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NESTA EDIÇÃO: INICIAÇÃO CRISTÃ

A nova evangelização começa em cada um de nós COMUNICAÇÃO

Motivando os catequistas a se qualificar

tráfico humano

a abordagem do tema na catequese INCLUINDO

Atividades e subsídios para utilizar com crianças e adolescentes

E MAIS: Crisma em época de Papa Francisco


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Guia de Navegação para Tablets e Smartphones


NESTA EDIÇÃO: INICIAÇÃO CRISTÃ

A nova evangelização começa em cada um de nós

Editorial Com alegria apresento a você mais uma edição da revista Sou Catequista. São 100 páginas recheadas de conteúdo interativo, produzidas com o auxílio de nossos colunistas e a equipe da agência Minha Paróquia.

sou catequista

Nessa edição, em especial, a matéria de capa foi desafiadora. O tema da Campanha da Fraternidade seria um tanto quanto polêmico para abordar na catequese, especialmente para as crianças. Mais uma vez o jornalista Moacir Beggo, da Província Franciscana da Imaculada Conceição (Franciscanos) nos auxilou conduzindo a pauta de uma forma bastante simples, mas alcançando o objetivo que pretendíamos. Incluímos também na matéria um conjunto de informações sobre “tráfico humano” que são essenciais aos catequistas e alguns materiais para download. Perceba que aos poucos os artigos estão oferecendo mais opções multimídia. Temos conversado com os nossos colunistas sobre as possibilidades da revista digital e eles estão correspondendo bem a isso. O Pe. Paulo, da seção “Crisma”, já desde o começo tem caprichado nos envios de vídeos, fotos e links, os artigos dele parecem até aquelas palestras de auditório com um palestrante empolgado usando animações no datashow. Outra particularidade da revista é que não temos problemas com “espaço”. Por não ser impressa, não precisamos no preocupar em fechar a pauta com certo número de páginas. Então os nossos colunistas podem explorar mais os temas com quantas páginas precisarem.

E assim fazemos esse revista ainda melhor para você! Aproveite esta edição e não se esqueça de depois nos enviar um e-mail avaliando. Obrigado! Sérgio Fernandes Direção geral

COMUNICAÇÃO

Motivando os catequistas a se qualificar

tráfico humano

a abordagem do tema na catequese INCLUINDO

Atividades e subsídios para utilizar com crianças e adolescentes

E MAIS: Crisma em época de Papa Francisco

Edição 4 / Ano 2 / Março de 2014 Direção geral: Sérgio Fernandes Consultor Eclesiástico: Pe. José Alem Matéria de capa: Moacir Beggo Revisão: Marcus Facciollo Projeto gráfico: Agência Minha Paróquia Diagramação: Cezar Aes e Renan Trevisan Desenvolvimento WEB: Lucas Laurindo Atendimento: Ana Elisa Prado Comercial: Adriana Franco Banco de imagens: Shutterstock

sou catequista

A revista digital Sou Catequista é uma publicação da agência Minha Paróquia, disponível gratuitamente para smartphones e tablets nas plataformas IOS e Android. Os conteúdos publicados são de responsabilidade de seus autores e não expressam necessariamente a visão da agência Minha Paróquia. É permitida a reprodução dos mesmos desde que citada a fonte. O conteúdo dos anúncios é de total responsabilidade dos anunciantes.

www.soucatequista.com.br facebook.com/soucatequista twitter.com/soucatequista


NESTA EDIÇÃO 08 NOSSOS LEITORES

Para ler a revista, deslize para as próximas páginas ou toque nos itens do índice.

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Um Catequista Jovem

A Nova Evangelização começa em cada um de nós

Construindo um Itinerário Catequético

Por Bruno Eduardo

Por Liana Plentz

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Por Ângela Rocha

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Crisma em época de Papa Francisco

A “qualidade em comunicação”

Por Pe. Paulo Dalla-Déa

Por Flávio Veloso

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MATÉRIA DE CAPA

Na catequese, plantar a semente da prevenção contra o tráfico humano

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Por Moacir Beggo

A leitura orante da Bíblia

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Por Frei Ildo Perondi

80 #BoaPartilhar

A Catequese na escola católica Por Gilson Prudêncio

Teatro na Catequese por Erivandra Marques

96 A Voz da Igreja


Nossa equipe tem se dedicado bastante para trazer de presente a vocĂŞ uma revista tĂŁo caprichada. E o que pedimos em troca? Pedimos apenas que #compartilhe, curta a nossa fanpage e divulgue este trabalho ao mĂĄximo de pessoas.

E obrigado pela amizade!


NOSSOS LEITORES

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Li a revista e gostei muito. O capricho de vocês é uma coisa a se ressaltar. Divulgo sempre em nossos grupos no Facebook. Angela Rocha Eu estou lendo e estou achando o conteúdo maravilhoso. Recomendo a você que é catequista ou pretende ser. Não deixe de ler pois é muito bom ser bem informado das coisa atuais. Nilza Gomes Batista Quero parabenizar os responsáveis pelo excelente trabalho. A primeira edição está muito rica, os colunistas são bastante qualificados e as interações dão um novo sabor a leitura. Obrigado pelo presente do dia dos catequistas! Carlos Mascelevitte

AJUDE-NOS A CHEGAR A MAIS CATEQUISTAS! AVALIE E DEIXE O SEU COMENTÁRIO SOBRE O APLICATIVO NA APPSTORE: < CLIQUE AQUI A SUA AVALIAÇÃO NOS AJUDA A MELHORAR DE POSIÇÃO NO RANKING E TER MAIS DESTAQUE NAS LOJAS.

Gostaria de ter mais revistas para baixar! Bacana, bem feito, conteúdo ótimo, bem explicado! Recomendo. Gostei muito, conteúdo de fácil entendimento, bem objetivo, as montagens as fotografias e os assuntos são excelentes! Parabéns a todos da revista e do site! Deus abeçoe o empenho de vocês, nós catequistas agradecemos! Patricia Müller Estou ansiosa pelo nova edição da revista. Não deixem que nada abale vocês... Contem sempre com Maria, nossa Mãe. Erivandra Marques Recebi recentemente a revista eletrônica e gostei muito do conteúdo. A equipe está de parabéns por esta iniciativa. Silviane Santos


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Excelente material, parabéns a toda a equipe! Estou saboreando a edição! Pe. Rodrigo C. Flaibam

E A REVISTA SOU CATEQUISTA CONTINUA CRESCENDO:

Essa revista está o máximo! Todas as matérias são ótimas! Rachel Costa

assinantes

Revista fantástica Ótimo conteúdo, bem desenvolvido e super interativo. Aline Cristina Sou catequista da catequese de crianças na preparação a primeira Eucaristia ha mais de 10 anos, na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na Arquidiocese de Campinas. Gostaria de elogiar o aplicativo SOU CATEQUISTA que esta sendo de uma ótima serventia para meus encontras catequéticos. Agradeço ao SOU CATEQUISTA que tem me ajudado a evangelizar minhas crianças a cada dia mais! Vinícius Douglas Belbuche

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Muitooooo bom!!! Auxílio e motivação aos catequistas do Brasil!!! Vamos ler, apoiar e divulgar!! Raquel Anna Excelente! Se fizerem uma versão impressa eu assino. Clemente Junior

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DE CATEQUISTA PARA CATEQUISTA

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jovem Um catequista Por Bruno Eduardo


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N

unca pensei que seria catequista, primeiramente porque eu sentia que não era preparado para tal dever. Aos dez anos, já na idade considerada certa para receber a Eucaristia, tive um catequista de 16 anos, que me influenciou muito na escolha para catequizar. Seu nome era Douglas e tinha uma amiga que era velha conhecida na minha cidade, que fora e continuava sendo catequista, trabalhava com as crianças, trazendo-as para a Igreja, incentivando-as a ir... Nela pude ver um exemplo de catequista verdadeira, conhecedora de tantas e tantas coisas... Muito aprendi com ela. Ela já era idosa, então tinha que tomar precauções

para com seu físico e a cada ano ficava mais impossibilitada de viajar até Estrela do Sul-MG, minha cidade. É provável que ela não me visite mais, mas seu espírito de catequista-missionária ficará sempre em mim. Aos 13 anos de idade ela me propôs a seguinte ideia: seja catequista. Pensei, então, que não era preparado, era muito novo para ser catequista, não tinha formação para tanto... Primeiramente, para explicar essa minha escolha, irei descrever o cenário existente na minha cidade. Estrela do Sul é um município de cerca de sete mil habitantes, com oito igrejas na cidade e mais quatro fora dela, compondo a Paróquia Nossa Senhora Mãe dos Homens. Trabalho na comunidade Nossa Senhora Aparecida, no bairro Mato Grosso, onde está, certamente, a maior parte da população da cidade. A realidade da cidade é difícil. Vemos nela uma Igreja de pessoas adultas e na maioria idosas. A presença jovem é rara e só acontece nas catequeses de Eucaristia e Crisma. Assim, no mês de agosto, mês vocacional, resolvi ser catequista. Não para ter o nome de catequista, mas para servir a Deus e ensinar. Agosto passou e somente uma criança se inscreveu. E em setembro mais uma. Assim, no fim desse mês iniciei os trabalhos catequéticos com esses dois, um casal. Era 2012. Em novembro recebi mais um garoto. Já em 2013 entraram mais dois e saiu a menina. Terminei em novembro de 2013 com quatro crianças no que foi, tecnicamente falando, meu período de experiência.


DE CATEQUISTA PARA CATEQUISTA

Nunca fiz cursos ou formações para catequista. Sempre me apoiei no livro do catequista e na Bíblia Sagrada. A pessoa que mais me apoiou foi minha ex- catequista Dorly. Sou muito grato a ela por tudo que fez por mim. Em dezembro de 2012 houve as Santas Missões Populares, propostas pela diocese. Fiz o curso e fui instituído missionário da paróquia e da diocese e espiritualmente missionário da Palavra de Deus. No ano de 2013, nos meses entre março e julho (pois não me lembro exatamente qual foi o mês) Dorly me apresentou a ideia: fundar uma obra com o nome de A Boa Nova. Aceitei. Sua proposta era catequizar por meio dessa obra e na base do possível visitar casas para levar a Palavra de Deus e algumas palavras amigas, típico do missionário. O catequista deve ter uma formação continuada, na qual todos os dias ele aprende algo novo, sem se esquecer do antigo, mas sempre “tira de seu tesouro coisas novas e velhas” (cf. MT 13,52). Nunca se pode desprezar a tradição, pois ela nos foi dada através dos séculos, assim como os ensinamentos de nossos pais e avós.

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Hoje tento evangelizar pela catequese e pela missão, nas redes sociais também, em nossa página no Facebook e também no Twitter. A Boa Nova Evangelização (ABNE),tem o blog e as páginas para evangelizar e catequizar a todos os que quiserem. No município redijo o Boletim A Boa Nova, com notícias da paróquia e artigos para catequese. Sou o único catequista da minha comunidade e auxilio ainda em outra comunidade próxima à minha, no canto e também na catequese. O dever do catequista não é fácil. Pelo caminho se encontram muitas dificuldades e obstáculos, mas a reflexão, a leitura orante da Bíblia, o estudo e a oração fazem com que o catequista possa passar por essas dificuldades. Mesmo tendo hoje 14 anos (em 1º de abril faço 15), sou catequista de Iniciação à Vida Cristã, para no da Eucaristia. Ser catequista é uma vocação. Não se diz “Vou ser catequista e pronto!”, é preciso o chamado e a graça divina para tal dever, assim como para qualquer dever na Igreja.

Bruno Eduardo Vieira Santos

Catequista, missionário, cantor e acólito na Paróquia Nossa Senhora Mãe dos Homens, Estrela do Sul-MG, Diocese de Uberlândia-MG.


4º Encontro Nacional da Pastoral da comunicação 2º Seminário Nacional de Jovens Comunicadores De 24 a 27 de julho de 2014, em Aparecida, SP Tema: Comunicação, desafios e possibilidades para evangelizar na era da cultura digital

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informações e inscrições www.cnbb.org.br


INICIAÇÃO CRISTÃ

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A NOVA EVANGELIZAÇÃO COMEÇA EM CADA UM DE NÓS Por Liana Plentz


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VOCÊ JÁ TEM O EVANGELII GAUDIUM? A ALEGRIA DO EVANGELHO? ENTÃO NÃO PERCA TEMPO! VÁ BUSCAR O SEU!

A

mplamente noticiado, o Papa Francisco entregou o seu primeiro documento papal e deixou bem claro que são orientações para a ação evangelizadora da Igreja Católica. Numa linguagem simples e compreensível, que chega ao nosso coração e o inflama, nosso Papa nos fala sobre a missão da Igreja, ou seja, a nossa missão. Convida-nos a fazer ressurgir a alegria do encontro com Jesus em nossas vidas de cristãos. Convoca os cristãos a renovarem esse encontro com o Senhor Jesus para revitalizar o amor ao Pai e aos irmãos, para sermos uma Igreja missionária. Denuncia atitudes que atrapalham a evangelização e mostra caminhos para uma nova evangelização. Mais uma vez exorta os ministros do Evangelho a serem testemunho da alegria do Evangelho:

”E que o mundo do nosso tempo, que procura, ora na angústia, ora com esperança, possa rece-ber a Boa-Nova dos lábios, não de evangelizadores tristes e descoroçoados, impacientes ou ansiosos, mas sim de ministros do Evangelho cuja vida irradie fervor, pois foram quem primei-ro recebeu em si a alegria de Cristo” (PAULO VI, Exort. ap. Evangelii nuntiandi (8 de dezem-bro de 1975), 80: AAS 68 (1976), 75.) Aos cristãos de todas as comunidades do mundo, quero pedir-lhes de modo especial um tes-temunho de comunhão fraterna, que se torne fascinante e resplandecente. (EG 99) Anunciar Cristo significa mostrar que crer Nele e segui-Lo não é algo apenas verdadeiro e justo, mas também belo, capaz de preencher a vida de um novo esplendor e de uma alegria profunda, mesmo no meio das provações (EG 167).


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INICIAÇÃO CRISTÃ

A alegria do Evangelho é tal que nada e ninguém no-la poderá tirar (cf. Jo 16,22). Os males do nosso mundo – e os da Igreja – não deveriam servir como desculpa para reduzir a nossa entre-ga e o nosso ardor. Vejamo-los como desafios para crescer. Além disso, o olhar crente é capaz de reconhecer a luz que o Espírito Santo sempre irradia no meio da escuridão, sem esquecer que «onde abundou o pecado, superabundou a graça» (Rm 5,20). A nossa fé é desafiada a entrever o vinho em que a água pode ser transformada e a descobrir o trigo que cresce no meio do joio (EG 84).

Uma das tentações mais sérias que sufoca o fervor e a ousadia é a sensação de derrota que nos transforma em pessimistas lamurientos e desencantados com cara de vinagre. Ninguém pode empreender uma luta se de antemão não está plenamente confiado no triunfo. Quem co-meça sem confiança perdeu de antemão metade da batalha e enterra os seus talentos. Embo-ra com a dolorosa consciência das próprias fraquezas, há que seguir em frente, sem se dar por vencido, e recordar o que disse o Senhor a São Paulo: «Basta-te a Minha graça, porque a força manifesta-se na fraqueza» (2Cor 12,9) (EG 85).

Onde nos situamos? Somos evangelizadores tristes e descoroçoados? Ou talvez impacientes ou ansiosos? Nossa vida irradia fervor? Somos testemunho de comunhão fraterna, que se torna fascinante e resplandecente? Crer em Jesus tem sido capaz de preencher a nossa vida de um novo esplendor e de uma alegria profunda, mesmo no meio das provações? O que nos falta para que possamos experimentar esta alegria? Nosso olhar de fé é capaz de reconhecer a luz que o Espírito Santo sempre irradia no meio da escuridão? São visíveis para os outros a nossa esperança e a nossa fé?


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Além da alegria que deve haver na vida do cristão, pela presença do amor infinito e misericordioso de Deus, a exortação apostólica insiste na vivência do amor e da misericórdia. Se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência é que há tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida. Mais do que o temor de falhar, espero que nos mova o medo de nos encerrarmos nas estruturas que nos dão uma falsa proteção, nas normas que nos transformam em juízes implacáveis, nos hábitos em que nos sentimos tranquilos, enquanto lá fora há uma multidão faminta e Jesus repete-nos sem cessar: «Dai-lhes vós mesmos de comer» (Mc 6,37) (EG 49). Se a Igreja inteira assume esse dinamismo missionário, há de chegar a todos, sem exceção. Mas, a quem deveria privilegiar? Quando se lê o Evangelho, encontramos uma orientação muito clara: não tanto aos amigos e vizinhos ricos, mas, sobretudo, aos pobres e aos doentes, àque-les que muitas vezes são desprezados e esquecidos, «àqueles que não têm com que te retribu-ir» (Lc 14,14). Não devem subsistir dúvidas nem explicações que debilitem essa mensagem claríssima. Hoje e sempre, «os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho»52, e a evangelização dirigida gratuitamente a eles é sinal do Reino que Jesus veio trazer. Há que afirmar sem rodeios que existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres. Não os deixemos jamais sozinhos (EG 48).

O que realmente tem nos inquietado em relação à fé? Qual é a nossa real preocupação? O que nos motiva? Somos sensíveis a essa realidade de tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida? Ou já estamos anestesiados, viciados em aceitar o mal como normal?

Estamos encerrados nas estruturas que nos dão uma falsa proteção? Aceitamos e apoiamos normas que nos transformam em juízes implacáveis das situações, dos irmãos? Adotamos há-bitos que nos deixam tranquilos, com a sensação de dever cumprido, enquanto lá fora há uma multidão faminta e Jesus repete-nos sem cessar: ’Dai-lhes vós mesmos de comer’”?


INICIAÇÃO CRISTÃ

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Em nossa ação evangelizadora, a quem estamos privilegiando? Estamos sendo os seguidores de quem? De Jesus Cristo? De verdade? Há que ter a coragem de fazer perguntas que cheguem ao fundo do nosso ser e do nosso agir como cristãos católicos!

O Papa Francisco, em vários momentos, nos convida a uma atitude firme e convicta.

A pastoral em chave missionária exige o abandono deste cômodo critério pastoral. Convido todos a serem ousados e criativos nessa tarefa de repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores das respectivas comunidades. Uma identificação dos fins, sem uma condigna busca comunitária dos meios para alcançá-los, está condenada a traduzir-se em mera fantasia.

Vamos aceitar esse convite de sermos ousados e criativos na tarefa de repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores das respectivas comunidades? Por onde devemos começar? Sabemos com certeza onde queremos chegar? Temos bem claros os nossos objetivos? Nossas estruturas estão de acordo com os objetivos e dos fins que buscamos? Que estilo é mais adequado para alcançar o que buscamos? O que a Igreja tem nos orientado? Faço parte da caminhada da Igreja?Como é importante poder responder, com convicção que a fé nos dá, a todos estes questionamentos! Impossível continuar usando este cômodo critério pastoral.


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A NOVA EVANGELIZAÇÃO Há quanto tempo estamos esperando que nos digam como é, como deve ser essa NOVA EVANGELIZAÇÃO. Como sempre, ficamos esperando uma fórmula para aplicarmos. A Evangelii Gaudium nos convida a refletir sobre o problema em si da evangelização nos nossos tempos e faz algumas afirmações que nos levam a tirar conclusões para o nosso trabalho. «Na sua vinda, [Cristo] trouxe consigo toda a novidade» (Santo Irineu). Com a sua novidade, Ele pode sempre renovar a nossa vida e a nossa comunidade, e a proposta cristã, ainda que atravesse períodos obscuros e fraquezas eclesiais, nunca envelhece. Jesus Cristo pode rom-per também os esquemas enfadonhos em que pretendemos aprisioná-Lo e surpreende-nos com a sua constante criatividade divina. Sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual. Na realidade, toda ação evangelizadora autêntica é sempre «nova» (EG 33).

Toda ação evangelizadora autêntica é sempre nova! Um puxão de orelhas bem dado! Leva-nos a questionar a nossa ação evangelizadora. Mais ainda, a questionar o nosso ser cristão. Com que autenticidade temos vivido a nossa fé? Permitimos que Deus produza, inspire, provoque, oriente e acompanhe a verdadeira novidade do seu evangelho em nossa vida? O Papa Francisco, com toda a propriedade, nos mostra que o problema está primeiro no ser cristão. Que tipo de cristãos estamos sendo? Se fôssemos verdadeiros discípulos missionários quantas coisas já não teriam mudado? A nova evangelização começa em cada um de nós!


INICIAÇÃO CRISTÃ

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A verdadeira novidade é aquela que o próprio Deus misteriosamente quer produzir, aquela que Ele inspira, aquela que Ele provoca, aquela que Ele orienta e acompanha de mil e uma maneiras. Em toda a vida da Igreja, deve sempre manifestar-se que a iniciativa pertence a Deus, «porque Ele nos amou primeiro» (1Jo 4,19) e é «só Deus que faz crescer» (1Cor 3,7). Esta convicção permitenos manter a alegria no meio duma tarefa tão exigente e desafiadora que ocupa inteiramente a nossa vida. Pede-nos tudo, mas ao mesmo tempo dá-nos tudo.

Nossa reflexão termina por aqui, para que você, catequista, possa ir assimilando a proposta da Evangelii Gaudium aos poucos, com carinho e seriedade! No próximo artigo, deteremo-nos nos agentes da evangelização. Prepara-se! Muito a pensar, muito com que se identificar, se deixar atingir e reagir!

Liana Plentz

Jornalista, catequista, especialista em ensino religioso. Coordenadora da iniciação à vida cristã do Vicariato de Porto Alegre. Secretária da Animação Bíblico-catequética do Regional Sul 3 da CNBB.


ROTEIROS CATEQUÉTICOS

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CONSTRUINDO

UM ITINERÁRIO CATEQUÉTICO... Por Ângela Rocha

E vamos ao 4º ponto de parada da nossa “viagem”!

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stivemos até agora falando sobre os primeiros pontos a observar na construção do itinerário catequético da paróquia/diocese: introdução, objetivos e orientações gerais. Arrumamos a bagagem e podemos começar a trilhar o caminho! A partir de agora precisamos de um “guia” que nos leve a caminhar na direção certa. E esse guia é o DNC – Diretório Nacional de Catequese.

CLIQUE AQUI PARA BAIXAR O DNC


ROTEIROS CATEQUÉTICOS

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O DNC é um documento publicado pela CNBB após um intenso trabalho de confirmação dos acertos na caminhada de renovação da catequese pedido pelo Concílio Vaticano II. O DNC é o livro base para a condução da catequese no Brasil. E é ele que nos guiará a partir daqui!

O DNC e o ITINERÁRIO:

No DNC – Diretório Nacional de Catequese – pode-se observar a palavra “itinerário” citada em 12 itens.

1 - A primeira citação é no segundo capítulo, cujo objetivo é falar da catequese na missão evangelizadora da Igreja. No item 37 desse capítulo temos uma definição clara do que é a catequese usando a palavra “itinerário”: “37. (...) Considerada como parte da iniciação cristã, a catequese não é uma supérflua introdução na fé, um verniz ou um cursinho de admissão à Igreja. É um processo exigente, um itinerário prolongado de preparação e compreensão vital, de acolhimento dos grandes segredos da fé (mistérios), da vida nova revelada em Cristo Jesus e celebrada na liturgia.” 2 - No capítulo quarto, denominado “Catequese: mensagem e conteúdo”, temos a segunda citação de “itinerário” ligado profundamente à liturgia, que é um dos próximos “pontos de parada” da nossa viagem (veremos nas próximas edição da revista). 3 - Ainda no capítulo quarto temos a hierarquia de verdades e normas na mensagem cristã como terceira citação de itinerário. Observa-se aqui aquilo que deve ser o “conteúdo” da catequese no itinerário: “130. Esses conteúdos se referem à fé crida, celebrada, vivida e rezada, e constituem um chamado à educação cristã integral (cf. DGC 122). A estas quatro colunas da exposição da fé que provêm

da tradição dos catecismos (o símbolo, os sacramentos, as bem-aventurançasdecálogo e o pai-nosso), deve-se acrescentar a dimensão narrativa da história da salvação, com suas três etapas, que provêm da tradição patrística (o Antigo Testamento, a vida de Jesus Cristo e a história da Igreja). O Diretório Geral para a Catequese fala de “sete pedras fundamentais, base tanto do processo da catequese de iniciação como do itinerário contínuo do amadurecimento cristão”. Vamos dar uma “paradinha para beber água” aqui, analisando essa citação e fazendo um paralelo com aquilo que, efetivamente, nós temos desenvolvido na catequese. Vejam quais são as QUATRO COLUNAS DA EXPOSIÇÃO DA FÉ citadas pelos DNC e DGC:

• O “SÍMBOLO” (CREIO OU CREDO); • OS SACRAMENTOS; • AS BEM-AVENTURANÇAS/ DECÁLOGO (MANDAMENTOS); • O PAI-NOSSO.


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E o DGC (Diretório Geral para a Catequese) – documento da Sé Apostólica orientador do diretório nacional – estabelece ainda mais três colunas, que são as dimensões narrativas da historia da salvação, formando assim as “sete pedras fundamentais”:

• O ANTIGO TESTAMENTO; • A VIDA DE JESUS; E • A HISTÓRIA DA IGREJA.

DGC 130: A riqueza da tradição patrística e daquela dos catecismos conflui na atual catequese da Igreja, enriquecendo-a, tanto na sua própria concepção, quanto nos seus conteúdos. Recordam à catequese os sete elementos basilares que a configuram: as três etapas da narração da história da salvação: o Antigo Testamento (1), a vida de Jesus Cristo (2) e a história da Igreja (3); e as quatro colunas da exposição: o símbolo (4), os sacramentos (5), o decálogo (6) e o pai-nosso (7). Com estas sete pedras fundamentais, base tanto de todo o processo da catequese de iniciação como do itinerário contínuo do amadurecimento cristão, podem-se construir edifícios de diversa arquitetura ou articulação, segundo os destinatários ou as diferentes situações culturais.

Como fundação para essas SETE PEDRAS/ COLUNAS, temos: “A Sagrada Escritura e o Catecismo da Igreja Católica se apresentam como dois instrumentos fundamentais para inspirar toda a ação catequizadora da Igreja no nosso tempo.” (DGC 128) Até agora, na leitura desses itens do DNC, podemos observar o início de um caminho, não é? Podemos agora começar a desenhar o nosso “mapa”, temos a definição da catequese, seu objetivo (onde queremos chegar) e, consequentemente, o “X” do mapa do “tesouro”, que é a compreensão vital e o acolhimento dos grandes segredos da fé. É aí que queremos chegar! Falta agora desenhar o caminho. Estabelecidas as sete pedras fundamentais que deverão fazer parte do ensino da fé, partimos para o próximo destino de nossa caminhada: os MÉTODOS que devem orientar esse “ensino”.


ROTEIROS CATEQUÉTICOS

Encontramos o princípio metodológico que deve nortear a catequese na quarta citação de “itinerário” que o DNC traz. Na segunda parte do DNC, “Orientações para a catequese”, o item 152 estabelece como princípio metodológico a interação fé e vida. E os itens 153 e 154 complementam o principio metodológico a ser utilizado. Há que se destacar alguns pontos básico no item 152: “O método da catequese é fundamentalmente o caminho do seguimento de Jesus.” “Na catequese realiza-se uma interação (um relacionamento mútuo e eficaz) entre a experiência de vida e a formulação da fé; entre a vivência atual e o dado da tradição. De um lado, a experiência da vida levanta perguntas; de outro, a formulação da fé é busca e explicitação das respostas a essas perguntas. De um lado, a fé propõe a mensagem de Deus e convida a uma comunhão com Ele; de outro, a experiência humana é questionada e estimulada a abrir-se para esse horizonte mais amplo. Essa confrontação entre a formulação da fé e as experiências de vida possibilita uma formação cristã mais consciente, coerente e generosa. “Não se trata tanto de um método, quanto de um princípio metodológico, que perpassa todo conteúdo da catequese. Textos e manuais dão orientações práticas de como operacionalizar o princípio de interação entre fé e vida, sugerindo um novo modo de organizar o processo catequético: não mais como os tradicionais planos de aulas, mas através de um roteiro de atividades evangélico transformadoras. É um itinerário educativo, que vai além da simples transmissão de conteúdos doutrinais desenvolvidos nos encontros catequéticos. Esses roteiros contemplam um processo participativo de acesso às Sagradas Escrituras, à liturgia, à doutrina da igreja, à inserção na vida da comunidade eclesial e a experiências de intimidade com Deus.” È bom atentar também que a catequese pode usar os métodos tanto indutivo, trazendo as inquietações humanas e as experiências religiosas para chegar as respostas da fé (do particular para o geral), quanto pode partir de um dado mais geral (Bíblia, Magistério, doutrina...) para deduzir (dedutivo) conclusões específicas, particulares. (Item 155) Outro método que é usado, por experiência e tradição na pastoral latino-americana e que tem demonstrado eficácia na educação da fé,

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é o VER, JULGAR, AGIR. O termo julgar foi substituído por ILUMINAR e a eles acrescentaram-se o CELEBRAR e o REVER.

Aqui indico também o excelente artigo da Liana Plentz, publicado na 3ª edição da revista Sou Catequista.

Como não estamos, neste estudo em particular, trabalhando a metodologia catequética, não vamos nos estender no assunto, que merece, sem dúvida alguma, uma atenção particular. No entanto, como se trata de uma orientação nos documentos da Igreja de suma importância para a educação da fé, peço que se faça uma leitura atenta do DNC, dos itens 157 a 162. Todo o restante do capítulo quinto do documento se dedica a descrever os vários métodos, linguagens e instrumentos que estão a serviço da catequese. Vale uma leitura com certeza!

Nele vocês encontram uma explanação sobre a iniciação à vida cristã pelo processo catecumenal e também sobre os métodos ver – julgar – agir e leitura orante.

Acesse o site

No próximo número da revista falaremos um pouco também sobre catequese mistagógica e querigmática.

FONTES CONSULTADAS:

CELAM. Documento de Aparecida (DAp). Texto Conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latinoamericano e do Caribe. São Paulo: Edições CNBB, Paulus, Paulinas, 2007. CNBB. Diretório Nacional de Catequese – DNC. Brasília: Edições CNBB, 2006. DGC. Diretório Geral para a Catequese. Vaticano: Congregação para o Clero: 1997.

Ângela Rocha

Catequista e formadora na Paróquia N. Sra. Rainha dos Apóstolos em Londrina-PR. Especialista em catequética pela FAVI, Curitiba-PR. Administradora do grupo Catequistas em Formação.


CRISMA

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CRISMA EM ÉPOCA DE PAPA FRANCISCO Por Pe. Paulo Dalla-Déa


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CRISMA

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enho visto muito catequista com saudades de Bento XVI, bom teólogo e papa. Mas, como pastoralista, Francisco dá um show. Não é aqui o caso de colocar um contra outro, ambos são pessoalmente bons e santos. Sobre o efeito do pontificado de um ou outro, deixarei para os historiadores fazerem um juízo mais profundo daqui a 100 anos. Mas creio que muita gente deve estar se perguntando a razão pela qual Francisco tem feito muito mais sucesso como papa entre os jovens do que Bento XVI.

O Papa Bento tem a característica antiga de todo bom padre: era bom-moço. Bom filho em casa, bom aluno no colégio, fez o serviço militar como bom soldado. Foi professor universitário e especialista no Vaticano II e – quando deparou com críticas à Igreja, motivadas pela revisão total que aconteceu no Vaticano II – procurou defender a instituição eclesiástica. Isso lhe valeu o título de arcebispo e de cardeal, chegando a papa. Criou para todos uma imagem de pessoa boa e comportada, sempre pronta a ajudar, mesmo que intelectualmente, a que os problemas da Igreja sejam resolvidos. E fez isso muito bem, com ganhos para a Igreja. Mas criou para si a imagem (que é muito importante na atual sociedade do espetáculo em que vivemos), de pessoa certinha, educada e pacífica. O Papa Bento XVI é um exemplo do que se chama de bom-moço. Esse sempre foi o ideal de muito discurso em nossas comunidades.

LEIA A MATÉRIA: A REVOLUÇÃO SUAVE DO PAPA FRANCISCO Acesse o site

Para saber mais: GUY DEBORD, A sociedade do espetáculo, 2003. Disponível na internet: http://www.ebooksbrasil. org/adobeebook/socespetaculo.pdf PONDÉ, L. F. – Guia politicamente incorreto da filosofia: ensaio de ironia. São Paulo: Leya, 2012. DANIELOU, J. Bíblia e liturgia: a teologia bíblica dos sacramentos e das festas nos Padres da Igreja – trad. Geraldo Lopes. São Paulo: Paulinas, 2013. (Coleção Fonte Viva)


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Não haveria nada de errado nisso se o atual mundo não deplorasse a imagem do bom-moço como algo hipócrita e falsificado. Veja a definição dos dicionários sobre isso. Veja o dicionário Aulete do UOL:

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(bom-mo.ço) [ô] sm.1. Irôn. Indivíduo que se mostra como honesto e bemcomportado, sem o ser.[Pl.: bons-moços]

Veja a coleção da editora Madras sobre Filosofia POP:

Ou então, a canção de Flávio e Felipe, que idealiza o cafajeste:

- Os super-heróis e a filosofia. - Batman e a filosofia: o cavaleiro das trevas da alma. - E outros títulos.

http://letras.mus.br/flavio-felipe/1925157/

Último exemplo: veja a conotação que Brena Braz faz do bom-moço em seu blog: http://www.ateondevai.com/2011/07/ o-cafajeste-e-o-bom-moco.html

Muitos exemplos podiam ser dados aqui. Esses foram apenas para perceber a perspectiva negativa com que isso é encarado na sociedade atual. É sobre isso que quero refletir hoje. Com essa imagem de bom-moço (negativa) não foi à toa que Bento XVI era tão mal visto pela imprensa mundial: o bom-mocismo é encarado como coisa artificial, falsa, feita para enganar. E nossos discursos usados na catequese servem para crianças e já não mais para pré-adolescentes e adolescentes, já que o vilão é glamourizado em muitos lugares. Mesmo os heróis que fazem sucesso são aqueles que não são mais lineares (sem dúvidas e culpa). O antigo Super-Homem hoje é cheio de dúvidas, o mesmo se diga para o Batman e o Homem-Aranha. É isso que dá popularidade na atual cultura, já que o mundo é líquido e as certezas sólidas

Veja também entrevista da revista IstoÉ com Z. BAUMAN sobre a cultura líquida que temos hoje

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CRISMA

são postas em dúvida. Não é à toa que o seriado Dr. House (o típico anti-herói) tinha tanto apelo televisivo na TV a cabo. Bento XVI adotou uma posição conservadora em roupas e no discurso, defendendo a Igreja e a ortodoxia. Foi uma opção corajosa para o que ele queria e o que se propunha com seu pontificado: reevangelizar a Europa. Também era coerente com o seu modo de ser bommoço. O problema que essa é uma posição elitista, em todos os sentidos, porque agrada a pequenos grupos. Não é popular nem entre os adultos que comandam a cultura e nem entre os adolescentes e jovens, que querem muito não ser bonsmoços e boas-moças. Em Londres, há um dito que está em muitas camisetas juvenis: good girls go to heaven, bad girls go to London (boas garotas vão para o céu, más garotas vão a Londres.)

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Pelo contrário, o Papa Francisco não chegou querendo ser nem super-herói, nem bom-moço: pediu humildemente que rezassem por ele, vive dizendo que é pecador, quebra todos os protocolos oficiais e ainda critica a Cúria Romana, coisa que todos querem fazer. Não é um enfant térrible (garoto travesso, em tradução livre), mas não se mostra cheio de certezas. Foi isso, juntamente com a sua simpatia natural, que o levou à categoria de ídolo pop. Já saiu em várias capas de revista internacionais (People, Times e Rolling Stones), sendo sempre elogiado. É um papa sem a posição rígida de papa. Os mais conservadores (em pânico!) dizem que ele tem um problema de identidade: é papa, mas se comporta como um avozinho brincando com as crianças que lhe tiram o solidéu. Ora, o solidéu é parte da veste sagrada do papa, que não deve ser muito tocado e nem estar muito perto das pessoas... Tudo o que Francisco não faz! Aqui entra o nosso discurso catequético para os crismandos: em muitas vezes, fazemos a leitura bom-mocista da realidade para os nossos crismandos. “Obedeça a todos os seus superiores que tudo vai dar certo”, é o resumo da fala de muito catequista pelas nossas comunidades. O Papa Francisco já percebeu que sendo e se passando por bom-moço não vai evangelizar ninguém. Ele fala de desafios, de questionamentos, de pessoas que saibam sair dos trilhos (como ele) e que procurem novas estradas, saindo dos caminhos muito batidos que todos usam. Ele desafia os jovens a “fazer


VÍDEOS

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O Papa não segue as regras de segurança: barulho”, criando movimentos novos nas comunidades eclesiais. Desafia os bispos do CELAM (Conselho Episcopal Latino-americano) a não ter “mentalidade de príncipe”. Creio que muitos jovens já quiseram dizer isso aos seus bispos, mas não tiveram coragem... É essa atitude questionadora e desinstaladora que faz sucesso entre os jovens. A mesma atitude desafiadora e desinstaladora do Evangelho de Jesus. A mesma atitude que fez sucesso entre os jovens da cidade de Assis, nos tempos de São Francisco. É isso que atrai os jovens: olhar para o futuro e ser desafiados a ser melhores que a geração que aí está comandando. Fazer algo diferente e desafiador. Seguir Jesus Cristo como contraproposta à sociedade de consumo e bem-estar que não sabe aonde vai e nem por que vai. Isso não é ser bom-moço, mas é desafiar as coisas como estão para construir algo melhor. Se Jesus fosse tão doce como O pintam hoje, não teria morrido na cruz, que era a morte dada a não romanos insurgentes. Só gente que ameaçava o status quo da dominação romana era crucificada.

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Na entrevista do Papa Francisco ao Fantástico ele explica porque não segue as normas da segurança:

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Discurso aos argentinos na JMJ

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Encontro com os bispos do CELAM:

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e a tradução do discurso: http://papa.cancaonova.com/palavras-do-papa-aosjovens-argentinos-250713/

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CRISMA

DESAFIAR: esse é o verbo a ser conjugado na catequese de crisma. Quem ama, não poda as asas, mas orienta o voo... Desafiar as pessoas a serem águias e não galinhas, essa é a proposta. Quem corta as asas quer dominar e manter dominado a águia que vai sempre viver como galinha.

A parábola da águia e da galinha:

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Um dos grandes maiores teólogos do século XX, Jean Daniélou (amigo de Bento XVI), faz uma distinção ótima sobre o objetivo da recepção do sacramento da crisma: Este não se trata da doação do Espírito Santo, já concedido no Batismo. Mas é uma nova efusão do Espírito. Uma efusão que tem por finalidade conduzir à perfeição as energias espirituais suscitadas na alma pelo Batismo (DANIELOU, J. Bíblia e liturgia, p. 140).

Assim: A tradição oriental manterá esse aspecto, vendo na confirmação o sacramento do progresso espiritual, enquanto o batismo é o do nascimento espiritual (Idem, p, 140)

conheça a Vida e pensamento de Jean DANIELOU

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Ora, então precisaremos fazer uma distinção que poucas vezes é feita: o objetivo da pastoral/catequese de Crisma é a participação mais profunda na Igreja e não a recepção do sacramento simplesmente. O objetivo da recepção do sacramento é que é pôr em movimento todas as forças espirituais. Ou seja: se o catequizando já recebeu no Batismo o Espírito Santo, ele não vai receber de novo. A conformação é para pôr em movimento (= fazer correr e aprofundar o rio de água viva que já corre na vida do crismando) e não para receber o Espírito Santo, como comumente se fala em nossas catequeses. A distinção nos possibilita pensar que a catequese de Crisma tem que: • Aprofundar (não apenas reforçar) a fé do Batismo e da catequese de Primeira Eucaristia; • Desenvolver uma visão crítica da sociedade a partir dos critérios do Evangelho; • Desenvolver um gosto de participação e um espaço privilegiado da convivência dos adolescentes entre eles.


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Tudo isso está implícito na postura e no ensinamento do papa atual, que os jovens devem ser protagonistas de novas forças espirituais e pastorais na Igreja de hoje (leia-se o conteúdo das mensagens da JMJ, especialmente o discurso aos argentinos na Catedral Metropolitana do Rio). Para que tudo isso se desenvolva, é preciso uma postura mais crítica e menos bommocista ou tradicional. É preciso uma catequese que desafie jovens e adolescentes a seguir Jesus como contracultura. Uma postura que leia a novidade de Jesus para o mundo do Seu tempo e para o nosso mundo. Um Jesus que desafia e não corta asas, mas que nos quer voando alto, como águias. Arriscando a pensar e a agir, na liberdade dos filhos de Deus. Sei que essa postura tem dado medo a muitos catequistas, mas os bons catequistas não trabalham para que as pessoas tenham medo, mas sintam o ar da liberdade que o Evangelho nos dá. Uma liberdade exercida em um grupo, que apoia e orienta, mas que também dá espaço para que as pessoas cresçam. Aconselho que os catequistas escutem mais os crismandos, que os deixem falar, que interpretem e deem a sua posição e pensamento sobre as coisas. Para isso é preciso valorizar a linguagem cultural atual (já escrevi sobre isso no texto anterior). Recomendo um rap bem bacana, pra falar sobre o sentido da vida e discutir essas posições com eles. Uma postura crítica vai ajudar muito na atenção e na participação deles.

letra e música: Ainda Há Tempo Criolo

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Tenho recomendado músicas não católicas, sobre as quais seja possível conversar e ajudem a ter a uma postura crítica, justamente porque escolher músicas gospel e católicas já é uma posição bom-mocista. É uma opção por essa visão de mundo. Para terminar, gostaria de receber comentários desse artigo (veja o e-mail na caixa de texto sobre mim). Uma postura crítica é sempre respeitadora do outro e do seu modo de pensar e viver. Quero saber de experiências iguais que deram certo ou que deram errado. Afinal, sem cair ninguém aprende a andar de bicicleta, nem a catequizar. O erro faz parte do acerto que se almeja. Quem sabe, por isso Jesus repetia sempre para os Apóstolos: “Coragem, não tenham medo! Vão!”. E o Papa Francisco diz aos jovens: “Façam barulho nas paróquias!”. Ambos pensaram em uma Igreja peregrina que não para e nem se acovarda... Tema muito interessante em se tratando de catequese de Crisma, sem medo e nem artificialismos.

Pe. Paulo Dalla-Déa

Padre diocesano, palestrante, pós-doutor em ciências da religião, doutor em educação e religião pela Escola Superior de Teologia (EST) de São Leopoldo-RS, mestre em teologia pastoral pela Pontifícia Faculdade Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo, com especialização em catequese de crisma. Trabalha há mais de 20 anos com pastoral da juventude e catequese de crisma. É membro da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (SOTER) e da Sociedade Brasileira de Catequetas. Contato para palestras, retiros e formação com catequistas: (014) 98149-7561 ou pepaulo.fernando@gmail.com


MATÉRIA DE CAPA

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Na catequese,

plantar a semente da prevenção contra o

tráfico humano Por Moacir Beggo Província Franciscana da Imaculada Conceição


MATÉRIA DE CAPA

O

tema do tráfico humano, escolhido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil para a Campanha da Fraternidade deste ano, é um assunto desconfortável e triste, mas de fundamental importância, dada a dimensão dos danos humanos e sociais ligados a esse crime. Pode ser até de difícil compreensão nas catequeses, mas é exatamente plantando e semeando desde cedo uma formação humanitária que se construirão condições para enfrentar essa chaga em nossa sociedade. Crime de difícil identificação porque sempre é acompanhado de uma “boa ação”. Um tema a ser discutido em nossas comunidades, escolas, instituições e no trabalho, em especial neste ano de Copa do Mundo. “A educação, mais do que a conscientização, traz a construção crítica,

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a formulação de valores consolidados, mas que necessitam, a todo o tempo, de se verem legitimados nas práticas sociais e políticas dos indivíduos e das organizações”, explica a professora da PUC-SP Tania Laky de Sousa, que assessorou ativamente a construção do texto-base da Campanha deste ano e tem se destacado como profunda pesquisadora do tema e também militante da causa de combate ao tráfico de pessoas. A Campanha da Fraternidade, lançada na Quarta-feira de Cinzas, desenvolve-se com mais intensidade durante o período da Quaresma, tempo propício para reflexão e conversão: “Nosso primeiro objetivo é justamente fazer com que todas as nossas paróquias tomem consciência do problema. Muitas vezes, é nessa realidade mais simples, dos mais pobres, que as pessoas

“A educação, mais do que a conscientização, traz a construção crítica, a formulação de valores consolidados, mas que necessitam, a todo o tempo, de se verem legitimados nas práticas sociais e políticas dos indivíduos e das organizações” Tania Laky de Sousa Professora da PUC-SP


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“Nosso primeiro objetivo é justamente fazer com que todas as nossas paróquias tomem consciência do problema” Dom Leonardo Ulrich Steiner Secretário-geral da CNBB

caem na armadilha do tráfico. Então, só de alertar as pessoas, já é uma grande ajuda”, enfatizou o secretário-geral da CNBB, Dom Leonardo Ulrich Steiner. “A pessoa é abordada com uma oferta irrecusável, que lhe promete melhorar de vida.” Os traficantes recrutam pessoas “para atividades como modelos, talentos para o futebol, babás, enfermeiras, garçonetes, dançarinas ou para trabalhar como cortador de cana, pedreiro, peão, carvoeiro, etc.”, diz o trecho do texto da CNBB.

Segundo o Protocolo de Palermo de 2006 (artigo 3º), o tráfico de pessoas será verificado quando houver “o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso de força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra, para fins de exploração. A exploração incluirá, no mínimo, a exploração da prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual, os trabalhos ou serviços forçados, escravatura ou práticas similares à escravatura, a servidão ou a remoção de órgãos”.

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Tráfico de Pessoas Verbo Filmes


MATÉRIA DE CAPA

Atento a isso, como pôde ver pessoalmente em Lampedusa, na sua viagem ao sul da Itália no ano passado, o Papa Francisco também destacou o empenho dos bispos do Brasil em mobilizar cristãos e pessoas de boa vontade contra a “chaga social” que é o tráfico de seres humanos. “Não é possível ficar impassível sabendo que existem seres humanos tratados como mercadoria! Pensem nas adoções de crianças para remoção de órgãos, em mulheres enganadas e obrigadas a prostituírem-se, em trabalhadores explorados, sem direitos nem voz, etc. Isso é tráfico humano! Neste nível, há necessidade de um profundo exame de consciência: de fato, quantas vezes toleramos que um ser humano seja considerado como um objeto, exposto para vender um produto ou para satisfazer desejos imorais? A pessoa humana não se deveria vender e comprar como uma mercadoria. Quem a usa e explora, mesmo indiretamente, torna-se cúmplice dessa prepotência”, disse o Papa. A Campanha recebeu apoio da presidente Dilma Rousseff: “Suas vítimas têm medo e vergonha de denunciar a prática. Por isto, é decisiva a participação da sociedade por meio de campanhas como esta”, disse. Segundo a professora Tânia, a dimensão de que se reveste o tráfico humano é preocupante: ele constitui a terceira atividade mais lucrativa do mundo, depois do tráfico de armas e do tráfico de drogas. Segundo dados de 2013 da Organização das Nações Unidades (ONU), anualmente, mais de 800 mil pessoas do mundo todo são vítimas de tráfico humano, crime

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que gera um lucro de 32 milhões de dólares. A ONU também destaca que seis de cada 100 pessoas traficadas são mulheres, além disso, 27% das vítimas são crianças – a maioria meninas. Já os outros alvos são homens e mulheres, travestis e transgêneros em situação de vulnerabilidade social. Uma vergonha para a humanidade constatar que, mais de 200 anos depois da Revolução Francesa, a realidade do tráfico humano ainda existe, violando os três propósitos do início da democracia. O trabalho escravo de homens, mulheres e crianças, unido ao tráfico sexual, violenta barbaramente a liberdade. Glória Perez abraçou a causa quando resolveu abordar o tema na novela Salve Jorge. “O tráfico humano é isso, um crime invisível que produz uma carga de sofrimento tão grande e que, no entanto, pouco se consegue fazer para solucionar.”

“Não é possível ficar impassível sabendo que existem seres humanos tratados como mercadoria!” Papa Francisco


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informações importantes sobre o tráfico de pessoas

A

Organização das Nações Unidas (ONU), no Protocolo de Palermo (2003), define tráfico de pessoas como “o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo-se à ameaça ou ao uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração”. Segundo a ONU, o tráfico de pessoas movimenta anualmente 32 bilhões de dólares em todo o mundo. Desse valor, 85% provêm da exploração sexual.

QUEM SÃO AS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE TRÁFICO HUMANO? Há tráfico de pessoas quando a vítima é retirada de seu ambiente, de sua cidade e até de seu país e fica com a mobilidade reduzida, sem liberdade de sair da situação de exploração sexual ou laboral ou do confinamento para remoção de órgãos ou tecidos. A mobilidade reduzida caracteriza-se por ameaças à pessoa ou aos familiares ou pela retenção de seus documentos, entre outras formas de violência que mantenham a vítima junto ao traficante ou à rede criminosa.


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QUEM SÃO OS ALICIADORES? QUEM FAZ A CAPTAÇÃO DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE TRÁFICO HUMANO? Os aliciadores, homens e mulheres, são, na maioria das vezes, pessoas que fazem parte do círculo de amizades da vítima ou de membros da família. São pessoas com que as vítimas têm laços afetivos. Normalmente apresentam bom nível de escolaridade, são sedutores e têm alto poder de convencimento. Alguns são empresários que trabalham ou se dizem proprietários de casas de show, bares, falsas agências de encontros, matrimônios e modelos. As propostas de emprego que fazem geram na vítima perspectivas de futuro, de melhoria da qualidade de vida. No tráfico para trabalho escravo, os aliciadores, denominados de “gatos”, geralmente fazem propostas de trabalho para pessoas desenvolverem atividades laborais na agricultura ou pecuária, na construção civil ou em oficinas de costura. Há casos notórios de imigrantes peruanos, bolivianos e paraguaios aliciados para trabalho análogo ao de escravo em confecções de São Paulo. O QUE POSSO FAZER PARA ENFRENTAR O TRÁFICO DE PESSOAS? A prevenção é sempre a melhor iniciativa. Portanto, ao verificar que existem indícios de tráfico humano, dê as seguintes orientações: 1) Duvide sempre de propostas de emprego fácil e lucrativo. 2) Sugira que a pessoa, antes de aceitar a proposta de emprego, leia atentamente o contrato de trabalho, busque informações sobre a empresa contratante, procure auxílio da área jurídica especializada. A

atenção é redobrada em caso de propostas que incluam deslocamentos, viagens nacionais e internacionais. 3) Evite tirar cópias dos documentos pessoais e deixá-las em mãos de parentes ou amigos.


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4) Deixe endereço, telefone e/ou localização da cidade para onde está viajando. 5) Informe para a pessoa que está seguindo viagem endereços e contatos de consulados, ONGs e autoridades da região. 6) Oriente para que a pessoa que vai viajar nunca deixe de se comunicar com familiares e amigos. Em caso de Tráfico de Pessoas, denuncie! Disque denúncia: 100 COMO BUSCAR AJUDA PARA AS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE TRÁFICO HUMANO? • Secretaria Nacional de Justiça – Ministério da Justiça • Polícia Federal • Ministério Público Federal • Ministério Público Estadual • Defensoria Pública da União • Defensoria Pública dos Estados Acesse os sites

O CONSENTIMENTO É IMPORTANTE PARA CONSIDERAR ALGUÉM EM SITUAÇÃO DE TRÁFICO HUMANO? Há casos em que a pessoa vítima de tráfico sabe da exploração que sofrerá e consente com ela. Mesmo nessa situação, existe o crime, e a vítima é protegida pela lei. Considera-se que, nessa situação, o consentimento não é legítimo, porque fere a autonomia e a dignidade inerentes a todo ser humano. O tráfico de pessoas retira da vítima a própria condição humana, ao tratá-la como um objeto, um produto, uma simples mercadoria que pode ser vendida, trocada, transportada e explorada. Portanto, o consentimento da pessoa, em uma situação de tráfico humano, não atenua a caracterização do crime.

QUAIS SÃO OS ELEMENTOS DO TRÁFICO DE PESSOAS? O ATO Ação de captar, transportar, deslocar, acolher ou receber pessoas, as quais serão usadas para exploração econômica como objetos/recursos.

OS MEIOS

OBJETIVO

Ameaça ou uso da força, coação, rapto, fraude, ardil, abuso de poder ou de uma situação de vulnerabilidade, ou a concessão de benefícios pagos em troca do controle da vida da vítima.

Para fins de exploração, que inclui prostituição, exploração sexual, trabalhos forçados, escravidão, retirada de órgãos e práticas semelhantes.


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EXPLORAÇÃO SEXUAL

EXPLORAÇÃO DO TRABALHO

O aliciamento para a exploração sexual por meio do tráfico de pessoas tem como padrão a falsa oferta de emprego e as promessas de melhoria na qualidade de vida para as vítimas, que acreditam que terão melhor escolaridade, oportunidade de conhecimento de língua estrangeira, bom salário etc.

O tráfico de pessoas para a exploração do trabalho está relacionado, em especial, às práticas análogas à escravidão, como a servidão e o trabalho forçado.

No Brasil, a captação de vítimas ocorre tanto em ambientes rurais como em áreas urbanas e em todas as classes sociais. Os principais alvos são as mulheres e as meninas. Mesmo sem dados referentes ao tráfico e à exploração sexual de homens e meninos, sabe-se que estes também são aliciados.

Nem todas as vítimas de trabalhados forçados são vítimas traficadas. Caracteriza-se o tráfico quando o trabalhador é retirado de seu local de origem, fica sem liberdade ou sem mobilidade, tendo retidos os documentos; ou quando ocorre limitação da vítima pela supressão de recursos financeiros ou atribuição de altas dívidas, que se revelam, na prática, impossíveis de pagar com o trabalho que prestam.


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Além do tráfico interno de trabalhadores, o Brasil também é “importador” nessa modalidade de tráfico de pessoas. Os aliciados, em sua maioria, são vizinhos sul-americanos (vindos principalmente da Bolívia, do Peru, do Paraguai e da Colômbia), e as atividades para as quais essas pessoas mais frequentemente são traficadas são a confecção de vestuário e a construção civil. É bom ressaltar que não existe possibilidade de utilizar a conciliação para os casos envolvendo crimes contra a vida (homicídios, por exemplo). E também nas situações previstas na Lei Maria da Penha. (Ex.: denúncia de agressões entre marido e mulher). REMOÇÃO DE ÓRGÃOS O tráfico de pessoas para remoção de órgãos começa com a venda dos próprios órgãos pela vítima. Trata-se de um mercado cruel, que explora o desespero de ambos os lados: doentes que podem pagar

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por um órgão imprescindível para viver e pessoas que ponderam entre o órgão sadio que têm – e que avaliam que podem dispor sem risco de vida – e o dinheiro que receberão com a venda. O caso mais conhecido apurado no Brasil ocorreu no início dos anos 2000, com o tráfico internacional que ligava o estado de Pernambuco e à África do Sul. As vítimas eram aliciadas, vendiam um rim na área urbana de Recife e eram levadas para Durban, na África do Sul, onde se submetiam à cirurgia para retirada desse órgão. Em 2004, o Ministério Público Federal denunciou 28 pessoas por aquele crime. A estimativa foi de que o esquema criminoso movimentou em torno de US$ 4,5 milhões com a comercialização de cerca de 30 órgãos. Fonte: Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

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como funciona o tráfico humano

Dossiê Tráfico de Pessoas

tv justiça

Virtheos / Maristas


MATÉRIA DE CAPA

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PREVENÇÃO, PUNIÇÃO E PROTEÇÃO Pe. Luis Carlos Dias, secretário-geral da Campanha da Fraternidade, lembra que o primeiro objetivo da Campanha é despertar a consciência de que se trata de uma realidade terrível em nossas comunidades. “Quantos irmãos e irmãs perdem a vida nesta realidade”, lamentou. Da conscientização, parte-se para outras etapas: a prevenção e a denúncia. “Há órgãos competentes para receber essas denúncias”, informa. Num ano de Copa do Mundo e de Olimpíada em 2016, eventos que aumentarão o afluxo de turistas ao Brasil, é importante redobrar o cuidado e manter o tema em debate. A professora Tânia destaca a teoria dos três “pês”:

prevenção, punição e proteção. “É o ciclo de ações que devem ocorrer, em simultâneo, para efetivar o enfrentamento ao tráfico humano. Não se trata de retórica. Trata-se de articulação entre as instâncias governamentais, a sociedade civil organizada e a população, tendo como sujeito as pessoas. O sucesso do enfrentamento ao tráfico humano passa, necessariamente, por essa articulação. Reformas estruturais das políticas sociais e econômicas, programas de informação, mecanismos legislativos, policiais e judiciais adequados e articulados, cooperação internacional, e proteção (apoio) às vítimas e potenciais vítimas”, explica.

“Quantos irmãos e irmãs perdem a vida nesta realidade” Pe. Luis Carlos Dias Secretário-geral da Campanha da Fraternidade


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Subsídios da Campanha da Fraternidade PARA DOWNLOAD CARTAZ HINO

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APRESENTAÇÃO EM PPT TEXTO BASE SÍNTESE DO TEXTO BASE CATÁLOGO DAS EDIÇÕES CNBB KIT PEDAGÓGICO DOS MARISTAS KIT DE ATIVIDADES PARA CATEQUESE

ORAÇÃO Ó Deus, sempre ouvis o clamor do vosso povo vos compadeceis dos oprimidos e escravizados. Fazei que experimentem a libertação da cruz e a ressurreição de Jesus. Nós vos pedimos pelos que sofrem o flagelo do tráfico humano. Convertei-nos pela força do vosso Espírito, e tornai-nos sensíveis às dores destes nossos irmãos. Comprometidos na superação deste mal, vivamos como vossos filhos e filhas, na liberdade e na paz. Por Cristo nosso Senhor. AMÉM!

Segundo a professora Tânia, não adianta reprimir (perseguir e condenar os traficantes) se prevalecerem as situações sistêmicas de pobreza, a exclusão e a desigualdade. “Como, também, não adianta pensar nelas se a sociedade não se apropriar dos valores da dignidade humana e, assim, denunciar as situações que certamente conhece e que ocorrem, muitas vezes, na casa vizinha. Como, também, tudo isso não se completa sem uma efetiva assistência às vítimas, a quem após o seu resgate devem ver asseguradas as condições necessárias (psicológicas, econômicas e sociais) para que não volte a ser aliciada, ou tentada a inserir-se em novo ciclo de exploração”, completou. Em Lampedusa, o Papa Francisco fez um emocionante discurso diante desse flagelo do mundo. “Estamos em uma sociedade que esqueceu a experiência do chorar, do ‘padecer com’: a globalização da indiferença nos tirou a capacidade de chorar! No Evangelho escutamos o grito, o choro, o grande lamento: ‘Raquel chora por seus filhos… porque não existem mais’. Herodes semeou morte para defender o próprio bem-estar, a própria bolha de sabão. E isto continua a repetir-se… Peçamos ao Senhor que anule aquilo que de Herodes permaneceu também no nosso coração; peçamos ao Senhor a graça de chorar sobre a nossa indiferença, de chorar sobre a crueldade que há no mundo, em nós, também naqueles que no anonimato tomam decisões socioeconômicas que abrem caminho aos dramas como este. ‘Quem chorou? Quem chorou hoje no mundo?’.” Veja mais informações sobre a CF: www.franciscanos.org.br


COMUNICAÇÃO

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e d a d i l a u : ” q “ o ã A ç a c i n u m s a o t c s equi em t a c s o o d n r a a v c i i t f i mo a se qual

Por Flávio Veloso


COMUNICAÇÃO

T

odo ser humano tem a capacidade de se comunicar. Entretanto, a qualidade da mensagem transmitida e o entendimento de seu conteúdo muitas vezes deixam a desejar, comprometendo significativamente as relações interpessoais e os resultados organizacionais. Em todos os momentos, estamos transmitindo ou recebendo mensagens do mundo, do ambiente, de forma consciente ou não, verbal ou não verbal. Assim como a percepção, a comunicação também se efetua de forma seletiva. Escolhemos, embora cercados por uma multiplicidade de fatores, as pessoas, os fatos e as coisas com os quais vamos interagir.

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chamado feedback. Quando falamos com alguém, esperamos resposta. Ao recebermos essa realimentação passamos a ajustar nossa próxima comunicação, tendo em vista a interpretação que fizemos do feedback. A transformação da mensagem pelo emissor (codificação), como a transformação da mensagem pelo receptor (decodificação), depende do domínio de um repertório e de códigos em comum. Dessa forma, comunicação também é compartilhar significados, sistemas de classificação e organização dos dados, na emissão ou recepção de mensagens.

Um catequista

O processo de comunicação tem também uma dimensão temporal, suas relações presentes e futuras estabelecem-se em função das nossas interações passadas. Esse relacionamento no tempo destaca outro atributo da comunicação, que é o processo intrínseco de ajustamento,

A comunicação procura, portanto, explicitar percepções, dando a elas sentido similar. A comunicação se estabelece nos níveis intrapessoal e interpessoal. O primeiro está associado às respostas, aos estímulos que se verificam dentro de nós. O segundo se refere à relação do indivíduo com outras pessoas.


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É, primeiramente, no nível intrapessoal que o processo se realiza, pois na relação entre indivíduos os valores pessoais estão ativamente presentes.

determinada mensagem seja emitida, utilizando este ou aquele meio de comunicação. Assim, para termos uma comunicação com qualidade, podemos seguir as seguintes diretrizes:

O processo de comunicação é probabilisticamente previsível, pois podemos inferir o que irá ocorrer caso

1

Escute atenta e ativamente o outro • Não pense no que vai responder enquanto o outro fala; • Mantenha uma atitude atenta e calma; • Procure fazer com que sua comunicação, tanto verbal como não verbal, assegure ao outro que você está atento; • Depois de fazer uma pergunta é importante silenciar. Se o outro não responder de imediato,

evite o impulso de preencher o silêncio com seus comentários. Dê-lhe a oportunidade de pensar sobre a pergunta; • Não interrompa para retificar o que o outro está dizendo, mesmo que você não concorde com o que ele diz; • Não contradiga o que o outro está dizendo por considerar conhecido, desconhecido ou trivial.


COMUNICAÇÃO

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2 Demonstre respeito • Abstenha-se de julgamento em uma comunicação; • Admita que o outro tenha seus valores, crenças ou pensamentos diferentes dos seus;

• Crie condições para que a pessoa possa expressar suas ideias, sentimentos, valores e atitudes.


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3

Compreenda com empatia seu interlocutor

• Absorva o marco de referência do outro e analise seus comportamentos, comunicações e valores por esse ângulo; • Procure acompanhar as linhas de pensamento do outro e não mude seu rumo por inclinações ou necessidades próprias;

• Procure perceber a realidade como o outro a percebe, a partir de suas preocupações específicas, medos e preconceitos. Procure colocar-se no lugar da outra pessoa, inclusive recordandose de experiências e situações semelhantes.


62

COMUNICAÇÃO

4

Forneça feedback

3

• Os comentários descritivos são mais fáceis de aceitar e referenciam o comportamento sem atacar o outro. • Portanto, focalize o feedback no comportamento e não na pessoa; • Concentre o feedback em observações, em fatos e não em inferências;

• Forneça o feedback no comportamento relativo a uma situação específica, preferivelmente ao “aqui e agora”, e não no comportamento abstrato.


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E A SUA COMUNICAÇÃO? COMO ESTÁ?

SIM

NÃO

ÀS VEZES

1. Em conversas, as palavras lhe saem como você gostaria que elas saíssem? 2. Quando alguém lhe faz uma pergunta que não é clara, você pede para a pessoa explicar o significado dela?

3

0

2

3

0

2

3. Quando você está tentando explicar alguma coisa as outras pessoas tendem a “botar palavras em sua boca”? 4. Em conversas, você fala sobre coisas que são de interesse tanto para você como para a outra pessoa?

0

3

1

3

0

2

5. Em conversas, as palavras lhe saem como você gostaria que elas saíssem? 6. Em conversas, você tenta se colocar no lugar da outra pessoa? 7. Em conversas, você tem a tendência de falar mais do que a outra pessoa? 8. Você está ciente de que o tom de sua voz pode afetar os outros? 7. Em conversas, você tem a tendência de falar mais do que a outra pessoa? 8. Você está ciente de que o tom de sua voz pode afetar os outros? 9. É difícil para você aceitar críticas construtivas dos outros? 10. Quando alguém fere os seus sentimentos você discute e conversa sobre isso com a pessoa? 11. Você se desculpa com alguém cujos sentimentos você tenha provavelmente ferido?

0

3

1

3

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2

0

3

1

3

0

2

0

3

1

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1

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2

3

0

2


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COMUNICAÇÃO

E A SUA COMUNICAÇÃO? COMO ESTÁ?

SIM

NÃO

ÀS VEZES

12. O fato de alguém não concordar com você deixa-o bastante chateado?

0

3

1

13. Você acha difícil pensar com clareza quando está zangado com alguém?

0

3

1

14. Você deixa de discordar de outros porque tem receio de que fiquem zangados?

0

3

1

15. Quando um problema surge entre você e outra pessoa você consegue discuti-lo sem ficar zangado?

3

0

2

16. Você está satisfeito com a maneira pela qual resolve suas diferenças com outras pessoas? 17. Você fica aborrecido por muito tempo quando alguém o perturba?

3

0

2

3

0

2

18. Você fica pouco à vontade quando alguém o elogia?

0

3

1

19. Você acha difícil elogiar os outros?

0

3

1

20. Você tenta deliberadamente esconder as suas falhas de outros?

0

3

1

21. É difícil para você confiar nos outros?

0

3

1

22. Em conversas, você deixa a outra pessoa terminar de falar antes de reagir sobre o que ela está dizendo?

3

0

2

23. Você se pega à vezes não prestando atenção?

0

3

1

24. Você tenta ouvir procurando o significado que se quer transmitir quando alguém está falando?

3

0

2


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E A SUA COMUNICAÇÃO? COMO ESTÁ?

SIM

NÃO

ÀS VEZES

25. Os outros parecem ouvi-lo quando você está falando?

3

0

2

26. Numa discussão, é difícil para você ver as coisas pelos pontos de vista da outra pessoa?

0

3

1

27. Você finge estar ouvindo a outras pessoas quando na verdade não está?

0

3

1

28. Ao falar, você procura se manter ciente de como as pessoas estão reagindo sobre o que está dizendo?

3

0

2

29. Os outros costumam dizer que você sempre pensa estar certo? 30. Você admite estar errado quando falha sobre alguma coisa?

0

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1

3

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2

Total

RESULTADOS: De 80 a 90 pontos: sua comunicação está num nível muito bom. De 69 a 79 pontos: sua comunicação pode ser melhorada. Abaixo de 69 pontos: cuidado! Fique mais atento à forma como você se comunica.

Flávio Veloso

É formado em Filosofia (Cearp – Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto), estuda Pedagogia (Uniseb-COC) e é encarregado da Livraria Paulus de Ribeirão Preto, SP.


BÍBLIA

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A leitura orante da

BĂ­blia Por Frei Ildo Perondi


BÍBLIA

N

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a Conferência de Aparecida, os bispos da América Latina e do Caribe recomendaram o método da Lectio Divina, ou a Leitura Orante da Bíblia. Em outubro de 2008, o Sínodo dos Bispos, realizado em Roma, mais uma vez chamou a atenção para a importância desse método e o bem que esse tipo de leitura bíblica faz ao povo de Deus e à Igreja.

mesmo texto, mas para que ela continuasse sendo “viva e eficaz” (Hb 4,12) e Palavra que “permanece para sempre” (1Pd 1,25) era preciso ler e escutar a Palavra de Deus com os mesmos olhos e sentimentos daquelas pessoas que haviam vivido e acolhido a Bíblia, para que a mensagem de Deus continuasse a produzir vida e esperança no meio do povo e da Igreja.

Mas o que é a Lectio Divina ou Leitura Orante da Bíblia? Esse método, ou jeito de ler a Bíblia, pode ser feito de forma individual ou em grupos, é muito antigo e muito utilizado na Igreja. Parte-se do princípio de que a Bíblia não é um escrito qualquer. A Palavra revelada nas Sagradas Escrituras é uma mensagem que nos foi transmitida por Deus. A Bíblia é como se fosse uma carta de amor que o nosso Bom Deus quis transmitir ao Seu povo amado.

A Lectio Divina ou Leitura Orante da Bíblia é um jeito de ler a Bíblia com espiritualidade, colocando-se diante do Senhor com os mesmos sentimentos daquelas pessoas e comunidades que um dia acolheram a Palavra. Diante das Sagradas Escrituras todos nós somos discípulos e discípulas. A primeira missão do discípulo é escutar (Is 50,4), é “estar com o Senhor” (Mc 3,14) para ouvir o que Ele quer nos falar e ensinar. Quem escuta a voz do Senhor sabe também acolher, contemplar, meditar, refletir, interiorizar a mensagem recebida. E então fazer essa Palavra transformar-se em vida prática, colocando-se a serviço de Deus, da Sua Igreja e dos irmãos.

Porém, Deus, para transmitir essa mensagem utilizou-Se de pessoas, comunidades, e estas viviam dentro dos limites e da cultura de uma determinada época. As pessoas e comunidades que acolheram e viveram essa mensagem de Deus eram pessoas como nós: tinham seu trabalho, suas famílias, seus problemas também. Mas eram pessoas que se abriram para ouvir e escutar a voz de Deus. Ou seja, eram pessoas que tinham uma espiritualidade, uma relação amorosa com seu Deus. Faziam e viviam isso por meio da sua oração, isto é, sua ligação afetiva com Deus. Ler e escutar a mensagem de Deus na Bíblia continuou sendo um ato de fé, uma necessidade para continuar vivendo e fazendo história do povo de Deus. Porém, a história foi mudando, a cultura mudou, os valores foram mudando também. E a Palavra de Deus escrita continuou com o

É importante ver o que nos dizem os bispos: “Entre as muitas formas de se aproximar da Sagrada Escritura existe uma privilegiada à qual todos estamos convidados: a Lectio Divina ou exercício de leitura orante da Sagrada Escritura. Esta leitura orante, bem praticada, conduz ao encontro com JesusMestre, ao conhecimento do mistério de Jesus-Messias, à comunhão com Jesus-Filho de Deus e ao testemunho de Jesus-Senhor do universo. Com seus quatro momentos (leitura, meditação, oração, contemplação), a leitura orante


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favorece o encontro pessoal com Jesus Cristo semelhante ao modo de tantos personagens do evangelho: Nicodemos e sua ânsia de vida eterna (cf. Jo 3,121), a Samaritana e seu desejo de culto verdadeiro (cf. Jo 4,1-12), o cego de nascimento e seu desejo de luz interior (cf. Jo 9), Zaqueu e sua vontade de ser diferente (cf. Lc 19,1-10)... Todos eles, graças a este encontro, foram iluminados e

recriados porque se abriram à experiência da misericórdia do Pai que se oferece por sua Palavra de verdade e vida. Não abriram seu coração para algo do Messias, mas ao próprio Messias, caminho de crescimento na ‘maturidade conforme a sua plenitude’ (Ef 4,13), processo de discipulado, de comunhão com os irmãos e de compromisso com a sociedade” (Documento de Aparecida n° 249).

Os passos para praticar a Leitura Orante da Bíblia É certo que existem muitas maneiras de ler e rezar a Bíblia e acolher a Palavra de Deus em nossa vida. É como a receita de bolo de cenoura, cada cozinheira tem uma, mas os modos de fazer o bolo e o resultado final são sempre bastante parecidos. Vou indicar a seguir os quatro passos, que são sugeridos para fazer uma boa leitura da Bíblia:

ler, ler...Deus. , r e l : a r u t de Lei 1° passo:nta e atenta da Palavriza o texto. • Leitura le nheça bem o que d co • Escute e

r, , mastiga r a n i m u r editaçãoa: . M : o s s a 2° p emóri ção e deixar-se amar. m a n r a cora guard ardar no ra hoje. é gu ze pa • Meditar xto me diz? Atuali te • O que o

, pedir. le. r e c e d a r g a E o: louvar,a Deus? Converse com ã ç a r O : o 3° pass xto me leva a dizer te Deus. • O que o apelos de s o a a d n • Respo

. viver, agir : o ã ç a a r a mplaçãospde Deus. e t n o C : o 4° pass alidade com os olho . Saboreie-O. • Veja a re o mistério de Deus en • Mergulh


BÍBLIA

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A leitura da Bíblia é como uma caminhada. É caminhando que se aprende a caminhar e a seguir em frente. Por isso, seguindo os passos acima, a Bíblia começa a entrar em nós. Nós escutamos o Senhor que nos fala, que também caminha conosco e vem ao nosso encontro. Um fator importante na leitura bíblica é a escolha do texto certo. Como diz uma canção do Pe. Zezinho, “Dai-me a Palavra certa, na hora certa, do jeito certo e pra pessoa certa”. Para saber escolher o texto certo é necessário certo aprendizado, descobrir quais os textos que nós mais gostamos na Bíblia, anotar nela ou ter uma pequena lista com os textos mais bonitos para cada situação da vida. Não é a quantidade de textos lidos que é importante. Nem precisa ler toda a Bíblia do começo ao fim. Basta ler e escolher os textos que mais nos falam, que são mais atuais para a realidade que estamos vivendo. A seguir apresento alguns pontos que também ajudam a fazer uma boa leitura orante, pessoal e diária da Bíblia: Iniciar invocando a luz e a presença do Espírito Santo.

Atualizar e ruminar a Palavra, ligando-a com a vida.

Formular um compromisso de vida.

Leitura lenta e atenta do texto.

Ampliar a visão, ligando o texto com outras passagens bíblicas.

Rezar um Salmo apropriado.

Ler de novo, rezando o texto e respondendo a Deus.

Escolher uma frase como resumo para memorizar.

Momento de silêncio interior para lembrar o que foi lido. Ver bem o sentido de cada frase.

Agir como discípulos da Palavra de Deus Já apresentamos a Leitura Orante da Bíblia e os passos que devem ser seguidos para fazer uma boa Leitura da Palavra de Deus. Agora vamos concluir o assunto, refletindo sobre esse modo de ler a Bíblia. É certo que somos chamados a ler a Palavra de Deus. Mas não é qualquer leitura. Dois tipos de leituras bíblicas são considerados perigosos. O primeiro perigo é a leitura “ao pé da letra” dos textos bíblicos. Ler a Bíblia e aceitar tudo que foi escrito sem entender o contexto do

texto, sem conhecer a cultura da época, sem atualizar para hoje. É o método fundamentalista e que é condenado pela Igreja, pois “é o suicídio do pensamento”. Outro jeito errado é o estudo da Bíblia como outro livro qualquer, escrito dois mil anos atrás. Ler a Bíblia somente com critérios científicos, sem levar em conta a fé e a espiritualidade, é trair a mensagem revelada no texto. Com isso os textos bíblicos perdem a “sua alma”, isto é, a beleza da mensagem que carregam dentro de si.


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A Leitura Orante da Bíblia é um método alternativo e que evita os dois erros acima. Lê-la de forma orante é um ato de “escuta” próprio do discípulo que quer ser seguidor do Mestre. Isso já nos vem da tradição do povo de Deus no Antigo Testamento, em que o judeu praticante recita seu credo de cada dia: “Escuta Israel, o Senhor é nosso Deus, o Senhor é um!” (Dt 6,4). É um imperativo, um convite amoroso: “Escuta meu povo!”. Portanto, se somos chamados a escutar é também porque existe alguém que vai falar. É nosso Deus que tem algo importante para nos dizer. Ele tem uma mensagem para nos transmitir. E nós devemos escutar como fez o jovem Samuel: “Fala, Senhor, que o Teu servo escuta!” (1Sm 3,10). No entanto, não é uma escuta passiva. Não somos somente nós que devemos escutar. Depois que o Senhor fala e nós ouvimos, somos também convidados a responder. Nós também podemos falar e então é Deus que “escuta”. Ele quer ouvir o que nós temos a dizer, o que nós sentimos... O Senhor abre também Seus ouvidos para nossos pedidos, para ouvir nossos clamores, para escutar nossos louvores. É uma sintonia perfeita. Ele nos fala e nós ouvimos. Nós falamos e Ele escuta. Nesse sentido, Jesus é o Mestre que nos ensina a acolher a Palavra de Deus. Jesus também escutava as Palavras escritas no Antigo Testamento. É só ver como Jesus cita os textos bíblicos, sobretudo dos Salmos e dos Profetas. Ao mesmo tempo Jesus é aquele que dirige palavras ao Pai. Quantas vezes encontramos Jesus subindo as montanhas ou indo ao deserto para se comunicar com o Pai. Jesus reza, pede,

louva, agradece, implora... Jesus escuta o que o Pai tem a Lhe dizer. Depois Jesus Se volta ao Pai e Lhe dirige Suas preces e Seus louvores. Quando nós escutamos a Palavra de Deus a mensagem que ouvimos não desaparece no momento em que fechamos o texto. A Palavra permanece dentro de nós, como dizia o profeta Jeremias: “Quando se apresentavam as Tuas palavras, eu as devorava: Tuas palavras eram para mim contentamento e alegria do meu coração” (Jr 15,16). A escuta da Palavra de Deus nos leva também a assumir um compromisso com a realidade. Foi isso que fez Moisés quando ouviu o chamado do Senhor e se colocou a serviço para a libertação do povo de Deus, que era escravo no Egito. Assim agiram os Profetas que foram chamados, escutaram o convite do Senhor, denunciaram as injustiças e anunciaram a mensagem de Deus. Temos tantos outros exemplos na Bíblia, sem nos esquecermos de Maria, a mãe de Jesus. Quando ela escutou a palavra vinda de Deus, por meio do Anjo Gabriel, ela humildemente se colocou a serviço respondendo: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a Tua Palavra” (Lc 1,38).

Frei Ildo Perondi

Nascido em Romelândia-SC, é franciscano-capuchinho. Mestrado em teologia bíblica pela Pontifícia Universidade Urbaniana de Roma, doutorando em teologia bíblica pela PUC Rio. É professor de sagradas escrituras na PUC-PR (campus Londrina).


CATEQUESE NAS ESCOLAS

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A CATEQUESE NA ESCOLA CATÓLICA EM TEMPOS COMTEMPORÂNEOS


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No contexto do mundo contemporâneo, como a Escola Católica pode contribuir para o processo de Iniciação da fé dos cristãos em sua ambiência. Por Gilson Prudêncio Júnior


CATEQUESE NAS ESCOLAS

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Portanto a meta que a escola católica se propõe com relação às crianças e jovens, é a de conduzir ao encontro com Jesus Cristo Vivo, Filho do Pai, irmão e amigo, Mestre e Pastor misericordioso, esperança, caminho, verdade e vida, e dessa forma a vivencia da aliança com Deus e com os homens.

Doc. de Aparecida1

A

catequese, desde o principio tem por objetivo á iniciação a vida cristã nos moldes da doutrina dos apóstolos, por meio dos ensinamentos recebidos do Cristo para uma entrada consciente na comunidade de fé e perseverança nela. 2 Perpetuou-se até os dias atuais por meio das gerações familiares, que com a participação na catequese comunitária, bem como nas missas aos finais de semana, completavam a educação de base familiar. Quem nunca, “motivados” pela família, colocou a melhor roupa para ir à missa aos finais de semana ou ouviu outros contarem que a melhor roupa que se tinha no armário era para ir às celebrações? Hoje, na contemporaneidade, com o advento das redes sociais e das novas tecnologias, a Iniciação na vida Cristã tem passado quase que despercebida pelas famílias. Elas são as responsáveis a oferecer as primeiras experiências de fé para as crianças, 3 adolescentes e jovens que, por sua vez, também tem considerado a Iniciação à vida Cristã uma espécie de acontecimento

social desarticulado com a realidade que se encontram, pois estão muito ocupados com outros interesses tornando o sacramento de Iniciação a vida Cristã algo que poderia ser deixado para outro momento. O grande desafio hoje da catequese é a mudança para um modelo mais contemporâneo a fim de atender a demanda de pessoas tão ligadas ao mundo atual.4 É preciso chegar a uma catequese que transmita a mensagem do Reino para as idades infanto-juvenis em seus métodos e linguagens, uma catequese atenta aos sinais dos tempos a fim de cativar os adultos para que eles também sejam modelos de toda catequese. Por fim uma catequese alegre, cheia de testemunho, profética e que tenha opção preferencial pelos pobres. 5 Nesse contexto a escola católica pode ser forte presença na evangelização das crianças, adolescentes e jovens da contemporaneidade no que se refere ao processo de Iniciação a vida cristã, 6 pois, como comunidade educativa que vive seus interesses por meio de seu projeto educativo


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é capaz de levar os valores e o anuncio de Jesus Cristo por meio não somente de seus afazeres pedagógicos, mas ainda pelo testemunho e pela integração entre fé, cultura e vida, educando por meio de uma catequese acrescida de contextos atuais, linguagens e metodologias para o encantamento e adesão desses sujeitos ao processo de Iniciação na fé. O Diretório Geral para a Catequese afirma que “quando os alunos da escola católica pertencem, na maior parte, a famílias que se vinculam a esta escola por razão do seu caráter católico, o ministério da Palavra pode ser aí exercitado” 7 por meio da catequese. Portanto, a catequese na ambiência da escola católica passa a ser não somente parte do crescimento de fé dos mesmos, mas também parte do processo educativo dos estudantes 8 quando promove “a formação integral da pessoa, tendo seu fundamento em Cristo, com identidade eclesial e cultural e com excelência acadêmica” 9. Essas e outras características são as responsáveis pela transformação de estudantes em catequizandos na ambiência da escola católica, onde é possível despertar neles o interesse pela Igreja e pela vida comunitária eclesial, por meio de um itinerário catequético diferenciado e unido aos objetivos da Igreja.

É preciso explicitar que todos são chamados a uma vivencia catequética na Comunidade Eclesial, pois é nela que está a memória, a oração, a espiritualidade, o compromisso pelo Reino e a preferência pelos mais pobres. 10 Nela estão os mais diversos tipos de relações cristãs e humanas e é nela que se vive tudo que se aprende sobre as coisas de Deus na catequese.


CATEQUESE NAS ESCOLAS

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A fé cristã é radicalmente de natureza comunitária e a apropriação dessa dimensão é um desafio catequético contemporâneo. Denis Villepelet 11 Mas, vale lembrar que, com as suas mentalidades contemporâneas, isoladas ou firmadas em suas próprias ideologias de fé, as pessoas por vezes não irão buscar o itinerário catequético na comunidade eclesial no modelo tradicional apresentado pela Igreja e vivido por tantos católicos. Mas o que é mais importante? Que as pessoas vivam o processo de Iniciação na Fé somente no ambiente das comunidades eclesiais, podendo não vivencia-lo durante a sua vida porque as comunidades não oferecem atrativos atuais para tal? Ou, viver o processo de Iniciação na fé, por meio dos Sacramentos, tendo a possibilidade do despertar o seu desejo pela vida comunitária, em outro espaço católico missionário da Igreja como a escola católica? O DNC afirma que “quando não há comunidade, os catequistas, obviamente, devem ajudar a construí-las” 12 . Ao “construir” a catequese na ambiência da escola católica é preciso garantir que haja profundo diálogo com as lideranças locais e nacionais da Igreja para a realização de suas atividades, pois os Bispos são os primeiros a dar as orientações sobre a modalidade catequética que cabe a escola católica realizar.13 Por sua vez cabe à escola católica encontrar alternativas de conduzir,

orientar, animar este catequizando a participar da vida comunitária da Igreja, para que a escola não se feche em si mesma perdendo o viés da missão de igreja para a Igreja por meio do ensino. Nessa “ciranda”, é necessária uma espécie de sintonia entre o processo de Iniciação da fé dos catequizandos da Comunidade Eclesial e da Escola Católica a fim de manifestar a catolicidade da Igreja, a unidade do povo de Deus que interage, que expressa a mesma fé, em comunhão eclesial, para que os catequizandos sintam-se parte dessa comunidade de fé 14 e continuadores dessa vivencia comunitária após a realização do Sacramento da Primeira Eucaristia. Assim sendo, exercendo esse chamado missionário na contemporaneidade por meio da ação evangelizadora com a catequese em sua ambiência, a escola católica transcende do perfil escola-instituição e passa a ser escolacomunidade, igreja universal, povo de Deus respondendo ao chamado da Igreja. 15


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Referências Bibliográficas: V Conferencia Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. Documento de Aparecida. São Paulo:CNBB, Paulus e Paulinas. 2007. CNBB. Catequese Renovada. São Paulo:Paulinas. 1983. Congregação para o Clero. Diretório Geral para a Catequese. São Paulo: Paulinas. 2009. Villepelet,Denis. O futuro da Catequese. São Paulo: Paulinas. 2007. Conselho Episcopal Latino-Americano. A caminho de um novo para a catequese. Brasília:CNBB. 2008. CNBB. Diretório Nacional de Catequese. Brasília:CNBB. 2006. Congregação para o Clero. Diretório Geral para a Catequese. São Paulo: Paulinas. 2009.

1. V Conferencia Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. Documento de Aparecida. São Paulo:CNBB, Paulus e Paulinas. 2007. 2. CNBB. Catequese Renovada. São Paulo:Paulinas. 1983, p. 10. 3. “O despertar religioso infantil, no âmbito familiar, tem um caráter “insubstituível”. Congregação para o Clero. Diretório Geral para a Catequese. São Paulo: Paulinas. 2009, p. 228. 4.“Parece que somos convidados, hoje, a reajustar o processo catequético ao dar mais importância a acolhida e a à descoberta da Boa-Nova porque ela se tornou estranha aos nossos contemporâneos”. Villepelet,Denis. O futuro da Catequese. São Paulo: Paulinas. 2007, p. 54. 5. Conselho Episcopal Latino-Americano. A caminho de um novo para a catequese. Brasília:CNBB. 2008, p. 23-24. 6. CNBB. Diretório Nacional de Catequese. Brasília:CNBB. 2006, p. 50. 7. Congregação para o Clero. Diretório Geral para a Catequese. São Paulo: Paulinas. 2009, p. 257.

8.“A escola Católica é um lugar muito relevante para a formação humana e cristã”. Congregação para o Clero. Diretório Geral para a Catequese. São Paulo: Paulinas. 2009, p. 256. 9. V Conferencia Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. Documento de Aparecida. São Paulo:CNBB, Paulus e Paulinas. 2007, p. 153. 10.CNBB. Diretório Nacional da Catequese. Brasília:CNBB. 2006, p. 46. 11. Villepelet,Denis. O futuro da Catequese. São Paulo: Paulinas. 2007, p. 97. 12. CNBB. Diretório Nacional de Catequese. Brasília: 2006, p. 46. 13. Congregação para o Clero. Diretório Geral para a Catequese. São Paulo: Paulinas. 2009, p. 257. 14. Idem, p. 149-150. 15. A declaração Gravissimum Educationis do Concílio Vaticano II “representa uma mudança decisiva na história da escola Católica: a passagem da escola instituição para a escola-comunidade. Congregação para o Clero. Diretório Geral para a Catequese. São Paulo: Paulinas. 2009, p. 256.

Gilson Prudêncio Júnior Analista Pastoral - Infâncias/Pastoral Marista UBEE - UNBEC


TEATRO NA CATEQUESE

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Teatro: ferramenta que faz

ecoar Abra as cortinas arrastando para a esquerda

a mensagem do Evangelho por Erivandra Marques


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D

eus nos surpreende na distribuição de seus dons, de forma que se estivermos abertos às suas novidades, muito Ele fará através de nós. Se dermos um sim sem impor limites, novos caminhos se nos abrirão nas formas de levar a Boa Nova. As artes cênicas são uma nobre e divertida maneira de se trabalhar Evangelização e Catequese. Com muitos ou poucos recursos, vontade e talento dão sustentação à mensagem a ser transmitida. O que não pode faltar? Fidelidade a Jesus e a sua mensagem. Para escrever um roteiro teatral, o talento entra em ação para trazer a Palavra Eterna aos tempos atuais, cativando o homem contemporâneo e fixando em sua memória, ainda que por vezes inconscientemente, a Palavra viva e transformadora deixada nas Escrituras. Através das propostas de teatro, esta Palavra tem o poder de penetrar e se instalar nos corações, mesmo sem ser pronunciada. Pois o ambiente onde se passam as histórias, os gestos, as ações, a pantomima... Todos têm sua parcela consistente de poder de anúncio. É o Espírito Santo quem sopra temas, personagens, cenários, sons, e tudo mais que forma o conjunto por onde passa a mensagem salvadora. É o Espírito da novidade, que reveste de coerência e responsabilidade àqueles que se propõem a utilizar a ferramenta do teatro para falar de Jesus. Quando se pensa em encenar o Evangelho ou outros episódios das Escrituras, logo se costuma pensar em cenários da época em que referidas histórias foram vividas ou escritas, com suas túnicas acinzentadas etc. No entanto, é no hoje que os ensinamentos de Jesus

precisam deixar suas marcas. Por isso vale muito, criar situações do cotidiano das plateias, para que, como setas direcionadas, as verdades da fé em Cristo ocupem lugar certeiro nos corações. Daí surgem ambientes de trabalho, famílias nas mais diversas realidades, a rua – que para muitos na vida real, é um lar-, programas televisivos e outros atrativos do tempo moderno; que dão margem a reflexões sobre o que de verdade vale à pena enquanto vivemos neste mundo. Inserir os catequizandos na atividade teatral é outro desafio na Catequese Moderna, capaz de trazer progressos, no sentido de estreitar a relação de cada catequizando com Cristo, pois a vivência de sua mensagem não se restringe às apresentações, mas alcança primeiro a cada um de maneira particular, nos moldes do amor que o próprio Deus tem individualmente por cada filho. Além disso, exercita a sabedoria, trabalha a desenvoltura dos gestos, a timidez trazida pelo laço do uso exagerado da internet, a autoestima de tantos que não compreendem a própria vida... Para manter nosso hábito de comunidade, Deus deve suscitar dons diferentes e complementares no uso do teatro: a um será dado pelo Espírito Santo dom de escrever esquetes, crônicas, peças; a outro o dom de dirigir; a outro o dom de perceber talentos; a outro o de interpretar; a outro o dom de construir cenário; elaborar figurinos; montar sonoplastia... “E é sempre o mesmo e único Espírito que dá todos estes dons, decidindo aquilo que deve ser atribuído a cada um.” (1 Cor. 12, 11)

Erivandra Marques

Catequista de Primeira Comunhão Paróquia Senhor do Bonfim Maceió, AL


CATEQUISTAS NA REDE

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# Bora partilhar E

m 2012, Deus me conduziu a experiências que me questionaram profundamente. Muitas vezes, durante as orações, Ele me fazia entender coisas novas sobre passagens do Evangelho que todos nós já estamos cansados de ouvir. Isso me surpreendia de tal forma que gerava em mim o desejo imediato de querer partilhar aquela novidade com outras pessoas. Esse sentimento de querer partilhar as coisas de Deus foi aumentando com o tempo. E o que era apenas um desejo foi se tornando uma necessidade cada vez mais clara. Deus me deixava cada vez mais ansiosa para partilhar as coisas que Ele fazia (e faz) na minha vida. A ideia sempre me empolgava durante as orações, mas depois acabava murchando, pressionada pelo medo e vergonha, pensando no que os outros poderiam achar de mim. Foi assim por muito tempo, nessa gangorra entre empolgação e vergonha. Até que Deus foi me permitindo viver situações


CATEQUISTAS NA REDE

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difíceis, nas quais era impelida por Ele a não ser omissa. Essa exortação de Deus ficou muito clara pra mim, por mais que a minha humanidade acomodada esperneasse!

A ideia é que pessoas de qualquer lugar possam enviar seus vídeos de partilha para o nosso canal. E esse é um desejo que se tornará real em breve!

Eu não podia me acomodar, não era coerente com a busca da santidade. Eu não podia mais ver amigas em situação de pecado público comungando, achando que não tem problema nenhum. Deus me pedia que não me conformasse mais com o relativismo, com o “politicamente correto” que impede a correção fraterna de existir. Enfim, a partir dessa tempestade de ideias, Ele me inspirou a criar um canal no YouTube em que várias pessoas pudessem contar suas experiências pessoais com Deus. Dessa forma, o Evangelho é partilhado de forma explícita e encarnada! Saímos da esfera da teoria e vamos ao que interessa!

A manifestação da Divina Providência nesse projeto é algo incontestável. Graças a ela eu posso contar com cinco amigos que acreditam no #BoraPartilhar e me ajudam a discernir o melhor, para que o Amor de Deus seja derramado pelo canal. É surpreendente ver o quanto Deus já fez no nosso meio, em tão pouco tempo, por meio desse “SIM” a Ele.

Todos os que partilham no canal são luzes que apontam Deus ao próximo. Com os vídeos, cada pessoa atesta com sua vida que vale a pena pertencer a Deus, que vale a pena escolher e seguir o caminho da porta estreita. O #BoraPartilhar deseja se tornar inspiração para que os jovens católicos do Brasil e do mundo inteiro saiam de suas zonas de conforto para irem ao encontro do outro, contando os feitos de Jesus em suas vidas. Sempre com uma linguagem bem informal e descontraída, pois é uma partilha, uma conversa.

O meu SIM sozinho não teria o menor efeito se não fosse acompanhado do SIM de cada alma corajosa que expôs a sua intimidade e história, por Amor a Deus. Muitos são os frutos que colhemos! Vejam alguns depoimentos de pessoas que tiveram suas vidas transformadas após partilharem no canal:


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#

Alessandra Sala

23 anos, carioca, atriz.

facebook.com/ale.salaaa

O QUE MUDOU APÓS PARTILHAR NO CANAL: “O Bora pra mim foi um presente de Deus! É muito bom ver o desejo dos jovens em partilhar suas histórias a fim de dar força uns aos outros nesta caminhada.

Muitas pessoas vieram falar comigo depois que viram meu vídeo, também queriam partilhar.

No meu caso, foi lindo ver as pessoas se emocionando com a minha história de conversão. Ver que Deus age nas pessoas através de mim me dá vontade de permanecer firme onde Ele me quer.

Inclusive, meu cunhado Pedro, que falou sobre aborto, foi um deles. E graça a Deus ele partilhou. Que Deus continue se utilizando de nós!!! Shalom pra sempre e sem medinho!”

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CATEQUISTAS NA REDE

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Pedro Marcondes 30 anos, paulista

facebook.com/pedromarc

O QUE MUDOU APÓS PARTILHAR NO CANAL: “No mesmo dia em que o vídeo foi ao ar, minha irmã entrou em contato comigo, dizendo que tinha assistido ao vídeo e pedindo ajuda, pois queria se reaproximar de Deus em meio a tantos problemas e desilusões da vida. Ora, quem conhece um pouco da minha ‘antiga’ história sabe que nós nunca fomos muito próximos, tivemos alguns problemas e acabamos nos afastando... Mas naquele dia, naquele minuto, entendi que tinha algo muito maior do que um vídeo rolando na internet.

Soube que cuidar da minha irmã era o real objetivo de Deus pra mim.Quando fui gravar o vídeo, rezei para que minha partilha pudesse salvar pelo menos uma vida, e ele já teria valido a pena! Hoje continuo tendo essa esperança, mas entendi que posso salvar vidas de outras formas... ‘pescando gente’!!! Minha missão com minha irmã passou por várias etapas e ainda tem muito o que acontecer... mas dia a dia ela vem crescendo e muito mais do que isso, estamos cada dia mais próximos.

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E mesmo quando ela me dá as costas e tenta fugir, eu me ponho de joelhos e rezo, junto de anjos, alguns no céu, outros na terra, pra que ela volte... e ela volta!!! Hoje, com 30 anos, minha vida tem muito mais sentido e vale muito mais a pena de ser vivida do que anos atrás, simplesmente porque eu tenho como objetivo ajudar quem eu amo, e como amo!”


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Rafael Lima

23 anos, brasiliense, estudante de engenharia.

facebook.com/rafaelgotex

O QUE MUDOU APÓS PARTILHAR NO CANAL: “Depois de partilhar o vídeo do Bora alguns amigos começaram a me chamar de ‘o papa pira’. Além disso fui chamado pra partilhar em alguns grupos e me senti mais à vontade para usar bigode em público! Kkkkk!”

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lh i t r a p a r o #b

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Sarah Néry

Vocacionada da Comunidade Católica Shalom - Rio de Janeiro, RJ


Sem tĂ­tulo-1 1

29/07/2013 14:08:11


A VOZ DA IGREJA

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TRÁFICO DE PESSOAS. UMA VERGONHA! Cardeal Odilo Pedro Scherer Arcebispo de São Paulo

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oucas semanas antes de sua vinda ao Brasil, em julho passado, o papa Francisco esteve na ilha de Lampedusa, já próxima da África, no sul da Itália; ali aportam numerosos prófugos da miséria e da violência, procedentes da África e de outras partes do mundo, sonhando com a vida na Europa. Muitos, de fato, nem conseguem chegar à terra firme e naufragam, ou são abandonados pelos modernos mercadores de escravos no meio do Mediterrâneo em barcos abarrotados e sem o mínimo respeito à sua dignidade. Isso, depois de terem pago caro a alguma organização criminosa pelo transporte e pela promessa de visto e emprego no lugar de destino. Milhares acabam morrendo e jogados ao mar, nada diferente do que acontecia durante séculos com os navios negreiros no período colonial. O Papa jogou flores ao mar para lembrá-los; ao mesmo tempo, rezou pelos que pereceram e confortou sobreviventes; e denunciou o tráfico de pessoas como uma atividade ignóbil, uma vergonha para sociedades que se dizem civilizadas. Diante dessa questão, os governos muitas vezes ficam indiferentes ou sem ação. Francisco conclamou a todos à superação da “globalização da indiferença”.

Desde tempos imemoriais, o tráfico de pessoas era praticado amplamente e até aceito, geralmente, em vista do trabalho escravo. O Brasil conviveu por séculos com a escravidão de índios e africanos; estes últimos eram adquiridos, traficados e comercializados como “coisa” num mercado vergonhoso, mas florescente. Foram necessários séculos para que a escravidão fosse formalmente proibida e abolida. Um progresso civilizatório! Mas o problema voltou, se é que já havia sido erradicado de maneira completa. A forma contemporânea de escravidão é bem mais difundida e grave do que se poderia imaginar e está sendo favorecida pela globalização das atividades econômicas ilegais e clandestinas. Hoje, como no passado, essa atividade criminosa envolve organizações e redes nacionais e internacionais, com altos ganhos a custos e riscos baixos para os traficantes. O tráfico de pessoas é praticado em vista de vários âmbitos da economia, legais e ilegais, como a construção civil, a agricultura, o trabalho doméstico, o entretenimento, a exploração sexual e, mesmo, a adoção ou a comercialização de órgãos. As vítimas, geralmente, são atraídas por promessas de


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trabalho e emprego, boas condições de vida em outras cidades ou países. Com freqüência, o tráfico de pessoas está ligado ao fenômeno das migrações e à permanência ilegal e precária em algum país. Capítulo especialmente doloroso representa o tráfico de crianças e adolescentes, praticado por redes que envolvem pequenas vítimas do mundo inteiro. Entidades não-governamentais, que acompanham esta questão, estimam que, na década de 1980, quase 20 mil crianças brasileiras foram levadas para a adoção no exterior; constataram-se numerosos processos fraudulentos nessas adoções. No Brasil, há denúncias de tráfico de crianças e adolescentes destinados à exploração sexual; e continua grande o contingente de crianças de 7 a 14 anos de idade exploradas no trabalho infantil. Algumas características do tráfico humano já foram estudadas. Antes de tudo, ele envolve o crime organizado, com uma complexa estrutura que relaciona meios e fins para facilitar suas atividades; há aliciadores, fornecedores de documentos falsos e de assistência jurídica, transportadores, lavagem de dinheiro... Há rotas nacionais e transnacionais do tráfico de mulheres para a exploração sexual, de trabalhadores ilegais, de crianças, de órgãos. No Brasil, a Região Amazônica apresenta o maior número dessas rotas, seguida pelo Nordeste. O tráfico de pessoas é abastecido por hábeis e convincentes aliciadores, que induzem suas vítimas e as envolvem numa rede, que lhes tira a autonomia e da qual dificilmente conseguem se libertar. Geralmente, há uma boa proposta de emprego e renda no aliciamento. Por ser um crime invisível e silencioso, seu enfrentamento é difícil; as vítimas geralmente não denunciam,

uma vez que elas passam a viver em situação de risco e de constrangimento. Além da vulnerabilidade social e econômica, elas têm sua dignidade degradada. Como enfrentar essa chaga social, que representa um verdadeiro retrocesso cultural e civilizatório? Apesar da gravidade do problema, apenas recentemente ele começou a ser enfrentado seriamente pela sociedade. A partir da segunda metade do século 20, a escravidão no âmbito do trabalho forçado imposto pelas guerras começou a ser debatida em fóruns internacionais, de modo especial na Organização Internacional do Trabalho e na ONU. Com o avanço da globalização, alastrouse ainda mais o tráfico de pessoas, mas também a consciência sobre a necessidade de normas adequadas e eficazes para combater esse tipo de crime. Em 1999, a ONU realizou a Convenção de Palermo, contra o crime organizado transnacional e seus protocolos estão em vigor desde 2003. O Brasil adotou essa Convenção em 2006; desde 2008 tem o seu próprio Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. Há numerosas iniciativas de organizações da sociedade civil que se dedicam ao enfrentamento do tráfico de pessoas. A Igreja também tem suas pastorais voltadas para essa problemática. Em 2014, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promoverá, no período que precede a celebração da Páscoa, a Campanha da Fraternidade sobre o tema do tráfico de seres humanos. Será uma boa ocasião para uma tomada de consciência mais ampla sobre as dimensões e a gravidade do problema e para suscitar iniciativas e decisões para enfrentar essa vergonhosa chaga social em nosso País.


A VOZ DA IGREJA

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TRÁFICO HUMANO Cardeal Orani João Tempesta Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

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Campanha da Fraternidade, que existe há mais de 50 anos, é um evento quaresmal realizado pela Igreja no Brasil, e quer comprometer os cristãos, em particular, e a sociedade em geral na busca do bem comum através do espírito comunitário. Isso só é possível quando acontece a educação para a fraternidade, tendo como ponto de partida a justiça e o amor, que são exigências centrais do Evangelho. Com isso, a consciência do cristão é renovada em vista da responsabilidade pela ação evangelizadora da Igreja, pela promoção humana e por uma sociedade justa e solidária. O tema da Campanha da Fraternidade tematiza o ano todo e serve para aprofundar algumas pastorais afins para que continuem levando adiante os desafios que a CF propõe. No início de fevereiro, a Arquidiocese do Rio de Janeiro apresentou o tema a todos os agentes de pastoral para que concluíssem as preparações iniciadas em todos os vicariatos já no final do ano passado, e assim, fossem os primeiros animadores da CF durante o tempo da Quaresma, que iniciará na Quarta-Feira de Cinzas. É a época que nos apresenta a proposta da conversão, que deve acontecer em três âmbitos: o pessoal, o social e o eclesial. A Campanha da Fraternidade, enquanto evento quaresmal, deve contribuir para que esta proposta seja concretizada. No âmbito pessoal, ela nos leva a tomar consciência a respeito de um grave problema de ordem nacional (e

mundial) e a nos posicionar diante dele. Em âmbito social, nos convida à mobilização e a iniciativas em vista da superação do problema. Em âmbito eclesial, nos convida a adequar a nossa ação pastoral em vista das necessidades do rebanho, em especial àquelas que dizem respeito ao tema abordado por ela. Neste ano, o tema é “Fraternidade e Tráfico Humano”. A liturgia da Quarta-Feira de Cinzas nos mostra os três elementos principais que o tempo quaresmal nos propõe para que a conversão aconteça: a oração, o jejum e a esmola. A oração é um grande canal através do qual a graça divina, elemento fundamental para a conversão, chega até nós. O jejum nos une mais de perto ao Cristo sofredor e nos convida a buscar os verdadeiros valores que devem nortear o nosso existir enquanto peregrinos nesta terra rumo ao Reino definitivo. A esmola é o que transforma o jejum em caridade e nos leva a crescer no amor aos mais pobres e necessitados, tendo como mística o próprio Cristo sofredor, presente neles, pois “todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes” (Mt 25, 40). A Campanha da Fraternidade contribui com o espírito de oração quaresmal através dos seus subsídios litúrgicos, celebrativos e para as mais diferentes formas de reuniões do nosso povo. Contribui também com o jejum, pois nos convida a voltarmos o nosso olhar para valores que nos motivam a buscar mais o perene,


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através de valores que nos levam a contribuir para a superação do sofrimento presente em consequência da absolutização do transitório. Por fim, contribui com a esmola através da realização da Coleta Nacional da Solidariedade, que sempre acontece no Domingo de Ramos e da Paixão, com o objetivo de investir em projetos de solidariedade por todo o nosso país. Com o objetivo de “identificar as práticas de tráfico humano em suas várias formas e denunciá-lo como violação da dignidade e da liberdade humana, mobilizando cristãos e a sociedade brasileira para erradicar esse mal, com vista ao resgate da vida dos filhos e filhas de Deus”, a Campanha da Fraternidade de 2014 quer envolver todas as pessoas, a Igreja e a sociedade no combate a este crime tão degradante, que está presente no seio da humanidade desde os tempos mais antigos e que nunca foi combatido com a devida seriedade, sendo que, muitas vezes, contou com a anuência e o apoio da sociedade em geral e até mesmo das mais diversas instituições políticas surgidas ao longo da história. É um tema social que não é apenas para o interior da Igreja, mas também é a Igreja que profetiza sobre o assunto para nossa sociedade. O teólogo J. B. Libânio, SJ, recentemente falecido, em seu artigo na revista “Vida Pastoral” 295 recordou: “assusta-nos até onde chega a perversidade de traficar seres humanos como se fossem coisas”, e ainda: “a CF-2014 escolheu como tema um desses atos perversos que nos envergonham – o tráfico humano –, a fim de despertar e reforçar na consciência dos brasileiros o repúdio por tal prática.” Este trabalho só terá resultados concretos quando o tráfico humano for identificado em todos os seus elementos, assim como os

diferentes perfis das pessoas traficadas, suas causas forem identificadas, denunciadas e combatidas, forem implantadas políticas públicas de reinserção familiar e social de pessoas atingidas pelo tráfico e trabalhos preventivos forem realizados. E nesse sentido aqui tem a grande responsabilidade do Estado em coibir tal iniquidade. Porém, exige de todos nós uma séria conversão para tomar conhecimento e ter atitudes corajosas diante disso tudo. E termos a consciência de que esses fatos não estão longe de nós: cabe a nós abrirmos os olhos e não sermos coniventes. Sabemos que muitos dos elementos necessários para a superação desta chaga social exigem competência técnica e investimentos pesados, mas, para nós cristãos, o fundamental é a conversão do coração de pedra em coração de carne (cf. Ez 11, 19) para que o amor seja o critério determinante nos relacionamentos humanos, o que só é possível através do trabalho evangelizador que faça com que a Palavra de Deus encontre eco na vida das pessoas. Jesus, no mistério da sua morte e ressurreição, desceu à mansão dos mortos para que a salvação chegasse até eles. Precisamos descer também à mansão dos mortos da nossa sociedade, os excluídos, os esquecidos, os que não têm mais nenhum significado para a sociedade, os que não têm futuro, os que não têm fé, principalmente os que vivem todas essas situações desumanas como consequência do tráfico de pessoas para que esta Campanha da Fraternidade contribua para que saiam da mansão dos mortos que se encontram. Assim, continuaremos a missão do nosso Mestre, que disse: “Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância” (Jo 10, 10).


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