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SUMÁRIO ANO 32 NO 10 SETEMBRO DE 2016

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das redes sociais.

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[ VITRINE ] Luminárias de novos talentos; balanço

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[ CENÁRIO ] Casa americana inspirada no modernismo

do carioca Zanini de Zanine; o livro lançado pelo designer Marko Brajovic; papel de parede assinado; e outras novidades superquentes das mostras que rolaram em São Paulo em agosto.

brasileiro; livro de arquitetura para o público infantil; releituras do móvel namoradeira; e as ideias vencedoras de um concurso internacional voltado para os problemas de habitação em cidades muito densas.

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[ VIVER ] Sobrado reformado para morar

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ALMA CARIOCA No alto de um morro, casa no

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[ COMENTE ] Elogios, comentários e notícias

e trabalhar e intervenção em um emblemático cinema dos anos 30 de Belo Horizonte.

Rio de Janeiro se organiza em quatro níveis para ganhar mais acesso à vista deslumbrante. MOLDURA URBANA Pátios internos

iluminam naturalmente a casa construída em terreno estreito de São Paulo. COLORIDO E CALOROSO Apartamento paulistano de 170 m2

tem paleta vibrante de tons valorizando os ambientes. POESIA CONCRETA, RIMA LIVRE Residência em

Goiânia aposta na fachada impactante e nas linhas da arquitetura de Brasília.

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VIDA SIMPLES Materiais rústicos e muita

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BELEZA DE BANHEIRO Diferentes estilos, cores e

madeira renovaram a morada na capital paulista, que ganhou jeitão de interior.

revestimentos em uma seleção caprichada de 18 ambientes.

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[ SUA OBRA ] Opção sustentável, os telhados verdes

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[ ENDEREÇOS ] Os contatos de marcas, fornecedores, lojas e profissionais citados nesta edição.

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[ CRÔNICA ] Quando crianças são convidadas

conquistam aos poucos as coberturas de casas e edifícios. Saiba como eles funcionam e veja o raio X de três projetos.

para desenhar sua cidade imaginária.

[ CAPA ANDRE NAZARETH (FOTO) E EMERSON CAÇÃO (TRATAMENTO DE IMAGEM) ] SETEMBRO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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CARTA AO LEITOR

COMO MORAR NAS CIDADES GRANDES?

As respostas são infinitas, claro. Reunimos nesta edição uma pequena amostra: casas com vista, com telhado, de blocos...

Isso explica por que você encontra a deliciosa morada da reportagem Alma Carioca (pág. 28), seguida do irreverente sobrado com espelho d’água da matéria Moldura Urbana (pág. 38) e da proposta meio moderna, meio contemporânea assinada pelo arquiteto Leo Romano em Goiânia (Poesia Concreta, Rima Livre, pág. 52). Mas não terminou por aí: para os interessados em reformar, selecionamos 18 banheiros cheios de boas ideias. Afinal, esse cômodo continua sendo palco de constante atualização, verdadeiro campeão do quebra-quebra. Ah, e também mantivemos olho aberto para as novidades: parceira da redação de A&C, a colunista de design Mônica Barbosa fez um giro pelos eventos que sacudiram São Paulo em agosto e destacou os itens mais interessantes para você, reunidos na seção Vitrine (pág. 14). É isso. Houve mesmo bastante movimento. Espero que tenha dado certo.

JOANA L. BARACUHY EDITORA-CHEFE

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO SETEMBRO 2016

MARTÍN GURFEIN

O

trabalho de escolher as casas é cheio de suti lezas e, por vezes, dinâmico. Em cada edição procuramos incluir reportagens que interessem leitores de perfis e estilos diferentes. Mas quem disse tratar-se de uma equação exata? Usualmente constam do cardápio opções na praia, no campo, na cidade. Também mesclamos edificações feitas com materiais (tijolo, concreto, madeira, vidro) e sistemas construtivos distintos. Tudo visando alcançar aquele delicado equilíbrio capaz de traduzir nossa pequena amostra da boa produção arquitetônica residencial. Este mês, porém, a coisa toda tomou outros rumos. Nos enredamos num persistente exercício de mexe-mexe, até, enfim, surgir a luz: que tal investir em boas propostas para quem deseja encarar – à sua maneira – os desafios da vida na metrópole?


DA REDAÇÃO

Ares de interior na cidade grande

DIRETOR-SUPERINTENDENTE Edgardo Martolio DIRETORES CORPORATIVOS Marketing: Luis Fernando Maluf Editorial: Claudio Gurmindo (Núcleo Celebridades) e Pablo de la Fuente (Núcleos Novos Leitores e Mensais) Publicidade: Luciana Jordão Circulação: Marciliano Silva Jr. Internet e Mídia Digital: Alan Fontevecchia Financeiro: Osmar Lara Jurídico e RH: Wardi Awada

Esta casa paulistana ganhou outra vida com o uso de materiais rústicos e muita madeira

Antes

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Além da estética que remete aos refúgios de campo e às pradarias argentinas, outra diretriz marcou a reforma do sobrado da década de 50: a integração entre as áreas externa e interna. Para isso, paredes deram lugar a grandes esquadrias de vidro e pergolados fizeram a conexão entre o jardim e os ambientes sociais, como você vê na imagem abaixo. Gostou deste aperitivo? Pois tem muito mais na reportagem da pág. 44.

DIRETOR EXECUTIVO TI: Cícero Brandão DIRETORES Publicidade: Maria Rosária Pires Escritório Rio de Janeiro: Claudio Uchoa (Editorial) Arte: Kika Gianesi (Núcleo Novos Leitores) GERÊNCIAS Circulação: Luciana Romano (Assinaturas) Marketing Publicitário e Eventos: Mariana Kotait Eventos: Walacy Prado Finanças e Controle: Marina Bonagura Tecnologia Digital: Nicholas Serrano

Depois

(Lançada em 1984)

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FALE CONOSCO ATENDIMENTO AO LEITOR Endereço: Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 1400, 13o andar, CEP 04543-000, São Paulo, SP E-mail: revistaaec@maisleitor.com.br PARA ASSINAR Telefone: (11) 3347-2121, Grande São Paulo. De outras localidades, ligue de graça: 0800-7752828, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h. Aos sábados, das 9h às 16h Fax: (11) 5087-2100 E-mail: abril.sac@abril.com.br Site: www.assineabril.com.br VENDA DE CONTEÚDO Para direitos de reprodução dos textos e imagens publicados em ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO, acesse www.abrilconteudo.com.br

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO SETEMBRO 2016

DÚVIDAS SOBRE SUA ASSINATURA, RECLAMAÇÕES E ALTERAÇÕES DE ENDEREÇO Telefone: (11) 5087-2112, Grande São Paulo. De outras localidades, ligue de graça: 0800-7752112, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h Fax: (11) 5087-2100 E-mail: abril.sac@abril.com.br Site: www.abrilsac.com EDIÇÕES ANTERIORES Telefone: 0800-7773022, de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17h30 PARA ANUNCIAR Telefone: (11) 2197-2011/2059/2121 E-mail: publicidade@editoracaras.com.br

FOTOS: 1. ARQUIVO PESSOAL 2. MARCELO KAHN

Editora-Chefe: Joana L. Baracuhy; Editores: Silvia Gomez e Renato Bianchi; Repórter: Marília Medrado; Editora de Arte: Andrea Liguori; Designer: Gabriela Graná; Revisora: Bianca Albert; Publicidade: Katia Honório (Executiva de Negócios) ÁREAS COMPARTILHADAS FOTOGRAFIA: Priscilla Vaccari (Editora), Rogério Pallatta (SP), Cadu Pilotto e Fabrizia Granatieri (RJ); Amanda Loureiro, Mariana Sardinha, Ramiro Pereira, Samantha Ribeiro e Tainara Passos (Assistentes); CIRCULAÇÃO: Pablo Barreto; MARKETING PUBLICITÁRIO E EVENTOS: Adriana Trujillo (Editora-assistente), Cauê Yiuti (Designer); MARKETING: Caroline Ryna, Fernando Almeida, Nilton Vieira, Natalie Fonzar (Apoio) e Gustavo Mendes (Editor de Arte); TI: Carlos Almeida, Dirceu Bueno, Ricardo Jota e Victor Fontes (Assistentes); LOGÍSTICA: Anicley Lima, Daniel Ferreira e Ivo Santos; RECURSOS HUMANOS: Renê Santos (Consultor); ADMINISTRAÇÃO, FINANÇAS E CONTROLE: Alessandro Silva e Arthur Matsuzaki (Analistas) e Manoel Leandro (Consultor); PROCESSOS: Henrique Pereira e Fernanda Wassermann; DEDOC: Marco Vianna; PRE-PRESS: Alexandre de Sousa, André Uva, Claudio Costa, Dorival Coelho, Emerson Luís Cação, Rodrigo Figuerola e Rogerio Veiga. INTERNET E MÍDIA DIGITAL EDITOR: Ademir Correa; PUBLICIDADE VIRTUAL: Bruna Oliveira, Deborah Burmeister e Thays Panar (Executivas); PLANEJAMENTO: Roberta Covre (Gerente) e Anne Muriel (Analista); MARKETING DIGITAL: Victor Calazans (Analista). REDAÇÃO E CORRESPONDÊNCIA SÃO PAULO: Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 1400, 13º andar, conjs. 131/132, Jardim Paulista, CEP 04543-000, SP, Brasil, tel.: (11) 2197-2000, fax: (11) 3086-4738; RIO DE JANEIRO: Rua Barão da Torre, nº 334-A, Ipanema, CEP 22411-000, RJ, Brasil.ESCRITÓRIO COMERCIAL BRASÍLIA: Edifício Le Quartier Bureau, SHN Quadra 1 Bloco A, S/N, 12ª andar - Sala 1209, Cep: 70701-010, Brasília, DF, Brasil, Tel: (61) 3536-5138 / (61) 3536-5139, e-mail: carasbrasilia@caras.com.br ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO 354 (ISSN 0104-1908), ano 32, nº 10, é uma publicação mensal da EDITORA CARAS. Edições anteriores: Ligue para 0800-777 3022 ou solicite ao seu jornaleiro pelo preço da última edição em bancas mais despesa de remessa; sujeito a disponibilidade de estoque. Distribuída em todo o país pela Dinap S.A. Distribuidora Nacional de Publicações, São Paulo. ARQUITETURA & CONTRUÇÃO não admite publicidade redacional. SERVIÇO AO ASSINANTE Grande São Paulo: (11) 5087-2112 - Demais localidades: 0800-775 2112 www.abrilsac.com PARA ASSINAR Grande São Paulo: (11) 3347-2121 - Demais localidades: 0800-775 2828 www.assineabril.com.br IMPRESSA NA GRÁFICA ABRIL: Av. Otaviano Alves de Lima, 4400, CEP: 02909-900, Freguesia do Ó, São Paulo, SP

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COMENTE facebook.com/arquiteturaeconstrucao

Um lago no jardim

O paisagismo abordado na reportagem Fonte de vida (pág. 90) despertou os seguidores Dá vontade de tirar um cochilo nessa rede, deixando o verde invadir a vida, como fez nessa morada. @earq_urb

“FICAMOS MUITO FELIZES COM O NOSSO PROJETO NA CAPA” ALINE D’AVOLA, ARQUITETA DO ESCRITÓRIO METAMOORFOSE

Amo esses materiais, são sempre bem-vindos. @architectureliving

Que projeto acolhedor. @herbertpinheiro

Pequeno espaço [ NO INSTAGRAM ] Mais elogios à capa

Massa!

@alexandresuassunaarquitetura

Muito legal. @urbanstand

Amo freijó e o sistema de porta-camarão. @rosanaalcant

Bem bolado!

@dilujacinthopucci

A matéria ficou muito bacana! Obrigada. Zé Guilherme Carceles, do Casa 100 Arquitetura, autor do apartamento da pág. 50

Oásis multicor

Ótimo aproveitamento.

Vitral chamou atenção na residência mostrada na pág. 60

A edição ficou maravilhosa, só matérias bacanas.

@apto161

@revitarearquitetura

@architectureliving

Show! Uau!

@machadofael

[ NO FACEBOOK ] A revista de agosto comentada na rede

Linda edição. Luciana Oliveira

Top.

Studio M47 Arquitetura

Perfeita combinação! Lucas Roberto Terneiro

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO AGOSTO 2016

Genial.

@art.decorada


COMENTE [ ONLINE ]

@revistaaec

@revistaaec

arquitetura & construção

/revistaaec

Cobertura fresca

Sustentáveis, com baixa manutenção e bonitos. Sobram qualidades às coberturas de casas e edifícios com vegetação, como você pode conferir na reportagem Jardins Suspensos (pág. 86), que reúne três projetos diferentes. Vem daí também a inspiração para a missão de setembro: clicar telhados verdes. Se for seu, melhor ainda. Compartilhe conosco a foto no Instagram usando as duas hashtags: #cliquetelhadoverde e #revistaaec. Deixe o seu perfil aberto para podermos espiar. As imagens mais legais estarão em breve no nosso site.

cobertura verde sobre plano inclinado: projeto do studio cidade jardim. 1

Ainda dá tempo

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1ª Semana do Arquiteto Digital começa dia 26 Usar bem as redes sociais pode render bons frutos ao trabalho de arquitetos em formação e jovens profissionais. Gratuito, este curso a distância pretende ajudá-lo exatamente nisso. Estudantes podem se inscrever em bit.ly/mktestudante e arquitetos em bit.ly/mktarq. @studio_arquiteturas

@palma_interiores

@deniseprovenzano

#meubanheiroaec

Galeria em nosso site reúne espaços enviados por leitores curso ensina a atrair clientes e trabalhos. 2

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO SETEMBRO 2016

No desafio proposto na edição de agosto de A&C, pedimos imagens de banheiros e lavabos por meio da hashtag #meubanheiroaec. Valeu, pessoal! Chegaram

muitos ambientes criativos. De variados estilos, eles vão do clean ao preto total, como provam os três cliques acima. Quer mais inspiração? Digite bit.ly/revistaaec.

FOTOS: 1. DIVULGAÇÃO 2. SHUTTERSTOCK 3. ARQUIVO PESSOAL

Os telhados verdes estão, pouco a pouco, tomando o lugar das telhas e do concreto nas cidades. Você conhece algum exemplo por aí ou tem um para chamar de seu? Queremos ver!


VITRINE POR MARÍLIA MEDRADO

Reinventando o concreto

Material dá forma a revestimentos de piso e parede marcados pelo design e pela elegância FOTOS ROGÉRIO PALLATTA

Peças planas, com relevos ou faces múltiplas, disponíveis em texturas, cores e formatos variados, além de pisos permeáveis – ou não. Tudo feito de... concreto. Dá para imaginar? “Trata-se de uma matéria-prima plástica, que permite fazer coisas incríveis se levada até o limite. É isso o que buscamos”, afirma Gabriel Bertolacci, presidente e fundador da Castelatto, fabricante de pisos e revestimentos cimentícios frequentemente encontrados em projetos residenciais e comerciais. Com a meta de ir sempre além, o design assume mil maneiras diferentes. Já entre as tecnologias, a Denox colabora para reduzir a poluição, transformando óxidos e dióxidos de nitrogênio presentes no ar em nitratos. Levados pela água da chuva, eles servem posteriormente de adubo para as plantas. “O limite de hoje não é o mesmo de amanhã. Inovação é a alma desta empresa”, completa. Confira mais em www.castelatto.com.br.

DIVULGAÇÃO

A PREOCUPAÇÃO COM O MEIO AMBIENTE É OUTRA MARCA DA EMPRESA. NA FOTO, O FILTRO DE AR RETÉM O PÓ RESULTANTE DA FABRICAÇÃO DOS REVESTIMENTOS, REUTILIZADO NA PRODUÇÃO DE NOVAS PEÇAS.

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO XXXXXXX 2016

A LINHA SEGMENTOS É COMPOSTA POR QUATRO MODELOS. EM SENTIDO HORÁRIO, A PARTIR DO SUPERIOR ESQUERDO: DELTA, GAMA, BETA E ALPHA. NAS FACHADAS, PODE-SE USÁ-LOS EM CONJUNTO OU OPTAR POR APENAS UM. R$ 489 O M².

EMBALADOS E ETIQUETADOS, OS PEDIDOS SÃO ENTREGUES DIRETAMENTE NA CASA DOS CLIENTES. NA FOTO ACIMA, O MATERIAL CIMENTÍCIO ÚMIDO É ESPALHADO E UNIFORMIZADO NA FÔRMA.


O TRATOR TRANSPORTA PEDREGULHOS ATÉ O MAQUINÁRIO.

INSPIRADO NO CALÇADÃO DO RIO DE JANEIRO, O BLOCO PARA PISO É LANÇAMENTO DA LINHA EKKO PLUS. PERMEÁVEL, A PEÇA DEVE CHEGAR ESTE MÊS AO MERCADO.

GABRIEL BERTOLACCI, PRESIDENTE DA CASTELATTO, EM MEIO AOS MONTES DE AREIA E PEDRA, AGREGADOS USADOS NA PRODUÇÃO DA MASSA CINZA.

NA CENTRAL DE CONCRETO, OS COMPONENTES SÃO DEPOSITADOS EM GRANDES VOLUMES E LIBERADOS DE ACORDO COM A RECEITA DA MISTURA.

XXXXXXX 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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VITRINE

TEMPORADA DE LANÇAMENTOS

A cidade de São Paulo ferveu em agosto com mostras e eventos reunindo mais de 150 atrações para amantes de design e arquitetura. Convidamos a colunista Mônica Barbosa para selecionar o que de melhor encontrou por aí: do supremo utilitário ao simplesmente inspirador. Confira

Um lar com identidade, nos mínimos detalhes

ALÉM DO MODELO FLOR, HÁ IMITAÇÕES DE MADEIRA E MADREPÉROLA, POR EXEMPLO.

Cada vez mais a ideia de customização tem levado a indústria a buscar soluções inventivas que permitam ao consumidor personalizar sua casa. A novidade da vez é a Linha Pormade Boutique, com a qual é possível aplicar nas superfícies de portas de correr ou de abrir diferentes desenhos: de uma criação original a uma reprodução. Feita com impressão em alta definição, a película UV cobre os modelos brancos do fabricante, a Pormade. No site www.pormadeonline.com. br, em média R$ 50 cada face.

Ilumine-se

Jovens talentos do design unem qualidade e criatividade em peças para todas as situações De um projeto colaborativo entre Brunno Jahara e a estilista Ana Voss nasceu a linha de objetos Paleae Brasilis. O viver tropical e descontraído do carioca inspirou a dupla a criar peças que valorizassem a palha. Outro talento em ascensão, Guilherme Wentz lançou a sua primeira coleção individual, a Capítulo 1 – com destaque para as luminárias. Experimental, a irreverente Ana Neute apresentou a Guarda-Chuva, com base clássica de abajur e topo que insinua um curioso personagem. FOTOS: DIVULGAÇÃO

Portas poderosas

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Originalidade natural A biomimética se afirma como um processo de inovação na arquitetura contemporânea mundial

Radicado no Brasil, o arquiteto croata Marko Brajovic (foto) narra suas experiências no recém-lançado In Nature We Trust, no qual conta como a biomimética – área que estuda as estruturas naturais e suas funções – tem influenciado suas criações. O livro também reúne os projetos feitos no seu estúdio ao longo dos últimos dez anos, entre eles a cenografia da mostra David Bowie no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo. Compras pelo e-mail office@markobrajovic.com e na Amazon.

EM 240 PÁGINAS, A PUBLICAÇÃO VOLTADA PARA DESIGNERS, ARQUITETOS, ARTISTAS E INTERESSADOS APRESENTA RECURSOS EXPERIMENTAIS PARA A PRODUÇÃO CRIATIVA BASEADA EM PADRÕES ORGÂNICOS.

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO SETEMBRO 2016

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1. EXEMPLAR DE MESA DE BRUNNO JAHARA, À VENDA NA LOJA POEIRA DESIGN. 2. PENDENTE E MODELO DE PISO DA COLEÇÃO CAPÍTULO 1, APRESENTADO NA DECAMERON. 3. GLOBO DE VIDRO E BASE DE LATÃO NA COLUNA DE ANA NEUTE, À VENDA NA ITENS (WWW.ITENSCOLLECTIONS.COM).


VITRINE

Estampas quentes

Território da experimentação, o Lab.Donatelli quer oferecer tecidos com padrões assinados a preços acessíveis A tradicional marca Donatelli inaugurou esse novo endereço, onde abre espaço ao trabalho de jovens criadores e artistas. Lá, é possível escolher o modelo na metragem desejada, em pronta-entrega, e encomendar a confecção de almofadas e cúpulas de luminárias, entre outros. Na abertura houve o lançamento da coleção Kapulanas, da designer de estampas Clarisse Romeiro (Veredas Atelier), que leva seus grafismos também a papéis de parede.

FILETADO OU EM PLACAS GRANDES, O PORCELANATO NA COR SEA SUBSTITUI A APRECIADA ROCHA ASIÁTICA.

Parece pedra

Ambientes externos em sintonia com a natureza Destaque para a coleção Arquitetura em Movimento – In & Out – linha Indonésia, da Portobello, que simula as texturas e as cores de pedras naturais dessa parte do mundo. Em três tonalidades, os porcelanatos que a compõem lembram as rochas vulcânicas da região onde a lava se solidifica e dá forma a superfícies variadas. Estão disponíveis nos formatos 25 x 25 cm, 6,5 x 23 cm e 5 x 40,5 cm (este com preço médio de R$ 107,90 o m2), ideais para bordas de piscinas e jardins.

AS COLORIDAS VESTES AFRICANAS INSPIRARAM CLARISSE, QUE NOMEOU SUAS TRAMAS DE SOL, GRÃO, PEIXE E BRISA (A PARTIR DA AZUL, EM SENTIDO HORÁRIO).

_._._._._._._._._._._._._._._._ FOTOS: DIVULGAÇÃO

Alçando voo

Conceito, delicadeza e força na obra de Zanini de Zanine Com o intuito de lançar uma linha de móveis para um público mais jovem e descolado, a marca Amazônia desenvolveu uma nova matéria-prima chamada 3DHive, uma espécie de membrana com base de Neoprene e camada externa de poliéster tipo “colmeia”. Na hora de desenhar as peças, convidou o designer carioca Zanini de Zanine, que se saiu com o Balanço Gaivota. Conceitual, o produto foi inspirado na ave de mesmo nome e imprime em seu desenho a sutileza do voo do pássaro, viabilizada pela resistência do material. 16

ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO SETEMBRO 2016

BALANÇO GAIVOTA, DO STUDIO ZANINI: ESTRUTURA DE FIBRA DE VIDRO REVESTIDA COM A MEMBRANA 3DHIVE.


CENÁRIO POR SILVIA GOMEZ

CORTINA VERDE A trepadeira videira se multiplica na trama externa de alumínio de grau adequado à exposição marítima, resistente ao tempo, filtrando o sol.

ESPIRAL DE LUZ

Esta residência em Miami, nos Estados Unidos, está orientada de forma a captar o máximo benefício da luz solar Um elemento ao mesmo tempo escultural, funcional e de sustentação atravessa em espiral o centro da morada de 540 m2 desenhada pelo escritório americano Studio Christian Wassmann. É ele que parece apoiar a caixa de vidro flutuante, onde se encerram os ambientes íntimos, como quarto e banheiro. “Conceitualmente, essa curvatura é como a espinha dorsal da construção e seu traçado foi baseado no caminho 18

ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO SETEMBRO 2016

percorrido pelo sol no terreno”, explica o arquiteto e autor da obra, Christian Wassmann. A escada termina num grande e livre terraço, no topo. “É o coração do conjunto, atuando como solário.” Plantas emolduram as janelas, o que faz lembrar o visual de uma casa na árvore, apesar da estrutura brutalista de concreto. “O projeto é obviamente inspirado na arquitetura modernista brasileira”, complementa Christian.


ACOLHIMENTO A madeira se contrapõe ao concreto, revestindo piso e forro do interior com tábuas de nogueira e de ipê.

FOTOS: LUKAS WASSMANN/DIVULGAÇÃO

TUBO DE CONCRETO O paredão curvo conduz os raios do Sol no verão e bloqueia o vento vindo do terraço, o que produz uma atmosfera suave no interior.

TRECHO SOCIAL O grande volume superior forja uma área coberta embaixo, que funciona como ambiente de refeições.

BANHO ABERTO O andar do meio tem um banheiro sem barreiras à vista, de onde se pode olhar a paisagem. SETEMBRO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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CENÁRIO

SOLUÇÕES REAIS Propostas vencedoras de concurso internacional respondem aos desafios de habitação do mundo hoje São três bancos, todos com 60 x 75 x 160 cm, à venda no site Adorno.

NAMORADEIRAS Esse móvel tradicional inspirou o Conjunto Parquinho, criado por Rodrigo Ohtake A última edição da mostra de design MADE, em cartaz em agosto, em São Paulo, apresentou algumas peças assinadas por arquitetos, caso da coleção de bancos de tubo e tela metálica com pintura PU automotiva, desenho do paulistano Rodrigo Ohtake. “São três releituras da clássica namoradeira para duas pessoas sentarem em diferentes posições. Eu brinco, aqui, com as diversas maneiras de interagir”, detalha Rodrigo.

Se atualmente o planeta já tem 1 bilhão de pessoas vivendo em locais sem infraestrutura e serviços básicos como saneamento e energia elétrica, a previsão da Organização das Nações Unidas (ONU) é de que esse número chegue a 3 bilhões em 2050, caso não surjam ideias para enfrentar a rápida urbanização. Esse é justamente o foco do concurso Dencity, em sua segunda edição. Promovido pela Shelter Global, organização internacio-

nal sem fins lucrativos, a competição quer impulsionar projetos capazes de lidar com os problemas nascidos em decorrência do crescimento desordenado e da falta de planejamento em cidades cada vez mais complexas e densas. A meta: convidar arquitetos e urbanistas a pensar como o design pode fortalecer comunidades inteiras e torná-las sustentáveis. Confira abaixo as sugestões dos primeiros colocados, anunciados em agosto.

IMAGENS: DIVULGAÇÃO

MUMBAI: VERSOVA KOLIWADA Com mais de 5 mil habitantes, a comunidade de pescadores conhecida como Koliwada, em Mumbai, na Índia, sofre com a poluição de suas águas. Os arquitetos Jai Bhadgaonkar e Ketaki Tare propuseram, entre outras coisas, a criação de ilhas flutuantes confeccionadas com garrafas plásticas descartadas e pranchas de madeira.

Casa de Vidro, de Lina Bo Bardi: uma das obras ilustradas por Carolina Hernandes.

SÓ PARA CRIANÇAS Viabilizado por financiamento coletivo, livro traz clássicos da arquitetura ao público infantil Lançado este mês, em São Paulo, o Casacadabra (Pistache Editorial, R$ 80), assinado pela jornalista Bianca Antunes e pela arquiteta Simone Sayegh, reúne a história de casas construídas por grandes nomes da área, como Lina Bo Bardi, Oscar Niemeyer, Frank Lloyd Wright e Antoni Gaudí, além de explicações sobre termos técnicos como brise e pilotis. “Se quisermos cidades melhores, precisamos aprender os princípios da arquitetura desde cedo”, diz Simone. 20

ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO SETEMBRO 2016

JOANESBURGO: INCREMENTAL ALEX Recém-formada pela Philadelphia University, Lauren Brosius se voltou para o distrito de Alexandra ou Alex, uma das regiões mais carentes de Joanesburgo, na África do Sul. Ali, módulos racionais de construção seca substituiriam as precárias moradias atuais.


VIVER POR SILVIA GOMEZ

Com seu piso de ladrilho hidráulico (Dalle Piagge), a cozinha conserva o ar de casinha. Esse revestimento aparece em todo o térreo, incluindo o pátio, separado por portas de correr com esquadrias de ferro pintadas de azul (Suvinil, ref. Banho de espuma). “Para a combinação de cores, me inspirei na casa do barão de Saavedra, projeto do modernista Lúcio Costa (1902-1998)”, revela Fabiana. Marcenaria da Marvelar.

Vocação híbrida

Uma casa com jeito de escritório ou um escritório com jeito de casa? As duas definições servem a este projeto de 170 m2 em São Paulo REPORTAGEM VISUAL DEBORAH APSAN FOTOS ANA MELLO

Apesar de ter tido parte de seus ambientes transformada em pontos de trabalho, o imóvel dos anos 80 reformado pelo Stuchi & Leite não perdeu a atmosfera residencial desejada pela proprietária, a advogada Lúcia Deccache. Se no salão principal do térreo e em dois dos quartos do andar superior ela faz reuniões com equipe e clientes ou escreve seu site, o www.acontecenasmelhoresfamilias.com, na edícula desfruta de uma agradável sala de estar voltada para o pátio aberto, mesmo tipo de disposição da cozinha. Em cima, apenas um dos três quartos restou como no original. “Tivemos de reforçar a estrutura de alvenaria autoportante com vigas e pilares de concreto para poder mudar as aberturas de lugar e liberar algumas paredes”, conta a arquiteta Fabiana Stuchi, autora da proposta ao lado de Carlos Leite, Thayse Portugal, Danilo Bochine, Kelly Yamashita, Francisco Costardi e Dani Mello. 22

ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO SETEMBRO 2016


O único cômodo preservado como dormitório ganhou a extensão de um solário com deck de cumaru e paisagismo de Camila Vicari, trecho novo que aproveita a mesma estrutura e laje de concreto da edícula, situada ao fundo.

Integrados, dois dos quartos do andar superior agora hospedam o computador. O piso de tacos foi mantido e as janelas, aumentadas. No salão de baixo, na entrada, a mesa grande dá conta das reuniões. Descascada, a parede de divisa do sobrado geminado revelou os tijolos antigos, pintados de tinta látex branca. Repare nas vigas de concreto no teto, também originais e deixadas à mostra.

O que antes era o estar da casa agora acomoda a base principal do escritório. “Trocamos o lugar da porta de entrada para esta lateral da fachada, o que assegurou um fluxo melhor no dia a dia”, justifica Fabiana.


VIVER

Arqueologia estrutural

Referência histórica do centro de Belo Horizonte, o Cine Theatro Brasil Vallourec, dos anos 30, ganha sutil intervenção Durante muito tempo após sua inauguração, em 1932, o Cine Theatro Brasil Vallourec, primeiro prédio da capital mineira influenciado pelo estilo francês art déco, figurou como a construção mais alta da cidade, recebendo curiosos pela vista panorâmica de seu terraço. Assinado pelo arquiteto Alberto Murgel, esse marco de volumes geométricos bem definidos, pouca ornamentação, vitrais de ferro e vidro martelado também foi pioneiro na utilização do concreto armado, importado da Inglaterra. Parte desse esqueleto se viu exposto para apreciação, assumido na interferência conduzida pelo escritório Vazio S/A, de Carlos M. Teixeira. Criou-se um salão de eventos acima do antigo telhado, o que gerou um grande vazio arquitetônico entre o teto inclinado da plateia e a laje do novo espaço. “Quisemos revelar o aspecto escultural das tesouras de concreto originais do edifício”, detalha Carlos.

As tesouras de concreto suportam a laje da plateia e foram mantidas pelo valor histórico, coroando o espaço de 500 m2. No piso, tablados de compensado de madeira formam patamares de estar, organizando a ocupação do ambiente.

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JOGO DE FAIXAS Cabos de aço tensionados ajudam na sustentação do edifício no trecho entre a cobertura e a laje sobre a plateia do teatro, embaixo. Telas translúcidas de náilon cobrem os vãos entre as tesouras, aguçando a percepção do desenho do conjunto.

FOTOS: GABRIEL CASTRO

A fachada curva e art déco é um marco da Praça Sete, no centro de Belo Horizonte. Além de cinema, o lugar já abrigou teatro, ópera, música e até bailes de carnaval no foyer.

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ALMA CARIOCA Quem conhece a geografia da cidade sabe: a localização desta casa, a meio caminho do Centro e da Barra da Tijuca, é estratégica. Bastou vencer o terreno inclinado para ganhar acesso ao lazer e à vista, maravilhosa POR SIMONE RAITZIK (VISUAL) E JOANA L. BARACUHY (TEXTO) PROJETO DESENHO BRASILEIRO FOTOS ANDRE NAZARETH


Inserida em um bairro relativamente afastado da praia, a construção desfruta de outros atrativos naturais. A mata próxima e a pedra da Gávea, no alto, não deixam dúvidas de que estamos no Rio de Janeiro.


aliás, que custou a sair. Em uma metrópole “A aprovação levou mais organizada ao longo da de um ano, por causa beira-mar, onde os desdos aspectos ambienlocamentos de um extretais. Hoje, esse trâmite mo ao outro são difíceis está mais ágil”, pondera – e os terrenos livres, caPatricia, contratada peda vez mais escassos –, o los clientes quando eles lote num condomínio fetinham apenas uma chado no meio dessa faiideia na cabeça, a respeixa edificada surgiu como to do processo que consurara oportunidade. “O miu quatro anos no total. casal procurou durante Se o ponto de partida foi muito tempo até enconcerteiro – o pedido era trar um lugar bacana. uma linguagem arquiQueria uma solução de Abraçada pela mata, a construção desfruta de agradáveis zonas de somtetônica inspirada num compromisso, afinal ela bra. Na fachada frontal, o beiral surge como um prolongamento da laje de trabalha na Barra e ele, concreto, que avança e protege os quartos de chuva e sol. Ele também res- projeto de 2007 da profisem Botafogo”, descreve a guarda o ripado de madeira, que traça uma linha horizontal no andar superior. sional –, o meio do caminho apresentou percalços arquiteta Patricia Fendt, do escritório carioca Desenho Brasileiro. Mas o processo es- típicos, mas não óbvios, desse tipo de empreitada. Por exemplo, tava apenas começando, uma vez definido o endereço: falta- foi trabalhoso moldar a estrutura de concreto, bela a ponto de va planejar um modo de construir no terreno íngreme, que ficar à vista, e estabelecer canais laterais para escoar a água se estende morro acima até as pedras e termina imerso na que desce da montanha quando chove. “O solo rochoso é pouco mata. “Havia poucos trechos planos na área escolhida. Em permeável, ali se forma uma verdadeira cascata”, esclarece ela. compensação, a vista...”, continua a autora do projeto, expli- No mais, os pedidos foram plenamente realizados: a ênfase no lazer, o acesso à paisagem cando por que previu ene a integração com a nacaixar a casa num platô tureza. “A parte de trás existente, apoiado em da casa ficou tão aberta à um arrimo antigo (são vegetação que dispensou as pedras que você vê ao completamente o paisafundo desta foto), reforgismo”, conclui Patricia. çado na obra. Obra esta,

“NAS LATERAIS, A CASA SE RESGUARDA DOS VIZINHOS. JÁ A VEDAÇÃO É MÍNIMA NO SENTIDO LONGITUDINAL” PATRICIA FENDT, ARQUITETA

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Acima: a sala de estar tornou-se um delicioso e amplo belvedere, repare na vista à frente. Da mesma condição desfruta quem se refresca na piscina. Abaixo: do piso ao teto, as portas correm soltas da estrutura (não encostam nos pilares) para um efeito mais leve. Presentes na frente e nos fundos, as esquadrias de alumínio cinza-chumbo (quatro trilhos em cada lado) garantem a ventilação cruzada e dão ao living um clima de varanda.


“A COR ESCURA DOS CAIXILHOS É PROPOSITAL. EVITA O CONTRASTE COM O VERDE DAS PLANTAS E OS FAZ DESAPARECER” PATRICIA FENDT, ARQUITETA


MURO EM DESTAQUE O trabalho de cantaria (talho e encaixe das pedras) foi mantido e valorizado, mas a contenção ganhou outro muro, 2 m atrás, como reforço.

Interessada em evidenciar as estruturas e adotar um mínimo de acabamentos, a arquiteta especificou um porcelanato (linha Metropolitan, 80 x 80 cm, da Roca Cerâmica) que imita cimento queimado para toda a área social – essa medida ainda garantiu bom preço.


PENSAMENTO ESCALONADO A casa se organizou a partir do nível da rua para contemplar as necessidades da família, incluindo garagem, sauna, churrasqueira, piscina, suítes para os dois filhos e para o casal SEGUNDO PAVIMENTO INFERIOR: 101 m2

PRIMEIRO PAVIMENTO INFERIOR: 95 m2

ÁREA DE SERVIÇO

GARAGEM

2,25 x 4 m

7,50 x 15 m

QUARTO

3,50 x 4,40 m

QUARTO

3,50 x 4,10 m

ESTAR DA SAUNA

3,60 x 4,40 m

SAUNA

2,20 x 4 m

SUBIDA EM ETAPAS A porta amarela dá acesso a quem chega a pé (à esquerda fica o portão da garagem). Mais 2,80 m acima, alcança-se este patamar, de serviços e apoio. Depois, a área de lazer e social e, por fim, os ambientes íntimos, no alto.

PRIMEIRO PAVIMENTO SUPERIOR: 234 m2

COPA E COZINHA 4,85 x 7,15 m

SALA ÍNTIMA 3,60 x 7 m

HÓSPEDES

3,60 x 7,15 m

QUARTO

4,40 x 4,40 m

SALAS DE ESTAR E JANTAR 12,40 x 5,30 m

QUARTO

4,35 x 4,40 m

QUARTO

4,70 x 5 m

CLOSET E BANHEIRO

3,80 x 5,90 m

ESCRITÓRIO 4,7 x 2,65 m

CHURRASQUEIRA 6x4m

N

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ÁREA: 653 M2; CONSTRUÇÃO: MGR PROJETOS E CONSTRUÇÕES; ESTRUTURA: MAURO CÁPUA; PROJETOS COMPLEMENTARES: EFICIENTTA PROJETOS E CONSULTORIA; ESQUADRIAS DE ALUMÍNIO: ADILSON SANTANA; MARCENARIA: FÁBIO RIBEIRO; PAISAGISMO: SANDRO WARD

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ILUSTRAÇÕES: CAMPOY ESTÚDIO

TÉRREO: 223 m2


1

1. O escritório, no segundo andar, fica nivelado com o trecho mais alto do terreno, uma espécie de platô, e se abre às árvores. Repare na face envidraçada (à dir., na foto) que delimita os fundos da construção. 2. Trata-se desta mesma caixilharia de pé-direito duplo (6,5 m) que inclui janelas máximo-ar, boas para ventilar. 3. A abundância de luz natural da cozinha se deve aos basculantes sem clipes (bordas), do tipo gelosia – um achado da arquiteta, que escolheu as peças inspirada na tradição modernista. 2

3


Acima: com funcionamento do tipo camarão, as ripas de madeira se somam a folhas cegas que se abrem para dentro, dispensando cortinas. Internamente, portas de correr de vidro ainda evitam a fuga do ar condicionado. Abaixo: dos quartos, avista-se também a área de lazer, distribuída em suaves patamares: piscina com deck, seguida de churrasqueira e sauna, descendo para a garagem e a rua. A árvore no centro foi preservada durante a obra.


Aplicada nos quase 200 m2 de piso externo, a pedra miracema clara, chamada olho de codorna, provou-se excelente: nĂŁo ĂŠ rugosa demais nem escorrega. Ainda custou cerca de R$ 20 o m 2, representando boa economia nos acabamentos.


MOLDURA URBANA

Os desafios eram típicos de uma grande cidade como São Paulo: vizinhos colados nas laterais, terreno estreito, orçamento limitado. A resposta dos arquitetos, no entanto, driblou o comum ao propor uma casa com distribuição surpreendente ao redor de um jogo inteligente de pátios POR SILVIA GOMEZ (TEXTO) PROJETO TERRA E TUMA ARQUITETOS ASSOCIADOS FOTOS NELSON KON

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Na primeira entrevista com os arquitetos, os moradores levaram um desenho da casa que imaginavam, onde via-se um lago com peixes, desejo transposto para o projeto. O espelho d’água concretado e impermeabilizado, de 3,40 x 4,80 m, abriga papiros. Em cima, plantas como costela-de-adão, ripsális e renda-portuguesa pendem das bandejas de aço galvanizado presas por cabos de aço na laje superior.

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No térreo, o pátio com espelho d’água aumenta a umidade relativa do ar e ajuda a diminuir a temperatura interna do imóvel. A escada (à dir.), conduz quem chega do hall de entrada diretamente à ala social, em cima, resguardando assim os quartos, embaixo.

U

ma luva que acaba de ser retirada, virada do avesso. Essa é a imagem evocada pelos arquitetos Danilo Terra, Pedro Tuma e Fernanda Sakano, do escritório paulistano Terra e Tuma Arquitetos Associados, para traduzir as opções pouco comuns adotadas no desenho desta residência em São Paulo, de 170 m2. Diante do lote padrão da metrópole (5,6 x 30 m), no qual normalmente se implantam modelos de sobrado sem grandes novidades – sala embaixo e quartos em cima –, a reflexão sugeriu uma inversão aos moradores, um casal com um filho adolescente. “Achamos que eles não topariam posicionar os dormitórios no térreo, mas havia tantas justificativas técnicas para isso que a solução se revelou óbvia, a começar pela maior privacidade e pelo silêncio nesses espaços de descanso”, afirma Pedro. Assim, a área social foi parar no primeiro pavimento, onde se encontram ainda cozinha, lavabo e área de serviço. “Os donos desejavam uma cobertura de lazer, quase um quintal, mas no topo. Se a ala íntima ficasse no meio, causaríamos uma espécie de hiato entre esses usos”, explica Danilo.

Outro quebra-cabeças precisava ser resolvido em relação aos vizinhos, colados nos lados e no fundo do terreno. “A fachada sobrava como a única face aberta, já que criar um corredor lateral não seria uma boa saída para a insolação. Por isso, chegamos a esta caixa fechada, iluminada apenas pela frente e por pátios internos, estratégia para ter ambientes naturalmente ventilados e claros”, detalha Danilo. Ali, plantas cuidadosamente escolhidas – há até um pau-brasil atravessando os andares – produzem um microclima acolhedor, em contraponto às paredes estruturais de blocos de concreto aparente. “Temos um compromisso grande com a obra construída, visando o tempo correto e a execução dentro do orçamento. Neste caso, preferimos investir nas esquadrias de alumínio com portas de vidro em detrimento dos revestimentos, o que garantiu uma base digna e a residência pronta em sete meses”, fala Pedro. Novamente aqui, a imagem da luva virada do avesso poderia então se aplicar, vista nas superfícies expostas em sua versão mais original, sem supérfluas camuflagens. “O sucesso da estética de um projeto não deveria depender do acabamento”, arremata Danilo.

“SE VOCÊ OLHA DE FORA, A CASA PARECE FECHADA, PRESERVANDO SUA PRIVACIDADE. MAS, INTERNAMENTE, É TODA ABERTA EM PÁTIOS” DANILO TERRA ARQUITETO 40

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As esquadrias de alumínio e as portas de correr de vidro (Metaltec Esquadrias Especiais) foram um dos maiores investimentos do projeto. Elas são aliadas dos pátios internos, trazendo para os ambientes a necessária luz natural, bloqueada pelas empenas laterais.

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Acima: no segundo andar, o jogo de cheios e vazios criado pelos pátios permite que o olhar atravesse a casa, dos fundos até a varanda, na fachada da frente. Abaixo: vista da sala de estar, a cozinha com mesa de jantar é acessada pela passagem ladeada pelas portas de vidro de correr que encerram área de serviço e lavabo. A iluminação percorre teto e paredes exposta em eletrodutos galvanizados. O piso é de laje zero.

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À esq.: com seus 5,60 m de frente e suas empenas laterais, a fachada precisava ser aproveitada como principal fonte de luz natural para a casa. Prateleiras de concreto compõem o desenho. Além de conformarem a varanda e garantirem certa privacidade, esses elementos funcionam como guarda-corpo e um grande brise, assim como banco e até suporte para plantas. À dir.: plantado numa caixa de concreto profunda que alcança o solo, o pau-brasil protege também a visão do interior e filtra o sol forte desta face norte, no verão.

CHEIOS E VAZIOS

ILUSTRAÇÕES: CAMPOY ESTÚDIO

Dois pátios pontuam a planta do térreo, articulando os ambientes e criando os trechos vazados dos outros andares, por onde a claridade pode entrar BANH. 3,85 x 1,80 m

COZINHA

QUARTO

5 x 5,70 m

5 x 5,70 m

BANH. QUARTO

3,05 x 3,45 m

VEM DE CIMA Normalmente fechados para a passagem de canos e infraestrutura, os shafts dos banheiros deste projeto ficaram abertos, funcionando como outra fonte de luz e ventilação. “São quase como uma varandinha, um recurso para arejar esses cômodos, localizados no meio da planta”, explica Pedro.

QUARTO

3,25 x 3,45 m

2,25 x 1m

SALA DE ESTAR BANH.

4,35 x 5,70 m

2,35 x 1m

VARANDA

5,10 x 5,70 m

N ÁREA: 170 M2; ESTRUTURA: MEGALOS ENGENHARIA; IMPERMEABILIZAÇÃO: KENZO HARADA VEDAÇÃO TECNOLOGIA EM CONSTRUÇÃO; PROJETOS ELÉTRICO E HIDRÁULICO: DCHE ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES; PAISAGISMO: GABRIELLA ORNAGHI ARQUITETURA DA PAISAGEM; SERRALHERIA: TERRAL SERRALHERIA; ESQUADRIAS: METALTEC ESQUADRIAS ESPECIAIS

TÉRREO: 82 m2

PRIMEIRO PAVIMENTO: 60 m2

COBERTURA

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LAJE EXPOSTA Pré-fabricado, o modelo de laje painel, de placas de concreto armado, embute vigas na parte da frente, como reforço para a varanda.

ELÉTRICA À VISTA A iluminação segue a linguagem industrial, com tubulação aparente em eletrodutos galvanizados.

“É UMA ESTRUTURA MUITO LEVE: UMA SUCESSÃO DE LAJES E, POR FORA, UMA CAIXA QUE CONTÉM A CASA” PEDRO TUMA ARQUITETO

TACOS DE DEMOLIÇÃO A casa existente no terreno foi posta abaixo, mas deixou como memória o piso de madeira, restaurado. 44

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EMPENAS Como é estreita, a casa se sustenta sem colunas, contando somente com os paredões laterais estruturais, de blocos de concreto aparente.

CAIXILHOS DE ALUMÍNIO Internamente, as portas transparentes foram essenciais para auxiliar os pátios a trazer a luz. “Essa opção também agiliza a obra, mesmo que não seja a mais barata. Para uma equação melhor de preço, mesclamos painéis fixos com outros de correr”, diz Pedro.

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Colorido e caloroso

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Depois de passar por uma pequena reforma para se adaptar às necessidades dos novos moradores, este apartamento em São Paulo também ganhou a cara da família recém-chegada: alegre, vibrante e acolhedora POR RENATO BIANCHI (TEXTO) PROJETO CR2 ARQUITETURA FOTOS ALESSANDRO GUIMARÃES

O amplo living se transformou em três salas contíguas: de jantar, de estar e de TV (à esq.), esta podendo ser isolada com a porta de correr de cumaru (RM Vital Marcenaria). Do lado oposto, outra divisória semelhante separa o cômodo da cozinha.

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A pedido dos proprietários, que queriam um ambiente marcante e já tinham o sofá, o projeto investiu na combinação de nuances vivas, sobretudo na estante modular (Brasiliana, da Securit). O piso do estar é de cumaru (Projeto Madeiras).

O

jovem casal com uma filha de 3 anos e abriu-se a cozinha tanto para a sala quanto para o terum bebê a caminho precisava de um imó- raço e a enorme esquadria que havia ali saiu de cena. vel maior para acomodar o crescimento Como o proprietário faz churrascos com frequênda família. Elegeram como nova morada cia, esse canto recebeu um equipamento apropriado um apartamento de 170 m2 em São Paulo que exigia para isso e uma mesa de madeira fixada no pilar de apenas algumas mudanças estruturais para dar con- concreto. “A ideia foi criar um apoio que ocupasse pouco espaço e não atrapalhasse ta de tudo que desejavam. Ou o fluxo das pessoas”, diz Clara. melhor: quase tudo. Eles tamO living aberto de 46 m 2 bém queriam que o lugar fosse colorido, vibrante e caloroso. ganhou novo arranjo, com três Com essas intenções declaraambientes contínuos – portas de das, a primeira missão do escritócorrer nas extremidades entram rio CR2 Arquitetura foi otimizar em ação sempre que necessário. a área e a circulação, de acordo Com a nova estrutura ficom as necessidades dos clientes. nalizada, a casa já podia re“Originalmente, havia três suítes ceber a vivacidade cromática e uma passagem entre a lavandepretendida pelos moradores. CLARA REYNALDO ria e a sala. Além de eliminar esse “As cores são o ponto alto da reARQUITETA acesso de serviço, transformamos forma, que encontra na estante um dos quartos em escritório e fido estar sua mais destacada eszemos a entrada para os dois dormitórios através dele. trela”, ressalta a arquiteta. Os acabamentos da peça Também excluímos um dos banheiros para aumentar foram escolhidos com a participação dos clientes e o quarto dos filhos”, explica a arquiteta Clara Reynaldo, as nuances fortes se estenderam para a fórmica azul responsável pelo projeto, sobre as alterações na planta. da cozinha e da churrasqueira, assim como ao piso A principal mudança, no entanto, foi a integração desses cômodos. “Dessa forma, o apartamento fida varanda com o restante do apartamento. Para isso, cou alegre como eles imaginavam”, conclui Clara.

“A TÔNICA DO PROJETO FOI INTEGRAR OS ESPAÇOS E DEIXÁ-LOS ALEGRES E DESCONTRAÍDOS”

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1

1. Além de abrigar o tampo espesso e chanfrado (Projeto Madeiras) que serve de auxílio à churrasqueira, o pilar de concreto mantido aparente faz contraponto com a ambientação multicolorida, emprestando um toque de rusticidade. 2. A porta que separava o living da varanda foi eliminada para que os ambientes ficassem integrados. Fechamento da varanda da Mansur Vidros. 3. O ladrilho hidráulico (modelo Sol e Lua, em azul ultramar e cinza-claro, da Ladrilar) ajuda a compor a paleta do projeto. 2

3

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Também na sala de TV, a parede de concreto aparente, com suas marcas de fôrmas e furos, manteve-se como no original. “Quisemos mostrar a estrutura do imóvel”, diz Clara Reynaldo. A tubulação da rede elétrica, neste ponto, é toda externa.

CIRCULAÇÃO OTIMIZADA

CAMPOY ESTÚDIO

Com intervenções simples, uma das três suítes foi transformada em escritório e passou a servir de acesso para os dois quartos do novo projeto

QUARTO

ÁREA DE SERVIÇO

3,30 x 4,15 m

1,85 x 5 m

ESCRITÓRIO

COZINHA

6,20 x 2,70 m

1,95 x 3,45 m

CLOSET

2,40 x 2,60 m

SALA DE TV 5x4m

QUARTO

5 x 3,10 m

SALA DE ESTAR 3,95 x 3,30 m

FLUIDEZ TOTAL Ao abrir a cozinha e retirar a porta que dividia o terraço, ficou mais fácil andar pelos espaços de convivência e enxergar toda a ala social, de um extremo ao outro.

SALA DE JANTAR 3,95 x 3,30 m

BANHEIRO 2 x 2,70 m

CHURRAS.

3,70 x 3,70 m

VARANDA

ÁREA: 170 M2; EXECUÇÃO DA OBRA: MOMENTO CONSTRUÇÕES; LUMINOTÉCNICA: CR2 ARQUITETURA

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2 x 6,30 m

DEMOLIDO CONSTRUÍDO


JOGO DE CORES E FORMAS A estante modular Brasiliana (feita pela Securit com base no projeto do arquiteto Rodrigo Mindlin Loeb) é de aço com pintura eletrostática. Os cubos podem ser vazados, ter fundo, porta e há 21 opções de cores. Aqui, a alternância entre cheios e vazios garante o aspecto dinâmico ao móvel e acomoda devidamente os objetos. Na paleta escolhida, contrastam tons frios e quentes, ambos intensos. CORAL VERMELHO-ESCARLATE URANO AZUL-PETRÓLEO AZUL-ULTRA CHARCOAL

A escolha dos pisos visou diferenciar claramente a área molhada da seca. Mesmo com a eliminação da porta entre sala e terraço, o objetivo era manter este espaço como varanda.

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Poesia concreta, rima livre

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O audacioso projeto desta casa em Goiás abraça referências distintas sem se amarrar a convenções. Formas e volumes surgem conectados de forma original para compor um espaço lúdico, autêntico e libertário POR RENATO BIANCHI (TEXTO) PROJETO LEO ROMANO INTERIORES E EXTERIORES FOTOS EDGARD CÉSAR

Instalada num condomínio fechado de frente para a mata, em Goiânia, a residência propõe um diálogo harmonioso entre arquitetura e natureza, observando as condições físicas e topográficas, assim como a orientação solar e a dos ventos. O volume foi definido a partir da escolha do concreto como elemento construtivo principal.

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Surpreendente, a parede de escalada fixada no fundo e no teto da garagem tem acabamento de MDF pintado com aparência de aço corten.

U

ma casa dos sonhos. Ou, nas palavras de seu autor, o arquiteto Leo Romano, “um voo de liberdade”. Esses são jeitos de definir o desejo de subversão formal e conceitual presente neste projeto de 434 m2 em Goiânia. A ousadia da empreitada reflete a vontade do casal de proprietários de ter uma morada com personalidade, autonomia estética e espírito livre, mas plenamente usufruída em cada canto. Para dar conta das demandas, a primeira medida do escritório Leo Romano Interiores e Exteriores foi pensar uma estrutura sem rigidez de hierarquia entre os cômodos sociais. “Tudo é interligado e descontraído, sem divisões muito rigorosas”, explica Leo. Em registro de homenagem, a proposta dialoga com a arquitetura pública de Brasília, mais especialmente aquela assinada por Oscar Niemeyer. Também há referências à Casa Edmundo Cavanelas, em Petrópolis, RJ, de 1954, outro notório trabalho do arquiteto carioca. “A concepção com apelo moder-

nista se revela na piscina e nos canteiros sinuosos, nos pilares em forma de Y e na laje curva sobre a área social. Ela faz um contraponto entre peso e leveza. É como se estivesse flutuando no ar”. Essa sensação resulta da faixa de vidro que contorna a sala e a cozinha, fazendo a transição entre as paredes e o teto. A expressão libertária da construção encontra ainda outra manifestação no paredão de escalada instalado na garagem. “O morador já deu aulas dessa modalidade. O casal e as duas filhas pequenas praticam a atividade dentro da casa”, conta o arquiteto. Assim como nas notáveis moradias de Niemeyer, aqui também foi priorizada a simbiose com a topografia e a paisagem. Essa interação proporciona um passeio sensorial aos visitantes. “No percurso, iniciado na entrada do condomínio, os convidados caminham por um jardim e passam por um túnel de palmeiras antes de chegar ao deck de ipê com piscina por onde se acessa a residência”, explica Leo. “É como uma preparação para um estado de espírito diferente”, conclui.

“A ESTÉTICA OUSADA E A USABILIDADE PLENA SÃO OS PONTOS ALTOS DO PROJETO” LEO ROMANO, ARQUITETO

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1. Não há uma entrada definida. A casa pode ser acessada pela varanda ou pela garagem. 2. As quatro suítes ficam no volume perpendicular de concreto, envelopado pelos brises metálicos pintados no tom chocolate. Deck de ipê. 3. Também de concreto, os pilares em Y foram escolhidos porque eram necessários quatro pontos de apoio e o arquiteto não queria tantas colunas tocando o chão. 2

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À esq.: ao optar pelo uso comedido de revestimentos, a proposta assume o aspecto natural e rústico dos materiais. Na paleta, apenas marrom, cinza e preto. “Brincamos com cores somente na cozinha, sobretudo nos armários laqueados”, diz Leo Romano. À dir.: circulando pela casa, as galinhas são os animais de estimação das crianças.

FACHADA COMPLEXA ESCONDE PLANTA SIMPLES

ÁREA DE SERVIÇO 1,50 x 3 m

QUARTO 1,95 x 2,80 m

ILUSTRAÇÕES: CAMPOY ESTÚDIO

Internamente, a distribuição prima pela clareza: ala social no térreo e quartos no volume perpendicular superior. Um subsolo dá conta da parte de serviços e da garagem

LAV.

SALAS DE ESTAR E DE JANTAR 5,85 x 15,90 m

2,10 x 1,30 m

COZINHA

5,10 x 4,80 m

BANH.

2,25 x 1,40 m QUARTO 4,25 x 3,50 m

BANH. 2,25 x 1,40 m

VARANDA

3,05 x 12,60 m

QUARTO 4,25 x 3,50 m

BANH. 2,25 x 1,40 m

QUARTO 4,25 x 3,50 m

BANH.

1,70 x 4,45 m

QUARTO

7,65 x 6,30 m

N

PAVIMENTO INFERIOR: 95 m2

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TÉRREO + PRIMEIRO PAVIMENTO: 338 m2

Á R E A : 4 3 4 M 2; C O N S T R U Ç Ã O : DIRETRIZ CONSTRUTORA; PAISAGISMO: PROJETO VERDE PAISAGISMO


1

2

1. A varanda com degraus simula uma arquibancada e convida à contemplação da paisagem privilegiada. 2. O pórtico de freijó entre a sala de jantar e a cozinha camufla o lavabo e o guarda-louças. 3. O projeto exibe poucos revestimentos: cimento laminado no piso, concreto na estrutura, madeira nos móveis e no deck e pedra portuguesa no percurso de entrada do terreno. 3

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“A CASA FOI INSERIDA NO TERRENO DE UMA FORMA DELICADA. POR ISSO, SUA RELAÇÃO LEVE E POÉTICA COM O ENTORNO” LEO ROMANO, ARQUITETO

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O paisagismo, assinado pelo proprietário, mistura diversas espécies com coerência: há vários tipos de palmeiras, orquídeas, bromélias e capins, além de uma jabuticabeira do lado direito da residência. No jardim vertical, há espécies pouco conhecidas, como algumas carnívoras. Na escada, a mesma madeira do deck, o ipê.

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Esquadrias de alumínio preto trazem atualidade à fachada, enquanto folhas maciças de cumaru (divididas ao meio, como na arquitetura rural) aludem à ideia de uma fazenda. O telhado, inteiramente restaurado, mantém os beirais à mostra. Não há calhas: a água da chuva cai lá de cima e é absorvida pelo gramado, auxiliar na drenagem.

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Vida simples

Uma reforma minuciosa deu novos ares a este sobrado dos anos 60. Agora materiais orgânicos e elementos construtivos tradicionais emprestam à casa uma atmosfera acolhedora e certo ar campestre, em plena zona oeste paulistana POR IZABEL DUVA RAPOPORT (TEXTO) PROJETO LAB ARQUITETOS FOTOS MARCELO KAHN

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Acima: a sala de estar parece fazer parte do jardim, uma vez substituídas as paredes por amplas esquadrias (linhas Gold e Suprema, da Brigatto) com vidro laminado. Ao fundo, destaque para a porta principal: a peça de ferro da construção original foi reaproveitada e recebeu tinta preta para um visual mais moderno. Abaixo: na área social, a viga metálica aparente no teto serviu à fixação de spots (na mesma cor) que propiciam iluminação indireta, rebatida no teto. Em nome do aconchego, boa parte da morada recebeu assoalho de peroba de demolição (Pau-Pau Pisos de Madeira), finalizado com resina Bona semibrilho.

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A vista desimpedida do quintal, com suas árvores cinquentenárias, ajuda a compor a ambientação da sala e contribui para o sombreamento e o conforto térmico. De efeito escultural, a lareira metálica suspensa em forma de gota (Construflama) funciona a gás.

Em busca de pontos fortes disponíveis para trabalhar, Detalhes rústicos, ambientes hospitaleiros e a sugestão de um passado cheio de histórias despontam nessa residência os arquitetos logo descobriram um trunfo: a possibilidade dos anos 60 – deteriorada, a casa ganhou reforma do escritó- de deixar o telhado aparente – beirais e estrutura. “Fizerio LAB Arquitetos mais de 50 anos depois. O desejo do casal mos reparos em alguns pontos, trocamos as telhas, colocade proprietários e de seus dois filhos era uma mudança que mos manta de subcobertura, gesso e depois pintamos”, diz trouxesse conforto à família e integração da vida doméstica Valéria. Para privilegiar a união entre dentro e fora, paao jardim. “Antiga, a construção apresentava espaços muito redes de alvenaria deram lugar a vidros, e assim o quintal passou a ser visto de inúmeros setorizados, sem nenhuma conexão lugares do térreo. “A sala de estar entre as áreas internas e externas. foi ampliada e agora se desdoA típica configuração de sala de estar, bra em um pergolado”, descreve sala de jantar, copa...”, diz o arquiteto Marino. São justamente suas vigas Marino Barros, que cuidou da obra 2 e pilares que apoiam a varanda do de 470 m no bairro do Butantã, em pavimento superior, onde quatro São Paulo, ao lado do sócio Rodrigo quartos viraram três suítes com Leopoldi e da arquiteta Valéria La vista para as árvores do jardim: Terza. Outra diretriz seguida pelos ipê, jabuticabeiras e camélias. profissionais foi converter a edificaMARINO BARROS, ARQUITETO Daniela, aliás, se encarreção existente em algo com jeito de gou do paisagismo, em parceria casa de campo e um quê das pradarias do norte da Argentina, país onde a proprietária, Daniela com Renata Villar. “A intervenção foi muito sutil. As árMalzoni, viveu por 20 anos. O resultado é um conjunto repleto vores são eternas protagonistas do espaço”, diz a prode madeiras de demolição, tijolos à vista e pontuado com inser- prietária. Muretas e gradis vieram abaixo, unindo enfim ções de aço corten (de aspecto enferrujado). Não se desperdiçou área de convivência, pátio aberto e churrasqueira, todos quase nada. “Os materiais originais ganharam outro uso: as com acesso à piscina. Foi assim que a reforma trouxe a portas foram reaproveitadas e as vigas e caibros da velha edícu- desejada “simplicidade elegante”, termo que, para a dola, inteiramente demolida, mudaram de função”, conta Valéria. na da casa, define a renovada personalidade da moradia.

“A VARANDA E O PERGOLADO CRIAM TRANSIÇÃO SUAVE ENTRE ÁREA EXTERNA E INTERNA”

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A cozinha ganhou ar de fazenda ao incorporar o charme e a facilidade do cimento polimérico (Tecnocimento, da NS Brazil) no piso e nas paredes. Nos armários, réguas pintadas de branco e puxadores de concha. Ao fundo, porta de madeira de demolição feita com sobras da casa antiga.

TUDO JUNTO E MISTURADO A união dos ambientes – que eram amplos mas segregados – ao entorno guiou a redistribuição. Sem paredes e muito envidraçada, a sala de estar faz o jardim parecer mais próximo TÉRREO: 300 m2

PRIMEIRO PAVIMENTO: 170 m2

DEMOLIDO CONSTRUÍDO

CHURR.

6,10 x 3,05 m

ESCRIT.

6,10 x 3,40 m

COZINHA

QUARTO

4,35 x 3,55 m

3,45 x 7 m

SALA DE ESTAR

VARANDA

7,20 x 3,45 m

6,60 x3,25 m

BANH.

1,75 x 2,85 m

CLOSET

4,70 x 4 m

SALA DE JANTAR 5 x4m

SALA ÍNTIMA 4x7m

QUARTO

TERRAÇO

ILUSTRAÇÕES: CAMPOY ESTÚDIO

11,30 x 3,60 m

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GARAGEM 7 x 6,70 m

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PISCINA

8,10 x 4,10 m

3,50 x 3,45 m

QUARTO

4,65 x 3,45 m

N ÁREA: 470 M 2; AUTORES DO PROJETO: RODRIGO LEOPOLDI E MARINO BARROS; ARQUITETOS COLABORADORES: VALÉRIA L A TERZA, BEATRIZ PAIXÃO E MAURICIO PORTO; PAISAGISMO: DA NIEL A M A L ZONI E RENATA VILL AR; CONSTRUTORA: M A R C ONDES FERR A Z ENGENHARIA; EXECUÇÃO: CARLOS G U IL HER ME M A RCONDES FERR A Z


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1. Instalado no corredor do piso de cima, o home office recebe muita claridade e a iluminação de pendentes simples e econômicos. 2. Com tons neutros, do branco das louças ao acinzentado do Tecnocimento, o banheiro de duas portas permite circulação também na varanda. 3. As tesouras descobertas após a retirada do estuque foram renovadas com esmalte sintético (Souza Telhados). No forro, os arquitetos adotaram placas de gesso acompanhando os planos do telhado, solução mais barata e moderna que o lambri. 2

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À MODA DO CAMPO Esse visual caloroso se deve à presença dos seguintes elementos rústicos e naturais: 1. TIJOLO À VISTA As paredes originais foram raspadas em certos trechos da alvenaria (exceto onda havia uma mistura de blocos e muitos remendos) para deixar os tijolinhos dos anos 60 à vista e dar um tom rural ao local. Depois, aplicou-se seladora e látex acrílico fosco. 2. MADEIRA RÚSTICA Sustentável, a madeira de demolição presente em boa parte da casa reforça o visual despojado e a experiência tátil, afinal as réguas irregulares conservam sua textura marcante. 3. METAL ENFERRUJADO Utilizado na estrutura metálica do pergolado, o aço corten traz um toque orgânico e de atualidade ao local, além de apresentar, apesar do visual, alta durabilidade e resistência à corrosão. 4. PAISAGISMO VARIADO Para fazer companhia às árvores antigas, o projeto incluiu trepadeiras (jasmim e primavera), plantas tropicais (guaimbés, helicônias), além de lavanda, temperos e frutíferas. 5. TELHADO NO TOPO A opção por repor e uniformizar as telhas (cerâmicas e na cor original) trouxe ao projeto uma cobertura de ar colonial, rústica e delicada, num desejado contraste com os traços contemporâneos do restante.

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Fã dos pergolados, solução que permite viabilizar um amplo terraço útil sem escurecer dentro de casa, a equipe do LAB Arquitetos não fugiu à regra. Aqui, porém, a usual madeira deu lugar aos perfis de aço corten, de visual contemporâneo. Neste trecho, a armação metálica ampara a laje do andar de cima; mais adiante, há vigas e vidro.

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Beleza de banheiro

É nesse ambiente que o dia começa e onde curtimos momentos de relax. Talvez por isso, tanto capricho ao projetá-lo. A seguir, confira espaços inspiradores de diferentes estilos, cores e revestimentos POR ELIANA MEDINA (VISUAL) E MARÍLIA MEDRADO (TEXTO)

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AO NATURAL O porcelanato no padrão madeira (Carvalho Hard retificado, 20 x 120 cm, da Cerâmica Portinari) é prático e reforça a atmosfera de bem-estar.

Mix suave

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FOTO: ADRIANO ESCANHUELA PRODUÇÃO: MAYRA NAVARRO

Conquistar um ambiente com ares de spa, que incluísse uma banheira (Elegance, da Pretty Jet): para atender ao desejo da moradora, o cômodo foi atualizado pelo escritório Décio Navarro Arquitetura de Ideias. Da nova entrada, agora se vê a bancada com cuba esculpida de porcelanato Broadway Lime (60 x 120 cm, da Portobello), com execução da Latina Cerâmica. O revestimento se repete no piso e dialoga com a coluna, coberta de massa especial para criar o efeito de concreto (obra do pintor Varlei Cândido). A marcenaria de laminado imitando madeira de demolição (Marcenaria Mãos de Ouro) esquenta o local. “O uso de poucos materiais e a soma de elementos rústicos e sofisticados dão o tom atual ao ambiente”, diz o arquiteto Décio.

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BELEZA DE BANHEIRO | VISUAL CONTEMPORÂNEO

DIVISÓRIA SUTIL A porta é composta de duas folhas de vidro translúcido. Apenas uma delas se movimenta.

Linguagem única O piso de madeira de demolição e as paredes claras, pintadas de branco, conferem suavidade ao apartamento assinado pelo escritório AMZ Arquitetos. Abaixo da bancada de mármore piguês levigado, a marcenaria suspensa de laminado dá leveza e facilita a manutenção do ambiente, que conta ainda com uma penteadeira (à dir., na foto). Já o espaço do sanitário (ao fundo) fica preservado por uma discreta porta de vidro jateado, fechamento que se repete no boxe (ao fundo, à dir.).

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FOTOS: 1. MAÍRA ACAYABA 2. MARIANA ORSI

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1. No apartamento de autoria do escritório Piratininga Arquitetos Associados, a área do lavatório é uma extensão da casa – e mais de uma pessoa pode usar o espaço ao mesmo tempo. Aqui também o mármore piguês aparece na parede e na bancada. A privacidade no sanitário e no boxe é garantida por portas de vidro fosco. 2. Com a ideia de simular um banho em meio à natureza, seixos da linha Mosaico Telado Ônix (Palimanan) recobrem paredes e piso do boxe no projeto do escritório H2C Arquitetura. No mesmo tom, o cimentício Tecnocimento Classic cinza-claro (NS Brazil) forra o resto do banheiro. 3. Na proposta clean pensada pelo escritório Flávia Gerab Tayar – Arquitetura e Interiores, o gabinete atrai o olhar: é revestido de rádica e as bordas levam laca laranja (Marcenaria Ono). Bancada, piso e rodapés de Aglostone branco prime (execução: Mont Blanc Mármores & Granitos). 4. O espelho com moldura de laca preta disfarça um armário com portas de correr. Pastilhas de vidro (ref. NE262, Linha Dubai, da Colormix) vestem a parede até a mesma altura e também o chão na obra do estúdio Renata Popolo Arquitetura + Interiores.

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FOTOS: MAÍRA ACAYABA

BELEZA DE BANHEIRO | TUDO BRANCO

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1. Repetido em todo o apartamento, reformado pelo escritório Noura van Dijk Interior Design, o piso de peroba dourada traz aconchego ao cômodo predominantemente branco. As paredes, o piso elevado e também a bancada com cuba esculpida são revestidos de Corian (DuPont, fornecido pela Siligram Superfícies). Na janela, o vidro eletrônico translúcido fica leitoso quando desligado, dispensando cortinas ou persianas para preservar a intimidade. 2. O ofurô de madeira foi o ponto de partida para o projeto, que se tornou mais espaçoso graças à integração com parte de outro ambiente na obra, assinada pelo estúdio Julliana Camargo. Com a presença da tina e de uma ducha, o boxe funciona como um mini-spa: o porcelanato claro cobre o chão e as paredes, e o cumaru do deck também aparece no ripado das janelas.

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PARADUCHA Chama-se assim este tipo prático de divisória (aqui, incolor) feita de uma lâmina fixa com vidro e sem ferragens.

De cima a baixo A bancada única de Super Nanoglass, que se converte em banco na área do boxe (1,80 x 2,60 m), enfatiza a amplitude do ambiente, dotado de espaço e luminosidade extras graças à incorporação de um antigo quarto de serviço. “No piso e nas paredes da área de banho, usamos mármore piguês com efeito suede, que retira o brilho da pedra e confere toque aveludado”, diz a arquiteta Mariana Guardani, da Casa14 arquitetura, responsável pela reforma. As superfícies fora do trecho molhado e o forro foram pintados com tinta acrílica branca e fosca.

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BELEZA DE BANHEIRO | TOQUE CLÁSSICO

Duo infalível Nada mais tradicional – e , ao mesmo tempo, contemporâneo – do que a combinação de branco e preto que caracteriza esta solução. Na reforma, uma das providências encontradas para valorizar o ambiente ganhou forma no gabinete. “Refizemos o móvel em laca preta brilhante com almofadas rebaixadas e colocamos puxadores prateados”, diz o arquiteto Maurício Karam, do escritório Maurício Karam Arquitetura, responsável pelo projeto. O boxe também adquiriu nova paginação com o aço inox polido e o vidro incolor.

COM MOLDURA Preexistentes, as pastilhas foscas off-white e pretas desenham o piso como um tapete. O padrão das bordas lembra o mosaico grego.

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FOTOS: 1. MARIANA ORSI 2. ALESSANDRO GUIMARÃES 3. MARIANA BORO 4. EDUARDO POZELLA

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1. O clima vintage deste cômodo deve muito ao assoalho de garapeira, aos móveis e à louça eleita pelo proprietário, que pensou o ambiente de 2 x 3 m em parceria com a arquiteta Silvia Scali, do Scali & Mendes Arquitetura Sustentável. Por causa da madeira, foi necessário adotar um piso-box de fibra de vidro. As paredes internas são de drywall, pintadas com tinta acrílica (Suvinil; ref. Algodão Egípcio). 2. A bancada com cuba esculpida de mármore marrom imperador sobressai nesta proposta de Antonio Armando de Araujo. Destaque para os metais com acabamento red gold e para o piso de porcelanato Manhattan Cream (60 x 60 cm, tipo importação, na Botik Revestimentos). 3. A cristaleira (à dir.) e a arandela reforçam o estilo antiguinho do banheiro de hóspede, concebido pelo arquiteto Marcelo Salum. A bancada e o volume da banheira são de mármore madrepérola (Americana Granitos do Brasil). 4. O clima de campo se instaura no espaço finalizado pelo escritório Play Arquitetura graças ao ladrilho hidráulico monocromático, que combina com o rodapé estampado, aliado ao mármore branco nacional e à madeira de demolição presente no móvel onde está instalada a cuba.

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FOTOS: 1. ALESSANDRO GUIMARÃES 2. MAÍRA ACAYABA 3. DIVULGAÇÃO CERÂMICA ATLAS

BELEZA DE BANHEIRO | JOGO DE CORES

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1. O mix de ladrilhos hidráulicos (20 x 20 cm, cores bege/preto, bege/cinza, bege/terracota e bege, da Dalle Piagge) combina com o piso de porcelanato Grigio (90 x 90 cm, linha Concretíssyma, da Portobello) no trabalho do escritório RAC Arquitetura. A bancada e o nicho do boxe são de mármore branco extra. 2. A parede de tijolinhos foi descoberta e valorizada durante a reforma da casa comandada pelo Zoom Arquitetura. Além dessa textura, a cor se faz presente no cômodo de 1,65 x 2,28 m por meio dos ladrilhos hidráulicos (20 x 20 cm, da Ladrilar) aplicados no boxe. 3. No projeto do estúdio Ricardo Medeiros Arquitetura, a suave combinação de pastilhas de porcelana azul (Lorca B11421) e branca (Ártico M6249), ambas de 5 x 5 cm, da Cerâmica Atlas, faz do banheiro uma área para relaxar. A bancada e o ripado de madeira reforçam a sensação de aconchego.

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Mar profundo O mar é a inspiração para o mosaico de ladrilho hidráulico em oito nuances (20 x 20 cm, da Brasil Imperial) que confere charme ao banheiro. O degradê em tons de azul simula o movimento das águas: ele se inicia claro no piso da entrada, vai escurecendo até o fundo do boxe e sobe em variações suaves novamente pela parede. Na obra dos arquitetos João Conrado e Gabriel Ceravolo, do Conrado Ceravolo Arquitetos, a composição foi pensada para diferenciar o ambiente, bastante usado como lavabo. O quadro com a foto Mar do Caribe (fotógrafo Demian Golovaty), que serviu de referência ao projeto, arremata a decoração.

BASE NEUTRA As paredes e o forro com pintura clara (Suvinil; ref. Branco Neve) e o tampo e a cuba de superfície de quartzo glacial harmonizam-se com o mix colorido.

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ASPACER APRESENTA

CERÂMICA EM FOCO

O 4o Prêmio Nacional ASPACER de Design reuniu profissionais do setor de criação das empresas de revestimento. A sede da entidade transformou-se em uma imensa vitrine de tendências

As novas gerações de cerâmica trazem design, cores, texturas e performance cada vez mais surpreendentes. Versáteis, os acabamentos encantam em pisos, paredes, bancadas e onde mais a imaginação permitir. O Prêmio Nacional ASPACER de Design representa o reconhecimento das qualidades do revestimento e homenageia os profissionais que desenvolvem os produtos. “Desde a criação, em 2010, o objetivo da premiação é incentivar a indústria a valorizar o design para a competitividade”, diz Benjamin Ferreira, presidente da ASPACER (Associação Paulista das Cerâmicas de Revestimento) e do SINCER (Sindicato da Indústria da Construção, do Mobiliário e de Cerâmicas de Santa Gertrudes). A consolidação do evento reafirma a força do polo industrial de San-

ta Gertrudes. Afinal, quando uma casa ou estabelecimento comercial instalam acabamentos cerâmicos, o município do oeste paulista está ali representado. A região responde por 85% da produção do estado de São Paulo e 70% da produção nacional de revestimentos cerâmicos. Isso significa robustos 600 milhões de metros quadrados por ano. A contribuição das indústrias paulistas é fundamental para colocar o Brasil no patamar de segundo maior produtor de cerâmicas do mundo. Entre outras iniciativas, a preocupação com a performance do material levou o país a criar uma norma para porcelanato com padrões mais rígidos que o mercado internacional. Com a tecnologia de ponta servindo a favor da qualidade das cerâmicas, o 4o Prêmio Nacional ASPACER de Design volta os olha-


REALIZAÇÃO

APOIO

PATROCÍNIO

CATEGORIA PASTILHAS E PEÇAS ESPECIAIS

1º lugar Denizia Mateus Satiro, da Cerâmica Ceusa. Ganhadora da viagem para o Salão do Mobiliário de Milão - Edição 2017.

2º lugar Selma Ferrante de Farias, da Cerâmica Gail.

CATEGORIA FORNECEDOR

1º lugar Luciano Amancio Alves, da Empresas Icon.

2º lugar Caroline Maria Mistro, da Torrecid do Brasil.

CATEGORIA PORCELANATO

1º lugar Marcele Casagrande Brunel, da Cerâmica Ceusa.

res para a criatividade. É a inspiração dos profissionais que faz surgir novos padrões, estampas e formas. É a beleza que vai captar a atenção e a emoção do consumidor. Daí, sim, completa-se o percurso do produto que se tornou referência no mercado da construção e da arquitetura. Nesta edição, 39 painéis foram distribuídos na sede da ASPACER. O corpo de jurados composto por arquitetos, designers de interiores, especialistas e compradores avaliou as propostas. Os trabalhos foram organizados em duas categorias: fabricantes e fornecedores. Entre os fabricantes, o prêmio foi subdividido em: via seca, porcelanato e pastilhas e peças especiais. Veja ao lado os vencedores.

2º lugar Maira Luiza Zaminato, da LEF Pisos e Revestimentos.

CATEGORIA VIA SECA

1º lugar Mateus Henrique Lahr, do Grupo Cedasa.

2º lugar Miguel Felippe Capobianco, da cerâmica Formigres.


ASPACER APRESENTA

Natientui spio invenatuius vica; hortia eto cepont. Sus, Ti. Gitem orenic tuitant ervirmanum fir quam iur hilis intere cultorei pat consulis esses notala vidi itimustere atiam. Ultus mus. Vivivas inertam ne consiti ae

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1. Efeito tridimensional e formato diferenciado valorizam a peça da Ceusa. 2. Da Icon, o patchwork colorido lembra couro entrelaçado. 3. Desgaste da madeira de demolição no porcelanato da Ceusa. 4. Placas Especiais, linha da Cedasa: ao encontro dos amantes do vintage. 5. Os produtos da Gail exibem charme rústico na textura e no jogo de tons. 6. A Torrecid do Brasil apresentou o Pixel, inspirado no mundo digital. 7. A Lef escolheu a placa de OSB como referência para a coleção Eco. 8. A trama das rendas é interpretada na coleção Mulher Rendeira, da Formigres.

Mosaico de novidades

Combinado à tecnologia, o design se reinventa incansavelmente. Reproduz fielmente madeiras, pedras, metal, cimento; brinca com formatos, cores e texturas, como atestam os produtos vencedores O pódio dedicado aos ganhadores do 4 o Prêmio Nacional ASPACER de Design evidencia o primoroso universo criativo das cerâmicas de revestimento. A Icon foi representada pelo Intrecciata, cuja superfície remete a um couro entrelaçado por uma harmoniosa associação de verde, vermelho, amarelo e azul. Referências ao ambiente digital apareceram na linha Pixel, produzida pela Torrecid do Brasil, que possui um efeito de relevo e movimento proporcionado pelas placas com nove quadrados em cores diferentes. Não é a Mona Lisa de Leonardo da Vinci? Já a beleza do desgaste natural da madeira de demolição rendeu à Ceusa o primeiro lugar entre os porcelanatos. Não parou por aí! A empresa também saiu-se vencedora com uma cerâmica fabricada com tecnologia capaz de produzir relevo e efeito visual incomuns: duas imagens são observadas em uma mesma peça, dependendo do ponto de vista.

De olho na demanda por materiais sustentáveis, a Lef investiu na coleção Eco, inspirada no visual das chapas de madeira prensada do tipo OSB. Que tal uma parede coberta por peças em tons terrosos, associados ao calor dos tijolos e à firmeza das pedras? A Gail chamou a atenção dos jurados com as novas cores e texturas de suas cerâmicas com formato especial (250 x 56 x 14 mm). O espírito retrô é o trunfo da linha Placas Especiais (como as de automóveis), produzida pelo Grupo Cedasa. Coloridas, com acabamento esmaltado e relevo, têm no design um interessante tempero de graça e saudosismo. Entre os laureados, não faltou um reflexo da nossa rica cultura nordestina e da herança portuguesa. A Formigres mostrou a coleção Mulher Rendeira, em que a renda é interpretada de várias maneiras na cerâmica.


ASPACER APRESENTA

O PANORAMA DO DESIGN EM PALESTRAS Fórum Nacional para Revestimentos Cerâmicos debate técnicas de produção, criatividade, tendências de estilo e de consumo Bastante conhecido no segmento pelo arrojo e pela experimentação com materiais e superfícies, o designer de interiores Fabio Galeazzo garantiu auditório cheio na sua apresentação

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Durante dois dias, a sede da ASPACER transformou-se em um intenso palco de palestras, workshops e troca de conhecimentos. Paralelamente ao 4o Prêmio ASPACER de Design ocorreu o 5o Fórum Nacional para Revestimentos Cerâmicos, entre os dias 1 e 2 de agosto. Sob o tema Reinventar, onze profissionais falaram sobre suas expertises. A diversidade dos perfis dos palestrantes – nem todos atuantes diretamente no segmento de revestimentos cerâmicos – foi o ponto alto do evento. O designer de interiores Fabio Galeazzo (1) optou pelo tema Por Que Decoramos? para demonstrar quantas questões estão envolvidas nas escolhas de uma casa; de aspectos emocionais a funcionais. A animação cresceu na apresentação de Blanca Liane (2),fundadora e diretora executiva do grupo Lexus, representante da Pantone no Brasil. O assunto girou em torno da cor do ano, das megatendências e dos agentes influencia-

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dores. Softwares e as possibilidades da tecnologia foram tratados por Alexandre Keese, diretor do Grupo Photopro e um dos mais renomados especialistas em Adobe Photoshop do país. O aspecto criativo foi vitaminado, entre outros, com os discursos do designer de moda Kledir Salgado, que chama o mercado de moda de “império do efêmero”, da artista plástica Camilla Bologna, autora de murais artísticos em azulejos, e do cineasta João Paulo Miranda, diretor do curta O Cinema Caipira que Conquistou o Mundo e para quem “inovar é mostrar o que ninguém viu, ou pelo menos não deu importância”. No final das rodadas de discussões, o público dividiu-se em grupos para participar de um workshop (3) capit aneado pela produtor a cult ur a Letícia Tonon. “Montar painéis semânticos ajuda o designer a se projetar no universo em que irá trabalhar e identificar seu público-alvo.”


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1. Flávia Meller Amanti Moura, analista de Tendências da Casa & Construção. 2. Fábio Galeazzo, designer de interiores e de produtos. 3. Joana Baracuhy, editora da Revista Arquitetura & Construção. 4. Juliana Corvacho, produtora da Revista Minha Casa. 5. Ana Maria Bogar, designer de interiores e diretora regional - SP da Associação Brasileira de Designers de Interiores. 6. Alexandre Brunatto, arquiteto. 7. Cláudia Regina Ribeiro, analista de Compras da Tendtudo/Casa Show. 8. Beto Gallo, arquiteto e designer de interiores.

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JURADOS

Repercussão

Eventos como o prêmio de design e o fórum sobre revestimentos cerâmicos representam meios de prestigiar os fabricantes, motivar os profissionais e impulsionar o setor produtivo.

“FICAMOS MUITO GRATIFICADOS EM VER A EVOLUÇÃO DOS TRABALHOS PARTICIPANTES.”

“O DESIGNER É FUNDAMENTAL PARA A QUALIDADE DOS REVESTIMENTOS CERÂMICOS.”

BENJAMIN FERREIRA NETO,

HEITOR RIBEIRO DE ALMEIDA NETO,

PRESIDENTE DA ASPACER E SINCER

PRESIDENTE DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DA ANFACER


ASPACER APRESENTA

União de 29 associados AlexAndre MoreirA, coordenAdor de design do gruppo srs, e Márcio serAfiM, gerente do gruppo srs.

Nos caminhos da ASPACER

Várias personalidades prestigiaram o 4o Prêmio Nacional ASPACER de Design e o 5o Fórum Nacional de Design para Revestimentos Cerâmicos Há quase duas décadas, a ASPACER trabalha para fortalecer o segmento de cerâmicas do estado de São Paulo. Hoje, a região em torno do município de Santa Gertrudes compõe o maior polo cerâmico das Américas em produção e o segundo maior do mundo. As indústrias ali instaladas respondem por 12 mil empregos diretos e 200 mil empregos indiretos. “Jamais paramos de investir”, diz Benjamin Ferreira, presidente da ASPACER e do SINCER. “Nunca cessamos os investimentos no crescimento intelectual de nossa força de trabalho, o que também se manifesta na qualidade dos produtos apresentados no Prêmio Nacional ASFACER de Design.”

O protagonismo na economia é atestado pela representatividade das instituições do setor. A ASPACER, com 29 associados, figura como uma das maiores forças empresariais do Brasil Cerâmica Alfagrês Indústria e Comércio www.alfagres.com.br

Cerâmica Almeida www.ceramicaalmeida. com.br

Artec Pisos e Revestimentos www.artecpisos.com.br

Cerâmica Atlas www.atlas.com.br

Karina Pisos e Revestimentos Cerâmicos

www.lanzi.ind.br

Lef Pisos e Revestimentos www.lef.com.br

www.cedasa.com.br

Cerâmica Porto Ferreira

Grupo Embramaco

www.cerâmicaportoferreira. com.br

Lume Cerâmica www.lumecerâmica Cerâmica Cristofoletti www.ceramicacristofoletti. com.br

Cerâmica Delta www.grupodelta.com.br Cerâmica Formigrês www.formigres.com.br

Cerâmica Gail

Grupo Rocha www.rochaforte.com.br

Cerâmica Savane www.savane.com.br

Cerâmica Strufaldi www.strufaldi.com.br

Unigrès Cerâmica www.unigres.com.br Vidro Real Revestimentos www.vidroreal.com.br

Cerâmica Villagres www.villagres.com.br

www.gail.com.br

Viva Pisos e Revestimentos

Indústria de Pisos Avaré

www.vivaceramica. com.br

www.pisosavare.com.br

AlMir guilherMe, diretor-executivo dA AspAcer e do sincer, BenjAMin ferreirA neto, presidente dA AspAcer e do sincer, heitor riBeiro de AlMeidA neto, presidente do conselho AdMinistrAtivo dA AnfAcer, e luís fernAndo Quilici, diretor de relAções institucionAis e governAMentAis dA AspAcer e do sincer.

www.jatoba.com.br

Cerâmica Carmelo Fior

www.ceralpisos.com.br

MArketing institucionAl dA AspAcer e do sincer.

Jatobá

Cerâmica Lanzi

Cerâmica Ramos

sérgio fernAndes, designer gráfico dA systeM/tosilAB, ricArdo koch, gerente coMerciAl dA systeM BrAsil, e frAncesco piAni, gerente dA tosilAB.

www.incopisos.com.br

www.buschinelli.com.br

www.embramaco.com.br

designer dA cerâMicA

Incopisos Indústria e Comércio de Pisos

www.karinapisos.com.br

Cedasa Indústria e Comércio de Pisos

deltA, e MAriA fernAndA rodrigues dos sAntos,

www.incefra.com.br

Buschinelli & Cia

www.cecafi.com.br

clóvis ferrAri ferreirA,

Indústria de Cerâmica Fragnani

Fotos: Paulo Santos e Divulgação

BenjAMin ferreirA neto, presidente dA AspAcer e do sincer, e joão MArcondelli, sócio-diretor dA esMAltec.


SUA OBRA POR RENATO BIANCHI

Jardins suspensos

ECOTELHADO

Inteiramente gramada, esta opção do tipo laminar ajuda a diminuir a temperatura interna da casa e a do meio ambiente.

Em comparação com os telhados verdes tradicionais, o sistema laminar da Ecotelhado atua como um piso elevado que comporta um reservatório de captação de água da chuva – retém de 50 a 60 litros por m2, dependendo do tamanho e do modelo da estrutura. Isso permite que a irrigação seja feita automaticamente, de forma subsuperficial, sem o uso de água potável. Outra vantagem é que a lâmina d’água abaixo da camada de vegetação fica isolada, evitando mosquitos. A alternativa também oferece conforto termoacústico e aumenta a vida útil da laje e da impermeabilização, uma vez 86

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que diminui o calor atuante sobre elas. Por limpar o volume pluvial, o conjunto ainda contribui para a redução da poluição. “As possibilidades de espécies são incontáveis, desde um jardim pequeno com diversas plantas até grandes árvores”, explica Henrique Guimarães, diretor de marketing da empresa. Segundo ele, a única condição é ter a laje previamente impermeabilizada, com um ralo para escoamento e o mínimo de inclinação. A manutenção se restringe aos cuidados que um jardim ou gramado exigem. Os sistemas da Ecotelhado custam a partir de R$ 150 o m2, em média.

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Do alto de sua ampla gama de possibilidades, vantagens e benefícios, os telhados verdes conquistam aos poucos as coberturas de casas e edifícios. As opções disponíveis conjugam beleza, sustentabilidade, baixa manutenção, conforto térmico e redução da poluição


RESERVATÓRIO GARANTE ECONOMIA DE ÁGUA

RAIO X DE UM TELHADO VERDE

Captação varia de acordo com tamanho e modelo do sistema, que permite até o cultivo de um parque arborizado na cobertura O conjunto opera no sistema de piso elevado, que forma na base um reservatório capaz de reter até 60 litros de chuva por m².

Propicia isolamento térmico e acústico e atrai biodiversidade, melhorando a relação entre as edificações e o meio ambiente.

Entenda como funcionam as coberturas prontas e confira as precauções necessárias para mantê-las eficientes, bonitas e saudáveis

Toda a irrigação das plantas é feita por capilaridade, não havendo contato da água com o ar, o que evita a proliferação de mosquitos.

Atual x tradicional

1 2 3

4 5 6

1. Vegetação 2. Substrato 3. Membrana de absorção 4. Módulo laminar 5. Reservatório de captação de chuva 6. Impermeabilização 7. Dreno

CAMPOY ESTÚDIO

7

Qualquer sistema de telhado verde deve simular as camadas de um solo natural. Assim, a vegetação cultivada faz as vezes da original, o substrato leve substitui o solo, um reservatório de água desempenha o papel do lençol freático, uma camada drenante executa a função de uma rocha em decomposição e a impermeabilização ocupa o lugar da rocha sólida. “Enquanto a fórmula tradicional chega a utilizar camadas de 40 cm de terra para cultivar um gramado (impondo sobrecargas estruturais acima dos 500 kg/m²), um sistema moderno entrega um gramado de mesma funcionalidade com uma camada total de apenas 15 cm e peso extra abaixo de 120 kg/m²”, explica Sérgio Rocha, diretor executivo do Studio Cidade Jardim.

Intensivo x extensivo Segundo Sérgio, é possível cultivar qualquer planta. A diferença se dá quanto ao tipo de uso e manutenção: intensivo ou extensivo. “Um telhado verde intensivo pode ser uma horta, um gramado ou uma praça com múltiplas espécies. Neste caso, há sempre demanda frequente de cuidados tanto de horticultura (podas, adubação, replantio etc.) quanto da infraestrutura de apoio (limpeza, manejo de drenagem, ancoragem de árvores etc.). Já um telhado verde extensivo não tem uma expectativa de utilização frequente e prevê apenas acesso esporádico para ações preventivas”, orienta.

Manutenção, sim O sistema laminar utilizado na cobertura de 500 m² desta residência tem como única espécie de vegetação a grama-esmeralda, resistente ao pisoteio.

“O CONSUMO HÍDRICO É MENOR DO QUE O DE UM JARDIM CONVENCIONAL DE UMA RESIDÊNCIA, POIS O SISTEMA REAPROVEITA A ÁGUA DE MODO CÍCLICO” HENRIQUE GUIMARÃES DIRETOR DA ECOTELHADO

Mesmo se você tiver um telhado verde extensivo com vegetação que dispense podas e adubações frequentes, é recomendada ao menos uma verificação preventiva a cada seis meses, para checagem dos ralos/drenos e retirada de mudas de árvores ou arbustos que possam surgir sobre a camada de cultivo. “É comum encontrarmos goiabeiras, figueiras e palmeiras crescendo em meio às plantas da cobertura natural. Como o vento, os pássaros e os morcegos dispersam incessantemente as sementes, não há possibilidade de haver manutenção zero”, conclui.

SETEMBRO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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FOTOS: DIVULGAÇÃO

SUA OBRA

STUDIO CIDADE JARDIM

Sucesso no exterior, a cobertura verde em plano inclinado também faz bonito por aqui. A residência tem projeto do Studio MK27.

O carro-chefe do Studio Cidade Jardim é o sistema modular, que oferece alto desempenho de drenagem e facilidade de instalação, pois todas as camadas básicas do telhado verde são colocadas dentro de caixinhas de plástico reciclado. “Cada um desses módulos é um vaso para cultivo independente de espécies de qualquer tipo com até 50 cm de altura. Para a montagem, basta colocar os recipientes com substrato sobre a laje impermeabilizada, acomodar as mudas ou sementes e conectar a um esquema de irrigação”, explica Sérgio Rocha, diretor executivo da empresa. Se88

ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO SETEMBRO 2016

gundo ele, a proposta é oferecer uma opção de revestimento vivo que possa ser facilmente montada e desmontada, mesmo muitos anos depois de plantada. “Caso seja necessário retirar as unidades para fazer reparos na impermeabilização ou uma nova paginação de paisagismo, é possível simplesmente desencaixar esses componentes e alojá-los em outro lugar, sem a necessidade de remover as plantas, a terra e a drenagem”, esclarece. A irrigação pode funcionar por aspersão, gotejamento ou capilaridade, e a versão extensiva e completa sai por R$ 180 o m2 (em São Paulo).


MOBILIDADE E PRATICIDADE SÃO DIFERENCIAIS

POSSO TER UM DESSES EM CASA?

Além de poder ser instalado como um jogo de montar, modelo assegura escoamento eficiente e circulação de ar para as raízes O sistema retém 17 litros por m² de chuva nos copinhos sob o substrato. As plantas absorvem essa água de forma passiva.

As sucessivas camadas são colocadas nos módulos de plástico reciclado de 50 x 50 cm e 7,5 cm de altura.

Uma haste no sistema de travamento aumenta a segurança e a estabilidade do conjunto.

Existem quatro pré-requisitos técnicos que devem ser conferidos antes de iniciar a montagem de uma cobertura ecológica, segundo Sérgio Rocha, diretor executivo do Studio Cidade Jardim. São eles:

As raízes das plantas atingem os reservatórios, suprindo a necessidade de umidade na medida exata.

1

SOBRECARGA

1 CAMPOY ESTÚDIO

6 2 3 4

5

1. Plantas 2. Substrato leve 3. Filtro 4. Reservatórios de água 5. Sistemas de drenagem (furos nas interseções entre os módulos) 6. Haste de travamento

Para não haver riscos, é preciso dimensionar qual será o peso do telhado verde quando estiver completamente saturado de água e com a vegetação no limite máximo do crescimento.

2

IMPERMEABILIZAÇÃO

Como todos os atuais modelos disponíveis são permeáveis, a laje ou cobertura deve estar totalmente impermeabilizada, estanque e testada contra vazamentos. Se a ideia for cultivar um gramado ou arbustos, é fundamental o uso de uma manta com proteção antirraízes na base.

3

SAÍDAS PARA ÁGUA PLUVIAL

Com inclinações a partir de 10 graus, é preciso reforço estrutural nos beirais para suportar o acúmulo de sobrecargas na base, além de estruturas para evitar tensões de deformação e deslizamento de materiais. Também é importante aplicar proteção extra contra erosão do substrato.

“ESSE SISTEMA PODE SER FACILMENTE MONTADO E DESMONTADO A QUALQUER MOMENTO, SEM RETIRAR AS PLANTAS, A TERRA E A DRENAGEM” SÉRGIO ROCHA DIRETOR DO STUDIO CIDADE JARDIM

Qualquer cobertura deve ter as saídas (ralos ou calhas) dimensionadas em função da área de contribuição e do índice de chuvas local – a regra básica é a mesma de quando a laje fica exposta, ou seja, não deixar acumular água. O sistema de revestimento do telhado verde não deve interferir negativamente no escoamento, para evitar sobrepeso e mau desenvolvimento das plantas.

4

ABASTECIMENTO

Também é importante prever um ponto de fornecimento de água no nível da laje/cobertura e outro de energia elétrica para automação da irrigação, caso ela seja feita de forma externa.

SETEMBRO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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DIVULGAÇÃO

SUA OBRA

SKYGARDEN

Na proposta em dois níveis, a manutenção equivale à da jardinagem comum: poda, adubação, controle de pragas etc.

O produto da SkyGarden não usa caixas plásticas, como a grande maioria dos modelos disponíveis no mercado. A tecnologia da empresa de soluções para áreas verdes sustentáveis é composta de mantas. “Isso permite sua utilização como um jardim convencional e possibilita maior diversidade de espécies para o paisagismo”, explica Kelly Mimura, arquiteta da SkyGarden Envec. A empresa oferece telhados verdes com espessuras de 4, 5, 7, 10 e 20 cm. O sistema acumula uma média de 40 litros de água por m2 (na espessura de 10 cm) e reduz a necessidade de chuvas e rega em 90

ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO SETEMBRO 2016

até 60%. Segundo Kelly, as tecnologias de irrigação automatizada da SkyGarden (aspersão ou gotejamento) ajudam a economizar água e fazem a vegetação otimizar seu consumo, evitando a excessiva liberação hídrica pela planta. Resultado: o consumo de água para o tapete verde oscila entre 3 e 5 litros por m2 a cada irrigação. O preço varia de acordo com a metragem – quanto maior, menor o valor. Por exemplo, 10 m2 (com 7 cm de espessura, instalado, em São Paulo) custam R$ 621 o m2, enquanto 100 m2 saem a R$ 287 o m2. A instalação é rápida: 10 m2 de qualquer tipo podem ser colocados em um dia.


OPÇÃO COM MANTAS REPRODUZ JARDIM CONVENCIONAL

OUTRAS EMPRESAS DO SEGMENTO

Estrutura em camadas, sem módulos plásticos, permite maior durabilidade e variedade de plantas para o paisagismo O sistema é composto de mantas: lona plástica, manta geodrenante e manta de geotêxtil sob o substrato Premium.

O substrato retém parte da água da chuva e da irrigação. O excesso é filtrado pelo conjunto e pode ser reservado em uma cisterna.

Veja quem trabalha com diferentes sistemas, modelos, preços e benefícios – para coberturas de todos os tamanhos

O telhado verde diminui a temperatura da laje e a do ambiente interno abaixo dele em até 6 °C, protegendo a impermeabilização da cobertura contra a dilatação.

1

ZINCO

De origem alemã, possui alternativas para coberturas planas, inclinadas (até 35 graus) e curvas, com irrigação integrada. Os modelos extensivos da ZinCo usam vegetação que consome pouca água. Os intensivos comportam alta gama de espécies: de gramados a árvores. Preço médio (extensivo, para o Sudeste: R$ 170 o m²). www.zinco-greenroof.com.br

2

3

4

5

6

7

1. Vegetação 2. Substrato 3. Manta geotêxtil 4. Manta geodrenante 5. Lona com medida de 200 micras 6. Laje impermeabilizada 7. Ralo de drenagem

CAMPOY ESTÚDIO

1

2

REMASTER

O sistema Tec Garden, com piso elevado, tem um vão sob a cobertura natural para reter a água. Ela satura o substrato e acumula o excedente para fazer a autoirrigação. “Como a água é de boa qualidade, pois passou pela vegetação, é possível usá-la para lavar o imóvel”, diz Paulo Jubilut, diretor da Remaster. Preço médio sem substrato: R$ 220 o m². www.remaster.com.br

3

QUADRO VIVO

CACÁ BRATKE

A opção de teto verde modular da marca emprega bandejas com reservatório que capta a chuva e a fornece à vegetação por capilaridade (fios especiais transportam a água para que as espécies a absorvam de acordo com a necessidade). A rega é automatizada. Preço médio da linha Beija-Flor: R$ 132,75 o m². www.quadrovivo.com A cobertura principal recebeu o modelo SkyGarden Slim, com espessura de 4 cm e grama-esmeralda. O nível intermediário, mais baixo, tem 10 cm e usa grama-são-carlos.

4

ECOCASA

“ALÉM DE ACRESCENTAR UMA ÁREA DE LAZER À CASA, O TETO VERDE RETÉM A CHUVA, REDUZINDO O RISCO DE ENCHENTES” KELLY MIMURA ARQUITETA

Trabalha com a versão modular, que consiste em placas de plástico PP reciclado com compartimentos inferiores para reserva de água. O líquido chega às plantas de várias maneiras: gotejamento, aspersão ou mangueira. O preço aproximado é de R$ 250 o m2 instalado (no estado de São Paulo). www.ecocasa.com.br

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DCHE Engenharia e Construções tel. (11) 4426-3195, Santo André, SP; dcheprojetos@uol.com.br Decameron - tel. (11) 3097-9344, São Paulo; www.decamerondesign.com.br Décio Navarro Arquitetura de Ideias tel. (11) 97543-2342; www.decionavarro.com Demian Golovaty - www.demiangolovaty.com.br Desenho Brasileiro - tel. (21) 2226-6068, Rio de Janeiro; www.desenhobrasileiro.com Diretriz Construtora - tel. (62) 3255-7776, Goiânia Ecotelhado - tel. 0800-6048215; www.ecotelhado.com Eficientta Projetos e Consultoria tel. (21) 2580-9495, São Cristóvão, RJ; eficientta.blogspot.com.br Fábio Ribeiro - tel. (21) 96450-2897, Rio de Janeiro Flavia Gerab Tayar - arquitetura e interiores tel. (11) 3044-5146, São Paulo; www.flaviagerab.com.br Gabriella Ornaghi Arquitetura da Paisagem tel. (11) 3331-7285, São Paulo; www.gabriellaornaghi.com.br Guilherme Wentz www.guilhermewentz.com H2C Arquitetura - tel. (11) 2365-2002, São Paulo; www.h2carquitetura.com.br Julliana Camargo - tel. (11) 5055-2295, São Paulo; jullianacamargo.com.br Kenzo Harada Vedação Tecnologia em Construção - tel. (11) 5054-0386, São Paulo; www.vedacao.com LAB Arquitetos - tel. (11) 3031-9481, São Paulo; www.labarquitetos.com.br Lab. Donatelli - tel. (11) 3641-2298, São Paulo; www.lab.donatelli.com.br Ladrilar - tel. (11) 3228-6409, São Paulo; www.ladrilar.com.br

Latina Cerâmica - tel. (11) 3643-0500, São Paulo; www.latinaceramica.com.br Leo Romano Interiores e Exteriores tel. (62) 3086-1965, Goiânia; leoromano.com.br Mansur Vidros - tel. (11) 2955-6644, São Paulo; mansurvidros.com.br Marcelo Salum - tel. (48) 3039-1092; www.marcelosalum.com.br Marcenaria Mãos de Ouro tel. (11) 96035-8045 Marcenaria Ono - tel. (11) 5011-4226; moichiono@uol.com.br Marcondes Ferraz Engenharia tel. (11) 3817-8335, São Paulo; www.marcondesferraz.com.br Marvelar - www.marvelar.com.br Maurício Karam Arquitetura tel. (11) 3073-0634, São Paulo; www.mauriciokaram.com.br Mauro Cápua - tel. (21) 2239-9011, Rio de Janeiro Megalos Engenharia - tel. (11) 4436-6311, Santo André, SP; www.megaloseng.com.br Metaltec Esquadrias Especiais tel. (11) 3931-6040, São Paulo; www.metaltecesquadrias.com Momento Construções tel. (11) 3819-0507, São Paulo Mont Blanc Mármores & Granitos tel. (11) 3654-4676, Osasco, SP; www.montblancmarmores.com.br MRG Projetos e Construções tel. (21) 2710-0088, Niterói, RJ; www.mrgarquitetura.com Noura van Dijk Interior Design tel. (11) 3045-7575, São Paulo; www.interiordesign.com.br NS Brazil - tel. (11) 4066-8040, Diadema, SP; www.nsbrazil.com.br Palimanan- tel. (11) 3064-0617, São Paulo; www.palimanan.com.br

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO SETEMBRO 2016


Pau-Pau Pisos de Madeira tel. (11) 3816-7377, São Paulo; www.paupau.com.br Piratininga Arquitetos Associados tel. (11) 3122-7077, São Paulo; www.piratininga.com.br Pistache Editorial www.pistacheeditorial.com.br Play Arquitetura - tel. (31) 3291-7312, Belo Horizonte; www.playarquitetura.com Poeira Design - www.poeiraonline.com Portobello - tel. 0800-6482002; www.portobello.com.br Pretty Jet - tel. (11) 3894-1848, São Paulo; www.prettyjet.com.br Projeto Madeiras - tel. (11) 3813-0020, São Paulo; www.projetomadeiras.com.br Projeto Verde Paisagismo tel. (62) 9655-3838, Goiânia; projetoverdepaisagismo.com.br

SkyGarden - tel. (11) 3649-1414, São Paulo; www.skygarden.com.br Souza Telhados - tel. (11) 2581-2514, São Paulo; www.souzatelhados.com.br Stuchi & Leite tel. (11) 2589-8018, São Paulo; www.stuchileite.com Studio Christian Wassmann www.christianwassmann.com Studio Cidade Jardim tel. (11) 2429-4720, São Paulo; www.studiocidadejardim.com.br Studio MK27 – tel. (11) 3081-3522, São Paulo; www.studiomk27.com.br Studio Zanini - tel. (21) 3819-1123, Rio de Janeiro; www.studiozanini.com.br

Suvinil - tel. 0800-0117558; www.suvinil.com.br Terra e Tuma - tel. (11) 3225-0130, São Paulo; www.terraetuma.com.br Terral Serralheria - tel. (11) 3993-4153, São Paulo; www.terralserralheria.com.br Varlei Cândido - tel. (11) 94979-3232; varleicandido@hotmail.com Vazio S/A - tel. (31) 3286-3869, Belo Horizonte; www.vazio.com.br Veredas Atelier - www.veredasatelier.com Zoom Arquitetura - tel. (11) 3263-0267, São Paulo; www.zoom.arq.br

RAC Arquitetura - tel. (12) 3865-2236, São Sebastião, SP; racarquitetura.com.br Renata Popolo Arquitetura + Interiores www.renatapopolo.com.br Renata Villar Paisagismo tel. (11) 2809-8973, São Paulo; www.renatavillar.com.br Ricardo Medeiros Arquitetura tel. (65) 3054-1282 RM Vital Marcenaria - tel. (11) 5663-3756, São Paulo; www.rmvitalmarcenaria.com.br Rodrigo Ohtake - tel. (11) 98109-9788, São Paulo; www.rodrigoohtake.com Sandro Ward - tel. (21) 3591-9426, Rio de Janeiro Scali & Mendes Arquitetura Sustentável tel. (11) 4524-4300, Itatiba, SP; www.scali.com.br Securit - tel. (11) 3815-0898, São Paulo; www.securit.com.br Shelter Global - shelterglobal.org Siligram Superfícies - tel. (11) 4828-3551, Ribeirão Pires, SP; www.siligram.com.br

SETEMBRO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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CRÔNICA

PEQUENOS ARQUITETOS Em um papel em branco, as crianças desenharam juntas sua cidade imaginária

refletir sobre o que é imporO rolo de papel estava abertante para nós, como indito em cima de um tapete de víduos e como coletivo. Que EVA. Crianças de 7 a 11 anos nos leva a analisar quem sorespondiam à pergunta: “Aqui mos, como vivemos hoje, o vocês vão construir sua cidaque mudaríamos e o que esde, como fariam?”. A turma POR BIANCA ANTUNES E SIMONE SAYEGH* ILUSTRAÇÃO MARCELLA BRIOTTO sa modificação nos traria. A escolheu traçar uma rua onforma da cidade, afinal, moldulada, em vez de reta. Pintou uma praça grande em um dos lados da rua e só então cada um da nossa maneira de existir, contextualiza nossos víndefiniu em que lote ficaria a casa que tinha acabado de erguer culos sociais e nosso estilo de vida. Elaborar o tipo de com materiais recicláveis. Daí, vinham as questões: onde fi- lugar que desejamos é também pensar sobre o que soca a padaria? Vai ter uma hamburgueria? E a escola? Como mos hoje ou em quem gostaríamos de nos tornar. O olhar curioso para aquele papel que se transformavamos nos locomover? Debruçadas sobre o papel já não mais em branco, as crianças desenhavam sua cidade imaginária. ria em locais de passagem e de encontros, os sorrisos cheios A experiência aconteceu em agosto na unidade de ideias e a rapidez com que cada um pegou uma canePinheiros do Serviço Social do Comércio (Sesc), em São tinha para delinear seu pedaço de urbanidade nos mosPaulo, durante uma oficina de arquitetura para o público traram como o caminho está aberto: a urbe pode ser um infantil. Mais do que somente a casa em que gostariam de ambiente mágico, e os pequenos querem participar disso. Talvez, o que precisamos é espalhar para o mundo: todos morar – a que levantaram com caixas de papelão, embalagens de iogurte ou papel celofane –, os participantes foram podem fazer parte desse processo. E ensinar desde cedo os seestimulados a imaginar o espaço público em que viveriam. gredos que não são revelados num primeiro olhar, muitas veUma pergunta que poucas vezes é feita a eles – como pou- zes guardados entre poucos administradores ou acadêmicos. cas vezes é feita aos adultos. Uma indagação que nos leva a Mostrar que aquela cidade imaginária pode se tornar real.

*Bianca Antunes e Simone Sayegh são coautoras do Casacadabra, livro de arquitetura para crianças, e fundadoras da Pistache Editorial (www.pistacheeditorial.com.br). 98

ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO SETEMBRO 2016


Arquitetura constru o setembro 2016  
Arquitetura constru o setembro 2016  
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