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métodos. Dizem que precisam estimular-se para sair daquilo, então inventam algum projeto novo. Vocês já não viram isto muitas vezes nos anúncios que ficam do lado de fora de certas igrejas? Não podem pensar imediatamente em certas igrejas que estão sempre anunciando coisas novas ou achando novas atrações? Tais igrejas estão obviamente vivendo de estimulantes artificiais, e tudo é feito com esta idéia em mente. O pastor ou alguma outra pessoa responsável disse: "Estamos numa rotina, estamos ficando estagnados. Que podemos fazer a respeito? Bem, vamos fazer isto ou aquilo. Assim providenciaremos trabalho e atividade, haverá um novo interesse". Ora, esse tipo de pensamento na vida espiritual ou na vida de uma igreja, só pode ser comparado a uma coisa no nível natural, isto é, ao homem que recorre à bebida ou às drogas para despertar seu entusiasmo ou provocar alguma emoção. Obviamente esta é uma tentação muito sutil e perigosa. Parece tão plausível, parece ser exatamente o que precisávamos, e no entanto, é claro, o terrível engano atrás disso, num sentido científico, é que na verdade estamos nos desgastando cada vez mais. Quanto mais um homem depende do álcool, ou das drogas, mais ele esgota a sua energia natural. Além disso, à medida que ele se esgota mais e mais, ele vai precisar de mais álcool ou mais drogas; e assim o processo continua de maneira crescente. E acontece exatamente o mesmo na área espiritual. Estas, então, são três negativas de suprema importância. Passemos agora aos pontos positivos. Devemos evitar essas armadilhas perigosas, mas não há mais nada que podemos fazer? Aqui estamos, cansados de fazer o bem, mas o que podemos fazer? A primeira coisa a fazer, é uma auto-avaliação. Comecem por examinar a si mesmos. Não digam que seu estado de melancolia não tem jeito. Não recorram a estimulantes. Parem e digam para si mesmos; "Bem, por que estou cansado? Qual é a causa da minha fadiga?" Certamente é uma pergunta óbvia. Não se deve tratar uma condição antes de diagnosticá-la; não se aplica um remédio antes de saber a causa do problema. É perigoso aplicar um tratamento antes de saber a causa; deve-se diagnosticar primeiro. Portanto, vocês devem primeiro perguntar a si mesmos a razão da sua fadiga, e por que estão nessa condição. Há muitas respostas possíveis para esta pergunta. Podem estar nessa condição simplesmente por excesso de trabalho físico. Podem estar cansados no trabalho, e não do trabalho. É possível que os homens trabalhem demais — quer seja na área natural ou espiritual — sobrecarregando assim seus recursos físicos e desgastando suas energias. Se continuarem trabalhando demais, ou sob pressão, estão destinados a sofrer. E é lógico que, se esta for a causa do problema, o remédio que precisam é tratamento médico. Temos um exemplo marcante disso no Velho Testamento. Lembram-se do ataque de depressão espiritual que Elias sofreu, após o seu heróico esforço no Monte Carmelo? Ele se sentou debaixo de uma árvore e teve pena de si mesmo. Mas o que ele realmente precisava era descanso e alimento; e Deus providenciou as duas coisas. Deu-lhe alimento e descanso antes de lhe dar auxílio espiritual. No entanto, suponhamos que essa não seja a causa do problema. Outra coisa pode ser a causa, e isso é que com frequência temos vivido a vida cristã, ou realizado o trabalho cristão através da nossa energia carnal. Pode ser que tenhamos feito tudo com nossas próprias forças, em vez de operar no poder do Espírito. Talvez tenhamos trabalhado com uma energia puramente carnal, humana e física. Talvez tenhamos tentado fazer o trabalho de Deus por nós mesmos; e é claro que, se tentamos fazer isso, só poderá haver um resultado, seremos esmagados, pois é um trabalho muito elevado. E assim precisamos nos auto-examinar, para ver se há algo errado na maneira como vimos trabalhando. É possível para um homem pregar através da sua energia carnal, mas se o fizer, logo estará sofrendo de exaustão e depressão espiritual. Aqui, porém, surge uma pergunta ainda mais importante e muito mais espiritual. Devo perguntar a mim mesmo por que tenho feito este trabalho, e qual realmente tem sido a minha motivação. Fui ativo na obra, gostei de fazer o trabalho, mas agora percebo que ele se tornou um peso. E agora tenho que responder a pergunta: qual realmente foi minha motivação para fazê-lo todo esse tempo? É uma pergunta terrível, porque talvez seja a primeira vez que a fazemos. Achamos tudo normal, e supomos que nossos motivos sempre foram puros. Mas talvez descubramos que não eram. Algumas pessoas trabalham simplesmente por amor à emoção e entusiasmo do trabalho. Não há qualquer dúvida a respeito. Já vi pessoas envolvidas ativamente no serviço cristão porque havia um certo grau de emoção envolvido nele. Existem pessoas que não conseguem ser felizes a não ser que estejam envolvidas em algo, e não percebem que o fazem simplesmente pela emoção que a atividade oferece. Se vivemos dessa maneira, é certo que logo acabaremos exaustos e fatigados, e também é certo que nosso maior inimigo interno vai entrar em cena — o nosso "eu". Na realidade o que vínhamos fazendo tinha apenas o propósito de agradar o nosso "eu", de satisfazer a nós mesmos, e de podermos dizer a nós mesmos: "Como você é maravilhoso, e quanta coisa você faz!" O "eu" diz que somos importantes. Temos que admitir que não estávamos sendo motivados a trabalhar para a glória de Deus, e sim para a nossa própria glória. Podemos dizer que não queremos louvor, e que "a Deus seja a glória", mas gostamos de ver resultados, e gostamos de vê-los publicados, e assim por diante — o "eu" entrou em ação, e ele é um terrível mestre. Se estamos trabalhando para satisfazer e agradar nosso "eu" de qualquer maneira ou forma, o resultado sempre será fadiga e cansaço. Como é importante questionarmos a nós mesmos sobre a motivação do nosso trabalho! Minha última pergunta, e ela é muito importante, é esta: será que este trabalho tem sido minha motivação para prosseguir? Em vez de ser o trabalho de Deus, será que ele se tornou um tipo de motivação na minha vida? Tenho certeza de que há muitas pessoas que sabem o que quero dizer com isso. Um dos maiores perigos e problemas da vida espiritual é viver das nossas próprias atividades. Em outras palavras, a atividade não está ocupando o lugar que devia, apenas como algo que fazemos, mas tornou-se a fonte da nossa motivação para prosseguir. Algumas das maiores tragédias que tenho visto, têm sido as vidas de homens que não perceberam que por anos viveram na dependência da força e energia das suas atividades. Elas eram a sua motivação, e quando ficaram doentes, ou velhos demais para continuar a trabalhar, ficaram deprimidos. Não sabiam o que fazer consigo mesmos, porque haviam vivido de suas próprias atividades. Suponho que esta é uma das tendências mais óbvias da nossa civilização. É certamente uma das maiores causas de neurose dos dias atuais. Infelizmente o mundo ficou tão louco, que somos impulsionados por esse terrível ímpeto e correria de vida, e em vez de estarmos no controle, isso tudo está nos controlando. E finalmente acaba nos deixando exaustos e deprimidos.

Depressão Espiritual - D. M. Loyd Jones  

livro evangélico

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