei anos atrás e não preciso de qualquer mulher tentando me deixar fodidamente mole. Eu terminei e eu vou ter certeza que eu nunca tenha que colocar os olhos em você ou ouvir suas mentiras nunca mais.


Meus ombros caíram quando o silêncio distante encheu o carro. Como eu poderia fazê-lo ver? Ele queria me vender e se livrar de mim. Que tipo de homem fazia isso? Um quebrado. Eu só queria ser libertada. Eu partiria e daria a ele minha palavra, ele nunca me veria novamente. Ele não precisa arruinar a minha vida tal como era dele. — Para um gênio, você não parece entender. —, eu sussurrei. Ele trinca o maxilar, se recusando a responder. Minha mente correu com maneiras de fazê-lo prestar atenção, algo tinha que acionar dentro dele. Eu apenas tinha que continuar empurrando. — O que aconteceu no provador naquele dia? Me explique a conexão. Aquele beijo, Killian... Era mais do que dois estranhos cobiçando o outro. Tinha camadas... história. — Cale a boca. — Não. Sua mandíbula aperta, a veia em seu pescoço ainda pulsando loucamente. — Você só está fazendo isso pior. — Para você ou para mim? Me diga o que você sentiu. Diga-me o que você estava pensando quando você me beijou. Ele resmungou sob sua respiração. — O que aconteceu não é da su... — Sua maldita conta —, eu terminei para ele. Jogando minhas mãos para cima, eu rosno, — Eu já sei, gênio. É por causa dela. Eu! Você é tão apaixonado por uma menina morta que você não pode, apenas por um único momento, se permitir desfrutar outra mulher. Mesmo que a outra mulher seja ela! Ele atacou o volante. Girando-o para a direita, ele tirou do tráfego e bateu a uma parada em uma rua de desvio. Girando em seu assento, ele trouxe a ira do inferno em cima de mim. Seu braço disparou para frente, batendo em minha coxa tão duro que meu músculo ardia através do vestido de bronze. Minha pele doeu com o calor da reprimenda de ser atingida como uma criança desobediente. — Você não é ela. Por que diabos você não entende isso?


— Eu concordo que eu não me lembro do nome certo, mas explique o resto. Por favor, estou implorando, explique o resto, por que isso faz sentido, porque agora a única conclusão que posso ver é que eu sou a garota que você acha que você matou. Seu rosto ficou branco. Segurando um dedo trêmulo, ele sussurrou, — Você menciona ela novamente ou fala assim comigo e nós vamos ter um problema sério. Lágrimas queimaram meus olhos, meu lábio tremeu. — O que aconteceu com você? O que aconteceu com o menino gênio que roubou meu coração e me deu o seu? O que aconteceu conosco? — A vida aconteceu, querida. Assim como está acontecendo com você. Eu não conseguia parar de tremer. — Você precisa deixar alguém entrar. Você tem que parar de se machucar! — Não há espaço para ninguém além de mim. — Não. Não há espaço para ninguém além dela! Ele me empurrou, uma coisa tão juvenil para fazer, mas, a raiva nos seus olhos brilhava perigosamente. Eu deslizei sobre o couro, esfregando meu joelho onde seus dedos grandes tinham me tocado. — O que você sente quando você olha para mim? Você vê a garota que você amava ou você vê a menina que está prestes a vender? É por isso que não se suporta? Porque eu lembro-o tanto de uma menina que você deixou em seu passado? Ele explodiu. Arrancando o cinto de segurança, ele abriu a porta e voou do carro. Em fúria ciclônica, ele socou uma placa de rua, em seguida, girou e chutou o pneu do SUV. Ele me encarou através da porta aberta. — Cale a boca! Mais uma palavra sobre as coisas que você não entende, e eu vou detonar você tanto, que você vai acordar pertencendo a alguém que você nunca viu e eu vou estar muito longe. Sacudindo a dor em suas juntas, ele rosnou, — Entende?


— Entenda Buttercup? Espero ver você lá. Eu não quero ser o único a dizer aos nossos pais que queremos estar juntos. Eu sorri, sorrindo para o garoto de olhos verdes que eu queria passar o resto da minha vida. — Eu vou. Eu não perderia isso por nada no mundo. Irregular agonia lacera meu coração quando o conhecimento arde brilhante e horrível. Eu fiz uma promessa para estar lá. Nós dois fizemos. Mas nenhum de nós cumpriu essa promessa. Nós nunca vimos um ao outro novamente. Nosso amor morreu para sempre duas semanas após os meus catorze anos e seis meses antes de eu completar dezoito anos, tão perto de ter tudo o que sempre quis. Eu desintegro dentro em mim. A memória veio com emoções muito grandes para serem processadas. Porque, e se tivesse sido a última vez que eu já tinha visto ele? O que aconteceu conosco? Quão horrível foi a tragédia que minha mente está tentando esconder? O fogo. Sangue. Tiros. Gritos. Meu coração tentou saltar do meu peito. O cheiro da morte sufocado em meus pulmões. O fogo foi aceso para encobrir um assassinato. Ele consumiu os cadáveres... A parede cresce mais espessa, mais firme, se entrelaçando com cadeados e correntes pesadas, determinados a não me deixar ver. De quem é o sangue que eu rastejei através, em segurança, enquanto as chamas do inferno me transformaram em cinzas? Quem deixou cair o fósforo que roubou a minha vida e memórias? Killian respirava com dificuldade, não oferecendo qualquer consolo quando eu vim para além dele antes. A memória de um amor tão puro e imaculado dobraram meus pulmões e eu soluçava.


Achei que estava acabada na sala de jantar com o cheiro enjoativo de pizza. Mas, eu não estava. Não realmente. Este foi o meu ponto de ruptura. Aqui, ao lado da estrada, sobre a forma de ser vendida. Passando os braços em volta da minha caixa torácica, eu me rendo à raiva do lamento e tristeza dentro de mim. Eu me permito vomitar, exorcizar minha falta de memória em enxurrada sobre meus joelhos. Com cada soluço, eu me enrolei mais até que minha testa tocou meus joelhos e ainda me mantive dobrada. Dobrada sobre mim mesma, tornando-me um pedaço de origami, torcendo a partir da garota que eu desejei que eu fosse até nada mais do que uma mercadoria para vender. Eu não estava ciente de qualquer coisa com o meu mundo em espiral e pesar. Me esqueci de Killian e me rendo à queimadura de lágrimas escaldantes. Eu não o vejo perseguir ao redor do carro. Eu não o ouço abrir a minha porta. Eu não me importava. Sobre mais nada. Escondo meu rosto em meus joelhos, eu choro mais duro, purificando-me de tudo o que tinha acontecido. A pressão confortante repousava sobre meus ombros. Eu me enrolei mais duro, meus braços esmagados entre o meu estômago e pernas. A pressão mudou-se para meus bíceps, forçando-me na posição vertical exigentemente e eu abandono o meu santuário e me endireito. Não! Eu queria permanecer no casulo e tão pequena quanto possível. Eu lutei contra a pressão, mas, Kill não me deu escolha além de ficar de pé, revelando o rio nos olhos e bochechas avermelhadas.


Eu fiz uma careta em confusão. Kill ficou com o rosto apertado e olhar revolto. Suas mãos caíram do meu corpo no momento em que obedeço e me sento. Rapidamente, eu desvio o olhar. Eu não podia vê-lo. Não depois do que ele tinha dito e feito e quão distante e insensível ele era. Minhas lágrimas corriam mais à medida que Kill soltou o cinto de segurança, e sem uma palavra, puxou-me em seus braços. A força de seu abraço me arrastou perto. Eu bati no peito dele. Seu coração se enfureceu debaixo da minha orelha, produzindo um som explosivo tão rápido quanto o meu. Seu aroma de oceano e couro se envolveu em torno de mim como um cobertor macio, sua forte aderência me trancando nele assim eu nunca poderia escapar. Ele imediatamente me faz sentir como... casa. Seu cheiro, seu calor, sua solidez. Eu sabia. Meu corpo respondeu e outro grito escapou dos meus lábios. Eu não queria questionar por que ele tinha dado isso. Por que ele me concedeu a segurança em seus braços. Mas, gostaria de aproveitar ao máximo. Envolvendo meus braços em torno dele, eu o segurava tão apertado quanto humanamente possível, enquanto a angústia continuava. Eu não o segurava em busca de consolo, eu o segurei como uma âncora, para não ser varrida pelas lágrimas. Pressionando meu rosto contra seu peito, eu não esperava nada mais. O fato de que ele me abraçou era mais do que eu jamais esperava. Mas, então, a seu domínio atacou mais apertado, apertando duro e forte. Ele me segurou como um homem que estava eternamente arrependido e queria que seu corpo transmitisse um meio mais seguro do que palavras. Ele me segurou como um homem dizendo adeus. Aconchegando-me em seu peito, eu respiro pesado. Este era o lugar onde eu pertencia. Aqui. Com o homem dos meus pesadelos. O menino dos meus sonhos. — Arthur... — Eu tremia.


Ele endureceu, me empurrando para longe. Deixando cair os braços, o calor estático do nosso abraço desapareceu no ar. A sua voz irritada. — Eu sinto muito. Meus olhos se fixaram sobre os seus, enquanto eu tentava enxugar as lágrimas pegajosas no meu rosto. Sua testa franzida. — Eu sou um filho da puta, eu sei disso, mas, eu normalmente não sou assim, tão desagradável. Eu realmente sinto muito pelo que eu fiz, por chutar você e tratá-la de forma tão cruel. Você não merece isso. — Seu olhar verde permaneceu ilegível, trancado por todas as emoções, braços rígidos ao lado do corpo. Eu balancei a cabeça, engolindo de volta os sentimentos estranhos que eram tão reais, mas, anos tardios. — Eu entendo. Você não pode viver sofrendo pelo que aconteceu no passado. Ele assentiu. — Só... — Ele suspirou. — Vamos concordar em discordar. Não importa o que você diga ou faça, você nunca vai conseguir que eu acredite em você. Eu vivi por muito tempo acreditando nas coisas que os outros queriam me fazer acreditar, e isso não está me trazendo nada além do que dificuldades. Eu sei o que vi. Eu sei o que eu sinto. Ela se foi, e eu não vou ter sua memória manchada. Seus ombros caíram. — Só... aceite e vamos seguir em frente. Certo? É melhor para nós dois. Baixei a cabeça, não querendo olhar para o olhar familiar. Ele queria que eu me afastasse para não o lembrar da sua dor interior. Ele era fraco. — Eu vou aceitar isso. — Abaixando a minha voz, eu implorei, — Mas, por favor, me deixe ir. Me deixe ir ao posto de polícia mais próximo, e eu juro pela minha vida que você nunca vai me ver novamente. Apenas, por favor... — Minha voz falha novamente. — Eu não quero ser vendida. Por um momento mais longo, ele olhou para o chão. Pensamentos brilharam sobre seu rosto, ideias se formando depois sendo descartadas. Esperança permaneceu no meu coração, mas, eu sabia que era impossível. Ele levantou a cabeça. — Se houvesse algo que eu pudesse fazer, eu faria. Eu a deixaria ir, de verdade. Mas, está acima da minha cabeça agora.


As coisas que estão acontecendo, mesmo eu não estou a par disso e eu não posso ir contra as ordens. — Não pode ou não quer? Ele sorriu com tristeza. — Não vou. Ele é a única pessoa que já esteve lá para mim. No bom e no ruim. Ele me tirou do meu começo arruinado e me deu um império para governar. Eu sou eternamente grato e não vou agir pelas suas costas. Meu coração ficou aflito por sua lealdade, por seu amor. O amor do qual eu não era digna. Minha cabeça pendura e o silêncio cai entre nós. Eu não disse uma palavra no reconhecimento de sua decisão ou argumento para a minha liberdade. Tinha acabado. Depois de um minuto, Kill assentiu como se eu tivesse aceitado sua promessa torta. Pressionando os lábios, ele fechou a porta e voltou para o banco do motorista. Estava acabado. Eu tinha lutado e perdido. Ele tinha argumentado e ganhado. Nosso tempo acabou e agora eu tinha que enfrentar o futuro. A próxima vez que Kill parou o carro estávamos no porto. Ele estacionou e saiu, chegando a abrir a minha porta e oferecer sua mão. Parecia que a luta no carro lhe tinha dado o encerramento e ele me tratou como qualquer outra garota que ele tenha sido dito para vender. Não que eu soubesse como era, claro. Tomando sua mão, eu deslizei do SUV. Apertando os olhos contra o sol no meio da tarde, perguntei: — Quantas? Seus olhos permaneceram sem emoção quando ele bateu a minha porta e trancou o carro com o controle remoto. — Quantas o quê? Tomando minha mão de novo, mais sem me prender, ele me levou para a doca e para o cintilante mar azul petróleo. Seu aperto era seco e quente, circundando os dedos de uma maneira que fez meu corpo cantar com eletricidade. Ele podia negar que me conhecia. Ele podia gritar e lutar


contra tudo o que eu tinha tentado mostrar a ele, mas, ele não conseguiu esconder a conexão entre nossos corpos. — Quantas garotas você traficou? — Tristeza sentou no meu peito. Eu odiava pensar que este homem poderia estar envolvido com algo tão errado. Era pior do que roubo... Era o mesmo que assassinato. Efetivamente, estava cortando o tempo de vida de uma mulher para a vontade de um proprietário que pode ficar entediado com ela dentro de algumas horas. Sem mencionar o horror que iria suportar antes que seu último suspiro fosse tomado. Kill ficou tenso, nunca olhando para mim. — Você é a sexta e última. Se você quer saber, eu me recuso a me envolver em crimes, independentemente do que você pensa de mim. Meus pés tropeçaram. A cobertura da revista e os elogios por ajudar a comunidade surgiram na minha mente. Tudo apontava pra que ele se comportava dentro da lei. Ele tinha vindo do crime, não havia dúvida sobre isso, mas, eu tinha a sensação de que ele virou o Clube da escuridão para a luz. — Foi um dia fodidamente abençoado para todos quando ele assumiu os Corrompe e nos fez Pure Corruption. — A voz de Grasshopper ecoa em meus ouvidos. Se isso fosse verdade, então o que diabos era isso? — O que você quer dizer? Suas botas rangiam no cascalho assim como as sandálias que Grasshopper tinha me dado, um tapa sobre o silêncio. Minha perna esquerda e pé dançaram com a cor na luz do sol, enquanto as minhas cicatrizes refletiam a luz em uma mistura de desfiguração tímida. — Pare de fazer perguntas, — Kill murmurou, fechando a distância entre nós e uma lancha branca. O porto não estava muito ocupado, apenas alguns grupos de pessoas e navios ancorados com ranger do equipamento. — Por que você aceitou vender a mim e as outras mulheres então? Se isso vai contra suas crenças, deve ser algo grande. Não pode ser por dinheiro, você já tem mais do que suficiente com negociação de ações. Ele me deu um olhar de lado, em um movimento de surpresa. — Você está certa, não é por dinheiro.


Um capitão com protetor solar manchado grosso sobre o nariz e um boné de beisebol cobrindo seu cabelo loiro pulou da lancha quando nós desaceleramos em uma parada. — Você é Kill? Jared ligou e disse que houve uma mudança de planos. Kill inclinou o queixo. — Sim. Você sabe para onde estamos indo? — Claro que sim. Não é longe. Quinze minutos no máximo. Kill virou para mim e apontou para a lancha branca e luminosa. — Entre. — Jared? Quem é Jared? Kill sorriu. — Grasshopper, seu verdadeiro nome é Jared. — Oh. — Por alguma razão, me senti estranha que o homem que eu havia me tornado acostumada tinha um nome tão normal. Eu gostava dos MCs por esse motivo. Seu nome de nascimento não define você, seus irmãos faziam isso com apelidos. Thorn. Meus olhos se arregalaram. Thorn era o apelido do meu pai. Eu fiz uma careta tentando lembrar seu nome de nascimento e por que ele ganhou o termo estranho de Thorn. Kill agarrou meu cotovelo, empurrando-me em direção ao barco. As partes laterais brilhavam bem como o nome “Seahorse Symphony”. — Vou te ajudar. Eu me afastei, um sentimento horrível se destacando no que aconteceria se eu entrasse nesse barco. Eu nunca iria vê-lo novamente. Nunca seria livre. Subordinada a um idiota sádico para o resto da minha vida. Eu não posso. Meu estômago revirou e eu olhei por cima do meu ombro. Liberdade. Eu queria. A partir disso, das minhas memórias, de tudo o que tinha acontecido. Eu queria voltar para a simplicidade de cuidar de animais e saber onde eu existia no mundo. Mas isso também era uma mentira.


Eu não sabia aonde eu pertencia. Eu me preocupei que eu nunca saberia isso. Sarah era apenas uma parte de mim. Quem sabia o que a outra parte seria. Eu me contorci no aperto de Kill. Olhando para o seu rosto feroz, eu implorei, — Por favor... não faça isso, Arthur. Seus olhos verdes brilharam. — Pare de me dizer isso. Estou farto de ouvir isso. Eu já lhe disse por que isso tem que acontecer e não há nada que vai impedi-lo. — Me empurrando, ele apertou as mãos na minha cintura. — Acabou, Sarah. Com poderosos braços, ele me pegou e me virou para o lado do barco. — E você nunca aprende. Meu nome não é para você usar. Vou ficar feliz quando você for embora, então eu não tenho que ficar lembrando você disso. Ouch. Meu coração torce quando meus pés aterrissam no fundo áspero da embarcação. O prumo gentil e oscilação da maré me faz instantaneamente ter náuseas e ânsia da terra firme. Com o equilíbrio comprometido, eu agarro o lado do barco. Olhando para mim, Kill jogou a perna por cima e saltou a bordo. Plantando uma mão pesada no meu ombro, ele me levou marchando em direção ao banco de trás e apertou-me em uma posição sentada. O capitão nos observava, mas, não disse nada. Em vez disso, ele pulou em seu lugar, girou a chave, e nos levou para fora da doca. O zumbido do motor reduz toda a conversa e o chicote do vento roubou lágrimas dos meus olhos. Em poucos minutos estávamos fora do porto e saltando sobre as ondas, os tapas altos de água contra o casco ecoaram em meus ouvidos, abafando os meus pensamentos em rápida construção de medo. Faça alguma coisa. Como o quê?


Eu não tinha ideia de como parar com isso. A dinâmica só reuniu mais inércia quanto mais eu tentava evitar que o inevitável acontecesse. Vá para o mar. E o que, ser morta por um tubarão? Eu odiava que não havia nenhuma maneira para eu correr, apenas para o mar cristalino azul-turquesa e eu sem nenhuma capacidade de andar sobre a água. — Onde você está me levando? —, perguntei alto o suficiente para a minha voz ser ouvida. Kill não fez contato visual, olhando para o horizonte. — Para o seu novo futuro. Um frio que não tinha nada a ver com o vento chicoteando correu pelas minhas costas. — Eu não posso fazer você me deixar ir? Você nunca teria de me ver novamente. Você não tem que fazer isso. Ele balançou sua cabeça. — Eu te disse. Eu não vou fazer isso. Cruzei os braços quando o sol quente da Flórida ficou frio com a brisa do mar. — O que você quer dizer exatamente? Quando ele não respondeu, eu rebati, — O mínimo que você pode fazer é me dar respostas. Me deixe entender um pouco, antes de se afastar de mim. Meu instinto rolou dolorosamente. Eu nunca vou vê-lo novamente. Ele chutou você. Ele quase lhe vendeu. Ele não é uma boa pessoa. Então, por que minha alma está dividida? O homem diante de mim não era o homem em que eu tinha fixado todas as minhas esperanças. Ele não era nada como o menino dos meus sonhos. Não devia doer muito eu sair disso. Ele era um estranho que tinha


me dado prazer e me concedido o direito de curá-lo quando ele estava vulnerável. Nada mais. Tente dizer isso ao meu coração estúpido, estúpido. Ele finalmente olhou para mim. — Eu te disse o máximo, mais do que eu jamais vou dizer. Eu estou fazendo isso porque o homem a quem eu sou fiel, o homem que me deu tudo e entende a minha necessidade de vingança me pediu para fazer isso por ele. — Passando a mão pelo cabelo longo desarrumado, ele terminou, — Eu sou fiel para aqueles que se provaram merecedores. Eu não preciso saber mais do que isso. Eu já não podia olhar para ele. Fez-se silêncio e eu olhei para o horizonte, esperando por melhores respostas. Eu estava no convés de um iate super impressionante. A lancha parecia minúscula em comparação com o poder elegante da embarcação preta e prata. O mesmo emblema e o nome Seahorse Symphony estampada no lado e a luz do deck de madeira com entalhe dourado com ouro. — Onde estamos? —, sussurrei para Kill. Ele trincou o maxilar e não respondeu, seu foco permanecendo inteiramente na cabine aparecendo na frente. Suas pernas contra os mares ondulantes de ondas maiores e mais lentas, muito longe da costa. Porque estamos aqui? Para fazer negócios ilegais onde a polícia marinha não conseguia chegar até nós? Ou para uma fuga rápida uma vez que a transação fosse concluída? Transação. Mesmo que eu tivesse recorrido a me referir a mim mesma como mercadoria. Era mais fácil dessa maneira, ajudou a entorpecer qualquer ideia estúpida de que eu ainda era humana. Eu não era. Eu era um brinquedo, tinha sido assim desde o momento em que eu pus o pé nesta prisão de luxo flutuante.


Um mordomo apareceu do interior, envelhecido e bronzeado de uma vida passada na água. Ele usava um uniforme branco imaculado com pregas e rugas em todos os lugares certos. — Olá, Sr. Killian. Estamos honrados que o próprio presidente pôde se juntar a nós. Devo dizer que o Sr. Steel está muito grato que você tenha vindo. Kill fica rígido, os dedos fechados mais apertados em volta do meu pulso, onde ele me segurava. Por que ele me segurou eu não sabia. Não era como se eu pudesse correr para qualquer lugar. A menos que eu pudesse brotar asas de repente e eu tinha esquecido, eu estava acorrentada aqui. — Não há necessidade de beijar minha bunda. Mudança de planos. Eu queria entregá-la sozinho. Para se certificar de que Grasshopper não percebesse a enormidade do que estava prestes a acontecer e me libertasse. — Bem, é nosso prazer recebê-lo. — O mordomo lançou-nos um sorriso, brilhando muito branco e perfeito. — O Sr. Steel está esperando por você. Por favor, siga-me. Meu estômago deu um nó e eu queria mais do que qualquer coisa me jogar ao mar e nadar para longe. Kill percebeu minha inquietação. Seus dedos mudando de meu pulso para o meu cotovelo, trancando apertado e me mantendo presa ao seu lado. Juntos, nós seguimos o mordomo. Os únicos sons eram do tapa das minhas sandálias, os gritos de gaivotas, e o toque suave de água na fibra de vidro. Este mundo náutico. Esta dimensão externa. É a minha casa agora. Meu cabelo esvoaçava com o vento quando nós atravessamos o convés intocado, além de um SPA e bar ao ar livre, e trocamos o sol pela sombra de um convés grande de interior acarpetado. Meu coração trovejou quando Kill puxou meu cotovelo, me empurrando de minha zona de segurança e me pressionando contra ele até os holofotes no centro.


As lágrimas eram um melaço espesso no meu coração, formando uma bola na minha garganta lentamente me sufocando. A penumbra da sala de estar levou um tempo para se tornar clara após o clarão do sol. Kill o viu antes de mim. Seu corpo cantarolou com a agressão, temperada pela civilidade. — Sr. Steel. — Prazer. Por favor, entrem. Entrem. — A voz era muito elegante e extremamente cordial. Falso. Impostor. Meus instintos me disseram para fugir, que esta não era uma embarcação suntuosa, mas, sim um ninho de víboras. Kill me levou para frente, embora eu tenha tentado bloquear os joelhos e não obedecer. Ele me lançou um olhar, rosnando baixinho, — Se comporte. Tropeçando para frente, meus olhos se esforçaram para ver as características do homem que se tornaria o meu dono. Ele estava sentado com as pernas esticadas, reclinado em uma cadeira de designer no meio do lindo ambiente oceânico. Ele segurava um copo de Martini e usava um terno de linho. Kill assentiu. — Eu estou ficando sem tempo. Vamos concluir isso rapidamente. Meu coração já quebrado quebrou mais. Ele não podia esperar para se ver livre de mim. Para nunca mais olhar para mim ou reviver seus pecados novamente. Bastardo sem coração. O Senhor Steel saúda-nos com o copo de Martini. — Se for esse o caso, vamos começar em um instante. Quero dizer, para pegar a maré, também, então um rápido acordo seria valioso para todos. Meus olhos saltaram. Quem era esse idiota que falava como se descendesse da rainha? Sua pronúncia era impecável. Estudei ele mais, absorvendo o cabelo grisalho de loiro, cavanhaque cortado, e penetrantes olhos negros. Sua pele brilhava da exposição ao sol, mas, ele não tinha rugas. Lutei para estimar sua idade devido à cirurgia estética óbvia e Botox. Era impossível saber verdadeiramente.


Kill atravessou o tapete grosso, me arrastando sem querer para mais perto. Quanto mais perto chegávamos, mais eu sentia o tipo de homem que o comprador era. Ele tinha classe, fedendo à violência sob a cara loção pós barba. Ele tinha uma maldade suave escondida atrás da lustrada perfeição. Mas, em sua beleza se escondia uma doença que fez meu coração se enterrar no meu peito. Ele era o pecado personificado e eu não queria nada com ele. Chegamos a uma parada diante dele, os olhos do comprador deslizou pelo meu corpo. Eu lutei contra o impulso de estremecer e desviar o olhar. — Fantástica primeira impressão. — Sua atenção foi primeiro para minha perna tatuada, então para a minha queimadura. Curiosidade agravou seu rosto. Kill respirava com dificuldade ao meu lado. O comprador sentou mais alto em sua cadeira, sua voz caindo para a demanda. — Mostre-me mais. O que? Kill de repente me soltou, movendo-se atrás de mim. Meu estômago torceu e engoli em seco quando as mãos dele ao meu redor desfez o fecho do meu vestido com rapidez e eficiência. — Kill... Com dedos ágeis, ele arrancou o vestido bronze envolvendo os meus ombros, não me dando outra escolha senão a de cedê-lo. Eu não podia acreditar que ele tinha feito isso. Ele estava tão frio, tão distante. Ele não acreditava que eu era a garota de seu passado, mas certamente eu signifiquei alguma coisa? Nós tínhamos dormido juntos. Eu o tinha curado. Demanda um tipo especial de pessoa para bloquear isso tudo para fora. Alguém que havia sido treinado para fazer isso por anos.


— Intrigante —, disse Steel, tomando o resto de seu Martini. Mordi o lábio com horror, apertando os braços sobre o peito, vestindo apenas o biquíni dourado horrível. Minhas cicatrizes estavam em exibição, o tesouro da minha tatuagem visível para todos verem. Eu odiava que ele me visse, me estudasse, me fazendo sentir barata e nada mais do que algo para comprar e vender. Minhas cicatrizes coçavam, quase como se um fogo novo me chamuscasse pela inspeção horrível do comprador. Minha tatuagem era toda cor e sombras, persuadindo os olhos longe da minha feiura em direção à beleza do artesão que eu tanto adorava. — Ela é única. — Ele colocou o copo vazio sobre a mesa lateral, em seguida, esfregou um dedo sobre a boca. — Seu colega não deu nada de graça no telefone e eu posso ver porquê. — Ele estalou os lábios juntos. — Eu gosto dela. Kill enrijeceu ao meu lado. Cada músculo bloqueado, ele se tornou uma estátua chateada. O senhor motociclista tinha ido, engolindo de volta seu direito determinado de governar e aceitando uma hierarquia diferente. Ele não estava no comando. E ele não estava lidando bem com isso. — Você não fala muito, não é? —, perguntou o Sr. Steel de repente, olhando para Kill. Kill estreitou os olhos. — O que há para dizer? Você gosta dela. Está feito. O acordo já foi providenciado, é uma questão de uma assinatura e está acabado. — Eu não poderia dizer se ele estava satisfeito porque o cliente me aprovava ou furioso. O Senhor Steel riu. — Tão impaciente. — Olhando entre nós dois, ele acrescentou maliciosamente: — Se eu não estivesse enganado, eu diria que você queria ter essa mulher. — Seus lábios distribuídos por seus dentes afiados. — O que aconteceu entre vocês dois? Não tenho o hábito de aceitar estoque usado. Minhas bochechas queimaram. — Nada —, Kill rosnou. — Agora, estamos terminados ou não? O Senhor Steel riu. — Temperamento, temperamento.


— Termine isso. Eu tenho que ir. — Não havia nenhuma emoção na voz de Kill, apenas indiferença. Indiferença? Era pior do que o ódio. Pior do que raiva. A indiferença era o vazio de todos os sentimentos, o lugar onde as pessoas iam quando as emoções eram muito e eles desistiam. Minha esperança ridícula que ele mudasse de ideia se evaporou em uma nuvem, se afastando com um suspiro pesado. Eu tenho sido tão estúpida. Tão incrivelmente idiota por ficar. Eu deveria ter fugido quando tive a chance. — Bem. Se você está com pressa, vamos passar para o bar e começar. — O homem se levantou, se movendo através do mundo caro. A decoração era impressionante. Masculina, mas, feminina, com linhas duras de móveis de madeira escura e curvas graciosas de estátuas de vidro soprado. Eu me movi sem esperar por Kill para me dirigir. Eu não queria que ele me tocasse novamente. O bar era cercado por garrafas de conhaques e uísques caros, todo o âmbar brilhando ao sol que entrava pela janela. Kill não me queria. Ele estava em meu passado. Então, eu me forcei a esquecê-lo fervendo meu lado. Em vez disso, eu investi toda a minha atenção sobre o comprador, Senhor Steel. Ele era o meu futuro, meu inimigo, minha penitência pelos pecados que eu não conseguia me lembrar. Eu tinha que estudá-lo e compreender como sobreviver. O que ele queria manter escondido debaixo de seu terno de linho branco? Que segredos se escondiam por trás de seus olhos negros? Você não quer saber. Ele era rico, eu sabia que muito. Não havia dúvida de que eu iria viver uma vida de luxo por quanto tempo eu o agradasse. Até ele te atirar ao mar para os tubarões. O pensamento veio e se foi, enviando uma rajada de gelo na minha espinha.


Compra e venda de mulheres por qualquer motivo não estava certo. Ele não tinha nenhuma propriedade sobre mim, não importa quantos números existia em sua conta bancária. — Bebida? — O Senhor Steel perguntou quando ele puxou um banquinho de bar. — Não — Kill sacudiu a cabeça. Senhor Steel sorriu para mim. — Eu não vou te oferecer bebida, minha querida. Tenho certeza de que podemos encontrar algo muito mais adequado no momento da conclusão desta reunião. Eu queria estar enjoada. Eu queria matá-lo. Eu não disse uma palavra. Kill fechou suas mãos, suas costas enrijeceram sob seu colete de couro rangendo suavemente. — Chega. Assine sobre o que você prometeu e ela é sua. O Senhor Steel estreitou os olhos, caindo em negociação e negócios ao invés de hospedagem. — Tudo bem, vamos conversar. — Os olhos dele deslizaram por cima de mim novamente. — Eu quero ela, Killian, mas, o seu preço é elevado demais. — Ele se reclina contra a barra atrás dele, seu olhar nunca olhando para longe do meu peito. Mordi o lábio, desejando que eu tivesse o poder de voar. Estar livre de tudo isso. Voar alto para encontrar as minhas memórias. A raiva atravessou meu sangue como lava. Eu olhei na direção de Kill. Ele estava prestando atenção ao Sr. Steel, com o olhar fixo em mim, seu peito subindo. Sua jaqueta apertada ao redor de seus ombros enquanto seus músculos estavam tensos. Sua reação me deixa entrever sua alma, dando o quanto ele lamenta tudo o que acontece. Ele me deu o poder. Estabeleceu pequenas chamas lambendo minhas entranhas. Ele olhou para mim com vulnerabilidade. Ele parecia perdido, desolado, com raiva e extremamente irritado. Segundos assinalaram o passado e ele não corta a conexão entre nós, recusou-se a desviar o olhar.


Enquanto ele olhasse para mim dessa forma, eu poderia sobreviver sem lembranças, sem o passado ou futuro. Eu poderia sobreviver em seu presente e para encontrar uma semelhança de felicidade. Eu sou sua. Eu não sou louca. O Senhor Steel zombou, — Estou interrompendo alguma coisa? Kill saiu de tudo o que nos mantinha prisioneiros. — Você a quer. Não há nenhuma negociação. — Há sempre uma negociação. Você precisa do estoque. Eu preciso da menina. Mas, você precisa mais das ações. Então, eu vou te dar setenta e cinco por cento, e estou sendo generoso. Ações? Eu sabia que não estava sendo trocada por dinheiro, mas ações? Ações? E por quê? Kill cruzou os braços. — Não. Isso não é a porra de um assalto. Controle total ou nenhuma garota. Fechei os olhos, deixando que o rosa de minhas pálpebras concedeme um novo mundo quando o sol retornou em meu rosto. Eu não quero ver homens rabiscando em cima de mim como se eu não fosse uma coisa viva. Os homens continuaram a discutir, mas, eu os fiz desaparecer. Kill queria o que esse homem tinha. E muito. Eu era o seu poder de barganha. Meu coração afundou como uma arca do tesouro em um mar sem fundo. Não importa o que existe entre nós, esta será a última vez que vou vê-lo. A transação significaria que eu iria flutuar como uma princesa de sangue azul a bordo deste magnífico iate para enfrentar um futuro desconhecido de sadismo e escravidão. Enquanto o homem que eu queria me vendia sem nenhum indício de uma alma. — Não. Estoque total ou... — A voz de Kill desfia minha serenidade frágil. — Pare. Estou cansado de discutir. Tenho dúvidas antes de concordar com qualquer coisa. Não me apresse. — O Senhor Steel estalou os


dedos. Fez-se silêncio, enquanto um mordomo apareceu do nada, serviu um dedo de líquido âmbar em um cálice, e passou para ele. Ele desapareceu do quarto através de uma porta escondida como uma estante de livros. — Agora, as perguntas... — Os olhos do Senhor Steel brilharam quando ele tomou um gole de sua nova bebida. As narinas de Kill queimavam, puxando a energia do quarto apenas como se tivesse voltado para o complexo. — O que você quer saber? — Agarrando meu cotovelo, ele me empurrou para perto. Nós dois estremecemos quando um estalo de eletricidade vibrou entre nós. Eu odiava que ele me afetasse. Não era só ele que queria estar longe. Doeu muito, caramba. Respirando com dificuldade, Kill me sacudiu por nenhuma outra razão, mas, irritação por ainda me querer. — Me diga o que você quer saber. Que ela é única? Inteligente? Qualificada em ciência veterinária? Ou talvez você queira saber como ela é na cama? Que ela se contorce mais perfeitamente do que qualquer mulher que já conheci? Que ela tem gosto de um botão de ouro12? Que, apesar de tudo o que aconteceu com ela, ela ainda é a coisa mais forte, teimosa que se recusa a ser quebrada? Cada frase torcia o punhal no meu coração até o fluxo de sangue por dentro parar. Ele o usou. Meu apelido. Buttercup. Eu queria dar um tapa nele mais do que eu queria alguma coisa. Desgraçado! — Ela é de um tipo único, Sr. Steel e se você não vê isso, então você é um idiota. — Seu peito subia e descia e os olhos brilhavam vidrados. Se eu sou tão perfeita, por que você não me mantém então, seu estúpido idiota? Meu coração foi torcido em um nó doloroso. — Foda-se, Arthur —, eu sussurrei com veemência. — Foda-se. Foda-se. Foda-se! Kill deu um passo para trás, os olhos arregalados.

Buttercup - flores


Me virei para ele, pronto para atacar. Minhas unhas queriam arrancar o seu sangue. Eu queria machucar ele tanto quanto doía em mim. Mas, o braço do Senhor Steel está em volta da minha cintura, me arrastando para trás. Eu grito quando seus dedos frios de répteis beijam sobre meu osso do quadril cicatrizado. Eu tinha esquecido que tudo o que eu usava era um biquíni. Eu tinha esquecido tudo, mas, continuei querendo violentar Arthur Killian. — Você é mal-humorada. — Sua voz entrou na minha orelha e no meu cérebro. — Você é apaixonada e eu gosto disso. A paixão é boa e a força é ainda melhor. Eu tremi, me contorcendo em seu aperto. — Me solte. Em vez de obedecer, ele me girou em suas mãos, prendendo-me entre suas coxas abertas. Eu torci meu nariz por estar tão próximo a este monstro. — Me solte! Ele sorriu, enrugando a pele bronzeada em seus olhos. Seus dentes eram ligeiramente tortos, sua mandíbula forte demonstrava um homem habituado a fazer o seu próprio caminho. — Você não me diz o que fazer. Nunca. — Seu nariz deslizou contra o meu como num filme. — Me diga, menina. O que aconteceu com seu corpo? Kill desaparece no fundo quando eu luto contra a vontade de vomitar em todo o terno branco do Senhor Steel. As pontas de seus polegares traçam círculos em torno da carne com cicatrizes e com tatuagem. Quando eu não respondi, ele murmurou, — Você é como yin e yang. Metade impressionante, metade deformada. Me diga. Eu quero saber como você se tornou assim. Tranquei minha espinha, me revoltando contra o seu toque, mas, incapaz de me afastar. Kill se aproximou. Sua respiração ofegante em um volume tão aterrorizante quanto qualquer punição. Ele estava lá para se certificar de que eu não fugisse ou lutasse contra o impulso de me arrancar das mãos deste idiota? — Eu não tenho que lhe dizer nada. — eu assobiei. — Me. Solte.


Os olhos do Senhor Steel estreitaram. — Eu vejo que a disciplina será a ordem. — Sua voz baixou para um sussurro. — Isso é perfeitamente bom. Eu gosto de um pouco de punição para entenderem o meu ponto de vista. — Você nunca vai me tocar. Seus dedos me apertaram, provando que, na realidade, ele já estava tocando. Ele levantou uma sobrancelha, me desafiando a negá-lo. — Foda-se. — Parecia que eu gostava dessa frase atualmente. O Senhor Steel endurece, então... ele riu. — Eu amo o seu temperamento. Isso vai fazer as coisas extremamente interessantes. — Não é um temperamento, é apenas que você é repugnante. Pare de me tocar. Surpreendentemente, o Senhor Steel obedece. Sua voz era de seda bem alisada quando ele disse, — Eu fiz o que você pediu. Agora você me dá o que eu pedi. Diga-me o que aconteceu. Eu respirava com dificuldade. — Não. A história é particular. Mesmo eu não sei o conto completo. E a cada dia maldito eu mergulho na fossa que se tornou minhas memórias apenas para me afogar nelas. Na verdade, eu queria todas as minhas memórias apagadas. Cada encontro, beijo e recordação de borracha Libra, eu queria que tudo se fosse, assim eu nunca teria que ver a cara traidora de Kill novamente. O Senhor Steel sorriu friamente. — A privacidade é uma coisa do passado. Você precisa entender isso, caso contrário a sua nova vida será imensamente desconfortável. Kill dá um passo à frente, a sua presença queimando em minhas costas. Para onde quer que ele se mova, seu corpo chama o meu. Da minha carne para a dele. Magnetismo. Pior do que magnetismo, alinhamento magnético. No entanto, ele não sente isso. Ou escolhe a vida de miséria, ignorando isso. Desgraçado. Idiota. Fraco!


Será que ele não sente o que aconteceu quando ele me abraçou no carro? Eu não poderia descrevê-lo. A maneira como ele me segurou não tinha sido erótica ou sexual. Ele tinha sido deliberadamente quente e reconfortante. Eu estava em casa. Em seu corpo, seu coração, sua cabeça bagunçada foi uma casa para mim, e ele tinha acabado de me lançar à deriva, sem olhar para trás. — Você nunca saberá nada sobre mim. Privado ou não. —, eu rosnei, travando os olhos com o homem que tinha jogado fora toda a moralidade e justiça para me comprar. O rosto do Senhor Steel ficou vermelho. — Vocês... — Ela está com amnésia. Ela quebrou a esse respeito. Sua única falha, eu posso assegurar-lhe. — Kill saltou, com a voz tensa e vazia. O Senhor Steel levou um momento para absorver o veredicto do meu cérebro quebrado. Ele inclinou a cabeça. — Ela é normalmente assim, difícil? — Ele olhou com raiva na minha direção. Difícil? Eles não foram vendidos, porra! Tudo isso era culpa de Kill. Ele era o mais difícil por ser um idiota e incrivelmente teimoso. Minhas costas endureceram e eu joguei puro ódio para o homem que deveria estar me poupando desse pesadelo, não me empurrando de cabeça. — Eu te odeio, Arthur Killian. Eu te dei tudo. Eu fui sua antes e agora, mas, você me joga fora como se eu fosse lixo. O Senhor Steel olhou para nós dois, um sorriso estampado em seu rosto. — Merda. É como assistir a uma produção de teatro. Vocês não foram feitos para estragar a menina, Killian. Esse é o trabalho do novo mestre. Você não sabe as regras do tráfico? Kill ficou bloqueado no tapete, sem dizer uma palavra. Seu olhar se enroscou com o meu, escondendo tanto, mas, não escondendo o suficiente. Eu vi a borda fina de pânico, a incerteza, no segundo palpite de certo e errado.


O Senhor Steel continuou, — Regras. Use as mulheres. Pegue o que quiser com elas. Mas nunca lhes dê nada em troca. — Ele não deu. — Eu rosnei. Eu não podia evitar. — Não se preocupe com isso. Ele levou tudo e não deu nada. Eu diria que ele é um profissional em vender mulheres como escravas. A boca de Kill se separa, cortando a agonia em seu rosto. Bom. Eu tinha o ferido. O Senhor Steel riu alto. — Merda, eu estou gostando mais e mais a cada segundo. E em resposta à sua afirmação anterior sobre ela estar quebrada, Senhor Killian, eu não acredito que seja verdade. — Seu sorriso estica quando ele me olha de cima a baixo. — Eu não diria quebrada. Limitome a dizer nublada. Ela sabe que não há nada em seu passado que vai ajudar o seu futuro. — O sorriso tornou-se frígido. — Inteligente, realmente. Ele é repugnante. Ele era mau. Ele morrerá antes que ele me arruíne. Minhas perguntas de antes foram respondidas. O que ele queria esconder debaixo daquele reluzente verniz? Escuridão. Esbanjando uma sujeira da qual eu nunca seria livre. Ele iria ficar em mim como óleo negro, mesmo agora havia manchas em cima de mim. Mas eu estaria disposta a percorrer em seu petróleo e usar sua escuridão para abatê-lo. O Senhor Steel atacou, seus dedos prendendo meus quadris novamente. — Eu vejo o que você está pensando. Pode também esquecer esses pensamentos perigosos. — Ele me arrastou mais perto, a respiração quente no meu pescoço. — Eles só vão lhe trazer dor infinita, linda. — Linda, não chegue tarde hoje. Você sabe que seu pai está montando uma festa surpresa. Não tem como perder. Vai partir seu coração.


Eu salto no local, cheia de vida, cheia de esperança. Fui vê-lo. Eu fui celebrar meu início da adolescência. Meu coração ficou cheio, estourando com o pensamento de passar uma hora ininterrupta ao lado dele. Eu estava apaixonada. — Eu não vou, mãe. Art não vai me deixar chegar atrasada. A memória estalou e a tampa de Pandora se fechou, deixando-me desolada. Meu coração se encheu de chumbo. Verdade. Finalmente tinha sido mostrado o nome do menino de olhos verdes que eu amava. Art. Abreviação para Arthur. Era real, não da minha cabeça. Eu sabia! Lancei-me longe. O Senhor Steel gritou de surpresa quando eu tropecei para trás e em meus próprios pés. Travando os olhos com Kill, eu gritei: — Art. Eu costumava chamá-lo de Art. Você nunca deixou sua mãe cortar o seu cabelo além do seu colarinho. Você teve a sua primeira moto quando tinha doze anos. Art você tem que acreditar em mim. O rosto de Kill se desintegrou, nadando na água em seus olhos, mas ele ainda não acreditava. Ainda assim ele preferiu o luto à esperança. Eu gritei quando o Senhor Steel me pegou, me girou em seus braços, e me deu um tapa. Minha cabeça foi para o lado, quando estrelas estouram atrás de minhas pálpebras. Eu gemia em protesto quando a mão capturou meu peito, afastando o meu top do biquíni para revelar meu mamilo tatuado. — Foda-me. — Ele respirou. — Você tatuou seu mamilo, também. Você deve ter uma alta tolerância à dor. — Seus olhos brilharam quando um sorriso Cheshire se espalhou em seus lábios. Meu queixo trava quando repulsa me fez estremecer. Bati sua mão. Meu estômago revirou. — Eu acho que o fogo teria doido mais do que qualquer coisa que um homem com uma agulha jamais poderia fazer. Eu


sou imune à dor. E agora, graças ao bastardo atrás de mim, sou imune à dor emocional, também. Reunindo o cuspe na minha boca, eu o cuspi direto no queixo do Senhor Steel. Todo mundo congelou. Kill rosnou, — Foda-se! O Senhor Steel não se moveu e eu o empurrei. Eu não sabia se era de choque ou pura descrença de que uma escrava tinha cuspido e ofendido ele, mas, ele não se mexeu. Eu virei-me para Kill. Ele recuou com os olhos arregalados. — Pare com isso. Apenas pare com isso, porra! — Pare com isso? Você pare com isso! — Eu o empurrei, assim como eu fiz com o Sr. Steel. Meus dedos acenderam ao tocar seu peito, mas, eu me congratulo com o fogo, cuidando disso no fundo do meu coração. — Pare de ser tão fodidamente fraco, Art! Então eu estava caindo, espalhada sobre o tapete de pelúcia com um homem em cima. O mordomo voou do nada, puxando os meus braços para as costas, amarrando-os com barbante. Um flashback angustiante de estar amarrada no início desta confusão me fez estalar. — Não me toque! — Eu rebolava e me contorcia, ganhando queimaduras do tapete por meus esforços. Mas, era inútil. — Saia dela! — Kill gritou. O peso do mordomo desapareceu e Killian me puxou para os meus pés. Ele respirou mais difícil do que eu, com o rosto branco e apertado. Olhando para o Senhor Steel, que tinha subido a seus pés e agora estava lívido de raiva, ele sussurrou, — Nós temos uma porra de um negócio ou não? — O quê? —, eu gritei. Então... eu ri. Era a única saída que me restava. Loucura pura. — Você é louco. — Eu ri mais alto. — Você é comprovadamente maluco. Deus, o que diabos eu estava fazendo pensando que eu poderia convencê-lo.


Kill não disse nada, ele simplesmente me levantou e me olhou com um desespero de quebrar ossos em seus olhos. Eu odiava esse desespero. Eu odiava que mesmo agora eu queria consertá-lo, salvá-lo. Mesmo depois de tudo o que ele tinha feito e deixado acontecer. A voz do Senhor Steel cortou através das minhas risadas enlouquecidas. — Você tem sorte que eu goste de mulheres fortes, caso contrário, você já teria uma bala na porra do seu cérebro e esta reunião estaria terminada. Eu não poderia parar o humor silencioso balançando a moldura. Eu não sei por que eu não podia parar. Pânico? Terror? Não importa, porque isso me fez sentir poderosa e imprevisível e acima desses homens que me conduziam à loucura. O fio em torno de meus pulsos não estava amarrado corretamente e eu encolhi os ombros fora, jogando as amarras para o Sr. Steel. — Aqui está o que eu penso de você e seu barco. Não é forte o suficiente para me segurar. — Eu ri de novo, com lágrimas nos meus olhos. Não caia. Por favor, não caia. Mesmo que fosse de alegria, eu não queria chorar. Se elas escorressem pelo meu rosto seria o fim, para mim. Elas iriam me impulsionar para a tristeza profunda que eu já tinha conhecido. Eu estava tão perto de quebrar completamente. Uma lasca frágil de perder minha mente para sempre. O Senhor Steel sorriu. — Você é diferente, eu vou te dar isso. — Avançando para frente, ele sussurrou, — Na verdade, você me tem tão intrigado que estou disposto a fazer um acordo. Ouça a minha próxima solicitação e eu vou te tratar como uma rainha, em vez de uma prostituta. Tudo o que eu tirar de você, eu vou dar de volta dez vezes. — Seus dedos beijam meu rosto enviando pingentes de gelo no meu coração. — Eu vou te adorar completamente enquanto eu a destruo. O fogo que tinha brutalizado minha pele agora vivia dentro de mim. Vingança. Eu nunca soube o que senti antes, mas, agora eu sei. Eu queria me vingar de Arthur 'Kill' Killian. Eu queria empurrar o que ele tinha feito eu me tornar na cara dele para que ele nunca me esquecesse.


Arqueando meu queixo, eu fervia, — Bem. É mais do que ele jamais me deu. A ingestão aguda da respiração e o tilintar suave de um coração sendo partido veio de trás. Eu não me virei. Eu tinha terminado com ele. — Tire linda menina. Mostre-me tudo o que é, e que vou fazer meu. — O Senhor Steel recuou, seu toque ainda congelando minha bochecha como uma marca permanente. A tensão surgiu na cabine. Calor e intensidade vieram voando de trás de mim a partir de Kill. Meus olhos se estreitaram quando o cheiro de luxúria saltou para o ar. Os músculos travaram. Se eu fizesse isso, eu estaria disposta a entregar-me ao diabo. Se eu fizesse isso, eu iria virar as costas para Sarah, e Buttercup, em cada única coisa que eu tinha lutado tanto para me lembrar. Eu diria adeus de uma vez por todas ao menino que uma vez eu tinha amado em meus pesadelos. Eu nunca vou acordar deste. Cruzando minhas mãos, eu olhei por cima do meu ombro para Kill. Ele parecia arruinado, destruído, a sombra do senhor motociclista que tinha me beijado tão selvagemente. Meu coração doeu ao vê-lo em pedaços. Em seguida, foi fortificado em saber que ganhou. Rangendo os dentes, eu deslizei minhas mãos debaixo dos meus cachos vermelhos e puxei as cordas do biquíni. Os triângulos de ouro saltam para longe, balançando pelo meu estômago quando cheguei às minhas costas e não segurei o resto. Kill prendeu a respiração irregular. — Sarah... Eu fiquei tensa, nunca olhando para ele. — Meu nome não é mais Sarah. Seus lábios ficaram brancos e o olhar de pesar absoluto em seus olhos quase me desfez. Quase.


O Senhor Steel sorriu selvagem. — Boa menina. E o resto. Minhas mãos caíram para as costas, caindo sobre os laços em meus quadris. Os raios de sol me encharcando de calor, derramado pela janela circular. Não! O que você está fazendo? Esta não era eu. Este ódio vingativo não era verdade, mal escondendo a agonia e traição que eu sentia por baixo. Mas eu tinha ido longe demais. Eu... — Sarah... pare. — A mendicância flagrante no tom de Kill puxou meus olhos para os dele. A dor em seu olhar empurrou o centímetro final do punhal no meu coração, me matando para a eternidade. Ele nunca olhou para o meu peito nu, derramando a confusão dele na sua alma. A tensão aumenta. Corações rachados. Lábios entreabertos. Esperei que ele lutasse por mim. Esperei que ele pedisse desculpas e admitisse tudo. Mas a fraqueza dentro dele baixou os seus olhos, o desespero sufocando-o completamente. Art. — Faça isso. — O Senhor Steel ordenou, quebrando o nosso transe frágil. Meus dedos enrolaram em torno dos laços do biquíni. Meus dedos puxaram. Meus dedos tremiam. Mas eu não tive a coragem de separá-los. Os olhos de Kill se viraram, com a boca torcida com tristeza. Escuridão de ambos os lados tentaram me devorar, mas, a luz foi


transmitida em cima de mim como uma cachoeira espumante. Raios de ouro manchando meu corpo enquanto meus dedos puxaram... mais e mais... tão perto de soltar os arcos finais que escondiam a minha decência. Então algo aconteceu. Algo que eu não entendia. Os olhos de Kill caíram dos meus, lambendo meu corpo com tudo o que sentia e não podia dizer. Meus mamilos como pedras, meu núcleo se tornou molhado com a luxúria sem vergonha no rosto. Mas havia algo mais. Algo muito mais. Seus olhos se trancaram no meu osso do quadril, dirigido por ser o centro das atenções do sol. Um olhar de horror absoluto cruzou suas feições. Um grito saiu de seus lábios. Seu corpo desmoronou sobre si mesmo como um edifício devastado por um terremoto, tropeçando sobre um joelho. Sua alma fraturada, brilhando aos pedaços no seu rosto. Então a alegria. Alegria pura e ofuscante se constrói. Em um instante, ele se empurrou de pé e agarrou-me em seus braços. Eu não conseguia falar, respirar ou perguntar o que diabos tinha acontecido. Seu corpo tremeu e sacudiu quando ele me esmagou me dando tudo o que ele tinha mantido trancado em um simples abraço. Arrepios e tremores explodem sobre a minha pele. Seu toque era tudo que eu desejava, um porto nesse mar de loucura. O que isso significa? Incerteza borbulha no meu peito, agitando-se com as lágrimas. Então ele me afastou, suas grandes mãos tocando sobre o meu quadril e me dobrando ainda mais para luz do sol.


Suas emoções não ditas foram acordadas e faziam redemoinhos em torno de nós enquanto eu lutava em sua posse. — O que... o que você está fazendo? O Senhor Steel deixou de existir. O iate já não era a nossa localização. Kill tinha me roubado em seu próprio mundo, com um aperto possessivo. Sua respiração era irregular. Ignorando-me, ele se fixou no meu quadril. A cabeça inclinada sobre o meu corpo, seu cabelo comprido varrendo a frente e fazendo cócegas em meu decote nu quando seus lábios se moviam silenciosamente. Então meu mundo acabou quando seus olhos verdes encontraram os meus, só que desta vez não havia confusão. Nenhum desespero. Sem raiva. Apenas crença. As chamas de crença que o humilhava e me aterrorizava. Seus lábios se separaram, sugando uma respiração pesada e esfarrapada. Ele não olhou para mim como um motociclista brutal, mas, como um amante que tinha encontrado sua preciosidade, para sempre. A adoração espantada brilhando em seus olhos trouxe lágrimas derramadas sobre minhas bochechas. Ele acredita. Ele sabe. Seus lábios caíram nos meus e sua língua disparou em minha boca. Com seu gosto escuro veio a liberdade, em um movimento, ele arrancou a adaga do meu coração e magicamente transformou o ódio em amor eterno. Respirando contra meus lábios, ele lamentou: — Eu sinto muito. Estou incrivelmente arrependido.


— Que diabos está acontecendo? — O som de uma arma clicado quando o Senhor Steel dispersa a nossa união, nos arrastando de volta ao horror. Meus seios nus de repente se sentiram muito vulneráveis. Meu peito aberto e revelando meu coração batendo rapidamente. Kill me prende às costas, me protegendo com seu grande corpo. — Vou lhe dizer o que diabos está acontecendo. Negócio acabado. Meus olhos se fecharam quando um soluço escapou do meu controle. É verdade. Ele entende. O que o fez perceber? O que finalmente tinha mostrado que eu estava dizendo a verdade? O Senhor Steel rondava sobre o tapete verde azulado, brandindo a arma. — Desculpe-me? — Sua voz escurecida como granito preto. — Eu vou dizer se está acabado o negócio. — Seu dedo apertou o gatilho. — Protegido por Wallstreet ou não, eu não hesitarei em matá-lo. Se afaste. Kill estava à sua altura máxima, reunindo energia furiosa. — Acabou. Ela não está à venda. Meu corpo queria fugir para o alívio. Mas, as perguntas. Tantas perguntas. Como isso aconteceu? Como eu iria perdoá-lo por não acreditar em mim até agora? O Senhor Steel balançou a cabeça, os lábios torcendo em um sorriso frio. — Isso não é para você decidir, não é, seu pequeno filho da puta? Wallstreet é responsável aqui. Ele me assegurou que eu não teria problemas para lidar com você. — Ele passou a mão pelo cabelo loiro grisalho. — Dê ela para mim e eu vou esquecer o que aconteceu. — Nunca. — Kill rosnou. — Ela é minha e ela vai sair comigo. Como eu disse. Negócio acabado. Andando para trás, me guiando para a saída e liberdade, Kill tateia na parte baixa das costas. Puxando livre sua própria arma, ele murmurou, — Deixa para lá, Steel. Acabou.


O rosto de Senhor Steel estava como beterraba vermelha. — Bem! Controle total do estoque. Feliz? — Ele deixou cair sua arma em um ato de afinidade. — Controle completo, agora entregue a menina. Meu coração pulou na minha garganta. Medo pula na minha espinha. O que era tudo isso? Uma tática de negociação para obter o controle total? Você não acredita nisso. Não. Não depois de ver as algemas e barricadas que caíram da alma de Kill. Ele tinha sido mais honesto comigo em um segundo do que em toda a semana que eu tinha sido sua prisioneira. Kill se move, mais e mais rápido, até a saída. Seu grande corpo me bloqueou de potenciais balas, mas não da dor, se ele fosse morto. O Senhor Steel rosnou, — Que porra você está fazendo? Você sabe quem eu sou. Não seja tão estúpido. Controle total, você ganhou! Despeje a garota e eu não vou te matar. — Não quero seu estoque fodido mais. Eu te disse. Ela não está à venda. — O corpo de Kill treme com a agressão, sua mão permanece acima, apontando com sua arma. — Nós estamos indo. Não há nada que você possa fazer sobre isso. Meus olhos pulam entre os dois. Eu não vi quem se moveu primeiro, mas Kill foi o mais rápido. O boom de uma arma explode ecoando em meus ouvidos quando Kill me empurrou para o chão. Em seguida, ele se foi, quebrando o Senhor Steel e lutando com ele no chão. Subi para as minhas mãos e joelhos molhados quando o punho de Kill se conectou com o nariz do Senhor Steel. O sangue jorrou em todo o seu terno de linho. Senhor Steel oscila diante da cabeça de Kill, apenas para perder mais terreno, e foi submetido a uma rajada dura de punhos em sua caixa torácica. Assim que Kill entregou a punição, ele se levantou e o chutou ao lado.


Uma memória horrível dele chutando em mim assim entrou e saiu, enredando com a minha alegria de sua lembrança. Como eu iria conciliar sua teimosia e a dor que ele tinha causado com a felicidade que eu senti por ele finalmente ter me ouvido? Ele tinha me tratado terrivelmente. Será que eu tenho perdão suficiente dentro de mim para esquecer? Dois comissários espingarda. — Pare!

de

bordo

apareceram,

um

segurando

uma

Killian recuou com os punhos cobertos de sangue do Sr. Steel. — Vamos sair, e nós não causaremos mais danos. O Senhor Steel tossiu, sentando-se cautelosamente. — Você acha que isso é assim? Que você pode vir para o meu barco, renegar um acordo de negócios, e, em seguida, me bater porra? — Não. Eu percebo o que eu fiz. Mas, eu já desisti dela uma vez. Eu não vou fazer isso de novo. — Os olhos de Kill pousam nos meus, atirando fogo no meu coração. — Isso não acabou, Killian, — O Senhor Steel assobiou. Kill assentiu. — Eu sei. Uma interminável segunda marca do passado. O Senhor Steel ficou no chão, seu temperamento uivando em torno de nós. De repente, ele solta. — Wallstreet me deve uma porra enorme por isso. — Olhando para os seus mordomos, ele ordenou: — Não atire. Deixe-os saírem. Eu vou lidar com ele mais tarde. Kill assentiu em reconhecimento de qualquer coisa que eles tinham acabado de concordar caminhando em minha direção. Sem esforço, ele me levantou em seus braços e, com uma mudança rápida, me jogou por cima do ombro. — Ei! — Eu agarrei sua jaqueta, o sangue correndo imediatamente para a minha cabeça. — Você pode gritar comigo o quanto quiser quando sair daqui. Por agora, cale-se —, ele estalou, batendo na minha bunda e apontando a pistola para o Senhor Steel novamente. — Não se mova. O Senhor Steel assentiu, os olhos apertados. — Oh, eu vou fazer a minha jogada. Quando você menos esperar. — Falando com os mordomos,


ele rosnou. — Escolte o Senhor Killian e sua puta do meu iate. Imediatamente. Kill andou para trás, não deixando cair o braço ou o dedo relaxando no gatilho. O Senhor Steel subiu dolorosamente a seus pés, cuspindo um bolo de sangue sobre o tapete. Estiquei o pescoço, vislumbrando sua raiva, enquanto estava pendurada de cabeça para baixo. Kill tinha acabado de fazer um inimigo poderoso, tudo por minha causa. Tudo porque o cara do isqueiro me sequestrou quando não era suposto. Eu precisava saber o que diabos estava acontecendo. Kill nunca parou, avançando para trás. Seus músculos tensos e agrupados, sua jaqueta de couro confortável e quente debaixo de mim. — Eu vou fazer isso direito. Não há nenhuma razão para ter sangue ruim entre nós. O Senhor Steel riu. — Saia do meu barco, porra. Vou te mostrar quanto sangue ruim que isso pode causar. Kill se encolheu. O que isso significa para ele? Como seria o misterioso Wallstreet recebendo a notícia de que Kill não pôde me vender? Não é meu problema. Eu tinha muitos deles para pensar mais. Kill continuou a andar para trás, a formação de sua arma sobre os mordomos se encaixaram no passo a passo. Ele tropeçou um pouco quando a borda do sapato pegou a borda da porta interna. Agarrei a moldura da porta, firmando nós dois. Sem uma palavra, ele continuou se movendo, recuando do sol e passando o SPA e bar no convés dourado do Seahorse Symphony. Cada passada levou-nos mais perto da parte de trás do iate e a lancha aguardando. — O motorista trabalha para o Sr. Steel —, eu disse, beliscando a bunda coberta de jeans preto de Kill.


— Eu sei. Mas, ele não vai se recusar a nos levar de volta. Agora não. Ele vai dizer que vai me ensinar uma lição, e isso só será possível se Wallstreet aprovar. — E vai? Kill deu de ombros, me acotovelando por cima do ombro. — Possivelmente. Depende do quão chateado ele está. — Torcendo seu torso, ele gentilmente me colocou na posição vertical. Seus olhos esmeralda estavam incandescentes com os sentimentos. As pontas dos seus dedos beijam meu rosto, me cutucando delicadamente na direção da liberdade. — Entre no barco. Minha boca secou, a língua se torce com tudo o que eu precisava dizer. — Só porque você me salvou no final, não significa que eu te perdoo. Nós precisamos conversar. Ele fez uma careta. — Não aqui e definitivamente não agora. — Girando, ele se concentrou sobre os mordomos que esperava que nós saíssemos. — Saia da porra do barco. Agora. Eu não hesito novamente. Sem olhar para trás, desci a escada na parte de trás do barco e para a plataforma de pouso, onde as ondas superpostas encharcaram minhas sandálias de dedo. O sol beijou minha pele, trazendo a minha atenção para a minha meia nudez. Meu Deus. Eu tinha esquecido completamente. Então, consumida com o impasse do traficante e do comprador e insensível a qualquer coisa, apenas a confusão brilhando em meu coração. Batendo um braço sobre meu peito, eu desajeitadamente subo para o barco. O capitão me deu um sorriso, depois desviou o olhar no momento em que Kill saltou para dentro da lancha. O Senhor Steel apareceu no topo do iate, olhando para nós com maldade em seu olhar. — Isso não acabou, Killian. — Eu nunca esperei que estivesse. — Kill respondeu. Com um leve aceno do Senhor Steel, o capitão ligou o motor e nós seguimos com o vento. Saudei o barulho do ar à medida que fugíamos, deixando a loucura para trás.


Estreitando os olhos, dou uma última olhada no Senhor Steel e a vida que eu quase perdi. Então olhei para Arthur Killian, e as perguntas começaram a se construir. Onda após onda delas subiram lentamente dentro da minha mente, represando-se em uma agitação graças à massa da grande parede protegendo as minhas memórias. Uma coisa era certa. Isso tinha que acabar. Esta noite. Hoje à noite eu gostaria de saber quem eu realmente era. E Arthur iria me ajudar a lembrar.

Capítulo Dezesseis Porra. Era real. Ela era real. Ela estava viva. E eu fiz… O que foi que eu fiz? — Kill


Tensão. Eu a senti. Eu tinha a testemunhado. Mas, eu nunca tinha sido sufocada por ela. O passeio de barco de quinze minutos foi uma tortura. Meu coração se esforçou para vencer sob as ondas espessas de raiva vindas de Kill. Raiva? Eu não conseguia entender. Por que a raiva? Ele não disse uma palavra. Nem sequer olhou em minha direção. Mas, eu senti cada pensamento, cada especulação me chicotear. Tudo tinha mudado. Tudo era diferente. Me sentei ao lado dele, meu cabelo vermelho fluindo no vento, agarrando meu peito nu. Eu gostaria de ter o vestido bronze para vestir, não há nada para esconder o que eu não quero que os outros vejam, mas, o vestido e a parte superior do biquíni estavam espalhados no chão do iate do Senhor Steel. Tudo que eu tinha eram os pedaços de um biquíni precariamente amarrado. O pouco vento na minha pele rasgava mais e mais rápido sobre a água azul-turquesa. O sol batia igualmente nas minhas cicatrizes e tatuagens. Kill parecia ter desaparecido, se voltando para dentro de seus pensamentos. Seu cabelo escuro enrolado em torno de sua testa, obscurecendo seus olhos. Ele lembrou. Ele acreditou. Mas, por quê?


Meu olhar caiu para o meu quadril no mesmo lugar onde Kill de repente deixou de lado a sua convicção feroz das minhas mentiras e deixou a verdade despertá-lo. Procurei o segredo que lhe irritava tanto. Não havia nada. Eu não vi nada. Não importava quanto tempo eu olhava, eu não podia ver o que ele viu. Tracei uma equação estranha escondida debaixo das mechas de fumaça e da flor miosótis, mas, isso não significa nada para mim, essa parte da minha mente ainda não tinha desbloqueado. A raiva, confusão e dúvidas foram rapidamente se tornando uma panela de pressão no interior. Eu sabia que ia explodir se as coisas não começassem a fazer sentido em breve. No momento em que a lancha ancorou, Arthur tirou a jaqueta de couro e jogou por cima dos meus ombros. O material denso pesava uma tonelada. Meus olhos queimaram quando ele roubou minhas mãos, empurrando-as através das mangas como se eu fosse uma criança. Por que ele me deu sua jaqueta agora, por que não no início do passeio de barco? Ele estava tão longe dentro de si mesmo com coisas básicas que eram desgastantes? Eu queria perguntar a ele, mas, de repente não tinha forças. Nenhum de nós disse adeus ao capitão, e Kill pegou minha mão uma vez que estávamos em terra firme, me levando rapidamente e firmemente através do porto ocupado de volta para o SUV estacionado. Abrindo a porta, ele não disse uma palavra enquanto ele esperou até que eu tinha subido, em seguida, saltou para o assento do motorista. Este era o olho do furacão. O armistício insustentável que nos separa do minuto em que confrontamos tudo o que nós não estávamos dizendo. Eu só esperava que ambos pudéssemos ser fortes o suficiente para sobreviver à perda das raízes do nosso passado, presente e futuro.


Virando a chave, Kill acelerou e se atirou ao trĂĄfego. Ele dirigia como um diabo. Ele dirigia como se ele estivesse com medo de alguĂŠm me ver. Ele dirigia como se ele quisesse reentrar no passado.


Capítulo Dezessete Tudo em que eu acreditava tinha sido uma mentira. Não só as pessoas que eu amava roubaram minha vida, mas, a minha capacidade de encontrar bondade nos outros, incluindo eu mesmo. Ela estava bem na minha frente todo esse tempo. Na minha cama. Nos meus braços. No entanto, o meu ódio cego e a absoluta convicção de nunca ser ferido ou enganado novamente quase me custou a única garota que eu amei na vida. O que isso me faz? E como eu poderia merecê-la, porra, depois do que eu tinha feito? — Kill

Estranheza. Estranhos. Acontecimentos estranhos. A última semana da minha vida tinha acabado de ser estranha. Não há explicações para o comportamento ou sugestões para o que estava escondido. No momento em que chegamos de volta à casa de Kill, ele soltou um grito para a garagem, fugiu do SUV, e desapareceu na casa. A única frase que caiu de seus lábios, ilegível e sem sentido. — Me dê... eu preciso... eu vou... Me dê um tempo.


Sem outra palavra, ele tinha me abandonado. As portas estavam trancadas, o sistema de segurança ativado. Ele não se importava em me deixar sozinha, de pé e vestindo o seu casaco na garagem. Ele apenas fugiu, batendo uma porta no fundo da casa. Me dê um tempo. Onde ele tinha ido? Ele ia correr. Eu sentei lá por um tempo, esperando. Eu tinha sido paciente, dando-lhe tempo para colocar seus pensamentos em ordem. Afinal, isto não era fácil. A garota que ele amava, a garota que ele pensou que tinha assassinado, a garota pela qual ele tinha ido para a prisão, estava de volta. Viva. Com amnésia, sem memória de como ou onde ela estava, mas, de volta e saudável e totalmente pronta para falar. Isso era o suficiente para acabar com qualquer um. Mas, o amor deve ser mais forte do que a incerteza que aquilo significava, não deveria? Esperei por mais de uma hora, mas, ele nunca mais voltou. Então entrei em sua casa cheia de discrição e cautela, procurando o homem mais estranho que eu já tinha conhecido. Por uma hora eu procurei, mas, não encontro nada. Ele tinha ido. A dor que isso me causou era equivalente a ser inútil e vendida. O que ele tinha visto que o fez me salvar depois desaparecer como se eu fosse uma doença infecciosa que precisava de quarentena? Por que ele me beijou e derramou cada centímetro de seu coração no meu e depois fugiu? Não fazia sentido. Isso não precisa fazer sentido quando alguém está quebrado. Com o coração pesado, eu atendo a minhas outras necessidades.


Preparo um jantar de pene com salmão, cortesia das refeições gourmet que Kill tinha encomendado, eu como sozinha, olhando para o espaço. Meus ouvidos se contraem para o mais suave dos sons, esperando que ele se juntasse a mim. Mas, ele tinha bem e verdadeiramente desaparecido. Depois disso, eu mergulhei no seu escritório, onde eu estive sentada em sua cadeira olhando para a equação da obra de arte, implorando minha mente para ser gentil e me mostrar o que de Kill tinha visto. Ele tinha tudo a ver com a matemática. Tudo a ver com lições de casa e toques roubados. Mas, meu cérebro ignora minhas instruções, recusando flashbacks e trechos de meu mundo anterior. Não foi até a fadiga me arrastar para a cama que eu estava sentada na beira do colchão, o mesmo colchão onde Kill tinha me levado pela terceiro vez que minha apatia se transformou em raiva. Eu enrolo minhas mãos. Não. Eu não iria deixá-lo jogar comigo assim. Eu não iria deixá-lo embaralhar meu cérebro mais. Eu estava cheia de ficar sendo mantida no escuro. Depois da maneira como ele me tratou. A maneira como ele ia me vender? Ele não merecia fugir. Ele tinha a obrigação de me encarar. Ele teve o trabalho de me ouvir enquanto eu o amaldiçoei e a sua mente foi quebrada enquanto eu gritei tudo o que eu tinha mantido engarrafado. É hora da verdade. Hora para crescer algumas bolas nele e ele falar comigo em vez de correr. Hora para eu descobrir a confusão dentro da minha mente. Envolvendo minha coragem e força esfarrapada em torno de mim, eu estava de pé e caminhei para o espelho de corpo inteiro em seu closet. Encolhendo os ombros de sua jaqueta, eu a deixo com um baque suavemente contra o tapete. Instantaneamente, eu perdi o cheiro dele, o almíscar suave dos ventos rebeldes e sal.


Com os meus lábios apertados e os olhos verdes ferozes no reflexo, eu desfiz os laços no meu quadril e deixo o restante do biquíni dourado cair para o chão. Nua. Meu coração pulou uma batida quando eu inspeciono cada centímetro da minha carne. A partir do topo da minha cabeça, até as pontas dos meus dedos, eu me forço a reconhecer a estranha no espelho. Começando com as minhas cicatrizes, eu segui a pele enrugada, fazendo cócegas na suavidade sensível, ansiando pela falta de sensibilidade em certas áreas. Minha pele não formigava ou reagia com as terminações nervosas queimadas além da obra. O vazio era estranho, e eu vibro meus dedos mais rápidos, querendo ignorar a desfiguração e tocar a minha tatuagem. Ele não se concentrou em minhas cicatrizes. Me inclinando para o espelho, eu arqueei minhas costas para o meu osso do quadril coberto refletindo um lugar ao centro. Inclinei-me para frente, apertando os olhos para os símbolos negros em uma forma do diamante. — Não gosto disso. Deus, o que está em seu cérebro? Eu ri. — Poemas estão lá. Palavras, palavras e palavras. — Com palavras não vai chegar à riqueza. Sua voz era firme, mas atada com um sorriso. Eu queria olhar para cima e ver o garoto que eu amava, mas minha atenção permaneceu bloqueada no papel milimetricamente coberto da minha lição de casa. — As palavras são valiosas. Elas são a riqueza de uma alma. O rapaz sacudiu meu lado. Ele descruzou as pernas, desconfortável. — Isso é poderoso pensado por alguém de treze anos de idade. Dei de ombros. Tinham-me dito isso muitas vezes. — A idade não significa nada quando você apenas sabe. Eu olhei em seus brilhantes olhos verdes. Os olhos do meu pesadelo de amor e ladrão de sonhos.


Olhei para cima, eu me apaixonei, e sabia sem dúvidas que ele era meu. Engoli em seco quando a tensão sexual surgiu entre nós. — A idade não significa nada quando duas pessoas querem um ao outro. Art olhou para baixo, mexendo com a borracha de Libra. — Buttercup... não. — Não o quê? Admitir que eu queira você ou lembrá-lo que você me quer também. Seus olhos ficam torturados quando ele olhou para cima. — Claro, eu quero você. Pra caramba. Mas, eu não vou chegar perto de você até que você esteja, pelo menos, com quinze anos. Isso seria a anos de distância. Eu entraria em combustão antes disso. — Eu vou fazer você quebrar essa promessa —, murmurei, já nadando com ideias sobre como seduzi-lo. Ele riu, balançando a cabeça. — Eu sei que você tem o poder de me fazer quebrá-la, mas, se você se importa comigo em tudo, você vai me deixar esperar. — Isso foi dissimulado. Ele riu. —É a única arma que eu tenho contra você. — Me puxando perto, ele passou os braços em volta de mim e sussurrou: — Como quiser, Buttercup. Minha barriga se agita. Como quiser. O bordão épico de “A Princesa Prometida13”. O fazendeiro diria para Buttercup a mensagem secreta. Como quiser. Eu te amo. Eu tropecei quando o flashback terminou tão rapidamente como começou.

The Princess Bride é um filme estadunidense, baseado no romance de 1973 de William Goldman, combinando aventura, comédia, romance e fantasia.


Ele me amou tanto. Tão profundamente. Apesar da minha frustração e dor por seu tratamento recentemente, eu não podia odiá-lo. Afinal, eu fui a pessoa que o deixou. Eu vivia uma vida nova sem me lembrar dele, enquanto ele sofreu acreditando que ele me matou. Não só ele tem que consolidar um coração partido, mas, ele também teve que entrar em acordo com um assassinato. Maldição, nós precisamos conversar. Voltando a atenção para a equação na minha pele, meus olhos ficam tensos enquanto eu tentava desbloquear o que poderia significar. Parecia uma pirâmide de algoritmos, escondendo o mapa do tesouro que eu precisava. — Vamos. Lembre-se! — Eu sussurro para o espelho. O resto da minha tatuagem veio à vida, mostrando desenhos ocultos que não oferecem qualquer ajuda. Um pequeno unicórnio. Uma fada escondida por pétalas. O sinal da estrela para sagitário, e as palavras de filigrana envolvida em torno de cores intrincadas. Eles eram bonitos, mas, sem sentido. Eu me hipnotizava enquanto eu olhava mais duro, forçando o passado e a dor de cabeça que forma lentamente, martelando na parede em minha mente. Mas, nada funcionou. O tempo foi perdendo todo o significado quando eu mergulhei mais fundo na tatuagem. Esqueci-me sobre Kill, o comprador e a corrida louca da volta. Esqueci-me de encontrá-lo e gritar com ele para me dizer o que eu precisava saber. Fiquei sozinha no closet com apenas meu reflexo como companhia. Kill nunca veio me encontrar e nenhum outro flashback veio em meu auxílio. Eu desisti. A noite já tinha virado um novo amanhecer, e eu me recusei a viver mais um dia sem saber. Meu desbloqueio repousava com Kill. Era hora de encontrá-lo. Agarrando sua jaqueta de couro, eu escorreguei para o seu calor reconfortante e fui em busca dele. Minha nudez debaixo do colete flexível


brincou com meus mamilos. Respirei fundo, encharcando meus pulmões com seu cheiro, invocando a necessidade retorcendo-me que jamais acaba. Minha mente queria confrontá-lo para obter respostas. Meu corpo queria confrontá-lo para uma liberação. Ontem acabou, o futuro era tão escuro como a casa envolta pela noite, mas, aqui e agora, estava cheio de possibilidades e eu queria aproveitar. A casa estava silenciosa quando eu caminhei descalça sobre o tapete gostoso e mármore frio. Não houve ruídos, sem rangidos ou indícios de vida. Espreitando em seu escritório vazio, com os seus quatro monitores de computador que nunca desligava do programa analítico, eu segui a trilha habitual da sala de estar, salão e cozinha. Vazio. Vazio. Vazio. Me mudei para as enormes portas de correr que dão de volta para o jardim, colocando meus olhos olhando para fora, para o jardim e além. A lua lançava um brilho prata, transformando tridimensional em bidimensional, brilhando com o mistério. Vazio. O sistema de alarme vermelho pisca, avisando que estava ativado. Ele não saiu da casa. Eu fiquei à deriva, seguindo o desenho da habitação, indo facilmente de uma sala para a próxima, arte abstrata de motos em preto e branco apareceu nas paredes do corredor. Diplomas de excelência em matemática e doações filantrópicas brilharam presunçosamente enquanto eu atravessava o vestíbulo e entrei em uma ala da casa que eu explorei um dia antes dele me levar para o complexo. Recortes de jornais foram explodindo e limitados em grandes quadros brilhantes que mostram avaliações do mercado de ações, gráficos e castiçais gráficos.


A casa de Kill era estéril e remota, ainda permitindo um pequeno vislumbre de quem ele era abaixo da violência, maldições e raiva. Havia algo incrivelmente inteligente e... indefeso. Chegando a uma grande porta no final da propriedade, eu empurro-a e entro em um mundo abafado, encharcado de umidade. Ecos lacrimejantes ricochetearam no teto de vidro acima, mostrando nada além do céu de veludo à noite e condensação brilhante. Minha pele se arrepiou com o calor húmido e um som veio ao virar a esquina. Eu não estive aqui antes. A porta estava trancada. Eu avanço para frente, passando por um vestiário e uma porta para uma sauna. Paro. Kill estava dando voltas em uma grande piscina retangular. Seu poderoso corpo cortando através da água, corte duro e rápido com braçadas. Seus olhos estavam fechados, cabelo penteado para trás, e a enorme tatuagem em suas costas ondulava sob a água. Eu não podia me mover. Ele parecia tão elegante e predador na água, muito poderoso. Água espirrou para os lados quando ele abaixou, empurrando-se para dentro da parede decorada de vermelho. Os mosaicos de azulejos dando a impressão de que a água era vermelha, como se Kill nadasse no sangue. Seus braços nunca pararam seu ataque mortal, empurrando o líquido, afastando-o como se quisesse matar cada gota. Ele empurrou-se até o ponto de exaustão. Só Deus sabia a quanto tempo ele estava ali. Ele se moveu para o fim da piscina, eu saio das sombras e deliberadamente me coloco aonde ele iria me ver. Uma braçada. Duas braçadas. De repente, ele parou, levantando-se em uma lavagem de cloro. Seu peito subia e descia, sua ferida costurada parecia melhor, mas, ainda um pouco inchada. Seus olhos me prenderam no local, estreitando-se em uma mistura de incredulidade e negação.


Meus joelhos travam enquanto sua respiração pesada me inebria, lembrando-me de outras atividades onde causava respiração ofegante. O ar úmido se agarrou em minha pele, me encharcando na transpiração e necessidade. Água escorria pelo seu rosto, derramando em seus lábios quando ele disse calmamente: — O que você está fazendo aqui? — Sua voz lambeu através do espaço, enviando ondas de choque deliciosas através do meu núcleo. Assim como na noite quando eu tinha sido acordada e sequestrada, sua voz retumbante dividia meu mundo e quebrou tudo o que eu soube. Eu estava em sintonia com ele, o cálice perfeito para o poder que ele evoca. Engoli em seco, tentando obter um controle sobre os meus pensamentos. — Você não deveria estar nadando com essa lesão. Seus olhos brilharam, arrancando de volta o que ele estava pensando enquanto dirigia através da água. — Os pontos precisam sair. Eu balancei a cabeça. — Eu vou removê-los para você, mas, eles provavelmente devem ficar mais alguns dias. Ele não disse nada, apenas inclinou a cabeça. Seu olhar me enervou, o que quer que tenha visto na volta no iate lhe dera respostas e... esperança. Afastando o olhar do meu, ele nadou através da água na altura do peito, movendo-se em direção ao lado da piscina. Em um movimento suave, sem esforço, lançou-se da água para o azulejo. A forma como seus músculos foram agrupados e torcidos enquanto ele permanecia agachado até sua altura total me deu água na boca. Suas costas me encaram, revelando o impacto total da tatuagem cortando o tecido da cicatriz abaixo do desenho levantando tantas perguntas. Meus olhos se arrastaram para baixo e para baixo, lançando o meu ritmo cardíaco até eu senti-lo em cada extremidade. Oh Deus. Ele estava escorregadio com a água. Ele foi muito bem construído. Ele estava... nu. Meus lábios entreabertos, barriga enrolada com o desejo.


Ele se virou para mim. Minhas bochechas aqueceram quando os meus olhos se fixam em seu pau. Eu não conseguia desviar o olhar. Eu estava em transe, enfeitiçada, completamente focada no cabelo da sereia curvando-se em torno de sua ereção perfeitamente formada. Ele estava pesado e duro, com pingos de água da piscina. Suas bolas estavam apertadas e contraídas perto de seu corpo, completamente depilado. Seus quadris se contraíram assim como suas mãos cerradas ao lado do corpo. O único ruído era o suave barulho constante da água, pingo, pingos de seu corpo nu com gotículas ondulando sobre seus músculos. — Gosta do que está vendo? Eu pulei, afastando meus olhos dele e amaldiçoando o rubor aquecendo meu rosto. Eu queria me esconder, ou pular em cima dele. Não, eu prefiro tocar, beijar e chupar. Engolindo em seco, eu assenti. — Sim. Eu gosto de olhar para você desde que nos conhecemos. Seus olhos se estreitaram, dando um passo mais perto. — E quando foi exatamente isso? — Sua voz crítica tanto com violência como com suavidade, seu rosto não revelando nada. — Quando nos encontramos? — Eu não sei o que você quer ouvir —, eu murmurei. — Que eu tenho duas respostas? Aquele onde você rasgou minha venda e eu o descobri novamente, ou... — Me dê a verdade. — Ele rondou mais perto, o corpo tenso. — Me diga o que você está tentando dizer. Dê-me essa resposta. Baixei meu queixo, sentindo meu interior vibrar. — Você está preparado para ouvir? Você está preparado para parar de magoar-me depois de tudo o que você fez? Minha respiração desapareceu assim que suas mãos molhadas capturam meu rosto, inclinando minha cabeça para cima, não me dando outra escolha senão olhar diretamente para ele. — Por que você veio me encontrar?


Seu olhar caiu para sua jaqueta de couro engolindo meu pequeno corpo, meu corpo muito nu. Sugestões de carne foram reveladas graças ao zíper aberto cada vez que eu respirava. A densidade pesada me protegendo do brilho ilegível em seus olhos. — Porque nós precisamos conversar, eu sussurrei. — Porque você precisa me explicar o que você viu lá atrás. Por que você está com raiva de mim. Por que você correu no momento em que voltamos. Ele respirou fundo, mas, manteve todas as suas emoções bloqueadas da minha vista. Ele levou uma eternidade para responder. — Eu corri porque eu precisava de algum tempo. — Tempo para quê? — O tempo para descobrir isso. Para entrar em acordo com o que é ser um babaca que eu fui. Para descobrir se há alguma maneira fodida de que você possa me perdoar. Meu coração trovejou nos meus ouvidos. — Nós precisamos conversar. Sobre tudo. Eu preciso de respostas antes que eu possa perdoá-lo. — E se eu disser que preciso de mais tempo? O que você faria? — Seus dedos apertados em minhas bochechas. — Se eu dissesse que não estou pronto para ter toda a minha vida sendo uma mentira, para ter o meu mundo e tudo em que eu tenho trabalhado durante os últimos oito anos sendo uma besteira completa e absoluta, o que você diria? — Seu olhar verde em chamas foi lambido por raiva e dor. Eu mesmo adivinho. Eu deveria ter esperado. Dado a ele o espaço que ele precisava. Ele tinha sido temperamental, violento e até algumas horas atrás, planejava me vender pelo maior lance. Por que eu acho que milagrosamente ele estaria disposto a falar? Estúpida. Tão estúpida. Mas, eu não queria esperar. Eu tinha que saber.


Nesse momento, eu vi um lado diferente dele, um homem que controlava o seu mundo com um punho de ferro inflexível, sem espaço para surpresas. Um homem cujo mundo tinha acabado de ser rasgado. Eu tremia em sua posse. — Por que você parou a venda hoje? Ele se contraiu. — Eu... — Ele apertou os olhos, os ombros flácidos. — Você sabe por que. — Não. Eu não sei. Eu preciso ouvir isso de você. Seus olhos ficaram torturados quando eles vieram para cima, ligeiramente vítreos, totalmente desconfiados. — Como isso é possível, eu pensei... Eu implorei: — Por favor, me diga o que você sabe. Kill sacudiu a cabeça, mandando gotículas voando antes de olhar direto para minha alma. — Eu... eu preciso... eu fiz muito... — Ele se interrompeu, olhando para o chão. — Eu não posso fazer isso. Mal estar rolou com o pensamento dele se afastar. — Você consegue fazer isso. Confie em nós. Seus dedos acariciaram meu rosto por um momento interminável. — Eu não... — Seu peito subia e descia quando ele respirou pesado. — Certo. Eu tremo. Uma palavra simples, mas realiza uma promessa tão pesada. — Eu estou pronta para entender. Meu coração entala em minha garganta. Por favor, deixe que tudo se torne claro. — O que você viu para fazer você acreditar? Um flash de agonia encheu seu rosto, em seguida, foi embora. Sua mandíbula apertou. — Eu vou dar-lhe as respostas que você precisa, mas primeiro, eu preciso ouvir isso de você. — Inclinando a cabeça, assim sua testa roçava na minha, ele sussurra, — Como e quando nos encontramos? Diga-me. Ow. Isso machuca. Tanto.


Meus olhos se encheram de lágrimas ao sangue escorrendo e cascalho no meu joelho. Eu não conseguia parar meu lábio de tremer de dor. A bicicleta descansando ao meu lado, o empoeirado rosa brilhante do quadro arranhado. Papai ficaria tão bravo comigo. — Você está bem? Olhei para cima, apertando meu joelho com os dedos brancos. Um menino que eu tinha visto morando em frente ao pátio me sorriu, de cócoras na frente da minha bicicleta. — Quem é você? —, perguntei, estremecendo de outra lavagem de calor da dor. — Art. E você? — Ferida. Ele riu. — Eu vi você cair. Você estava indo rápido demais. Eu fiz beicinho. — Não, eu não estava. Arrastando os pés mais perto, suas mãos sujas estenderam para minha ferida. — É melhor a sua mãe cuidar disso. Vejo germes aí já. Minha boca caiu aberta em horror. — Sério? De pé, ele desajeitadamente se inclinou e agarrou meu braço. Envolvendo ele em torno de seus ombros ossudos, ele sorriu. — Vamos. Vou levá-la para casa. Pisquei. Meu joelho ainda latejava com a dor fantasma do passado. — Eu não sei quantos anos eu tinha, talvez quatro ou cinco. Você me levou para casa depois que eu raspei meu joelho... — Caindo de sua bicicleta. — Kill terminou. Seu rosto se contorceu com surpresa devastadora. — Como... como isso é possível? Eu coloquei minhas mãos sobre a dele, ainda cobrindo meu rosto. — Eu não sei. Eu estava esperando que você pudesse me dizer. Sua boca permaneceu entreaberta, medo e choque branqueando a sua pele. — Eu... a mais... — Ele suspirou e tentou novamente. — Disseramme que você estava morta. Eu estive no seu túmulo. Eu li o seu atestado de óbito. Eu fui para...


A voz de Grasshopper surgiu na minha cabeça. Murmurei, — Você passou um tempo... com o que aconteceu comigo? — Meu coração querendo saber. — Por quê? O que... o que aconteceu? Por que você foi condenado? Quem... Ele moveu a mão para pressionar contra os meus lábios. Seus olhos eram pesados e escuros de tristeza. — Não faça isso. Assim, por favor, deixeme desfrutar de tê-la aqui. Você está reencarnada. Deixe eu me ajustar a isso... antes de arrastar o passado. — Seu rosto implorou. — Por favor... Eu não posso falar sobre isso. Ainda não. A impaciência me encheu como xarope pegajoso, mas concordei. — Certo. Colocando as mãos para baixo, Kill disse: — Vem. Vamos lá para cima. Vamos conversar. — Tomando meus dedos nos seus, ele me puxou em direção à saída e pegou uma toalha bem dobrada de uma cesta. Deixandome ir, ele rapidamente envolveu-a em torno de seus quadris, escondendo o que eu mais queria, e pegou minha mão novamente. Nos movemos rapidamente, mas, não muito rapidamente. Nós roubamos olhares, mas, não falamos. Subimos as escadas juntos, nunca olhando para longe um do outro. O nervosismo era grosso e desenfreado, eu me preocupava que meu coração nunca encontrasse um ritmo normal novamente. No minuto em que entrou em seu quarto, ele soltou minha mão. Sem uma palavra, ele desapareceu no banheiro. Fiquei por um momento sentindo sua rejeição. Será que ele precisa de mais tempo? Espaço? Não. Eu não iria deixá-lo correr. Não dessa vez. O persegui, segui o rastro de gotas sobre o tapete. No momento em que entrei no banheiro, o ar instantaneamente engrossou com tensão. A tatuagem de Kill volta a permanecer inflexível e atada. Ele não se virou para me encarar. Em vez disso, ele manteve sua atenção desviada deliberadamente me cortando, enquanto ele se atrapalhou com o que ele considerava.


Rasgando a toalha da cintura, ele pulou para o chuveiro e ligou a água. Forçando a cabeça sob a pesada corrente, ele suspirou profundamente. Nenhum som escapou, mas, eu senti a sua confusão e ansiedade direto em minha alma. Fiquei ali, um observador sem lugar. Eu não conseguia tirar os olhos de seu corpo nu. Tudo o que eu queria fazer era abraçá-lo, para lhe dizer que estava tudo bem ser esmagado, eu fui esmagada também. Junte-se a ele. Eu não podia negar eu queria pular no chuveiro. Eu queria senti-lo perto. Eu queria tocá-lo, e descobrir de uma vez por todas por que ele desistiu hoje. Mas, eu não podia. Algo me segurou. Bombeando sabonete de uma garrafa nas mãos, ele ensaboava seu corpo com uma limpeza clínica antes de enxaguar-se completamente, perseguindo o chuveiro. Seus olhos verdes encontraram os meus brevemente quando ele pegou uma toalha fresca, esfregando o cabelo até que fora preso em fios sensuais, então, se envolveu em uma nova toalha o seu corpo perfeitamente cortados e definido. Sem uma palavra, ele invadiu a penteadeira, pegou um par de pequenas tesouras de prata, e desapareceu dentro do quarto. Em uma perda sobre o que fazer, eu o segui apenas para encontrá-lo deitado na cama com o cabelo úmido sobre o travesseiro, os olhos fixos no teto, e as tesouras de prata na palma da mão aberta. — Faça. Não quero essas coisas em mim. — Erguendo a cabeça, ele acrescentou: — Uma vez que eles estiverem fora... vamos conversar. Ele está tentando ganhar tempo. Eu não sei se eu deveria estar satisfeita, eu o afeto tanto assim ou o preocupo.


Me movendo em direção à cama, subi hesitante sobre o colchão e me arrasto mais perto. Kill não olhou para mim, a mão livre em punhos na sua coxa. Tomando a tesoura oferecida, me inclinei em sua ferida. A pele tinha curado o suficiente para cicatrizar. Tocando a sua carne, eu verifiquei que não havia infecção ou febre. Satisfeita que não seria prejudicial, sentei-me em linha reta. — Eu preciso de uma pinça. — Gaveta de cima, no banheiro. Eu deslizei para fora da cama, peguei a pinça, e subi de volta ao seu lado. Sua pele estava fria na superfície de seu banho de água fria, mas, abaixo dela desencadeava-se um incêndio que queimou todos os meus pensamentos em cinzas. Estar tão perto. Os dois quase completamente nus. Na cama. Era um sonho. Um pesadelo. Uma fantasia, tudo se tornando realidade. A jaqueta era pesada no meu corpo. As bainhas pairavam sobre minhas mãos. Eu não seria capaz de fazer algo tão delicado como remover pontos enquanto lutava contra o material denso. Tinha que tirar... só que, eu não tinha nada por baixo. Não importa. Ele tinha me visto nua. Ele já esteve dentro de mim. Então, por que me sinto tão tímida e vulnerável? Me forçando a ser corajosa, eu tiro a jaqueta, e delicadamente ao pé da cama. — Obrigado por me deixar usá-la.

coloco-a

As narinas de Kill queimaram quando ele forçou-se a continuar olhando para o teto. Eu sabia que ele seria capaz de ver que eu estava nua, mas, ele assentiu. — Somente Old ladys14 e membros já tiveram o privilégio. — Então por que você me deixou usá-la?

Esposa ou namorada firme de um membro do clube.


Sua cabeça se virou para mim, seus olhos ficaram trancados em cima da minha clavícula. — Tire meus pontos. Dor amarra através do meu coração. A raiva que ele constantemente carregava brilhava em seus olhos, amortecendo a pequena quantidade de confiança que eu tinha formado. A borda minúscula de vulnerabilidade tinha ido embora. Desapareceu, ou estava oculta. — Kill... não. Por favor, não me deixe de fora. Ele apertou a mandíbula. — Eu estou, mas, não estou fazendo isso intencionalmente. É só que... — Seu olhar suavizou e ele estendeu a mão para mim antes de deixar cair a sua mão deliberadamente para os lençóis. — Dê-me mais tempo. Não é fácil. Estou tão acostumado a bloquear as pessoas. Tão acostumado a ser um bastardo para me proteger. — Seus lábios se contraem em um sorriso de desculpas. — Não é fácil quebrar um hábito. — Sua voz era um sussurro. — Eu ainda não posso acreditar que isso está acontecendo. Que é você. E aqui. Viva. Minhas mãos tremiam, segurando a tesoura e a pinça. Perguntas atiraram em meu cérebro, me bombardeando com avidez. Forçando a urgência de distância, eu sorri suavemente e me inclino sobre sua cicatriz. — No minuto que esses pontos estiverem fora, vamos falar. Não há mais desculpas. Ele assentiu. Orando que minhas mãos estivessem firmes o suficiente, eu cuidadosamente corto no fio segurando a carne junta. Estar tão concentrada em uma coisa me deu a liberdade do caos na minha cabeça e eu me perdi na tarefa, inclinando-me mais baixo, permitindo-me ficar quieta e não fazer perguntas, apenas... ser. Não demorou muito para remover tudo. Quando eu corto o último ponto, Arthur fica tenso. Sua respiração mudou e eu olhei para cima. Seus olhos estavam fixos no meu mamilo pintado. O lábio inferior entre os dentes e sua barriga ondulado com a tensão. Meu coração instantaneamente trovejou nos meus ouvidos. Todas as desculpas se foram. Eu queria dançar com alegria. Eu queria me esconder com o medo.


Eu tenho medo dele. Medo do que ele poderia fazer para mim, não fisicamente, mas emocionalmente. Se ele era o menino do meu passado, ele já possuía o meu coração. O que aconteceria quando ele possuísse minhas memórias e mente também? Como o segredo que eu seria? O que isso significa para o meu futuro? Kill gemeu baixo em sua garganta. — Que porra você está fazendo comigo? Sua confissão inclina meu mundo. Eu nunca pensei que eu iria ouvir tal perdição em sua voz. Eu balancei minha cabeça, meu corpo pesado e latejante. — O que você está fazendo comigo? — As lágrimas vieram aos meus olhos. — Por favor, diga. Você viu alguma coisa. No iate você viu algo para fazer você acreditar. Eu preciso saber. Ele apertou os olhos, os lábios pressionando firmemente juntos. — Não faça isso. Eu sei que eu disse que ia falar, mas... — Não. Você não pode se afastar novamente. Não é justo para nenhum de nós. Eu me afogo em seu olhar verde quando ele abriu os olhos. Ele encravou os cotovelos atrás dele, sentando-se. — Você disse que seu nome é Sarah. Isso é uma mentira. Como é que nada disso faz sentido? — A maneira como ele disse meu nome era uma maldição. Um horror carregado cheirando a maldição de sua necessidade de encontrar uma falha em todo o meu argumento para que ele não tenha que pegar as peças de seu mundo despedaçado. — Eu não sei. Eu pensei que meu nome fosse Sarah. Ele se encaixa. Ele me faz sentir... familiar. Eu não menti sobre isso. — Meus olhos desesperadamente queriam olhar para baixo onde minha visão periférica brinca com sua ereção espessa. — Eu não estou dizendo que você mentiu, ele rosnou. — Eu só estou dizendo... Foda-se, eu não sei o que estou dizendo. De repente, ele mudou-se, agarrando minha cintura e me puxando para cima dele. — Você está me dando um ataque cardíaco. Sentada aí, nua.


Curando-me. A garota que eu amei desde que eu tinha a porra de oito anos de idade. É tão difícil de acreditar. Eu não tinha respostas. Cada músculo tenso, esparramado sobre seu corpo. — Você me ama, mesmo antes que você tivesse dezesseis anos eu consegui fazer você me beijar. Seus olhos se alargaram e um suspiro estrangulado saiu de seus lábios. — Foda-se. — Agarrando a minha nuca, ele me beijou duro. Sua língua lambeu meus lábios, não buscando uma entrada, apenas querendo provar. Afastando-se, ele disse: — Você se lembra? Daquelas noites que passamos juntos? As sessões de trabalhos de casa sem fim? — Ele engoliu em seco. — Naquela noite, você entrou sorrateiramente no meu quarto e subiu na cama comigo? Porra, isso foi a coisa mais difícil da minha vida, mandar você embora. Eu sorri suavemente, amando a animação em seu rosto, mas, frio no interior, porque ele descreveu coisas que eu ainda não conseguia me lembrar. Seu corpo ficou tenso. — Você não se lembra? Eu queria deitar e mantê-lo feliz e esperar que eu não arruinasse tudo o que estava construindo entre nós. Mas, eu não podia. — É seletivo. Algumas peças são tão claras, enquanto outras estão perdidas. — Quando foi que você soube? — Que eu soube sobre você? — Sim. Mordi o lábio. — Hum... não me lembro do meu primeiro flashback, mas no segundo que você tirou minha venda, eu sabia. Reconheci seus olhos. Seu rosto se suavizou. — Eu quero você, pra caralho. A mudança rápida de direção enviou um fogo de artifício de desejo para o meu interior. — Leve-me, então.


Dor cruzou suas feições, uma pequena gota de sangue ao remover os pontos claros e acusadores em sua pele. Ele travou uma batalha interna antes de finalmente ceder. Seus quadris pressionando para cima e eu fiquei ofegante. Eu o queria. Eu não podia negar. — Você quer que eu te leve? — Sim. — Você está fazendo isso porque você acha que pode apagar o que aconteceu? Devolvendo-nos o que perdemos? Trazer de volta o passado? Sim. Não. Eu o desejo. — Eu estou fazendo isso para consertar o nosso futuro. E para descobrir o que aconteceu. O rosto dele ficou frio. — Algumas coisas são melhores quando são deixadas no escuro. Meu coração retorce. — As coisas que giram em torno de minha suposta morte? Ele não respondeu. Me apressando para mudar de assunto, eu disse: — O que aconteceu não vai mudar o que sinto por você. Mesmo quando eu disse isso, eu não sabia se era verdade. Eu ainda poderia amá-lo, como eu fiz todos esses anos atrás, quando eu não sabia o homem que ele se tornou? Ou as circunstâncias misteriosas da minha morte? Eu estava na cama com meu assassino? O conceito dele ser um demônio disfarçado me aterrorizava. — Não diga coisas que você não quer dizer —, ele murmurou. Baixei a cabeça, incapaz de esconder a verdade.


Enfiando o cabelo vermelho emaranhado pelo vento atrás da minha orelha, ele disse suavemente, — Conversa e respostas podem vir mais tarde. Diga-me uma coisa verdadeira, agora. — Qualquer coisa. Seus quadris se inclinam perigosamente. — Quanto você me quer? Meus olhos queimam, o meu interior fica derretido. Gostaria de jogar o seu jogo. Perguntas podiam esperar. Qualquer coisa que pudesse estragar o que tínhamos podia esperar uma eternidade. — Muito. Ele estremeceu debaixo de mim. Química despertou entre nós. Paixão e necessidade. A conexão além de intensa, latejante com a história era muito mais profunda do que alguns mal entendidos. Antes que eu pudesse responder, sua pele empalideceu e ele me rolou de cima dele. — Deus, isso é tão fodido. Meu corpo ficou instantaneamente frio, sentindo falta de seu calor. Sentado, ele embalou sua cabeça em suas mãos. — Eu não posso acreditar, após todo esse tempo. — Seus bíceps pulsavam quando os dedos travam em seu cabelo longo. — Dói acreditar. Dói meu coração ao pensar que estive sozinho, todo esse tempo, porra. — Seus olhos brilhavam de raiva. — Eles me disseram! Eles me fizeram... Eu não poderia manter-me com ele. Meu coração trovejou. Subi de joelhos. — Está bem. Nós vamos descobrir isso. Contanto que você me mantenha perto... — Mantê-la? — Seu rosto se contorceu. — Porra, eu ia vendê-la! Como você pode olhar para mim? Como você pode sentar aí e ainda se preocupar comigo quando eu não fui nada além de um babaca com você? — Honestamente? Porque algo dentro de mim sabia o tempo todo. Chame de destino ou alguma conexão de alma profunda. Vi suas ações passando em seu coração. — Eu respirei, tentando firmar a vibração no meu peito. — Desta vez eu não tinha nada para me guiar. Sem lições do passado ou memórias. Eu tinha que confiar no instinto, e não importa como você me tratasse, tudo dentro de mim vibrava com o conhecimento que era para você que eu devia correr. Mesmo quando eu deveria estar fugindo.


Arthur se sentou atordoado. Seus lábios se retorceram de dor. — Porra. Você tem alguma ideia do que isso faz comigo? Ouvir o quão malditamente altruísta e forte você é? Por acreditar em nós tão absolutamente, mesmo quando eu fiz tudo em meu poder para destruí-la? Você me faz sentir como a porra de um monstro. Eu nunca vou te merecer depois do quanto baixei o meu nível. Um nível ao qual eu havia jurado nunca ir. Eu não podia suportar ver sua angústia, eu me arrasto para mais perto. Ele continuou: — Eu não consigo entender como isso aconteceu. Eu acredito que você estava lá, mas, as queimaduras... as tatuagens. Isso está jogando estragos com minha mente. Ele abaixou a cabeça entre as mãos, afastando-se ainda mais. Ele murmurou algo baixinho que eu não pude ouvir. Ele sorriu com tristeza. — Se o que você diz é verdade, então a minha vida ficou ainda mais fodida e o pesadelo apenas começou. Eu tremia com um mau pressentimento. — O pesadelo? Ele olhou à distância, vendo coisas que eu nunca veria. Sacudindose, ele disse: — Não importa. — Seus olhos estavam afiados e ele me abordou na cama, me espalhando nas minhas costas, ele murmurou: — Agora, quero me concentrar em você, em nós. Eu quero me lembrar de você. Com dedos ágeis, ele seguiu a minha tatuagem no meu quadril. Seu olhar fixo no projeto que tinha estalado ele de sua fuga e o fez crer na verdade. Finalmente, ele olhou para cima. — Você quer saber o que me partiu? O que me fez tão fodidamente com medo de que você estivesse dizendo a verdade? Que tudo isso é real, mesmo que seja tão difícil de acreditar? Eu balancei a cabeça. Engoli em seco quando seus dedos traçaram o padrão de tinta na minha pele. — Está aqui. Depois de todo esse tempo, eu nunca tinha pensado.


Enrijecendo meus músculos do estômago, eu tento sentar-me para ver o que ele fez. Mas ele manteve uma mão espalmada na minha caixa torácica, mantendo-me para baixo. Então ele começou a falar. — Você tinha treze anos. Eu estava te ajudando com sua lição de casa todas as noites desde que você foi reprovada em matemática. Eu sempre pensei em você como minha irmãzinha ou uma chata grudada, mas alguma coisa mudou naquela noite. — Sua voz era melancólica, cheia de dores e saudade. — Você foi a única que me beijou. Você jogou sua pasta de trabalho de lado e lançou-se em meus braços. Nós caímos do sofá, batemos contra a mesa de café, os papéis saíram voando. Graças a Deus os seus pais não estavam em casa, porque você brigou quando eu tentei impedi-la. Nós rolamos ao redor, você tentando me beijar, eu tentando evitá-la. Mas, você ganhou. Um sorriso enfeitou seu rosto. — Nada poderia impedi-la de conseguir o que queria. E por alguma razão inexplicável, você me queria. Seus olhos encontraram os meus. — Você tinha um sabor de CocaCola e açúcar, e você fodidamente me drogou naquela noite. Eu não deveria te querer. Eu era quase quatro anos mais velho e já tinha uma namorada. Não só eu estava saindo com a filha do melhor amigo de meu pai, mas traindo a garota com quem eu tinha concordado em ser exclusivo. Meu coração foi ferido. Eu não me lembrei de sua namorada e um incêndio agita-se na minha barriga por pensar nele amando outra. Ele sorriu, traçando a carranca na minha testa. — Ainda ciumenta, depois de todo esse tempo. — Seus olhos nublados, transportando ele de volta para o passado. — Você não permitia que a nossa idade ficasse entre nós e você não aceitava o meu não como resposta. Você me arrastou de te amar como uma irmã para te amar como um homem e eu nunca quis amar uma mulher jovem. Especialmente você sendo filha de quem era. — Eu fiz você se apaixonar por mim? Ele riu. — Cleo, você me fez dedicar a porra do meu mundo para você. Cleo.


Cleo. Meu mundo quebra e eu caio por entre as fendas. — Cleo, baby, nós estamos tendo um jantar com os outros membros esta noite. Vá colocar o seu melhor jeans e vir ajudar com as decorações. — O cabelo vermelho brilhante da minha mãe brilhou sob as luzes de cozinha. Memórias torcidas colidiram. — Ah, então você quer que eu te chame de Cleo agora? O que acontece se eu quero continuar te chamando de buttercup? — Meu pai me cutucou nas costelas, tentando me fazer rir, mas apenas me irritando ainda mais. — Eu não sou mais uma criança, pai. Me chame de Cleo. Eu giro mais profundo e mais profundo em meu passado oculto. — Cleo Price, eu te amo com todo meu coração e alma. Você é minha sagitário e eu sempre serei seu libra. — Art pegou meu rosto em suas mãos quentes e me beijou com doçura, adoração, e acima de tudo, o tipo de companheirismo de alma e de amor que tinha florescido de uma vida de aprender um com o outro. Lágrimas escorriam pelo meu rosto. Meu nome é Cleo... Pisquei, batendo de volta ao presente. — Eu sou Cleo Price. O nome do meu pai era Price Paul 'Thorn', minha mãe, Sandra Price. Eu não tenho irmãos ou irmãs. Você era tudo na minha infância. Você foi a minha primeira e única paixão. Você era a minha razão de viver e eu encontrei você. A parede barrando a minha família se quebrou, lavando-me como uma represa quebrada pelo vale dos meus pensamentos, varrendo a escuridão. Lembro-me deles! Não pude conter meu arrepio de felicidade. Kill sentou congelado. Ele não respira ou pisca. Sentando-se, eu passei meus braços em torno dele. — Fale comigo.


Ele levou muito tempo para descongelar, mas, finalmente suas costas caíram e os seus braços vieram em volta de mim, no abraço mais apertado. — Eu vivi os últimos oito anos acreditando que você estivesse morta. Eu estou lutando para chegar a um acordo com tudo o que eu fiz, como eu te tratei, no modo como eu te fodi sem nenhuma emoção. Foda-se, isso está fazendo a minha cabeça pensar como eu usei você. Merda! Ele tremia em meus braços e eu me aninho em seu pescoço. — Você não sabia. Nós dois vivemos com tortura suficiente. Deixe o passado ficar onde ele pertence. — Não, veja, essa é a coisa. No momento em que eu vi você, eu te odiei. Você parecia tanto com ela, mas, eu me convenci de que não podia ser. Eu não podia ver como seria possível que você ainda estava viva depois de todo esse tempo. Então, muitas vezes no passado, eu olhei para as mulheres e vi você lá. Eu via você escondida nos olhos dela. Isso rasgava a porra do meu coração toda vez, então vê-la... parecendo tão... Ele agarrou seu cabelo. — Ugh, isso é demais para seguir direto. Eu estou me repetindo, no entanto, não significa que seja mais fácil. Meus dedos foram para sua nuca, massageando-o suavemente. — Por amar tanto quanto eu te amei, fui dizimado quando você se foi. Eu não queria ninguém. Eu não queria nada, apenas que você estivesse viva de novo. Meu coração se magoa com a minha próxima pergunta. — Você fez? — Eu fiz o quê? Eu não podia me expressar. —Você fez o que eles disseram e me matou? Seu rosto ficou apertado, compreendendo a minha pergunta não dita. Ele agarrou minha mão, ligando os nossos dedos. — Eu juro para você e pelo nosso amor que eu não fiz. Eu não sei o que aconteceu. — O medo encheu sua voz. — Eu não sabia, Cleo. Você tem que acreditar em mim. Eu apertei os seus dedos. — Eu acredito em você.


O fluxo de alívio de seus músculos me assustou. — Por que você não contou à polícia? Por que você foi para a prisão por um crime que não cometeu? A sala ficou gelada conforme Kill sugava tudo o que ele tinha deixado ir. Se escondendo. Bloqueando as respostas que eu precisava. — Por favor... o que está relacionado com o passado eu não posso falar ainda. — Seu rosto se contorceu com a tortura. — Dê-me tempo. Isso é tudo que eu peço e eu lhe direi, eu prometo. Eu ainda estava sentada. Será que ele nunca me diria? Não seria melhor arrancar o Band-Aid rapidamente e lidar com as consequências agora? Mas, eu não podia fazer isso com ele. Eu já tinha destruído o mundo que ele conhecia, eu não podia exigir mais. — Tudo bem. Tempo. Ele estendeu a mão, me beijando docemente. — Obrigado. Vou contar-lhe tudo... em breve. — Uma nuvem passou por seu rosto. — Isso vale para você também. Eu preciso saber onde você esteve. Como você perdeu toda a memória do seu passado e eu. Nervosismo encheu-me para dizer-lhe tudo, coisas que eu ainda não tinha recolhido. Minha mente estava como queijo suíço, com muitos buracos. Desviando um pouco, eu sorri. — Eu estou esperando que você possa obter isso para nós dois. Lembro-me como os meus pais se parecem. Lembro-me de meu quarto com as paredes amarelas e minhas citações favoritas de “A Princesa Prometida” escritas no meu teto. Mas eu não me lembro de mais nada. Não me lembro do que aconteceu depois do meu décimo quarto aniversário, e eu não me lembro de como me tornei Sarah ou de viver no exterior ou até mesmo como eu me tornei uma veterinária. Kill desviou o olhar ansiosamente. — Há tanta coisa que você esqueceu. Tanto que não sei se você vai se lembrar. — Seus ombros agrupados. — Merda, Cleo. Há tanta coisa que eu quero te dizer e tanto que eu espero que você nunca... — ele suspirou. — Tudo dói muito, caramba. Eu tenho muito dentro da minha cabeça... Eu sou um idiota. — Se afastando, ele olhou profundamente em meus olhos. — Você pode me perdoar? Lágrimas faziam cócegas na minha coluna com o pensamento dele ser tão quebrado. Então ele estava de cabeça para baixo e de dentro para fora por finalmente me ver. — Eu já fiz isso. Eu entendo.


Ele suspira. — Eu estou tão arrependido. Eu queria afastar fora sua dor. Meu consolo não era suficiente para salvá-lo. Dirigindo a conversa para tópicos mais fáceis, perguntei: — O que finalmente você viu? Sorrindo rapidamente, ele me esmagou a ele. — Foi a equação. Nossa equação. A coisa de nerd idiota sobre a qual você riu quando eu mostrei-lhe como a matemática poderia ser incrível. Minha mente veio em branco. Era como se minha família agora estivesse livre do líquido que capturou minha mente, mas, o resto dele ainda estava preso, ainda se contorcendo, tentando escapar. Ele me soltou, sua mão grande caindo para o meu quadril. — Veja. Veja por si mesma. Olhei para a pirâmide de números em tinta na minha pele. Lembreime da noite, que eu tinha acordado em alguma hora e rabiscado a equação antes que escapasse dos meus sonhos. Mas, eu ainda não conseguia me lembrar de como recordei ou o que significava. Ele puxou com tanta força no interior com uma mensagem escondida que eu tinha dado ao artista para colocar na minha pele, então eu nunca iria esquecer. Meu coração se contraiu quando Kill traçou o padrão: I <3 U — Você sabe o que isso significa? —, ele murmurou. — Você se lembra? Eu balancei a cabeça, desejando que eu pudesse lembrar. — Não. Ele sorriu. — É a prova matemática perfeita que o amor existe, escrito em números. Você tinha suas palavras e poemas, eu tinha isso. E eu finalmente encontrei uma maneira de dizer eu te amo. Eu não conseguia dizer uma palavra. — Eu te amei pela maior parte da minha vida, e então você foi... se foi. Eu não sei o que você está passando e eu não conheço a mulher que você se tornou por causa disso, mas, eu sei que eu nunca vou ser capaz de pará-lo. Nunca serei capaz de ignorar... — Seu rosto se contorceu e ele rosnou, — Eu não vou lutar mais. Há muita porra de tempo eu venho lutando e eu cansei.


— Uma luta contra o quê? — Emoções. Os altos e baixos da vida. Vivo com a vingança por tanto tempo, mas, você trouxe a luz de volta para o meu mundo negro. Mordi o lábio, sofrendo uma explosão de felicidade no meu coração. Kill continuou: — Há tanta coisa para lhe dizer. Tanto que você não sabe. Você não tem uma ideia do caralho de como minha vida era. Tudo que eu sempre quis foi arrancado de mim e me aterroriza pensar que isso vai acontecer novamente. — Isso não vai. — Você está certa. Não vai. Não dessa vez. Desta vez eu a estou mantendo segura e nunca vou deixar você fora da minha vista até que esses filhos da puta paguem. Meu coração disparou. O meu suspiro foi alto no quarto silencioso. Inclinando-se, ele respirou. — Isso assusta você? Eu balancei minha cabeça. — Não. — Bem, isso devia acontecer. — Eu entendo que você carrega coisas dentro. Coisas dolorosas, coisas escuras. Diga-me. O que aconteceu com você? Seus olhos perderam a intensidade ardente, em uma névoa com luxúria. — Mais tarde. Engoli em seco quando ele segurou meu rosto e pôs um polegar sobre meus lábios e sussurrou, — Eu vou dizer-lhe tudo... mas, primeiro, eu preciso te tocar. Eu preciso ter certeza de que isso é real. Um pequeno sorriso torce meus lábios. — Eu sou real. Sou sua. Você é meu. Assim como dissemos todos esses anos atrás. Ele respirou fundo, seu peito subindo acentuadamente. — Deus, eu senti sua falta. Sua mão escorregou da minha bochecha para o meu pescoço. Seus olhos me queimam, soldando sua alma na minha. — Toda noite eu sonhava em beijar você. — Seu olhar caiu nos meus lábios. Eu não tive tempo para


respirar ou desfrutar a antecipação do êxtase de ser beijada antes de sua boca esmagar contra a minha. Meu corpo derreteu contra o dele, tornando-nos um com a sua paixão e calor. Seus braços em volta de mim, seu coração trovejando. Eu me aconchego mais. Seus lábios eram seda e lixa, tudo de uma vez. Sua língua lisa e furtiva. Abri-me mais amplo, aprofundando o beijo até que permanecer vivos significava quebrar a nossa ligação e respirar, e eu nunca quis fazer isso. Suicídio pelo beijo da morte do meu amor, eu o abraço - essa foi a minha escolha. Kill nunca parou de me beijar, nunca parou de me tocar. Meus dedos coçaram para rastrear seus músculos, e passar-lhe calma. Fiz uma pausa. Ele não deixa qualquer mulher tocá-lo. Ele percebeu minha trepidação, quebrando nosso beijo para olhar nos meus olhos. — O que está errado? Eu ri conscientemente. — Posso... hum, eu posso tocar em você? Seu olhar ardendo em seu rosto me desfez. — Cleo, me toque. Só você já teve esse privilégio. Eu estive morrendo por anos para ter os seus dedos em mim novamente. — Sua voz engrossou. — Eu estava preparado para passar o resto da minha vida sem ser tocado, pensando que você estava morta. Eu estava quebrado... um homem que não podia tolerar o toque de outra. — Ele riu suavemente. — Toda vez que eu ansiava o suficiente por companhia para procurar uma mulher, acabava quase matando ela por ela não ser você. Eu fui um idiota, Cleo. Uma bagunça do caralho. Oh Deus. Meu coração explodiu enquanto sua boca recupera a minha, roubando a minha resposta. Minhas mãos espalmadas em suas costas, acariciando cada centímetro que eu pudesse alcançar.


Ele se mexeu, me trazendo perto de seu corpo e forçando o calor duro de seu pênis contra o meu quadril exposto. Ele balançou uma vez, duas vezes, enviando uma deliciosa sensação de necessidade através de minha barriga para o meu núcleo. Meus mamilos ficaram apertados com seu coração galopando contra o meu lado. Cada centímetro em mim gritava por atenção. A sensibilidade foi tanto uma bênção e uma maldição enquanto eu ficava molhada por seus beijos. Isto não era como antes. Era mais. Assim, muito mais. Seus dedos caíram para o meu peito, apertando uma vez antes de curvar a cabeça e chupar meu mamilo. Meus olhos se fecharam, luxúria invadindo meu sistema. Eu me contorço enquanto sua língua quente rodava com uma deliciosa combinação de sucção e provocação. Ele murmurou contra a minha pele, — Eu a queria tanto naquela época. Fui um tolo estúpido por te negar isso. Eu gemia, agarrando seu cabelo e tremendo em êxtase quando eu afundei as unhas nos fios grossos e longos. — Talvez se você soubesse o gosto que eu tinha você teria me fodido na primeira vez. Seus dentes prenderam meu mamilo, fazendo minha respiração parar. — Eu queria muito ser o seu primeiro. Para você ser minha. — De repente, ele parou de lamber, pressionando a testa contra o meu quadril e envolvendo os braços trêmulos em volta do meu corpo. — Estou tão triste. Eu puxava seu cabelo, impedindo-o de pedir desculpas novamente. — Não faça isso. Eu não quero ouvir isso. Hoje, aqui e agora, esta é a nossa primeira vez. Ninguém mais existe, no passado, as memórias, a vingança. Nada disso importa. Não mais. Sua testa ficou franzida quando ele mordeu o lábio. Um delicioso cair de cabelos longos cobre um de seus olhos. — Porra, isso me deixa duro, quando você controla a situação. Isso sempre acontecia. Mesmo quando você era uma mandona de dez anos de idade. Eu ri, espantada que o intenso momento sexual pudesse ter tantas facetas. — Você fantasiava sobre mim quando tinha treze anos e eu tinha


dez anos? — Eu franzo o nariz de brincadeira. — Isso é simplesmente nojento. Ele riu. — Você sabe o que eu quero dizer. Eu não queria que você gostasse de mim. Eu simplesmente não podia... eu não podia compreender. Eu não podia tirá-la fora da minha mente, não porque você era tão bonita com seus saltitantes cabelos vermelho e olhos verdes ferozes, mas por causa de sua atitude extrema. Suas mãos traçaram a minha caixa torácica, o polegar contornando minha barriga. Ele continuou, fantasmas sobre cicatrizes e cores. Seus olhos ardiam para me beber, e o impulso para uma conversa desvaneceu-se rapidamente. Minhas costas arquearam em seu toque. Ele sussurrou, pressionando seu pau latejante contra mim. — Eu preciso estar dentro de você, Cleo. Meus olhos se fecharam no uso do meu nome. Meu corpo inteiro treme por finalmente saber onde minha casa é. Em seus braços. Em seu coração. — Você gosta disso? —, ele murmurou. — Você gosta quando eu te chamo de Cleo? Minha Cleo? Eu gemo quando sua boca arrasta sobre a minha mandíbula e na minha garganta. — Você quer saber o que eu vou fazer com você, Cleo? Eu vou lamber cada centímetro, inspirar todas as partes, e então eu vou afundar lentamente em seu calor e fazer você gozar com as pernas em volta da minha bunda. Meus olhos estavam tão extremamente pesados, eu lutava para abrilos e olhar para o seu olhar. — Você quer que eu coloque minhas pernas em torno de você? Ele balançou a cabeça, seus belos lábios molhados e vermelhos. —Eu quero o seu peito contra o meu. Eu quero seus braços apertados em torno de mim, e eu quero sua respiração na minha boca. Eu queria que você me tocasse desde a última vez que te vi. Dê-me o que eu sempre me neguei porque eu não podia tolerar que qualquer outra mulher tomasse o seu lugar.


— Eu te amo! —, ele gritou do outro lado do complexo. O sol embebido em seu cabelo escuro, os fios sedosos flexíveis desordenados da nossa sessão de amassos atrás da garagem. — Eu também te amo! Não se atrase esta noite. Ele sorriu, acenando uma vez antes de correr para a casa dele. Minha respiração ficou presa na memória. Tinha que ser a última vez que eu o vi? A melancolia e confusão ameaçou destruir o calor no meu coração. Eu joguei meus braços em volta do seu pescoço, puxando-o para perto. — Eu quero que você olhe nos meus olhos quando você deslizar dentro de mim. Eu quero que você veja o quanto ter seu corpo no meu afeta a minha alma. Ele gemia, beijando-me com força. Seus lábios eram armas, sua língua uma ferramenta, fazendo-me contorcer e querer. Eu queria que ele fizesse amor comigo. — Eu quero roubar sua respiração, assim como se você só sobrevivesse enquanto eu respiro para você. — A agonia em sua voz me machucou profundamente. Ele tinha tanto ainda o machucando. Sussurrando, eu disse: — Eu quero que você goze dentro de mim, para que eu possa reivindicar uma parte de você. Seus olhos queimam, me beijando suavemente. — Você não sabe se você está protegida. Eu balancei minha cabeça. Eu me lembrava. Uma memória aleatória tinha vindo clara, mas, lá estava ele. — Eu tive um DIU inserido há alguns anos atrás. Eu não posso ficar grávida. Seus olhos perfuram os meus. Ele não perguntou por que eu tinha tomado tais medidas sérias para não engravidar. Ele não perguntou quantos amantes eu tive. Ele apenas me pegou mais perto e sussurrou, — Eu nunca estive com uma mulher sem preservativo. Nunca. Segurei suas bochechas, meus dedos ardentes de seu calor. Seus lábios se separaram e ele pressiona meus ossos quase ao ponto de quebra com força contra ele. Nós caímos juntos, beijando, tocando. Minha


mão mexeu o seu caminho entre os nossos corpos colados, encontrando o seu comprimento duro e envolvendo-o corajosamente. Eu o acariciava. Duro, possessiva, reivindicando. Sua boca se abriu larga debaixo da minha, se desfazendo. Suas pernas tremeram e um gemido gutural soou em seu peito. Meu coração disparou quando e eu fiquei molhada com a sua dureza. — Você gosta disso? Como é ter meus dedos em torno de você? Seus olhos se apertam. — Você não tem ideia. Ser tocado é uma sensação tão boa. Mas saber que é você? Minha Buttercup. Um grito caiu de meus lábios. Kill me puxou mais perto. — Eu sinto muito. Eu não queria. — O quê? — Usar esse apelido. Eu sei que pertencia a seu pai. Eu balancei minha cabeça. — Use-o. É seu, tanto quanto dele. A preocupação com os meus pais me bateu rápido e duro. ... Que pertencia a seu pai. O que ele quis dizer com isso? Passado por causa de nós, ou ele morreu? Meu coração se apertou ao pensar que meus pais se foram. Então, meu estômago aperta com o pensamento deles vivendo nos últimos oito anos acreditando que eu estava apodrecendo no chão. — Deus, meus pais. — Eu agarrei os ombros de Kill. Eu queria ignorar a necessidade de saber, não era exatamente o melhor momento para perguntar, mas, eu não conseguia parar a questão caindo entre nós como uma mancha de tinta. — Onde eles estão? O ar aquecido entre nós fica frígido, Kill endureceu em uma prancha inflexível. A tensão de seus músculos e olhar ilegível em seus olhos fizeram com que meu coração desse um baque. — Onde eles estão, Kill?


A pesada segunda marca passada, depois outra. Finalmente, ele fechou os olhos e beijou-me profundamente. — Eu vou te dizer. Vou te contar tudo. Seus lábios se arrastaram em um caminho de fogo para baixo do meu quadril quando ele moveu seu corpo, me achatando para abaixo. — E, por favor, não me chame disso. Não quando estamos sozinhos. Quando você vai me dizer? Eu queria empurrar, mas, engoli a minha impaciência. Inclinando minha cabeça, eu me concentrei sobre o assunto mais fácil. — Como eu deveria te chamar? Ele riu, parecendo tenso e forçando contra a minha clavícula. — Como você me chamava todos esses anos atrás. Eu quero ouvi-lo. Meu coração bateu por uma razão completamente nova. Seus lábios se mantiveram franzidos, sua língua suavemente lambendo os meus seios. — Art. Eu te chamava de Art. Ele quebrou sua jornada para baixo, deslizando de volta para cima de mim para pressionar um beijo possessivo contra a minha boca. — Sim. — Você quer que eu te chame assim de novo? Ele assentiu. — Mais do que qualquer coisa. — Nunca olhando para longe, ele estendeu a mão e tocou minha coxa. Inconscientemente, eu abri minhas pernas mais amplas, deixando seu grande volume assentar diretamente entre elas. Minha respiração se tornou superficial quando ele parou, pairando protetor sobre mim nos cotovelos. Seus dedos mergulharam no meu cabelo, me segurando firme. — Há muito a aprender ainda. Tanto que aconteceu que você precisa saber. Mas, Cleo, não esta noite. Seu pau duro cutucou minha entrada e eu gemi com a pergunta silenciosa. Mordendo meu lábio de alegria por tê-lo tão perto, eu assenti. Cerrando sua mandíbula, ele empurrou-se lentamente, com certeza, me dizendo algo de uma maneira que ele nunca fez antes. Eu tinha dormido com Killian, mas, esta era a primeira vez que eu estava dormido com Arthur. Art. Minha conexão verdadeira.


Não havia nada mais entre nós, nem o látex do preservativo ou a escuridão de memórias esquecidas. Só nós. Seus olhos se apertaram quando ele me esticou e me encheu, a invasão nunca parando até que ele se afundou tão profundamente quanto ele poderia ir. Suas costas estavam tensas quando ele soltou um gemido imperfeito, embainhando-se completamente. Eu não queria me mover ou dissipar a dor latejante e deliciosa de têlo me levando tão fundo. Seu corpo era confortável e quente sobre o meu, seus olhos verdes brilhando na penumbra do quarto. Nosso olhar nunca desbloqueou. Nós não nos mexemos. Mas, nós estávamos unidos com o voraz esquecimento, arrebatador. Minha mandíbula apertada, lutando contra o desejo forte. Eu queria saborear o silêncio de estar assim apenas por mais um momento e abraçar a incredulidade de encontrarmos um ao outro depois de tanto tempo. Meu interior ondulando, acolhendo ele mais profundo. Art gemeu, deixando um pouco do seu peso cair sobre mim, pressionando a testa contra a minha. Nós dois estávamos manchados de suor, mesmo que não nos movêssemos. Nossos corpos e corações vibrando com a energia. Minhas tatuagens eram brilhantes contra a colcha e eu não me sentia feia com as minhas cicatrizes. Seu olhar permaneceu cheio de amor, perfeito, apesar de eu ter mudado desde que ele tinha me visto. Sua boca procurou a minha e o momento em que nossos lábios conectaram, eu o agarrei. O tempo para a serenidade tinha acabado. Agora eu queria ser usada. Eu queria saber apenas quem me empalava e o quanto eu não queria que ele saísse. Puxando ele para mim, eu balançava. Ele engasgou, sua moderação desapareceu e ele bateu em mim. Duro e forte. Seus quadris ferindo minhas coxas, assim eu me abro mais, acolhendo sua violência, sua necessidade. Havia uma linha fina entre fazer amor e foder, mas, isso era foda e amor. Isso era cruel, mas, doce. Com raiva, mas, feliz. Era mil palavras em uma, os erros do nosso passado e a esperança de reparar um futuro que


ambos achavam que não iriam encontrar nunca, o alinhamento e ação atemporal. — Deus, Cleo. Foda-se. — Ele bateu com mais força, seus grunhidos misturados com meus gritos. Minhas unhas agarram seus quadris, subindo e descendo com cada balançar. — Sim. Art, muito mais. Seu corpo batendo contra o meu, tentando me devorar. Lágrimas rastrearam dos meus olhos, o mundo nadou com o desejo e desespero por ter perdido muito dele. — Merda, não chore... — Art para, seus grandes polegares afastando as lágrimas em minhas bochechas. Eu mordisco no seu toque, arqueando em posição vertical para ofegar em seu ouvido. — Não pare. Eu não conseguia parar. Eu nunca quis parar. Não havia nada no mundo que poderia me fazer cessar o incrível ataque vindo do menino que eu pensei que tinha perdido. Eu gritei quando ele agarrou minha perna, trazendo-a para cima e me espalhando ainda mais. Eu pensei que nunca iria começar a tocar este homem, abraçá-lo ou bater como ele bateu em mim, mas, todos os meus desejos se tornaram realidade. Minhas mãos desembarcaram em sua bunda, apertando-o mais forte, forçando mais violência, empurrando mais animalesco. — Maldição, Cleo —, ele gemeu quando eu cavei minhas unhas mais duro. Estávamos tão perto. Nossa pele presa uma a outra, seu coração interrompeu a batida do meu até que eu jurei que batiam em uníssono. Estávamos muito perto. Mas nós não estávamos perto o suficiente. — Kill, você está me matando. — Art, droga, — ele rosnou. Suas mãos agarraram a colcha perto dos meus ouvidos quando ele empurrou mais duro. A necessidade de gozar doía em cada parte. Cada golpe de seu grande pau enviou-me mais e mais alto acima de um penhasco. Eu não iria aguentar muito mais tempo.


Reclinando meu joelho entre nós, eu empurrei Art a distância e engancho no seu ombro. Em um movimento, eu entrego o resto da minha vulnerabilidade e confiança, expondo onde estávamos unidos e deixando-o controlar, no entanto, ele queria nos levar por cima da borda. Ele não disse uma palavra. Seus olhos ardiam e seus dentes pousaram na minha perna, mordendo forte quando ele dirigiu deliciosamente duro em mim. Seu estômago se apertou com cada impulso, o brilho de suor fazendo-o cintilar. Meus seios saltaram e eu sabia que, do seu ponto de vista, ele veria tudo. Minhas cicatrizes, minha tatuagem, o amor explodindo nos meus olhos. — Maldição, Cleo. Você não tem ideia do que está fazendo comigo. Eu sorri. — Eu faço. A mesma coisa que você está fazendo comigo. — Você está na porra do meu coração. — Estive lá desde que nos conhecemos. Ele sorriu torto, seus olhos pesados com luxúria escura. — Você esteve. Sempre esteve lá. Seu olhar caiu entre nós, trancando-se em minha buceta exposta. Olhei para onde estávamos unidos, ofegante pela imagem que consome a minha mente, seu grande pau desaparecendo dentro de mim, batendo e batendo. Sua mandíbula aperta, suas unhas cavando em minha perna. — Eu vou gozar. Eu tenho que gozar. Eu balancei a cabeça. — Goze. Me leve com você. Apertando sua mandíbula, ele aumentou seu ritmo, batendo e fodendo até seu pau endurecer e sua testa ficar franzida com o prazer. — Cristo... — Sua boca se abriu e todo o seu corpo estremeceu, dirigindo-se para o auge. No fundo, eu senti a primeira onda e o esguicho de sua libertação. — Sim, Art. Deus, dê isso para mim.


Ele inclinou para cima, seus olhos nublados enquanto ele continuava gozando. Seus dedos pousaram no meu clitóris, esfregando firme e determinado, empurrando-me do meu penhasco e me atirando para a estratosfera. Minhas costas inclinam, meus dedos curvam, e minha própria libertação apareceu do nada, enrolando-me alto, então me girando como um peão até que explodi em pedaços cósmicos. Eu dei a ele tudo o que eu era. Eu dei-lhe todos os meus problemas e sonhos e flashbacks. Deixei que ele me salvasse. E, ao mesmo tempo o salvei. No momento em que o último tremor de nossos orgasmos desbotou, nós dois estávamos ofegantes e desossados. Eu gemi quando Arthur saiu de mim, abaixando suavemente minha perna apertada em seu ombro. Estremeci enquanto ele massageava meus músculos. Silenciosamente, ele se jogou de costas, puxando-me perto e me colocando contra seu corpo. Em vez de ser autoconsciente com a aderência entre as minhas coxas, eu apreciava estar sendo embalada. A bomba nuclear poderia explodir lá fora e eu não teria nenhum desejo de me mover. Eu estava exatamente onde eu queria estar. Envolvendo seu corpo grande em torno do meu menor, sua mão embalou um seio. Sussurrando com os lábios sobre o meu cabelo, ele murmurou, — Durma um pouco, Buttercup. Eu suspirei, lutando contra lágrimas felizes, lágrimas tristes, confusas e ainda perdidas, lágrimas, mas, o brilho no meu coração batia os sentimentos tricotando-os em um cobertor satisfeito e saciado. Pela primeira vez desde que eu tinha esquecido o meu mundo e alma gêmea, adormeci com um sorriso no meu rosto e o conhecimento que eu estava completamente segura.

Capítulo Dezoito


Eu

admiti que eu era uma bagunça do caralho pensando que ela

estava morta. Não foi nada em comparação com a confusão de pensamentos em que eu estava agora. Eu me esforcei para conseguir entender o meu mundo. Já não era preto e branco. Eu lutei contra a vontade de esconder o meu coração novamente. Era mais fácil, menos doloroso quando não sinto nada. Mas, Cleo me arrasta de volta para dor. Dor tão vibrante e intensa que eu não conseguia respirar. Eu não conseguia pensar. Eu não podia me mover. Ela era real. Ela voltou dos mortos para mim. E eu faria tudo ao meu alcance para não deixar que ela me deixe novamente. — Kill

Acordei com Arthur passando os dedos pelo meu estômago. Meu corpo torcendo, tentando encontrar um caminho livre de seu toque. — Você ainda é delicada. Apenas verificando —, ele murmurou contra o meu cabelo. Seus dedos desapareceram, arrastei-me mais perto dele ao longo de seus membros aquecidos e sonolentos. Eu queria mais da noite anterior. Eu queria senti-lo dentro de mim novamente.


— Eu adorei gozar dentro de você —, disse ele suavemente, aninhando o nariz contra minha orelha. — Eu nunca fiz isso nu antes. Droga, Cleo o seu calor tomou cada grama de autocontrole que eu tinha para não gozar no segundo que entrei em você. Eu sorri, segurando o seu braço. — Foi incrível sentir você. — Você parecia um sonho molhado, porra. Eu ri quando seus dedos se arrastaram até meu peito, traçando círculos em volta do meu mamilo rapidamente endurecendo-os. — Eu te quero tanto. Tudo o que posso pensar é empurrar suas pernas afastadas e deslizar profundamente dentro de você. Ele pressionou sua ereção contra a minha bunda, moendo. Eu me contorço, empurrando meus quadris contra ele. — Faça. Leveme. Seus dentes mordiscam minha orelha. — Não é possível. Tenho coisas para fazer. Eu gemia, cavando mais perto, chegando para trás para pegar seu pau. Eu o perdi. Rindo, de repente ele me soltou e rolou na posição vertical. Eu atireime de joelhos, tentando pegá-lo, mas, era tarde demais. Com um sorriso, ele pulou da cama e ficou gloriosamente nu e muito, muito, muito tentador. — Se eu desistir, nós nunca vamos sair. E isto não pode esperar. Eu me deixo cair em minhas costas, suspirando dramaticamente. — O que não pode esperar? Inclinando-se, ele agarrou meu tornozelo e me puxou para o final da cama. — Ei! Me puxando dos lençóis entrelaçados, ele passou os braços em volta dos meus ombros e pernas, então me pegou como se eu não pesasse nada. — Vem. Nós vamos tomar um banho.


Eu queria lutar para vencê-lo e me vingar por ter deixado a cama, mas, abaixo de sua expressão divertida se escondia a ansiedade e muita raiva. — O que é isso? —, murmurei, tocando seu rosto e trazendo seus olhos nos meus. Ele engoliu as emoções escuras que rodavam em seu rosto, balançando a cabeça. — Nada. — Seguindo em direção ao banheiro, ele beijou minha testa. — Você sabe que eu nunca tinha tocado ou estado perto de alguém como eu estou com você? Eu nunca peguei uma mulher ou quis sua carne nua contra a minha. Meu coração torce por pensar nele com outras mulheres, mas, em seguida, aquece em um brilho presunçoso. Eu sorri. — É errado que eu goste de você ser brutal para outras meninas? Que eu seja a única que capturou isso? — Eu segui seu peito, onde seu coração bate embaixo dos meus dedos, olhando para a cicatrização da ferida em seu peitoral. Ele sorriu com suavidade no olhar. — Não. Estou feliz que você ainda esteja com ciúmes. Me faz sentir querido. Eu ri quando ele me colocou no chão do banheiro. — Oh, você está sendo definitivamente muito querido. Sua postura mudou de feliz para sexualmente com fome. — Pare com isso. Eu quero te lavar. Não fodê-la. Eu pisquei inocentemente. — Você pode fazer as duas coisas. Um sorriso escuro esticou seus lábios e ele entrou no chuveiro. Ligando o jato, ele chegou até mim, me empurrando sob a água quente. Meu cabelo ficou instantaneamente encharcado quando Arthur levantou a cabeça debaixo do chuveiro e abriu a boca para capturar as gotas em cascata. Água ondulava para baixo na sua frente, se lançando sobre seus músculos e provocando o equipamento duro entre suas pernas. Eu o queria. Muito. Ele abriu os olhos, água brilhando em seus cílios. — Quer algo, Cleo? — Seu tom foi atado com um desafio e arrogância.


Só por isso, eu virei de costas para ele. — Não, não realmente. — Eu escondi meu sorriso quando cheguei para lavar o corpo e esguicho sabão masculino com cheiro por todo o meu corpo. Minhas pernas tremiam enquanto eu lavava os restos de prazer de Artur da minha parte interna das coxas, me apertando em busca de qualquer estímulo em uma área tão sensível. — Verdade? — Arthur ronronou atrás de mim. — Você está dizendo que se eu pressioná-la contra os azulejos e deslizar meu pau dentro de você, você não estaria interessada? Eu tremia quando o calor do seu corpo se aproximou, prendendo-me entre o vidro e ele. — Pare com isso, — eu pedi. — Você é o único que tem grandes planos hoje. Estou ocupada. Suas mãos em volta de mim, capturam meus pulsos e o sabão, movendo eles rápido e duro acima da minha cabeça. Seu peso esmagando o meu, prendendo-me contra o vidro frio e escorregadio. Instantaneamente o meu ritmo cardíaco disparou, e eu engulo um gemido necessário. — Você está ocupada? —, ele sussurrou, balançando sua ereção contra a minha bunda. — Ocupada demais para prestar atenção em mim? Minha língua foi amarrada em nós lascivos. Não tinha volta. Soltando um lado de meus pulsos, ele estendeu os dedos no meu peito, beliscando meu mamilo e ensaboando com bolhas brilhantes. — Eu sou o único que vai fazê-la gozar. Você não. Apenas as minhas mãos são permitidas aqui —, seus dedos ensaboados se arrastaram para baixo no meu estômago e alcançaram minha buceta, — e aqui. Mordi o lábio enquanto seu toque girou firme, esfregando meu clitóris com determinação e força. Mais e mais baixo, sua pressão fez minhas pernas tropeçarem, eu abro minhas mãos no vidro para o equilíbrio, meus pulsos ainda capturados em seu aperto. Ele gemeu de prazer. — Deus, você está linda assim. — Seus dentes em um pedaço do meu ombro. — Abra suas pernas.


Minha respiração para quando eu obedeço. Eu abro minhas pernas rapidamente, e ele inclina seu joelho entre elas. Engoli em seco quando ele deixou meus pulsos irem, apertando minha cintura com as duas mãos. Em seguida, os polegares pressionando divinamente na base da minha coluna. — Oh Deus. — Sou incapaz de ficar sob tais torturas gloriosas. — Ele não vai ajudá-la, Cleo. Você poderia muito bem implorar meu nome em vez disso. Meus lábios se separaram quando ele amassou minha bunda, meus músculos apertando quando seu toque me pressiona. Cada massagem suave enviou ondas de choque através de mim quando ele vai em direção a minha barriga. — Por favor, Art. Toque-me. Minhas pernas tremiam quando ele obedeceu, seus dedos fortes capturando meu clitóris. Seu braço em volta de mim, fechando nossos corpos molhados um contra o outro, deliberadamente, fazendo-me ciente do quão duro ele estava. — Cleo, porra, eu quero você. Eu empurrei minha buceta mais forte em seu toque. — Mais... Meus olhos arderam quando ele afundou um dedo dentro de mim. — Mais? —, ele sussurrou, sua voz o abandonando em favor de luxúria e desejo pecaminoso. Ele balançou atrás de mim. — Mais do que? Minha mente estava cheia com chiadeira de cata-ventos enquanto ele causava formigamentos com a umidade da minha buceta. — Mais de tudo. Você. Seu toque. Sua boca. Os seus... — As palavras escapam de mim quando ele retira o dedo e enfia dois juntos, me esticando, deliberadamente, lembrando que eu estava eroticamente machucada de sua reinvindicação na noite passada. — Eu preciso de você, Art. Pra caramba. Seus dentes se afundaram profundamente em meu pescoço. Seu braço me envolveu mais apertado, me segurando no lugar quando ele me tocou.


Minhas pernas tentam se fechar juntas. Um orgasmo ficou por pouco fora de alcance. Eu estava tão excitada que mesmo o vidro contra os meus mamilos era uma felicidade. Eu gemia, balançando-me em sua posse. De repente, ele me soltou, removendo os dedos e desligando o chuveiro. Pisquei. — O que... — Se mova Cleo. Meu autocontrole está perto de romper, mas, há algo que eu quero fazer primeiro. — Tocando minha bunda, ele me apressou para fora do chuveiro com as pernas bambas. Cada movimento amplificando a necessidade na minha buceta inchada. Ele não pegou uma toalha ou me deixou secar. Tomando minha mão, ele não disse uma palavra enquanto nós andamos, molhados e pingando de volta para o quarto. Atravessando o chão rapidamente, ele me girou para frente, usando a inércia para me jogar para trás em cima da cama. Engoli em seco quando eu bati na minha coluna, olhando para o homem que dirigia um Clube de motoqueiros e fez uma fortuna com negociação nos mercados. O homem que olhava para mim como se quisesse me comer viva. Agarrando meus quadris, ele me deslizou para a beira da cama, em seguida, desceu de joelhos. Minha frequência cardíaca explodiu, todos os sentidos remanescentes eram átomos disparados para minha buceta. Puxei minhas pernas, com os olhos ardendo. — Foda-se, eu quero te provar. Abaixei para fora da cama, um grito foi arrancado de meus pulmões quando sua boca quente, molhada pegou minha buceta. — Merda! Sua língua veio rápida e plana, lambendo-me como um delicioso predador decidindo se ele quer me devorar rapidamente ou lentamente.


Eu não podia ficar parada enquanto sua língua alisava a minha entrada, mergulhando uma vez dentro de mim. — Oh Deus. — Minhas costas arquearam quando cada parte do meu corpo sofreu um espasmo. — Arthur! Ele colocou uma mão na minha barriga, me empurrando plana contra a cama, a outra segurou no meu tornozelo, subindo rapidamente pela minha coxa, para cima e para cima até que ele tocou meu clitóris. Com sua língua lambendo e mordendo com os dentes, ele empurrou dois dedos profundamente dentro. Tão rápido. Tão rápido. Eu não tinha esperança de permanecer sã. Minhas mãos mergulharam no seu cabelo comprido e sedoso, agarrando as raízes umedecidas pelo chuveiro. Ele fez um barulho, eu imediatamente o adorei, um cruzamento entre um grunhido arrogante e um gemido de desejo. Sua língua se moveu mais rápido, me lambendo, me degustando. Com mãos rápidas, ele envolveu minha perna tatuada no ombro, arrastando-me mais perto de sua boca ávida. Quando ele parou, respirando com dificuldade e me encharcando em ar quente, mas, sem língua, eu me contorcia. Inclinando meus quadris contra os seus lábios, eu gemi, — Por favor... Art... Ele resmungou profundo e baixo em seu peito, suas grandes mãos tremendo um pouco em meus quadris. — Porra, você é linda. Você está me drogando. — Então sua boca capturou o meu clitóris latejante, fazendo-me curvar para fora da cama. Todos os meus músculos e tendões ficaram travados no lugar enquanto sua língua flutuava mais baixo, provocando a minha entrada com breve hesitação. — Sim. Sim... — Peguei mais de seus cabelos, puxando-os, completamente empenhada em posicionar sua língua dentro de mim. Como uma lança afiada, ele foi profundamente, me fodendo com calor e umidade, sua respiração quente entre as minhas coxas. O acúmulo do chuveiro, a forma animalesca que sua língua me bebeu, e a imagem erótica de seu longo cabelo obscurecendo seus olhos, sua


cabeça abaixada entre as minhas pernas me enviou em espiral em direção às estrelas. O início de um orgasmo quebrou tudo lá dentro. E foi construindo, construindo e construindo. Meus olhos rolaram e cada parte do meu corpo transcendeu. Arthur chupou e mordiscou, empurrando e acariciando. Agarrei a colcha. Minha visão ficou escura enquanto o meu corpo ardia sob seu toque hábil. — Deus! — Eu não podia respirar enquanto onda após onda enlouquecedora trouxe a sensação única através do meu núcleo. Ele habilmente me trouxe para a liberação mais rápida que eu já tive. No momento em que eu parei, ondulando em torno de sua língua, ele levantou a cabeça. A satisfação presunçosa em seus olhos enviou uma tímida felicidade deslizando sobre mim. De pé, ele não disse uma palavra, não foi preciso. Seu olhar disse tudo o que precisava. Usando seus dedos, ainda molhados de estar dentro de mim, ele tocou no meu quadril, e me persuadiu a rolar de volta no estômago. No momento em que eu pressionei minha bochecha confortavelmente contra o colchão, ele se posicionou por trás e deslizou, rápido, duro, e inteiramente possessivo, no interior. — Sim —, ele sussurrou, afundando-se profundamente, seu pau duro como rocha. Parte de mim queria descansar, a outra parte queria seguir alto novamente e explodir completamente. Arthur captura meus quadris, me puxando para trás para encontrar o seu impulso. — Porra, você tem um gosto bom pra caralho. Nunca provei uma mulher antes. — Seu pau me estica implacavelmente. Eu mal podia pensar, falar era uma missão de viagem para Marte em esforço. — Você nunca fez isso? Seu pau me acariciava forte, estabelecendo um ritmo de punição. — Não. Nunca tive a minha boca próxima de alguém antes. Não queria. Não podia...


Amor entrou em erupção em meu coração e outro orgasmo me pegou completamente de surpresa. Minhas pernas entrelaçadas, envolvendo em torno dele por trás enquanto ele me fodia duro. Ele gemeu, dirigindo mais rápido em direção a sua libertação. — Foda-se, eu vou gozar —, ele rosnou. — Goza! — Eu implorei. — Por favor. Ele rosnou quando seu ritmo aumentou, em seguida, seu corpo inteiro ficou tenso quando ele jorrou dentro de mim. Sentindo-o gozar, dando-se a mim e tornando-se impotente naquele segundo, meu corpo foi desvendado por uma segunda vez. Não tão intensa quanto a primeira, mas, meu núcleo segurou seu pau, ordenhando-o com prazer. Estremecendo em ondas de choque passadas de seu corpo ao meu, nossos corações vibravam fora de controle. Eu congelo. Ele me pegou por trás. O que isso significa? Não imagine isso. Eu não queria deixar o fato de que ele ter me virado para o meu estômago fosse qualquer coisa desagradável. Apenas hábito, provavelmente, ou que ele sentiu muito e precisava de alguma normalidade depois de uma noite tocando, amando e se aproximando. Ele deslizou lentamente, se jogando, passou ao meu lado. Seu cabelo longo obscurecendo um olho e seu peito ainda brilhava com gotas em uma mistura de chuveiro e suor. Rolando para mais perto dele, eu afastei os fios escuros da sua testa. — Para um novato, você foi incrível. Seus olhos se abriram, vítreos e saciados de luxúria. Ele riu. — Estou pensando em me tornar um especialista. Agora que eu já provei, eu nunca quero parar. Eu nunca tive os meus lábios em ninguém. Se isso fosse verdade, ele nunca tinha tido um boquete. E na minha vida eu não conseguia me


lembrar se eu já tinha dado isso para o rapaz de olhos castanhos com quem eu tinha perdido minha virgindade. Eu sorri suavemente. — Bem, parece que eu lhe devo um favor. Ele congelou, em seguida, um sorriso satisfeito se espalhou em seus lábios. — Eu concordo. Você deve. — Seus olhos se encontraram com os meus, acentuando ainda mais o amor nítido chicoteado entre nós. Eu respirei fundo. — Agora? Ele se sentou e me beijou, roçando meu nariz com o dele. — Não. Já perdemos tempo demais. Eu tenho que chegar ao Clube. Eu quero respostas. Decepção estabeleceu-se em meu coração, mas, em seguida, antecipação a substituiu. Eu poderia esperar para lhe dar prazer. Afinal de contas, nós temos todo o tempo do mundo agora. Nós tínhamos encontrado um ao outro. Nada poderia arruinar isso. Nada. — Respostas? — Me estiquei, sentindo meu corpo cansado. Arthur desceu da cama, indo para o banheiro para um segundo banho. Ele virou-se junto à porta, dizendo: — Você não acha estranho que exatamente você tenha sido sequestrada? Sentei-me, uma corrente de ar frio uivando pelas minhas costas. — Eu não tinha pensado nisso. Sim, eu acho muito estranho. O cara do isqueiro veio à mente e todas as perguntas que eu tinha evitado fervilhavam com determinação. Seus olhos esmeralda foram escurecidos para um tom de musgo. — É muita coincidência. Eu concordo. — Eu tenho certeza que é explicável. Ele mostrou os dentes. — Isso é o que eu tenho medo. Fiquei oito anos pensando que estivesse morta. Então você acabou de aparecer porque o meu clube roubou-lhe contra as ordens, para traficar você para escravidão? Não faz sentido.


Eu não conseguia parar a animosidade substituindo nosso brilho pós-sexo. Eu estive pensando a mesma coisa. — O que você está dizendo? Que alguém sabia quem eu era? Antes de eu me lembrar? Antes de tudo isso? Ele olhou através da sala. — Eu acho que há muito mais do que nós dois sabemos. E eu quero obter respostas. — Mas, como? E se... Suas mãos se fecharam em punhos. — Vou fazê-los falar por qualquer meio necessário, mesmo se eu tiver que derramar sangue para fazê-lo.

O complexo estava tranquilo quando chegamos. A maioria dos homens que eu conheci no almoço de pizza não estavam lá. Na verdade, todo o lugar parecia deserto. — Quantos quartos existem aqui? — perguntei, seguindo obedientemente atrás de Arthur. Meu jeans e camiseta amarela eram um toque de cor na decoração do chão cinza e madeira escura. Arthur parecia completamente no controle em seu jeans preto e camiseta com sua jaqueta de couro. Não havia um único indício do homem suave e vulnerável que tivera sua língua entre as minhas pernas apenas algumas horas antes. Ele é o meu segredo. Kill, o presidente motociclista tinha substituído minha alma gêmea, Art. Eu apenas tive que aprender a amar ambos, apesar do que ele tinha feito. — Há dez quartos, três áreas comuns, alguns escritórios e garagem. Por quê? — Nenhuma razão. Apenas me perguntando. E você nunca fica aqui? Como fazem os outros?


Ele riu. — Eu fiquei quando cheguei. Mas, isso foi antes da reforma e limpeza, antes da tripulação abraçar o que eu poderia fazer por eles e seguir minhas regras. Havia tanta coisa que eu não sabia: O que ele havia sido contra? Como ele tinha sido preso? Como ele tinha encontrado a liberdade? Muito a aprender antes de podermos nos conciliar completamente. Eu amei um estranho. Não haveria nada poderoso o suficiente para parar o meu amor no tempo, tinha tentado e falhado, todo o resto foi inconsequente. O que quer que exista entre nós é firme e imune, mas, isso não significa que eu iria seguir cegamente a ele se ele estivesse fazendo coisas que eram moralmente erradas. — E você espera que seus homens fiquem aqui, mas, você não? Arthur parou. — Quando foi que eu disse que viviam aqui? Este lugar pertence a todos. Ao mesmo tempo em que não pertence a ninguém. É um lugar de refúgio, fraternidade e de negócios. Antes de eu assumir, era uma exigência que cada homem, incluindo o presidente, vivesse a jogasse aqui. Para colocar seus irmãos antes de esposas e filhos, para colocar o clube antes de seu sangue. Isso fez uma família desequilibrada. Os homens precisam da suavidade que recebem de suas mulheres, eles precisam ser lembrados do seu valor e as regras colocadas sobre eles pelos seus entes queridos. Viver juntos, recebendo ordens, nunca ter algo próprio que já não tenha sido reivindicado pelo Clube fez a raiva, a discórdia, e uma porra de muita luta. Claro, eles eram leais, mas, desta forma, do meu jeito significa que recebem o amor de seu sangue e família, e sua lealdade e regimento de seu clube. Amor de uma mulher. O amor que ele nunca teve. Ele tentou dar a seus homens o que ele nunca teria. Meu coração se partiu mais uma vez. Ele sorriu suavemente. — Vitória das vitórias. Eu queria dizer a ele que entendi, que eu entendo por que ele precisava que seus homens valorizem o amor acima de tudo, mas, eu não quis apontar algo tão suave. Em vez disso, algo puxou meu cérebro,


querendo sair livre, mas, ainda preso à minha mente. — Isso não é como fomos criados, entretanto. É isso? Arthur sorriu. — Você se lembra disso? Eu balancei minha cabeça. — Não, é apenas um sentimento. Ele pegou minha mão, apertando. — Você se lembrará em breve. Estou com você agora. Vou juntar as peças outra vez. Meu coração batia duro com a adoração que emanava dele. A palavra ‘obrigada’ descansava na ponta da minha língua. Eu queria agradecer-lhe por me amar, por me amar tanto que ele tinha vivido uma vida de solidão absoluta, enquanto observava seus homens irem para casa para suas famílias. Era algo estranho para ser grata, mas, se ele não tivesse... Horror foi apresentado rapidamente na minha garganta. Se ele tivesse colocado meu fantasma para descansar, ele poderia ter encontrado o amor com outra. Eu poderia ter aparecido para encontrá-lo bem e casado... com crianças e sem sentimentos deixados para mim. Oh Deus. — Ei... — Arthur segurou meu queixo, trazendo meus olhos para ele. — O que é isso? O que está errado? Dei-lhe um sorriso aguado. — Eu estou sendo uma idiota. Ele apertou seus lábios suavemente contra os meus, roubando o horror no meu coração e substituindo-o com amor. — Eu concordo. Você está sendo uma idiota. Meus olhos ardem. — Ei, você não deveria concordar comigo. Bufando, acrescentei: — Além disso, você nem sabe o que eu estava pensando. Seu rosto suavizou e suas mãos agarraram minha cintura e me seguraram perto. — Não? Você não acha que eu pensei sobre isso? — Pensou sobre o que? Seus olhos apertam. — Sobre deixar ir...


Meu coração baqueou compreendido. A dor...

fraco.

Oito

anos,

Art.

Eu

teria

Eu nunca teria entendido. Você é meu. Ele me beijou novamente, sussurrando contra a minha boca. — Não importa o quanto eu desejei que eu pudesse esquecer, eu não podia. Você roubou meu coração e alma, Cleo. Não havia mais nada para dar a qualquer outra pessoa. Eu desisti de tentar te esquecer e foquei em outras coisas. Eu quase me desintegro no chão em uma estranha combinação de gratidão e culpa. Eu perguntei: — Coisas como vingança? Sua mandíbula se apertou. — Quem você está planejando... — Não faça isso. Ainda não. — Ele deu um passo para trás, deixando-me ir com um pequeno empurrão. — Está tudo embrulhado nas partes que não posso explicar. — Ele passou a mão com raiva por seu cabelo. Minhas mãos ficam suadas com os nervos. O que ele estava escondendo? — Explique Art. Quanto mais cedo você começar, mais cedo acaba. — E quanto mais cedo você vai correr, porque você não vai entender —, ele rosnou. Balançando a cabeça, ele retrucou: — Não. Eu não posso dizer, não em palavras. Eu preciso te mostrar. — Seu temperamento desapareceu e ele me deu um sorriso tímido. — Hoje. Vou te mostrar hoje. Seu rosto perdeu as sombras escuras de vinganças. Ele enfiou a mão no bolso do jeans. Tomando meus dedos, ele virou meu pulso até que ele descansou de cabeça para baixo e colocou a borracha em formato de Libra na minha mão. — Eu tenho levado isso comigo todos os dias desde que você a deu para mim. Eu a odiei por um tempo porque ela ainda estava aqui e você não. Mas, então eu a adorei. Me arrastando para outro beijo, seu corpo treme com o envio de desejo e dor através do meu sistema. O desejo por este homem que nunca me deixou morrer. E dor pelo seu sofrimento, por tudo que ele tinha vivido.


— Eu quero que você tenha isso, Cleo. Ela trouxe você de volta e pertence a você. Eu balancei a cabeça, tentando me desembaraçar do seu abraço. — Eu não posso. É sua. — Eu tenho algo muito melhor. Eu sabia o que ele dizia, mas, eu sorri e perguntei de qualquer maneira, — E o que é isso? Seus lábios sussurram sobre os meus. — Minha Buttercup. Eu me rendi ao seu gosto, beijando-o de volta. Eu queria virar e voltar para casa. Eu queria ignorar o mundo exterior e as perguntas sem fim um pouco mais. Eu era egoísta, egoísta por um menino que tinha se transformado em um homem sem mim. Sua língua se enroscou com a minha, nossos corpos pressionando cada vez mais duro um contra a liberação do outro, em busca da ânsia se construindo rapidamente. Respirando com dificuldade, eu termino o beijo. Algo que ele tinha dito antes de eu reclamar. — Você não tem isso todos os dias. Ele franziu a testa, os lábios molhados e inchados. — O que? — Naquele dia que eu cheguei. No seu quarto. — Minha mente pula de volta para aquela noite, a batalha, o sangue, o ferimento que quase o fez morrer. Mais medo encheu meu coração. — Art, se eu não tivesse chegado naquela noite... você teria morrido. Sua mandíbula se apertou quando ele desviou o olhar e vi o que ele não queria ver. Ele tinha sido imprudente com sua vida. Imprudente com a sua segurança e sua saúde, porque ele não tinha nada para o que viver. Eu bati contra seu peito, esfregando minha cabeça em seu corpo e passando os braços apertados em torno de sua cintura. — Por favor, me diga que você não era tão estúpido e quebrado para querer morrer? — Não. — Sua voz de barítono ecoou no meu ouvido de onde eu estava pressionada contra ele. — Devo admitir que em alguns dias eu era fraco. Alguns dias eu não queria sair da porra da cama, com o pensamento de não ter ninguém para viver. Mas, a vingança é uma coisa boa. Isso me


manteve vivo quando nada mais podia. Eu não teria me deixado morrer naquela noite. Eu teria ficado vivo porque eu fodidamente me recusava a morrer antes de chegar para o que está vindo para eles. Olhei para cima, ainda mais camadas de confusão no meu cérebro sobrecarregado. — Quem? Ele passou o polegar sobre a maçã do meu rosto. — Você vai descobrir. Eu prometo. E quando você fizer, você vai entender por que eu estou fazendo o que estou fazendo. — Tem algo a ver com a revolta, a rebelião de quando eu cheguei? Arthur franziu a testa, olhando por cima do ombro para a sala do Clube vazio. — Isso não estava relacionado com o Clube, não diretamente, de qualquer maneira. — Se não estava relacionado com o Pure Corruption, o que estava então? — Eu não conseguia entender a dinâmica. Arthur tinha construído um MC que obedecia a suas próprias leis, ao contrário de outros. — Quatro anos atrás, quando eu assumi, eu não era exatamente a primeira escolha dos membros. Cheguei mais perto, colocando a borracha de Libra de volta no seu bolso. Ele franziu a testa. — Isso é... — É seu. E de qualquer maneira, eu não tenho bolsos. — Permanecendo na ponta dos pés para distraí-lo de me dar algo que significava o mundo para ele, eu disse: — Você seria sempre a minha primeira escolha. Ele sorriu, mas, isso não alcançou seus olhos, absorvidos com o passado. — Eu entrei, mudei seu emblema, seu juramento e o desviei do crime para algo legítimo. Fiz tudo o que ele me pediu para fazer. — Ele? Seu braço veio em volta da minha cintura novamente. — Wallstreet. Ele foi o cérebro. — Se separando, ele disse: — Ele é o único homem por quem eu vou lutar. O único homem a quem eu vou permanecer fiel, por causa do que ele me deu. — Acenando com o braço ao redor do desenho da sala, ele acrescentou, — Tudo isto pertencia a Wallstreet. Ele construiu este


clube, ele expandiu por todo os Estados Unidos, mas depois ele foi colocado para fora e o cara que ele deixou no comando o traiu. Eu não sabia se eu gostava de Wallstreet. Ele tinha sido fundamental na minha venda, depois de tudo. Ele soou como um bastardo, não que eu diria isso. Entendimento mergulhou no meu cérebro. — Ele pediu para governar em seu lugar? Arthur assentiu. — A maioria da tripulação odiava como o novo presidente arruinou tudo o que Wallstreet tinha construído. Eles estavam felizes em me seguir, mesmo que eu tenha vindo com planos que eram, vamos apenas dizer... difíceis. Mas ainda haviam outros leais a Magnet. — O homem que traiu Wallstreet? — Eu tentei o meu melhor para entender e seguir a sua história. — Sim. Da noite para o dia, os Corrupts se tornaram Pure Corruption os caras tinham que obedecer ou serem cortados. Tem sido quatro longos fodidos anos. — Ele deu um sorriso cansado. — Mas, para a maioria das vezes, os homens são decentes e só querem paz e uma lei que possam seguir, e que vai proteger seus ativos e família. — E você deu-lhes isso. Ele me puxa mais perto. — Eu dei-lhes isso. Eu me aconchego mais perto, com fome de seu corpo. Toda esta conversa e toques provocam estragos no meu corpo e mente. Eu amei a aprendizagem, retirar as camadas para encontrar a verdade, mas, eu teria preferido fazê-lo na cama, onde eu poderia distraí-lo quando os tópicos ficassem pesados. Mudando de assunto, perguntei: — Então, todos eles têm suas próprias casas? Arthur assentiu. — Alguns têm. Eles são bastardos fodidamente ricos. Todos eles, graças às habilidades que Wallstreet me ensinou. A riqueza é compartilhada no Clube. Eu pedi obediência e confiança, e em troca eles fornecem para as suas famílias, gastam seu tempo quando eles querem, e tem minhas costas se eu tiver tarefas para eles. Um toque de temperamento me encheu. — E o tráfico de mulheres, isso era uma tarefa? — Eu não tinha a intenção de dizer isso, mas o nível de


moagem de culpa que eu sentia ao longo das cinco mulheres que tinham sido vendidas pesou em minha mente. — Art, aquelas mulheres que você vendeu. Eu não posso acreditar, quero dizer, o garoto que eu conhecia nunca teria feito isso. Existe alguma maneira de salvá-las? Seus olhos escureceram de raiva. — Não, Cleo. Você não sabe o que diabos está acontecendo, e eu não vou deixar você me julgar. Essas negociações foram as primeiras e últimas, mas, havia uma razão para isso. Confie em mim. Baixei a cabeça. — Eu confio em você, mas... você vendeu pessoas. Você enviou elas a uma vida de escravidão. Isso não é exatamente fácil de esquecer ou perdoar. Ele balançou sua cabeça. — Eu menti para você quando eu disse que elas foram escolhidas aleatoriamente. Elas não foram. Elas foram marcadas por razões que eu não vou dizer a você. Não sinto pena delas. Não acho que elas não mereciam o que aconteceu. Medo deslizou pela minha espinha. — O que você quer dizer? Elas foram escolhidas? Isso significa que eu tinha sido também? A questão veio carregada com repercussões demais para classificar. Arthur agarrou meu pulso, me puxando para perto. — Quero dizer que há tanta coisa acontecendo que eu preciso explicar, mas, primeiro eu preciso acertar isso. Então precisamos ver Wallstreet. Eu não queria ir vê-lo. O que eu diria? Como eu iria esconder a raiva que eu sentia? — Prez? — Grasshopper apareceu por uma porta lateral que, presumivelmente, levava a um escritório qualquer ou quarto fora da sala de estar principal. — Hopper. — Arthur assentiu. — Você conseguiu tudo que eu pedi? — Eu tentei, mas eu ainda estou confuso. Você precisa começar a falar, cara. Arthur não me solta, me arrastando em direção a Grasshopper.


Seus olhos azuis pousaram no meu, o seu moicano eriçou. — O que ela está fazendo aqui? Achei que você a tivesse levado para o comprador? — É bom ver você, também — eu bufo. Grasshopper se encolheu. — Eu não quis dizer isso... não exatamente. — Um sorriso puxou sua boca quando ele me olhou de cima para baixo. — Acho que as mentiras não eram mentiras, afinal? — Seu olhar pousou em Arthur, felicidade brilhando por seu amigo. Art disse: — Ela vai ficar comigo. Eu cometi um erro. De agora em diante você irá tratá-la com o mesmo respeito que você me trata. Ela é minha, usa meu patch, e acabará por ser a minha old lady. Meu coração bateu contra minhas costelas. Eu não conseguia respirar. Parecia que Grasshopper também não podia. Ele se apertou no peito enquanto tossia. — Porra, cara! Quer dizer que ela é ela? Sua ela? Foda-se! — Ele deu um passo em minha direção, energia explodindo dele. Minha mente estava sobrecarregada com a declaração de ser de Art, e sendo elevada ao poder em apenas um fim. — Mas seu nome é Sarah. Esse não era o nome dela. — Sua atenção voltou-se para Arthur. — Estou me esquecendo de algo? — Parece que eu tenho dois nomes, ou duas identidades. — Duas vidas? Muitas coisas para lembrar-me antes que isso fizesse sentido. Grasshopper parou, com a boca aberta. — Então... você é ela? O infame Kill realizou um milagre e trouxe a menina morta de volta à vida? — Ele passou a mão sobre o rosto. — Porra, isso não está fazendo sentido. Arthur riu, o respeito que ele tinha para o seu segundo no comando era óbvio em seus olhos. — O nome dela é Cleo, possivelmente, Sarah, também, mas, precisamos confirmar isso. Eu não a trouxe de volta à vida, mas, ela está de volta no meu mundo e nunca irá sair. O olhar de Grasshopper aumentou de largura. — Santo fodido. Isso é loucura. — Ele olhou entre nós. — Mas, como? Eu não… Eu ri.


Seu espanto era cômico. Além disso, eu não duvido que ele sentia-se um pouco autoconsciente por ter pisado em cima da linha e me dito coisas sobre Arthur que ele provavelmente não deveria. — Prazer em conhecê-lo, Jared. Eu sou Cleo. — Estiquei a mão para fora. O rosto de Grasshopper escureceu. — Porra, você sabe o meu nome também. Feitiçaria, eu lhe digo. — Tomando minha mão, ele apertou-a uma vez, me puxando para perto. — Eu preciso saber de tudo isso para o meu cérebro não explodir. — Você e eu. — Eu ri novamente. Arthur agarrou meus quadris, me puxando para longe de Grasshopper com um olhar severo. — O que eu quero saber é como Cleo entrou em nossa posse. Meu riso desapareceu quando a voz de Arthur derivou estritamente para negócios. — Me explique onde ela foi tomada, de quem ela foi roubada, e que porra foi a besteira que alguém me contou sobre ela ser sua puta? Minha cabeça se levantou. — O quê? — Eu olhei entre os dois homens. — De quem eu era prostituta? Eu não era de... Arthur encolheu. — Nada. Me disseram uma mentira sobre quem você era, afim de eu ir em frente com a venda. Eu quero saber quem veio com isso, para que ele possa responder às minhas perguntas malditas. Grasshopper se desloca no local. — Bazza. Ele me disse que a conseguiu lá do Dagger, juntamente com as outras meninas e ela estava em sua cama. Sua cama, cara. Quero dizer, ela não poderia ser mais que uma foda ligeira, agora que sabemos. Meu Deus. Minha cabeça. Não podia continuar assim, com meias verdades, vagas lembranças e agendas ocultas. — Será que alguém, por favor, me diz o que inferno tudo isso significa? Grasshopper olhou para Arthur, compartilhando um olhar que falava muito, mas, permanecendo em silêncio com as respostas. Ignorando-me, Arthur fechou suas mãos. — Você percebe que vou chegar ao fundo da questão, e quando eu fizer isso, eu fodidamente espero que os que eu confie não estejam envolvidos.


O oxigênio da sala foi sugado em um vácuo. Grasshopper tornou-se frio e ameaçador. Ele se transformou em um motociclista com uma vingança tal como o seu presidente. — Alguém de dentro tem que ter trabalhado nisso. Merda. — Ele arrastou as mãos pelo cabelo, bagunçando seu moicano até que ele levantou-se em todos os sentidos. — Porra! Arthur combinava com a sua raiva com o rosto lívido e os músculos tensos. — Eu quero saber quem, Hopper. E eu quero saber agora. Medo percorreu pelas minhas costas; eu queria correr de sua elevação de energia palpável com um ciclone. O cara do isqueiro. Era ele. Antes que eu pudesse anunciar a minha epifania, Arthur murmurou, — As complicações e consequências disto vai trazer tudo o que temos vindo trabalhando em direção a um fim. Queime menina. Queime. Eu tremi. — O que você quer dizer? Foi Grasshopper quem respondeu. Sua voz com raiva contida em cada palavra. — Isso significa que esses filhos da puta nos usaram novamente. Primeiro ele, agora você. Os punhos de Artur ficaram brancos. — Prez, não achei que eu iria vê-lo aqui. — Mo apareceu, seu cabelo loiro espetado como se ele apenas tivesse acabado de puxar seu capacete fora. Seu olhar caiu para o meu, mas, ele manteve suas perguntas escondidas. A tensão que tinha se construído no nosso pequeno grupo desapareceu graças ao recém-chegado. Arthur olhou para ele, seus olhos escuros e suspeitos. — Os outros caras estão aqui? Mo sacudiu a cabeça. — Não, só nós. Sem comércio hoje. Não há reuniões. Muitos deles estão tendo um dia de família. Arthur assentiu. — Bom. Estamos indo em uma pequena viagem. — Arrastando uma mão através de seu cabelo longo, ele disse: — Nós quatro estamos indo em busca de respostas de merda.


Finalmente! Arthur pegou minha mão. — É hora de desvendar essa confusão de uma vez por todas. E quando eu descobrir o que diabos isso significa... Grasshopper deu um passo à frente, as mãos ondulando de seus lados. — Isso significa que nós vamos finalmente ter o que temos trabalhado por todos esses anos. Arrepios se espalham pela minha espinha. — Vingança! —, Mo murmurou, o rosto brilhando com orgulho ansioso. — Abaixo a negação. Morte aos traidores. Arthur assentiu. — É hora da guerra.


Capítulo Dezenove Dor veio de muitas formas. Solidão. Traição. Sacrifício. Mas, eu tinha encontrado o amor, sendo esta a mais dolorosa de todas. Eu era invencível quando nenhuma outra emoção me controlava. Eu estava obstinado em minha determinação de fazer justiça. Eu tinha um dom de apagar o mundo e me jogar em números, cálculos, e vingança. Mas, quando Cleo olhou nos meus olhos com a mesma profunda conexão de alma que tínhamos compartilhado há anos atrás, porra, isso me aleijou. Eu tornei-me inútil. Fraco. Obcecado. Eu queria esquecer todos os meus planos e correr para longe, para mantê-la segura. No entanto, mesmo que ela me concedesse a felicidade com seus toques suaves e sorrisos, havia um vazio dentro dela também. Um vazio assustador que bloqueou tudo o que nós tínhamos compartilhado, deixandome ainda mais sozinho do que antes. Eu amei uma estranha. Uma desconhecida que me conhecia melhor do que eu me conhecia. Quem diria que seu amor por mim poderia doer tanto? Quem poderia ter pensado que meu coração iria quebrar tudo de novo sabendo que ela tinha esquecido? Esqueceu-se de tudo o que eu sussurrei para ela.


Tudo o que tinha prometido. — Kill

O vento batia em meu rosto enquanto eu agarro a cintura de Arthur. Parecia que a vida passou da velocidade normal para hiper ultrapassagem. No momento em que ele decidiu resolver o enigma que era a minha vida, todos nós entramos em ação. Sem planejamento, sem hesitação. Um aceno coletivo e homens inteligentes transformaram-se em caçadores selvagens focados em um objetivo. Fiquei surpresa que Arthur não tinha me jogado por cima do ombro e me jogado em sua motocicleta com a raiva que estava nele. A raiva que ele manteve em torno de si mesmo e que tinha estado no seu sistema depois do nosso encontro, estava completamente de volta e no comando. Ele havia capturado meu pulso e nós quatro invadimos a garagem e seus corcéis nos aguardavam. Em vez de cavalos e lanças, os cavaleiros defendendo minha honra subiram a bordo de suas fiéis Triumphs e levantaram suas armas, prontos para a batalha. Eu só esperava que não houvesse uma guerra e que as respostas pusessem de lado toda a batalha que Arthur tinha com as pessoas que eu não conhecia. Eu queria que a vida fosse simples de novo, não a bola confusa de mentiras que se tornara. Eu tentei falar com Arthur através do chicotear do vento enquanto nós abatemos estradas sob o sol quente, mas, com os capacetes e o ritmo insano, ele empurrava sua máquina, minha voz não tinha esperança de ser ouvida. Seu corpo estava apertado, punhos brancos em torno do guidão. Meu corpo rebocado contra o seu em uma jaqueta de couro emprestada. Cidade, subúrbio, em seguida, estrada tornou-se meu ponto de vista quando o ronco de trovão de três Triumphs encheram o asfalto com velocidade voraz.


Eu não tinha ideia de onde estávamos indo. Vinte minutos se passaram, zunindo e costurando pelas estradas e rodovias. Quarenta minutos, minha frente fica pegajosa e quente pressionado contra as poderosas costas de Arthur. Cinquenta minutos, minha espinha arrepia com mau pressentimento quanto mais tempo nós viajamos. Uma hora. E nós ainda montamos. O rugido não apenas da nossa moto, mas, a de Grasshopper e Mo também não morava mais em meus ouvidos, mas, na minha alma. Meu coração ronronou para isso. Meu estômago se agitou para isso. Carros familiares desaceleram para nos deixar passar. Grandes caminhões afastaram-se no canteiro central para deixar-nos ultrapassar. Era respeito ou medo que dava aos motociclistas a estrada? De qualquer maneira, seus aceleradores permaneceram elevados e pneus mastigando o asfalto quando as cidades desapareciam atrás de nós. Nós finalmente diminuímos a velocidade e entramos em uma pequena cidade. Nós serpenteamos pelas estradas e através da perfeição do bairro suburbano. Em cada esquina, meu coração bate mais forte. E...eu conheço este lugar... Meus olhos caíram sobre um parque completo com bares desbotados, trepa-trepa, balanço e escorregadores. Meu mundo se desintegrou. — Você me deixaria beijá-la se eu empurrar? Virei-me, travando os olhos com o rapaz que, até a semana passada, não queria nada a ver comigo. Ele tinha sido tão cruel quando eu pedi-lhe para assistir TV comigo enquanto meus pais estavam fora, eu chorei até dormir. Eu não conseguia entender como tínhamos ido de estar tão perto e partilhar os nossos segredos mais profundos a completos estranhos.


Minha mãe disse que Art tinha necessidades e que eu entenderia quando a puberdade me acontecesse. Eu tinha zombado e dito que a puberdade é idiota. Art tinham necessidades, eu era a sua necessidade. Garoto estúpido, ele só não tinha percebido ainda. Fiz uma careta. — O que você está fazendo aqui? — Minhas mãos se esticam em torno da corrente do meu balanço. Eu não quero que ele veja a dor em meus olhos ou o amor em meu coração. Ele não me merece mais, não com o seu comportamento horrível. Art se move para frente, agarrando a corrente, por isso meu balanço faz uma parada. Sua virilha estava no nível dos meus olhos e engoli em seco. Inclinando-se sobre mim, ele sussurrou, — Eu fui a porra de um idiota, Buttercup. — Não xingue e não me chame de Buttercup. Ele sorriu, mas, o sorriso não encontrou seus olhos. Ele parecia triste, perdido e com medo. — Será que eu estraguei tudo? Eu quebrei o que tínhamos? Meu estômago torceu em curvas. Deixando seu rastro apertado para baixo da cadeira, ele capturou minhas mãos e agachou na minha frente para que ele agora olhasse para cima como se estivesse implorando. — Cleo. Eu sei que eu fui um idiota para você. Mas, eu sinto sua falta. Uma grande bola ficou entalada na minha garganta. Também sinto sua falta. Eu te amo. Eu quero que você me ame da mesma maneira. Tudo o que eu queria dizer bateu contra a bola na minha garganta, me mantido muda. Sua mão fria pousa no meu rosto, o cheiro metálico da corrente. — Prometemos há um tempo atrás que tínhamos que perdoar um ao outro de


qualquer coisa, você vai fazer isso por mim? Você me perdoa por ter ferido a menina que eu amo mais do que qualquer um? Eu quase caí do meu balanço, foi apenas o meu aperto de morte que me manteve na posição vertical. Ama. Ele me ama. Como uma irmã? Um amigo? Uma irritante e pequena marca? Minha voz falhou quando eu sussurrei: — O que você quer de mim? — A pergunta era estranhamente sábia e mais velha do que os meus treze anos. Mas eu sabia exatamente o que eu estava perguntando e eu sabia exatamente o que queria. Seu rosto chegou perto, seu nariz roçando no meu. Foi o mais próximo que alguma vez eu tinha estado de beijar. Estar rindo com cócegas e beijando os rostos quando éramos mais jovens não contava. Isto... Era diferente. Completamente diferente. Selvagem e impertinente e adulto. — Tudo, Cleo. Eu quero tudo de você. A desaceleração da moto e quietude do ronco do motor rasgou minha mente do passado. A poderosa massa de Arthur descansou em meus braços e eu o apertei tão forte como eu apertei a corrente do balanço. Eu não podia respirar enquanto o maremoto de emoções veio em cima de mim, me afogando em amor por este homem complicado. Eu o amei desde o momento em que ele me levou para casa depois de eu cair da minha bicicleta. As estrelas me fizeram para ele. Eu era dele e me mata pensar que eu tinha esquecido isso. Esquecido dele. Esse lugar. Nosso passado. Tudo. Eu fui embora e esqueço a parte mais importante da minha vida. Como eu tinha sobrevivido sem ele? Como eu tinha encontrado conforto com um menino com olhos castanhos que eu ainda não conseguia me lembrar? Não fazia sentido que meu cérebro tenha desligado alguém tão importante. — Eu sinto muito, Art. Por deixá-lo. Lágrimas escorriam pelo meu rosto enquanto eu o abracei com mais força. Meus braços doíam, meu coração explodindo, mas, eu não podia chegar perto o suficiente.


Seus braços pousam sobre os meus, apertando de volta. Deixandome ir, ele arrancou o capacete e girou para me encarar. — Você lembrou? — Nosso primeiro beijo? — O que eu disse a você naquela noite. Eu balancei a cabeça, meus olhos caindo para sua boca. — Você disse que queria tudo de mim. — E você me deu tudo? Eu disse suavemente, — Não havia nada para dar. Você já era o dono de tudo. Seus lábios se esmagaram contra os meus, sua língua experiente na minha boca, transportando-me de volta para o nosso primeiro beijo. Seus lábios estavam quentes e com sabor de chicletes de mirtilo. No momento em que sua boca encontrou a minha, eu sabia. Eu sabia por que eu tinha nascido e o que meu futuro tinha traçado para mim. Eu me casaria com ele. Eu estaria ao seu lado até que a morte nos separasse. Suas mãos foram para o meu rosto, me segurando no lugar quando a estranha sensação de sua língua molhada, deliciosa persuadiu meus lábios a se abrirem. Eles abriram. E eu estremeço em seus braços. Não havia nada de estranho sobre o nosso beijo. Nada experimental ou incerto. Nós nos conhecemos tão bem, nós tínhamos dominado nossas almas, era apenas justo que dominasse o nosso primeiro beijo também. Art se afastou, respirando com dificuldade. — Você está lembrando mais? Estar aqui? Eu fiz uma careta. — Me lembro daquela noite vividamente. Lembrome do balanço e da árvore em frente ao parque onde você me empurrou e me


beijou mais forte do que você jamais me beijou antes. Mas, eu não me lembro de como chegamos lá, onde estávamos indo, ou onde eu morava. — Eu balancei minha cabeça, meus dedos tocando minha têmpora. — Está tudo lá, apenas... arquivado nos lugares errados. Seus olhos escureceram. — Eu espero que o próximo lugar que eu te mostrar vai trazer de volta tudo. Se isso não acontecer, então eu realmente não sei o que vai. — Me dando um sorriso nervoso, ele acrescentou: — Não se preocupe. Independentemente de memórias antigas, estamos juntos agora e eu penso em fazer uma vida inteira de novas. Antes que eu pudesse responder, ele me beijou com ternura, então girou de volta. Colocando o capacete de volta, ele acelerou a moto em movimento, rapidamente recuperando o atraso com Mo e Grasshopper, que tinham seguido à frente, obviamente, para nos dar alguma privacidade. Eu gostaria de ter perguntado para onde estávamos indo. O que ele fez que espera devolver a minha memória? Quanto mais nós dirigimos nestas ruas, mais conforto e nervosismo descem. Eu conhecia este lugar tão certo como eu conhecia Art quando eu o vi pela primeira vez, mas, as memórias estavam envoltas em névoa. O sol da tarde tinha se transformado de um brilho dourado a uma neblina avermelhada na medida que o tempo avançou, banhando o local com novos começos. Minhas coxas doíam e minha bunda estava plana quando Grasshopper e Mo abrandaram e viraram suas motocicletas em uma lanchonete amarela e branca. Agarrei a barriga de Arthur, antecipando uma parada, mas, ele só acenou e aumentou sua velocidade. Olhamos para eles, deixando-os em nossa esteira empoeirada. Por que estamos indo sozinhos? Eu não tive que esperar muito tempo para perguntar. Arthur dirigiu através do subúrbio para a outra extremidade da cidade, em seguida, desligou o motor que rolou até parar em um recanto espesso fora de uma estrada deserta.


Chutando o suporte para baixo, ele pulou da moto, antes de me agarrar e ajudar as minhas pernas de geleia a se desembrulhar de todo o seu dispositivo de confiança. — Aqui estamos nós —, disse ele, arrancando seu capacete, e empurrando a mão pelo cabelo um pouco suado. Ele se aproximou com os olhos cheios de expectativa. Seus dedos foram em torno de meu queixo para desfazer o meu capacete. Minha pele despertou sob seu toque, eu balanço mais perto. Seus lábios se inclinam em um meio sorriso, mostrando a nitidez da sua mandíbula forte e a confusão sexy de longos fios caindo sobre sua testa. Puxando o capacete livre, ele sussurrou, — Mesmo depois de uma viagem de duas horas, você ainda é impressionante pra caralho. Eu sorri quando ele me beijou suavemente. — Estou feliz que você pense assim, vendo como eu não tenho nenhuma maneira de me fazer apresentável. Olhando em torno da estrada vazia, eu perguntei, — Onde exatamente você me trouxe? Seus olhos perderam o brilho esmeralda, mudando para um verde liso. — Em algum lugar que eu jurei que nunca iria voltar. O lugar dos meus malditos pesadelos. Meu estômago se apertou em seu tom. Queime menina. Queime. Engoli em seco. — Então por que me trouxe aqui? — Eu olhei para os arbustos enquanto a ansiedade se estabeleceu fortemente nas minhas entranhas. Perigo. Corra. Eu não deveria estar aqui. Ele massageava a parte de trás do seu pescoço. — Porque isso pode lembrá-la o suficiente para que tudo volte. Eu preciso saber o que aconteceu. Então eu posso dizer o que eu pretendo fazer. — Quem você pretende ferir por vingança, você quer dizer?


Ele mostrou os dentes, a necessidade brilhante de vingança em seu olhar. — Quem eu quero dizer que vou matar, não machucar. — Você não pode estar falando sério. Ele congelou, a animosidade se estabelecendo como a névoa em torno dele. — Estou falando sério. Se você soubesse o que eles fizeram, você não seria tão rápida em julgar. — Diga-me, então, para que eu possa fazer a minha própria mente. — Meu coração disparou. — Você não pode continuar a falar assim. O que eles fizeram? Quem são eles? Apenas me diga seus nomes. Diga-me o que você fez para ir parar na prisão. Diga-me como você saiu tão cedo, mesmo quando golpeado com uma sentença de prisão perpétua. Sua boca se abriu. — Como você sabe sobre isso? Cruzei os braços. — Grasshopper me disse. — Que porra é essa? — Ele jogou as mãos para cima. — Esse maldito idiota. Não é possível manter o nariz fora do meu negócio. Meu temperamento queima. — Você está esquecendo que você quis me vender. Ele achou que eu nunca iria vê-lo novamente. Ele me disse algumas coisas para que eu pudesse ir para alguém novo, sabendo que eu nunca tive uma chance com você. — Minha voz sumiu lembrando o que mais ele tinha dito. — Ele me contou como você fodia as mulheres e como ele poderia dizer que eu não significava nada para você pelo jeito que você me tratou. Arthur de repente agarrou meus ombros. Ele me balançou, forçando os meus olhos para encontrar os dele. — Não acredite em uma palavra dessas mentiras, que ele disse. Quero dizer, cada coisa maldita sobre mim. Nunca duvide disso. Nunca. Eu sorri. — Eu sei disso. Agora. Mas, você era denso, Art. Você estava tão envolvido em sua miséria que mesmo a verdade não estava se registrando. Em algum nível você acreditou em mim, mas, você continuou me empurrando para longe e me tratando... Arthur fechou os olhos, agonia gravada em seu rosto. Ele deu um beijo feroz na minha testa. — Eu sinto muito. Tanto, porra. Eu vou te dizer a


cada maldito dia para o resto de nossas vidas. Eu vou fazer isso para você, eu prometo. Eu balancei minha cabeça. — Eu não preciso de desculpas. Eu o feri mais do que posso suportar por esquecer tudo o que tínhamos. Eu ainda não entendo como minha mente excluiu algo tão fundamental, ambos temos falhas. Mas, há um monte de coisas que precisamos falar. Eu preciso saber... — Eu sei tudo isso! — Raiva coloriu seu rosto. — Eu sei que precisamos conversar, mas porra, Cleo. Dê-me um tempo. Eu congelei com sua raiva súbita. O que diabos o fizera estalar? — Art, o que deu em você? Você não pode explodir quando quer sem... Sua mão bateu para cima, me cortando. — Pelo amor de Deus, é só esperar, Cleo. Apenas uma vez em sua vida, seja paciente. — Eu sou paciente! Ele fez uma careta, puxando meu pulso. — Você nunca foi paciente. Mas, estou implorando, porra. Deixe-me dizer-lhe do meu jeito. — Seu rosto caiu, sem sucesso, escondendo o terror sob a sua ira estrondosa. — Não me obrigue a dizer algo que eu não tenho coragem. Ainda não. Meu coração se partiu. Eu não tinha outra resposta do que querer beijá-lo sem sentido e curar a dor esfarrapada em sua alma. Sem outra palavra, ele me puxou em torno de sua moto e na vegetação rasteira. Folhas e galhos se estendem como mãos com os dedos pegajosos, arranhando ao longo do couro e pernas nuas. Eu não conseguia parar de repetir sua observação resmungando sobre a minha paciência. Eu era uma santa quando vinha à espera de respostas. Incapaz de parar, eu murmurei, — Uma vez na minha vida eu devo ser paciente? Eu acho que nos últimos oito anos, eu mostrei que tenho uma alta tolerância da palavra. Ele se virou para mim, suas narinas queimando de raiva. — E eu não tenho? Eu não tive que passar os últimos oito anos amando um fantasma apenas para descobrir que você estava viva todo esse tempo, e vivendo com as pessoas que cuidaram de você, feliz e construindo uma nova vida sem mim?


Merda. — Isso foi baixo, Art. Eu não quis dizer isso. Eu só quis dizer... — Foda-se, isto é tudo um monte de asneiras. Que diabos eu estou fazendo? — Ele apertou a ponta do seu nariz, agarrando seu temperamento e engolindo-o de volta. — Eu sei que você não fez isso. É apenas tão difícil saber que você esteve viva todo esse tempo, enquanto eu pensei que você estivesse morta. Se alguém merece o prêmio de não perder a sua mente e ser paciente, sou eu. Ele bateu o punho contra seu peito. — Você não parece assim... Olhando para fora, ele riu mórbido. — É por que você... você não tem ideia do que aconteceu enquanto você estava fora. Mas, tome minha palavra, eu venho planejando isso há muito tempo, porra. Eu poderia ter tido meus anos de vingança tempos atrás. Eu poderia ter acabado isso lá e matado o filho da puta em seu sono e eu não me importava se eles me matassem no processo. Mas Wallstreet... Aquele idiota novamente. — Wallstreet? O que ele tem a ver com isso? Arthur sorriu tristemente. — Tudo. Ele tem tudo a ver com isso. E você verá, se você apenas me seguir e me deixar te mostrar. Como isto se transformou em uma discussão? Apenas estar de volta aqui me deixou irritável e desconfortável. Eu queria ir embora. Quanto mais cedo isso acabasse, mais cedo iria acontecer. Me forçando a deixar ir tudo, eu murmurei, — Me mostre. Eu quero ver. Seus ombros caíram. — Eu sei que isso vai ser difícil em alguns aspectos. Por reconhecer este lugar, mas, não se lembrar. Foi a minha vez de sorrir tristemente. — Nada é mais difícil do que reconhecer você e não recordar da nossa vida juntos. Ele engoliu em seco, seu pescoço poderoso cerrando com o esforço. — Você não tem ideia de como isso é verdade. — Sombras invadiram seus olhos. — Eu não vou negar que eu estou lutando. Eu estou lutando com cada memória maldita que já fizemos juntos, sabendo que você não se


lembra. — Ele suspirou, olhando para longe. — É como se eu tivesse todos os meus desejos se tornando realidade, apenas para descobrir que parte do que nos fez tão especial desapareceu. Minha cabeça doía com a pressão de sua dor. Eu não podia responder. Silenciosamente, ele pegou minha mão, enrolando seus dedos com os meus, e me guiou através da vegetação rasteira. Nós não vamos muito longe para fora da estrada antes de Art correr atrás de uma árvore e me pressionar contra ela. Seu coração troveja contra o meu quando ele bateu com a mão sobre a minha boca. — Quieta —, ele sussurrou em meu ouvido. Minhas costas travaram enquanto ouvia o que tinha lhe assustado. Só o apito suave através das folhas e o leve zumbido dos insetos. Meu próprio coração combinava com seu no ritmo, nervosismo, engrossando o meu sangue uma vez mais. Um minuto assinala passando, antes que Arthur me deixa ir, sua mão quente caindo dos meus lábios. — Desculpe, pensei ter ouvido alguma coisa. — Seus olhos caíram para a minha boca, os quadris pressionando cada vez mais. — No entanto, esta posição tem algumas vantagens. Meus lábios tremeram quando sua cabeça abaixou, os lábios roçando sempre muito gentis sobre os meus. Eu gemi um pouco quando sua ereção endurecida cutucou meu baixo ventre. Rindo sob a minha respiração, eu o empurrei. — Pare com isso. Se não começarmos, não vamos acabar com isso. — E eu realmente quero acabar com isso para podermos sair. Eu estava assustada por razões que eu não podia explicar. Deus, tudo doía. Além da agonia no coração. Não, para além da agonia e tortura excruciante. Minha visão era negra, meus pulmões engasgando com fumaça, e todo o meu corpo pertencia a chamas eternas.


O som de pneus cantando e depois a corrida de passos ecoaram em meus ouvidos. Tudo no que eu podia focar era o crepitar e cuspir do fogo. Isso viveu dentro de mim, transformando meus pensamentos em cinzas. — Olá. Você pode me ouvir? Eu gritei quando algo tocou meu braço carbonizado. — Não toque nela. Vou chamar uma ambulância. Minha vida cintilou de dentro para fora, metade neste mundo, metade no inferior. Tudo o que eu lembrava era a dor, dor e mais dor. As luzes, em seguida, brilhantes e aromas de antisséptico. — Nós não podemos tratá-la aqui. Nós não temos o equipamento necessário. Vamos organizar um transporte aéreo e levá-la ao médico mais próximo que pode salvá-la. — Será que ela vai viver? Meus ouvidos lutam contra o chiado do fogo para bloquear a resposta. Será que vou viver? Eu quero viver? O que há para viver? — Eu não sei. É tudo sobre ela. Vamos apenas esperar que ela tivesse alguém para puxá-la completamente. Achou qualquer identificação? Família que podemos chamar? Meu coração pegou seu ritmo lento, lutando contra a dor incapacitante. Família. Sim, eu tinha família. Não tinha? Eu gritei novamente quando a dor começou a apagar tudo dentro de mim. Agarrei mais forte cada mecha enquanto as chamas voltadas para dentro, devorando o meu passado, minha sanidade, a própria essência de quem eu era até que eu não tinha nada, apenas o vazio.


Eu estava em branco. O flashback terminou. Eu tropecei, mesmo agora sentindo a tortura de sobreviver ao fogo. Pela primeira vez eu encontrei uma bênção na minha amnésia. Eu desejei que eu pudesse ter continuado a esquecer essa agonia paralisante. — Você está bem? Merda, Cleo, você está tremendo. — Arthur colocou seu braço em volta dos meus ombros. O calor do corpo era reconfortante, mas, muito sufocante após a memória de ser queimada viva. Eu me afastei, esfregando as mãos sobre o meu rosto. — Sim, eu estou bem. Apenas vamos ficar em movimento. Eu preciso... eu preciso me manter em movimento. — Minha voz era frágil e eu sabia que se Arthur me perguntasse mais uma vez se eu estava bem, gostaria de estar longe. Pelo menos agora eu sabia como eu tinha sido levada para longe após o rastreamento através da vegetação rasteira e passando para fora em uma vala. Tudo o que eu sabia era que eu tinha que correr. Tive que rastejar. Tive que fugir de qualquer maneira possível. As pessoas boas que tinham me encontrado tinham provavelmente salvado a minha vida em mais de uma maneira, não apenas da minha situação imediata, mas me levando pra longe, também. Quem queria me matar? O que eu tinha feito para merecer isso? Arthur ficou paralisado no local. No olhar em seus olhos havia uma luta entre suas perguntas e a necessidade de ajudar. Mas ele honrou meu desejo. Sussurrando suavemente, ele disse: — Neste caminho. — Tomando minha mão, ele correu o polegar sobre os nós dos dedos cicatrizados, concedendo-me uma âncora do nosso amor. — Um olhar rápido, então nós iremos, Cleo. Eu não quero mais você aqui. Eu odeio pensar em você revivendo coisas que você está com medo de me dizer. — Seu olhar caiu para a minha perna cicatrizada, cheio de ódio, pesar e tristeza. — Obrigada —, eu sussurrei. — Obrigada pela compreensão. Acenando com a cabeça uma vez, ele me guiou o restante do caminho. A vegetação diluída à medida que nos aproximávamos de nosso destino.


A cerca de madeira alta apareceu como que do nada, salpicada do sol de fim de tarde e de folhas. A parte superior era protegida por cachos viciosos de arame farpado. Cada empalidecer era linear e perfeito, nenhuma madeira deformada ou apodrecendo era vista em todo o comprimento do perímetro. — O que é este lugar? Arthur me puxou para mais perto, suas grandes botas surpreendentemente tranquilas sobre a matéria de folhas espalhadas e galhos. Meu tênis, por outro lado, parecia achar cada estalo e encaixe disponível. Não parando até que estávamos tocando a cerca, ele me puxou para ficar na frente dele. Apoiando-me contra a madeira, ele espalmou as mãos uma a cada lado da minha cabeça. O olhar intenso brilhando em seus olhos verdes me desfez. Minha mente correu com a necessidade. Meu núcleo torcido com o pensamento dele me levando. Aqui. Agora. No meio de onde diabos estávamos. Eu queria sexo. Eu queria afirmar que eu ainda estava aqui. Que eu continuava viva. Eu ainda era sua, independentemente do que tinha acontecido para impedir isso. Meus lábios ficaram entreabertos, com respiração superficial. Sua sobrancelha arqueou, luxúria sombreando seu rosto. — Por mais que eu goste da ideia de levá-la aqui, Buttercup, não há nenhuma maneira no inferno que eu baixe minha guarda em torno deste lugar. Eu sabia que ele estava certo, mas, isso não impediu a decepção encharcando meu rosto. Inclinando a cabeça, ele se aninhou na minha garganta. — Foda-se, pare de olhar para mim desse jeito. — Seus quadris arqueados contra o meu, um gemido suave caindo de seus lábios. Minhas mãos se levantaram e envolveram seu cabelo enquanto seu peito roçou meus mamilos. — É melhor nos movermos Art, caso contrário eu não vou me concentrar em nada além de você.


Engolindo em seco, ele deliberadamente se afastou, mantendo as mãos espalmadas sobre as estacas. Cerrando sua mandíbula, ele ordenou: — Olhe através da cerca. Então nós podemos sair. — Olhar por cima do muro? Ele balançou a cabeça, girando o dedo no ar, me apontando para virar. Cuidadosamente eu girei no local, torcendo na aperto de seus braços. Um pedaço de madeira tinha um nó natural, que tinha caído, deixando um buraco de espião em forma de olho. — Veja se você se lembra, — Arthur murmurou, sua respiração fazendo cócegas na minha nuca. Estremeci, completamente incapaz de me concentrar. — Pare com isso. Ele riu. O calor de seu corpo me aqueceu enquanto eu fechava um olho e olhei através da madeira. Outro complexo. Este era grande, mais em estilo de vila do que a grande morada de um andar que é a localização do Pure Corruption. Esse tinha uma sede social enorme no centro que parecia a área da congregação e da Câmara Municipal. Em torno do grande edifício as construções eram menores, todos indescritíveis, mas bem conservados, com motocicletas descansando em frente aos portões e garagens. Olhei mais, bebendo no estilo de vida abaixo. Os brinquedos das crianças estavam espalhados em quintais, carros brilhavam ao sol se pondo, e mais casas existiam à distância. O que é este lugar? O emblema com um punhal ensanguentado que desentranha uma rosa brilhava em neon na Sede social do clube. Rosa…


— Thorn, leve Cleo para Diane, você pode? Tenho que terminar isto aqui para Rubix esta noite. Meu pai me pegou na varanda, onde eu estava brincando com Legos. — Vamos, Buttercup. Hora de ir comprar alguma outra família. Olhei mais dura, disposta a deixar mais memórias virem. Quanto mais eu olhava, mais frustrada ficava. Eu sabia que eu conhecia este lugar, mas, a parede toda se recusou a deixe-me ver. Arthur pressiona contra mim. — Reconhece isso? —, ele respirou. Eu tremi com a sua respiração deslizando no meu pescoço novamente, fazendo-me não me importar nem um pouco sobre a visão na frente, mas, apenas o homem atrás. — Na verdade não. Eu sei que eu deveria, mas, isso não está vindo. — Qual é o nome do clube? Olhei para o rosa e punhal e fui para o óbvio. — Rose and Dagger? Ele se contraiu atrás de mim. — Fechado. Dagger Rose. Eles são um MC com cinquenta membros fortes. Maior do que Pure por mais da metade. Eles têm membros em todo Estados Unidos, mas, este é o principal. Enquanto eu me mantive espionando, notei crianças brincando em uma caixa de areia em uma das ruas e duas mulheres ao redor. Uns homens se espreguiçam com o traje típico de motociclista, enquanto outros faziam tarefas de jardinagem seminus e contentes, no sol de fim de tarde. Parecia normal e seguro. — Ei, pequena Cleo. Eu olhei para o homem que tinha estado lá desde que eu nasci. Ele sempre tinha algo doce em sua jaqueta de couro e ele sai com o meu pai o tempo todo. — Ei. — Onde está Thorn? Eu levantei minha cabeça na Sede social do clube. — Com a mamãe. Eles ouviram sobre um ataque. Acho que eles estão rasgando algumas coisas.


O cara fez uma careta, escuridão cintilando em seus olhos antes de desaparecer com a mesma rapidez. Enfiando a mão no bolso, ele jogou um pequeno pacote de alcaçuz de todos os tipos para mim. — Obrigado, princesa. Eu empurro de volta a partir da vedação, respirando com dificuldade. Queime menina. Queime. Ele. O jogo. O fogo. A casa derretendo em volta de mim. Foi tudo por causa dele. — O que você lembra? — Arthur girou em torno de mim, segurando meu corpo trêmulo. — Ei, está tudo bem. Eu entendo você. Ninguém vai tocar em você. Isso foi o que eu pensei. Eu pensei que era seguro. Era suposto que eu fosse intocável. Inspirando em sua jaqueta, eu inalo seu aroma de ventos e oceano. — Estou bem. Apenas me dê um segundo. Arthur acariciou meu cabelo. — Você o viu. Não é? Eu congelo. — Porra, você se lembrou. — Sua voz se tornou dura e quase mal. — Esse filho da puta. Este patife fodido pedaço de merda. Eu me contorci em seu abraço feroz, olhando em seus olhos. — Quem? O que é este lugar? Ele fez uma pausa, seu corpo apertado com raiva. — Eu pensei que você se lembrava Mordi o lábio, a parede pesada dentro da minha mente batendo resolutamente fechada. Não houve pontos curiosos. Estava fechada e impenetrável. — Não é assim que funciona. Me lembro de trechos. As coisas


vêm em um clarão e, em seguida, desaparecem. Eu ainda não tenho o suficiente para reunir a história completa. Suspirando, eu perguntei, — Eu deveria saber desse lugar, embora, eu não deveria? Arthur apertou a testa acima de seu nariz, caminhando para longe com a frustração. — Você deve, sim. — Por quê? Parado, ele deixou cair sua mão. — Porque você nasceu lá. Você foi criada lá. Eu também. Toda a nossa vida, até que você completou catorze anos, foi passada em momentos de felicidade lá em baixo. — Seu tom de voz não era a de um homem que fala com carinho de sua infância, mas, um prisioneiro que tinha escapado milagrosamente e queria matar os homens que o mantinham cativo. Minha mente deslizou como uma cobra hibernando, assobiando o seu caminho para a verdade, estrangulando todos os outros pensamentos em seu caminho. — O que aconteceu depois do meu décimo quarto aniversário? —, eu murmurei. Arthur estava rígido. — Você quer dizer... você não se lembra de nada? Horror rastejou em seu rosto. Meu coração ficou apertado. — Arthur... Eu estou pedindo que você... o que aconteceu naquela noite? Ele se afastou de mim, suas mãos mergulhando em seu cabelo. — Não me pergunte isso Cleo. Você não pode me perguntar isso. — Seu rosto ficou branco. — Art, você pode me dizer. Eu preciso saber. Tudo depende dessa única noite. O fogo. O sangue. Lembro-me de fugir, mas, eu não lembro como começou ou por quê. Arthur balançou a cabeça, andando como um animal enjaulado. — Naquela noite. — Ele olhou para cima, torturado. — Eu... eu não posso... merda! Mudei-me para frente, estendendo a mão para ele.


Ele se esquivou do meu toque, caminhando em direção à moto. — Vem. Nós não podemos ficar aqui. Eles vão nos ver. Quero dizer, vamos começar uma guerra porra, mas, nos meus termos, não no deles. Guerra. Isso significa briga. Ele havia dito algo semelhante na Sede do clube. — Por quê? O que você está escondendo de mim! Arthur virou-se, agarrou meu pulso e me puxou na direção da moto. — Eu não vou dizer a você até que eu saiba o que você sabe. Eu não quero correr o risco de colocar memórias na sua cabeça. Mentira. Ele está escondendo algo de mim. Meu estômago caiu por pensar que o único homem que eu amei, o único homem que era suposto estar no meu lado tinha algo escondido. Eu ainda era um peão, sendo empurrado em torno de um tabuleiro de xadrez invisível. — Isso só vai se tornar pior se eu descobrir o que você está escondendo, se você mesmo não me disser —, eu sussurrei, seguindo seus passos quando nós pisamos através da floresta. Ele não respondeu. Ele não precisou. Ele sabia que estava errado. E ele estava ao mesmo tempo petrificado e ansioso para eu lembrar. Uma guerra estava chegando. A guerra era iminente. Isso iria acontecer entre o Pure Corruption e o Dagger Rose. E isso iria acontecer por minha causa.


Capítulo Vinte Assim como ela não sabia. Eu também não podia dizer a ela. Morte no horizonte. Guerra no ar. Eu não poderia compartilhar o que eu pretendia fazer até que ela lembrasse sozinha. Só então eu poderia mostrar-lhe por que eu tive que matar as pessoas mais próximas a mim. Só então ela entenderá. — Kill

Nós não tínhamos nos falado. Nem uma palavra, uma vez que Arthur me arrastou para longe do Dagger Rose e me jogou na parte traseira de sua moto. O ronco do motor anulou o silêncio constrangedor entre nós, mas, apenas até que chegamos ao lado das Triumphs de Mo e Grasshopper no restaurante amarelo e branco. Arthur não fez contato visual quando ele tomou o meu capacete e abriu a porta para mim. Avançando para dentro, ele encolheu os ombros no paletó, jogando-o sobre meus ombros em um gesto de alfa possessivo. Pisquei. Por que diabos ele tinha feito isso? Reclamando um direito? O restaurante era ocupado com as famílias, alguns membros de clubes de motociclistas com coletes de couro que eu não reconheci, e alguns motoristas. Mo olhou para cima. Seu cabelo loiro pegou os últimos raios de sol brilhando através do vidro. Acenando, ele fez sinal para nós irmos até a cabine.


Agarrando minha mão, Arthur me guiou para o jantar antes de deslizar ao lado de Mo. — Sente-se ao meu lado, Sarah, Cleo, quem quer que seja. — Grasshopper balançou as sobrancelhas, acariciando o vinil amarelo ao lado dele. Eu dou um sorriso, empoleirando-me ao lado dele. — Obrigada. — Não se preocupe. — Derramando um copo de água do jarro sobre a mesa, ele o deslizou para mim. — Viu o antigo lugar, hein? Lar doce lar, certo? — Ele riu como se ele tivesse feito a melhor piada do mundo. Algo doía dentro de mim. Eu queria respostas para conhecer a história do Dagger Rose, para lembrar do grande complexo. Por que algo tão fundamental como a localização da minha infância tinha desaparecido? Algo aconteceu lá em baixo. Algo tão traumático, que seu cérebro protegeu de você. Alguma proteção que agora arruína meu futuro. Eu estreitei meu olhar em Arthur do outro lado da mesa. — Foi interessante —, eu disse. Arthur recusou-se a fazer contato visual. Droga, o que ele estava escondendo? E por que ele estava absolutamente aterrorizado por me dizer? O cheiro dele em sua jaqueta nublou meu nariz. Foi por isso que ele me fez usá-la? Para lembrar-me que não importa o que aconteça, eu estava sob sua proteção? Seu amor? — Interessante? — Grasshopper riu. — Eu diria que foi muito mais do que isso. A cabeça de Arthur dispara acima, olhando para Grasshopper. — Chega. — Agarrando a jarra de água, ele se serviu de um copo e jogou-o de volta. Batendo o copo vazio na mesa, ele acrescentou: — Ele não estava lá. Não que eu pudesse ver. Quem não estava onde? Meus olhos voavam entre os homens. Mo disse: — Talvez ele estivesse fora do complexo?


— Talvez. — Arthur levantou um dedo, sinalizando para a garçonete. — Mas, eu não gosto do fato de que o filho da puta não estava lá. Se eu tivesse um tiro limpo, eu poderia ter levado para fora e os prejudicado antes... — Seus olhos caíram sobre mim, os lábios fechando apertados. — Você teve uma porrada de chances em que você poderia ter feito assim. Isso não era o que você queria que acontecesse, cara. — Grasshopper olhou na minha direção. — Cleo... talvez você não devesse... — O que, estar aqui? Ouvir o que vocês estão planejando? — Eu enrolo minhas mãos no meu colo. — De jeito nenhum que você vai me manter no escuro mais. Qualquer um de vocês. — Meus olhos perfuraram os de Arthur, transmitindo o quão perto eu estava de explodir gritando para pedir a verdade. — Diga-me. Eu quero ouvir tudo isso. Grasshopper lançou um olhar para Arthur, mas, não antes de eu ver o olhar de nervosismo em seu olhar. — Pare de fazer isso. — eu bati. — Parar o quê? — Grasshopper piscou culpado. Ugh! — Você sabe o que. Tudo que você faz. — Olhando furiosa para os homens, acrescentei: — Eu lembrei-me do suficiente para saber que Arthur e eu temos uma história. Eu vim do mesmo lugar que ele. Nós crescemos juntos. Tudo o que você está escondendo do passado me afeta, também. Eu mereço saber o que é. Arthur de repente pegou minha mão, apertando-a em plena vista de seus irmãos. — Não seja tão ansiosa para saber de coisas horríveis, Buttercup. — Nada de Buttercup. Eu quero a verdade Art e eu quero agora. — Quando ele não se mexeu, eu abaixei a minha voz a um apelo. — Conte-me tudo, inclusive porque você quer começar uma guerra. O que eles fizeram para merecer isso? A jaqueta de Arthur fez minha pele picar com calor. Todos os três homens riram em perfeita sincronia escura. — O que eles não fizeram —, disse Grasshopper. — Sério, se você se lembrasse da metade da merda que veio abaixo, você seria a única com a porra da arma.


Eu quis que outro flashback viesse. Para me lembrar do lugar, recordar da casa que tinha sido nossa, como parecia por dentro. Nada. Nenhuma voz, sem odores, nem mesmo sensações de saber algo. Era um grande vazio secreto, negro. Meus olhos queimaram de tão amplos quando um pensamento horrível veio à mente. — Se eu nasci lá... Os meus pais ainda estão lá? Os homens olharam para qualquer lugar, menos para mim. Arthur olhou para fora da janela, o mesmo terror torturado se escondendo sem sucesso em seu olhar. Meu estômago afundou em meus dedos do pé. Não, não pode ser. Não importa o quanto eu evito a resposta, me escondendo dentro da minha cabeça, ela simplesmente ficou mais forte e mais forte. Eles estão mortos. Não! Eu cerrei os dentes, azarando algum flashback que podia escolher vir e me mostrar a verdade horrível. A última vez que eu vi eles... eles estavam vivos. Não estavam? Eles não estavam? O olhar verde de Arthur brilhava com amor e simpatia, o medo percorrendo minhas costas. Uma garçonete apareceu. — Olá a todos. Aqui estão os seus menus. Posso chamar sua atenção para as promoções especiais? Todo mundo congelou, quase como se fôssemos culpados por falar sobre coisas que nunca deviam ser discutidas em público. Arthur se recolheu. Eu odiei a interrupção.


Outro momento era tudo que eu precisava. Um momento para transformar a tensão em uma faca e cortar através das mentiras. Arthur teria me dito. Eu preciso saber sobre os meus pais! — Sem promoções e sem cardápios —, disse Grasshopper. — Basta trazer uma rodada de hambúrgueres e batatas fritas a todos nós. O abismo entre Arthur e eu crescia mais a cada segundo. Nossos olhos permaneceram presos, nunca desviando nosso olhar um do outro. Uma lágrima escorreu silenciosamente pelo meu rosto quando o meu coração se partiu. Eu não precisava de palavras para saber. Seu olhar falou alto demais para ser ignorado. Eles estão mortos. É verdade. A garçonete loira acenou com a cabeça, a caneta arranhando ao longo de um bloco de notas. — Já estará vindo. Hambúrgueres para todos. Pensar na comida me enjoou. Como eu poderia comer quando eu tinha acabado de descobrir que era uma órfã? Arthur rosnou: — Estamos com um prazo curto. A velocidade é fundamental. A garçonete balançou a cabeça novamente. — Claro que sim, querido. — Dobrando os cardápios não lidos debaixo do braço, ela se apressou se afastado em seu uniforme branco e amarelo. — Querido? Não lembro de você ser chamado assim antes —, Grasshopper disse, tentando aliviar o clima. O problema era que a atmosfera nunca iria clarear até que as mentiras fossem embora, autorizando a chuva de uma nuvem de história e vingança. — Art... como você poderia manter isso de mim? —, eu sussurrei indo direto ao ponto crucial da minha dor. — Ah, merda, — Mo murmurou, fugindo para mais perto da parede, evitando a raiva fervilhante de Arthur.


Arthur ficou tenso. — Eu já lhe disse esta noite. Quando estivéssemos sozinhos e eu souber o quanto você se lembrou. — Por que você tem que saber o que eu me lembro? O que está trancado dentro da minha cabeça que você está com tanto medo? Ele baixou os olhos para a mesa. Ele ainda está me escondendo alguma coisa! Meu temperamento estalou. Raiva sequestrando meus músculos até que eu tremia com uma potente mistura de tristeza e ferocidade. — Agora. Conte-me tudo. Agora! — Correndo as mãos pelo meu cabelo vermelho, eu chio, — Tudo, Art. Eu não vou perguntar de novo. O silêncio reinou por um segundo. Eu puxei a sua jaqueta, desejando que eu pudesse tirá-la. Eu senti como se ela me consumisse, me impedindo de dissolver em loucura. É por isso que ele a deu para mim. Para lembrar-me que apesar de tudo o que aconteceu no passado, bom ou mau, ele não ia me deixar ir. A raiva substituiu sua ansiedade. — Bem. Você quer a verdade? Vou dar-lhe a porra da verdade. — Oh, garoto. Aqui vamos nós. — Grasshopper murmurou. Arthur lhe lançou um olhar vicioso. — Seus pais estão mortos. O incêndio na casa em que você estava foi aceso para cobrir seus corpos e destruir as provas. — Respirando com dificuldade, ele arrastou ambas as mãos pelo seu cabelo longo. — Eles os mataram e assumiram o clube. Saber que era real e ouvir são duas coisas totalmente diferentes. Minha mente se rebelou contra a verdade. Eu não conseguia parar de tremer. — Quem... quem os matou? Por um segundo, tudo parou, o mundo deixou de girar, e até mesmo as partículas de poeira no ar se recusaram a mover-se. Arthur lutou com a resposta, seu rosto se contorcendo, em seguida, alisando em aceitação. Ele tinha que dizer a verdade, tanto quanto doesse. — A casa da sua família foi queimada por Scott 'Rubix' Killian.


Olhos verdes. Alcaçuz de todos os tipos. Meu tio sem parentesco. Arthur... — Seu pai matou meus pais e tentou me matar? — Minha voz mal foi levada do outro lado da mesa. Meu coração doía e eu esfreguei meu peito, tentando aliviar a agonia irregular. — Mas por quê? Lembro-me dele sempre estar lá. Eles eram melhores amigos. Grasshopper se aproximou, concedendo-me conforto, mas, não me tocou. Arthur baixou a cabeça. — Ele queria o que seu pai tinha. Ele queria tudo. — Quem é você, papai? —, perguntei, traçando o bordado em sua jaqueta de couro preta. As palavras da sua posição estavam em um tipo de letra que eu não conseguia entender. Ele me arrancou do tapete, abraçando-me perto. — Eu sou o chefão, Buttercup. A lei. — Você é o chefe? — Eu enrugo meu nariz. — Você não é o meu chefe. Ele riu enquanto eu me contorcia fora do seu controle e corria para me esconder atrás do sofá. Perseguindo-me com as mãos para cima pronto para agradar, ele disse: — Eu sou o presidente e, definitivamente, o seu chefe. Eu gritei, minhas pernas pouco rápidas de sete anos de idade não eram o suficiente para fugir dele e das suas mãos fazendo cócegas. — O que isso faz de mim, então? Se você é o presidente, isso significa que eu sou a princesa? — Eu não podia acreditar na minha sorte. Eu era a Princesa Buttercup, assim como o meu filme favorito. Ele sorriu, alisando meu cabelo emaranhado. — Eu suponho que você está em um caminho certo. Minha própria pequena princesa. — Ele os matou por nada. — Eu me enrolei em mim mesmo, abraçando a minha caixa torácica.


A voz de Arthur estava tensa. — Eu sinto muito, Cleo. Acredite em mim, o filho da puta vai pagar. Eu não posso mudar o sangue que flui em minhas veias, mas eu posso fazer isso para você, colocando-o no chão. Eu balancei minha cabeça. Morte para vingar a morte não era a justiça, era apenas uma tragédia. Mas, ao mesmo tempo, eu não poderia digerir o pensamento dele estar vivo e governando um clube que ele tinha tomado pelo mal, um clube pertencente a meu pai. Eu não posso viver em um mundo onde a minha tentativa de assassinato prospera. Minha alma chorou. — Por que eu? Ele tentou me matar porque estávamos juntos? Porque ele sabia como nos sentíamos um sobre o outro? Os olhos de Arthur escureceram, com as mãos enrolando apertado. — Não. Ele nunca planejou matá-la. Você estava no lugar errado na hora errada. — Ele olhou para longe, sua mandíbula apertada com tanta força que ele não podia dizer mais nada. Grasshopper saltou. — Ele queria você viva. Meus olhos nos seus azuis, pedindo o fim do enigma. — Por quê? Arthur finalmente teve sua raiva sob controle, sussurrando duramente, — Ele sabia o que estávamos indo perguntar a seu pai naquela noite. Ele sabia o quanto eu fodidamente amava você. Mas o bastardo tinha outros planos. Eu acho que não seria possível para o meu estômago cair mais longe, mas, de alguma forma, ele escorregou até o chão e caiu para baixo e para baixo. — Quais eram os planos, Art? —, eu respirei, cada músculo apreensivo contra a sua resposta. — Vendê-la —, disse Grasshopper. — Que melhor maneira de formar membros leais do que vender a filha do presidente, que ele acabou de matar? Ele planejava usá-la para se unir a outro grande clube em San Diego. Você estava para ser utilizada como... — Como um peão. — Agora eu vi o tabuleiro de xadrez. Agora eu entendi os jogadores, se não as regras. Meus olhos encontraram os de Arthur. — Ele nunca ia nos deixar ficar juntos.


Arthur balançou a cabeça tristemente. — Eu só descobri alguns anos depois que ele deixou você dentro da casa para aterrorizar você. Ele planejava vir em seu salvamento, fazendo você acreditar que ele tentou salvar seus pais, exatamente como ele a salvou. Ele planejava usar o seu agradecimento como uma arma e suborná-la para pagar a dívida de sua bondade. Oh Deus. Eu tinha fugido não só de uma morte horrível, mas, de uma existência horrível, também. — Mas, eu escapei —, eu sussurrei. Arthur abaixou a cabeça, o rosto branco. — Eu ainda não sei como ele perdeu você de vista, ou se alguém te encontrou e levou você — Ele não o fez, — eu respirei fundo. — Eu rastejei por conta própria. Eu lembro. Eu consegui chegar à estrada, onde alguém me encontrou e me levou para o hospital. Seu rosto se contorceu de dor brutal. — Você se lembra? Deus, Cleo. Eu nunca quis que você se lembrasse da porra daquela noite. A agonia em que você deve ter estado. Dei de ombros, olhando para a mesa. — Pelo menos eu sei como cheguei tão longe e, antes que ele me encontrasse. — Eu tinha sido destinada a um destino pior do que pra qual Arthur quase havia me vendido. A ironia e paralelos entre pai e filho não me escapa. Arthur agora era presidente como seu pai. Ele estava prestes a me vender, apenas como seu pai. Não faz sentido, ainda mais agora que eu sei a verdade. Sentando em linha reta, eu disse: — Essas meninas, Art. Como você pode vendê-las quando você sabia o que ele planejava fazer comigo? Você fez outras meninas sofrerem. E se tivesse sido eu? E se... — Eu teria encontrado você e te salvado. Foda-se, Cleo, eu vim para você e abati todos em meu caminho. Eu balancei minha cabeça. — Você não poderia. Você estava na cadeia se lembra? Eu teria sido engolida por um mundo que não faz prisioneiros. Mesmo se você não me encontrasse uma vez que estivesse livre, eu não teria sido a mesma pessoa que eu era, a mesma garota por que você se apaixonou.


— Você desapareceu há oito anos, mas, você ainda é minha. Ainda é a garota ruiva que roubou meu coração. — Seus olhos estavam quebrados, o verde enlameado, desbotado. Eu sorri fracamente. — Vivia uma vida onde eu estava feliz, se não me perdesse, não é o mesmo que ser escrava de alguém. — Suspirando pesadamente, eu disse: — Você tem que encontrá-las. Você tem que salvar aquelas mulheres que você vendeu. Grasshopper riu friamente. — Você honestamente acha que Kill iria vender mulheres inocentes para uma vida de terror? Minha cabeça se levantou. Mo disse: — Essas mulheres foram escolhidas a dedo. Não pela sua aparência, embora elas fossem bastante quentes, mas por causa de com quem elas eram associadas. Minha pele eclodiu em arrepios. — Elas eram as prostitutas dele, Cleo, — Arthur sussurrou. — Nós tomamos todas as meninas que tinham dormido com ele desde que minha mãe morreu, há um ano. Diane. A mulher de fala mansa com cabelo escuro muito parecido com seu filho. Os aromas de fermento fresco que derivavam através do pátio, tentando minhas papilas gustativas e fazendo-me saltar em toda a casa de Art e esgueirar-me em sua cozinha com as pernas balançando atrás do bar no café da manhã. Minha mão bateu sobre a minha boca em desespero. — Art, eu sinto muito. Eu queria perguntar como ela morreu, mas Arthur lutou para permanecer recolhido. Seu autocontrole desgastado estava perto do ponto de ruptura. Ele não se moveu ou mostrou qualquer sinal de dor, profundamente guardada, onde se inflamou assim como a dor que ele sentia por mim. Mas, eu sabia. — Nós tomamos suas prostitutas para lhe ensinar uma lição. Quando ele descobrir que essas mesmas prostitutas agora estão satisfazendo outros


presidentes de clubes rivais, ele vai trazer uma guerra para baixo sobre a sua cabeça. — Desde quando que ter gosto ruim para amantes tornara-se um crime a pagar pela escravidão sexual? Minha coluna eriçou com a injustiça. Eu não podia controlar a desaprovação ou desgosto da minha voz. — E eu? O estoque que você estava tentando comprar? Por que era tão importante? Arthur suspirou. — Isso é muito importante para ser respondido em uma lanchonete, especialmente com outras facções a pouca distância de ouvirem. Eu abri minha boca para argumentar. Eu queria saber tudo. Imediatamente. Grasshopper colocou a mão no meu braço, silenciando o meu protesto. — Deixe-o descansar, Cleo-Sarah. Kill é um bom homem que te adora, porra. Ele vai dizer-lhe tudo — Seus olhos azuis pousam em seu Prez, gelo derreteu na minha espinha pelos segredos que passam entre os dois. — Você vai ter a sua vingança, cara. Seu felizes para sempre estará completo e aqueles que injustiçaram você vão apodrecer no chão. A sentença pulsava com justiça. Correntes ocultas de promessas e planos que eu não estava a par engrossando o ar. Ninguém disse uma palavra. — Ele vai dizer-lhe tudo —, Grasshopper, finalmente, repetiu, olhando para Arthur. — Não vai? Lenta e relutantemente, Arthur assentiu. — Eu vou dizer-lhe tudo, Cleo. E eu vou esperar em Deus que você vá entender. Não foi até mais tarde, depois de um jantar gorduroso de cheeseburgers e refrigerantes, que eu percebi que duas coisas estavam faltando. Meu mundo tinha sido ampliado, os meus horizontes aumentados e acenando quando memórias voltaram e segredos foram revelados, mas, eram as respostas não ditas que mantiveram o medo vivo no meu coração. Respostas que poderiam liquidar todo o meu mundo.


O calor intenso da jaqueta de Arthur impedia meu corpo da quebrar em calafrios árticos quando choque tentou tomar posse de mim, mas, a minha determinação só ficou mais forte. Eu tenho que descobrir o que ele está escondendo. Esta noite tinha varrido o meu passado de cabeça para baixo e o torceu de dentro para fora. Mas, eu ainda não sabia por que ou como eu tinha sido sequestrada. Eu estava descalça e com os olhos vendados, exatamente como as outras mulheres. Eu tinha sido queimada pelo garoto do isqueiro. Como? Meus dedos involuntariamente foram para o chamuscado no meu antebraço. Foi uma sensação estranha. Por lembrar de partes para me sentir inteira, depois imitando uma peneira com pedaços faltando por tanto tempo. Foi uma provocação lembrar certas coisas e não outras. Não era justo. Eu queria tudo. Eu queria olhar sobre a história completa, que era o meu passado e presente. No entanto, esta questão não era nada em comparação com o eco na minha cabeça. O que eu não podia evitar. A única que iria lançar luz sobre a verdade desprezível e horrível. Um homem que praticamente me criou matou meus pais por ganância. Ele destruiu meu futuro, virou as costas para a lealdade e para quê? Para ter um clube que não significava nada, sem amigos para amar. Ninguém compartilhando meu sangue. Minha linhagem e a linhagem de meus pais tinham acabado. Eu era o último Price a ocupar o sobrenome. Mas, através de todas as revelações terríveis, destacam-se as que tinham sido varridas para baixo do tapete e mantidas trancadas no fundo da adega inominável.


Onde Arthur estava naquela noite? E por que ele mesmo nĂŁo tinha ido me salvar?


Capítulo Vinte e Um Eu estava apaixonado e com tanto medo que quase amoleci. Achei que isso iria parar a minha sede de vingança e me afastar da minha determinação de manter o coração frio para fazê-los pagar. Mas isso não aconteceu. Se qualquer coisa, o amor fez a minha determinação ainda mais forte. Eu vibrava com o desejo de dizimar aqueles que tinham feito o que fizeram. Eu queria vingar não só a mim, mas, Cleo, também. Seria meu presente para ela. Um presente de encerramento do nosso passado terrível. — Kill

— Quer saber o meu último desejo? — Grasshopper perguntou quando saiu da lanchonete. A lua subiu no céu, tomando o palco agora que o sol tinha descido. Está pendurada como um grande dólar de prata, lançando tudo em um tom metálico. Meus braços ficaram cruzados em volta do meu estômago. Eu estava com frio, apesar do calor da jaqueta de Arthur. Arthur revirou os olhos. — Com a sua mente suja, eu posso adivinhar.


Mo riu suavemente. — Eu diria que o seu desejo era ter uma mulher com habilidades para poder dar-lhe um boquete ao montar sua moto. Grasshopper deu-lhe um soco no braço, sorrindo. — Eu não iria dizer não à essa merda, mas, não é isso. — Seu riso se transformou em um sorriso enquanto apontava entre Arthur e eu. — Eu quero isso. Uma distância existia entre nós, um limite que Arthur e eu não tínhamos encontrado a coragem de atravessar. Eu queria que ele me tocasse, mas, ao mesmo tempo, eu não queria. Eu queria que ele sussurrasse no meu ouvido e me dissesse que tudo iria dar certo, mas, ao mesmo tempo não queria nada com ele. Seu pai matou meus pais. Minha mente tinha muito a desembaralhar antes que eu fosse capaz de dormir esta noite. — Quer o quê? —, perguntou Arthur, a testa franzida. — O que vocês têm. Arthur riu, parecia mergulhado em dor e angústia. — Você quer um relacionamento disfuncional que tem mais problemas do que a porra de uma novela de TV? Tudo bem, esse tipo de dor. Eu sabia que tinha coisas para trabalhar, mas, nós não somos disfuncionais. Nós somos? Arthur me chamou a atenção, olhando suplicante para mim. Seu corpo balançava inconscientemente em direção a mim, mesmo agora, incapaz de ignorar a atração entre nós. — Não. — Grasshopper sorriu, aparecendo sua covinha. — Eu quero o que vocês têm. Ter uma conexão que nunca se desvanece, mesmo depois de tantos anos de intervalo. Eu quero honestidade e o conhecimento de que eu não estou sozinho no mundo. Meus joelhos vacilaram. Essa frase simples, mas, que lançou algo no meu coração e fez a minha raiva se dissolver. Toda a dor, pensamentos confusos, e a miséria que eu senti na lanchonete dissolveram-se no meu sangue até que estavam completamente dispersos.


A vida era muito curta para deixar o passado ditar o nosso futuro. Especialmente um futuro que quase foi roubado de nós. Arthur respirou fundo e fechou a distância entre nós. Eu derreti nele com seu braço em volta dos meus ombros, me segurando apertado. Seus lábios pressionaram contra o topo da minha cabeça, o mais doce dos beijos. — Sinto muito, Cleo. Não era assim que eu queria te dizer. Desbloqueando meus braços, eu o abracei de volta, sem me importar que os dois motociclistas nos olhasse desconfortavelmente. — Sinto muito por não lidar melhor com isso. Arthur fez um som de estrangulamento. — Você lidou com isso melhor do que eu teria. O restaurante ainda está de pé e os policiais não foram chamados. Eu diria que é um sucesso. Eu ri suavemente. — Suponho que sim. — Veja... é isso que eu estou falando. — Grasshopper disse, sua postura faminta por sua outra metade perfeita. Tentando manter a cabeça reta e não ser consumida pela necessidade se construindo rapidamente entre Art e eu, perguntei, — Você tem alguém? Grasshopper riu. — Está brincando? As únicas mulheres que eu conheço são as que estão atrás de mim porque elas pensam que eu sou um infrator de regras ou que estão procurando um fundo de aposentadoria confortável. Mo bufou. — Kill é um chute na bunda como Prez, mas, por nos enviar para o lado direito da lei e limpar o clube, ele nos fodeu. — Que porra é essa? — Arthur rosnou. Minhas sobrancelhas se ergueram. — Oh? Grasshopper riu. — O bastardo presunçoso aí com seu cérebro de gênio para os números foi e nos fez malditamente ricos, não foi? Agora não somos perseguidos só pelas mulheres que querem sair com um motociclista assustador que diz foda-se às leis. Não é esse o caso agora, mas, isso volta às vezes, o inferno sim, mas, também temos de afastar as bonecas Barbies, aspirantes a princesas que foram cuidadas pelos pais para procurar homens com dinheiro.


Eu balancei a cabeça, maravilhada com a forma como essa conversa poderia ter vindo a este lugar depois de algo tão sério. — E eles não se importam que você esteja em um clube ou preferem uma moto ao invés de um Aston Martin? — Grasshopper sorriu. — Inferno não. Isso só adoça o pacote. Motociclista milionário no lado direito da lei, com a proteção de uma irmandade que faria qualquer coisa para abrigar a sua própria família? Quem não quer essa merda? Mo revirou os olhos. — Eu não estou procurando uma Old Lady. — Apontando o dedo para si mesmo, ele acrescentou, — Lobo solitário. Arthur riu, segurando-me mais perto. — Bem, lobo solitário, peço desculpas por fazer vocês tão extremamente desejáveis. Agora vá se foder. Eu quero montar sozinho para casa com a minha garota. Grasshopper olhou para a estrada, sua face aperta. Todos os sinais de piadas e brincadeiras desapareceram. — Tem certeza que é uma boa ideia, cara? Nós estamos no território deles, afinal de contas. Os músculos de Arthur se agrupam, enviando ondas de choque para os meus. Meus dedos doíam para deslizar para baixo, na frente de seu pau. O interesse que provocou em meu núcleo prometeu que ele sentia a necessidade de contrair-se para se conectar depois de falar sobre coisas que tinham o potencial para nos separar. Eu precisava dele dentro de mim. Eu precisava dele agora. — Tudo bem. Iremos parar no caminho. Mas, vai ser em nossas fronteiras. — Ele olhou para mim, com promessas do que faríamos uma vez sozinhos brilhando em seu olhar. Um formigamento quente começou no meu coração e irradiava na minha barriga. Ele me fazia sentir isso. Grasshopper vem para frente e bate nas costas de Arthur. — Tudo bem, Kill. Vamos ver você de volta na base. — Soprando-me um beijo, ele disse: — É um chute na bunda que você seja parte de nós agora, CleoSarah. — Ele franziu a testa. — No entanto, podemos ter que chamá-la CS em breve. — A gente se vê do outro lado. — Aceno, ele e Mo foram para as suas motos, pegaram seus capacetes, e arrancam com um rugido na noite.


No segundo que eles deixaram o estacionamento, a consciência entre Arthur e eu saltou para uma febre. Eu doía. Eu derretia. Nós não nos movemos, quase como se tivéssemos um acordo tácito para esperar. Para nos certificar de que eles foram embora antes que percebessem nossa atração esmagadora. Cinco. Quatro. Três. O trovão dos seus motores desaparece. Dois. Um. Arthur mudou, me apoiando de forma rápida e firme contra a parede da lanchonete. Minhas costas colidem com tijolos e meus pulmões, praticamente entram em colapso com a ferocidade de suas ações. Eu não tive tempo de protestar quando seus lábios roubam os meus, quentes, molhados e possessivos. Eu gemi quando sua mão surgiu, capturando meu peito. Seu toque beirava a dor, mas, só me acelerou ainda mais. Beijando ele de volta, eu chupava sua língua na minha boca, arqueando meus quadris nos dele. O gemido em seu peito enviou amor em chamas através de mim, incinerando meu coração. Nossas cabeças dançam quando nós dois lutamos pelo controle, nossa respiração volta a ficar irregular enquanto o beijo se aprofunda. Em um segundo nós evoluímos de beijar a roçar contra a parede de tijolos pintados. — Espere Art — eu ofegava em sua boca enquanto sua mão caiu para alcançar minha buceta. Todos os pensamentos eram inconsequentes quando seus dedos pressionaram intoxicantes contra o meu clitóris. — Espere!


De repente, ele me solta, recua arrastando as mãos no rosto. Seus lábios molhados brilhavam sob a luz da lua quando eles se espalham em um sorriso torto. — Foda-se, eu quero você tanto que eu poderia levá-la aqui mesmo com essa gente maldita assistindo. Meu peito subia e descia quando a luxúria vinha em espiral no meu sistema, queimando minha moral ao pó. — Vamos. Quanto mais cedo sairmos daqui mais cedo, poderemos ficar sozinhos. O olhar desesperado em seus olhos quase me fez vir. Estendendo a mão, ele ordenou: — Vamos então. Antes que nós sejamos presos por indecência pública. Nós não tínhamos ido muito longe, talvez meia hora, quando Arthur aliviou o acelerador de seu monstro feroz de duas rodas. O município onde os Dagger Rose governavam tinha desaparecido há muito tempo à medida que saímos da estrada principal e seguimos por um labirinto de ruelas. As colisões e depressões não ajudavam minha bunda dolorida, e minha coluna grita no momento em que Arthur desliga o motor. Paramos no início de uma faixa, a areia cobria quase tudo, e não havia outra alma ao redor. Graças a Deus esta noite era de lua cheia, caso contrário, nunca teria sido capaz de ver na escuridão. Arthur desceu da moto, alongando-se. — Onde estamos? —, perguntei, bagunçando meu cabelo. Agarrando minha cintura, ele me puxou sem esforço da moto, pressionando meu corpo contra o dele quando me deixou escapulir para baixo na sua frente sobre os meus pés. — Não vou dizer —, ele murmurou enquanto seus dedos tocaram minha garganta, retirando meu capacete antes de deixá-lo cair para a grama coberta de areia abaixo de nós. Seus olhos eram verdes como faróis de prata na noite fantasmagórica, com as silhuetas de árvores nos protegendo ao invés de assombrando.


— Você me diz onde estamos Cleo. — Ele se abaixou, aninhando o nariz atrás da minha orelha. — Me diga o que eu fiz para você aqui. Minha buceta apertou quando a necessidade que nos tinha consumido no restaurante voltou com vingança. — Eu... Com um leve sorriso, ele se afastou. Com os nossos dedos ligados, ele guiou-me para frente. Ele não disse uma palavra quando caminhamos para baixo em uma faixa de mato, nossos sapatos afundando cada vez mais na areia quanto mais nós caminhávamos. A noite amena cantarolou com insetos e o tapa ocasional de água. A maré? Apertei os olhos, disposta a fazer qualquer memória vir quando nós nos mudamos para a areia. — Diga-me —, ele sussurrou. — Não diga que você esqueceu. Não quebre meu coração dessa forma. — Seus lábios se inclinam em um sorriso torto. Mesmo que ele quisesse dizer isso como uma brincadeira, ainda doía pensar o quão duro tudo isso era para ele. Se eu estivesse no lugar dele eu estaria com pensamentos em confusão por todos os momentos especiais que nós tivemos juntos sendo perdidos. Imaginando que fossem tão insignificantes que tinham sido esquecidos. — Eu nunca iria machucá-lo intencionalmente, Art. — Eu apertei seus dedos. — Você sabe disso, certo? Ele olhou para longe, mas, não antes que eu pegasse a mesma culpa e miséria que ele tinha usado antes de acreditar em mim. — Eu sei que há mais que você não está me dizendo. Você não tem que ter medo. Ele engoliu em seco. — Não me pressione, Cleo. Tempo, se lembra? Eu ainda preciso de tempo para me acostumar com tudo isso. — Puxandome para uma parada, ele segurou meu rosto. — Para me acostumar a ter você de volta apesar de tudo o que aconteceu nos arruinar. Vamos apenas desfrutar isto. — Ele me beijou, apenas macio. — Por favor?


Eu suspirei contra sua boca. — Certo. — Tentando o meu melhor para aliviar o clima, eu sussurrei: — Então, o que exatamente você fez para mim aqui? Estremeci quando ele passou um braço em volta dos meus quadris, me pressionando firmemente contra sua ereção. — Eu finalmente dei algo a você. Eu quebrei algumas leis trazendo você aqui. — Ele riu de uma memória ainda perdida para mim. — Maldição, você era tão jovem. Jovem demais. Mas nós dois sabíamos o que queríamos. Você porra... você nunca levava um não como resposta. Sua voz se tornou um murmúrio de provocação. — Você quer saber o que você fez para mim no retorno daquela noite? — Sim. — Meu coração resistiu com a umidade construída entre as minhas pernas. — O que eu fiz? Seus olhos vidrados com luxúria lembram. — Você me fez gozar. Pela primeira vez, mas certamente não a última. Meu coração se apertou. Deixando-me ir, Arthur pegou minha mão de novo, à deriva para frente, para onde quer que ele quisesse me levar. Eu o seguiria para qualquer lugar. Minha mente estava consumida com imagens de fazer isso com meu amante de olhos verdes, emocionados com realização, ele se desfazendo em minhas mãos. Arthur sussurrou: — Você estava tão molhada. E tão, fodidamente doce e sensível. Minha boca ficou seca quando meu núcleo se tornou deliciosamente úmido. — Eu não queria ir tão longe. Eu não queria perder o controle. Mas você fez, ser tão difícil dizer não. A vegetação de repente deu lugar à mais perfeita praia privada e branca. A água brilhava como pedras preciosas, safiras, turquesa e diamantes sob o luar. As folhas das árvores agiam como sentinelas nos mantendo a salvo de olhares indiscretos, enquanto a areia era branca e virgem como a neve recém espanada. O presente caiu, dando lugar ao passado.


— Você pode me tocar, Art. Eu quero que você me toque. Eu não sabia o que foi que deu em mim, mas, o simples pensamento de ter os seus dedos em mim, dentro de mim, isso me deixou um pouco louca. Minha mãe tinha tido a conversa sobre sexo comigo quando eu comecei meu período dois anos atrás. Ela tinha me dito a mecânica de fazer amor e de como os bebês eram feitos e como infecções sexualmente transmissíveis poderiam rasgar minha vida longe. Mas, ela não tinha mencionado o enrolamento, a torção, a antecipação ou a consciência espumante que eu sofria sempre quando Art estava perto. Tudo o que ela tinha dito tinha me fascinado e me apavorado, e eu fiz uma promessa de nunca me envolver com o sexo oposto até que eu entendesse cada complicação. Mas, agora? Aqui. Sozinha com o garoto que eu adorava e ninguém para nos dizer para parar, eu não poderia dar a mínima para as consequências. Meus lábios ardiam pelos seus. Eu não queria nada mais que espalhar minhas pernas e deixá-lo ver. Me ver. Ver o que ele faz para mim. Ver o quanto eu queria que ele me tocasse, se afundasse em mim, me reclamasse. Apenas o pensamento dele ter os olhos nessa parte do meu corpo me dava formigamentos e palpitações na minha barriga. Arthur se aproxima, seu cabelo escuro se misturando com meus cachos vermelhos na areia. Os grânulos como de açúcar de confeiteiro eram refrescantes nas minhas costas e tão suaves. Eu deliberadamente usei uma saia, e com o meu coração realojado definitivamente em meus pulmões, eu agarro seu pulso e guio sua mão sobre minha coxa e abaixo da margarida marcada no material da saia. Seu rosto se contraiu, os olhos queimando fervorosamente.


Um gemido caiu de meus lábios quando toda emoção e sensação hiper consciente daquela noite explodiu dentro de mim. Lancei-me em Arthur. Com um grunhido, ele me pegou, com a boca aberta em choque quando minhas mãos afundaram em seu cabelo, inclinando a cabeça para o ângulo perfeito. Eu roubei seus protestos, não que ele estivesse protestando, e o beijei com força. Eu não estava ciente de nos movermos ou de cair na areia abaixo. Tudo em que eu estava focando era em seu delicioso sabor, o seu cheiro inebriante, e o deslizamento de sua língua quando ele me beijou furiosamente de volta. — Cleo... espere. Meus dentes trituram em frustração, meus joelhos tremiam quando ele tentou puxar seu pulso a distância. — Eu não posso. Você é... — Se você disser que eu sou muito jovem mais uma vez, Arthur Killian eu vou socar você. Ele riu, seu braço relaxando o suficiente para eu arrastar seus dedos mais perto de onde eu os queria. — Você estava tão hesitante sobre me tocar. Com tanto medo —, eu ofegava entre beijos. — Você estava tão malditamente à minha frente, — ele gemeu quando os meus dedos agarraram ao redor de seu pau. Seu gemido ecoou sobre a praia. Eu o acariciava através de seu jeans, precisando de pele, necessitando de nada entre nós. Nossos lábios foram fundidos enquanto nos beijávamos e nos atrapalhávamos rolando na areia. Num momento eu estava em cima, puxando sua fivela e zíper. No próximo ele estava em cima, desfazendo meu jeans e arrancandolhes das minhas pernas.


Então nós estávamos lado a lado, nos beijando sem fôlego, pernas entrelaçadas juntas, os quadris pulsando, os corpos possuídos pelo desejo de consumir um ao outro. Cueca era nossa inimiga. Nós não poderíamos a tirar rápido o suficiente. Areia estava em todos os lugares, mas, nós dois estávamos cuidando do passado. — Toque-me, Art. Só uma vez. Então eu vou parar de persegui-lo. — Eu mordisco o lábio inferior quando sua cabeça caiu para frente em derrota. — Só uma vez? Eu tinha ganhado. Felicidade e uma pequena dose de nervosismo vibram no meu coração. — Só uma vez. Eu congelei quando a mão dele se moveu para cima por sua própria vontade. Eu respirei forte, em seguida, gritei quando ele finalmente, finalmente me tocou onde eu estava ardendo por meses. — Merda, Cleo. Onde diabos está sua calcinha? Eu ri, meus olhos rolando na parte de trás da minha cabeça enquanto seus dedos traçaram minha umidade. — Eu não preciso delas perto de você. Elas simplesmente ficam encharcadas de qualquer maneira. — Foda-se. — Seus lábios encontraram os meus e seu autocontrole precioso estalou. Eu gritei em sua boca enquanto seu dedo longo e forte foi onde não tinha ido antes. Pressionando-se dentro de mim, estendendo-se estranhamente, eroticamente, e tão delicioso que eu nunca mais seria a mesma. — Art, Deus, mais! Minhas costas se curvaram quando dois dedos entraram em mim, ligando-me e acariciando meu ponto G. Ele não estava tímido como esteve naquele dia. Ele era o único no controle, eu fui desvendada sob seu toque especialista. O passado e o presente piscaram rápido, se fundindo em um.


Minhas mãos se sentiam vazias quando Art me beijou e continuou a abrandar o seu dedo dentro e fora. Parecia incrível, mas lentamente o meu corpo tornou-se insatisfeito. Ele queria mais. Ele queria esticar e chegar a um objetivo que eu não tinha palavras para explicar. Eu queria senti-lo. Ele endureceu quando os meus dedos encontraram o tesouro da minha busca. Sua ereção queimando através de seu jeans, saltando contra o material com o toque mais leve. — Merda, Cleo. Pare. — Seu dedo congelou dentro de mim. Gemi em frustração. — Eu não vou parar e nem você. Pare de cismar com isso Art, a idade não importa. Família não importa. Regras não importam. Só eu e você importamos. E isso... É uma sensação certa. Mais do que certa. Destinado a ser. Ele perdeu a capacidade de retaliar quando minhas mãos o apertaram mais forte. O presente me arrastou para trás quando Arthur espalhou minhas pernas, estabelecendo seus quadris estreitos entre elas. Minhas unhas cravaram em suas costas enquanto ele deslizava dentro de mim. Sua boca tornou-se cativa da minha enquanto ele afundava cada vez mais fundo. A suavidade da areia abaixo amortecendo cada centímetro, enquanto a dureza de Arthur acima dos meus mamilos duros mexiam com a minha mente. — Porra, eu queria me afundar dentro de você desde aquele dia. Eu fui um idiota em dizer não. Por colocar-nos através dessa frustração. — Seus lábios lutam com os meus, roubando a minha resposta. Ele deixou seu peso me sufocar. Sua boca quente e úmida, com as mãos desaparecendo no meu cabelo. As mechas em punho, ele mantém a cabeça para trás e a garganta exposta enquanto empurrava. Sua cabeça baixa, lábios chupando duro no meu pescoço. Ele resmungou com cada mergulho profundo de seu pau. Eu gritei quando o meu bom senso caiu rapidamente em êxtase, luxúria e neblina.


Seu toque machucando o meu cabelo, os dentes ferindo a minha garganta sensível, e seus quadris dirigiram duro e arrogantemente possessivos em mim, mas, eu não mudaria nada. Nem uma única coisa. O prazer era arrebatador. Um presente dado somente com plena confiança, conexão implícita, e eletricidade sexual. Oh Deus. Minha mente apagou, consumida por tê-lo em mim, acima de mim, ao meu redor. Nossos corpos não podiam chegar perto o suficiente. Suas pernas se enroscam com as minhas. Seu estômago preso ao meu em cada respiração. Beijando. Devorando. Porra. Nós giramos na nossa própria estrutura de tempo, enquanto suas mãos deixaram meu cabelo e deslizava pelo meu corpo. Cada pedaço de mim brilhou com lembranças e devaneios, querendo que ele abusasse de mim com amor. Ele beijou-me tão profundamente, minha mente dividida em figuras geométricas loucas espelhadas me concedendo uma nova memória ao enviar-me girando em outra. Eu segurei-o. Eu segurei seu pênis nu na minha mão pela primeira vez. Eu nunca tinha sentido nada parecido. Seda, mas, em aço. Aveludado mas duro. Seco, mas molhado na ponta. Ele me fascinou. Ele estava deitado de costas, com os olhos bem fechados. Seu peito subia e descia como se ele tivesse corrido milhas. Com a minha língua espreitando entre meus lábios em concentração, eu o acariciava.


A reação era instantânea. Seu torso esfregando na areia e seu gemido fez cada centímetro meu o querer. Eu acariciava-o novamente e novamente. Almejando a maneira como ele se desfez diante de mim, me dando total poder sobre ele. Eu caio mais fundo no amor, mais duro em luxúria. Eu me tornei obcecada em fazê-lo explodir. — Eu amei fazer você gozar aqui pela primeira vez, eu respirei, afastando meus lábios machucados dos seus enquanto Arthur empurrava mais forte. — Eu não poderia evitar. Foda, você me deixou louco naquele dia. Eu tive o autocontrole de um santo para me impedir de rolar em cima de você e tomar a sua virgindade ali. Gritei enquanto seus quadris pulsavam com seu espesso pau dentro de mim com o pensamento. — Você deveria ter feito. Eu queria você. Ele gozou. Sua cabeça jogada para trás e um grito rasgou de seus lábios. Todo o seu corpo tremia enquanto eu o acariciava para cima e para baixo, para cima e para baixo. Eu nunca tinha visto alguém dar o controle final para outro, mas, seu corpo se rendeu todo para mim naquele momento, cada músculo em apreensão de felicidade, a sua mente totalmente em branco de tudo, mas, em ondas de prazer. Jorros brancos respingaram em sua camiseta preta, arqueando através do ar com cada pulso de seus quadris na minha mão. Ele está um tanto assustado e isso me emocionou. Eu queria fazer isso novamente e novamente. Para forçá-lo a ceder o controle para mim, para confiar em mim completamente. Arthur me arrastou para trás, sua mão segurando meu quadril enquanto suas estocadas perderam a uniformidade, dirigindo-se implacavelmente e punindo-me. Um orgasmo foi provocado, metade dele me levando agora e metade de nós em outro momento.


Os dedos de Art fizeram eu me sentir incrível por dentro, mas o seu polegar era mágico. Minha buceta ondulava em torno de seus dedos, como o primeiro conjunto de tudo o que isso me provocou e respondendo a seu toque hesitante. Eu gritei quando ele empurra e esfrega, a combinação das duas sensações me dirige para cima e para cima. — Eu quero que você deixe ir, Cleo. Você me fez gozar. Eu quero fazer isso por você. — Seus lábios pousaram na minha bochecha, em seguida, no queixo, em seguida na garganta, espalhando o fogo através do meu sangue. Seu dedo enganchado para cima, pressionando contra um ponto no interior que não era carne ou sangue, mas magia e amor atados. — Oh Deus. Art, sim. — Eu queria pedir-lhe por mais, para nunca parar, mas ele sabia o que eu queria. Seu pulso subia e descia enquanto ele dirigia seu dedo mais e mais rápido em mim. Meu quadril inclinou-se para encontrá-lo. Eu perdi toda a pretensão de timidez e de mulher jovem e recatada e entreguei-me para o aperto do pecado. Este era o lugar onde eu pertencia. Aqui. Com ele. — Estou... eu estou... —Eu não sabia o que eu estava fazendo. Quebrando talvez? Dividindo-me em duas quando meu núcleo apertou e apertou até que eu pensei que eu iria entrar em combustão. — Você está gozando, Buttercup. Dê-me isto. Dê-me esse seu primeiro. — Os lábios de Art seguram os meus, sua língua empurrando ao mesmo tempo que o dedo. Eu não conseguia segurar por mais tempo e meu corpo quebrou em seu toque, implodindo sobre si mesmo antes de disparar para fora em um bilhão de minúsculos raios para o céu. — Deus, eu vou... Eu não poderia segurar. A memória desse tempo me levou ao ponto de detonação. — Foda-se, espere por mim. Espere! — Arthur pegou o ritmo. Nossa respiração se correspondendo esfarrapada e quebrada quando o prazer


tornou-se demais para células individuais sentirem. Ele foi ao local perfeito, um maestro dando ao meu corpo nenhuma escolha além de atingir o auge do orgasmo. Seus dedos mergulharam no meu cabelo novamente, seus cotovelos cavando na areia próximo aos meus ouvidos enquanto dirigia-se o mais profundamente possível. Então ele gozou. Estremecendo e tremendo, xingando e ofegando, ele desencadeou minha própria explosão. Os cometas pequenos explodiram no meu núcleo e no meu coração, e cada queda de prazer deu mais pedaços da minha alma a ele. Ele me deu outro pedaço de si mesmo também, mas, roubou muito mais em troca. Nossos corações vibravam com a mesma batida quando nós finalmente nos acalmamos e nosso amor cessou a uma rocha suave. Eu sempre manterei o que aconteceu aqui esta noite trancado dentro de mim, exatamente como da primeira vez. Gostaria de armazená-lo como um dom inestimável. Arthur era meu. Por mais que eu fosse dele. Era o destino. Meu coração aperta com dor no pensamento de nunca mais experimentar nossos primeiros momentos juntos. Um menino de olhos castanhos que eu ainda não conseguia me lembrar de ter tomado o meu constrangimento e insatisfação, e Arthur... eu não conseguia pensar em Arthur desistindo de algo tão precioso para uma prostituta. Mas isso foi no passado. Eu nunca quis estar com outro homem. Nunca. Arthur era para mim. Para toda a vida. — Me conte sobre a tatuagem. Além das equações e dos poemas que eu reconheço, eu não entendo. Meus olhos se abriram para encontrar Arthur apoiado em um cotovelo, sua silhueta fundida em prata pela lua.


Nós devemos ter nos afastado por um tempo porque a lua havia se mudado de onde tinha estado, enquanto eu estava nas minhas costas com ele entre as minhas coxas. O rosto de Arthur cheio de dor. — Você viveu uma vida inteira sem mim. Eu... eu quero saber o que você fez, o que se tornou sem mim ao seu lado. Odiando-me tudo de novo pela dor que eu tinha causado, murmurei, — Não há nada para contar. É uma mistura de tudo e de nada. Ele franziu a testa. — Isso não faz sentido. — Não significou nada comparad... — Significou que... Paramos, sorrindo um para o outro em silêncio. Nós sempre tínhamos feito isso, saltar um sobre o outro, tentando falar ao mesmo tempo. Pequenas coisas que estavam começando a voltar. Eu queria apertá-lo na alegria. Ele se abaixou, pressionando um beijo delicado no meu rosto. — Continue… Eu procurei em meu corpo por algo que fizesse sentido. A tatuagem era inegavelmente bonita e fantástica, mas, realmente não tinha ajudado a me ligar a um passado que eu não me lembrava. — Eu suponho que eu quisesse algo bonito para apagar a feiura das minhas cicatrizes. — Dei de ombros. — Foi-me dito que eu nunca poderia me lembrar. De certa forma, eu esperava que a dor fosse me lembrar de alguma coisa. Que cada tatuagem estaria magicamente destravando tudo escondido por dentro. Bobo, né? Arthur balançou a cabeça. — Não é bobo, em tudo. Eu gostaria que isso tivesse funcionado, então você poderia ter voltado para mim, mais cedo. Meu coração se apertou com o pensamento. Seus olhos se fecharam, um dedo traçou no interior da minha coxa, deslizando para a minha buceta. Um gemido caiu de minha alma ao senti-lo lá.


— Conte-me sobre sua tatuagem —, eu sussurrei, lutando contra a necessidade já se construindo para nos conectar novamente. Ele olhou para baixo, trazendo os dedos até meu baixo ventre, seguindo o caminho de marcas de queimaduras. — Você sabe o que é lealdade a meus irmãos. Antes eu tinha o emblema Dagger Rose nas minhas costas, então, quando eu herdei os Corrompe, eu tive o novo logotipo tatuado sobre isso. Ah, foi por isso que ele parecia um pouco confuso. Um juramento sobre o outro. Eu não sabia que era possível... trocar, por assim dizer. Mas, isso não era o que eu queria saber. Inclinei-me para cima, dando-lhe um beijo na clavícula. Ele prendeu a respiração quando eu sussurrei contra sua pele, —Não é essa. A sereia. Ele relaxou, roçando o nariz na minha garganta. — Você realmente precisa perguntar? Cabelo vermelho, cauda verde... Meu Deus. — É Ariel de A Pequena Sereia? Ele recuou, os olhos apertados com irritação. — Não, não é a porra da pequena sereia. É você, porra. Eu congelo. — Ah, eu entendi. O cabelo vermelho... —, eu pego uma onda vermelha, sacudindo-a dos ombros. —E uma cauda verde para os olhos verdes. — Eu bato meus cílios. Ele assentiu. Exatamente. — Quantos anos você tinha quando você a fez? — Vinte e quatro. Eu a consegui no ano que eu saí. — E a Libra rabiscada... Isso era para mim, também. — Tudo é sempre para você, Cleo. Achei que você já tivesse entendido isso.


Estendi a mão e acaricio sua bochecha, correndo os dedos ao longo de seu queixo talhado, bebendo em seu nariz aquilino e rosto perfeitamente bonito. Eu não tinha palavras. Nenhuma mesmo. Ele rolou em cima de mim. Seus bíceps tencionando quando ele manteve seu peso longe de me esmagar. Olhando profundamente em meus olhos, ele murmurou, — Eu senti sua falta, pra caralho. Sua boca se juntou com a minha em um beijo de sonho. Lento e suave. Dando e adorando. Uma maré gentil em vez de um tsunami. Esse beijo foi diferente. Antes tinham sido cheios de violência e dominação. Esta era doçura e rendição. Um único momento em que não éramos homem e mulher, mas, dois corações se reconectando sob a lua como nossa única testemunha. Nesse beijo agridoce, senti falta dele mais jovem, o menino que eu nunca tinha visto crescer. Eu perdi o seu sorriso. Sua ânsia. Sua simplicidade. Eu perdi minha infância. — Mas, seu futuro está espalhado diante de você. Não fique triste. Não se agarre a coisas que você não pode mudar. Abraçando a sabedoria que eu não sabia que eu tinha, eu lambi seu lábio inferior. — Eu te amo —, eu respirei. Ele puxou-me para perto, pressionando sua testa contra a minha. — Eu sei. Você nasceu para mim, Cleo. Meu Sagitário caído direto das estrelas.


Capítulo Vinte e Dois As

estrelas tinham achado bom nos reunir. O que isso significa?

Que tínhamos pagado nossas dívidas e, finalmente, merecemos a nossa felicidade? Ou talvez fôssemos apenas dois amantes sendo insultados pela esperança. De qualquer maneira, eu iria lutar para mantê-la. Eu lutaria para proteger o meu futuro. Gostaria de ter mais prazer colhendo minha vingança. Não só eles tinham pecados para pagar por mim, mas, também pelo que eles tinham feito para a mulher que eu adorava. Gostaria de mostrar-lhes o monstro que eles tinham criado quando tentaram me destruir. Gostaria de mostrar a eles quem ganharia. — Kill

Meu corpo estava muito cansado quando a porta da garagem deslizou no lugar bloqueando o céu noturno e prendendo-nos no interior da casa de Arthur. A viagem tinha sido longa, e eu nunca estive mais grata por descer de uma moto e saber que estava há apenas alguns minutos de um banho quente e cama. A cama gloriosa. Arthur segura meu rosto, puxando meu capacete antes de me pegar por trás dos meus joelhos, embalando-me contra o peito.


Eu não me importo de ser pega, na verdade, minhas pernas bambas agradecem. — Cama, por favor, gentil senhor, — eu disse, sorrindo, cansada. — Qualquer coisa para você, minha rainha. — Rindo em voz baixa, ele caminhou em direção à porta de ligação para sua casa. De alguma forma, ele conseguiu abrir a porta, sem me colocar para baixo. — Vou preparar-lhe um banho, se você quiser. Eu balancei minha cabeça. — Não, um chuveiro vai servir. Eu quero estar na horizontal, logo que for humanamente possível. — Eu pensei que você estivesse na horizontal há apenas uma hora ou mais lá atrás, na praia, — seu sorriso me fez rir. — Sim, e eu sou a mesma que tive que me sentar em uma máquina latejantemente quente com aderência entre as minhas pernas. Com sua viscosidade, se eu posso acrescentar. Seu rosto lutou com a presunção e felicidade. — É melhor mesmo que ela seja minha, mulher. Nós rimos juntos quando fomos para o corredor e para a sala de entrada. Arthur bateu a um impasse. Seus músculos fortes cederam abaixo de mim, me estatelando aos meus pés. — Meu Deus. O que aconteceu? — Meus olhos se arregalaram com a bagunça. Era como se um furacão tivesse rasgado através de sua casa, dizimando tudo em seu caminho. Arthur correu para seu escritório. — Porra! Corri atrás dele, batendo as mãos sobre minha boca pelas telas dos computadores quebrados, quebraram os vidros das grandes equações nas paredes e a mesa estava esburacada. Tudo estava em farrapos. Ele disparou para a parede atrás do único sofá, lançando o sofá afastado com um golpe furioso. Caindo de joelhos, ele apertou um botão e um painel de parede falsa deslizou para cima. Olhei com espanto quando ele inseriu um longo código e o cofre abriu.


O que no mundo? Se aproximando, eu peguei vislumbres de dinheiro, pastas de papel, e algumas fotografias dobradas contra o lado. Meu coração disparou para ver as fotos. Algo em mim exigiu vê-las, eram pistas que continham partes do meu passado que eu queria desesperadamente recordar. Mas, antes que eu pudesse chegar mais perto, Arthur bateu o cofre e trancou-o. — Eles não encontraram o que estavam procurando, pelo menos. — ele rosnou, olhando para mim do chão. Suas costas estavam tensas sob a escuridão da sala. Ele parecia... não tão mal, mas, capaz. Um homem capaz de matar qualquer um que se rebelasse em sua propriedade ou tentasse roubar o que era dele. Olhando em volta para a bagunça, eu perguntei. — O que eles querem? Ele ficou de pé, balançando a cabeça. — Eu não sei. — Sua voz mudou, perdendo a facilidade de nossa união, deslizando de volta para a fortaleza à prova de bombas que ele usava quando o encontrei pela primeira vez. Ele sabe. — Não minta para mim, Art. Meu coração gaguejou com a mentira. Isso machuca. Tê-lo mentindo descaradamente na minha cara depois de tudo o que tínhamos passado era como um piano de dez toneladas esmagando o meu coração durante a reprodução de uma canção de ninar triste. — Eu não estou mentindo, Cleo. Eu tenho algumas suspeitas, mas, até eu falar com Wallstreet eu não sei se elas são verdadeiras. Eu não vou dar-lhe coisas para se preocupar que só vão encher seu cérebro. Dei um passo para trás. — Você acha que minha amnésia é um absurdo? Ele ergueu as mãos. — Bem, iria nos salvar um monte de merda e de tempo se você pudesse apenas lembrar-se, não é?!


Pisquei para o seu súbito mau humor. De onde diabos veio isso? Da raiva por ter estranhos violando sua casa? Ou da incapacidade para proteger sua santidade? Eles não eram estranhos. Quem quer que tenha feito isso o conhecia. Me conhecia. Sabiam o que estavam procurando, independentemente se eles encontraram ou não. Luzes de repente vieram, banhando o quarto no calor de ouro. A confusão era ainda mais evidente, com papéis espalhados e um abridor de carta mutilado que tinha sido usado para abrir a gaveta trancada da escrivaninha. Está aberta. A gaveta onde ele guardava a carta ou a imagem que ele segurava na noite que o espionei. Sua promessa volta alta e clara. "Eu terei minha vingança. Vou encontrar minha paz. Vou arruinar esses filhos da puta e espero em Deus que eu serei livre." Arthur me viu olhando para a gaveta. O rosto dele endureceu quando ele deu um passo em minha direção. — Cleo... não. Meus olhos brilharam, então de volta para a gaveta. Eu sabia que deveria respeitar sua privacidade, mas, ao mesmo tempo... Dane-se. Eu abro a gaveta e deslizo de joelhos quando eu pego os papéis desordenados abaixo. — Pelo amor de Deus! — Arthur pisou mais perto, elevando-se sobre mim com as mãos nos quadris. — Você é tão ansiosa. Quando você vai aprender a ser paciente? Eu não olho para cima, muito ocupada em vasculhar a pilha de arquivos com colunas e dígitos impressos. Onde ele está?


Meu coração disparou para encontrá-lo. Eu tinha uma necessidade me consumindo para saber. — Nunca. Eu não quero mais ficar no escuro. Arthur agachou sobre as pernas, me afastando um pouco para pressionar um painel no fundo da gaveta. Ele puxou uma pequena nota livre do esconderijo. — Aqui. Isso é o que você quer? Agarrei isso, deixando os outros papéis caírem em cascata para baixo no meu colo. Eu não me importava que eu estivesse sendo rude. Eu não me importava que eu agisse um pouco louca. Tudo o que eu queria fazer era ler, ler algo que significava o mundo para ele. Era um poema.

Beijos em meus dedos. Toque cheio de ternura. Seu coração tem roubado o meu, duas almas que batem no tempo. No entanto, você me afasta com a rejeição de um massacre cruel. Peço-lhe para me beijar. Levar-me. Reclamar-me. Faça-me sua e coloque meus medos à distância.

Eu não conseguia tirar os olhos. Eu sempre amei escrever poesia. Eu não era muito boa, mas, eu achei vogais e consoantes muito mais fáceis de usar do que a divisão e multiplicação. Art sentou-se congelado ao meu lado, olhando fixamente para o pedaço de papel. Cinco longos minutos passados antes de seu belo rosto se inclinar para olhar para o meu. — Você escreveu isso?


Eu balancei a cabeça, mordendo meu lábio. Ele exalou em uma corrida, passando a mão pelo seu cabelo longo. — O que você quer de mim, Cleo? —, ele sussurrou. — Você é muito jovem. Eu não sou bom o suficiente... — Não diga isso. Você é bom o suficiente para mim. Ele balançou a cabeça tristemente. — Eu não sou. Você não sabe o que eu fiz. Para o que eu estou destinado. Nossas vidas não são destinadas a ficar juntas. Um medo terrível estava esmagando meu coração e eu agarrei a sua mão, pressionando com força contra meu peito. — Sinta isso? Seus olhos estavam queimando, mas ele balançou a cabeça. — O seu batimento cardíaco? Sim, eu sinto isso. — Você deixaria que isso parasse. O seu temperamento brilhou em seu olhar. — Eu não vou deixá-la jogar jogos bobos comigo. Você vai sobreviver sem mim. Minha raiva apareceu. — Não. Você vai ver Art. Você vai ver que eu estava certa e que seu coração bate por mim. Meu, seu, eles gritam ao mesmo ritmo. Onde quer que nós estivermos no mundo, o que você faz ou quem quer que você decida amarrar na sua vida, nós nunca seremos completos a menos que nós sejamos um. Eu pressionei seus dedos com mais força contra o meu coração. — Não é estupidez ou um namoro jovem. É a verdade. Você vai morrer sem mim. Você precisa de mim tanto quanto eu preciso de você. O flashback terminou, uma lágrima desonesta escorria no meu nariz, manchando o curso desequilibrado sobre a nota em minhas mãos. — Eu estava tão convencida. Tão certa de nós naquela época —, murmurei. Arthur pegou minha lágrima, elevando o sal capturado à boca e lambendo de seu dedo. — Você estava. No dia em que fui levado para a prisão lembrei-me dessa nota. Lembrei-me de você dizer que eu iria morrer sem você, e eu juro pela minha vida que eu senti que eu estava amaldiçoado, porque naquele momento eu morri. Você tinha ido. Tudo o que eu tinha sonhado para o nosso futuro, o nosso amor, mesmo a tranquilidade que eu encontrava ao fazer lição de casa juntos, tudo se acabou.


Ele baixou a cabeça. — Eu estava morto, Cleo. Essa nota era a única coisa que me fazia sentir vivo. Mas, agora eu não preciso mais, porque você me trouxe de volta à vida. — Seus dedos fortes alcançaram o meu peito, cobrindo-o com possessividade enquanto absorve os meus batimentos cardíacos. — Isso é meu. O meu é seu. Agora eu entendi. Eu tremia em sua profundidade. — Então por que você ainda esconde as coisas de mim? Sua mandíbula aperta quando seus olhos verdes me bloqueiam. — Eu juro que eu vou te dizer. Prometi incontáveis vezes. Eu apenas preciso... — Mais tempo —, eu terminei para ele, pendurando minha cabeça. Alisando o poema manchado de lágrimas, eu assenti. — Tudo bem. Vou ser paciente. Uma parte de mim que tinha uma necessidade compulsiva de cuidar e nutrir toda criatura com dor procurou confortar Art. Eu não queria que ele sofresse mais. Se isso significava que eu tinha que ser paciente para que ele pudesse lidar com esta reviravolta, então que assim seja. Chame de abnegação ou estupidez, mas eu daria a ele o tempo que ele obviamente necessitava. De alguma forma isso me faz mais forte do que ele. Portanto, é meu dever protegê-lo. Dobrando fios rebeldes atrás da minha orelha, ele me ajudou a ficar de pé. — Obrigado. Agora vamos para a cama. Eu vou lidar com esta merda amanhã. — Agarrando meu cotovelo, ele me guiou em direção à porta. Cavei meus saltos no piso. — Espere. Eu nunca poderia dormir agora. Não devemos chamar a polícia? Reunir provas, esse tipo de coisa? Ele sorriu como se eu fosse uma criança tola que não entendia a mecânica do mundo. — A polícia não é bem-vinda aqui, Buttercup. Além disso, não haverá qualquer prova que vai fazer sentido para eles. Vou pegar Grasshopper e Mo para ver o que eles podem encontrar. E você vai dormir, porque eu vou estar ao seu lado e mantê-la segura. Eu bufei, sem sucesso, escondendo minha frustração. Art não disse mais nada, apenas me empurrou até a escada e no corredor. Os quartos pareciam intactos.


Graças a Deus. Eu acho que eu não poderia dormir em um quarto que tinha sido contaminado por assaltantes. Avançando em seu quarto, ele me soltou para enfiar ambas as mãos pelos cabelos. — Merda, eu tenho areia em todos os lugares. — Apontando para o banheiro, ele disse, — Nós vamos ter um chuveiro, então cama. Eu preciso descansar para que eu possa descobrir isso pra você. Tirando sua camiseta sobre a cabeça, ele soltou sua calça jeans e deixou cair sobre seus tornozelos. Com outro puxão, suas cuecas boxer eram uma poça no tapete e ele chegou perto de mim completamente nu. Porra, para o inferno com isso. Minha boca ficou seca e todo o aborrecimento evaporou. Seu estômago musculoso subia e descia, hipnotizando os meus olhos com cada respiração. O V de seu torso guiando meus olhos para o seu pau espesso, umidade correu entre minhas pernas. Eu não conseguia desviar o olhar da sereia em sua coxa, dançando com cada movimento. Silenciosamente, Arthur agarrou a barra da minha camiseta amarela, puxando-a sobre minha cabeça. Mordendo o lábio inferior, o que o fez muito sexy, ele abaixou meu zíper e retirou o jeans pelas minhas pernas. O sussurro de seus dedos sobre a minha pele enviou vibração para o meu núcleo. Deixando-se cair na minha frente, tirou minha calcinha, em seguida, deu um beijo no topo da minha buceta. Não era apenas sexual, era um culto, um reconhecimento de tudo o que tínhamos passado e tudo que ainda está por vir. De repente, eu não podia suportar. Eu não podia suportar a distância ou o vazio emocional. Passando os braços em volta da sua cabeça, segurei-o contra meu estômago. Ele endureceu, em seguida, abraçou meus quadris com uma ferocidade que quase me tombou. Seu toque era doloroso, mas, necessário. Isso gritava o quanto eu significava para ele.


Sua respiração era quente quando ele exalou pesadamente. — Sinto muito, Cleo. Eu não podia falar, lágrimas emaranhando minhas palavras. Arthur me apertou com mais força, roçando contra a minha barriga lisa, beijando as queimaduras e cicatrizes brilhantes que lambiam meu umbigo. — Eu estou tão arrependido. — Sua voz ficou presa, seu corpo tremendo contra o meu. Eu odiava que ele se mantivesse pedindo desculpas. Nada disso foi culpa dele. Não fazia sentido ele carregar tanta culpa por algo que ele não tinha controle. E para ser honesta, eu odiava as suas desculpas. Elas mantinham todos os erros que tínhamos feito na vanguarda das nossas mentes. Eu já tinha o perdoado. Quero seguir em frente, não para trás. Eu queria dobrar de joelhos e abraçá-lo com força. Eu queria dizer a ele em ações em vez de palavras que seu pesar e ódio a si mesmo não eram mais necessários. Mas, de repente tudo estava acabado. Seus braços tinham desaparecido. Suas costas em retirada foi uma despedida quando ele desapareceu no banheiro. Ele ainda está se escondendo tanto. Está matando-o por dentro. Timidamente, eu o segui. Encontrei ele já de pé debaixo de água, as mãos espalmadas na parede do chuveiro frio, sua bunda perfeitamente formada, tensa e inflexível. Os músculos de cada lado da sua coluna vertebral foram bloqueados com emoções que ele se recusou a compartilhar. Me esgueirando para a ducha, eu pressionei um beijo contra sua coluna, moldando meu corpo contra o dele. Ele suspirou, a tensão em seu corpo se dissolvendo gota por gota pelo ralo. — Eu te amo, Buttercup —, ele sussurrou. Meu coração trovejou.


Foi a primeira vez que ele disse isso desde que essa bagunça começou a se desenrolar. Devia ter sido um começo. Então, por que isso soa como um adeus? — Eu também te amo, Art. Muito. Silenciosamente, ele se virou em meus braços. Com os olhos verdes me impedindo de ver os seus segredos, ele alcançou o sabonete e ensaboou as mãos. Com um toque suave, ele segurou meus seios, deslizando o sabão, as mãos borbulhantes pelo meu estômago, através de meus quadris, uma das cicatrizes e uma tatuagem, e mergulhando na minha bunda. Seus dedos traçaram minha fenda. Um sorriso brincou na sua boca. — Melhor ter certeza que não há areia deixada lá dentro. Eu ri baixinho, permitindo que ele me lave do seu jeito hipnótico, lento. Ele nunca se apressa, não exigi mais. A ternura sem pressa tornou meus ossos fundidos e meu coração chorou em agradecimento. Finalmente, uma vez que eu estava limpa, ele me soltou. Jogando a cabeça para trás para o jato, eu me inclinei para frente e bombeando uma quantidade generosa de sabonete em minhas palmas. Ele se sacudia quando eu o colocava sobre seu peito amplo e forte. Sua mandíbula apertou quando eu devolvi a honra, deslizando minhas mãos sob seus braços, ensaboando-o com bolhas em sua ligeira trilha feliz levando ao seu pau. Eu o adorava, assim como ele tinha feito comigo, sem pressa, nunca mais exigente. Quando cheguei a sua fenda, meus dedos desapareceram entre os músculos fortes, e ele congelou. Seu pau saltou quente e duro contra a minha coxa. — Droga, Cleo. Pare. Eu balancei a cabeça, pressionando os dedos mais longe. Eu só queria dizer que é para lavar essa parte dele livre de areia também, mas eu


estava bêbada por tocá-lo. Embriagada em saber que ele era meu. Eu queria tocá-lo onde ninguém mais tinha. Eu queria dar-lhe prazer. Eu encontrei seu ponto fraco. Art, meu rapaz chocante, sexy e musculoso, tinha cócegas. — Pare com isso! — Nunca! — Eu ri, enganchando os dedos atrás de seu joelho, onde eu de alguma forma descobri que ele era sensível. — Maldição, Cleo. Pare! Ele se afastou, batendo ambos fora do sofá e para o tapete. Nós rodamos juntos, suas longas pernas batendo na mesa do café. A quebra de um vidro soou sobre a nossa luta. — Uh-oh. Agora você fez isso —, eu disse, prendendo ele no chão e montando nele. Seus olhos verdes brilhavam, suas grandes mãos segurando meus doze anos de idade pelos quadris. — Você vai estar em sérios problemas, Buttercup. Eu sabia que ele era meu. Eu só tinha que crescer alguns seios para fazê-lo me notar. — Eu já estou com sérios problemas, Art. Suspirei quando a memória terminou. O desbloqueio do meu passado estava chegando mais rápido. Mais e mais flashbacks, todos incluindo ele. Cada memória estava fora de sincronia, o cronograma todo desarrumado, as viagens e tribulações escondidos até que eles desbloqueiam, mas, eu amei-os, todos igualmente. Claro, eu teria preferido eles em ordem, mas, eu gostei assim. Uma surpresa, um deleite. Arthur agarrou meu pulso, puxando meus dedos livres e prendendo minhas mãos acima da minha cabeça.


Em um deslize molhado, parte do chuveiro e parte por eu estar molhada o tempo todo ao seu redor, ele cutucou os joelhos afastados e guiou sua ereção dentro de mim. Ao nos juntarmos nós dois gememos, nossas bocas abertas amplamente enquanto a água caía em torno de nós. Eu estava dolorida. Eu estava ferida. No entanto, eu não trocaria isso por nada. Isso não era sexo, era uma afirmação de tudo o que tínhamos encontrado e sobrevivido. Arthur empurrou possessivamente, batendo realmente profundo. Meu orgasmo chegou suave como uma pétala de tão delicado. As ondas suaves, dando-me uma liberação sem esgotar o meu corpo de suas últimas gotas de energia. Arthur gozou três estocadas depois, seus dentes capturando minha garganta quando ele jorrou dentro de mim. Não há palavras trocadas entre nós quando nos enxaguamos e saímos do chuveiro. Nenhuma palavra foi necessária quando nos secamos e atiramos nossas toalhas úmidas no chão. Cada passo que eu dava para a cama me mostrou como eu estava cansada. E pelo tempo que Arthur puxou a colcha e me chamou em seu abraço reconfortante, meus músculos decidiram que seu tempo de trabalho estava acabado por eles irem tão longe. Eu gemia quando meu corpo se aconchegou na cama quente. Arthur subiu ao meu lado, meu corpo estava contente e feliz pela concessão de dormir com ele lado a lado. Suspirei com satisfação profunda quando um braço longo serpenteou em volta da minha cintura, puxando a minha pele úmida, quente contra sua nudez.


Travados juntos como o perfeito yin e yang, nĂłs dormimos com os nossos batimentos cardĂ­acos zumbido em sincronia.


Capítulo Vinte e Três Céu na terra. Lá era onde eu morava quando Cleo olhava para mim com amor. Eu não me importava que suas memórias tivessem ido embora. Poderíamos fazer novas. Lotes e lotes de novas. Estamos destinados a nunca mais nos separarmos novamente. Viveríamos em nosso céu na terra, onde a maldade não era autorizada a nos tocar. Mas, onde havia um céu, houve um inferno. Um inferno escondido, escuro, profundo, e repugnante. Um inferno esperando para roubar a nossa felicidade. E estava vindo para nós. — Kill

A carta parecia inocente. Uma nota alinhada em amarelo simples escrita por alguém com caligrafia exigente. Se eu soubesse que iria acabar por destruir meu mundo cuidadosamente construído, eu não poderia ter aberto. Ele derrubou a fantasia em que me cerquei e me atirou para o escuro onde fiquei até que ele me encontrou.

Cara Sra. Sarah Jones,


Você não me conhece, mas, eu a conheço. Eu te conheço desde que era uma menina. Eu segurei você quando você nasceu e participei de seu aniversário todos os anos. Você era como uma filha para mim e quando desapareceu, meu coração se partiu tão certo como qualquer pai. Mas, meu coração já está curado, porque eu te encontrei. Finalmente. Depois de todos esses anos. Eu tive que parar de ler. Eu precisava sentar. Finalmente, uma pista para o passado, eu nunca poderia recordar. Quem tinha escrito para mim? Como se tivessem me encontrado? Tropeçando da porta de meu prédio, eu desmoronei contra os degraus. Minhas mãos tremiam enquanto eu aliso a carta e continuo a ler.

Eu não sei o que aconteceu com você para deixar sua família e aqueles que te amavam tanto. Você deixou para trás um mundo que nunca cicatriza sem você nele. Eu não sei se eu deveria encontrá-la, entrar em contato com você, e te dizer estas coisas, mas, as perguntas precisam ser respondidas. Você nos odeia tanto assim? Você decidiu que não éramos mais dignos de ser sua família?


Eu tenho tantas coisas mais a lhe perguntar, como eu tenho certeza que você tem para me perguntar. Eu quero te encontrar. Se você quiser me encontrar, e para descobrir a verdade de quem você é venha para a Flórida e entre no Dancing Dolphins no Keys. Faça a entrada com o seu nome, e eu virei para você. Espero que você venha, Sarah Jones. É hora de tomar o seu lugar de direito. É hora de voltar para casa. A memória não tinha parado de ecoar na minha mente desde que eu acordei. Mais uma peça do quebra-cabeça de como eu vim parar aqui. Quem tinha escrito a nota? Estava sem assinar e sem remetente. Não importa o quão duro eu tentei, eu não poderia reconhecer a voz do autor. Enquanto Arthur correu ao redor, chamando as pessoas para virem e investigar o arrombamento e se preparava para um novo dia, eu sentei-me cuidando da pista principal. Pouco a pouco mais verdade veio à tona. Deus, era chato. E doloroso, frustrante e assustador, mas, acima de tudo chato. Olhei fixamente para a pequena TV no quarto do hospital, sem prestar atenção às cores brilhantes ou ruídos. Toda a minha atenção estava voltada para dentro, cutucando memórias que tinha desaparecido completamente. Nenhum vestígio de qualquer coisa.


Nem mesmo o meu nome. — Olá. Pisquei, trazendo o recém-chegado em foco. O policial civil fez o meu coração chiar de medo na minha caixa torácica. — Olá. — Sou o detetive Davidson. Estou com o FBI e eu vim visitá-la algumas vezes desde o seu acidente de há algumas semanas. Você se lembra de mim? Apertei os olhos, olhando para o meu corpo coberto de bandagem. Isto foi um acidente? Que estupidez eu tinha feito? Balançando a cabeça cheia de curativos e perguntas me torturando, eu olhei para Detetive Davidson. — Não, eu não me lembro de você. Ele sorriu suavemente, a pena em seu olhar azul rompendo a minha força e construindo lágrimas. — Está tudo bem. Não se preocupe com isso. — Arrastando-se mais perto da minha cama, ele disse: — Eu estive conversando com seus médicos, e eles disseram que você estará pronta para sair em breve. Eles também me informaram que você ainda não se lembra do seu nome, família, ou de onde você veio. Eu ignorei a agonia no meu peito. Eu era uma órfã vagando sem teto, sem família. Isso era pior do que o pulsar constante de queimaduras e enxertos de pele curando. Não havia nada a dizer, por isso permaneci em silêncio. — O Estado deu-lhe o nome de Sarah Jones até o momento em que você se lembrar. — Sentando desajeitadamente na minha cama, ele bateu no meu joelho. Eu assobiei entre meus dentes. Esse era o meu joelho direito. Meu joelho queimado. — Merda desculpe! — Ele se curva em sua cadeira, mantendo as mãos para si mesmo. Seu medo de uma menina embrulhada como uma múmia egípcia fez o espanto da minha situação me tornar bem-humorada. Eu ri baixinho. — Está tudo bem. — Inclinando a cabeça para estudá-lo, eu perguntei, — Por que você está aqui? Por que um agente do FBI está me dizendo isso? Detetive Davidson engoliu nervosamente. — Eu não sou bom em entregar notícias sutilmente, então eu simplesmente vou dizer isso. Temos


razões para acreditar que o acidente foi intencional. Algumas evidências vieram à luz nos fazendo suspeitar que você foi vítima de uma tentativa de homicídio e até o momento em que se lembrar, para trazer quem fez isso para a justiça, estamos colocando você em custódia protetora. Nós não vamos anunciar que você está viva, ou pedir para as pessoas a reconhecerem até que saibamos em quem confiar. — Você está me prendendo? Um sorriso se contraiu em seus lábios, seu cabelo com um corte curto militar. — Não, nós estamos te dando uma nova vida, longe daqui. — Inclinando-se para frente, ele disse: — Esta é uma oportunidade para criar uma vida que você sempre quis e viver em um país que nunca visitou, tudo ao mesmo tempo, sendo vigiada por nós. Como você é menor de dezoito anos, você vai ser colocada com uma família adotiva até chegar à idade legal, mas, você pode decidir onde você quer ir. Nós normalmente te damos um plano, um nome e um emprego para sustentar a sua nova identidade, mas, neste caso você pode escolher. Meus pulmões trabalham duro, ainda doendo da inalação de fumaça. — O que... o que você está dizendo? Detetive Davidson deu um tapinha no arquivo em suas pernas. — Esta, Sarah Jones, é a sua vida nova. — Eu não quero uma nova vida. Eu quero minha antiga. Seus ombros rolaram. — Os médicos disseram que tinham falado com você. Você está sofrendo o que é conhecido como amnésia dissociativa. É um ato de autopreservação. Lágrimas me pressionaram com mais força por ter sido mantida refém por minha própria mente. — Mas, eu estou pronta para me lembrar. Eu sou forte o suficiente para entender. O detetive Davidson sorriu tristemente. — Os médicos podem explicar novamente o que isso significa, mas, isso não funciona dessa forma. Essas coisas são muito raras. Suas memórias reprimidas podem ser recuperadas de forma espontânea, ou décadas mais tarde. Você pode cheirar um cheiro particular e uma memória vai voltar. Ou você pode ouvir uma canção favorita e tudo vai desbloquear. Porque é psicológico, amnésia dissociativa às vezes pode ser ajudada por terapia. Mas, precisamos planejar para o pior.


— O que seria? —, eu sussurrei. — Que você poderia nunca se lembrar. Como eu disse, é muito raro, mas, uma possibilidade. Nós temos que seguir em frente. Eu queria gritar. De raiva. E chorar. Não só o meu corpo estava danificado, mas, minha mente também. Limpando a garganta, o detetive Davidson disse: — Sem pensar sobre as respostas, diga-me... qual seria sua profissão definitiva uma vez que você terminar a escola? — Uma veterinária. Pisquei. Isso tinha vindo do nada. Eu estava mortalmente parada, esperando em Deus que minha memória estivesse voltando. — E onde você viveria, se você tivesse qualquer escolha? — Inglaterra. Minha boca caiu aberta. Porque lá? A resposta veio para mim, mas, nenhum raciocínio qualquer. O detetive Davidson sorriu, tomando notas em seu arquivo. — Nesse caso, Sarah Jones, faremos tudo ao nosso alcance para lhe dar uma nova vida com uma família na Inglaterra, e registrá-la com indivíduos para garantir uma carreira de veterinária. Vai levar algum tempo para resolver os detalhes, mas, vamos começar a fazer a papelada necessária. Isso estava acontecendo rápido demais. Muito repentino. — Papelada? Ele sorriu, mostrando os dentes tortos. — Sim, um novo passaporte, novo cartão de seguro social, um novo começo. — Seus olhos se suavizaram. — Você vai se erguer a partir disto e estará segura em um mundo completamente novo. E então, quando você estiver mais velha e talvez se lembrar, nós vamos encontrar a justiça para o que aconteceu com você. Não foi até depois de centenas de perguntas, a maioria das quais eu não poderia responder, que eu finalmente fui deixada sozinha para pensar sobre o que tinha acontecido.


Quem quer que eu tenha sido até aquele momento, se foi. Eu estava prestes a renascer. Eu estava prestes a desaparecer para sempre. Meus joelhos se dobraram um pouco quando a memória terminou. Este tinha sido o dia em que minha vida como Cleo tinha terminado. Tinha sido o pior sentimento que se possa imaginar por ser uma prisioneira dentro da minha própria mente e estar protegida de pessoas que poderiam ter me ajudado. Em seguida, houve Corrine. Ela não era apenas uma amiga como eu pensava. Ela era minha irmã. — Prazer em conhecê-la. Olhei para cima pois estava arrastando minha mala através do terminal em direção à saída. Havia, na minha frente, uma menina com cabelo curto loiro e olhos azuis vibrantes. Ela era viva. Onde eu estava morta. Atrás dela estava um homem e uma mulher, ambos sorrindo nervosamente. — Eu te conheço? — O medo constante de que eu sabia que as pessoas se ofendiam por eu não me lembrar de nada era a maldição da minha vida. Eu me preocupava constantemente se alguém sorria para mim de alguma maneira ou acenava na minha direção. Será que eu a conheço? Eu os amei uma vez? — Não, você não conhece. Mas, conhecemos você. Você está vindo para viver com a gente. — Saltando no lugar, ela pegou minha mala e me envolveu em um abraço. — Eu sempre quis uma irmã. Nós vamos ir para a escola juntas e eu quero ser uma veterinária, também! O quão impressionante é isso? Meu coração morreu mais uma vez. Esta era a minha família de acolhimento. Uma substituta indesejada para uma casa que eu não conseguia me lembrar.


Quando eu não respondo, o pai murmurou: — Não tenha medo. O detetive Davidson limpou tudo. Você já está matriculada na melhor escola, e vamos levá-la até a delegacia para atender o seu contato no início da próxima semana. Eu nunca tirei meus olhos da minha mala. Eu odiava os estranhos a tocando. Dentro não tinha nada que eu lembrava, apenas roupas novas de marca, compradas para Sarah Jones, não para quem eu tinha sido. Mas, era a única coisa que eu tinha. A única coisa que eu tinha para proteger. — Eu não preciso de uma nova família. — Eu precisava ser deixada sozinha. Sozinha no escuro, então minhas memórias poderiam me encontrar. Corrine engancha seu braço no meu. — Você está certa, você não precisa de ajuda. Porque você tem a mim. — Arrastando-me involuntariamente a partir do terminal e para o sol nublado, ela suspirou feliz. —Bem-vinda a Inglaterra, Sarah. Tenho a sensação de que vamos estar estupendamente juntas. Ela estava certa. Após as primeiras semanas de choro sozinha para dormir e a incerteza de aprender a viver novamente com uma mente em branco, eu lentamente encontro a felicidade. Eu fui capaz de me curar, enquanto estudava Biologia e Inglês. Eu era capaz de parar a obsessão sobre um passado que eu nunca pude me lembrar, tornando-me mais saudável no coração e na mente. Corrine tornou-se meu mundo inteiro. Meu coração ficou aflito ao pensar que eu tinha a deixado para trás com tanta facilidade. Ela tinha me dado de volta a vontade de viver, ela me abraçou quando eu quebrei e comemorou comigo quando eu me destaquei. No entanto, no momento em que a carta chegou insinuando que eu poderia finalmente, depois de todo esse tempo, encontrar a verdade, eu a deixei sem um adeus. Eu ignorei a voz que disse que era estúpido perseguir algo que deve permanecer enterrado.


Eu não tinha ousado dizer-lhe porque eu estava indo, apenas no caso dela dizer aos policiais manipulando meu arquivo. Eu tinha deixado uma nota covarde, avisando no meu trabalho no Precious Pets, retirei minhas parcas economias, e reservei um bilhete de ida para a América. Mas, é claro que ela de alguma forma descobriu meu plano e me rastreou no aeroporto. Ela não tentou me parar, apesar de tudo. De todos, ela entendeu o meu motivo para sair. Por que eu tinha que procurar o menino de olhos verdes que eu nunca tinha superado. Eu pulei de cabeça no perigo. — Você está pronta? — Arthur estalou em meu devaneio. As emoções residuais de estar tão sozinha e com medo se recusaram a desobstruir o meu coração. Eu sofria com o vazio solitário que eu tinha vivido durante oito longos anos. Não importa quantas memórias novas que eu fiz, não importa quantas experiências que eu vivi, eu nunca tinha superado a desolação de não ter um passado. Meu estômago revirou com o pensamento de viver uma vida sem ele. Oito anos tinham sido intermináveis, para sempre teria me destruído. Seus olhos brilharam nos meus, focados em resolver o arrombamento e entregar a justiça. Ele era meu protetor, amante, e melhor amigo. Enquanto eu estivesse com ele, tudo daria certo. — Sim, eu estou pronta. — Alisando minha blusa preta e calça jeans skinny escura, eu o segui para a garagem e sua motocicleta nos aguardando. Pisquei para a Penitenciária da Flórida pela segunda vez. Nervos deslizam pela minha coluna. — O que estamos fazendo aqui? Arthur agarrou a minha mão. Avançando em direção estabelecimento correcional imponente, ele respondeu: — Indo vê-lo.

ao

— Ele quem? — Você sabe quem. O homem que me deu tudo quando os outros levaram tudo embora.


Meu coração pulou uma batida no ódio e culpa em seu tom. Eu puxei sua mão, fazendo ele para parar. — Me diga. Aqui e agora. Diga-me o que lhe aconteceu. Por que você esteve na prisão? A verdade desta vez. Eu gostaria de ter tido tempo e acesso à Internet. Eu teria feito uma pesquisa, eu teria olhado em sua ficha criminal para descobrir exatamente o que ele continua a esconder. Sua testa ficou apertada, sombreando seus olhos. A pele macia das pontas dos seus dedos beijou meu rosto quando ele sorriu tristemente. — Você confia em mim? Eu fiz uma careta. — Tanto quanto eu posso, enquanto eu estou cega por coisas que você não vai me dizer. Seus ombros caíram. — Você me ama? Eu não hesitei. — Absolutamente. — Então deixe o amor ser suficiente por agora. Seja feliz porque nós encontramos um ao outro, porque ainda há muita coisa que você não entende e não, não posso estragar isso ainda. — Por que isso estragaria o que temos? — Eu olhei profundamente em seus olhos. — Diga-me. Você está começando a me assustar, Art. Cobrindo meu rosto, ele me beijou suavemente. Eu teria adorado ver a ação a partir de uma perspectiva externa. Um motociclista amedrontado, vestido com botas e couro, que beija uma menina da metade de seu tamanho fora de uma prisão. Quebrando o beijo, ele murmurou, — Vamos ver Wallstreet. E então... Eu vou fazer o meu melhor para explicar.

Passar a segurança não foi divertido. Arthur se move através dos detectores de metais, utilizados numa base regular, e controles corporais facilmente o suficiente para entrar. Eu não gosto de ser tocada ou sentida como se eu fosse uma criminosa apenas por visitar um deles. Meu nome foi três vezes verificado na


lista aprovada de visitantes que Art deve ter avisado e pelos sorrisos que foram atados com desconfiança, a aprovação era relutante para nós avançarmos quando eles não encontraram o contrabando era quase cômico. — Um lugar como este endurece você —, Arthur disse quando nós descemos indefinidamente pelo corredor frio. Janelas com grades e portas trancadas eram a única decoração à medida que avançamos para as entranhas da prisão. Um guarda notou Arthur e deu-lhe uma saudação. — Ei, Kill. Você está bem, irmão? Arthur sorriu, acenando com a cabeça. — Tão bem como poderia ser esperado. Você? — Não posso me queixar. O seu amigo, bem como os prisioneiros estão se comportando, portanto, tudo de bom na quebrada, por assim dizer. Arthur acenou e continuou se movendo. Fomos levados para uma sala privada com janelas altas, anéis aparafusados ao chão por correntes e cadeados, e uma mesa de metal no centro. O guarda que tinha sido o nosso guia disse: — Espere aqui. Ele não vai demorar muito. Arthur sentou, se curvando em uma das cadeiras de metal como se ele estivesse completamente em casa aqui. Eu supunha que ele estava. Quantos anos disseram que ele tinha vivido dentro destas paredes? O desejo de saber por que ele esteve preso comia minha alma. Eu tinha que saber. Me preocupei. Me preocupei porque isso estava de algum modo intrinsecamente ligado ao meu passado e todas as coisas que eu estava tentando lembrar. A pesada porta range aberta novamente, de onde sai um homem em um macacão laranja. Ele parecia um avô simpático, com inteligência perspicaz, mas, uma bondade em seus olhos que imediatamente me deixa gravitando em torno dele. O cabelo branco brilhava ordenadamente sob fluorescentes e sua pele brilhava com um rubor saudável.

as

lâmpadas


Para um prisioneiro, ele estava meticulosamente cuidado, impecável, com unhas cortadas, colarinho engomado e sapatos imaculados. Arthur levantou, sorrindo enquanto o velho deslizou para frente, não ligado às algemas para se sentar afetado do outro lado da mesa. — Kill, meu rapaz. É bom ver você. — Seus olhos azuis pousaram no meu. — E quem nós temos aqui? Eu congelo. Aqueles olhos... Por que eles eram tão familiares? Arthur entrelaçou os dedos no tampo da mesa, sorrindo em minha direção. Orgulho e amor brilhavam em seu rosto. — Está é Cleo Price. O quarto estalava com a energia girando a partir do velho. — Ah... agora sim? — Seus olhos seguem do topo da minha cabeça aos meus punhos cerrados diante de mim. — Agora eu entendo. — Sua pele ficou enrugada quando ele sorriu. — Tudo faz sentido de repente. E você não. Eu não entendia por que, mas havia algo sobre ele... Arthur tinha bloqueado os olhos com seu amigo e mentor, transmitindo tantas coisas que eu não conhecia. Estes homens tinham história, um vínculo que era mais profundo do que qualquer coisa que eu tinha visto em qualquer outro relacionamento que Arthur tinha. O ciúme era uma coisa estranha de se sentir, mas, eu senti. Eu estava com ciúmes que este homem soubesse mais sobre Arthur do que eu. Eu estava com ciúmes porque Arthur confiava nele mais do que em mim. E eu estava louca de ciúmes pela lealdade que Arthur tinha para com ele, mesmo sobre a sua lealdade comigo. Oito anos de diferença tinham me colocado em segundo lugar em sua vida. E eu odiava isso. O velho estendeu o braço por cima da mesa, estendendo uma mão de boas-vindas. — Eu sou Wallstreet. Meu nome na realidade é Cyrus Connors, mas é melhor você me chamar como todo mundo. Lentamente, eu coloquei minha mão na sua. Meus olhos se arregalaram quando ele apertou de volta com prazer genuíno e calor.


Desembaraçando os dedos do seu, eu reclino na cadeira, sem tirar a atenção de cima dele. — Prazer em conhecê-lo. Seria melhor se eu entendesse. Girando o meu olhar para Arthur, eu tentei ler a dinâmica entre o nosso pequeno trio estranho. Wallstreet cuidava de Arthur, não havia dúvida sobre isso. Mas, algo dentro de mim gritava que o senhor mais velho perfeitamente equilibrado era uma fachada. A pessoa cuidadosamente projetada para esconder a verdadeira profundidade de sua fraude. Wallstreet me imitou, inclinando-se para trás com um sorriso nos lábios. — Devo dizer, é um prazer finalmente conhecê-la, Senhorita Price. Killian não fala de você, muitas vezes, mas, eu sinto como se te conhecesse há muitos anos. E vê-la viva, bem, é bastante intrigante depois de crer que estava morta. Eu quero ouvir tudo. Eu sempre fui um amante de mistérios. Meu coração pegou seu ritmo. — O que você quer dizer com isso? Será que ele tem algo a ver com a minha morte? Ele riu, exibindo uma covinha na bochecha. — Eu não quis dizer nada. Só que você era uma grande parte da vida de Kill. Você moldou ele o homem que ele se tornou. O garoto que eu conheci há anos atrás. Sem você, ele nunca poderia ter escapado da violência desse mundo e focado em seus talentos. Meus olhos se estreitaram. Os maneirismos de Wallstreet cutucando meu subconsciente. Havia algo ali, uma ligação para alguém que eu conhecia, eu simplesmente não conseguia decifrar isso. Ainda. Olhei para Arthur, que nunca deixou de nos observar, com a cabeça voltando com cada palavra falada. — Sua matemática. É isso que ele está falando? Ele assentiu. — Você sabe que meu pai me odiava por perder tempo com isso. Ele pensava que tudo o que eu precisava saber era como disparar uma arma e ferir as pessoas. — Ele levantou o queixo para Wallstreet. — Sem Cyrus, eu não teria a riqueza que eu tenho, ou cuidar do clube ou a obra-prima de vingança atualmente em jogo. Wallstreet suspirou contente. — Você realmente foi o melhor aluno que já ensinei. E leal. — Ele se inclinou para frente, batendo as mãos de


Arthur sobre a mesa. — Eu confio em você, meu filho. Apesar dos rumores que eu ouvi de você ir contra minhas ordens. Eu me transformo em uma estátua. Ele está falando sobre a minha venda como se eu fosse nada mais do que mercadoria. — Eu estou sentada aqui, você sabe. — Eu cruzei os braços. — Você vai seriamente o repreender por não me vender? Por não desistir de mim depois de todo o tempo que passamos separados? — Cleo, acalme. — Arthur murmurou. — Há muito mais para isso do que você sabe. Oh, pelo amor de Deus. Eu estou cheia. — Sim! Aparentemente, tudo o que eu pareço saber, ou está envolvido em coisas que você não vai compartilhar ou você vai 'dizer-me mais tarde’. — Engraçado, eu não achei que você teria um temperamento, Senhorita Price. — Wallstreet sorriu para mim. — Kill sempre falava com tanto carinho de você. — Só porque eu me levanto por mim mesma, isso dá a um homem motivos para não falar de mim com carinho? Quem era esse cara? Depois de quase uma década de não poder contar com experiências passadas para fazer julgamentos, eu tinha aprendido a ouvir meus instintos. E eles gritam para eu dar atenção. Arthur levantou as mãos. — O suficiente. Vocês dois. Wallstreet sorriu, completamente imperturbável enquanto eu respirava com dificuldade e com raiva. — Me perdoe. Estamos ficando fora do assunto. — Olhando para Kill, e me ignorando, ele disse: — O homem destinado a receber a sexta venda... — A sexta venda seria eu. — Eu o olhei. Wallstreet ficou tenso. — Tudo bem, minha cara, sim. A sexta venda, ‘você’, era para o Senhor Steel. Ele era o pino final no plano. Mas, não importa, temos o suficiente para continuar sem ele.


É claro que eles tinham. Tentei me acalmar, para parar o temperamento fervendo no meu sangue. Afinal, este homem tinha protegido Arthur quando ele não tinha ninguém. Um segundo pai para ele, enquanto ele apodreceu na prisão por um crime que ainda não me disse. Wallstreet era seu pai adotivo, assim como as pessoas adoráveis sem nome que tinham me levado. Wallstreet olhou para mim novamente, o azul dos olhos brilhando. — Você sabe, não há destino e, em seguida, não há inevitabilidade. Conceitos semelhantes, mas, completamente diferentes em execução. Creio que isto é um pouco de ambos. Minha mente ficou ferida tentando descobrir isso. — O que? — Huh? —, perguntou Arthur. — Você e ela. Ela e você. Era inevitável que vocês encontrassem um ao outro, assim como eu acredito que o destino tem um papel a desempenhar em todas as histórias de amores épicos. A questão é, você já pagou o suficiente para ser livre do sofrimento? — Quem é você? —, eu sussurrei. Ele não fala ou age como um criminoso. Ele soa como um psicólogo, um sonhador. Quanto mais tempo eu estava sentada em sua presença, mais forte eu sentia isso. Eu suspeitava que algo escondido, uma justificativa escondida sob o orgulho paternal que sentia por Arthur. Wallstreet passou a mão pelos seus cabelos brancos. — Eu não sou ninguém, Senhorita Price. Ninguém de relevância, de qualquer maneira. Só um homem com um olho para os números e coincidências, apenas como seu amante. Arthur apertou os dentes. — Eles quebraram tudo na noite passada. A mudança rápida de tema me jogou por um momento. Eu lutava para me recuperar. — Será que eles o levaram? — Não. Eles não encontraram o que estavam procurando.


Wallstreet endureceu. — Você tem certeza sobre isso? Arthur rosnou, — Eu tenho certeza. O que mais poderia ser? Os olhos de Wallstreet caíram sobre mim. Eu me mexi no meu lugar quando um arrepio gelado passou pela minha coluna. — Esqueça isso —, ele disse suavemente. Olhando para trás para Arthur, ele acrescentou: — Você não quer apressar isso. Há anos que você vem planejando. Não foda isso quando você está tão perto. Planejando? Planejando o quê? Eu precisava saber! Arthur se inclinou sobre a mesa, baixando a voz. — Não tenho nenhuma intenção de foder qualquer coisa. É a hora deles pagarem. Eu dei a eles anos. Eu fiz o que você pediu. É a minha vez... — Você fez o que eu pedi para que você pudesse colher o que é seu. Não se esqueça de que eu te ensinei a arte da paciência, bem como negociação, meu filho. Arthur se afastou, praguejando. — Eu só queria dizer que eu tenho mais do que riqueza suficiente. Levantei mais do que suficiente de boa vontade na comunidade local. Eu tenho os políticos que você queria todos do nosso lado. Eu controlo as cordas de todos que você me mandou puxar em nosso poder. Está na hora. Eu preciso me mover antes de tentar qualquer outra coisa. É uma guerra, e eu a quero nos meus termos. A energia que ele exalava chamuscou meu corpo, formigando com um mau pressentimento sinistro. Algo me disse que a pequena rebelião que eu tinha interrompido quando cheguei pela primeira vez seria nada comparado com o que quer que Arthur tenha planejado. Os políticos? Poder? Ele falou de controlar os homens como fantoches. Eu não gosto disso, o lado sombrio e cruel de Arthur. Eu não gosto do que ele se tornou sem mim. Sem pensar, eu esfregava a queimadura curada recentemente no meu braço quando o cara do isqueiro surgiu na minha cabeça. Wallstreet seguindo meus dedos. Seus olhos se estreitaram. — Isso parece que foi doloroso. O que aconteceu minha querida?


Se eu não estivesse vestindo jeans e um top de mangas compridas, ele teria visto o quão doloroso meu passado tinha sido, minhas cicatrizes nunca deixaram de pintar um quadro de horror. Eu fiquei tensa. Sua pergunta contém mais do que um inquérito inofensivo. O que ele sabe? Meu olhar bloqueando com o homem mais velho, forçando meu passado em sua percepção. Ele olhou de volta, o temperamento girando abaixo da superfície. Arthur respondeu por mim. — Isso aconteceu na noite em que ela veio a mim. Nós ainda não descobrimos como ou por que ainda. Wallstreet estava mortalmente parado. — Como vocês encontraramse outra vez, depois de todo esse tempo? Wallstreet e eu nunca olhamos para longe um do outro, quanto mais eu olhava, mais a minha apreensão cresceu. Eu reconheço você. Mas como? Arthur me lançou um olhar. — Um dos meus tripulantes a pegou. Eu fui alimentado com uma história de merda sobre onde estava e quem era. Ah sim. A história que eu era mais uma das amantes destinadas para pagar os pecados do homem com quem escolheram dormir, o seu pai. Mesmo que eu entendesse o raciocínio de Arthur em um nível pessoal, ainda não fazia isso correto. Wallstreet finalmente quebrou o olhar comigo, olhando para o filho pródigo. — Então, por que eles entregaram seis em vez de cinco? Arthur deu de ombros. Eu queria acenar. Eu... sentada bem aqui. Número seis. Olhei para o guarda que estava próximo a saída. Pareceu tão errado estar falando sobre o tráfico na frente de um homem que tinha a lei do seu lado.


Eu não era uma criminosa ou uma má pessoa. No entanto, eu tinha me apaixonado por um rapaz que fez coisas más e amei um homem que parecia absolutamente mortal. E agora eu sabia como ele tinha formado o duro exterior, o caminho de sangue frio que tem sido ensinado por Cyrus "Wallstreet" Connors. Wallstreet franziu a testa. — Por quê? — Com sobrancelhas franzidas, ele acrescentou: — O que havia para ganhar? Os músculos de Arthur ficaram tensos. — Eles sabem. Wallstreet chegou mais perto, a energia crepitante ainda mais alta. — Como é que eles sabem? Como é que eles a encontraram depois de todo esse tempo? — Quem diabos vai saber, mas, eles sabem. Isso explica tudo. Wallstreet esfregou a mão no rosto. — É extremamente conveniente que a sexta apenas seja do seu passado. Arthur congela, suas mãos enrolando sobre a mesa. Wallstreet baixou a voz. — Eu espero que isso não seja verdade, mas, você tem um vazamento. — Olhando para mim, ele murmurou, — Ela é do seu passado, o mesmo passado que você está tentando... — Filho da puta, — Arthur assobiou. Wallstreet assentiu com otimismo. — Exatamente. Minha mente girou presa em um ciclone sem sentido. — Alguém pode explicar o que diabos está acontecendo? — eu perguntei, não que eu esperasse obter uma resposta. Wallstreet me ignorou. — Os membros Corrupt originais eu garanto que são confiáveis, eu tenho fé absoluta nisso. Você já acolheu favoravelmente os novos membros desde então? Arthur assentiu. — Um casal, mas, apenas após a triagem pesada e um longo tempo como prospecto. — Suas costas estavam tensas sob a camisa. Ele teve que deixar sua jaqueta de couro no momento da entrada, não é permitido nada relacionado com gangues no prédio.


— Eu não posso acreditar que alguém faria isso. E por quê? Após a riqueza que eu lhes dei, a paz que eu lutei tão duro. — Por quê? — Wallstreet riu. — Qualquer um que você conhece sabe que seu passado é a sua força motriz. — Mas, isso? Merda! O guarda se aproxima mais perto, sua mão fechando-se sobre um bastão em seu quadril. Wallstreet olhou por cima do ombro, sorrindo. — Tudo bem, Mark. Apenas um pouco de paixão humana, é tudo. — Justo. Basta manter isso baixo. — O guarda encostou-se contra a porta novamente. O poder que Wallstreet tinha era impressionante. Eu salto. — Se você está se perguntando quem te traiu, eu sei quem me levou. O silêncio caiu como neve espessa. Por que, oh, por que eu não o mencionei antes? Isso nunca veio à tona. Eu estava tão encantada com reviver o nosso amor, que eu não tinha tido tempo de mencionar o homem com o isqueiro. Estúpida. — O que você acabou de dizer? —, perguntou Arthur, com o rosto tenso. Merda, como se as minhas emoções já não estavam no limite da capacidade, eu iria sentir pena do homem que estava prestes a sair. Meu coração disparou. — O cara do isqueiro. Eu não sei seu nome, mas ele estava no almoço quando você voltou depois de três dias. A propósito, isso me lembra. O que você estava fazendo por esses três dias? Agora não era o momento para perguntar, mas, a pergunta caiu espontaneamente. Ele estava ferido e cheirando a álcool. Parecia um pouco fora do personagem, eu não podia imaginá-lo de bom grado ficar intoxicado, ele gostava demais do controle.


Provavelmente porque ele foi despojado disso quando ele foi jogado na cadeia. Foi Wallstreet quem respondeu. — Ele estava fazendo o que eu pedi. Killian não só tem tomado a minha instrução e feito mais do que eu esperava, mas ele também dirige um império que tem muitas facetas. Minhas mãos se fecharam. — E que facetas? Wallstreet sorriu. — Você sabe em seu coração que ele não é apenas um motoqueiro. Claro, o Pure Corruption é sua família, tanto quanto ele é a minha, mas, vai além disso, agora. Arthur resmungou. — Esses três dias eu estava socializando com alguns contatos. Construindo amizades com homens no poder que vão aumentar nosso alcance. E, se você quer saber, eu passei muito tempo na praia onde a levei ontem à noite... passando por cima do passado. Meus braços doíam para abraçá-lo, enquanto minha mente estava desesperada para quebrar o seu cérebro e ver a verdade. Wallstreet assentiu. — Tudo o que eu tenho dado a Arthur é nada comparado com o que ele está deixando para trás. Kill é o homem mais esperto, mais capaz que eu já tive o prazer de conhecer, Senhorita Price. Você deve estar muito orgulhosa de tudo o que ele conseguiu. Cruzei os braços, me sentindo possessiva e chateada. Ele falou como se fosse o dono de Arthur. Como se Arthur não fosse nada sem as coisas que ele aprendeu com Wallstreet. Eu conhecia-o de forma diferente. Eu tive o prazer de conhecer o rapaz antes que ele caísse nas garras de Wallstreet e eu não podia afastar minha raiva por ter de compartilhá-lo com esse homem, e o senso comum que Wallstreet o salvou. — Como o cara do isqueiro se parece? —, perguntou Arthur, fazendo eu me concentrar de volta para a conversa. Suspirando, eu disse: — Ele brinca com um isqueiro, tem cabelos castanhos, olhos castanhos, e é magro. A atenção de Arthur se virou para dentro, descobrindo qual de seus irmãos era o responsável. Eu levei o seu silêncio como uma nova oportunidade para disparar em Wallstreet. — Há quanto tempo você está aqui?


Wallstreet sorriu, deixando vazar a tensão. — Dezessete anos. Faz um tempo. Então eu não posso tê-lo conhecido antes. — Quando você vai sair? Ele encolheu os ombros. — Isso depende de Deus, eu suponho. Eu tenho mais cinco anos para servir, mas espero que isso seja reduzido. No entanto, eu não saberei até que eu esteja andando livre por esses portões. A maneira como ele se mudou cutucou meus pensamentos de novo, implorando para ligar os pontos. — Alligator. Porra, Adam ' Alligator ' Braxton. — Arthur de repente rosnou. — Ah sim. Eu me lembro de você dizendo que ele tinha sido votado pelos irmãos, mas, você ainda reteve o julgamento. — Wallstreet murmurou. Uma imagem da tatuagem de jacaré no pescoço do cara do isqueiro voltou para mim. — Sim, é ele. Wallstreet sorriu, amando loucamente Arthur como se ele fosse seu aluno favorito. — Eu confio em você para cuidar dele. Arthur estremeceu. — Pode crer, eu vou. Cuzão de merda. — Pegando minha mão sobre a mesa, ele apertou meus dedos dolorosamente. — Ele não vai chegar perto de você novamente. Vou ligar para Grasshopper para localizá-lo e colocá-lo no bloqueio. Wallstreet sentou mais alto em sua cadeira. Grasshopper?

— Como está

Minhas orelhas ficaram em pé. — Ele está bem. Definindo as peças finais no lugar para derrubar o Dagger Rose. — Isso é bom —, disse Wallstreet, seus olhos azuis brilhantes com interesse. Então, tudo de repente fez sentido. Os olhos azuis, a covinha, os traços idênticos.


Meu Deus. Eles estavam relacionados. Grasshopper e Wallstreet são parentes. Meus músculos tremiam com a descoberta. Eu queria perguntar para confirmar as minhas suspeitas, mas, algo me segurou. Olhando para Arthur, tentei ver se ele sabia da correlação entre o seu braço direito e o benfeitor que o tinha trazido sob sua asa. Arthur era presidente. Ele era a lei em seu mundo. Mas, na realidade ele era um peão tanto quanto eu. O rei estava sentado em frente a nós sorrindo e acenando tão perfeito como qualquer soberano, deixando os outros fazendo o seu trabalho sujo, ao mesmo tempo, mantendo as mãos limpas. — O que é isso, minha querida? — Wallstreet se inclinou para frente, batendo no meu antebraço. — Parece como se você tivesse provado algo muito nojento. Pisquei, empurrando as minhas conclusões e esperando que eu não tivesse demonstrado nada. — Desculpe, eu só estava pensando no Alligator e como ele soube que eu era eu, mesmo que eu mesma não soubesse. Boa desculpa. E agora que eu disse isso, eu realmente me pergunto isso. Deus, meu cérebro precisava de um descanso. Era como um elástico esticado demais e que a qualquer momento iria estalar ou perder toda a vontade de saltar de volta para a normalidade. Wallstreet assente, entendimento afiado em seu olhar. — Eu posso imaginar que tudo isso deve ser difícil para você. Eu acho que você deveria ir, descansar para que você não danifique o progresso que você fez. Arrastando os dedos no seu antebraço, ele disse para Arthur. — Há homens e há outros homens, Killian. Não confunda os dois. O que diabos isso significa? Mais uma vez o meu cérebro girava.


Eu tinha pensado que eu era inteligente, mas, falar com este homem me fez sentir como se eu tivesse rastejando desde os primeiros estágios de evolução. Arthur baixou a voz. — Eu vou os fazer pagar por isso. Com ou sem a sua benção. E eu vou fazer isso para você sobre o Senhor Steel. Apenas me dê um pouco de tempo antes de concordar com todas as irritantes exigências que ele está fazendo. Wallstreet sorriu. — Justo. E eu concordo que é necessário fazê-los pagar. Está na hora. Você não acha? Arthur eriçou. — Já era a hora. Wallstreet ergueu o queixo. — Nesse caso, você tem a minha aprovação. Termine isso, Killian. Ensine para aqueles que arruinaram você, que agora você governa. Seu reino é seu. Suas vidas estão perdidas. Um arrepio desapareceu na minha espinha. Arthur levantou-se. — Eu vou. Wallstreet também se levantou. Eles apertaram as mãos. — Sem toque! — O guarda disse se empurrando para fora da parede. Os homens deixaram cair a ligação, compartilhando um sorriso frio e reservado. — Me deixe saber como isso vai, filho. Eu sei que você vai encontrar o que você precisa, uma vez que estiver tudo terminado. Arthur me puxou para perto, a primeira vez que ele me tocou com carinho desde que tínhamos entrado pelas portas da prisão. — Eu já tenho tudo o que preciso. Eu só vou ser mais feliz quando tudo estiver acabado. Você e eu. Wallstreet sorriu. — Você ganhou. E quando o Dagger Rose não existir mais, você vai estar um passo mais perto de nosso objetivo final. Não me decepcione. Arthur eriça ao meu lado. — Eu nunca decepcionaria você, Cyrus. Nunca. Fiquei com uma tempestade horrível dentro do meu coração, uivando com a incerteza e dúvidas.


SerĂĄ que Arthur seria tĂŁo cegamente leal, se ele soubesse que estava sendo enganado? E exatamente como eu poderia lhe mostrar a verdade sem ele me odiar?


Capítulo Vinte e Quatro Como eu vou ser forte o suficiente para proteger Cleo? Eu era velho o suficiente e sábio o suficiente para que eu não fosse tão ingênuo de novo, porra? Eu tinha conseguido mais do que eu sempre sonhei. Eu tinha criado riqueza a partir do nada. Recriado uma vida de probabilidades quase impossíveis. E eu tinha um anjo da guarda inteligente e rico que se tornou fundamental nos meus planos e reabilitação. Ele era minha graça salvadora. Ele me ensinou tudo o que sabia. E, no entanto, quando me aproximo de Cleo, eu ainda me sinto infinitamente incerto. O mesmo rapaz que amava uma garota que nunca deveria ser sua. O mesmo rapaz com as mesmas malditas inseguranças. — Kill

Olhei para o relógio. 02h30 Ugh. Rolei e encontro uma cama vazia. Onde ele está?


Os lençóis foram jogados para trás e o abandono do seu lado vazio machuca meu coração. Após termos voltado da visita a Wallstreet, Arthur tinha passado a tarde em seu laptop, na negociação do mercado de moeda estrangeira, como se fosse um vício. Ele clicou e estudou e fez anotações em seu livro, lentamente desenrolando mais esses negócios. Nós não tínhamos falado muito enquanto jantávamos e fomos para cama. Eu não poderia conter minha confusão depois de ver Wallstreet. Eu não podia alinhar suas respostas enigmáticas ou fazer sentido de tudo. E eu não conseguia entender por que Arthur não percebeu que Grasshopper estava relacionado com Wallstreet. Para mim era tão malditamente óbvio. Mas, para ele, um homem preso nos ventos da vingança e em uma determinação tão obstinada que nunca tinha registrado isso. Então, novamente, talvez ele saiba e é tudo parte do plano oculto? Voltar a dormir era uma causa perdida. Eu nunca relaxo com perguntas zumbido ou o vazio do colchão ao meu lado. Decidindo ir encontrá-lo, eu me sentei e balancei as pernas para fora do casulo morno. Vestida apenas com uma das camisetas pretas de Arthur, passo pelo corredor e me arrasto pelas escadas. Não há luzes acesas. Eu queria manter assim. Eu gostei do anonimato fornecido pelo escuro. Eu gostava de rastejar através das sombras, é quase como se eu rastejasse através da minha própria mente. A casa estava impecavelmente arrumada e limpa quando nós chegamos. Quem Arthur chama para vir cuidar dela, tinha deixado sua casa em estado impecável. Sabendo onde eu o encontraria, eu mantive os fantasmas em silêncio até parar perto do seu escritório. Os quatro computadores esmagados tinham ido embora, substituídos por caixas fechadas de novas telas e tecnologia. O vidro do cartaz da equação tinha sido varrido e o balcão rejeitado.


Era como se o arrombamento nunca tivesse acontecido. Encontrei Arthur no chão, perto do cofre atrás do sofá. Ele descansava contra a parede, com as pernas para cima e cabeça baixa. Seus olhos colados às fotos que eu tinha visto quando ele abriu ontem o cofre. Ele não me notou e eu aproveitei a oportunidade para olhar para o belo homem que eu tinha tido o privilégio de assistir crescer de menino para adolescente e para um adulto capaz, protetor. Suas mãos fortes flexionando com força em torno das fotografias delicadas. Sua garganta bronzeada e adorável ondulou quando ele engoliu. Todo o seu corpo foi esculpido e preparado para uma máquina de luta, em cada centímetro seu demonstra prontidão e um temperamento cruel que poderia matar. Puxei uma respiração com o leve brilho em seus olhos verdes. Lágrimas? Não, não pode ser. Raiva. Uma raiva brilhante que nunca o deixou sozinho, não importa o quão delicado e amoroso que fosse comigo. O pescoço de Arthur levantou-se, e ele rapidamente bateu de lado as fotos coloridas no chão de azulejos. — O que você está fazendo acordada? Eu não tiro os olhos das imagens escondidas. — Eu não conseguia dormir. Você me deixou, eu não poderia voltar a dormir sem te ver. Sem me lembrar que você é real e não um sonho. Ele suspirou, abrindo os braços. — Venha aqui. Me movendo no sofá, eu deslizo pela parede ao lado dele e me aconchego em seu calor masculino. Ele beijou o topo da minha cabeça, respirando o cheiro do meu xampu. — Eu sou real. Você é real. Nós nunca vamos nos perder outra vez. Sua voz estava tensa, a estranha mistura de ódio e culpa formando um juramento pesado.


— De onde são as fotos? —, murmurei. Eu não queria deixá-lo desconfortável e forçá-lo a me mostrar coisas que ele prefere não revelar, mas, ao mesmo tempo, eu queria a verdade. Eu queria rasgar a cortina e ver os segredos mais além. — Não é nada, Cleo. Você deve voltar para a cama. — Seus braços se apertaram em retaliação direta a suas palavras. Sua boca dizia que me queria longe, mas, suas ações, diziam o contrário. Eu suspirei, derretendo-me contra ele. — Do que você tem tanto medo? Ele ficou tenso, sem responder. Esperei por alguns minutos, mas, ele não vacilou ou admitiu. — Quando é que você vai me dizer? — Te dizer o que? — A história de como você acabou na prisão? Contar o que aconteceu enquanto estávamos separados? A fábula de por que você estava tão inflexível sobre eu estar morta? Há tanta coisa que eu não sei. Tanto que eu preciso saber antes de dar tudo o que sou para você. — Você não me deu tudo? A escuridão era um observador suave em torno de nós, silenciando nossas confissões. — Não. Ainda não. Você está mantendo muitas coisas de mim. — Você está mantendo as coisas de mim, também. — Sim, mas não de propósito. Lembro-me em rajadas esporádicas. Eu não posso controlá-las. Arthur apertou-me com força. — Está ficando mais fácil? — Mais uma vez o medo e a esperança travaram uma guerra em seu tom. Suspirei pesadamente, desejando que ele fosse parar de mentir e dizer do que ele tinha tanto medo. A raiva me encheu e eu endureço em sua posse. — Wallstreet significa muito para você, não é?


Arthur ficou mortalmente parado. — Ele é a razão pela qual eu sou livre e rico e em uma posição para me vingar de quem me traiu. Então, sim... ele tem um grande significado, porra. Traçando a argamassa entre os azulejos brancos pelos meus dedos, eu sussurrei, — Você sabe que ele tem outros planos para você? A maneira como ele te olha, Art. Ele está escondendo muito, mas exige tudo em troca. Arthur se afastou, desembaraçando o braço ao redor dos meus ombros. — O que exatamente você está dizendo? Sentado mais alto, eu me preparei. Eu não tinha a intenção de rasgar essa ferida em particular, mas, ele não me deixou escolha. — Você sabe o que é realmente verdadeiro depois de tudo? Sabe o que ele vai receber em pagamento por tudo que ele lhe deu? Arthur levantou-se em uma corrida, andando na minha frente. — Que porra é essa que deu em você, Cleo? Você não pode ter a porra desse ciúmes de um cara que era o único lá para mim. — Parando, ele rosnou: — Eu não ligo para o que são os seus planos finais. Eles estão em meus melhores interesses, e eu poderia obedecer a todos os seus pedidos e ainda não dar o suficiente para pagar pelo que ele fez. Levantando-me do chão, eu estava com minhas mãos em punhos. — O que exatamente ele fez Art? Por favor, me diga, porque estou cansada de viver no escuro. O que ele está fazendo que você faça? O que é que ele quer? Arthur passou ambas as mãos pelo comprimento da barba em seu queixo. Seu corpo ondulado com raiva, seu peito subindo e descendo rapidamente. — Não é da sua conta! — Você está errado. — Eu o pressiono mais, deliberadamente provocando-o a enfrentar a verdade. Eu poderia estar me debatendo no escuro com memórias incompletas, mas, ele estava pior, ele deliberadamente ignorava as coisas diretamente na frente de seu rosto. — Você sabe quem Grasshopper é? Arthur parou, as mãos emaranhadas em seus cabelos. Seus olhos verdes se arregalaram. — O que? Que porra é que Hopper tem a ver com isso?


Eu queria sacudi-lo. — Vamos. Você não tinha notado? Nos anos que você está lidando com os dois homens, você nunca realmente olhou para eles? Arthur congelou, os olhos brilhando quando a realização bateu nele. Finalmente. — Ah, porra. — Suas mãos caíram de sua cabeça, pendurado pelos lados. — Você está certa. Eles parecem... — Ele balançou a cabeça. — Não pode ser. O sobrenome de Jared não é Connors. É Shearer. Eles não podem ser... Fechando a distância entre nós, eu descansei meus dedos em seu braço. — Não ter o mesmo nome não significa nada nestes dias. Ele poderia ser ilegítimo, tendo tomado o nome de sua mãe. Inferno, ele poderia ter mudado o nome. Olhe para mim. Cleo Price tem uma sepultura e uma certidão de óbito confirmando minha morte. Nos olhos da lei eu não existo, unicamente Sarah Jones existe. Não é possível que tudo o que você pensa que sabe tenha dois significados? Dois propósitos? Ele agarrou meus ombros, trazendo-me para mais perto. — Você estava preocupada com isso? Por quê? — Por quê? —, eu fiz uma careta. — Porque eu sou sua protetora. Eu não gosto de pensar em outros se aproveitando de sua inteligência ou habilidade. E se eles não estão do seu lado? Seus dedos cavaram em minha carne. — Eu vou dizer isto uma vez e apenas uma vez. Eu te amo por se preocupar comigo e eu nunca vou descartar suas impressões ou instintos, mas, independentemente do que você pensa que sabe de Wallstreet ou Grasshopper, eles são bons homens. Homens honestos. Concordo, que parece que aparentemente eles estão me usando, mas, Cleo, este é um exemplo de onde você tem que ser paciente e confiar em mim. — Sua mão subiu para a minha bochecha. — Eu nunca iria deixar ninguém tirar proveito ou me enganar. Eu os mato instantaneamente. Eu fui para a prisão por algo que era uma mentira. Eu servi um tempo para as pessoas que eu pensei que se importavam comigo, só para eles me destruírem sem olhar para trás. Tudo o que eu estou fazendo é para garantir que eles nunca tenham a oportunidade de ferrar ninguém nunca mais. E eu não vou descansar até que tenham pagado pelo que eles fizeram. Você entende?


A ferocidade em seus olhos enfraqueceu e os meus joelhos também com sua pura promessa e sede de sangue. — Eu entendo. Correndo o polegar sobre meu lábio inferior, ele assentiu. — Bom. Agora, não se preocupe mais com Wallstreet e seus motivos. Não procure por falhas no homem que me manteve vivo e são. Mas, posso te dizer que ele está do meu lado desde o dia em que o conheço. Ele colocou as coisas em movimento para mim, me deu um propósito, um plano e uma maneira de me vingar. Meus olhos se arregalaram. — O que isso significa? Sua mandíbula se apertou. — Isso significa que há muito mais do que você sabe acontecendo em segundo plano. Portanto, muito mais do que o Pure Corruption e Dagger Rose. Maior do que qualquer um sabe. — Ele ficou em silêncio, quase como se desejando não ter sugerido a profundidade do que ele não estava me dizendo. Mas, então ele fez uma careta e acaba, — Pelo que eu tenho trabalhado Cleo, significará que a minha vida não terá sido por nada. Que viver esses anos de prisão acreditando que você estivesse morta não foi em vão. Estou cobrando essa dívida. Você vai receber essa dívida. E Wallstreet está tornando isso possível. Um arrepio correu pela minha espinha. — Mas, Art... o que você está planejando... Ele pressionou um dedo sobre meus lábios, me silenciando. Sussurrando suavemente, ele disse: — Deixe eu me preocupar com isso. Confie em mim que tudo vai dar certo. — Se esquivando, ele pressionou um pequeno beijo onde seu dedo estava, murmurando: — Eu tenho algo para você. A mudança deliberada de assunto não passou despercebida, mas, eu me forcei a relaxar e deixá-lo continuar a esconder por um pouco mais. — Oh? Ele pegou minha mão, me guiando de volta para o cofre. Pisando com cuidado sobre fotografias espalhadas, ele pegou uma caixa de anel. Uma caixa de anel? Voltando-se para mim, ele segurou-a. — Para você, Buttercup.


Minha frequência cardíaca explodiu. Conclusões tropeçam e colidem. Ele ia propor há anos atrás? E se ele tivesse comprado um anel só por pensar que eu morri e segurou a ele todo esse tempo? Minhas mãos tremiam como loucas quando eu o peguei. Arthur riu. — Não é o que você pensa. — Colocando a mão sobre a minha, ele acrescentou, — Você me deu uma borracha em forma de Libra, porque eu disse que você tinha mais erros do que qualquer outra pessoa que eu conhecia. Eu te dei isso porque eu não conseguia descobrir uma maneira de dizer o quão fodidamente louco eu era por você. Eu não poderia resolver o amor que eu tinha pela menina com quem eu tinha crescido e com a mulher que eu vi você se tornar. Então eu deixei algo mais mostrar em meu lugar. Sem tirar os olhos dos meus, ele me ajudou a abrir a tampa. No momento que eu vi o que repousava no interior, o passado surgiu. — Sorrateira, Buttercup. Eu ri enquanto eu subia pela janela de seu quarto. Já passava da uma hora da manhã e todo o complexo, incluindo nossos pais, estavam dormindo. Arthur estava sobre os seus lençóis em nada mais que sua cueca de seda jogando vídeo game. Minha boca ficou instantaneamente seca. — Eu vejo que você se vestiu para mim. Meus olhos se arrastaram para sua virilha. Esperei que ele saltasse para cima para cobrir-se, para evitar qualquer possibilidade de que algo diferente de amizade platônica acontecesse. Mas desta vez era diferente. Ele me deixou olhar. Ele me deixou testemunhar o rápido endurecimento da parte dele que eu queria ver mais do que qualquer coisa. O quarto brilhava com a luxúria. — Você não deveria estar aqui —, ele murmurou. O tom de sua voz era puro sexo, um envio de umidade entre as minhas pernas e um latejar eterno que me fez lembrar o seu toque.


— Eu tenho que estar onde quer que você esteja —, eu sussurrei, sem fôlego. Art de repente sentou, balançando as pernas sobre a borda de sua cama e batendo no colchão ao lado dele. — Venha aqui. O comando enviou um delicioso aperto através do meu núcleo. Eu não conseguia respirar. A sério? Ele finalmente vai ceder a nós? Sentado nervosamente, lutei para manter meus olhos longe da ereção agora lutando contra a seda de seus shorts. Sem dizer uma palavra, Art alcançou debaixo do travesseiro e tirou uma caixa de anel. Deixando-a cair no meu colo como se ele não tivesse o autocontrole para me tocar, ele respirou, — Aqui. Isto é para você. Eu quase deixo cair a caixa, eu tremo muito quando tento abri-la. Dentro descansava um anel, mas não apenas qualquer anel... um com uma grande pedra cercada pelo arqueiro Sagitário com uma seta trancada em seu aljava. Minha cabeça se levantou. — Art, eu adorei isso. Arrancando o anel da caixa, ele agarrou minha mão e nós dois respiramos forte. Eletricidade e desejo proibido crepitava entre nós. Eu teria desistido de tudo para ele me beijar, para me pressionar em minhas costas e subir em cima de mim. Eu soluçava quando a intensidade se tornou muito. Art balançou tanto quanto eu fiz quando ele lentamente deslizou o anel em meu dedo do meio. A pedra ficou imediatamente um vermelho ardente. Art riu. — De acordo com o gráfico que veio com isso significa que você está com fome. — Com fome? Ele baixou os olhos. — Sim, com fome de paixão, amor, conexão. Eu não podia. Eu simplesmente não podia mais fazer isso. Lançando-me para ele, eu me movo para cima da cama, batendo-o de costas.


Sua boca se abriu enquanto eu pressionei meus lábios nos dele, sugando sua alma, o seu desejo, cada emoção que obstruía meu cérebro sempre que ele estava perto. Meu corpo inteiro estremeceu com o prazer ondulando em meu núcleo que, de repente sabia exatamente como obter alívio. Arthur gemeu quando eu montei seus quadris, balançando e me pressionando em seus calções contra sua ereção dura como rocha. Eu não me importava se o rosa escuro do meu pijama estava encharcado de estar em torno dele. Eu não me importava que ele pudesse sentir o cheiro em mim, sentir o quanto eu precisava desse menino. A puberdade tinha atingido Arthur e estava me provocando desde que ele me beijou no parque. Era hora dele parar de provocar e se entregar. — Cleo, espere —, ele sussurrou na escuridão. Sua cabeça arqueada para trás enquanto eu pressionei violentamente duro, me dirigindo ao ponto de dor enquanto eu o montava. — Merda. — Ele retrucou. Suas mãos subiram, capturando meu rosto, me beijando ferozmente. Um gemido foi arrancado de meus pulmões enquanto empurrava para cima, atingindo o local perfeito e me fazendo derreter e congelar tudo ao mesmo tempo. Nós nos beijamos como se o mundo fosse acabar. Nós alimentamos, jantamos e comemos cada centímetro de nós quando nossas bocas se atacavam avidamente. Quando suas mãos caíram para os meus quadris, me pressionando mais duro para ele, a costura dos meus shorts esfregou apenas no lugar certo. Eu gritei, me jogando sobre seu peito. Imediatamente ele para, seu coração tamborilando muito forte contra o meu. — Nós não podemos. Cleo vá. Saia antes... — Antes de você transar comigo? — Eu balancei meus quadris. Meu temperamento escureceu o calor encarnado entre nós. — Não diga coisas tão grosseiras. Não é elegante.


Elegante? Eu não era uma princesa ou um presidente motociclista, ou até mesmo uma mulher naquele momento. Eu era sua. Eu queria ser usada, abusada, tirada. Eu queria sujeira e imundície e toda porra primitiva e crua. — Foda-me, Arthur Killian. Eu estou te implorando para me foder. Ele me jogou longe dele, saindo fora da cama e se movendo para o seu guarda-roupa. Arrancando um jeans, ele arrastou ambas as mãos pelo cabelo. — Cale-se. Eles vão ouvi-la. Sentei-me ofegante em sua cama, correndo o dedo sobre o meu novo anel de humor, que agora brilhava um preto horrível. Olhando para a caixa, achei o cartaz que dizia o que cada cor significa. Preto: Tristeza, depressão, rejeição. Sim. Art chegou mais perto, abaixando-se de joelhos diante de mim. As mãos pousam em meus joelhos, traçando círculos que apenas amplifica os sentimentos emaranhados por dentro. Seus olhos caíram para a parte úmida entre minhas pernas; sua mandíbula apertada. — Você me disse uma vez as características de um libriano. Eu fiz um pouco da minha própria pesquisa sobre você. Quer saber o que eu encontrei? Eu balancei a cabeça, me escondendo atrás de uma cortina de cabelos cor de fogo. Eu não queria olhar para ele, não depois dele se virar a distância, como todas as outras vezes. Afastando os fios vermelhos grossos atrás da minha orelha, ele murmurou, — Você é brilhante e curiosa, enérgica e entusiasmada, aventureira e honesta. — Sua voz lentamente foi nivelada a partir da aspereza cheia de desejo. — Você é apaixonada e destemida e sem culpa. — Ele sorriu. — Eu posso atestar isso. Você vai atrás das coisas que você quer sem nenhuma preocupação com as consequências e sofre de um otimismo incorrigível. Eu ri baixinho. — Eu tenho que ter otimismo, especialmente quando você está em causa. Caso contrário, como eu poderia gastar tanto tempo com você, implorando para você me notar com a quantidade de vezes que você me afasta?


Ele suspirou, ignorando isso. — Até mesmo os traços negativos que encontrei eram adoráveis. — Negativo? — Eu fiquei tensa para o pior. — Você é inquieta, impaciente, sem tato, e com excesso de confiança. — Ouch. Art mudou-se para sentar-se na cama, envolvendo um braço em volta dos meus ombros. — Mas, são essas características que fazem você minha Buttercup. Nunca desista de mim. Nunca pare de ser impaciente ou de ter excesso de confiança em meu amor por você. Eu vou lhe dar isso em troca um dia, Cleo. Mais cedo do que você pensa. O flashback terminou quando Arthur colocou o anel de humor de volta no meu dedo médio. — Como é que você o achou? Não estava comigo na noite em que desapareci? Arthur trincou o maxilar, a raiva profunda em seus olhos verdes. — Eu encontrei em meio aos destroços da casa. Eu tive apenas tempo suficiente para colocá-lo em algum lugar seguro antes que a polícia me prendesse na manhã seguinte. Perguntas se alinhavam em forma caótica. Eu queria ouvir sua história para descobrir por que eles o prenderam e o julgamento a que ele deve ter sido submetido. Mas, o flashback tinha me drenado. Eu não tinha a mais simples vontade além de mostrar a este homem o que ele significou para mim. Avancei em seu abraço. Seus braços vieram em minha volta imediatamente, apertando forte. Um minuto se passou e nós apenas nos abraçamos, traçando e dando-nos a serenidade tão necessária. Finalmente, Art puxa para trás. — Vamos para a cama. Eu balancei a cabeça. — Apenas me deixe trancar isso. — Afastando-se, ele reuniu as fotografias e as colocou de volta no cofre. Trancando, ele se virou para mim,


mas, os meus olhos pousaram em uma imagem brilhante escondida em parte, pelo sofá. Sem dizer uma palavra, eu abaixo-me e pego-a. Meu coração voou com asas leves, em seguida, me arremessado no inferno. Eu e ele. Jovens, ligeiramente bronzeados, vestidos em shorts e camisetas, rodeados por nossa família. Minha mãe e meu pai. Sua mãe, pai e irmão mais velho. Éramos o cartão postal perfeito de união. Meus olhos caíram sobre seu pai. Ódio enrolando no meu intestino, assobios e torções, querendo assassiná-lo pelo que ele fez. Lágrimas machucam meus olhos por ver meus pais novamente. Um flash de uma memória apareceu. Minha mãe tinha sido chamada de Petal15, Sandra "Petal" Price. Ela tinha sido tão pura e preciosa para morrer. Uma única lágrima rolou pelo meu rosto enquanto eu bebia no amor em seus rostos amorosos, a felicidade que tivemos como uma família. Saber que eu nunca iria vê-los novamente arranca meu coração e o deixa sangrando no chão. Isso machuca. Muito. — Merda. — Arthur arrancou a imagem de meus dedos, tirando minha casa, deixando-me sozinha mais uma vez. Num piscar de olhos, ele me pegou do chão e me levou para a porta. — Eu não suporto vê-la com dor. Eu não protesto quando ele me carrega para o quarto. Por cima do ombro, notei outra fotografia espreitando no chão.

15

Pétala


A imagem de mim rindo nos braços de Scott "Rubix" Killian. Eu o amava. Eu tinha confiado nele. Ele tinha sido um tio para mim, mas, destruiu minha família toda por ganância. Cansaço rouba tudo de mim. Eu enterrei meu rosto na curva do pescoço de Arthur. Nenhuma palavra foi falada enquanto ele me levou de volta para a cama. Colocando-me suavemente no colchão, eu aperto sua bochecha. — Eu sempre me perguntei por que sua mãe te chamou de Arthur. Você sabe? Seu rosto ficou suave. — Sim, eu sei. — Jogando as cobertas, ele subiu ao meu lado, me puxando para o seu corpo poderoso. — Ela me deu o nome de Arthur Cayley. Um famoso matemático que escreveu uma série de artigos sobre as regras que usamos em abundância hoje. Eu sorri no escuro, segurando seu braço em volta dos meus seios. — Então ela é a razão pela qual você é fascinado com números. Ele riu baixinho. — Você poderia dizer isso. Acho que ela me amaldiçoou de alguma forma. — Ou deu-lhe um caminho de vida melhor do que o seu pai imaginou. De alguma forma eu lembrava que a infância de Arthur não era tão feliz quanto a minha. A casa de sua família sempre foi cheia de perigos e nervosismo. Eu nunca tinha perguntado, mas, eu tinha a sensação de que seu pai fez mais do que simplesmente levantar os punhos para o filho. Eu tinha a sensação de que seu irmão mais velho o machucava, também. Sua voz transformou-se num sussurro. — Possivelmente. — Como ela morreu? —, murmurei, odiando pensar que sua mãe tinha sido assassinada como a minha. Houve muita morte. Muito desperdício desnecessário. Arthur se encolheu atrás de mim, tomando seu tempo para responder. — Câncer de mama. Abracei o seu braço mais perto. — Eu sinto muito, Art.


Segurando-me apertado, ele rosnou: — Não fale, vá dormir. Eu queria oferecer condolências. Eu queria virar em seus braços e beijá-lo sem sentido e forçá-lo a esquecer da dor de ser trancado na prisão, enquanto sua mãe morria de câncer. Em vez disso, eu lhe permito me manter perto e congratulo-me com o sono para me roubar. Fiz um pacto de silêncio que caiu espesso e suave em torno de nós, no momento em que acordássemos de manhã, eu iria mostrar a Arthur o quanto eu o adorava. O quão preciosa era sua devoção eterna para minha memória no seu coração. Eu envolveria meus lábios em torno do seu pau e o adoraria até que eu bebesse tudo o que ele me desse. Gostaria de mostrar a ele o quanto eu o adorava, e não apenas a sua alma e mente, mas, seu corpo também. Sono me roubou em seus tentáculos distorcidos pela minha mente. Os únicos sons eram o barulho suave dos nossos batimentos cardíacos, uma vez mais, a sincronia em ritmo. Eu deixei a intimidade gentil me acalmar mais perto da terra dos sonhos, mas no último momento antes de sucumbir, eu sussurrei, — Não tema em me dizer a verdade, Art. Por favor, não tenha medo. Eu nunca esperei uma resposta. Eu nunca esperei que ele me ouvisse. Eu só queria que a promessa gotejasse em seu subconsciente e esperei aliviar um pouco da sua aflição por dentro. Depois disso, o sono veio para mim novamente. No segundo final antes de eu cair em nuvens, um sussurro torturado soprou no meu ouvido: — Eu estou mais do que com medo, Buttercup. Estou absolutamente, fodidamente apavorado. A verdade da sua confissão escorria em minha mente, entorpecendo o meu coração com horror. Eu me enrolei mais apertado em seus braços. — Por quê? —, murmurei.


Ele levou uma eternidade para responder e quando ele finalmente fez, eu queria não estar acordada para ouvir. Isso era o que eu temia. Este inferno que aparece com o céu. — Porque quando você souber o que eu fiz, Cleo. Quando você descobrir o traidor que eu sou, você vai me deixar. Você vai me desprezar e me amaldiçoar. Você vai cortar meu coração e desaparecer. — Seus braços me agarram, pânico encharcando seus músculos. — Você vai, Buttercup, desta vez quando você me deixar, eu vou realmente estar arruinado. Você vai me destruir para sempre.


Capítulo Vinte e Cinco Arthur

Ela disse que me conhecia de seus pesadelos. Eu nunca deixei de ver como essa porra era realmente verdade. Ela pensou que eu fosse seu protetor. Seu confidente e companheiro de alma. Ela acreditava em uma mentira pior do que todo o resto que eu tinha produzido. Eu odiava pensar em como eu a tinha traído. Como eu tinha feito algo completamente imperdoável. Eu nunca permiti-lhe saber o quão longe eu tinha caído. Toda vez que eu gozava dentro dela, eu queria pedir perdão. Toda vez que ela me tocava ou sorria, eu queria dobrar de joelhos e derramar a verdade. Eu não podia dizer a ela o que eu tinha feito. Mas, eu não poderia manter isso em segredo por muito tempo. Isso roía minha alma, descendo-me mais fundo na escuridão. Ela era a minha luz, minha esperança, meu coração, e eu tinha arruinado tudo antes de encontrá-la. Ela pensou que tinha despertado de seus pesadelos. Essa realidade seria liberta e a verdade estaria dissipando o mal em seu passado. Mas, ela não sabia que o pior deles era eu. O único demônio que ela deveria ter visto no momento em que ela abriu os olhos. A farsa tinha ido longe demais.


Mas, eu não tenho força para acabar com ela. Não haveria uma segunda chance. Não passando por meus pecados hediondos. Ela iria roubar de volta seu amor e me deixar na miséria. Eu teria apenas a minha raiva. Eu teria apenas a minha vingança. Mas, afinal, eu não teria nada.

Oito anos atrás Alguns dizem que tudo acontece por uma razão. Que coisas ruins acontecem à pessoas boas. Que o mal vem para o mais puro de nós, e os destinos podem mudar em um piscar de olhos. Eu chamo isso de besteira. Eu digo que nós somos todos uma porra de fantoches sendo controlados por outros. Não há tal coisa como a liberdade. Nenhuma coisa como destino. Essas coisas todas são ilusões cuidadosamente mantidas. Eu acreditei nessa mentira uma vez. Eu olhei para frente, para o meu futuro. Segurei esperança em meu coração. Agora… Meus olhos estão abertos. E eu nunca vou ser tão ingênuo novamente, porra. — Leve-o, Killian. Meus olhos se movem até trancar com o condenado que tinha tentado estuprar minha bunda no dia em que cheguei à penitenciária do Estado da Flórida. A palavra-chave dessa sentença era que ele tentou. E falhou. Dolorosa e miseravelmente.


Os homens tinham pulado em mim de todos os cantos. Minhas calças estavam rasgadas. Meu corpo agredido com punhos. Eu tinha ficado lá, de bunda no ar e pronto para ser estuprado, quando eu tinha visto duas estradas. Assim, distinto e real, eu sentia a aspereza da terra sob meus dedos e o brilho de concreto sob o sol. Duas escolhas. Uma delas era desistir e deixar a minha vida se tornar uma série de violações e espancamentos até morrer de ambos, suicídio ou assassinato. Ou… Matar cada centímetro do menino deixado dentro de mim que acreditava que ele poderia um dia ser livre desta vida. Destruir qualquer esperança de algum dia ter um escritório intocado com vista para Wall Street. Aquele sonho tinha sido furtado no momento em que as algemas cortaram em torno de meus pulsos. Não houve negociação para os criminosos. Meu primeiro sonho tornou-se inalcançável. Ele foi arrancado, e não importa o que eu fizesse eu não iria alcançá-lo. Assim, a minha única opção era me juntar a eles. Senti que a escolha tinha levado anos para ser feita com a minha bunda no ar e os homens se atrapalhando com as suas cinturas, mas, na realidade só levou microssegundos. Eu tinha escolhido o segundo caminho. O mesmo coberto de sujeira e imundície. A único destinado a me arruinar. — Basta levar a bandeja porra, sim? — A cicatriz irregular em toda a bochecha do condenado estava desaparecendo depois de um ano. Eu tinha feito isso a ele sem remorso ou segundas intenções. Ele tinha me atacado e eu tinha me defendido.


Desnecessário dizer que tinha sido me dado um amplo espaço desde então. Ninguém queria mexer com um homem que tinha assassinado não um, mas três vidas, e todos antes de seu aniversário de dezoito anos. Nem mesmo os guardas me atormentavam. Eles sabiam que eu estava aqui para o longo curso, era melhor se dar bem, vendo como minha família era agora. Tomando a bandeja do tanque de resíduos, eu sorri friamente. — Obrigado, Bradley. Espero que não tenha nenhum extra no meu macarrão com queijo. Outra coisa que você e eu... nós vamos ter outro problema para resolver. Bradley respirou fundo, a raiva brilhando em seus olhos lamacentos. — Faz um ano que você esta aqui, Killian. Você tem toda a sua vida pela frente. Eu não estaria tão interessado em fazer tais inimigos firmes se eu fosse você. Eu levantei minha cabeça, pegando uma faca de plástico e um garfo do recipiente. — Sério? Então eu deveria ter deixado você me estuprar? — Eu suspirei dramaticamente. — Você não achou sua lógica, mas, estou feliz por te ensinar uma lição. Manobro meus talheres com o almoço de merda, e olho furiosamente. — Vejo você depois por aí, Bradley. Eu me afasto antes que ele pudesse murmurar outra palavra. Meus olhos percorreram a desculpa sombria de uma cafeteria com bancos aparafusados desconfortáveis e mesas de metal. Tudo era de metal e creme ou parafusos e barras. Uma decoração que fodidamente não era inspiradora, essa merda era totalmente "corte a sua jugular e apenas desista agora." Vida. Eu tinha uma vida neste lugar esquecido por Deus. Não pela primeira vez e definitivamente não pela última, as minhas mãos enrolaram quase até rachar o plástico quebradiço da bandeja. Tão, foda injusto. Tão, foda doloroso. Ela está morta.


Não pense sobre isso. Minha mente voltou-se para a fossa escura de memórias. Ódio que nunca deixou de me sufocar com escuridão camuflada sobre meus ombros. A traição. A desonra. A manipulação. Eu queria bater minha bandeja no chão e soltar a raiva por dentro. No dia que eu entrei aqui, eu deixei de ser humano e vivo por apenas uma coisa. Uma latejante, coisa viciosa. Vingança. Vingança. Cada porra de palavra que ficava à minha volta significava isso. Eu era. Eu comia. Eu respirava. Porra, eu fazia amor com ela enquanto eu me masturbava na minha cela. Era o único amor permitido na minha alma, a única substância que me manteve levantando-me da cama e enfrentando mais um dia no terrível purgatório. A única maneira que eu poderia sobreviver a cada dia sabendo que Cleo não está mais aqui. — Killian. Ele quer vê-lo. — Um homem careca em quase sessenta anos apareceu na minha linha de visão, me bloqueando e sentando em um dos bancos deprimentemente idênticos. Rangi os dentes. — Saia do meu caminho. O prisioneiro #FS788791 sacudiu a sua cabeça, mostrando as tatuagens de prisão rabiscadas decorando seu pescoço. O número bordado em seu macacão laranja não poderia ser mais humilhante. Ele poderia muito bem ser um gado pronto para o abate. Me recuso a morrer aqui, porra. O juramento ressoou no meu coração, pela milionésima vez desde as sete horas, ao despertar do sino. Eu não vou. Recusei-me a morrer sem o seu sangue em minhas mãos e justiça sendo servida.


— Eu sugiro que você venha comigo. Você tem uma chance. Ele quer vê-lo. Não foda isso. — Ele se inclinou para frente, com cheiro de graxa e um cheiro ruim nas axilas. — Uma chance, irmão. Você realmente vai jogar isso fora? Meu coração bateu. — Ele não tem nenhum poder. A menos que ele possa me tirar fora daqui antes que eu seja um filho da puta velho e enrugado que tem que mijar vinte vezes em uma noite, então eu não vou a lugar nenhum perto dele. Eu tinha ouvido os contos. As execuções. Os envenenamentos misteriosos. Ele não era alguém que eu queria chatear ou ficar íntimo. Isso era como começavam os inimigos. Escolhendo os lados. Eu era o meu próprio lado do caralho. Vingança. O prisioneiro sorriu. — Você tem que confiar em alguém. — Não, eu não tenho. Nunca mais. Eu nunca seria tão fraco novamente. — Você precisa de um amigo aqui. A prisão perpétua é um longo tempo. Revirei os olhos. — Sem brincadeira, é um longo tempo. Sorte para mim que eu prefiro a minha própria companhia. — Tentei empurrar para passar, mas, sua mão ossuda agarrou meu antebraço. — Uma reunião. Uma chance. Não estrague tudo e ele pode ter o poder de fazer o que você precisa. Nossos olhos se encontraram e eu queria bater nele até virar uma polpa sangrenta. Raiva, mágoa e traição cortando minhas veias com cada bombear do meu coração. Eu não era um prisioneiro dessa penitenciária, eu era um prisioneiro do que eles tinham feito para mim. Uma chance. Se eu fizesse isso, talvez, apenas talvez, eu poderia conseguir o que eu precisava. Para fazê-los sofrer.


Eu puxei meu braço de seu aperto. — Tudo bem. — Jogando minha bandeja e macarrão congelado com queijo na mesa mais próxima, eu rosno, — Ele fica três minutos. Se ele tentar alguma coisa, eu não serei o único que paga. Entende? Com dezoito anos, prestes a completar dezenove anos de idade, eu estava grato que eu tivesse me desenvolvido, crescido para mais de um metro e noventa, e meu cabelo comprido veio para frente um pouco louco, completamente delinquente. Minha voz era profunda, minhas bolas desceram anos atrás, e eu tinha sido criado para usar meus punhos primeiro e pensar depois. Muito ruim para meu pai, que me ensinou isso, e ele nunca entendeu que meu cérebro era a minha maior e pior parte de mim. Outra razão pela qual as pessoas aqui me evitam. Ninguém gosta de um gênio assassino com um QI alto. Uma dupla ameaça. Era perigo triplo. Prisioneiro #FS788791 assentiu. — Combinado. Uma reunião. Então, cabe a você. Ele. A própria majestade inspiradora. Wallstreet para seus companheiros de prisão, mesmo para os guardas. Ninguém usa seu nome real. Ninguém se atreve a desrespeitá-lo, da mesma maneira que os políticos locais o chamam de Wallstreet por respeito. Respeito por aquilo que ele tinha criado, mesmo que isso não fosse exatamente legal. Wallstreet sorriu, cruzando os dedos em cima da mesa. Seu lugar habitual era na parte de trás da lanchonete, encravado no canto da sala para proteger as costas e os lados. Dois homens, parecendo cenouras combinando em seus macacões laranja, olhavam quando eu me aproximava. Ninguém podia chegar a Wallstreet a menos que ele quisesse. Seu dinheiro comprou mais do que respeito, isso trouxe a longevidade em um lugar onde assassinos e psicopatas queriam você morto. Seu rosto enrugado e cabelos grisalhos eram bem cuidados e saudáveis. Seus olhos estavam brilhantes e bem descansados, seu macacão


passado, fodidamente bem passado, e higiene dental de alto nível. Ele era o magistrado aqui. Mesmo os funcionários da prisão deixam que ele seja encarregado da população criminal. Cigarros? Ele os conseguia. Drogas? Ele as conseguia, também. Mulheres? Ele conecta para você, mas, não oferecia nenhuma garantia de que você não morreria da porra de uma sífilis. — Olá, Arthur. Adorável você se juntar a mim. Prisioneiro #FS788791 tinha pressionado no meu ombro, ou tentou, vendo como ele era como Pee-wee Herman16, fodidamente me persuadindo para o banco. Dei de ombros para ele, preferindo me elevar sobre o homem, pelo menos, quarenta anos mais velho. — Meu nome não é Arthur. É Killian. — Arthur havia morrido no momento que Cleo morreu. Ninguém nunca iria me abordar dessa forma novamente. Doía muito, fodidamente muito. Cruzei os braços, plantando minhas pernas largas, esperando que eu parecesse zangado como o inferno e tão aterrorizante quanto. — Por que eu? — Como é? — Wallstreet riu, reclinando um pouco e colocando as mãos no colo. Não havia pratos sujos ou bandejas, ou esse idiota não comeu, ou seus comparsas já tinha limpado a mesa. — Por que escolher a mim? O que eu fiz para merecer uma audiência com sua graça? Ele riu novamente, levantando uma sobrancelha. — Porque não você? — Não. Responda a porra da pergunta. — Eu desenrolo meus braços e sacudo um dedo em sua face. — Nada dessa porcaria enigmática. Sem besteira. Nenhum jogo de qualquer tipo. — Atirando a minha perna sobre o banco de metal, eu sentei e espalmei as mãos sobre a mesa. — Eu estou sentado. Estou ouvindo. Eu estou te dando exatamente três minutos para me dizer por que diabos você queria me ver no aniversário de minha chegada a este buraco, e então talvez eu vá ficar por aqui e ouvir mais.

16

Personagem cômico de um seriado americano.


Prisioneiro # FS788791 rosnou, — Respeito, rapaz. Wallstreet mandou ele embora. — Está tudo bem, Pat. Ele está muito nervoso. Isso é tudo. — Seus olhos brilharam. — E impaciente. Eu balancei a cabeça. — Inferno, sim, eu sou impaciente. Eu tenho evitado pisar no pé ou ser amarrado em lados pelo total de trezentos e sessenta e cinco dias que eu estive aqui. Eu quero ficar neutro e você está destruindo isso, fazendo as pessoas pensarem que você está jogando de favorito comigo. Wallstreet assente, seus olhos azuis brilhantes e nítidos. — É justo. — Olhando para os seus três patetas, ele murmurou, — Nos deixem. Quero falar com o garoto em paz. Prisioneiro #FS788791 avançou. — Mas o que dizer... Wallstreet levantou movimento, discreto.

a

mão,

silenciando-o

em

um

poderoso

O que eu não daria para ter esse poder. Essa influência. — De-nos um momento, Pat. — Quando o prisioneiro não se moveu, Wallstreet acrescentou: — Eu não estou pedindo. O cara resmungou, mas afastou-se obedientemente. Eu não disse uma palavra, apenas olho até que os companheiros condenados se movem para fora da distância de audição. Wallstreet estava visivelmente relaxado, o que não fazia sentido já que ele tinha acabado de enxotar seus guarda-costas. — Killian. Vamos começar com algo fácil. O que você sabe sobre mim? Eu fiquei tenso, querendo que o meu ritmo cardíaco permanecesse firme e os nervos não cedessem ao medo de morrer uma morte dolorosa. Eu não tenho medo de você. Eu não tenho medo de ninguém. Revirei os olhos. — O que é isso? O 'conhecer seu colega criminoso’ no almoço? Wallstreet sorriu firmemente. — Não. Esta é uma entrevista. Tossi. — O que?


Wallstreet se inclinou para frente, perdendo a pretensão de conversa, indo direto ao seu ponto. — Eu sei sobre você, garoto. Eu tenho um negócio há um tempo que vai mudar sua vida. Eu posso lhe dar de volta o seu mundo, com mais poder do que você poderia sonhar, é só você deixar de ser um merdinha. Me diga o que eu quero saber e corte a merda, porque você tem uma chance. Se você acabar com isso, você vai morrer aqui, e desejo em nome de Deus que você pare de piscar com o seu pau e realmente ouça. Ele respirava com dificuldade, passando a mão pelo cabelo cinza grosso. — Agora eu tenho sua atenção? Minha atenção estava voltada para o colarinho do macacão e a veia no pescoço. Minha mente estava ocupada imaginando o quanto ele iria sangrar se apunhalado com a haste que eu mantive escondida no meu punho. Meu cérebro estava ocupado calculando quantos segundos as balas de borracha e cassetetes levariam antes que eu o rasgasse em onze pontos em nove segundos, antes de qualquer chance de ser atingido por uma bala de borracha. Mas se eu fizesse, eu teria zero chance de conseguir o que queria. Equações. Algoritmos. Probabilidades e cálculos. Matemática. Onde a vingança era a minha vida, a matemática era minha amante. Tudo, independentemente do quão sem sentido, surpreendente, e caramba, fodidamente injustas algumas coisas eram, a matemática poderia encontrar sempre uma resposta simples. Fornecer soluções para situações impossíveis. A matemática era implacável. Como eu. Eu balancei a cabeça. — Você tem a minha atenção. — Bom. — Wallstreet limpou a garganta. — Vamos começar novamente. Quanto você sabe sobre mim?


Eu suspirei, me preparando para um recital. — Tudo? Ele entrelaçou os dedos de novo, os nós dos dedos ficando brancos quando ele apertou. — Tudo. — Você esteve preso um tempo atrás por crimes de colarinho branco. Deslizando os livros em sua empresa, a Fortune Five Hundred e escondeu o dinheiro em contas no exterior. Vocês só foram apanhados porque sua prostituta na época delatou você para a administração fiscal, onde eles auditaram você e encontraram a fraude por não pagar impostos. — Tomei outra respiração, continuando: — Você fez seu primeiro milhão antes de completar vinte e três, tinha uma carteira de mais de cinquenta propriedades, incluindo hotéis e investimentos comerciais, juntamente com a sua cadeia de empresas comerciais de grande sucesso e as empresas de investimento. Não só você começou a cair por evasão fiscal, mas, está atualmente sendo investigado por comércio negligente em nome de aposentados, há rumores de que isso vale mais de oitocentos milhões, mas, acontece que eu sei que você nunca vai ser condenado, porque suas habilidades de contabilidade são impecáveis. Sem mencionar que você tem políticos e um monte de contatos em seu bolso que estão acima da lei. Wallstreet abriu um largo sorriso. — Então você seguiu a minha carreira. Eu nunca tirei meus olhos dele. — Sim. É prudente saber sobre meus inimigos. — Eu sou seu inimigo? Eu balancei minha cabeça. — Não, agora não. Mas, você nunca sabe como o futuro vai mudar. Aqueles que você acredita serem mais caros são os que o atingem mais forte. Wallstreet riu, batendo na mesa. — Seu pai realmente fez um número em você, não fez, garoto? Eu me irritei. — Eu não sou uma criança. — O sistema judicial não me tratou como uma criança, eles haviam me dado a pena máxima pelo crime de coração frio que eu cometi. Eu não tinha sido uma criança desde que eu tinha dez anos de idade e comecei a receber surras diárias e lições do querido papai nessa idade.


Meu coração pendura pesado, desobedecendo minhas ordens restritas para não sentir o desespero ou realmente pensar sobre o que meu futuro significava. Não haveria vigésima primeira festa de aniversário ou, finalmente, perder minha virgindade com Cleo. Eu queria esperar até que eu fosse legalmente um adulto. Eu queria ter certeza de que era realmente o que ela queria. Meu coração estava em punhos de agonia. Eu nunca deveria ter esperado. Wallstreet estreitou os olhos. — Qual é meu nome real? Você já conseguiu resolver isso? Eu balancei a cabeça. — O poder de seu advogado manteve seu nome suprimido em cada artigo de jornal. Mas, eu já sabia disso. — Eu decidi compartilhar uma pequena porção de onde coloco minhas paixões. — Eu queria negociar desde que eu tinha nove anos de idade. Você era como um deus para mim. O rosto de Wallstreet escurece. — Era? Passado? Eu sorri, apreciando a ligeira raiva brilhando em seus olhos. Isso foi usado para manter o respeito e não lidar com o meu olhar adolescente de desdém. — Passado. Você tinha tanto. Mais do que eu sempre sonhei, mas, você perdeu tudo. Você é tão pobre quanto eu, mas, eu estou melhor porque eu tenho a juventude do meu lado. Eu não acredito nessas minhas palavras. Minha idade só me condenava a viver mais tempo dentro destas paredes manchadas de merda. Os olhos de Wallstreet estreitaram. — O que faz você pensar que eu perdi tudo? — Os artigos de jornais. Revistas. Ele balançou sua cabeça. — Você mesmo disse isso... minhas habilidades de contabilidade são impecáveis. Você não acha que eu escondi coisas? Apenas dei o que eu poderia me dar ao luxo de perder? Meu coração desacelerou, sempre fazia isso quando algo enorme atraía minha atenção. Eu poderia me sentar em um quarto com nenhum outro alimento ou distrações durante dias trabalhando sobre uma equação evasiva.


Minha voz caiu, escondendo minha ânsia. — Vai compartilhar comigo? Wallstreet se inclinou mais perto, com voz vacilante. — Isso depende de você. — Eu? — Eu sei muito sobre você, como você sabe sobre mim. Eu sei o que você quer quando você sair daqui, e eu também sei que você não tem uma chance a menos que você gerencie de alguma forma para pagar um advogado que providencie para você tenha uma audiência de condicional antes que você esteja com a porra de uns setenta anos. — Ele suspirou. — Nós dois sabemos que não vai acontecer. Não depois do que o seu pai fez você fazer. Para não mencionar o testemunho que ele apresentou pintando você como o vilão. Minhas mãos apertaram, meu coração trovejou nos meus ouvidos. "Sim, oficial. Eu vi a coisa toda. Ele não é meu filho. Eu amava a família Price como se fossem minha carne e sangue." As algemas fecharam-se geladas em torno dos meus pulsos. Meu coração não batia e os nervos não conduziam meu sangue. Desde que o meu pai tinha me arrastado para a casa de Cleo, eu estava morto por dentro. Destinado ao inferno pelo que eu tinha feito. Eu tinha obedecido meu pai por causa das ameaças que ele tinha feito para a garota que eu amava com toda a minha alma. Eu tinha concordado em fazer o que ele queria para protegê-la. Para impedi-la de ser estuprada e assassinada diante dos meus olhos. E foi assim que ele retribuiu a minha lealdade. “Você tem algo a dizer por si mesmo, Arthur Killian, antes de ser levado em custódia?” Eu olhei para o chão, meu cabelo cheirando a fumaça, minhas mãos cobertas dos restos carbonizados da casa de Cleo. Eu tinha vasculhado os destroços, uma vez que ela tinha queimado até o chão. Eu não tinha encontrado o seu corpo, mas, eu tinha encontrado o anel que eu tinha dado a ela.


Eu queria quebrar e, porra, chorar. Meu pai rosnou, "É claro que ele tem algo a dizer. Não acha, Killian? Diga-lhes. Diga-lhes a verdade." Eu me curvo para dentro de mim. Mesmo agora, mesmo depois que ele já tinha destruído minha vida, ele tinha a intenção de martelar as unhas em meu caixão. "Bem, meu filho. O que você tem a nos dizer?", perguntou o oficial, me sacudindo. "Killian admita isso", meu pai assobiou. "Diga-lhes a porra de um assassino que você é." Não havia mais nada por que lutar. Ela estava morta. Eu a seguiria assim que eu pudesse encontrar uma maneira. "Eu matei-os", eu sussurrei. "O que foi isso?", o oficial se aproximou mais. Reunindo cada centímetro de traição e ódio da minha alma, eu grito: "Eu os matei, porra. Eu assassinei Paul e Sandra Price. Você está feliz? É isso que você quer ouvir?" O oficial balançou a cabeça tristemente. "Não, filho, não era isso que eu queria ouvir." A última coisa que ouvi quando eles me colocaram na parte traseira de uma viatura policial era meu pai rindo com a realização. Ele usou seu filho mais novo para despachar o presidente do Dagger Rose, tudo para que ele pudesse levá-lo sobre si mesmo. Ele me condenou a uma vida de miséria eterna, tudo pela porra da ganância. É por isso que eu esperava que o diabo fosse arrancar seu coração e comê-lo na porra do café da manhã.


Forcei as memórias fora para ficarem bloqueadas em barricadas. Se eu não o fizesse, eu ficaria louco de raiva. Meus olhos voltaram para o pescoço de Wallstreet, começando um novo cálculo de quanto tempo eu levaria para rasgar as suas cordas vocais, então eu não tenho que ouvi-lo mais. Wallstreet olhou em volta, baixando a voz para um murmúrio. — Eu tenho uma proposta para você. Meus olhos se estreitaram. Suspeita atada a meu sangue. Eu não disse uma palavra, deixando que ele cavasse a trincheira que ele obviamente pensou que eu era estúpido o suficiente para entrar. — Você tem uma cabeça para números. Você se formou no topo da sua classe em ambos, física e matemática de nível universitário. Você transformou uma semana de experiência de trabalho no mercado acionário local em uma explosão de tendências de ações de primeira linha, que estavam em baixa sobre o comércio. Você é naturalmente bom Arthur, e isso é uma coisa rara e bonita. Revirei os olhos. — Você leu o meu currículo. Foi bem planejado. Ele estalou, — Estou falando sério. Meus olhos brilharam. — E eu estou falando sério quando eu disse que meu nome é Killian. Arthur morreu no momento em que ele foi traído e jogado fora para apodrecer neste lugar esquecido por Deus. — Nós vamos voltar a isso. — Wallstreet olhou por cima do ombro antes de olhar de volta para mim. — Isso me leva ao meu próximo ponto. O que mais você sabe sobre mim? Ah, a parte mais escura de sua história. A parte em que a polícia tentou fazê-lo tropeçar. A quantidade de mandados serviu a ele quando o presidente de um clube de motociclistas foi insano. Eles tentaram derrubá-lo novamente e novamente. Mas, nada de ser preso. Não até que a sua cadela de um clube, uma prostituta ficou com ciúmes e atirou-o para a lei. — Você quer que eu esboce, ou você está feliz de ter o meu aceno que eu sei sobre o Corrupts, a sua história perfeita, e seu controle de punho de ferro?


Ele rosnou, raiva derramando através dele como fogo líquido. — O controle de punho de ferro, minha bunda. Está fora de controle, porra. — Ele parou, arrastando a mão pelo cabelo novamente. Ele sorriu. — Desculpe, isso foi desnecessário. O que eu quis dizer foi, que nos últimos anos o homem que deixei encarregado decidiu não seguir as minhas instruções explícitas. Ele levou minha visão e o arruinou. Passei o dedo sobre um trincado em cima da mesa. — E o que isso tem a ver comigo? Wallstreet sorriu. — Tudo, meu caro. Algo em sua voz tinha minha atenção fixa. Eu olhei. — Derrame. Seus três minutos se foram a quatro minutos atrás, e eu estou a cinco segundos de jogar o meu punho na sua cara. Ele riu. — Diga-me, quantas vezes você pensa nas equações? Você já parou de calcular? Eu balancei minha cabeça. — Já me perguntaram sobre isso um monte de vezes e minha melhor resposta é 'foda-se'. Seu sorriso cresceu mais amplo. Na realidade, a resposta a essa pergunta é que era como se eu vivesse na matriz fodendo com código verde caindo em torno de mim como chuva, durante todo o dia, todos os dias. Eu sabia os símbolos matemáticos melhor do que o alfabeto. Eu poderia trabalhar para fora o problema de trigonometria mais difícil sem uma calculadora. Eu poderia dar respostas para qualquer problema dentro de segundos. Matemática, meu amor eterno. Além dela, é claro. Wallstreet sorriu, inclinando-se mais uma vez. — Perfeito, vejo a resposta em seus olhos. Essa é a resposta que eu queria, o que eu precisava testemunhar. Diga-me, se você sair daqui, quantas pessoas você tem que arruinar? Minha respiração ficou presa no meu peito. Ruína? Mais como, destruir. — Três. Eu tenho três.


— E você tem um plano de como você vai fazer isso? Vou andar até eles e colocar balas em seus cérebros, depois ver como a vida drena de seus olhos. Eu balancei minha cabeça. Engraçado, essa foi a primeira vez que eu realmente deixei-me contemplar como eu iria acabar com eles. Estranhamente, era... insatisfatório. Terrivelmente, fodidamente insatisfatório. Eles mereciam gritar. Eles mereciam sentir o que eu senti durante o ano passado. Abandonado, excluído, perdido. Eu cerrei os dentes, olhando nos olhos azuis de Wallstreet. — Eu quero fazê-los sofrer. A morte será a última coisa que terão de mim. O velho concordou. — Outra resposta perfeita. E se eu lhe disser que tenho os meios para fazer isso acontecer. Você confia em mim? Confia em um estranho que poderia torná-lo mais rico do que você jamais poderia imaginar e dar-lhe tudo o que precisa para tomar qualquer vingança que você queira? Olhei para ele. Olhei muito. Eu procurei por uma mentira, um truque. Não havia nada, apenas a paixão em seu olhar. Paixão que eu reconheço como sua própria vingança. Ele queria ensinar a quem não tinha escutado sua lição. Algo mudou dentro de mim. A cadela traidora chamada esperança roubou uma vez mais a minha mente. Lentamente, um sorriso espalhou em meus lábios. Com a suspeita em minhas veias dissolvida, eu relaxo. Eu me vi nele. A chama. A maldição. A necessidade insuportável para punir e definir o status. — Eu gostaria. Wallstreet estendeu a mão sobre a mesa, e puxou o colarinho até que ele sussurrou em meu ouvido. — Eu vou dar tudo a você, meu rapaz. Você me obedece, você faz toda a porra que eu disser, e vou tirar você desse lugar. Eu vou te dar os Corrupts, eu vou fazer você presidente, e eu vou te ensinar cada maldita coisa que eu sei sobre negociação, desvio, e controle não apenas sobre o seu império, mas, do mundo.


Ele me soltou, estendendo a mão. — Em troca, eu lhe peço para ser meus ouvidos, olhos e pernas lá fora. Para executar o meu negócio como eu espero que ele seja executado. Você será o meu herdeiro. Um ano atrás, nesse mesmo dia, minha vida tinha terminado. Eu nunca teria imaginado que eu iria receber uma segunda chance num total de 876.581 horas mais tarde. Meu cérebro se apega a uma pergunta. — Se você pode me tirar, por que não pode fazer funcionar a mesma magia para si mesmo? Wallstreet abaixou a cabeça, os dedos cavando na mesa. — Porque eu tenho essa porra costurada e não tenho escolha a não ser cumprir o meu tempo. Mais treze anos e nove meses e eu posso sair por bom comportamento. Isso é muito tempo para esperar. Tudo estará destruído até lá e eu não posso deixar que isso aconteça. Eu sussurrei, — O que faz você achar que pode me tirar? Você ouviu o que eu fiz. O salão parecia tranquilo, os sons de meus companheiros de prisão silenciando enquanto esperava sua resposta. — Porque, Killian, eu sei a verdade. Eu sei tudo. E ninguém deveria ter que viver em um mundo onde existam tais traidores. Pela primeira vez em um ano, agradecimento queima em meu peito. Ele sabia. Ele acreditou. Minha decisão foi fácil. Eu não hesitei ou pensei. Este era o meu futuro. A única maneira que eu iria poder me vingar. Eu estendi minha mão para fora, travando os olhos com o homem que se afastou de Deus desonrado para o Salvador. Wallstreet apertou minha mão com a sua. Apertei forte. — Você tem minha palavra. Ele assentiu. — Eu penso que sim. Juro por meu verdadeiro nome, Cyrus Connors, que eu vou fazer isso direito por você. Você nunca será impotente de novo.


Eu tremia, me aquecendo com suas palavras. Meus músculos se contraíram com a sensação externa de felicidade voltando a minha alma podre. Wallstreet acrescentou: — De agora em diante, seu nome não é Arthur Killian. É Kill. E você é o presidente em exercício dos Corrupts. — Kill? Ele me soltou, sorrindo. — Você vai ser um assassino no mercado de ações e um assassino para aqueles que ferraram você. Melhor ser honesto sobre quem você realmente é, você não acha? Eu reclino, sorrindo um sorriso genuíno. — Sim, eu acho. Eu acho, de fato. Nós sorrimos. Nós assentimos. E foi assim que nasceu Kill. As aulas começaram imediatamente. Wallstreet de alguma forma ganhou permissão para me retirar da tarefa de lavanderia e me roubou afastado três horas por dia na biblioteca. Lá, ele dispensava sua comitiva, definindo um bloco de notas e um lápis diante de mim, e abrindo meus olhos para a maravilhosa magia da negociação. Nestas tardes, com nossas cabeças inclinadas, marrom junto com o cinza escuro, eu aprendo rápido, eu realmente faço isso. O quão arcaicos meus pensamentos indisciplinados eram. Eu perdi a minha atitude rude quanto mais eu caí em sua educação maravilhosa. Eu não senti a necessidade de fazer valer a minha arrogância quando meu cérebro absorvia tudo o que ele queria ensinar. Passei quatro anos com ele. Wallstreet se tornou meu mundo inteiro. Meu amigo, pai, professor, irmão. Eu o amava. Eu confiava nele. E descobri que eu ainda tinha a capacidade de sentir lágrimas aos meus malditos olhos.


Eu pensei que eles tinham me quebrado, e não havia dúvida que se Wallstreet não tivesse canalizado o meu ódio em algo produtivo, eu teria acabado morto ou em uma camisa de força. Ele me disciplinou quando eu não podia, ele me elogiou quando eu consegui, e acima de tudo ele encheu meu cérebro com poder. O poder infinito. A bolsa. Não apenas ações, títulos e empresas de primeira linha, mas o mercado de moeda estrangeira altamente volátil e igualmente lucrativo. Ele me ensinou algoritmos e fórmulas que ele tinha guardado com sigilo superior desde que ele se envolveu em negociação quando ele estava nos seus vinte anos. Maneiras infalíveis para assistir, aprender e, acima de tudo, proteger o seu investimento. Ele nunca se casou nem teve filhos. Sua família era seu MC, que atualmente estava rasgando seu coração por ir além e contra o seu comando. Ele não confiava em ninguém. Ele não tinha dado este legado a ninguém. Apenas para mim. Ele me transformou de um adolescente traído com o coração partido em um homem educado, com um benfeitor com um poder que se estende não apenas em toda a América, mas a Europa e Ásia também. Não só ele me deu as rédeas de seu império comercial, mas, ele me deu as ferramentas que eu precisaria para concretizar minha vingança inteligentemente, secretamente, e ter tanta merda de dinheiro atrás de mim que eu nunca ficaria sozinho novamente. Quatro anos, seis meses e dezessete dias eu servi a minha sentença de prisão perpétua. Então eu saí. Arthur estava morto. Kill nasceu. E me foi concedida a liberdade. Vingança estava por vir.


Quatro anos atrás O dia em que saí da prisão foi o mais assustador e o mais emocionante da minha vida. Eu não conhecia ninguém. Meu mundo antes da penitenciária do Estado da Flórida já não existia, e eu não tinha feito nenhum segredo que eu não tinha nada além de ódio por quem tinha feito isso comigo. Wallstreet tinha puxado um milagre, arranjando minha liberdade condicional em uma audiência antecipada, passando sobre as cabeças de todos, contando com favores de pessoas que tinham o poder de minar toda a acusação. Ele me pintou na luz perfeita de um agressor menor de idade reformado que tinha sido um fantoche por erros dos outros. O irônico era que nada disso era uma mentira. Era a verdade. E, finalmente, a verdade tinha me libertado. — Você é Kill? Eu segurei minha mão para cima, protegendo os olhos do brilho do sol do meio-dia. Jogada em meu ombro estava uma mochila esfarrapada com as minhas posses nela. As roupas que eu tinha usado quando eu tinha sido preso, o caderno de matemática enrolado onde eu tinha vindo a resolver um problema supostamente insolúvel, e uma lembrança de Cleo. Meu coração batia. Dor. Arrependimento. Ódio. Culpa. Não pense sobre ela. Na primeira oportunidade que tivesse, eu queimaria tudo. Incluindo a borracha na forma de um signo de Libra, que nunca tinha sido usada para apagar erros. Eu simplesmente nunca fui verdadeiramente feliz ao seu redor. Eu estava tão apaixonado por ela, porra. Agora ela se foi. E eu tinha que continuar a viver sem ela. Porra eu odiava as suas memórias, ferem como uma haste até à jugular. Toda vez que eu olhava para a borracha maldita, isso arrancava meu coração. Eu não poderia mantê-la. Doía muito, caramba.


Recomponha-se, Killian. Este é o seu novo mundo. O velho está morto. Caminhando para frente, eu assenti. — Sim, eu sou Kill. O cara sorriu, estendendo a mão. Ele tinha que estar perto da porra de uma fusão na jaqueta de couro preta com uma bola de fogo e alguns símbolos da morte costurado nela com as palavras CORRUPT AS THEY COME17 nos ombros. — Eu sou Grasshopper. Meus olhos se estreitaram. — Sério? Ele pegou minha bolsa, jogando no ombro e se movendo em direção ao estacionamento. — Não, meu nome de verdade é Jared Shearer. Mas eu tenho o apelido porque eu gosto de fumar grama e eu tenho que saltar sobre outros anormais por ser o VP. — Ele sorriu. — Entendeu? Grass... hopper? É fodidamente ridículo. Mordi a língua. — Entendi. Os últimos anos da minha vida preso desapareceram quando meu passado voltou com a realidade pisando bruscamente no meu futuro. Eu não estava rodeado por leis rigorosas ou paredes caídas mais. Buzinas de carros. Neblina. Calor. O riso das crianças quando um carro de família tinha passado. Cães latindo. O som alto disparando de um aparelho de som. O caos total e absoluto. Tudo era uma loucura aqui fora. É melhor aprender rapidamente como jogar o jogo novamente. — Wallstreet me disse que tinha arranjado tudo. Importa-se de me dizer se isso é verdade? Quem diabos sabia em que tipo de situação eu estava prestes a entrar. Afinal, Wallstreet estava preso por vários malditos anos, o que dizia que ele ainda tinha energia suficiente para retirar este desvio? Eu seria aquele que morreria se não desse certo.

17

CORRUPTOS COMO ELES VEM.


Grasshopper sorriu, seu moicano escuro e duro com gel. — Sim, tudo arranjado, cara. Ele recebeu a notícia de mim. Eu sou um dos poucos originais. — Originais? — Sim. Quando Wallstreet era o cão superior, os Corrupts eram um negócio, você sabe? Tivemos reuniões de negócios regulares, discussões de lucros e perdas, pesquisa de investimento. Nós existíamos nessa área cinza, você me entende? Parte na lei, uma parte fora da lei. Nós não fazemos mal aos outros, porque nós não precisamos traficar drogas ou armas. Wallstreet tinhanos escondendo grande quantidade de dinheiro para que o bom e velho Tio Sam não pusesse os dedos pegajosos nele. Ele também não concordava com ser cafetão de prostitutas ou cozinhar metanfetamina. — Sua voz sumiu. A lealdade e nostalgia na voz do cara o estavam tocando. Wallstreet deixou saudade, mesmo depois de todo esse tempo. — Soa como um bom negócio. E nada como o clube do qual eu venho. — Foi. Éramos muito unidos. Rodamos por ele. Os irmãos foram os melhores bastardos que eu conhecia. Mas, em seguida, os tetas de merda de Wallstreet decidiram se voltar contra ele para sair como um clube de coelhinhas. Os federais o haviam procurado por décadas, porra, e eles finalmente conseguiram bater nele com tretas de colarinho branco. Paramos ao lado de uma Harley e outro motociclista todo vestido de preto. O estranho, com cabelo loiro claro e um nariz torto, empurrou-se para fora da máquina, me jogando as chaves. Eu pego elas, provando a animosidade no ar. Grasshopper suspirou. — Não importa, Mo. — Virando-se para mim, ele murmurou, — Mo, cujo nome verdadeiro é Tristan Morgan, está apenas um pouco chateado. — Encarando Mo, ele retruca: — Recomponha-se. Você é o sargento de armas18. Você tem que estar dentro da realidade, cara, de outra forma não há espaço para você nesta nova equipe. Ordens do chefe.

Sua função básica é a de manter a ordem nas reuniões e lidar com clube e segurança do clube.


Mo cruzou os braços, os dentes moendo duramente. Ele não disse uma palavra. Meus dedos apertaram em torno das chaves para a Harley de cor uísque atrás dele. — Esse período difícil é porque eu sou um completo estranho intervindo para ser o seu presidente? Mo mostrou os dentes. — Não, novato. Minha atitude é porque eu preferia quando não tínhamos a porra de um menino que provavelmente esteve se masturbando mais do que ele já teve uma buceta. Você não é um homem. Que porra foi que Wallstreet estava pensando? Arrumei meus ombros. — Eu posso ser jovem, mas, sou inteligente e disposto a aprender. Mo riu. — É preciso mais do que esperteza de livro e uma atitude de puxa saco para comandar um clube. Eu sei. Eu estava sendo preparado para ser um VP em outro lugar. Meu temperamento de fogo que eu tinha sido capaz de sufocar desde que conheci Wallstreet, surgiu de volta. — Não deixe que eles sejam como cadelas em torno de você, Killian. Você está no comando. Você não responde à ninguém além de mim. — A voz de Wallstreet pulou na minha cabeça. Todas as suas lições e dicas nadavam no meu cérebro, completamente mexido. Tanto quanto eu odiava admitir, Mo estava certo. Eu tinha ido para a prisão como a porra de um virgem. Eu estava esperando. Por ela. Como eu poderia fingir ser um homem quando eu tinha tantas experiências de vida para pôr em dia? Você não pode pensar dessa forma. Eu tinha que projetar o poder que Wallstreet tinha incutido em mim. Mo era minha cadela. Os Corrupts eram todos minhas cadelas. Eles tinham que obedecer ou sair, porra. Essas eram as escolhas. Puxando os ombros para trás, eu sussurrei, — Não importa o que você pensa. Isso não muda o fato de que agora você pertence a mim.


Os olhos de Mo se arregalaram, sua jaqueta de couro rangendo sobre a sua massa muscular. — Ninguém é a porra do meu dono, idiota. Era isso, o primeiro impasse, e eu tinha que mostrar a minha força. Eu tinha que ser dominante para mostrar-lhes que eu merecia o direito de estar no topo da hierarquia. Puxando meu punho para trás, eu sorri com satisfação cruel quando ele cortou o ar e triturou contra o seu nariz. O homem caiu de um joelho, segurando o rosto ensanguentado, o nariz jorrando. Se seu nariz torto não tivesse sido quebrado antes, agora tinha. — O que, foda.... Eu posso não saber qual é a sensação de uma buceta, mas eu estive em mais lutas do que eu poderia lembrar. A equipe de boxe da prisão tinha sido a educação para o meu corpo, enquanto Wallstreet mexia com minha mente. Grasshopper se inclinou e pegou o cara sob as axilas. — Deixe-o, Mo. Você estava sendo um idiota. Kill é o nosso novo Prez. Ele recebe ordens de Wallstreet e ninguém mais. Se você está tão fodido por ter de obedecer a um cara mais jovem do que você, finja que é Wallstreet que está balbuciando para fora e vamos ver quanto tempo essa merda vai voar. Mo olhou com raiva, seus olhos escuros arregalados. Imaginei que ele estava em seus trinta e poucos anos. No meu livro, QI como o meu e o corpo de um lutador tenta-e-pode ganhar sempre. — Você tem algum nervo, garoto. Eu inspeciono minhas juntas, amando a compreensão lenta de que eu estava livre. Realmente, verdadeiramente livre. Minha vida era minha própria vida novamente. E hoje marcou o primeiro dia do meu programa de retaliação. — Meu nome não é Garoto, é Kill. — Passando a mão pelo cabelo que eu deixei crescer na prisão, eu murmurei, — E se você conhece o meu histórico, você vai saber que ganhei esse apelido por uma razão. Melhor ouvir o seu companheiro. Olhando a moto atrás de Mo, eu disse: — Eu recebo a minha própria moto ou você está montando como minha cadela?


Grasshopper deixa seu irmão ir, e me dá um soco no bíceps. — Você tem bolas, Kill. Tenho a sensação de que você vai ser o punho de ferro que o clube precisa. Esse é o plano. — Você os fará pagar por me desobedecer. Limpe isso. Rasgue seus emblemas. Ponha um fim à sua porra de absurdo. — As instruções de Wallstreet eram claras. Os Corrupts estavam acabados. Era hora de um novo nome. — O que aconteceu com o cara que eu estou substituindo? — Wallstreet tinha planos especiais para ele. Hopper sorriu. Seus olhos azuis brilhavam com uma pitada de maldade. — Você não precisa se preocupar com ele, cara. Eu cuidei dele. Meu estômago revirou. — Isso não era uma tarefa para você fazer. Era o meu trabalho. — Mate-o, Kill. Faça um ponto com ele, para que os outros rejeitados saibam o que acontece quando eles mexem com você. Se eu não tenho ninguém para mutilar, como eu iria fazer o meu ponto? Mo saltou, passando a mão pelo cabelo loiro. — Era ele ou Hopper. A merda esquentou. Está feito. Ele está morto e há dois dias é isca de jacaré, feito. — Ele entrou no meu espaço. — Você tem um problema com a gente limpar a loja para você? — Sua voz baixou a um tom grosso. — Não se esqueça, novato, que ainda só recebemos ordens de Wallstreet e ele nos disse para garantir que estivesse seguro para que você pudesse assumir. Bem, nós o fizemos seguro. A raiva ferveu em meu sangue. Se alguém tivesse chegado tão perto de mim na prisão como Mo estava agora, ele teria ficado inconsciente nos meus pés. Meu corpo inteiro queria aniquilá-lo antes dele se tornar uma ameaça. Isso não é como a merda funciona aqui. Respirando fundo, eu balançava as chaves para a moto no rosto de Mo. — Wallstreet tem grandes esperanças para seus irmãos. Estou apenas entregando elas. Grasshopper estava certo por acabar com o velho Prez se foi uma questão de autopreservação, mas, a partir de agora, se você não me


obedecer, você não o obedece. E se você não obedecer-lhe, tenho plena permissão para te machucar. Os olhos de Mo queimaram nos meus, querendo que eu recuasse. — Você vai me machucar, é? Abaixando minha testa, eu rosno, — Você não quer saber o que vai acontecer se você me irritar. Eu estava cheio de ser usado, abusado, e jogado fora para apodrecer. O ar nubla com raiva. Esperei que ele atacasse, seus músculos estavam tensos, as mãos apertadas. Mas, então, a tensão foi dispersa quando Mo revirou os ombros e sorriu. — Eu gosto de você, novato. Você tem coragem, e o que quer que a vida fez com você para que você tenha ido para trás das grades, você se saiu melhor por isso. — Segurando sua mão, ele apertou meu aperto de boas-vindas. — Suba na moto. Nós vamos para casa. Casa. Eu não deixaria ninguém ficar no meu caminho nunca mais. Era hora de começar a minha nova regra. — Será que ela vai fazer? — Grasshopper surgiu em minha nova sede. Eu tinha confiscado a chave do quarto antigo de Wallstreet no complexo. Ele estava próximo aos Everglades19, a apenas um nível, com cercas de arame farpado nos separando dos animais. Eu sabia que era para nos proteger de outras gangues ou drogados idiotas, mas, no segundo que eu ando pelos portões patrulhados e para o pátio degradado com a pintura descascando parecendo um buraco do inferno, eu queria sair. Minha pele se arrepiou. A minha alma gritava por liberdade. Eu não andei livre da prisão apenas para ser preso de novo, voltando-me novamente para um grupo de motociclistas vestindo couro. O interior do complexo não era muito melhor com grafite em spray pintado nas paredes, sofás queimados de cigarro, e quartos que cheiravam a sexo, pizza e drogas.

19

Reserva ambiental.


O quarto de Wallstreet não tinha sido utilizado, de modo que era uma porra de uma bênção, mas, ele ainda tinha grade nas janelas, mofo no tapete, e um banheiro que fez o meu sanitário de metal na penitenciária do Estado da Flórida parecer com uma suíte de merda. Eu não posso ficar aqui. As paredes já me encurralando, meu temperamento subindo a cada respiração, preparando-me para lutar pela liberdade. — Você não vai gostar quando você chegar lá. Vou arriscar um palpite que vai estar completamente degradado e como um local de despejo de merda agora. Mas, não importa aonde você queira ir, você não poderá sair. Não até que você tenha controle total. Então você pode viver fora do local se você tem os homens que você confia que atuam enquanto você estiver fora, mas, não antes, Kill. Você vai ficar lá até que você tenha tomado conta das coisas. Na época, não tinha tido nenhuma dificuldade para jurar. Eu não poderia imaginar nada pior do que a prisão. Então, como um maldito idiota, eu jurei. Agora eu queria revogar essa promessa. Mas, eu não podia. Eu tinha dado a minha palavra e Wallstreet era o único merecedor de minha lealdade. — Kill? — Grasshopper trouxe a minha atenção de volta para ele. Avançando mais para dentro do quarto, ele arrastou uma loira com ele. Ela tinha peitos grandes e usava um vestido com estampa de tigre e saltos que a transformaram de anã a modelo. Ela se encaixa perfeitamente nas tolices do quarto. Ela não é ela. Meu coração torce e eu cerrei os dentes. — Ela está ótima. Obrigado. Grasshopper sorriu, empurrando a menina para a cama de tamanho grande coberta de preto. — Tinha ela na reserva. Sei como é quando se sai da prisão e precisa de uma festa de boas-vindas. — Ele piscou. — Você tem o resto da noite. Enlouqueça Kill. Eu sorri, permanecendo em silêncio até que ele fechou a porta.


Caminhando até onde ele desapareceu, virei a fechadura e me virei para enfrentar a prostituta. — Qual o seu nome? Foda-se, o que estou fazendo? Tudo o que eu podia ver era Cleo. Tudo o que eu podia ouvir era Cleo. Tudo que eu queria era a porra da Cleo. Seus olhos me medem do topo da minha cabeça, no meu peito, para meu pau. Ela lambeu os lábios, tropeçando para frente em seus sapatos ridículos. — Você pode me chamar do que quiser, Prez. Eu levantei meu dedo. — Eu não sou o presidente até amanhã na cerimônia. Chame-me Kill. E eu vou chamá-la... O nome de Buttercup dançou na minha língua. Seu sorriso brilhou no meu cérebro. Sua risada ecoou em meus ouvidos. Porra. Eu estava tão fodido e com tesão, estive assim por dez anos. Eu queria levá-la, fazer amor com a menina que tinha tido meu coração no momento em que a vi. Mas, pela decência para as nossas famílias e as nossas idades na época, eu tinha evitado levar a coisa longe demais. Eu não era um cara que queria prostitutas ao meu redor. Eu sabia quão preciosa Cleo era. Eu sabia que no momento em que a tomasse, ela seria minha para a eternidade e eu seria dela. Eu queria que fosse perfeito. Você foi um idiota por esperar. Agora, eu estava prestes a perder minha virgindade com uma prostituta de clube que tinha sugado mais paus e dormido com mais motoqueiros que os minutos que eu estava vivo. 12.622.776. Tudo bem, talvez não tantos, mas, ainda um monte de merda. — Eu não vou escolher o seu nome. Dê-me um e eu vou usá-lo. Ela sorriu, descansando os dedos contra o meu peito. — Certo, me chame Meadow. — O corpo dela se aproximou, pressionando seus grandes seios contra mim. A suavidade de seu corpo enviou uma necessidade tão forte através de meu sangue que eu sabia que não iria durar muito.


Colocando minhas mãos em seus ombros, era completamente a porra de uma anã em seu pequeno corpo, eu andei com ela para trás até que as costas dos seus joelhos foram para a cama. Ela caiu, se espalhando sobre as cobertas, uma pequena risada escapando dela. A risada de Meadow não era nada como a de Cleo. Era totalmente errado e quase ameaçou matar o meu pau duro. Minha boca doía para beijar, minha língua não queria nada mais do que um gosto. Mas, não desta mulher. Não era uma puta que eu queria. Só a menina do meu passado. A primeira vez que eu beijei Cleo, a primeira vez que eu tinha quebrado as minhas regras estúpidas e a deixado ganhar eu soube. Meu destino foi selado ao dela e ela tinha um poder sobre mim que mais ninguém teria. Ela teria me dado sua virgindade naquela tarde maravilhosa, mas, eu a tinha parado. Eu tinha sido um idiota e pensei que a teria para sempre. Em vez disso, aqui estava eu, prestes a foder uma estranha só porque eu tinha que tirá-la da minha mente de uma vez por todas. Meu passado estava morto para mim. Ela tinha que estar, também. — Você tem um preservativo? — Minha voz era áspera, irritada. Meadow assentiu, puxando um pacote de seu decote. Eu os roubei de seus dedos. Estava quente e a borracha dentro escorregou como lodo repugnante contra a folha. Colocando-os de fácil acesso sobre a colcha, e rosnei, — De joelhos. Eu não poderia fazer isso olhando em seus olhos. Engoli em seco. Droga. Eu tinha sobrevivido a quase cinco anos em uma penitenciária sem pensar nela, mas, no momento em que saio e vejo o presente que ela tinha me dado todos esses anos atrás, eu não poderia impedi-la de invadir-me. Você a está traindo. Eu não estava.


Eu não poderia traí-la. Ela estava morta. Meadow rolou de joelhos, contorcendo seu traseiro, levantando seu vestido apertado passando por seus quadris até a cintura. Ela não estava usando calcinha. Ela abriu as pernas para mim, assim como ela tinha feito para os vinte membros dos Corrupts. Meus dentes travaram com a exibição flagrante de partes do corpo feminino. Eu poderia olhar essa porra o dia todo. Meu pau não se importava que esta mulher não fosse Cleo. Ele não se importava que ela tivesse sido um elemento permanente para servir os homens que traíram Wallstreet. Tudo o que importava era a fixação de um problema. Deixando a infância para meu novo futuro. Desafivelando meu jeans, eu baixei-os sobre meus tornozelos. Eu ainda não estava acostumado com o jeans contra as minhas pernas após vestir por tanto tempo o macacão de algodão na penitenciária do Estado da Flórida. Eu não me incomodei em tocá-la ou a mim mesmo. Agarrando o preservativo, rasguei-o aberto, revirando meu rosto com o quão fodidamente bruto eu me sentia, e deslizo-o desajeitadamente pelo meu comprimento. — Afaste-se, — eu rosnei. Meadow imediatamente obedeceu, avançando sua bunda para trás, umidade brilhando entre suas coxas. Minhas mãos pousaram nos quadris, posicionando-a exatamente onde eu queria. Ela olhou por cima do ombro, olhos castanhos brilhando com luxúria. — Você não quer que eu te chupe? Você não quer brincar um pouco primeiro? De jeito nenhum. Raiva bateu no meu sangue. Eu não poderia me ajudar. Agarrando-lhe o queixo, eu forcei sua cabeça para enfrentar o colchão. — Não olhe para mim.


Não olhe para mim com os olhos que me fazem me odiar. Não me faça sentir a falta dela mais do que eu já sinto. Eu devia estar louco por isso. Eu devia estar ofegante e feliz pra caralho em ter uma mulher disposta e de joelhos para tomar o meu pau, mas tudo que eu podia focar era o coração cheio de culpa dentro do meu peito. Maldição, pare com isso. — Me dê suas mãos. Ela obedeceu sem questionar e eu usei meu cinto descartado para amarrar seus pulsos juntos. Agora ela também não poderia me tocar. Eu poderia transar com ela, mas, eu nunca iria procurar conforto nela. Conforto, eu não mereço essa porra. Rangendo os dentes, peguei meu pau e posicionei-me em sua entrada. As costas dela enrijeceram, seus dedos abrindo e fechando nos limites. O momento ficou tenso, antecipação acendendo no meu sangue. Então eu fodi ela. Possivelmente forte demais, provavelmente, rápido demais. Eu não sabia, eu não tinha experiência, porra. Mas, Meadow não parecia se importar. Sua cabeça voou de volta quando eu puxo para fora e entro novamente. — Oh Deus —, ela geme quando me movo dentro dela, testes de aprendizagem. Seu calor era sutil, sua umidade escondida de mim graças ao preservativo, mas, a ação de preencher uma mulher como eu não tinha feito antes foi o suficiente para me fazer parar de pensar em Cleo e me lançar na minha primeira vez fodendo. Naquela noite, quando o complexo tinha finalmente se acalmado, e eu tinha tomado banho depois das três rodadas de sexo espetacular, eu criei coragem para puxar a borracha de Libra do bolso do meu jeans. Eu deito de costas olhando para o teto da minha cela... Eu quis dizer quarto. Eu só estava aqui há alguns dias, mas, eu já odiava viver na Sede Social do clube. Era ridículo. Um grupo de homens adultos todos vivendo juntos. O que aconteceu com a liberdade e nosso próprio espaço? O que


aconteceu com desinfetante e um aspirador de pó? O que aconteceu com a família e amor? A borracha era muito pesada, muito presente nos meus dedos. Era o sinal para a justiça. O sinal de certo e errado. E também o meu signo. Movo a porra da figura, não sabia disso até que ela me disse. Casualmente, acabou correspondendo com a minha personalidade, também. Ela me disse que ela era de Sagitário. Que ela não foi feita para amar alguém que não fosse um capricórnio ou um aries. Mas, ela faria uma exceção apenas para mim. Nós estávamos deitados no telhado da garagem onde um grupo de Harleys, Hondas, e Triumphs estavam estacionadas para a noite. Ela sussurrou as características de um libriano. Ela virou o rosto para mim, traçando meu rosto com os dedos delicados. Você é gracioso. Eu bufei. — Em minha moto, talvez, mas, em nenhum outro lugar. — Pacifico. Eu ri. — Uma mentira maior ainda. Ela balançou a cabeça, seriedade encharcando seus olhos verdes. — É tranquilo. Você luta pelo que você acredita. Você luta para proteger o que é seu, mas em seu coração... você é amável e gentil e não faz parte deste mundo. — Sua voz caiu para um sussurro. — O mesmo que eu. Meu coração se apertou. As palavras 'eu te amo' pesaram na minha língua. Eu não tinha dito isso ainda. Mas, porra, eu queria. Seus lábios se torceram em um sorriso. — Você também é um idealista. Eu balancei a cabeça, puxando-me para trás do amor e sobre ela ser minha para sempre. — Tudo bem, eu tipo, concordo com isso. — Eu tinha esperanças. Eu tinha sonhos. E eu não estava me instalando. — Isso tudo soa muito bom. Quaisquer características ruins que eu deva procurar? Ela suspirou, seus olhos trancando em meus lábios, me fazendo duro e morrendo de vontade de beijá-la. — Superficial e vão.


Eu suspirei dramaticamente. — Ah, e então a perfeição termina. — Pressionando o meu corpo contra o dela, eu murmurei, — Pena que eu concordo mais com estes. Ela sussurrou, — Confiável. Você também é confiável. A palavra ‘traidor’ cortou através da minha memória, me despejando de volta ao presente. Confiável. Foda-se, eu desejei que eu fosse um bastardo mais confiável. Eu queria que parte da personalidade maldita de Libra fosse asneira. Eu era a pessoa mais confiável que eu conhecia. Pity e outros viram e exploraram isso. Confiabilidade desmoronado.

era

o

principal

motivo

para

minha

vida

ter

Eu era muito maldito confiante. Também extremamente confiável. Muito, fodidamente cego. Eu equilibro a borracha em meus dedos, virando-a repetidamente de um lado para outro em minha mão. Livre-se dela. Meu coração ferido pensava em tudo o que eu tinha perdido. Era hora de destruí-la. Ainda não. Eu não posso. … ainda não. Meu estômago se apertou pensando em amanhã. Não apenas apertou, torceu fodidamente até o meu último almoço ameaçar escapar pela porra do meu nariz. Pela bilionésima vez, segundo me parece. Tanto poderia dar errado. Tanta merda poderia bater no ventilador e chover por todo o meu corpo e cabeça. Wallstreet tinha me dado a chave para o meu futuro. Ele tinha me dado mais do que ninguém, mas, como qualquer coisa, cabia a mim fazê-lo funcionar.


Eu verifiquei o pequeno relógio na mesa de cabeceira. Quatro horas faltavam. Quatro horas antes de eu ser iniciado e dizer adeus ao meu passado para sempre. No dia seguinte, assumo o controle do meu império. Se tudo correr bem, eu viveria para ver outro nascer do sol. Se não fosse assim... Eu sou muito jovem para morrer. Deveria ter pensado nisso antes de você concordar com isso. Um arrepio de excitação percorreu minha espinha. Foi uma potente mistura de medo, retaliação, e o conhecimento de que minha vida nunca mais seria a mesma. No momento em que entrei na sala comum imunda, grandes homens, alguns carecas, alguns com rabos de cavalo, outros com mais pelos no corpo do que na face, todos se viraram para mim. Grasshopper apareceu a partir do ringue de boxe esfarrapado no meio da sala, onde o equipamento tinha sido coberto com casacos extras do Corrupts, juntamente com os itens que eu tinha dito a ele para colocar no lugar. Um grande balde de água, um maçarico, toalhas e um tatuador com um estúdio móvel totalmente equipado. Eu balancei a cabeça. Ele balançou a cabeça em retorno. Eu não esperava encontrar ajuda neste lado do mundo, mas, Wallstreet tinha ganhado não apenas a minha lealdade neste clube, mas, a de Grasshopper e Mo, também. Eu senti um parentesco com os que eu esperava que não fossem me morder na bunda no futuro. — Todo mundo, preste atenção, — Grasshopper gritou, cortando o resmungo de conversa. — Como vocês sabem, Kill, foi selecionado à mão por Wallstreet. Nós todos sabemos as suas instruções, e não haverá quaisquer argumentos. Entendido? A sala de repente engrossa com animosidade.


Eu não poderia realmente culpá-los. Olhando para mim, com a minha cara desbotada, sem calos em minhas mãos e nenhuma outra experiência além da prisão. Mas, não foi dito a eles que poderiam decidir se eles gostavam de mim. Foi dito a eles para me obedecer. Com um passo à frente, eu aperto a mão no ombro de Hopper. — Vou levar a partir daqui. Alguns dos membros mais velhos riram, se acotovelando com raiva em seus olhos. Tranquei-os em meu olhar. — Eu sei que alguns de vocês não vão sobreviver a transição. Não tenho dúvidas de que vou ter que tirar os patches de alguns de vocês. E eu também não tenho nenhuma dúvida de que alguns de vocês vão tentar acabar com isso. Mas, eu estou aqui para lhes dizer que eu sei como suas mentes funcionam. Eu sei, porque eu costumava trabalhar da mesma maneira. Vocês se sentem traídos por alguém em que vocês confiavam. Furiosos com a mudança. Tudo o que posso oferecer é isto. Ceder ou sofrer. Não há outro caminho. Seguindo para o ringue de boxe, eu balancei-me através das cordas, apontando para o tatuador. — Hoje, vocês vão jurar fidelidade a mim, não haverá uma cerimônia para me receber em seu clube porque os Corrupts não existem mais. Os homens avançaram com indignação. — O que? — Escuta aqui você, coisinha à toa. Grasshopper saltou para o círculo, acenando com a mão no alvoroço se formando ao redor da sala. Ele baixou a voz. — Uh, Kill? O que você está fazendo, cara? Estou fazendo o que ele me disse para fazer. — Estou dissolvendo os Corrupts. A partir de agora somos Pure Corruption. Seus olhos azuis se estreitaram. — E ele aprovou isso? Eu balancei a cabeça. — Ele sabe. Foi seu plano. Ele sabia que eu não seria capaz de assumir como Prez e manter o nome. Isso simplesmente não iria funcionar. Então, eu estou começando a minha própria tripulação com seus homens. — Olhando ao redor da sala, eu preguei: — Vocês me sigam, e


eu lhes prometo tudo que Wallstreet já fez. Vou lhes dar dinheiro. Vou dar poder. Eu vou garantir que vocês nunca irão para a prisão para cumprir pena em crimes de merdas que não precisamos fazer. Nossa lei será firme e vocês vão ser verdadeiros irmãos novamente. Minha voz ficou mais baixa. — Não me siga e você estará fora. Sua tatuagem vai ser queimada, e você terá ido por bem. Tirando o meu casaco emprestado, eu rasguei minha camiseta sobre a minha cabeça e montei a cadeira do tatuador. Os Corrupts estavam prestes a deixar suas carcaças de dinossauros mastigando ossos para trás e entrar em um novo século. Este não era mais um sindicato do crime onde a higiene pessoal e limpeza da casa não importavam. Este teria um bom funcionamento. Um negócio. Uma irmandade. Minha. Minha arma contra os homens que me deviam seus gritos. — Você, você não pode... Meus olhos caíram sobre um homem barrigudo com uma espessa barba negra. — Deixe-me fazer uma pergunta. Quando você se juntou aos Corrupts, o que você desenhou para ele? A sala ficou em silêncio enquanto os homens lembraram seu passado. Punhos ainda cerrados, raiva madura no ar, mas lentamente a respostas escorreu para os meus ouvidos. — Para obedecer nossas próprias regras, em vez de um governo corrupto. Eu balancei a cabeça. — Boa razão. — Entrei para o lado do negócio. Wallstreet me fez um homem rico. Eu batia meu peito nu, prometendo: — Sigam-me, e eu vou fazer isso novamente. — Para montar e ter um lugar para ir com os irmãos.


Procurei o homem que falou, mas, não consegui pegá-lo a partir dos vinte pares de olhos me observando. — Você prefere aqueles irmãos que não tinham orientação? Violência e com tempo na prisão, arruinando sua paz? Uma onda de descontentamento atravessou o salão. — Me aceitem como seu presidente, se juntem a mim e se tornem um Pure, e eu juro pela minha vida e a de Wallstreet, que vocês terão paz, vocês terão a sua riqueza, vocês terão a sua fraternidade. Minha voz perdeu sua borda. Eu permiti que um pequeno traço de vulnerabilidade se mostrasse. — Eu sei que sou novo, eu sou jovem, e estou propenso a estragar tudo enquanto eu reconstruo o império de Wallstreet, mas, eu prometo que vou me entregar. Eu entendo que não gostariam de ser traídos, e isso nunca vai acontecer se vocês me seguirem. Merda, eu não estava lá para sangue e glória. Eu estava lá por vingança. E se eles não concordassem com essa porra, eles sabiam como sair e não seria pela porta da frente. Foi Mo que atestou para mim. — Nós já conversamos sobre isso longamente, Corrupts. Vocês viram o que aconteceu com Magnet quando ele não quis ser parte da evolução. Agora é sua vez de fazer o juramento de sua boca e prometer, porra. — Ele olhou para mim, seu rosto duro. — Tanto quanto eu não gosto de receber ordens de um novato, ele é um bom garoto. Ele esteve falando sobre isso. E... acho que devemos dar a ele uma chance. A sala ficou em silêncio. Olhei por cima do ombro para o tatuador. — Pronto? O careca acenou com a cabeça, já sabendo o logotipo, o lema, e tudo o que tinha sido dito para ele fazer. Ele tinha uma longa noite pela frente. Ele ia alterar a tatuagem de cada irmão para refletir o novo logotipo do Pure Corruption: um ábaco com um crânio e moedas saindo em cachoeira de sua boca. E uma balança de Libra escondida no desenho. Para o equilíbrio de certo e errado. Meu coração pulou quando seus olhos verdes entraram na minha mente. É para ela. Admita.


Eu não faria isso. Meu coração nunca iria esquecer a menina que morreu muito jovem. Que me deixou pelo céu e arruinou a minha vida com mais segurança do que qualquer pena de prisão. — Qual é o nosso novo lema? — Um homem com um rabo de cavalo grisalho perguntou. Um sorriso torceu meus lábios. — “Puro em pensamentos e Vingança. Corrupto em todas as coisas que importam.” Era como se as palavras ressoassem em seus corações motociclistas. A raiva mudou para ansiedade e punhos se abriram. Meus dentes cerraram contra a primeira mordida de dor quando a agulha de tatuagem perfurou meus ombros. Eu seria o primeiro a vestir o novo corte. Como era o meu direito como presidente. Minha mente se perdeu quando os zumbidos da agulha se fundiram com o rock na estação de rádio que alguém tinha ligado. O planejamento de Wallstreet da penitenciária do Estado da Flórida foi impecável, assim como sua contabilidade até agora, a aquisição estava seguindo o plano para a perfeição. Wallstreet não só tinha me ensinado a controlar minha raiva, canalizando a minha necessidade de vingança, e alinhando o meu saldo bancário usando o mercado de ações, mas, ele me deu o número dos cofres e detalhes de contas bancárias, e entregou seu legado inteiro. Tudo por um simples pedido: para garantir que o seu MC voltasse à sua antiga glória. E para colocar em ação o seu maior plano de tudo: dominação política. Wallstreet já não estava satisfeito em controlar empresas através de ações e títulos. Ele queria o poder de reescrever as leis e criar um mundo que ele acreditava ser melhor do que aquele cheio de merda que atualmente o habitava. Ele queria tudo. Ele queria assumir o governo com um decreto e um senador corrupto de cada vez. E eu era o pivô para fazer tudo acontecer.


Eu faria o Pure Corruption brilhar mais e mais forte do que nunca. E quando eles estivessem prontos, isso seria a minha arma. Eu queria me tornar invencível. Eu tinha sido arruinado, mas, agora eu iria governar.

Há nove dias

Foda-se, estou ferido. Em toda parte. Os idiotas malditos não aceitaram a mudança de propriedade. Eu tinha ganhado. Quatro anos atrás, eu tinha provado meu ponto, tomado os Corrupts e os transformado em Pure Corruption e feito tudo que Wallstreet sempre quis que eu fizesse. Eu tinha ganhado poder. Eu trouxe os homens de volta da beira da ruína e criei um bom negócio mais uma vez. Eu era rico. Eu estava no comando. Eu estava... se não feliz, então contente. E o tempo tinha finalmente chegado para iniciar o processo que eu estava esperando a 86,750 horas desde que meu passado me traiu. O primeiro ano foi rochoso. Lutas, retaliações, homens testando meu controle. Mas, no final eles vieram à conclusão de bem que não havia sentido em discutir. Estava feito. Não apenas o jogo em casa, mas, nas outras nove filiais em torno dos estados. Eu tinha os juramentos para provar isso. Eu era o presidente agora. E ninguém porra, ninguém, estava autorizado a dizer o contrário. E foi isso o que me fodeu esta noite. Eu era o bastardo para acabar com todos os bastardos. Minha palavra era lei e eu tinha uma porrada de novos para repartir.


— Kill, a expedição está em plena vista. Nós precisamos bloquear. — Hopper inclinou a cabeça. Meus olhos dispararam. O caminhão que tinha chegado ao final da luta descansava como a porra de um cartaz de crime debaixo de um poste de luz fodido da propriedade industrial onde a nossa luta de poder desceu. — Por que eles não estacionaram na parte de trás, pelo amor de Cristo? Hopper deu de ombros. — Porque eles são um bando de macacos malditos. Eu te disse que nunca deveria tê-los deixado fazer isso. Isso ia contra todas as regras que eu assentei quando eu tinha assumido, mas, Wallstreet por algum motivo queria que essa expedição fosse feita. Cinco meninas para serem vendidas. Tráfico, um negócio sujo e que eu argumentei contra até que ele deixou-me escolher as mulheres que tinha dormido com a porra do diabo do meu pai. Uma lavagem de atordoamento se apoderou de mim. Tropecei, então pisquei. Uau, que porra? Olhando para minha roupa toda preta, mesmo na escuridão da noite não escondia a situação seriamente fodida em que eu estava. Ah, merda. Eu não tinha sentido nada. A sensação de adrenalina me fez agir com imprudência completa, eu não tinha sentido uma lâmina cortando minha carne. Meu casaco e camiseta estavam banhados de líquido negro. Não que isso fosse realmente preto. Era vermelho. E quente. E uma porra pegajosa. A própria matéria que me mantinha vivo, que devia estar em minhas veias, estava caindo à frente do meu maldito peito. Os olhos de Hopper seguiram os meus, estreitando em preocupação. — Merda, Kill. Você não está parecendo tão quente.


Rosnei sob a minha respiração. — Não deixe que eles te ouçam. Vou me remendar quando estivermos de volta. Não antes. Não há pontos fracos. Lembra-se? Hopper e Mo eram os únicos em quem eu confiava. Os únicos que eu jamais diria esse tipo de merda. Ele assentiu. — Tudo bem, vamos obter essas cadelas fora de vista, antes que os porcos cheguem aqui. Então nós vamos corrigir isso. Juntos, nós cruzamos o concreto, que agora estava marcado por balas e manchado de sangue. Os corpos seriam deixados. Os policiais estariam tentando descobrir o que aconteceu, mas, eu sabia como plantar provas. Eles não iriam contra o governador do estado, que era um amigo pessoal e estava na minha chamada dos bonecos. Ninguém discutia comigo. Ninguém discutia com um cara com um alto QI, um histórico comprovado, e um arsenal extra. Nos quatro anos que eu estive no comando, eu tinha acumulado mais riqueza do que eu jamais seria capaz de gastar, eu tinha doado a instituições de caridade, financiado escolas, pago campanhas relativas a todos os votos políticos em nome da construção de uma personalidade de rocha sólida. Tudo em nome do poder de compra ilimitado. Eu não era odiado. Eu era amado. Em ambos os lados da lei. Duas vidas que eu poderia usar, e amigos em lugares altos, que criavam o álibi perfeito e protegido dos meus irmãos. Me aproximando do caminhão, eu notei que a porta dos fundos estava aberta e haviam três mulheres, presas na lama. Que diabos esses idiotas estavam fazendo? — Leve-as para cima, — eu pedi. Os dois prospectos e três membros efetivos que estavam na missão de reconhecimento fizeram uma careta. — Onde está Slice? Eu levantei meu queixo atrás de mim. — Lá. Franziram a testa e seus olhos pareceram surpresos, procurando na escuridão pelo cadáver do homem que pensara que poderia roubar o Pure


debaixo do meu nariz. O idiota que tinha tentado levar uma rebelião contra mim. Não importa o que lhes desse, alguns dos homens ainda não tinham aprendido. Ficando contra mim e isso iria lhes causar apenas uma coisa. Morrer. — O que, só porque matou o nosso indicado agora você acha que nós vamos segui-lo? Eu balancei a cabeça. — É essa a essência disso. — Você disse que se alguma vez tivéssemos um problema com a sua liderança que poderíamos contestar. — Eu disse que vocês poderiam trazê-lo para mim e eu faria o meu melhor para corrigir o problema, não para planejar nas minhas costas, idiota. O homem acusado veio à frente. — Nós te seguimos contra nossa vontade por quatro anos, Kill. Quando você vai aprender que nós não queremos você, porra? Queremos o verdadeiro sangue Corrupt, não um maldito traidor. Eu vou ao seu encontro, punhos contra punhos. A adrenalina estava deixando o meu sistema rapidamente, a ferida me deixando tonto e enjoado. Alguém precisa dizer ao mundo que deve buscar um caminho e segui-lo. Mas, eu não iria recuar de uma luta. Nunca. — Você tem uma escolha. Você usa o colete. Você segue o código. Você está vivo. Você quer aceitar as mudanças na administração de uma vez por todas, ou você cai fora e não volta. Oferta única. — Eu estava pronto para torna-lo uma polpa sangrenta. O cara engoliu em seco. — Mas, se você nos cortar estará terminado. Nós fizemos um juramento para Magnet. Não para você ou Wallstreet. Ele é o nosso verdadeiro líder. — Ele também está morto. — Dei de ombros. — Se você decidir sair, você vai ser um desertor. Portanto, é melhor escolher sabiamente, ou seguir o mesmo caminho de Magnet.


Meu coração de repente deu uma guinada dolorosa, a agonia da maldita ferida atirou através do meu sistema. Eu tremia quando um frio penetrou em meus ossos. Eu precisava acabar com isto rápido, antes de desmaiar como uma cadela. — Se decidir. Você tem dez segundos. — Acenando para Grasshopper, eu disse: — Pegue a mercadoria. Recupere o caminhão. Nós não vamos os deixar neste armazém. Não agora, com essa bagunça. Hopper avançou, gritando ordens aos membros fiéis, enquanto outros observavam os caras que preferiam carnificina e idiotice em vez de evolução. — Seus dez segundos acabaram. Qual é a sua decisão? O prospecto deu um passo para o meu lado, sem palavras, apenas um leve aceno de cabeça. Bom o suficiente para mim. O outro prospecto recuou, sacudindo a cabeça. Tudo bem, ele não contava. Ele não tinha jurado. Ele tinha acabado de ser liberado para ser aceito por qualquer grupo, porra. O principal homem que tentou me matar olhou. Lentamente, ele trincou o maxilar e assentiu. — Bem. Estou dentro. Mas, eu quero uma reunião. Eu quero um voto democrático. Eu ri. — Não há tal coisa em nosso mundo. Não gostou, você acabou de perder sua chance de sair, então lida com isso. Entendeu? O cara olhou com raiva. Merda, eu não tenho força para lutar novamente. A terra sob meus pés tornou-se instável. Meu coração perdendo o ritmo constante. Minhas veias provavelmente estavam completamente secas após o bombeamento dessa merda na minha frente. — Bem. Eu estendi minha mão, sacudi uma vez e depois me virei para o caminhão. Caminhando para frente, eu ignorei os idiotas que tinham lutado contra nós, indo direto para a pilha de meninas agachadas na lama. Em um olhar mais atento, a mulher mais próxima não estava encolhida. Seu cabelo vermelho longo estava preso a seu pescoço, o rosto inclinado, quase como se ela pudesse ver a comoção e carnificina através da


venda. Seu corpo era elegante com peitos cheios e pernas longas. Seus lábios se separaram, e eram completamente rosas. Apesar da minha lesão, meu pau se contraiu com interesse. Me agachei na frente dela, removendo a venda. Olhos verdes. Eu quase morro na porra do local. Cleo! Não. Não podia ser. Tudo o que eu achava que sabia deixou de existir. Meu mundo girou até parar. Ela. A mulher que assombrava meus sonhos e me fez desejar tanto que a vida tivesse sido diferente. A menina que tinha se insinuado e esculpido seu caminho em meu coração adolescente e se recusou a sair, não importa quantas mulheres eu tenha comido. A menina morta. A menina cuja lápide descansava ao lado da de seus pais, escondidos no fundo do meu passado. A garota que eu traí. — Você vai fazer isso, Arthur. Entre lá. Agora. — Meu pai empurrou a pistola com silenciador na minha mão. Durante semanas ele esteve me obrigando a obedecer. Alimentando-me com merda sobre como o clube seria melhor com ele. Eu o tinha ignorado. Eu lutei contra ele. Mas, então ele tinha encontrado a minha fraqueza final. Agarrando ao redor do meu pescoço, ele puxou-me perto. — Se você não fizer isso, esta noite, eu vou lá estuprar aquela puta, em seguida,


colocar uma bala entre os seus olhos. Eu estou cheio de você não me obedecer. Raiva aleija meu coração. — Não se atreva a tocar nela, porra. Seus dedos apertaram, machucando-me. — Faça o que eu digo a você e ela vive. O destino dela está em suas mãos, filho. Escolha sabiamente. Sua voz tornou-se um silvo. — Uma última chance. Obedeça e eu vou deixá-la viver. Não... e eu vou fazer você assistir enquanto eu roubo a virgindade que você quer tanto e depois matá-la. Meus dedos enrolaram em torno do punho da pistola. Eu amava Thorn e Pétala Price. Eles me aceitaram em sua família, embora eu não fosse suficientemente bom para sua filha. Eles eram boas pessoas. Pessoas decentes. Ao contrário da família da qual eu vim. A atmosfera em minha casa estava cheia de cobiça e animosidade, não amor e companheirismo. Até o meu próprio irmão me odiava apenas porque eu tinha ganhado o amor de alguém tão preciosa como Cleo. — Vai, Killian. Faça. Meu pai me empurrou para fora da porta, onde a noite me engoliu e o diabo me acolheu em suas garras. Meus dedos coçaram para retirar a borracha Libra do meu bolso. Lembrei-me de que eu nunca encontrei a coragem de jogar fora. Eu a carregava comigo todos os dias, alimentando a minha vingança. Aquela noite foi sempre marcada a ferro em meu cérebro. Eu nunca realmente recordo a sequência exata dos eventos. Eu o tinha desobedecido uma e outra vez. Lembrei-me dos espancamentos depois de tortura, e quando as ameaças pararam de funcionar, meu pai tinha recorrido a mais... medidas drásticas. A náusea que sempre vinha em volta da minha garganta quando eu pensava sobre aquela noite. Você não pode mudar o passado. Mas, você pode moldar o futuro.


Me inclinei mais, perguntando se a vida tinha finalmente chegado a me enlouquecer. Para embaralhar minha mente e me mostrar o quanto eu tinha perdido quando eu ouvi o meu pai. Suspeita brilhou pela minha espinha e em linha reta na porra do meu coração. Eu não tinha pensado que ainda tinha um, mas, lá estava ele, sacudindo as teias de aranha e poeira sombria para bater o quente e vermelho verdadeiro. Mas, então eu olhei mais perto, em busca de reconhecimento do amor que uma vez brilhou no rosto da minha menina, e não vi nada. Ela olhou com ansiedade e uma estranha curiosidade, mas, não havia nada ligando-nos. Ela parecia com a minha Sagitário, mas, não poderia ser ela. Ela era uma estranha. Ela não tinha o direito de usar o rosto da minha alma gêmea morta ou me olhar através dos olhos de minha amante. Meu coração estava endurecido como um animal fossilizado. Quem quer que ela fosse, eu a odiava. Odiava nas profundezas do inferno. Eu queria que ela desaparecesse. Eu queria vê-la morta.

Presente Cleo se deslocou ao meu lado. Preso em meu sono e meus pensamentos, tudo tornava-se lento. Quanto tempo eu estive inconsciente? Sonhando com o passado, a merda horrível que eu tinha feito, a bagunça em que meu mundo estava desde que meu pai tinha me batido como um estúpido e me arrastou para a casa dela. Minha mente foi bloqueada apertado, recusando-se a pensar sobre o que aconteceu, o que eu tinha feito.


Seu corpo se aconchegou mais perto, dobrando no meu como um pedaço refletido da minha alma. Eu me aninho em seu pescoço, respirando contente o cheiro dela no sono. Será que você vai ser capaz de me perdoar? Será que eu vou viver em um mundo onde eu não estou quebrado por meu amor por você, porque eu sei que um dia, em breve, você não vai querer isso? Minhas perguntas eram obcessivas. Focadas na dor no meu coração, independentemente da dor que eu tinha causado no dela. Se ela soubesse o quão grato eu era que sua amnésia manteve certas coisas longe dela, ela me odiaria pela eternidade. Eu ficava petrificado cada vez que ela dizia que se lembrava de uma lasca de seu passado. Ela iria me odiar, ela simplesmente não tinha por que se lembrar ainda. Eu queria colocar meu coração a seus pés e implorar, foda, pedir perdão. Mas isso seria pedir demais. Ela nunca seria capaz de me conceder a absolvição e me dar de volta o amor de quando éramos mais jovens, e que eu utilizo tão ferozmente para mantê-la. Eu tinha perdido o direito de ser amado por ela. Nenhuma quantidade de vingança faria com que ela absolvesse meus crimes. Eu nunca iria parar de viver com um pé no inferno. Eu tinha que aceitar isso. A redenção não será concedida a mim. Eu a segurei mais apertado, segurando minha Buttercup com os braços que a abalaram com o luto. Sua forma calorosa faz o meu coração bater com muito amor e dor. Ela ainda era a mesma garota do meu passado, apenas marcada por chamas e pintada por tinta. Ela cresceu ainda mais bonita, mais original. E eu nunca tinha a merecido, porra.


Quem sabia quanto tempo mais eu estaria autorizado a segurá-la antes que ela se lembrasse? E ela iria se lembrar. Era apenas uma questão de tempo. Engoli em seco enquanto a minha pior memória ocupava minha mente refém. Um suspiro soou atrás de mim. Merda! Girando, eu apontei a arma para a aparição na porta. Não havia ninguém lá. Mas, eu a tinha visto. Eu tinha reconhecido a forma de seu corpo, o que eu fantasiava todas as noites. Eu tinha reconhecido o pequeno som de horror caindo de seus lábios. Ela tinha me visto. Eu estava tão consumido com memórias e melancolia, eu não ouvi o ruído que anunciava o fim do meu mundo. Tudo parecia acontecer em câmera lenta. Eu vi a sombra. Eu pedi o meu corpo para se mover. Proteger. Matar. Eu levantei o braço para lutar. Mas era tarde demais. O morcego assobiou através da escuridão, atingindo o lado da minha cabeça antes de eu me desembaraçar de Cleo. Meu último pensamento era como uma dor de cabeça diabólica que atirou-me na inconsciência, não ela. Mate-me, mas deixe-a sozinha, merda. Mas a minha boca não estava mais no meu controle.


Meus olhos se fecharam. Meu mundo acabou. Eu abandono os monstros mais uma vez.


Capítulo Vinte e Seis Fora de todos os cenários que eu poderia ter imaginado para o meu futuro... Não era isso. Essa porra não estava autorizada à acontecer. Como eu poderia ficar racional quando a tinham levado de mim, não uma, mas duas vezes? Como eu poderia ficar racional e seguir o meu plano quando eles me deixaram na miséria? A resposta era assustadoramente simples. Eu não podia. Eu não o faria. Há apenas um caminho que me resta. Um alvo. Um objetivo. Eu queria os seus gritos. Eles pagariam por seus pecados. Abracei a loucura e sede de sangue em minha alma. Era hora de acabar com isso. De uma vez por todas, porra. — Kill

Eu acordei.


Eu iria gritar. Uma mão plantada sobre a minha boca. Uma arma navegou pelo ar, batendo na cabeça de Arthur. Lágrimas explodem dos meus olhos quando ele se desfez em inconsciência ao meu lado. Eu lutei. Foda-se, eu lutei. Mas não era o suficiente. Algo picou meu braço. Gelo correu através das minhas veias. Meus olhos se arregalaram quando algo sujo bateu contra a minha boca. A picada dolorosa espalhando letargia apática através do meu sangue. Nuvens embaçavam meu cérebro. O brilho de uma agulha sob o luar me disse a verdade, mesmo quando tentáculos de vapores nadaram mais rápido nas minhas veias. Eles me encontraram. Eles sabiam quem eu era. Olhei para o olhar do Alligator, o cara do isqueiro, o homem de olhos avelã que brincava com o fogo, o mesmo homem que tinha me roubado pela primeira vez. Agora ele me roubou novamente. Capturada e levada como se eu nunca tivesse existido. Eu forcei minha cabeça pesada muito baixa para o lado, mais lágrimas escorrem pelo meu rosto. Arthur! Ele estava inconsciente, um fio de sangue saindo de sua boca. Outro motoqueiro estava em cima dele com um taco. — Não! — Eu gritei, mas, saiu como um soluço sussurrado por trás da mão do menino do isqueiro.


— Você tem um encontro, muito perigoso. Um encontro com a porra do destino. Eu flutuo para longe, caindo cada vez mais rápido em um abismo em que os medicamentos roubaram minha lucidez. A última coisa que eu lembrava era os lábios rançosos no meu quando tudo escureceu e eu desapareço no vazio.

Acordei pela segunda vez. Dor. Uma dor horrível vivia dentro da minha cabeça. Batendo os meus lábios, eu tentei lubrificar minha boca seca. Meu corpo estava latejante, confusão gritando, recusando-se a parecer com a mulher que eu tinha sido antes. Eu procurei em minha mente por essa terrível parede bloqueando meu passado a distância. Por favor, não deixe que a minha amnésia me proteja novamente. Eu não me importava que fosse uma coisa de autopreservação. Eu não seria capaz de suportar se tudo o que eu tinha lutado tanto para me lembrar tivesse ido... se foi. Timidamente, eu cutuco e empurro minha mente, testando a certeza de que não foi trancada e acorrentada na tomada de escuridão. Mas algo estava diferente. Memórias recentes e assustadoras me invadiram. — Leve ela. — Eu não vou levá-la. Eu gemi, meu rosto esmagado contra o tapete do hotel. Minha cabeça rodou ao ser algemada e a náusea prendeu meu estômago, ameaçando expulsar o serviço de quarto que eu pedi apenas uma hora antes. — O que... o que você quer comigo? —, eu me arrasto, tentando inutilmente me empurrar na posição vertical.


O tapete era confortável. Meu único amigo. Gostaria de ficar lá por um tempo. Os homens deixaram de discutir. Um agachou ao lado do meu rosto, seus dedos horríveis afastando meu cabelo. — Nós encontramos você. Depois de toda essa porra de tempo. Não acreditei quando ele disse que era verdade. Mas, você está aqui. — Estou aqui? O homem com olhos castanhos riu. — Olha você aqui. Uma menina que deveria ter ficado longe. Por que eu estava lá? Eu não conseguia lembrar. Então, em um flash de memória, eu disse: — Uma carta. Recebi uma carta. A risada fria veio novamente. — Sim, uma carta dele. Ele disse que você viria. Eu não achei que você faria isso. Você me deve uma centena de dólares por apostar errado. Com um chute no meu estômago, ele me rolou para que ficasse olhando para a sombra de luz acima. Meus olhos tentaram focar os dois homens que aparecem acima, mas, não consegui, eram borrões. — Leve ela. Vamos mantê-la separada da outra expedição. Kill nunca vai saber. — Por que nós não apenas a matamos? Isso iria arruiná-lo. Isso iria fazer o trabalho. O outro homem, com uma voz mais profunda que ressoou com pedras e alcatrão, disse: — Não é o suficiente. Ela precisa ser vista. A dúvida deve ser plantada antes de nós podermos nos livrar dela. Além disso, quero o dinheiro que seu corpo pequeno e doce trará. Uma bota pressiona contra o meu peito. Eu me encolhi a distância. Dedos frios enrolam no meu antebraço. — O que é que vai ser, Cleo? Incêndio ou persuasão? Cleo? Meu nariz amassa. — Você pegou a garota errada. Meu nome é Sarah.


Por alguma razão, os dois riram. — Isto está apenas ficando melhor e melhor. O homem de voz profunda disse: — Faça. Se ele estiver certo, então isso vai resolver os nossos problemas. Ele está certo sobre todo o resto. Gritei quando uma faca tocou na decoração de Golfinhos no quarto de hotel, cortando de forma eficiente através do meu casaco de lã. Luta encheu meus membros e eu ataco. Eu iria gritar, mas, uma mão grande tapou minha boca. — Faça. Agora. O toque de um cheiro mais leve e de fogo enviando meu coração a tropeçar em terror. Fogo. Meu inimigo. A única coisa para qual eu ficava petrificada. Eu não podia acender um fogão ou chegar perto de um churrasco. Fogo. Eu odiava isso. Odiava! — Não! — Eu gritei por trás da mão, o som permaneceu abafado e inútil. O menino do isqueiro se aproximou, agitando a chama nua pelo meu braço. — Pronta, Cleo? Meu nome é Sarah! Eu odiava que tudo o que ele fazia era para a pessoa errada. Eu tinha pena desta pessoa, Cleo, mas eu queria que ela tomasse as repercussões que sua vida tinha trazido sobre si mesma, não para mim. Eu não era ela. Eu não merecia ser queimada. Eles não poderiam ver que o meu corpo estava cheio de cicatrizes? Eu não tinha sofrido o suficiente? O primeiro sinal de fogo em minha carne fez meu corpo estalar em calafrios. O homem que segurava a minha boca se moveu, se plantou de joelhos sobre os meus ombros, prendendo-me ao chão. Eu não podia gritar. Eu não podia me mover.


O isqueiro se aproximou, a chama alegremente laranja roubando mais do que apenas a minha sanidade mental e dor, mas, os últimos oito anos da minha vida também. Eu sai fora da memória, respirando com dificuldade. Tudo junto, eu não tinha visto a verdade. Sofri duas camadas de amnésia, aparentemente dois eventos desencadeados pelo fogo, mas, o tempo todo tinham estado ligados. O tempo todo eu tinha sido Cleo Price e Sarah Jones, unidas por uma história trágica. Minha mente tinha aprendido que a proteção vinha do esquecimento e que isso tinha mais uma vez tentado me salvar. ouro20

Eu estava deitada em uma cama que era decorada com botões de e margaridas, olhando para um teto. Um cobertor horrível de terror me cobria. Não... isso não pode ser. Meus olhos bebem na citação cursiva de The Princess Bride no teto. — Como quiser. Engoli em seco. Este era o meu quarto.

O meu quarto de infância no complexo Dagger Rose. Mas isso não pode ser, ele incendiou. — Ah, você está acordada, Buttercup. Eu pulo na vertical, me encolhendo para o canto da cama. Em todos os lugares em volta de mim descansava familiaridade e casa. Desde a luz de cabeceira com babados amarelos à moldura de macarrão e cola segurando uma fotografia de Arthur e eu no nosso local favorito para nadar. No entanto... a foto que estava nesse quadro antes era de nós dois cozinhando com sua mãe, ele todo coberto de farinha, não nadando. E a sombra de luz tinha sido maior.

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Buttercup - flores


— Você gosta disso? Involuntariamente, minha atenção vai para o único homem que deveria ter estado lá para me proteger. Um pai substituto, um tio, meu sogro, se Arthur e eu alguma vez tivéssemos nos casado. Passando os braços em volta dos meus joelhos, eu olhei para Scott "Rubix" Killian. Ele se parecia com seu filho mais novo, mas, não completamente o mesma. Arthur tinha herdado os belos olhos verdes dele, mas, a bondade em sua alma definitivamente não tinha vindo deste bastardo, que tinha colocado fogo na minha casa e me deixado queimar. — O que está acontecendo? —, perguntei. Minha voz era um fio fino, enrolada em memórias e incerteza. Limpando a garganta, tentei novamente. — O que estou fazendo aqui? Rubix chegou mais perto, sua jaqueta de couro preta com linhas de chamas vermelhas e uma rosa sendo atacada por um punhal. — Você está em casa. O que mais você quer saber? Olhei ao redor do quarto que à primeira vista parecia ser o meu santuário de infância. Minha mente estava cheia de maldições enquanto a verdade escorregou de meus batimentos frenéticos enquanto eu tentava dar sentido a tudo. — Esta não é a minha casa. Rubix riu, sentando-se pesadamente na borda do colchão. — Você sempre foi inteligente, Buttercup. — Não! Não se atreva a usar o apelido que meu pai deu para mim. Ele ergueu as mãos, mostrando um arquivo dobrado na palma da mão direita. — Sensível, sensível. Não há necessidade de tirar sangue... ainda. —Seus olhos verdes brilharam. — Você está certa, este não é o seu antigo quarto, mas, eu pensei que você iria reconhecê-lo da mesma forma. — Inclinando-se em uma nuvem de graxa mecânica e couro, ele murmurou, — Vá em frente. Tome um palpite a respeito de onde você está. — Eu já sei que estou no complexo Dagger Rose. Ele assentiu. — Sim, isso é óbvio. Mas, onde no complexo? Me forçando para não surtar, eu olhei mais nos arredores. As paredes tinham sido pintadas recentemente para parecer com a minha, a colcha

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