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PRESENTE (UM POSSÍVEL MANIFESTO POPULAR) – Panfleto ou não… – Carta ao Presidente da República do Brasil, enviada por “Gilmar”, homem do povo. Data desconhecida


(e pouco importa!). Obrigado!

Aqui no tempo, a partir da constatação de que anda tudo errado, começa a botar lenha na fogueira. Minha (real) identidade é irrelevante; rogo que se desfaça de tantos preconcebimentos e tradições tolas e atine à razão e calor humano, antes de começar realmente a ler. Afinal de contas, somos todos humanos jogados nesse mundo sem obviedade! (E há quem diga que estamos então no mesmo barco, né). A todos presentes das situações várias, fala quem pede a atenção a esta causa. Por favor, sinto carência de explicações… Por que deve SEMPRE trabalhar, por que tanto a contragosto? Gostaria da resposta real, mas me contento já com alguns favores. Mesmo sendo o “Panfleto” (na ‘presente’ forma) um monte de tentativas, é possível constatar as tais certezas absolutas. Gostaria de uma conclusão definitiva à abordagem do tema, por isso chamei de “carta”, que é mais emotiva. E asseguro: representa a identidade de muitos, dá mostras do que se fazer. Aproveito também para pedir desculpas pelo tom por vezes grosseiro ou inculto. Tenha em mente que sou fruto do sistema desse país! Sempre me fizeram questionamentos sobre como seria o homem livre efetivamente em qualquer sociedade, ainda que somente muito depois tivesse como compor uma boa análise sobre o tema. Acho que não é preciso justificar a própria presença… Digo livre no sentido de poder tentar o que lhe for melhor, que lhe cabe tanto ao prazer quanto a vida em comunidade. Ei, em que porcaria de ponto você explode? Os vivos que respondam!! Qual o limite que pode suportar? Qual o fio tênue entre a esperança e o surto? Tenho questões intoleráveis, quem as quer saber? Me sinto vivo e vibrante, arrisco tudo o que tenho. Lhe agradeço muitíssimo a atenção! (E também a todos que tenham interesse no tema). Digo o que digo, não pela revolta em si, mas porque existe uma chance de tudo mudar. NÃO DEIXE ACONTECER! Que seja respeitada a individualidade e o direito ao lazer. Até o que ecoa das nossas tentativas, que deveríamos transformar em memória! Recordações de vida e sensações – que funcione sim, a seu devido momento, e sem sacrifícios a quaisquer das partes. Quanto te falta ainda por viver? Não se sabe, claro. Ninguém sabe, nem o patrão. Quanto menos ele te remunera (hipoteticamente) mais tempo você fica para ele – ao custo da tua atenção recebeu apenas muita ansiedade e dispersão. O que acontece aos multitarefas? Falham, embananam as ideias? Ou chegam além?! Talvez, depende. Pesa e


pesa… o contínuo trabalho é fatídico, ofegante, dá pressão alta! Falta compasso a essa música. Daí envelhece, é substituído e o que te acontece? Aguenta teu corpo cansado e gasto. Quem tem férias? Por que é ainda assim?? O que é estranho mesmo é eu fazer essas perguntas e nunca as respostas aparecerem… De nenhum canto ouve-se um pio de esclarecimento. E raro também citar tantas situações e soluções antigas, modelos, dicas, reflexões que não se completaram pois foram esquecidas ou suplantadas! Me arrisco a dizer que um dos grandes desafios do ser humano seria levar adiante as iniciativas boas dos seus semelhantes – serve de dica aos que começam do zero. E analisando as situações, comparando com as de nosso presente país, temo revelar que tenhamos tantas em comum desacordo. Olhem para seus vizinhos e pensem em quantos deles se sensibilizam com besterias e fecham os olhos ou viram o rosto diante de problemas sérios. A rir de comediantes imitando os políticos responsáveis pela sua miséria – parca sociedade vil capitalista. Não aprendeu com o passado, heim? Onde está a poesia dos teus atos? Apodrece e se vê pela TV. Não é burrice, é falta de informação. Seria isso uma prática ou vício imposto? Ainda? Por que, gente?? Mestres, diplomados, digam! Como isso fica velado? Precisava? Precisava? Deve-se anotar tais questões, e reclamar por elas. Vai, vai mesmo e responde. As forças vão esvaindo-se, tua concentração tipo ponteiro desnorteado. Aproxima-se o relógio das obrigações surdas, secas, idiotas, inúteis. Alguém não te deixa subir na vida, não é? Mas é o que querem. A Educação como um jogo de piadas e palhaços falsos – o riso sai quando a corda parte e, trabalhando, você cai. Nem se vê prostrado no solo. Pois contigo caindo há quem suba. Olha, sei que falam de uma educação exortativa de qualidades, as afinidades como metas… Pensa em tu, nas tuas horas, nos últimos dias que terá – onde vai ficar de pé no mundo futuro. Nem precisa ser muito longínquo na citação. Amanhã ou depois já terá sido sugado e engolido. Quanto ganha por isso? Vale a pena? Vai deixar? Não sou cúmplice. O presente dói. Parece que há uma inflação do “Sistema” – quantos zeros agem hoje em dia?? Talvez eu seja um desses ‘zeros’, somado a tantos mais. Diga seus nomes, então. Como pode ser essa Democracia se ninguém crê? É fé então ou o quê, preciso que me digam a resposta, pois sozinho não a consigo – talvez se pensarmos juntos, tenhamos essa tal resposta, né!? Tanta busca de poder privado que vem de tão longe – me passem as datas (históricas), por gentileza! E sem retoques, maquiagens, ideologias confusas, tá… Há quem diga que o “Perdedor desculpa-se zombando do adversário”. O Perdedor é o povo? E que comprovada a fragilidade humana, pouco restaria a não ser bajular… sossegar o ego! Dito isso, esbarro na frase clássica de Platão: “Como pode uma sociedade ser salva, ou ser forte, se não tiver à frente seus homens mais sábios”. Deixo que pensem na conotação afirmativa ou negativa dela.


Quem é interessante o bastante para merecer crédito? Falta tempo para produzir, por exemplo, Arte? Proponho, aliás, a discussão do tema: “Nossa Arte se mostra pouco relevante?”. Vamos pensar juntos, que tal!? Incitar ações para recuperar em todos homens e mulheres o tal “pleno desenvolvimento intelectual, físico e técnico”. Imaginando ainda maior, em como humanizar-se e enriquecer assim a própria Natureza e o meio em que vivemos – no caso, nosso território, o Brasil! Pois daqui saímos, apesar de todas as traquinagens. E, sim… Bem, até poderíamos estender o que aprendemos a outras regiões, países, sempre com o intuito da plenitude. Que seja uma consequência (o trabalho), boa pra existência e sua validação nesse mundo. Lembrando: artista no Brasil sofre demais da conta, é muito marginalizado. Parece que não vale a pena! Entrega sua incontestável criatividade ao “horário comercial”, não resiste, chama todos de escrotos!! Chora e vai-se. Vai não, vai não!!!Há tanto desperdício de talentos (em diversas áreas!). Da mesma forma sendo franco ou claro, quem se propõe a dizer algo nesse país é tomado por criminoso ou até mesmo insultado – que impertinente que nada! O cenário é confuso. Presidente (Governantes, todos juntos em coro armado), por qual motivo temos pensado pouco, falado um monte de atrocidades vãs, ficamos individualistas mesmo sabendo que não vai dar em nada! E falando a nível de espécie, devo lembrar que só estamos aqui discutindo esse tipo de questão foi porque formamos grupos coesos e progredimos. Será que estes mesmos motivos já não bastam para refletirmos em prol da melhoria de tudo e todos? Afinal de contas, os benefícios serão para ricos e pobres! São mesmo palavras ásperas, porém necessárias; tem certo teor humano, portanto, condizente a todos. Todos. Que rumo tomamos os vivos? Diz Marx: “A depreciação do mundo dos homens aumenta na razão direta da ‘colocação em valor’ do mundo das coisas. O trabalho não produz mais do que mercadorias; produz a si mesmo e produz o trabalhador enquanto mercadoria”. Por acaso não chamam por “Sociedade” uma comunidade conforme os fins? Se não admite contradição, o que fazer? Tal como aquela máxima de que o temor de que tenhamos criado forças incontroláveis capazes de destruir nossa sociedade, ou a própria noção de controle! Que pena… “Teu domingo tornará a comida sem gosto, e a água único descanso”. Acontece também do “presente” virar fardo. Outro dia ou cansaço. Quer saber o motivo de não sair fala do ser bobo? Juntando os fatos… talvez seja algo de pouca iniciativa, medo de crítica. Ou só bronquice! Tanto faz. Muda a boca, não sai nada. Só sente, percebe ou aceita. Quem quer escutar? Quem pode ou merece? De tão profundo, murcha. Afinal, o tombo só existe quando alguém diz que foi. Tenho certeza de que o povo daqui é do mais forte dentre os que existem! É necessário algo mais racional. Quem são os modelos de administração? O quê? Como é?


Que tal um Órgão fiscalizador de órgãos?! Do tipo sujeito a reajustes e revisão constantes – mas tem que participar mesmo, todos, não só ouvindo as notícias. Uma efetiva e forte “Ordem e Progresso” – Ordem? Ainda não parece! Nem tem transparência, clareza produtiva. Desordenado, ofereci a verdade… Falhei, já que isso é pedantismo! Estou inferior em tudo. Vocês, que leem, a todos que chegar isso… Com certeza alguém já sentiu algum dos sintomas da “pobreza” (seja ela de qual ramo). Admita, você também não gosta disso! Você que ficou ou sempre foi, digamos, pobre, que sabe que tantos e tantos bens nem são tão necessários assim, que aprendeu a conviver com o pouco que tem, mas valoriza a vida. Não pense que sua recompensa é impossível e desnecessária. Digo para não acostumar-se. Todo sistema que se esgota, pois se esgota, é errado. O equilíbrio nunca é falho. Se existe a palavra “Harmonia”, tem um porquê! E mais: temos ainda circulando entre nós a frase do Sr. Erasmo de Roterdã: “Ninguém pode escolher os próprios pais ou a pátria, mas cada um pode moldar sua personalidade pela educação”. A vida, dizem, tem diversas formas de ver a mesma “coisa” apresentando-se por milhares de formas e fatos. Ela mesma disse (Risos). E aproveitou para frisar. Recordo o caso do “vendedor sem rosto” (ou seis dias de trabalho). Contaram certa vez numa empresa em que estive, e gravei. Era assim: “ Às vezes fico sem rosto. Uso mecanicamente minhas funções. Mas, nesta vez, fiquei foi por um sonhado dinheiro de fim de ano: a trabalhar! Passeei como um fantasma pelos corredores vazios do shopping do oeste, onde consegui colocação. Estacionamentos subterrâneos, depósitos, almoxarifado… tudo por seis dias. E as pessoas continuavam freneticamente comprando nas lojas! Compravam de tudo um pouco: indiferença, modelos estáticos, supérfluos, ilusões, euforia, paraísos, sonhos e luxúria. E eu demorei eternos seis dias trabalhando naquele ambiente. Oferecia adesões de cartão de crédito, e usava uma máquina fotocopiadora. Seguia em condução pública. Via aquelas pessoas sujas, feias, maltrapilhas e com aspecto de derrotismo, como isso deprime ainda, como essa rotina imposta estraga as pessoas. Nós somos


o pós, as máquinas humanas, todos em fila indiana para sobreviver e lidar com os nossos estereótipos capitalistas. Essa é uma verdade dura: eu sou, eu vivo pelo meu trabalho. Sem o que produzo, morro. É uma imposição do senhor ‘Dinheiro’. Ah, sim, sim, como me abalo nesta selva de trocas. E eles ainda pensam no disparate da geladeira do anúncio! Mulas!!! Novamente no shopping (que tinha mais cara de Centro Comercial), eles, elas, passam e não me olham nos olhos. Pessoas e suas pressas. É o consumo, o status. É animal, é humano. Como pode? Vira é stress. Suas intenções ao mostrarem-se interessados eram maiores do que a necessidade real da coisa, poxa! Durante seis dias tive dores nas pernas por ficar tanto tempo em pé, e tanto tempo sem ter rosto. Quem nunca ficou sem rosto? Quantos mais coexistem tristes nesse cenário? Quando termina a atividade, o TRABALHO saúda o ÓCIO – bêbado de café, pedindo pra terminar logo com essa agonia tola. A volta do trabalho é sempre chata – quando não monótona –: um empurrão aqui, outro ali, superlotação, tosses e conversa fiada no ônibus. É a vida adulta. Mau humor irritadiço: é a vida adulta. Todos sabem, e eu também chego a essa conclusão. ‘Mais um dia está vindo… meu trabalho é esperar’ ”. Não tem como apenas participar (desse jogo). Parece que a imposição está aí, doa a quem doer. E existem pois outras alternativas? Há quem diga também que a graça de fugir é pelo simples motivo de se encher de vontade para voltar. Acreditam também que depois de cansar os dedos, as costas, as pernas, poucos fariam por puro prazer. É a obrigação carimbada e muda para o resto. Onde está o chefe? Descansando em casa! Quem acha o contrário? Que atire a primeira pedra e me acerte e fuça!!! Brasileiros, tornados seres inteiramente passivos! Seriamos apenas uma (semi-)potência cega ou algo mais relevante ao passarmos pela História? Ah (favor evitar) promessas de governo sempre aproximativas com relação a uma meta


longínqua… Essa jogada política de alienar o empregado do processo total já está batida. Melhor mudar de assunto, tem uma galera bem irritada com isso… Uma cultura muito nova sempre em condições de fortalecer-se com mais contribuições no estilo que lhe é próprio não se permitiria. Pensar é bom, legal! Só quem pensa também expõe. E ter intelectuais por perto não fere ninguém – não como um sistema completo e absoluto, mas como conjunto de proposições. O presente resistindo a fim de estar no depois – afinal, o que temos é isso mesmo! Até aproveito para indicar umas reflexões (grifos meus!) a serem desenvolvidas, se me permite a liberdade. Cada novo comando nova mentalidade num bem social; sem essa coisa de efeitos de médio e longo prazo; o que é válido deve ser agora! Dentro de um apanhado geral da situação trabalhista, faz-se imperioso discutir um salário mínimo decente aos que se atiram à labuta; produtos e serviços num padrão acessível; fim das jornadas excessivas – por uma participação partilhada de acordo com as necessidades dos servidores – quantas horas empresta, tantas lhe voltariam em lazer (exemplo); possibilidade também de escolha entre mais de um tipo de emprego, ganhando quanto real precise, pois esta jornada é mais leve – o funcionário pode ter mais de uma atuação. (Exemplo: 3 horas batente normal, 3 horas estágio); pouca enrolação no dia a dia e nas burocracias, objetividade (e, sabe mais, presença obrigatória só pioras as coisas). Serviços otimizados; cada coisa a seu tempo e caminhando em reta. Extinção de segregações e racismos. Primazia pela felicidade geral! E o que é “perfil pra empresa”? Eu não sou isso de perfil, sou gente boa. Sempre que alguém é admitido, logo no primeiro dia já perguntam de onde é, a ficha toda. Tem os que moram longe, perto, no meio, e vivem dilemas por isso. De toda forma, continuam incapazes de aceitar a opinião do outro!! Os que já sabem sua colocação de oprimidos, preparam-se. Este tipo de empregado não quer ganhar o troféu do mês. Este só pensa em perder suas horas e voltar para SUA casa. Quer paz. Precisa já de tanto. Seria só isso, porém, mesmo assim, é confundido. E ainda não vendo diferença entre conhecer e realizar a liberdade, tem que enfrentar se deseja continuar até a sua realização. De rescisão contratual a rescisão contratual, seguem em fila com seus formulários de preencher… Acho que sou um deles! Bem… E ela ali ao lado, pobre mulher. Eu te vi, sim. Sei que existe. Somos irmãos de dor. O mesmo barco, pois. Põe-se fraca, prefere a cama, já que lhe esvaiu o gás. Qual seu nome, tua história? Apenas relembra quando ria e não se preocupava com o aluguel dos sonhos. Afunda-se em escapismos a fim de atenuar a dor. Cai a pele pelo cigarro,


dói a barriga pela bebida. Tem serviço na segunda. Ninguém se dá ao trabalho de esperar até ela se ajeitar. Precisa continuar. Poucos estendem a mão. É o cúmulo! Quem escolheu por isso? Por que o peão não pode decidir se joga ou não e a que hora? O ser não tem direito a existir tranquilamente? Onde está a empatia fora das utopias partidárias? A qualquer indivíduo deve ser ofertado uma casa e o mínimo. Se quer ou não participar desta “Sociedade”, cabe a si próprio eleger. Temo discordar de Michel Foucault, quando diz que “As luzes que descobriram as liberdades inventaram também as disciplinas”; bela desculpa para autoritarismo! Enquanto isso, trampo pra conter as contas, sabe como é! Nota-se que ainda não escapei… Produzir o que não tem, o que não há. Achava que as tecnologias viriam para diminuição da jornada de trabalho… Para cada um que fez greve de fome e aceitou seus ideais e morreu por isso; para cada um que mostrou a verdade: uma notícia. Com quantas mortes será preciso acordar? Pessoas querem sabedoria. O país desconfia dele mesmo. Peço a quem quer ouvir: não revelem suas identidades, escolham o Sol ao invés do concreto fechado. Minem a comunidade com novas e criativas soluções, refaçam das bases; talvez melhores conceitos sejam melhor aceitos! Recordem dos ditos cidadãos anônimos… sem palavras estou. Pergunto se não seriam gente de carne e osso? O que tenho para dizer no final que lhes apresento, é que se a Educação foi mesmo deixada de lado a ponto do povo sofrer, concluo que chegamos ao caos. O grande caos brasileiro! Este é o “presente” que lhe deixo. Pensa.


PRESENTE_Panfleto ou não..._paulo vitor grossi (2013)  

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