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EDIÇÃO ESPECIAL

COMUNICAÇÕES

A PENHA DAS

MULTIDÕES

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NESTA EDIÇÃO

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03 | IMPRESSÕES DO MINISTRO PROVINCIAL SOBRE A FESTA

08 | A PENHA DAS MULTIDÕES 10 | ROMARIA DOS HOMENS 13 | ROMARIA DAS MULHERES 14 | CARAVANAS DA FÉ

18 | AGRADECIMENTO DE FREI

VALDECIR

20 | FREI FIDÊNCIO ABRE

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A FESTA DA PENHA

22 | DOM VLADIMIR PEDE PAZ 24 | DOM SEVILHA: ‘O SER HUMANO, HOJE, É COVARDE!”

26 | NA “PRAÇA DA FÉ”, UM APELO PELOS JOVENS

30 | TIÃO DE OLIVEIRA EMPRESTA A ALMA DO SEU VIOLÃO À PENHA

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32 | A VIDA EM FRATERNIDADE 33 | O TERÇO DA FESTA 34 | O CONGO DA PENHA EXPEDIENTE

REVISTA DA FESTA DA PENHA Convento da Penha Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil Rua Vasco Coutinho s/n - Vila Velha - ES - CEP 29100-231; Ministro Provincial: Frei Fidêncio Vanboemmel | Vigário Provincial: Frei Estêvão Ottenbreit | Secretário: Frei Walter de Carvalho Júnior Guardião do Convento da Penha: Frei Valdecir Schwambach | Edição, textos e fotos: Moacir Beggo | Diagramação: Cynthia Albano

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VIRGEM DA PENHA, SENHORA NOSSA,

AVE MARIA...

CARÍSSIMOS IRMÃOS E IRMÃS!

S

ão Francisco de Assis, “homem feito oração”, na contemplação do mistério da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, não deixou de privilegiar aquela que gerou para nós o Filho de Deus: Maria Santíssima! O Poverello de Assis, em duas singelas orações por ele compostas, a “Antífona Mariana” que o introduzia à Liturgia das Horas e a “Saudação à Bemaventurada Virgem Maria”, ofereceu-nos, sinteticamente, os núcleos centrais dos tratados mariológicos elaborados ao longo da história da Igreja. Para São Francisco, Maria Santíssima é: a Filha e Serva do Altíssimo Rei; a Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo; a Esposa do Espírito Santo; a Virgem feita Igreja; a escolhida e consagrada pelo Santíssimo Pai celestial; a cheia de graça; o

palácio, o tabernáculo, a casa, a vestimenta, a serva e a Mãe do Senhor; a intercessora junto a seu dileto Filho, Nosso Senhor e Mestre. Maria Santíssima é também apresentada por São Francisco como modelo de vida para os Frades Menores e também para as seguidoras de Santa Clara. Na segunda Carta aos Fiéis, inspirado na santa maternidade de Maria, ele escreve: “Somos mães de Nosso Senhor Jesus Cristo, se com amor e consciência pura e sincera o trazemos em nosso coração e nosso seio e o damos à luz por obras santas que sirvam de luminoso exemplo para os outros” (2CtFi.53). E os companheiros do Santo de Assis complementam: “(Francisco) Tinha um amor indizível à Mãe de Jesus, porque se fez nosso irmão o Senhor da majestade. Consagrava-lhe louvores especiais, orações, afetos, tantos e tais

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que uma língua humana nem podia contar. Mas o que mais nos alegra é que a constituiu Advogada da Ordem, e à sua proteção e guia confiou até o fim os filhos que ia deixar” (2Cel 198). E São Boaventura chega a dizer que, “em Maria, depois de Cristo, (Francisco) depositava toda a sua confiança” (LM 9,3). A mística mariana de São Francisco, fundamentada nos Santos Evangelhos, contagiou e impregnou a vida dos Frades Menores. Por isso, também eles, em todas as missões que empreenderam na Igreja, se confiavam a esta “Advogada” e “Virgem feita Igreja”. Assim, no trabalho catequético e evangelizador, a piedade e a devoção mariana encontraram espaço e acolhida no coração dos fiéis. Em Vila Velha, no estado do Espírito Santo, não foi diferente! O irmão franciscano, Frei Pedro Palácios, fundador do Santuário da Penha, assim que desembarcou na Capitania do Espírito Santo, não apenas encontrou uma gruta estreita para si, mas logo tratou de armar uma tenda (capela) para o Seráfico Pai São Francisco (no colo da ladeira) e outra tenda (ermida) para a 4 www.conventodapenha.org.br

Mãe do Filho de Deus no cume daquele rochedo. Dessa forma, Frei Pedro Palácios subia à ermida para estar a sós com Deus e com a Mãe Santíssima para depois, ao descer da montanha, realizar sua evangelização catequética, ir à Missa aos domingos, confessar-se com os Jesuítas etc. Penso que este homem de Deus conseguiu evidenciar com perfeição em Vila Velha e Vitória aquilo que o Bispo Jacques de Vitry, em 1216, constatou ao ver pela primeira vez os Frades Menores na região de Assis: “Durante o dia, entram nas cidades e aldeias, dedicando-se à vida ativa do apostolado; à noite, voltam a seus eremitérios ou se retiram para a solidão da vida contemplativa” (Vitry, Carta de Gênova, 1216). Segundo o historiador Frei Basílio Röwer, Frei Pedro Palácios “todas as tardes descia para reunir o povo em redor de um pavilhão ou dossel, que fizeram em cima de um grande bloco de granito, e ali colocava o painel de Nossa Senhora da Penha que trouxera de Portugal. Rezava com os assistentes o terço e instruía-os nas verdades principais da Religião” (Cf. Röver, B, -


O Convento/Santuário acolhe o olhar dos corações suplicantes de todos os romeiros, mas também ora e suplica com o olhar terno e materno da Virgem da Penha sobre a realidade da vida que ao seu redor clama por mais vida, justiça, paz, liberdade, não-violência, respeito e cuidado.

Páginas de História Franciscana no Brasil, p. 239). É a “Virgem feita Igreja”, contemplada por São Francisco, que naquelas tardes fazia-se comunhão orante com as pessoas que ali se reuniam para orar e ouvir as catequeses de Frei Pedro Palácios, quando a evangelização e a oração mutuamente se iluminam e se fortalecem. Assim, esta devoção mariana que começou pequena, com o passar dos tempos foi se avolumando a ponto de movimentar, nos tempos atuais, mais de um milhão de romeiros ao longo da Semana do Oitavário e que culmina na segunda-feira da “pascoela”, com a grande Festa da Padroeira. E, diga-se de passagem, que esta festa foi introduzida pelo próprio Frei Pedro Palácios porque, naquele tempo, este dia da “pascoela” era consagrado à devoção franciscana de Nossa Senhora dos Prazeres (Nossa Senhora das Alegrias). Neste ano de 2013, o Senhor me concedeu a graça de participar de todas as principais celebrações da Festa de Nossa Senhora da Penha. Estive presente nas celebrações

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A mística mariana de São Francisco, fundamentada nos Santos Evangelhos, contagiou e impregnou a vida dos Frades Menores. Por isso, também eles, em todas as missões que empreenderam na Igreja, se confiavam a esta “Advogada” e “Virgem feita Igreja”. do Oitavário que se realizavam no Campinho, na chegada e na celebração da grande Romaria dos Homens e das Mulheres na Prainha e ainda na grande Missa de encerramento, também realizada na Prainha. Também me prontifiquei a ajudar os nossos confrades no atendimento das confissões e celebrações na capela do Convento/Santuário de Nossa Senhora da Penha. Assim, atento a tudo, perguntando sobre tudo e, principalmente, rezando com todos nos momentos mais significativos, constatei: 1° - O Santuário/Convento Franciscano de Nossa Senhora da Penha é o grande referencial religioso e ícone do povo católico do Estado do Espírito Santo. A festa é maravilhosa e envolve muitas pessoas (frades, leigos, 6 www.conventodapenha.org.br

Igrejas locais, Prefeituras, serviços públicos, mídia, voluntários etc.). Mas o que faz a Festa de Nossa Senhora da Penha ser o que ela representa hoje é, sem dúvida, o trabalho diário, o atendimento persistente e a acolhida fraterna dos nossos frades que lá vivem a sua vocação franciscana e missão evangelizadora. O Santuário se constrói, se sustenta e se edifica neste árduo trabalho silencioso e abnegado de todos os dias do ano. 2º - O Convento/Santuário foi construído sobre uma grande rocha e diariamente é contemplado por muitas pessoas que circulam por Vila Velha e Vitória. Este Santuário da Mãe de Deus, edificado sobre a rocha, certamente recorda o pedido da parábola de Jesus que encontramos no Evangelho de São Mateus, sobre a necessidade de escutar a sua Palavra: “E ela (casa) não desabou porque estava edificada sobre a rocha” (Mt, 7,25). Mas o Convento/Santuário não só é contemplado, como também ele mesmo contempla: cada janela e cada porta do convento, para quem ali reside, é um olhar voltado para as diferentes realidades do cotidiano da vida circundante: a ponte e as ruas engarrafadas, a cidade que cresce e os edifícios que se levantam, os navios que chegam e partem, o porto que traz desenvolvimento e poluição, o encanto e a beleza do mar e das praias etc. Por isso, este Convento/Santuário acolhe o olhar dos corações suplicantes de todos os romeiros, mas também ora e suplica com o olhar terno e materno da Virgem da Penha sobre a realidade da vida que ao seu redor clama por mais vida, justiça, paz, liberdade, não violência, respeito e cuidado. 3º - A grande rocha que sustenta o Convento/Santuário (tenda de Deus e da sua Mãe Santíssima e modesta morada dos frades) possui um ‘coração’ pulsante que clama por preservação, pois ela é rocha sagrada! Pedra sagrada que possui um coração que lateja em sintonia com os que a escalam e palpita em sinto-


nia com os corações que sobre ela oram, agradecem, suplicam e retornam fortalecidos no peregrinar da fé. Esta rocha não se harmoniza com o ‘rumor’ do turismo moderno, pois ela possui a vocação contemplativa, própria do ermo, para ‘ouvir’ em silêncio a prece e o clamor de todos os corações harmonizados em Deus e na sua Mãe Santíssima. 4º - A festa de Nossa Senhora da Penha é sinal visível da expressão orante de São Francisco de Assis: Maria Santíssima é a “Virgem feita Igreja”. É maravilhoso sentir a presença da Igreja de Deus ao longo de todo o Oitavário: as romarias das áreas pastorais da Arquidiocese de Vitória, as romarias das demais Dioceses, as romarias de outros grupos específicos como: a Vida Consagrada, os portadores de cuidados especiais, os motociclistas, as Forças Armadas (Exército, Aeronáutica e Polícia Militar), os amantes das cavalgadas, o congo etc. Em tudo e por tudo, a Mãe de Deus se fez portadora da voz da Igreja que cantou, rezou e clamou profeticamente por mais paz e menos violência, por mais justiça e respeito à vida e aos direitos das mulheres e jovens. 5º - A grande Romaria dos Homens também possui uma peculiaridade. Ela não pode perder a sua especificidade porque, mais do que nunca, o coração do homem necessita da docilidade e da ternura da alma feminina. Este feminino encantador precisa ser encontrado e/ou reencontrado no caminhar penitencial de fé com aquela que é proclamada e rezada como “Bendita és tu entre todas as mulheres da terra”. 6º - A grande Romaria das Mulheres, com seu encanto, colorido e alegria, mais uma vez engrandeceu a Festa de Nossa Senhora da Penha. Maria Santíssima, aclamada como Mãe, Senhora e Esposa, representa para todas as mulheres romeiras e peregrinas na terra a sacralidade da mulher e sua missão na condução da vida e da história da humanidade. 7º - A Juventude também foi recordada de muitas

Maria Santíssima, aclamada por Mãe, Senhora e Esposa, representa para todas as mulheres romeiras e peregrinas na terra a sacralidade da mulher e sua missão na condução da vida e da história da humanidade. formas ao longo da Festa de Nossa Senhora da Penha, associada ao clamor da Campanha da Fraternidade e à proximidade da Jornada Mundial da Juventude. Os jovens foram estimulados a viver seu protagonismo na construção de um mundo melhor. A espiritualidade mariana vivida por São Francisco de Assis e por ele implantada como parte da mística franciscana, no coração dos seus frades, a partir de Frei Pedro Palácios, encontrou eco no coração do povo capixaba e, hoje, é cantado por todos os peregrinos nesta devoção especial a Nossa Senhora da Penha. Afinal, é um coro de mais de um milhão de vozes que, em nove dias, canta a uma só voz: Virgem da Penha, minha alegria, Senhora nossa, Ave Maria! Ave, Ave, Ave, Ave Maria!

FREI FIDÊNCIO VANBOEMMEL, OFM Ministro Provincial

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A PENHA DAS

MULTIDÕES

O povo capixaba deu, nesta Festa de Nossa Senhora da Penha, outra

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grande demonstração de fé e religiosidade.

urante nove dias, o majestoso Convento da Penha, localizado num penhasco de 154 metros de altitude e a 500 metros do mar, envolto por uma faixa de 50 hectares de mata atlântica, tornou-se o Centro da Igreja peregrina do Espírito Santo. Nos três últimos dias, contudo, a Festa chegou ao auge com as Romarias dos Homens e das Mulheres e a Missa de encerramento. Segundo a organização do evento, somando todos os dias da Festa, 1,5 milhão de pessoas participaram da Festa da Penha, confirmando o crescimento dos devotos, especialmente na Romaria dos Homens. É o maior evento religioso do Espírito Santo e o terceiro maior do país em número de fiéis, atrás somente da Festa de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida do Norte (SP), e do Círio 8 www.conventodapenha.org.br

de Nazaré, em Belém (PA). A Festa da Penha envolve toda a Igreja capixaba. Caravanas das cidades do Norte e do Sul do Estado se dirigem para o Morro, assim como as áreas pastorais da Grande Vitória participam ativamente da Festa da Penha, em meio aos romeiros que vêm de todo o Estado capixaba, de parte de Minas Gerais e Sul da Bahia, para pedir a sua proteção e cumprir as promessas feitas à Mãe de Deus. O dia escolhido por Frei Pedro Palácios para celebrar a festa foi a segunda-feira depois do domingo de Páscoa, dia consagrado naquele tempo à devoção franciscana de Nossa Senhora das Alegrias. Neste ano, que é a 442ª edição da festa, essa data caiu no dia 8 de abril. Segundo o historiador Gomes da S. Neto, antigamente, a cidade da Vitória e a pequena Vila Velha se esvaziavam nos dias da festa porque todos queriam subir a montanha para venerar a Mãe de Deus. “Faltar à festa


era considerado quase um pecado”, diz Frei Basílio Röwer no seu livro “Páginas de história franciscana no Brasil”. Mas, ressalva Frei Valdecir Schwanbach, guardião do Convento, até o século XX não havia as grandes celebrações como as de hoje. “Não era um evento grandioso como é hoje, mas sim uma manifestação de fé dos fiéis que iam para o Convento por amor à Mãe, tudo com muita simplicidade. Também não há registros sobre essa grande quantidade de pessoas que frequentam a festa hoje, mas desde o início, já havia uma liturgia própria em homenagem a Nossa Senhora”, explicou. Segundo Frei Basílio Röwer, a festa consistia em vésperas solenes e Missa solene. Para o sermão era convidado um pregador conhecido e, no ofertório, acontecia de publicar carta de liberdade a escravos. Hoje, mesmos com as grandes celebrações na Prainha, os devotos não deixam de subir o Morro até o altar-mor da Virgem da Penha. Como diz o liturgista Frei Alberto Beckhäuser, subir uma montanha pode representar penitência, esforço de voltar-se para Deus.

OITAVÁRIO Diariamente, às 15 horas, foi realizado o momento devocional franciscano que antecedia a celebração eucarística, no estacionamento do Convento, conhecido como Campinho. Milhares de fiéis participaram deste momento de devocação mariana, que evoca Frei Pedro Palácios. A origem da devoção a Nossa Senhora da Penha teve início em 1558, quando o Frei Pedro Palácios, vindo de Portugal,

chegou a Vila Velha trazendo um painel de Nossa Senhora das Alegrias. Segundo a versão popular, o quadro teria sumido da Gruta onde o Frei morava e, assim, teria indicado o lugar onde deveria ser construído o Convento, no alto de um morro. A edificação da “Ermida das Palmeiras” foi erguida por volta de 1560. O Oitavário é um momento que convoca os devotos à oração e à meditação, como é próprio de um Santuário da graça e do perdão. Faz-se este momento com cantos à Nossa Senhora; acolhimento do povo de Deus; súplicas pelos mistérios realizados em Maria, Mãe de Jesus, na devoção que Frei Pedro Palácios trazia consigo; reflexão de um texto do Concílio Vaticano II; Ladainha de Nossa Senhora; orações e bênção final. Frei Valdecir presidiu o primeiro dia do Oitavário; Frei Fidêncio o segundo dia; Frei Alexandre Rohring, o terceiro; Frei Alvaci Mendes da Luz, o quarto dia; Frei Diego Melo, o quinto; Frei Alberto Eckel, o sexto; Frei Paulo Pereira, o sétimo; e Frei Fidêncio, o oitavo. Destaque para Frei Florival Mariano Toledo, frade do Santuário franciscano do Divino Espírito Santo de Vila Velha, que comandou a animação do Oitavário e das Missas no Campinho com a equipe de músicos do Convento.

A multidão da Romaria dos Homens está próxima do Convento (na página ao lado). Abaixo, o Campinho lotado.

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ROMARIAS

A primeira romaria foi a dos ‘Homens’, que começou em 1958. Nessa época, os romeiros seguiam desde a Catedral de Vitória até o campinho do Convento, e o percurso era permitido apenas para os homens. Atualmente, com o aumento da quantidade de participantes e a permissão para mulheres, o final do percurso é na Prainha. “De umas décadas para cá, essa romaria ficou maior e também surgiram outras, como a dos ‘Militares’, dos ‘Ciclistas’, dos ‘Deficientes’, entre outras. A última foi a das Mulheres, que começou em 1995”, explica Frei Valdecir. O guardião do Convento disse que acredita que o crescimento da população e o incentivo nas igrejas contribuíram para o sucesso atual do evento. “Nas igrejas, nessa época, as pessoas são muito incentivadas a virem para a nossa festa. A divulgação nasce naturalmente. Isso inclui também as romarias. Fiéis de vários pontos do estado chegam para as festividades, além das caravanas. Para se ter ideia, só de Cachoeiro de Itapemirim chegaram 60 ônibus”, contou o guardião.

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ROMARIA DOS HOMENS

O GRANDE MILAGRE DE NOSSA SENHORA DA PENHA

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olocar uma multidão de romeiros nas ruas, rezando e cantando o tempo todo, sem incidentes, não existe em lugar nenhum do mundo. Só pode ser um milagre de Nossa Senhora da Penha. A cada ano que passa, o povo renova sua fé e vai para as ruas numa gigantesca demonstração de fé. Realizada no sábado (6/4), pela 55ª vez, a Romaria dos Homens reuniu, segundo a PM e organizadores, cerca de 500 mil pessoas. Numa noite agradável, o povo, aos poucos, foi chegando no entorno da Catedral dando uma mostra de que seria uma noite inesquecível. A Catedral lotou para a Missa do envio, presidida por Dom Rubens Sevilha, às 18 horas. Às 19h20, Dom Sevilha deu a bênção e pediu ao povo que

caminhasse com Maria e Jesus Ressuscitado com muita calma e, principalmente, levando a mensagem de paz. No “Penha-móvel”, a imagem deixou a Catedral às 19h30. As velas foram acesas num espetáculo de beleza e fé inigualável. Ao mesmo tempo, milhares de luzes se juntavam às velas para deixar a caminhada mais bela ainda. Eram as luzes das máquinas digitais e celulares eclodindo em todas as direções. A Romaria dos Homens de 2013 entrou pra valer nas mídias sociais. Os músicos e cantores do trio elétrico pediram ao Espírito Santo iluminação para garantir a animação e a oração dos romeiros até chegar ao destino final na Prainha que fica ao pé do Morro. Nas ruas mais estreitas do centro de Vitória, a multidão teve calma para esperar que a caminhada ganhasse ritmo. A primeira rua a reunir a multidão na w w w . c o n v e n t o d a p e n h a . o r g . b r 11


partida tem um nome especial: Frei Pedro Palácios, o dono da festa. Quando a marcha dos peregrinos de Maria atingiu a Segunda Ponte e a avenida Carlos Lindenberg, o ritmo foi um pouco mais forte e, duas horas depois, alguns romeiros já chegavam na Prainha ou subiam o Morro da Penha. A grande multidão, contudo, caminhava tranquilamente, rezando e cantando, acompanhando os carros de som. No percurso de 14 quilômetros, o público foi se juntando à marcha. Quem não quis caminhar, mesmo assim foi para as ruas e saudou os romeiros. Muitos jovens, no ano em que a Campanha da Fraternidade aborda o tema ‘juventude e fraternidade’ e no ano da Jornada Mundial da Juventude, estavam nas ruas, grupos uniformizados de comunidades da Grande Vitória. Uma faixa da avenida Carlos Lindenberg ficou para os carros, mas foi difícil para os guardas conseguirem evitar que a multidão não tomasse conta desta faixa. Não havia espaço nas ruas para tanta gente! E essa demonstração de fé prosseguiu calmamente no ritmo da canção consagrada de Pe. Zezinho: “No peito eu levo uma Cruz, no meu coração o que disse Jesus”! Uma multidão preferiu caminhar, mas ficou aguardando na Prainha o povo chegar para participar da celebração eucarística. Neste ano, a imagem só chegou à Prainha por volta das 23h45, quando teve início a Santa Missa presidida por Dom Luiz Mancilha Vilela. É importante destacar que a multidão que se viu na Prainha é apenas uma parte dos romeiros que marcharam depois de 4 horas. Muitos não acompanharam todo o cortejo, outro grupo grande ainda teve fôlego para subir o Morro da Penha. Ao mesmo tempo que as ruas próximas da Prainha recebiam a multidão, outras milhares de pessoas voltavam para suas casas, sem participar da Missa.

No alto, os romeiros passam pelo belo Palácio Anchieta. Ao lado, a multidão participa da Missa de encerramento da Romaria na Prainha. 12 w w w . c o n v e n t o d a p e n h a . o r g . b r


TOQUE FEMININO A bonita festa das mulheres para Nossa Senhora

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ão podia ser diferente. As mulheres deram um espetáculo de beleza, cores e fé na Romaria a elas dedicada no último dia do Oitavário em preparação para a Festa da Penha. Cerca de 100 mil mulheres saíram às 14 horas do Santuário do Divino Espírito Santo e chegaram na Prainha por volta das 16h30, quando Frei Fidêncio Vanboemmel, Ministro Provincial, presidiu o último momento devocional franciscano no Oitavário. Os frades pediram balões e bexigas coloridos para as mulheres carregarem na Romaria. O que se viu foi um “rio” de cores pelas ruas de Vila Velha. Na Prainha, onde já milhares de pessoas esperavam a romaria, a coreografia

ficou completa. A Santa Missa, às 17 horas, foi presidida pelo bispo auxiliar de Vitória, Dom Rubens Sevilha, que havia celebrado duas vezes no Campinho nesta Festa, e teve como concelebrantes os frades do Convento da Penha, o guardião, Frei Valdecir Schwambach, o Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, e o guardião do Santuário do Divino Espírito Santo, Frei Paulo Pereira, além de religiosos, diáconos e seminaristas. Na sua homilia, Dom Sevilha cativou as mulheres logo no início. “Quero dizer para vocês que são lindas! Vocês são as lindas de Deus! Vocês já viram o Pai achar

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um filho feio, a mãe achar uma filha feia? Portanto, todos nós somos amados, queridos e bonitos aos olhos de Deus e é essa beleza que ele quer para cada um de nós. Uma beleza de paz, como acabamos de ouvir na Palavra de Deus. Jesus falou três vezes: ‘A paz esteja com vocês’”, observou. O bispo carmelita pediu paz também para as famílias: “A violência contra a mulher dentro de casa não pode acontecer; é um pecado. E a cidade de Vitória é a capital que está em primeiro lugar no Brasil em violência contra a mulher. Que esse pecado seja erradicado das famílias, que haja mais respeito entre o homem e a mulher e que haja mais paciência e perdão”, denunciou, pedindo paz para o nosso mundo, paz para o Espírito Santo e paz para o nosso Brasil. Ao comentar o Evangelho, destacou que manter a fé é sempre uma luta. “Cada um aqui tem um pedacinho de Tomé no coração. Nós somos seres humanos e tem momento que a gente vacila. Tomé também duvidou. Este Tomé que caminhou com Jesus durante uns três anos, viu os milagres do Messias, sentou-se à mesa com Jesus e ainda assim duvidou. Nós também temos nossos momentos difíceis e, quando isso acontece, parece que Deus se afastou de nós. Mas Deus nunca se afasta de nós. ‘Mesmo quando não vemos, não sentimos, ele está sempre perto de

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nós. Jesus disse: ‘Não seja incrédulo’. E Tomé respondeu: ‘Meu Senhor e meu Deus!’ E ele disse: ‘Você está acreditando porque viu. Bem-aventurados aqueles que não veem e acreditam’. E somos todos nós aqui. Vivemos a presença de Deus na fé. Não enxergamos com os olhos da carne, mas enxergamos com o rosto da alma”, acrescentou, citando uma frase do Papa Francisco: às vezes na vida, os óculos com os quais vemos Jesus são as lágrimas. “Às vezes na vida, as lágrimas são as lentes, são os óculos, que nos permitem enxergar Jesus, enxergar a Deus. Aliás, quem não vai a Deus por amor, irá pela dor. O sofrimento nos aproxima de Deus. Não porque Deus nos castiga, nos corrige. A gente se aproxima de Deus porque a dor nos torna mais humanos, mais humildes. Na dor venceremos a nossa fraqueza, a nossa fragilidade. Na dor nós percebemos como precisamos do outro”, ensinou, despedindo-se carinhosamente das mulheres: “Cada mulher é uma queridinha de Deus, porque em cada mulher Jesus enxerga a mãe dele, Maria”, completou Dom Sevilha.

Dom Sevilha preside a Missa, na Prainha, que encerrou a Romaria das Mulheres. O bispo chamou a atenção para a violência contra a mulher no Espírito Santo, Estado que lidera as estatísticas nacionais.

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CARAVANAS DA FÉ As dioceses de São Mateus, Cachoeiro e Colatina são fiéis à Festa da Penha e fazem grandes caravanas nos dias que antecedem a grande festa da Padroeira.

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odo ano, ainda de madrugada, o povo de São Mateus sai em romaria para o Convento da Penha. Neste ano, os romeiros lotaram 35 ônibus e, às 8 horas do dia 6/4, participavam da celebração eucarística, presidida por Dom Zanoni Demettino Castro, bispo diocesano de São Mateus. O povo peregrino viajou 215 quilômetros, em torno de 3 horas de viagem, para agradecer e celebrar com Nossa Senhora, no alto do Morro da Penha. “A gente vai percebendo que a cada ano vai se tornando mais forte a nossa Romaria”, constatou Dom Zanoni, emendando: “Nós viemos renovar a nossa esperança, Procissão de entrada da Missa de São Mateus. fortalecer a nossa comunhão com toda a Igreja do Espírito Santo e trazer as alegrias do nosso povo. Queremos, sobretudo, oferecer a Deus e a Maria a nossa caminhada de Igreja”, acrescentou. Já Cachoeiro de Itapemirim, à tarde (15 horas), mobilizou uma frota de 60 ônibus para vir até o Campinho do Morro da Penha para agradecer e homenagear Nossa Senhora da Penha. Liderado pelo bispo franciscano Dom Dario Campos, o povo saiu em Romaria ainda na manhã de sábado para participar do Oitavário da Festa da Penha, que começou às 14h30. Dom Dario lembrou que o povo de sua diocese é simples e traz para os braços da Mãe de Deus “nossas lutas e nossas tristezas, como também nossas Dom Décio fala para os fiéis no Campinho da Penha. alegrias e nossas esperanças e todo o nosso trabalho do dia a dia”. Um dia depois, foi a vez de Colatina sair em romaria. À frente, Dom Décio Sossai Zandonade, bispo diocesano de Colatina, que reuniu todos os peregrinos no portão principal do Morro do Convento e subiu com os devotos rezando e cantando. Ele presidiu a celebração eucarística das 9 horas no Campinho. Ele lamentou que, hoje, muitos jovens sejam vítimas da violência. “Se nós temos tanta violência hoje, tantas mortes de jovens, é porque nós, cristãos, ainda não acreditamos na força de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não somos capazes de colocar essa vida nova dentro Dom Dario liderou uma caravana de 60 ônibus de Cachoeiro. da sociedade”, lamentou. 16 w w w . c o n v e n t o d a p e n h a . o r g . b r


ROMARIA DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

Organizada pelo Fórum Estadual de Entidades de Pessoas com Deficiência, a 8ª Romaria das Pessoas com Deficiência da Festa da Penha foi realizada no dia 6/4. Pe. Carlos Barbosa lamentou a decisão do Conselho Federal de Medicina de legalizar o aborto para até três meses de gravidez. “Não optamos nunca pela morte. O cristão grita pela vida. E esse grito de vocês é um grito pela vida”.

ROMARIA DOS CAVALEIROS

Para homenagear e pedir as bênçãos de Nossa Senhora da Penha, não há cansaço. A prova disso foi dada no domingo (31/3) da Ressurreição de Cristo por mais de 1.700 cavaleiros durante a Romaria dos Cavaleiros. Foi a primeira grande manifestação de fé dos romeiros na Festa da Penha. Frei Atamil Campos deu a bênção aos cavaleiros.

ROMARIA DOS MOTOCICLISTAS

Buzinaço e fé fazem uma boa combinação. Pode parecer estranho, mas na Festa da Penha, quanto mais barulho na Prainha, mais chances de chegar a homenagem dos Motociclistas até o altar de Nossa Senhora da Penha no alto do Morro. No domingo (7/4), cerca de 15 mil motoqueiros participaram da Romaria dos Motociclistas. Frei James Ferreira Gomes Neto acolheu e deu a bênção aos motociclistas.

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“A GRATIDÃO É A MEM

“Queremos primeiro, te agradecer, por seres a Mãe do Salvador!” Tantas vezes ouvimos este cântico; quantas vezes ainda o precisaremos cantar, porque muito temos a agradecer! Nosso agradecimento se eleva à Virgem da Penha, que no alto de uma pedra fez sua morada e para seu Santuário atrai anualmente milhares de fiéis que vem para pedir e agradecer as maravilhas que Deus realiza em suas vidas. Mais uma vez, os “festejos da Penha” surpreenderam pela grande quantidade de peregrinos que se colocaram a caminho, rumando para o Convento, nas diversas Romarias, Missas, shows; ou simplesmente, para passar diante da imagem milagrosa da Padroeira e ali fazer uma oração, ou simplesmente, “olhar”! A festa da Padroeira é feita por muitas mãos. Nenhuma é mais importante do que a outra. Todas são fundamentais para que esta festa, que é a terceira maior festa religiosa do Brasil, aconteça sempre com bom êxito. Tantas pessoas se empenham muito tempo antes para que tudo transcorra bem. Muitos voluntários(as), homens e mulheres de extremada boa vontade, não medem esforços, cansaços, às vezes até saúde debilitada, para dar contribuição generosa nos serviços da Festa. A cada ano, percebemos mais e mais a necessidade de todas as equipes trabalharem integradas, praticando o exercício da fraternidade nos diversos trabalhos que compõem a festa. Não é bom que alguém trabalhe isolado. Somos uma grande família! É necessária sempre a mútua ajuda, o interesse pelo outro, a humildade para reconhecer que algo pode ser diferente. Em todos os casos, são dias em que a comunhão e a fraternidade precisam reinar mais do que nunca. O trabalho tantas vezes discreto e silencioso feito pelas diversas equipes, resulta na beleza do todo. 18 w w w . c o n v e n t o d a p e n h a . o r g . b r


MÓRIA DO CORAÇÃO!”

Passada a festa, é momento oportuno para agradecermos a dedicação de tantas pessoas que compõem as diversas equipes: Acolhida, Ministros, Músicos, Cantores, Ornamentação da Capela, dos altares e palcos, Sacristia, Bem-estar, Coleta, Barraquinhas, Corrente da Penha, Mitra de Vitória, Áreas Pastorais, Dioceses do Estado do Espírito Santo, Associação dos Amigos do Convento da Penha, Freis que vieram de São Paulo, menção especial ao Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, trabalho da imprensa, tanto da Província Franciscana, como da imprensa da Igreja Local e do Estado do Espírito Santo, agradecimento também a todos os funcionários do Convento e Lojinha do Convento, pela dedicação especial nos trabalhos durante a festa. Todos aqueles que fizeram algum tipo de doação, seja em espécie, ou em material como flores e tecidos para ornamentação. Não podemos deixar de agradecer ao poder público de Vila Velha, que forneceu e buscou suporte necessário para a realização desta festa magna para o município e todo o Estado do Espírito Santo. Neste ano de 2013, tivemos um número de fiéis superior ao dos outros anos. O tempo também nos ajudou! Não choveu e o sol foi mais ameno. As primeiras gotas de chuvas só vieram depois da Missa de encerramento, realizada na Prainha. Tudo saiu perfeito; os céus nos deram, com certeza, um privilégio especial naqueles nove dias. Louvado seja Deus! Há um provérbio que diz: “A gratidão é a memória do coração”. Certamente, passada a festa, com todas as exigências próprias de uma grande festa, resta a gratidão pelo trabalho alegre que todos desempenharam. A alegria e o espírito fraterno que todos demonstraram nestes dias supera qualquer obstáculo e torna qualquer fardo bem mais leve! FREI VALDECIR SCHWAMBACH, OFM w w w . c o n v e n t o d a p e n h a . o r g . b r 19


FREI FIDÊNCIO ABRE

A FESTA DA PENHA Ministro Provincial, que participou pela primeira vez de toda a Festa, abriu e encerrou o Oitavário.

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pesar do calor e um leve chuvisco na segunda-feira (1/4), o tempo ficou nublado até o final da Festa e os fiéis que participaram do Oitavário, às 14h30, horário mais forte do sol, agradeceram pelo refresco. O Ministro Provincial Frei Fidêncio Vanboemmel presidiu a celebração de abertura. Sacerdotes da região pastoral de Vila Velha, religiosos, seminaristas se juntaram ao povo neste primeiro dia do Oitavário da Festa da Padroeira do Espírito Santo, que neste ano completou 442 anos desde a criação por Frei Pedro Palácios, o franciscano fundador do Convento. O início de festa é sempre marcado por muita devoção e emoção, especialmente no início da celebração quando o guardião do Convento, Frei Valdecir Schwambach, anuncia a chegada da imagem de Nossa Senhora da Penha. Escoltada por crianças vestidas de anjinhos e carregada por quatro jovens, a imagem vestida


com seu manto azul e rosa atravessou a multidão até o altar erguido no Campinho, o estacionamento do Convento, que durante a Festa sedia as grandes celebrações. Frei Fidêncio, que participou pela primeira vez como Provincial da festa, foi apresentado pelo guardião do Convento aos capixabas. Na sua homilia, falou da alegria de se reunir na tarde do domingo de Páscoa: “Todos nós, nesta Semana Santa, participamos do mistério da Paixão e Morte do Senhor e, hoje, com a mãe de Deus, nos reunimos aos pés deste Santuário e, sobretudo, aos pés da Mãe de Deus, para celebrar a ressurreição de Jesus Cristo”, anunciou o Ministro Provincial, que encerrou o Oitavário no domingo, logo depois da Romaria das Mulheres (veja o depoimento de Frei Fidêncio na abertura desta revista). O Ministro Provincial presidiu o último dia do Oitavário, com a Prainha lotada no encerramento da Romaria das Mulheres. Depois de dirigir algumas palavras sobre Maria à grande multidão de mulheres, Frei Fidêncio leu o texto do Concílio Vaticano II, “Dignitatis humanae” (Da dignidade humana), que declara que o direito à liberdade religiosa se funda realmente na própria dignidade da pessoa humana, como a conhecemos pela palavra revelada de Deus e pela própria razão natural.” Frei Fidêncio participou ativamente da Festa da Penha: celebrou na Capela do Convento, participou das celebrações do Oitavário no Campinho e na Prainha.

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PELO FIM DA VIOLÊNCIA

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m clamor tomou conta da Festa da Penha: o fim da violência no Espírito Santo. O primeiro pedido veio do bispo auxiliar de Vitória, Dom Joaquim Wladimir Lo22 w w w . c o n v e n t o d a p e n h a . o r g . b r

pes Dias, no quinto dia do Oitavário e, no sexto dia, voltou a fazer o apelo pelo fim da violência no Estado do Espírito Santo, que hoje é o segundo mais violento do país (veja os dados na página ao lado). Segundo Dom Wladimir, a Mãe, que acolhe a todos no Campinho, está mui-

to preocupada. “Nós moramos no Estado do Espírito Santo e todo mundo sabe que é o segundo estado mais violento do país. Estamos celebrando com a área de Serra, uma cidade muito violenta em diversos setores, por exemplo, o maior índice em acidentes de trânsito e também temos mais


de 115 mil pessoas que sobrevivem graças ao programa bolsa-família, uma violência porque falta emprego. Por isso, a Mãe está preocupada! Porque a Mãe se preocupa com a família, com cada um que é pai, que é mãe e que não consegue dormir enquanto o último filho não chega em casa, por causa da insegurança e da situação que nós vivemos”, lamentou. Segundo o bispo, não se trata de fazer uma denúncia. “Nós estamos aqui para anunciarmos uma esperança, para anunciarmos uma vida nova, para anunciarmos

que temos fé no Ressuscitado, para anunciarmos que nós devemos e vamos agir como cristãos adultos na fé. Nós temos plena confiança que podemos mudar toda essa realidade, podemos mudar toda essa situação. Não é uma denúncia porque nós confiamos plenamente nos prefeitos que estão assumindo agora, nos vereadores, na prefeita do Fundão, no secretário de segurança e no governo estadual”, disse. Dom Wladimir lembrou que a paz é fruto da nossa união com Deus, do nosso relacionamento com nossos irmãos, do

DADOS DA VIOLÊNCIA NO BRASIL

relacionamento, agora muito alertado pelo Papa, com a natureza, com tudo aquilo que é criado e que é obra de Deus. Ele também citou o profeta Isaías que já dizia, há 750 anos antes de Jesus Cristo, que a paz é fruto da justiça. No dia seguinte, fez um novo apelo em favor da vida. Desta vez, lamentou a decisão do Conselho Federal de Medicina (CFM), órgão que regula a atividade profissional de 400 mil médicos no país, que se pronunciou no último dia 21 de março a favor do direito da mulher interromper sua gravidez até o 3º mês. Ele disse que a decisão do CFM entristece o nosso coração, como entristece o coração de Maria e entristece o coração de Deus. “Essa posição é desumana, porque a vida é transmitida. O pai e a mãe nos transmitem a vida. A vida é um dom de Deus, ela pertence a Deus e precisa ser preservada, sim, em todos os momentos, em todas as horas”, lamentou, informando que há uma luz no fim do túnel com a decisão de os médicos católicos do Espírito Santo de elaborar uma proposta contra esta proposição.

O estudo do Centro Brasileiro de Estudos Latino-americanos (Cebela), focaliza os últimos 30 anos de mortalidade por armas de fogo no Brasil. O Gráfico permite verificar as taxas de óbito (para cada 100 mil habitantes) discriminadas por sexo, nas diferentes Unidades da Federação. Vemos que Alagoas destaca-se pelos altos níveis de vitimização masculina. O Espírito Santo e a Bahia também apresentam taxas elevadas. Já o Espírito Santo registra os níveis mais elevados de vítimas de armas de fogo do sexo feminino.

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“CARREGAR A CRUZ

COM ELEGÂNCIA”

Segundo o bispo auxiliar de Vitória, o cristão tem que enfrentar a vida, carregar a cruz com alegria, e não se fazer de vítima, ensinou durante homilia para os religiosos em Missa no Campinho.

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bispo auxiliar da Arquidiocese de Vitória, Dom Rubens Sevilha, participou de quatro grandes celebrações: três vezes no Campinho, e presidiu a Missa de encerramento da Romaria das Mulheres. Um ano depois de sua nomeação, o ex-provincial está muito à vontade com o povo, que o aplaudiu intensamente quando foi anunciado na celebração de encerramento. Ex-provincial dos 24 w w w . c o n v e n t o d a p e n h a . o r g . b r

Carmelitas, Dom Sevilha criou um relacionamento de proximidade, tocou nos corações das pessoas nas suas homilias, falando simples e profundamente. Como na Missa aos Religiosos, onde sua pregação parecia mais um retiro. Segundo o bispo, todos somos, de alguma forma, consagrados a Deus: “Então, fica essa primeira pergunta: como está esse seu ser de Deus. Você é dele mesmo? Qual é o lugar de Deus no seu coração e na sua vida? Qual é o lugar e o papel de Deus na sua vida?”, perguntou.


VIDA CONSAGRADA “Isso não é fácil, não, porque às vezes o coração se desvia de Deus”, acrescentou, já que desejamos coisas fora de Deus e colocamos coisas ou pessoas no lugar de Deus. “E aí já não somos dele. A vida inteira passamos nessa luta. Cada um na sua vocação, essa luta é igual. Quem é casado, a sua luta é para ser fiel à sua família e a sua missão. No nosso caso, somos de Deus de uma maneira especial – e aí a responsabilidade do consagrado aumenta – ao ser um sinal dessa entrega, desse ser de Deus. Se todos somos de Deus, no consagrado, esse ser de Deus tem uma visibilidade maior, deveria se enxergar mais claramente, mais nitidamente. Mais radicalmente como se diz entre nós, na Igreja. Falamos de uma radicalidade, de uma consagração especial. O povo de Deus tem que enxergar isso. É muito bonito nos colocarmos como consagrados, mas é preciso que o povo de Deus, a Igreja, veja no consagrado esta centralidade que Deus é tudo para ele. Ele é o meu tudo. Ele é o mais importante. Minha vida é dele, eu sou Dele. Toda a minha existência é Ele. Tudo que é fora dele, vem em segundo lugar, porque ele está em primeiro. Esse é um dom, um chamado e uma graça. Depende dele, por isso estamos aqui nos pés de Nossa Senhora, porque ela é modelo de consagração”, ensinou.

FIDELIDADE Dom Sevilha mostrou que Nossa Senhora é fiel desde o anúncio do anjo até a descida de Pentecostes e a explosão da Igreja. “Mãe que é mãe não desanima. Dá umas vaciladas, mas não desanima. Nossa Senhora é mãe de verdade e não desanima. Nossa Senhora é modelo. Porque começar é fácil, o difícil é terminar. Na vida é assim. Tudo na vida é fácil no começo, mas ir até o fim é muito difícil!”, enfatizou. Segundo o bispo, um casamento começa com grande festa, lua de mel, assim como a festa da profissão de um reli-

gioso. Tudo é bonito no começo. “Perseverar até o fim que é o desafio. Nossa Senhora é modelo para nós de fidelidade”, explicou.

ALEGRIA Segundo Dom Sevilha, é preciso perseverar com alegria. “Uma vez, quando conversava com uma monja carmelita, sobre alguns problemas, ela me disse: ‘Frei, é preciso carregar a cruz com elegância’. Eu achei bonito, poético, na época. Daí refletindo, pensei, carregar a cruz já está bom, com elegância já está demais! (risos) Mas depois entendi: carregar a cruz com alegria. Nossa Senhora carregou a cruz, a missão dela, com alegria. Essa alegria nós

queremos hoje e pedimos a Nossa Senhora”, rezou.

PESSIMISMO Segundo o bispo, falta alegria no nosso mundo. “Nosso mundo vive a tentação do pessimismo. Essa mudança de época gera pessoas um pouco confusas e aí entra o pessimismo de achar que tudo vai dar errado. Isso é falta de fé. Esse pessimismo de achar que o mundo está indo para o caos. Isso é falta de fé. O que desmonta isso é a perguntinha: E Deus, onde está? Você está negando Deus achando que tudo está mal com esse pessimismo. Esta alegria nos falta pela falta de fé. Você tem mãe, que é Nossa Senhora, você tem irmão, que é Jesus e Deus”, enfatizou.

CORAGEM Dom Sevilha detectou outro problema nos consagrados e cristãos: falta coragem. “Estamos ficando muito acomodados. O ser humano hoje é muito covarde diante da luta, diante da sua missão, diante da vida. O cristão tem que enfrentar a vida. Não se fazer de vítima. Isso é covardia. Para enfrentar a vida temos Deus, o Espírito Santo que nos fortalece com o dom da fortaleza. Enfrentar e caminhar”, pediu.

ALEGRIA NO BEM No final, Dom Sevilha avisou: só há alegria no bem. “Não queiram unir alegria com coisa errada que não funciona. No

nosso mundo de hoje falta alegria porque tem muita coisa errada. Não adianta você ser feliz e alegre no erro. Só há alegria e felicidade no bem. Nas coisas boas. Você quer ser feliz e alegre na sua vida, faça o bem. Você vai ter um monte de problemas, com certeza, mas vai estar feliz. Só no verdadeiro cristão, alegria e sofrimento se unem. Veja Santa Terezinha, São Francisco com a perfeita alegria. Para quem tem fé, alegria e sofrimento combinam. Um não exclui o outro. Fora da fé, alegria e sofrimento se separam”, finalizou, pedindo que Nossa Senhora das Alegrias nos dê a alegria que vem de Deus e a coragem para enfrentar a luta na vida consagrada e nas famílias. “Não estamos sozinhos. Ele está no meio de nós! w w w . c o n v e n t o d a p e n h a . o r g . b r 25


ENCERRAMENTO

NA “PRAÇA DA FÉ”, UM APELO AOS JOVENS O arcebispo de Vitória Dom Luiz Vilela tocou na chaga que incomoda os capixabas e chamou a atenção para o extermínio dos jovens e a violência no trânsito.

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Festa da Penha começou no dia 31 de março e terminou no dia 8 de abril falando da e para a juventude. No ano em que a Igreja do Brasil escolheu como tema a juventude na Campanha da Fraternidade e a poucos meses de se encontrar com o novo Papa Francisco na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, era natural que os jovens não fossem esquecidos. O Arcebispo de Vitória, Dom Luiz Mancilha Vilela, presidiu a Missa do encerramento da Festa da Penha no dia 8, saudando os jovens no início da cele-


bração, na homilia e no final. No meio da multidão, que lotou a “Praça da Fé”, como chamou o arcebispo a Prainha, os jovens mostraram que estão animados e fortalecidos neste momento tão especial para a Igreja. Dom Luiz denunciou o extermínio de jovens e a violência que mata no trânsito, especialmente nas BRs 101 e 262. “Meus queridos jovens. Saúdo a juventude de todo o meu coração. A Juventude, meus queridos irmãos e irmãs, está dizendo: chega de violência! Isso não

é brincadeira. Basta de violência! Ao saudar os jovens, saúdo todos vocês na esperança. Não fiquemos tristes, nós temos esperança de um mundo melhor. Nós cremos num mundo melhor!”, incentivou Dom Luiz. No grande altar montado no palco da Prainha, um grupo de marinheiros da Marinha do Brasil carregou o andor de Nossa Senhora da Penha em procissão pelo meio da multidão, dando início à celebração eucarística às 16 horas, com transmissão pela Rede Gazeta. Logo atrás, uma grande procissão de seminaristas, diáconos, sacerdotes, cinco bispos – Dom Decio Sossai Zandonade (Colatina), Dom Zanoni de Castro (São Mateus), Dom Dario Campos (Cachoeiro de Itapemirim), Dom Rubens Sevilha e Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias, bispos auxiliares de Vitória -, Dom Luiz, além do Ministro Provincial Frei Fidêncio Vanboemmel e do guardião do Convento da Penha Frei Valdecir Schwambach atravessou a multidão. A missa solene contou com a presença de autoridades civis e militares do Estado, como o governador do Estado, Renato Casagrande; o prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda; o prefeito de Vitória, Luciano Rezende; e o prefeito de Cariacica, Geraldo Luzia Junior, o Juninho. Também foi lembrada e saudada pelo arcebispo Simone Modolo, secretária da Cultura e Turismo de Vila Velha.

CONTINUA

Na foto da página ao lado, a imagem da Virgem da Penha chega ao Campinho para a Missa de Encerramento. D. Luiz lamentou pelos panfletos distribuídos contra a devoção a Nossa Senhora.

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FREI VALDECIR SCHWAMBACH

O guardião do Convento, esteve à frente da Festa da Penha, mostrando sua competência e tranquilidade para manter acesa a chama deixada por Frei Pedro Palácios.

O povo deu um show de alegria, beleza e devoção. Agitou os lenços nas cores do manto de Nossa Senhora da Penha: branco, rosa e azul, fazendo uma belíssima coreografia. A celebração foi animada por Frei Florival Toledo e Frei Paulo César Ferreira, que teve o apoio de uma orquestra de músicos que trouxe novos arranjos para cantos tradicionais e agradou em cheio. No dia da solenidade da Anunciação do Anjo a Maria, Dom Luiz frisou que Nossa Senhora nos ensinou a dizer sim. “O sim de Maria é um sim precioso que vem enxugar as lágrimas de tanta gente sofredora, de gente que tem esperança. Um sim que vem trazer coragem àqueles que estão com medo, que vem trazer consolo para todos aqueles que sofrem, e um sim para todos nós, para que nós, com ela, pudéssemos dizer: ‘sim, eu creio’!” Dom Luiz perguntou: por que amamos tanto Nossa Senhora, que, aqui, veneramos com o título bo28 w w w . c o n v e n t o d a p e n h a . o r g . b r

nito de Senhora das Alegrias? “Porque ela nos deu de presente Jesus Cristo, nosso Salvador. Nós cremos em Jesus Ressuscitado, que abriu as portas do céu para nós. Por isso, ela não é só mãe de Jesus, mas mãe de toda a humanidade. Podem dizer o que quiserem. Andaram distribuindo umas bobagens contra Nossa Senhora, mas nós católicos não temos esse negócio, não. Nós amamos a Mãe de Jesus e a nossa Mãe. Pode vir com qualquer escrito!”, denunciou. No momento de ação de graças, Dom Luiz fez uma oração a Nossa Senhora e voltou a pedir pelos jovens. Ele agradeceu aos franciscanos pela organização da festa. Frei Valdecir, por sua vez, não esqueceu de agradecer a todos os patrocinadores, voluntários e ao povo que participou ativamente do Oitavário e desta Santa Missa. A festa terminou com o show de encerramento dos Cantores de Deus e de Eliana Ribeiro.


IMAGENS DA FESTA

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ENTREVISTA

TIÃO DE OLIVEIRA EMPRESTA A ALMA DO SEU VIOLÃO À PENHA MOACIR BEGGO

Se a música é a “alma” da liturgia, na Missa de encerramento da Festa da Penha, não faltou emoção. Com novos arranjos, o grupo de músicos formado para a Festa garantiu beleza e participação da multidão. O responsável pelos arranjos tem um nome conhecido: Tião de Oliveira, filho de Maurício de Oliveira, o ícone capixaba na música e primeiro brasileiro a gravar a obra completa para violão de Heitor Villa-Lobos. Maurício faleceu em setembro de 2009 e deixou como herança uma família de músicos: Tião, os netos Geraldo, Lucas, Eduardo e Antônia. Somente Tião viveu e vive da música. Hoje, aposentado, Tião não toca mais nas noites como fez como músico profissional, mas prefere tocar em shows e conta nesta entrevista que a descoberta da música pastoral é recente. Aos 66 anos, Tião é casado com Emerenciana, que ajudou na Festa como voluntária, e com quem teve uma filha, Antônia, que todo ano empresta sua arte nos teclados na Missa de encerramento. 30 w w w . c o n v e n t o d a p e n h a . o r g . b r

Seu pai, filho e neto de pescadores, teve dificuldades para convencer a família que poderia viver da música. No seu caso, deve ter sido bem diferente e o apoio veio cedo? Tião - De fato, o apoio dele nessa questão foi muito mais confortável do que no caso dele. Mas ele não quis que eu me dedicasse exclusivamente à música e exigiu que eu fizesse um curso superior. Como era seu pai? Tião - Meu pai foi uma pessoa fantástica como todos os filhos amam seus pais. Mas, no caso dele, era muito especial para mim porque nós comungávamos de uma coisa fantástica que havia entre nós: a música. Então, além de pai e filho, nós éramos irmãos músicos. Ele foi o meu grande mestre. Com quantos anos aprendeu a tocar violão? Tião - Eu aprendi mais tardiamente, porque ele, com cinco anos, já tocava cavaquinho. E eu comecei mais tarde, lá pelos 12 anos, embora ele quisesse me ensinar aos 7 ou 8 anos. Mas nessa idade eu queria ser jogador de futebol, como todo garoto. Eu aprendi aos 12 anos, mas aos 13 eu comecei. O fato de ser filho de um ícone da música capixaba e brasileira ajuda ou atrapalha? Tião - Tem dois lados. Veja bem, a penetração se torna mais fácil. Se ele re-


ferenda, a coisa vai... Ao mesmo tempo, carrego essa responsabilidade comigo até hoje, porque tenho de tocar muito. Mas, com sinceridade, quem tocou muito foi ele. Eu simplesmente faço a música como eu gosto de fazer. Você, os netos Geraldo e Lucas, violinistas, e a filha Antônia, pianista, mantêm a obra de Maurício. O DNA da música está no sangue da família? Tião - Isso permaneceu e eles são praticamente músicos também, só que não vivem da profissão. O Geraldo é ortodentista; o Lucas é médico, junto com o irmão dele, o Eduardo, que é muito talentoso e também é médico. O Eduardo e o Lucas são filhos da Ludmila, minha irmã, e o Geraldo é filho da Heloísa. Antônia, a minha boneca, quando era criança, eu quis ensinar violão para ela, mas surpreendentemente ela mostrou que queria ser pianista. A família (a mãe Dona Luiza) ainda mora no Barro Vermelho? Tião - Minha mãe mora na mesma casa em Barro Vermelho, onde viveu com meu pai seus últimos anos. Ela fez questão de não ir para a casa de seus filhos. Quis ficar na casa dela, para cuidar do jardim onde passava horas conversando com meu pai. Qual a sua ligação com a festa da Penha? Tião - Vou te contar uma história que não falei para ninguém. O que me aproximou muito da Penha - e fico meio arrepiado de falar sobre isso - é que, quando eu era garoto, sonhei várias vezes com um padre que se aproximava de mim como que querendo falar comigo. Com medo, eu sempre corria para o quarto de meu pai, que me tranquilizava dizendo que não era nada. Mas eu sempre sonhava e ele acabou me proibindo de ir ao quarto dele. Quando aconteceu novamente, sai correndo, sem fazer barulho, e foi então que vi a imagem de Nossa Senhora da Penha, muito luminosa, na minha frente. Não sei se foi uma coisa de garoto, mas o fato é que aquilo me emocionou muito durante toda a minha vida e nunca mais tive esse sonho. Sempre amei Nossa Senhora, mas como músico profissional nunca tinha comparecido ao Convento para dar uma ajuda, até que conheci o casal Túlio e Rosilene, que me trouxe para tocar na equipe deles no Convento. Na família, o lado de meu pai é católico e da minha mãe é kardecista, embora minha mãe seja católica. Papai era devoto de São Pedro e Nossa Senhora. Qual o estilo musical que prefere? Tião - Eu aprendi a tocar música pastoral com Rosilene. Na mú-

sica profissional, eu adoro jazz, bossa nova. Quantos CDs já gravou? Tião - Não tenho CD solo, mas gravei participações em vários discos, como o de Cláudio Abreu, Documento Capixaba, na música pastoral participei do CD de Frei Florival, como músico e arranjador em seis faixas; e no CD de Marcos da Mata, “Celebrando o Amor I e II”, participei como arranjador e músico em quatro faixas. Eu gosto de fazer arranjos, como aconteceu agora para a Missa de encerramento. Eu me sinto muito feliz de poder ajudar neste festa de nossa Padroeira do Espírito Santo. Você vive da música hoje? Tião - Atualmente estou aposentado. Eu sempre vivi da música e, como músico, toquei muito na noite. Talvez por isso nunca pude tocar aqui no Convento, já que viajava muito e dormia muito tarde. Agora, gosto de tocar mais em shows e não trabalho mais à noite. O que é a música para você? Tião - Acho que Deus foi muito generoso comigo. Me deu de presente a música. Por quê? Eu respiro música 24 horas por dia. Esse verbo sensibilizar não é só no sentido de elevar. É mais profundo ainda. É porque quando se dá um acorde, quando se dá uma frase bonita os ‘cabelos’ dos meus braços se arrepiam. Quando eu ouço um disco, a parte superior onde está a melodia eu gosto muito, mas o que mais gosto é o que está lá dentro: são os contracantos. Deus me deu o dom de perceber e esse ouvido para ouvir. Eu sou muito feliz e agradecido a Deus por esse dom. Como você define o Tião de Oliveira? Tião - Falar de mim é um pouco complicado. Então, vou falar de algumas virtudes e erros meus. Acho que uma virtude é saber respeitar as pessoas que convivem comigo, sendo elas comuns ou não, amigos ou músicos. Se estivesse dirigindo um ensaio, jamais me dirigia aos meus amigos músicos de forma ostensiva. Não sou assim. Mas, ao mesmo tempo, tem o outro lado, pois acho que deveria ser mais esperto. Sou uma pessoa muito tranquila e isso me atrapalha. Por exemplo, se tenho que entregar uns arranjos, deixo tudo para o final. Aí, entro a noite adentro para manter o prazo. Então, gostaria de corrigir isso. Às vezes, a coisa está pegando fogo e eu estou tranquilo (risos). Sou também perfeccionista como meu pai e isso se torna um sofrimento porque quando vou fazer um arranjo, praticamente paro a gravação por detalhes. Digo: “Eh, essa nota poderia ser desse jeito!”. E aí todos reclamam: “Tião, não inventa, está tudo muito bom!”. Mas eu vou lá e mudo a nota na hora da gravação. A perfeição não existe, não é mesmo? É sempre uma meta.

Tião e a filha Antônia no encerramento da Festa da Penha

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A VIDA EM

FRATERNIDADE

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TATIANE BRAGA, NO G1/ES or trás de uma rotina de missas e confissões, os freis franciscanos, que moram no Convento da Penha, em Vila Velha, na Grande Vitória, são o exemplo de vida sem apego aos bens materiais. Devotos de São Francisco de Assis, santo italiano que abdicou de uma vida de luxos, esses cinco religiosos administram o Convento e ainda atendem fiéis através de projetos. Durante a Festa da Penha são esses freis os responsáveis pelas obrigações religiosas e também pelas decisões administrativas. “Nossa vida não é nenhum mistério e nem um bicho de sete cabeças. Atualmente, moramos em cinco religiosos franciscanos e temos um trabalho bastante intenso de celebrações, atendimento a todas as pessoas que sobem ao Convento, como religiosos, fiéis e turistas, que aparecem o ano inteiro”, explicou Frei Valdecir Schwanbach, guardião do Convento. A casa dos frades é conhecida pela característica de clausura. “Na área do claustro existem as celas, e é um espaço bastante restrito. É o local onde nós dormimos, mas acaba sendo suficiente para comportar nossas coisas, que não são muitas”, explicou o franciscano. Um dos cômodos da residência é a Sala Capitular, usada para tomar decisões importantes no espaço religioso. “Nessa sala fazemos uma reunião que tem caráter jurídico, registrado em ata, e é no Capítulo que a fraternidade toma as decisões de trabalho e faz projetos de vida dessa fraternidade”, disse. Em uma pequena capela, os freis fazem as orações diárias e encaram como parte do trabalho. “Na capela, nós rezamos a oração das Horas ou a oração do ofício, já que o ofício é um trabalho”, explicou o guardião. Os religiosos se revezam entre celebrações de missas, atendimento no confessionário e administração do convento. Para ajudar na rotina, os freis recebem ajuda de funcionários do Convento para a preparação dos alimentos e limpeza. “O tempo que ganhamos por termos pessoas nestes serviços, deve ser devolvido para as outras pessoas que precisam de nós também”, contou. Mesmo morando em local afastado da população, os freis explicaram que sempre estão à disposição dos fiéis para atendimento. “Estamos abertos para as pessoas que nos procuram. Também ajudamos as comunidades mais necessitadas de Vila Velha e ainda outros lugares que pedem a nossa ajuda. Vamos onde houver a necessidade dos nossos serviços”, finalizou o guardião. 32 w w w . c o n v e n t o d a p e n h a . o r g . b r


O TERÇO DA FESTA

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ela 16ª vez consecutiva, o médico Osmar Sales liderou uma equipe de 15 voluntários para levantar o símbolo que já está se tornando uma tradição durante a festa: o terço gigante entre as palmeiras do

Campinho. Depois de preparar e corrigir todos os detalhes da obra até a madrugada do dia 30 de março, no dia seguinte o terço já era admirado pelos visitantes e peregrinos do Convento. Neste ano, Osmar escolheu dois símbolos de duas devoções muito populares: o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria. “O coração de Maria, cheio de alegria, glorifica o Senhor e a cruz e o coração de Jesus abraçam e salvam amorosamente a humanidade”, revela o autor da obra, que escolheu pela segunda vez esses símbolos. Osmar começa a trabalhar na confecção do terço com três meses de antecedência e, na proximidade da festa, envolve toda a família: a esposa Célia, os filhos Artur e Stefany. “Nesses dias, minha casa parecia uma quadra de escola de samba”, brinca Célia. As 59 contas do terço foram produzidas em forma de flores de alumínio. Foram cortadas uma a uma. Para evitar qualquer imprevisto, principalmente nestes dias chuvosos, essa estrutura de quase 50 quilos é sustentada por um cabo de aço. A novidade neste ano é a iluminação do terço por lâmpadas de LED, fazendo com que possa ser visto da 3ª Ponte. “Serão duas mil lâmpadas em branco e azul. As duas cores representam o manto de Maria. Segundo o guardião do Convento, Frei Valdecir Schwambach, as correias que seguram a estrutura ficarão presas nos coqueiros permanentemente para que se evite o desgaste dos troncos com as subidas e descidas. “Hoje não podemos ficar sem o terço. Ele foi incorporado à Festa, pois além de ser um elemento decorativo, ele agrega também o aspecto devocional de Nossa Senhora da Penha”, explicou.

VEJA NA CONTRACAPA O TERÇO ILUMINADO À NOITE. w w w . c o n v e n t o d a p e n h a . o r g . b r 33


A FESTA DO CONGO

Todo ano, o guardião do Convento da Penha Frei Valdecir Schwambach faz questão de receber as bandas de congo do Espírito Santo. Neste ano, não foi diferente ao dar as boas-vindas e a bênção de Nossa Senhora da Penha. “Que essa dança e esse canto cheguem a Deus com o nosso louvor”, saudou. As bandas de congo “Tambores de Jacaranema”, “Beatos de São Benedito” e a “Associação Cultural Esportiva e Recreativa Beatos do Espírito Santo” subiram o Morro da Penha no dia da Padroeira e foram recebidas às 9 horas pelo guardião.

Mestre Alberto Pego, dos “Tambores de Jacaranema”, agradeceu pela acolhida e falou em nome das bandas: “Como vocês sabem, esse é um momento muito esperado pelas bandas de congo durante o ano inteiro. Vamos agradecer novamente ao Frei Valdecir, que, depois de ter chegado aqui, abriu mais espaço para as bandas de congo. Vocês sabem que essa manifestação é a manifestação dos excluídos, dos pobres e dos desvalidos, dos escravos que através da sua fé e da sua cultura conseguiram chegar no mais alto do altar. Essa festa era tradicional e foi perdida no século passado. Há pouco mais de 20 anos a gente conseguiu retomar essa tradição em toda Festa da Penha”. Frei Valdecir, então, convidou as porta-bandeiras para subirem ao palco e, depois de cantar “Maria de Nazaré”. Atualmente, no Espírito Santo existem 60 bandas. É praticamente o único Estado com esta tradição musical.

DEVOÇÃO ROMARIA DOS CICLISTAS Frei Atamil Campos acolheu e deu a bênção aos ciclistas.

ROMARIA DOS MILITARES

Na quarta-feira (3/4), um pouco antes do momento devocional franciscano, às 14h30, a Romaria dos Militares foi acolhida pelo guardião Frei Valdecir. 34 w w w . c o n v e n t o d a p e n h a . o r g . b r

FREI PAULO


IMAGENS DA FESTA

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