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R.I.P. - Read In Peace E se ao menos o medo, o velho e conhecido medo sobrevivesse, talvez eu ainda, fiapo qualquer de mim, em resquĂ­cios de febre poderia viver se

Vazio

(...) mas embargada cala-se a tola verve de sufocantes cinzas vestem-se minhas retinas E vazio queda-se o horizonte. E vazia queda-se, triste ĂĄnima mia.

por Tânia Souza


ores d a d a uz Pre ia So o filme rte n si l â or T sobre da Mo use Bra p , o o s es zi ho : Va pressõ os Olho avens H sa a r tron u s m R t o i A r E a R s e o a d r b ! o so de A ethânia, bre o liv . Raven Cristian concur stronho o t x E o R r ] Te la so ilva do B om es d , po mé [ 03 ] Segun mado fa evista c uando s ediçõ també Cesar S q a r r [ 06 M. D. A ase ent vez em primeir e - Terri tesia de r u [ 11 ] Uma q ssico de as duas Balion ros - co n v d ] i á o l s [ 13 Um cl icontos Ger a cinco I.P. m ] n o i i . 6 c e [1 3 m Tapa P. sort as da R 2 ] . a c I [ 19 ] Cara ção R. ai - Di [ 33 ] Promo ndo por a [ 39 Naveg ] 1 [4

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6 Depois de Schwarzenegger, os Predadores nao foram mais os mesmos Sexta-feira passada estreou o mais recente produto da franquia “Predadores”, cujo primeiro filme, estrelado pelo atual “governator” Arnold Schwarzenegger, surgiu lá pelos idos de 1987. Depois da sequência mediana que o transportou para a agitada e “futurista” Los Angeles de 1997 [o segundo filme saiu em 1990] e dos crossovers que colocaram em lados opostos os caçadores espaciais e os aliens de Ridley Scott, o novo filme vem com a missão que retornar o interesse do público por este que é considerado por muitos como um dos clássicos oitentistas de ficção científica. Mas, voltemos ao começo de tudo. No filme de 1987, vemos um jovem Schwarzenegger na pele do major Alan “Dutch” Schaefer, o líder de uma equipe de resgate que tem a missão de encontrar alguns funcionários do governo americano que desapareceram em uma selva da América Central. Coisa que não muda muito em se tratando da visão americana em relação à América abaixo do Novo México, o grupo acredita que eles caíram nas mãos de guerrilheiros, e parte em missão de resgate. Mas, o que eles não imaginam é que a floresta esconde uma ameaça muito mais mortal do que um bando de homens armados; afinal, mesmo que ainda não saibam, o que eles terão de enfrentar é um ser vindo de outro planeta, um caçador fortemente armado que sente um prazer todo especial em caçar e matar. Dirigido por John McTiernan, responsável por sucessos como “Duro de Matar” e “Caçada ao Outubro Vermelho”, o filme volta e meia se confunde entre a ficção científica, o suspense e o terror, e de fato ele agrega estes três elementos de modo crescente ao longo da história. O filme, no início, é basicamente sobre um bando de soldados parrudos e suas armas poderosas que são despachados pelo governo e atirados em uma floresta no meio do nada. Missão iniciada, os soldados se embrenham na mata e encontram um acampamento totalmente destruído, revelando um poder de fogo muito maior do que o que se poderia esperar de um bando de guerrilheiros terceiromundistas. Essa é a primeira pista de que algo não está muito certo e é justamente a partir daí que o filme começa a trabalhar uma mistura de suspense e ação que vai perdurar até quase o seu final, onde o elemento ficção entra e transforma essa salada toda num prato cheio para os amantes da pancadaria high tech [obviamente, um high tech mais de acordo com os padrões tecnológicos do ano em que o projeto foi concebido].


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Durante a parte inicial do filme, vemos apenas os tais homens e suas armas tentando levar a missão a bom termo, enfrentando seus próprios anseios em meio a uma floresta que se torna cada vez mais fechada e claustrofóbica [efeito conseguido graças as exuberantes matas próximas a Puerto Vallarta, no México], talvez como um reflexo automático de suas próprias aflições e angústias. Não que o filme abra espaço para esse tipo de diálogo, afinal, o cinema de ação numa foi dado a estes sentimentalismos bobos, mas acho que vale, ao menos, a menção! A nota dissonante neste cenário começa a aparecer aos poucos, uma visão distorcida aqui, uma silhueta infravermelha ali, um corpo despedaçado e pendurado acolá... Mas, espere! Estou indo rápido demais, muito diferente do filme. McTiernan, sem pressa, vai construindo o Predador do título aos poucos, e até avançada bem mais da metade do filme, sequer vislumbramos sua figura completa. E essa é a parte mais acertada de tudo. A figura do caçador, mais do que sua aparência emblemática, vai sendo construída pela visão [ou não visão] da caça, do terror expressado por cada vítima que ele faz e pelas armadilhas e aparatos que cerca sua figura misteriosa. Mortos um a um, é hora de acabar com a festa e ostentar a cabeça do líder da trupe na mesa de troféus. E aí, claro, vemos o protagonista entrar em ação e se transformar de caça em caçador. Soa meio forçado que um caçador espacial, pleno dos mais mortíferos artefatos bélicos (in)existentes seja ludibriado por um punhado de lama, mas perdoadas as devidas idiossincrasias do roteiro, passamos para o final explosivo do filme, tendo um Schwazza versus Predador que não deixa nada a dever a muito filme de ação que veio depois dele.


8 Falar de atuação num filme de ação é irrelevante, mas vale chamar a atenção para o ótimo monstrengo criado por Stan Winston, o mesmo responsável por outras memoráveis criações, como os aliens de “O 8º Passageiro”, o robô “d’O Exterminador do Futuro” e o ótimo Edward e suas Mãos de Tesoura. O filme, que recebeu uma indicação ao Oscar de efeitos especiais, custou cerca 18 milhões de dólares e arrecadou mais de 100 milhões, sendo 60 deles apenas nos Estados Unidos. Um dado curioso sobre sua pré-produção foi a participação do astro de luta e ator nas horas vagas Jean-Claude Van Damme, que após dois dias de trabalho desistiu do serviço porque seu nome não apareceria nos créditos como o rosto por trás do Predador. De carona no sucesso do primeiro filme, em 1990 o diretor Stephen Hopkins pegou a ideia e a persona do Predador e o inseriu no ambiente urbano da tumultuada cidade de Los Angeles. Na sequência “Predador 2”, que trouxe como complemento na tradução nacional o insosso subtítulo “a caçada continua”, temos basicamente a mesma história do caçador versus caça do primeiro filme. A diferença? Sai a floresta e entra a cidade, sai Schwarzenegger e entra Danny Glover. Sem contar que, aqui, perdemos o elemento surpresa, a novidade. Na história, somos jogados numa Los Angeles dominada pela guerra entre traficantes colombianos e a polícia, que transforma as ruas num campo de guerra. Em meio a essa disputa, o detetive Mike Harrigan planeja formar um grupo de elite com tiras de diferentes etnias para tentar por um pouco de ordem na bagunça. Mas, não bastasse a violência dos traficantes e a corrupção na polícia, seus problemas pioram ainda mais quando os integrantes das quadrilhas passam a ser brutalmente assassinados por um ser desconhecido, algo que tem o poder de ficar invisível. E como desgraça pouca é bobagem, a coisa se complica de vez quando a tal criatura escolhe Harrigan como seu principal alvo. O filme não foge da fórmula do primeiro em quase nada, o que acaba prejudicando seu andamento. Porém, mesmo assim, ele não fez feio no cinema, garantindo um bom punhado de dólares para os estúdios Fox e abrindo o leque para uma série de novos produtos. Aliás, uma das coisas mais interessantes do segundo filme [pelo menos era, a princípio] foi a insinuação em uma das cenas de que os predadores também caçavam os aliens, as criaturas surgidas no filme “Alien, o 8º Passageiro”, de Ridley Scott. No início dos anos 1990, o Predador se tornou uma franquia de sucesso da Fox, tendo suas histórias transpostas para os quadrinhos, pela Dark Horse, e para os games, pela Nintendo – como o famoso Alien Vs. Predador para o SuperNes, que originaria mais tarde os dois futuros crossovers. Pulado do cinema para as HQs, o Predador teve pela frente o Batman, o Super-Homem e até o Exterminador do Futuro.


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Pegando a ideia surgida lá no finalzinho do segundo filme – mais o empurrão dado pelos games e por uma minissérie em quadrinhos lançada em 2004 –, eis que o diretor Paul W. S. Anderson resolveu trazer para a telona o confronto entre aliens e predadores e em 2004 chegava aos cinemas “Alien vs. Predador”, o terceiro filme da franquia – ou o primeiro crossover entre as franquias – que ainda teve uma corajosa sequência em 2007. Neste filme, a história, que já passou pelas florestas da América Central e por Los Angeles, foi transportada para a Antártida, quando um súbito pulso de energia faz com que o excêntrico milionário Charles Bishop Weyland [Lance Henriksen] reúna uma equipe de cientistas para investigar sua descoberta: uma pirâmide milenar enterrada sob o gelo. A equipe, uma mistura de todos os estereótipos clássicos dos filmes de gênero, indo do nerd assustado ao militar durão, é liderado pela corajosa Alexa Lex Woods [Sanaa Lathan] que tem a missão de manter todos vivos. Embora tenha uma premissa interessante, o filme escorrega feio da metade em diante, e todos os elementos que apareceram em seus antecessores, como o suspense do primeiro e a violência do segundo, aqui são meramente jogados na tela, tornando o filme vazio. Fora isso, o longa ainda sofreu severos cortes para se adequar a censura, o que acabou por complicar ainda mais a história. Mesmo diante de todos estes problemas, o filme ainda conseguiu gerar uma sequência, que também não foi vista com bons olhos pela crítica. Agora, quase 25 anos depois do primeiro filme, uma nova aventura revisita o universo destes caçadores espaciais. O novo “Predadores”, cuja produção ficou a cargo de Robert Rodriguez, é estrelado por Adrien Brody, um mercenário que se vê obrigado a liderar um grupo de combatentes de elite ao descobrir que eles foram levados para um planeta alienígena para servirem como presas. À exceção de um médico que caiu em descrédito, todos são assassinos frios: mercenários, mafiosos da Yakuza, presidiários e membros de esquadrões da morte, ou seja, todos são “predadores” humanos que agora serão sistematicamente caçados e eliminados por uma nova raça de Predadores alienígenas. O filme, com direção de Nimrod Antal, ainda traz no elenco Topher Grace, Laurence Fishburne, Danny Trejo, Walton Goggins, Oleg Taktarov e a brasileira Alice Braga. A estreia no Brasil aconteceu dia 23 de julho.

[Matéria originalmente publicada no site de cultura e entretenimento Outra Coisa, em 27/07/2010] as de algum 3º fez parte o e Já s r. o d to a ri c ário e esc ontos Não Identifi nenhuma it c li b u p m heiro é UFO, C dadores e Rober Pin como a antologia ntrou Pre o c n e , o is ã ia n mas s espac ginários, aventura leção Ima o C a d e volum delas. ot.com eiro.blogsp h in rp e b ://ro Blog: http .


M. D. Amado fala sobre o livro

Aos Olhos da Morte

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Aos Olhos da Morte era, inicialmente, um blog que havia criado em meados de 2006, onde publicava meus primeiros contos e textos, que tinham como tema a morte. Algum tempo depois juntei os textos desse blog e de outros que eu possuía e criei o meu site (www.mdamado.com.br), mas esse nome ficou martelando na minha cabeça. E quando alguns amigos e leitores começaram a me jogar a ideia de que deveria publicar um livro somente de contos de minha autoria, não poderia usar outro nome a não ser esse. Dentre os 21 contos que você encontrará no livro alguns foram escritos logo no início de minhas experiências com as escritas, mas é claro que foram agora revisados e com algumas partes reescritas. E muitos foram escritos exclusivamente para o livro, como o conto que leva o título da obra, em homenagem ao talento e a amizade de uma grande amiga e poetisa, Natacia Araújo. Eu a escolhi para ser a minha morte. A morte do homem, do escritor e aprendiz de poeta. E esse conto, que abre a sequência de textos do livro, talvez seja o que melhor representa o espírito do livro e a visão que tenho/sonho em relação à morte. Em outros contos, a morte se apresenta de várias formas, mostrando suas várias faces. Ela pode ser cruel e apavorante sim, mas não é só isso a Morte. Ela pode ser suave, pode ser amável e surpreendente. Ela pode amar, transar, fazer parte da história e ser... Você. Aos Olhos da Morte não é um livro de terror. Não é um livro de suspense. É um livro onde tentei jogar no papel os meus sentimentos e o de tantas outras pessoas que gostariam muito de ver a Morte sob o seu próprio ponto de vista. Queremos ver a Morte, aos olhos da Morte.

SINOPSE

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Quem nunc a teve med o da morte Descubra, ? Ou estrem através de vista de co stas página eceu a sim ragem, fam ples mençã iliarize-se co s, o quanto você te o hálito gé o dessa pa me o inev m ela, mer lido da mor lavra? itável. Está gu te lh , e en ne ca Neste livro stes parágr re seus olho preparado af , M. D. Am para enfren os e descub s e deixe-se mano: dor, ad tar a morte ra a dor e a o nos reve beijar. ódio, ? la as várias beleza em cada conto. Se surpreende medo, saudade, revo facetas da m ntes, sem Sinta orte e todo limites entr lta... E amor. Tudo m aravilhosam s os sentimentos qu e o mórbido e pr ente escrito e o belo. En em 21 cont ovoca no ser hutre, seja be m-vindo. A os emocio na final, a mor te nos espe ntes e ra...


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R. Raven

GARIBALDO: Hoje... – Ou ontem, talvez amanhã... Porque tudo depende de quando você vai ler esta entrevista... – estamos recebendo a mordedora de pescoços mais gente boa do underground paulista, R. Raven, que além de fazer parte da equipe Ravens House Brasil, ainda é obrigada a aturar a presença constante do sr. Iam Gore Godoy, que assina a coluna Sangria no Estronho e Esquésito. Seja bem-vinda Raven... RAVEN: Obrigada, coisinha fofa... GARIBALDO: Só... Elas dizem isso... Elas dizem... Bem... Desde quando você se descobriu fã da cultura gótica e essas... coisinhas estranhas que vocês curtem? RAVEN: Desde pequena (e graças a minha mamãe) sempre fui atraída pelo fantástico e pelo grotesco (incluindo o Garibaldo antigo, que diga-se de passagem eu morria de medo e nada tem a ver com essa fofura atual) e depois de grande resolvi escrever tendo como pano de fundo os meus medos da infância. (Silêncio no porão... Garibaldo olhando para o nada) RAVEN: Cof... cof! GARIBALDO murmurando: Eu tinha que fazer alguma coisa... RAVEN: Err... Não seria continuar a entrevista?


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GARIBALDO levanta e sai dizendo: Só... Já é... Falae! Vou dar um pulinho em Amsterdã comer um bolo... Falae, falae... RAVEN boquiaberta, talvez pensando no bolo de Amsterdã, faz uma pausa e olha para um pontinho preto que julga ser um microfone: Vamos lá então, considerando a educação do meu anfitrião... hehehe!

Na adolescência, veio a paixão pela literatura e grandes poetas malditos desfilavam na minha mente doentia. Eu era a "Carrie a Estranha" na aula de literatura por causa de meus gostos um tanto singulares. Minha outra paixão é o desenho, onde uso poesia e fantasia como inspiração, alguns toques obscuros e eróticos também fazem parte da atmosfera que gira ao redor dos meus trabalhos gráficos. Depois de tanto envolvimento com o "lado negro da força" conheci Iam Godoy (que me dá mais medo que o Garibaldo!!! ) e juntos fundamos a Ravens House Brasil, um grupo dedicado a divulgação da arte underground em geral. No grupo edito vários trabalhos, mas meus favoritos são o Raven Pictures - um blog dedicado a grandes ilustradores, clássicos e contemporâneos - e o e-zine Flores do Lado de Cima que possui como foco apresentar a subcultura gótica e o obscurantismo literário. Atualmente temos alguns projetos que estão saindo dos porões empoeirados da House entre eles a compilação "RHB Underground Collection" e os e-books "Contos e Cantos Escuros" e "Vita Sub Tenebras". No mais fiquem atentos as novidades do site da RHB e eu tô saindo fora porque meu senso aracnofóbico me diz que quando entrei aquela mancha no canto esquerdo da parede estava no canto direito...

...ooo... Em algum lugar nos céus de Belo Horizonte, GARIBALDO resmunga: Cara, eu tenho a sensação de que tava conversando com alguém... Que coisa loka meu velho... Pra onde eu ia mesmo?

Flores do La do de Cima http://flore sdoladodec ima.blogsp ot.com Ravens Hou se Brasil http://rave ns-house-b r.webnod

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Falar de livros revela-se algo bem relativo, pois estamos tratando de gostos. O que se pode fazer são 3 coisas: mostrar o quanto a leitura ajuda na melhoria da qualidade de vida do ser humano, incentivar o ato de ler para crianças, jovens e adultos, e indicar bons livros para orientar o leitor, seja ele experiente ou não. É interessante observar que existem tipos diferentes de leitores, e que apenas chamar de leitor aquele que sempre está lendo um livro é errado. Claro que temos pequenos, médios e grandes leitores, mas se tratando de arte, qualidade vale muito mais do que quantidade. Por isso, um leitor maduro não é aquela pessoa que lê e tem mais de 40 anos de idade, mas sim, aquela que já tem experiência com a leitura, que possui uma bagagem literária diversa e sabe exatamente o poder da literatura. Esse leitor maduro também já desenvolveu a criticidade literária, o que só se conquista após anos de prática, podemos por assim dizer. A questão é que é muito bom ficar por dentro dessa nova literatura, dos lançamentos e tudo mais, porém, leitor que é leitor, nunca pode se esquecer dos clássicos. Os clássicos são aqueles livros dos quais, em geral, se ouve dizer: "Estou relendo..." e nunca "Estou lendo...", como já afirma Ítalo Calvino no seu livro Por que ler os clássicos. Outra afirmação que também podemos destacar aqui, também de Calvino, é "Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer.". E essa leitura é a das melhores, em que não lemos o livro só pelo livro ou pela história, mas todos os conflitos da trama se refletem com os nossos próprios, assim, não descobrimos apenas novos mundos com a literatura, mas fazemos o mais importante: redescobrimos o nosso próprio! Sendo assim, há uma infinidade de livros que conhecemos só pelo título, autor ou pedaços de enredo, mas não nos aproximamos deles por achar que são antigos e que de nada nos acrescentarão. Porém, a ideia certa é bem a contrária, são exatamente esses livros que nos trarão embasamento para compreendermos a literatura atual, e somente com suas leituras é que saberemos realmente o que são, como são e por que são clássicos.

http://www.blogcriandotestralios.com


Vencedores do 1 concurso de minicontos do Estronho, 2009 o

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Esho e stron número E e t i s io s pelo ião fo quele lizado sto na ocas orados na a e r s o to em a prop o com inicon e de m tos. O tem vam send o s , Jorg r u a omes 8 liicon e est conc n G i u o q o r m i tr 1 o e s 76 nh im de Ca tia em Estro no pr ores e andre que consis 009, tos 53 aut de vida do x 2 le A m , : E s cri rêmio foram 3 ano m ins curso idiram o p , fora gem aos 1 incrições). n o o it s c é o a d iv n qu as home que d dição ício d eira e Pedersen, 13, em tembro, in m i r p o... es da se 010) abaix mês ( ção 2 dores imone Alv as. i o e d g c e o n l e a d res Os v rralho e S s e editor dores ncedo vence o Bo or autore os ve t s d r o n a o u c ni Ed sp bém os mi r tam doado os ve ordar vros, c m e e r r s e Vamo a pod eguid (em s

TELEFONEMA - 1º colocado Alexandre de Castro Gomes – Alô?... Oi, mãe... Eu estava mesmo pensando em ligar... Juro... Escutei o seu recado na secretária eletrônica mas quando cheguei já estava quase amanhecendo e não quis incomodar... Fui naquela boate nova que abriram perto do cais, a Thirteen, conhece?... Thirteen!... Pô, mãe, é treze em inglês!... O lugar? Achei exageradamente gótico, mas a música era boa e o bloody mary barato. Conheci um rapaz bonito, mãe. Você precisava ver. O cara é sangue bom demais... Horácio alguma coisa, não me lembro... Não, não é filho de ninguém importante... Tenho certeza, pode deixar... Dançamos a noite toda e depois viemos aqui pra casa... Não, mãe, tá pensando que eu sou o quê?... Namoramos um pouquinho e vimos aquele DVD do Dr. Phibes, sabe qual é?... A parte 1.... O que a mulher dele morre... O Horácio? Ainda tá aqui em casa, mãe... Você pode vir aqui me ajudar?... Isso, isso... Pode deixar que eu tenho balde e esfregão... Venha logo porque tá uma sangreira danada... Já escovei os dentes, mãe... Te amo também... Um beijo...Tchau O autor (alex@eraumavez.com.br), criador do site eraumavez.com.br para novos autores e ilustradores inf-juv, publicou 2 livros infantis pela RHJ (O Julgamento do Chocolate / Viagem Espacial Interativa) e tem outro no prelo (Condomínio dos Monstros). Terceiro lugar no I Concurso Nacional de Fábulas, terá sua história, O Travesseiro do Macaco, em destaque na Antologia Novas Fábulas Infantis (2010).


ALICE E O MONSTRO DEBAIXO DA CAMA - 2º colocado

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Cláudia Zippin Ferri Pavor. Palavra perfeita para descrever o que sentia quando a luz se apagava e voltava para a solidão de seu quarto. Solidão? Antes fosse... era ela e o maldito monstro que morava debaixo da cama. Inúmeras vezes tentara explicar para a mãe, que o monstro existia e que só podia ser percebido quando ela ficava sozinha, no meio da noite, e quando a luz se apagava. Inútil... Mamãe não acreditava. Mas também não explicava os arranhões e hematomas que, vez por outra maculavam seu corpo. E o cheiro horrível que o monstro exalava... tentava descrever, mas a mãe não entendia. Chamava a coisa de ‘imaginação’. Mas agora, o que eram pequenas investidas torturantes ficara muito mais evidente. O monstro estava mais violento, enorme, cruel... A mãe dormia no quarto ao lado, embriagada como sempre, e o monstro saíra debaixo da cama, envolvendo Alice, com seu hálito fétido e apetite bestial. Pela manhã, um corpinho sem vida. No relatório da polícia, mais um caso de criança violentada pelo padrasto. E a mãe? Ah... agora ela acredita em monstros. Claudia Zippin Ferri é advogada criminalista. Nascida em Curitiba em 29 de janeiro de 1966, é filha de Sergio Zippin (já falecido) e Josira Zippin. Quando criança, mudou-se com a família para Dois Vizinhos, Sudoeste do Paraná, cidade na qual reside até hoje. Casada com César Augustus Ferri, tem dois filhos: Lili Zippin Ferri e César Antonio Zippin Ferri. Na literatura, obteve vários prêmios, em diferentes cidades do Brasil, com poesias e contos. Possui duas publicações voltadas ao público infantil, ambos pela editora Mundo Maior, de São Paulo.

NOITES DE TORMENTA - 3º colocado

Geraldo Trombin Quarto lúgubre, 22 horas. Nenhum feixe de luz para apaziguar, apenas, como mamãe ensinara, um pai-nosso e o sinal da cruz. Escuridão absoluta encobrindo as marcas do desespero e inúmeras tentativas de fuga estampadas nas paredes sombrias. Mais uma noite daquelas, sem conseguir pegar no sono, enfronhada sob o denso manto mórbido da tormenta. Pesadelos medonhos, gritos alucinantes engasgados na garganta e muita agonia sufocando seus sonhos de criança. Mas, o pior de tudo ainda estava por vir — o monstro do alçapão debaixo da sua cama que insistia em aparecer geralmente na mesma hora, ameaçando, com sua voz atroz, matar seu irmãozinho, tentando a todo custo invadir outra vez, viril e violentamente, sua santa ingenuidade infantil. De repente um forte estampido e uma faísca iluminam a cena derradeira: de um lado, sua mãe empunhando um fumegante 32, do outro, aquele maldito padrasto pedófilo com um furo no peito, estirado ao chão para todo o sempre. Geraldo Trombin Publicitário e membro do “Espaço Literário Nelly Rocha Galassi” — de Americana/SP (desde 2004), lançou em 1981 o seu livro “Transparecer a Escuridão”, produção independente de poesias e crônicas. Com mais de 125 classificações conquistadas em inúmeros concursos realizados em várias partes do país, tem trabalhos editados em mais de 45 publicações.


Os 20 primeiros colocados do 2o concurso de minicontos do Estronho, 2010

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antecip o. A a ma nova n a o d ia u início de au arcar go no us, que m e também o l , o ne os ced Extra mais ionad egou a Coleção ntos selec h res do c , e auto 2010 anúncio d papel, co d o m ã e o, paç o ediçã artici car em nta d , om p unda eu por co ria a publi c g livros , e s s o A se d ue passa m 22 cont . a i o r n i s i r d i u m v c q i 5 ma nho, o con que d s e 19 da ca ção d ra o Estro mbin, utore debaixo o a r T 3 a 1 o p o . ld z1 str etapa onvidados Gera ssa ve a: O mon c Ferri e aco. os de t m i in e r t c p tores s r ip in D o. O udia Z itora rso... Foram gal e Japã rs, Clá m pela Ed oncu c u le t r h o o E n é ,P dos : Luiz es e tamb Brasil ciona r dores s sele o r Vence ários auto i e im v 20 pr s por er os l doado s o Vam

SOU EU O MONSTRO? - 1º colocado

Luiz Ehlers Alguns me chamam de monstro, mas particularmente não gosto. Vivo sob a penumbra de uma cama, porém ninguém daquela família jamais notou a minha presença, abandonando-me em uma solidão escura. Adoraria poder conversar com eles, mas não me notavam. Sob a cama, apenas conhecia a vida deles através de suas vozes. Lembro da pequena Lia, que passava horas no quarto brincando. Ali ela estava longe das vozes ferozes de seus pais. Um dia ela simplesmente parou de brincar e um menino passou a vir escondido ao seu quarto. As vozes mudaram. Quando seus pais descobriram houve brigas e Lia chorou muito sob a cama. Fiquei tão triste, mas não podia ajudá-la. Ao menos se ela me notasse. As vozes de raiva de seu pai ficaram mais altas e um dia houve sangue e muita correria. Lia sumiu e não voltou mais. O menino que a encontrava entrou furioso na casa e houve mais gritos e sangue. A mãe de Lia chorou muito e seu pai também não voltou mais. Passei mais alguns anos ali esquecido, apenas ouvindo os choros constantes da mãe de Lia. Algumas vezes quis aparecer, mas não sei se deveria ou se ela merecia. Eu ainda me pergunto: sou eu o monstro? Luiz Ehlers reside em Porto Alegre-RS, é formado em Engenharia Química pela UFRGS e trabalha na GAS ENERGY, mas sempre se dedicou paralelamente a escrita em especial à literatura fantástica. Luiz Ehlers participou das antologias Marcas na Parede (Editora Andross), No Mundo dos Cavaleiros e Dragões (All Print) e também obras inéditas. Exibe alguns textos no blog: luizehlers.blogspot.com Email: lcej2005@hotmail.com.


ALICE E O MONSTRO DEBAIXO DA CAMA - 2º colocado

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Cláudia Zippin Ferri Pavor. Palavra perfeita para descrever o que sentia quando a luz se apagava e voltava para a solidão de seu quarto. Solidão? Antes fosse... era ela e o maldito monstro que morava debaixo da cama. Inúmeras vezes tentara explicar para a mãe, que o monstro existia e que só podia ser percebido quando ela ficava sozinha, no meio da noite, e quando a luz se apagava. Inútil... Mamãe não acreditava. Mas também não explicava os arranhões e hematomas que, vez por outra maculavam seu corpo. E o cheiro horrível que o monstro exalava... tentava descrever, mas a mãe não entendia. Chamava a coisa de ‘imaginação’. Mas agora, o que eram pequenas investidas torturantes ficara muito mais evidente. O monstro estava mais violento, enorme, cruel... A mãe dormia no quarto ao lado, embriagada como sempre, e o monstro saíra debaixo da cama, envolvendo Alice, com seu hálito fétido e apetite bestial. Pela manhã, um corpinho sem vida. No relatório da polícia, mais um caso de criança violentada pelo padrasto. E a mãe? Ah... agora ela acredita em monstros. Claudia Zippin Ferri é advogada criminalista. Nascida em Curitiba em 29 de janeiro de 1966, é filha de Sergio Zippin (já falecido) e Josira Zippin. Quando criança, mudou-se com a família para Dois Vizinhos, Sudoeste do Paraná, cidade na qual reside até hoje. Casada com César Augustus Ferri, tem dois filhos: Lili Zippin Ferri e César Antonio Zippin Ferri. Na literatura, obteve vários prêmios, em diferentes cidades do Brasil, com poesias e contos. Possui duas publicações voltadas ao público infantil, ambos pela editora Mundo Maior, de São Paulo.

NOITES DE TORMENTA - 3º colocado

Geraldo Trombin Quarto lúgubre, 22 horas. Nenhum feixe de luz para apaziguar, apenas, como mamãe ensinara, um pai-nosso e o sinal da cruz. Escuridão absoluta encobrindo as marcas do desespero e inúmeras tentativas de fuga estampadas nas paredes sombrias. Mais uma noite daquelas, sem conseguir pegar no sono, enfronhada sob o denso manto mórbido da tormenta. Pesadelos medonhos, gritos alucinantes engasgados na garganta e muita agonia sufocando seus sonhos de criança. Mas, o pior de tudo ainda estava por vir — o monstro do alçapão debaixo da sua cama que insistia em aparecer geralmente na mesma hora, ameaçando, com sua voz atroz, matar seu irmãozinho, tentando a todo custo invadir outra vez, viril e violentamente, sua santa ingenuidade infantil. De repente um forte estampido e uma faísca iluminam a cena derradeira: de um lado, sua mãe empunhando um fumegante 32, do outro, aquele maldito padrasto pedófilo com um furo no peito, estirado ao chão para todo o sempre. Geraldo Trombin Publicitário e membro do “Espaço Literário Nelly Rocha Galassi” — de Americana/SP (desde 2004), lançou em 1981 o seu livro “Transparecer a Escuridão”, produção independente de poesias e crônicas. Com mais de 125 classificações conquistadas em inúmeros concursos realizados em várias partes do país, tem trabalhos editados em mais de 45 publicações.


A POBRE SINHÁ ROSINHA - 4º colocado

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Afonso Luiz Pereira Meu cumpadi Zé, vá simbora! Não entra nesse quarto, não! Dei uma boa oiada, ligêro que nem curisco, e te digo, preto véio, aquilo lá é o capeta. É sim! É o cão! O rabo avermeiado, em ponta di seta, e os zóio di fogo não me engana, não, visse? É o capiroto que deu di cismá, não sei pruquê, di se aboletá embaixo da cama di sinhá Rosinha. Faiz trêis dia que a pobre não comi, não bebi e não pode saí di arriba do leito. Si ela inventá di si mexê, um pouquinho só, cruz credo, a cama si saculeja toda. O Bode Preto solta um rosnado feio que instremece até a alma da genti. É o que te digo: vá simbora! O padi vardumiro não botô fé nas minhas palavra. Me disse poucas e boas e si arrotô dizendo que ia enxotá o disgramado di lá dibaixo. Ia fazê um tar di exorci... exorci... um espantamento aí, que não me acode o nome agora. Padi nojento! Um poço di educação! E tá lá ó, com a metade do corpo enfiado dibaixo da cama, numa sangrera desembestada, só com as perna di fora, o desenfeliz. Sinhá Rosinha, que Deus tenha piedade, é uma viva condenada. Tá morta! Zé, meu preto véio, ela já tá morta. Assim que a pobre botá um dos pisante no chão... hum... É vapt-vupt! Adeus Sinhá Rosinha! Afonso Luiz Pereira é professor do ensino fundamental da rede municipal de ensino de Itajaí, cidade litorânea de Santa Catarina. Escritor amador, Afonso é um profundo admirador da Literatura Fantástica, razão pela qual decidiu, por hobby, criar e gerenciar o “site-blog” CONTOS FANTÁSTICOS, espaço virtual que costuma eleger e publicar contos “garimpados” na Internet de boa qualidade literária. E-mail: Afonso.prof@ibest.com.br.

ORFANATO - 5º colocado

Sheila Venske Possamai A filha da cozinheira disse que o orfanato é assombrado! sussurrou em baixo das cobertas. A irmãzinha caçula agarrou-se a ela. Um hábito adquirido desde que vieram para o orfanato depois da morte dos pais. Debaixo da cama algo se moveu e uma mão necrosada insinuou-se por baixo das cobertas. Todos sabiam que se tratava da primeira diretora do orfanato. E todos sabiam qual era sua dieta. A criatura, porque nela não restara mais nada humano, apalpou a barriga da caçula. Achou-a muito magra. Sentiu a pequena abafar o grito no ombro de Nelly, a irmã mais velha. Nelly tomou coragem e afastou a coberta da face, o suficiente para ver uma cabeleira branca emaranhada. Exalava um odor horrível, um misto de ferrugem e carne em decomposição. Quem tem medo do lobo mau...

a criatura debaixo da cama cantarolou com sua voz gé-

lida. Ninguém ouviu os gritos das duas meninas, e se ouvissem, agradeceriam por não ser debaixo da cama delas que a criatura se instalara. Sheila Possamai nasceu em Blumenau, Santa Catarina, em 1979. Terá seu primeiro texto publicado na Coletânea do Prêmio Literário Cidade de Porto Seguro de Contos Curtos 2009 a ser lançada em setembro de 2010. e-mail: sheila.possamai@yahoo.com.br


CUMPLICIDADE - 6º colocado

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Denise Andressa Gonsalez – Mamãe, o monstro embaixo da minha cama não me deixa dormir. A mãe sentou-se, esfregando os olhos. Era a terceira vez nesta noite e a quarta noite consecutiva que a menina vinha lhe acordar por conta do monstro. – Meu bem, eu já olhei duas vezes, lembra? Não há nada lá. – Ele disse que vai embora quando comer alguma coisa – disse a filha, com olhar suplicante. Vendo que não tinha escolha, a mãe afastou as cobertas e pôs-se em pé, sem disfarçar a impaciência. Entrou no quarto da criança, silencioso como um túmulo, acendeu a pequena luz da cabeceira e, antes que tivesse a chance de se abaixar, uma mão grotesca de unhas retorcidas agarrou seu tornozelo, arrastando-a para debaixo da cama. Ela se debateu e lutou, enquanto uma dor lacerante subialhe pelas pernas e alcançava seu ventre e depois o peito. Logo não houve mais luta e o quarto ficou quieto novamente. A menina, que observava tudo à distância, aproximou-se e subiu na cama. – Espero que agora você me deixe dormir – disse, apagando a luz. Denise A. Gonsalez tem 30 anos, é casada e mãe de dois filhos. Residente do Distríto Federal, é formada em medicina veterinária pela Universidade de Brasília, profissão não exercida atualmente. É admiradora das obras de Stephen King e autora iniciante de contos de suspense. E-mail:deniseandressa@yahoo.com.br e deniseandressa@hotmail.com

NOVO LAR - 7º colocado

Larissa Caruso Todas as noites, imerso na escuridão, ele vagava à procura daqueles que lhe fortaleceriam novamente. O mundo havia mudado, no entanto. Ninguém ria, e muito menos temia. As fadas já não existiam mais, e seu povo começava a se tornar extinto. Um tempo atrás, tudo que precisava fazer era mostrar seus malignos olhos vermelhos. Hoje, nem mesmo lençóis destroçados alcançavam seu objetivo: assombrar os pequeninos. Tentou mudar de tática. Alojou-se no armário, e até mesmo no espelho. Desiludido, voltou para debaixo da cama. Já era tarde e somente um dos cinco que visitara ficara assustado com sua aparição. A energia de seu corpo se esvanecia, e logo, ele também deixaria este mundo. Enfraquecido, observava o menino que brincava, no escuro, ao som de tiros e gritos arrepiantes. E então, teve uma idéia. Deixou seu lugar costumeiro e instalou-se na torre metálica do computador, ao pé da escrivaninha. Sua hedionda imagem formou-se na tela colorida que o menino encarava. Um grito assustado deixou os lábios da criança, e imediatamente, sentiu sua força retornando. Sorriu diabolicamente. Havia encontrado um novo lar. Larissa Caruso nasceu em São Paulo, Capital, em 1984. Formada na Universidade do Texas, atua como consultora de TI, além de se dedicar a escrita. Publicações: Marcas na Parede. Contos: Pequena Ordinária / O Poder das Palavras e Metamorfose: A Fúria dos Lobisomens. Conto: Fúnebre Luar. Pretende participar de diversas antologias este ano, já tendo sido aceita no Tratado Secreto de Magia. Recentemente finalizou seu romance policial de ficção científica chamado Nébula de um Buraco Negro. Expõe sua obra no site www.larissacaruso.com. Contato com a autora: larissa@larissacaruso.com


RASCUNHO - 8º colocado

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Wilson Lourenço Martins Coelho Carlinhos achou o desenho num pedaço de papel amassado, sob sua cama na nova casa. Era um desenho infantil, um rascunho, feito com giz de cera. Mostrava um menino preso atrás de grades. E este usava um boné azul e vestia uma camisa de futebol. Era até parecido com Carlinhos: não fossem os olhos semicerrados vermelhos e o sorriso cruel, teriam até grande semelhança. Seguiu então com os seus afazeres: foi ao colégio, fez a lição, jogou bola, assistiu TV. À noite vestiu o pijama de super-heróis, ganhou beijo da mãe, dormiu. Acordou escutando uma voz cantando rouca. Olhou sob a cama e lá estava o desenho amassado, brilhando. A voz cantou outra vez e ele tentou gritar. Mas sua voz não saiu e seu corpo não obedeceu. Afundou no colchão, viu os lençóis fechando o mundo lá fora. Sentiu-se amassado, plano, engolfado para sempre pela escuridão. Pela manhã, a mãe o veio acordar. O menino levantou, pegou o desenho amassado sob a cama e o jogou fora pela janela. À mesa a mãe achou seu olhar esquisito e ele respondeu, sorrindo, que era só impressão dela. Devorou então, tudo que lhe foi oferecido à mesa, como se fosse sua primeira vez na vida. * Autor não enviou biografia

VEM CÁ GATINHO - 9º colocado Silvano Barbosa da Silva Filho Biscoitos com raspas de chocolate e um copo de leite morno. – Para quem são, querida? – Para um gatinho que tá no meu quarto, embaixo da cama. – Sei, ele também come biscoitos? – Não, esses são para mim! – Luísa sorriu e subiu as escadas para o quarto. Lá do lado de fora da cama o gatinho esperava sua refeição. – Os biscoitos são meus, mas pode tomar o leite - O gatinho apenas segurou o copo na mão. Ela comia os biscoitos e na cozinha seu pais conversavam. – Querido a Luísa arrumou mais um gato, acredita? – Vamos deixá-lo lá e amanhã o levaremos para o abrigo – Mas gelaram quando um grito vindo do quarto desceu as escadas e os foi encontrar na cozinha. Ao abrir a porta do quarto viram o “gatinho”: de pé media dois metros, com cara de um felino peludo com enormes orelhas, garras afiadas e olhos brilhantes. Ele tomava o leite, mas e Luísa? Não entraram com medo e logo o “gatinho” sumiu para debaixo da cama, deixando para trás os sapatos de Luísa no tapete do quarto. Silvano Barbosa da Silva Filho, 20 anos, estudante de design da UFPE campus do agreste. Prestes a se formar e tomar um rumo na vida é um apaixonado pela leitura, literatura e cinema. Mora no interior, onde oportunidades são difíceis. Está garimpando oportunidades. Enquanto trabalha pelo sonho (viver de escrever) se esforça na realidade para se tornar um ilustrador e design gráfico. Nunca participou de concurso de contos, mas sempre existe a primeira vez, não é. Escreve pequenos contos desde 2008. silvaninhofilho@hotmail.com “Eu confio em Deus, meu futuro deixo nas mãos Dele”.


ACALANTO - 10º colocado

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Márcio Benjamin Costa Ribeiro Mãe? Deixa eu dormir aqui com a senhora? Só hoje, mãe. Tava lá. Em cima da casa, mãe. Eu escutei a telha gemer. Se arrastou, mãe. Se arrastou pela calha e enfiou a cabeça bem na minha janela. Tinha era olho amarelo, mãe. Eu me cobri com o lençol e pedi pra ir embora. Eu rezei como a senhora mandou, juntei as mãos e pedi pro menino Jesus mandar embora. Mas ficou na janela, mãe, de cabeça pra baixo. Eu sentia respirando, mãe, sentia. Quase gente, só a senhora vendo, mas meio torto. Uma mancha preta, cabeluda, que nem em pé ficava direito. A senhora tá acordada? Eu vim dormir aqui, mãe, porque desceu da telha, mãe, sem quebrar, como se fosse um gato e entrou no meu quarto, mãe. Desceu de cabeça pra baixo e caiu, capengado, pra baixo da minha cama. Rezei, mãe, rezei muito. Mas aí eu senti foi um suspiro grosso arquejando nas minhas costas, mãe. Fedia tanto...Eu fiz coisa errada, foi, mãe? Fiz? Tentou relar a pata em mim, mãe, queria me pegar, mas eu corri e vim aqui falar com a senhora...Manda ele embora, mãe, manda ele embora....da porta do seu quarto. Márcio Benjamin Costa Ribeiro é natalense, do Estado do Rio Grande do Norte, tem 30 anos, trabalha como advogado, formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, mas costuma apresentar-se como um escravo das letras. Desde os treze anos é metido com lápis e papéis, tentando mostrar aos outros um pouco do que se passa em sua cabeça. Comunicativo e bemhumorado, da prosa para o teatro foi um pulo e já teve quatro de suas várias peças montadas em sua cidade natal. Apresentou um projeto de livro nos termos de uma lei estadual de incentivo à cultura e foi aprovado. Promete que até 2011 terá o seu livro particular. E o tornará público. Como tenta tornar público seus contos exibidos com uma certa freqüência no site www.umanjopornografico.blogspot.com. Já foi publicado pela editora arte literária na coletânea Contos para viagem e nos livros de horror Noctâmbulos e Caminhos do Medo, também da Andross Editora.

AS MULHERES EMBAIXO DA CAMA - 11º colocado

Marius Arthorius Toda noite era a mesma coisa, eu deitava na cama e sentia aquele cheiro horrendo, carne em putrefação, o doce aroma da morte. As batidas que vinham do chão chacoalhavam minha cama freneticamente, elas ainda estavam lá, todas elas e seus pútridos e asquerosos corpos. Matei-as quando eram belas e sedutoras, violei seus imaculados corpos e dilacerei a santa carne humana, em êxtase cruel me transformei na deidade delas. Dominei-as e acabei com suas vidas, banhei-me em seus rubros fluídos corpóreos. Enquanto elas gritavam de dor, eu gritava de prazer, penetrando em todos os recantos corpóreos e rompendo a santidade intocável daquelas freiras. Mas agora elas querem mais, elas retornam do túmulo coletivo abaixo da minha cama. Seus corpos decompostos e estraçalhados se uniram numa única forma grotesca. Esta criatura que tenta escapar do submundo de minha cama, inúmeros corpos femininos costurados que formam um único ser. Elas me querem, elas querem a sua deidade. Eu que era padre, para a visão deste monstro virei deus, agora minha criação retorna da morte para a vida, elas querem mais. Marius Arthorius é catarinense, escritor, poeta, contista, ilustrador, acadêmico de Ciências Biológicas e autor do livro ANTROPOPHAGYA. Mantenedor do blog Antropophagya: http://antropophagya.blogspot.com E-mail: marius.arthorius@yahoo.com.br.


MONSTRO EM CIMA DA CAMA - 12º colocado

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Álvaro Moreira de Carvalho – Pai, tem um monstro em cima da cama! – O filhinho choramingou assustado. A mãe o acalentou, a pequena irmãzinha o reconfortou. – Que absurdo é este de monstro em cima da cama? – O pai esbravejou. – Mas, é verdade papai. Ele vem toda noite e fica rosnando. O filhinho sempre clamava, até que um dia o pai resolveu atender seus apelos. – Pois bem, vou verificar e acabar com este martírio! – Ele vociferou, se pôs a caminho e logo teve que reconhecer que o medo de seu filho era justificado, pois se deparou com um monstro descomunal deitado, envolto em pesados panos. A visão o paralisou. O gigante medonho olhou para ele, deu um grito breve, ensurdecedor e com um movimento brusco o arremessou para longe. O pai caiu atordoado e se encheu de pavor ao perceber que o monstro vinha ao seu encalço. Ao longe, a mãe, o filhinho e a filhinha acenavam desesperados. Então ele correu para junto deles, mas o gigante se inclinou, chegou perto a carranca e, sem se importar com as súplicas de piedade, esmagou a todos com um só golpe. E assim foi destruída uma feliz família de baratas que morava debaixo da cama. Álvaro Moreira de Carvalho nasceu em Machado/MG. É formado em Eletrônica e Análise de Sistemas e tem quatro patentes de produtos de informática. Publicou nos livros Dias Contados, Dimensões.Br, Marcas na Parede e Grimoire dos Vampiros (Literata). Foi premiado nos concursos: Colatina (ES), Secretaria da Cultura (RS), Poetas em Desassossego (Portugal), Alquimia das Letras e Via Literária. E-mail: alvaro@centertel.com.br

EM PEDAÇOS - 13º colocado

Tatianne Santos Dantas A noite já estava adiantada quando Caio e Amanda chegaram ao quarto de hotel. Eram recémcasados e aquela seria sua primeira noite juntos. Tinham decidido se guardar para a noite de núpcias. E a hora tinha chegado. Devido à ansiedade ou a falta de experiência, o ato sexual foi rápido e desajeitado. Mas, como eles não conheciam ser de outro jeito, não estranharam. Embaraçados e sem ter o que conversar, viraram-se de lado e dormiram. Com o sono agitado, Amanda sofria em um pesadelo: um monstro de rosto indefinido saía debaixo da cama e a estuprava continuamente. Várias vezes ao mesmo tempo. Em seu inconsciente desesperado, pegou uma faca que estava providencialmente ao lado da cama e esquartejou o monstro. Com uma fúria que nem ela mesma sabia possuir. Em seguida, já cansada e toda suja de sangue, pegou os pedaços e colocou dentro de um saco de lixo... Acordou ensopada. A princípio achou que era suor, até enxergar no espelho do teto o quarto todo manchado com o líquido vermelho. Quase preto. Levantou-se e seguiu as marcas de pegada que se dirigiam ao banheiro. Lá estava, em um saco, o monstro cortado em pedaços. Seu marido. Tatianne Santos Dantas tem 24 anos e nasceu em Aracaju, estado de Sergipe. Cursa Psicologia, com interesse em psicologia do crime, psicanálise e psicologia social. No momento, participa de um grupo de pesquisa que estuda a influência da mídia na agressividade do indivíduo, escrevendo inclusive, artigos com esse tema. Literariamente, sempre teve verdadeira paixão por escritores como Edgar Allan Poe e Álvares de Azevedo, incentivo para a participação nesse concurso. E-mail: thatysd@hotmail.com.


VELHO MEDO - 14º colocado

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Smaily Prado Carrilho Trinta e sete anos. Perdi esposa e filho. O banco tomou a minha casa. Voltei para a casa de meus pais. Apago a luz e deito na velha cama de infância. Ouço antigos sons sob a cama: grunhidos, garras raspando a cama, mastigações. Não vou deixar mais esse velho medo me assustar. Levanto e suspendo a cama. “Uma escada sob a cama!”. Desço. Está escuro. Chego ao último degrau. Há um grande salão mal iluminado. “Olha! Minha bola de futebol! Meus bonecos de ação e peças dos quebra-cabeças que eu nunca conseguia completar!”. Parece que todos meus brinquedos perdidos vieram parar aqui! No fundo do salão há um vulto, bastante encurvado, apoiado numa bengala. Aproximo-me. Uma criatura com gosmas saindo do corpo, garras nos pés e nas mãos, asas de barata, rabo de escorpião, cabeça de cobra e dentes de tubarão. ”Você parece... velho”, digo surpreso. “Estou morrendo” disse ele, com sua voz gutural. “Não há medo em você, sem o medo não vivo, o medo é meu alimento.” disse ele melancólico. Ele aproximou-se lentamente até ficar face a face comigo. Abraçou-me, disse “Bons sonhos” e morreu. Acordei embaixo da cama. Smaily Prado Carrilho. 27 anos. Casado. Uma filha. Formado em Administração pela UNAES/Anhanguera. Natural de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Leitor de obras de ficção desde a adolescência, interessou pela arte da escrita por volta de 2002, mas só foi escrever com maior afinco no início de 2008 quando criou o blog http://expressionando.wordpress.com para postar seus contos e pensamentos. Atualmente está na luta para escrever seu primeiro livro, que por enquanto, só tem o primeiro capítulo pronto. E-mail: smaily.prado@gmail.com

O HERÓI URSINO - 15º colocado Erik Alves Pereira Lopes Filho Amélia sempre tremia quando seu pai a mandava para a cama. Olhava-o como cão sem dono, mas não adiantava essa simulação de carência. E lá ia ela para o quarto carregando seu ursinho. Seus pais não acreditavam. Tudo bem, é normal uma criança ter medo do escuro, mas já está ficando uma mocinha. Suspira. Quem dera não crescesse e poderia continuar dormindo com a luz acesa. Ao entrar no quarto, corre para a cama e se cobre até a cabeça. Abajur ligado, como sempre, mas sem garantir proteção. – Será que ele ainda está lá? – pergunta ela – Não sei. Quer que eu dê uma olhada? – pergunta seu ursinho. Ela consente e logo ele desce da cama e olha por baixo. A pequena se impacientava com a demora dele, mas ao cabo de dez minutos ele volta. – Procurei por toda a parte, mas só encontrei esse bilhete. O monstro saiu de férias. – diz o urso entregando-lhe o papel. Ela sorri e beija-o. Dorme. Já que o monstro da cama fora embora e o do armário estava trancado com fita crepe, podia enfim sossegar e crescer uma mocinha esta noite. Erick Alves Pereira Filho é ex-aluno do Colégio Pedro II, escritor ainda sem publicação e músico (cantor e instrumentista). Gosta de ler, escrever, ver filmes e um dia espera também produzir curta-metragens além de peças teatrais. E-mail: alveserick18@yahoo.com.br


PERIGOS NOTURNOS - 16º colocado

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Mário Carlos Carneiro Júnior Pela terceira vez àquela noite, o bebê começou a chorar. – É sua vez de novo – disse o homem à esposa, que sentou na beira da cama, sonolenta. O lamento infantil continuava vindo pela babá eletrônica, e a mulher olhou para o aparelho como se ele tivesse alguma culpa nisso. Bem, só precisava de mais alguns segundos antes de acordar por completo. Repentinamente o rádio transmissor ficou silencioso, o que despertou a mãe de imediato. Quando ia levantar, escutou algo que parecia uma mão agarrando a extensão no quarto do nenê. O terror a deixou paralisada por meio segundo, tempo suficiente para escutar uma voz fantasmagórica e dissonante, que escarneceu: – Devia cuidar melhor do seu filhinho. Ela correu desesperada, chegando bem a tempo de ver os pezinhos do filho sumindo nas sombras abaixo do berço. Jogou o móvel para o lado e então gritou de horror e descrença. Nunca mais viu seu bebê. Mario Carlos Carneiro Junior: Nascido em Curitiba, já publicou contos nos livros Draculea, Invasão, Alterego e Galeria do Sobrenatural, na revista Scarium Megazine, em fanzines impressos (Astaroth e Juvenatrix antigos), fanzines eletrônicos (Astaroth, Juvenatrix e TerrorZine) e diversos sites (como o Boca do Inferno e o Contos Fantásticos). Participará como autor convidado da Antologia Zumbis — Quem disse que Eles estão Mortos? Publica contos no endereço luamortal.blogspot.com, e resenhas de livros de horror no endereço bibliotecamalassombrada.blogspot.com. Email: spinossauro@yahoo.com.br.

PELÚCIA - 17º colocado Thiago Felix de Morais – Papai! Papai. Tem um monstro debaixo da minha cama! Crianças! Sempre assustadas com monstros imaginários. Ria-se o pai enquanto se lembrava de suas próprias fobias de infância. – Não tem nada aqui em baixo, Penélope! Só um cachorrinho de pelúcia. – Papai! – Que foi filha? Eu to com sono. Deixa eu pegar teu cachorro – Breno, o pai, estava cansado, tinha que acordar cedo, por isso não prestava muita atenção ao que a filha falava. – Papai! – Agora, não Penélope. Puxa, esse cachorro caiu longe hein?! – Breno abaixou-se mais para pegar o fatídico brinquedo. – Como você veio parar ai? – Falava com o boneco, quando o conseguiu agarrar, já com o corpo quase inteiro debaixo da cama. – Papai!!! – O que foi Penélope? – Eu não tenho nenhum cachorrinho de pelúcia. Mas já era tarde demais para avisar... Thiago Felix, nascido na terra de luz, cedo descobriu seu gosto peculiar pelas trevas que se escondem. Participou de antologias como Poe: 200 anos pela All Print, Grimoire dos vampiros pela Literata e pela Multifoco participará do Fiat Voluntas Tua II e Sinistro! 2 e agora está trabalhando no projeto de seu primeiro livro solo.


À ESPREITA - 18º colocado

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Rubem Cabral Quem te observa sobre o teu ombro? Quem te contempla ao dormir inocente no teu quarto escuro? Enquanto tu fechas os olhos para se ensaboar durante o banho, quando dás as costas para a escuridão... Será que nunca sentiste meu hálito gelado junto às tuas orelhas? Nunca escutaste meus sussurros ou notaste o toque de minhas mãos sob as cobertas? Continuo de tocaia, esperando o dia certo. O momento exato em que não serei mais tão discreto. Por enquanto, só me restam os prazeres mesquinhos: sufocar-te um pouco no sono, puxar tuas pernas e te fazer acordar pensando que cais. Observar-te com meus olhos rubros e brilhantes sob tua cama, te assustando com minha súbita revelação. É só uma ilusão, uma sombra! Mas eu sei que, no fundo de tua consciência, tu sabes que eu existo e te espero... Chegará meu dia: o dia do espectro, da ilusão de ótica, da imaginação hiperativa. E, quando este dia chegar, ficarei feliz, ao te presentear com meus dentes pouco gentis. Eu te espreito paciente. Quem está atrás de ti? Espera e saberás! Rubem Cabral, nascido no Rio de Janeiro - RJ, trabalha como Engenheiro de Software em uma multinacional Suíça, onde também reside. Tem alguns contos publicados nas antologias: Solarium 2, Metamorfoses e O Grimoire dos Vampiros. É fã de literatura fantástica e é um leitor voraz dos mestres do gênero.

O LEITO NEFASTO DE JÚLIA - 19º colocado

Ed Leite “Uma vez ouvi dizer que os homens temem mais uma ameaça vinda de lugares altos, enquanto as mulheres sentem mais medo do que vem de baixo. A explicação possível para isso vem dos antepassados primatas. Os machos na floresta escura saiam para um possível confronto esperando que o inimigo pulasse de uma árvore. As fêmeas permaneciam no alto delas temerosas de que a fera subisse e as devorasse. Agora, toda essa besteira parece fazer sentido. Meu cachorro Pound foi arrastado há quase uma semana por essa coisa embaixo da cama. Antes de acordar naquele dia, pude ouvir suas unhas arranharem o chão e senti o cheiro horrível de seu hálito tomar o quarto. Ele jogou os ossos de Pound para fora me avisando que está a minha espera...mas prefiro morrer de fome e sede que me consomem a sair dessa cama para ser feita em pedaços.” Após escrever isto, Júlia fechou seu diário, atirou-o sob a escrivaninha certa de que não chegaria ao outro dia. Ed Leite, Nascido, criado e “vivido” em Fortaleza. Fã de quadrinhos desde sempre. Fã de terror (filmes, livros, etc.) desde a mesma data. Professor de Biologia, acadêmico de Enfermagem. Escrevo um fanzine chamado DELÍRIO PULPZINE com meu amigo Donovan Calixto.


PRESENÇA MALÍGNA - 20º colocado

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Lino França Jr. Desde criança a criatura me assombrou na escuridão do meu quarto, vivendo debaixo de minhas camas em madrugadas intermináveis e insones. Seus sons assustadores, seus olhos vermelhos no negrume que se estabelecia entre o chão e o estrado, e o eterno arranhar das suas longas garras no assoalho de madeira, aos poucos começaram a fazer parte da sucessão de minhas noites. Aprendi que se não o defrontasse, ele também me deixaria em “paz”, por pior que fosse ter aquela presença maligna há poucos centímetros do meu corpo. Anos se passaram e, enfim, decidi dar cabo de vez àquele tormento. Para tanto, esperei que minha mulher e filhos saíssem numa viagem. Ao cair da noite, comecei a ouvir sua respiração ofegante. Apoiei-me no colchão e num gesto vigoroso levei o braço pra debaixo da cama içando o pequeno monstro. Aturdido tanto quanto eu, o diabrete me olhou com satisfação, e ameaçou um sorriso horrendo. Virou-se para a porta do quarto e saiu lentamente. Desde então, ele vagueia todas as noites pela casa, e não sei como poderei proteger minha família do infortúnio que nos aguarda, pois agora ele está livre. Lino França Jr: é paulista, graduado em Direito, e escritor nas horas vagas. Publica seus contos no site: http://www.masmorradoterror.blogspot.com/, além de participar de antologias, tais como: Metamorfose — A Fúria dos Lobisomens (All Print — 2009), Sinistro! (Multifoco — 2009), Solarium (Multifoco — 2009), e Réquiem para o Natal (Andross — 2008). Em 2009, lançou seu primeiro livro solo: A Volta do Todo Poderoso, pela Editora CBJE. Contato com o autor: keanefran@hotmail.com


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Você está lendo um contos de a antolog muita qu ia de vam a personali piros, com dades poss lidade e vampiros de todas ív pastelão e e as formas m meio a is, quando se depa e ra todo aque le ambien com uma comédia What?! W te sombri hat a porr o... a is that? Quem falando. S leu o Grimoire do sV im dia disfa , isso é Gerson Bal ampiros sabe do rçada de q ione. Terr literatura or pastelã ue estou ridículo, fantástica o, ou com Gerson a . éS rranca bo também as risadas em medo de pare é literatu c e e r ra n o fantástica s faz ver entendid qu ! os no ass unto. Isso E que se danem o e Terrir s senhore é Estronh s o!

Gerson Balione

Todos os fatos relatados nessa biografia são verdadeiros, alguns deles jamais devem ser repetidos por alguém, pois podem causar danos físicos e psicológicos irreversíveis.

Gerson Balione é paulistano nascido em janeiro de 1969, um ano muito sugestivo por sinal. Sua infância não foi normal. Gostava de coisas que os outros meninos da sua idade não gostavam. Não, não é boneca não. Desde pequeno aficionado por filmes de terror e ficção científica, a ponto de tentar reviver seus peixinhos com choques elétricos, e dissecar pássaros e lagartixas e outros animais, tinha um laboratório só seu, até o dia que quase pôs fogo em sua casa. Já ficou dependurado na janela do andar de cima do sobrado onde morava, até ser resgatado pelo vizinho e depois apanhar da irmã mais velha. Já ficou com o rosto manchado por ter verme. Fazia teatrinho de fantoches, onde criou, com seus amigos, uma sátira do desenho animado Super Vira lata. Nunca foi bom nos estudos, principalmente em português quando sua professora, numa reunião de Pais e Mestres, disse para sua mãe: Seu filho é burro, em alto e bom tom, sua mãe saiu de lá arrasada e aos prantos. Na sua adolescência, era chamado, pelos amigos da escola, de Bozo, devido ao seu pé ser muito grande e desproporcional a sua idade, sempre levou na esportiva, chegou a criar duas peças de teatro intituladas de Super Pesão e Super Pesão contra o Lingüiça Atômica, onde ele, é claro, era o protagonista do super herói. Já saltou de um carro para o outro em movimento, e errou caindo em plena avenida movimentada de São Paulo. Gostava dos filmes de Kung Fu que passavam na Record e quando seu pai não o deixava assistir, socava uns caixotes de madeira no fundo do quintal, até o dia que quebrou o dedinho e abandonou esta modalidade de revolta. Apanhou de uma só vez de dez caras e um cachorro, dez foi o que ele conseguiu contar enquanto tomava socos e pontapés por todos os lados, o cachorro ele não tem certeza, alguns dizem que eram bem mais que dez e que não havia nenhum cachorro. De dançarino de Break, passando por pseudopunk a metaleiro. Já tentou reviver o passado, mas ao dançar Break quase foi hospitalizado, tentou enfiar alfinetes na cara e pegou uma baita infecção, quis voltar a chacoalhar cabeça ao ouvir heavy metal, mas uma lesão na terceira e quarta vértebras, adquiridas quando imitava a garota do fantástico na Praia Grande onde acabou enterrando a cabeça na areia e no pescoço, o fez desistir. Hoje só ouve suas músicas prediletas sentadinho, sem performance corporal.


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Sempre foi piadista e criador de situações inusitadas da turma e da família. Fã incondicional de Star Wars, adora Monty Python. Para ele TV Pirata foi o melhor programa de humor que existiu na tv brasileira, seu livro de cabeceira é O Guia do Mochileiro das Galáxias de Douglas Adams. Começou a tirar coisas de dentro da sua cabeça e pô-las no papel em meados de 2009. Foi quando, acometido por uma forte disenteria, passou quatro horas no banheiro, após a fase mais crítica das primeiras torções intestinais, resolveu escrever enquanto passava o tempo. Seus textos são irreverentes, nonsense e repletos de humor negro. Têm contos publicados em duas antologias, O Grimoire dos Vampiros e UFO Contos não Identificados, ambos pela editora Literata e no site do Recanto das letras (www.recantodasletras.com.br). Pretende lançar um livro solo antes que o mundo acabe em 2012. Tem consciência absoluta que o que escreve são, Coisas de Uma Mente Demente.

Vida de Merlin Gerson Balione

Num planeta muito, mas muito distante, que ficava numa galáxia mais distante ainda, vivia um povo místico que acreditava em uma religião que não os levava a lugar algum. Esta mesma religião era quem cuidava da união entre os habitantes deste planeta, que às vezes, ou melhor, na maioria das vezes não duravam muito tempo, principalmente pela intervenção das genitoras das fêmeas destas uniões. Estas genitoras, geralmente sofriam de problemas gástricos com uma tremenda queimação no estômago. Se é que podemos chamar aquele enorme buraco sem fundo, alojado dentro daquela enorme pança, que é capaz de digerir qualquer coisa, inclusive ossinhos de aves, desde que estejam bem torradinhos e depois regurgitá-los e cuspi-los, todos moídos e cheios de baba, na beirada de um prato de porcelana trabalhada com filetes dourados, de estômago. Quando se encontravam nervosas, geralmente por problemas chulos e sem fundamentos, um exemplo é quando os machos saiam do aconchego do lar, deixando suas fêmeas, e indo beber um tipo de bebida fermentada com outros machos, que também deixavam suas fêmeas em suas casas, numa espécie de ritual de libertação. Quando


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isso acontecia, elas se transformavam em enormes dragões, escamosos e cuspidores de fogo, este último, devido aos problemas gástricos, e saiam a devorar os machos que não tratavam bem suas filhas. Quando um macho conseguia ludibriar uma destas genitoras, recebia o título de Merlin e com isso, ganhava poderes mágicos inimagináveis e a imortalidade. Isso aconteceu uma única vez em toda a história do planeta, mas a vida deste Merlin se tornou um inferno, deixando-o, inclusive, com cabelos e barbas, alvos como a neve. Ele então, preferiu partir do planeta Avalon na surdina e decidiu ir para o planeta terra onde os seres humanos eram absurdamente parecidos com os habitantes de Avalon. Chegou na terra numa época em que se falava muito sobre um cara místico, muito bom, e foi conhecê-lo. Nessa época ele confeccionava bugigangas de estanho. Conheceu o homem místico e deu de presente a ele, um cálice de estanho, que depois acabou se tornando o Santo Graal. Séculos depois se mudou com sua enorme espaçonave para o sul da Bretanha. Esta espaçonave possuía um avançado sistema de camuflagem, transformando-se numa ilha. E já que na terra tudo tem que ter um nome, Merlin, que no momento da concepção da ilha, estava sem ideia achou mais fácil batizála com o nome do seu planeta natal, Avalon. Passaram-se algumas centenas de anos e ele tentou o ramo de construção civil, construiu o então inacabado e famoso, Stonehenge, na verdade Merlin queria construir ali, uma pousada mística, mas os Saxões não gostaram e o expulsaram. Falido, passou a fazer apresentações de mágica em festas infantis de filhos da nobreza. E foi numa destas festas que algo estranhamente incrível aconteceu. Merlin decidiu fazer uma competição, pois seus truques já não tinham mais graça, principalmente depois que um, dito, Cavaleiro Negro, apareceu e se propôs a revelar como eram feitos seus truques. Forjou uma espada com um pedaço de metal da sua espaçonave reluzente. Deu a sua espada o mesmo nome de sua espaçonave, Excalibur. Enterrou-a numa pedra usando seus poderes, e chamou a garotada para tentarem retirá-la, quem conseguisse o feito teria uma festa totalmente gratuita, com bolo gelado, marionetes e tudo mais. Quem conseguisse, tornar-se-ia dono da espada, transformando-se num cavaleiro e Rei da Britânia. Muitos tentaram, mas sem sucesso, até aparecer um garotinho, mirrado e sonso. Ele parou perto da pedra, limpou seu nariz na manga da blusa, cuspiu em suas mãos, esfregando-as, segurou no cabo da espada e puxou. Para a tristeza e surpresa de Merlin, ele teria que cumprir o prometido, não cobraria pela festa e transformaria o garoto em Rei da Britânia. – Qual o seu nome? – perguntou Merlin incrédulo pelo feito do menino. – Artur. – respondeu o garoto. – Você é um garoto muito especial, sabia? – E o senhor como se chama? – perguntou Artur. – Leroy, mas pode me chamar de Merlin. Deste dia em diante Merlin se tornou tutor e o melhor amigo de Artur. Iria ensiná-lo e educá-lo na arte da guerra. Ele iria se tornar Rei Artur. Anos se passaram e Merlin sempre aparecia com ideias mirabolantes, uma delas foi construir um castelo. Acabou convencendo Artur, e onde antes era um centro de comercio de ambulantes e mascates, ergueu o imponente castelo de Camelot. Logo depois começou uma seleção de cavaleiros que iriam integrar a Távola Redonda. A Távola era redonda porque Merlin era simpatizante do Feng Shui, assim, a mesa sendo redonda, a energia fluiria melhor entre os cavaleiros. Artur conheceu Guinevere, que conheceu Sir Lancelot, Sir Gawain, Sir Kay, Sir Bedivere, Sir Galahad e...e fizeram uma festinha sem chamar Artur. Pobre Artur, era o único que não conhecia


Guinevere direito, mas mesmo assim acabou casando-se com ela.

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Um certo dia, Merlin mostrava para Artur a torre de Tor, na ilha de Avalon. Ele viu um painel que mostrava o espaço, suas estrelas e planetas em movimento. Artur ficou maravilhado com tudo aquilo. – Como pode uma pintura dentro de um quadro, se mover? – perguntou espantado por ver um vídeo do espaço. – É magia? – Não Artur. Chegou à hora de você saber a verdade sobre quem eu sou e de onde vim. – disse Merlin. Merlin explicou todos os acontecimentos para Artur, desde a sua vida infernal no planeta Avalon, teve que explicar o que eram planetas, a existência de outros mundos, sua ex-sogra, Morgana, que a ilha era uma espaçonave, teve que explicar também o que é uma espaçonave e por aí foi. Um pequeno sinal sonoro pode ser ouvido. Merlin olhou assustado num outro monitor e viu o que deveria ser impossível acontecer. Um frio em sua barriga e um medo aterrorizante acometeu-lhe. – Artur! – gritou ele. – Ela está chegando, teremos que nos preparar! Veja! – O que é que tem? – perguntou Artur sem entender. – Vejo apenas um ponto verde como uma ervilha se movendo. – É ela. Desgraçada, Morgana! Ela me encontrou. Vamos, vou lhe mostrar uma coisa. Merlin, seguido por Artur, chegou a uma ante-sala, onde uma porta hermeticamente fechada a sete chaves, guardava uma reluzente armadura prateada. Quando Merlin abriu a porta, Artur deparou-se com a armadura mais bela e brilhante já vista. – É sua. – disse Merlin. Artur contemplava a reluzente armadura, três letras chamavam a sua atenção AES. – O que são estas letras? – perguntou ele. – São as iniciais do ferreiro que a construiu, Anthony Edward Stark. Foi um ótimo ferreiro. Sumiu numa experiência que fizemos sobre viajem no tempo. Abandonei as pesquisas, pois era uma viagem sem volta. – Nossa! Ela é extremamente leve e ágil. – Artur desferia golpes no ar com sua espada e saltava de um lugar para o outro. – Incrível! Nem parece que estou vestindo uma armadura. – Ela é feita de uma liga metálica muito especial, existente em meu planeta. Enquanto isso a espaçonave de Morgana, pousou na região da Britânia e lá fez uma união com o povo Saxão. Os Saxões acharam que Morgana era uma bruxa, que na visão de Merlin ela era mesmo, e que comandava um exército de Dragões, sua espaçonave realmente lembrava um dragão, que numa demonstração de força, atirou com raios vermelhos, incendiando e destruindo uma montanha. Com medo da destruição, os Saxões acabaram formando uma aliança. Iriam invadir a Grã-Bretanha, destruir Camelot, Avalon e em especial Leroy o Merlin. Várias batalhas foram travadas. Uma delas foi a Batalha do Monte Badon, onde Artur derrotou sozinho, 960 anglo-saxônicos, usando sua espada Excalibur e vestindo sua reluzente e impenetrável armadura. Morgana queria acabar com Merlin, e para isso atacaria Artur, dolorosamente, sem pressa, poderia demorar décadas.


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Mandou uma sonda robô colher o sêmen de Artur, enquanto ele dormia, em sua tenda, após uma árdua batalha. Iria realizar em si, uma inseminação artificial. Nove meses depois viria ao mundo Mordred, filho de Artur. Treinado desde seu nascimento para matar seu próprio pai. E assim foi. Na batalha de Camlann, a mais sangrenta batalha já travada em toda a história da Grã Bretanha. Os cavaleiros da Távola Redonda estavam debilitados, uma doença venéria acometeu a todos, talvez Guinevere seria a responsável por isso. A promiscuidade de Guinevere levou o Reino de Artur a decadência. Apenas dois cavaleiros não foram acometidos pela doença, Rei Artur e Sir Gallagay, os únicos que tiveram relações com ela, este segundo fugiu com o Cavaleiro Negro para morar numa cazinha de campo em algum lugar na França. Lá o Cavaleiro Negro ensinou Sir Gallagay o segredo de como esconder a cobra, o cabo da espada, a lança do cavaleiro e outras coisa até maiores do que estas. Debilitados os cavaleiros foram tombando um a um. Artur travava um duelo com seu filho Mordred. Ele desferia pesados golpes com sua espada e Mordred defendia-os revidando em seguida aos gritos. – EU SOU SEU FILHO! – O quê? – EU SOU SEU FILHO! – Hã? –Artur não entendia, pois os sons das espadas se chocando, uma contra a outra e ora contra os escudos eram altos demais. – EU... SOU... SEU... FILHO! – gritou mais uma vez Mordred, entre um golpe de espadada e outro. Artur parou espantado com a revelação. – Com quem? Mordred apontou para o céu, e Artur viu um enorme dragão vermelho descer e pousar a alguns metros a sua frente. O dragão caminhou até ele, transformando-se na horrenda Morgana. – Ahhhhh! – gritou Artur horrorizado e com repulsa, devido à aparência de Morgana. – Estava melhor como dragão! – gritou ele e vários cavaleiros concordaram com Artur, inclusive os Saxões. – DESTRUA-O! – ordenou ela a Mordred, transformando-se em dragão novamente. Neste instante Merlin apareceu usando seus poderes contra Morgana e Artur partiu afoitamente para cima de Mordred. – EU... NÃO... SOU... SEU... PAI! – gritou ele desferindo um golpe em arco com sua espada, jogando Mordred no chão enlameado e decepando-lhe uma de mãos. O dragão cuspia bolas de fogo e Merlin defendia-se com um campo de força. Artur girou a espada em meio arco, de baixo para cima e acertou em cheio no peito de Mordred, rasgando-lhe a armadura e o peito. Mordred caiu de joelhos, respirava com dificuldades e ruidosamente dentro de seu elmo fechado, e com a única mão que lhe restara, tentava recolocar suas vísceras de volta no lugar. Artur então com outro golpe de espada, decepou-lhe a cabeça, acabando com aquele ruído infernal da respiração. Morgana ao ver seu filho morto soltou um uru ensurdecedor. Acertou Merlin com uma patada, jogando-o contra uma rocha e partiu para cima de Artur, agarrando-o pela cintura com sua enorme boca. A única coisa capaz de perfurar aquela armadura era o dente de um dragão. E justamente esta importantíssima informação Merlin havia esquecido de passar para Artur. A presa do dragão trans-


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passou a armadura e abdômen de Artur. A dor lancinante fez com que ele desmaiasse. Foi jogado longe pela força do dragão, que se virou e foi em direção a Merlin que tentava se levantar, mas ainda estava zonzo. – Ah! Leroy, Leroy, chegou a Merlin, mas morrerá como uma lebre. Hahahahaha! – disse Morgana, ainda em forma de dragão. Ela preparou para dar seu golpe final, Merlin ainda tentava se levantar, não tinha forças. Viu um brilho reluzente vindo por trás do dragão, fechou seu olhos e esperou a morte. Um grito, e uma lança entrou pelas costas do dragão, atravessou seu coração e saiu pelo seu peito, entre escamas vermelhas. Merlin abriu os olhos e pode ver a ponta de uma lança a alguns centímetros de seu nariz. Merlin esticou o pescoço e viu um cavaleiro no dorso de um imponente cavalo branco puxar a lança de volta. O dragão tombou e voltou à forma de Morgana, que ainda soltava uma fina fumacinha em forma de rodela pelas narinas. – Quem é você? – perguntou Merlin espantado. – Sir Jorge, Cheguei atrasado, mas na hora certa. – Isto foi um milagre. – disse Merlin. – Você é um santo, deveria ser São Jorge. Morgana havia sido derrotada e junto com ela todos os saxões. Artur não sobreviveu aos ferimentos e morreu, após algum tempo Guinevere também sucumbiu, vítima de doença venéria, foi enterrada ao lado do túmulo de Rei Artur. O que aconteceu com Merlin? Bem, muitos dizem que sua ilha subiu aos céus e desapareceu entre nuvens. Mas na verdade mesmo, ele reativou seus experimentos sobre viagens no tempo e acabou indo parar na Lapônia lá pelo final do século XVIII. Engordou muito por comer demais, devido ao frio e conheceu uma senhora que tinha espírito empreendedor com que se casou. Muito a contra gosto adotou um uniforme vermelho depois de muita insistência de sua mulher. Montaram uma fábrica de brinquedos e contrataram todos os anões da região para trabalhar nela. E sempre, na época do natal, saia para distribuir brinquedos pelo mundo afora.

Fim


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R.I.P. - Read in Peace #04