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viram, disseram: "Isso é um homem andando sobre as águas? É impossível — tem que ser algum tipo de fantasma, é um espírito". Eles gritaram de medo, e imediatamente Jesus falou, dizendo: "Sou eu, não temais". E então temos essa magnífica expressão da essência da verdadeira fé por parte de Pedro. "Respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas". Isso foi uma expressão de verdadeira fé, pois vemos o que significa: significa que Pedro estava na verdade dizendo ao Senhor: "Se Tu realmente és o Senhor, bem, então eu sei que não há nada impossível para Ti. Prova isso, ordenando que eu saia deste barco, neste mar tempestuoso, e ande sobre as águas". Ele cria no Senhor, em Seu poder, em Sua pessoa, em Sua capacidade. E não cria nisso apenas teoricamente. Ele tentou! O texto nos diz: "E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas". Ora essa é a essência da fé — "Senhor, se és tu. . ." É isso que a fé diz: "Se realmente és Tu, então eu sei que podes fazer isso; manda-me fazê-lo". E ele o fez. Aqui novamente está um grande princípio do qual devemos nos apossar com firmeza. A fé cristã começa e termina com um conhecimento do Senhor. Começa com um conhecimento do Senhor — não uma emoção, nem um ato da vontade, mas um conhecimento desta bendita Pessoa. Não há nenhum valor numa emoção se ela não for baseada nisso. Cristianismo é Cristo, e a fé cristã significa crer certas coisas a respeito dEle, e conhecê-10, e saber que Ele é o Senhor da glória que desceu até nós, saber algo sobre a encarnação, e o nascimento virginal, saber por que Ele veio, saber o que Ele fez quando veio, saber algo sobre Sua obra expiatória, saber que Ele veio — como Ele mesmo disse — não para chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento, saber que Ele diz: "Os sãos não necessitam de médico, mas sim, os que estão doentes"; saber que Ele levou "em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados". Quando as pessoas me procuram num estado de depressão espiritual, quase invariavelmente descubro que estão deprimidas porque não conhecem esses fatos como deveriam. Dizem: "Sou um pecador tão miserável, você não sabe o que eu fui ou o que eu fiz". Por que me dizem isso? Dizem isso porque nunca entenderam o que Ele quis dizer ao afirmar: "Não vim chamar os justos, mas sim os pecadores ao arrependimento". O que estão dizendo em auto-condenação é exatamente aquilo que lhes dá o direito de vir a Ele e ter certeza de que Ele os receberá. Onde existe uma falha em aprender e crer nestas coisas, a fé é fraca. Então uma fé forte significa conhecer estas coisas. Tenho que repetir isso constantemente, e estou constantemente escrevendo estas coisas. Tive que escrever uma longa carta a um homem que eu nunca encontrei, a respeito deste assunto. O pobre homem estava extremamente infeliz e em escravidão. Por quê? Porque ele não tinha entendido que Cristo é o Amigo dos publicanos e pecadores, e que Ele veio para morrer por tais pessoas. Ele não tinha compreendido a Pessoa, não tinha compreendido a obra dessa bendita Pessoa. Sua fé era fraca, e as dúvidas o assaltaram por causa disso. Há muitos que atravessam a vida num estado de miséria e infelicidade porque não compreendem estas coisas. Se tão somente as entendessem, descobririam que sua auto-condenação é em si mesma uma garantia do seu arrependimento e o caminho para sua libertação final. Em outras palavras, o grande antídoto para a depressão espiritual é o conhecimento da doutrina bíblica, da doutrina cristã. Não ter emoções despertadas em reuniões, mas saber os princípios da fé, conhecer e entender as doutrinas. Esse é o caminho bíblico, esse é o caminho de Cristo e é também o caminho dos apóstolos. O antídoto para a depressão é ter um conhecimento dEle, e acharão isso em Sua Palavra. Precisam se esforçar para aprendêla. É trabalho difícil, mas precisam estudá-la e se dedicarem a ela. A tragédia de hoje, parece-me, é que as pessoas dependem demais de reuniões para a sua felicidade. Este tem sido orna problema há muitos anos na Igreja, e é por isso que muitos são tão infelizes. Seu conhecimento da verdade é falho. Isso, vão lembrar, foi o que o Senhor disse a certas pessoas que subitamente tinham crido nEle. Ele disse: "Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:31-32). Libertará de dúvidas ou temores, da depressão, das coisas que abatem vocês. É a verdade que liberta — a verdade a respeito dEle, da Sua pessoa, da Sua obra, dos Seus ofícios, Cristo como Ele é. Apressemo-nos para a segunda coisa. Tendo começado com a primeira, como Pedro começou, de forma tão correta, não esqueçamos a segunda, como Pedro infelizmente esqueceu, isto é, rejeitemos reflexões posteriores. "Ah, mas", alguém diz, "é uma boa coisa, pensar duas vezes". Não com a fé cristã; isso é insensatez. Dúvidas são coisas muito insensatas, e é bom que enxerguemos quão tolas e ridículas elas são. Então, da próxima vez que formos tentados, vamos nos lembrar de Pedro, que nunca deveria ter olhado para as ondas. Por que não? Por esta razão: ele já tinha resolvido a questão antes de sair do barco! Agora percebem porque, previamente, enfatizei o importante detalhe de que a tempestade já estava rugindo antes que o Senhor Se aproximasse do barco. Teria sido completamente diferente se Pedro tivesse pisado num mar calmo, e depois a tempestade viesse. Então ele teria tido uma desculpa. Mas não foi assim, pois quando Pedro disse ao Senhor: "Se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas", ele já tinha resolvido a questão das ondas. Ele já tinha lutado com elas enquanto estava no barco. Sabia que o barco estava jogando, então, quando disse aquilo, na verdade estava dizendo ao Senhor: "Não me importa o que o mar está fazendo". Ele já tinha resolvido, essa questão, então saiu do barco e andou sobre as águas. Não havia nada de novo a respeito das ondas, nenhum fator novo. Ele não foi confrontado por nenhuma situação nova. O Senhor Jesus Cristo estava capacitando-o a andar sobre as águas turbulentas. Bem, por que então olhar para elas? Que razão havia para fazer isso? Nenhuma. Era ridículo, era insensato. Esse sempre é o problema com uma fé fraca, ela volta a formular perguntas que já tinham sido resolvidas e respondidas. Se já creram no Senhor Jesus Cristo, devem, de alguma forma, ter se defrontado e lidado com dificuldades, ou não teria chegado à fé. Por que, então, voltar atrás? É pura insensatez. Não somente é uma questão de incredulidade, mas também uma questão de conduta e comportamento. Por que sentar-se e encarar novamente dificuldades que você já encontrou e resolveu antes de descer do barco? Quero repetir que este aspecto negativo da fé é muito importante. Depois de crer nEle, devem fechar a porta para certas coisas e recusaram-se a olhar para elas. Se já trataram delas, não voltem atrás, considerando-as novamente. Quantas vezes já tive de repetir isso nestes estudos! Quantas vezes nossos problemas se devem ao fato de que voltamos atrás. Pedro nunca deveria ter olhado para aquelas ondas. Não havia desculpa para ele, não havia nada novo a ser considerado. É a essência da fé recusar reflexões posteriores. Rejeitem-nas, não tenham nada a ver com elas. Digam-lhes: "Eu já cuidei de vocês!"

Depressão Espiritual - D. M. Loyd Jones  

livro evangélico

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