Issuu on Google+

M A N I F E S T O . T O . M E

CIDADE PÚBLICA


M A N I F E S


T O . T O . M E


isto ĂŠ a publicidade


M A N I F E S T O . T O . M E


“a sociedade é sempre vencedora e o individuo não passa de um fantoche manipulado pelas normas sociais” -

Vivemos, nos dias de hoje, numa verdadeira sociedade de consumo. O consumo exagerado está presente em todas as nossas vidas, quer queiramos quer não, existindo uma grande variedade de bens e de serviços que qualquer pessoa, o consumidor, tem à sua disposição e pode adquirir. Estamos perante uma inversão dos papéis numa sociedade. O consumo tornou-se num dos nossos piores inimigos, tendo como objectivo satisfazer as nossas necessidades. Hoje o consumidor passa a estar ao serviço da produção, sendo criada publicidade e marketing, de modo a escoar a produção, devido ao reduzido ciclo de vida dos produtos da actualidade. Somos todos os dias bombardeados pela publicidade que nos é impingida, através da arte da retórica, objectos, coisas, coisinhas que nos colocam num status da sociedade gerando inquietações, dando uma vontade imensa de comprar tudo o que nos é oferecido e anunciado, como algo indispensável, algo que nos gera um insuportável vazio se não o adquirirmos. Em suma, o problema que hoje se coloca é que numa sociedade como esta, deixamos de ser receptores das mensagens, deixamos de ser emissores mas sim consumidores. A sociedade de consumo esforçou-se para criar um gosto ou padrão estandardizado criando a moda, criando objecto de moda na qual qualquer pessoa se sente impotente e vulnerável. Estes objectos levam a que haja uma elaboração de identidades e de preconceitos das gerações mais novas. E qual será o papel do design face a este problema tão amplo numa sociedade onde se consome para adquirir notoriedade? Qual será o papel do designer para combater, ou suavizar, aquilo que é uma sociedade que mais facilmente pensa nos bens materiais e não nos bens essenciais? A verdadeira luta é criar estratégias de comunicação, não para objectos ou para atitudes de moda na qual a publicidade já se encarrega, mas sim elucidar os consumidores e os cidadãos de que não somos, nem seremos manipulados pela sociedade de consumo, deixando de ser o consumidor o objecto da indústria. Rick Poynor, em Too Much Stuff cria um dilema daquilo que é o trabalho do designer em relação aos bens de consumo. Não nos podemos esquecer que a publicidade apoderouse daquilo que era o design gráfico, contrariamente aos dias de hoje em que o design é camuflado pela publicidade. A questão que Rick Poynor coloca é que no trabalho do designer existe sempre a consequência de haver uma produção massiva daquilo que poderá ser o nosso trabalho. É importante que haja uma consciência em cada trabalho profissional, a publicidade é feita para se gastar dinheiro, é feita por algo supérfluo, algo que nos engana. O objectivo do design não é esse, mas sim o facto de fazer questionar de uma certa maneira o porquê das coisas, elucidar qualquer pessoa da maneira mais certa, encontrar um problema e tentar resolvê-lo.


O meu tema face ao projecto Manifes.to.me rege-se essencialmente para aquilo que é uma atitude muito pessoal face à maneira de intervir e de mostrar a minha opinião em relação à publicidade. Não existindo, a meu ver, melhor maneira de expressar uma opinião, fabricada dentro de quatro paredes, com apenas latas e papel. A ideia deste projecto é mostrar uma crónica, mostrar uma maneira de se sentir as coisas, ter uma posição activista, usar aquilo que é a verdadeira crença do graffiti, criticar e incomodar. Através do texto, Too Much Stuff de Rick Poynor, seleccionei as frases que para mim faziam mais sentido e decidi usar o suporte da publicidade como base de expressão. A finalidade do uso destas imagens é mostrar uma crónica, mostrar uma sequência narrativa, mostrar um trabalho não ligado ao aspecto estético das mensagens, mas sim mostrar uma atitude de revolta, algo que para mim é intuitivo.


(…) YOU CAN EXPERIENCE THIS ANYWHERE, IN ANY SHOP OR H I G H S T R E E T O R S H O P P I N G M A L L , AT A N Y T I M E . T O O M U C H V A R I E T Y. T O O M U C H D U P L I C AT I O N . T O O M A N Y C H O I C E S T O M A K E T H AT H A V E N O T H I N G T O D O W I T H N E E D . T O O M U C H F A N TA S Y. T O O M U C H S T U F F. ( … ) A N D H E R E I S T H E C E N T R A L D I L E M M A F O R A N Y D E S I G N E R W O R K I N G T O D A Y. W H E N I T C O M E S T O CONSUMER GOODS, EVERY NEW DESIGN (OR OLD DESIGN REE D I T I O N A S I F N E W ) , N O M AT T E R H O W W E L L C O N S I D E R E D , S I N C E R E LY I N T E N T I O N E D , O R J U S T P L A I N A L L U R I N G , CONTRIBUTES TO THE GIGANTIC OVER-PRODUCTION OF THINGS. W H AT E V E R I T I S , I N A N Y P U R E LY R AT I O N A L A S S E S S M E N T, W E A L M O S T C E R TA I N LY D O N ´ T N E E D I T, K E E N LY A S W E M I G H T D E S I R E I T. T R U LY N E W O B J E C T T Y P E S A R E R A R E . W I T H I N E S TA B LT I S H E D O B J E C T T Y P E S , S I G N I F I C A N T I N N O V AT I O N S A R E R A R E . M O S T S E A S O N A L C H A N G E S A R E M AT T E R S O F A E S T H E T I C S T Y L I N G , T H E Y P U R P O S E S I M P LY T O S I M U L AT E T H E U R G E T O B U Y, S O T H AT E V E N I F Y O U O W N T H E T H I N G A L R E A D Y, I T F U L F I L S I T S F U N C T I O N A D E Q U AT E LY, A PA R T O F Y O U W I L L H A N K E R A F T E R A N E W O N E I N M O R E - U P D AT E S T Y L I S T I C G A R B . ( … ) T H I S W A S A K I N D O F S O C I A L DETERMINISM ENACTED THROUGHOBJECTS AND IT IS NO W O N D E R T H AT M A R K E T I N G P E O P L E L O V E I T: E V E R Y T H I N G T H E Y N E E D E D T O K N O W A B O U T A PERSON (TO SELL THEM MORE STUFF) COULD BE READ OFF THE S U R F A C E . A D E C A D E O R M O R E L AT E R , T H E R E S U LT F O R S O M E D E S I G N - W AT C H E R S I S A K I N D O F PA R A LY S I S . IN TOO MUCH STUFF// RICK POYNOR


Whatever it is, in any purely rational assessment, we almost certainly don´t need it, keenly as we might desire it.


they purpose simply to simulate the urge to buy


Too many choices to make that have nothing to do with needs.


Too much fantasy too much stuffs


“A E X P R E S S Ã O , N O C A M P O D O S O C I A L , D E U M A VERDADEIRA (E DESEJÁVEL) POÉTICA DA FORMA E DA FUNÇÃO PRECISA DE SER ENQUADRÁVEL NA S U A V E R T E N T E G E N E R I C A M E N T E P O L Í T I C A , PA R A P O D E R E N T Ã O PA S S A R - S E À C A R A C T E R I Z A Ç Ã O DOS VALORES DE PRODUÇÃO, DE CIRCULAÇÃO, DE USO E DE CONSUMO DOS BENS”. Aurelindo Jaime Ceia in Design Incómodo


M A N I F E S T O . T O . M E

F a c u l d a d e

B e l a s

F r a c i s c o

A r t e s

G o m e s


MANIFES.TO.ME