Page 1

COMUNICAÇÕES PROVÍNCIA FRANCISCANA DA IMACULADA CONCEIÇÃO DO BRASIL SETEMBRO 2013 • ANO LXI • Nº 09

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

Profissão solene de FREI DOUGLAS E FREI VALDECI

OBRIGADO, BENFEITORES!

377


SUMÁRIO ________________________________________

MENSAGEM DO MINISTRO PROVINCIAL - “... Não era pouco o que entendia das Sagras Escrituras”.......................................................................................................................................379 FORMAÇÃO PERMANENTE - “O Caminhante e a Trilha”, de Frei Elói Dionísio Piva................................................................................................................................................382 - “Uma fé misericordiosa”, de Frei Ludovico Garmus...........................................................................................................................................384 FORMAÇÃO E ESTUDOS - Profissão Solene de Frei Douglas Machado e Frei Valdeci B.de Moura.................................................................................................................386 - Notícias do Seminário São Francisco de Assis....................................................................................................................................................................391 - Seminário Frei Galvão: sucesso na 1ª Festa Caipira............................................................................................................................................392 - 30 anos de Rondinha: Exultantes de alegria.......................................................................................................................................................................393 - Começa novo Curso de extensão no ITF.......................................................................................................................................................................395 - FAE sedia encontro da Associação Nacional de Educação Católica no Brasil...........................................................................................................396 SAV - Missões nas escolas de Agudos...............................................................................................................................................................................397 - RJ: Na Assunção de Maria, vocacionados meditam sobre a vida consagrada............................................................................................................398 - SP: Vocacionados de São Paulo se reúnem para refletir sobre vocação.............................................................................................................399 FRATERNIDADES - Artigo de Frei Luiz Iakovacz: “O Mês da Bíblia”........................................................................................................................................................400 - Assinado projeto de restauro do Convento de São Sebastião.........................................................................................................................401 - Vila Velha: A Porciúncula da Penha.............................................................................................................................................................................402 - Vila Velha: Semana Nacional da Família...........................................................................................................................................................................402 - Frei Tatá cria a “horta vertical”.....................................................................................................................................................................................404 - Encontro do Regional de Agudos.....................................................................................................................................................................405 - Frei Gregório reflete sobre a opção do irmão leigo..................................................................................................................................................405 - Comunidade de Pirapitingui celebra Santa Clara.............................................................................................................................................406 EVANGELIZAÇÃO - Paróquias-Santuários: Por um rosto franciscano........................................................................................................................................................407 - Bispos eméritos pedem por Igreja servidora e pobre......................................................................................................................................................408 - Frei Sandro faz síntese do Documento “Pacto das Catacumbas”.....................................................................................................................410 - “O Pacto das Catacumbas”.......................................................................................................................................................................................411 - Frente da Comunicação se reúne na USF....................................................................................................................................................................412 - Benfeitores do PVF se encontram em Agudos...................................................................................................................................................................413

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

FIMDA - Festa de Santa Clara em Kibala......................................................................................................................................................................................416 - A Capela do Postulantado em ritmo acelerado..............................................................................................................................................417

378

OFS - Denize Marum é reeleita Ministra Regional - Sudeste III.............................................................................................................................418 FALECIMENTO - Frei José Luiz Prim falece em Blumenau.......................................................................................................................................................................419 - Despedida de Frei José em Blumenau...............................................................................................................................................................422 - Homilia de Frei Gustavo Medella no sepultamento de Frei José....................................................................................................................423 AGENDA................................................................................................................................................424

PROVÍNCIA FRANCISCANA DA IMACULADA CONCEIÇÃO DO BRASIL Rua Borges Lagoa, 1209 - 04038-033 | Caixa Postal 57.073 - 04089-970 | São Paulo - SP www.franciscanos.org.br | ofmimac@franciscanos.org.br


MENSAGEM ________________________________________

“... NÃO ERA POUCO O QUE ENTENDIA DAS SAGRADAS ESCRITURAS” CARÍSSIMOS IRMÃOS E IRMÃS, Paz e Bem! A Igreja Católica do Brasil, desde 1971, dedica o mês de setembro à Bíblia Sagrada. Esta dedicatória se une à comemoração do Dia da Bíblia que, desde 1947, se celebra no último domingo de setembro, sempre próxima à memória de São Jerônimo (340-420), presbítero, doutor da Igreja e apaixonado tradutor da Sagrada Escritura. Assim, nesta carta mensal de setembro, em comunhão com a Igreja, quero considerar e evidenciar a Palavra de Deus e oferecer a você uma reflexão simples, fraterna e franciscana. Toda a Igreja, em diferentes celebrações, particularmente nas entronizações litúrgicas da Bíblia Sagrada, recorda um belíssimo versículo do longo salmo sapiencial que tece elogios à lei divina: “Tua palavra é uma lâmpada para meus passos, luz para o meu caminho” (Sl 119,105). O mesmo Salmo, com afirmações variadas, retrata a importância da Palavra de Deus na vida da criatura humana ao longo da história da salvação. Vejamos algumas expressões significativas deste Salmo: felizes os que seguem a tua lei; no meu coração conservo a tua palavra; não esquecerei tua palavra; deixa-me viver na observância de tua palavra; reanima-me, segundo tua palavra; porque confio em tua palavra; jamais me tires da boca a palavra da verdade; trataste teu servo com bondade, segundo tua palavra; espero em tua palavra; eterna, Senhor, é tua palavra; evitei todas as veredas do mal para guardar tua palavra; firma meus passos com tua palavra; tua palavra é

inteiramente aprovada; antecipo-me à aurora, esperando tua palavra; meus olhos antecipam as vigílias, meditando em tua palavra; o princípio de tua palavra é a verdade... Este olhar contemplativo do homem orante e centrado na Palavra de Deus, que encontramos no Antigo Testamento, chega ao seu ponto culminante quando, no prólogo do quarto Evangelho, o evangelista São João anuncia: “No princípio era a Palavra e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus... Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens... E a Palavra se fez carne e armou tenda entre nós...” (Jo 1, 1ss). Esta mesma Palavra encarnada, Princípio e Plenitude, Espírito e Vida, Luz e Verdade, não só encantou o coração de Francisco de Assis, como também encontrou nele ‘terra boa’ e possibilidade de fecundação. No vigor e nas inquietações próprias dos tempos de juventude, no desejo de encontrar respostas às suas interrogações existenciais e na vontade de concretizar seus sonhos, o filho de Pedro de Bernardone foi vislumbrando e desvendando gradativamente o mistério mais profundo de Deus que a ele se revelou na Palavra, mesmo se enigmática no início, como no sonho de Espoleto e no encontro com o Crucificado na Capela de São Damião: “O que é melhor, servir ao Senhor ou ao servo?... Volta para Assis, lá te será dito o que deves fazer” (cf. LTC 6); “Vai, Francisco, restaura a minha igreja” (cf. LTC 13). O mistério da Palavra, como na Anunciação do Senhor a Maria, também para Francisco necessitou de maturação no ‘Sim’ ousado. Tomás de Celano escreve: “Leu-se, naquela igreja, a página do Evangelho que conta como o Senhor enviou seus discípulos para pregar...”(1Cel 22). Francisco, qual Maria

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

(2CEL 102)

379


COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

MENSAGEM ________________________________________

380

Santíssima, ou também qual novo salmista, profundamente consciente de que esta Palavra é “lâmpada para os seus passos e luz para seu caminho”, exclama: “É isso que eu quero, isso que procuro, é isso que desejo fazer de todo o coração”. E o biógrafo do Santo de Assis conclui: “(Francisco) não era surdo ao Evangelho, antes guardava tudo louvavelmente de memória e tratava de executá-lo à risca” (1Cel 22). Anos mais tarde, o mesmo Tomás de Celano, encarregado pelo Ministro Geral Frei Crescêncio de Iesi de escrever a Segunda Vida de São Francisco, dedica um capítulo à extraordinária compreensão que o Poverello de Assis teve das Sagradas Escrituras e do valor de suas palavras, quando afirma: “Embora não tenha tido nenhum estudo, o santo aprendeu a sabedoria do alto, que vem de Deus. E iluminado pelos fulgores da luz eterna, não era pouco o que entendia das Sagradas Escrituras...” (cf. 2 Cel 102). Já São Boaventura, ao afirmar que o Espírito do Senhor ungiu Francisco, fez com que a “sua palavra fosse um fogo ardente que penetrava até ao fundo dos corações e enchia de admiração a todos os ouvintes, pois não exibia as galas de uma eloquência mundana, mas apenas espalhava o bom odor de verdades reveladas por Deus” (LM 12,7). A admiração dos biógrafos de São Francisco pelo zelo que ele devotou à Palavra de Deus se fundamenta na vivência e na orientação que o próprio Francisco transmitiu à primitiva fraternidade minorítica. Com muita facilidade constatamos isso nos seus Escritos, todos fundamentados e alimentados pelo húmus da Palavra de Deus, a começar pela própria Regra: “A vida e a regra dos Frades Menores é esta: observar o Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo” (RB 1,1); “Guardemos a pobreza e a humildade e o Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo como firmemente prometemos” (RB 12, 40); “A letra mata, mas o espírito vivifica... São vivificados pelo espírito das Sagradas Escrituras aqueles que tratam de penetrar mais fundo em cada letra que conhecem...” (Adm 7,4); “Bem-aventurado o religioso que não sente prazer nem alegria senão nas santíssimas palavras e obras do senhor... ai do religioso que se deleita com palavras

ociosas...” (Adm 21); “Esta Palavra do Pai, tão digna e santa, o altíssimo Pai a enviou do céu, por seu arcanjo São Gabriel, ao seio da Santa Virgem Maria” (2CtFi 1,4); “E porque ‘aquele que é de Deus ouve as palavras de Deus’, devemos por isto, nós que mais especialmente estamos incumbidos do culto divino... e onde quer que encontrem palavras de Deus escritas, tratemnas com todo respeito possível... honrando o Senhor nas suas palavras que pronunciou” (CtOr 34-36); “O Altíssimo mesmo me revelou que eu devia viver segundo a forma do Santo Evangelho” (Test 4). Por isso, também, nos nossos dias, a documentação da Ordem é insistente ao exortar: “Os Ministros e Guardiães cuidem que se dê um lugar conveniente à leitura espiritual, até em comum, principalmente da Sagrada Escritura” (EEGG 11,1). Esta preocupação tem a ver com o princípio da nossa Regra e forma de vida: “Sendo a vida e a Regra dos Frades Menores a observância do Santo Evangelho, dedicam-se os irmãos à leitura e meditação do Santo Evangelho e demais Escrituras, para que, progredindo na compreensão da Palavra de Deus, alcancem mais plenamente a perfeição de seu estado” (CCGG 22,1). Recentemente, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, o nosso Ministro Geral, Frei Michael Anthony Perry, em Missa presidida na manhã do dia 27 de julho no Convento Santo Antônio do Rio de Janeiro, partindo do Evangelho da parábola do semeador, insistiu na importância da Palavra de Deus na nossa vida franciscana. Frei Michael recordou-se que Francisco de Assis também tinha dificuldade para escutar a Palavra de Deus porque outras vozes soavam ao seu lado ou dentro dele. E nos perguntou: “Com que frequência nós ouvimos a Palavra de Deus quando nos encontramos em dificuldades? Quantas vezes voltamos ao Senhor quando estamos em crise? Por que, às vezes, em vez de voltar ao Senhor para ouvir sua Palavra, buscamos respostas fora, fora de nós mesmos, fora dos irmãos que o Senhor nos deu, fora desta vida evangélica que recebemos? Procuramos respostas às perguntas e crises fora de Deus”. E ainda nos recordou que, em tempos de muitos ‘barulhos eletrônicos’, pouco espaço resta para escutar o outro; os rumores nos impedem de escutar a Palavra de Deus. E, finalmente, deixou-nos esta admoestação: “Para nós, Frades Menores e membros da Família Franciscana, esse é nosso caminho: escutar profundamente o Evangelho,


MENSAGEM ________________________________________

FREI FIDÊNCIO VANBOEMMEL, OFM MINISTRO PROVINCIAL

AGENDA DO MINISTRO SETEMBRO 01-07: São Paulo, Provincialado e cuidados médicos 08: Guaratinguetá, jubileu nas Irmãs Clarissas 09: Regional Rio de Janeiro - São João do Meriti 10-11: São Paulo - Reunião preparatória da assembleia da CFMB 12: Celebração no Cefran, SP 13: Capítulo Local e viagem a Petrópolis 13-14: Regional Baixada e Serra em Petrópolis 16-18: Rondinha - Assembleia da “Frente de Evangelização na Comunicação” 19-25: São Paulo, atendimento Provincialado 26: Reunião com a Comissão do Redimensionamento 29: Profissão Solene de Frei Alexandre Rohling, Ituporanga.

PRESENÇA DE FREI ESTÊVÃO NOS REGIONAIS 02-03: Curitibanos, SC 09: Gaspar, SC 23-24: Forquilhinha, SC 30: Vila Vellha - ES

DOIS LIVROS DE DEUS Frei Walter Hugo de Almeida A Criação, primeiro livro, a crer, Que o Criador doou à humanidade, É de Agostinho a tese, tal verdade, Depois doou a Bíblia pra entender... E à luz da Bíblia, vemos no mundo, Fatos e sinais, para entender tudo, Buscando ver sentido e conteúdo, No vaivém das coisas, bem no fundo... Toda a Palavra do Senhor é Luz, É só partir da Glória de Jesus, Pra entender a Criação, pela Bíblia. O Testamento Novo está no Velho, A chave pra entender é o Evangelho, À Luz do Espírito Divino, sempre.

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

escutar profundamente o nosso irmão e irmã, partilhar entre nós essa experiência de sentir Jesus. Coragem, coragem... Esperança, esperança... e que nós possamos condividir e partilhar o dom do Evangelho nesta vida franciscana entre os irmãos”. Escutar profundamente o Evangelho, isto é, a Palavra, foi também o apelo incisivo do Papa Francisco na JMJ. Escutar a Palavra é permanecer e viver em Cristo e isso “marca tudo o que somos e fazemos. É precisamente a ‘vida em Cristo’ que garante nossa eficácia apostólica e fecundidade do nosso serviço”, assegurou-nos o Papa Francisco em sua homilia na Catedral de São Sebastião, na manhã do dia 27 de julho de 2013. Na noite da grande vigília, o Papa insistiu: “Quando o nosso coração é terra boa que acolhe a Palavra de Deus... nós experimentamos algo maravilhoso: nunca estamos sozinhos, fazemos parte de uma grande família, somos partes da Igreja... realizamos o que fez São Francisco: reconstruir e reparar a Igreja...”. Oxalá, também, que cada um de nós possa dizer: “... Não era pouco o que entendia das Sagradas Escrituras” porque, por vocação evangélica e pregador penitencial, devo alimentar dentro de mim a mesma fé do salmista: “Tua palavra é uma lâmpada para meus passos, luz para o meu caminho”. Que o Senhor nos abençoe e nos guarde no seu amor!

381


FORMAÇÃO PERMANENTE ________________________________________

O CAMINHANTE E A TRILHA

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

CARO CONFRADE, Tenho o prazer de lhe fazer um convite. Confie! Venha comigo! Empreenderemos uma pequena viagem. Certamente será de seu agrado. Assim o desejo. Assim o espero. O itinerário que lhe proponho não é novo... Desinteresse?! Não! Pode parecer contraditório, mas, justamente ao relativizar a novidade, pretendo provocar sua curiosidade. É que no itinerário que lhe proponho, o que é antigo é sempre novo, o que é novo é antigo, o que é plural é também singular e o que é singular, único e pessoal, promove e possibilita encontro; e, quando assim age, pode ser expressão de amor. Este itinerário de viagem é o da fé. Itinerário embutido em trilhas de vida humana, em inúmeras histórias de amor! Tantas quantas forem as pessoas de fé! Mesmo restringindo-nos ao cristianismo ou ao catolicismo é um desafio para a memória individual ou coletiva sequer enumerá-las. Não menos numerosas e diferenciadas são também as apreciações a respeito destas trilhas e dos itinerários percorridos. Avaliações que se recriam na mesma proporção dos admiradores e/ou dos questionadores. Até controvérsias se estabelecem e agrupamentos sociais se formam a partir das observadas características de sendas de fé. É que o atributo de ricas e significativas não sinaliza somente um convite, cuja resposta poderia então ser opcional; assinala, sim, o decisivo, o fundamental, a luz na escuridão. Por isso, o interesse. Acredito que seja assim. Nesta linha, uma carta, inédita porquanto escrita a quatro mãos, foi-nos dirigida recentemente pelo Papa Francisco, intitulada Lumen Fidei. Ele e o Papa emérito Bento XIV falam do 382 que é comum à nossa tradição e do que lhes é pessoal e específico

de cada um, recordando, de maneira atual, o que gratuitamente recebemos e condividimos, e assinalando o que é próprio e pessoal, ou seja, o que só diz respeito a Você, a mim ou a quem quer que seja. E, assim como eles, outras pessoas manifestarão sua fé, explicitando-a de diferentes formas – como estamos fazendo aos leitores de Comunicações neste “Ano da fé”. Aceito o convite, percorrida até aqui a estrada, por gentileza, conte Você, a partir de agora, aos leitores de Comunicações o percurso que fizemos na trilha de vida de duas pessoas que tivemos a graça conhecer, aí descobrindo traços do itinerário da fé. – Então, ao iniciar a acenada viagem, oportunidade que se nos oferecia para observação e constatação de um caminho de fé, procuramos um acesso. Aceitamos uma imaginária carona do Google Earth – programa de mapeamento virtual de nossa casa comum, a “mãe Terra”. E, a partir de algum ponto imaginário nas alturas, aproximamos seu rosto e/ou achegamo-nos a ele. Achegamo-nos a um aglomerado urbano. Individuamos um prédio, desses prédios de conjunto populacional popular, de 7-8 andares, cujo acesso físico aos apartamentos só pode ser feito por uma escada de um metro de largura. Feito isso, agradecidos ao Google pela noção de distância e de aproximação que nos deu, bem como pela viagem imaginária que nos proporcionou, dele nos despedimos. Na verdade e no âmbito de liberdade, nós é que estabelecemos o direcionamento que o “Google”, sempre tomado como ficção, podia nos oferecer. Individuado o supracitado e anônimo prédio, a senha para chegar ao apartamento 605 tinha-nos sido oferecida pela informação de frágeis e limitativas condições de vida de um casal de


idade relativamente avançada (na casa dos 70 e 80). As frágeis e limitativas condições de vida são constituídas, principalmente, pela enfermidade que prende à cama e/ou que clama por muletas para um deles; que tolhe autonomia e torna nossos debilitados anfitriões dependentes de pessoas que os ajudem ou que carreguem a um deles escada-abaixo, escada-acima, em situações de emergência; que os faz depender do socorro de parentes, amigos e vizinhos para locomoção de carro ou para algumas outras necessidades. Nessas circunstâncias, o sonho da liberdade de ir e vir e de alterar semelhantes condições físicas se faz sumamente saudoso e desejável! Elas, as condições, são determinantes, e ele, o sonho, reina platonicamente! Mas, não haveria alguma trilha iluminada, perguntávamos nós a nós mesmos? Com certeza, queríamos acreditar. Podemos até imaginar que esta constatação e este comprometimento inerente à nossa visita sejam próprios dos discípulos de Jesus Cristo, porque, assim como Maria empreendeu uma viagem movida pela ajuda a prestar, apresentou-se diante da casa de Zacarias, cumprimentou Isabel e foi convidada a entrar, também nós empreendemos uma viagem em direção a periferias existenciais, como se exprime o Papa Francisco, batemos à porta do “apertamento” 605, soamos a campainha, e fomos generosamente acolhidos por seu Raimundo dos Santos e Dona Conceição Aparecida, ou, simplesmente, por Raimundo e Conceição. Olhos nos olhos, saudações, conversa vai, conversa vem, agradecimentos e pedidos a Deus, ao Deus de Jesus Cristo, “amante” da vida e de cada ser humano e, por isso, em Jesus Cristo, crucificado. Seu sacramento de entrega ou de amor, sobremaneiramente sinalizado no “Pão da vida”, partilhamos em cada visita. Depois do primeiro encontro, outros se seguiram, também com outras pessoas. E, sempre fomos agraciados com a mesma renovada e afável acolhida, com simplicidade e alegria; mas também com a fala do medo e da coragem, da dúvida e da fé, da clara consciência da “prisão e da janela” que aquelas concretas circunstâncias impõem e possibilitam. Refazer o caminho do prédio, apertar o botão do “apertamento”, esperar autorização, subir as escadas, aguardar a porta se abrir, cumprimentar, entrar, ir até o acamado significou permitir que aquele caminho humano e de fé daquelas pessoas nos interpelasse, nos instruísse e nos encantasse. Ao visitá-los fomos nós mesmos agraciados, porque também fomos visitados e por uma visita que nos liberta e salva, porque nos oferece algo que vem de Deus. Significou também para Raimundo e Conceição a possibilidade de intuírem que nosso caminho também é singular, de agradecerem a Deus e de perceberem que seus fardos tornaram-se um pouco mais leves. – Fale-me um pouco mais do Raimundo e da Conceição, pede Você. – Sim, respondo. Raimundo, 74, há mais de ano, tinha ficado preso à cama por uma artrose generalizada; agora já perambula pelo “apertamento” com andador; e, há pouco, fez o primeiro ensaio bem-sucedido de descer as escadas, embora amparado. Lentamente progride em sua melhora física. A “cabeça”, ótima: guarda bela e carinhosa recordação dos filhos e amigos de trabalho, continua inveterado e entusiasta flamenguista e, na conversa, sempre encontra uma palavra-alternativa, alguma

expressão que atesta seu bom humor e movimenta a conversa. Conceição, 77, foi doméstica durante muitos anos, e catequista; foi e continua sendo exímia doceira; ela é quem exerce a função, digamos, de ministra das “relações exteriores” para seu marido Raimundo. Bem, diante dessas circunstâncias, aqui tão somente esboçadas, Você talvez imagine que ela, a Conceição, poderia ser uma pessoa abatida, desalentada, cansada da vida, descontentemente inconformada. Nada mais equivocado, porém. Ela é quem vai às farmácias, aos médicos, aos mercados; é ela quem corre em busca de uma cama mais adequada para o marido ou de outras melhorias; é ela quem se ocupa e se preocupa com seus 5 filhos, noras e cunhados, netas e netos; é ela quem prepara a comida, lava a roupa, cuida da casa; e tudo isso, não com uma saúde de ferro, mas apesar de recorrentes câimbras e de ter que andar meio torta, portanto, com dificuldades! A conclusão que então se descola é que ela é uma guerreira, porque, apesar de tudo, anda sempre disposta e cheia de iniciativa; participa, assim que pode, de celebrações litúrgicas; admira e gosta de canto-coral; nos finais de semana ainda arma uma barraquinha de doces, na rua, ocasião em que alguns rapazes, homens e mulheres estão sempre por perto, conversando, animando, dispostos e prontos a ajudá-la em decorrência da simpatia dela, de sua luta, de sua amizade e de seu benquerer a todos, em suma, de sua contagiante alegria e disposição. Os filhos, as filhas e os familiares, de condições econômicas e de saúde também visivelmente limitadas, sempre a visitam, atentos ao que podem fazer por seus pais, avós, sogros; um dos filhos mora fora do país, mas o coração de mãe e pai torna-o sempre presente. Desejam, porém, vê-lo pessoalmente mais uma vez antes de morrer ou, vê-lo “e depois morrer”, como afirmaram certa ocasião, lembrando Simeão! Então, o que se passa em nossa cabeça é que tudo isto só pode ser resultado de uma íntima resposta de amor e, portanto, de fé a quem amou primeiro e é fiel em seu amor. Observamos ainda que a positividade diante dos limites de vida, a dedicação, a iniciativa, a bondade e a religiosidade estão em contraposição à paciência (ciência do padecimento) ao fazer as contas com o dinheiro contado e a situação de quase imobilidade. Estas indicações são, pois, estrelas que os distingue. Por isso, por ocasião de uma de nossas visitas, perguntamos: Conceição, como seria pra senhora uma pessoa de fé? Que imagem a senhora faz de uma pessoa de fé? “Ouça” o que ela respondeu, depois de pensar um pouco: “Uma pessoa de fé é uma pessoa ‘que se entrega totalmente’, que se lança, que confia plenamente. É como se tivesse dentro dela uma fonte de energia e de consolo; mas, muitas vezes, falando por mim, não é fácil manter o pique – advertiu. Não se tem fé segura de uma vez por todas. Muitas vezes sinto vontade de gritar, de interpelar, de xingar. Mas depois passa”. E complementou: “Eu sei em quem acredito, sei que Ele está ali, que ele está aqui, que se encontra à minha frente. Ele também sabe”. Tivemos, então, certeza: ela falava de sua experiência pessoal. E, perguntamo-nos: não seria este que suscita tamanha confiança o Deus de Jesus

CONTINUA

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

FORMAÇÃO PERMANENTE ________________________________________

383


COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

FORMAÇÃO PERMANENTE ________________________________________

384

Cristo, testemunhado e transmitido pela comunidade de fé cristã, pelos cristãos também individualmente considerados?! Depois, percorrendo nossa trilha pessoal, considerávamos entre nós, se a Fé não seria como uma forte luz que ilumina as trevas da estrada, uma feliz e operosa esperança que rasga a trilha da vida e que faz com que o percurso pessoal e comunitário seja gratificante. Acreditamos que pessoas de fé são semelhantes a Raimundo e Conceição, independentemente das condições sociais, pois sabem em quem confiam, a quem se entregam de maneira plena e total; são operosas, constroem e testemunham o Reino de Deus, pois se entregam operosamente aos desígnios de Deus; são amantes da vida, propositivas, amigas; são corajosas, perseverantes; admiradoras e respeitadoras de todas as pessoas; amáveis e, não obstante, trazendo em seu corpo e em sua alma marcas do Crucificado; experienciam, de alguma forma, que Deus veio e vem amorosamente a seu encontro em Jesus Cristo e, por isso, creem; lembram, assim os primeiros discípulos, que foram ao deserto em busca do Messias, e que pelo assombro inusitado que a pessoa de Jesus despertava neles, acolheram o dom da fé e vieram a ser discípulos de Jesus (cf. DAp 21), lembrando também São Paulo que assim exprime sua experiência de vida: “Ele me amou e por mim se entregou” (Gl 2,20) – sou, então, por sua graça, uma nova criatura! E, agora, caro confrade, amigo leitor, amiga leitora: certamente, Você não viu a fé andando por aí. Mas, com certeza, Você conhece muitos outros Raimundos e muitas outras Conceições, “conjugados” ou não. Você, certamente, conhece muitos deles em circunstâncias bem ou completamente diferentes daquelas dos moradores de nosso “apertamento” 605. Sim, concordo: a variedade de conjunturas pouco importa. Em diferentes situações, pessoas como Raimundo e Conceição são estrelas no universo da fé! São como flores pequeninas, despercebidas talvez, mas igualmente maravilhosas. E não são poucas! Por acaso, elas não lhe são motivo de admiração e louvor? Uma vez que transpõem montanhas, atravessam rios, ultrapassam névoas escuras, não iluminam tua própria trilha de vida e todas as trilhas? Diriam, certamente, teólogos e místicos: sua vida está escondida em Deus, mas sua manifestação se deixa ver para quem tem olhos para ver; trazem Deus à superfície de suas obras, à superfície da encarnação. Quem ama vê; quem vê admira, quem admira se comove e age de acordo com os desígnios de Deus. Fazendo um balanço, manifestamos esta esperança: Quem sabe o esboço desta singular viagem seguindo, na trilha da vida, o itinerário de fé de Raimundo e de Conceição não te ajude a recordar as viagens que Você fez seguindo pessoas de fé! Quem sabe não te ajude a desejar mais itinerários de fé em trilhas de vida e, principalmente, a continuar em sua trilha de vida seu itinerário de fé... O caminhante sou eu, é Você, somos nós; a trilha é a do Amor que suscita o itinerário da fé. FREI ELÓI DIONÍSIO PIVA

UMA FÉ

MISERICORDIOSA O Papa Francisco, em sua fala aos bispos e cardeais, reunidos no Rio de Janeiro para a Jornada Mundial da Juventude, pedia que largassem posturas principescas e se colocassem junto do povo pobre das periferias de nossas cidades. Ainda como Arcebispo de Buenos Aires, ele mesmo, se dirigia aos bairros pobres para atender aos mais necessitados e pedia o mesmo dos seus sacerdotes. O pastor tem que ter o cheiro das ovelhas, diz o Papa. Um dos primeiros gestos do seu pontificado, que até causou escândalo em certos setores católicos, foi o lava-pés da Quinta-feira Santa feito numa prisão, incluindo entre os ‘apóstolos’ duas mulheres, uma delas muçulmana. Outro gesto significativo foi sua primeira visita pastoral fora de Roma aos imigrantes e refugiados do Norte da África, na ilha de Lampedusa. Na primeira Carta Encíclica do Sumo Pontífice Francisco, Lumen Fidei, sobre a fé (n. 29-31), o Papa fala da fé como escuta e visão. Deus estabelece uma relação de amor com o ser humano pela Palavra e esta se relaciona com a escuta, como lembra Paulo: “A fé vem da escuta” (Rm 10,17). No Antigo Testamento, porém, a escuta da Palavra está ligada ao “desejo de ver o seu rosto”. O evangelho de João é o que melhor estabelece a relação entre o ver e o ouvir, “como órgãos do conhecimento da fé”. A escuta da fé, como lembra o Papa, é “a forma de conhecimento própria do amor”. As ovelhas se acostumam a escutar a voz do seu pastor, por isso, pela sua voz o reconhecem (cf. Jo 10,3-5) e o seguem. A escuta tem como consequência o seguimento. Assim aconteceu com os dois primeiros discípulos de Jesus que, ouvindo João Batista dizer: “Eis o Cordeiro de Deus”, imediatamente o seguiram (Jo 1,37). A fé também está ligada à visão, como acontece com os judeus que, depois da ressurreição de Lázaro, “ao verem o que Jesus fez, creram nele” (Jo 11,45). Em Jo 12,44-45, acrescenta o Papa, o acreditar e o ver se cruzam: “Quem crê em mim (...) crê naquele que me enviou; e quem vê a mim, vê aquele que me enviou”. João evangelista, na manhã da Páscoa, entrando no túmulo vazio, “viu e creu” que Jesus havia ressuscitado. Maria Madalena ouviu Jesus perguntando: “Mulher, por que choras? A quem procuras?” Mas só reconheceu que era Jesus quando ouviu sua voz, chamando-a pelo nome: “Maria” (Jo 20,11-18). Nestes exemplos bíblicos, citados pelo Papa Francisco, percebe-se que a fé surge do encontro entre quem procura a Cristo e do Cristo que se deixa encontrar por quem o procura. No buscar a Deus e no “deixar-se surpreender por Deus”, na expressão do Papa ao falar aos jovens na Jornada Mundial


FORMAÇÃO PERMANENTE ________________________________________

1

2

Recomendação de ir às periferias: “Por isso, gosto de dizer que a posição do discípulo missionário não é uma posição de centro, mas de periferias..., incluindo as da eternidade no encontro com Jesus Cristo (...) O discípulo missionário é um descentrado: o centro é Jesus Cristo, que convoca e envia. O discípulo é enviado para as periferias”.

3 4 5

A proximidade e o encontro: “... encontro com Jesus Cristo, encontro com os irmãos”. A homilia: “Uma pedra de toque para aferir a profundidade e a capacidade do encontro de uma pastoral é a homilia. Como são as nossas homilias?” Na lista de qualidades de um bom bispo (e também pastor), como primeira qualidade, o Papa Francisco coloca: “grande mansidão: (ser) pacientes e misericordiosos”. Para concluir, lembro um fato exemplar durante a visita do Papa Francisco a uma favela do Rio, contado pelo Frei José Alamiro. O Papa desejava visitar uma prisão. Como no planejamento não pôde ser incluída tal visita, a pastoral carcerária da Arquidiocese do Rio escolheu alguns jovens encarcerados para virem ao encontro do Papa. Entre eles havia uma jovem de 18 anos, a Natália, presa por tráfico de drogas. Por sinal, é paroquiana nossa, da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Paty do Alferes (RJ). Foi ela a escolhida para falar ao Papa em nome dos outros presos. Declamou uma poesia ao Papa e num pôster com seu retrato recebeu uma dedicatória, bem pessoal, além de um carinhoso beijo. Eis um exemplo concreto do pastor que vai às periferias da existência humana: Natália era uma dessas pessoas excluídas pela nossa sociedade; quando nasceu, foi rejeitada pela própria mãe, abandonada no cemitério e, agora, presa por envolvimento nas drogas. O bom pastor deixa as 99 ovelhas que estão bem e vai resgatar aquela desgarrada, “perdida e machucada”. Para Deus nada está perdido, nenhuma pessoa humana é descartável e irrecuperável. FREI LUDOVICO GARMUS

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

da Juventude. Continuando a reflexão do Papa Francisco, poderíamos lembrar a parábola do bom samaritano. Vemos isso na parábola do bom samaritano contada por Jesus. O sacerdote e o levita, foram procurar a Deus, através dos serviços que prestavam no templo de Jerusalém. Eram homens de fé, sem dúvida. Mas tiveram um encontro pessoal com Deus? Parece que não, porque foram incapazes de ligar a fé com a vida prática. No homem caído à beira da estrada não viram o próximo, nem se aproximaram dele para socorrê-lo. O samaritano, porém, mesmo preocupado com seus negócios, foi capaz de ver o homem caído, aproximou-se dele e o socorreu. Viu o próximo quando dele se aproximou (Lc 10,36), quando teve misericórdia dele. Misericórdia, compaixão, é o que nos pede Tiago: “A religião pura e imaculada diante de Deus e Pai é esta, assistir os órfãos e as viúvas em suas aflições e conservar-se sem mancha neste mundo” (Tg 1,27). E acrescenta: “Mostra-me a tua fé sem obras, e eu te mostrarei a fé por minhas obras” (2,18). Ir para as periferias envolve não só um deslocamento físico, mas inclui a capacidade de aproximar-se das pessoas, de ver o sofrimento dos mais pobres e ouvi-los. Tal atitude, sem dúvida, vai transformar nossa fé em práticas concretas de amor e misericórdia. No último dia de sua visita ao Brasil, falando aos bispos responsáveis do CELAM (2011-2015), o Papa Francisco fez um exame de consciência à luz dos princípios pastorais, delineados no Documento de Aparecida. Entre a dezena de questionamentos feitos na ocasião, destaco uma pergunta, válida para todos os pastores: “Promovemos espaços e ocasiões para manifestar a misericórdia de Deus?” Em seguida, traça algumas linhas mestras, tiradas das orientações de Aparecida, para que isso aconteça: Um paradigma para o discípulo missionário é “o encontro com o Mestre (que nos unge discípulos) e o encontro com os homens que esperam o anúncio”.

385


COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

FORMAÇÃO E ESTUDOS ________________________________________

386

PROFISSÃO SOLENE DE

FREI DOUGLAS E FREI VALDECI


FORMAÇÃO E ESTUDOS ________________________________________

Depois de anos de formação na vida religiosa, é comum as profissões religiosas e ordenações se tornarem momentos carregados de emoção para os professandos e ordenandos. Mas no sábado (10/8), na celebração da Profissão Solene de Frei Valdeci Bento de Moura e Frei Douglas Paulo Machado, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Petrópolis (RJ), às 10 horas, a emoção ficou por conta do presidente, o Ministro Provincial Frei Fidêncio Vanboemmel, que fez um desabafo no meio da homilia ao confessar o quanto dói, na função de Ministro Provincial, ter que ouvir de um confrade que perdeu o encanto para a vida religiosa e que “foi bom enquanto durou”! A partir do lema escolhido por Frei Douglas e Frei Valdeci, “grandes coisas prometemos a Deus; mas muito maiores, Deus nos prometeu”, um texto do “Fioretti” de São Francisco de Assis, o Ministro Provincial desenvolveu a sua homilia com base nas pequenas e grandes promessas que fazemos permanentemente a Deus, à Igreja, à comunidade religiosa e à comunidade cristã. Frei Fidêncio lembrou que, no início de julho, o Papa Francisco se encontrou em Roma com seminaristas, jovens religiosos (as) e sacerdotes, quando disse que somos vítimas da cultura do provisório. “E como podemos nos libertar dessa cultura, perguntou o Papa àquelas jovens vocações. Pois bem, hoje nós dizemos a Deus: prometo viver todo o tempo da minha vida... Tudo isso ressoa diante dessa cultura do provisório e, muitas vezes, na nossa vida religiosa prometida, assim como na vida conjugal, ouvimos por aí: ‘Foi bom enquanto durou!’. Isso

dói muito quando a gente, que exerce a função de Ministro Provincial, ouve da boca de um confrade nosso: ‘Foi bom, mas não dá mais!’”, desabafou o Ministro Provincial, dando uma pausa para se recuperar da voz embargada. Segundo o Ministro, é muito difícil ouvir frades que acabaram de professar,

há um ano ou dois apenas, dizerem: “Foi bom enquanto durou, a alegria sumiu. O prazer de viver esse projeto de Nosso Senhor Jesus Cristo não está mais presente no meu coração!”, lamentou, afirmando: “Portanto, a primeira promessa que nós fazemos a Deus, o ponto de partida - prometo viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo - não deve ficar esquecida”, disse. Segundo Frei Fidêncio, quando não há interiorização do Evangelho,

quando essa Palavra desaparece na vida, perde-se o encanto para todos os demais valores da vida religiosa. “Frei Douglas e Frei Valdeci, é grande a responsabilidade que vocês estão assumindo nesta manhã diante de todos nós, sobretudo diante de Deus. Prometo, faço voto, grandes coisas prometemos! E como nós prometemos a Deus, diz o livro do Eclesiastes, não devemos jamais nos desvencilharmos daquilo que prometemos. Ou ainda como diz o Eclesiastes, é melhor não prometer do que prometer e não cumprir”, admoestou. “Meus caros confrades, Frei Douglas e Frei Valdeci, eu creio que o pedido que acabaram de fazer foi um pedido amadurecido no coração de vocês. Uma grande decisão amadureceram no coração. É muito interessante que hoje, na Primeira Leitura, tirada da segunda Carta de São Paulo aos Coríntios, Paulo fala de uma coleta que ele organizou em favor dos cristãos pobres de Jerusalém e, a certa altura, ele diz: ‘Deem a cada um conforme o que estiver decidido em seu coração’. Sim, na Bíblia, coração é sempre o lugar das grandes decisões”, observou, frisando: “E vocês, caros irmãos, vão dizer hoje a partir do próprio coração, na fórmula da profissão: entrego-me, pois, de todo coração, a esta Fraternidade. Vocês estão dando, como diz São Paulo, aquilo que vocês decidiram no seu coração. Uma entrega à Fraternidade que, mesmo com os seus limites, ajudou-os a amadurecerem esta decisão. Uma fraternidade que será sempre o lugar concreto, o lugar visível, o lugar salvífico, onde vão viver por todo o tempo de sua vida esta vocação cristã, vocação franciscana, missão cristã e missão evangelizadora”. Segundo Frei Fidêncio, a decisão do coração é sempre importante porque 387 COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

MOACIR BEGGO


FORMAÇÃO E ESTUDOS ________________________________________

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

Frei Douglas recita a fórmula da Profissão

388

é o espaço para se cultivar a semente. “Nós ouvimos hoje do Evangelho Jesus dizendo: ‘Se essa semente não morre, ela não vai produzir frutos’. Eu creio que esta experiência de morte, nós, na vida religiosa, fazemos quando dizemos a Deus: quero viver na pobreza, quero viver na castidade (pureza de coração), quero viver na obediência, quero viver em fraternidade, quero viver no espírito de minoridade, quero viver a vida evangelizadora. E ali vamos fazer, dia após dia, esta experiência da morte da semente, para que a graça de Deus possa crescer, florescer e frutificar em todos nós. Frei Valdeci e Frei Douglas, oxalá que a promessa que vocês fazem hoje a Deus possa ser também uma promessa para louvor e a glória de Deus Pai” Na celebração, Frei Fidêncio saudou Frei Giancarlo Lati, da Província de Assis e Ecônomo da Ordem dos Frades Menores, que participou de um encontro da Conferência dos Frades Menores do Brasil: “É uma alegria muito grande tê-lo presente também na celebração!”. O Ministro Provincial também lembrou da ligação profunda na história vocacional da Província Franciscana da Imaculada Conceição com o Convento e Igreja do Sagrado. “Quantas profissões já se realizaram nesta igreja, nesta comunidade, nesta fraternidade?”,

observou Frei Fidêncio, que presidiu a celebração do lado do Guardião Frei César Küllkamp e do Defi nidor Frei Evaristo Spengler. RITO DA PROFISSÃO A família de Frei Valdeci, de Monte Alegre (MG), esteve presente na celebração e, representando os pais de Frei Douglas, veio de Santa Catarina o Pe. Kevin, que foi seu colega de turma no início da formação no Seminário de Nossa Senhora de Lourdes, em Brusque

Frei Valdeci recita a fórmula da Profissão

(SC). Após a leitura do Evangelho, teve início o rito, quando o mestre de formação da Teologia, Frei Marcos Antônio Andrade, apresentou os professandos ao Ministro Provincial. Eles foram chamados pelo nome e fizeram o pedido de admissão à Ordem dos Frades Menores. Depois da homilia, os professandos se aproximaram do Ministro Provincial e foram interrogados sobre a preparação para se consagrarem a Deus segundo a forma de vida dos Frades Menores. Então, eles se prostraram ao chão num gesto de entrega e despojamento enquanto foi cantada a Ladainha de Todos os Santos. Terminada a prece litânica, cada um dos candidatos se aproximou do Ministro, colocando as mãos entre as mãos do Ministro Provincial para ler a fórmula da profissão. Ajoelhados, os neoprofessos receberam a bênção de Deus e foram abraçados por seus confrades e familiares num gesto fraterno de acolhida à Fraternidade. Depois da comunhão, Frei Douglas fez os agradecimentos finais e, em seguida, todos se confraternizaram no almoço, que teve a presença sempre fraterna do Bispo Diocesano de Petrópolis, D. Gregório Paixão, OSB.


FORMAÇÃO E ESTUDOS ________________________________________

Hoje, na festa de São Lourenço Mártir, quero saudar a todos os confrades presentes, em particular Frei Giancarlo Lati, frade da Província de Assis e atualmente Ecônomo Geral da Ordem que se faz presente nesta celebração, Pe. Kelvin da Arquidiocese de Florianópolis, familiares de Frei Valdeci, religiosas e todas as pessoas que vieram participar desta celebração da Profissão Solene. É uma alegria podermos estar neste Convento e nesta Igreja do Sagrado Coração de Jesus onde, historicamente, a nossa Província Franciscana da Imaculada Conceição já celebrou tantas profissões e ordenações. Sim, hoje nos reunimos com alegria para a Profissão Solene de vocês, caros Frei Douglas e Frei Valdeci. Vocês escolheram como lema da Profissão Solene um versículo do livro “I Fioretti” de São Francisco de Assis: “Grandes coisas prometemos a Deus; mas muito maiores, Deus nos prometeu”. Caríssimos irmãos e irmãs, a nossa vida cristã se move por pequenas e grandes promessas que fazemos permanentemente a Deus, à Igreja, à comunidade religiosa e à comunidade cristã. São promessas significativas que marcaram a nossa vida, como por exemplo, a promessa do batismo, a promessa no dia da crisma, a promessa sacramental que nós fizemos no dia da Primeira Comunhão, promessa de vida eucarística que nós reavivamos em todas as celebrações eucarísticas. Da mesma forma, na iniciação à vida religiosa, nos movemos através das promessas. Quando vocês, Frei Valdeci e Frei Douglas, decidiram entrar na vida religiosa, vocês vieram com uma motivação muito grande que nasceu de um chamado divino. Este chamado de Deus foi aquecido no coração de vocês mediante promessas silenciosas de viver este sonho, este ideal de vida franciscana. Assim também pequenas ou grandes promessas vocês fizeram nas etapas de formação, particularmente no postulantado, no ano da provação do noviciado – fui o mestre dos dois! -, e no tempo da profissão temporária, seja em Rondinha ou aqui em Petrópolis. Portanto, a promessa que vocês fizeram na Primeira Profissão religiosa, ao término do Noviciado, e as promessas que vocês renovaram ano após ano, os levam hoje a fazer a GRANDE promessa a Deus: “Grandes coisas prometemos a Deus; mas muito maiores, Deus nos prometeu”. Daqui a pouco vocês estarão ajoelhados, e com as mãos postas entre as minhas pobres mãos, irão proclamar: Prometo a Deus, prometo a esta fraternidade, prometo a esta Igreja de Deus, prometo observar “por todo tempo da minha vida” o Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. E esta é uma promessa extremamente grandiosa pela qual vocês se comprometem viver, por todo o tempo de suas vidas, a “observar o Evangelho de Nosso

Senhor Jesus Cristo”, do jeito como São Francisco de Assis viveu a sua radicalidade evangélica. Vocês vão prometer viver por todo o tempo da vida os votos, isto é, viver os Conselhos Evangélicos da pobreza, da obediência e da castidade. É grande essa promessa, meus caros confrades! Vocês vão prometer viver por todo o tempo da vida de vocês a Regra Franciscana e as Constituições Gerais da nossa Ordem. É grande o que vocês prometem, Frei Valdeci e Frei Douglas! Vocês vão prometer, por todo o tempo da vida de vocês, viver a vida em fraternidade. A fraternidade é o lugar concreto onde nós nos santificamos, é o lugar onde nós nos purificamos, é o lugar onde nos fortalecemos mutuamente nesta promessa feita a Deus Pai Todo Poderoso. Ao fazermos essas promessas, também temos consciência de que não apenas prometemos viver para nós mesmos. Vocês, ao término da fórmula da Profissão Solene, vão dizer ainda que prometem viver por todo o tempo de suas vidas a dimensão apostólica e a dimensão missionária, próprias da nossa vocação evangélica e evangelizadora. Portanto, se nós prometemos viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, essa promessa também tem as suas

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

ÍNTEGRA DA HOMILIA DE FREI FIDÊNCIO

389


COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

FORMAÇÃO E ESTUDOS ________________________________________

390

consequências: vivermos sempre como frades menores em missão evangelizadora. Isso tudo nós prometemos a Deus! Logo, “grandes coisas prometemos a Deus”. Frei Douglas e Frei Valdeci, é uma grande responsabilidade que vocês estão assumindo nesta manhã diante de todos nós, mas, sobretudo diante de Deus! Prometo, faço voto, grandes coisas prometemos… E como nós prometemos a Deus, jamais podemos nos desvencilhar do prometido. O livro do Eclesiastes diz: “Quando fizeres uma promessa a Deus, não tardes em cumpri-lo. Deus não se agrada de tolos. Cumpre o que prometeste. É melhor não prometer do que prometer e não cumprir” (Ecle 5,3). No início do mês de julho, mais precisamente no dia 6, o Papa Francisco, em Roma, encontrou-se com um número muito grande de noviços e noviças, sacerdotes, seminaristas que estavam iniciando a vida de consagração a Deus. E, naquela ocasião, o Papa dizia que todos nós estamos vivendo sob a pressão da cultura do provisório. Somos vítimas desta cultura. E como podemos nos libertar da cultura do provisório é a pergunta que o Papa fez àqueles jovens, àquelas jovens vocações. Pois bem, se vocês hoje afirmam “prometo viver todo o tempo da minha vida”, como isso ressoa diante dessa cultura do provisório? Muitas vezes, tanto na nossa vida religiosa como na vida conjugal, ouvimos esta expressão: “Foi bom enquanto durou”. Isso acontece na vida conjugal, acontece na vocação sacerdotal e, infelizmente, também na nossa vocação para a vida religiosa. Quando um religioso ou um sacerdote promete a Deus e à Igreja viver “por todo o tempo de sua vida”, dói muito na vida da gente, principalmente no ministério que a gente exerce como Ministro Provincial, ouvir da boca desse recém-professo: “Foi bom, mas não dá mais”! Dói ouvir de um irmão que acabou de professar solenemente e, um ou dois anos depois, afirma: foi bom enquanto durou…, a alegria sumiu… o prazer em viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo já não está mais presente no meu coração… etc! Portanto, a promessa que nós fazemos a Deus, a primeira promessa, esta não deve ficar esquecida na nossa vida: é o ponto de partida! “Prometo viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo”. E quando esta promessa da interiorização do Evangelho, quando essa Palavra do Evangelho desaparece na minha vida, eu perco o encanto de todos os demais valores da vida religiosa. Meus caros confrades, Frei Douglas e Frei Valdeci, eu creio que o pedido que acabaram de fazer foi um pedido amadurecido no coração de vocês. Sim, grandes coisas vocês amadureceram nos seus corações! É muito interessante que hoje, na Primeira Leitura, São Paulo recorde o fato concreto de uma coleta que ele organizou em favor dos cristãos pobres de Jerusalém. E a certa altura ele diz: “Dê cada um conforme tiver decidido em seu coração”. Sim, na Bíblia, o ‘coração’ é sempre o lugar das grandes decisões! Jesus também nos diz que no coração podem brotar tantas coisas bonitas, como também no coração humano podem ser maquinadas tantas coisas más ou perversidades.

E vocês, caros irmãos, hoje vão dizer que é do próprio coração (na fórmula da profissão) que se entregam a esta Fraternidade. Vocês estão oferecendo, como diz São Paulo, aquilo que decidiram no seu coração: entrego-me de todo coração a esta Fraternidade! Uma fraternidade que, mesmo com os seus limites humanos, ajudou vocês a amadurecerem nesta decisão. Uma fraternidade que terá sempre um lugar concreto, um lugar visível… Uma fraternidade que será sempre o lugar salvífico onde vocês vão viver, por todo o tempo de sua vida, esta vocação cristã na vida religiosa franciscana e na missão evangelizadora da fraternidade. A decisão do coração é importante! É no coração que vocês vão cultivar a semente. Nós ouvimos hoje no Evangelho Jesus dizendo: “Se a semente não morre, ela fica só. Mas se morrer, ela produzirá frutos”. Eu creio que esta experiência de morte, nós, na vida religiosa, a fazemos quando dizemos a Deus, quero viver na pobreza, quero viver na castidade (pureza de coração), quero viver na obediência, quero viver em fraternidade, quero viver no espírito de minoridade. E ali vamos fazer, dia após dia, esta experiência da morte da semente para que, com a graça de Deus, ela possa florescer e frutificar em todos nós. O Evangelho termina dizendo: “Se alguém me serve, meu Pai o honrará”… Frei Valdeci e Frei Douglas, “grandes coisas prometemos a Deus; mas muito maiores, Deus nos prometeu”. Oxalá a promessa que vocês fazem hoje a Deus possa ser uma promessa para a glória e o louvor do “Pai Santo e Todo Poderoso”. Amém!


FORMAÇÃO E ESTUDOS ________________________________________

ITUPORANGA

NOTÍCIAS DO SEMINÁRIO FREI RODRIGO SANTOS

33ª OLIMPÍADAS FREI GABRIEL E, com o reinício das aulas, um assunto vai tomando conta dos momentos de convívio – as tradicionais Olimpíadas Frei Gabriel. Para sua 33ª edição, que ocorrerá entre os dias 5 a 8 de setembro, os seminaristas já montaram suas equipes e estão treinando para as provas. Alguns não sabem se chegam até às Olimpíadas devido ao rigor dos treinos... VISITAS VOCACIONAIS ÀS PARÓQUIAS FRANCISCANAS Agosto é o mês das vocações, assim celebra a Igreja do Brasil, que convida o Povo de Deus a cada domingo rezar por uma vocação específica. Seguindo a posição do Capítulo Provincial e do último Conselho de Formação e Estudos, que aposta na etapa de formação do seminário menor, nossa fraternidade assumiu o compromisso de realizar visitas às fraternidades vizinhas para fazer celebrações vocacionais. O objetivo destas visitas é celebrar com o povo de Deus e fazer uma promoção vocacional junto aos jovens destes lugares mostrando nosso carisma franciscano vivido no dia a dia e na vida em fraternidade, e a possibilidade de cursar o Ensino Médio enquanto fazem o discernimento vocacional, possibilidade esta oferecida pelo Seminário. As fraternidades visitadas foram as de Santo Amaro da Imperatriz (dias 10 e 11/08), Lages (17 e 18/08) e Curitibanos (24 e 25/08). Em todas as paróquias fomos bem recebidos e o dom da vocação foi bem celebrado. Os seminaristas que acompanharam

a visita faziam a partilha de sua experiência no seminário e como veem sua caminhada vocacional, mostrando ao povo e, principalmente aos jovens, esta possibilidade vocacional. Agradecemos aos confrades que nos acolheram e contribuíram para este anúncio!

vocações religiosas existentes na Igreja e demais vocações específicas. Os seminaristas encenaram o Evangelho, interpretando os apóstolos e Jesus. No ofertório, as comunidades prepararam uma cesta com produtos da terra que eram ofertados a Deus e, no final da Missa, doados ao Seminário.

CAMINHADA VOCACIONAL EM CHAPADÃO DO LAGEADO No domingo, dia 18/08, aconteceu a segunda Caminhada Vocacional da Paróquia Santo Estêvão, desta vez no município de Chapadão do Lageado, vizinho de Ituporanga. Foi um momento de grande alegria para os paroquianos e seminaristas que, juntamente com a celebração da Assunção de Nossa Senhora, rezaram por todas as

PREPARAÇÃO PARA A FESTA DO SEMINÁRIO Estamos a pleno vapor nos preparativos para a Festa 2013 do Seminário. Desde já nossa fraternidade agradece a todos os confrades e fraternidades que aceitaram colaborar com a rifa que é realizada por ocasião desta festa, que destina seus rendimentos para a manutenção desta etapa de formação. Nosso muito obrigado!

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

RETORNO ÀS ATIVIDADES Após o período de férias junto aos seus familiares, e, para alguns, de participação na Jornada Mundial da Juventude, os seminaristas regressaram para o segundo semestre de aulas e formação para a vida franciscana no dia 1º de agosto, num dia de alegre reencontro e atualização das novidades das férias.

391


FORMAÇÃO E ESTUDOS ________________________________________

SEMINÁRIO FREI GALVÃO

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

SUCESSO NA 1ª FESTA CAIPIRA

392

Dentro da programação do calendário de atividades do Seminário Franciscano Frei Galvão, a 1ª Festa Caipira encontrou um espaço especial. No dia 10 de agosto, véspera do dia de Santa Clara, das 17 às 24 horas, mais de 800 pessoas participaram desta festa. Para organizar o evento, estiveram envolvidos os frades e postulantes, os vocacionados, as equipes de Nossa Senhora, a equipe de Liturgia, os nossos colaboradores e um expressivo grupo da nossa comunidade. Com muita música, brincadeiras e comidas típicas, divididas nas 10 barracas ornamentadas, os mais de 50 voluntários se revezaram em dois turnos para, na graça do Senhor, servirem aos convidados do “Arraiá”. No dia da festa contamos ainda com a presença dos frades do Pró-Vocações e da Família Franciscana de Guaratinguetá. O saldo no final da festa era consenso geral: elogios para a organização da festa, alegria pelo bom êxito das atividades e expectativa para que chegue logo o próximo evento. Segundo o guardião, Frei João Francisco da Silva, os maiores frutos da Festa Caipira foram os laços de fraternidade, generosidade e alegria que uniram a fraternidade do Seminário com a comunidade local e os diversos grupos com que trabalhamos diretamente. Com este intuito, os produtos oferecidos tiveram preços mais baratos, a fim de acolher e permitir a participação de todos.


FORMAÇÃO E ESTUDOS ________________________________________

30 ANOS DE RONDINHA

EXULTANTES DE ALEGRIA Exultantes de alegria, celebramos neste dia 15 de agosto a festa do nosso Patrono São Boaventura. Oficialmente, sua festa é no dia 15 de julho, mas por ocasião dos estágios neste mês, conforme tradição em nossa casa, a festa foi transferida. A celebração foi presidida por Frei João Mannes, guardião da fraternidade, e concelebrada por Frei Gamaliel Devigili, Frei Fábio Gomes e Frei Guido Scheidt. Além dos frades estudantes, estavam presentes os funcionários da casa e algumas Irmãs Franciscanas de São José. Na homilia, Frei João Mannes ressaltou que “celebrar São Boaventura é muito mais do que relembrar o santo franciscano, o Doutor Seráfico ou o grande teólogo da Igreja, mas é também fazer memória deste homem que foi e continua sendo para nós, hoje, um exemplo

fiel de discípulo de Jesus Cristo, fazendo como São Francisco de Assis”. A celebração teve também um sentido todo especial: A ação de Deus nesses trinta anos de história do Convento e do Instituto São Boaventura. Afinal, de 1983 até hoje, muitas foram as conquistas e experiências do amor de Deus feita aqui, onde o próprio Altíssimo “armou sua tenda”. Por tudo isso, damos graças a Deus! Não deixemos de rezar por tantos frades e irmãs que deram suas vidas na construção dessa história, tanto os vivos como os que já partiram para a casa do Pai. Após a celebração tivemos um caloroso convívio fraterno e festivo almoço. Juntaram-se a nós alguns confrades do Convento Bom Jesus – Curitiba e também da Fraternidade Bom Jesus da Aldeia, que fazem parte do nosso Regional e contribuem direta ou indiretamente com a construção dessa história e com a

nossa formação. Após a Missa, Frei Guido concedeu uma entrevista, partilhando um pouco da sua história vivida aqui neste convento. Afinal, foram os primeiros dez anos desta nova fraternidade (1983 a 1989 – mestre / 1989 a 1992 – guardião). Contou-nos que “a primeira surpresa foi ter sido nomeado como mestre pelo Governo Provincial. Em conversa com Frei Basílio Prim, Ministro Provincial, reconheceu seu despreparo. Para ajudá-lo nessa missão, o Governo Provincial indicou-o para fazer um curso de formadores no Rio de Janeiro, conhecido como CETESP. Depois de três meses neste curso, com mais de trinta professores, disse ao Provincial que não foi muito bom. A alternativa encontrada por Frei Basílio foi enviá-lo para os EUA com intuito de continuar seus estudos para ser mestre”. Como bem sabemos, os primeiros 393 COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

FREI JOSÉ AÉCIO DE OLIVEIRA FILHO


FORMAÇÃO E ESTUDOS ________________________________________

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

anos após o noviciado é de crucial importância na construção do ser religioso, é tempo conhecido como pós-noviciado, onde o frade vive a experiência da profissão temporária e caminha também para uma decisão por todo o tempo da sua vida. Sobre isso, Frei Guido disse que “naquela época, ainda havia um diferencial, pois a profissão solene era feita ao término do Curso de Filosofia e não dá para negar que deixava os mestres apreensivos quanto à aprovação dos votos perpétuos”. Desta forma, em três anos era

394

preciso ter claro se o frade estudante tinha condições suficientes para esse importante passo. Dentro dos três anos, o estudante tinha que mostrar que queria mesmo continuar sendo frade. “O bom é que a fraternidade era muito concisa e caminhávamos todos juntos”. Quanto ao projeto arquitetônico da casa, um fator interessante a de se destacar, “era o objetivo de dar outra visão em relação à estrutura do convento. A casa foi construída em módulos, não como os conventos conhecidos até então. Isso tinha o objetivo de inserir

os frades em uma realidade que seria vivida após a formação inicial, as pequenas fraternidades. Isso era, e ainda é, bastante formativo”. Sobre a importância do Curso da Filosofi a como parte do processo formativo, afirmou que “a Filosofia é fundamental e essencial, pois dá a capacidade de pensar, de refletir e em qualquer situação é possível criar uma dinâmica pessoal. Com a Filosofia, a gente aprende a pensar e fundamentar aquilo que pensamos”. Olhando para trás e percebendo que esse mesmo projeto, que há 30 anos respondia às exigências da época, ainda respondem as de hoje, Frei Guido disse que se sente feliz, e “é uma alegria, sobretudo porque estou dentro da Associação Franciscana e o curso de Filosofia praticamente foi incorporado à estrutura da FAE. Isso é uma realidade bem concreta, pois o frade estudante não fica isolado e nem perde esse contato com a natureza e com o silêncio. É uma alegria perceber que a coisa está dando certo e vai continuar dando certo”. Eis, portanto, os primeiros trinta anos de história. Que São Boaventura seja o modelo de vida evangélica para os frades estudantes que por aqui passarem, assim como é para os que estão e foi para os que já passaram. Por tudo, bendigamos ao Senhor!


FORMAÇÃO E ESTUDOS ________________________________________

ITF

Na quinta-feira, dia 8 de agosto, no Instituto Teológico Franciscano, começou mais um Curso de Extensão. O tema do Curso é “O Cuidado Total do Humano – Corpo, Emoções e Espírito”. A boa parceria entre a Faculdade Arthur Sá Earp (FASE)/Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP), e o Instituto Teológico Franciscano (ITF) une Medicina e Teologia, Saúde e Espiritualidade, para um curso atraente e essencial. Mais de 100 pessoas estavam presentes no primeiro encontro. Frei Antônio Everaldo Palubiack Marinho, reitor do ITF, deu boas vindas; e Frei Vitório Mazzuco e a professora Miriam Heidemann, coordenadores do Curso, motivaram o tema e o percurso traçado. Os dois primeiros professores a abrirem o Curso foram apresentados, o Professor Paulo Klingelhoefer de Sá, médico; e a professora Fernanda Alice Gomes Vieira, psicóloga. Eles, com

muita competência, ministraram excelente aula, interagindo com os presentes sobre conceitos de saúde e doença. Noite de conteúdo brilhante e ótima energia entre todos. As inscrições continuam abertas. Venha aprender a vibrar mais com a Saúde e valorizar o que é espiritual e saudável! Saúde e plenitude! Saúde e alegria! Venha participar de um Curso que fala sobre todos os aspectos da vida. A doença não é um mal a ser combatido, mas sim, integrado em sua vida para gerar uma grande força. SÍNTESE DA PALESTRA “O CUIDADO TOTAL DO HUMANO A palestra “Conceito de Saúde e Doença”, proferida por Fernanda Alice Gomes Vieira e Paulo Klingelhoefer de Sá, no Curso de Extensão “O cuidado total do humano“, parceria entre o ITF e a FASE/FMP, priorizou uma dinâmica participativa entre os palestrantes e a

platéia, com foco na discussão sobre os pressupostos teóricos e práticos que permeiam a nossa visão de saúde e doença. No início, foi apresentado um trecho do filme “Quem se importa”, de Mara Mourão e que fala sobre empreendedorismo social, mostrando o projeto dos irmãos Scanavino, que cuidam de forma integral da saúde das comunidades ribeirinhas, perto de Santarém, no Pará. Neste projeto, que foi espontaneamente batizado pelo médico Eugênio Scanavino de “Saúde & Alegria”, uma das moradoras beneficiadas por ele, definiu: “Saúde é alegria. A alegria do corpo, e alegria é saúde da alma”. Comparado ao conceito da OMS, que considera saúde como: “Sensação de completo bem-estar biopsicossocial e ambiental”, estando em discussão, atualmente, a inclusão da dimensão espiritual, vemos a amplitude deste conceito. Saúde não pode ser fragmentada ou dividida em partes do corpo, só pode ser com-

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

NOVO CURSO DE EXTENSÃO

395


FORMAÇÃO E ESTUDOS ________________________________________ preendida sistemicamente e na lógica de um fluxo dinâmico de vida. Não existe um padrão estático idealizado do que é saúde, uma vez que vida é movimento. Os participantes do curso relacionaram ao binômio saúde/ doença, temas como: perda da dignidade; consumismo; excesso de produtos descartáveis gerando grande volume de resíduos sólidos e promovendo danos ambientais; e poluição ambiental, inclusive referência a estudos que relacionam degradação ambiental ao crescimento da violência. Hipócrates, que é considerado o Pai da Medicina, foi também um dos primeiros a associar corpo e mente, com sua Teoria sobre os 4 temperamentos, re-

lacionando-os com os fluídos do corpo. Nesse contexto histórico detectamos hoje a necessidade de se observar o complexo saúde e doença como uma interação dinâmica de perdas episódicas de harmonia, o que caracterizaria a doença, e o seu retorno ao estado de saúde, que caracterizaria uma cura, não necessariamente biológica. O ser humano tem grande poder para se recuperar e a doença seria um sinal de que se rompeu a harmonia. A doença é uma inteligência do organismo, que encontra outra via para nos mantermos vivos. Ela pode se constituir em um aspecto muito positivo quando ela implica em uma mudança de

nossa forma de ver o mundo. Como um paciente que entra em surto, que pode ser considerado um profundo momento de transformação, muito positivo, assim como o ideograma chinês que representa crise e representa também mudança e oportunidade. Devemos demitir a vítima que reside em cada um e assumirmos a responsabilidade pelo que fazemos uma vez que a doença é co-construída por nós. Em meio à crise civilizatória, devemos olhar para nós, para cada um, e buscar uma revisão mais profunda de nossos valores e ideais, na perspectiva de uma mudança para uma sociedade mais saudável e sustentável.

FAE

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

FAE SEDIA ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE EDUCAÇÃO CATÓLICA DO BRASIL

396

A Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (Anec) e a Pastoral da Educação da Arquidiocese de Curitiba promoveram o terceiro encontro do Ciclo de Discussão Educacional e Pastoral, na segunda-feira (29/7), com palestra do filósofo e teólogo do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ), Frei Vitório Mazzuco. O evento reuniu instituições de ensino religiosas de Curitiba e foi sediado pela FAE Centro Universitário. O objetivo do encontro foi a reflexão a respeito da missão do professor nas instituições de ensino confessionais. Na palestra, Frei Vitório, que é mestre em Teologia Espiritual pela Pontifícia Universidade Antonianum de Roma, destacou a mensagem sobre a valorização do jovem em todos os aspectos da sociedade deixada pelo Papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude, realizada, no

Rio de Janeiro. “Ensinar é entrelaçar vidas e a escola tem a missão de expandir a consciência dos alunos, sem separar a ética da educação. Esta é uma responsabilidade do mestre, pois uma não pode viver sem a outra. É preciso lembrar que o ético é o que se faz e o espiritual é o que se é. Portanto, o que está em torno desses dois conceitos é o que forma a moral”, disse. Outro conceito sobre educação apresentado por Frei Vitório foi o paralelo com a filosofia franciscana. “Francisco de Assis foi inspirado divinamente a reconstruir a Igreja e este trabalho passou

a ser a sua missão. Da mesma forma nós, professores, precisamos trabalhar diariamente na reconstrução do ensino e retomar, ainda, o caminho da reconstrução do ser humano, trabalhando com o direcionamento da nova moral, que é atribuir valores”, defendeu. Para o reitor da FAE, Frei Nelson José Hillesheim, a reflexão constante sobre o papel das instituições de ensino confessionais no cenário educacional é indispensável. “Estamos comprometidos com a educação integral e devemos pensar o ser humano por inteiro, levando em consideração o seu crescimento profissional e intelectual, mas sem deixar de lembrá-lo da ética e da responsabilidade social para com a comunidade”, disse. Participaram do encontro representantes da FAE Centro Universitário, Colégio Bom Jesus e de outras instituições de ensino religiosas da capital paranaense.


SAV ________________________________________

MISSÕES NAS ESCOLAS DE AGUDOS

Atendendo a esta ordem que nosso Senhor nos deixou, nós, aspirantes da turma de 2013, do Seminário Santo Antônio, de Agudos (SP), recebemos, no dia 12 de agosto, Frei Diego Atalino de Melo para a realização da missão nas escolas públicas de Agudos, procurando levar aos jovens um pouco da alegria do carisma franciscano. Este encontro com

os jovens fortaleceu ainda mais nossas vocações e chamou nossa atenção sobre as curiosidades apresentadas por eles sobre esta experiência de ser religioso e sobre a vida consagrada. Foi interessante notar que, após darmos o nosso testemunho, alguns jovens acabavam se identificando com nossas realidades de família. A proposta das missões possibilitou aos jovens lançar um novo olhar sobre a vida, principalmente para o futuro de cada um. A partir de nosso diálogo, procuramos mostrar que o caminho do seguimento de Cristo é o mais

radical e o mais completo para encontrar e viver a verdadeira felicidade. Enquanto para muitos a vida é baseada no individualismo, foi-lhes proposto um novo meio de enxergar a realidade, mostrando que precisamos uns dos outros, pois ninguém vive sozinho. Para nós, como aspirantes, a missão nos fez abrir a mente e perceber que, conforme tem nos pedido o nosso Papa Francisco, precisamos começar com os jovens a mudança que sonhamos para a nossa sociedade e para o nosso mundo. Aspirantes 2013

CONVITE

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

“A messe é grande e os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao dono da messe que envie trabalhadores à sua messe”. Mt 9, 37.

397


SAV ________________________________________

SAV-RJ

NA ASSUNÇÃO DE MARIA, VOCACIONADOS MEDITAM SOBRE A VIDA CONSAGRADA

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

MARCELO MÉRIDA Vocacionado

398

Realizou-se no Convento de Santo Antônio do Largo da Carioca mais um encontro vocacional com alguns jovens que, aspirando um dia seguir a vida franciscana, estão sendo acompanhados desde o início deste ano por Frei Nazareno José Lüdtke. O encontro realizado no domingo, dia 18 de agosto – este mês é tradicionalmente conhecido na Igreja como mês vocacional –, coincidiu com o dia dedicado às vocações religiosas, constituindo-se numa ocasião especial para que os vocacionados pudessem pensar seriamente no projeto de vida que pretendem abraçar. O encontro teve início às 10 horas com a Santa Missa. O celebrante e guardião do convento, Frei Ivo Müller, tratou do tema da Assunção de Maria, sublinhando-o como dogma da Igreja e expondo aos fiéis a verdade, signi-

ficado e importância por trás deste mistério da nossa fé. Devido à Jornada Mundial da Juventude, não houve encontro no mês de julho. Dessa forma, esta foi a primeira oportunidade que os vocacionados tiveram para discutir, na companhia do seu animador vocacional, Frei Nazareno, sobre as experiências vividas na JMJ e as impressões e saudades deixadas por este Papa que, ao escolher o nome de Francisco, procurando se lembrar do nosso Seráfico Pai Francisco de Assis, tem encantado a tanta gente e demonstrado ser um grande homem por sua tamanha simplicidade. Conforme já explicado aos jovens pelo seu orientador, quando o período de discernimento vocacional chegar ao seu termo, estes farão um estágio final (no mês de novembro) em São Paulo, o que representa um passo muito importante em direção à vida consagrada. Por esse motivo, no decorrer do encontro, discutiu-se séria e enfatica-

mente, a respeito do grande compromisso e responsabilidade que se fazem acompanhar quando da resposta positiva ao chamado de Deus à vida religiosa. Esta, como o próprio animador vocacional costuma dizer, pode ser comparada a um jardim de flores que, não obstante à sua beleza e encanto, possui, por sua vez, também espinhos. A vida de um frade franciscano, que envolve sempre uma promessa a Deus de se viver a pobreza, a castidade, a obediência, a fraternidade e o espírito de minoridade, reclama maturidade e desejo sincero de se entregar a Ele e, com Sua graça, ser-Lhe fiel e superar todos os percalços do caminho. Ao final de nosso encontro, por volta das 16h30, um café foi servido no refeitório, de modo que os irmãos pudessem, ainda por algum tempo, conversar descontraidamente aproveitando a companhia um do outro e compartilhando suas expectativas para o futuro.


SAV ________________________________________

SAV-SP

VOCACIONADOS DE SÃO PAULO SE REÚNEM PARA REFLETIR SOBRE VOCAÇÃO Aconteceu no dia 4 de agosto, o Encontro Vocacional realizado Largo São Francisco, em São Paulo. Nós, jovens vindos de diversos lugares e com histórias diferentes, reunimo-nos para que, juntos, pudéssemos entender qual o chamado de Deus para nossas vidas. O último encontro havia sido na cidade de Guaratinguetá, interior do estado de São Paulo, no mês de junho. Em julho, devido aos preparativos para a Jornada Mundial da Juventude, não houve encontro, e todos estavam ansiosos para a retomada desse momento de partilha. O encontro se iniciou com uma Santa Missa, celebrando o primeiro domingo do mês de agosto, o mês vocacional. Nesta data, a Igreja celebra o Dia do Padre e a memória de São João Maria

Vianney, o Santo Cura D’Ars, protetor e intercessor dos sacerdotes. Nesta Missa foi realizada uma homenagem ao nosso animador vocacional, Frei Alvaci Mendes da Luz, em agradecimento pelo seu sim ao chamado sacerdotal. Logo após a celebração, os novos vocacionados se apresentaram e foram acolhidos carinhosamente pelos demais que estão sendo acompanhados desde fevereiro deste ano. Refletimos sobre a liturgia do dia, onde Jesus nos ensina que a vida do homem não consiste na abundância de bens, mas, sim, na partilha fraterna. E comentamos algumas frases ditas pelo nosso querido Papa Francisco durante sua passagem pelo Brasil, como por exemplo: “A Igreja é mãe. A mãe dá carinho, beija, ama”, mostrando a necessidade de estar sempre próximo dos nossos irmãos. À tarde, após o convívio com os

frades e um delicioso almoço com a fraternidade, retomamos a conversa, e partilhamos o tema da vocação sacerdotal e a extrema importância dos padres (palavra que significa Pai) em nossas vidas. Durante todo o dia vivemos o espírito de amizade, fraternidade e partilha, características da vida franciscana. O nosso encontro se encerrou por volta das 14h30 com a Oração Vocacional. Saímos do Convento São Francisco ansiosos pelo próximo encontro vocacional e com o desejo de seguir a Jesus Cristo como o nosso Francisco, o Irmão de Assis, o seguiu. Que Santa Clara, cuja festa celebramos no domingo dia 11, São Francisco de Assis e o Espírito Santo nos iluminem nessa reta final dos encontros vocacionais. Afinal, como Frei Alvaci da Luz costuma dizer: “Vocação acertada, vida 399 feliz!”. COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

THIAGO SANTOS Vocacionado


FRATERNIDADES ________________________________________

ARTIGO

“São Jerônimo escrevendo”, tradicional pintura de Caravaggio de 1604

O MÊS DA BÍBLIA

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

FREI LUIZ IAKOVACZ

400

Em 1971, as paróquias de Belo Horizonte (MG) uniram-se, com um único objetivo: durante o mês de setembro todos incentivariam o estudo bíblico, com a participação do maior número de famílias possível. Para tanto, o Serviço de Animação Bíblica (SAB) assumiu a elaboração de um roteiro simples e acessível. Após esta experiência, o próprio povo insistiu para que se continuasse nos anos seguintes. Vendo os bons frutos que isso poderia trazer para a Igreja no Brasil, a CNBB, em 1985, instituiu “Setembro, Mês da Bíblia”. Por que o mês de setembro? Porque, no dia 30, celebramos a festa da São Jerônimo (340-421 d.C.), conhecido como um “apaixonado pela Palavra de Deus”. Dotado de extraordinária inteligência e gosto pelo estudo, deixou seu país, no Oriente, e dirigiu-se a Roma onde conheceu o cristianismo e foi batizado. Ordenado sacerdote, sentiu-se atraído pela Bíblia, dedicou-se ao estudo do hebraico e grego para

melhor entender os textos sagrados nos idiomas em que foram escritos. Notando o ardor deste jovem, o Papa Dâmaso o convidou para que traduzisse a Bíblia, dos textos originais para o latim, pois as traduções existentes eram “imperfeitas e diversificadas”. Jerônimo aceitou o pedido e intensificou os estudos, consultando exegetas e visitando os lugares onde Jesus viveu e pregou, a Palestina. Inclusive, por vários anos, ficou recolhido nas grutas de Belém, onde ultimou a tradução. Escreveu, também, inúmeros comentários sobre textos difíceis que a própria Bíblia admite existir dentro dela mesma. É preciso, então, que alguém a explique, como fez o diácono Felipe no encontro que teve com o etíope (cf. At 8,26-40); ou, também, o cuidado que devemos ter para não deturparmos a Palavra: veja o que São Pedro escreve sobre alguns escritos do apóstolo Paulo: cf. 2Pd 3,14-18. O conjunto deste imenso trabalho recebeu o nome de “Vulgata”. A Igreja Católica adotou esta tradução como oficial em suas celebrações e estudos. É por isso que celebramos o mês da Bíblia em setembro. Hoje, continuando a oportuna iniciativa de Belo Horizonte, as

paróquias promovem uma conscientização sobre a importância da Bíblia na vida pessoal e comunitária. A cada ano nos é proposto o estudo de um livro bíblico, cujo material continua sendo elaborado pelo SAB. Neste ano, refletiremos sobre o Evangelho de Lucas. Através dele, podemos fortalecer nossa fé e a da comunidade. São Jerônimo nos deixou este lapidar ensinamento: “Ignorara as Escrituras é ignorar a Cristo”. Para uma vivência ainda maior deste mês, a Liturgia nos enriquece com os textos bíblicos da Exaltação da Santa Cruz (14), Nossa Senhora das Dores (15), São Mateus (21), Arcanjos Miguel, Rafael e Gabriel (29). As datas comemorativas também fazem parte da liturgia: Semana da Pátria (01 a 07), com o Grito dos Excluídos e o abaixo-assinado do “Projeto de Lei de Iniciativa Popular sobre a Reforma Política”; Semana do Trânsito (18 a 25); início da Primavera (22); Dia da Bíblia (29); Dia da Secretária (30). Assim como a primavera faz a natureza renascer, que a nossa fé seja reavivada pela Bíblia, pois ela é “útil para ensinar, para refutar, para corrigir e para educar na justiça” (2 Tm 3,16).


FRATERNIDADES ________________________________________

ASSINADO PROJETO DE RESTAURO DO CONVENTO DE SÃO SEBASTIÃO Foi dado no dia 1º de agosto importante passo para restaurar um dos conventos franciscanos mais antigos do Brasil e da Província Franciscana da Imaculada Conceição com a conclusão e assinatura do projeto de restauro do Convento Nossa Senhora do Amparo, em São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo. O Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel assinou a proposta na presença da diretora do Departamento de Patrimônio Histórico Cultural da cidade de São Sebastião, Rosangela Dias da Ressurreição, que coordenou todo o projeto. Agora, o projeto seguirá para aprovação Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), já que o imóvel foi tombado por este organismo em 1972. Para a realização do projeto de restauro foi constituída uma equipe composta por uma técnica do Condephaat, a arquiteta Marta Sacarellos; uma técnica do Iphan, a arquiteta Carolina Pádua; a arquiteta da Prefeitura de São Sebastião, Lúcia Siqueira Santas; e Frei Róger Brunorio, coordenador do Departamento de Bens Culturais da Província da Imaculada, além de uma equipe de técnicos e historiadores da empresa Formarte, que desenvolveu o projeto. O restauro tem como objetivo preservar a memória cultural e o patrimônio construído. O convento, edificação mais antiga do município de São Sebastião, é testemunha e impulsionador do desenvolvimento do bairro São Francisco desde o século XVII. Constitui-se como importante marco arquitetônico, religioso e social na região, sendo peça chave de sua identidade cultural. “O desgaste e deterioração deste imóvel são preocupantes. Por isso, se faz urgente a recuperação e preservação deste patrimônio”, diz Frei Fidêncio

Vanboemmel, lembrando que a pedra fundamental do Convento foi lançada no dia 11 de maio de 1664. É, hoje, um raro convento com esse estilo de construção, especialmente o seu claustro. Em 8 de setembro de 1668, os frades desta Província da Imaculada celebraram a primeira festa de Nossa Senhora do Amparo. “Ou seja, trata-se de um patrimônio importantíssimo não só para a história dos franciscanos, presentes no Brasil desde o seu descobrimento, como também para o patrimônio do Estado de São Paulo, e principalmente da riqueza cultural deste país”, acredita o Ministro Provincial. A última reforma do Convento foi feita em 1930. Desde aquele ano, foram realizadas obras de adaptação e subutilização dos espaços. A diretora Rosangela, com o apoio do prefeito Ernane Primazzi, de São Sebastião, não tem poupado esforços na busca de ações em prol do patrimônio cultural da cidade, especialmente do convento. “Sou filha de caiçara da terra e sonho com a restauração deste Convento”, confessa. “Este restauro, além

de ser necessário para a história cultural do município, vai valorizar a vida de uma vila de pescadores, transformando o bairro São Francisco em produto turístico. Será um ponto de atração dentro do turismo histórico, somado à beleza natural e às edificações históricas no seu entorno. Enfim, representará investimento na comunidade e incentivo para o comércio local”, acrescentou Rosangela, lembrando que a “luta” está apenas começando. Para a elaboração do projeto de restauro, o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou e liberou uma verba de R$ 200 mil. Durante o ato de assinatura do projeto, além de Frei Fidêncio e Rosangela, participaram deste encontro na Sede da Província da Imaculada, em São Paulo, Frei Estêvão Ottenbreit, Frei Mário Tagliari, Frei Raimundo J. de Oliveira Castro e os funcionários Luana Giosa e Adriel Moura de Castro, pela Província da Imaculada, e a empresária da Formarte Rosana Deleles.

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

MOACIR BEGGO

401


FRATERNIDADES ________________________________________

VILA VELHA

A PORCIÚNCULA DA PENHA FREI JAMES NETO

No dia 2 de agosto, dedicado à celebração da Festa de Nossa Senhora dos Anjos, popularmente conhecida como “Porciúncula”, os frades de Vila velha, Santuário e Convento da Penha e paroquianos da Paróquia Nossa Senhor do Rosário se juntaram para uma celebração devota, piedosa e tocante. Eram mais de mil pessoas, com velas acesas subindo o morro do Convento da Penha, rezando e cantando. Todas as dez comunidades que fazem parte da Paróquia, mais os devotos de Nossa Senhor da Penha e frequentadores do Convento, Ordem Terceira de São Francisco se juntaram para celebrar Nossa Senhora dos Anjos numa belíssima procissão luminosa de fé e devoção até o Convento da Penha. A Capelinha de São Francisco, no Campinho do Convento, transformou-se na nossa Porciúncula, onde rezamos e repartimos o pão.

VILA VELHA

SEMANA NACIONAL DA FAMÍLIA COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

FREI JAMES NETO

402

Com uma semana de programação intensa, a Paróquia Nossa Senhora

Comunidades da Paróquia.

mos um grande passeio ciclístico pelas

Lembramo-nos todos da im-

ruas de Vila velha, da Prainha até o

portância da família na transmissão e

Santuário, mas uma forte chuva que caiu

educação da fé cristã.

insistentemente durante toda a manhã,

do Rosário viveu a Semana Nacional

Após a celebração, compartilha-

da Família. Todas as comunidades se

mos um lanche e um bolo tamanho

envolveram nas celebrações, visitas

família no Centro de Convivência.

quase atrapalhou. Diminuiu o número dos participantes, mas não diminuiu a animação e

missionárias em bairros mais pobres

Um ponto forte também foi a

a determinação dos mais de 50 ciclistas

e na Missa Solene no Santuário Divino

Romaria das Famílias ao Convento

que se reuniram na Prainha e seguiram

Espírito Santo de Vila Velha, no dia

da Penha, saindo do Colégio Marista

pelas ruas molhadas e, em alguns pontos

14 de agosto, com a participação das

e subindo até o Campinho, cantando,

já alagadas de Vila Velha, em direção ao

Pastorais das Famílias, do Ministério

rezando e se confraternizando.

Santuário Divino Espírito Santo. Trajeto

para as famílias da RCC e todas as

Para o encerramento imagináva-

curto por causa da segurança, mas o


FRATERNIDADES ________________________________________ suficiente para testemunhar nossa fé e a força da família pelas ruas de Vila Velha. Este ano, o tema da Semana Nacional foi “Transmissão e educação da fé cristã na família”. Mensagem do Papa Francisco para a SNF: Vaticano, 6 de agosto de 2013 Queridas famílias brasileiras, Guardando vivas no coração as alegrias que me foram proporcionadas durante a recente visita ao Brasil, me sinto feliz em saudá-las por ocasião da Semana Nacional da Família, cujo tema é “A transmissão e a educação da fé cristã na família”, encorajando os pais nessa nobre e exigente missão que possuem de ser os primeiros colaboradores de Deus na orientação fundamental da existência e a segurança de um bom futuro. Para isso, “é importante que os pais cultivem as práticas comuns de fé na família, que acompanhem o amadurecimento de fé dos filhos” (Carta Enc. Lúmem Fidei, 53). Neste sentido, os pais são chamados a transmitir, tanto por palavras como, sobretudo pelas obras, as verdades fundamentais sobre a vida e o amor humano, que recebem uma nova luz da Revelação de Deus. De modo particular, diante da cultura do descartável, que relativiza o valor da vida humana, os pais são chamados a transmitir aos seus filhos a consciência de que esta deva sempre ser defendida, já desde o ventre materno, reconhecendo ali um dom de mas também na atenção aos mais velhos, especialmente aos avós, que são a memória viva de um povo e transmissores da sabedoria da vida. Fazendo votos de que vocês, queridas famílias brasileiras, sejam o mais convincentes arautos da beleza do amor sustentado e alimentado pela fé e como penhor de graças do Alto, pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, a todos concedo a Bênção Apostólica. Papa Francisco

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

Deus e garantia do futuro da humanidade,

403


FRATERNIDADES ________________________________________

FREI TATÁ CRIA A ‘HORTA VERTICAL’

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

MOACIR BEGGO

404

Frei Tatá, que professou na Ordem

deria ser um frade também quando me

Franciscana como irmão religioso em

deparei com um cartaz na porta da igreja:

Para tudo tem uma solução. Frei

1967, já tem experiência na lida com a

“Venha ser um religioso franciscano’. E

Tatá, como é chamado Frei Antônio

terra e hortaliças. Ele foi hortelão em

eu fui e estou aqui”, explica Frei Tatá, que

Ferreira, encontrou uma maneira de

Guaratinguetá (68), trabalhou na fazen-

tem 8 irmãos e 4 irmãs. Na escala, ele é o

recuperar o espaço que perdeu da sua

do do Noviciado de Rodeio de 1969-72

sexto. “Minha mãe lamentava que tinha

horta no morro do Convento Santo

e em Ituporanga (1973-82), entre outros

13 filhos e nenhum com a graça da voca-

Antônio, no Rio de Janeiro. Ele criou a

trabalhos. Agora, no Convento Santo

ção religiosa”, conta, antes de ingressar na

“horta vertical”, que está, segundo ele,

Antônio, além de cuidar da horta e ga-

vida religiosa e dar essa alegria para ela.

em fase de experiência. Segundo ele,

rantir verduras fresquinhas para o Con-

Segundo Frei Tatá, seu pai é descendente

além de cultivar verduras frescas, ele

vento, ele também está preocupado em

de portugueses e sua mãe é descendente

também faz reciclagem ao usar tubos

não perder o pouco da “mata atlântica”

de alemães.

de PVC que sobraram do restauro do

que restou no morro do Convento. “No

Segundo o frade, tem um tempe-

Convento.

momento tenho plantado algumas ár-

ramento calmo, procura ser bem hu-

A ideia de Frei Tatá é fazer com

vores que dão frutos”, explica, enquanto

morado, mas se precisar também pode

que as verduras nasçam em tubos de

mostra os vários tipos de bananeiras que

“sair do sério”. “Não sou de sonhar coisas

1,5m, colocados em pé, em vez de ocu-

estão plantadas no morro: nanica, ouro,

mirabolantes mas acredito que, com pe-

parem um canteiro. “Para que fiquem

d’água, prata etc.

quenos sonhos no dia a dia, vamos tendo

sempre regadas, eu coloco uma garrafa

Natural de Santo Amaro da Impe-

nossos desejos realizados”, acredita Frei

de dois litros no topo do tubo, com pe-

ratriz, onde nasceu em 5 de abril de 1944,

Tatá, que no início de sua vida religiosa

quenos orifícios que garantem durante

Frei Tatá decidiu ingressar na Ordem

fez todos os estudos e licenciatura, em

todo o dia a irrigação da planta”, expli-

Franciscana com 20 anos. “Tinha contato

1981, em Ciências Naturais para dar

ca. Além de alface, ele tem plantado

com os frades franciscanos e admirava o

aulas no 1º grau. No esporte, gosta de

beringela e salsinha.

modo de vida deles. Um dia vi que po-

tênis de mesa e bocha.


FRATERNIDADES ________________________________________

ENCONTRO DO REGIONAL DE AGUDOS FREI JORGE LUIZ MAOSKI No dia 12 de agosto, o Regional de Agudos se reuniu na Fraternidade Santo Antônio, em Bauru. Participaram do encontro 19 frades do Regional, o Bispo D. Caetano Ferrari, o Provincial Frei Fidêncio Vanboemmel e o Definidor Frei Mário Tagliari. Nosso Regional acolheu com carinho seu novo membro, Frei Vanilton Leme, vindo de Colatina para Sorocaba, e foi nomeado vigário paroquial na Paróquia Santo Antônio em Sorocaba. De manhã tivemos formação, conduzida por Frei Fidêncio. Usamos textos do último Capítulo Provincial, com acento e destaque na temática da “qualidade de vida fraterna e no avivamento

da vida religiosa e missão”. A reflexão, orientada pelo Provincial, enfatizou a importância do Capítulo Local nas f raternidades: este é o governo da casa e o motor da fraternidade; precisa ser bem organizado e preparado para que ajude a fraternidade como um todo. Após um intervalo, dedicamos um pouco de tempo na questão da economia fraterna. Nas palavras do Provincial, esse tema é um grande desafio que todos têm de abraçar. Após o almoço, reiniciamos os trabalhos com o relato da vida nas três

fraternidades do Regional. Em seguida, tivemos um tempo para comunicações diversas do Provincial, do Definidor e também de D. Caetano, que nos falou sobre os preparativos do Jubileu Diocesano em Bauru. O próximo encontro será um Regional recreativo a ser realizado no dia 25 de novembro.

“A Ordem dos Frades Menores compõe-se de irmãos, tanto clérigos como leigos. Pela Profissão, todos os irmãos têm absolutamente os mesmos direitos e obrigações religiosas, salvo os que provêm da Ordem sacra” (RB 3,1). No dia 18 de agosto celebramos o Dia dos Religiosos. Em geral, o irmão leigo é pouco conhecido fora do ambiente religioso. A ideia que se tem é que nos institutos masculinos só há uma escolha: o sacerdócio. Ou seja, um jovem que ingressa na vida religiosa o faz para ser padre e a mulher para ser freira, irmã. Mas nem todas as ordens ou congregações são clericais, mas são compostas por irmãos religiosos ou irmãos leigos, que fizeram a opção laical. O religioso e a religiosa são pessoas que escolheram viver a sua vida inteiramente consagrada a Deus e dedicada ao próximo, aos irmãos. Isto conscientemente. O religioso e a religiosa estão sempre disponíveis como irmãos dos irmãos, dos mais próximos.

A função do religioso é ser testemunha diante dos homens. O religioso é testemunha pelo seu modo simples de vida, pelo seu modo simples de viver (bem entendido; deve ser simples e não simplório. Simplório, eu diria que seria um contratestemunho). Todo religioso deveria ter Maria por modelo. Maria foi a religiosa por excelência. Sua vida foi dedicada a Deus, tão dedicada a Deus que chegou a ser a Mãe de Deus. Ela se preocupava tanto com o próximo que foi visitar sua prima Isabel quando estava esperando João Batista. E ficou com ela três meses para ajudá-la nas suas necessidades. Nas Bodas de Caná, ao faltar vinho, Ela mesma pediu a seu filho que não deixasse faltar vinho. Aqui vemos a dupla dedicação: a Deus e ao próximo. O religioso deve ser um homem de muita fé, de muita convicção, pois sua vida é totalmente diferente da vida que o mundo nos oferece. O mundo nos oferece honras, poder, riquezas, glórias etc. Mesmo o padre, aos

olhos do mundo, é visto como um título honorífico, de poder e grandeza. A sociedade quer glórias, poderes e honrarias. Mas a vida do religioso, o modo de vida escolhido, diz que devemos ser simples, pobres e prestativos. Por isso, o religioso vai ser uma pessoa que incomoda a sociedade, que mexe com a consciência da sociedade. Quando essa escolha não fica clara, é comum se perguntar aos religiosos: por que você não ficou padre? Eu pergunto: por que acontece isso? Porque não entendemos a vida religiosa. Gente, vale a pena ser religioso, sobretudo para nós que acreditamos e sabemos que não levamos nada para a outra vida! O religioso vive a vida inteira fazendo um treinamento para a outra vida. Enfim, todo e qualquer tipo de vida, de vocação, deve ser vivida com convicção. Quem não vive convicto, vive frustrado! (Irmão Frei Gregório Martins)

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

FREI GREGÓRIO REFLETE SOBRE A OPÇÃO DO IRMÃO LEIGO

405


FRATERNIDADES ________________________________________

COMUNIDADE DE PIRAPITINGUI CELEBRA SANTA CLARA DE ASSIS IVAN CARLOS ANKER (colaboração de Frei Gustavo Medella)

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

Frio e sol. Esta foi a combinação providenciada pelo Pai do Céu para a celebração da Festa de Santa Clara na Comunidade Franciscana do Hospital do Pirapitingüi, em Itu (SP) no domingo, dia 11 de agosto. A concentração do povo foi próximo à portaria do complexo hospitalar, às 8 horas. Depois da acolhida, feita por Frei Osvaldo Lino Luiz, Frei Gustavo W. Medella, foi convidado a proferir algumas palavras sobre aquela que foi a plantinha de São Francisco, Clara de Assis. Em seguida, todos partiram em procissão com a imagem de Santa Clara até a Igreja de Nossa Senhora do Sagrado Coração, onde a Missa prosseguiu com a presidência do Bispo Diocesano de Jundiaí, Dom Vicente Costa, que estava aguardando o cortejo na igreja. Durante a procissão com o andor de Santa Clara, houve três paradas pelo caminho, onde Frei Osvaldo Lino fez breves reflexões sobre a vida de Santa Clara, sobre a importância do amor e respeito à natureza, do amor ao pobre humilde e sofredor, que tanto Clara e Francisco pregavam. Na homilia, ao modo do Papa Fran406 cisco, Dom Vicente destacou três pontos

para reflexão: a vigilância, vigiar com responsabilidade e o exemplo de Santa Clara e dos Pais, cujo dia também foi celebrado neste domingo. A igreja estava enfeitada com diversos arranjos de flores feitos pela comunidade, que também se encarregou de preparar a liturgia. Além de Dom Vicente, também estiveram presentes na celebração Frei Osvaldo Lino Luiz, responsável pelo atendimento ao Hospital, Frei Gustavo Wayand Medella, Frei Diego A. de Melo, os diáconos Reginaldo Azevedo de Castro e Valdeci Florentino dos Santos, da Paró-

quia Sagrada Família, à qual a capelania franciscana pertence, além de todo o povo da comunidade e outras pessoas da região. Ao final da celebração, Frei Osvaldo Lino agradeceu a presença de todos que se empenharam para que a celebração transcorresse da melhor maneira possível. Houve também bênção e homenagem especial aos pais. Após a Missa, Frei Gustavo e Frei Diego fizeram uma visita às enfermarias e tiveram a oportunidade de conversar com vários internos do hospital. A comemoração foi encerrada com um almoço comunitário partilhado, onde todos puderam, na mesa da refeição, viver a extensão da Mesa Eucarística neste dia dedicado à memória de Santa Clara, mulher apaixonada por Cristo e fiel seguidora de São Francisco. A Comunidade Franciscana do Hospital Dr. Francisco Ribeiro Arantes, em Pirapitingui, Itu, agradece de coração a presença de nosso Bispo Diocesano, Dom Vicente Costa, dos diáconos Reginaldo e Valdeci, da Paróquia Sagrada Família, do capelão Frei Osvaldo Lino, dos frades franciscanos Frei Gustavo e Frei Diego que muito bem representaram o Governo Provincial da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil.


EVANGELIZAÇÃO ________________________________________

PARÓQUIAS-SANTUÁRIOS

POR UM ROSTO FRANCISCANO No dia 7 de agosto estiveram reunidos na Sede Provincial os frades que compõem a Frente de Evangelização das Paróquias e Santuários, sendo que estes foram eleitos representantes por cada Regional da Província. Essa Frente tem Frei João Reinert como coordenador. Nesse primeiro encontro procurou-se conhecer o regimento da Frente, sua natureza e finalidades. É uma Frente de Evangelização encarregada de assessorar o Ministro Provincial e o Definitório no âmbito da evangelização paroquial. Deve-se cuidar para que os frades deem um rosto franciscano às paróquias e santuários, dinamizando o trabalho em rede, com troca de experiências pastorais, subsídios etc. Salientou-se a importância de dar continuidade aos trabalhos realizados pela equipe do triênio passado. Foram lembrados os encontros com os leigos e com os jovens das paróquias franciscanas e a necessidade de otimizar as forças locais e regionais no intuito de concretizar ações e formações recebidas nesses encontros. Além disso, imprimir sempre mais a espiritualidade franciscana nas

mais diversas atividades desenvolvidas pelos frades nas paróquias e santuários, e atendendo ao pedido dos últimos encontros entre frades-leigos, serão elaboradas conjuntamente as Diretrizes franciscanas da ação evangelizadora das paróquias e santuários. A partir dessa contextualização foi pensado um calendário com propostas e ações concretas para nossas paróquias e santuários, onde a cada encontro será priorizado um setor pastoral. A princípio, escolheu-se trabalhar o setor iniciação à vida cristã: batismo, catequese infantil, crisma-catecumenato. O representante das paróquias – Santuários de cada Regional fará neste semestre (2013) um encontro regional com os leigos (coordenadores) e frades que acompanham as pastorais da iniciação à vida cristã. Objetivos: conversar sobre iniciação à vida cristã e iniciação a espiritualidade franciscana; dar início à elaboração das Diretrizes; conhecer as iniciativas com caráter franciscano já realizadas nessas três pastorais; o que, da espiritualidade franciscana, é trabalhada em cada uma dessas pastorais em nossas paróquias? Esse seria um momento para se incentivar os leigos a valorizarem o

carisma franciscano nas suas atividades pastorais e colher ideias e sugestões do que já é feito para compartilhar com as demais paróquias num trabalho de rede. Primeiro semestre de 2014: Encontro em nível provincial entre frades e leigos (representantes) que trabalham com as pastorais da iniciação à vida cristã: Objetivos: recolher os frutos dos encontros regionais do semestre anterior e dar continuidade à elaboração das Diretrizes. Assim, sucessivamente, em cada semestre trabalharemos um setor pastoral. A Frente reconhece a necessidade de se considerar cada realidade diocesana e paroquial, mas de alguma maneira é preciso identificar também o franciscano que trabalha naquela paróquia. Por fim, aos frades que atuam diretamente no trabalho paroquial, a Frente aconselha a leitura e reflexão, em fraternidade e com os leigos, do estudo 104, publicado pela CNBB sobre o tema: “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia”. Agradecemos e contamos com a colaboração de todos os frades que atuam nas paróquias e santuários para que nossa atuação nessas frentes cresça na integração e no trabalho em conjunto. 407 COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

FREI JEÂ PAULO ANDRADE


EVANGELIZAÇÃO ________________________________________

BISPOS EMÉRITOS PEDEM POR IGREJA SERVIDORA E POBRE

Da esq. para dir.: Dom José Maria Pires, Dom Pedro Casaldáliga, Dom Tomás Balduino

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

Os bispos eméritos Dom José Maria Pires, arcebispo da Paraíba; Dom Tomás Balduino, bispo de Goiás; e Dom Pedro Casaldáliga, bispo de São Félix do Araguaia, em carta ao Episcopado brasileiro dizem que chegou “a hora da ação” e, com base nos ensinamentos do Papa Francisco, ao dirigir-se aos jovens na JMJ, pedindo que “saiam às ruas”, lembram que a Igreja precisa “voltar ao primeiro amor” e retomar a mística do Reino de Deus na caminhada junto com os pobres e a serviço de sua libertação.

408

Leia a carta na íntegra: Queridos irmãos no episcopado Somos três bispos eméritos que, de acordo com o ensinamento do Concílio Vaticano II, apesar de não sermos mais pastores de uma Igreja local, somos sempre participantes do Colégio episcopal e, junto com o Papa, nos sentimos responsáveis pela comunhão universal da Igreja Católica. Alegrou-nos muito a eleição do Papa Francisco no pastoreio da Igreja, pelas suas mensagens de renovação e conversão, com seus seguidos apelos a uma maior simplicidade evangélica e maior zelo de amor pastoral por toda a Igreja. Tocou-nos também a sua recente visita ao Brasil, particularmente suas

palavras aos jovens e aos bispos. Isso até nos trouxe a memória do histórico Pacto das Catacumbas. Será que nós, bispos, nos damos conta do que, teologicamente, significa esse novo horizonte eclesial? No Brasil, em uma entrevista, o Papa recordou a famosa máxima medieval: “Ecclesia semper renovanda”. Por pensar nessa nossa responsabilidade como bispos da Igreja Católica, nos permitimos esse gesto de confiança de lhes escrever essas reflexões, com um pedido fraterno para que desenvolvamos um maior diálogo a respeito. 1. A Teologia do Vaticano II sobre o ministério episcopal: O Decreto Christus Dominus dedica o 2º capítulo à relação entre bispo e Igreja Particular. Cada Diocese é apresentada como “porção do Povo de Deus” (não é mais apenas um território) e afirma que, “em cada Igreja local está e opera verdadeiramente a Igreja de Cristo, una, santa, católica e apostólica” (CD 11), pois toda Igreja local não é apenas um pedaço de Igreja ou filial do Vaticano, mas é verdadeiramente Igreja de Cristo e, assim a designa o Novo Testamento (LG 22). “Cada Igreja local é congregada pelo Espírito Santo, por meio

do Evangelho, tem sua consistência própria no serviço da caridade, isto é, na missão de transformar o mundo e testemunhar o Reino de Deus. Essa missão é expressa na Eucaristia e nos sacramentos. Isso é vivido na comunhão com seu pastor, o bispo”. Essa teologia situa o bispo não acima ou fora de sua Igreja, mas como cristão inserido no rebanho e com um ministério de serviço a seus irmãos. É a partir dessa inserção que cada bispo, local ou emérito, assim como os auxiliares e os que trabalham em funções pastorais sem dioceses, todos, enquanto portadores do dom recebido de Deus na ordenação são membros do Colégio Episcopal e responsáveis pela catolicidade da Igreja. 2. A sinodalidade necessária no século XXI: A organização do papado como estrutura monárquica centralizada foi instituída a partir do Pontificado de Gregório VII, em 1078. Durante o 1º milênio do Cristianismo, o primado do Bispo de Roma estava organizado de forma mais colegial e a Igreja toda era mais sinodal. O Concílio Vaticano II orientou a Igreja para a compreensão do episcopado como um ministério colegial. Essa inovação encontrou, durante o Concílio, a


EVANGELIZAÇÃO ________________________________________

3. O cinquentenário do Concílio: Nesse momento histórico, que coincide também com o cinquentenário do Concílio Vaticano II, a primeira contribuição que podemos dar à Igreja é assumir nossa missão de pastores que exercem o sacerdócio do Novo Testamento, não como sacerdotes da antiga lei e, sim, como profetas. Isso nos obriga colaborar efetivamente com o bispo de Roma, expressando com mais liberdade e autonomia nossa opinião sobre os assuntos que pedem uma revisão pastoral e teológica. Se os bispos de todo o mundo exercessem com mais liberdade e responsabilidade fraternas o dever do

diálogo e dessem sua opinião mais livre sobre vários assuntos, certamente, se quebrariam certos tabus e a Igreja conseguiria retomar o diálogo com a humanidade, que o Papa João XXIII iniciou e o Papa Francisco está acenando. A ocasião, pois, é de assumir o Concílio Vaticano II atualizado, superar de uma vez por todas a tentação de Cristandade, viver dentro de uma Igreja plural e pobre, de opção pelos pobres, uma eclesiologia de participação, de libertação, de diaconia, de profecia, de martírio… Uma Igreja explicitamente ecumênica, de fé e política, de integração da Nossa América, reivindicando os plenos direitos da mulher, superando a respeito os fechamentos advindos de uma eclesiologia equivocada. Concluído o Concílio, alguns bispos – sendo muitos do Brasil – celebraram o Pacto das Catacumbas de Santa Domitila. Eles foram seguidos por aproximadamente 500 bispos nesse compromisso de radical e profunda conversão pessoal. Foi assim que se inaugurou a recepção corajosa e profética do Concílio. Hoje, várias pessoas, em diversas partes do mundo, estão pensando num novo Pacto das Catacumbas. Por isso, desejando contribuir com a reflexão eclesial de vocês, enviamos anexo o texto original do Primeiro Pacto. O clericalismo denunciado pelo Papa Francisco está sequestrando a centralidade do Povo de Deus na compreensão de uma Igreja, cujos membros, pelo batismo, são alçados à dignidade de “sacerdotes, profetas e reis”. O mesmo clericalismo vem excluindo o protagonismo eclesial dos leigos e leigas, fazendo o sacramento da ordem se sobrepor ao sacramento do batismo e à radical igualdade em Cristo de todos os batizados e batizadas. Além disso, em um contexto de mundo, no qual a maioria dos católicos está nos países do sul (América Latina e África), se torna importante dar à Igreja outros rostos além do costumeiro expresso na cultura ocidental. Nos nossos países, é preciso ter a liberdade de desocidentalizar a linguagem da fé e da liturgia latina, não para criarmos uma Igreja diferente, mas

para enriquecermos a catolicidade eclesial. Finalmente, está em jogo o nosso diálogo com o mundo. Está em questão qual a imagem de Deus que damos ao mundo e o testemunhamos pelo nosso modo de ser, pela linguagem de nossas celebrações e pela forma que toma nossa pastoral. Esse ponto é o que deve mais nos preocupar e exigir nossa atenção. Na Bíblia, para o Povo de Israel, “voltar ao primeiro amor”, significava retomar a mística e a espiritualidade do Êxodo. Para as nossas Igrejas da América Latina, “voltar ao primeiro amor” é retomar a mística do Reino de Deus na caminhada junto com os pobres e a serviço de sua libertação. Em nossas dioceses, as pastorais sociais não podem ser meros apêndices da organização eclesial ou expressões menores do nosso cuidado pastoral. Ao contrário, é o que nos constitui como Igreja, assembleia reunida pelo Espírito para testemunhar que o Reino está vindo e que de fato oramos e desejamos: venha o teu Reino! Esta hora é, sem dúvida, sobretudo para nós bispos, com urgência, a hora da ação. O Papa Francisco ao dirigir-se aos jovens na Jornada Mundial e ao dar-lhes apoio nas suas mobilizações, assim se expressou: “Quero que a Igreja saia às ruas”. Isso faz eco à entusiástica palavra do apóstolo Paulo aos Romanos: “É hora de despertar, é hora e de vestir as armas da luz” (13,11). Seja essa a nossa mística e nosso mais profundo amor. Abraços, com fraterna amizade. DOM JOSÉ MARIA PIRES, Arcebispo emérito da Paraíba. DOM TOMÁS BALDUINO, Bispo emérito de Goiás. DOM PEDRO CASALDÁLIGA, Bispo emérito de São Félix do Araguaia. Festa da Assunção de Nossa Senhora, 15 de agosto de 2013

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

oposição de uma minoria inconformada. O assunto, na verdade, não foi suficientemente amarrado. Além disso, o Código de Direito Canônico, de 1983, e os documentos emanados pelo Vaticano, a partir de então, não priorizaram a colegialidade, mas restringiram a sua compreensão e criaram barreiras ao seu exercício. Isso foi em prol da centralização e crescente poder da Cúria Romana, em detrimento das Conferências nacionais e continentais e do próprio Sínodo dos bispos, este de caráter apenas consultivo e não deliberativo, sendo que tais organismos detêm, junto com o Bispo de Roma, o supremo e pleno poder em relação à Igreja inteira. Agora, o Papa Francisco parece desejar restituir às estruturas da Igreja Católica e a cada uma de nossas dioceses uma organização mais sinodal e de comunhão colegiada. Nessa orientação, ele constituiu uma comissão de cardeais de todos os continentes para estudar uma possível reforma da Cúria Romana. Entretanto, para dar passos concretos e eficientes nesse caminho – e que já está acontecendo – ele precisa da nossa participação ativa e consciente. Devemos fazer isso como forma de compreender a própria função de bispos, não como meros conselheiros e auxiliares do Papa, que o ajudam à medida que ele pede ou deseja e sim como pastores, encarregados com o Papa de zelar pela comunhão universal e o cuidado de todas as Igrejas.

409


EVANGELIZAÇÃO ________________________________________

BREVE INTRODUÇÃO AO DOCUMENTO (1) Os vários gestos e pronuncia-

bispos faziam parte de um dos grupos

durou pouco. A “Igreja dos Pobres”

mentos do Papa Francisco a respeito

que se formou durante o Concílio, o

foi calada, expressões como “opção

do modo como ele entende o ministé-

“Grupo da Igreja dos Pobres”, capita-

preferencial pelos pobres”, libertação,

rio dos pastores na Igreja e o modo da

neados, entre outros, por D. Helder

martírio, profetismo, tornaram-se

Igreja estar no mundo, deram ensejo a

Câmara. Se os resultados práticos dos

quase obsoletas e ultrapassadas. E eis

que seja resgatado um documento qua-

esforços da “Igreja dos Pobres” foram

que, quando menos se esperava, do

se esquecido (quando não desconhe-

poucos, foram, no entanto, decisivos

“fim do mundo” o Espírito suscita um

cido), elaborado durante o Concílio

para a compreensão da Igreja e de

Papa chamado Francisco. Para surpre-

Vaticano II, que entrou para a história

sua missão no mundo, como se pode

sa geral, muitas de suas intervenções

como testemunho do empenho evan-

constatar pela leitura do número 1 da

e gestos, além de um profundo sabor

gélico de bispos e teólogos de várias

Lumem Gentium: “As alegrias e as es-

evangélico, remetem àquele “obscuro”

partes do mundo (muitos brasileiros),

peranças, as tristezas e as angústias dos

e quase desconhecido “Pacto das Ca-

que, num esforço de responder aos

homens de hoje, sobretudo dos pobres

tacumbas” (4). Não nos cabe aqui fazer

apelos do Papa João XXIII, defendiam

e de todos aqueles que sofrem, são

um confronto entre os discursos e ges-

“uma Igreja pobre e para os pobres” .

também as alegrias e as esperanças, as

tos proféticos do Papa Francisco e os

Trata-se do “Pacto das Catacumbas”,

tristezas e as angústias dos discípulos

tópicos do “Pacto”. Apenas oferecemos

firmado por 39 bispos, após uma ce-

de Cristo”; e pelo número 8 da Gau-

aos confrades a possibilidade de anali-

lebração eucarística nas Catacumbas

dium et Spes: “...como Cristo realizou

sarem esse testemunho histórico à luz

de Santa Domitila, nos arredores de

a obra da redenção na pobreza e na

dos desejos expressos por esse homem

Roma, no dia 16 de novembro de 1965,

perseguição, assim a Igreja é chamada

que, passados 50 anos, está fazendo a

poucos dias antes do encerramento do

a seguir pelo mesmo caminho...”; a

Igreja de Jesus Cristo reviver o sonho

Concílio(3) . O “Pacto” foi o ápice de um

Igreja “...reconhece nos pobres e nos

de uma “inesperada primavera”. E que

processo que perpassou as 4 sessões do

que sofrem a imagem do seu fundador

nós, que por profissão seguimos as pe-

Concílio (1962-1965), marcado por

pobre e sofredor...”. Lançadas no terre-

gadas de Jesus ao modo de Francisco,

uma profunda reflexão, articulação

no fértil da Igreja da América Latina,

nos inspiremos para tornar este sonho

e compromisso profético, de colocar

entre Medellín (1968) e Puebla (1979),

realidade. Segue-se o texto do “Pacto

os pobres e a questão da pobreza no

as sementes do Concílio começaram a

das Catacumbas” (5).

centro dos debates conciliares. Estes

germinar. O florescimento, no entanto,

FREI SANDRO ROBERTO DA COSTA

(2)

NOTAS (1) Esta breve introdução ao texto do “Pacto das Catacumbas” é uma síntese de um artigo mais completo, sobre “A Igreja dos

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

Pobres e o Pacto das Catacumbas”, a ser publicado na edição de setembro da Revista Grande Sinal. (2) Um mês antes da abertura do Concílio, no dia 11 de setembro de 1962, o papa João XXIII, numa mensagem radiofônica, afirmou que “Diante dos países subdesenvolvidos, a Igreja apresenta-se tal como é e quer ser, a Igreja de todos e particularmente a Igreja dos pobres”. (3) No dia 15 de agosto de 2013, três bispos eméritos (D. Pedro Casaldáliga, D. Tomás Balduíno e D. José Maria Pires) publicaram uma Carta aos Bispos do Brasil, tendo como pano de fundo o “Pacto das Catacumbas”. D. José Maria Pires participou da celebração da Eucaristia ao final da qual foi assinado o “Pacto”. (4) O Papa Francisco, além de ter assumido o nome do “Santo dos Pobres”, na sua primeira audiência aos jornalistas, no dia 16 de março de 2013, disse que queria “uma Igreja pobre e para os pobres”. (5) A versão em língua portuguesa do “Pacto das Catacumbas”, encontra-se em KLOPPENBURG, Boaventura, “O Pacto da Igreja

410 Serva e Pobre”, in Concílio Vaticano II, vol. V, Quarta Sessão (set.-dez. 1965), Vozes, Petrópolis, 1966, 526-528.


EVANGELIZAÇÃO ________________________________________

DOCUMENTO

“PACTO DAS CATACUMBAS” Nós, bispos, reunidos no Concílio Vaticano II, esclarecidos sobre as

deficiências de nossa vida de pobreza segundo o Evangelho; incentivados uns pelos outros, numa iniciativa em que cada um de nós quereria evitar a singularidade e a presunção; unidos a todos os nossos irmãos do episcopado; contando sobretudo com a graça e a força de Nosso Senhor Jesus Cristo, com a oração dos fiéis e dos sacerdotes de nossas respectivas dioceses; colocando-nos, pelo pensamento e pela oração, diante da Trindade, diante da Igreja de Cristo e diante dos sacerdotes e dos fiéis de nossas dioceses, na humildade e na consciência de nossa fraqueza, mas também com toda determinação e toda a força de que Deus nos quer dar a graça, comprometemo-nos ao que se segue: 1) Procuraremos viver segundo o modo ordinário da nossa população, no que concerne à habitação, à alimentação, aos meios de locomoção e a tudo que daí se segue. Cf. Mt 5,3; 6,33-34; 8,20. 2) Para sempre renunciamos à aparência e à realidade da riqueza, especialmente no traje (fazendas ricas, cores berrantes), nas insígnias

relações mútuas, procuraremos transformar as obras de “beneficência”

de matéria preciosa (devem esses signos ser, com efeito, evangélicos).

em obras sociais baseadas na caridade e na justiça, que levam em conta

Cf. Mt 6,9; Mt 10,9-10; At 3,6. Nem ouro nem prata.

todos e todas as exigências, como um humilde serviço dos organismos públicos competentes. Cf. Mt 25,31-46; Lc 13,12-14.33-34. 10) Poremos tudo em obra para que os responsáveis pelo nosso go-

tudo em nome da diocese, ou das obras sociais ou caritativas. Cf. Mt

verno e pelos nossos serviços públicos decidam e ponham em prática as

6,19-21; Lc 12,33-34.

leis, as estruturas e as instituições sociais necessárias à justiça, à igualdade

4) Cada vez que for possível, confiaremos a gestão financeira e

e ao desenvolvimento harmônico e total do homem todo e em todos os

material em nossa diocese a uma comissão de leigos competentes e

homens, e, por aí, ao advento de uma outra ordem social, nova, digna

cônscios do seu papel apostólico, em mira a sermos menos adminis-

dos filhos do homem e dos filhos de Deus. Cf. At 2,44-45; 4,32-35; 5,4;

tradores do que pastores e apóstolos. Cf. Mt 10,8; At 6,1-7.

2Cor 8 e 9 inteiros; 1Tm 5,16.

5) Recusamos ser chamados, oralmente ou por escrito, com nomes

11) Achando a colegialidade dos bispos sua realização a mais

que signifiquem a grandeza e o poder (Eminência, Excelência, Mon-

evangélica na assunção do encargo comum das massas humanas em

senhor...). Preferimos ser chamados com o nome evangélico de Padre.

estado de miséria física, cultural e moral — dois terços da humanidade

Cf. Mt 20,25-28; 23,6-11; Jo 13,12-15.

—, comprometemo-nos:

6) No nosso comportamento, nas nossas relações sociais, evitaremos aquilo que pode parecer conferir privilégios, prioridades

— a participarmos, conforme nossos meios, dos investimentos urgentes dos episcopados das nações pobres;

ou mesmo uma preferência qualquer aos ricos e aos poderosos (ex.:

— a requerermos juntos ao plano dos organismos internacionais,

banquetes oferecidos ou aceitos, classes nos serviços religiosos). Cf. Lc

mas testemunhando o Evangelho, como e fez o Papa Paulo VI na ONU,

13,12-14; 1Cor 9,14-19.

a adoção de estruturas econômicas e culturais que não fabriquem nações

7) Do mesmo modo, evitaremos incentivar ou lisonjear a vaidade de quem quer que seja, com vistas a recompensar ou a solicitar dádivas,

proletárias num mundo cada vez mais rico, mas sim permitam às massas pobres saírem de sua miséria.

ou por qualquer outra razão. Convidaremos nossos fiéis a considerarem

12) Comprometemo-nos a partilhar, na caridade pastoral, nossa

as suas dádivas como uma participação normal no culto, no apostolado

vida com nossos irmãos em Cristo, sacerdotes, religiosos e leigos, para

e na ação social. Cf. Mt 6,2-4; Lc 15,9-13; 2Cor 12,4.

que nosso ministério constitua um verdadeiro serviço; assim:

8) Daremos tudo o que for necessário de nosso tempo, reflexão, coração, meios etc., ao serviço apostólico e pastoral das pessoas e dos grupos laboriosos e economicamente fracos e subdesenvolvidos, sem

— esforçar-nos-emos para “revisar nossa vida” com eles; — suscitaremos colaboradores para serem mais uns animadores segundo o espírito, do que uns chefes segundo o mundo;

que isso prejudique as outras pessoas e grupos da diocese. Amparare-

— procuraremos ser o mais humanamente presentes, acolhedores...;

mos os leigos, religiosos, diáconos ou sacerdotes que o Senhor chama

— mostrar-nos-emos abertos a todos, seja qual for a sua religião.

a evangelizarem os pobres e operários compartilhando a vida operária e o trabalho. Cf. Lc 4,18-19; Mc 6,4; Mt 11,4-5; At 18,3-3; 20,33-35; 1Cor 4,12; 9,1-27. 9) Cônscios de exigências da justiça e da caridade, e das suas

Cf. Mc 8,34-35; At 6,1-7; 1Tm 3,8-10. 13) Tornados às nossas dioceses respectivas, daremos a conhecer aos nossos diocesanos a nossa resolução, rogando-lhes ajudar-nos por sua

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

3) Não possuiremos nem imóveis, nem móveis, nem conta em banco etc., em nosso próprio nome; e, se for preciso possuir, poremos

compreensão, seu concurso e suas preces. Ajude-nos Deus a sermos fiéis. 411


EVANGELIZAÇÃO ________________________________________

FRENTE DA COMUNICAÇÃO SE REÚNE EM BRAGANÇA PAULISTA

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

MOACIR BEGGO

412

No dia 15 de agosto, os participantes da Frente de Evangelização na Comunicação, envolvendo os diferentes serviços realizados pela Província em São Paulo e região, encontraram-se na sede da USF para conhecer o trabalho de comunicação realizado nessas duas grandes áreas de ensino. O convite partiu, gentil e fraternalmente, do Reitor da USF, Héctor Escobar, que tem participado de todos os encontros da Frente de Comunicação. Para falar um pouco da Associação Bom Jesus e da FAE, vieram de Curitiba o diretor Jorge Apóstolos Siarcos e a coordenadora de Comunicação e Marketing Marília Rogacheski , e a coordenadora de Comunicação Patrícia Marçal apresentou a USF aos participantes. Antes, Frei Gustavo Medella, que coordena esta Frente da Província, agradeceu ao Reitor pelo convite e pela acolhida carinhosa e fez uma pequena reflexão, onde colocou alguns pontos da entrevista do Ministro Geral, Frei Michael Perry, ao site Franciscanos, quando insistiu bastante que a Ordem Franciscana busque, invista e trabalhe por uma aproximação cada vez mais intensa com os pobres. Disse, inclusive, de aproximação física. Em deslocar-se para partilhar da vida do pobre, porque, segundo ele, essa proximidade é fonte de vigor evangélico, vibração da vocação franciscana naquilo que é próprio do carisma franciscano. “Essa provocação ressoa tanto no campo da comunicação como no campo da educação. Devemos, com toda excelência que buscamos e fazemos em termos de ensino, de pesquisa, de competitividade

no mercado, apostar no fomento de um ser humano que seja competente e produtivo, mas que nós também saibamos educar e instruir pessoas para que tenham um coração menos ávido de posses, mais desprendido, mais desapegado. E essa é a grande contribuição franciscana para esse contexto em que vivemos, inclusive uma resposta a essa crise de escassez de água, essa crise ecológica que brota justamente desse coração ávido por consumir e dessa avidez que interessa a esse modo de vida baseado na produção e no consumo”, disse Frei Medella. Segundo ele, é preciso sermos produtivos, competentes, mas o compromisso, enquanto franciscanos e comprometidos com uma instituição franciscana, é de apostar na criação, no fomento desse coração menos ávido, ganancioso, menos cheio de necessidades que são criadas. “E para criar esse espírito precisamos primeiro fomentá-lo em nós mesmos. E é uma tarefa difícil, uma luta constante, tendo em vista que somos também filhos de nosso tempo e somos provocados por essa sede e por esses apelos”, acrescentou, pedindo que procuremos, como comunicadores, transmitir àqueles que são nossos interlocutores, alunos, colaboradores, e que saibamos dar valor e cultivar aquilo que é tão próprio da vida de São Francisco de Assis. Patrícia apresentou a Universidade São Francisco, que hoje soma 10 mil alunos e 600 professores em 37 anos de presença franciscana na educação superior, oferecendo mais de 40 cursos de graduação e pós-graduação nos campi de Bragança, Itatiba, São Paulo e Campinas (com 2 campus). Segundo Patrícia, hoje a internet é uma ferramenta indispensável para interação e comunicação com os alunos, seja através do

site – que vai ter um novo rosto a partir de setembro -, de boletins, da intranet e da Revista USF Express. A assessoria de imprensa é fundamental para fazer a ponte da instituição com as mídias externas. Marília mostrou o grande trabalho que é feito pela Associação Bom Jesus, presente em cinco estados, com 29 escolas, e pela FAE Centro Universitário, com unidades em Curitiba (duas), São José dos Pinhais e Blumenau, além Sesc São José, LaCe Language Center, Viva Esporte Academia e Valor Brasil. Segundo o diretor Jorge, as unidades de ensino do Bom Jesus estão entre as 8 mil escolas, em 177 países, que integram o Programa de Escolas Associadas da Unesco — Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. “O objetivo é oferecer ensino de qualidade que promova inclusão e justiça social, preparando cidadãos responsáveis e conscientes de seu papel, tanto na comunidade local como global”, disse, destacando a importância de trabalhar os princípios franciscanos não só na parte interna, mas também externa, com empresas e fornecedores do grupo Bom Jesus. Para manter esse trabalho de excelência, em todo o complexo educacional, Marília coordena a Comunicação e Marketing que é feita por duas equipes. O diretor convidou os participantes a conhecerem as instalações de Comunicação e marketing do Bom Jesus durante o encontro da Frente de Comunicação em setembro. No final, ainda foram partilhadas impressões da Jornada Mundial da Juventude, especialmente do Espaço Franciscano, que acolheu franciscanos (as) do mundo inteiro, e a reunião terminou com um almoço oferecido pela USF.


EVANGELIZAÇÃO ________________________________________

FREI ALVACI MENDES DA LUZ Atualmente, o Pró-Vocações e Missões Franciscanas promove para os seus benfeitores encontros e retiros no Sul e no Norte da Província. Mas no Seminário de Agudos virou tradição, já que o primeiro retiro aconteceu em agosto de 1999. Desde então, os benfeitores esperam o ano todo por este encontro franciscano, como aconteceu de 15 a 18 de agosto no Seminário Santo Antônio, na cidade de Agudos (SP). Os participantes são em sua maioria da cidade de São Paulo, mas alguns vêm de estados mais distantes, como: Espirito Santo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. Neste ano, o retiro contou com a presença de mais de 100 benfeitores, bem como, dos frades que trabalham diretamente no Pró-Vocações e na animação vocacional, e ainda de dois frades convidados para conduzirem as palestras de formação: Frei Gustavo Medella, que falou sobre a diversidade do carisma franciscano; e, Frei Marcos Roberto de

Carvalho, frade capuchinho, que deu palestra sobre o tema: “São Francisco e Santa Clara de Assis, um ideal de vida”. 15/8: CHEGADA NO FINAL DA TARDE Na quinta-feira, logo que chegaram, os benfeitores foram recepcionados pelos frades e aspirantes, e conduzidos aos seus respectivos aposentos. Antes de descansarem, agradeceram pela viagem e pediram as bênçãos para o bom andamento do Retiro. DESERTO E PROCISSÃO LUMINOSA No segundo dia (16), às 6h30, os benfeitores foram acordados com música por Frei Xandão e equipe. Este dia teve uma dinâmica especial sobre a vida franciscana e os vários ramos que a espiritualidade de Francisco e Clara inspiraram ao longo de oitocentos anos de história. Frei Gustavo Medella conduziu os momentos de partilha, levando os participantes a conhecerem um pouco mais da riqueza do carisma franciscano. Eles

são os inspiradores de um ideal de vida nobre, que pode ser seguido por homens e mulheres, no claustro ou no mundo, de diversos modos e em diferentes tempos. Um dos momentos significativos foi o “caminho de Emaús”, ou deserto, que os benfeitores fizeram dois a dois pelos arredores do Seminário. Orientados por Frei Diego, cada benfeitor escolheu o seu companheiro de partilha e “discípulo” na estrada rumo a Emaús. Segundo Frei Diego, eles não seguiam e conversavam sozinhos, havia uma terceira pessoa com eles: o próprio Jesus. Do mesmo modo, o Senhor estava ali, com cada um daqueles que caminhavam e partilhavam sua vida, suas alegrias e suas angústias. Na partilha que se seguiu, à tarde, pôde-se sentir o quanto este momento foi valioso para cada benfeitor. E como não poderia deixar de ser, os momentos devocionais sempre fazem parte de um retiro como este. Desde a oração da manhã, conduzida por Frei Xandão, até a Caminhada com Maria, ou procissão luminosa, rumo à gruta do Seminário. Na caminhada, meditan-

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

BENFEITORES DO PVF SE ENCONTRAM EM AGUDOS

413


EVANGELIZAÇÃO ________________________________________

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

do as Sete Alegrias de Nossa Senhora, cada um dos participantes pôde colocar diante de Deus e de Maria sua vida, sua família, seus amigos, pôde agradecer e pedir, enfim, rezar e meditar. Nada melhor, para terminar este segundo dia, do que conhecer melhor a vida de Francisco e Clara. E foi assistindo a um filme, com o título: “Francisco de Assis”, no Salão Nobre do Seminário, que se encerraram as atividades desta sexta-feira.

414

17 E 18 DE AGOSTO: DOIS DIAS INTENSOS Os dois últimos dias foram especiais e de despedidas para os benfeitores franciscanos. De fato, além das palestras, dos momentos de convívio, os dias foram também de Missa em Ação de Graças e festa temática de encerramento. Já bem cedo, na manhã de sábado (17), depois de novamente serem acordados pela equipe de animação e tomado um bom café da manhã, todos se dirigiram para o campo de futebol do Seminário. Ali, tocados pelo irmão vento, que soprava forte naquela manhã, cada um foi convidado a rezar com Francisco de Assis e louvar a criação. A oração da manhã, conduzida por Frei Diego de Melo, preparava os corações para o tema do dia: Francisco e Clara


EVANGELIZAÇÃO ________________________________________

E como tudo o que é bom dura pouco, já diz o ditado, a tarde veio chegando e a Missa em Ação de Graças anunciava o fim de mais um retiro no Seminário Santo Antônio. Agradecer é próprio de um coração que ama: Francisco foi um homem agradecido, os frades são pessoas agradecidas, nossos benfeitores são homens e mulheres que na sua simplicidade partilham o que Deus lhes deu gratuitamente. Celebrar e agradecer a Deus, todas as graças concedidas a nós, frades, e aos nossos benfeitores é uma forma de coroar estes dias juntos, e assim se fez. A Missa ainda teve homenagem dos aspirantes a cada um dos presentes, neste fim de semana que celebrava a vocação religiosa. Já passava das 21 horas, quando começou no salão da segunda ala uma

festa temática, carinhosamente preparada pela equipe do Pró-Vocações para fechar com chave de ouro estes três dias de celebração, partilha e alegria. Frei Xandão conduziu a festa que teve música dos anos 60, 70 e 80. A manhã do domingo foi de despedida e viagem de volta para as casas. Fica aqui nosso agradecimento a todos os presentes, à Fraternidade do Seminário Santo Antônio, aos aspirantes franciscanos, aos frades que lá estiveram, de forma toda particular aos palestrantes: Frei Gustavo Medella e Frei Marcos, e a todos os que, com carinho, fazem parte desta nossa grande família Pró-Vocações. O próximo retiro já tem data marcada, será de dois dias: 1º a 4 de maio de 2013. Nos encontraremos lá!

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

de Assis, um ideal de vida. Frei Marcos Roberto de Carvalho, OFMCap, foi quem conduziu as palestras e com maestria falou de duas personalidades totalmente distintas, mas ao mesmo tempo, apaixonadas por Jesus Cristo. Segundo Frei Marcos, Clara e Francisco, não podem ser colocados num mesmo degrau de comparação, ou mesmo, um se tornar sombra do outro, eles são pessoas diferentes, personalidades diversas (homem e mulher) e respostas diferentes ao chamado. Contudo, o que os uniu foi um amor sem limites a Jesus Cristo e à causa do Reino de Deus. O frade capuchinho ainda ficou com os benfeitores mais um tempo à tarde, respondendo a perguntas e fazendo esclarecimentos sobre a vida destes dois grandes santos.

415


FIMDA ________________________________________

FESTA DE SANTA CLARA NA FRATERNIDADE DE KIBALA

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

FREI ALISSON ZANETTI

416

Com a intenção de celebrar Santa Clara, a Fraternidade Santo Antônio de Kibala realizou um passeio à Província da Huíla, na cidade de Lubango, de 8 a 16 de agosto, onde está localizado o Convento das Clarissas. Nos dias que estivemos lá, muitas coisas boas aconteceram, a saber: trabalho, oração e a festa da Mãe Clara, o momento mais marcante. Ainda tivemos outros momentos expressivos como o passeio para a fenda de Tundavala, o Cristo Rei (mesmo que Cristo Redentor do Brasil, mas em menor dimensão), o Santuário de Nossa Senhora do Monte, em Serra da Leba, e até nos deslocamos à Província do Namíbe a fim de contemplar a planta rara da Welvitchia Mirabilis (uma planta típica do deserto). No regresso passamos pela Província de Benguela, onde visitamos os

familiares de três postulantes: Crisóstomo, Gabriel e Victorino, e fomos visitar as Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria. Assim, voltamos para casa repletos de Deus, Clara e Francisco para dar continuidade ao postulantado. EXPERIÊNCIA NA FAZENDA DA ESPERANÇA Julho foi para nós, postulantes da FIMDA, mês do estágio na Fazenda da Esperança. Fizemos a experiência do beijo do leproso. A princípio, nós não tínhamos noção de como os irmãos que passavam pela Fazenda se recuperavam. A nossa grande surpresa foi ver que os jovens se recuperam a partir da “Evangelhoterapia”, e se tornam novas criaturas prontas para amar. Nós, postulantes, trocamos experiências de vida mais do que com palavras, através do testemunho que cada um, na sua forma de ser e agir, deixou aos jovens,

ao partilhar o trabalho em conjunto, a oração e os momentos de lazer. Os jovens, por sua vez, mostrando-se disponíveis e abertos às mudanças no ideal de um homem novo, aos poucos vão abandonando o homem velho a partir do tripé que norteia a Fazenda: espiritualidade, convivência e trabalho.


FIMDA ________________________________________

A CAPELA DO POSTULANTADO nho que fez da capela. “O desenho ficou deslocado na página porque de início minha intenção era fazer apenas a fachada da capela. Só depois decidi desenhar o corpo. Mas dá para se ter uma ideia apro-

ximada de como ficará depois de pronta”, explicou, completando que agora está em busca de uma imagem de Santo Antônio (Padroeiro do Postulantado) para colocar na fachada e também um sino.

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

Segundo Frei André Gurzynski, a construção da Capela do Postulantado de Kibala está em fase adiantada, como pode ser vista pelas fotos. Frei André também enviou o dese-

417


OFS ________________________________________

REGIÃO SUDESTE III

DENIZE MARUM É REELEITA Como era de se esperar, a Ministra Regional da Ordem Franciscana Secular, Região Sudeste III, Denize Aparecida Marum Gusmão, foi reeleita no Capítulo Regional Eletivo, no sábado(17/8), no Centro Pastoral Santa Fé, em Perus, na Grande São Paulo. Para vice-ministro foi eleito Antônio Carlos Alves e como coordenador da Formação César Galvão. Como primeira secretária foi eleita Edite Costa Beber; e segunda secretária, Rita de Cássia Plotegher. A coordenação do Capítulo esteve a cargo de Maria Bernadette Amaral Mesquita.

COLETA SOLIDÁRIA EM PROL DAS CLARISSAS No mês em que os franciscanos comemoram a festa de Santa Clara, a Fraternidade Santo Antônio de Duque de Caxias (RJ), da OFS e da Jufra, promoveram na Catedral Santo Antônio uma coleta solidária em prol do Mosteiro Santa Clara das Irmãs Clarissas, localizado na cidade de Nova Iguaçu. Os irmãos da fraternidade armaram na igreja uma barraquinha com artigos religiosos e com os biscoitos e bolinhos de Santa Clara. Os quitutes feitos pelas irmãs foram concorridos, demonstrando a forte devoção popular à Santa Clara e a solidariedade do povo ao ideal de São Francisco, representado pelo ideal e compromisso de vida evangélica e santa pobreza, edificando a Igreja com alegria.

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

MENSAGEM: GRATIDÃO

418

O Senhor, na sua infinita bondade, me deu a graça de servir na missão de coordenar os trabalhos deste Regional, numa caminhada de três anos, no empenho de intensificar sempre mais a atualização das Fraternidades Locais. Todas as alegrias, tristezas, sonhos, desafios vividos me deram a sensação do dever cumprido. É natural que nada fiz sozinha. Tive sempre a força do Deus Trindade e dos irmãos e companheiros de trabalho, em particular os que estavam ao meu lado no dia a dia. E no espírito do peregrino de Assis, buscamos neste período, nos aproximar das Fraternidades, deslocando-nos geograficamente para realizar nossos encontros, visitas, tendo a oportunidade de um contato mais direto com os irmãos e irmãs, ouvindo, exortando, orientando e corrigindo fraternalmente. Os laços de união fraterna estreitaram-se. Sentimo-nos mais íntimos uns dos outros, pois pudemos partilhar da casa, do convívio familiar, da mesa que nos alimentou, da cama que descansou o corpo e o espírito com a amizade gratuita, simples, alegre e acolhedora. Senti na companhia, nas palavras, nos gestos, e até mesmo na ausência, expressões de amor e fraternidade. O carisma franciscano, toda essa convivência, a participação, o conhecimento de tantas realidades diferenciadas e de tantos irmãos e irmãs foram dimensões inesquecíveis. Caminhamos entre luzes e sombras, como todo serviço prestado em favor do Reino e dos irmãos. Mas temos a certeza

de que iluminados pela vida e pela obra de Santa Clara não deixaremos que as sombras apaguem a missão que nos foi confiada, neste período restante do triênio. Como Fraternidade Regional, fizemos todo o esforço possível para levar adiante nossa querida OFS. Vivemos momentos de trabalho intenso. Exemplo disso foi a preparação do Capítulo Geral em 2011, como durante todo o evento, foi muito exigente, mas gratificante, particularmente pela colaboração e disposição de muitos irmãos e irmãs. Buscamos incansavelmente acertar, alimentando com as luzes do Espírito Santo os ideais de Francisco e Clara de Assis, mantendo viva a chama da nossa vocação e procurando “não perder de vista o ponto de partida”. Concluindo este relatório, desejo manifestar minha gratidão a todos os membros do Conselho, por todo o trabalho que realizaram nestes três anos, muitas vezes silencioso, mas sempre fecundo, um verdadeiro trabalho apostólico. Peço a Deus que ajude os irmãos e irmãs que agora estarão comigo a serviço da Fraternidade Regional por mais três anos, para que possamos continuar experimentando a presença amorosa do Deus Altíssimo, conduzindo o nosso caminhar, no crescente empenho de construir o seu Reino, em união com toda a família de Francisco e Clara de Assis. Fraternalmente, Denize Aparecida Marum Gusmão (Ministra Regional – OFS Sudeste III SP)


FALECIMENTO ________________________________________

FREI JOSÉ LUIZ PRIM * 14/06/1935

+ 06/08/2013

Com pesar, noticiamos o fale-

amparado por algum outro.

cimento de Frei José Luiz Prim, no

Dessa forma, um médico muito

dia 6/8, às 20h00, no Hospital Santa

amigo nosso achou conveniente fazer no-

Isabel, de Blumenau.

vos exames e, desta vez, no bem concei-

Em e-mail de 30 de julho, en-

tuado ebem equipado Hospital de Santa

viado a vários confrades, familiares

Isabel. Na tomografia computadorizada,

e amigos, Frei José Luiz Prim escre-

descobriu-se uma fratura lateral de uma

veu o seguinte:

vértebra, e certo grau de compressão entre

“Relatório de um acidente

algumas outras. Com isso, os movimentos

Prezados parentes e amigos,

das mãos e das pernas ficaram seriamente

muitos de vocês certamente ouvi-

comprometidos. Por isso estou em estado

ram contar sobre o acidente que

de repouso e por hora prefiro não receber

aconteceu comigo. Como a vida traz

visitas para descansar melhor. Peço que

alegrias e tristezas, meu bom Deus

compreendam.

quis provar-me também com este

Atualmente, encontro-me no Novi-

infortúnio.

ciado Franciscano de Rodeio, onde todos

Aconteceu assim: No dia

os confrades me oferecem toda atenção e

19 de julho, iniciei minha viagem de Blumenau para Rio dos Cedros a fim de passar ali o dia inteiro,

carinho, como São Francisco de Assis escreveu na Regra sobre o tratamento aos Irmãos Enfermos.

dando aulas de Liturgia na Escola Diaconal. Como eu queria chegar

Quando eu estiver melhor, vou me comunicar novamente

ao destino meia hora antes do início das aulas, sai de casa às seis e

com vocês. Agradeço a todos que durante esses dias fizeram orações

trinta da manhã. Ainda estava escuro. Devido ao enfraquecimen-

por mim e mandaram mensagens por e-mail.

to da vista com a idade, eu não deveria dirigir carro no escuro. Mas

Apesar de todos os sofrimentos que enfrentei e estou enfren-

como o caminho era bem conhecido, e tantas vezes dirigi no escuro

tando, meu espírito não se abateu. Deus me deu fé e confiança. Na

em Blumenau, sem nada me acontecer, fui em frente confiante. Uns

conversa com os confrades e outras pessoas, sou praticamente o

oito minutos após sair de nossa residência em Blumenau, no caminho

mesmo como sempre fui, procurando encarar a vida de um modo

para Indaial, passando junto ao Terminal do Aterro, uns 50m adiante,

positivo e quando há ocasião faço minhas piadinhas. Era isto, meus

numa pequena descida, veio em minha direção um ônibus com luz

queridos, que eu queria lhes comunicar. Termino esta notícia com

alta. Por uns segundos, isto me deixou completamente cego, e esse

minha saudação franciscana de PAZ E BEM!”.

pequeno espaço de tempo foi o suficiente para acontecer comigo um

Frei José Luiz Prim foi velado na Paróquia e Santuário Nossa

grave acidente. Houve uma colisão com a proteção de cimento da ilha

Senhora Aparecida, Vila Itoupava Norte, em Blumenau. A Missa de

de segurança para pedestres. Minha velocidade devia estar entre 60 e

exéquias foi celebrada às 14h30, seguida do sepultamento no mauso-

80 km/h. Com o impacto o carro capotou à margem da estrada. Não

léu São Francisco, também em Blumenau.

asfalto. Lembro que eu estava espremido debaixo do painel no lado do

DADOS PESSOAIS, FORMAÇÃO E ATIVIDADES

motorista e de cabeça para baixo. A coluna vertebral me doía muito.

● Nascimento: 14/06/1935 (78 anos de idade), em Varginha,

Logo apareceram os guardas de trânsito e os bombeiros. Fui socorrido

município de Santo Amaro da Imperatriz, SC;

imediatamente, e, com a ambulância do SAMU me levaram ao pronto

● Admissão ao Noviciado: 21.12.1955, em Rodeio, SC;

socorro do Hospital Santo Antônio. Ali passei a manhã, a maior parte

● Primeira Profissão: 22.12.1956;

do tempo estendido sobre uma maca incômoda e fria. Depois de ho-

● Profissão Solene: 22.12.1959;

ras de espera entre um procedimento e outro, finalmente tiraram ra-

● Ordenação Presbiteral: 15.12.1961;

diografias, e me liberaram dizendo que não havia problemas maiores.

● 1957 – 1958 – Estudos de Filosofia, em Curitiba;

Acontece que naquela sexta-feira à tarde, eu não estava tão mal assim, podia subir e descer escadas, e até ir fazer um exame no oculista, para ver se a pancada no carro não teria afetado a minha visão. Graças a Deus neste aspecto não houve nada! Mas na noite de sexta para sábado ao levantar da cama, cai no chão; minhas pernas não me aguentavam mais. Só podia caminhar

● 1959 – 1962 – Estudos de Teologia, em Petrópolis; ● jan/1963 – Agudos – professor no Seminário; ● jun/1963 – Rio de Janeiro – Santo Antônio – Santa Rita – Curso de Pastoral; ● 06.12.1963 – Agudos – professor no Seminário;

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

desmaiei e me lembro da pancada e do ruído do carro deslizando no

● 06.12.1971 – São Paulo – São Francisco – Aperfeiçoamento 419


FALECIMENTO ________________________________________ em Música; ● 14.12.1972 – Petrópolis – diretor do ginásio e do Instituto dos Meninos Cantores (Canarinhos); ● De dezembro de 1973 até maio de 1974, fez estágio em Regensburg, na Alemanha;

fez com que sua vocação para a vida franciscana e sacerdotal despertasse já na infância, e se mantivesse acesa pela vida inteira. “O ideal da vida religiosa e do cultivo da música conviveram por todos os anos de sua formação. Assim, durante os estudos no Seminário de Agudos, SP, formou-se no curso de Piano no Conservatório

● 11.03.1999 – Petrópolis – regente dos Canarinhos;

Dramático e Musical de Bauru, que mais tarde se transformou na Es-

● 22.11.2000 – Pato Branco – guardião, vigário paroquial e a

cola de Música Pio XII e passou para Faculdade de Música. Quando

serviço da Comunicação;

padre jovem, foi transferido para o Seminário de Agudos, na qualida-

● 07.11.2003 – Rodeio – pároco;

de de professor e educador. Ali formou-se na Faculdade de Música e

● 20.12.2006 – Ituporanga – paróquia – guardião e vigário

de Letras com Inglês. Após conduzir por oito anos as atividades musi-

paroquial. Renunciou ao guardianato em 11.12.2008);

cais do Seminário de Agudos, dedicou todo um ano a estudos de ex-

● 17.12.2009 – Blumenau – coordenador da fraternidade, vi-

tensão de Música em São Pulo, preparando-se para assumir a direção

gário paroquial, assistente regional da OFS-SC e animador do SAV

do Instituto dos Meninos Cantores de Petrópolis em 1973. Permane-

local. Em 01.12.2010, foi nomeado representante do Ministro Pro-

ceu nessa atividade por 28 anos, até o ano 2000. O Instituto mantém o

vincial junto à FFB-SC;

famoso Coral dos Meninos Cantores de Petrópolis, conhecidos como os “Canarinhos de Petrópolis”. “Como regente desse coral, Frei Prim realizou numerosas excursões artísticas por diversos Estados do Brasil. Organizou e dirigiu também 6 excursões internacionais. Por 4 vezes teve o privilégio de apresentar seu coro diante do Papa. Da primeira vez, cantou integrado com o enorme coro de 12.000 vozes de Meninos e Jovens Cantores, reunidos na Basílica de São Pedro, em Roma, para o XV Congresso Internacional de Meninos Cantores. Nas outras 3 apresentações com a presença do Santo Padre, teve o privilégio de ter o coro cantando como solista em certos momentos da celebração. “Após o ano de 2000, por decisão própria, resolveu renunciar aos trabalhos com o coral, para dedicar-se à evangelização nas paróquias. A partir de então trabalhou em Pato Branco, Rodeio e Ituporanga, e em 2012, na Paróquia-Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Blumenau. “Nos 28 anos em que regeu o Coral dos Canarinhos, sempre manteve o cultivo e o interesse pelo Canto Religioso Popular, muito incentivado pela Igreja após o Concílio Vaticano II. O próprio Coral, além da polifonia apresentada nas celebrações, sempre cantava esse gênero de música, para dar ao povo a possibilidade de uma participação ativa. No gênero do Canto Religioso Popular, compôs ainda

Frei Prim e Frei Clauzemir no Capítulo de Agudos em 2012

no tempo de permanência com os Canarinhos a Missa em honra do Santo Frei Galvão, publicada pela Editora Vozes. E poucos anos após, compôs as Missas do Sagrado Coração de Jesus e da Imaculada Con-

ria Provincial, em abril de 2012, uma autobiografia resumida. Aliás,

ceição, com letra de Frei José Moacyr Cadenassi, da Ordem dos Fra-

em sua pasta há belos textos sobre sua vocação e vida francisca-

des Menores Capuchinhos. Este CD foi lançado pela Paulus. A mesma editora publicou há pouco tempo um CD quase todo de sua autoria,

Canarinhos de Petrópolis. Demos, pois, mais uma vez, voz a Frei

com Letra e Música da Missa em honra de Nossa Senhora Aparecida

José Luiz, que descreve sua vida em 3º pessoa. “Frei José Luiz Prim

e Partes Fixas da Missa.

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

Em sua generosidade, Frei José Luiz Prim enviou à Secreta-

na e também sobre sua experiência como educador e regente dos

padres franciscanos muito frequentavam a sua casa, dado que tanto

R.I.P.

420

o pai quanto a mãe tinham um irmão na Ordem Franciscana. Isto

FREI WALTER DE CARVALHO JÚNIOR

realizou seu ideal de vida como sacerdote franciscano da Ordem

Para comemorar os 800 anos de fundação da Ordem de Santa

dos Frades Menores. Nasceu na Varginha, região interior de Santo

Clara (1212-2012), compôs a Missa de Santa Clara de Assis. A grava-

Amaro da Imperatriz, SC, no dia 14 de junho de 1935, e foi o último

ção foi realizada em estúdio de Blumenau, SC, e a fabricação do CD foi

dos 16 filhos de uma família de colonos. Além de todos esses, os

realizada na Zona Franca de Manaus”.

pais tiveram mais duas filhas adotivas. Duas de suas irmãs abraça-

“Evangelizar, levando ao mundo a mensagem do Reino, ilumi-

ram a vida religiosa. Desde criança teve grande inclinação para a

nada pela mística de São Francisco de Assis, este sempre foi meu ideal

música. Na infância viveu um ambiente de grande religiosidade e os

de vida”..


FALECIMENTO ________________________________________

Nos dias em que ele

DEPOIMENTOS DOS NOVIÇOS

Quem conviveu com Frei José, provavelmente escutou algumas dessas frases que ele

passou conosco aqui,

tanto gostava: “O verdadeiro

logo após o acidente, ele

amor nunca se desgasta.

chamou-me no seu quarto

Quanto mais se dá mais

e pediu que eu redigisse

se tem” (Antoine de Sant-

um relatório sobre o

Exupéry). Alegrou-me muito

acidente. Ressalto que foi

em poder escutar essas singelas

um momento de muita

palavras deste confrade,

descontração, pois mesmo

que enxergava no próprio

com seu corpo um pouco

Cristo, seu amor, a força para

imóvel, a sua memória

continuar a caminhar.

continuava intacta, em

FREI RONAIR

quase todas as palavras “difíceis” ele soletrava-as, fazendo com que ríssemos muito. A imagem que

A imagem que guardaremos eternamente em nosso coração

ficará é de um confrade

é a de um homem forte, humilde e de coração imenso,

que sempre honrou

que fez da música o seu grande louvor a Deus. E que, ao

o nosso belo carisma

cantarmos as músicas deixadas pelo Frei José ( que são

franciscano.

tantas e tão belas ) possamos lembrar sempre do exemplo de

FREI AUGUSTO LUIZ GABRIEL

vida que ele nos deixou. FREI ERMELINDO

De certo, neste dia no qual o Cristo se transfigurou e manifestou-se a Pedro, Tiago e João, não cessou de estender sua manifestação plena a este nosso Irmão Menor, que, em vida, manifestou esse mesmo CristoLuz a muitas pessoas. FREI ZILMAR AUGUSTO M. DE OLIVEIRA

Imagens de Frei José Luiz para guardarmos o seu sorriso em nossas lembranças. As fotos foram feitas na festa de aniversário de 88 anos de minha mãe, Lioba (uma das irmãs dele). TERESA KLEBA, SOBRINHA

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

ÁLBUM DE FAMÍLIA

421


FALECIMENTO ________________________________________

DESPEDIDA DE FREI JOSÉ LUIZ EM BLUMENAU FREI GUSTAVO MEDELLA

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

O Santuário de Nossa Senhora Aparecida ficou repleto para celebrar a despedida de Frei José Luiz Prim, na Missa celebrada às 14h30, no dia 7. Muitos fiéis e paroquianos de Blumenau se somaram a confrades de diversas fraternidades, padres e diáconos de várias paróquias da Diocese, familiares e amigos que vieram de Ituporanga e também de outras cidades, irmãos e irmãs da Ordem Franciscana Secular (OFS) e um grupo vindo especialmente de Petrópolis, composto por ex-cantores do Coral dos Canarinhos, dirigido por 28 anos por Frei José Luiz, acompanhados de Frei César Külkamp e a amiga pessoal de Frei José Luiz e mãe de um ex-canarinho Maria Thereza Reisky, representando as centenas de amigos e amigas que Frei José Luiz deixou na Cidade Imperial. Logo no início da celebração, após o canto de entrada, a pedido da fraternidade local, Frei Gustavo Medella, aluno de Frei José Luiz e cantor do Coral dos Canarinhos por 10 anos (entre 1987 e 1997), deu boas vindas a todos e leu uma mensagem do Bispo Diocesano, Dom José Negri, na qual ele se dizia impossibilitado de comparecer à celebração e deixava um profundo agradecimento aos franciscanos por todo trabalho e empenho de Frei José Luiz na Diocese. O Ministro Provincial, Frei Fidêncio, também não pôde estar presente, mas enviou sua afetuosa saudação através do Definidor, Frei Germano Guesser que, em nome do Governo Provincial, presidiu a celebração. Logo após a leitura do Evangelho, Frei Germano passou a

422

palavra a Frei Gustavo Medella, que, além de ter sido aluno de Frei José Luiz, o teve como pregador em sua primeira Missa. Em sua reflexão, o frade petropolitano destacou, entre as virtudes do frade falecido, o fato de Frei José Luiz ter a capacidade de se reencantar pela vida e pela missão que assumiu. “No tempo em que estávamos no Coral dos Canarinhos, com frequência comentávamos entre nós: ‘Não sei o que vai ser do Frei José Luiz depois que deixar o trabalho nos Canarinhos, pois este é o sentido de sua vida’. E eis que, surpreendentemente, ao deixar o serviço, por inciativa própria, no ano 2000, Frei José Luiz, transferido para Pato Branco, PR, permaneceu com o mesmo entusiasmo que o movia quando à frente dos Canarinhos”, recordou o frade. Em nome do Coral dos Canarinhos e do Instituto dos Meninos Cantores, o Maestro das Meninas dos Canarinhos, Marcelo Vizani, prestou uma homenagem a Frei José Luiz, explicando ao povo presente a importância dele para a formação de todos os que passaram pelo coral. “Vocês não fazem ideia da importância deste homem para nossas vidas”, chamou a atenção, com a voz embargada. Em homenagem ao Frei, o grupo entoou, em gregoriano, o canto em latim da Salve Regina, um dos preferidos de Frei José Luiz. Em nome da família, Frei José Lino Lückmann, sobrinho de Frei José Luiz, ressaltou o amor que o falecido nutria pela família e, em seguida, dirigiu o rito de encomendação. Logo depois, o cortejo seguiu para o Cemitério São José, no Centro, onde Frei José Luiz foi enterrado próximo a outros sessenta frades.


FALECIMENTO ________________________________________

HOMILIA DE FREI GUSTAVO MEDELLA “A capacidade que Frei José Luiz tinha para reencantar sua vida e sua missão”. No tempo em que estávamos no Coral dos Canarinhos, com frequência comentávamos entre nós: “Não sei o que vai ser do Frei José Luiz depois que deixar o trabalho nos Canarinhos, pois este é o sentido de sua vida”. E eis que, surpreendentemente, ao deixar o serviço, por inciativa própria, no ano 2000, Frei José Luiz, transferido para Pato Branco, PR, permaneceu com o mesmo entusiasmo que o movia quando à frente dos Canarinhos. E assim foi em suas outras transferências, para as cidades catarinenses de Rodeio, Ituporanga e Blumenau, permanecendo três anos em cada uma delas e, aqui em Blumenau, completaria seu quarto ano ao final de 2013. Sempre que encontrávamos o Frei e perguntávamos como ele estava, a resposta era: “Olha, estou muito bem! Feliz e realizado com o que faço, muito contente com o convívio com os confrades e com o povo”. Ora, alguém que se mostrou tão aberto a mudanças e positivo diante dos desafios da vida, como não vai se portar nesta última e definitiva mudança para entrar na Glória de Deus? Depois de 28 anos em Petrópolis, Frei José Luiz aceitou o desafio e foi para Pato Branco. Mais três anos, com alegria, de Pato Branco para Rodeio. Em seguida, de Rodeio para Ituporanga e, depois, de

Ituporanga para Blumenau. Agora, por último e em definitivo, vai de Blumenau para o céu. Só pode estar exultante de alegria. Mais de uma vez eu vi Frei José Luiz dizer: “Se o Pai Eterno quiser me levar, posso dizer que vou muito feliz, pois sou um homem realizado”. E, dizia, ainda, que sonhava com sua entrada na glória dos céus, ao som de um belíssimo coro com uma afinada orquestra tocando o “Glória” da Missa da Coroação de Nossa Senhora, de Mozart, ou a marcha Tannhäuser, de Wagner, já que o Frei tinha um estilo meio marcial. Pela fé, temos a certeza de que ele já percorreu este caminho e, certamente, já tenha recebido do maestro da corte celeste a batuta para reger este esplendoroso grupo musical. Sempre que nos apresentávamos com os Canarinhos, Frei José Luiz tinha uma tática: depois do último número, agradecia os aplausos e se recolhia para um lugar escondido da plateia. Se as palmas continuassem, voltava para um segundo agradecimento. Caso ainda permanecesse, ele vinha e apresentava um número extra para o público. Gostava de aplausos. Todo artista gosta. E é por isso que, celebrando esta despedida, não poderíamos escolher outra homenagem para ele, nosso mestre, nosso maestro. Ao Frei José Luiz queremos, com carinho, oferecer 423 nosso aplauso de pé. COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

Estimados irmãos, estimadas irmãs, eu nunca tive a responsabilidade de dar voz a tanta gente ao mesmo tempo. A todos que estão nesta igreja e a outros tantos que não puderam vir, mas nutrem imenso carinho pelo Frei José Luiz. De antemão já tenho consciência de que não vou conseguir traduzir por palavras tudo aquilo que estamos sentindo e vivendo hoje, nem tampouco conseguir expressar tudo o que Frei José Luiz significou na vida de cada um de nós e na história dos lugares por onde passou. O músico, o regente, o educador, o pastor, o frade menor, o homem apaixonado por Cristo, o tio, primo, irmão que foi Frei José Luiz. Quando ele me convidou para ser o pregador da celebração de seus 50 anos de padre em Petrópolis, ao final de 2011, logo me disse: “Medella, por favor, não quero que você fique me elogiando, jogando confetes em mim. Fale da beleza e da importância do sacerdócio”. E eu argumentei dizendo: “Frei, as virtudes não existem no vácuo, mas são encarnadas em pessoas, de maneira que, ao falar de uma pessoa, necessariamente temos de falar também de suas virtudes. E assim o fiz naquela celebração. E, de todas as virtudes que destaquei na ocasião, gostaria de apresentar uma em especial, que tem profunda relação ao momento que estamos vivendo hoje:


AGENDA

2013

Província Franciscana da Imaculada Conceição (*) As alterações estão sublinhadas

SETEMBRO

NOVEMBRO

02

Encontro Regional do Vale do Paraíba

04 a 15

Tempo Forte do Definitório Geral;

(Fazenda Esperança);

07

Reunião do Conselho Gestor das entidades da

02 e 03 09

Província;

Encontro Regional do Planalto Catarinense e Alto Vale do Itajaí (Curitibanos);

12 e 13

Encontro dos animadores JPIC dos Regionais;

Encontro Regional do Rio de Janeiro (São

14 a 17

Estágio Vocacional Região Norte (Guaratinguetá);

João de Meriti); 09

Encontro Regional do Vale do Itajaí

18

Encontro Regional de São Paulo (Bragança Paulista);

(Gaspar); 09 a 20

Tempo Forte do Definitório Geral;

25

Encontro Regional de Agudos;

10

Reunião do Conselho Diretor do Sefras;

25

Encontro Regional Rio de Janeiro;

09

Encontro Regional Baixada e Serra

25 e 26

Encontro Regional do Leste Catarinense (Angelina);

Fluminense (Miguel Pereira); 16

Encontro Regional de Curitiba;

27 e 28

Encontro Regional de Pato Branco (Recreativo);

16 a 19

1º Encontro Provincial da Frente da

28

Reunião do Conselho do Economato;

Comunicação (Rondinha); 23 e 24

Encontro Regional do Leste Catarinense (Forquilhinha);

DEZEMBRO

23 a 27

Retiro no Eremitério (Rodeio);

23 a 27

Retiro Provincial (Agudos);

02

Encontro Regional do Vale do Paraíba;

30

Encontro Regional do Espírito Santo

02

Encontro Regional de Curitiba;

(Penha);

02

Encontro Regional do Espírito Santo (recreativo);

02

(Vila Itoupava);

OUTUBRO

COMUNICAÇÕES . SETEMBRO DE 2013

02

424

Encontro Regional do Vale do Itajaí - recreativo

07 a 11

Retiro no Eremitério (Rodeio);

08 e 09

Reunião do Conselho de Formação e

Encontro Regional Baixada e Serra Fluminense (recreativo);

04 a 06

Celebração dos Jubileus (São Paulo - São Francisco);

Estudos (Rondinha); 14 a 16

Reunião do Definitório Provincial;

02 e 03

Encontro Regional do Contestado;

17

Reunião do Conselho de Evangelização (São

09 a 11

Reunião do Definitório Provincial;

Paulo);

16 a 20

Tempo Forte do Definitório Geral;

21 a 26

CFMB – Assembleia e serviços;

28 e 29

Encontro Regional do Contestado;

31 a 03

III Encontro Nacional de Irmãos Leigos da CFMB (Lagoa Seca - PA);

31 a 03

Estágio Vocacional Região Sul (Ituporanga);

2014

SETEMBRO 23 a 25

Capítulo das Esteiras;

Setembro 2013 c  
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you