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No 324 | NOVEMBRO 2016 | €4,00 (Cont.) | 600 AKZ (Angola) | Revista Mensal | www.revistadevinhos.pt

VINDIMAS Optimismo após um ano difícil

CARVALHAIS Grande marca na história do Dão

ALENTEJO Nova vida para o vinho de talha

DOURO O triunfo da elegância Ribeiro Santo Dão Reserva tinto 2013 * para portugal continental

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42 Carvalhais, uma Grande Marca do Dão

74 Balanço da vindima 2016 por todo o país

Carvalhais sempre foi um nome forte do Dão. Mas a aquisição da quinta em 1987 pela Sogrape potenciou o seu crescimento como um dos portaestandartes da revigorada região. Uma grande marca, com passado, presente e futuro.

Muita chuva nos primeiros cinco meses, calor brutal de Junho em diante. O ano meteorológico foi dramático e exigente para as vinhas. Após uma vindima tardia, feita, finalmente, com os favores do clima, fica o balanço: haverá menos vinho, mas o trabalho na adega garante a qualidade.

50 Paixão e ambição na Herdade do Freixo Respeito pela Natureza, infra-estruturas de ponta e ambição de criar vinhos alentejanos de grande elegância. As premissas do novo projecto da Herdade do Freixo eram ambiciosas, mas estão a ser cumpridas com distinção.

56 Tintos do Douro em painel elegante

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Grandes tintos do Douro postos à prova perante os seus pares. Por entre a sensação de que 2014 foi melhor do que 2013, fica uma certeza: a elegância é cada vez mais a palavra de ordem por estas bandas. Novos nomes e velhos consagrados são testemunhos dessa opção.

PÁG 6 Editorial PÁG 10 Novidades PÁG 38 Segunda Volta PÁG 40 Correio do Leitor PÁG 106 Entrevistas Mundanas PÁG 120 Crónica Dois Dedos de Conversa, de João Paulo Martins PÁG 122 Balcão PÁG 138 Evento Terroir Experience

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132 98 Vinhos da talha, essência de Alentejo

124 Cinco jovens chefes para seguir com atenção

São a tradição do Alentejo por excelência e agora lançam-se numa nova vida, à medida que gente de fora descobre as suas virtudes. Os vinhos da talha, presença certa em muitos restaurantes e tascas do Alentejo, estão a dar passos certos rumo ao reconhecimento global.

Vasco Coelho Santos, Vítor Areias, João Sá, Francisco Magalhães, Hugo Brito. Cinco chefes, quase todos ainda muito jovens, que são bons representantes da geração que definirá o futuro da restauração portuguesa. Fomos saber (e provar) o que andam a fazer.

110 Enoturismo por terras do Centro

132 Bairrada recebeu mais um Encontro com o Vinho

Tomar marca a fronteira Sul, Condeixa abre a porta Norte. No centro do país, por entre serras e rios, há uma região escondida que agora fica mais acessível graças à A13. Vinhos únicos e paisagens arrebatadoras no coração de Portugal, onde a tradição ainda é o que era.

Foi a quarta edição e voltou a ser um enorme sucesso. O Encontro com o Vinho e Sabores Bairrada 2016 juntou produtores e enófilos, gastrónomos e técnicos, profissionais e curiosos. Um mar de gente no Velódromo de Sangalhos, para celebrar uma região que continua a afirmar-se pela diferença.

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Lançamento Cartuxa PÁG 144 Lançamento Kompassus Lançamento Adega Mãe PÁG 148 Lançamento Santos & Seixo Lançamento Artadi PÁG 152 Lançamento Buil i Giné Notícias


editorial Luís Ramos Lopes O Barca Velha e eu

O Barca Velha é sempre um vinho especial, mas o 2008 agora lançado no mercado é-o para mim duplamente, pois alia uma notável qualidade a um perfil diferente, mais austero e fresco, que vai muito ao encontro daquilo que é o “meu tipo” de vinho. Um bom pretexto para abordar aqui a minha já longa e nem sempre pacífica relação com a mais emblemática marca do vinho português.

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80 (1981-1982-1983-1985) e meados dos anos 90 (1991-1995). E foi aí que a minha relação com a histórica marca duriense esfriou. Não que estes vinhos não fossem bons. Na verdade, eram mesmo muito bons. Mas, para mim, nunca justificaram estar num patamar tão acima da concorrência, em termos de notoriedade e preço. E, sobretudo, não mostraram a capacidade de envelhecer com a nobreza que encontramos em marcas clássicas da mesma época, como os sublimes Quinta do Carmo 1986, Tapada do Chaves 1988, Casa de Saima 1990, Quinta de Baixo (Kompassus) 1991, Quinta da Pellada Touriga Nacional 1996 ou Quinta dos Roques Reserva 1996, só para citar alguns. Assim, a minha relação com os Barca Velha era respeitadora, como deve obrigatoriamente ser respeitada uma marca que já em 1952 abriu ao Douro um caminho que ia além do Vinho do Porto, mas algo distante. Pegando numa analogia religiosa, tornei-me um não crente. E, seguindo a mesma metáfora, só voltei a ver a luz quando, há dez anos, foi lançado o Barca Velha 1999. Esse notável vinho reconciliou-me com a marca e ainda hoje, quando o bebo, tiro um imaginário chapéu e reconheço a razão de o Barca Velha ser aquilo que é. As colheitas seguintes, 2000 e 2004, solidificaram esse estatuto. Mas o 2008 é outra coisa. Menos óbvio, talvez menos sedutor no imediato, mas muito mais personalizado e fresco, o Barca Velha 2008 é o “meu” Barca Velha. E como dizia Vinicius de Moraes, espero “que o amor seja infinito enquanto dure”.

O 2008 é o “meu” Barca Velha

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Colaboradores Permanentes

Fernando Melo (fernandogilmelo@gmail.com) João Paulo Martins (jjpaulom@gmail.com), João Afonso (jafonso@mail.telepac.pt), Luís Antunes (czater.xarax@gmail.com) Mariana Lopes (caminhosdovinhogeral@gmail.com) Nuno Oliveira Garcia (saca-a-rolha@hotmail.com) Secretária de Redacção – Sandra Gonçalves (sandragoncalves@rvinhos.masemba.com)

Fotógrafos – Ricardo Palma Veiga e Anabela Trindade Rua da Fraternidade Operária, 6, 2794-024– Carnaxide Email: redaccao@rvinhos.masemba.com Tel. 215 918 132 Fax 215 918 150 DIRECÇÃO DE PRODUÇÃO Director – Ramiro Agapito (ramiroagapito@masemba.com) Assistente – Inês Pereira P A G I N A Ç Ã O – Pedro Martins e Paulo Franco

Digitalização e tratamento de imagem

Diogo Sargento, Frederico Queirós e Pedro Figueiredo

Tive a imensa sorte de beber Barca Velha ainda antes de sonhar vir um dia a escrever sobre vinhos. Não recordo exactamente a data em que isso aconteceu (1985 ou 1986), mas lembro-me do ano de colheita (1978), de quem generosamente partilhou comigo a garrafa e do respeito e admiração com que a bebemos. Apesar de na época ter apenas 24 ou 25 anos, já ganhava o suficiente como jornalista para beber com alguma regularidade um Pasmados, um Caves São João ou um Borba Reserva, pelo que sabia reconhecer um vinho de qualidade e este Barca Velha 1978 estava “acima da minha liga”. Pouco tempo depois desse momento revelador, em 1989, lancei a Revista de Vinhos, passei a provar diariamente e a minha “base de dados” de aromas e sabores desenvolveu-se de forma avassaladora nos anos seguintes, acompanhando o próprio crescimento qualitativo do mercado de vinhos português, pelo que a avaliação comparativa dos Barca Velha se tornou bem mais fundamentada. Enquanto profissional do vinho provei quase todos os Barca Velha. Faltam-me apenas os 4 primeiros (1952-1953-1954-1957), mas tive oportunidade de pasmar (é o termo) com as colheitas dos anos 60 (1964-1965-1966) e até por diversas vezes agradecer o “descuido” de Fernando Nicolau de Almeida ao desclassificar o magnífico Reserva Especial Ferreirinha 1980, permitindo-me assim aceder a ele mais facilmente. Mas os Barca Velha que mais vezes tive no copo, na primeira década e meia da Revista de Vinhos, foram os dos anos

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DIRECÇÃO EDITORIAL Director – Luís Ramos Lopes (luislopes@rvinhos.masemba.com) 234 738 248 — R. prof. Bento Lopes, 76 3780-133 Sangalhos Director de Área de Negócios – João Geirinhas (joaogeirinhas@rvinhos.masemba.com) 215 918 129 Redactores – 215 918 127 António Falcão (antoniofalcao@rvinhos.masemba.com) Luís Francisco (luisfrancisco@rvinhos.masemba.com)

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DIRECÇÃO DE CIRCULAÇÃO Director – Bruno Ventura (brunoventura@masemba.com) Linha de Apoio ao Ponto de Venda Tel. 707 200 229 ASSINATURAS Coordenador – Mário Vidal (mariovidal@masemba.com) assinaturas@masemba.com Tel.: 215 918 088 DIRECÇÃO COMERCIAL E PUBLICIDADE Director de Publicidade – Fernando Gomes (fernandogomes@rvinhos.masemba.com) 215 918 130 DELEGAÇÃO SUL Responsável – Ana Sampaio (anasampaio@rvinhos.masemba.com) 215 918 131 DELEGAÇÃO NORTE Responsável – Maria do Céu Pinto (mariapinto@rvinhos.masemba.com) 226 057 580 ou 917 563 824 Rua Tenente Valadim, 181, 4100-479 Porto DIRECÇÃO DE MARKETING E EVENTOS Directora – Dina Nascimento (dinanascimento@masemba.com) Gestora de Produto – Teresa Neves (teresaneves@rvinhos.masemba.com) Assistente – Dulce Almeida (dulcealmeida@masemba.com) Gestora de Eventos – Dulce Bandeira (dulcebandeira@rvinhos.masemba.com) Assistentes de Eventos – Ana Rita Gonçalves (ritagoncalves@masemba.com) e Rita Pereira (ritapereira@masemba.com )

DIRECÇÃO-GERAL Nuno Santiago (nunosantiago@rvinhos.masemba.com) DIRECÇÃO FINANCEIRA Ana Ruivo (anaruivo@masemba.com) PROPRIETÁRIO E EDITOR: Masemba, Lda, Rua da Fraternidade Operária, nº6, 2794-024 Carnaxide, NIF/NIPC: 510647421 – CRC Cascais IMPRESSÃO: Lidergraf DISTRIBUIÇÃO: Urbanos Press Rua 1º de Maio Centro Empresarial da Granja Junqueira 2625 – 717 Vialonga Linha de Apoio ao ponto venda: 707 200 229 E-mail: assistencia.press@urbanos.com DEPÓSITO LEGAL: 80300/9 Nº DE REGISTO ERC: 114309 DETENTORES DE 5 % OU MAIS DO CAPITAL DA EMPRESA Erigo VII - Fundo de Capital de Risco 51,00%; Até ao Fim do Mundo, Lda 25,00%; Tito Z. de Mendonça 16,00%; Sérgio Valentim Neto 7,00%; Semba Comunicação, Lda 1,00% pode consultar o estatuto editorial desta publicação em www.revistadevinhos.pt/institucional


Este mês com a Revista de Vinhos 1 GARRAFA RIBEIRO SANTO DÃO RESERVA TINTO 2013 PRODUTOR: MAGNUM VINHOS

Um conjunto fresco e saboroso! NOTA DE PROVA

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Feito a partir de uvas Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz, teve depois um estágio em barricas de carvalho francês anteriormente usadas na fermentação de brancos. O vinho mostra-se boa cor, com aromas de fruta preta, alguma especiaria e um ligeiro fumado que lhe dá carácter. Na boca, tem um bom corpo, taninos macios, boa acidez que lhe empresta frescura e um final prolongado.

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Seja responsável. Beba com moderação.

LINHA DE APOIO: 215 918 088 Dias úteis das 9.30h-13h e das 14.30h-18h STOCK LIMITADO Promoção válida na compra da revista + garrafa na sua banca habitual, com a apresentação do vale de desconto desta página. Os assinantes da Revista de Vinhos podem trocar directamente o vale pela compra da garrafa nos pontos de venda habituais.


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novidades

Receita de sucesso a bom preço A ideia de juntar duas castas emblemáticas dos brancos do Dão, até aí usadas invariavelmente em varietais, ganhou corpo há 6 anos. Desde então, o grande segredo deste vinho tem sido, nas palavras do seu enólogo, João Paulo Gouveia, “não estragar as uvas”.

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Pedra Cancela Dão Malvasia Fina-Encruzado Reserva branco 2015 Pedra Cancela

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Muitas vezes, as grandes invenções têm a particularidade de nos surgirem como óbvias. Colocar rodas nas malas de viagem, por exemplo. Ou juntar, num mesmo lote, exclusivamente Encruzado e Malvasia Fina… Foi o que fez, em 2000, João Paulo Gouveia, de forma pioneira e com resultados extraordinários. A fórmula pegou e vai tendo sucesso um pouco por todo o Dão. Neste caso, também graças a um preço muito simpático para um vinho “topo de gama”. Na colheita de 2014 foi adicionada a designação Reserva neste vinho que já se tornou uma referência do Dão. Quase 80 por cento de Encruzado e o resto Malvasia Fina constroem uma aliança de ouro – o primeiro traz mineralidade, a segunda contribui com o floral e o fruto. A edição de 2015 mereceu um elogio notável da revista “Wine Spectator”, que considerou este vinho um dos “12 tesouros de vinho branco de Portugal”. Para João Paulo Gouveia, a receita é simples: “Temos uvas muito boas, o resto é não as estragar na adega.” Seja. Mas há mais para se dizer. Tecnicamente, refira-se que 20 por cento do Encruzado estagia cinco meses em barricas de carvalho francês sem tosta,

para a mesa enquanto a Malvasia, que fermentou em inox, fica depois armazenada a baixa temperatura até entrar no lote final. As 15.000 garrafas produzidas são uma “quantidade ideal para um vinho topo de gama”, diz João Paulo Gouveia, garantindo uma boa presença no mercado. E sem risco de sobras: “Vai todo logo no ano de lançamento, até porque é um vinho barato para a sua qualidade.” Há pressa de o beber, o que até pode ser uma pena. “Os vinhos de Encruzado têm a ganhar com o tempo. Eu, em casa, estou a beber o 2012, mas a tendência do mercado é outra…” Talvez as coisas estejam a mudar, lentamente, e este Pedra Cancela é uma boa razão para experimentar dar tempo ao vinho que se compra. L.F. A conjugação destas duas uvas continua a ser “receita” de sucesso. A fermentação parcial em barrica trouxe complexidade e elegância, com fumados muito delicados envolvendo um vinho intensamente mineral e citrino (toranja, laranja). Profundo, cremoso, com acidez muito fina a prolongar um conjunto cheio de brilho e que vai evoluir muito bem na garrafa. (13,5%) LL

Um bom bacalhau, numa das suas múltiplas declinações, pode ser excelente companhia.

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A selecção das selecções O Mythos só sai em anos de grande qualidade, mas a verdade é que, desde 2003, só houve duas vindimas que não se mostraram à altura. Resultado de uma sequência de selecções – as melhores parcelas, as melhores uvas, as melhores barricas –, este é um vinho que não cede a facilidades.

para a cave Primeiro, escolhem-se as melhores parcelas, aquelas que, historicamente, dão origem aos melhores vinhos e, por isso, também merecem especial atenção das equipas de enologia. Depois, já na adega, escolhem-se as melhores uvas. E, mais de um ano depois, escolhem-se as melhores barricas para dar corpo ao topo de gama do Casal da Coelheira. Deste 2013 fizeram-se quase 5000 garrafas e – fica o alerta para os apreciadores nacionais – a maior parte delas tem como destino a exportação. O lote é composto por Touriga Nacional (40%), Cabernet Sauvignon (40%) e Touriga Franca (20%), sendo desta casta as vinhas mais recentes – 12/13 anos. A parcela de Touriga Nacional tem 25 anos e a de Cabernet 30. As uvas escolhidas (em média, cerca de 2 por cento das que chegam à adega) fermentam separadamente, a Touriga Franca em circuito fechado, as outras em lagares abertos, largos, para “a manta ser pouco espessa, aumentando a superfície de contacto com as massas”, explica o enólogo Nuno Falcão Rodrigues. O processo decorre a temperaturas entre os 26 e os 28 graus e é seguido por mais uma semana de maceração. Após a fermentação maloláctica em pequenos depósitos de inox, “para garantir que vai limpo, sem contaminações”, o vinho segue para as

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Mythos Reg. Tejo tinto 2013 Casal da Coelheira

barricas, de carvalho francês (80%) e americano (20%), onde estagia durante 12 meses. E só então é tomada a decisão final de fazer, ou não, Mythos. “Neste momento ainda não sabemos se haverá Mythos 2015; o 14 vem aí, mas o 15 ainda depende da avaliação que será feita no final do estágio”, explica Nuno Falcão Rodrigues. Os terrenos de areia, com baixas produções, garantem concentração e maturações adequadas. Não espanta, por isso, que o Mythos, não sendo um vinho de edição regular, acabe por aparecer muitas vezes no catálogo… “A primeira edição foi em 2003 e desde aí só falhámos 2006 e 2010. Temos tido alguma sorte”, comenta o enólogo. Mais nada? “Bom, também temos tentado fazer alguma coisa para a merecer!” Brindemos a isso. L.F. O topo de gama da casa, com Touriga Nacional, Touriga Franca e Cabernet, mantém o perfil a que nos habituou, com os fumados da barrica em primeiro plano, seguindo-se a fruta bem madura. Bastante encorpado, a fruta sempre presente, balsâmicos e especiarias cortados pelas notas vegetais e pela acidez do Cabernet, que conferem muita garra e persistência ao conjunto. (14%) LL(14,5%)

Concentrado e incisivo, é companhia ideal para pratos de caça vermelha ou borrego.

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novidades ESPUMANTES

VINHO VERDE

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Argau IG Beira Atlântico Espumante branco Casa dos Barbas Com Pinot e Chardonnay, apresenta leves tostados no aroma, complementado com sugestões de pêra cozida, citrinos maduros. Na boca revela-se bem afinado, com acidez firme, refrescante, tudo muito elegante e apetecível. (12%) LL

€22,14

QMF Virgílio de Sousa Particular Bairrada Espumante branco 2011 Quinta da Mata Fidalga O topo de gama deste produtor, feito com Chardonnay e Baga, é um espumante de bela presença aromática, lembrando biscoito, geleia de laranja, num registo bastante elegante. A leve evolução trouxe-lhe muita complexidade na boca (avelãs, maçã assada), tudo envolvido por excelente acidez e frescura. Longo, distinto, belíssimo espumante. (12,5%) LL

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Casa da Ínsua Dão Espumante Bruto branco 2014 Empreendimentos Turísticos Montebelo Aroma com foco nas notas citrinas, leve sensação de padaria, tudo num registo fresco e atractivo. Boa expressão na boca, flores brancas a notas de ameixa, tudo com boa acidez e a sugerir ser bom parceiro para a mesa. (12%) JPM

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Aplauso Bairrada Espumante Reserva branco 2009 Ampulheta Mágica Aqui a casta Bical entra em 55% do lote, complementado com Cercial e Maria Gomes. Revela uma muito boa finura aromática, assente nas notas limonadas e de casca de laranja. A elegância prolonga-se na boca cremosa, com muita frescura, intensidade e persistência. Belo espumante. (12,5%) LL

€7,50

M&M Gold Edition Espumante Beira Atlântico branco Cave Central Aroma contido, muita panificação (brioche, torrada), perceção de conjunto seco. Prova de boca com pressão alta, bolha média, mousse com alguma fixação de sabor, citrino maduro, bela acidez. Um conjunto muito eficaz. (12%) NOG

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Expressões Vinho Verde Monção e Melgaço branco 2014 Anselmo Mendes Um Alvarinho 100% que prefere comunicar mais a região do que a casta, ausente do rótulo. Muito delicado e elegante, um perfil assente numa enorme mineralidade (lembra pedra molhada, sílex) a par de citrinos muito puros (limão, lima). Incisivo, com acidez firme e refrescante, muito longo, preciso, puro. (12,5%) LL

€11,50

Quinta da Lapa Do Tejo Espumante Reserva rosé 2013 Agrovia Touriga Nacional e Aragonês. Rosa melancia. Aroma que começa fechado, pólvora, depois surgem notas de fruto vermelho fresco. Bolha e mousse médias, boa pressão, saboroso, groselha fresca, e final com sedução. Belo espumante rosé, para a mesa. (11,5%) NOG

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Quetzal Reg. Alentejano Espumante branco 2013 Quinta do Quetzal Um Brut Nature com aroma sóbrio, com tostados discretos, alguma confeitaria, mais focado nas notas vegetais de folha de laranjeira e ervas aromáticas do que na fruta cítrica. Cremoso e elegante, com sabor contido, mas a textura compensa com muito prazer. (12%) LA

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Muros de Melgaço Vinho Verde Monção e Melgaço Alvarinho branco 2015 Anselmo Mendes Este clássico revela nesta colheita um perfil intensamente citrino, com apontamentos de lima, laranja, casca de limão. Muito puro e incisivo, quase crocante na sua fresca acidez, notas de pedra molhada, complexo e elegante no final longo e vibrante. (12,5%) LL

€5,50

Aplauso Bairrada Espumante Col. Selec. branco 2014 Ampulheta Mágica Feito com 50% Maria Gomes, mais Arinto e Bical, entre outras castas. Perfil jovem e bem orientado para a fruta, com apontamentos de citrinos maduros, pêssego. Redondo e macio, com suavidade e bom equilíbrio de conjunto. Óptimo como aperitivo. (12%) LL

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Arêgos Vinho Verde Avesso Grande Escolha branco 2015 Álvaro Monteiro Ribeiro Muito apelativo de aroma, com recorte mineral e frutos cítricos (lima, laranja) de grande pureza. Franco e fino, com muito bom equilíbrio entre fruta, corpo, acidez, perfeito exemplar desta casta nem sempre fácil de domesticar. Excelente preço para esta qualidade. (13%) LL


novidades DOURO

a escolha de Luís Lopes 16

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Encosta d’Arêgos Vinho Verde Grande Escolha branco 2015 Álvaro Monteiro Ribeiro Com uvas Avesso e Arinto, originárias de Baião, é um branco perfumado de aroma, com atractivas notas citrinas, um toque de ananás num fundo mineral. Na boca conjuga elegância e frescura, com final firme e persistente. Mantém a consistência qualitativa de colheitas anteriores a um preço muito atractivo. (12,5%) LL

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Barca Velha Douro tinto 2008 Sogrape Uma nova colheita de Barca Velha é sempre um acontecimento. Este 2008 foi feito exclusivamente com uvas oriundas da Quinta da Leda (Touriga Franca, na maioria, mais Touriga Nacional, e alguma Tinta Roriz e Tinto Cão) e mostra um estilo mais austero e fresco do que os anteriores 2000 e 2004. Ou seja, não lhe basta ser excelente como tem uma excelência ao meu gosto…

Maria Bonita Vinho Verde Loureiro branco 2015 Lua Cheia em Vinhas Velhas O aroma apresenta boas notas de fruta citrina, num perfil fresco, jovem mas com muito bom impacto olfactivo: Na boca, a baixa graduação ajuda à prova, servido depois por uma acidez elevada que refresca o conjunto. (10,5%) JPM

É antes do mais um tinto de enorme carácter, com fruta muito pura, taninos sólidos mas surpreendentemente finos e, sobretudo, uma notável frescura ácida, que lhe assegura desde já enorme longevidade. Um vinho personalizado, sublime, que faz inteira justiça à notoriedade da marca. (14%) LL

€35

Monte Meão Douro Touriga Nacional tinto 2013 F. Olazabal e Filhos Proveniente de uma parcela do Vale Meão com solo de granito, este é um Touriga muito singular, com aroma austero, onde as notas florais da casta aparecem subtilmente conjugadas com apontamentos minerais. Na boca persiste o perfil de delicadeza e elegância, a par da solidez e profundidade típicas do Douro Superior. (14%) LL

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Oboé (rótulo preto) Douro Grande Escolha tinto 2011 CVD Concentrado e rico, com a madeira muito bem integrada no conjunto aromático, a mostrarse sisudo e ainda pouco falador. A mesma sensação na boca, é tinto algo extraído, mas sem nunca perder excelente equilíbrio de conjunto. (14%) JPM

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Quinta de S. José Douro Touriga Nacional tinto 2014 João Brito e Cunha Excelente aroma, fruto maduro e exótico, especiarias, profundo e misterioso. Prova de boca em linha, com muita frescura e sabor, elegante e polido. Num ano menos fácil, talvez a melhor edição deste tinto. (14%) NOG

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Fagote Vinhas Velhas Douro Grande Reserva tinto 2013 CVD Denso, com presença da madeira aqui a ajudar ao perfil negro da fruta, notas de chocolate amargo. A mesma sensação na boca, taninos finos mas bem presentes, todo ele em crescimento, a precisar de tempo. (14,5%) JPM

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Bajancas Vinha do Corvo Douro tinto 2012 António Lamas Muito bem no aroma, complexo, rico e polido, já com o tempo a fazer o seu trabalho de arredondamento de arestas, assente nas notas vegetais e madeira discreta. Elegante e fino na boca, dá prova cheia de sabor e classe. (14,5) JPM

€12

Oboé Superior Douro tinto 2014 CVD Ambiente aromático dominado pelas notas mais vegetais e secas da madeira, com fruta de qualidade em segundo plano. Macio e envolvente na boca, boa textura acetinada, correcto na acidez e perfil bem gastronómico. (13,5%) JPM


novidades

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Oboé (rótulo branco) Douro Grande Escolha tinto 2012 CVD Concentrado na cor e aroma, presença da madeira com notas de tosta e amêndoas torradas. Volumoso mas com frescura na boca, mostra-se um tinto preparado para enfrentar pratos suculentos e bem temperados. (14%) JPM

€25

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Quinta do Tedo Savedra Douro Grande Reserva tinto 2011 Vincent Bouchard Aroma com frutos vermelhos, leve floral em fundo e sugestão eucaliptal, alguns químicos a darem um tom sério ao vinho. Bom volume de boca, leve nota achocolatada, todo polido e extraído mas sem se extremar. (14%) JPM

€21

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Quinta do Cerro da Nora Douro Grande Reserva tinto 2011 Douro Wine Devotion Oriundo de vinhas velhas, revela cor escura e a fruta madura característica do Douro, com notas de amoras, bagas silvestres, apontamentos vegetais. Com médio corpo mas suficiente para envolver os taninos sólidos e secos, é um tinto ainda vigoroso, austero, que pode continuar a evoluir bem em garrafa. (14,5%) LL

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100 Hectares Filigrana Douro tinto 2014 100 Hectares Aroma quente e apelativo, fruto maduro, chocolate, químico e barrica ao fundo. Denso na boca, lácteo, largo, acidez discreta, muito saboroso no final. Um tinto intenso e bem desenhado, que não faz jus ao nome pois destina-se a quem gosta de sensações fortes. (15%) NOG

€15

Oboé Vinhas Velhas Douro branco 2015 CVD Presença da barrica nova no aroma, aqui a sugerir notas de tosta, de leve fruto seco mas tudo ainda com ponderação. A excelente acidez mantém o vinho num registo elegante, ainda que cheio e redondo na boca. (13%) JPM

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Palato do Côa Douro Códega do Larinho branco 2015 5 Bagos Mostra-se austero no aroma, muito mais mineral do que frutado, com notas cítricas discretas. A expressão frutada surge mais evidente na boca, mas o vinho vale sobretudo pelo grande equilíbrio e frescura, num registo contido e firme, que pode crescer em garrafa. Um raro exemplo a solo desta clássica casta duriense. (13%) LL

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Quinta do Soque Vinhas Velhas Douro tinto 2009 Soc. Agr. Quinta do Soque Fruta em calda no aroma, revela uma boa evolução aromática, já sem a vibração da idade jovem. Muito bem na boca, excelente a harmonia entre corpo e acidez, o vinho resulta bem agradável na prova. Já perto do seu melhor. (14,5%) JPM

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€10

Bajancas Douro Reserva tinto 2013 António Lamas Sério no aroma, com fruta madura mas com elegância e com as boas notas vegetais de esteva a surgirem, ao lado de leve floral. Rico e elegante. Boa harmonia de boca, textura sedosa, taninos finos. Tudo em muito boa forma. (14,5%) JPM

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Pios Douro tinto 2013 Quinta de Vale de Pios Aroma fino marcado pelas notas citrinas da bergamota, num registo muito elegante e onde a fruta secunda as flores em registo muito bem conseguido. Elegante, barrica bem integrada, conjunto bem aprimorado. (14%) JPM

€5,99

Quinta da Soalheira Douro tinto 2014 Soc. dos Vinhos Borges Aroma com boa complexidade, sustentado pela fruta vermelha e boas notas florais de Touriga. Muito harmonioso na boca, boa textura, com muita elegância e graduação ajustada. Apetecível desde já. (13%) JPM

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€10

Quinta do Soque Superior Douro tinto 2013 Soc. Agr. Quinta do Soque Concentrado no aroma, denso na fruta, leves notas químicas, ainda todo ele um pouco fechado. Fruta muito madura na boca, o vinho tem peso alcoólico que pode resultar em algum cansaço mas tem com volume e acidez. (15%) JPM

€8,60

Vallado Prima Douro branco 2015 Quinta do Vallado Não é fácil fazer um 100% Moscatel Galego que não seja cansativamente exuberante. Porém, este é um excelente exemplo da casta quando bem tratada na adega, com o típico aroma floral contido e delicado, num perfil bastante elegante, leve e com muito boa frescura a alegrar o conjunto. (12,5%) LL


novidades

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€6,50

16

Bajancas Douro Reserva branco 2015 António Lamas Aroma com predominância de notas verdes, num perfil sério e onde alguns citrinos sustentam o aroma. Cálido na boca, macio, acidez discreta mas a cumprir a função, resulta um branco gastronómico, a beber cedo. (14%) JPM

€5,85

Vallado Douro Touriga Nacional rosé 2015 Quinta do Vallado Pétalas de rosa, framboesas, morangos silvestres surgem no aroma delicado e elegante, que atrai desde o início. A boca confirma este perfil de leveza e finura, com a fruta sempre presente mas sem excessos, mostrando toda a versatilidade da casta. (12,5%) LL

€6,75

Fagote Douro Reserva tinto 2014 CVD Bom equilíbrio entre as quatro castas que entram no lote, num estilo directo e bem atractivo, com abundantes frutos vermelhos. Muito bem na boca, envolvente, macio e cordato, é um tinto consensual e prazenteiro. (13,5%) JPM

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100 Hectares Colheita Douro tinto 2015 100 Hectares Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca. Fruto maduro no aroma, ameixa e cereja, tudo acessível e bonito, com notas vegetais em pano de fundo. Prova de boca com meio-corpo, leve mas saboroso, taninos bem desenhados e final conseguido. (14%) NOG

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€12,75

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Excomungado Douro tinto 2013 Quinta de Vale de Pios Lote de quatro castas, dominam no aroma as notas florais da Touriga Nacional, secundadas por fruta madura mas com elegância. A mesma sensação na boca, o vinho está muito afinado e a dar boa prova. Sedutor. (13%) JPM

Alta Pontuação Douro tinto 2012 Alta Pontuação Aroma de boa intensidade pontuado por sugestões de fruta madura, leves balsâmicos, sentindo-se uma leve evolução que a idade do vinho justifica. Muito suave, com taninos amaciados pelo tempo, notas vegetais a dar garra ao final. (14%) LL

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Bajancas Douro tinto 2014 António Lamas Concentrado na cor, aroma de fruto vermelho e negro com vivacidade, amoras e mirtilos. Boa textura de boca, taninos finos e presentes a assegurar a longevidade, a fruta é bem madura, é um tinto cheio mas que merece ser consumido novo. (14,5%) JPM

€4,60

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€9,50

€6,75

Fagote Douro Reserva branco 2015 CVD É boa a expressão da fruta, jovem, citrina e algo doce mas muito atractiva. Leve toque mentolado e floral a sobressair na boca, o vinho é ligeiro mas deixa muito boa impressão, afinado na acidez e no estilo. (13%) JPM

€25

Borges Douro Reserva branco 2015 Soc. dos Vinhos Borges Aroma delicado e complexo, juntando as notas da fruta citrina e de lembrança tropical com leves tostados que lhe assentam bem. De médio corpo, é um branco de boca fina, pronto a beber e que se mostra já no seu melhor. (13,5%) JPM

Oboé 17 Douro tinto 2014 CVD Fruta madura no aroma, notas de ameixas pretas e especiarias, ao lado de alguma esteva. Resulta quente na boca devido ao álcool exagerado mas houve aqui o cuidado de tentar polir arestas e dar um tom gastronómico ao vinho. Muito extremado. (17%) JPM

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€9

Cabril Douro Viosinho branco 2015 Quinta do Cabril Elegante aroma, onde se misturam sugestões citrinas de tangerina e laranja com um toque de ananás. É um branco consistente, com volume, mas ao mesmo tempo bela leveza conferida por equilibrada acidez. Final longo, fresco, sumarento. (13%) LL

€12

Oboé Douro Reserva branco 2015 CVD Aroma fino, com predominância das notas citrinas, de fruta branca e flores brancas, tudo atractivo e muito polido. Boa harmonia de boca, acidez bem integrada, bom corpo mas sem marcar muito. Tudo em boa forma. (13%) JPM


novidades 15,5

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€15

Oboé Vinhas Velhas Douro branco 2014 CVD O vinho já mostra algumas notas de evolução precoce, sensação de mel, de leve compota de citrinos e algumas amêndoas e tosta. Redondo e muito afinado na boca, já sem arestas e no seu melhor momento. Para queijos. (13%) JPM

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€12,50

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Quinta da Foz Douro tinto 2013 Quinta da Foz Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, fermentadas em lagar. Mostra uma boa complexidade aromática, a fruta silvestre envolvida em leves fumados da barrica. Corpo médio, integrando taninos polidos, final envolvente, com elegância. (14%) LL

15,5

a escolha de João Afonso €7,85

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Palato do Côa Douro branco 2015 5 Bagos Oriundo de Muxagata, feiro com Rabigato e Viosinho, é um vinho de aroma bem vincado, com apontamentos vegetais amparando a fruta citrina. Na boca destaca-se pela solidez e equilíbrio, com notas de maçã ácida no final seco, sério, bem gastronómico. (13%) LL

Quinta de Porrais Douro branco 2015 Soc. Agr. Quinta de Porrais Uma marca que andou muito anos mais ou menos conhecida, com vinhos interessantes, mas nem sempre convincentes. A parceria com a Casa Santos Lima tudo mudou. Os vinhos baixaram de preço e tornaram-se muito mais assertivos e atraentes. Este é mais um exemplo de que a Quinta de Porrais chegou, finalmente, para vencer e convencer.

€5,85

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Pios Douro branco 2015 Quinta de Vale de Pios Viosinho e Rabigato num branco cheio, com volume de fruta, com textura macia e a mostrar personalidade. Bom desenho de boca, encorpado e, apesar de elevado teor alcoólico, resulta bem como vinho de Outono. (14,5%) JPM

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€3,99

Um branco muito atraente, tanto no lado acídulo como na vertente amarga de casca e caroço de fruto. Na boca tem corpo com bastante presença, acidez muito viva, mas na prova resulta algo gordo e envolvente com um final longo e picante. (13%) JA

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€7,50

Alta Pontuação Douro branco 2015 Alta Pontuação Notas minerais de fósforo acompanham discretas sugestões de fruta citrina. Na boca mostra-se bem mais expressivo, com a fruta em bom plano, muitos citrinos de laranja e limão a prolongarem e refrescarem o conjunto. (13%) LL

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€6,75

Vallado Douro branco 2015 Quinta do Vallado Um belo exemplo de branco duriense do Baixo Corgo vindimado no momento certo: fruto muito limpo (ananás, laranja, tangerina), bom equilíbrio de acidez, perfil leve, alegre, vivo, tudo bastante harmonioso e atractivo. (12%) LL

€4,75

Arrojo Douro branco 2015 CVD Muito vegetal verde, alguma mineralidade e notas de pedra raspada, alguma austeridade. Boa prova de boca, acidez muito bem integrada e graduação ajustada, resultando numa prova de fundo citrino bem conseguido. (12,5%) JPM

15,5

€4,75

Arrojo Douro tinto 2014 CVD Muito fresco e jovem na fruta, a mostrar muito boa relação corpo/ acidez e a dizer que temos tinto polivalente e muito gastronómico. A beber enquanto este lado jovem permanece em evidência. (13%) JPM

€7,50

Cabril Douro branco 2015 Quinta do Cabril Frutos citrinos (laranja, limão) acompanham discretas notas vegetais num nariz delicado e contido. Revela-se um branco bem equilibrado na boca, a fruta sempre presente, com final fresco e harmonioso. (13%) LL

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€7,50

Cabril Douro tinto 2015 Quinta do Cabril Mostra-se ainda muito jovem, vinoso no aroma e intenso de fruto, lembrando bagas silvestres (amoras, framboesas). O perfil frutado e sumarento acompanha toda a prova, resultando num vinho atractivo, envolvente e com carácter duriense. (13,5%) LL

15,5

€7,99

Lello Douro Reserva tinto 2014 Soc. dos Vinhos Borges Aroma tranquilo onde sobressaem as notas dos frutos vermelhos, num ambiente meio escuro mas atractivo. Já polido na prova de boca, macio e a autorizar prova imediata, é um tinto bem consensual e polivalente. (13%) JPM

15,5

€5,40

Vinhas do Côa Douro branco 2015 5 Bagos Com Rabigato e Viosinho, está um branco delicado de aromas, com notas de ananás e citrinos. A prova de boca é fresca e viva, num estilo leve, alegre, afinado, que se bebe com prazer. (12,5%) LL

15,5

€7,50

Zimbro Douro tinto 2012 Quinta do Zimbro O tinto mostra leve evolução, como que a dizer-nos que temos de ter em atenção o stock. A fruta é madura, a textura é boa, o perfil é correcto mas a oxidação está no horizonte. Por isso há que bebê-lo agora. (14,5%) JPM


novidades TRÁS-OS-MONTES

17 €7,95

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€28

16,5

A Palheira Dão tinto 2013 António José Madeira Aroma fechado, com pouca fruta vermelha, notas vegetais de bosque e mato seco, especiarias e um pouco de compotas suaves. Carnudo na boca, fresco, muito ligeira doçura frutada, taninos ao tempo picantes e aveludados, longo final. (13,5%) LA

Quinta do Sobreiró de Cima Reg. Transmontano Verdelho branco 2015 Quinta do Sobreiró de Cima Muito fino no seu aroma cítrico com algum fruto tropical. Na boca mostra-se cheio de vida, pleno de notas limonadas, com acidez crocante, exaltando frescura no final intenso e persistente. (12,5%) LL

€4,30

Quinta da Ponte Pedrinha Dão Touriga Nacional tinto 2014 Maria de Lourdes Osório Um varietal muito fresco com notas silvestres no aroma, bagas, violeta e licor de laranja. Novamente fresco e leve na boca, directo mas muito prazeroso, lácteo e de perfil gastronómico. Mais uma boa edição deste tinto. (13%) NOG

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15,5 DÃO

€12

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€46

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Casa da Ínsua Dão Reserva tinto 2011 Empreendimentos Turísticos Montebelo Aroma fino, aqui num diálogo muito bem conseguido entre a fruta expressiva e a barrica, boas notas de fruta vermelhos muito vivos. Textura sedosa, taninos finos e grande arquitectura de conjunto. (14%) JPM

António Madeira A Centenária Dão tinto 2013 António José Madeira Notas tostadas de café logo na frente, a cobrir a fruta vermelha, há especiarias e bolo inglês. Redondo e fresco, com muita vivacidade e força, taninos invisíveis, textura lustrosa, vidrada, final cheio de expressão de fruta especiada e notas secas de bosque. (13,5%) LA

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€10

Casa da Ínsua Dão tinto 2012 Empreendimentos Turísticos Montebelo Lote de três castas dominando no aroma a Touriga Nacional, com notas florais muito elegantes. Médio corpo, taninos finos e excelente acidez conferem ao vinho uma grande aptidão gastronómica. Já no seu melhor. (14%) JPM

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€3,50

Quinta da Ponte Pedrinha Dão tinto 2014 Maria de Lourdes Osório Vinoso e sumarento, leves traços florais mas o fruto lidera bem forrado de leve amargo tânico. Boca com textura clássica, nada em excesso, corpo mediano, mas presença franca e muito precisa. Um belo tinto do Dão. (13%) JA

€9

Vinha Paz Dão tinto 2014 António Canto Moniz Com Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen, tem um perfil orientado para a elegância, com médio corpo e taninos macios, privilegiando a qualidade da fruta, muito pura e expressiva, em notas de bagas silvestres acompanhadas de leve floral. Suave e delicado até ao fim. (13%) LL

€11,30

Monteirinhos Dão Reserva Encruzado branco 2015 Quinta dos Monteirinhos Um perfil clássico com o fruto em passa e geleia, alguma resina vegetal, tudo leve e delicado. Na boca é redondo e tem uma acidez viva e simpática, mediano de corpo e de prova, mas todo muito equilibrado e bem conseguido. (13%) JA

15,5

€6,78

Monteirinhos Dão branco 2015 Quinta dos Monteirinhos Um branco com algum nervo acídulo nas notas de fruto de maçã ácida com algum caroço a dar a nota amarga ao conjunto. Na boca mostra nervo e alguma personalidade, com vivacidade e comprido final. (13%) JA

€7

Vinha Paz Dão branco 2015 António Canto Moniz As três castas com que é feito conjugam-se bem no aroma delicado, com as notas mais frutadas da Malvasia Fina e Gouveio (ananás), o toque citrino e mineral do Encruzado. Encorpado mas ao mesmo tempo leve, servido por equilibrada acidez, firme, bem persistente. (13,5%) LL

15,5

€9

Quinta do Perdigão Dão rosé 2015 Quinta do Perdigão Um rosé delicado e sedutor com as notas de fruto silvestre maduro, ligeira nota de rebuçado. Na boca é todo macieza e envolvência, corpo mediano, médio impacto de prova mas muita persistência de sabor no final. (13%) JA


novidades €6

15,5

15,5

Vinha Paz Dão rosé 2015 António Canto Moniz Feito com Alfrocheiro, resulta um vinho de aroma delicado, com boas notas de fruta fresca. Na boca acentua-se o registo leve e frutado, sugestões de framboesas, num conjunto harmonizado por fina acidez no final. (13%) LL

€5,79

Quinta do Cardo Beira Interior Síria branco 2015 Agrocardo Baunilhado, sereno, com frutos amarelos e flores secas. Mais expressivo na boca, com muito equilíbrio entre a acidez integrada e os sabores vivos, com alguma sofisticação. Final sóbrio, saboroso. (13,5%) LA

15,5

€5,79

Quinta do Cardo Beira Interior tinto 2014 Agrocardo Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca. Notas de vegetal amargo a marcar o nariz, os frutos violetas são discretos, há ainda terra húmida. Na boca acerta o passo, muito saboroso e até com equilíbrio, taninos vigorosos mas controlados, acidez fresca e final de bom porte. (14%) LA

BEIRA INTERIOR

a escolha de Nuno Oliveira Garcia

€14,90

Quinta do Cardo Beira Interior Síria Reserva branco 2014 Agrocardo O potencial da região, e desta quinta em particular, nunca esteve em questão, mas a verdade é que os seus brancos nunca tiveram tanto aprumo e delicadeza como agora. Temos aqui uma Síria séria e contida como é habitual na casta, mas com um perfil sofisticado e requintado como nunca tínhamos visto.

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Estágio parcial em barrica. Muito subtil e neutral no aroma, giz, enorme percepção de frescura e mineralidade, delicado e contido. Prova de boca quase cheia, com muita frescura e acidez refrescante. Final também em contenção, mas muito conseguido com deliciosas notas salgadas. (13%) NOG

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Regateiro Vinha do Forno Bairrada tinto 2014 Ares da Bairrada Oriundo de vinha velha, mostra uma bela complexidade aromática, com muitas notas apimentadas, frutos silvestres macerados, um toque discreto de fumo. O carácter vincado da Baga é bem patente na boca, elegante, de médio corpo, com taninos firmes mas contidos, acidez refrescante a dar o mote no final bem persistente. (13%) LL

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€14,95

Marquês de Marialva Bairrada Grande Reserva 2010 Adega Coop. de Cantanhede Feito com Baga e Touriga Nacional, é um tinto de aroma profundo, com as notas fumadas e tostadas da barrica a cobrir um pouco a fruta. Esta aparece bem mais definida na boca, madura e envolvente, com corpo médio e taninos firmes a dar garra ao final persistente. (14%) LL

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€3,79

QMF Blush Bairrada rosé 2015 Quinta da Mata Fidalga Feito a partir de Baga e Touriga Nacional, tem uma bonita cor “blush” que faz justiça ao nome e aroma delicado e elegante, com apontamentos de bagas silvestres e um toque floral. Muito leve e fresco na boca, é um rosé bastante atractivo e a um preço imbatível. (11%) LL

LISBOA

16,5

BAIRRADA

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€8

Regateiro Bairrada Reserva branco 2015 Ares da Bairrada Uma estreia dentro da marca Regateiro, este branco feito com base em Arinto e Bical mostra no aroma leves notas tostadas de barrica que não escondem a fruta, assente nos citrinos maduros (laranja, limão). Encorpado e rico, com uma grande frescura de boca, leves apontamentos florais a darem elegância ao final longo e firme. (13%) LL

16,5

€10

Regateiro Bairrada Reserva tinto 2013 Ares da Bairrada Com Baga e Touriga Nacional, sente-se a conjugação das castas no aroma intenso e perfumado e, sobretudo, na boca expressiva, com os taninos macios da Touriga e a frescura vibrante da Baga. Um tinto muito equilibrado, com bastante polimento mas sem renegar as origens. (13%) LL

17,5

€45

Ex aequo Reg. Lisboa tinto 2012 José Bento dos Santos Para já pouco falador no aroma, a mostrar boas notas químicas e fruta negra, muito sabor na boca, com fruta franca e um estilo muito convivial. Seguramente um tinto de amigos, generoso, complexo e rico. Como se quer a amizade. (14%) JPM

17,5

€30

Quinta do Monte d’Oiro Reg. Lisboa Reserva tinto 2012 José Bento dos Santos Excelente na concentração porque está no ponto justo sem cair em excessos. Aroma denso e vivo, com fruta negra, especiarias e boas notas vegetais. Muito elegante na boca, taninos delicados, acidez refrescante. Classe evidente. (14%) JPM


A alegria contagiante de um salto vezes mil. O entusiasmo da brincadeira interminável. A boa disposição ao ritmo de um grupo de amigos. A coragem de experimentar novas emoções. Atreve-te a saltitar pelo mundo real da fantasia. Atreve-te a descobrir onde chega a tua imaginação.


novidades

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€6

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Casa Santos Lima Reg. Lisboa Reserva branco 2015 Casa Santos Lima As notas tostadas de carvalho ainda cobrem parte do fruto de pêssego, maçã e banana, mas o vinho tem um porte confiante. Excelente acidez de boca, muita garra, macio e muito vivo de prova, termina longo a citrinos e ananás. (13%) JA

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€4,90

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Prova Régia Bucelas Arinto Reserva branco 2015 Wine Ventures - Quinta da Romeira Fruto branco delicado, fundo com nota de madeira e fumados vários. Cheio na boca, mas mantendo frescura, perfil elegante conjugando alguma modernidade. Um belo branco, versátil, mas a pensar sobretudo na meia-estação. (13%) NOG

€5,25

Quinta de Pancas Reg. Lisboa Chardonnay, Arinto e Vital branco 2015 Quinta de Pancas Vinhos Fumados e notas doces de geleia, frutos amarelos e citrinos, um pouco de flores. Corpo cheio e concentrado, acidez viva bem integrada, apelativo e sedutor, com bom equilíbrio entre as componentes e final refrescante e longo. (13%) LA

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a escolha de Luís Antunes €16

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Foral d’Óbidos Óbidos Chardonnay branco 2015 Jorge Gomes de Carvalho Engarrafado pela Vidigal Wines, é um Chardonnay de perfil atlântico, muito fresco, com a fruta limpa e atractiva e apontamentos de ananás verde e maçã ácida. Final cítrico, crocante, com leves amargos vegetais a dar garra. Será interessante ver como evolui na garrafa. (13,5%) LL

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Quinta de Pancas Reg. Lisboa tinto 2014 Quinta de Pancas Vinhos Cabernet Sauvignon e Merlot é uma daquelas combinações mais vistas no mundo do vinho, especialmente para quem se interessa pela região de Bordeaux. O carácter forte das castas francesas marca o vinho com um lado terroso, que muitos podem achar cansativo. Aqui, temos esse carácter suavizado pela intervenção da frescura da portuguesa Touriga Nacional e as especiarias da ibérica Tinta Roriz. O resultado é um vinho que apetece beber.

€16

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Foral d’Óbidos Óbidos Chardonnay-Viognier branco 2015 Jorge Gomes de Carvalho A mistura destas duas castas francesas, plantadas no clima atlântico de Óbidos origina um vinho de aromas citrinos delicados e contidos. As notas de limão e tangerina bem mais expressivas na boca, com um tom quase salgado e viva acidez no final. (13%) LL

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€5,25

Frutos do bosque e terra trufada, num estilo muito bordalês, com muito ligeiras flores e notas especiadas das castas portuguesas. Macio, vinoso, corpo ligeiro glicerinado, muito polido e sedutor, com equilíbrio perfeito. (13%) LA

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€11,30

Quinta da Boa Esperança Reg. Lisboa Arinto branco 2015 Favorite Purple Aroma austero, ainda levemente reduzido, sugestões verdes e leve mineralidade. Muito bem no perfil de boca, com acidez atrevida aqui a dar frescura ao conjunto, resulta vivo e com potencial de vida em cave. (13,5%) JPM

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€11,30

Quinta da Boa Esperança Reg. Lisboa Fernão Pires branco 2015 Favorite Purple O aroma acentua aqui o lado austero da casta em vez da fruta madura que lhe é própria. Com alguma agitação do vinho sentem-no aroma ameixas brancas, pêra e alperce. Macio, envolvente, acidez discreta mas presente. Gastronómico. (14%) JPM

€7

Quinta da Romeira Reg. Lisboa Reserva branco 2015 Wine Ventures - Quinta da Romeira Alvarinho, Sauvignon Blanc, Riesling, Gewurztraminer e Arinto. Aroma subtil, fruto citrino bonito, percepção de frescura, conjunto tentativamente mineral. Prova de boca ampla, mantém o registo discreto, com bela acidez até ao final. Muito bem. (13,5%) NOG

€3,30

Bonavita Reg. Lisboa tinto 2014 Casa Santos Lima Um tinto guloso onde os aromas de cacau em pó e fruto preto fresco e em geleia dominam. Na boca tem alguma gordura e untuosidade, tanino muito polido, fruto bem maduro de tom doce e final meloso e consensual. (14%) JA

15,5

€16

Foral d’Óbidos Óbidos Viognier branco 2015 Jorge Gomes de Carvalho As notas de flores secas típicas da casta estão discretamente presentes no aroma, acompanhadas de delicadas sugestões frutadas. Na boca a fruta mantém-se num plano discreto, surgindo uma acidez muito viva, um pouco agreste mas que confere muita frescura à prova. (13%) LL

15,5

€2,99

Pancas Reg. Lisboa branco 2015 Quinta de Pancas Vinhos 40% Arinto, 40% Fernão Pires e 20% Vital. Fruta amarela discreta, minerais, ligeiros fumados, bem equilibrado e apelativo. Vivo na boca, com boa textura cremosa, acidez integrada, final sóbrio, tudo bem feito, directo e sem complicações. (12,5%) LA


Há vinhos bons e muito bons. Depois há vinhos que transcendem: os Vinhos do Alentejo. Elaborados a partir das castas melhor adaptadas às condições naturais da região, criamos vinhos que estimulam os sentidos e emocionam. Este é o mérito dos Vinhos do Alentejo: não basta pensar além, é preciso ir.


novidades €3,99

15,5

Quinta da Romeira Intense Reg. Lisboa Arinto Gewurztraminer branco 2015 Wine Ventures - Quinta da Romeira Aroma austero, com a casta alemã a notar-se, mas sem a exuberância habitual. Prova de boca larga e cheia, muitos amargos, algum tanino, boa secura. Um perfil controverso, que funciona melhor à mesa exigindo eficácia na harmonização. (12%) NOG

€3,99

15,5

Quinta de Pancas Reg. Lisboa Reserva tinto 2013 Quinta de Pancas Vinhos Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional e Alicante Bouschet. Fruta vermelha e do bosque um pouco estufada, notas doces de compota, chão da floresta e terra húmida. Firme, composto, com taninos rugosos, acidez integrada, um vinho franco e directo, com bom desempenho e final sério. (14,5%) LA

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Principium Reg. Lisboa SyrahTouriga Nacional tinto 2014 Wine Ventures - Quinta da Romeira Jovem no aroma, com fruta madura mas com a irreverência que a pouca idade autoriza, notas de amoras e groselha preta. Bom desenho na boca, simples, macio, fácil de provar e a mostrar aptidão gastronómica. (não tem) JPM

15,5

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€3,45

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€22,50

Grande Touriga Do Tejo Touriga Nacional Grande Reserva tinto 2012 Casa Cadaval Aroma intenso e capitoso, com boa profundidade, floral doce, muito especiado, barrica luxuosa. Prova de boca láctea, muito corpo e taninos ágeis, com garra e final picante. Perfil maduro, sem se notar o tempo em garrafa, com potencial evidente de evolução. (15%) NOG

Prova Régia Reg. Lisboa Arinto branco 2015 Wine Ventures - Quinta da Romeira Muito em linha com as anteriores edições, aroma com muito fruto branco (pera, maçã), leve floral ao fundo. Prova de boca redonda com a acidez integrada, leve e directo, saboroso e apetecível. Um clássico para a mesa. (13%) NOG

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€8,80

Bridão Do Tejo Private Collection tinto 2014 Adega Coop. do Cartaxo Touriga Nacional e Alicante Bouschet. Há no aroma um ambiente floral e leve nota mentolada, a conferirem aqui um tom fresco, ao lado de leves notas de vegetal seco. Polido e de médio corpo, está a dar prova muito interessante. (14%) JPM

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€4,98

Casal da Coelheira Reg. Tejo Reserva branco 2015 Casal da Coelheira A dupla Chardonnay e Arinto mostra aqui, mais uma vez, as razões do seu sucesso nesta região. Intenso e perfumado, misturando notas fumadas, amanteigadas e citrinas, cremoso e cheio, refrescado por boa acidez limonada, um branco harmonioso e muito apelativo. (13,5%) LL

€8,15

Coudel Mor Do Tejo Reserva tinto 2014 Adega Coop. do Cartaxo Ambiente maduro de fruta negra, leves notas achocolatadas, macio e com perfil ainda marcado pelas notas de madeira. A boca confirma este estilo acessível, macio e bem afinado, de acidez discreta mas presente. (14%) JPM

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€6,80

Bridão Do Tejo Touriga Nacional Col. Selec. tinto 2014 Adega Coop. do Cartaxo Concentrado na cor, aromas da casta para já ainda escondidos, sente-se uma fruta madura, algo macerada mas a resultar numa prova de boca de textura aveludada. Conjunto bem trabalhado e que resulta muito bem. (14%) JPM

€7,99

Casal da Coelheira Private Collection Reg. Tejo branco 2015 Casal da Coelheira Um 100% Verdelho de grande elegância aromática, perfumado com sugestões de ananás, flores do campo, especiarias. Muito envolvente na boca, encorpado mas sempre equilibrado por refrescante acidez, um belo exemplar desta casta, cada vez mais “na moda”. (13%) LL

€3,99

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€12,90

15,5

Principium Reg. Lisboa Chardonnay-Arinto branco 2015 Wine Ventures - Quinta da Romeira Aroma que começa subtil e sem exuberância, não se descortinando as castas. Prova de boca com força e óptima acidez, alguma untuosidade da casta francesa bem refrescada pelo Arinto, e muita frescura de conjunto. Mais uma boa edição. (12,5%) NOG

28

€8,64

15,5

Principium Reg. Lisboa MerlotTinta Roriz tinto 2014 Wine Ventures - Quinta da Romeira Aroma com fruto maduro mas sem excesso de maturação, fruto bonito e alegre. Prova de boca com meio-corpo, leve e ágil, muito fresco, directo e apelativo, sempre mais em elegância do que em potência. Para a mesa. (13%) NOG

€8

Galileu Do Tejo Cabernet Sauvignon Touriga Nacional Reserva tinto 2012 Casal do Conde Aroma bem conseguido, com a casta francesa em evidência com nuances vegetais e a grafite, sem se denotar evolução. Prova de boca láctea, com sabor, alguma marroquinaria, e final morno mas apetecível. Um belo tinto, melhor para a mesa. (12,5%) NOG


novidades 15,5

16

€12

Vale de Lobos José e Violante Reg. Tejo Grande Escolha tinto 2013 Soc. Agr. da Quinta da Ribeirinha Concentrado na cor, no aroma sobressaem as notas mentoladas e de eucalipto mas aqui em dose certeira. Fino e de taninos polidos na boca, é um tinto que, consumido agora, evidenciará o carácter vibrante e fresco. (14,5%) JPM

15,5

€2,99

Terra de Lobos Reg. Tejo CastelãoCabernet Sauvignon tinto 2015 Casal Branco Aroma muito franco, moderno e apelativo, com as castas em harmonia e sem sobreposições. Prova de boca com muito fruto, alguma cremosidade e muito sabor, taninos maduros e doces, final persistente. (13,5%) NOG

€5,49

15,5

€6

Galileu Special Selection Reg. Tejo Merlot tinto 2012 Casal do Conde Estágio em barrica por 8 meses. Aroma intenso com a fruta madura (ameixa) a conviver com notas a couro e aço, e algum sinal de evolução. Prova de boca com frescura, tanino vivo, marroquina presente, e final contido. (14%) NOG

Alqueve Tradicional Reg. Tejo tinto 2015 Pinhal da Torre Vinhos Touriga Nacional, Tinta Roriz, Castelão e Touriga Franca. Macio e fácil, muito frutado e polido, com aroma a frutos vermelhos, terra seca e notas de especiarias. Refrescante, pronto a consumir, muito limpo e objectivo, com final frutado, onde os taninos espreitam. (14%) LA

PENÍNSULA DE SETÚBAL

Bridão Do Tejo Syrah tinto 2015 Adega Coop. do Cartaxo Bem no aroma, aqui centrado nas notas de frutos vermelhos e negros, num registo aberto que autoriza a prova imediata. Macio, quase doce na boca, enrolado e de boa textura, taninos escondidos, tudo pronto para consumo. (14,5%) JPM

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€3,29

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€7,50

Adega de Pegões Reg. Península de Setúbal Touriga Nacional tinto 2013 Coop. Agrícola de Sto. Isidro de Pegões Aroma capitoso e intenso, muito fruto e flores, madeira seca, percepção de alguma doçura. Prova de boca densa, macia e láctea, com muito sabor, e final picante. Um tinto apetecível e carnudo. (14,5%) NOG

Conde de Vimioso Reg. Tejo Col. Selec. tinto 2015 Falua Muito jovem e fresco no aroma, com a fruta vermelha a sobressair. Mostra depois muita alegria na boca, com evidente aptidão gastronómica e um estilo muito consensual, macio e de acidez pronta para dar boa prova. (13%) JPM

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€5,60

Adega de Pegões Reg. Península de Setúbal Syrah tinto 2013 Coop. Agrícola de Sto. Isidro de Pegões Aroma exuberante, ameixa, nota de carne, rebuçado e doce de leite. Prova de boca com sabor, tanino maduro, acidez e frescura qb, termina com força e leve doçura. Mais uma boa edição, sempre num perfil generoso e capitoso. (14%) NOG

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€4,55

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€14,90

António Saramago Reg. Pen. Setúbal Reserva branco 2014 António Saramago Antão Vaz e Arinto. 7 meses de barrica. Dourado na cor, aroma a evidenciar em excesso o estágio na madeira, aromas de fruta madura e recorte tropical. Untuoso na boca mas com boa acidez, resulta macio e com aptidão para queijos da região. (13,5%) JPM

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16,5 €11,25

Folha do Meio Reg. Alentejano Reserva tinto 2012 Terrenus Veritae Aqui há uma fruta madura a maior presença da madeira que lhe dá um tom ainda fechado mas com muito potencial. Bom desenho de boca, com elegância de fruta, polido e a dar uma prova muito bem conseguida. (14,5%) JPM

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Herdade da Calada Baron de B. Alentejo Reserva branco 2015 BCH A partir de Antão Vaz fermentado e com 6 meses de estágio em barrica. O ano de 2015 proporcionou a melhor edição deste branco, com um aroma clássico alentejano fresco e uma prova de boca ampla, poderosa, mas sempre com enorme frescura. Muito bem! (13,5%) NOG

ALENTEJO

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€10,99

Herdade Paço do Conde Reg. Alentejano Reserva tinto 2013 Soc. Agr. Encosta do Guadiana Um tinto com um lado silvestre de mato rasteiro muito presente, a pimenta e noz moscada juntamse em quantidade ao sóbrio fruto preto e em passa. Na boca entra veludo, gordo, cremoso e desenvolve uma secura apimentada fina, num final longo. (14,5%) JA

€15

Herdade de São Miguel Reg. Alentejano Alfrocheiro tinto 2014 Casa Agr. Alexandre Relvas Muitos frutos vermelhos, típicos da casta, notas de folhas de árvores, especiarias. Boa frescura na boca, taninos finos e integrados, acidez fresca, muito equilíbrio, mas há uma nota de contenção que convida o vinho para a mesa. (13,5%) LA


novidades 15,5

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€6,49

Herdade Paço do Conde Reg. Alentejano Touriga Nacional-Syrah Col. Selec. tinto 2014 Soc. Agr. Encosta do Guadiana Algum cacau amargo a casar com especiarias, flores secas e fruto licorado. Na boca tem volume e corpo, taninos com algum músculo, alguma secura geral, final longo com a especiaria a dominar e a pedir mesa. (14%) JA

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Olho de Mocho Reg. Alentejano rosé 2015 Rocim Com Syrah e Touriga Nacional, tem uma cor aberta e aroma muito elegante, com fruta muito pura e leves notas florais. Bela frescura de boca, vibrante, amplo, leve mas ao mesmo tempo cheio de sabor. (12,5%) LL

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€7,60

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Folha do Meio Reg. Alentejano tinto 2012 Terrenus Veritae Aroma austero, leve floral e mentolado em fundo, fruto negro, bom perfil. Bom desenho de boca, com elegância de fruta, com um estilo muito atractivo. O conjunto funciona bem e está pronto a ser desfrutado. (14%) JPM

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€5,49

Marquês de Borba Alentejo tinto 2015 J. Portugal Ramos O lote de Alicante Bouschet, Aragonez, Trincadeira e Touriga mantém-se nesta edição, mas o vinho tem vindo a ganhar qualidades a cada ano que passa. Cheio de fruto muito limpo e atractivo, sumarento, com taninos macios a enfatizarem perfil envolvente e equilibrado, muito bem conseguido. (14%) LL

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€6,50

Sericaia Reg. Alentejano branco 2015 Ares Alentejanos O primeiro branco desta marca vem de uma vinha da Serra de Portalegre, a 700 metros de altitude, com as castas Antão Vaz e Roupeiro, entre outras. Muito perfumado, com notas de flores, manga, especiarias, é um branco sólido, untuoso mas sem perder frescura, num conjunto apelativo e com carácter. (13,5%) LL

15,5 16

€6,49

Roquevale Branco de Curtimenta Alentejo branco 2015 Roquevale Fernão Pires, Roupeiro e Arinto. Aroma contido, com pouca fruta amarela e algumas flores secas. Muito estruturado na boca, com alguma rugosidade herbácea, seco e expressivo, taninos notórios, um branco personalizado, que pede comida à altura. (12,5%) LA

15,5

€2,99

Rebelde Reg. Alentejano tinto 2014 Casa Santos Lima Touriga Nacional, Syrah, Petit Verdot e Alicante Bouschet. Aroma muito feito, com fruta preta densa, chocolate e folhas de tabaco. Na boca está macio e estruturado, com acidez no sítio, taninos suaves, final dócil e muito completo. (14%) LA

€3,99

Herdade Paço do Conde Reg. Alentejano tinto 2014 Soc. Agr. Encosta do Guadiana Aroma mornos e feno seco, ameixa em passa, leve nota de tabaco. Na boca o tanino mostra algum ângulo, mas o fruto e a mediana complexidade tornam-no num produto de fácil consumo, muito consensual. (13,5%) JA

€7,99

16,5

€15

Herdade de São Miguel Reg. Alentejano Touriga Franca tinto 2014 Casa Agr. Alexandre Relvas Chocolate e tostados, barro, algumas notas de couro, frutos silvestres em compota suave. Ligeiro e leve, com taninos firmes mas finos, acidez alta, integrada, simples, bem feito, com final refrescante e saboroso. (14%) LA

€8,60

Paulo Laureano Vinha das Lebres Reg. Alentejano Reserva tinto 2014 Paulo Laureano Vinus Alguma austeridade aromática, leve toque de couro, fruto sóbrio com leve panificação, toque apimentado fresco e muito bem enquadrado. Na boca tem corpo e presença, taninos com leve ângulo e músculo, final seco e personalizado. (13%) JA

€2,28

As Pias Reg. Alentejano tinto 2015 Sociedade Agrícola de Pias Aragonês, Alicante Bouschet, Alfrocheiro. Aroma apelativo e jovem, fruto maduro em fundo floral. Lácteo e redondo na boca, com sabor, linear mas muito bem feito. Um tinto pronto a beber e a dar prazer. (14%) NOG

15,5

€1,99

Ribeira do Guadiana Reg. Alentejano tinto 2015 Soc. Agr. Encosta do Guadiana Muito fruto vermelho e preto junto com leve chocolate. Na boca é todo franqueza focada no fruto e doçura do mesmo. Taninos a agarrar o palato com alguma especiaria, final seco e saboroso. (13,5%) JA

15,5

€8,90

Igreja Velha Alentejo Reserva tinto 2012 Soc. Agr. Pias Aragonez, Trincadeira, Syrah e Alfrocheiro. Mostra notas evoluídas, barro, fruta vermelha confitada, e um lado vegetal marcado. Simples e directo na boca, com acidez alta, pimenta, taninos domados. (14,5%) LA


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novidades SEM DO/IG

ESTRANGEIROS

16,5

€25

16,5

€33

Vasques de Carvalho Special Reserve Porto branco Vasques de Carvalho Muito atractivo no aroma com notas de mel, muitos aromas de laranja caramelizada e figos em calda. Bem na boca, com elegância, com a doçura que ajuda ao consumo e favorece o prazer da sobremesa. (20%) JPM

Papo Vinho tinto 2009 Luís Pato & Quinta do Pôpa Resulta de um lote de vinho do Douro e da Bairrada (Luis Pato). O diálogo entre a Tinta Roriz e a Baga funciona, com esta última em evidência, com muita fruta vermelha. Bom corpo, ajustado a prova imediata, saboroso e de arestas limadas. (13,5%) JPM

MOSCATEL DE SETÚBAL

VINHO DO PORTO

a escolha de João Paulo Martins

17,5

Churchill’s Porto Vintage 2014 Churchill Graham O ano 2014, sabemo-lo todos, não foi ano clássico de vintage. No entanto, e tal como é normal no Douro, há sempre a possibilidade de em várias quintas surgir um lote de alta qualidade. Este 14 mostra-se muito bem, conjugando a fruta viva e concentrada com taninos firmes mas delicados. Dá assim muito prazer a beber.

MADEIRA

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€158,50

Ribeiro Real Madeira Tinta Negra 20 Anos Lote 1 Meio Doce Vinhos Barbeito Um aroma bonito e resinoso, muito mel, noz, caramelo, casca de laranja, bastante iodado e salino. Muito leve de prova mas profundo ao mesmo tempo, cola-se ao copo e à boca, cheio de elegância e finura, muito fruto seco, algum bolo e final interminável. (19%) JA

Fruta negra de excelente qualidade no aroma, muito límpido no estilo onde também cabem as notas mais químicas e metálicas, tudo a revelar clássica austeridade. Volumoso na boca, taninos poderosos, tudo em grande estilo. (20%) JPM

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€23,90

Zarate El Palomar (Espanha) Rias Baixas Albariño branco 2014 Eulogio Pomares Zarate – Oficina de Sabores

Este Albariño de cepas centenárias plantadas em pé franco é sempre um caso muito especial e a versão de 2014, apesar da vindima difícil, não foge à regra. A barrica, de grande qualidade, mantém-se muito discreta, evidenciando a excelência da fruta (toranja), as especiarias, a profunda e complexa mineralidade granítica. Classe pura perpassa toda a prova. (12,5%) LL

€15

António Saramago Moscatel de Setúbal 2013 António Saramago Muitas notas de laranja no aroma (farripa), caramelo e um estilo polido e aveludado, com a atracção dos vinhos doces bebidos frescos. Muito boa estrutura de boca, com volume, com acidez muito atractiva e final longo. (17,5%) JPM

€39 (375ml)

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€12,45

Zarate (Espanha) Rias Baixas Albariño branco 2015 Eulogio Pomares Zarate – Oficina de Sabores O Albariño de base deste produtor galego mantém o traço de grande mineralidade que caracteriza os vinhos da marca, bem como a grande pureza da fruta, assente nos traços citrinos. Acidez muito firme (típica da vindima de 2015) mas perfeitamente integrada, num vinho de enorme frescura e vibração. (12,5%) LL


novidades ESPUMANTES 15 €7,50 | M&M Gold Edition Espumante Beira Atlântico rosé Cave Central (12%) NOG

Douro branco 2015 | MSS Douro Wine & Gourmet (12%) LL

Reg. Lisboa branco 2015 Wine Ventures (11%) JA

€5,98 | Monte S. Sebastião

TEJO

Vinho Verde Escolha Loureiro branco 2015 | Soc. Agr. Quinta de Santa Maria

15

DÃO

Tejo Reserva tinto 2013 Quinta do Cavalinho (13,5%) JA

15 €4,65 | Fonte do Ouro Dão tinto 2015 | Soc. Agr. Boas Quintas (13%) LA

€5,20 | Quinta

do Tamariz Vinho Verde Reserva Arinto branco 2015 | Soc. Agr. Quinta de Santa Maria (11,5%) JA

15 €9,30 | Dois Carvalhos Reg. Tejo Reserva tinto 2011 Fernando Rodrigues Carvalho

(14%) NOG

BEIRA INTERIOR

15 €3,70 | Pluma Reg. Minho Alvarinho branco 2015 Casa de Vila Verde Soc. Agr. (12%) JA

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€4,90 | Quinta das

Senhoras Beira Interior branco 2015 | Quinta das Senhoras (14%) JA

d’Glória Douro branco 2015 Pé Franco (13%) LL

S. Sebastião Douro tinto 2013 | MSS Douro Wine & Gourmet (13%) LL

Velha

da Folgosa Velha

(13,5) LL

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€3,95 | Herdade

da Gâmbia Reg. Península de Setúbal tinto 2015 | Soc. Agr. Boas Quintas

15 €7,24 | Troviscal Reg. Lisboa Touriga NacionalMerlot-Syrah rosé 2015 Cerrado da Porta (12,5%) NOG

14,5 €3,50 | Cêpas d’Glória Douro tinto 2014 | Pé Franco

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15 €4 | Fernão Pó Reg. Península de Setúbal Cabernet Sauvignon e Castelão tinto 2015 Freitas & Palhoça (14%) LA

(11,5%) NOG

Douro rosé 2015 Soc. Agr. Folgosa Velha (12,5%) LL

15 €2,99 | Albernoas Reg. Alentejano tinto 2015 Soc. Agr. Encosta do Guadiana (14%) JA 15 €1,97 | As Pias Reg. Alentejano branco 2015 Sociedade Agrícola de Pias

(13) NOG 15 €7,85 | Couto Saramago Reg. Alentejano branco 2015 | Herdade da Rocha

(13%) JA 15 €3,75 | Pulo do Lobo Reg. Alentejano Verdelho branco 2015 | Sociedade Agrícola de Pias

(14%) NOG 15 €5,99 | Vinha do Almo Reg. Alentejano tinto 2015 Herdade do Perdigão (14%) JA 14,5

€6,28 | Couto

Saramago Reg. Alentejano Col. Selec. rosé 2015 Herdade da Rocha (13%) JA €4 | Paulo Laureano Vinha das Lebres 14,5

Reg. Alentejano rosé 2015 Paulo Laureano Vinus (13%) JA 14,5 €3,75 | Pulo do Lobo Reg. Alentejano rosé 2015 Sociedade Agrícola de Pias

(13%) NOG 14,5 €1,99 | Vilares Reg. Alentejano tinto 2015 Soc. Agr. Encosta do Guadiana (13,5%) JA

SEM DO/IG PENÍNSULA DE SETÚBAL

15 €7,24 | Troviscal Reg. Lisboa Moscatel Graúdo-Arinto branco 2015 | Cerrado da Porta

€3,50 | Quinta

ALENTEJO

(12,5%) LA

(14,5%) LA

Douro branco 2015 | Soc. Agr. Folgosa Velha (12,5%) LL

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14 €2 | Alma do Tejo Reg. Tejo branco 2015 | Eng. 4971

15 €9,50 | Troviscal Reg. Lisboa Pinot Noir e Touriga Nacional tinto 2013 Comp. Agr. Cerrado da Porta

€4 | Quinta da Folgosa

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(13,5%) NOG

15 €2,99 | Sentire Reg. Lisboa branco 2015 Wine Ventures – Quinta da Romeira(12%) NOG

€6,65 | Monte

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Reg. Tejo tinto 2015 Estabelecimento Prisional de Alcoentre

15 €2,99 | Sentire Reg. Lisboa tinto 2014 Wine Ventures (12,5%) JA

€3,50 | Cêpas

€1,80 | Chão

de Urze

15 €3,99 | Principium Reg. Lisboa Cabernet Sauvignon-Syrah tinto 2014 Wine Ventures (13%) JA

(13%) LL

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15 €7,50 | Cabril Douro rosé 2015 | Quinta do Cabril

€2 | Alma

Reg. Tejo tinto 2015 Eng. 4971 (14%) LA

15 €2,99 | Pancas Reg. Lisboa tinto 2015 | Quinta de Pancas Vinhos

15 €16 | Busto Douro rosé 2015 | Maria Helena Sousa Alves (12,5%) JPM

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(13,5%) LA do Tejo

LISBOA

15 €19 | Busto Douro Moscatel Galego branco 2015 Maria Helena Sousa Alves (13%) JPM

15

15 €3,50 | Minoc Reg. Tejo tinto 2015 Rita Conim Pinto 14,5

DOURO

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€5,99 | Convento de

Tomar

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Tradicional

15 €12 | Casa Batoreu Do Tejo tinto 2015 Agro-Batoréu (13,5%) NOG

Reg. Transmontano Moscatel Galego branco 2015 | Quinta do Sobreiró de Cima (12,5%) JA

do Tamariz

€5,49 | Alqueve

(12,5%) LA

15 €7,95 | Quinta do Sobreiró de Cima

€3,56 | Quinta

15

Do Tejo Fernão Pires e Arinto branco 2015 | Pinhal da Torre Vinhos

TRÁS-OS-MONTES

VINHO VERDE

15

€2,99

Vivere

Douro rosé 2015 | MSS Douro Wine & Gourmet (12%) LL

15 €5,99 | VDG Espumante branco | Adega Coop. Vidigueira (12%) NOG

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15 €6 | Oculto Reg. Tejo Espumante Extra Bruto 2015 | Quinta do Arrobe (11%) JA

15

€5,98 | Monte

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S. Sebastião

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(13%) LA

15 €12 | Phaunus Loureiro Vinho branco 2015 | Casal do Paço Padreiro (11%) NOG 14,5 €12 | Phaunus Palhete Vinho branco 2015 | Casal do Paço Padreiro (11%) NOG


volta A “SEGUNDA VOLTA” NÃO PRETENDE SER MAIS UMA PROVA DE VINHOS. AQUI RELATAMOS SENSAÇÕES, MOMENTOS, REDESCOBERTAS. SÃO VINHOS DE DIVERSAS PROVENIÊNCIAS, CORES E ESTILOS, TODOS COM ALGUNS ANOS DE CAVE E TODOS, TODOS MESMO, BEBIDOS (NÃO PROVADOS, QUE ISSO É OUTRA COISA!) À MESA, COM PRAZER E MUITA CONVERSA.

18 DUAS QUINTAS DOURO RESERVA TINTO 1994 O Duas Quintas é um vinho histórico do Douro, criado por José António Rosas e pelo seu sobrinho João Nicolau de Almeida na colheita de 1990. O princípio era a mistura entre uvas de duas quintas: a Quinta de Ervamoira, a baixa altitude, de onde vêm uvas mais concentradas e maduras, e a Quinta dos Bons Ares, com altitude maior, onde as uvas garantem frescura e vivacidade. Logo em 1991 foi criado o Reserva tinto, na altura uma pedrada no charco do Douro, que pouco a pouco se tornou um grande mar de águas agitadas. Ao longo da sua vida em garrafa este Reserva 1994 sempre se mostrou grandioso, lustroso e elegante. Agora, aos 20 anos de vida, continua a sua evolução perfeita, entregando sofisticação e sobriedade, mas com traços de sedução e sensualidade. Ainda se pode guardar, mas já se deve beber com imenso prazer. (LA)

16,5 LYBRA REG. LISBOA VIOGNIER ARINTO BRANCO 2011 A gama Lybra nunca desaponta o consumidor, com vinhos aprumados e em linha com os vinhos mais caros do produtor. Este branco, além disso, revela boa evolução com a casta francesa a sobrepor-se ao Arinto (que é sempre uma casta algo neutral). Passada meia década, apresenta-se untuoso e cheio, no corpo e sabor, a lembrar até o irmão Madrigal. Muito bem. (NOG)

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QUINTA DA PELLADA DÃO TINTO 2008 De uma recente prova vertical de Quinta da Pellada, destaquei o 2008 como o ano de todos os equilíbrios. Fruta contida, mineralidade discreta, tostados sedutores da madeira, especiarias finas e, acima de tudo, uma harmonia e sedução sensual só ao alcance dos grandes vinhos. Na boca, a perfeição na altura relatada permanece, com o vinho a evoluir muito devagar, com acidez perfeitamente integrada, textura suave e acetinada, muito focado e sereno, sem exibições exageradas, mas impressionando pela subtileza, precisão, juventude e ao mesmo tempo já dando incrível prazer a beber. Provado agora de garrafa magnum com grande deleite, recomendo que se continue a guardar este enorme tinto português, do Dão. (LA)

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FERREIRINHA RESERVA ESPECIAL DOURO TINTO 1984

NIEPOORT PORTO VINTAGE 2005

O rótulo caiu assim que se levantou a garrafa da garrafeira. Abriu-se a garrafa. Decantou-se. Quase não tinha borras ou pé. Provou-se. Inacreditável!! Notas minerais intensas de xisto e grafite casadas com delicadíssimo e sóbrio fruto vermelho com algum em passa, num fundo de especiaria super elegante. Na boca, a elegância, o veludo, a sofisticação e a intensa frescura fizeram dele o vinho, não da noite, mas de muitas noites. Em prova estavam também dois Barca Velha, mas este tinto com 11,5% Vol. bateu a concorrência do primo com maior estatuto. Ainda bem que o vinho por vezes troca as voltas aos enólogos. Este foi, felizmente, um desses casos. E o ano de colheita até nem fez história…! Fantástico! (JA)

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Este vinho apresentava-se em meia garrafa e, apesar da pouca capacidade da mesma, o nível de depósito era já muito significativo. Por sorte a garrafa estava num armário na posição vertical e isso facilitou a decantação (é claro que as borras foram religiosamente guardadas para cozinhados futuros...). Gostaria de ter provado ao lado de uma garrafa “normal” para perceber melhor se esta evoluiu mais depressa do que o previsto, mas, ainda que isso seja verdade, o vinho mostrou-se muito fino, com grande delicadeza aromática e a dizer-nos que, também neste caso, poderá não se justificar mais espera. Grande prova. (JPM)


correio do leitor Este é um espaço dedicado aos leitores, às suas dúvidas, às suas opiniões. Dúvidas e questões concretas serão respondidas pelos membros da redacção. Se pretender deixar apenas uma opinião sobre um vinho, uma região, o mercado, ou sobre aquilo que escrevemos, faça-o igualmente. Escreva-nos.

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Todos os meses escolhemos um mail enviado pelos leitores, que é eleito como “mail do mês”. O autor receberá na morada que indicar, uma garrafa do vinho Periquita Superyor 2014, em caixa individual, oferta da casa José Maria da Fonseca.

AREJAR O VINHO Um familiar ofereceu-me recentemente um dispositivo para arejar o vinho diretamente da garrafa para o copo. Supostamente,tal dispositivo substitui a decantação (ou quando não temos tempo para a decantação). Gostava de saber se há alguma opinião especializada sobre a eficácia destes dispositivos e se essa eficácia depende do tipo de vinho: branco/tinto, generoso, etc. Adicionalmente, o mecanismo que produz o arejamento acaba por fazer o vinho “remexer-se” para aumentar o contacto com o ar, mas pergunto-me se esse “choque” sofrido pelo vinho ao passar no arejador é ou não prejudicial ao mesmo. Paulo Sousa Existe no mercado uma parafernália de dispositivos do género, com diferentes formatos e utilizando diversos processos, mas com o mesmo objectivo:

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arejar o vinho. Também possuo alguns deles, que já ensaiei por curiosidade, e posso apenas descrever a minha experiência para tentar responder à sua

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questão. Já agora, estes dispositivos não substituem a decantação, pois um decantador tem igualmente a função de prevenir a passagem para o copo

dos resíduos (borras) existentes no fundo das garrafas de vinhos com mais idade. Mas vamos partir do princípio que pretendemos exclusivamente arejar vinhos jovens, que ainda não criaram depósito. Permitame sistematizar a resposta. Primeiro, são raros (e normalmente muito bons) os vinhos que “crescem” com o arejamento; segundo, o dispositivo efectivamente areja o vinho e o choque desse arejamento não é muito diferente do da decantação tradicional; terceiro, na maior parte dos casos, algumas voltas no copo são suficientes para arejar um vinho; quarto, esses dispositivos são curiosos mas horrendos, nunca colocaria na mesa uma boa garrafa com uma geringonça dessas enfiada no gargalo; quinto, se não há tempo (dois minutos) para decantar um vinho de qualidade que se sabe necessitar de arejamento, mais vale escolhermos outro vinho… (LL)


grandes marcas

E carvalhais mudou

o Dão... Pelo fim da década de 80 e princípio de 90 o Dão reinicia-se. Depois de anos mitigando um prestígio em decadência, a região acorda para se preparar para o novo século. A Quinta dos Carvalhais foi, e continua a ser, um dos motores desta renovação ainda em curso, naquela que é uma das mais importantes regiões de vinhos portuguesas. TEXTO João Afonso

* FOTOS Cortesia do produtor

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A Quinta dos Carvalhais, com seus 50 hectares de vinha (92% são de uva tinta), faz parte do vasto património Sogrape – mais de 830 hectares de área de vinha nas principais regiões de vinho nacional, a que se somam outras várias e importantes empresas distribuídas pelo Novo Mundo vinhateiro. A Sogrape, inicialmente chamada Sociedade Comercial dos Vinhos de Mesa de Portugal, foi fundada em 1942, em plena fase aguda da II Guerra Mundial, por Fernando van Zeller Guedes, que, juntamente com um grupo de 15 amigos, acreditou que podia criar um vinho diferente, capaz de conquistar o coração dos mercados internacionais. Foram muitos os que acreditaram que o projecto, arrojado e sem precedentes, estaria votado ao insucesso. As circunstâncias sócio-políticas globais não eram, de todo, favoráveis ao começo de um negócio de exportação. Mas, fosse como fosse, o certo é que duas décadas mais tarde o vinho Mateus Rosé era exportado para mais de 120 países em todo o mundo e tornava-se no primeiro e único ícone

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Herança: Beatriz Cabral de Almeida gere actualmente a enologia da Quinta dos Carvalhais

vínico português à escala global; bebido e cantado pelas maiores estrelas da época, entre os quais Jimmy Hendrix, Elton John ou Amália Rodrigues. Este sucesso daria lastro à Sogrape para crescer e tornar-se naquela que é hoje a maior empresa portuguesa de vinhos.

A SOGRAPE E O DÃO Paulatinamente, com as mais-valias do êxito “rosado”, a Sogrape começa a investir noutras regiões. O Dão foi a primeira. Em 1957 adquire aqui a empresa Vinícola do Super Dão, que passaria a chamar-se, com o novo proprietário, Vinícola do Vale do Dão. Nesse mesmo ano lança-se o Dão Grão Vasco, que iria tornar-se uma referência de vinho português, mais tarde acompanhado pelo célebre “Dão Pipas”, que terminou carreira, muito injustamente, no final do século passado. A Quinta dos Carvalhais viria 30 anos depois deste primeiro investimento. Durante a ditadura do Estado Novo o sistema corporativo era muito protegido. De tal modo que apenas podiam produzir vinho os próprios viticultores ou as adegas cooperativas de que a maioria destes viticultores era associado. Às empresas era-lhes permitido comprar este vinho, armazená-lo e comercializá-lo. E era assim que funcionava a Vinícola do Vale do Dão da Sogrape; armazenista e comerciante de vinhos do Dão. Em 1980, a empresa decide passar ao controlo directo da qualidade da uva e da sua vinificação e faz um contrato de

Vinhos de prazer, de guarda, soberbos “néctares” do Dão

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supervisão com a Adega Cooperativa de Vila Nova de Tázem. A partir daqui e até 1990 as uvas e vinho Sogrape seriam supervisionados por técnicos da empresa. Antes do final deste contrato a empresa teve de decidir se o iria prolongar ou investir na compra de terra e vinhas, passando ao pleno controlo da matéria-prima própria. José Maria Soares Franco e o seu assistente Manuel Vieira eram então os enólogos principais da A.A. Ferreira, firma adquirida pela Sogrape em 1987. Acompanhados pelo patrão, Fernando Guedes (filho do fundador), e o administrador Joaquim Menezes decidem fazer um périplo pela região para a procurar entender melhor o contexto. Como recorda Manuel Vieira: “O nosso conhecimento da região na época não era o suficiente para permitir executar um investimento avultado.” Visitaram vários produtores e centros de produção de vinho, mas foi no Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão, em Nelas, com a prova de vinhos velhos feitos por Cardoso Vilhena (o antigo responsável desta unidade de estudos vitícolas do Estado), que todo o potencial da região se revelou aos olhos do investidor Fernando Guedes. Em 1988 seria comprada a Quinta dos Carvalhais, cuja enologia era entregue à equipa da Ferreira, e, em 1990, já com adega pronta, seria produzido o primeiro Duque de Viseu, de quem José Maria Soares Franco tanto se orgulhou na época, mas que hoje é uma marca há muito subalternizada pela marca líder Quinta dos Carvalhais.

OS VINHOS QUINTA DOS CARVALHAIS Seis anos mais tarde, em 1996, Manuel Vieira tornava-se o único responsável pelos vinhos de Carvalhais e foram os vinhos deste enólogo que fomos provar, apesar de ele se encontrar jubilado da empresa e ser agora Beatriz


grandes marcas

Prestígio: sob a batuta da Sogrape, a Quinta dos Carvalhais esteve na primeira linha da recuperação da imagem dos vinhos do Dão

Cabral de Almeida a enóloga que gere os destinos vínicos da Quinta. Manuel Vieira é, por assim dizer, o arquitecto da Grande Marca de que hoje vos trago prova: Encruzados, Varietais, Colheitas Seleccionadas, Reservas ou Únicos são produto da arte deste enólogo que criou, efectivamente, vinhos fantásticos e alguns deles bem sui generis, como são os casos do Branco Especial (2 edições até ao momento, com vinhos brancos com uma média de 10 anos de estágio) ou mesmo do branco “Colheita Seleccionada”. Este branco, do qual apresentamos prova abaixo, surge de experiências feitas nas barricas velhas deixadas pelo varietal Encruzado (casado com algum Verdelho) de ambicionado estilo borgonhês, ou seja, com fermentação e estágio em barrica nova e batimento de borras finas. O vinho branco que não se engarrafava nesta referência (havia número limite de garrafas) ficava em armazém em barricas usadas. Com o passar dos anos, Manuel Vieira apercebeu-se do potencial deste tipo de vinho e em 2007 propôs à administração o lançamento de um branco com estágio de 3 anos em barrica. E assim se lança o primeiro Quinta dos Carvalhais Col. Selec. branco em 2004. Vinhos de perfil clássico que

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falam de um Dão feito de sabedoria e segredos e que aqui são desvendados. A partir de 2010 a empresa optou por o subir um patamar, e este vinho passa a designar-se Reserva, com um perfil de vinho mais jovem, internacional e com mais barrica nova. Já nos tintos Reserva, as castas que o compõem desde sempre são a Touriga Nacional, a Tinta Roriz e o Alfrocheiro (à excepção do 2002, que não integrou esta última). Quando o ano permitia a plenitude varietal surgiam os Quinta dos Carvalhais varietais de cor tinta, dos quais o “Único” é o expoente máximo, tendo saído a mercado apenas nos anos de 2005 e 2009, e mais num conceito de terroir francês – “vinho de vinha” (Vinha da Anta), que por acaso tem lá plantada Touriga Nacional. A prova foi uma surpresa. Principalmente no campo dos tintos (sem menosprezo para os excelentes brancos, plenos de subtileza e patina), e decididamente aqui ultrapassou as expectativas. Uma enorme consistência qualitativa, sendo que um dos tintos mais velhos foi também um dos melhores. Vinhos robustos, mas ainda assim com muito Dão dentro deles. Vinhos de prazer, de guarda, soberbos “néctares” do Dão, que provam mais uma vez que a família Guedes acertou quando se decidiu a investir forte nesta magnifica região de vinhos.


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17,5 Quinta dos Carvalhais Dão Reserva branco 2012 Sogrape

17 Quinta dos Carvalhais Dão Col. Selec. branco 2007 Sogrape

Leve redução fumada com toque de pólvora e mineral, fruto delicado e sóbrio de feição acídula do tipo citrino e maçã. Excelente estrutura ácida em boca, entrada delicada, cola-se às mucosas, fruto e especiaria com final longo com leve tanino. Muito carácter neste branco. (13,5%)

Todo focado na austeridade, algum vegetal de casca e caroço, notas suaves turfadas, fruto sóbrio e muito bem encaixado nas notas fumadas. Muito assertivo na prova de boca, fruto maduro com leve toque meloso, alguma cremosidade entre notas acídulas e amargas, final muito vivo e dinâmico. (14%)

17 Quinta dos Carvalhais Dão Reserva branco 2011 Sogrape

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Muito fino de aroma. Todo mineral, suave e intenso a um tempo, cereja, tabaco, apimentados. Excelente textura de boca, taninos finíssimos, muito sabor, muita finesse, todo longo e charmoso. Um tinto que se mastiga sem se perceber. (13,5%)

18 Quinta dos Carvalhais Dão Reserva tinto 2009 Sogrape

17 Quinta dos Carvalhais Dão Col. Selec. branco 2004 Sogrape

Aroma muito bonito, já com alguma patina. Notas melosas, com fruto seco e algum em passa, bastante fumado, todo elegante e sofisticado no nariz. Na boca sente-se a excelente evolução, estilo entre o gordo e o musculado, repete-se o tom doce de compota na boca, final seco com leves apontamentos gulosos e acídulos. (14%)

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17,5 Quinta dos Carvalhais Dão Reserva tinto 2010 Sogrape

Alguma noz e casca de maçã com notas de marmelo, leve aborrachado/ fumado, aroma com evolução muito interessante. Boca ainda com muita vida. Acidez muito presente, notas tostadas e de chá com presença fina e elegante, final longo com notas picantes. (13,5%)

16,5 Quinta dos Carvalhais Dão Col. Selec. branco 2009 Sogrape

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Frutos vermelhos intensos com leve toque de flores secas num conjunto com tanto de fumado como de mineral. Muito músculo de tanino na boca, secura especiada e cheia de sabor, algo mediano, mas cheio de presença, fruto, pimenta e prova. (14%)

16 Quinta dos Carvalhais Dão Col. Selec. branco 2005 Sogrape

Um perfil bastante marcado na qualidade da barrica nova. Tostado muito elegante, leve confeitaria, fruto de polpa branca mais madura, alguma baunilha. Prova entre o gordo e estruturado/ácido, cremoso com um fundo cheio de nervo acídulo, final guloso e fresco. (13,5%)

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17 Quinta dos Carvalhais Dão Reserva tinto 2011 Sogrape

As flores e o perfume mentolado dominam o aroma elegante e sofisticado deste tinto. Leve toque de marroquinaria, cheio e compacto no aroma. Excelente boca, todo seda na entrada, corpo cremoso, muito volume e sobretudo finura de prova. Um tinto que assiste a todas as tendências ou preferências. (13,5%)

Um branco sofisticado. A madeirização é muito ligeira, as tisanas com suaves tosta e notas amargas de vegetal e fruto dominam o aroma. Na boca é todo glicerina e volume com suporte ácido muito vivo. Excelente prova, excelente evolução. Um dos melhores brancos em prova. (13,5%)

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17 Quinta dos Carvalhais Dão Reserva tinto 2008 Sogrape

17 Quinta dos Carvalhais Dão Reserva tinto 2000 Sogrape

Um pouco calado. Notas de pimenta e noz moscada com leve cravinho e fruto negro de amora e cereja. Leve toque de caça. Na boca tem corpo e alguma gordura, taninos muito firmes a darem um tom seco a uma prova musculada e cheia de futuro. (13%)

Cor granada. As notas de leve couro com folha de tabaco e fruto em passa dão um tom bastante bordalês a este tinto. Na boca está um pouco para além do auge. Ainda cheio de graça e finura de prova. Taninos muito vivos, algum fruto fresco e em passa mas começa a declinar. Se tem garrafas destas, é melhor bebê-las. (13%)

18 Quinta dos Carvalhais Dão Reserva tinto 2005 Sogrape Todo guloso, cheio e intenso no aroma. Chocolate com fruto negro e graciosas notas tostadas e confeitadas com leve bouquet de flores secas. Carnudo e cheio. Excelente boca. Cheia de juventude, fruto, equilíbrio e casamento. É um bombom de vinho com taninos muito sérios a suportar todo o conjunto de alta sofisticação. (14,5%)

17,5 Quinta dos Carvalhais Dão Reserva tinto 1999 Sogrape A madeirização e torrados/ tostados, alguma grafite da madeira, dominam sobre o fruto de cereja e ameixa em passa com leve geleia do mesmo. Na boca transfigura-se. Taninos muito activos, muita delicadeza e profundidade de prova, ainda fruto fresco, todo vivo e francamente apelativo. Para beber e regalar-se. (13%)

18 Quinta dos Carvalhais Dão Reserva tinto 1997 Sogrape Notas de resina, caruma e pinhão, algum tabaco, couro, fruto de ameixa e cereja em passa, paprika, carnudo e cheio de aroma. Excelente equilíbrio de prova, todo em charme de evolução, confeitaria, taninos muito finos, leve, deliciosamente morno e profundo, final muito longo. Um excelente tinto velho. (13%)


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Um sonho de elegância no Alentejo Fazer grandes vinhos com uma infra-estrutura de referência sem beliscar o ecossistema. Parece uma equação impossível, mas na Herdade do Freixo o milagre está em marcha: o Alentejo tem mais um embaixador de elite. TEXTO Luís Francisco

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* FOTOS Ricardo Palma Veiga

Pedro de Vasconcellos e Souza é tudo menos um desconhecido no mundo dos vinhos portugueses. Enólogo da Casa de Santar, propriedade da sua família e uma das grandes embaixadoras do Dão, durante muitos anos criou ou recriou grandes referências da região. Mas há uma costela alentejana que estava por descobrir. Perto do Redondo, na Herdade do Freixo, um investimento superior a dez milhões de euros dá corpo a um projecto que assume a ambição de se tornar uma referência nacional e internacional na área dos vinhos e do enoturismo. Antes de mais, o terroir: inseridas numa propriedade com cerca de 1.000 hectares, dos quais 300 são agora geridos por uma sociedade anónima, as vinhas foram plantadas em redor do marco geodésico que marca o ponto mais alto (entre os 400 e os 450 metros, conforme as leituras). São solos argilosos, mas com substancial presença mineral, desde granitos a xisto, passando pelo calcário. A vizinhança da Serra de Ossa (altitude máxima: 653m) e a própria elevação do terreno onde estão implantadas garantem amplitudes térmicas mais elevadas, com noites frescas e brisas constantes. Com a ajuda da rega, assim se enfrenta o “forno” alentejano. A herdade está nas mãos da família desde que há registos – o ano de 1808 referenciado na imagem da empresa aponta para a o nascimento de Pedro Paim, trineto do último Conde do Redondo, mas é apenas uma data simbólica. O facto de o vizinho Convento do Espinheiro ter funcionado como panteão da família durante gerações dá uma boa ideia das raízes profundas que os Vasconcellos e Souza têm na região. Para Pedro, esta costela alentejana (do

lado do pai, a mãe é que era de Santar) está fortemente marcada pelo respeito à terra. Houve vinha e deixou de haver na Herdade do Freixo antes de este projecto avançar. A ideia acabou por ganhar balanço num jantar em que amigos concordaram tornar-se investidores, assumindo Pedro a função de administrador. Durante dez anos, plantou-se vinha, construiu-se uma adega, melhoraram-se as infra-estruturas. Praticamente tudo foi feito de raiz e nada saiu do papel para o terreno antes de as prioridades estarem bem definidas. Antes de mais, fazer “vinhos diferenciadores”, num segmento premium, procurando “conciliar a estrutura e a concentração do Alentejo com a elegância e a longevidade que fizessem a diferença”. E foi com esse perfil na cabeça que se fez a opção pelas castas a plantar. Em 26 hectares já plantados (a que em breve se juntarão outros 10), encontramos, nas uvas tintas, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet, Petit Verdot e Syrah (esta para um projecto de gama média que ainda não avançou); e, nas brancas, Arinto, Sauvignon Blanc, Chardonnay, Alvarinho e Riesling (esta última ainda não começou a produzir). No final, haverá cerca de 23 hectares de castas tintas e 12 de brancas. Mesmo no centro das vinhas, nasceu a adega.

ARQUITECTURA ARROJADA O primeiro passo da “ideia” Herdade do Freixo passava directamente pelas mãos de Pedro de Vasconcellos e Souza, que selecionou castas e clones e supervisionou a plantação das vinhas à pro-

Praticamente tudo foi feito de raiz e nada saiu do papel para o terreno antes de as prioridades estarem bem definidas.

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descoberta Mentor: Pedro Vasconcellos e Souza lidera o projecto

Adega: em breve, quando as videiras crescerem, ficará “invisível”

Vinhas: o terreno elevado e a proximidade da Serra de Ossa garantem frescura

cura do tal perfil distinto para os seus vinhos (aconselhado por alguns ilustres colegas do seu curso de Enologia na Universidade de Montpellier, incluindo Pierre Lurton, director de enologia de ícones franceses como Cheval Blanc ou Chateau d’Yquem, que viu no Freixo um terroir de eleição para o Cabernet Sauvignon). A seguir, era precisa uma mão com jeito para o desenho. A construção da adega durou dois anos e meio, um prazo anormalmente longo. Mas percebe-se porquê. E o resultado final vale bem o tempo (e dinheiro) investido. Antes de mais, a adega foi desenhada à volta de um esquema com a localização das zonas de produção, elaborado por Pedro de Vasconcellos e Souza, que queria uma adega que funcionasse por gravidade e não houvesse tubos nem mangueiras à vista. A primeira equipa que pegou na tarefa, desistiu. E então avançou o arquitecto Frederico Valsassina, que assina um edifício notável – pela sua vertente estética, naturalmente, mas também pela irrepreensível funcionalidade e por uma filosofia de modéstia que não é, de todo, comum associarmos aos grandes projectos. Tudo começou com uma escavação de proporções épicas. A adega do Freixo assenta 40 metros abaixo do seu ponto mais elevado (o que, já agora, proporciona condições óptimas para o envelhecimento dos vinhos) e fica completamente escondida na paisagem. Apenas os pórticos de entrada e as aberturas para entrada da luz solar (presente em todos os espaços excepto a sala de barricas) denunciam a existência de uma estrutura de betão por baixo da colina plantada com vinha recente. Lá dentro, uma monumental rampa circular (“Guggenheim” é a primeira coisa que nos vem à cabeça) permite seguir o caminho das uvas e do vinho ao longo de todo o

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processo, um argumento de peso para quem quer construir aqui “uma referência mundial do enoturismo”. As visitas abriram em Novembro, ainda em fase experimental (sem prova de vinhos, serão gratuitas até ao final do ano), mas a Herdade do Freixo promete muito mais do que apenas um mergulho nos segredos do vinho e nos encantos da arquitectura. Por ser um verdadeiro santuário natural (para além do montado e do pasto não tem mais actividade agrícola significativa), a Herdade do Freixo tornou-se ponto de paragem de aves migratórias – e já está feito o estudo para criar um circuito de ‘bird-watching’. Para um horizonte mais distante estão previstos investimentos no que poderá vir a ser uma unidade hoteleira de nicho, a construir junto à adega, no morro onde se encontram as ruínas do monte.

OS SONS E OS CHEIROS Fazer vinhos de eleição com infra-estruturas de excelência sem hipotecar o património natural. A premissa inicial do projecto Herdade do Freixo era ambiciosa, mas agora que as coisas começam a ganhar forma já se pode dizer que a aposta foi ganha. Os vinhos são realmente especiais, as infra-estruturas exemplares e a Natureza continua a ser rainha do local. Sim, há agora uma mancha verde na paisagem, mas estamos a falar de três dezenas de hectares numa propriedade a perder de vista… A vinha será o epicentro da actividade económica, mas quem manda aqui são os gaios e os pintassilgos, as rapinas e as cegonhas-negras, os pardais e as perdizes, os javalis e as raposas. A terra pertence às azinheiras e aos sobreiros, às oliveiras centenárias (muitas com idades entre os 500 e os 1000 anos) que um dia hão-de dar-nos a provar


descoberta Harmonia: o desafio de criar infra-estruturas de referência sem beliscar a paisagem foi superado

o seu azeite tão especial (já se trabalha nisso). A Herdade do Freixo é um rendilhado de cores, texturas, sons e aromas. Que tudo isso venha a reflectir-se nos vinhos aqui produzidos é a ambição máxima de quem idealizou este projecto. Para já, são dois tintos (Reserva e Family Collection) e um branco (Reserva), mas estão a caminho dois varietais de 2015 (Sauvignon Blanc e Chardonnay) e a vindima de 2016 correu tão bem que poderá dar origem ao primeiro topo de gama da casa, ainda sem nome. Debaixo de terra, a adega, com capacidade de fermentação para 100.000 litros – em breve, 130.000 – e 300.000 de armazenamento, está equipada com a tecnologia mais moderna. Prensa de vácuo, central de azoto para todas as cubas, controlo de temperatura no interior das barricas, linha de enchimento totalmente esterilizada a vapor, sistema de aquecimento alimentado por painéis solares, estação de tratamento de águas residuais, elevador de 15 toneladas que permite trazer à superfície um veículo carregado, depositando-o no meio das vinhas… Enfim, tudo o que as boas práticas de antigamente recomendam e as modernas tecnologias permitem. Cá fora, é outro mundo. A estrada de terra sobe, por entre fiadas de videiras (plantadas com uma densidade superior à habitual no Alentejo) na direcção do marco geodésico. Diz quem por aqui tra-

balha que há aparelhos a assinalar 400 metros de altitude e outros que vão até aos 450. Do que não há dúvidas é que a vista se espraia a 360 graus. A silhueta muralhada de Évora Monte, o perfil escuro das cumeeiras da Serra d’Ossa, o ondular das colinas, o jogo de sombras e formas do montado sobre planos de pasto, a silhueta de Évora que se adivinha por entre as nuvens baixas no horizonte. E, mais do que tudo, um silêncio profundo, telúrico, que nos lava a alma.

16,5 €10,50 Freixo Reg. Alentejano branco 2015 Herdade do Freixo

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Arinto, Alvarinho e Sauvignon Blanc. Bastante frutado de aroma, combinando fumados de barrica, manga, citrinos, flores secas. Encorpado, muito redondo e cremoso, a fruta sempre presente num registo bastante suave, envolvente e muito sedutor. (13,5%)

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17 €17,50 Freixo Reg. Alentejano Reserva tinto 2014 Herdade do Freixo Feito com Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet. Muito atractivo no nariz, onde se encontram apontamentos florais, fruto silvestre bem maduro, um toque vegetal do Cabernet. A boca é macia, assente numa bela estrutura de taninos polidos, mas ao mesmo tempo muito firme e vibrante, com final longo e apimentado. (14,5%)

18 €34 Freixo Family Collection Reg, Alentejano tinto 2014 Herdade do Freixo T. Nacional, C. Sauvignon, A. Bouschet e P. Verdot. Enorme profundidade aromática, num registo de elegância e equilíbrio, a fruta madura enquadrada por notas fumadas, vegetais e especiarias. Surpreende na boca pela excelente frescura ácida, que aliada a corpo cheio e taninos de seda resulta num vinho pleno de classe. (14,5%)


Seja responsável. Beba com moderação.

A herAnçA do pAssAdo e A visÃo de futuro em perfeito equilíbrio.

WWW.VALLEGrE.PT


painel de prova

DOURO em traje de luxo A região duriense vai hoje muito além do Vinho do Porto e tem crescido muito na produção dos DOC Douro. Com as excelentes uvas de que dispõem é possível aos enólogos fazer vinhos de referência e foi isso que aconteceu a partir dos anos 90 do século passado. O número de marcas aumentou exponencialmente e o reconhecimento internacional não tardou. Na já tradicional avaliação comparativa que a Revista de Vinhos faz aos topos-de-gama da região, destacaram-se nomes já firmados e outros em ascensão. No conjunto, originaram uma prova de grande nível. TEXTO João Paulo Martins

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* FOTOS Ricardo Palma Veiga

O Douro continua a ser berço de grandes vinhos tintos. Em toda a extensão da sua enorme área – 250.000 ha - é possível encontrar excelentes parcelas de vinha com personalidade própria, capazes de originar vinhos com imenso carácter. Isso é válido para o Vinho do Porto mas também para os Douro, quer brancos quer tintos. Longe vão os tempos em que só o Vinho do Porto contava e em que apenas o generoso interessava à crítica internacional. Por mérito de alguns produtores, de algumas associações e pelo facto das grandes empresas de Porto terem também passado a produzir Douro, a verdade é que a região passou a estar nas bocas do mundo e nas mesas de prova de qualquer “wine writer” internacional, seja ele inglês, americano ou de outro país. A região, como sabemos, está basicamente dividida em três zonas, Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior. Mas a presença dos vinhos do Cima Corgo foi muito expressiva neste painel, logo seguida do Douro Superior. Luis Sottomayor, enólogo da Sogrape Vinhos avança a ideia de que tanto em 2013 como em 2014 (colheitas em esmagadora maioria neste painel) o excesso de água acabou por prejudicar o Baixo Corgo, o que resultou em vinhos um pouco

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mais diluídos. Mas, diz Sottomayor, nesses dois anos verificou-se também um fenómeno não habitual: a zona em volta do Pinhão foi particularmente afectada pela pouca água que caiu, com menos chuva do que no Douro Superior, tendo originado assim vinhos com mais concentração, característica que normalmente se atribui ao Douro Superior por ser região de clima semi-desértico. Sobre a qualidade dos anos em prova, quer Luis Sottomayor quer Jorge Borges (Quinta do Passadouro) convergem neste ponto: os 2014 são vinhos de mais estrutura, de harmonia mais evidente e com muito mais futuro do que os 2013. Borges, que é enólogo e partner da Quinta do Passadouro confirma a sua satisfação com os vinhos da quinta: “À data da compra, em 1991, apenas existiam 8 ha de vinha velha no Passadouro; depois fomos adquirindo mais parcelas e actualmente a quinta tem 40 ha. É da vinha velha que continuamos a fazer o Reserva”.Jorge Borges salienta que a classe do 2014 não é alheia ao facto de nesse ano a maturação da casta Touriga Franca ter sido tardia mas perfeita, permitindo que os melhores lotes usufruíssem da qualidade desta variedade que, como se sabe, continua a ser a mais plantada na região.


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painel de prova

Sub-regiões: o Cima-Corgo tem neste painel uma presença mais expressiva do que o Douro Superior e o Baixo Corgo

NOVAS IDEIAS PARA OS MELHORES VINHOS O perfil da generalidade dos topo-de-gama do Douro tem vindo a mudar. Para melhor, entendemos nós. Três aspectos a salientar: menor graduação alcoólica, menos maceração – o que origina vinhos mais elegantes – e, por fim, um uso muito mais ajuizado da barrica nova. O resultado são vinhos mais gastronómicos, bem menos cansativos, tudo isto sem perderem a expressividade. Sobre o uso da madeira, Borges é peremptório: “Estamos a usar menos de 50% de barrica nova nos vinhos destinados à categoria Reserva. Fizemos cerca de 6.000 garrafas, tal como tinha acontecido em 2013. Em 2015 ainda não sei, o vinho continua nas barricas e o lote por fazer”. Já no caso da Sogrape, a qualidade mais evidente do 2014 levou a que a produção disparasse: dos 20.000 litros feitos em 2013, “passámos para mais de 40.000 litros em 2014, o que dá bem a ideia da nossa aposta neste vinho que por opção nossa não é impactante nem na cor nem nos taninos evidentes, mas que tem um volume de boca de grande classe, quase a lembrar os vinhos das

vinhas velhas, que nunca nos surgem demasiado extremados”, confirmou Sottomayor. O consumidor tem mostrado grande apetite por estes vinhos. Jaime Vaz (Garrafeira Nacional) confirma-nos isso: “Normalmente o cliente é que pede, ele vem com o nome certo do que quer comprar. E o Douro corresponde a cerca de 50% do que vendemos nas categorias mais elevadas. Por vezes dizem-me para organizar um caixa de 12: uns 9 do Douro e depois o resto lá consigo pôr um Alentejo, um Dão e um Bairrada. Às vezes tento colocar um Porto mas não é fácil”, afirmou. Também Luís Cândido da Silva (Tio Pepe) e Ivone Ribeiro (Garage Wines) afinam pelo mesmo padrão: entre 60 a 70% do que vendem nesta gama são vinhos do Douro, sobretudo na gama entre os €20 e €40. A fama e o prestígio internacional ajudaram (e muito) a que os consumidores se disponham a gastar bem mais no Douro do que gastam noutras regiões. São sobretudo vinhos das colheitas de 2013 e 2014 que encontramos no mercado e isso reflectiu-se naturalmente neste painel de prova. No primeiro lugar ficaram quatro vinhos de 2014 e de entre os vinhos classificados nos primeiro e segundo níveis, temos 12 vinhos daquela colheita contra seis de 2013. E, já agora, se quisermos contar do fim para o princípio, nos três últimos patamares de classificação (28 vinhos) apenas encontramos três de 2014. Ficam assim boas indicações para os consumidores sobre esta vindima que produziu resultados bem distintos nas diversas regiões portuguesas mas que no Douro, confirma-se, atingiu patamares muito elevados.

No primeiro lugar ficaram quatro vinhos de 2014 e temos 12 daquela colheita nos primeiros dois níveis da classificação

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painel de prova

Classificação Reserva 2014 18 Passadouro Quinta de S. José Reserva 2014

2011 16,5 Cisne Dona Berta Vinha Centenária Reserva 2011

Quinta da Leda 2014 Quinta Vale D. Maria Vinha da Francisca 2014

Quinta da Carolina Reserva Especial 2012 Quinta da Pedra Cavada Grande Reserva 2012 Quinta dos Quatro Ventos Reserva 2008 Quinta Nova Reserva 2013 Sagrado Vinhas Velhas 2009

2014 17,5 Batuta CARM Grande Reserva 2013 Crochet 2014 Duas Quintas Reserva 2014 Foz Torto Vinhas Velhas 2013 La Rosa Reserva 2014 Maritávora Grande Reserva 2014 Pintas 2014 Poeira 2013 Quinta do Vallado Reserva 2014 Quanta Terra Grande Reserva 2013 Quinta do Couquinho Reserva 2013 Quinta do Crasto Touriga Nacional 2011 Quinta do Noval 2014 Quinta Seara d’Ordens Vinhas Velhas Reserva 2012 Santos da Casa Reserva 2013

2013 16 Baton Passagem Grande Reserva 2009 Quinta da Levandeira do Roncão Grande Reserva 2011 Tapadinha Lote TTT 2011

17 Apegadas Quinta Velha Grande Reserva 2013 Busto Touriga Nacional Reserva 2011 Carvalhas 2013 Duvalley Grande Reserva 2011 Grandes Quintas Vinhas do Cerval 2012 H.O. Grande Escolha 2012 Murças VV 47 2012 Palato do Côa Grande Reserva 2013 Quinta Casa Amarela Elísio 2013 Quinta da Romaneira Reserva 2012 Quinta das Tecedeiras Reserva 2014 Quinta do Monte Xisto 2014 Quinta do Vale Meão 2014 Terras do Grifo Grande Reserva 2013 Três Bagos Grande Escolha 2011 Vale de Pios 2013 ZOM colecção 2012

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Nuno Oliveira Garcia

Luis Antunes 18 €35 Passadouro Douro Reserva 2014 Quinta do Passadouro

18 €26,50 Quinta de S. José Douro Reserva 2014 João Brito e Cunha

2014 foi uma ano difícil, mas com rigor foi possível fazer belos vinhos. Como este. O poder de sedução deste Reserva é excepcional. Fresco, polido, com uma nota de café e especiarias, é um vinho lúdico, preciso e sensual.

O produtor tem vindo a aprimorar os vinhos da sua quinta, usando vinhas velhas reabilitadas e outras já adultas. Este Reserva será provavelmente a melhor edição, com óptima profundidade e algum exotismo das barricas, tudo num fundo mineral que é a marca deste terroir de excepção.

Algumas notas citrinas e de bergamota destacam-se no aroma, floral, com leve apontamento mineral que lhe dá muita complexidade. Polido e bastante fresco na boca, muito equilibrado e com a barrica bem integrada, resultando apimentado, luxuoso e elegante. (14%)

17,5 €58 Batuta Douro 2014 Niepoort Nota terrosa no aroma, fruta vermelha com um estilo vivo e alegre, num estilo afastado da maioria dos tintos da região. Muito bem na boca, super elegante, rico e com bom perfil. A aposta num tinto menos extraído foi aqui plenamente conseguida. (13%)

18 €68,50 Quinta Vale D. Maria Vinha da Francisca Douro 2014 Lemos & Van Zeller Impressiona desde logo no aroma pela qualidade da fruta vermelha madura, pelo carácter e complexidade. Com um perfil algo afastado do padrão fruta/barrica, revela notável polimento de taninos e equilíbrio geral, um tinto requintado, a mostrar classe pura. (14%)

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Bastante concentrado na cor, vigoroso, metálico e químico, notas de alcatrão e chocolate amargo. Muito bem na boca, com vigor e complexidade, muito bem desenhado, sem excessos. Madeira de luxo a dar nota de classe ao conjunto. (14,5%)

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17,5 €32 CARM Douro Grande Reserva 2013 CARM Sente-se no aroma a Touriga Nacional e a barrica, mostra-se vigoroso na fruta e no impacto olfactivo. Vigoroso na boca, notas de café e chocolate, estilo moderno, concentrado e rico, taninos sedosos, todo em volume e concentração. (14%)

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17,5 €28 Crochet Douro 2014 Esteban & Tavares Lda Muito elegante no conjunto, aroma subtil na fruta madura, polido nos taninos, prova de boca com muita finesse assente numa boa estrutrura. Servido por boa acidez, resulta com uma proporção perfeita entre os vários elementos. (14,5%)

18 €33 Quinta da Leda Douro 2014 Sogrape Vinhos No aroma e no sabor, sente-se que estamos perante um vinho de enorme precisão, tudo excelentemente proporcionado, definido na fruta vermelha e negra, polido nos taninos, aveludado no corpo. Sem arestas, um grande, grande tinto. (14%)

17,5 €27 Duas Quintas Douro Reserva 2014 Ramos Pinto A fruta vermelha ressalta no nariz, com muito boa frescura de conjunto, barrica bem integrada. Na boca mostra um tanino muito fino, sólido mas sem marcar em demasia. Resulta com bastante carácter e evidente potencial de longevidade. (15%)


painel de prova

17,5 €33 Foz Torto Vinhas Velhas Douro 2013 Foz Torto Ambiente geral elegante, com muita fruta bem proporcionada porque há espaço para que o terroir se expresse, madeira bem integrada, notas de barro molhado, tudo a mostrar um perfil original na região. Muito saboroso e texturado na boca. (14,5%)

17,5 €26 La Rosa Douro Reserva 2014 Quinta da Rosa Concentrado na cor e aroma, ainda fechado, predominam notas de ervas aromáticas e madeira (tosta) bem inserida no todo. Fruta muito bonita e chocolate, tem taninos finos mas bem presentes, mostrando um vinho de belo impacto e ainda em crescimento. (14%)

17,5 €30 Maritávora Douro Grande Reserva 2014 Maritávora Bem atractivo no aroma, ambiente floral, boas as notas de madeira, químico, concentrado. Muito bem na boca, rico, taninos finos, acidez no ponto. Estilo vivo, cheio e com volume, numa linha que aposta muito no vigor do conjunto. (14,5%)

17,5 €79 Pintas Douro 2014 Wine & Soul Muito floral no nariz, notas de bergamota e frutos silvestres, resultando muito apelativo. Na boca tem um estilo afirmativo e com bastante carácter, austero e com taninos fortes, ainda por domesticar e a pedirem mais algum tempo de garrafa. (14,5%)

17,5 €30 Poeira Douro 2013 Jorge Moreira Concentrado, rico nas notas de frutos negros, tonalidade cheia a mostrar que tem ainda uma longa caminhada; na boca há taninos finos mas há também alguma tensão e muito carácter, tudo a dar uma nota vigorosa ao vinho. (14%)

17,5 €23,20 Quanta Terra Douro Grande Reserva 2013 Quanta Terra Concentrado na cor, ainda algo fechado no aroma e por isso mais químico, tenso e recolhido; no entanto mostra-se fino e muito elegante na boca, acetinado, com textura macia e a dar grande classe ao conjunto. (13,5%)

17,5 €27 Quinta do Couquinho Douro Reserva 2013 Maria Adelaide Trigo Boa fruta vermelha sente-se no aroma, com estilo expansivo e algum vegetal seco, ambiente balsâmico. Macio, guloso e fácil na boca, muito atractivo, muito bem no perfil. Um tinto de classe, seguramente muito consensual. (15%)

17,5 €50 Quinta do Crasto Douro Touriga Nacional 2011 Quinta do Crasto As notas de tosta da barrica nova estão em evidência no aroma mas há também fruta negra (amoras, ameixas) dando um tom austero ao vinho. Textura de veludo, Touriga algo escondida. Guloso e com classe. (14,5%)

a escolha de João Paulo Martins 17,5 €26 Quinta do Vallado Douro Reserva 2014 Quinta do Valado Este tinto tem vindo a apresentar uma consistência de qualidade que é notável; ao lado da qualidade, nota-se-lhe uma boa facilidade de prova, é sempre um vinho guloso que não exige outros requisitos que não sejam boa companhia e alegria de viver. Parecendo que não, é já mérito que chegue!

Muito bem no perfil, a combinar concentração de aromas maduros com elegância de estilo, sentem-se taninos finos, todo ele muito bem produzido e conseguido, capitoso mas sem magoar. Guloso e cheio de carácter. (14%)

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João Afonso

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17,5 €45 Quinta do Noval Douro 2014 Quinta do Noval Notas evidentes de madeira nova no aroma, presença de flores e algum mentol, estilo directo de Touriga Nacional, aqui bem embrulhado em fruta. Bem interessante na boca, fresco, com barrica evidente mas sobressaindo um elegante tom silvestre. (13,5%)

17,5 €20 Quinta Seara d’Ordens Vinhas Velhas Douro Reserva 2012 Soc. Agríc. Qta. Seara d’Ordens Notas minerais, fino na fruta madura com tonalidade vermelha. Boa prova de boca, taninos finos mas presentes, sugestões especiadas num equilíbrio de conjunto que é de salientar. Um tinto sedutor e bem trabalhado. (14%)

17,5 €29,90 Santos da Casa Douro Grande Reserva 2013 Santos & Seixo Notas aromáticas concentradas com notas de chocolate, esteva, algum cedro e flores, tudo num registo de bom impacto olfactivo. Irreverente na boca, com taninos finos mas presentes, com boa estrutura e um perfil complexo sem cansar. (14%)

17 €35 Busto Douro Touriga Nacional Reserva 2011 Maria Helena Alves A cor denuncia alguma evolução, apresentando no aroma leves licorados, com finura e elegância. Fruto maduro na boca, macio, frutos negros, já muito proporcionado, um tinto polido de empatia imediata. (14,5%)

17 €50 Carvalhas Douro 2013 Real Companhia Velha Conjunto com concentração de cor, com fruta bem presente e notas de barrica, com peso evidente de taninos (ainda que finos), acidez muito boa, com volume e uma extracção também forte. Um tinto vigoroso que vai beneficiar claramente com tempo de garrafa. (14%)

17 €40 Duvalley Douro Grande Reserva 2011 Quinta Picos do Couto Notas de azeitona preta no aroma ao lado de algum floral elegante; bela prova de boca, com um tom algo químico e denso bastante atractivo. Muito bem no conjunto, tudo num registo ainda fechado mas prometedor. (15%)

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17 €24 Apegadas Quinta Velha Douro Grande Reserva 2013 Quinta das Apegadas Este Apegadas foi totalmente inesperado, evidenciando um perfil que pouco tem a ver com os vinhos desta casa que tinha provado anteriormente. Elegância, delicadeza e frescura num Douro diferente, são as palavras-chave da prova. Foi claramente um dos meus tintos preferidos neste painel. (JA) Média concentração geral, muito atractivo no aroma, com um polimento de fruta que é notório, taninos finos e envolventes, médio corpo, tudo muito gastronómico. Um tinto sério, compacto, bastante atraente no conjunto da prova. (13,5%)

17 €32,50 Grandes Quintas Vinhas do Cerval Douro 2012 Soc. Agríc. Casa d’Arrochella No aroma sentimos uma barrica em evidência, notas de cacau e fruto negro; mais elegante na boca do que o aroma prometia, com taninos bem resguardados, com grande potencial e ainda capaz de crescer muito na garrafa. (14%)

17 €47 H.O. Douro Grande Escolha 2012 Casa Agríc. Horta Osório Aroma de fruta bem madura, com uma atractiva componente de vegetal seco, a madeira está muito bem inserida no conjunto; volumoso na boca, resulta macio e de boa estrutura, um tinto de perfil musculado mas sem excessos. (14%)


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17 €70 Murças VV 47 Douro 2012 Murças Muito vegetal e mato rasteiro no aroma, fruta escondida, bela acidez a conferir elegância. Na boca sente-se um perfil muito promissor, austero e sólido, um tinto que necessita de mais garrafa porque é vinho complexo mas ainda escondido. (14,5%)

17 €35 Palato do Côa Douro Grande Reserva 2013 5 Bagos Fruto negro e vermelho no aroma, notas de chocolate amargo, toque de grafite, tudo com densidade. Volumoso mas com elegância, muito concentrado e rico, boa matéria. Leve amargo a dar garra e a pedir tempo de guarda. (14%)

17 €45 Quinta Casa Amarela Elísio Douro 2013 Laura Regueiro Aroma fino e com fruta muito delicada, com predominância da fruta vermelha bem atractiva; boa estrutura de boca, com taninos finos e boa acidez, com classe de conjunto. Fruta e estrutura, bom esqueleto mas com elegância. (14,5%)

17 €40 Quinta da Romaneira Douro Reserva 2012 Quinta da Romaneira Há um ambiente vegetal no aroma, a mostrar apimentados, alguma especiaria, gengibre, com uma tonalidade agri-doce. Macio e volumoso na boca, fino e redondo, é um tinto diferente, elegante, jovem e irrequieto. (13,5%)

17 €26 Quinta das Tecedeiras Douro Reserva 2014 Quinta das Tecedeiras Touriga Nacional a marcar presença, aroma com muito boa intensidade, fruta madura e algumas notas de fruta em calda; na boca mostra-se já muito envolvente, macio e texturado, fruta doce mas bem equilibrada, tudo bastante apetecível. (14,5%)

17 €55 Quinta do Monte Xisto Douro 2014 João Nicolau de Almeida e Filhos Concentrado na cor, notas de chocolate, sente-se a madeira nova, sensações químicas, tenso e jovem, doçura de fruto. Macio na boca, polido e muito harmonioso, dá muito boa prova agora e continuará a dar no futuro. (15%)

17 €80 Quinta do Vale Meão Douro 2014 F. Olazabal & Filhos Notas de barrica em evidência no aroma, frutos vermelhos vivos, bastante equilíbrio, com muito bom polimento. Ainda que seja um tinto com potencial de guarda, a estrutura de boca aponta para o consumo prazeroso desde já. (14,5%)

17 €29,50 Terras do Grifo Douro Grande Reserva 2013 Rozès A presença da barrica é muito evidente no aroma, com a Touriga Nacional mais discreta, num ambiente floral e finura olfactiva. Na boca recupera a fruta, o perfil é macio e de bom porte, final com belos tostados e especiarias. (14%)

17 €34,99 Três Bagos Douro Grande Escolha 2011 Lavradores de Feitoria Vigoroso na aparência, cheio no aroma, com fruta muito madura, a revelar depois tanino fino mas presente, e com um estilo pleno de fruta. Um tinto muito encorpado mas com perfeita acidez, a mostrar argumentos para o futuro. (15%)

17 €20,30 Vale de Pios Douro 2013 Quinta de Vale de Pios Muita Touriga Nacional, aromas doces relacionados com a fruta silvestre bem madura. Muito bom perfil de boca, tanino firme, fino mas anguloso e um pouco seco. Um Douro ainda jovem mas já com muita presença. (14%)

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O júri do concurso internacional Muscats-du-Monde distinguiu na sua 16ª edição um “Moscatel Roxo de Setúbal” como o “Melhor Moscatel do Mundo”. Uma edição também marcada pela presença de mais dois Moscatéis Roxos de Setúbal no TOP 10 Mundial. Sejamos também generosos e brindemos a este sucesso. www.vinhosdapeninsuladesetubal.pt www.moscateldesetubal.pt Vinhosdapeninsuladesetubal omoscateldesetubal

Seja responsável. Beba com moderação.

VOLTAMOS A FAZER HISTÓRIA. AO MELHOR MOSCATEL DO MUNDO.


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17 €28 ZOM colecção Douro 2012 Barão de Vilar Algum ligeiro couro no aroma, ao lado de nota mineral, apontamentos balsâmicos, boa barrica. Perfil de boca macio, com boa estrutura, tudo bastante afinado, com alguma secura final a dar garra e persistência ao conjunto. (14,5%)

16,5 €30 Cisne Douro 2011 Muxagat Vinhos Média concentração de cor, atractivo no aroma expressivo, com uma prova de boca macia e fácil feita de taninos polidos e bom equilíbrio de acidez. Muito carácter gastronómico. (13%)

16,5 €36 Dona Berta Vinha Centenária Douro Reserva 2011 Hernâni Verdelho Touriga Nacional sente-se no aroma, alguma fruta confitada, notas de marmelo, anisado, sentindo-se notória evolução. Elegante na boca, fino, leve marroquinaria, tudo suave e bem composto. (14%)

16,5 €20 Quinta da Carolina Douro Reserva Especial 2012 ToWine Fruta bem madura marca o aroma, notas balsâmicas, especiarias. Concentrado na boca, com taninos ainda duros e austeros, um tinto vigoroso, ainda por polir completamente, a dizer-nos que temos que dar-lhe tempo. (14,5%)

16,5 €30 Quinta da Pedra Cavada Douro Grande Reserva 2012 Colinas do Douro Mais vegetal do que fruta, o aroma é morno, num perfil pouco habitual na região. Texturado na boca, com sabores a lembrar vegetal seco macerado. Um tinto bem interessante, com personalidade vincada. (14,5%)

16,5 €35,90 Quinta dos Quatro Ventos Douro Reserva 2008 Aliança Vinhos de Portugal Maduro na fruta que nos apresenta, notas compota, balsâmicos. Na boca está elegante, com evolução notória, notas de bolo inglês, muito macio, dará muito boa prova à mesa. A beber agora com prazer. (14%)

16,5 24,50 Quinta Nova Douro Reserva 2013 Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo Bem na fruta que nos traz com uma leve evolução, leve nota de alfarroba, passas de uva, atractivo no conjunto. Bastante suave na boca, com taninos polidos, conjunto afinado a dar boa prova à mesa,. (14%)

16,5 €29,80 Sagrado Douro Vinhas Velhas 2009 Quinta do Sagrado Concentrado, maduro, leves notas licoradas e indiciarem evolução em garrafa, mas ainda assim austero e pouco falador. Bom volume de boca, sempre num registo sério e fechado mas a dar muito boa prova. (15%)

16 €20 Baton Douro 2013 Terroir d’Origem Alguma evolução na cor e aroma a mostrar um tinto pleno de fruta doce e com corpo macio e texturado, muito consensual. Apesar da tenra idade é o tipo de tinto que dá muito prazer a beber enquanto jovem. A ele, portanto. (14%)

16 €30 Passagem Douro Grande Reserva 2009 Quinta das Bandeiras Boa cor, abundantes notas de mentol e eucalipto que preenchem a totalidade do aroma, tanino presente, médio corpo, fruta algo escondida. Tem uma acidez muito equilibrada, evolução no ponto, para beber desde já. (14%)

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16 €26 Quinta da Levandeira do Roncão Douro Grande Reserva 2011 Agri-Roncão Notas de resinas no aroma, alguma cera e madeira exótica, tudo a repetir-se na boca, com abundantes notas de ceras sobrepondo-se à fruta, taninos finos a facilitarem a prova. Um tinto original mas sempre interessante. (14,5%)

INDICAÇÃO DE CONSUMO beber ou guardar beber guardar

CLASSIFICAÇÃO QUALITATIVA 19-20 Grande vinho de classe mundial, impressiona extraordinariamente os sentidos

17,5-18,5 Excelente, de grande categoria e potencial. 16-17 Muito bom, com personalidade e complexidade

14-15,5 Bom, sólido e bem feito, bebe-se com prazer 12-13,5 Médio, honesto, simples, correcto, sem grandes pretensões 10-11,5 Abaixo da média, sem defeitos graves mas também sem virtudes. Menos de 10 Negativo, defeituoso ou desequilibrado

APOIOS Água S. Pellegrino / Vinalda Copos Schott Zwiesel / Schmidt-Stosberg

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16 €46 Tapadinha lote TTT Douro 2011 Alves de Sousa Notas de mentol e ambiente balsâmico no aroma morno, sugestões de cânfora, Médio no corpo, taninos suaves e polidos, fino mas a chegar já ao seu melhor. Para beber agora. (14,5%)


Follow our History com os factores exógenos do clima de altas temperaturas aliado à dedicação e talento dos nossos viticultores, cria a originalidade destes nossos vinhos.

TRADIÇÃO EM VINHOS www.encostasdealqueva.pt


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Um ano para quem teve ‘unhas’ O ano agrícola de 2016 não deixará certamente excelentes recordações a muitos viticultores e enólogos deste país. Com uma Primavera muito complicada e um dos mais quentes Verões de que há memória, salvou-se o clima seco da vindima, que deu tempo para tudo, especialmente para quem soube esperar. TEXTO António Falcão e Luís Francisco FOTOS Anabela Trindade, Ricardo Palma Veiga, arquivo e produtores

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Forte ataque de míldio, com destruição completa dos cachos. Foto tirada por Maria do Carmo Val, no Douro.

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“Este ano fiz uma vindima que levou dois meses!”, queixava-se um enólogo do Tejo ao telefone. E acrescentou de imediato: “Estou estoirado.” Ainda jovem, era confirmado por outro, ainda mais novo, mas na Bairrada: “Este foi um ano puro de enologia.” Outro ainda, do Douro, referia “foi um ano muito complicado”. E mais depoimentos coincidiam, de praticamente todo o país. Nunca vimos tantos enólogos com cara de cansaço como este ano. A culpa foi do clima completamente atípico que se verificou. Primeiro com um Inverno relativamente seco e quente, depois com uma Primavera muito húmida e com temperaturas abaixo do normal. Finalmente, veio um Verão anormalmente quente e seco, com alta radiação solar e noites quentes, sem vento. As videiras – que afinal são seres vivos – não reagiram bem a esta situação atípica, tentando ajustar-se às mudanças algo radicais que aconteceram. Mas, limitadas ao espaço onde foram plantadas, não têm a facilidade de se protegerem pela deslocalização. Por isso recorrem às suas armas próprias, regulando os seus fluxos e ciclos de acordo com o clima. Isto, claro, sem contar com as intervenções humanas. Quem, por exemplo, não fez os tratamentos atempados contra as doenças

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criptogâmicas na Primavera (como o míldio), arriscou-se a perder uma parte da produção. Pelo que ouvimos por todo o país, houve lavradores bastante afectados e mesmo alguns casos pontuais de ‘nem sequer terem metido a tesoura na vinha’. Este panorama mais negro ocorreu quase exclusivamente em pequenos lavradores, na sua maioria não residentes junto à vinha. Por muito carinho que tenham pelas suas videiras, o final da Primavera de 2016 não foi decididamente para viticultores de fim-de-semana. Um dia ou dois de atraso e a doença já tinha entrado em força, com estragos irreversíveis. As chuvas do final da Primavera foram as mais destrutivas neste aspecto, pelo estado fenológico mais adiantado da videira, mas há sempre um ‘reverso da medalha’: os níveis de humidade no solo ajudaram as videiras a suportar melhor o escaldante Verão que se seguiu. Ainda assim, quem fez desfolhas mais radicais, arriscou-se a deixar entrar problemas, como o escaldão dos cachos e/ou a desidratação dos mesmos. Em várias regiões do país, alguma chuva que caiu em meados de Setembro permitiu que muitas castas harmonizassem os níveis de maturação. Esta chuva foi uma enorme bênção. E a bonança con-


Vinha debaixo de chuva: o final da Primavera foi bastante húmido, provocando uma enorme pressão de doenças fúngicas.

VINHOS PREMIUM 2016 - ANO DE CONFIRMAÇÃO DE UM TERROIR MÉRTOLA - ALENTEJO XISTOS DO GUADIANA

PRÉMIOS BOMBEIRA DO GUADIANA TRINCADEIRA - ESCOLHA PREMIUM TINTO 2014 - 12.000 GARRAFAS MEDALHA DE OURO WINES OF PORTUGAL CHALENGE BOMBEIRA DO GUADIANA SYRAH - ESCOLHA PREMIUM TINTO 2014 - 7.000 GARRAFAS MEDALHA DE OURO WINES OF PORTUGAL CHALENGE BOMBEIRA DO GUADIANA SYRAH - ESCOLHA PREMIUM TINTO 2014 MEDALHA DE PRATA MEILLEURS SIRAH DU MONDE - FRANÇA

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A IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO A maioria das explorações de tamanho considerável – e isto é válido para todo o país – têm os seus técnicos de viticultura, gente experiente e conhecedora, que não se deixa apanhar de surpresa. Por exemplo, este ano os tratamentos contra doenças foram em quantidade acima do normal, mesmo em regiões mais secas, como no Alentejo e Douro Superior. Menos mal que em regiões de menor área de vinha por hectare, especialmente no centro e norte de Portugal, existem organizações colectivas que alertam os viticultores para a necessidade do tratamento das vinhas. Tirando partido de cada vez melhores previsões meteorológicas, os viticultores são hoje avisados por meios muito rápidos – como o SMS – e conseguem reagir a tempo.

BOMBEIRA DO GUADIANA MÁRIO - GRANDE ESCOLHA TINTO 2013 - 4.000 GARRAFAS MEDALHA DE PRATA SALON DU VIN PORTUGAIS - PARIS

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tinuou com uma das vindimas mais permissivas dos últimos anos, onde houve tempo para tudo: clima seco, mas com maiores amplitudes térmicas, tal como a videira gosta. É caso para dizer que natureza foi algo madrasta no início mas, no final, ofereceu muitas benesses aos viticultores portugueses.

BERNARDO CABRAL| ENÓLOGO DO ANO 2015 - REVISTA DE VINHOS

MUITO OBRIGADO A HERDADE DA BOMBEIRA AGRADECE A TODOS OS QUE TORNAM POSSÍVEL O SUCESSO DO PROJECTO

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Portanto, e apesar do que foi dito atrás, na generalidade do país os problemas existiram, claro, mas foram debelados ou amortizados pela actividade do elemento humano.

QUEBRA DE PRODUÇÃO Se o conhecimento e a antecipação foram fundamentais para evitar males maiores, é verdade que São Pedro é quem manda e ocorreram quebras de produção um pouco por todo o país. O Instituto da Vinha e do Vinho calcula-as em cerca de 20% face à média dos últimos anos e provavelmente mais do que em relação ao ano passado, um ano de boa colheita. Isto não invalida que, em casos pontuais, tenha havido aumentos de produção. Nas páginas seguintes poderá ler algumas reportagens que efectuamos em produtores, um por região, que resumem bem o que se passou localmente. Terminamos dizendo que, a nível de qualidade, e de uma forma geral, podemos esperar um ano de bom vinho, e pontualmente extraordinário. Se a quebra de produção não é boa para o rendimento dos produtores de vinho, é um facto que potenciou alguma concentração nos cachos, facto que costuma estar associado a vinhos de maior qualidade. E, claro não podemos esquecer a extraordinária diversidade de parcelas, exposições, solos, ambientes envolventes e intervenções humanas. É assim mais do que expectável que existam grandes vinhos oriundos desta vindima. Descansem por isso os enófilos, porque vão certamente beber belíssimos néctares de 2016.

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O ANO DE TODOS OS EXCESSOS O cidadão comum poderá recordar 2016 como o Verão mais longo das nossas vidas, mas em termos meteorológicos foi um ano de excessos. Os boletins climatológicos mensais do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) tão depressa falam de calor a mais como de temperaturas abaixo do normal, de seca extrema e chuvas intensas. Condições que exigiram muito trabalho nas vinhas. Janeiro foi “muito chuvoso” e “extremamente quente” (a temperatura média foi a mais alta dos últimos 50 anos); Fevereiro equilibrou o termómetro e manteve o padrão de chuva; Março classificou-se como “muito frio” (a temperatura média foi a mais baixa dos últimos 31 anos) e “normal” em termos de precipitação. Chegou Abril e continuou a chover. Muito: foi um mês “extremamente chuvoso” na avaliação do IPMA e o diagnóstico repetiu-se em Maio (com o quinto valor mais alto de precipitação desde 1931, o ano em que começaram a ser compilados os registos nacionais). Depois de uma Primavera ensopada, chegou o calor. Junho “muito seco e quente” foi seguido de Julho “extremamente quente e muito seco”, com o valor da temperatura máxima mais alto desde que há registos. Agosto seguiu a tendência e continuou a bater recordes: a máxima foi a mais alta de sempre e em Lisboa, por exemplo, registou-se a temperatura mínima mais elevada da história, com 27,9oC! As noites tropicais (mínimas superiores a 20oC) sucederam-se e a chuva quase não apareceu. Mas os dias mais quentes do ano estavam guardados para Setembro: a 6, 73% das estações bateram recordes para este mês; a 7, a Lousã registou 45oC. Mas as noites foram mais frescas e isso é bom para a videira. O Verão prolongou-se ainda pela primeira semana de Outubro e só então chegaram as primeiras chuvas do Equinócio de Outono. Mas, nessa altura, já as uvas estavam na adega… L.F.


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VINHOS VERDES ADEGA DE PONTE DE LIMA 30/10/2016 Na vila mais antiga de Portugal, a adega cooperativa local está a fazer um belo trabalho mas não teve vida fácil este ano. Dirigida desde 2008 por Celeste Patrocínio, a Adega de Ponte de Lima recebe uvas de quase 2.000 lavradores associados, mas a área por lavrador é baixa, não devendo superar o hectare. Verdade seja dita, existem associados com mais de 50 hectares de vinha mas o minifúndio é aqui uma realidade que mostra tudo o que de bom e de mau está associado a esta estrutura fundiária. Muita coisa se tem alterado na última década nesta sub-região do Lima, com muita vinha a ser replantada e o abandono progressivo das vinhas em ramada, que exigem muita mão-de-obra, tanto no amanho como na vindima. Celeste Patrocínio disse-nos que existiu uma quebra nas uvas brancas que não deverá atingir os 20%, mas foi compensada com a produção das uvas tintas, em alta. Em números redondos, Ponte de Lima recebeu à volta de 5 milhões de quilos de uva, na sua grande maioria (90%) da casta Loureiro. Recorde-se que o Loureiro é uma casta que, quando bem tratada na vinha e adega, proporciona vinhos muito aromáticos. “O Loureiro tem aqui o seu berço, é aqui que se dá melhor”, considera a presidente. O primeiro Loureiro varietal de Portugal terá aqui a sua origem, no início dos anos 80. Relativamente às vindimas, Celeste disse-nos que “esta foi a melhor desde que existe esta direcção”. Tudo correu de feição, com organização e quase sem filas de tractores na adega. Cortesia, aliás, do tempo seco. A vindima iniciou-se a 24 de Setembro para os brancos e terminou a 7 de Outubro. As uvas foram vinificadas pela enóloga residente, Rita Araújo, ajudada pelo experiente Fernando Moura, consultor da adega. Apesar do ano climático atípico, o estado sanitário das uvas estava muito bom e esse é a grande notícia. Rita Araújo considera que as matura-

ções “estavam excelentes, com Loureiros entre os 11,5 e os 12 graus de álcool provável”. Depois das vinificações, a equipa de enologia já fez algumas provas e ficou contente com a estrutura de boca dos vinhos. Rita não ficou tão satisfeita com a componente aromática dos vinhos, especialmente dos Loureiros. Nada de grave, mas considera, por isso, que “foi um ano bom mas não terá sido extraordinário”. O que faltou? “Provavelmente um pouco de chuva no início de Agosto”. Isto não invalida que a Adega não tenha conseguido fazer vinhos muito bons: “há sempre uvas que se destacam pela alta qualidade, em qualquer vindima”. António Falcão

Na adega: Celeste Patrocinio, a gestora, com Rita Araújo, enóloga residente.

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DOURO SOGRAPE VINHOS 22/9/2016 O Jeep subia a estrada cheia de pó, embalando a conversa sobre esta estranha vindima de 2016. “Está a correr bem, estamos a meio mas estou a gostar muito do que está a entrar. Acho que este é ano de Roriz e de Touriga Nacional”, diz-nos Luís Sottomayor, responsável pela enologia da Casa Ferreirinha (Sogrape). “Gerimos cinco centros de vinificação espalhados pelas três sub-regiões do Douro: Vila Real, Cambres, Quinta do Seixo, Quinta do Sairrão e Quinta da Leda. Cada centro de vinificação está vocacionado para a produção de determinado tipo de vinho. Além das uvas próprias oriundas dos nossos 500 ha, a Sogrape adquire vinhos e uvas a cerca de 1500 lavradores. Há depois uma relação com seis adegas onde é adquirido Vinho do Porto para as categorias standard de tawny e ruby.” A actividade em Vila Real e Cambres corre a ritmo anormalmente lento. “Estamos a fazer tudo com calma, o ano tem permitido

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isso.” Em Vila Real faz-se muito DOC (Planalto e Vila Régia) e muito Porto branco. As uvas estão a entrar em bom estado sanitário, não há podre nem muita passa. Aqui recebem-se cerca de 3 a 4 milhões de quilos de uvas, de mais de 600 lavradores. Alguns dos nomes fortes da Casa Ferreirinha são feitos no Sairrão, como o Vinha Grande rosé (de que vão fazer 38.000 litros; quando começaram, em 2012, fizeram 2500 litros!), o Papa-Figos e o Antónia Adelaide Ferreira. Quando visitámos a adega, este último, em versão branco, estagiava na barrica Garbellotto de 2000 litros, feita de carvalho esloveno. Aqui vinificam-se todas as uvas brancas do Douro Superior e é por aqui que se costuma acabar mais tarde a vindima. Nesta mesma adega também se faz muito Porto para L.B.V.; este ano, nem fruta sobremadura, nem aromas herbáceos, “o que é um caso raro”, dizem-nos na adega. O Seixo é um dos pulmões da empresa, ali perto do Pinhão. Único centro de visitas (12 guias em permanência no Verão), é também aqui que se fazem lagares para os melhores vinhos do Porto. “Utilizamos a co-fermentação em lagar (várias castas juntas): para já grandes Tinta Roriz e Touriga Franca muito sã”, diz-nos Eduardo Helena, técnico de viticultura. “1000 pipas já estão feitas e vamos a meio, parámos um pouco por causa da chuva mas fizemos bem, que as uvas recuperaram.” No Caedo já tinham sido feitas três passagens na vinha velha; são 8 ha que vão todos para a marca Legado. A vinha tem mais de 20 ha mas têm vindo a ser reestruturados. Ainda falta trabalho de vindima e está em curso a classificação de todas as variedades, cepa a cepa. “Já descobriram coisas que nem tinha nunca ouvido falar, como tinta Nevoeiro e Casculho”, diz Luis. Para a Leda ficam os tintos mais robustos e as experiências em pequenas quantidades: desengace à mão, vinificação sem desengace, etc, ali comandadas por António Braga, responsável da adega durante toda a vindima. Um ano de Roriz como há muito não se via, um ano de Touriga Nacional e uma vindima com uvas sãs, de bago pequeno mas concentradas. Boas expectativas, diz-nos Luís, optimista. Há pouco? Paciência… João Paulo Martins


vindimas Em prova na vinha: João Soares, enólogo da Caves Messias, considerou este ano “de pura enologia”.

BAIRRADA CAVES MESSIAS 1/10/2016 Estamos na Vacariça, perto da Anadia. É aqui que fica a Quinta do Valdoeiro, a jóia da coroa bairradina da Caves Messias, empresa familiar com grandes pergaminhos na Bairrada. João Soares, o enólogo da casa, fez-nos o panorama do ano agrícola. Considerou o Inverno “atípico, quente e seco, que proporcionou uma nascença muito boa”. Mas, acrescenta, “a partir daí, o ciclo prolongou-se muito devido à Primavera extremamente chuvosa e fria, com 600 mm de água em 17 dias!” Isto colocou imensos desafios: “Conseguimos debelar dois ataques de míldio mas a doença deixou as suas marcas, provocando uma quebra de produção com algum significado.” Chegou depois um Verão de temperaturas médias muito elevadas. “Tudo nos levava

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a crer que iriamos enfrentar uma vindima altamente atípica. E assim aconteceu...”, remata o técnico. A colheita iniciou-se cerca de 10 a 12 dias mais tarde do que o normal, com as uvas para base de espumante – Chardonnay, Bical e Cercial – a serem colhidas a 31 de Agosto. A quebra de produção – em relação à média – situava-se nos 15%. Iniciou-se a vinificação e João Soares considerou que “os primeiros mostos mostravam um potencial muito interessante, com muito equilíbrio”. “Mas”, continua, “quando íamos iniciar a vindima para os brancos, no início de Setembro, notamos uma enorme heterogeneidade. Chegamos a ter cachos com uvas sobremaduras e outras ainda verdes. Incrível.” Infelizmente, o panorama era geral. A equipa entrou em alerta e a vindima parou. Houve então um dia de chuva, que ajudou a desbloquear a maior parte das castas e a homogeneizar. A vindima foi retomada e continuou por Setembro. Sanitariamente as uvas estavam “fantásticas” mas notou-se uma ligeira quebra de acidez. “Com cerca de 90% vindimado, paramos hoje, à espera da Baga e do Cabernet Sauvignon mais tardio. São apenas duas parcelas de uvas dedicadas aos vinhos mais robustos, de maior longevidade”, retoma João Soares. A quebra deveu-se ao míldio mas sobretudo ao tempo seco: “Não se notou nos cachos mas sim na balança: o peso por bago era menor do que o normal”, garante o técnico. Afinal foram 47 dias com uma temperatura média acima dos 30 graus, e com noites quentes. Ou seja, um stress hídrico severo. Os incêndios que assolaram a região pioraram o panorama, ajudando a bloquear o sistema fotossintético das videiras. João Soares não nega que foi uma vindima complicada: “Este foi um ano de enologia pura. Se há anos em que o enólogo até quase pode ir para a praia, este ano ‘só quem tinha unhas é que tocava guitarra’. Porquê? Rigorosa escolha de uvas, entendimento das parcelas, correcta decisão da data de vindima, programa de remontagens adequado.” Mas por aqui trabalhou-se bem e João Soares não hesita em dizer: “Estamos muito contentes e temos grandes perspectivas para estes vinhos.” António Falcão


vindimas A vindima é sempre um trabalho de equipa, como se comprovou na renovada adega da Lusovini, em Nelas.

DÃO LUSOVINI 4/10/2016 Na Lusovini e no Dão, as expectativas para a vindima de 2016 não eram de grande optimismo, como para todos os outros operadores do sector vitivinícola. No entanto, um cuidado redobrado por parte dos profissionais da empresa e um “tratado de paz” das condições meteorológicas na última quinzena de vindima, com ausência de chuva e boas amplitudes térmicas (noites frias, dias quentes), trouxeram novas perspectivas. Neste ano que exigiu muita intervenção na vinha, era urgente agir com critério. O míldio, doença fúngica da vinha que em 2016 atacou todo o país, desenvolve-se nas folhas da videira e numa fase precoce, o que leva Casimiro Gomes, presidente da Lusovini, a reiterar que “foi muito importante a intervenção atempada na vinha, fez toda a diferença”. O investimento financeiro na protecção das vinhas foi, inegavelmente, maior e a gestão da colheita teve de ser, também, muito mais intensa e cuidada, num desafio à paciência dos enólogos, viticólogos e de todos os envolvidos. Consoante a cadência da maturação fenólica das uvas e as previsões da meteorologia, faziam-se pausas na vindima ou retomavam-se as colheitas. A última pausa, até à data, foi de uma semana e meia, no final de Setembro. E desta resiliência vai surgindo a virtude. Depois de todo o in-

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vestimento material e pessoal, a Lusovini conta com mais produção em 2016 do que no ano anterior. “Acredito que este ano tenhamos aqui um grande potencial”, diz Casimiro Gomes; e acrescenta que “nesta vindima, quem teve paciência para aguardar vai também recolher benefícios”. Sónia Martins, a enóloga da casa, acredita que os vinhos poderão ser menos concentrados em 2016 (sobretudo em comparação com 2015), mas que outros factores farão com que não sejam, de todo, vinhos piores, mas diferentes, sobressaindo pela elegância e finura de aromas e igualmente pela excelente acidez e frescura. “O Dão também não é região de vinhos super-concentrados”, ironiza Casimiro Gomes. Numa lógica que lhes parece simples, Casimiro e Sónia defendem que, sendo muito mais vastos, hoje em dia, os recursos de tratamento e de análise de condições na viticultura, com algum esforço (material e humano) pode dar-se a volta às situações mais negativas e a vindimas difíceis como esta. Na primeira semana de Outubro, data da nossa visita, a empresa tinha já vindimado a totalidade das uvas brancas e cerca de 20% das tintas. Mesmo assim, quando perguntámos qual a casta que mais surpreendeu pela qualidade, a resposta foi pronta: “Alfrocheiro.” Esta vindima ficou também marcada pela estreia da nova adega, que ficou finalizada no primeiro fim-de-semana de Setembro. Um espaço moderno com apontamentos clássicos na decoração, que inclui um restaurante explorado em parceria com Luís Moura, criador dos Dux (em Coimbra e Viseu). Mariana Lopes


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João Carvalho: “Foi um ano para profissionais”

BEIRA INTERIOR QUINTA DOS TERMOS 15/10/2016 À medida que a vindima se aproximava do fim, os sorrisos subiam de tom na Quinta dos Termos, região da Beira Interior. Apesar do atraso de uma semana e meia, que atirou o final já para a segunda quinzena de Setembro, a meteorologia complacente permitiu que o processo decorresse sem pressões nem sustos. Mas as melhores notícias vinham mesmo das uvas: “A produção foi superior à do ano passado uns bons cinco por cento e, quanto à qualidade, só posso dizer que 2016 vai ser ano de grandes vinhos”, resume João Carvalho, proprietário da Quinta dos Termos. Detalhando a análise por castas, o produtor começa por dizer que não encontrou “nada desequilibrado”, para depois alinhavar uma sucessão de adjectivos elogiosos: “Entre as que me saltaram mais ao olho estão a Syrah (com que fazemos a Reserva do Patrão); a Rufete, excelente; a Touriga Nacional, fenomenal; a Baga, extraordinária; a Fonte Cal, óptima; a Riesling…” Faz uma pausa. “De uma forma geral, estão todas muito boas.” E fica mesmo uma revelação, assim em jeito de promessa: “O rosé, feito com Baga e Syrah, está altamente prometedor; vai ser o nosso melhor de sempre!”

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Este balanço eufórico baseia-se na constatação de que as uvas mostram um “equilíbrio extraordinário entre acidez e açúcar”. Mas, ao contrário do que um olhar menos incisivo possa levar a pensar, 2016 não foi fácil… “Foi um ano para profissionais. As chuvas de Maio trouxeram infestações de míldio, primeiro, e de oídio, depois. Muita gente perdeu tudo nessa fase.” Na Quinta dos Termos a viticultura esteve atenta e, graças aos tratamentos atempados, quando chegou a vindima, após um longo período de maturação, as uvas apresentavam-se sãs. A partir de Agosto os 56 hectares de vinha desta propriedade que se espraia em suaves ondulações pelo planalto de Belmonte foram alvo de controlos regulares de maturação, o que permitiu definir com clareza um calendário para a vindima. “Começou mais tarde do que o habitual, já com Setembro bem avançado, mas durou as habituais quatro semanas”, relata João Carvalho, que é também presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior. “Vai-se vindimando à medida que as uvas vão amadurecendo. Sem dramas, até porque a meteorologia nesta altura do tempo nem de encomenda seria melhor.” Com 18 castas tintas e seis brancas a darem corpo a um extenso portefólio de quase três dezenas de rótulos da casa, num total superior a 700 mil garrafas/ano, a Quinta dos Termos é um produtor de referência da Beira Interior. Podemos, por isso, estar confiantes de que 2016 nos trará boas notícias daquelas paragens. Luís Francisco


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TEJO COMPANHIA DAS LEZÍRIAS 4/10/2016 Bernardo Cabral não cabia em si de contente. A Companhia das Lezírias tem 130 hectares de vinha, dos quais 100 estão em produção, mesmo junto à Reserva Natural do Estuário do Tejo, no extremo Sul da região do Tejo, em Catapereiro, a sul de Samora Correia. Num raio curto fazem aqui fronteira quatro importantes regiões vinícolas: Tejo, Lisboa, Alentejo e Península de Setúbal. As vindimas decorreram de 16 de Agosto a 4 de Outubro. De princípio, Cabral notava uma marcada heterogeneidade dentro da mesma planta, confundindo os controlos de maturação e dando por vezes resultados inesperados nos vinhos obtidos. Mas com os parâmetros afinados para essa circunstância, essa característica acabou por fornecer um meio fácil para obter vinhos à medida desejada – cada cepa fornecia as várias componentes do lote perfeito. Houve algum atraso na maturação, umas ligeiras chuvas, mas depois não houve muito calor apesar de estar sol, permitindo timings de apanha bem planeados e originando uma vindima onde o stress esteve totalmente ausente. O estado sanitário das uvas era perfeito. Apesar de as vinhas estarem muito próximas do rio, não há muita pressão fúngica, e a explicação para isso é, para Bernardo Cabral, o equilíbrio ecológico proporcionado pela biodiversidade da propriedade, bem como um certo isolamento permitido pelos 11 mil hectares de floresta (ou seja, não há vinhas vizinhas que contagiem estas com doenças). Os vinhos brancos mostram muito equilíbrio, não têm grande explosão aromática, mas a acidez é muito boa e a expressão de fruta também. Os tintos mostram excelente cor e taninos, boa fruta, com dimensão e volume, sem álcool moderado e sem sobre-maturações. Ou seja, 2016 foi o ano perfeito, para quem teve paciência. A Companhia das Lezírias faz cerca de 400 mil garrafas anuais do Herdade de Catapereiro, o seu vinho de entrada de gama,;

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150 a 200 mil garrafas de Tyto Alba, uma gama de vinhos varietais em homenagem à coruja das torres, feito com fermentações espontâneas e quase sem colagens; e ainda 3300 garrafas do topo de gama 1836 (ano de fundação da companhia), um tinto de Alicante Bouschet de vinhas velhas, que sai apenas nos anos excepcionais. A gama de castas é impressionante, e este ano foram colhidas em primeiro lugar as uvas de Fernão Pires, seguidas da Sauvignon Blanc, Verdelho, Gouveio, Verdejo, Moscatel Galego e Arinto; depois as tintas de Tinta Barroca, Aragonês, Trincadeira, Tinto Cão, Cabernet Sauvignon, Syrah, Touriga Franca, Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Castelão. Mas há ainda outras castas mais exóticas, como Tannat ou Malbec. Em resumo, 2016, zero stress e vinhos de grande nível. Luis Antunes


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LISBOA DFJ VINHOS 5/10/2016 José Neiva Correia leva já 42 vindimas completas, 2016 é a 43ª, a primeira foi em 1974. E, de todas elas, 2016 foi a mais fácil de todas, “como um passeio na avenida”. Os vinhos são muito equilibrados, já que as próprias uvas eram logo muito equilibradas, com as graduações certas e todos os parâmetros no sítio. Em princípio de Setembro houve duas noites de chuva óptimas para desbloquear as maturações. Para Neiva Correia, o “aquecimento global” é uma falsa questão, é tão pequeno que não tem qualquer impacto. O que tem realmente impacto é que estamos a viver um ciclo quente de 50 anos, acompanhado de alguma aridez climática. A região de Lisboa sofre de influência atlântica, com algumas orvalheiras durante a noite que chegam bem para que os estomas das plantas não fechem e as maturações bloqueiem. Com boa informação climática, em 2016 foi possível esperar pela maturação perfeita para as uvas de todas as castas. Isto até porque não houve

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nunca nem chuva nem previsão de chuva. Costumam ocorrer grandes chuvas na altura do equinócio (21-23 Setembro), mas este ano o tempo foi muito estável, e a maturação, que vinha mais tardia, pode esperar. Na região de Lisboa também quase não houve temperaturas muito altas, que trariam degradação dos ácidos e bloqueio da fotossíntese. As uvas entraram muito sãs, com boas maturações (“as que quisemos, foi só esperar”), muito concentradas. Tinha havido algum míldio em Maio, mas mais nas folhas. A produção baixou 15% a 20% em relação ao ano anterior, mas esse tinha sido um ano excepcionalmente generoso. Ou seja, esta foi uma produção normal. Neiva Correia começou na primeira semana de Setembro, depois interrompeu uma semana, e terminou na primeira semana de Outubro. Ou seja, a vindima foi excepcionalmente pacata, noutros anos os seus 6 milhões de garrafas (cerca de 2 milhões em Lisboa) chegaram a ser vindimados em 12 dias. A DFJ tem mais de 30 marcas de vinho, num total de 110 referências, com origem no Tejo, Lisboa, Península de Setúbal, Douro e Alentejo. A empresa não tem vinhas próprias, antes parcerias com produtores, entre os quais o próprio José Neiva Correia em sociedade com os seus irmãos, que têm 27 ha na região de Lisboa. Processam na Quinta da Fonte Bela cerca de 8 mil toneladas de uvas todos os anos. Neiva Correia defende uma enologia pouco interventiva, até para controlar os custos de produção. Aliás, é bastante crítico da enologia “de protocolo” ou “receita” com base em catálogos de empresas de produtos enológicos, com vinhos feitos com cocktails de produtos “que adicionam agora para retirar depois”. A uva, diz, já tem tudo o que precisa para fazer e manter bom vinho. Aos jovens, apela a que adoptem uma filosofia, uma visão de negócio. Isto dito por um enólogo que já chegou a fazer 10% da produção nacional de vinho tem um valor intrínseco. 2016 será a epítome desta atitude, com vinhos equilibrados e de grande intensidade, (ainda) melhores do que os de 2015. Luis Antunes


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PENÍNSULA DE SETÚBAL CASA ERMELINDA FREITAS 22/07/2016 A cacofonia excitada de dezenas de crianças aos gritos e a silhueta do edifício, com uma linha de colunas delimitando o alpendre para lá de um jardim, quase nos levam a pensar que nos enganámos no edifício e fomos dar a uma escola à hora do recreio. Mas não, estamos realmente na Casa Ermelinda Freitas. Os miúdos vieram de uma escola vizinha para vindimar. E o ambiente descontraído estende-se ao gabinete do andar superior onde a líder da empresa, Leonor Freitas, e o enólogo Jaime Quendera dão conta de uma vindima com menos quantidade, mas de excelente qualidade. “Esperamos entre 10 a 20 por cento menos do que no ano passado nas castas tintas; nos brancos não deverá haver alteração. Mas a uva está perfeita!” E Jaime Quendera tem duas explicações bastante lineares para este bom desempenho da Península de Setúbal num ano tão difícil: trata-se de uma zona com abundância de água, pormenor fundamental face às elevadas temperaturas do Verão; e a área média por viticultor é a maior do país, o que garante profissionalismo e dedicação às vinhas, essenciais no combate às pragas da Primavera. “As quebras vêm essencialmente dos pequenos produtores, que seguem as mesmas rotinas todos os anos e desta vez enfrentaram uma situação diferente”, analisa o enólogo.

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O ritmo da vindima foi calmo, com cerca de 600 toneladas por dia. A nova adega (inaugurada em 2015), com capacidade de armazenamento para 20 milhões de litros e preparada para receber 3 milhões de quilos por dia para fermentação, tranquiliza toda a gente, para mais perante um mês de Setembro linear e sem chuva. Não há pressas, mesmo se a área de vinha própria já ultrapassa os 500 hectares e há um número elevado de viticultores que vendem uvas a este verdadeiro gigante da região. Deste mar de vinhas assente primordialmente em solos de areia saem cerca de 12 milhões de litros de vinho anuais, o equivalente a 16 milhões de garrafas. São 29 castas, 68 referências e um lugar entre os maiores produtores nacionais. Ainda assim, o ano deixa marcas. “Em 22 vindimas que já levo, esta é a mais tardia de sempre”, assinala Jaime Quendera. “Registam-se pelo menos duas semanas de atraso; na uva e nos restantes frutos. Aliás, este ano foi mais difícil encontrar mão-de-obra disponível porque a apanha de pêra-rocha também atrasou…” Leonor Freitas não esquece o fantástico ano de 2015 – “Foi uma vindima de ouro” –, mas diz que a temporada de 2016 “também está a ser muito boa”: “Foi um ano difícil na viticultura, mas quem trabalhou bem nessa área evitou problemas.” Quer então dizer que não há nuvens na mente do enólogo e da gestora? Bom, talvez haja uma. “O Colheita Tardia nunca mais apodrece…”, brinca Jaime Quendera. Luís Francisco


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Tranquilidade: a meteorologia suave do final de Setembro permitiu fazer a vindima num ritmo relaxado, dando tempo a algumas vinhas para recuperarem dos escaldões do Verão

ALENTEJO ADEGA COOPERATIVA DO REDONDO 20/09/2016 Há um tractor carregado de uvas à entrada e percebe-se a silhueta de outro mais acima, na zona de descarga, para lá dos grandes depósitos ao ar livre. Mas, para quem estava à espera de encontrar a tradicional azáfama da época da vindima, tudo isto parece muito calmo… “Já houve um ano em que fizemos mais de um milhão de toneladas por dia, mas agora estamos a receber 400 toneladas”, explica Pedro Hipólito, enólogo da Adega Cooperativa do Redondo. Um ritmo seguro, mas descontraído, que se explica com dois factores: a colheita este ano será menor e a meteorologia mostrou-se generosa durante (quase) todo o mês de Setembro. A Cooperativa do Redondo recebeu em 2015 um total de 14 milhões de quilos de uva, valor que baixava em 6 por cento os números de 2014. Mas este ano a quebra será ainda mais significativa: “Cerca de 35 por cento nos tintos e entre 20 e 25 por cento nos brancos”, estima Pedro Hipólito. Isto significa vinificar qualquer coisa à volta das 10,5/11 milhões de toneladas, o valor mais baixo dos últimos 15 anos. “Não tenho dúvidas de que os preços vão ser afectados”,

avisa Bernardo Gouvêa, director-geral. “Talvez seja um bom ano para rectificar preços, torna-los mais justos.” Com menos uvas e uma meteorologia estável e simpática, a vindima acabou por decorrer num ritmo distendido. Alguns produtores aproveitaram mesmo as duas últimas semanas de Setembro para deixarem as uvas mais tempo na vinha – com maturações mais tardias, quem tinha rega pôde assim compensar alguns dos efeitos da desidratação causados pelas vagas de calor do Verão. E esse foi um dos maiores problemas de 2016. “Já vou na minha 22ª vindima e este ano vi coisas que nunca tinha visto. Em algumas cubas, não havia líquido suficiente para fazer a remontagem sem intervenção de bombas”, conta Pedro Hipólito. O enólogo mostra-se, no entanto, confiante na qualidade dos vinhos que aí vêm. Porque muita gente trabalhou bem na vinha durante a Primavera, atenuando os efeitos das pragas, e porque os meios disponíveis na adega e o saber acumulado permitem aos enólogos encontrar os melhores caminhos. “Em 2015, as uvas eram tão boas que os enólogos quase podiam ter tirado férias nesta altura”, brinca. “Mas este ano é preciso intervir. Nesse aspecto, haver menos uvas até é positivo, porque permite trabalhar melhor, sem pressões.” Na zona do Redondo, a vindima iniciou-se – “lentamente” – a 11 de Agosto, quase duas semanas depois do que acontecera no ano anterior (29 de Julho). Castas como a Trincadeira (que sustenta 30% dos vinhos da casa), Syrah ou Aragonez apresentam quebras significativas, enquanto o Alicante Bouschet poderia ainda recuperar até ao final da vindima. Ao contrário, a Touriga Nacional, por exemplo, mostrou-se “uma casta muito robusta”. Foi, em suma, “um ano estranho”. Luís Francisco

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O RENASCER DA TALHA De um momento para o outro, o vinho de talha – um néctar de sempre – ficou na moda e é visto, atualmente, como um produto que agrega, como nenhum outro, autenticidade e um perfil natural. Quem não dispensa a ‘next big thing’ nos vinhos – esteja em Nova Iorque ou em Berlim – já não passa ao lado dos nossos vinhos de talha.

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TEXTO Nuno de Oliveira Garcia

* FOTOS Ricardo Palma Veiga

A TALHA E A PEZ Não há dúvidas de que está na moda, mas sobretudo de que se trata de uma preciosidade histórica, posto que tudo indica que a talha, enquanto depósito de vinho, existe desde a época romana, ou seja, há sensivelmente mais de dois mil anos. Maior ou menor adaptação, introdução desta ou daquela inovação, a vinificação em talha é algo que remonta ao período romano, de tal forma que João Ignacio Ferreira Lapa, em 1876, chamou à vinificação em talha no Alentejo o “systema romano”, distinguindo-o do “systema de feitoria”, que incluia a utilização de lagares e que era comum noutras regiões do país. Uma talha é um pote de barro com grandes dimensões, mais ou menos poroso de acordo com o tipo de argila de que é feito, e com o destino de permitir a fermentação de mostos vínicos e posterior armazenagem de diversos produtos líquidos, com destaque para o vinho e azeite. A talha apresenta-se com tamanhos e feitios diferentes, de acordo com a prática do mestre oleiro e a tradição da localidade onde era produzida, mas raramente ultrapassa os dois metros de altura e uma tonelada de peso, podendo, no máximo, conter 2.000 litros de mosto. Um dos aspetos mais determinantes da vinificação em talha diz respeito ao facto de se tratar de um pote com uma estrutura porosa, o que implica, necessariamente, impermeabilização do seu interior. O modo ancestral de fazer essa impermeabilização, e que ainda hoje resiste, passa pela rebocagem do interior da talha com resina de pinheiro – denominada pez louro –, à qual se pode adicionar, conforme a receita do pesgador e a preferência do produtor, alguns outros produtos naturais, como cera de abelha (muito utilizada para vinificação em potes feita na Geórgia, um dos poucos países que também comunga desta tradição). Dado que o pez transmite ao vinho aromas e sabores particulares, e o revestimento de pez de uma talha dura vários anos, é prática que se tem por adequada não pesgar todas as talhas de uma adega num mesmo ano, para que se não

marque demasiado o vinho, um pouco à semelhança da gestão moderna de um parque de barricas novas e usadas.

TABERNAS, JOSÉ DE SOUSA E VITIFRADES Apesar de já não se encontrarem adegas em funcionamento com centenas de talhas, como acontecia ainda no século XIX, a verdade é que no Alentejo de hoje estas estão ainda muito presentes e são utilizadas para fazer vinho, encontrando-se com facilidade em casas particulares mas sobretudo em tabernas, onde não é difícil confrontarmo-nos, ainda hoje, com talhas

Durante a fermentação, as massas vínicas são mexidas artesanalmente com um rodo de madeira cuja ponta é oval

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alentejo Torneiras: substituem os batoques para servir directo

Tradição: o vinho a copo é rei nas tascas Fermentação: os mostos são mexidos várias vezes por dia Abertura: bebe-se da talha em Novembro e Dezembro

Talhas: há-as de vários tamanhos e feitios; às mais pequenas chamam-se potes

datadas do período entre o século XVIII até primeira metade do século XIX (entre tantos exemplos, destacamos a Adega Velha, em Mourão, e a Adega do Isaías, em Estremoz). Nas muitas adegas de talhas existentes no Alentejo, pertencentes a casas particulares, tabernas ou empresas vitivinícolas, constata-se a existência de talhas do século XVIII e XIX (e algumas do século XVII) provenientes de diversas origens, com destaque para as localidades de São Pedro do Corval, próxima de Reguengos de Monsaraz (ainda hoje um centro oleiro de excelência, possuindo atualmente cerca de 35 olarias), e de Beringel, vila do concelho de Beja. Com o advento das adegas cooperativas no Alentejo, nos anos 50 do século XX, a produção de vinhos em talha com fins comerciais foi desaparecendo gradualmente, com a notável excepção da Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes, em Reguengos de Monsaraz (desde 1986 parte do grupo José Maria da Fonseca), que conserva a que será certamente a maior adega de talhas em funcionamento e onde são visíveis também as famosas mesas de ripanço, que ainda hoje funcionam na perfeição. A quem também se deve muito, no que respeita à conservação e valorização da talha, é à Associação de Desenvolvimento Local Vitifrades, com sede em Vila de Frades, uma das vilas alentejanas com maior tradição em vinhos de talha. A par de organizar um relevante concurso de vinhos de talha locais, a Vitifrades foi responsável pelo lançamento no mercado, em 2009, de um autêntico Vinho de Talha, tendo optado por comercializá-lo

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em talhinhas de barro de 0,75 litros, e que em boa hora serviu de estímulo para outros produtores do Alentejo. Alguns anos depois repetiu a façanha e lançou o primeiro vinho de talha certificado, o Amphora 2011, recorrendo a uma garrafa com forma de ânfora.

O VINHO DA TALHA A forma tida por mais clássica de elaboração do vinho de talha não passa por prensa nem lagares, servindo muitas vezes o próprio pavimento das casas e adegas para a pisa e esmagamento da uva. As adegas, muitas vezes com arcos altos, têm janelas grandes por onde a uva é descarregada directamente para o pavimento, que é lageado e esconso para o centro de forma a que o mosto siga, deslizando, para uma cisterna enterrada com finalidade de pia. Esta cisterna tem o nome de Ladrão (ou também Adorna), e serve igualmente como segurança para o caso de alguma das talhas rebentar com a pressão não se perdendo o vinho derramado. Com a chegada da uva à adega, a mesma é esmagada antes de ser baldeada, com ou sem engaço, para as talhas. Muitas são as adegas onde se encontram ainda ripadeiras (ou mesas de ripanço) para que se faça o ripanço, ou seja o desengaçamento das uvas à mão com recurso a um tabuleiro ou mesa formado por uma grade de ripas paralelas de madeira. Durante a fermentação, as massas vínicas (que tradicionalmente continham ainda alguns bagos inteiros por a pisa ser incompleta) são mexidas artesanalmente com um rodo de madeira cuja ponta é oval (tem a mesma função dos êmbolos compridos de madeira chamados macacos no Douro e Bairrada e utilizados nos lagares). Estas operações ocorrem várias vezes por dia (no mínimo duas vezes, mas geralmente mais), incluindo, por vezes, durante a noite, para evitar que as massas à superfície obstruam a boca da talha e originem o seu rebentamento.


A Cooperativa Agricola Beira Serra C.R.L situada na Beira Interior, concelho de Trancoso, faz este ano 60 anos. A área vitícola está localizada na fronteira da região do Dão e Douro Superior, com solos predominantemente graníticos e a uma altitude média de 650-700 mt. Com verões muito quentes e invernos muito frios, com grandes amplitudes térmicas. Neste momento temos cerca de 600 sócios, pequenos produtores e com uma reestruturação de vinha considerável. As castas tintas mais predominantes na vinha reestruturada são: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca, Shyra e Alfrocheiro. As castas brancas predomina a Síria, que dá uma característica própria aos vinhos brancos e que se estende por toda a Beira Interior, Arinto de Bucelas, Bical, Malvasia Fina, algum Viosinho e Encruzado. Nas vinhas não reestruturadas predomina nos tintos o Rufete , marujo ,algum bastardo tinturão, Touriga Nacional e nos brancos Bical, Siria, Évora. A Cooperativa neste momento procura reestruturar-se para fazer face á grande agressividade do mercado nacional e global. Os novos vinhos têm tido uma grande qualidade, reconhecida nos vários concursos que a C.V.R.B.I realiza anualmente nesta região , aonde fomos agraciados com algumas medalhas quer nos brancos e nos tintos. Devido á região onde estamos inseridos as nossas vinhas têm poucos produtos fitofarmacêuticos o que em termos ambientais e de saúde beneficia a qualidade final dos nossos vinhos. O Presidente da Direcção João Manuel Nunes Guerra

COOPERATIVA AGRICOLA BEIRA SERRA , C.R.L Rua das Naves, 6420 -728 Vila Franca Das Naves – Portugal • Tel.: 271888200, Fax.: 271888208 Email.: direcao@cooperativabeiraserra.pt • www.beiraserra.com


alentejo O vinho da talha serve de acompanhamento para marmelos da época, além das castanhas e da generalidade dos petiscos (sobretudo baseados em carne de porco e caça) em que a gastronomia alentejana é rica. Pelo sucesso que tem nas vilas e aldeias do Alentejo, não é comum que o vinho da talha se mantenha de um ano para outro, sendo quase todo consumido entre Novembro e Dezembro. Em algumas casas particulares, ainda se mantém a tradição de encher algumas garrafas directamente da talha e nelas colocar uvas passas ou bagos de arroz, provocando assim uma segunda fermentação que iria originar um leve toque gasoso no vinho que se bebia mais tarde, na Primavera ou no Verão.

País das Uvas: é ainda comum encontrar talhas nos restaurantes do Alentejo

A fermentação termina, em regra, após 8 a 15 dias da entrada na talha, demorando ainda mais algumas semanas para que a parte sólida dos cachos (chapéu) – que no início deste processo estava à superfície – se deposite no fundo da talha. Essa parte sólida terá um papel fundamental na filtragem do vinho, quando da trasfega ou da abertura da talha para consumo direto. Depois da fermentação completada, e tendo o vinho repousado algumas semanas com as massas, há uma opção a fazer: ou se coloca uma torneira na talha no lugar do batoque, muitas vezes recorrendo a ráfia para vedar, e se serve o vinho directamente da talha, como é comum nas tabernas; ou a talha é esvaziada – numa operação que demora entre 1 a 2 dias – sendo o vinho passado para uma outra talha de barro, onde atravessará o Inverno até ser consumido ou engarrafado no início do ano seguinte (raramente depois de Março), apenas sujeito a ligeira filtração. As massas que ficaram na talha onde o vinho fermentou são retiradas manualmente. O processo acima descrito, com as suas variantes, é tradicionalmente o mesmo tanto para brancos como para tintos, sendo antigamente comum a mistura dos dois tipos de uva, dando origem a um vinho rosado chamado “petroleiro”, exactamente por causa da cor com que ficava. Por regra, as massas vínicas são mantidas dentro da talha até 11 de Novembro (S. Martinho), sendo tradição abrir-se as talhas nesse dia. Nas festas de S. Martinho no Alentejo o vinho de talha é rei, sendo largamente consumido, de forma que em muitas adegas e tabernas rapidamente se esgota.

A TALHA COM CERTIFICAÇÃO Nos últimos anos muitos produtores alentejanos tomaram consciência da importância da talha como fator de diferenciação (sobretudo nos mercados externos, sedentos de originalidade) e começaram a usá-la para vinificar quantidades limitadas de alguns vinhos especiais. Hoje assiste-se a um renascer dos vinhos de talha, vinhos únicos, plenos de caráter e identidade Alentejo. De tal forma que já existem mais de meia dúzia de vinhos certificados, e muitos mais estão na calha. Assiste-se agora a uma autêntica caça à talha por parte de produtores, grandes e pequenos, pelo que são de esperar muitos vinhos (certificados, ou não) feitos com recurso a este vasilhame. Actualmente, começa a ser comum utilizar a talha apenas como vasilha de fermentação, fazendo com que o mosto, depois de fermentar e dar origem ao vinho, seja retirado da talha através de bombagem mecânica e passado para uma cuba de aço inox ou barrica de madeira, tal como acontece na generalidade das modernas adegas. Apesar de, com este processo, não se usufruir do contato prolongado com as massas e do arejamento típico da talha, tira-se partido da fermentação natural num recipiente semi-poroso e de pequena capacidade e do trabalho manual de mergulho das massas vínicas no mosto. A verdade é que, hoje, a vinificação em talha é reconhecida como método tradicional para a elaboração de vinho pela Portaria n.º 296/2010, de 1 de Junho, e com direito a uso da referida Denominação de Origem (DO). Em 2012, foi aprovado o regulamento que permite a utilização da designação “Vinho de Talha” a vinhos brancos, tintos, rosados ou rosés, segundo o qual, para além da obrigação de impermeabilização das talhas e desengace das uvas, impõe-se que as massas vínicas sejam mantidas dentro da talha pelo menos até 11 de Novembro do ano no qual ocorre a vinificação. De resto, o mesmo regulamento é expresso no sentido de que os vinhos com a designação “Vinho de Talha” têm de apresentar as mesmas características fisico-químicas previstas para os restantes DO Alentejo, bem como do ponto de vista organoléptico no que respeita à cor, limpidez, aroma e sabor, ainda que levando em consideração a especificidade tecnológica do vinho de talha.

OS BRANCOS DA TALHA DE ANTÓNIO MAÇANITA Por regra, o vinho de talha bebe-se novo. Todavia, tivemos o privilégio de provar diferentes colheitas do Branco da Talha da empresa Fita Preta, de António Maçanita. O resultado da prova foi verdadeiramente surpreendente, na medida em que todos os vinhos provados – de 2011 a 2015 – se revelam em grande forma. Aliás, os vinhos que se mostraram melhores foram, inclusivamente, os menos recentes, casos do 2011 e do 2012, ambos em grande forma. Na teoria, estes bons resultados de vinhos com alguma idade não fazem sentido, pois os vinhos de talha tendem a oxidar rapidamente. António Maçanita explicou-nos que as uvas vindimadas foram colocadas directamente numa prensa sem esmagamento e o mosto, só depois de decantado, foi colocado numa talha de 1000 litros. A fermentação ocorreu na talha numa câmara de frio a 14º durante um pouco menos de um mês. Depois o vinho foi novamente decantado, estabilizado por frio e engarrafado com um pouco de sulfuroso. É um bom exemplo de utilização da talha quase exclusivamente como depósito de fermentação, razão pela qual o vinho não é certificado como Vinho de Talha. Quando perguntámos ao produtor e enólogo qual a razão da boa evolução em garrafa, António Maçanita destaca a mecânica da talha mas também a origem das uvas, de uma vinha velha de sequeiro, com muito Roupeiro.

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alentejo 17,5 €39,90 J de José de Sousa Reg. Alentejano tinto 2011 José Maria da Fonseca

16,5 €10,90 Amphora Alentejo Vinho de Talha tinto 2014 Rocim

Fruto intenso e nota floral, num conjunto onde madeira e barro húmido se conjugam num aroma complexo e terroso. Prova de boca vigorosa, num estilo fresco e seco, tanino fino, e fruto vermelho vivo. Continua em grande forma! (14%)

Metade Aragonês e o resto Trincadeira, Moreto e Tinta Grossa. Leveduras indígenas e sem correção ácida do mosto. Nariz com fruto encarnado bonito, leve resina e caruma. Prova de boca com muito carácter, num estilo mais leve e elegante, muito equilibrado. (13%)

17 €17,50 Terrenus Vinha da Ammaia Amphorae Alentejo Vinho de Talha tinto 2015 Rui Reguinga

16,5 €15,80 Branco da Talha Reg. Alentejano branco 2014 Fitapreta Vinhos

16 €16 Outeiros Altos Alentejo Vinho de Talha tinto 2012 Herdade dos Outeiros Altos

Roupeiro e Antão Vaz de vinha velha. Sente-se bem a talha, com notas de giz, terra e barro fresco. Muito bem na boca, com corpo cheio e acidez em alta, tudo em frescura e com amargos finais muito interessantes. (12,5%)

Fermentado em talhas de 1200 litros. Aragonês, Alfrocheiro e Trincadeira, em partes iguais. Biológico. Aroma com fruto bem maduro, nota licorada, tudo a dizer que não se deve esperar muito mais por ele. É mais evidente a presença da talha na boca, num perfil suave, morno, com nota compotada. (14%)

16,5 €30 Esporão Alentejo Vinho de Talha tinto 2014 Esporão

16 €9,99 Piteira Herança dos Romanos Alentejo Vinho de Talha tinto 2014 Amareleza Vinhos

Trincadeira e Castelão de vinhas com 30 anos. Sente-se o perfil argiloso da talha mas de forma harmoniosa, com fruta vermelha fresca e especiarias. Muito bem na boca, com força, mas sempre em elegância e até com alguma contenção, final refrescante. (13,5%)

17 €15,50 Tradições Antigas Tinto 2014 Paulo Laureano Vinus Aragonês, Trincadeira, Alfrocheiro e Alicante Bouschet. Muito bem no aroma, com muito fruto maduro (ameixa) e uma nota a talha a contribuir com complexidade. Prova de boca macia e muito d saborosa, com perfil quente e generoso. Muito bem. (14,5%)

Trincadeira, Aragonês, Castelão e Moreto de vinha velha. Fermentação maloláctica em talha. Nota de pez discreta no nariz, muita pimenta preta, fruta encarnada, boa complexidade. Prova de boca macia e envolvente, com resina muito subtil, boa acidez, e final intenso. (12,5%)

16,5 €20 Amphora Alentejo Vinho de Talha tinto 2011 Vitifrades

16,5 €10,90 Amphora Alentejo Vinho de Talha branco 2014 Rocim

Trata-se do primeiro vinho certificado como Vinho de Talha. Aroma a denotar boa evolução mas sem cansaço, com fruto vermelho vivo e notas terrosas, perfil autêntico mantendo-se prazeroso. Prova de boca meio-corpo, acidez no ponto, alguma leveza de conjunto e leve rusticidade a apontar para a mesa. Muito bem! (14%)

Antão Vaz, Perrum, Rabo de Ovelha e Manteúdo. Sente-se bem o pez no aroma, muito clássico, com notas resinosas e muito leve oxidação. Prova de boca fresca, leves amargos, algum citrino maduro. Perfil clássico com muita qualidade. (12%)

16 €15 Art.Terra Amphora Reg. Alentejano tinto 2015 Casa Agrícola Alexandre Relvas Fermentado em talhas de 2000 litros. Moreto, Trincadeira e Aragonês. Aroma vinoso e intenso, ameixa, especiarias. Prova de boca com tanino vivo, sentindo-se aqui mais a talha, com notas amargas, saboroso e de final convincente. (13,5%)

Moreto. Fruto doce no nariz, compotas, aroma morno com pez discreta. A fermentação em talha está bem presente na prova de boca com notas de resinas, balsâmicos, boa fixação de sabor e muita garra no final. (13,5%)

15,5 €9,99 Piteira Alentejo Vinho da Talha branco 2014 Amareleza Vinhos Esmagamento em ripanço e fermentação em talhas de 2000 litros. Carregado na cor. Aroma com as notas de pez e fruto branco doce (marmelo), caruma. Leve oxidação na prova de boca, tanino, amargos finais. Branco da talha muito tradicional e que merece ser conhecido. (13,5%)

NOTA: Os vinhos apresentados nesta recolha de amostras têm em comum a utilização de talhas de barro, podendo o processo de vinificação, colagem, filtração e estágio variar de caso para caso. As notas numéricas, como sempre, respeitam apenas à qualidade dos vinhos em prova, independentemente do respectivo processo produtivo.

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entrevistas mundanas

A psicologia por trás do balcão, a comida depois da arte urbana, a comunicação e os fatos às riscas. Este mês, ouvimos gente com ideias bem definidas sobre o que gosta e não gosta de ver no “prato” e no copo, mas ficámos a saber muito mais. Falamos da campanha Trump para as presidenciais dos EUA, de petiscos mexicanos e da “avó Inês”. De viagens, estradas e Vinho do Porto. De tudo um pouco, enfim. São as Entrevistas Mundanas. TEXTO Luis Antunes

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Alexandre Farto (a.k.a. Vhils) Alexandre Farto (a.k.a. Vhils) nasceu em Lisboa em 1987 e pratica arte urbana. Começou a fazer grafitti no princípio da década de 2000 e em 2004 começou a trabalhar com a técnica do stencil e suportes não convencionais, expondo o seu trabalho com o colectivo VSP. Em 2006 juntou-se à Vera Cortês Art Agency e fez várias exposições colectivas e a sua primeira individual. Mudou-se para Londres, em 2007, para estudar na University of the Arts. Em 2008 foi aclamado no Cans Festival (Londres) com a crítica a destacar a sua inovadora técnica de escavação, base do projecto “scratching the surface”. Vhils é um experimentalista, com uma estética pessoal desenvolvida sobre uma série de suportes, desde a pintura com stencil à escultura de paredes, pirotecnia, vídeo, instalações esculturais. É um artista que marca a cidade, extremamente influente e com um reconhecimento global.

Qual o melhor sítio para comer fora de horas, e que petisco melhor lhe sabe? Entre vários outros em Lisboa, posso apontar o Galeto, a Merendeira e a Carvoaria Jacto. No Seixal, o Pinto Marisqueira. O petisco depende muito da ocasião e da companhia. Há uma bebida preferida dos graffiteurs? Baseia-se em cafeína ou em álcool? Fermentada ou destilada? O termo correcto é “writer” de graffiti, e não é fácil generalizar dessa forma, pois é um grupo muito heterogéneo. Mas entre aqueles que conheço é de tudo um pouco e entre essas duas balizas. Das suas viagens, diga-me a coisa mais estranha que já lhe deram a comer. Se estamos a falar de coisas estranhas, é muito difícil ultrapassar os nossos túbaros. Mas já comi insectos, entre outras coisas, que poderão parecer estranhos a nós. Que tipo de vinho gosta? Tem marcas ou regiões preferidas? Mantém uma garrafeira, ou vai comprando e bebendo? Ambas as coisas. Tenho alguns vinhos que vou mantendo, enquanto há outros que só bebi uma ou duas vezes, com

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muita pena minha. Mas as minhas preferências incluem os vinhos da Adega Cartuxa/Fundação Eugénio de Almeida, Papa-Figos, Quinta da Bacalhôa, Niepoort Batuta e Barca Velha. Também gosto de ir à procura de coisas escondidas. Acho que a melhor descoberta que fiz foi um Pontval Syrah 2012. Fui à quinta e trouxe umas duas caixas. Diga-me um cozinheiro que admire e um prato seu que poderia comer vezes sem conta. É difícil apontar um cozinheiro ou até mesmo um prato específico, gosto de experimentar de tudo um pouco. Em Lisboa, posso incluir a Cervejaria Ramiro, a Carvoaria Jacto, o Belcanto do José Avillez, o Kampai, a Adega da Tia Matilde, o Chic do Rego, os bifes do Ponto de Encontro e O Pinto Marisqueira na Margem Sul. Tudo é bom. Qual o seu prato preferido? Gosta de cozinhar? Fá-lo com regularidade? Que prato prefere fazer? Não tenho uma preferência específica, gosto de tudo um pouco. Gostaria muito de poder cozinhar mais, talvez nos próximos anos consiga ter mais tempo para o fazer, mas hoje em dia é muito difícil com os períodos que passo em viagem e com o volume de trabalho que tenho em mão. Consegue dizer-nos o melhor vinho que já bebeu? Qual foi, quando, onde, com quê, com quem? Foi o Pontval Syrah 2012 mencionado acima, que bebi em Évora com a minha companheira. Há relação entre street art e street food? Consegue transpor essa relação para as tendências modernas, por exemplo, retirar (a um prato) em vez de adicionar? Não necessariamente, a não ser comer depois de uma missão a altas horas da madrugada numa rulote. Sou um grande fã de tacos, mas é uma pena ser difícil encontrar boa comida mexicana em Portugal. Já pensou em transpor a sua arte para o mundo rural (por exemplo, usar as diferentes cores das castas das videiras para uma obra que apareceria apenas uma vez por ano durante poucas semanas, no Outono)? Por acaso já fiz algumas peças em zonas rurais e naturais, inclusive em Portugal (Serra de Leomil e aldeia de Juncal do Campo, por exemplo), mas essa ainda não me tinha ocorrido. Quem sabe, um dia?


Armando Ribeiro Armando Ribeiro nasceu em Lisboa e tem 44 anos. Estudou museologia na Fundação Ricardo Espírito Santo, arte contemporânea na Sociedade Nacional de Belas Artes, fotografia na Escola Maumaus e feng shui no Instituto Macrobiótico de Portugal. Armando Ribeiro é director criativo e relações públicas. Trabalha em comunicação, tendo fundado em 2009 a agência Plataform-a, que faz ainda relações públicas e criação de conceitos e projectos à medida. Em 2015 fundou O Apartamento, um sítio e um projecto para dar a conhecer Lisboa em todo o mundo, e trazer o mundo a Lisboa, cruzando pessoas, experiências e conhecimento. O Apartamento é uma ilha? A Plataform-a é uma jangada? O Apartamento é um continente, onde existem vários países, que recebem aí muitas outras pessoas, de outros países e continentes. A Plataform-a é uma estrada para chegar a um lugar, lugar esse que é O Apartamento, mas não só. Pensando melhor, a Plataform-a também pode ser uma jangada, feita de forma artesanal, durante mais de 15 anos de trabalho e dedicação. Mas há necessidade de “mostrar Lisboa lá fora”? Para quê? Não temos já turistas que cheguem? Há sempre necessidade de dar a conhecer Lisboa e Lisboa é muito mais do que os monumentos e comer-se bem e barato. Há imensos talentos, nas mais diversas áreas, e é nesse sentido que queremos dar a conhecer o melhor, mas também a Lisboa real, não apenas a Lisboa cartão postal. A nossa ideia, desde o início, é partilhar, criar relações entre pessoas, para que daí possam surgir novos projectos e ideias. Qual a sua bebida preferida? E onde gosta de a tomar? Champanhe. Eu qualquer sítio, mas gosto muito de o beber em boa companhia. Tem um fato às riscas? Quando o veste? Fá-lo para se sentir um pouco “gangster”? Não tenho nenhum fato às riscas, mas vou pensar nisso. Qual a maior caminhada que fez na vida? O que viu? Provavelmente a que me conduziu à abertura do Apartamento. Foram muitos anos a pensar numa ideia e na maneira de a materializar de uma forma contemporânea e interessante. Vejo que existem muitas pessoas interessadas em partilhar informação, em criar novos projectos, em criar laços e que existe uma grande disponibilidade do outro para ouvir, para conhecer novas realidades e para partilhar. Diga-me o seu meio de transporte preferido? Dê um conselho a quem o quiser usar. Andar a pé. Não há melhor forma de descobrir uma cidade ou local. Ultimamente também tenho usado o Uber. Qual foi o maior erro de comunicação que já conheceu? E qual o acto de comunicação mais fascinante (ou espectacular, ou eficaz)? A campanha do Trump é o maior erro de comunicação de que me lembro. Não sei como foi possível, mas infelizmente foi. Conte-me o final de tarde perfeito. Onde janta depois, o que come, o que bebe, como acaba a noite? Sair do escritório pelas 6 da tarde, ir beber um copo ao terraço do Memmo Alfama ou ir beber um copo e petiscar à Taberna das Flores. Jantar no Go Juu, comer um chirashi ou um fondue japonês e beber uma ou duas Sapporo. Em seguida ir beber um copo (vinho) a algum sítio tranquilo onde se possa conversar. Se a noite for longa, dar um pulo ao Lux Frágil para dançar.

Escolha uma cidade (Lisboa não), um filme, um livro, um quadro, um museu, uma avenida, uma estrada. Antuérpia. “Falling Angels”, de Wong Kar-Wai. “O Estrangeiro”, de Albert Camus. “Orange and Yellow”, de Mark Rothko (podia ser qualquer outro dele). Huis Marseille, em Amesterdão, dedicado à fotografia. As ruas do bairro de Nakameguro, em Tóquio. Uma das minhas paixões é viajar, portanto estradas é comigo. Desde que seja ir. E um vinho. Difícil. Vou mencionar os que bebi hoje: Dona Berta Rabigato 2014 e Quinta de Ventozelo Touriga Nacional 2014.

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entrevistas mundanas Pedro Paulo

Tiago Fonseca

Pedro Paulo nasceu em Olhão em 1986. Começou cedo a trabalhar em hotelaria, no seu Algarve natal. Emigrou para Londres em 2010, tendo terminado o curso de gestão hoteleira na Universidade de Greenwich. Trabalhou em vários bares de renome, tendo-se especializado em “mixologia”. Hoje é bar manager no The Lobby Bar do One Aldwych Hotel, em Londres. Ganhou vários prémios em competições de bar no Reino Unido, incluindo a Galvin Cup em 2012 e o campeonato britânico de mixologia clássica em 2013, com o seu cocktail “One D.O.M.”. Pedro Paulo é o presidente do júri do concurso Barman do Ano, em Portugal.

A pergunta cliché: o barman é mais mixologista ou psicólogo? Psicólogo. O que é ser campeão de barman? Como se marcam pontos, como se ganha, como se perde? Ser campeão em bartending significa que durante o campeonato as bebidas apresentadas foram consistentemente fortes em sabor, apresentação e aroma. Existe ainda a parte técnica, onde é avaliada capacidade técnica e o conhecimento do concorrente. Sei que dá primazia ao Vinho do Porto nos seus cocktails. Qual o critério de escolha? Um grande Porto não encarece muito um mix? Dou primazia ao Vinho do Porto por ser um produto que conheço bem e por ter características com as quais gosto de trabalhar. A escolha difere de caso para caso, mas existem excelentes Portos a preços razoáveis, por isso o custo nunca foi um problema. Qual a diferença entre ser barman em Inglaterra e em Portugal? Os portugueses exploram menos? Jogam mais pelo seguro? O consumidor e a cultura de consumo são as principais diferenças.

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Diga-nos um recanto secreto de Londres para nós desfrutarmos em viagem. Champagne room no Connaught Hotel. Tem um ídolo? É um barman? É real ou da ficção? Sim, a minha avó Inês. O bar tem crescido como palco. É uma tendência para durar, ou a seguir vão ser os pasteleiros, os concièrges ou outra coisa qualquer? O bar sempre foi um palco, penso que o facto de estar agora a ser mais popular será mais um caso de exposição devido às novas tecnologias de divulgação. Defina uma grande noite em bebidas: um (o) grande cocktail, um grande vinho, um grande digestivo, um grande “night cup”. Começava a noite com um “to be or not to be” no Ritz Londres, depois ao jantar um copo de Krug 2000 Brut, como digestivo um Rum Diplomatico Ambassador com gelo e acabava com um Old Fashioned no One Aldwych Hotel. Escolha a viagem da sua vida, real ou projectada. Real, a viagem à África do Sul, para competir no campeonato mundial de cocktails em 2014. Projectada, gostaria de fazer uma viagem sem regresso marcado e conhecer o maior número possível de países.


enoturismo

Pelo coração de

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Não é fácil encontrar propostas de enoturismo em algumas regiões do país. Mas o desenvolvimento crescente desta actividade começa a ter ecos até em zonas “esquecidas”. Bem no coração geográfico de Portugal, seguimos o eixo da A13, entre Tomar e Penela, para encontrarmos paisagens belíssimas e vinhos com personalidade. TEXTO Luís Francisco

* FOTOS Ricardo Palma Veiga 111


enoturismo

Natureza e tradição: a barragem de Castelo de Bode abre a porta para uma região recheada de património e belos cenários

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Viajar é sempre uma actividade enriquecedora. Partir à descoberta de gentes e sítios diferentes foi uma característica definidora da espécie humana, a única do planeta que historicamente se deslocou movida apenas pela curiosidade. Foi assim que nos espalhámos pelo planeta: mesmo que um determinado local oferecesse todas as condições para vivermos, houve sempre um impulso de descobrir o que estava para lá do horizonte. Em pleno século XXI, continuamos a ser inquietos e inquisitivos; os tempos é que são diferentes – temos agora mais horários, mais compromissos, mais grilhetas. Viajamos para fugir à rotina. E às vezes precisamos de uma ajudinha. Como uma nova auto-estrada, por exemplo. A abertura dos troços da A13, a chamada Auto-Estrada do Pinhal Interior, que ligam Tomar a Condeixa tornou facilmente acessíveis terras que até há pouco viviam longe dos fluxos turísticos, desencorajados pela orografia desafiante e por uma rede viária complicativa. Nos últimos anos, este cenário mudou. E abriram-se as portas para uma região de grande beleza natural e com uma riqueza cultural e patrimonial que justifica bem a viagem. É uma zona com características vincadas, mais do que suficientes, por exemplo, para gerar uma sub-região vitinícola própria: Terras de Sicó. Existe há mais de duas décadas, mas os seus vinhos continuam a ser

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razoavelmente desconhecidos dos consumidores. A pulverização da propriedade (são regra as explorações com apenas um ou dois hectares, ou menos) e o isolamento geográfico explicam esta realidade. É, por isso, mais difícil do que noutras regiões encontrar unidades de enoturismo. Mas elas existem e levam-nos numa jornada por paragens onde confluem várias regiões e influências – Bairrada, a Oeste; Beira Interior, a Leste; Dão, a Norte; e Tejo, para Sul. Começamos este roteiro ainda no Tejo, em Tomar, terra de história e património, onde há largos séculos o vinho assume papel de destaque. Décadas de menor notoriedade dos vinhos do Ribatejo (agora Tejo) estão agora a ser contrariadas pelo trabalho de vários produtores, apostados em recuperar o prestígio de outros tempos. Tomar é a terra dos Templários e da Ordem de Cristo, do Convento de Tomar e da barragem de Castelo de Bode, a segunda maior do país depois de Alqueva. E Tomar é também a porta de entrada Sul (Condeixa assume esse papel a Norte) para uma região interior até aqui pouco explorada, de que muita gente só toma conhecimento quando surgem notícias de fogos florestais… Ferreira do Zêzere, Alvaiázere, Penela. Para quem passa na A13, Penela surge por entre montanhas e florestas como uma ilha de casas brancas encarrapitada num esporão rochoso, enquadrando as torres e os panos de muralhas do castelo medieval. Imperdível.


enoturismo

ENCOSTA DO SOBRAL Outeiro, Serra, 2300-244 Tomar Tel: 249 371 510 / 918 568 188 Fax: 249 371 577 Mail: geral@encostadosobral.pt Web: www.encostadosobral.pt GPS: 39º36’26.98’’ N / 8º18’57,65’’ W

ENCOSTA DO SOBRAL A orografia impertinente desta região desafia constantemente o olhar. Subimos a encosta, depois de passarmos pelos terrenos mais antigos da casa, e descobrimos uma paisagem que muda a cada passo. Ondulações sucessivas em todas as direcções tanto escondem como mostram pedaços de uma vinha contínua que, ao todo, se estende por 60 hectares. Estamos na Encosta do Sobral, produtor dos arredores de Tomar que tem apostado fortemente na qualidade dos seus vinhos e na missão de contrariar o estigma recente dos vinhos da região. Enquanto o mercado nacional vai redescobrindo o Tejo, a exportação garante o escoamento de 70 por cento da produção. Na aldeia do Outeiro, a 8km da cidade de Tomar, não há propriamente uma estrada movimentada, pelo que não é de todo comum aparecerem visitantes por impulso. A regra aqui é a da marcação antecipada, para visitas à vinha e às adegas, bem como prova de vinhos. As instalações são arejadas e acolhedoras, os espaços bem definidos e a constante aposta nos produtos locais garante belas experiências à volta da mesa. Mas é pelas vinhas que começamos, encarando com surpresa terrenos xistosos, num relevo que, parecendo suave, disfarça rampas com 25% de inclinação. O regime é de sequeiro. Some-se a estes factores uma meteorologia marcada por grandes amplitudes térmicas e rapidamente se percebe a opção por algumas castas típicas do Douro: nos brancos, Côdega do Larinho, Rabigato, Viosinho, Gouveio; nos tintos, Touriga Franca. A elas juntam-se as tradicionais da região, como Fernão Pires ou Trincadeira, mais as agora universais Arinto e Touriga Nacional e internacionais como Syrah ou Cabernet Sauvignon. Há ainda vinhas velhas. Para dar corpo a esta mancha contínua de vinhedos, houve que enfrentar um verdadeiro pesadelo administrativo: para além dos cerca de 20 hectares originais de vinha na propriedade, foi preciso negociar e registar mais de 140 parcelas para chegar ao total de 60 hectares… E, à medida que crescia a vinha, rapidamente se percebeu que a adega construída em 2001 já não chegava para as encomendas. E assim nasceu a segunda, em 2010. Ficam lado a lado, a primeira com zona de produção no andar térreo e cave de armazenamento (caves e barricas), a mais recente albergando a sala de provas. Num outro edifício, ao lado, ficam a loja e os escritórios. Avançamos para a prova de vinhos. Ao nosso lado, uma mesa com fantásticos petiscos, desde os queijos aos enchidos, passando por um pão excelente e uma broa sublime. As rolhas começam a sair das garrafas e a conversa vai avançando. Não é fácil virar costas e seguir caminho…

Visitas e provas sujeitas a marcação prévia. Aberto de segunda a sexta-feira entre as 9h e as 13h e entre as 14h e as 18h (horário de Verão) ou nos períodos 8h/13h e 14h/17h (horário de Inverno). A prova de tapas custa 5€ por cabeça, a prova Standard fica por 10€ e a prova Premium sai a 15€ – a diferença está nos vinhos a provar.

CLASSIFICAÇÃO Originalidade (máx. 2): 1,5 Atendimento (máx. 2): 2 Prova de vinhos (máx. 4): 3,5 Venda directa (máx. 4): 3,5 Arquitectura (máx. 3): 2,5 Ligação à cultura (máx. 3): 2 Ambiente/Paisagem (máx. 2): 2 Classificação: 17

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CLASSIFICAÇÃO Originalidade (máx. 2): 2 Atendimento (máx. 2): 2 Prova de vinhos (máx. 4): 3 Venda directa (máx. 4): Arquitectura (máx. 3): 3 Ligação à cultura (máx. 3): 3 Ambiente/Paisagem (máx. 2): 2 Classificação: 18* (*nota ponderada, tendo em conta que a filosofia do local não contempla a existência de loja)

VILLA PEDRA Rua do Rechio e Seladas, Cotas, 3130-092 Soure Tel: 910 731 194 Mail: info@villapedra.com Web: www.villapedra.com GPS: 40º00’12’’ N / 8º29’10’’ W Há 11 casas e duas antigas escolas primárias recuperadas para alojamento, num núcleo que dispõe ainda de piscina colectiva e restaurante. Todas as casas têm jardim, com portões comunicantes que podem ser abertos para partilha de espaços. Os preços começam nos 115/135 euros (época baixa/época alta) para um T0, passam pelos 125/145 euros para os T1 e vão até aos 240/260 para os T2. A colocação de um berço fica por 20/25 euros e a cama extra custa 40/50 euros. Os ingredientes para pequeno-almoço são colocados no frigorífico e o pão fresco entregue às 8h30 da manhã. Refeições no restaurante mediante marcação.

VILLA PEDRA Chegamos pelo lado de Penela, mas também poderíamos vir de Condeixa. O trajecto até Pombalinho é curto e daí até à antiga Aldeia de Cima um saltinho. Habituado às grandiosas panorâmicas que se vão mostrando ao longo da estrada, o olhar tem agora de se focar nos pequenos detalhes. Estamos na Villa Pedra Natural Houses, um alojamento turístico composto por 13 casas (11 no núcleo urbano e mais duas escolas a curta distância) e que deu uma nova vida a uma aldeia abandonada da serra de Sicó. O último registo de um habitante local data de há cerca de 70/80 anos. O esquecimento caiu sobre a aldeia até que, em 2003, o familiar de um dos três sócios do projecto “tropeçou” nas ruínas e o tempo voltou a contar para Aldeia de Cima, concelho de Soure. Dois anos de burocracia depois (com dezenas de escrituras pelo meio), o projecto arrancou. Hoje, casas recuperadas convivem com as ruínas ainda existentes – a ideia é ir resgatando uma por ano. E tudo faz sentido. Modernos e recheados de deliciosos pormenores de decoração, os alojamentos da Villa Pedra formam um conjunto harmonioso, com arruamentos em empedrado e sem fios à vista (toda a infra-estrutura está enterrada). Estamos mesmo numa aldeia e a opção por um reboco que vai ganhando um tom similar ao das pedras dos muros acentua o mimetismo. Só muito recentemente (nos últimos dois anos) este destino muito especial começou a cativar a atenção dos portugueses, que continuam,

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ainda assim, a ser uma minoria entre os que procuram o silêncio e a atmosfera limpa da serra. É um turismo especial, de pessoas que gostam de andar a pé ou de bicicleta (há vários percursos sinalizados), que viajam em família e não pensam na praia. Ficam por uma semana ou mais, em habitações rústicas por fora e cosmopolitas por dentro, onde a pedra das paredes convive com os modernos confortos e uma decoração sempre surpreendente. A zona comum do aldeamento (noção bastante volátil, uma vez que as casas têm jardins que se podem ligar abrindo os portões, facilitando a vida a grupos de amigos) fica logo à entrada. De um lado, o espaço da piscina; do outro, a recepção, o restaurante e o acolhedor alpendre panorâmico de onde o olhar se estende por uma paisagem imensa de casas e florestas, cumeeiras e vales. Mesmo em frente, numa elevação cónica, a silhueta do castelo de Germanelo, uma fortificação cujas origens remontam à pré-nacionalidade. De copo na mão, provando o espumante da casa feito em colaboração com um produtor local, começamos a reparar nos detalhes. Mesinhas de Marrocos, mantas do Paraguai, camas do Paquistão a fazerem de sofás, uma mesa em pedra de Portugal, um papagaio de madeira vindo do Brasil… Na Villa Pedra ficamos longe de tudo e o mundo está todo aqui. Ah, e se encontrar uma flor na sanita, não se espante. É mesmo assim.


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LAGAR D’ADEGA A poucos minutos por estrada, todo um outro mundo. Estamos em Penela, em pleno aglomerado urbano, nas instalações do produtor Encosta da Criveira, um nome que vem do local onde estão instaladas as vinhas, mesmo ali à vista da vila acastelada. Se até aqui falámos de produtores de média dimensão e turismo cosmopolita, agora chegamos às raízes da realidade regional. Entramos no Lagar d’Adega e, por momentos, o vinho faz uma vénia e cede o protagonismo ao azeite. Os números antes de mais: este é um pequeno produtor de vinho, com apenas dois hectares de vinha, e a adega, naturalmente, é modesta. Na verdade, serve praticamente de antecâmara do que verdadeiramente notável encontramos neste sítio: um lagar recuperado e com máquinas que ainda funcionam! Todo o espaço está limpo e arrumado, painéis informativos em português e inglês explicam os diversos passos do processo, máquinas e reservatórios parecem prontos para entrar em funcionamento a qualquer momento. E, subitamente, carrega-se no interruptor, um motor arranca e o sistema começa a funcionar. Surpreendente. Em cada um dos recipientes em pedra escavada é visível em relevo uma cruz, dita de S. Gabriel e cujo verdadeiro significado ainda é um mistério. Mais um sinal óbvio de como estas actividades agrícolas estão fortemente enraizadas na cultura da região. Sobre a mesa e nos expositores, outras delícias locais: pão, queijo, enchidos, mel, nozes. O Lagar d’Adega é recente (a remodelação começou em 2013), mas já assume um papel relevante na divulgação da terra. No interior do lagar/adega ou cá fora, num telheiro com vista para o vale ou no espaço relvado logo abaixo, os visitantes encontram a atmosfera de uma verdadeira exploração familiar. As parcerias com a mais recente unidade hoteleira da região, com restaurantes e com a autarquia local geram algum movimento, a que se junta a promoção feita através das redes sociais. E, apesar de a regra ser a marcação antecipada, os proprietários, que moram mesmo ao lado da adega, já começam a habituar-se à ideia de terem, de vez em quando, gente a tocar-lhes à campainha sem aviso prévio… Chegar às vinhas leva três minutos, de carro. Em cerca de dois hectares numa encosta fronteira à vila encontramos cinco castas tintas (Alfrocheiro, Aragonez, Baga, Touriga Nacional e Trincadeira), mais duas brancas (Arinto e Fernão Pires). À volta, mato cerrado e penhascos mostram o verdadeiro carácter destas terras e fazem adivinhar uma vida selvagem pujante. Por vezes até demais, que aqui os javalis são uma verdadeira praga. Mas quem nos saúda à passagem do carro é um esquilo. Atravessa a estrada de terra batida e sobe a uma árvore. Por momentos, espreita, curioso, para ver quem passa. Depois vai à sua vida.

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CLASSIFICAÇÃO Originalidade (máx. 2): 2 Atendimento (máx. 2): 2 Prova de vinhos (máx. 4): 3 Venda directa (máx. 4): 3 Arquitectura (máx. 3): 2,5 Ligação à cultura (máx. 3): 2,5 Ambiente/Paisagem (máx. 2): 1,5 Classificação: 16,5 LAGAR D’ADEGA Rua do Cubo, 3, 3230-287 Penela Tel: 963 269 905 Mail: info@encostadacriveira.com Web: www.encostadacriveira.com GPS: 40º01’44.29’’ N / 8º23’29,21’’ W Visitas à adega, lagar e vinhas sob marcação – de segunda a sexta, podem ser feitas até à véspera da visita; para sábados e domingos, até às 12h da sexta-feira anterior. A visita guiada à Lagar d’Adega com prova de 3 vinhos e degustação de produtos típicos custa 5,5 euros por cabeça para grupos de 6 a 15 pessoas; 4,5 euros entre 16 e 30 pessoas; 3,5 euros para mais de 30 pessoas. Com passagem pelas vinhas (opção disponível apenas aos fins-de-semana), os preços sobem, respectivamente, para 7,5€, 6,5€ e 5,5€. Crianças até aos 8 anos não pagam. Com duas semanas de antecedência, é possível marcar refeições para grupos entre 25 e 35 pessoas, a 25€ por cabeça.


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dois dedos de conversa João Paulo Martins

COM ELES CHEGAMOS SEMPRE ATRASADOS… Um Douro com famílias, uma família com muitos douros. É assim o universo Symington. A cena passou-se numa visita a umas caves de Gaia. Como cicerones tínhamos Johnny e Dominic Symington. De origem escocesa mas há 150 anos em Portugal, os Symington ganharam nas últimas décadas um grande protagonismo no sector do Vinho do Porto. Adquiriram muitas quintas, tornaram-se grandes proprietários de terra e conseguiram conservar uma estrutura familiar na empresa, coisa que como sabemos é do mais difícil que há. Não raramente, quando ouço alguém dizer que tem uma família muito unida e em que todos se dão muito bem, faço de imediato a pergunta fatal: já fizeram as partilhas? Se a resposta for negativa, é de imaginar que toda aquela união e amizade vai passar uma prova de fogo quando chegar a hora

(que agora não lembro qual, nem é muito importante…). É assim na família Symington, mal nos distraímos e já compraram mais uma quinta, neste caso, pequena. Acontece que recentemente fomos convidados para uma visita à Quinta do Ataíde, no vale da Vilariça, no Douro Superior. “Aquilo” é outro Douro, que nada tem de semelhante ao que conhecemos. Por ali não há encostas, não se fala em orientações sul ou norte, nem zonas altas ou baixas; o que temos é um terreno quase plano, num vale ladeado por montes que servem de protecção e originam uma zona de grande beleza e enorme potencial vitícola. Na ocasião tivemos a presença de Paul, CEO da empresa, que gere agora mais de 1000 ha de vinhas da empresa ou dos

Agora são 28 (quintas), mas cuidado, que mais um mês se passou e é este mesmo texto que corre o sério risco de já estar desactualizado. da verdade. E, nessa prova fatal, muita família se desagrega, muitos irmãos deixam de se falar e muita cumplicidade é desfeita. Infelizmente. Há sempre duas situações em que tal não se verifica: não ter irmãos ou não ter nada para partilhar. Um alívio. É por isto que é ainda mais louvável a fórmula encontrada nesta família alargada de portugueses com sotaque inglês ou ingleses com sotaque à Porto, como se quiser. Mas, voltando à visita às caves e em tom meio brincalhão, indaguei: então que quinta compraram esta semana? Esta semana? Dominic pensou, pensou e disse que não senhor, naquela semana não tinham comprado nada. Eis se não quando, o primo John rectificou: espera, comprámos uma pequena quinta de 7 ha que fica junto a outra propriedade

familiares que vendem as uvas à casa-mãe. Tarefa hercúlea e razão mais do que suficiente para a magreza que lhe notamos ( ). A propriedade, que é referida noutro artigo deste número da Revista de Vinhos, é magnífica, com casa de grande nobreza, para já apenas restaurada por fora porque, soubemos, a prioridade é a terra e as adegas! Na altura foi distribuído um folheto sobre a quinta, muito bonito e bem apresentado mas, claro, não podia deixar de ser, com erros, já que estamos a falar dos Symington. É que no tal texto é referido o número de 27 quintas que a família gere mas o número está errado, uma vez que Paul anunciou em primeira mão que na véspera tinha fechado o negócio para a compra da quinta ao lado do Ataíde. No

João Paulo Martins é redactor da Revista de Vinhos e autor de vários livros sobre vinhos

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caso não se tratava de 7 ha mas de 125, com mais de 50 de olival. Convenhamos que deve ser difícil ser RP numa empresa assim, sempre com folhetos desactualizados e com números na cabeça que são tão difíceis de memorizar! Agora são 28, mas cuidado, que mais um mês se passou e é este mesmo texto que corre o sério risco de já estar desactualizado. Ser uma família tem enormes vantagens, como Paul lembrou: “Somos apenas nós que decidimos e não estamos dependentes das orientações de uma empresa-mãe, nem do brexit. Apenas dependemos dos bancos que nos financiam e dos fundos a que concorremos.” Os Symington têm ainda uma outra característica deveras louvável: todos adquirem as suas quintas próprias que depois fornecem as uvas à empresa. E não são por isso privilegiados, já que são pagos pela tabela dos outros fornecedores. Foi assim que Paul um dia nos confessou que lhe pagavam pouco pelas uvas da sua quinta, vizinha da Cavadinha. Com argumentos de “economia de cozinha”, lembrei-lhe que tinha bom remédio, bastaria pagar melhor aos lavradores, recebendo também ele mais pelas uvas que fornece. Curiosamente, não obtive resposta a este argumento valiosíssimo! Num sector cada vez mais concentrado, é bom saber que a família ainda funciona como núcleo decisor. E cada um ter a sua própria quinta mantendo uma relação profissional com a casa-mãe, é caso único. Britânicos de passaporte mas durienses de alma e coração. Para que conste. Se um dia perguntar a um Symington quantas quintas a família gere, não se admire que a resposta seja difícil, ou mesmo, que seja errada. É que nunca se sabe se na véspera houve negócios a serem fechados!

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balcão POPPING-UP

Na conjuntura actual há um conjunto de chefes de cozinha com disponibilidade, formação, experiência e capacidade de investir, ou pelo menos de atrair os recursos para montar restaurantes temporários e/ou itinerantes, a que se convenc i o n o u c h a m a r “p o p - u p s”. É u m fenómeno muito interessante, que tem aumentado sensivelmente. Estes chefes são normalmente jovens, mas têm já seguidores do seu trabalho, sejam provenientes de restaurantes que lideraram, seja por se manterem activos nas esferas sociais certas, on ou off-line. No trabalho de vai-e-vem entre pop-ups e restaurantes tradicionais vão-se fazendo experiências, ganhando peso específico, ensaiando técnicas e receitas, testando capacidades de crescimento em escala. Hugo Brito, chefe de cozinha do Boi-Cavalo, vai abrir na cafetaria da Trienal de Arquitectura de Lisboa o Phoi-Cavalo, um restaurante centrado no prato vietnamita pho, uma espécie de sopa de massa servida pelas ruas. Brito concorreu ao serviço

da Trienal de 2013, e aí manteve um menu dinâmico, que todos os dias mudava três ou quatro pratos. Ganhou aí a experiência e a confiança que lhe permitiram abrir o Boi-Cavalo. Quando voltou a ser convidado para a Trienal de 2016, contrapropôs basear a carta no pho. A sua investigação colocou a origem do pho nos anos 1920, mas foi em 1950, no fim da colonização francesa, que o pho se terá definido e vulgarizado. O pho é baseado num caldo de carne e ossos de vaca, sobre uma base de cebola e gengibre salteada quase até queimar. Hugo Brito usa carne da aba, do rabo e do chambão, ossos da canela e da costela, e ainda açúcar de palma, alga kombu e cogumelos desidratados, e cozinha-o durante 22h, com especiarias como estrela de anis, canela, cardamomo e sementes de coentros. O caldo é clarificado à moda da rua: deita-se fora a primeira fervura, os sólidos são limpos de gorduras e impurezas e só depois se começa um segundo caldo, a que se retira a espuma. As carnes são retiradas no fim (excepto a aba, que só coze 90 minutos), fatiadas e adicionadas ao caldo, a que se acrescenta a guarnição. Aqui há uma translação para o universo português, com as ervas locais (manjericão, coentros, hortelã) e cebola frita. Há ainda dois tipos de malagueta, rebentos de soja e lima. Os menus do Phoi-Cavalo listam ainda pho de bacalhau e pho vegan, o mais surpreendente, que leva daikon, pêras, maçãs, alga kombu e cogumelos shiitake desidratados. Há ainda báhn mì, uma baguete com maionaise kewpie, paté de fígado de porco, brandy, anis e lima, torresmos, lombo de porco marinado em char-siu (molho de churrasco cantonês), rebentos de soja, pickles de daikon e cenoura, pepino, folhas de coentro e malaguetas. Os menus custam 9€ e incluem gelado de café solúvel e cardamomo e uma bebida (chá ou cerveja artesanal). O Phoi-Cavalo ficará na Trienal até 10 de Dezembro de 2016, e Hugo Brito encara-o como um ensaio para fazer outros pop-ups parametrizáveis para eventos e festivais.

Luis Antunes

RESTAURANTE PHOI-CAVALO Campo de Santa Clara 142-145, 1100-474 Lisboa 93 877 71 54 http://www.trienaldelisboa.com

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ORIENTE Ɏ MUITO BEY (LÍBANO) Rua da Moeda 4A 1200-275 Lisboa 21 158 07 88

Ɏ MI DAI (CHINA) Calçada da Mouraria 7 1100-394 Lisboa 96 987 08 25

Ɏ XIN (COREIA) Rua Alfredo da Costa 14, 2675-634 Odivelas 21 933 74 91

Ɏ ROSE (IRÃO) Avenida Duque de Loulé 22B, 1050-090 Lisboa 21 804 52 25

Ɏ CASA NEPALESA (NEPAL) Avenida Elias Garcia 172A, 1050-103 Lisboa 21 797 97 97

Ɏ ZUARI (GÔA) Rua de São João da Mata 41, 1200-734 Lisboa 21 397 71 49

Ɏ SUPATRA (TAILÂNDIA) Rua Poeta José Ferreira Ventura 73, 2540-422 Bombarral 262 842 920

Ɏ SÃO GABRIEL THAI GARDEN (TAILÂNDIA) Estrada Vale do Lobo, Quinta do Lago, 8135-106 Almancil 289 394 521

Ɏ FLOR DA LARANJA (MARROCOS) Rua da Rosa 206, 1200-390 Lisboa 21 342 29 96

Ɏ PASSAGE TO INDIA (ÍNDIA) Avenida Praia da Vitória 45, 1000-246 Lisboa 21 354 40 73

Ɏ DHAKA (PAQUISTÃO) Rua do Benformoso 222, 1100-083 Lisboa 92 049 26 45


THE GRAND GELINAZ! EM LISBOA Vai ser no dia 10 de Novembro que a iniciativa The Grand Gelinaz! Shuffle Two(2) chega a Lisboa. Esta troca internacional de restaurantes envolve 40 dos chefes de cozinha mais proeminentes e vanguardistas. Em Lisboa, os escolhidos foram Alexandre Silva e José Avillez. Nesse dia, todos os cozinheiros cozinharão à mesma hora, em vários continentes e fusos horários. Algumas semanas antes do evento, cada chefe descobrirá o seu destino, por sorteio, mas o resultado é segredo até ao último momento. No destino, os cozinheiros vão adoptar o estilo de vida dos seus anfitriões ausentes, ficando nas suas casas, convivendo com as suas famílias e amigos, e trabalhando com as suas equipas, criando um menu de oito pratos inspirado na cozinha e na cultura das suas novas cidades. Mais informação em www.gelinaz.com.

À TERRA É O MELHOR RESTAURANTE MEDITERRÂNICO A CVR Alentejana e a Casa do Azeite anunciaram os vencedores do concurso “Melhor Restaurante Mediterrânico 2016”, uma iniciativa que tem como objectivo incentivar a dieta mediterrânica como estilo de vida. Ganhou o primeiro prémio e diploma de excelência o restaurante À Terra, em Moncarapacho (Olhão). Foram finalistas, com diploma de ouro, o 5 Amêndoas, em Évora, e com diploma de prata, os restaurantes Antiqvm (Porto) e Cimas (Estoril). Com diploma de bronze ficaram o hotel Albatroz (Cascais) e o Dom Joaquim (Évora).

MAIS QUEIJOS EM CONCURSO

THE DECADENTE MUDA CHEFE DE COZINHA Dinis Correia é o novo líder das cozinhas do The Decadente, localizado em São Pedro de Alcântara (Lisboa). Correia vai reforçar a aposta nos sabores tradicionais e inspirar-se na nossa cozinha, mas com um toque moderno. O espaço do restaurante também sofreu algumas renovações: a cozinha está mais exposta e é possível observar o trabalho a partir da sala de jantar. Dinis Correia nasceu em Beja em 1985 e estudou no Estoril, tendo trabalhado em Cascais, Moçambique, Douro e Lisboa.

O concurso Queijos de Portugal, cuja 8ª edição decorreu em Outubro, teve este ano mais de 200 inscrições em 20 categorias. O concurso é organizado pela Associação Nacional dos Industriais de Lacticínios e é aberto a todos os produtores de queijo do país. Em 2016 houve 23 jurados, de vários sectores ligados à gastronomia e distribuição. Os vencedores serão anunciados a 14 de Novembro, numa cerimónia que decorre no Encontro com o Vinho e Sabores 2016, organizado pela Revista de Vinhos, que é parceira deste concurso.

GRUPO SUSHIC APRESENTA O BAO Inspirado numa das tendências de comida de rua asiática, e tendo como ponto de partida os baos de Taiwan, o Grupo Sushic inaugurou o Bao, apresentado como o espaço mais descontraído do grupo. Inserido no Portugal Boutique City hotel, junto à Praça da Figueira, em Lisboa, o Bao propõe um prato que deve ser comido à mão. Gua Baos são pães cozidos a vapor, recheados com vários vegetais e proteínas, com diversos molhos. Apesar de espalhados por toda a Ásia, no Bao do Sushic usam-se as receitas típicas de Taiwan. Há crepes vietnamitas e dez baos, que custam entre 5 e 7€.

TABIK COM HUGO CASTRO O chefe de cozinha Hugo Dias de Castro, natural de Guimarães, integrou a equipa do Tabik em Setembro de 2014. Passados dois anos, com a saída de Manuel Lino, Hugo passa a liderar os fogões deste restaurante da Avenida da Liberdade, em Lisboa. Hugo Dias de Castro tem 27 anos e é natural de Guimarães. Formado em cozinha e pastelaria no Estoril, trabalhou com vários chefes de renome, como Ljubomir Stanisic ou Aimée Burroyer.

SANTINI ABRE NOVA LOJA EM CASCAIS A apreciada marca de gelados Santini abriu um novo espaço em Cascais, no início da Rua Frederico Arouca (conhecida como Rua Direita). Esta segunda loja tem disponíveis 23 a 25 sabores de gelados, que variam consoante a época do ano. Há ainda várias opções de batidos, sumos e bombons de gelado. Este é o oitavo espaço da Santini.

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fogões

JOVENS CHEFEs de cozinha que andam por aí Nunca como hoje o cenário da restauração portuguesa teve tantos actores de relevo. Entre eles, os eleitos são os jovens chefes, estrelas do hoje e do amanhã. Estudam, viajam, estagiam, fundam, fecham, reabrem. Por vezes, pairam em sítio incerto, reúnem forças e voltam a pousar em novas apostas. Escolhi observar mais de perto cinco casos, promessas e certezas. TEXTO Luis Antunes

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Jovens confirmados: Vítor Areias (Estória, Lisboa), João Sá (Verso, Lisboa), Hugo Brito (Boi Cavalo, Lisboa), Francisco Magalhães (Apicius, Lisboa) e Vasco Coelho Santos (BaixóPito, Porto).

Seguindo a cena da restauração portuguesa de perto, entrando nos círculos certos, frequentando os muitos eventos ligados à gastronomia, sua discussão e divulgação (não são a mesma coisa), se nos dermos ao trabalho de desviar o olhar das estrelas, ou seja, dos chefes conhecidos, e focarmos na sua brigada ou mesmo na audiência, encontramos um filão imenso de jovens com uma enorme paixão e dedicação pela cozinha. Têm por vezes 20 e poucos ou 30 anos, e já passaram por cozinhas de grande qualidade e exigência, tanto em Portugal como no estrangeiro. Por vezes, têm ideias claras de como vão construir a sua cozinha, outras vezes a sua experimentação vai-se alinhando com tendências recentes, outras vezes ainda o percurso parece ainda um pouco vago, mas não será por isso que não encontrarão o seu rumo. Olhando ainda mais de perto estas cozinhas e estas brigadas, encontram-se pessoas ainda mais jovens, a dar os primeiros passos. Todos estes jovens formam um exército de cozinheiros que definirão o futuro da restauração portuguesa.

VASCO COELHO SANTOS Tem há um ano o restaurante BaixóPito, na Baixa do Por-

to, com 120 lugares incluindo duas esplanadas. Esta casa é especializada em frango assado, mas foge das típicas churrascarias portuguesas. Vasco procurou apresentar, com um sucesso que vai crescendo, um conceito de fast-food rápido e barato, feito com cuidado, de apelo imediato, uma espécie de “frango tipo leitão”. Para isso o frango de 800gr é temperado em salmoura durante 12h, depois assado a 70ºC por oito horas. Antes de servir vai ao forno a 300ºC por sete minutos, para ficar com a pele a estalar, mantendo a suculência interior. Um menu custa menos de 6€, o que o torna um sucesso entre os locais, que vão aderindo cada vez mais. Este sucesso vai permitir ao Vasco abrir o seu restaurante de “fine dining”, a que chamará Euskalduna, o que em basco significa “eu sou vasco” ou “eu sou basco”. Perguntei a Vasco se se identifica assim tanto com a cozinha basca, mas ele respondeu-me que é mais uma brincadeira com o seu próprio nome. Isto, além e apesar de ter trabalhado um ano no Mugaritz e três meses no Arzak. O Euskalduna vai ter apenas 8 lugares ao balcão e outros 8 à mesa. Abrirá apenas 4 noites por semana, e representa o seguimento do trabalho que Vasco Coelho Santos tem feito em jantares privados. Com quatro cozinheiros e um

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Vasco Coelho Santos, e a sua entrada com funcho. Em baixo à direita, João Sá.

sommelier, o Euskalduna terá um menu único, mas adaptável aos desejos do cliente.

VÍTOR AREIAS Vítor Areias estudou na Escola de Hotelaria do Estoril e desde 2004 acumulou experiência com chefes como Fausto Airoldi, Ljubomir Stanišic´ ou Paulo Pinto, e restaurantes como o Panorama, Mugaritz ou Noma. Foi chefe de cozinha do Assinatura e teve o clube privado Confidential Kitchen, sendo ainda professor na escola do Estoril. Em 2015 abriu em nome próprio o seu restaurante Estória. Com 50 lugares, Areias procura fazer uma cozinha de produto e de época, fazendo cozinha criativa com o que a estação oferece, definindo a oferta de forma adaptada ao conceito escolhido, nomeadamente no preço. Os princípios fundamentais são o sabor, a boa apresentação e a constância. A inspiração é a cozinha tradicional, mas de uma forma moderna, por exemplo apresentando sabores novos e algo inusuais. Por exemplo pode pegar em marmelo, em bacalhau, em tomilho e levá-los à mesa de uma forma inovadora. O menu compõe-se de 3 entradas, 7 pratos principais (3 de peixe, 3 de carne e 1 vegetariano) e 3 sobremesas. Por mês, 3 ou 4 pratos são renovados. Mas há pratos que não consegue retirar da carta, por protestos dos clientes. É o caso do bacalhau de inspiração “Conde da Guarda”, uma brandade gulosa que acompanha com um lombo confitado em azeite, e uma cebolada e feijão frade com molho pil-pil. Outro caso é o pão-de-ló de azeite tépido, com creme de limão e merengue de flor de laranjeira. Ou ainda o arroz de enchidos com bochechas

de porco, com o arroz carolino malandrinho de morcela da Beira e chouriço de porco preto já a valer sugestão de se autonomizar em prato (salve, Fortunato).

JOÃO SÁ João Sá estudou também na Escola do Estoril, e trabalhou no 100 Maneiras de Cascais no tempo de Ljubomir Stanišic, ´ mencionando ainda Jerónimo Ferreira, na altura no Sheraton do Porto, como uma importante influência. Ficou famoso no concurso televisivo top-chefe, mas foi no G-Spot que acumulou uma imensa experimentação ao longo de vários anos em que mudava semanalmente toda a ementa. Foi líder do Assinatura, mas depois saiu e tornou-se professor na Escola de Hotelaria de Lisboa. Casado com a também chefe de cozinha Marlene Vieira, tiveram recentemente uma filha, o que obrigou o casal a reunir todas as forças para gerir o restaurante que Marlene tem no Mercado da Ribeira, com grande sucesso. Agora, será a vez de João Sá abrir o seu próprio restaurante, o que ocorrerá em princípio de 2017. O nome é Verso, adequado à zona do Largo Camões, onde se insere. Com 38 lugares, a carta terá ainda frente e verso, com pratos tradicionais de um lado, como chanfana, arroz de cabidela ou cabrito assado (“coisas de que eu gosto” diz Sá); e do outro uma vertente mais criativa, baseada em produtos e pratos portugueses mas com a visão pessoal de João Sá. Por exemplo, um “leitão à Pequim”, uma cabidela decomposta em três momentos: consommé, arroz e frango assado. Outro exemplo, a “batata doce”, uma sobremesa de espuma de batata doce e queijo da Serra. Ou ainda o nabo caramelizado com foie-gras.

A nossa restauração tem um filão imenso de jovens com enorme paixão pela cozinha

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VINHOS DO DOURO PREMIADOS

EMPRESA: Maria Helena Sousa Alves MORADA: Rua entre Quintas nº338 Quinta da Barca – 5040-463 Mesão Frio NIC: 142473600

CONTACTOS: 963208814; 961542444 E-MAIL: geral@quintadabarca.com PÁGINA WEB: http://www.quintadabarca.com/ LOCALIZAÇÃO GPS: 41.159781-7.853255


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Vítor Areias procura fazer uma cozinha de produto e de época no restaurante Estória.

FRANCISCO MAGALHÃES Francisco Magalhães fechou em Julho passado o restaurante Apicius, onde durante dois anos apresentou semanalmente com Joana Xardoné um novo menu focado na cozinha criativa. Francisco é do Porto e cursou engenharia, até decidir estudar cozinha. Com Joana viajou para Barcelona. Ela estudou pastelaria e ele estagiou em diversos restaurantes da esfera Michelin. Joana tinha estudado teatro, mas já tinha sido sócia e cozinheira na Taberna 2780. Tiveram então um filho e sofreram alguma pressão dos sócios do Cento e Quatro Graus, o que os levou ao termo do Apicius. Um dos problemas era que no Apicius um dos dois tinha que estar sempre presente. O Cento e Quatro Graus aposta num fast-food saudável – 104º é a temperatura dos fornos a vapor onde os pratos são confeccionados. Mas Francisco não se revê no 104º, logo vai continuar o projecto da cozinha criativa. Desde já, com maior regularidade nos restaurantes pop-up, eventos curtos onde tem um número crescente de seguidores. Para Magalhães, a cozinha criativa não tem ainda

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em Lisboa clientes para todos os dias, e os turistas por enquantoprocuram muito a cozinha tradicional. Um sinal claro desta tendência é que os restaurantes criativos são cada vez mais pequenos e têm preços cada vez mais altos. Francisco defende que a cozinha tem que arriscar, o cliente tem que ser desafiado, por vezes sem ele saber. Nesta equação de risco, desafio, gosto pela experimentação e mente aberta, da parte do cozinheiro e do cliente, os custos têm que ser controlados. Como exemplos de pratos, uma língua de vaca com coração de alface, leite de amêndoa e daikon fermentado, que em 6 meses só foi identificada (e rejeitada) por um único cliente. Outro exemplo, o bolo de alcaçuz, toffee de gengibre, abacaxi e sorbet de lima e hortelã, uma sobremesa com tanta força como poder refrescante.

HUGO BRITO Hugo Brito é um pouco mais velho do que os restantes, e manteve actividade regular como artista plástico, especializado em vídeo. Na Holanda começou a cozinhar em part-time, mas propuseram-lhe fazer um curso de cozinha e ele não conseguiu resistir. O restaurante pagava-lhe o curso e lucrava ainda nos impostos. Para que se veja. Voltou em 2009 para Portugal, fez as ementas e

Seja responsável. Beba com moderação

Francisco Magalhães acredita que a cozinha criativa ainda não tem em Lisboa clientes para todos os dias, e os turistas ainda procuram muito a cozinha tradicional.

http://herdadecalada.com Distribuído por: www.decante-vinhos.pt

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fogões formação no Delidelux, depois esteve 3 anos no 100 Maneiras e manteve outros projectos, como o Soul Food. Em 2013 teve por 3 meses um restaurante improvisado na cafetaria da Trienal de Arquitectura, o que aliás voltará a acontecer em 2016. A ementa aqui mudava todos os dias, e Hugo ganhou traquejo para abrir em 2014 o Boi-Cavalo, um nome que se inspirou numa visita ao Jardim Zoológico. Aqui, faz uma cozinha de autor, descontraída, acessível e descomprometida, tanto da parte do chefe de cozinha (apresenta pratos em teste, exploratórios, propostas que precisam e agradecem feed-back da parte dos clientes), como dos clientes. Os mais próximos propõem alterações, sugerem, criticam, desfrutam de um processo que não está fechado, mais do que se “sentam para comer”. Intencionalmente, fugiu das zonas mais centrais de Lisboa, Alfama é a sua zona: “Uma luta, já que Alfama vive intensamente os Santos Populares, mas ainda não é um destino no resto do ano.” Brito aceita esta localização como um desafio adicional. Segundo ele, o “restaurante tem responsabilidade na definição da cidade”. No Boi-Cavalo, acontece a vanguarda da cozinha criativa de Lisboa.

Hugo Brito faz no Boi-Cavalo uma cozinha de autor, descontraída, acessível e descomprometida.

ENDEREÇOS EUSKALDUNA Rua de Santo Ildefonso 404, 4000-466 Porto 91 279 03 08 ESTÓRIA Rua Sacadura Cabral 54, 1495-705 Cruz Quebrada 21 130 44 06 VERSO Rua da Horta Seca 5, 1200-221 Lisboa

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FRANCISCO MAGALHÃES/JOANA XARDONÉ Pop-ups anunciados em instagram.com/franciscosousamagalhaes BOI-CAVALO Rua do Vigário 70B, 1100-616 Lisboa 21 887 16 53


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Vivá Bairrada Mais uma edição, a quarta, do Encontro com o Vinho e Sabores Bairrada (EVSB) terminou em glória. A região mostrou mais uma vez que está decididamente a trilhar um caminho diferente, baseado numa melhor gestão dos seus recursos naturais e humanos. A CVR é um dos pilares desta mudança mas existem outros… TEXTO António Falcão e Mariana Lopes

* FOTOS Ricardo Palma Veiga

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Quando as vontades se juntam, tudo se torna mais fácil. Embora esta frase não seja propriamente um provérbio, demonstra bem o que se tem vindo a passar na Bairrada nos últimos anos. Desunida, em rumo incerto, a Bairrada como região está a dar a volta por cima e o Encontro com o Vinho e Sabores Bairrada é uma das peças desta reviravolta. Esta opinião não é só nossa, mas foi sobretudo ouvida com frequência nas alas da mostra, por parte de produtores e visitantes. Mais ainda este ano, curiosamente e, podemos dizê-lo, com um indisfarçável orgulho. O evento, na sua quarta edição, foi mais uma vez organizado conjuntamente pela Comissão Vitivinícola da Bairrada, com o Município de Anadia e ainda pelo Turismo do Centro de Portugal. O evento teve ainda o apoio da Rota da Bairrada e dos municípios nela incluídos. A produção ficou a cargo da Revista de Vinhos e o evento decorreu de 30 Setembro a 2 Outubro de 2016.

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O local foi mais uma vez o chamado Velódromo de Sangalhos. Cerca de 7.500 pessoas passaram por lá nestes dias, que puderam degustar um sem número de vinhos e espumantes da maior parte dos produtores da região. Não é segredo para ninguém que o espumante foi o que mais se destacou e a categoria Baga@ Bairrada, criada no ano passado para espumantes da casta rainha, a Baga, foi especialmente acarinhada. Vários produtores têm já produtos com esta designação mas entraram mais nos últimos tempos, a mostrar que a aposta foi conseguida. Para quem se quisesse alimentar, não faltaram propostas regionais, com o leitão em destaque. A feira incluía ainda vários stands com produtos ‘gourmet’.

DEAMBULANDO NO TERRENO O recinto do Encontro já estava repleto de visitantes e pro-


Várias entidades oficiais estiveram presentes na inauguração: Pedro Soares (CVR Bairrada), João Pedro Matos Fernandes (Ministro do Ambiente), Teresa Cardoso (presidente da Câmara da Anadia), Adriana Rodrigues (Turismo do Centro de Portugal), Frederico Falcão (presidente do IVV) e Jorge Monteiro (presidente da ViniPortugal).

A Bairrada como região está a dar a volta por cima e este evento é uma das peças da reviravolta Provas comentadas. João Paulo Martins explica alguns dos blendas mais típicos da Bairrada.

fissionais quando resolvemos interpelá-los, aleatoriamente. Quisemos saber o que pensam da Bairrada, dos seus vinhos, de outrora e de agora, e da sua imagem como região. José Marques, engenheiro electrotécnico de Aveiro disse-nos que “hoje em dia há mais produtores e muito mais vinhos de lote, que são mais redondos e mais fáceis de beber, comparativamente com os da grande casta da região, a Baga”. Esta ideia é partilhada por outros: quando abordámos Antónia Martins, professora de Anadia, respondeu-nos “Os vinhos estão mais modernos e atraem outro público mais alargado. Cada vez mais, Bairrada é um nome de respeito a nível nacional e internacional”. De fora da Bairrada, Maria Laura Simão, profissional de hotelaria de Setúbal, não dispensa os vinhos da sua região, mas gosta muito dos bairradinos e declarou notar diferença na qualidade dos mesmos, para melhor. O seu marido é de Cantanhede e tam-

bém falou connosco. Álvaro Relva era motorista num país estrangeiro e, actualmente em Portugal, passa a sua reforma na agricultura, também produzindo o seu próprio vinho. Quando estava na Suíça, via os vinhos portugueses bem presentes nas lojas e nas grandes superfícies, mas confessa que “não se via muito vinho da Bairrada”. Em contrapartida, diz que “não só a qualidade dos vinhos melhorou, mas também a rotulagem, que está mais profissional e mostra, agora, muito mais informações”. Já os produtores conseguiram ter uma perspectiva mais técnica e social. António Selas (Jr.), da Adega Rama, nota que “a Bairrada deu uma volta recentemente e a iniciativa Baga@Bairrada, dos espumantes, foi muito importante, pois a casta Baga estava a ser menos plantada e a nova designação ajudou a trazê-la de volta”. Sónia Martins, enóloga da Lusovini, parece concordar, dizendo que “a estratégia de assentar a comunicação da Bair-

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evento

Espumantes mas não só… Milhares de visitantes puderam avaliar as últimas colheitas de cada produtor mas o espumante continua a destacar-se na região.

O espumante é o produto-rei da Bairrada mas brancos e tintos também conquistam cada vez mais adeptos rada um pouco mais nos espumantes, é uma estratégia mais do que acertada e devia ter sido esse o caminho a ser seguido há muitos anos. Provavelmente, a região não teria passado pelo momento difícil por que passou”. Sónia revela também que o consumidor está diferente e procura, hoje, coisas que há 5 anos atrás não procurava e que, por isso, “a Bairrada está na moda”. O público do EVSB, além de ter aumentado substancialmente em números, também está diferente de ano para ano e isso confirma Pedro Cruz, da Quinta Vale do Cruz: “Vem muita gente com o propósito de abrir um estabelecimento na restauração e saber que vinhos são bons e de quais as pessoas mais gostam. Além disso, também se vê mais pessoas conhecedoras das marcas e que vêm provar especificamente determinados vinhos”. À parte de tudo isto, não pudemos ignorar uma frase dita entre um grupo de amigos que provava, “A Baga é a melhor casta do Mundo”. Se é, ou não, é assunto para outra discussão, mas é inegável que comentários destes mostram que a região está a fazer um bom trabalho.

MAIS DO QUE VINHOS E GASTRONOMIA Mas nem só de vinhos e comidas viveu este EVS Bairrada. Os usuais dois jantares temáticos, realizados nas próprias instalações do Velódromo, mostraram a maestria dos restaurantes encarregues de o confeccionar: “Sabores da Terra”, a cargo da Nova Casa dos Leitões, com um reco Bísaro delicioso, e “Sabores do Mar”, da responsabilidade do restaurante Salpoente, de

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Aveiro. O Bacalhau, especialidade da casa, fez as delícias dos comensais. Os vinhos que acompanharam, todos da Bairrada, claro, cumpriram sem quaisquer problemas. Outros eventos se destacaram. As provas comentadas, por exemplo, são outros dos ex-libris do evento. O crítico e jornalista João Paulo Martins iniciou com o tema “Bairrada Blend”, escolhendo e explicando vários vinhos de lote típicos da região. No último dia foi Luís Antunes, que escreve nestas páginas, a falar sobre os espumantes de Baga. Mas a coroa de glória coube a Luís Lopes, director da Revista de Vinhos, com uma prova absolutamente memorável sobre três décadas (1991, 2001 e 2011) de vinhos da Bairrada. Esta prova comentada será muito provavelmente irrepetível e, pela sua importância, dedicamos-lhe um texto próprio nestas páginas. Finalmente, não podemos esquecer um evento que escapou a quase todos os visitantes: as visitas a produtores por parte da imprensa da especialidade. Todos os anos existe rotatividade e este ano coube a Sidónio de Sousa, Caves Messias (Quinta do Valdoeiro) e Quinta de Baixo. Visitas notáveis, diga-se de passagem, que ajudam sobremaneira a dar a conhecer a região aos jornalistas. O programa não ficaria completo sem o concurso de vinhos da Bairrada, que se disputou no Museu do Vinho, e ao qual dedicamos também um espaço em separado. Chegados ao final do evento, no Domingo, visitantes e expositores começavam a preparar a ida para casa. Mas ainda houve tempo para um brinde à Bairrada, com espumante, claro.


“TRÊS VINDIMAS DE EXCELÊNCIA” Como já é tradição (podemos falar em “tradição” com 4 edições do evento na Bairrada...), as três provas paralelas ao EVSB incluem uma mais ambiciosa, sempre no segundo dia, sábado. Este ano, Luís Lopes trouxe “Três Vindimas de Excelência” de apenas 7 produtores que fizeram grandes vinhos em 1991, 2001 e 2011. Estes três anos de viticultura observaram características meteorológicas semelhantes: verões amenos com chuvas parcas, condições que levaram a uma maturação lenta das uvas. Kompassus, Campolargo, Luís Pato, Quinta das Bágeiras, Sidónio de Sousa, Casa de Saima e uma parceria da Adega Cooperativa de Cantanhede com Caves São João foram os produtores que deram graça à experiência, que ainda contemplou uma pequena (grande) surpresa. No final, um brinde à região, aos vinhos e às pessoas, com um espumante Bágeiras de 1991. Foram 24 vinhos, no total, que tornarão difícil a tarefa de superar a qualidade da prova no próximo ano. Resta-nos aguardar...

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evento Vencedores. Os enólogos Osvaldo Amado e Magda Costa foram receber o prémio mais cobiçado do concurso, a Grande Medalha de Ouro, para o Encontro Baga 2011.

GRANDE MEDALHA DE OURO Encontro Baga Bairrada tinto 2011 (Quinta do Encontro)

VINHOS BRANCOS MEDALHA DE OURO * Marquês de Marialva Bairrada Reserva Arinto 2015 (Adega Coop. de Cantanhede) * Volúpia Bairrada 2015 (Caves do Solar de São Domingos)

VINHOS TINTOS MEDALHA DE OURO * 2221 Terroir Cantanhede Bairrada 2011 (Adega Coop. de Cantanhede) * Aliança Baga Bairrada 2009 (Aliança Vinhos de Portugal) * Porta dos Templários Bairrada 2014 (Caves Arcos do Rei) * Quinta da Lagoa Velha Premium Bairrada 2015 (Carlos Silva Neto) *Tagarela Bairrada 2015 (Carlos Silva Neto) * Vale da Brenha Beira Atlântico Reserva Baga e Bastardo 2013 (Manuel Jesus Silva) MEDALHA DE PRATA * Kompassus Bairrada Reserva 2013 (Kompassus) * São Domingos Grande Escolha Bairrada 2012 (Caves do Solar de São Domingos) * Vale da Brenha Beira Atlântico Reserva Baga e Bastardo 2012 (Manuel Jesus Silva)

ESPUMANTES COM ESTÁGIO ATÉ 24 MESES* MEDALHA DE OURO * M&M Gold Edition Beira Atlântico (Cave Central da Bairrada) MEDALHA DE PRATA * Argau Beira Atlântico (Casa dos Barbas) * Marquês de Marialva Beira Atlântico Bical e Arinto 2014 (Adega Coop. de Cantanhede)

ESPUMANTES COM ESTÁGIO IGUAL OU SUPERIOR A 24 MESES*

TINTO DE BAGA VENCEU CONCURSO DA BAIRRADA O tradicional Concurso de Vinhos e Espumantes Bairrada 2016 realizou-se no Museu do Vinho, em Anadia. Um conjunto de especialistas na área dos vinhos, entre enólogos, jornalistas e críticos de vinhos, avaliou, durante uma manhã, os 75 vinhos em concurso. Entraram vinhos tranquilos e muitos espumantes, que foram divididos em categorias, consoante o estágio (com a marca de 24 meses de estágio a separar os concorrentes). Houve ainda uma categoria à parte, para os espumantes feitos com a casta Baga. Depois de apurados os resultados, a organização anunciou 17 medalhas de Ouro e 6 de Prata. O vinho mais pontuado de todo o concurso levou a cobiçada Grande Medalha de Ouro. O título coube ao Encontro Baga 2011, da Quinta do Encontro. Refira-se ainda que, para conseguir medalha de Ouro, um vinho tem que alcançar a pontuação de 85 pontos. Eis os principais resultados:

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MEDALHA DE OURO * Encontro Special Cuvée Bairrada 2011 (Quinta do Encontro) * Lopo de Freitas Bairrada 2011 (Caves do Solar de São Domingos) * Milheiro Selas Bairrada 2012 (António Assunção Coelho Selas) * Quinta dos Abibes Sublime Bairrada 2012 (Quinta dos Abibes) Rama Blanc de Blanc Special Cuvée Bairrada 2012 * (Jorge Manuel Ferreira Rama) * São Domingos Velha Reserva Bairrada 2011 (Caves do Solar de São Domingos) MEDALHA DE PRATA * Quinta dos Abibes Sublime Bairrada 2010 (Quinta dos Abibes)

ESPUMANTES BRANCOS DE CASTA BAGA* * Marquês de Marialva Blanc de Noir Baga@Bairrada 2014 (Adega Coop. de Cantanhede) * Todos os espumantes são brancos


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1947 Desde

REI DOS LEITÕES - Restaurantes, es, Lda – Avenida da Restauração, 17 – 3050-382 Me Mealhada Reservas: 231 202 093 / 968 123 084 • Site: www.reidosleitoes.pt • www.facebook.com/restaurantereidosleitoes d l f b


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OnWine PARTILHA PARTE DO PORTEFÓLIO Apresentação em Lisboa reforça a aposta da OnWine Distribuição Nacional em vinhos especiais. Duas provas de grande qualidade – Alvarinhos e tintos do Douro e Alentejo – deram o tom. Mas havia muito mais para descobrir. TEXTO Nuno de Oliveira Garcia

* FOTOS OnWine

Experiência: produtores, jornalistas e clientes reuniram-se em Lisboa à volta de vinhos muito especiais

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A OnWine Distribuição Nacional é uma distribuidora que nasceu em 2015, partilhando os mesmos accionistas da Heritage Wines, mas dirigida essencialmente a vinhos de terroir (e destilados premium). Para comprovar a qualidade dos produtos que distribui, partilhou parte do seu portefólio e desafiou nove produtores nacionais para estarem presentes num evento aberto a jornalistas e alguns clientes. O evento ocorreu no luxuoso Hotel Myriad Lisboa, e foi denominado Terroir Experience, para que dúvidas não restassem quanto ao tipo de produtos em prova… No âmbito desse encontro, e a par de se encontrarem disponíveis para prova parte dos produtos do seu portefólio, houve lugar a duas provas especiais, com comentários dos próprios produtores. A primeira dessas provas foi com três vinhos da casta Alvarinho e da colheita de 2015 (e, curiosamente, de três regiões diferentes), caso das marcas Conceito (Vinho Verde), Casal da Ventozela (Minho) e Quinta de Sant’ana (Lisboa). Todos a dar excelente prova, com o Conceito a revelar-se, nesta fase, o mais afinado do trio.

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De seguida, provaram-se também, da colheita de 2007, três tintos do Douro de grande nível – Quinta da Gaivosa Vinha do Lordelo, Quanta Terra Grande Reserva e Conceito – e, mas agora de 2004, os tintos Quinta Mendes Pereira Garrafeira (Dão) e o Ikon de Azamor (Alentejo). Todos em grande forma, com o Quinta Mendes Pereira a destacar-se pela graciosidade da sua evolução e o Quanta Terra (servido em garrafa Magnum) a arrasar na definição de fruto. Para além destes produtores, outros como Vértice (vinhos DOC e espumantes), Krohn (Vinho do Porto) e Herdade do Mouchão (com os seus tintos doces e os belos azeites), também fazem parte do universo OnWine, bem como alguns vinhos estrangeiros de grande notoriedade e bebidas espirituosas. Dos vinhos provados no evento alguns mereceram o nosso destaque, e nova prova, e disso daremos conta na secção de Novidades da próxima edição – casos do Casal da Ventozela Alvarinho 2015, Conceito W.O. Breedekloof 2014, Quinta de Sant’ana Merlot 2014, Azamor Selected Vines 2013 e Branco da Gaivosa Grande Reserva 2012.


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Cartuxa a caminho do bio A Fundação Eugénio de Almeida não pára. Para além de estar a aumentar a área de vinha, tem uma nova adega, na Herdade de Pinheiros, primorosamente concebida para a automatização. Finalmente, a empresa está fortemente empenhada em passar a sua filosofia de viticultura para o biológico. Mas vai ainda mais longe… TEXTO António Falcão NOTAS DE PROVA João Paulo Martins FOTOGRAFIAS Ricardo Palma Veiga e cortesia Fundação Eugénio de Almeida

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Foi uma surpresa a apresentação dos novos vinhos EA, produzidos com uvas certificadas em Modo de Produção Biológico. Não só pelos vinhos em si, que são bons, mas também pelo conjunto de novidades que a Fundação Eugénio de Almeida anunciou num evento que reuniu um conjunto de jornalistas em Évora. Como a uva é o bem mais importante de qualquer produtor de vinho, destaco o caminho que a empresa tem estado a fazer na viticultura. Poderia ser um segredo bem guardado, mas, achamos, era apenas modéstia da equipa de viticultura, liderada por Pedro Baptista (que acumula com a enologia) e João Torres. E o que ouvi é surpreendente.

O BIOLÓGICO ESTÁ EM ÉVORA Desde os anos 80 que a FEA se iniciou no modo de produção integrada, um patamar, digamos, anterior ao biológico em termos de utilização de químicos. Nessa altura, foram certamente dos pioneiros em Portugal. Há alguns anos que a viticultura vem testando o modo de produção biológico. Os primeiros resultados foram agora para o mercado e são aqui avaliados, com dois vinhos. Começaram, há 3 anos, com 5 hectares e hoje são 60, devidamente certificados. Porque, diga-se, a maior parte das restantes vinhas já usa também este sistema.

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As castas Assario (branca), Alicante Bouschet e Syrah também já estão certificadas. O “bio” respeita mais o ambiente e contribui de melhor forma para uma agricultura sustentável, eliminando o uso de químicos de síntese, sejam eles herbicidas, pesticidas ou fungicidas. Mas pode aportar riscos, especialmente em anos difíceis. Como, aliás, este ano, que foi extremamente complicado, por exemplo, na húmida e quente Primavera, um paraíso para os fungos. Pois bem, Pedro Baptista não tem dúvidas a este respeito: com parcelas-testemunha a comprovar, as partes biológicas portaram-se tão bem ou melhor do que as outras. A todos os níveis, desde a qualidade das uvas até à quantidade. O segredo? Pedro diz que não pode haver deslizes nos timings dos tratamentos, especialmente na prevenção.

A CAMINHO DO BIODINÂMICO Mas há mais: Pedro Baptista tem estudado outro nível de viticultura, a biodinâmica. Foi ganhando conhecimentos ao longo dos anos e visitou recentemente vários produtores franceses. Ficou abismado com o que viu (e com as enormes áreas envolvidas) e decidiu começar também a fazer experiências nas vinhas da Fundação. Com sucesso, diga-se de passagem. Por exemplo, o tra-


Equipa: Luís Rosado (administrador), Pedro Baptista (director de produção) e José Mateus Ginó (conselheiro executivo da FEA)

tamento da Cigarrinha Verde, um problema que pode ser grave no Alentejo, foi solucionado sem químicos: bastou uma infusão, feita com folhas de uma árvore. A medida do sucesso foi novamente aferida através de parcelas-testemunha, tratadas com sistemas convencionais. Outro indício: as parcelas tratadas com métodos biodinâmicos mostraram uma muito melhor permeabilidade à água depois de chuvadas intensas. Ou seja, alagaram menos. Na adega, o sucesso também se tem confirmado. Em cubas de 900 litros, os vinhos feitos das parcelas biodinâmicas mostraram-se, nas palavras de Pedro Baptista, “mais equilibrados, tanto em termos fenólicos como em antocianas” (cor do vinho). Eram ainda melhores do que os biológicos… Pedro Baptista disse-nos ainda que têm estendido a atitude biológica às plantas destinadas às replantações. Os clones são seleccionados por selecção massal e não pela mais vulgar selecção clonal. Ou seja, as plantas que dão origem aos enxertos prontos tiveram que dar provas das suas qualidades na produção de uva. A selecção clonal será mais segura na obtenção de plantas livres de doenças mas esse é um aspecto que Pedro Baptista não receia: ele acredita que o método ‘massal’ é muito mais compensador em termos de qualidade. Estas conclusões podem não ser inéditas a nível nacional

ou internacional mas, vindas de um grande produtor, contribuem para que muitos outros decidam investigar e, caso fiquem convencidos, optem por uma agricultura mais sustentável.

NOVA ADEGA E NOVAS VINHAS Havia ainda mais a conhecer. Especialmente a nova adega, um investimento de 12 milhões de euros. Fica quase encostada à anterior, inaugurada em 2007 mas que já não dava para “as encomendas”. De facto, a FEA tem tido um crescimento sustentável de 10% ao ano, segundo nos informou o gestor da empresa, Luís Rosado. A nova adega já funcionou nesta vindima e é ainda mais automatizada do que a anterior, sendo destinada aos vinhos de maior volume (EA e Vinea, por exemplo). Assenta em duas naves simétricas, embora a segunda não esteja ainda ocupada com equipamentos. Está à espera dos novos investimentos em vinha. Neste capítulo, a Fundação explora 480 hectares de vinha mas vai passar para os 560 hectares em breve. E está a renovar 10% das vinhas todos os anos. Em 2018, deverá ter 650 hectares de vinha própria e mais de mil em exploração! Nessa altura fará certamente bem mais dos que as actuais 4,5 milhões de garrafas!

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lançamento em prova

A NOVA IMAGEM DO EA E OUTRAS INICIATIVAS Notícia é ainda a mudança de imagem do ‘best-seller’ da casa, os vinhos EA. A Albuquerque Designers tratou do ‘restyling’ mas as mudanças foram subtis: afinal, o objectivo foi “atingir novos públicos sem trair os clientes e fiéis consumidores do EA”, nas palavras de José Mateus Ginó, do conselho executivo da FEA. Das iniciativas da casa constam ainda a abertura da Enoteca Cartuxa, no centro histórico de Évora, uma espécie de wine bar/restaurante. E podemos ainda falar em produtos gourmet, que se aliam aos azeites da casa, já com fama. Falamos dos enchidos fatiados de porco alentejano (presunto, paio e paleta), de produção própria; a FEA possui, aliás, uma vara com 600 animais. Para breve estarão também os frutos secos, como a amêndoa e a avelã, objecto de plantações (140 ha de amendoeiras e 5 ha de avelaneiras). Refira-se ainda que a FEA explora 6.500 hectares de terra e que o vinho é responsável por 80% da facturação, que superou os 20 milhões de euros no ano passado (3 milhões de resultado líquido). Se somarmos a tudo isto a vocação cultural da Fundação, com iniciativas de grande mérito e um património invejável em Évora, rapidamente chegamos à conclusão de que esta instituição é um caso sério de criatividade e inovação. Aguardamos por isso com ansiedade as evoluções em Évora.

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EA Biológico Reg. Alentejano branco 2015 Fundação Eugénio de Almeida

EA Biológico Reg. Alentejano tinto 2015 Fundação Eugénio de Almeida

EA Reg. Alentejano tinto 2015 Fundação Eugénio de Almeida

Aroma de fruta madura, evidenciando alguma austeridade e um toque de mineralidade que lhe fica bem. Muito limpo e definido na boca, com a fruta e a acidez a contribuírem para uma prova bem agradável e com frescura. (13%)

Muito bem na cor, aroma definido e muito preciso, com a fruta vermelha a marcar a prova, com energia e elegância. A mesma sensação na boca, há um perfeito equilíbrio corpo/acidez/ taninos, o que torna a prova bem conseguida. (13%)

(13,5%)

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lançamento

João Póvoa,

Parceria: o enólogo Anselmo Mendes com o produtor João Póvoas.

25 anos de Bairrada 2016 é ano de “bodas de prata” para João Póvoa. Médico oftalmologista de renome, tem, no entanto, outra paixão: são 25 anos que agora completa a criar vinhos na Bairrada, brancos e tintos acérrimos no terroir, fiéis à região.

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TEXTO Mariana Lopes NOTAS DE PROVA Luís Lopes FOTOS Ricardo Palma Veiga

*

A sua história na vinha, que se escreve desde os seus 10 anos de idade, é indissociável da sua família que já lavrava a terra nas freguesias de Ourentã e Cordinhã, em Cantanhede, terras essas onde João punha o “pezinho” sempre que podia. “Nasci na agricultura e, por isso, tornei-me médico”, diz. Mais tarde, voltou às vinhas e criou a Quinta de Baixo, com o seu primeiro vinho, o Garrafeira de 1991. Agora, deixado esse projecto para trás, a sua marca é Kompassus. No entanto, a Baga esteve sempre presente e assim continua, sendo a grande aposta da marca. A uva bandeira da região e menina dos olhos de João Póvoa fá-lo admitir que “quem está cá (na Bairrada)

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Eskuadro & Kompassu Eskuadro & Kompassu Bairrada Espumante Bairrada branco 2015 branco 2014 Kompassus Arinto, Bical, Maria Gomes Kompassus com um pouco de Cercial. O aroma assenta nas notas minerais e citrinas, num perfil intenso e vibrante. Perfumado, elegante, cheio mas leve, com acidez crocante, um belo branco, de uma qualidade invulgar neste segmento de preço. (12%)

Com uvas Maria Gomes das vinhas mais velhas e ainda Chardonnay e Tinto Cão. Aroma muito afinado, com leves notas de biscoito bem conjugadas com sugestões citrinas. Vivo e alegre, com bastante fruto mas também complexidade e elegância, um espumante afirmativo e de longo final. (12,5%)

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Kompassus Blanc de Noirs Bairrada Espumante branco 2013 Kompassus

Kompassus Blanc de Noirs Bairrada Espumante rosé 2011 Kompassus

Baga, Touriga Nacional e Pinot Noir. Tem uma bonita cor com leve tonalidade rosada, característica dos brancos de uvas tintas. Grande impacto aromático, super elegante, com notas de padaria, frutos secos, compota de ginja. A bolha finíssima desfaz-se na boca cremosa, seca e muito fresca, formando um conjunto requintado e cheio de classe apesar da evidente juventude. (13%)

Feito com Baga e Touriga, relançado exclusivamente em garrafa magnum. Muito fino de aroma, sugestões de groselhas e framboesas, biscoito, suaves apontamentos fumados. A boca revela um espumante pleno de brilho e equilíbrio, com final muito longo e distinto. (12,5%)

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Kompassus IG Beira Atlântico Alvarinho branco 2015 Kompassus De uma vinha plantada em 2007, é a segunda edição deste Alvarinho bairradino, revelando-se um vinho de grande pureza aromática (laranja, erva fresca, minerais) envolvida em delicados fumados. Rico e vibrante no sabor, com sugestões de maçã verde, leves amargos, muita delicadeza e elegância, especiado e muito longo. Um dos melhores exemplares da casta fora do seu “terroir” de origem. (13%)


passou, e passa, as passas da Baga”, porque nem sempre foi uma casta compreendida. Noutros tempos, a sua mãe tinha de mondar as parcelas de Baga às escondidas, sob pena de uma grande reprovação pelo povo da sua terra. Mas é com esta persistência que lhe corre no sangue e com a polivalência, longevidade e personalidade da casta que hoje, na celebração dos 25 anos, relança o seu troféu, duzentas e poucas garrafas do mesmo primeiro vinho com o novo nome Kompassus Colecção Privada Baga 1991, a custar €500 a garrafa. Um valor que pode parecer (e é) elevado, mas que acaba por ser inteiramente justificado pela raridade e, sobretudo, pela excelência incomparável deste tinto grandioso que deixou fortíssima impressão em todos quantos o provaram, mostrando-se capaz de se bater com qualquer grande vinho mundial da mesma idade. Foi num jantar orientado para a imprensa da especialidade e realizado no Rei dos Leitões, na Mealhada, que, em jeito de comemoração, a Kompassus comunicou o relançamento deste vinho e de dois outros (exclusivamente em garrafa Magnum): o tinto Kompassus Private Collection 2009 e o espumante Kompassus rosé 2011. Estes vieram acompanhados de novidades: da linha de entrada de gama, o Eskuadro & Kompassu Espumante 2014 e o branco Eskuadro & Kompassu 2015; e o Kompassus Alvarinho 2015. O enólogo Anselmo Mendes, que está “oficialmente” com a Kompassus desde 2012, e apoia o seu amigo João Póvoa há largos anos, falou sobre a parceria: “O João tem uma ligação muito grande à terra e talvez seja ainda mais apaixonado pelo vinho do que pela oftalmologia. É uma pessoa sedenta de conhecimento e, juntos, trabalhamos para fazer vinhos que expressem fortemente o terroir destas vinhas, contrabalançando a paixão com profissionalismo.” Kompassus e João Póvoa são, na verdade, a conjugação de tudo isso: alma, terra, paixão, carácter, expressão de Bairrada num copo de vinho.

em prova

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€110 (1500 ml) 19

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Kompassus Private Collection Bairrada tinto 2009 Kompassus

Kompassus Coleção Privada Bairrada tinto 1991 Kompassus

Relançado em magnum. É um Baga de perfil maduro, profundo, lembrando compota de amoras, menta, especiarias. Extremamente rico, muito sólido, vigoroso e denso mas sem perder elegância, com taninos firmes domados pelo tempo e pela barrica discreta, cremoso, envolvente, enorme de intensidade e sabor. (15%)

25 anos depois de ter nascido, chegam agora ao mercado as últimas 300 garrafas de um vinho que fez e continua a fazer história. Impressionante a todos os níveis: na cor intensa; no aroma finíssimo e de grande complexidade; na boca ainda cheia de força, sólida, de enorme requinte. É um tinto único, absolutamente notável, que deixa profunda marca em quem o prova. (13,5%)

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lançamento Cumplicidade: Anselmo Mendes e Diogo Lopes (enólogos) e Bernardo Alves (administrador)

Pura expressão atlântica Adega Mãe Terroir. Assim se chamam os dois novos vinhos com que a empresa de Torres Vedras aponta ao segmento mais alto do mercado. A ideia é tentar colocar dentro de uma garrafa as colinas, os solos de argila e calcário, os vinhedos, o mar ali tão perto. Objectivo alcançado. TEXTO Luís Lopes

* FOTOS Cortesia do produtor

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Nascido dentro do universo Riberalves, nome de referência no negócio do bacalhau, o projecto Adega Mãe foi exaustivamente pensado e trabalhado bem antes da sua apresentação pública há meia dúzia de anos. Anselmo Mendes, enólogo consultor da casa (Diogo Lopes é o enólogo residente), gosta de enfatizar esse aspecto com um exemplo fácil de entender: “Levámos dois anos e meio a projectar a adega e apenas 8 meses a construí-la.” O trabalho de base faz parte da cultura empresarial da família Alves e ajuda a ultrapassar os muitos desafios que a jovem Adega Mãe tem enfrentado. “O maior desafio é a vertente comercial”, refere o director-geral, Bernardo Alves, “pois não é fácil vender vinhos de Lisboa em Portugal e é ainda mais difícil vender vinhos de Portugal no mundo”. Mesmo assim, as dificuldades têm sido ultrapassadas com sucesso, uma vez que a empresa exporta 70% dos vinhos que produz (Brasil e EUA são os principais mercados) e vai fechar o ano de 2016 com um volume de negócios entre 1,6 e 1,8 milhões de euros, o que significa um crescimento de 52% face a 2015, para além da garantia de autonomia financeira do projecto. A Adega Mãe possui 30 hectares de vinha própria e labora mais 60 em regime de contrato, uvas que se materializam nas marcas Dory (de que foram também agora lançados os Reserva branco de 2014 e tinto de 2013), Adega Mãe e Pinta Negra. O projecto inicial estava assente em vinhos tintos (ainda hoje os encepamentos tintos

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ocupam 70% do total) mas tem vindo progressivamente a virar-se para os brancos, eventualmente mais capazes de tirar partido do clima fortemente atlântico da região. De início foi experimentada uma grande diversidade de castas, brancas e tintas, mas vindima após vindima as variedades melhor adaptadas às condições locais acabaram por se evidenciar: Viosinho (a uva branca mais plantada na casa), Alvarinho e Arinto, nos brancos, e Touriga Nacional e Merlot, nos tintos. Os vinhos resultantes destas castas foram assim, naturalmente, os eleitos para fazerem parte do lote final da marca de topo, Adega Mãe Terroir. Desde a primeira colheita, em 2010, que proprietários e enólogos ambicionaram fazer um vinho de excelência. As contingências próprias de cada vindima nem sempre os proporcionam e, neste caso, a qualidade e, sobretudo, o perfil bem atlântico, fresco e salino, exigidos para Adega Mãe Terroir, apenas aconteceram em 2012 (tinto) e 2013 (branco), tendo esses vinhos sido avaliados pela equipa de enologia ao longo do tempo, amadurecendo em garrafa à espera da decisão final. E esta chegou finalmente, surgindo assim 3006 garrafas de tinto e 2765 de branco que agora entram no mercado. Quando estas se forem, não se sabe quando haverá outras. É que, diz Diogo Lopes, na adega existe um branco de 2014 e um tinto de 2015 que poderão, no futuro, originar a versão “Terroir”, mas não há certezas…


em prova

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Dory Reg. Lisboa Reserva branco 2014 Adega Mãe Viosinho, Alvarinho e Chardonnay. Nariz profundo e rico, perfumado, com notas minerais e fumadas envolvendo a fruta num conjunto muito fino e elegante. É um vinho estruturado, cheio, cremoso, com um carácter melado cortado por excelente acidez, final muito longo, vibrante. (12,5%)

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Dory Reg. Lisboa Reserva tinto 2013 Adega Mãe Touriga Nacional sobretudo, mais Merlot, Cabernet e Petit Verdot. Aroma apimentado, com notas vegetais de erva fresca típicas do Cabernet. A Touriga mostra-se mais na boca do que no nariz, com muita especiaria mas também fruta atractiva, sem nunca perder o perfil austero, seco e sério. (14,5%)

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Adega Mãe Terroir Reg. Lisboa branco 2013 Adega Mãe Viosinho, Alvarinho e Arinto. Aroma de notável complexidade e finura, bastante mineral (sílex, pedra lascada), em que se misturam notas de citrinos, iodo e especiarias. Jovem ainda, parece que o tempo não passou por ele. Enorme equilíbrio de boca, rico e envolvente mas também leve, super fresco, incisivo, quase salgado no final muito longo, marcante. (12,5%)

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Adega Mãe Terroir Reg. Lisboa tinto 2012 Adega Mãe Touriga Nacional e Merlot. Revela o melhor das duas castas, num estilo profundo e sofisticado, as notas florais da Touriga combinadas com as sugestões de cacau da Merlot. Corpo cheio, com taninos finos polidos pela barrica bem integrada, muita frescura, apontamentos de alcatrão, bagas silvestres, conjugando garra e elegância com grande harmonia. (14,5%)

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lançamento

SANTOS & SEIXO aposta nas Rotas de Portugal Ao terceiro ano de actividade, a Santos & Seixo alarga o seu portefólio com uma nova marca. Os vinhos Rotas de Portugal têm a ambição de servir de porta de entrada para as várias regiões do país TEXTO Luis Antunes

* FOTOS Cortesia do produtor

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Paixão: o vinho e as viagens juntos num mesmo conceito

A Santos & Seixo é uma nova empresa no panorama vínico português, tendo sido constituída apenas em 2014. Os fundadores, Alzira dos Santos e Pedro Seixo, pretendem com a Santos & Seixo “trazer um novo olhar sobre os vinhos de Portugal, fruto do amor ao vinho e da paixão dos seus responsáveis por viagens”. A ideia é “trazer novos consumidores ao mundo dos vinhos portugueses”. A empresa não tem vinhas nem adega, faz o vinho em parceria com produtores de uva e adegas em várias regiões. Os vinhos mais antigos foram comprados à produção. Recentemente contrataram o enólogo Paulo Nigra, responsável pelo lançamento dos novos vinhos. À marca Santos da Casa, previamente lançada, junta-se agora a Rotas de Portugal, uma gama de vinhos jovens que tem o objectivo de apresentar as características das

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várias regiões de Portugal, começando pelo Alentejo. A apresentação decorreu no hotel Palácio do Governador, em Lisboa, e o escanção Manuel Moreira apresentou os vinhos defendendo para a chancela Rotas de Portugal um consumo descontraído, no dia-a-dia. O branco é feito com Arinto, Antão Vaz e Verdelho, enquanto o tinto provém de Trincadeira, Alicante Bouschet, Aragonez e Syrah. Nesta ocasião foram ainda apresentadas novas colheitas da gama Santos da Casa, com enfoque no Alentejo e no Douro. Prevê-se no futuro uma expansão para as regiões dos Vinhos Verdes e Lisboa. Sempre com um sonho no horizonte: o de, logo que apareça uma boa oportunidade, a empresa adquirir uma quinta que lhe sirva de casa e de cartão de visita.


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Rotas de Portugal Reg. Alentejano branco 2015 Santos & Seixo Arinto, Antão Vaz e Verdelho. Frutado suave, com notas minerais, outras herbáceas, fruta amarela, e tropical, envolvente. Simples e franco, com suave rugosidade, acidez alta, muito sabor, final expressivo, com alguma austeridade que lhe dá mais seriedade. (13%)

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Santos da Casa Reg. Alentejano branco 2015 Santos & Seixo Verdelho, Arinto e Antão Vaz. Aroma puro e directo, com minerais como pólvora, fruta cítrica como limão e lima, algumas notas herbáceas. Na boca está muito expressivo, saboroso, com muito ligeira doçura frutada a envolver a acidez firme, termina focado, preso. (13%)

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Rotas de Portugal Reg. Alentejano tinto 2015 Santos & Seixo

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Santos da Casa Douro tinto 2014 Santos & Seixo Tourigas Franca e Nacional, Tinto Cão e Sousão. Fruta preta, notas de esteva e muito ligeiras especiarias, muito discreto couro. Corpo mediano, acidez muito alta, picante, taninos firmes, final seco e austero, rijo. (13,5%)

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Santos da Casa Douro Reserva tinto 2013 Santos & Seixo Tourigas Franca e Nacional, Tinta Roriz. Frutos do bosque bem maduros, notas canforadas, resinas doces, especiarias. Corpo médio, acidez muito alta, taninos firmes, tudo envolvido, final imponente, rijo, expressivo e austero, a pedir comida. (14%)

Trincadeira, Alicante Bouschet, Aragonez e Syrah. Aroma doce e compotado, algum couro, com muita suavidade frutada, a lembrar um alentejano clássico mas moderno. Fresco e ligeiro, com acidez alta, um tom de eucalipto, final rijo e franco. (13,5%)

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lançamento

Artadi A essência da Rioja veio ao Porto Nome incontornável dos tintos espanhóis, Artadi quebrou as grilhetas e resolveu sair da DO Rioja. Dos ousados gostamos nós de falar e fomos prová-los ao Porto. A convite da Decante, o importador, e num local emblemático da cidade, o restaurante Pedro Lemos. Melhor seria difícil. TEXTO João Paulo Martins

* FOTOS Direitos Reservados

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Juan Carlos López de Lacalle é um grande conversador. Orgulha-se de ser enólogo da primeira fornada de técnicos de formação específica em Enologia que surgiu em Espanha, em 1974. “Eramos 23 e fomos pioneiros; dantes não havia enólogos.” Ele representa a 4º geração ligada ao vinho. O nome do seu vinho – Artadi – situado na Rioja Alavesa, tornou-se um verdadeiro mito em Espanha. E foi tirando partido do prestígio do nome Artadi que este produtor resolveu sair da DO Rioja, em discordância com as regras e o “peso” que as 15 principais companhias têm na região. Assim, a partir da colheita de 2014 os vinhos deixarão de ter qualquer relação com a DO Rioja. Sentiu-se algum mal-estar de Lacalle quando passou esta informação… “Quando comecei, nos anos

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70, a Rioja fazia 75 milhões de garrafas, agora faz 500 milhões. Algo se perdeu”, disse. À frente de 84 ha de vinhedos e praticando uma agricultura ecológica, este produtor apenas usa Tempranillo nas 48 parcelas de vinha de que dispõe, a mais antiga datando de 1930. A estratégia da empresa é apresentar vinhos cada vez mais identificados com a parcela específica de onde provêm. “Em 2016 vamos fazer sete vinhos de ‘pago’, ou seja, de parcela, nalguns casos com produções que podem ir das 300 às 600 garrafas. Uma agricultura de mínima intervenção (com muita monda em verde) e repondo as cepas que morrem com garfos da própria vinha, “nem queremos ouvir falar em selecção clonal, fazemos selecção à vista”, as vinhas são de sequeiro e em taça. Barricas? “Só usamos barricas novas; as usadas, além de potenciais contaminações, prejudicam a fruta do vinho”, disse categoricamente. Desde 1997 que vendem os vinhos em primor, com variações de preços conforme a qualidade da colheita. A alocação para Portugal é pequena mas há vários anos que a Decante os distribui entre nós. Tem havido alguma “arrumação” do portefólio, tendo desaparecido a marca Pago Viejos, exactamente porque era um lote de várias parcelas, as mesmas que agora serão comercializadas separadamente. O vinho Valdegines corresponde a uma vinha de 7 ha, com duas parcelas de vinha nova. Foram produzidas 10.000 garrafas neste ano mas por norma são entre 15 e 17.000. Solos pouco profundos argilo-calcários, orientação nascente. La Posa vem de uma vinha virada a poente com solo mais profundo e maior retenção de água. Dá sempre vinhos mais potentes. São 3 ha mas só 1,5 ha estão em produção. Origina entre 5 e 7.000 garrafas. El Carretil são 5 ha onde se encontra uma parcela de 1930 e outra de 1970, além de uma parte de vinha nova que ainda não entra no lote. Solo argilo-calcário com base de areia. El Pison vem de uma vinha com 71 anos, era a vinha original da família. Começou a ser comercializado com a colheita de 2001. Em 2013 tiveram 35% a menos de produção. Foi uma colheita pequena, menos madura mas boa, na opinião de Juan Carlos. Os vinhos foram depois companheiros de um menu que deixou o convidado absolutamente rendido. Para que conste.


em prova

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Artadi Valdegines Rioja Alavessa tinto 2013 Bodegas e Viñedos Artadi

Artadi El Carretil Rioja Alavessa tinto 2013 Bodegas e Viñedos Artadi

Aroma magnífico, barrica perfeitamente integrada com a fruta, elegância perfeita, tudo assente em fruta vermelha viva e fresca, com taninos de luxo, cheio de classe, com boas notas florais. Conjunto de grande nível. (14,5%)

Gordo e cheio no aroma, muito rico mas muito polido. Fruta muito madura, texturado, robusto mas sem pesar. Tem sempre mais acidez, mais energia, taninos vibrantes que conferem muito nervo ao vinho. Impressionante. (14,5%)

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Artadi La Posa de Ballesteros Rioja Alavessa tinto 2013 Bodegas e Viñedos Artadi Carregado na cor, escuro e denso, aroma mais profundo, gordo e cheio mas austero com frutos negros, notas de cacau em evidência. Belo volume de boca com uma notável elegância de conjunto. Classe pura mas vigorosa. (14,5%)

€195

Artadi Viña El Pison Rioja Alavessa tinto 2013 Bodegas e Viñedos Artadi Aqui é a qualidade global que é arrebatadora, uma textura polida e acetinada mas cheio de garra, com um equilíbrio perfeito entre todas as componentes. A fruta negra, a mineralidade, os frutos do bosque, tudo ao mais alto nível. (14,5%)

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lançamento

BUIL & GINÉ: o Priorato português José Sardo saiu de Portugal em 1978, com um curso de professor primário e vontade de ver o mundo. Hoje já viu muito mundo mas escolheu fixar-se no Priorato, onde descansa e… faz vinho. TEXTO Luis Antunes

* FOTOS Cortesia do produtor Sedução: na Catalunha, José Sardo faz vinhos e espalha simpatia

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Fez cinema em Paris, mas na Suíça tornou-se corretor financeiro (broker), trajecto que o levou a viver nas Bahamas, México, São Paulo. Mas para a pressente história, isto só é relevante porque este trajecto tornou-o íntimo da família Rothschild, afinal, a ponte que nos leva do mundo da banca de investimento ao mundo do vinho. Mundo afora, José Sardo foi pela primeira vez ao Priorato, Catalunha, no fim dos anos 1990 e apaixonou-se. Por volta de 2001 comprou as primeiras propriedades. Em 2006 conheceu Xavi Buil i Giné, produtor de sexta geração de vinho no Priorato, e que portanto assistiu de cadeirão à revolução trazida pelos novos produtores a partir de 1989. Xavi era ainda jovem, um miúdo, “não era um dos mosqueteiros”. José Sardo entrou no capital da Buil & Giné, trouxe a racionalização (“haircut”) necessária à empresa. Interessado não na componente industrial do vinho, mas antes na sua componente “glamour,” a partir de 2007/08, o negócio torna-se mais sério. Hoje o total dos activos está avaliado em 12M€. Sardo habita em Gratallops, no coração da região, desfrutando da pacatez da vida do campo, apenas a umas 2h de importantes centros urbanos com todos os confortos da vida cosmopolita. Mas o seu propósito é mostrar aos seus netos que realmente se pode viver da terra. Num recente jantar em Lisboa, José Sardo trouxe a sua simplicidade desarmante, a sua simpatia acolhedora e acima de tudo uma exuberante paixão pelo mundo dos vinhos. O projecto Buil & Giné inclui um restaurante muito conceituado, que recebe 6.000 comensais por ano. A imponente casa na encosta esconde 3.000 m2 de área coberta, 5 andares enterrados na montanha. Há 45ha de vinhas, dos quais 18 são velhas. Neste momento fazem 250 mil garrafas por ano, 95% das quais são exportadas para 36 países, que agora incluem Portugal, pela mão da Wine Golf 4 You. Para além do

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best-seller Giné Giné (150 mil garrafas), são produzidos o Joan Giné (14 mil) e Pleret (4 a 8 mil). Em breve será lançado o ultra-topo de gama Mas Giné, apenas 800 garrafas a um preço ex-cellar de 600€. Além disso, a empresa produz vinhos noutras regiões: branco Nosis em Rueda, tinto Buil em Toro, tinto e branco Baboix em Monsant. Portugal poderá vir já a seguir na expansão da empresa. Entretanto, os vinhos já cá estão e trazem um sabor português a transbordar simpatia. Pode encontrá-los em garrafeiras e alguns restaurantes da zona de Lisboa.


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Nosis Espanha Rueda Verdejo branco 2014 Buil & Giné Imp. Wine Golf 4 You Aroma limpo e claro, com agrumes amarelos e laranjas, pimenta verde, folhas de árvores cítricas. Na boca é fresco, herbáceo, com boa concentração, muitas notas vegetais e boa secura final. (12,5%)

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Joan Giné Espanha Piorat tinto 2011 Buil & Giné Imp. Wine Golf 4 You Aroma com notas de bacon, fumados e frutos vermelhos como cerejas, frutos silvestres bem maduros. Fresco e equilibrado, com corpo médio, taninos finos, acidez integrada e final discreto mas de bom comprimento. (15%)

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Giné Giné Espanha Piorat tinto 2013 Buil & Giné Imp. Wine Golf 4 You

Pleret Espanha Piorat tinto 2009 Buil & Giné Imp. Wine Golf 4 You

Aroma quente, com frutos vermelhos, notas de barro húmido, ervas aromáticas. Na boca mostra acidez alta, dura, algum calor no fim de boca, notas herbáceas, final focado, um estilo extremado. (15%)

Aroma poderoso, canforado, com fruta preta copiosa e notas salinas de couro. Na boca tem boa contenção para o nível alcoólico, acidez firme, corpo médio bem texturado, final picante e cálido. (15%)

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EXPLORADOR, IRREQUIETO & PROVOCADOR Aos 4 anos já pisava uvas, mas é o destino que o arrasta para a Agronomia, apaixona-se pela vinha e aos 21 parte pelo mundo fora: Califórnia, Austrália, Bordéus. Volta aos 24, não tinha vinha, mas tinha viticultor, o David Booth, nasce a FITAPRETA. Segue-se o primeiro vinho, PRETA, que traz de Londres o segundo Trophy IWC para o Alentejo. SEXY ganha um novo significado, “vinho”. Irrequieto, quebra as regras e faz o primeiro branco de uvas tintas de Portugal, recupera a tradição do Branco de Talha para o Alentejo e envolve-se na recuperação da casta açoriana quase extinta, o Terrantez do Pico, nos Açores, que marca a revolução dos vinhos Açorianos e donde nasce a Azores Wine Company. Rompe a fasquia dos 90 Pts para os brancos do Alentejo e dos Açores nas revistas americanas Robert Parker’s Wine Advocate e Wine Spectator. Segue para o Douro por desafio da Joaninha, irmã e enóloga, para realizar um sonho antigo de fazerem vinhos a 4 mãos, a MAÇANITA Vinhos. Nomeado para “jovem enólogo do ano” pelo W-Anibal por várias vezes e para “enólogo do ano” em 2015 pela revista Wine. Gosta de um bom desafio, de questionar o status quo, e quanto ao futuro... teremos que esperar!

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WA - Wine Advocate WS - Wine Spectator RV - Revista de Vinhos PV - Paixão pelo Vinho NR - Não Revisto WE - Wine Enthusiast

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notícias breves

Francisco Olazabal recebe prémio carreira FEP 2016 Francisco Olazabal não é só um grande senhor do Douro mas também um excelente gestor. E foi exactamente isso que a instituição que cursou agora reconheceu publicamente. Falamos da Faculdade de Economia do Porto, que atribuiu ao proprietário e gestor da Quinta do Vale Meão o “prémio carreira FEP 2016”. Francisco Olazabal é trineto da «Ferreirinha» e tem-se dedicado, desde 1998, à criação e comercialização dos vinhos da sua quinta. Também desempenhou vários cargos em empresas do grupo Sogrape. Em 2004 foi agraciado com o grau de Grande Oficial da Ordem de Mérito Agrícola, pelo então Presidente Jorge Sampaio.

Fladgate vai investir 100 milhões em projecto turístico

Vai custar qualquer coisa entre 80 e 100 milhões de euros, ficará em Vila Nova de Gaia, na encosta que se estende entre o rio Douro e o hotel The Yeatma, e deverá chamar-se The World of Wine. O projecto é do grupo Fladgate e pretende tornar-se uma atracção turística capaz de atrair mais de um milhão de visitantes anuais. Deverá estar pronto em 2020. A informação de que a Fladgate tinha grandes ideias para os terrenos ocupados pelos armazéns da Croft – agora sem uso, depois de a empresa ter deslocado o seu centro de envelhecimento de Vinho do Porto para a Quinta da Nogueira, no Douro – andava no ar, mas Adrian Bridge, CEO da empresa, avançou finalmente detalhes à revista “Drinks Business”. Os mais de três hectares de terrenos situados abaixo do The Yeatman, o multi-premiado hotel da Fladgate, vão ser ocupados com um museu com a história do Vinho do Porto, outro dedicado à cortiça, um terceiro sobre a moda e a indústria têxtil, uma escola de vinhos, um restaurante slow-food com espaço para eventos, outros nove locais para refeições e uma área comercial. As obras poderão começar já em Novembro e deverão estar concluídas até 2020. Adrian Bridge mostrou-se confiante no que respeita à engenharia financeira do projecto, considerando que há fundos estatais para requalificação urbana e créditos da União Europeia sem juros nos primeiros 20 anos. A estimativa conservadora aponta para um milhão de visitantes anuais, mas o líder da Fladgate aponta ainda mais alto, considerando a crescente popularidade da cidade do Porto e da região Norte nos mercados turísticos: “No ano passado, o número de visitantes das caves do Vinho do Porto ultrapassou pela primeira vez a barreira do milhão e passaram seis milhões de pessoas pelo aeroporto da cidade.” (LF)

Periquita vai ter edição especial com António Zambujo Compositor e cantor de créditos firmados, António Zambujo é ainda um fã de vinhos e, diz quem já assistiu, um bom provador e conhecedor. Daí até ter o seu nome num vinho foi um pequeno passo que a casa José Maria da Fonseca não teve problemas em dar. O vinho vai chamar-se Edição Especial Periquita António Zambujo e foi apresentado num evento realizado no restaurante By The Wine - José Maria da Fonseca. Esta Edição Especial estará disponível para venda na segunda quinzena de Novembro.

ERRATA O vinho Vidigueira Grande Escolha branco 2012, cuja nota de prova foi publicada na nossa edição de Outubro (pág. 67), saiu com o ano de colheita errado. O ano correcto do vinho é 2014.

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SECTOR DO VINHO ESCAPA A IMPOSTO A reunião do Conselho de Ministros que analisou a proposta de criação de uma taxa sobre o vinho deu como resultado a decisão de não avançar com a medida. Embora esta decisão não seja ainda definitiva, o sector acredita que não vai avançar. Em comunicado, a Associação Nacional das Denominações de Origem Vitivinícolas (ANDOVI), refere que, “estamos certos de que os piores receios do sector podem estar adiados nos planos deste Executivo, o que pacifica empresas e cooperativas, para além de reflectir uma preocupação com os agricultores – que seriam os principais prejudicados com esta alteração”. A ausência de confirmação de nova taxa sobre o vinho, no âmbito do Imposto sobre Álcool e Bebidas Alcoólicas (IABA), deixou por isso todo o sector vínico contente. De facto, diz ainda o comunicado da ANDOVI, “aquela que é já apelidada de ‘taxa Syriza’ está a ser aplicada na Grécia com um valor de 0.20€/litro e, no mercado português, poderia vir a representar um valor entre os 0.17€ e os 0.24€ por garrafa, acrescido da taxa de IVA em vigor, que acabaria por representar cerca de 500 euros de imposto complementar a cada agricultor”.

O comunicado refere ainda que “actualmente, o sector do vinho conta com uma tributação de IVA a 13%, sendo o único da agricultura portuguesa que suporta uma taxa parafiscal – a Taxa de Coordenação – que financia integralmente os serviços do Estado alocados ao sector através do Instituto da Vinha e do Vinho. A ANDOVI sublinha ainda que “o Ministério das Finanças tem vindo a ‘cativar’ as verbas desta taxa, impedindo sequer que este contributo dos agricultores seja usado pelo Ministério da Agricultura”. A associação, que representa as regiões portuguesas produtoras de vinhos, reitera que Portugal detém cerca de 201 mil hectares de superfície vitícola, com produção superior ao consumo e, em 2015, atingiu o valor mais elevado de exportações de vinho de sempre, enquanto 9º maior exportador mundial. A produção de uva e respectiva vinificação movimentam em Portugal mais de duas dezenas de Regiões Demarcadas e mais de 400 mil agricultores, gerando riqueza e postos de trabalho em muitos concelhos distantes da costa onde é, praticamente, a única fonte de rendimento. (AF)


notícias

Sogrape mantém liderança no ranking mundial de produtores O maior produtor de vinhos de Portugal está em primeiro lugar no ranking dos 100 melhores produtores do mundo, compilado pela World Association of Writers and Journalists of Wines and Spirits (WAWWJ). Calculando a quantidade de pontos que a Sogrape Vinhos leva de dianteira face ao segundo lugar, a norte americana Ernest and Julio Gallo Family Barefoot Wine, parece muito pouco provável que, quando o ranking fechar, a empresa portuguesa perca este prémio. E assim renova o título, já conseguido em 2015. A Casa Santos Lima mantém o terceiro lugar, tal como tínhamos noticiado há alguns meses. Na lista dos 100, Portugal tem ainda a Symington (18º), a Cooperativa de Pegões (20º), a DFJ Vinhos (31º), a Casa Ermelinda Freitas (36º), a Enoport (47º), C. da Silva (49º), Casa Agrícola Alexandre Relvas (64º), Cortes de Cima (73º), Barão de Vilar Vinhos (75º) e a Rozès (96º). Em termos de países, Portugal está em 6º lugar. Existe ainda um ranking de vinhos, onde estão 2 vinhos lusos. (AF)

GARRAFEIRA TIO PEPE CELEBRA 30 ANOS São três as décadas ligadas ao negócio do vinho que foram agora celebradas na sede da Garrafeira Tio Pepe, no Porto (R. Engº Ferreira Dias, 51). A família Cândido da Silva há décadas que está ligada ao negócio do vinho e Luís Cândido é a actual cara da empresa. As referências na loja contam-se pelas 2500 mas, segundo Luís, com a chegada dos vinhos para a época natalícia, “vão atingir-se as 3000”. Apostada sobretudo em produtos de gama média/alta, a casa é também forte nos generosos, sobretudo no Vinho do Porto. Negócio complementar, mas aqui a receber tratamento de luxo, é também o dos charutos. Novidade é mesmo é a aquisição da Quinta da Foz – Garrafeira & Gourmet, situada na Rua João de Barros, 313, inserida no Centro Comercial dos Pinhais da Foz, com esplanada e serviço de vinhos a copo.

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GARRAFEIRA NACIONAL RENOVA LOJA ONLINE Uma das mais famosas lojas online portuguesas especializadas em vinhos (e não só) renovou o seu site. Falamos da Garrafeira Nacional, que assegura “uma experiência mais simples e intuitiva, seja em mobile ou em desktop”. Uma das funcionalidades l d d que mais melhorou, pela nossa experiência, é o sistema de pesquisa de vinhos, muito mais rápido, quase instantâneo. A loja tem ainda três destaques rotativos em permanência e afirma que a “navegação é mais rápida e intuitiva”. O site está ainda adaptado para aparelhos móveis, como telemóveis e tablets. Outra área melhorada foi a interactividade: o visitante pode dialogar com um funcionário da loja através do chat disponível na página de entrada, pelo formulário de contacto ou também através da aplicação Whatsapp. Veja as modificações em http://www.garrafeiranacional.com/


A M80 E A REVISTA DE VINHOS CONVIDAM UM RESTAURANTE E UM CONCEITUADO CHEF PARA CRIAR UM MENU INSPIRADO NUM TEMA MUSICAL

Este mês, o chef inspirou-se em:

KOOL & THE GANG

CELEBRATION

Chef Pedro Moreira

FAÇA JÁ A SUA RESERVA!

RESTAURANTE A MERCEARIA Couvert: Azeitonas panadas e brigadeiros de caça Entrada: Ovos rotos com cogumelos; Caldo Verde Desfeito Prato Principal: Crepes de Bacalhau com salada de estação ou Costeletão de Novilho à Merceeiro com chips de Batata Doce Sobremesa: Triologia à escolha

Morada: Rua do Guarda Jóias nº 44, 1300-294 Lisboa Telefone reservas: 213642171 | 911188740 Site: www.pateoalfacinha.com Informações: www.m80.iol.pt Preço por pessoa: 25,00€ (inclui um de copo de vinho e uma água) Menu disponível no RESTAURANTE A MERCEARIA até ao dia 11 de Dezembro de 2016 Horário: Terça-feira a Domingo para almoços das 12h30 às 15h; Sextas-feiras e Sábados para jantares das 19h30 às 22h30


notícias

breves

Novo catálogo Gifts 4 Wine A Gifts 4 Wine acabou de editar o seu catálogo de produtos com uma grande variedade de acessórios para vinhos e bebidas espirituosas. Aqui pode encontrar desde máquinas para vinho a copo Winefit, caves climatizadas das marcas Vinum, Vinobox e Cavanova, frappés e champanheiras, copos, decantadores, mangas refrigeradoras, saca-rolhas (da marca Coutale, por exemplo), drop stops, etc, etc. O catálogo pode ser pedido através do site www. gifts4wine.com

Vinhos em equilíbrio Chama-se Tipsy e é um suporte feito de cortiça para garrafa de vinho, mais indicada para ter à mesa de jantar. O arrojado design – muito minimalista – é do artista japonês Keiji Takeuchi, que lidera o estúdio de Naoto Fukusawa, em Itália. A peça remete-nos para um equilíbrio entre a arte e a funcionalidade e tira partido das propriedades da cortiça, sobretudo tácteis. O Tipsy funciona bem mas, como é óbvio, é bastante susceptível a qualquer encontrão... O Tipsy pode ser adquirido na loja online Corkway (https://www. corkway.pt/loja/) e o preço é €36,50.

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LISBOA DISTINGUE MELHORES VINHOS A Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa (CVR Lisboa) anunciou os resultados do seu concurso anual de vinhos, este ano participado por um júri internacional especializado. Participaram 106 vinhos e aguardentes, tendo 57 passado à fase final. Destes, 31 receberam medalhas de Ouro (24) e de Prata (7). Para obter uma medalha de Ouro, um vinho terá de obter entre 88 a 95 pontos; a Prata, de 83 a 87 pontos. Dos 24 Ouros, 12 foram para tintos, 8 para brancos, 1 para espumante, 1 para licoroso e 2 para aguardentes. Destaque para o produtor Paço das Cortes, que conseguiu 3 medalhas de Ouro, todas para vinhos tintos. A cerimónia de entrega de prémios realizou-se durante um jantar na bonita Sala do Arquivo da Câmara Municipal de Lisboa. O vereador José Sá Fernandes anunciou que a Câmara irá estreitar relações com os vinhos de Lisboa. Entre as medidas, o facilitar da abertura de uma loja dos Vinhos de Lisboa no Mercado da Ribeira, que apenas terá, claro, vinhos da região. A Câmara de Lisboa irá ainda oferecer 50.000 euros à CVR de Lisboa, para esta editar um livro sobre os vinhos da região e criar um site que promova a região vinícola. Vasco d’Avillez, presidente da CVR Lisboa, anunciou ainda que a região quer ter 40 milhões de selos em 2017, contra os 32 milhões de 2015. (AF)

DÃO ENTREGA PRÉMIOS EM VISEU A sétima edição do concurso “Os Melhores Vinhos do Dão Engarrafados” aconteceu em Julho deste ano e a Comissão Vitivinícola Regional (CVR) do Dão premiou 5 referências com “Prémio Prestígio”, 8 com medalhas de ouro e 23 com prata. O júri provou um total de 119 vinhos de 32 produtores. Porém, foi no passado dia 14 de Outubro que, num jantar de Gala na Pousada de Viseu, foram entregues os prémios aos vencedores. Arlindo Cunha, presidente da CVR Dão esclareceu na ocasião que “ao premiar os produtores, os seus vinhos e também as vinhas, pretendemos não só atribuir mérito pelo trabalho desenvolvido mas, acima de tudo, incentivar a fazer cada vez melhor”. Na apresentação inicial, o presidente do Instituto da Vinha e do Vinho, Frederico Falcão, enfatizou o desenvolvimento da região: “Em 2013 eram muito pouco os vinhos certificados no Dão mas, em 2015, já eram mais de 50%.” No momento, foram também anunciados os vencedores do concurso “As Melhores Vinhas do Dão”, cabendo o primeiro prémio a uma vinha da Quinta da Fata, uma parcela de 3,34 hectares plantada com Touriga Nacional e Alfrocheiro. Pode consultar a lista total dos prémios em www.cvrdao.pt. Entretanto, ficam aqui os 5 vinhos que conseguiram os prémios maiores. Prémios Prestígio 2016: Adro da Sé Encruzado branco 2015 (Udaca - União das Adegas Coop. do Dão) - Casa da Passarella A Descoberta branco 2015 (O Abrigo da Passarela) - Milénio espumante branco 2014 (Adega Coop. de Penalva do Castelo) - Soito rosé 2015 (Soito Wines) - Quinta da Alameda Reserva especial tinto 2012 (Alameda de Santar).


AZEITES E VINHOS DO ALENTEJO MOSTRARAM-SE EM LISBOA A oitava edição da “Grande Prova Mediterrânica – Azeites e Vinhos do Alentejo”, decorreu nos dias 14 e 15 de Outubro no Centro Cultural de Belém. Incluiu mais de 30 azeites e 400 vinhos do Alentejo, provenientes de um total de 86 produtores. Diz a organização, a cargo da CVR Alentejana (CVRA), que o evento “registou uma grande afluência por parte dos consumidores lisboetas”. De acordo com o presidente da CVRA, Francisco Mateus, “registámos uma grande adesão, sobretudo um público mais jovem, com especial interesse sobre os azeites e vinhos do Alentejo”. Os eventos paralelos – provas comentadas e conversas sobre o vinho – tiveram, mais uma vez, a lotação máxima, demonstrando a vontade de aprofundar o conhecimento por este tipo de temas. Francisco Mateus acrescenta ainda que “o sucesso desta oitava edição, onde recebemos cerca de 10.000 visitantes, vem comprovar a relevância que o projeto adquiriu, nomeadamente pelo impacto que tem para os produtores presentes e para a região do Alentejo. Este evento é uma oportunidade única de trazermos a Lisboa os sabores do Alentejo, reforçando também o tema da Dieta Mediterrânica, que está fortemente enraizada no estilo e vida e no recurso a produtos agrícolas locais que compõem a gastronomia do Alentejo”

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notícias “O VINHO NA PONTA DA LÍNGUA”, PARA LER

PRÉMIO OIV 2016 - ENOLOGIA ATRIBUÍDO A LIVRO PORTUGUÊS

A linguagem e as práticas dos enófilos mais avançados podem ser um pouco herméticas para o enófilo iniciante. Para ajudar estes, a jornalista especializada Maria João de Almeida escreveu um livro que pretende, de uma forma simples e divertida, dar as informações mais elementares sobre o vinho e o seu serviço. A obra tem 255 páginas e está profusamente apoiada por ilustrações de Cristina Sampaio. Os treze capítulos abordam os temas mais comuns para os enófilos, desde o serviço do vinho até à sua escolha, passando pela prova, pelos utensílios, o armazenamento, a ligação com a comida e o enoturismo. A parte final aborda os vários tipos de vinhos e a autora oferece-lhe um conjunto alargado de sugestões para comprar, divididas por categorias e com os respectivos preços. O livro já está nas livrarias e o seu preço ronda os 14 euros. (AF)

Todos os anos, a OIV - Organisation Internationale de la Vigne et du Vin – atribui os seus prémios a pessoas e obras que se tenham distinguido no ano transacto. Este ano há um projecto português a ser premiado, mais concretamente um livro de título “Química Enológica - métodos analíticos. Avanços recentes no controlo da qualidade dos vinhos e de outros produtos vitivinícolas”. Esta obra, coordenada por António Sérgio Curvelo-Garcia e Paulo Barros, recebeu o Prémio OIV 2016 – Enologia. A obra premiada evidencia os novos conhecimentos sobre o controlo da qualidade de vinhos e de outros produtos de origem vitícola, agregando, ao longo das suas 823 páginas, o conhecimento que tem sido acumulado em Portugal nas últimas décadas, nos vários centros de investigação, universidades e outras organizações. O livro contou com a colaboração de 31 investigadores e técnicos portugueses e está editado pela Agrobook – grupo Editorial AGROTEC. Na edição do Prémio OIV 2016 foram atribuídos 12 prémios e 13 menções honrosas, tendo sido apreciados 40 trabalhos, seleccionados a partir de 76 candidaturas recebidas. O Grande Prémio da OIV foi este ano atribuído a duas pessoas: Pierre Galet e Jancis Robinson. Galet é um conhecido ampelógrafo e autor de livros sobre castas; Jancis Robinson, para além de crítica de vinhos, é autora de vários livros e guias sobre castas e vinhos. (AF)

PARA VERDADEIROS WINELOVERS MUXAGAT VINHOS, LDA Av. Gago Coutinho e Sacadura Cabral, 6430-183 Meda | Telf.:279 883 009 | Email: geral@muxagat.pt Proprietária: Susana Lopes | Tel.: 93 526 32 62 | Email: susana@muxagat.pt | Site: www.muxagat.pt | Enólogo: Luis Seabra

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notícias BACALHAU TAMBÉM É VINTAGE! Desenganem-se os que pensam que o bacalhau é todo igual. A Lugrade acaba de lançar no mercado um bacalhau de origem islandesa de cura prolongada a que chamou vintage e que pretende ser um produto situado no segmento superior da sua oferta. A designação Vintage explica-se, nas palavras dos responsáveis pela empresa, porque este bacalhau seco tem uma cura especial de 20 meses, bastante superior ao tempo médio habitualmente usado na seca. Vintage ainda porque não é um produto indiferenciado: a Lugrade escolheu este peixe em concreto, sabe exactamente quando e onde ele foi pescado, fez aí a selecção e, naturalmente, acompanhou todo o processo de salga e cura. Joselito Lucas, administrador comercial da empresa de Coimbra, contou numa apresentação aos jornalistas, que foi em 27 de Fevereiro

de 2015, ao largo da baía de Keflavik, na Islândia, onde este espécime foi capturado, processado e salgado no próprio dia. Este método, que diverge de outras práticas habituais em que o peixe é primeiro congelado e só posteriormente salgado, confere, segundo explicou, um conjunto de características em termos de sabor e textura que o tornam de facto especial. É já na sua fábrica em Coimbra que a Lugrade completa o longo processo de cura. Depois de 7 meses em sal, o gadídeo é inspecionado, atesta-se a sua qualidade e é lavado, seguindo-se a secagem em ambiente de temperatura controlada. Após este processo, o bacalhau inicia mais uma etapa

ABRIU O TABERNA DA ADEGA, NA LUSOVINI Nas novas instalações do Lusovini Wine Center, em Nelas, abriu no dia 4 de Outubro o restaurante Taberna da Adega. Este novo espaço é uma parceria da Lusovini com a equipa dos restaurantes Dux, encabeçada por Luís Moura, e traz a cozinha da região com um toque muito pessoal. Os petiscos são obrigatórios e a oferta vai desde os ovos mexidos com farinheira, passando pelas clássicas pataniscas de bacalhau e tosta de brôa com foie gras, entre outros. Pratos de peixe como bacalhau com brôa, polvo frito com migas e cataplanas variadas são alguns dos exemplos da ementa, juntando-se aos de carne, onde encontramos chuleton maturado em 41 dias, arroz de cabidela, bife com molho de queijo da serra ou arroz de entrecosto. Sobremesas também não faltam para selar e aconchegar o estômago. Os vinhos servidos cingem-se à vasta gama da Lusovini, originária de diferentes regiões, mas o cliente tem a opção de levar o seu vinho, em regime de BYOB (bring your own bottle). Para Luís Moura, este projecto é “um passo diferente pois, apesar de o vinho ter sido sempre algo importante para nós, gerir um restaurante dentro de uma adega é muito interessante”. (ML)

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de cerca de 12 meses, chamada repouso, onde adquire a textura e consistência desejada, antes de ser embalado. No próprio embalamento do Vintage, a Lugrade também quis deixar uma marca especial. É apresentado inteiro, envolvido num saco de sarapilheira, e com um selo distintivo, lembrando os fardos onde o peixe antigamente era acondicionado. O Lugrade Vintage 20 meses é um produto de luxo, do qual existem somente 2000 exemplares numerados, sendo naturalmente um pouco mais caro (20%) do que o bacalhau islandês de topo da empresa. A sua comercialização será feita em apenas alguns estabelecimentos selecionados. (JG)

LJUBOMIR STANISIC NO DOURO O chefe do restaurante 100 Maneiras, Ljubomir Stanisic, assumiu um novo desafio: dividir o seu tempo entre Lisboa e o Douro e vestir o papel de chefe consultor do projecto de gastronomia do hotel Six Senses Douro Valley. No Douro, a proposta do chefe jugoslavo-tornado-português assenta na sustentabilidade. O objectivo é transpor para o prato a preocupação ecológica que caracteriza a Six Senses, cadeia de hotéis e resorts com mais de 20 anos de existência, mas também os saberes reunidos pelo chefe nos últimos anos.


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notícias CHURCHILL’S PROPÕE REPENSAR O PORTO

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A Churchill Graham é a mais jovem empresa de Vinho do Porto com sede em Gaia, fundada em 1981. Talvez por isso, e por uma vontade intrínseca de acordar a comunicação do Vinho do Porto, a Churchill’s pôs em marcha, este ano, o projecto #RethinkPortWine. Passando pela criação de eventos associados ao vinho e à marca e pela renovação da imagem nos social media e na publicidade, a campanha quer levar o consumidor a reformular o que pensa sobre o Porto e eliminar o modelo “envelhecido” que lhe está associado, mostrando que pode ser jovem e moderno, ainda que tradicional e sofisticado. Em parceria com a The Asteroid, empresa de consultoria criativa, a Churchill’s começou por hospedar, em Setembro, o Taste Discovery. Neste evento, o público viu a neuro-tecnologia decifrar os seus sentidos e sensações: dentro de uma garrafa de 5 metros de altura, um dispositivo lia as ondas cerebrais de cada pessoa enquanto esta provava um ruby, um tawny e um white. No final, através de uma demonstração de formas e cores projectadas na garrafa, era revelado o vinho que tinha causado sensações mais prazerosas ao utilizador. O próximo passo é colocar em marcha a campanha Celebrate the New Tradition, em que a empresa pega, através de imagem e fotografia de produto, em momentos tradicionais de degustação de Vinho do Porto e lhes confere um lifestyle diferente, mais arrojado e “cool”. A Churchill’s pretende mostrar que as relações pessoais estabelecidas através do consumo de Porto são as mesmas de sempre, mas que os momentos e os motivos de consumo podem ser mais e diferentes. Pode ver a nova imagem Churchill’s em www.facebook. com/ChurchillGraham e em www.instagram.com/ churchills_port. (ML)


“WINE SPECTATOR” MUDA PROVADORES DE VINHOS PORTUGUESES A revista americana “Wine Spectator”, considerada a mais prestigiada do seu país (3,5 milhões de leitores estimados), já anunciou algumas mudanças nos provadores. A que mais nos interessa tem a ver com os provadores que avaliam os vinhos portugueses. Kim Marcus abandona os vinhos portugueses e, na sua vez, entram James Molesworth, na foto e Gillian Sciaretta. James, um histórico da revista americana, vai provar Vinho do Porto, de que é, aliás, um grande fã. Tem já muitos anos de experiência e trabalha na “Wine Spectator” desde 1997, assumindo as avaliações dos vinhos, até agora, de Bordéus, Finger Lakes, Vale do Loire, Vale do Rhône e África do Sul. Quanto a Gillian Sciaretta, fica com todos os restantes vinhos de Portugal. Já avaliava vinhos de França mas agora terá de viajar até cá para conhecer os nossos terroirs. Pode ver um vídeo engraçado desta provadora, quando era coordenadora de provas na sede da revista, em Nova Iorque. Aponte para o twitter https://twitter. com/gsciaretta (AF)

VERALLIA PORTUGAL INVESTE NA GESTÃO DA ENERGIA A Verallia Portugal, empresa especializada no vidro de embalagens, recebeu recentemente uma nova certificação: ISO 50001 - Certificado de Sistema de Gestão de Energia. ISO 50001 é uma norma da International Organization for Standardization que permite às empresas optimizar sistematicamente o desempenho energético dos seus processos, promovendo uma gestão mais eficiente da energia. Isto não só indica uma maior responsabilidade social e compromisso com a sustentabilidade como também confirma que a Verallia, com sede na Figueira da Foz, conseguiu aumentar a eficiência energética, reduzindo os custos operacionais relativos à energia, melhorando o uso de fontes energéticas e na conservação da energia.


notícias 9 VINHOS LUSOS NO TOP 100 BEST BUYS DA REVISTA “WINE ENTHUSIAST” Tal como no ano passado, a lista que engloba as 100 melhores relações preço-qualidade da revista americana “Wine Enthusiast” inclui 9 vinhos portugueses. Melhor ainda, nos primeiros cinco classificados existem dois vinhos portugueses. São eles o Aveleda branco 2015 (que repete a classificação do ano passado) e o tinto Paxis 2013 (da DFJ Vinhos). Portugal subiu ao terceiro lugar dos países com mais vinhos nesta lista, a seguir aos Estados Unidos (31) e à França (13). O ano passado, recorde-se, tinha ficado em quarto lugar, ex-aequo com a Espanha. Para se qualificar para entrar nesta lista, um vinho tem de custar até 15 dólares e conseguir “um determinado rácio de preço-qualidade”. Dos mais de 21.000 vinhos avaliados no ano passado pela equipa de provas da revista, menos de 1.400 conseguiram o prémio de Best Buy. A partir daí, a revista estreitou os critérios até chegar aos 100 que considerou melhores. Pode consultar a lista completa no site da revista, em www. winemag.com. (AF)

PORTUGAL LEVA 131 MEDALHAS NO MUNDUS VINI SUMMER A edição de Verão do concurso alemão Mundus Vini celebrou-se recentemente em Neustadt, na Alemanha. Participaram 4.300 vinhos de todo o mundo. Os resultados finais indicam que foram atribuídas 22 medalhas de Grande Ouro, 784 de Ouro e 915 medalhas de Prata. Os vinhos portugueses levaram 3 medalhas Grande Ouro, todas para o Douro, com um tinto, um Vintage e um LBV. O tinto – Quinta do Pego Signature 2012 – levou ainda um troféu, o de ter sido considerado o melhor vinho português em prova. O Sandeman Quinta do Seixo Vintage 2013 levou outro, para o melhor Vintage, enquanto o Offley Late Bottled Vintage 2011, conquistou o terceiro galardão máximo. Os vinhos portugueses trouxeram ainda 76 medalhas de Ouro e 52 de Prata. A maioria dos vinhos veio de Itália (1.000), Alemanha (900), Espanha (750), França e Portugal (350 cada um). A distribuição de medalhas quase seguiu esta hierarquia: Itália (401), Alemanha (388), Espanha (302), Portugal (131) e França (116). As 22 medalhas Grande Ouro, reservadas apenas a vinhos considerados de “altíssima qualidade”, ficaram assim distribuídas: França (9, todos espumantes da região de Champanhe), Alemanha e Portugal (3 cada), Espanha e Itália (2), Austrália, Chile e Africa do Sul (1). Os resultados completos podem ser consultados no site do concurso Mundus Vini. (AF)

PRODUÇÃO MUNDIAL DE VINHO BAIXOU EM 2016 Todos os anos, a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) publica as suas estimativas para a campanha que acabou de terminar. Os números de 2016 já são públicos e a OIV estima que a produção mundial de vinho em 2016 atinja os 259,4 milhões de hectolitros. Isto representa uma diminuição de 5% face a 2015 e torna esta colheita uma das mais fracas desde o ano 2000. A Itália deverá manter o primeiro lugar

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na produção mundial, com 48,8 milhões de hectolitros, logo seguido da França e da Espanha. No continente

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europeu, os campeões das quebras terão sido Áustria (-21%) e Portugal (-20%). A nível mundial, não foram únicos: as maiores quebras ficaram no hemisfério Sul, com a Argentina a liderar (-35%!), logo seguido do Chile (-21%) e África do Sul (-19%). No pólo oposto, tanto a Roménia como a Nova Zelândia tiveram grandes anos de produção, crescendo 37 e 34 por cento, respectivamente. A confirmarem-se estes resultados, Portugal continua a ocupar o 11º lugar mundial na produção de vinho. (AF)


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