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Boas práticas para o gerenciamento de equipamentos hospitalares Dra. Waleska: sucesso à frente da Hospitalar Panorama da situação dos médicos no Brasil

Telemedicina ao alcance de todos

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EDITORIAL

O novo caderno eHealth_Innovation Inicialmente gostaria de agradecer as manifestações de carinho que recebemos de nossos leitores e anunciantes com relação à nova diagramação e conteúdo da revista, que teve início na edição anterior. Desta vez, temos como lançamento o caderno eHealth_Innovation, que, com informações específicas sobre tecnologia da informação em Saúde, passa a integrar todas as edições. E para agregar ainda mais valor a esse caderno, estabelecemos uma parceria com o Dr. Chao Lung Wen, Professor Associado e Chefe da Disciplina de Telemedicina da FMUSP e Presidente do Conselho Brasileiro de Telemedicina e Telessaúde, que a partir de agora passa a atuar como Conselheiro Editorial. Dando sequência ao projeto de modernização, procuramos colocar na pauta assuntos que ganharam destaque na mídia e que tiveram ampla repercussão nos meios de comunicação nacional e internacional. É o caso da matéria sobre a médica que foi acusada de acelerar a morte de pacientes em um hospital de Curitiba, chamando a atenção para uma questão muitíssimo importante: a administração das UTIs brasileiras. Com o apoio da AMIB – Associação de Medicina intensiva Brasileira, a matéria discorre sobre a RDC-7 da Anvisa, que entrou em vigor em fevereiro, objetivando estabelecer padrões mínimos para o funcionamento das UTIs brasileiras. O artigo assinado por Dênis Calazans também vai ao encontro desse critério. Nele, o Secretário Geral da SBCP, Membro da Câmara Técnica de Cirurgia Plástica do Conselho Federal de Medicina e do CREMESP, aborda a mercantilização da Medicina nas cirurgias plásticas, que, a despeito de todos os esforços dos Conselhos Regionais de Medicina e da Sociedade Brasileira de Cirurgias Plásticas, permanece crescendo. O autor manifestou sua preocupação com o comércio que se instalou sobre a especialidade e os riscos que isso traz, o que pode ser constatado pelas recentes mortes de pacientes submetidas ao procedimento. Com relação ao lançamento da versão para tablet e smartphones, também temos motivos para comemorar, já que o número de acessos vem superando, em muito, nossas expectativas. Não deixe de aproveitar esse conteúdo interativo da revista, recheada de fotos e vídeos que complementam os assuntos abordados na versão impressa. Baixe agora o app.

Diretora Administrativa Vanessa Borjuca F. A. Santos vanessa@publimededitora.com.br

Gerente de Relacionamento Andréa Neves de Mendonça andrea@publimededitora.com.br

Diretora de Redação Leda Lúcia Borjuca - MTb 50488 DRT/SP leda@publimededitora.com.br

Design Gráfico e Criação Publicitária Lilian Carmona imake.arte@gmail.com

Jornalista Carol Gonçalves - MTb 59413 DRT/SP carol@publimededitora.com.br Redatora de Conteúdo Web Luiza Neves de Mendonça luiza@publimededitora.com.br Gerentes de Negócios Marcio Augusto Gama gama@publimededitora.com.br Ronaldo de Almeida Santos ronaldo@publimededitora.com.br

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Edição de Arte Cotta Produções Gráficas atendimento@cotta.art.br

Ano X - Nº60 - MAR | ABR 2013

Circulação: Abril 2013

Não é permitida a reprodução total ou parcial de artigos e/ou matérias sem a permissão prévia por escrito da editora. A Revista Hospitais Brasil é uma publicação da PUBLIMED EDITORA LTDA., tendo o seu registro arquivado no INPI-Instituto Nacional de Propaganda Industrial e Intelectual.

Tiragem e Circulação auditadas

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A Revista Hospitais Brasil é distribuída gratuitamente em hospitais, clínicas, santas casas, secretarias de saúde, universidades e demais estabelecimentos de saúde em todo o país. A Revista Hospitais Brasil não se responsabiliza por conceitos emitidos através de entrevistas e artigos assinados, uma vez que estes expressam a opinião de seus autores e também pelas informações e qualidade dos produtos, equipamentos e/ou serviços constantes nos anúncios, bem como sua regulamentação junto aos órgãos competentes, sendo estes de exclusiva responsabilidade das empresas anunciantes.

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EXPEDIENTE Assistente Comercial Nádia Silva de Nadai nadia@publimededitora.com.br

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Espero que gostem! Boa leitura e até a próxima edição.

Diretor Geral Adilson Luiz Furlan de Mendonça adilson@publimededitora.com.br

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Redação, Publicidade e Assinaturas: Rua Prof. Castro Pereira, 141 - 02523-010 São Paulo/SP - Tel.: 11 3966 2000 www.publimededitora.com.br www.revistahospitaisbrasil.com.br Colaboradores desta edição Ana Neri (Imagem Corporativa), Jaqueline Pereira (CDN Com. Corporativa), Márcia Wirth (MW Comunicação), Jossiani Braga (NOTE! Comunicação), Eduardo Martins e Sandresa Carvalho (Ascom – SES-RJ), Aline Morais (Serifa Comunicação), Carolina Fagnani e Fernanda Fahel (Atributo Brasil), Melissa Castro (Dot News), Cristine Bartchewsky (Medialink), Carolina Freitas (RMA Comunicação), Clarissa Perillo (CDN), Eli Serenza (Ass. Imprensa da ONA), Heloísa Paiva (Press Página), Laila Damasceno (Idê Comunicação), Bruna Marconi (Printer Press), Silvana Thomaz (Painel de Notícias), Vanessa Brauer (Doc Press), Camila Duran (Máquina Public Relations), Juliana Coimbra(Exclusiva!BR), Ana Pontes (Rojas Comunicação), Rejane Sousa (CDI), Luciana Bulgarelli (SD&Press), Daniel Rinaldi (Euro Comunicação), Roberto Mattus (ass. Com. CIEE), Luciane Belin (LFCom), Tales Ponce (Misasi), além de Ronei Thezolin (Ascom Unicamp), Soraya Garson (Ameplan), Mirtes Bogéa (Hosp. Albert Einstein), Anesia Pinto (Clínica São Vicente), Pedro Orlandi (Asscom Unifesp), Aline Godo (Inst. Bairral), Renildo Meurer (Hosp.de Clínicas da UFPR), Roberto Dezorzi (Consaúde) e Bárbara Semerene (Asscom Ministério da Saúde).

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o Carta d Leitor

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“Gostaria de parabenizar a equipe da Revista Hospitais Brasil pela nova diagramação e conteúdo editorial da edição janeiro/fevereiro. A revista está linda, moderna, atual e gostosa de ser lida. E isso, independentemente da matéria sobre minha empresa publicada na página 74, que por sinal, ficou ótima. Abraços a todos.”

Alexandre Nardi, Diretor da Fami – Fábrica de Artefatos Metalúrgicos Itá

“Como médico de um hospital público, já estou habituado a utilizar a Revista Hospitais Brasil para atualização profissional e desempenho de minhas funções diárias.”

Dr. Mauricio Tadeu Mendonça, Médico Pediatra do Pronto-Socorro Municipal 21 de Junho (São Paulo/SP)

“Sou fã da Revista Hospitais Brasil tanto em relação ao conteúdo quanto à qualificação e atendimento de seus profissionais. Quero agradecer pela publicação da matéria ‘Tecnologia - Automação da comunicação oferece rapidez e segurança no atendimento’ (edição 59), que foi escrita de forma clara, criteriosa e objetiva. Parabenizo toda a equipe da revista pela nova diagramação e pelo constante trabalho ético e transparente.” Liliana Chiodo Cherfen, Sócia Administradora da Salutem (Sincron)

“Achei a revista mais ‘leve’ e agradável. Digna de elogios!!! Parabéns pelas melhorias constantes e obrigado pela parceria.” Luiz Guilherme Mucciolo, Diretor da Konex Ind. e Com.

“Ficou muito boa a nova ‘cara’ da revista. Só estimo que doravante deem mais atenção aos importadores que, sem dúvida, são os reais impulsionadores das tecnologias de ponta no mercado nacional, já que aqui pouco se investe em pesquisa de novos produtos. Parabenizo pela ótima reportagem na seção Profissão, sobre o registro de Obstetras. Sugiro uma sobre a profissão Optometrista, que o ‘lobby’ dos oftalmologistas não permite que exista no Brasil. Nos países desenvolvidos não há a incoerência de se pagar por uma consulta médica somente para aferir o grau de refração dos olhos simplesmente para fazer um par de óculos.” Flavio Lemos, Diretor da Efe Consultoria e Importação

Fale com a redação: redacao@publimededitora.com.br

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S U M A´R I O

CONTROLE Incoterm mostra como o monitoramento de temperatura pode evitar problemas e desperdícios

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QUALIDADE A Acreditação é uma ferramenta poderosa de gestão, que, quando utilizada em uma rede de estabelecimentos, indica sua eficiência

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JURÍDICO Sandra Franco fala sobre a importância de se discutir como evitar a ocorrência de erros na prestação de serviços de saúde

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ATUALIDADE Em meio à polêmica da médica do Paraná, entra em vigor a RDC-7 da Anvisa, que regulamenta a administração das UTIs

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ACONTECE eHealth_Innovation Novidades do setor

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TECNOLOGIA A biometria como opção viável para garantir o acesso a determinados setores de hospitais e clínicas, sem dificultar o fluxo do trabalho

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NA PRÁTICA Instituto Bairral é pioneiro no uso da prescrição eletrônica de longa permanência e auxiliou a Wareline a desenvolver o módulo

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HUMANIZAÇÃO Hospital Erasto Gaertner aborda o desafio de desenvolver ações para minimizar os impactos do tratamento oncológico

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TERAPIA Orquestra Londrinense de Viola Caipira leva alegria e esperança a pacientes e profissionais de saúde

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MATERNIDADE Falta de privacidade em UTI’s neonatais desestimula mães que precisam alimentar recém-nascidos de baixo peso

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INFRAESTRUTURA Coluna de José Cleber Santos aponta para a necessidade de se levar em conta as atividades-fim em um projeto hospitalar

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PARCERIA Telefônica e USP fazem aliança na área de Telemedicina

PROFISSÃO Estudo do CFM e do Cremesp revela que número de médicos é crescente, mas ainda há problemas de má distribuição

EVENTO Abimo promove I Encontro Anual de Associados com novidades da entidade e conquistas do setor TENDÊNCIA Desospitalização não significa dar alta precocemente ao paciente, mas fornecer suporte à continuidade do tratamento em casa NEONATOLOGIA Com tecnologia LED, equipamento da Fanem reduz em 40% tempo de tratamento da icterícia neonatal

TRATAMENTO Dorja mostra como profissionais e instituições devem se preparar para atender casos de doenças respiratórias GESTÃO Colunista Genésio Korbes defende a importância do posicionamento estratégico para a sobrevivência das indústrias

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MATÉRIA TÉCNICA

Engenheiros clínicos apontam as diretrizes principais para a tarefa de gerenciar recursos tecnológicos em saúde

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CENTRO CIRÚRGICO Sala Híbrida ganha a adesão dos principais hospitais brasileiros, trazendo modernidade à estrutura operacional

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RECURSOS HUMANOS Prof. Fabrizio Rosso cita três preceitos na posição de liderança e conta uma interessante fábula

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NEGÓCIOS Hospitais revelam estratégias de negociação de OPMEs, que resultaram em ganhos de escala e diminuição de glosas

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REGULAMENTAÇÃO Linde destaca a importância das normas que garantem a qualidade do uso e fornecimento de gases medicinais

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HB - BENEFICÊNCIA O hospital acaba de inaugurar o Instituto do Fígado e um novo centro cirúrgico, que recebeu investimentos de R$ 45 milhões

PROCEDIMENTO Deltronix lança bisturis eletrônicos que permitem o trabalho simultâneo e independente de dois cirurgiões

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PRODUTOS E SERVIÇOS Novidades em equipamentos e serviços hospitalares

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INOVAÇÃO

Desenvolvido na Unicamp, estimulador de nervos digital atenua riscos e efeitos colaterais das anestesias regionais

VIA INTERNET Plataforma eletrônica da PróSaúde auxilia instituições de saúde e fornecedores a planejarem melhor os negócios MOBILIÁRIO Health Móveis & Carrinhos mostra que planejar o ambiente hospitalar auxilia na recuperação dos pacientes

ACONTECE Novidades sobre eventos, parcerias e ações de ampliação, responsabilidade social e visibilidade na web realizadas por hospitais e empresas voltadas à saúde

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LEGISLAÇÃO Dilma restringe desoneração da folha de pagamento e setor hospitalar fica de fora ACREDITAÇÃO O IBES é uma das certificadoras ONA, que avalia aspectos administrativos, operacionais e assistenciais das organizações de saúde NA WEB Funcionalidades e destaques do portal da Revista Hospitais Brasil OPINIÃO Secretário Geral da SBCP, Dênis Calazans fala sobre os perigos causados por empresários que enxergam na cirurgia plástica um veio de ganho fácil

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HB - HOSPITALYS No Rio, nasce hospital com a meta ousada de ser a melhor opção para pacientes adultos com lesões ortopédicas simples e complexas

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Empresária de sucesso à frente da Hospitalar, Dra. Waleska Santos fala sobre carreira, sonhos e os novos rumos da Saúde

Núcleos Técnicos Científicos oferecem teleconsultorias, segunda opinião formativa, telediagnósticos e teleducação para todo o país

GENTE QUE FAZ

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CADERNO EHEALTH_INNOVATION

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O perfil e a distribuição de médicos no Brasil

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Estudo do CFM e do Cremesp revela que embora cada vez mais numerosos, os médicos brasileiros se concentram em determinados territórios geográficos, em certas estruturas de atendimento e em algumas especialidades.

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Número de médicos O número de médicos em atividade no Brasil chegou a 388.015 em outubro de 2012. Com isso, se estabelece em nível nacional uma razão de dois profissionais por grupo de 1.000 habitantes, confirmando-se assim uma tendência de crescimento exponencial da categoria que já perdura 40 anos. Entre 1970, quando havia 58.994 profissionais, e o último trimestre de 2012, o número de médicos saltou 557,72%. O país nunca teve tantos médicos em atividade, devido a uma combinação de fatores: mantém-se forte a taxa de crescimento do número de profissionais mais rápido que o da população (o percentual é quase seis vezes maior), houve abertura de muitos cursos de medicina, com aumento de novos registros (mais de 4% ao ano), mais entradas que saídas de profissionais do mercado de trabalho, perfil jovem da categoria (baixa média de idade), além de maior longevidade profissional (alta média de anos trabalhados). A perspectiva atual é de manutenção dessa curva ascendente.

São Paulo O número de médicos em atividade em São Paulo chegou a 110.473 em outubro de 2012. Com taxa de 2,64 profissionais por 1.000 habitantes, o estado se posiciona acima da média nacional, ocupando o primeiro lugar em números absolutos de médicos registrados em todo o país (388.015) e o terceiro em termos proporcionais. Apesar disso, 46% destes profissionais se concentram na capital e somente 51% deles atuam no Sistema Único de Saúde (SUS). Em São Paulo, também se destaca a desigualdade percebida entre a capital e os municípios do interior do Estado. Os dados divulgados mostram que 30.585.070 cidadãos, moradores de cidades interioranas, são assistidos por 59.733 médicos. Neste conjunto de municípios, a razão médico/ habitante fica em 1,95. Por outro lado, os residentes na capital têm um índice de 4,48 médicos por 1.000 habitantes. Nos dados referentes aos médicos do SUS, o estudo faz

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ressalvas: há falhas na alimentação das bases, e médicos em regimes de plantão e terceirizados podem não constar do cadastro nacional, subestimando o número de profissionais que trabalham no sistema. Além disso, a unidade “médico do SUS” é complexa, pois existem diferenciais de especialidade, produtividade, idade, gênero, número de vínculos e carga horária dedicada ao serviço. Pelos registros do CNES, a razão é de 1,11 médico que atende SUS por 1.000 habitantes, contra uma razão de 2 por 1.000 para o conjunto dos profissionais registrados. “Para um sistema de saúde público e universal, mesmo diante das limitações das bases de dados do CNES, pode-se dizer que é insuficiente a presença de médicos no SUS”, aponta o levantamento. A reversão desse quadro, no entendimento dos conselhos de medicina, passa pela adoção urgente de medidas estruturantes na assistência em saúde. Entre elas, constam a necessidade de adoção de políticas de valorização dos profissionais, o fim da precarização dos vínculos empregatícios e a implementação de planos de carreira, cargos e vencimentos. Além delas, as entidades defendem o aumento do investimento público no setor e a criação de uma infraestrutura que garanta instalações, equipamentos e insumos para o exercício da Medicina. Outra proposta defendida pelo CFM prevê a criação de uma carreira de médico no âmbito do SUS como forma de estimular a fixação dos profissionais nas áreas consideradas de difícil provimento. “Os locais que apresentam melhores condições de atração de médicos e demais profissionais também são os que possuem vantagens de infraestrutura, estabelecimentos de saúde, maior financiamento público e privado, melhores condições de trabalho, remuneração, carreira e qualidade de vida”, ressalta d’Avila.

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O CFM – Conselho Federal de Medicina e o Cremesp – Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo lançaram o segundo volume do estudo Demografia Médica no Brasil - Cenários e Indicadores de Distribuição, coordenado pelo pesquisador Mario Scheffer, que traz informações preciosas e inéditas que agregam elementos importantes ao debate sobre o tema nas esferas pública e privada da Saúde. Segundo o Presidente do CFM, Roberto Luiz d’Avila, “as tendências reveladas podem nortear a adoção de medidas que assegurem a construção de um projeto de país e de um sistema de Saúde mais justo e solidário, orientado pelos compromissos com a qualidade da assistência, a equidade, a justiça e a ética”. O estudo responde a questões chave para o futuro da saúde e da Medicina no Brasil. Além de atualizar informações do primeiro volume, como a distribuição e a presença de médicos no Sistema Único de Saúde (SUS) e o perfil demográfico, a pesquisa traz dados inéditos sobre a migração de egressos das escolas de medicina, o perfil e a localização dos médicos formados no exterior, dentre outros. O documento pode ser acessado através do link goo. gl/6MoHJ.

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Novas escolas de medicina Não se confirma a expectativa de que as escolas médicas sejam polos em torno dos quais os médicos ali graduados exercerão a profissão. Após a conquista do diploma, os grandes centros são a opção preferencial para instalação dos médicos e atraem mais que as cidades onde se formaram ou nasceram. Para chegar a esta conclusão, foi acompanhada, ao longo de três décadas, a migração de 225.024 médicos. Foram considerados o local de nascimento, de graduação e o primeiro registro em Conselho Regional de Medicina. Também foram analisados os cancelamentos de registros, por motivo de transferência do médico de um estado a outro. A análise foi realizada de 1980 a 2009, período em que uma centena de novas escolas médicas foram criadas no país. Do universo pesquisado, 107.114 médicos se graduaram em local diferente daquele onde nasceram e, nesse grupo, 39.390 (36,8%) retornaram

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“ Sete especialidades médicas concentram 53% dos profissionais com títulos: Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Cirurgia Geral, Clínica Médica, Anestesiologia, Medicina do Trabalho e Cardiologia

ao município de onde saíram. As capitais dos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, juntas, são responsáveis por cerca de um terço desse percentual de retorno. Ainda dentro do grupo de 107.114 médicos que se graduaram em local diferente daquele onde nasceu, 27.106 (25,3%) ficaram na localidade onde se graduaram. Também nestes casos, são os centros urbanos que exercem atração sobre os egressos das escolas médicas. Cerca de 60% dos que ficaram onde se graduaram, permaneceram em sete capitais (Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Recife, Belo Horizonte, Salvador e Curitiba). Os outros 40.618 (37,9%) que se graduaram em local diferente de onde nasceram, estão hoje exercendo suas atividades ou residindo em outros lugares, diferentes daqueles onde nasceram e se graduaram. “A simples abertura de mais escolas e mais vagas não basta para reduzir as desigualdades regionais em locais de baixa concentração de médicos. Muitas das novas escolas provavelmente se transformaram em ‘repúblicas de estudantes’, com a maioria de seus graduandos migrando em direção a outros centros, assim que se formam”, aponta o estudo. De acordo com o CFM e o Cremesp, o persistente fluxo de médicos em direção aos mesmos lugares pode agravar desigualdades e gerar consequências indesejadas ao sistema de saúde brasileiro, o que não se resolverá apenas com o aumento ou a interiorização da abertura de novas escolas.  

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Formação no exterior

A revalidação automática ou facilitada de diplomas de médicos estrangeiros ou brasileiros formados no exterior, caso ocorra, não será um fator automático de redução das desigualdades de distribuição de médicos no Brasil, de acordo com o estudo. São Paulo é, de longe, a cidade que concentra o maior número de médicos formados no exterior. Do total de 6.980 profissionais com estas características e que possuem CRM, 16,30% têm endereço de domicílio ou de trabalho na Capital. Outros 836 estão no interior paulista. Juntamente com Rio de Janeiro e Minas Gerais, no Estado de São Paulo se concentram 42,22% dos egressos de outros países. Os números mostram ainda que, da mesma forma que os médicos brasileiros, os profissionais diplomados no exterior preferem trabalhar e residir nos grandes centros. Poucas exceções quebram essa regra. É o caso da Bahia, onde há registro de 467 profissionais formados em outros países, sendo que 75% deles residem fora de Salvador, embora o estudo não revele se estes profissionais estão, de fato, em municípios mais remotos do estado ou em distritos que envolvem a capital. Dentre os portadores de diplomas estrangeiros, quase 65% são

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brasileiros que saíram para estudar fora e retornaram. Dentre os estrangeiros, se destacam os bolivianos, com 880 registros. Os demais são originários de 52 outras nações diferentes: 6% do Peru, 4% da Colômbia, 3% de Cuba, etc. Ressalta-se que neste grupo constam apenas profissionais que se submeteram às exigências legais, ou seja, passaram por exame para revalidar seus diplomas e se inscreveram em algum Conselho Regional de Medicina.  

Sem especialização

Dos 388.015 médicos em atividade no Brasil, 54% têm uma ou mais especialidades. Os outros 180.136 profissionais (46%) do total, não têm título de especialista emitido por sociedade de especialidade ou obtido após conclusão de Residência Médica. Excluindo-se os médicos mais jovens, que ainda não ingressaram ou não concluíram seus cursos de especialização, e os mais velhos, que desistiram de tentar vagas em residência ou não se submeteram aos atuais mecanismos de especialização, restam 88.000 médicos sem título. Este contingente, com idades que variam de 30 a 60 anos são os mais prejudicados pelas deficiências no acesso à Residência Médica. “Cabe ao Governo proporcionar um sistema formador em condições de atender essa demanda reprimida e os futuros egressos das escolas. Todos devem ter a possibilidade de aperfeiçoar sua formação, o que resultará em benefícios diretos para os pacientes e a sociedade”, lembra d’Avila. Para ele, não adianta apenas criar vagas em cursos de medicina, mas assegurar uma estrutura de pósgraduação em número e qualidade suficientes, em concordância com as conclusões apresentadas. “Ao terem acesso ao aprimoramento e atualização – por meio de uma política de educação continuada dirigida a eles – ou mesmo à especialização tardia, estes profissionais poderiam suprir carências localizadas do sistema de saúde, inclusive na atenção primária”, revela o estudo. No cenário atual, como inexistem vagas de Residência Médica para todos, parte desses jovens médicos poderá permanecer por muito tempo ou por toda a vida profissional sem especialização.  

Distribuição regional

A distribuição de profissionais por grandes regiões do país, em números absolutos, mostra que onde se concentram mais médicos em geral, também há mais especialistas. Vice-versa, as regiões com menor número

O persistente fluxo de médicos em direção aos mesmos lugares pode agravar desigualdades e gerar consequências indesejadas ao sistema de saúde brasileiro

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• O Brasil tem dois médicos por grupo de 1.000 habitantes; • Em 40 anos, o número de profissionais cresceu 557,72%; • 16,30% dos formados no exterior e com CRM têm endereço de domicílio ou de trabalho em São Paulo, SP; • 46% dos médicos do país não têm título de especialista; • A maior quantidade de profissionais está no Sudeste: 56,04%; • O Norte tem a menor porcentagem: 4,26%; • O Rio Grande do Sul é o estado com maior proporção de especialistas: 66,29%; • No Maranhão, apenas 37,4% dos médicos possuem algum título de especialização.

de médicos também contam com menor quantidade de profissionais titulados. No Sudeste, por exemplo, estão 56,04% dos médicos em geral e 54,51% dos profissionais titulados. Por outro lado, o Norte tem a menor porcentagem de médicos em geral - 4,26% - e a menor também de especialistas, 3,57%. No Sul, a porcentagem de médicos em geral em relação ao país é de 14,91%, enquanto a dos profissionais titulados sobe para 18,06%. Os moradores das áreas com melhores indicadores socioeconômicos têm não só o maior número de médicos, como também o maior número de especialistas entre eles. O Rio Grande do Sul é o estado com maior proporção de especialistas. Dos 25.541 profissionais gaúchos em atividade, 66,29% são titulados. Seguem o Distrito Federal, com 65,82%, e o Espírito Santo, com 65,12%. Outros três estados (Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul) contam com 60% ou mais de especialistas. Em contrapartida, a situação é menos favorável em alguns estados, a maioria do Norte e do Nordeste. Nestes locais, há mais generalistas que especialistas. No Maranhão, apenas 37,4% dos médicos em atividade possuem algum título de especialização. Rio Grande do Norte, Pernambuco, Roraima, Acre e outros sete estados também contam com mais “generalistas” do que especialistas.

Especialidades

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Sete especialidades médicas concentram 53% dos profissionais com títulos dentre as 53 áreas reconhecidas no Brasil. A Pediatria é a área mais procurada entre os médicos

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São Paulo está acima da média nacional, com 2,64 profissionais por 1.000 habitantes, mas 46% deles se concentram na capital e somente 51% atuam no SUS

brasileiros, reunindo 30.112 titulados, ou 11,23% do total de especialistas no país. A ela, se juntam Ginecologia e Obstetrícia, Cirurgia Geral, Clínica Médica, Anestesiologia, Medicina do Trabalho e Cardiologia no topo desse ranking. As quatro primeiras especialidades, que somam 37%, pertencem às chamadas áreas básicas da Medicina. Além das primeiras da classificação, também se destacam Ortopedia e Traumatologia, Oftalmologia, Radiologia e Diagnóstico por Imagem, Psiquiatria, Dermatologia, Otorrinolaringologia, Cirurgia Plástica e Medicina Intensiva. Assim, as 15 especialidades do topo concentram 74% do total de médicos titulados (197.718). Na posição oposta, outras dez especialidades agregam 5.937 profissionais, o que representa 2,21% do total. Entre elas, aparecem: Genética Médica, Cirurgia de Mão, Radioterapia, dentre outras. As três últimas deste grupo contabilizam em todo o país um total de apenas 908 médicos titulados. A Radioterapia possui 497 profissionais (0,19% do total); a Cirurgia da Mão, outros 411 (0,15%); e a Genética Médica um montante de 200 (0,07%).  

Áreas básicas

Outra constatação do estudo é que médicos mais jovens e mulheres – grupos que apresentam tendência de crescimento consistente – têm concentrado suas escolhas nas especialidades básicas. A presença expressiva desses grupos no setor fragiliza a tese de que as novas gerações de médicos estariam concentradas ou procurando formação em especialidades consideradas mais “rentáveis”, embora elas possam ter maior proporção de candidatos por vaga nas provas de Residência Médica. O estudo sugere, ainda, que o futuro número de especialistas poderá sofrer influência da oferta de postos de trabalho e de políticas de abertura de vagas de Residência Médica em determinadas especialidades. Esta tendência revela um cenário desafiador para o Governo: atrair estes profissionais para atuarem no sistema público de saúde e nas regiões de difícil provimento de profissionais.

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QUALIDADE

Acreditação sistematiza processos e informações das organizações da rede “A acreditação é uma ferramenta de gestão muito poderosa que quando está ocorrendo em várias unidades de uma rede indica que as lideranças corporativas perceberam os bons resultados, passando a adotar a mesma linha nos demais serviços.” A avaliação é da Assessora da ONA - Organização Nacional de Acreditação, Maria Carolina Moreno, para quem a organização dos procedimentos, documentação e outros aspectos operacionais facilitam o processo em outras unidades de uma mesma rede, incentivando seus dirigentes a estendê-lo para todas as instituições de saúde que administram. Segundo ela, a acreditação de uma unidade ajuda a definir diretrizes, além de propiciar a sistematização dos processos e informações, o que facilita a implementação dos critérios exigidos na certificação de outras instituições de uma mesma organização. “A primeira unidade acreditada acaba servindo como um espelho para que as outras saibam como proceder, utilizando o conhecimento já adquirido como forma de agilizar os novos processos.” Embora observe que a busca pela acreditação em rede vem crescendo, a assessora da ONA acha que ainda é cedo para avaliar se essa é uma tendência do mercado. “Quanto mais pessoas e instituições participam do processo de certificação, maior a divulgação dos resultados”, conclui.

Novo sistema web O sistema ONA Integrare já está em funcionamento efetivo desde o último dia 4 de março. Com o novo sistema web, todo o processo de avaliação para a acreditação passa a ser informatizado, permitindo uma tramitação mais rápida da documentação e troca de informações pela internet entre as partes interessadas. O sistema foi programado para possibilitar o acesso e a participação direta das Instituições Acreditadoras Credenciadas (IACs) e dos avaliadores nos processos de certificação sob sua responsabilidade, além de permitir o acompanhamento dos serviços em processo de acreditação. O acesso pode ser feito através do Portal ONA ou diretamente pelo endereço integrare.ona.org.br.

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Rede D´Or

“A certificação da ONA visa contribuir para o aprimoramento da qualidade da assistência à saúde, através da responsabilidade com a segurança e ética profissional, do desenvolvimento e evolução de um sistema de acreditação”. A análise é da Rede D´Or, com 25 hospitais localizados em três estados brasileiros e no Distrito Federal, sete deles já certificados pelo Sistema Brasileiro de Acreditação (SBA/ONA). As primeiras unidades acreditadas da rede foram os Hospitais Barra D’Or e Quinta D’Or, no Rio de Janeiro, e Hospital São Luiz – em São Paulo, em 2006. Atualmente, além destas três unidades, o Hospital e Maternidade Brasil, em Santo André (SP), também

atingiu a Acreditação com Excelência (Nível 3), enquanto o Hospital e Maternidade São Luiz - Unidade Anália Franco (SP) foi Acreditado Pleno (Nível 2) e o Hospital Joari (RJ) e o Hospital Fluminense, em Niterói, foram Acreditados em Nível 1. As unidades que ainda não foram acreditadas já estão em processo de implantação da metodologia, buscando a diferenciação pela qualidade dos serviços prestados e o incentivo à melhoria constante nos procedimentos e atendimento. Na avaliação da direção da Rede D’Or, os bons resultados na prevenção de pneumonia associada à ventilação mecânica e à prevenção de infecção de corrente sanguínea pela adoção de pacotes de intervenção, assim como a diminuição de tempo de atendimento aos protocolos gerenciados pelos hospitais são resultados práticos que também merecem ser destacados.

APS Santa Marcelina

A Atenção Primária (APS) Santa Marcelina, na cidade de São Paulo, presta atendimento através dos contratos de gestão com as Organizações Sociais de Saúde desde 2007 e foi o primeiro serviço dessa natureza a receber a acreditação da ONA, abrindo caminho para a qualidade na assistência prestada em Unidades de Saúde a partir de 2010. O processo se iniciou com a inauguração do Escritório de Qualidade, criado com o objetivo de tornar-se um núcleo de referência de ferramentas de melhoria, quando foi lançado o Projeto Acreditar I (Piloto) nas unidades de Saúde da microrregião de Cidade Tiradentes. Hoje 11 unidades da APS Santa Marcelina contam com a certificação da ONA, em diferentes estruturas de atendimento médico. Além das APS, o grupo Santa Marcelina tem também três hospitais certificados no Nível 2: no Itaim Paulista e em Cidade Tiradentes, ambos na periferia de São Paulo, e em Itaquaquecetuba, na Região Metropolitana de São Paulo. A atual responsável pelo Escritório de Qualidade, Célia Pinheiro, explica que entre as melhorias observadas a partir do processo de acreditação, estão a gestão da qualidade e a satisfação do usuário, além da estruturação das unidades e a motivação dos colaboradores envolvidos, garantindo o melhor acompanhamento dos pacientes atendidos. Ela também atribui às exigências do processo de certificação a reorganização e inovação dos processos de trabalho que permitiram gerenciar melhor os riscos, tendo como objetivos garantir a gestão da segurança; entender e atender melhor as necessidades dos clientes com base no perfil epidemiológico da região; ampliar o índice de cadastramento de famílias; o foco no paciente; ações de melhoria da qualidade de vida e promoção da saúde.

Leitura Complementar Programa de controle da qualidade do atendimento médico-hospitalar Autores: APM/CRM/SP www.atheneu.com.br

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Mudar é preciso Sandra Franco Sócia-Diretora da Sfranco Consultoria Jurídica em Direito Médico e da Saúde, do Vale do Paraíba (SP) l drasandra@sfranconsultoria.com.br Difícil responder se hoje há mais erros na prestação de serviços de saúde ou se os pacientes estão mais atentos aos seus direitos. Fato é que a mídia alardeia sucessivos problemas envolvendo acidentes em hospitais brasileiros. Como justificar que uma criança receba um ácido usado para cauterização de verrugas em lugar de sedativo? Como aceitar que bebês sejam vítimas do mesmo erro: receber leite na veia em vez de soro? No Distrito Federal, foram necessárias 13 mortes para que se percebesse a existência de defeito na tubulação de um leito que levava ar comprimido em lugar de oxigênio ao pulmão dos pacientes. Recentemente, no Centro Hospitalar de Sorocaba, SP, foi encontrado um inseto dentro do respirador de uma criança internada na UTI. O aparelho estava desligado; mas, e se fosse ligado inadvertidamente? O que realmente importa é discutir como evitar a ocorrência de novos casos. Prevalece, no Brasil e no mundo, a enorme dificuldade em se rastrear a origem desses problemas, uma vez que o medo da punição impede que o erro seja analisado, o que é negativo para todo o sistema de saúde, pois se perpetuam processos internos fadados a falhas, por vezes fatais, como ocorre na administração errônea de medicamentos, pacientes mal identificados que sofrem cirurgias em membros errados e equipamentos sem manutenção. A solução estaria em tratar o erro médico como parte integrante de um sistema, criando mecanismos de investigação que permitissem o conhecimento da real dimensão do problema, sugestão hoje denominada pelo Ministério da Saúde como Núcleos de Segurança do Paciente, que torna obrigatória a notificação de eventos adversos. Para o quesito punição, a legislação brasileira apresenta vários dispositivos. Aqueles que puserem em risco a integridade física dos pacientes poderão ser presos, condenados ao pagamento de indenizações por danos materiais ou danos morais e perderem seu direito de exercer o ofício. Mas, isso por si, impede os erros? A resposta é negativa. A Constituição Federal reza que as pessoas jurídicas de direito público e privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos causados a terceiros. Já o Código Penal apresenta como tipo penal “ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem” e as punições para quem nele incorrer. E no Código Civil: “aquele que por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência violar direito ou causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”. O Código de Ética Médica proíbe ao médico praticar atos profissionais danosos ao paciente, e o Código de Defesa do Consumidor destaca que o fornecedor de serviços responde pela reparação dos danos causados aos consumidores. Embora o atendimento no hospital devesse ser entendido como uma atividade multiprofissional, a apuração da responsabilidade fica entre dois polos: o médico e o hospital. De fato, o atendimento gera um contrato entre o médico e o paciente; mas, entre paciente e hospital se estabelece um contrato mais amplo, pois envolve as atividades complementares ao atendimento, entre elas enfermagem, serviço de controle de infecção hospitalar, limpeza, recepção, transporte e serviços de diagnóstico e tratamento. Entre o paciente e o hospital se estabelece uma legítima relação de consumo, com todas as suas características e implicações legais daí decorrentes, respondendo o estabelecimento pelos danos que possam vir a ser causados ao paciente, em qualquer dos serviços prestados, inclusive no atendimento dos médicos, mesmo que de forma solidária. O Ministério da Saúde divulgou, no início de abril, o Programa Nacional de Segurança do Paciente, que institui seis protocolos de segurança, nos moldes das recomendações preconizadas pela OMS desde 2004, com o

objetivo de diminuir a ocorrência de erros e falhas durante o atendimento e internação de paciente nas redes pública e privada, que apresentam números alarmantes: um em cada dez doentes internados sofre um erro médico. Nas instituições mais conceituadas no Brasil, há algum tempo adotam-se protocolos que inibem a ocorrência de falha humana; mas, isso não basta, pois se resolve o problema apenas naquele local. O setor de Saúde tem de investir em educação. É essencial que sejam revistos os currículos tradicionais das faculdades a fim de que profissionais sejam formados para não cometerem erros que poderiam ser evitados com simples cuidados preventivos: lavar as mãos, checar nomes de pacientes, observar prescrições, evitar o risco de quedas dos pacientes, fazer check list antes e depois de um procedimento cirúrgico, como exemplos. Aceitar o erro como parte de qualquer trabalho é o primeiro passo para evitá-lo, pois torna o ser humano mais vigilante. Nenhum profissional pode agir sem se responsabilizar pelas consequências. Pode ser difícil mudar e adotar novas posturas, mas é essencial. Citando Nietzsche: “Não há realidades eternas nem verdades absolutas”, e a Medicina sabe disso.

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Preparando um futuro melhor José Cléber do Nascimento Costa Administrador Hospitalar, Diretor Geral do INDSH – Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano e Vice-Presidente de Gestão Administrativa e Financeira da ABDEH – Associação Brasileira de Desenvolvimento do Edifício Hospitalar l jcncosta@uol.com.br

Ao visitar um moderno e bem equipado hospital, me deparei com vários guardavolumes de aço com cadeados, e soube que eram os armários dos funcionários, uma vez que o vestiário previsto no projeto não atendia à quantidade necessária. Após uma palestra de enfermagem em outro hospital, vi uma fila enorme no banheiro feminino: havia apenas duas unidades para um anfiteatro com capacidade para 300 pessoas. Em uma farmácia de outro hospital, os medicamentos “trocavam cotoveladas” na procura de espaço nas prateleiras. Em outro, um médico prescrevia de pé, enquanto outros aguardavam em fila para assinar as prescrições impressas. Todos estes são problemas com apenas uma causa: falha nos projetos, que gera gargalos de infraestrutura, de incompatibilidade entre porte do hospital e necessidades de “BackOffice”. Bem, situações assim no Brasil são mais corriqueiras do que imaginamos. Quando técnicos se debruçam sobre um projeto hospitalar, é comum que pensem em número de apartamentos, quartos, enfermarias, UTIs, centro cirúrgico, área diagnóstica, ambulatório, emergência e outras atividades-fim. Entretanto, é comum que atividades-meio sejam negligenciadas. Muitas vezes, a inovação está presente no chamado “segmento healthcare”, chegando-se a falar em inovação de ruptura, em era digital, engenharia química, centros de implantação de chips em humanos, robótica e outros importantes e modernos temas. No entanto, muitos projetos falham nos itens mais básicos, como áreas adequadas de acessos, espaços previstos para expansão e até flexibilidade do projeto para a chegada do novíssimo “Xistógrafo Marte horizontal de última geração”, por exemplo. A dinâmica da área de saúde é impressionante e, às vezes, ultrapassa os limites do nosso segmento: vemos projeções hospitalares para um quarto de hotel, um moderno centro de convenções, uma indústria interna de próteses, restaurante comandado pelo chef da moda, uma moderna praça de convivência e assim por diante. Só que, por trás disto tudo, temos gases medicinais, centrais de energias, infraestruturas de climatização e água potável, áreas de armazenamento e de tratamento de resíduos, espaços para processamento de roupas, esterilizações, alimentação, manutenção clínica e predial, higienização, transporte, suporte médico e, sobretudo, equipes 24 horas nos sete dias da semana, que precisam de toda segurança e conforto para fazer um bom trabalho assistencial. Tudo isso exige muita sinergia entre as várias áreas, definições prévias de processos e fluxos bem definidos relativos aos pacientes internados, profissionais de saúde, visitantes, lixo, materiais esterilizados e contaminados, corpos em óbito, medicamentos, materiais, gêneros alimentícios, roupa limpa e suja, dentre outros. Destaco quatro soluções para os problemas citados: 1 - Excelente planejamento antes de contratar um projeto: análises das viabilidades sociais, assistenciais, humanas, econômico-financeiras e técnicas, antes, durante e após a execução. Isto passa pela definição de volumes de internações, desdobradas em volumes clínicos, pediátricos, cirúrgicos, obstétricos e outros. Serviços ambulatoriais, como consultas, centro de infusão, hospital-dia, emergência, exames e demais. Também nesta fase se define a melhor escolha do terreno, sua localização, benefícios para a comunidade, facilidade de abastecimento dos insumos ao novo empreendimento, reflexão sobre acessos diferenciados, serviços futuros. 2 - Contratação de arquiteto com especialização e experiência específica em projetos hospitalares. O mesmo se aplica aos profissionais/empresas dos projetos complementares de estrutura, elétrica, hidráulica, gases medicinais, paisagismo, decoração, comunicação visual, projetos especiais, combate a incêndio, dentre outros. Igualmente se estende à escolha da construtora, que tenha em seu currículo a execução de obras na área de saúde. O mesmo se

aplica à empresa de fiscalização, de incorporação tecnológica e aos demais parceiros. 3 - Cronograma de reuniões de projeto e execução, envolvendo todas as partes: acionistas, autoridades, engenheiros e arquitetos, administradores, economistas, corpo clínico, equipe de enfermagem, engenheiros clínicos, nutricionistas e fisioterapeutas. 4 - Escolha de materiais de obra, equipamentos e insumos comprovadamente de qualidade. Para isso, são necessários profissionais experientes e atualizados sobre o que há de novo no mercado na área de compras, suprimentos e logística e com grande fluência no mercado médico-hospitalar. Assim, com alguns cuidados nos projetos de saúde, poderemos frequentar instituições de saúde mais saudáveis. Isto exige profissionalismo, para que não se repita o que vi: um prefeito pedindo ajuda para um projeto hospitalar que seu filho arquiteto, recém-formado, havia feito e que simplesmente não previa um posto de enfermagem sequer. Com certeza, com um pouco (ou muito) de planejamento, veremos as futuras gerações trabalhando, e se cuidando, em instituições onde as infraestruturas físicas correspondam ao que é encontrado nas áreas médicas de alta tecnologia.

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Maternidade

Falta de privacidade em UTI’s neonatais inibe aleitamento materno As mães estão perdendo o estímulo de tirar leite do peito para alimentar os recém-nascidos de baixo peso devido à falta de privacidade em UTI´s neonatais. O fato agrava o estado de saúde dos prematuros, que ficam privados de receber o leite enriquecido com anticorpos da mãe, o que ajudaria seu organismo a evitar infecções e problemas gastrointestinais. “O significado de privacidade pode ser diferente para as mães e para o hospital. E isso exige novas formas de criar privacidade para essas mães que querem amamentar”, defende Donna Dowling, autora de um estudo sobre o tema publicado na revista Advances in Neonatal Care. Para realizar o estudo, Donna reuniu dados de 40 mães de primeira viagem: 15 que estavam com o bebê internado em salas coletivas da UTI neonatal e 25 que estavam alojadas em quartos privativos. A princípio, a pesquisadora esperava que as mães internadas nos quartos privativos achassem mais fácil tirar leite do peito para o bebê, pois encontravam-se  em locais mais silenciosos. Mas elas não consideraram esta tarefa fácil.

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A família, a escola, os profissionais de saúde, a mídia e os órgãos governamentais são parte integrante da rede pró-aleitamento

A maioria esmagadora das novas mães relatou que o lugar ideal para tirar o leite materno era o lar, sempre destacando a necessidade de privacidade e conforto, pois elas faziam isto muitas vezes ao dia: entre oito e dez vezes, durante 15-20 minutos para os recém-nascidos nas primeiras semanas e entre seis e oito vezes por dia para manter a fonte de leite depois disso. As mães relataram que as eventuais interrupções do bombeamento de leite as impediram de fazer o procedimento adequadamente. Muitas disseram que tinham medo de se ausentar durante a troca de plantão do intensivista para a retirada do leite, pois a sua ausência num desses momentos significaria horas sem notícias do bebê. As entrevistadas também alegaram desconforto para tirar o leite na frente do médico ou da equipe que atendia o bebê na UTI. Resultado: das 40 mães, 75% disseram que antes de dar à luz planejavam amamentar, mas quando seus bebês receberam alta, apenas 45% conseguiram atingir o objetivo do aleitamento materno exclusivo. Interrupções durante o processo e falta de privacidade não foram as únicas preocupações das mulheres. Mães com recém-nascidos na UTI neonatal também tinham que conciliar casa, família e responsabilidades de

trabalho, fatores que contribuíram para o insucesso da amamentação exclusiva dos recém-nascidos. “As informações reveladas pelo estudo, apesar de desanimadoras, são muito importantes e servem de alerta para todos, dos profissionais de saúde, passando pelos familiares e chegando aos empregadores: as mulheres precisam de condições adequadas para amamentar”, defende o Pediatra Moises Chencinski, que também é autor do blog Mama que te faz bem. “Ainda temos maternidades de grande peso e de reconhecida capacidade técnica que, além de não estimularem o aleitamento materno, chegam a ‘forçar’ a prática do aleitamento artificial para mães que desejam amamentar. Estas instituições chegam ao cúmulo de orientá-las a oferecer complemento caso o recém-nascido passe duas mamadas sem urinar ou oferecer apenas um seio por mamada, prática não recomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria, por exemplo”, diz o médico.

www.drmoises.com.br www.facebook.com/doutormoises.chencinski mamaquetefazbem.zip.net

Leitura Complementar Bases da pediatria Autor: Carlos Eduardo Schettino de Azevedo www.rubio.com.br

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Engenharia As boas práticas para o gerenciamento de equipamentos médico-hospitalares

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Para garantir a qualidade e a segurança dos serviços prestados, as instituições de saúde devem adotar um programa que contemple planejamento de aquisições, manutenções preventivas e corretivas, calibração, treinamentos técnicos e de operador, descarte correto de maquinário e avaliação de fornecedor. Tudo executado por profissionais qualificados e monitorado por indicadores de desempenho. por Carol Gonçalves

O gerenciamento de tecnologias constitui um instrumento essencial à organização e estruturação dos estabelecimentos de saúde, possibilitando redução de gastos com manutenção corretiva e no tempo de parada do equipamento, avaliação técnica de orçamentos e de necessidade de treinamentos, previsão da vida útil dos maquinários, dados e/ou informações para tomada de decisões, diminuição dos riscos aos pacientes, e, por consequência, aumento da qualidade e segurança dos serviços. É o que explica Vivian Giudice, Diretora de Planejamento e Controle do IBES – Instituto Brasileiro para Excelência em Saúde. A RDC 02/2010 da Anvisa é específica sobre o assunto e menciona todas as diretrizes principais para a tarefa. “É leitura obrigatória para aqueles que se relacionam direta ou indiretamente com o tema”, conta Lúcio Flávio de Magalhães Brito, Engenheiro Clínico Certificado e Diretor de Engenharia da Medicorp. Além dessa, há leis de outros segmentos que podem ser aplicadas a hospitais, como a NBR 12188/2001, de instalações hidráulicas, que normatiza a aplicação de gases medicinais, e as internacionais, como NFPA 99,

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Capítulo 7 do Manual da ASHRAE e documentos do CDC. Por sua vez, Ricardo Reis, Assessor Técnico do IBES, acrescenta a NBR 15943/2011, que define as diretrizes para um programa de gerenciamento de equipamentos. Ele também cita que são encontrados aspectos importantes nos manuais de acreditação hospitalar, como da ONA – Organização Nacional de Acreditação e da JCI – Joint Comission International. Pelas regras de boa gestão, os equipamentos e recursos tecnológicos devem estar disponíveis quando necessários, operando nas condições determinadas pelo fabricante. Brito explica que se um equipamento é importante para a missão de um hospital, ele requer atenção especial. Se há uma quantidade limitada dele, é preciso desenvolver um plano B: verificar possibilidades de aluguel, empréstimo de instituições parceiras ou mesmo desenvolver o conhecimento da equipe como um todo para atender demandas inesperadas por ele. Por outro lado, se num hospital a oferta de um dado equipamento na UTI é alta e a taxa de ocupação é historicamente baixa, pode-se “relaxar” um pouco quanto às necessidades específicas de gestão. Segundo Vivian, os equipamentos de suporte à vida devem ter prioridade de atendimento pelo departamento ou serviço de

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Engenharia Clínica, assim como equipamentos únicos, situações nas quais não há equipamento backup ou serviço de suporte. “Independentemente de qualquer fator, uma boa gestão de equipamentos prevê um plano de contingências - que deve ser de conhecimento de todos os usuários - em caso de parada, pane, quebra, falta de energia ou qualquer motivo que impossibilite o seu uso.” Outros fatores que merecem atenção são o inventário periódico e a rastreabilidade da movimentação de equipamentos. Para a logística de gestão funcionar, é preciso envolver aqueles que fazem uso das máquinas. “As informações técnicas-operacionais devem estar organizadas e disponíveis. É imprescindível que se tenha o histórico dos equipamentos. As informações podem ser utilizadas inclusive na tomada de decisão, por exemplo, em continuar realizando manutenções corretivas ou investir em uma nova unidade”, diz Vivian. Reis conta que os requisitos mínimos de boa prática para o gerenciamento de equipamentos são planejamento da aquisição, aquisição, manutenções preventivas e corretivas, calibração, treinamentos técnicos e de operador, descarte de equipamentos fora de uso, atividades de tecnovigilância e avaliação de fornecedor. Tecnovigilância é o sistema de vigilância de eventos adversos e queixas técnicas de produtos na fase de pós-comercialização, com vistas a recomendar a adoção de medidas que garantam a proteção e a promoção da saúde da população. A instituição deve estruturar mecanismos de notificação, registro, rastreabilidade, investigação e plano de ação para os eventos de tecnovigilância. É importante lembrar que todo programa de gerenciamento de equipamento para a saúde deve ser monitorado periodicamente por meio de indicadores, que vão permitir obter os ciclos de melhorias necessários ao aperfeiçoamento do programa. Os indicadores de desempenho e suas metas permitem dar direção ao programa e contribuem com a otimização dos recursos. “Sem monitoramento não existe gestão”, destaca Reis. Na opinião de Brito, o uso dos indicadores ajuda a conhecer o caminho que está sendo trilhado. Por exemplo, uma equipe faz um teste de segurança elétrica no primeiro ano e o equipamento passa. No segundo ano, passa também, no terceiro, no quarto e no quinto idem. Após o segundo ano, o intervalo não poderia ter sido aumentado, poupando assim recursos escassos do hospital? Segundo ele, outros indicadores, como qualidade do atendimento e despesas anuais em relação ao valor do parque tecnológico instalado deveriam ser mais bem explorados por engenheiros e administradores, pois são importantes ferramentas para a administração dos serviços de engenharia. Com relação aos parceiros do hospital na área de manutenção e calibração de equipamentos, Reis lembra que eles devem ser sempre avaliados e

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monitorados. Os fatores importantes que precisam fazer parte da avaliação são responsabilidade técnica da empresa de serviço, documentação disponível relacionada ao equipamento foco do serviço, treinamento do pessoal de campo, equipamentos de teste, instrumentos de medição, ferramentas, peças de reposição e condições ambientais compatíveis com a complexidade do trabalho. De acordo com Brito, o mais importante requisito para o gerenciamento de qualidade é contar com pessoal habilitado. “Em geral, a administração hospitalar não verifica isso e acaba delegando a qualquer profissional esta atividade especializada. Agindo deste modo, há perda de efetividade no serviço e aumento de riscos aos pacientes e colaboradores do hospital”. O gerenciamento de equipamentos de saúde deve estar sob a responsabilidade de um engenheiro, de acordo com a Resolução 218 do CONFEA. Já as atividades de manutenção e outras descritas nesta resolução são comuns a engenheiros, tecnólogos e técnicos de nível médio. A administração hospitalar deve então, quando do dimensionamento e formação da equipe, levar em conta as características de seu parque tecnológico e as necessidades das competências para adequada gestão e distribuir as responsabilidades da maneira mais inteligente possível. “O ideal seria que a engenharia pudesse contar também com o apoio indispensável dos administradores e técnicos em administração com especialização em tecnologia, dentro da equipe, mas, infelizmente, estamos longe desta realidade”, expõe Brito. Já a capacitação dos profissionais deve ser planejada anualmente e registrada para produzir evidências. A engenharia deve oferecer e tomar treinamentos no caso de profissionais e equipamentos novos, incidência elevada de quebras e altos custos de operação, entre outros. “É importante verificar sempre se o problema foi resolvido. Caso contrário, pode parecer pura perda de tempo”, alerta.

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Manutenção No caso de manutenção preventiva, Brito acredita que há muita desinformação e o custo pode chegar a valores não desejados pela administração. No Brasil, o comum, de acordo com ele, é seguir o que o fabricante “manda”. “O fato é que ele nem sempre conhece a dinâmica interna do hospital, então, na tentativa de garantir a funcionalidade do equipamento, determina uma frequência que julga segura. Modelos de gestão mais modernos fazem uso de outros critérios para esta tomada de decisão. Normalmente recomendo que todas as partes interessadas tomem parte desta decisão e que o engenheiro não traga para si só esta responsabilidade. Ela deve ser dividida”, explica. Um método já experimentado e aprovado em países mais avançados é ponderar alguns itens antes de definir o intervalo de manutenção: contribuição do equipamento para a missão do hospital; risco à vida em caso de falha; requisitos especiais de manutenção; fator de utilização e uma taxa de planejamento que reflita a maior ou menor facilidade que o hospital tem em gerenciar este recurso. “Ponderações como estas levam a intervalos de manutenção mais inteligentes, porque envolve não somente o que o fabricante pensa, mas também o que acontece no hospital. Assim, podemos, inclusive, determinar que o intervalo recomendado pelo fabricante é muito grande, devendo ser semestral em vez de anual.” Já no caso de manutenção corretiva, Brito diz que a capacidade

da equipe de engenharia deve ser tanto maior quanto mais importante for o equipamento para a missão do hospital e maior sua escassez. O desafio merece ser enfrentado. “Veja, um equipamento como autoclave para esterilização a vapor chega a parar a rotina de diversos centros de custos de um hospital. Então, a equipe deve se aprofundar nos princípios de funcionamento e dominar não somente a tecnologia, mas também o mercado de partes e peças que ele utiliza, assim, a ação corretiva será rápida e segura.”

Unidade Móvel A Rede de Unidades Afiliadas da SPDM - Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina, responsável pelo gerenciamento de nove hospitais públicos e diversos equipamentos de saúde no estado de São Paulo, criou o primeiro laboratório móvel de engenharia clínica, que, além de maior agilidade, flexibilidade, segurança e padronização, resulta em uma economia de recursos que chega a 75%. “Atualmente, calibramos algo em torno de 6.000 equipamentos por ano, com um investimento de cerca de R$ 320 mil, o que proporciona uma economia de 75%, quando comparado ao montante de R$ 1,2 milhão que investíamos até 200”, explica o Engenheiro Eduardo Ladislau, Gerente de Engenharia Clínica da Rede Afiliada da SPDM. Segundo ele, o modelo implantado em 2008, com um investimento de R$ 450 mil, é o primeiro do Brasil, já que a maioria dos hospitais terceiriza esse serviço. “Inclusive, o sucesso da iniciativa despertou o interesse de outros hospitais e Secretarias de Saúde, que já solicitaram projetos de unidades semelhantes à nossa.” A Unidade Móvel de Engenharia Clínica é uma Van adaptada, com bancada de trabalho, instalação elétrica, gases e ar-condicionado. Sua equipe de trabalho fixa é formada por um tecnólogo e um técnico eletrônico, que contam com o apoio da equipe interna de cada unidade visitada. “Além de uma semana de prazo para trabalhar em cada unidade da Rede, temos a flexibilidade de atender urgências em outras unidades.”

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O hospital dever considerar suas despesas anuais no setor como algo que varie entre 3% a 8% do valor de aquisição de um equipamento novo. “Reforço que manutenção é apenas uma das atribuições dos profissionais do sistema CREA/ CONFEA. A Resolução 218 aponta 18 atividades possíveis para um serviço de engenharia”, declara Brito. É preciso se atentar para o fato que todos os equipamentos devem ser acompanhados de manual do operador e de manutenção, esquemas e lista de partes e peças. “Os fabricantes precisam facilitar a disseminação do recurso tecnológico, pois estes documentos permitem ao engenheiro que atua dentro dos hospitais entender tanto a anatomia quanto a fisiologia da máquina, facilitando a tomada de decisão, seja ela técnica ou administrativa.” Além dos documentos técnicos, Brito cita os administrativos, que apresentam um controle completo das ações técnicas em cada equipamento. Já as áreas para intervenção técnica devem ser apropriadas, tanto em termos de higiene ocupacional quanto em relação às necessidades dos próprios equipamentos. Elas devem ser seguras, tendo fontes de tensão elétrica e de gases medicinais adequadas, equipamentos calibrados, documentação técnica de cada unidade, etc. A oficina ou a bancada de manutenção não pode oferecer novos riscos durante a intervenção, vale lembrar que o principal é a segurança. “Pode demandar um valor significativo montar uma área apropriada, mas o retorno é certo e deve ser demonstrado pela equipe de engenharia. Muitas vezes o investimento é feito, mas a equipe não acompanha”, conta Brito. Para avaliar o desempenho dos equipamentos, existem normas internacionais utilizadas no Brasil, como as da série NBR IEC 60601. São utilizados diversos instrumentos para medir grandezas fundamentais, como também há equipamentos dedicados, que combinam diversos medidores das grandezas em um único sistema, como é o caso do analisador de ECG. “Importante ressaltar que não basta ter o equipamento. É necessário também que o profissional seja capaz de interpretar de maneira correta o que está medindo. Hoje está mais fácil fazer estas verificações por equipe interna. Se o custo justifica, melhor fazer em casa, senão, pode-se lançar mão de empresas especializadas. Neste caso, não podemos confiar cegamente no que elas nos apresentam como resultados. Devemos ser capazes de interpretá-los e concordar ou não com eles, atuando como corresponsáveis”, alerta o engenheiro clínico. E quando o equipamento não será mais utilizado? Brito diz que cada um tem um quesito específico que deve ser atendido antes de iniciar qualquer desmontagem ou descarte, o que pode ser facilmente resolvido antes da aquisição. “Por exemplo, como descartar um filtro HEPA de um sistema de climatização de um leito de isolamento de pacientes portadores de tuberculose? E uma fonte de radiação ionizante, um marcador radiológico? As variáveis são tantas que acabam por se tornar uma oportunidade para o crescimento da contribuição do serviço de engenharia à instituição hospitalar.” O termo em inglês para o que seria a “desmontagem” é disassembling. “É preciso tomar cuidado, pois, às vezes, uma pequena mola sobre pressão pode criar um acidente de natureza ocupacional, se as instruções não forem seguidas”, alerta Brito. Um exemplo de disassembling pode ser visto no link goo.gl/KPs3G. Caso o seu hospital ainda não tenha dado a devida atenção à área, procure um especialista e faça uma avaliação.

Calibração A Clean Medical conta com alta tecnologia em equipamentos e sistemas voltados ao atendimento de seus clientes, em conformidade com as normas e padrões rastreáveis de acordo com a RBC - Rede Brasileira de Calibração. Os certificados são emitidos por software qualificado pela ISO/IEC 17025, desenvolvido por especialistas em metrologia e engenharia, aperfeiçoando a qualidade do serviço, oferecendo maior confiabilidade, redução de retrabalhos, entre outras melhorias. www.cleanmedical.com.br (11) 5018-1044

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gente que faz

Dra. Waleska Santos

Carisma e determinação à frente do maior evento da Saúde das Américas Sucesso é uma palavra que sempre vem à mente quando se fala da Dra. Waleska Santos, Fundadora e Presidente da Hospitalar Feira & Fórum, o maior evento especializado em Saúde de todo o continente americano, que este ano comemora sua 20ª edição. Seu jeito calmo, agradável e sua voz suave escondem uma mulher forte e determinada que tem muito do que se orgulhar. Gaúcha, nasceu na cidade de Pelotas e formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Em paralelo à graduação, dedicou-se a atividades de promoção comercial, acompanhando o marido, o empresário Francisco Santos, na direção da Couromoda – Feira Internacional de Calçados, Artigos Esportivos e Artefatos de Couro, realizada em São Paulo. E foi o crescimento destas atividades que a levou a uma nova opção profissional: deixou a prática médica para dedicarse à realização de feiras e congressos no Brasil e no exterior.

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Você sente falta de atuar como médica? Sinceramente, não. Minha relação com a Medicina e a Saúde nas últimas duas décadas me deu uma visão panorâmica e privilegiada do setor. E com o que eu aprendi e sei hoje, não me contentaria em ficar limitada a um consultório. O médico é imprescindível e insubstituível na sua função de atendimento à saúde de cada indivíduo. Porém, ele fica refém de situações que extrapolam seu controle, como a gestão dos serviços de saúde em geral, as formulações de políticas públicas e privadas do setor e o bom funcionamento de um hospital.

É verdade que nesses últimos 20 anos, a gestão dos serviços de saúde evoluiu em proporções geométricas. Arrisco dizer que cada um desses anos correspondeu a dez dos anteriores. E foi no âmbito da Hospitalar que pudemos acompanhálos e mensurá-los. Instituições e associações foram surgindo e se organizando em grupos específicos, porém todas se complementando e interagindo. Uma verdadeira rede de apoio e conhecimento compartilhado começou a surgir a partir dos anos 90. E, apenas para citar uma delas, a ONA foi uma grande e decisiva conquista para o setor, estimulando a qualidade e a eficiência dos estabelecimentos de saúde. Por estar junto e ao mesmo tempo equidistante de todas as instituições do setor, através da Hospitalar, que sempre pautou sua atuação por desafios e ousadia nas propostas e sugestões, é que eu me sinto plenamente feliz em desfrutar do privilégio de acompanhar de perto e poder influenciar naquilo que a Saúde pode avançar. Hoje, conhecer sob todos os ângulos a situação dos médicos, dos profissionais da saúde e dos hospitais, me imprime um sentimento de responsabilidade e comprometimento cada vez maior em trabalhar para o aprimoramento e desenvolvimento do segmento. E ser médica é meu diferencial para estar à frente deste movimento que se chama Hospitalar Feira & Fórum. Como é ser uma mulher empresária de sucesso no Brasil? Na verdade, eu me vejo mais como uma médica que ampliou sua atividade para uma área ainda carente de promoção setorial e institucional, muito mais do que simplesmente uma empresária. O sucesso é muito relativo, prefiro dizer que estou me sentindo satisfeita por ter conseguido avançar inúmeras etapas de um projeto ambicioso para dar maior visibilidade e, consequentemente, maior importância ao segmento da Saúde. Com relação ao fato de ser mulher, não enfrentei nenhum desafio. Sempre transitei confortavelmente em todos os ambientes. Talvez porque minha formação acadêmica na área médica tenha-me “blindado” nesse sentido da discriminação feminina. Sempre existiu um certo respeito intrínseco à figura do médico, e eu também acho que nunca me deixaria abater por dificuldades do gênero. Tive uma criação familiar muito pautada no valor da formação educacional e na

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Como é a sua rotina? Gosto de acompanhar o dia a dia do trabalho de nossa equipe de profissionais da Hospitalar. Todas as ações são discutidas previamente entre diretorias, gerências e coordenadores. Temos realmente uma administração compartilhada, em que todos sabem de tudo o tempo todo. Gosto de participar das pequenas e das grandes ações, da área de comunicação ao marketing, do comercial ao operacional. Ensino e também aprendo muito com todos, e aprendi que são nas conversas ocasionais e esporádicas, e não só em reuniões, que surgem ideias e soluções maravilhosas. Costumo ler tudo o que posso sobre o setor, seja em revistas e jornais ou nos portais específicos, pois o conhecimento é matéria-prima para aperfeiçoar nossas ações na feira e em seu fórum de gestão. Recebo muitas lideranças setoriais em nossa sede, em São Paulo, mas também participo de inúmeras reuniões em empresas, instituições e comissões científicas de eventos isolados ou em conjunto com a edição da feira. Nosso trabalho também se estende ao relacionamento com órgãos da administração pública, uma vez que a temos diretamente vinculada à nossa ação. Quais os valores fundamentais para se alcançar o sucesso? Não me sinto muito confortável em ditar fórmulas ou regras de sucesso. Tudo depende das circunstâncias e do momento em que se vive. Na vida, tudo é dinâmico, sempre. Considero imprescindível ter objetivo, foco, muito entusiasmo e investir em conhecimento específico da área profissional que nos interessa. E ser humilde no sentido de estar alerta para captar conhecimento, seja com pessoas ou situações inusitadas. Acrescentaria mais dois ingredientes: tentar sempre exercitar a serenidade para as horas de tomada de decisão e prestar muita atenção à intuição. Qual é o seu maior sonho? O meu, e creio que o de todo o ser humano, é poder desfrutar a maior parte da vida com a sensação de paz e de felicidade.

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Como você avalia a relação médico x paciente hoje. O que mudou? Nós temos que reconhecer que a relação entre médico e paciente mudou, e muito. Antes da internet, era muito mais difícil para o paciente informar-se sobre sua própria doença; e quem desconhece alguma coisa, teme ou adora. E era assim para a Medicina: geralmente, o paciente tinha temor ou endeusava o médico. Agora, com o acesso à informação, podemos dizer que o paciente tornou-se um consumidor, com mais poder para questionar. Então essa relação ficou menos desigual; mas também, em minha opinião, evoluiu. Hoje as pessoas podem ter o médico como seu parceiro, seu orientador para enfrentar os problemas e também dividir com ele a responsabilidade pelas decisões. A relação entre médico e paciente ficou mais humana. Mas nada pode substituir a anamnese (entrevista e exame com o paciente) e a atenção que o médico dá ao paciente, e que às vezes é tudo o que ele precisa.

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competência pessoal, acima da condição de pertencer ao sexo feminino. E, creio que fruto disso, minha atitude no campo de trabalho tenha bloqueado qualquer manifestação mais incisiva de terceiros em cercearem minhas atividades. Porém, é bem verdade que muito de minha segurança pessoal e profissional também se deve ao fato de ter ao meu lado um homem que sempre me inspirou e por quem eu tenho a maior admiração. Francisco Santos e eu somos um casal há quase quatro décadas. Foi um somatório de amor, muita admiração, respeito e cumplicidade que não eclipsaram nossas mais profundas ambições pessoais e profissionais como pessoas e cidadãos.

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Em sua opinião, como será o hospital do futuro? Acredito que a tendência para os hospitais é facilitar a vida do paciente, adaptar-se às necessidades dele, não o contrário. Por exemplo, uma pessoa que faz hemodiálise tem uma vida profissional como qualquer outra, mas hoje perde um dia útil nisso porque em geral só pode realizar o procedimento das 7h às 19h. O hospital poderia oferecer um horário mais amplo, que desse maior flexibilidade para essa pessoa. São oportunidades de atuação, e quem trouxer mais conforto para o paciente vai sair na frente. As instalações e equipamentos dos hospitais estão disponíveis 24 horas por dia, mas são utilizados apenas durante uma parte desse período. É preciso ter várias equipes, em vários horários, para otimizar e multiplicar a capacidade de atendimento das instituições. Por que não fazer uma cirurgia eletiva de madrugada, por exemplo?

O médico é imprescindível e insubstituível na sua função de atendimento à saúde de cada indivíduo. Porém, ele fica refém de situações que extrapolam seu controle, como a gestão dos serviços de saúde em geral, as formulações de políticas públicas e privadas do setor e o bom funcionamento de um hospital

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O desafio de minimizar os impactos do tratamento oncológico Cuidar do outro em suas diferentes necessidades é uma essência da área da saúde. No Hospital Erasto Gaertner, de Curitiba, PR, a preocupação com o indivíduo vai além do tratamento e do conhecimento científico. Afinal, todo mundo gosta de ser cuidado. De acordo com o Ministério da Saúde, o conceito de humanização engloba a valorização dos diferentes sujeitos envolvidos no processo de produção de saúde: usuários, trabalhadores e gestores. Busca-se integração, valorização e participação ativa dos indivíduos nas questões que vão além da técnica. No hospital, são exemplos de ações de humanização: voluntariado, escolarização hospitalar, comemoração de aniversário, apresentações de teatro e corais, concertos de música clássica, sessão pipoca, contadores de história, entre outros. Das atividades voltadas aos colaboradores, destacam-se eleição do colaborador do mês, sessão pipoca, dia das profissões, palestras motivacionais, grupos de estudo (tanatologia), bodas da família erastina (evento para os colaboradores que completam 15, 20 e 25 anos de casa), cursos de capacitação e palestras de integração, entre outros. Para organizar essas atividades, a instituição conta com uma Comissão de Humanização, que tem Rodrigo Gomes da Silva, como Presidente da Comissão; Fernanda Voigt Miranda, Psicóloga Clínica; Claudia Ely, Assistente Social; Marina Lopes Carlos, Nutricionista; Ellen Aparecida Bragato, Administradora; Ricardo Matos Cremonini, Farmacêutico; Edenice de Oliveira Santana, Enfermeira; e Dra. Rosane do Rocio Jhonson, Oncologista. Entre os principais problemas na implantação de ações neste sentido está a disponibilização exclusiva de mão de obra, uma vez que a equipe que atua exerce funções operacionais na instituição e aceitam o desafio de desenvolver atividades para minimizar o impacto emocional no tratamento oncológico. Com relação ao processo de cura, esses profissionais explicam que na doença, o paciente se depara com uma nova situação, geralmente de crise, em que vivencia perdas físicas, a interrupção da forma habitual de vida e da rotina diária, surgindo a necessidade de conviver com o ambiente hospitalar e ficando longe de tudo que lhe é familiar. Diante desse cenário, as ações de humanização visam a valorização do paciente como um todo e a valorização da vida. O objetivo é tornar aquela situação mais agradável, explorar o lado saudável do indivíduo, estimular suas potencialidades, sempre considerando sua subjetividade. Com isso, o paciente pode vivenciar momentos prazerosos, que contribuem com a mudança da percepção do contexto hospitalar, proporcionando, consequentemente, uma permanência mais sadia durante o período de tratamento, o que pode contribuir para a diminuição da tensão emocional sentida nessa trajetória.

Daniel Sorrentino

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seja pela necessidade de observação mais monitorizada no pós-operatório de uma cirurgia de grande porte ou por alguma complicação decorrente da própria doença ou tratamento. Por possuir características específicas, a UTI gera um clima de constante apreensão e expectativa, tanto para o paciente quanto para os familiares. O psicólogo que atua neste setor tem como objeto de atenção e cuidado a tríade constituída por paciente, família e equipe de saúde. O trabalho é focado em cada um dos ângulos separadamente e também nas relações estabelecidas entre eles. De maneira geral, o psicólogo trabalha com o paciente as questões emocionais advindas da situação vivida, visando à mobilização de recursos de enfrentamento. O mesmo acontece com a família, para que ela possa participar de maneira positiva no processo de recuperação do paciente. Já com a equipe multiprofissional da UTI, o psicólogo atua como facilitador do processo de comunicação, proporcionando subsídios para que os profissionais possam manejar as questões emocionais presentes durante o tratamento. Segundo Fernanda Voigt Miranda, Psicóloga Clínica da Comissão, trabalhar no hospital junto com pacientes com câncer leva a um confronto diário com a dor e o sofrimento decorrentes do processo de adoecimento pelo qual o paciente está passando. “Portanto, é essencial que nós, profissionais da saúde, estejamos atentos à maneira com que somos afetados pelo que presenciamos e ouvimos no dia a dia do nosso trabalho, para que possamos dedicar atenção e cuidado a nós mesmos, e assim cuidarmos efetivamente do outro sem adoecermos também”, expõe.

Leitura Complementar Manual - Rotinas de Humanização em Medicina Intensiva Autor: Raquel Push de Souza www.atheneu.com.br

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O papel do psicólogo

Durante a trajetória do tratamento oncológico, pode ser necessária a internação em Unidade de Terapia Intensiva,

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Terapia

Orquestra de violas dissemina música caipira em hospitais

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“Quando chegamos aos leitos e começamos a tocar, notamos que a sensação das pessoas é de que estão em um auditório assistindo a um espetáculo e não internadas com doenças que as entristecem. É um momento de muita alegria para pacientes, profissionais da saúde e para nós.” O depoimento do Maestro Edson Murari Lima representa bem o trabalho da Orquestra Londrinense de Viola Caipira São Domingos Sávio, do Paraná, que surgiu em 2010 através de João Batista Gomes Simão, Coordenador do Indese – Instituto Nacional de Desenvolvimento da Saúde e Ecologia, mantido pela Associação Médica de Londrina. A orquestra já se apresentou várias vezes no Hospital Dr. Ignácio Eulalino de Andrade, e, recentemente, no Hospital do Coração, além de em vários asilos no estado. “Este ano, esperamos tocar em pelo menos mais dez hospitais de Londrina e região”, conta o Maestro. Segundo ele, é muito importante levar descontração e alegria às pessoas que estão passando por momentos delicados e muitas vezes difíceis de suportar. “Como músico, já havia lido várias notícias sobre os benefícios da musicoterapia, mas tocando em hospitais, pude sentir, frente a frente com os pacientes, como estavam se sentindo melhores, e constatar, em relatos pós-apresentações, que nossas músicas os tiraram daquela situação depressiva”. Nos shows, são reproduzidos grandes clássicos da música caipira de raiz, como: Chico Mineiro, Menino da Porteira, Couro de Boi, Luar do Sertão, além de outros, como o Hino Nacional Brasileiro e o hino sacro How Great Thou Art. Esta última, composta em 1885 pelo pastor sueco Carl Gustav Boberg, ganhou em 1961 versão do pastor brasileiro Manoel da Silveira Porto Filho, chamada Grandioso És Tu. As canções são executadas com um arranjo livre do Maestro Lima para a viola caipira, com “sotaque da roça”, e buscam resgatar e popularizar a viola caipira no cenário musical

brasileiro. Qualquer estilo musical pode fazer parte do repertório, desde que permita adaptação à sonoridade do instrumento. O grupo é composto por crianças, jovens e adultos de Londrina e região, de diferentes classes sociais e culturais. “Todos se respeitam e unem forças com um só objetivo: amor à viola e à cultura caipira”, conta o Maestro, acrescentando que podem participar dos ensaios tanto quem já tem alguma iniciação na viola quanto aqueles que querem dar os primeiros passos na arte. O acesso é livre. O trabalho é voluntário, as empresas ou pessoas físicas que quiserem destinar parte do Imposto de Renda para o projeto poderão entrar em contato através do telefone (43) 3323-0857 ou pelo e-mail: sosviola@hotmail.com. Pelos mesmos contatos, as instituições de saúde interessadas podem obter informações para receber o show. “InténóisvêBaitabraço”, despede-se Lima.

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Contra o câncer Recente pesquisa da Universidade Drexel, em Filadélfia, nos EUA, constatou que ouvir música ajuda pacientes de câncer no tratamento contra a doença. Segundo os médicos norte-americanos, esse tipo de terapia obtém efeitos positivos em relação ao humor, à dor e à qualidade de vida. Os pesquisadores analisaram os quadros de 1.891 pacientes em 30 experimentos distintos. Desses, 13 usaram música ao vivo, executada por terapeutas musicais devidamente treinados, e os outros 17 recorreram a gravações. A duração e a frequência dessas terapias variou bastante. Em comparação ao tratamento convencional, houve baixa significativa nos índices de ansiedade clínica. Ainda foram registrados efeitos benéficos para a respiração e a circulação.

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Atualidade

Caso do Hospital do Paraná lembra importância da administração das UTIs O caso da médica Virgínia Helena Soares de Souza que, juntamente com outros profissionais de saúde, foi acusada de acelerar a morte de pacientes na UTI Geral do Hospital Evangélico de Curitiba, PR, chama a atenção para uma questão importante: a administração das UTIs brasileiras. Para regulamentar o setor, a Anvisa instituiu a RDC-7, cujo objetivo é estabelecer padrões mínimos para o funcionamento das UTIs, visando à redução de riscos aos pacientes, visitantes, profissionais e meio ambiente, incluindo o atendimento de alta qualidade. O documento foi publicado em fevereiro de 2010 e as UTIs tiveram três anos para implantar as medidas solicitadas. A AMIB - Associação de Medicina Intensiva Brasileira, a única entidade reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina e pela Associação Médica Brasileira como representante dos profissionais que atuam nas UTIs, teve participação importante na elaboração do documento. “Foi o resultado de anos de luta da categoria, que ainda não contava com uma regulação própria. É uma grande conquista, uma vez que já conseguimos melhorar, em muito, a assistência e a qualidade no atendimento”, declara o Dr. José Mário Teles, Presidente da AMIB. Entre as medidas, passa a ser obrigatório que o responsável técnico - chefe ou coordenador médico - tenha título de especialista em Medicina Intensiva para responder por UTI Adulto; habilitação em Medicina Intensiva Pediátrica para responder por UTI Pediátrica; e título de especialista em Pediatria com área de atuação em Neonatologia, para responder por UTI Neonatal. As chefias de enfermagem e de fisioterapia também devem ser especialistas em terapia intensiva ou em outra especialidade relacionada à assistência ao paciente grave, específica para a modalidade de atuação, adulto, pediátrica ou neonatal. Em termos de recursos humanos, passa a ser necessário designar uma equipe multiprofissional, legalmente habilitada, que deve ser dimensionada, quantitativa e qualitativamente, de acordo com o perfil assistencial, a demanda da unidade e legislação vigente, contendo, para atuação exclusiva na unidade, no mínimo, os seguintes profissionais: Médico diarista/rotineiro: Um para cada dez leitos ou fração, nos turnos matutino e vespertino, com as mesmas especificações acima quanto ao que se refere ao responsável técnico; Médicos plantonistas: No mínimo um para cada dez leitos ou fração, em cada turno.

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Enfermeiros assistenciais: No mínimo um para cada dez leitos ou fração, em cada turno. Fisioterapeutas: No mínimo um para cada dez leitos ou fração, nos turnos matutino, vespertino e noturno, perfazendo um total de 18 horas diárias de atuação.

Técnicos de enfermagem: No mínimo um para cada dois leitos em cada turno, além de um técnico de enfermagem por UTI para serviços de apoio assistencial em cada turno. Auxiliares administrativos: No mínimo um exclusivo da unidade. A equipe da UTI deve participar de um programa de educação continuada, contemplando, no mínimo: normas e rotinas técnicas desenvolvidas na unidade; incorporação de novas tecnologias; gerenciamento dos riscos inerentes às atividades desenvolvidas na unidade e segurança de pacientes e profissionais; e prevenção e controle de infecções relacionadas à assistência à saúde. A RDC-07 também determina quantidade de equipamentos por leitos, assim como materiais essenciais para o atendimento ao paciente crítico. E um dado importante: a evolução do estado clínico, as intercorrências e os cuidados prestados devem ser registrados pelas equipes médica, de enfermagem e

Opinião Sobre o caso da médica do Paraná, Dr. Teles destaca que ela não é intensivista titulada, tampouco associada da entidade. “É uma médica que está sendo acusada de crimes graves e que precisam ser rapidamente esclarecidos. Infelizmente, até agora, não houve uma avaliação ou declaração de um especialista em Medicina Intensiva independente, solicitada pelo juiz, pela promotora ou pela auditoria do Ministério da Saúde, que tivesse uma visão completa dos casos. Não é possível que médicos de outras especialidades emitam opiniões na mídia baseados somente na denúncia do Ministério Público ou de suas impressões no prontuário. Isto gera incertezas! É indispensável, pela gravidade das denúncias, que um intensivista seja convidado para participar das investigações e emitir um parecer técnico”, opina. Ele diz que a AMIB repudia qualquer tentativa de generalizar as acusações sobre as mortes da UTI do Hospital Evangélico com o que acontece diariamente nas UTIs do Brasil, e afirma que a medicina intensiva brasileira é de excelente qualidade e reconhecida internacionalmente. Dr. Teles faz questão de salientar que a AMIB defende os interesses do paciente, o respeito aos seus sentimentos e os desejos da família, dando ênfase à comunicação adequada entre todos os envolvidos. Para a entidade, não é aceitável que condutas de retirada ou de não introdução de tratamentos sejam tomadas de forma isolada e sem ampla discussão. “É aconselhável a suspensão de medicamentos fúteis, que prolonguem o morrer, e a adequação dos tratamentos não fúteis, privilegiando o controle da dor e dos sintomas para o alívio do sofrimento dos pacientes com doença terminal. São considerados éticos e respaldados pelo Código Penal e pelo Código de Ética Médica. É o que chamamos de ortotanásia. É fundamental diferenciar assassinatos dos procedimentos descritos acima”, finaliza.

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de fisioterapia no prontuário do paciente, em cada turno, atendendo às regulamentações dos respectivos conselhos de classe profissional e normas institucionais. Convém lembrar que a AMIB é a única entidade reconhecida pela AMB para realizar o concurso para Título de Especialista em Medicina Intensiva. Mais informações sobre a RDC-7 no link goo.gl/vFhMx.

Para evitar erros

Um grupo de médicos formados por intensivistas acaba de iniciar no Brasil o Projeto CRM (Crew Resource Management), que pretende estabelecer rotinas para diminuir os erros humanos evitáveis cometidos por equipes multidisciplinares, principalmente em UTIs. O projeto nasceu nos Estados Unidos, que registrava, anualmente, 99 mil mortes por erros evitáveis. Estes, em sua maioria, estavam relacionados às competências não técnicas, como comunicação, gestão de conflitos, estresse, tomada de decisão, liderança e organização de tarefas. A partir daí, um programa de treinamento da aviação com simulações realísticas foi adaptado para criar rotinas de segurança. Segundo o Coordenador do Projeto CRM do Brasil, o Médico Intensivista Dr. Haggéas Fernandes, mais de 60% dos erros podem ser evitados quando todos esses itens forem melhorados. O projeto piloto está previsto para acontecer ainda no primeiro semestre de 2013, com a equipe multidisciplinar da UTI do Hospital Brasil, em Santo André, SP.

Leitura Complementar UTIs contemporâneas Autores: José Maria Costa Orlando e Lauro Miquelin www.atheneu.com.br

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Evento

I Encontro de Associados da Abimo apresenta novidades e vitórias do setor Uma grande festa marcou o I Encontro Anual de Associados da Abimo – Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios, que aconteceu no dia 15 de abril, no Hotel Renaissance, em São Paulo. Após um agradável coquetel de recepção, Paulo Henrique Fraccaro, Presidente Executivo, iniciou a cerimônia apresentando o novo logo da associação, mais moderno e acolhedor. “Entramos nestes últimos anos em uma fase caracterizada por uma entidade ainda mais ativa, agressiva em suas reinvindicações, participativa e, principalmente, mais próxima dos nossos associados, por isso, decidimos que estava no momento de renovar nossa marca.” Fraccaro também divulgou estudo realizado em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, mostrando que a produção setorial atingiu R$ 4,8 bilhões e a geração de valor chegou a R$ 2,4 bilhões, em 2012. Foi revelado, ainda, que a produtividade do segmento cresceu 5% ao ano em média entre 2007 e 2012, enquanto que o mesmo indicador para a indústria de transformação caiu 4% na mesma base de comparação. Já o investimento total no ano passado atingiu R$ 307 milhões, o equivalente a 13% do PIB setorial. Mais informações sobre o desempenho do setor puderam ser conferidas na primeira edição da Abimo em Revista, distribuída ao final do evento.

Prêmio Inova

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Na ocasião, foi revelado o vencedor do Prêmio Inova, que contou com a participação de 17 empresas associadas. Ao anunciar a comissão julgadora desta edição, a entidade homenageou Antonio de Souza Teixeira Junior, conhecido como Professor Teixeira, que faleceu em fevereiro último, com 92 anos, e foi um dos responsáveis pela escolha da empresa vencedora do ano passado. Ele também foi Presidente da Abimo entre 1986 e 1989. Na sequência, Ruy Baumer, Presidente do Sinaemo - Sindicato da Indústria de Artigos e Equipamentos Odontológicos, Médicos e Hospitalares do Estado de São Paulo, destacou a dificuldade na escolha do projeto inovador de 2013. “Por isso, foram escolhidos primeiramente os quatro melhores trabalhos, depois, cada julgador teve uma semana para analisá-los. Inclusive, um deles

Ruy Baumer, Dirceu Barbano, Tatsuo Suzuki e Franco Pallamolla na entrega do Prêmio Inova à Magnamed

levou o material aos médicos do Hospital Sírio Libanês para uma análise mais técnica e profunda”, explicou. As quatro empresas finalistas foram Braile Biomédica (vencedora no ano passado), Duan, Micromar e Magnamed, sendo esta última a vencedora, com o OxyMag, ventilador eletrônico para transporte e emergência de pacientes neonatal, pediátrico e adulto. O prêmio foi recebido pelo engenheiro Tatsuo Suzuki, um dos sócios da empresa, das mãos de Dirceu Barbano, Diretor-Presidente da Anvisa. “Não esperava e fiquei muito contente. Isto representa o reconhecimento de nossa equipe, que sempre desenvolve produtos inovadores. Eu acredito que inovação é a arma para vencer qualquer obstáculo. Muito obrigado!” Além do troféu com o Título de Excelência em Inovação, a Magnamed recebeu R$ 50.000,00, um selo para inserir em materiais impressos e de web, que garantirá o reconhecimento da vitória, além da oportunidade de participar de uma das feiras internacionais do segmento.

Conquistas

Antes do jantar, Franco Pallamolla, Presidente da Abimo, fez o discurso de encerramento, ressaltando que as vitórias da entidade se devem à solidariedade fraterna e produtiva que unem os associados. “Na prática somos autênticos espadachins contemporâneos, literariamente os ‘quatro’ mosqueteiros de Alexandre Dumas: um por todos e todos por um.” Dentre as conquistas mais recentes, citou a desoneração sobre a folha de pagamento das empresas do setor e a regulamentação das margens de preferência para os produtos nas compras públicas em âmbito federal, ambas em pleno vigor. Também lembrou que, recentemente, a Abimo foi contemplada com um novo programa de estímulo à inovação tecnológica, específico para o segmento, o Inova Saúde, pelo qual o BNDES, o Finep e o Ministério da Saúde destinarão cerca de R$ 600 milhões para novos projetos. Além disso, Pallamolla disse que em reuniões do Plano Brasil Maior, o governo definiu como prioridade na agenda estratégica de 2013/2014 a concessão da isonomia tributária para os produtos fabricados no Brasil. “Não se trata de privilégio, mas de dar às nossas empresas o mesmo tratamento dado àquelas que não fabricam, não geram empregos e nem desenvolvimento econômico e social.”

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TENDÊNCIA

Home Care como opção positiva na continuidade do tratamento A desospitalização tem sido cada vez mais frequente. Essa é uma tendência mundial que visa à redução do tempo de internação hospitalar, sem, é claro, perder de vista a saúde do paciente. Seu objetivo não é dar alta precocemente, mas sim, fornecer todo o suporte para que o tratamento tenha continuidade em casa por meio de iniciativas como o home care. O crescimento vertiginoso de beneficiários de planos de saúde e a falta de adequação do sistema de atendimento têm ocasionado problemas no atendimento. Um dos principais é a quantidade de leitos hospitalares, tanto para beneficiários de planos de saúde quanto para usuários do SUS. O setor da Saúde se depara com uma demanda crescente por leitos e a parcial incapacidade de atendimento. No que diz respeito aos hospitais, a desospitalização permite uma diminuição da média de permanência dos doentes no ambiente hospitalar, e, consequentemente, o aumento do número de leitos oferecidos. Isso implica em redução de custos, sem prejuízos para os pacientes. Além da liberação de leitos e manutenção da qualidade do tratamento, a modalidade permite uma economia considerável ao sistema. Em caso de internação, um hospital cobra também a parte de hotelaria, o que representa um custo entre R$ 700 a R$ 1.300, tendo como referência instituições consideradas de primeira linha em São Paulo. Esse valor da diária, no sistema de home care é economizado, o que representa uma redução entre 40% e 50% nos custos, já que o paciente paga o tratamento, mas não a estrutura hospitalar. O atendimento através de home care tem crescido rapidamente, apresentando opções de cuidado em detrimento às internações hospitalares longas e algumas vezes desnecessárias, tornando-se o principal instrumento para a prevenção da mortalidade infantil e perinatal, na prevenção das doenças crônico-degenerativas e no acompanhamento das pessoas que já manifestaram estes problemas de saúde.

Após a fase aguda do tratamento, muitas vezes o paciente pode ser tratado em casa ou em ambulatório. Nesses casos, os serviços de home care disponibilizam profissionais que o acompanham, seja na troca de curativos, fisioterapia, aplicação de injeções ou mesmo no controle da ingestão de medicamentos. Quando o doente não pode se dirigir ao ambulatório, o tratamento vai até sua casa. O objetivo maior deste serviço é proporcionar acompanhamento específico em casos estáveis ou mesmo dar continuidade ao tratamento necessário nos casos crônicos.

O home care pode melhorar, e muito, a qualidade de vida dos pacientes que não precisam ficar internados. O acompanhamento domiciliar é feito de acordo com especificações do médico e com base nas prescrições necessárias para o melhor atendimento

Entretanto, muitos ainda acreditam que o hospital é o melhor local para o atendimento, e isso acontece porque, na maioria das situações, as pessoas esperam que, com cuidados mais intensivos e com a internação num local com maiores recursos técnicos, suas chances de recuperação serão maiores e mais rápidas. Mas a maioria desconhece que os hospitais também são locais que oferecem riscos à saúde. Hoje, graças ao desenvolvimento da medicina, várias doenças podem ser tratadas em casa. “O acompanhamento domiciliar é feito de acordo com especificações do médico e com base nas prescrições necessárias para o melhor atendimento”, explica Patricia Palomba, Diretora de Operação da Global Care. No tocante à recuperação, a internação de longo prazo traz problemas como o stress e o risco de outras patologias, como as infecções hospitalares. “Se o médico libera o paciente para tratamento domiciliar ou ambulatorial, a rotina domiciliar vai auxiliar na recuperação, justamente pela proximidade com sua vida normal e pela presença dos familiares”, conclui Patrícia.

Leitura Complementar Home Care - Cuidados Domiciliares - Protocolos para a Prática Clínica Autor: Cathy Bellehumeur

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NEONATOLOGIA

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Tecnologia LED reduz em 40% tempo de tratamento dos bebês A fim de proporcionar mais conforto e segurança para o paciente e economia aos hospitais, a Fanem lançou em 2004 a família de equipamentos de fototerapia Bilitron, voltada para o tratamento da icterícia neonatal. Com isso, introduziu mundialmente a tecnologia Super LED, gerando uma significativa redução na permanência de internação do paciente e quase extinção do invasivo processo de exsanguíneatransfusão, consolidando, assim, a fototerapia de LEDs como uma das mais avançadas e eficientes para tratamento da doença. Com o uso da tecnologia, há uma comprovada redução de 40% no tempo do tratamento dos bebês, em comparação com fototerapias halógenas, além de não emitir raios infravermelhos e ultravioletas. Todos os equipamentos da família Bilitron possuem teclado em membrana e controle microprocessado para diversas funções e ajuste na intensidade da irradiação conforme necessidades médicas. Não utilizam metais pesados, atendendo às normas da Diretiva RoHS, e possibilitam trabalhar com sistema combinado de fototerapia dupla. Estão disponíveis três modelos: Bilitron 3006, com opções para fixação de pedestal móvel, adaptador para berço aquecido ou ventosas para apoio sobre incubadoras; Bilitron Bed 4006, com arco refletivo que devolve os raios excedentes ao paciente, aumentando a eficiência de tratamento; e Bilitron Sky 5006, que supera os similares em área de irradiação, além de possuir ventiladores supersilenciosos que ajudam a prolongar a vida útil dos LEDs e maior espectro focado, para bebês prétermo, termo ou a termo. A mais recente novidade é que a Fanem recebeu a cartapatente do United States Patent and Trademark Office – USPTO (Escritório de Marcas e Patentes dos EUA) pela invenção do modelo 3006. Utilizado internacionalmente, o Bilitron, que já era adotado nos hospitais referenciados do mundo todo, também foi reconhecido em 2010 como tecnologia inovadora pela principal organização mundial da Saúde. Com mais de 10 certificados na área, o produto sofreu uma criteriosa análise para recebimento da patente, que durou cerca de sete anos, o mais longo processo deste tipo dos últimos 14 anos. Como forma de reconhecimento pela invenção e demora, o escritório de patentes privilegiou a Fanem com mais cinco anos, aproximadamente, de direitos sobre a propriedade intelectual da tecnologia do Bilitron nos EUA, ampliando o prazo até 2028. O USPTO promove a proteção da propriedade intelectual no território dos Estados Unidos e é considerada uma das agências federais para a concessão de patentes e registro de marcas mais fortes e eficazes do mundo. “Para nós, esta cartapatente alavancará de maneira representativa as vendas, já que o mercado norte-americano é o maior entre todos os continentes, além de aumentar nossa visibilidade em âmbito global”, comemora Djalma Luiz Rodrigues, Diretor Executivo.

“ A conquista da carta-patente do USPTO para o Bilitron 3006 alavancará as vendas de maneira representativa, além de aumentar a visibilidade da empresa em âmbito global (11) 2972-5700 www.fanem.com.br

Expansão Como resultado da estratégia de internacionalização da Fanem, o continente africano tornou-se o seu terceiro principal mercado (América Latina e Leste Europeu são primeiro e segundo, respectivamente), sendo que os países fora da região do MENA (Middle East and North Africa) alcançaram um grande crescimento, atingindo aproximadamente 15% do total das exportações da fabricante. A empresa já mantinha laços comerciais com países do norte e sul do continente, porém, recentemente ampliou o mercado, passando a comercializar também no leste e oeste africanos, como por exemplo, Etiópia, Sudão, Quênia e Nigéria, regiões populosas e consideradas fechadas para o setor. Inclusive, além de abrir um canal de distribuição no Quênia, venceu uma acirrada licitação do Ministério da Saúde para a venda de 200 equipamentos neonatais, concorrendo com tradicionais fornecedores da instituição. “Decidimos concentrar esforços também neste novo mundo, que já apresenta os primeiros resultados. Nada acontece de um dia para o outro, estamos colhendo agora as sementes plantadas nos anos anteriores”, afirma Rodrigues, ressaltando que os números são ainda mais positivos considerando a forte crise internacional.

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Controle

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Monitoramento de temperatura garante segurança e evita desperdícios A farmácia é o principal local de um hospital onde são indispensáveis o monitoramento e o controle de temperatura, pois é nela que se desenvolvem atividades ligadas à produção, armazenamento, dispensação e distribuição de medicamentos. Outras áreas e processos que necessitam de atenção são bancos de sangue, salas de ressonância magnética, tomografia, conservação e pasteurização do leite materno, ambientes controlados, como salas de cirurgia – especialmente de transplantes de órgãos -, áreas de alimentação parenteral e salas de atendimento a vítimas de queimaduras e doenças infectocontagiosas. Com a gestão adequada do setor, podem ser evitados muitos problemas, como descarte de medicamentos e vacinas por má conservação, utilização de medicamentos impróprios por apresentarem perda da eficácia e contaminação ou proliferação de doenças infectocontagiosas. Para oferecer segurança aos hospitais neste controle, a Incoterm criou em 2011 a Unidade de Soluções Integradas, cuja proposta é oferecer um plano exclusivo para cada cliente. Tendo como focos principais os estabelecimentos industriais e de serviços voltados à saúde, a empresa identificou que grande parte deles necessitava de algo mais do que equipamentos de alta precisão para controle climático de ambientes. “Concluímos que seria necessário aprimorar a inteligência de geração e comunicação de temperatura, umidade e outras variáveis do gênero, para que cada cliente tivesse, em tempo real, informações claras e estratégicas a respeito da qualidade dos ambientes controlados”, explica o Gerente da Unidade, Fernando Rios. A companhia evidenciou que algumas instituições simplesmente utilizavam termômetro de máxima e mínima e registravam manualmente em uma planilha as medições, duas vezes ao dia. Assim, caso houvesse oscilações, somente seria detectada a ocorrência, mas não se saberia o tempo que a temperatura ficou fora dos parâmetros ideais para utilização. “A solução seria descartar os medicamentos”, explica Rios. Com base nesse tipo de problema, a empresa criou o SIM – Sistema Incoterm de Monitoramento, que é composto de um conjunto de equipamentos de medição e controle mais o software GSI - Gerenciador de Soluções Incoterm. O SIM tem a função de registrar, controlar e alertar em tempo real (alarme local, e-mail e SMS), permitindo acesso aos registros via web, de qualquer localidade. Funciona da seguinte forma: o termômetro digital remoto possui um GPS/GPRS (geo-referenciamento) que envia informações das medições e a localização para o software GSI. Por exemplo, uma caixa térmica com exames laboratoriais, medicamentos termolábeis ou sangue poderá ser rastreada e monitorada até seu destino, e o usuário terá acesso aos dados coletados, como localização no mapa, rota, temperatura e umidade.

“Temos uma metodologia diferenciada para atendimento dos clientes da Unidade de Soluções Integradas, baseada na avaliação das necessidades de monitoramento, levantamento de pontos, instalações, rotinas e problemas do cliente. A partir daí, identificamos e avaliamos as demandas, elaboramos e apresentamos um projeto que atenda às necessidades do cliente”, explica Rios. Para controle de temperatura, a Incoterm oferece termohigrômetros, termômetros com sondas para utilização em banho maria e frezeer -80°C e termômetros com GPS para veículo/caixa térmica. De acordo com as condições das salas, os sensores poderão ser por radiofrequência ou cabeados. Atualmente, hospitais, laboratórios, transportadoras de medicamentos e órgãos, entre outras atividades da saúde, se beneficiam com as Soluções Integradas Incoterm, certificadas pelas principais instituições de acreditação, como Anvisa, JCI – Join Commission e ONA – Organização Nacional de Acreditação. “Em 2013 estamos apressados em ampliar nossa estrutura de atendimento para fazer frente a uma carteira de pedidos que não pára de crescer. O desafio está sendo vencido, para nossa felicidade e satisfação dos clientes”, destaca Rios.

(51) 3245-7100 www.incoterm.com.br

Com o aprimoramento da inteligência de geração e comunicação de temperatura, umidade e outras variáveis do gênero, o hospital tem, em tempo real, informações claras e estratégicas a respeito da qualidade dos ambientes controlados

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Caderno

Telemedicina ao alcance de todos

Núcleos Técnicos Científicos dividem experiências de profissionais de todo o Brasil

Consultoria Editorial: Dr. Chao Lung Wen, Presidente do Conselho Brasileiro de Telemedicina e Telessaúde

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eHealth Telessaúde e seus Núcleos Técnicos Científicos ajudam a levar saúde a diversos cantos do país

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Através de programa do MS, em parceria com universidades, entidades e outros ministérios, Amazonas, Pernambuco, Rio Grande do Sul e São Paulo são alguns dos estados que oferecem teleconsultorias, segunda opinião formativa, telediagnósticos e teleducação a aproximadamente 1.500 Unidades Básicas de Saúde. As atividades estão a todo vapor. por Carol Gonçalves

Ultimamente, tem-se falado muito em telemedicina e telessaúde, mas a verdade é que a área vem mobilizando governo, profissionais, hospitais e universidades há bastante tempo. Em 2007, o Ministério da Saúde criou o Programa Nacional de Telessaúde, coordenado pela SGTES - Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde e pela Secretaria de Atenção à Saúde em articulação com outros ministérios, universidades públicas e entidades das áreas de Saúde e Educação. No primeiro momento, o intuito era fortalecer a Atenção Primária e a Estratégia de Saúde da Família por meio do uso da tecnologia, mas o Programa se expandiu para todas as Redes de Atenção à Saúde e funciona com Núcleos Técnicos Científicos de Telessaúde implementados em 11 estados, que oferecem teleconsultorias, telediagnósticos e teleducação a aproximadamente 1.500 Unidades Básicas de Saúde. Pelo programa, já foram ofertadas mais de 45 mil teleconsultorias e 400 mil exames de apoio diagnóstico. Em 2011, o Ministério da Saúde publicou duas Portarias que regulamentaram a expansão do projeto, que passou a se chamar Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes. O setor está em constante desenvolvimento, mas Dr. Chao Lung Wen e Ana Estela Haddad, membros do Comitê Assessor da Rede Universitária de Telemedicina, lembram que as novas tecnologias

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somente obtêm o máximo do seu potencial quando há um comprometimento dos recursos humanos no seu uso e uma efetiva integração entre as instituições participantes, no sentido de somar os esforços para multiplicar os resultados. “Trabalhada desta forma, a tecnologia torna-se um instrumento eficiente para gerir um macro processo e estratégias que facilitem a colaboração entre as partes, permitindo atividades integradas em uma comunidade. Além disso, um bom projeto de abrangência nacional deve sempre respeitar as diferenças regionais, características culturais, geográficas, sócio-econômicas e de infraestrutura da cada local”, detalham. A seguir, vamos acompanhar as últimas novidades de alguns dos Núcleos de Telessaúde.

Comunidade Europeia, cujos objetivos são a análise e a conscientização sobre as necessidades e soluções baseadas em tecnologias móveis para grupo sem risco de exclusão digital na América Latina (comunidades de baixa renda e isoladas, doentes crônicos e pessoas com deficiência). “Para fortalecer as ações do Núcleo, além da disponibilidade de conectividade banda larga de internet disponível para todo o estado do Amazonas (aspecto estrutural), é necessária a normatização para que os processos de telemedicina e telessaúde sejam integrados à rotina e à carga de trabalho dos profissionais e dos sistemas municipais de saúde (aspecto normativo e legal)”, expõe.

Amazonas

Pernambuco

O Núcleo Amazonas do Programa Telessaúde Brasil tem como base o Polo de Telemedicina da Amazônia, unidade da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Atualmente, 48 municípios estão integrados à Rede, permitindo que moradores de áreas remotas da região tenham acesso a serviços de saúde de média e alta complexidade, nas áreas de dermatologia, psiquiatria, pediatria, cardiologia, urologia, clínica vascular, entre outras especialidades, por meio de teleconsultorias realizadas através de formulário eletrônico e videoconferências. Pelo Sistema de Ambulatório Virtual (AV), acessível em www.telessaudeam.org.br, as demandas e informações são trocadas entre profissionais da rede de atenção básica dos municípios e especialistas da UEA e de outras instituições de referência em saúde de Manaus. Essa ferramenta, constituída por um sistema de informação desenvolvido em linguagem PHP, utiliza banco de dados relacional MySQL e é hospedada em uma plataforma de servidores Linux, o que garante a confiabilidade e o sigilo adequado ao processo, bem como a garantia de uma infraestrutura suficiente e operacional. “Além de ser um sistema de registro de consultas, o AV tem se mostrado eficiente no controle e armazenamento de informações do paciente, contendo os dados necessários para o profissional médico fazer um atendimento de qualidade”, ressalta Cleinaldo Costa, Coordenador do Núcleo de Telessaúde do Amazonas. Ele explica que para os casos mais complexos, que requerem a presença do paciente, os profissionais agendam teleconsultorias síncronas (videoconferências), que são realizadas em tempo real por profissionais de saúde conectados à rede, utilizando recursos de voz, imagens e/ou chat. Também por meio das videoconferências e do AVA – plataforma Moodle, professores e especialistas da área podem intercambiar conhecimentos e informações atualizadas com os profissionais da rede de atenção, mediante interação entre os participantes, com a proposta de se evoluir para a criação de uma rede colaborativa de teleducação. Segundo Costa, um desafio para a telessaúde é tornar os serviços de teleassistência e teleducação cada vez mais acessíveis aos profissionais. Dessa maneira, propõe estabelecer um Centro de Competências em Saúde para atuar no desenvolvimento de modelos de atenção para o autocuidado, por meio de soluções e aplicativos disponíveis através de tecnologias móveis de comunicação (smartphones e tablets). Com a intenção de fortalecer-se nesse sentido, o Núcleo integrou-se ao consórcio do M-Inclusion, projeto apoiado pela

Em Pernambuco (Universidade Federal de Pernambuco), o serviço de teleassistência é oferecido pela RedeNUTES, criada em 2003, através de três canais: webconferência - que permite a conversa em tempo real com teleconsultores -, formulário eletrônico e sistema HealthNet ambiente integrado para compartilhamento de informações. Este último se destaca, entre outros aspectos, pela facilidade de utilização e recursos disponíveis. Através de login no portal da Rede, o profissional (devidamente cadastrado) tem acesso ao sistema, que funciona como uma rede social virtual, permitindo a criação de comunidades de interesses e cadastro de informações de pacientes com possibilidade de anexar fichas clínicas, exames, imagens, vídeos em alta resolução e qualquer dado relevante que possa ser compartilhado com o teleconsultor.  Magdala de Araújo Novaes, Fundadora e Coordenadora do Grupo de Pesquisa de Tecnologias da Informação em Saúde (TIS) e do NUTES da UFPE, conta que neste ano, com a mudança das gestões municipais e o advento das políticas do Ministério da Saúde

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telessaúde, mas sempre haverá altos e baixos. Não existe uma política que garanta a estabilidade da telemedicina no serviço público e privado”, ressalta.

Rio Grande do Sul

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As novas tecnologias somente obtêm o máximo do seu potencial quando há um comprometimento dos recursos humanos no seu uso e uma efetiva integração entre as instituições participantes

em relação à telessaúde no país, a RedeNUTES entra em nova fase. Serão fortalecidos os serviços que funcionam como importante estratégia para suprir as necessidades dos profissionais de saúde da Atenção Primária no estado, como a teleconsultoria, que oferece apoio ao diagnóstico em casos clínicos, e o TeleECG, que permite a emissão de laudos à distância. Outro destaque é o Instituto Nacional de Psiquiatria do Desenvolvimento (INPD), coordenado pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), em parceria com o NUTES, que desenvolve o projeto de Telepsiquiatria com o objetivo de estudar a aplicação da telemedicina na Saúde Mental. “Esta prevista a implantação de aplicativos para rastreamento de transtornos mentais em crianças e adolescentes. A ideia é levar o projeto para escolas e unidades de saúde da família.” De acordo com Magdala, com o grande advento da tecnologia atualmente, pode-se dizer que a telemedicina teve grandes avanços, mas de forma ainda frágil. Uma das dificuldades enfrentadas é a questão da conectividade, não só em Pernambuco, mas em todo o país. “As conexões de baixa qualidade, que não chegam de forma adequada ao usuário, vão de encontro ao que a própria telemedicina prega: o acesso a equipamentos e recursos de alta qualidade. Outro problema em que esbarramos frequentemente é a questão da cultura: a ausência de contato dos profissionais com a tecnologia em seu ambiente de trabalho e a falta de preparo para utilização desses recursos, que vem desde a formação acadêmica. Em plena era digital, vemos a classe médica com seus dispositivos móveis no dia a dia, mas não os vemos utilizar a tecnologia em seus processos de trabalho”, expõe. Ela considera que existe uma grande resistência por parte dos profissionais em integrar-se à Saúde Digital, além de uma carência no que diz respeito à capacitação e à infraestrutura disponibilizada. Segundo Magdala, é preciso também sensibilizar os próprios gestores, não só do serviço público, mas de uma forma geral, para que possa partir deles a motivação e o incentivo para abraçar a tecnologia e suas facilidades. “Ela é importante como ferramenta de trabalho! É preciso deixar de ver a tecnologia como despesa e passar a enxergá-la como investimento, uma vez que gera produtividade/qualidade. Estamos em fase de crescimento e proliferação da

O destaque na atuação do Núcleo de Telemedicina do Rio Grande do Sul (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) é a produção de respostas a teleconsultorias para toda a equipe de atenção básica da Estratégia Saúde da Família do estado. Já são mais de 11.000 respostas sobre os mais variados temas. “Quando o médico passou a utilizar a teleconsultoria, o encaminhamento do paciente para outro serviço foi reduzido em 70%”, conta Erno Harzheim, Coordenador do TelessaúdeRS. Sobre as ações mais recentes, o Núcleo já iniciou o suporte via telefone a todos os médicos da Estratégia Saúde da Família do Rio Grande do Sul por meio do 0800 644 6543, com respostas imediatas, das 8h às 17h30, de segunda a sextafeira.

São Paulo Os grandes pontos de atuação no Núcleo São Paulo (Sistema Faculdade de Medicina da USP/ HCFMUSP e Faculdade de Odontologia da USP) são sete: educação interativa à distância, procurando potencializar a atualização continuada dos profissionais de Saúde da Família por meio do portal do Núcleo São Paulo (www.telessaudesp.org.br); promoção da teleconsultoria e da segunda opinião formativa de forma integrada com a educação (teleassistência associada com a teleducação) e focado em segmentos temáticos de acordo com as prioridades governamentais - saúde da gestante e puérpera, saúde do idoso, curso sobre drogas, formação de cuidadores de pessoas com deficiência, hipertensão e diabetes; conteúdos digitais e teleducação em saúde bucal (www.teleodonto.fo.usp.br); promoção da Saúde nas Escolas através do Projeto Jovem Doutor; desenvolvimento da Saúde nas comunidades com produção de materiais audiovisuais em formato de DVDs, na disponibilização no Canal Saúde do IPTVUSP e mais recentemente na realização de cursos para capacitação de monitores de telecentros, lan houses e laboratórios de informática; fortalecimento das Segundas Opiniões Formativas Especializadas e Telediagnósticos; e produção do Homem Virtual, vídeos educacionais e eBooks Interativos, no conceito de estruturação da Nuvem do Conhecimento em Saúde e Programa de Acessibilidade Digital à Saúde. Como destaque, o Projeto Homem Virtual consiste no desenvolvimento de imagens tridimensionais das estruturas do corpo humano, utilizando recursos da computação gráfica, aliados a projetos de diversas áreas. Já o Projeto Jovem Doutor é uma atividade multiprofissional que utiliza recursos de telemedicina, educação à distância e do Projeto Homem Virtual com o propósito de incentivar e valorizar os estudantes dos ensinos médio e superior a realizarem trabalhos

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cooperados que promovam a saúde e melhorem a qualidade de vida de comunidades necessitadas através de uma ação sustentada. Um dos exemplos deste tipo trabalho foi na cidade de Tatuí, no estado de São Paulo, incluído em 2012 com provisionamento de recursos pela Secretaria de Planejamento do município. Neste momento, o Núcleo São Paulo está com duas grandes ações. Uma delas é criação do conceito do tablet e ultrabook da Saúde, que está aguardando a definição de um pacote tecnológico associado com recursos de conectividade e a estruturação dos serviços de rotina. Outra ação é a instituição do Programa de Valorização dos Profissionais da Saúde por meio da teleducação e teleassistência. Um dos grandes desafios é promover a mudança na dinâmica de trabalho do dia a dia nas UBSs para que identifiquem facilidades e qualidades no uso da telessaúde na prática profissional. “Concomitantemente, estamos fortalecendo a estruturação de um repositório de materiais educacionais interativos e biblioteca digital (Nuvem do Conhecimento em Saúde)”, acrescenta o Dr. Chao Lung Wen, que também é Coordenador do Núcleo São Paulo. “Outro ponto importante é que a FOUSP - Faculdade de Medicina da USP está fortalecendo as suas ações de tecnologias interativas para consolidar a Educação 3.0 e disponibilizar, no segundo semestre de 2013, amplos recursos para fortalecimento da educação móvel, flexibilizada e adaptativa, com objetivo de compartilhar suas expertises com as instituições de ensino e pesquisa e assistenciais do Brasil”, complementa. Com relação à saúde bucal, Ana Estela Haddad, que também é Professora Associada do Departamento de Ortodontia e Odontopediatria e Pesquisadora do Núcleo de Teleodontologia da Faculdade de Odontologia da USP, diz que os resultados alcançados com a teleassistência e a teleducação são muito significativos. “Ao mesmo tempo em que o serviço apoia os profissionais na assistência à saúde da população com a segunda opinião, respondendo dúvidas e discutindo casos, também ajuda com laudos, diagnóstico de imagens e exames”, conta. Além disso, é feita uma ponte dessa assistência com a pesquisa. “A partir das teleconsultorias são geradas questões que podem atender ao interesse de vários profissionais. Após uma seleção, a Universidade de São Paulo, apoiada pela Bireme – Biblioteca Regional de Medicina, que faz parte da Organização Pan-Americana da Saúde e Organização Mundial da Saúde, busca as evidências clínicas e científicas

para responder às perguntas, ficando à disposição para consulta no site”, explica. A teleconsultoria evita o encaminhamento do paciente para outros serviços, além de melhorar a resolutividade na atenção prestada, principalmente nas Unidades Básicas de Saúde. Para oferecer o serviço, o Núcleo de Telessaúde se conecta com as UBS através dos gestores, que auxiliam os profissionais de saúde a incorporarem a teleconsultoria ao seu processo de trabalho. Afinal, colher informações sobre o paciente requer mais tempo no atendimento, o que também ajuda a qualificar a atenção prestada. Muitas perguntas são feitas pelos próprios dentistas, mas outros profissionais também enviam questionamentos sobre saúde bucal, o que favorece a integração e o trabalho multiprofissional, já que um problema em uma determinada parte do corpo pode refletir em outras áreas. “A teleodontologia, assim como a telemedicina, vem agindo muito nesse processo de fortalecer a rede de atenção à saúde e buscar um trabalho com profissionais cada vez mais integrados”, expõe. Ana Estela conta que a Rede Nacional de Teleodontologia foi lançada em 2010, e a FOUSP, que se integra com o Núcleo São Paulo, é referência como produtora de conteúdo digital para o SUS. “Para fortalecer a rede, também estamos promovendo um curso à distância para que os docentes das faculdades de odontologia possam montar seus núcleos de teleodontologia e telesaaúde”, acrescenta.

Serviços do Telessaúde O Telessaúde Brasil oferece aos profissionais e trabalhadores das Redes de Atenção à Saúde no SUS os seguintes serviços: Teleconsultoria – é uma consulta registrada e realizada entre trabalhadores, profissionais e gestores da área de saúde, por meio de instrumentos de telecomunicação bidirecional, com o fim de esclarecer dúvidas sobre procedimentos clínicos, ações de saúde e questões relativas ao processo de trabalho, podendo ser síncrona (realizada em tempo real, geralmente por chat, web ou videoconferência) ou assíncrona (por meio de mensagens off-line); Telediagnóstico – é um serviço autônomo que utiliza as tecnologias de informação e comunicação para oferecer apoio ao diagnóstico à distância; Teleducação – conferências, aulas e cursos ministrados por meio da utilização das tecnologias de informação e comunicação; e Segunda Opinião Formativa – é uma resposta sistematizada, construída com base em revisão bibliográfica, nas melhores evidências científicas e clínicas e no papel ordenador da atenção básica à saúde.

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Telefônica Vivo e FMUSP firmam aliança na área de eHealth De um lado, conectividade e soluções tecnológicas, de outro, expertise na área médica. Foi para unir esses dois pontos, oferecidos pela Telefônica Vivo e pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), respectivamente, que ambas assinaram um termo preliminar de aliança não remunerada que possibilitará o desenvolvimento de várias ações conjuntas que farão parte de um amplo programa para promover a acessibilidade digital em Saúde. O primeiro resultado da parceria será a inclusão de conteúdos acadêmicos científicos da universidade em produtos e serviços que a operadora pretende lançar por meio de sua área de eHealth. “Incluir os conteúdos de uma das melhores faculdades de medicina do mundo em produtos que vamos oferecer aos clientes nos destacará no mercado de Saúde”, afirmou Antonio Carlos Valente, Presidente do Grupo Telefônica no Brasil. Além de conteúdos em texto, infográficos e áudios, a Faculdade de Medicina da USP dará à Telefônica Vivo acesso aos vídeos produzidos pelo Projeto Homem Virtual, que são sequências dinâmicas tridimensionais de estruturas do corpo humano, utilizando recursos da computação gráfica 3D. Segundo o Profº José Otávio Costa Auler Junior, Diretor em exercício da Faculdade de Medicina da USP, o programa de acessibilidade digital em Saúde potencializará a interatividade e o estudo colaborativo dos alunos e profissionais. “A FMUSP está em constante processo de modernização dos recursos utilizados no aprendizado da técnica médica, e esta parceria sela mais uma meta conquistada”, declara. A USP já utiliza o data-center da Telefônica Vivo e, com a aliança, novos serviços serão concebidos, como a disponibilização em nuvem de conteúdos de livros de medicina, cursos, seminários, simpósios e congressos para estudantes e profissionais da saúde. Além disso, a operadora dará apoio de comunicação para acesso a conteúdos interativos da biblioteca digital, a partir de dispositivos móveis. Inicialmente, a empresa disponibilizou 60 chips 3G Plus para tráfego de dados, que serão empregados em ações temáticas coordenadas pela Disciplina de Telemedicina da FMUSP, começando por três segmentos: Atenção Primária, Saúde do Idoso e Emergências. “Para estas ações, será consolidada uma estratégia para implementar o conceito da Educação 3.0, utilizando interatividade móvel baseada no Tablet da Saúde, com conteúdos que poderão ser utilizados por profissionais de saúde e por universitários, tanto em ambiente hospitalar como nas comunidades brasileiras, proporcionando o aprendizado flexível e em serviço”, explicou o Profº Dr. Chao Lung Wen, Chefe da Disciplina de Telemedicina da FMUSP, lembrando que, após avaliação dos resultados desses projetos, eles serão ampliados para outras localidades. O profissional ressalta que a aliança com a Telefônica Vivo compartilha, ainda, experiências internacionais de ambos os lados.

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Valente, do Grupo Telefônica, e o Profº Auler Junior, da USP, na assinatura da aliança

Soluções Há cerca de um ano, a Telefônica Vivo vem desenvolvendo produtos e serviços na área de eHealth no Brasil, com o objetivo de oferecer tecnologia e inovação ao mercado de Saúde. O negócio insere-se no contexto da aposta global da empresa para este segmento do mercado. Entre os serviços já lançados, estão Gestão de Demandas, solução multicanal que ajuda no agendamento de consultas e exames médicos, destinada a operadoras de saúde, hospitais e clínicas; Gestão Digital de Imagens Médicas, que permite aos usuários e profissionais ter acesso a exames de imagens a partir de qualquer dispositivo eletrônico; Gestão da Saúde da Família, que melhora a produtividade e a eficiência dos agentes e da equipe de saúde da família mediante dispositivos móveis e aplicações de última geração; Gestão de Pacientes Crônicos, que disponibiliza aos clientes dos dispositivos canais de comunicação, ferramentas de gestão clínica/operacional e todo o suporte necessários para prover uma gestão remota dos pacientes com patologias crônicas; Teleassistência Móvel, que permite saber onde estão os membros da família para poder ajudá-los caso haja necessidade; e Nuvem da Saúde, que é um centro de conhecimento da área da saúde, com conteúdos disponíveis na nuvem para serem acessados a qualquer momento. “Recentemente, adquirimos a Axismed, maior empresa de gestão de saúde populacional do país. O negócio nos permitirá acelerar o desenvolvimento de uma proposta completa de serviços no mercado brasileiro de eHealth, com foco em operadoras de saúde privadas e corporações, bem como nos 90 milhões de clientes da Telefônica Vivo no país. Teremos muitos lançamentos ainda neste ano, e os conteúdos da Faculdade de Medicina nos diferenciarão no mercado”, expõe Valente.

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Acontece eHealth_Innovation

Investimentos públicos O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou recursos de ­ R$ 20,2 milhões para a ampliação de Serviço de Tele-emergência e Tele-UTI do Incor – Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMSUP. O Serviço consiste na orientação à distância, realizada por médicos da entidade especializados em atendimento de casos cardiológicos complexos, utilizando os recursos de imagem, som e transmissão de dados da Telemedicina. O diretor da Divisão de Cardiologia Clínica do Incor, Roberto Kalil, não tem dúvida de que, quando totalmente implantada, esta ação contribuirá efetivamente para a melhoria da qualidade do atendimento cardiológico de alta complexidade no SUS.

Prontuário eletrônico O Instituto de Oftalmologia de Curitiba (IOC), PR, implantou um moderno sistema para registro do atendimento realizado pelo médico, que deve agilizar o processo de pré-consulta e reduzir o tempo de espera dos pacientes. O prontuário eletrônico engloba agendamento, atendimento de recepção e médico, exames, cirurgias e toda a área administrativa envolvendo cada cliente. “Como todo o histórico do paciente é registrado em um único ambiente digital, reduzse muito o retrabalho, gerando mais agilidade e segurança no atendimento”, explica o Diretor Clínico do IOC, Dr. Luiz Geraldo Simões de Assis.

Guia de amamentação

Novo equipamento robótico O Hospital Pró-Cardíaco, localizado no Rio de Janeiro, adquiriu recentemente o Artis zeego, da Siemens, equipamento robótico com excelência em qualidade de imagem e menor dose de radiação que, além de promover um fluxo de trabalho aprimorado, permite otimizar procedimentos cirúrgicos, intervencionistas e híbridos mais complexos. É o primeiro com sistema de eixos múltiplos, o que facilita o tratamento do paciente durante as intervenções e ainda dispõe de softwares específicos para aplicações avançadas que trazem mais segurança para o médico dentro da sala cirúrgica.

Para auxiliar as mamães, o Dr. Marco Renato, Coordenador do Curso de Especialização em Atenção Integral à Saúde Materno Infantil da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro, desenvolveu um aplicativo para iPhone que traz um guia seguro sobre amamentação supervisionado pelo profissional. Através da ferramenta, os pais recebem dicas importantes para o desenvolvimento de cada mês do bebê, desde a gestação. Além disso, permite cronometrar o tempo da mamada, localizar Bancos de Leite e visualizar o calendário de vacinas. O aplicativo, que acaba de receber o aval do Departamento Científico de Amamentação da Sociedade Brasileira de Pediatria, pode ser baixado gratuitamente no site www.aleitamento.com.

Gestão de Custos Entre os softwares exclusivos oferecidos pela MV para a área de Saúde está o Gestão de Custos, que permite identificar a receita hospitalar e a real margem de contribuição de setores, procedimentos e pacientes. Ele disponibiliza gráficos diversos, permite o conhecimento do valor por procedimento, gera indicadores de produtividade, emite relatórios diversos sobre margem de contribuição, custos e receitas, além de facilitar análises sobre investimentos ou liquidação. A empresa também oferece consultoria através de profissionais próprios ou da rede de parceiros. www.mv.com.br l (81) 3972.7000

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Atendimento virtual Um relatório global da Cisco sobre a experiência de clientes da área de saúde, o Cisco Customer Experience Report, revela que 74% dos consumidores dizem estar abertos ao atendimento médico virtual, percentual um pouco maior no Brasil, com 76%. Quando perguntados sobre a relação entre contato pessoal e qualidade da assistência médica, 84% dos consumidores no Brasil afirmaram estar mais preocupados com a qualidade da assistência do que com a presença física do médico na consulta. O estudo analisou a opinião dos consumidores e tomadores de decisão de saúde de dez países. Os resultados demonstram que com o uso da tecnologia, a largura de banda e a integração em rede se tornando cada vez mais presente na rotina das pessoas, tanto o aspecto humano quanto o digital passaram a fazer parte da experiência de pacientes.

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Acontece eHealth_Innovation

Ajuda administrativa O www.yepdoc.com.br, que permite o agendamento de consultas médicas pela internet, acaba de lançar três serviços que ajudam médicos e dentistas a reduzir gastos e melhor administrar a agenda de pacientes. As ferramentas, que colaboram para aumentar a frequência de pacientes no consultório, são chamadas de: Inclusão na Web, Gestão de Agenda e Lembrete de Consulta. “Eles foram desenvolvidos para atender à necessidade dos profissionais, que geralmente não administram o consultório como uma empresa e por isso não avaliam o seu desempenho financeiro”, explica Guilherme Pizzini, fundador do site.

Novidades em processamento de imagens

Interatividade A Faculdade de Medicina da USP inaugurou a Biblioteca Interativa, um espaço acolhedor com recursos de interatividade on-line para proporcionar convivência e estudo colaborativo. Com conectividade Wi-Fi de alto desempenho, disponibiliza tablets para que os alunos possam acessar materiais didáticos diferenciados e o projeto Homem Virtual, recurso de computação gráfica com imagens tridimensionais das estruturas do corpo humano desenvolvido pela Disciplina de Telemedicina. “Este ambiente interativo permitirá aos alunos promover debates, lançar novos olhares para a prática médica e chegar a um consenso via observação”, explica o Professor Chao Lung Wen, Chefe da Disciplina de Telemedicina da FMUSP.

A Pixeon Medical Systems apresenta na Jornada Paulista de Radiologia (JPR), entre os dias 2 e 5 de maio, novidades para clínicas e hospitais que atuam na análise e processamento de imagens médicas. Uma delas é o Portal de Distribuição para imagens e laudos médicos, sistema online que agiliza o processo de entrega de resultados de exames e garante tanto ao médico quanto ao paciente praticidade para acessar o resultado de casa ou do consultório – um novo benefício para os usuários do portal Laudos.net. Outra novidade é o Capta, estação de captura que faz a integração com o sistema de busca de dados demográficos do paciente sem a necessidade de digitação manual. Quando utilizado com o PACS Aurora, atende em uma única ferramenta o fluxo completo, da aquisição do exame ao laudo, e é ideal para modalidades como endoscopia e ultrassonografia.

Rede virtual Em tempos de hiperconexão, hospitais do Distrito Federal acabam de implantar uma plataforma que permite discussão de casos clínicos, emissão de segunda opinião médica, além de consultoria e educação continuada – tudo à distância. “Trouxemos os recursos da telemedicina para ampliar ainda mais nossa resolutividade”, destaca Dr. Celso do Amaral Mello Neto, Diretor Médico do Hospital Alvorada Taguatinga. Juntamente com o Alvorada Brasília, o hospital agora integra uma rede virtual que reúne diversas instituições de saúde em diferentes estados brasileiros. “Estamos conectados 24 horas por dia. Com isso, temos acesso a alguns dos principais centros nas áreas de Cardiologia, Neurologia e Gineco-Obstetrícia”, comenta. Na prática isso significa que os pacientes atendidos na Rede Alvorada, caso necessitem, terão os recursos da Telemedicina à sua disposição sem custos adicionais.

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Prontuário Eletrônico do Paciente Brasileira líder no desenvolvimento de softwares na América Latina, a TOTVS tem uma área voltada exclusivamente para o segmento de Saúde. Entre as inovações está o Prontuário Eletrônico do Paciente 2.0, o PEP 2.0. Com ele, o médico acompanha, com legibilidade, acurácia e exatidão, o histórico clínico do paciente, solicitações de exames e prescrições. O sistema possibilita a aplicação do Plano Terapêutico, acompanhamento up to date do tratamento médico, além de coletar informações em tempo real à beira do leito e as disponibilizar em uma plataforma on-line para que outros médicos as acompanhem. Todos esses controles podem ser feitos por meio de um tablet. www.totvs.com l 0800 7098100

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TECNOLOGIA

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Agilizando os serviços médicos, biometria poupa tempo e custos A utilização da biometria na área da saúde tem crescido ao longo dos últimos anos como consequência do amadurecimento dos requisitos regulatórios. Nesse ambiente de missão crítica, a última coisa que os profissionais de saúde precisam é de uma tecnologia de autenticação que os bloqueie ou os impeça de cumprir seu trabalho de forma eficaz. Com imagens multiespectrais, a biometria tornouse uma opção viável para quem quer garantir o acesso a determinados setores de hospitais e clínicas, equipamentos médicos, medicamentos e registros médicos, sem interromper o fluxo de trabalho. De acordo com Juan Carlos Tejedor, Diretor de Vendas da americana Lumidigm para a América Latina, a tecnologia de imagem multiespectral oferece boa leitura da impressão digital já na primeira tentativa de uso, permitindo enxergar tanto a camada superficial da pele como uma segunda camada, mais profunda, em que os vasos sanguíneos reproduzem o desenho exato da superfície do dedo. “Trata-se de uma tecnologia que simplifica os processos de clínicas, hospitais e planos de saúde, elevando os índices de desempenho, reduzindo as possibilidades de fraudes e aumentando a satisfação de usuários”. Uma das maiores implantações mundiais de biometria na área de saúde reforça a segurança e o acesso a substâncias controladas. A facilidade e a conveniência são características prioritárias nesse tipo de implantação, como por exemplo, quando alguns enfermeiros precisam ter acesso várias vezes ao dia a determinados medicamentos controlados. Nos hospitais mais importantes dos Estados Unidos, a autenticação de impressão digital com imagem multiespectral também é utilizada para o controle presencial dos médicos, resultando em cerca de um milhão de registros por dia. Mais do que tornar alguns processos mais rápidos e confiáveis, a tecnologia multiespectral também é a única capaz de ler impressões digitais da mão enluvada - situação muito comum na área da saúde. “Além do uso de luvas, a higiene frequente das mãos, o uso intensivo de produtos químicos e de limpeza, dedos úmidos ou secos, além de uma ampla gama de dados demográficos de usuários, tornam o registro e a autenticação biométricos complexos e desafiadores. A tecnologia de imagem multiespectral proporciona desempenho superior e confiável em todas essas situações”, diz Tejedor. O executivo da Lumidigm chama atenção também para a prescrição eletrônica e o acesso a registros médicos - que são atividades fortemente regulamentadas e também estão sendo apoiadas pela autenticação biométrica. “A maioria das tecnologias adotadas pelos hospitais permite fácil integração com sensores de impressão digital. Ou seja:

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a identificação e o gerenciamento do acesso estão sendo protegidos e simplificados com o toque de um dedo”. Tejedor diz que a autenticação biométrica dos pacientes está se tornando importante inclusive para reduzir erros médicos e para minimizar o acesso fraudulento aos serviços de saúde. “O Seguro Popular do México, por exemplo, que é um programa de atendimento público de saúde, está todo baseado na identificação da impressão digital de imagem multiespectral para evitar fraudes. Naquele país, funcionários dos hospitais relatam que a biometria realmente facilita o acesso e agiliza os serviços médicos dos pacientes autorizados, poupando tempo e custos”, conclui. Com sede em Albuquerque, no Novo México (Estados Unidos), os sensores biométricos da Lumidigm e os equipamentos de soluções visuais opticamente aprimoradas atendem às necessidades dos clientes de todo o mundo em termos de controle de acesso físico e lógico em diversos mercados, como bancos, instituições de saúde, entretenimento e parques temáticos, além da identificação civil e governamental.

www.lumidigm.com/pt

A identificação e o gerenciamento de acesso são protegidos e simplificados apenas com o toque de um dedo

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NA PRÁTICA

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Bairral é pioneiro no uso da prescrição eletrônica de longa permanência O Instituto Bairral é uma instituição de tratamento psiquiátrico referência em todo o país, localizado em Itapira, interior de São Paulo, que foi fundado em 1937 e figura entre os primeiros hospitais psiquiátricos filantrópicos instalados no Brasil. Seu idealizador foi o líder espírita Américo Bairral, que faleceu antes do início da obra, sendo que a mesma foi levada a efeito por seus confrades e continuadores itapirenses. Diante da escassez dos recursos financeiros, o atendimento aos pacientes era simples, mas compatível com a Psiquiatria de então. Somente por volta dos anos 1960, duas grandes mudanças marcaram uma nova época na vida do Bairral: outra equipe assumiu a direção e foi firmado o primeiro convênio da entidade com o então Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). Se esse vínculo trouxe inegável alento financeiro, logo foi possível perceber que não era desejável que o Bairral dependesse de uma fonte única de recursos. Por isso, no propósito de diversificar as receitas indispensáveis ao seu progresso, decidiu-se criar o setor de pacientes particulares do hospital. Através de construções efetuadas no sítio anexo ao Prédio Central, foram sendo edificadas suas unidades externas, tendo por objetivo tratar cada grupo de pacientes com um mesmo perfil diagnóstico em um minihospital específico e com equipe multiprofissional própria. Por se tratar de uma instituição psiquiátrica, algumas patologias exigem a permanência dos pacientes por um período relativamente longo. Por este motivo, o hospital foi pioneiro no uso da prescrição eletrônica de longa permanência e auxiliou a Wareline a desenvolver o módulo. Durante a fase de testes, consultores da empresa visitaram a instituição periodicamente para entender como a ferramenta deveria se encaixar na rotina médica. Cliente da Wareline desde 2004, a unidade já possui 21 módulos implantados. A Prescrição Eletrônica é um dos módulos do Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP). É por meio dele que os tratamentos são iniciados, liberando as informações sobre as atividades/procedimentos que devem ser realizados para outros módulos. A ferramenta permite a prescrição de medicamentos, exames, dietas, nutrição e outras solicitações para a farmácia e demais setores, que liberam o pedido para o paciente. Além disso, a solução também tem outras funções, como prescrição de longa permanência, requisições eletrônicas de consumo interno, subestoques e a criação de fichas de anamnese e evoluções. “Este módulo é útil para evitar erros de administração e dispensação dos medicamentos. Por ser eletrônico, facilita o entendimento das informações, evitando erros em razão de rasuras ou caligrafias ilegíveis”, explica o Diretor de Operações da Wareline, Fábio Usier. Antes de adotar a tecnologia, a farmácia do Bairral utilizava a segunda via carbonada para as prescrições médicas. De acordo com Josi Aparecida de Araújo, Farmacêutica da instituição, após a implantação do módulo, houve um aumento na agilidade

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dos processos. “Além da facilidade de compreensão das informações, contamos com a baixa automática das prescrições no módulo de estoque. Isso representa uma grande facilidade para a farmácia de um hospital que possui 820 leitos”, completa. A farmácia tem acesso à prescrição e ao histórico medicamentoso do paciente em tempo real, o que torna mais ágil a dispensação dos remédios. Hoje, 100% dos médicos do hospital prescrevem eletronicamente.

Na atualidade

A entidade procura elevar o nível científico do seu trabalho buscando a aproximação com a USP e a UNICAMP, que têm se destacado nesse papel pela presença constante de renomados professores e doutores de seus quadros para proferir palestras ao corpo técnico do nosocômio, num programa que já existe há vários anos. Nessa mesma linha, o hospital vem realizando simpósios anuais sobre temas de sua especialidade ou correlatos, reunindo nomes de grande destaque no meio médico do país. Graças a esses aprimoramentos, o Instituto Bairral adquiriu a condição de hospital de referência em sua especialidade. Em 2011 recebeu a Medalha do Mérito IPq 2011, honraria criada pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP para homenagear pessoas ou entidades em reconhecimento aos serviços prestados à especialidade.

www.wareline.com.br

Além da facilidade de compreensão das informações, o instituto conta com a baixa automática das prescrições no módulo de estoque. Isso representa uma grande facilidade para a farmácia de um hospital que possui 820 leitos

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Tratamento

Como se preparar para atender casos de doenças respiratórias Com a chegada do outono e do inverno, o tempo frio e seco gera o aumento da poluição e, consequentemente, o crescimento dos casos de doenças respiratórias, alérgicas e inflamatórias. Neste período do ano, gripe, asma e rinite alérgica, entre outras doenças, chegam a atingir cerca de 60 milhões de brasileiros, portanto, os profissionais da saúde devem estar preparados para ter plenas condições de atender ao grande número de pacientes, que aumenta substancialmente nessa época. Uma das empresas que atuam no segmento é a Dorja, fabricante e importadora de produtos médicos que possui uma linha para diagnosticar, prevenir e tratar problemas respiratórios típicos do tempo extremamente seco. Segundo Marcela Dagir, Gerente de Marketing, os hospitais precisam estar equipados com centrais de nebulização que tenham capacidade para atender a diversos pacientes, pois a busca por inalação nesse período é constante. Essas centrais podem ser fixas ou terem rodízios para facilitar o acesso em diversas áreas do hospital.

Uma dica é o MD400, inalador de quatro saídas da marca Medicate, encontrado em dois modelos: de mesa e com suporte de cinco rodízios. “Além de possuir um design arrojado, é prático, resistente, tem suporte para máscaras e é ideal para usar em clínicas, consultórios, ambulatórios e prontos-socorros. O MD400 vem acompanhado de quatro kits com máscara ultramacia em PVC atóxico e copo dosador que não derrama o medicamento, ideal para fazer inalação em pacientes deitados. Recomenda-se que haja sempre kits de nebulização (copinho, máscara e mangueira) sobressalentes para agilizar o

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Medidor de pico expiratório Peak Flow Meter

Nestes casos, a Dorja disponibiliza o espirômetro Datospir Micro C, da Silimed, considerado o mais completo equipamento portátil existente atualmente no mercado brasileiro. De fabricação espanhola, é totalmente adaptado ao Brasil em termos de mensuração dos resultados de exames. Além disso, possibilita exames com curvas expiratórias e inspiratórias. “A Dorja possui o certificado de Boas Práticas de Fabricação e todos os produtos são registrados pela Anvisa. Sua linha respiratória é abrangente, incluindo, também, inaladores residenciais e espaçadores”, encerra.

Inalador MD400

Os hospitais precisam estar equipados com centrais de nebulização que tenham capacidade para atender a demanda por inalações nesse período

atendimento aos pacientes”, detalha. O medidor de pico expiratório Peak Flow Meter, também da Medicate, é outro grande aliado do profissional de saúde para diagnosticar e prevenir as crises respiratórias. Com design moderno, possui escala de 60 a 900 l/min, podendo ser usado tanto em adultos como em crianças. Fitas coloridas para demarcação de zonas de riscos já acompanham o produto, o que o diferencia no mercado. Com válvula unidirecional, que evita a infecção cruzada, é lavável e sua higienização é muito simples de ser feita. “Tem bocais descartáveis e seu uso é fundamental em hospitais e clínicas”, acrescenta Marcela. Ela também conta que provas de função pulmonar são essenciais o ano todo e acentuam-se durante os meses frios.

Espirômetro Datospir Micro C

(11) 3872-4266 www.dorja.com.br

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Por que seu hospital precisa de uma estratégia? Genésio Korbes Sócio da Korbes Consulting | MBA em Gestão Empresarial genesio@korbesconsulting.com

Na escola da Administração moderna, há um sem-número de explicações para o conceito de estratégia. Na obra Safári de Estratégia, Mintzberg, Ahlstrand e Lampel afirmam que “a literatura de administração estratégica é vasta - o número de itens que revisamos ao longo dos anos chega perto de 2.000 - e cresce a cada dia”. Michael Porter, um dos papas da Administração em Marketing, a define como a criação de um posicionamento de valor. Já para Jack Welch, referência no assunto, estratégia significa fazer escolhas claras sobre como competir. Não importa o tamanho do negócio ou a profundidade do seu bolso. Na opinião de Welch, ter estratégia é reagir com rapidez às mudanças. Cada metodologia traz consigo vantagens e desvantagens. Contudo o fato é que existem, sem dúvida, infinitas possibilidades de concepção de estratégia para o seu negócio. Por isso, defendo que não importa qual seja a adotada pelo seu hospital ou organização de saúde. Nesse sentido, discordo daqueles que defendem a ausência da estratégia como virtude - sim, eles existem! - e corroboro a visão do administrador e palestrante Jerônimo Mendes, para quem não existe estratégia certa ou errada. Existe, sim, aquela que deu certo ou que deu errado. Modismos há em excesso! E fazem com que os mais altos executivos de empresas de diferentes segmentos tateiem no escuro na hora de pensar sua estratégia. Certeza, para mim, é uma só: a empresa que almeja sucesso, crescimento e sustentabilidade precisa de método. Em minha opinião, aquele baseado na análise dos ambientes internos e externos (SWOT), com a aplicação do Balanced Scorecard (BSC) e desdobramento da estratégia nas perspectivas financeira, cliente, processos internos e aprendizado/crescimento aplica-se bem em qualquer cenário, inclusive hospitais e instituições de saúde, como tenho defendido nos últimos anos em meus artigos, palestras e livro publicado. Entretanto, conhecer o conceito e as metodologias não é o suficiente. É preciso que você, dirigente, entenda por que sua empresa precisa de uma estratégia! Em uma indústria - no nosso caso, a da Saúde - em que a competitividade gera movimentos contínuos e muitas vezes inesperados, só sobrevive quem estiver preparado para responder às mudanças com rapidez e assertividade. O que só é possível com posicionamento estratégico. “Conjunto de ações”, “corrida para chegar a uma posição ideal”, “condições únicas a que uma empresa quer chegar” e mesmo “escolher o que não fazer” são algumas das definições de Michael Porter, autoridade mundial no assunto. Há muitas outras, mais ou menos adequadas à sua organização. Não importa qual seja sua escolha, mas ela tem de ser feita! Afinal, como afirmou o professor Jerônimo Mendes, abrir uma empresa é a coisa mais fácil do mundo. Agora, mantê-la e fazer com que gere bons resultados, para não dizer que seja uma exceção, é um desafio para a maioria. Daí a importância da estratégia. Afinal, independentemente de porte, segmento, idade ou finalidade de seu negócio, ele não navega sozinho, mas sim cercado de outros competidores tão bons quanto ou até melhores que você! Para enriquecer mais o debate, acrescento as cinco questões fundamentais apresentadas por Jack Welch: Qual a posição detalhada do seu negócio e a de seus concorrentes? Que ações seus concorrentes adotaram nos últimos anos? O que você fez nos últimos anos de diferente? O que mais você receia dos seus concorrentes? Qual será seu diferencial nos próximos anos? Agora que você já entendeu por que sua empresa precisa de uma estratégia, podemos passar ao passo seguinte. Chegou o momento em que

você e os gestores de seu negócio devem fazer as quatro perguntas vitais para a elaboração do plano, com a licença de seus autores, Michael Porter e Peter Drucker: Em que negócio você está? O que você realmente vende? Qual é o seu público-alvo? Qual é o seu diferencial competitivo? Com estas respostas, você estará pronto para começar a montar a estratégia de seu hospital ou serviço de saúde. Para que não restem dúvidas sobre a importância desta atitude, vamos nos lembrar do aumento da concorrência entre os hospitais; do crescimento dos custos; da necessidade de melhorar a eficiência e a segurança; do maior acesso à informação e consequente nível de exigência da população. O posicionamento estratégico da organização de saúde é mais importante do que nunca. Com o ritmo acelerado e constante das inovações no portfólio das especialidades médicas, é imprescindível a diferenciação do hospital para enfrentar seus concorrentes. Sem medo de soar repetitivo, volto a afirmar: isso só é possível com o engajamento do corpo clínico. A eficácia do hospital depende da adesão dos médicos às estratégias institucionais. A organização deve alinhar o corpo clínico ao planejamento e motivá-lo a assumir o compromisso com os resultados.

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CENTRO CIRÚRGICO Sala Híbrida é a nova aposta dos centros cirúrgicos brasileiros

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Muito comum nos Estados Unidos e na Europa, a Sala Híbrida também ganha a adesão dos principais hospitais nacionais, pois traduz o que existe de mais moderno no que se refere à estrutura operacional no momento de realizar tratamentos poucos invasivos e cirurgias. Esse novo modelo de sala cirúrgica, também chamada de inteligente, é projetado pela Maquet, do grupo sueco Getinge, uma das maiores empresas do mundo fornecedoras de produtos médicos para salas cirúrgicas, laboratórios e unidades de tratamento intensivo. A Sala Híbrida é considerada um novo paradigma de atendimento e modernização dos centros cirúrgicos, na qual, além de equipamentos, imagens e iluminação inteligentes que oferecem conforto ao médico e ao paciente, há integração da sala ao hospital e aos locais externos. Normalmente, o paciente deve ser deslocado para outros procedimentos, como de Raios-X por exemplo, porém, na sala inteligente, o médico pode acessar o prontuário eletrônico dentro do próprio centro cirúrgico, numa tela plana localizada na parede. Nesse tipo de sala, os equipamentos e acessórios integramse de forma a oferecer todo o suporte ao médico e ao paciente, tais como: mesas cirúrgicas que se adaptam ao usuário, e não o contrário; luz de LED que não esquenta o ambiente e não produz sombra, com sensores de presença automáticos que apagam as luzes onde está a cabeça do médico, além disso, a claridade é redistribuída para outras áreas onde é possível mitigar sombras e calor; câmeras e monitores para gravar e acompanhar a cirurgia, que pode ser assistida em qualquer lugar do mundo. Dentre outros avanços que facilitam a rotina do centro cirúrgico, diminuem a quantidade de fios e cabos à mostra e aprimoram o fluxo de trabalho. De acordo com Norman Pierre Günther, CEO do Grupo Getinge para a América Latina, a grande diferença da Sala Híbrida é que, além de poder ser utilizada para procedimentos convencionais de angiografia, por exemplo, também é indicada para cirurgias de alta complexidade, pois os equipamentos usados são os mais modernos do mundo. “Cito a mesa Magnus, que possui movimentos

extremos e tampos translúcidos, o que permite um melhor diagnóstico e comodidade para o paciente”, comenta. Na verdade, a Sala Híbrida compreende duas em uma. Uma para diagnóstico/intervenção cardíaca, neurológica, ortopédica, traumatológica, e outra para todo tipo de procedimento, como cirurgias sem corte, aberta com uso da máquina extracorpórea e até cirurgia ortopédica em casos extremos. “A grande vantagem para pacientes e cirurgiões é que, no caso de uma emergência, não se faz necessária a troca de sala. Sob o ponto de vista financeiro, é importante ter mais uma sala cirúrgica à disposição, garantindo a ocupação ideal das outras salas”, observa Günther. O sistema possui ainda um mecanismo inteligente de gravação de imagens, com melhor ergonomia para os cirurgiões com monitores móveis e sistemas de suporte com fácil movimento. Toda a sala é projetada conforme as necessidades dos usuários, para garantir melhores resultados nos procedimentos.

Nesse tipo de sala, os equipamentos cirúrgicos, de imagens e de diagnósticos integram-se de forma a oferecer todo o suporte ao médico e paciente

Essa realidade não é exclusividade dos melhores hospitais da Europa e Estados Unidos, e os pacientes brasileiros não precisam viajar ao exterior para serem contemplados com tanta tecnologia. Um dos mais recentes hospitais a investir nesse tipo de sala é o Hospital Pró Cardíaco do Rio de Janeiro. “Será a primeira sala com conceito híbrido no Estado, associando equipamento de diagnóstico com integração de sala cirúrgica, permitindo que pacientes com alta complexidade possam ser tratados simultaneamente de forma invasiva, com cirurgia convencional, através de procedimentos endovasculares ou de forma combinada”, diz o Diretor Clínico da entidade, Dr. Evandro Tinoco Mesquita.

www.maquet.com

Maquet no Sírio-Libanês O Centro Cirúrgico do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, SP, dispõe de 19 salas equipadas com foco de tecnologia LED, mesas Magnuns/Maquet de última geração e sistemas integrados de vídeo. Nesse conjunto, há duas salas inteligentes: uma específica para neurocirurgia e uma para neuronavegação com ressonância magnética acoplada SPREE, para pacientes com claustrofobia ou obesos. Há também duas salas para cirurgia de tratamento de doença de Parkinson e uma sala para cirurgias vasculares, bem como 20 postos de recuperação anestésica. O setor tem capacidade para realizar 1.200 cirurgias por mês, das quais 70% de médio ou grande porte.

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RECURSOS HUMANOS

Funcionários ingratos, líderes e feijões Você lidera por gratidão ou por princípios? Prof. Fabrizio Rosso Administrador Hospitalar, Mestre em Recursos Humanos, autor do livro “Gestão ou Indigestão de Pessoas”, Sócio e Diretor Executivo da Fator RH www.fatorrh.com.br l (11) 3864-1200

Essa é uma das primeiras perguntas que faço no livro que escrevi “Gestão ou Indigestão de Pessoas? – Manual de Sobrevivência para R.H. na área da Saúde”, da Ed. Loyola. Há quase uma década eu já havia escrito isso e hoje, mais do que nunca, a pergunta me parece muito, muitíssimo atual... Não raro encontramos funcionários que, apesar de todos os nossos esforços de liderança, não conseguem perceber, nem sequer agradecer, tudo o que fazemos por eles... Isso gera tristeza e para muitos líderes iniciantes traz a sensação de que ser gestor é o pior emprego do mundo... Afinal, fazemos um esforço sobre-humano para ajudar, orientar, ensinar, desenvolver e reconhecer ou valorizar nossos colaboradores. Porém, do outro lado, eles olham para todo esse movimento como se fosse simplesmente uma “obrigação” do líder e, por isso, nem precisam dizer duas palavras: Muito obrigado. Mais do que isso, aprendi que precisamos seguir três preceitos na posição de liderança: • Lidere por princípios – Não se frustre: Funcionários são funcionários – dificilmente irão além dessa frase, simplesmente porque muitos nunca entenderão que “gratidão humana é gratidão de mão dupla. Vai e volta!” • Siga o conselho de Tom Peters - “Não tenha pressa para selecionar, mas seja rápido para demitir.” Preste atenção aos feijões - Para exemplificar, segue uma fábula que encontrei outro dia na web: Reza a lenda que um monge, próximo de se aposentar, precisou encontrar um sucessor. Entre seus discípulos, dois já haviam dado mostras de que eram os mais aptos, mas apenas um o poderia.

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Para sanar as dúvidas, o mestre lançou um desafio, com a intenção de colocar a sabedoria dos dois à prova: ambos receberiam alguns grãos de feijão, que deveriam colocar dentro dos sapatos para então empreender a subida de uma grande montanha. Dia e hora marcados, começa a prova. Nos primeiros quilômetros, um dos discípulos começou a mancar. No meio da subida, parou e tirou os sapatos. As bolhas em seus pés já sangravam, causando imensa dor. Ficou para trás, observando seu oponente sumir de vista. Prova encerrada, todos de volta ao pé da montanha para ouvir do monge o óbvio anúncio. Após o festejo, o derrotado aproxima-se e pergunta como é que ele havia conseguido subir e descer com os feijões nos sapatos. E o outro responde: Antes de colocá-los no sapato, eu os cozinhei. Carregando feijões ou funcionários ingratos há sempre um jeito mais fácil de levar a vida organizacional. Encontre na Liderança por Princípios o seu equilíbrio, e não deixe que outras pessoas lhe desviem do bom caminho. Se precisar, da próxima vez, “cozinhe o feijão”. Vale a pena refletir.

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Negócios

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Gerenciamento de compras de OPMEs resulta em ganhos de escala Uma das atividades administrativas mais complexas dentro da cadeia da saúde é negociar OPMEs (Órteses, Próteses e Materiais Especiais). Os problemas envolvem a demora entre o pedido e a entrega, a ausência de padronização, a grande dispersão de preços, o desperdício de material, a não aceitação ou a falta da marca escolhida, entre outros. Buscar o uso racional dos recursos pela adoção de critérios para a liberação dos procedimentos, padronizar e gerenciar o processo de autorizações são algumas dicas para reduzir custos. Uma experiência que merece ser conhecida é a do Hospital São Lucas, do Rio de Janeiro, RJ. Waldir Laguna Junior, Diretor de Operações, conta que, em 2004, a instituição resolveu mudar o processo de compra de OPME, pois tinha muitos fornecedores de itens análogos, chegando a até quatro para o mesmo produto. “Na maioria das ocorrências, acabamos reduzimos a um único fornecedor, como no caso dos materiais para cirurgia videolaparoscópica. Nos demais, restringimos a um rol de fornecedores escolhidos como de melhor qualidade pelos próprios médicos e que também tinham resultados positivos segundo os convênios. Assim, passamos de 20 fornecedores de material para ortopedia e coluna para somente cinco. Como houve ganhos de escala, o custo caiu em 50% para muitos itens. Esta economia foi dividida entre todos da cadeia. Mesmo os fornecedores tiveram suas vendas multiplicadas por 10 vezes em alguns casos”, explica. Em vista a esses resultados, qual o segredo do negócio? Laguna Junior responde simplesmente que quando se combina a regra, o jogo fica mais fácil. O hospital estabeleceu um protocolo de solicitação, análise e aprovação de cirurgias com médicos referenciados pelos convênios, com imediato parecer de uma segunda opinião pré-acordada entre todos e com materiais em quantidades adequadas ao procedimento necessário. Assim, não surgiam excessos, reduzindo a necessidade de auditorias, contra auditorias e, em consequência, diminuindo drasticamente as glosas. Também foram estabelecidos prazos exíguos para as análises, agendamento e pagamentos, melhorando a liquidez de todo o processo. Com tudo isso, houve aumento do faturamento global. Segundo o Diretor de Operações do Hospital São Lucas, quando não há protocolos e regras definidas, surgem vícios. “À medida que se cria uma relação de confiança e credibilidade, a justiça passa a prevalecer. Com isso, economizamos em auditorias, auxiliares administrativos, no processo de faturamento e nos lead times de toda a cadeia logística. Isto nos permitiu ganhos de oportunidade por termos maior previsibilidade, comprarmos em maior quantidade e fazermos importações diretas”, explica. Outra experiência interessante é dos Hospitais Bandeirantes e Leforte, de São Paulo, SP. Rodrigo Lopes, CEO do Grupo Saúde Bandeirantes, conta que foram criadas equipes especializadas para agilizar a compra dos materiais, e que a palavra mágica é “previsibilidade”. A base do projeto foi trabalhar com soluções compartilhadas, envolvendo todos os membros da cadeia. “A importância das soluções

compartilhadas está na definição de protocolos aceitáveis por todos os agentes, na possibilidade da avaliação de custo-benefício técnico-comercial, na busca conjunta da redução da variabilidade, no foco na eficiência operacional para diminuição do tempo de espera, na confiança mútua e na comunicação em todas as direções”, conta Lopes. Com o projeto, obteve-se melhora no relacionamento com médicos cirurgiões e operadoras de saúde, redução do tempo de aprovação para procedimentos cirúrgicos e aumento na previsibilidade de uso de materiais e do pagamento pelos procedimentos realizados. O ponto fundamental do processo é a perenidade do negócio, tornando a instituição economicamente viável para o sistema de saúde.

Estratégias

Erika Fuga, da Superintendência de Operações e Análise Médica da Sulamérica Seguros, sugere algumas estratégias para compras de material para procedimento, com foco na aproximação do relacionamento entre operadora e hospital. • Atuar junto ao corpo clínico para garantir a melhor indicação do procedimento cirúrgico e do material (segunda opinião e junta médica); • Avançar no Projeto de Diretrizes Clínicas e de Utilização (AMB/CFM/ANS) com governança corporativa e participação dos integrantes do setor; • Direcionar para Centro de Referência algumas especialidades críticas, agregando valor ao segurado. • Estimular o uso do banco de dados OPME desenvolvido pela Fenasaúde, para consulta de similaridade; • Implementar a padronização da nomenclatura de OPME. Apoiar ANS/COPISS e Anvisa nesta ação; • Atuar na cadeia de materiais através de negociação direta entre operadora e fornecedor. Dessa forma, obtém-se entre 20% e 30% de redução de custos com fornecedores; • Garantir a existência de prestadores com tabelas previamente acordadas, para modelo fee-for-service; • Garantir acordos na forma de compartilhamento de risco para procedimento de alta previsibilidade (pacotes).

Leitura Complementar Gestão de Operações em Saúde Autor: Libânia Rangel de Alvarenga Paes www.atheneu.com.br

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Regulamentação

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Normas garantem a qualidade do uso e fornecimento de gases medicinais

Para regulamentar o setor de gases medicinais, a Anvisa elaborou as resoluções 69 e 70, de 2008, e a RDC 32, de 2011, diferenciando o produto industrial do medicinal. Dessa forma, a regulamentação torna compulsória e estimula a notificação, denúncia, reporte de lesão ou morte ou, ainda, de efeitos adversos que até hoje são desconhecidos, contribuindo para o aumento do conhecimento sobre os gases medicinais, seus usos e riscos. Além disso, faz com que as empresas fabricantes tenham um padrão mínimo de qualidade em suas instalações, processos e produtos, estimula o processo de auditoria com frequências determinadas como pré-requisito para obtenção e renovação da licença de funcionamento, zelando com rigor pela qualidade e segurança destes medicamentos para a população. Também assegura a rastreabilidade dos gases medicinais até o cliente, o que viabilizará um possível recall, caso necessário. “Todos estes impactos da regulamentação acarretam na diminuição da probabilidade de acidentes, como misturas danosas de produtos, cilindros vazios, contaminação dos produtos através de tubulação, etc., trazendo grandes benefícios à saúde pública”, explica Bruna Mendes, Farmacêutica e Analista de Marketing & Desenvolvimento de Negócios da Linde Healthcare. No Brasil, a Anvisa estendeu até 30 de junho de 2015 o prazo para que as empresas fabricantes realizem a notificação do produto. A Linde Healthcare, que está presente em mais de 100 países, já passou por adequações nas localidades onde a regulamentação está em vigor há mais tempo. A empresa vem investindo fortemente em modernos equipamentos de produção e controle de qualidade, contratando profissionais qualificados para cuidar especificamente de produtos medicinais, gerando toda a documentação e os registros necessários para assegurar a rastreabilidade dos gases até os consumidores, ministrando treinamentos a todos os profissionais envolvidos na cadeia de fabricação, armazenagem e distribuição, bem como realizando todas as adequações físicas exigidas nas plantas de gases medicinais. Paralelo a isso, a Linde também oferece treinamentos em hospitais e distribuidores, visando disseminar o conhecimento sobre as Boas Práticas essenciais a esses produtos. Com relação a manuseio, transporte e armazenagem dos gases medicinais, Bruna diz que, em primeiro lugar, os estabelecimentos de saúde devem conhecer muito bem e estar atentos ao que exigir de seus fornecedores, além de checar se os lotes de produtos cumprem com os requisitos de qualidade. Devem exigir também: bulas nos cilindros, etiqueta de rastreabilidade (com número de lote e/ou data de fabricação, além da data de validade), número de lote na nota fiscal entregue ao cliente e certificado de análise (para gases entregues na forma líquida). Convém avaliar se os cilindros encontram-se íntegros: se possuem lacre intacto, cor em atendimento à norma ABNT NBR 12.176, se

Unidade envasadora de gases medicinais da Linde, adequada à nova regulamentação

estão limpos e em estado compatível com o local em que serão utilizados, etc. Ao armazenar os cilindros, os estabelecimentos de saúde devem segregar os que são incompatíveis, mantê-los apenas ao alcance de pessoas qualificadas para manuseálos e bem presos para que não sofram quedas, além de cumprir com os requisitos para armazenamento específicos de cada produto. Vale salientar que se trata de medicamentos armazenados em recipientes sob pressão de aproximadamente 200 bar, ou seja, exigem a observância de algumas normas de segurança a fim de evitar acidentes. Com este objetivo, é recomendável dispor de pessoas que conheçam estas normas e possam zelar pela sua total aplicação dentro do estabelecimento de saúde. Outro importante fator é a rastreabilidade. Os hospitais devem armazenar documentos como bulas, notas fiscais e certificados de análise, registrando a entrada e saída dos lotes de gases e os pacientes que recebem tais produtos, entre outros. É preciso, ainda, zelar pela qualidade das instalações, como tubulações e válvulas, e notificar a Anvisa e o fornecedor caso ocorra qualquer intercorrência durante ou após o uso dos gases medicinais. Para escolher o parceiro fornecedor, as instituições de saúde devem verificar se ele possui licença de funcionamento, boas práticas durante todo o ciclo do gás e se entrega o produto e os documentos de acordo com as especificações já expostas. Além disso, é altamente recomendável que os profissionais que participam diretamente na cadeia dos gases medicinais dentro dos estabelecimentos de saúde conheçam sua regulamentação a fim de avaliarem se o gás medicinal atende aos requisitos de qualidade. A partir de julho de 2015, a Anvisa publicará em sua página na internet os fornecedores de gases medicinais que estão aptos a atuar.

www.linde-healthcare.com.br 0800 7254633

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HOSPITAIS DO BRASIL

Beneficência Portuguesa amplia estrutura A Beneficência Portuguesa de São Paulo acaba de inaugurar o Instituto do Fígado, o maior e mais moderno centro de tratamento de doenças hepáticas do Brasil. Com o objetivo de posicionar o hospital como referência no setor, a instituição contratou o Dr. Ben-Hur Ferraz Neto, um dos mais renomados profissionais nessa área e coordenador do projeto. A unidade possui 48 leitos e uma equipe de 134 profissionais especializados, que desenvolverão pesquisas, diagnóstico, tratamento e transplantes. Para o Presidente da Beneficência Portuguesa, Rubens Ermírio de Moraes, o Instituto do Fígado nasce para complementar a excelência no atendimento das especialidades já consagradas pelo hospital. “Nosso intuito é modificar a história do tratamento das doenças hepáticas no país”, comenta. Segundo o Dr. Ben-Hur, três em cada dez brasileiros sofrem de alterações no fígado e, na maioria das vezes, descobrem as patologias em estágio avançado. “Existem mais de 200 doenças do fígado, sendo a mais comum a esteatose, que é o excesso de gordura no órgão. Trataremos todos os tipos de doenças, mas os transplantes são prioridade”, explica. O novo instituto contará com um aparelho inédito no Brasil, o GPS do fígado, usado em cirurgias para extração de câncer, mesmo os iniciais. O aparelho permite ao cirurgião visualizar o órgão em três dimensões, além de conseguir retirar tumores a partir de um centímetro de diâmetro, com precisão. Dependendo da localização do câncer, é possível que o procedimento seja feito com pequenos cortes, com o diâmetro de uma agulha.

Um novo centro cirúrgico

Outra novidade foi a inauguração, no início de março, do novo centro cirúrgico, que recebeu investimentos de R$ 45 milhões, entre a melhoria das instalações e a

UTI do Instituto do Fígado

O Instituto do Fígado posiciona a BPSP como referência no tratamento de doenças hepáticas, já seu novo centro cirúrgico permitirá um aumento das cirurgias de todas as especialidades

aquisição de equipamentos.  Os recursos fazem parte do Plano Diretor, que prevê ações de modernização em toda a instituição até 2015. As salas do novo centro cirúrgico ocupam dois andares do hospital, em uma área de 5.400 m2. As instalações foram projetadas de acordo com os mais modernos padrões internacionais e destinam-se à realização de cirurgias de média e alta complexidade, além de procedimentos minimamente invasivos com sistema de vídeo, monitores suspensos, sistema de roteamento de imagens e gravação digital.  “Com a reforma e modernização do espaço, o corpo clínico terá à disposição um ambiente e equipamentos para realização de cirurgias e procedimentos compatíveis com os melhores centros cirúrgicos do Brasil e do mundo. É previsto um aumento no número de cirurgias de todas as especialidades”, diz Fabio Teixeira, Superintendente Geral em exercício da Beneficência Portuguesa de São Paulo. 

Sala de procedimentos do Instituto do Fígado

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Dr. Ben Hur Ferraz Neto, Diretor do Instituto do Fígado; Alexandre Padilha, Ministro da Saúde, e Rubens Ermírio de Moares, Diretor da Beneficência Portuguesa de São Paulo, na cerimônia de inauguração do Instituto do Fígado

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HOSPITAIS DO BRASIL

Hospitalys nasce para ser referência em ortopedia O Rio de Janeiro acaba de ganhar um hospital ortopédico que alia qualidade e modernidade a um conceito inovador de atenção ao paciente. Localizado na Zona Sul da cidade, dentro do complexo da Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR), o Hospitalys nasce com uma meta ousada: ser a melhor opção na saúde privada do Brasil para pacientes adultos com lesões ortopédicas simples e complexas. Além disso, também já se prepara para ser uma das referências para os grandes eventos esportivos que serão promovidos na cidade – a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Para alcançar essa meta, o hospital firmou parceria com o líder mundial em Ortopedia e Reabilitação: o Hospital for Special Surgery (HSS). Localizado no estado de New York, o HSS é classificado como nº 1 em Ortopedia pela USNews & World Report e tem uma das menores taxas de infecção no país. Sua divisão de pesquisa é reconhecida internacionalmente como líder na investigação de doenças músculo esqueléticas e autoimunes. O acordo prevê a transferência de conhecimentos técnicocientíficos entre as duas organizações. Além dos avanços no tratamento de problemas ortopédicos, os especialistas do Hospitalys também terão acesso aos estudos de ensino e pesquisa que estão sendo desenvolvidos no HSS. Segundo o Gestor do hospital, o médico Max Leventhal, a unidade carioca já nasce com três pilares de sustentação, nos moldes do parceiro internacional: assistência de qualidade, educação continuada e pesquisa. “O HSS vai adotar o mesmo conceito e ter um intercâmbio permanente sobre as melhores práticas”, enfatiza. “Estamos muito satisfeitos com a parceria com o Hospitalys no Brasil e por partilhar o nosso ensino, clínica e expertise em pesquisa”, diz Louis A. Shapiro, Presidente e CEO do Hospital for Special Surgery.

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A instituição conta com a parceria do Hospital for Special Surgery, líder mundial em Ortopedia e Reabilitação, localizado em New York

Em uma área de 5.000 m2, o novo hospital contará, até 2016, com 85 leitos, cinco salas cirúrgicas inteligentes, cinco leitos-boxes de Centro de Terapia Intensiva (CTI), Day Clinic com duas salas cirúrgicas, seis consultórios e sala de pequenos procedimentos, além de Tomógrafo, Ressonância Magnética, Ultrassom e Laboratório de Análises Clínicas.

Atenção ao paciente O paciente que for submetido às cirurgias de coluna, joelho ou quadril, com utilização de prótese, será convidado a participar de uma palestra no hospital até 48h antes da internação, com o objetivo de esclarecer todas as dúvidas e orientar sobre o processo pós-alta. “Acreditamos que o paciente bem informado participa mais ativamente do seu tratamento e tem mais ferramentas para contribuir com o sucesso do procedimento enquanto está internado e após a alta”, destaca Leventhal. O paciente também terá um tratamento especial antes de deixar o hospital: o acompanhamento de um fisioterapeuta, que o orientará na realização de exercícios que simulem atividades simples do cotidiano, a chamada Fisioterapia pré-alta.  A intituição contará com Centros de Excelência em coluna, quadril, joelho, ombro, mão, pé, além de Medicina do Esporte, que terá como público-alvo atletas iniciantes, amadores, profissionais e não atletas com lesões esportivas.

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Procedimento Novos bisturis permitem trabalho simultâneo e independente

Pensando na conveniência da equipe médica, a Deltronix lançou os bisturis eletrônicos das linhas Precision TC (Touch Control) e Precision RC (Rotary Control), que permitem o trabalho simultâneo e independente de dois cirurgiões. Transistorizados, utilizam microprocessadores de última geração e foram projetados para uso em cirurgias de baixa, média e alta complexidades. Os equipamentos possuem recursos que os habilitam tanto para cirurgia cardíaca quanto para cirurgia urológica ou neurocirurgia. Executam corte e coagulação em campo úmido, possibilitando todos os tipos de ressecção endoscópica. A forma de onda para cada função foi convenientemente ajustada para as cirurgias cardiovasculares, testada e aprovada também em ressecção mamária. Sua saída bipolar é independente e isolada, adequada a todos os procedimentos utilizados em neurocirurgia e microcirurgias. O Engenheiro José Baptista Portugal Paulin, Presidente da Deltronix, explica que o acionamento do corte (cut) ou da coagulação (coag) pode ser feito através de pedal duplo ou da caneta porta-eletrodo, com comando digital. A potência de saída é ajustada através de controles existentes no painel, com indicação digital do valor escolhido. Para a função corte, existe a opção entre corte puro (pure cut) e blend (mistura de corte com coagulação) em três níveis variados de coagulação pré-programados. Pode-se também optar pela função corte Hi, que permite a cirurgia em tecidos adiposos com maior facilidade. A função corte possibilita, ainda, o modo PPC®, que é uma nova forma de utilizar a função cut ou a função coag em técnicas endoscópicas, no modo pulsado. “Esta técnica permite ao cirurgião efetuar a remoção de um pólipo com mais segurança, eficiência e com menor possibilidade de sangramento”, acrescenta Dr. Paulin. A função coagulação está disponível em três modalidades: desiccate, spray e fulgurate, de acordo com o tecido e o procedimento desejado. Segundo o profissional, a técnica bipolar poderá ser mais bem explorada quando fizer uso das opções precise, standard, macro e bcut®. “Cada uma delas permite uma

Precision TC

escolha mais precisa da potência a ser utilizada, com acréscimos de 0,5 watt”, explica. Para maior segurança, incorpora o sistema de proteção MRPGraph® – Monitoração da Resistência de Placa com indicação do nível do contato através de uma barra de LEDs, que monitora a resistência elétrica de contato entre o paciente e a placa neutra, reduzindo sensivelmente as possibilidades de queimaduras. “Este sistema de proteção monitora também a continuidade do fio da placa neutra e a sua conexão ao equipamento, com bloqueio total do funcionamento em caso de falha. Este dispositivo poderá ser utilizado tanto com placas metálicas, de aço inox, quanto com placas descartáveis autoadesivas”, destaca Dr. Paulin.

Os equipamentos, projetados para uso em cirurgias de baixa, média e alta complexidades, executam corte e coagulação debaixo d´água, possibilitando todos os tipos de ressecção endoscópica

(16) 4009-5454 www.deltronix.com.br

Outras características • •

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Conexões independentes para três pedais (dois monopolares e um bipolar) Duas conexões monopolares independentes: canetas de comando manual e/ou canetas simples e/ou pinças hemostática e/ou alças de ressecção Microprocessado em todas as funções FPA® – Compensação Automática de Potência, de acordo com a variação da resistência do tecido Check up automático ao ligar o equipamento com códigos de erros no display do painel frontal Controle remoto para ajuste da potência para os

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modos de corte, coagulação e bipolar Memória para até 120 procedimentos distintos e configuráveis individualmente Ajuste do volume de áudio no painel frontal RMPF® – Mecanismos Redundantes de Proteção em caso de falha MCC® – Mecanismo de Verificação de Consistência Sistema de ventilação natural por convecção Alça para transporte, escamoteável

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Testes

Inovação

O anestesiologista Francisco Carlos Pena Siqueira efetuou testes clínicos com o estimulador. Os experimentos aconteceram no Hospital e Maternidade Madre Theodora, localizado no Parque das Universidades, em Campinas, SP. Todos os testes foram realizados com pacientes em cirurgias de mãos por meio da técnica de bloqueio de plexo braquial. O Comitê de Ética em Pesquisa Médica da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp aprovou os ensaios, bastante promissores, conforme revela Ferri. "Após os testes, o doutor Francisco Pena relatou que o bloqueio com o uso do estimulador foi realizado com melhor qualidade em relação ao método convencional. Isso quer dizer que o efeito desejado foi obtido em um período de tempo menor."

Equipamento digital oferece precisão para anestesias regionais Um estimulador de nervos, controlado por um microprocessador e conectado a uma agulha traz nova perspectiva para atenuar riscos e efeitos colaterais das anestesias regionais. Desenvolvido na Unicamp, SP, o aparelho é digital e emite um sinal sonoro, que indica ao médico o local exato a ser anestesiado. Nas cirurgias de membros, quando se faz o uso da técnica regional, o anestésico é injetado próximo ao conjunto de nervos, inibindo o estímulo de dor. A imprecisão nestes casos pode ocasionar perfuração do nervo em condições extremas e sensações de formigamento e paralisia parcial, devido às altas quantidades de anestésicos. Ainda em fase de testes, o protótipo foi criado pelo Engenheiro Eletricista Carlos Alexandre Ferri como parte de seu estudo de mestrado defendido junto ao programa de pós-graduação da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) da Unicamp. O aparelho foi desenvolvido no laboratório do Centro de Engenharia Biomédica (CEB), sob a orientação do Professor da FEEC Antônio Augusto Fasolo Quevedo. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) financiou a pesquisa. Houve também apoio da multinacional Freescale, que cedeu os microprocessadores usados no projeto. Segundo Ferri, já existem aparelhos comerciais de estimulação de nervos para o auxílio em anestesias regionais que também são usados alternativamente ao método tradicional. A diferença entre estes e o que acaba de ser desenvolvido é que, pela primeira vez, o sistema foi criado de modo totalmente automatizado, oferecendo uma precisão dez vezes maior em comparação aos convencionais. O engenheiro lembra que a praticidade obtida com a automatização é essencial ao anestesiologista. “Médicos que já usaram os estimuladores disponíveis no mercado abandonaram os equipamentos por não serem práticos, pois, além de o anestesiologista se preocupar em introduzir a agulha, ele precisa também ajustar, manualmente, os parâmetros do estimulador no decorrer do processo de localização do nervo que ele quer bloquear. Isso acaba sendo inviável no ambiente cirúrgico, onde é necessário precisão, rapidez e praticidade. Portanto, quando apresentamos este

equipamento automatizado, em que o médico tem que se preocupar somente em introduzir a agulha, seu uso se torna mais aceitável”, explica. Outra vantagem é a redução de custos. Enquanto os valores dos aparelhos existentes, geralmente importados, chegam a cerca de R$ 4 mil, os custos de montagem do instrumento criado ficou na ordem de R$ 300,00. As diferenças também são significativas em relação ao custo de operacionalização, aponta Ferri. Ele explica que a utilização dos aparelhos convencionais requer um assistente ao lado do anestesiologista para efetuar os ajustes enquanto se localiza o nervo. Por ser automático, o equipamento desenvolvido na Unicamp dispensa este tipo de apoio. Neste ponto, o orientador do trabalho conta que existem outras formas de identificação do conjunto de nervos, mas também inviáveis financeiramente. “Pode-se usar, por exemplo, um equipamento de ultrassom de imagem para visualizar o conjunto de nervos. Mas, além de trabalhoso, seria necessário um aparelho deste porte dedicado exclusivamente para aquele fim, acarretando um custo muito alto. Os equipamentos de ultrassom devem ser utilizados para diagnósticos clínicos, pois, neste caso, são vantajosos para o paciente”, acrescenta Quevedo. O docente da Unicamp também avalia como promissor o potencial da pesquisa que resultou no estimulador. “É fundamental transferir esta tecnologia para a indústria. De imediato, o equipamento já mostra soluções que podem melhorar os aparelhos convencionais”, considera.

Carlos Alexandre Ferri, Engenheiro Eletricista, e o Professor Antônio Augusto Fasolo Quevedo

Situações de Risco em Anestesia Autores: João Manoel Silva Junior e Luiz Marcelo Sá Malbouisson www.atheneu.com.br

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Via internet

Setor de compras ganha agilidade com plataforma eletrônica Negociar com fornecedores, buscando melhores preços e produtos de qualidade, exige um processo de compras eficaz, que permita diminuir custos, evitar desperdícios e atender à demanda com rapidez. Para facilitar as operações, a Pró-Saúde, especializada em gestão de serviços de saúde e administração hospitalar, oferece a Central de Compras, solução certificada pela Norma ISO 9001 que auxilia instituições de saúde e fornecedores a planejarem melhor os negócios. A ferramenta trabalha com uma plataforma eletrônica de negociação on-line que permite o relacionamento entre compradores e fornecedores de forma rápida e transparente. O Portal de Compras Eletrônicas funciona da seguinte forma: o comprador do hospital insere no portal os produtos que precisa adquirir, a Pró-Saúde consolida os pedidos de todos os clientes e faz a negociação com diversos fornecedores até conseguir a melhor cotação e então o próprio hospital fecha a compra, podendo também acompanhar a entrega e fazer a avaliação técnica dos itens recebidos. A negociação é realizada em tempo real e de forma transparente, o relatório completo dos processos fica à disposição para eventuais consultas. Os pedidos são emitidos em nome de cada cliente, com informações dos endereços de faturamento, entrega e cobrança. Com o uso da ferramenta, a redução de custos chega a 12% em média, mas em alguns casos, a economia alcança 40%. Outra vantagem é que em unidades de pequeno e médio porte, um profissional é suficiente para cuidar das compras e operar o sistema. A Pró-Saúde fornece, ainda, capacitação aos usuários, manual de compras e suporte permanente. Também é de responsabilidade da Central de Compras o cadastramento de produtos para serviços de saúde e

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Mônica Granzo, Gerente de Logística da Central de Compras

a qualificação de fornecedores no Portal Eletrônico de Compras, através da gestão da documentação exigida pela legislação, poupando tempo aos gestores. Estão à disposição 60 mil fornecedores e mais de 12 mil itens no catálogo, incluindo medicamentos, material médico, fios, além de equipamentos e instrumentais. Na linha de gêneros alimentícios, materiais de manutenção e obras, a Central identifica os produtos que são potenciais para o desenvolvimento local e só negocia com outro estado quando a região não tem produção instalada dessa linha. Em muitos casos, 60% das compras são feitas na região ou de empresas do estado. “É importante acrescentar que o cadastro é grátis, basta acessar o item ‘Fornecedores’ no site e clicar em ‘Seja nosso parceiro’”, lembra a Gerente de Logística da Central de Compras, Mônica Granzo. Além de hospitais privados, a Central também atende as unidades administradas pela Pró-Saúde, que é parceira de estados e municípios por meio de contratos de gestão firmados a partir de concorrência pública, num total de 40 instituições. Para Mônica, a adoção do sistema permite, na prática, identificar com precisão as necessidades dos clientes. Com o mapeamento dos processos, já é possível identificar o que é ou não importante para cada um. Esse monitoramento quantifica, por exemplo, a capacidade de atendimento. De acordo com os indicadores do histórico de mais de três anos de avaliações das requisições nos hospitais, a Central de Compras conseguiu atender a 93% da demanda. A meta é chegar aos 100%. “Estamos trabalhando para atingir o objetivo. Isso salva vidas, garante a realização de cirurgias, medicação correta e reflete na qualidade de vida do paciente, que é o mais importante”, afirma. A Central espera aumentar sua representação no segmento hospitalar, bem como tornar-se a primeira do setor com aplicação de Compras Verdes, que visam à sustentabilidade. “Estamos na fase de concepção de novos projetos e pretendemos estruturar uma metodologia para implantálos. Isso é uma inovação na área de Saúde”, encerra Mônica.

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Mobiliário

Ambientes planejados auxiliam na recuperação dos pacientes Tradicionalmente, o hospital é marcado por ambientes monocromáticos, que acabam sendo pouco estimulantes para os pacientes. Uma forma de auxiliar na recuperação do internado é utilizar mobiliários atrativos e diferenciados. Afinal, quanto mais agradável e confortável for o local, mais a pessoa sentirá como se estivesse em casa, e os resultados serão melhores. Como a presença dos familiares ajuda no processo, o conforto do visitante também deve ser levado em consideração. Segundo Paulo Sérgio Marchetti Moraes, Diretor Comercial da Health Móveis & Carrinhos, beleza e conforto são significativos, mas não se pode esquecer da facilidade no manuseio. “O paciente passa muitas horas no leito, confinado em seu quarto. Pensar na ergonomia quando se desenvolve um mobiliário é essencial, já que muitos problemas podem ser evitados com um bom projeto, não apenas no que se refere ao leito, mas também ao espaço total de circulação”, diz. De acordo com Moraes, os hospitais com equipamentos de ponta já perceberam que um bom design de ambiente, com um mobiliário moderno, dotado de tecnologia e qualidade, fazem com que o paciente tenha uma recuperação mais rápida e que os profissionais apresentem um desempenho melhor, trazendo ganhos em todos os setores, inclusive no financeiro. O Diretor Comercial acredita que as instituições de saúde estão cientes de que para evoluírem em direção à Humanização, é necessário que a área de hotelaria se aproxime cada vez mais do conforto de um lar, e o mobiliário é parte desta jornada. “É essencial que paradigmas sejam quebrados quanto a formas, materiais e cores. O polímero, por exemplo, com tecnologia antibacteriana, pode ser mais eficiente que o aço inox, pois é mais flexível, resistente, não amassa, é mais leve e produz menos ruídos. Mobiliários elaborados especialmente Cllarus

Cllarus pediátrico

para cada função proporcionam um visual agradável para o paciente e utilização mais efetiva aos profissionais. A Health Móveis se preocupa constantemente com estes fatores, disponibilizando produtos elaborados para serem seguros, evitarem problemas como oxidação, corrosão e amassados, lascar ou descascar. Também são resistentes aos desafios do dia a dia”, acrescenta. Moraes explica que no momento da compra, os hospitais devem verificar a qualidade e a durabilidade dos mobiliários, além da tecnologia dos materiais utilizados, ergonomia e praticidade. Também devem verificar se a empresa fornecedora presta serviço pós-venda e se possui peças de reposição à disposição. “O preço deve ser o último fator analisado, não por ser menos importante, mas porque a análise criteriosa permite a aquisição de um móvel de qualidade. Hoje existem empresas e profissionais especializados em fazer essas análises”, acrescenta.

Destaques

Um dos produtos em destaque da Health é a linha Life Aid de carro de emergência, que oferece fácil acesso aos medicamentos e equipamentos, pois foi projetado para ser utilizado de maneira simultânea por várias pessoas, reduzindo significativamente o tempo do atendimento. É confeccionado em monobloco de polímero com proteção antibacteriana. Por sua vez, os carros da linha Cllarus são versáteis, desenvolvidos para aproveitar o máximo de eficiência em cada aplicação. Com design arrojado, são leves e fáceis de movimentar, para maximizar o espaço e a produtividade. Possuem gavetas com frente em acrílico em diversas cores. Já para pacientes infantis, que necessitam de maiores cuidados, os móveis devem ter uma forma mais lúdica, leve e sem tensão. Por isso, a linha de carros Cllarus pediátricos possui cores e figuras que acompanham a decoração e tornam o ambiente mais agradável, oferecendo maior facilidade ao profissional nos cuidados com a criança e auxiliando na humanização do tratamento. “Não nos surpreendemos mais quando recebemos uma ligação solicitando preços de carros da linha Cllarus, vistos em um hospital, para decorar residências. Esta é a prova de que nosso objetivo está sendo cumprido”, finaliza.

Life Aid

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As instituições de saúde estão cientes de que para evoluírem em direção à Humanização, é necessário que a área de hotelaria se aproxime cada vez mais do conforto de um lar

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ACONTECE

MAMÓGRAFOS DIGITAIS O Hospital A.C.Camargo, de São Paulo, SP, investiu na ampliação de seu Parque Tecnológico para Diagnóstico por Imagem com a aquisição de Mamógrafos Digitais Amulet, da Fujifilm, com sistema DR (Radiologia Digital). De acordo com a Radiologista e responsável pelo setor de Imagem de Mama, Elvira Ferreira Marques, os novos aparelhos propiciam maior definição de imagem. “Desta forma, temos mais instrumentos para uma melhor identificação de alterações muito sutis”, destaca.

REUNINDO ANJOS

BONS RESULTADOS

Com o objetivo de arrecadar fundos para a construção de uma nova Unidade de Coleta e Transfusão de sangue (UCT), as Obras Sociais Irmã Dulce, de Salvador, BA, estão promovendo a campanha solidária “Seja você também um Anjo Bom da Bahia”. As doações podem ser feitas através do hotsite www.anjobomdabahia.com.br e cada colaborador tem o direito de inserir uma foto na página inicial. O novo núcleo possibilitará a ampliação do número de atendimentos e a melhoria da qualidade do serviço.

A marca Pósitron, especializada em segurança automotiva, é uma das patrocinadoras oficiais da ONG Expedicionários da Saúde e celebra os excelentes resultados alcançados pela parceira no ano passado. Foram 317 cirurgias gerais e oftalmológicas e 102 cirurgias odontológicas, além de 2.144 consultas e 3.805 exames e procedimentos realizados em 24 expedições. “Para nós, é fundamental estar ao lado de projetos de alto nível que auxiliem as comunidades a garantir sua cidadania e dignidade”, comemora Kelly Nakaura, Gerente de Marketing.

TRANSPLANTES O Centro Estadual de Transplantes (CET) do Rio de Janeiro, RJ, inaugurado em fevereiro, já está transplantando rim e fígado e, em breve, pâncreas também. O serviço funciona no Hospital São Francisco de Assis, na Tijuca, e possui centro cirúrgico com cinco salas e aparelhos de ponta para realizar cirurgias de alta complexidade, além de UTI e ambulatório, com investimentos de R$ 3 milhões. “Rim é o órgão com maior demanda no Brasil e no mundo, com a inauguração podemos obter um crescimento progressivo no número de procedimentos que eram feitos pela equipe do Hospital Geral de Bonsucesso”, expõe o Secretário de Estado de Saúde, Sérgio Côrtes.

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PET-CT EM UBERLÂNDIA A população da região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba já pode contar com exames de imagem feitos pelo aparelho PET-CT que o Hospital e Maternidade MadreCor, localizado em Uberlândia, MG, inaugurou neste ano. “Foi um excelente investimento, pois o equipamento possibilita diagnosticar, de modo cada vez mais precoce e preciso, as duas maiores causas de morte: doenças cardiovasculares e câncer”, avalia Dr. Giovany Silva Pereira, Coordenador do setor de exames de medicina nuclear.

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ACONTECE

Maurício Bazílio

GESTÃO DE CONTRATOS

NOVO HOSPITAL PEDIÁTRICO Em março, foi inaugurado no Rio de Janeiro, RJ, o Hospital Estadual da Criança, a primeira unidade pública pediátrica no estado voltada para cirurgias de média e alta complexidade, além do tratamento do câncer. São 58 leitos de enfermaria, 16 de UTI neonatal, nove de UTI pediátrica e oito poltronas de quimioterapia. A estrutura oferece exames de ultrassonografia, tomografia computadorizada, ecocardiografia e broncoscopia, serviços de fisioterapia motora e respiratória, terapia ocupacional e apoio psicológico para pacientes e familiares.

Prestes a completar cinco anos de vida, o Hospital Nossa Senhora de Fátima, de Osasco, SP, iniciou um processo de gestão de contratos com o objetivo de rever a relação do tripé serviços x benefícios x necessidades. Somente a negociação com o fornecedor de gases medicinais gerou uma economia mensal de 67%, que está sendo revertida na reforma interna das instalações, como na nova tomografia digital. Segundo o Dr. Ahmed Reda El Hayek, Diretor Administrativo e responsável pela implantação do projeto, a gestão de contratos periódica deve ser ferramenta obrigatória nas empresas, pois as necessidades dos serviços variam de acordo com o aumento do número de convênios atendidos e fatores externos diversos de mercado.

RÁPIDO ATENDIMENTO Os clientes corporativos da Unimed Sorocaba, SP, já podem contar com o programa “Área Protegida”, que presta atendimento imediato em quadros de urgência ou emergência. “Caso alguém tenha um mal súbito dentro de uma loja ou outro tipo de estabelecimento, uma equipe será designada para atender esse paciente, que será encaminhado para o Hospital Unimed Sorocaba; se for conveniado de outra empresa, a equipe o levará para seu hospital de referência e caso seja usuário do SUS, irá para o serviço público mais adequado para a resolução do caso”, detalha o Dr. José Augusto Rabello Júnior, Diretor de Mercado.

INOVAÇÕES NA INDÚSTRIA A Abimo, em parceria com a Protec – Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica, realizou nos dias 16 e 17 de abril o 2º CIMES – Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para Saúde. O objetivo do evento foi incentivar o desenvolvimento tecnológico da indústria brasileira de equipamentos para saúde através de palestras sobre regulação, fomento à inovação e à produção e estratégias para aumentar a competitividade dos produtos nacionais. Estiveram presentes profissionais de P&D e inovação da cadeia produtiva, representantes do governo e de agências de fomento e pesquisadores de universidades.

AQUISIÇÃO A Smith & Nephew, empresa global de tecnologia médica, anunciou no início de abril um acordo para adquirir ativos relacionados aos negócios de seus produtos no Brasil, atualmente realizados através da PCE. A aquisição está em conformidade com as prioridades estratégicas da empresa de expandir seu crescimento por meio de aquisições e construções de negócios ​​em países em desenvolvimento. “Um negócio sustentável no Brasil é fundamental para a nossa estratégia de liderança em mercados emergentes”, afirmou Olivier Bohuon, principal executivo da empresa.

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MAIS DE 100 MIL CURTIDAS A página no Facebook do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, SP, já tem mais de 100 mil fãs. O canal tem o objetivo de oferecer informação de saúde, bem-estar e qualidade de vida, além de promover o relacionamento e a interação entre os usuários e a marca. “Estamos muito agradecidos pela receptividade do público, pois sei que poucos hospitais no mundo já alcançaram este número”, comemora o Presidente da Instituição, Dr. Claudio Lottenberg. O Einstein comemorou a conquista com todos os pacientes, visitantes e funcionários através da distribuição de balões de gás com a mensagem “Já somos mais de 100 mil pensamentos positivos”.

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MAIS DOIS HOSPITAIS A região do Vale do Ribeira, em SP, vai ganhar dois novos hospitais: um de média complexidade, em Pariquera-Açu, e outro de alta complexidade, no município de Registro – que segundo o SUS, podem realizar procedimentos que envolvem alta tecnologia e alto custo. A proposta de construção das unidades foi apresentada ao Conselho de Prefeitos do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Vale do Ribeira, e os projetos foram aprovados por unanimidade.

CUIDADOS COM AS GESTANTES LEITE PARA QUEM PRECISA Algumas mulheres, quando amamentando, produzem uma quantidade maior de leite do que a necessidade do bebê, e por isso, podem se tornar doadoras, como a apresentadora Regiane Tapias, que deu à luz recentemente e colabora com o Hospital do Ipiranga, de São Paulo, SP. “Assim, quem não tem nada, ganha um pouquinho e todo mundo fica alimentado.” O leite doado sofre um processo de pasteurização e é destinado a bebês prematuros ou que estejam internados.

O Hospital e Maternidade Santa Joana, de São Paulo, SP, inaugurou o Centro de Litíase para proporcionar atendimento personalizado às pacientes que possuem complicações de cálculo urinário durante o período de gestação. O atendimento do hospital será realizado em consultório, com hora marcada e acompanhamento ao longo da gestação, quando necessário. O centro oferece também acesso ao diagnóstico por tomografia computadorizada, que eventualmente pode ser utilizado para a confirmação e a localização do cálculo urinário.

PARCERIA E SOLIDARIEDADE O Banco de Sangue e o Centro das Indústrias de Sertãozinho (Ceise Br), SP, firmaram parceria para ampliar a área de abrangência do programa Empresa Amiga da Solidariedade. “Trata-se de um projeto extremamente importante e inovador, que veio ao encontro do objetivo do Ceise Br de difundir os valores da responsabilidade social entre os seus associados”, afirma o Gerente Executivo da entidade, Sebastião Macedo.

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EVENTO DE HOTELARIA Prestigiando a iniciativa e dando apoio e incentivo ao setor, a Ecco Brasil patrocinou o XI Fórum de Hotelaria Hospitalar, que aconteceu no começo de abril, em São Paulo, e contou com cerca de 250 profissionais, vindos de todo o Brasil. Como palestrante, Padre Anísio Baldessin, capelão no HC da FMUSP, apresentou o vídeo “Catedral da Saúde” e divulgou o livro “Entre a Vida e a Morte – Medicina e Religião”, de sua autoria. Na foto, Marconi de Freitas, Coordenador de Hotelaria do Hospital e Maternidade Metropolitano; Juliana Vitasovic, Gerente de Atendimento ao Cliente do Hospital TotalCor; André Luis de Souza, Consultor Comercial da Ecco Brasil, Michele Confessor, Assistente de Hotelaria do Hospital e Maternidade Metropolitano; e Fabricia Zioti, Coordenadora de Hotelaria do Hospital Vitória.

IRMÃO REMIDO José Roberto Marinho, Vice-Presidente das Organizações Globo e Presidente da Fundação Roberto Marinho (ao centro), tomou posse como irmão remido da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Saudado por Ruy Altenfelder, Presidente do Conselho de Administração do CIEE (à direita), e recebido pelo provedor Kalil Abdalla, Marinho atuará como voluntário, contribuindo para a gestão da entidade.

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ACONTECE

BANCO DE SANGUE Com a crescente demanda por tratamentos e cirurgias de grande porte, que necessitam de sangue para serem realizadas, os pernambucanos agora podem contar com o apoio do Banco de Sangue Hemato, em Recife. A unidade está preparada para realizar qualquer tipo de coleta de sangue de doadores, com médicos hemoterapeutas 24 horas por dia e uma equipe de captadores que realizam palestras conscientizando sobre a importância da doação de sangue.

REINAUGURAÇÃO DA UTI A Clínica São Vicente, do Rio de Janeiro, RJ, reinaugurou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI 1), que agora oferece mais conforto e segurança. O investimento, de aproximadamente R$ 1 milhão, compreendeu uma ampla reforma estrutural, em todos os níveis, tanto das instalações quanto dos espaços para pacientes e médicos. Localizada no terceiro andar, em um espaço físico privilegiado, a UTI conta com 10 leitos.

MEDICINA DO ESPORTE Para atender à demanda do setor de traumas de esporte, o Hospital VITA Curitiba, PR, inaugurou uma nova ala e abriu quatro consultórios exclusivos para atender a especialidade. De acordo com Edmar Stieven Filho, Ortopedista e Traumatologista da equipe de medicina esportiva, a estrutura existente já não supria a demanda. “O médico do esporte é o profissional ideal para avaliar se uma pessoa está apta para a prática do esporte. Ele irá verificar as condições cardiológicas e fisiológicas. Já o traumatologista trata das lesões traumáticas como entorses do joelho”, explica. O trauma do esporte pode chegar a 30% dos atendimentos hospitalares em alguns países.

COMBATE À SEPSE

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A Usina do Gasômetro, de Porto Alegre, RS, recebeu em março a exposição Mulheres e Práticas de Saúde: Medicina e Fé no Universo Feminino, que apresentou a trajetória de algumas mulheres gaúchas que se dedicaram, cada uma a seu modo, à saúde da população. A mostra, que contou com fotos, painéis, objetos e dois documentários, é itinerante e foi inaugurada em 2008, passando por diversos hospitais e parques. www.muhm.org.br/ mulheres.

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MAIS RECURSOS O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, esteve recentemente no Hospital São Paulo, da Unifesp, para repassar o valor de R$ 77,3 milhões à instituição. Cerca de R$ 20 milhões serão destinados à reforma e ampliação do prontosocorro e R$ 12,8 milhões em readequações no setor de UTI. Além disso, serão investidos mais R$ 13 milhões na área de radioterapia e do acesso principal, e outros R$ 13 milhões para a modernização dos serviços de diagnósticos. Os elevadores da unidade também serão modernizados. José Luiz Guerra - Comunicação/ Unifesp

EXPOSIÇÃO ITINERANTE

Com foco no aprimoramento contínuo do atendimento aos pacientes com sepse grave, o Hospital Santa Lúcia, de Brasília, DF, associouse ao Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS) e adotou normas internacionais de controle e combate à enfermidade. Dados de estudos epidemiológicos brasileiros, coordenados pela entidade, apontam que cerca de 17% dos leitos de UTIs brasileiras são ocupados por pacientes com sepse grave; e a taxa de mortalidade chega a 55%. A adoção do protocolo ajuda a reconhecer se a infecção pode evoluir para sepse grave.

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AMPLIAÇÃO E MODERNIZAÇÃO O Santa Genoveva Complexo Hospitalar, de Uberlândia, MG, lançou pedra fundamental para início das obras de expansão, que engloba a construção de uma torre de cinco andares. O investimento será de R$ 8,5 milhões em obra física e R$ 3 milhões em novos equipamentos. A torre será composta por área administrativa, auditório, sala de estar médico e sala preparada para Telemedicina, integrando o Hospital em tempo real com os maiores do mundo. Com a nova estrutura também será ampliada a capacidade das UTIs e do Centro Cirúrgico.

ESPAÇO PARA PESQUISA Já estão em funcionamento as novas instalações do Serviço de Medicina Respiratória Pediátrica do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. Com investimentos em torno de R$ 1,1 milhão, o projeto de reforma partiu do Governo do Estado, que investiu em pesquisas sobre a importância da educação em asma, doença frequente na infância. O governo adquiriu e reformou a casa que abriga o referido serviço. Já o mobiliário e alguns equipamentos foram obtidos pela Associação dos Amigos do Hospital de Clínicas, com recursos da Volvo do Brasil.

A PREMATURIDADE NO BRASIL NOVA DIRETORIA Luiz Paulo Rangel Gomes da Silva, do Pará, é o novo presidente do Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial (DECA) da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV). Fundado em 1986 por cardiologistas, cirurgiões cardíacos e médicos interessados no tema, o DECA conta com mais de 640 associados em todo o Brasil, que realizam em média 18.000 implantes de marcapassos, desfibriladores e ressincronizadores por ano.

O Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia e a Fundação Bill & Mellinda Gates abriram o edital de pesquisa Grandes Desafios Brasil: Prevenção e Manejo dos Nascimentos Prematuros. Serão investidos R$ 16 milhões em estudos inovadores que visam melhorar o cenário da prematuridade no Brasil, indicando tratamento para aliviar suas consequências. Também podem participar projetos de produtos para prevenir, detectar ou cuidar de bebês prematuros, bem como estudos que promovam mudanças de comportamento em relação a esta questão. As inscrições vão até 7 de maio, mais informações podem ser obtidas em www. cnpq.br, na área de chamadas.

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

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Cristiano Santanna

Para comemorar o Dia Internacional da Mulher, o Grupo Saúde Bandeirantes realizou em São Paulo a ação “Mulher, cuide bem de você”, com o objetivo de levar informações importantes relativas à prevenção e detecção precoce de doenças. A equipe médica desenvolveu uma cartilha com dicas de saúde e prevenção para todas as fases da vida, tendo como foco cardiologia, ginecologia e oncologia. Um personagem vestido de coração fez a distribuição da cartilha junto com um broche e um laço, símbolo do combate ao câncer de mama.

AMPLIAÇÃO DO CENTRO CIRÚRGICO O Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, RS, ampliou e modernizou a área cirúrgica, que ganhou mais cinco salas de cirurgias, 12 leitos de recuperação e seis leitos de observação. Os 900 m² de área destinados às cirurgias de todos os portes passaram para 1.700 m². Foram investidos R$ 10 milhões, que fazem parte do plano de expansão de R$ 320 milhões da instituição a fim de atender ao crescimento da demanda por serviços de saúde, tanto na área privada quanto na pública.

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PRODUTOS E SERVICOS

Equipamento piezoelétrico com micromotor Brushless, o Mastersonic, da DrillerMed, supera os limites de precisão e segurança dos métodos tradicionais de cirurgia óssea por permitir corte micrométrico, facilitando a realização de técnicas de osteotomia e osteoplastia com a máxima visibilidade e mínima deterioração tecidual, evitando o superaquecimento do osso. Devido ao corte preciso e reduzida vibração, diminui o risco de lesão aos tecidos nervosos ou moles. Seu motor com maior torque e potência permite a utilização de peças de mão convencionais com engate padrão. www.driller.com.br l (11) 2109-9041 Ideais para equipamentos hospitalares, as rodas antimicrobianas da Schioppa possuem vida útil além da média, pois não permitem a ação de fungos e bactérias em seu corpo. O composto antimicrobiano é adicionado às resinas termoplásticas durante o processo de fabricação da roda e é liberado gradualmente para a superfície, oferecendo proteção durante toda a sua vida útil. Podem ser fabricadas em nylon, polipropileno, poliuretano e PVC. www.schioppa.com.br l (11) 2065-5200

A marca BIC lança a linha Innova de esfigmomanômetros e estetoscópios com design e cores diferenciadas. O esfigmomanômetro possui válvula de ar com maior precisão e acabamento junto à pera para um diagnóstico mais preciso e rápido, braçadeira em nylon impermeável, pera e manguito em PVC e manômetro 100% aferido. A peça pode ser adquirida separadamente ou em um conjunto com estetoscópio – disponível nos modelos rappaport, duoson ou unison – e acompanha bolsa para transporte. www.bicmed.com.br l (11) 4496-7950

Amiu é o novo aspirador manual intrauterino da DKT do Brasil, indicado como alternativa segura à dilatação e curetagem para o tratamento de abortos espontâneos e biópsia endometrial. Encontrado em duas opções, Plus e Simples, é composto por um aspirador a vácuo onde são acopladas cânulas de plástico semiflexíveis de diferentes espessuras. A solução oferece baixo custo, facilidade de uso e portabilidade. www.dktplanejamentofamiliar.com.br l (11) 3032-0732

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Para oferecer cuidado e higiene ao paciente acamado, a Gade lançou o Flex Care, tecnologia de higienização no leito de baixo custo para hospitais públicos e privados. Entre suas características está a facilidade de transporte, o que permite um rodízio eficaz entre os leitos/ apartamentos. Conta com um reservatório de água com capacidade para até seis banhos e dispositivo externo que indica o nível da água e ducha para uso contínuo. Também possui painel com display digital e controle que permite a regulagem da temperatura, controlador de pressão e válvula de despressurização. www.gadehospitalar.com.br l (11) 4362-4775

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PRODUTOS E SERVICOS

Para simplificar o fluxo de trabalho em anestesia, a Dräger desenvolveu a plataforma Perseus A500, que combina tecnologia de ventilação comprovada com um toque especial em ergonomia e integração de sistema. Mais de 100 versões podem ser criadas para atender às necessidades do hospital, através da combinação de diferentes opções de hardware, arranjo de prateleiras, áreas de armazenamento e disposição de recursos de ventilação. O número de configurações possíveis ainda aumenta com opções de softwares livremente selecionáveis, como modos ventilatórios e monitorização. www.draeger.com l (11) 4689-4900

A RST Inox oferece uma linha completa em inox para instituições de saúde, incluindo lava-mãos eletrônico, mesa auxiliar, expurgo, tampo, lava-bebês, barra de apoio e bancada para reúso. Um dos destaques é o lavatório eletrônico para escovação, com saboneteira automática e torneira acionadas por sensor. Pode ser fabricado sob medida. www.rsttorneiras.com.br l (41) 3347-0912

A autoclave Vitale, da Cristófoli, foi reformulada e agora possui painel digital iluminado, com novo design e membrana diferenciada, bem como sensor que cruza as informações de pressão e temperatura que são transferidos para os indicadores através de leds, oferecendo maior precisão na leitura destes parâmetros. Tem capacidade para 12 e 21 litros, câmera em alumínio anodizado e inox, com garantia de dois anos. Executa a secagem com porta entreaberta. www.cristofoli.com l (44) 3518-3430

Fabricado com materiais de alta resistência, o apartamento Carmelo, da RC Móveis, é formado por cama fawler, poltrona, mesa de cabeceira/refeição e sofá-cama. Destaque para a cama com cabeceira, peseira e grades em ABS injetado. A empresa também oferece armários, banquetas, berços, cadeiras, suportes para soro, carros, além de outros itens de mobiliário. www.rcmoveis.com.br l (19) 2119-9000

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Empresa de mídia offline especializada no segmento médicohospitalar, a LJM produz receituários, orientadores médicos, envelopes e folhetos. Comprometida com a preservação do meio ambiente, possui certificação FSC, o que garante que as árvores utilizadas para a produção do papel procedam de florestas de manejo responsável. Além disso, a base da tinta impressa em todos os materiais é composta por óleo de soja, e às aparas são direcionadas à reciclagem. www.ljmgrafica.com.br l (11) 2186-7604

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LEGISLAÇÃO

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Hospitais estão fora da MP 582

A presidente Dilma Rousseff sancionou no começo de abril a Medida Provisória 582, que prevê uma série de estímulos fiscais, incluindo a desoneração da folha de pagamentos para diversos setores da economia. Mas o tópico que incluía os hospitais foi vetado. De acordo com o governo, a maior parte dos segmentos que ficaram de fora será, posteriormente, incluída pela Fazenda em outra MP. “É lamentável que mais uma vez a saúde seja renegada a segundo plano. A maioria dos hospitais é de pequeno ou médio porte e enfrenta sérias dificuldades financeiras, principalmente os que atendem o SUS. Mesmo assim, a União não se sensibiliza com a causa da Saúde e mostra que ela, definitivamente, não é prioridade do governo”, lamenta o Presidente do Sindhosp – Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo, Yussif Ali Mere Jr. O sindicato vinha acompanhando o trâmite da então MP, que, graças a uma emenda parlamentar do Deputado Federal Arnaldo Jardim, incluía os serviços médico-hospitalares. Sua aprovação pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal criou grande expectativa no setor, frustrada agora pelo veto presidencial. “A desoneração da folha de pagamentos é uma mudança necessária, já que ao mesmo tempo em que diminui a carga tributária incidente sobre as empresas, possibilita que os serviços se tornem mais efetivos, que haja maior estimulação na formalização do mercado de trabalho e mais investimentos no setor”, afirma o deputado. Segundo ele, os gastos com pessoal correspondem aproximadamente a 40% dos custos e despesas totais de uma unidade hospitalar. “É recorrente termos a informação que hospitais e serviços de saúde estão sendo fechados. Quando não, para fugir da alta carga tributária, muitos vêm buscando alternativas de contratação de pessoal, como criação de cooperativas, pagamentos sem contabilização, entre outras tantas formas de informalização do mercado”. Por sua vez, Mere Jr. ressalta que a Saúde enfrenta uma grave crise de financiamento e mostra que 54% do total das despesas vieram da iniciativa privada em 2011. “O que o Brasil investe na área (8,7% do PIB) é menor do que a média dos países africanos, que é de 10,6%. Nosso investimento per capita também é baixo, de US$ 477, quando a média mundial é de US$ 716. A desoneração da folha de salários aliviaria um pouco a nossa já difícil situação.” Ele lembra, ainda, que a Saúde é o segmento econômico que tem a maior carga tributária, quando comparado aos demais, apesar do seu relevante papel social. Estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostrou que enquanto o Brasil taxa o setor em 33%, países desenvolvidos, como EUA e Japão, registram uma arrecadação sobre a saúde de 12% e 13%, respectivamente.

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ACREDITAÇÃO

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Certificação avalia aspectos administrativos, operacionais e assistenciais das organizações de saúde Segundo o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil possui uma população de mais de 190 milhões de habitantes e, de acordo com o CNES – Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, conta com cerca de 250 mil estabelecimentos para atendimento à saúde desta população. A ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar possui inscritos cerca de 714 Programas de Saúde e Prevenção de Riscos, que atualmente são passíveis de avaliação e certificação pela metodologia do SBA/ONA. Assim como também são certificados os Serviços para Saúde (Dietoterapia, Manipulação de Antineoplásicos e Nutrição Parenteral, Processamento e Esterilização de Materiais e Lavanderias) e Serviços Odontológicos. A ONA – Organização Nacional de Acreditação é uma entidade jurídica não governamental, que tem a missão de incentivar o aprimoramento da gestão e da qualidade da assistência por meio do desenvolvimento e evolução de um sistema de acreditação. Possui, como entidades associadas, a SBAC – Sociedade Brasileira de Análises Clínicas, a Operadora Unimed e, recentemente, a ANAHP – Associação Nacional de Hospitais Privados. A organização conta hoje com oito instituições acreditadoras: Fundação Vanzolini, IBES – Instituto Brasileiro para Excelência em Saúde, DNV, DICQ, GLO, IAHCS, IQG – Instituto Qualisa de Gestão e IPASS. A metodologia não é prescritiva, devendo ser aplicável a organizações de qualquer porte, perfil ou característica. A ONA define as Normas Orientadoras, que ao todo são dezenove, e as Normas para o Processo de Acreditação, bem como o Manual Brasileiro de Acreditação, que este ano passa por revisão. O Manual das Organizações Prestadoras de Serviços da Saúde contém os padrões para a avaliação de hospitais, serviços de hemoterapia, laboratórios, serviços de nefrologia e terapia renal substitutiva, serviços de diagnóstico por imagem, radioterapia e medicina nuclear, ambulatórios e/ou pronto atendimentos e serviços de atenção domiciliar. As instituições acreditadoras são responsáveis por realizar as visitas de Diagnóstico Organizacional, Certificação e Manutenção de acordo com a metodologia. A capacitação da equipe de avaliadores é de responsabilidade de cada instituição acreditadora, que periodicamente realiza cursos de formação de seus avaliadores. Ainda assim, há alguns anos tornou-se mandatória a realização de curso preparatório e a aprovação dos avaliadores no Exame da ONA, realizado em alguns meses do ano, com o objetivo de atenuar possíveis disparidades no método de avaliação e no conhecimento aplicado pelos avaliadores de diferentes acreditadoras. Os Fundamentos da Acreditação SBA/ONA são: visão sistêmica, liderança e estratégias, orientação por processos, desenvolvimento de pessoas, foco no cliente, foco na prevenção, foco na segurança, responsabilidade socioambiental, cultura da inovação, além da melhoria contínua e orientação para resultados. Ou seja, todos os

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padrões e requisitos dos manuais estão alinhados a um ou mais destes fundamentos. Para a ONA, a Organização de Saúde é sempre vista como um sistema e avaliada sob todos os aspectos, tanto administrativos, como operacionais e assistenciais. A instituição de saúde acreditada é avaliada em três pilares: estrutura, processo e resultado. O Nível 1 é o da Segurança; o Nível 2 caracteriza-se pela Gestão Integrada; o Nível 3 é o da Excelência em Gestão. O resultado da avaliação de Acreditação (Acreditado, Acreditado Pleno e Acreditado com Excelência) é o enquadramento em um dos três níveis, respectivamente. A validade das acreditações varia de dois a três anos, dependendo do nível de enquadramento. Por outro lado, os serviços para saúde não são acreditados, mas certificados com validade de um ano. Até fevereiro deste ano, havia um total de 319 organizações e programas acreditados. Destes, 34,25% foram certificados pela primeira vez. “A instituição acreditadora deve nascer da experiência acumulada e de diferentes expertises que se completam. Nossa equipe de avaliadores é reconhecida no mercado da saúde pela competência técnica e tratamento diferenciado e personalizado que presta aos clientes”, explica a docente em Engenharia da Qualidade da Escola Politécnica da USP e Presidente do IBES, Aléxia Mandolesi. O IBES atua em todas as regiões do Brasil. Sua equipe é composta por profissionais altamente capacitados em avaliações de unidades hospitalares e de serviços de saúde em todo o país. Segundo a Diretora de Planejamento e Controle, Vivian Giudice, “o instituto está solidificando a parceria com a ONA para contribuir significativamente na transformação da Saúde no Brasil”.

Até fevereiro deste ano, havia um total de 319 organizações e programas acreditados. Destes, 34,25% foram certificados pela primeira vez

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por Luiza Mendonça

Blog Jurídico Aborto: o dedo na ferida Assunto polêmico, o aborto é tema de destaque no Blog Jurídico, escrito pela Dra. Sandra Franco, Especialista em Direito Médico e da Saúde e Sócia-Diretora da Sfranco Consultoria Jurídica. Para ela, a discussão sobre a moral e a lei envolvidos na permissão ou proibição traz alguns pensamentos inconciliáveis. O Conselho Federal de Medicina defende que não somente o risco à vida da gestante autorizaria o aborto, mas também o risco à saúde, um conceito mais amplo e subjetivo. A doutora acredita que o caminho a percorrer, se aprovado o texto do Código Penal, é longo, até que os sistemas de saúde criem condições para o pleno exercício do direto pela mulher. “Fato é que o aborto não deixará de ser crime e não é esse o mote do CFM. Pelo contrário, a ideia é dar mais segurança e contornos legais ao procedimento”, afirma. Para ler o post na íntegra, acesse o Portal Hospitais Brasil.

Busca Hospitalar Ótimo para quem quer comprar, excelente para quem quer vender! Com esta nova ferramenta da Revista Hospitais Brasil, você poderá pesquisar os mais variados produtos e serviços do setor, interagir com fornecedores e realizar bons negócios. É simples! Basta clicar na letra inicial do produto ou serviço que está buscando ou digitar o nome do fabricante para encontrar, além do que foi procurado, alguns produtos relacionados, conhecendo assim todas as suas opções. Acesse! www.buscahospitalar.com.br

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ACOMPANHE-NOS NAS REDES SOCIAIS Artigo O coração, entre o barato e o caro “Para ampliar a longevidade dos seres humanos, a indústria farmacêutica investe em novas pesquisas e obtém drogas cada vez mais poderosas contra vários tipos de doenças. Hoje, o controle é bem mais eficaz pelo uso de medicação contínua para males como cardiopatias, hipertensão, colesterol, diabetes, etc. Como são gastos milhares de dólares em cada uma dessas pesquisas, a indústria farmacêutica precisa recuperar o investimento e as novas drogas chegam ao mercado custando muito caro, tornando-se inacessíveis. A Associação Médica Brasileira informa que, dos quase 200 milhões de brasileiros, cerca de 150 milhões dependem exclusivamente do sistema público de saúde e estão à espera de consultas, exames e cirurgias por falta de recursos financeiros. De tecnologia em tecnologia, com custos de caro a caríssimos, chegamos ao grande desafio dos médicos nos dias de hoje: como fazer chegar ao paciente todos os recursos à disposição da humanidade num país carente como o nosso?” O texto completo de Américo Tângari Junior, Especialista em Cardiologia do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, está disponível no Portal, na seção “Artigos”.

Livro Tudo o que você sempre quis saber sobre câncer de mama

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principais dúvidas da população sobre esse tipo de câncer, que conta com taxas de mortalidade ainda bastante elevadas, muito por conta do diagnóstico em fases avançadas. A publicação é um O câncer de mama é o tipo mais grande manual com as 100 perguntas frequente entre as mulheres. No TÍTULO CLASSIFICADOS e respostas mais frequentes e aborda Brasil, dadosde domaterial Ministério da Saúde Distribuidora elétrico, a Etil estimam que cerca de 52 mil pessoas desenvolve soluções exclusivas para clínicastemas importantes como causas e fatores de risco, mitos e verdades, diagnosticadas com a doença a de uma e são hospitais destacando a importância diagnóstico, cirurgia, tratamento, cada ano. inteligente, Pensando nisso, o Grupo iluminação já que ambientes mais pesquisa clínica, direitos da mulher, Brasileiro de Estudos do Câncer de no bemiluminados influenciam diretamente Mama apoio da Roche, entre outros. Leia mais na seção “Livros” estar dos(GBECAM), pacientes.com Em infraestrutura. do Portal. lança a obra que |busca esclarecer as www.etil.com.br (11) 3616-6666

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Intermediadoras e financiadoras colocam em risco a segurança do paciente Dênis Calazans Secretário Geral da SBCP, Membro da Câmara Técnica de Cirurgia Plástica do Conselho Federal de Medicina e do CREMESP

Talvez um dos mercados que mais cresça no Brasil seja o da Cirurgia Plástica. Os números alicerçam a afirmação de que quase dobramos o número desse tipo de cirurgia nos últimos quatro anos, com um aumento consolidado de 97,2%, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Há razões sustentáveis, porém não desejáveis, para este exponencial aumento nas estatísticas, acompanhadas com preocupação e cuidado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). A preocupação passa indiscutivelmente pelo interesse financeiro sobre esta área tão nobre da Medicina. E aqui fazemos uma mea culpa por saber que dentro do universo de 5.357 cirurgiões plásticos membros da SBCP, há uma ínfima parcela que optou por fazer de seu consultório um balcão de negócios. Este é o mais abjeto e nauseante comportamento que um médico pode adotar. A mercantilização da Medicina, tão solidamente vedada pelo Código de Ética Médica e pelos princípios hipocráticos, tem crescido a despeito de todos os esforços dos Conselhos Regionais de Medicina e da própria SBCP, que pune com severidade os que insistem nesta prática. O problema se agrava quando empresários, distantes dos meios médicos, enxergam na cirurgia plástica um veio de ganho fácil, calcados também pela desinformação da população, que se entrega à realização do sonho de beleza fácil por módicos precinhos, em suaves e infindáveis parcelas. A aberração está aí para quem quiser ver, anunciada nas traseiras de ônibus, nas páginas das revistas, em panfletos distribuídos no Metrô e na internet... “Um dos maiores males que assola o Brasil é a displicência, irmã da eterna incompetência que nos aflige desde a Colônia. São as tragédias em gestação. Os problemas só são entendidos, e surgem, quando não há mais solução”, como bem disse Arnaldo Jabor. É o que está ocorrendo na Cirurgia Plástica brasileira. A SBCP peregrinou por órgãos oficiais, manifestando sua preocupação com o comércio que se instalou sobre a especialidade. São as ditas empresas intermediadoras, que vendem planos financeiros para realização dessas cirurgias. Entretanto, mesmo com todos esses esforços em alertar este risco iminente à segurança da população, os órgãos investidos de poderes para banir esta prática esbarram em sua própria lentidão paquidérmica, parecendo não acreditar muito que isto seja um mal muito grande. É! E ainda que não fosse grande, uma única vítima deste mercado vil já seria o bastante para uma ação enérgica e firme. No estado de São Paulo, os quatro últimos óbitos envolvendo cirurgias plásticas vitimaram pacientes que se operaram (ou tiveram a intenção de se operar) por meio destas empresas, agora travestidas de “clínicas de cirurgias plásticas que promovem planos financeiros”. Para que se entenda melhor, elas nada mais são que clínicas cujos proprietários arregimentam cirurgiões plásticos de formação e qualificação duvidosa (posto que se fossem competentes e capazes, jamais aceitariam colocar seu nome e sua carreira em risco), a trabalharem por valores ínfimos. Em troca, se incumbem de seduzir, por meio de marketing apelativo e planos financeiros aos moldes de lojas populares, pacientes desavisados que desconhecem ou acreditam no engodo de uma cirurgia sem riscos. Esta é a fórmula de uma tragédia! Tragédia que vem sendo gestada pela incompetência ou inércia de órgãos fiscalizadores do exercício da Medicina e que assegurem a saúde da população e a defesa do consumidor. Não se nega algum esforço do Conselho Federal de Medicina em normatizar regras e regulamentos tratando pontualmente do assunto, como foi a Resolução CFM nº 1836/2008 e o próprio Código de Ética Médica, mas estas normas não alcançam os empresários fora da Medicina e se perdem no mar das quase

200.000 leis que tentam organizar este país. É preciso uma força tarefa, uma ação conjunta de entidades médicas, Ministério Público, Receita Federal e a própria Polícia Civil que destrua esta “arapuca fazedora de mortes e aleijões” em cirurgia plástica. Na Câmara Técnica de Cirurgia Plástica do CRM, em análise dos processos ético-disciplinares envolvendo esses casos, os números escancaram o tamanho do problema. De cada 10 processos na especialidade tramitando na casa, oito envolvem empresas/clínicas intermediadoras, e na grande maioria das vezes, com médicos ainda neófitos na especialidade. É imprescindível deixar patente ao leitor que este protesto da SBCP é um grito de alerta, entre tantos já expressos e protocolados, para que se extinga da sociedade esta contravenção com requintes criminosos. A SBCP se manifesta distante do spirit de corps, e livre de interesses outros que não sejam a boa prática médica, calcada em uma relação médico-paciente que permita a realização de cirurgias plásticas como um tratamento indicado para o resgate do conforto físico e psicossocial do paciente. E que a operacionalidade destas cirurgias ocorra em locais seguros, por meios éticos e lícitos.

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ÍNDICE DE ANUNCIANTES Agaplastic 107 Beta Eletronic 47 Biocam 75 Brunmed 21 CDK 95 Celmat 114, 3ª capa Clean Medical 21 Cristófoli 85 Daltech 9 Deltronix 4, 5 DGV Brasil 111 Döhler 101 Dorja 79 Dräger 31 DrillerMed 67, 103 Ecco Brasil 91 Efe 71 Emifran 81 Exxomed 21 Fabmed 75 Fami 77 Fanem 4ª capa Fator RH 73 Fleximed 47 Fórum Saúde Digital 57 GeoLog 37 Health Móveis 19 Hospimetal 87 Hospitalar 2013 6, 7 IBES 27 Inalamed 107 Incoterm 53 Instramed 33 Konex 41

Lafer 15 Linde 17 LJM 113 Lorenzzini 37 Magnamed 95 Maza Lab 113 MDT 89 Mecsul 37 Medlux 61 Ministério da Saúde 23 Moriya 2ª capa, 3 Móveis Andrade 109 MR Proteções 75 Mucambo 93 Nature Flores 37 Neurotec 61 Nevoni 75 NS 104 Olidef 69 Ortosintese 39 Prime Cargo 43 Pró-Saúde 77 Protec 97 RC Móveis 105 RST 27 Schioppa 83 Similar & Compatível 104 Sincron 61 Transmai 24, 25 TTS 99 Unitec 21 Vivo 50, 51 WEM 63 X-Ray 99

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Edição 60 - Revista Hospitais Brasil