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Comunicações

Imagem Paolo Casentini

Feliz Páscoa!

Comunicações . Março de 2014

PROVÍNCIA FRANCISCANA DA IMACULADA CONCEIÇÃO DO BRASIL AbRIL 2014 • ANO LXI • Nº 04

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SUMÁRIO ________________________________________

Mensagem do Ministro Provincial - A Páscoa.............................................................................................................................................................................................................................159 FORMAÇÃO PERMANENTE - “O sentido antropológico da família”, segundo artigo de Frei Nilo Agostini..................................................................................................................160 - Província começa a preparar o Capítulo das Esteiras........................................................................................................................................................163 SAV - Retrato das FAVs 2014........................................................................................................................................................................................................164 - Província e Institutos Seculares juntos em SP....................................................................................................................................................................168 - Convite da Ordenação Diaconal de Frei Paulijacson Pessoa de Moura...............................................................................................................................168 - Momento de partilha e formação na Assembleia Provincial do SAV........................................................................................................................................169 Formação e Estudos - Notícias do Seminário de Ituporanga......................................................................................................................................................................................170 - Inaugurado o Memorial de Frei Claudinei...............................................................................................................................................................................171 - Início das atividades em Rondinha...............................................................................................................................................................................................171 - “The Voice” no Noviciado......................................................................................................................................................................................................172 - Novas diretrizes curriculares para a Teologia.........................................................................................................................................................................173 - Master: Esperança para a Missão Evangelizadora...............................................................................................................................................................174

Comunicações . abril de 2014

FRATERNIDADES - Entrevista com Frei Clarêncio Neotti sobre a biografia de Frei Bruno...............................................................................................................................176 - Romaria: 45 mil fiéis devotos por Frei Bruno.....................................................................................................................................................................180 - Artigo sobre Frei Bruno, de Frei Valnei Brunetto.........................................................................................................................................................................184 - Xaxim: Festa de Frei Bruno ganha espaço......................................................................................................................................................................................186 - Coral Arautos do Grande Rei homenageia seu fundador.................................................................................................................................................187 - Artigo “Tráfico Humano”, de Frei Luiz Iakovacz....................................................................................................................................................................188 - Regional do Espírito Santo se reúne na Penha..................................................................................................................................................................189 - Programa da Festa da Penha 2014.....................................................................................................................................................................................................190 - Frades de casa nova em Colatina................................................................................................................................................................................................191 - Até Frei Vuni foi!.............................................................................................................................................................................................................................191 - Notícias do Regional Serra-Baixada.....................................................................................................................................................................................192 - PVF: Um dia com Maria e Frei Galvão.........................................................................................................................................................................................194 - Venha Viver a Paixão de Cristo no Convento São Francisco/sp..............................................................................................................................................194 - Visita aos doentes: foi só alegria!..................................................................................................................................................................................195 - Cinzas em Agudos...............................................................................................................................................................................................................195

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EVANGELIZAÇÃO - Trote solidário da FAE....................................................................................................................................................................................................196 - Sefras promove estudos bíblicos....................................................................................................................................................................................197 - Curitiba: Está de volta o Café da Tarde!..............................................................................................................................................................................198 - CASA: Apadrinhamento no Sefras.................................................................................................................................................................................................198 - Gente Viva só na Vila São José..............................................................................................................................................................................................199 - JPIC: 50 anos do golpe militar: conhecer para não repetir...............................................................................................................................................200 - Sala Franciscana ganha o Microfone de Prata....................................................................................................................................................................202 - Experiência Missionária na Amazônia......................................................................................................................................................................................203 FALECIMENTO - Frei Eckart Höfling.............................................................................................................................................................................................................205 AGENDA......................................................................................................................................................................................................208

Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil Rua Borges Lagoa, 1209 - 04038-033 | Caixa Postal 57.073 - 04089-970 | São Paulo - SP www.franciscanos.org.br | ofmimac@franciscanos.org.br


mensagem ________________________________________

A Páscoa,

é a cura após a ferida, ressurreição após a queda, ascenção após a descida. É assim que Deus realiza grandes coisas, assim como do impossível cria coisas admiráveis, para demonstrar que Ele é o único que pode tudo o que quer... Ó mística liberdade! Ó espiritual solenidade! Ó Páscoa divina, que descendo do céu à terra e de novo ascende a partir da terra! Ó Páscoa, nova iluminação das lâmpadas, decoro virginal das candeias! Por isso, já não se extinguem as lâmpadas das almas, porque por um eleito divino e espiritual, em todos é visível o fogo da graça, alimentado pelo corpo, o espírito e o óleo de Cristo. Portanto, te rogamos, Senhor Deus, Cristo, rei espiritual e eterno, que estendas tuas mãos poderosas sobre a santa Igreja e sobre o teu povo santo, defendendo-o, guardando-o e conservando-o

sempre. Exibe agora teus troféus em nosso favor, e concedei-nos a graça de poder cantar com Moisés o canto da vitória, porque tua é a glória e o império pelos séculos dos séculos. Amém. (Atribuído a Santo Hipólito de Roma - Séc. III - Sermão na Páscoa) Caríssimos Irmãos e irmãs, Que a partir da experiência dos primeiros proclamadores e proclamadoras da boa-nova da Ressurreição do Senhor, possamos perfazer nosso caminho pascal do ver sem crer, para o ver e crer e culminar na profissão de fé que implica o crer sem ver.

Feliz e abençoada Páscoa! Frei Fidêncio Vanboemmel, OFM Ministro Provincial

abril - AGENDA DO MINISTRO

01-03: Definitório Provincial – SP 06-13: UCLAF, Cidade do México 14-17: São Paulo – Semana Santa e Exames Médicos 18-22: Vila Velha ES, Abertura da Festa da Penha 23-27: São Paulo – Sede Provincial 28-30: Agudos, reunião dos Guardiães e Coordenadores

Comunicações . Março de 2014

obra admirável da força e do poder da divindade, é realmente a festa e o memorial legítimo e sempiterno; é a passagem da paixão para a impassibilidade, da morte para imortalidade, da juventude para a maturidade;

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formação permanente ________________________________________

A FAMÍLIA NUM TEMPO DE MUDANÇAS

Frei Nilo Agostini

O sentido antropológico da família

Comunicações . abril de 2014

A família encerra um sentido antropológico de especial valor ao tornar-se muito cedo, na história da humanidade, o centro gravitacional do ser humano. Ela lhe é conatural. A própria natureza do ser humano tem na família o seu ponto de apoio principal; mais até, tem nela o ninho onde o próprio ser do humano se desdobra. A família tem como fundamento próprio a acolhida das qualidades intrínsecas da masculinidade e da feminilidade, a acolhida da vida nos filhos, numa ordenação ao amor familiar, dando origem a uma comunidade de vida e de amor. “A família é um caminho do qual o ser humano não pode separar-se... Quando falta a família logo à chegada da pessoa ao mundo, acaba por criar-se uma inquietante e dolorosa carência que pesará depois sobre toda a vida”1.

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Modo próprio de ser: proximidade, relação e comunhão O ser humano encontra na família a possibilidade de expandir-se no seu modo próprio de ser, enquanto ela lhe é a base para a experiência da proximidade e da relação, sendo capaz de comunhão. Esta é a realidade primeira – qual ethos – que marca a existência humana enquanto pessoa. A pessoa como um ser próximo, voltada para a comunhão, desde a sua natureza mais profunda, sente ser este o lastro do próprio ethos humano, qual identidade profunda, onde se assenta o seu modo próprio de ser. É a partir deste lastro que a pessoa humana estabelece ou tece, desde os primeiros instantes de sua vida, as relações fundamentais, quer consigo e os outros, quer com a natureza e a transcendência (Deus).

A família é o ambiente propício e mesmo necessário para que a pessoa viva esta proximidade e comunhão, amparada no seu crescimento progressivo, a caminho da maturidade. Identificamos aí uma missão educativa que necessita estar embasada numa formação integral e numa compreensão da totalidade do ser humano, estando reunidas todas as suas dimensões. “É na família que as crianças recebem dos pais os princípios básicos à volta dos quais se vai organizando a sua personalidade. No exemplo que recebem dos seus pais, as crianças modelam a própria atitude perante a vida e as suas exigências. Nas suas relações de irmãos e irmãs são iniciados do melhor modo possível na vida social”2. A família é o berço da experiência de proximidade entre pessoas. Esta experiência realiza-se no face a face com o/a outro/a, sendo altamente realizadora, sobretudo quando supera toda forma de coisificação e instrumentalização das pessoas, levando-as a fazerse dom e a viver o amor. Vive-se aí o rico dinamismo da alteridade no respeito do/a outro/a; vive-se uma reciprocidade, uma acolhida, fundadas no diálogo, numa atmosfera de liberdade e de amor responsável, lastreadas na verdade. Logo notamos que crescem valores humanos como a generosidade, a doação de si, o respeito pelo próximo, o domínio de si e a temperança3. Isto deve, inclusive, ser a base da educação sexual dos filhos e de todos os membros da família, levando-os a uma progressiva integração e maturidade. Este bem que é a sexualidade, verdadeiro dom recebido, passa a gerar comunhão e a “criar o bem das pessoas e das comunidades”4. Esta comunhão que cria o bem das


pessoas e das comunidades tem por húmus vital o amor. Ele é o presente essencial; todo o resto, em virtude do amor, transforma-se também num dom5. “Desde os primeiros dias, o ser humano não vive só de pão; ele tem necessidade da presença do outro, desta primeira modelagem inteiramente sensitiva da relação. (...) Se esta necessidade de viver a presença amorosa se afirma desde a infância, a necessidade da criança vai se confirmar ao longo de seu desenvolvimento: ‘O ser humano não vive somente de pão’. A criança tem necessidade de ser amada por seu pai e por sua mãe, mas ela precisa também que seus pais ‘se amem’. É neste chão magnético da relação conjugal, dentro desta relação privilegiada entre o pai e a mãe que a criança lançará as raízes de seu equilíbrio afetivo e de sua capacidade de se abrir ela mesma às relações”6. Elementos fundamentais: um ser de encontro no amor Do próprio interior do ser humano brota um chamado ao amor familiar. Trata-se de um mistério que o diferencia na ordem da criação. “Notemos que os animais se acasalam e geram seres semelhantes a si; e as mesmas plantas, também por profundo desígnio da natureza, possuem o pólen de suas flores destinado de umas para as outras para o despontar de novas sementes. Mas não constituem famílias. Só os seres humanos, por sua psicologia, por sua capacidade de conviver no amor, constroem famílias, vivem em família, e não podem romper, sem consequências de frustração, os laços familiares”7.

É uma evidência que o ser humano é “um ser de encontro”8. O nascer não significa que estamos prontos e amadurecidos para a vida. Há uma moldagem do ser fisiológico e do psicológico que vai se completando após o nascimento na relação com o ambiente (a mãe, o pai, os irmãos, o lar... ou quem vier substituí-los, na falta eventual destes). “Aqui descobrimos o alto valor do relacionamento, que não é vínculo consecutivo à formação do ser humano, mas constitutivo. Ou seja, não é que eu existo e depois passo a me relacionar. Sem relacionar-me, não existo como pessoa, não me constituo como ser humano integral”9. No relacionamento, estabelece-se uma “trama afetiva”, cria-se um campo de amparo e acolhimento. Assim, o amamentar, o limpar um bebê... é acolher, é incluí-lo num âmbito de ternura, sendo fundamental para todo o desenvolvimento ulterior do ser humano, pois aí se constitui o encontro modelar. A partir deste encontro, a criança realizará depois outras formas de encontro (com pessoas, com os colegas, com a comunidade, com a natureza, com a cultura, com a tradição, com valores etc). “Se não puder encontrar-se com nada nem ninguém, a criança terá barrado seu desenvolvimento pessoal, estará asfixiada espiritualmente e ficará destruída como pessoa”10. “É necessário aqui sublinhar que o amor é a realização mais completa das possibilidades do homem. É a atualização máxima da potencialidade intrínseca da pessoa. Esta encontra no amor a maior plenitude do próprio ser, da própria existência objetiva. O amor é o ato que realiza do modo mais completo a existência da pessoa”11.

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formação permanente ________________________________________

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A riqueza do casal humano O significado esponsal do corpo, que não se reduz à dimensão física da sexualidade; antes, exprime o amor, tornandose um dom. Nisto “afirma-se a pessoa”, numa “exterioridade”, na qual a nudez não é causa de vergonha; tal experiência constitui, na verdade, um componente fundamental da existência humana no mundo. Nesta reciprocidade do dom de si mesma, a pessoa humana encontrase plenamente 12. Ocorre, no caso acima, o que estudiosos chamam de predomínio da bilateralidade e independência, com trocas saudáveis. “Ao nível do casal, isto é indispensável para que prossigam aliados e motivados. Na interação com os filhos, isto deve ser progressivamente conquistado, acompanhando suas etapas cronológicas”13. Essa reciprocidade pode se dar também de maneira simétrica, bem como complementar14. “Na troca simétrica, ocorre uma situação semelhante à de uma imagem espetacular de um em relação ao outro e vice-versa. Ambos participam, com equivalência das circunstâncias. Exemplos dos mais simples aos mais complexos ocorrem no diaa-dia: cada um fornece as forças de um braço para carregarem, pelas alças, uma sacola pesada. Se os dois são motoristas, podem se revezar numa viagem e assim por diante”15. “Na troca complementar, ocorre uma interação na qual um complementa, supre o outro. Por exemplo, um trabalha, ganha o salário; o outro administra. Enquanto a mãe dá o seio para a criança, o pai prepara um lanche para o casal e por aí afora (...). As duas formas de trocas são necessárias e mantenedoras do relacionamento e o predomínio exagerado de um só tipo é perigoso e desagregador”16. Identidade e diferença Se é certo que há uma diferenciação sexual entre homem e mulher, salta logo aos nossos olhos a questão de como eles podem interagir, já que se subentende haver uma identidade própria que remete para a diferença. Na verdade, na relação interagem diferenças e semelhanças. Estas aparecem nos planos biológico, psicológico e sociocultural17. No plano biológico, é curioso notar que até a oitava semana não é visível uma diferenciação.

Psicoafetivamente, o quadro é até mais complexo, pois interagem múltiplos fatores. No nível sociocultural, existe uma dinâmica toda próxima, mesmo que ainda complexa. Segundo Simone de Beauvoir, ninguém nasceria homem ou mulher; nós nos tornamos homem ou mulher, num acento dos fatores ideológicos, econômicos e sociais. O certo é que na relação entre os dois sexos se concretiza, de fato, o homem e a mulher, ou seja, modalidades diferentes do mesmo ser humano. Em nossos dias, tentase explicar a identidade e a diferença entre o homem e a mulher através das teorias da polaridade, da complementaridade e da reciprocidade. Pela polaridade, acentuam-se as diferenças; por vezes, isto é até uma necessidade numa sociedade por demais “unissex”. Pela complementaridade, acena-se para as deficiências ou incompletudes de cada lado; ninguém se basta a si mesmo, sendo constitutiva e necessária a relação. Pela reciprocidade, ressalta-se o caráter dialético dos sexos, havendo uma interação contínua entre o homem e a mulher, num processo de contínuo crescimento, já que nenhum dos dois pode se achar pronto ou acabado. As três teorias parecem apontar para momentos reais de nossa vida; nenhuma delas esgota o rico dinamismo da identidade e da diferença entre o homem e a mulher. NOTAS 1. JOÃO PAULO II. Carta às famílias – 1994: Ano da Família. Col. Documentos Pontifícios n° 256. Petrópolis: Vozes, 1994, n° 2, p. 5-6. 2. CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A FAMÍLIA. Congresso teológico-pastoral: A Familiaris Consortio no seu XX aniversário – Dimensão antropológica e pastoral. SEDOC 34 (2002), p. 628. 3. Cf. JOÃO PAULO II. Exortação apostólica Familiaris Consortio. 17ª edição. São Paulo: Paulinas, 2003, n° 37; IDEM. Carta encíclica Evangelium Vitae. Col. Documentos Pontifícios n° 264. Petrópolis: Vozes, 1995, n° 92. 4. CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A FAMÍLIA. Sexualidade humana: Verdade e significado – Orientações educativas em família. Col. Documentos Pontifícios n° 270. Petrópolis: Vozes, 1996, n° 9, p. 13. 5. Cf. TOMÁS DE AQUINO. Summa Theologica, I, 38. 6. THOMAZEAU, Guy. Bonne nouvelle du mariage. 5ème édition. Paris : Cerf, 2001, p. 18-19. 7. MIRANDA, Dom Antônio Afonso de. Sexualidade, matrimônio e família. São Paulo: Dom Bosco, 1983, p. 15. 8. Cf. LÓPEZ QUINTÁS, Alfonso. O amor humano: Seu sentido e alcance. Petrópolis: Vozes, 1995, p. 56ss; ROF CARBALHO, Juan. El hombre como encuentro. Madrid: Alfaguara, 1973. 9. LÓPEZ QUINTÁS, Alfonso, op. cit., 57. 10. Ibidem, p. 57. 11. WOJTYLA, Karol. Amore e responsabilità. 6ª ristampa. Genova: Marietti, 1999, p. 60. 12. Cf. JOÃO PAULO II. Op. cit., p. 102-103. 13. MOTTA, Joaquim Zailton Bueno. Amor e rivalidade sexual. Petrópolis: Vozes, 1989, p.150. 14. Cf. ibidem, p.150ss. 15. Ibidem, p. 150. 16. Ibidem, p. 151. 17. Cf. MOSER, Antônio. O enigma da esfinge: A sexualidade. Petrópolis: Vozes, 2001, p. 200-201.


formação permanente ________________________________________

PROVÍNCIA COMEÇA A PREPARAR O CAPÍTULO DAS ESTEIRAS Frei Diego Atalino de Melo

Reunida na Sede Provincial, em São Paulo, sob a coordenação de Frei Gustavo Medella, a comissão responsável por preparar o Capítulo das Esteiras passou a tarde do dia 19 de março dando seus primeiros passos para a concretização desse grande momento celebrativo da Província, que acontecerá em Agudos, de 22 a 25 de setembro. A comissão, nomeada pelo Definitório Provincial, é composta ainda por Frei Diego Atalino de Melo, Frei Antônio Michels e Frei Marcos Antônio de Andrade e contará também com o acompanhamento do Ministro e do Vigário Provincial. Frei Fidêncio Vanboemmel, Ministro Provincial, destacou a importância de tal momento para a Província, tendo em vista que o Capítulo das Esteiras é sempre um momento celebrativo, de encontro e de animação fraterna, mas que também já quer começar a lançar luzes para o nosso Capítulo

Provincial de 2015. A Comissão refletiu sobre a temática, começou a pensar nas equipes de trabalho e no esquema das celebrações, incluindo também as formas de dinamização e a metodologia do Capítulo. Para este encontro, são convidados e esperados todos os frades da Província, tal qual aconteceu em 2009, quando estiveram reunidos mais de 300 frades. Frei Michael Perry, Ministro Geral da Ordem, também já confirmou sua presença. Assim, sob a proteção de São José, a Comissão encerrou a tarde de reunião com o agendamento dos próximos encontros e com a distribuição dos primeiros encaminhamentos a serem feitos. Com as palavras de São Francisco aos frades reunidos em Assis, por ocasião do primeiro Capítulo das Esteiras, fazemos votos de que toda a Província possa vivenciar esse grande momento de nossa caminhada provincial, na mais profunda fidelidade criativa.

Frei Walter Hugo de Almeida Subiu Jesus a Capital, Jerusalém, Pra ali ser preso, torturado, condenado, Ali morrer, ressuscitar, vencer também, A propor um mistério que nos vem selado!... Sério e profundo esse Mistério é Sacrossanto, Nós envolvidos nele, cremos, na alegria, Que nós também ressuscitar, vamos, portanto, E é lei a crença pra isso acontecer um dia.

Também subimos à Cidade do Senhor, Jerusalém nossa, pra como Ele sofrer, Ali é Cruz e Luz, Altar do belo Amor!... Toda rotina é nosso altar, Nosso Calvário, Nossa missão de imitar, sim, sempre Jesus, E de orar no Altar–Rotina nosso Rosário.

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NOSSO CALVÁRIO

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SAV ________________________________________

RETRATO DAS FAVs 2014 Frei Rodrigo Santos

Com a decisão do Definitório Provincial, a partir de indicações do Secretário da Formação e Estudos de nossa Província, de que a 2ª etapa do Aspirantado fosse transferida para o Seminário São Francisco de Assis, de Ituporanga, alguns compromissos foram assumidos para permitir que esta integração aconteça da melhor forma possível. Desta forma, desde o início deste mês, o animador vocacional do SAV Provincial, Frei Diego Atalino de Melo e Frei Rodrigo da Silva Santos, orientador da etapa, estão participando dos encontros regionais da Província para falar sobre a experiência das FAVs, a primeira etapa do Aspirantado. Até agora, quatro Regionais já foram visitados: Leste Catarinense, Rio de Janeiro e Baixada Fluminense, Vale do Itajaí e São Paulo, o que inclui as FAVs de Santo Amaro da Imperatriz, São João de Meriti, Gaspar, Amparo

e a da Fraternidade Santo Antônio do Pari, em São Paulo. As visitas têm o intuito de partilhar com os confrades o que se espera destas FAVs no que se refere ao acompanhamento dos aspirantes, conteúdos de formação e como eles devem ser acolhidos e se integrarem nas atividades e vivências da fraternidade. Propõe-se, também, que haja uma maior integração das fraternidades do Regional nesta experiência, permitindo que eles conheçam, além da FAV onde residem, as demais realidades do Regional, nem que seja por um final de semana. Os frades destas fraternidades poderiam, conforme suas possibilidades, ajudar com alguma formação mais pontual sobre um tema que seja de seu interesse ou formação (como música, por exemplo). A ideia visa ao enriquecimento da experiência oferecida aos aspirantes.Outro ponto que também é abordado é sobre a importante função do responsável pelo acompanhamento dos aspirantes nas FAVs para que faça uma

avaliação séria de seus formandos, com um acompanhamento próximo destes, indicando os desafios a serem trabalhados e potencialidades a serem desenvolvidas. Tudo isso visando a uma melhor adesão e mais tranquila caminhada quando todos se dirigirem para a próxima etapa, no Seminário São Francisco, para a convivência com os frades e seminaristas. Como este é o primeiro encontro de cada Regional, os aspirantes também têm participado de seu início para que sejam apresentados aos confrades, o que permite ao animador e orientador os conhecerem um pouco melhor, já podendo inteirar-se de como tem se dado a adaptação nas FAVs neste primeiro mês. O que se tem percebido é que os aspirantes estão animados, felizes com esta experiência, sentindo-se bem acolhidos e com o anseio de conhecerem nossa forma de vida. Que sejam bem-vindos em nossas fraternidades e que façam bela caminhada de discernimento e amadurecimento vocacional!

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TODAS AS FAVs EM 2014

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FAV Amparo Amparo Gaspar Gaspar Lages Lages Lages Pari Santo Amaro Santo Amaro São João do Meriti São João do Meriti Sorocaba Sorocaba Vila Velha Vila Velha Xaxim Xaxim Total: 21 aspirantes

Nome Mateus Dias Santana Wagner da Silva Neves Lucas de Mouras J. Souza Thiago Augusto dos Santos Bruno Rodrigues da Silva Marcelo Mérida dos Reis Jonas Ribeiro da Silva Marlon Taxa Pereira Valcir Brandão de Oliveira Jr. Willian Bernardi de Castro Cristian J. Souza Luiz Alexandre Guerino da Silva Eduardo Costa Rosa Felipe B. Teixeira André Lentis da Silva Marcos Paulo Bertoldi Wagner Gomes Salomão Dalilson Cabral

Naturalidade São Paulo – SP São Paulo – SP Santa Branca – SP Jacareí – SP Taubaté – SP Rio de Janeiro – RJ Cruzeiro - SP Rio de Janeiro – RJ São Paulo – SP Bocaiúva do Sul - PR Cariacica – ES Garça – SP Figueira - PR Rio de Janeiro – RJ São Paulo – SP Brusque – SC Lorena – SP Rocinha – RJ

Idade 17 28 17 22 25 27 32 20 26 18 19 32 17 24 24 38 27 19


SAV ________________________________________

OS ASPIRANTES - DEPOIMENTOS MATEUS DIAS SANTANA “Desde o momento que cheguei no Convento Franciscano de São Benedito, em Amparo (SP), os frades e toda a comunidade foram bem acolhedores. O convívio está sendo uma experiência única e enriquecedora, seja por meio da participação da Santa Missa, nas pastorais, estudos, oração, momentos de lazer e/ou trabalhos. Através desse ideal de vida, vejo o quão maravilhoso é viver em fraternidade com os irmãos, seguindo o exemplo de São Francisco de Assis”. WAGNER DA SILVA NEVES “Estou gostando bastante da casa, o acolhimento dos frades e das pastorais. Está sendo muito bom. O que está bastante proveitoso é o trabalho com as pastorais; estou aprendendo bastante com eles”.

Gaspar THIAGO AUGUSTO DOS SANTOS “A experiência vocacional aqui na Fraternidade São José/ Paróquia São Pedro Apóstolo, em Gaspar – SC, está sendo enriquecedora. Os freis que residem nesta fraternidade nos acolheram carinhosamente. Cada dia é uma nova descoberta e aprendizado através de um e do outro. Isto reafirma ainda mais a vontade de seguir Jesus, como Frade Menor”. LUCAS DE MOURA J. SOUZA “A minha experiência vocacional está sendo vivida de forma simples e humilde nesta fraternidade franciscana de

Gaspar/SC. Sinto-me muito bem acolhido pelos frades e pelos paroquianos. A convivência fraterna e a participação nas atividades paroquiais têm proporcionado um autêntico seguimento a Jesus Cristo, segundo os passos de São Francisco de Assis”.

LAGES JONAS RIBEIRO DA SILVA “Viver a experiência do ‘vinde e vede’ é deixar-se guiar pelo Espírito de Jesus, que fez a mesma proposta a um de seus discípulos, quando este o interpelou: ‘Mestre, onde moras?’ A vivência no dia a dia nesta Fraternidade Patrocínio de São José está sendo muito importante para mim, pois a cada dia experimento mais de perto o que é ser franciscano. Experiência esta edificante, porque, uma coisa é ter um contato literário, outra coisa é ver e sentir mais de perto e com profundidade o que é ser, e o que faz, como vive um filho de São Francisco. Os freis desta fraternidade estão nos mostrando com muita clareza e verdade, como devemos ser no diaa-dia. Sou muito feliz aqui”. MARCELO MÉRIDA DOS REIS “A experiência em Lages está sendo enriquecedora para mim e tem superado todas as minhas expectativas. Ser franciscano não é algo que acontece de um dia para o outro. Na medida em que nos conhecemos mais, tomando consciência de nossas limitações e procurando compreender e respeitar mais os outros, nos tornamos mais humanos e, assim, nos tornamos mais fiéis ao carisma franciscano. Sinto que aqui na FAV, a convivência com as pessoas da comunidade local, a formação que recebemos e, sobretudo, a vida em fraternidade têm contribuído bastante para que eu possa, a cada dia, me aproximar mais de Jesus, a exemplo de São Francisco de Assis.

Comunicações . Março de 2014

amparo

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SAV ________________________________________ BRUNO RODRIGUES “Estava ansioso pelo início da FAV, pois eu já esperava que fosse ser uma experiência marcante na minha vida, e está sendo. Ao chegar em Lages-SC, depois de 14 horas de viagem, fui muito bem recebido pelos freis da Fraternidade do Patrocínio de São José. A experiência de viver em fraternidade tem sido boa para mim. Tenho aprendido a respeitar as limitações dos irmãos e a lidar com as minhas limitações. Os freis da fraternidade têm me ensinado muito não só com as palavras, mas também com o testemunho de suas vidas. Tenho buscado aprender ao máximo tudo que eles têm me ensinado, tanto nas formações, mas também nos trabalhos manuais e nos serviços pastorais em que os tenho acompanhado, pois sei que cada etapa de formação é muito importante para um Frei Franciscano”.

SANTO ANTÔNIO DO PARI MARLAN TAXA “Cheguei à Fraternidade dia 20/02. Senti-me bem acolhido. Sinto-me bem, graças a Deus, participando das atividades com os Frades, seguindo o carisma de São Francisco de Assis. Percebo que aqui me sinto bem, graças a Deus, o Sumo Bem”.

Comunicações . abril de 2014

SANTO AMARO DA IMPERATRIZ

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WILLIAN BERNARDI “Cheguei a Santo Amaro da Imperatriz-SC cheio de expectativas, e fui surpreendido, pois a experiência de estar junto aos frades e ao povo está superando aquilo que havia imaginado. A vivência na fraternidade e também junto à comunidade paroquial, conhecendo suas realidades,

nos motiva ainda mais a seguir os passos de Francisco de Assis”. VALCIR OLIVEIRA Na FAV de Santo Amaro da Imperatriz a experiência esta sendo fantástica, proveitosa e motivadora. A vivência com os frades, os trabalhos, a formação, o pão partilhado, o acolhimento da fraternidade e da comunidade, as dificuldades e os desafios para a evangelização estão me confirmando que esse é o modelo de vida que eu quero seguir”.

SÃO JOÃO DE MERITI LUIZ ALEXANDRE GUERINO DA SILVA “O que é ser um aspirante franciscano? É deixar a casa dos pais para iniciar uma nova vida, imitando os passos de São Francisco de Assis, no seu modo de conviver e de agir com as pessoas, levando a alegria, a paz e o bem a todos nossos irmãos e irmãs”. CRISTIAN JOSÉ DE SOUZA “O que é ser um aspirante franciscano? O lema da minha vida é que podemos ser mais ‘felizes seguindo o exemplo de Francisco de Assis’. Então, assim se resume minha vida como aspirante franciscano, um passo importante para servir o Senhor mais de perto, na obediência e humildade, de todo o meu coração. Paz e Bem!”

sorocaba EDUARDO COSTA “A experiência na Fraternidade Bom Jesus em Sorocaba, SP, para mim vem sendo muito fértil, pois nessa tenho a oportunidade de conviver com os frades e assim,


SAV ________________________________________

FELIPE B. TEIXEIRA “Aqui, a fraternidade Bom Jesus, em Sorocaba - SP, está sendo essencial para que eu tenha uma experiência mais profunda de Deus. Tenho a convicção de que estou não só conhecendo melhor a Ordem Franciscana, como é ser um seguidor de Jesus Cristo à maneira de São Francisco, mas também aprendendo a deixar Deus crescer no meu interior, enquanto eu diminuo”.

VILA VELHA ANDRÉ LENTIS “A FAV está sendo para mim como um grande retiro, onde a cada dia aprendo ainda mais a olhar para minhas dificuldades e pedir a ajuda de Deus para fazer o que Ele pede. A fraternidade é realmente muito acolhedora. Está sendo uma experiência única e com certeza inesquecível.” MARCOS PAULO BERTOLDI “É uma alegria e privilégio para mim estar fazendo a ‘Experiência da Penha’. Estou muito feliz com esta primeira etapa de formação. Neste local abençoado, Nossa Senhora atrai, acolhe, consola e alegra o povo, inspirando-me a seguir firme e perseverante diante dos desafios de uma vida nova.”

xaxim FRANCISCO DALILSON PEREIRA CABRAL “Uma realidade bastante diferente da minha encontrei aqui em Xaxim (SC). Quando cheguei, tinha receio de que o povo do Sul fosse

mais fechado. Mas minha ideia estava totalmente errada. Encontrei um povo simples, acolhedor, gentil, preocupado com o nosso bem-estar. O que estranhei de cara foi ser chamado de Francisco (risos), afinal minha vida toda fui chamado pelo meu segundo nome. Admiro o jeito espontâneo de o povo participar das celebrações. Estou encantado com essa realidade. Apesar da saudade de casa, estou bem à vontade. A fraternidade é simples e me entrosei com os frades em pouco tempo. Parecia que os conhecia há muito tempo. O mais bonito é ver que o espírito fraterno não muda de fraternidade para outra, já que antes conhecia bem a fraternidade da Rocinha, de onde eu vim. Por fim, minha experiência em Xaxim está sendo muito rica”. VAGNER SALOMÃO “Confesso que, no início, fiquei com um pouco de receio ao vir para Xaxim/SC, pois sempre tive a falsa impressão de que as pessoas da Região Sul, por motivos culturais, não gostam de se envolver com pessoas de outras regiões do Brasil. Porém, ao chegar aqui, percebi que a realidade era outra: são pessoas carinhosas, que sempre trazem um sorriso no rosto e que não dispensam uma boa conversa. No que diz respeito à convivência na fraternidade, está sendo para mim uma experiência única, pois sempre ao visitar uma comunidade distante, ao abençoar uma casa ou simplesmente ao ter uma conversa informal com os frades, me vejo fazendo um pouco do que Francisco fez durante toda a sua vida: evangelizando através de uma vida apostólica, consolando aqueles que precisam ser consolados e, principalmente, vivendo em plena comunhão com o irmão!”

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por meio de uma experiência concreta, discernir minha vocação”.

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SAV ________________________________________

Província e Institutos Seculares juntos EM SP

Pela primeira vez, no Convento São Francisco, em São Paulo, foi realizado um encontro vocacional reunindo as equipes da Província da Imaculada Conceição, em São Paulo, e da Conferência Nacional dos Institutos Seculares do Brasil (CNIS). A decisão de fazer uma reunião conjunta, que aconteceu no dia 15 de março, deveu-se ao fato de terem em comum o conhecimento e admiração pela rica diversidade de chamados ao serviço do Reino de Deus na Igreja. Colocando-nos à disposição de tantos que se sentem chamados a este serviço, conhecendo a importância da animação vocacional

como forma de manutenção dos diversos carismas, fazemo-nos parceiros para orientar a todos que se sentirem impulsionados a buscar esta resposta. Neste serviço iniciamos nossa reunião com uma oração ao Espírito Santo. Em seguida, tratou-se de estratégias para que o estilo de vida consagrada secular torne-se conhecido em nível nacional por todos que sentirem o chamado a esse modo de vida. Ou seja, no cotidiano, nos ambientes de estudo, trabalho, família, assim como entre os diversos grupos que compõem nossa sociedade, pode-se viver a consagração religiosa no século, servindo o Reino e a toda humana

Comunicações . abril de 2014

CONVITE

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criatura, inserido na sociedade, buscando fazer isso de forma autônoma e responsável. “Trabalhamos, portanto, por cada um que se sente chamado a ser sal e fermento no meio da massa, ingredientes que não aparecem individualmente, mas que se fazem perceptíveis entre os filhos de Deus”. Cada um dos membros dos Institutos Seculares sente-se grato (a), sobretudo a Deus, através dos Frades Menores da Província da Imaculada, que nos acolhem nessa primeira reunião e que tão grandes frutos podem trazer à nossa Igreja. Equipe vocacional dos Institutos Seculares


SAV ________________________________________

Frei Rodrigo Santos

Aconteceu nos dias 11 e 12 de março a Assembleia Provincial do Serviço de Animação Vocacional, na Fraternidade São Boaventura, em Rondinha. Reunindo 33 confrades das diversas fraternidades da Província, este foi um momento de encontro, troca de experiências e formação para os animadores vocacionais. No primeiro dia da assembleia, após a acolhida do animador provincial, Frei Diego Atalino de Melo, e do mestre da etapa da Filosofia, Frei Fábio Gomes, os animadores vocacionais se debruçaram sobre texto abordando o perfil da juventude de nossos tempos, seus ideais que passam por um apego demasia-

do à tradição e ao conservadorismo e, também, aqueles que buscam uma emancipação, liberdade frente ao carisma, buscando, ao seu modo e gosto, seguir seu chamado vocacional. Houve a oportunidade também de partilha da realidade do Seminário São Francisco de Assis, que neste ano acolhe 31 jovens seminaristas com uma grande representação de Santa Catarina (destes, 15 são catarinenses) e as perspectivas, possibilidades e desafios que advêm da integração entre o seminário menor e o Aspirantado, que ocorrerá na mesma casa de formação a partir do segundo semestre. No segundo dia, os animadores puderam partilhar suas ex-

periências no trabalho vocacional. Os confrades animaram-se mutuamente e traçaram o cenário geral de nossa Província para este ano. Frei Diego ainda apresentou as propostas de trabalhos com a juventude para este ano, como a Caminhada Vocacional em Santa Catarina, os encontros e estágios vocacionais, as missões da juventude etc. Enfim, os confrades encerraram o encontro com ânimo renovado, pelo encontro fraterno, por adquirir novas experiências em suas atividades e por ter a ciência de que a semente está sendo lançada, em vários campos, e o Senhor da Messe tratará de colher o que lhe aprouver, no tempo oportuno.

Comunicações . Março de 2014

MOMENTO DE PARTILHA E FORMAÇÃO NA ASSEMBLEIA DO SAV EM RONDINHA

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NOTÍCIAS DE ITUPORANGA Seminário São Francisco de Assis Frei Rodrigo Santos

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CAPACITAÇÃO PARA VOLUNTARIADO NO HOSPITAL

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É uma proposta desta etapa que os seminaristas do 3º ano façam alguma experiência pastoral que lhes permita um contato com alguma realidade de nossa cidade ou de evangelização paroquial. Desde o ano passado, esta experiência tem se dado no Hospital Bom Jesus, de Ituporanga. Os seminaristas se integram junto ao grupo de voluntários da instituição e, semanalmente, vão fazer visitas aos enfermos internados, conversando um pouco com eles, conhecendo seus sofrimentos e, além disso, ajudando a servi-los no que puderem. Mas para fazerem este belo trabalho, o hospital exige que façam um curso de capacitação para que compreendam as exigências de postura, vestuário, comportamento frente aos profissionais do hospital e aos enfermos e seus familiares. Este curso aconteceu nos dias 25 e 27/02 e desde então os cinco seminaristas do 3º ano partem para missão que os ajuda a desenvolver o espírito de compaixão e serviço para com aqueles que estão em situação de fragilidade. SESSÃO SOLENE DE ABERTURA DO GRÊMIO LITERÁRIO O Grêmio Literário Santo Antônio reiniciou suas atividades no dia 02/03, com uma solene sessão que voltou-se para o tema da Campanha da Fraternidade 2014: o tráfico humano. O

orador da noite, Cledenir Bottesini, discorreu sobre o tema explicando aos ouvintes sobre o que se entendia por tráfico, e, oportunamente, indicando algumas formas de como evitar este hediondo crime. Os demais agremiados e seminaristas fizeram apresentações artísticas, que engrandeceram a sessão, com poesias, contos e execução de músicas. Uma bela forma de iniciar as atividades que demonstrem a importância que este Grêmio ocupa na caminhada. RETIRO PARA A QUARESMA E CÍRCULOS BÍBLICOS Para bem fazerem uma caminhada de conversão quaresmal e se prepararem para a celebração da Páscoa do Senhor, na noite do dia 04 e por todo o dia 05/03, dia de Quarta-Feira de Cinzas, os seminaristas fizeram seu retiro para a Quaresma, refletindo sobre o que significa este tempo e o chamado à conversão. Além disso, a cada semana, tem-se feito os Círculos Bíblicos

da Campanha da Fraternidade, que a partir da Palavra de Deus vão convocando a uma postura de compromisso e solidariedade para com aqueles com quem convivemos e experimentam necessidades, bem como para não permitir que a indiferença nos impossibilite de nos chocarmos com as histórias cada vez mais frequentes do sofrimento alheio. ENCONTRO DA FFB Aconteceu no dia 16, aqui no Seminário, o encontro da FFB dos núcleos de Rio do Sul e Lages, reunindo cerca de 30 membros e os seminaristas. A ideia era promover uma reflexão sobre a conversão de São Francisco, e seu discernimento sobre o que seria este caminho pelo qual o Espírito de Deus o conduzia. De igual forma, cada congregação pôde expor suas atividades realizadas e propor formas de fazer uma integração maior entre os membros da FFB, para que pudéssemos melhor nos conhecer, inteirar-nos de como o carisma franciscano tem sido vivido em cada realidade.


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MEMORIAL DE FREI CLAUDINEI

INÍCIO DAS ATIVIDADES EM RONDINHA FREI JHONES MARTINS

Após o período de férias e estágios (dezembro e janeiro), os frades de profissão temporária do segundo e terceiro anos, retornaram às suas atividades no Convento São Boaventura, em Rondinha. Neste ano tivemos a graça de acolher quatro novos irmãos para o primeiro ano, sendo eles: Frei Gabriel Dellandrea, Frei Hugo Câmara dos Santos, Frei Marcos Schwengber e Frei Zilmar Augusto Moreira de Oliveira. Ainda acolhemos na fraternidade permanente Frei Sérgio

Silas Damasceno, que terminou recentemente seus estudos de Teologia. Neste mesmo momento aproveitamos para agradecer ao Frei Jorge Lázaro de Souza, que por um ano conviveu conosco e foi enviado para a missão em Angola. Por tudo isso, damos graças a Deus, nosso Sumo Bem. Pedimos, então, o auxílio de Deus para este ano de novas e desafiantes experiências. Que pela intercessão de São Francisco e Santa Clara, possamos bem viver este tempo de graça, celebrando com alegria a graça da fraternidade. Paz e bem!

O primeiro domingo de março (02/03) foi marcado em Rondinha por uma Celebração Eucarística em memória do nosso confrade Claudinei Cananéa Bustamante, falecido há três meses em Caiobá. Antes da bênção final nos dirigimos ao cemitério da casa levando conosco as lembranças, saudades, alegrias e, em uma caixa, alguns de seus objetos pessoais. Ali foi colocada uma lápide, “em memória”, como a dos demais confrades enterrados naquele espaço. Em uma cova depositamos a caixa com seus pertences pessoais. Ao lado do “túmulo memorial” dedicado a ele, transplantamos a árvore (quaresmeira) que foi plantada pelo Ministro Provincial e pela Fraternidade de Rondinha, no dia 8 de dezembro de 2013, após a missa de sétimo dia e renovação dos votos dos frades de profissão temporária desta casa. Se, por um lado lembramos a morte ao vermos a sepultura, logo ao lado representado pela árvore, lembramos assim que “o trigo caído por terra, só vive se vai morrer”. Vida e morte presentes em nossos dias recordam-nos que “somos como erva, que de manhã nasce vicejante e à tarde logo seca”. Frei Claudinei, nosso saudoso irmão, será sempre lembrado com amor por todos nós. Por isso, damos graças ao Deus da Vida por este confrade que cumpriu o seu papel de Ser Humano e Irmão Menor.

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FREI JHONES MARTINS

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“The voice” no Noviciado

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Há alguns dias nossa fraternidade do Noviciado vem desfrutando de sons um pouco diferentes e, às vezes, até estranhos em nossa casa, na sala de música e em todo canto. Em cada horário vago só escutamos SOL, LÁ, SI, DÓ, RÉ... É uma apitação geral. Mas isso deve ter um motivo: Será que é culpa do professor muito exigente? Ou será que é culpa dos alunos muito empenhados? É lógico que a segunda pergunta é a certa, já que os alunos são bastante dedicados. Há um mês mal sabiam pegar na flauta-doce, e atualmente já tocam “Pastorzinho”, “Asa-Branca”... com direito a apresentação, fotografia e aplausos! Mas agora vamos explicar o motivo do título “The Voice no Noviciado”. Como todos sabem, o The Voice é um programa de Televisão, no qual os participantes devem cantar bem para se classificar para a próxima etapa até que no final um dos participantes vença. Não sabemos por que, mas um dos alunos começou a dizer que tinha prova no The Voice e estava com medo de ser eliminado, mas nosso The Voice é bem diferente, não tem Claudia Leite muito menos eliminação, mas tem pessoas à altura de serem ótimos freis flautistas, e já o são. O prêmio não é o dinheiro, mas a alegria em poder servir na liturgia. Não é a fama, mas a humildade que abre todas as portas, e muito menos a ganância de ser o primeiro, o melhor, mas sim de ser o menor que aprende tudo sem precisar passar por cima de ninguém. Esse é o nosso The Voice. Aos flautistas, os nossos parabéns. Desejamos que continuem firmes, pois ainda faltam os misteriosos exercícios com a mão direita! E salve a música no Noviciado! FREIS FLAUTISTAS

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NOVAS DIRETRIZES CURRICULARES PARA A TEOLOGIA Aconteceu na manhã de quinta-feira, 27 de fevereiro, a aula inaugural do ano letivo 2014. Foi ministrada por Frei Gilberto Gonçalves Garcia, e contou com a participação de estudantes e professores, reunidos no salão nobre do Instituto. Frei Gilberto sempre atuou no campo da educação e possui doutorado em Filosofia. Desde 2012, preside a Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão vinculado ao Ministério da Educação em Brasília. A partir de um panorama histórico, desde a Idade Média até nossos dias, a Filosofia e a Teologia vêm sendo desenvolvidas sistematicamente enquanto saberes acadêmicos da área de Ciências Humanas. “No Brasil, a ciência teológica era estritamente estudo direcionado ao clero (…), mas, com o desenvolvimento socioeducativo, a Teologia passou a fazer parte de instituições religiosas, entre as quais, denominações protestantes, o espiritismo e o umbandismo”, declarou o conselheiro do CNE. Segundo dados do MEC, surgem em média dois cursos por mês na área da Teologia. E a maioria dos pedidos provém do segmento evangélico. Isto faz com que a procura por reconhecimento de cursos de graduação aumente consideravelmente junto ao CNE, o que favorece a qualidade dos cursos e pressiona por um Plano de Desenvolvimento Institucional, que inclua também as áreas de Direitos Humanos, Educação étnico-racial, Educação indígena, Educação Ambien-

tal e Sustentabilidade. Para os cursos de graduação em Teologia existem 4 eixos fundamentais: o da formação fundamental; o da formação interdisciplinar; o da formação teórico-prática; o da formação complementar. O eixo da Formação Fundamental deverá contemplar conteúdos de formação básica, que caracterizam o curso de Teologia. Neste eixo deverão ser ministradas disciplinas relacionadas ao estudo das narrativas e dos textos sagrados ou oficiais que podem ser tidos como fontes da Teologia, segundo a Tradição própria, das línguas destas fontes da Teologia, das normas ou regras de interpretação das referidas fontes, do desenvolvimento da Tradição, do método, dos temas e das correntes teológicas construídas ao longo da história e da contemporaneidade. Além disso, incluem-se nesse núcleo todas as disciplinas que atendem ao estudo da natureza da Tradição religiosa e de sua história, inclusive os códigos legais ou assemelhados. O eixo da Formação Interdisciplinar deverá contemplar conteúdos de cultura geral e de formação ética e humanística. Deverá prever disciplinas baseadas essencialmen-

te em conhecimentos de humanidades: filosofia e ciências sociais, com foco em ética e em questões da sociedade contemporânea, em especial em questões ligadas aos temas dos direitos humanos, educação étnico-racial, educação indígena, educação ambiental e sustentabilidade. Podem ser agregados a este eixo conteúdos gerais de formação em história, direito, antropologia, psicologia, e de outras áreas do conhecimento ou campos do saber, conforme o projeto de formação definido pela Instituição. O eixo da Formação teórico-prática deverá contemplar conteúdos de domínios conexos, tidos como importantes para a construção do perfil e das competências pretendidas de acordo com o projeto de formação definido pela Instituição. O eixo de formação teórico-prática deverá contemplar conteúdos formativos que têm a função de ampliar a formação do egresso, concedendo-lhe condições para a aquisição de atitudes pretendidas com o curso e dentro da natureza própria da formação considerada na respectiva confessionalidade ou na tradição. Neste eixo se pretende que o egresso esteja preparado para

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Tiago Signorini (*)

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formação e estudos ________________________________________ desenvolver seu papel na sociedade, buscando cidadania participativa e responsável. O eixo da Formação complementar terá como objetivo possibilitar ao estudante reconhecer e testar habilidades, conhecimentos e competências, inclusive fora do ambiente acadêmico, incluindo prática de estudos e atividades independentes, transversais, opcionais, de interdisciplinaridade, especialmente nas ações de extensão junto à comunidade. Tais atividades, como a participação em seminários extracurriculares, estágios, palestras, conferências, grupos de pesquisa e eventos de caráter inter-religioso de promoção da cidadania e de respeito aos direitos humanos, devem prever acompanhamento, orientação

e avaliação de docentes do curso, segundo critérios regulamentados no âmbito de cada instituição de ensino. O total da carga horária do curso de Teologia será de, no mínimo, 2.800 horas, assim distribuídas: 2.500 horas, no mínimo, para as atividades didáticas – de cunho teórico e prático, tanto as obrigatórias como as optativas, excluídas as atividades complementares – dos eixos de formação fundamental, de formação interdisciplinar e de formação teórico-prática, sendo, pelo menos 1.900 horas, para os eixos de formação fundamental e de formação teórico-prática – que inclui a carga de 100 horas destinada ao Trabalho de Conclusão de Curso, 600 no mínimo, para o eixo de formação interdisciplinar, 300 ho-

ras, no mínimo, para Atividades Complementares, e 200 horas, no mínimo, para Estágio Supervisionado, quando houver. Segundo Frei Gilberto, a Teologia é a mais recente das Ciências Humanas que está sendo acolhida pelo Estado, embora ainda existam debates acerca de pontos específicos da grade curricular do Curso de graduação. Ao final da aula, estudantes e professores fizeram perguntas sobre os assuntos abordados, e Frei Antônio Everaldo Palubiack Marinho, Reitor, agradeceu, em nome de todos, o valioso aporte de Frei Gilberto. (*) O autor é estudante do segundo ano de Teologia e faz parte da diocese de Barra do Piraí/Volta Redonda, RJ.

ESPERANÇA PARA A MISSÃO EVANGELIZADORA Iniciado o Master em Evangelização-2014

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Frei Elói Dionísio Piva

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Depois de uma semana de intensivo em língua portuguesa para os cursistas de língua hispano-americana, no dia 17 de março, às 10h00, no Instituto Teológico Franciscano, em Petrópolis, RJ, foi dado início ao Master em Evangelização-2014. Esta edição do Curso foi precedida por um tempo de dois anos, distribuído entre avaliação das três edições anteriores e preparação desta. Ao final da avaliação, os frades coordenadores das Conferências-OFM da AL e do Caribe optaram pela continuidade do formato de 8 meses, em função de uma proposta empenhativa, seja dos cursistas, dos assessores e da coordenação. Esta, liderada por frades do ITF, retocou então a proposta anterior, tendo em vista sua especificidade e os custos. A proposta resultante, partindo da missão evangelizadora do movimento franciscano e da Igreja Ca-

tólica assim como é levada a termo e sonhada, parte de uma plataforma humano-cultural-sociológica, passa pela reedição dos fundamentos teológicos e, retornando ao ponto de partida, visa contribuir para que cada estudante reedite a resposta amorosa ao convite do Senhor e busque, em constante atitude de escuta e diálogo, bons frutos. Uma pauta articulada, envolvendo cursistas, assessores e coordenação no empenho da razão e no testemunho de vida visa auxiliar no propósito de alcançar o objetivo estabelecido. Embora promovido pela família OFM, o Curso acolhe sugestões e participantes de outras denominações franciscanas ou não. Para o dia marcado, 17/03, a Coordenação do Curso convidou os cursistas, os assessores, bem como representantes da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, a quem, através do ITF, foi confiado este serviço. Entre os cursistas presentes

dois são do México, dois da Colômbia, um do Peru, um do Chile, e nove do Brasil. Mais participantes do Peru, um sacerdote secular e um leigo, chegariam poucos dias depois, fechando, assim, o número de 17 cursistas. Deseja-se a mais um candidato do Peru, que não pode participar desta edição do Master em função de um acidente sofrido, completo restabelecimento. Outrossim, há que se destacar na composição deste grupo a presença de frades e leigas/os com atuação de destaque na Jufra e na OFS, bem como no campo da educação, o que parece ser sinal de esperança para a missão evangelizadora de características franciscanas que consagra parceria entre frades, sacerdotes e leigos. A acolhida, no salão acadêmico, teve início com um momento de forte e compenetrada invocação do Espírito Santo e de seus dons sobre o conjunto do intento do Master, conduzida por


formação e estudos ________________________________________ Sandro Roberto da Costa a tarefa de promover a apresentação dos cursistas e dos confrades presentes. Foi então que cada cursista pode se apresentar, discorrendo brevemente sobre suas atividades, sobre circunstâncias em que o convite lhe fora feito, sobre suas expectativas em relação ao Curso em função de sua missão evangelizadora. Os frades presentes também se apresentaram, testemunhando sua disposição de colaborar com o Curso. Dentre as falas destaca-se a de Frei Evaristo Spengler, Definidor Provincial presente no Regional Baixada-Serra, também representando o Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel; ele parabenizou a todos pelos esforços empreendidos e desejou pleno êxito no Curso. Por sua vez, Frei Antônio Michels, secretário provincial para a Evangelização, deu testemunho da feliz experiência por ele feita numa das edições anteriores do Master, e ressaltou a importância do que denominou como sendo uma espécie de parada, depois de alguns anos de atividade evangelizadora, para condividir depoimentos, colocar novas perguntas e fazer novos questionamentos em vista da

Boa Nova, apresentada, na Igreja, de modo franciscano. Coube a Frei Elói Dionísio Piva apresentar um panorama institucional, ou seja, situar e focar os objetivos do Curso. Para isso, com ilustrações, trouxe ao presente a memória da iniciativa e dos objetivos do IDE (Instituto Superior de Evangelização – 1992-1995), passou brevemente pela motivação e pela grade curricular das edições anteriores do Master (2009-2011), para acentuar os pontos focais da presente edição: revisitar os fundamentos teológicos da dedicação pessoal à Boa Nova de Jesus Cristo, vivida, testemunhada, compartilhada e percebida no hoje da história pessoal, franciscana, eclesial e social. Neste caminho, a razão se apresenta como aliada à fé, em função de bons frutos para a Evangelização. Palavra livre, ainda houve algumas pontualizações, antes que Frei Antônio Everaldo, recorrendo ao Sl 91, reiterasse ser bom dar graças a Deus, e que Frei Fernando de Araújo Lima, guardião da Fraternidade São Francisco, junto ao ITF, convidasse a todos para um aperitivo e almoço de confraternização.

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Frei Vitório Mazzuco Filho. Em seguida, coube ao Reitor do ITF, Frei Antônio Everaldo Palubiack Marinho, dar boas-vindas a todos, ressaltando o empenho de tantos, desde os confrades da Cúria Geral OFM, particularmente os do Secretariado das Missões e da Evangelização, passando pelos confrades da Pontifícia Universidade Antonianum, pelos confrades coordenadores das Conferências Latino-americanas Franciscanas (UCLAF), pelos provinciais, pela equipe coordenadora do Master e, particularmente, pelos confrades, padres e membros do Movimento Franciscano (Jufra e OFS) que aceitaram com jovial espírito o convite para fazer o percurso proposto pelo Master. Finalizando sua fala, Frei Antônio Everaldo aos cursistas desejou que este tempo de estudo seja um tempo oportuno para refletir de modo sistemático sobre os fundamentos da Evangelização e que ajude a melhorar/ qualificar ainda mais a vivência e a prática evangelizadora, contribuindo assim, para a missão da Igreja. Em seguida, coube a Frei

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fraternidades ________________________________________ Entrevista | Frei Clarêncio Neotti

FREI BRUNO,

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TUDO PARA TODOS

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A Romaria Penitencial Frei Bruno, que aconteceu no domingo, 16 de março, pela 24ª vez, teve como novidade o lançamento do livro “Frei Bruno Linden, tudo para todos”, escrito pelo presidente da Comissão Histórica do Processo de Beatificação e Canonização de Frei Bruno Linden, Frei Clarêncio Neotti. Nesta entrevista, Frei Clarêncio conta que teve dificuldades no início da pesquisa, mas seu faro histórico, que cresceu ao longo dos últimos anos escrevendo necrológios de confrades, o ajudou muito a concluir este primeiro trabalho, já que agora a Comissão terá como missão fotocopiar todos os escritos de Frei Bruno, enumerá-los e autenticá-los. Frei Clarêncio, que reside em Vila Velha (ES), onde é Vigário Paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo, é jornalista e escritor. Atualmente edita e redige a revista “Vida Franciscana” e trabalhou na Editora Vozes de janeiro de 1966 a janeiro de 1986 e foi, durante todo esse tempo, redator da “Revista de Cultura Vozes”. É autor de “Ministério da Palavra” (3 volumes), “Santo Antônio, Mestre da Vida”, “Orar 15 dias com Santo Antônio”, “Santo Antônio: simpatia de Deus e simpatia dos homens”, “Santo Antônio, Luz do Mundo” (os 9 sermões do Padre Vieira sobre Santo Antônio, comentados), “Orar 15 dias com Frei Galvão”, “Comunicação e Igreja no Brasil”, “Imaculada Conceição de Maria”, “Frei Aurélio Stulzer, Pai, Irmão, Amigo”. Tem no prelo “Animais no altar”. Frei Clarêncio, ordenado padre franciscano em janeiro de 1961, chegou a conhecer Frei Bruno,

mas confessa que ao concluir sua biografia chegou a se surpreender com ele. “Como digo no livro, eu o conheci. Mas nunca convivi com ele. Me surpreendeu pelo retrato que emergiu dos Livros de Tombo, retrato que coincide com os depoimentos dos que o conheceram mais de perto”, revelou. Nesta entrevista, Frei Clarêncio conta como foi o processo para escrever esta biografia de Frei Bruno. Acompanhe!


fraternidades ________________________________________

Comunicações - Que balanço o sr. faz após a conclusão deste trabalho? Frei Clarêncio Neotti - Quando, em fevereiro de 2012, em nome do Definitório, Frei Estêvão me convidou para escrever a biografia oficial de Frei Bruno e me disse que o convite vinha também em nome de Dom Mário Marquez, fui primeiro ao arquivo provincial ver o que havia sobre ele. Pouquíssima coisa. Nem mesmo os documentos essenciais, como batistério, profissão, ordenação lá encontrei. Não sou historiador, mas sempre tive faro histórico, que cresceu ao longo dos últimos anos pela experiência amorosa de escrever necrológios de Confrades. Esta experiência me ajudou muito. Saí à procura de folhetos, artigos e livretos publicados sobre ele. Vi que todos repetiam textualmente o belo necrológio escrito ainda em 1960 por Frei Edgar Loers, último guardião de Frei Bruno, em Joaçaba. Ora, nesse necrológio há imprecisões de datas e transferências, repetidas pelos copiadores. Em nenhum escrito sobre Frei Bruno encontrei, por exemplo, sua transferência de Gaspar para Petrópolis com o cargo de pároco em Cebolas. Isso me fez prestar muita atenção e checar com seriedade todas as informações correntes. Quando o livro estava em fase final, mandei os originais ao Padre José Artulino Besen, o historiador da Igreja em Santa Catarina que, por feliz acaso, é pároco em São José, sucessor, portanto de Frei Bruno. E também a Frei

Ary E. Pintarelli, pedindo a ele um olho severo sobre a clareza do texto. Sou grato aos dois pelas correções e achegas. Comunicações - Quanto tempo de pesquisa demandou para fechar a linha do tempo de Frei Bruno? Frei Clarêncio - Com a obediência do Definitório e a anuência compreensiva do meu guardião Frei Paulo Pereira, logo depois da Romaria de março de 2012, quando me encontrei com o Postulador Geral Frei Gianni, que me deu claras instruções de como fazer a coleta de dados, fui aos arquivos da Arquidiocese de Florianópolis, da diocese de Petrópolis, da diocese de Joinvile, da Casa Geral das Irmãs Catequistas, dos conventos de Rodeio e Xaxim. Fui aos arquivos das paróquias pastoreadas por Frei Bruno. Fotocopiei ou fotografei tudo o que encontrei. Antes de ir às paróquias de Não Me Toque, RS, e Xaxim, SC, passei pelo enfarto, que anulou muitos dias de possível trabalho. Quando, em outubro de 2013, foi constituído o Processo e eu fui oficialmente nomeado presidente da Comissão Histórica, eu já tinha recolhido os possíveis documentos em torno de Frei Bruno, sobretudo todos os Livros de Tombo escritos a mão por ele, alguns livros de Crônicas, quando ele foi o cronista da casa, e muitas cartas dele. A essa altura eu tinha lido tudo o que encontrara sobre as paróquias e Fraternidades onde ele trabalhara nas Vita Franciscana (em alemão, desde 1923 até 1942) e Vida

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MOACIR BEGGO

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Franciscana (desde 1942), as Crônicas de Frei Cleto Espey (em alemão), de Frei Pedro Sinzig (em alemão), de Frei Estanislau Schaette (em português). Vi, então, que havia farto material, com algumas lacunas, é verdade, mas suficiente para escrever a biografia de Frei Bruno dentro da Igreja e da sociedade de seu tempo. Escolhi como método a sequência temporal dos fatos. E percebi logo que os podia basear nos Tombos escritos por ele e nas Crônicas das Fraternidades. Em momento nenhum me esqueci de que a biografia era dirigida ao povo devoto. Por isso mesmo, procurei trabalhar com uma linguagem linear, de frases curtas. Daí também o acréscimo de uma centena de rodapés, ora para explicar ao povo o jargão religioso-curial, ora para pôr o leitor dentro da história da igreja local ou do município. Não podemos esquecer que Frei Bruno é da geração pioneira em todas as paróquias em que trabalhou. Estou de fato feliz de ter terminado esta biografia, item necessário para o processo de Beatificação e Canonização de Frei Bruno.

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Comunicações - Hoje, depois deste trabalho de pesquisa, como o sr. define Frei Bruno? Frei Clarêncio - Frei Bruno me surpreendeu. Como digo no livro, eu o conheci. Mas nunca convivi com ele. Me surpreendeu pelo retrato que emergiu dos Livros de Tombo, retrato que coincide com os depoimentos dos que o conheceram mais de perto. Tive a ousadia de tentar fazer-lhe o retrato psicológico-espiritual-pastoral através de substantivos que ressaltam dos depoimentos. No livro aparecem apenas alguns depoimentos ou partes deles. No processo teremos a íntegra dos depoimentos, a íntegra das cartas que conseguimos, a íntegra dos Livros de Tombo e das Crônicas. Foi só no fim, quando o livro estava pronto, que fixei o subtítulo, uma expressão de São Paulo, “Tudo para todos”. Mas eu tinha posto numa folha à parte outros possíveis subtítulos, como: “O santo das famílias”, “O homem da misericórdia e da penitência”, “Quando bondade e bênção se encontram”, “O homem do bom senso”, “Deus olhou para a humildade de seu servo”. De fato, a família foi a maior preocupação pastoral de Frei Bruno. Num tempo de crise acentuada da família, como é o atual, o carinho pessoal e personalizado de um Frei Bruno talvez fosse a melhor medicina para o equilíbrio caseiro. Comunicações - O que mais te impressiona na vida dele?

Frei Clarêncio - Vou usar uma palavra desconhecida do mundo moderno. Impressiona-me Frei Bruno como asceta. Que pode ser sinônimo de penitente. Que pode ser sinônimo de disciplinado. Que pode ser sinônimo de congruente. Que pode ser sinônimo de rígido consigo e compreensivo com os outros. Que pode ser sinônimo de obediente sem glosa, mas com acentuado bom senso. Me impressionou muito o fato de nunca ter uma palavra negativa sobre confrades ou fatos acontecidos e por ele anotados nos Tombos e nas Crônicas. Também me impressionou seu conhecido desapego no vestir, no comer, no direito à sua vontade própria e no fato de ter renunciado por escrito ao direito de visitar seus parentes na Alemanha. Comunicações - Como falar de Frei Bruno para o mundo de hoje? Frei Clarêncio - Se Frei Bruno fosse pároco em 2014, com seu modo de agir e sua visão de Igreja e do mundo, estaria inteiramente deslocado. Como estaria qualquer santo canonizado. Os dons do Espírito Santo e as virtudes todas têm expressões diferentes na vida prática de cada tempo. Os dons são os mesmos. As virtudes são as mesmas. Mas o ambiente está inteiramente mudado. A grandeza humana de Frei Bruno está no fato de ele ter-se adaptado a paróquias rurais ainda em formação. A grandeza pastoral de Frei Bruno está no fato de ele ter levado àquele povo pioneiro e pobre o senso da fé e da piedade, o senso do amor fraterno e da comunidade, num jeito que todos compreendiam e, sobretudo, mostrando-lhes que ele vivia pessoalmente o que lhes ensinava. Muitos de nós não sabemos como levar ao povo de hoje o mesmo senso da fé e da piedade, o senso do amor fraterno e da comunidade. Falta-nos a adaptação e a congruência e nisto bem que Frei Bruno é mestre. Comunicações - Frei Bruno e Frei Galvão são frades que viveram em épocas distintas. Há aspectos comuns e diferenças. Quais o sr. aponta? Frei Clarêncio - Cem ou cento e cinquenta anos separam os dois santos confrades. Tempos e lugares bem diferentes. Talvez Frei Galvão tenha vivido num tempo vocacionalmente mais difícil. Talvez Frei Bruno tenha vivido num tempo de maior liberdade e clareza pastoral. Mas os dois foram pastores de seu tempo. Os dois encarnaram, cada um em seu tempo, o carisma franciscano. Os dois foram visitadores assíduos das famílias. Os dois foram pacificadores,


fraternidades ________________________________________ sobretudo de famílias brigadas. Os dois foram incansáveis confessores e prudentes conselheiros. Os dois passaram à história como homens de grande caridade e por causa da caridade até se bilocaram. Os dois foram homens de extrema confiança na Providência Divina. Os dois foram modelos de obediência sem tergiversação. Os dois foram conhecidos em vida por seu bom senso no julgamento e na tomada de decisões. Os dois eram conhecidos pelo povo como pessoas de muita oração e penitência. Os dois, ainda que muito observantes da clausura, eram incansáveis andantes a pé. Os dois, ordenados cedo, passaram dos 80 anos. Acrescentemos ainda que os dois são considerados pais de congregação feminina dedicada à catequese e ao ensino.

Comunicações - Quantas biografias o sr. já escreveu? Frei Clarêncio - Se Você estiver pensando nos necrológios que publiquei na Vida Franciscana, acho até que já bati, e de longe, o recorde de eulogista de toda a Ordem. O necrológio do Frei José Luiz Prim leva o número 186. Escrevi também, a pedido insis-

Frei Clarêncio e Iraci Dalla Rossa tente dos paroquianos de Vila Velha, uma biografia de Frei Aurélio Stulzer, que subtitulei “Pai, Irmão, Amigo” e que tem 170 páginas. Comunicações - A Comissão Histórica, que o sr. preside, tem ainda outro trabalho? Frei Clarêncio - Temos, sim, e é o mais delicado. O seguinte trabalho da nossa Comissão será fotocopiar todos os escritos de Frei Bruno, enumerá-los e autenticá-los; fotocopiar tudo o que tem referência a Frei Bruno, incluídas fotografias, enumerar e autenticar; entregar todo esse material ao Tribunal Eclesiástico do Processo, que o encaminhará à Comissão Teológica e à Promotoria. Uma cópia autenticada de todo esse material, que inclui também os depoimentos recolhidos e as atas das sessões realizadas, será encaminhada à Postulação Geral em Roma. Só então será escrita a Postulatio, ou seja, a biografia que será entregue aos respectivos dicastérios da Santa Sé. Esta Postulatio, no caso de Frei Bruno, poderá ser escrita em italiano ou português e tem normas próprias de redação.

Comunicações . Março de 2014

Comunicações - O que representa para a Província este processo de beatificação? Frei Clarêncio - Penso que em primeiro lugar é um dever de justiça para com toda uma geração de missionários franciscanos alemães, muitos deles mortos em fama de santidade e rodeados do carinho agradecido do povo. Pelo que sei, vários deles podiam ir para o altar com Frei Bruno. Lembraria Frei Januário Bauer, Frei Lucínio Korte, Frei Plácido Rohlf, Frei Rogério Neuhaus, Frei Solano Schmitt, Frei Zeno Wallbröhl, Frei Modesto Blöink, Frei Luís Reinke, Frei Policarpo Schuhen, Frei Domingos Schmitz, Frei Heriberto Behr, esquecendo outros mais novos. Em segundo lugar, devemos reconhecer que a Província restaurada não fez grandes esforços em beatificar seus filhos. Frei Bruno foi um clamor do povo. Bendito clamor! Em terceiro lugar, sempre a meu modo de ver, o processo de beatificação de Frei Bruno, que por 19 anos foi modelo do noviciado, pode significar um novo amanhecer vocacional ao lado de um profundo e sério agradecimento a Deus pelo nosso passado. Em quarto, mas não último lugar, a beatificação de Frei Bruno poderá ou deverá rejuvenescer, aquecer e fortificar nossos compromissos com o carisma franciscano vivido em benefício do povo, sempre em estreitíssimos laços com a Igreja local.

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ROMARIA

45 MIL FIÉIS POR FREI BRUNO

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moacir beggo

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Na agradável manhã do domingo (16/3), às 8 horas, uma multidão de fiéis devotos de Frei Bruno deu mais uma grande demonstração de fé durante a Romaria Penitencial que leva o nome do frade franciscano. Segundo a Polícia Militar, 45 mil pessoas caminharam da Catedral Santa Terezinha até o Cemitério Frei Edgar, onde está sepultado o Servo de Deus e foi celebrada a Santa Missa. Desde cedo, o povo que se aglomerava na Catedral de Joaçaba tomou conhecimento da biografia de Frei Bruno pelas mãos de seu redator, Frei Clarêncio Neotti, que passou a manhã dando autógrafos. Com o título “Frei Bruno Linden, tudo para todos”, esta biografia fará parte do processo de beatificação de Frei Bruno. Segundo Frei Clarêncio, Frei Bruno é exemplo de quem se fez tudo para todos. A expressão é de São Paulo aos Coríntios (1Cor 9,27). A grande maioria dos romeiros que vem para a Romaria é de Joaçaba, Xaxim, Luzerna, Rodeio, cidades em que viveu o frade franciscano, mas já se vê um grande número de romeiros de outras cidades de Santa Catarina, especialmente da capi-


fraternidades ________________________________________ tórica trabalha para recolher toda a documentação relativa ao frade franciscano. “Não basta dizer o lugar que ele nasceu, mas é preciso comprovar com a certidão; não basta dizer que foi batizado, tem que apresentar a certidão de batismo. E assim por diante”, disse Frei Estêvão. Outro momento importante deste processo, e fundamental para a beatificação, é a apresentação de um milagre. “E agora precisamos muito da colaboração de vocês para relatar alguma graça ou milagre, que seja um fato ou acontecimento impossível de se explicar segundo as ciências naturais, mas que pela invocação de Deus e inter-

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tal Florianópolis, e de outros estados. Os romeiros fizeram um percurso de três quilômetros, sempre rezando e cantando, numa demonstração de devoção e fé que caracterizou as 24 edições desta Romaria durante o tempo quaresmal. Um dos momentos mais bonitos da Romaria é o encontro dos romeiros que partem da Catedral com os romeiros que vêm de Luzerna, conduzidos pelo pároco Frei Nolvi Dalla Costa. O encontro acontece em frente ao Cemitério Frei Edgar. Durante a Santa Missa, o vice-postulador da causa, Frei Estêvão Ottenbreit, explicou pela primeira vez aos romeiros como está o processo de beatificação de Frei Bruno desde a sua abertura no final de outubro do ano passado. Segundo Frei Estêvão, já houve algumas alegrias, como a aprovação da Santa Sé para seguir adiante no processo, o lançamento da biografia neste domingo e o bom andamento do Tribunal Eclesiástico, que praticamente está encerrando a fase de recolher os depoimentos das pessoas que conheceram Frei Bruno. Mesmo assim, Frei Estêvão disse que ainda há tempo para dar os depoimentos. As pessoas que quiserem fazer esses relatos podem procurar as paróquias destas cidades. Simultaneamente, a chamada Comissão His-

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Os romeiros de Luzerna se aproximam do Cemitério tendo à frente Frei Nolvi Dalla Costa.

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cessão de Frei Bruno apresenta uma cura”, explicou Frei Estêvão. Frei Estêvão pediu também muita oração neste momento para se obter uma graça especial. “Vamos continuar a rezar a Deus para que se digne demonstrar ao mundo aquilo que para nós todos é tão evidente: a santidade do nosso querido Frei Bruno, para que um dia ele realmente possa ser este grande modelo de cristão, de religioso e sacerdote, e possa nos orientar na nossa caminhada de fé”. O pároco de Xaxim, Frei Alex Cianorscki, que é vice-postulador, também se dirigiu aos romeiros pedindo a colaboração de todos quanto aos depoimentos e relatos de graças. D. Mário Marquez, bispo de Joaçaba, está confiante no processo de beatificação de Frei Bruno. “Com certeza, ele está na glória de Deus porque soube na terra estar junto ao povo de Deus como pastor, amigo e conselheiro”, disse. Segundo o bispo, Frei Bruno um dia deixou a sua terra natal, a Alemanha, e veio para o Brasil como missionário franciscano, ainda muito jovem, com apenas 18 anos de idade. “O Servo de Deus Frei Bruno percorreu como peregrino a maior parte do seu ministério sacerdotal, iluminando com o carisma e a mística franciscana, chegando aos lares de nossas famílias. Levou o

amor, a paz, a fé, a reconciliação, a esperança a todos os corações. Por isso, ele nos encanta e por isso estamos aqui nesta manhã do dia 16 de março de 2014”, acrescentou. D. Mário lembrou o Evangelho daquele domingo, que narrava a transfiguração do Senhor. “O encontro de Jesus no Monte Tabor é o encontro que fazemos também aqui. A vida do cristão pode ser comparada a um caminho que deve ser


fraternidades ________________________________________ percorrido junto com o Mestre. É assim que viemos a esta Romaria, movidos pela fé”, completou o bispo, agradecendo aos organizadores da Romaria, a Catedral Santa Terezinha, através do seu pároco Pe. Paulo Ramos da Silva, e da Associação Frei Bruno, através do seu presidente, Valdecir Sete. Encontro dos Romeiros da Catedral e de Luzerna

Os romeiros chegam ao Cemitério Frei Edgar.

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O bispo reconhece que, com o crescimento da Romaria, também os problemas aumentam. “O trabalho é bastante intenso para realizar esta Romaria. Nem sempre conseguimos dar o conforto aos romeiros da forma que eles merecem. Mas quem sabe, num futuro bem próximo, teremos uma estrutura melhor para atender a todos”, acredita D. Mário, já que no ano que vem a Romaria completará 25 anos e o crescimento deverá ser maior com o avanço do processo de beatificação de Frei Bruno. Um bom número de frades da Província e sacerdotes da Diocese participaram da Santa Missa e da Romaria. Entre eles, Pe. Davi Ribeiro dos Santos, pároco da Igreja Senhor Bom Jesus de Herval d’Este e presidente do Tribunal Eclesiástico na causa do Servo de Deus Frei Bruno.

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FREI BRUNO:

homem que transformou palavras em orações e gestos em edificações

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frei Valnei Brunetto

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Na Carta de São Paulo aos Coríntios, este nos assegura que: “Ainda que falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. E se possuir o dom da profecia e conhecer todos os mistérios e toda a ciência e alcançar tamanha fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, nada sou. Mesmo que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e entregar meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará. Pois o amor é paciente; é benigno; o amor não arde em ciúmes; não se ufana; não se ensoberbece; não se conduz inconvenientemente; não procura os seus interesses; não se exaspera; não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Cor 13, 1-7). No que tange à pessoa e a vida de Frei Bruno, não há dúvidas de que tais palavras, proferidas por São Paulo, ecoam com profunda veracidade e autenticidade. Isso porque Frei Bruno, mais do que ninguém, buscou na Palavra de Deus, a fonte de inspiração para seus pensamentos e ações. Ou seja, parafraseando as palavras do próprio Cristo, podemos afirmar que Frei Bruno reproduzia em ações aquilo que ardia em pensamento no íntimo do seu coração (cf. Mt 12,34). Em Xaxim/SC não foi diferente. Desde que seus pés pisaram aquele chão, na data de 21 de agosto de 1945, marcas genuinamente evangélicas, proféticas e franciscanas foram “impressas” nas “páginas” da vida e da história do povo e da cidade xaxinense. Dados históricos revelam que no Capítulo Provincial (instância máxima de decisão da instituição franciscana – da qual Frei Bruno era membro), de janeiro de 1945, Frei Bruno foi transferido da cidade de Rodeio/SC, para a cidade de Esteves Júnior, também em Santa Catarina, aonde chegou em 26 de janeiro daquele ano. Ali permaneceu não por muito tempo. Novamente reunidos, os superiores da Ins-

tituição determinaram uma nova mudança para Frei Bruno; de Esteves Júnior para a cidade de Xaxim – extremo oeste do estado catarinense. Sempre pronto, disposto e obediente em tudo aos seus superiores, Frei Bruno deixou Esteves Júnior com uma sacola às costas, em direção a Xaxim, seu novo lar e terra de missão e evangelização. Atento e dócil ao novo propósito que Deus lhe depositara sobre os ombros, Frei Bruno apeou em Xaxim, sem pároco e com o coadjutor doente. Na época, ainda não existia a Paróquia São Luiz Gonzaga, pois esta teve sua pedra fundamental lançada somente em 15 de fevereiro de 1947. Até esse momento, o território pertencia à Prelazia de Palmas/SC. Contudo, a vida eclesial em Xaxim era viva e atuante, constituída por italianos, alemães, poloneses e lituanos, recém-chegados do Rio Grande do Sul, além de nativos, aos quais as Crônicas se referem, chamando-os de “sertanejos” e/ou “caboclos”. Apesar da doença dos confrades, e do peso dos anos, 69, Frei Bruno logo tratou de iniciar visitas


pessoais e pastorais às comunidades e capelas. Conforme nos atestam os documentos, “Frei Bruno percorreu todas as casas do nosso distrito, no período da Páscoa, visitando as capelas à procura das ovelhas perdidas”. Com insistência e persistência, procurava curar os males que afligiam as famílias; instruir as crianças e a todos atrair para uma vida verdadeiramente cristã. Como verdadeiro missionário, Frei Bruno era um homem a quem não se aplicava o ditado italiano de que: “Tra il dire e il fare, c’è in mezzo un mare” – (entre o fazer e o dizer, existe um mar). Mesmo com seus 76 anos, Frei Bruno continuava visitando, com cuidado e assiduidade as suas capelas, percorrendo até 20 km de distância, uma da outra – sempre a pé. Praticava tudo quanto ensinava aos outros. Não despertava tanto a atenção pela intelectualidade das palavras que pronunciava, mas pelo testemunho de seu comportamento, motivo pelo qual o povo se espelhava nele como um modelo vivo do Evangelho; depositavam nele plena e irrestrita confiava; confi-

denciavam-lhe todas as suas dificuldades, doenças e preocupações. Em tudo Frei Bruno era procurado, por onde quer que passasse ou estivesse. É justo afirmar que algumas pessoas, pela sabedoria contida em suas palavras e pela grandeza de seus feitos, conseguem marcar sua passagem por esta vida e por esta terra. Com Frei Bruno não foi diferente. Como nos afirma o Bispo de Joaçaba – Dom Mário Marquez, OFMCap,: “Como missionário, Frei Bruno soube dialogar, por vales e montanhas, com todas as realidades do seu tempo. E os ensinamentos do Evangelho e o exemplo de São Francisco de Assis o fizeram um humilde servidor”. Ao que acrescentaria: virtudes que fizeram de Frei Bruno um homem que infundiu fé e esperança no coração dos homens e mulheres de seu tempo, impregnando de sentido e sabor a vida e a história das futuras gerações. Muito mais do que uma singela expressão franciscana, Paz e Bem são palavras que testemunham e sintetizam o modo de ser e viver de Frei Bruno, de quem se pode afirmar que, com seu olhar voltado ao futuro, pensou no povo além da vida. De ninguém esperava visita, visitava. A ninguém deu aulas, a todos agraciou com lições práticas de amor. Não fazia campanhas de remédios, mas aliviava a dor e os sofrimentos de todos quantos o procuravam. Não fora pintor de quadros, mas como ninguém soube desenhar novos caminhos. Não tinha voz imponente, mas era ouvido pelo testemunho que a todos transmitia. Não esperava elogios, mas em tudo fazia por merecê-los. Que mais poderá ser dito de alguém que, acima de tudo, soube ser e testemunhar as virtudes da simplicidade, da pobreza e da humildade; do zelo e da caridade? E que, de maneira viva e fiel, vivenciou, segundo a mente e o modo de São Francisco de Assis, as palavras do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, como frade menor que era? Com o intuito de em tudo ser assertivo, mesmo apesar da modéstia das palavras, emana do meu íntimo a segurança de, mesmo sem tê-lo conhecido em vida, poder afirmar, com toda convicção, que Frei Bruno foi um homem inspirado no Evangelho, que aprendeu a transformar palavras em orações e gestos em edificações. E se hoje lhe legamos flores e homenagens – então que sejam expressões visíveis e sensíveis de um povo que, ao olhar para o passado o reconhece como um homem santo, mas que, ao vislumbrar o futuro, o almeja como um santo.

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FESTA DE FREI BRUNO GANHA ESPAÇO

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JANQUIELI CERUTI

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Frei Bruno viveu em Xaxim por pouco mais de uma década (de agosto de 1945 a fevereiro de 1956) e sua presença evangelizadora e franciscana cativou os xaxinenses. Seu nome está em toda a parte, e um busto seu é venerado na praça em frente à Matriz, onde, do lado, recentemente foi inaugurada uma imagem sua em bronze. Mas outra grande homenagem é a Festa Frei Bruno, que apenas na segunda edição mostrou que veio para ficar. Foi assim nos dias 22 e 23 de março, quando a Paróquia São Luiz Gonzaga reuniu milhares de fiéis. Testemunhas das graças de Padre Bruno, maneira carinhosa como era conhecido, e fiéis das localidades onde ele trabalhou, uniram-se na Missa campal, ocasião em que muitos dizem ter presenciado um milagre. Durante a festa, foi feito o lançamento do Informativo da Paróquia de Xaxim: “Caminhando nos Passos de Frei Bruno”, homenagem ao Servo de Deus que muito caminhou pelas estradas xaxinenses e nelas deixou marcas profundas da Paz e do Bem, tão próprias dos franciscanos. O domingo amanheceu escuro e chuvoso, o que preocupou os organizadores da Festa. Mesmo assim, os fiéis foram chegando para acompanhar a Missa campal. Às 10 horas, milhares de pessoas se reuniam em frente à Igreja. A manhã de “cara feia”, como que por um milagre, minutos antes da celebração, abriu espaço para um céu ensolarado. A chuva deu trégua até o final da Missa ao ar livre. Mas bastou terminá-la e a chuva voltou a cair, sem, contudo, comprometer o restante da Festa. Na bênção final da celebração, quando todos os presentes estavam ao redor da estátua de Frei Bruno, a emoção tomou conta da comunidade. Após o término da Santa Missa, ao meio-dia, foi servida a tradicional churrascada no Salão Paroquial, que estava, como no ano anterior, lotado de participantes. O momento de confraternização entre os familiares e amigos transcorreu como o previsto: alegre e organizado. Planejamento e sincronia entre os partici-

pantes da 2ª edição da Festa de Frei Bruno também foram marcas do Jantar Italiano, que aconteceu no sábado à noite. Este foi preparado e servido pela Comunidade da Linha Pilão de Pedra, a quem se deve, merecidamente, elogiar pelo trabalho, disposição e doação dessas pessoas. O agradecimento dos frades e da Paróquia a todos que trabalharam para que esta festa fosse um momento único e singular de encontro e confraternização.


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MOACIR BEGGO

O Coral Arautos do Grande Rei garantiu a solenidade da liturgia da Santa Missa no último dia 15 de março, às 19 horas, na Igreja Matriz de Xaxim (SC). A celebração eucarística foi presidida pelo Vigário Provincial Frei Estêvão Ottenbreit e concelebrada por Frei Afonso Vogel, que foi homenageado pelos alunos do Coral por seu aniversário no dia 17 de março. Citando o Evangelho da Transfiguração do Senhor, Frei Estêvão deixou uma mensagem de carinho aos participantes do Coral e ao seu fundador.

“O Evangelho nos falou hoje da glória transfigurante diante dos olhos dos discípulos, animando-os para continuar na caminhada da fé. E, certamente hoje, de alguma forma também sentimos um pouco mais esta presença de Deus em nossa vida, essa glória do Cristo Ressuscitado através das vozes tão bonitas do nosso Coral Arautos. Agradecemos muito a eles por terem nos ajudado a elevar, hoje, todo o nosso ser a Deus e continuar com essa firmeza na fé”, elogiou Frei Estêvão. Nascido na cidade de Porto União (SC), em 17 de março de 1932, Frei Afonso fundou o Coral Arautos do Grande Rei na noite de Natal de 1972. Apesar das limitações físicas

devido a problemas de saúde, Frei Afonso continua à frente do Coral, mas o braço direito é a regente e professora Gisele Linhares, um fruto deste trabalho, que ministra diariamente aulas de música para as crianças e jovens. Esse incansável trabalho recebeu o reconhecimento no ano passado, quando Frei Afonso foi homenageado pela Prefeitura de Xaxim ao dar o seu nome à Banda Municipal da cidade. Frei Afonso ingressou na Ordem Franciscana quando vestiu o hábito de São Francisco de Assis no Noviciado Franciscano de Rodeio em 19 de dezembro de 1951. Em 1º de julho de 1958 foi ordenado presbítero.

Comunicações . Março de 2014

CORAL ARAUTOS DO GRANDE REI HOMENAGEIA SEU FUNDADOR

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TRÁFICO HUMANO

Comunicações . abril de 2014

FREI LUIZ IAKOVACZ

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Em cada Campanha da Fraternidade, a Igreja Católica propõe a seus fiéis temas sociais, iluminando-os com a Palavra de Deus e, assim, busca fortalecer nossa fé. O Tráfico Humano é um assunto delicado, mas oportuno. Em 1999, na cidade de Palermo (Itália), lideranças mundiais se reuniram para debater esta questão. No final, os participantes publicaram um manifesto que ficou conhecido como “Protocolo de Palermo”. Seu conteúdo foi assumido pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2000, e está em vigor, desde 2003. Ao definir o Tráfico Humano, o texto afirma que é crime recrutar e transportar pessoas para explorá-las sexualmente, ou mantê-las em trabalho análogo ao de escravidão, ou, ainda, extrair órgãos humanos e comercializá-los. Para que estes fatos não cheguem ao conhecimento do público, as vítimas vivem em alojamentos vigiados e sob constantes ameaças. Com isso, exploraram-se pessoas para o enriquecimento ilícito de alguns. A ONU calcula que, anualmente, circulam cerca de 32 bilhões de dólares, ou, aproximadamente, R$ 70 bilhões de reais. Esta “indústria” fica atrás, apenas, do comércio das drogas e de armas. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que 2,5 milhões de pessoas são traficadas, a cada ano. Recentemente, o instituto “Pesquisa sobre Tráfico Humano de Mulheres, Crianças e Adolescentes” detectou, só aqui no Brasil, 241 rotas, sendo 131 internacionais, 78 interestaduais e 32 intermunicipais. O tráfico é um crime organizado e silencioso que envolve um conjunto de cúmplices: os que exploram, os transportadores, os prestadores de assistência jurídica, os “paraísos fiscais” para lavagem do dinheiro, médicos e clínicas para extração de órgãos. Neste contexto, é quase impossível não pensar na participação, também, do Poder Público e outras entidades. Quais são as causas?! De um lado, temos o capitalismo selvagem com sua insaciável sede de lucro; de outro, uma multidão que vive

em situação de vulnerabilidade, lutando para sobreviver. Diante disso, as vítimas se tornam presas fáceis dos aliciadores. Como pescadores que sabem onde e como apanhar o peixe, atraem pessoas com promessas de bom emprego, altos salários, portas abertas para o sucesso, documentação assegurada para viajar e outras benesses. Mesmo desconfiadas, as pessoas se arriscam. Depois de algum tempo, longe de sua terra e família, sentem que caíram nas malhas do tráfico, “são exploradas e vivem sob ameaças e sem liberdade de sair dessa situação”, diz o Protocolo de Palermo. Se implantarmos, com nossa luta, Políticas Públicas que oportunizem trabalho digno e salário justo, sem dúvida, o tráfico, também, diminuir. Muitos ficam indignados ante essa realidade; outros, desabafam, como fez o Papa Francisco: “O Tráfico Humano é uma atividade ignóbil, uma vergonha para nossa sociedade que se diz civilizada”; porém, todos somos convocados a abraçar esta causa. Como “enfrentar” o poderoso e sofisticado crime organizado?! Que perspectivas a Bíblia nos apresenta?! Em primeiro lugar, precisamos estar cientes que, no espaço de tempo em que ela foi escrita (durante mais de mil anos), a escravidão era uma prática normal em todos os países e culturas. Porém, o povo de Israel estabelece normas para a libertação do escravo: “Quando

alguém for vendido como escravo, ele te servirá durante seis anos; no sétimo ano, dar-lhe-ás a liberdade, mas não de mãos vazias; ao contrário, carregue os ombros dele com o produto do teu rebanho e de tuas colheitas; dê-lhe, também, a bênção” (Dt 15,12-15). Essa mesma atitude, a encontramos em Jesus. Ele conviveu e solidarizou-se com os marginalizados e sofredores: “Vendo as multidões, Jesus moveu-se de compaixão porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor” (Mt 9,36). Por outro lado, não se intimidou diante das autoridades, tanto políticas como religiosas, e se indignou com aqueles que ignoravam o sofrimento alheio, mesmo que, com isso, fosse ameaçado de morte: “... passando sobre eles um olhar indignado e entristecido com a dureza de seus corações, disse ao homem de mão seca: ´estende a tua mão´; ele a estendeu e ficou curado. Ao saírem da sinagoga, os fariseus, junto com alguns do partido de Herodes, fizeram um plano para matar Jesus” (Mc 3,5-6). Hoje, apoiados na Bíblia, precisamos ter uma postura contra o Tráfico Humano. Sabemos que seu objetivo é a exploração humana. É fruto de uma política neoliberal-capitalista. Sobre isso, a Bíblia nos alerta, dizendo que “ganância é uma idolatria” (cf. Cl 3,5; Ef 5,5), e é, também, a “raiz de todos os males” (1Tm 6,10). Por fim, é de fundamental importância conscientizarmo-nos de que o tráfico pode estar ao nosso redor, só que não é fácil percebê-lo porque é “invisível” à maioria das pessoas. Por sua vez, as vítimas e seus familiares, também, não se manifestam porque, quase sempre, vivem sob constantes ameaças. Por isso, cabe a cada um de nós que, ao tomarmos conhecimento de qualquer fato, a coragem de denunciar: disque 100 – Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República; disque 180 – Central de Atendimento à Mulher, ou outros; a ligação é gratuita e sigilosa. Não podemos nos omitir, pois somos “um por todos e todos por um”.


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REGIONAL DO ESPÍRITO SANTO SE REÚNE NA PENHA No dia 10 de março, o Regional do Espírito Santo se reuniu pela primeira vez neste ano. O encontro aconteceu no Convento da Penha e foi cercado de alegria fraterna e pela acolhida do Frei Paulo César Ferreira da Silva e Frei Pedro do Nascimento Viana a este Regional. Motivo de igual felicidade foi conhecer os dois aspirantes que moram no Convento da Penha, os jovens Marcos Paulo Bertoldi, de Brusque-SC, e André, de São Paulo-SP, e ouvir deles que o desejo de viver em fraternidade está acontecendo. O encontro também foi uma oportunidade de, a partir do subsídio de Formação para este ano, cada fraternidade analisar a realidade em que está inserida e, depois de partilharem suas experiências, a grande inquietação foi: como viver o carisma franciscano de maneira atual sem perder a originalidade desejada. Frei Florival Mariano de Toledo falou do “Projeto Perfeita Alegria”, que neste mês de março completou um ano de atividades e já visitou várias fraternidades da Província e, em todas, o lançamento do CD se tornou momento de fé, de encontro, de celebração da vida norteada pela espiritualidade franciscana. Frei Clarêncio Neotti apresentou a biografia que ele escreveu sobre Frei Bruno Linden que é parte do processo de canonização deste frade. A biografia se chama: “Frei Bruno Linden, tudo para todos”. Frei Clarêncio comentou sobre processo de pesquisa, elaboração e finalização e da grande satisfação de poder apresentar este santo frade que ele pode conhecer pessoalmente. Os frades de Colatina falaram da mudança de residência e da intensidade dos compromissos na Paróquia Santa Clara de Assis neste início de ano. Os frades do Convento da Penha já estão envolvidos nos preparativos da Festa da Penha e esperam grande número de peregrinos.

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FREI GILSON KAMMER

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festa da penha

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ANUNCIAR COM ALEGRIA é o apelo que o Papa Francisco faz continuamente aos cristãos desde o início de seu pontificado. Alegria é, também, o sentido profundo da Festa de Nossa Senhora da Penha, a Senhora das Alegrias que se alegra pela Ressurreição de Jesus, seu Filho. “Compreendo as pessoas que se vergam à tristeza por causa das graves dificuldades que têm de suportar, mas aos poucos é preciso permitir que a alegria da fé comece a despertar, como uma secreta mas firme confiança, mesmo no meio das piores angústias”. Papa Francisco

PROGRAMAÇÃO DOMINGO, 20 DE ABRIL Romaria dos cavaleiros Saída de Cobilândia às 8h30 Chegada à Prainha com bênção Oitavário e missa às 14h no Campinho (Área Pastoral Vila Velha) SEGUNDA-FEIRA, 21 DE ABRIL Oitavário e missa às 14h no Campinho (Área Pastoral Serrana) TERÇA-FEIRA, 22 DE ABRIL Oitavário e missa às 14h no Campinho (Área Pastoral Cariacica/Viana) QUARTA-FEIRA, 23 DE ABRIL Oitavário e missa às 14h no Campinho (Área Pastoral Benevente)

Comunicações . abril de 2014

QUINTA-FEIRA, 24 DE ABRIL Oitavário e missa às 14h no Campinho (Área Pastoral Serra)

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SEXTA-FEIRA, 25 DE ABRIL Oitavário e missa às 14h no Campinho (Área Pastoral Vitória) Romaria dos militares – saída do portão do Convento às 14h SÁBADO, 26 DE ABRIL ●Romaria de São Mateus – Campinho às 8h ●Romaria das Pessoas com deficiência – saída da Praça Duque de Caxias às 8h – missa na chegada à Prainha ● Romaria de Cachoeiro de Itapemirim – saída do portão do Convento às 13h30 - Oitavário e missa no Campinho ● Romaria dos homens – saída da catedral às 19h ● Missa às 23h30 na Prainha DOMINGO, 27 DE ABRIL ● Romaria de Colatina – saída do portão do Convento às 8h e missa às 9h no Campinho

● Romaria dos motociclistas – saída da Av. Jerônimo Monteiro, em Vitória, às 10h ● Romaria das mulheres – saída do Santuário de Vila Velha às 14h30 SEGUNDA-FEIRA, 28 DE ABRIL ● Missa da CRB e Seminário às 7h no Campinho ● Romaria dos ciclistas – saída de Cobilândia e do Ibes às 8h30 – chegada à Prainha às 11h ● Bandas de Congo – apresentação das Bandas de Congo e homenagens no Campinho às 9h ● Missa das Pastorais às 10h no Campinho ● Missa de encerramento às 16h na Prainha SHOWS MUSICAIS Dia 25 de abril (sexta-ferira) – Rosa de Saron e Nova Prece Dia 27 de abril (domingo) – Anjos de Resgates e Sementes Dia 28 de abril (segunda-feira) – Banda Água Viva SHOW DE ENCERRAMENTO Dia 28 de abril (segunda-feira) – Pe. João Carlos HORÁRIOS DE MISSAS NA CAPELA DO CONVENTO Dia 20/04: 5h, 7h, 9h e 11h Dia 21/04: 6h, 7h, 8h e 9h30 Dia 22/04: 6h, 7h, 8h e 9h30 Dia 23/04: 6h, 7h, 8h e 9h30 Dia 24/04: 6h, 7h, 8h e 9h30 Dia 25/04: 6h, 7h, 8h e 9h30 (Missa dos Advogados) Dia 26/04: 6h, 7h30 e 11h Dia 27/04: 5h, 7h, 11h e 14h Dia 28/04: 0h (meia-noite), 2h, 6h, 9h e 12h


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FRADES DE CASA NOVA EM COLATINA FREI GILSON KAMMER

Os frades chegaram a Colatina, no Norte do Espírito Santo, em setembro de 2008. Desde esta ocasião, eles moraram em uma casa alugada pela Paróquia Santa Clara de Assis. No início de 2013 começaram a reforma de uma casa que pertence à Diocese de Colatina e nela trabalharam arduamente durante todo o ano. No dia 15 de março último, eles finalmente mudaram para esta residência, que fica na Rua Joaquim Lucas Sobrinho, 55, bairro São Vicente. A reforma desta casa foi fruto do trabalho de muitas pessoas que buscaram ajudar da maneira que podiam. As doações foram muitas, desde os tijolos, cimento, areia e brita, trabalho voluntário de alguns pedreiros, ou seja, a nova casa da Fraternidade Santo Antônio de Santana Galvão é resultado do esforço e da dedicação de todos:

Diocese de Colatina, de algumas fraternidades da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, de amigos e benfeitores dos frades que ajudaram a realizar este projeto há muito tempo sonhado por todos. No dia 23 de março, as comunidades da Paróquia atendidas pelos frades e alguns vizinhos fizeram um “chá de

casa nova”. Cada um doou alguma coisa, desde panelas, jarros, tapetes, toalhas, tudo aquilo que qualquer casa precisa para atender às necessidades dos moradores. A casa é constituída de três quartos com suíte, dois quartos para hóspedes, cozinha, sala de jantar, capela, sala-de-estar, garagem e uma área de serviço.

FREI JAMES FERREIRA NETO

Nem parece que já se passou um ano do lançamento do CD Perfeita Alegria, com Frei Florival e amigos, mas no dia 13 de março passado, celebramos 1 ano e mais de 12 mil cópias de um sonho que se tornou realidade, um projeto da Fraternidade Divino Espírito Santo. Até Frei Vuni, que normalmente não sai de casa, para surpresa e satisfação de todos, neste dia foi, juntamente com mais 350 amigos, paroquianos, admiradores de São Francisco e de sua mensagem para

um coquetel de confraternização/celebração num belíssimo Cerimonial perto do Santuário de Vila Velha. Presentes também os confrades do Convento da Penha, destaque para Frei Paulo César Ferreira que participou do show juntamente com Frei Florival. A animação e alegria foram contagiantes e um ponto marcante neste evento! Aliás, uma marca deste CD é que se tornou um ponto de união das comunidades de nossa Paróquia que se sentem participantes e, de fato, o são, de um grande projeto evangelizador através da mensagem franciscana e dos ideais de São Fran-

cisco de Assis. Frei Florival e equipe, músicos, cantores, promotores e amigos, não medem esforços na divulgação deste trabalho. Neste ano já foram visitadas diversas fraternidades de nossa Província: Sorocaba, Santos, São Paulo (FFB), Rio (JMJ e Papa), Gaspar, Nilópolis, Pato Branco, Curitiba, Chopinzinho, Lages, Curitibanos e Ituporanga, momentos de acolhida fraterna, abertura e disponibilidade dos confrades. Nossa ideia/projeto é continuar a levar essa mensagem a outras fraternidades e cidades e já começar a pensar em outro CD franciscano.

Comunicações . Março de 2014

ATÉ FREI VUNI FOI!

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Notícias DO REGIONAL SERRA-BAIXADA

Comunicações . abril de 2014

Frei Almir Ribeiro Guimarães

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O Regional Serra-Baixada se reuniu pela primeira vez no ano de 2014 nos dias 7/8 de março. O encontro se deu nas dependências da Fraternidade do Sagrado Coração de Jesus, em Petrópolis, no Salão São Francisco, antiga sala de recreio da comunidade permanente. Frei Cesar Külkamp, guardião da casa, a todos saudou com votos de boas vindas. Frei João Fernandes Reinert, coordenador, fez uma proposta de agenda que foi aprovada, ou seja, trabalhos na parte da tarde de sexta com partilha da vida das fraternidades, celebração eucarística com o povo, recreio; atividades na manhã de sábado até meio-dia, de modo especial com estudo do subsídio I para os encontros regionais de 2014. Contamos com a presença do Definidor Frei Evaristo Spengler. Pela segunda vez sucessiva fizemos a experiência de um encontro em dois dias. As atividades começam na 6ª-feira pelas 15 horas, há uma conce-

lebração e um jantar-recreio. Ficou decidido que dois de nossos encontros anuais seguirão este esquema. O outro será apenas de um dia. Podemos dizer que esses dos dias foram momentos de profunda partilha de vida. E a vida vivida se recusa a ser aprisionada num texto impresso em papel ou na tela do computador. Que estas observações possam falar algo de nosso encontro. ● Sempre que realizamos encontros de frades em Petrópolis, no Sagrado, lembramo-nos de que esses espaços foram aqueles em que, frades mais antigos, fizemos estudos de teologia, preparamo-nos para a profissão solene e para o sacerdócio. O passado, mesmo sem nosso assentimento explícito, empurra as portas da memória. Olhamos os mesmos espaços, mas transformados. Mistura de saudade e alegria. ● Realizamos nosso encontro numa agradável situação climática. Nem calor, nem frio. Entre sábado e domingo uma boa chuva! Pela janela da sala do

encontro podíamos ver as quaresmeiras exuberantemente quaresmais e árvores com cachos de flores amarelas, cachos pesados que chegavam a vergar a planta. A vida não cessa de explodir. A vida é mais importante que a morte. Fica proibido o desânimo. O Senhor não cessa de nos encantar com as crianças que nascem, as flores com seu colorido e a simplicidade belas das coisas sem complicação. ● Ocupamos o nosso tempo para um grande por-em-comum, uma partilha de vida, um murmurar de esperança e, aqui e ali, questionamentos que aguardam respostas e que por vezes nos incomodam. A variedade de atividades e os caracteres dos confrades tornam nosso regional particularmente rico. Falamos sobre nossos projetos e tentamos escutar as preocupações das pessoas. Não tomem este texto como relatório. Ele pretende apenas evocar a riqueza de uma parcela de nossa Província. ● Há frades que vivem na Serra de Petrópolis, nos estudos como professores e estudantes, é


o tempo da formação; gente que vive na Baixada, por vezes Baixada serena e outras vezes violenta, gente que vive também na serra de Paty. Estudantes e professores, frades que residem em casas do Regional mas percorrem o Brasil assessorando dioceses, prestando serviço à Ordem e à Família Franciscana. Riqueza de pessoas e riqueza de atividades. Muitos são andarilhos, sempre com a bolsa pronta para a viagem. Nem sempre podem ir dois a dois. Mas deviam. ● Os novos frades estudantes se apresentaram. Muitos são conhecidos. Encontramo-los aqui e ali quando de seus estágios em casas da Província. No meio deles dois frades angolanos. Um outro está para chegar. Todos eles assumem serviços fraternos na casa com coragem e denodo. Um grupo significativo de jovens para os quais existem prédios e professores, biblioteca e currículos universitários. Deus queira que criem um novo vigor para a Igreja e a Província. ● Há um grande número de frades que, aqui e ali, se ocupa da pastoral em paróquias. Paróquias diferentes e diversas: Sagrado, Paty, Embariê, Campos Elíseos, Santa Clara do Valparaíso. Efervescência pastoral. Párocos e discretos vigários paroquiais que fazem das tripas coração. ● Lá estavam os confrades que se ocupam das Vozes, das publicações, do fazer com que as coisas continuem. Falam das últimas publicações, do sucesso de livros como os de José Antonio Pagola. Irmãos falando de novidades a irmãos. Quanta riqueza da Província neste Regional! ● Muitas considerações foram feitas sobre o Instituto de

Teologia, seus cursos normais e de pós-graduação (Master em evangelização e Mística e Espiritualidade franciscanas). Já estão chegando os candidatos inscritos para o Master. Neste tempo de mudanças e de transformações o ITF também se transforma, busca o novo. ● No final da tarde de 6ª-feira, dia 7, houve concelebração dos frades do Regional na missa das 18h do Sagrado. O povo fica contente em ver tantos frades participando de sua habitual Eucaristia das seis da tarde. ● Nossa manhã de sábado foi densa e intensa. Tudo começou com a celebração das Laudes do sábado depois das cinzas. Salmos cantados, sustentados pelo som do órgão da igreja do Sagrado. O roxo da quaresma estava em toda parte. Pelas 9h Frei Antônio Michels assumiu a animação da sessão. Fomos convidados a ler o texto do subsídio para encontros regionais de 2014, n. 1 na linha do redimensionamento das pessoas e das estruturas. Podemos dizer que a partilha foi rica, tinha como pano de fundo estas palavra de nosso antigo Ministro Geral, Frei José Rodriguez Carballo. “A Ordem e suas entidades são realidades vivas que evoluem com o passar dos anos e segundo as necessidades dos tempos. As estruturas que construímos em nossas Entidades são relativas e provisórias e devem estar sempre a serviço da vida evangélica e da missão. Estamos numa época de mudanças rapidíssimas, e os novos desafios da nossa sociedade nos impelem a novas respostas evangelizadoras”. ● Houve rica troca de ideias. Não temos respostas feitas para os desafios. Estamos todos pro-

curando. Muitos frades foram se exprimindo. Algumas das palavras: discernir o que é importante; bom frade não é aquele que é certinho, mas aquele que busca com outros respostas que ainda não estão feitas; procurar perder o medo, estarmos unidos à Igreja e não apenas preocupados com nosso grupinho, com o tamanho de nossas casas que se esvaziam; o que preside o redimensionamento é a urgência da missão e suas novas exigências e não tanto nossos problemas estruturais; há muitos talentos de frades que precisariam ser aproveitados e jazem inertes. Estaríamos às vésperas de um tempo de reforma na Ordem e de um novo Concílio para a Igreja? Para onde os ventos estão nos levando? ● Nada de pessimismo. Vamos em frente. Talvez nós, franciscanos, nem sempre nos damos conta de que temos uma contribuição a dar. Ao individualismo respondemos com a fraternidade, ao consumismo inconsequente opomos nosso carinho pela modéstia de viver, pela mística da pobreza, pela alegria de ficarmos felizes com o necessário e não cultuarmos o supérfluo. Nesse mundo em que tudo está ameaçado queremos ser cuidadores, à indiferença diante da transcendência respondemos com nossa mística seráfica. ● Não temos resposta para os problemas. Vamos tentando desobstruir o caminho para melhor compreender para onde caminha o novo. Não queremos ser passivos diante desse amanhã. Esperamos poder criar o novo com o Espírito que rasga caminhos novos.

Comunicações . Março de 2014

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Um Dia com Maria e Frei Galvão

Comunicações . abril de 2014

Mais uma vez, o grupo de benfeitores de São Paulo e região partiu em romaria rumo a Aparecida e Guaratinguetá. Saímos bem cedo, tendo como guias Frei Alvaci M. da Luz e Frei Alexandre Rohling. Fizemos um momento de oração, pedindo as bênçãos de Nossa Senhora e de Frei Galvão. Quase chegando em Aparecida, começamos a rezar o terço, colocando nossos pedidos, intenções e agradecimentos à Mãe. Ao chegarmos à basílica, caminhamos até as escadarias, onde fizemos a consagração a Nossa Senhora Aparecida. Em seguida, cada um teve a oportunidade de estar diante da Mãe. Ao meio-dia partimos em direção ao Seminário Frei Galvão, em Guaratinguetá, onde fomos acolhidos pelos freis Marco, Claudino, Airton (Soneca), Diego e postulantes, com muito carinho e um delicioso almoço. Visitamos a lojinha do seminário, a via-sacra, o mausoléu, as exposições de presépios e de imagens de São Francisco. Às 15h00 nos reunimos na capela para a celebração da Santa Missa, presidida por Frei Diego e concelebrada por Frei Alvaci. No momento do ofertório fomos convidados a levar ao altar o que cada um trazia em seu coração, oferecendo a Deus os nossos dons, anseios e agradecimentos, finalizando a Celebração Eucarística como uma grande família franciscana ao redor do

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altar. Pudemos conhecer o museu “Papa Bento XVI”, com os objetos utilizado pelo Papa Emérito quando de sua visita ao local. Fomos à capela, onde ouvimos o relato de experiências de vida de um dos internos, e não pudemos deixar de nos emocionar, conhecendo um pouco de sua luta e perseverança. Como não poderia deixar de ser, nossa romaria foi momento de caminhada e entrega, assim como a romaria da vida, onde enfrentamos nossas dificuldades e cansaços, mas chegamos felizes e “saciados” ao final do dia. Texto de Cristy Azevedo e Vanda Cuxinier


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VISITA AOS ENFERMOS: FOI SÓ ALEGRIA! Frei David Raimundo dos Santos

Frades do Convento São Francisco e aspirantes da fraternidade do Pari lotamos dois carros e fomos fazer uma visita de surpresa aos frades enfermos de Bragança Paulista e dar um abraço especial no aniversariante, Frei Antônio Rosolém. Ao chegar, um grupo de doentes estava tomando chimarrão com o guardião Frei Carlos, na área externa. O Frei Odorico tirou a gaitinha e ali, para cada doente, cantamos uma canto especial! O canto chamou a atenção e aos poucos, todos os que podiam andar saíram de seus quartos e somaram-se à roda de canto! Foi muito agradável! Assim que o Frei Rosolém terminou de tomar seu remédio contido no tubo de soro, todos juntos fomos para seu quarto cantar parabéns! Colocamos uma mesinha com os bolos trazidos do Convento de São Francisco. Ali mesmo partimos e servimos com refrigerantes!

Na repetição do canto do “Parabéns pra você”, Frei Rosolém pediu ajuda para sentar-se na cama! Conseguiu! Estava sorridente e conversador! Com o rosto bem corado! Foi uma tarde cheia de encontros e lembranças! Muitos casos foram relembrados!

CINZAS EM AGUDOS

Paróquia São Paulo Apóstolo de Agudos realizou a tradicional Missa de Quarta-Feira de Cinzas

quatro casais, se apresentou aos presentes e se colocou à disposição da comunidade. Mais: No domingo (9), às 10h, a equipe da CF 2014 fez uma ação especial com todos os jovens da Paróquia São Paulo Apóstolo. E não para por aí. A equipe de casais prevê diversas ações para a comunidade agudense como a tradicional “Via-sacra em Família”, na qual é trabalhado o tema da campanha; sensibilização nas escolas com jovens e crianças; apresentação do tema na catequese de 1ª Eucaristia e o gesto de arrecadação no domingo de ramos.

Comunicações . Março de 2014

Na ultima quarta-feira (5), os fiéis da Paróquia São Paulo Apóstolo de Agudos reuniram-se para a tradicional Missa de quarta-feira de cinzas. A celebração, presidida pelo pároco Frei Ademir Sanquetti, é o marco inicial para o tempo da quaresma, período de reflexão e conversão. Durante a Missa, Frei Ademir lembrou a todos a importância da imposição das cinzas, afirmando que é símbolo para a reflexão sobre o dever da conversão. “É mudança de vida, recordando a passageira e frágil vida humana”, disse. O pároco também fez questão de frisar a importância da penitência e do jejum. “Devemos jejuar daquilo que nos vicia. Isto faz com que nos tornemos parte do sacrifício de Jesus”, lembrou. Na ocasião a Paróquia também lançou a Campanha da Fraternidade 2014 que, neste ano, trata sobre a temática do tráfico humano com o tema “Fraternidade e Tráfico Humano” e o lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou”, baseado no livro de Gálatas, capítulo cinco. A equipe da Campanha da Fraternidade, composta por

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Trote solidário da FAE beneficia APACN e asilos

Comunicações . abril de 2014

Mais de 1.500 estudantes da FAE Centro Universitário, entre calouros e veteranos, escolheram trocar o trote tradicional pelo solidário. Por meio de uma gincana entre as unidades de Curitiba e São José dos Pinhais, nos meses de fevereiro e março, os universitários arrecadaram cerca de 7 mil fraldas geriátricas, para asilos dos dois municípios envolvidos, e mais de 500 unidades de leites especiais e de alto custo, para a APACN - Associação Paranaense de Apoio à Criança com Neoplasia. Durante aproximadamente um mês, os estudantes de todos os cursos de graduação realizaram uma força tarefa para arrecadar os itens propostos pelo Trote Solidário da FAE. O total das fraldas geriátricas arrecadado será divido entre as casas de repouso Luz Divina, Lar Bom Jesus e São José.

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Solidariedade Para a coordenadora da Pastoral Universitária da FAE, Rita de Cássia, o empenho dos alunos foi muito além do prêmio proposto. “Ficou claro para nós, da organização, que os estudantes ficaram sensibilizados com a causa, se empenhando ao máximo para ajudar as crianças e idosos envolvidos”, diz. O estudante de Engenharia da Produção, Gustavo Ceschin (22), que também é presidente da AAAF – Associação Atlética Acadêmica da FAE, reforça a ideia de que a causa foi um motivo a mais para a participação dos colegas. “Todo mundo quer

fazer a sua parte e o Trote Solidário é uma oportunidade única para fazer o bem ao próximo”, explica. E para quem conhece a trajetória de luta e superação das crianças com neoplasia atendidas pela APACN, como é o caso da psicóloga da associação, Cristiane Gazzola Zandoná, o empenho dos alunos tem um valor especial. “É muito difícil arrecadar esse tipo de doação, pois o leite que oferecemos para as nossas crianças tem um custo muito alto”. Cultura solidária O Trote Solidário já se tornou uma realidade na FAE, que não registra os trotes tradicionais, com atitudes abusivas, há mais de um ano. Para o reitor da FAE, Frei Nelson José Hillesheim, este é um motivo de celebração. “Os nossos jovens entenderam a proposta do trote solidário e esta herança tem sido transmitida entre as gerações de alunos, com a participação direta dos veteranos e contribuição do Diretório Acadêmico”, finaliza.

Trote do bem

O reitor da FAE Centro Universitário, Frei Nelson José Hillesheim, acompanhou o encerramento do Trote Solidário da instituição no Teatro Bom Jesus, em Curitiba (PR). A ação solidária, que foi organizada pela Pastoral Universitária da FAE, sob a coordenação de Rita de Cássia (ao centro), beneficiou asilos em Curitiba e São José dos Pinhais, além de ajudar crianças atendidas pela APCN - Associação Paranaense de Apoio à Criança com Neoplasia, representada pela psicóloga Cristiane Gazzola Zandoná. Durante um mês, mais de 1.500 estudantes, entre calouros e veteranos, participaram de uma gincana para arrecadar as doações. Neste período, foram reunidas cerca de 7 mil fraldas geriátricas, que serão doadas para as casas de repouso Luz Divina, Lar Bom Jesus e São José. Os alunos também arrecadaram mais de 500 unidades de leites especiais de alto custo para a APCN.


EVANGELIZAÇÃO ________________________________________

SEFRAS PROMOVE ESTUDOS BÍBLICOS Organizado pelo Setor de Espiritualidade do Sefras, no dia 19 de março, aconteceu o primeiro encontro bíblico com a assessoria do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (Cebi). Contou com a presença de trabalhadores da instituição e de participantes dos serviços. A formação ocorreu na sede do Cefran, no bairro do Belém, em São Paulo. De acordo com o coordenador do Setor de Espiritualidade do Sefras, Frei Brayan Filipe, esta atividade tem o objetivo de oferecer mais um espaço de formação na perspectiva da leitura popular da Bíblia a fim de fortalecer a dimensão da mística da solidariedade franciscana. Frei Brayan Filipe explicou ainda que este estudo tem como metodologia realizar um recorte social, político e histórico dos textos bíblicos. “Esta forma de abordagem tem muito a contribuir conosco porque vai nos dar respaldo para a experiência que a gente vive no Sefras. Muitos dos nossos participantes e

trabalhadores têm suas dificuldades e lutas sociais que não são diferentes do povo da história bíblica. A gente vai perceber que o nosso trabalho não é isolado e que há mais de dois mil anos o povo já fazia”, explicou. Para Marisa Thozzi, assessora do Cebi, a Bíblia é um livro escrito pelo povo e para o povo e não é tão fácil a leitura e por isso a necessidade do estudo. “É preciso que a gente penetre neste contexto para entender melhor os livros que foram escritos há tanto tempo e por pessoas tão diferentes de nós”.

Ela ainda reforçou que a Bíblia é um livro que não perdeu a sua atualidade. “Fala das conquistas e das derrotas obtidas pelo povo. É um livro de fé, porque essas lutas, conquistas e derrotas do povo estavam sempre acompanhadas por Deus. O nosso povo sempre procura estar com Deus nos mesmos momentos. Portanto, a Bíblia vem ao encontro de nossa vivência hoje, desde que se faça uma leitura na linguagem popular e libertadora, e leve a pessoa a descobrir a importância dela como pessoa, de como Deus a julga importante e de como ela é capaz de vitórias”. De acordo com Marisa, nunca se deve usar a Bíblia para mostrar o quanto somos pecadores ou o quanto a gente desagrada a Deus porque é uma leitura negativa que procura dominar a pessoa e não libertá-la. Serão cinco encontros bimestrais de aprofundamento dos textos bíblicos que visam extrair orientações e fundamentos do trabalho social e compreensão de participação do Sefras na construção de um mundo bom para todos.

Comunicações . Março de 2014

fabiano viana

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EVANGELIZAÇÃO ________________________________________ CURITIBA

ESTÁ DE VOLTA O “CAFÉ DA TARDE”! fabiano viana

Com o objetivo de acolher e criar vínculos, o Centro Franciscano de Atendimento e Proteção à População de Rua (Sefras Curitiba), em Curitiba, Paraná, retomou o “Café da Tarde” oferecido diariamente às pessoas em situação de rua no centro de Curitiba. Iniciado em fevereiro de 2013, esta atividade tem o intuito de ser um espaço de alimentação e de relação fraterna entre os atendidos, o serviço social e voluntariado. De acordo com o coordenador do Sefras Curitiba, Flávio Eloy, para 2014 serão planejados cursos profissionalizantes, “a fim de gerar autonomia e melhorar a autoestima deles”, contou o coordenador. Outra proposta é a realiza-

ção de palestras formativas com temas de interesse da população de rua, como a participação no Movimento Nacional da População de Rua (MNPR/Curitiba), direitos, benefícios, saúde, entre outros. Diariamente, a média de

atendimento é de 80 pessoas entre homens e mulheres, chegando alguns dias a 100. Outra ação do Sefras Curitiba é a manutenção de um brechó franciscano com o objetivo de gerar recursos financeiros para custear as atividades.

Comunicações . abril de 2014

CASA: APADRINHAMENTO NO SEFRAS

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O Centro de Acolhida Santo Antônio (Casa), em Tanguá, RJ, abriga algumas crianças e adolescentes com poucas perspectivas de adoção, seja pela idade, ou por ter alguma deficiência. A equipe técnica do Casa trabalha para que todos tenham padrinhos e madrinhas, podendo viver períodos de convívio familiar. Foi construída uma parceria com a Associação Civil Quintal de Ana, em Niterói/ RJ, que possui diversos programas que buscam garantir o direito da criança e do adolescente de viver em família. As famílias que têm interesse de fazer parte do programa de Apadrinhamento Afetivo são orientadas, preparadas e acompa-

nhadas pelo Quintal de Ana para a visita e a aproximação das crianças e adolescentes do Casa e de outros centros de acolhida. No ano de 2013, dez crianças e adolescentes do Casa vivenciaram esta experiência de apadrinhamento afetivo. Duas delas foram adotadas pelos padrinhos/madrinhas

e, as demais puderem passar as festividades de final de ano na casa destas famílias, e algumas ainda mantêm contatos em finais de semana e feriados. O programa tem sido bem avaliado pela equipe do Casa. De acordo com o assistente social, Éden Felipe, o programa “permite criar um espaço de vivências afetivas num contexto domiciliar, familiar e comunitário. O apadrinhamento vai ao encontro dos anseios das crianças e adolescentes que aguardam a oportunidade de terem uma atenção especial de uma família e de verem cumprido o desejo de viver num lar”, explicou.


EVANGELIZAÇÃO ________________________________________

Gente Viva só na Vila São José Neste 2014, o Centro Franciscano de Convivência da Criança e do Adolescente (Gente Viva) atuará com atividades socioeducativas em uma comunidade da cidade de Petrópolis. Com o fechamento das atividades na Comunidade Oswaldo Cruz - por ausência de espaço físico – a solidariedade franciscana será desenvolvida com exclusividade na Vila São José, região que o Gente Viva marca presença desde setembro de 2011. De acordo com Frei Sandro Roberto, da coordenação do Gente Viva, a contribuição franciscana nesta comunidade será expressa “na educação para o protagonismo, no exercício da cidadania, na consciência da própria dignidade e para a vivência dos valores humanos – que também são os valores franciscanos, motivo de existir do Sefras”.

ças, a tolerância. Junto com esses valores básicos, aos poucos vamos trabalhando a consciência da própria dignidade, da cidadania, da inclusão, dos direitos e deveres, do protagonismo social e, consequentemente, todas as demais questões relacionadas, como, por exemplo, a questão de gênero, da violência, questões raciais etc”, enfatizou Frei Sandro. Ele ainda destacou que em todas as oficinas serão tratadas questões relacionadas ao respeito à natureza e a toda a criação.

Desenvolver valores “Desenvolveremos prioritariamente alguns valores que, em outros contextos sociais não seriam tão acentuados, como: o convívio pacífico em sociedade, a abertura ao diálogo, o respeito às regras básicas de coexistência, a disciplina, o respeito às diferen-

“Bem-vindos à comunidade” Josiane Custódio, mãe de três crianças participantes do Gente Viva, afirmou entusiasmada: “Foi a coisa mais importante que aconteceu no meu bairro, porque oferece várias atividades e mudou a vida dos meus filhos, pois agora não perdem tanto tempo na rua”. Fa-

biano Mariano, tio de uma criança do Gente Viva, falou que, desde que começou a funcionar, o Gente Viva mudou muito a comunidade, pois “tirou nossas crianças e adolescentes da rua e o comportamento delas mudou bastante”. O presidente da Associação de Moradores da Vila São José, Luiz Gustavo Felizardo, os diretores Luís Fabiano da Silva e Daniel Ferreira Guimarães, afirmaram que o serviço “é muito bem-vindo na Comunidade”, porque trabalha, com as crianças e os jovens o que é cidadania, “formando cidadãos melhores”. Destacaram também a importância das oficinas de esporte que ensinam as crianças a seguirem regras e a terem disciplina. Frisaram a relevância do trabalho com os pais, afirmando que têm ajudado os moradores “a se conscientizarem de seu papel na família”.

Comunicações . Março de 2014

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50 anos do Golpe Militar: conhecer para não repetir

No dia 31 de março serão lembrados os 50 anos do Golpe Militar no Brasil. Muitas atividades estão sendo realizadas para marcar esta data. Muita reflexão ainda se faz necessária em torno deste tema. Entre elas, com relação à impunidade que ronda os crimes praticados neste período, conforme nos alerta o jornalista e professor Juremir Machado da Silva, colunista do jornal “Correio do Povo”:

Comunicações . abril de 2014

Raízes da impunidade no Brasil Torturadores impunes Muito se fala de impunidade no Brasil. Tenho convicção de que a origem dessa impunidade está na ditadura imposta em 1964. Os ditadores nunca foram punidos. Muito menos os torturadores que fizeram o mais sujo dos serviços para o regime comandado por generais que jamais tiveram a chancela do voto direto. O Brasil é um dos poucos países com ditadura recente a

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poupar os seus ditadores e os seus torturadores de qualquer punição. Isso se deu pela Lei da Anistia, de 1979, lei de autoanistia pela qual a ditadura aceitou a volta dos exilados em troca da autoabsolvição dos crimes dela mesma. O problema é que os resistentes à ditadura foram punidos com exílio, prisão, tortura, cassações de mandato, mortes e, vale destacar, com processos julgados pelo Superior Tribunal Militar. Um lado foi julgado e condenado.

O outro, o dos ditadores e torturadores, não. O jornalista Luiz Cláudio Cunha resumiu: “A conta da ditadura de 21 anos prova que ela atuou sem o povo, apesar do povo, contra o povo. Foram 500 mil cidadãos investigados pelos órgãos de segurança; 200 mil detidos por suspeita de subversão; 50 mil presos só entre março e agosto de 1964; 11 mil acusados nos inquéritos das Auditorias Militares, cinco mil deles condenados, 1.792 dos quais por “crimes políticos” catalogados na Lei de Segurança Nacional; dez mil torturados nos porões do DOI-CODI; seis mil apelações ao Superior Tribunal Militar (STM), que manteve as condenações em dois mil casos; dez mil brasileiros exilados; 4.862 mandatos cassados, com suspensão dos direitos políticos, de presidentes a governadores, de senadores a deputados federais e estaduais, de prefeitos a vereadores; 1.148 funcionários públicos aposentados ou demitidos; 1.312 militares reformados;


1.202 sindicatos sob intervenção; 245 estudantes expulsos das universidades pelo Decreto 477 que proibia associação e manifestação; 128 brasileiros e dois estrangeiros banidos; quatro condenados à morte (sentenças depois comutadas para prisão perpétua); 707 processos políticos instaurados na Justiça Militar; 49 juízes expurgados; três ministros do Supremo afastados; o Congresso Nacional fechado por três vezes; sete assembleias estaduais postas em recesso; censura prévia à imprensa, à cultura e às artes; 400 mortos pela repressão; 144 deles desaparecidos até hoje”. Basta? Como não houve punição aos criminosos do lado da ditadura, os saudosos dos anos sujos vão festejar os 50 anos do golpe de 1964. Esse é o resultado da impunidade no Brasil. O homem comum se diz: se é permitido dar golpe de Estado, derrubar presidente, torturar, matar, armar atentados como o do Rio-Centro, sem qualquer punição, então a bandidagem está liberada. Basta arranjar um pretexto como salvar o país do comunismo. O Brasil é mesmo original: aqui, torturador não se envergonha, não é punido, vive tranquilamente e ainda comemora. Mais do que isso, ainda encontra defensor na mídia com aquele discurso fraudulento: se é para punir, tem de punir os dois lados. Um lado já foi punido. Só falta o outro. A impunidade no Brasil tem origem no regime militar.

Fonte: http://www.correio dopovo.com.br Perguntas que permanecem... E atualmente, mesmo depois de seis eleições diretas e quase 30 anos de redemocratização, será que podemos nos considerar um país democrático e livre de crimes cometidos pelo Estado?

Infelizmente não! Dados do último mapa da violência no Brasil são assustadores. Cerca de 120 mil jovens negros foram assassinados nos últimos 10 anos! Ainda convivemos com notícias como a do desaparecimento – e depois revelado assassinato – do morador da favela da Rocinha, Amarildo de Souza, de 42 anos, durante ação policial batizada de “Paz armada”, realizada por policiais da 15ª DP e da Unidade de Polícia Pacificadora da comuni-

dade. E também, para citar um fato mais recente, ocorrido no dia 16 de março, a morte da doméstica Cláudia Silva Ferreira, de 38 anos, moradora do Morro da Congonha, Madureira, RJ que, durante ação da polícia, levou três tiros e foi socorrida, sendo jogada no porta-malas de uma viatura que, no caminho do hospital se abriu, fazendo com que Cláudia caísse e fosse arrastada por 350 metros. Tais fatos do nosso dia a dia têm sido considerados “normais” e “banais”. Precisamos enfrentar esta realidade. Em tempos que clamamos tanto por Paz, qual é o caminho da construção dessa realidade? De fato, não será com a impunidade ou mesmo com uma “justiça” que só coloca peso na balança em um dos lados e, historicamente, no lado dos pobres, que chegaremos a uma sociedade de Paz. Por isso, a partir da nossa atuação de Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC), clamamos que todos se empenhem ao máximo em participar e contribuir com as atividades relacionadas a essa temática a fim de “Conhecer Para Não Repetir”, com está sendo divulgado pelos grupos de resistência. Vamos nos empenhar para democratizar de fato a democracia de direito que vivemos, a fim de construirmos um “outro mundo possível”! Frei Wilson Simão Animador Justiça, Paz e ntegridade da Criação.

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SALA FRANCISCANA GANHA O MICROFONE DE PRATA

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Moacir Beggo

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Com menos de dois anos no ar, o programa Sala Franciscana é um dos vencedores dos Prêmios de Comunicação da CNBB. O programa, que tem a direção de Frei Gustavo Medella, ganhou o Microfone de Prata na categoria programa religioso de rádio. Entre os mais de 50 trabalhos inscritos na edição 2014, 15 obras foram selecionadas nas categorias cinema, televisão, imprensa e rádio. A cerimônia de entrega dos prêmios será no dia 1º de maio, durante a 52ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, em Aparecida (SP). No dia 4 de junho de 2012, o povo de São Paulo era convidado a entrar na Sala Franciscana, o primeiro programa de rádio da Província da Imaculada Conceição na capital paulista. Segundo o Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, São Francisco de Assis, na Carta aos Governadores dos Povos afirma: “Diante do Povo que vos foi confiado, prestai ao Senhor este testemunho público de veneração: todas as tardes mandai proclamar por pregoeiro, ou anunciai por algum sinal, que todo o povo deverá render graças e louvores ao Senhor Deus todo-poderoso”. “Quando, há dois anos, a Rádio 9 de Julho ofereceu à nossa Província Franciscana da Imaculada Conceição a oportunidade de colaborar com um programa religioso no horário das 18h, imediatamente despertou no

meu coração o desejo de São Francisco de Assis de que todos nós fossemos os ‘Arautos do Grande Rei’, isto é, mensageiros da Palavra de Deus. E o próprio Francisco recomenda que todos os meios possíveis fossem empregados para este alegre anúncio do Evangelho”, explicou Frei Fidêncio. Segundo ele, o prêmio da CNBB (Microfone de Prata) pelo programa Sala Franciscana nada mais é do que o reconhecimento e estímulo à opção que a Província fez pela Frente Evangelizadora de Comunicação. “Portanto, a Frei Gustavo Medella e Equipe que representam todos os Frades da nossa Província na grande Sala Franciscana, nossa carinhosa gratidão!”. Coordenador da Frente de Evangelização da Comunicação, Frei Gustavo conta que recebeu a notícia com alegria, surpresa e emoção! “Depois, refletindo um pouco sobre esta conquista, que é de muitos, penso que a grande bênção que este prêmio nos traz é confirmar que o caminho da boa comunicação é necessariamente o caminho da comunhão. A Sala Franciscana nasceu a partir do sonho de um projeto provincial

comum, de soma de esforços e talentos, onde a contribuição empenhada de cada um confere beleza e qualidade ao todo. Vem mostrar também o quanto a espiritualidade e o modo de ser pautado na vida e nos ensinamentos de São Francisco permanecem atuais e o quanto são bem-vindos no coração das pessoas”, observou. Segundo Frei Medella, a Sala Franciscana é a presença da Província no rádio: é nossa família provincial se colocando à disposição das muitas famílias que nos acompanham diariamente. “A gratidão é total a todos que desde o início apostaram e acreditaram neste projeto. Também à Rádio 9 de Julho, pelo trabalho e pela parceria sempre empenhada em buscar o melhor, muitíssimo obrigado, de coração. À diretoria, aos trabalhadores, todos sempre dispostos e disponíveis na construção de um programa de qualidade. O agradecimento se estende à Rádio Imperial de Petrópolis, que também se somou a este sonho através da retransmissão do programa. Muito obrigado à equipe julgadora da CNBB pelo reconhecimento e nossos parabéns sinceros a todos os que concorreram, pelo comprometimento com uma comunicação de qualidade pelo Reino. Que Deus nos abençoe sempre!”, completou Frei Gustavo. O programa Sala Franciscana estreou no dia 4 de junho do ano passado, de segunda a sexta, das 18h às 18h30, pelas ondas da Rádio Nove de Julho.


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EXPERIÊNCIA MISSIONÁRIA NA AMAZÔNIA Entre os meses de janeiro e fevereiro tive a grata oportunidade de participar de uma experiência missionária promovida pelo projeto missionário da Ordem dos Frades Menores (OFM) na região da Amazônia Peruana. O convite partiu dos frades que atuam no projeto e foi dirigido a toda Família Franciscana. Motivado pelo desejo de conhecer esta realidade e igualmente motivado pelo relato da experiência feita anteriormente pelo confrade Frei Silas Damasceno, no ano passado, me coloquei à disposição para participar e, tendo o pedido sido acolhido pelos formadores e o Definitório, viajei no dia 20 de Janeiro para Iquitos - Peru, onde todos se encontrariam. Ao todo 23 missionários responderam ao convite, entre eles, 10 brasileiros (9 frades e 1 religiosa catequista franciscana), e os demais eram todos missionários leigos do Peru e Argentina. Ao grupo se juntaram os três frades que já trabalham no projeto, entre eles Frei Atílio Battistuz. O grupo se reuniu na casa dos frades na cidade de Iquitos, e tivemos alguns dias de oração, formação e estudos em preparação para a missão. Frei Atílio ressaltou que o direcionamento da atuação missionária seria o anúncio do Reino de Deus e nos forneceu subsídios para estudo e reflexão que iriam nortear os trabalhos nas comunidades que seriam visitadas. Além da preparação teórica, os frades se preocuparam em repassar informa-

ções práticas importantes para o bom andamento da experiência, além da preocupação de que todos tivessem o equipamento necessário. Ainda em Iquitos, um confrade peruano que trabalha na região relatou as sérias dificuldades encontradas na região de “San Pablo”, onde primeiramente seria realizada a missão, por sua atuação profética na defesa dos mais pobres. Os frades ali estão ameaçados de morte, e pensando na segurança de todos, a coordenação da missão entrou em contato com o pároco da cidade de Aucayo, relativamente próxima a Iquitos, o qual prontamente aceitou que a missão fosse realizada no território de sua paróquia. Partimos, então, para Aucayo saindo de Iquitos e seguindo pelo Rio Amazonas. Chegando à casa paroquial, o grupo maior se dividiu em 4 fraternidades, cada qual direcionada para um determinado grupo povoado da região. Os povoados estão situados

em sua maioria às margens do rio Amazonas, outros um pouco mais dentro da floresta. O grupo em que eu estava ficou responsável pela região de Panguana e demais povoados vizinhos. Fomos “subindo” pelo rio de “peque-peque”, o transporte mais comum do povo local. Chegando ao povoado fomos acolhidos pelo animador da comunidade, que nos cedeu o espaço da escola do lugar para passarmos aquela semana. De lá partíamos a cada manhã para visitar, estar com o povo, compartilhar de sua vida e realidade e, com eles, celebrar. Foram realizados encontros de formação com o povo e com as crianças, sempre respeitando seu ritmo de vida e de trabalho. Na outra semana, partimos de Panguana para Piuicho Isla, cerca de 2 horas de “peque peque” para ali continuar as atividades e visitar outras comunidades próximas. Deparei-me com um povo muito acolhedor, simples e muito carente. Era comoven-

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te ver como ficavam surpresos de nos encontrar e de se sentirem lembrados. Muitos diziam estar esquecidos, seja pelo governo, seja pela Igreja. O estilo de vida é muito simples, tiram seu sustento do que conseguem colher na “chácara” onde todos os dias trabalham, da caça de animais silvestres e do rio. A presença da Igreja nos povoados ainda não consegue ser muito eficaz. Há que se reconhecer o trabalho das lideranças leigas, chamados animadores, que com dificuldades (idade avançada, pouca formação) sustentam a vida de fé das comunidades. Nem todos os povoados têm um lugar apropriado para que possam se reunir e rezar. A visita do padre acontece geralmente uma ou duas vezes ao ano e se restringe à celebração dos sacramentos (batismo e eucaristia). Ao mesmo tempo em que se percebe a carência de formação religiosa e de uma presença mais eficaz da Igreja, é igualmente notável a sede de Deus e de sua palavra que o povo do lugar demonstra. Muitos católi-

cos, por exemplo, dizem que vão às igrejas evangélicas (em sua maioria iniciativas independentes, sem filiação a denominações conhecidas) para ouvir a Palavra de Deus. Foi neste contexto que

pude compreender ainda mais na prática o que disse o Papa Francisco: “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças”. O apelo do povo é forte para que a Igreja seja mais próxima, conviva e compartilhe de sua vida e experiência, do Pão da Palavra e da Eucaristia. Ao final das atividades missionárias, dois sentimentos se destacaram: “Reconhecimento e gratidão.” Reconhecer que fizemos muito pouco e recebemos

muito. Com aquele povo aprendi a dar ainda mais valor às coisas simples, que às vezes passam despercebidas no meio de nossas comodidades, como também a reconhecer a nítida presença de Deus no meio dos mais pobres e sua manifestação na convivência harmoniosa com a criação de um povo que vive com tão pouco. Agradecer a Deus e à Província por esta oportunidade única e valiosa para minha formação franciscana e humana, uma experiência que certamente levarei por toda a vida. Enfim, também gostaria de manifestar minha gratidão a Frei Atílio por sua acolhida cordial e cuidado fraterno dispensado durante todo o período em que estive na missão e à fraternidade do Santo Antônio do Pari pelo apoio e acolhida generosa na ida e volta da viagem. Espero que mais confrades possam se sentir chamados a esta experiência tão genuinamente franciscana e evangélica e que o projeto missionário na Amazônia cresça e se fortaleça ainda mais para o bem do Povo, da Igreja, da Ordem e para a maior glória de Deus.


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Frei Eckart Höfling

Faleceu no dia 1º de março de 2014 nosso confrade Eckart Höfling, às 7h25 (3h25, horário de Frankfurt na Alemanha). Frei Eckart estava internado na UTI do Hospital Universitário de Frankfurt. Foi vítima de várias paradas cardíacas durante o tratamento contra um câncer na bexiga. Anos atrás, Frei Eckart já tinha sofrido um infarto. Frei Eckart nasceu no dia 28 de outubro de 1936 em Langenprozelten, na Alemanha. Foi auxiliar de escritório no Fórum da sua região quando sentiu o chamado para a vida religiosa e sacerdotal. Preparou-se no nosso convento de Garnstock, Bélgica, para sua vinda ao Brasil. Juntou com seus colegas de turma embarcou no fim do ano de 1959, já com 23 anos de idade. Fez o último ano do segundo grau em Agudos e, no dia 19.12.1960 foi admitido ao noviciado e recebeu o hábito franciscano. Sua primeira profissão foi no dia 20.12.1961 e a profissão solene, no dia 12.02.1965. Durante os anos de estudo foi muito ativo como escoteiro e, em Petrópolis, durante o estudo da Teologia, foi a mão direita do guardião de então para a adaptação da igreja do Sagrado ao novo espírito do Concílio Vaticano II. Neste tempo nasceu e se intensificou sua paixão pela Baixada Fluminense. Em Nilópolis, paróquia de N. Sra. da Conceição, tornou-se, em “fins de semana prolongados” grande colaborador do Frei Ático Francisco Eyng. Frei Ático tinha fundado aí a Congregação das Irmãs Paroquiais de São Francisco no dia 8.12.1953. Frei Eckart tornou-se quase “co-fundador” da Congregação de irmãs. Mesmo quando surgiram dificuldades entre o Frei Ático e o Bispo Diocesano de Nova Iguaçu, Dom Adriano Hipólito, OFM, resultando na transferência das irmãs para São Paulo (continuando sempre de direito diocesano), Frei Eckart as acompanhou com muito zelo e dedicação, como podemos ver na mensagem enviada pela ex-irmã Geral Sylvia Eyng: “Sem a mão condutora da Província Franciscana, na pessoa do Frei Eckart, não sei como teríamos superado tantas

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e inúmeras dificuldades... O Eckart foi muito mais do que um orientador espiritual, ele foi um amigo e irmão que se preocupava muito com o rumo e futuro da Congregação; ele indicava caminhos e despertou em nós a necessidade de buscarmos e oferecermos ao grupo uma formação educacional e religiosa para um desempenho mais satisfatório de nosso trabalho pastoral. E além disso tudo, nos orientava na parte financeira...”. Frei Eckart fez parte da primeira turma de estudantes alemães que, no clima da primavera conciliar, puderam voltar para sua terra natal e celebrar a ordenação sacerdotal junto aos seus familiares. Frei Eckart e Frei Willy Gärtner (colega de turma) foram então ordenados sacerdotes no dia 8.12.1966, em Würzburg, pelo Bispo José Stangel. No ano de 1967 terminou os estudos de Teologia e sua primeira transferência foi para Nilópolis, N. Sra. da Conceição. Com a transferência das Irmãs Paroquiais para São Paulo, Frei Eckart também foi transferido no dia 31.12.1969 para São Paulo, inicialmente para o convento de Santo Antônio do Pari e depois para o convento de São Francisco, no centro. Durante o ano de 1971 frequentou o curso de espiritualidade franciscana, que na época era chamado CEFEPAL, em Petrópolis. E lá nasceu sua “segunda paixão”. Durante muitos anos acompa-

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* 28/10/1936

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nhou muitos irmãos e irmãs da Família Franciscana como diretor do curso do CEFEPAL. A Família Franciscana do Brasil muito deve ao seu empenho e dedicação. Muitas viagens o levaram à Europa, batendo às portas das Províncias e Congregações Franciscanas, esmolando dinheiro para criar o Centro Franciscano da Família Franciscana no Brasil. A partir do dia 07.11.1984, a convite do então ministro provincial, Frei Basílio, se transferiu para a cúria provincial em São Paulo, convento de São Francisco, centro, para assumir o trabalho de auxiliar no economato da Província. Sua primeira tarefa foi principalmente a organização do arquivo provincial dos bens patrimoniais. Diga-se de passagem: organizar arquivos, pastas e documentos era o seu forte. Certamente uma herança de sua profissão antes de entrar na Ordem. Quem não se lembra do Frei Eckart, batendo às portas das nossas casas – não poucas vezes numa hora inesperada – acompanhado por sua maleta cheia de documentos? A segunda tarefa já foi mais espinhosa: regularizar os documentos referentes ao nosso patrimônio. Trabalho seco, árduo, cansativo... mas a persistência de Frei Eckart vencia todas as barreiras. Neste parti-

cular a nossa Província deve muito a ele. Lembro-me de dois casos bastante trabalhosos: O santuário da Penha em Vila Velha, registrado em nome de “capuchos” e o patrimônio de Blumenau, registrado no nome pessoal do primeiro provincial da Província restaurada, Frei Herculano Limpinsel (situação delicada porque mais tarde deixou a Ordem e constituiu


falecimento ________________________________________ ções em hospitais. A fraternidade franciscana do convento de Grosskrotzenburg, próximo do lugar onde nasceu e passou a infância e juventude, o acolheu e acompanhou de modo muito fraterno nestes momentos difíceis. Começaria a “quinta paixão”, a conformidade cada vez mais visível ao Cristo morto na cruz. Por último, apareceu um tumor na bexiga, difícil de ser extirpado. Em várias tentativas de tirar ao menos parte do tumor, sofreu paradas cardíacas. Enfim conseguiram tirar boa parte, mas Frei Eckart já estava passando pela grande paixão de sua vida, unindo-se na morte ao Cristo que venceu todos os males e que vive ressuscitado para sempre. No dia 7 de março, muitos amigos e benfeitores o acompanharam na “missa da ressurreição” e no enterro no mausoléu dos frades franciscanos do convento de Grosskrotzenburg. Foi expressamente a pedido do confrade que lá foi devolvido à terra o que é da terra e ao Senhor da vida o que é dele para sempre, juntando-se aos colegas de turma, Frei Willy Gärtner, Frei Ivo Theiss e Frei Augusto Koenig. RIP Frei Estêvão Ottenbreit

falecimentos PAI DE FREI ANGELO VANAZZI Aos 90 anos, faleceu no dia 1º de março, às 4h30, Antônio Oreste Vanazzi, na cidade de Humaitá, no Amazonas. Depois de superar dois cânceres, o sr. Antônio faleceu em decorrência de uma cardiopatia. Gaúcho de nascimento, era casado com a catarinense Vitória Casagrande Vanazzi, com quem teve 6 seis, entre eles nosso confrade Frei Angelo Vanazzi . Um de seus irmãos é falecido. MÃE DO FREI MÁRIO SAMPAIO PELU Frei Antônio Boaventura Zovo Baza informa que no dia 6 de março recebeu a notícia do falecimento da mãe do confrade Frei Mário Sampaio Pelu, Antônia Nodjamba.

INFORMAÇÃO DA SECRETARIA O Seminário São Francisco de Assis, de Ituporanga, tem um novo telefone: (47) 35331555.

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família). Pode-se dizer que esta foi a “terceira paixão” de Frei Eckart. Em 1987, o cardeal Dom Eugênio Sales, arcebispo do Rio de Janeiro, primeiro e último responsável pelos bens considerados eclesiásticos, preocupado com a situação de falência do hospital da VOT, pediu ao então ministro provincial a liberação de um frade competente para assumir o papel de interventor. O Definitório Provincial liberou então o Frei Eckart para assumir esta gigantesca tarefa. Em 13.02.1987 Frei Eckart então assumiu o que seria logo logo sua “quarta paixão”. Nos primeiros anos, a administração prometia gradativa solução para os graves e inúmeros problemas. Frei Eckart em momento algum se poupava. Não sem consequências. Cada vez mais o “irmão corpo” emitia sinais de alerta, que eram simplesmente ignorados pelo confrade. Sofreu infarto, mas isto não o impressionou ou diminuiu seu empenho. Nos últimos anos, os problemas e desafios se avolumaram e parece que já não tinha mais a visão de tudo. Para de certo modo complicar as coisas, criou uma série de obras sociais, transferindo recursos para cá e para lá. Bem-intencionado e pensando unicamente nos outros, não obteve sucesso. A montanha de dívidas crescia cada vez mais e, por fim, se tornou tão gigantesca que o novo arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, pediu ao confrade para deixar a direção e entregar a obra à Congregação de São Francisco na Providência de Deus, especializada em administração hospitalar. O Definitório Provincial se mostrou de acordo por que a saúde do confrade, a olhos vistos, estava se deteriorando cada vez mais. No início de 2011, Frei Eckart deixou a direção da VOT. A “paixão” pelo Cristo e, consequentemente, o empenho em dar a vida pelos outros foi certamente o grande “leitmotiv” da vida e da ação do Frei Eckart. E também ele teve que experimentar em sua vida, já com mais de 70 anos de idade e mais de 50 anos no Brasil, o que dizia Jesus aos seus discípulos: “O discípulo não está acima do mestre. Se o mestre sofreu, o discípulo também sofrerá.” Esta verdade que fez parte de toda a sua vida no seguimento do Cristo pobre e crucificado desdobrar-se-ia – como se abre uma rosa espalhando perfume e beleza – nos últimos meses de sua vida entre nós. Em maio de 2011 – enfim acolhendo o insistente pedido do Definitório Provincial – viajou para Alemanha para tratar exclusivamente de sua saúde. Mal chegou e já ficou internado: diabete, pressão alta, dores no joelho etc. Houve repetidas interna-

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AGENDA 2014

Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil (*) As alterações e acréscimos estão sublinhados

abril 01 a 03 07 07 e 08 29 e 30 maio 05 a 16 05 a 09 06 e 07 13 e 14 15 18 19 19 a 23

Comunicações . abril de 2014

Junho 02 a 04 13 a 15 16 20 a 22 23 30

Reunião do Definitório Provincial; Encontro do Regional do Vale do Paraíba (Guaratinguetá); Encontro do Regional do Contestado (Piratuba); Reunião e Guardiães e Coordenadores (Agudos);

Tempo Forte do Definitório Geral; Retiro no Eremitério (Rodeio); Reunião do Conselho do Secretariado para a Formação e os Estudos (S. Francisco – S. Paulo); Reunião do Conselho de Evangelização; Reunião do Conselho Gestor da Província (Sede Provincial); Ordenação Diaconal de Frei Paulijacson Pessoa de Moura (Blumenau - SC); Encontro do Regional de São Paulo (Pari); Retiro no Eremitério (Rodeio);

30 e 01 23

Reunião do Definitório Provincial (São Paulo); Encontro Vocacional em Ituporanga; Encontro do Regional de Pato Branco; Encontro Vocacional em Petrópolis; Encontro do Regional de Curitiba (Aldeia); Encontro do Regional do Espírito Santo (Colatina); Encontro do Regional do Contestado; Encontro do Regional de Agudos (Sorocaba);

Julho 04 a 06 07 e 08 07 a 19 30 a 01

Encontro Vocacional em Guaratinguetá; Conselho do SAV (São Paulo - São Francisco); Tempo Forte do Definitório Geral; Assembleia Anual do Sefras;

Agosto 11 a 15 18 25 25 a 29

Retiro e Reunião do Definitório Provincial (Rio de Janeiro); Encontro do Regional de São Paulo (Bragança Paulista); Encontro do Regional de Curitiba (São Boaventura); Reunião da CFMB (Cuiabá);

Setembro 208 01 Encontro de Formadores (Ituporanga);

01 01 e 02 02 e 03 08 08 a 19 23 a 25 23 a 25 outubro 09 13 e 14 14 a 16 18 a 19 20 a 24 21 a 24

Encontro do Regional de Agudos (Bauru); Encontro do Regional do Contestado; Reunião do Conselho do Secretariado para a Formação e os Estudos (Rodeio); Encontro do Regional de Pato Branco; Tempo Forte do Definitório Geral; Capítulo das Esteiras (Agudos); Jubileus (no Capítulo das Esteiras);

Reunião do Conselho Gestor da Província (Sede Provincial); Encontro Provincial da Frente de Evangelização da Comunicação (Rondinha); Reunião do Definitório Provincial (São Paulo); Ordenação Presbiteral e Primeira Missa de Frei Marcos Prado (São Lourenço - MG); Retiro no Eremitério (Rodeio); Curso de Franciscanismo (Rondinha);

novembro 03 a 15 Tempo Forte do Definitório Geral; 12 e 13 Encontro do Regional de Pato Branco (recreativo); 13 a 16 Encontro Vocacional em Guaratinguetá; 14 a 16 Encontro dos Irmãos Leigos; 20 a 23 Encontro Vocacional em Ituporanga; 24 Encontro do Regional de Agudos - Recreativo; 24 a 28 Retiro no Eremitério (Rodeio); 25 a 27 Reunião do Definitório Provincial (São Paulo); 29 e 30 Ordenação Presbiteral e Primeira Missa de Frei Paulijacson Pessoa de Moura (São Miguel - RN); dezembro 01 Encontro do Regional do Espírito Santo (Recreativo); 01 Encontro do Regional de Curitiba (Recreativo Caiobá); 01 Encontro do Regional de São Paulo (Recreativo Guarujá); 01 e 02 Encontro do Regional do Contestado (recreativo); 15 a 19 Tempo Forte do Definitório Geral;

2015 Maio 10 a 07

Capítulo Geral (Assis).


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