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Luz, câmera, chega detelevisão KATHERINE HEIGL SAI DO INDISCUTÍVEL SUCESSO NA

SÉRIE GREY’S ANATOMY PARA SE AVENTURAR NO CONCORRIDO MUNDO DAS COMÉDIAS ROMÂNTICAS. SAIBA POR QUE A DISTÂNCIA ENTRE TELINHA E TELONA ESTÁ DIMINUINDO CADA VEZ MAIS EM HOLLYWOOD. NUMA VIA DE DUAS MÃOS

por Raquel Temistocles

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OMÉDIA ROMÂNTICA É TUDO IGUAL, SÓ MUDA DE ATRIZ.

O ditado popular não é bem esse, mas faz sentido quando falamos das produções cinematográficas que exploram as histórias das mulheres lindas e solteiras, beirando os 30 anos, bem-sucedidas e sem sorte no amor que, de repente, se apaixonam por um homem totalmente o oposto delas. O gênero que consagrou estrelas de primeira grandeza, como Julia Roberts (Uma Linda Mulher, Noiva em Fuga e O Casamento do Meu Melhor Amigo) e Sandra Bullock (Miss Simpatia, Amor à Segunda Vista e A Proposta), faz tanto sucesso que consegue atrair para o cinema alguns nomes bem conhecidos do mundo das séries. Jennifer Aniston deixou o aclamado seriado Friends (1994-2004) como uma das atrizes mais bem pagas da TV (o salário estimado na época era de US$ 1 milhão por episódio) e caiu direto no colo JUNTOS PELO ACASO I DIA 10, das personagens românticas e engraçadas do cinema. E não foi a única. SÁBADO, 22H, HBO, 71 E 571 (HD) Katherine Heigl abandonou a dramática Izzie Stevens da série Grey’s GREY’S ANATOMY – TEMPORADAS Anatomy no início de 2010 (personagem que lhe rendeu um prêmio ANTERIORES, I SEGUNDA A SEXTA, 19H, Emmy de melhor atriz coadjuvante em 2007) para entrar de vez nas SONY, 49 E 549 (HD) complicadas relações amorosas nas telonas.

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Medicina fashion – Antes de se tornar a nova queridinha das comédias românticas, Katherine Heigl aproveitou o sucesso de Grey’s Anatomy para lançar uma coleção de roupas para enfermeiras e médicas inspirada no próprio seriado

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A atriz, que protagonizou os longas Ligeiramente Grávidos (2007), Vestida Para Casar (2008) e A Verdade Nua e Crua (2009), não se arrepende da troca. “Amo histórias que inspiram você ou te movem de uma forma ou de outra. Ultimamente eu tenho adorado todas essas comédias porque eu tenho estado com vontade de rir. Eu só precisava rir e sentir alguma leveza e não levar as coisas tão a sério.” Mas não foi somente a vontade de se divertir que levou Katherine a largar seu confortável papel na televisão. Só o filme Juntos Pelo Acaso (2010) arrecadou cerca de US$ 100 milhões mundialmente. Nada mal para uma produção do gênero, cujo orçamento pouco ultrapassa um terço disso. O filme conta a história de Holly (Katherine Heigl), uma confeiteira dona do próprio negócio, que precisa se juntar ao imaturo conquistador Messer (Josh Duhamel) para cuidar de Sophie, o bebê órfão dos melhores amigos. Não é preciso dizer que a antipatia que os personagens sentem um pelo outro no início do filme se transforma em uma paixão arrebatadora, que atraiu o público feminino em peso para as salas de cinema. O diretor de Juntos pelo Acaso, Greg Berlanti, também é figurinha conhecida entre as séries. Produtor de Everwood (2002-2006), Eli Stone (2008-2009) e Brothers & Sisters (2006-2011), ele comentou durante a coletiva de imprensa que, mesmo tendo um toque de programa de televisão – 50% da produção se passa dentro da mesma casa –, o formato para o cinema é que tornou o projeto mais emocionante. “Tendo trabalhado na TV por tantos anos, você não vê a reação do público, a menos que invada a sala do telespectador. Assistindo agora, junto com a plateia, acho que é hora para um filme como este, que é inteligente, engraçado e bem contado. E acho que isso é o que o público quer agora, mais do que qualquer coisa, tanto em casa como nos cinemas.”

VALE A PENA? Não é de hoje que as comédias românticas têm pouco ou nenhum reconhecimento da crítica. Julia Roberts mesmo só ganhou o Oscar de melhor atriz quando fez o drama Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento (2000). O mesmo aconteceu com Sandra Bullock, que precisou dar vida a uma sofredora mãe em Um Sonho Possível, em 2009, para receber o prêmio. Pioneira das atrizes que trocaram a TV pelo cinema, Helen Hunt

ficou conhecida pelo papel de Jamie na série Mad About You (1992-1999), ganhou o Oscar de melhor atriz pelo drama Melhor é Impossível (1997), ao lado de Jack Nicholson, mas quando se aventurou pelas comédias Dr. T e as Mulheres (2000) e Do que as Mulheres Gostam (2000), sua carreira entrou em declínio. A escolha é difícil: reconhecimento na profissão ou cachês gordos para viver papéis leves no cinema? Para David Poland, critico e editor-chefe do site Movie City News, trocar de mídia está mais relacionado com os salários do que com o reconhecimento: “Muitos profissionais me disseram ao longo dos anos que o maior equívoco

DA SALA DE CINEMA PARA A DE ESTAR

CLAIRE DANES (HOMELAND) Começou teen na TV, mas estourou no longa Romeo + Juliet (1996). Fez mais de 20 filmes, voltando à TV em Temple Grandin (2010), pelo qual ganhou um Globo de Ouro, e está no ar na elogiada série como uma agente da CIA.

KATE WINSLET (MILDRED PIERCE) Uma das atrizes de maior sucesso atualmente, ela despontou em Titanic (1997). Fez Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças (2004), ganhou o Oscar pelo drama O Leitor (2008) e, neste ano, levou o Emmy pela minissérie.

ELIJAH WOOD (WILFRED) Adolescente assustado em Impacto Profundo (1998), Elijah Wood transita entre o cinema e a TV. O ator, que está na série como o depressivo Ryan, também está gravando O Hobbit, que estreia em 2012.

Depois de brilhar no cinema,

GLENN CLOSE (DAMAGES) Desde 2007 como a durona advogada Patty Hewes, Glenn Close construiu uma sólida carreira no cinema antes de entrar de vez na TV, incluindo Atração Fatal (1987), Ligações Perigosas (1988) e 101 Dálmatas (1996).

FOREST WHITAKER (CRIMINAL MINDS: SUSPECT BEHAVIOR) Premiado pelo filme O Último Rei da Escócia, em 2006, abraçou também papéis em séries como The Shield e ER. Escolheu viver o agente especial Sam Cooper do spin-off de Criminal Minds.

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A romântica Katherine – Da esquerda para a direita: a atriz em cena com Josh Duhamel em Juntos pelo Acaso e depois sozinha no filme. Na foto do meio, como a médica Izzie Stevens em Grey’s Anatomy. E a atriz vestida de noiva na comédia Vestida para Casar, de 2008

é pensar que os atores têm um monte de escolhas para fazer. Há um número limitado de trabalhos que pagam bem. E nem todo mundo é livre para fazer escolhas estratégicas”. Da mesma forma, alguns atores consagrados no cinema perceberam que a TV tem muito a oferecer. Talvez até mais que o cinema. Kate Winslet, Forest Whitaker, Glenn Close, Laura Linney e Sally Field são alguns dos nomes que migraram de uma mídia para outra (veja no box abaixo). “Não é fácil para as atrizes de Hollywood. Há um número limitado de papéis muito bons e, em uma certa idade, fica ainda mais difícil. Ambas, Laura Linney e Glenn Close,

conseguem ter suas casas na Costa Leste, fazer teatro como quiserem, e ganhar um grande montante de dinheiro para fazer TV. Os programas são adaptados aos seus desejos, então essas são, sim, grandes oportunidades”, afirma Poland. Não é um luxo que todos os astros podem ter. A estrela de The Big C, por exemplo, já havia sido indicada três vezes ao Oscar antes de estrear na série. Glenn Close, cinco. Por serem atrizes mais maduras, elas podem escolher o rumo da profissão sem escorregar. Já a jovem Katherine Heigl continua apostando nos romances. Seus próximos três projetos já confirmados para 2012 – One For The Money, Noite de Ano Novo e The Wedding – são do gênero. Teremos que esperar para ver se ela seguirá o caminho de Jennifer Aniston ou irá um dia voltar a aceitar papéis para nos fazer lembrar de Izzie e frequentar de novo o Emmy e o Globo de Ouro. Por enquanto, não temos do que reclamar.

FOTOS: DIVULGAÇÃO

eles e elas dão um novo rumo na carreira e apostam em séries de TV onde podem escolher e explorar mais seus personagens

KATHY BATES (HARRY’S LAW) Veterana nos cinemas – Louca Obsessão (1990), Tomates Verdes Fritos (1991), As Confissões de Schmidt (2002) e MeiaNoite em Paris (2011) –, rodou muito até viver uma advogada sarcástica da nova série.

SALLY FIELD (BROTHERS & SISTERS) Eterna Noviça Voadora (série de 1967 a 1970), a atriz tem um pé na TV e outro no cinema. Fez telefilmes, séries, recebeu prêmios pelos longas Norma Rae (1979) e Um Lugar no Coração (1984), e vive a matriarca dos Walkers.

LAURA LINNEY (THE BIG C) Destaque na série desde 2010 no papel de uma mulher com câncer, a atriz tem uma carreira de respeito, com destaque para O Show de Truman (1998), Conte Comigo (2000) e Sobre Meninos e Lobos (2003).

ANNA PAQUIN (TRUE BLOOD) Com apenas 11 anos, Anna se tornou a segunda atriz mais nova a receber um Oscar por O Piano (1993). Sua carreira no cinema incluiu ainda os três filmes de X-Men (2000, 2003 e 2006) antes de viver Sookie Stackhouse.

PATRICK WILSON (A GIFTED MAN) Depois de estrear ao lado de Meryl Streep na série Angels in America, em 2003,atuou em produções como Watchmen – O Filme (2009), e agora volta à televisão como protagonista na série dramática/espiritual.

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Luz, Camera, chega de televisão - Monet 105 - dezembro2011