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PSI-Boletim de Janeiro 2017

Núcleo de estudantes de psicologia da Universidade da Madeira +

14º Edição

Nepsiuma@gmail.com: www.facebook.com/NEPUMa

Índice: 1. Universidade inclusiva 2. Etiologia da Anorexia Nervosa: um puzzle biopsicossocial? 3. Reflexão do mês- Mês das oportunidades 4. Participação especial- Parentalidade, saúde mental e (in)certezas

Mensagem Caros alunos e docentes, a equipa do NEPUMA deseja um excelente 2017, com muitas conquistas pessoais e profissionais.

Universidade inclusiva Devemos sempre valorizar o que temos de bom. Neste caso, trago este mês uma tese de mestrado realizada na Universidade da Madeira pela nossa colega Filomena Rodrigues. Ela recebeu, com este estudo, uma menção honrosa pelo seu trabalho. Esta foi entregue no inicio do mês de Dezembro, na atribuição do Prémio de investigação para as Ciências Sociais e Humanas – Maria Cândida da Cunha 2016. O estudo intitula-se "Universidade Inclusiva e o Aluno com Necessidades Especiais. A investigação realizada em Portugal" (Rodrigues, 2015). A mesma concluiu a partir da revisão da literatura efectuada que existe um preocupação por parte das universidades, no sentido da inclusão dos alunos com necessidades educativas. Contudo, existem algumas lacunas nesta inclusão, nomeadamete ao nivel da intervenção e da legislação. A autora também ressaltou a importancia de que a inclusão pode ser benefica tanto para o aluno como para a instituição.´

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Rodrigues, F. D. F. (2015). Universidade Inclusiva e o Aluno com Necessidades Especiais. A investigação realizada em Portugal (Tese de mestrado). Universidade da Madeira.

Sara Gonçalves

Etiologia da Anorexia Nervosa: um puzzle biopsicossocial? A anorexia nervosa é uma perturbação do comportamento alimentar que reúne critérios físicos, cognitivos e comportamentais. Embora a sua prevalência tenha vindo a aumentar nas últimas décadas e constitua uma perturbação sobre a qual existe vasto de leque de estudos, alguns aspetos inerentes a esta perturbação permanecem pouco claros. A etiologia da anorexia nervosa ainda é algo que levanta muitas questões no campo das perturbações alimentares, uma vez que não existe um fator etiológico, que consiga, isoladamente, explicitar o seu desenvolvimento. Tal desconhecimento não ilustra, de forma alguma, os esforços desenvolvidos pelos teóricos desta área. O conhecimento acerca da etiologia consiste um aspeto essencial, não só para a compreensão da própria perturbação, mas também para uma prevenção e intervenção mais eficazes. Vários modelos que visam explicar a etiologia da anorexia têm sido propostos, ao longo do tempo. Estes constituem essencialmente modelos biológicos, psicológicos e socioculturais. No entanto, evidências mais recentes cada vez mais apontam para uma interação entre estas três vertentes, sugerindo que a etiologia possa configurar num puzzle interativo de três peças. É de consenso geral que as diferenças individuais, como o perfeccionismo ou os mecanismos neurais, são influenciados por fatores ambientais e

que

as

experiências

ambientais

e

as

mudanças

no

desenvolvimento interagem com fatores genéticos, podendo fazer

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com uma predisposição genética seja amplificada. Contudo, permanece a dúvida se estes fatores estão correlacionados ou se são interdependentes. A resposta para todas estas questões aparenta assentar numa perspetiva integradora, que reúne aspetos

biológicos,

psicológicos

e

sociais,

atribuindo-lhes

importância, tendo sempre em consideração que estes são mutuamente influenciáveis e indissociáveis quando estamos a

Sugestões

falar sobre o desenvolvimento de uma perturbação mental. Le Grange, D. (2016). Elusive Etiology of Anorexia Nervosa: Finding Answers in an Integrative Biopsychosocial Approach. Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, 55(1), 12-13.

Joana Spínola

Reflexão do mês- Mês das oportunidades

Filme: Para sempre Alice Livro: Tudo o que temos cá dentro, Daniel Sampaio Sofia Santos

É com os maiores votos de um feliz ano novo que começo a nossa reflexão mensal. Considero que Janeiro é um mês que se centra muito em torno da motivação nos mais diversos contextos do nosso dia-a-dia. Estamos mais motivados pela frescura e esperança, pela curiosidade e pelas possibilidades que trará o novo ano. Motivados para finalizar o que devia ter ficado para trás, ou iniciar aquele sonho que vem adiado dos outros anos, mas que, claramente, desta vez é que é! É um novo começo, marcado pelas expectativas positivas de tudo o que se poderá alcançar, sendo por isso, um mês inspirador e refrescante. Posteriormente, marcados por imprevistos ou novas metas, a motivação começa a desaparecer, ou as idealizações transformam-se em concretizações. Infelizmente, estar motivado não é uma ação, por si só, suficiente; é também necessário que, para além de sonhar, se arranje forma de lá chegar de maneira persistente, trabalhadora e determinada, mas sem nunca desvalorizar a importância que ter sonhos tem para a vida de cada um de nós. Enquanto houver sonhos, haverá uma razão para que se lute por nós, pelos nossos objetivos, por aquela viagem que sempre

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quisemos fazer, ou aquele negócio que sempre quisemos abrir. Por isso sonhem. Sonhem sem medo, sem restrições. E lutem por aquilo que merecem, por aquilo que querem. Aluna de 3º ano de psicologia na Uma Membro do NEPUMa Joana Quintal

Parentalidade, saúde mental e (in)certezas A qualidade das representações da vinculação é, sabemolo hoje, um preditor determinante da saúde mental ao longo da vida do indivíduo (Canavarro, 1999; Soares,2007). Os processos de vinculação decorrem no contexto de relações de cuidado, em que o cuidador mais próximo molda em grande medida a estrutura psíquica daquele de quem cuida, e influencia o seu desenvolvimento. Durante muito tempo, o modelo médico marcou a forma como se pensava acerca da parentalidade, partindo-se do pressuposto de que a negligência ou os maus tratos infantis resultariam sempre de processos psicopatológicos. É à luz deste modelo que, frequentemente, o elemento chave na decisão

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relativa à continuidade ou rutura de relações entre pais e filhos ainda é o diagnóstico psiquiátrico. Sendo reconhecido que a parentalidade é um processo complexo e multideterminado e que a visão ecológica e sistémica se tornou incontornável na sua compreensão, farão pouco sentido afirmações reducionistas e simplistas que consideram que um pai ou mãe com diagnóstico clínico de psicopatologia é um mau pai ou uma má mãe. A psicopatologia pode influenciar componentes diferentes do comportamento parental, nomeadamente, capacidade (ex.: influenciando os processos de vinculação), competências (ex.: diminuindo a disponibilidade para a prestação de cuidados) ou processos mediadores (ex.: diminuindo a capacidade de controlo dos impulsos) (Pereira, 2016) e tal influência poderá diferir na sua forma ao longo do tempo. É, pois, necessário perceber se os

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pais/prestadores de cuidados reconhecem a influência do seu comportamento no desenvolvimento da criança, como lidam com eventuais situações de risco ou perigo e se existe uma rede social de apoio estável, acessível e funcional. A resposta a estas questões será essencial para definir o sentido da intervenção psicológica e social posterior. Pais

ou

cuidadores

com

psicopatologia

não

são

psicopatologia. A parentalidade é um processo com múltiplos atores, pelo que mais que a julgar, importa compreender como reforçar a sua qualidade. Referências bibliográficas: Canavarro, M. C. (1999). Relações afetivas e saúde mental. Coimbra: Quarteto Editora. Pereira, D. (2016). Parenting and/or mental health. Comunicação apresentada no 2º Congresso Internacional de Saúde Mental (Estremoz). Soares, I. (Ed.)(2007). Relações de vinculação ao longo do desenvolvimento: Teoria e avaliação. Braga: Psiquilibrios.

Psicóloga e docente da Uma Investigadora no CIERL Dora Pereira

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