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provações como parte da disciplina de Deus. Não estou dizendo que é inevitável — estou dizendo que pode ser assim. Mas às vezes Deus faz isso conosco com o objetivo de nos preparar para algo. É uma regra das Escrituras, uma regra que é confirmada e exemplificada pela longa história da Igreja e seus santos, que quando Deus tem uma tarefa particularmente grande ou difícil para um homem, Ele geralmente o prova. Não importa que biografia escolhamos, podemos examinar a vida de qualquer homem que foi usado por Deus de forma notável, e descobriremos que houve um período de severos testes e provações em sua experiência. É como se Deus não Se arriscasse a usar um homem assim sem primeiro estar certo e seguro ao seu respeito. Então, alguém talvez tenha que passar por este tipo de experiência devido a uma tarefa especial que está à sua frente. Observem José e as coisas que aconteceram com ele. Poderiam imaginar um tipo de vida mais triste e desalentador? Todos pareciam estar contra ele. Seus próprios irmãos lhe tinham inveja e tentaram se livrar dele. Foi levado ao Egito, e lá as pessoas se voltaram contra ele. Nada fez de errado, mas por ser o que era, tudo se voltou contra ele. Mas em tudo isso Deus estava apenas preparando Seu servo para a grande posição que tinha para ele. E foi assim com todos os grandes homens da Bíblia. Vejam o sofrimento de um homem como David. Digo mais: olhem para a vida de qualquer um deles e descobrirão que foi cheia de provações e dificuldades. O apóstolo Paulo não foi exceção. Observem a lista de seus sofrimentos e provações em Sua Segunda Epístola aos Coríntios, capítulos onze e doze. Sempre tem sido assim. Parece também, a julgar pelos ensinamentos das Escrituras e as vidas dos santos, que Deus às vezes prepara um homem para uma grande provação desta maneira. Quero dizer que Ele o prepara para uma grande provação através de provações menores. É nisso que posso ver o amor de Deus brilhando gloriosamente. Há certas grandes provações que surgem na vida, e seria terrível para alguém ser lançado nelas repentinamente, de uma vida calma e tranquila. Então Deus, às vezes, em Sua ternura e amor, envia provações menores para nos preparar para as maiores. "Sendo necessário": se se provar necessário, se Deus, olhando para nós como nosso Pai, perceber que isso é justamente o que necessitamos no momento. Assim começamos com esse grande princípio, que Deus sabe o que é melhor para nós, e o que é necessário. Nós não podemos ver, mas Deus sempre vê, e, como nosso Pai celestial, Ele vê a necessidade e prescreve a provação adequada, que irá resultar para o nosso bem. Agora vamos passar para o segundo princípio, que é o precioso caráter da fé. Pedro diz no sétimo versículo que essas coisas aconteceram — essas "várias tentações" — para que "a prova da Vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo". Como isso é importante — o precioso caráter da fé! Ele ressalta isso em sua comparação com o ouro. "Olhem para o ouro", ele diz. "O ouro é precioso, mas não tão precioso quanto a fé". Como ele estabelece isso? Ele mostra que o ouro é algo que um dia vai desaparecer. É apenas temporário, não há nada de permanente nele, ainda que seja maravilhoso e de muito valor. Mas a fé é eterna. O ouro vai perecer, mas a fé permanecerá. A. fé é algo que é duradouro e eterno. Aquilo através do que vivemos, diz o apóstolo, é o que é responsável por estarmos na vida cristã. Vocês estão nesta posição de fé, ele diz, e não percebem como isto é maravilhoso e admirável. Andamos pela fé, toda a nossa vida é uma questão de fé, e aos olhos de Deus isso é tão precioso, tão maravilhoso, que Deus quer que seja absolutamente puro. Purificamos o ouro através do fogo. Eliminamos todas as impurezas ao colocar o ouro no crisol, ou na fundição, submetendo-o a um alto grau de calor; assim tudo que é impuro é removido, permanecendo apenas o ouro. Seu argumento, então, é que se fazemos isso com o ouro que perece, quanto mais precisa ser feito com a fé. Fé é esse princípio extraordinário que liga o homem a Deus; é o que livra o homem do inferno e o leva para o céu; é a conexão entre este mundo e o mundo por vir; a fé é esse elemento místico e admirável que pode tomar um homem morto em delitos e pecados, e fazer dele uma nova criatura, um novo homem em Cristo Jesus. É por isso que é tão preciosa. É tão preciosa que Deus quer que seja absolutamente perfeita. Esse é o argumento do apóstolo. Então, enfrentamos essas várias tentações e provações por causa do caráter da fé. Quero expressar isso de forma um pouco diferente. Vimos que nossa fé precisa ser aperfeiçoada. Portanto, devem existir níveis de fé. Há diferenças na qualidade da fé. A fé é multiforme. No princípio, em geral temos muita mistura no que chamamos de nossa fé; há muito da carne nela, ainda que não tenhamos consciência disso. E à medida que aprendemos essas coisas, e progredimos nesse processo, Deus nos faz passar por períodos de testes. Ele nos testa através de provações, como se fosse pelo fogo, para que as coisas que não pertencem à essência da fé sejam eliminadas. Podemos achar que a nossa fé é perfeita, e que podemos enfrentar qualquer coisa. Mas de repente surge uma provação, e nós falhamos. Por quê? Bem, isso é uma indicação de que o elemento de confiança em nossa fé precisa ser desenvolvido; e Deus desenvolve a confiança em nossa fé mediante essas provações. Quanto mais enfrentamos estas coisas, mais aprendemos a confiar em Deus. Nós confiamos nEle naturalmente quando tudo vai bem, mas chega o dia quando as nuvens escurecem os céus, e começamos a questionar se Deus ainda nos ama e se a vida cristã é realmente o que imaginávamos. Ah, nossa fé ainda não tinha desenvolvido o elemento da confiança, e por isso Deus trata conosco nesta vida de forma a nos levar a confiar nEle nas trevas, quando não podemos ver luz alguma, e cara nos levar ao ponto em que possamos dizer com confiança: Quando tudo parece estar contra nós, Para nos levar ao desespero, Sabemos que há uma porta aberta, E um ouvido que escuta nossa oração. Isso é verdadeira fé, isso é confiança real. Observem um homem como Abraão. Deus tratou com ele de tal forma que ele pôde "esperar contra a esperança", Ele confiou em Deus de forma total e absoluta, quando todas as aparências indicavam o contrário. E isso precisa ser desenvolvido em nós. Não começamos assim, mas ao atravessarmos essas experiências descobrimos que "por trás de uma providência carrancuda, Ele esconde o rosto de um Pai", e quando as provações voltam, permanecemos calmos e controlados. Podemos dizer: "Sim, eu sei que não posso ver o sol, mas sei que ele está lá. Sei que atrás das nuvens o rosto de Deus está voltado para mim". É por meio dessas provações que esse elemento de confiança é desenvolvido em nós. É exatamente o mesmo com o elemento de paciência, ou perseverança, a capacidade de perseverar e ir em frente apesar de desânimo e abatimento. Esse é um dos maiores testes que um cristão pode enfrentar. Não somos

Depressão Espiritual - D. M. Loyd Jones  

livro evangélico

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