Journal 6ªEd.

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2 DE FEVEREIRO DE 2020 | 6ª EDIÇÃO

J URNAL CLUB SERVIÇO DE RADIOLOGIA E DIAGNÓSTICO POR IMAGEM DA SANTA CASA DE SÃO PAULO

Caso 1

Radiologia Geral / Musculoesquelético Autores: Rodrigo Andrade Tonim (R3), Fernando Ometto Zorzenoni, Cassio Gomes dos Reis Junior

História clínica Mulher, 67 anos, em acompanhamento no ambulatório da clínica médica por dor em toda a extensão da coluna, quadril e pernas há 20 anos. Apresenta evolução insidiosa do quadro, principalmente com dor nos quadris, que irradia para os membros inferiores, pior durante a noite. Refere também incontinência

esfincteriana há 7 meses. A

C

B

D C

D

E

RM T2 axial (A): Múltiplas lesões no corpo vertebral de L2 e respectivos elementos posteriores, determinando estenose do canal medular (destacado em amarelo), possivelmente relacionada aos sintomas. TC S/C coronal (B) e axiais (C e D): Múltiplas lesões, algumas de aspecto insuflativo e outras com envolvimento dos planos de partes moles adjacentes, achado eventual em alguns casos da doença. TC C/C axial (E): Lesões viscerais, com características de imagem que sugerem hemangiomas, achado associado a um pior prognóstico.

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Caso 2

Mama Autores: Priscila Akemi da Silva Takitani (R2), Marina de Farias Guelfi Mendonça, Daniela Valentini Fernandes, Gustavo Machado Badan, Décio Roveda Júnior

História clínica Paciente do sexo masculino, transgênero, 49 anos. Queixa de nódulo palpável na axila direita e na mama direita há 2 meses, associado a mastalgia. Antecedente pessoal de HIV há 30 anos, em uso de TARV com carga viral indetectável. Em uso de demedroxiprogesterona há 20 anos. A

C

B

Figura 1: (A) – Mamografia na incidência MLO: Mamas heterogeneamente densas. Nódulo oval, circunscrito, hiperdenso, parcialmente caracterizado no prolongamento axilar direito. (B) – Ultrassonografia: Nódulo irregular, indistinto e predominantemente hipoecoico, às 4h da mama direita. (C) – Ultrassonografia: Múltiplas linfonodomegalias na região axilar direita (nível I, II e III de Berg) com perda da morfologia habitual.

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Caso 3

Abdome Autores: Leonardo Kenji Nesi Mitsutake (R1), Danieli Grave Marini, Fabio Lewin, Vinicius de Castro Rezende Fiorot

História clínica Feminina, 32 anos, quadro de dor em andar superior do abdome, na entrada apresentou Hb de 3,8. Histórico de pancreatite biliar necro-hemorragica com pseudocistos há 2 anos; sendo submetida a colecistectomia VLP há 3 meses. Nega outras comorbidades. A

B

C

D

Imagens: Corte axial demonstra lesão cística no corpo pancreático (B), que nas sequencias pós contraste apresenta extravasamento ativo do meio de contraste iodado para seu interior e continuidade com o aspecto anterior da artéria esplênica, medindo cerca de 5,5 x 5,1 cm (B e reconstrução coronal em C). Reformação 3D (D).

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Caso 1

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Angiomatose múltipla difusa com acometimento ósseo

Discussão A angiomatose múltipla esquelética é uma doença rara, classificada dentro do grupo dos tumores vasculares benignos segundo a classificação da Organização Mundial de Saúde (OMS - 1994), caracterizada por múltiplas lesões ósseas líticas compostas por tecido vascular, muitas vezes confundida com metástases ósseas malignas, sendo comum a extensão dos hemangiomas para as partes moles adjacentes. Não há predileção por sexo ou associação com outras doenças endócrinas, metabólicas ou imunológicas. Em geral, o diagnóstico ocorre até a terceira década de vida, de forma sintomática ou assintomática (achado incidental em exames de rotina). Os sinais mais comuns da doença são dor, fraturas patológicas, edema das áreas afetadas ou alterações angiomatosas de outros tecidos, notadamente o baço. Os achados radiológicos são característicos: múltiplas lesões líticas bem definidas ou áreas radiolucentes de destruição óssea, com relativa preservação da cortical e sem reação periosteal, predominando no esqueleto axial, calvária e porção proximal dos ossos longos. A aparência é similar aos hemangiomas ósseos, porém sem as estriações verticais. A doença é insidiosa, eventualmente acompanhada de esclerose das lesões ósseas, principalmente em pacientes mais velhos. Os exames laboratoriais em geral são normais, exceto por um achado frequente que é o aumento da fosfatase alcalina. Os exames de cintilografia e FDG PET/CT podem demonstrar lesões hipermetabólicas, enfatizando a necessidade de incluí-las no diagnóstico diferencial de lesões malignas. Os principais diagnósticos diferenciais da angiomatose com acometimento ósseo são mieloma múltiplo, metástases ósseas, linfoma, linfangioma, granuloma eosinofílico, encondromas e doença de Gorham. O prognóstico da angiomatose múltipla é variável, em geral bom, mas dependente do local de acometimento, sendo pior quando existe envolvimento visceral. Não há tendência de transformação maligna. O tratamento é conservador, porém são relatados bons efeitos terapêuticos na combinação de interferon alfa, talidomida e zoledronato em alguns casos de angiomatose múltipla. O uso de radioterapia e/ou quimioterapia é pouco eficaz. . Referências: 1.

Binesh F, Aghili K, Hakiminia M, Vahidfar MR, Masumi R. Disseminated Skeletal Angiomatosis Initially Misdiagnosed As Metastatic Tumor: A Case Report. Iran J Pathol. 2016;11(5):443–447.

2.

Najm A, Soltner-Neel E, Le Goff B, Guillot P, Maugars Y, Berthelot JM. Cystic angiomatosis, a heterogeneous condition: Four new cases and a literature review. Medicine (Baltimore). 2016;95 (43):e5213.

3.

Cystic angiomatosis of bone A case report P. C. Goutoudi, DMD, a N. K. Sferopoulos, PhD, MD, b V. Papavasiliou, PhD, MD, c and A. Konstantinidis, PhD, MD, MSc, d Thessaloniki, Greece THE DEPARTMENTS OF PERIODONTOLOGY AND PEDIATRIC ORTHOPAEDICS OF ARISTOTLE UNIVERSITY OF THESSALONIKI.

4.

Diffuse Skeletal Hemangiomatosis Mimicking Metastastic Disease on 18F-FDG PET/CT Dong Huang, MD,* Xiaohong Ou, MD,* Yunxia Ye, MD,† and Wenjie Zhang, MD*

5.

Angiomatose óssea difusa: relato de um caso e revisão de literatura / Diffuse angiomatosis of bone: a case report and review of the literature Liphaus, Bernadete de K; Campos, Lucia M. A; Silva, Clóvis A. A; Kiss, Maria Helena B. Rev. bras. reumatol;42(1):54-64, jan.-fev. 2002 ilus, tab.

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Caso 2

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Carcinoma ductal invasivo com metástase linfonodal

Discussão Resultado anatomopatológico: Carcinoma ductal invasivo Grau III, classificação molecular Triplo negativo. O câncer de mama em homens corresponde a menos de 1% das neoplasias mamárias, a maioria são sintomáticos, como nódulo palpável fixo, indolor, subareolar e excêntrica ao mamilo. O tipo histológico mais comum é o carcinoma ductal invasivo (85%). A mama masculina após o tratamento hormonal adquire características semelhantes à mama feminina cisgênero, diferentemente da ginecomastia. Com o aumento na denominação de indivíduos transgêneros e do uso de terapia hormonal, notou-se um aumento de relatos de câncer nesta população. A relação exata entre o risco de câncer de mama e a terapia exógena de estrogênio na população transfeminina ainda é mal compreendida, entretanto aceita-se um risco teórico de aumento do câncer de mama em pacientes trangênero feminina com reposição hormonal, baseado no aumento na incidência de câncer de mama em pacientes cisgênero que fazem uso de terapia hormonal combinada pós-menopausa. Referências: Ujas Parikh, MD Elizabeth Mausner, MD Chloe M. Chhor, MD Yiming Gao, MD Ian Karrington, BA Samantha L. Heller, PhD, M - Breast Imaging in Transgender Patients: What the Radiologist Should Know - RadioGraphics 2020; 40:0000–0000 Symmers WS. Carcinoma of breast in trans-sexual individuals after surgical and hormonal interference with the primary and secondary sex characteristics. BMJ 1968;2(5597):83–85. Maglione KD, Margolies L, Jaffer S, et al. Breast cancer in male-to-female transsexuals: use of breast imaging for detection. AJR Am J Roentgenol 2014;203(6):W735–W740.

1.

2. 3.

Caso 3

Pseudoaneurisma da artéria esplênica

Discussão Os Pseudoaneurismas arteriais viscerais são complicações infrequentes, porém possivelmente catastróficas secundárias a quadros de pancreatite aguda ou crônica. Formam-se pela corrosão de uma artéria peripancreática ou pela erosão de um pseudocisto, comunicando-se com uma artéria visceral adjacente. Podem também estar relacionados à traumas abdominais e condições pós-operatórias. Por sua localização anatômica, a artéria esplênica é o sítio mais frequente de formação dos pseudoaneurismas, seguidos pelas artérias gastroduodenais, pancreatoduodenais e hepáticas. Apresentam risco de ruptura (4 a 10 %), podendo evoluir para sangramento para o trato digestivo, cavidade peritoneal, ducto pancreático ou retroperitônio. Muitas vezes pode ser um desafio diagnóstico, dada a inespecificidade do quadro álgico e à elevada taxa de mortalidade (até 53%). A TC de abdome com contraste deve ser o primeiro exame de escolha, permitindo delinear a anatomia e a localização do pseudoaneurisma em detalhes. Pode evidenciar uma formação sacular heterogênea, em íntima relação com o parênquima pancreático e estruturas vasculares adjacentes, apresentando áreas de captação de contraste e trombos parietais. A angiografia é o exame complementar mais informativo auxiliando tanto no diagnóstico quanto no tratamento temporário através da embolização endovascular. A intervenção cirúrgica subsequente deve ser realizada para prevenir novas complicações.

1. 2. 3. 4.

Referências Chiang KC, Chen TH, Hsu JT. Manage-ment of chronic pancreatitis complicated with a bleeding pseudoaneurysm. World J Gastroenterol. 2014;20(43): 16132-7.
 Mathew G, Bhimji S. Aneurysm, pancreatic pseudoaneurysm.. In: StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Pub-lishing; 2017. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK430937/
 Balachandra S, Siriwardena K. System-atic appraisal of the management of the major vascular complications of pancreatitis. Am J Surg. 2005;190(3):489-95. Madoff C, et al. Splenic arterial interventions: anatomy, indications, technical considerations, and potential complications. Radiographics. 2005;25. 5


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FEVEREIRO 2020 | 6ª EDIÇÃO

J URNAL CLUB Colaboradores e editores

Dr. Henrique Bortot Zuppani Dr. Diego Cardoso Fragoso Dr. Thiago Scoppetta

Dr. Angelo Chelotti Duarte (R2) Dr. Ricardo Hiroshi Murashita Fujiki (R1) Adriana Maciel Alves

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