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Preocupação com o PUCRS cria Ambulatório do Envelhecimento Indígena 4Por BIANCA GARRIDO

Em pleno século 21, o índio brasileiro vive em média 45 anos, enquanto o brasileiro não indígena alcança, com saúde, 73 anos. Os dados, divulgados no último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, são alarmantes. A realidade preocupa ainda mais quando se verificam quais doenças matam esta população: parasitoses, malária, pneumonias e tuberculose – passíveis de cura por meio de tratamento adequado. Preocupados com essa realidade, o diretor do Instituto de Geriatria e Gerontologia (IGG) da PUCRS, Newton Terra, e o coordenador do Núcleo de Pesquisa da Cultura Indígena da Universidade (Nep­ci), Ir. Édison Hüttner, uniram-se

índio

para criar o primeiro Ambulatório do Envelhecimento Indígena, que ficará localizado junto ao IGG, no 3º andar do Hospital São Lucas. “A expectativa é realizar um mapeamento completo da saúde do índio gaúcho e brasileiro, com o que chamamos de avaliação geriátrica global. Saberemos como vive o índio, o que ele come e como está a sua saúde”, explica Terra. “Eles não podem viver 30 anos menos que a média do brasileiro não índio e nada ser feito em relação a isso”. Os pacientes de todo o Rio Grande do Sul serão encaminhados via Sistema Único de Saúde (SUS) pelos postos de saúde dos seus muni-

cípios. Ao chegar no IGG, passarão por avaliações completas, envolvendo médicos geriatras, nutricionistas, educadores físicos, fonoaudiólogos e dentistas. Serão feitos exames laboratoriais como hemograma, glicose, colesterol, triglicerídeos, entre outros; de imagens, incluindo ecografias, mamografias, raio x, tomografias, ressonâncias magnéticas e densitometrias ósseas; exames de traçados, como ergometria e eletrocardiograma de repouso e testes, como miniexame do estado mental, atividades instrumentais e básicas da vida diá­ ria, escala de depressão geriátrica, audiometria e espirometria.

Alegria e comida como fontes de fotos: gilson oliveira

PUCRS Informação

esteve por uma manhã conversando com integrantes da tribo kaingang que reside na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre. No local vivem 127 indígenas, 30 deles idosos. São 26 famílias em 17 casas construídas em 2003, numa parceria da Prefeitura com o governo espanhol. Na Escola de Ensino Fundamental Fág Nhinhy, estudam 70 crianças. Há lindas histórias de vida dos moradores e de índios idosos com muita saúde. Vice-cacique: Kachú, de nome brasileiro “A depressão João Carlos Kanheró, aos 94 anos – aparentando, no máatingiu índios da ximo, 70 –, conta que o seu segredo para ser longevo é tribo na vinda para a Capital” a felicidade, além do desejo de relatar aos filhos, netos e sobrinhos tudo o que aprendeu e viveu. “A alegria entrou cedo no meu coração e na minha mente. Nunca me preocupei demais com a vida e soube enfrentar os desafios. Sempre me tratei com semente e fruta do mato, comi peixe, almeirão do mato, que 28

4 PUCRS INFORMAÇÃO Nº 160 4 julho-agosto/2012

é comida de índio, milho torrado na panela, feijão, fruta e verdura. Mas hoje isso mudou e o índio come azeite, que enfraquece o sangue. A carne já não é mais pura. O porco e a galinha são engordados com ração, cheios de porcaria. Nem a cachaça que o índio toma é pura, é Kachú, 94 anos: “A alegria entrou cedo no meu coração e na minha mente”

veneno. Acho que o índio não pode perder a sua linguagem e a sua cultura. A sabedoria que tenho é interna, indígena, ensinada pela minha mãe e pelo meu pai”, conta Kachú. O vice-cacique da tribo, Felipe da Silva, 64 anos, considera muito importante a preocupação da PUCRS com a

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Revista PUCRS Informação nº 160  

Revista PUCRS Informação nº 160 | Julho-Agosto/2012 | Ano XXXIII

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