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RADAR MAGAZINE NOVEMBRO ‘12


ÍNDICE FOTOGRAFIA 04 TERESA QUEIRÓS 16 O ESTILISTA BRACARENSE 22 EDITORIAL: MAGIC IN THE WOODS

MÚSICA & CINEMA 09 BIRDS ARE INDIE 32 FRANKENWEENIE: FILM REVIEW

E MAIS... 34 DESTROIKA.ME

38 SUGESTÕES RADAR 40 NO RADAR...

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EDITORIAL Novembro é um mês sereno. O som da chuva a bater na janela, a lareira acesa, o chocolate quente, os casacos felpudos e cachecóis de lã, as luvas e os gorros.. tornam-no especial. A cor cinzenta preenche o céu e as folhas caem, pintando as ruas em tons fogo.

DANIELA RODRIGUES EDITORA

É um mês diferente, pelo menos para a RADAR, porque marca o seu regresso e o início de uma fase nova, um tanto stressante mas completamente cativante. E é esse o mote desta edição: a diferença! Por isso mesmo quisemos dar a conhecer nomes e projectos de jovens portugueses que, no seu dia-a-dia, se destacam na multidão.

Editora Daniela Rodrigues

Fotografia / Edição / Paginação

Novembro pode ser apenas mais um mês, mas possui uma beleza única que o distingue dos restantes, tal como as imagens captadas pela Teresa Queirós, uma jovem artista cujo nome ficou conhecido pela sua participação no programa Ídolos mas que não se limita a cantar bem; ou ainda o blog O Estilista Bracarense, onde João Mota transforma a beleza existente nas ruas da cidade de Braga (e outras) em fotografias.

Daniela Rodrigues

Ainda nesta edição ficámos a conhecer melhor um projecto inovador e totalmente português chamado “Destroika. me”, que utiliza a crise para combater a crise. Tudo isto ao som dos fabulosos Birds Are Indie que, gentilmente, também falaram um pouco de si à Radar.

magazineradar.wordpress.com

Há muito para ler e conhecer nesta RADAR. Esperamos que gostem deste ponto de partida. Aguardamos o vosso feedback! Boa Leitura!

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Modelo Joana Melo

Contacto magazineradar@hotmail.com

Blog

Facebook. facebook.com/magazineradar


TERESA QUEIRÓS O seu nome ficou conhecido devido à participação no programa Ídolos. Mas o talento desta jovem não se resume à música. Fica a conhecer um pouco mais sobre Teresa Queirós

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1. Em primeiro lugar, quem é a Teresa Queirós? A Teresa Queirós é uma jovem apaixonada pelas artes e pelos pequenos detalhes da vida quotidiana, que tem uma enorme tendência para comer a última fatia de bolo. (risos). 2. Quando surgiu a paixão pela fotografia? Eu não sei precisar, acho que ninguém sabe dizer com exactidão o momento preciso em que nos apaixonamos, quer por algo, quer por alguém. Sei que comecei a interessar-me por fotografia à cerca de sete anos atrás. Esse interesse desenvolveu-se, ganhou ter-


“GOSTO DE FOTOGRAFAR EMOÇÕES” - TERESA QUEIRÓS

Este interesse desenvolveu-se, ganhou terreno e um dia sussurrou-me ao ouvido: Estou aqui para ficar. Eu concordei.”

reno, marcou território e um dia sussurrou-me ao ouvido “Estou aqui para ficar.” Eu concordei. 3. Analisando o teu trabalho nesta área é evidente a preferência pela figura feminina. Este factor deve-se a alguma razão em especial? É uma tendência. É-me mais chegada essa natureza, é mais próxima dos meus dedos... Tenho a certeza que mesmo que fotografasse homens iria fazê-lo envolvendo toda a ambiência de fragâncias femininas. Não

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tenciono ir contra o que me é natural. 4. De que forma seleccionas as pessoas que posam para ti? Sendo actriz, tenho várias amigas e conhecidas que são actrizes também. São elas que geralmente acabam por figurar nos meus retratos. Gosto de fotografar emoções e isso torna-se mais fácil trabalhando com actrizes. Para além disso, fotografo maioritariamente pessoas que já conheço - mas não

só. 5. Também a natureza é um elemento frequente nas tuas sessões. A que se deve esta tendência? Para além do facto de gostar muito da natureza, no geral, por me sentir sempre tão bem rodeada de árvores e campos e afins; paisagens como florestas e praias desertas sempre me remeteram a ambiências místicas, o que me agrada imenso. Parece que há sempre magia a acontecer nesses sítios, sente-se. Bom, eu sinto. (risos).


6. E a inspiração para as fotografias que tiras, de onde surge? De todas as coisas, grandes e pequenas. Um dia de chuva, uma música, um filme, uma frase, um gesto, um pedaço de renda, sons... todas as coisas, boas e más, podem inspirar-me. Contudo, o factor comum a todas elas na hora de fotografar, é a luz. 7. É notória também a tua predilecção pela fotografia analógica. Qual o motivo que te leva a escolher este formato? Não sei, dizem que está na

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moda, agora. (risos) O formato analógico transforma a realidade a que é proposto. A fotografia ganha alma e magia; é cinema, é música, é um pedaço de vida que tem cheiro e sabor e respira. Acho que é a plataforma perfeita para a minha impressão (nada) digital. 8. Que material fotográfico utilizes habitualmente nas tuas sessões? Zenit-11 com uma lente Helios, que nunca sei especificar qual. (risos). 9. As tuas fotografias passam por algum processo de pósedição?

Sim, sempre. Acredito que a maneira como se editam as fotos (ou não) faz parte da identidade do fotógrafo. A diferença é que quando fotografo em formato analógico essa edição é bastante mais leve, ao passo que em formato digital, tenho imenso trabalho a tentar fazer com que elas tenham pelo menos um cabelo parecido com o que teriam em formato analógico.

[ A Fotografia ] é cinema, é música é um pedaço de vida


10. Além da fotografia, és uma amante de música e possuis uma formação em teatro. No dia-a-dia, como concilias todas estas paixões? Facilmente. Não canto todos os dias, não fotografo todos os dias, nem interpreto todos os dias. Uns dias faço umas coisas, noutros outras. E espero que seja assim sempre, sendo que preciso de todas essas partes de mim para me sentir completa. 11. Quais as tuas influências musicais? E os teus maiores ídolos na área da fotografia? Radical Face, Patrick Watson,

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Anja Gatbarek, Lhasa de Sela, Tom Waits (entre imensos outros). Ao que parece, também aí tenho tendência para as mulheres: Laura Mkabresku, Natalie Kucken, Alison Scarpulla, Aëla Labbé, Nirrimi. 12. Participaste nos Ìdolos na edição de 2012. De onde surgiu a vontade de participar? Consideras que esta aventura foi vantajosa para a tua carreira? A minha participação foi impulsionada pela família e amigos que esperavam à 4 edições que eu participasse. (risos) Eu não tinha muita vontade de participar, sobretudo porque gosto

bastante da minha privacidade e sempre achei que não iria lidar bem com esse tipo de mediatismo. Nesse sentido tive sorte de participar este ano, porque as audiências foram baixas. Talvez por isso não sinta muito que as pessoas me reconhecem na rua. Mas é chato este estatuto em certas situações, por exemplo: agora quado está uma pessoa a olhar muito pra mim, já não sei se é porque tenho um bocado de pasta de dentes na boca ou se está a tentar perceber o que eu estou a ler, ou se é porque me reconhece da televisão. É chato! (risos) Não, não sinto que o programa me tenha aberto portas, mas


“A SITUAÇÃO DO “ARTISTA” NUNCA FOI PROPRIAMENTE ESTÁVEL MAS ESTÁ A TORNAR-SE DESASTROSA. [...] TEMOS UM GOVERNO QUE DESVALORIZA A CULTURA.”

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também nunca esperei que isso acontecesse. Gostei da experiência, por ser algo singular, mas principalmente pelas pessoas que conheci. 13. Enquanto jovem portuguesa que és, consideras que a situação actual do país é um entrave para quem pretende seguir carreira no mundo das artes? Sim, sem dúvida. A situação do “artista” nunca foi propriamente estável, mas está a tornar-se desastrosa. Acima de tudo, as coisas dificilmente melhoram a partir do momento em que temos um governo que desvaloriza a cultura.


Viagem de sonho: islândia Bebida: chá Comida: frango com ervilhas e puré cor: branco Não Consigo Viver Sem... palavras vício: doces não saio de casa sem... telemóvel filme: le double vie de verónique música: Hanne Hukkelberg Words and a piece of paper

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citação: “If flowers can grow through blankets of melting snow, there is hope for me.” by Tyler Knott Gregson

14. E planos para o futuro? O futuro mos trará. A minha mãe costumava dizer-me “Não faças demasiados planos para a vida, para não estragares os planos que a vida tem para ti.” Ela tinha razão - como sempre. 15. Por fim, uma mensagem que gostasses de deixar aos leitores da Radar. Quando havia apenas 5 finalistas no Ídolos, fizemos uma sessão de autógrafos. Nesses autógrafos, principalmente quando eram apoiantes de mais tenra idade - não todos, mas quase - para além dos beijinhos eu escrevia “Segue sempre o teu coração.” Porque me parecia uma 9 • Designfreebies Magazine • www.designfreebies.org

mensagem importante para dar-lhes. Eu sei que soa piroso, mas é dos melhores conselhos que se pode dar, parece-me... pra todas as idades, na verdade.

NÃO SINTO QUE O ÍDOLOS ME TENHA ABERTO PORTAS


um rapaz e uma rapariga que se apaixonaram há quinze anos nenhum sabe cantar ou tocar particularmente Bem. no entanto cantar e tocar parece fazer-lhes bem.

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1. Em primeiro lugar, quem são os Birds Are Indie? Birds Are Indie é uma banda de Coimbra, criada por nós, Joana Corker e Ricardo Jerónimo. Começou como um duo e assim se manteve durante cerca de um ano, mas entretanto o nosso amigo Henrique Toscano também se juntou enquanto produtor e músico ao vivo. 2. Esta banda nasce de uma relação entre vocês. Consideram que isso facilita ou dificulta o vosso processo criativo? Achamos que normalmente facilita. Conhecemo-nos muito bem, já sabemos com que contar. E não gostamos de discutir, muito menos sobre música, o que numa banda de certeza que ajuda. E como ensaiamos muitas vezes em casa não temos de combinar grande coisa. Sentamo-nos no sofá e tocamos umas músicas. Os nossos vizinhos nunca se queixaram, o que mostra que são muito pacientes.


BIRDS ARE INDIE

o amor sob a forma de música fOTOGRAFIAS: FRANCISCA MOREIRA ENTREVISTA: DANIELA RODRIGUES

3. Sejamos sinceros (porque não estamos aqui a rogar pragas): é normal as relações terminarem. Já pensaram no futuro da banda caso isso aconteça? Já lá vão quase 15 anos, portanto, se isso acontecesse, o eventual fim da banda seria um mero pormenor… 4. Como se conheceram e quando surgiu a ideia de fazer nascer este projeto? Nós conhecemo-nos no já longínquo ano de 1997… No 12º ano do secundário ficámos na mesma turma de Artes… No início do ano seguinte começámos a namorar, durante uma viagem de estudo a Madrid… Coisas que acontecem, quando se é adolescente… O curioso é que não parámos de namorar até hoje. Esta coisa dos Birds Are Indie apareceu muitos anos depois, no início de 2010. Estávamos a passar um mau bocado em termos pessoais e profissionais e, certa noite, decidimos assobiar uma música para nos alegrarmos um pouco e para nos lembrarmos que não queríamos desistir do que realmente gostávamos (foi assim que nasceu a We’re Not Coming Down). Como resultou, começámos a fazer mais, só pela diversão. 5. Os Birds Are Indie é um projeto bastante diferente daquilo que existe em Portugal até ao 11 • Designfreebies Magazine • www.designfreebies.org

momento. Como passaram de uma “brincadeira” a um projeto como este? Pois, nem nós sabemos muito bem como é que isso aconteceu, de facto… Depois de termos feito as primeiras músicas e de as mostrarmos a alguns amigos começámos a receber incentivos deles. Um (o Fernando Ferreira) disse que se gravássemos um EP podíamos editá-lo na sua Netlabel (a Mimi Records). Outro (o Ricardo Osório Santos) disse que o design da capa seria com ele. Outra (a Francisca Moreira) disse que nos tirava umas fotografias com todo o gosto. Outro (o Henrique Toscano) disse que podia fazer a produção do que gravássemos daí para a frente. Depois do primeiro EP, veio o segundo. Aconteceu o primeiro concerto que trouxe outros atrás… algumas pessoas em vários meios de comunicação se foram interessando pela nossa música. Criámos algumas plataformas online e começámos a ter bom feedback de pessoas que não conhecíamos. E pronto, deu nisto. 6. A vossa música é bastante audível devido à sua simplicidade e forma minimalista de ser. Onde se inspiram e sobre que falam as vossas canções? As músicas são simples porque é assim que as conseguimos fazer. Pegamos em alguns instrumentos,


AS NOSSAS MÚSICAS SÃO SIMPLES PORQUE É ASSIM QUE AS CONSEGUIMOS FAZER

tocamos umas notas e se nos soar bem, fica assim. Mas estamos sempre com vontade de experimentar coisas novas que vamos aprendendo. Quanto às letras, normalmente têm sido sobre o conceito de relação, seja ela amorosa, de amizade, familiar, seja entre nós e outras pessoas ou animais ou lugares. A ideia de relação entre duas “coisas” está normalmente presente. Não sabemos bem porquê, mas isso parece estar sempre no nosso subconsciente. O disco “How Music Fits Our Silence”, como é maior e foi feito com mais tempo e calma do que os EPs anteriores, acaba por tentar contar uma história não linear de um amor (não o nosso, mas um em abstracto) que nasce, vive e morre. 7. Como foi a experiência de subir a um palco e enfrentar o público pela primeira vez?

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NÃO TÍNHAMOS PLANEADO FAZER CONCERTOS MAS ACEITAMOS O DESAFIO SÓ PARA EXPERIMENTAR E VER COMO CORRIA.

Foi em Évora, em Outubro de 2010. Uns meses antes recebemos um telefonema da programadora da Sociedade Harmonia Eborense que, recomendada pelo responsável do site Vai Uma Gasosa, nos contactou. Ficámos muito surpreendidos…

E como era longe de Coimbra e ninguém nos conhecia, arriscámos em fazer má figura. Mal sabíamos que um grupo de vários amigos de Coimbra ia fazer quase 400 kms (e ainda bem) para nos fazer uma surpresa.

Correu bem, foi engraçado, a sala estava cheia e o público curioso e bem disposto. Esse concerto foi para nós próprios um teste. Não tínhamos planeado fazer concertos, mas aceitámos aquele desafio só para experimentar e ver como corria.

8. Li recentemente num artigo* uma frase que classificava o vosso projeto como sendo “absolutamente pouco profissional, rudimentar, pouco afinado, nada virtuoso, mas cheio de amor.”. O que têm a dizer sobre isto?

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Como dissemos na pergunta anterior, o responsável desse site foi uma das pessoas que ouviu os nossos primeiros EPs e, como gostou, divulgou. Nós não o conhecíamos, ele descobriu-nos pela internet, mas quando ele nos disse, por e-mail, que nos tinha recomendado à Sociedade Harmonia Eborense nós respondemos, cheios de medo de não cumprir expectativas, que o projecto era “absolutamente pouco profissional, rudimentar, pouco afinado e nada virtuoso” e acrescen-


támos “mas cheio de amor...”. Ele achou piada a essa frase e usou-a no artigo dele. E a partir daí também começou a ser usada também noutros meios. 9. Em diversos vídeos dos Birds Are Indie é possível ler “A música portuguesa a gostar dela própria”. Qual o motivo que vos leva a fazer tal afirmação? “A música portuguesa a gostar dela própria” é um site/projecto liderado por Tiago Pereira, com vários colaboradores, que tem o objectivo de documentar e divulgar a música feita no nosso país, seja a de raízes mais tradicionais à de expressão contemporânea. Esses vídeos foram gravados por eles e ficámos muito contentes com o resultado. Foi uma tarde bem passada no Parque de Monsanto, em Lisboa… 10. E planos para o futuro, existem? Para quando podemos esperar o lançamento de um novo disco?

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É possível que editemos um EP novo ainda este ano… Mas ainda não é certo, depende se teremos tempo para o gravar ou não… Quanto a um novo longa-duração, pode ser que algures pelo meio de 2013 haja um novo… Ou então não, logo se vê… 11. Por fim, uma mensagem que gostariam de deixar aos leitores da Radar. Esperamos cruzar-nos convosco por aí, num concerto ou na internet…

é possível que editemos um ep novo ainda este ano


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O ESTILISTA BRACARENSE “A INDIVIDUALIDADE DE ALGUMAS PESSOAS FASCINA-ME”

1. Antes de mais nada, quem é o Estilista Bracarense? Gosto de pensar em mim como um criador incansável de imagens. Esse é o João Mota, o Estilista Bracarense. 2. Como surgiu este teu interesse pelo mundo da moda?

JOÃO MOTA PODE SER UM NOME ESTRANHO PARA MUITOS, MAS O SEU ROSTO É JÁ CONHECIDO NA BLOGOSFERA E NAS RUAS DE BRAGA. A RADAR QUIS CONHECER MELHOR O ESTILISTA BRACARENSE

Desde novo que tenho algum fascínio pela moda. Gosto da riqueza da imagem ligada a este mundo, pelo movimento, pela música, pelas cores, texturas, padrões. E sempre gostei de vestir bem, quebrar a rotina, usar coisas diferentes... eu acho isso tão saudável, se assim não fosse o mundo era muito cinzento 3. Que razões te levaram a criar um blog e porquê “O estilista bracarense”? Uma das razões está ligada à resposta à pergunta anterior,

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pela riqueza pictórica, para dar um bocado de cor e movimento aos dias. Sentia a necessidade de fazer algo novo no meu trabalho. Já acompanhava blogs do género e pensei, se sou fotógrafo e se gosto disto, porque não fazer também? E assim foi, carreguei a camera e saí pra rua em busca de pessoas com carismas e estilos giros. 4. Na hora de captar um oufit nas ruas de Braga, o que te prende a atenção na escolha dos mesmos? A individualidade de algumas pessoas. Fascina-me a forma individual e muito natural que certas pessoas têm em vestir-se, que na maior parte das vezes fazem misturas muito interessantes. Eu vou à procura disso, de estilos muito vincados e que resultem num global bonito e diferente.


17 •fotografia: Designfreebies Magazine www.designfreebies.org filipe• castro


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alegrar o meu dia, de quebrar o monótono. Não sou daquelas pessoas que se veste para os outros, que quer aparentar algo ou exibir algo. 6. Sendo tu um apaixonado por moda, quais os teus estilistas e marcas de eleição? 5. Apesar de o teu blog ser focado no street style bracarense, já presenteaste os teus leitores com alguns dos teus outfits. Como caracterizarias o teu estilo? Bom, antes de mais gostava de corrigir que o meu blogue não se foca só no street style bracarense, já tenho fotografado em outras cidades. Onde eu for eu fotografo e esse é o

objectivo. Quanto ao meu próprio estilo, identifico-me muito com as pessoas citadas em cima. Sou assim muito individual também. Não vou à procura do último grito de tendências, misturo tudo o que me dá prazer, inspiro-me em várias coisas, em música, cinema, revistas, livros, muitas vezes recentes e muitas vezes de décadas e épocas passadas. Vestir para mim é um prazer, uma forma de

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Curiosamente não tenho estilistas favoritos e marcas de eleição. Eu acho que cada um e cada uma têm coisas bastante interessantes e outras menos. Mas posso-te dizer que o Scott Schuman é uma das pessoas que me inspira bastante, não sendo um estilista ou uma marca.

eu sou sempre o estilista bracarense... nunca páro


10. Quando não és o Estilista Bracarense, como ocupas o teu tempo livre? Eu nunca dispo o fato de Estilista Bracarense(risos) Eu sou sempre o Estilista, quando estou no café ou na praia ou no parque, estou sempre a registar pessoas e imagens, nunca páro.

11. Completa a frase: Pouca gente sabe que... Isso agora fica na curiosidade de cada um... bom, gosto de coleccionar perfumes e gravatas por exemplo, sou apaixonado pelos acessórios que existem para homem, tenho prazer em ser homem. 12. Por ultimo, uma mensagem que gostarias de partilhar com os nossos leitores Sigam sempre em busca das vossas paixões e sonhos. Quem não arrisca não petisca, esqueçam o que muitos pensam, não são eles que vivem a vossa vida, nós é que somos os autores da nossa própria história e só a podemos escrever uma vez, por isso façamo lo em grandeza.

8. Estando a música notoriamente ligada ao mundo da moda, diz-nos: o que é possível encontrar no teu mp3? Tal como a minha individualidade camaleónica, também sou assim camaleão na música e já agora David Bowie é um dos artistas que fazem parte do meu rol, entre outros tantos. Podes encontrar anos 80, muito post punk por exemplo, como rock mais recente, electrónica.. depende muito também do estado de espírito em determinados momentos. 9. Enquanto blogger, como classificas a situação actual deste universo virtual no panorama português? É muito benéfico, permite alargar os horizontes e chegar a sítios onde antes não tínhamos chegado. Querem saber mais? Nós temos muito a mania que o que vem de fora é bom, mas somos muito ricos em cultura, tradições e muitos outros valores.

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fotografias: joão mota


MAGIC IN THE WOODS FOTOGRAFIAS DANIELA RODRIGUES MODELO JOANA MELO

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FRANKENWEENIE

film review o regresso de tim burton às origens

Q

Quase trinta anos depois, Tim Burton resolveu ir ao passado e transformar a sua curta-metragem de imagem real, realizada em 1984, numa longa-metragem em animação stop motion e em 3D.

ualquer filme realizado por Tim Burton torna-o, imediatamente, num filme de visualização quase obrigatória.

demasiado sombria para as crianças, homenageando, através dos sobrenomes de alguns personagens, os grandes nomes dos filmes de terror.

Inspirado no clássico filme de terror “Frankenstein”, de 1931, “Frankenweenie” é uma adaptação da obra de Mary Shelley que conta a história de um rapaz chamado Victor, um rapaz estranho, que não tem amigos mas possui um enorme talento para a Ciência

Apesar de o argumento do filme não ser classificado como brilhante, este é divertido, possui bons personagens e o seu aspecto visual está tão bem conseguido que faz com que este se distinga dos restantes filmes de animação.

Após o seu cão, Sparky, ter morrido num atropelamento, o pequeno cientista resolve fazê--lo regressar do mundo dos mortos. Para tal, recorre aos mesmos métodos que o Dr. Frankenstein. No entanto, Sparky não regressa exactamente como era. Frankenweenie é, então, o regresso de uma história que na década de 80 a Disney considerou

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O trabalho de vozes está, também ele, bem conseguido, bem como toda a componente sonora do filme, que liga as cenas na perfeição. O silêncio também foi usado com mestria, enfatizando algumas das cenas na perfeição. Indubitavelmente um dos melhores filmes de animação de 2012. Fotos: Disney


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DESTROIKA. ME Combater a crise utilizando a crise Uma ideia que surgiu, ganhou forma e que aos poucos tem conquistado os portugueses

Os nossos políticos nunca nos deixam ficar sem material para mais “troikadilhos”

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Não há dia em que a palavra troika não seja utilizada pelos portugueses e são já muitos os que a utilizam de forma criativa para se manifestarem. A Destroika.me é um bom exemplo disso. Criada por Paulo Veiga e Miguel Vale, designers de comunicação de Castelo Branco, esta é uma loja online que utiliza a crise para combater a crise de uma maneira bastante original e peculiar.


“ÁS VEZES NÃO É PRECISO MUITO DINHEIRO. BASTA UMA BOA IDEIA”

1. Em primeiro lugar, falem um pouco sobre vocês. É sempre difícil falar sobre nós mas penso que se dissermos que somos dois amigos apaixonados pelo design e por todas as subculturas que o rodeiam não andaremos longe da verdade. Profissionalmente, somos os dois designers de comunicação. 2. Como surgiu a ideia para criar o projecto Destroika.me? Quando fomos “picar o ponto” à manifestação de 15 de Setembro, ficámos surpreendidos com os “dizeres” de alguns dos cartazes, frases despretensiosas, gritos de revolta que nos eram apresentados de forma extremamente criativa e com sentido de humor. No dia seguinte, quando comentávamos um cartaz em particular (Destroika-me s€m euros), lembrámos-nos: “E se fizéssemos uma t-shirt com esta frase?”. Rapidamente percebemos que muitas mais tinham potencial para passar a t-shirt. 3. Em que consistiu o processo de ‘passar do papel à acção’. Foi complicado ou nem por isso? O processo foi extremamente rápido: começámos por fazer a seleção das frases que queríamos passar a t-shirt ao mesmo tempo que começámos a “inventar” outras. No mesmo dia, comprámos o domínio, criámos o Gmail e o Facebook e falámos com fornecedores. Depois do Facebook criado, foi mostrar aos amigos e esperar pelo feedback.

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4. E a adesão do público tem sido boa?

através de transferência bancária. Assim que recebermos o comprovativo de pagamento, damos início ao processo de produção e posterior envio.

Sim, o feedback tem sido extremamente positivo, as pessoas identificam-se com as frases mas também nos felicitam pela proatividade do projeto e/ou porque gostam da linha gráfica que escolhemos.

7. Não é novidade que a situação do país está bastante complicada. Tendo em conta que arriscaram num projecto empreendedor nesta altura do campeonato, que conselhos gostariam de deixar aos portugueses que pretendem lançar-se numa aventura semelhante?

5. Actualmente é possível encontrar alguns modelos de t-shirts no vosso site e página no facebook. Estão a pensar alargar o stock? Sim, estamos a pensar em longsleeves e sweatshirts. As frases essas vão continuar a surgir: os portugueses mostraram-se muito criativos e os nosso políticos também nunca nos deixam ficar sem material para mais ‘Troikadilhos’.

FACEBOOK.COM/DESTROIKAME

6. Como é que as pessoas podem adquirir as vossas t-shirts? Neste momento, basta enviar um email para destroika.me@ gmail.com indicando: o tamanho (S,M,L, XL) há modelo masculino e feminino, o desenho/frase e a cor (preto, cinza escuro, verde ou vermelho) que pretende. O pagamento das t-shirts (€10,00 t-shirt + €2,00 portes) deve ser feito

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Gostaríamos de nos dirigir principalmente aos que estão desempregados porque também nós, em alturas diferentes, já enfrentámos situações de desemprego, um de nós bem recentemente, e dizer aquilo que dizemos aos nossos amigos: “Mexam-se! Não se deixem dormir! Façam coisas! Envolvam- se em projetos! Não se chorem!”. Às vezes não é preciso muito dinheiro, basta uma boa ideia, acreditar nela e vontade de alterar as coisas e jogar o fatalismo pela janela fora. Se falhares, não faz mal: sempre nos disseram que é a cair que se aprende a andar.


SUGESTões Radar

OLympia

the black mamba

Minta & The Brook Trout

The Black Mamba

Olympia é o segundo longa-duração de estúdio de Minta & The Brook Trout, e chega três anos depois da edição do primeiro álbum. A banda, Francisca “Minta” Cortesão (voz e guitarra), Mariana Ricardo (voz, baixo e ukulele), Manuel Dordio (guitarra eléctrica e lap steel) e Nuno Pessoa (bateria e percussão) usou esse tempo para escrever as dez canções que o compõem e para, com toda a calma do mundo, encontrar a melhor maneira de as vestir.

“The Black Mamba” é o nome do trio formato por Pedro Tatanka (voz e guitarra), Ciro Cruz (no baixo) e Miguel Casais (na bateria). O primeiro encontro destes três músicos dá-se em 2010, altura em que, da união dos seus talentos musicais, surge um som único que mistura a soul music, com o blues e o funk. A sua musicalidade é tão profunda e marcante que os próprios sentiram que “o veneno letal” da sua música estava lançado: assim nascem os “The Black Mamba”. As apresentações nos bares e clubes lisboetas não pararam de acontecer e a edição de um álbum tornava-se imperativo.

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Não é Meia Noite Quem Quer

O alfaiate lisboeta

1001 filmes para ver antes de morrer

António Lobo Antunes

José Cabral

Steven Jay Shneider

O enredo do livro desenvolve-se em três dias, sexta-feira, sábado e domingo. Uma mulher com cerca de cinquenta anos vai passar um fim de semana na casa de férias da família numa praia. A casa, modesta, foi vendida e ela quer despedir-se da casa, mas também relembrar tudo o que se passou ali. Vem depois a sua vida actual, mal casada, sem filhos, professora numa escola como tantas outras, com uma relação frustrante e sem entusiasmo com uma colega mais velha... O falhanço que é a sua vida reflecte-se na casa há muito desabitada e nos sonhos de todos eles, ali irremediavelmente enterrados. A despedida da casa pode levá-la a imitar o irmão mais velho e, no domingo, atirar-se das arribas e encerrar ali uma vida sem futuro.

Este livro é uma compilação de momentos. De momentos que José Cabral, autor do blogue O Alfaiate Lisboeta, achou que valeria a pena guardar e partilhar com o resto mundo. Não é um livro somente sobre estilo, é também um livro sobre pessoas e sobre o significado que têm para o autor. Porque o que todas estas pessoas têm em comum é que, muito antes de José Cabral as ter fotografado, elas já eram momentos - desses que nos fazem olhar para trás e comentar para o lado.

Considerado pelo público e pela crítica um livro incontornável, “1001 Filmes para ver antes de morrer” é uma viagem extraordinária pela história do cinema. Aqui se encontram os filmes que ninguém esquece, os filmes que gostaríamos de ver outra vez e até mesmo os filmes da nossa vida. Uma obra que não pode estar ausente da sua estante sobre a 7.a arte, agora disponível numa edição actualizada em 2011.

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SINOPSES Wook.pt / Fnac.pt


No RADAR... sugestões radar: alguns dos espectáculos a não perder durante o mês de novembro

Skunk anansie 7 novembro - 21h00 coliseu do porto

peter hook 8 novembro - 21h00 centro cultural de belém

andrew bird 10 novembro - 22h00 aula magna, lisboa

gotye 17 novembro - 21h00 campo pequeno, lisboa

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the black keys + the maccabees 27 novembro - 20h30 pav. atlântico, lisboa

Dead Combo 24 novembro / teatro municipal - vila do conde

e ainda...

música The Legendary Tigerman & Rita Redshoes 10 de Novembro de 2012 (Sábado) Casa das artes, arcos de valdevez

Fear Factory + Devin Townsend Project 18 de Novembro de 2012 – 20:30 (Domingo) Hard Club, Porto

God Save the Queen 24 de Novembro de 2012 – 21:15 (Sábado) coliseu do porto

Seether 25 de Novembro de 2012 – 21:00 (Domingo) TMN ao Vivo, Lisboa

Misty Festival - vários artistas porto, lisboa e sintra) de 1 a 19 NOVembro 41 • Designfreebies Magazine • www.designfreebies.org

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