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Questão de Ordem

"O mundo mudou após o 11 de setembro. Mudou porque não estamos mais seguros"

Al-Jazeera, a emissora que surgiu para o mundo após os atentados terroristas.

O que mudou nesses dez anos e os desafios do governo americano para o futuro.

Como os Estados Unidos contribuíram na queda do presidente chileno Allende.

O início da “nova era”, a chamada “pós-contemporânea”. Prelúdio do fim do mundo, o início da Terceira Guerra Mundial ou mesmo um plano muito bem arquitetado pela cúpula do Estado americano, muitos são os nomes e conspirações associados aos atentados terroristas do World Trade Center e do Pentágono. Mas não são as teorias conspiratórias que serão abordadas por este dossiê. Não só os Estados Unidos, como o mundo inteiro sofreu mudanças radicais. Duas guerras foram deflagradas, a preocupação redobrada com a segurança para evitar novos ataques terroristas foi prioridade, transformando nosso sentimento de insegurança em paranoia, inclusive o próprio Brasil. A Polícia Federal instalou uma máquina de raio-X recentemente no Aeroporto Internacional do Recife, como

uma maneira de impedir a entrada ilegal de drogas, armas e explosivos no país. Seria uma forma de realizar essa checagem nos passageiros forma mais discretamente. Os atentados novamente mostraram o poder que a mídia tem, muitas vezes funcionando como um instrumento de propulsão da guerra e da opinião pública. A Al-Jazeera, rede árabe de televisão, responsável pela veiculação de vários vídeos de Osama Bin Laden, líder da Al-Qaeda, entra como contraponto às grandes redes americanas. As “ambições imperiais” americanas também entram em foco neste dossiê. Mostrando acontecimentos históricos anteriores, como a derrubada de Salvador Allende, presidente chileno deposto em golpe de Estado liderado por Augusto Pinochet, com ajuda do governo americano, evidencia-se alguns objetivos

do que chamamos de “imperialismo americano”. Mas, será que o Islã, a doutrina muçulmana, regido pelo fundamentalismo religioso, só adquiriu o caráter de “vilão” após os atentados? O preconceito contra os islâmicos não é de hoje, e talvez os acontecimentos do ano de 2001 foram apenas o estopim de uma “bomba” criada ao longo de muitos anos. O Questão de Ordem – Especial “Obra de Um Instante” não vem com o propósito de apontar “mocinhos” ou “vilões”, mas sim de mostrar que há incoerência em ambos os lados. Para mais informações e conteúdo extra, acessem o blog, que contém também a origem do nome deste dossiê. As-Salaamu 'alaykum! (“que a paz esteja contigo”, em árabe).

Logo após os atentados de 11 de setembro nos EUA, o governo Bush lançou sua campanha de “guerra ao terror”, que visava “destruir o inimigo”. A mídia americana, seguida pela mundial, passou a não só noticiar como também apoiar essa suposta guerra do “bem” contra o “mal”, e o que se viu foi um circo de maniqueísmo. No palco, se via de um lado os Estados Unidos e seus aliados, os guardiões da paz, lutando contra o outro lado, os terroristas, representando o mal encarnado. A população foi bombardeada por essas frases de efeito. Aliadas às imagens dos ataques terroristas sendo veiculadas 24 horas por dia em todas as mídias, e palavras como “terrorismo”, “guerra”, “armas de destruição em massa”, “inimigo”, etc., a comoção popular se elevava, subindo os níveis de medo até uma escala estratosférica. É a chamada propaganda de guerra, artifício que o governo norte-americano usou magistralmente para conseguir o apoio popular e iniciar a guerra contra o Afeganistão. Posteriormente, ao Iraque, mesmo sem evidências que provassem a li-

gação de Saddam Hussein aos ataques terroristas em solo ianque. O problema é que essa propaganda, como todas as outras, é baseada em mentiras. É absurdamente antiético um Estado que se diz civilizado forjar mentiras e iludir seu povo para mandar jovens a outros países e iniciar uma guerra sem sentido contra outra nação, sem o comsentimento de organizações internacionais. O número de soldados americanos mortos na guerra contra o terrorismo são altos: 4723 no Iraque, 1834 no Afeganistão, e continuam subindo. Graças à propaganda de guerra do governo americano, a maioria de seus cidadãos apoiou uma guerra contra um inimigo forjado, e pior, criado por eles próprios. Relatórios do governo dos Estados Unidos provam que a Al-Qaeda, organização criminosa por trás dos ataques de 11 de setembro, foi criada com o apoio da Agência Central de Inteligência Americana (CIA, na sigla original), obtendo apoio dela em varias ocasiões após sua criação. Também existem documentos provando que o governo americano sabia que haviam pla-

nos terroristas para atacar o país e ignorou a informação. Esses e muitos outros fatos foram escondidos posteriormente ao 11 de setembro pelo que se chamou de “campanha da desinformação”, dentro da qual se deu a propaganda de guerra americana. A campanha buscou ocultar este tipo de informações do público através do controle da mídia pelo governo americano, tanto televisiva quanto impressa e até mesmo na Internet. Pronunciamentos oficiais de membros do governo confirmam que órgãos legais do país forjavam informações para serem veiculadas pela mídia em prol dos objetivos militares estadunidenses. No fim das contas funcionou, e o que se viu foi o circo armado. Afinal, não há outra maneira de um Estado ignorar os direitos humanos, invadir uma nação em uma guerra que vitimou apenas os pobres e fracos, que foram obrigados a pagar por um crime que não cometeram. É nesses momentos que o conceito de civilização precisa ser revisto por nós, cidadãos.

Por André Luiz Lima

Por Kíssila Machado

QO Obra de Um Instante - 02  

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