Issuu on Google+

CASERNA

Agosto de 2009 Directores: José Rachado Paginação: Mário Pinto Propriedade: União Desportiva de Felgar Redação: Felgar

DO CIMO DO LUGAR

Mais uma Nacional

Quadrimestral nº14

DESTAQUES A comissão dos Proprietários (pág. 4/5) Felgarenses no mundo (pág.8) Sistema de HACCP (pág.10) Agir contra a gripe A (pág.11/12) Crónica desportiva (pág.13) Vindimas 2009 (pág.14) A Água (pág.15) Lazer (pág.16)

Em destaque na reportagem fotográfica, a segunda aventura pelas nacionais


CASERNA DO CIMO DO LUGAR

Editorial

Tempos de festa E assim se fez a festa e escreveu-se mais uma página na nossa história. No último número enaltecemos o feito de uma equipa jovem, mas talentosa, de um meio pequeno mas de uma qualidade imensa, com falta de condições de trabalho mas com uma vontade de vencer que superou tudo. Há quem o queira menosprezar, há quem nem nunca lhe tenha dado qualquer valor, há mesmo quem faça de conta que nada disto existiu, saberáse lá porquê. O certo é que uma equipa proveniente de uma aldeia, com um orçamento que para pouco mais que arbitragens e deslocações dava foi campeã Distrital perante os pesos pesados do futsal distrital, equipas de vilas e cidades e que se vergaram à qualidade demonstrada pelos nossos pequenos e pelo trabalho desenvolvido na última década pelas direcções e equipas técnicas da nossa aldeia. Estes miúdos estão de parabéns e não podem nem devem ser esquecidos, sendo que para eles e para a sua equipa técnica todas as homenagens são poucas, porque eles merecem. Nos nacionais mostraram em 2 dos 4 jogos uma qualidade acima da média e mostraram que em nada são inferiores aos campeões distritais de Braga e Porto (que veio mais tarde a sagrar-se mesmo campeão nacional). Parabéns para eles.

2

por: José Rachado

Esta altura é de regresso de muitos emigrantes que vêm rever familiares e amigos, atenuar saudades da sua terra e participar nas festividades em honra de N. Senhora do Amparo, que ano após ano continuam a servir como pretexto para os felgarenses visitarem a sua terra natal. Temos sempre de relembrá-los mas sem nunca esquecer os que, dia após dia, lutam para que ao longo do ano os nossos jovens e menos jovens vão tendo actividades, para que continuem a manter-se as tradições que em muitos lados andam adormecidas mas que na nossa terra a pouco e pouco se vão reavivando, contribuindo assim para um dinamismo invejável que a nossa aldeia vai mantendo apesar da perda cada vez mais significativa de pessoas e sobretudo da crise que a todos vem abalando. Neste intuito se pretende manter este jornal, para dar as boas vindas aos nossos emigrantes, para quando estão fora poderem ter acesso a informações da aldeia que trazem no coração e também para enaltecer todos os que durante o ano labutam para que continue a haver pretextos de junção de felgarenses e para que o Felgar continue a ser o orgulho de todos os que por razões de força maior tiveram de o abandonar. Aproveito para desejar a todos que se divirtam o mais possível nas festividades de N. Sra. do Amparo deste ano.


Agosto de 2009

União Desportiva de Felgar Fundada em 24 de Julho de 2000

U.D.F. em acção Mais uma maratona e um festival que se realizaram no complexo desportivo, para dar seguimento às já esperadas actividades. Este ano a maratona decorreu entre 24 e 26 de Julho, a par do festival Noites no Prado, também organizado pela União Desportiva de Felgar, que decorreu a 24 e 25 de Julho. Esta 3ªedição da maratona de futsal contou com a participação de dez equipas que se distribuíram por dois grupos. Sendo o grupo A composto pela Açoreira, Ziguezagueados (única equipa da terra), Bosch Service, Elite Café Café e Junqueira. O grupo B constituído por Canavarro Café,

Gra. Midoel/Sernor Caixilharias, Arte Sabor Douro, Pad. Rodrigues/Café Fonte Nova e Situação Bar. A equipa que levou a melhor na maratona foi a Gra. Midoel/Sernor Caixilhariasa, derrotando na final a equipa Canavarro Café por 3-2. Esperava-se uma maior afluência de equipas, mas mesmo assim deu para organizar uma boa competição, com equipas que exibiram bastante qualidade. É de destacar a qualidade técnica de alguns jogadores, nomeadamente Nuninho, Paulo Faria e Maniche (internacional sub 21), todos eles atletas profissionais, que proporcionaram grandes momentos de futsal a todos os que se deslo-

caram ao complexo desportivo da U.D.F.. O festival Noites no Prado, também este na sua 3ªedição, dedicou a sua primeira noite ao Reggae, com o DJ Peninha. No seu primeiro dia foram também desenvolvidas outras actividades, como o paintball e o tiro de precisão. Na segunda noite subiram ao palco Homem Mau, os Duff e The Ratazanas, que garantiam um óptimo serão. Mário Pinto

3


CASERNA DO CIMO DO LUGAR

EM DESTAQUE

A comissão dos proprietários de Felgar por: Carlos Seixas 1. Por o Felgar se situar numa zona das mais periféricas de Portugal, isolada e profundamente rural, por aqui sempre as comunidades locais encontraram formas de mobilização visando uma auto regulamentação dos espaços e de apropriação social do dia a dia da vida colectiva nesta comunidade rural do interior profundo. No Felgar, desde sempre, houve manifestações de um associativismo precoce e muito peculiar, que dariam abundante tema para um excelente trabalho de investigação de cariz histórico/etnográfico e de características mui sui generis e únicas : - repartição das águas e regadio, arrematação da barca de Silhades, fornos de poia, regulamentação das matas, e, mais recentemente, a mordomia, a filarmónica felgarense … -. Aqui, só vamos tratar da comissão dos proprietários, instituição associativa e da sua importante função social ao outorgar, por excelência, um interessante resquício do comunitarismo agropastoril : o sistema das Voltas. 2. Os fundamentos da vida colectiva das comunidades locais começaram por ser regulados nos primórdios da nacionalidade através da outorga das cartas de foral, onde, a par da prescrição de normas de direito público, concessão de privilégios e da auto regulamentação das mais dispares actividades concelhias e da colectividade, sempre regulamentavam a forma de gestão e administração dos pastos, por ser uma actividade potencialmente geradora de conflitos entre os locais. Nas centúrias seguintes a gestão política e administrativa da partilha dos pastos continuou a ser feita e a apoiar-se fundamentalmente no assentimento dos interessados, reunidos em concillium e assente em instrumentos de base consuetudinária e cuja legitimidade e institucionalização jurídica, política e social é feita por órgãos pouco especializados e não burocráticos – a Assembleia dos vizinhos, o Juiz e o Regimento – mas dotados de grande prestígio social, o que dava força à gestão e dirimição dos conflitos. _________________________________________________ * Á memória dos ilustres felgarenses – António Miranda [ 1900 – 1969 ], Afonso Salgado [ 1884 – 1961 ] e Dr. António Pires [ 1899 – 1967 ] – membros fundadores da Comissão dos Proprietários, relevando a sua importante função social e, infelizmente, já extinta.

4

3. No Felgar setecentista, reuniam-se estes órgãos formais de controle na casa do conselho, sita no rossio da Praça, onde, após prévia convocação pelos toques do pequeno sino que existia no seu frontispício, deliberavam através de acórdãos, aos quais toda a comunidade devia obediência, sob pena de aplicação de coimas ou mecanismos a despoletar aos não cumpridores. A legitimidade deste direito local, vinda destes tempos ancestrais, baseava-se nos usos consuetudinários e nas próprias práticas e tradições locais que tinham força de lei e que se manifestavam ou conjugavam num calendário rigoroso que cobria todo o ano agrícola, e por este era condicionado, gerindo e legislando sobre determinados assuntos : gados, pastos, água, contribuição braçal, matas, abastecimentos de géneros, fontes, limpeza das ruas, baldios, posturas, regimento, etc … Depois, e até à implantação da República em 1910, cabia à Junta da Parochia, sempre presidida pelo pároco local e por demais vogais por ele escolhidos e que sempre reunia e deliberava na sacristia na igreja, a tarefa de administrar os pastos, tendo, por exemplo, em Junho de 1875, arrematado os pastos do Sairinho, do Vale, do Ar da Casa e Abexeiros e dos Restolhos d’Além do Rio Sabor a 4 pastores, por um total de 54 mil reis, com exigência de cada um apresentar o seu fiador, vindo mais tarde, em Novembro de 1908, quiçá devido aos abusos praticados, a deliberar que se “ prohíbisse o pastorear com gado lanígero e caprino no prado e nas vergeiras do rio Sabor pertencentes a esta corporação … ”. Foi esta uma deliberação tímida ou o sinal de que o plantio no termo ainda era muito incipiente, uma vez que só em 1915 se proibiu “ o pastorear com gado lanígero e caprino nas ladeiras do limite do Felgar desde o dia primeiro de Janeiro. ” 4. É já com a implantação da República que damos conta, em 1911, do estabelecimento, pela primeira vez, de uma linha divisória e delimitadora do pastoreio. Assim, pela sua importância, extractamos da deliberação conjunta da Junta da Freguesia, do regedor e principais proprietários que : “ … se fizessem levantar os gados lanígeros e caprinos


Agosto de 2009

União Desportiva de Felgar Fundada em 24 de Julho de 2000

de todos os terrenos de onde haja oliveiras, isto é, sendo prohibido pastoriar com os referidos gados desde os seguintes pontos para baixo, a principiar às Pias, direito ao Cabeço da Estrecada, à Casa do Caseiro, à Roferta, Carreirão do Valdusso, acima ao Escouradal, ao lagar do Sr. Dr. Bernardo, à Calçada, à Fábrica, à Fraga do Sobreiro indo pelo caminho e daí aos Pinhais do Nascedouro, às fragas do Fojo, destes pontos para baixo não poderão pastorear com os gados acima mencionados …” Para, logo de seguida, deliberarem que, “ a apanha da azeitona se não lhe desse começo até ao dia 9 de Dezembro próximo … e que se nomeassem guardadores para guardarem a azeitona enquanto não terminasse a ceifa e que cada um proprietário desta freguesia se sujeitava ao pagamento que lhe coubesse da quantia de 300 reis ”. Tal deliberação, outorgada com o objectivo primário de proteger fundamentalmente os interesses do lavrador, foi potencialmente criadora de situações de conflito com os pastores, o que levou a que, em 1921, se estendesse a proibição a toda a margem direita do rio Sabor e ficou consignado ser expressamente proibido “ aos creadores que não sejam da freguesia do Felgar pastorearem com qualquer espécie de gado tanto ovino como caprino dentro do termo do Felgar … ”. Neste mesmo ano a mesma Junta de Freguesia, por regulamento, manteve a linha divisória e delimitadora acima referida e elucidativamente fundamenta tal proibição na seguinte passagem : “ Que tendo-se acentuado o desrespeito pela propriedade e pelo proprietário, ameaçando-se este e destruindo-se aquela da parte de alguns pastores que não consideram o grande perigo que ameaça a vida económica do povo d’esta freguesia, tudo roendo e tudo devassando, a ponto de alguns proprietários se absterem de plantar e semear os seus campos, especialmente nos terrenos denominados as ladeiras, terrenos que se encontram completamente povoados de amendoeiras, oliveiras, figueiras, etc, é expressamente prohibido o apascentamento de gado caprino nos ditos terrenos, … ”. Ou seja, na dirimição deste conflito ambas as partes envolvidas cediam : os lavradores deixam pastorear nas ladeiras numa determinada época e os pastores nunca aí poderão pastorear com o gado caprino.

bovino, asinino e suíno ( este sempre com arganel ) durante todo o ano, mas sem prejuízo ou interrupção das debulhas dos cereais que ali se realizavam. Também era permitido o apascentamento de gado cavalar, muar, bovino e asinino nas Vergeiras do rio Sabor, sendo aí permitido só ao barqueiro apascentar gado suíno. 6. Em 1940, por motivo de entrada em vigor do novo Código Administrativo, a Junta de Freguesia convidou o Dr. Armando Martins – Advogado e que mais tarde ingressou na carreira diplomática – a modificar a Postura de 1934 que regulamentava os pastos, tendo procedido a alterações de pequeníssima monta, só se registando o alargamento do pastoreio à Serra da Carvalhosa e Lameiras da Serrinha e a proibição do apascentamento de quaisquer animais nas Vergeiras do rio Sabor, sem prejuízo de prévio e expresso licenciamento por parte da Junta de Freguesia. Mas, a grande reforma nos usos e práticas agro-pastoris estava a chegar com a criação, em Outubro de 1940, de uma entidade que veio substituir, e muito bem, a Junta de Freguesia no que concerne à regulamentação da apascentação dos gados. Essa entidade, dotada de meios próprios e de enorme autonomia administrativa e financeira, foi a Comissão dos Proprietários, e, sobre ela, continuaremos a escrever em próximo artigo. ( continua )

Carlos Seixas 01/08/2009

5. Contudo, as situações de conflito e de abusos praticados no pastoreio deveriam ser muitas e graves nas propriedades do termo, de tal forma que a Junta de Freguesia, em fins de 1934, adoptou e fez publicar uma Postura muito restritiva nas zonas delimitadas ao pastoreio. Assim, só nos terrenos do Cabeço da Mua, Serrinha, Traz dos Palheiros, Calvário, Barreiros, Borda da Serra e Marrada, e esta enquanto não esteja semeada de qualquer cereal, era permitido o apascentamento do gado ovino e caprino, sendo que este em mais nenhuma zona podia pastorear, à excepção da Lameira do Prado onde era permitido o apascentamento nos meses de Julho e Agosto a esta espécie de animais e ainda ao gado cavalar, muar,

5


CASERNA DO CIMO DO LUGAR

6

Reportagem fotogrรกfica


Agosto de 2009

Uni達o Desportiva de Felgar Fundada em 24 de Julho de 2000

7


CASERNA DO CIMO DO LUGAR

Felgarenses no mundo

Ser Felgarense Ao ler hoje o Fórum do FELGAR tive vontade de escrever algo a respeito. Nasci em Felgar 03/09/1942, como comprovado no Livro próprio na Sacristia da Igreja Matriz do Felgar, constatado e fotografado por mim em 2004, portanto Felgarense de gema (expressão usada por estas terras), a vida relatada por meu pai à época dura e sacrificada ainda aos dias de hoje; facto este constactado por mim nas viagens que fiz por todo Portugal. O pessimismo do povo Português é facilmente constactado em leituras, seja de Livros, música de fados, artigos e noticiário que acompanhamos pela TV internacional, pouco difere das histórias que meu saudoso pai contava em sua simplicidade. Poderíamos achar razões para a tristeza do povo Português simplesmente referindo a ditadura fascista de tantos anos que colocou Portugal num ferrolho. Nada lembrando as fantásticas épocas dos descobridores, história que admiro. Estes factos são a razão de tanta evasão dos portugueses para outras terras, muitos se deram bem e outros menos, mas certamente a coragem e tentativa de mudança em busca de melhor vida só poderiam ser de corajosos, aqui trato em especial dos Felgarenses, sangue dos descobridores se aventurando por terras desconhecidas em busca do bem estar e futuro familiar focado principalmente na esperança. Os Felgarenses que conheço fora de Portugal sorriem mais; e olham o mundo com outros olhos e da coragem que exerceram cientes da liberdade que conquistaram. Na minha estadia no Felgar constactei algumas coisas que o ser humano relega com o passar do tempo usando principalmente o lado CRISTÃO, ou seja o perdão, a compreensão a felicidade de rever irmãos, primos, parentes, tive a oportunidade de ver rancores enrustidos nas pessoas tomando exemplo de irmãos que não falam com irmãos, seja por briga de terras, heranças ou por nada. Faço referência à época dos que da África retornaram e pelas histórias conhecidas foram denominados de “os retornados”. Quero dizer

que entendo perfeitamente a alma Felgarense, pois quando me descuido aflora em mim esse sentimento carrancudo, sisudo, precisando me fiscalizar para que minha herança não aflore. É hora de mudar; as Festas aproximam-se onde vários Felgarenses visitam a Família, ou aqueles que simplesmente gostam das festas, lembrando que em todo Portugal o mês de Agosto em todas as aldeias há festas, aqueles que optarem pelo Felgar sejam bem recebidos com alegrias sinceras, sem rusgas que por muitas vezes não tem razão de ser. Lembrando as Festas são de cunho Cristão. Portugal parece igual: o pessimismo, a crise, o frio, o stress no trânsito e, doutro lado, a amizade, o amor de família, o aconchego dos aquecedores e lareiras, a televisão, a minha gata, a minha casa…........(extraído de uma crónica). Nós que estamos fora há tantos anos e temos a coragem de dizer sou Português, nascido no Felgar, Concelho de Torre de Moncorvo, Distrito de Bragança, somos genuinamente FELGARENSES, divulgando com saudade a terra que nos viu nascer. Um abraço a todos os Felgarenses Antonio Augusto Almeida São Paulo, Brasil

Procurar a vida Tinha 18 anos quando deixei a minha terra natal à procura de uma vida melhor. Parti com muita angústia, pois deixei a minha família e os meus amigos. Foi devido à minha fé em Nossa Senhora do

8

Amparo que me permitiu acreditar que poderia procurar crescer na vida. E consegui, pois profissionalmente cresci bastante e tive a oportunidade de encontrar uma mulher excepcional com quem constitui família

e me deu três lindos filhos, a quem hoje posso dar uma vida que eu não tive e proporcionar-lhes os seus sonhos.

Adriano José Gomes Aires


Agosto de 2009

Uni達o Desportiva de Felgar Fundada em 24 de Julho de 2000

9


CASERNA DO CIMO DO LUGAR

Info

O SISTEMA HACCP por: Eduardo Sousa

É com imenso prazer que escrevo nestas páginas para ajudar a dar continuidade a este jornal que vai dando informação a todos os Felgarenses residentes e os que se encontram espalhados um pouco por todo o mundo. Agradeço desde já o convite endereçado. Mas vamos ao que interessa, o que me proponho aqui divagar vem de acordo ao que hoje em dia vem sendo essencial para uma melhor eficácia em todos os estabelecimentos que lidem com os considerados “bens alimentares”, desde restaurantes a cafés, passando por supermercados, hipermercados, e claro está os famosos bares andantes, vulgos “roullotes”, onde se pode comer o cachorro, a bifana ou o pão com chouriço, como também acontece na nossa digníssima festa. O assunto é o

Sistema HACCP.

Como surgiu o Sistema HACCP? Foi desenvovido nos anos 60 pela empresa Pillsbury (EUA): • Esforço conjunto para a produção de alimentos seguros para os astronautas; • Apresentada pela Pillsbury á American National Conference for Food Protection em 1971 e desde então tem sido ajustado pela Indústria Alimentar Mundial. • Década de 1970-79; rapidamente foi implementado o HACCP nas indústrias alimentares americanas (catering); • Década de 1980-89; o HACCP expandiu-se á Europa, inicialmente ao Reino Unido – parceiro comercial estratégico dos E.U.A. • Década de 1990-99; na última década do Séc.XX o HACCP é exigido pelas maiores economias mundiais – U.E., E.U.A., Japão, Austrália. • Década de 2000-09; provavelmente o HACCP será visto como um sistema elementar, universalmente aceite e exigido.

O que significam estas siglas? Pois bem HACCP é Hazard analysis critical-control point, isto é Análise de Perigos e Controlo dos Pontos Críticos. O sistema HACCP é um sistema preventivo de controlo alimentar cujo objectivo é a segurança dos alimentos para a saúde do consumidor. O HACCP é uma abordagem documentada e verificável para a identificação dos perigos, medidas preventivas e controlo de pontos críticos, e implementação de um sistema de monitorização.

Os benefícios do Sistema HACCP • Aplicação na totalidade da cadeia alimentar; • Prevenir perigos relacionados com a contaminação de alimentos; • Aumenta a confiança na segurança do produto; • Transmite segurança aos clientes e organismos oficiais de controlo; • Incrementa a melhoria do processo; • Reduz o número de reclamações; • Desenvolve a disciplina do trabalho em equipa; • Redução de perdas, resultantes de análises, espera dos resultados analíticos; • Facilita oportunidades de negócio; • Evidência do cumprimento de regulamentos e especificações. Ficamos por aqui, até uma próxima e uma óptima festa de 2009.

10


Agosto de 2009

União Desportiva de Felgar Fundada em 24 de Julho de 2000

AGIR CONTRA A GRIPE A por: Altina Pinto

Portugal contabiliza, desde o início de Maio até 19 de Agosto de 2009, um total cumulativo de 1634 casos confirmados de Gripe A (H1N1). A quase totalidade destas pessoas já retomou a sua vida diária, com normalidade e, na maioria dos casos, não houve necessidade de internamento hospitalar. O surgimento de casos de transmissão secundária e o aumento de casos importados – como aconteceu nos últimos dias – eram previsíveis pelas autoridades de saúde pública, tendo em conta a evolução natural da epidemia. Não há por isso, razão para alarme, mas sim para atenção redobrada. A preparação de um país para enfrentar a pandemia de gripe é boa se for boa a preparação de cada região, concelho ou comunidade. Organize-se contra a gripe. O objectivo é simples: dificultar ao máximo a transmissão do vírus. Em caso de sintomas de gripe deve contactar de imediato a Linha de Saúde 24 (808 24 24 24) e seguir as indicações que lhe forem dadas. Esta deve ser a primeira medida a tomar antes de se dirigir a um serviço de saúde (Centro de Saúde ou Hospital). O contacto com a Linha de Saúde 24 permite, perante os sintomas descritos e informações que prestar, reconhecer se se trata de uma suspeita de Gripe A. Isto evita o incómodo de uma ida desnecessária a um serviço de saúde. Acresce que, em caso de suspeita de infecção pelo vírus da Gripe A, o contacto inicial com a Linha de Saúde 24 garante-lhe o transporte imediato para um dos hospitais de referência, em condições que salvaguardam a sua saúde e a das pessoas que consigo contactam, diminuindo o risco de contágio da infecção. Finalmente, não se esqueça: é importante lavar frequentemente as mãos, proteger a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, sempre que possível com lenços de papel que não devem ser reutilizados, para evitar a rápida propagação do vírus.

“Organize-se contra a gripe. O objectivo é simples: dificultar ao máximo a transmissão do vírus”

11


CASERNA DO CIMO DO LUGAR O que é a Gripe A (H1N1) - É uma doença respiratória provocada por um novo subtipo de vírus influenza A (H1N1), que adquiriu a capacidade de se transmitir entre os seres humanos; - O período de incubação (tempo que decorre entre o momento em que a pessoa é infectada e o aparecimento dos primeiros sintomas) pode variar entre 1 e 7 dias.

Situação da doença Os primeiros casos terão ocorrido no México, com difusão para muitos países. A situação a nível mundial está em constante evolução. Para informações actualizadas, consulte o microsite da gripe em http://www.dgs.pt e o site Centers for Disease Control and Prevention em http://www.cdc.gov/h1n1flu/.

Como se transmite - De pessoa a pessoa através de gotículas libertadas quando uma pessoa tosse ou espirra; - Contacto das mãos com superfícies, roupas ou objectos contaminados por gotículas de saliva ou secreções nasais de uma pessoa infectada. Atenção: o vírus permanece activo nas superfícies 2 a 48 horas Cuidado com os manípulos das portas, teclados e rato de computador e telefone O vírus não se transmite através dos alimentos.

Sintomas / Sinais mais frequentes - Semelhantes aos da gripe sazonal; - Febre superior a 38ºC; - Sintomas respiratórios (tosse; nariz entupido); - Dor de garganta; - Outros sintomas: dores no corpo ou musculares; dores de cabeça; arrepios de frio; fadiga; e nalguns casos vómitos e diarreia.

Medidas gerais de protecção individual Lavar frequentemente as mãos com água e sabão líquido ou utilizar uma solução de base alcoólica - Cobrir a boca e o nariz quando tossir ou espirrar com um lenço de papel ou fazê-lo para o antebraço. Nunca usar as mãos; - Utilizar lenços de papel uma única vez, colocando-os ime-

12

Info diatamente no lixo; - Lavar frequentemente as mãos com água e sabão líquido ou utilizar uma solução de base alcoólica; - Evitar tocar nos olhos, nariz e boca sem ter lavado as mãos; - Evitar o contacto próximo (a menos de 1 metro) com pessoas que apresentem sintomas de gripe; - Evitar frequentar espaços públicos fechados e pouco arejados.

O que fazer no caso de apresentar sintomas de gripe - Permaneça em casa, ligue para a LINHA SAÚDE 24 808 24 24 24 e siga as instruções que lhe forem transmitidas. Se tiver que contactar com outras pessoas deve utilizar uma máscara protectora da boca e nariz assim como as pessoas que consigo contactem; - Mantenha a distância de pelo menos 1 metro em relação às outras pessoas; - Evite o cumprimento com beijos ou abraços; - Lave as mãos com frequência (Antes e após as refeições; Após ida à casa de banho; Após tossir ou espirrar; Após manusear lenços com secreções; Após tocar em superfícies muito manuseadas como por exemplo manípulos de portas); - Procure usar sempre lenços de papel para se assoar, de utilização única e coloque-os de imediato no lixo. Como recurso use o antebraço para proteger a boca e o nariz, se tossir ou espirrar. Colabore, protegendo-se a si e aos outros.


Agosto de 2009

União Desportiva de Felgar Fundada em 24 de Julho de 2000

Crónica desportiva Depois das férias de natal passadas e com a equipa sénior da U.D. Felgar a fazer uma primeira parte de campeonato muito boa, eis que vem a 2ª volta. Esta veio revelar-se péssima para a equipa da nossa terra pois não conseguiu mais nenhum ponto na tabela classificativa. Fica porém o convívio e o espírito de amizade que continuou a ser uma constante. Maiores alegrias nos

deram as nossas camadas jovens, como os nossos infantis, que apesar de não terem conseguido qualquer ponto no campeonato, e perdendo por margens um pouco grandes, mostraram uma grande evolução na sua mentalidade e estilo de jogo. Espera-se que os miúdos continuem com essa grande vontade de evoluir e serem o futuro do desporto no Felgar. Outra equipa que se revelou por esta mag-

nifica terra neste ano desportivo foi a equipa de juvenis que pouco depois de se sagrarem campeões distritais foram aos nacionais dar luta aos seus adversários e mostrando que no Felgar também há bom futsal e bons jogadores. As equipas sorteadas para confrontos com os nossos juvenis foram as equipas de juvenis do Coahemato (Leça), que acabou por se sagrar campeão nacional

por: António Gomes

frente ao Sporting Clube de Portugal e os juvenis da histórica e primodivisionária equipa da Fundação Jorge Antunes (Vizela). Apesar dos resultados não serem favoráveis há U.D.Felgar eles mostraram grande empenho e esforço em todos os jogos. Para o ano espera se uma melhor participação e empenho de todos os atletas da nossa terra, com grandes resultados e que sejam favoráveis

U.D.Felgar. Pede-se também à população desta saudosa terra que se façam sentir em cada jogo do clube e assim, conseguir dar maior emoção ao jogo e maior moral aos nossos atletas.

Séniores 11ºlugar distrital Juvenis 1ºlugar distrital 3º nacional norte

Infantis 6ºlugar distrital

13


CASERNA DO CIMO DO LUGAR

Os nossos produtos

Vindimas 2009 por: Tiago Rachado

Mais um final de Verão significa também mais um período de vindimas. Como já é costume, vou tentar ajudar, ainda que teoricamente e de uma forma resumida, a orientar os nossos produtores de vinho a conseguirem um produto mais estável e duradouro. Começamos então a vindima, na própria vinha, a selecção de cachos é muito importante, pois todas aquelas uvas com excesso de podridão, as uvas dos “ladrões” ou desavinho, bem como as partes de lenha e folhas são prejudiciais a aquilo que será a saúde do vinho. A podridão cinzenta provocada pelo fungo Botritys cinerea, para o vinho que queremos, é prejudicial, pois dá origem a vinhos desequilibrados, bastante oxidados e muito susceptíveis a contaminações acéticas; as uvas do desavinho, são aquelas que ficam verdes e sem um cacho definido, são igualmente prejudiciais pois apresentam níveis de acidez elevados, e muitos maus aromas como o de relva, que faz com que o vinho pareça maçã ácida, o que, é pouco aconselhável. A parte lenhosa e folhas, são um pouco como as uvas verdes, têm muitos aromas verdes e acidez não aconselhável. Depois da colheita, temos então o transporte, que deve ser feito o mais rápido possível e com as uvas o mais intactas que se possa. Uvas esmagadas antes de chegar a adega, são foco de contaminações acéticas, ou seja, o futuro de um belo vinagre, deve-se então evitar o esmagamento precoce para que não tenhamos dissabores na produção do nosso néctar fermentado. Já na adega, durante o esmagamento, deve proceder-se a “cura” de todos os elementos maléficos das uvas, e aqui entra o tão controverso, mas usado em todo o mundo, não só nos vinhos mas em quase tudo que comemos e bebemos, SO2, solução sulfurosa. Numa adega onde as uvas chegam de parte incerta, e com aspecto um pouco duvidoso, as doses de sulfuroso são mais elevadas do que as que eu recomendo aos nossos leitores; para um vinho saudável e para não termos surpresas desagradáveis, recomendo 1 litro de solução sulfurosa a 6% por cada 1000 kg de uvas, se as uvas estiverem perfeitamente intactas e sem doenças, pode usar-se até metade deste valor, mas aí o risco é um pouco aumentado. Estando as uvas no lagar, prontas a serem pisadas, deve pensar-se se a inoculação de leveduras é uma boa opção, ou se vamos usar somente as indígenas. Estas, que estão na película da uva, são menos resistentes mas não deixam de ser boas para fermentar. Depois vem a pisa, o vinho deve ser pisado ou remontado o maior número de vezes possível ao dia, e sempre que isso não aconteça, deve cobrir-se a superfície do vinho em fermentação, para evitar a oxidação da manta e assim acelerar o mau envelhecimento do vinho. Durante a fermentação, as leveduras vão precisar de alimento a base de aminoácidos, entra agora aqui o mito das maçãs bem como o exagero no mito e uti-

14

lização de carnes. Existe já no mercado uma vasta gama de produtos para “alimentar” leveduras, se quiserem optar por frutas, como o marmelo, maçãs ou framboesas até, podem fazê-lo, embora o resultado nem sempre é alcançado da melhor forma. As doses; os produtos de mercado têm o doseamento descrito, que varia de produto para produto, os produtos caseiros, fica ao critério de quem os utiliza, carnes, nem pensar, esqueçam isso. O vinho tem um pH óptimo que varia entre os 3 e os 4,3 valores de pH, o acerto do pH é feito com ácido tartárico, e convém que se faça o primeiro acerto mal entrem as uvas no lagar. Como é que se faz? É simples, para uma medida a “olho” dissolve-se em água cerca de 400g de ácido tartárico por cada 1000 kg de uvas e aplica-se no lagar antes de pisar, depois, para se ter um valor de pH mais exacto, faz-se uma análise ao pH e recebem-se valores para uma adição justa. A fermentação tem que ser levada até ao fim, ou seja, esqueçam o encubar a 7 ou 4 ou o que quer que seja, o vinho tem de estar seco, a zero ou muito próximo disso. Aqui há dois contras, primeiro, o vinho seco é muito mais difícil de encubar, e depois, uma fermentação para ser levada até ao fim, tem que ser tudo muito controlado, até a temperatura. Quando o vinho estiver na cuba, ou pipa, deve proceder-se a uma trasfega, mas isso só quando começarem as geadas, para que o vinho fique limpo e sem turvar no reaquecer do tempo. Após a trasfega, o acerto do sulfuroso tem que ser feito, em dose igual à inicial, ou para uma melhor correcção, através de uma análise. Uma outra recomendação, as cubas ou pipas têm de estar sempre cheias, arranjem maneira de o fazer, é um princípio básico, cubas sempre atestadas, se não, todo o trabalho que eu digo aqui, é um pouco desnecessário, é bom mas não chega. Acabo assim a rubrica dedicada ao vinho e vindimas 2009, mais uma vez digo, a produção de vinho não é linear, cada um faz como quer tendo em conta o produto e o consumidor final. Espero que este artigo esteja ao gosto dos mais curiosos, e que possa ajudar em qualquer coisa. Até ao próximo número, bebam com gosto e moderação.


Agosto de 2009

União Desportiva de Felgar Fundada em 24 de Julho de 2000

A água... Depois de nos últimos números ter abordado o tema água desde a captação até chegar às torneiras de nossa casa e de inúmeras vezes ter apelado para a poupança de água, bem cada vez mais escasso, venho agora findar este ciclo com o destino da água após a sua utilização em diversos fins. Como um dia proferiu Lavoisier na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, esta premissa assenta que nem uma luva ao que sucede à água. Ela em nossas casas, para além do imenso desperdício sem qualquer uso útil, não sofre mais que uma transformação, passando do seu estado potável para impróprio para consumo ou mesmo nocivo para o ambiente. Mas o que será isto da água imprópria. Actualmente usam-se cada vez mais químicos nas lides diárias da casa, que sucessivamente são lançados na rede de saneamento em mistura com água, o que provoca um incremento nas concentrações de fosfatos, amoníaco entre outros compostos que deterioram a qualidade química da água. Para além destes há que adicionar ainda pequenos restos de comida que durante a la-

por: José Rachado

vagem e escorrência de alimentos acabam por ir parar à rede de saneamento, bem como dejectos provenientes das necessidades fisiológicas de cada um. Estes compostos vão enriquecer a água em nutrientes promovendo o desenvolvimento de bactérias e reduzindo o oxigénio dissolvido na água. Sendo o oxigénio um elemento fundamental na degradação de matéria orgânica, uma vez que permite que a sua decomposição se faça com recurso a microrganismos aeróbios, seres com maior capacidade de transformação da matéria, com a sua ausência os microrganismos vão realizar o seu trabalho em anaerobiose, ou seja, sem recurso a oxigénio, o que vai manter a água contaminada por um período superior. Esta água será lançada nas massas de água naturais e caso não sofra um tratamento adequado vai degradar a qualidade dos meios de recepção. A estas formas de poluição há que somar também a poluição térmica, proveniente sobretudo da refrigeração de centrais térmicas que elevam a água a uma temperatura nociva ao meio onde esta aflui, sobretudo pela destruição que

pode provocar nos microrganismos decompositores que não suportam grandes variações térmicas. Felizmente o avanço da tecnologia permite já contornar estes problemas, no entanto para garantia de um adequado tratamento da água, os sistemas eficazes têm ainda custos financeiramente muito elevados, pelo que a sua implementação está ainda pouco difundida nos nossos meios. O sistema de tratamento mais usual passa pelo recurso a Fossas Sépticas que como não permitem o arejamento do efluente não conseguem atingir níveis de tratamento desejáveis, sobretudo quando visam servir populações acima de 40 habitantes.

Para isso deve recorrerse a sistemas de tratamento com arejamento a fim de promover o desenvolvimento de bactérias em aerobiose aumentando assim o seu rendimento na decomposição da matéria orgânica que se deposita e após sofrer um processo de correcção do pH poderá ser utilizada como estruturante de solos de uso agrícola ou florestal. A água resultante deste processo pode também ser utilizada para rega, devendo para tal haver uma cuidada monitorização da sua qualidade. Há ainda processos com recurso a osmose inversa que têm custos avultados mas que garantem um tratamento da água com um nível tal que a mesma pode ser de novo

incorporada numa albufeira para chegar novamente à torneira do consumidor. Apesar de se caminhar cada vez mais para uma grande eficácia no tratamento e reaproveitamento da água a melhor política continua a ser a da poupança, criando individualmente hábitos que maximizem o aproveitamento de água. Neste ponto os países nórdicos, apesar de menos necessitados de água, desenvolveram já diversas soluções de aproveitamento de água, tema este a abordar num próximo número.

15


CASERNA DO CIMO DO LUGAR

Lazer

Palavras cruzadas

Horizontais 1-Rua histórica; 2- O nosso Rio; 3- Tradicionalmente movidos a água; 4-Rua que nos leva em direcção à Igreja; 5- Fontanário no Cimo do Lugar; 6- Capela classificada (Santa…); 7- Santo padroeiro da nossa terra; 8- Cabeço com cruzeiro no topo; 9- Camada campeã distrital, 10- Largo com nome de árvore. Verticais 1- Associação que une os jovens do Carvalhal; 2- Furo de onde vem muita e boa água para consumo; 3- Bairro de intensa extracção mineira no séc. passado; 4- Local onde a ponte nunca foi acabada; 5Bairro central do Felgar; 6- Bairro de saída do Carvalhal rumo ao Felgar; 7- Pequeno bairro do Carvalhal; 8- Fraga de grande tradição para a juventude.

S U D O K U 16


Caserna do Cimo do Lugar - Edição nº 14 - AGO09 - http://felgar-online.pt.vu/