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Periodicidade: Diário

Temática:

Política

Jornal Negócios

Classe:

Economia/Negócios

Dimensão:

549

27­02­2014

Âmbito:

Nacional

Imagem:

S/Cor

Tiragem:

18239

Página (s):

33

A relação com a bela e sedutora Europa Rating da República PEDRO SANTANA LOPES

Cada vez menos a política pode ser feita por quem não conheça por quem não estude por quem não aprofunde por quem não leve a sério as questões fundamentais do nosso tempo

Escolhidosqueestãoos

protagonistas da 1 corrida eleitoral portuguesa para o

Parlamento Europeu espera se agora que passemos à substância das coisas

Na minha intervenção do con

gresso do PPD PSD um dos pontos que abordei de modo sumário foi a

daposição de Portugal em relação à

União Europeia Tinha nas minhas notas preparatórias uma frase que não cheguei a dizer e que se traduz mais ou menos nisto estamos sem

pre a discutir como é que saímos se à irlandesa se cautelosamente e de vemos tratar antes de como entra

mos É que vamos entrar num novo

ciclo nós e a União Europeia no seu

conjunto Nós Portugal pela saída da Troika e por conseguinte por começarmos uma nova fase da nos sa vida colectiva em que assumi mos de modo tão pleno quanto pos sível o exercício da nossa soberania

AUnião Europeia que tem eleições em todos os Estados membros ago ra em maio e que espera por elas para eleger os dirigentes e entrar na definição dos novos caminhos no meadamente os que respeitam ao

desenvolvimento da união mone

tária bem como da centralização dos sistemas de controlo orçamen tal e de supervisão bancária Quem tenha por hábito a generosidade de ler estes meus textos não terá estra

nhado as dúvidas que eu manifestei a propósito deste tema Quem nun ca me leu ou ouviu antes pode ter

mais do que aquilo que temos ou seja endividarmo nos também não podemos embarcar plenamente num processo de aprofundamento de uma União que em caso de crise grave nos trata como Estado inde pendente Ou seja enquanto parte subscritora quer do Tratado de Maastricht quer do Pacto de Esta bilidade e Crescimento aUnião Eu ropeia tinha e tem sempre de acom panhar as contas dos seus Estados membros Mas se um Estado mem

bro entra na erupção financeira muito mais previsível do que a de um vulcão aí o problema é do Esta

achado estranho Mas na verdade entendo que temos de nos precaver

do e os outros não têm nenhuma

cional nomeadamente alguma evolução de um género que não é

bilizam para emprestar dinheiro

bem para qualquer situação excep nada estranho a este Velho Conti

nente que leve a alguma desagrega

ção da União Situações de guerra

em vez de paz são com certeza ex tremas Mas não é preciso irmos até aí Divergência séria no sistema mo

netário eclosão de crise grave num país com peso como por exemplo a

França podem levar ao desmem bramento da zona euro E pouco provável Seja Mas os estados so beranos têm de prever sempre to das as situações E tal como dizemos que não podemos outra vez gastar

responsabilidade na dívida São so

lidários no modo como se disponi

com uma taxa dejuro amigável Mas a questão que eu levantei no con

gresso e quejá tinha tratado antes nomeadamente aqui é que as au toridades europeias têm também responsabilidade moral e política no estado a que isto chegou em 2011 Por isso mesmo é que afirmei que uma parte da nossa dívida devia ser

assumida pela União Europeia Se

havia uma moeda única se havia um banco central europeu se havia mecanismos de controlo e até de al

guma regulação financeira da par

te de Bruxelas então como é que a responsabilidade é só de um Esta do membro que entra em bai lout

2 A questão é pois saber se nos vamos entregar outra vez nos bra ços da bela Europa A Europa é se dutora é culta é poderosa mas será de confiarplenamente Não por ela mas pelas circunstâncias da vida E uma tentação forte qualquer país aderir ao espaço comum onde estão capitais como Paris Londres Ber lim Roma Madrid Lisboa isto a

propósito da Ucrânia e de outros

países de paragens distantes que so nham em fazer parte deste projeto

fantástico É inteiramente com preensível Entre a opressão vinda das estepes russas e o glamour da ribalta e da dolce vita da União

Europeia a opção não deve ser difí

cil Nós já tivemos esse sonho mas o sonho às tantas virou pesadelo

Sem dúvida que era quase impos sível principalmente com a entra da da Espanha para a moeda única

que nós tivéssemos ficado de fora Mas eu não digo que a culpa tenha sido de Portugal Para mim a ques tão está no modelo a uma só velo

cidade da concepção inicial e glo

bal

Devemos caminhar para a união

financeira e para a união orçamen tal e para a união fiscal Pois

Federalismo com uma só língua e com vontade de ter forças arma das comuns é uma coisa Agora a moeda imitir ou cunhar moeda sempre foi um atributo da sobera nia Elaborar e aprovar a lei de

meios ou a lei orçamental em cer

ta medida também Passamos tudo

isso para Bruxelas E se não corre

bem

Tudo isto e muito mais tem de

ser agora debatido nas eleições eu

ropeias em Portugal e nos outros Estados membros O que está em

cima da mesa para decidir nos pró ximos tempos Neste espaço euro

peu é muito muito relevante Por isso mesmo cada vez mais não é in

diferente quem se escolhe Por isso mesmo cada vez menos a política pode ser feita por quem não conhe ça por quem não estude por quem não aprofunde por quem não leve a sério as questões fundamentais do nosso tempo Advogado Assina esta coluna semanalmente

à quinta feira Este artigo de opinião foi escrito em conformidade com o novo Acordo

Ortográfico

Psl jn 27 02 2014  
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