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Qual é o processo? Nas palavras deste homem, o processo é este: ele nos diz que Deus fará estas coisas conosco, colocando-nos num ginásio. Esse é o sentido original da palavra que é traduzida como "exercitar", e apresenta um quadro maravilhoso. Dizem que a raiz desta palavra "ginásio" é uma palavra que significa "ser completamente desnudado". Então, o quadro que temos aqui é o de alguém que é levado para um ginásio e ali ordenam que se desnude completamente. Por que devemos fazer isso? Por duas razões principais. Obviamente, a primeira é que possamos realizar os exercícios sem o impedimento de roupas. "Deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia". Mas há mais uma razão porque devemos nos desnudar. Nós não entramos nesse ginásio por conta própria para fazer os exercícios. O Instrutor nos leva, e Ele nos examina. Ele nos examina para verificar se há equilíbria e simetria em nossa forma física. Os gregos se interessavam muito por isso. Iam aos ginásios para cultivar o corpo, e a simetria das proporções físicas. Então o Instrutor nos desnuda para ver em que áreas precisamos de um pouco de exercício extra para desenvolver certos músculos, ou corrigir um defeito de postura. Este é o quadro apresentado aqui. Estamos num ginásio, e o Instrutor está olhando para nós, dizendo o que devemos fazer e fazendonos passar pelos exercícios. Sinto que há aqui uma espécie de quadro duplo; pelo menos podemos usar este quadro de duas formas diferentes. Podemos pensar nele simplesmente em termos de um homem que precisa de exercício. Ele foi negligente com seu corpo, foi indolente e frouxo num sentido físico, então o instrutor o leva para o ginásio e o faz passar pelos exercícios para que ele possa desenvolver uma forma física perfeita. Mas não posso deixar de sentir, à luz do contexto, que aqui há mais uma sugestão. Observem os versículos doze e treze: "Portanto tornai a levantar as mãos cansadas, e os joelhos desconjuntados, e fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que manqueja se não desvie inteiramente, antes seja sarado". Não posso deixar de visualizar aqui o quadro de uma pessoa que está sofrendo de alguma doença das articulações. Observem que menciona joelhos desconjuntados, e parece haver uma fraqueza geral. Esta pessoa ficou enferma, com problemas nas juntas; e quando este é o caso, em geral observamos que não só o joelho é fraco, mas os músculos à volta dele se tornam débeis. Vejo aqui, então, um quadro maravilhoso do que chamamos de fisioterapia. Não só é necessário tratar da enfermidade das juntas, mas também o paciente precisa submeter-se a vários exercícios e movimentos. Massagens apenas não são suficientes; é preciso levar o paciente a fazer a sua parte, movimentando-se ativamente. Vamos manter estas duas idéias em mente, enquanto examinamos o ensino em detalhe. Este homem diz que Deus, ao fazer as coisas que está fazendo conosco, está de certa forma nos colocando num ginásio espiritual. Ele nos desnuda, Ele nos examina, e sabe exatamente o que precisamos. Agora tudo que precisamos fazer é nos submeter a Ele e fazer exatamente o que Ele nos diz. Ouçam o Instrutor, façam os exercícios, e se fizerem isso, obterão o "fruto pacífico de justiça". O que significa tudo isto? Se for interpretado, significa que a primeira coisa que precisamos fazer é examinar a nós mesmos, ou nos submeter ao exame da Palavra de Deus. No momento em que uma adversidade nos sobrevêm, devemos dizer: "Estou no ginásio. Alguma coisa deve estar acontecendo. O que está errado? Qual é o problema?" Essa é a maneira em que o cristão sempre deveria reagir quando enfrenta uma adversidade — seja doença, acidente, fracasso, uma decepção, a morte de alguém. Não importa o que seja: na base deste ensino, a primeira coisa que devo dizer a mim mesmo é: 'Por que isso aconteceu comigo? Será que me desviei em algum ponto?" Se lermos o Salmo 119, encontraremos o salmista dizendo: "Foi-me bom ter sido afligido. . . Antes de ser afligido, andava errado; mas agora guardo a tua palavra". Ele não tinha percebido que estava se desviando, mas sua aflição o fez pensar, e ele diz: "Dou graças a Deus por isso, está sendo bom para mim, tornei-me uma pessoa melhor por causa disso; eu estava me desviando". Portanto, sempre devemos, antes de tudo, examinar a nós mesmos, e dizer: "Será que tenho sido negligente em minha vida espiritual, tenho me esquecido de Deus? Será que me tornei presunçoso e satisfeito comigo mesmo? Será que pequei, que fiz alguma coisa errada?" Devemos examinar a nós mesmos, profundamente, tentando descobrir a causa. Nada disso é motivo de alegria, como nos diz o autor, mas precisamos vasculhar a nossa vida, examinar as profundezas do nosso ser, por mais doloroso que seja, para ver se há algum ponto em que temos nos desviado sem o perceber. Precisamos enfrentar a situação com honestidade. Segundo, precisamos reconhecê-lo e confessá-lo a Deus. Se discernirmos o pecado, se descobrirmos o problema, se encontrarmos indolência ou qualquer outra coisa errada ou indigna, devemos imediatamente ir a Deus, confessando-o com sinceridade e de forma completa. Esta é uma parte vital dos exercícios, e nunca nos recuperaremos, se não fizermos isso. Deus ordena que o façamos, então vamos fazê-lo. Vamos diretamente a Ele. Pode também incluir a necessidade de procurar outra pessoa; pode significar ter que pedir perdão, ou confessar alguma coisa. Nem sempre significa isso, mas se Deus nos mandar fazê-lo, precisamos fazê-lo. Devemos prestar ouvidos à voz em nosso espírito (a voz do Instrutor no ginásio) — a voz de Deus falando conosco; e ao nos examinarmos, devemos prestar atenção a ela e dizer: "Eu o farei, custe o que custar". Devemos realizar os exercícios nos mínimos detalhes. Devemos reconhecer o erro, o fracasso, e confessar o pecado a Deus. E depois? Bem, tendo feito o que podemos chamar uma espécie de processo de desprendimento, agora começamos a fazer exercícios positivos. Chegamos ao versículo doze: "Portanto" (observem a lógica do argumento) "tornai a levantar as mãos cansadas, e os joelhos desconjuntados". Este é o Seu modo de nos dizer que devemos ter domínio próprio, que devemos ser firmes, andar eretos, ser vigorosos. Minha ilustração das juntas se prova muito útil neste ponto. Qualquer pessoa que já teve reumatismo em alguma forma sabe que todos instintivamente tendemos a proteger e cuidar de membros doloridos. Se sinto dor no meu joelho, evito dobrá-lo. Todos protegemos e resguardamos áreas doloridas. E fazemos exatamente a mesma coisa espiritualmente. O que este homem nos exorta a fazer, portanto, no versículo doze, é parar de proteger nossas juntas doloridas! Movimento é a melhor coisa para elas num certo estágio. "Portanto tornai a levantar as mãos cansadas, e os joelhos desconjuntados". "Mas", diz alguém, "não tenho a força nem o poder para fazer isso". Não tem? Pois o Instrutor diz: "Erga-se, endireite-se, esteja pronto para se movimentar; quanto mais se mover, melhor será". Isto é algo que é literalmente verdade na esfera física, e sempre vamos receber essa instrução de qualquer

Depressão Espiritual - D. M. Loyd Jones  

livro evangélico

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