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pure/ Pure Magazine / Edição 001 / Verão 2008

Ana Rita Clara em Entrevista Marie Laure de Noailles Arte: Armanda Duarte Jovens Criadores Freegans Moda


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EDITORIAL

FICHA TÉCNICA

COLABORADORES

Nesta edição, e porque um dos objectivos deste projecto é apoiar, divulgar e acompanhar o trabalho de criativos, decidimos abordar o tema “jovens criadores”. Jovens com coragem que iniciam a sua actividade na área da moda e se dispõem a lutar contra as dificuldades que o mercado está a ultrapassar; jovens que trabalham arduamente, muitas vezes sem grandes recompensas monetárias; jovens que resistem à massificação do produto e que acreditam na moda, no seu lado mais genuíno e criativo; jovens que trabalham anos a fio sem que deles se ouça falar. Por vezes e felizmente, muitos são “descobertos” e dão o salto. Os concursos são verdadeiros impulsionadores que ajudam a criar visibilidade proporcionando novas oportunidades de carreira, como o iniciar de uma marca própria. A moda, segundo estes jovens, é uma profissão difícil que implica muito trabalho e dedicação. Nós sabemos disso e gostaríamos de dedicar este número a todos aqueles que dão um pouco de si à moda.

DIRECÇÃO / EDIÇÃO Helga Carvalho

DIANA DIAS Nasceu em 1979. Concluiu a Licenciatura em Design de Moda na Faculdade de Arquitectura de Lisboa em 2005. Iniciou estágio curricular em 2004 no Atelier da criadora Alexandra Moura, onde colaborou como Design assistente até Dezembro de 2007. Durante os últimos anos e em paralelo ao trabalho realizado no atelier de Alexandra Moura, desenvolveu a sua marca DollsCollection, produzindo pequenas colecções de acessórios de moda de autor. Actualmente trabalha como freelance nas áreas de Design de Moda e gráfico, escrita e ilustração.

www.helgacarvalho.com

DESIGN GRÁFICO Paulo Condez www.designedbynada.com

PÓS-PRODUÇÃO: Sara Magalhães Gomes

www.dollscollection.blogspot.com http://www.flickr.com/photos/dollsbydianadias/

COLABORADORES Edição/Texto Diana Dias Francisco Vaz Fernandes Milene Matos Michele Santos Natacha de Noronha Paulino Patrícia Boto Cruz Tiago Santos Sara Andrade Fotografia Christophe Banier Ricardo Cruz www.ricardo-cruz.com

Olivier Jacquet www.olivierjacquet.com

Yves Lacroix

Helga Carvalho

Michele Santos É formada em Design e Styling de Moda pela Faculdade de Arquitectura da UTL e pelo Istituto Marangoni. Começou a sua actividade na revista 20 anos, como assistente de moda. A colaboração como stylist em várias revistas (Cosmopolitan, Maxmen, Vogue, Máxima, Op, entre outras) manteve-se até 2006. Paralelamente, tem desenvolvido a actividade de docência na licenciatura de Design de Moda da FA UTL, onde é Assistente, e investigação, na área da ergonomia aplicada ao vestuário, no Ergolab da FMH UTL Natacha de Noronha Paulino Nasce em Lisboa em 1976. Divide a sua actividade entre a moda e o teatro. Apresenta colecções no país e no estrangeiro em concursos como Jovens Criadores, Novos Talentos, Encontro Internacional de Jovens Criadores da Europa e Mediterrâneo (Sarajevo), Big Torino - Biennale Arte Emergente (Turim). Em 2003, assina a proposta de design vencedora do concurso para a concepção de fardas da Selecção Nacional de Andebol para o Campeonato Mundial desse ano. Licenciada em Design de Moda pela Faculdade de Arquitectura de Lisboa e com 16 anos de palco, tem escrito sobre os dois temas para o Centro Português de Design, DIF Magazine, Número Magazine e PARQ. Faz a sua estreia na Pure Magazine com o artigo “De recém-licenciado a jovem criador”. PATRÍCIA CRUZ Tem 34 anos e formação em Direito. Depois do estágio frequentou cursos sobre matérias específicas ligadas àquela área e trabalha no apoio jurídico a empresas de construção. Aproveita a participação na Pure magazine para “descansar” da profissão e estar envolvida num projecto que, entre outros, publica trabalhos de moda, assunto de que gosta particularmente. Com diplomas em línguas e workshops sobre escrita criativa, põe também em prática nesta revista o seu interesse pela escrita. Afirma que se tem divertido na pesquisa das tribos urbanas, tema que aqui assina.

foto capa: Ana Rita veste casaco-camisa aba de grilo em algodão, WHITE TENT, €150 / Armações de óculos em crochet, WHITE TENT

Ana Rita Clara fotograda por Ricardo Cruz / Styling Helga Carvalho

www.puremagazine.pt

TIAGO SANTOS A música tem sido a nave onde viaja no tempo com os Cool Hipnoise desde 95, no espaço com os Spaceboys, ou no ar com a rádio Oxigénio 102.6 fm. Navega entre vinil numa cabine de Dj cruzando o passado e o futuro da galáxia da música negra, desde 1997.


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EDITORIAL

FICHA TÉCNICA

COLABORADORES

Nesta edição, e porque um dos objectivos deste projecto é apoiar, divulgar e acompanhar o trabalho de criativos, decidimos abordar o tema “jovens criadores”. Jovens com coragem que iniciam a sua actividade na área da moda e se dispõem a lutar contra as dificuldades que o mercado está a ultrapassar; jovens que trabalham arduamente, muitas vezes sem grandes recompensas monetárias; jovens que resistem à massificação do produto e que acreditam na moda, no seu lado mais genuíno e criativo; jovens que trabalham anos a fio sem que deles se ouça falar. Por vezes e felizmente, muitos são “descobertos” e dão o salto. Os concursos são verdadeiros impulsionadores que ajudam a criar visibilidade proporcionando novas oportunidades de carreira, como o iniciar de uma marca própria. A moda, segundo estes jovens, é uma profissão difícil que implica muito trabalho e dedicação. Nós sabemos disso e gostaríamos de dedicar este número a todos aqueles que dão um pouco de si à moda.

DIRECÇÃO / EDIÇÃO Helga Carvalho

DIANA DIAS Nasceu em 1979. Concluiu a Licenciatura em Design de Moda na Faculdade de Arquitectura de Lisboa em 2005. Iniciou estágio curricular em 2004 no Atelier da criadora Alexandra Moura, onde colaborou como Design assistente até Dezembro de 2007. Durante os últimos anos e em paralelo ao trabalho realizado no atelier de Alexandra Moura, desenvolveu a sua marca DollsCollection, produzindo pequenas colecções de acessórios de moda de autor. Actualmente trabalha como freelance nas áreas de Design de Moda e gráfico, escrita e ilustração.

www.helgacarvalho.com

DESIGN GRÁFICO Paulo Condez www.designedbynada.com

PÓS-PRODUÇÃO: Sara Magalhães Gomes

www.dollscollection.blogspot.com http://www.flickr.com/photos/dollsbydianadias/

COLABORADORES Edição/Texto Diana Dias Francisco Vaz Fernandes Milene Matos Michele Santos Natacha de Noronha Paulino Patrícia Boto Cruz Tiago Santos Sara Andrade Fotografia Christophe Banier Ricardo Cruz www.ricardo-cruz.com

Olivier Jacquet www.olivierjacquet.com

Yves Lacroix

Helga Carvalho

Michele Santos É formada em Design e Styling de Moda pela Faculdade de Arquitectura da UTL e pelo Istituto Marangoni. Começou a sua actividade na revista 20 anos, como assistente de moda. A colaboração como stylist em várias revistas (Cosmopolitan, Maxmen, Vogue, Máxima, Op, entre outras) manteve-se até 2006. Paralelamente, tem desenvolvido a actividade de docência na licenciatura de Design de Moda da FA UTL, onde é Assistente, e investigação, na área da ergonomia aplicada ao vestuário, no Ergolab da FMH UTL Natacha de Noronha Paulino Nasce em Lisboa em 1976. Divide a sua actividade entre a moda e o teatro. Apresenta colecções no país e no estrangeiro em concursos como Jovens Criadores, Novos Talentos, Encontro Internacional de Jovens Criadores da Europa e Mediterrâneo (Sarajevo), Big Torino - Biennale Arte Emergente (Turim). Em 2003, assina a proposta de design vencedora do concurso para a concepção de fardas da Selecção Nacional de Andebol para o Campeonato Mundial desse ano. Licenciada em Design de Moda pela Faculdade de Arquitectura de Lisboa e com 16 anos de palco, tem escrito sobre os dois temas para o Centro Português de Design, DIF Magazine, Número Magazine e PARQ. Faz a sua estreia na Pure Magazine com o artigo “De recém-licenciado a jovem criador”. PATRÍCIA CRUZ Tem 34 anos e formação em Direito. Depois do estágio frequentou cursos sobre matérias específicas ligadas àquela área e trabalha no apoio jurídico a empresas de construção. Aproveita a participação na Pure magazine para “descansar” da profissão e estar envolvida num projecto que, entre outros, publica trabalhos de moda, assunto de que gosta particularmente. Com diplomas em línguas e workshops sobre escrita criativa, põe também em prática nesta revista o seu interesse pela escrita. Afirma que se tem divertido na pesquisa das tribos urbanas, tema que aqui assina.

foto capa: Ana Rita veste casaco-camisa aba de grilo em algodão, WHITE TENT, €150 / Armações de óculos em crochet, WHITE TENT

Ana Rita Clara fotograda por Ricardo Cruz / Styling Helga Carvalho

www.puremagazine.pt

TIAGO SANTOS A música tem sido a nave onde viaja no tempo com os Cool Hipnoise desde 95, no espaço com os Spaceboys, ou no ar com a rádio Oxigénio 102.6 fm. Navega entre vinil numa cabine de Dj cruzando o passado e o futuro da galáxia da música negra, desde 1997.


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Se o vídeo matou as estrelas da rádio, trouxe-nos as da televisão. Ana Rita Clara é disso exemplo. Habituou-nos a entrar pelas nossas casas a dentro como um dos rostos da SIC. Tem cuidado com as palavras, não fosse ela uma comunicadora. Projectos não lhe faltam e garante que não consegue estar parada. É determinada e sabe bem o que quer. por Milene Matos Silva

pag dir: Ana Rita veste vestido ALEXANDRA MOURA, €379,37

FOTOGRAFADO POR RICARDO CRUZ / ASSISTIDO POR TIAGO CUNHA FERREIRA / STYLING HELGA CARVALHO / MAQUILHAGEM SÓNIA PESSOA COM PRODUTOS LANCÔME E STUDIO FACE / CABELOS TONI & GUY LISBOA / ANA RITA CLARA - ELITE MODELS PORTUGAL


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Se o vídeo matou as estrelas da rádio, trouxe-nos as da televisão. Ana Rita Clara é disso exemplo. Habituou-nos a entrar pelas nossas casas a dentro como um dos rostos da SIC. Tem cuidado com as palavras, não fosse ela uma comunicadora. Projectos não lhe faltam e garante que não consegue estar parada. É determinada e sabe bem o que quer. por Milene Matos Silva

pag dir: Ana Rita veste vestido ALEXANDRA MOURA, €379,37

FOTOGRAFADO POR RICARDO CRUZ / ASSISTIDO POR TIAGO CUNHA FERREIRA / STYLING HELGA CARVALHO / MAQUILHAGEM SÓNIA PESSOA COM PRODUTOS LANCÔME E STUDIO FACE / CABELOS TONI & GUY LISBOA / ANA RITA CLARA - ELITE MODELS PORTUGAL


Ana Rita veste vestido e botins em camurça, ambos RICARDO DOURADO, €315 e €110 respectivamente


Ana Rita veste vestido e botins em camurça, ambos RICARDO DOURADO, €315 e €110 respectivamente


pag esq: Ana Rita veste vestido NUNO BALTAZAR, €1430, Ténis CONVERSE, €71,30

em baixo: Ana Rita veste vestido em seda e sapatos em pele PEDRO PEDRO, €410 e €150 respectivamente.


pag esq: Ana Rita veste vestido NUNO BALTAZAR, €1430, Ténis CONVERSE, €71,30

em baixo: Ana Rita veste vestido em seda e sapatos em pele PEDRO PEDRO, €410 e €150 respectivamente.


nesta pag e pag dir: Ana Rita veste casaco-camisa aba de grilo em algodão, WHITE TENT, €150 / Leggings em lycra, WHITE TENT, €60 (dois pares) / Sapatos em pele, THE LOOSER PROJECT, preço sob consulta


nesta pag e pag dir: Ana Rita veste casaco-camisa aba de grilo em algodão, WHITE TENT, €150 / Leggings em lycra, WHITE TENT, €60 (dois pares) / Sapatos em pele, THE LOOSER PROJECT, preço sob consulta


nesta pag: Ana Rita veste top em algodão, A-FOREST DESIGN

pag dir: Ana Rita veste camisa assimétrica em algodão, €182, calças em seda, €369 e colete em algodão, €210, tudo RICARDO PRETO / Sapatos em pele, HUGO BOSS, preço sob consulta


nesta pag: Ana Rita veste top em algodão, A-FOREST DESIGN

pag dir: Ana Rita veste camisa assimétrica em algodão, €182, calças em seda, €369 e colete em algodão, €210, tudo RICARDO PRETO / Sapatos em pele, HUGO BOSS, preço sob consulta


nesta pag: Ana Rita veste top e calças LIDIJA KOLOVRAT, €165 cada um / Tiara ANA MOREIRA para LIDIJA KOLOVRAT €75

Como é que entraste no mundo da televisão, foi por brincadeira? Brincadeira que se tornou num encontro sério. Costumo dizer sempre que a televisão é que me encontrou a mim. Sempre soube que teria um trabalho relacionado com a comunicação, mas nunca tinha pensado em fazer televisão. Pensei na escrita, na programação cultural (como também fiz) e na rádio. Enfim, queria comunicar de mil e uma formas. Mas, há vários anos atrás surgiu a oportunidade de ingressar na TV. Foste à procura dessa oportunidade? A minha mãe inscreveu-me num Casting para a SIC Radical. Na altura, estavam à procura de novas apresentadoras. Fui seleccionada para a final. Houve logo uma simbiose muito engraçada. Nesta primeira experiência tudo começou a fazer sentido. Comecei logo a fazer directos em televisão. Encontrei um espaço onde eu me sentia bem porque estava a falar de uma forma directa com o público. Ainda hoje é o que mais gosto de fazer. Logo a seguir à participação que tive no Curto-Circuito (SIC Radical), a NTV, que estava a surgir no Porto, convidou-me. Entretanto, estava a estudar Sociologia e optei por não me envolver tão directamente. Queria formar-me primeiro, experimentar uma série de coisas como viajar e só depois voltar à televisão. E aí já com a consciência plena de que era o caminho que eu queria mesmo agarrar. Mas parece que aconteceu tudo muito rapidamente. Sim, talvez. Quantos anos é que tinhas na altura? Tinha 19 a 20 quando comecei a fazer televisão. Mas só quando terminei a faculdade e os estágios é que comecei a sério com um Talk Show, o XPTO. Era um projecto de raiz, com uma equipa de raiz e num canal de raiz (a NTV). E estive em directo quase um ano. Permitiu-me voar sobre outras áreas, crescer muito e errar muito. Ao mesmo tempo sempre estive ligada às artes, à cultura urbana e à música. Esta última cada vez mais presente na minha vida.

Como vieste parar a Lisboa? No final de 2005 surge o convite das produções fictícias para apresentar o Inimigo Público com o Rui Unas e a Joana Cruz. Já de si era um projecto alternativo. Agradou-me imenso o facto que estar a entrar num canal generalista de uma forma diferente. Mas, ao mesmo tempo comecei com o Êxtase em reportagens. A partir daí nunca mais parei. As oportunidades têm surgido. Fui o rosto do Rock In Rio Lisboa 2006 e de outros festivais. Depois estive apresentar o programa 5 estrelas. No ano que passou fui apresentadora do programa Êxtase em que tive oportunidade de entrevistar nomes nacionais e internacionais. E neste momento… A nova direcção propôs-me novamente estar à frente do projecto Rock in Rio Lisboa 2008 e ser um dos rostos presentes nesta grande operação que está a ser feita pela SIC e que é transversal a todos os canais da operadora. Para além disso, tenho a minha própria produtora, a Drop Produções… Como é que surge esse projecto da Drop Produções? Foi há dois anos atrás. E surgiu da minha vontade e necessidade de estar sempre em movimento e absorvida por novos projectos. Sempre fui uma pessoa muito activa e com muitas ideias. Quero estar sempre a fazer coisas. A minha produtora surge nesse sentido. Criei um conceito de canais de televisão Online. Foi um projecto pioneiro. Criei esses canais na Internet para acompanhar os concertos do Festival Super Bock, Super Rock e para o Festival Sudoeste. Este ano, quero que a DROP repita essa realização e faça um Up Grade desses projectos, abraçando outras áreas. Mudaste a tua vida para Lisboa, mas ainda te sentes uma pessoa no norte? Costumam dizer que as pessoas do norte são diferentes, mas isso é o que se diz. Acho que é muito importante sabermos de onde somos e de onde vimos. Acho que sou uma mulher do norte e, serei sempre, se isso significar que sou determinada e forte. Mas, acima de tudo sou portuguesa.

Em relação à Moda, segues tendências? Eu acho que tenho o meu estilo próprio, que significa misturar várias tendências. Tenho um olhar sobre a moda ou do que existe no que diz respeito a novos criadores. Gosto muito de estética, de imagem, da criação, dos tecidos e do design. Presto atenção à moda, mas tento construir o meu estilo. Não sou uma vítima da moda porque nem tenho paciência para isso. A minha profissão exige, naturalmente, que acompanhe as últimas tendências. Como não gosto de coisas formatadas tento ter um apontamento original. Não perco muito tempo com compras, mas apaixono-me por peças. Uma das peças que mais gosto, que faz parte dos acessórios é um lenço que pertenceu à minha mãe nos anos 70. A simplicidade com um apontamento original é aquilo que eu mais procuro. Tens preferência por algum criador português? Gosto de vários. Acho que cada um tem o seu próprio estilo. Por exemplo, o Pedro Pedro tem uns vestidos muito bonitos, nas criações da Alexandra Moura destaco a sua originalidade, Nuno Baltazar tem muita elegância, o Filipe Faísca faz uma boa combinação e a Lidija Kolovrat tem linhas modernas, mas também gosto da Ana Salazar, etc. Mas, mais do que gostar dos criadores eu gosto das peças. Tenho que olhar e apaixonar-me por elas. E criadores estrangeiros? Gosto muito da Stella Maccartney, pelas linhas sóbrias. Gosto muito de Prada, Jill Sander, entre outros.


nesta pag: Ana Rita veste top e calças LIDIJA KOLOVRAT, €165 cada um / Tiara ANA MOREIRA para LIDIJA KOLOVRAT €75

Como é que entraste no mundo da televisão, foi por brincadeira? Brincadeira que se tornou num encontro sério. Costumo dizer sempre que a televisão é que me encontrou a mim. Sempre soube que teria um trabalho relacionado com a comunicação, mas nunca tinha pensado em fazer televisão. Pensei na escrita, na programação cultural (como também fiz) e na rádio. Enfim, queria comunicar de mil e uma formas. Mas, há vários anos atrás surgiu a oportunidade de ingressar na TV. Foste à procura dessa oportunidade? A minha mãe inscreveu-me num Casting para a SIC Radical. Na altura, estavam à procura de novas apresentadoras. Fui seleccionada para a final. Houve logo uma simbiose muito engraçada. Nesta primeira experiência tudo começou a fazer sentido. Comecei logo a fazer directos em televisão. Encontrei um espaço onde eu me sentia bem porque estava a falar de uma forma directa com o público. Ainda hoje é o que mais gosto de fazer. Logo a seguir à participação que tive no Curto-Circuito (SIC Radical), a NTV, que estava a surgir no Porto, convidou-me. Entretanto, estava a estudar Sociologia e optei por não me envolver tão directamente. Queria formar-me primeiro, experimentar uma série de coisas como viajar e só depois voltar à televisão. E aí já com a consciência plena de que era o caminho que eu queria mesmo agarrar. Mas parece que aconteceu tudo muito rapidamente. Sim, talvez. Quantos anos é que tinhas na altura? Tinha 19 a 20 quando comecei a fazer televisão. Mas só quando terminei a faculdade e os estágios é que comecei a sério com um Talk Show, o XPTO. Era um projecto de raiz, com uma equipa de raiz e num canal de raiz (a NTV). E estive em directo quase um ano. Permitiu-me voar sobre outras áreas, crescer muito e errar muito. Ao mesmo tempo sempre estive ligada às artes, à cultura urbana e à música. Esta última cada vez mais presente na minha vida.

Como vieste parar a Lisboa? No final de 2005 surge o convite das produções fictícias para apresentar o Inimigo Público com o Rui Unas e a Joana Cruz. Já de si era um projecto alternativo. Agradou-me imenso o facto que estar a entrar num canal generalista de uma forma diferente. Mas, ao mesmo tempo comecei com o Êxtase em reportagens. A partir daí nunca mais parei. As oportunidades têm surgido. Fui o rosto do Rock In Rio Lisboa 2006 e de outros festivais. Depois estive apresentar o programa 5 estrelas. No ano que passou fui apresentadora do programa Êxtase em que tive oportunidade de entrevistar nomes nacionais e internacionais. E neste momento… A nova direcção propôs-me novamente estar à frente do projecto Rock in Rio Lisboa 2008 e ser um dos rostos presentes nesta grande operação que está a ser feita pela SIC e que é transversal a todos os canais da operadora. Para além disso, tenho a minha própria produtora, a Drop Produções… Como é que surge esse projecto da Drop Produções? Foi há dois anos atrás. E surgiu da minha vontade e necessidade de estar sempre em movimento e absorvida por novos projectos. Sempre fui uma pessoa muito activa e com muitas ideias. Quero estar sempre a fazer coisas. A minha produtora surge nesse sentido. Criei um conceito de canais de televisão Online. Foi um projecto pioneiro. Criei esses canais na Internet para acompanhar os concertos do Festival Super Bock, Super Rock e para o Festival Sudoeste. Este ano, quero que a DROP repita essa realização e faça um Up Grade desses projectos, abraçando outras áreas. Mudaste a tua vida para Lisboa, mas ainda te sentes uma pessoa no norte? Costumam dizer que as pessoas do norte são diferentes, mas isso é o que se diz. Acho que é muito importante sabermos de onde somos e de onde vimos. Acho que sou uma mulher do norte e, serei sempre, se isso significar que sou determinada e forte. Mas, acima de tudo sou portuguesa.

Em relação à Moda, segues tendências? Eu acho que tenho o meu estilo próprio, que significa misturar várias tendências. Tenho um olhar sobre a moda ou do que existe no que diz respeito a novos criadores. Gosto muito de estética, de imagem, da criação, dos tecidos e do design. Presto atenção à moda, mas tento construir o meu estilo. Não sou uma vítima da moda porque nem tenho paciência para isso. A minha profissão exige, naturalmente, que acompanhe as últimas tendências. Como não gosto de coisas formatadas tento ter um apontamento original. Não perco muito tempo com compras, mas apaixono-me por peças. Uma das peças que mais gosto, que faz parte dos acessórios é um lenço que pertenceu à minha mãe nos anos 70. A simplicidade com um apontamento original é aquilo que eu mais procuro. Tens preferência por algum criador português? Gosto de vários. Acho que cada um tem o seu próprio estilo. Por exemplo, o Pedro Pedro tem uns vestidos muito bonitos, nas criações da Alexandra Moura destaco a sua originalidade, Nuno Baltazar tem muita elegância, o Filipe Faísca faz uma boa combinação e a Lidija Kolovrat tem linhas modernas, mas também gosto da Ana Salazar, etc. Mas, mais do que gostar dos criadores eu gosto das peças. Tenho que olhar e apaixonar-me por elas. E criadores estrangeiros? Gosto muito da Stella Maccartney, pelas linhas sóbrias. Gosto muito de Prada, Jill Sander, entre outros.


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por Patrícia Cruz i won’t give up 1 Fabio Paleari, acompanhou e fotografou durante uma viagem de dois anos, o seu amigo e vocalista dos “The Babyshambles”, Pete Doherty. Com textos de Robert Montgomery, o livro “I Won`t give up” reúne sobretudo imagens captadas em concertos da banda e experiências vividas pelos seus elementos nas, tais como eles, desregradas comunidades de Shoreditch High Street, Redchurch Street and Brik Lane, em Londres. Para além disto, o livro contém inúmeras fotos de conhecidos artistas, poetas e fotógrafos que param muito por essas zonas, bem como anónimos apanhados na noite. Do meio dos conhecidos, destaca-se Paul Roundhil, ou “Professor Ro”, escritor, artista de multimédia, traficante de droga e guru controverso, que apresentou Paleari a Pete Doherty na sua “crack house”. Nomes como James Mullord, manager da banda e Abel Ferrara também surgem nesta compilação fotográfica que retrata instantes de sexo, de festas rave, de carros destruídos e de interiores de prédios decadentes. O livro surge em formato normal ou numa edição especial a €30 e €400 respectivamente, publicado pela Damiani Editori. www.guidocostaprojects.com Fabio Paleari / Pete on the floor / © Fabio Paleari / Courtesy Damiani Editore

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A sHORT HISTORY OF PHOTOGRAPHY 2 Harvey Benge faz neste trabalho ao mesmo tempo leve e sério, uma reflexão sobre o estilo fotográfico e uma antologia da fotografia contemporânea, destacando os seus nomes mais relevantes. Sabendo este fotógrafo que quando olha para uma foto, fácil e rapidamente a atribui ao seu autor, resolveu tentar outra experiência: tirar fotografias como se tivessem sido captadas por outro fotógrafo. São originais dele mas que usam de tal forma uma sensibilidade de outros fotógrafos que podiam ser destes. Pretende o autor levantar questões como as de saber se a influência de outros num trabalho foi inconsciente ou intencional e se é possível registar um estilo fotográfico. HE An – Publicações; Dewi lewis 2007; €38. www.shaden.com Fotografado por Harvey Benge estilo Eggleston

Modaçores 3 Com vista à promoção da Região dos Açores e à sua divulgação como destino turístico, a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, com o apoio da Secretaria da Economia e Direcção Regional do Turismo, promoveu o evento Modaçores que reuniu pela quinta vez consecutiva não só um grupo de criadores regionais ao qual se juntaram alguns nomes já conhecidos como Filipe Faísca, como também os criadores internacionais Duprè Santabarbara e Stella Cadente ambos originários 3

de França. Foram apresentadas as colecções de Verão 2008 num evento que primou pela da beleza natural da ilha de São Miguel.

gos olímpicos de Pequim, a nova gama de roupa homenageia a prática de Tai Chi, através de calças fluidas, tops de alças, blusões e calções em tecidos high tech e muito confortáveis, como seda ou malha. A colecção é composta por duas linhas sob os nomes de “Bliss” e “Energie”, à venda nas lojas Celine. Além das referidas peças, foram criados acessórios como o saco 24 horas “Boogie” e os ténis que nasceram da parceria entre a D.A. da Celine, Ivana Omazic, Emmanuelle Seigner e a marca chinesa Feiyue.

100 ANOS DA CONVERSE 4 Uma das marcas mais populares da “Street Fashion” nasceu em 1908, no Malden, Massachussets. O seu criador, Marquis Mills Converse, detentor de uma fábrica de sapatos de borracha adicionou-lhes lona e inventou os famosos ténis. Copiado por milhares de outras marcas, o modelo de maior sucesso, “All Star” surgiu em 1917 e continua mais actual a cada ano que passa. O facto de ter sido usado pelo jogador de basquetebol Chuck Taylor em todos os jogos deste, foi decisivo para que o modelo mais representativo da Converse se tornasse um ícone. Nas infinitas combinações de cores, tecidos e materiais, como o couro ou lantejoulas, em versão botas até ao joelho ou chinelos, com ou sem atacadores, são uma espécie de vício que acompanha todas as gerações, situações e classes. Para comemorar o aniversário, a marca lançou uma edição limitada de três modelos: “All Star”, “Proleathers” e “All Star Revolution”, inspirados nas suas primeiras colecções e vendidos em caixas de madeira.

MUSEU DA PERFUMARIA 6 Fechado quatro anos para obras, o Museu Internacional de Grasse reabre portas no próximo verão. Criado em 1989, este estabelecimento público, agora com uma área muito maior, dedica-se à defesa e promoção do património internacional de odores e perfumes. Neste museu poderá conhecer toda a história do perfume até aos dias de hoje e a evolução das técnicas a ele associadas. É dada aos visitantes a possibilidade de acompanharem pormenorizadamente todas as etapas da criação de um perfume: os processos técnicos da extracção do perfume das flores através de gordura, da destilação, escolha e design dos frascos de vidro em que são vendidos. Porque cada perfume depende de um nariz profissionalmente treinado para decorar, identificar e conjugar milhões de aromas, a arte do perfumista é dissecada neste museu. Assim, são explicados os efeitos do olfacto no cérebro,

CELINE LANÇA-SE NO SPORTSWEAR DE LUXO 5 A actriz Emmanuelle Seigner vai ser a imagem da nova marca de desporto de luxo apresentada pela casa Celine. No ano dos jo5

STATE 8 A vida e técnicas de um dos artistas mais conhecido dos últimos trinta anos, Peter Saville, podem ser conhecidas pela primeira vez no seu livro “State”. Nele surge o percurso deste designer gráfico inglês, co-fundador e responsável pela imagem da marca “Factory Records”, o qual concebeu as capas dos discos dos Joy Division e New Order. A publicação compila todos os arquivos do autor, onde se encontram trabalhos preparatórios, fontes de inspiração, logótipos, cartazes de concertos e ensaios fotográficos. Partindo da exposição da obra de Saville em 2005, no Museu Migros, em Zurique, o livro contém textos de Michael Bracewell, Heike Munder e de artistas contemporâneos sobre a obra de Saville. Publicado com o Migros Museum, Zurique, 2007. 272 páginas impressas em papel brilhante, €38.

as sensações físicas e psíquicas dele decorrentes e as quantidades e conjugações adequadas de óleos essenciais, produtos naturais e sintéticos necessários ao aparecimento de uma fragância. É ainda permitido experimentar e comprar todos os ingredientes de que um perfume é feito ou um frasco do cheiro eleito. Perfume do Século XVIII / Caixa de Bergamota do Século XVIII

SKATE STUDY HOUSE 7 “Skateboard is design ” é o lema da inovadora marca que alia a cultura Skate ao design. Gil de Lapoint, skater há catorze anos e designer na indústria de desportos radicais, foi recolhendo influências das capitais onde pratica este desporto. Andre Senizergue é presidente da Sole Technologie e da Etnies e tem usado o estilo skater em artigos de qualidade. Juntos deram vida a este projecto que mistura a popularidade deste desporto com arte de rua e consciência ambientalista. Do projecto resultou a colecção “Skate Study House”, composta por relógios de parede e bengaleiros feitos com rodas de skate, e candeeiros, estantes, cadeiras e tábuas de engomar criadas a partir das pranchas dos mesmos. Os autores partiram de peças de design antigas e adicionaram-lhes acessórios de skate verdadeiros. As pranchas de materiais naturais e os acessórios podem ser desmontados das peças e usados.

This is Hardcore Pulp Island Album 1998 Art direction John Currin and Peter Saville Photography Horst Diekgerdes Casting Sascha Behrendt Styling Camille Bidault-Waddington Design Howard Wakefield and Paul Hetherington at the apartment Coming Up

Suede

Nude Album 1996 Cover Nick Night, Peter Saville and Brett Anderson Paintbox Steve Seal Design Howard Wakefield at the apartment

www.skatestudyhouse.com

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por Patrícia Cruz i won’t give up 1 Fabio Paleari, acompanhou e fotografou durante uma viagem de dois anos, o seu amigo e vocalista dos “The Babyshambles”, Pete Doherty. Com textos de Robert Montgomery, o livro “I Won`t give up” reúne sobretudo imagens captadas em concertos da banda e experiências vividas pelos seus elementos nas, tais como eles, desregradas comunidades de Shoreditch High Street, Redchurch Street and Brik Lane, em Londres. Para além disto, o livro contém inúmeras fotos de conhecidos artistas, poetas e fotógrafos que param muito por essas zonas, bem como anónimos apanhados na noite. Do meio dos conhecidos, destaca-se Paul Roundhil, ou “Professor Ro”, escritor, artista de multimédia, traficante de droga e guru controverso, que apresentou Paleari a Pete Doherty na sua “crack house”. Nomes como James Mullord, manager da banda e Abel Ferrara também surgem nesta compilação fotográfica que retrata instantes de sexo, de festas rave, de carros destruídos e de interiores de prédios decadentes. O livro surge em formato normal ou numa edição especial a €30 e €400 respectivamente, publicado pela Damiani Editori. www.guidocostaprojects.com Fabio Paleari / Pete on the floor / © Fabio Paleari / Courtesy Damiani Editore

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A sHORT HISTORY OF PHOTOGRAPHY 2 Harvey Benge faz neste trabalho ao mesmo tempo leve e sério, uma reflexão sobre o estilo fotográfico e uma antologia da fotografia contemporânea, destacando os seus nomes mais relevantes. Sabendo este fotógrafo que quando olha para uma foto, fácil e rapidamente a atribui ao seu autor, resolveu tentar outra experiência: tirar fotografias como se tivessem sido captadas por outro fotógrafo. São originais dele mas que usam de tal forma uma sensibilidade de outros fotógrafos que podiam ser destes. Pretende o autor levantar questões como as de saber se a influência de outros num trabalho foi inconsciente ou intencional e se é possível registar um estilo fotográfico. HE An – Publicações; Dewi lewis 2007; €38. www.shaden.com Fotografado por Harvey Benge estilo Eggleston

Modaçores 3 Com vista à promoção da Região dos Açores e à sua divulgação como destino turístico, a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, com o apoio da Secretaria da Economia e Direcção Regional do Turismo, promoveu o evento Modaçores que reuniu pela quinta vez consecutiva não só um grupo de criadores regionais ao qual se juntaram alguns nomes já conhecidos como Filipe Faísca, como também os criadores internacionais Duprè Santabarbara e Stella Cadente ambos originários 3

de França. Foram apresentadas as colecções de Verão 2008 num evento que primou pela da beleza natural da ilha de São Miguel.

gos olímpicos de Pequim, a nova gama de roupa homenageia a prática de Tai Chi, através de calças fluidas, tops de alças, blusões e calções em tecidos high tech e muito confortáveis, como seda ou malha. A colecção é composta por duas linhas sob os nomes de “Bliss” e “Energie”, à venda nas lojas Celine. Além das referidas peças, foram criados acessórios como o saco 24 horas “Boogie” e os ténis que nasceram da parceria entre a D.A. da Celine, Ivana Omazic, Emmanuelle Seigner e a marca chinesa Feiyue.

100 ANOS DA CONVERSE 4 Uma das marcas mais populares da “Street Fashion” nasceu em 1908, no Malden, Massachussets. O seu criador, Marquis Mills Converse, detentor de uma fábrica de sapatos de borracha adicionou-lhes lona e inventou os famosos ténis. Copiado por milhares de outras marcas, o modelo de maior sucesso, “All Star” surgiu em 1917 e continua mais actual a cada ano que passa. O facto de ter sido usado pelo jogador de basquetebol Chuck Taylor em todos os jogos deste, foi decisivo para que o modelo mais representativo da Converse se tornasse um ícone. Nas infinitas combinações de cores, tecidos e materiais, como o couro ou lantejoulas, em versão botas até ao joelho ou chinelos, com ou sem atacadores, são uma espécie de vício que acompanha todas as gerações, situações e classes. Para comemorar o aniversário, a marca lançou uma edição limitada de três modelos: “All Star”, “Proleathers” e “All Star Revolution”, inspirados nas suas primeiras colecções e vendidos em caixas de madeira.

MUSEU DA PERFUMARIA 6 Fechado quatro anos para obras, o Museu Internacional de Grasse reabre portas no próximo verão. Criado em 1989, este estabelecimento público, agora com uma área muito maior, dedica-se à defesa e promoção do património internacional de odores e perfumes. Neste museu poderá conhecer toda a história do perfume até aos dias de hoje e a evolução das técnicas a ele associadas. É dada aos visitantes a possibilidade de acompanharem pormenorizadamente todas as etapas da criação de um perfume: os processos técnicos da extracção do perfume das flores através de gordura, da destilação, escolha e design dos frascos de vidro em que são vendidos. Porque cada perfume depende de um nariz profissionalmente treinado para decorar, identificar e conjugar milhões de aromas, a arte do perfumista é dissecada neste museu. Assim, são explicados os efeitos do olfacto no cérebro,

CELINE LANÇA-SE NO SPORTSWEAR DE LUXO 5 A actriz Emmanuelle Seigner vai ser a imagem da nova marca de desporto de luxo apresentada pela casa Celine. No ano dos jo5

STATE 8 A vida e técnicas de um dos artistas mais conhecido dos últimos trinta anos, Peter Saville, podem ser conhecidas pela primeira vez no seu livro “State”. Nele surge o percurso deste designer gráfico inglês, co-fundador e responsável pela imagem da marca “Factory Records”, o qual concebeu as capas dos discos dos Joy Division e New Order. A publicação compila todos os arquivos do autor, onde se encontram trabalhos preparatórios, fontes de inspiração, logótipos, cartazes de concertos e ensaios fotográficos. Partindo da exposição da obra de Saville em 2005, no Museu Migros, em Zurique, o livro contém textos de Michael Bracewell, Heike Munder e de artistas contemporâneos sobre a obra de Saville. Publicado com o Migros Museum, Zurique, 2007. 272 páginas impressas em papel brilhante, €38.

as sensações físicas e psíquicas dele decorrentes e as quantidades e conjugações adequadas de óleos essenciais, produtos naturais e sintéticos necessários ao aparecimento de uma fragância. É ainda permitido experimentar e comprar todos os ingredientes de que um perfume é feito ou um frasco do cheiro eleito. Perfume do Século XVIII / Caixa de Bergamota do Século XVIII

SKATE STUDY HOUSE 7 “Skateboard is design ” é o lema da inovadora marca que alia a cultura Skate ao design. Gil de Lapoint, skater há catorze anos e designer na indústria de desportos radicais, foi recolhendo influências das capitais onde pratica este desporto. Andre Senizergue é presidente da Sole Technologie e da Etnies e tem usado o estilo skater em artigos de qualidade. Juntos deram vida a este projecto que mistura a popularidade deste desporto com arte de rua e consciência ambientalista. Do projecto resultou a colecção “Skate Study House”, composta por relógios de parede e bengaleiros feitos com rodas de skate, e candeeiros, estantes, cadeiras e tábuas de engomar criadas a partir das pranchas dos mesmos. Os autores partiram de peças de design antigas e adicionaram-lhes acessórios de skate verdadeiros. As pranchas de materiais naturais e os acessórios podem ser desmontados das peças e usados.

This is Hardcore Pulp Island Album 1998 Art direction John Currin and Peter Saville Photography Horst Diekgerdes Casting Sascha Behrendt Styling Camille Bidault-Waddington Design Howard Wakefield and Paul Hetherington at the apartment Coming Up

Suede

Nude Album 1996 Cover Nick Night, Peter Saville and Brett Anderson Paintbox Steve Seal Design Howard Wakefield at the apartment

www.skatestudyhouse.com

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/ em baixo da esq para a dir: 1 Colecção Primavera/Verão 2008, PEDRO PEDRO. Portugal Fashion, Fotografia Cassiano Ferraz / 2 Colecção Primavera/Verão 2008, SANDRA BACKUND. Fotografia Ola Bergengren / 3 Colecção Primavera/Verão 2005, PRISCILA ALEXANDRE. Arquivo Moda Lisboa, Fotografia Rui Vasco / 4 Colecção Outono/Inverno 2009, MARIOS SCHWAB. Fotografia Chris Moore / 5 Colecção Primavera/Verão 2008, Lara Torres. Arquivo Moda Lisboa, Fotografia Rui Vasco / 6 Colecção Primavera/Verão 2008, FELIPE OLIVEIRA BATISTA. Portugal Fashion, Fotografia Cassiano Ferraz / 7 Colecção Primavera/Verão 2008, WHITE TENT. Arquivo Moda Lisboa, Fotografia Rui Vasco

De recém-licenciado a jovem criador. por Natacha de Noronha Paulino A escolha de uma carreira artística parte, a maioria das vezes, de uma convicção pessoal e inquestionável. Mas o seu lançamento é, isso sim, pleno de objectividade traduzido em esforço, disciplina e... dinheiro. Várias opções se apresentam a um recém-licenciado em design de moda, já que são mais as saídas profissionais do que à partida possa parecer, desde o desenvolvimento de colecções para marcas, passando por produção de moda, ilustração, fardamento, vitrinismo, colaboração com gabinetes de tendências, consultoria de moda (desenvolvida em várias áreas como por exemplo na televisão), até à crítica de moda e ao ensino. A todas estas hipóteses junta-se a que será, provavelmente, a de eleição: a criação de marca própria. Neste caso específico, o impulso monetário é essencial para a entrada no meio competitivo do mercado. Quer se trate de design de moda, criação de moda ou alta-costura, a pró-actividade surge como requisito sine qua non, no alcance de visibilidade, que em raros casos acontece a custo zero. É para colmatar o fosso que se instala entre o fim de um percurso académico e o início de carreira, que surgem os concursos para jovens criadores, abertos à escala mundial. Quando em 1993 os holandeses Viktor Horsting e Rolf Snoeren, recém-formados da Arnhem Academy of Art and Design de Netherlands, concorrem ao Festival Internacional de Moda e Fotografia de Hyères (França), já sob a denominação de Viktor & Rolf, estão longe de imaginar o alcance que hoje se sabe, conseguido em quinze anos. Com três prémios arrecadados em Hyères, o ano seguinte fica marcado pela atribuição de uma bolsa pela ANDAM - Associação Nacional para o Desenvolvimento das Artes da Moda (França), que proporciona um importante estímulo à carreira embrionária da dupla. É no entanto em Outubro de 1997, que saem do anonimato, conseguindo atrair as atenções para a sua exposição e para o lançamento da primeira fragrância - Le Parfum. Uma colecção em miniatura e um perfume-fantasma com direito a campanhas publicitárias e pontos de venda em várias lojas, são o comentário irónico às grandes marcas do mundo da moda. Nessa fronteira com a arte, decidem em 1998 como forma de entrada no mercado,

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infiltrar-se no sistema atacando o seu centro: a alta-costura parisiense. Com a colecção de Inverno 1999-2000 ganham finalmente reconhecimento junto da imprensa internacional, ficando em Junho de 1999 integrados no calendário oficial na Chambre Syndicale de Haute-Couture de Paris. Um ano depois lançam a linha de pronto-a-vestir. São organismos como a ANDAM que alavancam o início de carreiras, assumindo como seu, o papel de providenciar fundos financeiros que garantem a sua continuidade em bases sólidas. O ano passado dois novos nomes são lançados pela ANDAM e pelo Festival Internacional de Moda e Fotografia de Hyères: Bruno Pieters (Bélgica) e Sandra Backlund (Suécia), respectivamente. Enquanto Bruno Pieters produz em 2006 a sua primeira colecção de homem após arrecadar o prémio de €1000,00 atribuído pela Swiss Textile Awards, promovido pela Swiss Textile Federation (Suiça), Sandra Backlund consegue em 2005 a sua primeira grande exposição pública, ao ser premiada pela FutureDesignDays (Suécia) e uma bolsa de €15,000 com o prémio ganho em Hyères. Em Portugal existem actualmente duas associações que promovem concursos para jovens criadores: Portugal Fashion (Concurso de Design do Programa Aliança) e o Clube Português de Artes e Ideias (Jovens Criadores). Com perfis, objectivos e meios diferentes, ambas visam a fomentação e projecção da moda nacional emergente. De igual forma com a mesma aposta, correm em circuito paralelo iniciativas de algumas autarquias, a uma escala reduzida, mas sem dúvida útil no que diz respeito à prática do processo. Embora por cá o fenómeno da moda seja relativamente recente, a necessária adaptação ao mercado justificou que algumas iniciativas se extinguissem ou tomassem outros formatos. Dois dos nomes a referir pela sua relevância são Novos Talentos (Optimus) e Sangue Novo (ModaLisboa). Com início em Abril de 1992, o concurso da ModaLisboa contou com nove edições, tendo lançado para fora do anonimato oito novos criadores: Maria Gambina; Miguel Flor; Osvaldo Martins; Susana Cabrito; Carlos Raimundo; Marco Mesquita; Priscila Alexandre e Lara Torres.

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A destacar, pelo percurso de 16 anos, Maria Gambina tem arrecadado inúmeros prémios e distinções com o seu trabalho, mostrando-o em passerelles de cidades como Dusseldorf, Estocolmo, Florença, Mênfis, Paris e São Paulo. Abre em 1995 e 1999 as suas lojas, respectivamente no Porto e em Lisboa e desde 1994 lecciona a disciplina de Design de Moda no CITEX. Em 1998 assina em parceria com José António Tenente a proposta de design vencedora do concurso para a concepção de fardas para os funcionários e colaboradores da Expo 98. O LAB surgiu em 2002 como uma fórmula revista do extinto Sangue Novo. Tratava-se de uma plataforma de divulgação de criadores em início de carreira, mantendo o formato de concurso, desta vez com candidatura exclusiva por convite. Como objectivos teve também o de um efeito de demonstração junto dos restantes alunos da área, bem como proporcionar maior visibilidade dos têxteis nacionais, através da parceria/apoio às propostas dos candidatos. Teve a sua última edição em Março de 2007, tendo funcionado sempre dentro do calendário de desfiles da ModaLisboa. Actualmente o Concurso de Design do Programa Aliança, promovido pelo Portugal Fashion, constitui uma forte aposta na busca de visibilidade para uma carreira inicial, dada a estreita relação que mantém com a indústria têxtil portuguesa. Criado em 2004, visa proporcionar aos jovens criadores a oportunidade de apresentação das suas colecções ao público, assim como a constituição de parcerias com a indústria, já que o regulamento prevê a confecção dos coordenados em empresas de vestuário nacionais. A selecção é realizada ou através de escolha directa, indo neste caso a preferência para designers que já actuam no mercado sem ainda uma base sólida de afirmação, ou através de um concurso de design aberto a jovens entre os 18 e os 35 anos, residentes em Portugal e com formação académica nas áreas da moda, confecção e/ou design. Os primeiros classificados têm entrada directa na segunda fase do Programa Aliança, designada por “Parcerias com a Indústria”, que compreende um conjunto de benefícios, nomeadamente a participação no Portugal Fashion, incentivos financeiros de apoio à criação e meios de divulgação das colecções.

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O evento funciona como alavanca de talentos emergentes, de forma a renovar e dinamizar o panorama da moda nacional, facilitar a integração de novos designers no mercado de trabalho e preencher lacunas que empresas do sector tenham ao nível do design. Independentemente das opções tomadas, os percursos variam e nem sempre correm o trilho pensado. Se Osvaldo Martins segue hoje com o desenvolvimento de marca própria de pronto-a-vestir (Add.Up – Osvaldo Martins), tendo já estabelecido várias parcerias com a indústria do sector têxtil e do calçado para a criação de colecções para marcas como Malhacila, Codizo, Fairly e Bronze, passando pelo desenho de figurinos para dança e teatro, até ao ensino, já Priscila Alexandre, também vencedora do concurso LAB em 2002, enveredou pela via, não menos bem-sucedida, do trabalho desenvolvido para outros nomes, como a casa Louis Vuitton em Paris e Proenza Schouler em Nova Iorque. Felipe Oliveira Batista é mais um nome em português a fazer história pelo mundo da moda. Este açoriano de 34 anos, cresceu em Lisboa e cedo partiu para Londres onde se formou em Design de Moda pela Universidade de Kingston. Os vários prémios que ganhou em concursos para jovens criadores, os mais importantes atribuídos pela ANDAM e pelo Festival Internacional de Moda e Fotografia de Hyères, permitiram-lhe não só granjear notoriedade junto da imprensa e da comunidade da moda internacional, como injectar importantes incentivos monetários para o desenvolvimento das suas colecções, através das bolsas recebidas, graças às quais, em 2003 a marca Felipe Oliveira Baptista é oficialmente lançada. Em 2005, e após novo prémio pela ANDAM, é convidado pelo Comité da Chambre Syndicale de la Haute Couture a participar na Semana de Alta-costura de Paris, proposta que tem vindo a ser renovada em cada edição, tornando-se assim num dos primeiros cinco jovens designers internacionais a serem convidados por esta associação. Pelo caminho, desenvolveu colecções para a Uniqlo (Japão), Cerruti e Max Mara (Itália) e Christopher Lemair (França). Com um percurso distinto, que se traduz em pontos de venda distribuídos por catorze países, Felipe resume a sua carreira nas palavras de Fernando Pessoa: “sentir é buscar”.

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/ em baixo da esq para a dir: 1 Colecção Primavera/Verão 2008, PEDRO PEDRO. Portugal Fashion, Fotografia Cassiano Ferraz / 2 Colecção Primavera/Verão 2008, SANDRA BACKUND. Fotografia Ola Bergengren / 3 Colecção Primavera/Verão 2005, PRISCILA ALEXANDRE. Arquivo Moda Lisboa, Fotografia Rui Vasco / 4 Colecção Outono/Inverno 2009, MARIOS SCHWAB. Fotografia Chris Moore / 5 Colecção Primavera/Verão 2008, Lara Torres. Arquivo Moda Lisboa, Fotografia Rui Vasco / 6 Colecção Primavera/Verão 2008, FELIPE OLIVEIRA BATISTA. Portugal Fashion, Fotografia Cassiano Ferraz / 7 Colecção Primavera/Verão 2008, WHITE TENT. Arquivo Moda Lisboa, Fotografia Rui Vasco

De recém-licenciado a jovem criador. por Natacha de Noronha Paulino A escolha de uma carreira artística parte, a maioria das vezes, de uma convicção pessoal e inquestionável. Mas o seu lançamento é, isso sim, pleno de objectividade traduzido em esforço, disciplina e... dinheiro. Várias opções se apresentam a um recém-licenciado em design de moda, já que são mais as saídas profissionais do que à partida possa parecer, desde o desenvolvimento de colecções para marcas, passando por produção de moda, ilustração, fardamento, vitrinismo, colaboração com gabinetes de tendências, consultoria de moda (desenvolvida em várias áreas como por exemplo na televisão), até à crítica de moda e ao ensino. A todas estas hipóteses junta-se a que será, provavelmente, a de eleição: a criação de marca própria. Neste caso específico, o impulso monetário é essencial para a entrada no meio competitivo do mercado. Quer se trate de design de moda, criação de moda ou alta-costura, a pró-actividade surge como requisito sine qua non, no alcance de visibilidade, que em raros casos acontece a custo zero. É para colmatar o fosso que se instala entre o fim de um percurso académico e o início de carreira, que surgem os concursos para jovens criadores, abertos à escala mundial. Quando em 1993 os holandeses Viktor Horsting e Rolf Snoeren, recém-formados da Arnhem Academy of Art and Design de Netherlands, concorrem ao Festival Internacional de Moda e Fotografia de Hyères (França), já sob a denominação de Viktor & Rolf, estão longe de imaginar o alcance que hoje se sabe, conseguido em quinze anos. Com três prémios arrecadados em Hyères, o ano seguinte fica marcado pela atribuição de uma bolsa pela ANDAM - Associação Nacional para o Desenvolvimento das Artes da Moda (França), que proporciona um importante estímulo à carreira embrionária da dupla. É no entanto em Outubro de 1997, que saem do anonimato, conseguindo atrair as atenções para a sua exposição e para o lançamento da primeira fragrância - Le Parfum. Uma colecção em miniatura e um perfume-fantasma com direito a campanhas publicitárias e pontos de venda em várias lojas, são o comentário irónico às grandes marcas do mundo da moda. Nessa fronteira com a arte, decidem em 1998 como forma de entrada no mercado,

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infiltrar-se no sistema atacando o seu centro: a alta-costura parisiense. Com a colecção de Inverno 1999-2000 ganham finalmente reconhecimento junto da imprensa internacional, ficando em Junho de 1999 integrados no calendário oficial na Chambre Syndicale de Haute-Couture de Paris. Um ano depois lançam a linha de pronto-a-vestir. São organismos como a ANDAM que alavancam o início de carreiras, assumindo como seu, o papel de providenciar fundos financeiros que garantem a sua continuidade em bases sólidas. O ano passado dois novos nomes são lançados pela ANDAM e pelo Festival Internacional de Moda e Fotografia de Hyères: Bruno Pieters (Bélgica) e Sandra Backlund (Suécia), respectivamente. Enquanto Bruno Pieters produz em 2006 a sua primeira colecção de homem após arrecadar o prémio de €1000,00 atribuído pela Swiss Textile Awards, promovido pela Swiss Textile Federation (Suiça), Sandra Backlund consegue em 2005 a sua primeira grande exposição pública, ao ser premiada pela FutureDesignDays (Suécia) e uma bolsa de €15,000 com o prémio ganho em Hyères. Em Portugal existem actualmente duas associações que promovem concursos para jovens criadores: Portugal Fashion (Concurso de Design do Programa Aliança) e o Clube Português de Artes e Ideias (Jovens Criadores). Com perfis, objectivos e meios diferentes, ambas visam a fomentação e projecção da moda nacional emergente. De igual forma com a mesma aposta, correm em circuito paralelo iniciativas de algumas autarquias, a uma escala reduzida, mas sem dúvida útil no que diz respeito à prática do processo. Embora por cá o fenómeno da moda seja relativamente recente, a necessária adaptação ao mercado justificou que algumas iniciativas se extinguissem ou tomassem outros formatos. Dois dos nomes a referir pela sua relevância são Novos Talentos (Optimus) e Sangue Novo (ModaLisboa). Com início em Abril de 1992, o concurso da ModaLisboa contou com nove edições, tendo lançado para fora do anonimato oito novos criadores: Maria Gambina; Miguel Flor; Osvaldo Martins; Susana Cabrito; Carlos Raimundo; Marco Mesquita; Priscila Alexandre e Lara Torres.

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A destacar, pelo percurso de 16 anos, Maria Gambina tem arrecadado inúmeros prémios e distinções com o seu trabalho, mostrando-o em passerelles de cidades como Dusseldorf, Estocolmo, Florença, Mênfis, Paris e São Paulo. Abre em 1995 e 1999 as suas lojas, respectivamente no Porto e em Lisboa e desde 1994 lecciona a disciplina de Design de Moda no CITEX. Em 1998 assina em parceria com José António Tenente a proposta de design vencedora do concurso para a concepção de fardas para os funcionários e colaboradores da Expo 98. O LAB surgiu em 2002 como uma fórmula revista do extinto Sangue Novo. Tratava-se de uma plataforma de divulgação de criadores em início de carreira, mantendo o formato de concurso, desta vez com candidatura exclusiva por convite. Como objectivos teve também o de um efeito de demonstração junto dos restantes alunos da área, bem como proporcionar maior visibilidade dos têxteis nacionais, através da parceria/apoio às propostas dos candidatos. Teve a sua última edição em Março de 2007, tendo funcionado sempre dentro do calendário de desfiles da ModaLisboa. Actualmente o Concurso de Design do Programa Aliança, promovido pelo Portugal Fashion, constitui uma forte aposta na busca de visibilidade para uma carreira inicial, dada a estreita relação que mantém com a indústria têxtil portuguesa. Criado em 2004, visa proporcionar aos jovens criadores a oportunidade de apresentação das suas colecções ao público, assim como a constituição de parcerias com a indústria, já que o regulamento prevê a confecção dos coordenados em empresas de vestuário nacionais. A selecção é realizada ou através de escolha directa, indo neste caso a preferência para designers que já actuam no mercado sem ainda uma base sólida de afirmação, ou através de um concurso de design aberto a jovens entre os 18 e os 35 anos, residentes em Portugal e com formação académica nas áreas da moda, confecção e/ou design. Os primeiros classificados têm entrada directa na segunda fase do Programa Aliança, designada por “Parcerias com a Indústria”, que compreende um conjunto de benefícios, nomeadamente a participação no Portugal Fashion, incentivos financeiros de apoio à criação e meios de divulgação das colecções.

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O evento funciona como alavanca de talentos emergentes, de forma a renovar e dinamizar o panorama da moda nacional, facilitar a integração de novos designers no mercado de trabalho e preencher lacunas que empresas do sector tenham ao nível do design. Independentemente das opções tomadas, os percursos variam e nem sempre correm o trilho pensado. Se Osvaldo Martins segue hoje com o desenvolvimento de marca própria de pronto-a-vestir (Add.Up – Osvaldo Martins), tendo já estabelecido várias parcerias com a indústria do sector têxtil e do calçado para a criação de colecções para marcas como Malhacila, Codizo, Fairly e Bronze, passando pelo desenho de figurinos para dança e teatro, até ao ensino, já Priscila Alexandre, também vencedora do concurso LAB em 2002, enveredou pela via, não menos bem-sucedida, do trabalho desenvolvido para outros nomes, como a casa Louis Vuitton em Paris e Proenza Schouler em Nova Iorque. Felipe Oliveira Batista é mais um nome em português a fazer história pelo mundo da moda. Este açoriano de 34 anos, cresceu em Lisboa e cedo partiu para Londres onde se formou em Design de Moda pela Universidade de Kingston. Os vários prémios que ganhou em concursos para jovens criadores, os mais importantes atribuídos pela ANDAM e pelo Festival Internacional de Moda e Fotografia de Hyères, permitiram-lhe não só granjear notoriedade junto da imprensa e da comunidade da moda internacional, como injectar importantes incentivos monetários para o desenvolvimento das suas colecções, através das bolsas recebidas, graças às quais, em 2003 a marca Felipe Oliveira Baptista é oficialmente lançada. Em 2005, e após novo prémio pela ANDAM, é convidado pelo Comité da Chambre Syndicale de la Haute Couture a participar na Semana de Alta-costura de Paris, proposta que tem vindo a ser renovada em cada edição, tornando-se assim num dos primeiros cinco jovens designers internacionais a serem convidados por esta associação. Pelo caminho, desenvolveu colecções para a Uniqlo (Japão), Cerruti e Max Mara (Itália) e Christopher Lemair (França). Com um percurso distinto, que se traduz em pontos de venda distribuídos por catorze países, Felipe resume a sua carreira nas palavras de Fernando Pessoa: “sentir é buscar”.

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Seguem-se sete entrevistas a criadores convidados, que partilham as suas experiências, diferentes, mas comuns num ponto: muito trabalho e dedicação para singrar na carreira de Designer de Moda.

Felipe Oliveira Batista: O facto de teres ganho um prémio/ concurso trouxe algum benefício relevante à tua carreira? Permitiu-me começar a minha marca. É difícil ser Designer de Moda? Bastante. Sentes-te com bases para competir no mercado internacional? Presentemente vendo em 14 paises (infelizmente portugal não consta na lista). O que melhorarias? Mais meios para desenvolver a minha equipa e multiplicar projectos.

É difícil ser Designer de Moda em Portugal? Sim. Eu acho que existe um grande silêncio sobre este assunto em Portugal (como sobre muitos outros), mas na minha opinião é quase impossivel ser Designer de moda em Portugal.

Sentes-te com bases para competir no mercado internacional? Sim.

Gostarias de voltar algum dia a trabalhar na tua marca? Não penso nisso.

O que melhorarias? Continuar a trabalhar no sentido de estabelecer uma marca em vez de apenas um rótulo.

Sentes-te com bases para competir no mercado internacional? Falta-me capacidade financeira mas de resto sim, penso que sim, as lojas e clientes que compram o meu trabalho são na maioria Japoneses, Gregos, Austriacos ou Alemães.

Um conselho para quem está a começar. Ter consciência de ambos os lados da indústria, o lado mais criativo e o mais comercial. É importante que haja um equilíbrio entre os dois.

Um conselho para quem está a começar. Depende muito da vontade de cada um... O mais importante é saber escutar-se a si próprio e não ter medo de se ouvir.

O que melhorarias? Na minha opinião era bom recompensar as plataformas de divulgação do Design português que fazem um bom trabalho, como a ModaLisboa e a Experimentadesign para que continuem esse trabalho de extrema importancia que é a promoção do Design português no contexto internacional.

Priscila Alexandre: O facto de teres ganho um prémio/ concurso trouxe algum benefício relevante à tua carreira? Deu-me a possibilidade de ir para Paris trabalhar com o Felipe Oliveira Batista, que para além da minha admiração pelo seu trabalho, até hoje tem sido uma pessoa extraordinariamente influente no meu percurso profissional.

Um conselho para quem está a começar. Para além da perseverança e de uma teimosia absurda muito trabalho e projectos que levem à internacionalização do design português, é importante juntar esforços nesse sentido para criar um lugar do design português no mundo. Pedro Pedro: O facto de teres ganho um prémio/ concurso trouxe algum benefício relevante à tua carreira? Sim, deu-me confiança para começar a minha própria marca.

Um conselho para quem está a começar. “Sentir é buscar”, Fernando Pessoa.

É difícil ser Designer de Moda? Sim é difícil, porque acho que ainda existe algum desfasamento entre o Designer de Moda e o restante sector têxtil. Sentes-te com bases para competir no mercado internacional? Sem uma estratégia comercial concertada é muito difícil vingar no mercado internacional.

Marios Schwab: O facto de teres ganho um prémio/ concurso trouxe algum benefício relevante à tua carreira? Sim, em certa medida. Lara Torres: O facto de teres ganho um prémio/ concurso trouxe algum benefício relevante à tua carreira? Ganhar o concurso Sangue Novo foi muito importante, criou a oportunidade de estagiar com Alexander Mcqueen.

É difícil ser Designer de Moda? Considero que é uma das profissões mais difíceis que existem.

O que melhorarias? Maior confiança no design português como produto comercializável. Um conselho para quem está a começar. Preparar-se para ciclicamente para querer desistir e nunca o fazer.

Sei que obtaste por seguir um caminho diferente da criação de marca própria. Como foi esse processo e qual o balanço que fazes? Decidi regressar a Paris e procurar trabalho. O mais difícil é o primeiro emprego. Tive a sorte de começar a trabalhar numa grande marca e empresa como a Louis Vuitton, primeiro como free-lancer e depois a tempo inteiro para a linha de homem. Mais tarde tive a oportunidade de ir para a Balenciaga trabalhar no design de malas, sapatos, etc, onde estive um ano e meio. Foi uma experiência inacreditável em termos de criatividade, produto e nível de exigência. Acabei de me mudar para Nova Iorque onde trabalho para a Proenza Schouler, para desenvolver colecções de acessórios. É difícil ser Designer de Moda em Portugal? É desgastante. Envolvemo-nos muito mentalmente, trabalha-se muitas horas, sobretudo em épocas de desfiles. É empolgante quando no fim vemos o resultado físico de meses de pesquisa, experimentação e decisões.

Sandra Backlund: O facto de teres ganho um prémio/ concurso trouxe algum benefício relevante à tua carreira? Ter sido uma das finalistas e posteriormente a vencedora do grande prémio do festival D’Hières o ano passado fez com que tivesse tido bastante atenção da parte da imprensa o que ajudou a divulgar e a promover o meu trabalho. Também aprendi bastante acerca de mim. Conheci muitas pessoas importantes e interessantes o que trouxe coisas boas à minha carreira.

O que melhorarias? Gostava de ver a Moda tornar-se mais numa forma artística do que somente indústria. Um conselho para quem está a começar. Perder tempo a aprender, explorar as bases da modelagem e técnicas artesanais. Estar atento a todos os erros e ideias que surjam ao longo do processo, que te possam levar mais além dos teus conhecimentos que definiste como ponto de partida.

White Tent: Acham que ganhar um concurso pode trazer algum benefício relevante à carreira de um designer? Sem duvida! Uma Carreira e feita de várias etapas, e um concurso pode ser um grande propulsor.

É difícil ser Designer de Moda? Acho que depende muito do tipo de pessoa que és e com que tipo de companhia ou marca com que trabalhas, mas se me perguntares, eu terei de admitir que é uma carreira difícil. A Moda é uma área difícil e fazer a tua própria marca não é o caminho mais fácil a seguir. Eu trabalho muito mas é isso que quero fazer.

É difícil ser Designer de Moda em Portugal? Depende da postura de cada um. Para se ser designer aqui há que ter consciência da realidade desta indústria em Portugal, as suas limitações e oportunidades.

Sentes-te com bases para competir no mercado internacional? Tento trabalhar sem pensar muito nas coisas práticas tais como tendências, estações, “vestibilidade” e o que as outras pessoas esperam de mim. Resumindo faço o meu trabalho somente para me satisfazer.

O que melhorariam? A relação entre a indústria e os criadores.

Sentem-se com bases para competir no mercado internacional? Estamos a trabalhar nesse sentido!

Um conselho para quem está a começar. Trabalho, abertura de espírito e autocrítica.


Seguem-se sete entrevistas a criadores convidados, que partilham as suas experiências, diferentes, mas comuns num ponto: muito trabalho e dedicação para singrar na carreira de Designer de Moda.

Felipe Oliveira Batista: O facto de teres ganho um prémio/ concurso trouxe algum benefício relevante à tua carreira? Permitiu-me começar a minha marca. É difícil ser Designer de Moda? Bastante. Sentes-te com bases para competir no mercado internacional? Presentemente vendo em 14 paises (infelizmente portugal não consta na lista). O que melhorarias? Mais meios para desenvolver a minha equipa e multiplicar projectos.

É difícil ser Designer de Moda em Portugal? Sim. Eu acho que existe um grande silêncio sobre este assunto em Portugal (como sobre muitos outros), mas na minha opinião é quase impossivel ser Designer de moda em Portugal.

Sentes-te com bases para competir no mercado internacional? Sim.

Gostarias de voltar algum dia a trabalhar na tua marca? Não penso nisso.

O que melhorarias? Continuar a trabalhar no sentido de estabelecer uma marca em vez de apenas um rótulo.

Sentes-te com bases para competir no mercado internacional? Falta-me capacidade financeira mas de resto sim, penso que sim, as lojas e clientes que compram o meu trabalho são na maioria Japoneses, Gregos, Austriacos ou Alemães.

Um conselho para quem está a começar. Ter consciência de ambos os lados da indústria, o lado mais criativo e o mais comercial. É importante que haja um equilíbrio entre os dois.

Um conselho para quem está a começar. Depende muito da vontade de cada um... O mais importante é saber escutar-se a si próprio e não ter medo de se ouvir.

O que melhorarias? Na minha opinião era bom recompensar as plataformas de divulgação do Design português que fazem um bom trabalho, como a ModaLisboa e a Experimentadesign para que continuem esse trabalho de extrema importancia que é a promoção do Design português no contexto internacional.

Priscila Alexandre: O facto de teres ganho um prémio/ concurso trouxe algum benefício relevante à tua carreira? Deu-me a possibilidade de ir para Paris trabalhar com o Felipe Oliveira Batista, que para além da minha admiração pelo seu trabalho, até hoje tem sido uma pessoa extraordinariamente influente no meu percurso profissional.

Um conselho para quem está a começar. Para além da perseverança e de uma teimosia absurda muito trabalho e projectos que levem à internacionalização do design português, é importante juntar esforços nesse sentido para criar um lugar do design português no mundo. Pedro Pedro: O facto de teres ganho um prémio/ concurso trouxe algum benefício relevante à tua carreira? Sim, deu-me confiança para começar a minha própria marca.

Um conselho para quem está a começar. “Sentir é buscar”, Fernando Pessoa.

É difícil ser Designer de Moda? Sim é difícil, porque acho que ainda existe algum desfasamento entre o Designer de Moda e o restante sector têxtil. Sentes-te com bases para competir no mercado internacional? Sem uma estratégia comercial concertada é muito difícil vingar no mercado internacional.

Marios Schwab: O facto de teres ganho um prémio/ concurso trouxe algum benefício relevante à tua carreira? Sim, em certa medida. Lara Torres: O facto de teres ganho um prémio/ concurso trouxe algum benefício relevante à tua carreira? Ganhar o concurso Sangue Novo foi muito importante, criou a oportunidade de estagiar com Alexander Mcqueen.

É difícil ser Designer de Moda? Considero que é uma das profissões mais difíceis que existem.

O que melhorarias? Maior confiança no design português como produto comercializável. Um conselho para quem está a começar. Preparar-se para ciclicamente para querer desistir e nunca o fazer.

Sei que obtaste por seguir um caminho diferente da criação de marca própria. Como foi esse processo e qual o balanço que fazes? Decidi regressar a Paris e procurar trabalho. O mais difícil é o primeiro emprego. Tive a sorte de começar a trabalhar numa grande marca e empresa como a Louis Vuitton, primeiro como free-lancer e depois a tempo inteiro para a linha de homem. Mais tarde tive a oportunidade de ir para a Balenciaga trabalhar no design de malas, sapatos, etc, onde estive um ano e meio. Foi uma experiência inacreditável em termos de criatividade, produto e nível de exigência. Acabei de me mudar para Nova Iorque onde trabalho para a Proenza Schouler, para desenvolver colecções de acessórios. É difícil ser Designer de Moda em Portugal? É desgastante. Envolvemo-nos muito mentalmente, trabalha-se muitas horas, sobretudo em épocas de desfiles. É empolgante quando no fim vemos o resultado físico de meses de pesquisa, experimentação e decisões.

Sandra Backlund: O facto de teres ganho um prémio/ concurso trouxe algum benefício relevante à tua carreira? Ter sido uma das finalistas e posteriormente a vencedora do grande prémio do festival D’Hières o ano passado fez com que tivesse tido bastante atenção da parte da imprensa o que ajudou a divulgar e a promover o meu trabalho. Também aprendi bastante acerca de mim. Conheci muitas pessoas importantes e interessantes o que trouxe coisas boas à minha carreira.

O que melhorarias? Gostava de ver a Moda tornar-se mais numa forma artística do que somente indústria. Um conselho para quem está a começar. Perder tempo a aprender, explorar as bases da modelagem e técnicas artesanais. Estar atento a todos os erros e ideias que surjam ao longo do processo, que te possam levar mais além dos teus conhecimentos que definiste como ponto de partida.

White Tent: Acham que ganhar um concurso pode trazer algum benefício relevante à carreira de um designer? Sem duvida! Uma Carreira e feita de várias etapas, e um concurso pode ser um grande propulsor.

É difícil ser Designer de Moda? Acho que depende muito do tipo de pessoa que és e com que tipo de companhia ou marca com que trabalhas, mas se me perguntares, eu terei de admitir que é uma carreira difícil. A Moda é uma área difícil e fazer a tua própria marca não é o caminho mais fácil a seguir. Eu trabalho muito mas é isso que quero fazer.

É difícil ser Designer de Moda em Portugal? Depende da postura de cada um. Para se ser designer aqui há que ter consciência da realidade desta indústria em Portugal, as suas limitações e oportunidades.

Sentes-te com bases para competir no mercado internacional? Tento trabalhar sem pensar muito nas coisas práticas tais como tendências, estações, “vestibilidade” e o que as outras pessoas esperam de mim. Resumindo faço o meu trabalho somente para me satisfazer.

O que melhorariam? A relação entre a indústria e os criadores.

Sentem-se com bases para competir no mercado internacional? Estamos a trabalhar nesse sentido!

Um conselho para quem está a começar. Trabalho, abertura de espírito e autocrítica.


/ A Viscondessa e a sua “Pequena Casa Interessante para Habitar” por Milene Matos Silva Situada na vila de Hyères, no sul da França, a Villa Noailles é hoje um local de referência artística onde se realizam festivais, concursos, residências, exposições e eventos, em particular nas áreas da fotografia, arquitectura e moda. Uma casa que pela sua história sempre esteve associada à cultura do século XX e que se cruza com a vida de Marie-Laure de Noailles. Uma personalidade da aristocracia francesa, mecenas da arte e que desde cedo começou a reunir na sua casa artistas como Salvador Dali, Luís Buñel, Jean Cocteau, Francis Poulanc, Man Ray, entre muitos outros. Uma vida excêntrica marcada por amores falhados. Marie-Laure de Noailles casou, em 1923, com o visconde de Noailles, um aristocrata de gostos vanguardistas pouco comuns à época. No início do casamento começaram por coleccionar obras de artistas plásticos como Man Ray, Max Ernst ou Yves Tanguy. E, desde logo, estes artistas, bem como, escritores surrealistas, em particular Jean Cocteau tornaram-se convidados habituais do casal. Marie-Laure, que nunca mais voltaria a amar como a Jean Cocteau, será toda a sua vida uma menina rica que procura amor e cujo o destino finta-a nesta busca, como traça no seu livro, Marie-Laure de Noailles: La Vicomtesse Du Bizarre, Laurence Benaim. Após o casamento a sua vida é marcada por bailes, festas, jantares e viagens. A Villa Noailles, em Hyères, no sul de França, mandada construir em 1924 e inaugurada um ano depois, é abrigo de artistas onde qualquer um poderia chegar sem aviso. O projecto da casa construída sobre as ruínas de uma antiga abadia, foi elaborado por Robert Mallet- Stevens que planeia “uma pequena casa interessante para habitar”, como sugere Marie-Laure. Mallet-Stevens surge como arquitecto deste projecto depois de Le Corbusier e Mies Van der Rohe terem declinado o convite. A geometria da Villa de cimento, com terraços e jardins cubistas do artista Gabriel Guévréjian, de origem arménia, é palco para a recepção da elite cultural da época. O casal dá sinais de uma vida excêntrica. Os

viscondes começam a orientar o mecenato para o surrealismo. A Villa Noailles é o cenário do filme de Man Ray “Les Mystères do Château de Dé”. E depois da estreia do filme “Un Chien Andalou”, de Luís Buñel e Salvador Dali, Charles de Noailles decide encomendar um filme. Os viscondes deram 260 milhões de francos a Luís Buñuel para as filmagens de “L’Age D’Or”. Exibido, oficialmente, em 1930, o filme causou bastante controvérsia. É proibido pela comissão de censura parisiense. A aristocracia francesa decide banir os viscondes de Noailles. O casal refugia-se em Hyères e reage de forma diferente à polémica. Charles dedica-se à jardinagem e Marie-Laure descobre que gosta de escândalos. Em paris, os boatos continuam. Marie-Laure surpreende o marido na cama com o instrutor de ginástica. À ruptura social junta-se a ruptura conjugal. Mas apesar de tudo o casamento mantém-se. Após o episódio, ela rodeia-se de amigos, grande parte homossexuais. Na sua casa, organiza encontros de artistas. Mas o pior golpe estava para vir. Marie-Laure é confrontada com o novo romance de Jean Cocteau (o homem que ela nunca deixou de amar) com uma jovem que representava a beleza e o encanto. A viscondessa nunca viria a recuperar, pois seria a pior dor que um homossexual poderia infligir numa mulher: dormir com uma outra mulher. Como vingança ela destrói tudo o que ele lhe havia doado, e proíbe-o de entrar em sua casa. Como forma de escape, Marie-Laure decide, aos 31 anos, ter amantes para chamar a atenção do marido indiferente. O primeiro foi um milionário inglês Edward James, casado com uma bailarina austríaca. Um romance que é aceite por Charles. Embora contraditório, com o amante, ela pensava reconquistar o marido que é um homem diminuído após a revelação da sua homossexualidade, perante o julgamento da aristocracia francesa, da qual ele faz parte. Marie-Laure continua a apaixonar-se. Segue-se Igor Markevitch, também bissexual, com quem se muda para a Suiça. Depois Marie-Laure fica grávida, mas o marido e o amante convencem-na a fazer um pag esq:

nesta pag:

A viscondessa Marie-Laure de Noailles.

“Hyères culture physique”, fotografia pertencente à colecção da Villa Noailles,

1930-35.


/ A Viscondessa e a sua “Pequena Casa Interessante para Habitar” por Milene Matos Silva Situada na vila de Hyères, no sul da França, a Villa Noailles é hoje um local de referência artística onde se realizam festivais, concursos, residências, exposições e eventos, em particular nas áreas da fotografia, arquitectura e moda. Uma casa que pela sua história sempre esteve associada à cultura do século XX e que se cruza com a vida de Marie-Laure de Noailles. Uma personalidade da aristocracia francesa, mecenas da arte e que desde cedo começou a reunir na sua casa artistas como Salvador Dali, Luís Buñel, Jean Cocteau, Francis Poulanc, Man Ray, entre muitos outros. Uma vida excêntrica marcada por amores falhados. Marie-Laure de Noailles casou, em 1923, com o visconde de Noailles, um aristocrata de gostos vanguardistas pouco comuns à época. No início do casamento começaram por coleccionar obras de artistas plásticos como Man Ray, Max Ernst ou Yves Tanguy. E, desde logo, estes artistas, bem como, escritores surrealistas, em particular Jean Cocteau tornaram-se convidados habituais do casal. Marie-Laure, que nunca mais voltaria a amar como a Jean Cocteau, será toda a sua vida uma menina rica que procura amor e cujo o destino finta-a nesta busca, como traça no seu livro, Marie-Laure de Noailles: La Vicomtesse Du Bizarre, Laurence Benaim. Após o casamento a sua vida é marcada por bailes, festas, jantares e viagens. A Villa Noailles, em Hyères, no sul de França, mandada construir em 1924 e inaugurada um ano depois, é abrigo de artistas onde qualquer um poderia chegar sem aviso. O projecto da casa construída sobre as ruínas de uma antiga abadia, foi elaborado por Robert Mallet- Stevens que planeia “uma pequena casa interessante para habitar”, como sugere Marie-Laure. Mallet-Stevens surge como arquitecto deste projecto depois de Le Corbusier e Mies Van der Rohe terem declinado o convite. A geometria da Villa de cimento, com terraços e jardins cubistas do artista Gabriel Guévréjian, de origem arménia, é palco para a recepção da elite cultural da época. O casal dá sinais de uma vida excêntrica. Os

viscondes começam a orientar o mecenato para o surrealismo. A Villa Noailles é o cenário do filme de Man Ray “Les Mystères do Château de Dé”. E depois da estreia do filme “Un Chien Andalou”, de Luís Buñel e Salvador Dali, Charles de Noailles decide encomendar um filme. Os viscondes deram 260 milhões de francos a Luís Buñuel para as filmagens de “L’Age D’Or”. Exibido, oficialmente, em 1930, o filme causou bastante controvérsia. É proibido pela comissão de censura parisiense. A aristocracia francesa decide banir os viscondes de Noailles. O casal refugia-se em Hyères e reage de forma diferente à polémica. Charles dedica-se à jardinagem e Marie-Laure descobre que gosta de escândalos. Em paris, os boatos continuam. Marie-Laure surpreende o marido na cama com o instrutor de ginástica. À ruptura social junta-se a ruptura conjugal. Mas apesar de tudo o casamento mantém-se. Após o episódio, ela rodeia-se de amigos, grande parte homossexuais. Na sua casa, organiza encontros de artistas. Mas o pior golpe estava para vir. Marie-Laure é confrontada com o novo romance de Jean Cocteau (o homem que ela nunca deixou de amar) com uma jovem que representava a beleza e o encanto. A viscondessa nunca viria a recuperar, pois seria a pior dor que um homossexual poderia infligir numa mulher: dormir com uma outra mulher. Como vingança ela destrói tudo o que ele lhe havia doado, e proíbe-o de entrar em sua casa. Como forma de escape, Marie-Laure decide, aos 31 anos, ter amantes para chamar a atenção do marido indiferente. O primeiro foi um milionário inglês Edward James, casado com uma bailarina austríaca. Um romance que é aceite por Charles. Embora contraditório, com o amante, ela pensava reconquistar o marido que é um homem diminuído após a revelação da sua homossexualidade, perante o julgamento da aristocracia francesa, da qual ele faz parte. Marie-Laure continua a apaixonar-se. Segue-se Igor Markevitch, também bissexual, com quem se muda para a Suiça. Depois Marie-Laure fica grávida, mas o marido e o amante convencem-na a fazer um pag esq:

nesta pag:

A viscondessa Marie-Laure de Noailles.

“Hyères culture physique”, fotografia pertencente à colecção da Villa Noailles,

1930-35.


aborto. De regresso a Paris, a viscondessa volta a privar com Jean Cocteau, que na altura estava instalado na casa de Igor Markevichtch. Seguem-se uma série de escapadelas amorosas. A viscondessa passa a coleccionar amantes. Com Michel Petitjean, um editor de o jornal progressista “La Fleche”, volta a viver um amor verdadeiro. Durante a segunda Guerra Mundial chega a ter um caso com um oficial Alemão. Na década de 50, é obrigada a substituir os seus fatos Chanel pelas saias de camponesa para disfarçar a sua grande barriga. O seu último grande amor foi o pintor Óscar Domingez, que copiou os seus quadros de Picasso e substituiu-os. Tendo vendido os originais a um traficante. Ao longo dos anos, Marie-Laure desenvolve uma faceta literária e artística, exercendo-as com algum talento. A Villa Noailles torna-se, entre 1946 e 1970, a sua residência de verão e onde organiza exposições. Em Janeiro de 1970, morre completamente sozinha. Após a sua morte a Villa Noailles foi abandonada, tendo sido ocupada. Em 1973 foi comprada e renovada pela autarquia de Hyères, que a transformou num centro de artes. pag esq: A Villa Noailles fotografada por ©Michel Mallard foto dir em cima: Da esquerda para a direita: Henri Sauguet, músico; Jean Desbordes, escritor e poeta; Luis Buñuel, cineasta; Francis Poulenc, músico; Christian Bérard, pintor e decorador e Alberto Giacometti, escultor. Fotografia pertencente à colecção da Villa Noailles, Abril de 1932. foto dir em baixo: O Duque de Kent na Villa Noailles com outros convidados (Charles de Noailles, junto à porta). Fotografia pertencente à colecção da Villa Noailles, 1928-30.


aborto. De regresso a Paris, a viscondessa volta a privar com Jean Cocteau, que na altura estava instalado na casa de Igor Markevichtch. Seguem-se uma série de escapadelas amorosas. A viscondessa passa a coleccionar amantes. Com Michel Petitjean, um editor de o jornal progressista “La Fleche”, volta a viver um amor verdadeiro. Durante a segunda Guerra Mundial chega a ter um caso com um oficial Alemão. Na década de 50, é obrigada a substituir os seus fatos Chanel pelas saias de camponesa para disfarçar a sua grande barriga. O seu último grande amor foi o pintor Óscar Domingez, que copiou os seus quadros de Picasso e substituiu-os. Tendo vendido os originais a um traficante. Ao longo dos anos, Marie-Laure desenvolve uma faceta literária e artística, exercendo-as com algum talento. A Villa Noailles torna-se, entre 1946 e 1970, a sua residência de verão e onde organiza exposições. Em Janeiro de 1970, morre completamente sozinha. Após a sua morte a Villa Noailles foi abandonada, tendo sido ocupada. Em 1973 foi comprada e renovada pela autarquia de Hyères, que a transformou num centro de artes. pag esq: A Villa Noailles fotografada por ©Michel Mallard foto dir em cima: Da esquerda para a direita: Henri Sauguet, músico; Jean Desbordes, escritor e poeta; Luis Buñuel, cineasta; Francis Poulenc, músico; Christian Bérard, pintor e decorador e Alberto Giacometti, escultor. Fotografia pertencente à colecção da Villa Noailles, Abril de 1932. foto dir em baixo: O Duque de Kent na Villa Noailles com outros convidados (Charles de Noailles, junto à porta). Fotografia pertencente à colecção da Villa Noailles, 1928-30.


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estilos de vida

Mergulhos no lixo - “O freeganismo” por Patrícia Boto Cruz Os vegan não comem carne, nem vestem peles de animais, bem sabemos. Já os freegan vivem completamente fora do mercado. Nos Estados Unidos e Inglaterra há mais uma sub-cultura para a qual a prioridade é não participar na economia de consumo, nem como trabalhadores nem como consumidores. Crentes na máxima de que nada se perde, tudo se transforma, recusam-se a pagar para suprir necessidades básicas como alimentação, casa, vestuário, transportes e serviços. Como? A principal maneira é através do dumpster diving, uma espécie de mergulho, mas agora no lixo. Isto passa-se nas traseiras do comércio, quando acaba o dia e há pessoas a remexer nos caixotes a resgatar tudo o que ainda é “comível”. Como se sabe, se uma caixa de iogurtes expira para a semana, não é comprada; se numa embalagem de ovos um se parte, a caixa vai fora; se uma maçã tem uma mancha, escolhemos a do lado. Restam-nos duas opções: ou tudo vai acabar em lixeiras, poluir o ambiente e gerar mais custos, ou é comido por freegans. A imagem de alguém a escolher legumes do lixo está normalmente associada a uma estratégia de sobrevivência de pessoas no limiar da pobreza, mas o que aqui está em causa, na verdade, é uma nova moral na relação com os bens posta em prática por pessoas que não tendo necessidade, escolhem viver assim. É uma forma de afirmação política contra a sociedade do usa (e não é preciso usar muito) e deita fora. Mais do que o resto da humanidade, estas pessoas sentiram-se irreparavelmente culpadas e egoístas por desperdiçar. Lembraram-se como os nossos antepassados eram felizes sem sofrer do vício da compra nem da vontade permanente de deitar fora para depois substituir. Neste quadro, é possível levar uma vida mais simples, reagir contra a economia moderna e o lucro inerente, e cuidar daquilo que em nome destes conceitos é preciso sacrificar. Tendo em conta que na produção da maioria dos bens que adquirimos, inclusive nos produtos vegetarianos, se realizam atentados sobre direitos dos animais (morte ou testes neles realizados); ambiente (poluição e errado aproveitamento dos recursos naturais) e sobre os direitos humanos (nos casos drásticos de exploração de mão-de-obra), este grupo não aceita participar nesta cadeia. Por isso, simplesmente não compra como tentativa de desconstruir o sistema. E vão mais longe. A maior parte deles desemprega-se, aprende e ensina este modo alternativo de vida. Da contracção das palavras free e vegan, os freeganistas estenderam o conceito a toda a sua existência. Voltando às traseiras do supermercado… temos de tudo. Os que chegam em grupos organizados e fazem “trash tours”, ou seja percursos previamente definidos pelo lixo da cidade (há sites com os “melhores lixos”, horários de saída dos trabalhadores das lojas e da passagem do camião do lixo). Os mais afoitos, tomam balanço e disputam o melhor

mergulho enquanto se fotografam, porque apanhar um balde ou um contentor é a diferença entre apenas submergir um braço ou o corpo todo. Sucede que todos respeitam os mandamentos para esta prática: equipar-se com luvas e lanternas; não levar consigo o que seja alvo de dúvida; deixar o local como o encontrou, para não desmotivar futuros freegans e lavar em casa tudo muito bem antes de confeccionar. Não se pense que estas práticas são escondidas, porque é já socialmente aceite a romaria ao caixote. Embora confessem que a primeira ideia que lhes ocorreu ao ouvir falar nisto foi de nojo, depois de verificarem a segurança dos alimentos (alguns devidamente embalados antes de colocados fora dos espaços onde eram vendidos) e comprovarem as suas propriedades nutritivas, não se imaginam, garantem, a voltar à vida antiga. E no caso de apanharem bactérias não faz mal, porque se tratam com as ervas medicinais que plantam nas suas casas para não entrar na farmácia. Surgem igualmente jardins comuns onde cultivam alimentos biológicos e “medicamentos”, em maior escala. E depois da recolha feita no lixo? Partilham. Através de grupos a que chamam “food not bombs” (expressão que visa sensibilizar governantes para a circunstância de que o que gastam em guerras dava para alimentar muita gente), preparam refeições quentes que distribuem aos sem abrigo. A questão alimentar fica assim resolvida, mas há que satisfazer o resto das necessidades básicas. Então, o tal ideal anti-consumo é alargado a tudo quanto é “restos”: mobília, louças, livros, sapatos, roupa, electrónica, livros, música etc, recolhidos nos passeios, caixotes, grandes contentores e aterros. A cara do movimento, o activista, Adam Weissman, aproveita as entrevistas e palestras que dá pelo mundo ou os manifestos sob a forma de panfletos que distribui, para reforçar a ideia de que tudo o que aos outros já não assentava bem, não estava fresco ou simplesmente não fazia mais falta, é bom para eles viverem e ainda distribuirem pelos mais pobres. Regularmente promovem free markets nos quais, para além de trocarem e concertarem os bens encontrados, também repartem conhecimentos que facilitam o dia-a-dia, como cursos de reciclagem de roupa, de bicicletas e aulas de cozinha, onde é proibido o uso de moeda. Acresce o facto de não quererem comprar casa, resolvendo o problema com a reabilitação e ocupação prédios devolutos. Defendem que o direito a uma habitação se sobrepõe ao da propriedade privada (dos que dela não cuidam). Nalguns desses prédios montam escolas, infantários e o que demais acharem necessário. No seguimento das preocupações ecológicas, obviamente não usam transportes. Andam nas bicicletas, patins e skates que encontraram ou consertaram e só em situações inevitáveis dividem boleias de carro. Verdade ou não, os mais criativos, convertem carros a diesel para trabalharem com os restos de óleo de cozinha que sobra

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e 2 Fotografado Fotografado por Fotografado por Fotografado por

por Mischa www.mischaphoto.com / Elizabeth A. Miller / Michael Falco / Circe

do restaurante. O desentendimento que por vezes surge entre os proprietários das lojas e freegans motivou uma decisão judicial que se fixou no facto de apesar dos caixotes serem propriedade pública, não há lei que proteja direitos privados sobre bens deitados fora. Assim, o dumpster diving é legal até que seja expressamente proibido por normas estatais ou locais. Por entretenimento organizam concertos e “freegan fashion shows” onde são exibidos os modelos feitos à mão a partir de roupas ou tecidos achados, na perspectiva de que o que é natural é mais elegante. Porém, até nestas pequenas culturas há facções que acabam por ser criticadas pelos freegans puros. Como é o caso dos que regressam a um estilo de vida tão primitivo que se alimentam dos animais que matam e dos que sob o pretexto de ser aproveitado do lixo, também comem carne (são os meagans, de meat e vegan). Entre freegans e consumidores tradicionais, já vimos coexistências melhores. Os últimos acusam os freeganistas de total hipocrisia, porque interpretam tanta moral como a maneira fácil de viver “à pala”, e na sequência de insultos tomam medidas mais enérgicas como inutilizar a comida antes de a deitar fora, forçar a desocupação de casas e destruir os jardins que aqueles clandestinamente ocuparam ou construíram. Por cá há bastantes associados no freecycle.org, encontros de mercados livres onde em vários pontos do país se troca de tudo. Mas ninguém dá mergulhos? Só em casos muito pontuais. Parece que os nossos vendedores e compradores, neste caso provadores, estão tão envolvidos nesta causa que nas prateleiras de alguns supermercados é possível encontrar embalagens de comida já abertas. Alguém antes de nós assegura que quem vier a seguir não vai comprar nada estragado. À cautela.

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Mergulhos no lixo - “O freeganismo” por Patrícia Boto Cruz Os vegan não comem carne, nem vestem peles de animais, bem sabemos. Já os freegan vivem completamente fora do mercado. Nos Estados Unidos e Inglaterra há mais uma sub-cultura para a qual a prioridade é não participar na economia de consumo, nem como trabalhadores nem como consumidores. Crentes na máxima de que nada se perde, tudo se transforma, recusam-se a pagar para suprir necessidades básicas como alimentação, casa, vestuário, transportes e serviços. Como? A principal maneira é através do dumpster diving, uma espécie de mergulho, mas agora no lixo. Isto passa-se nas traseiras do comércio, quando acaba o dia e há pessoas a remexer nos caixotes a resgatar tudo o que ainda é “comível”. Como se sabe, se uma caixa de iogurtes expira para a semana, não é comprada; se numa embalagem de ovos um se parte, a caixa vai fora; se uma maçã tem uma mancha, escolhemos a do lado. Restam-nos duas opções: ou tudo vai acabar em lixeiras, poluir o ambiente e gerar mais custos, ou é comido por freegans. A imagem de alguém a escolher legumes do lixo está normalmente associada a uma estratégia de sobrevivência de pessoas no limiar da pobreza, mas o que aqui está em causa, na verdade, é uma nova moral na relação com os bens posta em prática por pessoas que não tendo necessidade, escolhem viver assim. É uma forma de afirmação política contra a sociedade do usa (e não é preciso usar muito) e deita fora. Mais do que o resto da humanidade, estas pessoas sentiram-se irreparavelmente culpadas e egoístas por desperdiçar. Lembraram-se como os nossos antepassados eram felizes sem sofrer do vício da compra nem da vontade permanente de deitar fora para depois substituir. Neste quadro, é possível levar uma vida mais simples, reagir contra a economia moderna e o lucro inerente, e cuidar daquilo que em nome destes conceitos é preciso sacrificar. Tendo em conta que na produção da maioria dos bens que adquirimos, inclusive nos produtos vegetarianos, se realizam atentados sobre direitos dos animais (morte ou testes neles realizados); ambiente (poluição e errado aproveitamento dos recursos naturais) e sobre os direitos humanos (nos casos drásticos de exploração de mão-de-obra), este grupo não aceita participar nesta cadeia. Por isso, simplesmente não compra como tentativa de desconstruir o sistema. E vão mais longe. A maior parte deles desemprega-se, aprende e ensina este modo alternativo de vida. Da contracção das palavras free e vegan, os freeganistas estenderam o conceito a toda a sua existência. Voltando às traseiras do supermercado… temos de tudo. Os que chegam em grupos organizados e fazem “trash tours”, ou seja percursos previamente definidos pelo lixo da cidade (há sites com os “melhores lixos”, horários de saída dos trabalhadores das lojas e da passagem do camião do lixo). Os mais afoitos, tomam balanço e disputam o melhor

mergulho enquanto se fotografam, porque apanhar um balde ou um contentor é a diferença entre apenas submergir um braço ou o corpo todo. Sucede que todos respeitam os mandamentos para esta prática: equipar-se com luvas e lanternas; não levar consigo o que seja alvo de dúvida; deixar o local como o encontrou, para não desmotivar futuros freegans e lavar em casa tudo muito bem antes de confeccionar. Não se pense que estas práticas são escondidas, porque é já socialmente aceite a romaria ao caixote. Embora confessem que a primeira ideia que lhes ocorreu ao ouvir falar nisto foi de nojo, depois de verificarem a segurança dos alimentos (alguns devidamente embalados antes de colocados fora dos espaços onde eram vendidos) e comprovarem as suas propriedades nutritivas, não se imaginam, garantem, a voltar à vida antiga. E no caso de apanharem bactérias não faz mal, porque se tratam com as ervas medicinais que plantam nas suas casas para não entrar na farmácia. Surgem igualmente jardins comuns onde cultivam alimentos biológicos e “medicamentos”, em maior escala. E depois da recolha feita no lixo? Partilham. Através de grupos a que chamam “food not bombs” (expressão que visa sensibilizar governantes para a circunstância de que o que gastam em guerras dava para alimentar muita gente), preparam refeições quentes que distribuem aos sem abrigo. A questão alimentar fica assim resolvida, mas há que satisfazer o resto das necessidades básicas. Então, o tal ideal anti-consumo é alargado a tudo quanto é “restos”: mobília, louças, livros, sapatos, roupa, electrónica, livros, música etc, recolhidos nos passeios, caixotes, grandes contentores e aterros. A cara do movimento, o activista, Adam Weissman, aproveita as entrevistas e palestras que dá pelo mundo ou os manifestos sob a forma de panfletos que distribui, para reforçar a ideia de que tudo o que aos outros já não assentava bem, não estava fresco ou simplesmente não fazia mais falta, é bom para eles viverem e ainda distribuirem pelos mais pobres. Regularmente promovem free markets nos quais, para além de trocarem e concertarem os bens encontrados, também repartem conhecimentos que facilitam o dia-a-dia, como cursos de reciclagem de roupa, de bicicletas e aulas de cozinha, onde é proibido o uso de moeda. Acresce o facto de não quererem comprar casa, resolvendo o problema com a reabilitação e ocupação prédios devolutos. Defendem que o direito a uma habitação se sobrepõe ao da propriedade privada (dos que dela não cuidam). Nalguns desses prédios montam escolas, infantários e o que demais acharem necessário. No seguimento das preocupações ecológicas, obviamente não usam transportes. Andam nas bicicletas, patins e skates que encontraram ou consertaram e só em situações inevitáveis dividem boleias de carro. Verdade ou não, os mais criativos, convertem carros a diesel para trabalharem com os restos de óleo de cozinha que sobra

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e 2 Fotografado Fotografado por Fotografado por Fotografado por

por Mischa www.mischaphoto.com / Elizabeth A. Miller / Michael Falco / Circe

do restaurante. O desentendimento que por vezes surge entre os proprietários das lojas e freegans motivou uma decisão judicial que se fixou no facto de apesar dos caixotes serem propriedade pública, não há lei que proteja direitos privados sobre bens deitados fora. Assim, o dumpster diving é legal até que seja expressamente proibido por normas estatais ou locais. Por entretenimento organizam concertos e “freegan fashion shows” onde são exibidos os modelos feitos à mão a partir de roupas ou tecidos achados, na perspectiva de que o que é natural é mais elegante. Porém, até nestas pequenas culturas há facções que acabam por ser criticadas pelos freegans puros. Como é o caso dos que regressam a um estilo de vida tão primitivo que se alimentam dos animais que matam e dos que sob o pretexto de ser aproveitado do lixo, também comem carne (são os meagans, de meat e vegan). Entre freegans e consumidores tradicionais, já vimos coexistências melhores. Os últimos acusam os freeganistas de total hipocrisia, porque interpretam tanta moral como a maneira fácil de viver “à pala”, e na sequência de insultos tomam medidas mais enérgicas como inutilizar a comida antes de a deitar fora, forçar a desocupação de casas e destruir os jardins que aqueles clandestinamente ocuparam ou construíram. Por cá há bastantes associados no freecycle.org, encontros de mercados livres onde em vários pontos do país se troca de tudo. Mas ninguém dá mergulhos? Só em casos muito pontuais. Parece que os nossos vendedores e compradores, neste caso provadores, estão tão envolvidos nesta causa que nas prateleiras de alguns supermercados é possível encontrar embalagens de comida já abertas. Alguém antes de nós assegura que quem vier a seguir não vai comprar nada estragado. À cautela.

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por Sara Andrade Chloé Sevigny para Opening Ceremony 1 É actriz, mas o seu rosto é mais conhecido pela presença em inúmeras páginas de estilo, porque Chloé Sevigny é um barómetro de moda actual. Glamour e elegância são palavras demasiado cliché para descrever um gosto pessoal que mistura o irreverente com o clássico, o chique parisiense com o streetwear e um magnetismo pessoal que traz coerência a todas estas peculiares misturas. E depois de outros ícones lançarem uma colecção de roupa, como Sarah Jessica Parker com “Bitten”ou a linha de Kate Moss para a Topshop, não é de estranhar que uma referência como Sevigny se junte ao calibre destas celebridades. Chloé Sevigny para Opening Ceremony é uma parceria entre a actriz e esta concept-store novaiorquina que resulta numa linha de roupa e acessórios femininos com peças bem ao género desta francesa internacional. De blazers estruturados a bombers, de óculos de sol “cat-eyes” a bonés de motard, há uma variedade de peças para recriar o estilo paradoxal e versátil de Sevigny, inspiradas nos seus ídolos de liceu e na juventude passada no Connecticut e em Nova Iorque. Inicialmente apenas disponível em Nova Iorque e Los Angeles, a Europa já pode comprar a colecção na Colette.

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20LTD, Edições limitadas de luxo 2 Numa era em que há listas de espera para se conseguir uma determinada carteira, acessórios que nascem com nome próprio ou peças de roupa que se assumem como autênticas obras de arte, o ser-se original deixou de ser opcional. Se por um lado, se assiste à democratização e massificação da moda, com designers consagrados a contribuírem para grandes armazéns, cresce, também, a busca pelo que é único e individual, pelo que é reservado a apenas alguns. E para responder a esta procura, o website www.20ltd.com oferece objectos de topo, em edições tão limitadas que, por vezes, só cinco compradores conseguirão possuir determinado produto. Com padrões de exigência que ultrapassam o simples luxo, só os melhores e mais especiais poderão figurar nesta lista de elite, já que a entrada no website é feita por convite e aprovação dos editores do mesmo. De acessórios e peças de roupa a mobiliário e meios de transporte, nomes como Christian Louboutin, Vivienne Westwood ou David Hicks, contribuem com objectos especiais, feitos apenas uma vez, vendidos apenas aqui e que não voltarão a entrar no circuito comercial. E além desta característica de exclusividade, a sua excelência é ainda comprovada pelos próprios editores do site, que estão intrinsecamente ligados a cada um dos itens em venda, já que pessoalmente os inspeccionaram, estiveram nos seus locais de produção e tratam por tu os designers que os criaram, bem como conhecem e apreciam a história por detrás de cada uma das suas criações. O recurso online ideal para preencher o desejo de originalidade ou para encontrar o presente para a pessoa que tem tudo. Anel Solange / Cadeira Barber Osgerby

Os bastidores de Diane Von Furstenberg 3 Depois de décadas sem lançar uma campanha publicitária, Diane Von Furstenberg não só o faz com a modelo Natalia Vodianova e o fotógrafo artístico François-Marie Banier, como o disponibiliza online para quem quiser seguir a sua realização e resultado antes de ser publicada. Em dvfprojects.com é possível aceder a uma galeria virtual com os bastidores desta campanha supervisionada por David Lipman, bem como a um relato de como foi trabalhar com o artista e a musa da moda. Vídeos da colaboração são uma constante em todos os links e já é possível ver em primeira mão o esboço das fotos depois da intervenção de Banier – o resultado de um trabalho transcendente e cru, que dispensou a presença de um stylist, maquilhador ou cabeleireiro, e que, nas palavras de Vodianova, estabeleceu uma “ligação não falada, um encontro de duas almas a um nível surreal, quase”. Nestas imagens rudimentares de Natalia, surgem pinceladas artísticas e peculiares, bem ao género de François-Marie Banier, mas diferentes de qualquer obra que o fotógrafo, pintor e artista alguma vez criou. Um projecto inédito a testemunhar em www.dvfprojects.com.

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Linha de homem YSL em vídeo 4 A colecção masculina para o Inverno 2008/09 da casa Yves Saint Laurent não precisou de passerelle. Stefano Pilati, o director criativo da marca, decidiu apresentá-la em vídeo com o propósito de, como explica a Suzy Menkes do Herald Tribune, mostrar a colecção, expor os detalhes, mas também apelar ao lado emocional da audiência e dotar toda a película da mood que inspirou e circunda a colecção. Numa sucessão de imagens poéticas, quase como se de um catálogo em movimento se tratasse, o actor britânico Simon Woods dá vida às peças clássicas, mas modernas, num cenário minimalista, ainda que com o seu quê de romântico. Num crescendo de acção, o vídeo é passivo e sóbrio no início, mas mais movimentado e colorido à medida que se avança na apresentação – uma clara analogia à colecção de Pilati, constituída por peças intemporais, como blazers, que se desconstroem em três tipos de silhueta (uma mais estruturada, outras mais largas), e que surge num espectro de cores que começa em neutros cinzentos e acaba em vibrantes amarelos e azuis. Apresentada à imprensa no showroom do designer, no meio de instalações costumizadas, o projecto resulta de uma colaboração entre o criador e Sarah Chatfield e Chris Sweeney, da produtora londrina Colonel Blimp. Já disponível online em www.ysl.fr.

Publicidade Vuitton na tv 5 Pela primeira vez na sua história, a Casa Vuitton lança uma campanha para televisão. Mantendo o tema do itinerário pessoal como o cerne da publicidade, a série começada com Catherine Deneuve e Mikhail Gorbatchev, entre outros, na imprensa escrita, viaja agora até ao pequeno ecrã num anúncio de noventa segundos realizado por Bruno Aveillon e traduzido em treze línguas. Sob a égide de questões como “O que é uma viagem” e “Para onde te levará a vida”, que envolvem o espectador desde o início, a campanha televisiva terá uma banda sonora composta e conduzida pelo vencedor da academia Gustavo Santaolalla (responsável pela música dos galardoados filmes Babel e Brokeback Mountain) e terá como director criativo o senhor responsável pelas reconhecidas campanhas da Nestlé, Mattel ou American Express, Christian Reuilly. À semelhança das campanhas Vuitton na imprensa, onde celebridades de renome são habituais, a estreia na televisão promete ser outro sucesso de imagem, com este elenco de luxo. Decerto conseguirá apanhá-la nos nossos ecrãs, mas para os mais curiosos, o site é www.louisvuitton.fr.

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40 anos de carreira de Rykiel com peças de edição limitada 6 No ano em que atinge a sua quarta década de moda e numa altura em que a loja principal é reinaugurada, é justificado celebrar os eventos com um lançamento especial. Depois de nove meses em remodelação, a loja Sonia Rykiel número 1, no 175, Boulevard Saint-Germain, em Paris, reabre as suas portas mesmo a tempo de comemorar os quarenta anos de chique parisiense a que a criadora nos habituou e marca a ocasião com a reedição de uma das suas primeiras camisolas Poor Boy. Uma relíquia reavivada dos arquivos do Verão de 1972, que surge agora modernizada e apropriadamente limitada a 175 cópias, como o número da sua estimada loja. Rykiel lança a camisola totalmente em caxemira e acrescenta ainda um alfinete inspirado nesta criação – dois pássaros sobre um poleiro, iguais aos ilustrados na camisola, criados em metal e com cristais. A colette aproveita a ocasião especial para incluí-los na sua lista de selectos produtos, disponíveis em www.colette.fr.

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por Sara Andrade Chloé Sevigny para Opening Ceremony 1 É actriz, mas o seu rosto é mais conhecido pela presença em inúmeras páginas de estilo, porque Chloé Sevigny é um barómetro de moda actual. Glamour e elegância são palavras demasiado cliché para descrever um gosto pessoal que mistura o irreverente com o clássico, o chique parisiense com o streetwear e um magnetismo pessoal que traz coerência a todas estas peculiares misturas. E depois de outros ícones lançarem uma colecção de roupa, como Sarah Jessica Parker com “Bitten”ou a linha de Kate Moss para a Topshop, não é de estranhar que uma referência como Sevigny se junte ao calibre destas celebridades. Chloé Sevigny para Opening Ceremony é uma parceria entre a actriz e esta concept-store novaiorquina que resulta numa linha de roupa e acessórios femininos com peças bem ao género desta francesa internacional. De blazers estruturados a bombers, de óculos de sol “cat-eyes” a bonés de motard, há uma variedade de peças para recriar o estilo paradoxal e versátil de Sevigny, inspiradas nos seus ídolos de liceu e na juventude passada no Connecticut e em Nova Iorque. Inicialmente apenas disponível em Nova Iorque e Los Angeles, a Europa já pode comprar a colecção na Colette.

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20LTD, Edições limitadas de luxo 2 Numa era em que há listas de espera para se conseguir uma determinada carteira, acessórios que nascem com nome próprio ou peças de roupa que se assumem como autênticas obras de arte, o ser-se original deixou de ser opcional. Se por um lado, se assiste à democratização e massificação da moda, com designers consagrados a contribuírem para grandes armazéns, cresce, também, a busca pelo que é único e individual, pelo que é reservado a apenas alguns. E para responder a esta procura, o website www.20ltd.com oferece objectos de topo, em edições tão limitadas que, por vezes, só cinco compradores conseguirão possuir determinado produto. Com padrões de exigência que ultrapassam o simples luxo, só os melhores e mais especiais poderão figurar nesta lista de elite, já que a entrada no website é feita por convite e aprovação dos editores do mesmo. De acessórios e peças de roupa a mobiliário e meios de transporte, nomes como Christian Louboutin, Vivienne Westwood ou David Hicks, contribuem com objectos especiais, feitos apenas uma vez, vendidos apenas aqui e que não voltarão a entrar no circuito comercial. E além desta característica de exclusividade, a sua excelência é ainda comprovada pelos próprios editores do site, que estão intrinsecamente ligados a cada um dos itens em venda, já que pessoalmente os inspeccionaram, estiveram nos seus locais de produção e tratam por tu os designers que os criaram, bem como conhecem e apreciam a história por detrás de cada uma das suas criações. O recurso online ideal para preencher o desejo de originalidade ou para encontrar o presente para a pessoa que tem tudo. Anel Solange / Cadeira Barber Osgerby

Os bastidores de Diane Von Furstenberg 3 Depois de décadas sem lançar uma campanha publicitária, Diane Von Furstenberg não só o faz com a modelo Natalia Vodianova e o fotógrafo artístico François-Marie Banier, como o disponibiliza online para quem quiser seguir a sua realização e resultado antes de ser publicada. Em dvfprojects.com é possível aceder a uma galeria virtual com os bastidores desta campanha supervisionada por David Lipman, bem como a um relato de como foi trabalhar com o artista e a musa da moda. Vídeos da colaboração são uma constante em todos os links e já é possível ver em primeira mão o esboço das fotos depois da intervenção de Banier – o resultado de um trabalho transcendente e cru, que dispensou a presença de um stylist, maquilhador ou cabeleireiro, e que, nas palavras de Vodianova, estabeleceu uma “ligação não falada, um encontro de duas almas a um nível surreal, quase”. Nestas imagens rudimentares de Natalia, surgem pinceladas artísticas e peculiares, bem ao género de François-Marie Banier, mas diferentes de qualquer obra que o fotógrafo, pintor e artista alguma vez criou. Um projecto inédito a testemunhar em www.dvfprojects.com.

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Linha de homem YSL em vídeo 4 A colecção masculina para o Inverno 2008/09 da casa Yves Saint Laurent não precisou de passerelle. Stefano Pilati, o director criativo da marca, decidiu apresentá-la em vídeo com o propósito de, como explica a Suzy Menkes do Herald Tribune, mostrar a colecção, expor os detalhes, mas também apelar ao lado emocional da audiência e dotar toda a película da mood que inspirou e circunda a colecção. Numa sucessão de imagens poéticas, quase como se de um catálogo em movimento se tratasse, o actor britânico Simon Woods dá vida às peças clássicas, mas modernas, num cenário minimalista, ainda que com o seu quê de romântico. Num crescendo de acção, o vídeo é passivo e sóbrio no início, mas mais movimentado e colorido à medida que se avança na apresentação – uma clara analogia à colecção de Pilati, constituída por peças intemporais, como blazers, que se desconstroem em três tipos de silhueta (uma mais estruturada, outras mais largas), e que surge num espectro de cores que começa em neutros cinzentos e acaba em vibrantes amarelos e azuis. Apresentada à imprensa no showroom do designer, no meio de instalações costumizadas, o projecto resulta de uma colaboração entre o criador e Sarah Chatfield e Chris Sweeney, da produtora londrina Colonel Blimp. Já disponível online em www.ysl.fr.

Publicidade Vuitton na tv 5 Pela primeira vez na sua história, a Casa Vuitton lança uma campanha para televisão. Mantendo o tema do itinerário pessoal como o cerne da publicidade, a série começada com Catherine Deneuve e Mikhail Gorbatchev, entre outros, na imprensa escrita, viaja agora até ao pequeno ecrã num anúncio de noventa segundos realizado por Bruno Aveillon e traduzido em treze línguas. Sob a égide de questões como “O que é uma viagem” e “Para onde te levará a vida”, que envolvem o espectador desde o início, a campanha televisiva terá uma banda sonora composta e conduzida pelo vencedor da academia Gustavo Santaolalla (responsável pela música dos galardoados filmes Babel e Brokeback Mountain) e terá como director criativo o senhor responsável pelas reconhecidas campanhas da Nestlé, Mattel ou American Express, Christian Reuilly. À semelhança das campanhas Vuitton na imprensa, onde celebridades de renome são habituais, a estreia na televisão promete ser outro sucesso de imagem, com este elenco de luxo. Decerto conseguirá apanhá-la nos nossos ecrãs, mas para os mais curiosos, o site é www.louisvuitton.fr.

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40 anos de carreira de Rykiel com peças de edição limitada 6 No ano em que atinge a sua quarta década de moda e numa altura em que a loja principal é reinaugurada, é justificado celebrar os eventos com um lançamento especial. Depois de nove meses em remodelação, a loja Sonia Rykiel número 1, no 175, Boulevard Saint-Germain, em Paris, reabre as suas portas mesmo a tempo de comemorar os quarenta anos de chique parisiense a que a criadora nos habituou e marca a ocasião com a reedição de uma das suas primeiras camisolas Poor Boy. Uma relíquia reavivada dos arquivos do Verão de 1972, que surge agora modernizada e apropriadamente limitada a 175 cópias, como o número da sua estimada loja. Rykiel lança a camisola totalmente em caxemira e acrescenta ainda um alfinete inspirado nesta criação – dois pássaros sobre um poleiro, iguais aos ilustrados na camisola, criados em metal e com cristais. A colette aproveita a ocasião especial para incluí-los na sua lista de selectos produtos, disponíveis em www.colette.fr.

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1 Lip Balm, SPF 15, KIEHL’S, €14 / 2 Loção concentrada, Benetint, BENEFIT, €31,50 / 3 Sabonete J’adore, 150grs, DIOR, €13,70 / 4 Gel para o corpo “Moelleux reveil-corps”, “Euphorisant”, KENZOKI, €40 (preço aprox.) / 5 Creme para o rosto “The moisturizer”, HAKANSSON / 6 Toalhitas desmaquilhantes,100 unidades, M.A.C., €34 / 7 Loção Hidratante de Pré-Tratamento, YVES SAINT LAURENT, €32,20 / 8: Sombra de olhos, SHU UEMURA / 9 Sombra metalizada em creme, LAURA MERCIER / 10 Eau de Parfum, “Rose 31”, 50ml, LE LABO, €110, na Colette

FOTOGRAFADO POR Olivier Jacquet


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FOTOGRAFADO POR Olivier Jacquet


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1 Óculos “way Shiner”, LANVIN / 2 Sombra de olhos, SHU UEMURA / 3 Pulseira em metal escovado, LOUIS VUITTON, €450 / 4 Vestido em seda, PEDRO PEDRO, €365 / 5 Ténis em shantung de seda e lona, PF FLYERS, €75 / 6 Base hidratante SPF 15, GIORGIO ARMANI, €43,60 / 7 Pochette “Tosca” em pele aveludada, SONIA RYKIEL / 8 Pochette em pele e metal, CHRISTIAN LOUBOUTIN / 9 Anel em ouro amarelo com diamantes e pedra citrino e anel em ouro branco com diamantes e topázio, Classe One Croisière, CHAUMET, €2750 e €2980 respectivamete / 10 Sandálias em pele, PATRIZIA PEPE, €251

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Baton, “Rouge Pur, Rose Orchidée”, YSL, €24,80 / 2 Carteira em pele envernizada, MARNI / 3 Pulseiras em plexiglas, MANGO, €10,90 / Pulseira em metal banhado a ouro com aplicações de plexiglas, LOUIS VUITTON, €400 / 5 Sabrina em pele envernizada, CELINE / Sandália em pele envernizada, SERGIO ROSSI / 7 Desodorizante, ROGER & GALLET, €12,37 / 8 Carteira em pele, VICTOR HUGO, €905 / Anel “cerise” em ouro amarelo, diamantes e coral, DIOR JOALHERIA, €3200 / 10 Óculos com armação em plexiglas, BALENCIAGA, €230


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1 Óculos “way Shiner”, LANVIN / 2 Sombra de olhos, SHU UEMURA / 3 Pulseira em metal escovado, LOUIS VUITTON, €450 / 4 Vestido em seda, PEDRO PEDRO, €365 / 5 Ténis em shantung de seda e lona, PF FLYERS, €75 / 6 Base hidratante SPF 15, GIORGIO ARMANI, €43,60 / 7 Pochette “Tosca” em pele aveludada, SONIA RYKIEL / 8 Pochette em pele e metal, CHRISTIAN LOUBOUTIN / 9 Anel em ouro amarelo com diamantes e pedra citrino e anel em ouro branco com diamantes e topázio, Classe One Croisière, CHAUMET, €2750 e €2980 respectivamete / 10 Sandálias em pele, PATRIZIA PEPE, €251

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Baton, “Rouge Pur, Rose Orchidée”, YSL, €24,80 / 2 Carteira em pele envernizada, MARNI / 3 Pulseiras em plexiglas, MANGO, €10,90 / Pulseira em metal banhado a ouro com aplicações de plexiglas, LOUIS VUITTON, €400 / 5 Sabrina em pele envernizada, CELINE / Sandália em pele envernizada, SERGIO ROSSI / 7 Desodorizante, ROGER & GALLET, €12,37 / 8 Carteira em pele, VICTOR HUGO, €905 / Anel “cerise” em ouro amarelo, diamantes e coral, DIOR JOALHERIA, €3200 / 10 Óculos com armação em plexiglas, BALENCIAGA, €230


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1 Óculos com armações em massa, MIU MIU, €80 / 2 Sandália em pele aveludada com salto compensado, SONIA RYKIEL / 3 Saco em pele envernizada, CELINE / 4 Havaiana “Summer” com motivos, HAVAIANAS, €18,90 / 5 Vestido em seda, PEDRO PEDRO, €460 / 6 Eau de Parfum BLACK XS, PACO RABANNE, €54 / 7 Anel “Gigaoui” em ouro branco e diamante, DIOR JOAILLERIE, €12.000 / 8 Sandália “Tammie” em pele polida, HUGO, €199 / 9 Bracelete em metal com Ágatas pretas, CELINE / 10 Desodorizante perfumado “J’adore”, DIOR, €33,10

1 Óculos com armações em plexiglas, MARC JACOBS, €270 / 2 Bracelete “Seventies” em ouro, DINH VAN, €2800 / 3 Fio-corrente em ouro amarelo “Gourmette de Dior”, DIOR, €7300 / 4 Baton “Rouge Dior”, DIOR, €25,70 / 5 Vela “Colette Sex” à venda na COLETTE, €25 / 6 Saco de viagem em pele “Taurillon Clémence”, Lindy 45, HERMÈS, €4600 / 7 Creme de côr, SPF 15, 50ml, BENEFIT, €32 / 8 Cinto em pele com logo em metal, LOUIS VUITTON, €430 / 9 Ténis em pele, “Dunk Vintage”, NIKE, €112 / 10 Eau de Toilette 100ml, Original Musk, KIEHL’S, €68,50


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1 Óculos com armações em massa, MIU MIU, €80 / 2 Sandália em pele aveludada com salto compensado, SONIA RYKIEL / 3 Saco em pele envernizada, CELINE / 4 Havaiana “Summer” com motivos, HAVAIANAS, €18,90 / 5 Vestido em seda, PEDRO PEDRO, €460 / 6 Eau de Parfum BLACK XS, PACO RABANNE, €54 / 7 Anel “Gigaoui” em ouro branco e diamante, DIOR JOAILLERIE, €12.000 / 8 Sandália “Tammie” em pele polida, HUGO, €199 / 9 Bracelete em metal com Ágatas pretas, CELINE / 10 Desodorizante perfumado “J’adore”, DIOR, €33,10

1 Óculos com armações em plexiglas, MARC JACOBS, €270 / 2 Bracelete “Seventies” em ouro, DINH VAN, €2800 / 3 Fio-corrente em ouro amarelo “Gourmette de Dior”, DIOR, €7300 / 4 Baton “Rouge Dior”, DIOR, €25,70 / 5 Vela “Colette Sex” à venda na COLETTE, €25 / 6 Saco de viagem em pele “Taurillon Clémence”, Lindy 45, HERMÈS, €4600 / 7 Creme de côr, SPF 15, 50ml, BENEFIT, €32 / 8 Cinto em pele com logo em metal, LOUIS VUITTON, €430 / 9 Ténis em pele, “Dunk Vintage”, NIKE, €112 / 10 Eau de Toilette 100ml, Original Musk, KIEHL’S, €68,50


/ FOTOGRAFADO POR CHRISTOPHE BANIER / STYLING HELGA CARVALHO / MAQUILHAGEM E CABELOS YUSHI KOSHIKO / MODELO YANA W. METROPOLITAN PARIS www.metropolitanmodels.com

Lingerie em seda, ERES


/ FOTOGRAFADO POR CHRISTOPHE BANIER / STYLING HELGA CARVALHO / MAQUILHAGEM E CABELOS YUSHI KOSHIKO / MODELO YANA W. METROPOLITAN PARIS www.metropolitanmodels.com

Lingerie em seda, ERES


Lingerie em seda, GUIA LA BRUNA / Calรงas em malha, TILLMAN LAUTERBACH

Vestido em malha de algodรฃo, BY MALENE BIRGER


Lingerie em seda, GUIA LA BRUNA / Calรงas em malha, TILLMAN LAUTERBACH

Vestido em malha de algodรฃo, BY MALENE BIRGER


Lingerie em algodão estampado com aplicações em renda, GUIA LA BRUNA

Vestido em organdi de seda estampado, JUNKO SHIMADA


Lingerie em algodão estampado com aplicações em renda, GUIA LA BRUNA

Vestido em organdi de seda estampado, JUNKO SHIMADA


Lingerie em organdi, GUIA LA BRUNA / T-Shirt em algodão estampado, IKOU TSCHSS

Túnica em seda estampada, LIE SANG BON


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Blusa em algodão, €230, LEMAIRE / Cardigan em caxemira, €262, EURYTHMIC / Lingerie em seda, ERES

Túnica em malha de algodão com aplicações de tricotados, €933, BLESS


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Sweat em algodão, BEND SPORT COUTURE / Lingerie em seda, GUIA LA BRUNA

Vestido em malha de algodão, €340, COSMIC WONDER


Sweat em algodão, BEND SPORT COUTURE / Lingerie em seda, GUIA LA BRUNA

Vestido em malha de algodão, €340, COSMIC WONDER


/ por Yves Lacroix


/ por Yves Lacroix


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Yves Lacroix, fotógrafo francês, apresenta-nos uma selecção de imagens que fazem parte do seu trabalho pessoal. Uma América alternativa repleta de inspirações “Lynch” em cores quentes que nos remetem para ambientes Seventies. “Levantava-me cedo todas as manhãs e antes de fotografar os jogadores, partia com a minha máquina em busca duma outra América”. Yves, onde e quando foram feitas estas fotos? A grande parte das imagens foram feitas em Las Vegas há cerca de um ano atrás, no mês de Abril enquanto lá estive a fotografar um torneio de Póquer. Levantava-me cedo todas as manhãs e antes de fotografar os jogadores, partia com a minha máquina em busca duma outra América. Como caracterizas o teu estilo fotográfico? É a pergunta mais difícil que me podias ter feito. Caracterizar o meu estilo seria como fechar-me numa espécie de “pequena caixa”. Imagino-me em constante evolução e penso que o meu trabalho segue essa evolução. Que tipo de imagens preferes fazer? Igualmente difícil de responder. Sinto-me dividido entre a Moda e o trabalho pessoal. Creio que prefiro um pouco dos dois, ou seja, imagens pessoais que se adaptam às personagens que dirijo. O que mais me interessa é levar o observador a imaginar a continuação da história. Eu construo um universo, as primeiras páginas de uma história e quem está do outro lado deverá imaginar o final. Diria que o meu estilo é uma mistura de reportagem e de imagens pensadas. É sem dúvida um universo bastante cinematográfico onde os lugares e situações têm um papel preponderante. Este tipo de interacção interessa-me enormemente; eu pinto o décor, crio um cenário, uma aventura, e a seguir a vós de imaginarem o desenrolar da situação. Pensem, deixem-se ir, trabalhem o vosso imaginário!

Como acabaste de referir, no teu trabalho existe um universo bastante cinematográfico, que tipo de referências tens? Sou um grande amante de cinema. As minhas influências são variadas embora ache que David Lynch é um dos realizadores que mais me inspira; os seus ambientes, a complexidade e multiplicidade do seu trabalho são fascinantes! Mas aprecio igualmente Michael Mann, os irmãos Coen e ainda Sergio Leone pelas suas personagens caricaturais e jogos de côr. Em geral as minhas influências vêm do cinema americano da década de 70 até 90. Acho que o que vemos na nossa juventude é de importância primordial marca-nos para o resto da vida. Fotografia analógica ou o digital? Não tenho preferência, penso que é necessário viver de acordo com os tempos modernos e sobretudo saber adaptar-se às diferentes técnicas que vão aparecendo. Tive a sorte de pertencer a uma geração que acompanhou bem as duas técnicas. Cresci com o filme e igualmente com os computadores. Tive formação em fotografia analógica mas facilmente me adaptei ao formato digital sem deixar de lado a técnica mais tradicional. Hoje em dia continuo a trabalhar nos dois registos. Diria que a grande parte do meu trabalho pessoal é feito em analógico. Adoro o facto de pensar que vou ter um negativo, qualquer coisa concreta que vou poder guardar nos meus arquivos. O negativo permite-me igualmente aumentar a imagem com a facilidade que um aparelho digital banal não é capaz de fazer, só os mais caros.

E a Pós-produção que papel tem no teu trabalho? Não sou adepto da pós- produção. Acho que é um instrumento que se deve usar como qualquer outro. Não sou fã das imagens construídas a 3D ou em Photoshop, não é de todo o meu universo, mas respeito esse trabalho. A minha aproximação à pós-produção é no trabalho de chroma, onde as possibilidades são fantásticas. Depois é necessário saber adaptar-se ao que é pedido. Há determinados trabalhos em que a pós-produção é essencial. A Moda e a publicidade requerem normalmente um trabalho de pós-produção mais intenso. Todas as tuas imagens têm uma espécie de ligação entre elas. É certo que os décors são fortes e existe uma estética bastante marcada. Houve alguma tentativa de construção de uma história, ou aconteceu por acaso? Creio que a história está na minha cabeça. Não penso concretamente, surge naturalmente, pelo menos surgem os traços gerais. Claro que existe um período de reflexão e intelectualização que faz parte do sentido da construção da história, e como já referi anteriormente adoro fazer com que o leitor entre no meu universo mas sem lhe dar respostas concretas.


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Yves Lacroix, fotógrafo francês, apresenta-nos uma selecção de imagens que fazem parte do seu trabalho pessoal. Uma América alternativa repleta de inspirações “Lynch” em cores quentes que nos remetem para ambientes Seventies. “Levantava-me cedo todas as manhãs e antes de fotografar os jogadores, partia com a minha máquina em busca duma outra América”. Yves, onde e quando foram feitas estas fotos? A grande parte das imagens foram feitas em Las Vegas há cerca de um ano atrás, no mês de Abril enquanto lá estive a fotografar um torneio de Póquer. Levantava-me cedo todas as manhãs e antes de fotografar os jogadores, partia com a minha máquina em busca duma outra América. Como caracterizas o teu estilo fotográfico? É a pergunta mais difícil que me podias ter feito. Caracterizar o meu estilo seria como fechar-me numa espécie de “pequena caixa”. Imagino-me em constante evolução e penso que o meu trabalho segue essa evolução. Que tipo de imagens preferes fazer? Igualmente difícil de responder. Sinto-me dividido entre a Moda e o trabalho pessoal. Creio que prefiro um pouco dos dois, ou seja, imagens pessoais que se adaptam às personagens que dirijo. O que mais me interessa é levar o observador a imaginar a continuação da história. Eu construo um universo, as primeiras páginas de uma história e quem está do outro lado deverá imaginar o final. Diria que o meu estilo é uma mistura de reportagem e de imagens pensadas. É sem dúvida um universo bastante cinematográfico onde os lugares e situações têm um papel preponderante. Este tipo de interacção interessa-me enormemente; eu pinto o décor, crio um cenário, uma aventura, e a seguir a vós de imaginarem o desenrolar da situação. Pensem, deixem-se ir, trabalhem o vosso imaginário!

Como acabaste de referir, no teu trabalho existe um universo bastante cinematográfico, que tipo de referências tens? Sou um grande amante de cinema. As minhas influências são variadas embora ache que David Lynch é um dos realizadores que mais me inspira; os seus ambientes, a complexidade e multiplicidade do seu trabalho são fascinantes! Mas aprecio igualmente Michael Mann, os irmãos Coen e ainda Sergio Leone pelas suas personagens caricaturais e jogos de côr. Em geral as minhas influências vêm do cinema americano da década de 70 até 90. Acho que o que vemos na nossa juventude é de importância primordial marca-nos para o resto da vida. Fotografia analógica ou o digital? Não tenho preferência, penso que é necessário viver de acordo com os tempos modernos e sobretudo saber adaptar-se às diferentes técnicas que vão aparecendo. Tive a sorte de pertencer a uma geração que acompanhou bem as duas técnicas. Cresci com o filme e igualmente com os computadores. Tive formação em fotografia analógica mas facilmente me adaptei ao formato digital sem deixar de lado a técnica mais tradicional. Hoje em dia continuo a trabalhar nos dois registos. Diria que a grande parte do meu trabalho pessoal é feito em analógico. Adoro o facto de pensar que vou ter um negativo, qualquer coisa concreta que vou poder guardar nos meus arquivos. O negativo permite-me igualmente aumentar a imagem com a facilidade que um aparelho digital banal não é capaz de fazer, só os mais caros.

E a Pós-produção que papel tem no teu trabalho? Não sou adepto da pós- produção. Acho que é um instrumento que se deve usar como qualquer outro. Não sou fã das imagens construídas a 3D ou em Photoshop, não é de todo o meu universo, mas respeito esse trabalho. A minha aproximação à pós-produção é no trabalho de chroma, onde as possibilidades são fantásticas. Depois é necessário saber adaptar-se ao que é pedido. Há determinados trabalhos em que a pós-produção é essencial. A Moda e a publicidade requerem normalmente um trabalho de pós-produção mais intenso. Todas as tuas imagens têm uma espécie de ligação entre elas. É certo que os décors são fortes e existe uma estética bastante marcada. Houve alguma tentativa de construção de uma história, ou aconteceu por acaso? Creio que a história está na minha cabeça. Não penso concretamente, surge naturalmente, pelo menos surgem os traços gerais. Claro que existe um período de reflexão e intelectualização que faz parte do sentido da construção da história, e como já referi anteriormente adoro fazer com que o leitor entre no meu universo mas sem lhe dar respostas concretas.


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Cinema

Ousmane Sembène: a queda do príncipe africano por Carlos Natálio A pureza artística, hoje expressão cínica caída em “desgraça”, merece contornos de revitalização quando olhamos a obra do senegalês Ousmane Sembène, “pai do cinema africano”. A sua morte, na passada Primavera aos oitenta e quatro anos, abre uma infeliz visão retrospectiva do que foi o cinema do “terceiro mundo” nos últimos cinquenta anos. Citando Fredric Jameson, nome incontornável do pensamento contemporâneo, o intelectual do “terceiromundo” está sempre condenado a ser um intelectual político, cuja agenda é ditada pela experiência e necessidade de um povo. Esse destino inevitável é uma evidência no percurso de Ousmane Sembène. O contacto inicial com as regiões mais pobres do Senegal, em que passou os primeiros anos de vida, nunca o deixaram. Aos catrorze anos, após ter sido expulso da escola, o seu pai envia-o para Dakar onde passou por inúmeros trabalhos manuais. Seis anos depois combatia pela França na segunda Guerra Mundial e pouco depois contra esse próprio país, nas forças de libertação do Senegal. Em 1947, na continuação da sua aprendizagem na “escola da vida”, muda-se para França. Aí, trabalha numa fábrica da Citroën em Marselha e integra-se nos movimentos sindicalistas locais. Este é o momento da descoberta do activismo político, juntando-se com naturalidade ao partido comunista e ao CGT (Confederation Générale des Travailleurs). Aos poucos a sua vitalidade intelectual, permitiu deixar para trás a vida de trabalhador assalariado, conquistando o estatuto de humanista e pensador do movimento trabalhista. A par da actividade política, na qual luta para liberar a sociedade francesa do estatuto iliterado e apolítico dos trabalhadores africanos, Ousmane desenvolve uma carreira como romancista. As suas primeiras obras fundem a tradição do romance burguês do século XIX com experiências pessoais. São os casos de “Le Docker Noire” (1956), relato ficcionado de um africano trabalhador nas docas de Marselha, ou a sua sequela “Ô Pays, Mon Beau Peuple” (1957). A partir daí, nas suas obras estará sem-

pre presente uma dimensão de crítica social, de uma perspectiva materialista. A crítica inicial de Sembène repousa sobretudo nos abusos de poder colonialista e dos seus efeitos ao nível da distorção dos valores culturais e das jovens sociedades africanas em formação. “Les Bouts de Bois de Dieu” (1960), romance sobre a segunda grande greve de caminhos de ferro no território da África Ocidental dominado pela potência francesa, é disso bom exemplo. Aos quarenta anos, Sembène, já no Senegal, agora independente, dá-se conta que o cinema é a arte que lhe permite ultrapassar a iliteracia do seu povo. Ao longo de quatro décadas realiza apenas nove longas metragens, todas elas partindo da transposição do literário ao fílmico. “La Noire de...” (1966), a sua primeira obra é um retrato realista, com influência estilística da Nouvelle Vague, dos efeitos nefastos do colonialismo. Dois anos depois, “Mandabi”, filmado em Wolof a língua local do Senegal, confirma o cinema populista e recto de Sembène. A cada novo filme vão-se sucedendo os entraves à produção e divulgação. “Ceddo”, uma re-escrita da história do Islão no Senegal, foi censurado em quase todo o mundo. Consequência: dez anos sem filmar. “ Le Camp de Thiaroye”, vencedor do grande prémio do júri em Veneza e proibidíssimo em França, retrata um episódio de massacre das autoridades gaulesas dos soldados africanos regressados da Segunda Grande Guerra. Sembène fecharia o século com dois filmes sobre a luta pelo estatuto da mulher africana: “L’Heroism au Quotidien” e “Faat Kiné”. “Moolaadé” de 2004, a sua última obra, premiada um pouco por todo o mundo, critica o costume da excisão feminina em países africanos. A obra irreverente que Ousmane Sembène nos deixa tem uma preocupação única: esbater diferenças entre mundos. A fusão do político e do pessoal, a indegenização do “medium” e a denúncia são batalhas que, com o artista, começam a ser travadas, a partir de “dentro”.

nesta pag:

pag dir:

Ousmane Sembène

Imagens retiradas do filme “Moolaadé”.


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Cinema

Ousmane Sembène: a queda do príncipe africano por Carlos Natálio A pureza artística, hoje expressão cínica caída em “desgraça”, merece contornos de revitalização quando olhamos a obra do senegalês Ousmane Sembène, “pai do cinema africano”. A sua morte, na passada Primavera aos oitenta e quatro anos, abre uma infeliz visão retrospectiva do que foi o cinema do “terceiro mundo” nos últimos cinquenta anos. Citando Fredric Jameson, nome incontornável do pensamento contemporâneo, o intelectual do “terceiromundo” está sempre condenado a ser um intelectual político, cuja agenda é ditada pela experiência e necessidade de um povo. Esse destino inevitável é uma evidência no percurso de Ousmane Sembène. O contacto inicial com as regiões mais pobres do Senegal, em que passou os primeiros anos de vida, nunca o deixaram. Aos catrorze anos, após ter sido expulso da escola, o seu pai envia-o para Dakar onde passou por inúmeros trabalhos manuais. Seis anos depois combatia pela França na segunda Guerra Mundial e pouco depois contra esse próprio país, nas forças de libertação do Senegal. Em 1947, na continuação da sua aprendizagem na “escola da vida”, muda-se para França. Aí, trabalha numa fábrica da Citroën em Marselha e integra-se nos movimentos sindicalistas locais. Este é o momento da descoberta do activismo político, juntando-se com naturalidade ao partido comunista e ao CGT (Confederation Générale des Travailleurs). Aos poucos a sua vitalidade intelectual, permitiu deixar para trás a vida de trabalhador assalariado, conquistando o estatuto de humanista e pensador do movimento trabalhista. A par da actividade política, na qual luta para liberar a sociedade francesa do estatuto iliterado e apolítico dos trabalhadores africanos, Ousmane desenvolve uma carreira como romancista. As suas primeiras obras fundem a tradição do romance burguês do século XIX com experiências pessoais. São os casos de “Le Docker Noire” (1956), relato ficcionado de um africano trabalhador nas docas de Marselha, ou a sua sequela “Ô Pays, Mon Beau Peuple” (1957). A partir daí, nas suas obras estará sem-

pre presente uma dimensão de crítica social, de uma perspectiva materialista. A crítica inicial de Sembène repousa sobretudo nos abusos de poder colonialista e dos seus efeitos ao nível da distorção dos valores culturais e das jovens sociedades africanas em formação. “Les Bouts de Bois de Dieu” (1960), romance sobre a segunda grande greve de caminhos de ferro no território da África Ocidental dominado pela potência francesa, é disso bom exemplo. Aos quarenta anos, Sembène, já no Senegal, agora independente, dá-se conta que o cinema é a arte que lhe permite ultrapassar a iliteracia do seu povo. Ao longo de quatro décadas realiza apenas nove longas metragens, todas elas partindo da transposição do literário ao fílmico. “La Noire de...” (1966), a sua primeira obra é um retrato realista, com influência estilística da Nouvelle Vague, dos efeitos nefastos do colonialismo. Dois anos depois, “Mandabi”, filmado em Wolof a língua local do Senegal, confirma o cinema populista e recto de Sembène. A cada novo filme vão-se sucedendo os entraves à produção e divulgação. “Ceddo”, uma re-escrita da história do Islão no Senegal, foi censurado em quase todo o mundo. Consequência: dez anos sem filmar. “ Le Camp de Thiaroye”, vencedor do grande prémio do júri em Veneza e proibidíssimo em França, retrata um episódio de massacre das autoridades gaulesas dos soldados africanos regressados da Segunda Grande Guerra. Sembène fecharia o século com dois filmes sobre a luta pelo estatuto da mulher africana: “L’Heroism au Quotidien” e “Faat Kiné”. “Moolaadé” de 2004, a sua última obra, premiada um pouco por todo o mundo, critica o costume da excisão feminina em países africanos. A obra irreverente que Ousmane Sembène nos deixa tem uma preocupação única: esbater diferenças entre mundos. A fusão do político e do pessoal, a indegenização do “medium” e a denúncia são batalhas que, com o artista, começam a ser travadas, a partir de “dentro”.

nesta pag:

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Ousmane Sembène

Imagens retiradas do filme “Moolaadé”.


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Arte

Armanda Duarte: Combinações e jogos por Francisco Vaz Fernandes O universo criativo de Armanda Duarte parte de princípios conceptuais que mergulham no seu quotidiano próximo. A artista constrói um universo sensorial que mesmo inserido num quadro social, nunca se conforma com uma reacção imediata ou tentativa de representação simplista do real. O seu trabalho apela sempre a uma construção poética dessa realidade e ao discernimento de sentimentos universais partilháveis em qualquer contexto cultural. A artista inscreve-se no meio dos acontecimentos que geram a sua ordem poética apelando mais ao seu ser que à sua presença. Nessas circunstâncias, é difícil falarmos do seu trabalho a partir de uma perspectiva formal e técnica quando se olha para o conjunto da sua obra. Ela varia muito de trabalho para trabalho, com opções materiais e formais ao serviço da poética das ideias. O que vigora em cada projecto são jogos de relações, por isso, os materiais, formas e expressão são convocados conforme as necessidades de cada projecto. O que resulta é uma interrogação sobre a possibilidade de uma representação do real mais complexa. Ao abordar o trabalho de Armanda Duarte, dou ênfase ao seu mais recente trabalho que se encontra exposto na Plataforma Revolver, em Lisboa e aproveito para fazer uma pequena retrospectiva do seu percurso através de algumas das suas obras emblemáticas. Relativamente ao trabalho exposto na Plataforma Revolver abordo mais directamente, como exemplo da sua actividade artística, o trabalho que se intitula, “Uma Bata e uma Combinação”. Composto por círculos de barro que contêm água, esta obra resulta de várias referências. Da memória de uma viagem, em que tecidos enrolados ao lodo serviam para estancar e conduzir a turbulência da água da enxurrada, e parte ainda da lembrança dos vasos de flores que se perfilam nos pátios portugueses, nomeadamente dos pratos que reservam a água debaixo deles. No entanto, o que conduz este trabalho não é tanto o retrato dessas duas realidades imediatas nem as questões socio-culturais implícitas, mas a observação de um gesto de cuidado de manutenção com um valor mais amplo, universalista e abstracto. Para além da plasticidade do trabalho, o que se requer é a manutenção diária das formas circulares de barro. Este lado performativo é manifesto diariamente por cinco eleitos do seu círculo de amigos, denominados “Os Vigilantes”, título doutro trabalho exposto. Uma vez por dia, um deles passa pela galeria para verificação e manutenção da obra. Têm ao seu dispor, no próprio espaço expositivo, à vista do público, todos os

elementos necessários para os seus cuidados: água para preencher os contentores, assim como uma tesoura e uma bata que pode ser retalhada para o caso de ser necessário vedar as gretas que se possam gerar nas paredes de barro. A enumeração dos elementos é uma das constantes na obra da artista que nos faz lembrar a preocupação de uma objectivação do trabalho artístico fora de qualquer tentativa de transcendência. Seria a presença dos “Vigilantes” que daria, então, origem a um segundo trabalho a expor na Plataforma Revólver. O projecto começou com a solicitação de um desenho em torno da idade de cada um dos participantes que, posteriormente, deveria enviá-lo pelo correio. Na sequência, a artista desenhou com um certo realismo cada um dos projectos enviados para, depois, expor numa prateleira. De certa forma, são cinco desenhos de desenhos explorando a sua tridimensionalidade. São igualmente a oportunidade de registar outras presenças. Armanda, neste como em outros trabalhos, tem abordado a possibilidade de uma comunicação dialógica entre ela e os assistentes. Esta prática vem de uma certa relação que a artista estabelece com o projecto em si. Cada projecto constitui-se como um enunciado que estabelece, à partida, uma ordem e uma perspectiva de desenvolvimento. Podem autonomizar-se seguindo as premissas muitas vezes de ordem lógica ou matemática. Daí que, momentaneamente, possam estar à deriva, sob efeito de factores exteriores, que tanto podem ser outros sujeitos como outros factores de ordem natural. A organicidade que está em geral presente nos seus trabalhos, prende-se muitas vezes a esta questão da sobreposição de acidentes decorrentes de um desenvolvimento natural das coisas. É como se a linearidade estabelecida pelo enunciado se prestasse a um espaço suficiente para o outro, ao imprevisível e ao disforme que lança o caos regenerador. No caso desta exposição, os contentores encontram-se à mercê das reacções do próprio material, assim como das intervenções dos “Vigilantes” que os vão condicionar provocando diariamente transformações. Em outros trabalhos anteriores verificaram-se vários estratagemas de calendarização e de contabilização que eram sobrepostos a uma outra temporalidade marcada por transformações da organicidade dos elementos convocados.

“Pequena Torre Sem Fim” Trabalho constituído por dedais dourados empilhados fazendo referencia à “Coluna Infinita” de Brancusi e ao interesse comum pela concepção de módulos que se possam estender até a um infinito. Este trabalho realizado cerca de 60 anos depois ganha um sentido de instalação e refere-se a um universo feminino e às tarefas domésticas desse universo, também elas repetitivas até ao seu infinito.


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Arte

Armanda Duarte: Combinações e jogos por Francisco Vaz Fernandes O universo criativo de Armanda Duarte parte de princípios conceptuais que mergulham no seu quotidiano próximo. A artista constrói um universo sensorial que mesmo inserido num quadro social, nunca se conforma com uma reacção imediata ou tentativa de representação simplista do real. O seu trabalho apela sempre a uma construção poética dessa realidade e ao discernimento de sentimentos universais partilháveis em qualquer contexto cultural. A artista inscreve-se no meio dos acontecimentos que geram a sua ordem poética apelando mais ao seu ser que à sua presença. Nessas circunstâncias, é difícil falarmos do seu trabalho a partir de uma perspectiva formal e técnica quando se olha para o conjunto da sua obra. Ela varia muito de trabalho para trabalho, com opções materiais e formais ao serviço da poética das ideias. O que vigora em cada projecto são jogos de relações, por isso, os materiais, formas e expressão são convocados conforme as necessidades de cada projecto. O que resulta é uma interrogação sobre a possibilidade de uma representação do real mais complexa. Ao abordar o trabalho de Armanda Duarte, dou ênfase ao seu mais recente trabalho que se encontra exposto na Plataforma Revolver, em Lisboa e aproveito para fazer uma pequena retrospectiva do seu percurso através de algumas das suas obras emblemáticas. Relativamente ao trabalho exposto na Plataforma Revolver abordo mais directamente, como exemplo da sua actividade artística, o trabalho que se intitula, “Uma Bata e uma Combinação”. Composto por círculos de barro que contêm água, esta obra resulta de várias referências. Da memória de uma viagem, em que tecidos enrolados ao lodo serviam para estancar e conduzir a turbulência da água da enxurrada, e parte ainda da lembrança dos vasos de flores que se perfilam nos pátios portugueses, nomeadamente dos pratos que reservam a água debaixo deles. No entanto, o que conduz este trabalho não é tanto o retrato dessas duas realidades imediatas nem as questões socio-culturais implícitas, mas a observação de um gesto de cuidado de manutenção com um valor mais amplo, universalista e abstracto. Para além da plasticidade do trabalho, o que se requer é a manutenção diária das formas circulares de barro. Este lado performativo é manifesto diariamente por cinco eleitos do seu círculo de amigos, denominados “Os Vigilantes”, título doutro trabalho exposto. Uma vez por dia, um deles passa pela galeria para verificação e manutenção da obra. Têm ao seu dispor, no próprio espaço expositivo, à vista do público, todos os

elementos necessários para os seus cuidados: água para preencher os contentores, assim como uma tesoura e uma bata que pode ser retalhada para o caso de ser necessário vedar as gretas que se possam gerar nas paredes de barro. A enumeração dos elementos é uma das constantes na obra da artista que nos faz lembrar a preocupação de uma objectivação do trabalho artístico fora de qualquer tentativa de transcendência. Seria a presença dos “Vigilantes” que daria, então, origem a um segundo trabalho a expor na Plataforma Revólver. O projecto começou com a solicitação de um desenho em torno da idade de cada um dos participantes que, posteriormente, deveria enviá-lo pelo correio. Na sequência, a artista desenhou com um certo realismo cada um dos projectos enviados para, depois, expor numa prateleira. De certa forma, são cinco desenhos de desenhos explorando a sua tridimensionalidade. São igualmente a oportunidade de registar outras presenças. Armanda, neste como em outros trabalhos, tem abordado a possibilidade de uma comunicação dialógica entre ela e os assistentes. Esta prática vem de uma certa relação que a artista estabelece com o projecto em si. Cada projecto constitui-se como um enunciado que estabelece, à partida, uma ordem e uma perspectiva de desenvolvimento. Podem autonomizar-se seguindo as premissas muitas vezes de ordem lógica ou matemática. Daí que, momentaneamente, possam estar à deriva, sob efeito de factores exteriores, que tanto podem ser outros sujeitos como outros factores de ordem natural. A organicidade que está em geral presente nos seus trabalhos, prende-se muitas vezes a esta questão da sobreposição de acidentes decorrentes de um desenvolvimento natural das coisas. É como se a linearidade estabelecida pelo enunciado se prestasse a um espaço suficiente para o outro, ao imprevisível e ao disforme que lança o caos regenerador. No caso desta exposição, os contentores encontram-se à mercê das reacções do próprio material, assim como das intervenções dos “Vigilantes” que os vão condicionar provocando diariamente transformações. Em outros trabalhos anteriores verificaram-se vários estratagemas de calendarização e de contabilização que eram sobrepostos a uma outra temporalidade marcada por transformações da organicidade dos elementos convocados.

“Pequena Torre Sem Fim” Trabalho constituído por dedais dourados empilhados fazendo referencia à “Coluna Infinita” de Brancusi e ao interesse comum pela concepção de módulos que se possam estender até a um infinito. Este trabalho realizado cerca de 60 anos depois ganha um sentido de instalação e refere-se a um universo feminino e às tarefas domésticas desse universo, também elas repetitivas até ao seu infinito.


“Uma Bata e Uma Combinação” instalação na Plataforma Revolver, 2008.


“Uma Bata e Uma Combinação” instalação na Plataforma Revolver, 2008.


“Grande Coração de Canela” de 1998 é constituído por bagos de arroz alinhados no solo que marcam uma quadrícula mais ou menos geométrica tal como encontramos nos desenhos com que se decora o arroz doce. Neste trabalho apresentado pela primeira vez no Japão, a artista procura referências da sua própria cultura e inscreve as suas práticas artísticas num saber comum. Ao mesmo tempo faz referência, por via erudita, à escultura de Carl André, nomeadamente à horizontalidade das suas propostas. Contudo a proposta da artista preserva uma dimensão de desenho.

“Transporte aos Quadradinhos.“ Este trabalho foi desenvolvido paralelamente com outros e em todos eles a artista procura transportar o seu contexto criativo, o seu próprio espaço de atelier, para uma sala de exposições. Procura estabelecer um espaço que contenha outro espaço. Mais do que reconstuí-lo ou representá-lo, este subsiste de forma indicial. “Transporte aos Quadradinhos” consiste em pequenos quadrados empilhados feitos a partir da velha alcatifa que ocupou durante anos o solo do atelier da artista.


“Grande Coração de Canela” de 1998 é constituído por bagos de arroz alinhados no solo que marcam uma quadrícula mais ou menos geométrica tal como encontramos nos desenhos com que se decora o arroz doce. Neste trabalho apresentado pela primeira vez no Japão, a artista procura referências da sua própria cultura e inscreve as suas práticas artísticas num saber comum. Ao mesmo tempo faz referência, por via erudita, à escultura de Carl André, nomeadamente à horizontalidade das suas propostas. Contudo a proposta da artista preserva uma dimensão de desenho.

“Transporte aos Quadradinhos.“ Este trabalho foi desenvolvido paralelamente com outros e em todos eles a artista procura transportar o seu contexto criativo, o seu próprio espaço de atelier, para uma sala de exposições. Procura estabelecer um espaço que contenha outro espaço. Mais do que reconstuí-lo ou representá-lo, este subsiste de forma indicial. “Transporte aos Quadradinhos” consiste em pequenos quadrados empilhados feitos a partir da velha alcatifa que ocupou durante anos o solo do atelier da artista.


“Muro” trabalho realizado durante uma residência na Fábrica da Pólvora em 2007 no qual a artista propôs a construção de uma peça in situ apenas com os materiais que se encontravam na zona envolvente. O espaço que se desenha a partir de diferentes elementos empilhados em torno da artista, circunscreve-se a um espaço vital, área de intervenção e de mobilidade. A artista confronta a fragilidade da sua construção com a possibilidade de sobreviver num espaço público. Convida o público a intervir e a colectar materiais para a sua construção que são depositados em três caixas segundo a sua natureza.

“Palmira 66F” neste trabalho que foi mostrado na Culturgest em 2001, Armanda apresentou uma instalação onde sobre folhas de papel foram depositados restos de chapéus de criança. Desfeitos, todos os componentes que formavam um chapéu foram depositados ou indexados sobre a folha. Irreconhecíveis, os que foram de natureza galante, restam como matéria amorfa, explorando um certo sentimento de abjecto.


“Muro” trabalho realizado durante uma residência na Fábrica da Pólvora em 2007 no qual a artista propôs a construção de uma peça in situ apenas com os materiais que se encontravam na zona envolvente. O espaço que se desenha a partir de diferentes elementos empilhados em torno da artista, circunscreve-se a um espaço vital, área de intervenção e de mobilidade. A artista confronta a fragilidade da sua construção com a possibilidade de sobreviver num espaço público. Convida o público a intervir e a colectar materiais para a sua construção que são depositados em três caixas segundo a sua natureza.

“Palmira 66F” neste trabalho que foi mostrado na Culturgest em 2001, Armanda apresentou uma instalação onde sobre folhas de papel foram depositados restos de chapéus de criança. Desfeitos, todos os componentes que formavam um chapéu foram depositados ou indexados sobre a folha. Irreconhecíveis, os que foram de natureza galante, restam como matéria amorfa, explorando um certo sentimento de abjecto.


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“Quero desenvolver essencialmente, peças sem falsas aparências, sem pretensiosismo.” Ricardo Dourado Escolheria a palavra multifacetado para definir este jovem criador que além de apresentar as suas colecções sazonais, desenvolveu projectos para indústria têxtil e de calçado a nível nacional e internacional, colaborou com a Search Magazine no departamento de styling e permanece como formador no CITEX. por Diana Dias Nasceu em 1980, e é já uma referência entre os jovens criadores portugueses. A sua formação passou pelo CITEX, onde é formador de Design de Moda. Colaborou também nos ateliers de Osvaldo Martins, Helena Matos e Lidija Kolovrat. Envolveu-se em vários concursos como as plataformas para jovens criadores, Sangue Novo, Mod’tissimo e os Novos Talentos Optimus Foram estes os trilhos percorridos até chegar às apresentações no LAB da ModaLisboa. A colecção de Verão 2008 veio mais uma vez confirmar a excelência do trabalho deste jovem criador que ostentou uma combinação quase intelectual entre a forma e a côr. Os tons surgiram secos numa paleta de cores terra, sóbria, rasgada por laivos de luz azul, amarelo/dourado ou vermelho. Na linguagem de Ricardo Dourado, esta estação tem uma modelagem quase “matemática”, remetendo-nos de imediato para um universo desconstrutivista que me faz criar uma ponte entre a Moda e a Arquitectura. Um universo que se define por um desenho não linear, pela manipulação da aparência das estruturas em que a linha visual final é caracterizada por uma ideia de caos controlado. Ricardo Dourado surpreende-me em cada colecção pela sua linguagem contemporânea, integrando-se perfeitamente nas linhas condutoras das tendências internacionais. Vamos conhecer a pessoa por detrás deste imaginário.

Ricardo, frequentaste o curso de Moda do Citex onde actualmente és formador. Qual a importância da formação nos trabalhos criativos como a Moda e como vez o panorama actual deste tipo de formação no nosso país? Admitindo que a formação de Moda em Portugal tem pouco mais de 20 anos, entendo que ainda temos um longo percurso pela frente. Grande parte dos formadores de Moda têm a mesma experiência, direccionada principalmente para a indústria têxtil, sector muito forte nas décadas de 80/90. Só mais tarde surgem os Produtores, Editores, Stylists e Criadores com diferentes formações académicas vindo conferir à formação de Moda uma abrangência de saberes e experiências imprescindíveis. Actualmente este tipo de formação está cada vez mais especializada e melhor estruturada, podendo os alunos escolher desde cursos técnico/profissionais, a licenciaturas ou outros cursos específicos. No meu caso e após o curso no CITEX concluo que ainda pertenci à geração formada especificamente para desenvolver carreira no sector industrial, ainda que com fortes componentes conceptuais ao nível da pesquisa, criação de projecto bem como desenvolvimento de pensamento sócio-cultural. Acredito que estas componentes tenham sido determinantes para a minha formação enquanto designer, muitas vezes recordo-me de frases/conselhos que me ajudam a tomar direcções. Embora acredite que um designer seja capaz de desenvolver um trabalho ecléctico, ou que a escola deva incutir no aluno um conjunto de noções e experiências diferenciadas, estou convicto que o início da carreira de um designer começa na escolha da escola, que por sua vez deve seguir directrizes o

mais distintas possíveis criando assim uma marca diferenciada de design . O que mais gostas na tua actividade de professor/formador? Achas que esta tua vertente influencia de alguma forma a evolução do teu trabalho como Designer de Moda? Sem dúvida que influencia, especialmente na forma como encaro os meus preconceitos (todos os temos). Ainda que sem ter essa noção, muitos dos meus alunos ajudam-me a ultrapassar alguns preconceitos relativos ao desenho específico de peças, ou ainda no desenvolvimento conceptual das colecções, através da descontextualização ou de misturas de temas/ambientes/conceitos. Por outro lado, um grupo de pessoas a partilhar experiências e diferentes perspectivas, faz com que algumas aulas se tornem muito estimulantes. Definitivamente se algo está a faltar em Portugal, não é talento. Entendo que faltam essencialmente plataformas onde se possa mostrar trabalho, para assim podermos contar com um futuro em que a Moda nacional se faça notar pelo design inovador. O Porto tem-se distinguido pelo estímulo dado à interacção entre criadores e indústria. Que experiências já tiveste nesta área e como as avalias? Posso referir algumas boas experiências como a Eical, onde desenvolvo colecções de knitwear de alta qualidade, com base em matérias primas como sedas, caxemiras, bambus, sojas, etc. A Onara, na qual desenvolvi uma marca para homem, onde ressalta a experiência na área da distribuição, não muito comum em Portugal, e recentemente na LCDINOV.DESIGN à qual me associei pela perspectiva inovadora que em cima da esq para a dir: Colecção Verão 2005, Arquivo Moda Lisboa, Fotografia Rui Vasco, Pós-Produção (recortes) Sara Gomes / Colecção Inverno 2005/06, Arquivo Moda Lisboa, Fotografia Rui Vasco, Pós-Produção (recortes) Sara Gomes / Colecção Verão 2006, Arquivo Moda Lisboa, Fotografia Rui Vasco, Pós-Produção (recortes) Sara Gomes


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“Quero desenvolver essencialmente, peças sem falsas aparências, sem pretensiosismo.” Ricardo Dourado Escolheria a palavra multifacetado para definir este jovem criador que além de apresentar as suas colecções sazonais, desenvolveu projectos para indústria têxtil e de calçado a nível nacional e internacional, colaborou com a Search Magazine no departamento de styling e permanece como formador no CITEX. por Diana Dias Nasceu em 1980, e é já uma referência entre os jovens criadores portugueses. A sua formação passou pelo CITEX, onde é formador de Design de Moda. Colaborou também nos ateliers de Osvaldo Martins, Helena Matos e Lidija Kolovrat. Envolveu-se em vários concursos como as plataformas para jovens criadores, Sangue Novo, Mod’tissimo e os Novos Talentos Optimus Foram estes os trilhos percorridos até chegar às apresentações no LAB da ModaLisboa. A colecção de Verão 2008 veio mais uma vez confirmar a excelência do trabalho deste jovem criador que ostentou uma combinação quase intelectual entre a forma e a côr. Os tons surgiram secos numa paleta de cores terra, sóbria, rasgada por laivos de luz azul, amarelo/dourado ou vermelho. Na linguagem de Ricardo Dourado, esta estação tem uma modelagem quase “matemática”, remetendo-nos de imediato para um universo desconstrutivista que me faz criar uma ponte entre a Moda e a Arquitectura. Um universo que se define por um desenho não linear, pela manipulação da aparência das estruturas em que a linha visual final é caracterizada por uma ideia de caos controlado. Ricardo Dourado surpreende-me em cada colecção pela sua linguagem contemporânea, integrando-se perfeitamente nas linhas condutoras das tendências internacionais. Vamos conhecer a pessoa por detrás deste imaginário.

Ricardo, frequentaste o curso de Moda do Citex onde actualmente és formador. Qual a importância da formação nos trabalhos criativos como a Moda e como vez o panorama actual deste tipo de formação no nosso país? Admitindo que a formação de Moda em Portugal tem pouco mais de 20 anos, entendo que ainda temos um longo percurso pela frente. Grande parte dos formadores de Moda têm a mesma experiência, direccionada principalmente para a indústria têxtil, sector muito forte nas décadas de 80/90. Só mais tarde surgem os Produtores, Editores, Stylists e Criadores com diferentes formações académicas vindo conferir à formação de Moda uma abrangência de saberes e experiências imprescindíveis. Actualmente este tipo de formação está cada vez mais especializada e melhor estruturada, podendo os alunos escolher desde cursos técnico/profissionais, a licenciaturas ou outros cursos específicos. No meu caso e após o curso no CITEX concluo que ainda pertenci à geração formada especificamente para desenvolver carreira no sector industrial, ainda que com fortes componentes conceptuais ao nível da pesquisa, criação de projecto bem como desenvolvimento de pensamento sócio-cultural. Acredito que estas componentes tenham sido determinantes para a minha formação enquanto designer, muitas vezes recordo-me de frases/conselhos que me ajudam a tomar direcções. Embora acredite que um designer seja capaz de desenvolver um trabalho ecléctico, ou que a escola deva incutir no aluno um conjunto de noções e experiências diferenciadas, estou convicto que o início da carreira de um designer começa na escolha da escola, que por sua vez deve seguir directrizes o

mais distintas possíveis criando assim uma marca diferenciada de design . O que mais gostas na tua actividade de professor/formador? Achas que esta tua vertente influencia de alguma forma a evolução do teu trabalho como Designer de Moda? Sem dúvida que influencia, especialmente na forma como encaro os meus preconceitos (todos os temos). Ainda que sem ter essa noção, muitos dos meus alunos ajudam-me a ultrapassar alguns preconceitos relativos ao desenho específico de peças, ou ainda no desenvolvimento conceptual das colecções, através da descontextualização ou de misturas de temas/ambientes/conceitos. Por outro lado, um grupo de pessoas a partilhar experiências e diferentes perspectivas, faz com que algumas aulas se tornem muito estimulantes. Definitivamente se algo está a faltar em Portugal, não é talento. Entendo que faltam essencialmente plataformas onde se possa mostrar trabalho, para assim podermos contar com um futuro em que a Moda nacional se faça notar pelo design inovador. O Porto tem-se distinguido pelo estímulo dado à interacção entre criadores e indústria. Que experiências já tiveste nesta área e como as avalias? Posso referir algumas boas experiências como a Eical, onde desenvolvo colecções de knitwear de alta qualidade, com base em matérias primas como sedas, caxemiras, bambus, sojas, etc. A Onara, na qual desenvolvi uma marca para homem, onde ressalta a experiência na área da distribuição, não muito comum em Portugal, e recentemente na LCDINOV.DESIGN à qual me associei pela perspectiva inovadora que em cima da esq para a dir: Colecção Verão 2005, Arquivo Moda Lisboa, Fotografia Rui Vasco, Pós-Produção (recortes) Sara Gomes / Colecção Inverno 2005/06, Arquivo Moda Lisboa, Fotografia Rui Vasco, Pós-Produção (recortes) Sara Gomes / Colecção Verão 2006, Arquivo Moda Lisboa, Fotografia Rui Vasco, Pós-Produção (recortes) Sara Gomes


tem relativamente à industria do vestuário. As tuas colecções têm como fio condutor a modelagem e o cuidado cromático. Que factores consideras que te diferenciam dos outros criadores? Qual é a tua “imagem de marca”? No meu projecto tento desenvolver uma perspectiva minha, mais que criar novas fórmulas. Neste momento tento estabelecer no meu trabalho uma espécie de street couture onde desenvolvo volumes particulares em tecidos especiais, mas sem esquecer o espaço de rua ou um ambiente de conforto. Naturalmente que para sentir que o trabalho é digno, necessito de uma pesquisa intensa ao nível da modelagem. A paleta funciona a um nível mais intuitivo. Ao desenvolver as colecções, muitas vezes estabeleço com alguma subtileza sentidos paralelos às peças. Por exemplo na colecção de Verão 08, apresentei um vestido com guizos, que acrescentou “som” à colecção. Na colecção anterior a essa, apresentei o “holograma” e nesta última (Inverno 2008/09) apresentei uma peça com vários relógios digitais “casio”. Talvez sejam estas pequenas intervenções nas colecções, que ajudam a criar uma “imagem de marca”. Contudo quero desenvolver essencialmente, peças sem falsas aparências, sem pretensiosismo. No panorama internacional quem tens como referência? em cima da esq para a dir: Colecção Inverno 2006/07, Arquivo Moda Lisboa/ Fotografia Rui Vasco / Colecção Verão 2007, Arquivo Moda Lisboa, Fotografia Rui Vasco, Pós-Produção (recortes) Sara Gomes / Colecção Inverno 2007/08, Arquivo Moda Lisboa, Fotografia Rui Vasco, Pós-Produção (recortes) Sara Gomes / Colecção Verão 2008, Arquivo Moda Lisboa, Fotografia Rui Vasco, Pós-Produção (recortes) Sara Gomes

Rem koolhaas, Oscar Niemeyer, Rick Owens, Damien Hirst e Michael Mayer. As tuas colecções remetem-me sempre para um universo de correntes históricas ou artísticas, é essa a tua intenção? Fazes muita pesquisa antes de desenvolveres uma colecção? Não tenho uma intenção definida, surgem naturalmente talvez por serem as minhas áreas de interesse. Pesquiso muito, costumo dizer que a linha que divide o

meu trabalho e a minha vida pessoal não existe, no sentido em que estou sempre em pesquisa. Muitas vezes é em viagem, ao volante que surgem as primeiras ideias, depois é só passar para o papel e desenvolver, limpar e arrumar tudo... Entretanto, durante o processo de esboço, surge não sei bem de onde, outra ou outras ideias que vêm ajudar a sustentar transversalmente a colecção.

Ricardo Dourado fotografado por Ricardo Cruz

Em 2006 participaste nos “European Fashion Awards” em Milão. Como vez esta participação na evolução da tua carreira? No início os concursos eram a única forma de apresentar publicamente o meu trabalho e de o tentar fazer notar-se. As revistas de moda portuguesas que existiam eram muito poucas, hoje encaro um concurso como uma forma de conhecer novas pessoas, perspectivas e inevitavelmente novas oportunidades. Durante um determinado período colaboraste como stylist na publicação Search Magazine. Para ti qual é a importância do styling em Moda? Entendo que o styling é um processo criativo tão válido como a criação de Moda ou de design. Quando colaborei com a Search procurava peças identificativas dos ambientes em que a Search circulava, no sentido de lhe atribuir através da Moda alguma identidade. É nesta perspectiva que gosto de pensar em styling na criação / destruição, contextualização ou descontextualização de identidades ou simbologias Para terminar, como vez o teu trabalho no futuro? Não sei bem ... quanto ao futuro tenho vontade de fazer tanta coisa que não sei bem por onde começar...


tem relativamente à industria do vestuário. As tuas colecções têm como fio condutor a modelagem e o cuidado cromático. Que factores consideras que te diferenciam dos outros criadores? Qual é a tua “imagem de marca”? No meu projecto tento desenvolver uma perspectiva minha, mais que criar novas fórmulas. Neste momento tento estabelecer no meu trabalho uma espécie de street couture onde desenvolvo volumes particulares em tecidos especiais, mas sem esquecer o espaço de rua ou um ambiente de conforto. Naturalmente que para sentir que o trabalho é digno, necessito de uma pesquisa intensa ao nível da modelagem. A paleta funciona a um nível mais intuitivo. Ao desenvolver as colecções, muitas vezes estabeleço com alguma subtileza sentidos paralelos às peças. Por exemplo na colecção de Verão 08, apresentei um vestido com guizos, que acrescentou “som” à colecção. Na colecção anterior a essa, apresentei o “holograma” e nesta última (Inverno 2008/09) apresentei uma peça com vários relógios digitais “casio”. Talvez sejam estas pequenas intervenções nas colecções, que ajudam a criar uma “imagem de marca”. Contudo quero desenvolver essencialmente, peças sem falsas aparências, sem pretensiosismo. No panorama internacional quem tens como referência? em cima da esq para a dir: Colecção Inverno 2006/07, Arquivo Moda Lisboa/ Fotografia Rui Vasco / Colecção Verão 2007, Arquivo Moda Lisboa, Fotografia Rui Vasco, Pós-Produção (recortes) Sara Gomes / Colecção Inverno 2007/08, Arquivo Moda Lisboa, Fotografia Rui Vasco, Pós-Produção (recortes) Sara Gomes / Colecção Verão 2008, Arquivo Moda Lisboa, Fotografia Rui Vasco, Pós-Produção (recortes) Sara Gomes

Rem koolhaas, Oscar Niemeyer, Rick Owens, Damien Hirst e Michael Mayer. As tuas colecções remetem-me sempre para um universo de correntes históricas ou artísticas, é essa a tua intenção? Fazes muita pesquisa antes de desenvolveres uma colecção? Não tenho uma intenção definida, surgem naturalmente talvez por serem as minhas áreas de interesse. Pesquiso muito, costumo dizer que a linha que divide o

meu trabalho e a minha vida pessoal não existe, no sentido em que estou sempre em pesquisa. Muitas vezes é em viagem, ao volante que surgem as primeiras ideias, depois é só passar para o papel e desenvolver, limpar e arrumar tudo... Entretanto, durante o processo de esboço, surge não sei bem de onde, outra ou outras ideias que vêm ajudar a sustentar transversalmente a colecção.

Ricardo Dourado fotografado por Ricardo Cruz

Em 2006 participaste nos “European Fashion Awards” em Milão. Como vez esta participação na evolução da tua carreira? No início os concursos eram a única forma de apresentar publicamente o meu trabalho e de o tentar fazer notar-se. As revistas de moda portuguesas que existiam eram muito poucas, hoje encaro um concurso como uma forma de conhecer novas pessoas, perspectivas e inevitavelmente novas oportunidades. Durante um determinado período colaboraste como stylist na publicação Search Magazine. Para ti qual é a importância do styling em Moda? Entendo que o styling é um processo criativo tão válido como a criação de Moda ou de design. Quando colaborei com a Search procurava peças identificativas dos ambientes em que a Search circulava, no sentido de lhe atribuir através da Moda alguma identidade. É nesta perspectiva que gosto de pensar em styling na criação / destruição, contextualização ou descontextualização de identidades ou simbologias Para terminar, como vez o teu trabalho no futuro? Não sei bem ... quanto ao futuro tenho vontade de fazer tanta coisa que não sei bem por onde começar...


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Música

FUNK GLOBAL: das Caldas a Tel-Aviv por Tiago Santos Do país deles não vem funk nem há groove, mas há ventos de soul e bons casamentos de electrónica com os breaks do Mr.Dynamite, James Brown. Da terra de onde vêm não há tradição do funk, mas ainda assim, cada um destes talentos mergulha no som da América negra para descobrir novas pistas para a música de hoje. Dj Ride, das Caldas da Rainha, e o músico Kutiman, de Tel-Aviv, partilham mais do que a deslocação dos grandes centros da indústria. Ambos têm um profundo enraizamento na música que lhes chega sobretudo de velhos discos de vinil e demonstram procurar na tradição, as bases para os seus primeiros voos. Além disso, os dois jovens de vinte e poucos anos, parecem no seu imenso talento, verdadeiros prodígios, num mundo impregnado de estrelas semi-despidas pela televisão. A atracção do poder minimal de um break, só pode ser comparado ao efeito magnético de determinadas capas de LP. O seu efeito é viciante, por tudo o que comporta de energia e de afirmação do ser humano. Mas o que para a maioria de nós não passa de um pedaço mágico de música, significa para muitos a fonte sonora ou apenas a inspiração, para novas abstracções. Lançando deste modo, as sementes para o futuro e a garantia que a luta (traduzida em tantos gritos de orgulho, de metais, de guitarras ou de scratch) continua.

Se o hip-hop é a primeira forma musical da globalização, então o funk que o alimenta e inspira é a sua raiz mais funda numa história que começou nos finais da década de 60. Mas talvez por isso mesmo, essa descarga livre de ritmo e luta concentrada num break de bateria, assume hoje tantas formas distintas em todas as partes do mundo. Em Israel, não haverá grande tradição do funk. Mas isso não impediu o jovem Ophir ”Kutiman” Kutiel, de ser apanhado pelo vício do groove. Este “OVNI de Zichron, uma pequena aldeia do norte de Israel”, como Kutiman se apresenta, tornou-se aos vinte e cinco anos na vanguarda do funk, na frente do médio-oriente. Multi-instrumentista e produtor, Kutiman iniciou-se no estudo da música aos seis anos de idade. Mais tarde, quando integrou a universidade musical de Rimon, em Tel Aviv, descobre, através do seu amigo e cúmplice Dj Sabbo, a música de James Brown e de Fela Kuti e a sua dieta de jazz começa a ser quebrada com gordas quantidades de breaks calóricos. Depois de vários singles receberem destaque na imprensa e rotação nas malas de alguns dos maiores Djs internacionais, Kutiman lançou no final do ano passado o álbum homónimo de estreia, onde desde no primeiro compasso se instala a sensação de estarmos a iniciar uma verdadeira viagem à galáxia do groove. Imaginem a música que se poderia ouvir no lounge cósmico na abertura do filme 2001: Odisseia no Espaço, misturado com as possíveis visões de Barbarella sobre o efeito da droga do amor. Tudo isto, compilado numa cassete para ouvir nas rodagens de Shaft in Africa, a soar como se os “Fabulosos Quatro”, fossem afinal negros e tivessem vindo de Lagos, na Nigéria. Ou seja, música a cruzar os limites do nosso tempo, repleta de visões de funk e afrobeat, coloridas

pelo psicadelismo, a servir unicamente os propósitos da evasão. Num disco baseado na instrumentação clássica de uma banda de funk, interpretada na sua maioria pelo próprio Kutiman, esta estreia guarda na produção e na originalidade dos arranjos, o toque de modernidade que garante o sabor contemporâneo da nova geração do funk deste milénio. Manipulando a mesma matéria-prima, mas numa perspectiva do hip-hop, Dj Ride oferece na sua estreia, uma colecção de temas onde o “turntablismo” se associa às sonoridades quentes dos sintetizadores vintage e ao poder universal dos breaks. Chegando mesmo a arriscar com sucesso o formato das canções, Ride, um duplo campeão nacional de scratch no circuito ITF (International Turntablism Federation) apresenta no seu disco, Turntable Food, um conjunto de argumentos para esperar o melhor de um futuro, que agora se descobre. Mas acima de tudo, revela uma capacidade de criar um universo próprio a partir de uma tradição que continua, mais de trinta anos depois, a se renovar.

pag esq:

nesta pag:

Músico Kutiman, Tel-Aviv

Dj Ride, Caldas da Rainha

O funk e os seus mestres, devem observar das estrelas com um sorriso dourado, esta nova revolução. KUTIMAN-LUTIMAN, MELTING POT 2007 DJ RIDE- TURNTABLE FOOD, LOOP 2007


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Música

FUNK GLOBAL: das Caldas a Tel-Aviv por Tiago Santos Do país deles não vem funk nem há groove, mas há ventos de soul e bons casamentos de electrónica com os breaks do Mr.Dynamite, James Brown. Da terra de onde vêm não há tradição do funk, mas ainda assim, cada um destes talentos mergulha no som da América negra para descobrir novas pistas para a música de hoje. Dj Ride, das Caldas da Rainha, e o músico Kutiman, de Tel-Aviv, partilham mais do que a deslocação dos grandes centros da indústria. Ambos têm um profundo enraizamento na música que lhes chega sobretudo de velhos discos de vinil e demonstram procurar na tradição, as bases para os seus primeiros voos. Além disso, os dois jovens de vinte e poucos anos, parecem no seu imenso talento, verdadeiros prodígios, num mundo impregnado de estrelas semi-despidas pela televisão. A atracção do poder minimal de um break, só pode ser comparado ao efeito magnético de determinadas capas de LP. O seu efeito é viciante, por tudo o que comporta de energia e de afirmação do ser humano. Mas o que para a maioria de nós não passa de um pedaço mágico de música, significa para muitos a fonte sonora ou apenas a inspiração, para novas abstracções. Lançando deste modo, as sementes para o futuro e a garantia que a luta (traduzida em tantos gritos de orgulho, de metais, de guitarras ou de scratch) continua.

Se o hip-hop é a primeira forma musical da globalização, então o funk que o alimenta e inspira é a sua raiz mais funda numa história que começou nos finais da década de 60. Mas talvez por isso mesmo, essa descarga livre de ritmo e luta concentrada num break de bateria, assume hoje tantas formas distintas em todas as partes do mundo. Em Israel, não haverá grande tradição do funk. Mas isso não impediu o jovem Ophir ”Kutiman” Kutiel, de ser apanhado pelo vício do groove. Este “OVNI de Zichron, uma pequena aldeia do norte de Israel”, como Kutiman se apresenta, tornou-se aos vinte e cinco anos na vanguarda do funk, na frente do médio-oriente. Multi-instrumentista e produtor, Kutiman iniciou-se no estudo da música aos seis anos de idade. Mais tarde, quando integrou a universidade musical de Rimon, em Tel Aviv, descobre, através do seu amigo e cúmplice Dj Sabbo, a música de James Brown e de Fela Kuti e a sua dieta de jazz começa a ser quebrada com gordas quantidades de breaks calóricos. Depois de vários singles receberem destaque na imprensa e rotação nas malas de alguns dos maiores Djs internacionais, Kutiman lançou no final do ano passado o álbum homónimo de estreia, onde desde no primeiro compasso se instala a sensação de estarmos a iniciar uma verdadeira viagem à galáxia do groove. Imaginem a música que se poderia ouvir no lounge cósmico na abertura do filme 2001: Odisseia no Espaço, misturado com as possíveis visões de Barbarella sobre o efeito da droga do amor. Tudo isto, compilado numa cassete para ouvir nas rodagens de Shaft in Africa, a soar como se os “Fabulosos Quatro”, fossem afinal negros e tivessem vindo de Lagos, na Nigéria. Ou seja, música a cruzar os limites do nosso tempo, repleta de visões de funk e afrobeat, coloridas

pelo psicadelismo, a servir unicamente os propósitos da evasão. Num disco baseado na instrumentação clássica de uma banda de funk, interpretada na sua maioria pelo próprio Kutiman, esta estreia guarda na produção e na originalidade dos arranjos, o toque de modernidade que garante o sabor contemporâneo da nova geração do funk deste milénio. Manipulando a mesma matéria-prima, mas numa perspectiva do hip-hop, Dj Ride oferece na sua estreia, uma colecção de temas onde o “turntablismo” se associa às sonoridades quentes dos sintetizadores vintage e ao poder universal dos breaks. Chegando mesmo a arriscar com sucesso o formato das canções, Ride, um duplo campeão nacional de scratch no circuito ITF (International Turntablism Federation) apresenta no seu disco, Turntable Food, um conjunto de argumentos para esperar o melhor de um futuro, que agora se descobre. Mas acima de tudo, revela uma capacidade de criar um universo próprio a partir de uma tradição que continua, mais de trinta anos depois, a se renovar.

pag esq:

nesta pag:

Músico Kutiman, Tel-Aviv

Dj Ride, Caldas da Rainha

O funk e os seus mestres, devem observar das estrelas com um sorriso dourado, esta nova revolução. KUTIMAN-LUTIMAN, MELTING POT 2007 DJ RIDE- TURNTABLE FOOD, LOOP 2007


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novas tecnologias Vestuário e tecnologia A simbiose entre o vestuário e a tecnologia continua e reflecte as preocupações da nossa época. Neste número, apresento três exemplos que versam sobre a saúde, o desporto e a ecologia. por Michele Santos Moda Solar Numa época em que se acentuam cada vez mais as opções pelas energias alternativas, a moda tenta também seguir as boas práticas nesta área. Começa-se a falar, e a comercializar, a moda solar. Existem várias peças, desde acessórios a parkas, com estes dispositivos, que servem para armazenar os raios solares e transformá-los em energia. A energia armazenada serve para carregar pequenos dispositivos, como PDAs, telefones ou MP3. Uma das empresas que comercializa este tipo de produtos é a SOLARC, que em colaboração com a Artbag24 desenharam alguns modelos de malas. www.solarc.de

Vestuário que monitoriza o coração A NuMetrex tem uma linha de vestuário desportivo que usa um tecido inteligente, onde estão incorporadas fibras sensitivas, que monitoriza o ritmo cardíaco. Estas peças de vestuário vêm substituir as tiras de elástico e borracha que em contacto com a pele avaliavam o ritmo cardíaco. A NuMetrex oferece uma alternativa mais confortável, incorporando nas várias peças, adequadas à prática de exercício físico, este sistema que transmite as informações recolhidas para um relógio de pulso ou máquina de exercício físico compatível. Os eléctrodos têxteis são incorporados na malha de modo a acompanhar os movimentos, por isso, quando nos movemos, a malha e os eléctrodos também se movem. Estes eléctrodos, em contacto com a pele, sentem o pulsar do coração. Um pequeno transmissor é colocado num bolso, na frente da peça, permitindo a comunicação dos dados do batimento cardíaco para outro dispositivo compatível. As peças são feitas em malha sem costuras, numa mistura de nylon e Lycra ®, conferindo aos seus utilizadores uma sensação de segunda pele. www.numetrex.com

O desporto de elite e a moda avant garde de Comme des Garçons A Speedo na criação do seu último modelo de fatos de banho LZR Racer, em conjunto com uma das marcas de moda mais influentes, a Comme des Garçons apresentaram, não só o fato de banho mais rápido e inovativo, como também, o mais criativo e apelativo. O fato é construído com o exclusivo tecido LZR Pulse da Speedo. Ultra leve, potente e repelente à água, o LZR Pulse reduz as oscilações musculares e as vibrações da pele através da compressão que o tecido faz na pele. Este tecido de secagem rápida oferece também menos atrito que a pele humana. Um estabilizador interno, na zona da cintura abdominal, comprime e ajuda a manter o corpo na posição adequada, debaixo de água, durante mais tempo.

As costuras são coladas, criando uma superfície suave e flexível. Mais de 400 atletas de elite foram medidos, com o auxílio de um scanner 3D, para melhor adaptar o molde do fato do banho, à forma dos seus corpos. Dentro de alguns meses veremos desfilá-los, não nas passerelles, mas no cais da piscina olímpica de Pequim, onde os nadadores mais talentosos os farão brilhar dentro e fora de água. Um exemplo da mistura de competências e da criação de um bom design , nas vertentes técnicas, funcionais, estéticas e user centered design . www.speedo80.com/lzr-racer/


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novas tecnologias Vestuário e tecnologia A simbiose entre o vestuário e a tecnologia continua e reflecte as preocupações da nossa época. Neste número, apresento três exemplos que versam sobre a saúde, o desporto e a ecologia. por Michele Santos Moda Solar Numa época em que se acentuam cada vez mais as opções pelas energias alternativas, a moda tenta também seguir as boas práticas nesta área. Começa-se a falar, e a comercializar, a moda solar. Existem várias peças, desde acessórios a parkas, com estes dispositivos, que servem para armazenar os raios solares e transformá-los em energia. A energia armazenada serve para carregar pequenos dispositivos, como PDAs, telefones ou MP3. Uma das empresas que comercializa este tipo de produtos é a SOLARC, que em colaboração com a Artbag24 desenharam alguns modelos de malas. www.solarc.de

Vestuário que monitoriza o coração A NuMetrex tem uma linha de vestuário desportivo que usa um tecido inteligente, onde estão incorporadas fibras sensitivas, que monitoriza o ritmo cardíaco. Estas peças de vestuário vêm substituir as tiras de elástico e borracha que em contacto com a pele avaliavam o ritmo cardíaco. A NuMetrex oferece uma alternativa mais confortável, incorporando nas várias peças, adequadas à prática de exercício físico, este sistema que transmite as informações recolhidas para um relógio de pulso ou máquina de exercício físico compatível. Os eléctrodos têxteis são incorporados na malha de modo a acompanhar os movimentos, por isso, quando nos movemos, a malha e os eléctrodos também se movem. Estes eléctrodos, em contacto com a pele, sentem o pulsar do coração. Um pequeno transmissor é colocado num bolso, na frente da peça, permitindo a comunicação dos dados do batimento cardíaco para outro dispositivo compatível. As peças são feitas em malha sem costuras, numa mistura de nylon e Lycra ®, conferindo aos seus utilizadores uma sensação de segunda pele. www.numetrex.com

O desporto de elite e a moda avant garde de Comme des Garçons A Speedo na criação do seu último modelo de fatos de banho LZR Racer, em conjunto com uma das marcas de moda mais influentes, a Comme des Garçons apresentaram, não só o fato de banho mais rápido e inovativo, como também, o mais criativo e apelativo. O fato é construído com o exclusivo tecido LZR Pulse da Speedo. Ultra leve, potente e repelente à água, o LZR Pulse reduz as oscilações musculares e as vibrações da pele através da compressão que o tecido faz na pele. Este tecido de secagem rápida oferece também menos atrito que a pele humana. Um estabilizador interno, na zona da cintura abdominal, comprime e ajuda a manter o corpo na posição adequada, debaixo de água, durante mais tempo.

As costuras são coladas, criando uma superfície suave e flexível. Mais de 400 atletas de elite foram medidos, com o auxílio de um scanner 3D, para melhor adaptar o molde do fato do banho, à forma dos seus corpos. Dentro de alguns meses veremos desfilá-los, não nas passerelles, mas no cais da piscina olímpica de Pequim, onde os nadadores mais talentosos os farão brilhar dentro e fora de água. Um exemplo da mistura de competências e da criação de um bom design , nas vertentes técnicas, funcionais, estéticas e user centered design . www.speedo80.com/lzr-racer/


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expos moda BIJUTARIA DE DIETER ROTH 1 Em colaboração com as Edições Periferia de Lucerne (Suíça) o Museu das Artes Decorativas em Paris, apresenta uma exposição de bijutaria de Dieter Roth que reúne um conjunto de peças inovadoras desenhadas pelo artista nas décadas de 60 e 70, consideradas verdadeiras obras de arte portáteis. Dieter Roth (1930/1998), pintor, escultor, designer, poeta, realizador de cinema, escritor e comissário das suas próprias exposições, é considerado actualmente um dos mais influentes criadores do século XX. Esta exposição apresenta seis modelos de “anéis-esculturas” transformáveis, dando a possibilidade de obter cerca de 40 anéis diferentes! Documentos, desenhos, croquis, cartas, e postais enviados por Dieter a Hans Langenbacher (ourives Suíço proprietário da colecção), permitem acompanhar passo a passo toda a interactividade entre o artista e o ourives. Exposição a ver brevemente no MUDAC. www.mudac.ch

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DYS-FASHIONAL Adventures in Post Style 2 Esta é uma exposição dedicada à Moda mas que não expõe vestuário. Mete em cena todas as matérias que fazem da Moda um dispositivo de representação de migração identitária. “Moda” é um termo que designa vestuário e mudanças sazonais mas o fenómeno “Moda” na sociedade pós-moderna ultrapassa o domínio estético para se tornar sensação, ritmo espaço e ainda mais, uma disposição global do indivíduo que delega à aparência mutável a capacidade de se definir. A ideia desta exposição é de inverter os princípios e convidar os criadores de Moda a não apresentarem as suas colecções, mas a realizarem instalações que exprimam o seu universo e imaginário. Hussein Chalayan, Jean Colonna & Jeff Burton, Hiroaki Ohya, Maison Martin Margiela, Antonio Marras, Grit & Jerszy, SHOWstudio, Raf Simons, Sissel Tolaas e Gaspard Yurkievich construíram os seus ambientes, objectos e filmes, num horizonte complexo, plural onde a Moda está presente para lá dos objectos que a materializam, como um laboratório de experiências ou como um estado de sensibilidade. Um espaço híbrido entre o atelier, a galeria e o concept store. Um lugar inteiramente consagrado aos artistas e designers emergentes que exploram as zonas de fronteira da Moda contemporânea. No MUDAC. MUDAC- Musée de Design et d’Arts appliqués contemporains Pl. de la Cathédrale 6, Lausanne

Denis Piel apresenta FACESCAPES no Museu Nacional do Traje e da Moda 3 O Museu Nacional do Traje e da Moda expõe de 18 de Abril a 19 de Outubro de 2008, o trabalho de Denis Piel composto por fotografia de grande formato e trabalhos multimédia. “FACESCAPES pretende explorar a essência comum da condição humana, apresentando imagens de rostos que revelam, de perto, como a vida deixou a sua marca – como o tempo 3 e a experiência altera o rosto assim como o clima e a intervenção humana alteram a topografia da paisagem natural. São fotografias abstractas, estáticas, frontais e, por vezes, análises dramáticas”. O trabalho de Denis Piel (França 1944) dispensa apresentações. Fotógrafo, realizador e escritor, com uma sólida carreira de 45 anos, dedicou-se à publicidade e à moda onde efectuou variadas campanhas para grandes marcas e trabalhou nas mais conceituadas revistas. Em paralelo, Denis tem exposto o seu trabalho um pouco por todo o mundo. Fotografia Denis Piel

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VÉRONIQUE BRANQUINHO TOuTe NUe 4 O Museu da Moda de Anvers (MoMu) apresenta de 12 de Março a 17 de Agosto a exposição VÉRONIQUE BRANQUINHO TOuTe NUe para celebrar os 10 anos de carreira da criadora belga. Através desta retrospectiva, Véronique dá a conhecer o seu mundo ambíguo oferecendo uma visão de temas múltiplos que dominam o seu trabalho e conferem às colecções uma assinatura inequívoca. Referências como o cinema, música e fotografia estão presentes no trabalho da criadora. Véronique caracteriza-se por uma constante dualidade: seduzir e rejeitar. A mulher que a criadora representa é inocente e sensual; bem humorada e segura; misteriosa e complexa. Na concepção desta exposição, Véronique contou com o apoio do Collectif Blitz MoMu- Mode Museum Provincie Antwerpen Nationalestraat 28, B-2000 Anvers. Tel +32 3 470 27 70 www.momu.be Fotografia Ronald Stoops Fotografia Denis Piel

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“De clics en couacs! Copie sur internet” No Museu da Contrafacção 5 Uma exposição que tem como objectivo alertar a vigilância dos consumidores que efectuam compras através da Internet e que estão sujeitos a serem enganados ou roubados. Desvenda igualmente o panorama da ciber-criminalidade mostrando como as cópias proliferam em determinados sites de venda, muitos deles dedicados somente à cultura da falsificação. Mostra-nos como sites não oficiais das marcas, distorcem a verdadeira essência do “particular ao particular” e como redes organizadas oferecem aos falsificadores industriais, informações que os ajudam distribuir as suas falsificações. No rol encontram-se produtos de luxo, medicamentos, produtos alimentares e brinquedos. No museu da contrafacção, criado em 1951 pela Union des Fabricants, podemos encontrar igualmente a exposição permanente que de forma didáctica informa o público acerca da contrafacção e a sua repercussão sobre a economia mundial. Apela à tomada de consciência para a importância da propriedade industrial e dá a conhecer as sanções previstas pela lei. Único no seu género, apresenta um inventário bastante diversificado de produtos autênticos e contrafeitos dando a oportunidade ao visitante de comparar e ver as diferenças: bronzes de Rodin, perfumes, tabacos, dicionários, programas informáticos, CD/DVD, louça, marroquinaria, peças de automóveis, etc.

HERMÈS e a Arte Nómada: 6 No Museu de Arte Contemporânea de Castilha e León, podemos encontrar a H Box, a mais recente proposta de Arte Nómada da casa Hermès. Concebida por Didier Fiuza Faustino, artista e arquitecto e Benjamin Weil (responsável pela direcção artística), esta espécie de nave futurista projectará anualmente criações de oito artistas cineastas em diferentes países. O projecto foi iniciado no mês de Novembro no Centro George Pompidou em Paris, e seguiu para Espanha onde esteve até ao dia 4 de Maio, onde “voará” para o MUDAM , Museu de Arte Moderna Grand-Duc Jean no Luxemburgo até 23 de Junho. De 2 a 31 de julho estará patente na Tate Modern, Londres. www.musac.es www.mudam.lu www.tate.org.uk

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www.mudac.ch Musée de la Contrefaçon, 16, rue de la Faisanderie. 75116 Paris. Tel +33 (01).56.26.14.00 Exposição temporária até Maio de 2008

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expos moda BIJUTARIA DE DIETER ROTH 1 Em colaboração com as Edições Periferia de Lucerne (Suíça) o Museu das Artes Decorativas em Paris, apresenta uma exposição de bijutaria de Dieter Roth que reúne um conjunto de peças inovadoras desenhadas pelo artista nas décadas de 60 e 70, consideradas verdadeiras obras de arte portáteis. Dieter Roth (1930/1998), pintor, escultor, designer, poeta, realizador de cinema, escritor e comissário das suas próprias exposições, é considerado actualmente um dos mais influentes criadores do século XX. Esta exposição apresenta seis modelos de “anéis-esculturas” transformáveis, dando a possibilidade de obter cerca de 40 anéis diferentes! Documentos, desenhos, croquis, cartas, e postais enviados por Dieter a Hans Langenbacher (ourives Suíço proprietário da colecção), permitem acompanhar passo a passo toda a interactividade entre o artista e o ourives. Exposição a ver brevemente no MUDAC. www.mudac.ch

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DYS-FASHIONAL Adventures in Post Style 2 Esta é uma exposição dedicada à Moda mas que não expõe vestuário. Mete em cena todas as matérias que fazem da Moda um dispositivo de representação de migração identitária. “Moda” é um termo que designa vestuário e mudanças sazonais mas o fenómeno “Moda” na sociedade pós-moderna ultrapassa o domínio estético para se tornar sensação, ritmo espaço e ainda mais, uma disposição global do indivíduo que delega à aparência mutável a capacidade de se definir. A ideia desta exposição é de inverter os princípios e convidar os criadores de Moda a não apresentarem as suas colecções, mas a realizarem instalações que exprimam o seu universo e imaginário. Hussein Chalayan, Jean Colonna & Jeff Burton, Hiroaki Ohya, Maison Martin Margiela, Antonio Marras, Grit & Jerszy, SHOWstudio, Raf Simons, Sissel Tolaas e Gaspard Yurkievich construíram os seus ambientes, objectos e filmes, num horizonte complexo, plural onde a Moda está presente para lá dos objectos que a materializam, como um laboratório de experiências ou como um estado de sensibilidade. Um espaço híbrido entre o atelier, a galeria e o concept store. Um lugar inteiramente consagrado aos artistas e designers emergentes que exploram as zonas de fronteira da Moda contemporânea. No MUDAC. MUDAC- Musée de Design et d’Arts appliqués contemporains Pl. de la Cathédrale 6, Lausanne

Denis Piel apresenta FACESCAPES no Museu Nacional do Traje e da Moda 3 O Museu Nacional do Traje e da Moda expõe de 18 de Abril a 19 de Outubro de 2008, o trabalho de Denis Piel composto por fotografia de grande formato e trabalhos multimédia. “FACESCAPES pretende explorar a essência comum da condição humana, apresentando imagens de rostos que revelam, de perto, como a vida deixou a sua marca – como o tempo 3 e a experiência altera o rosto assim como o clima e a intervenção humana alteram a topografia da paisagem natural. São fotografias abstractas, estáticas, frontais e, por vezes, análises dramáticas”. O trabalho de Denis Piel (França 1944) dispensa apresentações. Fotógrafo, realizador e escritor, com uma sólida carreira de 45 anos, dedicou-se à publicidade e à moda onde efectuou variadas campanhas para grandes marcas e trabalhou nas mais conceituadas revistas. Em paralelo, Denis tem exposto o seu trabalho um pouco por todo o mundo. Fotografia Denis Piel

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VÉRONIQUE BRANQUINHO TOuTe NUe 4 O Museu da Moda de Anvers (MoMu) apresenta de 12 de Março a 17 de Agosto a exposição VÉRONIQUE BRANQUINHO TOuTe NUe para celebrar os 10 anos de carreira da criadora belga. Através desta retrospectiva, Véronique dá a conhecer o seu mundo ambíguo oferecendo uma visão de temas múltiplos que dominam o seu trabalho e conferem às colecções uma assinatura inequívoca. Referências como o cinema, música e fotografia estão presentes no trabalho da criadora. Véronique caracteriza-se por uma constante dualidade: seduzir e rejeitar. A mulher que a criadora representa é inocente e sensual; bem humorada e segura; misteriosa e complexa. Na concepção desta exposição, Véronique contou com o apoio do Collectif Blitz MoMu- Mode Museum Provincie Antwerpen Nationalestraat 28, B-2000 Anvers. Tel +32 3 470 27 70 www.momu.be Fotografia Ronald Stoops Fotografia Denis Piel

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“De clics en couacs! Copie sur internet” No Museu da Contrafacção 5 Uma exposição que tem como objectivo alertar a vigilância dos consumidores que efectuam compras através da Internet e que estão sujeitos a serem enganados ou roubados. Desvenda igualmente o panorama da ciber-criminalidade mostrando como as cópias proliferam em determinados sites de venda, muitos deles dedicados somente à cultura da falsificação. Mostra-nos como sites não oficiais das marcas, distorcem a verdadeira essência do “particular ao particular” e como redes organizadas oferecem aos falsificadores industriais, informações que os ajudam distribuir as suas falsificações. No rol encontram-se produtos de luxo, medicamentos, produtos alimentares e brinquedos. No museu da contrafacção, criado em 1951 pela Union des Fabricants, podemos encontrar igualmente a exposição permanente que de forma didáctica informa o público acerca da contrafacção e a sua repercussão sobre a economia mundial. Apela à tomada de consciência para a importância da propriedade industrial e dá a conhecer as sanções previstas pela lei. Único no seu género, apresenta um inventário bastante diversificado de produtos autênticos e contrafeitos dando a oportunidade ao visitante de comparar e ver as diferenças: bronzes de Rodin, perfumes, tabacos, dicionários, programas informáticos, CD/DVD, louça, marroquinaria, peças de automóveis, etc.

HERMÈS e a Arte Nómada: 6 No Museu de Arte Contemporânea de Castilha e León, podemos encontrar a H Box, a mais recente proposta de Arte Nómada da casa Hermès. Concebida por Didier Fiuza Faustino, artista e arquitecto e Benjamin Weil (responsável pela direcção artística), esta espécie de nave futurista projectará anualmente criações de oito artistas cineastas em diferentes países. O projecto foi iniciado no mês de Novembro no Centro George Pompidou em Paris, e seguiu para Espanha onde esteve até ao dia 4 de Maio, onde “voará” para o MUDAM , Museu de Arte Moderna Grand-Duc Jean no Luxemburgo até 23 de Junho. De 2 a 31 de julho estará patente na Tate Modern, Londres. www.musac.es www.mudam.lu www.tate.org.uk

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www.mudac.ch Musée de la Contrefaçon, 16, rue de la Faisanderie. 75116 Paris. Tel +33 (01).56.26.14.00 Exposição temporária até Maio de 2008

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r.i.p. Yves Henri Donat Mathieu-Saint-Laurent Orão, 1 de Agosto de 1936 – Paris, 1 de Junho de 2008

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Pure Magazine is a fashion magazine dealing with various areas and aims to explore themes related to contemporary culture. It is a magazine...