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Editorial

Maria do Céu Ferreira/ Maia Caetano

Agrupamento de Escolas de Pinhel

Revista de Arte(s) e Ideias Nº1 I 2ª Série Maio 2012 Grupo 600 Artes Visuais Grupo 410 Filosofia Professores: Maia Caetano Dora Maia Caetano Carlos Franco Natália Craveiro Maria do Céu Ferreira Carlos Adaixo

Paginação: Maia Caetano Impressão: Empresa Municipal

Como uma Fénix, renascida das cinzas, após um período de conveniente introspeção, estamos de volta com a serenidade necessária! Sentimos que esta é uma nova fase de renascimento. Contamos com as palavras, os símbolos e a imaginação dos nossos alunos, para dar ordem ao caos, serem criadores de sentidos, estimularem as emoções, oferecerem novas formas de ver o mundo. Entendemos que a ética, a força e a consciência cívica são o essencial da formação nos dias de hoje. Com uma nova abordagem gráfica, mas com os mesmos objectivos. De alguma forma a demonstração que esta interdisciplinaridade continua a fazer sentido. O pensamento filosófico e mais especificamente, o pensamento estético funciona em estreita articulação com as Artes. Não porque dependa uma da outra, mas pela procura que se faz nessa dualidade de opiniões. É nesta cumplicidade, por vezes até ignorada, que está a sua ligação. É nesta dualidade que está o caminho do conhecimento e para o Belo. Mesmo que o Belo não exista.


As implicações éticas no conhecimento científico e tecnológico Para Ti, ser omnisciente e omnipresente

Como sabes, pediram-me que escrevesse um texto sobre as implicações éticas no conhecimento científico e tecnológico, porém eu não sei o que dizer. Não agora, enquanto sou meramente uma adolescente “tão inocentemente egoísta e ingénua quanto a idade o permite e justifica …” Alguma vez comparaste a amizade a uma corda infinita que se pode puxar quando e durante quanto tempo se quiser, pois esta nunca acaba? Eu já! O pior é quando descobrimos que a corda não é infinita, que, quando precisamos e puxamos, esta acaba e ninguém a está a segurar, o que nos faz cair num poço sem fundo, sem esperança à vista… É absolutamente inadmissível a maneira como o Homem mascara/relativiza a realidade consoante muito bem quer e lhe apetece e nós, adultos de amanhã, caímos que nem um patinhos!... É impossível negar que estamos a entrar em decadência, tanto em valores morais como em capacidades intelectuais e qualitativas. Por vezes pergunto-me onde é que vamos parar… É óbvio que sem evolução a nossa espécie não subsistiria! Às vezes questiono-me como é que nos pudeste abandonar no mundo tão biologicamente desarmados… Ao contrário dos outros animais, somos uns “desgraçadinhos”! Sendo fisicamente tão desprotegidos, só temos uma única arma que nos permite subsistir, progredir e conquistar. A questão é explicar qual arma que realmente nos define. Para uns, é indiscutivelmente a inteligência. É ela que nos permite avançar, que nos serve de portal ao conhecimento e ao poder. A busca incessante pela verdade, pela sabedoria, por algo que nos permita ascender, que nos sirva de aspiração a um estado de sapiência sem limites, à pretensão de reduzir a ignorância e perplexidade que sentimos perante nós mesmos e o mundo que nos rodeia é, sem dúvida, um dos aspetos que nos permite vingar no mundo e deixar a nossa marca pela História. Não é à toa que o conhecimento, nomeadamente científico e tecnológico, nos permitiu e nos permite superar as nossas fragilidades enquanto seres animais. Todavia, os seus avanços obrigam-me a refletir incessantemente e a questionar-me enquanto ser humano. Bem, tenta ver as coisas sob o meu ponto

de vista, ainda que este seja tão insignificante e imaturo quando comparado com o teu: Observa o caso da clonagem. Pensar que caso algo de mal nos aconteça, existe uma maneira pela qual nos podemos salvar, é algo de espetacular. Como sabes, todo o ser humano tem a secreta esperança de viver para sempre, no entanto, eu pergunto-me: será correta a clonagem de seres humanos? Ainda no outro dia li, numa revista científica, que se não fossem as associações que promovem a ética e os valores humanos, nomeadamente na Medicina, já teriam sido fabricados clones sem cabeça de maneira a que se lhe pudessem extrair os órgãos, a pele, etc., para transplantes cirúrgicos. É então que eu me pergunto: estará isto correto? Será que matar esses clones, mesmo que estes não tenham cabeça, não será um crime? Será correto e moralmente aceitável fazê-lo? Numa sociedade onde o conhecimento científico e tecnológico é tão esmerado, tão incentivado e onde os valores morais estão cada vez mais esquecidos e deturpados, o perigo é iminente. Até ao momento, tem havido algumas entidades que dizem NÃO a estas brutalidades. No entanto, o meu medo é que, com o desprezo crescente pelos verdadeiros valores que caracterizam a Humanidade, amanhã o ser humano não saiba distinguir entre o que está correto e o que está errado, entre o que é humano e o que é monstruoso. Penso que, se a verdade, o amor, a justiça e a dignidade humana continuarem a ser relativizadas, os humanos perderam aquilo que realmente os define: a compaixão, a generosidade; para passarem a ser autênticos monstros frios e sem escrúpulos. Como tal, enquanto adulta de amanhã, não deixarei que as implicações éticas se afastem do conhecimento científico e tecnológico, no que toca à minha pessoa e a todas aquelas que eu conseguir alcançar, pois, sem elas, “ a corda infinita esgotarse-á e cairemos num poço sem fim, sem que alguém nos possa alcançar”.

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Texto: Ana Falcão 11º A


Crónica da utopia

Deixa-te levar pela criança que foste… (José Saramago)

Texto: Bernardo Gonçalves 12º A Imagem: Guernica Picasso

Lembro-me… Não!, não me lembro apenas, consigo senti-lo ainda, tudo, vasculhando cá dentro… As horas em que, sozinho, brincava alheado, e me perdia, viajava com essa coisa que é a alma… O Pai Natal, os seres mais fantásticos, o ET do cinema, a magia, tudo, tudo isso que existia… Consigo sentir a verdade que tudo isso tinha, tudo isso que existia, porque eu acreditava nelas. Cresci, e não descobri que não eram verdade, simplesmente deixaram de existir, de ser verdade, porque eu cresci. Porque o meu corpo cresceu, porque acordei para a chuva que caía lá fora, aqui, e não nas florestas selváticas do Amazonas. Porque o céu passou a ser lá fora, e não o tecto do meu quarto… Crescemos e deixamos de brincar, porque já não temos idade, porque devemos ser homenzinhos e mulherzinhas, porque ser astronauta não vai ser o nosso futuro. E perdemos a verdade de ser astronautas. Esquecemo-nos de brincar, melhor, de como brincar, e voar, e viajar… De viajar… Ah, viajar… Lembro-me de ir à Disney quando era ainda pequeno. Corrijo, não de lá estar, fisicamente, mas do desejo e da verdade de querer ir lá. E quando me vi lá, agora sim fisicamente, essa experiência em nada ultrapassou o que vivi antes, a verdade com que o vivi… É esse o sonho utópico. Permanecer, como um Peter Pan, eternamente crente, eternamente sonhador. Mas crescemos, inevitavelmente. Passamos a entender este Mundo, entendemos como funciona, as regras, estupidificamo-nos, remediamo-nos, cumprimos e resignamos. Nunca mais seremos super-heróis ou astronautas. A Verdade, esquecemo-la. Acreditávamos e éramos felizes. Não te resignes a ser estúpido ao ponto de te deixares estar, só estar. Deixa-te acompanhar pelos sonhos que tinhas. Sonha ir à Lua. E sente a Verdade desse sonho, a Verdade que ele tinha. Não deixes que te diga hediondamente o Homem estúpido que não vale a pena sonhar assim, porque o que interessa é este Mundo, é o dinheiro, e fulano tal que casou com fulana x, ou isto, ou aquilo. Acredita como acreditavas, realiza-te nos teus sonhos, como a criança que eras. Crescer, abandonar, esquecer a inteligência das crianças, ser adultamente, pateticamente estúpido e conformado, não é não atingir os sonhos, é deixar de os ter, é esquecer a Verdade deles, é deixar de acreditar. Deixar de acreditar, enfim, em ti…


O clube dos poetas mortos Reflexão

A ação do filme “Clube dos Poetas Mortos” ocorre numa escola conservadora, autoritária mas conceituada como uma das melhores escolas dos E.U.A. Relata a história de um professor de literatura e dos seus alunos num colégio interno marcadamente elitista e com uma disciplina muito rígida. As aulas do professor Keating são dadas de forma considerada pouco rígida no colégio. Keating apela para valores como a liberdade de pensamento e de expressão que chocam frontalmente com os que são defendidos no colégio. Entusiasmados com o lema “Carpe diem” (aproveita o dia) proclamado pelo professor, os alunos ganham coragem para experimentar desafios e experiências que nunca antes ousariam enfrentar. À semelhança do que o professor Keating fizera na juventude, alguns dos seus alunos criam o “Clube dos Poetas Mortos”. O clube reune furtivamente à noite, numa gruta, nas imediações do colégio. O grande tema é a poesia. Apesar de todas estas mudanças de comportamento serem fruto da influência de Keating, a verdade é que ele desconhecia o efeito das suas palavras e nunca acirrou diretamente as ações dos alunos. É esta a grande questão que este filme coloca: a da legalidade de um professor interferir na educação dos seus alunos. No colégio de Welton são incutidos valores como a tradição, a honra, a disciplina, a excelência, na vida dos estudantes.

Perante esta realidade a missão educativa de Keating ganha uma maior razão de ser. Talvez não se deva incriminar um professor que compreende que a sua missão, enquanto professor de poesia, tem que passar pela vida destes rapazes e que, por essa razão, sente ter o dever de lhes dar, uma nova perspetiva do mundo em que a poesia seja reconhecida com todo o seu valor. Ora, neste sentido, o papel educativo de Keating ganha uma legitimidade que parecia faltar-lhe. Porquê? Porque encontra a sua justificação ao nível do ensino. O que Keating pretende, com a divisa “Carpe diem”, tirada de versos latinos do poeta Horácio, é que cada aluno faça da sua vida um poema. Devemos seguir o exemplo de N. Perry (personagem principal) e lutarmos pelos nossos valores, pelos nossos ideais! Neil era uma autêntica marioneta nas mãos do seu pai, não tinha liberdade para as suas decisões ou ações. Era ele quem lhe delineava os planos mesmo quando Neil não queria fazer parte desses planos. Este filme marcou-me porque é um retrato sobre a adolescência, as suas peripécias e os seus conflitos. Considero que mesmo as cenas que menos me entusiasmaram não tiraram brilho nem qualidade ao filme. É uma reflexão filosófica, própria da adolescência, período das dúvidas existenciais, das perguntas, das escolhas.

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Texto: Luís Santos 10º A Imagem: Gustave Courbet The Painter's Studio; A Real Allegory 1855 (pormenor)


Tráfico humano?! Onde? Reflexão sobre o tráfico humano

Texto: Bernardo Gonçalves 12º A

Diz o Artigo 4º da Declaração Universal dos Direitos do Homem que “ninguém será mantido em escravatura ou em servidão” e que “a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos”. Como tantos outros direitos, este é, dirão alguns, apenas mais um que é, todos os dias, violado, sem a maioria de nós sequer pensar nisso. Mas, hoje, em pleno século XXI, o tráfico de pessoas é das actividades criminosas mais rentáveis, tal como o tráfico de drogas e de armas. Tráfico de pessoas… Pessoas! Homens, mulheres, crianças, crianças a quem lhes é roubada a infância, jovens a quem lhes é retirada a juventude plena e repleta de sonhos e descobertas, muitas vezes à custa de promessas ilusórias. Pessoas, como eu, como tu, como qualquer um de nós… Passando pela prostituição forçada e pornografia, o tráfico humano passa também pelo trabalho forçado ou por actividades criminosas forçadas. Uma realidade escondida no submundo. Até que ponto pode o poder e o dinheiro, a corrupção e a perversão, conduzir ao tráfico, palavra tão associada a bens, a coisas, de seres humanos? Comprar e vender pessoas como se de objectos se tratassem… Este é, sem dúvida, um dos maiores problemas do nosso mundo que tem ficado, talvez, um pouco escondido e omitido. O alerta de consciências tem de ser global e urgente, alertando não só a população, como os altos chefes de governo e de organizações, exigindo-se algo de concreto em relação a este problema que, como uma erva daninha, se alastra. Nunca se pode pensar que só acontece aos outros e que, de alguma forma, estamos sãos e salvos para sempre, como se estivéssemos imunes a que fossemos apanhados, “contaminados”. Onde está a nossa consciencialização global, pergunto eu. Só quando o amor pelo poder der lugar,

plenamente, ao poder do amor, pelo outro, pelo igual, que tanto merece que os seus direitos sejam assegurados como cada um de nós (não somos todos iguais em direitos?), só assim, quem sabe, os irmãos, filhos ou pais de alguém não sejam tratados como mercadoria.


Aprendi que …

Aprendi que, na vida, a maior verdade que existe é que é bom ser criança. (Tiago

Monteiro)

Aprendi que… por seres um ser humano não és igual aos outros. És algo especial, uma pessoa que por si só me deixa sem palavras! (Paulo Videira) Aprendi que… a saudade é imortal, assim como, o verdadeiro sentimento. (Helena

Saraiva)

Aprendi que o meu melhor amigo me vai magoar muitas vezes, no entanto vou sempre gostar dele. (Jéssica Baraças) Aprendi que… não devemos colocar expectativas sobre os ombros dos outros, porque é um fardo demasiado pesado para ser carregado. (Filipe Silva) Aprendi que quanto mais se fala mais se erra, e mais tarde se sofre por arrependimento.

(Ângelo Delgado)

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Aprendi que há momentos que duram pouco mais que um instante, mas que são suficientemente poderosos para mudar uma vida. (Luís Ferreira) Aprendi que nem sempre existe justiça no que fazemos no dia-a-dia. (Artur Martins) Aprendi a ouvir um não e não desistir por conquistar um sim. (Carina Cabral) Aprendi que a perfeição está no que não consigo controlar, planear, querer ou desejar.

(Ana Falcão)

Aprendi que os sonhos são muito importantes para que a vida faça mais sentido. (Nuno

Correia)

Aprendi que não desistir é uma virtude e se algo está a correr mal, se tiveres sonhos não desistas e tenta dar a volta por cima. (Fábio Venâncio) Aprendi que nem todos somos iguais, e para arranjarmos amigos verdadeiros temos de ser nós próprios. (Elisabete Pereira) Aprendi que todos nós temos defeitos e que são esses mesmos defeitos que nos tornam pessoas especiais principalmente aos olhos de quem nos ama. (Melissa Patrício) Aprendi que não é preciso cair para sentir dor. (Adriana Silva) Aprendi que por mais que uma pessoa nos diga para desistir, devemos sempre lutar pelos nossos sonhos. (Telma Martins) Aprendi que nunca devemos desistir das coisas pois já que chegámos até aqui não perdemos nada em tentar chegar ao fim. (Mónica Sousa) Aprendi que é nos momentos mais dolorosos que expressamos a nossa força. (Miguel

Silva)

Aprendi que temos o direito de termos sonhos cor-de-rosa, mas não o de vivermos uma vida de ilusões. (Bruna Rodrigues)

Texto: 11ºA


O que é a arte? Diogo Poço 10º B

Fui perguntar ao meu pai o que é a arte, ele respondeu-me: “A arte acontece quando os pintores fazem quadros e ficam muito bonitos”. Depois fui perguntar à minha mãe o que era a arte e ela disse: “A arte é a musica como Opera, não é esse sons que costumas ouvir”. Estive a pensar durante algum tempo o que os meus pais me diziam e não fazia sentido, não chegava para satisfazer a minha duvida. Um dia fui dar uma volta com o meu tio. E depois de tirar uma foto a uma bela paisagem disse-me, “ isto é que é arte”. Eu ainda mais confuso do

que já estava, fui procurar à minha irmã mas ela também não me soube responder, ela dizia que era a musica, a pintura, a poesia, a fotografia, a dança… Então eu decidi ver quadros e fotografias, ouvir musica e fazer muitas outras coisas que eu tinha ouvido dizer que era arte. E foi aí que descobri que a arte não é apenas quadros, fotografias, musica, teatro para ficar bonito, mas sim é aquilo que vai na alma do artista, a sua forma de ver o mundo, o seu “eu” interior.


Fotografia

Para mim a fotografia é uma forma de arte, que está sempre presente nas nossas vidas desde sempre sentiu-se a necessidade de retratar o presente para um dia mais tarde recordar. A fotografia é algo que capta o acontecimento, é onde fica retratado o passado e os sentimento(expressionismo). A arte da fotografia é uma espécie de comunicação onde projeta o seu Eu, é sincero, honesto pois não deixa de fazer uma coisa só porque as pessoas não gostam. A arte só é arte pois é algo que se concretiza. Deixa de ser invisível para de tornar algo visível. A fotografia apela para uma realidade. Mas pode haver duas realidades, a realidade e o Eu. O Eu o fotografo quer transmitir alguma coisa aos Outros e os Outros são outros Eu. O fotografo tem de ter sempre espectadores caso contrário nunca saberia se era um artista ou não. A fotografia também pode ser impressionista. A máquina fotográfica permitiu, ao longo dos

tempos e desde a sua invenção, que o fotógrafo se fosse libertando do carácter de mero captador de uma dada realidade, de um dado objecto. Por todo o século XX a fotografia envereda por campos onde a sensibilidade artística se revela. Por vezes pisando terrenos específicos da estética própria da pintura, e por outras afastando-se da mesma. A evolução tecnológica da fotografia levou a que a denominada fotografia artística, ou de autor, trilhasse percursos e tratasse temáticas diversas, conduzindo a que esta se estimulasse, lentamente e eficazmente, para um lugar que, por direito próprio, hoje ocupa na História da Arte Contemporânea. Contemporaneamente, a visão da obra de arte como símbolo, como objectivo de representação de um mundo próprio(o do artista), é a posição de maior consenso. Por outro lado, a obra aparece com carácter aberto, exigindo que o espectador participe (interprete a obra e reinvente a realidade). A partir deste ponto somos obrigados a introduzir nas nossa análise do trinómio criação-criador-obra de arte o espectador ou o público.

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Texto: Flávia Plácido Nascimento 10ºB


A importância da arte David Milhano 10ºB

“A arte é evocar em nós mesmos uma sensação experimentada e, tendo-a evocado em nós, por meio de movimentos, linhas, cores, sons ou formas expressas em palavras, é transmitir essa sensação de maneira que os outros a experimentem, é esta a actividade da arte.” Herbert Read Como opinião pessoal eu acho a arte extremamente importante, não só pelo número de pessoas que a “praticam” das mais variadas formas, mas também porque esta nos faz sentir bem aquando a sua contemplação. Hoje em dia tudo o que nos rodeia é arte, daí a sua importância. A arte faz-nos sentir emoções e faz-nos sentir prazer quando a apreciamos. Quem é que nunca se emocionou com uma pintura, uma sinfonia, um poema, um filme ou uma peça de teatro ? Quando a apreciamos somos capazes de “viajar para um mundo desconhecido” em que tudo o que vemos, sentimos ou ouvimos nos parece belo e bonito. A arte é uma função espiritual do homem que tem por objectivo libertá-lo do caos da vida , como dizia Kurt Schwitters. O carácter heterocósmico da arte Ao contemplar objectos artísticos, o espectador é invadido por uma onde afectiva que o arranca ás condições espácios-temporais do quotidiano e o arrasta para “mundos desconhecidos”. Como diz Etienne Souriau, pelas asas da arte o homem penetra no seio de uma realidade heterocósmica. Para poder voar pelas asas da arte , o ser humano precisa ser dotado de uma sensibilidade pessoal , que lhe permite “viajar” até ao mundo da

beleza e de sonho. A sensibilidade pessoal Enquanto a contemplação de uma obra , existem 3 etapas que são concretizadas para as pessoas que são dotadas de sensibilidade pessoal: -Razão: permite uma interpretação racional da obra -Emoção: provoca a emoção, prazer, encantamento. -Imaginação: leva o espectador ao desconhecido, fora da realidade concreta. A pintura refere-se genericamente à técnica de aplicar pigmento em forma líquida a uma superfície, a fim de colori-la, atribuindo-lhe matizes, tons e texturas. A diferença entre pintura e desenho está no material usado, no desenho são materiais de pintura secos enquanto que na pintura são materiais líquidos. Na pintura, um dos elementos fundamentais é a cor. A relação formal entre as massas coloridas presentes em uma obra constitui sua estrutura básica, guiando o olhar do espectador e propondolhe sensações de calor, frio, profundidade, sombra, entre outros. A pintura acompanha o ser humano por toda sua história. Na minha opinião a pintura consegue levar o apreciador para “dentro” do quadro, ou seja, leva o observador a viver os momentos expressos no quadro, tendo este que recorrer á imaginação. “A arte depende intimamente do Homem, ao ponto de se modificar com ele” René Huyghe


Estética e Arte

1 Texto: Inês Antunes 12º B

Na nossa sociedade, a Estética e Arte são sempre confundidas, quando na verdade são coisas muito distintas. A Estética é o ramo da filosofia que estuda a natureza do belo, julgando o que é belo e as emoções que este provoca; a Arte, pelo contrário, é contradição do belo e do feio, expondo-o e criticando-o de forma a atingir a sociedade. Se nos perturba é porque é Arte. Um artista não se rege pelo que é belo e aceitável, é um inconformado que se recusa a seguir a corrente. É um visionário, cujo objectivo passa por dar à sociedade um ponto de vista que ela ainda nem consegue ver. “The EARTH without ART is just EH ” (A Terra sem Arte é só EH). Marcel Duchamp foi o responsável pelo conceito do ready made, que é o transporte de um elemento da vida quotidiana inserindo noutro conceito diferente daquele para o qual foi criado sem ser alterado e exposto como obra de arte. O maior exemplo é “A Fonte”, um urinol simples, de uma fábrica de produção em série, que Duchamp enviou para um concurso de arte promovido por um museu de Nova Iorque. A obra acabou por ser rejeitada por não se encontrar nenhum trabalho artístico, quando na verdade o trabalho artístico de Duchamp foi feito conceptualmente, com razão e com ciência naquilo que criou. É outra característica da arte, é ser a ciência da liberdade. Enquanto nas Ciências, tudo tem que ter aquele resultado ou então é impossível, na Arte não há limites. Mas tudo o que um artista projecta tem uma razão e uma explicação, pois se não tiver, então não é arte. Arte é arte, tudo o resto é apenas tudo o resto.


Street Art Maia Caetano

A questão sobre a classificação dos grafitis como arte sempre levantou uma enorme controvérsia e polémica. Não me parece que haja motivo para tanto. Diria que a arte é sempre que esta aconteça. Ou seja independentemente do suporte onde é feita a arte é arte. Claro que não podemos confundir aqui outras questões, como a propriedade das pessoas. Grafitar casas ou espaços para os quais não temos autorização para utilizar, não se chama arte, chama-se vandalismo. Partindo destes principios o desafio foi utilizar estes principios básicos, mais o

principio cada vez mais importante, a poupança na utilização de recursos, fazer o que se chama Street Art e não Grafitis. Utilizar os “acidentes” que o tempo provoca no espaço escolar e dar-lhes um novo enquadramento proporcionando novas leituras e até novos significado nos referidos “acidentos. Paredes rachadas, bancos partidos, tampas de saneamento, buracos, escadas etc., passaram a ser prédios, pianos, bombas, ou até mesmo o homem aranha, ou um estendal da roupa.

Inês

Ana P.

Inês

Ivan Ana

Rita

Adriana Paulo

Camila

Ivan

Camila Camila

Camila

Camila

Camila

Camila

Camila


O Desenho no 10º C

Bárbara

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Daniela

Daniela T. Cátia

Sandrina

Yara Patrick

Vanessa Vera

Texto: Maia Caetano

O desenho é o elemento estruturante de toda a criação artística no campo das artes plásticas. Está para a Pintura, Escultura, Design ou Arquitectura, como o nosso esqueleto está para o nosso corpo. Sem uma estrutura de base, tudo se desmorona. Quando se faz uma pintura, neste caso a óleo, o principal é a estrutura, é o desenho. Mais ainda quando se tenta a reprodução de uma obra de um dos mestres da pintura. Dito de outra forma, o trabalho é de desenho, sem ele a reprodução não seria como o original, e é de pintura, domínio de materiais, de técnicas. Junte-se muito trabalho, bastante preserverança, alguma paciência e temos, embora inacabados, quadros que estão no caminho certo para serem cópias “verdadeiras” dos originais. Porque de facto o importante é o desenho.

Marlene


Transformação do espaço Dora Maia Caetano

O desafio do Professor José Vaz, Director do Agrupamento de Escolas de Pinhel, visava dois objectivos. Um, transformar o PT, em algo agradável à vista, que se integrasse no espaço envolvente de forma a que perdesse o aspecto de “objecto” degradado e fora do contexto. Dois, ser um elemento identificativo da escola, uma vez que se encontra virado para a principal avenida que circunda a escola, e que de alguma forma, pela sua localização pode de alguma forma marcar a entrada na cidade. Estudos, desenhos, projectos, maquetes, selecção e quando o tempo o permitiu, trabalho de exterior. Pretendemos não só trabalhar a bidimensionalidade, mas também a tridimensionalidade de forma a que se podesse acentuar a definição do volume da superficie a trabalhar. O espaço envolvente vai ser igualmente alterado de forma a que se possa criar uma zona de que as pessoas possam usufruir com mesas e bancos. Os autores foram os alunos do 12º B, a Adriana, a Ana Pereira, a Ana Pina, a Camila Martinho, a Inês Antunes, o Ivan Gonçalves, o Paulo Aguiar, a Rita Morgado e a Solange Tomás.


Educação Sexual em meio escolar-11º B

No âmbito da Educação Sexual em meio escolar, foi pedido aos alunos uma reprodução que focasse o tema “Gravidez, Maternidade, Aborto”. Os alunos poderiam explorar a tridimen-

sionalidade, assim como outros materiais menos convencionais, que destacassem ou que acrescentassem mais valias ao obectivo final proposto.

5 Texto: Dora Maia Caetano

Daniela

Dina Flávia

Cláudia André

Vanessa

Jessica


Sabrina Saraiva nº 17 8º B

Catarina Machado nº7 8ºC

Pego no lápis Olho à minha volta. Pego no lápis e na inspiração desejável e eis que algo de mágico acontece: algo que me acalma e ao mesmo tempo me dá força; algo que me alarga a imaginação e aumenta a criatividade. É a arte no mais puro sentido da palavra. Essa arte que nos rodeia e nos acompanha em cada dia. Depois é só vê-lo com olhos de artista e a obra acontece. Foi assim com o meu “diário gráfico”: o quarto onde durmo, a casa onde moro, a casa de um familiar, os animais que vejo, os desenhos animados que vi e até os instrumentos musicais que me animam. -Falta de tempo… - dirão alguns. Mas o tempo também faz parte do meu diário. Foi ele que me deixou observar cada recanto, cada objecto, cada pessoa… e com todos estes ingredientes surgiu a magia do desenho. Catarina Machado nº7 8ºC Filomena Carvalho nº 13 8ºC

O meu diário gráfico O meu diário gráfico é uma viagem à minha imaginação Com ele voo até Plutão. Nele pinto um pouco das nossas vidas Por vezes comédias fascinantes outras vezes experiências sofridas Pequeno livro, um grande amigo Companheiro inseparável pois nele expresso Um sentimento inacabável. João Mendo nº10 8º B Sabrina Saraiva nº 17 8º B


Vanessa Ganância 9ºC

Catarina Torres 9ºB João Santos 9ºB

7 Texto: Jorge Matias 9ºC Patrícia Dias 9ºC

Tiago Martins 9ºB

A importância da arquitectura no dia a dia

O ser humano é dotado de sensibilidade e por isso, o espaço que o rodeia deve ser significativo, vivido e relacionar-se com o que o habita. Não pode ser um espaço indiferente e impessoal. Por esta razão, a arquitectura é fundamental para o bem estar físico e mental do ser humano. A arquitectura é uma “arte humana” que engloba a poesia, a filosofia, a

matemática, a ciência, o desenho, etc.. Esta arte é adequável a cada um de nós. Por isso, a arquitectura ajuda-nos a concretizar os nossos sonhos e desejos, pois cada um de nós pode ter o seu espaço vital de modo a que isso nos torne felizes e em paz com o que nos rodeia.


A importância da Arte Natália Craveiro

São inúmeros os artigos científicos que referem a importância da arte no desenvolvimento integral do ser humano. Em 1996, o relatório da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI alertava a UNESCO para um novo paradigma da educação: despertar, reanimar e fortalecer o potencial criativo existente em cada indivíduo. Contudo, no nosso país, as sucessivas reformas educativas a que temos assistido obrigam-nos a olhar com preocupação para a presença futura da arte quer no ensino básico quer no ensino secundário. A progressiva diminuição do número de horas lectivas dedicadas ao seu ensino, dificultam o desenvolvimento de um trabalho que constitui, de acordo com o legislador da primeira Lei de Bases do Sistema Educativo, as “pedras basilares da educação do cidadão, o estímulo à criação, à expressão, à formação estética, artística e cultural” (Lei .º46/86 de 14 de Outubro). Os trabalhos que aqui se apresentam representam apenas uma amostra daquilo que é o interesse e o empenho que muitos alunos têm manifestado na educação do olhar e do ver, no desenvolvimento da sua sensibilidade estética e da sua capacidade em representar a realidade, na experimentação de materiais e na criação de novas linguagens estéticas, no desenvolvimento da sua Cultura Visual. A todos agradeço.


“Este trabalho foi realizado para a disciplina de Educação Visual, a pedido da professora Natália. A partir da construção de uma sapatilha de cartão, foi-nos apresentada uma proposta de trabalho que nos desafiava a revestir o objecto através da criação de um Módulo-Padrão. Utilizei para o efeito um tipo de padrão geométrico com cores vivas para assim transmitir alegria. Por fim, apliquei uns atacadores prateados para contrastarem com o MóduloPadrão. Espero que tenham gostado!” (Cátia Rodrigues, 7.ºB) “Foi em casa, estava a fazer o trabalho de Matemática quando de repente vi o transferidor e então comecei a pensar... Enquanto estava a pensar olhei para a janela e vi uns efeitos nos cortinados foi assim que me surgiu esta ideia para o trabalho de Educação Visual.” (Carlos Lopes, 7.ºC)

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“Na disciplina de Educação Visual realizamos um catálogo com a recolha de texturas. Recolhemos texturas visuais, táteis, impressões com guache e tentamos ainda construir nós próprios várias texturas originais. Gostei de todas as técnicas utilizadas mas aquelas que me deu mais gozo fazer foi a impressão com guache. O resultado final foi muito engraçado e a olhar para ele parece-nos algo abstrato”. (Ana Pinheiro, 7.ºD) “Depois de aprender a construir as novas formas geométricas, tivemos de desenvolver um trabalho criativo. Escolhi cores com tons parecidos para assim criar um conjunto harmonioso. Depois, apliquei as novas formas geométricas (hexágono, espiral, octógono óvulo e oval) juntamente com aquelas que já conhecia (triângulo, quadrado, rectângulo e círculo). Procurei organizar tudo de forma criativa, original e simples. Depois de terminado, usei um lápis de cera azul para criar um efeito visual bonito e contrastante”. (Mário Videira, 7.ºE) “Técnica de deformação do rosto: cortando a imagem fotográfica às tiras uma a uma, fiz a deformação colando-as por ordem de forma assimétrica. Nos espaços vazios pintei com lápis de grafite de modo a que a parte branca ficasse com tonalidade igual às outras tiras.” (Ana Margarida Videira Silva, 8.ºD) “Existem maneiras diferentes de pensar, de observar…Cada um tira o juízo que quiser.” (Telma Monteiro, 9.º A)

“O Módulo-Padrão” 12,5cm x 6cm x 21cm Lápis de cor, ���ta prateada, papel cavalinho e cartolina duplex

“Texturas” 35cm x 25 cm Caneta de feltro sobre papel.

“Catálogo” 38cm x 28 cm Técnica mista sobre papel. “Pintura Abstrata” 25cm x 35cm Caneta de feltro, lápis de cor e pastel de cera sobre papel.

“Simetria/ Assimetria” Aprox. 30cm x 25cm Impressão fotográfica e lápis de grafite sobre papel.

“Desenho de observação” Aprox. 20cm x 30cm Lápis de cor e café sobre papel.



Revista SOFIARTE(S)