Issuu on Google+

Comunicações PROVÍNCIA FRANCISCANA DA IMACULADA CONCEIÇÃO DO BRASIL FEVEREIRO 2014 • ANO LXI • Nº 02

noviços 2014

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

Primeira Profissão em Rodeio

53


SUMÁRIO ________________________________________

Mensagem do Ministro Provincial - “Jovens Franciscanos”........................................................................................................................................................................................................55 FORMAÇÃO PERMANENTE - “A Igreja se prepara para o Sínodo Extraordinário”, primeiro artigo de Frei Nilo Agostini.............................................................................................57 - “Franciscos, coerência e sintonia entre inspirador e inspirado”..................................................................................................................................................59 Formação e Estudos - Primeira Profissão em Rodeio.....................................................................................................................................................................................................62 - Admissão ao Noviciado............................................................................................................................................................................................................70 - Postulantado de Quibala recebe 7 jovens.........................................................................................................................................................................72 - Postulantado da Guaratinguetá acolhe 14 jovens..........................................................................................................................................................................73 - Entrevista: Frei Marcos Prado dos Santos, a ser ordenado presbítero dia 15 de fevereiro.........................................................................................................74 SAV - Missa de Envio dos vocacionados do Convento São Francisco..........................................................................................................................................76 - Vocacionados do Convento Santo Antônio fazem primeiro encontro do ano.................................................................................................................77 - Fé e superação na 1ª Caminhada da Juventude........................................................................................................................................................................78 - Carta de Orientação para as FAVs 2014.......................................................................................................................................................................81 - Papa Francisco: “A formação é uma obra de arte, não uma ação policialesca”................................................................................................................81 FRATERNIDADES - Centenário do Pari.................................................................................................................................................................................................................82 - Homenagem a Frei Policarpo Berri em Pato Branco........................................................................................................................................................................84 - Paróquia Santa Inês: 1º Retiro Franciscano para Jovens.....................................................................................................................................................85 - “Um bilhão de pessoas vivem com fome e eu estou com raiva”, de Frei Luiz Iakovacz.........................................................................................................86 - Curitiba celebra a vida religiosa de Frei Antônio Joaquim.........................................................................................................................................................87 - Frei Ademir Sanquetti conclui curso de graduação de Psicologia.............................................................................................................................................87 EVANGELIZAÇÃO - Sefras: Qualificação para o trabalho social.........................................................................................................................................................................88 - Sefras: Fórum de Formação e Articulação realiza a primeira reunião do ano................................................................................................................89 - Conhecendo a Justiça, Paz e Integridade da Criação.......................................................................................................................................................................89 - “Desafios Educacionais em relação ao tema da CF 2014”, de Frei Claudino Gilz..............................................................................................................90 - “Educar: Escolher a Vida”, Papa Francisco.........................................................................................................................................................................92 - Frei Atílio Battistuz descreve o “Natal na selva amazônica”.............................................................................................................................................93 CFMB - Entrevista com Dom João Inácio Müller...........................................................................................................................................................................94

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

- Encontro dos Irmãos Leigos da CFMB................................................................................................................................................................................96

54

OFM - O Carisma Franciscano à luz dos santos da Ordem Seráfica, por Frei Alberto Beckhäuser..........................................................................................98 NOTÍCIAS E INFORMAÇÕES - Papa divulga três importantes mensagens....................................................................................................................................................................99 - Falecimentos......................................................................................................................................................................................................................99 AGENDA......................................................................................................................................................................................................100

Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil Rua Borges Lagoa, 1209 - 04038-033 | Caixa Postal 57.073 - 04089-970 | São Paulo - SP www.franciscanos.org.br | ofmimac@franciscanos.org.br


mensagem ________________________________________

Caríssimos Irmãos e irmãs, O Senhor vos dê a Paz e todo o Bem! O segundo número das Comunicações de 2014, que aqui apresentamos com alegria e esperança, dá especial destaque aos JOVENS FRANCISCANOS. Quem são esses jovens? O que fazem? O que sonham? O que querem? O que prometem? O que esperam? São JOVENS que, depois de um ano de Noviciado, tempo de formação mais intensa para conhecer e experimentar a forma de vida de São Francisco, fizeram sua Primeira Profissão Religiosa na Ordem dos Frades Menores no último dia 03 de janeiro, em Rodeio – SC. Jovens que, na sequência formativa, vão aprofundar a formação do coração para viverem de modo mais pleno a vida própria da Ordem e melhor cumprir sua missão, num caminho de preparação para a Profissão Solene. São JOVENS que, depois da experiência de um ano nos Postulantados de Guaratinguetá, SP, e de Quibala (Angola), período no qual tiveram a oportunidade de melhor conhecerem a si mesmos, de completar sua primeira formação cristã e de avaliação das motivações íntimas de sua própria vocação, no

dia 12 de janeiro de 2014, em Rodeio SC, foram admitidos ao ‘tempo de provação’ no Noviciado Franciscano. São JOVENS que, após um período de discernimento vocacional nas Fraternidades de Acolhimento Vocacional (FAVs), nos seminários de Ituporanga, SC, Agudos, SP, e Malange (Angola), foram admitidos à experiência do Postulantado na Ordem dos Frades Menores no Seminário Frei Galvão de Guaratinguetá – SP, e Casa de Formação junto à Fraternidade Santo Antônio de Quibala (Angola). Também olhamos com carinho os JOVENS que, em comunhão com os Frades, realizaram a ‘Primeira Caminhada Franciscana - NOS PASSOS DE FREI GALVÃO’, de Taubaté a Guaratinguetá, SP, nos dias 10 a 12 de janeiro de 2014. São jovens que acreditam e comungam do apelo missionário do Papa Francisco na Jornada Mundial de Juventude: “Ide, sem medo, para servir”. São jovens que fizeram a experiência franciscana da peregrinação, assim como nos recomendam as Fontes Franciscanas: “Pois dizia que a lei dos peregrinos era hospedar-se sob teto alheio, ansiar pela pátria, andar pacificamente de um lugar a outro” (LM 7,2,5 e 2Cel 59).

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

Jovens Franciscanos

55


Comunicações . FEVEREIRO de 2014

mensagem ________________________________________

56

O papa Francisco, no recente encontro com 120 superiores religiosos de todo o mundo, ocorrido em Roma no dia 29/11/2013, ciente das mudanças geográficas existentes na vida consagrada e que “todas as culturas são capazes de ouvir o chamado do Senhor e que Ele é livre para suscitar mais vocações”, fez esta pergunta aos superiores religiosos: “O que o Senhor quer dizer ao nos enviar vocações provindas das Igrejas mais jovens”? Lendo na íntegra o diálogo do Papa, reproduzido pelo jesuíta Antônio Spararo na revista Civiltà Cattolica, confesso que a pergunta do Papa também me inquietou: O que o Senhor quer de nós ao nos enviar vocacionados (seminaristas, postulantes, noviços, professos temporários) e outros jovens (rapazes e moças) que acreditam no projeto evangélico por Deus inspirado a Francisco de Assis? Estes JOVENS que o Senhor nos envia e com os quais somos chamados a condividir o CARISMA FRANCISCANO, nos interpelam no essencial da nossa vida franciscana, i.é, no nosso carisma! E “carisma - nos recordou o Papa Francsico - não é uma garrafa de água destilada. Ele precisa ser vivido energicamente assim como precisa ser interpretado culturalmente”. Por isso estes jovens nos provocam! E mais: nos interpelam pela clareza e evidência do ‘próprio’ do nosso carisma, particularmente a fraternidade e a minoridade, vividos na itinerância missionária. Estes JOVENS, procedentes e crescidos num mundo marcado pelo pluralismo cultural e religioso, aí estão, ou a nos chamar nos variados portais de comunicação, ou já convivendo e partilhando conosco os primeiros passos da vocação fransciscana. O que eles esperam de nós? Sim, esta pergunta nos incomoda porque toca numa questão vital: o desafio da formação! A formação não entendida como mero repasse de uma quantidade de conteúdos programáticos (bem entendido, isso até poderia ser terceirizado com qualquer instituição

de ensino!), mas como “FORMAÇÃO DO CORAÇÃO”. Foi nesta tecla que o Papa Francisco bateu no seu encontro com os Superiores Gerais, logo, a cada um de nós religiosos! Foram veementes as palavras do Papa Francisco: “Devemos formar o coração dos jovens. Do contrário, formaremos pequenos monstros. E então esses pequenos monstros formarão o Povo de Deus. Isso me dá arrepios”. E o Papa indicou que esta formação do coração possui quatro pilares que precisam estar integrados: “o espiritual, o intelectual, o comunitário e o apostólico”. A quem compete a formação do coração de todos esses JOVENS que aí estão? A competência não nasce de uma ‘carta de obediência’ ou ‘transferência’ que um frade recebe para ser formador nesta ou naquela casa de formação, ou ainda, nesta ou naquela frente evangelizadora. Competência nasce da obediência e da fidelidade com que vivo e testemunho a minha fidelidade professada pela primeira vez, tal como os noviços acabaram de proclamar: “Eu Frei...., tendo o Senhor me dado a graça de seguir mais de perto o Evangelho e os passos de nosso Senhor Jesus Cristo, ... faço voto a Deus... de viver por TODO o tempo da minha vida em obediência, sem nada de próprio e em castidade. Professo a vida e a Regra dos Frades Menores... prometo observá-la fielmente... entrego-me de todo coração a esta fraternidade... no serviço a Deus, à Igreja e aos homens”. A todos vocês, JOVENS E FRADES FORMANDOS nas diversas etapas de formação, JOVENS VOCACIONADOS para os nossos Seminários e FAVs e JOVENS (rapazes e moças) que nos acompanham na nossa itinerância franciscana, parceiros e parceiras na vocação e missão evangelizadora, sintam-se acolhidos no Senhor! Fraternalmente, Frei Fidêncio Vanboemmel, OFM Ministro Provincial


formação permanente ________________________________________

A FAMÍLIA NUM TEMPO DE MUDANÇAS

Frei Nilo Agostini

O Papa Francisco convocou, no dia 8 de outubro de

perfilam-se problemáticas até há poucos anos inéditas”.

2013, a III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo

Vivemos um tempo de grandes mudanças no coração

dos Bispos, com o tema “Os desafios pastorais da famí-

de uma sociedade que está passando da modernidade

lia no contexto da evangelização”. Esta realizar-se-á no

para a pós-modernidade, momento este já identificado

Vaticano, de 5 a 19 de outubro de 2014. Num Sínodo, a

como “mudança de época”.

Igreja é chamada a se envolver comunitariamente, numa

Neste breve texto preparatório, ainda na primei-

participação das Igrejas particulares das diversas partes

ra parte, são identificadas “novas situações” que urgem

do mundo.

serem abordadas. Veja:

O episcopado é especialmente chamado a se fazer

“Entre as numerosas novas situações que

presente nas discussões, buscando aprofundar questões

exigem a atenção e o compromisso pasto-

e buscar orientações pastorais comuns sobre questões

ral da Igreja, será suficiente recordar: os

por vezes difíceis. Desde 1985, não se realizava uma

matrimônios mistos ou inter-religiosos; a

Assembleia Geral “Extraordinária”; naquele ano, o tema

família monoparental; a poligamia; os ma-

foi “A aplicação do Concílio Vaticano II”, por ocasião

trimônios combinados, com a consequente

do vigésimo aniversário da conclusão do Concílio

problemática do dote, por vezes entendido

Ecumênico Vaticano II. A I Assembleia Extraordinária

como preço de compra da mulher; o siste-

realizou-se, por sua vez, em 1969, e teve como tema “As

ma das castas; a cultura do não-compro-

Conferências episcopais e a colegialidade dos Bispos”.

metimento e da presumível instabilidade

O documento preparatório do próximo Sínodo já

do vínculo; as formas de feminismo hostis à

publicado revela uma preocupação da Igreja diante da

Igreja; os fenômenos migratórios e a refor-

“evidente crise social e espiritual que se torna um de-

mulação da própria ideia de família; o plu-

safio pastoral, que interpela a missão evangelizadora da

ralismo relativista na noção de matrimô-

Igreja para a família”.

nio; a influência dos meios de comunicação

Diz ainda o documento que “propor o Evangelho

sobre a cultura popular na compreensão do

sobre a família neste contexto é mais urgente e necessá-

matrimônio e da vida familiar; as tendên-

rio do que nunca” para, em seguida, afirmar que “hoje

cias de pensamento subjacentes a propostas

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

A Igreja se prepara para o Sínodo Extraordinário

57


formação permanente ________________________________________ legislativas que desvalorizam a permanên-

dos filhos no contexto das situações de matrimônios

cia e a fidelidade do pacto matrimonial; o

irregulares; 7) Sobre a abertura dos esposos à vida; 8)

difundir-se do fenômeno das mães de subs-

Sobre a relação entre a família e a pessoa; 9) Outros

tituição (‘barriga de aluguel’); e as novas

desafios e propostas.

interpretações dos direitos humanos”. A segunda parte do documento preparatório ver-

neste Sínodo, multiplicar definições e outro queira até

sa sobre “a Igreja e o Evangelho sobre a família”, com

estabelecer condenações. Não seria a hora de ajudar as

destaque para o projeto de Deus criador e redentor e o

pessoas a viverem mais humanamente e com esperan-

ensinamento da Igreja sobre a família. A terceira parte

ça, buscando uma prática pastoral evangélica? Pode-

deste texto ficou notabilizada porque traz um “questio-

mos assumir a postura das trincheiras e buscar nos ga-

nário” que tem como intuito “permitir às Igrejas parti-

rantir longe deste mundo das intempéries de todo tipo.

culares participar ativamente na preparação do Sínodo

Que sabe, melhor mesmo é ir junto ao povo e

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

Extraordinário”.

58

Talvez um número não negligenciável busque,

buscar “recuperar o humano, revisar o histórico e re-

Os olhos da mídia fixaram-se, como sabemos, no

descobrir o Evangelho”, segundo a expressão do padre

questionário. São 39 perguntas que buscam identificar

jesuíta Juan Mesiá. Sairemos um pouco enlameados...

os principais desafios pastorais a respeito da família

Mas pode ser a lama com a qual Jesus curou o cego de

para, em meio a eles, anunciar o Evangelho. O questio-

nascença (cf. Jo 9, 1-12). “Quem pecou, ele ou seus pais

nário abarca questões em torno dos seguintes eixos: 1)

para nascer assim”, perguntaram. Jesus disse: “Nem ele,

Sobre a difusão da Sagrada Escritura e do Magistério

nem seus pais pecaram”. E nele também se manifestou

da Igreja a propósito da família; 2) Sobre o matrimônio

a obra de Deus.

segundo a lei natural; 3) A pastoral da família no con-

Convido-os a perfazerem uma caminhada de re-

texto da evangelização; 4) Sobre a pastoral para enfren-

flexão durante este ano. Dedicar-nos-emos ao tema da

tar algumas situações matrimoniais difíceis; 5) Sobre as

família. Mais do que um tema, é uma realidade viva

uniões de pessoas do mesmo sexo; 6) Sobre a educação

que necessita da “lama” do Evangelho.


formação permanente ________________________________________

Franciscos Frei Gustavo Medella

Desde o momento em que foi apresentado como Papa, Francisco tem transmitido, por palavras e ações, as mais belas e revolucionárias intuições do Santo de Assis encarnadas nos tempos atuais. É presença terna e acolhedora: nunca ingênua. Assim como seu inspirador de Assis, o Francisco de Roma tem influenciado a Igreja a partir de dentro, apresentando ao mundo o caminho do diálogo, do respeito, do amor a Deus e às pessoas e, assim como o Poverello, tem despertado a admiração de muitos, para além dos limites de crença, nacionalidade, visão de mundo e valores. Não se pode negar que também desperta desconfiança e antipatia de alguns – poucos, porém poderosos –, tanto no âmbito interno quanto para além dos muros da Igreja, por balançar os alicerces de uma religiosidade alienada e de um sistema econômico excludente e desumano. A título de ilustração, seguem exemplos de algumas posturas e atitudes que aproximam Francisco de Roma ao Francisco de Assis: Reconhecimento das próprias fraquezas e postura penitencial Ao enxergar-se como pecador, São Francisco não desejava nutrir uma postura de baixa autoestima ou cul-

tivar um sentimento de azedume em relação a si mesmo. Apenas ficava maravilhado pelo modo como Deus, o Sumo Bem, em seu amor infinito, teria sido capaz de se tornar tão próximo do ser humano, cheio de lutas, imperfeições e fracassos, marcado pela finitude. É este o Espírito que perpassa a importante oração que brotou no mais profundo de sua alma: “Senhor, quem sois vós? E quem sou eu? Vós, o Altíssimo Senhor do céu e da terra, e eu, um vermezinho, vosso ínfimo servo”, e muitas outras considerações a ele atribuídas. Converter-se, viver a penitência, para Francisco, é, portanto, voltar-se por inteiro para Deus todo-bondade. A mesma consciência diante da Infinita Bondade apresenta o Papa Francisco ao afirmar, em entrevista publicada pelos jesuítas: “Eu sou um pecador. Esta é a melhor definição. E não é um modo de dizer, uma figura de linguagem. Sou um pecador. Sou um pecador para quem o Senhor olhou. Sou alguém que é olhado pelo Senhor”. Ou, ainda, logo depois de ter sido eleito Papa, a seus irmãos cardeais: “Sou pecador, mas confiante na misericórdia e na paciência infinitas de Nosso Senhor Jesus Cristo, confundido e em espírito de penitência, aceito”. O espírito de penitência e a busca de voltar-se inteiramente para o Senhor, abraçadas pelo Santo de Assis, também povoaram o coração do cardeal argentino ao aceitar a missão que Cristo a ele confiava.

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

coerência e sintonia entre inspirador e inspirado

59


formação permanente ________________________________________ Disposição para vencer a si mesmo, abraçar o leproso e reconhecer nesta figura o Filho de Deus O germe da vida penitencial movimentava o coração de Francisco de Assis. Tanto que, no Testamento, um de seus últimos textos, ele evoca o encontro com o leproso, figura abjeta e desprezada da época, da qual todos queriam o máximo de distância: “Como estivesse em pecado, parecia-me deveras insuportável olhar para leprosos. E o Senhor me conduziu para o meio deles e eu tive misericórdia com eles. E enquanto me retirava deles, justamente o que antes me parecia amargo se me converteu em doçura da alma e do corpo”. A conversão do olhar e do coração levaram o Santo de Assis a nutrir esta reverência e este desejo de estar junto àqueles que eram os últimos, alijados completamente da vida em sociedade. E também com estes o Papa Francisco deseja ardentemente estar: com os refugiados de Lampedusa, com os pobres da Comunidade da Varginha, no Complexo da Maré, no Rio, com os menores em conflito com a lei, com quem fez questão de celebrar a Santa Missa, com os doentes, crianças e idosos a quem vive procurando em meio às multidões, com os moradores de rua de Roma, com quem tomou café da manhã no dia de seu aniversário. Francisco quer lançar luz, voltar os olhos da sociedade para aqueles a quem se evita ao máximo olhar.

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

Abertura ao diálogo e ao encontro com o diferente

60

Ficou célebre na história o encontro entre São Francisco e o Sultão do Egito (Melek-el-Kamel), por volta do ano de 1219. O santo enfrentou muitas dificuldades para chegar diante do sultão, mas, ocorrido o encontro, contam os biógrafos que o líder político e religioso ficara impressionado e profundamente comovido com o espírito e a postura de Francisco de Assis. A amizade de longa data entre o Cardeal Bergoglio e o Rabino argentino Abraham Skorka, desde o tempo em que era arcebispo de Buenos Aires, gerou, e tem gerado, muitos frutos de diálogo e aproximação entre Cristianismo e Judaísmo. Como Papa, Francisco fez questão de evidenciar esta amizade e, através dela, acenar para o mundo sua abertura ao diálogo inter-religioso e ao ecumenismo, tanto que Skorka foi um dos primeiros convidados a quem Francisco recebeu depois de ter sido escolhido como Sumo Pontífice. Ainda no mesmo intuito, o Papa recebeu uma comitiva de líderes judaicos da Argentina para um

encontro seguido de almoço em Roma e também anunciou há poucos dias sua visita à Terra Santa para o mês de maio deste ano. Sob a influência do Papa, outras importantes lideranças católicas têm realizado gestos emblemáticos que revelam esta postura de cultivo de profundos laços de fraternidade. Em encontro ecumênico realizado em uma Igreja Evangélica dos Estados Unidos, o cardeal de Boston, Dom Frei Sean O’Malley, OFMCap, pediu à Reverenda Anne Robertson, pastora da Igreja Metodista Unida, que ungisse sua fronte com óleo e o abençoasse, imagem que correu o mundo pela internet e provocou grande repercussão. Despojamento e austeridade em relação aos bens materiais Na época de Francisco de Assis, a burguesia emergente apostava na posse de bens e riquezas como um trampolim para alçar voos em direção ao poderio até então reservado exclusivamente aos nobres. E Pedro Bernardone, pai do santo, pertencia a este efervescente grupo, transmitindo também ao filho os sonhos ambiciosos de se tornar “alguém na vida”. Imbuído de tais sonhos, Francisco buscou empenhadamente galgar sucesso percorrendo o caminho proposto por seu genitor. No entanto, após seguidos fracassos, interpretados post factum como ação da Providência Divina, o jovem assisense virou as costas para este projeto “mundano” e passou a perseguir a “santíssima pobreza”, aquela que o tornava mais parecido com o Filho de Deus, que se fez pobre, com sua mãe pobrezinha, neste mundo. E Francisco, o Papa, também ama o despojamento e manifesta tal opção em diversos sinais: escolhe não usar todos os paramentos a que teria direito enquanto papa, especialmente aqueles que seriam símbolos de ostentação de um poder imperial que pouco ou nada diz da simplicidade de Cristo; prefere morar como mais um hóspede da Casa Santa Marta, em vez de ocupar, solitariamente, a solenidade e a vasta dimensão dos aposentos papais; assume postura rigorosa e exigente no que diz respeito à administração do Banco do Vaticano; pede aos religiosos que coloquem suas casas e estruturas, muitas delas subutilizadas, a serviço dos pobres; denuncia a ganância e exploração que marcam a busca desenfreada e desumana da acumulação de dinheiro por parte de poucos; convida à partilha e ao trabalho em prol do bem comum. Em Assis, ao se encontrar com os pobres assistidos pela Cáritas, disse: “O despojamento de São Francisco diz-nos simplesmente o que o Evangelho ensina: seguir Jesus


formação permanente ________________________________________

Postura profética, autocrítica e propositiva Francisco de Assis não se furtava em advertir seus irmãos quando percebia que a postura deles punha em risco não a instituição, a Ordem dos Frades Menores, mas

a fidelidade evangélica que um dia escolheram abraçar. Por isso alertava em relação aos perigos da vaidade, da ambição, do orgulho, da autossuficiência, do comodismo, do desânimo, do apego a cargos. Admoestava com caridade, mas também com firmeza. O Papa Francisco assume a mesma linha, às vezes usando expressões duras ou até jocosas: pediu aos consagrados e consagradas que não se comportassem como “solteirões e solteironas”, mas assumissem a postura de fecundos “pais e mães espirituais”; vive conclamando aos padres para deixarem a acomodação e irem ao encontro do rebanho, sem ficar tosquiando e explorando sempre as mesmas ovelhas; declarou que padres corruptos não oferecem aos fiéis o pão da vida, mas servem às ovelhas um “pasto envenenado”; recordou que padres apegados a dinheiro e a bens materiais, como carros, por exemplo, ferem profundamente o coração do povo e muitas outras “tiradas” que revelam um profundo senso de autocrítica e conhecimento da realidade. Fiel à escolha do nome, o Papa Francisco tem sido uma voz profunda e necessária a ecoar no seio da Igreja e do mundo, chamando a atenção para verdades e urgências que não podem ser mais desconsideradas. Que o “Efeito Papa Francisco” permaneça vigoroso, provocando, despertando o coração dos seguidores de Cristo rumo à transformação da humanidade.

SER LAVAPÉS Frei Walter Hugo de Almeida Todo o poder deve humilhar-se, sério... Pois sua missão é servir, e isso é lei; O mais profundo para nós, mistério, A que devemos trabalhar e eu sei. Por que ufanar-se ao receber um cargo, Se a lei é ser lavapés, em que um dia, O Mestre disse, sem tirar o amargo, E nos deixou promessa de alegria?... Por que as coisas simples, Deus, agora, No dia a dia a percorrer a estrada, Eu vejo claro, recordando outrora? É que a lei de não seguir, é nefasta, Sempre mais contra a lei de Deus, afasta, Quem pela estrada, iluminar não sabe.

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

significa pô-lo em primeiro lugar, despojar-nos de tantas coisas que possuímos e que sufocam o nosso coração, renunciar a nós mesmos, tomar a cruz e carregá-la com Jesus. Despojar-se do eu orgulhoso e desapegar-se do desejo do ter, do dinheiro. Todos somos chamados a ser pobres, a despojar-nos de nós mesmos; e por isso devemos aprender a estar com os pobres, partilhar com quem não tem o necessário, tocar a carne de Cristo! O cristão não é alguém que enche a boca com pobres, não! É alguém que se encontra com eles, que olha para eles de frente, que toca neles. Estou aqui não para ‘ser notícia’, mas para indicar que este é o caminho cristão, o que percorreu São Francisco. São Boaventura, falando do despojamento de São Francisco, escreve: ‘Assim, portanto, o servo do Rei altíssimo foi deixado nu, para que seguisse o Senhor nu crucificado, objecto do seu amor’. E acrescenta que assim Francisco se salvou do ‘naufrágio do mundo’” (FF, 1043).

61


Comunicações . FEVEREIRO de 2014

formação e estudos ________________________________________

62

Primeira Profissão em rodeio


formação e estudos ________________________________________

s neoprofessos deixaram o Noviciado de Rodeio, neste dia 3 de janeiro, com uma imagem na cabeça: o cordão que segura o hábito que vestem. O significado deste símbolo foi colocado de forma simples, didática, pelo Vigário Provincial, Frei Estêvão Ottenbreit, aos noviços durante a celebração da Primeira Profissão na Ordem Franciscana, nesta sexta-feira. O Vigário Provincial disse que esta imagem servirá para que os neoprofessos recordem sempre deste momento. Segundo Frei Estêvão, o povo do deserto, para suportar o sol e o forte calor – como estão sendo os dias deste verão brasileiro – usa vestes largas e soltas. Mas quando precisam caminhar e trabalhar, essas vestes atrapalham. Para evitar isso, elas são apertadas na cintura, ou na altura dos rins, por um

cinto ou um cíngulo.“Tanto no Velho como no Novo Testamento, ‘cingir os rins’ tornou-se símbolo para aqueles que se preparam para uma grande missão, para aqueles que vão assumir o trabalho, para aqueles que querem empreender uma longa viagem. Assim, cingidos, trabalham, caminham e se movimentam melhor. Ou seja, cingir-se significa colocar-se à disposição, estar pronto, estar preparado para o trabalho a ser assumido, para uma missão a ser empreendida”, disse Frei Estêvão. Olhando para os noviços, falou também do significado desse símbolo para São Francisco. “Ele escolheu uma veste rústica que os camponeses usavam e que tinha o capuz para proteger do sol e da chuva. E ele escolheu um simples cordão de barbantes para cingir a cintura”, lembrou. Os três votos Segurando um cordão nas mãos, Frei Estêvão mostrou o significado dos três nós, ou seja, os votos que professam

de viver sem nada de próprio, em castidade e obediência. “Guardem, por favor, esta imagem. O mais importante é estarem prontos para viver o Santo Evangelho. Como São Francisco diz na Regra: ‘Eu quero viver segundo o Santo Evangelho’. Isso é fundamental: prontidão e disponibilidade”, disse. Segundo o Vigário Provincial, ele e o grande número de frades presentes na celebração poderiam testemunhar que esta ‘vida é bela’. Mas também os encorajou a superar as dificuldades que virão, com certeza. “Toda hora há convites para desistir, suavizar, justificar, diminuir ou se acomodar cada vez mais. Mas nós temos três valiosos meios para garantir que esta missão não venha a se esmorecer, não venha a diminuir, não venha a se acomodar”, disse ao se referir aos votos. No final de sua homilia, voltou a pedir que não se esquecessem da imagem e perguntou aos noviços: “Estão prontos para esta aventura para a qual Francisco nos convida?” E todos

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

O

moacir beggo

63


formação e estudos ________________________________________

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

responderam juntos “sim”! Frei Estêvão insistiu: “Têm certeza?”. Disseram um “sim” ainda mais forte.

64

O rito Todos juntos, os noviços leram a fórmula da profissão. Em seguida, cada um se joelhou diante do seu superior para prometer obediência, castidade e viver sem nada de próprio. Esses votos são temporários e serão renovados anualmente até a Profissão Solene. Frei Estêvão Ottenbreit é Vigário Provincial e representou pela Província da Imaculada Conceição o Ministro Frei Fidêncio Vanboemmel, que se recupera de uma delicada cirurgia. Além dos noviços da Imaculada, dos quais fazem parte sete noviços da Fundação Imaculada Mãe de Deus de Angola, a turma de 2013 era composta pelos noviços da Custódia das 7 Alegrias de Nossa Senhora (MS/MT) e os noviços da Custódia do Sagrado Coração de Jesus (SP). Frei Estêvão, pela Província, rece-

beu os votos de Frei Gabriel Dellandrea, Frei Hugo Câmara dos Santos, Frei Marcos Schwengber, Frei Zilmar Augusto de Oliveira, Frei Ananias Pegado Muondo Cauanda, Frei Canga Manuel Mazoa, Frei Ermelindo Francisco Bambi, Frei João Candongo Muhala, Frei Mário Sampaio Pelu, Frei Mateus Molosande Ukwahamba e Frei Siro Armando José Luamba. O Custódio Frei Roberto Miguel do Nascimento, pela Custódia matogrossense, recebeu os votos de Frei Cristiano Moraes, Frei Jorge Henrique Camargo, Frei Pedro Renato da Silva e Frei Ronair de Barros, e o Custódio Frei Flaerdi Valvasori recebeu os votos de Frei Éverton Piotto e Frei Gabriel dos Santos. Terminado este momento, cada neoprofesso recebeu a Regra e as Constituições da Ordem dos Frades Menores e assinou o documento da Profissão. Apesar do temporal que caiu durante a celebração, às 19 horas, a Matriz de São Francisco de Assis lotou para ver

os noviços neste momento importante de sua caminhada. Além disso, o povo da pequena Rodeio tinha um motivo especial para estar nesta celebração: Frei Gabriel Dellandrea é natural da cidade e irmão de Frei Daniel. Os dois mais jovens ‘frutos’ da terra. Entre os frades, três Definidores estavam presentes: Frei Germano Guesser, Frei Evaristo Spengler e Frei Evandro Ballestrin, além do Secretário da Formação e Estudos, Frei César Külkamp. Mas ninguém mais, além dos noviços, demonstrava tanta alegria e felicidade durante a celebração: a Fraternidade do Noviciado, especialmente o Mestre Frei Samuel Ferreira de Lima e o Vice-mestre e Guardião Frei Valdir Laurentino, que viam o ano de provação do Noviciado se concluir com êxito. Missão cumprida! Tempo de agradecer Frei Canga Manuel Mazoa fez os agradecimentos pelos noviços. Esbanjou simpatia e, de forma bem concisa,


formação e estudos ________________________________________

anos fez o Noviciado em Rodeio e de como sempre ouve de seus confrades elogios e agradecimentos pela partilha com os frades da Imaculada. Disse que tem uma dívida grande com os frades da Imaculada pelo aprendizado no tempo da formação e garantiu aos neoprofessos que foram privilegiados por viverem num ano tão especial em Rodeio. Agradeceu à Fraternidade local e a Frei Estêvão pelo carinho com que os tem recebido. Já Frei Roberto lembrou que

a Custódia das 7 Alegrias é filha da Província da Imaculada e que até hoje tem missionários a serviço da evangelização nas terras matogrossenses. “Contem com a nossa solidariedade”, disse. No final, Frei Estêvão ainda agradeceu aos familiares e à Fraternidade local. “Vocês não perderam um filho, mas nós é que ganhamos uma família”, disse aos familiares dos noviços. Os noviços Augusto Luiz Gabriel e Douglas da Silva, desta turma, continuam a experiência em 2014.

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

agradeceu a todos que participaram deste tempo de provação e busca em suas vidas. “O carisma franciscano não tem fronteiras, abraça a todos os povos. Nós somos testemunhas disso”, confessou, acrescentando: “Como foi bom e precioso este ano de Noviciado. Por isso, mais uma vez muito obrigado! E se, de alguma forma, ofendemos alguém, aproveitamos para pedir perdão de coração. Lembraremos de todos nas nossas orações”, completou. Frei Flaerdi contou que há 30

65


formação e estudos ________________________________________

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

Gabriel e Daniel: Irmãos de sangue; irmãos menores

66

A celebração da Primeira Profissão em Rodeio, no dia 3, foi especial para uma família da cidade. Os Dellandrea festejaram o ingresso na Ordem Franciscana do segundo filho, ou melhor, do caçula da família: Gabriel, de 19 anos. O filho mais velho, Daniel, aos 32 anos já se ordenou presbítero e hoje é pároco e guardião da Fraternidade de Santo Amaro da Imperatriz (SC). O curioso é que o segundo filho, Élton, com 26 anos, também chegou a ingressar no Seminário, mas desistiu depois de um tempo. Segundo Frei Daniel, quando ele ingressou no Seminário, sua mãe engravidou de Gabriel. O mais novo filho de Sérgio e Terezinha foi criado e mimado como convém a um caçula. De certa forma, Gabriel ocupava e compensava a ausência de Daniel. Mas, para a surpresa da família, especialmente da mãe, que era muito apegada ao caçula, Gabriel resolve também ingres-

sar no Seminário. “Meus pais ficaram surpresos, pois eles não acreditavam que ele teria a coragem de deixar a família. Ele era muito apegado à minha mãe. Acho que pela minha ausência, ela também se apegou muito a ele”, conta Frei Daniel. O pequeno Gabriel, contudo, estava tão convicto de sua escolha e esse desprendimento familiar foi se dando naturalmente. “Meus pais também viram sua alegria, viram que era uma decisão sincera”, explica. Segundo Frei Daniel, o processo

foi tão natural que nunca houve sua interferência. “Foi uma decisão dele, eu nunca interferi no seu discernimento vocacional. Ele teve liberdade para que pudesse responder a este chamado com tranquilidade e alegria”, esclarece Frei Daniel, que, no entanto, aceita o fato de que sua escolha e seu testemunho como frade menor ajudaram a clarear a decisão do irmão. “Talvez, acompanhando o meu processo, acompanhando minhas dificuldades, como a ausência da família, mas percebendo a alegria de ser frade, isso serviu de motivação a ele”. Para Frei Daniel, a alegria da família é muito grande neste momento. “Nossa família cresceu dentro disso tudo. Esse crescimento fortaleceu a união familiar, a fé e os laços com o carisma franciscano. Por isso, é uma alegria muito grande ver que, dessa família de sangue, tenho mais um irmão franciscano”, completou Frei Daniel.


formação e estudos ________________________________________ Os neoprofessos Frei Estêvão, pela Província, recebeu os votos de Frei Gabriel Dellandrea, Frei Hugo Câmara dos Santos, Frei Marcos Schwengber, Frei Zilmar Augusto de Oliveira, Frei Ananias Pegado Muondo Cauanda, Frei Canga Manuel Mazoa, Frei Ermelindo Francisco Bambi, Frei João Candongo Muhala, Frei Mário Sampaio Pelu, Frei Mateus Molosande Ukwahamba e Frei Siro Armando José Luamba. O Custódio Frei Roberto Miguel do Nascimento, pela Custódia matogrossense, recebeu os votos de Frei o Custódio Frei Flaerdi Valvasori recebeu os votos de Frei Éverton Piotto e Frei Gabriel dos Santos.

Frei Ananias Pegado Muondo Cauanda

Frei Canga Manoel Mazoa

Frei Ermelindo Francisco Bambi

Frei Gabriel Dellandrea

Frei Hugo Câmara dos Santos

Frei João Candongo Muhala

Frei Marcos Schwengber

Frei Mário Sampaio Pelu

Frei Mateus Molosande Ukwahamba

Frei Siro Armando José Luamba

Frei Zilmar Augusto Moreira de Oliveira

Frei Pedro Renato Pereira da Silva

Frei Ronair Simão de Barros

Frei Cristiano Pereira Alves de Morais

Frei Erverton Leandro Piotto

Frei Jorge Henrique Lisot Camargo

Frei Gabriel Alves dos Santos

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

Cristiano Moraes, Frei Jorge Henrique Camargo, Frei Pedro Renato da Silva e Frei Ronair de Barros e

67


formação e estudos ________________________________________

No Vale da esperança

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

moacir beggo

68

Localizada no cinturão verde do Vale do Itajaí, a pequena cidade de Rodeio, durante o verão, tem um clima quente e abafado. Vamos dizer assim que está mais para uma “sauna a céu aberto”… Todo ano, no início de janeiro, pelo menos a chuva dá um refresco a seus habitantes, a grande maioria de descendentes de imigrantes italianos do Tirol Trentino (norte da Itália), que chegaram ao Vale em 1875. Neste dia 3 de janeiro, não foi diferente. Durante a celebração da Primeira Profissão dos Noviços, a chuva veio tão intensa que foi necessário fechar janelas e portas da Matriz de Rodeio. Esse momento histórico se repete na cidade desde 1900, quando a residência dos frades que existia desde 1895 passou a Noviciado e Convento. Ou seja, quase que ininterruptamente (o quase é porque em dois anos, 1911-12, o Noviciado funcionou em Curitiba) o rito da Primeira Profissão dos noviços se repete nesta cidade. Trata-se de um momento carregado de emoções. Foi emocionante ouvir o “Kyrie Eleison” cantado por um noviço angolano na língua dos bakongos. Mais emocionante ainda foi ver 17 jovens vestindo o hábito de São Francisco de Assis com tanta identificação e respeito. Num mundo onde o

mais comum é ver e ouvir notícias de jovens seduzidos pela vida fácil de nossa sociedade consumista, esses neoprofessos dão esperança e fazem sonhar com um mundo como sonhou Francisco e Clara de Assis. Tomara que não se cansem e muito menos se esqueçam da imagem deixada por Frei Estêvão Ottenbreit: cingir os rins. Assim como para a viagem ou para o combate é preciso prender à cintura a túnica, as vestes, assim para o serviço de Deus é preciso ter os rins cingidos. Esses jovens deixam o Noviciado depois de um ano dedicado à oração, ao estudo da vida franciscana (Leia-se Regra e Constituições da Ordem dos Frades Menores) e ao trabalho, quando se tornam aptos para responder ao chamado de modo convincente. No fundo, o jovem noviço se prepara para viver o que ele deseja ser na vida. “A maturidade humana é essencial numa caminhada de fidelidade e só é possível quando a pessoa se confronta consigo mesma em profundidade, de forma a ser capaz de reconciliar-se com a própria história, descobrir a passagem de Deus em sua vida e projetar o próprio futuro à luz de Deus e das próprias experiências”, ensina o ex-Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, Frei José Rodríguez Carballo. Neste dia 3, enquanto os noviços faziam a sua profissão, o Papa Francisco se

encontrava com seus “confrades” jesuítas. E deixou para eles uma mensagem muito significativa e aberta a toda vida religiosa: “O coração de Cristo é o coração de um Deus que, por amor, se ‘aniquilou’. Cada um de nós, que segue Jesus, deveria estar disposto a aniquilar a si mesmo. Somos chamados a este rebaixamento: ser uns ‘aniquilados’. Ser homens que não devem viver centrados em si mesmos porque o centro da Companhia é Cristo e a sua Igreja. E Deus é o Deus sempre maior, o Deus que nos surpreende sempre. E se o Deus das surpresas não está no centro, a Companhia se desorienta. Por isto, ser jesuíta significa ser uma pessoa de pensamento incompleto, de pensamento aberto: porque pensa sempre olhando para o horizonte que é a glória de Deus sempre maior, que nos surpreende sem interrupção. E esta é a inquietude do nosso abismo. Esta santa e bela inquietude!” Os noviços são acompanhados pela Fraternidade do Noviciado São José, mais diretamente pelo Mestre e pelo Vice-mestre. E a dupla Frei Samuel Ferreira de Lima (o Mestre) e Frei Valdir Laurentino (o vice) não precisa abrir muito a boca para formá-los. O testemunho de vida deles garante um ano de formação com sobras. Que Deus ilumine esses jovens na nova etapa da caminhada e, se a dúvida chegar, tirem do alforje a imagem deixada por Frei Estêvão!


formação e estudos ________________________________________

Impressões de uma pesquisadora emanavam da igreja ou de algum cantinho do convento em louvor ao Senhor. Alegria também encontrada nas orações das 6h30 da manhã, do meio-dia, das lindas Vésperas cantadas às 6 da tarde e no suave silêncio após o exame de consciência e as preces por uma boa noite. Fiquei muito feliz em ter passado alguns dias em um lugar onde as flores brancas e perfumadas do jardim me saudavam cada vez que eu atravessava o pequeno portão do convento em direção à igreja. Um lugar onde a natureza é suavemente tocada e em forma de agradecimento devolve hortaliças de um verde intenso, berinjelas e abobrinhas coloridas e enormes (as maiores que eu já vi), figueiras que nunca vi e até mesmo flores vermelhas que misteriosamente possuem uma única pétala tingida com a pureza do branco. Um lugar que não gera lixo, mas onde tudo se aproveita. Um lugar onde serragem vira adubo, velas viram arte e o irmão fogo é cuidadosamente extraído da natureza. Um lugar onde música e oração são sinônimos e o silêncio também é música. Um lugar em que as horas são marcadas pelo badalar

dos sinos e o ritmo do dia é ditado pelos horários das belas e fortes orações ao Bom Deus. Um lugar onde não existem rigidez e hierarquia de poderes, mas reinam a fraternidade, a partilha, a doação e, claro, risos e alegria. Fiquei muito feliz em ver jovens alegres e cheios de dons como vocês engajados em seguir os lindos ideais de São Francisco de Assis. Que vocês sejam fontes de inspiração para nossa juventude atual, muitas vezes desorientada por vaidades e pelo materialismo. Também desejo muita luz para a fraternidade franciscana de Rodeio. Que bênçãos sejam derramadas sobre o bonito trabalho desenvolvido pelos frades deste convento, seja no trabalho com a paróquia, na assistência ao povo da região, seja nos cuidados com a casa, no trabalho com a horta, na marcenaria, na música ou no trabalho de formação dos novos frades, contribuindo, assim, para que a fraternidade criada pelo Pobrezinho de Assis conserve sempre a alegria de seu fundador e seja um jardim colorido, ganhando cada vez mais frutos e flores. Comunicações . FEVEREIRO de 2014

No último mês de 2013, a pesquisadora de arte TACIANA SANTIAGO DE MELO passou um período de convivência junto à fraternidade franciscana de Rodeio. Nesta mensagem, dirigida aos frades daquela casa, ela conta um pouco de suas impressões dos dias em que esteve junto aos franciscanos. Segue o texto: A minha estadia em Rodeio foi bastante produtiva não apenas para meu trabalho de pesquisa, mas também foi uma bonita experiência participar do cotidiano de um convento que carrega tantos traços do universo franciscano. Essa experiência me possibilitou perceber que ainda existem pequenos lugares onde a alegria é encontrada na simplicidade, no servir, no trabalho com as mãos, no respeito à natureza, nos encontros fraternos regados a chimarrão (ou tereré, para os que vem de terras quentes), ou nas refeições precedidas por belas orações, em que simples e deliciosos pratos são saboreados em meio a descontraídas conversas. Alegria que também vi brotar dos sons do violão, da flauta, do órgão e das vozes cantantes (seria o coro de 1000 vozes?) que docemente

69


formação e estudos ________________________________________

ADMISSÃO AO NOVICIADO Frei Crisóstomo Pinto Ngala

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

No desfecho do tempo natalino, com a Solenidade do Batismo do Senhor, o ano ainda é novo… Porém, o carisma franciscano, aqui em Rodeio, SC, e pelo mundo afora, se renova com a acolhida e a admissão de mais uma turma de postulantes ao noviciado São José, constituindo a 113ª turma nessa casa de formação. Nós, querendo viver o Evangelho à maneira de Francis-

70

co de Assis, dispomo-nos à vida religiosa. E neste domingo, dia 12 de janeiro, na Paróquia de São Francisco de Assis de Rodeio, Frei Adriano Cézar de Oliveira (Fundação Nsa. Sra. Fátima), Frei Alberto André Antonio (FIMDA), Frei Ângelo Fernandes Baratella, Frei Crisóstomo Pinto Ñgala (FIMDA), Frei David Belinelli, Frei Diogo da Silva Filipe (FIMDA), Frei Erick de Araújo Oliveira, Frei Gabriel Sapalo Chico (FIMDA), Frei Heberti Senra Inácio, Frei Honorato Salvador Gaspar Gabriel (FIMDA), Frei Leandro Ferreira Silva, Frei Paulino


formação e estudos ________________________________________

hoje. Agradecemos bastante pela presença de Frei Germano Guesser e Frei Evaristo Spengler, definidores, e a de Frei Ezimar Alves Pereira, Presidente da Fundação Franciscana de Nossa Senhora de Fátima; congratulamo-nos pela presença de Frei Marco Antonio dos Santos – mestre do Postulantado Frei Galvão, aqui no Brasil – a do Frei Alisson Luis Zanetti – mestre do Postulantado Santo António, da Fundação Imaculado Mãe de Deus de Angola. Pela fraternidade que nos acolhe, na pessoa de Frei Samuel Ferreira Lima (mestre), Frei Valdir Laurentino, guardião e vice-mestre, e todos outros confrades da fraternidade do Noviciado, aquele abraço. Enfim, a todos que por nossa causa saíram de suas casas, fraternidades e famílias, a fim de testemunhar a nossa admissão, pois a igreja estava lotada. Cientes de que este ano será de formação intensa, e de que grandes coisas estão por vir, de rosto por terra pedimos a todos que roguem e rezem de verdade a Deus por nós, a fim de que tenhamos esse ano da graça com graça e possamos degustá-lo da melhor forma possível.

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

Kamussamba Sopindi (FIMDA), Frei Raoni Freitas da Silva, Frei Samuel Santos Soares, Frei Sidney Aranha da Silva e Frei Victorino Chico Tchimuku (FIMDA), tomamos o hábito franciscano, veste penitencial, das mãos de Frei Germano Guesser, definidor, representando Frei Fidêncio Vannboemmel, nosso Ministro Provincial. Porém, tudo indica que, de agora em diante, devemos arregaçar as mangas e, a cada dia, construir, constituir e levar avante o propósito de todos nós: seguir Jesus Cristo, pobre, humilde e crucificado. E é uma constância que, se bem vivida, sobretudo nessa etapa, há de se dilatar pela vida toda. E, como lembrava Frei Germano na sua homilia, “se algum de nós não tem do que se converter, não pode ser frade menor”. Tudo indica que nós, como pessoas e seres humanos, somos falhos, mas, se queremos alcançar o Divino, precisamos superar nossas falhas e fixar nosso olhar n’Ele. E porque, para além de ser um tempo de provação, o Noviciado também é “tempo de graça”, com toda alegria do coração agradecemos por todos que seguiram nossos passos até

71


formação e estudos ________________________________________

nOssos POSTULANTADOs:

em KIBALA

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

Tuasakidila Zambiyetu

72

Após um proveitoso ano de aspirantado no seminário Monte Alverne, em 2013, na Província de Malange, no dia 26 de Janeiro de 2014, fomos admitidos ao Postulantado da Fundação Imaculada Mãe de Deus de Angola, na Missa do II Domingo do Tempo Comum presidida por Frei José Antônio dos Santos, presidente da FIMDA, na igreja de Nossa Senhora de Fátima, Kibala, Kuanza Sul. A admissão começou com o retiro no período vespertino, na sexta-feira, dois dias antes do esperado dia. O tema “Vocação Franciscana” foi refletido pelos formadores, Frei Alisson Zanetti e Frei André Gurzynski. Nosso ano de aspirantado iniciou-se com

dez aspirantes e com a graça do Bom Deus terminou com sete aspirantes, que agora foram admitidos ao postulantado, a saber: Alberto Victorio, Anacleto Ndala, André Mingas, Flaviano Vunge, José Muyeye, José Ganga e Miguel Tchiteculo. Agradecemos profundamente a Deus e a todos que se fizeram presentes na celebração, de modo especial, ao Frei José Antônio dos Santos, presidente da FIMDA, Frei Alisson (mestre dos postulantes), Frei André (vice-mestre), Frei Aloísio Paulo, Frei Manuel Tchincocolo e Frei Clóvis Pasinato e a todo o povo da Kibala. Pedimos à Santíssima Trindade, ao pai Francisco e a Santa Clara que abençoem a nossa caminhada, e contamos com a oração de todos para o bom aproveitamento do nosso ano de postulantado.


formação e estudos ________________________________________

em guaratinguetá Edson F. Lopes e Kaynan Fantebom postulantes

evangélica. Disse também que essa forma de vida conserva o tesouro da espiritualidade de Francisco e que é missão de todos nós

Todo caminho a ser trilhado, pequeno ou longo, sempre

sermos guardiães deste tesouro.

terá o primeiro passo. No caminho da formação franciscana, a

Durante o rito, cada um dos jovens foi convidado a

quarta feira, dia 22 de janeiro, foi marcada por mais um passo

apresentar-se diante da Fraternidade e fazer o seu pedido de

importante: a admissão de quatorze jovens ao Postulantado

admissão. Sendo acolhidos com as palavras de Jesus: “Vinde

Frei Galvão, em Guaratinguetá, SP.

e Vede”, receberam e beijaram o Tau, símbolo franciscano e

Diferente dos anos anteriores, o rito de admissão foi realizado às 18h30, durante as Vésperas. Representando o

sinal de penitência. Ao final, Frei José Francisco confiou os novos postulantes à Fraternidade local, repre-

Fidêncio Vanboemmel

sentada pelo guardião Frei

(impossibilitado por ques-

João Francisco da Silva,

tões de saúde), o Definidor

e pelo mestre Frei Marco

Frei José Francisco de Cás-

Antônio dos Santos.

Durante a homilia,

frades e também as irmãs

Frei José falou sobre o que

do Convento das Graças.

é a essência franciscana:

Após os cumprimentos,

não um serviço ou uma

todos se reuniram ao redor

devoção, mas um jeito de

da mesa para festejar este

ser – uma vida de despo-

momento importante da

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

Ministro Provincial, Frei

jamento e radicalidade

caminhada franciscana.

73

sia dos Santos acolheu os novos postulantes.

Na celebração estiveram presentes diversos


formação e estudos ________________________________________ Entrevista | Frei Marcos Prado dos Santos EXEMPLO FRANCISCANO DE SÃO LOURENÇO CATIVA FREI MARCOS No dia 15 de fevereiro, às 10 horas, Frei Marcos Prado dos Santos será ordenado diácono pelo Arcebispo de Florianópolis, Dom Wilson Tadeu Jönck, SCJ, na Igreja Matriz de Santo Amaro da Imperatriz, em Santa Catarina. Nesta entrevista, esse mineiro de Carmo de Minas fala um pouco de seu discernimento vocacional que começou na antiga Paróquia franciscana de São Lourenço Mártir, em São Lourenço (MG). Segundo ele, o testemunho dos frades falou mais alto na hora de escolher entre os franciscanos e os redentoristas. Conheça um pouco mais o futuro diácono da Província, que escolheu como lema para a sua ordenação: “Dei-vos o exemplo para que façais o mesmo que eu vos fiz”. (Jo 13,15)

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

moacir beggo

74

Comunicações - Como se deu o seu discernimento vocacional? Frei Marcos - Era bem jovem quando comecei a participar dos encontros vocacionais com Frei Diamantino, hoje bispo da Diocese de Campanha, no Sul de Minas. Nessa época, buscando o discernimento vocacional, também estava em contato com os Redentoristas, já que, com apenas nove anos, tive contato com eles quando fui com minha avó Maria Aparecida ao Seminário Santo Afonso, na cidade de Aparecida, no Vale do Paraíba (SP). Fui, durante um longo tempo, assistido pelos Redentoristas, sem deixar de fazer todos os encontros vocacionais na Paróquia de São Lourenço Mártir, que era franciscana. Sempre ouvia falar de São Francisco de Assis e o admirava por seu exemplo de vida. Aos poucos, fui nutrindo certa paixão pela vida franciscana. Mesmo assim decidi entrar na Congregação do Santíssimo Redentor, e morei no Seminário Santo Afonso, em Aparecida. Mas não fiquei muito tempo. Saí em 1999 e, nos anos seguintes, continuei a fazer os encontros vocacionais com Frei Perceval Canuto Carvalho. Amadureci minha vocação franciscana e me decidi pelo carisma franciscano, bem diferente do carisma de Santo Afonso, principalmente em relação ao modo de vida, à vivência dos votos na vida religiosa. Para exercer tudo isso com gratidão de coração, decidi seguir os passos de Jesus Cristo, a exemplo de São Francisco de Assis. Comunicações - Como São Francisco entrou em sua vida? Frei Marcos - A minha catequese toda foi assistida por Frei Aymoré Dalmédico, que morava e trabalhava na Paróquia

de São Lourenço. Portanto, sempre estive perto dos frades, sempre vivenciei a vida e os valores da fraternidade que conhecia. Mesmo durante a catequese, depois na época dos encontros vocacionais, com Frei Diamantino e, mais tarde, com Frei Perceval, aprofundei-me nos escritos e na vida de São Francisco, grande santo e patrono de todas as criaturas. Antes, ainda, conheci um São Francisco na escola que amava a natureza e cuidava de todos os animais. E quando era coroinha, na Paróquia de São Lourenço, sempre admirei a maneira como os frades celebravam e falavam dos valores da vida. Suas pregações e homilias eram cativantes. Era uma extensão da vida de São Francisco de Assis na sua simplicidade e amor a todas as coisas criadas por Deus. Comunicações - Fale um pouco de sua família e de sua cidade, Carmo de Minas. Frei Marcos - Em linhas gerais, quando era pequeno, minha família morava em Carmo de Minas. Meus pais, avós e todos parentes ainda estavam no campo, mas foram seduzidos


formação e estudos ________________________________________

Comunicações - Como foi este ano a serviço da evangelização em Santo Amaro da Imperatriz? Frei Marcos - Um ano muito especial. Começo a falar pela nova fraternidade, que é uma bênção de Deus: Freis Nilton, Daniel e Faustino. É a minha primeira transferência, e a primeira vez que estou a serviço da evangelização atuando em uma Paróquia. Apesar de ser a primeira experiência, sinto-me feliz e bastante engajado na pastoral, principalmente colocando-me à disposição para o trabalho na catequese, equipes de cantos, as muitas celebrações nas diversas comunidades da Paróquia, no atendimento às quintas-feiras, nos diversos grupos pastorais existentes, como o Apostolado da Oração, entre outras atividades pastorais presentes na Paróquia. É um campo vasto e é preciso se lançar sem reservas, pois quando o trabalho pastoral é feito em conjunto e com alegria na fraternidade, compreende-se o dia a dia da vocação para uma vida religiosa. Na simplicidade deste quotidiano, todos os trabalhos são realizados com ternura e amor. Comunicações - Como foi seu processo formativo até esta ordenação diaconal? Frei Marcos - Comecei a fazer os encontros vocacionais no ano de 2000 com Frei Perceval Canuto Carvalho, na Paróquia de São Lourenço Mártir. Fiz o estágio vocacional em Guaratingue-

tá em 2002 e, no ano seguinte, ingressei no Aspirantado, em Ituporanga, no Seminário São Francisco de Assis. Passada esta etapa, no ano seguinte, fiz o Postulantado em Guaratinguetá e, em 2005, o Noviciado em Rodeio, quando vesti o hábito de São Francisco no dia 8 de janeiro. Fiz a primeira profissão e fui transferido para o estudo de Filosofia em Rondinha na Fraternidade Franciscana São Boaventura, onde fiquei de 2006 a 2008. Em 2009 fui transferido para Petrópolis, na fraternidade São Benedito, onde iniciei o curso de quatro anos de Teologia. No segundo ano fiz a profissão solene e definitiva juntamente com os frades de minha turma. Em 2012 me formei em Teologia e, no seguinte, recebi a primeira transferência para a fraternidade Santo Amaro da Imperatriz. Comunicações - Como é ser um religioso diante dos apelos para um mundo mais fácil e individualista? Frei Marcos - É preciso ter discernimento e maturidade para não cair nas armadilhas de um mundo que cada vez mais é individualista e que se molda longe dos verdadeiros exemplos evangélicos, que nos foram ensinados pela família e Igreja. Tem-se, a todo o momento, que buscar uma fé madura e longe de conceitos infantis, para que se possa atender ao apelo que Deus faz no íntimo de cada um de nós. A cada dia abre-se uma nova porta iluminada pela Palavra de Deus, e devemos abrir o nosso coração para que Deus possa fazer morada em nós. Assim não cultivaremos os falsos valores, que o corpo muitas vezes deseja, mas iremos buscar, na simplicidade da oração, da devoção, de uma espiritualidade própria, uma luz nova renovada pelo desejo que nasce em nós de seguir a Jesus Cristo, fonte de vida e alimento eucarístico de cada dia. A nossa alma é a imagem e semelhança da bondade de Deus. Então, por que não devemos buscar realizar toda a benignidade, tornando assim, o mundo um lugar da vivência do amor mútuo, de gratidão a Deus, de solidariedade? Ou seja, devemos nos importar mais com os outros do que perder tempo egoisticamente, cultivando o nosso orgulho. Devemos sempre nos lembrar de que os prazeres são passageiros. Devemos buscar sempre enxergar além, agarrar-nos e aprofundar-nos nas coisas de Deus: fazer o bem e viver de toda a paz, seguindo os conselhos evangélicos. Comunicações - O que você diria a um jovem que quer seguir Francisco de Assis hoje? Frei Marcos - Venha! E tenha coragem de ser um jovem franciscano. Se apaixone pela vida franciscana e siga os passos de São Francisco de Assis, bebendo da fonte verdadeira de água viva, enxergando a luz viva que nos renova na caminhada: Jesus Cristo. Vale a pena viver em fraternidade, evangelizar e levar Jesus Cristo a quem ainda não O conhece. A vida franciscana é rica em significados, e um dos maiores foi o amor fraternal. São Francisco é um modelo de simplicidade, pobreza e fraternidade. Valores vividos com alegria.

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

por uma vida longe daquele lugar, talvez uma vida melhor. Eu tinha pouca idade quando minha família iniciara um êxodo de Carmo de Minas. Alguns decidiram ir para o Rio de Janeiro, e até hoje moram por lá, outros foram para São Paulo e alguns residem Triângulo Mineiro. Mas, escapei de morar no Rio de Janeiro, pois minha mãe achou que era muito longe. Fomos para a cidade mais próxima, São Lourenço. Meus pais se separaram. Meu pai continuou em Carmo de Minas e depois foi para Belo Horizonte e minha mãe com meus avós, uma tia e meu irmão, ficamos em São Lourenço. Desde pequeno, cresci em São Lourenço, onde minha família se dedicou ao trabalho no Hotel Beira Parque. Minha mãe e minha avó eram cozinheiras e meu avô trabalhava nos serviços gerais da Prefeitura. Eu e meu irmão fomos matriculados na escola Eurípedes dos Prazeres. Uma mudança grande, pois antes trabalhávamos no campo, cuidando dos animais e da lavoura, apanhando café. Hoje, meus familiares continuam morando em São Lourenço, com exceção de meu irmão que mora e trabalha em São Paulo. Minha família gosta muito de morar em São Lourenço, mas sente muitas saudades do lugar em que morávamos antes. É muito bom quando nos encontramos no período de férias, pois recordamos algumas estórias. É o momento de estarmos juntos e ajudar no cuidado da casa, na saúde de meus avós, de meus pais. Creio que a gratidão e o amor sempre se revelam nestas pequenas coisas, que se tornam uma obrigação amável por toda a vida: cuidar de quem nós amamos.

75


Sav ________________________________________

MISSA DO ENVIO DOS VOCACIONADOS DO CONVENTO SÃO FRANCISCO

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

Thiago Augusto vocacionado

76

propriedade e em castidade, seguindo

assim como Maria, aqueles pais entre-

o exemplo de São Francisco de Assis,

garam seus filhos para seguir a missão

nossa fonte inspiradora.

confiada por Deus, e ao refletirmos

Na manhã do domingo, dia 26

O clima entre nós, vocacionados,

sobre a nossa caminhada vocacional

de janeiro de 2014, às 10h30, foi ce-

era um misto de alegria, saudade dos

percebemos que é “dentro de casa que

lebrada no Convento São Francisco,

momentos vivenciados nos encontros

o céu começa”.

em São Paulo, a Missa de envio dos

vocacionais, do convívio com os frades

E nós, vocacionados, fomos sur-

jovens vocacionados que ingressarão

e de ansiedade pelos próximos passos

preendidos por uma linda mensagem,

no Seminário São Francisco de Assis,

que serão dados.

lida por Antonieta Brandão, represen-

no caso daqueles que não concluíram

Durante sua homilia, Frei Alvaci

o Ensino Médio, e nas Fraternidades

Mendes da Luz ressaltou a vocação

É sempre difícil descrever com

de Acolhimento Vocacional (FAVs),

franciscana e falou sobre o chamado de

palavras aquilo que sentimos, mas

no caso dos jovens que já concluíram

Cristo em nossas vidas: “Segue-me, e

gostaríamos de forma muito especial

essa etapa de formação.

eu farei de vós pescadores de homens!”.

agradecer a nossos familiares e amigos

Durante as primeiras horas da

Um dos momentos especiais da

que estiveram conosco nessa Missa e

manhã, familiares e amigos dos nove

Missa foi a apresentação do Frei Odo-

nos apoiaram durante o período de

vocacionados, vindo de diversas

rico Decker, acompanhado de sua gaita,

acompanhamento vocacional, em es-

partes de São Paulo, foram chegando

e Frei Ermelindo Francisco, cantando

pecial nosso animador vocacional Frei

ao tradicional Convento e Santuário

uma música tradicional de Angola, sua

Alvaci Mendes da Luz, que para nós é

São Francisco para acompanhar este

terra natal.

a definição da expressão “bons amigos

tando os pais presentes.

momento importante na vida desses

Houve também a consagração a

jovens que aspiram viver como um

Nossa Senhora Aparecida, seguida de

E que São Francisco e Santa Cla-

Frade Menor, observando o santo

uma belíssima homenagem aos pais

ra nos ensinem a cada dia a seguir as

Evangelho de Nosso Senhor Jesus

dos vocacionados, momento de grande

pegadas de nosso amado Senhor Jesus

Cristo, vivendo em obediência, sem

emoção para todos os presentes, pois

Cristo.

que nasceram pela fé”.


Sav ________________________________________

SAV-rj

Sua intimidade. Ao final da cerimônia,

si, e ouviram, atentamente, o que o

os vocacionados foram apresentados

outro também dizia. Frei Nazareno,

Entusiasmo e esperança... Foram

aos fiéis presentes, recebendo dos mes-

de forma clara e simples, apresentou

estes os sentimentos que animaram os

mos palavras de estímulo e sinceros

aos que iniciam o discernimento

jovens, no primeiro encontro vocacio-

cumprimentos.

vocacional, os valores essenciais da

Frei Nazareno José Lüdtke

nal de 2014, realizado no dia 19 de ja-

Na reunião, os trabalhos con-

vida franciscana, explicou o real sig-

neiro, domingo, no Convento de Santo

taram, também, com a presença de

nificado de ser um frade franciscano,

Antônio do Largo da Carioca. O grupo

alguns vocacionados, os quais já

e dirigiu-lhes palavras de encoraja-

está sob a orientação do Frei Nazareno

participaram dos encontros de dis-

mento, para seguirem o chamado que

José Lüdtke, promotor do Serviço de

cernimento.

sentem em seus corações.

Animação Vocacional (SAV).

Destes, um é aspirante e aguarda

Ao final do encontro, por volta

O encontro teve início às 10

o envio ao Postulantado; e outros três

das 17 horas, foi servido o café da

horas com a Santa Missa, celebrada

rapazes, que frequentaram os encon-

tarde, de modo que todos pude-

por Frei Robson de Castro Guimarães.

tros no de 2013, esperam o ingresso no

ram ainda, por algum tempo, em

Durante o sermão, o sacerdote procu-

Seminário, para darem início à etapa

instantes de convivência fraterna,

rou examinar a natureza da relação

do Aspirantado.

compartilhar suas expectativas para

humana para com Deus, enfatizando

A troca de experiências por

o ano que se inicia. Que neste ano

que o Pai revelou-se aos homens, na

parte daqueles que se encontram em

de 2014, São Francisco de Assis e

pessoa de Jesus Cristo, Seu Único Fi-

diferentes momentos da formação foi

Santa Clara, conduzam os jovens ao

lho: em Quem se deve crer, para que

muito interessante e proveitosa para o

sentido e à realização plena de suas

se possa conhecê-Lo e, assim, gozar de

encontro. Todos falaram um pouco de

vocações: Jesus Cristo.

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

CONVENTO SANTO ANTÔnio FAZ 1º encontro vocacional do ano

77


Sav ________________________________________

FÉ E SUPERAÇÃO NA 1ª CAMINHADA DA JUVENTUDE

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

POR QUE NÃO BASTA IR? POR QUE IR CAMINHANDO? “Há duas diferenças básicas entre caminhadas e viagens de carros. A primeira é que a caminhada é uma experiência de corpo inteiro; a mente e o corpo funcionam em conjunto, de tal forma que o pensamento torna-se sensível a tudo que acontece no local. A segunda é que a pé você não está blindado do mundo; não há vidro ou aço separando você do ambiente, da chuva, do vento, e quem, ou o que, você encontrar. Andando em um caminho você cumprimenta ou conversa com as pessoas que encontra. Não me lembro de já ter parado ao lado do carro de um estranho, do outro lado da rodovia, para falar sobre as coisas.”

78

Robert Macfarlane

Thiago Augusto dos Santos No final de semana, de 10 e 12 de janeiro, aconteceu a 1ª Caminhada Franciscana da Juventude “Nos Passos de Frei Galvão”, realizada pelo Serviço de Animação Vocacional. Ao todo foram 60 km de caminhada, partindo de Taubaté rumo a Guaratinguetá, terra do Primeiro Santo Brasileiro. A fé e a superação marcaram a vida dos 36 jovens que vieram dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná para participarem deste momento. Durante a manhã de sexta-feira, os jovens começaram a se concentrar no Convento Santa Clara, em Taubaté, dos Frades Menores Capuchinhos. Cada jovem trazia dentro de si uma motivação diferente para essa caminhada e logo de início o clima de amizade e descontração foi tomando conta de todos. Durante a celebração de envio, Frei Gustavo Medella nos disse sobre seguir Jesus Cristo ontem, hoje e sempre. Frei Diego Melo pediu para que fizéssemos a experiência dos discípulos de Emaús que descobriram a presença de Jesus ao longo da caminhada. No final da missa, também nos foi confiada a missão de sermos verdadeiros anjos uns para os outros e, após a bênção, partimos em direção a Pindamonhangaba, por volta das 16h.


Sav ________________________________________

meçaram as ficar maiores, mas a certeza de que o Senhor também estava caminhando conosco e a ajuda mútua entre os irmãos davam força para seguirmos em frente. Passamos o dia na cidade de Roseira, onde vivenciamos momentos de descontração, oração e partilha. Os paroquianos da Igreja Matriz Sant’Ana nos receberam de braços abertos. Por fim, na manhã do domingo, iniciamos a terceira e última etapa de nossa caminhada, seguindo para o Seminário Frei Galvão, em Guaratinguetá, completando os 60km do percurso da Rota Franciscana, num momento de grande emoção para todos. Já no Seminário Frei Galvão, os frades da casa e os voluntários nos prepararam uma sensacional acolhida e, para coroar esse momento, Frei Estêvão Ottenbreit, nosso Vigário Provincial, presidiu a missa de encerramento nos falando da importância de caminharmos sempre juntos. Na sua homilia, Frei Estêvão destacou que se tratava de um momento histórico para

a Província, pois era a 1ª Caminhada da Juventude, mas também para todos os jovens participantes. “Tenho certeza de que vocês jamais irão esquecer desses dias que passaram juntos, dos desafios vencidos e de tudo o que vivenciaram. Isso ficará marcado na história de vocês”, destacou o Vigário Provincial. Assim, nós, jovens da Província Franciscana da Imaculada Conceição, agradecemos de coração a todos que contribuíram para que essa caminhada fosse um momento único em nossas vidas. Agradecemos a todos que nos acolheram, que organizaram a caminhada, que rezaram, que nos deram forças, em especial aos Freis Alexandre Rohling, Gustavo Medella e Lucas Vieira, que estavam na logística sempre de prontidão para nos ajudar. A caminhada nos mostra que, em qualquer etapa da vida, mesmo diante das mais variadas dificuldades, nós somos capazes de, com fé, vencermos nossos limites e todo e qualquer desafio.

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

Logo nos primeiros momentos da caminhada, grande surpresa: tivemos a oportunidade de encontrar e conhecer pessoalmente o Padre Zezinho quando, ao passarmos em frente da sua casa, em Taubaté, decidimos entrar cantando suas canções para saudá-lo. Padre Zezinho nos recebeu carinhosamente, cantou conosco e partilhou sua profunda admiração pelo carisma franciscano. Após 20 km de caminhada, chegamos a Pindamonhangaba por volta das 22h. Fomos fraternalmente acolhidos no Lar São Judas Tadeu, casa dos frades da Congregação dos Irmãos Pobres de São Francisco. Após o jantar, um banho e uma cama foram os nossos únicos desejos para aquele primeiro dia. No sábado, o segundo dia de caminhada, saímos às 5h da manhã em direção a Roseira. Durante as primeiras horas do dia, caminhando sob a lua que insistia em nos acompanhar, seguimos em silêncio e meditação. Quando o sol da manhã começou a assumir seu posto, as dificuldades co-

79


Sav ________________________________________

Algumas lições dA Caminhada • • • • • •

Somos capazes de fazer muito mais do que realmente imaginamos. Não há conquista sem esforço e sacrifício. Quanto menos bagagens carregarmos, mais fácil fica para caminhar. É muito difícil caminhar sozinho. Juntos, a estrada fica mais curta. Mesmo diante das dificuldades e crises, o importante é continuar caminhando. Reconhecer os limites e pedir ajuda são sinônimos de nobreza e humildade.

• • • • • •

O caminho se faz caminhando. Daqueles que menos esperamos, aprendemos grandes lições de superação e força. Pelo caminho sempre haverá alguém disposto a ajudar. Nossos “anjos” nem sempre são aqueles que imaginamos. Alcançar a meta não significa que chegamos ao fim. Recomeçar é preciso. Estamos em constante peregrinação. Sair, ir, caminhar, chegar e sair novamente.

A caminhada pelos próprios caminhantes

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

Cristy Azevedo – São Paulo - SP Me sinto meio enferrujada... cada passo que dou parece que alguma coisa está rangendo, mas a alegria que sinto é muito muito grande. Experiências de amizade, solidariedade, acolhimento e partilha da própria vida, o que cada um é e tem... foi isso que eu vivi! Agora, me esforçar para fazer tudo isso presente no dia a dia, na convivência com as pessoas, para que esta experiência possa ser partilhada. “A gente pode ser muito mais feliz, seguindo o exemplo de Francisco de Assis”.

80

Mayara Luiza – Campos Elíseos - RJ Eu vim sem muitas expectativas e me surpreendi muito. Eu não pensava que seria uma caminhada tão maravilhosa quanto foi. A gente riu, se divertiu, brincou, superou os próprios limites e fez muita amizade. A gente aprende sobre humildade, olhar mais para o outro, se preocupar mais com o outro. Uma caminhada dessas mostra que tudo tem um fim, mas que não acaba ali. Sempre que a gente chega ao fim, há sempre um novo recomeço. Lucas Vieira – São Paulo – SP A experiência de viver intensamente esse momento de amizade, carinho e companheirismo, supera

todas as nossas dificuldades de cansaço, dor, distância e uma séria de desafios que apareceram pelo caminho. Foram dias tão positivos que eu caminharia muito mais, só para reencontrar cada um daqueles que estiveram ao meu lado. Obrigado! Cintia de Melo – Lages – SC Ao longo da caminhada me perguntei várias vezes: “O que estou fazendo aqui? Pra que tudo isso?”. Mas é com cada passo que você vai respondendo suas perguntas. Nesta caminhada aprendi, e quero levar comigo na vida profissional e pessoal que não adianta você querer passar por cima de todos ou querer vencer sozinho e ser o primeiro, pois você não consegue. Você pode precisar de alguém e alguém pode precisar de você, seja com apoio moral ou mesmo físico. Você aprende a dar mais valor à sua família que está longe, aos mendigos que dormem todos os dias no chão. Você percebe que o lugar onde você mora é maravilhoso. Em alguns momentos pensei que não ia aguentar, pois o corpo já estava exausto. Mas foi aí que me surpreendi, pois sempre havia alguém, um amigo ali do seu lado fazendo palhaçadas para fazer rir e, automaticamente, quando você está em um lugar legal e com pessoas agradáveis que te fazem rir e te deixam pra cima, você esquece toda a dor do corpo e quer continuar. Só tenho a agradecer por tudo o que aconteceu, por cada palavra e pelos gestos generosos dos amigos de caminhada.


Sav ________________________________________

CARTA DE ORIENTAÇÃO PARA AS FAVs 2014 Caros confrades, Paz e bem! Conforme decisão do último Definitório Provincial, algumas fraternidades foram nomeadas para serem Fraternidades de Acolhimento Vocacional (FAV) nesse ano de 2014. Além disso, foram nomeados os responsáveis diretos por cada FAV, conforme segue abaixo: Amparo: Frei Adriano Dias do Nascimento Pari: Frei Wilson Batista Simão Sorocaba: Frei Vanilton Leme Xaxim: Frei Antônio Mazzucco Gaspar: Frei Paulijacson de Moura Lages: Frei Tarcísio Theiss Santo Amaro da Imperatriz: Frei Nilton Decker Pato Branco: Frei Joarez Foresti São João do Meriti: Frei Luiz Colossi Vila Velha: Frei Paulo Ferreira Como orientador dos aspirantes, o definitório nomeou Frei Rodrigo da Silva Santos. Durante o primeiro semestre, tanto Frei Rodrigo quanto Frei Diego Melo realizarão as visitas às FAVs e

serão os elos entre os aspirantes. A data para a chegada dos novos aspirantes será entre os dias 18 e 20 de fevereiro. Quanto à divisão dos aspirantes para as FAVs, o SAV Provincial informará a todos somente no início de fevereiro, quando se terá uma certeza maior de quem realmente ingressará. Lembramos que, embora tenha sido nomeado um responsável direto para cada FAV, pedimos que não só a própria fraternidade, mas que todo o regional possa somar forças e se envolver com a formação dos aspirantes. Por fim, agradecemos cordialmente a todas as Fraternidades que se abrem para essa experiência vocacional com os nossos jovens. Temos certeza de que o crescimento será não somente para os aspirantes, mas também para as nossas próprias fraternidades. Frei Fidêncio Vanboemmel Ministro Provincial Frei Diego Atalino de Melo Animador Provincial do SAV

“A formação de candidatos é fundamental. Há quatro pilares da formação: o espiritual, o intelectual, o comunitário e o apostólico. O fantasma que se deve combater é a imagem da vida religiosa entendida como um refúgio e consolo face a um mundo ‘externo’, difícil e complexo. Estes quatro pilares precisam estar integrados já desde o primeiro dia em que entram para o noviciado, e não devem ser estruturados de modo sequencial. Precisam ser interativos”. “A cultura de hoje é muito mais rica e conflitiva do que aquela que vivemos em nossos dias, décadas atrás. Nossa cultura era mais simples e ordenada. Atualmente, a inculturação clama por uma atitude diferente. Por exemplo, não se resolvem os problemas simplesmente proibindo de se fazer isso ou aquilo. É necessário muito diálogo, muita confrontação. Para evitar problemas, em algumas casas de formação os jovens ficam calados, tentam não cometer erros evidentes, seguem as regras sorrindo, apenas esperando pelo dia em que lhes dirão: ‘Bom, terminaste a formação.’ Isso é a hipocrisia, fruto do clericalismo, que é um dos males mais terríveis. Já disse isto aos bispos do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) no Rio de Janeiro [2013]: precisamos vencer esta propensão ao clericalismo em nossas casas de formação e em nossos seminários também. Resumo tudo isso com um conselho que certa vez recebi quando era jovem: ‘Se queres ir adiante, pense claramente e fale obscuramente.’ Era um convite claro à hipocrisia. Precisamos evitar isso a todo custo”. “Se o seminário for muito grande, precisa-se separá-lo

em comunidades menores com formadores que estejam capacitados a acompanhar, verdadeiramente, aqueles de sua responsabilidade. O diálogo deve ser sério, sem medo, sincero. É importante lembrar que a linguagem dos jovens em formação, hoje, é diferente daquela do passado: estamos vivendo uma mudança epocal. A formação é uma obra de arte, não uma ação policialesca. Devemos formar o coração dos jovens. Do contrário, formaremos pequenos monstros. E então estes pequenos monstros formarão o Povo de Deus. Isso me dá arrepios”. “Precisamos sempre pensar nos fiéis, no Povo fiel de Deus. É necessário formar pessoas que sejam testemunhos da ressureição de Jesus. O formador tem que pensar que a pessoa em formação será chamada a cuidar do Povo de Deus. É necessário sempre pensar no Povo de Deus durante todo este processo. Pensemos nos religiosos que têm o coração tão ácido quanto o vinagre: eles não foram feitos para o povo. No final, não devemos formar administradores, gerentes, mas pais, irmãos, companheiros de viagem”. “Aceitar um jovem no seminário que tenha sido pedido a deixar o instituto religioso por causa de problemas com a formação e por razões sérias é um enorme problema. Não falo das pessoas que se reconhecem como pecadoras: todos somos pecadores, porém nem todos somos corruptos. Pecadores são aceitos, mas não pessoas corruptas”. Papa Francisco no encontro com os Superiores Maiores no dia 29 de novembro de 2013.

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

“A formação é uma obra de arte, não uma ação policialesca”

81


fraternidades ________________________________________

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

O CENTENÁRIO DO PARI

82

Tríduo Dia 30 de janeiro, às 19h30 Memória dos 25 anos – Bodas de Prata Dia 31 de janeiro, às 19h30 Memória dos 50 anos – Bodas de Ouro Dia 1° de fevereiro, às 16h Memória dos 75 anos – Bodas de Diamante

Pregador do Tríduo: Frei Agostinho Piccolo Dia 2 de fevereiro, às 18h Missa solene em comemoração dos 100 anos – Bodas de Jequitibá Presença de Dom Tarcísio Scaramussa, SDB – bispo auxiliar da Região Sé na Arquidiocese de São Paulo


fraternidades ________________________________________ A Paróquia Santo Antônio do Pari

A sagração dos sinos realizou

se prepara para comemorar o seu cente-

se a 22 de janeiro de 1928 por Dom

nário. As celebrações começarão no dia

José Carlos Aguirre e a inauguração

30 de janeiro e terminarão com a Festa

da Via Sacra aconteceu em 6 de março

de Santo Antônio deste ano.

de 1927.

A Paróquia foi fundada aos 2

E assim a Igreja Matriz foi sendo

de fevereiro de 1914 por Dom Duarte

construída com a colaboração, trabalho

Leopoldo e Silva e teve como seu pri-

e dedicação de muitos frades que por

meiro pároco Frei José Rolim, vindo de

aqui passaram e principalmente com

Portugal por causa da guerra. Ele ficou

a ajuda e colaboração de todo povo do

à frente da paróquia até 27 de agosto

bairro e até mesmo devotos de longe.

de 1916, quando foi sucedido por Frei

No dia 13 de junho de 2006, um

Felipe Niggemeier.

incêndio que começou pelo velário acabou destruindo toda a lateral di-

de igreja ou capela apropriada, Frei José

metros de altura e de 8 metros de largura.

reita da Igreja e a torre onde ficava o

Rolim alugou uma sala de um sobrado,

Os altares, todos em legitimo már-

mecanismo dos relógios e os sinos. A

que hoje faz esquina da rua Miller com

more, foram construídos e solenemente

partir de então, começou-se uma gran-

a rua Maria Marcolina.”

inaugurados entre os anos de 1925 e

de mobilização para restaurar a igreja.

Arthur Vautier, proprietário de

1929. O Púlpito, todo em legitimo már-

No dia 10 de dezembro de 2007,

vastos terrenos no bairro, vendo o di-

more de cores e incrustações de alto

aconteceu a dedicação da igreja, com a

namismo do frade português, doou um

relevo de madeira, imitando bronze, foi

presença do Cardeal D. Odilo Scherer.

terreno para a construção de uma igreja.

inaugurado em 30 de novembro de 1930.

De 2006 a 2009 foram realizados os

Em agosto de 1922, tendo

trabalhos internos: todo

como vigário e superior

o telhado na parte direita

do Pari Frei Olivério Kra-

foi refeito, os bancos foram

emer, teve início a cons-

reformados, novos pisos

trução da “bela e vasta”

foram colocados. Imagens

matriz, que foi entregue

e altares laterais foram res-

ao culto divino em 13 de

taurados, as vias-sacras

junho de 1924. A nova

foram reconstituídas, idên-

Igreja Matriz mede 60

ticas às originais.

metros de comprimento,

Foi construído tam-

28 metros de largura e 15

bém um novo velário, no

metros de altura.

lado externo da igreja, e o

Em 24 de agosto

órgão, um dos maiores da

de 1923, sucedeu a Frei

cidade de São Paulo, tam-

Olivério, Frei Paulo Luig,

bém passou pelo início de

que se tornou a coluna

um processo de restauro.

do Pari. Governou a pa-

O salão paroquial

róquia durante 15 anos,

também foi reformado, para

com entusiasmo extra-

que pudesse oferecer uma

ordinário. Continuou

estrutura mais moderna e

a construção da Igreja,

confortável para os eventos.

já adiantada e coberta,

Nesta última etapa, além da

adornando-a com 15 al-

grande reforma das torres,

tares, 6 confessionários,

todo o telhado da igreja foi

forro, batistério, bancos e

trocado e a parte externa

2 imponentes torres de 52

ganhou uma nova pintura.

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

Conta a história que “na carência

83


fraternidades ________________________________________

GOVERNO DO PARANÁ HOMENAGEIA frei Policarpo

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

Marilena Chociai

84

No dia em que o Estado do Paraná comemorou 160 anos de emancipação política, 19 de dezembro, o Governador Beto Richa condecorou, em Curitiba, 50 personalidades com a Ordem Estadual do Pinheiro, a mais importante honraria concedida a pessoas que contribuíram com o desenvolvimento do Estado em diversas áreas. Um dos homenageados foi Frei Policarpo Berri, o frade franciscano natural de Rodeio, SC. Frei Policarpo nasceu no dia 13 de julho de 1924 e ingressou na Ordem dos Frades Menores no dia 20 de dezembro de 1943. Fez a profissão solene no dia 21 de dezembro de 1947 e foi ordenado sacerdote no dia 25 de julho de 1950. Em fevereiro de 1956 foi transferido para Pato Branco. No município o religioso ficou conhecido por ser entusiasta e exímio empreendedor no que diz respeito à comunicação. Trabalhou intensamente para que a primeira emissora de rádio local, Rádio Colméia, fosse adquirida pela Ordem Franciscana, o que ocorreu no dia 4 de outubro de 1957. Inicialmente era uma emissora de pequeno porte e hoje conta com uma potência maior de transmissão, possibilitando a ampliação de sua cobertura.Ainda na área da comunicação, acalentou sonhos que hoje são realidade em Pato Branco: a Rádio Celinauta AM, a Movimento FM e a TV Sudoeste.

Quando Policarpo chegou a Pato Branco, a região Sudoeste do Paraná vivia o conflito de um dos movimentos mais importantes da colonização da região, a Revolta dos Posseiros. Neste tempo, o rádio era praticamente o único meio de comunicação entre os colonos. Era através dele que os agricultores se organizavam contra as companhias que pretendiam expulsá-los de suas terras. A Rádio Colméia, que depois passaria a se chamar Celinauta, chegou a ser apontada pela Revista O Cruzeiro como responsável pelas lutas que culminaram com a vitória dos colonos. Policarpo participou ativamente dos movimentos sociais na cidade e, além de empreendedor, destacou-se como articulista. O frade incentivou e acompanhou a construção da Igreja Matriz São Pedro Apóstolo, além de participar diretamente no desenvolvimento de comunidades rurais de Pato Branco. Como homenagem pelos serviços prestados à comunidade, recebeu o Título de Cidadão Honorário do município em 1983. Um dos reconhecimentos mais importantes veio em 2006, quando recebeu o título de Cidadão Honorário do Paraná, durante sessão extraordinária descentralizada da Assembléia Legislativa Paranaense, realizada em Pato Branco. Como religioso, Frei Policarpo é admirado pela sua generosidade, humildade e principalmente disponibilidade. O fran-

ciscano acorda todos os dias de madrugada e faz questão de percorrer todos os quartos dos dois hospitais da cidade para levar conforto espiritual aos doentes. Dezenas de católicos o procuram diariamente na Casa Canônica para pedir bênçãos variadas. Muitos atribuem a ele milagres importantes e hoje o Franciscano atrai fiéis de todo o país em busca de cura para seus males. Alguns católicos creem que Policarpo tem poderes de curar até mesmo à distância e contam histórias interessantes, como as de lavouras que foram bentas e imediatamente curadas de pragas. Outros afirmam categoricamente que após sua morte, Policarpo será canonizado e se tornará o primeiro Santo da cidade de Pato Branco. A fama do franciscano se espalhou de tal maneira que ele foi convidado pelo apresentador Jô Soares a fazer uma bênção em nível nacional por telefone, em programa exibido no ano de 2009 pela Rede Globo de Televisão. Inácio Berri é um homem carismático, respeitado, de cabelos branquinhos, de passos e fala apressados e de memória impressionante. O frade é amante e pesquisador de músicas instrumentais e membro honorário da ALAP – Academia de Letras e Artes de Pato Branco. Tem como prazer e distração tocar o órgão de mil tubos, que, por meio de campanhas, ajudou a adquirir e importar da Alemanha na década de 60.


fraternidades ________________________________________ paróquia santa inês

“Construindo a Civilização do Amor”, este foi o tema do Primeiro Retiro Franciscano para Jovens, realizado nos dias 29/11, 30/11 e 01/12 do ano de 2013, organizado pelo grupo de jovens franciscanos Paz e Bem da Paróquia Santa Inês de Balneário Camboriú/SC, tendo como orientador, Frei Roberto Carlos Nunes e apoio do pároco Frei Ladí Antoniazzi. O retiro contou com a participação de 52 jovens retirantes, que, além de Balneário camboriú, também vieram de outros municípios vizinhos (Camboriú, São João Batista, Itajaí e Blumenau), além de uma equipe de 13 jovens que atuaram como mediadores nos grupos de reflexão durante todo o encontro. Como proposta inicial, recordamos o imenso amor de Deus pela humanidade e a importância de sermos multiplicadores deste amor na relação

com nossos irmãos, buscando assim a construção de uma nova sociedade baseada no amor e na paz. Os jovens foram motivados a serem Igreja e protagonistas na construção de uma sociedade mais fraterna. Para tanto, foram discutidos diversos assuntos relacionados a sexualidade, amizade, família, mídia, sociedade e a importância das escolhas que fazemos em nossas vidas. O retiro ofereceu muita animação musical, dinâmicas, teatro, adoração ao Santíssimo Sacramento, oração, momento de confissão, trabalho em grupo e reflexão da Palavra de Deus. Além disso, foi apresentada a vida de São Francisco de Assis que serviu como inspiração para a busca constante da vivência do Evangelho e, como consequência, a prática diária do amor. Bianca e Edson (coordenadores dos Jovens)

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

I RETIRO FRANCISCANO PARA JOVENS

85


fraternidades ________________________________________ “Um bilhão de pessoas vive com fome crônica e eu estou louco de raiva”

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

Frei Luiz Iakovacz

86

Ao findar o milênio passado, a Organização das Nações Unidas (ONU) e seus 180 países-membros, reuniu-se, em Roma, para a Cúpula Mundial da Alimentação. Estabeleceram a seguinte meta: até 2015, o número dos que passam fome, no mudo, seria reduzido pela metade. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), departamento da própria ONU e responsável pela erradicação da fome, reconhece que este compromisso não será alcançado. O problema não é a falta de comida. A mãe terra – apesar de ser, exaustivamente, explorada e judiada pelo contínuo uso de agrotóxicos – produz alimento suficiente para seus 7 bilhões de filhos. Se houvesse a política de uma justa distribuição, ou se uma pequena quantia do que é gasto na indústria armamentista fosse aplicada no combate à fome - sem dúvida, esta ferida estaria quase ou totalmente curada. Em recente Congresso Internacional “Economize Comida”, realizado em Dusserdorf (Alemanha), a FAO constatou que 1/3 dos alimentos produzidos é desperdiçado, isto é, 1,3 bilhão de toneladas, anualmente. Onde está a fonte dessa sangria?! Nos países ricos, parte do alimento produzido fica estocada, esperando a especulação de preços; quando isso não acontece, ao chegar a data de vencimento, é jogada no lixo (é a política gananciosa das multinacionais); nos países pobres, o desperdício se dá na fase de produção, colheita e processamento (é a falta de infraestrutura); por fim, nós mesmos desperdiçamos boa parte do que consumimos. Então, o que fazer?! A FAO lançou a companha de um abaixo-assinado para pressionar a ONU. O slogan “1 bilhão de pessoas vivem com fome crônica e eu estou louco de raiva”, é

acompanhado de um apito amarelo. É preciso apitar contra a fome, pois “deveríamos estar furiosos com o vergonhoso fato de que seres humanos ainda sofram de fome”, diz o diretor geral da FAO, Jacques Diouf. A Igreja Católica: o que faz?! Em 10 de dezembro do ano passado, Dia Internacional dos Direitos Humanos, a Cáritas Internacional abraçou esta causa e convocou as Dioceses e Paróquias do mundo, para fazerem o mesmo. O Papa Francisco gravou um vídeo onde diz: “Estamos diante de um escândalo de 1 bilhão de pessoas que passam fome. Não podemos virar a costas e fazer de conta que isto não existe”. A Igreja no Brasil: o que faz?! Três dias após este apelo, a Cáritas Brasileira, juntamente com a CNBB e a CRB, assumiu o compromisso de divulgar e conscientizar o fato de que, realmente, existe 1 bilhão de famintos, dos quais 16 milhões são brasileiros (estatística do IBGE). Outro compromisso é o abaixo-assinado, via internet ou por assinatura. Até 08 de setembro, o resultado deverá ser enviado à CNBB que, por sua vez, entregará à FAO para que chegue à ONU no dia 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação. E nós: que podemos fazer?! A Bíblia é enfática: “Com o suor do teu rosto, ganharás o pão de cada dia”

(Gn 3,9). Nosso inconformismo não é só com os milhões de famintos, mas, também, com aqueles que ganham muito, “sem suar a camisa” (corrupção, políticas interesseiras, ganância exacerbada e sem ética). Dizer que a fome não existe ou que, se existe, não está ao meu redor – é fazer a “política do avestruz”: esconder a cabeça para não ver a realidade. Ao contrário, saciando a fome do pobre e, num contínuo processo, conscientizá-lo do trabalho e da sua dignidade humana – por causa de Cristo – não é assistencialismo, mas libertação. As palavras de Dom Helder são oportunas: “Se dou comida ao pobre, me chamam de santo; se pergunto por que não tem comida, sou comunista”. Na multiplicação dos pães – onde o milagre não acontece num passe de mágica, mas na partilha – Jesus manda recolher os “pedaços para que não se percam” (Jo 6,12). Todos, uns mais outros menos, todos somos responsáveis por 1,3 bilhão de toneladas desperdiçadas. O Brasil é o 4º maior produtor mundial de alimentos, mas, diariamente, desperdiça 39 toneladas. O IBGE e o Instituo Ikatu revelam, ainda, que o brasileiro joga fora 30% dos alimentos que compra. Isto é uma afronta aos famintos e ao meio-ambiente. Todos sentimos, no dia-a-dia, o “efeito estufa” causado pelo dióxido de carbono, em consequência do consumo de fósseis e da respiração humana; porém, o gás metano, desprendido da extração de combustíveis, dos lixões e da digestão e fezes de animais, é 20 vezes mais nocivo. Tomemos consciência: a fome mata mais do que as guerras. Por isso, abracemos esta causa. Dentre os seres humanos – nós, os cristãos – temos um compromisso ainda maior, por causa de nosso Mestre Jesus Cristo.


fraternidades ________________________________________

CURITIBA CELEBRA A VIDA RELIGIOSA DE FREI ANTÔNIO JOAQUIM Frei Vagner Sassi Na manhã de 19 de janeiro, juntaram-se à fraternidade Bom Jesus dos Perdões vários confrades do Regional de Curitiba para a celebração dos 25 anos de Vida Religiosa Franciscana de Frei Antônio Joaquim Pinto. A celebração eucarística foi presidida pelo Definidor Frei João Mannes e concelebrada pelos frades sacerdotes. Nela, Frei Antônio Joaquim, diante da comunidade presente, renovou seus votos e confirmou a promessa de professar a vida e a regra dos Frades Menores.

Fazendo referência às leituras do domingo, Frei João Mannes ressaltou o testemunho dado por João Batista acerca de Jesus, e exortou à renovação contínua

dos votos como ação necessária para se assegurar o caráter permanente dos votos religiosos. Antes do almoço de confraternização, em nome dos confrades do Bom Jesus, o vigário da casa agradeceu a Frei Antônio Joaquim por sua presença fraterna e evangelizadora junto à comunidade e por seu empenho no estudo e nas aulas de Filosofia. Dando graças a Deus pelo dom da Vida Religiosa e pela profissão dos irmãos, toda a Fraternidade se renova e se fortalece no seguimento de Jesus Cristo tal como vivido por São Francisco de Assis.

Convite

Frei Ademir Sanquetti conclui curso de graduação em Psicologia Na última sexta-feira (10), o pároco Frei Ademir Sanquetti, da Paróquia São Paulo de Agudos, encerrou mais uma etapa de sua vida acadêmica. O frade concluiu o curso de graduação em Psicologia na Universidade Sagrado Coração (USC), de Bauru. A família de Frei Ademir e algumas lideranças paroquiais participaram deste importante momento saudando o pároco em nome de toda a comunidade da Paróquia São Paulo Apóstolo de Agudos.

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

Frei Ademir com as professoras Dra. Ana Celina Pires de Campos Guimarães e M.ª Telma Santos

87


EVANGELIZAÇÃO ________________________________________

sefras

QUALIFICAÇÃO PARA O TRABALHO SOCIAL não se refere apenas ao policiamento e/ou

abordou a importância da arte no trabalho

diminuição da violência. Givanildo enfatizou

social. A oficina contou com a assessoria de

Entre os dias 6 e 10 de janeiro, o Sefras

que uma sociedade é “segura” quando se tem

dois educadores da Pinacoteca do Estado de

realizou uma semana de formação para os

também garantido o acesso à educação, à

São Paulo. O conceito de arte foi construído

trabalhadores da instituição e, também,

saúde, ao lazer, à moradia.... No dia 8, o grupo

coletivamente com os participantes a partir

abriu vagas para participantes de outras

participou de uma programação diferente,

dos saberes e das experiências já adquiridas

organizações parceiras. O curso já está na

através de uma visita monitorada ao Museu

por eles. O dia transcorreu com dinâmicas e

sexta edição e teve como objetivo refletir a

Afro Brasil, no Parque do Ibirapuera. A visita

interação entre a teoria, a realidade, as expe-

prática educativa a partir dos desafios do

teve o objetivo de mostrar aos participantes

riências e a prática.

cotidiano, com temas que contribuem na

a importância de ocupar lugares públicos de

Para encerrar a semana, a formação

contrução de um mundo mais fraterno e

cultura e arte como parte do processo educa-

tratou do tema da diversidade. Os participan-

justo.

FABIANO VIANA

tivo e de formação política e cultural, como

tes refletiram que a diversidade é um valor

O Sefras compreende que todos

expressão do exercício da cidadania. Além da

universal inerente à condição humana. De

os trabalhadores, independentemente da

visita que perpassou a história da cultura afro

acordo com Ester Lisboa, da Koinonia Pre-

ocupação que exercem na instituição, tem

e as influências no Brasil, os educadores do

sença Ecumênica - facilitadora da oficina - a

o papel de educador social. Tendo em vista

museu promoveram uma oficina que refletiu

diversidade está presente em todos os povos.

este entendimento, neste ano a semana de

sobre as formas de preconceitos que estão

Portanto, o mundo é composto de diversi-

formação abordou temas mais amplos que

enraizados na sociedade, de modo particular,

dade. Ela ainda acrescentou que respeitar a

são importantes para o trabalho socioedu-

com relação aos negros.

diversidade (religiosa, sexual, gênero, étnica

cativo com os públicos atendidos.

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

Para introduzir e fundamentar a

88

semana de formação, a integrante da Rede Extremo Sul, Caroline de Roing, desenvolveu uma oficina de análise de conjuntura através de construção coletiva que levantou os principais acontecimentos sociais com o enfoque nos eventos públicos de 2014 (Copa do Mundo e Eleições). No segundo dia (7), o tema abordado tratou da Segurança Pública e teve como facilitador o integrante do Comitê pela Desmilitarização da Polícia, Givanildo Silva. Para ele, a questão da segurança pública

No dia seguinte (9), a capacitação

etc) garante a paz e a segurança internacional,


EVANGELIZAÇÃO ________________________________________ e propicia a boa relação o bom convívio entre

bém no trabalho de atendimento. “Ampliou o

A supervisora técnica do Sefras,

as pessoas. Ao final, a formação terminou

meu horizonte sobre os diversos assuntos, de

Rosangela Pezoti, fez o encerramento da

com música e dança celebrando a diversi-

modo particular o da diversidade”, expressou.

semana desejando que esses cinco dias de

dade humana. A educadora social da Casa

Para a educadora social do Centro

formação possam contribuir no cotidiano

de Clara, Rosa Cesar, avaliou positivamente

Franciscano de Luta contra a Aids (Cefran),

dos serviços do Sefras, e convidou a todos

esta oportunidade de formação e destacou a

o passeio cultural – visita monitorada ao

a reafirmar, a partir das reflexões e debates

abrangência dos temas abordados. Disse que

Museu Afro – acrescentou muito no processo

que realizaram, o compromisso na constru-

as dinâmicas que vivenciou, irá aplicar tam-

formativo.

ção de um mundo melhor.

jpic Conhecendo a Justiça, Paz e Integridade da Criação

O Serviço Franciscano de Justi-

ça, Paz e Integridade da Criação é um serviço da Ordem dos Frades Menores. Em nossa Província Franciscana da tem algumas das suas ações realizadas no Serviço Franciscano de Solidariedade - Sefras, que é uma rede de serviços que hoje está presente no estado de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Entretanto esse é só um exemplo de ações, já que o JPIC é um serviço de dimensão transversal da nossa vocação e nos coloca o desafio de fomentar relação/ações, na linha dos Direitos Humanos e, consequentemente, da Justiça Ambiental. A partir dos objetivos do Plano de Evangelização 2010, já podemos considerar que temos um caminho trilhado e que agora nos cabe caminhar sobre ele. No atual contexto de manifestações sociais por reivindicação de direitos e de tantas notícias de sistemas políticos que não respondem à necessidade da população, é importante colaborar com as igrejas locais, instituições e coletivos de comunidades cristãs e com outras comunidades religiosas e culturais que tenham atuação na linha da Paz como fruto dos Direitos. Um exemplo de ação que ainda reverterá frutos das nossas ações, foi nossa presença na Cúpula do Povos 2012, processo de articulação nacional e internacional com a Família Franciscana, além de instituições e coletivos diversos. Frei Wilson Simão Animador Provincial – Justiça, Paz e Integridade da Criação.

Fórum de Formação e Articulação realiza a primeira reunião do ano Os trabalhadores do Sefras em São

Este coletivo também conta

Paulo realizaram a primeira reunião do

com um momento de formação para

Fórum de Articulação e Formação do ano

os trabalhadores. Geralmente as

de 2014. Neste encontro os participantes

reuniões começam com o estudo de

avaliaram o ano de 2013 e planejaram

algum tema da conjuntura social. Para

a metodologia de trabalho para 2014.

este ano de 2014, na reunião, realizada

Aproveitou-se também para levantar te-

neste dia 15, o grupo levantou um sé-

mas para pautar a formação no decorrer

rie de temas para a formação que irão

das reuniões deste ano. O Fórum aconte-

contribuir para o trabalho social deste

ceu na sede da instituição e contou com a

ano. Entre os temas escolhidos estão:

representação dos serviços de São Paulo e

Tráfico Humano; Eleições 2014; Copa

dos setores de trabalhos.

2014 - processo de remoção e higie-

Mudanças na metodologia

nização da população empobrecida;

Em 2013 a periodicidade do Fórum

criminalização dos movimentos so-

foi mensal, mas para este ano, a equipe

ciais; mineração; agricultura familiar;

avaliou e preferiu que seja quinzenal

diversidade, Fraternidade – Acolhida,

pelo fato de em 2014 ocorrerem grandes

escuta e diálogo, entre outros temas.

eventos (Copa do Mundo e Eleições) entre outras programações que afetam a

O que é o Fórum de Formação e Articulação?

dimensão social. Outra novidade é que

O Fórum é uma metodologia

estas reuniões serão itinerantes e aconte-

aplicada pelo Sefras na construção

cerão nas sedes dos serviços de São Paulo.

coletiva dos eventos, formações,

Até então aconteciam na sede geral da

participações político-sociais em que

instituição.

a instituição se envolve e pleneja du-

Espaço de decisões coletivas

rante o ano. Conta com representações

O Fórum de Articulação e For-

dos serviços de São Paulo e dos setores

mação do Sefras é um espaço coletivo

da sede administrativa.

de decisões e articulações institucionais

As avaliações dos trabalhadores

e de participações externas em espaços

são positivas em relação à forma de

de reinvindicações, deliberadas pelos

conduzir o trabalho da solidariedade

trabalhadores da instituição.

franciscana que parte da contribuição

Pauta de formações

também de cada um deles.

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

Imaculada Conceição do Brasil, o JPIC

89


EVANGELIZAÇÃO ________________________________________

DESAFIOS EDUCACIONAIS EM RELAÇÃO AO TEMA DA CF 2014 “Fraternidade e Tráfico Humano”: “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1). Frei Claudino Gilz

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

Introdução

90

“Fraternidade e Tráfico Humano” é o tema da Campanha da Fraternidade de 2014, promovida pela CNBB. Comunidades religiosas, escolas e universidades são convidadas a sensibilizar seus fiéis e interlocutores para um dos problemas que vêm afrontando a dignidade humana: o vil e hediondo tráfico de pessoas. Segundo José Carlos Sala, “o objetivo geral da Campanha da Fraternidade será identificar as práticas de tráfico humano em suas várias formas e denunciá-las como violação da dignidade e da liberdade humanas, mobilizando cristãos e pessoas de boa vontade para erradicar este mal com vista ao resgate da vida dos filhos e filhas de Deus.” A questão é: por onde começar? Seria apenas reconhecer que “Tráfico Humano” é uma problemática inter-relacionada a várias e lamentáveis situações sociais, políticas e jurídicas, tais como o trabalho escravo, o trabalho infantil, a migração, a prostituição infantil e adulta, o comércio de órgãos, entre outras? Bastaria apenas refletir e apontar para iniciativas promissoras de resgate da história, da autoestima de pessoas vitimadas por quaisquer dessas situações de aviltamento da dignidade humana? Em que sentido as comunidades religiosas, as escolas, as universidades, os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário poderiam contribuir com relação à teia de fatores que envolvem o tráfico de pessoas? Segundo Lichnerowicz, “nossa Universidade atual forma, pelo mundo afora, uma proporção demasiado grande de especialistas em disciplinas predeterminadas, portanto artificialmente delimitadas, enquanto uma grande parte das atividades sociais, como o próprio desenvolvimento da ciência, exige homens capazes de um ângulo de visão muito mais amplo e, ao mesmo tempo, de um enfoque dos problemas em profundidade, além de novos progressos que transgridam as fronteiras históricas das disciplinas” 1. Na Declaração Universal dos Direitos Humanos assim se lê: “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e precisam agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.”2 Nesse sentido, “Fraternidade e Tráfico Humano” é mais do que um tema da CNBB para as comunidades cristãs católicas refletirem durante os meses do tempo quaresmal de 2014. É uma problemática que espera por ações ousadas, transformadoras por parte de todos os credos e setores da sociedade.

“Pra não dizer que não falei das flores”3 Consta que as intenções dos países signatários do referido Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas são praticamente três: 1.ª) prevenir e combater o tráfico de pessoas, prestando uma atenção especial às mulheres e às crianças; 2.ª) proteger e ajudar as vítimas desse tráfico, respeitando plenamente os seus direitos humanos; 3.ª) promover a cooperação entre os Estados Partes de forma a atingir esses objetivos. Do ponto de vista histórico, há registros de que desde meados da década de 70 (séc. XX) passaram a serem desenvolvidas iniciativas internacionais e nacionais visando erradicar o tráfico de pessoas, tais como: ● Convenção dos Direitos da Criança das Nações Unidas (1989). ● Convenção 182 da Organização Internacional do Trabalho na qual se discutiu a necessidade de criminalização de todas as formas de trabalho infantil, todas as formas de escravidão ou práticas análogas à escravidão, como venda e tráfico de crianças, sujeição por dívida, servidão, trabalho forçado ou compulsório, inclusive recrutamento forçado ou compulsório de crianças para serem utilizadas em conflitos armados (1999). Segundo um relatório da Organização Internacional do Trabalho, publicado em 2005, estima-se em cerca de 2,5 milhões o número de pessoas


EVANGELIZAÇÃO ________________________________________

Desconsiderei que a rosa tivesse espinhos De acordo com Marcia Anita Sprandel e Guilherme Mansur Dias, ambos formados em Antropologia e pesquisadores membros do Centro de Estudos de Migrações Internacionais da Unicamp, “a temática do tráfico de pessoas no contexto brasileiro”3 desvela uma realidade triste, densa e dinâmica na qual cada vítima – recém-nascidos, crianças, adolescentes, jovens, migrantes, indocumentados etc. – acabam tendo seus sofrimentos potencializados por meio de rótulos e preconceitos de toda espécie. Os motivos? As vítimas do referido tráfico são raptadas à força de onde moram para lugares desconhecidos fora do país ou aliciadas por falsas promessas de altíssimos e imediatos ganhos econômicos, com a intenção de vendê-las à indústria da exploração sexual (pornografia), da adoção ilegal ou de entregá-las ao comércio de órgãos. Se a ida dessas vítimas tem um destino certo, pouquíssimas delas alcançam um dia voltar ao seio de suas famílias ou ao seu país de origem.

O tráfico criminoso de pessoas é identificado como uma das maiores fontes de renda. Supera em rentabilidade – segundo dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) – tanto o tráfico de drogas como o tráfico de armas, chegando a movimentar atualmente uma cifra aproximada de 32 bilhões de dólares a cada ano. Um outro motivo diz respeito aos fins e aos meios que embasam e configuram a prática do tráfico humano, assinalado pelo Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em especial Mulheres e Crianças, do qual o Brasil vem sendo signatário desde o ano 2000: “A expressão tráfico de pessoas significa o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração. A exploração incluirá, no mínimo, a exploração da prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual, o trabalho ou serviços forçados, escravatura ou práticas similares à escravatura, a servidão ou a remoção de órgãos”4. Os desafios da educação humana e franciscana em face ao dilema do tráfico de pessoas As prescrições das leis, seja na educação escolar, na universitária e na religiosa apresentam-se como instrumentos importantíssimos à construção da cidadania, dos valores éticos e da dignidade humana. A educação é, por excelência, a arte e o empreendimento mais preventivo quando se trata de promover a consciência sobre a sacralidade da vida e, por esse motivo, o direito à inviolabilidade e o respeito à dignidade que lhe é devida. No entanto, a densidade e dinamicidade do problema do tráfico de pessoas traz à tona, segundo Morin5 (2013, p. 13-14), uma das fragilidades da escola atual: “Há inadequação cada vez mais ampla, profunda e grave entre os saberes separados, fragmentados, compartimentados entre disciplinas, e, por outro lado, realidades ou problemas cada vez mais polidisciplinares, transversais, multidimensionais, transnacionais, globais, planetários. Em tal situação, tornam-se invisíveis os problemas essenciais. De fato, a hiperespecialização impede de ver o global (que ela fragmenta em parcelas), bem como o essencial (que ela dilui). Ora, os problemas essenciais nunca são parceláveis. Ao mesmo tempo, o retalhamento das disciplinas torna impossível apreender “o que é tecido junto”, isto é, o complexo.” Constata-se, segundo os referidos dizeres de Edgar Morin, que um dos primeiros desafios da escola é reconhecer o quanto ela veio historicamente treinando as habilidades intelectuais de seus alunos a fracionar os problemas, a otimizar as possibilidades de compreensão e de reflexão. “Uma inteligência incapaz de perceber o contexto e o complexo planetário fica cega, inconsciente e irresponsável. Assim, os desenvolvimentos

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

traficadas em todo o mundo, 43% para exploração sexual, 32% para exploração econômica e 25% para os dois ao mesmo tempo. ● Convenção dos Direitos da Criança no qual versa o compromisso de o Brasil tomar medidas para coibir em âmbito nacional, bilateral e multilateral o sequestro, a venda ou o tráfico de crianças (1990). ● I Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças (em Estocolmo, Suécia, 1996). ● I Simpósio Internacional sobre Emigração Brasileira, promovido pela Casa do Brasil (em Lisboa, 1997). ● II Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças (em Yokohama, Japão, 2001). ● Relatório sobre a situação dos Direitos Humanos no Brasil 2006. ● Relatório sobre os Indícios de Tráfico de Pessoas no Universo de Deportadas e não Admitidas que regressam ao Brasil via Aeroporto de Guarulhos (2006). ● Relatório sobre a situação dos Direitos Humanos no Brasil 2007. ● Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (2008). ● Relatório Final de Execução do Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (2010). ● III Simpósio Internacional para o Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (2011). ● Relatório sobre o Tráfico de Pessoas por País (2012). ● Eventos esportivos são cenários para campanha contra o tráfico humano (2013). ● Encontro promovido pelo Vaticano sobre as prevenções ao tráfico humano (2013). Em cada uma dessas iniciativas internacionais e nacionais tornaram-se evidentes ao menos duas constatações: o tráfico de pessoas é um dos dramas sociais mais aviltantes das últimas décadas e também na atualidade; é uma abominável afronta contra a dignidade humana e uma grave violação dos direitos humanos fundamentais.

91


EVANGELIZAÇÃO ________________________________________ disciplinares das ciências não só [...] produziram o conhecimento e a elucidação, mas também a ignorância e a cegueira.”6. Em relação ao problema do tráfico de pessoas, a escola precisa ensinar seus alunos a identificar as diversas correlações entre os temas estudados em sala e os problemas reais do cotidiano em que vivem, sejam eles em âmbito local, regional, nacional ou mundial. Precisa ensiná-los a treinar suas mentes e seus sentimentos, a recompor ao invés de dissociar, a considerar ao invés de reduzir o complexo ao simples, a refletir sobre o que está inter-relacionado ao invés de dissecar cada objeto de estudo de forma separada. “Ora, o conhecimento pertinente é o que é capaz de situar qualquer informação em seu contexto e, se possível, no conjunto em que está inscrita. Podemos dizer até que o conhecimento progride não tanto por sofisticação, formalização e abstração, mas, principalmente, pela capacidade de contextualizar e englobar.”7. Assegura Elói Leclerc que “Francisco de Assis não foi de início um modelo de doçura. Suas ambições o haviam atirado à guerra: a guerra voluntária como caminho para a glória. Mas ele encontrou Cristo e, finalmente, se o universo se transfigurou aos seus olhos, foi porque seu coração se abriu à grande doçura de Deus. Francisco soube domesticar sua própria agressividade. Converteu o lobo, aquele lobo que não vive apenas nas florestas, mas que se oculta em cada um de nós. E o lobo feroz se tornou fraternal. Aquela força de combate e de crueldade metamorfoseou-se numa energia de amor, numa força criadora de comunhão entre os seres8. Às Tradições Religiosas, a vida é sagrada e, por isso, postulam cuidados condignos a tal acepção. De acordo com o Papa João Paulo II (1995), por sua condição, o ser humano “é chamado a uma plenitude de vida que se estende muito para além das dimensões da sua existência terrena, porque consiste na participação da própria vida de Deus. A sublimidade desta vocação sobrenatural revela a grandeza e o valor precioso da vida humana [...]. Trata-se, em todo o caso, de uma realidade sagrada que nos é confiada para a guardarmos com sentido de responsabilidade e levarmos à perfeição no amor pelo dom

de nós mesmos a Deus e aos irmãos.”9. O problema do tráfico de pessoas acaba sendo, por esses e tantos outros motivos, um atentado a tal origem e destinação divina da vida. Leva, infelizmente, a humanidade a se ver envolvida por inúmeras obscuridades e incertezas. Segundo Leonardo Boff, “o que se opõe ao descuido e ao descaso é o cuidado. Cuidar é mais que um ato; é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção. Representa uma atitude de ocupação, de preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro.” A educação escolar e religiosa podem, por assim dizer, ajudar a reverter as cifras sobre o tráfico humano e suas chagas sociais. Pode educar para o amor onde houver ódio, para a alegria onde houver tristeza, para a luz onde houver trevas12, para o respeito à vida onde houver qualquer sinal de exploração ou aviltamento dela, por meio da informação, reflexão e análise crítica acerca da problemática. NOTAS 1.Disponível em: <http://www.portalkairos.net/campanhadafraternidade/# ixzz2dAozEudx >. Acesso em: 16 jan. 2014. 2 . MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003, p. 13. 3. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Disponível em: <http:// pensador.uol.com.br/frases_dignidade/3/>. Acesso em: 16 jan. 2014. 4. Título de uma canção de Geraldo Vandré, censurada pelos governos do período da ditadura militar aqui no Brasil, mas aqui se refere, no entanto, a algumas iniciativas já implementadas em termos prevenção e amparo às vítimas do tráfico humano. 5. O referido artigo de autoria de Marcia Anita Sprandel e Guilherme Mansur Dias publicado em 2010, encontra-se na íntegra disponível em: <http://www.csem.org.br/remhu/index.php/remhu/article/viewFile/233/216>. Acesso em: 16 jan. 2014. 6. Artigo 3.º do Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em especial Mulheres e Crianças, disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/ Decreto/D5017.htm>. Acesso em: 16 jan. 2014. 7. MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003, p. 13-14. 8. Idem, p. 15. 9. Idem, p. 15-16.

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

EDUCAR: ESCOLHER A VIDA (Propostas para tempos difíceis)

92

“Os cristãos comprometidos com a tarefa educacional têm, hoje, uma importante responsabilidade e, ao mesmo tempo, uma oportunidade de dar sua contribuição. Para isso, não é demais tornar a fazer a pergunta fundamental: para que educamos? Por que a Igreja, as comunidades cristãs investem tempo, bens e energia em uma tarefa que não é diretamente religiosa? Por que temos escolas, e não salões de cabeleireiros, clínicas veterinárias ou agências de turismo? Por acaso é questão de negócios? Haverá quem assim pense, mas a realidade de muitas de nossas escolas desmente essa afirmação. Será para exercer uma influência na sociedade, influência da qual depois esperamos algum proveito? É possível que algumas escolas ofereçam esse produto

a seus clientes: contatos, ambiente, excelência. Mas também não é esse o sentido pelo qual o imperativo ético e evangélico nos leva a prestar esse serviço. O único motivo pelo qual temos algo a fazer no campo da educação é a esperança em uma Humanidade nova, em outro mundo. Nosso objetivo não é só formar indivíduos úteis à sociedade, e sim educar pessoas que possam transformá-la! (...) Ou somos capazes de formar homens e mulheres com essa mentalidade, ou teremos fracasso em nossa missão. É a esperança que brota da sabedoria cristã, que no Ressuscitado nos revela a estatura divina à qual somos chamados”. Papa Francisco


EVANGELIZAÇÃO ________________________________________

Natal na Selva Amazônica Em carta aos confrades, FREI ATÍLIO BATTISTUZ, missionário na Selva Amazônica peruana, narra suas experiências vividas durante os festejos de final de ano. É um interessante relato de experiência missionária e também um questionamento para os padrões da civilização ocidental.

mudar de “programa” e de “sheep”. Eu tenho meus equipamentos, painel, bateria, lâmpadas, computador disponível 24 horas, projetor, caixa de som, impressora, carregador de pilhas, lanternas, tudo portátil e com energia solar. A tentação é de achar que o nosso mundo é o certo e “somente” eles é que têm que mudar. Na verdade é sempre um encontro e um diálogo, nem sempre fácil, e com muitas injustiças, dominações e explorações ao longo da história e da evangelização. Por estes lados a Igreja continua colonizadora, e ninguém está livre deste perigo. É difícil libertar-se disto. A inculturação do Evangelho e dos missionários continua um desafio. Em 2013 eu subi o Rio Tapiche em janeiro, março (Páscoa), junho, agosto (festa da padroeira) e dezembro (Natal), sem contar as duas viagens de reconhecimento em 2012. Levamos visitas de missionários por três oportunidades. Aos poucos os lugares começam a ficar familiares, as pessoas começam a ter nome, a ganhar rosto, identidade, história e algumas coisas começam a ser mais habituais. As interrogações, os questionamentos, o espírito crítico continuam. E espero que nunca acabem! Como também o estranhamento, a admiração e a contemplação! É preciso manter vivos o profetismo e a esperança! O Natal e a passagem do ano foram sem luzes, sem pisca-pisca, sem enfeites, sem vitrines para ver, sem fogos de artifício, sem multidão, sem barulho, sem ceia, sem vinho, sem champanhe, sem

presentes, sem abraços dos amigos. Não nego que me senti sozinho, com muitas lembranças, saudades e com momentos de tristeza e vontade de chorar. Mas também não faltaram momentos de alegria, de renovação da esperança e fortalecimento da vocação missionária. Celebrei a Missa do Galo numa capelinha nova, feita pela própria comunidade (o povo ainda espera que o bispo ou os missionários façam as igrejas), de chão batido, coberta de folhas de palmeira e as paredes de lascas de tronco de palmeira, iluminada pelos focos que eu levei, sem solenidade, mas muito aconchegante, numa comunidade de camponeses. Nada de romântico, mas muito simples e real. Afinal de contas, o que é ENCARNAÇÃO, e o que celebramos no Natal? Às vezes estamos tão habituados às coisas externas, aos costumes, aos ritos, que nem nos assustamos ou nem estranhamos mais a pobreza, a exclusão, e as dificuldades do menino do presépio e que o caminho de Deus foi exatamente de sair de si, de ir ao encontro do diferente, de tornar-se outro, de assumir uma realidade, uma história e um povo bem concretos. O caminho de Deus, no Natal, foi de mergulhar, humilhar-se, destituir-se de poder, de glória, de seguranças. O caminho de Deus foi de aproximar-se, tornar-se irmão, humanizar-se. A solidão e as distâncias da selva ajudam também a meditar e a fazer teologia. Cada giro missionário é sempre um desafio novo de encarnar-se e de viver o Natal.

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

Voltei à civilização. Quer dizer, à “nossa civilização”, depois de 19 dias desconectado. Viajamos em dois, o outro frei voltou depois do Natal e eu continuei até a última comunidade, permanecendo um dia em cada povoado. Desconectado significa sem internet, sem celular, sem telefone, sem televisão, sem rádio, sem luz elétrica (na melhor das hipóteses, há por três horas ao dia, no anoitecer até às 21:00 horas), sem notícias, sem comunicação. Sem muitos outros confortos, como água potável (tem que levar), banheiro, chuveiro, cama (o costume é dormir no chão e sem colchão – eu prefiro a rede), sem privacidade. Mas também sem muitas outras coisas: sem estresse, sem depressão, sem agitação, sem barulho, sem tumulto, sem violência, sem confusão (pelo menos não tenho presenciado, ou são muito sutis), sem nervosismo, sem consumismo. A lista pode continuar: sem professores, sem médicos, sem transporte, sem governo, sem Igreja, mas não é minha intenção fazer uma descrição ou análise da realidade, porque existem muitas outras coisas: pobreza, fome, analfabetismo, e o que é pior, muita exploração. É apenas para dizer que na verdade é um outro mundo, diferente do nosso: outra realidade, outra cultura, outra mentalidade, outros meios de transporte, outra relação com o tempo, com as coisas, com o trabalho, com as pessoas, outro modo de viver e de ver o mundo e a vida. Mais difícil do que desconectar-se é conectar-se em outra frequência,

93


CFMB ________________________________________ Entrevista com o novo bispo da Diocese de Lorena Dom Frei João Inácio Müller, OFM

“CHEGO COMO MISSIONÁRIO”

Nesta conversa, o novo bispo conta as expectativas que tem pela frente, revela o que deixa mais saudade de sua antiga missão e garante que deseja permanecer próximo a seus confrades Franciscanos. Empossado bispo da Diocese de Lorena, SP, no último final de semana (11/01), Dom Frei João Inácio Müller, OFM, conta, nesta entrevista, as expectativas diante do trabalho que tem pela frente, revela do que mais vai sentir saudade de sua antiga missão, aponta os caminhos por onde pretende seguir na condução daquela Igreja particular e garante que deseja manter-se em sintonia e proximidade com seus confrades. Dom Frei João Inácio nasceu em Santa Cruz do Sul, RS, no dia 15 de junho de 1960. Foi nomeado bispo pelo Papa Francisco em 25 de setembro de 2013.

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

Frei Gustavo Medella

94

Comunicações - Do Rio Grande do Sul para São Paulo. O senhor já se sente preparado para se tornar um “gaúcho de coração paulista”? Dom Frei João Inácio Müller - Deus vai nos preparando com o passar dos dias. Se dependêssemos somente de nossas forças, nunca estaríamos preparados, mas nós fomos criados por Deus, à sua imagem e semelhança, e desejamos, em nosso dia a dia, espelhar esta semelhança, pois a cada dia Ele nos concede a graça para crescermos neste processo. Aqui em Lorena, para mim, tudo é novo. As pessoas são muito afetivas. Eu sinto que há uma sede muito grande de Deus e uma intensa busca do Sagrado nesta Região de São Paulo. É uma efervescência na busca do religioso que eu não tinha vivido antes. Tudo isto cria uma realidade de expectativas muito positivas. Tenho encontrado um bom clero, muitos líderes, também o Dom Beni (Dom Benedito Beni dos Santos, Bispo Emérito), e todos eles têm me auxiliado bastante. Eu me encontro muito à vontade e percebo que logo me sentirei em casa nesta Diocese. Comunicações - Do que o senhor vai sentir mais falta em relação à sua terra natal e à vida de frade? Dom Frei João Inácio Müller - É uma pergunta um tanto difícil de se responder, pois faz bem pouco tempo que estou aqui (cerca de dez dias), mas o que de imediato estranho, do que sinto falta, é ter os irmãos ao redor quando, desde cedo, já nos encontramos na capela para rezarmos juntos o ofício,

fazermos a meditação, celebrarmos a eucaristia, conversarmos à mesa do café, contarmos piada, rirmos juntos. E este, então, é um contexto novo que estou encontrando. Por outro lado, já estou descobrindo caminhos para suprir estas lacunas como, por exemplo, na relação com os padres, que, pelo que percebo, também têm uma vida marcada por certa solidão. Também tenho a presença do Dom Beni e procuro manter uma relação muito fraternal com os funcionários aqui da cúria para criar um clima de família. Não estou assustado com esta realidade nova, mas posso dizer que faz falta este lado muito bonito da vida franciscana, e da vida religiosa em geral, que é a vida fraterna. Comunicações - O senhor pretende manter a proximidade com os franciscanos? De que maneira? Dom Frei João Inácio Müller - Sou muito ligado à minha Província de origem, (Província de São Francisco de Assis, RS), onde fui por seis anos Ministro Provincial. Também conheço diversos frades da Província da Imaculada Conceição, que abrange o território da Diocese de Lorena. Em Guaratinguetá, cidade vizinha, há o Seminário Frei Galvão e também desejo logo procurar os confrades que ali vivem para, desde já, alimentar o espírito fraterno com visitas, participação em momentos recreativos e o cultivo destes laços tão importantes. Também


CFMB ________________________________________

Comunicações - Quais são os seus primeiros planos como bispo de Lorena? Existe alguma prioridade ou aspecto que o senhor pretenda desde o início enfatizar? Dom Frei João Inácio Müller - De início, basicamente, vou visitar as paróquias todas, as casas religiosas, as forças evangelizadoras da Diocese para saudar as pessoas, escutá-las, conhecê-las. Também com os padres terei um encontro proximamente e já estive com os diáconos. Eu não vim para cá com um Plano de Evangelização que é meu. As posturas que brotam de meu coração, de minhas convicções evangélicas, são aquelas que nascem em torno do lema que escolhi, que nasceu em meu interior, “O amor é a glória de Deus”. Esta é a mística com a qual estou aqui, mas não vim enviado para executar uma obra específica ou adotar uma linha de trabalho pré-determinada. Chego como missionário. Agora vou colocar os pés aqui, tentar escutar com todo empenho e colocar-me a serviço das necessidades reais desta Igreja e por isso o primeiro passo é ouvir os pastores: sacerdotes, diáconos e lideranças leigas que estão hoje conduzindo os trabalhos nas mais variadas presenças em nossa Diocese. Nós temos várias presenças carismáticas aqui, ou seja, movimentos, congregações e serviços (Salesianos, Canção Nova etc.) que são suscitados pelo Espírito e aos quais precisamos animar para que cada um, com seu dinamismo próprio, possa encontrar o seu jeito de servir a Deus, à Igreja e à Diocese no serviço do Evangelho. Comunicações - De que maneira as orientações do Papa Francisco vão ajudar o senhor em seu ministério? Dom Frei João Inácio Müller - Em sua exortação apostólica Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho), o Papa Francisco oferece uma leitura contemplativa do Evangelho. Não tenho dúvida de que todos nós, a começar por mim, e também padres e leigos, somos fortemente convidados pelo Papa a olharmos o Evangelho a partir desta ótica pela qual a Boa Nova de Cristo deve ser estudada, acolhida e praticada. O Papa tem os olhos fixos em Jesus e nós precisamos também direcionar nosso olhar e nossas forças na mesma direção. O Papa está nos animando a novamente bebermos na fonte da Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, para sermos sinais da presença de Deus no mundo de hoje. Vamos todos nos debruçar

sobre este texto, na certeza de que através dele e das palavras do Papa Francisco, o próprio Deus nos fala. Comunicações - Conte um pouco de sua caminhada na Vida Religiosa Franciscana. Dom Frei João Inácio Müller - Eu entrei no seminário, com 13 anos, em 1973. Naquele tempo, era um “guri”, conforme falamos lá no Sul, muito acanhado. Comecei a caminhada no Seminário Menor e depois prossegui no 2º grau. E hoje eu reconheço que fui para o seminário inspirado por algumas figuras de frades que me cativaram na infância, seja tocando a gaitinha de boca, e também pelo hábito. Em 1980, ingressei no noviciado, um tempo muito bonito, um ano do qual guardo muitas lembranças boas, de nossos momentos de oração, de meditação, que me marcaram muito. Neste período também tive a graça de participar das atividades pastorais em uma capela distante 7 Km de nossa casa, os quais eu percorria a pé, fielmente, a cada domingo. Em seguida, durante o curso de Filosofia, passei por um tempo de muita crise, como costuma acontecer, quando nos deparamos com os pensadores, vários deles agnósticos. Depois, na Teologia, eu comecei a colocar de maneira mais firme os fundamentos de minha vocação de frade e também pude fazer o meu discernimento em relação à ordenação presbiteral. Tive ainda o privilégio de passar três anos de estudos em Jerusalém, onde pude ter contato com todos os lugares santos e, consequentemente, contemplar os eventos salvíficos a partir da ótica da Espiritualidade Franciscana. Quando voltei ao Brasil, trabalhei na Pastoral Vocacional, passei a atuar na formação, quando pude reforçar ainda mais as bases de minha vida franciscana a partir de estudos que fiz em Roma. Ao retornar de Roma, por oito anos fui Mestre de Noviços, função na qual também tive a oportunidade de me aprofundar ainda mais no cultivo pessoal da Espiritualidade de Francisco de Assis. Mais tarde, tive vários serviços no âmbito da Província, onde fui definidor e, nos últimos seis anos, Ministro Provincial, além de presidente da Conferência dos Frades Menores do Brasil (CFMB). por quatro anos, e também da Conferência Latino Americana (Uclaf), quando buscamos uma abertura ao Espírito Missionário através da ação concreta de fortalecer nossa presença franciscana na Amazônia. Comunicações - Receba nosso abraço fraterno e que Deus abençoe sua missão. Dom Frei João Inácio Müller - Obrigado e que Deus abençoe a todos, Paz e Bem!

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

terei contato com os leigos da Ordem Franciscana Secular e com as religiosas que seguem o carisma de Francisco de Assis, de maneira que em nenhum momento estarei distante da Espiritualidade Franciscana, algo que é central em minha vida.

95


CFMB ________________________________________

Encontro dos Irmãos Leigos da CFMB

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

Frei Marcos Carvalho

96

Passados 56 anos daquele que certamente foi o primeiro Encontro de Irmãos Leigos realizado no Brasil, e quiçá, o primeiro da Ordem dos Frades Menores, o Convento Seráfico de Ipuarana, na Província de Santo Antônio do Brasil, localizado em Lagoa Seca, Estado da Paraíba, recebeu frades leigos de todo o país para o 3º Encontro Nacional, de 31 de outubro a 3 de novembro de 2013. Mesmo local e mesma busca; mudaram os tempos e as pessoas; persistem alguns desafios mas resta, sobretudo, a esperança de novas respostas, novas presenças, nova evangelização. Aquela primeira iniciativa, idealizada pelo então Ministro da Província de Santo Antônio, Frei Serafim Prein, OFM, foi um marco na caminhada dos Irmãos de nossa entidade. Naquele Encontro foram feitas 18 resoluções que procuravam dar ao irmão leigo um lugar de participação mais efetiva nas fraternidades; propunha-se, por exemplo, um programa de estudos próprio para os irmãos, a propaganda vocacional para a vocação do irmão, através de vídeos e panfletos, e até mesmo a recreação em comum entre padres e irmãos. Foram propostas ousadas que se concretizaram ao longo dos anos. Colaboraram sobretudo para isso o bom costume de, a partir de então, os irmãos da Província de Santo Antônio encontrarem-se anualmente para partilhar sua vocação e vida, buscar novos horizontes para sua missão e celebrar as conquistas que em mais de meio século foram alcançadas dentro e fora da Ordem.

É quase certo que o exemplo dos irmãos da Província de Santo Antônio do Brasil inspirou outras entidades brasileiras. À medida que estes encontros iam se realizando, surgiu também a necessidade de um encontro mais amplo, que congregasse as diversidades de um país de dimensões continentais como o Brasil para celebrar a memória, partilhar as realidades e buscar caminhos novos. Retrospectiva da Caminhada Foi com este intuito que se realizou em 2008 o Primeiro Encontro Nacional de Irmãos Leigos promovido pela Conferência dos Frades Menores do Brasil, procurando aprofundar sua vocação a partir do estudo do documento “A identidade da Ordem Franciscana no momento da sua fundação” (Conferência dos Ministros Gerais da Primeira Ordem e da TOR – 1999). A Província da Santa Cruz acolheu os irmãos vindos de mais quatro entidades brasileiras na cidade de Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, para refletir sobre alguns desafios da vocação laical e apontar pistas de atuação para superá-los, fossem eles no âmbito da Formação, do mundo do trabalho ou da Pastoral Vocacional. Fortalecidos por estas discussões e pelos laços fraternos estreitados neste primeiro encontro, os irmãos voltaram a se reunir em 2011, em Petrópolis, Estado do Rio de Janeiro, acolhidos pela Província da Imaculada Conceição do Brasil. Conforme afirma a Carta Final aos irmãos da Conferência Brasileira: “Todos vocês são irmãos: Laicidade & Identidade franciscana”, o encontro

buscou ser um espaço para refletir sobre a identidade fraterna, a dimensão da laicidade na vida franciscana e os obstáculos à vivência dessa identidade.” No segundo Encontro Nacional a participação aumentou consideravelmente, somando-se quarenta e dois irmãos, aí também incluídos, além dos representantes das diversas entidades brasileiras, um frade vindo da Província de São Francisco Solano, do Peru. A Carta do Governo Geral por ocasião da Festa de São Francisco naquele ano trazia para a discussão alguns aspectos da vocação laical na Ordem, e isso pautou boa parte do Encontro. Fomos auxiliados pelo aprofundamento de algumas reflexões de confrades que discutiam tanto o lugar dos religiosos na vida da Igreja quanto questões emergentes como a cooperação dos irmãos da Ordem dos Frades Menores nas instâncias eclesiais e a possibilidade de os irmãos leigos exercerem serviços de governo na Ordem e na Vida Consagrada. A referida Carta lançava também algumas perguntas que os irmãos, reunidos em grupos, procuraram responder. O resultado foi um perfil de sua caminhada no Brasil, desde os passos percorridos na construção de uma identidade da vocação, passando pela riqueza de testemunhos de vida e missão dos confrades leigos, até os desafios que persistem e necessitam de superação. “Uma constatação e uma possível contribuição dos irmãos leigos da CFMB emergiram durante o encontro. A constatação: os irmãos leigos no Brasil conseguiram dar importantes passos em relação a outras conferências. Abandona-


ram há tempos um ambiente de lamúrias decorrentes de uma realidade discriminatória vivida em um passado recente. A contribuição dos irmãos leigos à Ordem: em meio à reflexão sobre novas formas de presença franciscana e de moratorium proposta pelo Governo Geral, os irmãos leigos têm um papel privilegiado nesse discernimento”, destaca ainda o relatório final do Encontro. O III Encontro de Irmãos Leigos do Brasil Para dar continuidade a esta caminhada de reflexão sobre a vocação laical na Ordem, os irmãos reuniram-se novamente, de 31 de outubro a 3 de novembro de 2013, em Lagoa Seca, Estado da Paraíba, para o III Encontro Nacional de Irmãos Leigos da Conferência dos Frades Menores do Brasil. Com generosidade responderam ao convite feito e fizeram-se presentes 42 confrades representantes de todas as entidades brasileiras, além de dois confrades Capuchinhos que participaram assessorando partes do Encontro e partilhando suas experiências de encontros nacionais em vista de um futuro encontro interfranciscano. Mas o que foram fazer os irmãos leigos no Convento de Ipuarana? Ora, para nós, frades, encontrar-se é viver a fraternidade, cerne do nosso carisma. Tomás de Celano narrou numa litania de gestos como se dava o encontro dos frades: “Com abraços fraternos, com afeto sincero, com ósculos santos, uma conversa amiga, sorrisos agradáveis, semblante alegre, olhar simples, ânimo suplicante, língua moderada, repostas afáveis, o mesmo desejo, pronto obséquio e disponibilidade”(1Cel 38). Foi este clima, já vivido nos encontros anteriores, que motivou, por exemplo Frei Virgílio Pereira (Província da Imaculada Conceição do Brasil). “A alegria da convivência com os confrades das diversas entidades foi contagiante e pretendo levar esta alegria pra minha fraternidade e contagiar aos demais irmãos”, ressaltou Frei Virgílio, que referia-se tanto às celebrações e orações em comum, quanto aos momentos de recreação, de conversas e partilha da vida e da missão. Para reavivar ainda mais este sentido da fraternidade universal proclamada por Francisco de Assis, independente do estado de vida, se clerical ou laical, o lema do encontro relembrava que somos “Um só

corpo, uma só comunhão, uma só vocação, uma só missão: irmãos!”. Foi neste clima que teve início o Encontro com a celebração das vésperas na igreja conventual. Assim como esta, as demais celebrações e orações, preparadas com carinho por cada equipe, nos faziam sentir em casa: casa de irmãos onde se partilham a vida, a fé, o chamado, a missão. Nas celebrações se recordavam os antigos, os muitos irmãos leigos que marcaram nossa história, e alegrava-se com a criatividade dos novos, com a esperança e a vitalidade dos jovens que ainda hoje se entregam por inteiro à vocação. Outra motivação foi, sem dúvida, o tema “Os irmãos leigos e os desafios da evangelização”, que surgiu no Encontro de Petrópolis a partir do apelo do último Capítulo Geral de refletir sobre as novas formas de presença franciscana no mundo. Perguntávamo-nos como os irmãos leigos têm colaborado e podem colaborar ainda mais através de seu testemunho e presença criativa na evangelização. Primeiro era preciso nos situarmos no tempo e no espaço. Para isso a ajuda de Frei João Reinert, OFM, foi bastante significativa, refletindo com os irmãos “Os desafios da evangelização em tempos de mudança de época”. Para Frei João vivemos um tempo de crises e possibilidades ao mesmo tempo. É necessário reconhecer as mudanças e os valores da cultura atual, mas sem colocar em risco os valores eternos como a utopia, a ética, a renúncia, a partilha, a verdade. Apesar da sociedade fragmentada em que vivemos e de uma certa cultura relativista, predomina o pluralismo, que abre possibilidades para uma cultura de paz e de convivência com o diferente. Ressaltar o testemunho de vida contra o vazio das palavras e a fraternidade contra a superficialidade das relações são caminhos para se viver uma vida segundo o Evangelho nestes novos tempos. No dia seguinte, Frei Vanildo Zugno, OFMCap, tratou mais especificamente da evangelização, aprofundando os desafios e interpelações a partir do mundo do trabalho. Partindo das CCGG, analisou o art. 84, que trata da evangelização no trabalho, e recordou que “onde quer que estejam e o que quer que façam, dediquem-se os irmãos ao ministério da evangelização”. Desta forma, as CCGG consideram o trabalho também uma forma de evangelização. Para Francisco de Assis o trabalho não devia ser visto ape-

nas como meio de subsistência, mas sobretudo como serviço e modo de alcançar a minoridade, conforme explicita o capítulo VII da Regra Não-Bulada que trata do trabalho. Frei Vanildo ressaltou ainda que a posição dos irmãos leigos na sociedade favorece um trabalho de evangelização inovador. Para isto é necessário não só uma formação profissional de qualidade como também uma formação política que dê condições para que a atuação dos frades seja um diferencial na sociedade. Outra necessidade urgente que foi constatada é a reconfiguração das fraternidades em vista do mundo do trabalho, que precisam pensar não mais exclusivamente a partir do clérigo, mas a partir de todos os irmãos que compõem a fraternidade (seus horários e compromissos). Impressões finais “O encontro foi bem participativo. Gostei muito das discussões e das reflexões sobre o trabalho na sociedade como evangelização, como os documentos da Igreja já propõem”, comentou Frei Klaus Finkam, OFM, (Província de Nossa Senhora da Assunção). Ele ressaltou ainda como motivadora a convivência e troca de experiência entre os irmãos das diversas entidades. Frei Fabiano Aguilar Satler, OFM, (Província de Santa Cruz), que fazia parte da organização do Encontro, destacou como a caminhada dos Irmãos no Brasil tem crescido com estes encontros, o que se refletiu na participação e no envolvimento das entidades brasileiras. “Os nossos encontros anteriores estavam preocupados em refletir sobre nossa identidade e nossa presença dentro da Ordem. Neste encontro a preocupação foi de ampliar esta reflexão, tratando de nossa ação pastoral evangelizadora no mundo”, explicou Frei Fabiano. De imediato foram encaminhadas cartas ao Governo Geral da Ordem bem como ao Secretário da Congregação dos Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, Dom José Rodríguez Carballo, OFM, reinterando a confiança de se empenhem na mudança do status jurídico da Ordem de clerical para misto. Para favorecer uma maior interação da caminhada dos frades leigos franciscanos, também ficou encaminhado que o próximo encontro nacional deveria acontecer em comunhão com a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos e a dos Conventuais. Uma equipe foi formada para planejar este encontro que deverá acontecer em 2016.

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

CFMB ________________________________________

97


ofm ________________________________________

O CARISMA FRANCISCANO À LUZ DOS SANTOS DA ORDEM SERÁFICA

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

Frei Alberto Beckhäuser

98

Os santos em geral ajudam a Igreja a viver o mistério do Cristo total. Eles revelam o mistério de Cristo ou o Evangelho e conduzem a ele. Mutatis mutandis, podemos afirmar dos franciscanos da Ordem Seráfica em relação ao carisma de São Francisco de Assis. Os santos franciscanos ajudam a penetrar na espiritualidade franciscana e a vivê-la em profundidade. É neste espírito que a Ordem está revendo e atualizando o Calendário santoral próprio da Ordem. A Comissão Litúrgica da Ordem é formada por Frei Ferdinando Campana, da Itália (coordenador), Frei Francisco Martínez Fresneda, da Espanha, Frei Stephen Malkiewicz, dos Estados Unidos e por mim. A pessoa de contato com o Definitório Geral é Frei Julio Cesar Bunader, Definidor Geral e, agora, Vigário Geral da Ordem. Por motivos de trabalhos Frei Stephen se retirou da Comissão, mas temos um novo elemento a nos ajudar na pessoa de Frei Roberto, da Província das Marcas. A Comissão tem como tarefa reelaborar os Suplementos Franciscanos do Missal Romano e da Liturgia das Horas;

apresentar à Ordem um Ritual Seráfico enriquecido por uma espécie de Devocionário, a exemplo do que temos no Brasil, bem como uma espécie de Guia da Celebração Litúrgica Franciscana, “Il Celebrare Francescano”, ou seja, uma reflexão sobre o “Jeito Franciscano de Celebrar” ou, se quisermos, as características da Celebração Franciscana da Liturgia, trabalho este confiado a mim e que está sendo traduzido para o italiano e deverá sair nas três línguas oficiais da Ordem, o italiano, o inglês e o espanhol. Falta apenas o sinal verde do Definitório Geral para que este trabalho seja publicado em português. O Editorial-Vozes está interessado em fazê-lo logo. Optou-se por elaborar um “Missale Franciscanum Plenum”, ou seja, que apresente a comemoração de todos os santos e bem-aventurados de toda a Ordem Seráfica num total de 537 santos e bem-aventurados. Este trabalho está em fase de conclusão. A Comissão acredita que para o segundo semestre de 2014 o Missal Franciscano estará pronto. Obtida a aprovação da Congregação do Culto Divino, ele poderá ser publicado em sua versão italiana, inglesa e espanhola no

fim de 2014. O ano de 2015 seria o ano da tradução para outras línguas interessadas. O Missal do altar é acompanhado do Lecionário. Está sendo elaborado de tal modo que não seja necessário ter no altar o Missal Romano. Claro que cada Ordem celebrará os santos e bem-aventurados conforme o nível da comemoração aprovado pela Sé Apostólica. A Comissão reuniu-se na Cúria Geral de 2 a 6 deste mês de dezembro. Foi apresentado um modelo de diagramação do Missal Franciscano. Foram analisadas e corrigidas as notas biográficas que precedem cada comemoração. Os trabalhos vão se encaminhando lentamente. Temos ainda um longo caminho a percorrer em relação à Liturgia das Horas e ao Ritual. Pensa-se em preparar para a segunda leitura do Ofício das Leituras, na medida do possível, textos dos santos e bem-aventurados celebrados. Em suma, será uma rica fonte de espiritualidade franciscana para toda a Ordem Seráfica: Viver o carisma franciscano em sua plenitude à luz dos santos da Ordem Seráfica.


notícias e informações ________________________________________

PAPA DIVULGA TRÊS IMPORTANTES MENSAGENS DIA MUNDIAL DO DOENTE Por ocasião do XXII Dia Mundial do Doente, que este ano tem como tema “Fé e caridade: também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos” (1 Jo 3, 16), o Papa Francisco dirigiu de modo particular às pessoas doentes e a quantos lhes prestam assistência e cura. “A Igreja reconhece em vós, queridos doentes, uma presença especial de Cristo sofredor. É assim: ao lado, aliás, dentro do nosso sofrimento está o de Jesus, que carrega conosco o seu peso e revela o seu sentido. Quando o Filho de Deus subiu à cruz destruiu a solidão do sofrimento e iluminou a sua escuridão. Desta forma somos postos diante do mistério do amor de Deus por nós, que nos infunde esperança e coragem: esperança, porque no desígnio de amor de Deus também a noite do sofrimento se abre à luz pascal; e coragem, para enfrentar qualquer adversidade em sua companhia, unidos a Ele”, diz o Papa. O Dia Mundial do Doente é celebrado em 11 de fevereiro.

sário superar os modos de pensar e de agir que não estão conformes com a vontade de Deus”.

DIA MUNDIAL DAS VOCAÇÕES “Vocações, testemunho da verdade”. Este é o tema da mensagem do papa Francisco, divulgada em janeiro para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que será celebrado em 11 de maio deste ano. Na mensagem o papa diz que “toda a vocação exige sempre um êxodo de si mesmo para centrar a própria existência em Cristo e no seu Evangelho”. Segundo Francisco, “quer na vida conjugal, quer nas formas de consagração religiosa, quer ainda na vida sacerdotal, é neces-

48º Dia Mundial das Comunicações Sociais O Vaticano divulgou no dia 23 de janeiro, em coletiva de imprensa, a mensagem do Papa Francisco para o 48º Dia Mundial das Comunicações Sociais, a ser celebrado em 1º de julho. O tema da mensagem, conforme já havia sido anunciado, é “Comunicação ao serviço de uma autêntica cultura do encontro”. No texto, o Santo Padre faz referência ao contexto paradoxal da globalização e dos progressos tecnológicos. Ao mesmo tempo em que há uma interligação sempre maior entre os homens, permanecem divisões, como a distância “escandalosa” entre o luxo dos mais ricos e a miséria dos mais pobres.

Veja as mensagens na íntegra no site www.franciscanos.org.br

MÃE DE FREI JOSÉ LINO Maria Lofi Zimmermann nasceu no dia 29 de outubro do ano 1917, na zona rural do munícipio de Águas Mornas/SC. Foi casada como Leonardo Zimmermann. Casou-se no dia 15 de outubro de 1938. Era viúva desde 1991. De seu casamento nasceram 7 filhos: 2 homens e 5 mulheres, sendo eles: José Lino, Vito, Maria Julita, Clara, Ana, Bernadete e Helena. Deixa ainda uma neta, Fátima. Desde 1978 morava em São Cristovão, Piraquara/ PR, junto com duas de suas filhas. Com a idade avançada, sobreveio-lhe várias doenças. Foi operada da vesícula biliar e de um tumor no útero. O que mais lhe incomodava era a osteoporose. Sofreu várias quedas que lhe valeram cirurgias: fêmur, braço e úmero.

Durante seus últimos 4 anos não tinha mais forças para andar, ficando acamada, cuidada diariamente pelas filhas Maria Julita, Ana e Helena. Estando já muito debilitada, no dia 8 de novembro de 2013, veio a falecer, na presença do médico e de suas filhas. Causa mortis: falência múltipla dos órgãos, aos 96 anos de idade. Frei José Lino Zimmermann IRMÃ DE FREI ALBERTO BECKHÄUSER Comunico o falecimento de Marta, minha irmã, aos 70 anos de idade, às 20 horas do dia 25 de dezembro, dia do Natal, em Itoupava, Centro de Blumenau. Era viúva e deixa cinco filhos. Sofreu muito em sua vida, permaneceu firme na fé e na dedicação à família. Frei Alberto Beckhäuser

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

falecimentos

99


AGENDA 2014

Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

(*) As alterações e acréscimos estão sublinhados

FEvereiro 15

20 a 23

Reunião do Conselho Gestor da Província (Sede Provincial);

Junho

Paulo);

02 a 04

Reunião do Definitório Provincial

Missões com jovens de SC e PR (Ituporanga);

(São Paulo);

16

Encontro do Regional de Pato Branco;

30 e 01

Encontro do Regional do Contestado;

03 e 04

Encontro de Formadores (Rondinha);

07 e 08

Encontro do Regional Baixada e Serra

Julho

Fluminense (Petrópolis – Sagrado);

07 e 08

Conselho do SAV (São Paulo);

Encontro do Regional Rio de Janeiro e

07 a 19

Tempo Forte do Definitório Geral;

10

Baixada Fluminense (S. Antônio – Rio); 10 10 e 11

Encontro do Regional do Espírito Santo

Agosto

(Penha);

04 a 08

Retiro e Reunião do Definitório Provincial;

Encontro do Regional do Leste Catarinense

25 a 29

Reunião da CFMB (Cuiabá);

(S. Amaro da Imperatriz); Conselho de Articulação e Dinamização

Setembro

(SERFE) (Anápolis);

01

Encontro de Formadores (Ituporanga);

10 a 21

Tempo Forte do Definitório Geral;

01 e 02

Encontro do Regional do Contestado;

11 e 12

Assembleia do SAV (Rondinha);

02 e 03

Reunião do Conselho do Secretariado para a

16

Romaria Penitencial Frei Bruno (Joaçaba);

17

Encontro do Regional do Vale do Itajaí

08

Encontro do Regional de Pato Branco;

(Rodeio);

08 a 19

Tempo Forte do Definitório Geral;

Encontro do Regional de São Paulo (São

23 a 25

Capítulo das Esteiras (Agudos);

Paulo – São Francisco);

23 a 25

Jubileus (no Capítulo das Esteiras);

10 e 14

17

Comunicações . FEVEREIRO de 2014

15

Reunião do Definitório Provincial (São

Março

100

Reunião do Conselho de Evangelização;

Ordenação Diaconal de Frei Marcos Prado dos Santos (Santo Amaro da Imperatriz);

18 a 20

13 e 14

Formação e os Estudos (Rodeio);

24

Encontro do Regional de Pato Branco;

24

Encontro do Regional de Agudos (Agudos);

outubro

24 a 27

Reunião do SIFEM – CFMB (Anápolis);

09

31 e 01

Encontro do Regional do Contestado;

31 e 01

Encontro Regional do Vale do Itajaí e Planalto Catarinense (Lages);

abril

Reunião do Conselho Gestor da Província (Sede Provincial);

14 a 16

Reunião do Definitório Provincial (São Paulo);

novembro 03 a 15

Tempo Forte do Definitório Geral;

01 a 03

Reunião do Definitório Provincial;

12 e 13

Encontro do Regional de Pato

29 e 30

Reunião e Guardiães e Coordenadores

Branco (recreativo);

(Agudos);

14 a 16

Encontro dos Irmãos Leigos;

25 a 27

Reunião do Definitório Provincial (São Paulo);

maio 05 a 16

Tempo Forte do Definitório Geral;

06 e 07

Reunião do Conselho do Secretariado para

dezembro

a Formação e os Estudos (S. Francisco – S.

01 e 02

Encontro do Regional do Contestado (recreativo);

Paulo);

15 a 19

Tempo Forte do Definitório Geral;


fev_2014_b