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10 DE DEZEMBRO DE 2019 | 4ª EDIÇÃO

J URNAL CLUB SERVIÇO DE RADIOLOGIA E DIAGNÓSTICO POR IMAGEM DA SANTA CASA DE SÃO PAULO

Caso 1

Abdome

Autores: Susan Mihye Oh Choi (R3), Daniel A Rangel, Vinicius de Castro R Fiorot

História clínica Paciente do sexo masculino, de 33 anos. Há 5 dias, refere dor em epigástrio que migrou para a fossa ilíaca direita, associada a náuseas. Nega outros sintomas. Antecedente pessoal: gastrite em uso de Ranitidina e

Bromoprida. A

C

B

DD A: Ultrassonografia: lesão cística tubular na fossa ilíaca

direita, de paredes finas e conteúdo espesso. Cortes axiais (B e C) e sagital (D) de tomografia computadorizada sem contraste (B) e com

contraste (C e D) demonstram lesão cística tubular na topografia do apêndice cecal, de paredes regulares, com foco de calcificação e conteúdo hipoatenuante, associada a discreta densificação do plano gorduroso adjacente. Apresenta discreto realce parietal.

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Caso 2

Tórax

Autores: Leonardo Lopes Fioratti (R2), Cassio Gomes dos Reis Junior

História clínica Paciente do sexo masculino, 19 anos de idade, com histórico de tosse e dispneia aos médios esforços, apresentando infecções pulmonares frequentes, inclusive com três internações hospitalares prévias por pneumonia nos últimos 10 anos. A

C

E

B

D

Figuras A, B e C, cortes axiais de tomografia computadorizada de tórax, apresentando bronquiolopatia crônica com nódulos centrolobulares, impactações mucoides e bronquiectasias varicosas ou císticas. Figuras D e E, corte coronal e sagital de tomografia computadorizada de tórax, mostrando a predileção

dos achados nos lobos médios e inferiores.

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Caso 3

Tórax Autores: Henrique Augusto Lino (R1), Benedito Juarez de Andrade

História clínica Masculino, 53 anos. Queixava-se de dispneia intensa, astenia e tosse produtiva. Relata retirada de dreno de tórax há 2 dias em outro serviço, devido à pneumotórax espontâneo.

A

C

B

D

Imagem A - Radiografia de tórax - Múltiplas bolhas nos campos pulmonares superiores, mais evidente na base direita, determinando atelectasia do parênquima pulmonar adjacente. Imagens B, C e D - Tomografia de tórax - Enfisema parasseptal e centrolobular, predominando em campos superiores, com formação de grandes bolhas, mais evidente na base direita.

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Caso 1

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Mucocele de apêndice cecal

Discussão O termo "mucocele" é uma descrição macroscópica de um apêndice cecal distendido por muco, presente em 0,2-0,3% das apendicectomias. Pode ser decorrente de condições não neoplásicas (mucocele simples e hiperplasia da mucosa), neoplásicas benignas (cistoadenoma mucinoso) e condições malignas (cistoadenocarcinoma mucinoso). Na tomografia computadorizada, a mucocele de apêndice cecal apresenta-se como lesão cística arredondada ou tubular, com baixos coeficientes de atenuação, podendo ter calcificações parietais. O diâmetro maior que 1,3 cm pode ser utilizado para suspeita do diagnóstico de mucocele (sensibilidade de 71,4% e especificidade de 94,6%). A presença de espessamento nodular ou irregular parietal e comprometimento de tecidos adjacentes podem sugerir etiologia maligna. Durante o procedimento cirúrgico é essencial evitar a ruptura da mucocele, a fim de impedir a disseminação do conteúdo na cavidade abdominal, o que poderia resultar em pseudomixoma peritoneal. Nos casos de origem neoplásica, há necessidade de ampliação da margem cirúrgica. Portanto, o diagnóstico pré-operatório de mucocele de apêndice pelo radiologista é fundamental, uma vez que influencia diretamente a abordagem cirúrgica e o prognóstico. . Referências: 1. Appendiceal Mucocele: A Diagnostic Dilemma in Differentiating Malignant From Benign Lesions With CT. American Journal of Roentgenology. 2013;201. DOI:10.2214/AJR.12.9260 2. Surgical treatment of mucocele of the appendix: a systematic review and case report. Journal of Surgical Case Reports, 2018;6, 1–3. DOI: 10.1093/jscr/rjy102 3. CT Diagnosis of Mucocele of the Appendix in Patients with Acute Appendicitis. American Journal of Roentgenology. 2009;192. DOI:10.2214/AJR.08.1572

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Caso 2

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Discinesia ciliar, apresentação típica

Discussão Discinesia ciliar é uma patologia que cursa com anormalidade da ultraestrutura dos cílios, incapacitando-os de promover uma movimentação normal. Compreende um grupo heterogêneo de alterações genéticas, relacionadas ao cromossomo recessivo, estimado entre 1:12000- 60000. O quadro clínico pode ser apresentado por sinusite crônica, otite média crônica, infecções pulmonares de repetição e esterilidade em homens, tendo relação com gestação ectópica em mulheres. Como achado radiográfico de espessamentos brônquicos, bronquiectasias e hiperinsuflação. A tomografia computadorizada apresenta bronquiolopatia crônica com nódulos centrolobulares, vários deles com aspecto ramificado em árvore em brotamento, impactações mucoides com perfusão em mosaico, espessamento brônquico, e bronquiectasias varicosas ou císticas, com predileção para os lobos médios e inferiores. Quando associada à destrocardia, caracteriza-se a síndrome de Kartagener. Referências: DJAKOW, J.; O’CALLAGHAN, C. Primary ciliary dyskinesia. Breathe, v. 10, n. 2, p. 122 LP – 133, 1 jun. 2014. MIRRA, V.; WERNER, C.; SANTAMARIA, F. Primary Ciliary Dyskinesia: An Update on Clinical Aspects, Genetics, Diagnosis, and Future Treatment Strategies. Frontiers in pediatrics, v. 5, p. 135, 2017. OLM, M. A. K.; CALDINI, E. G.; MAUAD, T. Diagnosis of primary ciliary dyskinesia. Jornal brasileiro de pneumologia : publicacao oficial da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisilogia, v. 41, n. 3, p. 251–263, 2015.

1.

2. 3.

Caso 3

Enfisema bolhoso gigante ou pulmão evanescente

Discussão Condição rara, que compromete predominantemente adultos jovens, comumente associada à síndromes de Marfan, Ehlers-Danlos, deficiência de α1-antitripsina e doença pulmonar obstrutiva crônica. Em 1987 Roberts descreveu os critérios para o diagnóstico baseado em radiografias: Presença de bolha gigante em um ou mais lobos, assimétricas e ocupando pelo menos um terço do hemitórax e comprimindo parênquima adjacente. A tomografia computadorizada, por sua vez, avalia sua extensão e a presença de achados associados. Casos selecionados podem beneficiar-se bulhectomia para tratamento ou prevenção de complicações ou da colocação de válvula intrabrônquica unidirecional, porém ambas medidas apresentam pouco efeito sobre a capacidade funcional dos pulmões.

1. 2. 3.

Referências Webb WR et al. Idiopathic giant bullous emphysema: imaging findings in nine patients. Am J Roentgenol 1994;162(2):279–82. Davies P et al. Vanishing lung syndrome: giant bullous emphysema. Lancet 2017;390(10112):2583. Desai P et al. Giant Bullous Emphysema. Chronic Obstr Pulm Dis J COPD Found 2016;3(3):698–701.

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Profile for Radiologia Santa Casa SP

Journal 4ªEd.  

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