quebra-cabecedário [projeto piloto]

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pilot o t

e

pp d

proje

e

o volum





[a] anna stolf [c] camilo belchior [c] chantal herskovic [d] daniel ducci [t] tatiana pontes [d] daniela avelar [f] fran favero [i] ira nasser  [i] isa doro [i] isabela prado [i] izabella coelho [j] julia amaral [m] mårio geraldo da fonseca [m] matheus abel [p] patrícia galelli [p] paulo cruz [p] priscila costa oliveira [r] raquel stolf [r] rogÊrio de souza [s] silfarlem oliveira [c] carolina moraes [e] ernesto desrio [t] thais azevedo ---

volum

e

pp d

pilot o t

o

e

proje

Belo Horizonte, 2019-2020


[D]



[qb]


a partir do momento em que um assunto possa negar seu sentido

paradoxalmente ele afirma a existĂŞncia de outros sentidos


[pp]


quebra-cabecedário [volume pp de projeto piloto] iniciou com a investigação e o desdobramento da expressão

Na sequência, investigamos, discutimos e compartilhamos

quebrar a cabeça,

abecedários

tanto no sentido da incontrolável produção de pensamentos quanto sobre o desafio de ter ideias.

de algumas/alguns autoras/autores, a partir dos interesses de cada participante, sendo que, individualmente, decidimos um desdobramento para dialogar com nossa proposição autoral.

O projeto seguiu com o entendimento do conceito de nonsense como multiplicador de sentidos e dispositivo de invenção, na intenção de articular arte, design e nonsense como componentes de um mesmo quebra-cabeça.

Na produção dos trabalhos individuais, cada proposição foi efetuada do modo desejado pela/pelo autora/autor participante.

Assim, contando com desenhos, fotografias, escritas, colagens, registros de produções bidimensionais e/ou tridimensionais, os trabalhos foram reproduzidos nestas páginas quadradas numeradas por letras de nosso alfabeto, sendo organizados em sequência a-be-ce-d-ária.


[s]


[a] ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------- A de Boi [a] --------------------------------------------------------------------- Alfabeto – resenha vocalizada e anotada [a] ----------------------------------------------------------------------------------------------------- (a)Hendu/escutar [b] ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------- bendegó [b] ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Briefing [b] --------------------- buraco, bombas de tiempo, bruma, fundo, fresta, furar, só, sob, remoto, lóculo [c] ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------- cimento [d] ---------------------------------------------------------------------------------------------------- D once was a Doll [m] ------------------------------------------------------------------------------------------ Methodology Showclass [m] -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- monstros [n] ------------------------------------------------------------------------------- ninho – o germinar das palavras [o] --------------------------------------------------------------------------------- ontem meu bem, contei até cem [p] -------------------------------------------------------------------------------------------------- paradoxo miserável [p] --------------------------------------------------------------------------------------------------- pássaros do brasil [p] ------------------------------------------------------------------------------------------------ pensar com as mãos [p] --------------------------------------------------------------------------- perguntário do Mário pro mar.rio [s] ---------------------------------------------------------------------------------------------------- same day delivery [t] -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- teaser [z] --------------------------------------------------------------------------------------------- zumbis pós apocalipse [z] ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- zzzzzz




A

: o boi ĂŠ a primeira letra do alfabeto : todo o ocidente escreve com o boi que o meu tio matou


A de Boi Em A de Animal, Gilles Deleuze afirma que o escritor é responsável pelos animais que morrem, que deve responder por eles. Herança dos fenícios, a letra A, alpha, significa “boi” – bustrofédon que nos ensinou a escrever. Uma das minhas primeiras lembranças de infância é a de ter visto um boi morrer a facadas, dadas pelo meu tio. O nonsense que é essa morte antecipada não está nos versos de Edward Lear, mas o meu desenho de boi vivo-morto, com os tipos de corte que não são feitos de escrita, parte dos desenhos de seu abecedário para a composição desse novo verbete.

[a]


AMIHTSFDTIMITNCDJSMEPMDNDLREQOMAHTSOCITEEDQSESDMLPMAMERNEFTSTREIDEPMNMMAMQ SMETAUSEASMAMOEIMDCOMROPLOEDEDEPTSCOPBDDSPNMFLQDSCDATLEMDEDQDCVICPPBSVVSDS ECDSLEAEQPNAOTPDCOATIETCDGDJCMBPHSCBESDQHFEADVNELJJCODNDOADSPDUTSESTLEQTTINE EJMUNLECQQDOVDRLDLLJEDEDPSDTIMQTQEQGTLODEDQONQCASCSDOCDOSMSASSODPLUSUEDILLF LANHCDFNELDLLMSDESQEPCARSCADVDMSDCDEANOPCCMETDPSACSPNTECMDMSIMNRPHNTUTEOSN SUEHFEAMMAEIDPSNQCRCQSASDPAMDEEDFHQDMFPSQEQAEPQOQCASUUASAENEDGDCESNILUAMCL EREGNSPPAECLASCCOOEGSSDCQUHJCLPSJHDGAECUPDHMDCSPAPEHHNTCESLCPSDDCLMDHEEUPASV NSSATEAPACIJVNPLLYECDLCMELDEPDTCLAMCPDIAURAAUTAEEPCUEOPBDDORAAMCANJLOJLLDMT VNJMJSCMLADQNTNONJJMLLEMITVVDNTPFBBSJBJJDJEMTEOMUOERDQTPAPOBASDAELLSSBLPQTECI CDOEFDQNQTMOISULUPVEEMCUMDMACVPQQMAFSPTUDPLJLNAPDAIADEQNQMANTESQMDPQNDLAC ITSCJTTMBMEMEPFJCLMMUTIDSANECTMSDSMSIEPTQDDOMMETHACAMQRSVMAHCSDMENNCLDDPM QECIMAUSCMPACVITONNEIIUPMQNRMMBSLPESCCCJQICEOEPNTIVTLAMIHTSFDTIMITNCDJSMEPMD NDLREQOMAHTSOCITEEDQSESDMLPMAMERNEFTSTREIDEPMNMMAMQSMETAUSEASMAMOEIMDCOMR OPLOEDEDEPTSCOPBDDSPNMFLQDSCDATLEMDEDQDCVICPPBSVVSDSECDSLEAEQPNAOTPDCOATIETC DGDJCMBPHSCBESDQHFEADVNELJJCODNDOADSPDUTSESTLEQTTINEEJMUNLECQQDOVDRLDLLJEDED PSDTIMQTQEQGTLODEDQONQCASCSDOCDOSMSASSODPLUSUEDILLFLANHCDFNELDLLMSDESQEPCAR SCADVDMSDCDEANOPCCMETDPSACSPNTECMDMSIMNRPHNTUTEOSNSUEHFEAMMAEIDPSNQCRCQSAS DPAMDEEDFHQDMFPSQEQAEPQOQCASUUASAENEDGDCESNILUAMCLEREGNSPPAECLA SCCOOEGSSDC QUHJCLPSJHDGAECUPDHMDCSPAPEHHNTCESLCPSDDCLMDHEEUPASVNSSATEAPACIJVNPLLYECDLCM ELDEPDTCLAMCPDIAURAAUTAEEPCUEOPBDDORAAMCANJLOJLLDMTVNJMJSCMLADQNTNONJJMLLEM ITVVDNTPFBBSJBJJDJEMTEOMUOERDQTPAPOBASDAELLSSBLPQTECICDOEFDQNQTMOISULUPVEEMCU MDMACVPQQMAFSPTUDPLJLNAPDAIADEQNQMANTESQMDPQNDLACITSCJTTMBMEMEPFJCLMMUTIDS ANECTMSDSMSIEPTQDDOMMETHACAMQRSVMAHCSDMENNCLDDPMQECIMAUSCMPACVITONNEIIUPM QNRMMBSLPESCCCJQICEOEPNTIVTLAMIHTSFDTIMITNCDJSMEPMDNDLREQOMAHTSOCITEEDQSESDM LPMAMERNEFTSTREIDEPMNMMAMQSMETAUSEASMAMOEIMDCOMROPLOEDEDEPTSCOPBDDSPNMFLQ DSCDATLEMDEDQDCVICPPBSVVSDSECDSLEAEQPNAOTPDCOATIETCDGDJCMBPHSCBESDQHFEADVNE LJJCODNDOADSPDUTSESTLEQTTINEEJMUNLECQQDOVDRLDLLJEDEDPSDTIMQTQEQGTLODEDQONQCA SCSDOCDOSMSASSODPLUSUEDILLFLANHCDFNELDLLMSDESQEPCARSCADVDMSDCDEANOPCCMETDPS ACSPNTECMDMSIMNRPHNTUTEOSNSUEHFEAMMAEIDPSNQCRCQSASDPAMDEEDFHQDMFPSQEQAEPQO QCASUUASAENEDGDCESNILUAMCLEREGNSPPAECLASCCOOEGSSDCQUHJCLPSJHDGAECUPDHMDCSPA PEHHNTCESLCPSDDCLMDHEEUPASVNSSATEAPACIJVNPLLYECDLCMELDEPDTCLAMCPDIAURAAUTAEE PCUEOPBDDORAAMCANJLOJLLDMTVNJMJSCMLADQNTNONJJMLLEMITVVDNTPFBBSJBJJDJEMTEOMUO ERDQTPAPOBASDAELLSSBLPQTECICDOEFDQNQTMOISULUPVEEMCUMDMACVPQQMAFSPTUDPLJLNAP DAIADEQNQMANTESQMDPQNDLACITSCJTTMBMEMEPFJCLMMUTIDSANECTMSDSMSIEPTQDDOMMETH ACAMQRSVMAHCSDMENNCLDDPMQECIMAUSCMPACVITONNEIIUPMQNRMMBSLPESCCCJQICEOEPNTI VTLAMIHTSFDTIMITNCDJSMEPMDNDLREQOMAHTSOCITEEDQSESDMLPMAMERNEFTSTREIDEPMNMMA MQSMETAUSEASMAMOEIMDCOMROPLOEDEDEPTSCOPBDDSPNMFLQDSCDATLEMDEDQDCVICPPBSVVS DSECDSLEAEQPNAOTPDCOATIETCDGDJCMBPHSCBESDQHFEADVNELJJCODNDOADSPDUTSESTLEQTTI NEEJMUNLECQQDOVDRLDLLJEDEDPSDTIMQTQEQGTLODEDQONQCASCSDOCDOSMSASSODPLUSUEDIL LFLANHCDFNELDLLMSDESQEPCARSCADVDMSDCDEANOPCCMETDPSACSPNTECMDMSIMNRPHNTUTEO SNSUEHFEAMMAEIDPSNQCRCQSASDPAMDEEDFHQDMFPSQEQAEPQOQCASUUASAENEDGDCESNILUAM CLEREGNSPPAECLASCCOOEGSSDCQUHJCLPSJHDGAECUPDHMDCSPAPEHHNTCESLCPSDDCLMDHEEUPA SVNSSATEAPACIJVNPLLYECDLCMELDEPDTCLAMCPDIAURAAUTAEEPCUEOPBDDORAAMCANJLOJLLDM


“Quando menino [Borges], eu costumava me maravilhar com o fato de as letras de um volume fechado não se misturarem nem se perderem no decorrer da noite.” Tão bem grudadas estão no papel, as letras, que não há espaço para derramamentos. Estávamos à procura, no entanto, de outra classe de definição, uma definição que nada define. Uma definição chistosa como diria Schlegel em seus fragmentos. Pois, se para cada indivíduo há infinitas definições reais, nada mais justo admitir, como faz Wittgenstein, concordando com Schlegel, que definições são regras de tradução de uma linguagem para outra. Assim, com as resenhas, decidimos desgrudar as letras do papel para novamente grudá-las em outra ordem. Uma resenha, um gruda desgruda letras, é uma ficção fiação (sem pontuação) daquelas praticadas por Campos em Galáxias. Não posso esquecer de dizer que, no gruda e desgruda, o título do livro resenhado é tão importante quanto a resenha. Tenho igualmente que advertir que uma resenha vocalizada e anotada pode ser facilmente confundida com um jogo de caça-palavras. Guardado as semelhanças, contudo, uma resenha está, conceitualmente, mais próxima de um procedimento de re-gruda-letras do que de um caça-palavras. Tempos atrás conversei com Elida Tessler, uma fabricante de caça-palavras, sobre a arte de colocar palavras sobre o papel. Em um caça-palavras, disse eu a ela, cada palavra encontrada, antes de ser encontrada, foi cuidadosamente encurralada entre as linhas. Uma resenha vocalizada e anotada não encurrala as palavras, as palavras não são colocadas artificialmente em uma posição para serem encontradas. Leio um volume e junto um conjunto de letras grudadas sobre o papel. Leio um volume e junto um conjunto de letras que não escrevem palavras. Leio um volume e junto um conjunto de letras formando uma fiação ficção. Leio um volume e junto um conjunto de letras ambulantes. Leio um volume e junto um conjunto de letras se bifurcando. Leio um volume e junto um conjunto de letras se desletreando.

[a]

Alfabeto – resenha vocalizada e anotada

O livro Alfabeto de Paul Valéry resenhado, vocalizado e anotado, seguindo as indicações de J. L. Borges presentes em La biblioteca de Babel e El Aleph: “Falar é incorrer em tautologias”. É isso mesmo, repetições. Todos os livros, todos os exemplares, todos os volumes, as mesmas letras que se repetem. O que muda são as posições das letras dentro de cada volume. Na biblioteca livro capa, biblioteca que possui apenas um livro com vários exemplares, foi encontrado recentemente uma fórmula D E T A L H A D A das novas “diretrizes para publicação de resenhas vocalizadas e anotadas”. Como acredito que muitos dos leitores ainda não estão familiarizados com esses recursos, decidimos incluí-los nesta apresentação. Iniciando: Escolha um livro (ou um conjunto de livros) nas medidas desejadas. Convide um(a) parceiro(a) e em dupla atuem. Um lê, página por página, a primeira letra de cada frase do livro escolhido e o outro registra as letras. Outros critérios de leitura e registro podem ser formulados. Uma vez concluídas as anotações, procurem, na sequência de letras, palavras; elas formarão a resenha do livro escolhido. Junte todas as palavras encontradas e as publique. Com elas, nem mais nem menos, oferecemos às leitoras procuradoras e aos leitores procuradores uma visão panorâmica do conjunto. As resenhas são um registro dos começos dos livros. Registrar a primeira letra de cada linha, faz com que uma resenha seja uma crônica de começos. É como se a leitura fosse feita não de linha em linha, mas de coluna em coluna. Você pega o livro dá a volta nele e lê as colunas, da esquerda para direita, como se estivesse lendo as linhas de cima para baixo. Georges Perec em Espèces d’espaces escreve dessa forma, traça palavras sobre uma página. Letra a letra, um corpo se forma, se firma, se consolida, calha. Uma linha estritamente horizontal se deposita sobre a folha em branco da esquerda para a direita de cima para baixo. Sempre bom lembrar as palavras de Borges, todos os livros contêm os mesmos elementos (as letras do alfabeto) colocados em ordens desiguais.



Tanto a língua guarani quanto o dicionário de Cecy Fernandes de Assis possuem características extremamente singulares. Há frases muito cotidianas, próximas de exemplos encontrados em qualquer dicionário, mas estas são entremeadas por pensamentos e reflexões sobre o estar no mundo, sobre a constituição da língua e do povo guarani e sobre diversos aspectos de sua cultura e da relação que esta empreende com outros povos. Essas frases estão impregnadas de memórias, em uma conexão intrínseca entre língua, cultura e mundo – lugar onde se vive. O dicionário parece funcionar propondo fluxos e correntezas, em que cada uma das palavras cascateia e tomba na próxima, formando séries de confluências. Rios de palavras, fluindo e confluindo em múltiplas direções simultâneas.

Se o texto do dicionário é um rio, a escrita de (a)Hendu/escutar se dá erodindo as margens do leito, escutando por bastante tempo até que as fissuras entre palavras e traduções comecem a se tornar perceptíveis. A partir desse contato demorado são propostos outros fluxos, um território de partículas múltiplo, incerto e vazado que não tem uma estrutura fixa na qual se agarrar. Desse processo resulta um texto permeado por distintas línguas, incompleto e inexato, mas no qual ainda assim ressoam questões que concernem ao guarani, às traduções e às fronteiras.

[a]

(a)Hendu/escutar

(a)Hendu/escutar é uma proposta de escrita por erosão partindo do verbete (a)Hendu (escutar) e percorrendo uma série de outros verbetes do dicionário Ñe’ẽryru: avañe’ẽ-portuge/portuge-avañe’ẽ – Dicionário: guarani-português/português-guarani, de Cecy Fernandes de Assis, 2008.


Pedra sobre Pedra


F de B de M de

Bendegó é uma das peças que resiste ao incêndio do Museu Nacional em 2018. Pedra sobre Pedra

[b]

bendegó

M de U de P de

Em 1784, cai um Meteorito na cidade de Uauá, no sertão da Bahia. Pedra extraordinária, que a população local supunha conter ouro e prata, mas que depois se descobre ser composta principalmente por Ferro e níquel. Na tentativa de levá-lo para Salvador, o meteorito cai no riacho de Bendegó, onde fica por cerca de cem anos. Assim, a pedra recebe seu nome. Em 1888, o meteorito de 5,3 toneladas é levado para o Museu Nacional, no Rio de Janeiro.


Prezado Sr. Meirelles, diretor executivo da Gaya Ltda. Conforme acordado em reunião prévia, segue a sistematização dos requisitos necessários para atender ao objetivo do projeto encomendado. Justificativa: A empresa contratante Gaya Ltda. nos demonstrou sua preocupação genuína com a situação ecológica do nosso planeta, que é resultado do sistema produtivo e hábitos de consumo atuais. Na intenção de contribuir com a questão ambiental, os representantes da Gaya Ltda. percebem como necessária a intensificação do processo de poluição e contaminação das águas, atmosfera e solo, para assim, acelerar a extinção da humanidade como a conhecemos, dando a oportunidade ao planeta para se renovar. A sustentabilidade financeira da empresa não precisa ser levada em conta para o desenvolvimento deste projeto, pois os empresários estão dispostos a arcar com os prejuízos em prol da causa proposta. Requisitos de projeto: • desenvolver um produto inútil, que provoque desejo de aquisição em massa; • principal função é o descarte precoce; • o processo produtivo deve consumir o máximo de energia e matéria-prima, para fabricação do mínimo de produto final; • nenhuma norma ecológica deve ser respeitada, despejando contaminantes em toda oportunidade que surgir no seu processo produtivo; • é desejado que se utilize de diversas matérias-primas, unindo o plástico, metal e madeira, para se diversificar as vias de poluição. Principais resultados esperados pelo projeto: Esperamos entregar ao cliente um projeto de produto, juntamente com sua engenharia de produção, que atenda a proposta ideológica da empresa. O intuito é que o produto não denuncie a proposta no seu desenho, paleta de cores e formas, mas que a partir da aquisição, dialogue com o consumidor, elucidando seu objetivo e afirmando a importância deste processo para a natureza. O objetivo é que o consumidor se identifique com o ideal da empresa e se engaje também no processo. Para atender a demanda, nos propomos desenvolver o projeto de produto, engenharia de produção e sua prototipagem, no prazo de 20 dias úteis, a partir da aprovação do contrato. Os valores e condições de pagamento seguem em anexo, na proposta comercial. Esperamos que este seja um negócio de sucesso para ambas as partes. Será um prazer trabalhar com a Gaya Ltda. Atenciosamente, ________________ Isadora França Lima


Os apontamentos sobre o Desejo, na entrevista “O abecedário de Gilles Deleuze” trazem reflexões importantes, que podem nos dar ferramentas para entender esse comportamento global. Deleuze aponta que o desejo é um agenciamento. Não se deseja algo, mas se deseja o contexto em que este algo está inserido. E o desejo é um delírio, e este delírio não é sobre questões individuais, mas é geográfico e político, na tentativa de lidar com a produção infinita do inconsciente. O discurso sobre a sustentabilidade é aqui lido como um delírio coletivo de que se é possível manter os padrões de consumo e práticas capitalistas sem colocar a espécie humana em risco. Quando na verdade o desejo, em voga, é o de usufruir das experiências proporcionadas pelo capitalismo e suas tecnologias a qualquer custo. O delírio da sustentabilidade é a forma que encontramos para lidar com este desejo inconsciente de gozar do produto da destruição. O briefing vem escancarar isso pela sátira.

[b]

Briefing

A proposta de elaborar um Briefing de produto, cujo objetivo é provocar a destruição da natureza para o seu próprio bem, foi uma tentativa de expor as contradições embutidas nas práticas e discursos ditos sustentáveis/ecológicos. A caricatura do empresário, que se propõe a abrir mão de seus lucros e investir seus recursos no ideal de destruir a humanidade para salvar o planeta, escancara as limitações de se tentar preservar a natureza dentro do modo de produção e hábitos de consumo capitalista. O lucro continua sendo a prioridade, e a natureza como serva do humano ainda é o princípio norteador. O ideal de sustentabilidade se resume, então, à uma bengala, que nos ajuda a lidar com a relidade da culpa de nos priorizarmos frente a toda destruição que endossamos e financiamos.


cada criatura/pessoa teria um buraco transportável, um lugar na qual ela poderia entrar e ficar um pouco sozinha para pensar. por exemplo: quando ela estivesse lá, procurando um sofá para comprar, diria ao vendedor: um momento, vou me retirar para pensar melhor. ela, que teria uma tampinha em sua barriga, a abriria sem dificuldade [a senha seria um pensamento] e entraria em si para pensar. lá dentro seria escuro [que nem fechar os olhos], mas ao mesmo tempo seria muito claro [que nem fechar os olhos], dependendo do pressentimento e da sensação de cor que se tivesse e isso já estaria influenciando seus pensamentos a respeito do negócio. imersa numa espécie de vácuo, fora [do ar], não sentiria o tempo passar. quando saísse de lá, seria a mesmíssima hora em que o vendedor perguntou se ela queria ou não fechar o negócio. outras pessoas poderiam ter o buraco nas pernas, na cabeça, nos braços, nos pés, nas mãos, nos joelhos, nos cotovelos, no pescoço, nas costas, na cintura, sendo que ele não coincidiria com outros buracos do corpo. ele seria de nascença, imprevisível e involuntário. o buraco poderia ser lavado de vez em quando [uma vez ao mês, lavável com álcool, para desinfetar os pensamentos, pressentimentos e cores antigos], mas com muito cuidado, para não entrar ar [a tampa permaneceria sem sugar nada durante um minuto. depois, ela sugaria o que tivesse diante dela]. se isso acontecesse, uma dor de cabeça tomaria a pessoa por um minuto no dia do acidente. ninguém poderia entrar no buraco da outra pessoa [isto também causaria dor de cabeça: o tempo de duração da dor seria multiplicado pelo peso da pessoa]. se o buraco não fosse usado durante um ano, ele fecharia para sempre [e uma dobra na pele assinalaria sua localização remota no corpo].


[b]

buraco, bombas de tiempo, bruma, fundo, fresta, furar, só, sob, remoto, lóculo

buracos portáteis podem ser um lóculo-lugar-cavidade de si, diante de uma situação que gagueja. e/ou o sem fundo de um buraco de tempo, um auto-sob, diante de um (des)controle remoto. e/ou um sob a tentativa de furar ou de escavar uma fresta imóvel, de poder vagar na bruma, só.



As imagens, construídas pelo processo da fotomontagem, conectam camadas dispersas da cidade, juntam no mesmo plano tempos e espaços distintos, na tentativa de materializar visualmente o movimento, o ruído, a dureza e a escala que se impõe. Olho, fotografia, tesoura, durex – a montagem como aglutinante, cimento que expande a cidade de pedra e carne e faz dela uma invenção, um lugar constituído por trocas e experiências cotidianas.

[c]

cimento

aglomerante us. para unir solidamente diversos tipos de materiais de construção, constituído basicamente de substâncias calcárias e argilosas pulverizadas e calcinadas, ligadas com água para formar uma pasta mole a qual, ao secar, adquire consistência de pedra. (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa)



[d]

D once was a Doll

“Dhi” e Hans viveram um relacionamento desconstruído e reconstruído de maneira infome como uma aranha esmagada. Aquele quadro chamou a atenção de Witkin que a raptou com a ajuda de Coppélius. Apaixonado por “Dhi”, a quem chamou de Olympia, Witkin a fragmentou causando em Sigmund uma perturbadora sensação de estranhamento. Afinal, Sherman afirmava a parte sem nunca negar o todo: precisava de olhos.


Methodology Showclass: Applications and implications at university. OLIVEIRA, Ira Nasser Rosa; Graduanda; Universidade do Estado de Minas Gerais iranasser@gmail.com Tel: +5531985990527 Lattes: http://lattes.cnpq.br/9472176888023830 O presente exposto pode se comportar como o manifesto proposto por Fabiana Faleiros em sua aula show proposta no livro “O pulso que cai e as tecnologias do toque”. O mundo está em crise, não se pode categoricamente planejar modificações no espaço-tempo-tecnológico, Santaella (1996, p. 197) contribui que: “Toda máquina começa pela imitação de uma capacidade humana que a máquina se torna, então capaz de amplificar”. A universidade é máquina, o mundo máquina eu também sou cismáquina. O pocket, media, jornada do usuário, moodboard e briefing crítico, pretende contribuições utilizando o micro show como potente ferramenta analítica. A metodologia showclass tem se mostrado eficaz no processo de ensino universitário. O plano abaixo exposto foi elaborado com bases informativas, diante do que brilhantemente propôs a atriz Marina Viana em sua obra intitulada Manifesto Antiacademicista pró-bruxaria sem rigor conceitual do meu lado ocidental que Eurípedes desconhece. O espetáculo aponta para novos caminhos na reconstrução do amor, de Medeia até Marina, passando por fogueira, macumba, assassinato, plágio, paródia, deus ex-machine e canções de dor de cotovelo. Por contar, ainda com poucas publicações acerca do tema no Brasil, além de seu sabido descompromisso metodológico, pretende-se ainda mapear os desdobramentos da aplicação da metodologia Showclass em diversas universidades do convênio eixo Brasil-Austrália. 1) Showclass – Deise Tigrona Ai! Ai! Quando eu vô ao médico, sinto uma dor. Quer me dar injeção, olha o papo do doutor! Injeção dói quando fura, Arranha quando entra. Doutor assim não dá minha poupança não aguenta! Tá ardendo mais tô aguentando arranhando mais tô aguentando. Tá ardendo mais tô aguentando Arranhando mais tô aguentando. 2) Showclass – La Goony Chonga Yo soy la diosa mas peligrosa escandalosa que tu conozcas te doy calentura y aventura en la locura con sabrosura un poco adelantada y mal criada con muchas ganas y siempre gano yo soy la ganadora frikitona en tu zona hablando dos idiomas como no me queda otra el quiere mi chocha porque lo pongo en nota me dicen sabrosa peligrosa la que goza deja la muela yo quiero billetera billete de cienes y billetes de ciquenta. Não me chama de ridícula não! você é feia e nem por isso eu fico falando. 3) A Delinquência acadêmica – Mauricio Tratenberg Contribui Tratenberg (1978, p. 3) “A universidade não é algo tão essencial como a linguagem; ela é simplesmente uma instituição dominante ligada a dominação. Não é uma instituição neutra; é uma instituição de classe, onde as contradições de classe aparecem” e continua “Para obscurecer esses fatores, ela desenvolve uma ideologia do saber neutro, científico, a neutralidade cultural e o mito de um saber ‘objetivo’, acima das contradições sociais”. O pensamento está fundamentalmente ligado à ação.


Methodology Showclass

Aula Show de Metodologia: Aplicações e implicações na universidade.

[m]

(tradução nossa, 2019)



[m]

monstros

O presente trabalho remete a uma página de diário sobre uma breve catalogação de monstros. Ele já inicia o texto avisando que existem muitos monstros no mundo e apresenta um pequeno recorte de monstros caseiros e de edifícios. O traço sugere pequenas percepções desses monstros domésticos anotados na página do diário. Trata-se de um trabalho non-sense que discute a existências dos monstros, onde habitam, seus comportamentos e como lidar com esses seres inusitados.


Qual letra começa com cachorro? cachorro Qual letra começa com bola? B Eu sabe escrever B Qual letra começa com... nenem de brinquedo de boneca Qual letra começa mais com letra de maria Flor? Qual letra começa com... com...Água? C!!! E C de celular começa com C de Maria Flor Celular começa com m de Maria Flor Aqui o C Esse é o T? Peguei o meu Tzinho Tzinho parede! A cortina... Vamos pegar todas as letras e pegar na mão para ver qual é a letra... H O H que eu estou vendo O H começa com qual letra? Com quer dizer... Com qual coisa? Qual letra começa com H? X Ahãm Então, eu vou tutuiá outra letra U

U u u u uuuuuuuuu Forma começa com U Acho que formas... Letras começam mesmo de formas Como vai tirar? É porque elas são diferentes como as outras Por isso que eu pareço com as letras Ôoooo eu tive uma ideia A Zente pega e vê qual é a letra que a zente mais gosta. A zente dá para formá coisa diferente dá para formá um escorregador Um parque Caixas e letras C 4 5 Agora vamos ver qual letra começa com brinquedos? TODAS AS LETRAS TODAS u u u u 7 8 9 10 todas as letras Agora... A letra que a zente mais gosta são... esses são os lugar das letras eu vou colocar aqui no ventilador e... E aí vai formá uma grande surpresa de letras Vamos achar... ali Precisa ser um... Eu acho que as letras vão voar no ventildor da zente E se a gente fazê um novo ventilador de caixa? Isso não é uma boa ideia faltou uma letra Aqui!!! Esse ventilador é para colocar uma letra E aí a zente coloca quatro letra, três letra, E aí a zente coloca essa e espera e aí a zente [ruídos] A zente vai cozinhar Sabe que sopa parece uma letra? Eu vou no banheiro rápido fazer cocô!

https://soundcloud.com/user-614710215/ninho-o-germinar-das-palavras

Um coração Cadê o C? Qual letra começa com Maria Flor? Qual letra começa com lalanja? Qual letra começa com Sofá e coberta? Cadê o C? A zente não sabe onde está o C? Essa letra C está fugindo!


Como manter um alfabeto criança?

Em qual momento que perdemos o eu-alfabeto?

O H começa com a letra A?

[n]

ninho – o germinar das palavras

O alfabeto é um convite a uma arte combinatória em que tudo é, ao mesmo tempo, já dado e ainda por vir. NINHO – o germinar das palavras é o registro do encontro da Maria Flor, minha filha de 3 anos, com uma caixa de letrinhas. O livro Dicionário da Marilá Dardot foi nossa relação de aproximação com a ideia de dicionário como lugar de tudo e nada, que nos leva a navegar o mundo pela palavra e seus significados. Dardot diz que o dicionário é “um espaço interior, autogerativo e labiríntico, que permite novas configurações e combinações, uma extensão da própria linguagem”. O reconhecer das letras pela Maria Flor se dá numa ordem fora da ordem alfabética onde vão sendo germinadas/plantadas as letras e suas significâncias nonsense. É no nascer do linguajar que o mundo de combinações vai tomando sua (des)forma alfabética. Criando outros jogos combinatórios. Para mim, ficam as questões:



ontem meu bem, contei até cem A frase é um fragmento do trabalho em processo “Tentativa de esgotamento de uma cor e outros desaparecimentos”, desenvolvido enquanto tese de doutorado.

[o]


(

— paradoxo miserável — um puzzle todo branco)


— um paradoxo miserável )

não possui significação, mas nem por isso deixa de ter sentido (stolf, 2013).

como montar um puzzle inteiramente em branco? como montar um puzzle com peças de vários outros? que forma teria? que imagem-texto-coisa? que — ou quais — sentidos? quantas peças são necessárias para a noção de um todo: um todo construído em partes? o que diz uma peça sozinha? o que diz quando encontra outras? o que acontece se peças de puzzles diferentes forem embaralhadas?

paradoxo miserável é uma apropriação de um curto trecho do preâmbulo do livro a vida modo de usar de georges perec.

[p]

paradoxo miserável

(



criei essa conexão entre o quarteto e a proposta do quebra-cabecedário um pouco por eu interpretar que, de algum modo, esses quartetos eram pequenos dicionários ou pequenas enciclopédias, incompleto/as, reuniam figuras sob um “verbete”. pequenos compilados. o quarteto que escolhi trabalhar foi um de pássaros brasileiros. no jogo, o objetivo é fazer agrupamentos, os quartetos, que são divididos por subdivisões dentro do grande tema (nesse caso o grande tema é Pássaros Brasileiros) e eles formam grupos e categorias. A pessoa que está jogando tem que juntar cartas do mesmo agrupamento, que muitas vezes correspondem com grupos de comportamento, família, aparência etc... nesse sentido, pensei o quarteto como algo abecedário, com uma lógica parecida, uma espécie de vontade de inventário, de catálogo mas que nunca contempla mesmo tudo.

[p]

pássaros do brasil

a ideia partiu de um jogo antigo de cartas, que meu avô colecionava, chamado QUARTETO. Os quartetos eram temáticos, muitas vezes sobre paisagens, costumes, literatura, ciência, fauna e flora. Tinham um caráter informacional pelos temas, com uma intenção de contemplar um assunto específico. Meu avô colecionava somente os brasileiros e usei um desses quartetos neste trabalho.



Pensar com as mãos quer dizer encontrar outros caminhos que percorrem o exercício das reflexões e permitir fugir da lógica humana da racionalidade. Assim, foi subvertida a ideia de um propósito. Ao invés disso, foi construído com as mãos algo com finalidade desconhecida e incerta até o momento da concepção. Dessa forma, a materialização do livro de artista pode ser percebida como símbolo do conhecimento, que surge não apenas como possibilidade do leitor ouvir dizer de mim e sobre meu tempo, mas para ouvir de si próprio em seu próprio tempo. E essa busca se faz na quebra de expectativa ao se colocar diante ao vácuo e encontrar pele macia em corpo estranho.

Ainda nessa proposta, discute-se o ser humano que, antes de mais nada, é ser bicho sem a ruptura imaginária, que a tomada de consciência provoca, no ser com outros em um mesmo ambiente. Explico: aqui, “bicho” não se trata de uma ação primária e/ou de uma possível inocência, mas da importância de se reconhecer como pertencente ao meio ausente da mecanização da vida. E nesse sentido, o conceito não propõe qualquer tipo de retorno e sim uma identificação que transita entre vários espaços, representada a partir do uso da matéria fossilizada de uma paisagem natural e modificada, como suporte às transformações e ao reconhecimento no tempo presente.

[p]

pensar com as mãos

materializar o tempo do pensamento percorrer camadas de vácuo em pele macia ser bicho


AA Amar o mar tem ciúme o rio Amar o rio tem ciúme o mar Amar o mar.rio a quem cabe ter ciúme? BB Botos disseram não ao mar.rio. Por que eles preferiram o mito? CC Conta o peixe sua falta de ar neste ambiente poluído. Peixe, por que não protestas aqui, no “o” desprezado do mar.rio? DD Dos colonizadores ou das urnas encontradas na Ilha de Vera Cruz? EE Entre mar e rio não deixaram só um ponto? Por que apareceu um “e”? FF Fonseca vem depois de Mario, de Geraldo, de Rocha Fonseca, por que és tão só e seco? GG Guaraná, meu nome quer também beber-te. E agora? HH Há uma voz que canta no “o” do mar.rio. Quem ensaiou para isso? I I Incolor é a água. Não é negra como o ponto do mar.rio? JJ Já não posso mais escorrer. O que a gramática tem a ver com isso? LL Lama, lama, Sem mar, sem rio. Só nada?

MM Mar.rio, mar.rio, se já não és mar, se já não és rio, o que és? NN Nada meu nome: no rio no mar ou no nada? OO O ponto que há no mar.rio é de tinta ou de água? PP Pesa mais a gramática ou o mar no meu nome? QO Quantos pontos tem no “i” do meu nome? Quem os conta? RR Rio é Mar Mar é rio Mar.rio quem é? SS São peixes o m, a, r, i, o das vírgulas do meu nome? TT Tomo o quê para aqui nadar? UU Ultrapassar o além mar: é isso quer tanto o meu rio, e pode? VV Vem primeiro água gramática ou balbúrdia? XX X é encontro de águas Ou é ponto aqui, entre mar.rio? ZZ Zero é origem ou o nada em que nado?


PERGUNTÁRIO do Mário pro mar.rio

Sou um P. Quis dizer “sou uma pergunta”, com Clarice Lispector. P de Perguntário, perguntas de mar.rio, um rio pergunta para um mim e responde que mar sou. Portanto, P desta Porta, traço entre mar/rio nome, exposto aqui meio sem cabeça, tronco, membros: só em abecedário, letra, que, no entanto, é cabeça, uma inteligência de água que só pergunta, e nada mais.

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teaser

Traduzido para o português, pode-se pensar no sentido de provocação ou despertar um sentimento de expectativa no outro. Esta é a proposta do trabalho, em que foram usadas pequenas partes de algumas fotos de um mesmo objeto. A proposta foi que em algum momento as imagens tivessem pontos que se unissem a outros, dando uma ideia de falsa continuidade. Esta pode ser uma das funções da fotografia, a de provocar impressões ambíguas, o que pode gerar novos significados a partir dos novos olhares. O teaser busca provocar a imaginação alheia, que anseia na pergunta: o que será?



zumbis pós apocalipse

Os zumbis fazem parte da cultura mundial, mas sua origem remonta aos cultos religiosos africanos e durante a escravidão foi uma metáfora para a condição dos negros escravizados. A origem também se mistura às práticas religiosas do Haiti, Jamaica e Cuba. No século XX, com a ocupação dos EUA no Haiti, essas histórias se transformaram e foram trazidas para as diferentes mídias e conquistaram o mundo. No dicionário Michaelis online, o termo Zumbi refere-se à alma que vagueia durante a madrugada; fantasma de animal, geralmente cavalo ou boi; indivíduo que só sai ou funciona à noite. Definições, em minha humilde opinião como amante da cultura zumbi, pobres e superficiais frente à riqueza histórica, linguagens e inserção na sociedade. Em suas mais variadas formas de linguagens, as narrativas nunca abordaram uma perspectiva em que a humanidade foi completamente dizimada num grande banquete zumbi. Sem cérebros frescos para se deliciarem, eles se tornaram a nova população mundial e, com isso, tiveram que se virar para continuar vagando pelo que restou do planeta.

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Seriam eles nossa evolução natural?



uma fala (des)escrita é outra coisa mínima ou máxima diferença, tanto fazzzzzz e o ziguezague da mosca movimento da fala, das falas ziguezagueando

zzzzzz

voltam ao z do zero, se fecham [em si] e se abrem ]de si[ ao mesmo tempo em um sono zonzo, em uma fala zonza esboço sonâmbulo z em noite absoluta, não há nada senão aquilo que não-existe e escorre até o z do pedaço de zinco Zn entre outros zzzzzz

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[a]

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A de Boi por Patrícia Galelli O trabalho tem como referência o abecedário de Edward Lear, em The complete verse and other nonsense, e O Abecedário de Gilles Deleuze.

bendegó por Isabela Prado O trabalho se desdobra com a história e a imagem do meteorito Bendegó, uma das peças que resistiu ao incêndio do Museu Nacional de 2018.

Alfabeto – resenha vocalizada e anotada por Silfarlem Oliveira, Ernesto Desrio (propositores), Adjunto S e Carolina Moraes (intérpretes) A proposição teve seu desenvolvimento em 2016/2019.

Briefing por Isa doro O briefing apresentado tem como referência o conceito de desejo d’O Abecedário de Gilles Deleuze.

(a)Hendu/escutar por Fran Favero O trecho da proposição foi retirado da publicação impressa (a)Hendu/escutar, editada pelo selo Céu da Boca, de Florianópolis/SC.

buraco, bombas de tiempo, bruma, fundo, fresta, furar, só, sob, remoto, lóculo por Raquel Stolf buracos portáteis [kit para terceiros socorros] conversa com os abecedários: Especies de espacios, de George Perec – bombas de tiempo, p. 92 e 141; bruma, p. 119 e 141. Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de Antônio Geraldo da Cunha – buraco, p. 128; fundo e furar, p. 371-372; fresta, p. 379; só e sob, p. 728-729; remoto, p. 675; lóculo, p. 479. A proposição é um desdobramento de um cartão impresso da publicação sonora FORA [DO AR] (20022004), que compila 33 proposições sonoras e uma série de impressos (coisas avulsas) com micro-ficções, um diário de borda e outros textos. http://www.raquelstolf. com/?p=234


[c]

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cimento por Daniel Ducci (fotografias) e Tatiana Pontes (texto) A referência do abecedário utilizado é o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa.

D once was a Doll por Rogério de Souza A montagem fotográfica teve como influências: Verbete D da obra The complete verse and other nonsense de Edward Lear; O conto O homem da areia (1815) de E.T.A. Hoffman; O texto sobre a teoria Das Hunheimliche (1919) traduzida como “o estranho”, “o inquietante” e “o infamiliar” de Sigmund Freud; A teoria sobre O corpo fragmentado na obra O Corpo Impossível de Eliane Robert Moraes. E as obras dos artistas/fotógrafos Hans Bellmer, Joel-Peter Witkin e Cindy Sherman. Participaram como voluntárias para as fotografias: Aiumy Menezes, Cris Leite, Endyanne Andrade, Gizele Soares, Karen Rocha, Leticia Lucinda, Milena Gomes, Nanda Fiuza e Saiury Menezes.

Methodology Showclass por Ira Nasser Methodology Showclass: Applications and implications at university apresenta como referências: Lucia Santaella, Mauricio Tratenberg, Fabiana Faleiros, Marina Viana, La Goony Chonga e Deise Tigrona. monstros por Chantal Herskovic O trabalho desdobra a letra m de monstros, em um universo lúdico.


[n]

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ninho – o germinar das palavras por Priscila Costa Oliveira e Maria Flor A proposição é uma transcrição do encontro de Maria Flor (3 anos) com uma caixa de letrinhas. Apresenta como referência a obra dicionário de Marila Dardot. Áudio: 5:02 https://soundcloud.com/ user-614710215/ninho-ogerminar-das-palavras

ontem meu bem, contei até cem por Daniela Avelar Uma nova possibilidade de definição de dicionário para a palavra impossível. A frase é um fragmento do trabalho em processo Tentativa de esgotamento de uma cor e outros desaparecimentos, desenvolvido enquanto tese de doutorado.


[p] paradoxo miserável por Matheus Abel A proposição traz como referência um trecho de A vida modo de usar de Georges Perec. pássaros do brasil por Julia Amaral Os pássaros do brasil vêm de uma coleção antiga de cartas chamada Quarteto. Há uma conexão entre o jogo de cartas com obras abecedárias, interpretando os Quartetos como pequenos dicionários ou pequenas enciclopédias. pensar com as mãos por Izabella Coelho O livro de artista referencia a palavra Pensar do livro Pesquisar na diferença: um abecedário, organizado por Tania Mara Galli Fonseca, Maria Lívia do Nascimento, Cleci Maraschin – Porto Alegre: Sullina, 2012.

[s] perguntário do Mário pro mar.rio por Mário Geraldo da Fonseca O poema conversa com o P de pergunta, do Livro das Perguntas (edição de 1980, da L&PM), de um outro P, de Pablo Neruda, do P de poeta, poeta de P de Península Chilena.

same day delivery por Thais Azevedo A proposição é um desdobramento da publicação independente Fresh Flowers Online, lançada em 2017. A busca por imagens de plantas frescas na web foi feita através de floriculturas on-line e da ferramenta google maps. Produzida no formato de catálogo virtual, a intenção é de ultrapassar os limites entre a ficção e a realidade, investigando as relações dicotômicas entre o objeto orgânico e o sintético. Por meio de pesquisas acerca do modelo estético de floriculturas são estabelecidas associações com as superficções de Peter Hill.


[t]

[z]

teaser por Camilo Belchior A montagem é composta por fotografias de um único objeto, feitas com celular em 15/02/2012.

zumbis pós apocalipse por Paulo Cruz A proposição é desenvolvida a partir do termo zumbi encontrado no dicionário Michaelis online. zzzzzz por Anna Stolf A tirinha só de falas foi esboçada em 2010 e aqui se desdobra na proposição onomatopéica zzzzzz contando com alguns (entre outros) zês: Z de ziguezague (e o zzz da mosca), do Abecedário de Gilles Deleuze; Zênite (no sono da noite profunda), do Alfabeto de Paul Valéry, p. 85; z do pedaço de zinco, do alfabeto nonsense, em The complete verse and other nonsense, de Edward Lear, p. 304; e com o Z de Zn (zinco), da tabela periódica.

--Foram mantidos os modos de escrita dos textos complementares e também as formatações básicas dos títulos (caixa alta ou baixa), pois entendemos que essas decisões podem fazer parte da concepção de um trabalho.


[f]


organização:

equipe qb:

quebra-cabecedário é uma

[a] anna stolf

[a] ana carolina gomes

publicação experimental

[b] bruno reis

coletiva desenvolvida

colaboração:

[i] ira nasser

no projeto de extensão

[g] genesco alves

[i] isa doro

“quebra-cabecedário:

[i] igor rios

[i] izabella coelho

projetos sob nonsense”,

[r] ricardo portilho

[j] jeferson pereira

coordenado por anna stolf, vinculado ao Centro

proposições autorais:

projeto gráfico+[D]:

de Estudos em Design

[a] anna stolf

[a] anna stolf

da Imagem da Escola de

[c] camilo belchior

[t] thais azevedo

Design da Universidade do Estado de Minas

[c] chantal herskovic [d] daniel ducci [t] tatiana pontes

impressão do cartão:

Gerais [UEMG].

[e] entrecampo este volume virtual

[d] daniela avelar [f] fran favero

agradecemos pelos

conta com a participação

[i] ira nasser

encontros, ideias

de estudantes e

[i] isa doro

e referências

profissionais de

[i] isabela prado

compartilhadas:

diferentes contextos,

[i] izabella coelho

[b] bruna mourão aranha

com objetivo de compilar

[j] julia amaral

[c] cássia macieira

uma multiplicidade de

[m] mário geraldo da fonseca

[f] felipe torquetti

proposições autorais que

[m] matheus abel

[g] guilherme cestaro

sejam ou nos pareçam:

[p] patrícia galelli

[g] gustavo duque

impossíveis, inviáveis

[p] paulo cruz

[g] gustavo januário

e/ou inacreditáveis.

[p] priscila costa oliveira

[m] marcelo cândido

[r] raquel stolf

[m] mateus conde

[r] rogério de souza

[r] raquel stolf

[s] silfarlem oliveira

[t] tairine pena

[c] carolina moraes

[t] tatiana pontes

---

[e] ernesto desrio

e em memória:

Belo Horizonte,

[t] tânia galli fonseca

2019-2020

[t] thais azevedo


[c]

qb pp ĂŠ composta por roboto, andale mono, oxygen mono e jaapokki, em vermelho, azul, preto e branco, desenvolvida em 2019 e publicada em 2020, via projeto de extensĂŁo vinculado ao Centro de Estudos em Design da Imagem da Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais.


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