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vir de muitas maneiras. Pode vir através das circunstâncias, pode assumir a forma de uma perda financeira ou algum problema em nossos negócios ou profissão; pode vir como algo que nos abate e nos deixa perturbados e perplexos; pode vir mediante um desapontamento ou decepção pessoal — a traição de um amigo ou o desmoronamento de alguma profunda esperança que tivemos em nossa vida. Pode vir por meio de doença. Todavia, aqui devo repetir e enfatizar que não estou dizendo que todas essas coisas são necessariamente sempre produzidas por Deus. Não estou dizendo isso. A Bíblia não ensina que tudo que as pessoas sofrem é enviado por Deus; ela ensina que a doença pode ser enviada por Deus, e que Deus às vezes nos corrige por meio dela, bem como através dessas várias outras circunstâncias. Quero deixar isso bem claro. Deus pode usar qualquer uma dessas coisas, mas elas obviamente acontecem com todos, e portanto nunca devemos dizer que qualquer acontecimento desagradável é necessariamente uma correção de Deus. Há, então, maneiras erradas de se reagir a provações, tribulações e correções. Quais são elas? O autor menciona três. A primeira é o perigo de desprezar. Encontramos isso no quinto versículo: "Filho meu, não deprezes a correção do Senhor". Essa é a primeira forma errada de reagir à correção — é encará-la de forma leviana, não lhe dando atenção; colocá-la de lado como algo sem importância, não a levando a sério — apresentando uma fachada de coragem, por assim dizer, não permitindo que a correção nos afete. Vamos pela vida, de forma às vezes descuidada, quando uma dessas coisas nos acontece, mas em vez de analisá-la e considerá-la, permitindo que faça a sua obra em nós, fazemos o possível para ignorá-la, livrar-nos dela ou encará-la com leviandade. Isso é certamente algo que não precisa ser enfatizado, pois é talvez a reação mais comum a provações e tribulações hoje em dia. Estamos vivendo numa época em que as pessoas têm medo de verdadeiras emoções. É uma era muito sentimental, mas há uma diferença fundamental entre sentimentalismo e emoção. Uma dureza, um empedernimento penetrou na vida. Estamos sempre tentando "fortalecer" nossos nervos e emoções, e consideramos antiquado, ter emoções. O mundo se tornou duro, e todo o modo de vida hoje em dia mostra isso muito claramente. Muitas das coisas que estão desgraçando a vida hoje não poderiam acontecer se as pessoas fossem sensíveis — se tivessem um mínimo de sensibilidade. Mas, nós nos comportamos de maneira estóica, e mostramos essa fachada de coragem, e o resultado é que quando as coisas não vão bem e Deus está nos corrigindo, não prestamos atenção. Encaramos a correção com leviandade, e em vez de prestarmos atenção, nós deliberadamente a ignoramos, não permitindo que nos perturbe. As Escrituras nos advertem a respeito disso de forma muito definida e solene. Não há nada mais perigoso para a alma do que cultivar essa atitude impessoal a respeito da vida, que é tão comum hoje em dia. É por causa disso que as pessoas hoje têm um apego tão frágil ao marido ou à esposa, um apego tão tênue à família. É por causa disso que podem abandonar suas responsabilidades e pisotear as coisas sagradas. Essa atitude impessoal para com a vida é ensinada e incentivada deliberadamente, é considerada a marca de um verdadeiro cavalheiro ou uma verdadeira madame — o tipo de pessoa que é cercada por uma concha de aço, que nunca expressa qualquer emoção, e que parece não ter uma verdadeira sensibilidade. E essa atitude pode penetrar a vida cristã e levar pessoas a desprezar até mesmo a correção do Senhor. Elas a encaram com leviandade, recusam-se a dar-lhe atenção ou então a ignoram. A segunda reação falsa à correção é esta: "E não desmaies quando por ele fores repreendido", ainda no quinto versículo. Esta é uma citação do Velho Testamento, do livro de Provérbios, e se refere ao perigo de ficar desanimado com a correção, o perigo de desmaiar por causa dela, o perigo de desistir e se entregar, o perigo de se sentir desesperançado. Todos estamos familiarizados com isso. Algo acontece conosco e dizemos: "Eu não posso suportar isto". O coração desanima, e aquilo nos esmaga. Nós desistimos e nos entregamos; desmaiamos por causa da correção e ficamos completamente desanimados. Isso, por sua vez, nos leva à tendência de questionar por que aquilo aconteceu, e se Deus está sendo justo. Nós reclamamos, resmungamos e ficamos ressentidos. Essa era a condição destes hebreus cristãos. Diziam: "Nós pensávamos que quando nos tornamos cristãos, íamos passar a ter uma vida maravilhosa, mas vejam o que nos está acontecendo! Por que estas coisas acontecem conosco? Estaria certo? Será que essa fé cristã é verdadeira?" E eles estavam começando a voltar à sua velha religião. Essa é a razão porque esta epístola foi escrita — porque eles estavam desanimados por causa das suas provações. Estavam desmaiando porque o Senhor os tinha provado. "Não desmaiem" — "não desmaies quando por ele fores repreendido". Esse sentimento de desespero tende a se infiltrar, e dizemos: "Tudo isto realmente é demais para mim. Não posso continuar. Ah, quem me dera asas como de pomba! voaria, e estaria em descanso". Todos conhecemos esse sentimento; reagimos assim com demasiada frequência à correção do Senhor, em vez de enfrentá-la da forma como este homem nos aconselha a fazer. Somos muito rápidos em erguer as mãos para o alto e dizer: "Não, não posso, isto é demais. Por que, por que sou tratado desta maneira?" No entanto, não somos os primeiros a sentir isso. Leiam os Salmos e verão que o salmista atravessou essa fase muitas vezes. Mas é completamente errado, uma reação muito falsa à correção e disciplina do Senhor, e à maneira paternal como Ele nos trata. A terceira reação errada é mencionada no versículo quinze: "E que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem". Esta é uma outra reação que, infelizmente, todos conhecemos muito bem. Há pessoas que reagem às provações, testes e correções da vida, ficando amarguradas. Não conheço nada mais triste na vida, e certamente não há nada mais triste na minha vida e obra e experiência como um ministro de Deus, do que observar os efeitos das tribulações e provações na vida de certas pessoas. Tenho conhecido pessoas que, antes de serem assaltadas por infortúnios, pareciam muito amigáveis e simpáticas, mas observei que quando tais coisas lhes aconteceram, tornaram-se amargas, egocêntricas, difíceis — até mesmo para com aqueles que tentaram ajudá-las e estavam ansiosos por fazê-lo. Elas se voltaram para si mesmas, sentindo que o mundo todo estava contra elas. Tais pessoas não podem ser ajudadas; a amargura entra em suas almas, aparece em seus rostos, e até mesmo em suas aparências. Uma completa mudança parece se dar com elas. Muitas vezes nós inconscientemente proclamamos o que somos pela maneira como reagimos às coisas que nos acontecem. Estas coisas que nos acontecem na vida provam-nos no mais profundo do nosso ser, e revelam se realmente somos filhos de Deus ou não. Aqueles que não são filhos de Deus geralmente ficam amargurados quando lhes sobrevêm infortúnios. Às vezes, temporariamente, até mesmo os filhos de Deus reagem assim, e precisam ser advertidos a respeito desta reação à disciplina e provação — a respeito, do perigo desta raiz de

Depressão Espiritual - D. M. Loyd Jones  

livro evangélico

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