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Índice O Bebê Inesperado do Bilionário Alfa Capítulo Um Capítulo Dois Capítulo Três Capítulo Quatro Capítulo Cinco Capítulo Seis Capítulo Sete Capítulo Oito Capítulo Nove Capítulo Dez Capítulo Onze Capítulo Doze Capítulo Treze Capítulo Quatorze Capítulo Quinze Capítulo Dezesseis Capítulo Dezessete Epílogo OUTRA HISTÓRIA QUE VOCÊ PODE GOSTAR Grávida do Chefe da Máfia Capítulo Um


Capítulo Dois Capítulo Três Capítulo Quatro Capítulo Cinco Capítulo Seis Capítulo Sete Capítulo Oito Capítulo Nove Capítulo Dez Capítulo Onze Capítulo Doze Capítulo Treze Capítulo Quatorze Capítulo Quinze Capítulo Dezesseis Capítulo Dezessete Capítulo Dezoito Capítulo Dezenove Capítulo Vinte Capítulo Vinte e Um


O Bebê Inesperado do Bilionário Alfa Por Nicki Jackson

Todos os Direitos Reservados. Copyright 2016-2017 Nicki Jackson.

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Capítulo Um SARAH OBSERVAVA SANTINO Orlando de seu lugar, ao lado dos enormes pilares que cercavam o salão de banquetes. A graça natural dele e a completa e absoluta confiança impressa nos traços de seu rosto denunciavam uma vida que havia sido passada em meio ao luxo. Ela reconheceu aquele olhar e comportamento, pois eram essas características que haviam lhe faltado durante toda a sua vida – até o dia em que se livrou dessa maldição e construiu seu próprio nome. O italiano alto, de cabelos escuros e olhos cor de chocolate, claramente nunca havia passado nenhuma necessidade ou um dia sequer sem seus luxos. Santino Orlando era uma força a ser considerada, e ela havia marcado de encontrá-lo em exatamente meia hora, em uma das enormes salas de discussão do local, para propor um conceito de propaganda para empresa de brinquedos dele. O evento na Espanha tinha reunido donos de corporações e uma variedade de magnatas, além dos maiores nomes do segmento da publicidade. Ela estava lá representando sua empresa, e determinada a ter a empresa de brinquedos de Santino Orlando, a BubFun, como cliente. A oportunidade era enorme, e Santino Orlando provavelmente seria o maior cliente com o qual teria contato. Conseguir esse contrato significava ter em suas mãos a promoção que aguardava há meses. Mas havia uma pegadinha. Ela não esperava que o homem fosse um deus grego maravilhoso. Sua pesquisa minuciosa sobre aquele homem lhe mostrara o tipo de vida que levava, seus gostos e preferências, e tudo a seu respeito, sobre o qual a imprensa era bastante discreta. Mesmo assim, a câmera não lhe fizera justiça. Sua aura carismática o fazia parecer invencível, poderoso e extremamente feroz. Ela teria se sentido intimidada, mas havia um detalhe: Sarah Montgomery não se intimidava. Não importava o que ele fizesse ou se ganhasse bilhões, ou se provavelmente gastasse mais nas


férias do que ela em um ano inteiro. Nada a afetava. Ela estava confiante com seu último conceito; a criatividade em sua propaganda estava repleta de tudo que ela sabia que ele não podia recusar, e sua confiança lhe servira bem no passado. Seu olhar percorreu os ombros largos dele e o terno cinza ardósia que se agarrava ao contorno de seu corpo musculoso. As mãos eram fortes e os dedos longos quando ele ajustava a gravata. Embora ele estivesse a mais de nove metros de distância, ela podia sentir sua aura da autoridade a atingindo em ondas. Ela se convenceu de que o observava apenas porque queria dimensionar seu cliente antes que ele chegasse à sala de apresentação, onde tudo estava montado, esperando pela chegada daquele homem. O nariz era forte, com uma ligeira elevação no centro, os lábios cinzelados, a mandíbula tão afiada que era dolorosamente agradável de olhar. E quando ela se moveu ligeiramente para se inclinar contra o pilar e vê-lo mais confortavelmente, o olhar dele deslizou para cima e encontrou o seu. Seu coração martelava violentamente enquanto aqueles olhos castanhos se fixavam nela. Ela congelou, incapaz de se mover e, para seu terror total, percebeu que não era apenas poder que o homem exalava. Havia também uma enorme quantidade de apelo sexual, tão espessa e concentrada que transformou seus dedos do pé em geleia, e seus joelhos começaram a tremer. Seu corpo respondeu traiçoeiramente, seu umbigo agitando-se, o calor queimando o espaço entre suas pernas. Os olhos dele se estreitaram quando ela não desviou o olhar, mas a impotência era paralisante. O momento era potente, e ficou gravado em sua memória para sempre. Ela era incapaz de negar a seus sentidos o prazer de manter a troca de olhares com aquele homem. E quando pensou que certamente morreria da luxúria inoportuna que preenchia suas veias, ele sorriu. O olhar dele suavizou, e o homem que ela julgara ser distante, frio e inacessível se transformou à sua frente. O semblante do magnata frio e mordaz recuou. Ela sentiu como se o conhecesse há muito tempo.


Quando ela se convenceu de que aquele contato visual poderia ser interpretado como um flerte, o que era uma coisa terrível de acontecer minutos antes de ela ter de conhecê-lo, uma mulher passou entre eles e desfez o momento. Sarah girou ao redor, deslizando as costas ao longo do pilar circular e agarrando-o atrás de si. Sua respiração estava áspera, os olhos apertados, ela se esforçava para entender o que tinha acabado de atingi-la. "Sério!" Ela sibilou para si mesma, com raiva. "Não pode ser." O impensável tinha acontecido. Ela estava nervosa. Nervosa para encontrá-lo, nervosa para olhar para aqueles olhos magnéticos e ardentes outra vez, e nervosa de medo de desmoronar de prazer se ele sorrisse para ela novamente. *** Sarah observou a porta da sala de conferências. Felizmente, enquanto estava de pé ao lado da tela do projetor e revisava suas anotações, seus nervos se acalmaram completamente. Com mais equilíbrio, esperava a chegada de Santino. Ela se convencia fortemente de que estava perfeitamente bem, e a aura incrível de um homem, e um sorriso ainda mais incrível, não eram suficientes para agitar seus nervos. Mas quando aquele homem entrou na sala sem nem ao menos lhe lançar um olhar, seu estômago foi parar no chão. Ela sentiu como se seus sentidos a tivessem traído, e como se a conexão física entre eles nunca tivesse existido. Não seja estúpida, Sarah. Isto é uma reunião de negócios. Ela começou com sua introdução cuidadosamente ensaiada para quebrar o gelo. "Boa tarde, Sr. Orlando." Ele levantou os olhos para Sarah, sorrindo lentamente, os olhos se iluminando. Enquanto ele se sentava na cadeira atrás de uma enorme mesa, disse: "Ei." "Hum... Ei." Ela não conseguiu se segurar. A mistura de nervosismo, atração e confusão a fez rir. "É bom vê-la novamente." Ele sorriu.


Sarah não pode evitar. Ignorando os outros quatro ocupantes do cômodo, riu novamente. "Sim, é muito bom vê-lo novamente, Sr. Orlando." Ele se recostou na cadeira. Os olhos eram calorosos, acessíveis, e de um castanho chocolate. "Por favor, me chame de Santino." Um silêncio percorreu o cômodo, e tudo o que ela ouvia era seu próprio coração batendo. "Certo, Santino. Sou Sarah Montgomery." "Posso chamá-la de Sarah?" Os lábios de Sarah se contraíram com a provocação infantil nos olhos dele. Ele estava brincando com ela, deliberadamente ignorando as pessoas ao redor. Como se ele nem se importasse com quem estava em volta, com seus flertes não muito sutis. Não é um flerte. Ele apenas está sendo legal. "Pode." "Ótimo. Então, o que você tem pra mim hoje, Sarah?" "Hum..." Sarah desembarcou de volta à realidade com um baque, e por um momento ficou com a mente completamente em branco enquanto olhava para a tela do computador, perguntandose em qual idioma aquilo estava escrito, embora tivesse feito a apresentação inteira por conta própria. Então, sua mente clareou. Foco. Foco. Isso é importante. O cara poderia pensar que era divertido flertar enquanto fazia negócios, mas ele iria falar com outra agência dentro de uma hora, e ela tinha que garantir esse contrato. E foi assim que Sarah se recompôs e prosseguiu com sua apresentação. Sua voz era forte, as palavras articuladas, e ela mostrou que acreditava no que estava dizendo de todo o seu coração. O homem divertido, robusto e bonito transformou-se em um profissional de negócios, o sorriso evaporou, substituído por algo mais intenso queimando em seus olhos, e ela estava feliz que Santino Orlando havia levado seu negócio a sério. *** SANTINO NUNCA TINHA VISTO uma mulher como Sarah Montgomery. Algo nela o atingia em um nível diferente. A linda mulher era forte, sua voz colocava todos num transe. Tão confiante e


segura; como se estivesse pronta para tomar conta do mundo, e com a certeza de que conseguiria. Seus olhos vagaram sobre o rosto dela, deleitando-se com a maneira como os lábios macios e cheios se moviam. Os lábios eram cheios, o nariz pequeno e reto, o rosto em forma de coração, com os cabelos grossos e escuros caindo sobre os ombros. No entanto, eram os olhos dela que o cativavam. Eles eram de uma cor diferente, nem marrom nem verde, e ele desejava poder pará-la por um instante, apertar seu rosto e olhá-la nos olhos até descobrir. Ele não estava escutando a proposta dela. Nada. Não era porque não queria. Ele queria, desesperadamente. Afinal, deveria fornecer feedback ao final, fazer perguntas e aprovar ou rejeitar o conceito que ela apresentava de forma passional. Mas ele simplesmente... Não conseguia. Qual era a cor dos olhos dela? A jaqueta preta a beliscava na cintura. Ele não se orgulhava de admitir, mas quando ela se virou de lado, seus olhos contemplaram alegremente aqueles quadris cheios e redondos. Os seios tinham uma proporção perfeita, preenchendo o terninho perfeitamente. A blusa era de um roxo escuro, ressaltando a tez pálida impecável. Era uma proposta curta, quinze minutos. Esse era todo o tempo que ele tinha alocado para as agências que desejavam fechar contrato com sua empresa de brinquedos. E, cedo demais, ela terminou. Pausando com um sorriso, ela esperou que ele começasse a fazer perguntas. Mas ele não tinha nenhuma. Ele mal tinha ouvido sua fala. Ficou tão absorto com a maneira como ela fez a apresentação que realmente não manteve o foco no que estava sendo dito. E ele se odiava por isso. Se ao menos não a tivesse apanhado o observando no salão de banquetes, se não a tivesse visto à distância e pensado que ela era linda. Ele planejara procurá-la depois dessa reunião e, por ter sorte em todos os esforços de sua vida, o destino a levara até ele. "Você tem alguma pergunta? Feedback?" Sarah parecia estar entrando em pânico. Ele devia parecer totalmente vazio. Devia estar com a cara de quem não fazia ideia do que ela estava falando. Ela provavelmente pensou que os quinze minutos haviam sido um desperdício e ele nem


sequer tinha a intenção de respondê-la. Ela começou a desligar o computador. "Obrigada pelo seu tempo, Sr. Orlando." "Na verdade, eu tenho uma pergunta." Ele se endireitou na cadeira, sentindo todos os olhos ao redor da mesa sobre si, enquanto ela esperava por sua valiosa opinião. "Sim?" Ele sorriu de modo esquisito, limpou a garganta, e seus olhos se estreitaram enquanto segurava o olhar dela. "O que você vai fazer hoje à noite?"


Capítulo Dois "AH, MEU DEUS!" Tara gritou enquanto deixava a sala de conferências ao seu lado. "Shhh. Fica quieta", Sarah sibilou. Tara certamente podia piorar ainda mais uma situação constrangedora. "Ele te chamou pra sair!" "Shhh. Fica quieta, Tara", ela sussurrou furiosamente entre os dentes. "Sarah?" A voz dele a fez congelar, e ela se virou com um sorriso, vendo Santino parado ali, os braços estendidos em sua direção. "Sarah, gostaria que você conhecesse informalmente meu gerente de marketing e bom amigo, Mark Bosworth." Sarah esticou a mão, cumprimentando Mark educadamente e acalmando seus nervos. "O que você achou da proposta, Mark?" Santino perguntou, parecendo desesperado para expressar alguma coisa após ter parecido tão desatento durante a apresentação. Mark encontrou seu olhar, e ela estava feliz que ao menos ele estava sendo profissional. "Acho que é um conceito muito promissor. É criativo e diferente. Não usual. Nós gostamos de coisas incomuns. É bem o nosso estilo." Sarah sorriu, sentindo-me melhor com o feedback. "Ótimo saber." Finalmente. Ao menos alguém tinha algo a dizer sobre seu trabalho duro. Então a mão grande de Santino descansou calmamente e possessivamente na parte inferior das suas costas, ele pediu licença a Mark, e sua mente virou fumaça. "Gostaria de falar com você a sós. Por aqui, por favor." "Hum, ok." Sarah não conseguia suprimir a sensação de que estava fazendo algo de errado ao caminhar com ele, entretanto. Mesmo desejando ficar ao lado dele, continuar sentindo a sua mão grande em sua cintura, havia limites profissionais que ela não queria extrapolar.


Depois de caminharem juntos vários metros, ela finalmente parou e o encarou. Péssima jogada. Quando ele parou, estava a apenas centímetros de seu rosto. Sua linda boca esculpida estava a trinta centímetros da dela. "Está tudo bem?", ela perguntou, momentaneamente preocupada. "Sim. Tudo ótimo." "Então por que precisamos vir até aqui para apenas conversar?" Em resposta, Santino riu, e o profundo som gutural fez suas costelas se apertarem ao redor de seus órgãos para protegê-los de estourar de delírio. "Porque sim." Sarah saiu de seu modo profissional por um breve momento. Claramente, ele não estava interessado em manter as coisas profissionais. "Porque sim? Tenho certeza de que você pode me dar uma resposta melhor." Santino franziu os lábios, soltou-a e olhando-a intensamente. "Certo, vou lhe dizer a verdade." Quando esperou pela desculpa, um sorriso suave curvou os lábios dele, e ele a desafiava com aqueles olhos misteriosos. Ele inalou bruscamente. "Eu preciso te levar para um lugar que não seja tão escuro e sombrio." Sarah ficou confusa. Ela coçou o rosto, esquecendo-se que ele era um dos maiores clientes que já tivera, esquecendo-se do que tinha a ganhar com a obtenção deste contrato, esquecendo-se de que este era um encontro profissional e sua empresa não a tinha enviado de Nova York a Madri para ficar de joguinhos com esse cara. "Por quê?" "Porque preciso de um lugar bem iluminado para ver a cor dos seus olhos." Sarah lutou, mas não conseguiu evitar a atração que sentia por aquele homem. O que diabos estava acontecendo? Suas entranhas nadavam com excitação e alegria por esse homem muito confiante, mas muito maravilhoso, que era claramente muito certinho para mentir para ela, mesmo quando a situação era tão inadequada. Então um lembrete desanimador a atingiu: o homem era um jogador. Toda mulher entre os dezesseis e os noventa anos conhecia esse cara, e não, não era porque


ele era o principal fabricante de brinquedos nos Estados Unidos. Desde sua aparição em um reality show onde as mulheres procuravam se tornar a escolhida, ele virou um nome familiar, um símbolo sexual. Ele também era conhecido por ter dado um pé na bunda da finalista algumas semanas depois do fim do programa. Felizmente, essa lembrança ajudou seu profissionalismo a retornar, e ela enxugou o sorriso bobo de seu rosto. No tempo certo. Sarah Montgomery não era como as outras mulheres. Ela não iria se jogar aos pés dele. De jeito nenhum. Ele poderia estar acostumado com as mulheres que se jogavam sobre ele, mas ela não era uma dessas mulheres. Tá certo que ele era insanamente gostoso. Também era um dos solteiros mais cobiçados do país devido à sua aparência e bilhões na carteira. Mas nada disso a impressionava o suficiente para destruir sua dignidade. Ela era muitas coisas, mas não era fácil. E a curiosidade dele pela cor de seus olhos de repente não era mais tão lisonjeira. "Como é? Você quer me levar a algum lugar onde possa ver a cor dos meus olhos?" A severidade em seu tom de voz pareceu fazê-lo alargar o sorriso. "Está me deixando louco. Eles não são castanhos, mas também não são verdes. E esse lugar estúpido é tão sombrio que se poderia pensar que é um funeral e não um evento de negócios." Ele riu quando Sarah ofegou com o comentário ultrajante, alto e desrespeitoso e olhou ao redor. Felizmente, ninguém tinha ouvido. "Por que essa obsessão com meus olhos? Nós estamos nos encontrando profissionalmente, você sabe." "Sim, e é por isso que eu perguntei o que você faria essa noite, para que possamos nos encontrar não profissionalmente." Sarah evitou um sorriso. Era tão difícil ser indiferente a ele. Ele era adorável, mas ela podia sentir que seu poder e dureza estavam sendo controlados. "Você tem alguma ideia de como isso é inadequado?" "Sim. Mas eu também não me importo com isso, porque essas normas foram estabelecidas


pelos seres humanos e, para ser honesto, eu não dou a mínima sobre como alguém espera que eu me comporte.” Ohh. Um rebelde. Igual a mim. Ela tinha sido fisgada. "Eu nunca pensei nisso dessa maneira, e eu sou alguém que adora desafiar as normas." Ele deve ter visto a relutante apreciação em sua expressão, porque o sorriso dele se alargou. "Sério? Seria muito divertido passarmos um tempo juntos, não acha? Então, o que você vai fazer mais tarde?" Sarah riu. "Vou para a cama. Sozinha. E cedo." "Eu gosto da parte do sozinha. Não gosto da parte do cedo." O sorriso de Sarah congelou, e uma lava de luxúria quente se espalhou fora de controle dentro dela. Inspirando profundamente, quis dizer alguma coisa, mas sua língua não cooperava. Mesmo se cooperasse, sua mente não era capaz de dar nenhum comando tão cedo. Porque a forma como ele a olhava era um espelho de tudo o que ela estava sentindo. Luxúria ardente. Avidez. A química sexual estalava entre eles enquanto ela se esquecia de onde estavam e por que estavam ali. Ele finalmente respirou fundo e quebrou o contato visual. "Se está ocupada hoje à noite, o que acha de amanhã?" "Não sei sobre amanhã." Ela sorriu lentamente, sua mente gritando para que ela dissesse sim. Mas a profissional dentro de si se recusou a fazer parte desse absurdo indescritível. E ela tinha a sensação de que ele estava acostumado com as mulheres dizendo sim o tempo todo. No entanto, ele parecia estar se divertindo com tudo aquilo. Justo quando ela pensou que tinha tido êxito em sua missão de dispensá-lo, um homem falando em italiano fluente os interrompeu. Santino o respondeu em inglês e o homem entendeu a deixa, pedindo desculpas por seus modos terríveis e incluindo-a na conversa. Dez minutos depois, enquanto o homem se afastava, Sarah estava formulando uma maneira de aproveitar a oportunidade e ir embora quando Santino apontou excitadamente. "Ah, olhe.


Aquele canto está bem claro. Vamos até ali." A excitação infantil e interminável interesse em saber a cor de seus olhos a conquistaram. Ela riu e ele riu com ela. Santino não parecia um homem que desistia facilmente. Mas as coisas não aconteceriam da forma como ele queria. Não naquela noite. Não com ela. "Então, vamos?" "Claro!", disse ela, zombando da exasperação. Mas adorou a atenção e o sorriso de Santino, quando ele colocou uma mão em suas costas e a guiou até o canto isolado. "Finalmente." Ele se virou, tão perto que ela inalou seu cheiro, o aroma distinto, intenso, que lavou seus nervos e eletrificou seu corpo. Ela ergueu os olhos para ele, e seu coração pulou até a garganta. Atingida pela química ardente entre os dois, engoliu com dificuldade quando ele se aproximou ainda mais. Ele ergueu as mãos, os dedos deslizando lentamente sobre suas bochechas. Sarah não se mexeu, não o afastou, mas lutou para impedir que seus olhos se fechassem de prazer. As pontas dos dedos dele se arrastaram por suas bochechas em direção às suas orelhas, segurando seu rosto entre as palmas quentes, os olhos se fixando nos dela enquanto se aproximava. "Eles são um pouco... dourados." No momento mais quente de sua vida, Sarah explodiu em gargalhadas. Ele libertou seu rosto e riu. "Não, sério. Eles são mesmo dourados." "Âmbar, Santino. Eles são âmbar." Ele engoliu em seco e o sorriso desapareceu, para ser substituído por uma expressão de extrema admiração. "Você sabe que nós dois voltaremos para os Estados Unidos, certo? Vou até o lado de fora da porta do seu escritório todas as tardes perguntar se você está livre para sair." Sarah se controlou para não sorrir. "Isso seria muito ruim de sua parte, já que eu não posso recusá-lo quando estamos lutando para ter sua empresa como cliente."


Ele balançou a cabeça. "Não quero que me encontre por causa do contrato. Quero que me encontre porque quer." "Veremos sobre isso." "Veremos. Por agora..." Ele deslizou os dedos novamente sobre as bochechas dela, sua respiração entrecortada enquanto ela tentava esconder o fato de que estava desesperada pelo seu toque. "Acredito que estava prestes a te beijar." Os olhos de Sarah se arregalaram e ela riu, horrorizada. "Você está brincando." "Não estou." Mas ele esperou a uma certa distância dela, olhando seus lábios de forma faminta. Sem pensar de forma consciente, Sarah baixou os olhos para a boca de Santino e o tempo parou. Fuja. Ele está acostumado com isso. Ele acha que pode ter qualquer uma que quiser. Isso não vai acontecer. Ela se inclinou para a frente e virou o rosto para o lado no último minuto, oferecendo-lhe a bochecha. Os lábios dele pressionaram contra sua pele no mais doce dos beijos. Santino assentiu, sorrindo enquanto liberava seu rosto e se afastava. "Gostaria de uma bebida?" "Acho que...", ela deu um passo paro o lado, sorrindo, mas era quase doloroso se afastar dele. "Vou voltar para o hotel e descansar." Ele assentiu e colocou as mãos nos bolsos. "Acho que nos veremos em breve, então." "Uhum...", ela se virou e só tinha dado dois passos, quando mordeu o lábio inferior e cerrou os olhos. Respirando fundo, virou-se, contra seu melhor juízo: "Que horas você pode me buscar amanhã?" Santino sorriu amplamente, os olhos castanhos flamejando enquanto ele segurava seu olhar. "Às cinco da tarde está bom para você?"


Capítulo Três "PODE, POR FAVOR, parar de falar nisso?" Tara arfou de gozação. "Por que? Só preciso saber das coisas, entendeu? Vocês ficaram conversando por um longo tempo e..." "E não quero falar sobre isso", Sarah repreendeu-a com bom humor. "Tudo bem?" "Aonde ele vai levá-la?" Sarah suspirou. Tara era impossível. Ela era sempre faladeira e indescritivelmente intrusiva. "Não sei, Tara. Não perguntei aonde ele quer ir, e o que quer comer, e o que vai vestir." "Mas tem certeza de que é um encontro profissional?" "Sim!", Sarah mentiu, desejando que seu rosto não a entregasse. "Tá bom, então. Vou para o meu quarto ficar entediada e não fazer nada enquanto você sai para conversar com esse cliente gato." Sarah ficou contente quando Tara foi embora. Estava nervosa demais para lidar com sua amiga faladeira. Pegou sua pequena bolsa, colocou o casaco sobre o vestido plissado azul cobalto e tirou os cabelos do colar. Dando uma longa olhada no espelho, acenou com a cabeça para sua leve maquiagem, o tom rosado em seus lábios, e saiu do quarto do hotel em direção ao saguão. Ela estava dez minutos adiantada e olhou ao redor do lobby procurando por um lugar confortável onde pudesse sentar e esperar por ele, e então viu Santino se levantar de onde estava no sofá, com um sorriso no rosto. Seu coração bateu violentamente com o olhar que ele lhe deu. Ela esperava estar calma e tranquila quando o encontrasse, mas não estava. Ele a beijara na bochecha mais cedo. Nada mais era profissional. Ele a levaria para sair sabe Deus onde. Este era um encontro nada profissional. "Olá", disse Sarah, nervosamente. "Você chegou cedo." "Não quis deixar minha dama esperando."


Minha dama. Encantador. Jogador! Ela tentou ficar furiosa, mas não conseguiu. Ela era bom demais nessas jogadas. E ela estava aterrorizada de pensar que ele fosse perfeitamente capaz de manipulá-la para dançar de acordo com o ritmo dele. E ele podia. Sem se esforçar. Ele a guiou para a limusine que aguardava do lado de fora. O motorista mantinha a porta aberta, enquanto ele tocava lentamente suas costas para guiá-la para dentro. Sarah deslizou para o interior luxuoso do carro e respirou fundo quando ele se juntou a ela. Embora ele tenha dado instruções para o motorista em italiano, ela se afogou no som delicioso de seu sotaque enquanto o glorioso e exótico idioma saía dos lábios dele como líquido. Ela queria prendê-lo em sua boca. Ele se virou em sua direção. "Então, o que fez durante o dia?" "Estive na conferência novamente, apenas por algumas horas. Precisei encontrar outro cliente." "Ah...", Santino a olhou cautelosamente. "Correu tudo bem?" Ela encolheu os ombros. "Vamos nos encontrar amanhã novamente para conversar." Santino pareceu curiosamente enciumado. "Ele vai levá-la para jantar?" Sarah riu. "Você pode ao menos tentar ser sutil?" "Sinto muito. Sou muito direto. Disfarçar não é o meu forte." "Ótimo ouvir isso", ela disse suavemente. Ele sorriu. "Então, o que é? Um jantar romântico?" "Não!", ela riu. "Temos uma reunião agendada no escritório dele amanhã de manhã." "Ok, parece ótimo. Me fale se precisar de ajuda." Ela assentiu. "Acho que sou bastante capaz de pegar um táxi até o escritório dele e depois retornar ao hotel." Ele sorriu. "Entendido." Eles conversaram sobre assuntos aleatórios relacionados à conferência até o carro parar e Santino a ajudar a descer. Uma longa fila do lado de fora de uma boate fez seus olhos se estreitarem.


"Nós vamos ficar aqui?", ela perguntou. Ele assentiu, segurando a mão dela como se tivesse direito a isso. Ele a levou para o lado do prédio, onde as portas foram abertas para eles, e Sarah encontrou-se de pé em uma varanda com vista para a pista de dança enorme abaixo deles. "Uau! Isso é muito legal." "É sim", ele concordou. "Sim!", ela se virou para encará-lo, falando mais alto e se aproximando para permitir que ele a ouvisse sobre a música alta. "Pensei que eu iria embora da Espanha sem ter um vislumbre da vida noturna." Ele deslizou o braço ao redor de sua cintura, e pela primeira vez Sarah se deixou levar, não ficando nervosa ou preocupada sobre como aquilo poderia parecer. Droga. Eles estavam em um encontro. Não tinha mais sentido ficar negando. *** ELE A GUIOU até uma área VIP, onde vários grupos de pessoas estavam sentados e conversavam, e a música era mais alta devido à divisória de vidro que separava o local do resto do clube. "Já esteve aqui antes?" "Sim", ele segurou o casaco dela e o deslizou pelos braços, sua respiração se acelerando. O decote do vestido azul era modesto, mas o corpete se agarrava às curvas firmes do corpo de Sarah. "Nossa, você está linda", disse ele, sem constrangimento. "Obrigada. Você também não está nada mal." "Então, por que não reservou um tempo para a vida noturna quando chegou aqui?" "Bom, primeiro, eu tinha tantas reuniões que não daria tempo. Segundo, eu iria se tivesse boa companhia. Tara não é uma boa parceira para sair de noite num país estrangeiro. Ela não é muito tolerante com coisas diferentes." Ele riu. "Quem é Tara?"


"Minha amiga. Também colega de trabalho. Ela estava lá na apresentação, lembra? A de cabelo ruivo e sardas?" Ele balançou a cabeça. "Não vi ninguém além de você no discurso." Ela sorriu e deu um soquinho em seu braço brincando. "Pare de fazer isso." Ele sorriu. "Continue. Por que você não podia ir com ela?" "Porque Tara adora beber. Eu também gosto, mas ela exagera. E, às vezes, preciso ligar para alguém porque ela desmaia dentro do clube." "Nossa." "Exatamente. Não estava pronta para ter essa responsabilidade em minhas mãos na Espanha. Não dava." O garçom entregou-lhe uma taça de champanhe, e ela riu. "O que estamos comemorando?" Ele se inclinou para mais perto. "Nós estamos comemorando... Sua agência que conseguiu o contrato com a BubFun." Ela congelou. "Você está brincando?" "Não." O rosto dela despencou, e ela olhou para o copo enquanto ele os tilintava juntos e esperou ela gritar de prazer. Mas ela não demonstrou nada parecido. Ela parecia horrorizada. "Você... Você não precisa dar o contrato para nossa agência só porque quer me ver novamente." Ele balançou a cabeça. "Sarah, eu nunca faria isso." "Não, mas. Ai, meu Deus..." Ela agarrou o próprio rosto depois de abaixar o copo. "Por isso eu não queria pisar fora da bolha profissional. Parece tão errado." "Ei", ele a puxou para mais perto, segurando sua mão dela e a pressionando entre as suas duas palmas, esfregando-a levemente. Ela pareceu se acalmar imediatamente, observando seu rosto. "Ok, tenho uma confissão a fazer." "O quê?"


Ele suspirou. "Eu estava tão ocupado te observando enquanto você falava que não escutei nenhuma palavra da sua apresentação." Ela balançou a cabeça. "Está vendo? Essa foi uma ideia terrível. Eu devia... Devia ir embora." "Não, me escute. Eu passei a manhã toda repassando o e-mail que você nos enviou, discuti com meu pessoal e todos eles acharam que o conceito é fantástico. É por isso que estou fechando com vocês." Sarah respirou fundo. "Jura?" Ele riu. "Juro." "Ok, então." "Ok, então", ele entregou o copo de volta para Sarah e brindou. "A nós." "A nós." Seu desejo por ela aumentou ainda mais enquanto bebiam o champanhe. "Você dança?" "Se eu danço? Às vezes." "Vamos", ele ficou de pé e esticou a mão. Sarah sorriu enquanto ele a guiava pelos degraus e para dentro da pista de dança, colocando as mãos em seus ombros enquanto segurava sua cintura. O lugar estava animado com a batida da música. Ele a guiou, as mãos apertando-lhe a cintura, e quando pegou as mãos dela para girá-la, suas mãos deslizaram dos pulsos até os cotovelos, então até os ombros. Sarah o encarou, e os nós de seus dedos acariciaram as bochechas dela, empurrando o cabelo para longe do rosto. Ele abriu a mão sobre o maxilar dela sensualmente, o calor da ação atravessando seu corpo, fazendo sua masculinidade se enrijecer e ficar imediatamente alerta para mais. Ele não se apressaria, saboreando o toque, a aparência dela, rosada nas bochechas. Ele não tinha pressa. Ela não tentou dizer nada. As palavras não seriam escutadas sobre a música. Além disso, ela parecia tão presa ao momento quanto ele. Mesmo com outros corpos dançando e se movendo ao redor, eles eram invisíveis. Ele segurou suas bochechas com as duas mãos, finalmente cedendo ao


desejo de acariciar lentamente o lábio inferior de Sarah com seu dedão. Sarah gemeu alto quando ele arrastou-lhe o lábio inferior para baixo, mostrando os dentes. Uma onda de luxúria o prendeu em seus tentáculos implacáveis. O calor o percorreu, suas coxas se apertaram, e ele queria beijá-la. Ele queria que sua língua se emaranhasse com o gosto da boca de Sarah. Com a urgência o alimentando, ele se inclinou e pressionou os lábios contra a mandíbula dela enquanto o corpo tremia em sua pegada. Ele respirou calorosamente em sua orelha dela, os ombros tremendo com a tensão de se segurar. "Seu corpo foi feito para as minhas mãos", ele sussurrou roucamente para ser ouvido sobre a música. Sarah engoliu em seco, a música ainda tocando, mas o corpo dela derreteu em suas mãos. Ela moveu os braços em torno do pescoço dele e trouxe seu corpo para mais perto. Sua ereção dura a cutucou na cintura. Ela gemeu e encostou a boca na curva de seu pescoço, seu peito se expandindo enquanto respirava profundamente. Seus corpos não respondiam a nenhuma batida, mas oscilavam ligeiramente. Ele pressionou a testa contra a dela, as mãos deslizando pelas suas costas, parando pouco acima dos quadris antes de subir novamente. Sarah jogou a cabeça para trás e agarrou-se ao pescoço dele. Os lábios dele pressionaram a suave extensão do pescoço de Sarah, sua boca traçando um caminho ao longo do pescoço até a sua orelha. Um suspiro agudo escapou dela quando seus dentes chegaram ao lóbulo e o beliscaram. Ele a segurou mais perto, o braço apertando em torno da cintura, suas pernas abrindo espaço para ela. Ela parecia estar quase perdendo o equilíbrio, mas ele nunca a deixaria cair. Antes que ele pudesse ceder ao desejo de fazer algo inapropriado ali na pista de dança, pegou a mão dela e a levou para longe, ao longo de uma passagem parcialmente isolada. Era o mais longe que podia ir antes de ceder ao desejo e apertá-la contra a parede. "Sarah ...", ele sibilou, agarrando-lhe o rosto entre as palmas das mãos.


Ela esperou, ofegante. "Você tem alguma ideia do que está fazendo com meu corpo?" Sarah apertou seus bíceps. "Você tem alguma ideia do que está fazendo com o meu?" Ele baixou a boca abruptamente, tomando a dela em um beijo faminto que roubou ambas as respirações. Ela gemeu em sua boca, e as vibrações do som reverberavam através de seu corpo. Ele mordeu suavemente seu lábio inferior, depois a parte superior, acariciando e memorizando aquela boca que tinha gosto de paraíso e um sabor maravilhoso. Estilhaços quentes de luxúria o cortavam. O abdômen tenso, a masculinidade engolfada, apressando-se com o calor enquanto apertava-lhe o rosto. As mãos de Sarah deslizaram por seu corpo enquanto ele devorava sua boca. A posse dos lábios dela era furiosa, quase punitiva, tentando expiar o modo como ela o tinha mantido esperando. Suas bocas estavam destinadas a dançar em perfeita sincronia, movendo-se perfeitamente, encontrando a luxúria um do outro, e quando sua língua tocou o lábio superior dela, ela ficou louca. As mãos dela se arrastaram para baixo até seus quadris, e ele grunhiu em sua boca, empurrando seu eixo duro contra ela, mostrando-lhe a extensão do efeito que tinha sobre ele. Ele soltou seu o rosto, e a língua de Sarah mergulhou corajosamente em sua boca. A satisfação disparou através dele. A cobiça dele combinava com a dela. E ele não era o único perdendo a cabeça, enlouquecendo com a química sexual entre os dois. Tudo o que ela fazia era intenso. As pequenas mãos de Sarah em seus quadris o atraíram para mais perto, enquanto a língua dela tangia-se corajosamente com a dele. Ele interrompeu o beijo por um instante, e ela gemeu em protesto, os olhos se estreitando. A expressão dela o fez sorrir. "Não vou a lugar nenhum. Tenha paciência." *** EM RESPOSTA, SARAH deslizou uma das mãos entre seus corpos e apertou a masculinidade dele, que estava presa lateralmente nas calças. Ele se sacudiu, e olhos se fecharam


momentaneamente. "Você estava falando de paciência?", ela sussurrou, parecendo se deliciar com a grossura do que estava segurando. Guiou sua palma ao longo do comprimento e conforme ia decifrando o tamanho dele, o sorriso desapareceu. Ele estava absorto demais para provocá-la ainda mais. Claramente, ela o estava medindo e ficou surpresa com o que estava segurando. Ele teria rido de sua expressão, mas também estava perdido demais com a sensação de ela ter os dedos em sua masculinidade. Tomando respirações profundas, ele deslizou os dedos ao longo de seus braços, e de volta para cima novamente, torcendo o rosto para o lado quando os lábios dele mais uma vez agarraram os seus. Sarah gemeu e mordeu-lhe o lábio inferior. Ele se afastou gentilmente, quebrando o beijo lentamente. "Vai devagar." Os lábios dele se arrastaram suavemente sobre sua boca, e Sarah se entregou à vontade dele, seus lábios flácidos por um instante, antes que ela entrasse no ritmo do beijo dele. "Isso mesmo", ele sussurrou dentro de sua boca. "Quero saborear isso..." Sarah sentiu como se estivesse em transe. Sua mão automaticamente diminuiu a velocidade sobre a ereção dele, a outra mão estava pousada sobre o bíceps. Os lábios dele brincavam e provocavam sua língua, balançando sobre seu lábio inferior. Os olhos de Sarah se abriram quando os lábios dele romperam o contato com os dela, mas a língua dele mergulhou em sua boca, a um centímetro e meio de distância. Sarah lhe ofereceu a língua, tocando na dele. Depois de longos e tortuosos segundos, ela ofegou e capturou a boca dele em um beijo voraz e quente, que não era mais gentil. Era selvagem, e ela parecia incapaz de conter seu desejo por mais tempo. Santino estava perdendo a cabeça. Ele passou os últimos anos se relacionando com diversas mulheres que simplesmente não se encaixavam com ele. Mas tinha encontrado Sarah, não em uma reunião social, mas profissional. Tinha traçado um limite, para não ter um romance no escritório, ou mesmo uma interação de negócios que pudesse levar a isso. Mas com ela, foi inevitável. Antes mesmo de saber que ela iria interagir com sua empresa em um contexto profissional, ele a vira, fora atraído por ela. Havia ficado encantado com o rosto doce, a inocência em seus traços e seus


olhos incomuns. Ele sabia, instintivamente, que ela tinha visto e feito coisas que afetavam seu jeito de ser, e estava determinado a descascar as camadas, descobrir o que a impulsionava, do que ela era feita. Ficou emocionado ao saber que a conexão traduzia uma urgência tímida, mas gananciosa, quando ela estava com tesão, e ele não podia esperar para testá-la. Ele não queria se conter, mas era imperativo que o fizesse. Com seu interior gritando com ele para continuar a beijá-la, ele recuou e agarrou-lhe os braços. "Devíamos parar, certo?" "Não", ela mordeu sua boca novamente. "Sarah", ele sussurrou, enquanto ela o continuava beijando, e sua boca respondeu automaticamente antes de ele interromper o beijo novamente, com dificuldade. "Sarah, devemos parar antes que isso saia de controle..." "Não", ela rosnou quase com raiva. Santino ficou boquiaberto com os olhos flamejantes, o rosto ruborizado e os lábios inchados de Sarah. Tomando a decisão pelos dois, ele agarrou-lhe o pulso e a puxou pelos degraus próximos. *** SARAH SE ESFORÇOU PARA acompanhá-lo, mesmo tendo a sensação distante de que ele estava mantendo o ritmo lento para sua vantagem. Ela não tinha certeza do que queria. Queria parar? Não queria? Estava absorta demais para pensar com clareza. Ele a arrastou para o cubículo de vidro VIP no qual estavam sentados mais cedo, e os olhos de Sarah se estreitaram quando ele a levou para fora do clube do mesmo jeito que eles haviam entrado. Silenciosamente, permitiu-se ser dominada pelo controle dele, que obviamente sabia o que estava fazendo. Ele não parecia estar pensando sobre sua decisão. Ou a deixaria de volta no hotel, ou a levaria para outro lugar. Talvez um lugar ainda mais privado. Tão logo entrou na limusine, ele se colocou ao seu lado. Sarah estava ofegante do beijo, da luxúria e da caminhada rápida até a limusine.


Santino olhou para ela e bateu furiosamente contra o painel de botões à esquerda. O som da divisória subindo entre eles e o motorista era suave, servindo como pano de fundo enquanto ele a observava. Suas sobrancelhas se levantaram em dúvida e, como ele não disse nada, ela estava prestes a perguntar verbalmente onde eles estavam indo quando o som parou. A divisória tinha fechado completamente. Eles estavam tão sozinhos quanto poderiam estar em um carro com motorista. Santino agarrou seu rosto entre as palmas, puxando-a para mais perto e prendendo sua boca com a dele. Sarah se deleitou com o beijo, e quando as mãos dele deslizaram pela frente de seu corpo, ela choramingou em sua boca. Os nós de seus dedos roçaram seus mamilos, sobre o tecido do vestido. Quando a palma da mão dele cobriu seu seio e o apertou, ela gemeu em sua boca e deslizou a mão acima da coxa dele. Assim que Sarah começou a traçar a ereção dele através da frente das calças, Santino levantou-a sobre o colo. Ela gemeu enquanto tentava manter o equilíbrio, suas mãos batendo nos ombros largos. Parando de beijá-lo, ela se afastou quando as mãos dele puxaram seu vestido para cima, passando pelas suas coxas, sobre seus quadris e em torno da cintura. Eles ofegaram em prazer mútuo, silenciosamente observando o rosto um do outro enquanto ele deslizava as mãos pelas coxas dela, apertava a carne lisa, e depois traçava o caminho de volta até cobrir seus quadris. Sem fôlego, Sarah segurava o assento atrás de cada um dos lados da cabeça de Santino. Quando ele lhe tomou a boca mais uma vez, as mãos dele se lançaram no caminho através de sua calcinha de renda, acariciando seus quadris cheios e redondos. Instintivamente, ela se arqueou para longe de seu toque e sua virilha pressionou contra a dele, fazendo-o grunhir de puro prazer. Sua bunda estava nas mãos dele, e quando ele se esticou para abrir o zíper na parte de trás de seu vestido, Sarah deslizou os dedos mais perto do colarinho de sua camisa, para afrouxar a gravata.


Santino puxou o corpete apressadamente, enquanto Sarah pressionava seus lábios contra o pescoço dele. Ela ofegou quando os dedos dele deslizavam pelo peito, até chegar às carnes sustentadas pelo sutiã de renda. Santino roçou as mãos sobre seus mamilos, que eram visíveis através da renda transparente, e pareceu engolir com dificuldade, como se a garganta tivesse se fechado. A mão livre de Santino empurrou o vestido para baixo até que ficasse enrolado em torno da cintura de Sarah, seus quadris expostos e os seios nus. "Você é linda." Quando ele mergulhou os dedos, passado pelo umbigo até sua calcinha, Sarah gritou em voz alta e cobriu a boca dele com a dela. Os sucos úmidos de seu corpo derramavam-se para ele. Os dedos de Santino ficaram encharcados no líquido espesso enquanto ele acariciava seus lábios inferiores, separando as pétalas que escondiam seu clitóris e o encontrando, faminto e esperando pelo toque. Ela cambaleou quando ele empurrou o polegar contra ele. Suas mãos deslizaram rudemente abaixo do corpo dele até o cinto, separando o couro do metal e abrindo o zíper. "Tire isso", ela gemeu dentro da boca de Santino. Ele abaixou a mão e liberou a ereção dos confinamentos da cueca. "Ah, Deus!" Sarah empurrou o cabelo para longe do rosto e atrás das orelhas, pressionandose mais perto dele. Os dedos dele estavam circundando seu clitóris, pressionando-o, levando-a à loucura e ao orgasmo, e ela logo começou a montar na mão dele, seu olhar baixando para a ereção que apontava para ela. Ela envolveu a mão com avidez na ereção, e empurrou o polegar sobre a cabeça, lambuzando a pequena gota de líquido que brilhava na ponta. Ela estava tão perto. E ela iria gozar. "Assim não", disse ela, lutando para afastar as mãos dele. "Quero você dentro de mim." As palavras acabaram com a contenção dele. Ele colocou a mão em sua calcinha e agarrou


o cós, rasgando-a entre os dedos. Sarah ficou chocada, mas não teve tempo de ficar impressionada com a aparente habilidade em rasgar as calcinhas femininas. Sua bunda estava nua, e ele estava segurando seu seio, e isso era tudo o que seu cérebro conseguia processar no momento. Inclinando-se para trás, ele tirou uma embalagem do bolso da calça e colocou um preservativo sobre a ereção, cobrindo-a. Então, ergueu os olhos para ela, e o fogo ardendo naquelas esferas marrons fez seu coração vibrar de prazer. "Me tome." As palavras se espiralaram por todos os seus membros, eletrizando-a. A urgência era inspiradora, fazendo a luxúria se multiplicar por dez. Ela ergueu os quadris mais alto e pairou acima da ereção enquanto a posicionava contra sua abertura, guiando a cabeça através de suas dobras lisas. "Sarah..." Ela abriu os olhos, ofegante e febril, sem querer pensar nas consequências disso, não querendo se preocupar com o que estava fazendo com um homem que conhecera há apenas vinte e quatro horas. Ele puxou suas mãos ao redor do pescoço dele, depois agarrou sua cintura e empurrou seus quadris para baixo, sobre si. Sarah gritou com a invasão, conforme a ereção abria caminho dentro de si, alargando-a. Seus olhos reviraram na cabeça. Ela gemeu, pressionando seus lábios levemente contra os dele. "Estou dentro de você", ele sibilou furiosamente quando ela começou a se mover ligeiramente, levantando seus quadris e batendo de novo. "Finalmente." O fascínio e admiração se intensificaram quando seu corpo se agarrou a ele, arrastando-o e atraindo-o de forma cada vez mais profunda. Sarah inclinou-se para trás para tomar a ereção completamente e estremeceu quando ele bateu fundo demais. A dor e a loucura de estar repleta do comprimento aquecido dele fez seu


corpo queimar de dentro para fora. Sentia-se como uma fornalha enquanto desfrutava a sensação de que a cabeça revestida de borracha do seu eixo deslizava dentro dela, saciando uma profunda necessidade carnal. Para cima e para baixo, ela batia contra ele, mergulhando sua língua na boca dele. "Ah, Deus", ela sibilou na boca dele quando ele assumiu o controle. Segurando os lados de seus quadris, ele a puxou para cima e para baixo em fortes e duros impulsos. "Eu vou... Santino..." "Sim... Solte-se, querida. Não segure." Ela gritou, segurando-lhe os ombros, seus seios pulando para cima e para baixo, confinados em seu sutiã de renda, conforme a fricção dentro de seu corpo tornava-se demasiada para suportar. Sentiu que iria explodir com as chamas de seu orgasmo. Tremendo e gemendo suavemente, envolveu os braços ao redor do pescoço dele e se balançou sobre ele, estremecendo. Ele não parou de meter. Afastando-se um pouco, ela encontrou os olhos dele, ainda tremendo de gozo. O rosto dele se transformara. Mesmo no interior escuro da limusine, as partes planas ásperas do rosto eram claramente visíveis. O pescoço estava cheio de veias, e quando ele estremeceu, ela sentiu o jorro quente de libertação. Ela se sentou no colo dele, seu corpo ainda intimamente unido ao dele, o peitoral subindo e descendo com respirações profundas e rápidas contra seus seios. O que ela tinha acabado de fazer? Santino não pareceu surpreso quando ela abruptamente se soltou e deslizou para fora de seu colo. Em uma agitação de movimentos, ela puxou o corpete de seu vestido para cima, para cobrir seus seios, mantendo-se longe dele. Sua calcinha estava rasgada e havia se tornado inútil, então ela simplesmente puxou o vestido para cobrir os quadris. Vestindo a calça, Santino a observou atentamente, parecendo ver através dela o embaraço que inundava sua mente. "Ei..." ele disse calmamente, e quando ela não levantou os olhos, ele se aproximou e agarrou


seu queixo suavemente, inclinando-o para cima: "O que aconteceu?" Suas pálpebras vibraram, e ela colocou um pequeno sorriso nos lábios. "Nada. Eu, ãh... Nada mesmo." "Olhe para mim." A ordem suave a fez se sentir dividida, dando-lhe arrepios com uma sensação quente e mole e sentimental. Por alguma razão, ela estava repleta de emoções, e isso não fazia sentido. Ela queria que passasse. Odiava se sentir tão vulnerável. "Você acha que o que aconteceu foi errado?" "Foi errado", disse ela, enfaticamente, feliz por falar em voz alta. Ele balançou a cabeça. "Você sentiu que era errado enquanto fazíamos amor?" Fazer amor. Ela ficou com a respiração presa na garganta. Os olhos castanhos dele eram tão gentis e reais. Não havia um pingo de pretensão no corpo dele. Nenhum ar de superioridade. "Eu não estava pensando nisso enquanto estávamos... Você sabe..." “Se fosse errado, você teria sentido na hora. Você só se sente culpada agora porque mal nos conhecemos.” Ela suspirou. "Estou feliz por você concordar com isso, pelo menos." "Vamos consertar isso." As sobrancelhas dele se juntaram quando ele se afastou e apertou um botão no painel, falando em rápido italiano ao motorista. "O que está fazendo?" "Vou levá-la até minha casa. Vou te mostrar o lugar. E conversaremos para nos conhecermos melhor." Ela ficou boquiaberta, estupefata. Homens ricos e bem-sucedidos, símbolos sexuais que haviam sido nomeados como os solteiros mais elegíveis do país, não costumavam dar tanta atenção às mulheres depois de já ter transado com elas. Mas Santino, sim. Então, algo mais a atingiu, e ela com gratidão abandonou a depressiva e antiga série de


pensamentos. "Você não mora em Nova York?" "Moro." "Então como tem uma casa aqui?" "Eu mantenho residências em países para os quais viajo com frequência. A Espanha é um deles." Sarah deixou aquela informação ser absorvida enquanto a limusine diminuía e depois acelerava novamente, contornando uma curva antes de parar. O motorista abriu a porta, e Santino pegou a mão de Sarah, ajudando-a a sair. "Chegamos." Ela encolheu os ombros para a frente quando a explosão de ar a atingiu, e ela percebeu tardiamente que não tinha pego seu casaco da boate quando Santino a levou correndo para o carro. O desconforto só durou por um instante, então Sarah se lembrou de assuntos mais urgentes. O motorista... Ele iria vê-la e saber com certeza o que tinha acontecido. Abruptamente, ela ajustou o cabelo e endireitou o vestido, mas o motorista nem sequer olhou para ela. O que a deixou feliz. Porque ela tinha certeza de que parecia ter sido completamente fodida pelo chefe dele. A vila era um colírio para os olhos. Era aconchegante e calorosa, e o interior tinha móveis casuais e modernos que a faziam se sentir confortável e encantada. "Esse lugar é lindo." "Obrigado." Ele a levou para a sala de estar, basicamente um vasto espaço aberto que deveria ser iluminado pela luz do sol durante o dia. No momento, as paredes de vidro expansivas permitiam uma vista espetacular da piscina, que era iluminada por luzes pequenas e suaves. Sarah sentou-se no sofá, fazendo uma careta discreta enquanto suas entranhas reclamaram. "Então, quando vamos ter uma reunião para discutir a execução do anúncio?", ele perguntou. "Hum." Sua mente parou de trabalhar e lutou para entender o que ele tinha dito. Essa foi uma rápida mudança de assunto. Num segundo, ele estava mordendo sua língua e cravando as unhas em seus quadris e, no seguinte, tudo havia se transformado em negócios.


Ela estava formulando uma resposta na cabeça quando a campainha tocou, e ele fez um gesto com o dedo para esperar. "Me dê um momento." Ele caminhou até a porta da frente e voltou com uma grande caixa de pizza. Sarah riu. "Bem, isso foi inesperado." "Temos que comer. Então pedi com antecedência. E desculpe por não poder lhe oferecer mais nada. A governanta e a chef de cozinha estão dormindo e esta é a refeição mais rápida que eu poderia conseguir encomendada pelo meu motorista." Ele saiu da sala, em seguida, voltou com dois copos e uma garrafa de vinho. Ela sorriu, e seu estômago roncou, lembrando tardiamente que estava faminta também. "Estou faminta." Um arrepio de apreciação a percorreu quando ele tirou a gravata, jogou-a no sofá e enrolou as mangas de camisa. Então, como se fosse a coisa mais comum, o dono da maior empresa de brinquedos dos Estados Unidos estava de pernas cruzadas no tapete abrindo a caixa de pizza. Encantada, eufórica e sentindo-se como se estivesse em um encontro com uma adolescente e não com um magnata carismático, ela cedeu à tentação, tirou os sapatos e sentou ao lado dele no tapete. "Então, quando é a nossa próxima reunião?", ele perguntou novamente. "Profissional, você quer dizer?" Ele engasgou com a comida, rindo. "Profissional e não profissional. Estou muito interessado nas duas." Sarah riu, e seu olhar se pegou aos dedos dele enquanto servia as bebidas. "Podemos fazer a reunião – a profissional – assim que você voltar para os Estados Unidos." "Vou voltar amanhã. Quer uma carona? Adoraria ter companhia." "Carona?" "Eu, ãh, tenho um jatinho", disse ele, como se estivesse se desculpando. Sarah riu depois de uma longa pausa. "Eu adoraria me juntar a você. Mas ainda tenho


reuniões nos próximos dois dias." "Que saco." Ele olhou para sua boca e Sarah desviou o olhar. Ele ergueu uma das mãos para acariciar seu rosto. "Adoro como suas bochechas a entregam corando quando você fica tímida." Sarah ofegou e bateu na mão dele brincando. "Não sou tímida." Rindo, ele se inclinou mais perto e pressionou os lábios contra sua bochecha. Então ele respirou fundo. "Droga", ele murmurou em voz baixa e voltou para sua bebida. A testa de Sarah se franziu, sua pele formigando onde os lábios dele haviam tocado, seu corpo vivo com a luxúria elétrica que a percorria frequentemente desde que ela o conheceu. Um olhar, um toque, um sorriso, qualquer coisa poderia deixá-la desligada. Era ao mesmo tempo maravilhoso e terrivelmente assustador. "Então, vou buscá-la no aeroporto quando você chegar a Nova York." "Não precisa. Eu dou um jeito." "Quero dizer, eu te busco e nós saímos para comer alguma coisa. Eu absolutamente preciso estar de volta amanhã, caso contrário eu iria forçá-la a voar de volta comigo. Imagine as coisas que poderíamos fazer no céu." Ela riu. "Seu pervertido." "Quase nada", ele se inclinou para mais perto e pressionou os lábios ao lado de seu pescoço. Seu copo pousou na mesa com um ruído alto, mas ele de alguma forma conseguiu mantêlo ereto. Um gemido escapou dela enquanto os lábios dele, molhados do vinho, deslizavam sobre seu pescoço e mordiscavam suavemente. "Sarah ...", ele sussurrou acaloradamente em sua garganta enquanto sua cabeça caia para trás. A mão dele cobriu a parte de trás de sua cabeça, enrolando um punhado de seu cabelo. "Droga, você está me deixando louco", ele sibilou, mordendo o lóbulo de sua orelha, o coração dele martelando no peito contra seu ombro quando ela estremeceu em resposta. Levantando-se abruptamente, ele olhou para ela e tomou suas mãos para ajudá-la a ficar de pé.


"Eu gostaria de ter tido o suficiente de você, mas não tive." Sarah inclinou a cabeça para trás e pressionou os lábios contra o queixo dele, depois passou a língua por seu lábio inferior. "Nem eu." Santino cobriu seus lábios com os dele e gemeu quando ela lhe mordeu o lábio inferior com ferocidade. Envolvendo sua bunda com ambas as mãos, ele a puxou para cima contra ele com um empurrão, e suas pernas enroladas em torno de sua cintura. Sem esforço, ele a levou para a sala de jantar e colocou seu quadril na borda da mesa. Os lábios de Sarah se moveram sobre os dele em mordidas rápidas e famintas enquanto seus dedos deslizavam habilmente pela frente da camisa de Santino, desabotoando os botões. "Eu tenho que te ver, te tocar", ela sussurrou acaloradamente. Ele mordeu a língua dela quando ela mergulhou em sua boca e seu suspiro de dor prazerosa reverberou através dele. Suas mãos se apressaram sobre o peito dele enquanto ela tirava a camisa. Interrompendo o beijo, ela deixou seu olhar cair para o peito nu de Santino. Os músculos duros eram pesados debaixo de suas palmas. Ela deslizou os dedos mais para baixo, sobre o abdômen delineado, traçando o V afiado do umbigo. Os músculos dele se flexionaram longe de seu toque, e quando ela pressionou seus lábios no mamilo marrom e plano de Santino, sua contenção parecia ter quebrado como um estalo. "Sarah...", ele a empurrou de volta para a mesa, dominando-a completamente, empurrando, maltratando, e Sarah felizmente cedeu às mãos e à boca de Santino. Ele levantou a bainha do vestido dela sobre seus quadris, e antes que Sarah pudesse prever o que ele planejava fazer, ele separou suas pernas e deslizou os dedos por sua fenda. "Ah", ela cambaleou e agarrou o tampo da mesa, mas o tormento ainda não havia terminado. A boca de Santino cobrira o espaço sensível e molhado entre suas pernas, e as costas de Sarah arquearam enquanto ela lutava para apertar as pernas instintivamente. Ele soprou em sua fenda e segurou suas pernas separadas, provando e provocando, os


lábios mordiscando o ponto que ele parecia saber que a deixaria louca. Sarah estremeceu, e sua mão deslizou pelo cabelo dele para fazer com que ele parasse no lugar. Enquanto ele continuava a torturá-la com a língua e os lábios, as pernas de Sarah se relaxaram e seu gemido ressoou pela sala vasta e vazia enquanto ela se aproximava cada vez mais da eufórica explosão de prazer. "Santino ...", ela ofegou, incapaz de falar, incapaz de se controlar, enquanto seus membros se esticavam, e alfinetes e agulhas sinalizavam que ela estava quase lá... No limite. Santino arrastou a boca para baixo, e o polegar tomou seu clitóris. Quando ele mordeu o interior de sua coxa enquanto esfregava o clitóris em círculos, ela cambaleou debaixo da língua dele. Sarah gemeu longamente e baixinho, estremecendo viciosamente. Os tremores ainda estavam disparando através dela quando seus braços deslizaram para seus ombros e joelhos, e ela se viu arrastando-se para o peito dele. Envolvendo os braços ao redor do pescoço de Santino, abriu os olhos, e sua sobrancelha se franziu enquanto ele a carregava pela sala de estar e subia as escadas. "O que você está fazendo?" Ela gemeu com um sorriso tímido.


Capítulo Quatro SEU CORAÇÃO SE revirou ao ver a inocência adornando o rosto dela. Ela era diferente de qualquer mulher que ele já conhecera. Era selvagem e apaixonada na cama, mas o rubor nas bochechas sempre a denunciava, quando ela encontrava os olhos dele depois. "Finalmente vou te dar uma cama macia e confortável para se deitar enquanto faço amor com você por horas." O sorriso dela desapareceu lentamente, e ela pressionou os lábios no canto de sua boca. "Eu gosto desse plano." Mas ela subestimou a quantidade de desejo acumulado em seu umbigo. Ele seguiu direto para a cama e a deixou cair sobre o colchão. Sarah ofegou e saltou ligeiramente, olhando para ele brincando. "Ei!" Mas ele já tinha se contido o suficiente, ao não tê-la visto completamente nua, não ter tido seus mamilos na boca. Agarrou-lhe o tornozelo e a puxou para mais perto. Ela se arrastou pela cama, até que ele a puxou para sentar. "Levante as mãos." A gentileza do comando desmentiu completamente a tempestade de luxúria que corria por ele. Sarah fez o que ele pediu, e ele tirou seu vestido azul plissado. Os olhos de Santino flamejavam ao ver a pele nua e impecável. Depois, ele esticou as mãos para trás dela para soltar o sutiã, puxando-o. "Senhor." Ele empurrou sua lombar para a cama e puxou suas pernas nuas em torno de seus quadris. Suas mãos agarraram os ombros dela e, em seguida, arrastaram-se para baixo, sobre os seios, apertando-os com força. "Ah, Deus!" Sarah gemeu.


Avidamente, ele se inclinou sobre ela, com a boca bem aberta sobre o mamilo, enquanto o prendia. Os dedos dela deslizavam pelo cabelo dele, segurando sua boca sobre seus seios. Enquanto apertava um dos seios, seus dentes mordiam gentilmente ao redor do outro mamilo. A carne firme inchada, o mamilo cor-de-rosa endurecido em sua boca... E ele moveu a cabeça para o outro peito. As mãos dela deslizaram por seu pescoço e sobre os ombros, e as unhas curtas cavando no topo de suas costas, enquanto ela estremecia de prazer debaixo dele. Ele apreciava os sons ásperos e ofegantes que ela emitia, os gemidos que ressoavam em seus ouvidos. Deslizando o braço sob as costas dela, puxou-a para cima na cama e a soltou. Sarah enroscou as pernas de lado, os braços em ambos os lados da cabeça, os olhos lânguidos enquanto recaíam sobre suas mãos. Ele abriu o cinto, depois o zíper, abrindo-o, e tirou as calças. Ela olhou fixamente para o contorno de sua ereção, presa na cueca branca, e engoliu em seco. Lentamente, ela levantou um pé e arrastou-o suavemente sobre a ereção presa. Sorrindo brevemente, ele agarrou o pé dela e levantou-o, mordendo o tornozelo bruscamente. "Não", ela gritou, rindo, e foi então que ele tirou a cueca. A risada desapareceu e ela se sentou abruptamente, envolvendo uma das mãos ao redor da ereção quente. "Merda." Ele agarrou-lhe os ombros, seus olhos fechando enquanto a palma da mão macia e pequena de Sarah esfregou sobre a cabeça de sua ereção. Sarah encontrou a cabeça de seu eixo molhada e espalhou o líquido ali. Quando estava prestes a se curvar e colocá-lo dentro da boca, ele empurrou as costas dela e cobriu-lhe o corpo com o seu nu. Santino ofegou enquanto seu eixo se empurrava entre as pernas dela, deslizando ao longo da fenda, sem a penetrar, apenas queimando-a. "Você está pegando fogo", ele sussurrou na orelha de Sarah um momento antes de sua boca


ferozmente recair sobre a dela. Suas línguas se encontraram, dançando juntas, e as mãos dela vagaram sobre suas costas reverentemente. Ela separou as pernas e as enrolou em torno de sua cintura, levantando os quadris para tomá-lo. Suas mãos caíram sobre o rosto dela, descendo pelo pescoço até os seios, depois para os lados da cintura para agarrar-lhe os quadris. A pele era de cetim sob suas palmas, e ele não podia ter o suficiente daquele corpo quente que era seu para consumir. Virando-se para o lado, ele a puxou para cima, e quando ela interrompeu o beijo para arrastar os lábios pelo seu pescoço, o desejo de controlá-la e assumir o controle surgiu. Agarrando-lhe os pulsos, ele a prendeu debaixo dele, segurando-lhe os braços por cima da cabeça. Os olhos âmbar escureceram, e ele abaixou sua boca faminta no peito de Sarah novamente. Sarah choramingou e lutou para liberar os pulsos, mas ele a segurou presa e arrastou os pulsos contidos para baixo, conforme mordiscava seu caminho até o umbigo. Ela arqueou as costas para encontrar sua boca, e ele mergulhou a língua no umbigo de Sarah, soltando-lhe os pulsos, reverentemente acariciando os lados da cintura e pressionando um beijo suave e rápido no montículo de cabelo fino e macio no ápice das coxas. Sarah sentou-se abruptamente, deslizando sobre suas coxas, empurrando o sexo molhado contra o comprimento de seu eixo. "Não me faça esperar." O apelo era mais do que ele podia lidar. Sarah ofegou quando ele a empurrou de seu colo e a jogou de barriga para baixo. Ela ergueu-se sobre os joelhos e braços enquanto ele abria uma gaveta e puxava um pacote dourado. As mãos dele agarraram os lados dos quadris dela enquanto a cabeça de sua ereção a penetrava alguns centímetros. "Ahhh!", as unhas dela arrastavam os lençóis, apertando e fechando os olhos e separando os lábios. Santino cerrou os dentes quando o calor quente e apertado dela sugou a cabeça de sua ereção. Ele enfiou mais outro centímetro, depois outro, até que não conseguiu suportar o tormento


de esperar mais. Envolvendo os braços ao redor dela, ele puxou-lhe a parte superior do corpo contra seu peito. Sarah gemeu, a cabeça jogada contra seu ombro enquanto suas mãos deslizavam para cima para cobrir-lhe seios. Mordendo-lhe a orelha, ele ofegou: "você vai acabar me matando, juro", e mergulhou dentro dela. Sarah gritou seu nome, os dedos apertados em suas mãos conforme ele apertava seus seios para sustentá-la. O calor apertado sugava sua ereção até a base. Ele meteu com força, afogando os sons dos gemidos dela. Seu ritmo se intensificou até suas bolas estarem batendo contra ela, e ela movia os quadris no mesmo ritmo de suas investidas. Ele empurrou-a para a cama, deitada sobre o abdômen e continuou investindo, mais profundamente, enquanto ela levantava os quadris para receber seus impulsos. O cabelo dela era uma bagunça selvagem, caindo sobre as bochechas, e ele sabia o que estava perdendo. Arrastando o pau para fora dela, o som febril de protesto ficou preso na boca de Sarah quando ele a jogou deitada de costas na cama e a penetrou com precisão. Sarah envolveu os braços ao redor de seu pescoço e deixou que ele lhe devorasse a boca. Ela lhe deu tudo, devolvendo o beijo com a mesma paixão ardente. "Assim é melhor", ela sibilou dentro de sua boca e gritou quando ele alterou a direção de seus impulsos, circulando os quadris enquanto metia. Sarah ficou tensa. "Não de novo, Santino", ela sibilou, aparentemente não conseguindo ver a graça quando ele sorriu com os dentes cerrados. Os calcanhares de Sarah cavaram em seus quadris musculosos, as unhas arranhando seus bíceps, e ela se sacudiu vigorosamente, gemendo seu nome e cantando-o como um verso sagrado. O estremecimento a tomou por inteiro, e então ele a segurava, beijando-a, ofegante, quando seus quadris se sacudiram e ele empurrou sua boca no pescoço de Sarah para gemer longamente e baixinho.


*** ESTAVA ESCURO no quarto, mas a luz que penetrava através da cortina era azul. Crepúsculo. Sarah olhou ao redor do ambiente desconhecido e congelou. Este não era seu quarto de hotel. Sentou-se com uma sacudida e olhou para o lugar ao lado dela, suspirando de alívio quando se ambientou. As memórias da noite anterior a inundaram. Ela acordara com frequência, e toda vez se alarmava devido ao ambiente desconhecido. Era como um instinto de sobrevivência. Tinha dificuldade para confiar, e arredores desconhecidos provocavam nela a resposta de luta ou fuga. Mas ela estava muito segura hoje. Porque o homem que dormia ao lado dela tinha uma maneira de fazer com que ela se sentisse completamente vulnerável, mas completamente protegida. Só isso já era aterrorizante. Ela nunca dera esse poder a nenhum homem. Preparava-se para o desastre, mas simplesmente não conseguia impedir, mesmo tentando. Tentava com todas as suas forças. Mas a maneira como ele a segurava contra o peito, enterrando seu rosto no centro, deixoua num transe. A calma a percorrera. E ela percebeu que não era muito de ficar abraçada. Nunca. Em sua vida. Tivera alguns relacionamentos e, mesmo achando que estivesse completamente apaixonada por esses homens, sempre se segurava. Não havia sentido nenhum conforto em outros abraços, nada como o casulo de calor que ela tinha encontrado com Santino. E isso a deixava chocada. Ela se deitou de lado, observando o rosto de Santino Orlando. Ele estava de bruços, o rosto voltado para ela, os bíceps saltando perigosamente, mesmo enquanto dormia. Ela mordeu o lábio e lutou contra um sorriso. O poder desencadeado o rodeava mesmo quando estava nu sob os lençóis, mesmo quando estava dormindo e o rosto tinha suavizado todas as linhas ásperas para fazê-lo se parecer com um calouro na faculdade. Ela desfrutaria deste momento, saborearia e depois esqueceria tão ligeiro quanto ele o faria. Seria bem rápido. A agonia da perda a atravessou e ela congelou, lutando com incredulidade. Sem chance. Sem chance. Você não pode se apegar. É idiota. Uma ideia ainda mais


estúpida do que aquela tintura de cabelo rosa que havia experimentado na escola. Ela ainda estava dando um sermão aos seus pensamentos desprezíveis quando os olhos dele se abriram e ele piscou várias vezes antes de um sorriso se espalhar pelo rosto. O coração de Sarah se derreteu, e seus ombros relaxaram, fazendo com que se sentisse como uma geleia quente, líquida e derretida. Apenas por ele. Não podia mais negar. Ela estava presa àquele sorriso. "Por que está me observando dormir?" Ele perguntou roucamente, virando-se de lado e jogando um braço musculoso e pesado ao seu redor, puxando seu rosto para o peito dele. Sarah fechou os olhos, sorrindo e se perguntando se ele sabia o que ela encontrara naquele abraço. Muito dificilmente. Ele nunca presumiria que ela fosse tão ingênua. "Porque você parecia um menininho, e eu estava me perguntando se eu acabaria na cadeia." A risada dele a fez balançar, e ela sorriu. Santino a segurou com força, como se realmente não se importasse com a forma como ela o estava segurando. "Se você for pra cadeira, te tiro de lá." "Ah, é?" "Definitivamente. Porque eu realmente preciso daquela sua ideia de propaganda." Sarah se afastou e olhou com uma cara zombeteira. "Só por isso? Esse é motivo para você me tirar da prisão?" Ele sorriu, assentindo. Na metade do caminho, ele mudou de direção e balançou a cabeça num "não". Ela riu e se esticou para beijar-lhe a boca. Santino virou a cabeça para o lado, fazendo seus lábios pousarem na bochecha. Usando seus próprios movimentos contra ela agora. Ele riu enquanto Sarah lutava para ficar livre, e ele a segurou. "Me solta", disse ela, rindo e se esforçando para continuar brava. "O que eu fiz?", ele riu. Ela tinha certeza de que o paraíso tinha aquele som. "Seu... Vingativo!" Ele riu com mais força que sua incapacidade de xingar. "Certo. Certo. Me desculpe. Aqui..."


Ele ofereceu a boca para ela, mas Sarah enrugou os lábios, recusando-se a beijá-lo. "Não, não quero mais." "Sim, quer." Ele se inclinou para mais perto. Ela se afastou, enfiando a cabeça no travesseiro e empurrando o ombro dele para mantê-lo afastado. "Não quero sua piedade," ela gritou enquanto o riso a atravessava. "Eu sei que você quer. Aceite..." "Não!" Ela gritou, e ele agarrou seus pulsos, prendendo-os acima de sua cabeça conforme tomava seus lábios em um beijo quente e profundo que fez seus membros ficarem fracos. Dentro de momentos, ela estava segurando-lhe o cabelo, puxando tufos dele, e abrindo as pernas para permitir que a ereção de Santino tivesse espaço entre suas coxas.


Capítulo Cinco SARAH CAIU SOBRE sua cama – sua cama macia, confortável e familiar – e suspirou. Ficara no melhor hotel da Espanha, mas nada podia se comparar à sua própria cama, ao seu próprio travesseiro e à sua própria lâmpada de cabeceira. Nossa, sentira saudades de casa. Enquanto tirava as roupas que cheiravam à longa viagem e à comida de avião, ela se perguntou se estava absolutamente louca. Outros se sentiriam energizados e extasiados em conseguir uma viagem paga para a Espanha, mas não ela. Estava exausta, e o cansaço estava nos ossos. Antes de entrar no chuveiro, encontrou-se olhando o telefone pela enésima vez naquele dia. A culpa a inundou, mas não havia muito a se fazer. Santino tinha voado de volta para os EUA há três dias, em seu próprio jatinho, é claro, e a Espanha não tinha sido a mesma sem ele. O fato de ele ter ligado todos os dias, mesmo que fosse por apenas cinco minutos, significava muito para ela. Até demais. E por mais que fosse assustador estar tão apegada à voz dele, também era excitante. Fazia décadas desde a última vez em que realmente havia gostado um homem apenas pela aparência. Santino a fez rir e pensar, e estava interessado em tudo o que fazia em sua vida. Em apenas dois encontros, ele conseguiu fazê-la flutuar. Ela estava no chuveiro quando ouviu o telefone tocar. Frenética, enxaguou o xampu do cabelo e saiu correndo do banheiro, com a certeza de que ainda tinha sabonete no corpo. Puxando o telefone, verificou a chamada perdida. Santino. Com um sorriso pateta no rosto, ela discou de volta, e ele atendeu no segundo toque. "Olá, linda. Como foi seu voo?" "Ahh. Foi tudo bem. Teria sido melhor se o homem ao meu lado não tivesse ombros da largura do corredor." Ele riu. "Está livre essa noite?"


"Hum..." Ela fingiu pensar. Não tinha nada planejado para aquela noite. Tara a tinha convidado para se encontrarem, mas nesse momento, quem conseguiria seu tempo definitivamente era Santino. "Acho que sim." "Posso te buscar às cinco?" *** Às cinco e quinze, Sarah passeava pela sala, com o coração apertado. Não era do estilo dele se atrasar, e ela tinha a sensação de que ele não apareceria. Bem a sua cara. Você precisa ser cautelosa perto dos homens, sabe disso. Mas, não, foi lá e abriu o coração para ele, passando a noite na casa de Santino e depois dizendo sim para qualquer pedido dele. Ela não queria ligar para ele. De repente, a Espanha pareceu muito distante. E o tempo que passara com ele era insignificante diante do sofrimento deste momento. Ela não o conhecia, não de verdade. Sabia apenas o que todo o resto do país sabia. Santino Orlando, a estrela do reality show da TV, símbolo sexual, empresário. Mas não o conheciam realmente. Talvez ele tivesse achado que ela era fácil e isso o desanimou. Devia tê-lo mantido à distância. Ela suspirou e se afundou no sofá. Já eram cinco e meia, e sem sinal dele ou qualquer ligação. Ele definitivamente não viria. A rejeição queimou forte dentro dela, mas ela se forçou a não sentir. Era profissional nisso, suprimir seus sentimentos, sem dizê-los em voz alta. Sua infância a tinha condicionado a isso. Não foi fácil crescer sozinha, numa família que supostamente era sua, mas na verdade não era. Quando ninguém lhe protege, você meio que se acostuma a guardar seus sentimentos dentro de uma garrafa. Não valia a pena lidar com o drama. Quando a campainha tocou, ela pulou e caminhou lentamente em direção à porta, seu coração dando uma cambalhota traidora quando viu a face dele através do olho mágico. Abriu a porta, a testa franzida quando viu aquele rosto lindo, cheio de culpa, parado no corredor. "Sinto muito mesmo, Sarah."


Sarah não sabia o que dizer. Não iria reclamar. Não reclamava para ninguém. Seus problemas eram apenas seus. Há muito tempo, abandonara a ideia de que qualquer um se preocuparia com seus sentimentos. "O que aconteceu?" Ele suspirou, o olhar dele pairando sobre seu rosto. "Eu estava a caminho, e estava adiantado, mas então eu encontrei um gatinho que tinha acabado de ser atropelado por um carro. Não tinha como não levá-lo ao veterinário. Sarah ficou boquiaberta, com o cérebro paralisado, a engrenagem tentando funcionar. Que desculpa mais ridícula. "Você está de brincadeira, né?" "Não!", ele esticou as mãos e pegou seus braços. "Sei que não confia em mim ainda. Posso ver no seu rosto. Odeio esse olhar." Ele acariciou suas bochechas com as duas mãos até ela visivelmente ficar mais relaxada. "Queria que esse encontro fosse especial, mas estraguei tudo." Sarah estava vividamente ciente da necessidade ardente e furiosa se contorcendo em seu umbigo. Suas bochechas formigavam onde ele as tocava. Seus seios ansiavam pela delicadeza das mãos dele. Sua mente escolheu aquele momento exato para lembrá-la do modo como aquelas mãos gentis se transformavam na cama, manipulando-a, jogando-a de um lado para o outro, puxando-a sobre ele e debaixo dele, e prendendo seus pulsos enquanto a dominava completamente. Sua sanidade subiu em uma rajada de fumaça, e ela balançou a cabeça. "Tudo bem, eu acho. Achei que não viesse." "Claro que viria. Estava doido para vê-la", ele riu em aparente descrença. Ela assentiu e caminhou pela sala, pegando seu casaco bege. Santino a comeu com os olhos. Ela usava calças pretas e uma blusa cinza que contrastava com a pele e o cabelo escuro. "Você está deslumbrante, aliás." Sarah sorriu, seu coração ainda acelerado com a trepidação. Aquela meia hora esperando a fez pensar tanto que tinha desenterrado coisas; coisas nas quais ela não queria pensar. De alguma forma, aquele homem era capaz de fazê-la se sentir muito feliz e terrivelmente triste ao


mesmo tempo. Não tinha certeza se gostava da ideia. Ele deslizou o braço em torno de sua cintura no elevador e beijou o topo de sua cabeça. "Desculpe ter arruinado tudo." Ela não conseguia olhar para ele. Tudo o que podia fazer era permitir que seu corpo congelasse para que não sentisse mais nada. Quando abriu a porta do lado do passageiro de Bentley para ela, ele murmurou: "Sarah, eu sei que você não está no melhor estado de humor agora, e que eu sou o culpado por isso, mas posso te pedir um favor?" "Hum?" Ela tentou melhorar seu humor, mas só conseguiu fingir. "Podemos parar no veterinário para dar uma olhada no gato?" O coração de Sarah deu um salto para o desejo estampado no rosto dele. Como era possível que um homem que caminhava com o poder exalando dele em ondas tangíveis conseguia parecer tão infantil e adorável enquanto falava de um gato ferido? A súplica lhe atravessou o corpo e, instantaneamente, ela acreditou nele. Ele não estava inventando uma desculpa. Estava dizendo a verdade. Ele não era o tipo de homem que se rebaixaria a esse nível, e ela se culpou mentalmente por julgá-lo mal. "Ok, claro." E quando sorriu desta vez, deixou seu coração aparecer em seus olhos. O gato era um adorável vira-lata sujo, mas a pata traseira tinha sido fraturada, e o veterinário estava trabalhando nisso. Sarah acariciou o gatinho inconsciente e percebeu que Santino a estava olhando. Um amplo sorriso se espalhou por seu rosto, e ela deslizou sua mão em torno da cintura dele. "Acho que não gosto muito de você", ela provocou. O olhar de Santino encheu-se com o que ela só poderia descrever como adoração, algo que ela só acreditava que veria nos filmes. Ele pressionou os lábios furiosamente no lado de sua cabeça e sussurrou em seu ouvido, "e o


problema é que eu acho que gosto demais de você". Sarah mordeu o lábio e se encolheu mais perto dele quando ele a levou de volta ao carro. Suas entranhas estavam cheias de felicidade. Aquela tinha sido a primeira coisa que ele tinha dito para sinalizar que estava realmente interessado em o que quer que eles estivessem fazendo. Na primeira noite em que saíram juntos tinha saído do controle. As mãos dele sobre seu corpo enquanto dançavam haviam sido muito angustiantes para seus sentidos frágeis, e ela tinha cedido a seus impulsos, pensando que não faria mal se entregar aos caprichos dele. Mas Santino foi maravilhoso, e ela não conseguia decidir se seria extremamente estúpido ou extremamente inteligente confiar plenamente nele. Santino deslizou a mão por seus dedos e estacionou onde que ela imaginou ser uma pista de patinação. "O que estamos fazendo aqui? Resgatando uma criança mancando desta vez?", ela brincou. Ele sorriu e jogou o braço sobre seu ombro. Sarah finalmente notou como ele parecia diferente. Não usava terno, o que era novidade. Vestia uma camisa e calças pretas, parecendo o pecado, perigoso e cativante, que ela desfrutaria mil vezes sem medo de repercussões. Ele era a criatura mais sexy que ela já tinha visto. "Vamos patinar no gelo." "Tá brincando comigo? Que ideia terrível!" "Vai ser divertido." Ela parou do lado de fora da pista onde alguns adultos graciosamente deslizavam pelo gelo, e seus olhos se estreitaram. "Não posso fazer isso. Vou quebrar minhas costas tentando." Santino agarrou seus braços e girou-a para ele, fazendo seu peito bater no dele. Inspirando profundamente, ele empurrou uma mecha de cabelo para trás de sua orelha. "Estou aqui, vou cuidar das suas costas se você cair." A respiração de Sarah parou, e seu coração disparou loucamente. Não, não, não. São apenas palavras. Não dê muito significado a elas. Mas não podia negar que estava pensando nisso


na sala enquanto esperava que ele aparecesse, e agora ele dissera as mesmas palavras. Bom, não exatamente com o mesmo significado, mas ainda assim. Tinha a sensação de que podia contar com ele, mas sabia que isso era realmente tão seguro como andar em brasas. Ainda assim, ela sorriu quando ele inclinou a cabeça para beijá-la. Então se libertou e começou a colocar os patins. "Vamos fazer isso." Santino riu do entusiasmo e a ajudou a colocar os patins. O homem magnânimo ajoelhado aos seus pés e fixando as correias e fivelas fez seu coração bater com vontade. Mordendo o lábio, ela o admirou. Quando ele lhe disse para ficar parada no gelo enquanto segurava a grade, ela respirou fundo, o ar saindo de seus pulmões. "Você deveria saber..." ela disse quando ele deslizava ao lado dela como se estivesse de pé na grama e não no gelo, enquanto ela tremia sob os joelhos. "Esta é a coisa mais aventureira que faço desde a quinta série, quando eu ajudei minha amiga a pegar a rã de estimação dela." Santino riu, os olhos piscando para a imagem mental daquilo. Ela sorriu com ele, o momento se alongando mais do que deveria. Assim como eles tinham feito na Espanha, observaram-se silenciosamente, deixando o momento durar. E quando ela pensou que ele se inclinava para beijar sua boca, ela caiu para trás sentada no traseiro com um grito. "Aii!" Santino a levantou de novo em dois segundos. "Você está bem?" Ele perguntou com uma risada suave. "Acho que sim." Ela ajustou o capacete, feliz por ter sido forçada a usá-lo. E então ela voltou a cair de bunda no gelo. "Pelo amor de Deus, mulher, recomponha-se", ele brincou e a levantou, segurando-a firme dessa vez enquanto a levava pelo gelo. "Acho que quando você disse que quebraria as costas, quis dizer que quebraria a bunda." Sarah estava rindo quando ele a beijou grosseiramente na boca, apressadamente,


rapidamente, e o calor do beijo girou através de seus ossos durante toda a próxima hora, enquanto ele não a deixava cair novamente. Porque ele não soltava sua bunda. Quando ela finalmente caiu de novo, ele amorteceu sua queda deslizando para debaixo dela. Sarah o odiou por isso, o odiou por cuidar dela. Isso a estava confundindo. E sensações desprezíveis e ásperas lhe arranhavam o coração. Quando finalmente saíram da pista, Sarah jogou os braços em volta do pescoço dele e capturou sua boca em um beijo. Seus lábios deslizaram sobre os dele, lentamente, depois apressadamente. Os braços dele estavam enrolados ao redor de sua cintura como um torno de aço, e ele empurrou sua cabeça para trás com a força da boca. Enquanto suas línguas se entrelaçavam, Sarah gemeu dentro da boca de Santino e retardou os movimentos de seus lábios, deixando-o assumir o controle. Deslizando as mãos pela frente de seu corpo, ele juntou seu rosto nas mãos e interrompeu o beijo. O olhar dele se lançou sobre seu rosto virado para cima, e ele balançou a cabeça. "Você está me fazendo ficar maluco."


Capítulo Seis SANTINO ESTAVA EXTREMAMENTE infeliz. Cerrou os dentes com impaciência e olhou para o telefone enquanto os magnatas japoneses zombavam sem parar sobre a nova unidade de produção que a fábrica de Santino estava usando. Duas semanas. Duas longas semanas desde o encontro com Sarah na pista de patinação, e duas longas semanas desde que a beijara. Depois que ela tentou e não conseguiu rachar o traseiro no gelo, ele a levou para jantar em um de seus restaurantes italianos favoritos, depois a deixou em casa com um longo beijo que tinha deixado ambos ofegantes. Mas não ficou. Deus sabia o quanto queria, mas tinha a sensação de que Sarah Montgomery não tinha ideia de como ela era especial, e ele precisava mostrar isso a ela. Então, não dormiu com ela. Agora estava arrependido, sentindo falta do rosto, dos braços e dos cabelos escuros caindo sobre o seu peito como uma cascata de seda. Ele estivera no Japão por muito tempo e mal podia esperar para chegar em casa. Assim que a reunião terminou, Santino agarrou o telefone e caminhou até a parede de vidro do escritório, olhando para o horizonte de Tóquio, uma cidade que ele sempre tinha gostado, mas não tinha brilho desta vez. Ela atendeu ao telefone no quarto toque. "Alô?" Seus olhos se fecharam. "Você não tem ideia de como sinto falta da sua voz." *** O SORRISO DE SARAH foi silencioso, mas radiante e extasiado. Também estou com saudades. Mas ela não disse. As admissões abertas e honestas que ele fazia a deixavam atordoada, mas ela não se atreveu a ser sincera com seus próprios sentimentos. Não mesmo. "Eu estava ansiosa por sua ligação."


Ele suspirou. "Essa coisa está levando uma eternidade. Estou voltando para Nova York em meia hora. Vou vê-la assim que pousar." "Vou estar lá. No aeroporto, quero dizer." Santino fez uma pausa. "Quer saber? Meu motorista vai buscá-la às seis e te levará ao aeroporto... Para mim. Mal posso esperar para vê-la." "Eu também", ela disse, suavemente. Quando ela desligou, seu estômago estava cheio de borboletas. Aquele pouco de honestidade estava bom. Era emocionante de uma forma estranha e maliciosa. Ela sentia como se estivesse se expondo para ser ferida e para ser cuidada. Droga, se não corresse o risco, nunca colheria qualquer retorno. E, por enquanto, tinha a sensação de que Santino era um investimento seguro de seus sentimentos. Pelo menos, ela orou fervorosamente para que fosse verdade. Deus sabia que tinha tido sua parte de desventuras. Esperançosamente, aquela fase de sua vida tinha acabado. *** SANTINO CAMINHOU ATRAVÉS do aeroporto. Ele sabia que uma certa garota com olhos de âmbar, cabelos negros e o sorriso mais exuberante estava esperando por ele em sua limusine. Ele não podia acreditar que estava tão viciado nela. Também não podia acreditar que uma viagem à Espanha, que ele quase não fez, o levara até ela. E se ele não tivesse ido para lá? Sarah estaria trabalhando, não o conheceria, provavelmente estaria namorando alguém, beijando outra pessoa... "Merda." O ciúme lhe atravessou o peito e ele caminhou rapidamente, apressando-se para ver o rosto dela. Não podia acreditar em como se divertia com ela. Ela era forte e verdadeira, e diferente de qualquer outra mulher com quem ele tinha namorado. Ele nunca fora o tipo de homem que usava e descartava mulheres, mas mesmo assim, conseguiu passar por uma grande abundância delas, procurando uma que combinasse consigo. Sarah, com modos imprevisíveis e sorriso brilhante, poderia ser exatamente a que ele estava procurando. Alguém com quem se acomodar. Alguém com quem compartilhar sua vida. Alguém


para envelhecer ao seu lado. Droga. Ele já podia sentir a vida que levaria com ela ao seu lado. E como a conhecia há apenas três semanas, o pensamento era ainda mais ridículo e maravilhoso. Para sua completa satisfação, a mulher que ele imaginava estar aguardando no carro estava na verdade esperando por ele dentro do aeroporto. Com um sorriso largo, ele a pegou pela cintura e a puxou contra seu peito. Sarah riu, os braços se aqueceram quando ela os envolveu em seu pescoço e ele a levantou do chão. Quando ele finalmente a pôs de novo no chão, não lhe soltou a cintura e inclinou sua boca sobre a dela em um breve, mas profundo beijo que deixou ambos ofegantes. Sua testa descansou contra a dela, e ele suspirou. "Você me deixa muito feliz." Ela deslizou as palmas das mãos sobre os lados de seu rosto, depois as deixou cair ao seu peito, levantando o olhar timidamente para o dele. "Como você sempre consegue dizer as coisas mais maravilhosas?" Sua mandíbula apertou. "Porque você sempre consegue me fazer sentir as coisas mais maravilhosas." Sarah sorriu. Quando ela se inclinou para beijar sua bochecha dele, a mão dele apertou a cintura dela possessivamente. *** SANTINO AINDA A ESTAVA segurando ao redor da cintura quando a conduziu através da entrada VIP do restaurante mais exclusivo de toda a Nova York. "Não é impossível conseguir uma reserva aqui?" "Meu amigo é dono do lugar. Então fica mais fácil," ele explicou modestamente quando a garçonete serviu as bebidas. Sarah suspirou e sorriu. "Então, como foi seu voo? A pessoa ao seu lado roncava ou tinha bebês? Eles choraram durante todo o voo ou o quê?" Santino riu, encantado pelo jeito que ela brincava a respeito de seu jato particular. "Algum dia em breve, vou levá-la comigo e lhe mostrar uma experiência de primeira mão de todos os


bebês chorando no avião enquanto faço amor com você no meio do céu." "Pode ser agora?", ela esfregou o nariz. Santino levantou-se abruptamente, dando dois passos em volta da mesa e apertando a parte de trás de sua cabeça antes de deixar um beijo curto em seu minúsculo nariz. Sarah estava congelada no lugar enquanto ele se sentava de novo. "O quê?", ele perguntou com uma risada. Ela balançou a cabeça e baixou o olhar para o prato. As emoções que sufocavam sua respiração eram reais e tangíveis, mas este homem... Se ele partisse seu coração, a destruiria completamente. E ela já sabia, antes de acontecer, que nunca seria capaz de superar isso... Ou superá-lo. "Tudo bem?", ele cutucou. Quando assentiu, ele inclinou-se para frente. "Quer conversar sobre isso?" Sarah captou o vislumbre da adoração absoluta em seus olhos, o interesse inabalável, e sorriu. "Tudo está perfeito", esticou a mão para pegar o copo. Ele tirou sua mão da haste da taça, aplainando sua palma na mesa, deslizando as pontas dos dedos sobre os nós dos dedos dele. "Você pode me dizer qualquer coisa. Mas já sabia disso, certo?" Ela riu. "Sim. E devo mencionar que desde aquela experiência de patinação no gelo, minha lombar tem me matado." O sorriso dele desapareceu instantaneamente. "Você está brincando." "Não. Na verdade, piorou na última semana." "Você foi a um médico?" Sarah fez uma careta. "Ir ao médico devido a uma dor na lombar que você tem certeza de que foi por causa das quedas na pista de gelo? Não sou uma covarde." Ele engasgou um riso. "Você é adorável." Ela tomou um gole da bebida. "Obrigada. Você também é."


"Não plagie minhas coisas. Pense em suas próprias coisas para dizer. Você deveria ser a criativa." Sarah sorriu. "Tipo o quê?" "Ah, muito esperta. Me fazendo pensar por você, também." "Hum. Ok. Eu vou aproveitar esta oportunidade para pedir que a próxima vez em que você planejar me levar em um encontro daquele tipo, você me avise de antemão para que eu já saia de casa com um par de analgésicos na minha corrente sanguínea. Ele balançou a cabeça, arrogante, e pegou o garfo. "Querida, os encontros comigo sempre serão trabalhosos, e...", ele a olhou brincando. "Se não forem trabalhosos durante, com certeza serão depois." Ela balançou a cabeça, lutando contra um sorriso. "Isso é muito edificante de saber." Ele assentiu. "Estou feliz que você esteja ansiosa para isso." Sarah ofegou e riu, batendo na mão dele brincando enquanto ele ria. O garçom tirou os pratos, e Sarah, culpada, olhou para o prato de frango, meio comido, que era sem dúvida muito caro. "Presumo que você não gostou da comida?", Santino perguntou, pegando sua mão do outro lado da mesa. Uma corrente elétrica lhe atravessou o braço até o ombro e desceu pela espinha, e ela engoliu em seco para saciar o terrível gosto em sua boca. "Eu não estava com muita fome, e tinha um gosto um pouco estranho." O garçom colocou um prato de sobremesa entre eles, e Santino não soltou sua mão quando ela tentou soltá-la. "Para consertar esse gosto engraçado de frango...", ele segurou sua mão direita enquanto empurrava a colher no petit gateau e colocava o chocolate em sua boca. Sarah cobriu os lábios enquanto deixava o sabor girar em sua boca. Tinha um gosto absolutamente delicioso, mas a fez enjoar. Ela engoliu, e quando ele estava prestes a lhe dar outra


colherada, seu estômago revirou, tentando regurgitar tudo o que acabara de comer. Ela não queria magoar os sentimentos dele. Mas ao ver a colher tão próxima de sua boca, ela entrou em pânico. "Preciso usar o banheiro." Ela soltou a mão e saiu da cadeira, andando pelo restaurante para os banheiros na parte de trás. De pé na pia, ela arfou e enxaguou a boca várias vezes, com ânsia de vômito e segurando o mármore enquanto esperava a náusea diminuir. Felizmente nada saiu, mas seus olhos estavam injetados de sangue agora, e ela estava sibilando com o esforço. "Ah. Deus." Tinha algo de errado com o frango. Uma mordida, e ela já sabia que tinha algo de errado. O restaurante mais exclusivo de Nova York? Besteira. Servia porcaria, matava aves e agora ela estava doente. Mas ela não queria dizer nada a Santino. Seria rude. Consertando a maquiagem o melhor possível, voltou à mesa. "Podemos ir para casa, por favor?" A agitação em sua voz fez com que os olhos dele se voltassem em sua direção, e ele instantaneamente fez um gesto para pedir a conta. "Você está bem?" Ela sabia que seus olhos estavam vermelhos, e não conseguia olhar para ele. "Sim." Ela não conseguia falar. Nem conseguia respirar uniformemente. O lugar inteiro fedia agora. O cheiro de carne podre atingiu seu nariz quando o garçom passou com o pedido de alguém, e ela quase se contorceu. Santino observou-a atentamente enquanto entregava o cartão ao garçom. Ela parecia irritada e nervosa. Ele respirou fundo. "Eu fiz ou disse algo errado, querida?" O carinho era reconfortante, mas ela estava com ânsia de vômito novamente, e muito possivelmente vomitaria no meio daquele restaurante muito exclusivo. *** "NÃO ESTOU ME sentindo muito bem. Preciso sair daqui”, ela pegou o casaco.


Santino assistiu, chocado, conforme ela meio que corria para fora do restaurante. Ele correu atrás dela, alcançando-a com apenas uma caminhada rápida, e agarrou seu braço quando ela começou a andar para longe do restaurante. "Espera. O que aconteceu?" Ela respirava fundo. "Quero ir para casa. Desculpe sair desse jeito." Ela caminhou para longe novamente, e ele a pegou pelo braço. "Pare de correr de mim. Entre no carro. Vou deixá-la em casa." Sarah assentiu, e ele a olhou preocupado e com a expressão confusa quando ela deslizou para o fundo da limusine e olhou para longe dele pela janela. Então, agitada, abaixou a janela e tomou respirações curtas pelo nariz, sem falar com ele – sem nem mesmo olhar para ele. Merda. Estraguei tudo. Mas, o que havia feito? Não conseguia, por nada, se lembrar do que estavam falando quando ela saiu para o banheiro O que quer que fosse que a incomodara, provavelmente não estava relacionado a ele, mas então por que ela nem sequer olhava em sua direção? "Sarah, está tudo bem?" "Sim." "Podemos discutir isso antes de eu te deixar?" "Amanhã", disse ela com aparente dificuldade, a garganta trabalhando conforme ela engolia mais e mais. O pânico se instalou em seus ossos, seu olhar mergulhou na mão dela. Ela estava apertando o couro marrom, as unhas cavando-o, como se estivesse com medo de cair do assento ou algo assim. Ele cobriu os nós dos dedos da mão de Sarah, meio esperando ser empurrado para longe, mas para seu perplexo absoluto, a mulher irritada, inacessível, virou a mão e apertou-lhe a palma como se sua vida dependesse de segurá-la. Ele ficou boquiaberto com o perfil dela enquanto inclinava a testa contra o lado da janela e continuava a respirar estranhamente.


Ele agarrou a mão dela entre as suas mãos e respirou fundo, apenas observando-a. Claramente ela não estava com disposição para conversar. Pelo menos ela estava segurando sua mão. Tinha aprendido uma coisa ou outra sobre a deusa sorridente que conhecera na Espanha. Ela não era apenas extremamente imprevisível; também era um mistério. Na metade do tempo, ele não sabia o que esperar dela. Sua expressão, suas reações e instâncias como aquela que ele estava passando agora, continuavam surgindo do nada. E como ele lhe observava o rosto lindo enquanto eles percorriam o caminho para o edifício de apartamentos, ele sabia com certeza de que tinha que descascar as camadas daquela mulher. Ele estava morrendo de vontade de descobrir o que a alimentava, o que a fazia sentir como se sentia, o que a motivava. Ele queria conhecer cada pedaço do coração dela, mas não sabia se ela o deixaria.


Capítulo Sete SARAH DIGITAVA EM seu teclado e olhou o relógio. Dez minutos antes da reunião para discutir o novo anúncio BubFun. Sua equipe havia se programado para fazer uma reunião preventiva antes de se encontrarem com os executivos da BubFun. Apesar do fato de ela ser próxima de Santino – próxima por terem dormido juntos em Madri e depois se encontrado duas vezes nos EUA – ela havia criado uma regra de não discutir trabalho com ele. Assim, o protocolo para agendar a reunião continuaria como de costume, e estava levando muito tempo, porque Santino não sabia que sua empresa estava querendo aquela reunião. E a maior chatice foi que ele telefonou uma hora atrás, mais uma vez, para lhe dizer que estava saindo para Washington para uma reunião urgente. Com a quantidade de viagens que o trabalho do homem exigia, ela duvidava que ela o veria mais de cinco vezes por ano. Mas, no momento, Sarah não estava preocupada com isso tanto quanto estava preocupada com o retorno de sua náusea. Na noite anterior, havia saído correndo da limusine e soltado um suspiro de alívio, pensando que pelo menos se ela vomitasse na grama, não teria destruído nada caro, apenas grama. Ela nem se virou para olhar para Santino. Ele enviara uma mensagem de texto muito mais tarde, mas ela já estava dormindo. E naquela manhã, estava no banho quando ele ligou. Quando ela ligou de volta, ele não mencionou nada sobre seu estranho comportamento na noite anterior, e ela ficou contente, porque não podia explicar como tinha ficado aterrorizada na possibilidade de destruir o interior de seu carro. Tara colocou uma caneca de café ao lado de seu laptop, e Sarah sorriu em gratidão. "Obrigada, Tara." "Está se sentimento bem? Parece cansada e estranha." Sarah encontrou o olhar da amiga e fez careta. "Obrigada. Me sinto ótima comigo mesma


agora." Tara riu. "Estou sendo honesta. Isso que amigos fazem. Ia preferir que eu dissesse que você está fantástica? Que mentisse?" Sarah balançou a cabeça e sorriu. "Eu sabia que estava horrível, porque me sinto horrível. A noite passada foi a pior noite que eu já vivi. Eu quase vomitei pelo menos cem vezes, mas não vomitei, e não dormi bem também. Então eu acordei com uma dor de cabeça." "Hmm... Você está estressada com o anúncio com a BubFun?" Sarah sacudiu a cabeça. "Não. Na verdade, se eu pensar sobre isso, tenho estado dolorida e cansada nos últimos dias. Só piorou muito na noite passada." "Você devia ver isso. Você sabe, tem muitas viroses doidas por aí hoje em dia. Não vai querer pegar algo como Ebola e só descobrir quando for tarde demais." Sarah deu uma cotovelada na perna da amiga. "Obrigada, Tara." Tara riu, então a expressão congelou no rosto. "Quer saber?" "O quê?" Sarah fez uma pausa, porque a julgar pela explosão, ela pensou que Tara tinha sentido um terremoto ou algo assim. Os olhos de Tara se arregalaram e os lábios se abriram como se estivesse calculando algo. "Você está enjoada, dolorida e não consegue dormir bem..." "Uhum." "Você pode estar grávida!", Tara exclamou alto. Sarah congelou e viu várias cabeças virarem-se para ela em sua visão periférica. Ela rangeu os dentes e estreitou os olhos para sua amiga, que imediatamente parecia se sentir culpada. "Você podia estar grávida", Tara sussurrou, como se isso fosse apagar a explosão anterior da memória das pessoas. "Não!" Sarah ficou muda e se virou para seu laptop. "Pode estar." Tara se aproximou, sussurrando alto. "Você esteve com Santino Orlando em


Madri. Faz mais de três semanas. Pode estar." "Não!" Sarah sibilou. "Usamos proteção." Tara revirou os olhos. "Minha irmã estava usando anticoncepcional e camisinha e ainda ficou grávida. Três vezes! Consecutivamente em três anos. A carreira dela terminou nos últimos sete anos." Sarah congelou. "Para de me deixar estressada, Tara. Agora que parei para pensar, seu diagnóstico de Ebola era melhor." "Não estou brincando, Sarah. Você devia fazer um teste de gravidez." Sarah olhou ao redor novamente. "Você pode parar de usar essa palavra aqui? As pessoas podem ouvi-la. Você não está sussurrando de verdade." Tara enrugou os lábios e abaixou um pouco mais o volume do sussurro. "Estou tentando ser uma amiga aqui, tá?" Sarah suspirou. "Isso é tão idiota. Usamos proteção. E além disso, minha menstruação nem está atrasada ainda." *** Quatro dias depois, na manhã em que sua menstruação era esperada, Sarah sentou-se no assento do toalete fechado no banheiro do escritório, uma das mãos apertava a testa e a outra segurava um teste de gravidez com duas linhas brilhantes. Estava em choque. Seus membros estavam paralisados. Alguém estava batendo na porta, e ela não conseguia sequer responder. Simplesmente ficou boquiaberta com a coisa toda, seu coração acelerado, mas o corpo, parado. Minha irmã estava usando anticoncepcional e camisinha e ainda assim ficou grávida. Três vezes! Consecutivamente em três anos. A carreira dela acabou nos últimos sete anos. As palavras de Tara ressoaram em sua cabeça como um canto. E então seu próprio cérebro começou com seus cantos personalizados. Um bebê. Um bebê. Sua carreira estava acabada. Você não pode lidar com isso agora. Não pode ser mãe. Não sabe como. Você não pode fazer isso. Nunca


teve uma mãe para saber como é. As lágrimas borraram sua visão, e ela finalmente encontrou a energia para se mover, apenas o suficiente para enxugar as lágrimas furiosamente. Xingou em voz baixa e fechou os olhos em exasperação. Então, levantou-se do assento, jogando o teste de gravidez na caixa e deixando o banheiro. Uma das designers gráficas imediatamente tomou seu lugar no banheiro. Sarah nem se deu ao trabalho de olhar para ela. Ela olhou para seu reflexo em vez disso, para sua pele pálida, seus olhos afundados nas órbitas por causa da falta de sono. Suspirou. Algumas semanas, e o bebê já a tinha transformado completamente. Tara estava certa. Sua carreira tinha acabado. Com a falta de energia que tinha, tinha certeza de que ficaria na cama durante algumas semanas na melhor das hipóteses. A gravidez não foi feita para ela. Palavras aleatórias ressoaram por sua cabeça, e ela consertou o rímel manchado abaixo dos olhos antes de sair do banheiro. Ela precisava ir para casa. Ela tinha acabado de se sentar na cadeira do escritório quando uma garota estava ao lado dela, muito perto, invadindo seu espaço pessoal. Sarah reconheceu a designer gráfica que quase quebrou a porta do box para entrar lá. "Parabéns!" Os olhos de Sarah se estreitaram. "O quê?" A designer cobriu a boca. "Acabei de ver o teste no banheiro. E escutei sua conversa com a Tara no outro dia. Ah, meu Deus... Estou tão feliz por você! Um bebê!" Sarah congelou quando várias cabeças se voltaram para ela – a mais chocada pertencia à garota que ela conhecia muito bem. Tara. Em seguida, Sarah foi cercada por congratulações e chá de bebê, as poucas mulheres que tinham filhos adolescentes estavam discutindo quando comprar as coisas para o bebê e que marca de roupa foi o mais durável. Sarah estava presa num pesadelo. Odiava estar sob os holofotes. Não era para ela. Desde a época em que era uma criança pequena e tímida, odiava que falassem dela. Esse mesmo hábito a tinha levado a optar por ser


diretora, quando o que ela realmente amava eram modelagem e atuação. Passara a vida inteira longe dos holofotes, e agora aqui estava... Grávida! Todo o escritório estava discutindo sobre ela, e seu bebê, e sobre os arranjos de dormir do bebê e sobre a data do nascimento. Sarah se levantou, fingiu um sorriso, juntou suas coisas e saiu do escritório.


Capítulo Oito SARAH SENTOU-SE NO assento da janela, bebendo chá verde infundido com gengibre, e olhou para a estrada movimentada. Todo mundo estava ocupado, correndo e vivendo a própria vida. Desde pequena, ela se perguntava como era absurdo que todos tivessem seus próprios pensamentos e todos pudessem ver algo totalmente único. Então, passou um bom tempo focando em cada pessoa, tentando imaginar o que estava pensando, o que estava vendo, e que tipo de desafios enfrentara naquele dia. Então, sua mente retornou aos seus próprios desafios. Sua vida tinha sido passada sozinha, cuidando de si mesma, ninguém ao seu redor para se preocupar se havia fracassado ou conseguido. Condicionara-se a ficar sozinha, e não sabia como não ficar sozinha. Porque agora, de repente, não estava. Havia uma pessoa dentro dela. Essa lembrança a fez chorar. Nos últimos dois dias, trancada em seu quarto, passara o fim de semana alternando entre estados de tristeza ardente e medo assustador. Ela deveria cuidar de um bebê? Sério? Será que Deus poderia ter feito uma piada mais cruel do que essa? Passara anos tentando se adaptar o suficiente para cuidar de si mesma, e agora um bebê? Um ser humano real e vivo que estaria com ela vinte e quatro horas por dia por anos, exatamente quando ela estava se preparando para a maior realização profissional que havia tido. Justo quando estava pronta para conseguir essa promoção que ansiava por meses. Ela a tinha ao seu alcance. Aquilo que garantiria sua vida e carreira. A coisa que tiraria todos os seus medos. Esse apogeu estava ficando mais distante dela agora. Porque ela estava grávida e não tinha energia, e não queria estar grávida. Seus pensamentos giraram fora de controle, e ela agarrou sua cabeça nas palmas das mãos para acalmar os nervos.


Tinha trabalhado muito no projeto de BubFun. Trabalhara tanto para tudo terminar assim. A propaganda. BubFun. Santino Orlando. Seu coração pulou uma batida. Ela se lembrou de como ele tinha beijado seu nariz, e como tinha segurado sua mão, e como tinha agarrado seu rosto. Você me faz tão feliz, ele dissera. Bom, ele certamente teria um choque. Ela o deixaria muito furioso quando descobrisse que sua não namorada estava grávida. Quer dizer, se ele ao menos se incomodasse em ficar nos Estados Unidos. Que pesadelo. Ele não estava por perto e nem estaria, pois estava sempre trabalhando. Mesmo se não estivesse, ela não podia esperar que ele tivesse interesse no bebê. Ela tinha aprendido que a adoração e afeição das pessoas só duravam enquanto seus próprios interesses fossem atendidos. Quando isso fosse coisa do passado, o afeto teria uma morte rápida. Suspirando, ela caminhou até a porta para verificar a fechadura e passou pelo espelho antigo que tinha comprado em um leilão. O choque de se ver no espelho depois de dois dias a atingiu no estômago como um golpe doloroso. Seus olhos estavam afundando nas órbitas, sua pele estava horrível, e seu cabelo era um desastre caótico e nojento. Andando mais perto do espelho, olhou para seu pijama enrugado e, tardiamente, percebeu que nem sequer se preocupou em lavar o rosto em dois dias. Fúria, ao contrário de tudo o que ela tinha experimentado, a atravessou. Caminhou rapidamente para o banheiro, retirando a roupa suja de seu corpo e ligando o chuveiro. De pé debaixo do chuveiro, deixou a água deslizar sobre seu corpo, e a adrenalina a fez cerrar os dentes. Não sou essa pessoa. Essa não sou eu. Eu posso fazer isso. Já passei por coisas piores, e me saí muito bem. A energia finalmente a percorreu, e ela lavou o cabelo, depois passou condicionador antes de esfregar o corpo todo. Demorou o tempo necessário esfregando o corpo, mas sua mão automaticamente baixou para o abdômen. A sacudidela de emoção disparou através dela, mas foi


momentânea. Ela não ficaria triste por causa disso. Sentada na borda do pequeno assento cortado dentro da parede do banheiro, lentamente raspou as pernas. Sentindo-se tão limpa quanto uma tesoura cirúrgica esterilizada, saiu do chuveiro, secando seu corpo. A energia continuou, para seu deleite. Secou os cabelos, vestiu roupas íntimas limpas – as mais bonitas da gaveta – e abriu o armário. Mesmo sem planos para sair, só queria se sentir bonita novamente. Então, pegou o vestido vermelho de seu armário, aquele que ela tinha comprado um ano atrás e nunca usado porque era muito vermelho e iria fazê-la se destacar demais. Tirando a etiqueta, ela o vestiu. A renda vermelha agarrou-se ao seu corpo, e então caiu em redemoinhos ao redor de seus joelhos. O cinto dourado em torno da cintura era confortável, e ela mais uma vez acariciou a barriga, pensando naquela pequena pessoa que decidira colar-se a ela. Ela estava colocando um pouco de rímel quando a campainha tocou. O coração de Sarah afundou. Perfeito. Em tempo de arruinar o momento. Irritada, ela franziu os lábios para esfregar o bálsamo labial e caminhou descalça até a porta. "Quem é?", ela gritou, simplesmente porque sentiu vontade de dizer algo em voz alta, usando suas cordas vocais depois de dias de silêncio. "Sou eu." A voz a fez parar perto da porta. Santino. Toda a energia evaporou e foi substituída por um nervosismo tão extremo que suas mãos começaram a tremer. Ele estava de volta de Washington. E ele estava lá, e ela estava grávida. O pânico tomou conta dela. Agarrou seu ventre, aterrorizada de que ele descobriria, aterrorizada de que ele seria capaz de ver a mentira em seu rosto. "Sarah?" Ela cerrou os olhos e decidiu que não poderia evitar vê-lo. O fato de não ter decidido como iria contar a ele a novidade significava que não estava preparada para fazer isso, mas ele não precisava saber – não neste momento. Podia simplesmente encontrá-lo e depois pensar sobre como


falar sobre isso. Ela abriu a porta com um sorriso colado em seu rosto, esperando que ele a abraçasse como tinha feito quando ela o encontrou no aeroporto apenas uma semana atrás. Mas ele não se moveu em sua direção. Os olhos de Santino se estreitaram quando ele a examinou da cabeça aos pés. "Indo a algum lugar?" Ela balançou a cabeça, seu coração batendo forte. "Não." Ele inclinou a cabeça e entrou em seu apartamento, enfiando as mãos nos bolsos das calças e virando-se para olhá-la. "Você não vai sair?" Sarah observou o rosto dele, que parecia irritado, uma expressão que ela não tinha visto nele antes, e então entendeu. Era o bebê desse homem dentro dela neste exato momento. Ela estava conectada a Santino Orlando. "Não vou sair." Ele assentiu, e seus olhos caíram até sua cintura. Seu coração parou. Ele sabia. Como poderia saber? Tara! "Então por que você está vestida neste vestido ridiculamente glorioso?" Sarah suspirou, uma onda de alívio preenchendo-a. Ele só estava olhando para o vestido, não para sua barriga. "Eu, hã...", ela olhou para baixo, levantando a saia do vestido de renda pelos lados e deixando-a cair. "Só senti vontade de me arrumar." Santino apertou o maxilar. "Não sou idiota, Sarah." Sarah arqueou as sobrancelhas. "O quê?" "Você está mentindo para mim." "O quê?", ela gritou de novo enquanto ele a observava, suspeito, os olhos desconfiados e frios. Seu coração parou de bater. Não, não, não. O olhar, o olhar adorável e maravilhoso, quente nos olhos castanhos tinha desaparecido. Ela não sabia o quão maravilhoso tinha sido até desaparecer. Lágrimas queimaram a parte de trás de suas pálpebras, e ela franziu os lábios para


manter o soluço engarrafado do lado de dentro. Ela não ia chorar na frente dele. Sabia o que estava acontecendo. Este capítulo, este capítulo maravilhoso, também tinha terminado. Sua idiota, esperando secretamente que as coisas boas pudessem durar. "Quem é ele?" Sarah congelou, sua mente parando, e ela olhou para ele como se ele estivesse louco. "Como é?" "Quem é ele?" Ele repetiu lentamente, o olhar desviando dela. "Sei que não tenho estado por perto, e eu compreendo." Ele encontrou seu olhar rapidamente. "Mas preciso saber quem é ele." Sarah caminhou na direção dele e deslizou as mãos pelo peito dele, para os lados do rosto, forçando-o a olhar para ela. A dor no rosto dele a atingiu em cheio. Ele estava de coração partido porque pensava que ela estava saindo com alguém. "Como você pode ser um empresário bem-sucedido, mas ser tão estúpido?" Ele olhou para ela. "Eu não deveria ter vindo aqui." "Santino!", ela exclamou, e as lágrimas caíram de seus olhos. Soluçava, com o coração partido por ele estar pensando algo desse tipo, por ele estar sofrendo porque era importante para ele. Ele se importava; ele se importava muito. Ela soluçou mais forte e agarrou o rosto dele. "Não estou saindo com ninguém. Por que você pensaria isso?" "Ei!", ele voltou imediatamente, parecendo esquecer tudo, enquanto seu rosto se revirou de agonia. Puxando-a para o sofá para sentar, ele ajoelhou-se aos seus pés. "Por que está chorando?" "Porque... Você está dizendo que estou saindo com outra pessoa", ela engasgou. Com uma sobrancelha franzida, ele enxugou as lágrimas. "Mas por que está chorando?" Quando ela soluçou mais forte, ele se levantou e envolveu os braços em torno de seus ombros, arrastando seu rosto para o peito dele. "Shhh...", segurou seu corpo trêmulo. Os soluços de Sarah diminuíram, a respiração rasa e os olhos fechados enquanto se


inclinava para ele. Todo o estresse e a preocupação das últimas 48 horas se evaporaram, e ela ficou ali, com as mãos levantadas para apertar a camisa nos lados da cintura dele. Ele a balançou gentilmente para frente e para trás, não falando para que parasse de chorar. Deixou que ela soltasse tudo até se sentir vazia da frustração e preocupação que tinha se acumulado nos últimos dois dias. Estar ao lado do peito dele era sedativo e calmante. Sentindo que ela tinha se acalmado, Santino tentou se mover para trás, mas as mãos dela apertaram sua camisa dele. Ela se agarrou a ele, com o rosto enterrado contra o coração. "Fique." "Sarah?", o tom de voz dele estava cheio de confusão, implorando-lhe por uma explicação. Seus dedos apertaram as solapas da jaqueta, e ela sentiu que ele relaxava encostado nela. As mãos dele deslizaram subindo lentamente pelas suas costas, apertando-a mais forte. Parecia seguro. Ridiculamente surreal. E ela lutou com o súbito e irracional medo de que se ela não o segurasse, ele desapareceria, levando com ele o momento de paz. Sua mente estava desprovida de quaisquer medos e desgraças agora, e ela odiava sua consciência por fazer essa piada cruel. Mas estava desesperada, e agarrou-se à sensação momentânea de bem-estar e proteção, sabendo no fundo de sua mente que logo terminaria. Santino segurou a respiração. Agarrando seus ombros, ele a afastou e a segurou para olhála nos olhos. "Está tudo bem?" "Sim", ela mentiu. O momento tinha acabado. Recordou o minúsculo detalhe sobre ele estar prestes a se tornar pai, e engoliu em seco, desviando os olhos. "Não faça isso." "O quê?" "Apenas me diga o que a está incomodando. Você está toda arrumada e não atendeu minhas ligações nos últimos dois dias, e..." "Estava passando por uma situação", contou uma meia verdade. Ele assentiu. "E você sabe que pode dividir comigo. Posso tentar ajudar."


Ela balançou a cabeça. "Não acho que alguém possa me ajudar. A flecha já saiu do arco." E então ela riu, o estresse indo para sua cabeça, o som quebrado e oco reverberando através dela enquanto ria da tristeza da sua situação. *** O PÂNICO SE INFILTROU em seus ossos. Ela não era mais a mesma mulher que ele vira e falara pela última vez. Nem a risada era a mesma, e ele conseguia sentir a tensão nos ombros dela ao abraçá-la. Sem pensar, desesperado para aliviar qualquer preocupação que a incomodasse, ele se inclinou e pressionou seus lábios contra os dela possessivamente e asperamente. Ela o encontrou com o mesmo tipo de pressão contra seus lábios. A boca de Sarah se abrindo com vontade, e depois ela derretendo em seus braços. Preso no casulo de necessidade que sempre o vencia quando ele estava ao lado dela, cedeu. Estava contente por ela não estar saindo com outro homem. Estava em êxtase porque era a sua boca que ela estava beijando, e a de mais ninguém. Ela estava preocupada, ele acabou ficando transtornado de ciúmes. Sentiu seu primeiro sinal de insegurança quando não tinha podido estar por perto. Ele tomou um dos lábios dela entre os seus, depois o outro, alternando lentamente, pretendendo construir lentamente o desejo entre eles, mas a tentadora em seus braços tinha outros planos. Ela tirou seu paletó, a cabeça inclinada para trás enquanto pegava sua boca com avidez. Quando ela não conseguiu aprofundar o beijo o bastante, a mão escorregou até sua nuca, segurando punhados de cabelo e puxando-os firmemente. A luxúria inundou suas veias. Ele gemeu, abrindo os lábios, tomando a língua dela em sua boca. Deu boas-vindas à invasão e deixou que ela tomasse o controle. Sua mente confusa revelou como ela parecia pequena, e ele relaxou. Ela estava descalça, e era pequena, e tão flexível. A possessividade esmagadora e uma raiva protetora o dominaram. Ele a apertou com mais força antes de dominar o beijo. Sarah estremeceu em seus braços enquanto ele assumia. Ele a beijou profundamente e,


quando ela tentou lhe dar a língua de novo, ele mordeu-a levemente, sugando-a em sua boca. Ela gritou com o beijo punitivo, e ele soltou-lhe a língua para mover sua atenção para os lábios. Ela empurrou o corpo em direção ao seu. Sua ereção, dura e pronta, pressionou contra o corpo dela, e um arfar em resposta foi sua perdição. Suas mãos ficaram frenéticas, deslizando sobre as costas até os quadris de Sarah, segurando-lhe o traseiro, antes de se arrastarem até sua cintura. Sem esforço, as pernas dela se enrolaram em torno da cintura de Santino, os braços apertando em torno de seus ombros. Ele nunca abandonou a boca de Sarah. Ela tinha o gosto incrível. Colocando-a deitada no sofá, deitou-se sobre ela, mantendo seu peso longe, sua mão deslizando para baixo e para a cima do corpo dela. O corpo dela se arqueou, curvando-se em direção ao seu toque enquanto sua mão lhe percorria o peito, apertando-o gentilmente. Quando a mão alcançou a coxa, ele a deslizou para debaixo do vestido vermelho, arrastando seus dedos pela perna nua e lisa. *** SARAH PERDEU, por alguns instantes, a consciência sobre sua terrível situação conforme a mão dele escorregava brevemente sobre seu abdômen liso. Mas ela apreciava a doce fuga da boca de Santino, uma nuvem de luxúria que pairava sobre ela. Era como acordar de um sonho fantástico apenas para se deparar com a realidade, e ela não estava pronta para enfrentar a realidade ainda. Queria continuar sonhando, porque o sonho não era nada assustador. Sentia-se segura nos braços dele, sob a boca devastadora e mãos possessivas. Ela a fazia sentir como se pertencesse a ele, e não queria escapar dessa fantasia. As palmas das mãos dele deslizavam pela sua coxa até a bainha da calcinha, depois novamente para baixo. Ela empurrou os quadris mais para cima para encontrar o toque dele, para sentir mais. Precisava disso. Merecia tê-lo. Ele era completamente bom e maravilhoso, e sempre a fazia rir. Ela o merecia. Ela sabia muito bem que o cara não ficaria por perto quando ela contasse as novidades,


então enterrou a ideia. Só por essa noite. Conto pra ele amanhã, ela se prometeu. Então, a culpa foi embora. Santino pareceu sentir a mudança nela. Ela relaxou as pernas, dando-lhe acesso ao espaço entre as coxas para que seus dedos pudessem deslizar sobre sua calcinha, que estava encharcada. Ele tirou a mão, deslizando-a para as costas dela, para encontrar o zíper que prendia a roupa no lugar. "Quero você nua", ele sibilou dentro de sua boca antes de mordiscar seu lábio inferior. Seus olhos se abriram lânguidos, e ele apertou um beijo na ponta de seu nariz. "Senti saudades do seu corpo..." Inclinando-se, pressionou um beijo no topo de seus seios, onde a pele se inchava sob o decote. "Senti saudade deles. Da sua risada." Ele beijou o canto de sua boca. Sarah ficou quieta, tensa. Não podia fazer isso. Não conseguia dizer nada, mas se sentia uma trapaceira. Ele era tão bom para ela. Era sensacional. Ela nunca tinha sido tratada assim antes, com tanto respeito, tanto afeto, e queria se agarrar a isso como uma criança, porque queria muito mantê-lo. Ele era seu. Mas não era. As mãos dele puxaram o zíper, e ele arrastou o corpete para baixo, revelando seu sutiã, a boca voltando ao seu pescoço. Deu-lhe mordidinhas, inalando seu cheiro, deslizando a ponta da língua sobre sua pele. Quando ela agarrou as lapelas da jaqueta dele, ele se acomodou entre suas pernas. Sua virilha foi esmagada pela ereção dele, e ela ofegou. Ele capturou o som dentro da boca, enfiando a própria língua selvagemente na sua. Com a cabeça inclinada, aprofundou o beijo, como se fosse incapaz de obter o suficiente, incapaz de provar o suficiente. "Eu quero você. Não consigo ter o suficiente de você, Sarah." Sarah ergueu os quadris e as mãos dele lentamente afastaram o vestido de seus seios por completo. Quando as palmas das mãos dele cobriram a parte superior do sutiã, ela deslizou as mãos sobre as costas dele até os quadris, agarrando-o. Os músculos se flexionaram sob o tecido


da calça, e quando ela estava começando a desistir de tudo completamente, a entregar-se à boca e mãos de Santino, ele deslizou uma das mãos mais para baixo e acariciou sua barriga. Seus olhos se abriram e ela congelou, seus olhos aturdidos olhando para o teto conforme seu cérebro ficava cheio de perguntas, confissões e preocupações. A boca dele baixou até seu pescoço, mas ela ficou congelada, seus processos de pensamento superando seu desejo. "Santino", ela sussurrou quando ele mordeu sua orelha. "Hummm?" Ele agarrou os lados de sua cintura e então percorreu um caminho por sua barriga novamente, entre suas pernas, então de volta para apertar seus seios. "Estou grávida." As palavras pareceram demorar um momento para penetrar os sentidos dele. Quando aconteceu, a boca dele parou de provocar seu pescoço. Ele ergueu a cabeça abruptamente, olhando para seu rosto procurando por um sinal de que ela estava brincando; como se essa declaração pudesse ser proferida como uma piada. Claramente confuso, ele apenas a olhou enquanto ela estava esmagada debaixo dele, parcialmente despida. "Você o quê?" Ela encontrou os olhos dele, engolindo, mentalmente dizendo adeus a ele. Seus próprios pais a tinham dado quando ela nasceu. O que ela esperaria de um homem bonito e bem-sucedido que não tinha nada a ganhar em mantê-la na vida dele? "Estou grávida." *** FOI O VAZIO NOS olhos dela que o deixou chocado. Ele se afastou dela, observando-lhe o rosto enquanto lentamente levantava o corpete do vestido de volta para cobrir o sutiã e olhava para a parede. Ele observou o perfil de Sarah. Grávida. Bebê. Ficou confuso e completamente fora de sintonia, mas ela conseguiu parecer completamente sem emoção. Então, só porque não sabia o que dizer ou como deveria se sentir, e porque há poucos instantes ele estava com sua ereção entre as pernas dela, e no momento


seguinte descobriu tal notícia inesperada, ele falou a primeira racionalização que poderia fazer para justificar a total frieza que ela demonstrava em relação à situação. "Está planejando fazer um aborto?" Ela virou a cabeça em sua direção e balançou a cabeça. "Isso nem passou pela minha cabeça." Ele encarou o tapete, depois para o rosto dela, notando o vislumbre de dor e arrependimento. "Meus próprios pais me abandonaram quando eu era um bebê. Não poderia fazer isso com meu filho." Seu peito se contraiu, ele suspirou e, de repente, não estava mais confuso. Ele não se sentiu confuso e inundado com uma situação que ele não podia controlar. O pânico recuou para deixá-lo hipnotizado. Ele sabia que havia algo de único em relação a ela. Não sabia de algo tão importante e tão essencial, que fazia parte da pessoa que ela era hoje. Seu braço deslizou pelos ombros dela, e ele ficou chocado com a tensão que encontrou ali. Ele se aproximou, puxando aquela a rígida forma contra seu ombro, mas ela não o deixou. "Acho que é hora de você partir agora", disse ela com a voz rouca. Ele juntou as sobrancelhas. "Por quê?" "Porque não era isso que você estava esperando." Ela falou numa voz robótica, encarando a parede. Estava quieta. Como se fosse se desintegrar em mil pedaços se olhasse para ele, ou se movesse ou respirasse. "Porque acaba aqui para a gente. Diferentemente de mim, você pode optar por não fazer parte dessa situação." A forma como ela falava, o jeito como estava paralisada, a forma como parecia ter perdido todo o calor, deixavam-no horrorizado. Como se ela estivesse se preparando para a batalha e não quisesse sentir nada. Ele agarrou-lhe os ombros e a puxou com força em sua direção. A teimosia dela não era páreo para ele.


Ela encontrou seus olhos porque não tinha outra opção, lutando contra a fúria que certamente demonstrava. "Não vou a lugar nenhum. E não é o fim para nós. Posso tomar minhas próprias decisões, Sarah, assim como tenho feito nos últimos trinta anos. Se precisar de suas sugestões para mudar isso, eu te informo." Sarah piscou rapidamente enquanto as lágrimas se juntavam nos olhos. "Estou te dando uma saída." Então, ele percebeu. As mãos dele suavizaram em nos ombros dela e deslizaram pelo pescoço. "Não quero uma saída, querida. Não quando isso significa deixar você sozinha lindando com essa situação." Um suspiro escapou dos lábios entreabertos de Sarah, os ombros tremeram, e as lágrimas derramaram. Ela parecia chocada quando ele pressionou os lábios nas lágrimas dela antes de deslizar os dedos sobre as bochechas. "É por isso que você não estava atendendo às minhas ligações?" "Você não precisa fazer parte disso. Posso fazer sozinha", ela argumentou de novo, o tom grosso de descrença. "Sarah..." ele disse gentilmente. "É por isso que não estava atendendo às minhas ligações?" Ela desviou os olhos. "Sim." Ele suspirou, saindo do sofá para se sentar de pernas cruzadas no chão, inclinando a cabeça para olhá-la. "Ok. Então...", ele começou, respirando fundo. "Se eu disser algo muito estúpido, desculpe, mas ainda estou em choque." Ela assentiu em resposta, e ele continuou. "Hum. Estou tentando entender isso... Então, você não quer que eu fique?" Sarah estremeceu. "Claro que quero! Mas não tem nada a ver com o que eu quero. É sobre você. Claro que você não precisa ficar." "Mas eu quero ficar."


Ela fez uma pausa, franzindo as sobrancelhas, olhando para ele em confusão, como se incapaz de acreditar que ele ainda estava lá e não zangado com a situação. Em vez disso, ele estava ficando confortável, finalmente soltando a gravata e enrolando as mangas da camisa. "Isso é... surpreendente", ela disse. Ele pegou as mãos dela. "Ok. Então, você está grávida. Tem certeza disso?" "Cem por cento." Ele assentiu, seu cérebro girando. Ele olhou para ela, depois para o vestido. "Agora me diga honestamente por que você estava toda arrumada? Estava planejando sair hoje?" Sarah encolheu os ombros. "Não tomava banho há dois dias, e nem ao menos lavei o rosto, porque fiquei deitada na cama chorando por causa disso tudo." A voz dela ficou entrecortada, e Sarah balançou a cabeça de vergonha. "Então, quis me limpar e me arrumar para mim mesma." Incapaz de manter a distância física entre eles por mais tempo, ele puxou o rosto dela para seu peito e arrastou-a para fora do sofá e em seu colo, onde ele o agarrou ferozmente. "Desculpe não estar por perto", ele disse, furioso consigo mesmo, respirando fundo. Suas mãos lhe acariciaram os ombros, os braços e ele beijou o topo da cabeça de Sarah. "Você deve ter ficado tão assustada." *** "EU ESTAVA", ELA sussurrou. Enquanto seu subconsciente lhe dizia para não confiar nas palavras dele, para não dar significado demais a elas, ela se sentiu relaxando. Este homem grande e intimidador saberia o que fazer. Ela não precisava se preocupar, pelo menos agora. Podia deixa-lo cuidar de tudo. Mas por que ele queria ficar? Era um homem incrivelmente doce que sempre se preocupou, e elogiou, e a fez se sentir especial. Mas ele ainda não era um homem que gostaria de ter filhos. Ele era muito assustador e invencível demais para ter tais desejos mortais. "Devia ter me ligado no momento que descobriu, então poderíamos ter nos preocupado com


isso juntos." Sarah lutou contra o desejo miserável que lhe disse para desmoronar nos braços dele e chorar e gritar e dizer-lhe como se sentia. "Mas não tinha nada a ver com você. Não precisa ficar preso por causa disso." Ele se afastou e a segurou. "O que quer dizer com isso?" Ela encolheu os ombros, evitando o olhar furioso no rosto dele. Ele segurou seu queixo suavemente, mas a voz permaneceu no mesmo tom irritado conforme ele a forçava a olhar em seus olhos. "Escute bem, Sarah Montgomery. Não passou pela minha cabeça, nem sequer por um segundo, não querer fazer parte da vida desse bebê. Sabe por quê?" "Por quê?" "Porque ele não é só seu. É tão meu quanto seu. E seria de muita ajuda se você não se esquecesse disso novamente", ele terminou gentilmente. Sarah balançou a cabeça, lutando para proteger sua sanidade. "Por que está fazendo isso?", ela se soltou do colo dele e ficou de pé. "Não quero você por perto, está bem? É melhor você ir embora agora do que depois. Sério. Isso não é brincadeira de criança. Você não teve tempo para pensar nisso tudo, então estou lhe dando uma forma de sair de tudo isso." "Não vou a lugar nenhum", ele disse calmamente. Ela o encarou e Santino ficou de pé. "Quer saber? A gravidez significa que meus hormônios vão estar uma loucura e que ficarei vomitando sobre seus sapatos Valentino e dentro da sua limusine. Você vai quer dar o fora em segundos." Ele juntou as sobrancelhas. "Espera um minuto. Você... Já sabia que estava grávida quando nos vimos a última vez?" Sarah balançou a cabeça. "Não sabia. Estava apenas me sentindo mal, e achei que fosse arruinar o interior do seu carro extremamente caro." Ele exalou rispidamente. "Sabe o quanto fiquei preocupado quando você se recusou a falar comigo na volta do nosso encontro?"


Ela ergueu as mãos em exasperação. "Só queria sair do carro o mais rápido possível." Santino riu brevemente. "Uau. Achei que tivesse dito ou feito algo, e você me odiava." Seus olhos se estreitaram. "Não te odeio. Não posso odiá-lo. Você é... terrivelmente difícil de não... gostar." Ele sorriu provocando. "Obrigado. Você também é... terrivelmente difícil de não gostar." Sarah percebeu que estava rindo pela primeira vez em dias. "Isso é ridículo. Nós mal nos conhecemos e isso acontece", ela apertou a barriga sem pensar. Os olhos dele recaíram sobre suas mãos, aproximando-se e cobrindo sua barriga com as largas mãos. Ela mordeu o lado de dentro de seu lábio e virou a cabeça de lado, a culpa ficando pesada. "Não quero que se preocupe comigo." Ele ergueu seu rosto gentilmente. "Eu quero ficar preocupado com você." Ele deslizou as mãos ao redor de sua cintura e passou os braços ao seu redor, respirando bruscamente quando seus seios pressionaram contra o peito dele. "Acho que estou me acostumando com isso, de qualquer jeito. Você me deixou muito preocupado nos últimos dois dias ao não atender minhas ligações. Precisei encurtar uma reunião muito importante só para voltar e vir vê-la." Sarah arregalou os olhos. "Você deixou uma reunião... Por mim?" "Sim." "Por quê?" Ninguém fazia nada por ela. Ela ficou presa numa situação difícil. Ou ficava feliz por ele gostar tanto dela, ou preocupada que ele fosse um mentiroso. Ele encolheu os ombros. "Porque estava morrendo de ciúmes." As mãos dele tomaram seu rosto. "Achei que estivesse saindo com alguém, e... Bem, não podia ficar longe. Olha... Sei que não estive muito por perto desde que começamos a sair, mas posso arrumar mais tempo. Vou marcar mais reuniões aqui e menos reuniões em locais mais distantes. Nos veremos mais, e prometo tomar conta de você."


"Não diga essas coisas, Santino!" Ela chorou, curvando-se em negação. Os braços dele se tensionaram ao seu redor, colocando-a de volta no lugar. "Não." Ele pressionou o lábio em sua boca, calando-a instantaneamente "Não se afaste." O desespero na voz dele a chocou. "Sarah... Não é só você que está assustada. Estou tentando, tá bem?", disse ele, gentilmente. Naquele momento, ela percebeu que sua vida a tornara uma pessoa egoísta. Sempre se preocupando apenas consigo mesma, com seu próprio aperfeiçoamento. Tudo a havia tornado egocêntrica. Isso não era só a seu respeito. Era sobre ele, também. Mesmo se ele mudasse de ideia sobre querer fazer parte de sua vida, ter uma criança significava que faria parte daquilo para sempre. Mudava tudo para ele, também. E ela estava tão concentrada na implicação disso em sua própria vida que tinha se recusado a pensar em como ele se sentia. Ele não tinha feito nada além de fazê-la feliz desde o momento em que entrou em sua vida. Ele riu, brincou, ele a fez sorrir; sempre a fazia se sentir como se fosse a mulher mais maravilhosa e mais interessante do mundo. A atenção dele nunca vacilou, e ele até se sentira inseguro. Ele merecia coisa melhor do que ser tratado dessa maneira. "Desculpe," ela sussurrou, plantando um beijo furioso na boca de Santino. "Sinto muito mesmo." Ele balançou a cabeça, sorrindo de forma sensual. "Não sinta. Sei que está estressada. Juntos, nós vamos dar um jeito, prometo. Vou garantir que tudo dê certo." Sarah fechou os olhos e se entregou às estranhas palavras de romance. "Está disposto a ajudar?" Ele pressionou um beijo em sua testa. "Estou disposto a tomar conta de tudo. Você já fez o suficiente." Então, ele acariciou sua barriga. Com um suspiro, ela sentiu a sensação, o primeiro formigamento de apego ao pequeno bebê dentro de si. Era dele e dela, uma parte dele e dela. Eles estavam conectados para a eternidade. E ele


se importava, e era afetuoso com aquela bola de células, mesmo antes de ela mesma ter tido a chance de vê-lo dessa forma. A emoção a envolvia, e ela não queria nada além de ter Santino por perto. "Você me deixa tão assustada", ela sussurrou. Ele deslizou os braços para debaixo dela e levou-a para o quarto. "Para onde estamos indo?" "Primeiro, vamos para o seu quarto, onde vou levá-la para a cama e faremos amor até você me mandar parar." Sarah riu quando ele a colocou no colchão. "Eu acho que não há muita chance de que isso aconteça." Ele tirou a camisa deliberadamente, depois desabotoou as calças, arrastando-as, antes de tirar a cueca. O senso de humor de Sarah desapareceu enquanto ela passeava os olhos naquele corpo bonito, os membros bronzeados, na ereção que já estava praticamente dura na expectativa de fazer amor com ela. Ela se sentou, e ele a beijou suavemente enquanto desabotoava o zíper na parte de trás do vestido. Arrancando a renda vermelha, ele desabotoou seu sutiã, arrastando as mãos sobre seus seios para libertá-la. Quando ela estremeceu e se levantou de joelhos para envolver seus braços ao redor do pescoço dele, ele tirou sua calcinha de seus quadris. "Depois que eu terminar de fazer amor com este corpo...", ele pegou seus seios nas mãos e apertou. "Discutirei médicos e arranjos de moradia com você." Sarah nem sequer o ouviu completamente, porque já estava em chamas. Seus seios doíam quando ele os apertava, e o espaço entre suas pernas latejava em frenesi. Sua mão habilmente procurou a ereção de Santino e a apertou, arrastando a palma da mão sobre a cabeça. Ele a empurrou para baixo, gentilmente, sobre o colchão. Mantendo o peso fora dela, ele inclinou a cabeça para seus seios. Ela arqueou a espinha e gemeu quando ele sugou profundamente, enviando uma punhalada de desejo ao seu umbigo. Ela se torceu deliciosamente,


bêbada com a necessidade que a boca e mãos dele forneciam. Empurrou-lhe os ombros, empurrando-o de costas antes de subir e montá-lo. Santino estava ofegante enquanto acariciava seus braços para cima e para baixo enquanto ela sentava sobre a barriga dele, seu sexo úmido pressionando-lhe a carne. Ele brincou com seus seios cheios, que eram contornados com veias de um leve azul. Ele rastreou as veias com os dedos, os olhos entrecerrados, aparentemente hipnotizado pelas mudanças que a gravidez já havia feito em seu corpo. Ele a puxou para baixo e os seios de Sarah se balançaram sobre a boca dele. Agarrando um em cada palma, apertou os lábios em torno de um de seus mamilos, puxandoo delicadamente. As mãos dele eram ásperas em sua carne, mas os movimentos eram suaves. Foi cuidadoso com ela quando a empurrou sobre suas costas e acomodou o umbigo entre suas as pernas. Como se ela fosse frágil, a mão dele percorreu seu abdômen. A boca de Santino seguiu um caminho pela frente até a barriga, onde pressionou um profundo beijo no abdômen inferior, fazendo-a se contorcer de prazer antes que a boca atingisse o ponto entre suas pernas. "Aah!" Um forte grito saiu do seu peito quando os lábios dele se apoderaram do ponto palpitante e sensibilizado escondido entre as pétalas de seu sexo. Suas pernas relaxaram em resposta, e ela estremeceu, seus quadris levantando-se do colchão no mesmo ritmo das lambidas da língua dele. *** ELE ESTAVA CHEIO do cheiro e gosto delicados dela. Agarrou-lhe a cintura, segurando-a no alto, em sua boca. Ele provocou-lhe o clitóris com a língua, esfregando-o repetidamente, sua luxúria alimentando-se em um incêndio no poço de seu abdômen. Estava enlouquecido. Sentia-se diferente de como estava se sentindo há pouco tempo, quando ela estava meio nua no sofá. Estava mais protetor, mais preocupado com o corpo dela, e a conexão que sentia com cada som que ela fazia era intensa. Ele tentou e não conseguiu entender, e adiou o pensamento para outro momento... Um momento em que não estivesse tão enlouquecido


pela luxúria eufórica. A ponta de sua língua circulou a entrada do corpo dela, e por impulso, ele mergulhou sua língua ali. O corpo dela se sacudiu e ela gritou, relaxando instantaneamente quando seus lábios pegaram no clitóris inchado. Ela ergueu os quadris, balançou-os em direção a sua boca, alcançando-a com mais e mais agitação. As mãos dele se arrastaram sobre a bunda de Sarah, e ele resmungou quando ela se sentou abruptamente, oferecendo a boca para ele. Suas línguas se entrelaçaram, e os braços dela descansaram em seus ombros enquanto ela permitia que ele aprofundasse o beijo. As pernas dela se abriram ainda mais, depois descansaram em cima das suas que estavam dobradas. Com membros e línguas emaranhados, eles se beijaram até lutarem para respirar, e ela moveu o próprio sexo mais perto de sua ereção. Mordendo seu lábio inferior, arrastou os lábios pela sua mandíbula. "Estou grávida de um bebê seu", ela sussurrou em seu ouvido. Os olhos de Santino se abriram, e um frenesi diferente de tudo o que ele tinha experimentado atravessou seus membros. Ele lentamente fez a coluna de Sarah arquear para trás, beijou-lhe o queixo, suas mãos em cascata sobre as costas dela, depois deslizando até a barriga. Deixou que os quadris dela se arrastassem um pouco para trás, e depois para mais perto de novo, só que desta vez sua ereção estava penetrando através da abertura do sexo dela. Sarah arqueou as costas e gemeu, a cabeça jogada para trás. Seus braços enrolados ao redor dos quadris dela, e lentamente, delicadamente, ele a arrastou mais para perto. Um gemido deixou seus lábios quando a fricção insuportável de carne deslizando contra a carne sugava sua ereção. "Ahh!" O grito de Sarah ressoou no silêncio do quarto. Sua ereção empurrou seu caminho através dela, abrindo-a, espalhando os lábios, até que eles estavam úmidos e agarrados à raiz de sua masculinidade. "Meu Deus!" A umidade e calor apertado do corpo dela o tentavam. Ele respirou fundo para


conter seu orgasmo desenfreado. Estava tão excitado que sentia que explodiria. Todas as vezes em que dormiram juntos, a camisinha tinha sido uma barreira entre eles. Desta vez, no entanto, ele sentiu o interior mais profundo dela diretamente em torno de sua masculinidade, e nenhuma palavra poderia descrever a sensação. Ele se afastou para encontrar os olhos aturdidos de Sarah, e ela contorceu os quadris para levá-lo mais profundamente, para fazê-lo começar a empurrar dentro dela furiosamente, como sempre fazia. "Você está tão doce e molhada por dentro. Poderia ficar aqui para sempre." Suas mãos abaixaram até o quadril dela. Arrastando-a em direção à sua pélvis em sacudidas ásperas e rápidas, ele gemeu com a sensação maravilhosa. "Sarah!" Ela curvou as costas, empurrando em direção a ele, levando sua masculinidade cada vez mais profundamente. O clitóris dela esfregava contra a raiz de seu pau, fazendo-a gemer. Interrompendo o o beijo, a cabeça dela caiu para trás, e ela gritou alto de euforia. E então ela estava tremendo selvagemente, balançando sobre ele, a cabeça caindo sobre seu ombro largo conforme ela cedia ao mar de prazer. As entranhas dela se apertaram ao redor de sua virilidade quando ela gozou, e ele beijou a bochecha dela grosseiramente. Empurrando-a de costas, seu corpo ainda intimamente unido a ela, tirou seu peso de cima dela. Ele empurrou seus joelhos dobrados sob as coxas dela, com seu eixo ereto entre as pernas, segurando-lhe os pulsos e puxando-a para mais perto. Sarah choramingou. A cabeça jogada para trás, ela se rendeu totalmente às exigências de sua ereção conforme ele a penetrava mais fundo, o ângulo de seus impulsos fazendo-o pousar no final dela. Logo, outro orgasmo a atravessou, fazendo-a tremer e seus dedos do pé se curvarem. Santino observava a visão diante dele, sabendo que nunca poderia esquecê-la enquanto vivesse. Nua, vulnerável, os braços espalhados, os seios balançando enquanto ele mergulhava nela. Ela era surreal.


Suas bolas batiam contra ela enquanto a tomava, aumentando o ritmo de seus impulsos, ofegante, seu abdômen tenso, seus bíceps salientes enquanto ele a segurava e a puxava mais para perto cada vez que a penetrava. Sua mão deslizou sobre a barriga dela, e a cobriu protetoramente com a mão enquanto a penetrava profundamente. Os olhos de Sarah abriram. A pequena mão apertou a sua, e o gesto foi suficiente para prendê-lo. Ele estremeceu, gemendo, curvando-se sobre ela e pressionando a testa contra o peito de Sarah. O nome dela se espalhou por seus lábios em um gemido interrompido repetidamente conforme o calor de seu sêmen deixava seu corpo para preenchê-la. Ele se mexeu nela lentamente e baixou a boca para beijar-lhe o queixo. Ainda a estava penetrando suavemente, seus ombros tensos para combater a sensibilidade em sua masculinidade depois de seu orgasmo. "Você dá uma sensação muito boa por dentro", ele sussurrou. "Não consigo acreditar que estava fazendo amor com você com proteção durante todo esse tempo quando eu poderia ter tido isso." Sarah sorriu brevemente e esfregou a bochecha contra a dele. Ele beijou-lhe o pescoço, e ela reprimiu um sorriso. "Especialmente quando a proteção não conseguiu fazer nada para parar seu super esperma." Santino riu, deslizando os braços sob os ombros de Sarah para segurar-lhe o peso enquanto continuava apertando sua masculinidade semidura dentro dela. "Eu poderia fazer isso a noite toda", ele sussurrou, os olhos embaçando de desejo novamente. Os olhos dela se arregalaram em choque conforme sua ereção começava a endurecer novamente, ainda dentro dela, e ela apertou seu interior em torno dele. O rosto dela corou; as mãos percorreram suas costas. "Eu definitivamente deixaria você fazer isso durante toda a noite. Ou toda a semana. Ou todo o mês..." Mas ele já estava mordendo os lábios dela, o beijo se aprofundando instantaneamente enquanto ele metia ritmicamente, abrindo caminho para dentro do corpo dela.


"Não sou frágil, sabia? Apenas estou grávida", ela arfou e, pela primeira vez, parecia estar feliz com o fato. Ele respirou fundo contra sua bochecha e deslizou seus lábios pela orelha de Sarah. Ao mesmo tempo, uma de suas mãos se espalhou protetoramente sobre a barriga dela. "Não vou arriscar. Eu quero essa coisinha."


Capítulo Nove DOIS DIAS DEPOIS, Sarah caminhava silenciosamente para o trabalho, sem incomodar ninguém, quando os lobos caíram sobre ela. Os repórteres gritavam perguntas que ela não conseguia entender, pois todos falavam ao mesmo tempo. Por alguns momentos, ela foi consumida com uma explosão surpreendente de adrenalina, aterrorizada de que algo tivesse acontecido a Santino. Então ouviu as palavras relacionamento e Sr. Orlando, e o medo foi substituído por pânico. Ela tinha sido levada ao trabalho por Santino nos últimos dois dias, pois ele tinha se plantado firmemente em sua casa, e só tinha saído esta manhã quando ela o convenceu de que ainda poderia ir trabalhar caminhando. Afinal, ela precisava se exercitar. Mas não estava preparada para isso. Os repórteres caíam uns sobre os outros para dar uma espiada na aparente namorada de Santino Orlando. Com a cabeça girando, ela os evitou sem dizer uma palavra e conseguiu chegar ao trabalho. Mas a hora seguinte foi passada com a cabeça entre as mãos. Ela não conseguia trabalhar, e o pânico invadiu seu corpo. Finalmente, reuniu a energia para ligar para Santino. "Merda." Seu celular estava no modo silencioso. Havia dez chamadas perdidas dele, e ela tinha acabo de discar quando a porta para seu escritório se abriu e ele entrou. Um olhar para seu rosto atingido, e ele já sabia. "Sinto muito mesmo", ele disse, simplesmente. Sarah não conseguiu evitar. Ficou de pé e caminhou direto para os braços dele, empurrando o rosto no peito. "Isso é insano." Ele acariciou suas costas. "Eu mesmo deveria ter trazido você para o trabalho. Se eu tivesse alguma ideia de que eles iriam descobrir e assediar você, eu teria levado você e dispensado todos


eles." Ela ergueu os olhos para ele, depois se acomodou no peito. "No que está pensando?" Ela balançou a cabeça. "Não tenho certeza se estou pronta para falar sobre isso." Segurando seus braços com firmeza, ele a forçou a se sentar na cadeira. "Você está se sentindo bem?" "Estou bem." Mas ela se agarrou à mão dele como se fosse uma salvação. Suspirando, fechou os olhos com força. "Eu odeio ser o centro das atenções." Quando ele silenciosamente esperou que ela falasse mais, o desejo de falar aumentou. "Você não me conhece... De verdade, Santino." Ele segurou a mão dela com mais força. "Então me ajude a conhecê-la. Porque isso é tudo o que eu quero." Ela o olhou, lembrando do lindo homem que vira há apenas poucas semanas. Ele parecera tão inatingível, tão surreal, e agora estava aqui, segurando sua mão como se nunca fosse deixá-la. E o mais importante, ele era o pai de seu bebê que estava por nascer. Santino estava fazendo tudo certo, e esse era o problema. Ela esperava que ele fosse escorregar, fazer um movimento errado para que ela pudesse usar isso como uma desculpa e parar de confiar nele. Não importava o que fizesse por ela, ela sempre sentia uma desgraça iminente, como se tudo lhe fosse arrancado de uma hora para outra. Coisas boas, ela tinha aprendido repetidamente, não vinham para Sarah Montgomery. "Passei a vida inteira longe dos holofotes, não querendo ser o centro das atenções. Sabe... Eu estudei mídia porque eu amava modelar e atuar, mas não conseguia suportar estar na tela, então decidi que dirigir me manteria mais perto da arte, mas não no centro dela ". A testa dele franziu ao ouvir. "Tem medo de fazer besteira?" Ela sorriu trêmula. "Eu só estou com medo de ser atraída para os problemas." "Não entendo, Sarah."


Ela engoliu. "Eu sempre estive sozinha, como em ..." Ela pensou, tentando não se fazer de coitada. "Eu não tinha ninguém em quem me apoiar, então eu só contei comigo mesma. Ser apanhada em um problema, ou em uma situação que era muito angustiante, só me pressionaria, porque não tinha ninguém para me ajudar." Ele enrugou os lábios. "E sua família?" "Eu tive uma família adotiva, mas tinha muitos problemas lá. Abuso de substâncias, conflitos, temperamentos difíceis. Aprendi cedo que se eu não quisesse ser envolvida nas brigas, tinha que me esconder no canto e fingir que não existia. Então acho que meio que me acostumei a ficar invisível. Mas quando me mudei, me transformei conscientemente. Eu aprendi que era confiante, e eu poderia lidar com os problemas, mas eu ainda odeio estar no centro das atenções. " "Se os repórteres chegarem perto de você novamente, eu vou processar eles." Sarah riu. "Fala sério. Eles estão fazendo apenas o trabalho deles. Vem com o fato de você ser o Sr. Orlando." "Eu não me importo com o que eles estão fazendo ou por que eles estão fazendo isso. Vou proteger você." Ela encontrou o olhar dele. "Não te entendo, Santino, por que está fazendo isso?" "Sarah, me faça um favor e esqueça tudo o que leu sobre mim na imprensa. Metade da informação é infundada, e a outra metade é exagerada." Ela nunca pensou nisso dessa maneira. "Ok." Mas ela percebeu tardiamente que não podia esquecer totalmente que ele era um símbolo sexual, o homem que as mulheres rastejavam atrás, o homem chamado de ‘o solteirão mais cobiçado no país’ devido a sua aparência e riqueza. "Eu sou apenas um cara simples que conseguiu de alguma forma acumular muita fama e fortuna, e tudo o que eu quero é ter uma vida estável. Acomodada e descomplicada." "Então, você realmente se importa com o bebê?" Ele sorriu. "Claro que me importo com o bebê. O bebê me deixa animado. Mal posso esperar para vê-lo. Admito que fiquei chocado quando descobri, especialmente porque usamos


proteção. E não conseguia imaginar, nem em meus sonhos mais loucos, que algo assim pudesse acontecer. "Que o seu super esperma pudesse derrotar a proteção?" Ele riu. "Sim, isso. Mas mesmo que tenha parecido que tomei uma decisão impulsiva, juro que pensei sobre isso. Naquela noite eu descobri. Fiquei acordado muito tempo depois que você dormiu, pensando, planejando, modificando meus planos e metas, mantendo isso em mente. Não é fácil, mas estou tentando. Prometo que vou tentar o meu melhor." Ela suspirou. "Não estava esperando que você fosse ficar por perto." Ele assentiu pensativo. "Se você não tivesse me contado, eu nunca acreditaria que você tentasse ficar fora do centro das atenções." Ela riu. "Eu tento ao máximo esconder minhas falhas." Ele soltou a mão dela e colocou o rosto entre as palmas das mãos. "Você não tem falhas. Você é perfeitamente e absolutamente impecável, e você é única. E também é muito forte, e eu sou louco por você." Sarah inclinou-se para a frente e pressionou seu polegar no lábio inferior dele, arrastando-o suavemente para baixo antes de cobrir-lhe a boca com a sua. A respiração afiada a fez se inclinar para um beijo mais profundo e longo. Todos os medos que ela sentira desde o momento em que os repórteres tinham se jogado sobre ela a deixou, e ninguém mais existia, exceto este homem e ela, e aquelas mãos possessivas em seu rosto. Afastando-se, ela enrugou os lábios e sorriu. "Preciso admitir, estou muito assustada com tudo isso." "O bebê?" Ela balançou a cabeça. "Isso também. Mas isso é meio que inevitável, sabe? O bebê está vindo, e não tem como sair dessa. Está acontecendo. Mas você..." Ela engoliu em seco, considerando como se expressar para fazê-lo entender, mas as palavras continuavam a fugir. "Você é uma decisão. Quero dizer... Eu escolhi confiar em você, e isso é muito assustador, porque estou me


tornando vulnerável propositalmente, e não tenho certeza se essa é uma ideia muito boa." A dor encheu os olhos dele, logo foi rapidamente substituída pela determinação. "Sei que é arriscado. Eu sei que você só me conhece há algumas semanas, mas pense nisso desta maneira. É um risco enorme... Claro. Mas você pode imaginar as recompensas que vêm ao investir em mim?" Ela riu. "Está falando financeiramente agora?" "Porque sou um investidor. Eu arrisco, e eu estou te ensinando o negócio. Este é um conhecimento muito valioso que estou transmitindo aqui." Ela riu. "Ok. Continue. "Assim, quanto maior o risco, maior o retorno. Se eu vir a ser um investimento fantástico, o que eu tenho certeza, você teria um parceiro no crime, alguém para ter a sua volta, e alguém com quem contar. Você acha que está disposta a correr o risco?" Ela lutou contra um sorriso. Não adiantou muito no quesito afastar o medo, mas ela podia admitir que o humor dele tinha levantado seu ânimo consideravelmente. "Acho que vou considerar esse investimento." Ele sorriu e plantou um beijo firme em sua bochecha. "Graças a Deus por isso." *** Durante a semana restante, Santino insistiu em levá-la na ida e volta do trabalho, e ela o viu lidar com os repórteres com humor, um de seus pontos fortes. Entre uma de suas entrevistas na rua, ele gentilmente e com um sorriso, informou que ele era muito protetor sobre sua namorada e liberaria seu temperamento raramente visto se alguém se aproximasse dela. Os repórteres riram com ele, mas relataram mais tarde que tinham sido sutilmente ameaçados se chegassem perto de Sarah. "Você sabe..." Sarah começou enquanto assistia um segmento de notícias na TV mais tarde. "... isso pode bagunçar com seu RP." "Quem liga para RP? Só quero que eles saibam que não vou tolerar que eles ultrapassem o limite com você de novo."


"Para ser justa, eu vi cinco repórteres hoje mais cedo no mercado, mas eles não se aproximaram. Eles ficaram do lado de fora e desviavam as câmeras sempre que eu olhava." "Com o risco de soar extremamente pretensioso, querida..." Ele a pegou pela cintura e pressionou um beijo em seu pescoço. "Eles sabem que não podem mexer com Santino Orlando." Ela riu e se virou para encará-lo. "Você é convencido." "Eu posso ser convencido." "Sério?" "Uhumm. Eu tenho você. Isso me dá o direito de ser convencido." Ela fez careta pra ele, mostrando a língua. Ele se inclinou para mordê-la. Ela gritou e o empurrou para trás, mas ele a segurou, mordendo sua bochecha, seu pescoço, enquanto ela se contorcia e ria para se livrar. Quando ele finalmente conseguiu capturar sua boca, os dentes dele estavam longe de seus lábios. Ele lentamente acariciou os contornos suaves, engolindo sua respiração irregular.


Capítulo Dez "SARAH, ACORDE." Sarah se contorceu e arrastou o travesseiro sobre a cabeça. "Acorda, dorminhoca. Temos a consulta com o médico." "Que horas são?" Ela gemeu por debaixo do travesseiro, a voz abafada. Ele riu. Ela parecia pequena deitada na cama, o top deslizando acima das costas com ela deitada de barriga para baixo. O short grudado sobre os quadris cheios e largos. "Já são dez horas. Não temos muito tempo." Ela tirou o travesseiro da cabeça, tirando o cabelo do rosto. "Por que você não foi pro trabalho?" Ele encolheu os ombros. "Estava ansioso demais para ir." "Mas você não disse que tinha uma reunião hoje de manhã?" Ele deslizou uma das mãos sobre o rosto dela, empurrando o cabelo bagunçado para longe da bochecha. "Eu tenho outra reunião que é muito mais importante. Uma reunião com essa pequena pessoa que você tem dentro de você." "Tá falando sério?" Sarah parecia não saber se deveria ficar feliz ou furiosa. Ela se sentou. "Estou feliz que você esteja levando o bebê a sério, mas Santino, o trabalho é importante. Não pode dar furo. Se eu fizesse a mesma coisa idiota amanhã, esperaria que você colocasse algum juízo na minha cabeça." Ele riu. "E vou. Mas hoje é um grande dia. Então tire essa bunda linda desse short e coloque algo mais apropriado." Ela se levantou lentamente e caminhou até o banheiro. "Defina apropriado", ela brincou. Ele observou a bunda de Sarah balançando de forma sexy naqueles shorts enquanto fazia o caminho até o banheiro. "Apropriado seria qualquer coisa que não me fizesse babar pela sua


bunda como estou babando agora." Ela se virou, um sorriso provocante no rosto. "Ah, é? Duvido que eu consiga deixá-la menos sexy." Ele riu, amando cada momento que passava com Sarah. Mesmo com o rosto sem maquiagem e com o cabelo bagunçado, ela era a mulher mais linda que já vira. "Também duvido, mas podíamos tentar." Ela tirou o cabelo para longe dos ombros. "Tire seu nariz das minhas opções de roupa." Ele estava rindo quando ela desapareceu atrás da porta. Deus. Ele era louco por ela. E adorava até a forma como ela dispensava suas sugestões. Sarah era uma mulher que não aceitava ordens de nenhum homem, e isso o excitava. Quando ela chegou à sala de estar vestida para a consulta, sua testa franziu. E não era porque ela estava vestindo o short mais grudado e curto que ele já tinha visto. Era porque ela nunca saía de casa sem parecer a executiva que era. Sem dizer uma palavra, ele seguiu atrás dela até a porta da frente, e quando os lábios dela se contraíram, ele balançou a cabeça. "Você está brincando comigo, né?" Ela riu, andando de volta para o banheiro. "Era um teste. Você não comentou sobre meus shorts, então você passou muito bem. Vou colocar uma calça." Ele ainda ria quando ela voltou parecendo como ela mesma em forma recatada, com uma calça preta bem sexy o mesmo top roxo que tinha usado outro dia. Ela tinha acabado de passar por ele quando ele lhe deu um tapinha no traseiro. Ela deu um pulo, horrorizada. Com os olhos arregalados, ela gaguejou em uma risada. "Tá brincando comigo?" Ele beijou-lhe a bochecha rapidamente, e sua mão apertou-lhe o traseiro novamente. "Só pra mostrar que isso é meu." Ela ficou ao lado dele no elevador, e três senhoras idosas seguiram atrás deles. Inclinando-se para trás, Sarah deslizou uma das mãos sobre a bunda dele e notou que ele não se moveu. "E isso é meu", sussurrou de forma quente contra seu ombro.


Respirando fundo, ele se inclinou de lado, perto da orelha dela. "Você está me deixando duro." O umbigo de Sarah girou bruscamente, e ela ofegou quando a luxúria a inundou em resposta. Tirando a mão para longe dos quadris dele, Sarah ficou quieta enquanto uma das senhoras sorriu para eles. Quando Santino apertou as mãos sutilmente na sua frente, o olhar de Sarah baixou automaticamente para sua virilha. "Você não estava brincando, não é?" Ela sussurrou significativamente. Ele sorriu e se sentiu agradecido que o passeio tinha terminado quando as portas do elevador se abriram. Quando saíram do elevador, deslizou um braço protetor sobre a cintura dela. "Nunca brinco sobre ereções." Eles tinham acabado de sair da porta da frente de seu prédio quando Sarah se viu sendo puxada contra o peito dele e empurrada em direção ao carro. Os gritos dos repórteres ecoaram em seus ouvidos um momento antes de ela ver homens grandes e corpulentos formando um círculo de cerca de três metros de comprimento ao redor deles. E então o círculo estava se movendo com eles, e ela entrou no carro cm facilidade. Santino entrou ao lado dela na parte de trás do SUV, e Sarah olhou para o homem alto e volumoso com uma cicatriz irregular, mas bonita, no rosto, sentado no banco do passageiro. "O que está acontecendo?" Ela perguntou, o coração acelerado. "Quem é esse?" "Ah, nada", Santino disse com um sorriso, embora se pudesse perceber que ele estava tenso, e o olhar no seu rosto parecesse com o de um assassino. "Apenas alguns guarda-costas para afastar os abutres que eu vou processar esta semana." Sarah tentou entender como ele conseguia estar tão furioso, mas ainda ser tão perfeitamente educado com ela. Se ela ficasse incomodada com alguma coisa, estava acostumada combater qualquer coisa ou qualquer um que fosse infeliz o suficiente para entrar em seu caminho. Mas este homem não só tinha um temperamento ardente, mas também uma restrição inquebrável. ***


SARAH CONTORCEU OS DEDOS e os pousou contra o peito quando a médica levantou sua blusa da barriga e pediu que ela desabotoasse a calça. Sarah fez o que tinha sido pedido e olhou para Santino, que olhava para seu rosto sem piscar. "O quê?" "Estou com um pouco de medo", ele admitiu. Sarah se aqueceu de dentro para fora. Ele parecia tão jovem. Absolutamente abalado, também, agora que ela se concentrava na expressão que ele fazia. "Você está com medo de que vá se tornar mais real quando você o ver?" Ele balançou a cabeça, franzindo a testa. "Claro que não. Estou com medo porque quero que nosso bebê fique bem." Sarah engoliu em seco a emoção e olhou para ele maravilhada, mesmo depois que ele deslocou a atenção para o monitor. O som impetuoso de um batimento cardíaco amplificado ressoou na sala, e o médico sorriu quando ela arrastou o dispositivo de mão sobre o abdômen ainda reto de Sarah. "Aqui está... aqui é o..." A médica pausou, a sobrancelha franzida. "O que há de errado?", Santino falou com um tom áspero e dominante, que parecia ser um cenário personalizado para momentos em que ele queria dominar tudo e todos e sair vitorioso. Sarah pegou-lhe a mão para acalmá-lo. "O que há de errado?", ele perguntou bruscamente, de novo. Sarah percebeu que as mãos dele estavam congelando, assim como as dela. Respirou profundamente, olhou fixamente para o teto, o pânico lhe atravessando o corpo. Um olhar para Sarah quase hiperventilado, e a dominação de Santino teve uma morte rápida. Ele soltou a mão e colocou-a sobre sua testa. "Você está bem?" "Sim." Ele pegou a mão dela de novo e apertou seus nós dos dedos contra seus lábios. "Estou aqui. Não fique assustada."


"Ah, parabéns!" A médica soltou de repente. "Vocês vão ter dois bebês." Santino olhou para a médica, e Sarah olhou para Santino. Ela não sentiu nada por um momento enquanto a informação era enviada para a parte sensorial de seu cérebro, onde demorou ainda mais para ser processada. Mas quando Santino encontrou seu olhar, ela sabia que ele tinha processado aquela informação mais rápido, porque ele estava, por alguma razão boba, radiante. "Dois bebês. Gêmeos, Sarah." Todo o corpo de Sarah ficou gelado, depois quente novamente. Gêmeos. Não um, mas dois bebês para cuidar. Mas Santino estava lá. Ele estava, certo? Ela se forçou a acreditar nisso, caso contrário, enlouqueceria. "Ei", ele disse suavemente quando ela não sorriu e nem reagiu. Ficando de pé, ele se abaixou sobre ela, escondendo seu rosto da médica. Só relaxou quando Sarah levantou a mão para agarrar suas costas, mas seus dedos se afundaram na pele dele, como se ela estivesse se afogando. "Dois bebês, e dois de nós. Vai ser fácil." "Uhum", ela murmurou. Santino lhe beijou a bochecha. O olhar dele se lançou sobre seu rosto enquanto tentava entender o que estava acontecendo em sua mente. Ela estava em choque. O pânico estava escrito na forma como seus olhos se arregalaram, no modo como ela franziu os lábios. Precisava de tempo para processar isso. "Estou aqui, querida", ele sussurrou. "Não se preocupe com nada." Sarah assentiu e fechou os olhos enquanto ele lhe beijava a boca. "Vamos para casa." *** A “casa” a qual ele se referia acabou sendo a casa dele, e não a de Sarah, e Sarah olhou para ele cautelosamente. "O que está fazendo?" "Te levando para casa." "Mas essa é a sua casa."


Ele deslizou para fora do carro, e Sarah deu um pulo quando alguém abriu sua porta ao mesmo tempo. Um guarda... ou outra pessoa. "Sarah, conheça o Sr. Connelly. Ele é nosso mordomo." Nosso mordomo. Ela não sentiu falta da articulação, mas manteve a boca fechada até que ele a puxou. "O que quis dizer com 'vou te mostrar nossa casa'?" Ele a segurou. "Sarah, sei que já teve choques suficientes para um dia, e não vou nem pensar em insistir nada. Então, vou apenas te mostrar minha casa. Nossa. Porque sério, você consegue imaginar as crianças dizendo: 'vamos ficar na casa da mamãe hoje, ou na casa do papai?' Eles precisam de um lugar pra chamar de casa." "E isso pode ser na minha casa, também", ela argumentou teimosamente. Ele respirou fundo e assentiu. "Claro, o que você quiser. Ok?" Sarah sentiu-se como uma pirralha mimada quando ele a beijou, sorriu e deixou que ela ganhasse a discussão antes de prosseguir mostrando-lhe a casa dele. Era gigante, o que ela já tinha presumido. Ela tinha visto a casa dele na Espanha e decidiu naquele momento que Santino não tinha ideia do que fazer com todo o dinheiro que ganhava. Então construía casas grandes, e depois casas ainda maiores. Tudo era enorme e dominador, como ele. Até os móveis eram modernos, minimalistas, nervosos; parecidos com ele. "Tenho de admitir que esta casa é muito mais bonita do que a casa de Madri, e pensei que aquele lugar não poderia ser superado." Ele riu. "Obrigado. Você se vê morando aqui comigo? Em algum momento? Logo?" Sarah inspirou profundamente e caminhou em direção à sala de jantar, depois voltou para as portas francesas que levavam à piscina. Então, se virou. Ela estava vividamente consciente do fato de que ele estava pedindo que ela se mudasse para o bem dos bebês. Será que poderia reclamar? Ela queria o apoio dele, e tinha conseguido. Ela não queria parecer gananciosa. Ele estava fazendo tudo que podia para fazê-la sentir-se especial e reduzir seu estresse. "Não agora. Mas talvez em algum momento em breve."


"Não estou te apressando. Quando você se sentir confortável." Então, ele se aproximou. "Me diga uma coisa?" "Uhum?" "Está feliz em relação aos bebês?" Sarah conseguiu dar um pequeno sorriso. "O fato de que vamos ter gêmeos? Acho que vou precisar de um tempo para me ajustar à ideia." "Não," ele disse suavemente. "De modo geral, você está feliz que será mãe?" Sarah engoliu, seu medo lhe atravessando. Ela tinha dito a si mesma que se acostumara às sacudidas crescentes de pânico, mas ainda ficava surpresa cada vez que isso acontecia. "Estou mais feliz agora que sei que você vai ficar por perto." "Sim. Mas... mas já começou a sentir que talvez isso era para acontecer, e talvez mude sua vida para melhor?" Sarah assentiu, mas ele inclinou a cabeça para o lado. "Por favor, não minta para mim. Não vou te julgar, querida. Só quero entender seus sentimentos para que eu consiga te acompanhar." Ela se sentou no sofá, e ele se sentou de pernas cruzadas no carpete, observando cada expressão que passava em seu rosto. Sarah sentiu como se estivesse nua. Que ele podia ver tudo, todas as falhas e os pedaços quebrados dentro dela que ela garantira que estavam escondidos. Mas ele já sabia de tudo agora. Quase tudo. E não foi repelido. Que tipo de mulher não ficaria feliz em estar grávida? "Não é que eu não queria ser mãe, é apenas... Aterrorizante e..." "E?" Ele parecia completamente relaxado, compreensivo, os olhos inundados com o mesmo calor de sempre. Não havia julgamento naqueles belos olhos, nem mesmo uma sombra. "E mexe com todos os planos que fiz para minha vida." "Por exemplo?" "Por exemplo... Eu estava trabalhando muito para conseguir uma promoção, e será minha se nós fizermos a propaganda para a BubFun. Mas agora eu penso, qual o objetivo de todo esse


trabalho duro? Vou precisar cuidar não de um, mas de dois bebês!" Santino engoliu e respirou fundo. "Ok, então, eu estava pensando..." ele começou alegremente, como se ela não tivesse dito nada. Não vou viajar para fora do país por um tempo agora... Não frequentemente. Talvez uma vez por ano. Vou tentar delegar tudo. Então, já que vou estar no escritório de Nova York com tanta frequência, pedi para que um andar no prédio fosse esvaziado. Trouxe um designer de interiores para criar um espaço para crianças. E também estou oferecendo creche gratuita para os filhos dos meus funcionários." A testa de Sarah franziu quando ela tentou dar sentido a isso. "Então, posso ter os bebês comigo. Já que sou tão paranoico, os cuidadores estariam bem dentro do meu alcance durante o dia. E você pode passar lá durante seu horário de almoço. E depois buscar os bebês e a mim quando sair do trabalho." O tipo de vida que ele pintou a fez sorrir e a deixou feliz porque, ao menos uma vez, ela teria alguém que se importaria se ela não aparecesse para o almoço ou para buscá-lo. Mas, enquanto envolvia os braços ao redor do pescoço de Santino e sussurrava obrigado, ela não podia suportar dizer àquele homem maravilhoso e sensacional que ela tinha medo de coisas mais escuras e mais profundas. Ela não era capaz de ser mãe. Não sabia como. Nunca vira uma em ação. Sua mãe adotiva estava sempre bêbada e furiosa, e sabia que não era assim que as mães deviam ser. Não tinha como Sarah aprender a ser uma mãe. Não teve nenhuma inspiração ou exemplo a seguir. Não sabia nada sobre maternidade. Sobre cuidar de outra pessoa. Colocar outra pessoa à frente de si mesma. Em sua busca para ser independente e destruir os demônios de seu passado, ela percebeu com muito pesar que se transformou em uma mulher egoísta, e que estava com medo de que não fosse capaz de cuidar de ninguém além de si mesma. Sua mente estava cheia de possibilidades, medos e perguntas, mas conforme ficava sentada ali agarrada a ele, sabia pelo menos uma coisa de fato: Santino Orlando significava mais para ela do que qualquer outra pessoa tinha significado em toda a sua vida. Era mais do que apenas o


apoio de tĂŞ-lo por perto por causa dos bebĂŞs. Era ele, e quem ele era, e o tipo de papel que ele teria em sua vida. Ela era louca por ele, e se havia alguma coisa chamada amor, era isso. Esse sentimento doloroso e desesperado de necessidade de tĂŞ-lo. E ela se encontrava frequentemente se preocupando com ele. Ela estava se apaixonando perdidamente por ele. Se ao menos conseguisse confiar que ele ficaria ao seu lado.


Capítulo Onze "SAI!" SARAH GRITOU para Santino enquanto vomitava no banheiro pela terceira vez no dia. "Não vou a lugar nenhum." A voz de Santino era calma enquanto olhava para ela. Sarah ficaria bem, se conseguisse lidar com uma coisa de cada vez. Vomitar já era estressante o suficiente sem saber que ele a estava assistindo fazer isso. Ela não teve chance de gritar com ele novamente, porém, porque a náusea não parava de atingi-la. Finalmente conseguiu ficar de pé, virando-se em direção à pia. Enquanto enxaguava a boca e escovava os dentes, seus olhos se estreitaram para o reflexo. Ele estava parado atrás dela, a preocupação marcada no rosto enquanto lhe entregava a toalha. "Não gosto de você parado do meu lado enquanto eu vomito. Poderia pelo menos ficar do lado de fora?" "Quero ficar com você." Ela revirou os olhos. "Que tipo de satisfação você poderia possivelmente conseguir colocando-se naquela situação?" "Você não está bem, e eu não vou embora." "O quê... Então planeja ficar do meu lado se eu tiver diarreia amanhã?" Ele lutou contra um sorriso. "Eu definitivamente ficaria ao seu lado." "Cala a boca!" Ela engasgou com uma risada e enxugou os olhos, impressionada pelo quão ridículo ele estava sendo. "Não basta você ter uma namorada que fica vomitando, doente e bruta em vez da mulher equilibrada e graciosa que você conheceu inicialmente?" "Bom, minha namorada não pretendia ficar grávida, mas ficou. Então acho que tudo bem." "Ah, senhor. Estou morrendo." Ela se jogou no sofá. "Ei!" Ele advertiu. "Cuidado." Sarah apenas gemeu em resposta.


Ele observou enquanto ela segurava a crescente barriga suavemente. "O que a médica disse sobre esse enjoo matinal mesmo?" Sua cabeça se levantou do sofá, e ela lhe lançou o olhar mais ofendido que conseguiu. "Enjoo matinal? Não desrespeite esse monstro. Esse enjoo é 24 horas por dia. Só não sei por que está se demorando tanto no primeiro trimestre. Está ficando cada vez pior." Ele se aproximou. "Sua barriga continua ficando cada vez maior. É fofo." "Fofo uma ova", ela zombou. "Estou ficando enorme." "Dificilmente. Você não come o suficiente, e o que come, acaba dentro da privada." "Os bebês vão ficar bem, seu paranoico." Ele sorriu. "Preciso passar em casa para pegar um terno antes do trabalho. Tem certeza de que vai ficar bem?" "Uhumm. Vou ficar em casa fazendo nada enquanto você sai para ser produtivo." "Por que não pede que eles mandem trabalho para você fazer em casa? Você pode permanecer produtiva." Sarah levantou a cabeça. "Essa é uma ideia fantástica." Ela se levantou do sofá e parou, olhando-o, depois tapou a boca e correu direto para o banheiro. Santino estava parado na entrada do banheiro quando ela se levantou do chão novamente e limpou a boca. "Por favor, Sarah, venha morar comigo?" Ela se virou, congelada. Ele nem falara mais no assunto desde aquele dia, há dois meses, quando a levara para conhecer o lugar. Ele parecia exausto e exasperado, e ela simplesmente ficou de boca aberta. De alguma forma, ele conseguia deixar até essa expressão sexy. "Não é que eu não goste da sua casa ou que esteja te forçando a sair da sua zona de conforto, mas você não está bem, e não posso ficar em casa com você, e isso está me matando. Você está afastada do trabalho há um mês por causa do enjoo, e eu preciso cuidar de você durante todo o tempo."


Sarah lavou a boca e pensou no assunto. Ela definitivamente aterrorizada em sair de sua zona de conforto. "Nós dois sabemos que você não tem espaço suficiente no armário aqui", ele continuou. "Eu preciso continuar voltando para minha casa para me vestir, e não quero dormir na minha casa enquanto você está dormindo aqui. É simplesmente absurdo. Eu tenho uma empregada de tempo integral. Você nem vai precisar cozinhar, ou limpar ou fazer qualquer coisa. Apenas descansar e ficar de bobeira até melhorar. E não ficarei preocupado com você enquanto estiver trabalhando." Sarah suspirou e assentiu. "Tá bom, então. Você vai trabalhar, eu faço as malas." Santino sorriu lentamente. "Sério?" Ela encolheu os ombros. "Claro." Ele a puxou para o peito. "Você não vai se arrepender. Prometo." "Uhum." Ela sorriu ante a alegria óbvia de Santino por ela ter concordado. *** Sarah se mudou, e Santino tirou dois dias de folga do trabalho porque estava muito excitado para se focar. Ele a ajudou a desempacotar e se acomodar, e ficou ao seu lado enquanto vomitava. Ela se acostumara com ele agora, felizmente, e parou de lhe dizer para ir embora e deixá-la sozinha. Porque ele não ouvia. Ele era teimoso, igual a ela. Mas então o enjoo piorou, até ela precisar ficar com um soro intravenoso na maior parte do dia. Ela estava lendo um livro quando ele chegou do trabalho e beijou seu rosto. "Você parece melhor." "Me sinto melhor. Você tem aquele evento de caridade hoje, certo?" Ele suspirou. "Temo que sim." Ele a olhou. "Tem certeza de que não pode vir?" "Ah, eu posso ir. Se estiver tudo bem para você eu vomitar durante o evento." Ele riu. "Você deve descansar. Vou fazer uma rápida aparição e volto direto para casa."


Ele disse adeus quando saiu, e Sarah percebeu que aquela era a primeira vez que ele saia sem beijá-la ou abraçá-la. Ela olhou seu reflexo no espelho da parede. Sua pele estava pálida, e círculos escuros dominavam seus olhos. O dito brilho da gravidez tinha evaporado. Não tinha percebido o quanto estava nojenta. Não era de se espantar que eles não faziam amor desde que ela se mudara, há quatro dias. A insegurança penetrou seus ossos, e ela tentou lutar contra. Não podia lidar com isso agora. Não. Como esperado, ela saiu correndo para o banheiro para vomitar de novo. Depois, ela se deitou na cama às nove e verificou o celular. Nenhuma ligação, e ele ainda não tinha voltado. Ela não soube quando adormeceu, mas quando acordou, as primeiras raias do amanhecer estavam se filtrando através das cortinas. Quando ela deslizou de lado para jogar um braço sobre Santino, ele não estava lá. E ninguém havia dormido do lado da cama dele. Lentamente saindo do quarto, ela caminhou e percebeu que a porta de outro quarto estava aberta, apesar de ela se lembrar especificamente de tê-la fechado. Então ela o viu dormindo de barriga para baixo no quarto ao lado. Ela deslizou ao lado dele, preocupada, confusa, e deslizou um braço ao redor da cintura. Ele se sacudiu quando acordou abruptamente, piscando algumas vezes. "Ei." Ficando de barriga para cima, puxou sua cabeça para o peito. O som suave da respiração dele era familiar e música para seus ouvidos, e ela se aconchegou mais perto. Jogou uma perna sobre as coxas dele, e ele se ajustou para deixá-la mais comutável, mas não tentou tocá-la mais do que isso. Essa era a quinta noite que ele não fizera absolutamente nenhuma tentativa de fazer amor, e seu coração estava despedaçado. "Por que dormiu aqui?", ela perguntou, mas ele já tinha adormecido. *** Sarah estava sentada na mesa do café da manhã tomando café da manhã. Sozinha. A


empregada conversou sobre algo que Sarah não podia responder, porque estava com o coração partido. Ela não conseguia entender. Não conseguia entender nada. Desde que fizera dezoito anos, fora uma mulher confiante, segura de si mesma e perfeitamente consciente do seu valor. Essa gravidez estava lhe fazendo perder tudo isso. Estava insegura, constantemente preocupada e paranoica com as coisas mais bizarras. Uma coisa, porém, que era dolorosa, mas não bizarra, era o fato óbvio de que Santino não estava mais interessado nela. Ele a trouxe para a casa dele, e foi aí que começou a queda. Ele se arrependeu. Ela podia sentir em tudo o que ele fazia. O fato de que ele não era mais afetuoso. O fato de se recusar a dormir com ela. O fato de ter levado isso a outro nível ontem à noite e ter dormido em outro quarto inteiramente. Ele ainda estava dormindo, o que significava que deve ter chegado em casa muito tarde. A rápida aparição no evento de caridade certamente não foi curta, e mais uma vez, o pânico se infiltrou em seu peito ao pensar que ele estava escondendo alguma coisa. Respirando fundo, acariciou seu ventre, onde os gêmeos em movimento a cutucavam por dentro, com cotovelos e pés, e pegou o jornal, abrindo-o. Precisava se distrair. O estresse não era saudável. E ela não tinha ninguém em quem confiar, então era simplesmente autodestrutivo se preocupar com isso. Mas mesmo tentando, não conseguia parar de pensar nele. Desejava que ele acordasse, desejava ter a coragem de ir até ele e perguntar o que tinha acontecido para fazê-lo ter se afastado dela. Ela estava desesperadamente com saudades dele. Mudar-se para lá tinha sido o pior erro que cometera. Eles estavam bem até ela ir para lá. Era como se, assim que ela tinha se mudado, ele tivesse percebido a verdadeira extensão das mudanças que teria de fazer na própria vida – os sacrifícios e os compromissos. E ele não estava pronto para fazer nada disso. Ela ouviu sons vindo do quarto do outro lado do corredor, e seus ombros ficaram tensos de nervosismo. Ele tinha acordado. Virando o jornal, ela visualizou o interior, fingindo ler, e foi aí que


seu coração bateu em sua garganta. Ela olhou para uma foto de Santino, o braço em torno de uma morena sensual que tinha a mesma tez dourada que ele. Eles pareciam lindos juntos, e essa percepção a atingiu como um golpe. Engolindo para não chorar, ela leu a legenda. Industrialista, Santino Orlando, com modelo colombiana, Maria Vargas. Perfeito, até o nome dela era exótico. Sarah balançou a cabeça para clarear as ideias e fechou os olhos, esfregando a testa. Estava condenado. Tudo estava. Então, era ali onde ele estivera a noite toda. Por isso chegara tarde. Era essa a razão de ele ter ficado longe dela. Não. Santino não faria isso comigo. Ele não faria isso. Sua consciência defendia com veemência o homem. Ele tinha provado várias vezes que estava apaixonado por ela, mas então por que não queria mais fazer amor? Ultimamente, se ela começasse alguma coisa, ele sutilmente se retirava da situação. Mas Santino não a trairia. Ele tinha moral e padrões, e nunca desceria tão baixo. Ele lhe diria. Ele era esse tipo de pessoa. Ela pulou quando lábios quentes e familiares pressionaram sua bochecha – muito brevemente. "Bom dia, linda." Sarah olhou fixamente para baixo, mirando sua barriga que estava tão grande que literalmente descansava em suas coxas. Ela engoliu e forçou um sorriso, mas ele nem estava olhando em sua direção. A empregada colocou um prato com a comida preferida dele. "Que horas você voltou?" Ela tentou dizer sem soar de forma acusatória. Ela se perguntou brevemente se realmente acreditava que ele não iria traí-la, ou se estava apenas tentando salvar seu orgulho por acreditar que não poderia ser enganada. Nem mesmo com uma modelo colombiana maravilhosa. Ele suspirou. "Perto das três, eu acho."


Ela mordeu a língua para evitar apontar que ele tinha prometido que voltaria rapidamente depois de uma breve presença. Mas isso seria infantil. Ele era adulto, nem precisaria responder. Podia fazer o que quisesse. Ela nunca toleraria alguém perguntando sobre tudo o que ela fizesse. "Sinto muito ter chegado tão tarde", disse ele, com as sobrancelhas se estreitando enquanto Sarah se segurava para não explodir. "Havia tanta gente, e meu RP me segurou pelo pescoço para permanecer no evento." Sarah assentiu, desviando os olhos. Uma parte dela ficava feliz pelo fato de que ele lhe dava tanta importância que se explicou. Ela podia estar gorda, feia e desmoronando emocionalmente, mas ele se importava pelo menos esse tanto. "Por que dormiu no quarto de hospedes?" "Você estava com problemas para dormir. Eu estava tão exausto e tive a impressão de que roncaria a maior parte da noite, então resolvi lhe dar um descanso." Sarah o olhou. Ele era bastante direto e claro. "Não ligo de você roncar. Sabe disso. E tem certeza de que essa foi a única razão?" Ele a olhou cautelosamente. "Claro, querida." Então a expressão dele se aclarou. "Não pense que eu ter dormindo lá significa algo além do fato de que eu queria que você descansasse. Preciso deixar claro que eu vou estar dormindo ao seu lado, contanto que você me deixe." Sarah deu uma risadinha e olhou de relance para o jornal. Desta vez, ela não olhou para a deusa colombiana no braço de Santino, mas para o rosto de Santino. Ele parecia o mesmo, e parecia que era seu. Um homem que estava prestes a se tornar pai de duas crianças. Um homem que não se esquivou de sua responsabilidade e fez parte da jornada de sua gravidez. Ele havia superado todas as suas expectativas, e ela queria acreditar que continuaria fazendo isso. Mas as pessoas eram inconstantes, e algo lhe disse que Santino estava sobrecarregado com as responsabilidades dela e dos bebês. Naquela noite, Sarah juntou energia para ir às compras quando ele pediu que ela tomasse um pouco de ar. Ela ainda estava enjoada, mas conseguia ficar períodos mais longos sem vomitar.


Então, colocando um vestido cinza que se prendia acima de sua barriga, passou algum tempo de qualidade com o homem que não queria mais fazer amor com ela. Era tudo em que ela conseguia pensar, e depois de duas horas, estava exausta. Quando chegaram em casa, Sarah caminhou diretamente para o sofá enquanto o motorista trazia as mais de vinte sacolas com produtos de bebês que os marqueteiros faziam os novos pais acreditarem que não sobreviveriam sem. Ela fechou os olhos quando Santino sentou no sofá longe dela. Seu coração se contorceu dolorosamente. Ele era o mesmo, mas ainda assim muito diferente. Ela não o culpava. Ela parecia uma baleia encalhada e, embora agora estivesse incrivelmente ligada aos bebês que chutavam em suas entranhas, ela se ressentia do fato de que Santino seria tão superficial para não desejá-la mais por causa disso. Ela obtinha algum consolo pelo fato de que pelo menos sabia. Melhor tarde do que nunca. Ela já tinha mentalmente se programado para acreditar que ele não ficaria por muito tempo. Se ele não pudesse lidar com uma namorada gorda, definitivamente não lidaria com dois bebês gritando. Secretamente, ela estava feliz por ainda ter seu apartamento. Durante os dois dias seguintes, sua confiança voltou. Tinha conversado consigo mesma e se lembrou da mulher que fora quando conheceu Santino, na Espanha. Ele não fora o único a mudar. Ela também tinha. Ela fora vibrante, confiante e ambiciosa, e agora estava apenas cansada. Suas náuseas haviam afetado sua vida, mas ela estava disposta a aceitar que as coisas eram temporárias, e que deveria aproveitar enquanto durasse. Então riu e brincou com Santino, recusando-se a se sentir abatida com a perda. Ela não precisava de um homem para fazê-la ser quem era, e também não precisava de um homem para ajudá-la a criar seus bebês. Mas, quanto mais tentava se convencer de que não lhe incomodava que Santino não quisesse mais dormir com ela, mais seu coração era cortado e se despedaçava. Então, ela resolveu ficar distante, porque não estava pronta para ser rejeitada. No dia seguinte, Sarah descobriu que seus gêmeos seriam duas meninas. Santino estava ao


seu lado, apertando sua mão como se fosse se partir em dois. Ele fez barulho que só poderia ser categorizado como um grito de êxtase. Ela se viu rindo, e ele beijou seu rosto repetidamente, até que seu coração ficou despedaçado e ela ficou com os olhos lacrimejantes. Quando ele perguntou o que tinha acontecido, ela não conseguia suportar lhe dizer. Porque ela mesma não sabia com certeza. Ela estava muito confusa. Mas à medida que as dores de fome retorciam seu estômago, ela decidiu adiar seus pensamentos por um tempo, e o desejo por frango frito a atingiu. "Podemos parar no KFC para comer frango?" Se Sarah tivesse dito que tinha visto um unicórnio, ele provavelmente teria agido de forma menos chocada. O que ela podia compreender. Além de Sarah detestar fast food e todas as gorduras pouco saudáveis que a acompanhavam, ela não conseguira nem olhar para um frango nos últimos meses sem sentir vontade de vomitar. "Você quer frango?" "Sim." Sarah olhou para a estrada. "Vire aqui." "Espera um pouco. Você precisa de frango? Tem certeza de que quer frango?" "Sim. Estou faminta, e quero ir no KFC. Pode, por favor, superar o choque e simplesmente me comprar comida?" Santino a observou enquanto ela comia em um KFC quase deserto. "Não está mais enjoada?" Sarah balançou a cabeça. "Surpreendentemente. Ou talvez eles tenham comprado frango melhores." "Frangos melhores? Melhor do que os orgânicos e saudáveis que você frita em azeite em casa?" Sarah encolheu os ombros, e quando chegaram em casa, estava um pouco cansada e precisava de uma soneca. Ela estava acabando de tirar o vestido quando decidiu que a banheira seria mais relaxante e revigorante.


Silenciosamente, caminhou até a banheira e deslizou para dentro da água quente, esfregando a barriga que ultrapassava a superfície da água. Ela reparou em si mesma cuidadosamente pela primeira vez em meses. Seus seios, que nunca tinham sido pequenos, estavam enormes. Seus mamilos estavam mais escuros, e sua barriga uma esfera perfeita. De forma muito louca, havia dois bebês dentro dela. Pela primeira vez desde que engravidara, ela se achou bonita. Havia um estranho charme em estar desse jeito, neste estado maravilhoso, então decidiu que seu corpo estava melhor do que antes. Suspirando, fez uma nota mental de voltar ao trabalho a partir de amanhã. Ainda dispunha de alguns dias de folga, mas já se ausentara muito tempo devido ao seu enjoo matinal, e não podia se permitir faltar ainda mais. Queria trabalhar um pouco, antes de tirar a licença maternidade depois que os bebês nascessem. Ela tinha acabado de fechar os olhos quando a porta do banheiro abriu suavemente. Abrindo um pouco os olhos, ela olhou para os lados e os fechou novamente. *** SANTINO OBSERVOU A mulher em sua banheira, e um estranho aperto dentro de seu peito aconteceu novamente – o mesmo que acontecia toda vez que ela ria, falava ou o tocava. Não havia tido muitos toques ultimamente, e ele sabia que era o responsável por isso, mas não aguentava mais. Caminhando até a banheira, ele tinha acabado de tirar a camisa e a calça quando ela abriu os olhos. Então, elas os abriu completamente, ficando boquiaberta de surpresa. Ele pegou-lhe o braço e a empurrou um pouco para frente para se sentar. "Abra espaço para mim." Os lábios de Sarah se abriram de surpresa. Ela fez o que ele pediu enquanto seu corpo grande se acomodava atrás dela na banheira. Recostando-se, ela respirou fundo quando seus quadris encostaram na ereção e descansou a cabeça contra seu peito. Engolindo, ela observou


enquanto as mãos dele deslizavam pelos braços dela e depois cobriam-lhe a barriga. Os dedos de Santino se espalhavam sobre a pele de Sarah de forma protetora, desejando tocar cada centímetro dela de uma só vez, mas sem saber como fazer isso. O silêncio foi quebrado com o som da respiração dos dois. Seus lábios pressionaram contra a orelha dela. "Senti sua falta, meu amor." Sarah fechou os olhos. "Você tem noção..." Ela disse enquanto seus lábios pressionavam-lhe a curva do pescoço. "Que não fazemos amor há quase duas semanas?" Seus braços a envolveram, e ele a puxou para mais perto, um gemido escapando de seus lábios quando os quadris dela pressionaram contra sua ereção. "Eu sei. Tem sido muito difícil ficar longe de você." "Então por que fez isso?" A acusação na voz dela fez seus lábios fecharem. Ele olhou para o perfil de Sarah enquanto ela olhava para frente, como se estivesse se preparando para uma batalha. "Porque você estava tão doente, e eu não queria exigir mais do seu corpo." Sarah inclinou a cabeça de repente, os olhos brilhando com a umidade. "Você nem me beijou", ela disse num suspiro. Ele olhou a boca de Sarah com desejo. "Porque eu não conseguiria parar se eu te beijasse." "Seu idiota!" Os olhos de Santino se arregalaram e ele recuou. “Como é?", ele engasgou com um riso. Sarah o cutucou na cintura com o cotovelo e se acomodou mais confortavelmente contra ele. "Você é um grande idiota." "O que eu fiz?" "Nada." Santino, por instinto, envolveu seus braços ao redor dos ombros dela, esmagando-lhe os seios debaixo deles enquanto empurrava seu rosto nos cabelos molhados e perfumados de Sarah. "Você acha que eu não queria fazer amor com você? Eu sonhava com isso. Eu te vejo e quero fazer amor


com você. Mas você estava fraca." Sarah fechou os olhos. "Estou me sentindo melhor agora." Santino soltou a parte superior do corpo dela e deslizou as mãos até a barriga, acariciando-a, parando quando sentiu um bebê se contorcer, o cotovelo pontiagudo saindo visivelmente. Eles riram juntos, e Santino empurrou a mão para baixo da base da bunda de Sarah. Abruptamente, a cabeça de Sarah deslizou para trás por cima de seu ombro, e ela gemeu em voz alta, os peitos sobressaindo, a coluna arqueando ligeiramente. As coxas dela relaxaram, dando-lhe espaço, abrindo-se enquanto ele deslizava seus dedos territorialmente por debaixo dela. Sua excitação disparou através de sua virilha, apertando-o, fazendo sua pele zumbir, e ele ergueu a mão livre para cobrir-lhe os seios. "Você devia olhar para você." Impressionado, ele arrastou a mão para baixo do seio para deslizar sobre a barriga, então de volta para agarrar o seio. Ele apertou levemente, e os mamilos endureceram em gomos apertados. A carne era firme sob seu toque. "Jesus..." ele respirou calorosamente e mordeu-lhe o lóbulo da orelha enquanto seus dedos brincavam com os mamilos. Sarah gemeu e estremeceu novamente enquanto seus dedos passavam repetidamente por cima do clitóris. Ela estava muito excitada. "Não gozo há dias." "Nem eu", ele sussurrou-lhe na orelha e passou a língua na curva do lóbulo. Sarah virou a cabeça para o lado e ofereceu-lhe a boca. Quando ele tomou-lhe os lábios, ele foi suave, gentil, acariciando. Seus lábios brincaram com o lábio superior de Sarah, depois com o inferior, e sua língua suavemente explorava-lhe a boca. "Você tem um gosto tão bom." Ele gemeu quando ela se agitou em seu abraço, as coxas caindo de lado na enorme banheira, sua ereção esmagada sob a lombar de Sarah enquanto ele atormentava-lhe o clitóris. Sarah interrompeu o beijo e agarrou os lados da banheira, levantando-se. Ele agarrou-lhe a cintura para estabilizá-la quando ela se levantava. Com a água derramando da pele impecável, ela se virou para encará-lo.


Ele inclinou a cabeça para trás para observá-la, a barriga redonda, os seios cheios. O corpo dela estava tão diferente do corpo com o qual ele tinha feito amor há apenas alguns meses. "Você está mais bonita agora do que antes." "Eu estava infeliz achando que eu não te excitava mais." Ele balançou a cabeça, horrorizado, pegando-lhe a mão e gentilmente puxando-a para baixo. Sarah se abaixou, envolvendo os braços ao redor de seu pescoço enquanto montava em seu colo. "Pare de ser irracional", ele murmurou. "Só não queria te cansar para satisfazer minhas vontades sexuais." "E as minhas?" Ele a puxou para mais perto até que a barriga pressionou contra seu abdômen e os seios ficaram esmagados contra seu peito, e ele a beijou profundamente. Cada palavra que ele não falava, cada sentimento que ele não tinha sido capaz de comunicar a ela, estava nesse beijo. Seus lábios estavam gananciosos, famintos, rápidos, depois se suavizavam brevemente, antes de ganharem ímpeto novamente. Suas mãos deslizaram para cima e para baixo das costas dela, agarrando-lhe os quadris redondos e arrastando-a mais para perto de modo que ela espalhou o sexo aberto contra sua ereção. A água salpicava para fora da banheira e para o chão de mármore sempre que eles se moviam. Sarah deslizou as mãos molhadas pelo seu cabelo, parecendo se alegrar com a sensação, e quando ele parou de beijá-la, ela se inclinou para receber mais, gemendo em protesto para que ele continuasse. Agarrando-lhe os quadris, ele levantou-a de suas coxas, e quando a cabeça de sua ereção se enterrou nas dobras abertas do sexo dela, Sarah jogou a cabeça para trás e se afundou sobre seu pênis. Um grito baixo de prazer saiu do seu peito, e ela apertou os quadris, atraindo sua ereção ainda mais profundamente. Os olhos dela se abriram bruscamente, e a expressão de lamentação no rosto dela a denunciou. "Eu vou gozar."


Santino cerrou os dentes. Ela nem tinha se movido ainda, e as bochechas ficaram rosadas, os ombros tensos, e os olhos lânguidos enquanto se preparava para gozar. As entranhas dela se apertaram firmemente contra sua ereção, e ele apertou seus músculos para conter o próprio orgasmo. "Eu te queria tanto, cada segundo." Ele começou a movê-la de um lado para o outro sobre sua ereção, os quadris dela remexendo sobre seu umbigo em vez de se mover para cima e para baixo. Sua mandíbula se apertou quando as unhas curtas de Sarah afundaram em seus ombros, e ela ofegou duramente antes de fechar os olhos e se render às ondas do orgasmo. O corpo dela se balançava violentamente, como se uma corrente a atravessasse, e as mãos dela relaxaram em suas costas enquanto suas entranhas se esticavam ao redor de sua ereção. Gemendo, Santino se inclinou para frente e abocanhou um dos mamilos. As mãos dela deslizaram novamente através de seu cabelo enquanto o segurava no seio, como se a vida dele dependesse disso. "Eu senti sua falta", ele sibilou sobre o mamilo antes de arrastar os dentes ao longo pela carne e para o outro peito. Eles eram voluptuosos, enchendo suas mãos e derramando para fora de suas palmas quando ele os agarrava. *** SARAH SE MOVEU LIGEIRAMENTE para trás, a ereção dele ainda enterrada dentro dela. Ela continuava agarrando a cabeça de Santino sobre seu seio. Estava sensível em todos os lugares, carente em todos os lugares, e só queria que o momento durasse. Como tinha esperado, como tinha ficado aterrorizada... Deixou que o terror a lavasse novamente, o terror de perdê-lo, de não tê-lo com ela, e abruptamente perder tudo. Ela precisava deixar de ser paranoica. O homem tinha provado suas intenções várias vezes, e até onde o conhecia, Santino Orlando não era um traidor. Ela olhou para o rosto dele e deslizou uma das mãos sobre a mandíbula para deleitar-se com o belo contraste da pele deles. Ele era seu agora; ele era seu porque escolhera ficar com ela. Por causa dos bebês.


Seu coração se revirou de arrependimento, mas se recusou a deixar a autopiedade a deprimir de novo. Quando ele a puxou para perto de novo, ela sorriu. Ele a segurava com firmeza, os olhos colados na sua barriga, como se estivesse aterrorizado de que a tivesse machucado. "Me beije", ele implorou, erguendo a boca. O comando severo, falado tão suplicantemente, fez seu coração explodir de amor, adoração e possessividade. "Você é meu", ela gemeu antes de deixar seus lábios cobrirem os dele. Ele a beijou com urgência, as mãos apertando a parte inferior de suas costas antes de puxá-la para mais perto. O gemido de Sarah foi engolido pela boca dele. A ereção dele se enterrou profundamente, porque ele levantou os quadris ao mesmo tempo que a puxou para mais perto. Repetiu o movimento várias vezes, as mãos em cascata sobre suas costas, sua barriga, então para baixo para agarrar seus quadris com ambas as mãos. Ela mergulhou sua língua entre os lábios entreabertos dele e deixou que ele tentasse dominar sua boca. Quando não conseguiu, ele aprisionou sua língua entre os lábios e sugou-a duramente. Gemendo num leve protesto contra a brutalidade, ela recuou e depois suspirou quando a língua dele se entrelaçou com a sua, explorando sua boca. Durante todo esse tempo, ela foi puxada para cima e para baixo da ereção dele, o clitóris contra a própria raiz, e ela deixou a paixão dele tomar conta. Ele estava respirando mais vigorosamente em sua boca. As mãos dele a seguraram ainda mais fortemente do que antes, e quando ele se sacudiu debaixo dela, gemendo em sua boca, os ombros estremeceram sob suas mãos. No mesmo momento, o jorro quente de sêmen abundante se derramou dentro dela, e a sensação de queimadura distinta fez seu corpo torcer num orgasmo novamente. Ela apertou o peito dele e começou a mover-se mais forte, mais rápido, e ele grunhiu, interrompendo o beijo e empurrando a boca em seu pescoço. Em poucos segundos, Sarah, lubrificada pelo sêmen dele, agarrou-o ferozmente e estremeceu severamente sobre ele, unindo-se a ele no orgasmo.


Capítulo Doze SARAH PERCEBEU QUE grande parte de seu cansaço e exaustão se devia ao fato de ela estar emocionalmente esfarrapada pela aparente rejeição de Santino. Quase saltou da cama na manhã seguinte, mesmo antes que Santino estivesse de pé, e tomou um longo banho quente. Quando ela saiu, Santino já havia tomado banho no banheiro extra e estava se vestindo. "Onde você vai?", ele a olhou quando ela puxou um terno, e depois fez uma careta. Obviamente não caberia nela com aquela barriga. "Vou trabalhar." "Uhumm." Ele lutou contra um sorriso. "Esse terninho vai ficar ótimo em você." Em resposta, ela olhou para ele, mas seus lábios estavam se contorcendo também. "Estou ferrada. Não posso trabalhar de pijama." Ele avançou, empurrando-a para fora do caminho antes de examinar o conteúdo do armário. "Aqui, use essas calças de maternidade. Elas ficam bem sexy. E isso..." Ele puxou uma blusa rosa que também era para mulheres grávidas. "Pronto." Sarah arfou para as escolhas dele. "Não posso ir para o trabalho sem um terno." Ele balançou a cabeça e riu. "Você vai ficar bem. Vai ficar ótima com essa roupa. E suponho que todos vão perceber que você está grávida, então não interessa se está vestindo um terno ou não. Você precisa se sentir confortável." Sentindo-se miserável, mas contente com a ajuda, ela vestiu as roupas e deixou que ele a levasse para o trabalho. Todos os seus colegas ficaram em êxtase ao vê-la, e ela estava extremamente feliz por ter decidido vir trabalhar. Ela não nasceu para ficar ociosa e não fazer nada. Estava com medo de suas células cerebrais estarem morrendo devido a tanto tempo de descanso. Duas horas depois, foi chamada para o gabinete de seu superior. Daniel Vidal era um belo


homem de meia-idade que era cordial e amigável, a menos que o trabalho não estivesse sendo feito do jeito que ele queria. Um deslize, e logo ele esquecia toda a cordialidade. Sarah o admirava e queria ser como ele. Instalado em frente a ela, ele perguntou sobre sua saúde e logo depois já estava fazendo perguntas rápidas sobre o contrato com a BubFun. "Parabéns por ter conseguido o contrato, Sarah. É uma vantagem fantástica que nossa agência ganhou", ele disse rapidamente. "Agora, temos uma reunião para a gravação do comercial, e seu departamento criativo tem estado trabalhando tentando colocar as coisas no lugar. Eles conhecem o esquema. Você os treinou bem." "Obrigada," Sarah disse, sobrecarregada com toda a informação e gratidão lançadas sobre si. "Então, decidimos que a gravação será no dia 15 de maio. Eu só quero que você acompanhe sua equipe criativa e certifique-se de que tudo está de acordo com sua visão." A mente de Sarah parou de funcionar, então a maquinaria mental rangeu enquanto tentava superar a onda de estresse. "Hum, 15 de maio? Podemos puxar a data para 15 de abril?" Daniel franziu as sobrancelhas. "Temos outros cinco projetos na fila para o mês de abril." E foi isso. Sarah respirou fundo. "Meu... Parto é para o dia 10 de maio. Então, não tenho certeza se 15 de maio é..." Daniel recostou-se na cadeira como se alguém lhe tivesse dado um soco no estômago, e Sarah sabia, porque ela o conhecia, que estava exasperado que as coisas não estavam acontecendo do jeito dele. "Não podemos fazer o comercial antes do dia 15 de maio. Então, sugiro que você entregue o projeto para Lilith ou Christine." "O quê?" Ela disse mais alto do que pretendia. "Você não tem escolha. Precisamos terminar o trabalho. E essa é a única opção." Sarah saiu de lá atormentada, seu coração afundando. Lilith ou Christine? Ela preferia matar


seu comercial do que deixar suas competidoras ganharem o crédito por ele. O conceito da BubFun era seu bebê. Ela o havia criado, e devia abrir mão dele só porque estava grávida? Isso era ridículo, e ela tinha certeza absoluta de que devia ser ilegal de alguma forma, mas ela não estava conseguindo pensar direito. Conforme fazia seu caminho de volta para a sua mesa, ela rapidamente reavaliou suas inspirações e objetivos. Ela não seria, sob nenhuma circunstância, igual a Daniel Vidal um dia. Assim que Santino veio buscá-la naquela tarde, podia dizer que Sarah não tinha tido um bom dia. Mas ele se conteve, não querendo pressioná-la, e em vez disso tentou tirar a mente dela dos problemas. Ele brincou, provocou, e então a levou para jantar em um de seus restaurantes indianos favoritos. Quando nada funcionou, Santino levou-a para casa, puxou-a para uma das cadeiras da piscina e a fez sentar. "Ok. Me diz o que aconteceu." Sarah engoliu o nó na garganta. "Parece que está dando tudo errado." Ele balançou a cabeça. "Você acha que está dando errado, mas não está." "Não, você não entende." "Eu entendo. Você pensou que eu não queria dormir com você, e que eu não achava você mais atraente, quando eu estava apenas tentando te dar um descanso. Você pensa demais ultimamente. Está com medo de tudo." Sarah absorveu aquilo. Ele estava certo. De alguma maneira. "Ok," ela sussurrou. "Me diga o que aconteceu." Ela engoliu. "Não vou dirigir o comercial da BubFun." Ele zombou. "Quem disse?" "Meu chefe. O que comanda o projeto." Santino rangeu os dentes. "O que ele disse exatamente?" Ela suspirou, sentindo-se pequena e protegida quando ele se ofendeu tanto por ela. Ela sempre fora deixada sozinha para se defender, seus próprios medos, suas próprias preocupações,


suas próprias batalhas. Era maravilhoso e estranhamente viciante ter Santino a protegendo. "A gravação está marcada para uma semana depois do parto, então, naturalmente, não vou poder participar." "Então mudamos o dia da filmagem." Ela balançou a cabeça. "Ele disse que não é possível. Terei que renunciar a minha ideia a uma das meinhas colegas, ou seja, minhas concorrentes." Santino fechou os olhos. Quando os abriu, parecia mais calmo. "Posso te perguntar uma coisa, honestamente" "Qualquer coisa." O amor estava queimando dentro de seu coração. Mesmo o problema ainda existindo, ela sentiu como se o peso tivesse sido levantado de seus ombros e transferido para os dele. Ela não estava preocupada com nada. Ele estava lá com ela, e se importava. Se importava de verdade, e era um sentimento lindo. Aquele sentimento a consumia e a envolvia em seu calor, e de repente ela foi drenada de todas as preocupações que a assolavam. Ele segurou suas mãos. "Não passe nem um minuto do seu tempo se preocupando com isso. Vou consertar. Vou consertar tudo, e não se atreva a estressar nossos bebês por causa disso." Ela riu. "Entendido." "Bom." Ele apertou a parte de trás de sua cabeça e pressionou um beijo em sua testa. Mas suas mãos deslizaram para o peito dele, agarrando-lhe o pescoço e puxando-lhe a boca sobre a sua. Ele a beijou de volta devagar. Quando ela parou de beijá-lo, ele a observou com um sorriso enquanto ela tirava a blusa de maternidade que ele tinha escolhido para ela naquela manhã. Desabotoando o sutiã e saindo de suas calças, ela ficou nua diante dele. O sorriso dele desapareceu. Ela se deitou na cadeira da piscina ao lado da que ele estava sentado e olhou de lado. "Venha." Ele tirou a camisa e desabotoou as calças, deitado sobre seu corpo nu e prendendo um de seus mamilos entre os lábios.


*** Na manhã seguinte, Sarah acordou quando algo bateu contra sua bochecha. Tardiamente, ela percebeu que era apenas Santino beijando seu rosto violentamente. "Mmhmm", ela gemeu, e ele bateu levemente em seu quadril. "Acorda, dorminhoca." Sarah saiu da cama, lembrando-se da noite passada. Depois de fazê-la gozar na cadeira da piscina, ele se juntou a ela no orgasmo, depois a levou nua até a cama, onde fizeram amor novamente. Agora que ela não estava vomitando o tempo todo, ele parecia incapaz de se cansar dela. Estava pronto para outra rodada quando ela o chamou de insaciável maníaco sexual e adormeceu no ombro dele. Depois de um banho rápido, ela sorriu quando viu outro de seus conjuntos de maternidade na cama. Tinha acabado de colocar a blusa quando ele a arrastou para a cama e jogou-se sobre ela. "O quê?", ela riu quando ele tirou a sua blusa e se instalou entre suas pernas entreabertas. O sorriso de Sarah desapareceu quando ele abriu o zíper das suas calças e mostrou a ereção. Antes que Sarah pudesse reagir, ele mergulhou dentro dela. Sua coluna arqueou e ela gemeu, deslizando as mãos sobre os bíceps de Santino. "Santino...", ela gritou enquanto a fricção aquecida lhe escaldava deliciosamente. "Olhe para mim", ele gemeu com a voz rouca, os quadris lentamente, muito suavemente, bombeando dentro dela. Quando ela encontrou os olhos dele, ele empurrou profundamente, observando-a gemer. "Diz que me ama." Sarah podia sentir seu rosto revelando seu choque diante do pedido, e então seus olhos se nublaram, lágrimas brilhando neles. O homem que ela amava de todo o coração empurrava para dentro e para fora dela repetidamente, vestindo uma camisa branca engomada e calças cinza, fazendo amor com ela tão docemente, tão possessivamente, como se fosse uma parte dela. "Eu te amo, Santino", ela sussurrou trêmula, deslizando suas mãos sobre os quadris vestidos


dele, puxando-o mais fundo. Santino abaixou a boca e agarrou seus lábios, os quadris mergulhando mais rápido e girando em círculos, até que ela comeu a estremecer num orgasmo. Logo depois, ele a seguiu. "Eu te amo, Sarah. Meu Deus, eu te amo demais", ele sibilou em seu pescoço.


Capítulo Treze SARAH ESTAVA TRABALHANDO em seu escritório, tentando não pensar no desastre da BubFun, pois tinha recebido ordens para não se preocupar com isso. Ela olhou para as frutas que tinha trazido com ela para trabalhar para satisfazer seus desejos de comida e pegou uma banana. Tinha acabado de morder quando algo atraiu sua atenção através da porta de vidro. Santino, atravessando o local em direção ao escritório de Daniel Vidal. Ela saiu de sua cadeira e caminhou até a porta, seu coração martelando, então fez seu caminho de volta para sua cadeira. Ela não queria saber o que Santino tinha planejado como uma solução para o problema, mas já não se sentia bem com isso. Pela primeira vez em sua vida, ela recorreu a morder as unhas. Mas ficou com nojo e parou rapidamente. Uma hora se passou, e ela manteve os olhos colados à porta de vidro, esperando que Santino deixasse o escritório de Daniel. Ela não estava realmente com medo. Apenas nervosa. Santino Orlando era muito imprevisível e bastante convencido. Mesmo achando isso adorável, ela estava pronta para admitir que aquelas duas coisas poderiam não ser qualidades admiráveis do ponto de vista de outra pessoa. Como ela o amava, todas as falhas dele eram sexy e emocionantes, e ela estava disposta a tomar posse de tudo isso. Ela viu Santino sair do escritório de Daniel, com Daniel o seguindo para apertar-lhe a mão. Daniel tinha um sorriso no rosto, que parecia estranhamente falso, e o sorriso no rosto de Santino era quase agressivo. Deixando Daniel para trás, Santino seguiu em direção ao seu escritório. Ela se recostou na cadeira quando ele abriu a porta, com um vinco na testa. "O que diabos você está fazendo aqui?" Ela disse numa voz baixa. A expressão amotinada no rosto dele evaporou, substituída por um sorriso. "Eu sempre adoro


vê-la na sua mesa. É muito sexy." Ele ignorou sua raiva óbvia e caminhou ao redor de sua mesa, beijando o topo de sua cabeça. "Santino, eu não estou brincando", ela disse quando ele pousou um quadril em sua mesa e sorriu para ela, cruzando os braços sobre o peito. "Já te disse que você se preocupa demais?" Sarah estreitou os olhos ameaçadoramente. "Você não me disse que viria falar com o Daniel. Isso... isso... É inapropriado." "Por quê?" "Porque sim!" Ela gritou. "Eu passei anos tentando ser autossuficiente e independente, e agora parece que eu fui chorando para você e... Agora eu pareço fraca." O sorriso dele desapareceu. "Nunca faria isso com você, meu amor. Quero deixá-la ainda mais forte do que é, não te arrastar pra baixo." "Então, por que fez isso?", ela estava frustrada. "Você devia ter conversado comigo." "Sarah, você pode me escutar? Está fazendo a mesma coisa de antes." "Que coisa?" Ela reclamou. "Aquela coisa... está preocupada demais e sempre assustada. Você me tem, droga. Somos um time. Aprenda uma coisa comigo." Sarah ficou boquiaberta, aborrecida, mesmo com seu coração explodindo de amor. "Ok." Ele pegou sua mão. "Então, o negócio é o seguinte... A BubFun precisa que o comercial seja gravado dentro de três semanas." "Você está brincando." "Não." Ela suspirou. "Não sei se deveria ficar feliz ou chateada." Quando ele simplesmente esperou que ela dissesse mais alguma coisa, ela respirou fundo. "Eu sempre resolvi meus próprios problemas, e agora você está fazendo isso, e não é profissional..." "Que se dane não ser profissional. Eu amo você. E farei qualquer coisa para fazer as coisas


exatamente do jeito que você as quer. E lembre-se, não vou me desculpar por cuidar de você. Sarah franziu os lábios e suas entranhas derreteram, seu coração se agitando. Ela se levantou e jogou seus braços ao redor do pescoço dele. "Você é louco, sabia disso?" "Eu sei." Ele segurou sua lombar. "Mas você precisa se sentar para o que vou te dizer." Sarah deu um passo para trás. "O que você fez agora?" Ela gritou agitada, toda sua afeição morta em um instante. Ele riu. "Apenas sente-se." Quando ela se sentou, ele limpou a garganta. "Então, eu estava me perguntando, e este é realmente um pedido. Nada está finalizado. Apenas lembre-se disso. Essa é a coisa mais importante que você deve saber. Eu não vou forçá-la a fazer isso, mas eu realmente, realmente, quero que você faça isso, porque eu acredito em você e acredito que seu passado precisa ficar no passado e você já o deixou afetá-la por muito tempo já. Então, é um pedido. E eu acho que você vai concordar, porque você me ama e eu mentalmente vou chantageála, mas no final, você vai ficar grata por eu ter insistido." "Dá para dizer logo?", ela disparou, fazendo-o sorrir. Ela não estava achando aquilo engraçado. "Pelo meu bem, pense a respeito. E dê uma chance. Estarei aqui o tempo todo, apoiando você, te segurando, beijando e torcendo." "Santino!", ela gritou com raiva, seu coração batendo rápido. "Apenas diga." Ele respirou fundo. "Eu levei a ideia ao Daniel, e ele achou uma ótima ideia. Mas visto que o comercial é seu, acho que eu devo pedir sua permissão para essa mudança." "Qual mudança?" Ele segurou seu olhar. "E seu a gente usasse uma mulher grávida no comercial? Em vez de uma mãe magra, brincando com seu filho, por que não mostramos uma mulher grávida?" O cérebro de Sarah congelou, e ela o olhou com incredulidade. "Por mulher grávida, você quer dizer..." "Você, Sarah. Definitivamente você."


Ela se levantou da cadeira. "Você perdeu a cabeça? Já deu essa sugestão ao Daniel?" "Sarah..." "Você sabe como me sinto a respeito disso, Santino. Não quero fazer isso. Não quero ser a estrela de nada." Ele segurou seus ombros. "Você é a estrela da minha vida, Sarah. Tem o palco central. Você é a minha motivação para tudo agora. Para trabalhar, comer, sorrir, cuidar da minha saúde. Você já está sob os holofotes para mim, então, não acha que está na hora de deixar esse medo para trás e assumir aquilo que você ama?" Sarah fez um som curto e agitado e levou seu olhar para longe, balançando a cabeça com veemência. "Não. Não posso, Santino. É demais." Ela olhou para ele suplicantemente. "Por favor, não me obrigue a fazer isso. As cicatrizes são muito profundas. Não posso." Ele engoliu. "Escute, ninguém está te obrigado, ok? É que apenas... você amava modelar, e acabou sendo diretora por causa desse medo de ser arrastada para dentro de uma batalha que você precisava lidar sozinha. Mas agora não está mais sozinha. Mesmo que você vá de cabeça para a batalha, eu estarei ali ao seu lado, balançando minha espada para qualquer um que se atreva a entrar em seu caminho." Sarah riu ao imaginar isso. Ele sorriu de volta, balançando-a gentilmente. "Pare de ficar assustada. Pare de pensar no passado. Já passou. Agora você me tem, e eu tenho você. E as coisas são diferentes. Eu realmente quero que você realize esse sonho pelo qual desistiu. E se funcionar, quem sabe, você poderia mudar sua carreira." Ela enrugou os lábios, atraída pela confiança nos olhos dele. Ele acreditava nela, e estava lá para apoiá-la. Não estava mais sozinha. As lágrimas inundaram seus olhos. "Tem certeza de que o anúncio funcionaria com uma mulher grávida?" "Se pensar a respeito, vai concordar comigo."


Os lábios de Sarah se curvaram num sorriso. "Só você poderia ser tão audacioso... Melhorando meu conceito perfeito." Ele riu. "Estou feliz por prestar meus serviços", quando ela não disse nada e empurrou seu rosto no peito dele, ele suspirou. "Eu acredito em você, Sarah. Eu sei que você fará um trabalho fantástico." *** Naquele sábado, Sarah acordou e viu um vestido de verão amarelo vibrante na cama, passado e com a etiqueta removida. Ela o olhou de forma apreciativa. O gosto do homem era requintado. Tomando banho rapidamente, vestiu o vestido e o encontrou na cozinha, lutando com uma grande cesta de piquenique. "O que você está fazendo?" "Vou te levar para um piquenique." Ela riu. "A Sra. Craddock fugiu depois de fazer toda a sua cesta de piquenique de sábado?" Ele a olhou. "Muito convenientemente, ela não veio trabalhar hoje." Sarah olhou para a cesta. "Você que fez o que quer que tenha dentro dessa cesta?" "Definitivamente, sim." Ela estava rindo quando ele agarrou a cesta de piquenique debaixo de um braço e o cobertor na outra mão, e eles caminharam até a porta. "Seu motorista também faltou hoje? Você devia ter ligado para ele." Os olhos dele se estreitaram para ela. "Acho ofensivo que você não confie em mim para levar minha namorada para um piquenique sem precisar da cozinheira e do motorista." Ele segurou a porta do lado do passageiro do carro aberta para ela, e ela sorriu. "Ele realmente não veio hoje?" "Sim. Ele não apareceu para trabalhar hoje." Sarah não acreditava nisso nem por um instante, e quando ele deslizou ao lado dela no lado


do motorista, era óbvio por suas expressões que ele estava mentindo para ela. "Está pronta?" "Sim. Vamos nessa", ela acariciou a barriga. Santino esticou a mão para acompanhá-la, deslizando a palma da mão sobre sua barriga. "Mal posso esperar que elas cheguem." O parque já estava cheio de famílias com crianças brincando em todos os lugares. Santino encontrou um local perto de uma árvore e colocou o cobertor, tirando uma garrafa de protetor solar do bolso. "Eu acho que você vai precisar disso." Sarah aceitou com gratidão, e ele tirou um chapéu da cesta de piquenique. "Você precisa disso também." Sarah riu. "Você veio preparado, não é?" "Sempre." "E este vestido é lindo." "Está lindo em você." Sarah estendeu a língua para ele e riu. "Você é tão atencioso." Ele baixou os olhos e riu como se tivesse uma piada interior que ela não estava a par. "Atencioso." "Sim." Ela o olhou de perto. "Você está aprontando alguma, não está?" Ele gemeu. "Um homem traz a namorada num piquenique. E a namorada acha que ele está aprontando alguma coisa." "Ahh..." Ela riu. "Não estou duvidando de você. É que te conheço, querido," ela disse numa voz melodiosa. Santino inclinou-se de lado e apertou um beijo em seu rosto. "Vamos sentar. Estou faminto." Sarah o ajudou a tirar as coisas da cesta de piquenique. Sanduíches, fatias de frutas, suco de laranja recém espremido e pedaços de frango frito. Eles comeram no meio de crianças gritando e correndo ao redor.


"Uau, isso é realmente edificante, não é?" Sarah brincou quando viu uma criança choramingando e pisoteando os pés na grama enquanto a pobre mãe tentava e falhava miseravelmente em acalmar a criança ou removê-la da grama a qual ela se apegara. Santino riu. "Muito, muito edificante." Sarah sorriu. "Repentinamente fiquei ansiosa para ter duas crianças de dois anos de idade gritando até perder o fôlego." "Eu também," ele disse. "Mal posso esperar." Sarah caiu na risada e Santino se inclinou para beijar sua barriga antes de descansar a cabeça em sua coxa. Sarah deslizou os dedos pelo cabelo dele, observando as crianças, as mães esfarrapadas, os pais descontraídos. "Você vai ser como um desses?" "O quê? Ser um pai? Acho que sim." Ela riu. "Você entendeu o que quis dizer. Sem se importar com a crianças destruindo o lugar. Mesmo que tudo o que exista aqui é grama e árvores e bancos muito resistentes." "Você acha que eu vou ser como eles?" Sarah arregalou os olhos. "Estou apenas me certificando de que você saiba que não é uma possibilidade você ser assim. Vai precisar ajudar." Ele suspirou. "Se você diz." Sarah apertou um punhado dos cabelos dele e se inclinou para beijar-lhe a boca, mas tinha esquecido a enorme barriga no caminho. Santino riu quando ela não conseguiu se inclinar o suficiente. Rindo, ele ergueu a boca até onde ela conseguia alcançar. "Obrigada", ela disse com uma risada. "Sem problemas. Fico feliz em obedecer." "Então, está preparado para ser um pai participativo?" "Se eu disser que não, você vai se recusar a ter um bebê comigo?" Sarah o cutucou de brincadeira no ombro. "Muita maldade você esfregar minha impotência


na minha cara." Ele se sentou e, rindo, puxou seu rosto para o ombro. "Eu amo você. E prometo que vou ser um pai participativo. Feliz?" "Uhumm." Então, ela mordeu o lábio. "Aliás, obrigada pelo piquenique. Foi divertido, e você se esforçou muito para montá-lo." "Eu estava realmente tentando te provar que eu não sou um magnata indefeso que não pode nem mesmo carregar a própria comida para a casa. Sou capaz de lidar com todos os desafios que surgirem. " "Nunca duvidei disso." "Bom." Ele suspirou e deslizou para trás, exalando bruscamente. "Você pensou em algum nome para as meninas?" Os olhos de Sarah se iluminaram. "Não. Você, sim?" "Tenho pensando muito num nome... Se você gostar." "Me fala. Não me deixe em suspense." Ele empurrou a mão através do cabelo, bagunçando. "Michelle?" "Hum. Gostei. Que tal Marjorie para a outra? "Adorei. Na verdade, até pedi para o time de criação criar uma nova boneca, que a BubFun vai lançar assim que as meninas nascerem." "Que fofo!" A consideração e criatividade de Santino a deixavam de boca aberta. "Eu quero essas duas bonecas quase idênticas em um conjunto, e eu quero chamá-las de Michelle e Marjorie." Sarah riu. "Isso é simplesmente... Doido e maravilhoso, e só você para pensar nisso." "Eu amo as minhas três garotas." Sarah tomou-lhe a mão e pressionou seus lábios nos nódulos dos dedos em um beijo profundo e sincero. "Nós te amamos também." Ele a observou em silêncio por alguns segundos, depois engoliu em seco. "Eu trouxe você


aqui porque preciso perguntar uma coisa." "Ai, senhor. De novo não." Ele riu. "Ok, dessa vez é diferente. Espero que você realmente goste, mas você sabe que eu sou um pouco convencido e tal, então eu definitivamente duvido de meu próprio julgamento sobre este assunto." "Você é convencido." "Eu sei. Foi isso que eu disse." Ela assentiu. "Bom que você sabe." Ele sorriu. "Posso continuar?" "Vá em frente", ela disse como se preferisse evaporar do que ouvi-lo. Ele fez uma pausa por um instante, o olhar se lançando ao redor de tudo o que acontecia em volta do parque. Finalmente, ele pegou a mão dela e se aproximou. "Quer se casar comigo?" Sarah não ouviu nada além de um zumbido alto quando ela olhou fixamente naqueles profundos olhos castanhos e o viu como o tinha visto pela primeira vez na Espanha, apenas seis meses atrás, observando-a de longe, sorrindo para ela. Ela piscou repetidamente e balançou a cabeça, lágrimas queimando as costas de suas pálpebras. "Santino..." "Sim ou não, Sarah. Quer se casar comigo?" Sarah riu, mas a lágrimas caíram por suas bochechas. "Claro que quero casar com você." Ela se jogou nos braços dele. Ele abraçou suas costas, pressionando beijos em suas bochechas enquanto os braços se apertavam ao seu redor. Um feroz instinto protetor correu pelas veias dele, e ele inspirou duramente, querendo absorver Sarah para dentro de si. "Não consigo imaginar viver sem você." Sarah franziu os lábios para tentar acalmar os soluços e se afastou, roncando, rindo e chorando ao mesmo tempo. "Tá vendo. Eu disse que você estava armando alguma coisa." Ele enfiou a mão no bolso e tirou uma caixa preta, abrindo-a. "Espero que você goste." Sarah chorou novamente ao ver o anel indescritivelmente belo; o grande e cintilante


diamante era sofisticado e glorioso. "Se você não gostar, podemos escolher outra coisa." "Você está doido? É lindo... É perfeito." Ela ergueu uma das mãos na direção dele. "Me mostra como fica." Rindo, ele tirou a aliança da caixa e deslizou em seu dedo. "Voilá. Coube perfeitamente." "Seu palpite foi certeiro." Ele sorriu, "Na verdade, peguei um dos seus anéis emprestado para ter certeza do tamanho." Sarah riu. "Quando pegou o anel?" "Hum, você lembra do evento de caridade que fui para o orfanato?" Sarah franziu as sobrancelhas. "Ah, sim. Eu lembro dessa noite. Na noite que você foi fotografado com aquela modelo colombiana." Um sorrisinho se espalhou no rosto dele. "Sim, bem, foi nesse dia que decidi colocar um anel em sua mão." "Eu pensei que você estava me traindo naquela noite." "O quê?" Ela riu para tirar a peso da fala. "Você voltou tão tarde, e depois você foi dormir no quarto de hóspedes. Na manhã seguinte, eu vi sua foto com aquela deusa colombiana... O que eu deveria pensar?" "Ficou com ciúmes?" Sarah queria socá-lo. "Sim, fiquei com muito ciúme." Ele a arrastou até o peito novamente, envolvendo os braços ao redor dela, segurando-a perto. "Sou todo seu. E você nunca precisará ter ciúmes de ninguém ou de qualquer coisa." "Uhummm", ela murmurou no peito dele, fechando os olhos e absorvendo as palavras lindas e maravilhosas. "Você logo vai ser minha esposa."


Sarah sorriu e olhou feliz para ele. "E logo vocĂŞ vai ser meu marido."


Capítulo Quatorze "VOCÊ ESTÁ BRILHANDO." Sarah sorriu e encontrou os olhos de Tara no espelho. "Imagino por que!" Tara sorriu e mudou de lado para dar ao maquiador mais espaço para manobrar ao redor de Sarah. "Talvez...", disse Tara lentamente. "Tenha algo a ver com essa pedra gigante em seu dedo." Sarah não podia esconder sua alegria. A vida estava melhor do que nunca. Ela estava se preparando para filmar o comercial BubFun sem um pingo de nervosismo ou apreensão. Estava se sentindo saudável e ridiculamente bela com seu barrigão. E ainda ia casar com o pai de seus bebês, o homem que tinha mudado completamente a forma como ela percebia o mundo. A velha Sarah ficaria aterrorizada de que tudo fosse bom demais para ser verdade, que de repente uma mudança no ar viria a destruir tudo. Mas não esta nova Sarah. Estava calma e tranquila, aprendera a amar e ser amada incondicionalmente, e não podia suportar que seus velhos hábitos diminuíssem sua felicidade. Com o cabelo e maquiagem terminados, ela caminhou até onde os brinquedos BubFun foram estabelecidos em uma sala de jogos adorável. A criança que interpretaria seu filho no anúncio estava comendo uma banana sob a supervisão da mãe. Sarah olhou para o teto, para as luzes, para a cena que ela tinha visto muitas vezes, mas de uma posição diferente. Ela sempre esteve nos bastidores, e hoje ela estava no centro do palco. Seu coração deu uma cambalhota e ela fechou os olhos. Isso não era tão fácil quanto pareceu na noite passada. Ela ficou acordada por um tempo antes de Santino acordar e perguntar se ela estava bem. Ela explicou, francamente, que estava assustada, e ele explicou, francamente, que ela era capaz de fazer aquilo. Sentiu-se corajosa. Mas agora nem tanto. Quando abriu os olhos, Sarah


piscou duas vezes, depois três. Santino estava na extremidade do set, o olhar fixo nela. Como se soubesse o que ela estava pensando, como se soubesse de antemão que ela poderia dar para trás, ele ignorou uma reunião muito importante para estar lá ao seu lado. Todos os medos desapareceram, e ela sorriu, mordendo o lábio e balançando a cabeça. Ele piscou para ela, e tudo se tornou celestial. O lugar, a situação, seus sentimentos. Foi só olhar para ele, e ela sentiu como se pudesse enfrentar o mundo. Esse era o efeito que ele tinha sobre ela, e o destino tinha sido generoso o suficiente para agora ele lhe pertencer. Para mudar sua vida. Para virar tudo de cabeça para baixo antes de deixar tudo melhor do que era antes. Instintivamente, seus dedos brincaram com o anel de diamante em seu dedo, e ela se lembrou mais uma vez do que significava para ele. Dessa vez, quando ela avançou para o set, seus joelhos não tremiam e, como também era diretora, deu as instruções necessárias antes que tudo ficasse no lugar. *** A suntuosa festa do chá de bebê foi realizada na mansão palaciana de Santino. Tara e Santino haviam se associado para fazer o evento mais maravilhoso da vida de Sarah. Cem convidados participaram da festa, e mesmo ela se divertindo muito, precisava passar a maior parte do tempo sentada porque seus pés estavam inchando. Ela acariciou a barriga enquanto o último dos convidados saía e respirou fundo enquanto o garçom lhe entregava um copo de água. Assim que colocou o copo sobre uma mesa próxima, braços fortes envolveram seus ombros por trás. Rindo quando os lábios dele tocaram sua bochecha repetidamente, ela segurou os braços de Santino. "Muito obrigada por tudo o que você faz." "Humm", ele não disse nada, simplesmente enterrou o rosto na curva de seu pescoço. Santino confessara uma vez que o peito dele se contraia toda vez que ela estava perto, metade assustado e a outra metade extática. Assustado porque não queria ficar nunca longe dela, mas também aterrorizado com a quantidade de controle que ela tinha sobre seus sentimentos. Seu humor, sua


felicidade. "Eu devo muito a você." As mãos dele deslizaram sobre seu ventre possessivamente. "Nossas bebês estão ficando gordinhas aí dentro." "Espero que sim. Trinta e quatro semanas." Sarah estremeceu e esfregou a barriga quando afiadas pontadas de dor disparavam contra si. "O que aconteceu?" Ele se afastou preocupado. "Nada, na verdade. Tive essas dores nos últimos dois dias. É completamente normal. Eu pesquisei no Google." Ele balançou a cabeça. "Não substitua um diploma de médico pelo Google, Sarah. Devíamos consultar sua obstetra a respeito disso." "Estou bem, de verdade." Ela ficou de pé. "Só preciso me deitar. Estou exausta." Levantando-se, agarrou a jaqueta de Santino quando seus joelhos se dobraram, sua visão ficou preta, e ela se esforçou para enxergar. Sua pele ficou dormente, seus dedos do pé formigando conforme perdia o equilíbrio. "Uou." Santino a segurou com firmeza. Sarah olhou para Santino, e a expressão de medo no rosto dele foi a última coisa que viu antes de sua visão ficasse completamente negra.


Capítulo Quinze SANTINO NÃO SABIA como estava de pé ou respirando. Tudo era uma luta. Cada momento fazia seu corpo se convulsionar de pânico enquanto ele estava sentado na fila de assentos de metal resistente e os funcionários do hospital corriam para realizar as próprias tarefas. Totalmente desligado do que acontecido ao seu redor, ele olhou para o relógio novamente. A mesma coisa que vira há dez minutos. O tempo passava devagar, e seu cérebro funcionava ainda mais devagar. Ficando de pé, caminhou ao redor do cômodo, tentando enviar algum sangue para suas extremidades. Seus olhos estavam colados à porta, para onde tinham levado Sarah há meia hora. Seus olhos encontraram uma médica, e o olhar no rosto dela evidenciou que ela o estava procurando. Ele meio que correu para ela, e ela sorriu brevemente, pedindo que ele se sentasse. "A Srta. Montgomery está melhor." "O que aconteceu?" "Ela ainda está sedada, mas não está em perigo no momento." No momento. "Ok." Ele podia sentir que havia mais. A médica respirou fundo, uma jovem loira de olhos azuis brilhantes que tentava ser simpática. Ele não queria que ela fosse simpática. Ele queria ficar perto de Sarah e seus bebês. "Os bebês têm pulmões subdesenvolvidos, muito subdesenvolvidos para trinta e quatro semanas de gestação." "Senhor." Ele passou as mãos pelos cabelos. "E um deles tem uma condição cardíaca que terá de ser abordada após o nascimento. Pode precisar de cirurgia corretiva, e..." "Posso ver a Sarah?" Ele não conseguia mais escutar sem desmoronar em mil pedaços. A médica suspirou. "Sim."


Santino empurrou a porta para o quarto onde Sarah estava deitada, parecendo tão pequena e... Pouco familiar. Tubos corriam pelos braços dela, uma máscara pousada no rosto. Ela estava respirando profundamente, o barrigão levantando e abaixando. A emoção o fez engasgar. Ele ofegou, sua visão turva pela umidade queimando as costas de suas pálpebras. Ele caminhou para mais perto, deslizando a palma da mão sobre a dela. Milhões de medos percorreram por sua mente. Ele não queria desviar o olhar do rosto dela. Ela está fora de perigo no momento. O que quer que isso significasse, despedaçava seu coração em minúsculos pedaços, ficando cada vez mais doloroso a cada momento. Pressionando um beijo nos nós dos dedos de Sarah, empurrou uma cadeira para mais perto da cama e segurou com força a mão dela enquanto fechava os olhos. Santino olhou para cima quando ela se moveu e deslizou uma das mãos sobre a barriga. "Meu amor?" O pequeno gemido que saiu dos lábios dela fez sua mandíbula apertar. A enfermeira tirou a máscara do rosto dela enquanto Sarah parecia ter dificuldade para abrir os olhos. "O que aconteceu?", a voz dela estava rouca. "Você está bem. Os bebês estão bem", ele mentiu parcialmente. "Você desmaiou. Só isso." Sarah se virou em sua direção e ele ficou de pé, tirando os cabelos da testa dela com uma das mãos. Sarah tentou manter os olhos abertos, mas o sono a arrastou para o fundo do poço novamente. *** APÓS UMA SEMANA no hospital, Sarah estava entediada e exausta. "Nada se compara à sua própria cama e ao seu próprio travesseiro", queixou-se a Santino, que estava massageando seus pés. "Vou trazer seu travesseiro de casa." "Mas a cama fica lá, suponho?"


Ele sorriu. "Apenas mais uns dias. Então te levarei para casa, prometo. É para o seu bem, você sabe disso." "Eu sei", ela gemeu. "E os bebês precisam de atenção constante por mais alguns dias, pelo menos." Sarah suspirou, esfregando a barriga. "Santino", ela disse tão suavemente que ele quase não escutou. "Estou tão preocupada." Santino parou de massagear os pés dela e a olhou. "Eu sei. Mas também sei que tudo será perfeito." "Você não pode controlar isso, Santino.” Ele fechou os olhos por um momento. "Gostaria que fosse possível. Sabe que eu consertaria se pudesse, certo?" Sarah sentiu o nó de lágrimas ameaçando entrar em erupção novamente, aquelas que a torturavam constantemente desde que ela recebeu a notícia. "Esta manhã, o médico disse que as gêmeas poderiam ser hospitalizadas por algumas semanas depois que nascerem." "Mas isso é normal. Até os prematuros ficam hospitalizados." "Mas uma delas precisa passar por cirurgia. Imagine o quanto ela será pequena." Santino foi até o lado de Sarah e arrastou a mão até seu ombro. "Não pense nessas coisas. Independentemente do que acontecer, estarei aqui para apoiá-la. Estaremos juntos." "E se elas não sobreviverem?" Ele a puxou para trás e agarrou-lhe o rosto. "Pare de pensar assim. Por favor. Elas ficarão bem, e se, Deus nos livre, algo acontecer, você e eu vamos sobreviver e ficaremos juntos." Sarah empurrou o rosto contra o peito dele e chorou. O medo não a deixou, mas as lágrimas a exauriram até cair no sono nos braços de Santino. *** Dois dias depois, Santino correu em direção ao quarto de Sarah e abriu a porta num estrondo. "Tenho boas notícias, Sarah. Os bebês estão bem. Você não vai entrar em trabalho de


parto ainda, e a médica disse que você pode ir para casa." "Sério?" Ele riu e se aproximou, apertando seu rosto entre as mãos. Os lábios dele cobriram suas lágrimas, e toda a felicidade e amor de Santino estavam naquele beijo. Ela se agarrou à cintura dele, apertando a camisa entre seus dedos enquanto o deixava beijá-la. "Vou te levar para casa. Você precisa ficar de repouso na maior parte do tempo. Mas vou ficar em casa para tomar conta de você. Vou lá fora assinar a papelada. Já volto." "Volte logo." Sarah ficou deitada na cama, sozinha por um momento, e esfregou a barriga. "Vocês vão ficar bem. O papai conserta tudo." Uma batida suave na porta fez Sarah olhar para o lado. "Entre", Sarah disse interrogativamente. A porta se abriu e uma morena alta entrou, vestida com um vestido de verão verde e uma jaqueta jeans. Ela sorriu, mas não pareceu um sorriso sincero enquanto ela falava. "Olá, Sarah. Estava querendo te conhecer já faz um tempo." Sarah sentou-se o mais reto possível com sua enorme barriga e sorriu para a estranha, que estava tão grávida como ela estava. "Desculpe. Não estou lembrando de você." A morena entrou e revirou os dedos, como se estivesse extremamente nervosa com alguma coisa. "Meu nome é Elizabeth. E nós nunca nos conhecemos antes, mas eu te conheço muito bem." A ansiedade percorreu pela coluna de Sarah. A porta do quarto do hospital estava fechada, e ela tinha certeza de que Santino não voltaria tão cedo. A burocracia do hospital demorava muito. Ela não teve escolha a não ser deixar a mulher falar. "Hum. Prazer em conhecê-la, Elizabeth. Do que se trata isso?" Ela riu para aliviar o humor. "Tenho certeza de que você pode me dar alguns conselhos de gravidez, também." Elizabeth sorriu, mas mais uma vez a frieza, o vazio, reinaram supremos nos olhos dela. "Para quando é seu parto?" Sarah perguntou como uma forma de manter a conversa fluindo.


Era realmente constrangedor. Ela só queria que a mulher falasse logo. Tudo a respeito dela, da postura ao olhar no rosto, estava deixando Sarah nervosa. "A data era há duas semanas, então estou pronta para o bebê nascer agora mesmo." Ela pausou. "Sarah, não há maneira melhor de falar o que eu tenho a dizer... Então vou ser direta." Ela falou rapidamente, como se não pudesse esperar para tirar o peso daquilo de cima de si. "Ok." Elizabeth suspirou. "Isso é difícil. Mas... Você não foi a única a quem Santino engravidou." O olhar de Sarah recaiu sobre a barriga da menina, então de volta ao rosto. Agora que percebera que Elizabeth não devia ter mais de vinte anos. O coração de Sarah se transformou em uma massa gelada. "Como assim?" Elizabeth apertou a barriga. "Estou grávida de Santino também, Sarah. E devo dar à luz a qualquer momento agora." O mundo de Sarah girou, as mãos apertadas no colchão. Ela olhou atordoada para a mulher. "Sai do meu quarto", disse Sarah num sussurro controlado. Raiva, traição e fúria atravessaram por seu corpo... junto com a dúvida. Não. Não. Santino não faria isso. Não podia. Santino abriu a porta com um sorriso no rosto e fez uma pausa, seu sorriso meio congelado, enquanto olhava para o rosto da menina de pé no quarto de Sarah. Sarah olhou para ele. "Tire-a do meu quarto." Ela pensou que tivesse falado em uma voz forte, mas estava se iludindo. Porque seu grito saiu como um sussurro suplicante. Estava se sentindo fraca, seu corpo estava entorpecido, e seu cérebro em choque. Ele ficou ao seu lado em um instante, olhando para a outra mulher com evidente confusão. E então a expressão confusa no rosto dele desapareceu quando ele a reconheceu. "O que aconteceu?" "Santino, estou grávida de você também", Elizabeth disse.


Sarah observou o rosto de Santino perder a cor, e nesse momento, ela reconheceu o medo e a dor nos olhos dele. A mulher nĂŁo estava mentindo.


Capítulo Dezesseis SARAH ENCARAVA O lado de fora da janela do carro em silêncio no caminho para casa. Santino olhava para a estrada à frente. Ele estava simplesmente feliz por Sarah ter concordado em voltar para casa com ele depois que Elizabeth foi embora. Enojado, ele também percebeu que aquilo não era uma vitória. Sarah não tinha para onde ir. Não tinha uma família, e o apartamento tinha sido vendido. E com a gravidez de alto risco, não tinha outra escolha. Ele odiava o fato de ela estar desamparada. Odiava não poder fazer nada para aliviar-lhe o sofrimento, porque ele mesmo estava lutando com seus próprios demônios. Ele não queria que ela ficasse indefesa e sem opções, mas essa era a óbvia verdade do motivo pelo qual Sarah ainda estava ao seu lado e indo para sua casa. "Podemos conversar sobre isso?", ele tentou perguntar. Sarah não moveu os olhos das placas se movendo pela janela. Quando ela não falou, Santino não pressionou. Quando chegaram em casa, Sarah foi para o quarto e fechou a porta atrás de si. Ele não queria sobrecarregá-la, principalmente quando não sabia o que fazer. Ele estava tão chocado quanto ela. A única diferença era que ele era o errado da história. Ele cometera um erro terrível e horrível. Lentamente, ele entrou no quarto ao lado do que eles compartilhavam e sentou-se na beira da cama. Seu telefone tocou, e quando ele o atendeu, sua mente tensa estava chocada em imobilidade pela notícia que ele recebeu. Duas horas depois, a governanta bateu na porta. Surpreso, Santino olhou para cima. Ele estivera sentado na mesma posição por horas. "Sim?" "O almoço está pronto." Santino podia dizer pelo tom gentil da governanta que ela havia adivinhado que algo


estava errado. "Obrigado, Sra. Craddock. Você pode tirar o resto do dia de folga." Santino apanhou a bandeja de comida que a governanta preparara antes de sair e bateu na porta do quarto de Sarah. Quando ela não atendeu, ele entrou. Ela estava deitada de lado na cama, usando um short cinza e uma camisa grande. "Sarah?" Ela se moveu ligeiramente, mas não se virou. "Sim?" "Você precisa comer." Ela não recusou. Aparentemente, acreditava que, independentemente de qualquer coisa, os bebês vinham em primeiro lugar. Ele lhe entregou o prato de frango picado e Sarah beliscou a comida. Logo, deixou o prato de lado. Santino ficou de pé. "Estive pensando sobre o assunto." Sarah respirou fundo, a expressão no rosto dela deixando claro que ela não estava preparada para lidar com isso, e talvez nunca estivesse. "Eu não a traí, Sarah. Juro por Deus." Sarah suspirou. "Sei disso. Ela está com bem mais tempo do que eu. O que significa que você a conheceu antes de mim." Santino sentiu como se um peso tivesse sido tirado de seus ombros. "Graças a Deus!" Sarah sorriu dolorosamente. "Isso não muda o fato de Elizabeth estar grávida de um bebê seu, e claro, se você soubesse que ela estava grávida, teria escolhido ela." A irracionalidade daquela declaração o fez congelar. "Nunca", ele sibilou. Tomando as mãos dela nas suas, ele se encolheu quando ela exerceu pressão para libertá-las. "Me escute", ele puxou os pulsos dela, forçando-a a olhá-lo nos olhos. "Eu nunca escolheria outra pessoa além de você. Não a escolhi porque você estava grávida. Escolhi você porque... É você." "Você pode dizer isso. Mas é difícil de..." Acreditar. Ele suspirou, balançando a cabeça. "Eu sei. Eu estraguei tudo completamente. Mas


vou corrigir isso." Sarah cerrou os dentes. "Pare de dizer isso. Não tem como consertar isso. Isso vai permanecer com a gente. Comigo. Com você. Porque esse bebê vai nascer a qualquer momento agora, e você vai vê-lo, e vai amá-lo antes de amar as nossas filhas. Ela explodiu em lágrimas. "Nada mais é meu." "Não fala isso." Ele passou as mãos pelo cabelo, impotente, desejando que ela parasse de chorar. Mas ele sabia que tinha destruído completamente a fé dela nele. "Por favor, me ajude, Sarah. Me ajude a consertar isso." "Não sei como, Santino." Santino a olhou, perdido e confuso. "Fique comigo. Não sei como ainda, mas vou consertar as coisas." "Você pode tentar", ela disse, caminhando em direção ao banheiro. Santino ficou de pé. "Vou voltar para o hospital, Sarah.” Sarah girou nos calcanhares, a sobrancelha franzida. "Por quê?" "O médico de Elizabeth ligou. Ela acabou de dar à luz." O rosto de Sarah se contorceu em angústia, e ela baixou o olhar para o chão. Ele agarrou os braços dela e a sacudiu ligeiramente. "Vou pedir um teste de paternidade." Sarah engasgou um soluço, soltando-se. "Apenas me deixe sozinha." *** TRÊS DIAS DEPOIS, Sarah acordou numa cama sozinha. Ela olhou para o lado da cama onde ninguém havia dormido mais uma vez, sem sentir saudades dele pela primeira vez desde que eles se conheceram. Não podia suportar o que estava acontecendo com o bebê de Elizabeth, e tampouco podia ignorar completamente aquela verdade evidente. Ele não negara que aquele podia ser seu bebê e, francamente, o fato de Elizabeth ter concordado tão prontamente em deixá-lo fazer o teste de paternidade não a deixava otimista com o resultado.


Então Sarah tinha duas opções: ou esquecer tudo, porque tecnicamente, ele não a tinha traído e lhe tinha dado uma quantidade incrível de apoio e amor, e ele queria casar com ela. Ou ela podia simplesmente se esquecer dele. Ela encarou a aliança em seu dedo. Como poderia continuar com isso? Esse relacionamento estava condenado desde o início. Uma parte dela sabia que a dedução era principalmente devido aos hormônios da gravidez brincando com sua cabeça, mas ela havia se estressado ao máximo com tudo. Ela só queria se livrar de tudo aquilo. Queria escapar. Por enquanto, Santino ter lhe dado todo o espaço que ela queria foi útil. Quanto menos ela via o rosto dele ou ouvia a voz, menos ela sentia falta do relacionamento que tinha tido com ele. Também era óbvio que não importava o quanto ela tentasse, nunca mais seria o mesmo. Ela entrou na sala de estar, e ele ergueu os olhos do celular. "Oi", ela disse sem encontrar os olhos dele. "Oi, Sarah. Como está se sentindo?" "Maravilhosa", ela disse enfaticamente. Santino esfregou os olhos, e quando olhou para cima de novo, Sarah estava olhando de olhos arregalados para a tela da TV. "Aumente o volume!" Ela disse urgentemente. Santino fez o que ela pediu, olhando tardiamente para a tela, que era dominada por uma foto dele e Sarah, enquanto uma âncora de televisão falava sobre a vida privada deles. "...foi anunciado o noivado de Santino Orlando com Sarah Montgomery duas semanas atrás, e hoje nós temos as últimas novidades. Sarah, segundo notícias, foi hospitalizada, e a razão atribuída a isso é pelo fato da ex-namorada de Santino Orlando – agora que fica interessante – Elizabeth Smith, ter dado à luz a um menininho, que ela diz ser filho de Santino Orlando." "Essa estúpida..." Ele caminhou em direção à Sarah e a puxou para encará-lo. "Olhe para mim. Escute! Ela não significa nada para mim. Não significou nada. Você é tudo o que eu quero. Ela


não significa nada para mim!" Os lábios de Sarah curvaram-se em um sorriso sarcástico, lágrimas queimando-lhe os olhos. "Isso importa? Ela não precisa significar nada para ser a mãe do seu filho." "Não diga isso. Não deixe que isso acabe com a gente!" Ela conseguiu se soltar dele. "Eu nem te conheço mais, Santino. Por que você teve que dormir com ela?", ela chorava lamentosamente, odiando a si mesma, odiando o quão fraca era, odiandose por amar o rosto dele, o toque e a voz. Ela queria enterrar seu rosto contra o peito dele e lhe implorar para consertar seu coração. Era uma súplica irracional, pois tinha sido ele quem tinha quebrado seu coração em pedaços. Ele envolveu os braços ao redor dela, forçando-a a ficar parada. "Desculpe. Me perdoe. Eu nunca quis magoá-la. Eu te amo, Sarah. Eu amo você, meu amor." "Isso vai nos acompanhar pela vida toda", ela falou numa voz abafada contra o peito dele. "Não. Não vou deixar. Você é minha vida. Você é tudo para mim. Eu queria poder dizer que ela está mentindo para fazer isso tudo passar. Mas me ajude a lidar com isso, querida. Me ajuda, por favor." Sarah cerrou os olhos, seus soluços pararam instantaneamente. Ela apertou a camisa dele em suas palmas, agarrando-se a ele, respirando profundamente. "Me ajude, por favor," ele implorou novamente, a voz falhando levemente. Sarah deslizou seus braços ao redor da cintura dele e agarrou-se a ele, e a batalha se desfez em sua mente. Ela ainda estava magoada, ainda estava ferida, mas ela tinha percebido a quantidade de estresse que estava sobre ele. Desde o primeiro dia que eles se conheceram, ele fizera de tudo para deixá-la feliz, e ela mesma não tinha feito nada. O que ela lhe dera? Ela apenas tinha tirado. Ela era a única a se beneficiar com aquele relacionamento. Era ela a garota cheia de defeitos e danificada com o passado doloroso, e ele a havia aceitado, consertado e a ajudado a ser muito mais do que ela imaginava poder ser. E ela não tinha lhe dado nada.


"Não quero que me perdoe", ele disse em seu ouvido. "Tudo o que eu quero é que fique ao meu lado e me ajude a lidar com isso. Só quero uma família com você. Nada mais. Apenas fique comigo. Farei de tudo para fazê-la feliz."


Capítulo Dezessete AS COISAS PARECIAM melhores depois daquele dia, mas apenas de certas maneiras. Eles podiam conversar sem que Sarah explodisse, para começar. No entanto, Sarah ainda evitava conversar com ele. Ela estava enxugando os cabelos com a toalha quando o ouviu falar com raiva ao telefone. Quando o confrontou sobre o assunto, passou os dedos pelo cabelo. "O laboratório quer que eu vá tirar outra amostra de DNA. A última estava contaminada." Sarah assentiu, seu interior gritando. Só ela sabia quanto tempo aqueles cinco dias de espera pelo resultado tinham sido, e agora começaria tudo de novo. Ficou deitada na cama durante o resto do dia, solitária, emocional e prestes a desistir. Tudo tinha sido bom demais para ser verdade. A felicidade em sua vida, os bebês, estar noiva, estar apaixonada; estava tudo acabado. Ela não sabia como os bebês ficariam depois de nascerem. Os médicos ainda a mantinham em constante controle. Ela definitivamente não estava pensando em se casar. E sobre estar apaixonada... Bem, ela ainda estava apaixonada, loucamente, mas não sabia como isso funcionava sob as atuais circunstâncias. Estava tentando ser normal, agir normalmente, mas sua saúde estava cedendo. Não tinha mais energia, não conseguia trabalhar, e sabia que era mais devido ao estresse pelo qual estava passando do que pela própria gravidez. Sua soneca foi interrompida quando Santino a sacudiu suavemente. "Ei, você está bem, querida?" "O que aconteceu?" Ele se sentou próximo ao seu quadril. "Você estava gemendo. Ele pressionou a mão em sua testa. "Você está um pouco febril." "Me sinto bem", ela mentiu. "O que você comeu?"


Sarah evitou o olhar dele. Ele podia ter traído seu amor, mas os bebês não fizeram nada para machucá-la. Ele saiu do quarto e, quando voltou, dois minutos depois, entregou-lhe uma tigela de salada de frutas. "Termine isso em dois segundos. Estou cansado disso", ele soltou. Sarah ficou boquiaberta, encontrando os olhos dele pela primeira vez em cinco dias, enquanto o gênio familiar dele preenchia o cômodo. "Eu entendo que você esteja com raiva de mim, mas eu estou tão surpreso com esta virada de eventos quanto você. E se pensar a respeito, Sarah, não comer e matar nossos bebês de fome, que, caso você tenha esquecido, ainda não estão cem por cento bem, é inacreditável. Estou sofrendo também. Também estou morrendo de medo, mas ao menos estou cumprindo com minhas responsabilidades. Porque eu amo você. Você parece ter esquecido não apenas de mim, que você supostamente ama, mas também nossos bebês." Sarah engoliu em seco ante a súbita e estranguladora secura em sua garganta. "Não estava me sentindo bem. Então fechei os olhos. E só acordei agora. Não estava sem comer de propósito", ela disse lentamente. Santino fechou os olhos suspirou. "Desculpe." Sarah olhou o rosto dele com suspeita. Parecia que ele não dormia há dias. Ele tinha sombras escuras sob os olhos, e tinha perdido peso. Como ela não percebera isso? As finas linhas em torno dos olhos dele não estavam lá antes, e as mudanças nele machucavam seu coração. Quando ele estava na porta, ela falou, incapaz de se conter. "Eu amo você, Santino." Sua voz falhou. "Sabe disso, certo?" Ele suspirou. "Eu sei. Também amo você." Ela assentiu com a cabeça, e as lágrimas escorreram pelo seu rosto quando ele saiu do quarto. ***


"Isso é desnecessário", Sarah grunhiu pela décima segunda vez enquanto a enfermeira administrava uma injeção. "Não é, não." Santino falou do pé da cama, com os braços cruzados sobre o peito. "E eu apreciaria se você parasse de choramingar a respeito disso." Santino estava certo. Ela estava com febre, e o médico tinha acabado de deixar sua cabeceira, só para ser substituído por uma enfermeira. "É só uma febre, Santino. Não vai me matar... Infelizmente", ela sussurrou. Santino rangeu os dentes. Ele a tinha ouvido, e sabia que ela estava deprimida. Não ajudava o fato dela precisar passar o dia todo na cama descansando, mas era isso que ela precisava fazer. Ele não ia trabalhar há dias, a menos que ela contasse os minutos que ele saía para verificar assuntos urgentes que estavam se acumulando. Ele não suportava deixá-la sozinha. Estava morrendo de preocupação. "Você poderia nos dar licença por um momento?", pediu ele à enfermeira, uma mulher gordinha por volta de quarenta anos. Quando ela saiu, Santino se sentou ao lado de Sarah. "Não vou deixar nada matá-la, felizmente." Sarah desviou o olhar. "Só quero que isso acabe." "Quer que o que acabe?" "Tudo." Ela suspirou. "Tudo. Só quero parar de me sentir assim." Ele se inclinou para frente e beijou sua testa. "Pense nos nossos bebês, e eu juro que vou consertar tudo." O lábio inferior de Sarah tremeu, e ela os pressionou juntos para impedi-lo de ver como ela estava emocionalmente despedaçada. As mãos dele deslizaram por seus braços, substituindo a tensão nervosa por desejo, e ela lutou para se segurar. O conforto do toque dele era viciante, e ela sentiu falta dele. Ele pressionou um beijo em sua têmpora. "Eu não quero que você sinta como se não houvesse


nenhum lugar para você ir e que está comigo porque está desamparada. Você não está. Tudo o que eu sou é seu, e nada nem ninguém pode mudar isso." Mesmo eles não tendo se falado muito depois disso, Sarah sentiu-se leve e relaxada. Santino se sentou na cadeira do canto do quarto enquanto a enfermeira cuidava de Sarah, e quando ela saiu às quatro da tarde, pediu a Sarah que se sentasse na sala de estar. Sarah resistiu, mas ele não estava disposto a tolerar sua teimosia irracional. E, claro, ele era muito forte, então ele simplesmente a levou para fora, colocando-a no sofá. Ela estava sentada assistindo TV enquanto ele trabalhava no laptop bem ao lado dela, a coxa dele tocando o lado de sua perna. Ela se deleitou com o toque, desejou mais, por alguns momentos felizes, esquecendo tudo sobre aquela outra mulher que estava naquele instante com o filho de Santino. Mas Santino não parecia se importar muito com ela. Sarah tinha presumido que ele seria tão louco por esse bebê como ele era com os seus, que ainda nem tinham nascido. Mas claramente tinha se enganado. Ela não sabia como se sentia por ele ignorar completamente aquela criança. Era impossível que alguém como ele – tão carinhoso e tão cheio de amor – ignorasse completamente que um filho dele existisse. Isso a incomodava. Ela estava relutante em admitir, mas mesmo ela se suavizaria em direção a algo que era tecnicamente a carne e o sangue de Santino. Infelizmente, ela estava sendo alimentada por hormônios emocionais que a transformavam em uma idiota chorona. Então, não podia realmente comentar muito sobre sua situação. Sarah tinha discretamente e sutilmente se inclinado mais para perto dele quando uma batida na porta da frente fez Santino ir embora. Sarah suspirou, ouvi-o falar com o motorista antes de voltar a olhar para ela. "Sarah?" "Sim?" "Parece que seus pais estão aqui para vê-la." Sarah se lançou para a frente no sofá. "Como é?" Santino fechou a porta e caminhou em sua direção. "Jake estava perguntando se devia deixá-los entrar, já que chegaram sem avisar."


Sarah fez uma careta. "Eu não os vejo... Não os vejo há sete anos." "Gostaria de ver?" Ele a observou de perto. "Não!" Sarah disse sem pensar a respeito. Ela não queria mesmo encontrar com eles. Ele suspirou. "Quer que eu os mande embora? Vai parecer bastante rude." Sarah respirou fundo e olhou com olhos arregalados para Santino. Santino balançou a cabeça. "Estou bem aqui. Tudo vai ficar bem. Eles só querem ver você, só isso." Então, alguns minutos depois, Sarah se viu sentada diante do casal que a adotara quando ela era muito pequena. "Eu fiquei tão feliz em saber que você estava grávida. Então, disse ao Huber: vamos ser avós!" Marianne, a mãe adotiva de Sarah, disse alegremente. "Huber está realmente animado. Fale para ele, Huber", cutucou o homem gordo nas costelas. "Sim, sim." Huber se mexeu, preso em um terno que era muito pequeno e usando uma barba que foi aparada de forma casual. Sarah franziu a testa. Ela se afundou mais fundo no sofá e se sentiu melhor quando Santino apertou sua mão e segurou-a sobre o colo. "Então, esta é a sua casa agora." Marianne olhou ao redor, rindo. "É gloriosa. Não assine um contrato pré-nupcial, já vou dizendo." "O quê?”, Sarah gritou, um pouco nervosa. "Só estou brincando, querida. Não leve sua mãe tão a sério." Sarah olhou para Santino, lamentando ter concordado com isso. Podia dizer pela expressão no seu rosto que ele agora entendia por que Sarah evitava vê-los. "Você viajou todo o caminho de Delaware até aqui para nos ver. Obrigada, mas estávamos prestes a sair", Sarah mentiu, hesitante. "Ah, não vamos ficar por muito tempo. Nós só queríamos ver por nós mesmos como você estava. A mídia relata tudo, mas nem sempre há muita verdade no que eles falam. Então eu pensei,


Sarah, nossa Sarah, nossa querida pequena Sarah, noiva de um bilionário! Temos que ver isso com nossos próprios olhos." Sarah não se sentia envergonhada. Há muito tempo ela tinha lavado as mãos para esta família. Ela nem os conhecia. Ela mal conversara com eles, mesmo enquanto estava crescendo. Santino apertou sua mão, e Sarah inclinou-se para a frente no sofá. Já tinha ouvido o suficiente. "Por que vieram? Nós realmente precisamos sair." Huber se levantou da cadeira, mas quando Marianne olhou para ele, sentou-se novamente. Marianne sorriu o sorriso torto e frio que Sarah tinha visto durante anos enquanto crescia. "Seu pai está investindo em um novo negócio, e ele disse, 'Nossa Sara tem tudo agora. É bemsucedida. Ela podia nos dar alguns milhões.'" Sarah deu uma risada e saiu do sofá, surpreendendo-se com sua agilidade. "Ok, nós temos que ir." "Sarah!" Marianne a repreendeu como se fosse sua mãe, ou qualquer coisa em sua vida. "Não seja rude com sua mãe. Cinco milhões de dólares é tudo o que precisamos. Tenho certeza de que seu marido vai querer ajudar os membros da família." "Ele é meu noivo", Sarah olhou para Santino, exasperada, pronta para explodir de fúria. Ela sabia que ele estava quieto porque não queria se intrometer em suas batalhas. Encontrou-o sentado e sem expressão, apenas observando a mulher como se ela tivesse chifres. Ele lentamente se levantou, deslizando a mão protetoramente ao longo das costas de Sarah enquanto encarava o casal. "Nós vamos lhes mostrar a saída", ele disse, simplesmente. A autoridade e o domínio na voz dele fez Marianne e Huber congelarem. O mesmo tom que ela escutara quando o conhecera. Sem dizer mais nada, caminharam em direção à porta, à frente de Sarah e Santino. Santino fechou a porta atrás deles, deixando instruções para que eles nunca mais passassem pelos portões da propriedade sem aprovação prévia, depois virou-se para Sarah. "Então, tudo


correu bem." Sarah, em uma das situações mais humilhantes e mortificantes de sua vida, começou a rir. Santino riu, então os olhos dele se enrugaram e ele riu mais forte quando Sarah se jogou no peito dele. "É ridículo", ela disse, balbuciando entre suas risadas. "Eles foram muito legais." Sarah riu mais forte, batendo no ombro dele. "Para com isso!" Ela apertou seu ventre inchado e caminhou até o sofá. Sentada, ela deitou a cabeça para trás e riu um pouco mais. "Ai, meu Deus." Santino rapidamente fechou a distância entre eles, sentando-se ao lado dela e deslizando um braço em torno de seus ombros. Sarah deixou que ele a puxasse para o peito dele e fechou os olhos, deslizando uma das mãos territorialmente sobre o local. O silêncio era terrivelmente maravilhoso, e tudo o que ouvia era o batimento cardíaco elevado de Santino. Ela agarrou o ombro dele e se permitiu desfrutar da proximidade do corpo de seu amado. Esfregou sua bochecha no centro do peito dele, e os nostálgicos movimentos de necessidade cresceram através de seus membros, viajando até o centro do seu umbigo. Sua garganta ficou seca com a luxúria. "Senti sua falta." Sarah ouviu as palavras que ele sussurrou, e seus olhos apertaram ainda mais enquanto ela mordia o lábio para lutar contra seus desejos. "Também senti sua falta." "Não pense nunca que qualquer coisa, ou qualquer um, é mais importante para mim do que você." Sarah assentiu com a cabeça e se aconchegou mais perto, mas o instinto estava lhe dominando espontaneamente. Ela levantou a boca, e ele a pegou instantaneamente, como se estivesse esperando que ela respondesse à proximidade entre deles. A boca de Sarah estava ansiosa, pressionando para cima, e a boca de Santino correspondia à sua urgência, os lábios


deslizando sobre os seus, mordiscando. A língua dele se alimentando suavemente de sua boca, ele gemeu quando ela se derreteu no abraço. Segurando a camisa dele em uma das mãos, ela se endireitou e deslizou a mão livre através do cabelo grosso na nuca de Santino. Tentou veementemente não pensar na bela morena que ele tinha engravidado. Mas os flashes de memória atravessaram a barreira que ela havia montado repetidamente. Ao mesmo tempo, as mãos dele deslizaram sobre sua barriga e abaixaram entre suas pernas, e instantaneamente Sarah saiu da nuvem de luxúria na qual ela estava presa. Ela se arrastou para trás, ofegante, ruborizada, excitada, enquanto Santino observava seu rosto. O momento de alegria tinha passado. Eles estavam exatamente onde haviam estado desde que Elizabeth tinha dado a notícia sobre a gravidez. Ele podia vê-la se esforçando e lutando consigo mesma. Mesmo tentando, ela não conseguia superar. "Como vou consertar isso?" Ele perguntou triste, passando as mãos pelo cabelo. Sarah balançou a cabeça, sentindo-se um monstro por não se permitir ser feliz, e não permitir que ele fosse feliz. Era uma grande maldição ser responsável pela felicidade dele, ser a única controladora dos sentimentos dele na vida. Ela tinha se deleitado com este poder, mas agora estava deixando-o cada vez mais triste. E ela o amava demais para vê-lo assim. Empurrando uma das mãos sobre a coxa dele, ela a segurou. Seu peito se contraiu ferozmente quando ele apertou a mão dela para mantê-la ali, como se estivesse se segurando a uma linha de vida. "Estou bem aqui. Não vou a lugar nenhum", seu amor fez sua voz tremer. "Mas preciso lidar com isso no meu próprio ritmo. Sinto muito." "Não sinta!", ele sibilou furiosamente. "Você não deve se desculpar por nada que não seja culpa sua. Nunca peça desculpas." Sarah respirou fundo. Era isso, e muito mais, que o tornava tão importante para ela. Ele a tinha mudado, a tinha deixado confiante, mais segura de si mesma, e ela tinha deixado lentamente


de lado todos os demônios que a tinham assombrado desde sua infância. Ela era tão viciada nele como ele era nela, e ela estava permitindo que uma mulher desconhecida destruísse tudo. Sarah sabia o que estava fazendo de errado. Conhecia suas prioridades, e seu amor devia ser colocado em primeiro lugar. Ela estava tentando. Lutava com sua consciência todos os dias. Mas era muito difícil não pensar naquela outra mulher que ele havia engravidado, e no outro bebê que era dele. Ele havia se recusado a ver o bebê, em vez disso, tinha se grudado ao lado de Sarah. A culpa ultrapassou tudo momentaneamente, mas o ciúme demente irrompeu de novo. Quando se tratava de Santino, ela era irracionalmente egoísta. Ele era a sobrevivência em sua forma tangível, e ela sabia que não seria capaz de mudar isso. "Não posso dividir você com ninguém, Santino. Está... Me quebrando em milhares de pedaços quando eu tento." "Você não precisa. Não precisa. Sou todo seu." Sarah respirou fundo e se forçou a sorrir ao olhar para ele. Enquanto sua consciência a amaldiçoava por ser tão carente, ela encontrou os olhos dele. "Não vamos nos preocupar com isso agora." Santino assentiu e observou enquanto ela lentamente se levantava e caminhava para a cozinha. Sem realmente pensar, ele ligou a TV, e o volume alto encheu a casa. Automaticamente, sua mão se estendeu para desligar a TV, mas era tarde demais. Sarah já tinha visto. Escurara seu nome. A mídia estava discutindo sobre a outra mulher. O outro filho. E o teste de paternidade que era de conhecimento geral... Graças a Elizabeth Smith. Ele não podia fazer nada para mudar isso. E o desamparo da mulher claramente não estava fazendo nada bem à sua imagem. "O que gostaria de comer?" Sarah perguntou, mas a voz saiu entrecortada e cheia de emoção. A expressão em seu rosto, como a expressão no rosto dela, dizia o quanto estavam com


raiva. Mas ele se levantou. "Vou ajudá-la." Juntos, eles fizeram um simples jantar de peito de frango com salada, e ele mordiscou pequenos pedaços enquanto Sarah se esforçava, para o bem dos bebês. "Eu queria poder mudar tudo isso", ele murmurou. Sarah encontrou os olhos dele, inclinando-se sobre a mesa para segurar-lhe a mão. Ela ansiava pela intimidade que tinha evitado mais cedo no sofá. Queria tê-la de volta, mas sabia que uma vez que começasse, as memórias terríveis de outra mulher com ele retornariam. A imagem tinha grudado em seu cérebro. "Ficaremos bem. Só me dê um pouco de tempo." *** NA MANHÃ SEGUINTE, Santino a acordou com um beijo na testa. "Tenho uma reunião urgente. Volto no máximo em três horas, prometo." Sarah assentiu sonolenta. "Vê se come alguma coisa", ele gritou da porta. "A Sra. Craddock está aqui e vai ficar de olho em você." "Não preciso de babá", ela murmurou. "Eu sei. Mas vou trabalhar melhor sabendo que não está sozinha.” Santino se apressava para o escritório e chegava ao elevador quando viu uma voz familiar chegar perto dele. "Olá, Sr. Orlando." Santino franziu a testa e olhou para Marianne, a mãe adotiva de Sarah, que estava radiante com um terno amarelo pálido que parecia ridículo. "Olá." Ele realmente não estava com vontade de conversar com essa mulher novamente. "Se você tiver cinco minutos, eu precisava discutir algo com você." "Estou meio apressado."


"Só cinco minutos. Prometo que não vai demorar." Santino suspirou e caminhou até um sofá no lobby do escritório. "Eu queria perguntar sobre o seu investimento no novo negócio do Huber." Santino franziu a testa e fez uma careta. "Como é?" "Você sabe, cinco milhões de dólares não é grande coisa para você investir em nosso negócio. Vamos lhe dar uma parte do lucro, e... " Santino arrastou o olhar para longe da mulher que tinha feito Sarah infeliz quando criança. "Com licença, Sra. Montgomery. Eu realmente não tenho tempo para discutir sobre isso." Ele ficou de pé, com Marianne o seguindo. "Nós podemos passar na sua casa de noite, então..." "Sarah e eu temos planos para essa noite. E, por favor, entenda que eu não sanciono tais investimentos, e realmente não estou interessado em expandir meu próprio conglomerado investindo no empreendimento do seu marido." O rosto de Marianne caiu. "Mas somos da família." Santino ficou sem palavras por um momento, imaginando como um ser humano poderia ser tão iludido. Era como se ela fosse de outro planeta. "Se Sarah quiser te ajudar, isso é com ela." Marianne riu amigavelmente. "Mas Sarah não tem nada no nome dela. Ela é apenas alguém que ajuda nos bastidores quando algumas pessoas fazem anúncios." O sangue de Santino ferveu, e a raiva estava em seu tom cortante quando falou. "Sarah Montgomery é a chefe do departamento criativo em sua agência de publicidade. Ela é uma diretora que faz um trabalho incrível e até já trabalhou como modelo em um anúncio para a minha empresa. Além disso, ela é minha noiva, e tudo o que eu tenho, ela tem direito. Tudo. Então, se sua filha..." Ele disse com desdém, como se isso não significasse nada. "...concordar em ajudar o Sr. Montgomery, não terei nenhum problema com isso." Santino obteve grande satisfação pelo fato da mulher parecer absolutamente lívida e com ciúmes de quem ela chamava de filha. E ele se alegrou de tê-la colocado no lugar dela. A mulher


era insuportável. "Eu vou encontrar com a Sarah, então," Marianne disse. "Sarah está passando o dia num spa e não voltará até de noite. Você pode ligar e marcar um horário com ela nesse número. Ele prontamente entregou o cartão de visita de Sarah com o número da secretária, e a mulher pegou. Santino não voltou a olhar para a mulher e tentou controlar sua repulsa enquanto se dirigia ao elevador. Antes de entrar na sala de conferências, onde sua diretoria o esperava, puxou o telefone, ligou para a secretária de Sarah e a instruiu a não falar com ninguém com o nome de Sr. e Sra. Montgomery. *** Ele voltou para casa dez minutos depois das três horas que tinha combinado que passaria fora e sorriu quando o rosto de Sarah se iluminou ao vê-lo. "Olá." Ela olhou para o enorme buquê de rosas vermelhas que ele carregava. "Imagino que sejam para mim." Ele se inclinou e beijou-lhe a bochecha duas vezes e entregou as flores. "Eu te amo", ele sussurrou no ouvido dela. "Você sabe que também te amo, certo? Santino engoliu. "Sim." "Então...", ela inalou profundamente, dominada pela emoção. "Como foi sua reunião?" "Foi chata e longa. Recebeu alguma visita?" "Não." "Ótimo." Sarah sorriu para ele. "Por quê? Deveria?" Santino suspirou e pegou a mão dela, arrastando-a para o sofá e fazendo-a se sentar. "A Sra. Montgomery foi até o meu escritório hoje." Ele não conseguia falar a palavra “mãe”. O rosto de Sarah ficou lívido. "Ah. Por quê?"


"Queria falar sobre aquele negócio... Investimento que eles querem." Sarah ficou boquiaberta. "Você está de sacanagem comigo?" "Não fale assim. Os bebês vão escutar e aprender." Ele tentou brincar. Não funcionou. "Você está me dizendo que eles realmente estão dispostos a lutar pelo dinheiro?" "Não diria lutar, mas sim, eles estão bem inflexíveis a quanto fazer parte da família." Sarah tossiu. "Quem disse?" "Sério, Sarah." Sua testa franziu quando percebeu que ela estava envergonhada com o que os pais estavam fazendo. "Querida, você não precisa se envergonhar por nada que eles façam. Eu não sei sobre eles, mas você e eu somos definitivamente uma família. Você não pode ficar envergonhada a respeito deles na minha frente." Sarah respirou fundo. "Eles estão tentando tirar dinheiro de você simplesmente porque é meu noivo. Isso é tão patético. Muito baixo. Até para eles." "Está tudo bem, verdade. E eu devo admitir.... Eu disse a eles que não invisto em projetos fora do meu próprio conglomerado, e que eles poderiam pedir o dinheiro a você." "Por que você faria isso?" "Porque eu pensei... Que você pudesse querer dar o dinheiro a eles." "Mas eu não tenho nenhum dinheiro!" Ela gritou. Santino balançou a cabeça. "Você disse isso hoje. Nunca mais repita. Nunca. Por favor", ele acrescentou, para tirar o peso da frase. "Além disso, eu pensei que, visto que eles te criaram, você poderia querer..." "Não. Eu não quero lhes dar nada, e para deixar claro, eu praticamente me criei sozinha, escondida nos cantos da casa." Lágrimas derramaram por seu rosto enquanto ela se lembrava de tempos terríveis. Santino a puxou mais para perto, mas ela lutou, limpando as lágrimas furiosamente. "Não posso lidar com eles enquanto estou lidando com todas as outras confusões na minha vida. Só quero eles longe." Ela se levantou lentamente do sofá. Mesmo que Santino pudesse perceber que ela queria ser


rápida, o peso extra e barriga gigantesca tornavam as coisas muito limitadas, então ele a ajudou a ficar de pé. Ela murmurou um "obrigada" e caminhou até a geladeira para pegar água. Não seria difícil tirar o casal da vida de Sarah. Tudo o que ele tinha a fazer era dar o dinheiro a eles, fazê-los assinar um acordo de que nunca mais iriam aparecer na vida de Sarah novamente, e acabar com esses parasitas. Ele os desprezava, e não era segredo que Sarah se sentia da mesma forma. Fazê-los desaparecer seria fácil; apenas cinco milhões de sua riqueza. Isso era algo que ele poderia corrigir. Mas, olhando para a garota orgulhosa e linda, ele sabia que ela não iria gostar disso. Ela já estava envergonhada a respeito de como a suposta família estava agindo. Ele se levantou e colocou as mãos no balcão da cozinha. "O que tem para o almoço?" "A Sra. Craddock fez caçarola." Santino assentiu, mas não estava realmente preocupado com a comida. "Sarah, se eu simplesmente der o maldito dinheiro..." "Não!" Sarah falou abruptamente, como se já tivesse previsto que ele diria isso. "Me escute." "Não, e não para todo o resto que você ainda não disse", ela argumentou obstinadamente. "Se lhes dermos o dinheiro, eles apenas sairão da sua vida." "Não", Sarah repetiu com força, encontrando os olhos dele com raiva. Santino engoliu em seco, esfregando as têmporas. Obviamente, isso significava muito para ela. Ele tinha a sensação de que esta era uma forma de retribuição pela infância arruinada que ela tivera. Ela não sentia qualquer tipo de afiliação com os Montgomerys. "O que você quiser, meu amor. Não vou fazer nada que você não aprove por trás das suas costas. Temos um acordo." "Ok." Ela bateu um prato no balcão infantilmente. Santino respirou fundo e lutou contra um sorriso. "Aliás, você vai mudar seu sobrenome após


nos casarmos?" Sarah encolheu os ombros. "Com certeza. Essa é a única razão pela qual concordei em me casar com você... Me livrar do nome Montgomery." *** No dia seguinte, Santino encontrou o Montgomerys discutindo com seus seguranças no portão de sua propriedade quando ele estava saindo para o trabalho. Furioso, ele passou e sabia que Sarah não queria ouvir novamente as vozes deles. Naquela noite, ele contou a respeito do assunto para ela. Sarah pareceu pensar por um longo tempo, silenciosamente, e quando ela finalmente falou, as palavras solenes soaram com convicção. "Consiga uma ordem de restrição." Santino ficou surpreso com a veemência. "São apenas cinco milhões de dólares, Sarah. Nem vamos sentir falta." "Não." "Ok", ele disse simplesmente, e ligou para o advogado. Santino tinha presumido que Sarah ficaria ligeiramente chateada com a ordem de restrição quando fosse escutada, mas ela parecia aliviada. Não apenas isso, ela sugeriu que comemorassem. Eles pensaram em como fazê-lo, já que o champanhe não era uma opção, a não ser que Santino quisesse beber sozinho, o que não era o caso. Então Santino teve uma ideia. Ele a colocou no carro e a levou para escolher o vestido de noiva. Funcionou, e a menina dentro de Sarah estava radiante enquanto ela entrava em loja após loja, depois sentava no sofá enquanto as vendedoras corriam ao redor dela. Sarah estava sorrindo de orelha a orelha quando ele finalmente a levou para casa. "Estou tentando não pensar em como você está me chantageando emocionalmente." Ele riu. "Você não está pensando nisso agora, mas espero que você saiba que eu planejo casar com você assim que tivermos os bebês. Você precisa estar preparado para ter um casamento com algumas semanas de antecedência."


Sarah o olhou como se estivesse louco. "Eu não posso planejar um casamento em algumas semanas." "Vou arrumar o melhor planejador dos Estados Unidos." Sarah revirou os olhos brincando. "Você é muito exibido." Santino riu. Mas a felicidade no relacionamento deles tinha tomado o hábito consistente de ser temporário e inconstante, porque a alegria só durou durante a noite. *** NA MANHÃ SEGUINTE, Sarah sentou-se no assento da janela que dava para os hectares de jardins da propriedade. Os jardineiros estavam trabalhando como sempre. Era preciso um exército para fazer a manutenção. Sarah gostava de vê-los cortando o gramado, retirando ervas daninhas, cuidando das flores... Quando ouviu o carro de Santino entrar na garagem, a garganta de Sarah se fechou. Estava temendo ouvir a notícia, mesmo que ela tivesse presumido que estava preparada para isso. Ela já tinha vomitado duas vezes desde aquela manhã pensando nisso, preocupando-se com isso. Santino entrou pela porta, e os olhos de Sarah caíram sobre o envelope na mão dele – o grande envelope marrom que a destruiria para sempre. Ela fechou os olhos quando a náusea a atingiu de novo. O estresse certamente ia matá-la antes de dar à luz aos bebês. Ela tinha que parar de se estressar agora. Ela pulou quando a mão gentil de Santino descansou em seu ombro. Em pânico, seus olhos se abriram. Ele estava sentado na mesa de café, segurando seus joelhos. "Sarah..." ele disse suavemente, a voz estranhamente leve e vertiginosa e cheia de alívio. "Eu não sou o pai." Suas orelhas zumbiam, e o aturdimento em que estava presa pareceu sugá-la mais profundamente em seus recessos escuros. Sarah ficou boquiaberta, ouvindo as palavras, mas sua mente as rejeitava. Ele tinha admitido ter dormido com Elizabeth. Não havia dúvida em sua mente de que ele seria o pai do filho de Elizabeth.


"O quê?" Foi tudo o que ela conseguiu dizer. Santino sorriu, sacudindo a cabeça. "Querida, eu não sou o pai do bebê de Elizabeth. Não a engravidei." O coração de Sarah pulou uma batida, e ela respirou duramente para compensar a energia perdida. Tremendo e ofegante, ela se entregou à satisfação de olhar aquele rosto bonito enquanto ele lhe entregava os resultados do teste de paternidade. Sarah desmoronou, sufocando com seus soluços, berrando sem constrangimento enquanto o deixava segurá-la sem quaisquer reservas, sem qualquer medo ou desconfiança. Sarah gritava o nome dele em soluços enquanto chorava na curva do pescoço de Santino, e ele agarrou-a com força. "Você vai passar mal. Não chore." "Você é todo meu", ela sussurrou, inundada de amor. "Para sempre", ele segurou seu rosto e cobriu sua boca soluçando com a dele. E quando os lábios dele tomaram conta dos seus desta vez, eles foram possessivos novamente, o domínio que havia sido perdido há muito tempo dominando cada mordida e toque amorosos. Engoliu os soluços de Sarah, como se estivesse tentando desesperadamente tirar-lhe o coração partido e substituí-lo pelo desejo enlouquecido que sentia por ela. Logo, seus soluços diminuíram e ela o beijou de volta vorazmente, deslizando as mãos pelo peito de Santino. Ele a empurrou para o assento da janela e cobriu seu corpo com o dele.


Epílogo SANTINO SEGUROU A MÃO de Sarah e beijou os nós dos dedos repetidamente. A dor por trás de suas pálpebras era impossível de se livrar. "Sarah?" Ele disse pela décima vez nos últimos cinco minutos, e ela não respondeu. Ele saiu abruptamente à procura da enfermeira. "Ela não deveria já estar acordada agora?" A enfermeira entrou para checar e pediu a Santino que esperasse. Santino caiu de volta na cadeira. Metade dele queria ir ao berçário para verificar seus bebês, e a outra metade queria ficar colada ao lado de Sarah porque queria lhe dar as notícias. Meia hora depois, a mão de Sarah empurrou a dele e ele se levantou, acariciando o cabelo dela. "Meu amor?" Sarah abriu um pouco os olhos. "Oi," ela tentou, mas apenas ar escapou dos lábios. Ela limpou a garganta e tentou novamente. "Oi." E desta vez, a palavra soou como um coaxar. Ela riu e estremeceu, e Santino pressionou os lábios contra sua testa. "Sarah, meu amor. Você é a mãe de duas lindas garotinhas." Ela soluçou brevemente, as lágrimas escorregando pelos lados de seus olhos até as orelhas. "Shhh." Ele as enxugou rapidamente. "Somos pais, Sarah." "Elas estão bem?" Ela perguntou com óbvia descrença. Santino fechou os olhos e encostou a testa contra a dela. "Uma das meninas tem uma ligeira condição cardíaca congênita, mas já sabíamos disso, certo?" Ele disse lentamente, sem saber como ela estava preparada para isso emocionalmente. "Contanto que elas estejam bem." "Mas quer saber as boas notícias?" Sarah esperou, os olhos arregalados de esperança.


"A condição é muito menos complicada do que os médicos tinham originalmente temido. Ela não precisa de cirurgia, e poderemos levá-las para casa em duas semanas." Sarah desmoronou, as lágrimas escorrendo pelo rosto. Ela levantou um braço para segurálo. Tardiamente, ela percebeu que havia um tubo correndo através de seu braço. Então, levantou o outro braço e o apertou em volta do pescoço de Santino. Os tempos ruins tinham acabado. De vez. E três semanas depois eles estavam todos em casa... Michelle, Marjorie e os novos papais. Santino estava montando o primeiro dos dois balanços de bebê dentro da sala enquanto Sarah alimentava Michelle no sofá. "Jesus Cristo. Eu costumava achar que os produtos da BubFun eram os mais fáceis de montar." Os olhos de Sarah se estreitaram sobre os pedaços de metal e plástico na mão de Santino, e ela balançou a cabeça. "Este vai para a esquerda, Santino. Olhe para a curva." Santino a fitou como se ela estivesse sendo condescendente, mas logo percebeu o erro. "Ah, certo." Sarah riu. "Quando foi a última vez que você montou alguma coisa sozinho?" Santino balançou a cabeça. "Devia ter contratado alguém para fazer isso." "Pirralho mimado", ela disse, como se fosse a coisa mais romântica. Naquela noite, eles se sentaram juntos na frente da TV para ver a exibição do mais novo anúncio da BubFun. Sarah sentou-se inquieta pensando nas milhões de pessoas em todo o mundo que a observavam na tela da TV naquele exato momento. Santino, no entanto, estava tão animado que não conseguia ficar quieto, e ficou o tempo todo a abraçando e beijando sua cabeça. "Estou tão orgulhoso de você, querida. Estou muito orgulhoso mesmo." Eles passaram as duas horas seguintes rindo enquanto seguiam o progresso do anúncio nas mídias sociais.


Depois de duas semanas, o anúncio foi saudado como um sucesso nacional e amplamente elogiado. *** OS BEBÊS JÁ ESTAVAM COM quatro semanas de idade quando Santino chegou em casa carregando rosas e uma pasta grande. Após beijar Sarah e as filhas, ele lhe entregou a pasta quando ela tentou pegar as flores. "O que é isso?" Santino se atirou no sofá, despreocupado. "Esta é uma lista de candidatos para o cargo de seu agente." "Meu o quê?", ela enrugou o nariz. "Você está recebendo ofertas, Sarah. Propagandas, ensaios fotográficos. E..." "Fala sério!" Ele sorriu para ela. "Você conseguiu. Tem talento natural. Você tem uma nova tela para começar sua carreira e fazer o que realmente queria fazer desde o início." Os pinos e agulhas em seu corpo eram de gratidão e adoração, e confiança no fato de que Santino sempre estaria ao seu lado. "O que eu fiz para merecer você?" Santino levantou-se e a puxou para os seus braços, e ela sentiu-se culpadamente feliz por não haver nenhum barrigão para mantê-los separados. Ela facilmente se afundou no peito dele enquanto Santino a segurava. "Você é a melhor coisa que já aconteceu comigo", ele sussurrou com veemência e se afastou para agarrar seu rosto entre as palmas das mãos. "Quer se casar comigo daqui a duas semanas?" Sarah sorriu. "Sarah Orlando. Gosto de como soa." Santino riu e a beijou na boca. "Eu te amo demais."


FIM

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Capítulo Um O sol atravessou as cortinas, e Alina Petrov tateou por seu biquíni em uma gaveta da cômoda. Os dias de verão eram a sua fraqueza, e ela mal podia esperar para relaxar junto à piscina de seu pai. Era um dos poucos atos de lazer que ela se permitia ultimamente. Tirando sua calça de moletom e sua regata, deslizou no biquíni preto e o ajustou. Aros dourados conectavam duas tiras finas que sustentavam a parte inferior, e a parte superior cruzava ao redor de seu pescoço. Isso aproximava seu amplo decote, e Alina não pôde evitar franzir a testa para o próprio reflexo. Para Yuri Petrov, ela ainda era uma pequena princesa que não deveria ousar vestir coisas tão escandalosas, mas Alina agora tinha vinte e dois anos. Estava na hora dela sair da concha. Ela havia passado toda a sua vida adulta concentrada em sua educação, mas aquela fase já havia passado. Independência era o seu próximo objetivo. Seu pai não tinha entendido quando ela quis ir para a faculdade, e ele gostou ainda menos da ideia quando ela se recusou a frequentar a universidade local. Sem dúvida, Yuri pensou que ela viria rastejando de volta quando seus dias de faculdade terminassem, e foi apenas porque ela não conseguiu um emprego que ela foi forçada a voltar para casa. E agora ela não conseguia arranjar um apartamento. Cada candidatura a um emprego ou um lugar para ficar era imediatamente rejeitada. Ela tinha se graduado como melhor da turma, e tinha economizado dinheiro suficiente para pagar mais do que o depósito exigido por apartamentos. Não fazia sentido que ela continuasse sendo rejeitada a cada tentativa. A única resposta lógica era que seu pai estava envolvido. "Mas você não precisa de um emprego, princesa", ela zombou de sua voz grave. "Tudo o que você precisará está aqui. Eu cuidarei de você." Alina sabia que seu pai realmente cuidaria dela, mas ela realmente queria se virar sozinha. Ela não era mais uma criança, e não queria ser tratada como tal.


Cabelo loiro. Olhos azuis. Corpo torneado. Disseram-lhe a vida toda que ela era linda, e sabia que virava as cabeças dos homens de seu pai, mas quando ele estava por perto, eles desviavam o olhar e silenciavam suas conversas. Ela sempre esteve muito ocupada para pensar em homens, mesmo na faculdade, mas hoje ela começaria seu novo plano. Fazer tudo o que pudesse para irritar seu pai para que ele parasse de obstruir suas ações. Passando um pouco de gloss nos lábios, ela vestiu seus óculos de sol e sua saída de banho transparente. Com sua bolsa de piscina pendurada sobre o ombro, ela saiu rapidamente de seu quarto e desceu os degraus de pedra. Yuri Petrov era um homem rico. Como chefe da máfia da cidade—o que o tornava um dos homens mais poderosos de toda a região—ele gastou um bom dinheiro na mansão. Ele sempre dizia a ela que a aparência é tudo. As obras de arte caras alinhavam as paredes, a maioria conquistada em atividades ilícitas. Mobiliário de luxo, tapetes persas, vasos de cristal. Alina cresceu na riqueza, e ela mal tinha olhos para isso. Aquela era a sua casa. Ela nem sequer pensava sobre isso. Cantarolando uma canção pop que não saía de sua cabeça há dias, ela abriu a porta de vidro que dava para o deck e andou descalça até a madeira escura e manchada. Uma passarela conduzia até o grande gazebo bem no meio da piscina. Do outro lado da piscina, uma fonte fazia a água jorrar com beleza. Lindíssimas flores azuis e roxas decoravam a cerca alta de ferro forjado, e um bar com área para lanches ficava ao canto. Aquele espaço dava paz para Alina. Seu pai raramente usava a piscina. Ocasionalmente, ele organizava uma festa, mas, for a isso, o lugar estava sempre em silêncio. Saltitando e sorrindo com alegria, ela seguiu a passarela até a ilha no meio da piscina e deixou cair sua bolsa sobre uma das cadeiras. Depois de remover sua saída de banho, ela se moveu até a borda para mergulhar a ponta dos pés na água e testar a temperatura. Algo vermelho rodopiou pela água, e ela franziu a testa. Alina o viu pelo canto dos olhos. O pânico a inundou, mas foi só quando ela virou a cabeça


e reconheceu a forma que ela começou a gritar. Seu pai flutuava de bruços na água, cercado por seu próprio sangue. "Papai!", ela gritou. "Papai! Alguém me ajude!" Girando para chamar os guardas de seu pai, seu pé deslizou para fora da borda. Ainda gritando, ela se chocou com força contra a madeira antes de escorregar na água. Logo, seus gritos foram abafados. A água estava congelando, e ela rapidamente afundou em choque. Quando ela chegou ao fundo, automaticamente se impulsionou para cima, mas o sangue circulava ao redor dela, e a histeria tomou conta. Normalmente, Alina era uma ótima nadadora, mas a ideia de estar presa na piscina com o corpo do pai a paralisou de medo. Mãos fortes a agarraram e a puxaram bruscamente da piscina. Ela atravessou a superfície e lutou contra seu atacante. "Alina! Alina, você tem que parar de gritar. Alina! Sou eu!" A voz familiar finalmente penetrou em seu medo, e ela ofegou e balbuciou enquanto sugava o ar. Kristof, um dos guardas de seu pai, puxou-a da água e envolveu sua toalha ao redor de seu corpo, que tremia. "Papai", ela ofegou quando ela virou a cabeça para olhar para trás. "Kristof, alguém..." Kristof agarrou sua cabeça e a impediu de olhar para trás, "Alina, me ouça. Nós precisamos ir." "Ir? Ir para onde? Precisamos chamar a polícia. "E nós faremos isso", ele disse calmamente. "Faremos isso. Mas quem matou seu pai ainda pode estar aqui, e sua segurança é nossa primeira preocupação. Precisamos ir agora. Preciso que você se acalme e respire". Seu coração pulava contra sua caixa torácica enquanto ela pressionava sua cabeça contra o peito dele. Uma ponta de vermelho pairava no canto de seu olho. Ela deve tê-lo salpicado com a água sangrenta. Ela estremeceu. O homem acariciou seu cabelo molhado, e ela deixou que ele a guiasse para longe da piscina.


"Timur", disse ele em voz baixa. "Nós precisamos tirá-la daqui. Peça a Ivan para chamar a polícia e revistar o local em busca de quem não deveria estar aqui. Eu não preciso lhe dizer para fazer isso o máximo possível antes da polícia chegar aqui. Mantenha isso dentro dos limites da lei, mas queremos lidar com isso nós mesmos. Encontre-me na casa depois". Timur disse algo em voz baixa, mas Alina mal podia ouvi-lo. O sangue rugia em seus ouvidos, e ela não conseguia tirar a imagem da cabeça o suficiente para temer por sua própria segurança. "Papai", ela sussurrou. "Quem faria isso?" "Seu pai tinha muitos inimigos", disse Kristof, enquanto a envolvia com um braço e a forçava até a garagem. "Alina, eu preciso que você se concentre. Pelo menos até que a gente estar em segurança. Você consegue fazer isso?" Ela tropeçou quando ele continuou a arrastá-la, mas ela não conseguia lutar. Abrindo a porta do passageiro de um dos carros, ele facilmente a colocou para dentro. Molhada e tremendo, ela envolveu os braços em torno de si mesma e começou a balançar de um lado para o outro. "Papai." Gemendo, ela mal notou quando Kristof ligou o carro. Ele saiu da casa, e ela olhava para o nada enquanto as árvores passavam voando. Seu pai estava morto. Seu pai estava morto. Era como um disco arranhado em sua cabeça. Seu pai estava morto. "Filho da puta", ele gritou de repente e pisou no freio. Movendo-se bruscamente para a frente, ela imediatamente ergueu os braços e bateu contra o painel. A dor a puxou para fora de seu estado hipnótico, e ela gritou. "Coloque o cinto de segurança", ele chiou. Virando a cabeça para o lado, ela viu outro carro seguindo bem ao lado deles. O motorista usava um capuz, e ela não podia distinguir suas feições, mas suas intenções eram claras. Ele virou o volante e o carro se aproximou dela perigosamente. Ambas as janelas se quebraram quando algo passou próximo de sua cabeça, e ela imediatamente se abaixou. "Kristof! ", gritou ela.


Seu guarda-costas deixou escapar uma série de obscenidades e pisou fundo. Alina olhou para o velocímetro e engoliu seco. Um movimento errado, e Kristof faria com que eles batessem nas defesas metálicas. Mas o outro carro os acompanhou. De repente, Kristof pisou novamente no freio e o outro carro avançou. Engatando a ré, Kristof virou a cabeça e dobrou a esquina. Engatando a primeira marcha, ele disparou com o carro pela outra rua. "Por que alguém tentaria me matar?" Ela sussurrou enquanto virou a cabeça e olhou desesperadamente para o perigo. "Pense, Alina", ele disse suavemente. "Você poderia muito bem ter visto o assassino e não ter percebido isso." "Mas eu não vi", ela engasgou. "Eu não vi nem ouvi nada. Apenas papai flutuando na água." Seu estômago se agitou, e ela o apertou com uma das mãos e tentou tomar algum fôlego. "Você está em choque", disse ele, sombrio. "Você pode não saber o que viu ou ouviu. Há uma boa razão para alguém tentar matá-la, Alina. Eles acham que você viu alguma coisa." Ela fechou os olhos e tentou bloquear as imagens horríveis. "O que eu faço, Kristof? O que eu devo fazer?" "Seu pai se assegurou de que você seria cuidada", ele disse suavemente. "Você não precisa se preocupar com isso, mas precisamos ter certeza de que quem matou seu pai não a mate." Uma hora atrás, ela estava furiosa por seu pai ter bloqueado mais uma tentativa sua de se mudar. Agora ele estava morto, e havia boas chances de ela nunca mais voltar para casa. Eu nem sempre estarei aqui por você, princesa. Você precisa prestar atenção. Estou tentando te ensinar a como se proteger. Nunca havia lhe ocorrido que seu pai tinha razão. Ele nem sempre estaria por perto, e agora alguém estava tentando matá-la.

***


Nikolai estava no meio de seu treino com a porta aberta. O suor escorria de seu corpo, e seus músculos gritavam de dor, mas ele não estava pronto para parar. Agarrando o saco de pancadas pesado para mantê-lo no lugar, ele franziu a testa. "Viktor, você sabe como eu me sinto sobre interrupções." O homem acenou com a cabeça respeitosamente. "Peço desculpas, mas acabamos de receber a notícia de que Yuri Petrov está morto." Suas entranhas se contraíram, e Nikolai estreitou os olhos. "O que aconteceu?" "Um tiro na cabeça esta manhã, em sua propriedade. Sua filha o encontrou". "Maldição", ele jurou e começou a desenrolar o pano em torno de seus dedos machucados. Ele nem mesmo sentiu a dor. "Ela também está morta?" Viktor sacudiu a cabeça. "Não. Seu guarda-costas imediatamente a tirou da cena do crime. Ela está em um local seguro. Precisamos agir rapidamente se quisermos fazer a transição sem dificuldades." "O que as autoridades acham?" Nikolai perguntou, ignorando a última declaração de Viktor. "Ninguém foi encontrado no local", disse Viktor. "Eu tenho certeza que eles aparecerão para falar com você em breve." Claro que sim. Nikolai seria o suspeito número um. "Eu acho que isso significa que eu deveria tomar banho e trocar de roupa", disse ele com um suspiro. "Você precisa tomar cuidado, senhor", disse Viktor gravemente. "Você pode ser o próximo." "Yuri era um homem poderoso, mas era muito ingênuo", rosnou Nikolai. "Seu assassino não vai me achar um alvo tão fácil." Isso não era inteiramente verdade. Yuri não era exatamente ingênuo, mas Nikolai tinha endurecido seu coração há muito tempo. Não acreditava em ninguém. Essa foi a única maneira de sobreviver nesse tipo de negócio. "Eu vou me levar," ele murmurou ao levantar do banco. "Vá em frente e entre em contato


com o meu advogado." "Quer falar com a filha? " Nikolai hesitou. A mulher não tinha muita utilidade, mas ele não podia deixá-la vulnerável. Além disso, protegê-la iria provar a todos que ele era capaz do trabalho. "Ainda não. Vamos esperar até que todos os papéis estejam assinados e Yuri esteja enterrado. Preciso que todos compreendam que a máfia é minha justamente antes de assumi-la. Até lá, procure os guardacostas e verifique se eles têm tudo o que precisam." "Sim senhor." "Viktor, mais uma coisa". "Sim?" "Quais são as chances de que ela tenha matado seu pai?" Viktor sacudiu a cabeça. "Ela não é como ele". Nikolai o olhou desconfiado. "Isso não significa nada. Yuri não era um homem tão cruel. Se ela tivesse noção do seu testamento, de tudo o que eu tomaria conta, ela poderia tê-lo matado de raiva". "Duvido, senhor. Não só não seria um movimento inteligente da parte dela, mas a menina tem tentado fugir dele e de seu dinheiro por meses. Além disso, ela praticamente desmaiou ao vê-lo, e tentaram matá-la enquanto seu guarda-costas a tirava da cena. Ela não é a assassina. Interessante. "Bem. Eu quero o máximo possível de informações sobre ela. Não quero surpresas". O assassinato de Yuri não foi uma surpresa, mas a sobrevivência de Alina foi. Se ele estivesse correto em suas suspeitas, o assassino não queria que ela sobrevivesse por mais uma noite. Viktor acenou com a cabeça e o deixou em paz. Nikolai terminou de secar o suor do pescoço e pegou o telefone. Percorrendo as fotos, ele olhou para as imagens de vigilância que havia tirado há cinco anos. Alina Petrov era uma mulher interessante. Frequentou uma faculdade,


inteligente, bonita, motivada e aparentemente inocente. Tão inocente. Ele apagou a maioria das fotos, mas algo sobre uma delas o fez guardá-la durante todo aquele tempo. Na foto, ela havia acabado de tirar os óculos escuros e estava prestes a cumprimentar alguém. Seu pai não estava interessado nas outras pessoas em sua vida, então Nikolai não tinha perguntado, mas ele não podia deixar de se perguntar agora. Quem fez a mulher sorrir tão brilhantemente? Tão calorosamente? Fazia muito tempo que ninguém o olhava daquele jeito. Nikolai tinha certeza de que ninguém jamais o faria. Desligando o telefone, dirigiu-se para as escadas. Alina Petrov era uma preocupação para outro dia. Não havia muito que ele pudesse fazer por ela agora. Assim que assumisse tudo, ele a procuraria. Até lá, ela estaria sozinha.


Capítulo Dois Havia momentos em que Alina nem sabia o que estava acontecendo ao seu redor. Às vezes o tempo parava, e outras vezes o dia corria sem que ela percebesse. Ela se levantava, ia para a cama, e não tinha ideia do que tinha acontecido naquele intervalo de tempo. Kristof e Timur não a perdiam de vista. Ela vagava sem rumo pelo local seguro, um apartamento pequeno, mas bem mobiliado nos arredores da cidade e tentou se concentrar no que faria em seguida. Uma pequena mala de roupas a esperava no apartamento. Quando a polícia finalmente liberou a cena do crime, ela conseguiu voltar para buscar mais coisas, mas seus guarda-costas não a deixaram ficar, e ela realmente não queria. O céu estava nublado no dia do funeral. Alina se sentou no banco, espremida entre Timur e Kristof; seu tio Vadik, o gêmeo de seu pai e seu único parente vivo, sentou-se no banco atrás deles. Ela não tinha ouvido falar dele desde o assassinato. Um tiro de 38 na têmpora. Alina tinha estado perto de armas toda a sua vida. Ela podia facilmente imaginar a arma que acabou com a vida de seu pai. As autoridades disseram que o assassino provavelmente usou um silenciador e atirou em seu pai poucos minutos antes de ela entrar na área da piscina. Ele estava morto antes mesmo de cair na água. Ela tentou se confortar no fato de que ele não sofreu, mas isso não aliviava sua dor. Seu pai estava morto. Sua última conversa com ele tinha sido cheia de raiva. "Por quê? Por que você quer se mudar? Por que você quer me deixar?" "Papai, eu sou adulta. Você acha que eu iria viver aqui para sempre? A faculdade terminou. Eu quero explorar o mundo. Eu quero ter a minha própria casa." "Eu não vou impedi-la." "Mas você está! Você está impedindo que alguém aceite minhas propostas! Eu sei que você está!


Você está me deixando louca! Você está me tratando como uma prisioneira!" Um nó apertou em sua garganta, e ela tentou engoli-lo. Agora não era o momento de desmoronar. "Alina?", sussurrou Timur. "Você quer sair e tomar um pouco de ar?" "Já está quase acabando?", perguntou. "Eu não consigo respirar." Ele a envolveu com um braço e a apertou suavemente. "Sim, quase. Aguente firme." Timur e Kristof estavam com seu pai desde que ela era criança. Na época, eles eram adolescentes arrogantes procurando crescer dentro da máfia, mas agora eram praticamente da família. Saber que eles estavam cuidando dela era o único conforto que ela tinha. Eram como seus dois irmãos mais velhos. Ela confiava neles. Finalmente, uma oração silenciosa terminou o funeral, e ela se levantou. Agora ela só tinha que suportar o enterro no cemitério, e ela finalmente seria capaz de deitar em sua cama com uma garrafa de vinho e tentar afogar suas dores. Alina se voltou para olhar a congregação. O lugar estava lotado. O território de seu pai era grande, e embora o seu negócio estivesse encharcado de violência e sangue, ele protegia aqueles que precisavam. Metade da cidade tinha aparecido para prestar homenagem, e parecia que todos os olhos estavam sobre ela. "Você acha que ele está aqui?" Ela murmurou, sem expressão. "Acha que o homem que assassinou meu pai está me observando?" "Vamos," Timur disse enquanto indicou para que ela andasse. "Esse momento não é sobre o assassino. É sobre o seu pai, certo? Concentre-se nisso." Assentindo com a cabeça, ela engoliu seco e entrou no corredor. Todos inclinaram a cabeça e esperaram até ela chegar na porta. Todos menos um. Ela parou quando alguém passou em sua frente para abrir a porta. "Senhorita Petrov", disse ele com a voz grave. Alina ergueu os olhos e o observou. Alto. Cabelo escuro. Olhos de um azul cristalino


devastador e um corpo que a distraiu momentaneamente. Ela o via ocasionalmente saindo de reuniões fechadas com seu pai, mas nunca prestou atenção nele. Ela nem sabia o seu nome. Aqueles olhos penetrantes nunca deixaram os dela enquanto ele segurava a porta aberta e esperava que ela passasse. "Obrigada", disse ela suavemente. Ele assentiu solenemente, mas não disse mais nada. Kristof continuava a pressioná-la para a frente, mas Timur parou para falar com o estranho em voz baixa. Por um momento fugaz, ela se perguntou se aquele lindo homem teria matado seu pai. Ele estaria brincando com ela agora? "Quem é ele?", perguntou ela, parando e virando a cabeça. Timur já estava se juntando a eles. "Seu nome é Nikolai Sokolov", resmungou Kristof em voz baixa. "Vamos, Alina. Temos de ir. Todo mundo está esperando por você." Obedientemente, ela baixou a cabeça e seguiu seus guarda-costas para fora. Eles a acompanharam em ambos os lados, e ela observava com curiosidade a multidão em busca de possíveis ameaças. "Você realmente não acha que alguém me atacaria aqui, no enterro do meu pai, não é?" "É sua primeira vez ao ar livre em dias", lembrou Timur. "Se eles tiverem pressa, sim, não há dúvida de que eles irão atrás de você no funeral de seu pai." As palavras a fizeram estremecer, e ela voltou a se recolher. Um sentimento mais intenso— raiva—rapidamente anulou sua dor e seu medo. Ela deveria ser livre para chorar a morte de seu pai, mas em vez disso, ela tinha que temer pela própria vida. Poucos carros seguiram da igreja ortodoxa até o túmulo. A descida do caixão na sepultura era somente para aqueles mais próximos de Yuri. Além de Vadik, todos eram sócios dos negócios. Ao crescer, Alina passava boa parte do tempo se comportando mal porque achava que seu pai amava mais seus homens do que ela. Era estranho ter que compartilhar aquele momento com eles. O sol aqueceu sua pele quando ela se aproximou do túmulo, e ela franziu a testa. As nuvens


tinham desaparecido. Aquilo não parecia certo. O vento deveria uivar e os trovões ressoarem, mas em vez disso, o dia estava rapidamente se tornando agradável. Até mesmo bonito. Apenas mais um lembrete de que a vida não parou simplesmente porque ela estava perdida. "Vou dar uma olhada no local", disse Kristof em voz baixa. Timur assentiu, e Alina percebeu que ele estava inquieto. Ela tomou seu braço, mais por conforto do que por necessidade, e o deixou levá-la até as cadeiras metálicas dobráveis que estavam alinhadas em frente ao túmulo aberto. Mais uma vez, ela seria forçada a se sentar na frente e no centro. Puxando seus óculos escuros para fora de sua bolsa, ela os colocou em seu rosto e olhou ao redor. Pelo menos agora ela se sentia um pouco mais escondida. Um pouco mais segura. A maioria das pessoas que saíam dos carros estacionados atrás dela era um tanto familiares. Guardas. Sócios de negócios, suas esposas. Ela ouvia seus sussurros silenciosos e virava a cabeça para ver quem estava ali. Um homem se destacou, e ela inalou bruscamente. Nikolai Sokolov. O que ele estava fazendo aqui? Um par de homens seguiram atrás dele. Seu olhar a provocou enquanto vagava pelo seu corpo, e Alina sentiu algum alívio por ele não poder ver seus olhos. Seu rosto endureceu, e ele franziu a testa e virou a cabeça. Alina olhou fixamente quando Kristof fez um sinal para o homem e sussurrou algo em seu ouvido. Nikolai assentiu e Kristof dirigiuse para a parte de trás do cemitério. "Alina?" Timur perguntou suavemente. "Quem é esse homem?" Alina perguntou enquanto o deixava guiá-la até as cadeiras. Sentada, ela nunca tirou sua atenção de Nikolai. "Já lhe dissemos. O nome dele é—" "Não o nome dele", ela cortou rapidamente. "Ele é importante. Por quê?" Antes que Timur pudesse responder, uma sombra caiu sobre eles, e Alina olhou para cima.


Vadik Petrov se sentou ao lado dela e pegou sua mão. "Minha doce Alina", ele sussurrou enquanto beijava sua mão. "Tio," Alina reconheceu desconfortavelmente. Houve uma época em que seu tio sempre estava por perto, mas quanto mais velha ela ficava, mais ela percebia que havia um desentendimento entre Vadik e seu pai. Yuri nunca falou sobre isso, e Vadik sempre participava das atividades da família, mas eles nunca eram muito amigáveis um com o outro. "Sinto muito por não estar muito perto, mas tenho observado você", disse Vadik em voz baixa. "Eu vou me assegurar de que você fique segura." Com o que aconteceu com Yuri, e nenhum filho para assumir, Vadik deveria ter sido o próximo na fila como novo líder, mas pelo que ela tinha visto ele nunca tinha mostrado muito interesse nisso. Ela não tinha realmente notado sua ausência, já que não estava acostumada à sua presença. Provavelmente ele tinha muitas coisas a fazer. "Tudo bem, tio. Eu entendo", disse ela com um sorriso trêmulo. Vadik era o irmão mais novo de seu pai, mas apenas por alguns minutos. Eram gêmeos fraternos, mas não havia como confundir a semelhança. Embora seu pai estivesse grisalho nas laterais da cabeça e enrugado ao redor dos olhos e Vadik pintasse o cabelo, Alina podia ver Yuri quando olhava para Vadik. Isso fez seu coração doer. Uma vez que todos estavam sentados, o padre avançou para fazer as declarações finais. Sua voz parecia distante, muda, e só quando todos se levantaram que Alina percebeu que o homem tinha terminado de falar. Parecia que ela tinha tijolos amarrados a seus pés ao avançar até um monte de rosas posicionadas em um pequeno móvel ao lado do caixão. Tomando uma cautelosamente pelo caule, ela ficou na beira do túmulo e respirou fundo. "Eu apagaria cada briga se pudesse," ela sussurrou para o caixão. "Eu abraçaria cada segundo que tivemos juntos. Nunca me ocorreu que eu teria que viver sem você. Sinto sua falta, papai." Lançando a rosa sobre o caixão, ela enxugou as lágrimas que escorriam por seus olhos e se


virou para caminhar lentamente de volta para os carros. "Alina! Pare," Timur chamou de repente. Ela ouviu o pânico em sua voz e congelou. Ele imediatamente a agarrou pelo braço e a puxou para trás. "O quê?" Ela perguntou freneticamente. Os homens já estavam alcançando as armas escondidas sob seus paletós. "O que foi?" Olhando por trás dele, ela observou conforme um Bentley preto passava lentamente pelos carros. Suas janelas escuras tornavam impossível ver o interior, mas ela podia sentir o perigo e a tensão no ar. Quaisquer que fossem as intenções do motorista, elas não eram boas. Quando finalmente se afastou de vista, Alina relaxou. "Como você soube?" Ela sussurrou. "É meu trabalho cuidar de você", disse ele em voz baixa. "Não é seguro para você". "Você continua dizendo isso". Ele sorriu indulgentemente e balançou a cabeça. "Quero dizer, não é seguro você ficar sob meus cuidados. Não mais. Você precisa de mais proteção do que nós podemos fornecer. Alina, eu acho que você precisa ficar próxima do novo líder até que possamos resolver as coisas. Já falamos com ele, e ele concordou. "Tio Vadik?" Alina disse com uma careta. "Quer dizer, acho que tudo bem." "Não o Vadik," uma nova voz disse grosseiramente. "Você vai ficar comigo." Seus olhos se arregalaram ao ver Nikolai. Ele ficou quase perto demais, e ela sentiu o calor irradiando dele. Ele era intimidador. Irresistível. Intoxicante. "Timur?", ela perguntou hesitante. "Eu não entendo." "Seu pai nomeou Nikolai como seu sucessor há dois meses. Tudo está em seu nome agora. Ele assumirá a máfia, e ele será capaz de protegê-la." Ela franziu o a testa e olhou para seu tio. "Por que meu pai não faria o meu tio seu sucessor?" "Vadik vê algo muito diferente para o próprio futuro", disse Timur em uma voz neutra.


"Timur e Kristof têm feito bem protegendo você, mas até que o assassino de seu pai seja pego, você ainda está em grave perigo. Você deveria ficar comigo", disse Nikolai em voz baixa. "Eu não te conheço," ela disse hesitantemente. "Você não precisa," ele respondeu grosseiramente. "Mas é importante que você fique viva. Se essa transição der certo, preciso provar que posso proteger o que é meu." Ela estreitou os olhos. "Eu não sou sua." Um pequeno sorriso puxou os lábios dele. "Você é filha do meu antecessor. Isso automaticamente faz de você minha. Ficar comigo ou não é escolha sua, mas isso não me fará ir embora. Sua segurança é minha prioridade número um." "Manter-me viva e ganhar a lealdade dos seguidores do meu pai", murmurou ela. "Isso é um pouco de frio, você não acha?" "As minhas intenções importam?" Timur pôs uma mão em seu braço. "Por favor, Alina. Eu imploro que você aceite sua proteção. Eu ainda estarei cuidando de você." Alina podia ver os sinais de cansaço no rosto de Timur. Ele provavelmente tinha dormido muito pouco nos últimos dias. Ele e Kristof estavam constantemente em alerta. Seria ridículo não concordar com um pouco mais de ajuda, mas Nikolai a fazia se sentir tão pequena. Ela instintivamente queria fugir dele. "Você vai se mudar para a minha casa?", ela perguntou em voz baixa. Por alguma razão, ela odiava a ideia de ele estar no mesmo lugar onde ela cresceu. "Não. Essa casa pertence a você. Você pode fazer com ela o que quiser". As pessoas lhes davam olhares curiosos enquanto saíam do cemitério. Se ela permanecesse muito mais tempo, logo seriam os únicos por lá. "Tudo bem," ela disse finalmente. A palavra fez com que seu coração saltasse no peito, mas ela não sabia se era porque ela estava confiando sua vida a um estranho ou se era o pensamento de estar tão perto dele.


"Que bom. Timur, Kristof e dois dos meus homens vão escoltá-la de volta para a sua casa para que possa pegar suas coisas. Espero você em minha casa ao pôr-do-sol. Com essa observação, ele voltou para os carros e a deixou sozinha. Alina de repente teve a sensação de que ele a via como nada além de uma ferramenta. E ele parecia frio e calculista o suficiente para usá-la. Você tem um coração tão grande, princesa. Seu primeiro instinto é confiar em todos. Eu gostaria que as coisas pudessem ser assim. Eu gostaria que você levasse uma vida na qual a única coisa em perigo fosse o seu coração, mas você deve ter cuidado. Essa é sua primeira lição, minha querida. Você deve cuidar em quem confia. "O que eu faço, papai? Você confiou nele. Eu devo confiar também?"


Capítulo Três Timur atravessou os portões de ferro exatamente quando o sol estava se pondo. Matizes suaves de dourado e rosa pintaram o céu, mas ela não conseguia desfrutar da beleza. Se ela pudesse fazer o que quisesse, ela ainda estaria em sua casa fazendo as malas. Havia algo terrível em deixar sua própria casa. Irônico, considerando que ela lutou muito com seu pai para sair de lá nos últimos meses. Agora ela foi ordenada a sair, e sentia como se seus pés estivessem enterrados no cimento. Quando não puderam demorar mais, Timur agarrou suas malas e ameaçou levá-la ao carro se ela não seguisse em frente. Seus olhos eram simpáticos, mas seu tom era sério. Eles estacionaram na frente da casa de Nikolai vinte minutos depois "Ele cuidará de você, Alina", disse Timur suavemente. "Como você sabe disso?" Ela exigiu. "Há quanto tempo você o conhece? Você o conhece bem?" "Conheço Nikolai desde que ele tinha quinze anos", disse Timur suavemente. "Ele respeitava seu pai, e acho que seu pai o via como um filho. Eu confiaria a minha vida a esse homem, estão eu certamente confio nele para cuidar da sua." Olhando pela janela, ela estudou a casa dele. Era menor que o de seu pai, mas não menos guardada. Onde seu pai tinha plantas caras importadas de todo o país, a propriedade de Nikolai era bem mantida, mas não tão elaborada. "Se ele conhecia meu pai por tanto tempo, como é que eu não o conheço? Eu só o vi algumas vezes," ela resmungou enquanto escorava suas costas no assento. Ela sabia que ela estava agindo como uma criança mimada, mas ela estava começando a ver sombras ameaçadoras em tudo. Timur ficou inquieto, e Alina lançou a ele um olhar de suspeita. "O quê? O que você não está me dizendo?" Ela perguntou ansiosamente.


"Alina, você pode pensar que sabe tudo sobre os negócios de seu pai, mas ele o protegeu das piores atividades da máfia. Ele fez com que você não fosse contaminada". "Do que você está falando? Pensei que ele queria que eu soubesse mais sobre o negócio. Para me envolver? Achei que era por isso que ele não me deixava ir embora". Balançando a cabeça, Timur lhe deu um sorriso triste. "Seu pai era duro com você às vezes, mas nunca foi porque ele queria você envolvida nos negócios. Eu não acho que ele alguma vez pensou seriamente na ideia." Alina estava sem palavras. "Eu não entendo," ela sussurrou. "Ele perguntou…" "Claro que sim. Era o seu legado, e se você quisesse, ele teria feito tudo em seu poder para ajeitar as coisas para você. Mas estava claro que você não queria, então ele preparou alguém. Nikolai Sokolov. Yuri te protegeu desde o momento em que você nasceu, e não tenho dúvidas de que Nikolai fará o mesmo. A dor de ouvir sobre seu pai tirou o ar de seus pulmões, e ela lutou para respirar. Houve momentos em que ela pensou que superaria a sua morte, e então havia outros, como agora, quando ela temia que seu coração simplesmente parasse de bater com o peso de tudo aquilo. Lutando para encontrar uma âncora antes que a dor a afastasse do momento, ela olhou para a casa novamente. "Ele é casado? Ele tem filhos? O que eles pensam de eu me mudar? E se eu os colocar em perigo?" "Essa é a minha garota", disse Timur com um sorriso. Sempre pensando nos outros. Com exceção de sua equipe, Nikolai vive sozinho." Era uma casa muito grande para apenas um homem, mas, novamente, sua própria casa era muito expansiva para ela e seu pai. Nikolai era um homem importante. Ele teria que se apresentar como tal. Agora que seu pai estava morto. "Como você sabe que ele não matou o meu pai?" Ela sussurrou. "Ele não fez isso. Eu sei."


Seu olhar pousou em uma janela no segundo andar, e ela ofegou. Nikolai estava do outro lado, olhando para eles. Por um momento, ela poderia ter jurado que eles fizeram contato visual, mas isso era ridículo. Não havia jeito de vê-la quando ainda estava no carro. Timur seguiu seu olhar e franziu a testa. "É melhor irmos", ele murmurou. Saindo do carro, ele pegou suas malas e esperou pacientemente que ela se juntasse a ele. Enquanto subiam os degraus que levavam à varanda, Alina escolheu automaticamente os lugares onde ela veria guardas. Um em cada canto da casa de três andares. Não haveria dúvida de encontrar o mesmo número atrás da casa, mais câmeras nas árvores e um sensor ao longo da calçada. Quando adolescente, Alina aprendeu os hábitos dos homens de seu pai, e quando via uma abertura, ela se abaixava em sua janela, descia por uma árvore e saia em direção à rua. Foi quando ela descobriu o sensor ao longo da calçada. Quando ela chegou ao portão, havia três homens apontando suas armas para ela. Seu pai estava furioso. Ele mandou cortarem a árvore que dava em sua janela naquela mesma noite, e ela sempre se sentiu muito culpada por causa disso. Se não tivesse desobedecido as ordens, a árvore poderia ter ficado mais alta e florescido. Ela chorou por causa disso, e Yuri tinha acabado de dizer a ela que da próxima vez que ela quisesse desobedecer suas ordens, ela deveria pensar sobre a árvore. Isso funcionou por cerca de um ano. Então Alina completou dezesseis anos, e a única coisa que uma adolescente queria era a sua liberdade. A rebeldia se tornou algo diário. As portas da frente se abriram, e um cavalheiro mais velho acenou com a cabeça. "Senhorita Petrov. Eu sou Danik, assistente do Sr. Sokolov. Seria um prazer acomodar a senhorita em seu quarto. Assistente? Ele parecia mais um mordomo, mas Alina não comentou. Ela forçou um sorriso e assentiu com a cabeça. "Obrigada, mas você não precisa me chamar de senhorita Petrov. Alina está bom.


"É claro." Danik pegou uma das malas das mãos de Timur e subiu a grande escada em espiral. Alina se apressou atrás dele, mas seu pescoço se esticou para captar todos os detalhes que podia. Estruturalmente falando, a casa de Nikolai era magnífica. Belíssimos acabamentos em madeira, sancas refinadas, corrimão lindamente esculpido. Um imponente lustre pendia do teto. Decorativamente falando, a entrada era apagada. Era minimamente decorada com algumas pinturas, mas nada feito por artistas que ela reconhecia, e nada que tenha falado emocionalmente com ela. Uma mesa lateral logo ao lado da porta, e um espelho estava pendurado acima dela, mas o lugar não apresentava nenhum livro ou estátuas. Os tapetes eram simples e nenhum dos lustres eram ornamentados. Tirando o tamanho enorme, o lugar parecia normal. Era uma casa onde ele poderia viver com alguém que ele amava e criar alguns filhos. Não era a casa de um homem que acabava de assumir uma das mais perigosas organizações criminosas do país. Casamento e filhos? Alina piscou e sacudiu a cabeça. De onde tinha vindo esse pensamento? Arrastando o olhar para longe, ela se apressou atrás de Danik. Embora o homem fosse velho, ele andava rapidamente. "Temos uma suíte separada para hóspedes, mas o Sr. Sokolov pensou que você poderia se sentir mais confortável perto dele. Seu quarto é anexo à suíte dele. Há dois outros quartos neste andar, mas eles geralmente estão vazios." "Anexo? O que você quer dizer?", ela perguntou apressadamente enquanto entrava no quarto. Antes que ele pudesse responder, ela parou e ficou boquiaberta. A cama com dossel estava coberta por um tecido fino e transparente. O cobertor era branco com bordado em dourado, e deslumbrantes almofadas amontoadas na cabeceira da cama. Tudo no quarto, da espreguiçadeira à parede até os detalhes da janela, era branco com detalhes em dourado. Era tão feminino. Era onde uma mulher íntima dele ficaria.


Danik abriu a porta para exibir um banheiro deslumbrante com pedras escuras. Uma imensa banheira adornava o canto, e ao lado dela ficava a abertura para o que só poderia ser um grande chuveiro. Com um piso de azulejos, não precisava de porta ou cortina. Do outro lado havia um espelho de parede e duas pias. O banheiro parecia novo, como se não tivesse sido utilizado. "A porta do outro lado se conecta ao quarto do Sr. Sokolov. Ela é trancada em ambos os lados, mas o Sr. Sokolov tem uma chave, por isso, se houver uma emergência, ele ainda será capaz de chegar até você. "Uma chave," Alina resmungou. "Espere um minuto, eu devo partilhar um chuveiro com ele? Eu nem o conheço!" O velho olhou calmamente para ela. "Sua segurança é uma alta prioridade aqui, e Sokolov quer que você se sinta segura. Há um banheiro no corredor se você quiser usá-lo em vez deste." O alívio tomou conta dela, e ela assentiu. Ela definitivamente iria usar o banheiro do corredor. Nikolai não era o tipo de homem que ela gostaria de ter por perto quando estivesse nua. Só de pensar nisso suas bochechas se aqueceram. De repente, lembrando-se de vê-lo na janela, ela olhou fixamente para a porta fechada. Ele estaria lá agora? Por que ele não saiu para recebê-la? "O jantar será servido em uma hora, se você deseja desfazer as malas e descansar. Você é bem-vinda a explorar a casa como quiser, mas você não pode sair sem uma escolta." "Espere, eu não posso andar no quintal?" Ela perguntou com uma careta. Ela estava presa lá dentro? "Não sem uma escolta, repetiu ele. "Tenho certeza que se você pedir com antecedência, será fornecida uma para você. Há uma carta sobre o criado-mudo para você. Vou deixar você se acomodar. Antes que ela pudesse lhe perguntar qualquer outra coisa, ele saiu pela porta. Ela notou que Timur também não estava por lá. "Excelente. Me deixar na casa de algum estranho e me abandonar no momento em que eu


chegar aqui. Que adorável recepção. Eu me sinto tão segura aqui", ela murmurou sarcasticamente enquanto pegava o envelope. Ele tinha seu nome e sobrenome escritos, fazendo-a parecer tão formal como o assistente que a tinha acompanhado até ali. "E haveria uma outra Alina?" Abrindo-a, ela tirou os sapatos e se sentou desajeitadamente no sofá. A mobília era tão bonita que ela tinha medo de que fosse estragar só de olhar. Chutando seus sapatos, ela deitou a cabeça para os lados para aliviar a tensão e olhou para a carta. Em poucos segundos, ela estava no banheiro e batendo na porta dele com raiva.

***

Nikolai não pôde deixar de sorrir quando ouviu o bater da porta. Ele não sabia se era a acomodação ou a carta que a perturbava, mas ele estava preparado para ambos. Abrindo a porta totalmente, ele olhou para ela. "Da próxima vez que você bater na minha porta assim, é melhor você estar em sério perigo", ele a ameaçou com a voz grave. Ele esperava que seus olhos se arregalassem de medo, mas, em vez disso, apertaram-se de raiva. Ela empurrou a carta contra o seu peito e o empurrou para dentro. Tomado de surpresa, ele tropeçou para trás. "Que diabos é isso?", ela gritou enquanto caminhava para seu quarto. "Uma lista de regras? Eu não sou adolescente em um internato, Sr. Sokolov. Eu sou uma mulher adulta, e eu não quero saber de me submeter a regras. Primeiro me dizem que eu não posso sair sem uma escolta. Agora eu tenho um horário e um toque de recolher? Se essa é a sua ideia de hospitalidade, você pode enfiá-la no seu..." Antes que ela terminasse a frase, ele a agarrou pelos braços. A carta voou para o chão, e ele a empurrou até que suas costas bateram em sua cômoda e efetivamente a prendesse entre ela e seu corpo. Ele imediatamente reagiu à forma como suas curvas se moldaram contra ele, e ele


teve que engolir uma série de palavrões. Ainda assim, ele não estava prestes a soltá-la até que ela soubesse muito bem o que era esperado dela. "Senhorita Petrov, posso lhe assegurar que ninguém nesta casa a confundirá com nada além de uma mulher adulta," disse ele com voz sedosa. Os olhos dela se arregalaram, e ele sorriu friamente para ela. Bom. Talvez agora ela pudesse entender. "Os homens desta casa são assassinos treinados. Eles têm um trabalho: protegê-la. Essas regras tornam mais fácil para eles fazerem exatamente isso. Você tem um horário porque eu não estou sempre aqui em casa, e meus homens estão ocupados. Você vai fazer as suas refeições quando eu quiser, e você será capaz de andar pelo terreno nos horários designados, porque é quando eu tenho homens o suficiente ao redor para protegê-la. E você tem um toque de recolher porque eu quero que erros sejam cometidos porque você está andando por aí às duas horas da manhã. Erros causariam mortes. Eu fui claro? Havia fogo em seus olhos quando finalmente encontraram os dele. "Eu acho que eu prefiro não ter a sua proteção", ela rosnou. "Então você vai morrer. Soltando-a, ele recuou e cruzou os braços. "Você é mais do que bem-vinda para sair. Você não é uma prisioneira aqui. Mas se você quebrar qualquer dessas regras e colocar meus homens em perigo, você será expulsa." Alina engoliu seco e virou a cabeça para a porta. Nikolai podia ver a tentação em seus olhos, mas também havia medo e algo que ele entendia muito bem. Dor. Naquele momento, ele amaldiçoou a própria pressa. A mulher tinha acabado de enterrar seu pai e teve seu mundo inteiro virado de cabeça para baixo. Se ele pelo menos um pouco cavalheiro, ele teria pegado um pouco mais leve com ela. Mas ninguém jamais havia chamado Nikolai Sokolov de cavalheiro. "Estamos de acordo?" Ele perguntou, com a voz ainda fria. Ela não vacilou, e ele ficou surpreso e aliviado. Ele nunca seria capaz de lidar com isso se


ela fosse fraca. "Eu trouxe dois dos meus guarda-costas," ela disse rigidamente. "Isso deve ser o suficiente para me deixar sair da casa mais de uma vez por semana." "Timur e Kristof não trabalham para você. Eles trabalham para mim". A mandíbula dela se contraiu, e ela endireitou os ombros. "Com licença," ela murmurou. "Diga as palavras, Alina. Estamos de acordo?", ele perguntou. Ela congelou. Por um momento, ele não pensou que ela cumpriria. "De acordo", disse ela finalmente. "Estas são as mesmas regras que Kristof e Timur teriam, e você não pensaria duas vezes em seguir suas ordens", ele lembrou. "A única razão pela qual você está se ofendendo com isso é porque você não confia em mim. Eu sugiro que você supere isso, Alina. Podemos ficar juntos por um tempo". Ela saiu do quarto e fechou a porta. Com ela segura do outro lado da porta fechada, o desejo o atingiu com toda a força, e ele quase desabotoou suas calças e aliviou a si mesmo bem ali. Que diabos ele estava pensando, deixando-a ficar tão perto dele? As suítes do outro lado da casa eram tão seguras quanto. Era impossível que alguém penetrasse sua segurança externa, e mais ainda que subisse as escadas e entrasse em seu quarto. Saber que todas aquelas curvas macias estavam descansando do outro lado da parede seria um tormento. "Droga, Yuri", ele sussurrou. "Por que diabos você teve que ser morto? Por que você me colocou nesta posição?" Não houve resposta.


Capítulo Quatro Alina pensou em não descer para jantar só para evitar o homem insuportável. Ela andou pelo quarto, e quando ouviu um carro entrando na propriedade, correu até a janela. Depois de alguns minutos, Nikolai se aproximou do carro, e um motorista abriu a porta traseira. Irritada pelo homem não poder sequer se juntar a ela para sua primeira refeição, mas aliviada que ela não teria que vê-lo, ela saiu do quarto e andou pelo corredor. Seu estômago roncou, e ela percebeu que não tinha comido o dia todo. Fazendo uma parada perto da entrada principal, ela percebeu que não tinha ideia de onde a cozinha poderia estar. "Timur?" Ela chamou com uma voz suave. "Kristof? Tem alguém aí?" "Você precisa de ajuda?" Alina gritou quando Danik surgiu de um dos ambientes. Colocando uma mão sobre seu coração acelerado, ela franziu a testa para ele. "Você está tentando me causar um ataque cardíaco? De onde você surgiu?" "Da sala de estar", ele disse enquanto gesticulava para a porta aberta atrás dele. Ele não disse mais nada, e ela suspirou. "Eu não tinha certeza de onde encontraria a sala de jantar", ela murmurou, levando uma mecha de cabelo atrás da orelha. "Por aqui, senhorita". Senhorita. Ela pediu que ele não a chamasse de Senhorita Petrov, mas claramente ele também não iria chamá-la de Alina. "Senhorita" era a forma que ele tinha de realizar a tarefa mais profissionalmente? O hall de entrada levava diretamente para uma área de estar. Ele se ramificava em várias áreas diferentes. "À esquerda, você encontrará a biblioteca. Há uma série de livros e filmes lá se você deseja


entretenimento. À direita está a sala de entretenimento privada do Sr. Sokolov. Quando ele tem convidados, você faria bem ao ficar longe de lá. Do outro lado está o seu escritório pessoal. A porta estará sempre trancada quando o Sr. Sokolov não estiver usando." Danik disse em uma voz monótona enquanto a conduzia. O salão seguinte se ramificava em duas áreas separadas. À direita, surgiu uma grande área de jantar formal, e à esquerda estava a cozinha. Danik lhe deu um breve sorriso antes de a cumprimentar com a cabeça e abandoná-la. "Estranho", ela murmurou enquanto espiava cada ambiente. A sala de jantar estava vazia, não havia lugar arrumado, nada na enorme mesa. A cozinha, entretanto, continha um espaço de jantar mais íntimo. Uma pequena mesa ficava ao centro, já com um único lugar arrumado, com um cloche sobre o prato, presumivelmente mantendo o jantar quente. E não havia uma alma por perto além dela. "Olá?" Ela chamou novamente. Danik não apareceu, e nem outra pessoa. Sobre a mesa estava uma taça de vinho tinto, que ela pegou e imediatamente bebeu. Ao lado do prato havia outra carta com o seu nome. Peço desculpas por não poder me juntar a você. Eu já tinha um compromisso para o jantar esta noite. Por favor, aproveite. Sinta-se à vontade para se retirar cedo. Tenho certeza de que você está cansada. -N. "Sinta-se à vontade para se retirar? Por que isso soa mais como um comando do que como um convite?", ela resmungou enquanto se sentava. Descobrindo o prato, ela encontrou uma deliciosa refeição de frango, batatas e legumes apetitosos. Havia ainda um recipiente com molho ao lado do prato. O cheiro era delicioso, e ela deveria ter ficado com água na boca, mas ela foi repentinamente atingida por uma onda de tristeza. Sozinha. Ela tinha apenas dois anos quando sua mãe morreu, mas cresceu rodeada de pessoas. Seu pai se assegurou de que ela nunca ficasse sozinha. Se ele não se juntava a ela para suas


refeições, Kristof, Timur ou um dos outros criados fazia isso. Sempre havia alguém com quem conversar, mesmo que ela passasse a maior parte do tempo reclamando. Olhando ao redor do ambiente vazio, ela percebeu que não tinha dado valor a isso. Segurando as lágrimas, ela alcançou a mesa e olhou para o parto. Ela não sabia por que não se permitia chorar. Não era como se houvesse alguém por perto para testemunhar aquilo. Depois de algumas mordidas, ela percebeu que o frango não era tão bom como parecia. Felizmente, ela não estava com tanta fome. Engolindo-o com vinho, ela deu mais algumas garfadas até ficar satisfeita. Ela mal tinha comido um quarto da comida que estava disposta diante dela. Com um suspiro, ela terminou a taça e levou a louça até a pia. A porcelana fez barulho contra o aço inox. "Você precisa de algo?" "Droga, Danik!", ela gritou furiosamente enquanto virava o corpo. "Essa já é a segunda vez. Se você fizer isso de novo, eu vou amarrar um sino em seu pescoço!" Ela poderia jurar que viu um sinal de sorriso, mas que logo desapareceu, e ele curvou a cabeça. "Como posso ajudá-la, senhorita?" "Alina", ela disse lentamente. "Por favor, me chame de Alina. Eu estava indo pegar alguns recipientes de plástico para guardar as minhas sobras e limpar tudo." "Não há necessidade de você limpar após comer. Há funcionários para isso". Suspirando, seus ombros caíram. "Certo. Então OK. Você pode agradecer quem cozinhou? Estava ótimo." Na verdade, estava um pouco seco, mas ela não queria ser rude em sua primeira noite. "Sim, senhorita." Desistindo do homem completamente, ela virou as costas e começou a sair. "Alina", ele chamou de repente. Ela se animou com o som de seu nome e virou a cabeça. "Sim?"


"Você vai precisar de um lanche para a noite?" A ideia de comer sozinha novamente naquela noite embrulhou seu estômago, e ela balançou a cabeça. Um pensamento surgiu em sua mente, e ela sorriu maliciosamente. "Danik?" "Sim, Alina?" "Você vai me ajudar com qualquer coisa que eu possa precisar, correto?" "Qualquer coisa que o Sr. Sokolov permitir", ele confirmou com a cabeça. "E se não for permitido, estaria naquela carta, certo?" "Sim senhorita. Alina." Ele se contraiu, e ela quase riu. "Amanhã de manhã, você acha que poderia se juntar a mim para o café da manhã?" Por um momento, ele apenas olhou para ela. "Não tenho certeza se o Sr. Sokolov gostaria disso", disse finalmente. Você acha que o Sr. Sokolov se juntará a mim para o café da manhã?", perguntou ela com os olhos estreitos. Ela já sabia a resposta, mas ele balançou a cabeça, hesitante. "Então ele não saberá. Você tem permissão para comer, certo? E eu não levo uma eternidade para comer. Apenas vinte minutos. Por favor. Eu não estou acostumada a ..." Ela respirou fundo e fechou os olhos. "Não estou acostumada a ficar sozinha". O rosto do velho homem se suavizou, e ele acenou com a cabeça ligeiramente. "Eu adoraria me juntar a você para o café da manhã. Basta chamar por mim quando estiver pronta". Uma onda de alívio tomou conta dela, e ela sorriu. "Obrigada, Danik. Fico grata por isso." "Você é muito bem-vinda. Alina". Quando ela começou a voltar para seu quarto, a exaustão tomou conta dela, mas ela ainda arrastava seus pés. Não era como se aquela noite fosse diferente de qualquer outra noite. Ela ainda não conseguia dormir sem ver o corpo do pai flutuando na piscina. Naquela noite provavelmente seria ainda pior, já que ela estava em um lugar estranho. Fechando a porta de seu quarto, ela a trancou e tirou a roupa, ficando apenas de regada. Ela sempre dormia nua—até agora. Se ela não estivesse tão ciente do homem maravilhoso que


estaria dormindo a apenas dez passos de distância, ela teria feito isso ali também. Olhando para a cama, ela percebeu que ela teria que tirar todos os travesseiros e puxar a colcha para baixo. Mordendo o lábio inferior, ela deu um passo adiante antes de parar. Ela não conseguia fazer aquilo. Por alguma razão, ela não queria dormir naquela cama. Isso faria dela uma pessoa diferente, lhe daria um status diferente naquela casa. Isso a fez se sentir mais sozinha do que nunca. Em vez disso, ela descansou a cabeça no braço do sofá e lançou as pernas sob ele. Não era muito confortável, mas seria melhor do que aquela cama enorme. Foi quando ela ouviu os passos vindo pelo corredor e o chuveiro ligando que ela percebeu que Nikolai estava em casa. Finalmente, ela fechou os olhos e adormeceu. E foi recebida nos horríveis braços de pesadelos.

***

Nikolai acordou depois de três horas de sono. Depois de tomar banho na noite passada, ele não conseguia tirar sua mente da mulher que dormia do outro lado da porta. Incapaz de relaxar, ele desceu para a academia e socou um saco de pancadas por uma hora. Quando seu corpo estava à beira do cansaço, ele tomou outro banho e finalmente se arrastou para a cama. Seu dia começava quando o sol surgia, e ele calmamente foi até o banheiro para fazer a barba e escovar os dentes. Depois de cuidadosamente deixar tudo limpo após se arrumar, ele parou para ouvir se Alina ainda estava acordada. Seu quarto estava em silêncio. Terminando de se vestir, ele saiu do quarto e olhou para o corredor para ver se a porta estava aberta. Curioso, ele olhou para dentro. Alina não estava lá. Na verdade, parecia que ela não tinha dormido lá. A cama estava perfeitamente arrumada, e as suas malas estavam em algum lugar fora da vista. Satisfeito por ser uma pessoa organizada, ele seguiu para encontrá-la. Quando ele entrou


na cozinha, ele ficou paralisado. Alina estava tomando café da manhã com Danik e Iyanna, sua empregada. Toda a conversa cessou quando ele limpou a garganta. Danik e Iyanna rapidamente saíram de suas cadeiras, mas não disseram nada. "Bom dia", disse Alina com naturalidade. "Você vai comer alguma coisa, ou só vai olhar para nós?" "Danik. Iyanna", disse Nikolai com a voz grave. "Vocês podem explicar o que está acontecendo aqui?" "Nós estávamos acompanhando a Alina... a senhorita Petrov no café da manhã", disse Iyanna em voz baixa. Ela era uma garota, tinha acabado de sair do ensino médio, filha de uma de suas cozinheiras. Ela seguia suas regras à risca e nunca fez nada assim. Ele só conseguia olhá-la com curiosidade. "Pelo amor de Deus, eu pedi que eles se juntassem a mim para o café da manhã", Alina finalmente murmurou. "Eles pularam seu próprio café da manhã para comer comigo, então não é como se eu estivesse tirando eles do trabalho." "Por que você não me pediu para acompanhá-la?" "Eu não o vi", ela comentou. Aquilo parecia justo. "Quando eu como aqui, eu faço minhas refeições no escritório", ele disse finalmente, se distanciando ainda mais da posição de companhia para o jantar. "Danik, Iyanna, vocês podem continuar acompanhando a senhorita Petrov no café da manhã, desde que isso não tire vocês do trabalho." Eles assentiram e agradeceram. Alina se recostou na cadeira e cruzou os braços. "Eles podem se juntar a mim também para o almoço e jantar?" O que havia de errado com ela? Ela preferia a companhia de seus criados do que a dele? Fechando a cara, ele pensou em lhe dizer não apenas começar uma briga. Em vez disso, ele respirou fundo. "O almoço está permitido, mas você vai me acompanhar no jantar hoje à noite."


"Eu devo comer no escritório?" Ela perguntou secamente. "Não seja ridícula", ele disparou. "Eu não vi Timur ou Kristof desde que cheguei aqui. Onde eles estão?" A irritação tomou conta dele. "Já lhe disse. Eles trabalham para mim. Eles fazem o que eu peço. Quando eles tiverem um momento livre, eles podem ficar à vontade para dar um oi para você." Um pensamento lhe ocorreu, e o deixou paralisado. Timur e Kristof eram apenas alguns anos mais velhos do que ele. Seria possível que ela estivesse tendo um relacionamento com um deles? Ou com ambos? Engolindo o ciúme e a raiva, ele virou bruscamente e saiu da cozinha. Alina era uma mulher adulta, e podia namorar com quem quisesse. Ela simplesmente não iria fazer isso enquanto estivesse morando sob seu teto. Entrando em seu escritório, ele esperou impacientemente por Iyanna, que traria seu café da manhã. Suas bochechas estavam ruborizadas quando ela entrou. Parecia que ela queria dizer algo para ele, mas ele tinha ordenado a sua equipe para não falar com ele, a menos que ele falasse primeiro. É claro que Danik podia falar mais livremente. Ordem e disciplina. Era assim que sua casa funcionava. A maldita adolescente parecia que ia explodir. "O que você está pensando, Iyanna?" Ele perguntou finalmente. As palavras escaparam de sua boca. "Sr. Sokolov, eu só queria me desculpar. Espero não ter feito nada para lhe ofender. Danik explicou para Alina... senhorita Petrov que ela não pode nos pedir nada que vá contra os seus desejos, mas você nunca disse que nós não poderíamos comer com ela. Se isso lhe incomodar, vamos parar imediatamente. "Não é necessário", ele suspirou. Estreitando os olhos, ele estudou a menina. Ela parecia feliz com sua resposta. "Iyanna, ela disse por que queria que você comesse com ela?" "Danik explicou que não está acostumada a ficar sozinha, senhor. Ela pediu a companhia


dele, mas ele pensou que já que eu sou mais próxima dela pela idade, ela poderia comer comigo também. Eu realmente gosto de ter ela por perto. Ela é meio estranha, e ela está tão triste, mas ..." a voz dela subiu de repente, e seus olhos se arregalaram em pânico. "Mas o quê?" Nikolai perguntou pacientemente. "Não é nada, senhor", disse ela rapidamente. Nossa, a garota estava com medo dele? E ele mal tinha falado com ela. "Está tudo bem, Iyanna. Apenas me diga". Ela apertou as mãos. "Sim, senhor. Não é que eu não seja grata pelo trabalho, porque eu sou. Mas você contrata principalmente homens, então é bom ter outra mulher por aqui." "Sua mãe trabalha aqui", ele ressaltou. Ela imediatamente revirou os olhos, e ele teve que se segurar para não rir. Típica adolescente. "Eu entendo o que você quer dizer", disse ele finalmente. "Eu ficaria feliz se você pudesse entreter Alina, desde que você termine o seu trabalho até o final do dia." Seus olhos se iluminaram de alegria. "Obrigado, senhor! " "Iyanna", ele gritou quando ela começou a sair. "Por que você acha que Alina é peculiar?" "Ela não dormiu na cama, senhor". "O quê? Onde diabos ela dormiu?" Nossa, será que a mulher tinha ao menos ficado em seu quarto? Ele disse que ela poderia ir onde quisesse pela casa, mas não deveria vagar por toda a noite. O toque de recolher deveria mantê-la em seu quarto. "Não sei, senhor. Eu só sei que depois que ela veio para o café da manhã, eu fui até lá para arrumar tudo, e a cama não tinha sido usada." Nikolai relaxou. "Ah. Talvez ela tenha feito isso sozinha". Iyanna sacudiu a cabeça. "Não, senhor. Eu sou bem específica na forma de arrumar os lençóis. Minha mãe gritava comigo se eu não fizesse isso da maneira correta. Acredite em mim, ela não arrumou a cama sozinha. Ela não tocou nela. Como eu disse, um pouco estranho. Nikolai a dispensou e olhou sombriamente para o café da manhã. Então Alina não a tinha


dormido na cama ontem Ă  noite. Onde ela estaria passando as noites?


Capítulo Cinco Nikolai tinha acabado de terminar o café da manhã quando veio a ligação. O advogado de Yuri, Orlov, estava pronto para finalizar os papéis para o testamento de Yuri. As autoridades inicialmente queriam interromper o processo até que a investigação fosse concluída, mas Nikolai não tinha tempo para isso. Ele precisava de acesso ao restante dos ativos de Yuri agora. As autoridades recusaram até que Nikolai lhes recordasse da violência que ocorreria se ele não tomasse o controle o mais rápido possível. Embora ele não pudesse admitir tudo, os investigadores não eram estúpidos. Se eles quisessem enfrentar a máfia, aquele não era o momento de fazer isso. Yuri sempre manteve um relacionamento decente com a polícia, e Nikolai tinha prometido fazer o mesmo. Ainda assim, ele se sentiu desconfortável quando descobriu que o caso ia ser atribuído a alguém novo. Eles não estavam apenas tentando fechar um caso. Eles queriam descobrir a verdade. Isso era uma notícia boa e outra má. Eles poderiam encontrar o assassino, mas isso significava que eles iriam dar uma boa investigada nele. Suas ações agora eram lógicas. Melhor trabalhar com o diabo que eles conheciam do que o diabo que não conheciam. Então eles finalmente permitiram que o testamento fosse liberado. Orlov pediu que Alina e Nikolai se juntassem a ele em seu escritório logo depois do meio-dia, mas Nikolai rejeitou essa ideia. "Alina ainda não está saindo de casa", disse ele gravemente. "Preciso que você venha aqui". O advogado ficou em silêncio por um minuto, mas Nikolai não se deixou enganar. O homem havia trabalhado para Yuri o suficiente para saber o perigo que os cercava. "Eu não quero colocar Alina em perigo, mas eu também não quero me colocar em perigo. Nikolai, depois disso, eu vou parar. Você tem seus próprios advogados. Estou fora." Ah, então era isso. O velho queria se aposentar sem derramamento de sangue. "Eu não dou a mínima para o que você fizer depois de hoje", ele disse suavemente. "Nós nos encontraremos


aqui. Eu ficarei feliz em enviar uma escolta se você estiver preocupado." "Não, isso não será necessário", Orlov disse apressadamente. Nicolai segurou um suspiro. "Orlov, eu não vou enviar uma escolta para te trazer até aqui à força. Vou enviar para te proteger." "Oh." Ele limpou a garganta. "Muito bem. Te vejo logo depois do meio-dia". Balançando a cabeça, Nikolai desligou o telefone. Confiança não era uma coisa fácil de conseguir em sua área de trabalho. O velho homem apareceu imediatamente. Ele trabalhava para Nikolai há cinco anos, e Nikolai ainda não tinha ideia sobre os antecedentes do homem. Ele se movia rápida e silenciosamente e conseguia estar em todos os lugares. Ele tinha referências excelentes de até 20 anos atrás, mas antes disso, o homem era um mistério. Nikolai não o teria contratado se Yuri não o tivesse empurrado para ele. O homem tinha cerca de 60 anos, mas se movia como alguém 20 anos mais novo. Aquilo era inquietante. Ainda assim, ele era irritantemente educado, extremamente obediente e Nikolai nunca precisou repreendê-lo por nada. Ele nunca vacilou em seu serviço. Com a exceção de acompanhar Alina na mesa do café da manhã naquele mesmo dia. "Sim, Sr. Sokolov?" Danik disse com um pequeno aceno de cabeça. "Orlov, o advogado de Yuri estará aqui logo depois do meio-dia. Eu preciso de Alina presente na hora de assinar a papelada para que ela possa receber sua parte da herança. Você poderia avisá-la por favor?" "Sim, Sr. Sokolov". "Danik." Nikolai quase se conteve, mas ele estava cheio de perguntas. "Primeiro, eu queria agradecer por fazer companhia para a Alina esta manhã. Você é sempre intuitivo sobre o que as outras pessoas precisam." "Sim, Sr. Sokolov".


"Como ela parecia ontem à noite? " "Parecia?" Estreitando os olhos, Nikolai se inclinou para a frente em sua cadeira. Danik nunca era obtuso sobre nada. Havia uma razão para ele não ter respondido à pergunta. "Sim. Parecia. Ela estava com raiva quando eu saí, e ela estava dormindo quando eu voltei. Gostaria de um relatório sobre o que aconteceu". "Alina desceu para jantar na hora certa. Eu a acompanhei em um breve passeio pela casa e lhe mostrei a cozinha. Ela comeu algumas garfadas de seu jantar, bebeu a metade de uma garrafa de vinho, e tentou limpar tudo depois. Então, ela me convidou para comer com ela quando possível, e então ela se recolheu, senhor. "Essas foram suas ações, Danik. Quero saber como ela parecia. Emocionalmente". O pedido parecia estranho vindo dele, mas de qualquer maneira ele precisava saber. Danik franziu os lábios e inclinou a cabeça. "Eu diria que triste, solitária e frustrada, senhor". O coração de Nikolai se apertou, e ele atacou com raiva. "Eu a recebo em minha casa e dou a ela tudo o que ela poderia precisar e ela está triste, solitária e frustrada?" Ele disparou. "Sr. Sokolov, Alina passou por uma provação", disse Danik em voz neutra. "Eu acredito que ela e seu pai eram muito próximos, e eu sei que sua morte a assombra. Ela teme por sua vida, ela está terrivelmente triste e ela se mudou de um lugar onde ela estava constantemente rodeada de gente para uma casa onde se pediu que os funcionários a deixassem sozinha. Se eu posso ser ousado dessa forma, Sr. Sokolov, sugiro que você permita que a mulher interaja com as pessoas da casa. Embora tenha crescido rica e com criados, ela tem um jeito independente, e eu sei que ela prefere desfrutar da companhia da equipe do que ficar isolada". O homem mais velho parecia disposto a dizer algo mais, mas ele rapidamente fechou a boca. Não importava. Nikolai sabia como a fase acabaria. Como você. Apertando os punhos debaixo da escrivaninha, Nikolai fez o possível para manter a calma. "Tenho regras nesta casa por uma razão", ele assinalou.


"Compreendo completamente, Sr. Sokolov". "Ela e eu não somos iguais". "Penso da mesma forma." Nikolai relaxou. "Você está certo. Alina é uma convidada, e devemos fazê-la se sentir confortável. Muito bem. Você pode permitir que os empregados interajam com Alina, mas as regras ainda permanecem as mesmas. Eu não vou distrair o funcionamento desta casa porque uma mulher linda dorme aqui agora." "Claro, Sr. Sokolov". Nikolai não gostou do sorriso que se formou no rosto do homem. "Uma última coisa, Danik. Sabia que Alina saiu de seu quarto ontem à noite?" Danik franziu a testa. "Não, senhor, mas me retirei não muito depois dela". Então o homem não estava realmente em toda parte ao mesmo tempo. Acenando com a cabeça, Nikolai dispensou o criado e bateu os dedos distraidamente sobre a mesa. Incapaz de se conter, ele deixou seus pensamentos seguirem até Yuri. O homem era tão cheio de vida. Na maioria das vezes, ele era enérgico e divertido. Essas dificilmente eram as qualidades de um líder da máfia, mas não havia dúvida do tipo de controle que o homem tinha sobre sua gente. Ele era inteligente quando se tratava de negócios e implacável quando se tratava de proteção. Aqueles que o respeitavam não tinham nada a temer, e aqueles que não o faziam tinham tudo a temer. Nikolai tinha 28 anos quando Yuri o procurou para assumir o posto. Eles estavam na frente da casa em que ele morava agora, e Yuri lhe entregou as chaves. "Agora é sua. Tudo está em seu nome, e o presente é sem pedir nada em troca", Yuri disse com um sorriso. Nikolai apenas olhou para ele. "Você está me dando uma mansão? Estou perfeitamente bem com meu apartamento". "Tenho certeza que você está, mas estou prestes a colocar um fardo pesado sobre seus ombros,


e um homem com o seu futuro não deveria estar morando em um apartamento." "Que tipo de fardo?" "Eu tenho observado você, Nikolai. Não há nenhum homem mais adequado para este trabalho. Eu não tenho filhos, e minha filha tem sonhos que não têm nada a ver comigo ou com minha organização. Não vou prendê-la a isso. Quando eu for embora, tudo o que é meu será seu. Não tenho dúvidas de que estará em boas mãos". Assim, durante cinco anos, Nikolai treinou e aprendeu. Ele havia passado a vida inteira sem um pai, e Yuri era o mais próximo que alguém já tinha chegado de um. Eles mantiveram um relacionamento silencioso, e por um tempo Nikolai se perguntava se era porque Yuri também estava treinando outra pessoa. "Quando você disse que tudo o que você tinha seria meu, eu não percebi que sua filha faria parte do pacote", Nikolai murmurou sombriamente. Aquilo não era inteiramente verdade. Quando ela saiu para ir para a faculdade, ela tinha sido responsabilidade de Nikolai. Ele a observara com sigilo e uma sensação esmagadora de proteção. Ele tinha visto a menina de passagem na casa de Yuri, mas nada o havia preparado para a mulher em que ela havia se tornado. Após encerrar o ano, ele respeitosamente pediu para ser transferido de função. Yuri não fez nenhuma pergunta, e aquela foi a última vez que ele teve que se preocupar com a adorável Alina Petrov. Só que agora a mulher estava em sua casa. Agora que ele havia sentido as curvas de corpo contra o dele, ele não conseguia tirá-la da cabeça. Ele queria saber o que ela fazia, o que ela vestia, o que ela tocava quando a porta estava fechada entre eles. Ela se tocava e pensava nele? Droga. Ele precisava transar. Isso ajudaria a aliviar seu desconforto. Outra mulher para distraí-lo. Infelizmente, isso teria que esperar. Ele tinha assuntos de negócios para resolver. Alguns homens de Yuri estavam conspirando contra ele. Eles não perceberam que Nikolai sabia, e ele tinha


a oportunidade de lidar com isso antes que isso se tornasse um problema maior. Levantando-se da escrivaninha, ele olhou para o relógio. Ele poderia cuidar da situação agora e estar de volta a tempo para a reunião com o advogado. Isso o ajudaria a queimar uma parte de sua energia e se afastar de suas frustrações. Ele provavelmente até teria tempo de se trocar, caso ele ficasse com muito sangue em suas roupas.

***

Alina alisou uma mão sobre a saia e tentou não sorrir enquanto olhava para si mesma no espelho. A saia preta ia até o meio de sua cocha. Não era muito curta, mas mostrava muita pele, e abraçava as curvas de seus quadris. Ela a havia combinado com uma blusa preta e justa com a gola larga. Sem decote, mas mostrava bastante os ombros. Juntando seu cabelo loiro para o lado, ela o amarrou frouxamente para que ficasse apoiado sobre seu ombro esquerdo. Talvez tenha sido indelicado tentar parecer sexy quando ela ia assinar sua herança, mas era a única vez que ela soube que veria Nikolai. E ela realmente queria a sua atenção. Ela queria saber o que aconteceria se ele a olhasse além de apenas uma missão. Talvez ela estivesse brincando com fogo. Assim que ela calçou seus sapatos, seu telefone tocou. Esperando que fossem as autoridades com notícias sobre a investigação, ela correu para ele. Não era a polícia, mas ela estava feliz de ver o identificador de chamadas de qualquer maneira. "Kat!" Ela cumprimentou calorosamente. Katalina era sua melhor amiga. Elas haviam sido inseparáveis desde que eram crianças, e somente quando uma oferta de emprego levou Kat a outra cidade, elas nunca tinham ficado separadas por mais de algumas semanas de uma vez. "Alina! É tão bom ouvir sua voz. Eu estive em Praga, e eu acabei de receber suas mensagens. Você está bem? Claro que você não está bem. Por que estou perguntando isso?"


"Kat", Alina interrompeu. Sua melhor amiga era corretora de imóveis de uma grande empresa. Seu trabalho a levava ao mundo todo, às vezes por semanas seguidas, e o telefone celular e as redes sem fio nem sempre cooperavam. "Estou bem. Bem, não estou bem, mas vou ficar bem. Para dizer a verdade, eu realmente não quero falar sobre isso. Entretanto, quero ouvir sobre suas aventuras em Praga". Seus olhos se desviaram para o relógio e ela franziu a testa. "Infelizmente, eu não posso falar agora. Eu preciso me encontrar com o advogado do meu pai. Posso te ligar mais tarde?" "Eu posso fazer melhor do que isso. O aniversário dos meus pais é no sábado, e eu vou encontrá-los para o jantar. Encontre-me para beber algo depois. Que tal às 10 da noite no Emerald Lounge?" Isso era após o seu toque de recolher, mas ela não diria isso para Kat. Certamente Nikolai daria permissão para que ela fosse ver sua melhor amiga. Prometendo encontrá-la, Alina desligou o telefone e saiu pela porta. Ela tinha acabado de chegar ao escritório de Nikolai quando a porta se abriu. Ele fez uma careta para ela da porta. "Aí está você. Você deveria estar aqui há cinco minutos. Que diabos você está vestindo?" "Uma saia", disparou ela. Por que ele estava tão bravo? Ela tentou passar por ele, mas ele agarrou seu braço. "Pensei que estivéssemos atrasados". Suas palavras foram calmas, e ela viu a raiva em seu rosto, mas ele a soltou e deu um passo para trás. Orlov estava constrangido e em pé no escritório, e Alina lhe deu um abraço. "Lamento não ter falado com você no funeral", sussurrou ela. "Havia muita coisa acontecendo." Orlov retribuiu o abraço. Ela conhecia o homem desde que era criança, e ele sempre foi amigável com ela. "Você não precisa se desculpar." Nikolai limpou a garganta. "Eu não tenho muito tempo", ele murmurou. "Vamos começar." Alina olhou para ele, mas quando seus olhos o varreram, ela congelou. Seu corpo inteiro estava tenso, e seus olhos estavam tempestuosos e sombrios. Ela reconheceu o olhar. O pai, por


vezes, usava a mesma expressão, e ela aprendeu muito cedo a evitá-lo quando ele parecia tão zangado. Quase sempre tinha algo a ver com violência. "O testamento de Yuri é bastante direto. Alina, a propriedade privada aqui na cidade e a casa de campo pertencem a você junto com seus fundos pessoais. Nikolai, todas as suas propriedades de negócios e fundos de negócios vão para você. O pagamento de seu seguro de vida vai para Alina, e há um crédito criado para todos os filhos que Alina pode vir a ter. Nikolai, há algumas estipulações com os acordos de negócios, mas eu vou falar sobre isso em particular. Alina, você tem alguma pergunta?" Ouviu Orlov falar, mas tinha ficado fria. Seu pai criou um fundo de investimento para seus futuros filhos? "Quando?" Ela perguntou calmamente. "Quando ele criou esse fundo?" Franzindo a testa, Orlov folheou as páginas. "Parece que ele a montou no seu décimo sexto aniversário". Dezesseis. Jesus. Ela agarrou o braço da cadeira e tentou evitar vomitar. Ela sabia que os negócios de seu pai eram perigosos, mas ela sempre foi tão bem protegida. Seu pai sabia que ele poderia morrer e queria ter certeza de que Alina teria um futuro seguro. Com sua filha de apenas dezesseis anos, já estava pensando em sua futura família. "Alina?" Orlov perguntou com uma voz preocupada. Seu corpo inteiro inundou de calor, e seus dedos começaram a coçar. Antes que ela pudesse reagir, sentiu seu estômago torcer em um nó, e ela não conseguia fazer entrar ar suficiente em seus pulmões. "Com licença. Eu não consigo respirar", ela murmurou, com a voz falhando. De pé sobre as pernas instáveis, ela deixou o escritório rapidamente antes de irromper em lágrimas. Ela mal tinha chegado a três passos no corredor quando sentiu um braço em volta da cintura. Nikolai a puxou contra seu corpo. Um braço ancorou sua cintura e seu outro braço cruzou


seu peito. Seu abraço foi apertado, quase doloroso, mas ela começou a se sentir um pouco melhor. "Calma", ele murmurou em seu ouvido. "Você está tendo um ataque de pânico, mas vai passar. Concentre-se em minha voz. Vou contar até quatro. Inale nas contagens um e dois. Expire nas contagens três e quatro. Você entendeu?" Acenando com a cabeça, ela sentiu os lábios dele contra a sua orelha. "Um. Dois. Três. Quatro. Um. Dois. Três. Quatro." Ele continuou segurando-a e contando até que ela finalmente caiu contra ele. A horrível sensação passou. "Muito bem", ele sussurrou. "Você está se sentindo melhor?" Engoliu seco, ela assentiu. "Obrigada." Sua voz era rígida, e suas bochechas estavam coradas de vergonha. E ela se rebelando contra ele. A única coisa que ela provou foi que nem conseguia lidar com a leitura de um testamento". Ele não a soltou imediatamente, e o corpo dela se aqueceu novamente, mas dessa vez, não tinha nada a ver com ansiedade. Ela estava ciente de seus dedos roçando seu braço e sua respiração quente contra sua orelha. Ela sentiu cada centímetro de seu corpo que pressionava contra ela, e ela tinha um desejo insano para se virar e beijá-lo. Deus, o que diabos havia de errado com ela? Os dedos dele se moveram de repente, riscando a cintura de sua saia, e ela imediatamente moveu seu quadril contra ele. Inclinando a cabeça para trás, ela sentiu sua respiração se mover da sua orelha para a curva de seu pescoço. Quando seus lábios finalmente deslizaram sobre sua pele sensível, ela não conseguiu deixar de gemer. Ele a soltou e deu um passo para trás tão rápido que ela caiu contra a parede. Ele limpou a garganta. "Se você está se sentindo melhor, devemos assinar a papelada", disse ele. "Tenho coisas que preciso fazer esta tarde." Suas palavras frias a gelaram, e ela nem se incomodou em se virar antes que ele tivesse saído. Com os dedos trêmulos, ela tocou o lugar que ele a tinha beijado. Nunca em sua vida tinha ela tinha desejado um homem quando Nikolai Sokolov.


Ela não sabia o que era mais perigoso. Ficar ali para sua proteção e arriscar outro momento como aquele, ou sair dali e arriscar sua vida. Eu amava muito sua mãe, Princesa, mas também aprendi uma dura lição. Amor é fraqueza. Todo mundo vai te dizer isso. Você vai aprender que seu corpo é uma arma e que seu coração deve ser protegido, mas você deve se lembrar que o amor também é força. Confie em seu coração, minha querida. Ela não sabia o que era mais perigoso. Ficar ali para sua proteção e arriscar outro momento como aquele, ou sair dali e arriscar sua vida "Não, papai," ela sussurrou. "Isso não tem a ver com o coração. Isso é apenas desejo, pura e simplesmente. E contra o desejo eu posso lutar".


Capítulo Seis O beijo foi um erro. Desde o momento em que ele provou sua pele, ele sabia que estava em perigo de ficar viciado. Macia como seda e doce como mel, seu corpo era uma armadilha, e ele estava caindo nela. Por essa razão, ele a evitou nos próximos dias. Ele saiu de casa antes que ela acordasse, e não voltou até depois de ela estar provavelmente dormindo. Mas quando ele estava no chuveiro e tentava desesperadamente não pensar sobre como ter seu corpo nu apertado contra o dele, ele podia ouvi-la no outro quarto. Ela não parecia dormir muito. Na verdade, de acordo com os empregados, ela não dormia nada. Danik admitiu que ela às vezes vagava pela casa à noite, e ela nunca cochilava durante o dia. Nikolai sabia que ele deveria ficar mais em casa para ficar de olho nela, mas também estava aprendendo rapidamente o quão fraco ele era. Ele estava desesperado por mais, e ele sabia que ele nunca pararia aí. Ele queria provar o interior de sua boca atrevida e circular sua língua em torno de seus mamilos rosados. Eles se endureceriam em sua boca ou ela já estaria pronta para ele? E não, ele não iria parar por aí também. Ele queria espalhar beijos por seu abdome até chegar em sua parte mais tentadora, e deslizar a língua dentro dela até que ela lhe desse tudo. O desejo era tão forte que ele até mesmo teve que parar de praticar exercício em um desses dias para tomar um banho frio. Ele estava preso, mas ao invés de estar em uma cela, ele estava preso em sua própria necessidade desesperada por Alina Petrov. Se seu pai ainda estivesse vivo, mataria Nikolai, e nem mesmo esse pensamento amenizava sua luxúria. "Normalmente você espera pelo menos passar o café da manhã antes de começar a beber", Danik disse suavemente por trás dele.


Nikolai se afastou da janela e levou o copo até sua boca. "O que te faz pensar que esse não é o meu café da manhã?" "Eu não consigo decidir se o aumento do consumo de bebida é porque você sente falta de seu mentor ou porque sua bela filha está vivendo ao seu lado." "Não seja ridículo", retrucou Nikolai. "Yuri era como um pai para mim." Danik bufou. "Isso não faz de Alina sua irmã. Eu sou da opinião de que você deve permanecer distante dela, mas eu acho que nunca o vi assim tão miserável." "Droga, Danik! Pare com isso. Eu não estou miserável por causa da Alina, e se eu sou, é porque ela é um aborrecimento na minha casa e eu não tenho nem tempo para resolver isso." Sua voz era dura como aço, mas Danik não hesitou. O homem nunca recuava de nada. Ele abriu a boca para responder, mas o som do chuveiro acima dele chamou sua atenção. Nikolai sentiu seu corpo inteiro congelar enquanto pensava na mulher entrando nua no chuveiro. "Eu deveria ter feito ela dormir no porão", ele murmurou enquanto colocava o copo vazio no parapeito da janela. "Volto mais tarde esta noite". "Nikolai", advertiu Danik com a voz grave. "Se você continuar assim, você vai se matar. E então como você vai proteger a filha de Yuri?" "Eu não estou bêbado. Eu apenas tomei uma dose para aliviar as coisas. Tenho um dia atarefado pela frente, Danik. Fique de olho nela. Avise-me se acontecer alguma coisa que eu deva saber. "Eu não estou falando sobre o álcool, Nikolai. Estou falando sobre essa obsessão com Alina. Eu vejo o jeito que você olha para ela. " "Quando me tornei Nikolai em vez de Sr. Sokolov?", perguntou ele friamente. "As coisas estão mudando, Nikolai. Quer o meu conselho? Vá encontrar uma mulher. Esfrie a cabeça, e depois decida o que fazer em seguida." Nikolai fez uma pausa na porta. Ele tinha a sensação de que Danik recebia ordens de outra pessoa, mas ele nunca poderia provar isso. Mas aquilo fazia sentido, já que agora que Yuri estava


morto, o papel de Danik tinha mudado. A curiosidade o implorava que ele mantivesse Danik por perto para ver o que aconteceria a seguir, mas anos de desconfiança o incitaram a não confiar mais nele. Até onde ele podia perceber, Danik era o homem que assassinou Yuri. Algo duvidoso, mas possível. Uma mulher era uma boa ideia. Ele conhecia várias que adorariam aquecer sua cama, mas cada vez que ele pensava em levar outra mulher para a cama, seus pensamentos sempre se voltavam para ela. E aquilo lhe parecia uma traição. Sem dizer mais uma palavra para Danik, ele saiu da casa e notou a pequena caixa na varanda. Franzindo a testa, ele se inclinou para olhar para ele. Era para Alina, da joalheria Joalheria Gil. Quem diabos estava mandando joias? Parte dele queria rasgar a caixa e conferi-la, mas ele podia imaginar como ela gritaria se ele invadisse sua privacidade. Em vez disso, ele mentalmente reorganizou seu plano. A Joalheria Gil fazia parte de seu território. Ele precisava falar com Gil, mas ele tinha planejado fazer isso no final do mês. Gil era amigo de Yuri, e Nikolai esperava lhe dar mais tempo para declarar sua lealdade. Entrando no carro, ele estava em pior estado de ânimo do que quando tinha discutido com Danik. Ele não mentiu para o homem. Ele tinha um longo dia pela frente. Havia alguns comerciantes no território que estavam resistindo a ele. Ele passaria as próximas duas semanas deixando claro o que significaria se não o seguissem. Nikolai não hesitava em derramar sangue, mas não amava fazer isso. Depois de um passeio de carro de vinte minutos, ele se inclinou contra a pintura azul descascando de uma joalheria e esperou. Levou apenas alguns minutos para o dono da loja aparecer, e quando ele percebeu que era Nikolai, ele congelou. "Não precisa correr, Gil", disse Nikolai. "Isso não será nada bom para você".


"Sr. Sokolov", disse o homem com um aceno de cabeça. "Estive esperando por você". Nikolai sorriu, mas não se moveu. "Eu percebi que já é tempo de eu ter um interesse pessoal nas lojas desta rua. Na semana passada, visitei o restaurante e a videolocadora. Eu ainda não estou realmente certo da posição desse lugar nos negócios." "Algumas pessoas não gostam de mudança." "Se você não se dobrar, Gil, você quebra." Nikolai observou enquanto o homem bravamente abria a porta e o chamava para entrar. Um covarde teria ficado na calçada onde Nikolai poderia ter hesitado em lhe fazer mal. "Sei o que você está pensando", murmurou Gil. "Mas todos nesta rua sabem quem você é, e ninguém ousaria chamar as autoridades. Eu tenho uma loja para cuidar, e eu não sou mais seguro lá fora do que eu estou aqui. E eu espero que você seja mais prefira ter essa conversa de forma reservada." Nikolai caminhou em frente às vitrines e olhou para dentro da joalheria. Ao contrário da maioria das lojas na rua, Gil vendia bons produtos. Até onde ele sabia, nenhuma das joias era roubada, mas o proprietário era um homem esperto. Sempre havia a possibilidade de que os contatos de Gil fossem muito bons no que faziam. Quando seu olhar pousou em um par de brincos de diamante, ele não podia deixar de pensar em como eles ficariam em Alina. Exibiriam muito bem seu belo e longo pescoço. Aquele que ele havia pressionado contra os próprios lábios alguns dias atrás. O beijo que a fez gemer tão suavemente. Deus, ele ansiava em ouvir esse som novamente. "Não há necessidade de temer por sua segurança", disse Nikolai enquanto ele trazia sua atenção de volta para Gil. "Estou aqui para lhe dar proteção". "E se eu não pagar, você vai me mostrar exatamente contra o que eu preciso de proteção?" Gil perguntou ironicamente. Ele riu e balançou a cabeça. "Eu era leal a Yuri, e eu respeito sua decisão de passar seu título para você. Se ele confia em você, então eu também confio". Isso o surpreendeu. Ele bateu com o dedo sobre o balcão de vidro e só parou quando Gil


franziu a testa e se aproximou dele com uma toalha. "Sem impressões digitais", ele rosnou enquanto limpava as marcas de Nikolai. "Gil, se você confia em mim, então por que você não está pagando suas dívidas?" O dono da loja se recostou e estudou Nikolai. "Eu liguei para você duas semanas atrás, e na noite o meu telefonema, minha loja foi vandalizada. As janelas estavam quebradas, mas nada foi levado". Nikolai ficou frio. "Nunca recebi um telefonema seu, Gil". "Eu liguei para você depois de deixar o funeral de Yuri—eu não falo de negócios nessas situações. Um de seus homens atendeu, e eu deixei um recado". Nikolai não respondeu. Por respeito a Yuri, ele não recebeu nenhum telefonema durante o funeral, e ele passou seu telefone para um de seus guardas até depois do enterro. Ninguém mencionou que ele tinha perdido uma chamada importante. "O que você queria me dizer?" "Fui abordado naquela manhã por um homem que disse que representava o novo chefe. Ele me disse para esperar um novo cronograma de pagamento em breve. Eu já sabia que Yuri tinha planejado para você assumir, mas quando eu mencionei seu nome, o cara ficou muito nervoso e foi embora. Ele não estava representando você. Eu estava com medo do que aconteceria se eu ligasse de novo, então eu atrasei meu pagamento para fazer você vir aqui pessoalmente." "Inteligente", murmurou Nikolai. "Suponho que você não reconheceu o homem que se aproximou de você. Você o viu no funeral?" Gil sacudiu a cabeça. "Eu o procurei, mas não o vi". "Droga. Ninguém mais me disse nada sobre isso. Você foi o único de quem ele se aproximou?" "Eu não sei. Eu não espalhei a informação, e ninguém me disse nada sobre isso. Depois do vandalismo, eu fiquei preocupado em falar sobre isso." "Compreensível." Nikolai pensou sobre as implicações. Poucas pessoas sabiam que Yuri o havia escolhido, então, ou alguém pensava que seria o próximo da fila, ou estavam planejando um


golpe. Seja qual for o caso, eles estavam confiantes o suficiente para começar a exigir dinheiro. Gil foi até a caixa registradora e tirou um envelope branco. "O pagamento deste mês", disse ele enquanto o bateu contra o peito de Nikolai. "Como você pagou pelos reparos?" Nikolai perguntou suavemente. "Seguro?" Com um encolher de ombros, Gil lhe deu um sorriso apagado. "Eu tenho seguro para os meus produtos, mas já que pago aluguel, o proprietário deve cobrir os gastos. Ele prometeu resolver isso nos próximos dois meses, mas eu não podia esperar tanto tempo. Eu paguei com minhas economias, e ele deve me pagar de volta." Nikolai sentiu sua expressão se fechar. Ele colocou o envelope no balcão e balançou a cabeça. "Fique com o seu dinheiro essa semana. Vou me certificar de que teremos um homem estacionado na rua todas as noites para vigiar as coisas, e eu lidarei com o proprietário para você. Você terá seu dinheiro antes do fim do mês." "Obrigado, Nikolai", Gil disse suavemente. "Você deixaria Yuri orgulhoso." Ele não disse nada, mas o pensamento o fez sorrir. "Quem comprou a pulseira para a filha de Yuri?" Nikolai perguntou casualmente. Tentando afastar o ciúme de sua voz. "Hã? Pulseira?" "Talvez não tenha sido uma pulseira. Nikolai olhou ao redor e evitou o contato visual de Gil. "Você sabe como são as mulheres. Eu realmente não me lembro do que ela disse." Deus o ajudasse, se fosse um anel, ele perderia a cabeça. "Estamos falando de Alina? Eu não tive nenhum pedido direto para Alina, mas eu vendi um uma linda pulseira com pingentes na semana passada. Pensei que fosse para uma garota jovem". Nikolai o olhou severamente. "Você não enviou nada diretamente para Alina? A caixa tinha a sua etiqueta." Seus pensamentos voltaram para o vandalismo, e seu coração apertou. "Eles roubaram suas etiquetas." "É uma coisa estranha de se roubar", disse Gil lentamente. "Mas eu acho que é possível. Eu


guardo vários rolos de etiquetas na parte de trás, e eu realmente não presto atenção até eu perceber que estão faltando." Nikolai mal o ouviu. Ele já estava tirando o telefone. "Danik", ele disse rapidamente. "Há uma caixa na varanda da frente com o nome de Alina. Não deixe ninguém tocá-la. Você me entendeu? Ninguém toca nela. Tire a Alina da casa. Vou chamar a polícia". "Você está chamando a polícia?" Danik disse com uma voz confusa. "Por quê?" "Porque se for uma bomba, vamos precisar deles". Nikolai rezou para estar reagindo de forma exagerada, mas correu para o carro. Se fosse uma bomba…

***

Alina envolveu seus braços ao redor de seu corpo para afastar o frio da manhã. Danik nem sequer lhe deu uma chance de agarrar seu manto quando ele a conduziu para fora. Ela estava de regata e calcinha e fez o que conseguiu para se cobrir. Felizmente, o olhar de ninguém se demorou muito nela. Ela tinha a sensação de que o medo que eles sentiam de Nikolai era mais forte do que seu desejo de vislumbrar seu corpo. "Danik", ela sussurrou. Ela não sabia por que sussurrava, pois não era segredo, mas tinha medo de falar alto demais e interromper a atividade na frente deles. "Se é uma bomba, eu acho que não estamos longe o suficiente." O homem virou a cabeça e lhe deu um sorriso tenso. "Não é uma bomba, querida." "Ah." Isso era bom, certo? "Então por que ainda estamos tão distantes?" "Nós só precisamos dar à polícia algum espaço para trabalhar." Sua voz era obscura, e Alina lhe lançou um olhar inquisitivo. "Então, o que está na caixa? Alguém realmente me enviou joias? Eu não tenho um namorado ou um admirador. Na verdade, não me lembro da última vez que alguém me olhou com desejo.


Danik levantou uma sobrancelha, e ela corou. Era óbvio que ele sabia como Nikolai olhava para ela. Ou pelo menos como ela olhava para ele. "Eu não sei o que há na caixa." "Então como você sabe que não é uma bomba?" "Pela linguagem corporal de Nikolai. Ele relaxou quando eles a abriram, mas agora ele está tenso novamente. O que quer que esteja na caixa, não é bom, mas não é imediatamente perigoso." Alina assentiu e esperou, mas o homem já havia voltado sua atenção para a polícia. Ela estremeceu e limpou sua garganta. Quando ele não lhe deu atenção, ela apertou os dentes e bateu no ombro dele. "Danik. Eu não sou como as outras pessoas aqui. Não tenho nada para me proteger". "Eu sei, querida", disse ele distraidamente. "É por isso que eles estão protegendo você." "Isso não foi o que eu quis dizer. Estou com frio! Se isso não é uma bomba, então eu realmente gostaria de entrar e vestir algo!" "Oh!" Seu olhar assustado voou para sua regata, e ele balançou a cabeça. "Sinto muito, minha querida. Sim. Vamos vesti-la". Danik colocou seu braço ao redor dela e a conduziu através do gramado. Assim que ela se aproximou, Nikolai se virou e olhou para ela. Ele deu uma rápida olhada e marchou em direção a ela com fogo nos olhos. "Que diabos você está vestindo?", ele chiou. "Então você não a deixou pegar um casaco ou um roupão? Nossa, é nisso que você dorme?" "Se você tem medo de alguém entrar no quarto e se distrair com o que estou usando, suas prioridades estão distorcidas." "Vista-se", ele rosnou e olhou em volta. "O que havia na caixa?" Ela perguntou de repente. O olhar em seu rosto, a mistura de raiva e piedade, a aterrorizou. "Nikolai. O que havia na caixa?" "Vá se vestir, Alina". "Não até você me dizer o que havia na caixa!" "Uma bomba, Alina. Era uma bomba".


Estreitando os olhos, ela olhou para ele. "Você está mentindo. Danik disse que não era uma bomba". "Estou aqui para protegê-la, Alina. Não me pergunte". Ele se virou e a deixou se sentindo muito mais gelada do que estava há um minuto atrás.


Capítulo Sete Alina não conseguia dormir. Embora a casa estivesse cercada por guardas, ela se sentia completamente sozinha. Entre a morte de seu pai e o susto da bomba, parecia que cada vez que algo mais acontecia, ela se sentia cada vez mais isolada. Mexendo os dedos dos pés, ela saiu do sofá e se arrastou silenciosamente pelo tapete. Colocando a orelha na porta, ela esperou para ter certeza de que não havia ninguém lá fora. Quando não havia nada além de silêncio, ela abriu a porta e saiu. Não havia nenhuma razão para ela precisar vagar em torno da casa bem depois da meianoite, mas ela precisava de algo para fazer. Mantendo os braços envoltos em torno de si, ela caminhou na ponta dos pés calmamente pelas escadas. Quando ninguém veio at�� ela e exigiu que ela voltasse para a cama, ela relaxou e se dirigiu para a cozinha. Focada na imagem de uma caneca fumegante de chá quente misturado com um pouco de uísque, ela se moveu através da sala de estar e nem mesmo o viu. "Alina." Sua voz a acariciava com dedos invisíveis, e um delicioso tremor percorreu sua espinha. Alina congelou e lentamente virou a cabeça. Acendendo a luminária ao lado dele, Nikolai reclinou na cadeira e girou o copo em sua mão. Qualquer que fosse a desculpa para estar vagando sua casa no meio da noite, acabou morrendo em sua garganta quando ela olhou bem para ele. Jesus. Ele parecia pecadoramente delicioso. Ele descansava na cadeira de couro com as pernas abertas e relaxadas. Os primeiros botões de sua camisa estavam abertos e ele tinha um sorriso malicioso no rosto. A luz brilhou em seus olhos verdes, e a respiração dela ficou presa na garganta. "Com sede?" Ele perguntou suavemente. Ela certamente não se importaria de bebê-lo. Ele ergueu as sobrancelhas, e ela percebeu


que ela não tinha respondido a sua pergunta. "Eu não conseguia dormir", ela disse finalmente. "Eu pensei que um pouco de chá quente com uísque poderia ajudar." "Você está com medo?" Não querendo lhe dizer a verdade, ela imediatamente desviou o olhar. Seu pai sempre a provocava dizendo que ele sabia tudo o que ela estava pensando e sentindo quando ela olhava em seus olhos. "Eu só tenho muita coisa na cabeça", ela murmurou. "O que você está fazendo acordado tão tarde?" "Eu acabei de entrar. Noites como esta geralmente exigem uma bebida ou duas antes que eu possa relaxar. Você é bem-vinda para pular o chá quente e ir direto para o uísque." Ele levantou seu copo apontando para o bar ao lado dele. Como se estivesse hipnotizada por sua voz, ela se arrastou até o bar e pegou a garrafa. "Há gelo na cozinha, se você precisar". "Não. Puro está ótimo", ela sussurrou. "O que aconteceu hoje à noite?" Ela não olhou para ele, mas quando ele não respondeu imediatamente, ela virou a cabeça e olhou para ele. Havia um olhar estranho em seu rosto. "Nikolai? ", perguntou ela. "Você disse noites como esta. O que aconteceu esta noite que o levou a beber?" "Ter uma bela mulher em minha casa que eu não devo tocar me leva a beber", disse ele sarcasticamente, enquanto levava o copo até os lábios. Seu corpo inteiro corou. Ela imediatamente pensou nele a tocando, acariciando, beijando, o que provavelmente era o que ele pretendia que ela pensasse. "Você está apenas tentando mudar de assunto", ela retrucou. "Se você não quiser me dizer, apenas diga isso." "Eu não quero te dizer." Apertando os dentes, ela derramou o líquido no copo e o engoliu. "Boa noite", ela murmurou tensamente quando virou de costas para ele. Ela preferia sofrer em seu quarto sozinha do que estar perto dele se era assim que ele ia agir.


"Pare", ordenou ele. Embora ela não tivesse que seguir seu comando, ela não conseguiu deixar de parar. Segurando a respiração, esperou para ver o que ele diria a seguir. Ela não esperava um pedido de desculpas, mas teria preferido qualquer coisa do que o flerte cruel. "Volte." Ainda havia um tom diferente em sua voz, mas ela se virou e lentamente caminhou até ele. "O quê?" Ela disparou, levando o quadril para um lado. O uísque não teve tempo de confundir sua cabeça, mas aqueceu sua barriga e lhe deu uma falsa confiança. Nikolai ergueu a cabeça e olhou para ela. Quando seus olhos a analisaram, ela estremeceu. Apesar de estar coberta, sentia que, em sua mente, estava nua e exposta. "Por que você acha que não podemos nos dar bem? Só estou tentando te ajudar, mas há sempre veneno pingando de seus lábios quando você fala comigo." "Não é que eu não aprecie sua ajuda, mas você é controlador e arrogante. Eu não me dou bem com essas qualidades", disse ela, revirando os olhos. "Mas você já sabia disso. Não é como se fosse um segredo". Ele riu com humor. "Isso é verdade. Você não disfarça nada, e qualquer coisa que surge em sua mente sai de sua boca." Não tudo. Se ele tivesse alguma ideia de que ela estava se imaginando em seu colo e com os dedos em seus cabelos escuros, sua conversa seria muito diferente. A imagem só a fez querer virar e fugir. Alina não tinha pensamentos eróticos. Certamente não pensamentos sobre um homem que ela não suportava. "Mais alguma coisa?", ela perguntou rigidamente. "Sente-se, Alina. Tome outra dose. Você provavelmente é mais agradável assim". "Se você achar minha companhia tão desagradável, ficarei mais do que feliz em voltar para o meu quarto", ela rosnou. "Calma, gatinha", ele disse calmamente. "Eu não sou tão cruel de te mandar de volta para o


seu quarto quando você ainda está com medo. Então vamos conversar até você estar pronta para dormir." Aquilo era estranhamente doce vindo dele. Ela suspeitava que tinha mais a ver com ele não querer ir para a cama, mas se serviu de outra dose e se sentou no sofá de frente para ele. "Eu não estou assustada. Eu te disse. Tenho muita coisa na cabeça". "Como o quê?" Respirando fundo, ela tomou um gole do uísque e fechou os olhos. "Não estarei aqui para sempre, Nikolai. Eu sei que tenho muito dinheiro e que estou com a vida feita, mas eu não consigo apenas me sentar e não fazer nada. Estar presa nesta casa sozinha está me deixando louca. Eu tenho um diploma. Quero fazer algo da minha vida. Eu quero conseguir um emprego ou um trabalho voluntário em algum lugar. Eu quero construir algo. Sempre foi meu sonho fazer isso, mas quando saí da faculdade, acabei me tornando a garotinha do papai novamente, e eu me senti como se fosse ficar presa a isso para sempre." "Bem, as circunstâncias não são ideais, mas você tem a liberdade de fazer o que quiser. Uma vez que você sair da minha proteção, claro." "Eu sei." Ela girou o como com os dedos e olhou fixamente para o líquido âmbar conforme ele suavemente se batia contra o vidro. "Eu tenho ideias. Eu só preciso descobrir como botá-las em prática." Nikolai se moveu, e o olhar dela imediatamente o acompanhou. Antes de dizer o que ela realmente queria, ela se entregou a outro gole de seu uísque e limpou a garganta. Os olhos dele ainda estavam voltados para ela. "Então, quais são suas ideias?" Ela quase não queria dizer a ele. Sem dúvida ele iria ridicularizá-la ou encontrar problemas em seus planos. Ainda assim, não parecia que ele iria abandonar o assunto. "Quero abrir uma loja", disse ela vagamente. Erguendo as sobrancelhas, ele esperou. Quando ela não disse mais nada, um pequeno


sorriso surgiu em seus lábios. "Vendendo o quê, exatamente?" "Ah, isso e aquilo. Livros e presentes. Coisas que as pessoas doam. A parte importante são os funcionários. Eu tenho muito dinheiro, então não preciso lucrar, mas há muita gente que precisa de dinheiro. Um trabalho decente para os necessitados pode fazer uma enorme diferença na vida de alguém." Nikolai riu e Alina imediatamente se levantou. "Lamento que meu sonho seja tão engraçado para você." "Desculpe, Alina. Eu não estou rindo do seu sonho. Estou apenas tentando descobrir se você realmente tem a ver com o seu pai." Ele balançou a cabeça e gesticulou para ela se sentar, mas ela permaneceu em pé. "Os negócios do meu pai talvez não tenham sido caridosos, mas ele não era um homem mau, e não gosto que você o trate assim." Sua voz ficou feroz ao defendê-lo. "Calma", ele disse friamente. "Você conhecia o homem como seu pai, mas o resto de nós o conhecia como um chefe da máfia." Ela esperou que ele continuasse, mas ele simplesmente tomou sua bebida e olhou para ela. Ele a estava testando, tentando-a, esperando para ver o que ela faria em seguida. A isca pendia na frente dela, e ela não podia evitar tentar pegá-la. Afundando lentamente no sofá, ela engoliu seco. Parte dela sabia que era uma má ideia perguntar. "Que tipo de chefe da máfia era meu pai?" "Ah, Alina. Não acho que você queira seguir por esse caminho". "Você começou a conversa. Você pode muito bem terminá-la." Desafiando-o, ela apertou a mandíbula e continuou olhando para ele. Nikolai sorriu e se levantou. No início, ela pensou que ele iria sair, mas ele atravessou o a sala e se sentou ao lado dela. Sua coxa pressionou contra a dela, e não havia nenhuma maneira que ela pudesse se afastar sem que fosse óbvio. "Que diabos você está fazendo?" "Mudando de lugar".


Suprimindo o desejo de revirar os olhos, ela franziu a testa. "Por quê?" "Porque eu quero ficar perto de você. O que você quer, Alina?" "Eu quero que você pare de tentar me distrair e responda à minha pergunta. Que tipo de homem era meu pai?" A mão dele desceu até a própria coxa, e estava a poucos centímetros da dela. Um simples puxão de seu roupão revelaria sua pele nua. Ela ardia para sentir o seu toque, mas aquele era um desejo perigoso. "Yuri era um bom homem, Alina. Isso é o que você deve se lembrar. Mas se você me pressionar, eu poderia lhe contar sobre todos os homens que ele matou ou que ele ordenou que matassem. Eu poderia falar sobre o sangue que ele derramou ou as putas que ele fodeu." "Pare", ela exigiu. Levantando-se rapidamente, ela se afastou dele. Lágrimas brotaram em seus olhos, mas ela virou a cabeça para que ele não pudesse ver. Sem dizer uma palavra, ela saiu correndo do lugar. Nikolai era um desgraçado, e apesar das medidas que ele estava tomando para protegêla, ela precisava se lembrar disso.

***

Observando-a sair correndo da sala, ele sentiu a culpa se instalar dentro de si. "Bem feito, Nikolai", ele murmurou enquanto sorvia o resto da bebida. Ele tinha sido frio para ela desde que ele havia encontrado o presente para ela. Mentir era fácil para ele, mas parecia errado mentir para ela. Ela estava com medo porque achava que era uma bomba, mas se realmente soubesse o que havia na caixa, ela teria corrido muito mais longe do que apenas para o seu quarto. E então como ele a protegeria? No fundo, ele sabia que era uma boa ideia afastá-la. Seu desejo por ela era difícil de ignorar, e ele viu que era recíproco no olhar dela. Se ele não tomasse cuidado, logo estaria entre


suas pernas e levando ambos para o paraíso. Ou para o inferno. Ainda assim, usar seu pai para afastá-la já era demais, e nada menos que um pedido de desculpas poderia corrigir isso. Com um suspiro, ele largou o copo vazio e ficou de pé. O que ele realmente queria era outra dose antes de seguir Alina, mas ele sabia que mais uma bebida poderia fazer com que ele fizesse mais do que apenas pedir desculpas a ela. Arrastando os pés, ele subiu as escadas. Um homem mais inteligente teria batido em sua porta que levava ao corredor, mas foi pelo banheiro. Ele podia sentir a tensão do outro lado. "Alina," ele disse suavemente enquanto pressionava sua testa contra a madeira. "Abra a porta. Quero falar com você." "Vou para a cama, Nikolai. Vá embora." "Eu tenho uma chave. Se você não abrir a porta, eu vou buscá-la". Houve silêncio antes que ele ouvisse a fechadura da porta se virar. Ela ainda não abriu a porta, então ele virou a maçaneta e entrou lentamente. Enquanto seu olhar se fixou nela, ele inalou bruscamente. Nossa, ela estava incrível. Debaixo do roupão, ela estava escondendo um short rosa que envolvia seu bumbum arredondado e uma regata que mostrava mais do que alguns centímetros da pele de seu abdome e tinha um decote enorme. Seu corpo imediatamente se enrijeceu em resposta, e ele precisou de todo o seu controle para não circular sua pequena cintura com as mãos e puxála até que ela ficasse pressionada contra seu corpo e esfregando sua buceta contra sua ereção. Ela notou a resposta, e a raiva em seus olhos se misturaram com pura luxúria. Nikolai manteve o aperto firme na maçaneta da porta como uma maneira de aterrá-lo. "Eu queria me desculpar", ele disse enquanto limpava a garganta. "Seu pai apareceu quando eu não tinha uma figura paterna, e sim, eu conhecia um homem diferente do que você. Mas ele era justo. Mais do que qualquer outro homem que eu conheço. A dor em seu rosto era evidente, e ela deu um passo em direção a ele. Com medo de que


ela quisesse um abraço, ele apressadamente deu um passo para trás. "Vá para a cama, Alina", ele disse grosseiramente. "Antes que eu faça algo que ambos lamentaremos." Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, ele fechou a porta e esperou. Seu coração saltou em seu peito, mas só quando ele ouviu o som da fechadura na porta que ele foi capaz de relaxar. Ele tinha cometido muitos erros ao longo dos anos. Yuri o safou de anos de prisão e morte mais vezes do que ele gostaria de admitir, mas sabia que todas essas infrações não eram nada em comparação com as consequências de levar Alina Petrov para a cama. Ele também sabia que uma noite dentro dela parecia perigosamente valer a pena.


Capítulo Oito Ele tinha dito que não. Três horas depois, ela ainda tremia de raiva. Sua melhor amiga estava na cidade. Alina precisava vê-la desesperadamente, e o filho da puta realmente tinha lhe dito que não. Ele nem se deu ao trabalho de explicar. Assim que ela mencionou a hora, ele a negou e saiu. Fora. Saiu de casa. Ela estava tão zangada, ela queria bater em alguma coisa. "Alina?" Danik limpou a garganta, e Alina percebeu que o homem estava falando com ela. "Desculpe. O que você disse?" "Eu perguntei se você precisava de alguma coisa antes de eu me retirar. Não acredito que Sokolov volte tão cedo esta noite. Nikolai teria saído durante a metade da madrugada? Aquilo chamou sua atenção. Se ele não estava aqui, isso significava que muitos de seus protocolos de segurança não estariam funcionando. Ele teria vários guardas com ele, e os sensores não seriam ligados até que ele voltasse. Seu pai treinou Nikolai. Se ela conseguia escapar da segurança de seu pai, ela conseguiria escapar de Nikolai. Uma ideia imediatamente se formou em sua cabeça. "Obrigada Danik, mas eu não preciso de nada. Você não precisa perguntar, você sabe. Eu posso cuidar de mim mesma." "É meu trabalho", disse ele com um pequeno sorriso. "É seu trabalho cuidar de Nikolai", ela o corrigiu distraidamente. "Eu posso ter crescido com criados, Danik, mas eles eram meus amigos. Quando saí para a faculdade, eu morava em um dormitório como todo mundo. Sem segurança. Sem criados. E eu gostei disso." Danik assentiu. "Claro. Vejo você para o café da manhã".


Ele fechou a porta atrás de si, e Alina imediatamente agarrou seu telefone e mandou uma mensagem para a amiga. Ela poderia sair da propriedade, mas ela ainda precisaria de transporte. Uma vez que Kat prometeu pegá-la, Alina enfiou o telefone no bolso e mordeu o lábio inferior. Ela não estava apenas arriscando a ira de Nikolai. Havia alguém lá fora tentando matá-la. Eles talvez—tivessem—mandado uma bomba para ela, pelo amor de Deus. Se ela soubesse o que era bom para ela, ela ficaria. Claro, ela provavelmente estaria de volta antes que Nikolai soubesse que ela tinha desaparecido. E qualquer um que tentasse matá-la não esperaria que ela saísse para tomar beber algo com uma amiga. Tudo ficaria bem. Você deve estar pronta para qualquer coisa, princesa. Força para se proteger. Discrição para ficar nas sombras. Compreensão para superar todos os obstáculos. Isso é o que você vai treinar e aprender. Eu sei que você não quer isso, mas um dia você pode precisar disso. Na escola, você pode fofocar e brincar à vontade, mas quando estiver aqui, aprenderá a se proteger. Ao contrário de seu pai, Nikolai não tinha uma equipe noturna. A maioria deles moravam na casa e provavelmente era esperado que trabalhassem à noite, se necessário, mas eles estariam dormindo em breve. Sua janela se abriu ao lado de uma sacada, mas havia sempre um guarda colocado perto dela. Uma cuidadosa investigação da casa havia mostrado que não havia muitos pontos fracos em sua segurança. Havia, no entanto, uma pequena janela no porão, no alto da parede. Ela já tinha testado e sabia que estava aberta. De lá, era apenas uma questão de passar pela cerca sem ser vista. Depois de esperar para ter certeza de que não havia mais ninguém andando pela casa, Alina trocou seu pijama por uma calça jeans e um suéter escuro que não era exatamente para se esconder. Ele mostrava alguns centímetros de sua barriga e era decotado. Ela não estava tentando parecer sexy. Ela simplesmente não tinha muita roupa escura. Colocando seu cabelo loiro sob um lenço preto, ela deu um passo para trás e se olhou no


espelho. Deve ser suficiente para mantê-la escondida na escuridão, se ela fosse cuidadosa. Ela não viu ninguém enquanto lentamente se afastava de seu quarto e descia as escadas na ponta dos pés. O acesso ao porão estava do outro lado da cozinha, e ela rezou para que ninguém estivesse lá assim tão tarde. Todo o seu plano se desvendaria se seus homens decidissem que queriam fazer um lance no meio da noite. Felizmente, ela estava sozinha. Abrindo a porta silenciosamente, desceu elas escadas e passou pela academia. Por um momento, ela não pôde deixar de imaginar Nikolai vestindo quase nada e suando enquanto malhava. A imagem foi suficiente para deixá-la molhada, e ela tentou tirá-la de sua mente. "Ele não é um deus grego maravilhoso", ela murmurou. "Ele é um idiota repugnante." Um idiota repugnante que a abraçou até que seu ataque de pânico passasse e se desculpou quando percebeu que a magoou. "Pare com isso", ela ordenou a si mesma. Ela não podia se sentir culpada agora. Ela iria quebrar suas regras apenas uma vez, apenas para que ela pudesse ver Kat e finalmente ser capaz de falar com alguém, e então ela obedeceria a todas as regras que ele estabelecesse. Arrastando uma cadeira até a janela, ela pulou e a abriu apenas um pouco. A maioria dos homens de Nikolai fumava, então se eles estivessem por perto, ela seria capaz de cheirá-los. Todos eles fediam a cigarro. Não sentindo nada, ela empurrou a janela para abrir o restante e se ergueu. Escorregando pela janela, ela cuidadosamente a fechou. Ninguém soou um alarme, e ela não viu nada ao seu redor. Mantendo-se perto da casa, ela se arrastou para o canto e olhou ao redor. Como ela suspeitava, ninguém estava no nível do solo. Quando Nikolai saia, ele colocava guardas na sacada da frente, mas nunca se incomodava com a segurança no solo. Os guardas tinham uma visão melhor do topo. Ela estava a vinte metros da cerca. O ferro forjado tinha dois metros e meio de altura, mas havia um canteiro no canto que a ajudaria a subir. Aquilo era tudo o que ela precisava.


Distanciando-se lentamente da casa, ela manteve os olhos na sacada até que mal podia ver o guarda. Ele andava de um lado para o outro inquieto, provavelmente entediado demais. Quando ele virou as costas, ela aproveitou. Ela precisou de 30 segundos para saltar do canteiro, agarrar o portão e saltar sobre ele. Chegando ao chão do outro lado, ela se agachou e observou. Ninguém parecia saber de nada. Com um sorriso satisfeito em seu rosto, ela seguiu para a área arborizada e correu em direção à rua. Kat tinha concordado em encontrá-la a um quilômetro da estrada para que ela estivesse fora de vista. Desde que era criança, seu pai a treinava para se defender. Três vezes por semana durante anos, ela malhou e treinou com seus homens. Ela tinha a sensação de que se seu pai soubesse que estava usando esse treinamento para escapar de seus guarda-costas, ela estaria em uma grande enrascada.

***

"Alina!" Os olhos de Kat se arregalaram sobre sua taça de martini e ela parecia furiosa. "Eu ajudei você a escapar? Você me disse para buscá-la porque você não queria que os faróis acordassem ninguém! Você está louca?" "Shhh!" Ela sibilou enquanto olhava em volta. Elas estavam chamando um pouco de atenção no bar, mas era principalmente por causa de Kat. Sua melhor amiga era de cair o queixo. Ela tinha a pele morena e o cabelo atraente de sua mãe e o temperamento e habilidade de beber de seu pai. Kat sempre chamava atenção. "Não tão alto. Está tudo bem. Se eu realmente pensasse que estou em perigo, eu não estaria aqui. Não vou ficar muito tempo. Nikolai nunca saberá que saí, e quem me procura não sonharia que eu sairia da propriedade desprotegida. Vai ficar tudo bem. "Você mentiu para mim", ela acusou.


"Kat, eu não vi ninguém exceto guardas, advogados, e a polícia desde que meu pai morreu. Alguns amigos estavam no funeral, mas não me foi permitido falar com eles. Eu realmente precisava te ver." Kat tomou outro gole de martini e suspirou. "Eu nunca conseguiria ficar brava com você por muito tempo. Como você está?" Alina correu os dedos pela haste de sua taça de vinho. "Há momentos em que sinto que nem consigo respirar, e momentos em que sinto que vou ficar bem", admitiu. "Nós brigamos tanto. Durante o último mês eu estava tentando alugar um apartamento para que eu pudesse me mudar, mas minhas tentativas continuavam sendo recusadas. Eu sabia que meu pai estava fazendo isso para que eu não me mudasse. Eu estava muito brava com ele, e então ele foi morto. Não consigo me lembrar da última vez em que lhe disse que o amava". Inclinando-se, Kat agarrou sua mão. "Você não tem nada que se sentir culpada. Seu pai te amava, e ele sabia que você o amava. Nós brigamos com os nossos pais. Isso faz parte. Você não deve pensar por um segundo que ele morreu achando que você não o amava." Alina respirou fundo e assentiu. "Eu sei. Ele criou um fundo para meus filhos quando eu tinha dezesseis anos. Dezesseis! Ele sempre soube que ele estava em perigo de morrer, e nunca sequer me ocorreu. Eu era tão ingênua assim?" "Seu pai a protegeu. Isso era parte de seu trabalho, e ele fez isso bem", disse Kat com simpatia. "O que você vai fazer agora?" "Quando tudo estiver resolvido, vou vender a casa e a casa de campo. Eu não preciso de nada disso. Provavelmente vou comprar uma casa pequena e abrir uma loja". "Você não precisa abrir uma loja", Kat apontou secamente. "Não", admitiu Alina. "Mas eu não posso ficar sentada o dia todo sem fazer nada. Preciso me manter ocupada. Estou enlouquecendo com o Nikolai. Não tem nada para fazer. Eu me sinto como um animal preso. Tenho certeza de que ele mandou que a maioria dos criados não falasse comigo, e seus guardas nem sequer olham para mim. Eu não vi Kristof ou Timur desde que me


mudei. Sinto-me abandonada". "Eu não me importo que você se sinta abandonada, desde que você esteja fora de perigo. E você não está falando de Nikolai Sokolov por acaso, não é?" "Você o conhece?" "Você está brincando?" Kat bufou. "Todas as mulheres da cidade desejam esse homem. Claro, apenas as malucas vão atrás dele. Todo mundo sabe que ele tinha ligação com seu pai, e que isso é perigoso. Mas isso não impede que as mulheres fantasiem. Se você tiver a chance de vê-lo quase nu, eu exijo uma foto. Totalmente nu seria ainda melhor. Deus, aposto que ele é perfeito na cama". "Kat!" Alina chiou. Suas bochechas coraram. "Eu não estou vendo ele nu, e eu certamente não estou me perguntando como ele é na cama." "Mentirosa", ela disse com uma risada. "Você ainda não consegue disfarçar nada. Você pode desprezar o homem, mas você o deseja". Alina pensou no beijo íntimo em seu pescoço e em como ele a deixou. "Mesmo se eu o achasse atraente, o que eu não estou afirmando, ele não me vê assim. Eu sou apenas uma maneira de provar que ele pode liderar a organização. Proteger a filha de seu antecessor e provar que ele pode proteger seus homens. Não sou nada mais do que algo irritante para ele". Houve uma gargalhada em um canto, e Alina olhou melancolicamente. Um grupo de jovens mulheres estava conversando com dois caras, e ela podia ver como elas estavam se divertindo. Todos alegres por causa da bebida, relaxados, e flertando sem se importar com ela. Ela tinha vivido toda sua vida assim. Será que ela conseguiria ficar assim tão despreocupada outra vez? "Eu o vejo quando fecho meus olhos." "Nikolai?" Alina sacudiu a cabeça. "Meu pai. Eu vejo seu corpo. Havia tanto sangue. Eles disseram que eu não testemunhei o assassinato por minutos. Minutos! Eu poderia ter impedido. Se eu ao menos tivesse ido até lá mais cedo..." "Você também estaria morta", disse Kat firmemente. "O que aconteceu foi horrível, mas não


foi culpa sua. Você não poderia ter impedido, Alina. Se alguém chegou perto o suficiente para atirar em seu próprio pai na propriedade dele, você estar lá não iria impede-los de nada. Você tem que acreditar nisso". "Eu nem entendo porque eu sou um alvo. Eu não vi nada. Não tenho nada a ver com a organização. Por que eles vêm atrás de mim?" "Você mesma disse isso. Se você for morta, isso acaba com a autoridade de Nikolai. Ouvi meu chefe falar hoje. Todos estão no limite. Todos esperavam que seu tio assumisse o controle". "Meu pai não passaria simplesmente para o tio Vadik só porque eles são parentes. Isso seria uma decisão horrível. Eles não são próximos, e ele não iria confiar a organização a alguém que ele não a conhecia bem." Alina tomou um gole de seu vinho e sentiu que aqueceu sua barriga. Ela estava em sua segunda taça. Ela tinha acabado com a primeira no momento em que elas sentaram na mesa do canto, e ela começou a sentir os efeitos. Relaxada. Descontraída. Olhando para o relógio, ela fez uma careta. Ela não podia se sentir relaxada e descontraída por muito mais tempo. Levava meia hora de carro para voltar à casa de Nikolai, e provavelmente levaria mais vinte minutos entrar na casa. "Eu vou ter que voltar logo", ela suspirou. "É absolutamente ridículo. Não há uma única razão para ele não pedir para um guarda me acompanhar para que eu me encontrasse com você. É um lugar lotado, e não foi algo programado. Se alguém me seguisse, já teria feito algo". "Nikolai", Kat disse de repente. Alina assentiu. "Sim, Nikolai. Ele é um maníaco por controle. Estou tentada a deixar uma toalha no chão de seu banheiro só para ver o que ele faria, mas Danik provavelmente a pegaria antes que Nikolai a visse. Juro que o homem está em toda parte. "Não", disse Kat urgentemente. "Nikolai. Ele está aqui." Aqui? Alina sentiu seu sangue gelar. Ela olhou para sua amiga por um segundo e viu o pânico em seu rosto. Lentamente, ela virou a cabeça para a porta.


Nikolai estava no meio do bar com os braços cruzados. Seu rosto estava calmo, mas ela podia ver a raiva em seus olhos. "Essa não", ela sussurrou. "Acho que estou encrencada".


Capítulo Nove Nikolai fervilhava de raiva enquanto lentamente atravessava o bar. Ele sabia que as pessoas o estavam observando e cochichando, mas ele não se importava. Ele só tinha olhos para Alina. Ele tinha saído naquela noite com toda a intenção de se atirar em uma mulher e tentar esquecer tudo sobre como era a pele sedosa de Alina com o toque de lábios. Ele mal tinha conversado por cinco minutos com uma linda mulher quando o seu telefone tocou. Alina havia sumido. A voz de Danik era muito calma quando ele falava, e provavelmente era a única coisa que impediu Nikolai de explodir. Ele sabia exatamente onde ela tinha ido, e quando ele a arrastasse de volta, ele descobriria como ela tinha saído e a trancaria em seu maldito quarto por um ano inteiro. Talvez até mais. Não havia medo no rosto dela quando ele se aproximou da mesa. Apenas um ar desafiador. "Senhoritas", ele disse com a voz grave. "Que coincidência eu encontrar vocês aqui. Alina, por que não me apresenta para a sua amiga?" Ele girou uma cadeira e sentou. Alina estreitou os olhos. "Como se você não soubesse". Nikolai sorriu e estendeu a mão. "Katalina, certo? Sou o Nikolai". Kat bufou e apertou a mão. "Como se houvesse uma só pessoa nessa cidade que não soubesse quem você é. Eu sei que você está chateado, Sr. Sokolov, mas eu precisava ver Alina e me certificar de que ela estava bem." "Ela está bem", ele disse, suas palavras eram cheias de aborrecimento. Ela estava sob sua proteção, não estava? "Ela não está bem", Kat disse friamente. "Ela acabou de enterrar o próprio pai. Eu sei que você está protegendo ela, mas se você acha que eu vou deixá-la ir para casa com você quando


você está com raiva, pode esquecer". Os olhos de Nikolai se arregalaram de surpresa. "Você acha que eu a machucaria." "Acho que é o que você faz melhor." "Kat", Alina disse apressadamente. "Acho que você bebeu demais". Que diabos estava acontecendo? Ela deliberadamente desobedeceu às suas ordens, e agora ele era o cara mau? Que tipo de homem elas achavam que ele era? Ele não batia em mulher. "Vocês terminaram de conversar?" Ele murmurou. "Porque estamos saindo. E não. Eu não vou machucá-la. Eu estou tentando evitar que ela se machuque, mas isso parece ser algo que ela não entende." Kat o estudou abertamente antes de sorrir. Nikolai não gostou nada daquele sorriso, mas pelo menos ela se levantou. "Alina, eu ligo para você amanhã. Estou feliz por ter conseguido vê-la." Ela se inclinou e abraçou a amiga. Ele também notou que ela deve ter sussurrado algo em seu ouvido. O que quer que tenha sido, Alina ficou vermelha. "Vá para o carro", ele rosnou. "Agora." Alina não se moveu, só para terminar o vinho. Agarrando seu braço, ele a puxou para fora de sua cadeira, segurou-a contra ele, e seguiu rapidamente através do bar. Ele tinha um homem do lado de fora e outro do lado de dentro, mas ele não estava prestes a arriscar que alguém atirasse nela enquanto ela estava em público. Enquanto ancorava seu corpo ao dele, ela não pôde deixar de notar que suas mãos estavam pressionadas contra sua pele quente. Que tipo de blusa ela estava vestindo? O medo de que ela levasse um tiro foi suficiente para sufocar seu desejo. Mantendo seu corpo entre o dela e a janela, ele a puxou para fora do lugar. O carro já estava esperando, com a porta aberta. Ele não disse nada enquanto eles voltavam para casa. Ela se manteve encostada contra a


porta e nem olhou para ele. Ele aproveitou a oportunidade para espiar. Sua calça jeans estava tão apertada que ele nem sequer sabia como ela tinha feito para vesti-la, e aquela blusa não cobria quase nada. Tudo que ele tinha que fazer era estender a mão, e ele poderia tocar sua pele novamente. Traçar seus dedos sobre ela. A gola era tão decotada que ele podia pressionar a boca entre os seus seios. Puxar a blusa para baixo e beliscar seus mamilos. Ficando cada vez mais excitado, ele empurrou sua atenção para longe e olhou pela janela. Ele tentou focar na própria raiva em vez de no corpo dela, mas o desejo era muito forte. Ele não sabia se ele queria estrangulá-la ou comê-la. Talvez as duas coisas. Yuri o treinara para manter seu temperamento sob controle. Perder o controle de uma única emoção era dar uma vantagem a seus adversários. Alina o fazia testar essa lição. Ela abriu a porta e saindo do carro antes que ele parasse por completo. Ela obviamente pretendia entrar antes que ele pudesse gritar com ela, mas hoje não era o seu dia de sorte. Sinalizando para seus homens, eles rapidamente bloquearam seu caminho. "Deixem-me passar!" Ela rosnou. Movendo-se atrás dela, ele a puxou e a tirou do chão com facilidade. Quando ele a jogou sobre seu ombro, ela imediatamente gritou e começou a bater em suas costas com os punhos. Ele tinha que admitir. Ela era forte. Ele sem dúvida teria marcas amanhã, mas ele nem sequer fez uma pausa enquanto caminhava pela porta. "Solte-me, seu idiota!", ela gritou. "Que diabos você acha que está fazendo?" "Você pode continuar gritando", ele disse calmamente. "Ninguém vai se importar". Ele pensou em levá-la até seu quarto, mas estar tão perto de sua cama parecia ser um movimento perigoso. Em vez disso, ele a levou até a sala de estar e a soltou. Ela correu para a porta, mas seus homens já estavam fechando tudo.


"Tudo bem", ela murmurou enquanto se virava e cruzava os braços. "Você quer gritar comigo? Grite comigo. Eu não vou dizer que sinto muito por querer ver minha amiga." "Eu não quero que você sinta muito por querer ver sua amiga. Eu quero que você se desculpe por me desobedecer", ele rosnou. "Vá se foder", ela chiou. "Se você tivesse me deixado vê-la, eu não teria tido que desobedecê-lo. Não falei com uma única amiga desde que encontrei meu pai morto. Você tem alguma ideia de como isso é difícil? Minha família está morta. Alguém está tentando me matar. Eu estou presa nesta casa como uma prisioneira, e você nem tem a decência de me deixar ver minha melhor amiga. O que diabos você estava fazendo esta noite que era tão importante que você não podia usar duas horas para ir comigo?" Nada que fosse de sua conta. "Eu não dou a mínima que esteja sendo difícil. Quando eu disser que não, você não vai simplesmente agir pelas minhas costas e fazer o que quiser assim mesmo." Sua voz estava tensa já que ele tentava desesperadamente manter a cabeça no lugar. "Você pode controlar a máfia, mas você não me controla", ela chiou. "Eu vim aqui voluntariamente, e vou embora quando quiser." A mulher estava fazendo com que ele chegasse em seu limite. Ela continuava vociferando, e ele lutou para manter a calma. "Eu não preciso que você me proteja. Vou chamar a polícia para me proteger. É o trabalho deles, e eles provavelmente vão fazer isso melhor." Deus o ajude. "Então você pode pegar suas regras e enfiá-las no..." Ele não deu a ela a chance de terminar a frase. Ele perdeu o controle, a agarrou e a puxou contra ele. Antes que ele pudesse sequer questionar o que estava fazendo, ele se curvou e a beijou. Com tudo. Ele esperava que ela lutasse e o empurrasse para trás. Ele jogaria a culpa no nervosismo dela. Ele estava tentando calar sua boca, mas ela não o afastou. Em vez disso, ela abriu a boca


ansiosamente sob ele, e ele gemeu ao enfiar a língua dentro de sua boca. Ela foi tão quente e convidativa. Sua língua dançou tentadoramente contra a dele, e quase o fez cair de joelhos. Enquanto ela pressionava seu corpo contra o dele, ele a ergueu e a carregou até o móvel mais próximo. O piano era sólido sob ela. O que foi ótimo, já que o que ele estava planejando fazer com ela quebraria qualquer outra coisa. Agarrou a bainha de sua blusa, ele a puxou com força sobre sua cabeça. Ela gemeu quando ele enrolou seus punhos em seu cabelo e chupou o seu pescoço vorazmente. Seu pênis forçou contra sua calça, e se ela não parasse de se esfregar sobre sua ereção, ele ia gozar antes que pudesse entrar e sentir seu calor macio. "Nikolai," ela sussurrou enquanto ela se agarrava em sua camisa e tentava trazê-lo para mais perto. Ele a empurrou para trás com força e a segurou enquanto puxou seu sutiã para baixo. Seus mamilos eram lindos. Rosados e implorando por sua boca. Com um gemido, ele se curvou e seguiu em frente. Seu suspiro era tudo o que ele precisava para continuar. Enquanto as mãos dela agarravam seus cabelos para mantê-lo no lugar, ele passou sua língua pelo mamilo enrijecido até que ela estava se contorcendo sob ele. Deus, ele nunca quis tanto algo em toda a sua vida. Cada centímetro de seu corpo se arrepiou, e se ele não se entrasse logo nela, não sentisse o calor de seu corpo, enfiasse nela até ela gritar, ele iria morrer. "Nikolai", ela gemeu novamente. "Eu não…" Ele passou de um mamilo para o outro, e sua frase terminou em um pequeno grito. Estendendo a mão, ele colocou uma mão entre as pernas dela e pressionou contra sua calça jeans. Seu quadril se ergueu facilmente, e ele percebeu que ela estava tão ansiosa quanto ele. "Uau, gata", ele gemeu. "Eu não tinha ideia de que você estaria assim." "Assim como?" Ela ofegou. "Tão pronta para mim." Ele pegou o botão de sua calça jeans e o abriu com um movimento


de sua mão. Forçando o zíper para baixo, ele deslizou a calma de sua mão sobre o tecido de sua calcinha. Ela estava completamente encharcada. "Eu também não", ela murmurou. "Eu nunca fiz isso." Suas palavras foram como um balde de água fria sobre ele, e ele congelou. Seu corpo doía para continuar, mas ele não podia ignorar o que acabara de ouvir. "O que você acabou de dizer?" Imediatamente, ela parou de se mover contra ele. Ela não respondeu, a incerteza estava estampada em seu rosto. Ele deveria ter deixado ela sair, mas ele precisava ouvir isso dela. "Alina," ele disse sombriamente", o que você nunca fez?" "Isso", ela sussurrou. "Eu nunca fiz isso. Eu ainda sou…" Ela mordeu o lábio inferior e foi quase o suficiente para acabar com ele novamente. Enquanto olhava para os seus lábios, ele tentou se concentrar na conversa. A pele dela estava marcada onde ele havia esfregado a barba por fazer, e seus lábios estavam inchados. Como uma mulher que tinha sido muito beijada. Como uma mulher que precisava ser fodida completamente. "Virgem", ela sussurrou. "Droga", ele grunhiu e imediatamente afastou as mãos e deu um passo atrás. Ela não se mexeu. Seus olhos estavam fechados, e ele balançou a cabeça com raiva. Ele estava prestes a fodê-la sobre o piano no meio de sua sala de estar. Todo mundo naquela maldita casa podia ouvi-la gemer. Não estava certo. Ele não transava com virgens. Ele não queria essa responsabilidade. Ser o primeiro de alguém. Quando ele queria que uma mulher se lembrasse dele, ele queria que fosse porque ele tinha sido bom. Não porque tivesse feito isso primeiro. "Vista-se", ele chiou ao jogar a blusa sobre ela. "Vá para a cama. Não saia de seu quarto até amanhã". Incapaz de olhá-la esticada no piano, pronta para ele, ele virou as costas e saiu rapidamente da sala.


"Saiam", ele ordenou aos homens que fecharam a porta atrás dele. Eles rapidamente se espalharam. Virgem. Ele balançou a cabeça em desgosto e subiu as escadas para tomar um banho gelado.

***

Ela nunca pensou que pudesse ser tão humilhada em toda a sua vida. Enquanto se afastava lentamente do piano, ela fechou o botão de sua calça jeans e vestiu a blusa com os braços trêmulos. Ela estava muito perto de chorar, mas não queria fazer isso. Ele a queria. Suas ações, o olhar em seus olhos, não havia espaço para dúvidas. Ele a queria até que percebeu que ela era inexperiente. Ele provavelmente pensou que ela não seria capaz de fazer aquilo. Ou talvez ele pensou que havia algo de errado com ela. Afinal, quem ainda era virgem na idade dela? Como poderia alguém ser tão excitada e tão rejeitada em questão de segundos? Ainda tremendo pelo toque de suas mãos e língua, ela se moveu devagar. Um pé atrás do outro. Uma vez que ela chegou ao seu quarto, ela pôde desabar. Seu quarto. Onde ele estaria dormindo do outro lado da parede. Abrindo a porta, ela olhou para o corredor. Aliviada por estar vazio, ela se dirigiu para a escada. Agarrando o corrimão, ela começou a dar um passo de cada vez. "Alina?" Uma voz perguntou suavemente. "Você está bem?" Danik. Ela não conseguia nem se virar e olhar para o velho homem. Ele não perguntou se ela precisava de ajuda. Ele perguntou se ela estava bem. Isso era humilhante demais. Ele tinha ideia disso? Engolindo seco, ela virou a cabeça e lhe deu um grande sorriso. "Estou bem, obrigada." Agradecida por ele não ter dito nada, ela encontrou a energia para seguir o restante do


caminho até seu quarto. Quando ela fechou a porta atrás dela e se escorou contra a madeira, seus olhos se encheram de lágrimas. Droga. Ela tinha se esquecido daquela cama irritante. Tropeçando até o sofá, ela nem se incomodou em tirar a roupa. Se encolhendo sobre ele, ela fechou os olhos e desejou conseguir dormir um pouco. O som da água do chuveiro a envolveu, e parecia durar para sempre. Ele estava tão enojado com o toque dela que precisava tomar um banho tão longo? Quando o som finalmente parou, ela enterrou a cabeça no travesseiro e tentou esquecer. Esquecer de seu toque. Esqueça do seu beijo. Quando ela caiu no sono, a memória de seu corpo desapareceu. E abriu espaço para os pesadelos.


Capítulo Dez Ele passou a noite no sofá do escritório. Não havia nenhuma maneira de conseguir dormir na cama sabendo que ela estava tão perto. Quando abriu os olhos na manhã seguinte, Danik estava olhando para ele. O observando, para ser mais claro. "O quê?", ele perguntou roucamente enquanto se levantava. "O que você quer?" "Quero saber por que Alina parecia devastada ontem à noite", exigiu. "O que você fez com ela?" Chocado, Nikolai só podia olhar para seu sempre fiel criado. O homem nunca o tinha questionado antes, e ele escolheu agora para ser desafiador? "Deixe-me em paz", ele rosnou. "Não", Danik disse teimosamente. "Você deveria protegê-la, e você está fazendo um mau trabalho." "Você quer ser despedido? Ela está viva, não está? Eu diria que significa que estou fazendo um bom trabalho. Ela não está exatamente ajudando." "Eu estava lá quando essa criança nasceu, e eu não vou deixar você machucá-la", Danik disse. Sua voz era firme como aço, e Nikolai estudou o homem com interesse. "Você estava?" Ele perguntou lentamente. "É engraçado, porque Yuri disse que você veio trabalhar para ele há vinte anos. Isso seria alguns anos depois que Alina nasceu. Se a declaração preocupou Danik, ele não demonstrou. "Ele não mentiu", o homem disse suavemente. "Alina não parece conhecê-lo, o que significa que você não trabalhou em sua casa. O que exatamente você fez para Yuri?" "Por que Alina estava chorando?" Danik insistiu.


Ele não tinha certeza se ele queria chocar o velho ou simplesmente ser honesto com ele, mas Nikolai decidiu dizer a verdade. "Ela me deseja." "Sim, isso ficou muito evidente pelos sons que ouvi na noite passada", disse Danik, friamente. "Isso geralmente não termina em choro. Ou isso é normal para você?" Deus, o homem tinha coragem. Nikolai não tinha ideia de onde o novo Danik tinha vindo, mas ele estava gostando dele. "Na verdade, não é. Perdi meu controle na noite passada, antes de perceber que estava cometendo um erro. Para sua proteção, eu preciso ficar longe dela. É possível que eu machuque seus sentimentos." Ele não tinha certeza do motivo de ter assumido a culpa, mas ele sentiu a necessidade de proteger o segredo de Alina. Danik relaxou visivelmente. "Entendo. Quer que eu sirva o café da manhã agora ou você quer tomar um banho primeiro?" "Se você quiser continuar trabalhando aqui, você vai responder à minha pergunta. O que você era para Yuri?" "Alguém que lhe devia um favor". "Isso não é resposta". "Isso é tudo o que você vai conseguir." "Eu poderia despedi-lo". "Poderia." Durante um minuto inteiro, os dois homens apenas olharam um para o outro. Finalmente, Nikolai encolheu os ombros. "Café da manhã está bem." "Excelente." Ele franziu a testa. "Eu não aprovo que você minta para ela." "Do que você está falando, Danik?" "Ela acha que foi uma bomba. Ela está aterrorizada". Nikolai resmungou. "Mulheres aterrorizadas não escapam de sua proteção e saem correndo para beber no meio da noite." "Ela está com medo, Nikolai. Você sabe. Eu não gosto que você tenha mentido para ela, mas


eu sei que você não teve escolha. Perguntei por aí, mas não consigo descobrir de onde veio". Balançando a cabeça, Nikolai suspirou. "Você não vai. Quem me enviou isso foi um profissional. Alguém invadiu minha casa e roubou o anel que Yuri me deu antes de mergulhá-lo em seu sangue e mandá-lo para Alina. Se ela tivesse visto, teria pensado que eu o havia matado". "Você não sabe que Alina teria reconhecido o anel, e nós não sabemos se o sangue era de Yuri". Nikolai franziu a testa. "O anel estava gravado, Danik. E nós dois sabemos que o sangue era de Yuri. Alguém está tentando me incriminar, e ao fazer isso, eles vão assustá-la e fazê-la ir embora para que eles possam matá-la. Então fique triste o quanto quiser, mas eu vou continuar mentindo para ela se isso significar mantê-la segura." "Certo. Eu vou preparar uma bandeja de café da manhã para que você possa levá-la até Alina." "O que? Levar para Alina? Por quê?" "Para que você possa pedir desculpas a ela".

***

Ela tinha acabado de se vestir quando ouviu uma batida na porta. Supondo que fosse Danik ou Iyanna, Alina se apressou e abriu. Quando ela viu Nikolai em pé com uma bandeja de comida em sua mão, ela congelou. "O quê?" Ela disse com a voz falha. Droga. Agora sua voz não conseguia sequer trabalhar quando ela estava perto daquele homem. Sua situação poderia ficar mais humilhante? Limpando a voz, ela tentou novamente. "O que você está fazendo?" Não. Não era isso que ela queria perguntar. Ela ia perguntar a ele o que ele precisava. Isso teria sido mais educado e calmo. Ela realmente precisava parecer calma perto dele. Seus olhos a varreram, identificando seus cabelos molhados. "Você acabou de tomar


banho?" "Isso é contra as regras também?" Ela provocou. Raiva. Raiva era bom. Ela se agarrou a isso. Um sorriso lento se espalhou pelo seu rosto. "De modo nenhum. Eu simplesmente não ouvi a água." "Eu tenho usado o banheiro no final do corredor. Por que você está me trazendo o café da manhã?" Seu sorriso desapareceu. "Por que você está usando aquele chuveiro?" "Porque é mais fácil", disse ela, impaciente. "Por que você está me trazendo o café da manhã?" "É mais fácil andar pelo corredor com todas as suas coisas do que abrir a porta que está conectada ao seu banheiro?" "Sim. Agora, por que você está me trazendo o café da manhã? Há algo de errado com Iyanna? Ela está doente?" "Você precisa parar de usar aquele chuveiro", ele disse suavemente ao entrar no quarto. "Iyanna não está doente. Eu sou capaz subir as escadas com uma bandeja de comida." Ela imediatamente deu um passo atrás para lhe dar acesso e se arrependeu do movimento. Agora ele estava em seu quarto, e era exatamente onde ela não queria que ele estivesse. E ao mesmo tempo, queria que ele estivesse. "Por quê?" "Por que sou capaz de andar carregando comida? Eu imagino que tem algo a ver com quatro membros em bom funcionamento. Duas pernas para caminhar e dois braços para o transporte." Revirando os olhos, ela tirou a bandeja de sua mão e a colocou sobre o móvel ao lado do sofá. "Por que não posso usar aquele chuveiro?" Ele ignorou a pergunta. "Eu preciso me desculpar por ontem à noite. Bem, não preciso exatamente. Quero pedir desculpas pela noite passada. Bem, eu não quero fazer isso também, mas


é provavelmente necessário. Você vai ficar aqui por algum tempo, e eu não preciso de você agindo como um animal ferido pela casa". "Essa é sua ideia de pedir desculpas?", ela disparou. Porque você pode parar com isso." "Por que você não me disse?" Ele perguntou de repente. Bufando, ela balançou a cabeça. "Eu sinto muito. Eu geralmente me apresento a todos como Alina, a virgem. Devo ter esquecido de fazer isso com você". "Não foi isso que eu quis dizer", disse Nikolai. "Pelo amor de Deus, Alina, eu ia tê-la em um piano no meio da sala de estar. Eu tinha homens à espera na porta. E você ia me deixar. Por quê?" O pensamento de seus homens escutando corou suas bochechas. "Eu não me guardei por nenhuma razão especial. Sinceramente, não penso muito nisso". Nikolai parecia que ia engasgar. "Você não pensa em sua virgindade?" "Meu pai era um chefe da máfia. Os garotos não batiam na minha porta. Essa reputação também me seguiu na faculdade, mas isso realmente não importava. Eu não estava focada nisso. A faculdade era minha primeira experiência de liberdade, e eu quis fazê-la. Conseguir um diploma. Arrumar um emprego. Sair da cidade e começar do zero". "Longe da máfia", ele disse suavemente. "Isso não aconteceu." "Eu nem sei o que aconteceu", ela murmurou enquanto se sentava no sofá e pegava a fruta que ele havia trazido. Ela tinha uma ligeira ressaca da noite anterior, e isso não ajudava seu apetite. "Antes de me formar, recebi uma oferta de emprego em Moscou. Eu estava muito animada quando liguei para o papai. No final da semana, a oferta de trabalho foi rescindida. Eles me disseram que a empresa não podia mais bancar o meu salário. Eu lhes disse que eu não teria problema em trabalhar por um salário reduzido, mas isso não fez diferença. Nenhuma outra oferta de emprego apareceu e eu voltei para casa depois da formatura. Eu tinha algum dinheiro guardado, então eu comecei a buscar um apartamento. Somente quando cada uma das minhas tentativas fracassou que eu percebi o que ele estava fazendo." "Mantendo você em casa."


Alina se levantou e começou a andar. Envolvendo seus braços ao redor de si mesma, ela quis chorar novamente. "Poucos dias antes de ele morrer, tivemos uma briga enorme sobre isso. Eu disse as piores coisas, e ele ficou lá só ouvindo. Depois, ele só me disse que, embora eu estivesse chateada, pelo menos ele teve esse tempo para passar comigo." Nikolai ergueu a cabeça e olhou para ela. Seus olhos verdes estavam escurecidos pela intensidade, e ela se contorceu sob seu olhar. "Olha, eu sei. Eu era uma pirralha mimada e temperamental até demais. Eu só não gosto de me sentir controlada. De qualquer maneira, o fato é que eu não conheci ninguém que me fez pensar em perder minha virgindade." Ela imediatamente percebeu o que isso implicava e se apressou para salvar a si mesma. "Não que você faça. Eu estava irritada e chateada na noite passada." "Entendo." Aquilo realmente não estava indo bem. "Você não precisa se desculpar. Eu lhe agradeço por não ter se aproveitado". "Pelo amor de Deus", resmungou ele. "Isso não acontecer novamente. Siga as regras. Vou tentar ser mais atencioso quanto aos seus desejos, e vamos fazer isso funcionar." Alina assentiu com a cabeça. Eles olharam um para o outro, e o olhar dele fez o corpo dela inteiro se aquecer. Se ele continuasse a olhar para ela daquele jeito, seria impossível para ela esquecer da noite anterior. "Onde você dormiu ontem à noite?" Ele perguntou de repente. Confusa com a arrogância de sua voz, ela olhou com culpa para a cama. "O quê? O que você quer dizer? Eu dormi aqui." "Aqui?" O homem estava surdo? "Sim. Aqui. Algum problema?" "Tome seu café da manhã", ele resmungou. "Depois, você vai mostrar ao Danik como você conseguiu escapar dos meus homens na noite passada. Eu não gosto de saber que minha segurança é tão fraca que você conseguiu fugir."


Ela quase botou a língua para fora. "Não seja tão duro com eles. Tenho planejado fugas desde que eu tinha dez anos". Nikolai olhou para ela antes de seguir até a porta. Só quando ele estava no meio do corredor que ele percebeu que não tinha respondido a sua pergunta. "Nikolai?", ela gritou enquanto ia até a porta. "Por que não posso usar o chuveiro no corredor?" "Mofo." Mofo? Ela não tinha visto mofo algum. Resmungando sobre homens teimosos, ela se sentou e tentou engolir um pouco do seu café da manhã.

***

Nikolai se agachou diante da janela do porão e olhou para Danik. "Você está dizendo que ela pulou uma janela que está a dois metros do chão, pulou uma cerca de dois metros e meio e correu por quase dois quilômetros entre as árvores sem ser pega?" Danik assentiu. Havia um pequeno sorriso em seu rosto. "Sim, senhor." Ficou claro que o velho estava orgulhoso. Nikolai não estava. "Danik. Só um profissional poderia fazer isso." "Quando Alina tinha oito anos, ela se envolveu em uma briga na escola. Aparentemente, as crianças estavam dizendo coisas horríveis sobre seu pai. Quando ela voltou para casa com o nariz quebrado e um olho roxo, Yuri percebeu o tipo de perigo que seu trabalho lhe colocava. Não só com os valentões da escola, mas em todos os lugares que ela ia. Então ele começou a treiná-la." "Treiná-la?" Nikolai perguntou, incrédulo. "Ela tinha oito anos." "Não era nada extenuante no começo. Apenas alguns movimentos para se defender, um pouco de ginástica. Já adolescente, ela começou a treinar com alguns dos homens. Yuri queria saber sem sombra de dúvida que ela poderia cuidar de si mesma no momento em que ela foi para a faculdade. Aquela mulher poderia superar pelo menos metade de seus homens no combate


corpo a corpo." "E com uma arma?", perguntou Nikolai. "Alina não atirou em seu pai", disse Danik friamente. "Ela nunca faria isso. Além disso, ela nunca treinava com armas. Yuri as odiava. Mal as tolerava em sua casa e nunca a deixaria chegar perto de uma. Ela é muito habilidosa com uma faca". Alguém realmente colocou uma lâmina nas mãos daquela mulher? Nikolai ficou pálido ao pensar. "E como você sabe de tudo isso?", ele perguntou. "Quer que alguém guarde esta janela agora?" Danik inocentemente ignorou a pergunta, e Nikolai tentou não franzir a testa. "Não é realmente um problema alguém tentar entrar", disse ele com um suspiro. "A janela só abre pelo lado de dentro. Eu não sei como ela planejou voltar, mas ela não teria feito isso por aqui. Infelizmente, eu não duvido por um único segundo que ela tentaria novamente se eu lhe desse motivo suficiente. Então sim, vamos vedar a janela." O porão ficaria menos arejado, mas ele não poderia correr o risco de que ela fugisse novamente. Em pé, ele ajeitou sua calça e olhou para o guarda na sacada. O homem sabia o suficiente para não encontrar o olhar de Nikolai. Não importava. Ele tinha gritado bastante naquela manhã, mas ele não podia culpá-los". "Provavelmente é hora de chamar Kristof e Timur", disse ele com um tom de preocupação. Danik pareceu assustado. "Você tem certeza? Acho que eles não descobriram nada". "Eu não acho que eles vão", Nikolai murmurou sombriamente. "Mas eles fazem ela se sentir mais segura. Isso é importante." "Sim, Sr. Sokolov". Não parecia certo para Danik chamá-lo assim, mas Nikolai não se incomodava em corrigi-lo. Ele deveria demitir o homem imediatamente por guardar segredos, mas ele tinha a sensação de que era importante que ele o mantivesse por perto. Afinal, ele estava na casa antes de ela o pertencer. Yuri o queria ali por alguma razão.


Olhando de relance para a janela de novo, ele não conseguiu evitar de balançar a cabeça. Alina Petrov era cheia de surpresas.


Capítulo Onze Alina abriu a janela de trás e se inclinou para fora. Depois da caixa surpresa com o nome dela e sua saída para o bar há duas noites, Nikolai tinha ficado ainda mais rigoroso. Nada de sair. Para piorar as coisas, ele não estava por perto para lhe fazer companhia. Se não fosse por Danik e Iyanna, ela teria sido forçada a cavar um túnel para fugir. "O que diabos você está fazendo?" Nikolai rugiu. Ela apenas sorriu enquanto ele saía do carro. Seu rosto era uma mistura de pânico e raiva. Para irritá-lo ainda mais, ela se abaixou e balançou as pernas para fora. Segurando cuidadosamente no parapeito interno da janela, ela se sentou na borda e balançou os pés. "Só estou tomando um pouco de ar fresco!", gritou alegremente. - Não se mexa! Estou indo." Confusa, ela observou enquanto ele correu para dentro. Por que diabos ele lhe disse para não se mover? Ela esperava que ele gritasse com ela para voltar para dentro. Quando a porta de seu quarto se abriu e bateu na parede com um estrondo, ela girou a cabeça, mas os braços de Nikolai já estavam ao redor dela enquanto ele a puxava para dentro. "O que você está fazendo?", ela rosnou. Ele a deixou cair na cama. "Você poderia simplesmente ter me pedido para entrar." "Eu não queria que você caísse. Eu devo te proteger. Como diabos eu vou explicar que você se jogou de uma maldita janela?", ele chiou. Alina revirou os olhos e saiu da cama. "Então afirmo a você que meu equilíbrio é excelente. Se você quisesse me tocar de novo, tudo o que precisava fazer era pedir". Seus olhos ficaram sombrios imediatamente, mas ele não mordeu a isca. "Explique esse truque. Você está tentando me irritar?" "Nikolai, nem tudo o que faço é por sua causa", disse ela friamente. "Como eu já disse, eu


estava tomando um pouco de ar fresco. Sua nova proibição de me manter dentro de casa me faz querer arrancar os cabelos. Honestamente, você vai precisar me deixar sair em algum momento." "Não é seguro." "Eu sei disso. Você nunca me deixou esquecer. Nikolai, não é que eu queira morrer ou que eu não aprecie o que você está fazendo por mim, mas estou enlouquecendo. Eu usaria sempre um colete à prova de balas e carregaria um escudo se você quisesse, mas eu preciso sair desta casa. Eu preciso sair da propriedade e me sentir como uma pessoa normal por apenas alguns minutos." Ele abriu a boca, e ela sabia que ele diria não, mas em vez disso ele apenas suspirou e balançou a cabeça. "Fique longe das janelas, Alina. Eu vou ver o que posso fazer sobre talvez nós sairmos para comer hoje à noite." Quando seu coração acelerou um pouco, seus olhos se arregalaram. "Nós? Juntos?", disse ela, com dificuldade. "Você não pensou que eu a deixaria sair sozinha, não é?" Ele perguntou. O brilho de irritação em seus olhos desapareceu, e ele sorriu lentamente. "Você não sai desta casa a menos que eu esteja do seu lado. Então, se você quiser sair esta noite, você deve esperar um jantar íntimo. Comigo." Incapaz de dizer qualquer coisa, ela apenas assentiu com a cabeça. De repente, sua noite for a de asa para tomar um ar fresco parecia estar se transformando em um encontro. Com Nikolai. Talvez ficar dentro não fosse uma má ideia. Ela estaria mais segura. Havia um homem querendo matá-la. "Se você mudar de ideia, querida, me avise." Ele fechou a porta silenciosamente atrás dele, mas ela ainda estava com a atenção voltada para a palavra afetuosa. Querida. Ela estava preocupada com muita coisa, e não tinha nada a ver com o assassino de seu pai.


***

Poucos minutos antes de saírem para o jantar, houve uma batida em sua porta. "Alina?" Sussurrou Iyanna. "Alina, sou eu!" Preocupada, Alina abriu a porta e franziu a testa. "O que há de errado?" A moça se endireitou e sorriu. "Errado? Por que você acha que algo está errado?" "Você está sussurrando". "Ah. Desculpa. Eu não tinha certeza se Nikolai estava por perto." Alina abriu mais a porta e deixou a moça entrar. "Você não deveria estar aqui? Por que importaria se Nikolai estivesse aqui?" "Eu não queria interromper nada. Achei que vocês dois se divertiriam um pouco antes de sair…sabe… se divertiriam um pouco. "Iyanna!" Alina ofegou. "Você é muito jovem para pensar sobre esse tipo de coisa. Não estamos nos divertindo. Nós não vamos nos divertir. Vou jantar fora para não acabar enlouquecendo, e Nikolai vai se assegurar de que ninguém tente me matar. Isso não é um encontro". A criada sorriu para ela. "Então por que você está usando uma blusa preta rendada e bem decotada e uma saia que está abraçando todas essas curvas." Corando, Alina caminhou até o espelho e olhou para o seu reflexo. Era verdade que ela tinha tomado alguns cuidados extras com sua roupa. "Não tem nada a ver com Nikolai. Eu sinto que estou prestes a ser liberada. Então não me julgue se eu quiser usar algo bonito na minha noite de liberdade." "Certo." Os olhos de Iyanna se iluminaram com alegria. "Nikolai é um gato, e eu vi o modo como vocês dois se olham. Se vocês passarem a noite sem ao menos um beijo, eu vou sair e comprar jantar para você todas as noites por uma semana." Alina jogou a cabeça para trás e riu. "Sua mãe é uma boa cozinheira."


"Fala sério. Nikolai só a mantém por perto porque tem medo dela." "Iyanna, você vai ter que me trazer jantares de vários lugares da cidade, porque eu não me sinto atraída por Nikolai", Alina mentiu. "Sei", a jovem disse, cética, uma segunda vez. "Então, se você admitir que a noite acabou ficando quente, você tem que limpar a cozinha por uma semana." Alina olhou para ela, e Iyanna estremeceu. "Minha mãe odeia ver uma única migalha no chão. Você vai praticamente ter que lamber o chão para limpá-lo." Alina pegou o brilho labial na mesa. "Mais uma razão para me manter longe dele." "Diz a mulher que está passando gloss." Iyanna piscou para ela. "Vai ser legal ficar longe da cozinha por uma semana." "Sua atrevida", Alina murmurou, mas Iyanna já longe da porta e rindo. Não havia chance de que Nikolai a tocasse. Quando ela admitiu que era virgem, ele se afastou o mais rápido que pôde. O que quer que ele estivesse planejando para aquela noite, não tinha nada a ver com beijá-la. Nem com fazer qualquer outra coisa com ela. "Alina?" Virando-se para a nova voz, Alina baixou o brilho labial. "Danik. Você me assustou", ela disse enquanto levava a mão ao peito. "Me desculpe", ele disse enquanto limpava a garganta. "Sua porta estava aberta. O Sr. Sokolov está esperando por você no carro". "Esperando por mim no carro?" Ela torceu o nariz. "Que romântico." "Você queria que fosse romântico?" Franzindo a testa, Alina virou e pegou sua bolsa. "Isso não tem nada a ver com romance, Danik. Eu só quero ficar longe desta propriedade sem se preocupar se Nikolai vai me matar. Teria sido educado se ele tivesse vindo pessoalmente, mas é culpa minha pensar que Nikolai Sokolov poderia ser educado". Danik bufou, mas não disse nada enquanto descia as escadas. Nikolai nem sequer teve a


decência de esperar do lado de fora do carro. Ele estava no carro e olhando para o relógio com impaciência. "Você vai ser desagradável a noite toda?" Ela perguntou com os dentes cerrados. Ele só precisou de um olhar para ela para que um sorriso se espalhasse lentamente sobre seu rosto. "Ah, eu tenho a sensação de que podemos tornar esta noite muito agradável para você." Olhando para ele, ela deslizou para dentro do carro. "Não se preocupe em tentar me seduzir agora. Você teve sua chance." "O que diabos faz você pensar que eu quero te seduzir?" "O que você quer dizer? Eu vi a forma como você estava olhando para mim." "E como eu estava olhando para você?" O carro começou a andar, e ela imediatamente se virou e olhou pela janela. "Eu não quero mais falar sobre isso. Eu só quero ter um bom jantar longe de sua casa. Você poderia ter enviado alguns de seus guardas. Ou talvez Timur e Kristof? Lembra deles? Meus amigos que você afastou?" "Eles não são seus amigos, Alina. Eles eram homens de seu pai e agora eles são meus homens. Quando eu precisar que eles voltem, vou fazê-los voltar. Agora aproveite sua noite for a de casa tente aproveitá-la tranquilamente." Isso não seria fácil com ele tão perto. Irritada, Alina se mexia, movendo-se no assento, cruzando e descruzando as pernas continuamente. Ela tinha achado que Nikolai iria escolher um lugar perto, mas demorou quase meia hora para chegarem ao destino. "Cruzaks?" Ela perguntou enquanto estacionavam. Cruzaks, a nova churrascaria do lugar, era o lugar mais comentado da cidade. "Mas esse lugar não deve abrir até a próxima semana". "Alguém me devia um favor", disse Nikolai. "Vai ser mais fácil ficar de olho em tudo sem uma centena de pessoas circulando pelo lugar." Os sentimentos calorosos escaparam dela assim que ela saiu do carro. Era bom que Nikolai estivesse tão vigilante sobre sua segurança, mas teria sido bom se ele tivesse feito algo gentil porque achou que ela fosse gostar.


"O que foi? ", ele perguntou quando viu o rosto dela. "O que há de errado agora?" "Nada", ela conseguiu dizer enquanto sorria para ele. "Isso é ótimo. Obrigada." Ela manteve o queixo erguido enquanto passava por ele, mas ele estendeu a mão e pegou na sua. "Foi um favor muito grande eu ter ligado e arranjado tudo para que você pudesse ter acesso a isso", ele sussurrou em seu ouvido. "Então, da próxima vez que você sorrir esta noite, é melhor que seja verdadeiro." Incapaz de olhar em seus olhos, ela apenas concordou com a cabeça e puxou sua mão de volta. O motorista abriu a porta do restaurante e Alina sentiu seus problemas desaparecerem. O lugar era magnífico. Luzinhas decorativas desciam pelas paredes e pequenos lustres cintilavam do teto. Fontes que faziam a água fluir em pequenos canais iluminados davam privacidade entre uma mesa e outra. Toalhas brancas enfeitavam mesas redondas e velas dançavam dentro de enfeites de vidro. "Meu Deus", ela sussurrou quando seu queixo caiu. "Bem-vindos!" Um homem de estatura baixa rapidamente correu até eles com os braços abertos. "Bem-vindos ao Cruzaks! Eu sou o gerente, Gavin. Ficamos lisonjeados pela presença de vocês para a nossa pré-estreia! De acordo com as instruções do Sr. Sokolov, não estamos totalmente equipados, mas estou confiante de que podemos satisfazer todas as suas necessidades! E posso dizer, minha querida, que você está encantadora". "Não, você não pode", Nikolai o cortou. "E confio em você para manter esta noite tranquila." "Sim, senhor. Os funcionários acham que vocês são críticos gastronômicos. De quantas mesas você vai precisar esta noite?" "Uma, para a senhorita e eu. Uma mesa de canto próxima aos fundos, por favor. E três perto da porta e janelas para os meus homens". "E eles vão comer?" Alina perguntou rapidamente. Nikolai lhe deu um olhar divertido. "Sim, Alina. Vão comer". Ela imediatamente relaxou. "Tenho certeza que esta noite será maravilhosa. Obrigada,


Gavin". O gerente assentiu e os levou até a sua mesa. Alina ficou rígida quando sentiu a mão de Nikolai na parte de trás das costas, mas ele não lhe deu nenhuma escolha enquanto a encaminhava suavemente para a parte de trás do restaurante. "Posso começar com uma garrafa de vinho?" "Sem vinho", disse Nikolai rapidamente. "Na verdade", Alina disse enquanto lançava um olhar sério para Nikolai. "Eu adoraria uma taça de merlot." "Sim senhorita. Será um prazer. Eu também serei o seu garçom esta noite, então voltarei em breve. Por favor, me avisem se tiverem alguma dúvida. Eu explicaria qualquer item do meu com prazer." Gavin se curvou e se afastou rapidamente. Alina deslizou para um lado do assento e olhou para Nikolai, enquanto ele rapidamente sentou bem próximo dela. "O que você está fazendo?" "Sentando". "E por que você não está sentando do outro lado?" "Mais fácil para eu te proteger". Aquilo provavelmente fazia sentido. Ela engoliu seco e tentou se concentrar no menu. Sua presença era difícil de ignorar. O calor emanava dele, e seu cheiro invadiu seus sentidos. Ela não queria nada mais além de se apoiar contra ele e apenas relaxar. A simples imagem disso em sua cabeça a deixou nervosa. "O que você quer?" Ele sussurrou em seu ouvido. "O quê?" Ela se endireitou e tentou se aproximar da parede. "Para o jantar, Alina. O que você quer jantar?" "Certo." Ela mordeu o lábio inferior e tentou se concentrar. Ela vestiu aquela roupa para que pudesse passar a imagem de uma sedutora confiante, mas quanto mais perto ele chegava, mais seu cérebro se perdia. "Não tenho certeza. Tudo parece tão bom".


"Não tenho dúvidas de que será excelente." Ele parecia falar de algo além da comida. Céus. Ela não tinha dúvida de que seria excelente. Desejando aquela taça de vinho desesperadamente, ela ficou aliviada quando Gavin apareceu. Murmurando sua oração de agradecimento, ela deu um grande gole na taça e tentou ignorar o olhar direto Nikolai lhe dava. "Então, o que eu posso oferecer a vocês esta noite?" "Parece que vamos precisar daquela garrafa de vinho", disse Nikolai secamente. Ela estava prestes a contestar quando ele teve a petulância de pedir por ela. "O que diabos foi isso?" Ela soltou quando Gavin se afastou. Ele encolheu os ombros e se inclinou para trás. "Se eu deixar você mesma fazer o pedido, você vai levar o dia todo. Você nunca parece saber o que quer, Alina". "O que eu queria era uma noite tranquila para me divertir", ela murmurou suavemente. Assim que as palavras saíram de sua boca, ela sentiu uma onda de culpa. "Sinto muito, Nikolai. Tenho certeza que organizar isso não foi fácil. Estou realmente impressionada." "Que bom. Eu estava torcendo para que você ficasse." "Mesmo? Você queria que eu ficasse impressionada?" Desta vez, foi ele quem desviou o olhar. "Não fique com a impressão errada, Alina. Só quero que você se divirta. Você é mais fácil de lidar quando está feliz". Ela fez um som de repulsa e pegou o vinho novamente. Justo quando ela pensou que poderia ser agradável novamente, ele teve que abrir sua boca grande e acabar com tudo. "Por uma noite, eu queria esquecer que alguém estava tentando me matar. Isso é pedir demais?" Ele virou a cabeça e lançou a ela um olhar penetrante. "É por isso que você tentou se jogar pela janela?" "Pelo amor de Deus, Nikolai, eu estava sentada na janela. Eu estava perfeitamente bem. Eu não estava tentando me matar." "Por que não me disse que estava inquieta?" "Fugir no meio da noite para ver a minha melhor amiga já não foi o suficiente para você


perceber?" "Adolescentes rebeldes fogem no meio da noite, Alina. Olha, eu sei que você está infeliz, mas você precisa confiar em mim. Deixe-me fazer o meu trabalho, e tudo isso logo vai acabar." "Seu trabalho? Nikolai, você é um chefe da máfia. Você não é um investigador. Você não é um guarda-costas. Por que eu deveria confiar em você para me proteger?" Por um momento, ela pensou ter visto um olhar de angústia em seu rosto. "Se você não sabe a resposta, então acho que não importa o que eu lhe diga. Beba seu vinho, Alina". "Por que você está bravo comigo?" "Eu não estou." Ele estendeu o braço e gentilmente tocou sua coxa. "Estou bravo comigo mesmo". Então, sem dizer outra palavra, ele pegou sua água e se levantou para se juntar aos seus homens. Deixada sozinha na mesa, ela não podia deixar de se sentir miserável. Ela esperava comer sozinha naquela noite, mas aquilo era diferente. Não era apenas comer sozinha. Era rejeição. Eu mantenho você aqui, princesa, porque o mundo é um lugar difícil. Eu sei que isso é egoísta, mas eu veria você viver sua vida sem nunca derramar uma lágrima ou sentir medo. Você deve manter sua cabeça erguida. Quando os momentos difíceis vierem—e eles virão—eu sei que você vai vencêlos. Mesmo que eu não esteja lá para te proteger.

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Capítulo Doze Nikolai comeu em sua mesa enquanto conferia os relatórios de seus tenentes. Até agora, ninguém parecia estar desafiando seu título. Isso não significava que ele deveria relaxar. Não que ele pudesse. Apesar de sua promessa de ficar longe dela, ele não conseguia tirar Alina da cabeça. Cada vez que ele fechava os olhos, ele a via arqueando as costas, incitando-o a lambê-la e a chupá-la. Ele ouviu os gemidos suaves quando ele a tocou. Lembrou-se do seu gosto. De como estava molhada para ele. Como ela tinha dito que ela era virgem. Para sua própria sanidade, ele precisava sair e finalmente encontrar uma maldita mulher para ajudar a liberar a tensão em seu corpo, mas isso não ia acontecer hoje à noite. Ele não tinha conseguido mais de dez horas de sono ao todo nas últimas quatro noites. Se ele não dormisse esta noite, era provável que caísse de exaustão. Ou cometesse um erro que faria com que ele e Alina fossem mortos. Depois que ele tinha certeza de que Alina tinha ido para a cama, ele finalmente saiu do escritório. Ele se sentia quase covardemente escondido dela, mas o que ele poderia fazer? Não ela. O pensamento de dormir umas oito horas seguidas o alegrou um pouco conforme ele se arrastou até as escadas. Uma boa ducha quente e, em seguida, direto para a cama. Algumas gotas de água decoraram o balcão. Ele apertou sua mandíbula vendo aquilo até que percebeu que isso significava que ela estava usando aquele banheiro. Ele não queria que ela tivesse medo dele, e se isso significava que ele tinha que se acostumar a gotas de água no balcão, ele poderia lidar com isso. Tirando suas roupas, ele entrou no chuveiro e deixou a água quente escorrer sobre seu corpo. Os jatos massageavam seus músculos, e ele fechou os olhos e tentou relaxar.


O chuveiro era grande o suficiente para dois. A banheira era grande o suficiente para dois. Ele poderia se juntar a ela em ambos. Ele poderia sentá-la no banco e enterrar o rosto entre suas pernas até que ela implorasse por misericórdia. Ele poderia montá-lo na banheira até que ele tivesse derramado até a última gota de sua essência dentro dela. "Porra", ele murmurou enquanto abria os olhos. O que diabos havia de errado com ele? Ele não era um adolescente comandado pelos hormônios. Desligando o chuveiro com raiva, ele pegou uma toalha e a envolveu em torno da cintura. Depois envolveu uma menor na cabeça. Foi quando ele ouviu. Sentindo o seu sangue gelar, ele ficou atento até ouvir novamente. O som de uma luta. Era suave, mas Alina estava definitivamente chorando de dor. Antes mesmo de pensar a respeito, ele abriu a porta e entrou no quarto, prestes a espancar um agressor. Mas Alina estava sozinha. Presa no que deveria ser um pesadelo, ela estava enrolada em uma posição fetal no sofá e choramingando. Seu corpo balançava lentamente para trás e para frente, e Nikolai sentiu seu coração partir. Ele deveria tê-la deixado ali. Ele estava vestindo apenas uma toalha, e ela estava com uma regata tão for a do lugar que seu mamilo estava exposto, mas vendo-a com medo, presa a um pesadelo, ele sentiu a empatia crescer dentro dele, não o seu desejo. Ele atravessou o quarto e se inclinou para baixo. "Alina", ele sussurrou. Não querendo assustá-la, ele gentilmente tocou seu ombro. "Alina". Ela acordou como um gato selvagem. Com um grito, ela se lançou sobre ele. Desviando, ele escapou de um soco por pouco. "Alina! Alina!", ele gritou. Agarrando-a pela cintura, ele a jogou de volta no sofá e segurou seus ombros. "Pare. Sou só eu." Seus olhos se arregalaram ao reconhecê-lo. "Nikolai? O que você está fazendo?" Agora que seu medo estava se dissipando, a tensão sexual voltou como um soco no estômago. Seria tão fácil deslizar os dedos sob o elástico de sua calcinha de renda e acariciá-la


até que ela estremecesse em seus braços. "Você estava tendo um pesadelo", ele disse, mais irritado do que deveria estar. Respirando fundo, baixou a voz. "Eu ouvi você chorando, e eu pensei que você estava sendo atacada." "Desculpe", ela disse suavemente. "Mas obrigada por ter vindo em meu socorro." Só a sua voz, quando não estava gritando com ele, já era o suficiente para deixá-lo duro de tanto desejo. "Alina, você tem pesadelos com frequência?" Ela imediatamente se afastou e levantou o queixo. Ela obviamente não queria sua piedade ou compaixão, e ele sabia que ela estava prestes a mentir para ele. "Não", ela murmurou. "Mentirosa", ele resmungou. "Alina, por que você está dormindo aqui? Há uma cama perfeitamente boa ali." O olhar dela seguiu para o chão. "Eu sei. Eu gosto mais daqui." "Por quê?" Ela não respondeu, e ele suspirou. "Alina, eu não vou embora até que você me responder." "É boa demais", ela disse suavemente. "Eu não acho que me sentiria confortável nela. Não é..." Ela respirou fundo. "Não é o tipo de cama onde eu deveria estar dormindo." Do que diabos ela estava falando? Boa demais? Ele tinha comprado tudo especificamente para ela porque sabia que ela estava acostumada com coisas boas. Mordendo a língua, ele fechou os olhos e contou até cinco. Ele não iria conseguir descansar sabendo que ela estava ali. Sem dizer uma única palavra, ele se inclinou e a ergueu, mesmo sabendo que era uma má ideia. "Nikolai", ela ofegou quando lançou os braços ao redor dele. "O que diabos você está fazendo? Solte-me?" "Você não vai dormir no maldito sofá", ele murmurou, carregando-a através do banheiro entre os quartos. "E se você não vai dormir em sua cama, então você vai dormir na minha." Ao contrário da dela, sua cama era o mais simples possível. Cobertura azul macia. Lençóis


baratos. Dois travesseiros. Sem frescuras. Sem seda ou dossel romântico. Antes que ela pudesse argumentar, ele a jogou sobre ela. O movimento desfez o nó de sua toalha, e ela deslizou para o chão. Nu e duro como uma rocha, ele encontrou seu olhar e observou sua expressão. Seus olhos se arregalaram de forma inocente, mas ela não desviou o olhar. Ela olhou fixamente. "Vá dormir", ele ordenou enquanto se afastava dela. Desligando a luz, ele abriu a gaveta e pegou uma cueca boxer. "Onde você vai dormir?" Em seu escritório. No sofá. Na porra do gramado lá fora. Em qualquer lugar que não fosse ao lado de seu corpo sexy. "A cama é minha", ele murmurou. "E eu vou dormir nela." Ele a ouviu suspirar na escuridão e não pôde deixar de sorrir. Não foi um suspiro de indignação, mas cheio de desejo.

***

Ela não era tão inocente. Ela já tinha visto um pênis antes. Ela assistiu alguns vídeos pornográficos por curiosidade e folheou algumas revistas que suas amigas tinham. Tinha havido vários estudantes bêbados correndo pelados no campus da faculdade. Ela já tinha visto homens nus antes. Mas ela nunca tinha visto alguém parecido com Nikolai Sokolov. Seu corpo nu era magnífico. Pele fina sobre músculos bem definidos. Ela queria provar cada centímetro dele. Um rosto como o dele naquele corpo deveria ser ilegal. Mas aquele pau era demais. Duro. Para ela. Ela queria se derreter nos lençóis. Ela queria implorar para que ele a tocasse novamente. Ela queria sentar sobre ele até que ele a fizesse sentir todo o prazer que seu


corpo fosse capaz de sentir. Em vez disso, Alina só podia esperar em um silêncio tenso enquanto ele se arrastava para a cama ao lado dela. Ela esperava que ele a tocasse, mas ele ficou do seu lado da cama e não disse uma palavra. Decepcionada, ela se encolheu de costas para ele e tentou adormecer. A cama era quente e confortável, mas o cheiro dele estava por tudo. Ela não podia respirar sem que ele a invadisse, zombando dela, lembrando-a de que ela poderia estender o braço e tocá-lo, mas que ela não poderia tê-lo. Finalmente, quando sua respiração se equilibrou e ela tinha certeza de que ele estava dormindo, ela cuidadosamente se ergueu e o observou sob a luz da lua. Ele estava deitado de costas, e seu peito subia e descia com cada respiração. Os lençóis estavam enrolados em torno de sua cintura, mas deixando seu belo torso exposto. Alina teve uma vontade de se inclinar e beijá-lo no mamilo. O que ele faria? Talvez ele nem acordasse. Hesitante, ela estendeu uma mão trêmula. Se ela pudesse simplesmente tocá-lo, acariciar sua pele, talvez fosse suficiente para satisfazê-la para que pudesse dormir. O braço dele foi mais rápido do que ela, e ele agarrou seu pulso. "O que você acha que está fazendo?", ele perguntou com a voz rouca. Alina ofegou, mas ela não se afastou. "Eu não queria acordar você", ela sussurrou. "Eu não estava dormindo. O que você estava tentando fazer?" "Tocar em você", ela admitiu. "Eu pensei que talvez se eu beijasse você onde você me beijou, você poderia gostar." Um grunhido baixo ressoou em seu peito, mas ele não a soltou. "E o que você acha que iria acontecer se eu gostasse?" "Pensei que você estivesse dormindo. Eu não pensei que você notaria." "Então, como você saberia se eu gostasse?" Droga. Franzindo a testa, Alina mordeu os lábios. Ela não tinha pensado nisso.


"Se você está curiosa, você poderia simplesmente perguntar", ele disse finalmente. Ela sabia que era uma conversa perigosa, mas não conseguiu evitar. "Onde você gosta de ser tocado?" Nikolai imediatamente soltou seu pulso. "Você deveria ir dormir, Alina", ele advertiu. De repente, Alina percebeu que ela tinha poder sobre ele. Isso a deixou ainda mais ousada, e ela se aproximou um pouco mais dele. "Onde você gosta de ser beijado?" Ela perguntou novamente. Inclinando-se sobre ele, ela deu um pequeno beijo no lóbulo de sua orelha. Seus cabelos caíram ao redor dele, e ela ouviu enquanto ele suspirou bruscamente. "Eu gostei quando você me beijou aqui", ela sussurrou. Ele não a impediu, então ela se moveu para baixo e beijou o pescoço. "Eu realmente gostei quando você me beijou aqui." Seu corpo inteiro estava tão imóvel que ela não sabia se ele ainda estava acordado, exceto que estava segurando o fôlego. Respirando fundo, ela desceu ainda mais por seu corpo. "Eu gostei demais quando você me lambeu aqui." Sua língua percorreu o seu mamilo, e ele explodiu em ação. Rolando-a para o lado, ele deitou sobre ela e afastou suas pernas com os joelhos. Apoiando contra sua vagina latejante, ele se moveu lentamente para cima e para baixo. Ela podia sentir sua ereção forçando contra ela, e ela gemeu. "Você é provocantemente quente", ele sussurrou roucamente. "Eu quero tanto te foder que nem consigo pensar direito." Inclinando-se, ele uniu sua boca à dela e ela o recebeu ansiosamente. Seus beijos a levaram a lugares que ela achava que não eram possíveis, e enquanto suas cabeças se moviam, ela envolveu suas pernas ao redor dele e se esfregou com mais força contra ele. Seu corpo estava pegando fogo, e ela sabia que só ele poderia apagá-lo. "Nossa", ele gemeu. Agarrando o quadril dela, ele o pressionou contra a cama. "Você não tem ideia de como você está me atormentando, mas eu não posso. Sua primeira vez deve ser especial. Você merece isso, e se você não parar de esfregar seu corpo contra o meu, eu vou


perder o controle." Ele não podia parar agora. Arfando, ela lutou para que ele deixasse ela voltar a se mover. "Por favor", ela implorou. "Por favor, não aguento mais". Inclinando-se, ele apoiou sua testa contra a dela. "Alina, você já teve um orgasmo? Já provocou um em si mesma?" Sem dizer nada, ela sacudiu a cabeça. Ela brincava consigo mesma de vez em quando, mas não conseguia ir até o fim. Era uma sensação estranha, e ela tinha medo do que poderia acontecer se ela continuasse. Ele a soltou e ela resmungou e se agarrou a ele. "Eu não vou a lugar nenhum", ele sussurrou. "Eu estou bem aqui. Apenas fique parada". Fazendo o que ele ordenou, ela mordeu o lábio inferior e esperou. Ele a segurou pela lateral do seu corpo e se inclinou para beijá-la novamente. Dessa vez, ele foi mais lento, mais quente, e muito mais perigoso. Sua mão segurou seu seio, e ele esfregou lentamente o polegar sobre o tecido que cobria seu mamilo. O desejo pulsou nela com um círculo cada vez mais lento e leve que ele fez, e tudo o que ela conseguiu fazer foi gemer. Seu corpo pertencia a ele. O calor entre suas pernas ficava cada vez maior, e ela retorceu o quadril, inquieta. Seu corpo se esfregou contra seu pênis, e ele gemeu. "Está gostoso, querida?" Ele sussurrou enquanto levantava a cabeça. Sem dizer nada, ela assentiu. Nunca tinha sentido nada melhor. "Então você vai amar isso". Seus lábios tomaram os dela de novo, e seus dedos roçaram levemente sua vagina. O contato era suave, mas a enlouqueceu. Erguendo o quadril, ela tentou desesperadamente fazê-lo tocá-la com mais força, mas ele se afastou e continuou com suas provocações. "Nikolai", ela gritou. "Por favor." "Paciência, Alina", disse ele com um sorriso. "Seu corpo foi feito para o prazer. Deixe-me desfrutar disso. Eu quero que você goteje de suor e desejo antes de eu fazer você gozar."


A esse ritmo, não demoraria muito. Ele se inclinou e passou a língua sobre seu mamilo, chupando o tecido em sua boca e passando os dentes sobre ela. Agarrando-se ao lençol, ela se moveu inquieta sob ele. Aquilo estava uma tortura. Se ele não a aliviasse logo, ela ia enlouquecer. "Da próxima vez, eu vou fazer isso em sua boceta", ele prometeu. Ele deslizou a mão por baixo da calcinha e passou um dedo pela abertura. "Em vez de meus dedos, será a minha língua. Vou lambê-la bem aqui até que você esteja implorando por mais, e então vou enfiar minha língua dentro de você. "Enquanto falava, seu dedo penetrou ligeiramente nela e se moveu para frente e para trás. Com cada gemido que ela soltava, ele afundava seu dedo mais fundo dentro dela. "Vou te foder com minha língua até que você não aguente mais, e então..." Ele tirou o dedo e olhou para ela na escuridão. Ela estremeceu ao lado dele e esperou. "Nikolai", ela sussurrou quando ele não se moveu. "Nikolai, por favor. Não aguento mais. Eu juro. Estou te implorando". "Eu vou circular minha língua sobre você assim", ele murmurou roucamente ao pressionar seu dedo contra seu clitóris. "E eu deslizarei meus dentes sobre você até você explodir." Não demorou muito. Ouvindo-o, imaginando-o entre suas pernas, sentindo seus dedos deslizarem sobre sua nuca sensível, ela chegou ao limite. Ele a esfregou com força e velocidade, mesmo quando seu corpo arqueou sobre a cama, e ela gritou enquanto chegava lá. "Não se esqueça", ele disse impetuosamente. "Não esqueça que isso é o que eu posso fazer com você. Só eu." Mal deu tempo de ouvir aquelas palavras. Ela estremeceu e tremeu quando as ondas de prazer intenso caíram sobre ela. Finalmente, ela chegou ao seu limite. Ela afundou contra a cama, exausta. Ele moveu sua mão gentilmente e a estendeu para tocar seus lábios. Bêbada de êxtase, ela deixou sua língua sair para sentir o gosto. O próprio gosto. "Nossa, Alina", ele gemeu. "Você acaba comigo." Ele retirou a mão e se sentou ao lado dela. Seu pau ainda pulsava contra ela, mas ele não fez nada a respeito. "E você?" Ela sussurrou no escuro.


"Vรก dormir, Alina", ele murmurou. Sentindo-se saciada e segura em seus braรงos, ela apagou. Naquela noite, nรฃo houve pesadelos.


Capítulo Treze Alina abriu os olhos e suspirou. Ela se sentia bem. Não se lembrava da última vez em que dormiu mais do que algumas horas seguidas, e ali estava ela, já sob a luz do dia. Alongando-se, ela se sentou na cama e bocejou. Olhando para baixo, ela percebeu que tinha um lençol enrolado no corpo. Percebendo que estava no quarto de Nikolai, as lembranças voltaram a inundá-la e ela ofegou. "Meu Deus", ela sussurrou. O que ela fez? Quem era aquela mulher implorando na cama na noite anterior? Saindo da cama lentamente, ela olhou para o banheiro e viu que a porta estava aberta. Nikolai não estava à vista. Parte dela estava aliviada por não ter que vê-lo, e parte dela se perguntou por que ele não ficou perto dela nem a acordou. Inundada de ansiedade, ela atravessou o banheiro e foi para o seu quarto, batendo a porta atrás dela. Só havia uma coisa a se fazer agora. Enfrentar aquilo como uma mulher. Recolhendo suas roupas, ela voltou para o banheiro e ligou o chuveiro. O banheiro do corredor era muito menor. Ela se sentiu engolida quando ela pisou debaixo da ducha. O lugar era grande o suficiente para três pessoas tomarem banho. Tentando não pensar em Nikolai tomando banho com outra pessoa, ela se limpou rapidamente. Toda vez que a esponja de banho tocava seu corpo, ela se lembrou de Nikolai a tocando. Frenética, ela terminou em tempo recorde e rapidamente se secou. Levando um pente ao seu cabelo, ela o enrolou, ainda molhado, e o prendeu em um coque desorganizado. Quanto mais cedo ela saísse do banheiro, melhor. Vestindo uma calça jeans e a camiseta mais larga que conseguiu encontrar, ela respirou fundo e correu rapidamente para o andar de baixo. Para a sua surpresa, Nikolai estava na mesa


do café da manhã. Ele olhou sua roupa com uma sobrancelha levantada, mas não comentou nada a respeito. "Eu ouvi o chuveiro”, ele explicou. "Eu pensei que você gostaria de tomar café da manhã. Iyanna manteve alguns ovos quentes para você". "Obrigada. Eu não pensei que você estaria aqui". As palavras saíram de sua boca antes que ela pudesse detê-las, e ela imediatamente franziu a testa. "Eu moro aqui", brincou ele. "Sente-se, Alina. Coma. Acho que você não fez uma refeição completa desde que chegou aqui, e minha proteção não servirá de nada se você morrer de fome". Seu estômago roncou, e ela percebeu que estava com fome. Acomodando-se na cadeira, ela pegou um garfo e começou. "Deve estar um belo dia lá fora. Fui informado de que você gosta de aproveitar o sol, então se você quer deitar lá fora um pouco, meus homens são instruídos a ficar de olho em você". "De roupa de banho?" Ela perguntou com uma carta. "Não", ele disparou. Alina franziu a testa, e ele imediatamente balançou a cabeça. "Desculpa. Nada de roupa de banho. Shorts, e um top, se você quiser. Mas por favor esteja vestida estiver na frente dos guardas." Aquilo era ciúme? "Você vai ficar aqui o dia todo?" "Não. Eu preciso sair um pouco, mas eu deveria estar de volta para o jantar. Alina..." Ele hesitou. "O que aconteceu na noite passada não pode acontecer novamente." De repente, a comida tinha gosto de papelão. Ela pegou o café e tentou engolir. Ele a observou, e fez o possível para manter a compostura. "Claro que não", ela disse finalmente. Nikolai não ofereceu uma explicação, tampouco ela. O silêncio ficou um pouco estranho, e ele finalmente se levantou. "Aproveite o dia", ele disse finalmente. "Ah, e mais uma coisa." Ele parou de falar, e ela levantou a cabeça e olhou para ele. Seu olhar se moveu para além dela, e ela se virou para encontrar Timur e Kristof de pé ali. Soltando um grito, ela saltou da


cadeira e rapidamente foi abraçá-los. "Onde diabos vocês dois estiveram?", ela perguntou. "Ninguém fala comigo aqui! É horrível." "Nossa, obrigado", Nikolai disse secamente. "Estou saindo. Não se esqueça que eles têm trabalho a fazer, por isso não os segure por muito tempo." Seu rosto estava quase bravo quando ele passou por eles, e ela deu de ombros. Nikolai era um homem difícil de entender. "Onde vocês estavam?" Ela perguntou novamente. "Senhorita?" Kristof brincou com um sorriso. "Não", ela bufou. "Sim. Nikolai é rigoroso". Timur franziu a testa. "É para a sua própria proteção, Alina. Não pense que não ouvimos falar sobre o que você fez. Nós ouvimos muito de Nikolai sobre o seu comportamento. No que você estava pensando?" "Eu não preciso de um sermão de vocês também", ela disse com um suspiro ao dar um passo para trás. "Vocês estavam procurando o assassino do papai?" Os dois homens trocaram olhares, e ela teve a resposta. "Encontraram ele?" "Não", Kristof disse com uma careta. "Não encontramos nada útil. Nem as autoridades. Não que eles sirvam para alguma coisa". "Então por que vocês ainda não estão procurando?" Ela exigiu. "Eu sei que eu os queria aqui, mas eu prefiro sair daqui o quanto antes, e eu não posso fazer isso a menos que quem fez isso esteja morto ou atrás das grades." "Morto?" Kristof perguntou com uma sobrancelha erguida. A palavra saiu sem que ela pensasse nisso, e ela apertou os lábios. Ela não era uma pessoa violenta, mas não tinha certeza de que ficaria tão chateada se o assassino de seu pai estivesse morto. "Que a justiça seja feita", ela finalmente disse. "Sério, eu sei que Nikolai só pediu que vocês


voltassem porque eu me queixei." "Nikolai não faz nada porque as pessoas se queixam", Timur disse ironicamente. "Se estamos de volta, então estamos de volta por uma razão." Timur provavelmente estava certo. Era ridículo pensar que Nikolai faria qualquer coisa só por ela. Bem, exceto na noite passada. Aquilo parecia ter sido só por ela. "Alina? Você está bem?" Ela percebeu que seu corpo inteiro estava corado e assentiu. "Estou bem. Vou me deitar ao sol um pouco". Ela lhes deu um sorriso grato e foi limpar o prato. A mãe de Iyanna olhou feio para ela enquanto lavava os pratos, mas ela não se importou. Se ela não fizesse algo para manter as mãos ocupadas, ela teria mais problemas. Foi tão bom passar algumas horas sob o sol que ela esqueceu do almoço completamente. Quando decidiu que era hora de entrar, já eram duas horas da tarde. Aliviada por ter escolhido um lugar que tinha ficado com mais sombra conforme o sol se movia através do céu, ela correu para dentro. Quando a hora do jantar chegou, ela estava praticamente dançando de alegria. Ela não podia acreditar no quão animada ela estava para ver Nikolai. Mesmo ele tendo deixado claro que não a tocaria novamente. Ela precisava se concentrar nisso e não agir como uma adolescente apaixonada feliz só porque ele sorriu para ela. Trocando sua camiseta por uma blusa que abraçava suas curvas, ela desceu com grandes expectativas. Iyanna era a única sentada à mesa. "Oi", ela disse com empolgação. "Há dias que não a vejo, e estou morrendo de vontade de lhe perguntar por que Nikolai lhe trouxe café da manhã no outro dia!" "Onde ele está?" Ela perguntou enquanto se sentava em sua cadeira. "Ele disse que estaria


aqui para o jantar". "Ele disse?" Iyanna sacudiu a cabeça. "Ele estava aqui cerca de uma hora atrás, mas então saiu novamente. Eu perguntei sobre o jantar, e ele disse que se tivesse sorte, ele só chegaria em casa bem tarde." Tivesse sorte? Alina sentiu seu coração apertar. Claro. Ela não esperava que ele fosse um santo só porque ele não podia estar com ela. Havia muitas mulheres mais experientes que não o fazem se sentir culpado. "Alina?" Iyanna perguntou, preocupada. "Você está bem?" "Eu não me sinto muito bem", ela murmurou. "Eu acho que vou pular o jantar e ir para a cama." "Mas você também perdeu o almoço. Quer que eu telefone para o Danik? Podemos chamar um médico". "Isso não é necessário." Ela deu um rápido sorriso para a amiga. "Acho que passei muito tempo ao sol. Tenho certeza que vou ficar bem de manhã. Obrigada pela companhia. Ah, e sobre o café da manhã. Ele só queria me lembrar por que estou aqui." "O que você quer dizer?" "Para ser protegida", disse Alina suavemente. "O que significa não fugir mais à noite." "É, aquilo não foi legal. Eu o ouvi gritar ao telefone quando Danik o ligou. Nunca vi o Sr. Sokolov perder a paciência daquele jeito". Claramente, Iyanna precisava estar com ela e Nikolai com mais frequência, já que ela o fazia reagir daquele jeito. Depois de pensar melhor, ela agarrou a garrafa de vinho e sua taça da mesa e subiu as escadas. Ela era fraca para essas coisas. Depois de meia garrafa, ela ficou sonolenta. Fechando a garrafa, ela a colocou sobre a mesa lateral e voltou para o seu sofá. O álcool não a ajudou a esquecer que Nikolai teria outra pessoa em seus braços naquela noite, mas a ajudou a dormir. Só que não afastou os pesadelos.


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Nikolai deixou o clube e entrou no carro, cansado. Ele foi pego de surpresa quando dois dos outros chefões da máfia quiseram falar com ele. Foi sua primeira reunião oficial, e ele percebeu que ele deveria ter convocado uma reunião logo após Yuri morrer. Em vez disso, ele tinha estado ocupado atrás do assassino. Mas a sorte estava ao seu lado. Eles não pareciam terrivelmente chateados. Em vez de terminar o encontro cedo e com raiva, eles jogaram baralho até bem depois da meia-noite. Nikolai não era bobo. Ele teve a chance de vencer algumas vezes, mas deixou pra lá. A paz entre as três famílias era importante, e ele não queria perturbar o equilíbrio. Eles falaram sobre território e dinheiro. Foi uma noite tranquila, mas ele não pôde deixar de sentir uma tensão estranha no ar. Foi só quando eles lhe deram um tapinha nas costas e comentaram sobre sua crueldade que ele entendeu. Eles achavam que ele matou Yuri. Seu motorista ligou o carro, e Nikolai ficou surpreso ao descobrir que seu guarda-costas habitual tinha desaparecido. Em vez disso, Timur estava sentado no banco de trás. "O que está acontecendo?" Nikolai resmungou. "Eu me senti um pouco inquieto. Pensei que deveria esticar minhas pernas. Espero que você não se importe com a troca", Timur disse com tranquilidade. Nikolai olhou para o homem, mas não pediu mais informações. Se havia uma coisa que ele sabia sobre Timur, era que o homem não dizia nada até estar pronto. Timur e Kristof nasceram dentro da máfia. Os pais e avôs de ambos tinham servido. No momento em que Nikolai entrou, os dois homens foram colados ao lado de Alina. "Você já se perguntou se Yuri cometeu um erro?" Nikolai perguntou curioso. "E que talvez ele devesse ter escolhido outra pessoa?"


"Se você está perguntando se eu estou com ciúmes, a resposta é não", Timur disse, com calma. "Eu não quero a responsabilidade que está sob os seus ombros nem por todo o dinheiro do mundo. Quase todos os homens sentem o mesmo. Confiávamos em Yuri Petrov, e confiamos na sua decisão de nomeá-lo." "Eu aprecio o gesto. Ainda assim, se eu não consigo controlar uma mulher, como conseguir controlar um território? "Ele murmurou sombriamente. Alina nunca saía de seus pensamentos. "É muito injusto comparar um território inteiro com Alina Petrov", disse Timur com um sorriso. "Ela já nos desafiava quando tinha dois anos de idade. Ela era um furação naquela época, e ela é um furação hoje." "Às vezes", concordou Nikolai. "E às vezes ela parece tão mal." "Ela não tem família". Nikolai virou bruscamente a cabeça. "Ela tem um tio". "De sangue, talvez, mas aquele homem não é sua família", exclamou Timur. "Bem, se ele não é sua família, mesmo que de sangue, então você provavelmente deve considerar você e Kristof sua família, embora não tenham o mesmo sangue." Timur não disse nada, e Nikolai não pôde deixar de pensar que isso dizia muito sobre o que ele estaria pensando. Mas ele simplesmente não sabia o que era. "Quem você acha que matou Yuri?" Nikolai perguntou de repente. "Você estava lá naquele dia. Certamente você tem suas suspeitas". "Estamos seguindo algumas pistas. Todos apontam para uma única pessoa", disse Timur suavemente. "E quem é?" "Você." Nikolai imediatamente congelou. Sua mão avançou para a arma escondida no lado da porta, e Timur bufou. "Se eu pensasse que você matou Yuri, Alina não estaria sob seu teto. Calma, Sokolov".


Nikolai relaxou e esperou que Timur continuasse, mas o guarda não disse mais nada. Qualquer que fosse a razão de Timur estar no carro com ele, não era para falar. No momento em que o carro chegou na casa, ele estava quase caindo de sono. Afrouxando os botões de sua camisa, ele subiu as escadas de dois em dois degraus até o seu quarto. Abrindo a porta quietamente, ele manteve as luzes apagadas para que ele não a perturbasse. Quando ele se arrastou para a cama, percebeu que Alina não estava lá. Irritado, ele contemplou deixar isso pra lá, mas ele sabia que ela provavelmente estava naquele maldito sofá desconfortável novamente. Com um rosnado, ele se afastou da cama e abriu a porta do quarto dela. Ela estava no sofá. E no meio de um pesadelo. Recolhendo-a cuidadosamente em seus braços, ele a levou até sua cama. Quando ela deitou em seu colchão, seus gritos pararam, e ela se acalmou. Ele pensou em despi-la para que ela se sentisse mais confortável, mas ele não queria acordá-la. Deslizando na cama atrás dela, ele a abraçou e beijou suavemente sua bochecha. Ao deitar para dormir, ele não pôde deixar de pensar sobre a garrafa de vinho que estava sobre a mesa.


Capítulo Quatorze Ela estava no quarto de Nikolai. Mais uma vez. Como diabos isso aconteceu? Confusa, ela saiu da cama e afastou os cabelos dos olhos. Ela ainda estava completamente vestida, e era óbvio pelo estado da cama que Nikolai tinha estado nela em algum momento. Ela andou por conta própria? Havia alguma outra explicação? "Bom trabalho, Alina", ela murmurou para si mesma. "Que forma de piorar a situação." Olhando para o relógio ao lado da cama, ela ofegou quando percebeu que era quase meio-dia. Ela nunca dormia até tão tarde. Ainda mais irritada consigo mesma, ela tirou a blusa amassada que tinha usado para o jantar e pegou outra camiseta. Não importava. Não havia como Nikolai estar ali. Na esperança de encontrar algum tipo de almoço, ela correu para a cozinha e olhou em volta para qualquer sinal de Nikolai. Não havia nenhum. De fato, o dia inteiro passou sem que ela o visse. Ela leu um pouco, mas na maioria das vezes apenas andou de um lado para o outro, frustrada. No fundo, ela sabia que ele tinha muita coisa para fazer, mas não podia deixar de se preocupar que ele a estava evitando. Depois de comer o jantar sozinha, ela limpou tudo e começou a andar pelo corredor quando ouviu vozes vindas do escritório de Nikolai. Seu peito apertou quando ela percebeu que ele tinha voltado, e ela se aproximou para ver se conseguia ouvi-lo. A porta estava fechada, mas a conversa escapava pelas frestas. "Eles acham que têm uma pista sobre a arma", disse Kristof em voz baixa. "É um trinta e oito, e as balas correspondem a outro crime de dois anos atrás." Seus olhos se arregalaram e ela atravessou a porta. "Eles têm alguém preso?" Ela exigiu. "Alina", Nikolai disse calmamente. "Você nunca deve entrar neste escritório sem permissão. Você deve bater."


"Dane-se", ela rosnou. Concentrando-se em Kristof, ela perguntou novamente. "Eles têm alguém preso?" Ele lançou um olhar inquieto para Nikolai, e Nikolai acenou com a mão. "Desculpe, Alina", murmurou Kristof quando saiu do escritório. Irritada, ela foi para cima dela. "Eu sou a filha dele. Eu não deveria estar recebendo essas informações em segunda mão! A polícia deveria estar falando comigo, não com você!" "E se as autoridades estivessem divulgando essas informações, tenho certeza que você seria a primeira a saber", disse ele com a voz serena. "Que diabos isso significa? Eles estão escondendo informações?" "Gostando disso ou não, você e eu ainda somos suspeitos. Eles não vão nos dizer nada. Eu deixei Kristof e Timur de olho em tudo. Eles vêm trazendo informações para mim, e antes que você pergunte, não. Não há mais nada de relevante". "Bem, o que isso significa? Eles sabem quem fez isso?" "Se eles podem ligar isso a outro crime, e parece que eles podem, então eles provavelmente têm um suspeito." Suas palavras foram cuidadosas, e ela estreitou os olhos. "Você sabe mais do que você está me dizendo", ela o acusou. "Por quê?" "Não quero que você se envolva". "Já estou envolvida!" "Não, dessa forma você não está", ele disse suavemente. "Deixe-os fazer o seu trabalho. Deixe-me fazer o meu trabalho. Eu prometo que vou encontrá-lo." "Apesar do que você possa pensar, eu conheço meu pai. Conheço os homens ao redor do meu pai. Prestei melhor atenção do que você pensa. Eu poderia ajudar. Você tem que me deixar ajudar", ela implorou. Ela precisava estar envolvida. Ela precisava se sentir útil. "Não". A palavra foi brusca e final. Endireitando-se o máximo que pôde, ela o encarou. "Você quer uma transição perfeita para o chefe desta organização? Você tem que me proteger. Posso tornar isso muito difícil para você".


Ele a olhou com incredulidade. "Você está me ameaçando?" "Eu não gosto de ser controlada. Eu não gosto de ficar de fora. E eu com certeza não vou me sentar enquanto você faz as duas coisas. Eu estou saindo." Virando-se, ela fugiu do escritório. Ela podia ouvi-lo chamando seu nome, mas ela não se virou. Ele estava deliberadamente escondendo alguma coisa dela, e se ele pensava que ela ia ficar parada enquanto ele a mantinha afastada da verdade, ele estava muito enganado. Ele se moveu tão silenciosamente que ela nem sequer o ouviu. Quando ela pôs o pé no degrau superior, ele apareceu ao seu lado. Antes que ela percebesse, ele a agarrou pelo pulso e puxou-a para seu quarto. Fechando a porta, ele surgiu em sua frente com fogo em seus olhos. "Você nunca deve me ameaçar assim! Você me entendeu? "Ele rugiu. "Não foi uma ameaça", ela retrucou. "Eu estou saindo. Você não fez nada além de me controlar desde o dia em que cheguei aqui. Tentei seguir suas regras porque você estava me protegendo, mas agora você está tentando me impedir de investigar o assassinato de meu pai. Essa é a última gota, Nikolai. Você tem alguma ideia do quanto me machuca saber que seu assassino ainda está lá fora?" "Eu sei", ele disparou. "Eu sei muito bem o que isso está fazendo com você. Você mal come. Você mal dorme, e quando você consegue, você tem pesadelos sobre isso. Eu deveria saber porque você só se acalma quando está na minha cama." O coração dela disparou enquanto ela olhava para ele. "Tenho certeza de que é uma grande inconveniência para você", disse ela friamente. "Só para deixar claro, eu nem me lembro de ter entrado em sua cama na noite passada, mas posso garantir que isso não vai acontecer novamente, porque eu não pretendo estar perto de você esta noite." "Você deve ser a mulher mais teimosa que eu já conheci", ele rosnou. "Não é um inconveniente para mim, e você não veio para a minha cama ontem à noite. Eu a carreguei até lá". Ele fez o quê? Sua boca se abriu para responder, mas nenhum som saiu. "E você não vai a lugar nenhum. Você pode gritar e gritar e ameaçar o quanto quiser, mas


você não vai durar um dia fora da minha proteção. Deus sabe que eu quero estrangulá-la, mas eu não poderia viver em paz se algo acontecesse com você. Você entende isso? Isso não tem nada a ver com a máfia". Alina não entendeu. Engolindo com dificuldade, ela tentou não mostrar o quanto estava tremendo. "Deixe-me ajudar", ela sussurrou. "Não." Sua voz foi dura e definitiva. "É muito perigoso, Alina. Você não está me ouvindo? Eu não arriscaria você por nada." Ela abriu a boca novamente, mas as palavras não saíram. Antes que ela pudesse até mesmo piscar, ele a puxou rudemente em seus braços e a beijou com força, engolindo qualquer argumento que ela pudesse ter. Seu calor a incendiou, e ela gemeu impotente contra ele enquanto suas mãos percorriam o seu corpo. Plantando as mãos em sua bunda, ele a ergueu, e ela envolveu suas pernas em torno de seu quadril. Mesmo através de sua calça, sua ereção era evidente, e ela se esfregou contra ele. Afastando sua boca da dela, ele lambeu um caminho de sua orelha até a curva de seu pescoço e os levou até a cama. Eles caíram juntos, e ele gemeu enquanto suas mãos imediatamente passavam sob sua camiseta e a levantavam. Não havia uma única dúvida em sua mente quando ela o deixou puxar e abrir seu sutiã. "Nikolai", murmurou ela. "Calma, Alina", disse ele. "Eu não vou te machucar, mas eu preciso senti-la. Eu não consigo tirar você da minha cabeça. Não importa o que eu faça, não importa onde eu esteja, eu só consigo pensar em você." Ela sentiu as mãos dele em suas calças, mas sua língua estava esfregando contra o seu mamilo, e ela só podia se concentrar no prazer que fluía através dela crescia cada vez mais. Erguendo o quadril, ela o deixou deslizar a caça por sua perna, e assim que ela estava livre, ela envolveu suas pernas ao redor dele novamente e esfregou sua boceta contra ele. "Meu Deus", ele murmurou. "Você não tem ideia do quanto você me deixa louco, não é? Se


fizesse isso, você pararia. Você não... porra!" Ele respirou fundo quando ela apertou suas pernas ao redor dele e se moveu contra ele. Ela não tinha outro pensamento além do doce prazer que só o seu corpo podia trazer a ela. "Querida, você tem que parar antes que eu passe vergonha", ele murmurou ao se levantar e se afastar dela. "Eu prometo que vou fazer você gozar, mas se você continuar brincando comigo desse jeito, eu vou perder todo o controle." "Talvez seja o que eu quero." Mordendo seu lábio inferior, ela deixou que ele separasse suas pernas. Alina baixou os braços por cima da cabeça e se contorceu inquieta contra o colchão enquanto seu olhar a observava. Ele nem precisava tocá-la para fazê-la derreter. Era ridículo o efeito que ele tinha sobre ela. "Você é boa demais para mim", disse ele em voz baixa. Inclinando-se, ele deixou que um dedo deslizasse por seus lábios, descendo até o pescoço, o mamilo sensível e a barriga. Quanto mais se aproximava de sua calcinha encharcada, mais difícil era para ela respirar. "Você se lembra do que eu disse que faria com você da próxima vez?" Um sorriso safado se espalhou por seu rosto, e ela ficou vermelha só de pensar nisso. Sem dizer nada, ela assentiu. "Que bom. Você vai ter que me dizer porque eu não me lembro", ele brincou enquanto passava o dedo pela borda de sua calcinha. Ela queria sua boca. Ela precisava, mas um olhar nos olhos dele lhe disse que ele não ia dar isso a ela a menos que ela pedisse. "Você disse que me lamberia." Sua voz era pouco mais audível que um sussurro. "Onde? Onde eu disse que eu te lamberia?" Fechando os olhos, ela teve que lutar contra o desejo de gritar com ele. "Na minha abertura. Você tinha seus dedos na minha abertura, e você disse que me lamberia até eu implorar por mais. Então…" "Então o quê, Alina?"


Jesus. "Você disse que em vez de seus dedos, você me foderia com sua língua até que eu não pudesse aguentar mais." "Abra seus olhos, Alina. Nunca se envergonhe do que você quer", ordenou ele com a voz rouca. Incapaz de negá-lo, ela abriu os olhos e ofegou quando viu a intensidade de seu olhar. "Boa garota. E então eu disse a você que eu passaria meus dentes neste ponto aqui até que você se desmanchasse toda " Seu leve toque se moveu sobre seu clitóris, e ela imediatamente se arqueou para aumentar a pressão, mas ele afastou o dedo. "É isso que você quer que eu faça, Alina?" "Sim". A palavra estava fora de sua boca antes mesmo que ela percebesse, sem rastro de hesitação. Seus dedos agarrou o tecido de sua calcinha e ele a puxou para baixo. Quando seus joelhos caíram sobre seus ombros, ele mergulhou sua cabeça e lentamente correu sua língua sobre ela. "Oh!" Ela nunca deixaria um homem tocá-la lá em baixo antes de Nikolai, muito menos beijála tão intimamente, mas não havia nada de errado no que ele estava fazendo com ela. Seu coração batia tão rápido que ela pensou que ela teria um ataque cardíaco. Pelo menos se ela morresse naquele momento, ela morreria feliz. "Você está tão molhada", ele chiou. "Não vai demorar muito, não é? Da próxima vez. Da próxima vez, iremos mais devagar. Eu poderia passar o dia inteiro entre as suas pernas." "Por favor", ela gemeu. "Oh, por favor, você precisa terminar." Deslizando a língua dentro dela, ele a excitou cada vez mais até que seus gemidos eram tão altos que ela pensou que toda a casa provavelmente poderia ouvi-la. Ainda assim, ele recuava sempre que ela pensava que seu clímax estava próximo, atormentando-a até finalmente chupar seu clitóris com tudo. O orgasmo a atingiu com tanta força que, quando seu quadril se arqueou e seus calcanhares cravaram nas costas dele, ela pensou que fosse apagar. "Alina", ele sussurrou quando ela finalmente voltou a si. "Eu adoro quando você goza." Ele deslizou seu corpo para beijá-la, e ela pôde provar seus próprios sucos em sua língua. "Eu quero


sentir você estremecer assim no meu pau." "Então faça isso." Seu corpo inteiro congelou, e seus olhos arderam nos dela. "Você não sabe o que está pedindo". Nunca em seus sonhos mais loucos ela pensou que teria coragem de pedir por isso, mas ela achou que não conseguiria passar outra noite se perguntando o que sentiria quando ele estivesse dentro dela. "Seus dedos e sua boca são inacreditáveis, mas eu quero sentir você dentro de mim, Nikolai. Por favor." Ele rolou de cima dela imediatamente, mas ela não estava prestes a deixá-lo sair. Rolando com ele, ela o montou e lentamente abaixou seu corpo nu em cima dele. Enquanto seus dedos se aproximavam do botão do jeans, ele respirou bruscamente. Levantando o quadril que ela pudesse tirar sua calça, ele a pressionou, e ela ofegou quando seu corpo respondeu a ele novamente. Ela ficou espantada de como poderia estar tão pronta para continuar logo após o orgasmo que ele tinha acabado de dar a ela. Quando ele finalmente estava nu, ela estendeu a mão e o pegou gentilmente. Observando seu rosto com cuidado para ver o que ele gostava e o que ele não gostava, ela estava muito consciente de sua inexperiência. "Alina", ele grunhiu. Pensando que ela o havia machucado, ela rapidamente tirou sua mão. "Desculpe", ela sussurrou. Talvez isso tenha sido uma má ideia. Ele provavelmente precisava de alguém melhor para lhe dar prazer. "Não se desculpe." Ele agarrou seu quadril e rolou sobre ela. "Se você continuar me pegando assim, eu vou terminar em questão de segundos. Deus, eu estou prestes a entrar em você." "Sim, Nikolai". Ternamente, ele estendeu a mão e acariciou sua bochecha. "Eu amo que você queira me agradar, mas há outras maneiras que não envolvem tirar sua virgindade. Você deve perdê-la com


alguém que não seja tão desgraçado." "Você é um desgraçado", ela concordou com um pequeno sorriso. "Mas depois de experimentar o que você pode fazer com o meu corpo, tenho a sensação de que qualquer outra pessoa não teria graça nenhuma." Um olhar estranho atravessou o seu rosto, e ele se abaixou e a beijou. Ao contrário de antes, quando eram conduzidos por uma paixão irritada, dessa vez era tudo lento e doce. Não era menos eficaz. Um calor lento se espalhou por todo o corpo, seguido por uma dor muito familiar. Ele continuou a seguir lentamente em direção à sua boca, com suas línguas se enroscando por alguns minutos. "Nikolai?" Ela perguntou suavemente quando ele levantou a cabeça. "Você não precisa me seduzir. Eu quero você." "Deus, como você é doce", ele grunhiu. "E tão inocente. Não é uma sedução para persuadir você, Alina. É uma sedução para te preparar para mim. Eu ardo tanto por você que posso te machucar. Se é comigo que você quer, você vai ter que fazer do meu jeito." Muda, ela assentiu. Era estranho o quanto ela confiava nele. Eles brigaram amargamente até ela ter vontade de gritar, mas quando tratava de protegê-la, ela não conseguia pensar em alguém com quem ela preferiria estar. Ele protegeria seu corpo dos perigos. Vagamente, ela se perguntou se ele iria proteger seu coração também. Enquanto ele continuava a beijá-la, acariciando lentamente cada centímetro de sua pele, ela afastou o pensamento ultrajante. Isso não tinha nada a ver com o amor e tudo a ver com o desejo. Nikolai podia ensiná-la, agradá-la, e quando chegasse a hora de ela partir, ela iria embora como uma mulher satisfeita. Ele não era o tipo de homem pelo qual as mulheres se apaixonavam. Ele nunca retribuiria seu amor. Os pensamentos quase se dissiparam quando seus dedos se moveram entre suas pernas. Com beijos quentes em seu pescoço e ombros, ela gemeu e implorou por coisas que ela nunca tinha sentido antes. Ela precisava dele dentro dela—devagar e suave, rápido e com força, ela queria


tudo. Cada posição. "Deus, você torna difícil para um homem ir devagar", ele rosnou, sua voz falhando um pouco. Ela passou os dedos em seu cabelo e engoliu seco. "Estou pronta." Com um contato visual direto, ele se moveu, posicionou-se em sua abertura. "Isso pode doer um pouco", ele sussurrou. "Eu não quero te machucar, mas eu não quero prolongar sua espera." Ela estava prestes a perguntar o que ele quis dizer quando mergulhou fundo. A dor a chocou e ela cravou seus dedos em suas costas e enterrou o rosto em seu pescoço para abafar o grito. "Eu sinto muito. Eu sinto muito", ele gemeu quando parou sobre ela. "Apenas dê um minuto para seu corpo se ajustar." Alina se concentrou no peso sobre ela, e só levou alguns segundos para que a dor aguda retornasse àquele delicioso desejo pulsante dentro dela. Experimentalmente, ela começou a torcer o quadril. "Alina", ele resmungou. "Pare de se mover." "Por quê?" Ela perguntou com um sorriso provocante. "É bom quando eu me movo." Ela se arqueou contra ele e ofegou quando ele tirou um pouco para fora. "Desculpe," ele disse rapidamente ao parar outra vez. "Não pare", ela sussurrou. "Eu não estou machucada. Eu simplesmente não sabia que seria assim." "Assim como?" "Você está dentro de mim, Nikolai. Isso é incrível." "Vai ficar melhor, minha querida", ele prometeu e começou a se mover. Seus movimentos eram lentos e constantes, e ela poderia dizer que ele precisou de todo o controle para não destruí-la. Ela queria dizer a ele que ele poderia ir tão rápido e forte quanto quisesse, mas ela sentiu que isso era importante para ele. Envolvendo as pernas ao redor dele, ela fechou os olhos e começou a


se perder nas sensações. Um ponto dentro dela a fazia estremecer sempre que ele deslizava sobre ele. Era diferente do prazer do clitóris, mais sensual, mas não menos eficaz. Não demorou muito para que ela estivesse coberta de suor e ofegante com cada movimento. "Nikolai, eu vou gozar de novo", ela gritou em doce agonia. Ela estava tão perto, bem no ápice, mas estava com medo de ir além disso. Porque então chegaria ao fim, e ela não tinha ideia de que pudesse sentir aquilo novamente. "Solte-se, Alina", ele sussurrou roucamente. "Eu te entendo. Eu estou bem aqui". "Eu não posso. Porque senão já vai acabar". A verdade escapou dela, e ela fechou os olhos, entre o prazer de seu corpo e o constrangimento de sua confissão. "Já vai acabar por agora, mas se você acha que eu vou ser capaz de manter minhas mãos longe de você, você está errada. Você me transformou em um monstro, Alina. Eu vou lutar até meu último suspiro para mantê-la perto de mim." Com essas palavras, ele empurrou profundamente dentro dela, e ela perdeu todo controle. O orgasmo foi longo e seu corpo estava tenso e apertado ao redor dele. Ela mal estava consciente de que ele gritou seu nome uma e outra vez enquanto seu próprio orgasmo se aproximava, ancorando-se nela, e gritando ao liberar seu esperma dentro dela.


Capítulo Quinze Um corpo quente se aconchegou nele, e ele automaticamente estendeu a mão e puxou a mulher para mais perto. Ela cheirava a lavanda e baunilha, e ele enterrou a cabeça em seus cabelos e se deliciou em sua maciez. "Nikolai". A voz sussurrada penetrou a névoa de seu sono, e ele soube imediatamente quem ele segurava em seus braços. As memórias de seu corpo, arqueando sob o seu, implorando-lhe por mais, e ele instantaneamente ficou excitado. Deus. Ele tinha tomado a virgindade de Alina ontem à noite. Se Yuri ainda estivesse entre eles, Nikolai seria esfolado vivo. Não importava. A compreensão do que tinha feito o doía mais do que qualquer coisa que seu pai sonharia em fazer com ele. Ela rolou em seus braços e sorriu sonolenta para ele. Ela tinha o rosto de um anjo, mas um corpo pecaminoso, e ele queria desesperadamente se afundar nela novamente. Mas ele sabia que ela provavelmente estava dolorida. "Bom dia", ele disse suavemente enquanto se inclinava e beijava sua testa. "Você me odeia?" A surpresa em seus olhos elevou seu espírito. "Por que eu iria odiá-lo?" Ela perguntou quando estendeu a mão e tocou o seu rosto. "Ontem à noite foi maravilhoso. Já posso ver que você está pronto para uma repetição." Safadinha provocadora. "Tenho a sensação de que sempre estarei pronto para você, mas você não está. Você está com dor?" "Um pouco dolorida", ela admitiu. "Mas é um tipo bom de dor. Estou surpresa que você ainda esteja aqui". "E por que isso?" "Você escapou nas últimas noites".


"Eu costumo levantar cedo, mas minhas fugas tinham mais a ver com não querer ser tentado do que evitar você." Ela parecia tão sexy na parte da manhã com seus cabelos desgrenhados. Ele imediatamente decidiu que usar nada além de seu lençol era um excelente visual para ela. Inclinando-se, ele se permitiu um beijo longo e sedutor, mas antes que ela pudesse tentá-lo a ir mais longe, ele recuou. "Não pense que eu esqueci da nossa briga ontem à noite", ela disse suavemente enquanto sorria para ele. "Eu sei que você quer me proteger, mas eu tenho que sentir que estou fazendo algo para ajudar. Sinto que perdi todo o controle da minha vida e odeio isso". Com um suspiro, ele refletiu sobre o que ela disse. Se as coisas fossem do jeito dele, ela não ficaria próxima da investigação. Se ela descobrisse que a polícia tinha evidências que o envolviam no assassinato de seu pai, ela nunca mais voltaria a falar com ele, e ele não achava que ele pudesse lidar com o ódio que ele veria em seus olhos. E se ela soubesse o que ele tinha feito no passado... Ela poderia ser capaz de perdoar seu pai por sua violência, mas ela estava tentando fugir dela. Alina não escolheria continuar nesta vida. Uma vida com ele. "Nikolai?" Um dia de cada vez. Ele nunca se preocupou com o futuro antes. Agora não era o melhor momento para começar. "Eu não posso deixar você investigar sozinha, Alina. É muito perigoso. Mas vou fazer o meu melhor para mantê-la por dentro de tudo. Você está familiarizada com os mais próximos de seu pai, e eu me assegurarei de avisá-la se você puder fazer qualquer coisa para ajudar." Segurando a respiração, ele esperava que ela o pressionasse por mais, mas ela apenas balançou a cabeça. "Agradeço por isso, Nikolai. Isso é tudo que eu queria para começar." Um sentimento desconhecido se instalou dentro dele. A única palavra que ele poderia usar para descrever isso era pavor. Ele a tinha mantido à distância, temendo que ele a tivesse ferido, e


agora percebia que as coisas estavam piorando. Ele iria machucá-la. Não havia maneira de fugir disso. Acariciando seu ombro, ele franziu a testa para uma grande cicatriz. "O que aconteceu aqui?" "Fui baleada", disse ela com naturalidade. "O quê?" A raiva de que alguém tinha chegado perto o suficiente para atirar nela o atordoou. "Foi há muito tempo, e a bala apenas pegou de raspão. Sinceramente, não penso muito nisso, e papai nunca falou sobre isso. Eu era muito jovem, só me lembro de receber muita atenção no hospital." Baleada quando criança. Nikolai não conseguia sequer imaginar como seria criar uma criança em seu mundo. "Eu estarei fora hoje durante a maior parte do dia. Não tenho certeza de quando voltarei. Ele tomou cuidado para não olhar para ela, mas ela o chamou. "Eu sei que você tem muito a fazer, e eu não vou dar um ataque porque você não passa muito tempo comigo, mas Nikolai, você não vai ficar estranho por causa disso." Ele não pôde deixar de sorrir. "Não vou?" Ele perguntou com uma sobrancelha levantada. Ela parecia mandona, mas tudo mudou quando o lençol caiu e expôs seus seios. "Não. Você não vai. Eu gostei da noite passada, e eu gostaria de continuar gostando. Eu não vou sair para lugar algum mesmo, e você não pode me evitar o tempo todo. Eu sei que você não quer um relacionamento, e eu não vou pressioná-lo para isso." Franzindo a testa, ele cruzou os braços. "Então você quer um relacionamento sexual casual enquanto você estiver aqui porque é conveniente?" "Eu não disse isso", ela retrucou. "Jesus, a maioria dos homens vibraria por uma chance de sexo sem compromisso. Só estou dizendo que você não precisa se preocupar achando que tudo isso é mais do que realmente é. Eu não acho que seja grande coisa você ter tirado a minha


virgindade, e eu não quero que você disso uma grande coisa também." Irritado, ele estreitou os olhos. "Eu não sou um brinquedo para você, Alina." "Eu não estou dizendo isso! Só estou dizendo que você não precisa se preocupar comigo!" Mas ele tinha que se preocupar com ela. Ela estava em um perigo enorme. Ainda assim, ele não enfatizou isso. "Se eu voltar a tempo, podemos falar sobre isso hoje à noite. Conversas na manhã após o sexo raramente acabam bem. Tenho um compromisso para o jantar esta noite, e não sei quanto tempo vai durar". "Um compromisso no jantar?" Sua voz estava cheia de ciúmes. "Com quem?" "Um compromisso no jantar", ele enfatizou. "Só de negócios." Ele notou que ela queria dizer algo mais, mas manteve a boca fechada e olhou para ele friamente. Não era assim que ele queria acabar com as coisas. "Eu vou tomar um banho", ele disse em uma voz neutra. "Você é bem-vinda para me acompanhar." Sem lhe dar uma chance de responder, ele se afastou e fechou a porta atrás dele. Depois de alguns minutos ensaboando seu corpo sob a água quente, ele sentiu suas mãos tentando tocá-lo. Eles encontraram todos os tipos de prazer para dar um ao outro, além de apenas sexo, e quando eles tinham acabado, ele estava ficando muito, muito atrasado.

***

Alina se sentia diferente. Iyanna, Danik, Timur e Kristof se juntaram a ela para o café da manhã, e mesmo que eles brincassem e falassem, ela não podia deixar de sentir que estavam olhando para ela de forma diferente. Ela era uma mulher. Não foi porque ela perdeu a virgindade. Se isso fosse o que definia a diferença entre a infância e a vida adulta, não haveria necessidade para todos aqueles anos estranhos de


adolescência. Não. Ela era uma mulher porque Nikolai a tratou como uma. Ele não era um garoto dirigido por hormônios procurando transar sempre que pudesse. Ele era um homem que tinha exercido uma enorme quantidade de controle com ela, deu prazer a ela, e a deixou escolher quando estava pronta. "Alina? Você está bem?" Trazendo seus pensamentos de volta ao presente, Alina deu a Iyanna um pequeno sorriso. "Desculpa. Estou bem. Dormir tarde sempre faz com que seja difícil para eu acordar e ficar alerta." "Nem me fale. Se você tivesse esperado mais, eu teria que comer sem você. Eu estava morrendo de fome!" Alina riu, mas Kristof olhou para ela com uma expressão estranha. Meu Deus, será que ele podia notar? O calor enrubesceu seu corpo, e ela se esforçou para encontrar uma maneira de mudar de assunto sobre a razão de seu atraso. Depois do café da manhã, ela ajudou com os pratos. A mãe de Iyanna não disse nada, mas pelo menos ela parou de olhar. Ela era uma feroz protetora de seu domínio, mas Alina tinha deixado claro que ela iria fazer o que quisesse. "Alina". A voz grave de Kristof a interrompeu, e ela congelou. Ela reconheceu aquele tom de voz. Ele a usou quando ela era adolescente e tentou fugir para uma festa, e ele a usou quando ela estava na faculdade e começou a berrar quando seu pai tentou nomear seus guardas. "Sim?" Ela continuou a limpar o prato sem se virar. Naquele ponto, ele já estava mais do que limpo, mas ela precisava algo para ocupar suas mãos. "Contaram que você passa muito tempo com Nikolai". Droga. A casa estava começando a fofocar. Virando a cabeça, ela lhe deu uma encarada. "Eu estou morando em sua casa. Você prefere que eu o ignore?" "Preferia que você não passasse as noites em sua cama".


Ela não esperava que ele fosse tão brusco. Fechando a torneira lentamente, ela secou o prato e se virou para encará-lo. "Kristof, eu sou uma adulta. Além disso, você não trabalha mais para o meu pai. Você trabalha para Nikolai. Isso significa que seus assuntos pessoais e meus assuntos pessoais não são da sua conta". Um olhar de dor surgiu em seu rosto. "Meu erro. Eu pensei que fôssemos mais próximos do que isso." A culpa se instalou enquanto o homem que a vigiou durante anos se virou e se afastou. Maldição, Kristof só estava tentando protegê-la, e ela tinha automaticamente agido na defensiva. "Kristof, espere", ela gritou enquanto corria até ele. Ele parou em silêncio no corredor. "Eu sinto muito." "Eu também deveria me desculpar. Acho que uma parte de mim sempre te verá como uma criança de trancinhas". Alina torceu o nariz. "Kristof, você nunca me viu de trancinhas." Um sorriso irônico cruzou seu rosto. "É verdade, mas você entendeu o que eu quis dizer. Você é uma adulta, e você sabe o que faz, mas como um amigo, eu quero que você tenha cuidado. Eu sei que você não teve muita experiência com homens, e eu não acho que você esteja pronta para alguém como Nikolai. Você merece ser mimada e amada, e esse homem tem trabalho suficiente para três homens. E ele é perigoso". "Como você sabe que eu não tive muita experiência com homens?" Ela perguntou com uma careta. "Talvez eu realmente tenha me divertido na faculdade." "Eu li os relatórios." Assim que as palavras saíram de sua boca, seus olhos se arregalaram e ela paralisou. Alina estreitou os olhos. "Com licença? Que relatórios?" "Ah, Alina. Isso foi há alguns anos". A verdade do que ele não disse foi alta e clara, e ela ofegou. "Papai fez me seguirem na faculdade? Por quanto tempo?"


Kristof não disse nada no início, e ela perguntou novamente. Finalmente, ele suspirou. "Você não pensou que a filha de um chefão da máfia iria simplesmente vagar pelo campus desprotegida, não é? Os inimigos de seu pai teriam matado você em um estalar de dedos." "Ele prometeu", ela sussurrou. "Sua segurança era mais importante do que sua promessa para você." "Por quanto tempo?" Ele baixou os olhos, e ela quase gritou. "Todos os quatro anos? Como isso é possível? Eu nunca tive a menor ideia de que eu estava sendo seguida, e eu sempre fui muito boa em identificar vocês." Kristof encolheu os ombros. "Timur e eu queríamos o emprego, mas seu pai sabia que você nos reconheceria. Nikolai observou seu primeiro ano e, em seguida, o trabalho foi atribuído a contratados de fora. Eles eram muito bons no que faziam." Alina mal ouviu a última parte. "Nikolai?" Ela perguntou enquanto engoliu seco. "Nikolai me seguiu no primeiro ano?" Sua cabeça girou. Deus, o que ele tinha visto? Por que não disse nada? "Acho que acabei de provar o meu argumento", disse Kristof suavemente. "Nikolai é um homem com muitos segredos. Por favor, não faça nada para se machucar, Alina". A fúria aumentou dentro dela enquanto ele se afastava. Sozinha no escritório, ela tentou recuperar o fôlego. Mesmo agora, ela sabia quais seriam suas desculpas". Seu pai ordenou. Ele nem sequer a conhecia. Era apenas um trabalho. Nada mais. Mas por que ele não disse a ela? Com um grunhido feroz, ela caminhou pelo corredor até seu escritório. Se ele tinha segredos, ela descobriria todos, cada um deles. A fechadura da porta do escritório não a impediu. Ela entrava em quartos trancados desde que era uma criança. Era fácil para uma garota aprender algumas coisas quando vivia cercada por criminosos.


Não, princesa. Há algumas coisas que eu não vou te ensinar. Trata-se de se defender, não entrar em mais problemas. Agora se prepare para a escola antes que você se atrase novamente. Eu posso ser o chefe da máfia, mas a diretora da sua escola é aterrorizante. Arrancando grampo de seus cabelos, ela o retorceu e seguiu em frente. Ela estava destreinada, e levou mais de um minuto para ouvir o clique satisfatório da fechadura. Olhando ao redor para se certificar de que ainda estava sozinha, ela girou a maçaneta e entrou. Seu escritório era muito parecido com o resto de sua casa. Pouco decorado, impessoal, mas não parecia ter nada for a do lugar. Que bom. Isso significava que deveria ser fácil encontrar o que ela precisava. Sentada em sua mesa, ela puxou a primeira gaveta e descobriu que estava trancada. Irritada, ela tentou o resto das gavetas com o mesmo resultado. "Desconfiado desgraçado, não é?" "Por uma boa razão". Ao som da voz de Nikolai, Alina ofegou. Levantou lentamente a cabeça para encontrar seu olhar irado. "Espero que você tenha uma excelente razão para invadir meu escritório". "Eu pensei que você fosse ficar for a o dia inteiro", ela murmurou ao colocar uma mecha de cabelo atrás da orelha. Ela provavelmente deveria ter começado com um pedido de desculpas, mas ela queria ouvir um dele primeiro. "Essa é sua razão para invadir meu escritório? Porque achou que eu ficaria for a o dia todo?" Ele ergueu uma sobrancelha, e se apoiou contra a porta da porta. Porra, ele ficava sexy quando estava chateado. Sacudindo a cabeça, ela afastou o pensamento e tentou se concentrar em sua raiva. "Não. Eu não planejei invadir seu escritório até que eu soube que você está guardando segredos de mim." "Segredos? Se você está se referindo ao caso de seu pai, eu pensei que chegamos a um acordo esta manhã. Um acordo de que falaríamos sobre isso mais tarde." "Não é o caso do meu pai. Que tal o fato de você me seguir por um ano inteiro e não me


contar sobre isso?" A raiva desapareceu de seu rosto, e Alina congelou quando viu o brilho de diversão em seus olhos. "Eu não seria muito bom em meu trabalho se eu anunciasse que eu estava seguindo você secretamente, seria?" "Não naquela época. Agora. Eu estive aqui por semanas, e você não podia mencionar que você tinha conhecimento íntimo de um ano inteiro da minha vida?" "Isso foi há cinco anos, e eu supus que você sabia. Não é minha culpa se seu pai não lhe disse que ele estava te protegendo. Tudo o que me disseram foi que eu deveria ser discreto e me aproximar apenas se uma ameaça contra você não pudesse ser controlada de outra forma. No começo, pensei que seu pai estava me testando, mas quando percebi o quão perigoso era o trabalho, percebi que seu pai confiava em mim". "Perigoso?" Alina empalideceu. "Houve ameaças contra mim?" "Quatro nos dois semestres que eu te segui." A diversão sumiu de seu rosto. "Se eu fosse seu pai, eu teria tido mais de um homem seguindo você." Quatro ameaças contra ela em menos de um ano? Alina colocou uma mão em seu peito enquanto absorvia a notícia. "Eu acho que seu pai queria que você tivesse uma vida tão normal quanto possível. E funcionou. Você estava protegida, e você nem sabia. Eu imagino que foi por isso que ele estava contra você se mudar. Com base na documentação que encontrei, parecia que seu pai estava tentando encontrar uma casa para você. Uma que pudesse ser protegida facilmente. Como você entrou aqui?" Alina se sentia a maior idiota. Ela havia gritado todas aquelas vezes com seu pai, e ele estava apenas tentando protegê-la. Naturalmente, essa era a razão pela qual ela queria se mudar. Estava cansada da proteção. Estava cansada de precisar de proteção. Percebendo que ele a observava em espera, lembrou-se de que ele lhe fez uma pergunta. "Ah. Eu abri a fechadura. Se você guarda algo realmente valioso aqui, você precisa de uma


fechadura melhor." "Você abriu a fechadura?" Ele disse, engasgando. "Jesus, houve alguma coisa que seu pai não lhe ensinou?" Ele não a ensinou a lidar com um homem como Nikolai, mas ela com certeza não iria dizer isso em voz alta. "Só para constar, meu pai não me ensinou isso. Eu fiquei entediada. Eu ensinei a mim mesma". Rindo, ele cruzou a sala e se inclinou para dar um beijo em seus lábios. Ela imediatamente sentiu um frio no estômago. "Me desculpe por não ter contado a você. Eu não sabia que você não sabia." "Desculpe por ter entrado em seu escritório", ela sussurrou. "Pensei que você estivesse guardando segredos". "Você pode me prometer não abrir a fechadura novamente, ou eu preciso de um cadeado?" Ele perguntou com um sorriso, "Eu não quero que os guardas atirem em você se eles pegarem você entrando." Oh. Isso era algo que ela não tinha levado em conta. "Eu serei boazinha", ela murmurou. "Que bom. Agora estou muito atrasado ", ele disse calmamente enquanto olhava para o relógio. Tirando uma chave do bolso, ele abriu a gaveta superior. "Esqueceu isso", ele murmurou enquanto puxava uma pasta. "Tente se comportar o resto do dia". "Que diversão seria essa?" Ela perguntou, provocando. "Comporte-se e eu prometo uma boa diversão quando eu voltar esta noite." "Serei boazinha como uma garota colegial", disse ela maliciosamente. Seus olhos se obscureceram com a luxúria, e ele balançou a cabeça e gesticulou para que ela saísse. Com uma risadinha, ela saiu do lugar e nem sequer olhou para trás. Ele só chegou bem depois da meia-noite, mas ele a acordou e manteve sua promessa.


Capítulo Dezesseis Alina cruzou as pernas enquanto se sentava perto da janela e observava os homens patrulharem lá embaixo. Soltando o telefone, ela apertou o botão do viva voz e se inclinou para trás. "Eu queria que você estivesse mais perto e pudesse vir me ver. Passar semanas entre as visitas está me matando", Alina disse para a Kat com um suspiro. "Tudo que eu faço é limpar, ler e malhar". "Oh, isso parece horrível", Kat brincou com ela. "E malhar, você quer dizer montar seu protetor incrivelmente sexy durante toda a noite?" "Kat", Alina gritou enquanto se endireitava e olhava ao redor. Era seu quarto, e ela estava sozinha, mas Alina estava ficando cada vez mais desconfiada de Danik. Ela estava começando a acreditar que o homem tinha super audição e poderia andar através das paredes. Havia algo estranhamente assustador no modo como ele se movia, mesmo que ele a divertisse. "Não consigo evitar. Estou com ciúmes. Eu não faço sexo há dois meses. Dois meses! Eu tenho que viver indiretamente através de você, ou eu vou enlouquecer!" Alina riu. "Qual é o problema? Você está na Itália há duas semanas. Você está me dizendo que você não poderia encontrar um italiano sexy para aquecer sua cama?" "Eu não tive tempo", Kat se queixou. "Eu consigo visitar todas essas cidades lindas, mas porque eu estou fazendo o trabalho de duas pessoas, eu não consigo aproveitar. Eu tive dois dias de folga, mas estava tão cansada que só consegui dormir". Sacudindo a cabeça, Alina não pôde deixar de sorrir. Embora Kat se queixasse, Alina sabia que sua amiga adorava seu trabalho. "Pelo menos você pode ir a algum lugar", ela disse com um suspiro de melancolia. "Nikolai me levou para comer algumas noites atrás, e parecia que eu estava saindo de férias. Se eu não sair dessa casa em breve, vou perder a cabeça".


"Ainda nenhuma informação da polícia?" Kat perguntou com empatia. "Nada. Cada vez que eu os ligo pedindo por atualizações, sou ignorada ou recebo respostas muito vagas. Com Nikolai não é muito melhor. Ele prometeu que me manteria por dentro, mas além de me mostrar algumas fotos, ele realmente não me disse nada." "Fotos?" "Todo mundo acha que eu vi algo naquele dia, mas não percebi. Nikolai disse que era possível que se eu vi o rosto do assassino, ele voltaria atrás de mim. Eu perguntei onde ele tinha conseguido as fotos, mas ele foi tão vago como todos os outros. Gostaria muito de lembrá-los que sou uma mulher capaz." "Tenho certeza de que Nikolai sabe o quão capaz você é", disse Kat. "Claro, à noite". Alina resmungou. Houve um momento de silêncio. "Ele disse algo sobre o que ele acha que vai acontecer quando a ameaça contra você se foi?" Ela perguntou finalmente. "Nós dois estamos de acordo. Isso é apenas por diversão. Quando chegar a hora, vai acabar. "Alina disse enquanto fechava os olhos. Era o mantra que ela repetia todas as manhãs quando acordava em seus braços e todas as noites quando suas mãos a acariciavam. "Alina Petrov, você deve pensar que eu sou uma idiota se você quer que eu acredite nisso", Kat rosnou. "Diga-me a verdade." Ela pegou um fio solto sobre um travesseiro e bateu a cabeça levemente contra a parede. "Nós não falamos sobre isso, mas acho que é porque não precisamos. Nikolai não é um homem por quem você admite estar apaixonada, e ele certamente não é um homem com quem se planeja um futuro". "Você está apaixonada por ele?" A pergunta fez Alina perceber que ela tinha expressado o segredo em voz alta, mas em vez de se encolher, ela sentiu o peso sair de seus ombros. Ela amava Nikolai. Ela simplesmente não tinha sido capaz de admitir isso para si mesma.


"Sim", ela disse depois de respirar profundamente. "Mas ele nunca vai querer passar o resto de sua vida com alguém como eu." "Uma mulher linda que sabe o que ele faz da vida e literalmente cresceu em torno dele? Sim. Você é uma escolha horrível", murmurou Kat. "Pare de mentir para si mesmo e admita a verdade. Você está se escondendo atrás de tudo isso porque você não quer ter que dizer a ele como você se sente." "Não é nada disso", ela argumentou. "A única razão pela qual continuamos fazendo isso é porque prometi não fazer mais do que sexo. E é isso. Nada mais, e não vou complicar as coisas dizendo a ele o que sinto". O silêncio se estendeu pela linha telefônica. "Kat?" Ela perguntou suavemente. "Eu não tinha certeza se você tinha acabado de gritar ou se você estava apenas respirando fundo", ela resmungou. "Eu não me importo de você desabafar, mas você precisa me avisar da próxima vez. Meus ouvidos estão doendo". "Desculpa. Eu não percebi que estava gritando." "Não se preocupe. Estou me preparando para embarcar no meu voo. Se eu tiver tempo para comer quando chegar em Londres, eu te ligo." Alina sorriu, agradeceu a sua amiga e desligou. Se não fosse a atenção de Nikolai à noite e os telefonemas de Kat durante a semana, Alina ficaria louca. Sem nada melhor para fazer, ela vestiu sua roupa de ginástica, agarrou seu telefone e se dirigiu para a academia no porão. Os shorts curtos e o top quebraram as regras de Nikolai, mas ninguém a tinha criticado ainda. Desde que Nikolai tinha selado a janela, o lugar cheirava a suor, mas Alina não se importava. Depois de alguns alongamentos, ela agarrou uma corda e começou a se aquecer. "Agora essa é uma visão para se ter ao se chegar em casa." Nikolai correu pelas escadas, mas Alina não parou. Seus olhos a avaliaram, mas não havia raiva neles. Apenas desejo.


"Já faz algum tempo que você está em casa durante o dia", disse ela. Seus olhos seguiram seu corpo enquanto ela pulava com cada golpe da corda batendo no chão. "Eu me senti inspirado para vir para casa por uma hora", disse ele com a voz rouca e tomada por luxúria, e ela arregalou os olhos. "E o que o inspirou?" Sua respiração ficou curta, e não tinha nada a ver com seu treino. "Eu percebi que eu esqueci de fazer algo esta manhã", ele disse enquanto se aproximava dela. A corda bateu em seus tornozelos quando ela parou. "O que você esqueceu?" Ele a agarrou pela cintura e a puxou para mais perto. "Fazer você gozar", ele sussurrou. Ela se derreteu quando ele se inclinou para beijá-la. Alina não podia se cansar dele. Só de vê-lo ela já estremecia. As mãos de ambos tiravam as roupas. Antes que ele pudesse agarrá-la novamente, ela caiu de joelhos e pegou sua ereção com a boca. "Alina", ele gemeu enquanto enrolava o cabelo dela em torno de suas mãos. "Deus, sua boca é uma delícia." Feliz por desvendá-lo em questão de segundos, ela o pegou com mais vontade, chupou com mais força e brincou com sua língua. Nikolai ofegou e golpeou seu quadril algumas vezes antes de se afastar. "Eu não vou durar muito se você continuar fazendo isso", ele ofegou. Plantando as mãos em seu peito, ela o puxou de volta até que ele se sentou no banco de levantar peso. Quando ele se inclinou para trás, ela posicionou as duas pernas em cada lado do banco e montou sobre ele. Seu pau roçou contra seu clitóris novamente, e ela gemeu com o prazer intenso. "Você gosta de ficar em cima, querida?" Ele sussurrou enquanto agarrava seu quadril e a movia lentamente sobre ele. Ele se inclinou e tocou seu mamilo com a língua. Incapaz de responder, ela gemeu quando ele deslizou ao longo de sua abertura molhada. Ele nem sequer estava dentro dela, e ela sentiu a explosão de prazer aumentar.


"Me foda, Alina", ele sussurrou roucamente. Sem precisar de outro convite, ela se levantou e o agarrou. Fazendo com que ele a penetrasse profundamente em apenas um impulso, ela gritou em êxtase. Ele a esticou e a preencheu até que ambos se tornaram um só, e ela se perdeu quando começou a se mover. De cima para baixo, ela girou o quadril. Mais e mais rápido, as golpeadas de suas peles e os grunhidos de seu prazer ecoaram pelas paredes, e não demorou muito para chegar lá. "Nikolai, eu vou gozar", ela ofegou. "Espere, querida", ele gemeu. "Ainda não." Ainda não? Seus olhos se abriram, e ela tensionou seus músculos. Enquanto ela se apertava em torno dele, ele rosnou e cavou seus dedos nela. "Quase lá", ele murmurou com os dentes cerrados. "Agora. Agora!" Com o seu grito, ela se soltou. Distante, ela ouviu alguém gritando seu nome. Ela não reconheceu sua própria voz quando estremeceu em torno dele. Exausta, ela caiu contra ele e gemeu. Lentamente ondulando contra ele, ela queria desfrutar cada centímetro dele antes que ele tivesse que ir. Por vários minutos, eles ficaram assim. Finalmente, quando ela conseguiu recuperar o fôlego, ela se ergueu e olhou para ele. "Bem, essa foi uma má ideia", ele murmurou enquanto a afastava suavemente. Ela deitou sobre o banco e se inclinou para trás. Aquilo foi mais malhação do que ela esperava fazer. "O que você quer dizer?" "Como diabos eu vou me concentrar no trabalho agora?" Ela riu com a voz rouca. Curvando-se, ele deu um beijo suado em sua boca. "Mesmo querendo ficar aqui e me recuperar, eu tenho que tomar um banho e sair outra vez. Já vou chegar atrasado. Engraçado como isso continua acontecendo ultimamente." Alina só conseguiu resmungar quando ele se levantou e pegou suas roupas. Ele estava na metade da escada quando ela ouviu seu telefone tocar. Quando Nikolai estava por perto, Kat era a única que a ligava. O voo de sua amiga provavelmente tinha atrasado, e Kat estava ligando


para reclamar. Mas quando ela pegou o telefone, percebeu que não reconhecia o número. "Alô?" Ela perguntou ao atender o telefone. No começo, tudo que ela podia ouvir era uma respiração pesada. "Alô? Quem é?" "Um amigo", a voz do estranho disse sombriamente. "Um amigo com alguns conselhos amigáveis." "Se isso for uma brincadeira, você ligou para o telefone errado, idiota". Alina murmurou. Assim que ela foi desligar o telefone, o homem disse algo que fez seu sangue gelar. "O quê?" Ela exigiu ao trazer o telefone de volta para sua orelha. "O que você acabou de me dizer?" "O homem que te protege está guardando segredos", repetiu a voz. "Nikolai Sokolov não é o homem que deveria aquecê-la à noite." Jesus. Alguém sabia que ela estava dormindo com Nikolai? Alina empalideceu e engoliu seco. "Vá para o inferno", ela sussurrou. "Ele não está protegendo você. Ele está te observando. Afinal, ele é o homem que baleou o seu pai, e ele acha que você o viu". "Você está mentindo", ela rosnou. "Se Nikolai matou meu pai, ele já teria me matado". "E perdeu a confiança da máfia? Não seja tola". O desconhecido desligou, e Alina olhou para o telefone, horrorizada. Não havia como. Ela não poderia estar dormindo com o homem que assassinou seu pai. Estar apaixonada por ele. Poderia?


Capítulo Dezessete Nikolai tentou se concentrar no que o homem estava dizendo, mas ele ainda estava bebendo os efeitos do orgasmo de sua rapidinha. A vida com Alina havia se tornado complicada, mas ele sabia que não poderia afastá-la de sua cama nem se a vida dele dependesse disso. O sexo sempre foi um passatempo agradável para ele, mas recentemente havia se tornado um vício. Ele precisava daquela mulher tanto quanto precisava respirar. "Chefe", Timur resmungou com a voz grave. "Você está ouvindo?" Piscando, Nikolai pigarreou e assentiu. Um dos negócios em sua área tinha sido arrombado, e era seu dever protegê-los. "Eles deixaram os eletrônicos, mas eles pegaram o dinheiro?" Ele perguntou enquanto olhava em volta para o vidro quebrado no chão. O homem assentiu freneticamente. Seus olhos estavam arregalados de medo, e Nikolai só podia adivinhar o que o dono estava sentindo. Ele devia a Nikolai bastante dinheiro, e Nikolai estava preparado para cobrá-lo na semana seguinte. A invasão era suspeitamente conveniente, mas Nikolai sentiu que o pobre homem lhe dizia a verdade. Havia um som de sirene à distância, e Nikolai franziu a testa. "Você ligou para a polícia?" "Não, Sr. Sokolov. Eu só entrei em contato com você", o homem respondeu. Havia sempre a possibilidade de que a polícia estivesse indo para outro lugar, mas quando as sirenes se aproximaram, Nikolai suspirou. "Se eles perguntarem, você me ligou porque somos amigos íntimos." As autoridades não eram bobas. Eles sabiam que aquele território pertencia a ele, mas ele ainda não estava suficientemente estabelecido para ser arrogante. Dispensando quatro de seus homens, ele manteve apenas Timur com ele para que a polícia não ficasse muito defensiva. Quando eles pararam, ele saiu da loja e esperou em uma pose não ameaçadora, como se ele


tivesse acabado de chegar. Quando o homem saiu do carro, ele e Timur se endureceram. Ivanski não trabalhava em assaltos. Trabalhava com homicídios—e um homicídio em particular: Yuri Petrov. O que diabos estava acontecendo? Ivanski não pareceu surpreso ao vê-lo. Um homem mais velho com cabeço grisalho nas laterais da cabeça, que surpreendia as pessoas com sua força. Os olhos do homem foram endurecidos pelo sangue que ele tinha visto derramado ao longo dos anos, e ele se mantinha em ótima forma. Ele era esperto e, pior ainda, colocava seu trabalho antes de tudo. Não havia família que o controlasse, apenas sua fome de pegar assassinos. Sokolov tinha ficado satisfeito por estar no caso de Yuri porque sabia que o homem não trataria o caso de forma diferente simplesmente porque Yuri tinha sido chefe da máfia. Ele se sentia apenas um pouco diferente agora que ele era um suspeito. "Ivanski", ele cumprimentou com a voz grave. "O que você está fazendo aqui? Não há corpos lá dentro". O detetive sinalizou com o dedo, e seus homens imediatamente se moveram para dentro para conferir o estrago. Embora estivessem com as armas nas mãos, mal olharam para ele. "A verdadeira questão é o que você está fazendo aqui, Sokolov?" "Eu liguei para Nikolai", disse o dono da loja nervosamente. "Ele é um amigo." "E você achou que ele seria útil?", Ivanski perguntou, sem tirar os olhos de Nikolai. "Eu estava nervoso e com medo. Ele me ajudou a me acalmar". Nikolai teve que dar um crédito ao homem. Ele estava atuando muito bem. Ele provavelmente sabia que sua vida dependia disso. "Achei que você estava trabalhando exclusivamente na captura do assassino de meu amigo Yuri", disse Nikolai. "Mas aqui está você, investigando um roubo comum". "Não estou aqui por causa de um roubo, Sokolov", disse Ivanski irritado. "Eu recebi um aviso de que alguém neste endereço poderia ter informações sobre o assassinato. Eu vim imediatamente


no caso de alguém precisar de proteção. Alguém precisa de proteção?" Sua pergunta foi dirigida ao dono da loja, e o homem sacudiu a cabeça. "Eu não estava aqui quando o roubo ocorreu, e eu acredito que o ladrão já está longe". "E Sokolov não está aqui sem ser convidado?" "Não, claro que não. Como eu disse antes, ele é um amigo". "Se ele for um amigo, ele teria aconselhado você a chamar a polícia", disse Ivanski, sombriamente. O dono da loja não respondeu, e o detetive sacudiu a cabeça. "Vou chamá-la. Alguém deve vi rem breve para ver a cena do crime. Sokolov, uma palavra". Timur imediatamente deu um passo à frente, mas Nikolai estendeu a mão para parar o homem. Seguindo Ivanski até a esquina, Nikolai ficou em alerta máximo, mas Ivanski não arriscaria sua carreira —ou a justiça—para derrotá-lo fora da lei. "Você precisa se preparar", disse Ivanski, sombriamente. "Para quê?" "Você já sabe que a bala que encontramos em Yuri pode ser rastreada até você, mas uma ligação anônima disse que uma testemunha estava em perigo. Quem ligou também vandalizou este lugar em uma tentativa de incriminar você. Estão Armando para você". Nikolai inclinou a cabeça e olhou para o homem com leve curiosidade. "O que te faz pensar que eu não matei Yuri?" O tenente riu secamente. "Você não é um homem tolo. Você teria muitas oportunidades de matar Yuri se você realmente quisesse, e você nunca teria feito isso com sua filha tão perto. Você não usaria uma arma que pudesse ser rastreada até você. Eu estou segurando meu chefe pelo tempo que eu puder, mas se não pegarmos o assassino verdadeiro em breve, eu vou ter que ir atrás de você. As evidências contra você estão se acumulando". "Tenho que admitir que estou surpreso", disse Nikolai. "Você tem a reputação de colocar aqueles que se acredita serem da máfia atrás das grades." "A reputação?" Ivanski bufou. "Não se engane, Sokolov. Eu adoraria ver você apodrecer na


prisão. Mas quando isso acontecer, será por um crime que você é culpado de cometer. Fique de olho, Sokolov. Quem está Armando tudo isso está perto de você." "O que te faz dizer isso?" "Porque alguém sabia exatamente quando você estaria aqui." Ivanski não esperou por uma resposta enquanto ele se afastou e chamou seus homens. Nikolai demorou por um momento enquanto pensava no que o homem disse. Ele se deu conta que alguém estava tentando incriminálo, mas ele não percebeu que a pessoa iria tão longe. Ele tinha uma ideia muito boa de quem matou Yuri, mas o homem não estava perto o suficiente para fornecer detalhes íntimos das idas e vindas de Nikolai. Alguém dentro de sua organização era um traidor. É melhor que eles tomassem cuidado, porque no momento em que Nikolai se acertasse com eles, não haveria restos mortais o suficiente para identificarem o corpo.

***

Alina aproximou a cabeça da privada e gemeu. Era o segundo dia seguido que ela mal tinha conseguido engolir o seu café da manhã, e ela tinha uma boa ideia do que estava acontecendo. Nikolai passava a maior parte de seus dias fora, e ele só voltava para casa bem à noite. Nas duas últimas noites, ela estava deitada acordada em sua cama, fingindo dormir enquanto ele passava um dedo pelo seu corpo, mas ele não a tinha acordado para fazer nada a respeito. Uma pergunta a atormentava, impedindo-a de se virar para ele durante a noite. O homem que tinha seus braços ao redor dela durante a noite acertou uma bala na cabeça de seu pai? Depois de se virar de um lado para o outro a noite toda, não era de admirar que ela estivesse doente pela manhã. Puxando a descarga, ela enxaguou a boca e se olhou no espelho. Era bom que Nikolai não ficasse em casa muito tempo porque ela estava acabada. Olheiras


envolviam seus olhos, e sua pele tinha perdido toda a cor. Logo ela pareceria um cadáver. "Alina?" A voz suave a afastou de seu pesadelo, e ela rapidamente fechou a água. Secando o rosto, abriu a porta e olhou para Kristof. Ele estava em seu quarto, balançando para frente e para trás com nervosismo enquanto olhava para os lados. "Desculpa. Eu não quis interrompê-la, mas Danik disse que pensou que você poderia estar doente. Você precisa ver um médico?" "Não," ela murmurou. "Estou bem. Apenas mal do estômago". Kristof a olhou cautelosamente. "Mal do estômago? Eu te vi virar cinco doses de tequila e participar de um concurso de comer asinhas de frango. Tenho certeza de que seu estômago está revestido de aço". "Eu não preciso de um médico", ela disparou. Sua voz tinha um tom que pegou os dois de surpresa. Quando viu o choque nos olhos de Kristof, ela quase chorou. "Eu sinto muito. Eu não queria gritar." "Alina, eu posso notar que algo está incomodando você. Apenas fale comigo. Eu resolvo isso." Kristof resolveria. Ele e Timur sempre foram seus heróis. Se alguém lhe dissesse a verdade sobre Nikolai, seria eles. "Eu recebi um telefonema há alguns dias", ela disse. "Eu não reconheci o número, e eu não reconheci a voz." "Alguém está te assediando?" A mandíbula de Kristof se apertou, e ela viu a raiva em seus olhos. "Acho que não", ela disse com um tom tranquilizador. "Ele não ligou mais". "O que ele disse para te aborrecer tanto?" Alina respirou fundo. Ela não tinha realmente dito isso em voz alta ainda, e uma vez que ela dissesse, tinha medo de que fosse verdade. "Ele disse que Nikolai matou meu pai." A raiva cintilou nos olhos de Kristof, e Alina ficou instantaneamente aliviada. "Você acha que


ele está mentindo", ela disse com um pequeno sorriso. "Isso é bom." "Diga-me exatamente o que ele disse", ele exigiu. "Ele disse que era um amigo com alguns conselhos amigáveis. Disse que Nikolai guardava um segredo, que tinha matado meu pai, e a única razão pela qual ele estava me protegendo era porque temia que eu o tivesse visto naquele dia", disse Alina com cuidado. "Ele sabia sobre o nosso relacionamento, e ele disse que a única razão pela qual Nikolai não me matou é porque ele precisa de mim viva para que ele possa ganhar a confiança da máfia". "Você contou para o Nikolai?" "Claro que não!" Alina recuou com uma careta. "Ele tem me protegido, e eu nunca o acusaria de algo assim sem provas!" Seus olhos varreram os dela, e ela ficou estática quando viu pena neles. "Você mudou", ele disse suavemente. "Houve um tempo em que você explodia com tudo e com todos." "Eu cresci". "Suponho que a morte de seu pai a fez crescer. Você é uma mulher forte. Estou feliz por ver isso. Você está se apaixonando por ele?" Virando a cabeça para ele não tentar identificar a verdade em seus olhos, ela respirou fundo. "Nikolai não é o tipo de homem por quem uma mulher inteligente se apaixona", ela murmurou honestamente. Até recentemente, Alina nunca tinha questionado seu senso comum, mas agora tudo era diferente. Ela amava um homem que não podia ter. "Eu lamento o dia em que a trouxemos aqui, disse Kristof suavemente. "Se eu soubesse, teria lutado até meu último suspiro para mantê-la longe dele." Lentamente, ela virou a cabeça para encará-lo novamente. Ela finalmente percebeu por que havia pena nos olhos dele quando ele olhou para ela, e seu coração martelou em seu peito. Sentindo-se quase tonta, ela estendeu a mão para alcançar a cama. Kristof sabia que ela amava Nikolai. Ele sabia, e ele sentia pena dela por isso. "Por quê?" Ela sussurrou. "Diga isso em voz alta. Preciso ouvir".


"Não precisa", ele murmurou. "Você não precisa ouvir isso para saber que é verdade." "Como você sabe?", ela exigiu. "Como você sabe que ele fez isso?" "Pequenas coisas, Alina ", disse Kristof com um sorriso triste. "Mas quem te ligou está certo. Nikolai não vai te matar até que ele tenha a confiança da máfia. É por isso que não te disse. Eu precisava que você acreditasse que ele era inocente para que ele não suspeitasse de você. Eu não tinha ideia de que vocês dois estavam ficando tão… próximos." A negação estava na ponta de sua língua, mas antes que ela pudesse falar, Kristof a envolveu em seus braços e a abraçou apertadamente. Por um momento, Alina sentiu como se estivesse nos braços de seu pai novamente, nos braços de alguém em quem ela amava e confiava. "Você precisa guardar esse segredo, garota. Cause uma briga, fique fora de sua cama, mas o que quer que você faça, não o deixe perceber que você sabe. Ele é o tipo de homem que iria torturá-la para mantê-la calada e tomar o poder que ele acredita ser seu, para não perder tudo. Você precisa que ficar longe dele." Ele deu um beijo em sua testa e a soltou. "Eu vou fazer o meu melhor para ficar de olho em você, Alina, mas você precisa ser forte, OK?" Muda, ela assentiu. Ele deu outro sorriso triste antes de sair e fechar silenciosamente a porta atrás dele. Sua mente vibrou de tanta atividade. Então Kristof pensava que Nikolai matou seu pai, mas ele não lhe ofereceu nenhuma prova. Seu amante era um homem cuidadoso por natureza. Seus atos podiam ser mal interpretados como suspeitos, mas ela tinha estado em torno de seu pai tempo suficiente para saber que, às vezes, quando um homem escondia algo, ele fazia isso para proteger aqueles que o rodeavam. Ela estava frustrada, e agora sabia da necessidade. Nikolai nunca lhe tinha dado uma razão para acreditar que ele odiava seu pai, mas Kristof nunca lhe mentira. Ela teria que observá-lo cuidadosamente e chegar a suas próprias conclusões. Parte dela zombava de si mesma por escolher seu primeiro amante e não o homem que cuidou dela por anos, mas ela afastou aquela voz. Apesar do constrangimento de se apaixonar


pelo homem, ela sabia que seu juízo ainda era sólido. Até que ela visse a prova de que Nikolai tinha sido quem destruiu seu mundo, ela acreditaria em sua inocência. Ele merecia pelo menos isso dela. Lealdade é tudo, princesa. Seja verdadeira consigo mesma, mas quando você encontrar alguém com quem você possa contar, não desista sem uma boa razão. Pessoas boas são difíceis de encontrar. Seja leal a elas, e elas serão leais a você. Confie em seus instintos, querida. "E se eu não souber o que eles estão me dizendo, papai?"


Capítulo Dezoito As nuvens escuras que haviam ameaçado a cidade durante toda a manhã finalmente se abriram, encharcando tudo em uma chuva torrencial. Nikolai não se importava. Ele nem sequer se incomodou em erguer os ombros ou abaixar a cabeça quando entrou na casa noturna. O tempo estava perfeito para seu humor irritado. Ele estava tão ocupado tentando localizar a ameaça dentro de sua organização que ele não tinha tocado Alina em uma semana. Ele mal a tinha visto. Para seu crédito, ela não se queixou. Meio dormindo, ela se aconchegava em seus braços todas as noites, e embora seu corpo sofresse para se acalmar contra sua carne quente, ele passava tão pouco tempo em sua própria cama que não podia fazer nada além de dormir. O pensamento de que alguém próximo a ele poderia pôr em perigo a sua vida o fazia seguir em frente. Timur esperava bem perto da porta do clube, e Nikolai quase o invejou. Apesar do tempo horrível, o clube estava lotado. Mulheres seminuas dançavam sob as luzes estroboscópicas do bar, e corpos suados—a maioria deles bêbados, chapados ou ambos— enchiam a pista de dança. O lugar cheirava a sexo e desespero, e Nikolai estava louco para sair de lá, mas tinha a sensação de que o informante que o observava da esquina seria a chave para descobrir a verdade. O informante se identificava como Asher, embora Nikolai soubesse que não era seu verdadeiro nome. O americano tinha aparecido na cidade há cinco anos, e Yuri tinha ficado de olho nele. O homem estava encoberto de mistério, e apesar de seus melhores esforços, eles ainda não tinham ideia de por que ele tinha vindo ou o que ele queria. Ele se manteve fora do caminho, e Yuri finalmente decidiu que se o homem não os incomodasse, eles não o incomodariam. Uma aura perigosa cercava o homem, e um silêncio mortal o seguia. Durante todo o tempo em que Nikolai o conhecia, nada sugeria que o homem tivesse matado alguém enquanto estava por lá, mas Nikolai reconheceu a dor nos olhos do homem. Uma série de almas mortas o assombravam. Nikolai se cansou de esperar e atravessou o ambiente até o canto escolhido por Asher.


"Você vai me encarar a noite toda, ou você vai realmente falar comigo?" Ele disparou. Asher saiu das sombras e o chamou com o dedo. Com um xingamento exasperado, Nikolai o seguiu pelo clube e pela entrada de trás. Não o incomodava estar tão longe de Timur. Se Asher quisesse matá-lo, ele já teria feito isso. O vento chicoteava a chuva em torno deles. A cobertura do edifício mal os protegia, mas Nikolai não deixou que isso o afetasse. "Você tem alguma coisa para me dizer?" Nikolai o pressionou. O outro homem fez Nikolai esperar enquanto ele acendia um cigarro. "Você está fazendo um péssimo trabalho apagando seus rastros", Asher disse finalmente. A voz do homem era uniforme, mas estava repleta de uma advertência mortal. "Você enviou quatro homens quase mortos para o hospital. Se você foder com tudo deixando um corpo para trás, Ivanski não vai mais se esforçar tanto para protegê-lo. " "Você conhece Ivanski?" Aquilo não deveria surpreender Nikolai. Asher era o tipo de homem que se familiarizava com aqueles que poderiam ajudá-lo e destruí-lo. "Você quer saber quem matou Yuri Petrov." Asher ignorou a pergunta e se apoiou na parede do edifício. "É uma pergunta estranha a se fazer, já que você parece sentir que já sabe a resposta." "Eu não vim para ter a minha mente examinada", Nikolai disparou. "Diga-me o que você sabe." "Ele nunca puxaria o gatilho", disse Asher. "Você sabe disso." Nikolai ficou tenso e se perguntou se ele tinha cometido um erro ao confiar em um homem que mal conhecia. Se Asher era um assassino, nada o impediria de tirar uma arma e disparar na cabeça dele. Ele morreria assim como Yuri. E então o que aconteceria com Alina? Rindo, Asher sacudiu a cabeça. "Não somos amigos, Nikolai. Eu não me importava com Petrov, e tenho a certeza de que não me importo com você, mas dois dos quatro que você enviou para o hospital estavam trabalhando para mim. Foi uma mudança inesperada em meus planos, e eu não


gosto disso". "Que planos seriam esses?" "Pare de se concentrar em encontrar uma prova contra o homem que investiu com o próprio dinheiro e se concentrar em quem puxou o gatilho." Nikolai estreitou os olhos. "Eu não estou aqui para jogos mentais, Asher. Eu mantenho você por perto porque você não fez nada para me irritar, mas se você continuar falando em códigos, você será o quinto homem no hospital, e eu não posso lhe dar a mesma misericórdia que dei a seus homens." "Você me mantém por perto porque você está curioso sobre mim, e nós dois sabemos disso", disse Asher calmamente. "E eu não estou brincando de jogos mentais. Se você quer ser um líder, você precisa começar a pensar como um. Basta apenas um erro para acabar com um homem". "E qual é esse erro?" "Amor." Antes que Nikolai pudesse perguntar o que diabos o homem queria dizer, Asher tragou seu cigarro na chuva e desapareceu de volta para o clube. Reclamando do tempo que tinha desperdiçado no homem, Nikolai puxou a jaqueta em torno de seu corpo e se encostou contra a parede ao correr ao redor do lugar. Ele não estava com disposição para abrir caminho entre os corpos que se contorciam lá dentro. Quando ele virou a esquina, parou de repente e olhou para Timur. Em um momento de clareza, ele percebeu o que Asher estava falando. Tudo o que bastava era um erro. Timur estava praticamente colado ao seu lado no momento em que ele trouxe ele e Kristof de volta para vigiar Alina. Kristof seguiu cada tarefa obedientemente, mas Timur recusou as três últimas tarefas que ele tentou dar ao homem. A princípio, ele pensou que Timur quisesse ficar de olho em Alina, mas não. Ele estava de olho em Nikolai. Nikolai se lembrava de Timur ser cheio de vida, mas ultimamente ele estava quieto e malhumorado. Ele fumava como se quisesse a morte que os cigarros trariam.


Enfiando as mãos nos bolsos, Nikolai se aproximou Timur cuidadosamente. O homem mais velho virou a cabeça e olhou para Nikolai com um rosto vazio. "Asher lhe deu alguma coisa que valeu a pena?" Ele perguntou. "Sim." Timur apertou a mandíbula e observou cuidadosamente Nikolai. Finalmente, ele suspirou e assentiu. "Vamos sair da chuva. Para onde você vai?" "Pra casa." Timur manobrou o carro e abriu a porta para ele. Antes que Nikolai se abaixasse, ele parou a centímetros do rosto de Timur. "Eu quero a verdade", sussurrou. Timur cerrou os dentes e olhou para trás. Foi só quando Nikolai sussurrou o nome dela que o homem finalmente fechou os olhos e suspirou. A vitória era agridoce, e Nikolai entrou. Quando Timur finalmente o seguiu, Nikolai já tinha sua arma na mão. "Fale", ele ordenou.

***

Não havia como negar. Alina jogou as provas fora e caminhou com as pernas trêmulas de volta para o quarto. Não havia maneira de ela ir para a cama de Nikolai depois disso. Não havia maneira de ela encará-lo. Ela precisava sair. Afaste-se da casa e nunca voltar. Como ela poderia ter entrado nessa confusão? E não podia botar a culpa em seus hormônios. Normalmente, ela tinha os pés no chão, mas ultimamente ela deixou seus sentimentos por Nikolai atrapalharem tudo. E agora ela pagaria o preço. Ele ainda estava gastando a maior parte de suas noites fazendo sabe Deus o quê. Esperando que ele notasse ou se importasse que ela não estivesse em sua cama, ela desligou as luzes e se encolheu no sofá. Na escuridão, ela começou a tramar. Mesmo que conseguisse escapar da casa de novo, ele nunca a deixaria fugir por muito tempo. Alina duvidava que pudesse se esconder dele, então fugir estava fora de questão. Ele sempre disse que ela era livre para sair,


mas ela não pensou que ele realmente falava sério. Especialmente desde que eles começaram a dormir juntos. Sua única esperança era que o assassino de seu pai fosse encontrado. Apesar de sua ansiedade, ela acabou caindo no sono. O quarto ainda estava escuro quando ela sentiu sua mão acariciando sua perna. Acordando lentamente, ela curtiu seu toque por um minuto antes de se lembrar da verdade e imediatamente se afastou. "Calma, Alina", murmurou ele. "Sou eu, meu bem." Meu bem? O carinho quase trouxe lágrimas aos olhos dela. "Desculpe", ela pediu desculpas com a voz rouca. "Você me assustou." "O que você está fazendo aqui, querida? Por que você não está na minha cama?" Por um momento, ela não disse nada. Ela não podia dizer a verdade, podia? "Você não estava aqui", ela finalmente sussurrou. "Eu não gostei de ficar sozinha em sua cama." Ele suspirou baixinho antes de levantar a cabeça. Ela sentiu ele se sentar e acomodá-la em seu colo. "Se eu pudesse estar aqui com você, eu faria isso", ele admitiu enquanto passava a mão sobre seu cabelo. "Eu prometo que não estou evitando você deliberadamente." Seu coração doeu, e ela fechou os olhos e tentou combater a dor. Agora não era hora de sentir nada por ele. Se fosse para fazer algo, era construir uma parede entre eles. Era a única coisa que podia mantê-la a salvo. Sentando-se, ela tentou colocar algum espaço entre eles enquanto caminhava até a própria cama. "Eu sei. Não quero distraí-lo", ela mentiu. "Acho que vou tentar dormir na minha cama esta noite." Ela o ouviu rir na escuridão. "Se você tivesse me dito isso antes de me deixar tocá-la, eu ficaria feliz. Eu montei o quarto especificamente para você", ele disse secamente. Surpresa, seus olhos se arregalaram. "Você fez isso?" "Eu não queria te contar depois que descobri o quanto você o odiou", ele resmungou. "Se você realmente quer passar suas noites aqui, eu não vou te impedir. Faça para mim uma lista das


cores que você gosta, e eu vou refazer a cama para que você realmente consiga dormir nela." "Você me deixaria?" Alina não conseguia afastar a dor de sua voz. Ela sabia que queria manter a distância, mas ainda queria que ele a quisesse. Era injusto, mas não conseguia evitar o que sentia. "Eu não vou forçá-la a dormir na minha cama", ele disse com um tom frio. "Eu sei que eu não tenho estado por perto ultimamente, e eu não tenho tempo para explicar por que você não deve levar isso para o lado pessoal." "Não tem nada a ver com isso", ela resmungou com a voz rouca. "Então o que foi, Alina? Por que você não está na minha cama esta noite?" Ele acendeu um abajur. Respirando fundo, ela fechou os olhos. "Eu não sei direito o que é..." "Então você pensou em sair da minha cama sem me dizer o motivo?" "E eu tenho certeza que você não esperava ter que lidar comigo para sempre..." "Você decidiu, em dois meses, que ‘para sempre’ fazia parte do pacote?" "Embora dezoito anos não seja exatamente para sempre. Eu não estou dizendo que você tem que fazer parte da vida dela—ou dele…" "Alina!" Suas palavras afiadas a sacudiram de seu transe, e ela abriu os olhos e olhou para ele. Seu rosto era uma mistura de fúria e esperança. "Apenas me diga", ele sussurrou com a voz áspera. "Estou grávida." Ela sentiu o seu estômago embrulhar. Ela não tinha ideia do que ele diria a seguir. Era possível que ele a mandasse embora. Ou talvez ele exigisse um aborto. Ele não disse nada. Ele apenas olhou para ela, seus olhos desceram até que eles focaram em sua barriga. Ela envolveu seus braços ao redor de si mesma em um esforço para proteger o bebê crescendo em seu ventre de tudo o que ele diria ou faria em seguida. Naquele momento, ela sabia que faria qualquer coisa pela criança. Mesmo se ele acabasse sendo o homem que matou seu pai, ela protegeria seu filho até seu último suspiro.


"Um bebê", ele disse de repente. "Você está carregando meu bebê. Nosso bebê." Ela assistiu em choque quando ele deslizou do sofá e forçosamente afastou seus braços de seu corpo. Enquanto ele se ajoelhava, ele beijou sua barriga antes de acariciá-la. "Nikolai?" Ela perguntou suavemente. "Você está bem com isso?" "Eu nunca pensei em um bebê", ele disse sem olhar para cima. "Eu tive um pai horrível. Eu sempre imaginei que eu seria um pai horrível, mas agora ..." Ela percebeu o turbilhão de emoções em sua voz e acariciou seu queixo. Quando ele levantou o rosto, ela enxergou toda a confusão em seus olhos, e naquele momento, ela soube. Ela sabia que ela o amava, que ela queria que ele fosse um pai, que ela nunca acreditaria que ele tinha matado seu pai. "Você vai ser um grande pai", ela sussurrou enquanto as lágrimas começavam a rolar. Ele imediatamente se levantou e enxugou as lágrimas de seu rosto e pressionou seus lábios contra os dela. O beijo foi lento, sem pressa, e completamente vazio de luxúria. Foi a primeira coisa que ele tinha feito que a fez sentir como se ele tivesse sentimentos por ela. "Você vai dormir comigo", ele disse com dureza na voz. "E pronto". Rindo, ela o deixou pegá-la pela mão e levá-la para o quarto. Na escuridão, ele a despiu e puxou as cobertas. Quando ela entrou, ele se aconchegou atrás dela e envolveu seus braços ao redor dela. A palma de sua mão pousou em seu abdome e acariciou sua pele suavemente. "Amanhã vamos levá-la para um médico. Você e esse bebê vão ter os melhores cuidados do mundo." Sentindo-se segura, ela cobriu a mão dele com a sua própria, e enquanto ela caía no sono, ela sabia que ele ainda estava bem acordado, olhando para ela.


Capítulo Dezenove Nikolai não só estava mais próximo. Ele raramente saía de casa. Uma semana havia se passado desde que ela lhe disse que estava grávida, e ele passou quase todo aquele tempo com ela. Quatro guardas armados os escoltaram até o consultório do médico e, em seguida, ele até mesmo permitiu que ela almoçasse enquanto estavam fora. Depois disso, porém, estavam de volta na casa. Nikolai contratou mais três guardas para a casa, mas Kristof e Timur não estavam muito por perto. Ela lutou para manter seu temperamento equilibrado. Ela não podia sequer ir até a cozinha para um lanche sem alguém em sua cola. E mesmo quando parecia que ela estava sozinha, ela sabia que não estava. "Danik", ela chamou suavemente. Em poucos segundos, o homem se materializou. "Você precisa de alguma coisa, Alina?" Inclinando-se contra a parede no corredor do andar de cima, ela lhe deu o que ela esperava que fosse um olhar severo. "O que eu quero é informação. Por que o súbito aumento de guardas?" As sobrancelhas do homem mais velho subiram, e ela podia dizer que ele estava lutando para não sorrir. "Bem, eu não estou familiarizado com seus planos de segurança, mas eu imagino que tem algo a ver com uma avaliação de nível de ameaça." "Danik, eu sei que você sabe tudo o que acontece nesta casa. Se há algo acontecendo, eu quero saber sobre." "Eu pensei que você já soubesse", ele disse. Desta vez, seu sorriso estava cheio. Alina se endireitou e respirou fundo. Ele sabia? Como ele poderia saber? Ela e Nikolai decidiram que não contariam a ninguém sobre a gravidez até que a ameaça acabar ou até não poderem mais esconder a gravidez. "Por que eu iria saber?" Ela perguntou lentamente.


"O que você sabe?" "Eu estava perguntando o que você sabe." "Sim, eu sei." "Sabe o quê?" Alina piscou e sacudiu a cabeça. "Pare com isso. Estou confusa!" "Eu também." "Danik!" Ele finalmente se apiedou dela e riu. "Acalme-se, Alina. Eu estou apenas provocando você. Eu sei que Nikolai aumentou a segurança porque há dois de vocês para proteger agora. Nós ainda não sabemos onde está a ameaça, e se eles souberem de sua condição, as coisas poderiam ir de mal a pior." Alina imediatamente colocou as mãos sobre a barriga. A preocupação de que alguém descobrisse imediatamente se transformou em medo de que alguém prejudicasse a vida preciosa crescendo dentro dela. "Como você sabia?" "Nada acontece nesta casa que eu não saiba", ele disse com um sorriso vago. "Isso não é uma resposta, e nós dois sabemos disso", ela retrucou. Danik encolheu os ombros. "Está bem. Eu vi o teste de gravidez quando eu estava tirando o lixo. Eu esperava que fosse seu e não da jovem Iyanna, mas quando eu vi o aumento de segurança, eu sabia que era você. Além disso, Nikolai pediu que eu ficasse de olho em você. Ele está protegendo mais do que a filha de seu antecessor". "Ele está protegendo o próprio filho". Danik sorriu suavemente e estendeu a mão para pegar as dela. "Ele está protegendo mais do que isso, minha querida". Quando ele soltou suas mãos e se afastou, ela se recostou contra a parede e olhou para ele. Parecia muito como se ele estivesse tentando lhe dizer algo, mas ela não podia deixar sua mente vagar. Ainda não era seguro. Qualquer coisa poderia acontecer. Ela ainda estava em perigo, e enquanto ela sabia que


Nikolai queria um herdeiro, ela ainda não sabia o que ele sentia em relação a ela. Pensar que poderia ser amor não era uma opção. Ainda assim, ela não podia deixar de se sentir um pouco mais leve ao descer para tomar o café da manhã com a Iyanna.

***

"Por que estamos esperando? Quero que ele seja derrotado. Agora." Nikolai chiou. Ele ficou com Timur perto da piscina e olhou para a janela de Alina. Timur suspirou e passou a mão pelo cabelo. "Pelo bem de Alina, eu diria que nós poderíamos ir para cima dele. Você tem dez vezes mais homens. Não seria tão difícil derrotá-lo, mas pelo seu próprio bem, acho que precisamos esperar pelo seu próximo passo. Se não fizermos isso direito, ele estará morto e você estará na prisão." Mas Alina estaria segura. Essa foi a primeira vez que isso surgiu em sua mente. Ela estaria segura, e ela levaria seu filho para longe de tudo isso. Sem violência. Sem temer que uma bala saísse do nada e acabasse com tudo. Seria triste assistir de trás das grades o seu filho crescer, mas pelo menos eles estariam seguros. "Nikolai, eu não sei o que você está pensando, mas peço que você seja cauteloso. Apenas me dê mais alguns dias para colher um pouco mais de informações. Eles ainda confiam em mim. Se eu não tiver nada para lhe dar no final da semana, prometo que lhe apoiarei 100% quando você atacar". Cinco dias. Cinco dias até matar o assassino de Yuri. Cinco dias até Alina estar segura. Ele aproveitaria aqueles cinco dias ao máximo. "Trabalhe rápido, Timur". O homem assentiu, e Nikolai o estudou. Ele tinha muito nas mãos de Timur. Ele tinha que confiar que o amor do homem por Alina era forte o suficiente, mas havia outros homens que também pareciam amar Alina.


Homens que estavam tentando matá-la. "Se você me trair, Timur, você vai descobrir que há coisas piores do que a morte, você me entende?" "Trair você? Em um piscar de olhos", Timur disse com um sorriso. "Trair Alina? Sem chance alguma." "Eu posso conviver com isso." Olhando para cima novamente, ele viu o rosto de Alina na janela. Ela estava com um sorriso maravilhoso, e ele sentiu seu coração pular. Era verdade o que diziam sobre mulheres grávidas. Ela realmente brilhava. Ela era a coisa mais linda que ele já tinha visto. "Não a machuque", disse Timur suavemente. "Eu não poderia mesmo se eu quisesse", Nikolai murmurou. Ele lançou mais um olhar para Timur antes de ir até Alina. Se as coisas dessem errado e ele acabasse na prisão, ele queria ter certeza de que ele tinha tanto tempo com ela quanto possível. Ela ainda estava encostada na janela quando ele a encontrou. "Você não está planejando se pendurar para tomar ar fresco, não é?" "Cale a boca", ela disse enquanto se virava. "Você gosta da minha boca". "Talvez quando ela não está falando", ela disse em tom de brincadeira ao seguir em direção a ele. "Eu gosto mais ainda quando ela está fazendo outras coisas." Ele não podia deixar de sorrir enquanto ela envolvia seus braços ao redor dele e aproximava seu rosto do dele. "Eu gosto quando está me beijando." "Oh, querida", ele disse roucamente. "Eu gosto quando ela está te beijando, também." Ela fez um pequeno som de prazer quando ele pressionou seus lábios nos dela e abriu a boca. Depois de um minuto, ela se afastou e olhou para ele. "Sobre o que você estava falando com Timur? Parece que ele tem me evitado ultimamente."


"Evitado você?" Ele a puxou para mais perto para lhe dar outro beijo, mas ela colocou sua palma contra seu peito para detê-lo. "Tentei perguntar a Kristof sobre isso, mas ele disse que provavelmente era apenas minha imaginação. Nikolai, não é minha imaginação". Nikolai suspirou e a soltou. Ela imediatamente voltou para a janela para vigiar Timur, e Nikolai fechou a porta e a trancou. "Você perguntou a Timur?" "Como eu posso perguntar por que ele não tem estado por perto se ele não tem estado por perto?" Ela ergueu as mãos em frustração, e ele a agarrou pela cintura e puxou seu corpo contra o dele. Enquanto suas mãos se espalhavam pelo seu abdome e a acariciavam, ela agarrou suas mãos para que ele parasse. "Você está me distraindo!" "Como posso ser uma distração quando esse era o meu propósito original?" Ele perguntou enquanto acariciava seu pescoço. O cheiro dela era tão doce, e seu corpo estava balançando lentamente para frente e para trás contra ele. A leve ereção que ele tinha antes era agora rígida e pulsante. "Mesmo?" Ela perguntou enquanto virou a cabeça e olhou para ele. "Você veio aqui para me seduzir?" "Uhum." Ele pressionou seus lábios levemente contra o seu ombro, e suas mãos escorregaram debaixo de sua blusa. "Como eu não poderia? Você parecia tão sexy na janela, me observando. Ou talvez você estivesse observando Timur." Sua voz era provocadora, mas por alguma razão, ele estava um pouco tenso sobre o que ela poderia dizer a seguir. "Nikolai, quando eu posso te ver, eu não vejo mais ninguém", ela sussurrou. A adrenalina tomou conta dele, e ele a girou e a apertou contra a parede. "Você não tem ideia do quão feliz isso me faz", ele sussurrou. Ela deu a ele um sorriso tímido. "Acho que tenho alguma ideia", disse ela enquanto pegava


sugestivamente em sua ereção. Nikolai deu um rápido passo para trás quando ela ficou de joelhos e pegou o zíper de sua calça. "Alina", ele disse roucamente enquanto ela o tirou para fora. "Isso não é o que eu tinha em mente." Enquanto a língua dela escorregava e se arrastava pela cabeça de seu pênis, ele respirou fundo e se apoiou contra a parede. "Talvez fosse o que eu tinha em mente quando estava te observando." Nikolai gemeu e lutou para se segurar. Antes de perder o controle, ele se afastou dela e a ergueu. Rindo, ela o abraçou e o beijou. "Você não está deixando eu me divertir!" "Então eu acho que vou ter que fazer isso com você." Primeiro ele puxou a camiseta sobre sua cabeça, e então ele desabotoou seu sutiã. Antes que ele se distraísse demais com seus seios lindos, ele os beliscou levemente e escutou seu gemido de desejo. Virando-a, ele moveu lentamente as mãos pelos seus braços e colocou as mãos dela contra a parede. "Fique aqui, querida". Ela lhe deu um olhar curioso por cima do ombro, mas não se moveu. Colocando as mãos nas laterais de seu corpo e em sua cintura, ele desabotoou sua calça jeans. Puxando-a por suas longas pernas, ele mordiscou levemente seu bumbum redondinho destacado por sua tanga. Alina saiu de sua calça jeans, e ele soltou um grunhido de apreciação. "Cada centímetro seu é perfeito", ele sussurrou enquanto brincava com sua calcinha. Ela se mexeu, abriu as pernas e resmungou um pouco. "Você deseja algo, Alina?" Ele brincou enquanto passava o dedo por suas nádegas e sentia o calor vindo do meio de suas pernas. "Você", ela ofegou. "Por favor, Nikolai. Você está brincando comigo". "Isso é porque eu gosto de brincar com você." Deslizando um dedo dentro dela, ele a acariciou lentamente e sorriu quando suas pernas começaram a tremer. Era incrivelmente tentador fazê-la ficar assim enquanto ele a levava o limite de sua loucura, mas sua própria necessidade estava ficando cada vez mais difícil de ignorar. Tenso de desejo, ele tirou o dedo dela e baixou a


própria calça. Ela gritou e olhou por cima do ombro. "Não me deixe". "Eu estou aqui", ele murmurou com a voz pesada ao penetrá-la. Ela estava encharcada, mais do que preparada para ele, e ele se enterrou por completo no primeiro movimento. Engasgando com a sensação dela assim apertadinha, ele congelou e lutou contra o desejo de meter nela mais e mais. "Meu Deus, querida. Eu mal consigo em controlar." "Eu não quero que você faça isso." Ela empurrou seu corpo para trás e balançou. Ancorando a mão ao redor de sua cintura, ele rosnou. "Porra, Alina. Estou tentando ir devagar aqui. "A última coisa que eu quero que você faça é ir devagar." O suor escorria em sua testa e ele cerrou os dentes. Seu dedo do meio deslizou contra seu clitóris, mas isso a fez escorregar mais para baixo e sua vagina forçou ainda mais contra ele. "Você está grávida, querida. Quero ter cuidado com você". "Nikolai, o bebê tem o tamanho de um inseto. Você não corre o risco de machucá-lo." Com a mão entre as suas pernas, ela segurou suas bolas como se quisesse reafirmar sua fala. "Porra", ele urrou, agarrou seu quadril e começou a se mover. Começou apenas com movimentos lentos em um ritmo uniforme, mas quando os dedos dela se moveram de seu saco para a parte inferior de sua ereção, ele começou a se mover mais rápido e com mais força. Os gritos dela se misturavam com os gemidos graves dele, e embora estivesse pronto para explodir, ele queria desesperadamente sentir seu clímax primeiro. Não havia nada como a sensação de seus músculos se apertando em torno dele e seu corpo estremecendo em seus braços. "Oh, Deus, Nikolai", ela ofegou. "Estou tão perto." "Goze", ele exigiu enquanto estendeu a mão e passou o dedo sobre seu mamilo tenso. Inclinando-se e lambendo seu lombo pescoço, ele recebeu sua recompensa. Assim que ele sentiu os primeiros espasmos de seu orgasmo, ele se soltou, metendo nela até que ele se aliviou profundamente dentro dela.


Alina imediatamente amoleceu. Ele se moveu rapidamente para pegá-la e balançá-la em seus braços. Enquanto ele a levava até a cama dela, ela balançou a cabeça. "Sua cama", ela sussurrou. "Por favor." Virando-se, ele a levou para a cama e gentilmente a deitou. "O que eu vou fazer com você?" Ele sussurrou com um sorriso. "Eu gosto da sua cama", ela disse enquanto se aconchegava em seu travesseiro. "Tem o seu cheiro." "Querida, você está me deixando com ciúmes da minha própria cama." Ele se deitou ao lado dela e colocou um braço sobre seu ombro. Preciso voltar ao trabalho". "Eu me sentirei muito insultada se você voltar a trabalhar logo depois de me arrebatar assim", ela brincou enquanto se virou para encará-lo. "Minhas pernas estão bambas, e eu preciso sentir que tive algum impacto em você." "Oh, você teve um impacto", ele murmurou enquanto seus olhos se aproximavam. "Você não tem ideia do quanto me afeta." "Não tenho. Você nunca me diz". Ele já estava quase dormindo, mas ele a ouviu. Por um momento, ele quase lhe disse o quanto ela significava para ele, mas ele simplesmente não conseguia fazer isso. Talvez ele estivesse com medo. Medo do poder que ela tinha sobre ele. Medo de admitir que ele a amava e depois perdê-la porque ele não era bom o suficiente para mantê-la segura.


Capítulo Vinte "Você a engravidou?", grunhiu Timur. "Eu deveria matá-lo, ressuscitá-lo, e matá-lo novamente." "Agora não", disse Nikolai em voz baixa. "Temos um problema". "Algo que supera o fato de que você fodeu os próximos dezoito anos da vida dela?" "Acho que ir para a prisão e ser incapaz de protegê-la supera o fato de eu tê-la engravidado", ele respondeu. Isso chamou a atenção de Timur. A expressão de seu guarda passou da raiva ao medo ao ver a caixa sobre a mesa. "O que é isso?" Ele perguntou cautelosamente. Nikolai se recostou na cadeira e balançou a cabeça. "Um presente", disse ele, sombriamente. "Você vai abri-lo?" Nikolai estendeu a carta que acompanhava a caixa. Timur a pegou e abriu, mas Nikolai já sabia o que dizia. Aparentemente, dentro da caixa havia evidências de que ele matou Yuri, e se ele não desistisse de ser seu sucessor, outras provas seriam enviadas para a polícia. "Bem", Timur disse com calma. "Eu sei que você não matou Yuri, e você sabe que você não matou Yuri, então o que diabos está na caixa?" "Essa é a pergunta de um milhão de dólares." Nikolai tirou seu canivete do bolso e cortou a fita fechando a caixa. Inspirando lentamente, ele levantou a tampa e olhou para dentro. "Porra." "Droga", Timur respirou. "Não toque nela. Você não quer ter suas impressões nela. É a arma do crime? Por que eles te mandariam a arma do crime?" Com cuidado para não tocar na arma aninhada em um jornal, Nikolai puxou o envelope que estava junto dela. Ele sentiu o sangue sumir de seu rosto enquanto folheava as fotos. Elas eram editadas, mas eram boas. Em cada uma delas, ele estava em pé na beira da piscina dos Petrov segurando a arma da caixa. As fotos eram granuladas, como se fossem tiradas à distância.


"Elas não são de outra época, não é?", perguntou Timur suavemente. "Não. Eu não estive na propriedade Petrov em anos. Vê a tatuagem no meu braço? Eu só a tenho a mais ou menos um ano. Alguém criou essas fotos." Ele limpou a garganta e fechou os olhos. "Por que pedir para eu me afastar? Por que não simplesmente me matar?" "Você não é fácil de matar. E é mais fácil ganhar a confiança dos seguidores se o sucessor apoiar sua ascensão. Se você der o controle para ele, a transição será mais suave." "Você acha que Ivanski acreditaria em mim?" Timur sacudiu a cabeça. "Ele pode estar do seu lado agora, mas a cidade quer esse caso encerrado. Mesmo que seja apenas um bode expiatório, eles querem alguém atrás das grades". "Eu não posso proteger Alina de lá." Ele fechou os olhos e bateu a cabeça contra a parede. "Mas se eu o deixar assumir, ele será intocável. Nós nunca vamos pegá-lo." "Segurança para Alina ou justiça para o seu pai? Eu pensava que a escolha seria fácil." Timur franziu a testa olhando para as fotos. "Especialmente agora que você tem uma criança em quem pensar." Nikolai sacudiu a cabeça. "Não é tão simples assim. Mesmo que eu faça tudo o que ele diz, não há nenhuma garantia de que ele vai me deixar livre. Há apenas a garantia de que ele saiba que não fui eu. Uma vez que conseguir tudo o que precisar, não há nada o impedindo de conseguir o que ele quer. Ele pode não querer que ela morra, mas ele quer que eu morra, e ela está carregando meu filho. Não podemos mais nos sentar, Timur. Precisamos agir. Ele precisa morrer". Timur assentiu lentamente. "Eu não poderia concordar mais." Nikolai estendeu o braço em direção à caixa e agarrou a arma. Os olhos de Timur se arregalaram e ele balançou a cabeça. "Não toque nela. Impressões digitais!" "Minhas impressões digitais já estão nela. Essa arma é minha". Um suspiro vindo do canto fez com que eles se virassem. Nikolai congelou quando a viu olhando para ele. "Alina", disse ele com a voz grave. "O que é isso?" Ela sussurrou.


Nikolai soltou um palavrão e soltou a arma. Ele podia ver o medo e horror em seus olhos e sabia que ela reconheceu a arma. Claro que sim. Seu pai poderia tê-la protegido, mas ela reconheceu claramente o modelo que matou Yuri. "Venha aqui, Alina. Vou te contar tudo". "Kristof estava certo", ela sibilou. "Você o matou. Estou passando mal". "Alina, você está tirando conclusões precipitadas". "Você acabou de dizer que essa arma é sua", ela gritou. "O que mais eu deveria pensar?" Nikolai olhou fixamente para ela com frieza. "Vá para o seu quarto, Alina. Acalme-se. Estarei lá em um minuto". Ela recuou lentamente, mas seu rosto estava pálido como uma folha de papel. Nikolai sentiu sua dor e tentou ser forte. "Quero dar um fim nisso". "Você deveria ir com ela", murmurou Timur. "É hora de contar a verdade a ela." "Dei a ela tudo o que eu podia. Minha proteção, meu corpo, e agora ela carrega meu filho. Depois de tudo isso, ela ainda acha que sou capaz de matar seu pai. A última coisa que quero fazer é ir até ela". Se ele pensasse que uma única pessoa naquela casa fosse leal a ele, teria sido Alina. Ele teria jurado que ela estava apaixonada por ele. Ele estava incrivelmente feliz por pensar que ele tinha ganhado seu coração, mas aparentemente ele não tinha. Alina não o amava. Ele não era nada mais do que alguém que aquecia sua cama à noite.

***

Lágrimas escorreram pelo seu rosto enquanto o carro voava pela rua. Em vez de ir para o seu quarto, como Nikolai havia ordenado, ela foi direto até Kristof, que prometeu levá-la o mais longe possível do assassino de seu pai. O que ela faria agora? Ela estava carregando o filho do homem que assassinou seu pai. Como ela poderia ter sido tão estúpida?" "Eu deveria ter escutado você", ela sussurrou.


"Não pense nisso dessa forma", murmurou Kristof. "Você é uma menina tão doce. Você quis acreditar que ele era inocente até que você tivesse uma prova. Isso é o que a separa do resto de nós. Acreditamos que todo mundo seja culpado até que prove ser inocente." "Eu deixei ele me tocar", ela gritou com a voz rouca. "Como ele pôde fazer isso depois do que ele fez comigo? Que tipo de homem faz isso?" Kristof não respondeu. Alina bateu a cabeça contra a janela e soluçou baixinho. Por mais que quisesse parecer forte, suas emoções tomaram conta de si e ela simplesmente não conseguia controlá-las. Ainda assim, ela quase não se importava de chorar na frente de Kristof. Ele a viu após a morte de seu pai, e agora ele iria vê-la passar por isso também. "Eu tenho que contar para a polícia", ela disse quando seus soluços finalmente diminuíram. Sua voz soou áspera, e ela limpou sua garganta. "Se encontrarem a arma do crime, eles terão que prendê-lo". Kristof não respondeu. Ela levantou a cabeça e olhou para ele. Seus lábios estavam pressionados em uma linha dura enquanto ele dirigia. "Kristof?" Ela tentou novamente. "Deus. Cale a boca, Alina", ele rosnou. Surpresa, ela ofegou. "O que há de errado com você?" "O que há de errado comigo? Você fodeu com o homem que matou o seu pai. Você deveria estar perguntando o que há de errado com você!" Sua tristeza foi imediatamente substituída pela fúria. Endireitando-se, ela abriu a boca para gritar com ele até perceber o que ele estava fazendo. Incapaz de fazer qualquer outra coisa, ela sorriu. "Me deixando com raiva para eu não chorar mais? Clássico", ela murmurou. "Tão inocente." Havia algo estranho em sua voz, e ela franziu a testa. Quando seus olhos desceram até o volante, ela viu o logotipo do Bentley e ficou paralisada. Algo sobre o logotipo parecia muito familiar. Mas ela não se lembrava do motivo. "Para onde vamos?" A tensão no carro era sufocante. Alina agarrou a maçaneta da porta e


engoliu seco. "Kristof. Para onde você está me levando?" "Cale a boca, sua vadia." Assim que aquelas palavras frias a atingiram, ela se lembrou. O carro que a perseguiu no cemitério. O Bentley preto. O que a seguiu quando Kristof não estava lá. Seu coração martelou contra seu peito. A mancha de sangue em sua camisa depois que ela descobriu o corpo de seu pai. A suposta verdade que ele havia confessado para tentar tirá-la de Nikolai. "Meu Deus", ela sussurrou. "Você o matou. Você o matou!" Ela gritou e, esquecendo completamente que eles estavam em um carro, estendeu a mão e o atacou. Suas unhas arranharam o seu rosto, e ele gritou de dor. Girando o volante, ele parou o carro e puxou algo de sua jaqueta. Alina ainda estava lutando com uma fúria tão cega que nem sequer notou que a arma estava apontada para ela até que ela viu ele tirar a trava de segurança. Imediatamente, ela pensou em Nikolai e seu bebê. Voltando para o canto de seu assento, ela colocou um braço ao redor de seu abdome e virou a cabeça. "Por favor, não". "Porra, Alina", ele rosnou. "Você fodeu tudo isso. Você não deveria estar na casa naquela manhã! Você me disse que ia procurar um emprego!" Amortecida, Alina abanou a cabeça. "No dia seguinte. Eu faria isso no dia seguinte." "Nikolai não deveria ter assumido o controle. Que porra Yuri estava pensando ao colocar aquele... aquele moleque no comando!" Alina lambeu os lábios e tentou se concentrar em sair viva. A rua ainda estava relativamente movimentada. Se conseguisse tirar o cinto de segurança e sair do carro antes que ele tivesse a chance de atirar nela, ela conseguiria acenar para outro carro. Certamente ele não atiraria nela na frente de testemunhas, ou atiraria? "Você queria tomar o controle", ela disse calmamente. "Entendi. Você é mais velho e mais experiente. Você teria se saído um líder melhor do que Nikolai". Kristof bufou. "Isso nunca foi sobre mim. Eu não quero a merda da máfia. Eu só queria ser


respeitado! Seu pai me deixou cuidando da vida de sua filha por anos. Anos! Eu era um dos assassinos mais cobiçados da cidade, e então de repente eu virei uma babá de uma pirralha egocêntrica. Você tem alguma ideia de como isso é humilhante? Eu pensei que tudo poderia mudar quando você foi para a faculdade, mas não. Eu ainda fui forçado a ficar de olho em você e nos homens que a observavam. Então você se formou e voltou, e eu percebi que seu pai nunca a deixaria ir embora. Eu estaria preso a você pelo resto da vida. Vadik me prometeu o respeito que mereço. Ele vai me devolver minha reputação. Bílis subia até sua garganta. Seu tio? Seu tio assassinou seu pai? "Você está mentindo", ela sussurrou. "Ele nunca quis a máfia". "Você é uma vadia estúpida", Kristof rosnou. "Seu pai foi um bom líder até você nascer, e então ele se tornou um fraco. Sua compaixão foi quase a morte de todos nós. Ele deveria ter entregado as rédeas a Vadik naquele momento, mas ele achava o próprio irmão muito cruel e violento. Seu tio planeja a morte de seu pai há anos". "Ele o amava. Confiava em você". "Talvez", grunhiu Kristof. "Mas ele nunca me deixava ser eu mesmo. Colocar uma bala em sua cabeça foi a primeira vez que matei em anos. Anos! Você me viu, você sabe. Você olhou direito para mim quando você encontrou seu pai, e eu estive esperando para ver se você me entregaria." Alina balançou a cabeça. "Não te vi, Kristof. Você gastou todo esse tempo tentando me impedir por nada. Se você não tivesse me contado, eu nunca teria saberia." Ela moveu os dedos até a trava de seu cinto de segurança, mas ele pegou seu movimento e pressionou a arma contra seu peito. "Não", ele sibilou. "Vadik quer você viva, mas eu tenho permissão para matá-la se eu precisar." "Por quê?" Ela se encolheu de volta no canto. "Por que eu seria útil para ele?" "Nikolai deveria ter sido preso pelo assassinato de seu pai, mas o detetive que cuida do caso não está mordendo a isca. Agora temos que deixá-lo sozinho para que eu possa matá-lo." "O que isso tem a ver comigo?"


Kristof sorriu friamente. "Você não entendeu? Você é a isca". Ela perdeu a cabeça. Voando em direção ao painel novamente, ela não tinha nada além de raiva em sua mente ao tentar matar Kristof com suas próprias mãos. "Ele vai matar todos vocês", ela chiou. "Todos os seus anos de experiência, e você não chega nem aos pés dele!" Algo a atingiu na lateral da cabeça, e a última coisa em que ela pensou ao apagar foi como ela tinha falhado com Nikolai e com o filho deles. Um dia desses, princesa, você terá seu próprio pacotinho de alegria. Você vai entender como é querer dar a vida por outra pessoa. Você vai entender por que eu sou um pai tão autoritário. O mundo é cruel, mas as crianças são a luz. E você fará o que for necessário para proteger essa luz.


Capítulo Vinte e Um "Que diabos você quer dizer falando que não consegue encontrá-la? Ela não é invisível, e ela não pode ir tão longe sem um carro!" Nikolai rugiu. Ele saiu lá for a assim que ouviu os carros na entrada. Os dois homens à sua frente imediatamente saíram, balbuciaram suas desculpas e correram de volta para seus carros para procurar Alina novamente. Ela tinha saído há duas horas, mas estava começando a parecer dois anos. Nikolai não iria descansar até que ela estivesse segura de volta em seus braços, mesmo que isso significasse arrastá-la de volta esperneando e gritando. Também não era um bom sinal que Kristof tivesse ido sumido e não estivesse atendendo o telefone. "Você vai desmaiar se continuar gritando com as pessoas assim", Danik disse calmamente. Nikolai se virou para gritar com ele também, mas o olhar em seu rosto o deteve. Ele estava igualmente preocupado com Alina. "Ela acha que matei Yuri", disse Nikolai com a voz rouca. "Ela nunca vai voltar, e se Vadik a encontrar primeiro, ele vai matá-la. Ele vai matá-la só para me machucar. Tenho que encontrá-la, Danik. Mesmo que ela nunca mais fale comigo, eu tenho que saber que ela está nesta casa e está segura". "Vadik não é estúpido", disse Danik em voz baixa. "Ele não vai matá-la imediatamente." "Ela está grávida", Nikolai admitiu. "O stress sozinho poderia matar meu bebê. Deus, Danik, o que eu fiz? Tudo o que eu tinha que fazer era mantê-la fora de perigo, e eu não consegui nem fazer isso." "Dê um crédito a ela. Ela é forte". Nikolai olhou fixamente para o homem mais velho. "Você não está surpreso que ela está grávida?"


"Você está surpreso que eu não estou surpreso? Você precisa se concentrar, Nikolai". "Certo", ele murmurou. A verdade era que quando ela estava em seus braços, ele não conseguia pensar em mais nada. Agora que temia que nunca mais a tivesse em seus braços, ele queria matar alguém. Não era apenas uma cobiça cega. Ele precisava dela como ele precisava respirar, e ele não podia pensar em nada além de deslizar dentro de seu calor molhado. O pensamento de que ele nunca mais poderia ouvir seus gritos de prazer novamente era quase o suficiente para fazê-lo desmoronar e chorar. "Ela vai ficar bem", disse Danik severamente. "Mantenha seu queixo erguido. Já teve notícias de Timur?" Timur? Nikolai só conseguiu ficar boquiaberto com o homem. "Você sabe sobre Timur?" "Sim." "Jesus, Danik. Tem alguma coisa que você não sabe?" O homem mais velho apenas encolheu os ombros, e Nikolai sacudiu a cabeça. "Ele foi chamado há quatro horas, e eu não tenho notícias dele desde então. Se ele estiver lá com Alina, ele a manterá segura". "Você confia nele?" Nikolai passou a mão pelo cabelo em frustração. "Eu tenho escolha? Ele não precisou me dizer que estava trabalhando com Vadik ou que sabia que Kristof matou Yuri. Sua lealdade é com Alina. Agora, qualquer pessoa leal a ela é alguém em quem eu confio". "Entre", disse Danik. "Ficar andando de um lado para o outro na entrada de sua casa não vai ajudá-la". Nikolai quase gritou com o homem e o lembrou que ele não estava na posição de mandá-lo fazer nada, mas Danik estava certo. Ele se virou e o seguiu. "Sr. Sokolov!" Ele ouviu Iyanna gritar antes que eles chegassem à porta. Abrindo-a, ele e Danik correram para dentro. "Iyanna, o que houve? O que há de errado?" Seu coração pulou em seu peito. Deus,


se fosse o corpo de Alina... A jovem estava no vestíbulo segurando seu telefone. "Eu não deveria ter atendido", ela disse calmamente. "Mas era um número restrito, e eu pensei que poderia ser Alina." Ele viu o medo em seu rosto. "Está tudo bem, Iyanna." Ele tentou sorrir suavemente. "Eu não estou bravo. Quem é?" O sangue dela sumiu de seu rosto, e seu lábio inferior tremia. "Eu não sei, mas ele disse que está com Alina, e que queria falar com ela. Então ele disse que ia matá-la". Sua voz era quase um sussurro, e Nikolai temia que a pobre menina desmaiasse. Tentando manter o controle, ele fez um gesto para Danik cuidar dela ao levar o telefone até a orelha. "Vadik", ele rosnou. "Nikolai", o homem disse friamente. "Eu imagino que você esteja tendo um dia muito ruim." "Você está prestes a ter um dia muito ruim também, Vadik. Ela é sua sobrinha". "Yuri não era meu irmão", retrucou Vadik. "Talvez de sangue, mas ele nunca me tratou como um irmão, como um gêmeo. Ele não teria humilhado um irmão passando tudo para você". Nikolai ouviu o homem respirar fundo. "Ela não precisa morrer, Nikolai. Há outras maneiras de feri-la. Estou realmente surpreso ao saber que você está animado com a gravidez." Nikolai sentiu gelar até seus ossos. "Vadik", ele sussurrou. "Vou mandar um advogado até você, Nikolai. Passe os negócios para mim, e eu vou devolvêla sem grandes estragos." A ameaça implícita pendia entre eles. "Assim que eu tiver a confirmação do advogado, tudo isso terminará. Não seja como o pai dela, Nikolai. Não escolha a máfia em vez dela". "Seu desgraçado!", ele ouviu Alina gritar no fundo. "Meu pai me amava, e você o matou!" "Bem", disse Vadik. "Aí está a confirmação de que ela está viva". "Você não vai se safar disso", chiou Nikolai. "Eu vou te matar." "E então serão dois assassinatos atribuídos a você. Vadik desligou e Nikolai tremeu de raiva.


Danik voltou naquele momento e olhou para ele. "Eu tranquilizei Iyanna. E percebo pelo olhar assassino em seu rosto que Vadik Petrov está com Alina." "Ele sabe que ela está grávida." Havia um tom perigoso em sua voz. "Ele ameaçou nosso filho, Danik. Ele não vai viver para ver o sol nascer amanhã." Antes que ele pudesse se mover, Danik bloqueou seu caminho. "Eu sei que você está com raiva, mas mesmo se você descobrir onde Vadik está a escondendo, você não pode simplesmente entrar atirando. Essa é uma excelente maneira de matar você e Alina". Nikolai olhou para o velho com frieza. "Saia do meu caminho, Danik. Tenho um homem para matar".

FIM

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