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AIP-CCI: 175 anos depois

O limiar do novo associativismo


SÍNTESE Fic ha Fich a t écnica éc nica

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Actualidade da meeting industry

AIP 175 anos Caderno I Editor:

Barata Ferreira

2011 - A renovação

Resenha cronológica

Adivinha-se uma nova era para o associativismo português. Os recém-empossados corpos sociais da AIP-CCI têm pela frente o desafio de revitalizar o sector. Desbravar o caminho do novo associatismo é a missão que lhes está reservada

Lideranças

Direcção técnica:

Os anos 70 do centenário

Catarina Ferreira

Redacção:

Barata Ferreira Helena Dias

Propriedade:

Standeventos-Comunicação em eventos

Sede:

R. António da Conceição Diniz 2600-088 Castanheira do Ribatejo

Dep. comercial:

R. António da Conceição Diniz 2600-088 Castanheira do Ribatejo Tel: 263 290 229 Tlm: 966 450 591

O novo punho do corporativismo Nosso arquivo AIP-CCI

Nota de redacção: Esta revista não subscreve as normas do Acordo Ortográfico

O Senhor Associativismo


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Editorial

cadernos

AIP 175 anos

Barata Ferreira

O novo mundo do associativismo Proposta que não se esgota com esta edição, os cadernos “AIP-CCI, 175 anos depois” condensam numa série de números a publicar, o incomensurável universo desta centenária instituição que chegou aos nossos dias com uma vitalidade e capacidade de renovação surpreendentes

A Associação Industrial Portuguesa - Câmara de Comércio e Indústria assinala em Janeiro do próximo ano o seu centésimo septuagésimo quinto aniversário, facto que por si só constitui um marco na história do movimento associativo em Portugal. A efeméride que se reveste de um duplo significado é simultaneamente ponto de chegada e de partida para novos desafios que têm no horizonte a renovação profunda do associativismo em Portugal, reflectindo a necessidade de elevar o sector a níveis superiores na escala de valores. É um desafio que obrigatoriamente deverá equacionar uma reflexão das insuficientes práticas associativas que minam a credibilidade do sector, apontan-

do os caminhos para um novo modelo que corresponda efectivamente a uma representação orgânica abrangente da sociedade. Partindo para estes desafios com base num quadro particularmente penalizador que se revela no cenário de uma conjuntura de crise profunda sem fim à vista, a AIP-CCI tem pela frente grandes batalhas que não se esgotam no plano interno, na perspectiva da afirmação do associativismo português, seja no panorama europeu, ou no conjunto da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), organização no seio da qual a Associação desempenha um papel central. Temas incontornáveis para o associativismo portu-

guês, aos quais certamente este trabalho não poderá fugir, os Cadernos AIPCCI 175 anos, assim como o simbolismo da efeméride, constituirão um ponto de chegada e de partida, quer como contributo para a elevação do associativismo, quer como um testemunho vivo que revelará a actualidade de uma organização que ape-sar de todo o seu peso institucional é praticamente desconhecida do grande público no que concerne aos aspectos mais marcantes da sua actividade. Embora as nossas expectativas de contribuirmos para a elevação do associativismo não se esgotem neste trabalho, alimentamos a esperança que assinale um novo ciclo de reflexão e aprofundamento do sector em Portugal

CADERNOS AIP 175 anos.

O associativismo em estado puro Junho 2011

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O “grito de Ipiranga” O ano de 2011assinala muito provavelmente o ciclo de maior renovação em todo o historial da Associação Industrial Portuguesa–Câmara de Comércio e Indústria. A concretização de um velho sonho - o de consolidar o modelo federador do associativismo -, corporizado na criação da CIP/CEP (Confederação Empresarial de Portugal) e a nova orgânica interna da Associação - sustentada por um Conselho Geral -, são indicadores intrínsecos de uma mudança reformadora no sector do associativismo. A esta necessidade de viragem está subjacente a crise de valores que atravessa a sociedade portuguesa, reflectida no caso do associativismo por uma fragmentação excessiva, consubstanciada pela existência de mais de 700 organismos representativos do tecido empresarial, 8 mil dirigentes e mais de 4 mil técnicos, relação que traduz o descrédito nos instrumentos tradicionais de representatividade económica e social e a consequente incapacidade de influenciar a definição de políticas públicas. Apesar de mesmo assim se reconhecer às associações empresariais um elevado grau de sofisticação técnica e teórica, é notório, como refere o presidente da AIP-CCI, “o déficit associativo na concepção de projectos, iniciativas, intrumentos de apoio e programas para a ajudar as PME a implementar modelos”. Isto, a par da multiplicação de custos, desperdício de recursos e ineficácia na prestação de serviços. O “grito de Ipiranga” relativamente a este estado de coisas soou recentemente no palco de um evento onde menos seria de esperar ouvi-lo, mais precisamente durante a cerimónia da tomada de posse dos novos órgãos sociais da AIP-CCI para o quadriénio 2011-2014, pela voz do próprio presidente José Eduardo Carvalho: “Não houve, até agora, uma única associação que tivesse liderado e concretizado um processo de fusão ou concentração de PME, quando todos sabemos a importância que tem o redimensionamento das empresas na actual conjuntura”. De igual modo, salientou, “nenhuma delas liderou ou (continua na pág. seguinte)

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Universo AIP-CCI

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Resenha cronológica 1837 Fundada em 28 de Janeiro, conforme estatutos aprovados pela Secretaria de Estado dos Negócios do Reino, com a assinatura de Passos Manuel, a Associação Industrial Portuguesa é uma das primeiras manifestações de associativismo empresarial.

Centro de Congressos de Lisboa (Junqueira) e Centro de reuniões da FIL (Parque das Nações)

Documento original dos Estatutos da AIP Fonte:Arquivo Publifeiras

Edifício sede da Associação Industrial Portuguesa – Câmara de Comércio e Indústria, à Junqueira

1860 Em 20 de Março, a AIP reinicia as suas actividades entretanto interrompidas pelas convulsões políticas da época sob o nome de Associação Promotora da Indústria Fabril (APIF). 1861/1863/1865 Promove importantes exposições industriais, inaugurando, assim, uma das suas principais vertentes: a promoção de feiras industriais. Neste período, dá-se início à publicação de uma série de livros denominada "Biblioteca das Fábricas".

Feira Internacional de Lisboa (FIL), no Parque das Nações

1886 Em 29 de Março, a AIP retoma a designação de Associação Industrial Portuguesa. 3


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concretizou uma sociedade, ou fundo de capital de risco, ou um clube de investidores”. Do universo das 700 associações referenciadas, apenas cerca de 0,3 por cento delas “terão contribuído para a implementação de instrumentos e mecanismos alternativos de reforço de capitais próprios e permanentes das empresas, como seja o caso de fundos de obrigações participativas e acções preferenciais remíveis”. Em menor número ainda são as associações cujos programas se comprometem com a “necessidade de implementar produtos mezzanine (cré-dito+capital), pa-ra financiar operações de concentração, dimensionamento e transmissão no sector das PME”, sublinhou. Em muitos outros aspectos da actividade associativa, o cenário não é, de acordo com o novo presidente da AIPCCI, menos preocupante: “Apenas três associações, até hoje, foram capazes de dinamizar e liderar a constituição de ACE, para aprovisionamentos grupados, penetração em mercados externos, ou processos de internacionalização, o que também é válido no que concerne à dinamização de clusters, ou pólos de competitividade criados por associações”.

José Eduardo Carvalho – Presidente da Associação Industrial Portuguesa (AIP-CCI)

Prosseguindo nesta linha de pensamento salientaria igualmente o restrito número de associações na liderança de projectos conjuntos de auditorias tecnológicas, energéticas, ambientais, segurança e produtividade, “apenas quatro, com o subsequente déficit de implementação de projectos de inovação nestas áreas”. Menor ainda é o número de associações que desenvolvem projectos conjuntos de certificação de produto, “introdução de Junho 2011

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TIC em áreas organizacionais e de gestão ope-racional”, verificando-se igual cenário no que concerne à constituição de áreas de localização empresarial e dinamização de parques tecnológicos. Espaço de intervenção Menos negativa, a área do ensino e aprendizagem conta com um elevado número de associações fundadoras de escolas profissionais que com meritoso esforço procuram contrariar o vazio do sistema formal de ensino, mas ainda assim José Eduardo Carvalho realça a necessidade de adequar os cursos ministrados às reais necessidades de empregabilidade dos accionistas, sublinhando o facto de apenas uma associação ter conseguido criar e assegurar a gestão e funcionamento regular de uma escola de negócios e formação pós-graduada para empresários. Do conjunto das preocupações concernentes ao estado do associativismo em Portugal manifestadas pelo recém-eleito presidente da AIP-CCI, destacam-se ainda, entre outras, a inexistência de qualquer associação que lidere a criação de núcleos de inovação nas PME e que tente a sua integração no SCTN, ou que impulsione localmente projectos empresariais nos domínios das energias renováveis, ambiente, águas e logística. Apontadas as lacunas, “é neste quadro de assumidas e reflectidas insuficiências e limitações da actividade associativa que se situará o espaço de intervenção da AIP”, segundo frisou José Eduardo Carvalho

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1888 Em Junho realiza-se a Exposição Industrial Portuguesa, com a presença de 1214 expositores do continente e ilhas, considerada um dos factos mais importantes da vida económica da época. 1889 Organiza a representação de Portugal na Exposição Universal de Paris, onde os industriais portugueses dão testemunho da sua capacidade empresarial, numa manifestação sem precedentes que assinala o triunfo da máquina a vapor sobre o trabalho manual.

Exposição Universal de Paris Fonte:Wilkipedia

1903 Apresenta um plano de acção a desenvolver no âmbito do fomento da indústria e da economia nacional. O plano, que pressupunha uma industrialização acelerada em Portugal, deveria ser executado em colaboração com a Administração Pública. 1911 A pedido da administração central a AIP colabora na redacção da "Lei do Descanso Semanal", com base nos resultados de um inquérito directo junto das empresas. 1918 Com o intuito de incentivar o ensino industrial em Portugal, a AIP criou dois prémios anuais para dois institutos do referido ensino. Um destes prémios destinava-se ao aluno do Instituto Superior Técnico que mais se distinguisse no seu projecto final; o outro prémio, aos dois melhores alunos da Escola Marquês de Pombal. 4


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O novo punho do corporativismo José Eduardo Marcelino Carvalho é o novo rosto na liderança na Direcção da AIPCCI, personalidade que substitui no cargo Jorge Rocha de Matos que agora na sequência da recente reestruturação orgânica operada na Associação, assume as funções de Presidente do Conselho Geral. Para o antigo docente universitário e mentor da primeira “business school” do país (INDEG/ISCTE), os próximos anos à frente da direcção da AIP-CCI vão ser de grande labuta, tendo em conta os desafios que se lhe deparam e a herança de três décadas profundamente marcadas pelo seu antecessor. Conta obviamente com uma experiência de vários anos no campo do associativismo, quer como vice-presidente da AIP, função que desempenhava desde 2002, quer como presidente do NERSANT, cargo que abandonou em Março de 2011 e que ocupava há cerca de sete anos. Num momento em que o associativismo empresarial está em declarada crise e os instrumentos tradicionais de representatividade económica e social perdem força, a experiência de gestor de José Eduardo Carvalho cujo percurso profissional vai de administrador em várias empresas líderes nas áreas da energia, consultoria, imobiliária e curtumes a presidente do Conselho de Administração da Tagusgás, será certamente uma mais-valia para levar de vencida a missão de reafirmar o associativismo empresarial no plano interno e a nível internacional

As tarefas do líder Os próximos quatro anos como presidente da AIP-CCI poderão não ser pêra doce para José Eduardo Carvalho, mas o novo responsável máximo pela direcção do órgão associativo parece ter tudo muito bem planeado. “Este é o momento de aprofundarmos o modelo integrador do movimento associativo (...) de interpretar a necessidades das empresas e de corresponder com acções adequadas”, afirma. Segue-se o plano e a estratégia, segundo o próprio.

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1921 Participa no 1º Congresso Nacional, que decorreu no Porto, entre 26 e 28 de Novembro. 1923 Organiza o Congresso das Associações Comerciais e Industriais de Portugal, cujo espírito de unidade e mobilização traduziu a atitude firme e consequente dos empresários face às dificuldades que o País atravessava no rescaldo da 1ª Grande Guerra. 1928 Em Março tem início a publicação da revista mensal "Indústria Portuguesa", que a par de artigos de carácter técnico, de estatísticas referentes a vários ramos da indústria e de indicações da maior utilidade para os industriais, vêm inseridos relatos de muitos dos trabalhos associativos que as mais de 50 secções de carácter sectorial produziam. Esta publicação cessou a sua actividade em Dezembro de 1974.

Revista Indústria Portuguesa Fonte: Ordem dos Engenheiros

1929 Realiza em Outubro de 1929 a "Feira de Amostras do Estoril", onde foram representados mais de uma dezena e meia de sectores da indústria nacional. 1930 Realiza, no Rio de Janeiro, a "Feira de Amostras de Produtos Portugueses". O certame decorreu de 4 de Outubro a 16 de Novembro daquele conturbado ano da vida política brasileira.

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O Senhor Associativismo É a personalidade que mais se distinguiu no plano do associativismo empresarial nos últimos trinta anos e muito provavelmente em toda a história do corporativismo em Portugal. Quando pela primeira vez assumiu a presidência da Associação Industrial Portuguesa, em 1982, após três anos no desempenho do cargo de vice-presidente da instituição, sucedendo à altura no exercício da função a João Vaz Guedes, chegava com um sonho que traduzia uma visão de futuro: Modernizar o associativismo empresarial em Portugal, conferirlhe força e torná-lo independente do poder político. Não é seguro que após três décadas na liderança da Direcção da AIP-CCI tenha conseguido alcançar todas as metas a que se propunha, mas o espírito de missão e a persistência na obtenção de resultados conferiram-lhe o estatuto de líder incondicional no sector e um posicionamento de charneira na história do associativismo, destacando-se de forma singular como o primeiro dirigente que conseguiu conduzir à maturidade o modelo corporativo nacional, consubstanciado no reordenamento do sistema que culminaria na criação da Confederação Empresarial de Portugal (CIP/CEP), concretizando para a AIP-CCI uma velha aspiração, com mais de um quarto de século de existência. Na vida do jovem Jorge Rocha de Matos, ontem, como hoje, fecha-se um ciclo: Tomou as rédeas da Direcção da AIP em 1982, ainda não tinha completado 40 anos de idade, no cenário de uma profunda crise económica e social, com o país ameaçado pelo espectro do Fundo Monetário Internacional (FMI); abandona a presidência da AIP, em Abril de 2011, já no fim da casa dos sessenta, com Portugal em idênticas circunstâncias, corroído pela versão mais moderna do FMI, hoje Fundo Europeu de Estabilização (FEEF). À época, como hoje, já então a AIP pela voz do seu jovem dirigente alertava para a questão crucial da economia portuguesa, um tema recorrente nas palavras de Jorge Rocha de Matos trinta (continua na pág. seguinte)

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Condecorado pelo Presidente da República Jorge Sampaio, com a distinção de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

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1931 De 9 a 14 de Novembro, a AIP leva a efeito a "Semana do Trabalho Nacional", iniciativa coroada de êxito em que não só se conseguiu chamar a atenção do País para os produtos portugueses, como ainda contou com a colaboração do comércio lojista. 1932/1933 Realiza-se em Lisboa, em duas fases (Setembro a Novembro de 1932 e de Junho a Outubro de 1933), a "Grande Exposição Universal Portuguesa", promovida pela AIP. No decorrer desta Exposição foi igualmente realizado o I Congresso da Indústria Nacional (entre 8 e 15 de Outubro de 1933), que contribuiu para um amplo debate sobre a situação de indústria nacional em Portugal. O pavilhão onde decorreu esta exposição, hoje conhecido por Pavilhão Carlos Lopes foi trazido da “Feira das Amostras de Produtos Portugueses” do Rio de Janeiro, a expensas da AIP, em colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa, sendo depois erguido no parque Eduardo VII.

Foto Arquivo Publifeiras

Pavilhão Carlos Lopes Fonte: Google imagens (J. Costa)

Assinatura do protocolo de constituição da Associação Parque Junqueira, em finais da década de oitenta. Foto Arquivo Publifeiras

1935 A realização do "Cortejo do Trabalho Nacional", integrado nas festas da cidade de Lisboa, marcou a participação da AIP na vida económica nacional da época. 6


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anos depois, ao tomar posse do cargo de Presidente do Conselho Geral da AIP-CCI: “Este é, ainda hoje, o problema primordial que é imperativo resolver: A urgente modernização da nossa estrutura produtiva, condição absolutamente necessária para que venhamos a ter adequados níveis de competitividade internacional”. Das AER à Carta Magna Entretanto aconteceu história e concretizaramse em grande parte o conjunto de propostas que o jovem Jorge Rocha de Matos trazia na bagagem quando pela primeira vez alcançou a presidência da AIP, designadamente a criação dos NER (Núcleos Empresariais Regionais) que posteriormente adoptaram a designação de AER (Associações Empresariais Regionais), estruturas associativas locais e regionais providas de instrumentos e ferramentas que as capacitam a defender e promover a valorização das regiões.

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1937 Participa na "Exposition Internationale des Arts et Techniques dans la Vie Moderne", em Paris.

Cerimónia da passagem do 173.º aniversário da AIP-CCI. Foto Arquivo Publifeiras

1939 Publica o "Guia da Produção Industrial Portuguesa", documento importantíssimo pela extensa informação que contém, permitindo, no entanto, uma fácil consulta. 1941 A AIP adquire uma nova sede na Av. da Liberdade, em Lisboa. 1949 Em Novembro promove a Feira das Indústrias Portuguesas, em Belém, onde estiveram representados sectores importantes da indústria nacional.

(continua na pág. seguinte)

Inauguração das novas instalações da FIL, no Parque das Nações. Foto Arquivo Publifeiras

1950 Realiza, em Belém, entre 3 de Junho e 9 de Julho, o 2º ciclo da FIP - Feira das Indústrias Portuguesas. 1952 Realiza a Exposição Industrial de Goa. 1953 É realizada em Angola, pela AIP, a Feira das Indústrias de Luanda. 1956 Realiza a Feira das Indústrias de Lourenço Marques (Moçambique).

Tomada de posse dos novos órgãos sociais da AIP-CCI (2011). Foto Arquivo Publifeiras

1957 Promove a realização do II Congresso da Indústria Portuguesa e dos Economistas. Em 26 de Maio são inauguradas as instalações da Feira das Indústrias Portuguesas, na Junqueira.

Antiga FIL, à Junqueira Fonte: Arquivo Publifeiras )

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Nesta linha surgiria, por acréscimo, em 2003, em primeira mão como um documento de âmbito nacional, a Carta Magna da Competitividade que constituiu à altura um “grito de alerta” relativamente à “insustentabilidade da economia portuguesa a prazo”, uma espécie de bíblia do empresariado português que decorrida menos de uma década estenderia a sua influência a todas as regiões do continente, num total de 16 Cartas Regionais de Competitividade, um objectivo que nas palavras do agora Presidente do Conselho Geral da AIP-CCI “revela a preocupação maior de um país com um modelo de desenvolvimento valorizado territorialmente e que ao mesmo tempo equilibra o eurocentralismo, a globalização e a economia de proximidade”. Apesar de tudo, agora, como quando da adesão de Portugal à UEM, processo que a AIP apoiou, ecoam por todo o lado como uma condenação as recomendações, - à época dizia-se exageradas – por parte da Associação quanto à racionalidade e exigência da medida, o que previsivelmente conduziria a prazo à erosão dos salários e penalização do emprego, “o que tem muito a ver com o facto de colectivamente não se ter percebido tais implicações e ter-se trilhado um caminho que se revelou errado”, como hoje o reconhece Jorge Rocha de Matos. Consolidação e crescimento do património O jovem que Lisboa viu nascer e que começou cedo a sua actividade profissional na Standard Eléctrica, que fundou várias empresas e que granjeou o epíteto de “cardeal” do associativismo empresarial pela forma como conseguiu dinamizar o sector, embora não o confesse e se rotule como “uma pessoa irrequieta”, na vida, como na actividade profissional é a fidelidade o que melhor define o seu carácter, cultivando com tenacidade o amor à sua “dama”, o que em rigor faz jus a uma carreira pejada de apelativas tentações de poder a que sempre resistiu com invulgar pertinácia, conseguindo deste modo um lugar no pódio do associativismo empresarial, também no domínio internacional. Com uma vincada vocação para a área da corporate meeting, reconhecido e distinguido a nível internacional pelas suas competências reveladas a este nível, com ele a AIP viu crescer de forma grandiosa o seu património no domínio das infraestruturas exposicionais de que são testemunho a FIL (Parque das Nações) e o Centro de Congressos de Lisboa (Junqueira), a par do incremento da actividade na área dos even(continua na pág. seguinte)

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Síntese das bases programáticas da AIP-CCI para o quadriénio 2011-2014 1. Mercado associativo Consolidar o modelo federador do associativismo que culminou com a criação da CIP-CEP;  Clarificar a vocação e as competências associativas da CIP-CEP e AIP;  Concepção, influência, formatação das políticas públicas e decisões políticas que enquadram a actividade económica e empresarial da CIP-CEP;  Concepção de projectos e iniciativas que visam melhorar a competitividade e a capacidade de gestão das empresas. Dinamização de projectos que tornem mais competitivia a envolvente regional da actividade empresarial da AIPCCI; 

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1960 Decorre de 9 a 23 de Junho a 1ª Feira Internacional de Lisboa, verificando-se assim a internacionalização da FIP. Em Outubro, a FIL é admitida na UFI - União das Feiras Internacionais, durante um Congresso realizado em Casablanca. 1962 A sede social da AIP passa definitivamente para a Junqueira. 1963 Em Maio é constituído o Departamento de Produtividade da AIP-COPRAI. 1968 Em Junho é editado o "Guia de Investimento em Portugal". Em Outubro decorre em Lisboa o 35º Congresso da UFI. 1969 Apoia a criação da APQI Associação Portuguesa para a Qualidade Industrial. 1970 Realização, em Março, do Colóquio de Política Industrial, iniciativa histórica que reuniu mais de 700 participantes. 1972 Constituída, em Novembro, no âmbito da AIP, a CAIPA Comissão Permanente para o Ambiente. 1976 Promove a IX Assembleia de Comércio Ibero-Americano e Filipino.

Contrariar as tendências da crise de representação orgânica da sociedade portuguesa que no associativismo empresarial se manifeste na fragmentação associativa e no alheamento da actividade da associação;  Aprofundar o modelo integrador do movimento associativo através de fusões, integração ou concentração de associações; 

1979 Por declaração do Governo, publicada no Diário da República, a AIP é reconhecida como "pessoa colectiva de utilidade pública". 1980 Realiza-se na AIP a escritura pública do CNAE - Conselho Nacional das Associações Empresariais, com vista à acção concertada das quatro associações 1981 A AIP é condecorada pelo Presidente da República com a Ordem de Mérito Agrícola e Industrial.

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tos, da criação da Fundação AIP e do aumento do número de instituições por ela participadas são, entre outros, alguns exemplos da dinamização de activos que o “Sr. Associativismo” granjeou materializar no decurso de três décadas no comando dos destinos da AIP.

Natural da Aldeia Galega da Merceana, onde possui residência, Rocha de Matos é sem sombra de dúvida o mais ilustre alenquerense de todos os tempos, pelo menos a julgar pelo invulgar número de distinções com que foi agraciado pelas mais diversas entidades no decuros da sua carreira, designadamente, entre outras, a Comenda da Ordem de Mérito Agrícola e Profissional, atribuída pelo Presidente da República (Junho de 1981); Grande Cruz Oficial da Ordem de Rio Branco (Brasil, 1986); Comenda Francisco Miranda (Venezuela); Oficial da Ordem de Leopoldo, condecoração atribuída pelo príncipe Albert da Bélgica; Comenda da Ordem de Alouite (Marrocos); Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, distinção aposta pelo Presidente da República Jorge Sampaio, mercê da sua capacidade de liderança e de convergência. Da extensa lista de condecorações, onde figuram um sem número de medalhas atribuídas pelas mais diversas organizações associativas empresariais de âmbito nacional e internacional, referência especial para a Comenda da Ordem de Isabel a Católica, pelos reis de Espanha, em reconhecimento à personalidade que nos últimos anos mais se tem destacado no incremento das relações empresariais entre os dois países fronteiriços. Aquariano puro, nascido a 2 de Fevereiro de 1943, provavelmente será mesmo “irrequieto por natureza”, pois o tempo ainda lhe sobrou, nas poucas horas vagas, para se dedicar à escrita, tendo dado ao prelo um significativo número de obras, de carácter técnico, e não só. Este é, em síntese, o perfil do homem que nas últimas três décadas traçou os destinos do associativiamo em Portugal na liderança da AIP-CCI, um legado que o novo presidente José Eduardo Carvalho procurará seguir como exemplo Junho 2011

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2. Espaço de intervenção da AIP Plano de acções Reconhecimento das insuficiências e limitações do trabalho associativo que tem corroído a credibilidade e a eficiência do associativismo empresarial;  Reflexão, análise e aprofundamento das boas, mas insuficientes práticas associativas;  Ultrapassar o déficit associativo que se caracteriza na concepção de projectos, iniciativas, instrumentos de apoio e programas para ajudar as PME a adoptar formas ideais de organização e melhoria das suas capacidades de gestão;  Necessidade de projectar o trabalho associativo a patamares mais elevados na escala de valor. 

3. Principal dificuldade no trabalho associativo Adequar os seus planos de acções, compatibilizando a transição do modelo de competitividade que ocorre na economia com o perfil produtivo ainda dominante na estrutura associativa da AIP, actuando fundamentalmente em dois segmentos de empresas: Empresas em que os factores de crescimento são a informação e o conheci

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1982 Constituição do Núcleo de Indústrias de Defesa (NID) e do Núcleo da Actividade de Transporte (NAT). Em Maio promove as 1as Jornadas da CAIPMEI, em Ofir. Criação da CESCAIP Conselho Económico e Social da AIP. 1983 Constituição do NERA Núcleo Empresarial da Região do Algarve. 1984 Realização do 1º Salão de Criação de Empresas. Criação do NERGA - Núcleo Empresarial da Região da Guarda e da CAIPCEE Comissão da AIP para a Adesão às Comunidades Europeias. 1985 Constituição dos núcleos empresariais das regiões de Bragança, de Leiria e de Portalegre (NERBA, NERLEI e NERPOR). 1986 Constituição dos núcleos empresariais das regiões de Setúbal, Castelo Branco e de Évora (NERSET, NERCAB e NERE). É atribuído à AIP um lugar no Comité Económico e Social da CEE. 1987 A AIP é condecorada pelo Presidente da República com a Ordem do Infante D. Henrique. Criação do NERLIS Núcleo Empresarial da Região de Lisboa. Início da construção do Pavilhão de Congressos. I Congresso das Actividades Empresariais das Regiões, em Tróia. 1988 Atribuição à Câmara Municipal de Lisboa (CML) do grande colar da AIP. 1ª Feira das Indústrias da Cultura. 1989 II CAER - Congresso das Actividades Empresariais das Regiões, em Albufeira.

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Pilares da via reformista Pugnando desde sempre por um modelo de desenvolvimento que acentue a dimensão próatlântica e mobilize as PME para o terreno da internacionalização, a AIP-CCI apresentou recentemente aos empresários e à sociedade civil em geral um importante documento que coloca Portugal perante o desafio de um programa estratégico e estruturante, - e acima de tudo compreensível para os cidadãos - que lança o desafio da criação da riqueza e da sua justa repartição. Começando por afirmar que o país “não é pobre, não é pequeno, não é exíguo” e que “tem dimensão da criatividade dos seus cidadãos”, traduz os anseios dos portugueses sobre o estado da governação, “dominada pela pedagogia de homens e mulheres honestos em que o exercício da política e dos negócios sejam feitos com clareza, transparência e independència de pensamento e de acção”. Produzido no ano em que a AIP assinala o seu 174º aniversário, a “Criação de riqueza na hora da verdade” traça os pilares da via reformista, com base em princípios orientadores de um novo modelo de desenvolvimento e é um contributo inolvidável para conduzir o país a um patamar mais elevado, afirmando-se perante a globalização com um mercado doméstico forte e competitivo. A receita parece simples: Trata-se, afinal tãosó “investir na produtividade, na competitividade a na criação e qualidade do emprego”, escreve Rocha de Matos na nota de abertura do documento, embora uma leitura mais atenta, como a que vamos procurar fazer nesta peça acabe por revelar toda a complexidade do plano. O documento que começa por constatar banalidades - “passados 36 anos de Abril, 25 de integração na Europa e 12 de adesão ao euro, os portugueses voltam a ser confrontados com a imposição de sacrifícios dolorosos e sem perspectivas de Junho 2011

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mento, em que a cadeia de valor é elevada e a inovação é uma preocupação constante na gestão operacional e em empresas com produtos de baixa gama, pouco valor acrescentado e escassa orientação para os mercados

4. Prioridades do trabalho associativo Conceber planos de acções que incrementem a alteração do perfil produtivo da economia portuguesa, através do crescimento e do peso na estrutura produtiva das empresas produtivas de bens e serviços transaccionáveis e valorizáveis nos mercados externos;  Mobilização empresarial para a exportação e internacionalização 

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1990 Cerimónia de constituição da COEP - Confederação das Organizações Empresariais, em Coimbra. Cerimónia de inauguração do Eurogabinete da AIP, em 12 de Janeiro, com a presença do Comissário Cardoso e Cunha e do Ministro da Indústria e Energia, Mira Amaral. Inauguração da delegação permanente da AIP em Bruxelas. Constituição do INTEMI Instituto de Novas Tecnologias para a Modernização Industrial, tendo como fundadores a AIP e o LNETI. 1991 Abertura de um escritório de representações em Angola. 1992 Realização do 3º CAER Congresso das Actividades Empresariais Regionais, em Fátima. 1995 Inauguração oficial do novo Centro de Formação da COPRAI. 1998 Constituição da Associação Parque Junqueira (APJ).

5. Políticas públicas Finaciamento: Reforço de capitais permanentes e próprios das empresas; Emissão de obrigações participativas; Emissão de acções preferenciais remíveis; Redimensionamento e transmissão; Produto mezzanine; Reforço do Sistema de Garantia Mútua; Fundos de capital de risco. 

(continua na pág. seguinte)

Fonte: Arquivo Publifeiras

1999 Cerimónia de inauguração das novas instalações da FIL.

Inauguração da Feira Internacional de Lisboa (Parque das Nações) Fonte: Arquivo Publifeiras

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futuro. Ontem, éramos o 14º entre os 15 da Comunidade Europeia, hoje somos o 21º entre os 27 da União Europeia” -, rapidamente passa da constatação à análise: “Estes, são indicadores que espelham uma efectiva diminuição na criação da riqueza industrial e agrícola e da inexplicável concentração da actividade económica em prestações de serviços no mercado interno, sujeitos a intermitentes dependências externas”.

6. Internacionalização e reforço da capacidade exportadora Concentrar esforços nos países da CPLP;  Fomentar processos de internacionalização em parcerias (grupos empresariais internacionalizados);  Fomento das ACE; 

7. Inovação e I&D A I&D e Inovação têm de se assumir como prioritária política pública, a ser dinamizada mesmo numa conjuntura recessiva;  Perceber que a investigação é o modo de aplicação de recursos financeiros para criar conhecimento e a inovação a forma de utilizar esse conhecimento para criar valor;  Melhorar a forma como se tem processado a transferência para as empresas do conhecimento produtivo, transformando-o em novos produtos e novos processos. 

Como condição sine qua non para ultrapassar este estado de perda constante, aponta a inadiável reforma do Estado e da Administração Pública, propondo uma redução substancial, na ordem dos 50 por cento do número de institutos, fundações e empresas de capitais públicos, do poder central e das autarquias, na estrutura do governo e dos gabinetes que o compõem. Conferir prioridade máxima à produção e exportação de bens e serviços de qualidade valorizáveis nos mercados externos, eliminando as raízes da economia dual que tem contribuído para o agravamento da crise nos últimos 20 anos é outra das condições apontadas, já que “o nó cego da nossa economia reside precisamente na alteração dos termos de troca entre o sector dos bens transaccionáveis e dos não transaccionáveis”, reflecte o documento. À deriva, num mar de oportunidades Mais à frente são identificadas um conjunto de fragilidades da economia portuguesa e a urgência de lhes pôr cobro, entre as quais se salientam a extraordinária dependência da subsidiação dos fundos comunitários, responsáveis pelo desaparecimento gradual da agricultura, pescas e indústria transformadora, situação que abriu portas a um consumo desenfreado e insustentável, secundarizando a modernização do Estado e das instituições públicas e privadas. Junho 2011

8. Empreendedorismo Trabalhar nos escalões mais baixos do sistema formal de ensino 

(continua na pág. seguinte)

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2000 Abertura do Centro de Formalidades das Empresas/AIP. 2001 Cerimónia de inauguração do novo Centro de Congressos de Lisboa (CCL). 2002 Constituição do Conselho Empresarial de Portugal, no Centro de Congressos, compreendendo a AIP, a AEP, a CAP, a CCP e a CIP. Criada por escritura a Associação de Feiras Portuguesas, tendo como sócios fundadores a AIP/CCI, a Associação para a Feira Internacional do Porto e o Parque de Exposições de Braga. 2003 Assinatura dos protocolos de criação do NEPE - Núcleo Empresarial de Promoção Externa e do SIE - Sistema de Informação às Empresas. Criação do CEICA - Conselho Estratégico das Indústrias da Cultura e do Artesanato. Criação do CETIC - Conselho Estratégico das Tecnologias de Informação e Comunicação. Criação do CEA - Conselho Estratégico Associativo. 2004 Encontro Empresarial LusoEspanhol subordinado ao tema "Oportunidades para as empresas portuguesas e espanholas num mundo globalizado", organizado pela AIP/CCI e pela CEOE. Criação da CEP Confederação Empresarial de Portugal e tomada de posse da Comissão Instaladora. 2005 Escritura de constituição da Fundação “AIP”. 2006 A AIP assume-se como Confederação Empresarial (AIP-CE) 2007 Comemorações do 170º aniversário da AIP Cimeira empresarial UE-Brasil Cimeira empresarial UE-África Cimeira empresarial UERússia Conselho de Presidentes da BusinessEurope 11


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Portugal pode estar assim a navegar, à deriva, num mar de oportunidades, comportando-se em termos de abertura da sua economia ao exterior como se fosse uma das médias potencias europeias, sem que contudo se tenha dado conta que as economias desses países ao contrário da portuguesa podem permitir-se menos abertura, porquanto contam com mercados internos várias vezes maiores, com a agravante de ter desprezado o sector dos bens transaccionáveis, “tornando-se mais dependente de bens alimentares e não ter modernizado o sector da indústria transformadora, área em que o conhecimento português era reconhecido internacionalmente”. EXEMPLOS DE GRAUS DE ABERTURA DE ECONOMIAS EUROPEIAS – ANO 2007 Países

Impotações e Exportações de exportações de bens e serviços bens e serviços (% do PIB) (% do PIB)

Áustria

112, 6

58, 8

Dinamarca

102, 3

52, 2

Irlanda

146, 9

78, 4

Hungria

157, 9

80, 2

República Checa

155, 0

80, 0

Eslovénia

173, 6

86, 5

Portugal

73, 9

33, 6

Alemanha

87, 2

47,2

Reino Unido

55, 7

26, 0

França

55, 0

26, 7

Itália

58, 7

29, 2

Espanha

60, 2

26, 9

Fonte: “A criação da riqueza na hora da verdade (AIP). Dados do Ministério da Economia, Inovação e Desenvolvimento

9. Papel/desafio da AIP Objectivo: Conceber e dinamizar programas, acções e incentivos que ajudem a ultrapassar as debilidades e insuficiências da praxis dominante do associativismo empresarial, compatibilizando a melhoria das capacidades de gestão da matriz empresarial ainda dominante com o novo modelo de competitividade que se pretende incrementar;  Foco : Sector de bens e serviços transaccionáveis;  Eixos estratégicos prioritários: Cooperação empresarial, inovação e desenvolvimento tecnológico, financiamento, internacionalização e incremento da capacidade exportadora, dinamização de infraestruturas e equipamentos que aumentem a competitividade territorial 

10. Objectivos internos Aumento significativo da base associativa da AIP;  Criação de uma nova dinâmica associativa nas estruturas regionais do universo AIP;  Fortalecimento da capacidade associativa e dos serviços. 

Romper com a economia dual Comportamento causador de sérios desiquílibrios, conduziu a que se abrissem à participação da iniciativa privada muitos dos sectores tutelados pelo Estado que sob a forma de parcerias público-privadas reverteram em efeitos nefastos para a dívida pública e parapública sustentada Junho 2011

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2008 IV Congresso das Actividades Empresariais das Regiões (CAER). Encontro Empresarial Transfronteiriço Luso-Espanhol 2009 8ª Reunião Regional Europeia da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Conferência internacional BIAC / OCDE. XX Reunião dos Presidentes de Organizações Empresariais Ibero-americanas (AIP-CE, Organização Internacional dos Empregadores (OIE) e CIP). Constituída a Confederação Empresarial da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), em Bissau 2010 Criação do CENA - Conselho Estratégico Nacional do Artesanato Encontro Empresarial no âmbito da X Cimeira LusoBrasileira, com a CNI. Conferência “Anatomia de Um Poder Novo” . Assembleia Geral da AIP-CE apoia a criação de nova estrutura associativa de cúpula das empresas portuguesas. Associação Industrial Portuguesa passa a Câmara de Comércio e Indústria e transfere funções de natureza institucional para a nova CIPConfederação Empresarial de Portugal. “Acordo de Cooperação Empresarial entre Castela e Leão e Regiões Transfronteiriças de Portugal” (CECALE, AIP-CE e Associações Empresariais Regionais)no âmbito de um encontro em Valladolid. “Culturália-Mostra de Produtos Portugueses” na Sala do Refeitório do Mosteiro dos Jerónimos. Conferência “Elevar Portugal – Compromisso para a competitividade” e assinatura de Memorando de Entendimento (Microsoft Portugal, AIP-CE e Portugal Telecom) Fonte: http://www.aip.pt 12


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em grande parte pelo corte no crédito disponível para financiar as empresas dos sectores de bens transaccionáveis. Percebe-se assim a contestação aposta ao documento que aponta a urgência de “romper com esta estrutura desiquilibrada de uma economia dual, com a agravante de ser o espelho de alianças perniciosas entre governos, alguma banca, empresas públicas e privadas, nem sempre seleccionadas por concursos públicos, ou seja por uma séria concorrència”. Da extensa lista de prejuízos resultantes desta política, destacam-se no documento: Dumping social; fragilização do sector dos investidores institucionais; reorientação da banca para o quase exclusivo financiamento do consumo e do investimento residencial das famílias (mais de 70 por cento do crédito bancário concedido em 2007 a empresas e a particulares, tinha por destino o “cluster da construção”); orientação do sistema fiscal numa estratégia penalizadora das empresas que mais reinvestem e das camadas da sociedade que pela sua qualificação e desempenho obtêm mais elevados rendimentos do trabalho e, por fim, um favorecimento injustificável dos rendimentos obtidos com a terra, sejam elas mais-valias nas transacções, “aprovadas frequentemente por alterações na sua qualificação, ou a de facilidade à evasão fiscal por parte de vários intervenientes na «cadeia de produção» da edificação do território”. Em resumo, a corrupção, a falta de ética nos negócios e na política, a inépcia dos governantes, uma justiça lenta e inoperante e a falta de visão estratégica relativamente às principais linhas de desenvolvimento, para além de conduzirem o país a um beco sem saída têm o efeito perverso de hipotecar em demasia a vida das gerações futuras, com a consequente fuga de cérebros para mercados mais atractivos.

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Os anos 70 do centenário

Memória fotográfica dos 173.º e 174.º aniversários da AIP-CCI (Fotos Arquivo Publifeiras)

Inverter o ciclo Inverter este ciclo implica uma visão estratégica do país, a médio e longo prazo, algo que vem explicitado na Carta Magna da Competitividade que define as linhas programáticas de um plano que visa colocar Portugal no quadro dos dez países mais desenvolvidos e atractivos da União Europeia no horizonte de 2026. Focalizado em cinco vertentes essenciais, a Carta destaca a via do euroatlantismo como decisiva para o sucesso do modelo, clamando por investimento público nos sectores portuário, aeroportuário e ferroviário “que favoreça o acesso dos produtos nacionais aos outros continentes Junho 2011

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do espaço Atlântico e ao centro da Europa, com maior rapidez e baixo custo”. Melhorar a competitividade da economia, acrescenta o documento, exigirá, entre outros requisitos, o desenvolvimento de serviços na áreas das engenharias, aumentando substancialmente o número de engenheiros com mestrado integrado, designadamente em nichos seleccionados, tais como “engenharia de produto, prototipagem, ferramentas e equipamentos industriais, transformação, construção e obras públicas, biotecnologia, biomedicina, novas tecnologias e nanotecnologia”. Relevante no âmbito deste modelo, a modernização dos sectores das pecas e da agricultura deverá ter em conta “um programa nacional para diminuir a dependência alimentar, reduzindo importações e aumentando as exportações em ambos os sectores, sobretudo em áreas em que a qualidade seja relevante”. Como oprtunidades, refere em particular o segmento do “peixe de qualidade”, mas aponta a necessidade de uma estratégia concertada na esfera da União Europeia, “assente na defesa da individualização das espécies e que contemple a utilização de tecnologias não destrutivas”. O turismo é também apontado como “um sector relevante no panorama da economia portuguesa”, indissociável de um grande esforço no campo do urbanismo e da aposta em iniciativas culturais. Evidência conclusiva “Há que conseguir tão rapidamente quanto possível colocar os portugueses a trabalhar com objectivos comuns, reorientar a política fiscal, no sentido de favorecer a criação de empresas em novos sectores económicos e do investimento virado para a exportação, ou substituição de importações”. Nestes termos, a Carta propõe uma verdadeira revolução no que concerne à política fiscal, apontando a necessidade de isentar de IRC por um período de cinco a dez anos empresas que detenham pelo menos 50 por cento dos seus trabalhadores fixados no interior do país, a par da criação de um imposto agravado sobre as propriedades sem utilização económica, sejam património familiar ou empresarial. Como salienta o documento que reconhece a dificuldade da implementação de um novo modelo de desenvolvimento pela via reformista, “o êxito dependerá em grande parte da compreensão dos objectivos por parte dos cidadãos, da cultura de uma ética de responsabilidade individual e institucional, de confiança na isenção e Junho 2011

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e temporalidade da justiça, do combate sem tréguas à corrupção activa e passiva e da existência de um sistema salarial que premeie o trabalho e o mérito” Arte e engenho Quanto aos pilares desta reforma, já atrás mencionados – redefinição das funções do Estado, revisão dos fundamentos que presidem à Administração Pública, fomento da sociedade do conhecimento, reforma das estruturas da justiça, incentivo ao empreendedorismo, educação, ensino e saúde de excelência -, o que é verdadeiramente inovador e revolucionário neste documento é a alusão à mega-região de Lisboa, segundo o conceito de Richard Florida que seleccionou quarenta mega-regiões no mundo, com base em potencialidades significativas na produção de bens transaccionáveis. À frente da mega-região de Madrid e logo a seguir à de Barcelona-Lyon, Richard Florida situa em 33º lugar a região que se estende de Setúbal à Corunha – mega-região europeia do Atlântico Norte -, com uma população de 9,8 milhões de pessoas, responsável por gerar mais de 80 mil milhões de euros de light-base regional products. O estudo de base científica de Richard Florida, medido ao longo de 24 horas por instrumentos instalados em satélites, revela pela primeira vez os indíces de ocupações criativas das pessoas em função do emprego total e apura para a faixa portuguesa potencialidades nos domínios marítimo e portuário, nichos de excelência em algumas áreas da investigação e da cultura (Lisboa, Coimbra, Aveiro, Porto e Braga), empresas de vanguarda em design, prototipagem, moldes e ferramentas (eixo Leiria/Marinha Grande), no sector da engenharia de software (Lisboa, Coimbra, Aveiro, Porto e Braga), biotecnologia (Coimbra, Lisboa e Porto), nanotecnologia (Braga), turismo e lazer (Douro, Lisboa, Coimbra, Setúbal, Alentejo e Algarve), indústria automóvel (Aveiro, Leiria e Setúbal) e máquinas e equipamentos (Porto e Aveiro). No estudo são igualmente evidenciadas novas áreas ligadas à economia do mar, saúde e novos fármacos, o que coloca Portugal perante um desafio que não pode nem deve ser perdido, mas que suscita sempre a velha questão que já é histórica: teremos – entenda-se, quem manda nos destinos do país e define os desígnios -, a arte e o engenho para levar de vencida este desafio...

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Nosso arquivo AIP-CCI Seleccionámos no conjunto das nossas vídeoreportagens publicadas concernentes à AIP-CCI, uma mão cheia das que se nos afiguram mais emblemáticas dos últimos três anos da actividade da Associação Para ver estas matérias, CLIQUE AQUI

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Os novos desígnios do associativismo

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