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autonomia # Número ZERO Nov 2008

Movimentos Sociais http://mtdrio.wordpress.com http://www.mst.org.br http://universidadepopular.milharal.org Nosso contato: informativoautonomia@riseup.net

MANDOU BEM... Alunos do curso de letras da UFRJ que boicotaram o restaurante privado que havia no lugar onde hoje é o Bandejão. Mas não pára por ai,temos apenas um único bandejão dentre todos os campus da universidade, bandejão este que não atende nem as necessidades dos próprios alunos de letras. Não devemos nos acomodar nessa condição, e sim enxergar nela novas possibilidades de ação!

MANDOU mal... Grades no IFCS. Reitoria e diretoria que aprovaram e estudantes que aceitam a permanência dela. Mas está sendo bom por um lado, para demonstrar aos estudantes o quanto estão presos. Presos em velhos paradigmas, presos em velhos preconceitos. Além de explicitar ironicamente a distância entre a universidade e a sociedade. A grade é a demonstração física disso. Grades são construídas sempre com a desculpa de proteger. Mas proteger quem? De que?

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Sumário Editorial_______________________________________________02 Torne a vergonha ainda maior...___________________________04 Contos, Prosas, Poesia! _________________________________ 06 Há vida além da universidade_____________________________07


EDITORIAL

Há vida além da universidade...

Diante da barbárie capitalista e do cinismo, nossa voz sufocada pelo barulho das mídias de massa e pelo conformismo dos ordinários, ousa gritar: Autonomia!!

OCUPAÇÃO SEM-TETO MACHADO DE ASSIS NASCE NO CENTRO DO RIO

Estatísticas são desnecessárias, quando nossos olhos e dignidades enxergam a miséria humana estampada nas ruas e escondida por detrás dos aparelhos de televisão! Portanto não nos entregaremos aos assentos confortáveis do consumo ou da exploração. Não nos enfileiraremos ao lado dos covardes ou dos exploradores! A infâmia econômica não nos servirá como um contra-ponto para difundir receituários e bíblias finais da salvação humana; e não menos indignados recusaremos quaisquer cores de sistemas de dominação e de poder. Não clamamos por uma nostalgia imobilizadora, nem por soluções milagrosas! Todavia respiramos um desejo de liberdade e emancipação, que vislumbra, mesmo que discretamente, possibilidades concretas de libertação e organização frente aos podres poderes e ao cadáver reluzente das eleições e das velhas instâncias institucionalizadas...

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Na última madrugada (entre os dias 21 e 22 de novembro) foi promovida a ocupação do prédio nº 111 da Rua Gamboa no centro do Rio. Em torno de 100 famílias ocuparam o prédio abandonado e recentemente desapropriado pela prefeitura de César Maia, devido ao não pagamento de IPTU, o qual deveria ser utilizado para moradias populares. As principais exigências dos ocupantes são: 1- cumprimento definitivo e imediato da desapropriação dos imóveis mencionados no decreto 26224 (César Maia); 2- regularização imediata das famílias MOVIMENTO ocupadas; DOS TRABALHADORES 3- liberação dos recursos da Caixa DESEMPREGADOS Econômica Federal para reforma do prédio; O Movimento dos Trabalhadores 4- transformação da Pequena África em Desempregados é uma organização popular uma Zona de Especial Interesse Social de caráter nacional que tem seu eixo em (ZEIS). torno da questão do trabalho.No Rio de JaA ocupação ocorreu de maneira neiro o MTD propõe construir as lutas de relativamente tranquila, houve pressão curto prazo, que são a criação de espaços por parte da empresa de segurança que de geração de renda para a sobrevivência vigiava o prédio para que o segurança dos desempregados, lutando pela autoque antes lá se encontrava voltasse para formação política e cultural dos seu posto mesmo já estanto o prédio trabalhadores, a agitação cultural e a ocupado. A seguir chegaram quatro organização de núcleos de trabalhadores carros de polícia os quais depois de desempregados, sem perder jamais o norte longo papo com a segurança da luta, que é a ruptura e a construção de apresentaram a proposta de que o um novo modelo econômico-social. segurança entrasse somente para O MTD-RJ sofreu um processo de buscar alguns pertences, o que não foi reorganização. Conta com núcleos de aceito. Ainda assim a polícia se retirou. desempregados se constituindo, na favela A ocupação fica na Rua da Camboa 111 - de Costa Barros, Vila Cruzeiro e no Complexo Gamboa /Centro. Depois do tunél da da Maré. central e próximo da cidade do samba. Em 2005 desempregados organizados em A Ocupação continua precisando de Belford Roxo, no acampamento Carlos doações (água, alimentos, colchonetes, Lamarca conquistaram moradia e recursos cobertores) e de apoio humano para para construção de suas casas. A presença de universitários no movimento é tímida, mas possível resistência. importante na solidariedade de classe que Contato com a Ocupação: tel. 8653-8999 avança. Venha para a luta!

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contos, prosas, TUDO LEMBRA VOCÊ Durden Poulain Quando eu me esquecer de você Haverá um belo sol Um sol novo no horizonte Vermelho de dúvidas Haverá uma mesa posta Para o café da manhã Haverá um quarto vazio Vazio de escolhas Haverá um maço de cigarro Jogado na mesa Mas eu não fumo Haverão algumas partes Espalhadas Sem que para isto E na verdade Você merecesse

e

AS RUAS DO CENTRO DA CIDADE Rafael Viana

poesia! PESSOA MULHER Vladimir Ribeiro Vivas e sempre em alerta Num ambiente perigoso se dispersa Não é brincadeira a ameaça É de séculos que ela se concreta, conecta!

Espancadas por maridos bêbados No centro da cidade, à Discriminadas por maridos sóbrios tarde, um homem Saiu pra trabalhar não por direito legal dorme Tinha que ganhar um troco profundamente. Sua pra renda total. cama é um papelão, o seu travesseiro uma Situada na linha de baixo mochila, o seu quarto da relação social. é o chão. Como Depreciada é sua visão consegue dormir Nesse contexto surreal. nessa situação? A realidade nega Na zona norte da A história nao absorve cidade, a noite, eu me A dialética nao sintetiza lembro da cena e não e a pessoa mulher sofre. durmo.

Que m sou eu -Jeanne

-me comigo a capacidade de comunicar , mim sem , e, sem negar-me , igo abr em a, um de ser-me im e sementear-me outra, enf daqui de mim me jorra alcance e me vai além sem que me agora sou m que de apa esc o que me te tan dis vai para sempre, finca-se que serpenteia, (embora, ao mesmo tempo mais volta ca nun e te aquilo que me par ser-teia) rno ete u me no -se emaranha o, e, ainda que navegando a esm -ei em algum lugar -me rar sei que, ao final, encont carregar? para onde posso ir sem me 06

b

Ao estudante, condição meramente temporária, que permite definir de acordo com o curso e motivação pessoal o posicionamento diante da barbárie, resta a questão: Tornar-se um assalariado, um gestor de capital, ou de pessoas? Quem sabe lutar para alcançar o topo da pirâmide econômica e tornar-se um explorador? Ou a covardia e adaptação são o melhor caminho? Fluoxetina, consumo, masturbação intelectual resignatória, abstrações estupidificantes que justificam a inércia... A morte das “ideologias” fez nascer uma ainda mais cruel, que elimina a luta pela igualdade e autonomia política em detrimento do individualismo e do ego. A experiência coletiva dos que se opõe ao capital não é decerto uma categoria intríseca ao próprio sistema, mas sim um fazer necessário e constante que nos faz caminhar rumo à uma sociedade livre e justa. Uma sociedade livre, pressupõe uma autonomia política e uma igualdade econômica que dispensa líderes iluminados ou “técnicos da revolução”. A autonomia individual e coletiva é um horizonte, distante pode ser verdade, mas que nos inspira a jogarmos, mesmo com as restritas mas honestas forças que temos, as nossas sementes neste solo árido de esperança e de luta. Este informativo deseja humildemente fermentar a revolta e incentivar a ação, pretende diminuir o abismo entre estudantes e trabalhadores, diga-se de passagem, alargado pela universidade e pelas suas demandas corporativas. Pretendemos publicar notícias dos movimentos sociais, divulgando suas ações e convidando o estudante à participação; artigos políticos, notícias e poesias também terão seu espaço, e por fim realizaremos sempre que possível críticas e auto-críticas ao movimento estudantil. Como grupo de afinidade, todos aqueles que se identificam-se conosco estão mais do que convidados a participar, sempre de maneira horizontal e honesta deste pequeno e inicial esforço! AUTONOMIA! POIS NOSSAS VIDAS E DESEJOS NÃO CABEM NAS URNAS E NEM NAS SALAS DE AULA! Fizeram este informativo: Leandro(C. Sociais), Agápito(História), Jeanne(História), Rafael(História), Rodrigo (Filosofia) e Vladimir(Filosofia). 03


Torne a vergonha ainda maior, entregando-a à publicidade! A vergonha deste campus é a vergonha desta universidade que nada mais é do que o reflexo da monumental vergonha da sociedade. Iludem-se os que acham que a posição da universidade é neutra, e que ela fornece conhecimento objetivo e crítico. O grande papel da universidade hoje é ser mais um instrumento de dominação. Por isso ela reflete todas as contradições e vergonhas da sociedade. Os muros deste ou de qualquer outro campus não impedem a entrada da ideologia dominante, pelo contrário foram construídos justamente para impedir que ela não saia. Vemos a situação do estudante, jamais o entendendo como uma classe, mas sim uma condição, ele está cumprindo perfeitamente com sua vergonhosa função: Reproduzir a ideologia dominante. Uma característica dessa ideologia é o egoísmo e também a falta de solidariedade que estão impregnados na mentalidade capitalista através de sua lógica ultra-individualista, e essas características foram compradas pelo estudante através de seus objetivos quando, por exemplo, opta por ingressar numa faculdade única e exclusivamente para obter seu diploma e com isso construir seu currículo competitivo para ter um bom cargo profissional. Outro aspecto importante de se observar que é fruto também da ideologia dominante em especial o egoísmo, é a indiferença produzindo a conformidade. O estudante está o tempo todo sofrendo e reproduzindo um processo de brutalização de emoções e sentimentos, que caso não houvesse, poderia desencadear revoltas e questionamentos.

REUNIÕES DO INFORMATIVO AUTONOMIA! ABERTAS À PARTICIPAÇÃO. QUARTA SIM QUARTA NÃO, ÀS 14H, NO PÁTIO DO IFCS. AÇÃO DIRETA CONTRA O CAPITAL E A BUROCRACIA! 04

Então brutalizar é essencial para tornálos indiferentes. Perdendo a sensibilidade acha-se tudo normal, se acostuma com grades segregadoras colocadas, com a estrutura do prédio caindo aos pedaços, com o sucateamento de verbas para a universidade, a pedantocracia de professores, as panelas acadêmicas dos discentes, o mau uso por conta da representação e da burocracia, de espaços que poderiam servir aos estudantes verdadeiramente como os centros acadêmicos e o DCE, e com injustiças não tão concretas como o uso da universidade para manter o status quo da sociedade, que é fundado em preconceitos, violência e desigualdades. Esse processo de se tornar indiferente leva ao conformismo e a não construção de práticas de questionamentos. Enganam-se os que optam por não se manifestarem criticamente como se estivessem fazendo uma escolha neutra, essa posição tende muito mais a um reacionarismo impregnado de discursos do tipo: “nada vai mudar” ou “É assim mesmo, fazer o que?”. Discursos como este servem exatamente para a conservação dessa conjuntura, cada vez mais injusta, cada vez mais suja.

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Portanto, a grande vergonha que precisa ser publicizada, escrachada e transformada é a realidade das universidades e seu papel mercadológico que é impregnado de injustiças. E existem dois lados fundamentais que permitem essa realidade acontecer: Os que a propõe e são beneficiados e a imensa maioria que escolhe por se calar e nada fazer.

VT 05


Autonomia